Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Lilith Ai - Hang Tough

Oriunda de Londres e bastante talentosa no modo com reflete na sua música todos os sentimentos antagónicos e contrastantes que invadem uma mente que ainda se prepara para entrar na idade adulta mas que já atravessou sozinha o atlântico até Queens, Nova Iorque, com apenas setenta libras no bolso e a música como sonho maior, Lilith Ai é uma voz talentosa que se prepara para captar definitivamente a nossa atenção.

Hang Tough é o primeiro suspiro de Lilith Ai em forma de música, um tratado sonoro que mistura eletrónica, chillwave e r&b com um charme e uma delicadeza invulgares e exalando uma já notável maturidade. O lado b do single Yeah Yeah, amplifica os predicados instrumentais que irão certamente fazer parte do futuro discográfico deste belíssima cantora, onde o clássico e o contemporâneo se misturam com aquela delicadeza tipicamente feminina. confere... 


autor stipe07 às 17:36
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2015

Happyness – Weird Little Birthday

Oriundos de Londres, os britânicos Happyness são Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan, um trio que após um aclamado EP homónimo editado em 2013, estreou-se nos lançamentos no verão passado com Weird Little Birthday, um trabalho que viu a luz do dia através da Weird Smiling, misturado por Adam Lasus e masterizado por Greg Calbi, dois nomes também essenciais no assumir das rédeas de uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente.

Weird Little Birhday é um trabalho que junta alguns dos melhores atributos do indie rock contemporâneo, onde a psicadelia e o lo fi se cruzam constantemente, havendo temas como It's On You ou Leave The Party, particularmente animados, luminosos e festivos e outros instantes que assentam num formato mais íntimo e silencioso, onde existe uma maior escassez instrumental e um registo vocal sussurrante, Nestas canções mais contemplativas, onde também destaco a belíssima balada Regan’s Lost Weekend (Porno Queen), ou o delicioso reverb vocal e as variações rítmicas e dos efeitos da guitarra em Lofts, também há imensa beleza, registada em deliciosos detalhes sonoros, com as cordas a assumir portagonismo óbvio, percetíveis se a audição for feita com recurso a headphones. A longa e introspetiva Weird Little Birthday Girl, canção sonoramente detalhada e tema homónimo do disco, que amarra, por si só, várias pontas do mesmo, acaba por ser o clímax de todo este ideário processual e timbra o som identitário dos Happyness, numa melodia amigável e algo psicadélica, feita com guitarras ligeiramente distorcidas, enquanto se arrasta até ao fim com um longo diálogo entre timbres.

O ambiente sonoro que este trio oferece exala um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assenta. Depois, alguns arranjos na percussão claramente jazzísticos e uma voz num registo grave e em reverb, acentuam o charme rugoso de um álbum que nos oferece uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo.

Em Weird Little Birthday é incrível a sensação de ligação entre as canções, mesmo havendo alguns segundos de quase absoluto silêncio entre elas. Assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável, sendo difícil ficar indiferente perante preciosidades como a enérgica e infecciosa, mas controlada Naked Patients, a sedutora Monkey In The City, o já citado tema homónimo ou o single Baby, Jesus (Jelly Boy). As distorções são sempre bem controladas, os ruídos minimalistas gravitam suavemente em redor do disco ampliando subtilemtne o seu espelndor lo fi, os arranjos das cordas estão dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e a subtileza na voz funciona na nossa mente como um verdadeiro psicoativo sentimental, guiada pela nostalgia e pelas emoções que Benji, o principal vocalista, pretende transmitir.

