Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

My Sad Captains - Best Of Times

Os My Sad Captains são uma banda de rock alternativo natural de Londres, cujo nome foi inspirado por um poema do escritor Thom Gunn. Os membros da banda são Ed Wallis, Jim Wallis, Nick Goss e Dan Davis e lançaram em 2009 Here & Elsewhere, o álbum de estreia. A sete de novembro de 2011, chegou ao mercado Fight Less, Win More, um álbum extraordinário e que divulguei na altura, produzido por Larry Crane, um nome que já trabalhou com Elliot Smith, Cat Power e Stephen Malkmus, entre outros. Esse disco foi lançado através da reputada etiqueta Stolen Recordings. Agora, pouco mais de dois anos depois, chegou aos escaparates Best Of Times, o sucessor.

Logo a abrir, o primeiro tema do alinhamento do álbum, em vez de servir de despedida, é uma canção perfeita para nos introduzir neste disco, através de uma sonoridade simultaneamente enérgica e memorável, parecendo fortemente influenciada por bandas indie americanas, como os Yo La Tengo e os Red House Painters, com a caraterística mistura de detalhes e arranjos que resultaram numa melancolia inebriante, épica e grandiosa. Esse efeito que repete-se em All Times Into One e, com particular ênfase e delicadeza, em Extra Curricular, um belo murmúrio que nasce de um baixo irrepreensível e aventura-se no território do denominado krautrock, devido aos efeitos sintetizados borbulhantes e à batida industrial.

Apesar de algumas canções que sustentam o disco terem uma evidente luminosidade e um apurado sentido épico, há outros momentos mais introspetivos, mas igualmente belos, com especial destaque para o minimal dedilhar da viola na balada All In Your Mind e para a extensa Hardly There, uma canção que nos abraça com uma linha de viola simples, mas que se entranha sem grande esforço. arranjos sintetizados cheios de doçura e uma percussão  a canção In Time, uma das mais sombrias do disco, um tema que impressiona quer devido ao dominio efetivo de uma linha de baixo consistente e da guitarra que impõe uma melodia única e extremamente agradável, quer devido à letra, simultaneamente cândida e profunda.

Best Of Times é um disco que não nos dá tempo para recuperar o fôlego. E tal não sucede por ser demasiado frenético, mas porque são imensos os momentos que proporcionam prazer, conforto e admiração durante a sua escuta. É um disco para ser ouvido e contemplado, um trabalho onde há momentos animados e luminosos, mas também instantes de pausa, de sossego e melancolia, esta, muitas vezes, quase absurda. Tal sofreguidão deve-se, em suma, à consistência com que, música após música, somos confrontados e confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas. Espero que aprecies a sugestão...

My Sad Captains - Best Of Times01. Goodbye

02. Wide Open
03. In Time
04. All Times Into One
05. Extra Curricular
06. All In Your Mind
07. Hardly There
08. Keeping On, Keeping On
09. Familiar Ghosts


autor stipe07 às 18:20
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Terça-feira, 11 de Fevereiro de 2014

Woman's Hour - Her Ghost

Woman's Hour - "Her Ghost"

A banda londrina Woman’s Hour chamou a atenção da crítica especializada há cerca de um ano, graças a luminosidade pop de temas como Darkest Place e Thunder e a cover que criaram para Bleeding Love, um original de Leona Lewis. Recentemente assinaram pela conceituada editora indie Secretly Canadian, e o primeiro lançamento para a etiqueta é um single chamado Her Ghost, que faz justiça à habitual toada íntima e extremamente melódica e nostálgica dos Woman's Hour. A audição deste tema é muito recomendável, acreditem... Confere.


autor stipe07 às 10:44
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Domingo, 19 de Janeiro de 2014

My Sad Captains - Goodbye

Os My Sad Captains estão de regresso aos discos em março com Best Of Times, um trabalho que será editado pela Bella Union, a etiqueta que agora alberga esta banda londrina. Este é um regresso que saúdo já que os My Sad Captains me causaram uma excelente impressão em finais de 2011 com Fight Less, Win More, um trabalho na altura lançado pela também reputada etiqueta Stolen Recordings.

Goodbye é o tema de abertura de Best Of Times e uma excelente amostra para percebermos que os My Sad Captains mantêm a aposta em canções pop de recorte clássico, com forte apuro melódico e alguma propensão para a melancolia. Confere...


autor stipe07 às 23:47
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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

Primitive Parts - Open Heads

 

Primitive Parts - "Open Hands"

Membros dos Male Blonding, uma das melhores bandas de Punk noise britânicas que nasceram nos últimos anos, Kevin Hendrick e Robin Christian, resolveram deixar temporariamente o parceiro John Arthur Webb para se envolverem num novo projeto. Batizada de Primitive Parts e montada em parceria com Lindsay Corstorphine, do grupo punk Sauna Youth, esta nova banda é um pouco mais experimental do que os grupos de origem dos seus membros.

Open Heads é a primeira amostra concreta dos Primitive Parts, uma canção fortemente influenciada pelo rock alternativo dos anos oitenta, marcada pelas guitarras e pela bateria e por uma elevada vertente melódica.

Este singleSignals, o lado b, chegam ao mercado a dez de fevereiro por intermédio da Sexbeat. Irei ficar muito atento a este projeto. Confere...

Primitive Parts – Open Heads


autor stipe07 às 12:57
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Terça-feira, 24 de Dezembro de 2013

The Battles Of Winter - Where Did You Get Those Fireworks

Os britânicos The Battles Of Winter são Alistair Gale (voz, guitarra), Lucas Manley (guitarra, efeitos), Graeme Dinning (baixo) e Martin Good (bateria), uma banda natural de Londres que se prepara para a estreia nos discos. Standing at the Floodgates é o nome do primeiro álbum deste quarteto, um trabalho que verá a luz do dia no início de outubro por intermédio da Ruby Music e Where Did You Get Those Fireworks o primeiro avanço já conhecido da rodela, uma canção disponível gratuitamente.

Algures entre os Interpol, os The National e Echo And The Bunnymen, esta é mais uma banda que aposta num indie punk rock simultaneamente sombrio e nostálgico, ambicioso e épico, com melodias fortes e um forte predomínio do baixo e da guitarra. Confere...

 


autor stipe07 às 16:45
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Quinta-feira, 28 de Novembro de 2013

The Wave Pictures - City Forgiveness

O trio londrino The Wave Pictures formado por David Tattersall, Franic Rozycki e Johnny 'Huddersfield' Helm, lançou no passado dia vinte e um de outubro City Forgiveness, o sucessor de Long Black Cars, álbum editado em abril de 2012 e que na altura divulguei. City Forgiveness foi editado pela Moshi Moshi Records e os The Wave Pictures estrearam-se nestas andanças em 2011 com Beer In The Breakers.

Em 2012 os The Wave Pictures andaram seis semanas, numa carrinha, em digressão pelos Estados Unidos, acompanhados pelos Allo Darlin'. City Frogiveness é o resultado dessas viagens, com canções escritas e compostas nesse período. Essa viagem terá sido verdadeiramente inspiradora já que este terceiro disco deste trio de Leicester é um duplo álbum, com um total de vinte canções, tocadas em cerca de hora e meia.

O cardápio sonoro que nos é apresentado desta vez pelos The Wave Pictures, assenta, acima de tudo, na mente criativa de Dave Tatterstall e na sua guitarra, o eixo orientador do processo melódico e rítmico de todas as canções deste álbum. Dave não é um portento técnico a tocar guitarra e qualquer leigo na matéria, como eu, percebe isso facilmente; Às vezes até opta por seguir demasiadas vezes pelo caminho mais simples e minimal no processo de criação melódica. No entanto, essa aparente ligeireza com que toca, acaba por dar um ar bastante animado e ligeiro às canções, o que faz com que o disco flua com enorme prazer.

Do blues sulista, típico da América, aos conterrâneos Beatles, de Nick Cave (All My Friends) a Paul Simon (Before This Day) e até de Van Halen a Jimmy Page, há uma intensa rede de influências que sobressai numa banda que não gosta muito de obedecer a convenções e que acima da perfeição procura colocar o seu talento tipicamente indie ao serviço do gozo que lhes dará criarem extensos solos de guitarra e tocarem em conjunto, com uma química bastante percetível, estas músicas tão animadas e luminosas. A longa The Yellow Roses é um excelente exemplo da facilidade com que os The Wave Pictures modelam canções que, pela sua duração poderiam ser aborrecidas, mas que, devido neste caso à toada blues que a sustenta, tornam-se em instantes de elevado prazer.

