Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

Gengahr – A Dream Outside

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr são Felix, Danny, John, e Hugh e causaram sensação no meio alternativo local quando em outubro último divulgaram Powder, por intermédio da Transgressive Records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias.

Alguns meses depois, os Gengahr desvendaram mais um belíssimo segredo intitulado She's A Witch, através da mesma Transgressive, uma peça musical magistral, assente numa pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como o falsete da voz de Felix se entrelaçava com a melodia nessa canção, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilavam orgulhosas e altivas, mais parecia uma parada de cor, festa e alegria, onde todos os intervenientes comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem um agregado de sons no formato canção. E esse é, em suma, o travo geral de A Dream Outside, um titulo feliz e apropriado para a estreia de um quarteto que escreve e canta sobre bruxas, fantasmas e criaturas marinhas que povoam o nosso imaginário na forma de criaturas horripilantes e desprezíveis, mas que retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto, numa ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante.

A música dos Gengahr tem esse poder de nos descolar da realidade, oferecendo-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro de onze canções fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que, de certo modo, nos ajuda a resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. À boleia de guitarras plenas de reverb, falsetes sedutores e uma percussão animada e luminosa, canções frenéticas como Embers ou Heroine, outras mais contemplativas como Bathed In Light e Dark Star e ainda outras com abordagens certeiras a um clima pop mais comercial, nos dois temas acima descritos, She's a Witch e Powder, A Dream Outside foi incubado com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita para demonstrar uma formatação já adulta nestes Gengahr, assertivos no modo como reinventaram, reformularam ou simplesmente replicaram o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que se inserem e que fazem da simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, o seu cavalo de batalha, recortando, picotando e colando o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - A Dream Outside

01. Dizzy Ghosts
02. She’s A Witch
03. Heroine
04. Bathed In Light
05. Where I Lie
06. Dark Star
07. Embers
08. Powder
09. Fill My Gums With Blood
10. Loney As A Shark
11. Trampoline


autor stipe07 às 22:43
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

Kid Wave – Wonderlust

Harry Deacon Lea Emmery Serra Petale Mattias Bhatt são os Kid Wave, uma banda feita de musicos suecos mas oriunda de Londres e que se estreou recentemente nos discos com Wonderlust, um trabalho que viu a luz do dia um de junho, através da Heavenly Recordings.

Escuta-se Wonderlust e não se adivinha que estas onze canções foram gravados no auge dos rigores do mais recente inverno londrino, tal é a luminosidade e a cor com que exploram alguns dos melhores detalhes da dream pop, do shoegaze e do rock alternativo dos anos noventa. Quer a distorção das guitarras e o ritmo frenético, quer a toada épica e vibrante de All I Want, são apenas dois exemplos de rumos e ritmos diferentes explorados em Wonderlust, mas que convergem para a mesma espiral de grandiosidade e vibração que conduz toda obra.

Em Honey, com a percussão e os arranjos metálicos a explorarem vertentes mais progressivas, de mãos dadas com uma distorção de guitarra magnânima, os Kid Wave condensam, com enorme mestria, a sua receita sonora e, quer nesse tema, quer em Best Friend, servem-se da melancolia para ampliarem a expressividade que colocam nas suas letras, que exprimem, geralmente, as típicas dores e dilemas do início da vida adulta. Desse modo familiar de escrever e cantar sobre assuntos que nos são caros já que tocam em alguns dos nossos dilemas existenciais, os Kid Wave conseguem captar definitivamente toda a nossa atenção, enquanto sonoramente explodem, quase sempre, em elevadas doses de distorção. Mesmo quando em Walk On Fire, o quarteto avança por territórios mais contemplativos e etéreos, não abranda na firmeza e na profundidade do sentimento que a sua música transporta, balizando firmemente a abrangência da sua orientação sonora. Esta roça quase sempre a genialidade a nível instrumental, seja qual for o poder e a robustez dos timbres da guitarra e a ênfase dada aos vários arranjos, lindíssimos na mais folk Freeride; Escuta-se o fuzz experimental, sombrio e progressivo de Baby Tiger e o arranque rugoso e explosivo de Gloom, que se repete no refrão e depois o andamento açucarado da guitarra desta última e, quer num caso quer noutro, é plena a sensação de controle, inclusive quando a própria temática das canções até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma superior raiva ou descontrole emocional.

