Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

The New Pornographers – Brill Bruisers

Chegou no passado dia vinte e seis de agosto aos escaparates, através da Matador Records e da Last Gang, Brill Bruisers, o sexto álbum de estúdio dos canadianos The New Pornographers e o primeiro em quatro anos. Os The New Pornographers são um super grupo natural de Vancouver e formado por Dan Bejar, Kathryn Calder, Neko Case, John Collins, Kurt Dahle, Todd Fancey, Carl Newman e Blaine Thurier, sendo alguns destes nomes, nomeadamente Bejar (Destroyer), Neko Case e Newman, verdadeiramente fundamentais para a indie contemporânea. Newman descreve este Bill Bruisers como um álbum de celebração. Depois de períodos complicados estou num ponto da minha vida em que nada me puxa para baixo e a música reflecte isso, acrescenta o músico. O curioso artwork do disco é da autoria dos artistas Steven Wilson e Thomas Burden e, já agora, a palavra Brill do título alude ao Brill Building, um edifício em Nova Iorque onde o som da pop e do rock dos anos sessenta foi definido pelos compositores e etiquetas que tinham escritórios ali.

A primeira coisa que me apraz dizer depois de ter escutado este disco é que Brill Bruisers é luz em forma de música, um disco cheio de brilho e cor em movimento, uma obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana, apesar de, por exemplo, War On The East Coast, o single já extraído, ser sobre o lado mais negro de um mundo feito de dúvidas, deceções e guerras, tantas vezes desnecessárias e incompreensiveis. Seja como for, mesmo nessa canção, não se deixa de ter vontade de pular e de querer desertar desse universo paralelo para um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos e que, nestas treze canções, podem surgir nas notas mais delicadas, até quando elas estão num modo particularmente explosivo, ou então, e principalmente, nas vozes, que se alternam e se sobrepôem em camadas, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que Newman chama de som de banda.

Em Brill Bruisers quem vence é aquela pop clássica e intemporal que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes deslumbrantes. E não é preciso ser demasiado complicado e criar sons e melodias intrincadas. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção e os The New Pornographers sujeitam-se seriamente a obterem tal distinção, já que usaram a fórmula correcta, feita com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita que muitas vezes existe no universo musical para demonstrar uma formatação adulta e a capacidade de se reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que uma banda se insere.

No fundo, Brill Bruisers é um álbum pop poderoso, orquestral e extremamente divertido, sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, num disco sem cantos escuros, já que nele nem uma balada se escuta, mesmo em momentos mais lentos como Champions Of Red Wine.

Brill Bruisers é um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referênciasque nos permitem aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, onde tudo soa utopicamente perfeito. É uma espécie de caldeirão sonoro feito por um elenco de extraordinários músicos e artistas, que sabem melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe neste universo sonoro ao qual dão vida e que deve estar sempre pronto para projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte, assentes num misto de power pop psicadélica e rock progressivo. Espero que aprecies a sugestão...

The New Pornographers - Brill Bruisers

01. Brill Bruisers
02. Champions Of Red Wine
03. Fantasy Fools
04. War On The East Coast
05. Backstairs
06. Marching Orders
07. Another Drug Deal Of The Heart
08. Born With A Sound
09. Wide Eyes
10. Dancehall Domine
11. Spidyr
12. Hi-Rise
13. You Tell Me Where

 


autor stipe07 às 21:16
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Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy

Damien Rice letras

Pouco depois de anunciar o lançamento de um novo álbum, Damien Rice divulgou a primeira música do trabalho. Intitulada My Favourite Faded Fantasy, o mesmo nome do disco, a canção de mais de seis minutos de duração tem um início bastante calmo e contemplativo, para depois evoluir para uma sonoridade vibrante, uma das marcas inconfundíveis do músico.
Com produção de Rick Rubin, o álbum My Favourite Faded Fantasy, o primeiro de Rice em oito anos, será composto por oito canções e tem lançamento marcado para o dia onze de novembro, através da Warner. Confere...

Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy


autor stipe07 às 17:17
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Mark Lanegan Band – No Bells On Sunday EP

O projeto Mark Lanegan Band acaba de editar No Bells On Sunday, um EP com cinco canções que viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto, apenas em formato vinil, através da Looded Soil/Vagrant Records. Também já é público que haverá novo disco do projeto até ao final do ano e que o mesmo irá chamar-se Phantom Radio.

Antigo membro dos Screaming Trees e dos Queens Of The Stone Age, Mark Lanegan sempre se evidenciou pelo registo peculiar da sua voz, tendo feito dela um grande trunfo, algo que tem ampliado na carreira a solo, com o seu tom grave a ser quase sempre atrelado a atmosferas melódicas melancólicas e sombrias. Mesmo quando se arriscou nas covers, em Imitations, ou colaborou com nomes tão importantes como Moby ou as Warpaint, Mark nunca abdicou deste selo identitário, procurando sempre criar uma atmosfera de verdadeira comunhão com os seus ouvintes, que já aprenderam também a apreciar a forma incisiva como consegue escrever sobre a tristeza, de forma qase sempre bela e profundamente comtemplativa.

Smokestack Magic, a canção que encerra o EP, é um dos melhores exemplos na carreira de Lanegan sobre esta sua capacidade de dar-nos as mãos enquanto deixa envolver a sua voz profundamente orgânica com texturas e arranjos sintetizados, com um resultado bastante lisérgico, numa espécie de clímax invertido, tal é o cariz fortemente entorpedecedor e simultaneamente hipnótico e anestesiante do tema.

Nas outras quatro canções há que não perder de vista o elevado grau de emotividade de Dry Iced e a beleza orquestral de No Bells On Sunday, um tema que impressiona por piscar o olho ao krautrock, por causa da percussão e dos efeitos da guitarra, uma canção lenta e triste, mas cheia de belos arranjos e orquestrações e com um refrão que ecoa com elevada pessoalidade e sentimentalismo. Finalmente, Sad Lover é a canção que melhor aposta na herança mais roqueira de Mark Lanegan, um bom tema num EP que antecipa um possível excelente longa duração, que não deverá dispensar a condução vocal grave e o ambiente fortemente contemplativo que parece ser a matriz identitária desta nova fase da carreira deste músico norte americano natural de Ellensburg, em Washington. Espero que aprecies a sugestão...

