Quinta-feira, 3 de Setembro de 2015

Escapists - What Are You Waiting For

Depois de Only Bodies, o registo de estreia, editado no verão do ano passado e do single Eat You Alive, divulgado no início de julho último, os Escapists, um coletivo britânico oriundo de Londres e formado por Simon Glancy, Oli Court, Max Perryment e Andy Walsh, estão de regresso com What Are You Wating For, single que vai ver a luz do dia a dezoito dest mês e que segundo Chris Sharpe, da etiqueta Lost In The Manor, é o segundo de uma sequência de três temas que poderão vir a dar origem a um novo EP, a lançar lá para o final do ano.

Apesar de os Escapists colocarem no seu grupo de influências nomes tão significativos como TV On The Radio, The National, The Shins, Modest Mouse ou Broken Social Scene, entre muitos outros, ao ter escutado este What Are You Waiting For ocorreu-me que um dos primeiros elogios que se pode fazer a estes Escapists é que parecem ser capazes de cimentar uma sonoridade muito própria e inédita, naturalmente abrangida pelo indie rock alternativo, feito de melodias épicas e luminosas, criadas com guitarras carregadas de efeito e distorção, um baixo vigoroso e uma percurssão potente. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2015

Leo Abrahams - Halo Effect

O músico, produtor e guitarrista Leo Abrahams é uma das novas coqueluches da independente londrina Lo Recordings e reconhecido pela sua participação em discos de Brian Eno, Pulp, Florence + The Machine e Roxy Music, entre outros, além de ter produzido artistas tão reconhecidos como os Wild Beasts, Brett Anderson (Suede) e Karl Hyde (Underworld).

Já no outono Abrahams irá editar o seu quinto registo de originais e o instrumental Halo Effect é o primeiro avanço desse trabalho cujo título ainda não foi divulgado. De um músico que já se movimentou por espetros sonoros tão vastos e díspares como a folk, o rock progressivo, a música clássica contemporânea ou a eletrónica, é de esperar quase tudo desse disco. Seja como for, não há como acender as luzes de néon e sentirmo-nos teletransportados para uma movimentada ruda de Tóquio à boleia de um tema impregnado de batidas e efeitos sintetizados que disparam em diferentes direções, de mãos dadas com alguns acordes de guitarra deslumbrantes e luminosos. Confere...


autor stipe07 às 14:27
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015

The Maccabees – Marks To Prove It

Os britânicos The Maccabees de Orlando, Felix, Hugo, Rupert e Sam tiveram um início auspicioso em 2007 com Colour In It o disco de estreia, que além de ter vendido bem, conseguiu várias nomeações nas listas dos melhores álbuns daquele ano e inúmeras críticas positivas. Depois disso, trabalhos como Wall Of Arms(2009) ou Given To The Wild (2012) fizeram a banda firmar uma posição de relevo junto do universo indie e alternativo internacional, apoiados num cardápio sonoro sempre sofisticado, maduro e algo intrincado, carregado de detalhes sonoros que surpreenderam muitas vezes pela elegância, com a banda a mostrar-se sempre inovadora e a procurar sair, de disco para disco, da zona de conforto firmada pelo antecessor. Agora, três anos depois e à boleia da Universal Music, o quinteto londrino está de regresso com Marks To Prove It, onze canções que revelam uma nova inflexão na sonoridade do projeto, agora perto do indie rock de cariz mais experimental e progressivo.

Depois de três trabalhos que consolidaram uma evolução constante e progressiva e onde os The Maccabees se dispuseram a experimentar quase tudo aquilo que é possível replicar dentro do espetro sonoro em que se orientam, Marks to Prove It é uma espécie de disco de ressaca, um trabalho maduro, impecavelmente produzido e que não renegando as marcas e as cicatrizes profundas que o trajeto discográfico da banda já lhe conferiu, exala um maior realismo acerca do modo como estes artistas, já na casa dos trinta anos, vêm o mundo que os rodeia, deixando para trás todo aquele otimismo juvenil, para enveredarem por um indie rock mais sombrio e introspetivo, mas com um cariz bastante épico e eloquente.

