Sexta-feira, 9 de Junho de 2017

Oh Sees - The Static God

Vai ver a luz do dia a vinte e cinco de agosto próximo, através da Castle Face, a editora do próprio John Dwyer, Orc, o novo e décimo nono álbum da carreira dos norte americanos Thee Oh Sees, que são liderados por este músico e ao qual se juntam atualmente Tim Hellman (baixo), Nick Murray (bateria), Brigid Dawson (teclados) e Chris Woodhouse (engenheiro de som). Este é um regresso aos lançamentos discográficos que se saúda desta banda californiana que também vai mudar mais uma vez de nome, algo que não é inédito nas cerca de duas décadas que já levam de carreira.

Querendo ser conhecido a partir de agora simplesmente como Oh Sees (sem o The), este quinteto apresentará em Orc dez canções que, tendo em conta The Static God, a primeira amostra divulgada, manterão uma elevada bitola qualitativa que sobrevive à custa do modo astuto como o grupo continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos que, quer se prolonguem por músicas completas, ou por instantes das composições, têm sempre uma forte vertente hipnótica e uma ilimitada ousadia visceral, que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, num incómodo sadio que já não nos deixa duvidar acerca do ADN destes agora Oh Sees. Confere The Static God e o alinhamento de Orc...

P.S. - No âmbito da iniciativa Follow Friday, recomendo o blogue http://jazzistica.blogs.sapo.pt/, uma lufada de ar fresco no panorama dos blogues de música nacionais.

01 “The Static God”
02 “Nite Expo”
03 “Animated Violence”
04 “Keys To The Castle”
05 “Jettisoned”
06 “Cadaver Dog”
07 “Paranoise”
08 “Cooling Tower”
09 “Drowned Beast”
10 “Raw Optics”


autor stipe07 às 00:11
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Domingo, 4 de Junho de 2017

Beach Fossils – Somersault

Os Beach Fossils são uma banda de Brooklyn, Nova Iorque e que começou por ser um projeto a solo de Dustin Payseur, ao qual se juntaram, entretanto, Tommy Davidson e Jack Doyle Smith. Estão de regresso aos discos com Somersault, um trabalho lançado pela Bayonet Records e que sucede a um homónimo, datado de 2010 e ao aclamado antecessor, Clash The Truth (2013). Somersault conta com a participação especial de Rachel Goswell no tema Tangerine e de Cities Aviv em Rise e contém onze canções com um têmpero lo fi muito próprio. Refiro-me a um indie rock alternativo, com leves pitadas de surf pop, eletrónica e garage rock, tudo embrulhado com um espírito vintage marcadamente oitocentista e que se escuta de um só trago, enquanto sacia o nosso desejo de ouvir algo descomplicado mas que deixe uma marca impressiva firme e de simples codificação.

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Somersault é um refúgio luminoso e aconchegante, um recanto sonoro sustentado por guitarras melodicamente simples, mas com um charme muito próprio e intenso, principalmente quando a elas se agregam outros arranjos, com a curiosidade de o violino ser uma arma de arremesso bastante utilizada nesses detalhes que adornam as melodias. Logo no enorme esgar de sorriso que comporta This Year e no clima lisérgico de Tangerine os violinos surgem amiúde, a consolidar a vertente vocal e a dar um polimento charmoso de inegável valia às guitarras, que são quem toma conta da condução dos temas. Depois, em redor da toada barroca das cordas que marcam a majestosidade de Closer Everywhere e no dedilhar corpulento e na percussão ritmada de Saint Ivy, assim como na leveza enternecedora do baixo de Sugar, esses violinos continuam a planar e a carimbar com acerto esta espécie de passeio tímido à beira mar numa manhã de sol, mas que também serve de consolo para quem tiver de se contentar com um cenário mais noturno, cinzento e urbano.