O disco terá nascido com processos eminentemente analógicos já que soa a algo que parece ter sido gravado num pequeno estúdio caseiro, com um ambiente bastante intimista; Este toque algo vintage acaba por conferir ao trabalho um certo charme algo indisfarçável. E ao longo das vinte canções Tattersall revela-se, mais uma vez, um brilhante escritor de canções, nas quais escreve imensas vezes na primeira pessoa e referindo-se certamente a ele próprio. Mas o que mais impressiona na sua escrita é a combinação recorrente entre a sinceridade e o sarcasmo (All of my friends are going to be strangers, all of my friends are going to get strange) e o detalhe com que pinta determinados cenários que quase conseguimos visualizar na perfeição. Há várias canções onde essa virtude fica plasmada, mas é em New Skin que ela melhor se revela (I am a whippet now, I am alarmingly thin. I was born on the head of a pin, but I think I just grew another layer of skin).

City Forgiveness é, no fundo, não só e apenas o relato de uma viagem pelo el dorado que fica no outro lado do atlântico, mas a materialização do desempenho apaixonado de um trio de músicos com uma sonoridade muito caseira e bastante intimista. O disco tem momentos muito interessantes e períodos em que até espanta a naturalidade com que tocam uma pop alegre, que poderá parecer um pouco antiquada e vintage, mas, como acontece hoje com a moda, está mais atual que nunca. Não há grandes floreados nem limites sonoros demasiado expostos, a sonoridade é direta, básica, descontraída e, pelo que percebi, o culto já está implementado na esfera alternativa mais atenta. E às vezes são os prazeres mais simples, aqueles que melhor nos recompensam. Agradeço publicamente à banda o exemplar físico que me enviaram e espero que aprecies a sugestão...

The Wave Pictures - City Forgiveness

CD 1
01. All My Friends
02. Before This Day
03. Chestnut
04. Better To Have Loved
05. Missoula
06. Lisbon
07. Red Cloud Road (Part 2)
08. The Woods
09. Whisky Bay
10. The Yellow Roses

CD 2
01. Tropic
02. The Inattentive Reader
03. Shell
04. The Ropes
05. Narrow Lane
06. Atlanta
07. New Skin
08. A Crack In The Plans
09. Golden Syrup
10. Like Smoke


autor stipe07 às 16:42
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Terça-feira, 26 de Novembro de 2013

Los Waves - Got A Feeling EP


Editado no passado dia onze de novembro, Got A Feeling é o novo EP dos Los Waves, uma dupla formada por José Tornada e Jorge da Fonseca e que tem dado nas vistas devido à sonoridade única e até algo inovadora, tendo em conta o panorama musical nacional. Começaram a carreira em Londres, em 2011, onde deram os primeiros concertos em salas icónicas como o Old Blue Last, Cargo e Camden Barfly e nesse mesmo ano, lançaram os primeiros EP’s, Golden Maps e How Do I Know, que deram logo que falar na imprensa, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. Rapidamente atravessaram o Oceano Atlântico para os EUA onde conseguiram colocar músicas em vários canais de televisão, nomeadamente a a MTV, FOX, AXN e CBS, com destaque para a participação em bandas sonoras de séries como Gossip Girl (com Strange Kind Of Love, umamúsica até hoje nunca editada), Jersey Shore (com a música Golden Maps) ou Mentes Criminosas (com a música Got A Feeling).

Apresentaram-se por cá em 2012 sob o nome League e rapidamente ganharam notoriedade, marcando presença em alguns festivais importantes no panorama nacional, como o EDP Paredes de Coura e o Milhões de Festa. Ainda em 2012, o EP Golden Maps é lançado em edição física no Japão pela Rimeout Recordings.

Los Waves é, sem dúvida, um projecto especial, o único do seu género no panorama nacional, com uma abordagem etérea, envolvente mas ao mesmo tempo fresca, pop, viciante e catalisadora. Vão beber influências à new wave, numa travessia Pop que funde a natureza, o psicadelismo, o tribalismo e uma sonoridade urbana e ambiciosa, resultante talvez de meses a viver num tenda em praias desertas e longas viagens pela América do Sul e pelo Oceano Índico.

Com apenas três canções no alinhamento, Got a Feeling, How do I Know e Two Wild Hearts, este trabalho tem a sonoridade eletrónica vintage de projetos hoje tão influentes como os Tame impala ou os MGMT, com a particularidade de serem canções envolvidas por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial.

A música dos Los Waves é tão festiva, melodiosa e solarenga que faz deste projeto, como já disse, algo único e distinto a nível nacional. Confere abaixo a entrevista que a banda concedeu ao blogue e espero que aprecies a sugestão... 

 

Os Los Waves começaram a carreira em 2011, em Londres e conseguiram editar, logo nesse ano, dois EPs que foram muito bem aceites pela crítica. Que importância teve para vocês abrir as hostilidades longe de Portugal? Acham que esse foi um factor decisivo para o sucesso?

E a passagem para o outro lado do atlântico, como aconteceu? Foi algo planeado, fruto de bons contactos, ou um resultado natural do vosso trabalho?

Um dia estávamos a andar de skate nas Caldas e um carro parou perto de nós e ficou a ver-nos. Era um rapaz canadiano que estava férias em Portugal . Depois percebemos que ele queria comprar erva, e acabou a andar de skate connosco e a sair connosco à noite durante uma semana. Gostou de nós e pagou-nos a viagem para o canadá para irmos ter com ele e fazer uma surf trip até Los Angeles, onde acabámos por ficar algum tempo.


A verdade é que as vossas primeiras canções conseguiram maior projeção na Inglaterra e nos Estados Unidos e só agora, com este EP, é que parece haver uma verdadeira aposta no nosso mercado, apesar de jáem 2012 terem aparecido por cá sob o nome League e com um excelente airplay e participação no cartaz de alguns festivais. Portugal é importante para o futuro da vossa carreira? Também vos agrada serem reconhecidos por cá devido à vossa música?

Sem dúvida, acho que é tao dificil ser reconhecido cá como lá fora, os contextos estéticos são diferentes, e ha muitas barreiras para vencer cá, para que consigamos chegar às pessoas. Mas ha sem duvida uma apoosta muito maior este ano, no ano passado ainda estavamos com um pé lá fora.


Em relação à vossa música, sou um grande apreciador do vosso estilo, desta indie pop luminosa e vibrante, com uma sonoridade urbana, cheia de instrumentos sintetizados e algo psicadélica. É este o género de música que mais apreciam?

Não, o que ouvimos e o que fazemos é muito diferente, ouvimos coisas de todos os géneros, raramente coisas tao vibrantes , mas por alguma razao na hora de criar , sai-nos assim!


Quais são as vossas expectativas para este EP? Querem que Got A Feeling vos leve até onde?

Já tivemos expectativas e possibilidades bastante altas quando estávamos a viver em Londres, e entendemos que mais vale nao ter nenhuma, normalmente as coisas boas que foram aparecendo vieram de onde menos se esperava e quando menos se esperava, mas era bom conseguir fazer o percurso contrário agora - sair para fora a partir de Portugal!


Adorei o artwork do EP. De quem é a autoria?

Encontrei este artwork num livro de ficçao científica, numa feira de velharias, chamou-me logo à atençao e nao consegui encontrar nada sobre ele na net, apenas algumas fotos da mesma capa.


Adorei o tema homónimo; E a banda, tem um tema preferido em Got A Feeling?

Sem dúvida também é a nossa preferida, foi um processo exaustivo conseguir chegar à sonoridade que queriamos, estamos contentes com isso.


Não sou um purista e acho que há imensos projectos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

Não.


O que vos move é apenas esta indie pop com influências da new wave e do psicadelismo ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Los Waves?

Gostávamos de explorar uma sonoridade mais existencial, talvez mais calma também, vamos tentar fazer um pouco isso no álbum mas sabemos que é uma ponta do iceberg e que está fundida com a estética geral, mas queremos sair um pouco da estética upbeat e entrar em terrenos mais “perigosos” !


Reza a lenda que viveram um tempo numa tenda em praias desertas e em longas viagens pela América do Sul e pelo Índico. Falem-nos um pouco dessa experiência e da importância que isso teve na vossa música…

Não é lenda é mesmo verdade, ajudou-nos muito a ecrever letras, escrever em viagem é muito mais produtivo e estás mais afastado das coisas e do teu mundinho, é mais facil ver as coisas de fora. Viajámos sozinhos e ganhamos muitas histórias para contar.


Como vai decorrer a promoção deste EP? Onde poderemos ver os Los Waves a tocar num futuro próximo?

