Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

Still Corners – Dead Blue

Donos de uma pop leve e sonhadora, íntima da natureza etérea e onde os sintetizadores são reis, mas as guitarras eléctricas e acústicas também marcam forte presença, os londrinos Still Corners de Greg Hughes e Tessa Murray, estão de regresso com Dead Blue, o sucessor do excelente Strange Pleasures (2013) e que já tinha sido de algum modo antecipado no final do ano passado com o lançamento de Horses At Night, um tema que a dupla divulgou, produzido e misturado pelo próprio Greg Hughes.

Resultado de imagem para still corners band 2016

Lançado com o alto patrocínio da Wrecking Light Records, Dead Blue pisca o olho a alguns dos mais relevantes aspetos herdados da eletrónica dos anos oitenta, com uma forte aposta no romantismo, um sentimento muito marcado nos sintetizadores acolhedores que controlam desde logo Lost Boys, o tema inicial. A própria temática lírica desta canção obedece a essa permissa e depois, canções do calibre da vigorosa Currents, da sombria Down With Heaven And Hell e da encorajadora Downtown, apontando timidamente para ambientes dançantes, com uma estética final global algo etérea e intemporal, acabam, por definir todo o conteúdo de um álbum onde também se aprecia algumas porções eletrónicas mais excêntricas, nomeadamente na bateria sintetizada e nos efeitos dos teclados de Crooked Fingers, o que torna a audição de Dead Blue um exercício ainda mais complexo e recompensador para o ouvinte.

Dead Blue surpreende, até porque também experimenta, fazendo-o sem romper com uma declarada aproximação à música pop, o que transforma cada uma das canções do disco numa fusão feliz entre reflexão e introspeção, por um lado e letargia e prazer, por outro. Espero que parecies a sugestão...

Still Corners - Dead Blue

01. Lost Boys
02. Currents
03. Bad Country
04. Crooked Fingers
05. Skimming
06. Down With Heaven And Hell
07. Downtown
08. The Fixer
09. Dreamhorse
10. Night Walk
11. River’s Edge


autor stipe07 às 21:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016

Everything Everything – I Believe It Now

Everything Everything - I Believe It Now

Em estúdio a gravar o sucessor de Get To Heaven (2015), os britânicos Everything Everything de Jonathan Higgs, Jeremy Pritchard, Alex Robertshaw e Michael Spearman estão de regresso aos lançamentos com I Believe It Now, um single encomendado pelo canal desportivo BT Sport e que não se sabe se fará parte do alinhamento do quarto disco do quarteto, ainda sem data de lançamento prevista.

Piscando o olho, ao longo da carreira, a um vasto leque de influências que vão da dream pop ao rock progressivo, passando pela eletrónica, o R&B e o indie rock contemporâneo, os Everything Everything oferecem-nos nesta I Believe It Now um tratado de indie rock, feito com uma percussão vincada, um baixo pleno de groove, uma guitarra particularmente melódica e um registo vocal em falsete exemplarmente replicado por Higgs. Confere...


autor stipe07 às 16:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

White Lies – Take It Out On Me

White Lies - Take It Out On Me

Tema que, de acordo com o baixista Charles Cave, é inspirado em comentários com trechos bíblicos colocados por um indivíduo no instagram, Take It Out On Me é o primeiro avanço divulgado pelos britânicos White Lies para Friends, o novo registo de originais do trio, que irá ver a luz do dia a sete de outubro.

Além de Charles Cave, fazem parte dos White Lies Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown e esta nova canção é o primeiro sinal de vida deste grupo inglês de rock alternativo desde 2013, quando apresentaram Big TV, um álbum conceptual que, através de um suposto ecrã mágico, teorizava sobre a nova vida de um casal que se mudava para uma grande cidade. Ess trabalho sucedeu a Ritual, álbum de 2011, tendo a estreia dos White Lies ocorrido em 2009 com o aclamado To Lose My Life.

