Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017

James Blake - Vincent

James Blake - Vincent

Enquanto não edita um novo disco, o londrino James Blake resolveu oferecer como prenda de natal aos seus fãs, uma lindíssima versão de Vincent, um clássico da autoria do cantor norte-americano Don McLean, originalmente gravada há quarenta e seis anos anos, como homenagem ao pintor Vincent Van Gogh.

Com o original presente na banda sonora do filme Loving Vincent, lançado recentemente, esta versão de Blake teve já também direito a um vídeo, gravado em Los Angeles e dirigido por Andrew Douglas, sendo uma lindíssima canção tocada ecantada ao piano, uma reinterpretação que criou um ambiente algo intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Confere...


autor stipe07 às 15:25
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

Tom Chaplin – Twelve Tales Of Christmas

Com o aproximar do Natal é usual haverem alguns lançamentos discográficos alusivos à época e Tom Chaplin, vocalista dos Keane, acabou por aderir a esta tendência com Twelve Tales Of Christmas, um alinhamento de doze canções, oito temas originais e quatro versões, os clássicos Walking In The Air de Howard Blake e River de Joni Mitchell e ainda uma versão para 2000 Miles dos The Pretenders e Stay Another Day dos East 17. Produzido por David Kosten e gravado nos míticos Abbey Road e ainda em Muttley Ranch e nos Snap Studios, este disco sucede ao seu aclamado registo de estreia, um trabalho intitulado The Wave, que viu a luz do dia há pouco mais de um ano, com enorme sucesso, em particular no Reino Unido.

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O Natal é a época do ano preferida de Chaplin que guarda memórias frutuosas da sua infância relativamente a esta efeméride. O músico confessa que nos anos mais recentes foi perdendo alguma da magia do natal, também por causa dos problemas pessoais por que passou na última década, mas que o simples facto de poder estar com a família nesta altura sempre o ajudou a despertar algumas das melhores memórias que guarda dentro de si relativamente ao Natal. E este Twelve Tales Of Christmas acaba por refeletir um pouco isso, já que é um daqueles registos de Natal ideais para serem escutados em família ou num grupo de amigos, servindo de banda-sonora da noite mais especial do ano.
Canções como Under A Million Lights ou Midnight Mass ou a magnificiência da versão dos The Pretenders contêm essa virtude do apelo à união e à cantoria em uníssono e captam na perfeição a essência de uma época que se pretende que seja alegre e festiva. E a voz de Chaplin, quando acompanhada por efeitos etéreos e arranjos delicados, acaba por criar sempre uma atmosfera muito bonita e envolvente.

Twelve Tales Of Christmas é um aconchegante compêndio sonoro, perfeito para tocar naquela pausa entre o levantar das espinhas do bacalhau da mesa e a ascensão do leite creme ao primeiro plano da mesma, com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar. Contém canções por natureza otimistas, compostas por um intérprete num estágio superior de sapiência que se coloca à boleia de arranjos tensos, dramáticos e melódicos e assim nos conta histórias sobre uma época única, de união e partilha, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Tom Chaplin - Twelve Tales Of Christmas

01. Walking In The Air
02. Midnight Mass
03. 2000 Miles
04. Under A Million Lights
05. River
06. London Lights
07. We Remember You This Christmas
08. Stay Another Day
09. For The Lost
10. Another Lonely Christmas
11. Follow My Heart
12. Say Goodbye


autor stipe07 às 18:09
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2017

Teleman – Fünf EP

Cerca de ano e meio depois do muito recomendável Brilliant Sanity, os britânicos Teleman de Tommy Sanders (vocalista), do seu irmão Johnny (teclados), do baixista Peter Cattermoul e do baterista Hiro Amamiya estão de regresso com Fünf, um ep com cinco canções que resultaram de uma estreita colaboração deste grupo de Reading, nascido das cinzas dos Pete & The Pirates, com cinco produtores de relevo. São figuras proeminentes da eletrónica atual, nomeadamente Timothy J. Fairplay, Ghost Culture, Bullion, Oli Bayston e Moscoman, com cada um deles a intervir diretamente em cada uma das composições do ep.