Com uma variedade de referências e encaixes sonoros que se aproximam do indie rock atual, Weird Little Birthday é um excelente disco de estreia e uma boa ferramenta para todos aqueles que queiram apresentar aos descendentes de idades mais precoces, de modo algo subtil e surpreendentemente apelativo, algumas das melhores caraterísticas do indie rock alternativo. Atravessado por um certo transe libidinoso que o cinismo de algumas letras apenas amplia, é aquele disco de rock que tanto pode ser escutado nos jardins de infância após o almoço, como além das paredes do nosso refúgio mais secreto, com a mesma exuberância e dedicação. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Weird Little Birthday [Deluxe Edition]

01. Baby, Jesus (Jelly Boy)
02. Naked Patients
03. Great Minds Think Alike, All Brains Taste The Same
04. Orange Luz
05. Refrigerate Her
06. Pumpkin Noir
07. Anything I Do Is All Right
08. Weird Little Birthday Girl
09. It’s On You
10. Regan’s Lost Weekend (Porno Queen)
11. Leave The Party
12. Lofts
13. Monkey In The City
14. Montreal Rock Band Somewhere (Bonus Track)
15. Stop Whaling (Bonus Track)
16. You Come To Kill Me?! (Bonus Track)
17. A Whole New Shape (Bonus Track)

 


autor stipe07 às 21:42
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2015

Blur - The Magic Whip

Colocado à venda no ultimo dia vite e sete de abril, depois de um inesperado anúncio há algumas semanas, através de uma conferência conferência de imprensa transmitida em streaming a partir de um restaurante chinês em Londres, onde a banda aproveitou também para anunciar um grande concerto para o Hyde Park, na capital britânica, no dia 20 de Junho, The Magic Whip é o primeiro álbum dos britânicos Blur de Graham Coxon, Damon Albarn, Alex James e Dave Rowntree, desde o extraordinário Think Thank de 2003 e o tão badalado regresso à ribalta de uma banda fundamental da música ocidental das últimas três décadas, liderada pelo melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn, personagem central da cultura pop britânica contemporânea. O início embrionário deste disco materializou-se em quinze jams de vinte minutos, gravadas em 2013 em Hong-Kong, de modo quase casual, já que a banda tinha viajado para essa cidade para tocar no Festival Toky Tocks Music, um concerto à última da hora cancelado. Os quatro músicos vêem-se presos nessa cidade e resolvem usar os cinco dias programados para a estadia para entrar nos estúdios Avon e ensaiar, escrever e gravar, tendo nascido assim o bruto deste The Magic Whip. As letras são escritas por Albarn, um pouco mais tarde, depois do Natal desse ano, durante uma estadia de duas semanas na sua casa na Islândia.

Simbolos maiores da britpop e protagonistas de um mano a mano curioso com os Oasis dos irmãos Gallagher, os Blur tiveram uma década de noventa e uma entrada no novo milénio verdadeiramente estonteantes com sete discos que abraçaram diferentes subgéneros sonoros, mas sempre com a pop como referência primordial de um som muito caraterístico, que de Bowie aos Kins, passando por Syd Barrett ou os míticos XTC, era criado geralmente à sombra da genialidade da guitarra ríspida e simples de Coxon e do modo como Albarn escrevia e cantava sobre uma Inglaterra pós Tatcher, fortemente industrializada, mas também com uma pacatez rural muito típica, rica e sobranceira, fazendo-o transbordando modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade ímpares. De facto, era fácil para qualquer britânico sentir-se identificado com as canções dos Blur, como se qualquer um pudesse vestir a pele daqueles músicos, que satirizavam constantemente um mundo tão mecanizado e rotineiro e que, como hoje ainda sucede, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância dos desejos e necessidades de cada um de nós, em detrimento do bem e da vontade comuns.

Tanto frenesim, principalmente após The Great Escape, acabou por mostrar no horizonte um esgotamento da fórmula até então bem sucedida, com o outro lado do atlântico a surgir como uma terra de novas oportunidades para o grupo, sendo o homónimo Blur (1997) a seta lançada para uma América a viver a ressaca do movimento grunge e particularmente curiosa em relação a este quarteto. Este trabalho acaba por ser decisivo no historial da banda já que, se por um lado marca uma ruptura no som típico dos Blur, ampliado agora com uma maior sujidade e uma aúrea mais sombria e experimental, reforçada com uma superior importância da eletrónica dois anos depois em 13 e a procura de influências de outras latitudes, causadas por um Albarn curioso, estudioso e particularmente apaixonado pelos sons nativos da costa ocidental africana em Think Tank, por outro houve uma deterioração das relações pessoais no seio da banda e, em particular, os seus dois maiores egos, com Coxon a não ter já intervenção decisiva no conteúdo deste último trabalho.

