Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2016

Bloc Party – Hymns

Foi no passado dia vinte e nove de janeiro que chegou aos escaparates Hymns, o quinto registo de estúdio dos britânicos Bloc Party, uma banda londrina liderada pelo carismático vocalista e guitarrista Kele Okereke e referência fundamental do indie rock alternativo do início deste século.

Primeiro álbum dos Bloc Party com o baixista e teclista Justin Harris e o baterista Louise Bartle, Hymns foi produzido por Tim Bran e Roy Kerr e procura relançar a carreira de um projeto que já em 2012 tentou obter um novo fôlego à boleia do visceral Four, mas que tarda em regressar à boa forma dos primórdios. Com uma herança pesada nos ombros e com agulhas também direcionadas para uma carreira a solo, Kele Okereke tem tentado, em abono da verdade, manter os Bloc Party à tona e só o simples fato de o grupo ter sobrevivido às querelas pós lançamento de Four, que resultaram no adeus do baterista Matt Tong e do multi instrumentista Gordon Moakes, é já um sinal positivo e que merece realce, no que concerne ao lançamento deste novo trabalho da banda.

A primeira impressão que estas quinze canções no oferecem é de absoluto domínio por parte do líder dos Bloc Party relativamente à filosofia sonora subjacente, uma ideia que se amplia quando se tenta fazer uma intereseção entre o conteúdo de Hymns e o piscar de olhos ao house e à eletrónica que Okereke tem feito ultimamente, em nome próprio. Logo na sintetização de The Love Within e, pouco depois, nas batidas da ambiental My True Name, aqui numa abordagem oposta, mas no mesmo campo sintético, fica plasmado este ideário. E apesar de temas como a intensa Into The Heart, a animada The Good News ou a soul de Only He Can Heal Me, tentarem salvar a face do indie rock mais cru e punk que ainda poderia caraterizar o momento atual desta banda londrina, a verdade é que é aquele ambiente mais sintético e algo artificial que paira constantemente ao longo da audição eclipsando, assim, qualquer tentativa que Okereke tenha feito de fazer prevalecer o genuíno som que catapultou, há mais de uma década, os Bloc Party para um merecido estrelato. No meio do disco, Virtue acaba por ser aquele tema que faz uma espécie de ponte entre estes dois mundos, pelo modo inspirado como a orgânica das guitarras consegue uma junção simbiótica feliz com os teclados, sendo, infelizmente, caso isolado no alinhamento, algo que deixa um certo amargo de boca a quem percebe que aqui sim, houve acerto e criatividade na nova fórmula que conduz o presente dos Bloc Party.

Urgência, angústia, raiva e caos sempre foram temáticas muito presentes na música deste grupo, não só nas letras, mas também no modo como a crueza e a espontaneidade instrumental exalavam, fluidamente, estas ideias. Em Hymns há apenas resquícios de tudo isto e um notório abrandamento rítmico e mesmo em algumas letras que abordam uma certa espiritualidade e que se focam, quase de certeza, em experiências pessoais do líder da banda, além de ampliarem a tal sensação de dominância por parte do guitarrista e vocalista, transportam-nos para um universo algo complexo e filosófico, que tem pouco a ver com a energia e a genuinidade de antigamente.

Compete ao público em geral e aos fãs mais acérrimos dos Bloc Party decidirem se este Hymns é, ou não, mais um passo em falso na carreira deste grupo. A própria adesão aos concertos da digressão que aí vem e a química no seio da banda durante a mesma, poderão influenciar decisivamente o comportamento comercial deste registo. Seja como for, é impossível evitar o sentimento de uma certa desilusão, naturalmente originada por uma herança pesada e com a qual os Bloc Party ainda não lidam devidamente, mas também por um agregado sonoro demasiado experimental, artificial e etéreo e que não oferece solidez, vibração, consistência e criatividade, com as doses devidas, tendo em conta a assinatura impressa nos créditos de cada canção. Espero que aprecies a sugestão...

Bloc Party - Hymns

01. The Love Within
02. Only He Can Heal Me
03. So Real
04. The Good News
05. Fortress
06. Different Drugs
07. Into The Earth
08. My True Name
09. Virtue
10. Exes
11. Living Lux
12. Eden
13. Paraíso
14. New Blood
15. Evening Song


autor stipe07 às 23:09
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

Zaflon - 7 Stalkers (feat. Gilan)

Dan Clarke é Zaflon, um produtor londrino que se assume como uma das mais recentes apostas da etiqueta local Lost In The Manor e que se prepara para editar um EP, já nas próximas semanas.

Este músico começou a ganhar alguma notoriedade graças a parceiras proveitosas com nomes tão importantes da chillwave como Jamie Woon e Royce Wood Junior e essa será uma das explicações para o modo como cria uma sonoridade invulgar, que mescla detalhes tipicamente urbanos com outros mais exóticos e inesperados.

Depois de há algumas semanas Zaflon ter divulgado Blink, uma canção que contava com a participação especial de Mina Fedora, agora chegou a vez de nos oferecer 7 Stalkers, composição que conta com a voz de Gilan e que plasma uma eletrónica inspirada e de forte pendor psicadélico, que irá certamente encher as medidas de quem aprecia algo de verdadeiramente invulgar e inovador. Confere...


autor stipe07 às 18:22
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016

Savages - Adore Life

Quase dois anos depois do estrondoso Silence Yourself, o registo de estreia, editado em maio de 2013 através da Matador Records, as londrinas Savages de Ayşe Hassan, Fay Milton, Gemma Thompson e Jehnny Beth, estão de regresso aos discos à boleia da mesma etiqueta e de punhos cerrados com Adore Life, dez canções escritas pela vocalista Jehnny Beth e que, na sequência do que foi possível apreciar no antecessor, continuam a debruçar-se sobre a intimidade sentimental de Beth, mas de modo a que qualquer comum dos mortais se possa apropriar das suas mágoas e prazeres, transportando-as para o seu próprio ideário sentimental.

Num universo pessoal em constante mutação e que encontra paralelismo nas próprias dinâmicas sociais e no frenesim dos dias de hoje, Adore Life submete-nos a um caos sonoro imponente e ruidoso, mas profundamente nostálgico e reflexivo, principalmente pelo modo como aborda o conceito de mudança e o poder que o amor tem para nos fazer evoluir e até, em casos mais extremos, modificar totalmente o nosso âmago.

O amor tem diferentes armas, com diversos calibres e várias escalas de destruição, mas também o potencial para, se for utilizado com mestria e sinceridade, fazer-nos ver com nitidez aquilo que de melhor guardamos dentro de nós e que podemos oferecer, para que possamos receber em troca semelhante manifestação de entrega. Aqui reside muitas vezes o busílis das relações a dois, na discrepância entre aquilo que se tem para oferecer e realmente se coloca à disposição e depois o grau de expetativa que se coloca do outro lado, não só em relação aos efeitos de tal atitude, mas também, e principalmente, aquilo que se espera em troca. E as Savages exploram até à exaustão e com enorme nitidez e capacidade reflexiva, este ideário, propondo a busca de um difícil mas recompensador equilíbrio, como a fórmula que poderá melhor balançar uma coexistência partilhada.

O verdadeiro amor é, pois então, a solução para a grande parte dos problemas do mundo e de cada um e logo em The Answer, o tema de abertura, essa verdade insofismável fica gravada de modo forte e dinâmico, montada numa variedade de texturas sonoras que entroncam no post punk e em outras sonoridades típicas dos anos oitenta. É um rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia, conjugada com guitarras carregadas de distorção, que oferecem à canção uma toada psicadélica extraordinária. Depois, enquanto em I Need Something New abordam a necessidade natural de deixar para trás vivências que nos aprosionam, ou em Sad Person exploram os tais conflitos emocionais e, quase no ocaso, em T.I.W.Y.G. (This is what you get when you mess with love), reforçam os aspetos menos coloridos do amor, as Savages arrastam-nos continuamente para um turbilhão de sensações fisicas e emocionais que nem a mais contida Adore, por exemplo, abranda, com aquela contínua sensação de eminente caos e descontrole a nunca deixar de ser uma presença constante e bastante vincada.