Vamos estar no mexefest, no autocarro, nos dois dias, a tentar rebentar com tudo e dar prejuizo aos senhores da Carris!


autor stipe07 às 19:34
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Terça-feira, 19 de Novembro de 2013

Peggy Sue - Idle

Idle é o novo single dos Peggy Sue, um grupo formado por Katy Beth Young (Katy Klaw), Rosa Slade (Rosa Rex) e Olly Joyce (Olly, Olly, Olly) e que irá editar um novo registo de originais no início de 2014, por intermédio da Wichita Recordings e da Yep Roc Records. Choir Of Echoes será o terceiro disco desta banda londrina; Foi gravado nos lendários Rockfield Studios, no País de Gales, produzido por Jimmy Robertson e misturado por John Askew, em Portland, nos Estados Unidos.

Os Peggy Sue estrearam-se nos discos em 2010 com Fossils and Other Phantoms e, em 2011, editaram Acrobats, o segundo álbum. Com esses dois trabalhos firmaram uma sonoridade indie folk, que se destaca pelo cariz lo fi, misterioso e nostálgico. Idle impressiona pela forma como o tema cresce e progride, uma música disponível para download gratuitamente através da aplicação Dropify. Confere-o, assim como a tracklist de Choir of Echoes. Já agora, no sitio da NoiseTrade está disponível o download de outros quatro temas do grupo, além de Idle.

1. (Come Back Around)
2. Esme
3. Substitute
4. Figure of Eight
5. Always Going
6. Just the Night
7. How Heavy the Quiet that Grew Between your Mouth and Mine
8. Electric Light
9. Longest Day of the Year Blues
10. Idle
11. And Always Is
12. Two Shots
13. The Errors of your Ways

Peggy Sue Idle


autor stipe07 às 17:42
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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

Post Louis - Pharma

Naturais de Londres, os Post Louis são o casal Robbie Stern e Stephanie Davin, dois músicos que encontram inspiração na essência do som londrino dos anos oitenta, a base que sustenta o EP This Could Be A Bridge, que será editado a onze de dezembro próximo, via Inflated Records.

Pharma é o primeiro single da dupla retirado desse EP, uma canção que tanto nos remete para a herança do período Closer dos Joy Division, como para as mais recentes propostas de St. Vincent, uma canção que parece balançar entre um mesmo ambiente de controle e ruptura. Ao longo de dois minutos, o que inicialmente parece tratado com visível controle instrumental, assume, de seguida, um novo resultado, através de batidas volumosas e distorções típicas da estética imposta em Strange Mercy (2011). Pharma está disponível para download através da publicação Stereogum. Confere...


autor stipe07 às 12:34
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Domingo, 3 de Novembro de 2013

Hella Better Dancer - Sleep Talking

Os Hella Better Dancer são Tilly, Josh, Soph e Kari, uma nova banda de Londres com uma particular predileção por gravações caseiras e sons lo-fi, com os seus temas a ter uma sonoridade polida, mas igualmente vintage. O grupo impressiona pela forma como o seu som é produzido, como se a banda estivesse a tocar ao vivo e não em estúdio. Se a estas caraterísticas juntarmos a atração do grupo pelo post rock dos anos oitenta, então juntam-se os ingredientes certos para termos aqui mais um projeto a acompanhar com particular interesse.

Sleep, uma espécie de demo e Sleeptalking, o resultado final da mesma, são as duas últimas canções divulgadas e mostram uns Hella Better Dancer a replicar uma sonoridade típica do post rock de há pouco mais de vinte anos atrás, algures entre os Talk Talk e os Mazzy Star. No bandcamp do projeto encontras outras demos e gravações que o grupo criou desde 2010. Confere...


autor stipe07 às 16:41
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Sábado, 19 de Outubro de 2013

Fanfarlo - The Sea EP

Há cerca de três meses os Fanfarlo apresentaram um original intit.ulado Myth of Myself (A Ruse to Exploit Our Weaknesses), o primeiro suspiro da banda em dezoito meses, após Rooms Filled With Light, álbum que este grupo de Londres editou no início de 2012 e que divulguei na altura. Com essa música surgiu logo a especulação sobre um novo disco da banda liderada pelo carismático músico sueco Simon Balthazar e parece que essa hipótese confirma-se para a primeira metade de 2014. No entanto, a última novidade relativa aos Fanfarlo e que poderá ser mais uma antecipação desse novo registo de originais, é a chegada ao mercado discográfico, no passado dia catorze de outubro, do EP The Sea, que, de acordo com a banda na sua página do Facebook, é parte de um projeto maior.

fanfarlo.jpg

Pelos vistos este projeto maior será materializado na forma de um álbum, mas com um forte cariz conceptual, já que ultimamente surgiram notícias de que os Fanfarlo andam fascinados com a ficção-científica e que a utopia é uma espécie de inspiração atual no seio do grupo.

Quanto às quatro canções do EP The Sea, A Distance é o maior destaque, até porque é a única canção do EP que fará parte do tal próximo disco deste coletivo londrino; A canção é mais uma aposta na pop dos anos oitenta, feita com sintetizadores e guitarras vibrantes, cruzando-se com algumas influências mais atuais, algures entre Simple Minds e os Noah And the Whale, com os Midnight Juggernauts também ao barulho.

Depois vem o tema homónimo do EP, uma canção que fala da evolução do homem, que voltou ao mar, impulsionado pelo desejo instintivo e pela melancolia de eras mais tranquilas e simples, diz o press release do EP referindo-se à canção título. Ao início, A Sea parece uma canção de embalar, com uma introdução cheia de detalhes metálicos e sons sintetizados espaciais, mas depois a introdução de uma guitarra carregada de hipnotismo e psicadelia, numa melodia épica, dá uma interessante grandiosidade a uma canção que nunca parece sair de uma agradável zona de conforto.

The Wilderness, o terceiro tema do alinhamento do EP, é um instante pop cheio de movimento e cor e, no final, os Fanfarlo exacerbaram a sua vertente experimental em Witchy Tai To, uma cover de um original de Jim Pepper.

Em suma, a sonoridade deste EP é um interessante ponto de partida para o próximo disco dos Fanfarlo, um trabalho que deverá ser mais eletrónico e comtemplativo que os discos anteriores. Espero que aprecies a sugestão...

Fanfarlo - The Sea

01. A Distance
02. The Sea
03. The Wilderness
04. Witchy Tai To

mais


autor stipe07 às 21:48
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Sábado, 28 de Setembro de 2013

Hot Chip - Dark And Stormy


Editado pela Domino Records no passado dia vinte e dois de julho, Dark & Stormy é o tema mais recente dos Hot Chip e, por enquanto, a única novidade deste grupo britânico prevista para 2013. O álbum In Our Heads, o último longa duração do grupo lançado o ano passado, já tinha mostrado uma evolução ousada em termos de estilo, com a banda a viajar agora, com maior frequência, entre o indie rock e a eletrónica. A alusão a esse trabalho é importante na apresentação de Dark and Stormy porque este tema foi gravado no período em que os Hot Chip compuseram In Our Heads, pelo que a canção é uma sequência natural do conteúdo desse disco.

Dark And Stormy flui assente na tal fusão entre a eletrónica e outros detalhes menos sintéticos, mais típicos do rock. Acaba por ser uma canção com uma sonoridade que assenta bem a este projeto liderado por Joe Goddard, até porque também se serve de uma interessante multiplicidade de vozes e novos percursos instrumentais.

O lançamento do single contou com dois lados b e uma série de remisturas, incluindo nomes como Major Lazer, Sasha e Daphni. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Dark And Stormy
02. Jelly Babies
03. Doctor
04. Flutes (LP Version)
05. Flutes (Sasha Remix)
06. How Do You Do (Todd Terje Remix)
07. Night And Day (Daphni Remix)
08. Look At Where We Are (Major Lazer Remix)

01. Motion Sickness
02. How Do You Do
03. Don’t Deny Your Heart
04. Look At Where We Are
05. These Chains
06. Night And Day
07. Flutes
08. Now There Is Nothing
09. Ends Of The Earth
10. Let Me Be Him
11. Always Been Your Love


autor stipe07 às 22:40
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Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013

Whitley – Even The Stars Are A Mess

Oriundos de Melbourne, na Austrália e famosos por ver música sua utilizada em séries de televisão, filmes e jogos de computador, os Whitley são Lawrence Greenwood, Colin Leadbetter, Esther Holt, Christopher Marlow Bolton e Tom Milek, mas é Lawrence, músico entretanto radicado em Londres, o grande mentor e figura principal deste projeto. Even The Stars Are A Mess é o terceiro trabalho dos Whitley, sucede a The Submarine (2007) e Go Forth, Find Mammoth (2010) e foi editado por intermédio da Dew Process, em parceria com a Universal Records.

Os Whitley cruzam algumas das melhores características da folk com a chillwave e isso, por si só, é um facto de relevo, já que são poucos os projectos musicais que misturam estas duas tendências. Acaba por ser comum ouvir o dedilhar de uma viola misturada com efeitos sintetizados, que criam melodias etéreas, com um firme propósito de nos fazer levitar de uma forma que só este Lawrence Greenwood e a sua doce voz sabem fazer.

It is not a mean world. It’s beautiful… Estes são os primeiros versos de Even The Stars Are A Mess e acabam por resumir o conteúdo do disco, praticamente antes do termos escutado. As guitarras e o ambiente sonoro que elas criam abrem-nos a porta para um mundo do qual já não consegues sair enquanto não se esgotarem os nove temas do trabalho e conferires o progresso e a maior maturidade que Lawrence demonstra neste seu novo álbum, o mais sombrio e elaborado da sua carreira, depois de uma ausência de quatro anos. A este crescimento do músico enquanto compositor e exímio transmissor do que de mais belo há nos nossos sentimentos não terá sido alheia a passagem por diferentes países (México, Inglaterra, Perú, Italia e Austrália) durante a mais recente fase da vida de Lawrence.

O single My Heart Is Not A Machine é um bom exemplo dessa expansão do habitual cardápio sonoro do músico, muito mais generoso com as cordas, mas também mais meticuloso e habilidoso na forma como aborda o teclado, algo também evidente no orgão de Roadside, que me remeteu para os Arcade Fire, principalmente pela forma como as teclas se entrelaçam com a melodia da guitarra. Toda esta maior capacidade de construir belíssimas melodias e de caracterizar com maior nitidez o universo sonoro onde Lawrence habita, atinge o auge em Final Words, uma canção onde a batida distante que parece sincronizar-se com o nosso batimento cardíaco e as cordas que se escutam de forma quase imperceptível, fazem desta composição talvez o melhor tema que Lawrence compôs até hoje. A própria aparente ambinguidade da letra faz-nos refletir e transmite uma estranha sensação de esperança (but I’m still hard on myself. But its not a dream, its just a dream, its not as it seems.)

Sendo a voz de Lawrence e o seu quase surreal talento para a escrita os maiores trunfos deste projetco, escutar o núcleo duro de Even The Stars Are A Mess, ou seja, a sequência de My Heart Is Not A Machine a OK, pode provocar efeitos corporais secundários visíveis, mas que têm apenas como última sequência potenciarem a nossa capacidade de nos sentirmos deslumbrados por alguns dos mais belos aspectos da natureza humana e das boas sensações que a música nos provoca. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Ballad Of Terence McKenna
02. TV
03. My Heart Is Not A Machine
04. Final Words
05. Roadside
06. OK
07. Alone Never Alone
08. Pride
09. I Am Not A Rock

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[mp3 320kbps] cz ul zs


autor stipe07 às 23:10
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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013

Splashh - Comfort

I need a long vacation, some place to clear my mind, canta Sasha Carlson, uma neozelandesa a residir em Londres, em Headspins, logo na abertura da canção que abre o alinhamento de Comfort, o álbum que divulgo hoje. E é a isso mesmo que sabe Comfort, a uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock que, pelos vistos, ainda se ouve por aí.

Os Splashh formaram-se o ano passado em Londres pela iniciativa da cantora e guitarrista Sasha e do guitarrista Toto Vivian, aos quais se juntaram o também neozalandês Jacob Moore na bateria e o baixista Thomas Beal. Começaram por partilhar alguns singles que divulguei oportunamente no blogue e que disponibilizaram gratuitamente no sitio da banda, depois surgiu o EP Vavation e agora, no passado dia três de junho, chegou finalmente o disco de estreia, este Comfort, por intermédio da Kanine Records.

A principal razão que justifica a minha interpretação incial de Comfort, como sendo um disco capaz de nos guiar até a um mundo paralelo, prende-se com o facto de os Splashh aliarem o tal grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros que os Pink Floyd tão bem reproduziram. Pode parecer um pouco ridícula esta equação ou termo de comparação, como lhe quiserem chamar, mas é como se algures os Nirvana e os Pink Floyd se tivessem juntado, sob supervisão direta dos Pixies e assim criado algo que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria britpop na mira. Os My Bloody Valentine também podem ser para aqui chamados, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama prova que os Splashh estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

A tal canção que abre o disco, Headspins, é precisa na forma como nos apresenta o som dos Splashh e o revivalismo do grunge. Se o baixo que abre a canção e as guitarras nos remetem para o período Silver dos Nirvana, não é nada descabido afirmar que melodicamente aproximam-se também do que nos apresentaram uns Elastica ou uns Sleeper nos primórdios da britpop, ainda na década de oitenta. De seguida, All I Wanna Do, o primeiro single retirado do álbum, transporta-nos até um ambiente mais direto e punk rock, assim como Need It, mas nos dois temas as guitarras dão o toque melódico e etéreo que permite às canções espreitar e ir um pouco além dessas zonas de influência sonora.

O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Vacation, uma canção inicialmente mais introspetiva e lo fi e onde os My Bloody Valentine se fazem sentir com maior intensidade, até que chega o potente refrão e leva logo a canção para um caldeirão sonoro onde também está So Young, uma canção direta e acelerada, cheia de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

Logo a seguir adorei o reverb algo tóxico da guitarra de Lemonade e o groove do baixo, que fazem desta canção uma das mais interessantes de Comfort e que nos remete para uma espécie de fuzz rock, que se mantém em Feels Like You, talvez o tema mais psicadélico e etéreo da rodela.

Comfort são pouco mais de trinta e três minutos de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Splashh são um nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

01. Headspins
02. All I Wanna Do
03. Need It
04. Vacation
05. So Young
06. Lemonade
07. Feels Like You
08. Green & Blue
09. Strange Fruit
10. Lost Your Cool


autor stipe07 às 22:43
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Domingo, 30 de Junho de 2013

TRAAMS - Ladders EP

Natural de Sussex, nos arredores de Londres, o trio TRAAMS, formado em 2011 por  Stu, Adam e Leigh, é a mais recente aposta da Fat Cat Records. Logo que se juntaram, no primeiro ensaio, parece que a química foi total já que poucas semanas depois estavam em estúdio com o reputado produtor Rory Attwell a gravar algumas canções e, mais recentemente, a servirem de banda de suporte à esgotada digressão britânica dos Fidlar, uma banda de garage rock, oriunda de Los Angeles, no outro lado do atlântico e aos Parquet Curts na sua atual digressão pelo Reino Unido.

Já em fevereiro deste ano regressaram às gravações, agora em Leeds, no estúdio de MJ, músico dos Hookworms, tendo daí resultado o EP Ladders, cujo conteúdo segue as influências declaradas deste grupo, que vão dos Pavement aos Television e às quais acrescento os Pixies ou os Radiohead. São canções rápidas, assentes num punk rock enérgico e feito com cruas e vorazes distorções e efeitos de guitarra e com uma bateria magnética e bastante marcada.

Além deste EP editado já em junho, os TRAAMS disponibilizaram em abril o tema Mexico, uma canção que despertou a atenção da crítica para os TRAAMS e disponível para download gratuito no soundcloud da editora. Espero que aprecies a sugestão... 

Low

Teeth

Sit Up

Jack

Ladders


autor stipe07 às 22:52
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Sexta-feira, 21 de Junho de 2013

These New Puritans – Field Of Reeds

Chegou no passado dia dez de junho aos escaparates Field Of Reeds, a nova obra prima dos britânicos These New Puritans, o terceiro disco desta banda londrina e que sucede ao aclamado Hidden, disco editado em 2010. Fragment Two é o primeiro single já retirado de Field Of Reeds, um disco que foi editado pela insuspeita etiqueta Infectious Music.

Um dos predicados deste coletivo britânico prende-se com a capacidade que tem em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico que apresenta. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos These New Puritans e desde que deram a conhecer Beat Pyramid (2008), um registo que se tornou numa referência do cenário alternativo local à época, encabeçado por bandas como os Foals, Klaxons e Late Of The Pier e depois Hidden em 2010, onde tudo foi alterado, agora Field Of Reeds, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda.

Field Of Reeds impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. O álbum prova que o grupo ao confrontar-se com a saída da habitual teclista, teve de voltar arregaçar as mangas e dedicar-se novamente à expansão do seu cardápio sonoro, algo que Jack Barnett, George Barnett e Thomas Hein sempre fizeram, mas nunca com uma dose tão arriscada de experimentalismo, feito de imensos detalhes e uma elevada subtileza.