Take It Out On Me impressiona pela exuberância melódica e por um vigor que traz diversos timbres de sintetizador que depois se entrelaçam com as guitarras e com uma bateria pulsante, antecipando um excelente disco que foi gravado no estúdio de Bryan Ferry, em Londres. Confere...


autor stipe07 às 14:10
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 22 de Junho de 2016

The Invisible – Patience

A dez de Junho último e à boleia da Ninja Tune chegou aos escaparates Patience, o terceiro registo de estúdio do trio londrino The Invisible de Dave Okumu, nove canções sustentadas numa eletrónica apurada, construídas em redor de sintetizadores inspiradas na luxuosa pop dos anos oitenta, como se percebe logo no clima melancólico e simultaneamente sedutor de So Well, tema que conta com a participação especial da cantora Jessie Ware e onde quer ela quer Okumu dialogam, teatralizando uma complexa e inebriante relação amorosa.

Os anos oitenta foram marcantes para a história da música contemporânea e serão sempre alvo de inspiração e revisão, principalmente por ter sido o período em que os sintetizadores foram definitivamente chamados para a linha da frente no processo de composição melódica, por parte de bandas e projetos que afirmaram a pop às massas e colocaram o rock num espetro mais alternativo. Essa pop polida dos anos oitenta, feita com sintetizadores carregados de efeitos e com um ar sempre solene, acaba por definir a essência e o dramatismo deste projeto, que nos propôe uma coleção de canções assentes em teclados com a esperada pompa e circunstância aveludada que enfeita as melodias que debitam.

Impecavelmente produzido, Patience arremessa para os nossos ouvidos toda uma herança luxuosa, com vários destaques, ao nivel instrumental, que importa realçar; Além da beleza do tema de abertura já descrito, não posso deixar de destacar o groove efusiante de Save You, canção que contém um forte apelo às pistas de dança e, na sequência, Best Of Me, tema como alguns elementos percurssivos curiosos, entrelaçados com um rugoso teclado, com a voz de Okumu, num registo grave, a mostrar todos os seus atributos e abrangência e um lado humano peculiar, que se mostra como um trunfo maior neste alinhamento. Esta é uma voz impregnada com sensações imponentes e redentoras, como se percebe em Memories, um dos melhores instantes de Patience, canção onde o efeito vocal em eco cristaliza e amplia um fabuloso baixo, que passeia uma dose incontida de egocentrismo, de braço dado com teclados épicos.

Vocalmente, a cereja no topo do bolo de Patience acaba por ser o lote de participações especiais, escolhidas com acerto e de modo a potenciar o ideário sonoro e estilístico pretendido para o álbum. Além de Jessie Ware no tema já referido, em Different, Rosie Lowe é uma peça essencial para dar vida e cor a um refrão marcante, numa canção que é uma ode declarada ao melhor R&B contemporâneo, conduzido por guitarras plenas de groove, cordas dinâmicas e uma percussão bastante festiva, onde não faltam efeitos metálicos e de palmas. Este tema é um monumento de sensualidade, pensado para dançar num ambiente quente e charmoso e, logo depois, em Love Me Again, esse efeito amplia-se numa canção onde é novamente o R&B a ditar as regras e que conta com Anna Calvi. Mais uma vez, a presença dessa voz feminina, neste caso bastante intensa e até algo ternurenta, acaba por ser um extraordinário complemento ao propósito acolhedor e intencional de um alinhamento que quer brincar com a subtileza e o mistério que envolve as relações, daquela maneira alegre, mas também profunda e exótica  que se espera delas, sempre com um bom gosto e uma intensidade sentimental únicas. Espero que aprecies a sugestão...