Mark Lanegan - No Bells On Sunday

01. Dry Iced

02. No Bells On Sunday
03. Sad Lover
04. Jonas Pap
05. Smokestack Magic

 


autor stipe07 às 22:49
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Los Waves - Strange Kind Of Love

Depois do EP Got A Feeling, a dupla lusa Los Waves, formada por José Tornada e Jorge da Fonseca e que tem dado nas vistas devido à sonoridade única e até algo inovadora, tendo em conta o panorama musical nacional, está de regresso com um novo single intitulado Strange Kind Of Love, numa altura em que se preparam para lançar o tão aguardado primeiro longa duração This Is Los Waves So What? em Portugal, com distribuição pela Sony Music Portugal. Nos Estados Unidos e no Reino Unido a edição fica a cargo da Summer Filth Records.

Recordo que os Los Waves começaram a carreira em Londres, em 2011, onde deram os primeiros concertos em salas icónicas como o Old Blue Last, Cargo e Camden Barfly e nesse mesmo ano, lançaram os primeiros EP’s, Golden Maps e How Do I Know, que deram logo que falar na imprensa, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. Rapidamente atravessaram o Oceano Atlântico, onde conseguiram colocar músicas em vários canais de televisão, nomeadamente a a MTV, FOX, AXN e CBS, com destaque para a participação em bandas sonoras de séries como Gossip Girl (com Strange Kind Of Love, umamúsica até hoje nunca editada), Jersey Shore (com a música Golden Maps) ou Mentes Criminosas (com a música Got A Feeling).

Strange Kind Of Love tem a sonoridade eletrónica vintage típica das propostas anteriores dos Los Waves, com a particularidade de ser uma canção envolvidas por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial. É uma música que, de acordo com o press release do lançamento, fala daquele amor que faz o mundo girar, parte de uma história de amor não correspondido para nos falar de outros tipos de amor. O amor vem assim sob a forma de todas as coisas, da simplicidade que enche a alma de uma forma natural, como a luz que refracta no prisma, como os últimos raios de luz que enchem a íris numa tarde de verão, sob a influência e o calor das leis universais.

Festiva, melodiosa e solarenga, esta nova canção dos Los Waves é mais um exemplo sonoro que faz deste projeto, como já disse, algo único e distinto a nível nacional. Confere...


autor stipe07 às 16:54
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Domingo, 14 de Setembro de 2014

Tracer Flare – Sigh Of Relief EP

Chegou no passado dia três de setembro aos escaparates Sigh Of Relief, o novo EP dos canadianos Tracer Flare, uma banda de Montreal formada por Dan Stein, Marc Morin, Frank Roberts e Max Tremblay e que procura afincadamente o seu lugar de destaque no universo sonoro ocupado pelo revivalismo do post punk e do indie rock.

Logo na estreia, identificam-se em Sigh Of Relief algumas nuances que dão ao EP um cunho identitário muito próprio e que serão certamente matrizes identitárias da sonoridade futura dos Tracer Flare, nomeadamente a clareza e a segurança com que cruzam um sintetizador assertivo e cheio de efeitos vintage, com a distorção das guitarras, um baixo pulsante e uma bateria vigorosa e quente.

Em Sigh Of Relief não há uma aposta clara numa maior primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em detrimento das guitarras, ao contrário do que tantas vezes sucede em projetos similares, que partem, tantas vezes, com demasiada sofreguidão em busca de uma toada mais comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. Os Tracer Flare parecem ter a noção dos momentos certos e, para começar, querem, acima de tudo, establecer uma identidade própria, para então depois partirem para outros voos. Um bom exemplo disso é This Is You, um tema que traz diversos timbres de sintetizador, mas que depois se tornam quase impercetíveis quando se entrelaçam com as guitarras e com uma bateria pulsante.

Se os Interpol ou os Editors parecem ser uma grande referência, nomes como os TV On The Radio ou os próprios Beach Fossils parecem ser também bastante escutados no refúgio dos Tracer Flare, algo que temas como Empty Vessel ou Stare denotam, notando-se uma clara abrangência no espetro sonoro que apreciam, com as virtudes e os perigos que isso significa. Mas o que ressalta nos Tracer Flare em relação a outros grupos é terem optado por ser realmente sonoramente, simultaneamente teatrais e genuínos, no fundo, mais dramáticos do que propriamente comerciais, o que potencia, para o bem e para o mal, o conteúdo deste EP de estreia.

Em suma, Sigh Of Relief dá ao mundo sete canções amplamente influenciadas por uma sonoridade já transversal a várias décadas e uma banda que sabe criar as suas próprias personagens que procura resgatar algo de novo no post punk. Cada um destes temas não tem receio em se desdobrar num permanente conflito entre o vintage e o contemporâneo e mesmo tão embrenhado num som que já se firmou há trinta anos, Sigh Of Relief tem um refinamento muito próprio e bastante atual. Espero que aprecies a sugestão...

Tracer Flare - Sigh Of Relief

01. Empty Vessel

02. Delete
03. This Is You
04. Walk On Water
05. Stare
06. Border
07. Black Box


autor stipe07 às 21:40
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Ty Segall - Manipulator

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011 e do excelente Twins, (2012), Ty está de volta com mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se Manipulator e viu a luz no passado dia vinte e oito de agosto, por intermédio da Drag City.

O alinhamento deste novo disco de Ty Segall contém, imagine-se, dezassete canções e Susie Thumb é uma delas, o primeiro tema divulgado da rodela, um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem dos anos setenta, uma canção que surpreende pelas guitarras sujas e por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um disco que surprende não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em temas como The Singer e The Clock, assim como pelas já habituais linhas de baixo absolutamente incríveis que, em It’s Over, atingem um grau de maturidade que surpreende, mesmo quando falamos de um músico que já não tem muito a provar e que pode dar-se ao luxo de, com sete bons discos em carteira, poder apresentar um alinhamento que vá ao encontro daquilo que realmente considera significativo e o preenche.