Numa espécie de versão moderna dos Talk Talk, os These New Puritans servem-se do jazz, do art rock e da música ambiental e clássica para partirem à descoberta de texturas sonoras onde o piano, mesmo que timidamente em alguns temas, é sempre o principal fio condutor e o elo de ligação entre as nove canções do disco. Aliás, já que falamos de ligação entre canções, importa alertar o ouvinte que a audição de Field Of Reeds merece alguma dedicação e tempo já que as cançõess interagem umas com as outras, como se todo o disco fosse uma só imensa composição sonora homogénea, como se a abertura doce de The Way I Do se cruzasse com a herança do Kid A dos Radiohead em V (Island Song), até finalizar o disco com o envolvente tema homónimo.

Ao longo de Field Of Reeds abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Naturalmente corajoso, Field Of Reeds  acaba por ser uma espécie de antítese relativamente ao que Londres atualmente exporta, já que, só para citar os nomes mais relevantes, quem estiver à espera de uma possível relação entre a pop e as experimentações à exemplo do que o Foals conseguiu em Holy Fire, ou os Everything Everything com Arc, encontrará nas nove composições deste álbum algo muito mais complexo e até encantador. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Way I Do
02. Fragment Two
03. The Light In Your Name
04. V (Island Song)
05. Spiral
06. Organ Eternal
07. Nothing Else
08. Dream
09. Field Of Reeds


autor stipe07 às 21:39
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Quinta-feira, 6 de Junho de 2013

Still Corners – Strange Pleasures

Os londrinos Still Corners, liderados por Greg Hughes e Tessa Murray, estão de regresso aos discos com Strange Pleasures, um trabalho que sucede a Creatures Of An Hour, álbum editado em 2011 e que divulguei na altura. Strange Pleasures chegou às lojas via Sub Pop Records a seis de maio, mas já são conhecidos os singles Berlin Lovers e Fireflies.

Donos de uma pop leve e sonhadora, íntima da natureza etérea e onde os sintetizadores são reis e as guitarras eléctricas e acústicas começam timidamente a marcar presença, nomeadamente em Beginning to Blue ou na excelente We Killed the Moonlight, neste novo disco a voz de Tessa Murray conduz-nos pela mão, suavemente, ao longo das doze canções onde os anos oitenta são frequentemente evocados, não só devido à sonoridade e à cadência algo lenta mas que timidamente aponta para ambientes dançantes, mas também por causa da própria estética do álbum que, no seu todo, se assemelha a algo etéreo e intemporal. 

Essa cadência algo lenta mantém-nos constantemente presos ao disco, sendo irresistível aquela espera por uma aceleração que nem nós sabemos muito bem se queremos que ela realmente suceda. Durante a primeira metade das canções, traduzida a ambientação mística de The Trip e Beginning To Blue, uma espécie de continuação do que foi proposto na estreia, a banda afunda-se numa psicadelia amena bem como em resgates específicos da dream pop. Contudo, a partir de Fireflies o rumo altera-se um pouco e algumas porções eletrónicas mais excêntricas começam a tomar conta das canções, tornando-se a audição de Strange Pleasures um exercício ainda mais complexo e recompensador para o ouvinte.

Berlin Lovers, um dos tais singles já retirado de Strange Pleasures, é o meu maior destaque do álbum, mais um exemplar de todas as transformações que identificam a nova fase dos Still Corners. Com uma forte aposta no romantismo, um sentimento muito marcado nos sintetizadores acolhedores que controlam a canção, ela foi alvo de um vídeo dirigido por Christian Sorensen Hansen, que relata uma história de amor que mais parece um filme da década de oitenta. Filmado numa pista de patinagem, o filme aposta na troca de olhares, toques e aproximações de um primeiro encontro, tudo dentro de um constante autocontrole e timidez. Enquanto o jovem casal troca confidências, os sintetizadores melódicos e a voz de Tessa Murray servem muito bem de referência para todo o conteúdo sonoro de Strange Pleasures.

Depois, até ao tema homónimo que finaliza este trabalho, fica sempre nítida a vontade do grupo em expandir e promover um som que ultrapasse a proposta da estreia e a julgar pela evolução do primeiro para o segundo álbum, talvez não seja surpreendente se num futuro a banda apresentar uma obra de verdadeiro peso e relevância e não apenas dentro do seu próprio universo sonoro.

Strange Pleasures experimenta sem romper com a aproximação à música pop, o que transforma cada uma das canções do disco numa manifestação exata do título da obra, um estranho prazer. Espero que parecies a sugestão...

01. The Trip
02. Beginning To Blue
03. I Can’t Sleep
04. All I Know
05. Fireflies
06. Berlin Lovers
07. Future Age

08. Going Back To Strange
09. Beatcity
10. Midnight Drive
11. We Killed The Moonlight
12. Strange Pleasures


autor stipe07 às 20:00
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Terça-feira, 4 de Junho de 2013

Is Tropical - I'm Leaving

Sucessor do EP Flags, lançado no início deste ano e editado no passado dia vinte de maio pela francesa Kitsuné, I'm Leaving é o último disco dos londrinos Is Tropical, um trio constituido por Simon Milner, Gary Barber e Dominic Apa e que se estreou em 2009, tendo na altura ficado famoso devido ao tema When O’ When. Em 2011 editaram o primeiro disco, chamado Native To, que se destacava pelo tema The Greeks, que foi contemplado com um vídeo também à altura famoso por incluir alguma violência e uma elevada dose de humor negro. I'm Leaving foi produzido por Luke Smith, um profissional que já trabalhou com os Depeche Mode e os Foals, entre outros.

Até à chegada de I'm Leaving e apesar de uma extensa digressão de promoção de Native To, os Is Tropical eram apenas reconhecidos devido ao tal vídeo de The Greeks, pelo que era evidente a dúvida em relação à capacidade deste trio em ser bem sucedido em relação ao estigma do sempre difícil segundo disco. O EP lançado em janeiro último acabou por deixar algumas pistas em relação ao conteúdo de I'm Leaving, se bem que por ter um cariz apenas instrumental, também serviu para lançar ainda mais dúvidas acerca do rumo que seria seguido na nova edição.

Os Is Tropical acabaram por optar por uma espécie de conservadorismo perfecionista dicotómico, já que I´m Leaving segue o rasto de Native To, procurando melhorar algumas lacunas que esse álbum continha e inaugura novas pistas e conteúdo sonoro, principalmente no que diz respeito à acessibilidade da sonoridade da banda em relação ao grande público. Assim, o conteúdo de I'm Leaving é, antes de mais, superiormente acessível, quer em termos de arranjos, quer em termos de melodias e mais fiável na garantia da expansão do número de fãs e admiradores do grupo.

A concretização desta permissa de maior acessibilidade e abertura para o som dos Is Tropical em I'm Leaving, é audível quando se percebe que aqueles instantes de desconforto lo fi da estreia foram agora renovados com arranjos mais luminosos e que clamam a todo o instante por uma explosão sonora, que acaba por suceder quando os sintetizadores, as batidas alimentadas pela eletrónica e as vocalizações robotizadas aceleram, sendo isso muito audível na primeira metade do disco, de Lover’s Cave até Cry. Estas cinco primeiras canções são o complemento do que foi iniciado na estreia e a partir de Sun Sun, sexta canção do álbum, surge o bloco mais orgânico de I'm Leaving e a sequência onde algumas nuances ainda não ouvidas nos Is Tropical ganham vida. Do refrão aditivo de Sun Sun, passando pela melancolia subtil de Video ou o clima crescente de All Night, cada instante da segunda metade do álbum opta pelo rigor na produção e pela transformação metódica dos vários sons que o grupo estreia, os quais denotam criatividade e capacidade em criar melodias capazes de fugir do óbvio.

Em suma, I'm Leaving tem boas canções, quase todas muito bem estruturadas e é claro o esforço, como já disse, em aproximar os Is Tropical de um universo pop mais acessível e direto. Mas, se a segunda metade de I'm Leaving prova que os Is Tropical conseguem ser mais abrangentes e ecléticos do que aquilo que demonstraram em 2011, a evidente discrepância desse bloco de canções com as cinco primeiras do alinhamento do disco, tornam muito viva uma ideia de conflito e de aparente indecisão, cabendo agora ao trio decidir se estas novas portas que abriram se tornarão num trunfo imparável ou no maior entrave ao seu amadurecimento e sucesso musical futuro. Espero que aprecies a sugestão...