Há algo de profundamente nostálgico e acolhedor no som destes Kid Wave, principalmente para quem, como eu, cresceu escutando a par e passo e com particular devoção, o desenvolvimento do indie rock alternativo na última década do século passado. De certo modo, o que eles propôem em Wonderlust é um verão que dura o ano inteiro e, se for necessário, estão dispostos a funcionar na nossa mente como um verdadeiro psicoativo sentimental, guiado pela nostalgia e pelas emoções que pretendem transmitir, de modo algo subtil e surpreendentemente apelativo, oferecendo-nos um certo transe libidinoso num disco de rock que tanto pode ser escutado nos jardins de infância após o almoço, como além das paredes do nosso refúgio mais secreto, com a mesma exuberância e dedicação. Espero que aprecies a sugestão...

Kid Wave - Wonderlust

01. Wonderlust
02. Gloom
03. Honey
04. Best Friend
05. Walk On Fire
06. Baby Tiger
07. All I Want
08. Sway
09. Freeride
10. I’m Trying To Break Your Heart
11. Dreaming On


autor stipe07 às 15:48
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Domingo, 14 de Junho de 2015

Barbarossa – Imager

Oriundo de Londres, o britânico James Mathé assina a sua música como Barbarossa e editou a onze de maio, através da Memphis industries, Imager, o terceiro disco de um músico com uma carreira já interessante no domínio da pop que coloca a eletrónica na linha da frente do processo de criação sonora, sempre tingida com melancolia e um humanismo particularmente sedutor.

Nestas dez canções, este músico e também reputado produtor que colocou as mãos em trabalhos dos Metronomy ou dos Summer Camp, oferece-nos uma visão relaxante e intimista do modo como vê a eletrónica de cariz mais ambiental, num trabalho que firma, definitivamente, um posicionamento do mesmo num campo sonoro mais sintético, ele que começou por chamr a atenção da crítica pelas baladas folk que criou no início da carreira e que fizeram com que fosse comparado a nomes tão fundamentais como Jose Gonzalez que, curiosamente, ou talvez não, participa em Home, o single já retirado de Imager. Há alguns anos atrás, Barbarossa, como intérprete folk, chegou a abrir alguns dos concertos do músico sueco que agora oferece a sua voz a esta canção.

Se o tema homónimo do disco mostra-nos, claramente, o novo arquétipo sonoro de Barbarossa, através de uma abordagem algo inclinada para as pistas de dança, com um claro piscar de olhos a uma faceta mais techno, a tal Home, tranquila e redentora, coloca todas as fichas numa visão mais emotiva e contemplativa, com o efeito do teclado a convidar-nos a conferir um hino eletrónico elegíaco, com um imediatismo simples, mas pungente.

À medida que o alinhamento de Imager avança, pressente-se um certo sentimento de inquietude, que o registo vocal de Solid Soul ou o sintetizador inebriante de Settle, uma canção que se debruça sobre a solidão que quem vive numa grande cidade frequentemente sente, não disfarçam, como se houvesse um fluxo emocional que conduz as canções que nos oferecem momentos redentores com o intuíto de agitar primeiro e confortar depois, o âmago da nossa alma. O refrão de Silent Island é, talvez, o melhor exemplo desta melancolia que quer descobrir o equilibrio perfeito entre hinos de dança contidos e uma intimidade orgânica singular, uma refrega intensa que coloca em campo de batalha aberto e sem reservas emoção e racionalidade.