Mas a que se deve a necessidade de referir, ainda que de modo sucinto, a história e a cronologia dos Blur, quando o que está em causa neste artigo é uma análise crítica, por parte do autor deste texto, ao conteúdo de The Magic Whip? Na verdade, e na minha modesta opinião, penso que uma abordagem honesta às doze canções deste trabalho só fica completa com esta contextualização anterior porque, pessoalmente, considero que este é, ao mesmo tempo, um disco de síntese de uma carreira e um trabalho de recomeço, onde os Blur plasmam, de certo modo, todo o tal referencial sonoro identitário que os influenciou, quer na fase inicial, quer no período mais conturbado, na passagem para o século XXI e que originou este hiato de doze anos, além de lançarem algumas sementes interessantes para um futuro discográfico que espero que se concretize.

De facto, se a guitarra inebriante e o baixo vigoroso de Lonesome Street e a postura vocal de praticamente toda a banda nesse tema parecem ter viajado diretamente das profundezas mais inspiradas de Modern Life Is Rubbish (1993), já o piano esquecido e a voz em overdub de New World Towers ou a máquina de ritmos, a viola e o riff eletrónico vintage de Ice Cream Man oferecem-nos esta aúrea de novidade, certamente projetada pelo Albarn construtor de Everyday Robots, que com um pé na folk e outro na pop e com a mente a sempre a convergir para a soul, entrega-se à introspeção e reflete sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, confirmando, mais uma vez, o seu forte cariz eclético e heterogéneo e a capacidade de liderança suficiente para juntar em seu redor os restantes músicos.

O disco prossegue com mais um salto na reta numérica que define a cronologia discográfica dos Blur, para espreitarmos agora o tal período mais sombrio e experimental, à boleia do swing anguloso da guitarra porosa e distorcida de Go Out e do reverb alienígena de Thought I Was A Spaceman, que só se clarifica e vê a luz plena com a entrada da bateria já na segunda metade do tema. Entretanto, My Terracota Heart traz a lume o tempero africano que tanto seduz Albarn e a imponência orquestral de There Are Too Many Of Us remete-nos, uma vez mais, para o seu trabalho a solo, desta vez no que diz respeito a algumas bandas sonoras em que se envolveu.

Até ao final de um disco assombroso, pré-fabricado, como já referi, em cinco dias na tal Hong-Kong situada na Ásia que frequentemente chama por Albarn, como se percebe, por exemplo, nos Gorillaz, não podemos deixar de nos deslumbrar com a pop soalheira e plena de soul de Ghost Ship e, principalmente, à boleia desse apelo oriental, com Pyongyang, o meu tema preferido de The Magic Whip. Em 2013 foi concedida a Albarn licença para visitar a Coreia do Norte, onde permaneceu durante algumas semanas, tendo visitado a capital, que dá nome a este tema e outras zonas remotas do país. A lindíssima e majestosa melodia de Pyongyang é um reflexo dessa visita, o retrato de um povo que, de acordo com o músico, está cheio de pessoas boas, inteligentes, corajosas, sensíveis e sonhadoras, como qualquer comum ocidental, só que parece viver numa espécie de mundo enfeitiçado, num local mágico, que foi em tempos coberto por um manto invisível que transformou as fronteiras do país numa prisão gigante e com um poderoso efeito narcótico sobre a população.

Impecavelmente produzido por Stephen Street, The Magic Whip é, portanto, uma esplendorosa amálgama de todo o referencial identitário de um quarteto, que da britpop, ao experimentalismo ruidoso, passando pela eletrónica e pelo fascínio do lo-fi, criou canções que fazem parte do imaginário sonoro da civilização ocidental contemporânea. Em 2015 os Blur oferecem-nos uma ode nostálgica a toda a sua herança, mas também mostram estar familiarizados com as tendências mais atuais, sugerindo uma visão muito prória e claramente identificada com o adn identitário do quarteto, da pop e do indie rock atuais. Em suma, apresentam-se fortemente criativos, generosos e com vontade de continuarem a serem considerados uma referência obrigatória. Espero que aprecies a sugestão...