1. Lover's Cave
2. Dancing Anymore
3. Lilith
4. Leave The Party
5. Cry
6. Sun Sun
7. Video
8. All Night
9. Toulouse
10. Yellow Teeth


autor stipe07 às 22:10
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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Public Service Broadcasting – Inform – Educate – Entertain

publicservicebroadcasting2

Fundados em Londres em 2009, os Public Service Broadcasting são a banda de J. Willgoose e Wrigglesworth, uma dupla com vários EPs, no cardápio dos quais se destacam War Room (2012)  e que acaba de lançar Inform – Educate – Entertain, o álbum de estreia, que chegou aos escaparates no passado dia seis de maio, por intermédio da Test Car Recordings. Inform-Educate-Entertain é já um dos trabalhos discográficos mais originais e peculiares de 2013, devido ao conceito único que alberga, o de cruzar narrações de filmes antigos de propaganda dos arquivos do BFI (British Film Institute) com música. A ideia, explicam, é ensinar lições do passado com música do futuro, sendo esta, desde a estreia, a imagem de marca dos Public Service Broadcasting.

O grande segredo de Inform – Educate – Entertain não é propriamente a sonoridade, ou seja, se fosse apenas um álbum instrumental, teria momentos extraordinários, mas nada que, por exemplo, os seus conterrâneos OMD no Genetic Engineering e no Dazzle Ships ou, na atualidade, com uma melhor qualidade de produção do som, os Spiritualized, os The Avalanches, ou até os British Sea Power, com uma pitada de Kraftwerk, já não tivessem proposto. No ítem melódico o que impressiona é ser apenas uma dupla a estar aos comandos de toda a miríade instrumental que é debitada ao longo do disco.

O grande segredo, ou melhor, o ovo de colombo, digamos assim, de Inform – Educate – Entertain é a voz que, nos onze temas, se materializa em samples e trechos das vozes que narraram antigos filmes britânicos de propaganda, nas décadas de trinta e quarenta. Assim, Inform – Educate – Entertain, será, de certeza, o único disco em 2013 a solicitar créditos à BBC por se servir de Marie Slocombe, uma secretaria desse canal de televisão que acidentalmente descobriu nos arquivos da estação alguns dos filmes usados no álbum e, principalmente, por usarem a voz de Thomas Woodrooffe, antigo tenente e comandante da Royal Navy, autor da obra Vantage at Sea: England's Emergence as An Oceanic Power e comentador nos Jogos Olímpicos de Berlim, que decorreram em 1936.

A peculiar e distinta receita de Inform – Educate – Entertain acaba por ser eficaz e logo no tema homónimo de abertura, quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras; As onze canções polidas do álbum assentam nos riffs de guitarra viscerais de Willgoose, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados para o krautrock. Há também lugar para a eletrónica retro de The Now Generation, vestígios de vocalizações hip-hop na inebriante Night Mail e um certo folk rock fornecido por um banjo que se destaca, por exemplo, em Theme From PSB e em ROYGBIV, com a particularidade de, nesta última, esse instrumento de cordas misturar-se com teclados atmosféricos e elementos típicos do disco sound. No entanto, a hipnótica, acelerada e pulsante Spitfire, Everest e a luminosa Signal 30 feita de um intenso rock progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques do disco, com Everest, por exemplo, a ser suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.

A audição de Inform – Educate – Entertain acaba por não ser apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco pop, mas uma experiência mais alargada, visual e sonora, já que o álbum poderia muito bem ser um documentário sobre um dos períodos mais difíceis da história de uma Inglaterra orgulhosa do seu passado, mas que ruma decidida para o futuro e que nunca foi tão posta à prova, interna e externamente, como em determinados períodos do século passado, revistos nestes filmes. Já agora, os próprios filmes já feitos dos singles retirados de Inform – Educate – Entertain, Spitfire (a bird that spits fire, a spitfire bird) e Everest, seguem esta fórmula porque se servem de excertos dos filmes antigos narrados durante a canção.

Com Inform – Educate – Entertain os Public Service Broadcasting tornam-se nos novos gurús do post rock experimental, através de um compêndio sonoro que nos leva numa jornada pelo passado e que cumpre com distinção a missão de cruzar história, música pop, educação e entretenimento. Espero que aprecies a sugestão...

01. Inform – Educate – Entertain
02. Spitfire
03. Theme from PSB
04. Signal 30
05. Night Mail
06. Qomolangma
07. ROYGBIV
08. The Now Generation
09. Lit Up
10. Everest
11. Late Night Final


autor stipe07 às 21:03
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Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Noah And The Whale – Heart Of Nowhere

Formados em 2006 e liderados por Charlie Fink, Os britânicos Noah And The Whale de  Charlie Fink, Tom Hobden, Urby Whale, Fred Abbott e Michael Petulla estão de regresso aos lançamentos discográficos com Heart Of Nowhere, o sucessor de Last Night On Earth, disco essencial na discografia desta banda londrina porque a catapultou definitivamente para o estrelato, apesar de, na minha opinião, a verdadeira obra prima do grupo ser The First Days Of Spring, álbum de 2009. Heart Of Nowhere viu a luz do dia a seis de maio por intermédio da Mercury e foi gravado nos West London's British Grove Studios, de Londres.

A sonoridade dos Noah And The Whale deambula entre uma forte linha de baixo, a luz do violino e as guitarras em desafio. A primeira boa notícia que se pode divulgar deste quarto disco da carreira do grupo é que o seu conteúdo sonoro relaciona-se mais com a tal obra prima de 2009 do que com o antecessor de 2011; Esse disco foi uma espécie de tiro ao lado na discografia do grupo, porque foi pensado quase única e exclusivamente para o sucesso comercial, mesmo que o preço a pagar tivesse sido alguma perca de identidade, de esquecimento do ADN sonoro do grupo. Portanto, com a chegada de Heart Of Nowhere, Charlie Fink e os parceiros de grupo voltam aos eixos, tratando do novo álbum como um ponto de aprimoramento controlado e contendo algumas boas composições, mas já muito longe do propósito orquestral que alimentou Peaceful, The World Lays Me Down, o primeiro disco do grupo, editado em 2008.

Com um som amplo e com as cordas e os sintetizadores a assumirem importante papel, Heart Of Nowhere é uma proposta que parece encontrar acerto e uma certa dose de novidade naquilo que os The Killers propuseram em Battle Born o ano passado. Assim, o disco está carregado de referências dos anos oitenta, nomeadamente a power pop onde o amor que rompe a noite, a vontade de crescer e a tentativa de agarrar um sonho, fazem lembrar alguns dos álbuns essenciais de Springsteen e a captura de marcas expressivas que definiram a música dessa época. Há batidas e vozes cheias de eco, canções amarguradas por acordes melancólicos e sintetizadores que se espalham sem receio e parecem prencher as lacunas e os sons vazios e pouco expressivos que criaram em 2011, além de fazerem dos Noah And The Whale definitivamente intímos da melhor música pop que se ouve atualmente.

Logo em Introduction, onde é muito bem vinda a presença de Anna Calvi na voz, é clara a relação com o pós punk e outras marcas específicas construídas há mais de três décadas; Esta canção deixa claro que o rumo agora é outro e que há um propósito claro de resgatar o lado mais comercial do grupo, já que são várias as canções com um ADN cheio de airplay. Duas delas são There Will Come a Time e Now Is Exactly The Time, autênticos hinos de verão, que se tornam, sem demora, em verdadeiros vícios auditivos. All Through The Night ou Lifetime, são mais dois temas que seguem a pegada revivalista dos anos oitenta, que nas mãos deste quinteto parece ter sido bem aproveitada, através de uma agilidade pop que os faz percorrer caminhos da indie folk até chegarem a estradas onde o rock acelera sem respeitar limites de velocidade. A primeira destaca-se por ter uma guitarra muito aditiva com solos que deliciam os nossos ouvidos e a segunda agarra-se a alguma da tradição folk da banda e dispara violinos que são bem secundados por um baixo primaveril, que sublinha uma letra nostálgica que recorda sonhos, rezas e promessas.

Já agora, no que diz respeito às letras, todas da autoria de Fink, Heart Of Nowhere será o disco mais introspetivo do grupo, já que a escrita do vocalista e guitarrista dos Noah and The Whale fala muito de memórias, experiências de vida, amores e outros sentimentos que perduram, dando a sensação que ele às vezes é já demasiado maduro para os ainda vinte e sete anos que carrega. A esperança é outro sentimento muito presente neste álbum e Fink tenta mostrar-nos que a família e os amigos são núcleos essenciais nas nossas vidas.

Numa época onde abundam propostas de cariz mais sombrio e lo fi, no quarto disco da carreira os Noah And The Whale utilizam todo o seu potencial e continuam a fazer o que mais sabem; Canções com uma forte aúrea pop e a estabelecerem uma ponte perfeita entre a melancolia, o romance, a dor da perda e uma certa paz de espírito carregada de sabedoria. Espero que aprecies a sugestão...

Noah And The Whale - Heart Of Nowhere

01. Introduction
02. Heart Of Nowhere
03. All Through The Night
04. Lifetime
05. Silver And Gold
06. One More Night
07. Still After All These Years
08. There Will Come A Time
09. Now Is Exactly The Time
10. Not Too Late


autor stipe07 às 22:24
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Sábado, 18 de Maio de 2013

Treetop Flyers – The Mountain Moves

Lançado no passado dia vinte e nove de abril na Europa por intermédio da Loose Records, The Mountain Moves é o disco de estreia dos Treetop Flyers, um quinteto de Londres formado por Reid Morrison, Sam Beer, Tomer Danan, Laurie Sherman e Matthew Starritt e que procuram apropriar-se de um género musical com profundas raízes na terra do Tio Sam.


Apesar de serem ingleses e estarem sedeados em Londres, é na solarenga Califórnia que os Treetop Flyers encontram inspiração para a sua música, até porque o disco foi gravado em Malibu e o baterista, Tomer Danan, é norte americano. Catapultados pelo sucesso de nomes tão consagrados como os seus conterrâneos Mumford & Sons, cujo disco Babel foi laureado no último Grammy com o troféu de Álbum do ano, este grupo assenta a sua sonoridade no folk rock que a partir da década de sessenta começou a ser proposto por nomes tão influentes como os the Byrds e os Crosby, Stills, Nash & Young. Eles vão mesmo tentar a sua sorte no outro lado do atlêntico já que também assinaram com o selo norte americano Partisan Records e verão The Mountain Moves ser editado nos Estados Unidos a vinte e cinco de junho próximo.

The Mountain Moves sucede aos EPs Bury To Past e Things Will Change, foi produzido por Noah Georgeson e segue as mesmas referências biblícas dos já citados Mumford & Sons. É um álbum com onze canções assentes numa instrumentação e produção impecável e vocalizações muito peculiares, partilhadas por Sam Beer e Reid Morrison, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e descomplicadas.

Apesar do foco sonoro do conteúdo do disco estar centrado na folk rock, também há alguns detalhes típicos do rock britânico que era feito pelas clássicas guitarras dos Faces e dos Rolling Stones, principalmente no sublime e enérgico tema de abertura, Things Will Change, o primeiro single já retirado do disco e em Waiting For You, canção que facilmente nos transposta até ao universo dos anos setenta e dos Fleetwood Mac. Postcards destaca-se um pouco das restante canções já que tem uma componente mais pop e poderá ser um potencial single do disco, com o objetivo de demonstrar que também há um certo ecletismo no som dos Treetop Flyers. 

The Mountain Moves equilibra com sapiência elementos do rock, do country e da soul, conta histórias e retrata imagens que poderiam ser vividas por qualquer um de nós em cada uma das onze canções, é um excelente álbum de estreia e representa um bom augúrio relativamente ao futuro deste grupo, que poderá ser o próximo a conquistar o outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...

01. Things Will Change
02. Houses Are Burning
03. Waiting On You
04. Rose Is In The Yard
05. She’s Gotta Run
06. Haunted House
07. Postcards
08. Making Time
09. Picture Show
10. Storm Will Pass
11. Is It All Worth It


autor stipe07 às 21:40
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Sexta-feira, 10 de Maio de 2013

James Blake – Overgrown

Depois de em 2011 ter conquistado o grande público com um homónimo, que tinha como destaque maior Limit To Your Love, uma cover de um original da canadiana Feist, o compositor e produtor londrino James Blake está de regresso aos discos com Overgrow, um trabalho lançado no passado dia cinco de abril e que é já considerado por imensa crítica com um dos álbuns fundamentais deste ano.

Quem ouviu a estreia de James Blake terá ficado certamente marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, pianos, a voz sintetizada e linhas poderosas de baixo. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Por isso, como era de esperar em qualquer projeto que chama a atenção na estreia, estavamos todos à espera do sempre difícil segundo álbum.

Overgrow é um disco deslumbrante e tecnicamente impecável, enche as medidas e comprova que Blake é capaz de criar composições que, mesmo mantendo a tal bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme, algures entre climas opressivos e outros mais intemporais, mas sempre circulares e falsamente herméticos. Cada detalhe de cada uma das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços. Por exemplo, em Our Love Comes Back, uma das músicas mais calmas do disco, os ruídos desequilibram um pouco a tranquilidade que a canção poderia conter.

Blake poderia ter escolhido insistir no tal dubstep, mas avançou e muito. Mantêm-se as suas características principais, expressas na estreia, mas cada detalhe parece estar um nível acima do homónimo. Até mesmo as letras, que nunca foram dos aspectos mais importantes da sua produção, foram aperfeiçoadas; Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de BlakeTake A Fall For Me, com a participação do rapper RZA, é um apelo desesperado, onde a eminência da perda está muito presente. Ainda na componente temática e lírica, a utilização de frases que se repetem é um truque bastante explorado, acompanhadas quase sempre pelas tais linhas de baixo muito marcadas e por batidas criativas.

Logo na abertura, Overgrown, a canção homónima embalada por ondas de melancolia digital, deixa claro que ouvir este álbum será uma viagem bem mais intensa do que foi o primeiro trabalho. Em I Am Sold, por exemplo, apesar da introdução calma, a mudança para uma batida mais dura e a voz ecoada a partir do refrão transportam a música para um ambiente bem mais sombrio e obscuro, resultado estendido em outras canções do disco. Já o single Retrograde aproxima James Blake do R&B e, apesar da calma cósmica de Overgrown, não faltam também alguns momentos mais exaltados, com destaque para Digital Lion, uma canção produzida por Brian Eno e onde, após a introdução, alguns segundos de silêncio precedem a entrada de uma vincada combinação de baixo, percussão e belíssimos samples vocais. O tema cresce com muita intensidade, mas nunca explode e Voyeur parece seguir também essa fórmula, com a voz de Blake a repetir-se hipnoticamente por cima de uma batida mais rápida que o normal e com sintetizadores e efeitos a fundirem-se com essa mesma voz, cobrindo-a quase por completo. De seguida, To The Last traz de volta a soul para o primeiro plano e suaviza o ambiente.

Overgrow é um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste jovem e talentoso músico britânico que, apesar da aparente fragilidade da sua produção, consegue sempre resultados magníficos. É arriscado dizer que com apenas vinte e três anos Blake está no seu auge artístico, apesar de já fazerem fila os artistas que pretendem colaborar com ele, muitos deles nomes bastante consagrados do universo musical alternativo. E parece evidente que ele não pretende abrigar-se em zonas de conforto e que está disponível para futuras experimentações que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a sua música alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....

James Blake - Overgrown

01. Overgrown
02. I Am Sold
03. Life Around Here
04. Take A Fall For Me (Feat. RZA)
05. Retrograde
06. DLM
07. Digital Lion (Feat. Brian Eno)
08. Voyeur
09. To The last
10. Our Love Comes Back (Bonus Track)


autor stipe07 às 22:03
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Echopark - Trees

Echopark é o novo projeto do italiano Antonio Elia Forte, um músico a residir atualmente em Londres. Trees, lançado a dezasseis de abril, é o disco de estreia e foi gravado quase inteiramente num quarto arrendado em Whitechapel, nos arredores da capital britânica, com meios instrumentais rudimentares e apenas uma mão cheia de microfones.

Teleportation é o primeiro single retirado de Trees. O video foi realizado por Valentina Dell’Aquila e o download do tema pode ser feito gratuitamente através da página do soundcloud da editora Enclaves.

 

Antonio é natural de Lecce onde, com cinco anos, pegou na guitarra que era do seu pai e começou a querer tocar. Lecce é uma cidade mediterrânica do sul de Itália conhecida pelo bom tempo durante todo o ano e pelo dinâmico movimento underground. É um local onde proliferam músicos, e praticantes de skate e surf. Em Itália acaba por ser o equivalente a Echo Park, uma importante zona industrial de Los Angeles, onde se inspirou para batizar este seu projeto musical.