Somersault eleva os Beach Fossils a um novo patamar criativo, com as canções a abrigarem-se à sombra de uma filosofia estilística bastante marcada e homogéna, o que faz com que funcionem, individualmente, como vinhetas climáticas que vão servindo para marcar o ambiente e a cadência do mesmo. Mas, um dos maiores atributos do alinhamento é a quase indivisibilidade entre os temas, que podem ser apreciados como um todo, já que, liricamente, debruçando-se sobre as agruras de uma América cada vez mais confusa, garantem a formatação de uma obra de maior alcance e até, do modo como estão alinhados, engrandecem algumas canções menores. É o caso de Be Nothing, composição posicionada no final de Somersault e que, no modo como cresce e progride, além de personificar aquele grito de raiva que muitas vezes é imprescindível soltar no clímax de um instante reflexivo, acaba também por fazer uma súmula de todo o ideário, quer sentimental, quer sonoro, subjacente à intimidade que exala de toda a obra e que nos envolve de um modo muito particular. Espero que aprecies a sugestão...

Beach Fossils - Somersault

01. This Year
02. Tangerine (Feat. Rachel Goswell)
03. Saint Ivy
04. May 1st
05. Rise (Feat. Cities Aviv)
06. Sugar
07. Closer Everywhere
08. Social Jetlag
09. Down The Line
10. Be Nothing
11. That’s All For Now


autor stipe07 às 14:35
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017

Girlpool - Powerplant

As norte americanas Girlpool são Cleo Tucker e Harmony Tavidad, uma dupla de jovens adolescentes californianas que se juntou em 2013 para fazer música e que se estreou dois anos depois nos discos com o excelente Before The World Was Big. Era um alinhamento de canções com uma forte componente autobiográfica e cuja temática, expetavelmente, se debruçava sobre os típicos dilemas existenciais de duas jovens que partilham um olhar muito próprio acerca da feminilidade e que não se coibem de, além da componente reflexiva, também expor experiências e factos vividos. Era um disco com uma sonoridade algo minimal, já que o baixo e a guitarra eram os dois únicos suportes de canções eminentemente introspetivas e com uma tonalidade bastante suave. Agora, dois anos depois, as Girlpool regressam com Powerplant, um disco que mantendo o mesmo conceito estilístico e sonoro, amplia, no entanto, os horizontes da dupla, que se apresenta mais madura e com novos arranjos e detalhes que vale a pena conferir.

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Powerplant abre com 123, uma canção que começa por impressionar pelo modo como Tucker e Tavidad dialogam vocalmente e que depois se torna vigorosa e até algo visceral, marcando-se, logo aí, uma clara diferença, em termos de ruído, com o conteúdo geral do disco de estreia. E depois, basta escutar atentamente o sereno dedilhar inicial da viola da conflituosa Sleepness e o modo como ela se eletrifica, para se tornar óbvio que houve aqui um propósito inicial de marcar a diferença com o antecessor, através de um som mais rugoso e encorpado. Seja como for, a melancolia sedutora que vagueia pelo efeito metálico da guitarra de Your Heart, canção sobre as habituais peripécias de um casal, ou a angústia latente nas variações rítmicas e na distorção de It Gets More Blue, elucidam-nos que Powerplant segue o objetivo claro desta fase inicial da carreira das Girlpool e que é, numa atitude confessional, aproximarem-se o mais possível daquilo que são as vivências habituais de qualquer um de nós que passou ou está a passar por aquela idade em que o amor é ainda um grande mistério e que para ser bem minimamente entendido opta-se, muitas vezes, pelo mecanismo tentativa vs erro até que este mistério chamado amor fique menos nebuloso. 

Álbum com uma intimidade muito própria e com um ambiente bastante acolhedor, Powerplant impressiona pelo efeito de espelho que poderá ter em quem o escuta de modo dedicado, ao mesmo tempo que reforça um estilo sonoro e uma abordagem ao indie rock com algumas caraterísticas bem marcadas e difíceis de encontrar em outros projetos similares. A simplicidade do baixo e da guitarra, o modo e a rapidez como esta transita do acústico ao elétrico e o recurso constante às vozes em coro são bons exemplos do modo assertivo com que as Girlpool nos incitam à reflexão. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:06
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Domingo, 14 de Maio de 2017

Glass Vaults – The New Happy

Os Glass Vaults  de Richard Larsen, Rowan Pierce e Bevan Smith são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado em 2015 à boleia da Flying Out e que sucedeu a Glass (2010) e Into Clear (2011), dois eps que colocaram logo alguma crítica em sobressalto.