Conhecido pelo acerto com que domina o indie rock mais garageiro e por não se mostrar particularmente reservado e piedoso quando pretende criar climas sonoros verdadeiramente psicadélicos, Ty surpreende neste Manipulator também pela forma como sugere canções ritmicamente bastante apetecíveis. Basta escutar Feel para se perceber que apesar de ter amainado um pouco a habitual toada visceral e rugosa que o acompanha, Ty consegue manter intocável o seu ADN feito com o habitual ambiente psicadélico de outrora e sem deixar mal a sua alma de guerreiro do noise rock. E depois, mesmo que instrumentalmente ele se torne um pouco mais ousado, seja na toada folk e blues das cordas acústicas e elétricas da tal The Singer ou no baixo de It's Over, apresenta sempre imensos argumentos para que nunca tenhamos a ousadia de duvidar da sua capacidade de estar sempre num patamar qualitativo superior, algo que impressiona os mais atentos que estão a par da regularidade impressionante com que este músico cria, como se a permanente prática e o teste de toda a pafernália que o indie rock certamente suscita em quem se apresta a usar a sua criatividade em prol da criação musical fosse, neste caso, a melhor forma de atingir a perfeição.

Em Manipulator, Ty excede, na realidade, tudo aquilo que já produziu, evolui imenso e atinge o topo, não só no que concerne à qualidade da produção, que consegue conciliar com mestria a caraterística crueza do fuzz e da personalidade sonora do autor, com uma limpidez que nunca se mostra exageradamente pop, mas que permite que praticamente todas as dezassete canções sejam acessíveis, mesmo a quem não aprecia particularmente o desconforto que é intrínseco, geralmente, ao noise rock psicadélico. Esta junção simbiótica eficaz de dois pólos geralmente opostos, faz com que Manipulator possa ser visto como um disco completo, com canções mais garageiras, típicas do legado de Segall (It's Over) e outras que apontam para a pop dos anos sessenta (The Faker), ao blues (Feel) e ainda outras em que, como já referi, o acústico e elétrico se complementam com notável precisão (The Clock e The Hand), havendo mesmo lugar para a aparição de violinos em The Singer e Stick Around. Há momentos mais abrasivos, assim como há os mais melódicos.

Manipulator é, por estas e muitas outras razões, o ponto alto da carreira de Ty Segall e já um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico, uma banda sonora perfeita para este final de verão e que deixa água na boca para o concerto que o músico vai dar a vinte e cinco de Outubro na galeria Zé dos Bois (ZBD) no Lux Frágil, em Lisboa. Espero que aprecies a sugestão...

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around


autor stipe07 às 22:23
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Astronauts – Hollow Ponds

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e Hollow Ponds o disco de estreia desta nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings.

Assim que se inicia a audição de Hollow Ponds percebemos que o nome desta banda faz todo o sentido, porque, apesar de serem bem reais e terrenas as cordas, as teclas e as baquetas que guardam no seu arsenal instrumental, eles só podem ter sido inspirados por um universo sonoro que não parece ser deste mundo, snedo igualmente fácil imaginá-los a tocar estas canções devidamente equipados com um fato hermético que lhes permita transmitir a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que Hollow Ponds transmite.

Se a folk etérea de Skydive é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Astronauts nos sentam, já o baixo encorpado e a percurssão hipnótica e pulsante de Everything’s A System, Everything’s A Sign, fazem deste disco, logo ao segundo tema, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Dan Carney entregou-se à introspeção, sentiu necessidade de desabafar connosco e refletiu sobre si e o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas. Quase pedindo-nos conselhos, Carney inicita à dança e à melancolia com texturas eletrónicas polvilhadas com um charme que atinge o auge no tema homónimo do disco, com um piano particularmente inspirado a receber um abraço sentido de uma guitarra que nos embala e paralisa, em sete minutos de suster verdadeiramente a respiração.

Num disco equilibrado, que vai da introspeção à psicadelia mais extrovertida, Hollow Ponds prima pela constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades. É um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - Hollow Ponds

01. Skydive

02. Everything’s A System, Everything’s A Sign
03. Vampires
04. Flame Exchange
05. Spanish Archer
06. Hollow Ponds
07. In My Direction
08. Try To Put It Out Of Your Mind
09. Openside
10. Slow Days


autor stipe07 às 21:46
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Parquet Courts – This Is Happening Now (LAMC 13#)

Parquet Courts - "This Is Happening Now"

Há alguns dias fiz referência à iniciativa de caridade FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES, para dar conta de Nero (Has A Lot To Think About), a nova canção dos White Fence, um single que tinha como lado b um tema de Jack Name, aka John Webster John, o habitual guitarrista nos White Fence. Hoje foi dado a conhecer o décimo terceiro tomo da coleção, um single que tem como grande destaque This Is Happening Now, dos Parquet Courts.

Esta banda de Brooklyn, Nova Iorque, surpreendeu no início do ano com o excelente Sunbathing Animal e esta nova canção do grupo liderado por Andrew Savage mantém a receita assertiva desse disco, feita com arranjos sujos e as guitarras desenfreadas, num tema com uma forte índole psicadélica e que parece ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rock pós punk.

O lado b do single chama-se Spike Train, um original dos também nova iorquinos Future Punx e podes adquirir os dois temas no bandcamp, gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor, como se exige, naturalmente, numa iniciativa de caridade. Confere...


autor stipe07 às 16:47
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

U2 - Songs of Innocence

Disponível já para audição e download gratuíto na plataforma iTunes e com edição física prevista para o próximo dia treze de outubro, Songs of Innocence é o tão aguardado novo álbum dos irlandeses U2, o primeiro trabalho do grupo após um hiato de cinco anos, que teve início logo após o lançamento de No Lines On The Horizon.

Considerados por muitos como a maior banda do mundo em atividade, neste décimo terceiro disco da carreira, Bono, The Edge, Mullen e Adam resolvem dar vida a várias homenagens em forma de canções dedicadas a pessoas e artistas que foram relevantes no passado da banda e na vida pessoal dos seus integrantes. Assim, se The Miracle (of Joey Ramone) é uma homenagem sentida a Joey Ramone, o falecido vocalista dos Ramones, que nos deixou em 2001, Iris (Hold Me Close) é dedicada à mãe de Bono que, recordo, faleceu após ter sofrido um aneurisma cerebral durante o funeral do marido, pai de Bono. Já agora, outros temas dos U2, como I Will Follow ou Lemon, também se centram na morte da mãe de Bono. Assim, há neste disco um conteúdo lírico e emocional que, de algum modo, lida com a perca e a mortalidade, mas uma audição cuidada clarifica que é sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente é atribuido a esses dois conceitos.

