Quarta-feira, 17 de Maio de 2017

Beach House - B-Sides and Rarities

Resultado de imagem para beach house 2017

A dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally, está de regresso em 2017 aos lançamentos discográficos depois da parelha de álbuns que lançou em 2015, com um intervalo de dois meses, Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars. Recordo que anteriormente a dupla já havia lançado Beach House (2006), Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012). Desta vez não irá ver a luz do dia um álbum de originais, mas uma compilação de catorze canções com lados b e raridades retiradas de todos os discos da dupla.

Seja como for, deste B-Sides and Rarities dos Beach House irão também constar dois inéditos, os temas Chariot e Baseball Diamond, que foram gravados durante as sessões de Depression Cherry e Thank Your Lucky Stars e dos quais já é possível escutar o primeiro, um tema que assenta numa sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantém intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado. Confere Chariot e o alinhamento de B-Sides and Rarities...

Chariot

Baby

Equal Mind

Used To Be (2008 single version)

White Moon (iTunes session remix)

Baseball Diamond

Norway (iTunes session remix)

Play The Game 

The Arrangement

Saturn Song

Rain In Numbers

I Do Not Care For the Winter Sun

10 Mile Stereo (Cough Syrup Remix)

Wherever You Go


autor stipe07 às 15:51
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Segunda-feira, 30 de Maio de 2016

Snakes - Snakes

Baltimore, no estado do Maryland, é o poiso dos Snakes de Eric Paltell, Cooper Wright, George Cessna e Cobra Jones, uma banda de regresso aos lançamentos discográficos com um homónimo, cuja edição, quer digital quer física, tem a chancela da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Em Theme For Snakes a cortina deste álbum abre-se e perante nós, impávido e sereno, o imenso e quente deserto que preenche grande parte do oeste norte americano mostra-se deslumbrante e altivo e que nomes como John Ford, Howard Hawks, Fritz Lang, ou até mesmo Ennio Morricone, Quentin Tarnatino e Sergio Leone, este último com uma nada desprezável dimensão paródica, projetaram com implacável mestria na grande tela.

Rapidamente se percebe que estes Snakes são uma das bandas que atualmente melhor traduz e interpreta um estilo sonoro que nem sempre é de fácil aceitação do lado de cá do atlântico, mas que é muito caro a um país que nasceu e avançou e deve muito da sua herança cultural aos cowboys e aos seus duelos ao pôr do sol com foras da lei, a garimpeiros e exploradores corajosos e sedentos de riquezas e a saloons empoeirados e a tresandar a whisky pestilento, não só no Texas, mas também em paisagens remotas e selvagens da Califórnia, Arizona, Utah, Colorado ou Wyoming.

As sete canções deste Snakes são uma verdadeira ode e homenagem a todo este ideário, com canções como a pulsante Young American, a sombria e enigmática Aloha From Old Mexico e a cinematográfica Calling Out The Law a colocarem-nos bem no epicentro de uma trama que se serve essencialmente das guitarras para dar vida a histórias onde aventura, crime, paixão, vingança, amor e coragem se misturam e que podemser escutadas, ou até que o sol se ponha ou até que uma bala certeira nos separe e nos desligue destes Snakes. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:07
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2015

Beach House – Thank Your Lucky Stars

Ainda há poucas semanas chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e a dupla já tem outro longa duração nos escaparates. Thank Your Lucky Stars é o novo álbum dos Beach House, um disco editado no passado dia dezasseis de outubro e uma coleção de canções com uma filosofia e uma sonoridade diferentes do álbum anterior, mas que voltam a conter, felizmente, aquela toada simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado.

Em mais nove canções os Beach House continuam a sua demanda camaleónica, já que exalam o contínuo processo de transformação que a dupla procura sempre mostrar, com a marca do indie pop muito presente e com uma dose de experimentalismo cada vez maior. Se Majorette contém um traço melódico algo efusivo e mais luminoso do que as propostas de Depression Cherry, o sintetizador onírico que conduz She's So Lovely e que é já uma imagem de marca da sonoridade da dupla, assim como o falsete doce de Victoria que o acompanha, é mais um convincente apelo para que a nossa mente e o nosso espírito se deixem ir à boleia desta proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, presente neste tema com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

Esta pop experimental dos Beach House está cada vez mais elaborada e charmosa. A batida hipnótica feita no teclado em All Your Yeahs e a variação que ela sofre sem alterar a melodia, num crescendo de corpo e emoção e o fuzz de guitarra em One Thing, que a aproxima-a escandalosamente de alguns detalhes marcantes do rock mais progressivo, ou a exuberância algo barroca do sintetizador de Common Girl, assim como o andamento sentimentalmente pronunciado e épico de The Traveller, são alguns aspetos marcantes desta continua evolução e que nunca defraudam o ambiente contemplativo fortemente consistente deste álbum e que impregna o adn dos Beach House.

