Segunda-feira, 29 de Maio de 2017

Splashh – Waiting A Lifetime

Depois do excelente Comfort, o registo de estreia, os Splashh estão de regresso com Waiting A Lifetime, o segundo álbum de um quarteto sedeado em Londres mas com diferentes proveniências que depois se refletem, claramente, na sonoridade do grupo. Formados em 2012 pela iniciativa da cantora e guitarrista Sasha e do guitarrista Toto Vivian, aos quais se juntaram o também neozelandês Jacob Moore na bateria e o baixista Thomas Beal, são uma das bandas mais excitantes e independentes do cenário indie britânico e estas suas novas dez canções atestam-no com veemência.

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Quatro anos depois de uma auspiciosa estreia, certamente teria sido mais simples para os Splashh terem seguido o rumo de Comfort, um disco que aliava o grunge ao punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock, mas a verdade é que neste novo capítulo a opção foi infletir, não numa direção oposta, mas no sentido de aprimorar, expandir e até testar os limites criativos de uns Splashh agora menos diretos e concisos e mais experimentalistas e progressivos.

Para quem conhece de fio a pavio o conteúdo de Comfort, logo nos loopings da percussão e no fuzz da guitarra de Rings, impressiona-se com a riqueza e a diversidade do novo contexto sonoro do grupo, mais burilado, límpido e altivo. Este alargamento do espetro sonoro justifica-se depois através de um exercício comparativo simples e objetivo entre várias canções; Assim, se em Closer o timbre metálico da guitarra inquieta pela pujança e pelo pendor psicadélico, já em Look Down to Turn Away uma batida minimal crescente e um reverb vocal são elementos que tipificam uma eletrónica de cariz mais ambiental, apesar da mudança brusca que o tema sofre em determinado momento, rumo a uma atmosfera mais trance e progressiva. De referir ainda a homónima Waiting A Lifetime, uma canção direta e acelerada, cheia de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso e o clima majestoso e visceral de Under The Moon. São mais dois temas capazes de clarificar o ouvinte acerca da tonalidade espacial, experimental e psicadélica que a banda criou neste seu novo trabalho.

Disco que apresenta constantemente duas faces completamente opostas, Waiting A Lifetime é pura adrenalina sonora, um exercício bem sucedido de afirmação de um ecletismo e de uma superior capacidade criativa, por parte de uma banda que acrescenta à sua bagagem sonora novas e belíssimas texturas, que aprimoram o cariz fortemente experimental que faz já parte do ADN de quem olha para o rock com independência e sem rodeios, medos ou concessões, fazendo-o com um espírito aberto e criativo.

Splashh - Waiting A Lifetime

01. Rings
02. See Through
03. Gentle April
04. Come Back
05. Honey and Salt
06. Look Down To Turn Away
07. Waiting A Lifetime
08. Closer
09. Under the Moon
10. No 1 Song In Hell


autor stipe07 às 18:36
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Quinta-feira, 18 de Maio de 2017

Steven Wilson – Pariah

Steven Wilson - Pariah

Mais conhecido pela sua contribuição ímpar nos projetos Porcupine Tree e Storm Corrosion, Steven Wilson tem também já uma profícua carreira a solo, que vai ver o seu quinto capítulo a dezoito de agosto próximo com a edição de To The Bone, o seu próximo registo discográfico. Este é um dos músicos que na atualidade melhor mistura rock progressivo e eletrónica, fazendo-o sempre com grandiosidade e elevado nível qualitativo. Aliás, basta escutar o antecessor Hand. Cannot. Erase.,(2015) ou a obra-prima The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013), para se perceber como Steven Wilson é exímio nessa mescla e como convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidade, não tendo receio de arriscar, geralmente com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora.

