Sábado, 1 de Agosto de 2015

Wolf Alice – My Love Is Cool

Produzido por Mike Crossey e editado no passado mês de junho pela etiqueta Dirty Hit, My Love Is Cool é o trabalho de estreia dos Wolf Alice, um coletivo britânico oriundo de Londres e formado por Ellie Rowsell, Joel Amey, Joff Oddie e Theo Ellis, sendo considerado por alguma crítica como um dos tesouros sonoros mais bem guardados de Inglaterra e que se estreou em outubro de 2013 com o EP Blush.

Inspirado no grunge dos anos noventa e com uma frote toada shoegaze, My Love Is Cool é um daqueles discos que agradam imediatamente aos amantes do género, não só por causa da energia frenética e dos riffs abundantes, mas também devido à componente lírica particulamrnete depressiva e que das dificuldades das relações amorosas, passando pela busca do amor eterno e das verdadeiras amaizades, versa sobre os temas mais comuns deste cenário musical.

Se o espetro sonoro em que uma banda se movimenta pode dizer muito do conteúdo do seu cardápio, então, logo na estreia, estes Wolf Alice cumprem à risca esta regra que, neste caso concreto, homenageia uma década que deixou saudades a todos os amantes do indie rock alternativo, fazendo-o com um espírito renovado e com alguns arranjos de cariz mais contemporâneo, reestruturando um som vintage com novas abordagens e perspetivas.

Logo na soul de Turn to Dust contactamos com um ambiente emotivo muito peculiare intenso. Um pouco adiante, numa aobrdagem mais rugosa e visceral, em You're A Germ, o jogo de vozes, o baixo marcado e as distorções incandescentes da guitarra, conduzem-nos à mesma estética nostálgica, mas com todos os ingredientes do noise rock em estado puro. Fluffy, o tema que encerra o alinhamento de My love Is Cool, assenta nessa mesma diretriz, com emoção lírica e sentimental e potência sonora em constante diálogo e um pacote nostálgico a gerir todo o processo de composição.

Se canções do calibre de Silk ou Soapy Soaker ao terem os sintetizadores e a percussão eletrónica a liderar a toada, concedendo-lhes uma abordagem mais pop e, de certo modo, um pouco mais inovadora, ou se Bros procura consagrar a imponência das cordas, como catalisadores assertivos de uma ideia de epicidade que, como sabemos, muitas vezes só no norte da Europa se replica com sucesso, o que importa realmente reter de My Love Is Cool é o modo como o seu conteúdo exalta alguns dos melhores detalhes específicos de uma época que impressionou pelos ambientes de rara frescura e pureza sonora que nos ofereceu, fazendo-o através de um feliz encontro entre sonoridades que se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta uma dream pop com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feita, algumas vezes, com a substância e a riqueza estilística do rock mais ruidoso e encorpado, que exige, naturalmente, um ambiente eminentemente shoegaze. Espero que aprecies a sugestão...

Wolf Alice - My Love Is Cool

01. Turn To Dust
02. Bros
03. Your Loves Whore
04. Moaning Lisa Smile
05. You’re A Germ
06. Lisbon
07. Silk
08. Freazy
09. Giant Peach
10. Swallowtail
11. Soapy Water
12. Fluffy
13. The Wonderwhy (Hidden Track)


autor stipe07 às 22:19
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Sábado, 18 de Julho de 2015

Nugget - Watercolour EP

Oriundos de Londres e uma das mais recentes apostas da Lost In The Manor, formada por três músicos extremamente talentosos e virtuosos, os Nugget são Julien Baraness, um guitarrista e produtor canadiano natural de Toronto, Alex Lofoco, um baixista italiano e o baterista Jamie Murray. Juntos replicam uma fantástica fusão de indie rock com jazz, uma colagem genuína de estilos, proposta por um coletivo original e com qualidades técnicas ímpares, onde não faltam também abordagens diretas ao reggae, ao hip-hop e ao drum n'bass.

O EP de estreia dos Nugget chama-se Watercolour, viu a luz do dia a catorze de julho último e se as cinco canções do trabalho são interpretações sonoras do mundo que rodeia os Nugget, então Watercolour é uma verdadeira obra de arte sónica.

