music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
Lançado no passado dia vinte e nove de abril na Europa por intermédio da Loose Records, The Mountain Moves é o disco de estreia dos Treetop Flyers, um quinteto de Londres formado por Reid Morrison, Sam Beer, Tomer Danan, Laurie Sherman e Matthew Starritt e que procuram apropriar-se de um género musical com profundas raízes na terra do Tio Sam.
Apesar de serem ingleses e estarem sedeados em Londres, é na solarenga Califórnia que os Treetop Flyers encontram inspiração para a sua música, até porque o disco foi gravado em Malibu e o baterista, Tomer Danan, é norte americano. Catapultados pelo sucesso de nomes tão consagrados como os seus conterrâneos Mumford & Sons, cujo disco Babel foi laureado no último Grammy com o troféu de Álbum do ano, este grupo assenta a sua sonoridade no folk rock que a partir da década de sessenta começou a ser proposto por nomes tão influentes como os the Byrds e os Crosby, Stills, Nash & Young. Eles vão mesmo tentar a sua sorte no outro lado do atlêntico já que também assinaram com o selo norte americano Partisan Records e verão The Mountain Movesser editado nos Estados Unidos a vinte e cinco de junho próximo.
The Mountain Movessucede aos EPs Bury To Past e Things Will Change, foi produzido por Noah Georgeson e segue as mesmas referências biblícas dos já citados Mumford & Sons. É um álbum com onze canções assentes numa instrumentação e produção impecável e vocalizações muito peculiares, partilhadas por Sam Beer e Reid Morrison, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e descomplicadas.
Apesar do foco sonoro do conteúdo do disco estar centrado na folk rock, também há alguns detalhes típicos do rock britânico que era feito pelas clássicas guitarras dos Faces e dos Rolling Stones, principalmente no sublime e enérgico tema de abertura, Things Will Change, o primeiro single já retirado do disco e em Waiting For You, canção que facilmente nos trasnposta até ao universo dos anos setenta e dos Fleetwood Mac. Postcards destaca-se um pouco das restante canções já que tem uma componente mais pop e poderá ser um potencial single do disco, com o objetivo de demonstrar que também há um certo ecletismo no som dos Treetop Flyers.
The Mountain Moves equilibra com sapiência elementos do rock, do country e da soul, conta histórias e retrata imagens que poderiam ser vividas por qualquer um de nós em cada uma das onze canções, é um excelente álbum de estreia e representa um bom augúrio relativamente ao futuro deste grupo, que poderá ser o próximo a conquistar o outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...
01. Things Will Change 02. Houses Are Burning 03. Waiting On You 04. Rose Is In The Yard 05. She’s Gotta Run 06. Haunted House 07. Postcards 08. Making Time 09. Picture Show 10. Storm Will Pass 11. Is It All Worth It
Depois de em 2011 ter conquistado o grande público com um homónimo, que tinha como destaque maior Limit To Your Love, uma cover de um original da canadiana Feist, o compositor e produtor londrino James Blake está de regresso aos discos com Overgrow, um trabalho lançado no passado dia cinco de abril e que é já considerado por imensa crítica com um dos álbuns fundamentais deste ano.
Quem ouviu a estreia de James Blake terá ficado certamente marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, pianos, a voz sintetizada e linhas poderosas de baixo. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Por isso, como era de esperar em qualquer projeto que chama a atenção na estreia, estavamos todos à espera do sempre difícil segundo álbum.
Overgrow é um disco deslumbrante e tecnicamente impecável, enche as medidas e comprova que Blake é capaz de criar composições que, mesmo mantendo a tal bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme, algures entre climas opressivos e outros mais intemporais, mas sempre circulares e falsamente herméticos. Cada detalhe de cada uma das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços. Por exemplo, em Our Love Comes Back, uma das músicas mais calmas do disco, os ruídos desequilibram um pouco a tranquilidade que a canção poderia conter.
Blake poderia ter escolhido insistir no tal dubstep, mas avançou e muito. Mantêm-se as suas características principais, expressas na estreia, mas cada detalhe parece estar um nível acima do homónimo. Até mesmo as letras, que nunca foram dos aspectos mais importantes da sua produção, foram aperfeiçoadas; Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de Blake. Take A Fall For Me, com a participação do rapper RZA, é um apelo desesperado, onde a eminência da perda está muito presente. Ainda na componente temática e lírica, a utilização de frases que se repetem é um truque bastante explorado, acompanhadas quase sempre pelas tais linhas de baixo muito marcadas e por batidas criativas.
Logo na abertura, Overgrown, a canção homónima embalada por ondas de melancolia digital, deixa claro que ouvir este álbum será uma viagem bem mais intensa do que foi o primeiro trabalho. EmI Am Sold, por exemplo, apesar da introdução calma, a mudança para uma batida mais dura e a voz ecoada a partir do refrão transportam a música para um ambiente bem mais sombrio e obscuro, resultado estendido em outras canções do disco. Já o single Retrograde aproxima James Blake do R&B e, apesar da calma cósmica deOvergrown, não faltam também alguns momentos mais exaltados, com destaque para Digital Lion, uma canção produzida por Brian Eno e onde, após a introdução, alguns segundos de silêncio precedem a entrada de uma vincada combinação de baixo, percussão e belíssimos samples vocais. O tema cresce com muita intensidade, mas nunca explode e Voyeur parece seguir também essa fórmula, com a voz de Blake a repetir-se hipnoticamente por cima de uma batida mais rápida que o normal e com sintetizadores e efeitos a fundirem-se com essa mesma voz, cobrindo-a quase por completo. De seguida, To The Last traz de volta a soul para o primeiro plano e suaviza o ambiente.
Overgrowé um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste jovem e talentoso músico britânico que, apesar da aparente fragilidade da sua produção, consegue sempre resultados magníficos. É arriscado dizer que com apenas vinte e três anos Blake está no seu auge artístico, apesar de já fazerem fila os artistas que pretendem colaborar com ele, muitos deles nomes bastante consagrados do universo musical alternativo. E parece evidente que ele não pretende abrigar-se em zonas de conforto e que está disponível para futuras experimentações que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a sua música alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....
01. Overgrown 02. I Am Sold 03. Life Around Here 04. Take A Fall For Me (Feat. RZA) 05. Retrograde 06. DLM 07. Digital Lion (Feat. Brian Eno) 08. Voyeur 09. To The last 10. Our Love Comes Back (Bonus Track)
Echopark é o novo projeto do italiano Antonio Elia Forte, um músico a residir atualmente em Londres. Trees, lançado a dezasseis de abril, é o disco de estreia e foi gravado quase inteiramente num quarto arrendado em Whitechapel, nos arredores da capital britânica, com meios instrumentais rudimentares e apenas uma mão cheia de microfones.
Teleportation é o primeiro single retirado de Trees. O video foi realizado por Valentina Dell’Aquila e o download do tema pode ser feito gratuitamente através da página do soundcloud da editora Enclaves.
Antonio é natural de Lecce onde, com cinco anos, pegou na guitarra que era do seu pai e começou a querer tocar. Lecce é uma cidade mediterrânica do sul de Itália conhecida pelo bom tempo durante todo o ano e pelo dinâmico movimento underground. É um local onde proliferam músicos, e praticantes de skate e surf. Em Itália acaba por ser o equivalente a Echo Park, uma importante zona industrial de Los Angeles, onde se inspirou para batizar este seu projeto musical.