The Invisible - Patience

01. So Well
02. Save You
03. Best Of Me
04. Life’s Dancers
05. Different (Feat. Rosie Lowe)
06. Love Me Again (Feat. Anna Calvi)
07. Memories
08. Believe In Yourself
09. K Town Sunset (Feat. Connan Mockasin)


autor stipe07 às 22:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 26 de Maio de 2016

Clock Opera - In Memory

Clock Opera - In Memory

Está prestes a ver a luz do dia o novo registo discográfico dos britânicos Clock Opera de Guy Connelly e com essa nova coleção de canções, uma mão cheia de sintetizadores inebriantes, guitarras, linhas de baixo pulsantes e teclas que acompanham refrões sublimes. In Memory, o mais recente single divulgado desse novo registo, traz-nos esse rock intenso, com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções. Confere...


autor stipe07 às 22:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

Oscar – Cut And Paste

Oriundo de Londres, Oscar Scheller é Oscar, um dos nomes mais comentados no cenário indie pop britânico devido a Cut And Paste, o registo de estreia deste músico e compositor, editado no passado dia treze do corrente mês com a chancela da Wichita Recordings e com dez canções feitas para dançar, até à exaustão, no baile da esquina, regado com torneiras que nunca estão secas e onde os niveis de destilação corporal atingem o limite.

O rugoso punk rock de Sometimes, canção conduzida por um baixo musculado e uma guitarra inspirada, trespassada por efeitos estratosféricos, clarifica, desde logo, que Cut And Paste é um manifesto pop, senão para o mundo inteiro, pelo menos para os subúrbios de uma Londres sempre ávida de novidades e que muitas vezes coloca em determinadas bandas ou artistas expetativas que as mesmas depois, nem sempre conseguem acompanhar. Nele, quer seja abrigado pelo groove sedutor e cheio de pêlo na venta de Feel It Too ou pelo piscar de olhos a uma centelha punk em Daffodil Days, Oscar desafia as suas probabilidades, não se preocupa com aquilo que poderão esperar de si e apresenta a sua paleta sonora, que das raízes do rock britânico a alguns dos detalhes mais prementes da pop atual, conjuga sintetizadores, teclados e batidas, com guitarras, num aparente caos, que neste caso resulta plenamente, já que nos oferece um clima sonoro que abre os nossos ouvidos para algo inédito e que parece divertir imenso o autor. Mesmo quando Oscar arrisca por terrenos mais reflexivos, como sucede na redentora Good Things, ou na luminosa Beautiful Words, não existem motivos para duvidar da capacidade deste artista em utilizar a típica ironia britânica com elevada mestria, fazendo-o de modo assertivo e sem deturpar a essência de quem é feliz alimentando-se de riffs de guitarra vigorosos e da pujança de uma percussão que cresce à sombra de um punk dançante, permissas que clarificam um modus operandi diversificado, acessível e orelhudo.

Cut and Paste foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e cimenta num nível qualitativamente elevado o espetro sonoro e a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se tornar num referencial dos grandes autores que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. E aquela toada épica e grandiosa que esse indie local quase exige em determinados instantes, como se cada banda ou projeto tivessem que compor um hino glorioso à Rainha e ao Império para conquistar os corações mais inflamados do proletariado que tantas vezes gosta de se sentir orgulhosamente só, também está devidamente salvaguardado na vibe funk de Good Things. Espero que aprecies a sugestão..

Oscar - Cut And Paste

01. Sometimes
02. Be Good
03. Feel It Too
04. Good Things
05. Only Friend (Feat. Marika Hackman)
06. Breaking My Phone
07. Daffodil Days
08. Fifteen
09. Beautiful Words
10. Gone Forever


autor stipe07 às 21:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 8 de Maio de 2016

Astronauts - End Cods

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a essas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e tem já, finalmente, sucessor. End Cods é o título do novo registo de originais de Astronauts, onze fabulosas canções que viram a luz do dia a seis de maio último, também à boleia da Lo Recordings e que nos oferecem uma filosofia sonora muito própria, onde intensidade sentimental e sobriedade instrumental se juntam, para permitir que, ao longo da sua audição, nos possamos sentir profundamente tocados por uma nobreza única, que arrebata e salpica com suores quentes todos os poros do nosso ser.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir uma simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.