Imager é Barbarossa a sair da sombra e a colocar um passo firme debaixo das luzes da ribalta à boleia de um talento para a composição e produção musical inato, que parece ter perdido a timidez e que exige ser reconhecido enquanto membro de pleno direito, do clube dos principais arquitetos da eletrónica contemporânea de terras de Sua Majestade. Neste álbum o autor oferece-nos, com a sua escrita intensa, mas direta e incisiva, algumas respostas que são incontornáveis tendo em conta o cariz afetivo e reflexivo das melodias a que dá vida.  Enquanto se escuta Dark Hopes e se acompanha com atençaõ o poema inspirador que abraça a melodia, percebemos o imenso fôlego libertador e esotérico que Imager transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Barbarossa - Imager

01. Imager
02. Home
03. Solid Soul
04. Settle
05. Nevada
06. Dark Hopes
07. Silent Island
08. Muted
09. Human Feel
10. The Wall


autor stipe07 às 21:25
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Dead Seem Old - This Mess Won't Make Itself

Dead Seem Old é um projeto de indie pop sedeado em Londres e da autoria do músico e compositor Thom Wicks. Interessado pela experimentação sonora, Wicks costuma andar sempre com uma guitarra de flamengo e um gravador de quatro pistas para gravar as suas demos.
Depois de They Won't Find Us, o seu single de estreia, um tema escrito e composto num quarto de hotel, durante uma viagem do mesmo à Indonésia, Thom está de regresso com um novo tema intitulado This Mess Won't Make Itself, um canção escritas pelo próprio Thom Wicks e por Javier Weyler, que também a produziu e misturou. O resultado é uma peça de indie pop contemporâneo absolutamente memorável, que dos coros aos arranjos das cordas, irradia uma luz incomum e que merece uma audição dedicada. Confere...

 


autor stipe07 às 21:52
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2015

The Vaccines – English Graffiti

Lançado a vinte cinco de maior por intermédio da Columbia Records, English Graffiti é o terceiro álbum dos londrinos The Vaccines, de Justin Hayward-Young, Freddie Cowan, Árni Árnason e Pete Robertson. Disco produzido por Dave Fridmann e Cole M. Greif-Neill, English Graffiti sucede aos aclamados álbuns What Did You Expect from the Vaccines? (2011) and Come of Age (2012), que consolidaram uma estética sonora que numa esfera indie rock nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes do punk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Vistos por alguma crítica como a resposta britânica ao nova iorquinos The Strokes, quer na postura, quer na sonoridade rock frenética, livre de constrangimentos e adornos desnecessários e certeiros no modo como adoptam uma estética sonora retro à boleia de riffs de guitarra potentes e uma voz poderosa, os The Vaccines chegam ao terceiro tomo do seu percurso discográfico seguros do som que pretendem apresentar que, com um pé na new wave e outro no pós punk, procura atingir uma maior luminosidade e amplitude melódica. As festivas e frescas Handsome e 20 / 20 e o som da guitarra de Dream Lover e um efeito quase indecifrável de um teclado que deambula pela canção, assim como o andamento vigoroso da bateria marcam uma chancela rugosa e acendem uma chama intensa que, com a preciosa ajuda de Dave Fridmann, que já colocou as mãos em discos dos MGMT ou dos Flaming Lips, coloca o som do quarteto exatamente no ponto pretendido. Depois, a fina fronteira que separa o baixo do sintetizador em Denial, um dos meus temas preferidos de English Graffiti e, numa abordagem mais groove, o indie rock exuberante e irresistível de Give Me a Sign e Minimal Affection, canção que assenta em batidas sintéticas que se escutam em sintonia com riffs de guitarra melódicos e uma voz poderosa, mostram a outra face de uma mesma moeda que os The Vaccines cunharam neste disco e que os fará render milhões, se for bem explorada. Esta última canção, já agora, impressiona pela imagética criada para a ilustrar, com cenas de uma aventura espacial com uma estética retro, numa temática que gira em torno da dificuldade que as gerações mais novas têm de se relacionar pessoalmente por estarem tão dependentes das novas tecnologias.

Até ao ocaso, se os efeitos do teclado, a guitarra viciante e a condução melódica a cargo do piano fazem de (All Afternoon) In Love um dos grandes momentos nostálgicos do disco, já o frenético pop surf punk de Radio Bikini e, em oposição, a tensão emocional e o minimalismo eletrónico que o fuzz da guitarra disfarça em Maybe I Could Hold You, são outros instantes obrigatórios de um álbum que além de ter como trunfo importante a temática reflexiva das canções, impressiona pelo modo como os The Vaccines abordam diferentes espetros sonoros, com o declarado objetivo de alargarem a lista de caraterísticas essenciais do seu som, fazendo-o com enorme qualidade, jovialidade e bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

The Vaccines - English Graffiti

01. Handsome
02. Dream Lover
03. Minimal Affection
04. 20 / 20
05. (All Afternoon) In Love
06. Denial
07. Want You So Bad
08. Radio Bikini
09. Maybe I Could Hold You
10. Give Me A Sign
11. Undercover
12. English Graffiti
13. Stranger
14. Miracle
15. Handsome Reimagined (Dave Fridmann Edit)
16. Dream Lover Reimagined (Malcolm Zillion Edit)
17. 20/20 Reimagined (Dave Fridmann Edit)
18. Give Me A Sign Reimagined (Co Co T Edit)


autor stipe07 às 18:16
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Terça-feira, 9 de Junho de 2015

Citizens! – European Soul

Lançado pela Kitsuné no passado mês de abril e produzido por Laurent d’Herbecourt (colaborador no álbum Bankrupt! do Phoenix), European Soul é o segundo disco dos londrinos Citizens!, uma banda formada por Tom Burke, Thom Rhoades, Martyn Richmond, Lawrence Diamond e Mike Evans e que aposta naquela indie pop nostálgica, mas festiva e que fez escola há umas três décadas, tendo marcado todos aqueles que, como eu, deixaram para trás a infância nesses gloriosos anos oitenta.

Lighten Up, o primeiro avanço do sucessor de Here We Are (2012), o disco de estreia do grupo, carrega o charme contagiante do quarteto num piano pulsante em loop e com a voz sedutora de Burke a infiltrar-se numa sonoridade eletrónica plena de groove e bastante dançável, apesar de uma certa aúrea melancólica em redor da canção. Esta é, sinteticamente, a receita assertiva que os Citizens! espraiam em European Soul com canções, como Waiting For Your Lover ou Brick Wall, sustentadas por clássicos pianos vintage, guitarras com efeitos exuberantes, mas livres de constrangimentos e adornos desnecessários e arranjos selecionados meticulosamente de modo a oferecer uma estética sonora retro que, pondo um pé na indie pop clássica, taõ bem plasmada no groove do sintetizador de European Girl e outro na eletrónica new wave, procura atingir uma superior luminosidade e amplitude melódica.

Com o objetivo assumido de criarem hinos radiofónicos e canções orelhudas, os Citizens! debruçam-se, tematicamente, sobre aquilo que classificam como a angústica social e económica em que está mergulhada a sociedade ocidental dos nossos dias e querem funcionar como um escape dançavel e cativante para essa prblemática. Se My kind Of Girl não é suficiente para convencer os maiores credores das economias falidas do sul da Europa a aliviarem o esforço daqueles que viveram anos a fio numa fuga em frente mais ou menos declarada, pelo menos é uma canção com todo o potencial para deixar ao rubro as imensas pistas de dança que brotam nos resorts solarengos junto ao mediterrâneo, nesses países devedores e onde os conterrâneos dos Citizens! gostam de ocasionalmente afogar e regar as mágoas. Depois, mais adiante, enquanto em Are You Ready? apreciam a fina fronteira que separa um baixo pulsante e uma percussão imaculada de um sintetizador exuberante e irresístivel e um falsete arrebatador, já na frenética pop de All I Want Is You, os últimos resistentes clamam por rendição, exaustos e incapazes de acompanhar o ritmo e o andamento que estes Citizens! impuseram num alinhamento refrescante e cintilante, cheio de soul, romântico, até algo kitch e muito contagiante.