Para Antonio a imperfeição é um objetivo concreto, uma espécide de ideal que busca com lucidez e um bom gosto que merece amplo destaque. Atualmente abundam propostas sonoras que fazem do ruído e da imprecisão sonora pontos de partida no processo de criação musical e Echopark segue esse rumo, mas fá-lo com inegável mestria, nomeadamente na forma como consegue captar o instante mais emotivo de uma canção e deixá-lo submergir, sem que o conceito lo fi e impreciso seja subjugado.
Trees percorre o mesmo território da dream pop de uns Beach House ou uns Midas Fall, mas sem obedecer ao habitual formato canção, indo mais ao encontro do que, por exemplo, Four Tet ou Youth Lagoon costumam sugerir. É um disco que se deve ouvir de uma enfiada, como um todo, como se fosse apenas um tema de trinta e seis minutos e proporciona sentimentos antagónicos já que é um disco muito acessível mas difícil de descrever. Tem momentos intrigantes, principalmente aqueles em que se ouvem as tais imperfeições, ruídos de fundo e colagens e aqui reside o maior charme do disco porque ficamos sem saber muito bem se são sempre propositadas ou até momentos sonoros involuntários. Tão depressa surgem ruídos sintetizados como um incrível baixo (Mountain) ou sons de cordas perfeitamente limpídos (For Lore), mas sempre com um fundo, que muitas vezes é um simples bater de ondas ou a aspereza do contacto entre dois grãos de areia.
Esta primavera Antonio vai passar do quarto arrendado para os palcos e entrar em digressão para promover Trees. E uma das grandes novidades é que terá uma banda a acompanhá-lo. O disco tem momentos que poderão agradar bastante ao vivo. Espero que aprecies a sugestão...
Depois de The Bell, um EP que divulguei oportunamente, os Post War Years, uma banda londrina formada por Simon, Tom, Fred e Henry, estão de regresso com Galapagos, um longa duração editado a vinte e cinco de fevereiro pela Chess Club / RCA via Rough Trade. Galapagos sucede a The Greats and The Happenings, o disco de estreia dos Post War Years, que foi resultado de um intenso processo de gravação num claustrufóbico armazém de Londres e que continha uma explosão de sons lo fi dançáveis, que fizeram desta banda uma promessa que agora, em Galapagos, recebe a merecida confirmação.
Galapagosfoi o resultado de ano e meio de gravações, período em que os Post War Years também andaram em digressão. O disco começa com All Eyes, um tema que fez furor na blogosfera o ano passado devido à synth pop que alberga, misturada com traços de post rock e com a voz de Henry Gigg, um dos vocalistas, a assumir o papel de grande agitador, ele que acaba por ser a peça fulcral e quem faz mover toda a engrenagem, apesar de haver três músicos na banda que cantam.
Os anos oitenta e a pop eletrónica dos New Order e dos Depeche Mode deverão ser o grande ponto de referência deste grupo, mas também se encontra, nomeadamente em The Bell, uma forte sonoridade épica, típica de uns Arcade Fire e travos funk muito bem aproveitados. O krautrock também é uma referência para o grupo, que germinou depois de um concerto em Barcelona onde os Post War Years tiveram a oportunidade de contactar com intérpretes de música eletrónica feita na Alemanha.
Há uma preocupação clara numa atmosfera vibrante e texturas sonoras que possam chegar ao grande público, com exuberância e competência, mas sem deixar de lado, alguns períodos mais contemplativos. Existe uma intensa mistura de sons, momentos em que os mesmos parecem algo decontrolados e há casos, como os de Volcano, em que as guitarras com uma sonoridade mais índie também têm um papel preponderante no processo de definição melódica, atingindo uma atmosfera shoegaze que também é percetível em Nova.
Ao segundo disco ainda não é fácil descrever com exatidão o rumo sonoro dos Post War Years e essa aparente indecisão e procura acabam por ser as maiores qualidades e defeitos na sua ainda curta discografia. Se por um lado há dispersão e a perceção de alguma falta de discernimento relativamente ao que realmente pretendem, por outro, devido à interessantíssima qualidade dos dois discos que compôem o seu catálogo, também se poderá afirmar que são sonoramente ecléticos e que não se deixam balizar facilmente por um estilo ou influência. Talvez o verdadeiro tira teimas esteja mesmo reservado para o terceiro disco e poderá vir a ser esse o trabalho que confirma o verdadeiro e cimentado amadurecimento musical dos Post War Years. Até lá não ficamos nada mal servidos com a audição quer da estreia, quer, principalmente, deste Galapagos. Espero que aprecies a sugestão...
01. All Eyes 02. The Bell 03. Glass House 04. Be Someone 05. Growl 06. Lost Winter 07. Mellotron 08. Volcano 09. Nova 10. God
Roxanne Clifford (voz e guitarra), James Hoare (voz e guitarra), Marion Herbain (baixo) e Patrick Doyle (bateria) juntaram-se em 2009 para fazer música e assim nasceram os Veronica Falls, uma banda de Londres que estreou nos discos em 2011 com um homónimo que lhes deu imensa visibilidade. Agora, no passado dia quatro de fevereiro, chegou o sempre difícil segundo disco. O álbum chama-se Waiting For Something To Happen, foi lançado pela conceituada Bella Union e mostra uns Veronica Falls amadurecidos e com novos ingredientes sonoros, carregados de romance e de alegria.
As treze canções de Waiting For Something To Happenequilibram-se entre guitarras ásperas e uma forte cumplicidade entre as vozes, as almas e os corações de Roxanne e James, algo bem audível em If You Still Want Mee em My Heart Beats, enquanto a bateria e o baixo cumprem com mestria o seu papel. Esta harmonia deve-se certamente também ao excelente trabalho de produção, que esteve a cargo do experimentado Rory Attwell, repsonsável por álbuns dos The Vaccines. Ele também deu uma sonoridade um pouco mais retro e típica dos ambientes nascidos na indie pop dos anos oitenta e noventa aos Veronica Falls, aproximando-os das inevitáveis influências que deverão ser os conterrâneos The Cure, Elastica e The Cranberries.
Quase ingenuamente, com o seu gosto genuíno pelos sons feitos com o ambiente de garagem e utilizando o conceito single pop de três minutos, que se escuta enquanto se fuma um cigarro, como disse Damon Albarn certo dia, os Veronica Falls acabaram por acordar os fantasmas, por sinal muito bem vindos, dos R.E.M e dos The Smiths, conseguindo ser seguros, aventureiros e competentes.
Ousados e a denotar uma tremenda evolução lírica, logo na abertura, em Tell Me, os Veronica Falls perguntam-nos: Tell me, what are you thinking? Follow me, There’s no Reason to Stay. E nós ficamos tentados a ir e a ficar, de tal forma que na segunda canção, Teenage, parece que já fazemos parte do conteúdo de Waiting for Something To Happen e que toda a magia deste grupo londrino já se entranhou no nosso íntimo, de tal forma que damos por nós a acompanhar os refrões e a bater o pé no chão.