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Agora, quase dois anos depois desse auspicioso início de carreira no formato longa duração, o trio está de regresso aos discos com The New Happy, um trabalho que viu a luz do dia ontem, doze de maio, através de Melodic Records, gravado em três dias e que além dos três músicos da banda, contou ainda com as participações especiais de Daniel Whitaker, Ben Bro and Hikurangi Schaverien-Kaa. Este é um álbum com um som esculpido e complexo e com um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador, até porque estamos em presença de um registo que corre muito bem o risco de ser um dos melhores do ano.

Logo no groove mágico e melancólico que trespassa a guitarra e os efeitos rugosos da lo fi Mindreader e no funk alegre, divertido e requintado de Ms Woolley, percebemos, com clareza, que este é um disco especial, não só no modo como privilegia uma sensibilidade pop inédita, que em alguns momentos é atingida com um forte cariz épico e monumental, mas também no largo espetro de cruzamentos que executa entre a eletrónica ambiental e um rock de cariz mais experimental e alternativo, uma filosofia sonora que poderá resultar para o ouvinte na possibilidade de obter um completo alheamento de tudo aquilo que o preocupa ou o pode afetar em seu redor.

Ao surgir Brooklyn, canção que é um verdadeiro festim de cor e alegoria, uma espiral pop onde não falta um marcante estilo percurssivo e onde tudo é filtrado de modo a reproduzir toda a magnificiência deste e de outro mundo de modo fortemente cinematográfico e imersivo, num resultado final que impressiona pela orgânica e pelo forte cariz sensorial, ficamos definitivamente seduzidos por um daqueles registos discográficos onde a personalidade de cada uma das canções do alinhamento demora um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas onde é incrivelmente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos que contém e a produção impecável e intrincada que sustenta a bitola qualitativa de um catálogo de canções incubado por um grupo a viver no pico da sua produção criativa.

The New Happy prossegue e enquanto Savant nos oferece uma secção percurssiva de metais com uma exuberância vintage enérgica e marcial, em Rewind e, principalmente, no tema homónimo, os efeitos circenses e o efeito em eco de uma guitarra que parece ser capaz de reproduzir toda a magnificiência deste e de outro mundo num qualquer arraial bucólico de aldeia, atestam, mais uma vez, a facilidade com que estes Glass Vaults mudam de cenário com uma naturalidade invulgar, sem colocarem em causa a homogeneidade de um alinhamento rico e muitas vezes surreal. De referir que essas composições foram intercaladas por Sojourn, canção que deu nome ao disco de estreia e onde parece que os Glass Vaults tocam içados no topo monte Aoraki, o ponto mais alto da Nova Zelândia, de onde debitam esta canção arrebatadora através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco da melodia e dão asas às emoções que exalam desde o sopé desse refúgio bucólico e denso, onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar quase oito minutos que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. A mesma receita, mas de modo ainda mais barroco e hipnótico, repete-se em Bleached Blonde, um desfile inebriante que impressiona pela grandiosidade, patente nos samples, nos teclados e nos sintetizadores livres de constrangimentos, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Depois, no ocaso, o minimalismo contagiante em que se sustenta Halaah Ha!, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém é outro extraodinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético e a tornar tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Disco quase indecifrável e com uma linguagem pouco usual mas merecedora de devoção, The New Happy é capaz de projetar nos nossos ouvidos uma tela cheia de sonhos e sensações, com nuances variadas e harmonias magistrais que muitas vezes apenas pequenos detalhes ou amplos arranjos conseguem proporcionar. Na verdade, estes Glass Vaults oferecem-nos gratuitamente a possibilidade de usarmos a sua música para expor dentro de nós sentimentos de alegria e exaltação, mas também de arrepio e um certo torpor perante a grandiosidade de uma receita sonora cujos fundamentos lhes foram revelados em sonhos, já que só eles conseguem descodificar com notável precisão o seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Vaults - The New Happy

01. Mindreader
02. Ms Woolley
03. Brooklyn
04. Savant
05. Sojourn
06. Rewind
07. The New Happy
08. Bleached Blonde
09. Halaah Ha!


autor stipe07 às 00:20
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Segunda-feira, 17 de Abril de 2017

Happyness – Write In

Lançado através da Moshi Moshi Records, Write In é o novo registo de originais dos Happyness. Refiro-me a um trio oriundo dos arredores de Londres, composto por Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan e que após um aclamado EP homónimo editado em 2013, estreou-se nos lançamentos no verão de 2015 com Weird Little Birthday, o antecessor deste Write In. Era uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que fluia naturalmente e que agora recebe um notável sucessor.