Thank Your Lucky Stars é mais uma impressão concetual forjada com superior veia criativa que nos mostra de modo exímio como a dupla consegue que as texturas e as atmosferas que criam, transitem, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas a inquietar constantemente todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Sempre balizados pelos sintetizadores, clarificam esta impressão, também com belíssimas letras, sempre entrelaçadas com deliciosos acordes, num resultado final em que prevalecem quase sempre melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, onde não falta uma estranha escuridão interestelar e uma soul que encarna um notório marco de libertação e de experimentação e nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como só estes Beach House nos podem proporcionar. 

Em Thank Your Lucky Stars viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa melancolia épica algo inocente, mas com uma tonalidade muito vincada e que sopra na nossa mente de modo a envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações, além de atestar a maturidade e a capacidade que esta dupla possui de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - Thank Your Lucky Stars

01. Majorette
02. She’s So Lovely
03. All Your Yeahs
04. One Thing
05. Common Girl
06. The Traveller
07. Elegy To The Void
08. Rough Song
09. Somewhere Tonight


autor stipe07 às 19:05
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

Beach House - Thank Your Lucky Stars (preview)

Beach House Releasing New Album Thank Your Lucky Stars Next Week

Ainda há poucas semanas chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e a dupla já tem outro longa duração na forja e prestes a ver a luz do dia. Thank Your Lucky Stars é o novo álbum dos Beach House, será editado já a dezasseis de outubro e, de acordo com a banda, não é uma compilação de b sides de Depression Cherry ou uma espécie de segundo capítulo do mesmo, mas uma coleção de canções com uma filosofia e uma sonoridade totalmente diferentes, estando ambos muito satisfeitos com o resultado final.

Confere o artwork e o alinhamento deste Thank Your Lucky Stars, um trabalho que será certamente alvo de crítica neste espaço muito em breve e um pequeno filme sobre os Beach House intitulado Forever Still...

We are very excited, it's an album being released the way we want," the band wrote onTwitter. "It's not a companion to Depression Cherry or a surprise or b-sides." (We beg to differ: It very much IS a surprise.

01 Majorette
02 She's So Lovely
03 All Your Yeahs
04 One Thing
05 Common Girl
06 The Traveller
07 Elegy to the Void
08 Rough Song
09 Somewhere Tonight


autor stipe07 às 12:49
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Sábado, 29 de Agosto de 2015

Beach House - Depression Cherry

Ontem chegou às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House, um projeto sedeado em Baltimore, no Maryland, formado pela francesa Victoria Legrand e pelo norte americano Alex Scally e que anteriormente havia lançado Beach House (2006), Devotion (2008), Teen Dream (2010) e Bloom (2012). Gravado em Bogalusa, no Louisiana, entre catorze de novembro e quinze de janeiro últimos, um período de tempo em que ocorreram as datas que marcam as partidas de John Lennon e Roy Orbison, dois nomes consensuais e influentes no seio da dupla, Depression Cherry assenta numa sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, plena de sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, que mantêm intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que vive em redor da voz doce de Victoria e da mestria instrumental de Alex e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado.

Depois do sucesso de Teen Dream e Bloom, seria de esperar que os Beach House mantivessem a progressão sonora e a evolução do contexto comercial que vinham a firmar, optando por um som amplo e ruidoso. Mas aquilo que nos oferece Depression Cherry é uma espécie de retorno às origens, à boleia de nove canções que exalam o contínuo processo de transformação que a dupla procura sempre mostrar, com a marca do indie pop muito presente, mas com uma dose de experimentalismo superior aos dois antecessores citados.