Cheese Meister, o primeiro avanço de Watercolour, são quatro minutos e meio de um jazz rock, ácido e pleno de funk, uma canção com um groove animado e divertido, mas o alinhamento deste EP tem outros momentos relevantes; A percussão precisa, a melodia astral e os samples de sons de Two's A Crowd, são um retrato sonoro vivo e preciso de um quotidiano urbano contemporâneo, à boleia de uma guitarra que divaga e plana sem restrições e depois, Nugget Jr oferece-nos um felino festim de cordas apontado às pistas de dança, enquanto que o funk e a rugosidade de BadBoy.0 impressionam pela mestria e pelo bom gosto.

Cheirando a Havana, Londres, Nashville ou Nova Orleães, Watercolour é um impressivo documento sonoro policromático, assinado por uns Nugget claramente experimentais e sequiosos por fazerem do jazz um género sonoro mais atrativo para as novas gerações de ouvintes que, geralmente, apreciam navegar por outros ambientes sonoros. Espero que aprecies a sugestão...

1) Nugget Jr

2) Fairfax Pickup

3) BadBoy.0

4) Cheese Meister

5) Two’s A Crowd

 


autor stipe07 às 21:22
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015

Amber Leaves - Heaven

Oriundos de Londres, os britânicos Amber Leaves são Chesney Jefferson, Sebastian Drayton, Jay Morrod, Jake Miliburn e Josh Pontin, um coletivo que me impressionou com Heaven, o primeiro de uma sequência de três temas que o coletivo pretende lançar este verão, à boleia da Lost In The Manor.

Acordes de guitarra com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Heaven, canção que conta com a participação especial vocal de Miele Passmore e que seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso. Estes Amber Leaves personificam num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um projeto com uma vitalidade imparável e que vale a pena escutar com dedicação. Confere...


autor stipe07 às 13:36
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Domingo, 12 de Julho de 2015

The Fleas - Telling Tales EP

Telling Tales é o novo EP dos The Fleas um quarteto britânico de Reading, formado por Piers, Bernadette, Mannie, Woody e Chris, que vive à sombra de uma sonoridade que gravita algures entre Pixies ou os The Kinks, mas também a piscar o olho à folk americana, levando-nos de regresso aos tempos aúreos do rock alternativo mais vibrante e luminoso.

Sonoramente animados e expansivos, como uma boa banda pop indie deve ser, os The Fleas percorrem estilos musicais tão variados como o rock progressivo e a folk, à boleia de cordas acústicas e eletrificadas, um andamento ritmado e frenético, sendo Telling Tales um EP recheado de intensidade e com a típica coutry-folk a ser a principal zona de conforto, como se percebe logo em Free.

Born To Run, o segundo tema do EP, inspirado no livro Born to Run: The Hidden Tribe, the Ultra-Runners, and the Greatest Race the World Has Never Seen da autoria de Christopher McDougall. muda um pouco a agulha para o baixo e a paercussão, em derterimento das cordas, mas mantém-se o frenesim ritmado e alegre de um quinteto inspirado no modo como se serve da música como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções! Finalmente, os arranjos das cordas de No More Tears, impregnam este EP com um sabor ainda mais americano, sendo este EP, para quem aprecia o género, verdadeiramente obrigatório. Confere...


autor stipe07 às 18:39
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2015

Escapists - Eat You Alive

Depois de Only Bodies, o registo de estreia, editado no verão do ano passado, os Escapists, um coletivo britânico oriundo de Londres e formado por Simon Glancy, Oli Court, Max Perryment e Andy Walsh, estão de regresso com Eat You Alive, composição que, segundo Chris Sharpe, da etiqueta Lost In The Manor, é o primeiro de uma sequência de três temas que poderão vir a dar origem a um novo EP, a lançar lá para o final do ano.

Apesar de os Escapists colocarem no seu grupo de influências nomes tão significativos como TV On The Radio, The National, The Shins, Modest Mouse ou Broken Social Scene, entre muitos outros, ao ter escutado este Eat You Alive ocorreu-me que um dos primeiros elogios que se pode fazer a estes Escapists é que parecem ser capazes de cimentar uma sonoridade muito própria e inédita, naturalmente abrangida pelo indie rock alternativo, feito de melodias épicas e luminosas, criadas com guitarras carregadas de efeito e distorção, um baixo vigoroso e uma percurssão potente. Confere...