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Grandes destaques do catálogo da insuspeita Moshi Moshi Records, os Teleman são um nome fortíssimo da art pop atual e têm ao longo da ainda curta carreira feito um súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos. Assim, neste novo ep e como não podia deixar de ser, estamos na presença de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas, nomeadamente o baixo e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que tem aqui mais um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

Da toada pulsante de Spectre, conferida por um curioso efeito sintetizado intenso e modulado, até ao punk rock apurado, incisivo e extremamente dançável de Bone China Face, uma das melhores canções de 2017, passando pelo groove insinuante e climático de Rivers In The Dark, pela atribulada aspereza rítmica de Repeater e pelo apelo vintage crescente de Nights On Earth, este é um ep com fino notável recorte clássico, um alinhamento preenchido com uma paleta colorida e animada de paisagens instrumentais e líricas, que fazem dele uma companhia perfeita para um momento mais festivo e que, ao mesmo tempo, nos possibilita contactar quer com algumas das melhores nuances da eletónica atual,quer com aquela filosofica pop que vem fazendo escola em algumas bandas britânicas de há quatro décadas para cá. Espero que aprecies a sugestão....

Teleman - Fünf

01. Spectre
02. Bone China Face
03. Rivers In The Dark
04. Repeater
05. Nights On Earth


autor stipe07 às 16:58
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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Plastic Flowers – Absent Forever

Juntam-se guitarras impregnadas de efeitos com uma forte toada shoegaze e um ambiente melódico particularmente lisérgico e contemplativo e estão lançados os dados para a chegada às luzes da ribalta de mais um projeto indie dentro do espectro sonoro que nos oferece uma versão algo ruidosa da dream pop mais ambiental e que também revive, em grande parte, épocas gloriosas de um rock alternativo que fez escola na reta final do século passado em Terras de Sua Majestade. Refiro-me a Plastic Flowers, o alter-ego sonoro do grego, sedeado em Londres, George Samaras, um projeto que nasceu na zona de Tessalónica, na Grécia, há pouco mais de meia década. Plastic Flowers vai já no terceiro lançamento discográfico, sendo o mais recente Absent Forever, dez canções que acabam de ver a luz do dia à boleia da The Native Sound.

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Com algumas canções já arquitetadas desde 2013 e gravado em apenas três meses, em diferentes espaços de Londres e num pequeno estúdio da casa de um amigo de Samaras em Hampstead, arredores da capital britânica, Absent Forever é um disco de contrastes. Se contém instantes tremendamente ruidosos e com uma forte complexidade instrumental, também deve muito da sua bitola qualitativa superior a outros intensamente calmos e reflexivos, sendo inteligente o modo como se vão revezando entre si, muitas vezes dentro dos próprios temas, numa demanda sonora onde a ideia de experimentalismo é elevada à forma de arte, neste caso sonora, com charme, bom gosto e uma invulgar sapiência.

Um dos truques que explica o som inédito e bastante identitário deste álbum é o modo como no processo criativo foram capturados alguns dos instrumentos através da antiga e analógica tecnologia da fita magnética. Depois, a participação de um quarteto de cordas também ajudou a ampliar ainda mais o clima rugoso e orgânico de um alinhamento que possui o habitual cariz melancólico em que Plastic Flowers gosta de nos imergir. No single How Can In, o modo como um imparável riff eletrificado se sobrepõe e um trecho de guitarra ternurento que se repete ininterruptamente, plasma esta sensação agridoce que acaba por se estender à meia hora que o disco dura, até porque essa sensação se repete logo a seguir em Seventeen, canção que inicia com uma guitarra fortemente etérea e luminosa que pouco depois é trespassada por uma bateria imponente, com o resultado final a ser uma composição de forte cariz orquestral, com deliciosos acordes e melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, algo que à partida não era fácil de adivinhar assim que o tema começou. Depois, a sobriedade sentimental esplendorosa de Falling Off, o modo quase espiritual como em Half Life somos confrontados com um edifício sonoro com uma epicidade incomum e algo intrigante e a feliz nostalgia oitocentista que exala do post rock que define So Long, uma daquelas canções cujas diversas camadas de sons impelem ao cerrar de punho, são outros exemplos felizes do modo como neste Absent Forever é possível apreciar ruído e rugosidade, sem deixar de estar à tona uma toada eminentemente tranquila e sedutora, mesmo que, durante a audição, o frenesim na percussão e o ruído das guitarras, principalmente nos refrões, sejam nuances que parecem apontar numa outra direção, até algo oposta.