Blur - The Magic Whip

01. Lonesome Street
02. New World Towers
03. Go Out
04. Ice Cream Man
05. Thought I Was A Spaceman
06. I Broadcast
07. My Terracotta Heart
08. There Are Too Many Of Us
09. Ghost Ship
10. Pyongyang
11. Ong Ong
12. Mirrorball


autor stipe07 às 19:13
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Terça-feira, 28 de Abril de 2015

The Vaccines - Minimal Affection

Os londrinos The Vaccines de Justin Young, Arni Arnason, Freddie Cowan (irmão de Tom Cowan dos The Horrors) e Pete Robertson, estão a cerca de um mês de editar English Graffiti, o terceiro disco de originais da banda e depois de Handsome e Dream Lover deram a conhecer mais um single do disco.

Produzida por Cole M. Greif-Neil, a canção intitula-se Minimal Affection e encarna um indie rock exuberante e irresistível que assenta em batidas sintéticas que se escutam em sintonia com riffs de guitarra melódicos e uma voz poderosa. O tema também impressiona pela imagética criada para o ilustrar, com cenas de uma aventura espacial com uma estética retro, numa temática que gira em torno da dificuldade que as gerações mais novas têm de se relacionar pessoalmente por estarem tão dependentes das novas tecnologias. Confere...


autor stipe07 às 17:28
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Sábado, 25 de Abril de 2015

The Kindling - By Morning

Guy Weir, Tomas Garcia e Ben Ramster são os The Kindling uma banda sedeada em Londres, que contou com as participações especiais dos violinos de Kelly Jakubowski e dos efeitos de Joe Leach para gravar um disco novo intitulado By Morning, um trabalho que aposta forte numa profunda melancolia proporcionada por canções que gravitam em redor de uma folk introspetiva e tipicamente nórdica, onde sobressaiem deliciosos arranjos de cordas e melodias que se arrastam sem pressa, mas com uma direção bem definida, aquela que segue diretamente e pelo caminho mais curto rumo aos nossos sentimentos mais profundos e delicados.

A apenas aparente rudeza da distorção de Television Static Dreams, o primeiro single retirado deste disco e seu maior destaque, transmite uma poderosa sensação introspetiva e sonhadora. Imersa em pequenos detalhes, dos quais sobressai a pandeireta e o tambor, que procuram conferir uma forte sensação crua e orgânica ao tema, são elementos que se repetem ao longo de um alinhamento que só poderá ser devidamente apreciado se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que estes The Kindling possuem e transmitem.

O falsete e a guitarra de Guy conduzem temas como Climb In, Unlucky e Long Distance e estes são apenas alguns dos vários exemplos que, em By Morning, exaltam uma tremenda serenidade e um natural excesso de tempo, conceitos que sobressaiem nestas canções com uma clareza incomum. Este é um acordar matinal musical proposto pelos The Kindling, uma alvorada tão diferente e proporcionalmente oposta às nossas rotinas diárias e à escravatura do relógio que roda incessantemente a partir do momento em que somos forçados a deixar o mundo dos sonhos para trás e viver um dia a dia nem sempre suficientemente recompensador.

As cordas e o jogo de vozes de Hunting Stars e Slow Down tocam profundamentem o coração. Como a maioria das canções, começam com o dedilhar de uma guitarra, neste caso a acústica, mas depois vão sendo adicionados novos instrumentos, que acrescentam pequenos detalhes sonoros, mas que fazem muitas vezes toda a diferença e demonstram a abundância de talento dos mentores deste projeto, já que pintam uma belíssima paleta de cores sonoras e criam uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada.