Na verdade, Songs Of Innocence é, sobretudo, e de acordo com o texto de apresentação do disco, um tributo ao período que a banda passou no sol da Califórnia, numa fase inicial da carreira, uma estadia no outro lado do atlântico que, na altura, foi fundamental para a criação de alicerces musicais e sentimentais fortes entre estes quatro irlandeses, uma das explicações lógicas para uma carreira tão longa e bem sucedida. Aliás, California (There Is No End to Love), uma das melhores canções do alinhamento, é uma declaração sentida a esse estado norte americano que tanto diz aos U2.

Claramente ligados à corrente e com nomes como os Ramones, Bob Dylan e The Clash a serem influências declaradas, Songs Of Innocence tem uma sonoridade que não é particularmente compatível com os últimos registos da banda, apesar de ter o selo sonoro identitário único deste quarteto de Dublin. As guitarras mantêm-se como o grande suporte melódico da maioria das canções, mas há uma busca mais incisiva por ambientes mais brandos, sendo procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível dessas guitarras que carimbam o ADN dos U2 com o indie pop rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico.

Este encaixe de novas tendências é muito claro no piano e na espiral de efeitos que controlam a guitarra em Raised By Wolves, mas fica plasmado logo na já referida The Miracle (of Joey Ramone), uma canção onde os efeitos de voz e a percurssão ajudam a distorção das guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Bono. Depois, Every Breaking Wave está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a guitarra e a percurssão, a conduzirem uma canção, com variações de ritmo e paragens que farão as delícas de qualquer operador de luzes durante um concerto da banda. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de California (There Is No End to Love) e o baixo de Volcano uma das melhores surpresas do alinhamento. Já This Is Were You Can Reach Me exala o lado mais extrovertido dos U2 por todos os poros sonoros e  tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas, onde o discosound dos anos setenta ainda tem uma happy hour bem definida.

Uma das sequências mais interessantes de Songs Of Innocence é constituida pela balada Cedarwood Road, uma canção que oscila entre o rock mais progressivo e uma certa folk e onde a voz de Box assenta na perfeição, à qual se segue Sleep Like A Baby Tonight, o clássico tema orquestral conduzido pelo sintetizador, com alguns detalhes de um piano e outros efeitos a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente U2.

Quanto à voz de Bono, que fui fazendo referência e que já ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, é significativo perceber que ela continua a declamar com o habitual sentimento e que, pelos vistos, ainda não o conhecemos verdadeiramente e tem muito mais dentro de si para nos revelar. Em canções como Iris (Hold Me Close) ou Song For Someone percebe-se, como de algum modo já referi, um certo cariz autobiográfico, que se estende ao longo do resto do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização do acontecimento mais trágico na vida de Bono, mas que devem prevalecer, acima de tudo, as boas memórias e as recordações positivas que o músico ainda guarda dentro de si da mãe.

Songs Of innocence chega ao ocaso com a sentida e confessional The Troubles e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os U2 ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

The Miracle (of Joey Ramone)
Every Breaking Wave
California (There Is No End to Love)
Song for Someone
Iris (Hold Me Close)
Volcano
Raised by Wolves

Cedarwood Road

Sleep Like a Baby Tonight
This Is Where You Can Reach Me
The Troubles


autor stipe07 às 16:31
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The Radio Dept. – Death To Fascism

The Radio Dept. - "Death To Fascism"

Os suecos The Radio Dept. de Johan Duncanson, Martin Carlberg e Daniel Tjader já não davam notícias desde o extraordinário disco Clinging To A Scheme (2010), mas estão finalmente de regresso com Death To Fascism, uma nova canção que, obviamente, tem um teor marcadamente político, como é habitual suceder com este trio sueco. A canção é um verdadeiro tratado de dream pop eletrónica, embelezado por um delicioso piano sabiamente escolhido e onde se ouve repetidamente um sample vocal que diz Smrt fasizmu, sloboda narodu, uma expressão atribuída a um conhecido político da antiga Jugoslávia chamado Stjepan Filipović e que significa, Morte ao fascismo, liberdade para o povo. O tema foi disponibilizado gratuitamente pela Labrador Records. Confere...


autor stipe07 às 14:40
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Duplodeck - Verões

Os Duplodeck são uma banda indie brasileira que se formou numa localidade chamada Juiz de Fora, em Minas Gerais, no ano de 2001 e cujo ponto comum entre os seis membros era a admiração por Jorge Ben. Entre 2001 e 2005 a banda compôs um vasto reportório, mas apenas se estreou nos lançamentos discográficos em 2011, com um EP homónimo, que continha no alinhamento essas músicas que sofreram uma nova mistura e produção e novas guitarras. Agora, três anos depois, chega finalmente o longa duração de estreia; Verões são oito maravilhosas canções, que sabem, por inteiro, à estação do ano que dá título à rodela, um trabalho que viu a luz do dia a três de fevereiro por intermédio da Pug Records e disponível também na plataforma bandcamp, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo ou de o obteres gratuitamente.

Verões é folk, bossa nova, rock psicadélico, electrónica e ambient, um disco onde o público contacta com uma variedade imensa de instrumentos de cordas e metais e efeitos sintetizados, além da percurssão. Com as guitarras e o sintetizador a assumir as rédeas do processo de criação melódica, os Duplodeck presenteiam-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que fazem com que o álbum seja uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade.

É impressionante a quantidade de detalhes que os Duplodeck colocam a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco e ainda mais diversificado é o conjunto de ritmos, sons e incontáveis referências que borbulham enquanto se desenvolve o álbum. Sejam a pop agradável e nada descartável de Saint-Tropez e do tema homónimo, as pequenas transições pela psicadelia garageira em Brisa, ou o indie rock à The Strokes de Boemia e Hi-Fi, tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por várias épocas, estilos e preferências musicais.

Na verdade, assim que o disco começa, somos rapidamente absorvidos pelo mundo caleidoscópico de Verões, um universo cheio de cores e sons que nos causam tanto espanto como a ironia fina que sustenta o primeiro tema do alinhamento, uma canção que leva-nos do típico ambiente folk nórdico, ao blues de Nashville, feito com um subtil e enevoado acorde de uma guitarra elétrica que inflete num arco írís de cordas e arranjos luminosos muito típicos da melhor tropicália de além mar, a sul do Equador.

A voz é um importante trunfo em Verões, quer devido ao registo vocal clássico, que se destaca amplamente não só no tema de abertura, mas, principalmente no quase falsete de Uns Braços, uma canção que plasma claramente o jogo instrumental e alegre que se estabelece entre uma toada mais orgânica, facultada pela bateria e uma vertente sintética proporcionada por um efeito algo hipnótico, com a distorção da guitarra e a voz a serem os fiéis de uma balança que se mantém graciosamente estável, originando um clima sedutor simultaneamente épico e melancólico.