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Write In é um trabalho que junta alguns dos melhores atributos do indie rock contemporâneo e onde a psicadelia e o lo fi se cruzam constantemente, de modo a criar canções com uma vibe muito genuína e bastante íntima, num alinhamento que até ao seu ocaso transparece sempre uma saudável convivência entre uma face com uma certa frescura pop solarenga e outra mais ruidosa e experimental. Onde esse dar de mãos é mais percetível é bem no âmago do disco, onde encontramos em Bigger Glass Less Full um momento que sabe a puro devaneio sonoro e onde um certo travo a grunge parece querer mostrar uma ideia algo errada de displicência, para logo nas cordas da viola que indica o trajeto de Victor Lazarros Heart contemplarmos uma melodia de rara beleza, sobriedade e sensibilidade

Mas é interessante analisar esta filosofia que transparece de Write In logo pelo início deste alinhamento de dez canções. Se no clima acolhedor de Falling Down, percebe-se que há um elevado grau de acerto no modo como estes três músicos conjugam as guitarras com o baixo e a bateria sem demasiado adorno, mas de modo a conseguir captar a atenção do ouvinte, um pouco adiante, na melodia insistente de Uptrend / Style Raids e na delicadeza da bateria e no modo como ela afaga o abafo da voz, reforça-se esta ideia de que muitas vezes a simplicidade de processos é meio caminho andado para, no seio do indie rock de cariz mais alternativo, chegar-se à criação feliz de composições aditivas e plenas de sentido e substância. E isso sucede já depois de em The Reel Starts Again (Man As Ostrich), ao ter-se juntado o piano à receita, ter sido ampliada essa sensação de proximidade, que atinge superior abrangência no modo como em Through Windows essas mesmas teclas e um registo vocal sussurrante nos proporcionam um saboroso néctar soporífero para algumas das nossas tormentas, que têm aqui uma janela aberta de par em par para partirem para bem longe.

Em Anytime, quando as guitarras ganham vigor e majestosidade e em Anna,Lisa Calls, ao replicarem uma charmosa distorção que entronca nos melhores atributos daquele que deve ser um hino rock agitador e intuitivamente optimista, já não restam mais dúvidas que estamos na presença de um registo que merece figurar em plano de destaque nas melhores propostas indie do momento, incubado por uns Happyness que sabem o balanço exato e como é possível serem animados, luminosos e festivos e noutros instantes que assentem num formato mais íntimo e silencioso e onde exista uma maior escassez instrumental e um registo vocal sussurrante, mostrarem-se mais contemplativos e etéreos. O delicioso andamento amigável e algo psicadélico de The C Is A B A G, canção sonoramente detalhada e que amarra, por si só, várias pontas da heterogenidade em que assenta Write In, acaba por ser outro clímax de todo este ideário processual e que timbra o som identitário dos Happyness, que nos oferecem um álbum que, sendo um belo psicoativo sentimental, encarna uma viagem até à gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo e atravessada por um certo transe libidinoso. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Write In

01. Falling Down
02. The Reel Starts Again (Man As Ostrich)
03. HAnytime
04. Through Windows
05. Uptrend / Style Raids
06. Bigger Glass Less Full
07. Victor Lazarros Heart
08. Anna, Lisa Calls
09. The C Is A B A G
10. Tunnel Vision On Your Part


autor stipe07 às 14:44
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Segunda-feira, 3 de Abril de 2017

Glass Vaults - Brooklyn

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Os Glass Vaults são uma banda oriunda de Wellington, na Nova Zelândia e em cujo regaço melancolia e lisergia caminham lado a lado, duas asas montadas em canções que nos oferecem paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos e a voz de Larsen que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta. E tudo isto sente-se com profundo detalhe, numa banda que por vir dos antípodas parece carregar nos seus ombros o peso do mundo inteiro e não se importar nada com isso, algo que nos esclareceu com veemência Sojourn, o longa duração de estreia destes Glass Vaults, editado em 2015 à boleia da Flying Out e que sucedeu a Glass (2010) e Into Clear (2011), dois eps que colocaram logo alguma crítica em sobressalto.