Consistente e cheio de potenciais singles, European Soul consegue arrumar ideias e mostrar como velhas genéticas próximas do filão pop quase levado à exaustão que é a década de oitenta, ainda têm ainda capacidade para comunicar com o presente, desde que essa tarefa de enriquecimento do cenário musical atual e contemporâneo, aconteça de modo criativo, algo que os Citizens! superam, principalmente quando nos seduzem com cançoes guiadas por sintetizadores deliciosos, pianos animados, guitarras que exalam charme por todas as cordas e uma voz cheia de estilo e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Citizens! - European Soul

01. Lighten Up
02. Waiting For Your Lover
03. European Girl
04. My Kind Of Girl
05. Only Mine
06. Brick Wall
07. Trouble
08. I Remember
09. Have I Met You?
10. Xmas Japan
11. Are You Ready?
12. All I Want Is You
13. Mercy
14. Idiots
15. Lighten Up (Cesare Remix)


autor stipe07 às 22:20
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Terça-feira, 2 de Junho de 2015

Love Nor Money - Shake Me

Sedeada em Londres, a etiqueta britânica Lost In The Manor vai-se se estrear nos lançamentos discográficos com Shake Me, o primeiro single retirado do EP de estreia dos Love Nor Money, uma banda também da capital de Terras de sua Majestade. Shake Me vai ver a luz do dia a seis de julho, numa edição em vinil limitada e em formato digital, mas já pode ser escutado por cá, uma canção da autoria de um projeto feminino formado por Bess Cavendish, Anna Tosh, Jayna Cavendish e às quais se junta o produtor Dan Clarke.

Um verdadeiro cocktail digital que mistura batidas com efeitos de guitarra volumosos, Shake Me impressiona pela grandiosidade, patente nos samples, nos teclados e nos sintetizadores inebriantes, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Este é mais um bom exemplo de uma banda capaz de ser genuína no modo como manipula o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Confere...

 


autor stipe07 às 20:24
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Twin Hidden - A Berry Bursts

Divididos entre Londres e Manchester os Twin Hidden são Matthew Shribman e Sam Lea, dois amigos de infância que com dez anos já faziam música juntos, tendo-se estrado nos lançamentos em 2001 com um disco cujo rasto é desconhecido (This album is now where it belongs, at the bottom of the sea, where it will never be found).

A separação física de ambos deu-se com a entrada na universidade, quando Matthew foi estudar para Oxford e Sam para Manchester. Acabou por haver um breve hiato no grupo, mas os Twin Hidden parecem estar apostados em regressar novamente à ribalta, desde que no ano passado resolveram voltar a compôr juntos, tendo o piano como instrumento privilegiado destas novas experências sonoras conjuntas.

Depois de em dezembro de 2014 a dupla ter enviado para a redação de Man On The Moon Join Hands, o primeiro single deste novo sopro de vida da dupla, agora chegou a vez de os Twin Hidden nos deslumbrarem com a pop épica de A Berry Bursts, mais uma peça musical magistral e grandiosa, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como os falsetes da dupla se entrelaçam entre si, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, mais parece uma parada de cor, festa e alegria, onde todos comungam o privilégio de estarem juntos, do que propriamente um agregado de sons no formato canção. Ficarei muito atento a este projeto que está a captar a atenção das pessoas certas, nomeadamente ao possível lançamento de um disco. Confere...

 


autor stipe07 às 16:28
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2015

Hot Chip - Why Make Sense?