O sintetizador onírico que introduz Levitation e o falsete doce de Victoria que o acompanha, conseguem o efeito pretendido e que o título deste primeiro tema de Depression Cherry encarna. Se realmente pretendemos saborear condignamente este álbum, só nos resta deixarmos a nossa mente e o nosso espírito irem à boleia desta proposta estética assente num clima abstrato e meditativo, presente em praticamente todo o trabalho, com um impacto verdadeiramente colossal e marcante.

Esta pop experimental dos Beach House está cada vez mais elaborada e charmosa. A introdução do fuzz de guitarra nesta canção inicial, ou os devaneios do teclado em Space Song, que marcam o traço melódico do tema, são apenas dois aspetos marcantes desta evolução e todos os detalhes mais eletrificados que nos vão surgindo, nesta e noutras canções, nunca defraudam o ambiente contemplativo fortemente consistente do trabalho. O efeito desse instrumento no single Sparks e, paralelamente, o aparecimento da bateria, além de consolidar essa impressão concetual, sendo balizada pelos sintetizadores, mostra o modo exímio como a dupla consegue que as texturas e as atmosferas que criam, transitem, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquieta todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual.

Há nos Beach House uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida e uma exibição consciente da sua sapiência melódica. Os floreados percussivos do baixo e da bateria de 10:37 e os acordes iniciais épicos e deslumbrantes de PPP são também perfeitos para clarificar essa impressão, não faltando belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes, nestas melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. E a estranha escuridão das melodias interestelares e a soul da secção rítmica de Wildflower, um tema cantado em jeito de lamúria ou desabafo, encarnam um notório marco de libertação e de experimentação, numa canção onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, mas que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e fria, como a paisagem que rodeou os Beach House durante o período de gestação desta e de todas as outras composições de Depression Cherry. Já agora, convém enfatizar que a escrita carrega neste trabalho uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto à sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo fi da sonoridade, mas que, na minha modesta opinião, envolve os Beach House numa intensa aúrea sexual, despindo-os de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que os poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade da dupla.

Depression Cherry é tudo menos um disco igual a tantos outros ou um compêndio sonoro comum. Nele viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa melancolia épica algo inocente, mas com uma tonalidade muito vincada e que sopra na nossa mente de modo a envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os Beach House, ao quinto trabalho, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, iluminado por este excelente disco que atesta a maturidade e a capacidade que a dupla possui de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência, conseguindo também mutar a sua música, disco após disco, e adaptá-la a um público ávido de novidades, que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

Beach House - Depression Cherry

01. Levitation
02. Sparks
03. Space Song
04. Beyond Love
05. 10:37
06. PPP
07. Wildflower
08. Bluebird


autor stipe07 às 14:08
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Domingo, 22 de Março de 2015

Dead Mellotron – Winter EP

Oriundo de Baltimore, no Maryland, o projeto Dead Mellotron editou no passado mês de dezembro Winter, um EP com cinco canções onde reina um cruzamento feliz entre o rock progressivo e uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Intro, a canção de abertura do álbum, plasma essa relação quase simbiótica entre dois universos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, com a fragilidade incrivelmente sedutora de Totaled a mostrar já guitarras e um baixo e uma bateria que seguem a sua dinâmica natural, enquanto assumem uma faceta algo negra e obscura, para criar um instrumental tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

All Gray aconchega a chegada de uma voz sintetizada, que se confunde, de certo modo, com um simples arranjo instrumental, enquanto olha para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, numa melodia que explora uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente nos invade. Acaba por ser nesta canção que se percebe que a escrita dos Dead Mellotron carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi.

Até ao final, a guitarra planante e etérea de Who Else e o sintetizador lisérgico e cósmico por onde deambula Sleepover, mostra como estes Dead Mellotron nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito, já que, principalmente no último tema, das guitarras que escorrem ao longo do mesmo, passando pelo tal sintetizador e os efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do tema tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Winter é como o frio, a chuva, o vento ou a neve que nos apoquentam, enquanto nos recordam da importância dessa estação do ano algo incómoda para o ciclo de renovação da natureza, num EP que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a paisagem vasta, imensa e simultaneamente diversificada que sustenta o universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e que soa poderoso, jovial e inventivo, de onde este projeto norte americano é natural. Espero que aprecies a sugestão... 