Talvez imbuídos por uma qualquer seta de um cupido com sede de guitarras e vozes melodiosas, avançamos para Broken Toy, um tema viciante e desarmante, que parte qualquer coração, por mais impenetrável que julgue ser. O tema homónimo remete-nos para o tempo ameno que se aproxima e Falling Outé uma das canções mais orelhudas, já que o diálogo inicial entre bateria e baixo, apoiadas na voz melodiosa de Roxanne, é muito bem conseguido. A música cresce e ganha corpo com o avançar do tempo. Mais rápida, So Tiredafasta a letargia e coloca mais adrenalina nos nossos ouvidos.
O sexo feminino encabeça este projeto, não só na componente lírica repleta de referências ao amor, ao perder e ao ter, mas também musicalmente, já que o ambiente melódico criado é luminoso, com um tom doce, angelical, delicado e apaixonado. Em Waiting For Something To Happen, pressentem-se dias soalheiros e cores vibrantes e este quarteto deixa de ser, no universo indie, uma promessa, para se tornar numa viciante certeza que resulta da cadência de acordes simples, mas deliciosos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Tell Me 02. Teenage 03. Broken Toy 04. Shooting Star 05. Waiting For Something To Happen 06. If You Still Want Me 07. My Heart Beats 08. Everybody’s Changing 09. Buried Alive 10. Falling Out 11. So Tired 12. Daniel 13. Last Conversation
Sedeados em Lambeth, nos arredores de Londres, Os Palma Violets são uma das novas coqueluches do cenário musical indie britânico devido a 180, o disco de estreia deste grupo, editado a vinte cinco de fevereiro pela Rough Trade. 180 é o número da porta do local onde decorreram várias festas onde os Palma Violets deram os seus primeiros espetáculos. No alinhamento do disco está Best Of Friends, canção que foi votada pelos leitores da New Musical Express como a Best Tracks of 2012. A propósito disso, Chili Jesson, membro dos Palma Violets afirmou: That's amazing, that's fucking cool. It's such a rough, raw song. We wrote it one day and recorded it the next, so it was all pretty quick. That song is at its freshest point. Every note we're hitting, like, no one really knows what they're playing. It's tongue-in-cheek.
Este troféu conseguido numa votação dinamizada por tão distinta publicação acabou por provocar um enorme falatório em redor dos Palma Violets, razão pela qual, a crítica local, uma máquina trituradora com os holofotes sempre apontados e àvida de novidades, aguardava com uma pouco habitual ansiedade a chegada aos escaparates de 180. E de de certa forma já nascidos num berço de ouro e com uma bitola tão elevada, o difícil seria analisar o álbum sem qualquer tipo de expetativa em relação ao conteúdo sonoro do mesmo. No entanto, não querendo achar que sou melhor comentador musical que a maioria da crítica internacional que considerou 180 um fiasco, congratulo-me por ter escrito este texto sem saber dessa ode prévia ao grupo e assim, despido das tais expetativas, talvez tenha tido possibilidade de analisar com outra frieza o conteúdo sonoro da estreia destes Palma Violets.
Assim, antes de mais, confesso que gostei muito de ouvir os cerca de quarenta minutos de 180. O disco circula entre o garage e o indie rock, com alguns laivos lo fi e a invadir o território dominado pelos conterrâneos The Libertines e The Vaccines. Os dois singles, Best Of Friendse Step Up For The Cool Cats, abrem estrategicamente o disco e causam logo bom impacto. Depois, o jogo de vozes entre Sam Fryer e Chilli Jesson e os riffs de guitarra, engrandecem, com energia e enorme dinamismo, temas como All the Garden Birds, Chicken Dipperse Last Of The Summer Wine, pecando apenas por não darem um pouco mais de protagonismo aos teclados de Pete Mayhew, que muitas vezes estão mal aproveitados. Isso é evidente em temas como Rattlesnake Highway, Tom The Drume e We Found Love.
Acaba por dar a sensação em alguns momentos que 180 merecia um maior tempo de maturação e que acabou por sair do forno demasiado cedo e devido à pressão do exterior, sem estar, portanto, ainda devidamente confecionado. O álbum entusiasma, não tanto como a facilmente influenciável imprensa britânica anunciou previamente e, se calhar, gostaria, mas é, quanto a mim, apesar de algo precoce, um nascimento saudável, inventivo e minimamente inspirado de uma banda que se tiver tempo e senão se deixar influenciar de novo pelos clamores da crítica e da componente comercial, acabará por se tornar numa referência dentro do género.
Os Palma Violets andaram em fevereiro em digressão com os Django Django e Miles Kane and Peace, no evento NME Awards Tour 2013. Espero que aprecies a sugestão...
01. Best Of Friends 02. Step Up For The Cool Cats 03. All The Garden Birds 04. Rattlesnake Highway 05. Chicken Dippers 06. Last Of The Summer Wine 07. Tom The Drum 08. Johnny Bagga’ Donuts 09. We Found Love 10. Three Stars 11. 14
Depois de ter protagonizado alguns dos lançamentos discográficos mais importantes da história da música e após uma ausência de quase dez anos, o britânico David Bowie está de regresso com The Next Day, o vigésimo quarto álbum da sua carreira, lançado recentemente por intermédio da Iso Records/ Columbia. Este novo trabalho faz parte de uma triologia que teve como último capítulo Heathen em 2002 e comprova que o camaleão está de regresso e em boa forma.
The Next Dayresulta de uma parceria com Tony Visconti, um músico de Nova Iorque que tem trabalhado com o camaleão em vários discos, nomeadamente no início da sua carreira, na chamada era Berlim, quando Bowie, na década de setenta, se refugiou naquela cidade e produziu alguma da matéria sonora fundamental da cultura pop.
No entanto, que ninguém espere por personagens fantásticas e andrógenas vindas do espaço ou por maquilhagem ousada. O Bowie de 2013 não renega que o tempo passou por si, é sóbrio, mas não deixa de ser convincente e linear, ou seja, mantém-se fiel ao seu som original e numa época em que já se ouviu quase tudo, não deixa de se mostrar algo revolucionário, mais não seja devido a esta fidelidade que só lhe fica bem.
Dez anos é muito tempo e a expetativa acumulada naqueles que seguem a carreira do músico com particular devoção certamente imensa e intensa. Penso que The Next Day não deixará essas expetativas defraudadas já que, mesmo que aqui não haja nada que o músico não tenha experimentado ainda, é justamente nesse feliz reviver do seu passado sonoro que Bowie cai novamente no goto de quem o venera.
Há vários temas em The Next Dayque me merecem particular destaque; How Does The Grass Grow?condensa guitarras, teclados e vozes num mesmo ambiente melódico e comercial. São quase cinco minutos de versos prontos para serem decorados e que se espalham deliciosamente ao na canção. Alegre, a música surge como uma espécie de contraponto a outro material mais obscuro e também digno de destaque que se movimenta no decorrer do álbum, nomeadamente em The Stars (Are Out Tonight) , Love Is Lost e no brilho pop visível no romantismo exacerbado de Valentine’s Day.
A melancolia é um sentimento transversal em The Next Daye, de mãos dadas com ela, Bowie alcança momentos bastante assertivos; Where Are We Now? amarga os pensamentos mais existenciais do músico numa sonoridade que poderia pertencer aos R.E.M. da década de noventa e a bela You Feel So Lonely You Could Dieainda consegue ir um pouco mais além, já que, sendo nitidamente influenciada pelos Arcade Fire, revela expressividade e quando a canção se encontra com a música gospel numa explosão de vozes e arranjos volumosos de forte temática emocional, dá-se o cruzamento perfeito entre a melancolia da escrita e o épico instrumental.