Lançado a dezoito de maio por intermédio da Domino Records e produzido por Mark Ralph e pelos próprio Hot Chip, Why Make Sense? é já o sexto álbum da carreira desta banda londrina absolutamente essencial, quando se quer fazer um ponto de situação rigoroso sobre o estado atual da música de dança. Atualmente formados por Alexis Taylor e John Goddard, Owen Clarke, Felix Martin, Al Doyle, Rob Smoughton e Sarah Jones, os Hot Chip têm esse cariz de banda indispensável porque, além de serem um dos nomes mais consensuais e proficuos do universo sonoro em que navegam, são agora também mais ecléticos e, se quisermos ser justos, antes de uma análise mais aprofundada, convém afirmar, previamente, que Why Make Sense? é o disco mais abrangente do historial discográfico do grupo.

Huarache Lights é um portentoso e contemporâneo convite à dança sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir, um tema que impressiona pela grandiosidade e pelo modo como os efeitos exalam um saudável espontaniedade, desde os flashes sintetizados ao efeito robótico da voz, alinhados por uma batida quente e um andamento melódico único e fortemente inebriante. Logo nessa abertura se percebe a elevada maturidade dos Hot Chip e o modo convincente como escolheram abrir o disco com uma composição que agarra o ouvinte pelos colarinhos e o coloca, mesmo que não queira, na pista de dança mais próxima, mesmo que ela se situe no recanto mais secreto da sua mente.

Fisica ou espiritualmente não há como não dançar ao som de Huarache Lights e nem o modo como os Hot Chip piscam o olho ao hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, em Love Is The Future, refreia os ânimos, convidando-nos antes a uma postura corporal diferente, mas fisicamente com um grau semelhante de lisergia. A festa prossegue e em Cry For You as plumas e biquinis já se confundem e ancas abanam sem pudor ao som do charme sofisticado do indie pop festivo de uma canção que mistura vozes robóticas com efeitos flamejantes e uma percussão sintética cheia de variações, numa receita que se estende, de modo mais sedutor e novamente com o R&B aos comandos a Started Right e nos coloca na linha da frente de um universo particularmente radioso e onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado, à boleia de um sintetizador luminoso. Esta insistência em sonoridades mais negras e que atualmente agradam ao público mais jovem e que se repetem, adiante, em Easy to Get, é um dos marcos mais inéditos de Why Make Sense?, asim como a tremenda fluidez que todos os músicos partilham entre si, são  uma das principais justificações para a tal maior amplitude sonoroa deste grupo londrino e para a justa concessão de uma elevada bitola qualitativa ao conteúdo geral do disco.

Se a toada abranda em White Wine And Fried Chicken e, pouco depois, também à boleia do teclado sintetizado de So Much Further To Go, isso não significa que seja momento de regressar ao sofá e ao quotidiano comum que tantas vezes nos engole. É momento, sim, de procurar alguém que comungue connosco a sensação sedutora que os efeitos da guitarra e o jogo de vozes provocam no nosso íntimo e num abraço profundo, nos acompanhe pista fora sem destino previamente traçado, até porque depois é hora de ir buscar as plumas e viajar novamente até aos anos oitenta ao som do ambiente leve, épico e envolvente que marca os alicerces de Dark Night.

Até ao ocaso de Why Make Sense? há ainda que realçar as portas também algo inéditas que os Hot Chip abrem rumo ao trip-hop em Need You Now, uma canção que nos mantém debaixo da bola de espelhos, mas que marca pela melancolia discreta e por um charme maduro e inteligente que se repete, no tema final do alinhamento, mas noutro registo sonoro. Falo de uma cúpula incisiva entre rock e eletrónica, uma relação quente e assertiva que o tema homónimo transpira, encerrando deste modo sugestivo um alinhamento que nos convoca para uma verdadeira orgia entre sub-géneros da pop, que ao longo das dez canções vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena e substituindo-se entre si, estendidos numa almofada junto à piscina, enquanto saboreiam mais um copo e apreciam um final de tarde glamouroso. Espero que aprecies a sugestão...