 


autor stipe07 às 17:46
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2015

Everything Everything - Get to Heaven

Depois de Man Alive (2010) e Arc (2013), os britânicos Everything Everything de Jonathan Higgs, Jeremy Pritchard, Alex Robertshaw e Michael Spearman estão de regresso aos discos com Get To Heaven, um álbum que viu a luz do dia a quinze de junho e que foi produzido pelo consagrado Stuart Price (Kylie Minogue, The Killers e Scissor Sisters), sendo o curioso artwork da autoria do ilustrador neozelandês Andrew Archer e que pretende sintetizar a temática de um disco que se debruça sobre o modo como a política e a religião nos consomem nos dias de hoje e como, de algum modo, agridem a nossa essência se nos deixarmos seduzir por estes estímulos exteriores de modo exacerbado e inconsciente.

Piscando o olho a um vasto leque de influências que vão da dream pop ao rock progressivo, passando pela eletrónica, o R&B e o indie rock contemporâneo, os Everything Everything chegam ao terceiro disco depois de um refinado e cuidadoso processo de corte e costura de todo o espetro musical que os seduz e que os sintetizadores e os efeitos inebriantes da guitarra de To The Blade desde logo anunciam. Depois, o indie rock de Regret, feito com uma percussão vincada, um baixo pleno de groove, uma guitarra particularmente melódica e um registo vocal em falsete exemplarmente replicado por Higgs, não foi uma escolha nada inocente para avanço no formato single de Get To Heaven, já que é uma canção marcante, cheia de personalidade e que antecipou um disco prometedor. Mas, antes desse tema, o piano de Distant Past e a postura vocal próxima do hip-hop, além de elevarem o clima festivo do disco, logo no início, para um patamar elevado de agitação e euforia, acaba por nos convidar à interação com o seu conteúdo, num trabalho que não deixa ninguém indiferente e que se percebe, desde logo, que não é para ser escutado como banda sonora casual, mas como escolha propositada para colorir um ambiente certamente empolgante e animado.

Com a voz dramática e estimulante de Higgs a ser, frequentemente, o sal que tempera devidamente a alma das canções que, como é o caso de Distant Past, escorrem sobre o modo como a evolução humana é hoje feita de extremismos, por um lado e um isolamento cada vez maior do indíviduo, enquanto pessoa cada vez mais fria e mecanizada, nesta aldeia global, Get to Heaven vive bastante desta aparente contradição entre a seriedade lírica e a espontaneidade e luminosidade melódica. Agregando uma variedade interessante de instrumentos e arranjos curiosos e até, em alguns casos, investidos de um certo requinte, como é o caso das bongas e as palmas do tema homónimo, a batida minimal de Fortune 500, ou os divertidos sintetizadores de Hapsburg Lippp, Get To Heaven merece relevo pelo modo como joga conosco com a sua paleta de cores fortes e psicadélicas, que entre a pop e a eletrónica, remexem em praticamente tudo o que se situa entre estes dois postes dando à banda uma identidade muito própria, já que se os Everything Everything são, realmente, uma banda parecida com tantas outras, talvez sejam poucas as que conseguem ser uma alternativa viável e sedutora para um espetro sonoro já tão explorado como aquele em que este quarteto britânico se move.

Disco divertido, indutor, frenético e provocante, Get to Heaven é um passo seguro e maduro dos Everything Everything rumo ao estrelato, um agregado interessante e improvável de análise psicológica e sociológica do estado atual do mundo, mas que pode sempre encontrar algum conforto e até, quem sabe, a esperada redenção e salvação nas pistas de dança espalhadas pelo mundo inteiro. Talvez possa ser a música o elemento conciliador e libertador das civilizações e os Everything Everything parecem querer voluntariar-se para levar a cabo essa cruzada inolvidável. Espero que aprecies a sugestão...

Everything Everything - Get To Heaven

CD 1
01. To The Blade
02. Distant Past
03. Get To Heaven
04. Regret
05. Spring / Sun / Winter / Dread
06. The Wheel (Is Turning Now)
07. Fortune 500
08. Blast Doors
09. Zero Pharaoh
10. No Reptiles
11. Warm Healer

CD 2
01. We Sleep In Pairs
02. Hapsburg Lippp
03. President Heartbeat
04. Brainchild
05. Yuppie Supper
06. Only As Good As My God


autor stipe07 às 14:17
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Segunda-feira, 6 de Julho de 2015

Kubalove - Trouble

Algures entre os Goldfrapp e os M83 situam-se os Kubalove um projeto de eletropop sedeado em Londres e que faz já parte do cardápio da Lost In The Manor.