Alguma das nossas manhãs deviam ser assim, arrastadas por esta visão poética dos primeiros minutos dos nossos dias, em que a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, com as canções de By Morning a servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:15
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Sábado, 4 de Abril de 2015

Loose Fruit Museum - In The Room

Oriundos de Londres, os LFM, aka Loose Fruit Museum, são Conal (voz e guitarra), Ali (guitarra), Phil (teclados), Ev (baixo) and Tony (bateria), um quinteto que aposta forte numa sonoridade hard, que do rock setentista, ao rock de garagem e passando pelo blues, sobrevive à custa de guitarras cheias de ruído e distorção, um teclado que não receia colocar-se em bicos de pés quando procura protagonismo e uma secção ritmíca vibrante e poderosa.

Foi no passado dia vinte e três de março que viu a luz do dia The Room, o novo álbum dos LFM, um trabalho editado através da Ciao Ketchup Records e logo na guitarra efervescente e na voz grave de Conal se percebe que este é um disco que tem colado a si o indie rock de cariz mais alternativo, com os Loose Fruit Museum a não terem reservas em apostar no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio e visceral.

Do espetro mais comercial replicado no vibrante e anguloso single Summersaults, passando pelo curioso mas eficaz efeito da guitarra de Country Punk, ou a percussão ritmada da efusiva Lungs, mais uma canção que também vive à sombra de um indie rock épico e expressivo, onde se destaca, mais uma vez, a impressiva voz de Conal, que dá vida a uma letra que fala sobre a solidão e as expetativas que muitas vezes criamos sobre uma sociedade que nem sempre consegue responder aos nossos anseios, são vários os exemplos claros que nos prendem a um alinhamento impecavelmente produzido e eficiente no modo como nos seduz e nos conquista.

O ocaso do disco acaba por servir decontraponto ao restante alinhamento, já que quer o instante folk de My Mates Dad ou a nostalgia esperançosa de Crossroads, além de comprovarem que estes Loose Fruit Museum também sabem como explorar o lado mais acústico das cordas e extrair emoções e sentimentos que não defraudam quem procura sonoridades introspetivas, profundas e envolventes, mostram que estamos na presença de um quinteto capaz de aproveitar o grau de maturidade de todos os seus membros, para criar um disco fantástico e que merece uma maior projeção. Talvez seja com In The Room que os Loose Fruit Museum conseguem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns  projetos que procuraram replicar apenas, ao longo da carreira, zonas de conforto, mesmo que o façam com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

 

autor stipe07 às 21:54
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2015

Steven Wilson – Hand. Cannot. Erase.

Lançado no final de fevereiro através da Kscope Records, Hand. Cannot. Erase. é o quarto álbum da carreira de Steven Wilson, um disco gravado durante o mês de setembro do último ano num estúdio em Londres, onde o artista se rodeou dos músicos que o têm acompanhado nos últimos anos e tendo sido produzido pelo próprio é um dos trabalhos que mistura rock progressivo e eletrónica mais exuberantes e bem conseguidos dos últimos tempos.

Músico já consagrado e com uma carreira distinta e ímpar, Wilson ganhou enorme notoriedade com The Raven That Refused To Sing (And Other Stories), o antecessor deste Hand. Cannot. Erase., um trabalho que contém uma pesada herança e que era aguardado com enorme expetativa, a qual, foi inteiramente correspondida, tal é a grandiosidade e o elevado nivel qualitativo deste novo compêndio de onze canções, que se estendem para lá da hora de duração.

Álbum conceptual, Hand. Cannot. Erase. fala sobre a história verídica de uma mulher que se quis isolar do mundo em Londres até ao dia da sua morte. Esteve três anos sozinha, a viver na capital de Inglaterra e ninguém deu pela sua falta, apesar de ter familiares e amigos, com Steven a criar a sua versão desta personagem autêntica, colocando sentimentos e emoçoes suas na mesma e, dessa forma, materializando uma homenagem muito pessoal e sentida a uma pessoa que teve finalmente um reconhecimento inesperado e que, deste modo, por muitos desconhecidos será dificilmente esquecida.