The Next Daypoderia muito bem servir de base para uma nova digressão de Bowie, sem haver necessidade de a sustentar em demasia nos velhos clássicos do músico. Há aqui suficiente matéria prima para uma compilação de canções consistente e que poderia servir para agradar às novas gerações que desconhecem a sua obra. Espero que ele aprecie esta sugestão...
01. The Next Day 02. Dirty Boys 03. The Stars (Are Out Tonight) 04. Love Is Lost 05. Where Are We Now? 06. Valentine’s Day 07. If You Can See Me 08. I’d Rather Be High 09. Boss of Me 10. Dancing Out In Space 11. How Does the Grass Grow? 12. (You Will) Set the World On Fire 13. You Feel So Lonely You Could Die 14. Heat
Amor de Días, é o projeto da dupla Alasdair MacLean dos The Clientele e Lupe Núñez-Fernández dos Pipas.De acordo com o anunciado num recente Curtas..., no passado dia vinte e nove de janeiro lançaram The House At Sea, o segundo registo do projeto, através do selo Merge Records.
Street of the Love of Days, o primeiro disco do grupo, lançado em 2011, é uma espécie de compilação já que tinha sido o resultado do encontro dos músicos durante os finais de semana e feriados, ao longo de três anos, na companhia de amigos e outros artistas. Por isso, havia um forte clima intimista nesse disco, influenciado pela bossa nova, a folk psicadélico e outras texturas instrumentais, que acabaram por criar raízes e sustentar a génese sonora dos Amor De Días, muito mais ligada à sonoridade dos The Clientele do que dos Pipas. Assim, é com toda a naturalidade que encontramos esta míriade sonora, dentro de uma paleta sustentada pela folk, em The House At Sea, mas com uma sonoridade mais pop, algo bem patente emJean’s Waving, o primeiro single do trabalho.
A melancolia está muito presente ao longo do disco, algo que é realçado pela voz de MacLean e ao que não será alheio o facto de o álbum ter sido idealizado enquanto a dupla se dividia entre Londres e Madrid. Assim, estando a folk na posse da batuta, esta mescla acabou por conferir um certo cariz mediterrânico e luminoso ao longo do disco, que acaba por funcionar como uma espécie de álbum fotográfico das viagens dos seus autores.
Já agora, chamo a particular atenção para o simples e encantador vídeo do single Jean's Waving, dirigido por Grant Wilkinson e que acompanha a dupla numa tarde, num campo perto de um lago. Espero que aprecies a sugestão...
01. Voice In The Rose 02. In the Winter Sun 03. The House At Sea 04. Day 05. Jean’s Waving 06. Hampshire Lullaby 07. Viento Del Mar 08. The Sunlit Estate 09. Piedras Rotas 10. Same Old Night 11. Under The Glass 12. Maureen
Se gostas daquelas simples canções pop, feitas com pouco mais de três minutos, então vais certamente apreciar os australianos Split Seconds, uma banda que começou por ser um projeto a solo de Sean Pollard, um músico natural de Perth, que viveu em Londres e que no início da década passada se destacou à frente dos já extintos New Rules For Boats. You'll Turn Into Me é o disco de estreia deste grupo cuja formação tem cerca de dois anos de existência. Recentemente, no país natal, andaram em digressão com os Panda Band e Bob Evans e a abrir concertos para Sufjan Stevens e os Final Fantasy.
Descobri os Split Seconds através da audição de Top Floor, um tema sobre um casal que se apaixona num típico autocarro londrino e She Makes Her Own Clothes, dois temas que me fizeram recordar a pop dos anos oitenta, nomeadamente aquela que era proposta pelos saudosos Prefab Sprout. Sendo assim, You'll Turn Into Meestá recheado com canções cheias de qualidade e muito bem tocadas, feitas com algum humor, muitas vezes até preverso, mas quase sempre a abordar temáticas familiares.
Logo na audição de Security Light, obténs a confortável sensação de ficares com a noção do que irá ser escutado no restante alinhamento. Pollard não é grande adepto do uso de uma enorme variedade instrumental, até porque tem a vantagem de poder contar com um imenso talento vocal, que lhe permite emparelhar rimas recheadas de humor com guitarras, às vezes embelezadas com palmas ou um apito ocasional. Maiden Name, o meu tema preferido do álbum e uma canção que fala sobre corações partidos e o envelhecimento e é um extraordinário exemplo da capacidade dos Split Seconds em fazer canções com um certo charme, que pintam quadros verídicos sobre a vida contemporânea e que são ao mesmo tempo leves e sedutoras. Espero que aprecies a sugestão...
01. Security Light 02. All You Gotta Do 03. Maiden Name 04. Top Floor 05. Oliver 06. Fill The Cannons 07. Amanda 08. She Makes Her Own Clothes 09. Some Of Us 10. You’ll Turn Into Me
Sempre na senda de novas bandas que efectivamente merecem destaque, quero partilhar convosco uma banda britânica, chamada Post War Years. São quatro músicos de Londres que depois de terem dado alguns concertos magníficos na país natal, deicidiram finalmente lançar o seu EP de estreia, The Bell, cujo grande destaque é o single, homónimo.
A pop eletrónica dos New Order deverá ser o grande ponto de referência deste grupo, mas também se encontra, nomeadamente em The Bell, uma forte sonoridade épica, típica de uns Arcade Fire e travos funk muito bem aproveitados, por exemplo, numa remistura entretanto proposta pelos Everything Everything.
Este EP é um lançamento interessante e que poderá ajudar os Post War Years a ganharem um espaço importante no panorama musical indie; Há uma preocupação clara numa atmosfera vibrante e exturas sonoras que possam chegar ao grande público, com exuberância e competência, mas sem deixar de lado, alguns períodos mais cintemplativos.
Henry Gigg, o vocalista, assume o papel de grande agitador e acaba por ser a peça fulcral e que faz mover toda a engrenagem, algo que se percebe com elevada clareza em Pigeon. Boing e Ghosts são canções tipicamente indie, mas impressiona a precisão e a subtileza que as suporta e a forma como, melodicamente, foram alicerçadas e construídas.
Se não for prestada a devida atenção, este é um EP que poderá não deixar marca durante a audição. No entanto, na minha opinião, merece atenção porque, escutado dessa forma, irá proporcionar ao ouvido agradáveis surpresas. Espero que aprecies a sugestão...
Os Life In Film são uma banda de Londres formada por Samuel Fry, Micky Osment, Edward Ibbotson e Dominic Sennétt. Nos últimos anos compuseram um par de canções e, finalmente, no passado mês de agosto lançaram um EP de estreia, intitulado Needles And Pins, através da Tell Your Friends/Sony. A canção homónima está disponível para download no soundcloud do grupo, assim como a audição do EP.
Quando foi questionado acerca do significado desta canção, o cantor dos Life In Film, Samuel Fry, afirmou:
It’s a song about lost love. I guess that’s pretty explicit in the lyrics. Musically though I guess it worked its way into something quite expansive – once we had a nice groove going on it was possible for us to keep it quite spacious, with guitar and bass details coming in and out. It all came together quite naturally from a basic idea which we gradually developed. We treated each tune in isolation and tried to find the musical context which fits it best. In the studio we tried to capture a natural sound, and I think this comes across on the EP and gels it together well.
A gravação deste EP contou com a colaboração de Stephen Street, um nome conhecido pro já ter trabalhado com os The Smiths, Blur e The Cranberries, entre outros. Street também irá produzir o disco de estreia desta banda inglesa. Estarei atento...
01. Needles And Pins 02. Suitcase 03. Carla 04. Until It’s Over 05. Lose Control
As irmãs canadianas Tegan And Sara estão de regresso aos lançamentos discográficos no início de 2013. O álbum irá chamar-se Heartthrob e será o sétimo trabalho de estúdio da dupla, sucedendo a Sainthood, de 2009.
Heartthrob deverá expandir as referências pop e eletrónicas que há algum tempo acompanham o trabalho deste projeto, algo muito patente em I’m Not Your Hero, o primeiro single conhecido do disco. A canção utiliza a já tradicional melancolia como pano de fundo e depois divide-se em momentos mais dançantes e outros introspectivos, algo que deverá agradar aos seguidores mais fiéis das Tegan And Sara.
As melodias peculiares dos Local Natives estão de volta. Depois de Gorilla Manor, um dos grandes discos de 2009, o grupo de Los Angeles anunciou para o dia vinte e oito de janeiro a chegada de Hummingbird, o segundo e muito aguardado trabalho de estúdio da banda. Primeiro exemplar do novo álbum, que será lançado pelos selos Frenchkiss e Infectious, Breakers torna pública a evolução do quarteto, que mesmo sem querer estabelecer um registro de proporções épicas, flutua entre os Grizzly Bear do álbum Veckatimest e as cores que preencheram a estreia dos Vampire Weekend. Por enquanto, a melhor música de 2013.
A treze de novembro os Stumbleine irão editar um novo disco intitulado Spiderwebbed, através da Monotreme Records. Os Stumbleine são uma banda de Bristol, cidade natural dos Massive Attack, Portishead e Tricky e partilham da mesma sonoridade atmosférica, eletrónica e sintetizada desses nomes.
Neste Spiderwebbed existem algumas participações especiais, nomeadamente de CoMa e de Steffaloo. Com esta última compuseram uma versão deFade Into You, um clássico da década de noventa dos Mazzy Star.
01. Cherry Blossom 02. If You 03. Capulet 04. The Beat My Heart Skips (Feat. CoMa) 05. Honey Comb 06. Solar Flare 07. Fade Into You (Feat. Steffaloo) 08. Kaleidoscope 09. The Corner Of Her Eye 10. Catherine Wheel (Feat. Birds Of Passage)
Os Mazes disponibilizaram para download gratuíto, através da Fat Cat Records, Bodies, o seu single mais recente. O tema faz parte de uma cassete que esta banda londrina vai vender na digressão que entretanto vai iniciar com os The Cribs e que inclui no lado B uma remistura do mesmo tema da autoria de Hookworms, um produtor de Leeds.
A dupla californiana Crocodiles lançou on início deste ano Endless Flowers, o seu terceiro álbum. Agora preparam-se para iniciar uma digressão europeia e de forma a assinalar esse facto, editaram Bubblegum Trash, um dos singles de Endless Flowerse que verá a luz do dia a vinte e seis de novembro.
Bubblegum Trashconta com a participação especial de Dee Dee, vocalista das Dum Dum Girls, casada com Brandon Welchez, lider dos Crocodiles e com quem canta no tema o sugestivo verso, You can suck me like a bubble pop.
Os londrinos The Vaccines de Justin Young, Arni Arnason, Freddie Cowan (irmão de Tom Cowan dos The Horrors) e Pete Robertson, acabam de editar, através da Columbia Records, Come Of Age, um novo álbum produzido por Ethan Johns, produtor que já trabalhou como nomes como Kings Of Leon, Laura Marling e Tom Jones . Come Of Age sucede a What Did You Expect From The Vaccines, o disco de estreia, lançado em 2011 e que estava recheado de excelentes canções, nomeadamente A Lack Of Understanding e If You Wanna. Esse disco foi bastante elogiado pela crítica e não tardaram as comparações com bandas como os Ramones, The Strokes e os Jesus and Mary Chain.
Este Come Of Age mostra uns The Vaccines mais experientes e maduros, apesar de canções como Teenage Icon continuarem a abordar temáticas juvenis que estiveram muito presentes no primeiro trabalho do grupo. O produtor Ethan Johns é um dos responsáveis pelas texturas do disco, menos ruidosas do que nessa tal estreia. Embora Come Of Agecomece, em No Hope, com uma verdadeira avalanche sonora, esse não é o clima sonoro dominante, muito mais ponderado, delicado e calculado; Há bons destaques, como a melódica All in Vein que mostra novas particularidades sonoras na banda, a agitada Bad Mood, a luminosaChange of Heart Pt.2 e a belíssima Aftershave Ocean, para mim uma das melhores canções do disco.
Come of Age supera o sempre difícil teste do segundo álbum; Isso ficou bem patente na forma entusiástica como estas novas canções forma recebidas na Zambujeira do Mar no passado dia cinco de agosto. No entanto, parece-me que os The Vaccines poderiam ter arriscado ainda um pouco mais, já que demonstram ter talento para isso. Seja como for, o álbum não desaponta e será sempre um marco fundamental na trajetória do grupo.
Come Of Age está disponível para audição no sitio oficial da banda e no facebook do grupo poderão fazer o download gratuito do EP Please, Please Do Not Disturb, que divulguei no passado mês de agosto. Espero que aprecies a sugestão...
01. No Hope 02. I Always Knew 03. Teenage Icon 04. All In Vain 05. Ghost Town 06. Aftershave Ocean 07. Weirdo 08. Bad Mood 09. Change Of Heart Pt.2. 10. I Wish I Was A Girl 11. Lonely World
Depois de Comatose, os Black Market Karma, uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker. Estão de volta aos discos com Cocoon, disco editado no passado dia vinte e nove de junho, novamente através da Flower Power Records. À semelhança do disco anterior, a editora disponibilizou o álbum para download gratuito.
Cocoon não foge muito à linha sonora de Comatose e fez disparar ainda mais o burburinho à volta da banda no seio dos amantes do psicadelismo. Como já referi anteriormente, quando falei do primeiro disco, estesBlack Market Karma têm a estranha capacidade de me fazerem procurar imaginar uma simbiose perfeita entre os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club e os conterrâneos The Horrors. E digo estranha porque, aparentemente, seria impossível encontrar no mesmo invólucro sonoro o melhor de cada uma destas duas bandas, já que, ironicamente, até nem são muitos os detalhes sonoros que as afastam. No entanto, a subtileza com que estes Black Market Karma retiram o melhor que há da psicadelia, do shoegaze e do rock alternativo, com travos de folk e blues, permite-me ter a ousadia de visualizar esta fusão.
Assim, Cocoon mantém o som corrosivo e psicadélico, mas também incorpora belos momentos melódicos que vale a pena escutar com atenção. É um lote de canções que nos levam numa viagem surreal e hipnótica, mas consistente. Cada música parece ter sido criada por um instrumento diferente, com efeitos diferentes, o que dá um efeito um pouco flutuante ao disco, mas sempre com a tal consistência sonoroa descrita acima como bitola. Vozes etéreas, linhas de baixo bem vincadas, guitarras salpicadas com camadas de efeitos e uma bateria cativante, permitem que cada música tenha a sua própria nuvem de som. Espero que aprecies a sugestão...