Em suma, Verões é uma coleção de excelentes canções que, entre a eletrónica e o indie rock dançável e orelhudo, procuram conciliar o velho fulgor anguloso e elétrico do rock’n’roll, com novos espetros sonoros e abordagens pop, havendo, pelo meio, a habitual pitada tropicália típica da maioria dos projetos brasileiros a funcionar como uma espécie de cereja no topo do bolo. É incrível a sensação de ligaçao entre as canções e ao longo do alinhamento assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

A música que se ouve aqui é uma harmoniosa chuva de conhecimento musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje e representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:05
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White Fence – Nero (Has A Lot To Think About)

White Fence - “Nero (Has A Lot To Think About)”

Depois de há alguns meses ter deixado a segurança do seu estúdio caseiro para apostar numa produção mais cuidada em For The Recently Found Innocent, o seu último registo de originais, White Fence, aka Tim Presley, está de regresso a uma sonoridade mais caseira e lo fi em Nero (Has A Lot To Think About), a nova canção que compôs para um single em vinil, de sete polegadas e que faz parte da iniciativa FAMOUS CLASS RECORDS / LAMC 7" SERIES.

A canção, com um elevado cariz psicadélico, tem como lado b um tema de Jack Name, aka John Webster John, o seu habitual guitarrista nos White Fence. Confere...


autor stipe07 às 14:18
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Sinkane - Mean Love

Quase dois anos após o magnífico Mars, Sinkane está de regresso aos discos com Mean Love, o seu novo registo a solo, novamente com a chancela da insuspeita DFA Records de James Murphy. Extraordinário músico e compositor, oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão, Sinkane desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político e cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, onde, antes de iniciar a carreira a solo, tocou com nomes tão importantes do universo indie como os Of Montreal, Yeasayer, ou Caribou e, nesta última década, tem-se debruçado a fundo sobre aquilo que vai escutando e acontecendo musicalmente ao redor, num bairro musicalmente tão efervescente como é Brooklyn, tendo já abordado espetros sonoros tão divergentes como o post rock ou a música de cariz mais erudito, mas nunca renegando as suas raízes africanas, sendo esse, muitas vezes, o elo de ligação privilegiado entre os diferentes géneros que remexe e onde se posiciona.


Se a sonoridade de Mars apontava, acima de tudo, para a sua origem nos povos sudaneses e as suas raízes músicais africanas, em Mean Love Sinkane olha com outra profundidade para aquilo que mais o seduz na música norte-americana e em especial na soul. Com a permanente parceria com os nomes de peso acima citados e, mais recentemente, tendo sido incumbido da direção musical de Atomic Bomb, de Willian Onyeabor, Sinkane acabou por se especializar num espetro sonoro que diz muito ao país que o acolheu. Desse modo, Mean Love é uma bela homenagem à soul que o adotou, mas onde não falta o R&B ou a bossa nova, por exemplo, para enriquecer ainda mais um quadro sonoro magnífico, feito de dez canções que merecem a nossa mais completa devoção. Sejamos, ou não, verdadeiros apreciadores deste universo musical, devemos olhar para Mean Love como uma jóia rara, já que seste disco é um paraíso soul em todos os sentidos e isso deve-se à sua sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave.

Ouve-se Mean Love com alguma descontração e somos atravessados por uma certa homogeneidade sonora, como se o alinhamento fosse um todo constituido pela soma de várias partes que pouco diferem entre si. No entanto, da pop luminosa e assente num jogo entre o orgânico, audível na percurssão das palmas e o sintético fornecido pelo efeito do teclado sintetizado em How We Be, ao afrobeat de New Name, passando pelo funk de Yacha, o meu tema preferido do disco, a pop melancólica de Hold Tight e de Son, a bossa nova que sustenta Moonstruck, o reggae que alimenta Young Trouble, o jazz e o blues de Mean Love, o tema homónimo, ou a implícita toada folk de Galley Boys, que se torna mais festiva devido ao efeito de sopros em Omdurman, Mean Love é uma verdadeira passerelle de uma diversidade incrivel de traços e tiques, uma mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores.

Como sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras, conseguindo soar, em simultâneo e de forma inteligente, sofisticado e descontraído, havendo no ambiente criado pelas canções um certo humor e boa disposição, numa atmosfera típica de um afável e acolhedor dia de verão.

Em Mean Love, Sinkane deitou-se numa nuvem feita com a melhor pop atual e operou mais um milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade eminentemente introspetiva, mas que não deixa de ser alegre, floral e perfumada e fê-lo sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Mean Love é um belíssimo disco, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 

01. How We Be
02. New Name
03. Yacha
04. Young Trouble
05. Moonstruck
06. Mean Love
07. Hold Tight
08. Galley Boys
09. Son
10. Omdurman


autor stipe07 às 22:25
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Yes I'm Leaving - One

Yes I'm Leaving - Slow Release

Billy, Boyer e Cook são os Yes I'm Leaving, um trio australiano oriundo de Sidney e que se prepara para conquistar um lugar ao sol no universo sonoro indie com Slow Release, um disco que irá chegar aos escaparates já a vinte e nove de setembro por intermédio da Homeless.

One é um dos avanços já conhecidos de Slow Release e, pela amostra, estes Yes I'm Leaving parecem exímios a remexer no rock alternativo dos anos noventa, principalmente no grunge e no rock de garagem e, com essa base sonora na bagagem, criar um som de marca e marcante que, algures entre Pavement e Smashing Pumpkins, numa espécie de encontro improvável entre Corgan e Malkmus, faz deste trio já um nome a ter em conta no último terço deste ano. No Bandcamp da banda podes escutar outros temas dos Yes I'm Leaving. Confere...

 

 


autor stipe07 às 21:24
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Domingo, 7 de Setembro de 2014

Yalls - EDDM EP

Dan Casey, aka Yalls, é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Berkeley, na Califórnia, acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. A sua estreia nos discos ocorreu na última primavera com United e agora, poucos meses depois, surpreende com EDDM, um EP com quatro canções, disponível no bandcamp, gratuitamente ou com a possiblidade de doares um valor pelo mesmo.