O pop funk sintetizado melódico e com um forte apelo às pistas de dança de Trouble, uma canção que se debruça sobre a pressão e o desejo que muitos de nós sentem relativamente aos impulsos imediatos que a sociedade contemporânea nos oferece constantemente é a proposta sonora mais recente deste projeto liderado por uma cantora que a coberto da sua sensualidade nos inebria com particular mestria. Confere...


autor stipe07 às 14:40
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

Gengahr – A Dream Outside

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr são Felix, Danny, John, e Hugh e causaram sensação no meio alternativo local quando em outubro último divulgaram Powder, por intermédio da Transgressive Records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias.

Alguns meses depois, os Gengahr desvendaram mais um belíssimo segredo intitulado She's A Witch, através da mesma Transgressive, uma peça musical magistral, assente numa pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como o falsete da voz de Felix se entrelaçava com a melodia nessa canção, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilavam orgulhosas e altivas, mais parecia uma parada de cor, festa e alegria, onde todos os intervenientes comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem um agregado de sons no formato canção. E esse é, em suma, o travo geral de A Dream Outside, um titulo feliz e apropriado para a estreia de um quarteto que escreve e canta sobre bruxas, fantasmas e criaturas marinhas que povoam o nosso imaginário na forma de criaturas horripilantes e desprezíveis, mas que retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto, numa ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante.

A música dos Gengahr tem esse poder de nos descolar da realidade, oferecendo-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro de onze canções fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que, de certo modo, nos ajuda a resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. À boleia de guitarras plenas de reverb, falsetes sedutores e uma percussão animada e luminosa, canções frenéticas como Embers ou Heroine, outras mais contemplativas como Bathed In Light e Dark Star e ainda outras com abordagens certeiras a um clima pop mais comercial, nos dois temas acima descritos, She's a Witch e Powder, A Dream Outside foi incubado com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita para demonstrar uma formatação já adulta nestes Gengahr, assertivos no modo como reinventaram, reformularam ou simplesmente replicaram o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que se inserem e que fazem da simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, o seu cavalo de batalha, recortando, picotando e colando o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - A Dream Outside

01. Dizzy Ghosts
02. She’s A Witch
03. Heroine
04. Bathed In Light
05. Where I Lie
06. Dark Star
07. Embers
08. Powder
09. Fill My Gums With Blood
10. Loney As A Shark
11. Trampoline


autor stipe07 às 22:43
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

Kid Wave – Wonderlust

Harry Deacon Lea Emmery Serra Petale Mattias Bhatt são os Kid Wave, uma banda feita de musicos suecos mas oriunda de Londres e que se estreou recentemente nos discos com Wonderlust, um trabalho que viu a luz do dia um de junho, através da Heavenly Recordings.

Escuta-se Wonderlust e não se adivinha que estas onze canções foram gravados no auge dos rigores do mais recente inverno londrino, tal é a luminosidade e a cor com que exploram alguns dos melhores detalhes da dream pop, do shoegaze e do rock alternativo dos anos noventa. Quer a distorção das guitarras e o ritmo frenético, quer a toada épica e vibrante de All I Want, são apenas dois exemplos de rumos e ritmos diferentes explorados em Wonderlust, mas que convergem para a mesma espiral de grandiosidade e vibração que conduz toda obra.

Em Honey, com a percussão e os arranjos metálicos a explorarem vertentes mais progressivas, de mãos dadas com uma distorção de guitarra magnânima, os Kid Wave condensam, com enorme mestria, a sua receita sonora e, quer nesse tema, quer em Best Friend, servem-se da melancolia para ampliarem a expressividade que colocam nas suas letras, que exprimem, geralmente, as típicas dores e dilemas do início da vida adulta. Desse modo familiar de escrever e cantar sobre assuntos que nos são caros já que tocam em alguns dos nossos dilemas existenciais, os Kid Wave conseguem captar definitivamente toda a nossa atenção, enquanto sonoramente explodem, quase sempre, em elevadas doses de distorção. Mesmo quando em Walk On Fire, o quarteto avança por territórios mais contemplativos e etéreos, não abranda na firmeza e na profundidade do sentimento que a sua música transporta, balizando firmemente a abrangência da sua orientação sonora. Esta roça quase sempre a genialidade a nível instrumental, seja qual for o poder e a robustez dos timbres da guitarra e a ênfase dada aos vários arranjos, lindíssimos na mais folk Freeride; Escuta-se o fuzz experimental, sombrio e progressivo de Baby Tiger e o arranque rugoso e explosivo de Gloom, que se repete no refrão e depois o andamento açucarado da guitarra desta última e, quer num caso quer noutro, é plena a sensação de controle, inclusive quando a própria temática das canções até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma superior raiva ou descontrole emocional.