01. Wilter 02. Refusal 03. Dirty Water 04. Sole Abuser 05. Cocoon 06. If I Could 07. Violet 08. Hold Me Down 09. Neutral 10. Iono 11. Phase Out
Os Zulu Winter são um novo quinteto britânico, natural de Londres e liderado por Will Daunt, a despontar no cenário indie e alternativo e sobre o qual a informação ainda é escassa. O grupo anda na estrada há cerca de um ano e ultimamente têm aberto para os The Horrors, Keane e os Clock Opera.
Depois de lançarem o single Never Leave e posteriormente We Should Be Swimming, de acordo com o The Guardian, têm tudo para se transformar em 2012 na nova sensação britânica, assim como aconteceu com os Howler e os Vaccines. Language, lançado pela Arts & Crafts, é o disco de estreia, foi lançado no passado dia dezanove de junho e conta com os mesmos produtores dos Kaiser Chiefs e dos White Lies, algo relevante e que atesta a competência e a qualidade da banda.
A sonoridade algo primitiva de Language, um disco que pode ser ouvido na site da banda, condiz com o indie rock da década de oitenta, aquele rock independente e de garagem, dissociado das grandes editoras.
O meu grande destaque do disco é Silver Tongue, uma canção direta, com pouco mais de três minutos que se esfumam com uma velocidade estonteante, um falsete que lembra Chaplin dos Keane, a nostalgia dos Coldplay e uma densidade sonora muito próxima do shoegaze. O resto do disco acompanha esta mistura louvável, deliciosa e aditiva, onde uma bateria marcante e vários efeitos eletrónicos, ajudaram a criar músicas viciantes e bem elaboradas. Nesta estreia os Zulu Winter ainda estão bastante amarrados às influências que os fizeram sonhar com uma carreira musical bem sucedida, mas quando se arriscarem a tentar compor algo mais desprendido e original, poderão atingir um patamar bastante relevante, no competitivo, mas nem sempre diferenciado, universo sonoro alternativo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Key To My Heart 02. We Should Be Swimming 03. Bitter Moon 04. Small Pieces 05. Silver Tongue 06. You Deserve Better 07. Let’s Move Back To Front 08. Moments Drift 09. Words That I Wield 10. Never Leave 11. People That You Must Remember
Here We Are, lançado pela Kitsuné no passado dia vinte e oito de maio e produzido por Alex Kapranos, vocalista dos Franz Ferdinand, é o disco de estreia dos londrinos Citizens! e, como seria de esperar, a presença de tão proeminente figura do cenário pop rock da última década é evidente neste disco que surge na sequência dos dois promissores cartões de visita que foram os singles True Romance e Reptile.
Nos últimos dez anos os Franz Ferdinand propuseram-nos uma sonoridade herdeira da chamada new wave e deram-nos alguns dos melhores momentos de um filão que entretanto se esgotou. Muitas bandas que seguiram esse trilho já mudaram de direção ou continuam numa inconsequente tentativa de revisitar mais do mesmo, disco após disco. Neste cardápio de bandas, destaco os próprios Franz Ferdinand, porque em Tonight, lançado em 2009, não conseguiram decalcar o sucesso que entre 2004 e 2006 os tornou indiscutíveis cabeças de cartaz dos melhores momentos vividos nessa época e puseram a nú toda a dúvida quanto ao passo seguinte a tomar, num disco que ficou abaixo das expetativas e pôs em causa a capacidade de sobrevivência dos próprios galeses enquanto banda que nos prendou com Take Me Out ou Do You Want To.
Assim, Here We Are encontra as suas raízes nos modelos encontrados em ecos da pop mais visionária que se escutava em finais dos setentas (de Bowie aos Sparks), juntando ingredientes electrónicos que frequentemente caracterizam a imagem de marca da Kitsuné, a editora que os acolheu. Há marcas de contemporaneidade ((I’m In Love With Your) Girlfriend) e a mesma aura retro dos anos setenta (I Wouldn’t Want To), nuns Citizens! ainda incapazes de criar um álbum com a consistência de uma coleção de potenciais singles, mas obrigando-nos a ficarmos atentos ao que o futuro nos reserva. Em suma, Here We Are consegue arrumar ideias e mostrar como velhas genéticas próximas de um filão quase levado à exaustão recentemente têm ainda capacidade em comunicar com o presente. E se o produtor levar daqui algumas ideias, o novo disco dos Franz Ferdinand, álbum que todos esperamos ainda este ano, pode promover um belo reencontro. Espero que aprecies a sugestão...
01. True Romance 02. Reptile 03. Caroline 04. Love You More 05. Lets Go All The Way 06. (I’m In Love With Your) Girlfriend 07. Nobody’s Fool 08. Monster 09. She Said 10. I Wouldn’t Want To 11. Know Yourself
Robert Rorison é a personagem por trás de Blue Balloon, um projeto natural de Londres e que editou o disco de estreia Hearts Are Pretty Heavy, através da Marketstall Records, no passado dia catorze de maio.
Blue Balloon desde novo apreciou o hip hop, tendo sido mesmo DJ do estilo, mas acabou por crescer a ouvir Leonard Cohen, Daniel Johnston e Elliott Smith, tendo começado a sua carreira artística a elaborar arranjos acústicos para covers dos Prince, The Cure e até de Will Smith, até ao dia em que percebeu que ele próprio e a sua voz teriam potencial para fazer algo inédito e original.
Como é natural e como tantos outros já fizeram, nomeadamente quando falamos de músicos que, sozinhos, desenvolvem o seu próprio projeto musical, Robert inspirou-se nas suas próprias vivências para a temática das canções, nomeadamente o final de uma longa relação e a transição entre vários empregos, que lhe causaram alguns problemas de saúde.
A sua formação no hip hop terá também contribuido decisivamente para a complexidade lírica, a poesia ágil e a entoação rítmica das canções, assim como a sua destreza sonora impressionante. O músico andou recentemente em digressão com os Stornoway e as First Aid Kit e a sua sonoridade acaba por encaixar nos parâmetros sonoros dessas bandas.
Quem não estiver atento à escrita de Blue Balloon não se apercebe do forte carácter irónico e auto depreciativo da mesma, tendo em conta a luminosidade das músicas. Por exemplo, o single Led Balloon, equilibra a forte presença de dor na letra, com uma sonoridade maravilhosa, aberta e expansiva, como se uma brisa otimista cruzasse toda a canção que fala de um homem solitário e apaixonado e que tem como única bússola um inacessível balão azul.
Assim, em pouco mais de meia hora Blue Balloon faz uma auto análise delicada e indulgente e cria um álbum atraente, vibrante e com muita cor. Espero que aprecies a sugestão...