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Absent Forever exala o contínuo processo de transformação de Plastic Flowers que procura mostrar, ao terceiro registo, com a marca do indie shoegaze, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Plastic Flowers - Absent Forever

01. Absent Forever
02. How Can I
03. Seventeen
04. Falling Off
05. Dalliance
06. Half Life
07. So Long
08. Where Are You
09. January 2017
10. NN


autor stipe07 às 22:50
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Quinta-feira, 26 de Outubro de 2017

My Sad Captains – Sun Bridge

Os My Sad Captains são uma banda de rock alternativo natural de Londres, cujo nome foi inspirado por um poema do escritor Thom Gunn. Os membros da banda são Ed Wallis, Leon Dufficy, Ben Walker, Steve Blackwell e Henry Thomas e estão de regresso aos discos com Sun Bridge, dez canções abrigadas pela Bella Union e que estão finalmente a catapultar este projeto que já acompanho à meia década, desde o excelente trabalho de estreia, Fight Less, Win More, para o devido destaque.

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Logo a abrir, o instrumental climático fortemente contemplativo intitulado Early Rivers, é uma canção perfeita para nos introduzir neste disco, já que permite-nos relaxar e assim ficarmos devidamente preparados para um conjunto de canções que tanto podem conter uma sonoridade simultaneamente enérgica e memorável, como é o caso do efusivo single Everything At The End Of Everything, ou então que se abrigam à sombra de territórios sonoros mais delicados e experimentais, como sucede, por exemplo, em Destination Memory, uma composição com um início introspetivo mas que depois seduz definitivamente pela mistura de detalhes e arranjos que resultaram numa melancolia inebriante, épica e grandiosa.

Parece óbvio que estes My Sad Captains parecem fortemente influenciados por bandas indie do outro lado do atlântico, como os Yo La Tengo e os Red House Painters, mas é redutor balizá-los tendo apenas em conta as principais caraterísticas desse indie rck norte-americano mais enraizado, já que eles contêm algns traços identitários muito próprios e peculiares, que passam, essencialmente, pelo cruzamento do timbre da guitarra e das restantes cordas com a uma voz bastante melódica, algo que em Don't Listen to Your Heart é bastante audível. Esse efeito repete-se em Curtain Calls de uma forma ainda mais luminosa e adopta uma faceta mais sintética com o belo murmúrio que atravessa New Sun e o modo como nessa canção a guitarra se entrelaça com efeitos sintetizados borbulhantes e uma bateria com uma cadência pouco usual.

Apesar de algumas canções que sustentam o disco terem uma evidente luminosidade e um apurado sentido épico, abundam neste sun Bridge momentos mais introspetivos, mas igualmente belos, com especial destaque para o minimal dedilhar da viola na balada William Campbell e para a extensa Winter Sweet, outro instrumental que nos abraça e que se entranha sem grande esforço, impondo-nos uma melodia única e extremamente agradável, simultaneamente cândida e profunda.

Sun Bridge é um disco que não nos dá tempo para recuperar o fôlego, porque são imensos os momentos que proporcionam prazer, conforto e admiração durante a sua escuta. É um trabalho para ser ouvido e contemplado, um alinhamento onde há momentos animados e luminosos, mas também instantes de pausa, de sossego e melancolia, esta, muitas vezes, quase absurda. Tal sofreguidão deve-se, em suma, à consistência com que, música após música, somos confrontados e confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas. Espero que aprecies a sugestão...

My Sad Captains - Sun Bridge

01. Early Rivers
02. Everything At The End Of Everything
03. Destination Memory
04. Don’t Listen To Your Heart
05. None In A Million
06. William Campbell
07. Curtain Calls
08. New Sun
09. Wintersweet
10. Relive


autor stipe07 às 21:30
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Quarta-feira, 11 de Outubro de 2017

Fink - Resurgam

Três anos depois do excelente álbum Hard Believer, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quarenta e cinco anos, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Resurgam, dez canções que viram a luz do dia no final de setembro e que catapultam este projeto para um nível qualitativo de excelência numa carreira sempre a subir, disco após disco.

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O título deste novo disco de Fink é inspirado numa inscrição de origem latina que o autor encontrou numa igreja quase milenar de Cornwall, sua cidade natal e cujo espírito e significado faz-se sentir, transversalmente, ao longo de todo o alinhamento, produzido pelo carismático Flood (PJ Harvey, U2, Foals, Warpaint, The Killers) e gravado nos estúdios Assault & Battery Studios, que este produtor partilha com Alan Moulder no norte de Londres.

Num projeto em que os dois maiores trunfos são a belíssima voz de Fin e o magnífico trabalho instrumental, principalmente de Tim Thornton, à frente da bateria e da guitarra, ficamos logo agarrados ao disco com Resurgam, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria e a voz de Fink impregnada de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado e algumas cordas. Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e orgânico e com uma forte toada blues. Depois, no clima envolvente de Day 22, bastante influenciado por alguns arranjos de sopros inebriantes e na sumptuosa delicadeza do piano que baliza Cracks Appear, ao qual vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de uma guitarra eletrificada, percebe-se que há não só um maior arrojo pop relativamente a Hard Believer, mas também a assunção por parte do autor de que a opção por um alinhamento sinuoso e cativante e que nos convide frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno, acaba por ser a opção certa não só para conseguir materializar os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, mas também para chegar a um número ainda maior de ouvintes que ainda não tiveram a oportunidade de se deliciar com a filosofia estilística deste artista tremendamente dotado.

Na verdade, além dos temas já citados, não faltam neste disco, vários outros exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo do cardápio de Fink. Se o transbordar de um sentimento algo angustiante e sentido à boleia do piano em Word to The Wise e da viola em Not Everything Was Better In The Past mostram um lado do músico algo inquietante e a suplicar por um outro patamar de serenidade, já a subtil clareza da batida sincopada que alimenta a sempre crescente The Determined Cut e a suavidade contínua e algo subtil de Godhead oferecem-nos, em oposição, um Fink mais sorridente e esperançoso, um exímio e lúcido contador de histórias que servem a qualquer comum dos mortais.

Resurgam está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Resurgam

01. Resurgam
02. Day 22
03. Cracks Appear
04. Word To The Wise
05. Not Everything Was Better In The Past
06. The Determined Cut
07. Godhead
08. This Isn’t A Mistake
09. Covering Your Tracks
10. There’s Just Something About You


autor stipe07 às 21:25
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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2017

Mura Masa - Mura Masa

No sul de Inglaterra, em pleno canal da Mancha, situa-se a minúscula ilha de Guernsey, terra natal de Alex Crossan, um músico nascido a cinco de abril de mil novecentos e noventa e seis e que desde muito cedo começou a utlizar a composição musical e o DJing como principal refúgio para a natural sensação de isolamento que sempre sentiu e de modo a materializar também um forte desejo de sair do meio do atlântico e passar viver em Londres. Ele assina a sua música como Mura Masa (nome de um sabre japonês) e estreou-se recentemente nos discos com um homónimo, editado à boleia da Polydor Records e que conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Damon Albarn, Charli XCX e A$AP Rocky, entre outros.

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Produtor, compositor e multi-instrumentista, Alex Crossan começou a ser notado pela crítica quando em setembro do ano passado apresentou ao mundo Lovesick, um dos temas deste seu álbum de estreia e que conta com a voz de A$AP. A partir daí a ansiedade por novas canções por parte de uma já interessante legião de fãs foi aumentando até ficar finalmente satisfeita com estas treze canções que, do rap à eletrónica, passando pela pop ambiental, o hip-hop, o house tropical, o dubstep e o próprio jazz, abraçam uma multiplicidade de estilos e tendências sonoras que fazem deste Mura Masa um dos discos mais interessantes e multifacetados do momento. 

Caldo sonoro, mas também multicultural, Mura Masa tem instantes que nos incitam à pista de dança e a deixar extravasar o nosso lado mais libidinoso, que irá certamente deliciar-se com a batida afro de Nuggets ou o clima envolvente particularmente sensual do efeito metálico sintético que conduz All Around the World e outros em que predomina um clima de maior introspeção, com particular destaque para o intimismo de Blue, canção que ganha um charme muito próprio devido ao modo como as vozes de Alex e Albarn se entrelaçam. E este jogo entre estas duas vozes contém uma ainda maior simbologia porque encerra um disco que instrumentalmente, entre os vários estilos que cruzam as treze canções, acaba por firmar a atmosfera de um álbum que obriga-nos a esperar o inesperado e a ouvi-lo em constante sobressalto, excitados pela sensualidade de algumas letras e por nunca sabermos muito bem o que poderá vir a seguir. E um dos temas que mais me impressionou e fez-me crer que realmente o inesperado está sempre ao virar da esquina, foi Nothing Else! e a abordagem vocal algo minimalista mais impressiva de Jamie Lidell ao universo mais negro do r&b, o grande detalhe que sustenta a soul essa canção. Mas também merecem, na minha opinião, especial referência o cardápio instrumental sintético que trespassa o frenesim de Helpline e a luminosidade harmónica de Second 2 None.

Mura Masa plasma com particular eloquência e impressiva criatividade a míriade sonora que influencia o seu autor e leva-nos facilmente a admirar o mesmo pelo bom gosto com que navega de influência em influência e acaba, com essa viagem descomprometida, mas inspirada, por construir algo inédito e a sua própria marca sonora identitária, que faz de si um dos produtores mais interessantes da nova pop contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para Mura Masa - Mura Masa

1.Messy Love
2. Nuggets (feat. Bonzai)
3. Love$Ick (feat. A$AP Rocky)
4. 1 Night (feat. Charli XCX)
5. All Around the World (feat. Desiigner)
6. give me the ground
7. What If I Go?
8. Firefly (feat. NAO)
9. Nothing Else! (feat. Jamie Lidell)
10. Helpline (feat. Tom Tripp)
11. Second 2 None (feat. Christine and the Queens)
12. Who Is It Gonna B (feat. A.K. Paul)
13. Blu (feat. Damon Albarn)


autor stipe07 às 14:09
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Terça-feira, 8 de Agosto de 2017

Fink – Cracks Appear

Fink - Cracks Appear

Três anos depois do excelente álbum Hard Believer, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quarenta e cinco anos, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Resurgam, dez canções que vão ver a luz do dia em setembro próximo.

Cracks Appear é o primeiro tema divulgado de Resurgam, uma composição que tem por base uma bateria e umas teclas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de uma guitarra eletrificada Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco que, apesar de um aparente maior arrojo pop relativamente a Hard Believer, será essencialmente acústico, vincadamente experimental e claramente dominado por cordas com uma forte toada blues.

O título deste novo disco de Fink é inspirado numa inscrição de origem latina que Greenall encontrou numa igreja quase milenar de Cornwall, sua cidade natal e cujo espírito e significado faz-se sentir, transversalmente, ao longo de todo o alinhamento, produzido pelo carismático Flood (PJ Harvey, U2, Foals, Warpaint, The Killers) e gravado nos estúdios Assault & Battery Studios, que este produtor partilha com Alan Moulder no norte de Londres. Confere...


autor stipe07 às 00:11
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Quarta-feira, 21 de Junho de 2017

Everything Everything – Can’t Do

Everything Everything - Can't Do

A Fever Dream verá a luz do dia a dezoito de agosto e será o nome do próximo disco dos britânicos Everything Everything, o quarto registo de originais desta banda oriunda de Manchester e que sucederá ao aclamado Get to Heaven, o álbum que o quarteto lançou há cerca de dois anos. Depois de terem trabalhado em Get To Heaven com o consagrado Stuart Price (Kylie Minogue, The Killers e Scissor Sisters), neste A Fever Dream contaram, na gravação e produção, com a ajuda de James Ford, habitual colaborador de bandas como os  Arctic Monkeys, Depeche Mode ou os Foals.