Este disco é um bom exemplo de como o teor mais sofrido e direto de alguns poemas pode aliar-se eficazmente como melodias luminosas e sorridentes, até, num indie rock que acaba por funcionar, neste caso, como catarse de algumas desilusões que a banda viveu. Versos como Break it up and make it better, make it better (...) Swings a bottle to send him on his way down em Dawn Chorus, ou There’s one to wash it down, One to wash it out em Spit It Out e Drinking when you’re drunken, To chase down the evening (...) No-one says a word, because it breaks her heart, em Kamakura, demonstram este cariz biográfico e confessional. Na letra desta última canção fica claro que se a bebida era antes uma fonte de diversão para o grupo, agora funciona mais como um escape e um remédio para colocar de lado as situações mais adversas e oferecer um estado de alienação típico de quem parece viver sem outra saída ou escape. A própria melodia de Kamakura exala uma certa raiva, mas sempre controlada, com as guitarras a assumirem, naturalmente, a linha da frente na estrutura melódica da canção, mas permitindo que outros arranjos sintetizados ou percussivos também assumam a sua quota parte nas sensações que brotam do tema. Depois, River Song e Slow Sun são dois bons exemplos de como alguns efeitos que replicam instrumentos de sopro e as teclas do piano, em especial no segundo tema, encontram o seu próprio espaço de destaque, mesmo que as cordas e a bateria assumam, constantemente, a condução dos temas. Se, no final do alinhamento, Dawn Chorus oferece luz e cor no dedilhar da viola, mas também no charme do trompete, a já referida Spit It Out, já agora, mesmo sendo uma canção que vai crescendo progressivamente à medida que a guitarra amplia o riff e a bateria acelera a cadência, apenas subsiste como canção fortemente indutora de sentimentos fortes e intensos, porque o piano nunca se esconde e, num registo melodicamente feliz, acaba por ser a principal fonte sensitiva da canção.

Em suma, em Marks To Prove It o som dos The Maccabees mostra-se mais direto e imediato, algo que lhes confere uma crueza que não é tipicamente lo fi, mas que não deixa de conter um charme e uma aspereza que, de certo modo, personificam as marcas que a inexoravel passagem do tempo foi dexiando na pele destes músicos, mais gastos fisicamente, mas inteletualmente melhor preparados para enfrentar as agruras da vida e os desafios que a vivência no seio de uma banda reconhecida internacionalmente, com as rotinas e desafios constantes que isso exige, naturalmente provocam. Espero que aprecies a sugestão...

The Maccabees - Marks To Prove It

01. Marks To Prove It
02. Kamakura
03. Ribbon Road
04. Spit It Out
05. Silence
06. River Song
07. Slow Sun
08. Something Like Happiness
09. WW1 Portraits
10. Pioneering Systems
11. Dawn Chorus


autor stipe07 às 21:48
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

The KVB – Mirror Being

Nicholas Wood e Kat Day são o núcleo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Mirror Being é o mais recente registo de originais da dupla, um álbum com dez canções lançado há algumas semanas pela Invada Records e que sucede ao aclamado EP Out Of Body, editado o ano passado.

Escritos e gravados entre Londres e Berlim no ano passado, logo após as sessões de Out Of Body, os dez temas de Mirror Being são instrumentais e experimentações analógicas que foram sendo captadas pela dupla ao longo desta etapa inicial da carreira, iniciada em 2012 com Always Then, ao qual se seguiu os trabalhos Immaterial Visions e Minus One, antes do já referido EP. Já agora, a banda encontra-se a gravar em Bristol o próximo registo de originais que deverá ver a luz do dia lá para o final do ano. 

Este compêndio algo abstrato deve ser escutado e entendido como apenas uma aparente junção de vários sons dispersos que os The KVB foram criando ao longo do tempo e que fizeram-nos o favor de não deixarem que se perdessem. E ao apreciar este alinhamento percebe-se que a dupla esmera-se na construção de canções volumosas e que se deixam conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes instrumentalmente, Dys-Appearance e, principalmente, Obsession, são os momentos altos deste agregado, canções conduzidas pelos sintetizadores, mas onde não falta um baixo vibrante e que recorda-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal. Pouco depois, Fields inflete um pouco as pisadas deixadas pelos temas anteriormente referidos, já que além de conter uma guitarra carregada de fuzz e distorção, insinua os nosso ouvidos com alguns samples vocais impercetíveis mas que conferem ao tema uma toada orgânica inédita em Mirror Being, além da abundância de arranjos delicados feitos com metais minimalistas.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, atirando-nos para ambientes eletrónicos onde os teclados têm o maior destaque, construindo diversas camadas sonoras, quase sempre entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. Também por isso, Mirror Being é um excelente documento sonoro como ponte da primeira etapa da carreira da dupla e com algumas dicas que nos permitem teorizar com alguma exatidão o que aí vem já nos próximos meses. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Mirror Being

01. Atlas
02. A Tenuous Grasp
03. Dys-Appearance
04. Obsession
05. As They Must
06. Fields
07. Poetics Of Space
08. Chapter
09. Mirror Being
10. Descent


autor stipe07 às 22:17
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Sábado, 1 de Agosto de 2015

Wolf Alice – My Love Is Cool

Produzido por Mike Crossey e editado no passado mês de junho pela etiqueta Dirty Hit, My Love Is Cool é o trabalho de estreia dos Wolf Alice, um coletivo britânico oriundo de Londres e formado por Ellie Rowsell, Joel Amey, Joff Oddie e Theo Ellis, sendo considerado por alguma crítica como um dos tesouros sonoros mais bem guardados de Inglaterra e que se estreou em outubro de 2013 com o EP Blush.

Inspirado no grunge dos anos noventa e com uma forte toada shoegaze, My Love Is Cool é um daqueles discos que agradam imediatamente aos amantes do género, não só por causa da energia frenética e dos riffs abundantes, mas também devido à componente lírica particulamrnete depressiva e que das dificuldades das relações amorosas, passando pela busca do amor eterno e das verdadeiras amaizades, versa sobre os temas mais comuns deste cenário musical.

Se o espetro sonoro em que uma banda se movimenta pode dizer muito do conteúdo do seu cardápio, então, logo na estreia, estes Wolf Alice cumprem à risca esta regra que, neste caso concreto, homenageia uma década que deixou saudades a todos os amantes do indie rock alternativo, fazendo-o com um espírito renovado e com alguns arranjos de cariz mais contemporâneo, reestruturando um som vintage com novas abordagens e perspetivas.

Logo na soul de Turn to Dust contactamos com um ambiente emotivo muito peculiare intenso. Um pouco adiante, numa aobrdagem mais rugosa e visceral, em You're A Germ, o jogo de vozes, o baixo marcado e as distorções incandescentes da guitarra, conduzem-nos à mesma estética nostálgica, mas com todos os ingredientes do noise rock em estado puro. Fluffy, o tema que encerra o alinhamento de My love Is Cool, assenta nessa mesma diretriz, com emoção lírica e sentimental e potência sonora em constante diálogo e um pacote nostálgico a gerir todo o processo de composição.

Se canções do calibre de Silk ou Soapy Soaker ao terem os sintetizadores e a percussão eletrónica a liderar a toada, concedendo-lhes uma abordagem mais pop e, de certo modo, um pouco mais inovadora, ou se Bros procura consagrar a imponência das cordas, como catalisadores assertivos de uma ideia de epicidade que, como sabemos, muitas vezes só no norte da Europa se replica com sucesso, o que importa realmente reter de My Love Is Cool é o modo como o seu conteúdo exalta alguns dos melhores detalhes específicos de uma época que impressionou pelos ambientes de rara frescura e pureza sonora que nos ofereceu, fazendo-o através de um feliz encontro entre sonoridades que se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta uma dream pop com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feita, algumas vezes, com a substância e a riqueza estilística do rock mais ruidoso e encorpado, que exige, naturalmente, um ambiente eminentemente shoegaze. Espero que aprecies a sugestão...

Wolf Alice - My Love Is Cool

01. Turn To Dust
02. Bros
03. Your Loves Whore
04. Moaning Lisa Smile
05. You’re A Germ
06. Lisbon
07. Silk
08. Freazy
09. Giant Peach
10. Swallowtail
11. Soapy Water
12. Fluffy
13. The Wonderwhy (Hidden Track)


autor stipe07 às 22:19
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Sábado, 18 de Julho de 2015

Nugget - Watercolour EP

Oriundos de Londres e uma das mais recentes apostas da Lost In The Manor, formada por três músicos extremamente talentosos e virtuosos, os Nugget são Julien Baraness, um guitarrista e produtor canadiano natural de Toronto, Alex Lofoco, um baixista italiano e o baterista Jamie Murray. Juntos replicam uma fantástica fusão de indie rock com jazz, uma colagem genuína de estilos, proposta por um coletivo original e com qualidades técnicas ímpares, onde não faltam também abordagens diretas ao reggae, ao hip-hop e ao drum n'bass.

O EP de estreia dos Nugget chama-se Watercolour, viu a luz do dia a catorze de julho último e se as cinco canções do trabalho são interpretações sonoras do mundo que rodeia os Nugget, então Watercolour é uma verdadeira obra de arte sónica.

Cheese Meister, o primeiro avanço de Watercolour, são quatro minutos e meio de um jazz rock, ácido e pleno de funk, uma canção com um groove animado e divertido, mas o alinhamento deste EP tem outros momentos relevantes; A percussão precisa, a melodia astral e os samples de sons de Two's A Crowd, são um retrato sonoro vivo e preciso de um quotidiano urbano contemporâneo, à boleia de uma guitarra que divaga e plana sem restrições e depois, Nugget Jr oferece-nos um felino festim de cordas apontado às pistas de dança, enquanto que o funk e a rugosidade de BadBoy.0 impressionam pela mestria e pelo bom gosto.

Cheirando a Havana, Londres, Nashville ou Nova Orleães, Watercolour é um impressivo documento sonoro policromático, assinado por uns Nugget claramente experimentais e sequiosos por fazerem do jazz um género sonoro mais atrativo para as novas gerações de ouvintes que, geralmente, apreciam navegar por outros ambientes sonoros. Espero que aprecies a sugestão...

1) Nugget Jr

2) Fairfax Pickup

3) BadBoy.0

4) Cheese Meister

5) Two’s A Crowd

 


autor stipe07 às 21:22
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015

Amber Leaves - Heaven

Oriundos de Londres, os britânicos Amber Leaves são Chesney Jefferson, Sebastian Drayton, Jay Morrod, Jake Miliburn e Josh Pontin, um coletivo que me impressionou com Heaven, o primeiro de uma sequência de três temas que o coletivo pretende lançar este verão, à boleia da Lost In The Manor.

Acordes de guitarra com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Heaven, canção que conta com a participação especial vocal de Miele Passmore e que seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso. Estes Amber Leaves personificam num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um projeto com uma vitalidade imparável e que vale a pena escutar com dedicação. Confere...


autor stipe07 às 13:36
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Domingo, 12 de Julho de 2015

The Fleas - Telling Tales EP

Telling Tales é o novo EP dos The Fleas um quarteto britânico de Reading, formado por Piers, Bernadette, Mannie, Woody e Chris, que vive à sombra de uma sonoridade que gravita algures entre Pixies ou os The Kinks, mas também a piscar o olho à folk americana, levando-nos de regresso aos tempos aúreos do rock alternativo mais vibrante e luminoso.

Sonoramente animados e expansivos, como uma boa banda pop indie deve ser, os The Fleas percorrem estilos musicais tão variados como o rock progressivo e a folk, à boleia de cordas acústicas e eletrificadas, um andamento ritmado e frenético, sendo Telling Tales um EP recheado de intensidade e com a típica coutry-folk a ser a principal zona de conforto, como se percebe logo em Free.

Born To Run, o segundo tema do EP, inspirado no livro Born to Run: The Hidden Tribe, the Ultra-Runners, and the Greatest Race the World Has Never Seen da autoria de Christopher McDougall. muda um pouco a agulha para o baixo e a paercussão, em derterimento das cordas, mas mantém-se o frenesim ritmado e alegre de um quinteto inspirado no modo como se serve da música como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções! Finalmente, os arranjos das cordas de No More Tears, impregnam este EP com um sabor ainda mais americano, sendo este EP, para quem aprecia o género, verdadeiramente obrigatório. Confere...


autor stipe07 às 18:39
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2015

Escapists - Eat You Alive

Depois de Only Bodies, o registo de estreia, editado no verão do ano passado, os Escapists, um coletivo britânico oriundo de Londres e formado por Simon Glancy, Oli Court, Max Perryment e Andy Walsh, estão de regresso com Eat You Alive, composição que, segundo Chris Sharpe, da etiqueta Lost In The Manor, é o primeiro de uma sequência de três temas que poderão vir a dar origem a um novo EP, a lançar lá para o final do ano.

Apesar de os Escapists colocarem no seu grupo de influências nomes tão significativos como TV On The Radio, The National, The Shins, Modest Mouse ou Broken Social Scene, entre muitos outros, ao ter escutado este Eat You Alive ocorreu-me que um dos primeiros elogios que se pode fazer a estes Escapists é que parecem ser capazes de cimentar uma sonoridade muito própria e inédita, naturalmente abrangida pelo indie rock alternativo, feito de melodias épicas e luminosas, criadas com guitarras carregadas de efeito e distorção, um baixo vigoroso e uma percurssão potente. Confere...