As cordas que conduzem a magnificiência melódica de Recondition e o clima intenso, implacável e imersivo de Civil Engineer, são uma solarenga porta entreaberta para este End Codes, que prossegue, penetrando pelos ouvidos e flutuando por todas as células do nosso corpo, encarnando uma simbiose única entre ouvinte e interlocutor, caso o primeiro tenha um coração limpo e aberto a deixar-se envolver por aquela causa maior que é o amor, o eixo principal da temática lírica destes temas abolutamente inebriantes.

A indulgente percussão que abraça uma rugosa melancolia em Dead Snare, os efeitos metálicos sibilantes, as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia e um registo vocal em falsete belissimamente acompanhado por coros envolventes, de You Can Turn It Off, canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre, reservada e contida na medida certa, mas inultrapassável no caudal de emoções que arrasta à sua passagem, são mais duas excelentes rampas de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta e dois pilares na sensação qusse carnal de que este disco é, claramente, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

End Codes é já um marco discográfico neste ano, concebido, idealizado e suspirado por um músico que merece, com inatacável evidência, que a pureza e altivez de sentimentos que reflete nas suas canções, tão doce e meiga na despedida que todos experimentamos uma vez na vida e que recordamos sem esforço em When It's Gone, sejam absorvidos, contemplados e experimentados fisicamente pelo maior número possível de ouvintes.

Dan Carney é um mestre da introspeção que todos precisamos de fazer periodicamente, aquela que resulta porque vai direita ao âmago, de punhos cerrados, com garra e fibra, sem falsos atalhos e cansativos clichês. Além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, Astronauts fá-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - End Codes

01. Recondition
02. Civil Engineer
03. Dead Snare
04. You Can Turn It Off
05. A Break In The Code, A Cork In The Stream
06. When It’s Gone
07. Split Screen
08. Hider
09. Breakout
10. Newest Line
11. Skeleton


autor stipe07 às 14:23
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 9 de Abril de 2016

Teleman – Brilliant Sanity

Nascidos das cinzas dos Pete & The Pirates, um quinteto de Reading que editou dois excelentes discos no final da década passada, os britânicos Teleman são o vocalista Tommy Sanders, o seu irmão Johnny (teclados), o baixista Peter Cattermoul e o baterista Hiro Amamiya. Depois de Breakfast, o fantástico disco de estreia desta banda que é já um dos grandes destaques do catálogo da insuspeita Moshi Moshi Records, o quarteto está de regresso com Brilliant Sanity, onze excelentes canções, gravadas em Londres com método e enorme profissionalismo, segundo rezam as crónicas e produzidas por Dan Carey.

Da cândura de Glory Hallelujah à imponência de Canvas Shoe, os Teleman fazem, no segundo disco do seu cardápio, mais uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou neste álbum um novo alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

O baixo de Düsseldorf, o primeiro single divulgado do disco, merece, por si só, a audição deste álbum, com um punhado de outras notáveis canções, que mostram um notável recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e animada de paisagens instrumentais e líricas. Delas destaco também a delicadeza de Superglue e o charme único do tema homónimo, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível de canções como Fall In Time, ou Tangerine, composições que intercalam uma excelente interpretação vocal de Tommy Sanders com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, repleto de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas que conferem à toada geral de Brilliant Sanity um clima espectral.

Ao segundo registo, os Teleman oferecem-nos mais um disco que consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que caem muito bem neste início de primavera que teima em manter-se um pouco na penumbra. Espero que aprecies a sugestão...

Teleman - Brilliant Sanity

01. Düsseldorf
02. Fall In Time
03. Glory Hallelujah
04. Brilliant Sanity
05. Superglue
06. Canvas Shoe
07. Tangerine
08. English Architecture
09. Melrose
10. Drop Out
11. Devil In My Shoe


autor stipe07 às 15:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

Astronauts - You Can Turn It Off

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e tem já, finalmente, sucessor.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir uma simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica. Tal ficou recentemente muito bem plasmado em Civil Engineer, o primeiro avanço para End Codes, o tal novo disco de Astronauts, que irá ver a luz do dia a seis de maio e a receita repete-se, felizmente, em You Can Turn It Off, o segundo tema retirado de End Codes e que terá edição no final desta semana, em formato single, composição que tem como lado b uma singular mistura da autoria do aclamado projeto Grasscut.

Canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre e mais reservada e contida do que o single anterior, You Can Turn It Off é mais uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta, já que o metálico efeito sibilante constante, as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia, e um registo vocal em falsete belissimamente acompanhado por coros envolventes, fazem deste tema uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Adivinha-se pois mais um disco em que Dan Carney se entregará à introspeção e além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, irá fazê-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Confere...


autor stipe07 às 17:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 31 de Março de 2016

Inca Gold – Rewilder

Existe mais uma banda a merecer a maior atenção possível de quem aprecia escutar canções que contenham uma abrangência pop bastante atual, que da eletrónica ao rock progressivo, impressione pela forma subtil como, ao criar um ambiente muito próprio e único através da forma como se sustenta instrumentalmente, albergue diferentes géneros sonoros. Chamam-se Inca Gold, têm Londres como o seu poiso natural e Rewilder é o nome do disco de estreia, um trabalho disponível na plataforma bandcamp do grupo, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente.

Sendo, na sua essência, um álbum mutante, pelo modo como abarca um leque alargado de estilos, Rewilder cria um universo que até parece algo obscuro, mas essa é uma percepção que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Logo no início, os sintetizadores e o falsete impecável de Desert Rats, assim como o groove do baixo e da bateria e os efeitos radiososos e a melodia intensa, abrem-nos portas para um alinhamento de canções que não deixa ninguém indiferente. Logo de seguida, o ritmo e os efeitos da pulsante Dark Skies firmam a primeira impressão positiva e consubstanciam uma verdadeira entrada a matar num registo de forte pendor hipnótico, ora catártico devido à batida, ora em busca de uma psicadelia que, muitas vezes, só um baixo picado a lançar-se sobre o avanço infatigável de todo o corpo eletrónico que sustenta as canções e que também usa a voz como camada sonora, consegue proporcionar.

A partir daí, no groove sedutor da tonalidade étnica de Hollow Shade e Pillars e na linha rugosa mas surpreendentemente delicada da guitarra que conduz Flutar, assim como no experimentalismo algo jazzístico de Ascend, canção que nos arrasta para um oasis de melancolia fortemente contemplativo e sugestivo e no curioso torpor rítmico e solarengo da frenética e exuberante Hologram, assistimos, consumidos e absortos, a uma verdadeira revisão histórica da pop dos últimos vinte anos, uma revisão eufórica que, no geral, está envolvida por um toque de lustro livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor.

Rewilder é um compêndio de canções que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Baseado no indie rock, mas misturado com tiques da eletrónica, hip hop, dubstep e reggae e o que mais apetecer a quem agora se dedica a esta mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores, acaba por ser um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Inca Gold - Rewilder

01. Desert Rats
02. Dark Skies
03. Hollow Shade
04. Flutar
05. Pillars
06. Ascend
07. Hologram
08. Energise
09. Farewell


autor stipe07 às 22:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Dezembro 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30
31


posts recentes

Still Corners – Dead Blue

Everything Everything – I...

White Lies – Take It Out ...

The Invisible – Patience

Clock Opera - In Memory

Oscar – Cut And Paste

Astronauts - End Cods

Teleman – Brilliant Sanit...

Astronauts - You Can Turn...

Inca Gold – Rewilder

Is Tropical – Black Anyth...

Youthless - This Glorious...

Storm The Palace - La Lid...

Is Tropical – Black Anyth...

Suede – Night Thoughts

Mangoseed - Lucy

The Drink - Capital

Bloc Party – Hymns

Zaflon - 7 Stalkers (feat...

Savages - Adore Life

X-Files

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds