O novo disco dos Air, editado hoje através da Virgin e com direito a site oficial, chama-se Le Voyage Dans La Lune e faz uma homenagem ao filme do compatriota francês George Méliès, um dos percussores do cinema, que lançou em 1902 o filme experimental Viagem à Lua. A importância de tal obra cinematográfica, de apenas catorze minutos, é enorme porque pode ser considerado como o primeiro filme de ficção da história do cinema, num tempo em que essa forma de arte retratava, na maioria das vezes, o quotidiano. Méliès conseguiu oferecer uma fantasia que almejava o entretenimento puro e simples e abriu as portas do fantástico no cinema.

Diversão e entretenimento puro e simples não são bem o DNA dos Air, mas a banda tem a qualidade e o charme suficientes para embarcar numa viagem deste género. O disco tem algumas participações especiais, nomeadamente de Victoria Legrand, a diva dos Beach House, em Seven Stars e da banda Au Revoir Simone, em Who Am I Now?, que interrompem ambientes digitais e funk, já que a viagem é quase toda instrumental. O primeiro avanço é mesmo Seven Stars e a participação de Victoria encaixa como uma luva no universo electro dream pop do duo francês. A sonoridade do álbum mantém a mesma dose de mistério e fantasia que o filme, não faltando os foguetes espaciais, os curiosos em terra alheia e os alienígenas que se descobrem antes do regresso à Terra. As onze canções são construídas de forma bastante orgânica, carregadas de piano, bateria e outros elementos que nos tiram do chão em direção ao espaço.
Acaba por ser um álbum que abarca todas as influências plasmadas na discografia dos Air; Não é a primeira vez que a dupla francesa se arrisca numa banda sonora e acabam por haver aqui, naturalmente, alguns tiques sonoros em comum com o The Virgin Suicides. Mas a melhor novidade durante a audição deste Le Voyage Dans La lune é perceber que aproxima a banda dos primeiros discos, nomeadamente o Moon Safari.
A lua sempre foi uma das minhas maiores confidentes, confunde-se com a minha personalidade , moldou-a e sempre me disse muito. Por isso, se um disco relacionado com a lua já se tornaria obrigatório para mim, um álbum que pretende servir de banda sonora para um filme incrível e que retrata de forma fantástica e sonhadora uma viagem a esse astro, ganha um cariz absolutamente fundamental na minha discoteca particular, ainda mais quando nela pode ser encontrada toda a discografia desta dupla francesa.
Se nos últimos álbuns perdeste o contato com Godin e Dunckel, este Le Voyage Dans La Lune pode ser o bilhete de retorno necessário para reencontrares de novo os Air que aprecias, porque a viagem à lua será garantida! O lançamento terá uma edição especial que acompanha um DVD com a íntegra da versão do filme sonorizada pela dupla. Espero que aprecies a sugestão...
01. Astronomic Club
02. Seven Stars
03. Retour Sur Terre
04. Parade
05. Moon Fever
06. Sonic Armada
07. Who Am I Now?
08. Décollage
09. Cosmic Trip
10. Homme Lune
11. Lava
Ontem, dia 21 de setembro, os R.E.M. anunciaram ao mundo o fim de uma grande aventura com mais de 30 anos no site oficial da banda. Estava sentado no sofá de casa a ouvir a primeira faixa de Rumspringa, o disco mais recente do projeto Canon Blue, quando oportal Stereogum, através da rede social Facebook, surgiu-me perante o olhar com uma atualização onde se lia R.E.M. quits. Muito sinceramente, tenho uma dificuldade imensa em descrever o que senti naquele preciso momento, o enorme vazio que instantaneamente se apoderou de mim! Fiquei sem vontade nenhuma de abrir o link e ler o conteúdo e senti uma necessidade imensa de abrir bem os meus olhos e respirar fundo para não me deixar abater emocionalmente pelo que iria ler. Carreguei então no dito link que de imediato me remeteu para o comunicado oficial da banda e que ontem transcrevi neste blogue.

À medida que os anos vão passando, crescemos, a nossa vida evolui e avança, passamos por experiências boas e amargas e, se tudo for correndo bem, atingimos sonhos e objetivos. E ao longo dessa caminhada há sempre marcas, pessoas, circunstâncias e factos da nossa vida, ideias, sonhos e desejos que nos acompanham e marcam a nossa identidade, como se fossem um carimbo ou uma tatuagem invisivel, que não se vê, mas que nós e os que connosco convivem sabem que existe e que está lá. E os R.E.M. são, sem a mínima hesitação, uma marca na minha vida, um descritor essencial da minha identidade, algo indissociável da meu eu enquanto pessoa, doa a quem doer, como sabem todos aqueles que porventura me conhecem minimamente e possam estar a ler este texto.
Poderá haver quem me ache demasiado sentimental e lamechas (só eu sei o quanto algumas músicas dos R.E.M. contribuiram ao longo da minha vida para alimentar esta marca da minha personalidade) em determinados momentos e situações da minha existência; Neste facto concreto, o fim dos R.E.M. enquanto banda, tenho todo o direito de o ser e de extravasar a minha imensa mágoa, exatamente porque eles são, como referi, uma caraterística essencial da minha identidade!
Sei que pode haver quem ache um exagero falar assim, mas sinto que ontem perdi um bom amigo e que ele deixou um vazio cá dentro que ninguém (neste caso uma banda) poderá colmatar! Foi como se tivesse deixado de ter ao meu lado um ser que estava sempre ali, que me ouvia quando colocava um disco deles a tocar, com quem falava nos meus passeios e viagens, nos meus momentos de solidão e mais pessoais e por quem esperava avidamente por notícias e novidades! Agora ficam-me apenas as recordações desse amigo, na vasta discografia que guardo lá em casa, como se fossem cartas que me escreveu e me deixou para eu ler sempre que queira!
1/2 vida na maioridade...
Sempre adorei filmes de animação e quem acompanha Man On The Moon, sabe que raramente deixo escapar uma estreia. E com o aproximar da quadra natalícia, fico ansiosamente à espera de conhecer os novos lançamentos, porque geralmente os maiores estúdios de animação guardam os grandes trunfos para esta época. Em 2010 parece que as boas novidades começam mais cedo!

Estreia amanhã por cá Gru - O Maldisposto (Despicable Me), o filme de estreia da Illumination Entertainment, um estúdio de animação recente, criado em 2007 e que tem nesta obra a sua grande prova de fogo. A história gira à volta de Gru, o segundo maior super-vilão do mundo, ajudado pelo simpático e inventivo Dr. Nefario, o seu braço-direito! Os seus planos maléficos estão sempre a ser ultrapassados por Vector, este sim, o maior super-vilão do mundo!
Gru vive num feliz bairro suburbano, rodeado por pequenas cercas brancas, com roseiras floridas, mas numa casa negra com a relva morta e rodeado por um pequeno exército de Mínimos. Neste vasto esconderijo secreto ele planeia o maior golpe na história do mundo... roubar a Lua! Armado com o seu arsenal de raios de encolher, raios de congelar e veículos de guerra para terra e ar, ele arrasa todos aqueles que se atravessam no seu caminho! Mas um dia encontra três pequenas orfãs, Margo, Edith e Agnes, que vêm nele algo que ninguém mais viu: um potencial Pai. Portanto, parece-me que o (ainda) segundo maior vilão do mundo encontra nestas crianças o seu maior desafio: SuperBad vs SuperDad.
Estou curioso para descobrir se Gru vai conseguir roubar a Lua, para aprender como se faz e copiar! Já que lá vou frequentemente, nada melhor do que trazê-la um dia para casa...
O trabalho de realização foi dividido a meias por Pierre Coffin e Chris Renaud, ambos sem anteriores obras cinematográficas de relevo. Coffin tinha realizado uma curta de animação, em 2003, intitulada, Gary's Fall e Renaud uma outra, também de animação, No Time For Nuts, em 2006.
O filme conta, na versão portuguesa, com as vozes de Nicolau Breyner e David Fonseca, entre outros e tornou-se esta semana no mais visto nos EUA, destronando o vampiresco e dispensável Eclipse.
Acho que estamos perante uma proposta de cinema muito divertida e para toda a família! E parece-me que a tecnologia 3-D dá mais um passo em frente, devido ao aspecto inovador e engraçado dos bonecos, apesar de usar a mesma técnica vista em The Incredibles, da Pixar.
Aqui acedes ao divertido e bastante interactivo site oficial do filme, para Portugal. E deixo o meu trailer preferido... Simples, mas de morrer a rir!
Título Original: Despicable Me
Intérpretes: Steve Carell, Jason Segel, Russell Brand
Realização: Pierre Coffin, Chris Renaud
Género: Animação
Site Oficial: Internacional
Apaixonado que sempre fui pela astronomia, desde muito novo tive predilecção pelo céu e por observar a sua beleza natural. Na idade em que tudo parece possível e o sonho e a realidade confundem-se tantas vezes durante o processo de percepção e entendimento do mundo que nos rodeia, quis ser um astronauta só para poder ir lá acima, tocar nas estrelas e pisar a Lua. Uns anos depois, ao ler O Principezinho de Saint- Exupéry, senti o conforto dessa viagem, razão pela qual este é, sem dúvida, o livro da minha vida!

Todas as pessoas grandes começaram por ser crianças, embora poucas se lembrem disso. (...) Os olhos são cegos. É preciso procurar com o coração.
O mês de Agosto é, no hemisfério norte, o melhor mês do ano para observar o céu, desde que as condições atmosféricas o permitam! E este ano, Agosto tem tido noites excepcionais, anormalmente límpidas e que têm permitido avistar fenómenos espectaculares. Saliento a fantástica Lua Cheia que tem sido possível visualizar há algumas noites. Estou sempre particularmente atento ao período da Lua Cheia; É o período do mês em que gosto mais de observar esta minha confidente e asseguro que não guardo na memória uma fase tão deslumbrante como a desta semana.
Entretanto, e mais uma vez guiado pela música, neste caso dos Sigur Rós, descobri outro fenómeno astronómico anual e que assumiu proporções espectaculares em 2010; Refiro-me à chuva de meteoritos de Perseides, observável anualmente no hemisfério norte.
A chuva de meteoritos de Perseides está associada ao cometa Swift Tuttle. Consiste em partículas e poeiras deixadas por esse cometa, cuja viagem sucede numa órbita de 130 anos. O fenómeno foi baptizado assim porque é visível junto à constelação de Perseus, em plena via láctea. A chuva de meteoritos começa a ser visível a partir de meados de Julho, mas o pico da actividade acontece sempre na segunda semana de Agosto, atraindo a atenção de astrónomos e simples curiosos... como eu!
Este ano, alguém observou o fenómeno nos Estados Unidos, entre os dias 12 e 15 de Agosto, no famoso parque nacional Joshua Tree e fez um vídeo, com banda sonora dos Sigur Rós. Vale a pena espreitar...

Sam tem 11 anos e uma leucemia em estado terminal. A mãe deixou de trabalhar para ficar em casa onde a Sra. Willis prossegue com Sam um programa de estudos que Félix, o seu grande amigo que conheceu no hospital, compartilha. Juntos têm momentos excitantes de puro divertimento e, porque são apenas crianças, cada dia é para eles uma nova aventura. sam sabe que vai morrer mas lida com isso de forma positiva, sabendo que tem de fazer as suas coisas sem perder tempo. Confrontado com a eminência da morte, inicia o projecto de escrever um livro onde guarda imagens, onde vai apontando perguntas a que ninguém sabe responder, os desejos que ainda pretende realizar, listas de factos curiosos sobre a família, os seus amigos e sobre o mundo que o rodeia e até mesmo listas que o projectam para além da sua morte. este livro é também a sua história. Contada do ponto de vista de uma criança que enfrenta corajosamente a sua doença, é uma história intensa e comovente que evita todas as armadilhas do sentimentalismo, que diverte e que, acima de tudo, deixa nos leitores um sentimento de grande exaltação. O segredo do seu êxito reside numa profunda honestidade e na sua simplicidade comovente, fazendo dele um daqueles livros que podem ser lidos por leitores de todas as idades. É o primeiro romance da autora que contava apenas 23 anos quando o escreveu.
Adorei ler este livro. Foi uma experiência curta, mas bastante enriquecedora; O livro agarra-nos logo no início e ficamos com vontade de o ler de uma vez só. Estórias como esta, ainda por cima baseadas em factos reais, dão-nos sempre alguma luz sobre a nossa vida, os nossos sonhos e como conseguir atingi-los. Sam foi à lua, literalmente, de uma forma bastante simples e até comum, o que me fez perceber, mais uma vez, que o grande segredo da vida, enquanto dádiva, é o usufruto e a simplicidade. Deixar que o coração nos guie...
Em 11 anos Sam viveu muito, não desperdiçou um único dia e foi feliz.
Moon é uma co-produção entre o Reino Unido e os Estados Unidos e resgata as histórias de ficção científica dos anos 70, assim como o uso de maquetes na elaboração dos efeitos especiais.



Onde foi exibido, Moon tem arrebatado os espectadores! Parece-me ser uma obra cinematográfica com um profundo cariz filosófico, muito ao estilo da obra prima de Stanley Kubrick 2001: Odisseia no Espaço. Moon deve conter a delicadeza de um drama e a tensão de um suspense num contexto de ficção-científica, algo não muito habitual neste género de filmes. Deve ser um filme que nos convida a contemplar a face mais oculta da Lua, onde um homem descobre a face mais oculta de si mesmo. Por tudo isto e pela própria temática, aguardo Moon com natural expectativa!
Três missões lunares encontraram claras evidências de água na lua, possivelmente formada por ventos solares. Os autores da investigação terão utilizado dados fornecidos por um instrumento da Nasa, o Moon Mineralogy Mapper, mais conhecido como M3, que foi colocado na órbitra lunar em 2008, a bordo do satélite indiano Chandrayyan-1. O M3 foi concebido como um instrumento de cartografia mineralógica da Lua, através da análise da reflexão da luz do sol na superfície lunar para determinar a sua composição.
É sabido que a luz reflecte-se em comprimentos de ondas diferentes de acordo com a natureza dos minerais; Assim, os investigadores estão a utilizar estas variações para determinar a composição da camada superior do solo da Lua. Há uns dias o M3 detectou um comprimento de onda luminoso que indica um elemento químico que liga o hidrogénio e o oxigénio, o que poderá provar a presença de água. No entanto não estamos a falar em lagos, oceanos ou poças, mas de moléculas de água e hidroxilo (hidrogénio e oxigénio) que interagem com as rochas e poeira.
A existência de água na lua poderia viabilizar a construção e manutenção de uma estação lunar, abrindo novas perspectivas para a exploração espacial. O hidrogénio liquido poderia ser usado como combustível para as naves espaciais e o oxigénio, como se sabe, é indispensável à vida do homem. A autonomia das naves aumentaria consideravelmente, porque a maior parte do combustível que elas transportam é gasto só para se afastarem do campo de gravidade da Terra, muito maior que o da Lua e essas naves poderiam ser reabastecidas numa estação lunar.

Antes desta descoberta, a teoria mais plausível, mas ainda não provada, defendia a presença de gelo em zonas de obscuridade permanente, nos pólos da Lua, estando a mesma totalmente seca, na superfície restante.
Apesar desta descoberta fascinante, haver alguma forma de vida na lua é uma hipótese que está completamente descartada... excepto quando eu lá vou!
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