Stevem Wilson é exímio e convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidadde e não tem receio de arriscar e de misturar a eletrónica, com outras sonoridades, fazendo-o com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora. Logo, na intro First Regret, o piano eletrónico mostra que está pronto para assumir as rédeas de todo o disco e a riqueza melódica e a assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo em 3 Years Older, convencem-nos da elevada bitola qualitativa de um disco, mesmo que depois seja sucedido pela toada mais pop do tema homónimo, um dos momentos mais discretos do disco,  

Com a participação especial da israelita Ninet Tayeb, Perfect Life e Routine voltam a colocar o disco na rota exata, com o jogo de vozes entre os dois protagonistas dos temas a criar uma agradável atmosfera. Se a primeira canção, por variar imenso nas harmonias que contém, requer tempo e várias audições para se entranhar, numa receita que se repete, adiante, na épica, obscura e eletrónica Ancestral, canção com um longo e intrincado instrumental e que também conta com Ninet, já a sentimental, triste e densa Routine, conquista-nos no imediato pelo modo como materializa a vida rotineira da homenageada, atraves de uma letra forte e um aumento progressivo do ritmo e da cadência até um auge pesado e angustiante, sendo particularmente feliz o modo como a dupla expressa a gama complexa de emoções que a temática e a letra da canção exigem.

Chega-se a Home Invasion e finalmente as guitarras encontram o seu instante de protagonismo, não só no modo como dão corpo e rugosidade à`canção, mas também através de uma articulação feliz com os teclados, que se repete no instrumental Regret # 9, uma canção que encaixa na perfeição no momento do disco e com uma melodia que nos conta mais do que mil poemas sobre esta mulher só e esquecida.

Até ao final, a atmosférica Ascendan Here On e a emotiva Happy Returns, encerram de modo otimista e esperançoso um álbum que não deve ser visto de modo redutor, ou seja, apreciado apenas pelo conteúdo sonoro, mas que deve servir como alerta e consciência para milhares de outras mulheres e homens, de várias idades e de todos os estratos sociais, que vivem absorvidas por uma solidão que pode tomar várias formas e expressar-se de diferentes modos, com Steve Wilson a provar em cada canção, de modo distinto, criativo e envolvente, ser atualmente um nome fundamental e incontornável do universo sonoro em que se insere. Espero que aprecies a sugestão...

Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase.

01. First Regret
02. 3 Years Older
03. Hand Cannot Erase
04. Perfect Life
05. Routine
06. Home Invasion
07. Regret #9
08. Transience
09. Ancestral
10. Happy Returns
11. Ascendant Here On…


autor stipe07 às 22:27
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Terça-feira, 31 de Março de 2015

Keith John Adams - Roughhousing

Editado no passado dia um de dezembro através da Functional Electric, Roughhousing é o novo disco de Keith John Adams, um trabalho que pretende ser um testamento claro de um estado de alma atual de um músico que foi espalhando o seu charme por alguns estúdios londrinos, muitas vezes em tudo semelhantes a cozinhas, salas de estar, ou simples quartos, levando consigo um simples microfone e aproveitando a bateria, o piano e o baixo disponiveis em cada local por onde foi passando para gravar um compêndio de canções em mono, onde imaginou que era o membro de uma banda que existe apenas e só na sua imaginação, mas que replica um indie rock bastante divertido, ligerio e peculiar, que vale bem a pena descobrir. A própria versão digital deste disco e em formato CD, utiliza um modo inédito de mistura, que procura preservar ao máximo a sonoridade original que foi captada nos locais onde os diferentes temas de Roughhousing foram gravados.