Com a participação especial da israelita Ninet Tayeb, que já tinha feito parte dos créditos de Perfect Life e Routine, dois dos melhores temas de Hand. Cannot. Erase., Pariah é o primeiro single divulgado de To The Bone, uma canção que impressiona pela riqueza melódica e por uma assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo, enquanto se debruça sobre alguns dos medos e paranóias do mundo moderno e a dependência que todos sentimos da tecnologia, duas ideias transversais ao restante alinhamento do disco, conforme confessou o autor recentemente (My fifth record is in many ways inspired by the hugely ambitious progressive pop records that I loved in my youth. Lyrically, the album’s eleven tracks veer from the paranoid chaos of the current era in which truth can apparently be a flexible notion, observations of the everyday lives of refugees, terrorists and religious fundamentalists, and a welcome shot of some of the most joyous wide-eyed escapism I’ve created in my career so far.) Confere...


autor stipe07 às 09:40
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2017

Happyness – Write In

Lançado através da Moshi Moshi Records, Write In é o novo registo de originais dos Happyness. Refiro-me a um trio oriundo dos arredores de Londres, composto por Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan e que após um aclamado EP homónimo editado em 2013, estreou-se nos lançamentos no verão de 2015 com Weird Little Birthday, o antecessor deste Write In. Era uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que fluia naturalmente e que agora recebe um notável sucessor.

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Write In é um trabalho que junta alguns dos melhores atributos do indie rock contemporâneo e onde a psicadelia e o lo fi se cruzam constantemente, de modo a criar canções com uma vibe muito genuína e bastante íntima, num alinhamento que até ao seu ocaso transparece sempre uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. Onde esse dar de mãos é mais percetível é bem no âmago do disco, onde encontramos em Bigger Glass Less Full um momento que sabe a puro devaneio sonoro e onde um certo travo a grunge parece querer mostrar uma ideia algo errada de displicência, para logo nas cordas da viola que indica o trajeto de Victor Lazarros Heart contemplarmos uma melodia de rara beleza, sobriedade e sensibilidade

Mas é interessante analisar esta filosofia que transparece de Write In logo pelo início deste alinhamento de dez canções. Se no clima acolhedor de Falling Down, percebe-se que há um elevado grau de acerto no modo como estes três músicos conjugam as guitarras com o baixo e a bateria sem demasiado adorno, mas de modo a conseguir captar a atenção do ouvinte, um pouco adiante, na melodia insistente de Uptrend / Style Raids e na delicadeza da bateria e no modo como ela afaga o abafo da voz, reforça-se esta ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância. E isso sucede já depois de em The Reel Starts Again (Man As Ostrich), ao ter-se juntado o piano à receita, ter sido ampliada essa sensação de proximidade, que atinge superior abrangência no modo como em Through Windows essas mesmas teclas e um registo vocal sussurrante nos proporcionam um saboroso néctar soporífero para algumas das nossas tormentas, que têm aqui uma janela aberta de par em par para partirem para bem longe.

Em Anytime, quando as guitarras ganham vigor e majestosidade e em Anna,Lisa Calls, ao replicarem uma charmosa distorção que entronca nos melhores atributos daquele que deve ser um hino rock agitador e intuitivamente optimista, já não restam mais dúvidas que estamos na presença de um registo que merece figurar em plano de destaque nas melhores propostas indie do momento, incubado por uns Happyness que sabem o balanço exato e como é possível serem animados, luminosos e festivos e noutros instantes que assentem num formato mais íntimo e silencioso e onde exista uma maior escassez instrumental e um registo vocal sussurrante, mostrarem-se mais contemplativos e etéreos. O delicioso andamento amigável e algo psicadélico de The C Is A B A G, canção sonoramente detalhada e que amarra, por si só, várias pontas da heterogenidade em que assenta Write In, acaba por ser outro clímax de todo este ideário processual e que timbra o som identitário dos Happyness, que nos oferecem um álbum que, sendo um belo psicoativo sentimental, encarna uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Write In

01. Falling Down
02. The Reel Starts Again (Man As Ostrich)
03. HAnytime
04. Through Windows
05. Uptrend / Style Raids
06. Bigger Glass Less Full
07. Victor Lazarros Heart
08. Anna, Lisa Calls
09. The C Is A B A G
10. Tunnel Vision On Your Part


autor stipe07 às 14:44
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

Still Corners – Dead Blue

Donos de uma pop leve e sonhadora, íntima da natureza etérea e onde os sintetizadores são reis, mas as guitarras eléctricas e acústicas também marcam forte presença, os londrinos Still Corners de Greg Hughes e Tessa Murray, estão de regresso com Dead Blue, o sucessor do excelente Strange Pleasures (2013) e que já tinha sido de algum modo antecipado no final do ano passado com o lançamento de Horses At Night, um tema que a dupla divulgou, produzido e misturado pelo próprio Greg Hughes.