01. Talent Show Catastrophe Blues 02. Birdless Feather 03. (Firstsong) Untitled Song For Joni 04. Ode To The Big Smoke 05. Beijing Bricks 06. The Fractured Lullaby Of Holly Jealous 07. Led Balloon 08. Lastsong
Os Animal Kingdom são uma banda de indie rock de Londres formada por Richard Sauberlich (voz, guitarra e piano), Hamish Crombie (baixo) e Geoff Lea (bateria). Estes músicos juntaram-se em 2008 e estrearam-se nos discos no ano seguinte com Signs and Wonders, gravado em Seattle com o aclamado produtor Phil Ek (Fleet Foxes,The Shins). Chalk Stars e Tin Man, singles retirados desse disco colheram inúmeros elogios da crítica e fizeram com que a banda recebesse várias nomeações para prémios.
Agora, em 2012, estão de volta aos discos com The Looking Away, lançado oficialmente no dia oito de maio pelo selo Boombox/Mom+Pop, o sempre difícil segundo álbum, produzido por David Kosten, que já trabalhou com os Everything Everything e Bat for Lashes.
Não será por acaso que Arcade Fire, Coldplay, Radiohead, Grizzly Bear e Beck são as grandes influências declaradas dos Animal Kingdom e este cardápio se for bem espremido poderá resultar numa fornada do melhor que há no cenário indie e alternativo atual. Strange Attrractor, o primeiro single extraído de The Looking Away, consegue isso e ainda abranger alguns tiques da melhor brit pop, nomeadamente devido ao riff de guitarra e o refrão grandioso e viciante (It only comes in wave and then it goes away. Well it must be chemical, chemica, chemical). O resto do disco está cheio de melodias cristalinas e refrões radiofónicos feitos com sintetizadores que adicionam elementos oitentistas e dançantes. Há pequenos hinos perdidos, como The Wave, Get Way With It e o tal singleStrange Attractor. As duas canções que encerramThe Looking Away, provam que este é um álbum bem pensado, em que cada letra dialoga entre si e cada melodia dá continuidade para a paisagem criada pela canção anterior.
Mas ainda faltava um diferencial que tire os Animal Kingdom da obscuridade e os destaque neste universo musical tão competitivo. The Looking Away ainda não é o disco definitivo da banda, mas cumpre bem o seu papel. Espero que aprecies a sugestão...
01. The Wave 02. Get Away With It 03. Strange Attractor 04. Straw Man 05. Skipping Disc 06. Glass House 07. The Art Of Tuning Out 08. White Sparks 09. Everything At Once 10. Alone Together
Depois de em Curtas... XXIX ter divulgado Capricornia, canção que conta com o B sideWhen You Were Mine, já chegou ao mercado o segundo disco dos Allo Darlin'. O álbum chama-se Europe e foi lançado através da Slumberland Records e da Fortuna POP.
Na estreia, em 2010, os Allo Darlin' já tinham chamado a atenção e este Europe irá encher de contentamento quem se tornou fã desta banda na estreia. Elizabeth Morris, australiana de nascença, canta letras intimistas feitas com frases inteligentes, entoadas em harmonias vocais e acordes cheios de vida, criando um mundo sonoro particular e sui generis.
O resto da banda também empenhou-se em embrenhar-se nas dez canções; O baterista, Michael Callins, é bastante preciso e o baixo de Bill Botting parece que tem vida própria, o que aliado à guitarra de Paul Rains faz com que a sonoridade de Europe esteja bastante amadurecida e consistente.
E com este Europe, os Allo Darlin', muito timidamente e sem levantar grandes ondas fazem alguma da melhor pop folk que se ouve atualmente e criam verdadeiras e refrescantes pérolas sonoras. Espero que aprecies a sugestão...
01. Neil Armstrong 02. Capricornia 03. Europe 04. Some People Say 05. Northern Lights 06. Wonderland 07. Tallulah 08. The Letter 09. Still Young 10. My Sweet Friend
Os britânicos Mistery Jets, que estiveram recentemente em Portugal na primeira parte de concertos dos Arctic Monkeys, lançaram no passado dia trinta de abril, o seu quarto disco de estúdio, intitulado Radlands, via Rough Trade Records. O disco começou a ser gravado no verão de 2011 em Austin, no Texas, onde a banda também participou no festival SXSW. A segunda fase de gravações e a finalização do disco aconteceu no país natal, no Dan Carey’s Studio em Streatham, no sul de Londres. Este é o último disco da banda com o baixista Kai Fish, cuja saída foi anunciada no início do mês; Será substituido por um novo baixista de nome Peter Cochrane.
Como era de prever, a guitarra assume em Radlandsum papel de destaque, desfilando livremente por várias referências, nomeadamente os Bee-Gees emThe Hale Bop, os Beatles emGreatest Hits, ou um estilo mais americano e soul na The Ballad of Emerson Lonestar e em Luminescence. Mas nates destas, nas primeiras três canções, o cartão de visitas do disco, encontramos as referências inglesas dos anos setenta, como por exemplo, a atmosfera psicadélica dos Pink Floyd e o ritmo e a melodia vocal dos Fleetwood Mac.
No fundo, a sonoridade de Radlands é um belo esforço em fazer música fácil, solarenga e alegre, muito à medida da brit-pop dos bons velhos tempos, numa vontade honesta de nos fazer sorrir e trautear.
Em junho os Mystery Jets vão andar em digressão com os Keane nos Estados Unidos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Radlands 02. You Had Me At Hello 03. Someone Purer 04. The Ballad Of Emmerson Lonestar 05. Greatest Hits 06. The Hale Bop 07. The Nothing 08. Take me Where The Roses Grow 09. Sister Everett 10. Lost In Austin 11. Luminescense
Começa a ser hábito os jogos de vídeo servirem de inspiração para algumas bandas e projetos como os Games e a discografia de Owen Pallett são provas que elucidam esta tendência. Esse também é o caso de Sam Duckworth, natural de Essex, Inglaterra; Aos dezoito anos decidiu que iria viver da música e adoptou para o seu projeto o peculiar nome Get Cape. Wear Cape. Fly., retirado de um artigo da revista de jogos de vídeo ZX Spectrum. Pouco depois consegue um contrato com a Atlantic Records e em 2006 estreia-se nos discos com The Chronicles Of A Bohemian Teenager. Agora, dois discos depois dessa estreia e de uma aventura a solo, regressou com Maps, lançado no passado dia sete de maio pela Cooking Vinyl / Pias Spain.
Desde 2006 que Sam sugere-nos narrativas emocionais e tenta criar a sua própria marca de indie alegre e extrovertida, através da guitarra. Maps não deve ser levado demsiado a sério e o single The Real McCoy é para ser cantado até à exaustão como se tratasse de um dos melhores momentos da brit pop. Mas também destaco The Joy Of Stress, cuja abertura, assente num paino, demonstra a versatilidade musical deste compositor londrino e a colaboração com o MC Jhest em The Long And Short Of It All, uma boa canção hip hop e com um refrão memorável. Em suma, Maps é uma pequena súmula de alegreindie-pop, ideal para se ouvirquandoo sol finalmentedecide ir dormir. Espero que aprecies a sugestão...
01. The Real McCoy 02. Vital Statistics 03. Daylight Robbery 04. Call Of Duty 05. The Joy Of Stress 06. Snap 07. The Long And Short Of It All (Feat. Jehst) 08. Offline Maps 09. Easy (Complicated) 10. Home
Conforme referi em Curtas... XXVII, o trio londrino The Wave Pictures formado por David Tattersall, Franic Rozycki e Johnny 'Huddersfield' Helm, lançou no passado dia doze de Abril Long Black Cars, pela Moshi Moshi Records, disco sucessor do Beer In The Breakers de 2011. O disco foi gravado em Nova Iorque em apenas quatro dias e a produção esteve a cabo da própria banda. A temática das canções varia entre temas tão díspares como Humphrey Bogart e, imagine-se, a suposta brutalidade policial em algumas situações.