Agora, quase dois anos depois desse auspicioso início de carreira no formato longa duração, o trio está de regresso aos discos com The New Happy, um trabalho que irá ver a luz do dia a doze de maio através de Melodic Records e de cujo alinhamento já se conhece um tema intitulado Brooklyn. Esta canção é um verdadeiro festim de cor e alegoria, uma espiral pop onde não falta um marcante estilo percurssivo e onde tudo é filtrado de modo a reproduzir toda a magnificiência deste e de outro mundo de modo fortemente cinematográfico e imersivo, num resultado final que impressiona pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. Logo à partida percebe-se que New Happy será um disco com um som esculpido e complexo e com um encadeamento que nos obrigará a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. Confere...


autor stipe07 às 11:45
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Sábado, 21 de Janeiro de 2017

Menace Beach – Lemon Memory

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que estreou-se nos discos a dezanove de janeiro de 2015 com Ratworld, um trabalho que já tem sucessor. Lemon Memory chegou aos escaparates através da Memphis Industries a vinte de janeiro último e assume-se como um excelente sucessor de um registo inicial marcante para a dupla e um compêndio de canções capaz de lançar definitivamente este projeto para uma projeção superior.

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Apesar de serem britânicos, os Menace Beach puseram os ouvidos no outro lado do atlântico, visto a sua sonoridade ser fortemente influenciada pelo rock alternativo americano, em especial o dos anos noventa. Lemon Memory é, portanto, uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia do grunge e do punk rock impregnado daquela visceral despreocupação juvenil relativamente ao ruído e à crueza melódica e à temática das canções, com os problemas típicos da juventude a fazerem parte da lírica de grande parte do compêndio.

A receita é simples e ganha vida em canções simples e diretas, sem artifícios desnecessários e que se esfumam mais depressa do que um cigarro, com os principais ingredientes típicos do tal grunge e do punk rock direto e preciso, a misturarem-se com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, num resultado final que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria surfpop na mira. Esta apenas aparente amálgama prova que os Menace Beach estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

As vocalizações de Liza, de cariz aspero e lo fi, com um ligeiro efeito reverberado na voz, encantam pelo modo como ela consegue salvaguardar aquela delicadeza tipicamente feminina, sem ser ofuscada pela distorção das guitarras, quase sempre aceleradas e empoeiradas e que fluem livres de compromissos e com uma estética muito própria, como se percebe logo em Give Blood, o vigoroso e pulsante tema de abertura do disco.

A abertura realmente promete e logo depois, em Maybe We'll Drown, o single que antecipou o lançamento deste Lemon Memory e em Can't Get A Haircut somos sugados para o ambiente mais direto do punk rock, que tem também nas variações ritmícas de Lemon Memory o tema homónimo e no fuzz de Sentimental, dois instantes que clarificam o cuidado melódico e a impetuosidade elétrica impostos, em simultâneo, pelos Menace Beach às suas criações sonoras, dois aspetos que permitem às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora inicialmente previstas.

O disco prossegue quase sem darmos por isso e, de seguida, chega-nos Suck It Out, uma canção inicialmente mais roqueira, sombria e lo fi e onde os Sonic Youth se fazem sentir com uma certa intensidade, até que chega o potente riff que introduz Owl e quando parece que vai instalar-se novamente um caldeirão sonoro contundente, espraia-se, sem aviso prévio, um clima mais pop, mas algo psicadélico, impregnado com mudanças de ritmo constantes e de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso.

À imagem do antecessor, Lemon Memory é um exercício festivo e ligeiro, mas bastante inspirado, de uma dupla que quer ser apreciada pela sua visão atual do que realmente foi o rock alternativo, feito com as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho destes Menace Beach é, ao ouvi-los, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração para a dupla, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada, feita com canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Menace Beach - Lemon Memory

01. Give Blood
02. Maybe We’ll Drown
03. Sentimental
04. Lemon Memory
05. Can’t Get A Haircut
06. Darlatoid
07. Suck it Out
08. Owl
09. Watch Me Boil
10. Hexbreaker II


autor stipe07 às 14:38
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

American Wrestlers - Goodbye Terrible Youth

American Wrestlers é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. A ele juntam-se, atualmente, Ian Reitz (baixo), Josh Van Hoorebeke (bateria) e Bridgette Imperial (teclados). Tendo Gary crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou, entretanto, para o outro lado do Atlântico.

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Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais underground acabando por implodir.

Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. O projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum e daí até ao disco de estreia, um homónimo editado na primavera do ano passado, foi um pequeno passo. American Wrestlers impressionou pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentavam grande parte das canções, onde não faltavam alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete, com um certo reverb que acentuava o charme rugoso da mesma.

Se essa estreia, já na prateleira lá de casa, nos oferecia uma viagem que nos remetia para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo, o sucessor, um trabalho intitulado Goodbye Terrible Youth e que viu a luz do dia em meados de novembro, cimenta essa filosofia vencedora. Mas no modo como, logo em Vote Tatcher, o sintetizador se relaciona com o fuzz da guitarra, esclarece-nos que à segunda rodada Gary libertou-se de uma certa timidez introspetiva, para se apresentar mais luminoso e expressivo. Aliás, isso também percebe-se em Give Up, a primeira amostra divulgada, canção que impressiona pela melodia frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de American Wrestlers, mas com superior abrangência e cor.

Na verdade, o quarto onde McClure compôs o registo de estreia transformou-se num grande palco, sem colocar em causa aquele clima algo misterioso que define este projeto American Wrestlers, mas oferecendo ao ouvinte uma maior multiplicidade de detalhes e caraterísticas dos vários espetros sonoros que definem o indie rock alternativo. O grunge que exala de So Long, o crescente frenesim psicadélico que nos envolve em Hello, Dear, o fuzz inebriante do baixo de Someone Far Away e o modo como o riff da guitarra ácido e extremamente melódico rebarba de alto a baixo a secção rítmica de Terrible Youth, permitem-nos contemplar todo este charme rugoso que os American Wrestlers replicam hoje melhor que ninguém e dão-nos o mote para um álbum curioso e desafiante, que impressiona pela forma livre e espontânea como os vários instrumentos, mas em especial as guitarras, se expressam, guiadas pela nostalgia e pelas emoções que Gary pretende transmitir. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:15
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Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2016

Yo La Tengo – Murder In The Second Degree

Nem sempre devidamente divulgados e apreciados, os norte americanos Yo La Tengo são um dos projetos mais influentes do indie rock contemporâneo. Nasceram em 1984 pelas mãos do casal Ira Kaplan e Georgia Hubley (voz e bateria) e Dave Schramm (entretanto retirado) e James McNew e conquistaram-me definitivamente há quase quatro anos com o excelente Fade, uma rodela lançada à boleia da Matador Records.

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Com um cardápio já extenso e que vale a pena descobrir, nele se inclui Yo La Tengo Is Murdering the Classics, um disco de versões gravado em 2006 e sobre o qual os Yo La Tengo afirmavam que tinha como objetivo principal assassinar os clássicos. O truque e a piada repetem-se agora, dez anos depois, com mais uma fornada de músicas alheias, traduzidas pela ótica peculiar deste grupo e onde se incluem temas tão inusitados e esteticamente abrangentes como Hey Ya dos Outkast, Emotional Rescue dos The Rolling Stones, Girl From The North Country de Bob Dylan ou King Kong de Ray Davies. Murder in the Second Degree é o nome deste novo álbum de versões dos Yo La Tengo, quase uma trintena de canções que a banda foi tocando ao vivo na estação de rádio WFMU, entre 1996 e 2003 e que finalmente são editadas com o merecido destaque.

Há bandas que sabem aproveitar a sua maturidade e dialogar com as tendências mais atuais. Assim, é interessante observar como os Yo La Tengo conseguiram este efeito ao longo de vinte e nove anos de carreira e o modo como revisitam alguns dos temas que fazem certamente parte do seu ideário sonoro e dos seus gostos, resulta num alinhamento coeso, com versões cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente. Nele não falta o habitual registo vocal dos músicos dos Yo La Tengo em coro, melodias amigáveis e algo psicadélicas, feitas com guitarras distorcidas, mas também momentos mais íntimos e quase silenciosos, onde se canta baixo e existe uma maior escassez instrumental. Acaba por ser uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e acabamos, frequentemente, por esquecer que estes temas têm a assinatura de outros projetos.

Com uma variedade de referências e encaixes sonoros que definem o indie rock atual, a banda faz em Murder In The Second Degree uma ode aos seus heróis, ao mesmo tempo que vibram com a típica sonoridade da última década do século passado e as transformações sonoras que experimentaram na década seguinte. Da autoria do cartonista Adrian Tomine, o artwork do disco merece também todo o destaque.Espero que aprecies a sugestão...

Yo La Tengo - Murder In The Second Degree

01. Alley Cat
02. New York Groove
03. Bertha
04. Add It Up
05. To Love Somebody
06. Civilization (Bongo Bongo Bongo)
07. Suspect Device
08. First I Look At The Purse
09. Jailbreak
10. Popcorn
11. Girl From The North Country
12. Build Me Up Buttercup
13. I Wanna Be Free
14. Rock And Roll Love Letter
15. Emotional Rescue
16. Some Velvet Morning
17. The Low Spark Of High-Heeled Boys/Mr. Soul
18. Pay To Cum
19. Never My Love
20. King Kong
21. White Lines (Don’t Do It)
22. Slurf Song
23. Different Drum
24. Crazy
25. Be My Baby
26. Hey Ya!
27. Heart Of Darkness
28. Chantilly Lace + Medley


autor stipe07 às 18:30
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Domingo, 9 de Outubro de 2016

Helado Negro - Private Energy

Helado Negro é um projeto que me é muito querido, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos e que lançou há poucos dias Private Energy, o seu quinto longa duração, como é habitual através da Asthmatic Kitty. Falo de catorze belíssimas canções que são mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco onde Lange amplia as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar uma multiplicidade de referências sonoras. Uma das particularidades deste disco é contar, nas apresentações ao vivo de promoção deste registo, com o contributo visual e artístico do coletivo Tinsel Mammal, um grupo de dançarinos com vestes prateadas e que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro.

Resultado de imagem para helado negro roberto carlos lange 2016

Sublime sapiência e uma incontida sensação de relaxamento e conforto apoderam-se imediatamente do ouvinte logo que os acordes de Calienta sussurram nos nossos ouvidos. Depois planamos com os samples dos sons tipicamente sul americanos que adornam os teclados e os sopros épicos de Tartamudo, com a batida sintética de Lengua Larga a alargar quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar uma canção que fala muito de lábios e que sobe de intensidade e emoção, assim como a temperatura do nosso corpo.

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino, mas com a eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos de hip hop, a ser cada vez mais um veículo privilegiado no processo de composição.

Disco fortemente conduzido por uma tendência urbana e contemporânea, mas onde também não falta, em Obra Dos, Tres, Cuatro e Cinco, aquele aspeto geográfico e ambiental tâo sul americano em que cidade e floresta tropical amiúde se fundem, em Private Energy Lange desabafa sobre experiências individuais que poderão indicar a presença de uma elevada vertente autobiográfica. Escuta-se o verso I Feel Invisible Without Your Wisdom em Transmission Listen, uma profunda canção sobre muitas das dicotomias subjacentes ao amor e no love can cut our knife in two em Runaround, o primeiro single divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade e percebe-se esta filosofia de alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos,reacções e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

Ao quinto disco, cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas canções contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é, mais uma vez, sonoramente tão bem retratado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si próprio, enquanto compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Private Energy

01. Calienta
02. Tartamudo
03. Obra Dos
04. Lengua Larga
05. Runaround
06. Young, Latin And Proud
07. Obra Tres
08. Transmission Listen
09. Persona Facil
10. Mi Mano
11. Obra Cuatro
12. It’s My Brown Skin
13. We Don’t Have Time For That
14. Obra Cinco


autor stipe07 às 22:25
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