 


autor stipe07 às 17:46
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2015

Everything Everything - Get to Heaven

Depois de Man Alive (2010) e Arc (2013), os britânicos Everything Everything de Jonathan Higgs, Jeremy Pritchard, Alex Robertshaw e Michael Spearman estão de regresso aos discos com Get To Heaven, um álbum que viu a luz do dia a quinze de junho e que foi produzido pelo consagrado Stuart Price (Kylie Minogue, The Killers e Scissor Sisters), sendo o curioso artwork da autoria do ilustrador neozelandês Andrew Archer e que pretende sintetizar a temática de um disco que se debruça sobre o modo como a política e a religião nos consomem nos dias de hoje e como, de algum modo, agridem a nossa essência se nos deixarmos seduzir por estes estímulos exteriores de modo exacerbado e inconsciente.

Piscando o olho a um vasto leque de influências que vão da dream pop ao rock progressivo, passando pela eletrónica, o R&B e o indie rock contemporâneo, os Everything Everything chegam ao terceiro disco depois de um refinado e cuidadoso processo de corte e costura de todo o espetro musical que os seduz e que os sintetizadores e os efeitos inebriantes da guitarra de To The Blade desde logo anunciam. Depois, o indie rock de Regret, feito com uma percussão vincada, um baixo pleno de groove, uma guitarra particularmente melódica e um registo vocal em falsete exemplarmente replicado por Higgs, não foi uma escolha nada inocente para avanço no formato single de Get To Heaven, já que é uma canção marcante, cheia de personalidade e que antecipou um disco prometedor. Mas, antes desse tema, o piano de Distant Past e a postura vocal próxima do hip-hop, além de elevarem o clima festivo do disco, logo no início, para um patamar elevado de agitação e euforia, acaba por nos convidar à interação com o seu conteúdo, num trabalho que não deixa ninguém indiferente e que se percebe, desde logo, que não é para ser escutado como banda sonora casual, mas como escolha propositada para colorir um ambiente certamente empolgante e animado.

Com a voz dramática e estimulante de Higgs a ser, frequentemente, o sal que tempera devidamente a alma das canções que, como é o caso de Distant Past, escorrem sobre o modo como a evolução humana é hoje feita de extremismos, por um lado e um isolamento cada vez maior do indíviduo, enquanto pessoa cada vez mais fria e mecanizada, nesta aldeia global, Get to Heaven vive bastante desta aparente contradição entre a seriedade lírica e a espontaneidade e luminosidade melódica. Agregando uma variedade interessante de instrumentos e arranjos curiosos e até, em alguns casos, investidos de um certo requinte, como é o caso das bongas e as palmas do tema homónimo, a batida minimal de Fortune 500, ou os divertidos sintetizadores de Hapsburg Lippp, Get To Heaven merece relevo pelo modo como joga conosco com a sua paleta de cores fortes e psicadélicas, que entre a pop e a eletrónica, remexem em praticamente tudo o que se situa entre estes dois postes dando à banda uma identidade muito própria, já que se os Everything Everything são, realmente, uma banda parecida com tantas outras, talvez sejam poucas as que conseguem ser uma alternativa viável e sedutora para um espetro sonoro já tão explorado como aquele em que este quarteto britânico se move.

Disco divertido, indutor, frenético e provocante, Get to Heaven é um passo seguro e maduro dos Everything Everything rumo ao estrelato, um agregado interessante e improvável de análise psicológica e sociológica do estado atual do mundo, mas que pode sempre encontrar algum conforto e até, quem sabe, a esperada redenção e salvação nas pistas de dança espalhadas pelo mundo inteiro. Talvez possa ser a música o elemento conciliador e libertador das civilizações e os Everything Everything parecem querer voluntariar-se para levar a cabo essa cruzada inolvidável. Espero que aprecies a sugestão...

Everything Everything - Get To Heaven

CD 1
01. To The Blade
02. Distant Past
03. Get To Heaven
04. Regret
05. Spring / Sun / Winter / Dread
06. The Wheel (Is Turning Now)
07. Fortune 500
08. Blast Doors
09. Zero Pharaoh
10. No Reptiles
11. Warm Healer

CD 2
01. We Sleep In Pairs
02. Hapsburg Lippp
03. President Heartbeat
04. Brainchild
05. Yuppie Supper
06. Only As Good As My God


autor stipe07 às 14:17
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