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Lançado com o alto patrocínio da Wrecking Light Records, Dead Blue pisca o olho a alguns dos mais relevantes aspetos herdados da eletrónica dos anos oitenta, com uma forte aposta no romantismo, um sentimento muito marcado nos sintetizadores acolhedores que controlam desde logo Lost Boys, o tema inicial. A própria temática lírica desta canção obedece a essa permissa e depois, canções do calibre da vigorosa Currents, da sombria Down With Heaven And Hell e da encorajadora Downtown, apontando timidamente para ambientes dançantes, com uma estética final global algo etérea e intemporal, acabam, por definir todo o conteúdo de um álbum onde também se aprecia algumas porções eletrónicas mais excêntricas, nomeadamente na bateria sintetizada e nos efeitos dos teclados de Crooked Fingers, o que torna a audição de Dead Blue um exercício ainda mais complexo e recompensador para o ouvinte.

Dead Blue surpreende, até porque também experimenta, fazendo-o sem romper com uma declarada aproximação à música pop, o que transforma cada uma das canções do disco numa fusão feliz entre reflexão e introspeção, por um lado e letargia e prazer, por outro. Espero que parecies a sugestão...

Still Corners - Dead Blue

01. Lost Boys
02. Currents
03. Bad Country
04. Crooked Fingers
05. Skimming
06. Down With Heaven And Hell
07. Downtown
08. The Fixer
09. Dreamhorse
10. Night Walk
11. River’s Edge


autor stipe07 às 21:27
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016

Everything Everything – I Believe It Now

Everything Everything - I Believe It Now

Em estúdio a gravar o sucessor de Get To Heaven (2015), os britânicos Everything Everything de Jonathan Higgs, Jeremy Pritchard, Alex Robertshaw e Michael Spearman estão de regresso aos lançamentos com I Believe It Now, um single encomendado pelo canal desportivo BT Sport e que não se sabe se fará parte do alinhamento do quarto disco do quarteto, ainda sem data de lançamento prevista.

Piscando o olho, ao longo da carreira, a um vasto leque de influências que vão da dream pop ao rock progressivo, passando pela eletrónica, o R&B e o indie rock contemporâneo, os Everything Everything oferecem-nos nesta I Believe It Now um tratado de indie rock, feito com uma percussão vincada, um baixo pleno de groove, uma guitarra particularmente melódica e um registo vocal em falsete exemplarmente replicado por Higgs. Confere...


autor stipe07 às 16:03
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

White Lies – Take It Out On Me

White Lies - Take It Out On Me

Tema que, de acordo com o baixista Charles Cave, é inspirado em comentários com trechos bíblicos colocados por um indivíduo no instagram, Take It Out On Me é o primeiro avanço divulgado pelos britânicos White Lies para Friends, o novo registo de originais do trio, que irá ver a luz do dia a sete de outubro.

Além de Charles Cave, fazem parte dos White Lies Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown e esta nova canção é o primeiro sinal de vida deste grupo inglês de rock alternativo desde 2013, quando apresentaram Big TV, um álbum conceptual que, através de um suposto ecrã mágico, teorizava sobre a nova vida de um casal que se mudava para uma grande cidade. Ess trabalho sucedeu a Ritual, álbum de 2011, tendo a estreia dos White Lies ocorrido em 2009 com o aclamado To Lose My Life.

Take It Out On Me impressiona pela exuberância melódica e por um vigor que traz diversos timbres de sintetizador que depois se entrelaçam com as guitarras e com uma bateria pulsante, antecipando um excelente disco que foi gravado no estúdio de Bryan Ferry, em Londres. Confere...


autor stipe07 às 14:10
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2016

The Invisible – Patience

A dez de Junho último e à boleia da Ninja Tune chegou aos escaparates Patience, o terceiro registo de estúdio do trio londrino The Invisible de Dave Okumu, nove canções sustentadas numa eletrónica apurada, construídas em redor de sintetizadores inspiradas na luxuosa pop dos anos oitenta, como se percebe logo no clima melancólico e simultaneamente sedutor de So Well, tema que conta com a participação especial da cantora Jessie Ware e onde quer ela quer Okumu dialogam, teatralizando uma complexa e inebriante relação amorosa.