Keith John Adams é um mestre a lidar com o piano e a juntá-lo às cordas para criar canções divertidas, animadas e melancolicamente divertidas. Emocional e certeiro no modo como transmite sentimentos e como consegue criar um contraste interessante entre as letras e as melodias, Keith John Adams já tocou com nomes tão importantes como os Of Montreal, Neutral Milk Hotel, Apples in Stereo, Deerhoof ou Mountain Goats, mas nem por isso deixa de fascinar pela sua maturidade e pelo modo como replica um registo muito próprio, à custa de emoções embrulhafas em temas simples, adornados com arranjos um pouco rugosos e com um claro pendor lo fi.
Se já em 2008, com Unclever, um disco gravado em Athens, Georgia, com o apoio de Casper and the Cookies (ex Of Montreal) como banda de suporte, Keith tinha conquistado uma base sólida de seguiodores devido à sonoridade assente em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima de um garage rock ligeiro, algo baladeiro e boémio, agora, nas doze canções de Roughhousing, quase sempre com a ajuda da guitarra acústica e do piano, o autor canta sobre a simplicidade e a natureza tantas vezes rotineira da nossa existência e de como o amor pode ser o tempero que tanto a pode adocicar como azedar, mas que nunca deixa ninguém indiferente ou intacto quando passa pela vida de cada um, independentemente da importância que lhe atribuimos e das mudanças que provoca.
Em temas como o single Music in My Feet ou Lulluby's Answer, melodias que têm por base uma bateria e cordas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado, Keith mostra-se exímio no modo como nos transporta para um universo sonoro essencialmente acústico, vincadamente experimental e dominado por cordas com uma forte toada blues, enquanto nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno, numa viagem rumo ao revivalismo de outras épocas gloriosaas do indie pop que o dedilhar deambulante do piano de No Room, os teclados em Change e a viola de Better aprofundam.
Na verdade, este cantautor bastante inspirado, é claramente assertivo no modo como nos permite sentir momentos que trazem brisas bastante aprazíveis, enquanto nos oferece uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que poderão facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas.
Roughhousing é um disco rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, onde se inclui o ainda não referido jazz, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O disco tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Keith, tipicamente british, sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Roughhousing é um álbum maduro e consciente e faz de Keith John Adams, enquanto criador musical, uma das novas bandas mais excitantes e influentes do cenário alternativo atual. Basta ouvir os arranjos metálicos introspetivos e melancólicos do lindissimo instrumental Sun Broken Sea e o trompete, assim como os sons de uma cidade em plena hora de ponta a adivinhar um infinito caos que afinal é dominado por um assobio que introduz a passsagem do metro que não se atrasa um único segundo, assim como os detalhes aquáticos de Wormhole Weekend para perceber porquê. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:15
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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

Nugget - Cheese Meister

Oriundos de Londres, uma das mais recentes apostas da Lost In The Manor e formados por três músicos extremamente talentosos e virtuosos os Nugget são Julien Baraness, um guitarrista e produtor canadiano natural de Toronto, Alex Lofoco, um baixista italiano e o baterista Jamie Murray. Juntos replicam uma fantástica fusão de indie rock com jazz, uma colagem genuína de estilos, proposta por um coletivo original e com qualidades técnicas ímpares, onde não faltam também abordagens diretas ao reggae, ao hip-hop e ao drum n'bass.

O EP de estreia dos Nugget chama-se Watercolour, vai ver a luz do dia nas próximas semanas e Cheese Meister é o primeiro avanço desse trabalho com cinco canções, quatro minutos e meio de um jazz rock, ácido e pleno de funk, uma canção com um groove animado e divertido que vai certamente impressionar-te. O tema está disponível para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 12:54
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Domingo, 22 de Março de 2015

Django Django - Reflections

Django Django - Reflections

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome que acompanho com toda a atenção desde que há cerca de dois anos lançaram um espectacular homónimo de estreia.

A banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, vai regressar aos discos este ano, mais propriamente a cinco de maio por intermédio da Ribbon Music. O álbum chama-se Born Under Saturn e já há dois avanços conhecidos; Depois de em janeiro termos conhecido First Light, agora chegou a vez de ser divulgado Reflections, mais um tema onde os Django Django aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, sempre acompanhada por guitarras e um teclado que, neste caso, parece ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Basicamente, uma mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento. Confere...


autor stipe07 às 15:12
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