A Fever Dream tem em Can't Do o single de apresentação, uma canção que piscando o olho a um vasto leque de influências que vão da dream pop ao rock progressivo, passando pela eletrónica e o indie rock contemporâneo, plasma um refinado e cuidadoso processo de corte e costura de todo o espetro musical que seduz o grupo. Tematicamente, é um tema que, de acordo com Jonathan Higgs, o líder dos Everything Everything, pretende alertar as consciência para a noção de normalidade, porque, de acordo com ele, esse é um conceito que ninguém sabe definir com exatidão e, por isso, nenhuma entidade ou indíviduo se pode apropriar do mesmo e apresentar-se como tal. Confere...


autor stipe07 às 06:26
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Sábado, 10 de Junho de 2017

Ulrika Spacek – Modern English Decoration

Lançado no passado dia dois de junho através da Tough Love Records, Modern English Decoration é o mais recente capítulo da saga discográfica dos britânicos Ulrika Spacek de Rhys Edwards e Rhys William, um disco que à semelhança de The Album Paranoia, o registo de estreia editado no início de 2016, foi gravado, produzido e misturado numa galeria de arte chamada KEN e à qual os Ulrika Spacek e os três músicos que os acompanham, Ben White, Callum Brown e Joseph Stone, chamam de sua casa, a bolha onde se refugiam para compôr, idealizar vídeos e expressar-se através de outras formas de arte além da música.

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A filosofia de composição musical destes Ulrika Spacek baliza-se através de um assomo de crueza tingido com uma impressiva frontalidade quer lírica quer sonora. Na complacência enganadora de Mimi Pretend há uma guitarra rugosa e plena de efeitos metálicos, acompanhada por uma bateria falsamente rápida, e esta dupla é a mesma que vai ser depois o grande suporte das canções, em volta da qual gravitarão diferentes arranjos, quer orgânicos, quer sintéticos, geralmente com um teor algo minimal. E se a guitarra nunca perde identidade, a bateria mantém-se precisa no modo como confere alma e robustez ao ritmo de cada composição. Depois, há um baixo implacável na marcação à zona e todo este arsenal instrumental é rematado por uma voz geralmente reverberizada e que se arrasta. É um rock que impressiona pela rebeldia com forte travo nostálgico e por aquela sensação de espiral progressiva de sensações, que tantas vezes ferem porque atingem o âmago, bastanto ouvir Protestant Work Slump para se tomar contacto com esta autenticidade que desmascara quem arrisca entrar no jogo de sedução ímpar que Modern English Decoration proporciona.

Canções do calibre de Dead Museum, quase cinco minutos de um cósmico devaneio soul ou, em oposição, a indulgência acústica intensamente reflexiva do tema homónimo, plasmam também uma das maiores virtudes destes Ulrika Spacek que é a capacidade de conseguirem divagar por diferentes ângulos e espetros dentro de um universo sonoro bastante específico. Isso sucede porque corre-lhes nas veias aquela atitude claramente experimental e enganadoramente despreocupada, expressa numa vontade óbvia de transformar cada composição numa espécie de jam session, através de uma espécie de colagem de vários momentos de improviso. Se nas cordas de Saw A Habit Forming aquela pop sessentista ácida e psicotrópica, encontra o poiso ideal para se espraiar, o modo quase cínico como em Full Of Men os Ulrika Spacek nos levam a sorrir e a abanar a anca ao som de uma canção que se insinua continuamente por causa do modo algo desconexo como se vai desenvolvendo ritmíca e melodicamente, acaba por ser a expressão máxima deste modo bastante textural, orgânico e imediato de criar música e de fazer dela uma forma artística privilegiada na transmissão de sensações que não deixam ninguém indiferente.

Modern English Decoration atesta a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este grupo britânico entra em estúdio para compôr e criar um shoegaze progressivo que se firma com um arquétipo sonoro sem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual. Um dos discos obrigatórios do ano, claramente. Espero que aprecies a sugestão...

Ulrika Spacek - Modern English Decoration

01. Mimi Pretend
02. Silvertonic
03. Dead Museum
04. Ziggy
05. Everything, All The Time
06. Modern English Decoration
07. Full Of Men
08. Saw A Habit Forming
09. Victorian Acid
10. Protestant Work Slump


autor stipe07 às 00:05
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