Quinta-feira, 27 de Agosto de 2015

Foals - What Went Down

Gravado em França e produzido pelo excelente James Ford, músico dos Simian Mobile Disco e uma mente inspirada que já colocou as mãos em obras primas de Jessie Were, Florence + The Machine ou os Arctic Monkeys, What Went Down é o quarto disco de estúdio dos britânicos Foals, um disco que vai ver a luz do dia amanhã, vinte e oito de agosto, através da Transgressive Records e que, de acordo com Yannis Philippakis, o líder da banda, é o trabalho mais pesado que o grupo já gravou.

Os Foals têm sido uma banda em constante mutação sonora. Da transposição das guitarras experimentais de Antidotes para o ambiente claustrofóbico de Total Life Forever, esse sempre difícil segundo disco, até ao clima mais animado e até dançável de Holy Fire, este quinteto natural de Oxford nunca se sentiu confortável com o ideal de continuidade e preferiu, disco após disco, romper de algum modo com as propostas anteriores e saciar uma vontade constante de inovação, transformação e desenvolvimento do referencial sonoro que carateriza a banda. What Went Down é um novo passo nesta caminhada triunfante e rumo a um território mais negro, sombrio e encorpado, com pistas que a banda já tinha deixado em alguns temas de discos anteriores, mas que é agora assumido e torna-se transversal ao alinhamento das dez canções de What Went Down, a começar, logo no início, com o tema homónimo, uma das canções mais cruas e selvagens com que os Foals nos brindaram na sua carreira e que dará ainda mais potência aos já lendários concertos da banda.

O papel de James Ford terá sido também decisivo para esta opção, quanto a mim feliz e que assenta em guitarras eloquentes e que aceleram a fundo. Elas não reprimem nenhum impulso na hora de puxar pelo red line, mas também sabem deliciar-nos com aqueles efeitos de inspiração oriental que ao longo do tempo foram tipificando a identidade sonora dos Foals. Mountain At My Gates e a exótica e quente Birch Tree são duas canções que contam com efeitos que justificam tal percepção, com a primeira a ter ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que a sustenta.

Chega-se a Give It All e a cândura deste tema cheio de efeitos borbulhantes e coloridos, torna-se no bálsamo retemperador perfeito para recuperarmos o fôlego de um início tão intenso, mas What Went Down volta a rugir nos nossos ouvidos, deixando-nos novamente à mercê do fogo incendiário que alimenta o disco, com o tribalismo percussivo e a rugosidade instrumental de Albatross, a epicidade frenética, crua e impulsiva de Snake Oil e a sensualidade lasciva de Night Swimmers, a melhor sequência do álbum. Estes temas agitam ainda mais a nossa mente e forçam-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine.

Até ao ocaso de What Went Down, o sentimentalismo penetrante e profundo de London Thunder, a delicadeza cativante de Lonely Hunter e mais um exemplo da tal intensidade visceral e progressiva, plasmado em A Knife In The Ocean, cimentam este compêndio aventureiro, mas também comercial, na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Foals - What Went Down

01. What Went Down
02. Mountain At My Gates
03. Birch Tree
04. Give It All
05. Albatross
06. Snake Oil
07. Night Swimmers
08. London Thunder
09. Lonely Hunter
10. A Knife In The Ocean

 


autor stipe07 às 21:28
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015

Vows – Soon Enough Love

O indie rock psicadélico está na ordem do dia e não há volta a dar. Rebocado pelo sucesso de nomes como os The Flaming Lips, The Blank Tapes, Tame Impala, POND, MGMT e tantos outros, é um espetro sonoro que floresce da Austrália ao sol da Califórnia e agora também em Burlington, nos arredores de Nova Jersey, à boleia dos Vows, uma dupla formada por Jeff Pupa e James Hencken e que editou a quinze de junho, com a ajuda inestimável da Section Sign RecordsSoon Enough Love, o terceiro álbum da carreira deste projeto.

Tal como sucedeu com os dois trabalhos atecessores, Winter’s Grave em 2011 e Stranger Things em 2013, Soon Enough Love foi gravado e produzido num ambiente eminentemente caseiro, desta vez numa sala de estar em Vermont e numa cave de Nova Jersey. Sem pressões editoriais e uma data pré-estabelecida para ver a luz do dia, o disco foi sendo incubado através da troca de ficheiros entre os músicos, com os temas a florescerem e a ganharem vida própria num ambiente tipicamente lo fi, sem hesitações, de modo espontâneo e sem artifícios exteriores aos Vows.

Envolvente, quente, épico, mas também intimista e acolhedor, Soon Enough Love é um tratado de pop psicadélica, pleno de fuzz e reverb e que redefine o som dos autores para um patamar superior de lisergia. Com a participação especial de Sabeel Azam na guitarra elétrica em alguns temas, o trabalho flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocado pela mestria vocal de Pupa e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao baixo e pela habilidade inata de Hencken à frente dos sintetizadores e da percussão.

Temas como a estratosférica e exuberante Day To Day, canção que ressuscita alguns detalhes que elevaram em tempos os The Beach boys a um grau superior de devoção, o charme de Candy, o festim eletrónico em que se desmultiplica Futuis Eam e que encarna uma faceta mais pop em Come To Your Senses, ou o cariz sedutor de Letter From The Sun, mostram-nos uns Vows a procurar recriar uma luta constante entre guitarra e sintetizador, sendo quase indefinivel o grau de primazia de um dos dois componentes quer na componente melódica, quer na arquitetura não só destas, mas também de outras composições do disco. Na verdade, estamos na presença de uma verdadeira trip sonora tumultuosa, mas também aditiva, com as canções a tentarem, a todo o custo, sair da espécie de colete de forças lo fi em que se encontram enclausuradas, em busca de um sol que, neste caso, poderá ser nefasto, já que se as iluminar em demasiado irá retirar-lhes a crueza e o reverb que molda a personalidade de um alinhamento que tem nesta penumbra constante o seu atributo maior, um alinhamento feito de canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas.

Para amadurecer não é preciso parecer demasiado complicado e criar sons e melodias intrincadas. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção. Para que isso suceda a fórmula correcta é feita com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita para demonstrar essa formatação adulta, assim como a capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que uma banda se insere. Assim, Soon Enough Love é mais um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos. No fundo, é uma espécie de caldeirão sonoro feito por mais uma dupla que sabe como recortar, picotar e colar o que de melhor vai sendo sugerido hoje no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Vows - Soon Enough Love

01. Futuis Eam
02. Day To Day
03. Candy
04. Sound Island
05. The Snake
06. Shrinking Violet
07, Letter From The Sun
08. Come To Your Senses
09. Kemps Ridley
10. Nothing to Prove


autor stipe07 às 21:41
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2015

Leo Abrahams - Halo Effect

O músico, produtor e guitarrista Leo Abrahams é uma das novas coqueluches da independente londrina Lo Recordings e reconhecido pela sua participação em discos de Brian Eno, Pulp, Florence + The Machine e Roxy Music, entre outros, além de ter produzido artistas tão reconhecidos como os Wild Beasts, Brett Anderson (Suede) e Karl Hyde (Underworld).

Já no outono Abrahams irá editar o seu quinto registo de originais e o instrumental Halo Effect é o primeiro avanço desse trabalho cujo título ainda não foi divulgado. De um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, é de esperar quase tudo desse disco. Seja como for, não há como acender as luzes de néon e sentirmo-nos teletransportados para uma movimentada ruda de Tóquio à boleia de um tema impregnado de batidas e efeitos sintetizados que disparam em diferentes direções, de mãos dadas com alguns acordes de guitarra deslumbrantes e luminosos. Confere...


autor stipe07 às 14:27
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015

Au Revoir Simone - Red Rabbit

Au Revoir Simone - Red Rabbit

Editado no princípio de outubro de 2013 pela Moshi Moshi Records. Move In Sprectrums, o quarto disco das Au Revoir Simone de Erika Spring, Annie Hart e Heather D'Angelo, continua a dar dividendos ao projeto já que ainda não se vislumbra sucessor. No entanto, tal não significa que não haja novidades desta banda oriunda de Brooklyn, Nova Iorque.

Red Rabbit é o novo original das Au Revoir Simone, uma canção que faz parte do alinhamento da banda sonora de Love, Marilyn e a sensualidade colorida e etérea do tema encaixa no espírito do filme e da musa que o inspirou. Confere...


autor stipe07 às 17:15
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Sábado, 22 de Agosto de 2015

Dreams Never End - A Tribute To New Order

Qualquer pessoa em uma pista de dança já vibrou com algum sucesso dos New Order, aquela banda de Manchester que nasceu após o suicídio de Ian Curtis, líder dos Joy Division. A publicação brasileira The Blog That Celebrates Itself de Renato Malizia tomou a iniciativa de criar uma compilação de tributo aos New Order, curiosamente, ou talvez não, numa altura em que esta icónica banda britânica está de regresso aos lançamentos discográficos com Music Complete, um álbum que chegará às lojas a vinte e cinco de setembro, à boleia da Mute Records.

Primeiro disco desta banda fundamental e pioneira na mistura de indie rock com a eletrónica sem o baixista Peter Hook, em compensação Music Complete contará com a teclista Gillian Gilbert, esposa do baterista Stephen Morris, de regresso à banda, de onde tinha saído em 2001 para cuidar dos filhos do casal.

A compilação está diponível gratuitamente ou com a posibilidade de doares um valor pela mesma e contém clássicos da banda como Ceremony, Blue Monday, Waiting For The Siren's Call ou Bizarre Love Triangle, revisitados por nomes tão importantes como Babbling April, Ambros Chapel, Pure os DRLNG de Eliza Brown e Martin Newman, bandas que conseguiram respeitar a essência pós-punk dos New Order, com o cunho pessoal e contemporâneo que ofereceram às canções. Estes últimos são mesmo, na minha opinião, o grande destaque deste tributo, pela aúrea mística, intima e marcadamente nostálgica que recriaram em Bizarre Love Triangle. Confere...


autor stipe07 às 21:33
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Beirut - Gibraltar

Beirut - Gibraltar

Gravado em Nova Iorque, em pouco mais de um mês, durante um período do último inverno particularmente frio, No No No é o novo compêdio de canções dos Beirut de Zach Condon, ao qual se juntam Nick Petree, Paul Collins, Ben Lanz e Kyle Resnick, um trabalho que irá ver a luz do dia a onze de setembro através da etiqueta 4AD.

O primeiro tema divulgado de No No No foi o homónimo, uma canção evidencia a nova fase positiva da vida pessoal de Condon, que reencontrou novamente o amor e ultrapassou definitivamente o colapso físico e mental que o músico sofreu em 2013, na Austrália, devido aos seu processo de divórcio. Agora, algumas semanas depois, chegou a vez de nos deslumbrarmos com a pop clássica, charmosa e com uma pitada de tropicália de Gibraltar, um título feliz para uma canção que sabe ao nosso sol e irradia a típica luz mediterrânica. Para apresentar este novo trabalho, os Beirut vão estar em digressão pela América do Norte e pela Europa. Confere...


autor stipe07 às 21:20
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2015

Deerhunter – Snakeskin

Deerhunter - Snakeskin

Após um hiato de dois anos, os Deerhunter de Bradford Cox já têm sucessor para os muito aclamados Halcyon Digest e Monomania. É já em outubro que vai ver a luz do dia, à boleia da insuspeita 4AD, Fading Frontier, o sexto e próximo disco desta banda nova iorquina, um trabalho poroduzido por Ben H. Allen III (Animal Collective, Washed Out) e que será mais um agregado de canções que irão certamente contar com transições entre o harmonioso e o caótico, sempre com um pano de fundo sonoro cru e pujante.

As guitarras sujas e o som assertivamente rugoso de Snakeskin constituem o primeiro avanço divulgado de Fading Frontier, tema que transporta consigo, além da sonoridade rock setentista, um funk psicadélico particularmente alegre e bastante dançável, com as distorções e os ruídos de fundo constantes, que já são uma imagem de marca dos Deerhunter, testada desde o versátil Microcastle (2008), a conduzirem a canção por um ambiente claramente festivo. Confere...


autor stipe07 às 09:12
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

Low - Lies

Desde a última década do século passado que os Low de Alan Sparhawk, Mimi Parker e Steve Garrington têm vindo a impressionar-nos com a sua pop emotiva e sedutora e Ones And Sixes, o próximo disco deste grupo norte americano oriundo de Duluth, promete ser mais um marco significativo na sua carreira.

Ones And Sixes chegará aos escaparates a onze de setembro através da Sub Pop e Lies, o mais recente tema divulgado do trabalho, impressiona pelo modo como as vozes de Sparhawk e Parker se entrelaçam, à boleia de uma melodia etérea, melancólica e bastante contemplativa. Esta é uma daquelas canções que dá vontade de colocar em modo repeat e usufruir, relaxadamente e vezes sem conta. Confere...

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autor stipe07 às 12:04
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

Kitty Finer - No-One Needs To Know

Filha de Jem Finer dos The Pogues e com quem já teve a banda The Good, The Bad And The Ugly, juntamente com uma irmã, Ella Finer, Kitty Finer está a apostar definitivamente na sua carreira a solo com o lançamento de No-One Needs To Know, um single que a cantora escreveu e produziu juntamente com Noah Kelly e que se debruça sobre as atribulações e as dificuldades que as figuras públicas têm, nos idas de hoje, de passar despercebidas, já que basta serem identificadas para, à boleia das redes sociais, haver a possibilidade de nesse exato momento tornar-se massiva a informação do seu paradeiro e localização.

Baterista de formação, Kitty Finer aposta na soul de uma guitarra e na sua voz sedutora para propôr uma canção animada e bastante emotiva, que está disponível para download gratuito e que poderá antecipar um disco de estreia, já que a compositora encontra-se em estúdio a gravar. Confere...    

 

 


autor stipe07 às 22:03
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Sábado, 15 de Agosto de 2015

Hurts - Lights

Hurts - Lights

A dupla britânica Hurts regressa aos discos a seis de outubro com Surrender, o terceiro trabalho do projeto e que foi produzido por Stuart Price e Ariel Rechstaid. Lights é o single mais recente divulgado do álbum, canção sedutora, com uma firme impressão da pop eletrónica dos anos oitenta, assente num refrão marcante, em guitarras plenas de groove, cordas dinâmicas e uma percussão onde não faltam efeitos de palmas. Monumento de sensualidade, este tema antecipa um disco que deverá ter sido pensado para dançar no escuro, de preferência com a pessoa amada. Confere...


autor stipe07 às 10:35
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