Cheio de puzzles e dilemas nem sempre fáceis de destrinçar e visceral no modo como pretende questionar os alicerces da nossa individualidade, Adore Life flagela constantemente o ouvinte com verdades nem sempre fáceis de enfrentar e nada melhor que um som ruidoso, mas fortememente melódico e que se move em diferentes velocidades e ritmos de forma convincente, para reforçar essa mensagem forte e turbulenta. É um trabalho que se apresenta perante quem se presdispõe a deixar-se aprisionar por ele, como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido, uma estratégia agressiva desprovida de qualquer proximidade com o comercial e com uma sujidade que aprisiona, numa espécie de relação de amor ódio com as Savage. Espero que aprecies a sugestão...

1. The Answer
2. Evil
3. Sad Person
4. Adore
5. I Need Something New
6. Slowing Down The World
7. When In Love
8. Surrender
9. T.I.W.Y.G.
10. Mechanics


autor stipe07 às 21:20
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

Black Market Karma – The Sixth Time Around

Depois de em 2012 terem editado ComatoseCoccon, e Easy Listening, três álbuns amplamente divulgados em Man On The Moon, os londrinos Black Market Karma, uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker, voltaram aos discos em janeiro de 2014 com Upside Out Inside Down, mantendo-se assim na rota de um indie rock que aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, de modo simultaneamente denso e dançável, oferecendo-nos consecutivos compêndios de um acid rock psicadélico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

The Sixth Time Around é a nova etapa desta demanda que parece não ter fim, o sexto capítulo de uma saga sonora abrigada à sombra de guitarras distorcidas e carregadas de alucinógeneos, com temas como Jokerjam ou Coming Down And About a revelarem duas faces de uma mesma moeda onde nomes tão consensuais como os vintage The Velvet Underground, Jesus And Mary Chain e Rolling Stones e outros mais contemporâneos, nomeadamente Black Rebel Motorcycle Club, The Horrors e os Brian Jonestown Massacre são eixos sonoros que balizam com precisão um caldeiraã psicadélico que condensa o melhor que há no shoegaze e no rock alternativo, com travos de folk e blues. Letárgico e com as habituais vozes etéreas, linhas de baixo bem vincadas, guitarras salpicadas com camadas de efeitos e distorções planantes e uma bateria cativante, The Sixth Time Around é um compêndio sonoro pleno de personalidade, onde não falta aquela aúrea melodicamente intensa e propositadamente contemplativa que tantas vezes carateriza o trajeto destes Black Market Karma, atraídos por um forte travo setentista que nos permite aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Black Market Karma - The Sixth Time Around

01. The First Time Around
02. Timed Response
03. Coming Down And About
04. The Second Time Around
05. Jokerjam
06. When The Sound Comes Slow
07. The Third Time Around
08. Shakey Greetings
09. Mule Kick
10. The Fourth Time Around
11. Wherever You’d Like
12. At Either End (The Twin)
13. The Fifth Time Around
14. Always Everywhere
15. The Noise in Your Head
16. The Sixth Time Around


autor stipe07 às 19:15
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2015

Entrevista - Hatcham social

Toby Kidd, Finnigan Kidd e David Claxton são os Hatcham Social, uma banda britânica oriunda da capital Londres e The Birthday Of The World o quarto trabalho do cardápio de um projeto cujas raízes remontam a 2006, altura em que com a benção de Tim Burgess, o líder dos Charlatans e de Alan McGee, patrão da Creation Records, os irmãos Kidd e Claxton, antigo baterista dos Klaxons, deram o pontapé de saída numa trip sonora que tem mergulhado, disco após disco, num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e que soa sempre poderoso, jovial e inventivo.

Verdadeiramente desconcertante e com uma produção cuidada, que aposta numa elevada dose de reverb e no típico espírito lo fi, The Brithday Of The World é um disco que faz da sua audição um desafio constante, quer devido ao modo como coloca em causa, permanentemente e sem concessões, o típico formato canção, mas também pela amálgama heterogénea de arranjos,samples e sons que rodeiam e sustentam as suas composições.

Na sequência deste mais recente lançamento discográfico dos Hatcham Social, tive o privilégio de poder colocar algumas questões a Toby Kidd, quer sobre o historial e percurso discográfico da banda, quer sobre este espetacular The Birthday Of The World. Confere a nossa conversa...

1. Hello! First of all, thank you for letting me have this opportunity for an interview, which is very flattering for my blog. Throughout almost ten years, Hatcham Social have been experimenting a lot, without abandoning their powerful, jovial and inventive sound. How has it all started and what's the secret formula of your success?
Hi! We are pleased you find joy in the music. 
Hatcham Social started as a reaction against the macho radio-indie that was happening around 2006. We wanted to make something that felt newer and was as female as it was male. We were inspired by the absurdity of things, by literature, art, and children's books. There is an imagination in Where The Wild Things Are or Alice's Adventures In Wonderland that, mixed with books like The Trial or Sartre's short stories creates an odd friction. These are the beginnings of Hatcham Social.  
If we have kept any success, I think it is because we have always felt the need to try out new ideas. And because we believe in following our own instincts and finding something unusual, not in making something for the radio.

 2. Tim Burgess and Faris Badwan are two fans of Hatcham Social and even produced your debut album, You Dig The Tunnel And I'll Hide The Soil. How was it to work with those two prominent figures of British indie rock?
We were always interested in collaboration and working with people who love the music we love and have an idea what we are about. It is always flattering when someone likes your music and wants to work with you. Especially people who you love their music. Faris has made some excellent records, in particular I love the Horrors first record, and Tim Burgess was someone me and Finn listened to growing up! 
 
3. Your music has very particular characteristics and it sounds lustful, spiritual and hypnotic. How would you describe your sound?
Hard question! I think our sound varies. At times I think it is very postmodern and pop and at other times reaching to the sublime dream. I think it is quite introverted and talks a lot about what is inside. I guess we are interested in the idea of beauty, which can feel like a unfashionable idea these days, but for us it means finding something that makes you feel something.
For us we are trying to make good songs, that mean something to us, that don't feel like we have ever heard them before, that feel new and exciting. 

4. You have a very diverse list of instruments in your songs (keyboard, synthesizers, guitars, acoustic guitars and other percussion instruments). How is a typical day of Hatcham Social in a recording studio?
There is not one! Each time we record an album it is totally different. We are very interested in process and how that can develop a sound. Each record will have a method. With The Birthday Of The World we all had ideas we wanted to develop with sounds. A lot were put on across different times, slowly building up the intricacies.

5. In your new record, The Birthday Of The World, you can go from pure psychedelic chaos (in songs like Wondrous Place) to blues rock (Find A Way To Let In Your Sins [Hit Red Cut A Right]) or  a more melancholic pop (Darling). Are you happy with this final result and does it match your initial expectations or did you change your formula as songs were being recorded?
We don't believe in genre, it is dead. We wanted to express ideas as they come, and make them feel something how best they need. An album should have a journey. We wanted the album to fullfill that. So, yeah we have made the album we set out to. But did we plan how it would sound exactly? No, chance comes in and gives you many new places to go when making and many of them you take. Making a record to us is an exploration.
 
6. Can we say that in 2015, with Birthday Of The World, Hatcham Social are at the peak of their career? Where do you want to go with this record?
We would love for it to be heard by everyone in the world and them to play it once a day in celebration of the birthday of the world! 
 
7. And now, to finish, what can we expect from your discography in the future?
I think we have made something that has taken us a lot of work and time and we will let it breath, where we go to next is anyone's guess, we are not in a hurry to make another album.
We have lots of songs getting written and other projects. There is a lyric book with illustrations and extra narrative for the songs, that is planned for next year. And we have an exhibition that should happen with that.
Finn's other band Beds In Parks will be making a record in the new year as well.
Maybe some collaborative stuff. Maybe an EP next year...
Whatever takes our fancy :)
Thanks, Toby


autor stipe07 às 21:28
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Domingo, 13 de Dezembro de 2015

Still Corners – Horses At Night

Still Corners - Horses At Night

Donos de uma pop leve e sonhadora, íntima da natureza etérea e onde os sintetizadores são reis, mas as guitarras eléctricas e acústicas também marcam forte presença, os londrinos Still Corners de Greg Hughes e Tessa Murray, estão de regresso com Horses At Night, o primeiro inédito que a dupla divulga desde 2013 e que pode muito bem antecipar o lançamento de um novo registo de originais para breve, apesar de ainda não terem sido adiantados mais detalhes sobre aquele que será, caso as previsões se concretizem, o terceiro álbum do projeto.
Produzida e misturada pelo próprio Greg Hughes, esta canção pisca o olho a alguns dos mais relevantes aspetos herdados da eletrónica dos anos oitenta, com uma forte aposta no romantismo, um sentimento muito marcado nos sintetizadores acolhedores que controlam o tema e na própria temática lírica do mesmo. Acaba por ser uma composição que, timidamente, aponta para ambientes dançantes, com uma estética final e global algo etérea e intemporal. Confere...


autor stipe07 às 19:12
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2015

Nick Nicely - London South EP

Lançado a vinte e nove de setembro do ano transato, através da Lo RecordingsSpace Of Sound é o último compêndio sonoro de Nick Nicely, uma verdadeira caldeirada de pop psicadélica concebida por um músico e produtor que é já um nome lendário da eletrónica britânica, desde que se estreou no início dos anos oitenta com DCT Dreams, um single que, de Neu aos Kraftwerk, olhava já nessa altura e com acerto para o período mais psicotrópico dos Beatles e dos Pink Floyd, quando era Syd Barrett quem ditava as regras.

Nick Nicely continua a recolher dividendos deste Space Of Sound e London South, um dos grandes destaques do álbum, acaba de ser editado em formato single, com direito a duas excelentes remisturas, da autoria de Grasscut e Abul Mogard.

Contando no cardápio com colaborações com nomes tão importantes como Ariel Pink ou John Maus e, como a sonoridade que o músico replica está na ordem do dia, é urgente mostrar a visão que este músico tem da tendência atual que vigora na pop e que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais, reinventando tudo com uma visão mais contemporânea.

Assim, servindo-se quase sempre de uma expressiva onda sonora relacionada com o espaço sideral, Nick oscila, frequentemente, entre o rock sinfónico feito de guitarras experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal e uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros.

Esta é uma espécie de revisão eufórica da tal orientação vintage que vigora na pop atual e que em Space Of Sound atingia o auge neste London South, tema em que Nick desperta-nos para uns Pink Floyd imaginários e futuristas que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há quarenta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 6 de Novembro de 2015

Petite Noir – La Vie Est Belle / Life Is Beautiful

Já viu a luz do dia La Vie Est Belle / Life Is Beautiful o excelente disco de estreia do projeto Petite Noir de Yannick Llunga, um compêndio de onze canções gravado em Londres com Oli Bayston (Boxed In) e Leon Brichard (Ibibio Sound Machine), nos estúdios Box Ten e que contém uma deliciosa mistura de pop electrónica, com música contemporânea, num resultado final pleno de cor e cheio de alma africana.

La Vie Est Belle / Life Is Beautiful é um paraíso soul em todos os sentidos, um agregado sonoro universal, porque abarca diferentes géneros e esptros sonoros e claramente dançante mas, ao mesmo tempo, também um registo íntimo e suave. É um trabalho pleno de vozes, arranjos e batidas que assumem o controle das canções, num álbum que se mantém dinâmico e apelativo até ao seu ocaso.

Ouve-se o alinhamento com descontração e somos atravessados por uma intensa homogeneidade sonora, como se o alinhamento fosse um todo constituido pela soma de várias partes que pouco diferem entre si. Da percurssão intensa dos tambores cruzada pelos trompetes em Best, à pop luminosa onde não falta um inspirado sintetizador em Just Breathe, passando pelo funk enleante de Freedom, o meu tema preferido do disco, o piscar de olho relaxante ao R&B em Colour, a pop melancólica de Inside, ou a colagem eletrónica mais experimental de Chess, assim como as manipulações rítmicas de Seventeen (Stay), La Vie Est Belle / Life Is Beautiful é uma verdadeira passerelle de uma diversidade incrivel de traços e tiques, uma mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza a quem procura compor de modo expansivo e luminoso, mas também com uma certa dose de intimismo reflexivo. Na verdade, Llunga encheu a sua nuvem criativa com uma sonoridade eminentemente introspetiva, mas com um recolhimento que nunca deixa de ser alegre, floral e perfumado, tendo conseguido este equilíbrio feliz sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida pelo autor nesta estreia.

La Vie Est Belle / Life Is Beautiful é um belíssimo disco, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 

Petite Noir - La Vie Est Belle - Life Is Beautiful

01. Intro Noirwave
02. Best
03. Freedom
04. Seventeen (Stay)
05. Just Breathe
06. La Vie Est Belle / Life Is Beautiful (Feat. Baloji)
07. MDR
08. Colour
09. Down
10. Inside
11. Chess


autor stipe07 às 21:23
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2015

Youthless - Golden Spoon

Os Youthless do londrino Sebastiano Ferranti e do nova iorquino Alex Klimovitsky, estão sedeados em Lisboa e vão regressar aos discos no início de 2016 com This Glorious No Age, um trabalho que vai ser editado por cá pela NOS Discos e em Inglaterra pela Club.The.Mammoth / Kartel Music Group.

Golden Spoon é o primeiro avanço divulgado do álbum e o press release de lançamento deste single merece leitura atenta, já que conta a história incrível e inaudita deste grupo único no panorama nacional, Assim, em 2011 os Youthless gravaram em Londres “Telemachy” com produção de Rory Attwell (Palma Violets, The Vaccines, Big Deal), abriram para bandas como The Horrors, Crystal Castles e John Maus, viram as suas músicas serem remisturadas por Olugbenga (Metronomy), foram elogiados pela BBC1, NME, Drowned in Sound, ou pelo Irish Times e atraíram o amor de artistas como os Metronomy, Tiga e D/R/U/G/S. Quando estavam prestes a ir para o Festival Eurosonic, Alex sofreu uma grave lesão nas costas que acabou por resultar numa cirurgia e em vários anos de reabilitação.
Dum momento para o outro, Youthless ficou em suspenso. Tanto Alex como Sebastiano abraçaram outros projectos de música, cinema e teatro experimental nos anos seguintes, apesar de Youthless nunca ter desaparecido dos seus planos, o projecto permanecia num hiato. Ou pelo menos permanecia até ao verão passado, quando o duo voltou ao activo revigorado e inspirado com um novo conceito para o seu primeiro longa duração, um conceito que transmitia na perfeição as suas ambições musicais, as suas observações da sociedade e as suas próprias experiências pessoais.
This Glorious no Age é então, como se percebe, um trabalho aguardado com enorme expetativa e este Golden Spoon, o primeiro avanço, disponível para download gratuíto, uma canção segundo as palavras de Alex, de contentamento apocalíptico, sobre o sentimento de alegria e excitação de viver num mundo insano em decadência acelerada, no qual estamos a industrializar o belicismo e a militarizar a indústria. Fala sobre apreciar sem medos uma viagem de montanha-russa, o descer a pique e o voltar a subir. Um adeus a uma Era no seu ocaso, a estruturas quebradas e velhas ferramentas, e a mapas que já se esgotaram na estrada. Confere...


autor stipe07 às 18:25
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Sábado, 24 de Outubro de 2015

Zaflon - Blink

Uma das novas apostas da etiqueta londrina Lost In The Manor é o produtor local Zaflon, que começou a ganhar alguma notoriedade graças a parceiras proveitosas com  Jamie Woon and Royce Wood Junior, mas que está decidido a mostrar ao mundo as suas próprias criações sonoras. E foi no passado dia nove de outubro que nos ofereceu a primeira, um tema intitulado Blink e que conta com a participação especial da cantora Mina Fedora.

Com uma sonoridade invulgar devido a modo como mescla detalhes tipicamente urbanos com outros mais exóticos, nomeadamente o uso de um sample de sons naturais capatado por músico oriundo da Papua, Nova Guiné, Blink plasma uma eletrónica inspirada e de forte pendor psicadélico, que irá certamente encher as medidas de quem aprecia algo de verdadeiramente invulgar e inovador e que coloca Zaflon sob os radares mais atentos. Confere...


autor stipe07 às 15:34
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