No Cover

01. Intro

02. Totaled
03. All Gray
04. Who Else
05. Sleepover


autor stipe07 às 21:57
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Domingo, 11 de Janeiro de 2015

Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir atualmente em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam a antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que para Bear o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental estranhamente aproximou-se da pop.

Panda Bear Meets The Grim Reaper, sucessor do aclamado Tomboy e quinto álbum da carreira deste músico norte americano que reside em Lisboa há oito anos, sabe a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco. Nos mais de cinquenta minutos que dura, encontramos uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos. As canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea, o que faz com que Panda Bear Meets The Grim Reaper esteja longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.

Impecavelmente produzido por Peter Kember e pelo próprio Panda Bear e editado através da Domino Recordings, Panda Bear Meets The Grim Reaper começou a ser idealizado na mente criativa do músico durante as gravações de Centipede Hz, o último registo dos Animal Collective. Declaradamente influenciado pelo movimento hip-hop que floresceu na última década do século passado com nomes como Dust Brothers, Q-Tip, A Tribe Called Quest, Pete Rock, DJ Premier, 9th Wonder, e J Dilla, a serem influências assumidas, o álbum plasma essas referências do passado tingidas com novidade, algo que confere a este disco um resultado ao mesmo tempo nostálgico e inovador, com o indie rock, a folk, esse hip-hop e a electrónica, a cruzarem-se constantemente entre si, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a sua complexidade à medida que o vamos ouvindo de forma viciante.

Assim que Panda Bear começa a preparar o terreno com Sequential Circuits e somos invadidos pelo esplendor do efeito vocal que ecoa nos nossos ouvidos, percebemos que estamos prestes a escutar algo grandioso, plasmado logo no épico festim que parece implodir a qualquer instante em Mr Noah, e no eletropunk blues, enérgico e libertário, que escorre por todos os poros desta canção. Já completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou esse tema, desaceleramos e mudamos de direção, como se tivessemos transposto quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, embalados pelo intro Davy Jones’ Locker, que estende graciosamente a passadeira vermelha ao belíssimo instante de folk psicadélica que é Crosswords, uma das canções mais melancólicas e acessíveis da carreira deste músico. O ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada, prossegue a sua demanda triunfal na insanidade desconstrutiva e psicadélica em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Butcher Baker Candlestick Maker, na incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar em Latin Boy e no poderio eloquente do ruído de fundo da monumental Come To Your Senses, um bom tema para desesperar mentes ressacadas.

Mesmo no doce romantismo da trompete e da harpa de Tropic Of Cancer e do piano de Lonely Wanderer, dois lindíssimos instantes pop, que entre o experimental e o atmosférico, seduzem e emocionam, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta. 

Até ao final, se Principe Real impressiona pela sintetização da voz omnipresente, em contraste com a batida grave e o baixo pulsante entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno, que poderá ser a Lisboa que também é de Bear e onde há um jardim com o nome da canção que pode ser um local aprazível para a escuta de Panda Bear Meets The Grim Reaper, já a hipnótica Selfish Gene subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente, enquanto sentados num banco desse espaço verde, isolados por um par de auscultadores de última geração, abosrvemos egoisticamente todo o cruzamento espectral e meditativo de que o disco vive.

O ocaso chega mais depressa do que gostaríamos com Acid Wash, canção que sabe claramente a despedida e onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático sintético com um volume crescente.

Panda Bear Meets The Grim Reaper é um álbum extraordinário porque além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais através de canções que nos fazem querer descobrir a sua complexidade à medida que se escuta o alinhamento de forma viciante. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no seu som, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que Panda Bear se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Panda Bear Meets The Grim Reaper

01. Sequential Circuits
02. Mr Noah
03. Davy Jones’ Locker
04. Crosswords
05. Butcher Baker Candlestick Maker
06. Boys Latin
07. Come To Your Senses
08. Tropic Of Cancer
09. Shadow Of The Colossus
10. Lonely Wanderer
11. Príncipe Real
12. Selfish Gene
13. Acid Wash


autor stipe07 às 18:25
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Domingo, 30 de Novembro de 2014