Hot Chip - Huarache Lights

01. Huarache Lights
02. Love Is The Future
03. Cry For You
04. Started Right
05. White Wine And Fried Chicken
06. Dark Night
07. Easy To Get
08. Need You Now
09. So Much Further To Go
10. Why Make Sense?


autor stipe07 às 22:46
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Sábado, 23 de Maio de 2015

EELS – Royal Albert Hall

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Royal Albert Hall, uma ilustração sonora e visual viva que nos oferece de modo exemplar um magnífico concerto que a banda deu na mítica casa de espetáculos londrina que intitula o disco, a trinta de junho de 2014, nove anos depois da última passgem do grupo norte-americano por esse local. Este concerto foi o culminar de uma digressão que teve início pouco mais de um mês antes e que levou os Eels a tocarem em locais tão miticos como o Orpheum Theater em Los Angeles, o Vic Theater em Chicago, o Apollo em Nova Iorque ou o Concert Hall em Amsterdão, entre outros.

Com edição em formato CD duplo e DVD, Royal Albert Hall é um documento excelente para quem, com eu, sente necessidade de reforço periódico dos laços afetivos que unem o fã aos Eels. O conteúdo sonoro do trabalho e a própria filmagem do mesmo colocam-nos no centro do espetáculo e, principalmente, no âmago introspetivo de um Everett que gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo.

Com o concerto a revisitar alguns dos marcos fundamentais da carreria de uns Eels que usam um fato e uma gravata que vincam uma oposição clara a uma anterior digressão mais punk e eletrificada que tinha promovido o álbum Wonderful Glorious (2013) e, portanto, com um foco mais incisivo no fase mais recente onde a folk assume o protagonismo maior, há uma forte componente autobiográfica na postura da banda e de Mr. E, que se entrega genuinamente ao espetáculo e à audiência, com o respeito pelos suspiros, as palmas, os silêncios e as gargalhadas a ampliarem esse efeito, enquanto se ouve cantar sobre algumas mazelas que sempre atormentavam a vida pessoal de um músico, que aqui sai de novo de uma espécie de clausura emocional e introspetiva, para se libertar e mostrar, sem receio, a sua faceta mais rebelde e divertida, não havendo agora lugar para sentimentos obscuros e lamentações.

Com um belissimo alinhamento que respira todo o historial do grupo, um extraordinário sentido de humor onde não faltam alusões inteligentes aos Rolling Stones e aos Beatles e a fixação de Mr. E pelo orgão de tubos da sala, onde irá terminar a sua performance de modo exemplar e com versões bem escolhidas de clássicos como When You Wish Upon a Star (BSO O Pinóquio) ou Can’t Help Falling in Love With You, (Elvis Presley), Royal Albert Hall é mais uma demonstração cabal que Everett e companhia merecem elogios de um público maior do que aquele que os conhece e que produziram um compêndio de canções marcantes que deviam realmente tê-los levado mais além. Espero que aprecies a sugestão...

Eels - Royal Albert Hall

01. Where I’m At
02. When You Wish Upon A Star
03. The Morning
04. Parallels
05. Addressing The Royal Audience
06. Mansions Of Los Feliz
07. My Timing Is Off
08. A Line In The Dirt
09. Where I’m From
10. It’s A Motherfucker
11. Lockdown Hurricane
12. A Daisy Through Concrete
13. Introducing The Band
14. Grace Kelly Blues
15. Fresh Feeling
16. I Like Birds
17. My Beloved Monster
18. Gentlemen’s Choice
19. Mistakes Of My Youth / Wonderful, Glorious
20. Where I’m Going
21. I Like The Way This Is Going
22. Blinking Lights (For Me)
23. Last Stop, This Town
24. The Beginning
25. Can’t Help Falling In Love
26. Turn On Your Radio
27. Fly Swatter
28. The Sound Of Fear


autor stipe07 às 22:08
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