O baterista canta pela primeira vez numa música da banda em Eskimo Kiss, o primeiro single já lançado do álbum e um dos maiores destaques do mesmo. É uma canção bastante enigmática e sombria com uma letra misteriosa, mas que fala de pequenos detalhes existenciais que poderiam fazer parte do dia a dia de qualquer um de nós e que, de acordo com a banda, são aqueles que tornam as nossas vidas excitantes e lhe dão sentido. O próprio disco soa a algo que parece ter sido gravado num pequeno estúdio caseiro, com um ambiente bastante intimista e Tattersall, nas canções, escreve imensas vezes na primeira pessoa e referindo-se certamente a ele próprio. Mas o que mais impressiona na sua escrita é o detalhe com que pinta determinados cenários que quase conseguimos visualizar na perfeição: A pirate on a pirate ship throws confetti to the wind, Wasps fly drunkenly into the overflowing bins. A six-foot yellow van, a hot air balloon. The whole town came down to see it all this afternoon. Sunlight bounces off the window, blinks into my eye. You promised me you'd give it the old college try. And the long black cars roll by.
Em suma, Long Black Cars é a materialização do desempenho apaixonado de um trio de músicos com uma sonoridade muito caseira e bastante intimista. O disco tem momentos impressionantes e uma pop alegre que poderá parecer um pouco antiquada e vintage, mas, como acontece hoje com a moda, está mais atual que nunca. Não há grandes floreados nem limites sonoros demasiado expostos, a sonoridade é direta, básica, descontraída e, pelo que percebi, o culto já está implementado na esfera alternativa mais atenta. E às vezes são os prazeres mais simples, aqueles que melhor nos recompensam. Espero que aprecies a sugestão...
01. Stay Here And Take Care Of The Chickens 02. Eskimo Kiss 03. Never Go Home Again 04. My Head Gets Screwed On Tighter Every Year 05. Cut Them Down In The Passes 06. Hoops 07. Spaghetti 08. Give Me A Second Chance 09. The West Country 10. Come Home Tessa Buckman 11. Seagulls 12. Long Black Cars
Lançado no passado mês de abril através da Tough Love, Choreography é o disco de estreia de uma banda pop de Londres chamada Weird Dreams e que já tinha deixado a crítica em sentido com dois EPs que antecederam este lançamento.
Logo na abertura, Vague Hotel impressiona pelas palmas, a batida e pela guitarra cativante. A banda tem uma sensibilidade pop um pouco estranha, não sendo nada depreciativo da minha parte afirmá-lo desta forma. Instrumentalmente constroem um ambiente sonoro lo fi, mas agradavelmente surreal e hipnótico, que serve para receber letras intrigantes e sobre relações pouco comuns, que a voz de Hugo Edwards, o vocalista, canta com harmonia e bastante sensibilidade.
O single 666.66 assenta numa sólida e esplendorosa distorção mas também há canções, como River Of The Damned, que tomaram um rumo um poco fantasmagórico, com harmonias etéreas e um minimalismo peculiar. Esta notável abrangência sonora indicia que os Weird Dreams poderão, no futuro, alargar ainda mais a sua imaginação e os horizontes musicais de forma fascinante. Espero que aprecies a sugestão...
01. Vague Hotel 02. Hurt So Bad 03. Holding Nails 04. Faceless 05. Little Girl 06. Suburban Coated Creatures 07. 666.66 08. River Of The Damned 09. Velvet Morning 10. Summer Black 11. Michael 12. Choreography
Os Black Market Karma são uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker. No ano passado, a vinte e quatro de julho, lançaram o EP All That I've Made, através da Flower Power Records e meses depois editaram Comatose, pela mesma editora, um disco que está a causar algum burburinho nos amantes do psicadelismo e que tenho ouvido com bastante insistência ultimamente.
Os Black Market Karma têm a estranha capacidade de me fazerem procurar imaginar uma simbiose perfeita entre os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club e os conterrâneos The Horrors. E digo estranha porque, aparentemente, seria impossível encontrar no mesmo invólucro sonoro o melhor de cada uma destas duas bandas, já que, ironicamente, até nem são muitos os detalhes sonoros que as afastam. No entanto, a subtileza com que estes Black Market Karma retiram o melhor que há da psicadelia, do shoegaze e do rock alternativo, com travos de folk e blues, permite-me ter a ousadia de visualizar esta fusão.
Quem se aventurar à descoberta de Comatose vai encontrar um som corrosivo que destroça os nossos tímpanos em sessenta minutos de puro psicadelismo mas, apesar de poder parecer uma viagem sonora abrasiva e extenuante, encontra-se no álbum belos momentos melódicos que vale a pena escutar com atenção. Espero que aprecies a sugestão...
01. Dee Dee 02. Pulling Shapes 03. Run Run Run 04. March 05. I Can’t Save You 06. All These Things 07. Comatose 08. Weightless 09. It’s Gone 10. The Way It Was 11. Washout
Os Thieves Like Us são Anna, Bjorn, Dani, Martine e Andy e no passado dia vinte de Março editaram Bleed Bleed Bleed, o quarto disco da banda, pela Captured Tracks. Depois de três álbuns e alguns EPs, carregados de tristezas, angústias e lamentações, Bleed Bleed Bleed despertou o lado mais alegre, funk, luminoso e dançante dos Thieves Like Us.
Ouvir Bleed Bleed Bleed é imaginar os Thieves Like Us perdidos algures nos anos setenta à procura de Ariel Pink e, durante essa viagem, tentarem absorver doses industriais de groove, algo bem explícito no single Stay Blue, uma canção bastante suculenta, diga-se. Neste quarto disco eles demonstram uma enorme sagacidade para o discurso musical irónico já que, tendo em conta o artwork e o título do disco, estaria-se à espera de, em termos sonoros e concetuais, de uma súmula dos trabalhos anteriores. Mas este Bleed Bleed Bleed é luminoso, dançante, como já referi e não é de mais repetir, acabando por haver uma beleza inquestionável no sangue que corre frio e que alegoricamente nos mostra que a nossa existência e natureza se resume à experiência física de se encarnar um corpo que é frágil e que está diariamente sujeito às vicissitudes do ambiente que o rodeia. Por isso, se quase todas as canções do disco fazem vir à tona esta fatalidade, também servem para puxarmos de dentro de nós o melhor, seguindo exemplos de fé, romantismo e amor, plasmados nas canções.
Acaba por haver uma beleza inquestionável na fé que os Thieves Like Us colocam na vida e na sua existência, nas progressões de acordes de Bleed Bleed Bleed e o disco acaba por ser uma experiência educacional que nos quer ajudar a saber conviver com aquelas que são as óbivas limitações humanas e a apetência quase cega do homem para a fatalidade e o drama emocional. Espero que aprecies a sugestão...
Bleed Bleed Bleed Stay Blue Still Life Fatima The Killing Revelation Bleed Bleed Bleed II Maria Marie Memory Song Your Love Runs Still Worthy To Me