Para Antonio a imperfeição é um objetivo concreto, uma espécide de ideal que busca com lucidez e um bom gosto que merece amplo destaque. Atualmente abundam propostas sonoras que fazem do ruído e da imprecisão sonora pontos de partida no processo de criação musical e Echopark segue esse rumo, mas fá-lo com inegável mestria, nomeadamente na forma como consegue captar o instante mais emotivo de uma canção e deixá-lo submergir, sem que o conceito lo fi e impreciso seja subjugado.

Trees percorre o mesmo território da dream pop de uns Beach House ou uns Midas Fall, mas sem obedecer ao habitual formato canção, indo mais ao encontro do que, por exemplo, Four Tet ou Youth Lagoon costumam sugerir. É um disco que se deve ouvir de uma enfiada, como um todo, como se fosse apenas um tema de trinta e seis minutos e proporciona sentimentos antagónicos já que é um disco muito acessível mas difícil de descrever. Tem momentos intrigantes, principalmente aqueles em que se ouvem as tais imperfeições, ruídos de fundo e colagens e aqui reside o maior charme do disco porque ficamos sem saber muito bem se são sempre propositadas ou até momentos sonoros involuntários. Tão depressa surgem ruídos sintetizados como um incrível baixo (Mountain) ou sons de cordas perfeitamente limpídos (For Lore), mas sempre com um fundo, que muitas vezes é um simples bater de ondas ou a aspereza do contacto entre dois grãos de areia.

Esta primavera Antonio vai passar do quarto arrendado para os palcos e entrar em digressão para promover Trees. E uma das grandes novidades é que terá uma banda a acompanhá-lo. O disco tem momentos que poderão agradar bastante ao vivo. Espero que aprecies a sugestão...

Cranes

Teleportation

Mountain

Franky

Youth and Fury

Raindrops

Gray Clouds

Brother

No Time To Riot

Waves

For Lore

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autor stipe07 às 22:49
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Quinta-feira, 4 de Abril de 2013

Post War Years – Galapagos

Depois de The Bell, um EP que divulguei oportunamente, os Post War Years, uma banda londrina formada por Simon, Tom, Fred e Henry, estão de regresso com Galapagos, um longa duração editado a vinte e cinco de fevereiro pela Chess Club / RCA via Rough Trade. Galapagos sucede a The Greats and The Happenings, o disco de estreia dos Post War Years, que foi resultado de um intenso processo de gravação num claustrufóbico armazém de Londres e que continha uma explosão de sons lo fi dançáveis, que fizeram desta banda uma promessa que agora, em Galapagos, recebe a merecida confirmação.

Galapagos foi o resultado de ano e meio de gravações, período em que os Post War Years também andaram em digressão. O disco começa com All Eyes, um tema que fez furor na blogosfera o ano passado devido à synth pop que alberga, misturada com traços de post rock e com a voz de Henry Gigg, um dos vocalistas, a assumir o papel de grande agitador, ele que acaba por ser a peça fulcral e quem faz mover toda a engrenagem, apesar de haver três músicos na banda que cantam.

Os anos oitenta e a pop eletrónica dos New Order e dos Depeche Mode deverão ser o grande ponto de referência deste grupo, mas também se encontra, nomeadamente em The Bell, uma forte sonoridade épica, típica de uns Arcade Fire e travos funk muito bem aproveitados. O krautrock também é uma referência para o grupo, que germinou depois de um concerto em Barcelona onde os Post War Years tiveram a oportunidade de contactar com intérpretes de música eletrónica feita na Alemanha.

Há uma preocupação clara numa atmosfera vibrante e texturas sonoras que possam chegar ao grande público, com exuberância e competência, mas sem deixar de lado, alguns períodos mais contemplativos. Existe uma intensa mistura de sons, momentos em que os mesmos parecem algo decontrolados e há casos, como os de Volcano, em que as guitarras com uma sonoridade mais índie também têm um papel preponderante no processo de definição melódica, atingindo uma atmosfera shoegaze que também é percetível em Nova.

Ao segundo disco ainda não é fácil descrever com exatidão o rumo sonoro dos Post War Years e essa aparente indecisão e procura acabam por ser as maiores qualidades e defeitos na sua ainda curta discografia. Se por um lado há dispersão e a perceção de alguma falta de discernimento relativamente ao que realmente pretendem, por outro, devido à interessantíssima qualidade dos dois discos que compôem o seu catálogo, também se poderá afirmar que são sonoramente ecléticos e que não se deixam balizar facilmente por um estilo ou influência. Talvez o verdadeiro tira teimas esteja mesmo reservado para o terceiro disco e poderá vir a ser esse o trabalho que confirma o verdadeiro e cimentado amadurecimento musical dos Post War Years. Até lá não ficamos nada mal servidos com a audição quer da estreia, quer, principalmente, deste Galapagos. Espero que aprecies a sugestão...

01. All Eyes
02. The Bell
03. Glass House
04. Be Someone
05. Growl
06. Lost Winter
07. Mellotron
08. Volcano
09. Nova
10. God


autor stipe07 às 20:12
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Quarta-feira, 13 de Março de 2013

Veronica Falls – Waiting For Something To Happen

Roxanne Clifford (voz e guitarra), James Hoare (voz e guitarra), Marion Herbain (baixo) e Patrick Doyle (bateria) juntaram-se em 2009 para fazer música e assim nasceram os Veronica Falls, uma banda de Londres que estreou nos discos em 2011 com um homónimo que lhes deu imensa visibilidade. Agora, no passado dia quatro de fevereiro, chegou o sempre difícil segundo disco. O álbum chama-se Waiting For Something To Happen, foi lançado pela conceituada Bella Union e mostra uns Veronica Falls amadurecidos e com novos ingredientes sonoros, carregados de romance e de alegria.

As treze canções de Waiting For Something To Happen equilibram-se entre guitarras ásperas e uma forte cumplicidade entre as vozes, as almas e os corações de Roxanne e James, algo bem audível em If You Still Want Me e em My Heart Beats, enquanto a bateria e o baixo cumprem com mestria o seu papel. Esta harmonia deve-se certamente também ao excelente trabalho de produção, que esteve a cargo do experimentado Rory Attwell, repsonsável por álbuns dos The Vaccines. Ele também deu uma sonoridade um pouco mais retro e típica dos ambientes nascidos na indie pop dos anos oitenta e noventa aos Veronica Falls, aproximando-os das inevitáveis influências que deverão ser os conterrâneos The Cure, Elastica e The Cranberries.

Quase ingenuamente, com o seu gosto genuíno pelos sons feitos com o ambiente de garagem e utilizando o conceito single pop de três minutos, que se escuta enquanto se fuma um cigarro, como disse Damon Albarn certo dia, os Veronica Falls acabaram por acordar os fantasmas, por sinal muito bem vindos, dos R.E.M e dos The Smiths, conseguindo ser seguros, aventureiros e competentes.

Ousados e a denotar uma tremenda evolução lírica, logo na abertura, em Tell Me, os Veronica Falls perguntam-nos: Tell me, what are you thinking? Follow me, There’s no Reason to Stay. E nós ficamos tentados a ir e a ficar, de tal forma que na segunda canção, Teenage, parece que já fazemos parte do conteúdo de Waiting for Something To Happen e que toda a magia deste grupo londrino já se entranhou no nosso íntimo, de tal forma que damos por nós a acompanhar os refrões e a bater o pé no chão.

Talvez imbuídos por uma qualquer seta de um cupido com sede de guitarras e vozes melodiosas, avançamos para Broken Toy, um tema viciante e desarmante, que parte qualquer coração, por mais impenetrável que julgue ser. O tema homónimo remete-nos para o tempo ameno que se aproxima e Falling Out é uma das canções mais orelhudas, já que o diálogo inicial entre bateria e baixo, apoiadas na voz melodiosa de Roxanne, é muito bem conseguido. A música cresce e ganha corpo com o avançar do tempo. Mais rápida, So Tired afasta a letargia e coloca mais adrenalina nos nossos ouvidos.

O sexo feminino encabeça este projeto, não só na componente lírica repleta de referências ao amor, ao perder e ao ter, mas também musicalmente, já que o ambiente melódico criado é luminoso, com um tom doce, angelical, delicado e apaixonado. Em Waiting For Something To Happen, pressentem-se dias soalheiros e cores vibrantes e este quarteto deixa de ser, no universo indie, uma promessa, para se tornar numa viciante certeza que resulta da cadência de acordes simples, mas deliciosos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tell Me
02. Teenage
03. Broken Toy
04. Shooting Star
05. Waiting For Something To Happen
06. If You Still Want Me
07. My Heart Beats
08. Everybody’s Changing
09. Buried Alive
10. Falling Out
11. So Tired
12. Daniel
13. Last Conversation


autor stipe07 às 21:01
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