VLMA - VLMA

Os VLMA (pronuncia-se Velma) são uma dupla norte americana oriunda de Ellicot City, no estado de Maryland, formada por Travis Kuncl (voz e baixo) e Alex Velle (guitarra). Apostam num indie rock lo fi de garagem, com fortes ligações ao grunge, com os Nirvana, por exemplo, a serem uma influência assumida, mas também os Fidlar ou os Mudhoney. VLMA é o trabalho mais recente da dupla, um disco homónimo editado a vinte e oito de outubro, em formato digital e em cassete, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

VLMA são oito canções cheias de guitarras carregadas de riffs poderosos, cheios de fuzz e distorção, mesmo na balada Flies. É um trabalho que tem todos os ingredientes que um disco deve conter para não passar despercebido e fazer mossa em todos aqueles que apreciam o rock que começou a surgir na década de sessenta e o grunge, que para uns é um género próprio e para outros uma derivação mais crua e alternativa do rock e que fez escola no início da última década do século passado. Mas além do rock clássico e do grunge, o punk também é aqui um elemento essencial, não só no cariz lo fi e cru da produção, como na voz, sempre intensa e visceral, de Travis.

Num alinhamento enérgico e gravado e produzido de modo totalmente analógico, sem recurso a computadores, apenas com a ajuda de uma máquina caseira de reverbs e um gravador de cassetes Otari mx5050, com cerca de trinta anos, além dos instrumentos, os VLMA não complicam e incorporam acordes e ditorções e ritmos rápidos, detalhes sonoros que entram facimente na nossa mente, arrepiam a espinha e que dão vontade de gritar, dançar e deitar cá para fora toda a energia acumulada.

Thumb Bucket Slime são os dois maiores destaques de VLMA, principalmente o primeiro tema, que sobrevive  numa espécie de mistura entre grunge e blues, mas os restantes temas não se afastam da toada. Aliás, todo o disco parece ter sido gravado de uma só vez, como se tivesse resultado de uma longa e ininterrupta jam session; As próprias interrupções que se escutam, as pausas e quebras de ritmos, dão uma maior ideia de autenticidade ao trabalho e a perceção que estamos perante o próprio grupo a tocar enquanto escutamos o álbum. Frequentemente o ritmo acelera, o amplificador bate facilmente o red line e uma vontade compulsiva de mochar invade-nos instantaneamente. No entanto, impressiona o virtuosismo dos músicos e nota-se que, além de serem excelentes intérpretes, existe uma enorme empatia e sincronização no seio dos VLMA.

Em VLMA e nos VLMA há atitude e talento. Estamos na presença de dois músicos exímios e capazes de nos levar numa viagem sonora enérgica e que nos permite perceber e sentir o que de melhor se faz atualmente no campo do rock. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:22
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

VLMA - Slime

Depois de Thumb Bucket, Slime é o segundo avanço para VLMA, um disco homónimo de uma dupla norte americana oriunda de Ellicot City, no estado de Maryland, formada por Travis Kuncl (voz e baixo) e Alex Velle (guitarra). Esse trabalho será editado a vinte e oito de outubro através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Os VLMA (pronuncia-se Velma), apostam num indie rock lo fi de garagem, com fortes ligações ao grunge e onde os Nirvana a são uma influência assumida. Slime está disponivel para download e foi gravada e produzida de modo totalmente analógico, sem recurso a computadores, apenas com a ajuda de uma máquina caseira de reverbs e um gravador de cassetes Otari mx5050, com cerca de trinta anos, além dos instrumentos. Confere o resultado...


autor stipe07 às 15:55
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

VLMA - Thumb Bucket

Travis Kuncl (voz e baixo) e Alex Velle (guitarra) são os VLMA (pronuncia-se Velma), uma dupla norte americana oriunda de Ellicot City, no estado de Maryland. Apostam num indie rock lo fi de garagem, com fortes ligações ao grunge e onde os Nirvana a são uma influência assumida.

Thumb Bucket é o mais recente tema divulgado pelos VLMA, o avanço de um disco homónimo que será editado a vinte e oito de outubro através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.
Esta canção está disponivel para download e foi gravada e produzida de modo totalmente analógico, sem recurso a computadores, apenas com a ajuda de uma máquina caseira de reverbs e um gravador de cassetes Otari mx5050, com cerca de trinta anos, além dos instrumentos. Confere o resultado...


autor stipe07 às 13:21
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