As quatro canções de EDDM são puros momentos experimentais, onde apenas se escuta uma voz e samplada em Voices. Os temas estão impregnados com uma eletrónica carregada de distorções e pesadas batidas que chocam com efeitos carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas que possas imaginar, com Deadlocks como grande destaque dessa abordagem sonora plasmada no EP. No entanto, por exemplo na já referida Voices, ele também pôe mãos no movimento chillwave atual, onde flutua num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras, tornando-se ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens, que subsistem algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada com traços distintivos do R&B, do funk e até do hip hop.

Excelente complemento para se perceber para onde caminha Dan musicalmente, EDDM foi construído sobre camadas de efeitos, cheios de variações e diferentes instrumentos, detalhes que provam que estamos na presença de um músico inovador, que aprecia testar sonoridades e experimentações, sem ter o receio de ser apontado ou de o acharem uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:55
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Sábado, 6 de Setembro de 2014

Dana Buoy - Preacher EP

9Dana Buoy - "Everywhere" (Fleetwood Mac Cover)

Baterista dos Akron/Family Dana Janssen é também Dana Buoy, o nome artístico através do qual publica a sua própria música. O seu mais recente registo discográfico chama-se Preacher, uma coleção de cinco canções, onde se inclui uma cover de Everywhere, um clássico dos Fleetwood Mac, que faz parte do alinhamento de Tango In The Night, o disco que essa banda editou em mil novecentos e oitenta e sete.

Preacher assenta no clássico indie rock contemporâneo feito com encantadores teclados, uma percurssão geralmente subtil, mas transversal ao EP e que lhe confere uma textura sonora única e peculiar, assim como arranjos que muitas vezes incluem sons orgânicos e da natureza e um jogo de vozes quente e intimista.

Os pássaros que chilream no início de Isla Mujeres são apenas um pequeno detalhe, mas define com um certo charme a elevada bitola qualitativa de cinco canções que, apesar do pendor épico e festivo, não transpiram pressa e sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e suportam as aproximações com a eletrónica.

Um dos destaques deste trabalho é, quanto a mim, It's Alright, um tema que entra pelos nossos ouvidos com extrema delicadeza, na forma de uma belíssima canção, com uma voz profunda e um sintetizador que se encaixa perfeitamente num ambiente nostálgico, também potenciado pela luminosidade da voz. Já Let's Star A War destaca-se pelos pequenos toques no tambor e um teclado profundo, numa simbiose que provoca uma espécie de quebra cabeças que nos implora para que nos dediquemos a identificar as várias camadas sonoras e as diferentes texturas da canção.

Dana Buoy deitou-se numa nuvem feita com a melhor synthpop atual e operou um pequeno milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade alegre, floral e perfumada, sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Em suma, Preacher é um belíssimo EP, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 16:04
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

heklAa - Songs In F.

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso aapixonado pelo post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, ele fez chegar à nossa redação Songs In F., um EP com quatro canções que o músico idealizou e compôs inspiradas na viagem que fez à Islândia em 2010, onde esteve retido devido à famosa erupção vulcânica do vulcão Eyjafjallajökull. Por exemplobAck to jokulsArlon, a canção de abertura do EP, é uma verdadeira visita guiada sonora às maravilhas naturais da localidade que dá nome à canção.

Tanto essa como as outras três canções que compôem Songs In F. impressionam pelo charme e pela limpidez exata com que transparecem o ambiente típico da ilha mais a norte do nosso continente, quase trinta minutos em que podemos facilmente imaginar os espaços, as cores e os cheiros que inspiraram Touraton e que se aprimoram numa elegância altiva, potenciada pelo cunho sentimental com que o compositor abraça a míriade sonora de que se serviu para compôr.

Com uma forte componente insturmental e uma ausência algo sentida da voz, este EP disponível no bandcamp, tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Songs In F., já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um EP carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define por uma deriva entre a componente orquestral, quase sempre assente em simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, que se fundem com novos e antigos estilos sonoros e elementos típicos da eletrónica.

Em Songs In F. e em particular na magnífica thousAnds of comets Are fAlling down on eArth, o meu tema preferido do EP, Sebastién aproxima-se com vigor da chamada música erudita, usando-a com o mesmo à vontade com que tantos outros se apropriam de quaisquer outras formas de experimentação sonora e atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todoâ os instrumentos que ele utiliza fossem agrupados num bloco único de som chamado Islândia, um país que afinal também pode ser além de um pedaço de território vulcÂnico onde vive um povo resistente e milenar, quatro canções avassaladoras e marcantes e com uma sonoridade única e peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

  • bAck to jokulsArlon
  • thousAnds of comets Are fAlling down on eArth
  • oceAns
  • being steindor Andersen


autor stipe07 às 21:50
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Helado Negro – Double Youth

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos radicado nos Estados Unidos e que também encabeça o projeto Ombre. Depois de no início de 2013 ter lançado Invisible LifeHelado Negro dedicou-se depois à compilação com Island Universe Story, um conjunto de vários EPs que contêm momentos mais experimentais do músico, ajudado por alguns convidados especiais. Agora, no passado dia dois de setembro, chegou aos escaparates Double Youth, o novo longa duração do músico, como é habitual através da Asthmatic Kitty.


Em mais um tomo da sua já apreciável e bastante recomendável discografia, Roberto Carlos continua a sua demanda pela busca da canção perfeita, em mais um trabalho onde predomina uma sonoridade acústica e tipicamente latina, liderada pelas cordas e com as letras quase sempre em castelhano. Num disco fortemente conduzido por uma tendência urbana e contemporânea, alicerçada na eletrónica e numa dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos de hip hop, Lange desabafa sobre experiências individuais que, de acordo com o título do disco, poderão indicar a presença de uma elevada vertente autobiográfica. Além de este disco, o quarto da carreira, ter sido gravado no seu estúdio caseiro, apenas com um computador e a sua voz, pelos vistos o terceiro elemento decisivo do trabalho é o poster que ilustra a capa, uma fotografia que ele encontrou na casa onde cresceu durante a sua infância e que, de repente, fez com que ele sentisse necessidade de evocar algumas das suas memórias passadas, plasmando-as nestas suas novas canções.

Em mais um álbum com um forte pendor temperamental, como não podia deixar de ser, e carregado de ambientes feitos com cor, sonho e sensualidade, Double Youth é mais um disco que transpira uma enorme sensação de dinamismo e coerência, na forma como consegue, em simultâneo, abraçar uma forte veia contemplativa e incluir igualmente temas que podem servir como uma espécie de banda sonora de uma festa pop, psicadélica e sensual, sem que se percam importantes elos de ligação e de correspondência sonora, instrumental e até melódica entre os mesmos. Canções como I Krill You, Triangulate ou Queriendo, aparentemente díspares, se escutadas com atenção facilmente se percebe que entroncam num mesmo ramo sonoro feito com aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhado por um sintetizador delicioso e uma viola com cordas cheias de luz e esplendor.

Algures entre Toro Y Moi e Caetano Veloso, Lange aventura-se na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas dez canções contorna todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é sonoramente tão bem retratado,por exemplo, em That Shit Makes Me Sad, uma canção onde tudo o que o atrai e influencia é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre um acontecimento significativo da sua infância.

Nos Helado Negro este músico equatoriano transforma-se numa espécie de fantasma latino-americano e faz mais do que música eletrónica, cantada, normalmente, em castelhano; Aqui, ele compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que transitam entre dois mundos que Roberto sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Double Youth

01. Are I Here
02. I Krill You
03. It’s Our Game
04. Myself On 2 U
05. Friendly Arguments
06. Triangulate
07. Ojos Que No Ven
08. Queriendo
09. Invisible Heartbeat
10. That Shit Makes Me Sad


autor stipe07 às 21:39
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Stars - Turn It Up

No One Is Lost é o novo disco dos Stars, um coletivo canadiano oriundo de Montreal, no estado do Quebeque e formado por Torquil Campbell, Evan Cranley, Patrick McGee, Amy Millan e Chris Seligman. que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo.

Turn It Up é um novo avanço divulgado do disco, uma canção com uma luminosidade muito intensa, potenciada pela presença de um coro infantil, algo que dá à canção aquele ambiente nostálgico que tantas vezes se apodera de nos nesta altura do ano em que as portas das escolas se abrem de novo.

Disponível para download gratuíto pela etiqueta dos Stars e com um cardápio instrumental bastante rico, mas onde impera a componente sintética, Turn It Up é uma das canções do momento de um trabalho que será certamente dissecado por cá, logo depois de ver a luz do dia, lá para catorze de outubro, por intermédio da ATO Records. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

The Young – Chrome Cactus

Lançado por intermédio da influente Matador Records no passado dia vinte e seis de agosto, Chrome Cactus é o novo trabalho dos The Young, uma banda norte americana, oriunda de Austin, no Texas profundo, formada pelo baterista Ryan Maloney, o baixista Lucas Wedon e pelos guitarristas Hans Zimmerman e Kyle Edwards. Chrome Cactus sucede a Dub Egg, o disco de estreia da banda, editado em maio de 2012.

Produzido por Tim Green (Nation of Ulysses, The Fucking Champs, Thee Evolution Revolution) e gravado nos estúdios Louder, localizados nos cumes da Sierra Nevada, em Grass Valley, na Califórnia, Chrome Cactus são pouco mais de trinta e oito minutos de um indie rock cheio de guitarras estridentes, um verdadeiro deleite para quem aprecia o revivalismo do rock progressivo e psicadélico, com uma forte componente experimental, que começou a fazer escola nas décadas de sessenta e de setenta.

Considerados já como uma das mais inovadoras bandas da Matador, pela forma como conjugam a tradicional tríade baixo, guitarra e bateria com a tecnologia e a eletrónica que hoje prolifera na música e que permite às bandas alargar o seu cardápio instrumental, os The Young presenteiam-nos com dez canções feitas de country, garage rock, blues e psicadelia. Neste segundo disco do grupo eles provam que sabem como dar vida a um som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico e permitem-nos aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível. Chrome Cactus é um verdadeiro reafirmar de uma identidade sonora que apesar de, a espaços soar algo sombria e até sinistra, até pelo conteúdo lírico de algumas canções, consegue também ressoar uma pujança melódica a espaços assombrosa e capaz de encher de coragem e vigor os espíritos mais retraídos e pessimistas, algo que a voz segura e vibrante de Zimmerman amplia de forma notável.

O meu grande destaque deste disco é a elevadíssima dose de psicadelia em que assenta Metal Flake, o tema de abertura de Chrome Cactus, mas outros exemplos que merecem amplo destaque e audições repetidas são o blues de Mercy e a batida ácida e as guitarras de Apaches Throat, um tema cantado com uma voz em eco entrelaçada com uma guitarra plena de distorção, dois detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage. Já Ramona Cruz impressiona por inaugurar a sequência mais ruidosa do disco, uma canção que tem traços de post punk e blues, algo que Dressed In Black amplia, uma canção onde essa fúria se mantém, mas que agora abraça o noise rock, o rock alternativo e a psicadelia etérea que tomam também conta de Slow Death devido ao riff de guitarra esplendoroso que nela se escuta.

Em Chrome Cactus somos convidados a cerrar os punhos antes de sermos transportados para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea cinzenta, crua e visceral. Na verdade, ao escutarmos este trabalho verdadeiramente rugoso, mas também com algo de encantador e intemporal, mergulhamos num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, ao mesmo tempo que percebemos que os The Young dominam a receita mais fiável que se pode encontrar no universo indie rock atual de cariz mais experimental e progressivo para, apostando numa sonoridade algo vintage e até bastante explorada nos dias de hoje, soarem tão poderosos, joviais e inventivos como soavam os percurssores deste género sonoro há três ou quatro décadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Young - Chrome Cactus

01. Metal Flake
02. Cry Of Tin
03. Chrome Jamb
04. Moondog First Quarter
05. Apaches Throat
06. Mercy
07. Ramona Cruz
08. Dressed In Black
09. Slow Death
10. Blow The Scum Away

 


autor stipe07 às 21:24
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Dead Stars - Slumber

Oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os norte americanos Dead Stars são mais uma das minhas apostas para uma das bandas do ano, no que respeita ao fuzz rock, feito com guitarras cheias de distorção e ligadas à eletricidade, mas que não negligenciam uma forte componente melódica. Nostálgico e carregado de algumas das melhores caraterísticas do indie rock alternativo dos anos noventa, Slumber é o novo disco deste trio formado por Jeff, John e Jaye, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Old Flame Records.

Com os ouvidos colados no passado, mas implacáveis na forma como soam atuais e revigorantes, os Dead Stars cantam sobre a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude, com as vocalizações de Jeff, quase sempre melódicas e harmoniosas, a serem, frequentemente, o contraponto com a componente instrumental de cariz mais aspero e lo fi; Jeff mistura bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias e a guitarra que tem junto a si, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza, apesar de, felizmente, o red line das guitarras ser uma componente essencial do cardápio sonoro dos Dead Stars.

Na verdade, ao cruzar as guitarras sujas às melodias de vozes, este trio replica fórmulas assertivas criadas e testadas ao longo de várias décadas e estabelecem, desse modo, um trabalho recheado pelo contraste, algo bem audível em Someone Else ou Older, por exemplo, dois temas com idêntica receita, a primeira mais elétrica e a segunda predominantemente acústica, mas que não deixam de ter profundos pontos de interseção, uma constância concetual que se repete mesmo quando tentam, a todo o custo, parecer grandes, quando não receiam abraçar uma toada mais shoegaze e pop em Dreaming To Forget ou Underwater, duas canções que deixam de lado os tais limites do rock caseiro e convertem-se em momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa.

Slumber traz-nos à memória aquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo. Está aqui toda a nostalgia dessa época, canções que sabem a Teenage Fanclub, guitarras que fazem de Dinosaur Jr., Nirvana, Smashing Pumpkins (Walking Away), Foo Fighters (Crawl) e Pavement, sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.

No fundo, os Dead Stars acabam por ser a visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho deste disco é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada. Espero que aprecies a sugestão... 

Dead Stars - Slumber

01. Someone Else
02. Summer Bummer
03. Walking Away
04. Crawl
05. Daylight
06. Older
07. Never Knew You
08. Disappearing
09. Dreaming To Forget
10. Underwater
11. Wasted
12. Heal Over Time

 


autor stipe07 às 18:14
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Foxygen – Cosmic Vibrations

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão.

Depois de na primeira metade de 2013 terem atingido o estrelato com We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, um disco produzido por Richard Swift e lançado pelo selo Jagjaguwar, o regresso está próximo com …And Star Power, um álbum que será editado a catorze de outubro pelo mesmo selo.

Cosmic Vibrations é um dos avanços já divulgados desse álbum e, pela amostra, persiste a sonoridade psicadélica sessentista vintage, fruto de um psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, através de uma pop caleidoscópia que exala um intenso sentido de liberdade e prazer juvenil. Confere...

 


autor stipe07 às 16:17
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

TV On The Radio - Happy Idiot

 

TV On The Radio - Seeds

Depois de dois temas lançados o ano passado, Mercy e Million Miles, acaba por ser uma excelente novidade a definição concreta da data de lançamento de Seeds, o novo disco dos norte americanos TV On The Radio. 

Tudo começou com a partilha de um teaser do disco e, há algumas horas, a revelação de mais detalhes sobre a obra, nomeadamente a tracklist e um novo single intitulado Happy Idiot. Esta música alegre e luminosa é um excelente tónico para o futuro de uma banda que sentiu, como é óbvio, o inesperado falecimento do baixista Gerard Smith, em 2011.

Seeds foi produzido pelo próprio David Sitek e será editado a dezoito de novembro. Confere...


autor stipe07 às 17:41
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Mumblr - Got It

Os mais atentos a este espaço já terão certamente reparado nos Mumblr e nos vários singles que tenho apresentado desta banda. Ora então, cá vai mais um...

Como já referi anteriormente, após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, preparam-se para, finalmente, estrrar-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração do grupo e chegará aos escaparates já a dezasseis de setembro, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Num disco que irá debruçar-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas, Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum e depois Roach. As duas canções apostavam numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, através de uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.
Got It, o terceiro avanço divulgado de Full of Snakes, não foge muito a esta toada, mas é um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva. Sobre esta canção, Nick Morrison refere: It´s about being a strange, confused young man; feigning confidence and asking people to take him as he is.
Os temas já divulgados de Full of Snakes estão disponíveis para download. Confere...


autor stipe07 às 17:26
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Faded Paper Figures – Relics

Oriundos de Los Angeles, na Califórnia, os Faded Paper Figures são R. John Williams, Kael Alden e Heather Alden, um trio que acaba de editar um delicioso disco chamado Relics e que viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto por intermédio da Shorthand Records. Relics é um álbum que deve ser escutado por todos aqueles que apreciam o cruzamento ímpar entre a pop que sobrevive de mãos dadas com alguns detalhes típicos da eletrónica e da folk e onde é feliz e verdadeiramente proveitosa a simbiose entre as cordas e o sintetizador.

Este trio surpreende, desde logo, pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente num dedilhar de cordas, um sintetizador cheio de vida e carregado de efeitos e uma voz frequentemente modificada. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza, num disco deslumbrante e tecnicamente impecável, que enche as medidas e comprova que os Faded Paper Figures sabem criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme e onde cada detalhe das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Basta ouvir os raios flamejantes que são debitados pelo sintetizador em Breathing ou o dedilhar de uma viola na folk de Fellaheen e Wake Up Dead, para se perceber a facilidade com que a banda navega entre pólos apenas aparentemente opostos, com notável perícia e absoluto conforto.

A abertura épica e visceral com a já citada Breathing abre-nos as portas para uma sequência de músicas divertidas e com minuciosos detalhes, que, mesmo nos moentos mais introspetivos, como Not The End Of The World ou Forked Paths, não deixam de transparecer sempre uma faceta algo dançante e espontânea, bastante próxima de um clima festivo e mais urbano. Depois, temas como Lost Stars ou Who Will Save Us Now, entre outros, aproximam o trio de uma linguagem sonora com aproximação a elementos quase futurísticos e de uma estética mais synthpop. no fundo, ao terminar a audição, ficou claro que as boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo fizeram com que Relics cresça e cada nova canção, dividem o álbum em vários momentos e evitam que os melhores se concentrem demasiado em vários dos momentos do disco. É, no fundo, um disco sem ondas, homogéneo e lineado por alto.

Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de John, um detalhe importante para o sucesso deste álbum intenso e hipnótico, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

 

Faded Paper Figures - Relics

01. Breathing

02. Wake Up Dead
03. Not The End Of The World (Even As We Know It)
04. Lost Stars
05. Fellaheen
06. On The Line
07. Spare Me
08. Who Will Save Us Now
09. Horizons Fall
10. Real Lies
11. What You See
12. Forked Paths

 


autor stipe07 às 21:32
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