Os anos oitenta foram marcantes para a história da música contemporânea e serão sempre alvo de inspiração e revisão, principalmente por ter sido o período em que os sintetizadores foram definitivamente chamados para a linha da frente no processo de composição melódica, por parte de bandas e projetos que afirmaram a pop às massas e colocaram o rock num espetro mais alternativo. Essa pop polida dos anos oitenta, feita com sintetizadores carregados de efeitos e com um ar sempre solene, acaba por definir a essência e o dramatismo deste projeto, que nos propôe uma coleção de canções assentes em teclados com a esperada pompa e circunstância aveludada que enfeita as melodias que debitam.

Impecavelmente produzido, Patience arremessa para os nossos ouvidos toda uma herança luxuosa, com vários destaques, ao nivel instrumental, que importa realçar; Além da beleza do tema de abertura já descrito, não posso deixar de destacar o groove efusiante de Save You, canção que contém um forte apelo às pistas de dança e, na sequência, Best Of Me, tema como alguns elementos percurssivos curiosos, entrelaçados com um rugoso teclado, com a voz de Okumu, num registo grave, a mostrar todos os seus atributos e abrangência e um lado humano peculiar, que se mostra como um trunfo maior neste alinhamento. Esta é uma voz impregnada com sensações imponentes e redentoras, como se percebe em Memories, um dos melhores instantes de Patience, canção onde o efeito vocal em eco cristaliza e amplia um fabuloso baixo, que passeia uma dose incontida de egocentrismo, de braço dado com teclados épicos.

Vocalmente, a cereja no topo do bolo de Patience acaba por ser o lote de participações especiais, escolhidas com acerto e de modo a potenciar o ideário sonoro e estilístico pretendido para o álbum. Além de Jessie Ware no tema já referido, em Different, Rosie Lowe é uma peça essencial para dar vida e cor a um refrão marcante, numa canção que é uma ode declarada ao melhor R&B contemporâneo, conduzido por guitarras plenas de groove, cordas dinâmicas e uma percussão bastante festiva, onde não faltam efeitos metálicos e de palmas. Este tema é um monumento de sensualidade, pensado para dançar num ambiente quente e charmoso e, logo depois, em Love Me Again, esse efeito amplia-se numa canção onde é novamente o R&B a ditar as regras e que conta com Anna Calvi. Mais uma vez, a presença dessa voz feminina, neste caso bastante intensa e até algo ternurenta, acaba por ser um extraordinário complemento ao propósito acolhedor e intencional de um alinhamento que quer brincar com a subtileza e o mistério que envolve as relações, daquela maneira alegre, mas também profunda e exótica  que se espera delas, sempre com um bom gosto e uma intensidade sentimental únicas. Espero que aprecies a sugestão...

The Invisible - Patience

01. So Well
02. Save You
03. Best Of Me
04. Life’s Dancers
05. Different (Feat. Rosie Lowe)
06. Love Me Again (Feat. Anna Calvi)
07. Memories
08. Believe In Yourself
09. K Town Sunset (Feat. Connan Mockasin)


autor stipe07 às 22:05
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Quinta-feira, 26 de Maio de 2016

Clock Opera - In Memory

Clock Opera - In Memory

Está prestes a ver a luz do dia o novo registo discográfico dos britânicos Clock Opera de Guy Connelly e com essa nova coleção de canções, uma mão cheia de sintetizadores inebriantes, guitarras, linhas de baixo pulsantes e teclas que acompanham refrões sublimes. In Memory, o mais recente single divulgado desse novo registo, traz-nos esse rock intenso, com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções. Confere...


autor stipe07 às 22:19
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

Oscar – Cut And Paste

Oriundo de Londres, Oscar Scheller é Oscar, um dos nomes mais comentados no cenário indie pop britânico devido a Cut And Paste, o registo de estreia deste músico e compositor, editado no passado dia treze do corrente mês com a chancela da Wichita Recordings e com dez canções feitas para dançar, até à exaustão, no baile da esquina, regado com torneiras que nunca estão secas e onde os niveis de destilação corporal atingem o limite.

O rugoso punk rock de Sometimes, canção conduzida por um baixo musculado e uma guitarra inspirada, trespassada por efeitos estratosféricos, clarifica, desde logo, que Cut And Paste é um manifesto pop, senão para o mundo inteiro, pelo menos para os subúrbios de uma Londres sempre ávida de novidades e que muitas vezes coloca em determinadas bandas ou artistas expetativas que as mesmas depois, nem sempre conseguem acompanhar. Nele, quer seja abrigado pelo groove sedutor e cheio de pêlo na venta de Feel It Too ou pelo piscar de olhos a uma centelha punk em Daffodil Days, Oscar desafia as suas probabilidades, não se preocupa com aquilo que poderão esperar de si e apresenta a sua paleta sonora, que das raízes do rock britânico a alguns dos detalhes mais prementes da pop atual, conjuga sintetizadores, teclados e batidas, com guitarras, num aparente caos, que neste caso resulta plenamente, já que nos oferece um clima sonoro que abre os nossos ouvidos para algo inédito e que parece divertir imenso o autor. Mesmo quando Oscar arrisca por terrenos mais reflexivos, como sucede na redentora Good Things, ou na luminosa Beautiful Words, não existem motivos para duvidar da capacidade deste artista em utilizar a típica ironia britânica com elevada mestria, fazendo-o de modo assertivo e sem deturpar a essência de quem é feliz alimentando-se de riffs de guitarra vigorosos e da pujança de uma percussão que cresce à sombra de um punk dançante, permissas que clarificam um modus operandi diversificado, acessível e orelhudo.

Cut and Paste foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e cimenta num nível qualitativamente elevado o espetro sonoro e a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se tornar num referencial dos grandes autores que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. E aquela toada épica e grandiosa que esse indie local quase exige em determinados instantes, como se cada banda ou projeto tivessem que compor um hino glorioso à Rainha e ao Império para conquistar os corações mais inflamados do proletariado que tantas vezes gosta de se sentir orgulhosamente só, também está devidamente salvaguardado na vibe funk de Good Things. Espero que aprecies a sugestão..

Oscar - Cut And Paste

01. Sometimes
02. Be Good
03. Feel It Too
04. Good Things
05. Only Friend (Feat. Marika Hackman)
06. Breaking My Phone
07. Daffodil Days
08. Fifteen
09. Beautiful Words
10. Gone Forever


autor stipe07 às 21:37
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Domingo, 8 de Maio de 2016

Astronauts - End Cods

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a essas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e tem já, finalmente, sucessor. End Cods é o título do novo registo de originais de Astronauts, onze fabulosas canções que viram a luz do dia a seis de maio último, também à boleia da Lo Recordings e que nos oferecem uma filosofia sonora muito própria, onde intensidade sentimental e sobriedade instrumental se juntam, para permitir que, ao longo da sua audição, nos possamos sentir profundamente tocados por uma nobreza única, que arrebata e salpica com suores quentes todos os poros do nosso ser.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir uma simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.

As cordas que conduzem a magnificiência melódica de Recondition e o clima intenso, implacável e imersivo de Civil Engineer, são uma solarenga porta entreaberta para este End Codes, que prossegue, penetrando pelos ouvidos e flutuando por todas as células do nosso corpo, encarnando uma simbiose única entre ouvinte e interlocutor, caso o primeiro tenha um coração limpo e aberto a deixar-se envolver por aquela causa maior que é o amor, o eixo principal da temática lírica destes temas abolutamente inebriantes.

A indulgente percussão que abraça uma rugosa melancolia em Dead Snare, os efeitos metálicos sibilantes, as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia e um registo vocal em falsete belissimamente acompanhado por coros envolventes, de You Can Turn It Off, canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre, reservada e contida na medida certa, mas inultrapassável no caudal de emoções que arrasta à sua passagem, são mais duas excelentes rampas de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta e dois pilares na sensação qusse carnal de que este disco é, claramente, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

End Codes é já um marco discográfico neste ano, concebido, idealizado e suspirado por um músico que merece, com inatacável evidência, que a pureza e altivez de sentimentos que reflete nas suas canções, tão doce e meiga na despedida que todos experimentamos uma vez na vida e que recordamos sem esforço em When It's Gone, sejam absorvidos, contemplados e experimentados fisicamente pelo maior número possível de ouvintes.

Dan Carney é um mestre da introspeção que todos precisamos de fazer periodicamente, aquela que resulta porque vai direita ao âmago, de punhos cerrados, com garra e fibra, sem falsos atalhos e cansativos clichês. Além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, Astronauts fá-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - End Codes

01. Recondition
02. Civil Engineer
03. Dead Snare
04. You Can Turn It Off
05. A Break In The Code, A Cork In The Stream
06. When It’s Gone
07. Split Screen
08. Hider
09. Breakout
10. Newest Line
11. Skeleton


autor stipe07 às 14:23
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