Há algo de profundamente nostálgico e acolhedor no som destes Kid Wave, principalmente para quem, como eu, cresceu escutando a par e passo e com particular devoção, o desenvolvimento do indie rock alternativo na última década do século passado. De certo modo, o que eles propôem em Wonderlust é um verão que dura o ano inteiro e, se for necessário, estão dispostos a funcionar na nossa mente como um verdadeiro psicoativo sentimental, guiado pela nostalgia e pelas emoções que pretendem transmitir, de modo algo subtil e surpreendentemente apelativo, oferecendo-nos um certo transe libidinoso num disco de rock que tanto pode ser escutado nos jardins de infância após o almoço, como além das paredes do nosso refúgio mais secreto, com a mesma exuberância e dedicação. Espero que aprecies a sugestão...

Kid Wave - Wonderlust

01. Wonderlust
02. Gloom
03. Honey
04. Best Friend
05. Walk On Fire
06. Baby Tiger
07. All I Want
08. Sway
09. Freeride
10. I’m Trying To Break Your Heart
11. Dreaming On


autor stipe07 às 15:48
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Domingo, 14 de Junho de 2015

Barbarossa – Imager

Oriundo de Londres, o britânico James Mathé assina a sua música como Barbarossa e editou a onze de maio, através da Memphis industries, Imager, o terceiro disco de um músico com uma carreira já interessante no domínio da pop que coloca a eletrónica na linha da frente do processo de criação sonora, sempre tingida com melancolia e um humanismo particularmente sedutor.

Nestas dez canções, este músico e também reputado produtor que colocou as mãos em trabalhos dos Metronomy ou dos Summer Camp, oferece-nos uma visão relaxante e intimista do modo como vê a eletrónica de cariz mais ambiental, num trabalho que firma, definitivamente, um posicionamento do mesmo num campo sonoro mais sintético, ele que começou por chamr a atenção da crítica pelas baladas folk que criou no início da carreira e que fizeram com que fosse comparado a nomes tão fundamentais como Jose Gonzalez que, curiosamente, ou talvez não, participa em Home, o single já retirado de Imager. Há alguns anos atrás, Barbarossa, como intérprete folk, chegou a abrir alguns dos concertos do músico sueco que agora oferece a sua voz a esta canção.

Se o tema homónimo do disco mostra-nos, claramente, o novo arquétipo sonoro de Barbarossa, através de uma abordagem algo inclinada para as pistas de dança, com um claro piscar de olhos a uma faceta mais techno, a tal Home, tranquila e redentora, coloca todas as fichas numa visão mais emotiva e contemplativa, com o efeito do teclado a convidar-nos a conferir um hino eletrónico elegíaco, com um imediatismo simples, mas pungente.

À medida que o alinhamento de Imager avança, pressente-se um certo sentimento de inquietude, que o registo vocal de Solid Soul ou o sintetizador inebriante de Settle, uma canção que se debruça sobre a solidão que quem vive numa grande cidade frequentemente sente, não disfarçam, como se houvesse um fluxo emocional que conduz as canções que nos oferecem momentos redentores com o intuíto de agitar primeiro e confortar depois, o âmago da nossa alma. O refrão de Silent Island é, talvez, o melhor exemplo desta melancolia que quer descobrir o equilibrio perfeito entre hinos de dança contidos e uma intimidade orgânica singular, uma refrega intensa que coloca em campo de batalha aberto e sem reservas emoção e racionalidade.

Imager é Barbarossa a sair da sombra e a colocar um passo firme debaixo das luzes da ribalta à boleia de um talento para a composição e produção musical inato, que parece ter perdido a timidez e que exige ser reconhecido enquanto membro de pleno direito, do clube dos principais arquitetos da eletrónica contemporânea de terras de Sua Majestade. Neste álbum o autor oferece-nos, com a sua escrita intensa, mas direta e incisiva, algumas respostas que são incontornáveis tendo em conta o cariz afetivo e reflexivo das melodias a que dá vida.  Enquanto se escuta Dark Hopes e se acompanha com atençaõ o poema inspirador que abraça a melodia, percebemos o imenso fôlego libertador e esotérico que Imager transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Barbarossa - Imager

01. Imager
02. Home
03. Solid Soul
04. Settle
05. Nevada
06. Dark Hopes
07. Silent Island
08. Muted
09. Human Feel
10. The Wall


autor stipe07 às 21:25
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