Terça-feira, 14 de Março de 2017

Vaarwell - Homebound 456

Foi no passado dia dez de março que os Vaarwell de Margarida Falcão, Ricardo Correia e Luis Monteiro, editaram Homebound 456, um lindíssimo trabalho, o longa duração de estreia de um projeto de indie pop nascido em Lisboa em finais de 2014 e que lançou, em Maio de 2015, Love and Forgiveness, o EP de estreia. É um alinhamento de doze canções gravadas por Joaquim Monte no Namouche Estúdio, misturadas e co-produzidas por Paulo Mouta Pereira e masterizadas por Miguel Pinheiro Marques (SDB Mastering). Para além dos Vaarwell, o disco conta ainda com a participação de Tomás Borralho (Anthony Left) e Diogo Teixeira de Abreu (Lotus Fever) nas baterias, Paulo Mouta Pereira (David Fonseca) no piano e Bernardo Afonso (Lotus Fever) nas teclas. O design foi da responsabilidade d​e​ Manuela Abreu Peixoto.

Imagem relacionada

Homebound 456 é um porto de abrigo acolhedor, cheio de virtudes e tentações, uma lufada aconchegante que nos protege e embala, tenhamos nós a disposição e o desejo de nos deixarmos contagiar por um compêndio de beleza melódica, lírica e instrumental incomum. A voz da Margarida é, por si só, capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, mas os arranjos e os instrumentos que sustentam as canções permitem também um suave levitar, tal é o rol de emoções que transmitem e a intensidade das mesmas. Se em Floater a distorção da guitarra calcorreia, sem receio, terrenos mais progressivos com forte sabor ao terreno e ao palpável, já nos metais que cirandam por American Dream a emoção instala-se, com 123 a recalcar toda a recatada introspeção, fortemente contemplativa, que Homebound 456 proporciona. Neste tema, o modo como a guitarra explode, não coloca em causa esta agradável sensação de letargia, servindo até como modo de nos fazer perceber que o que ouvimos é real, existe e foi composto por uma banda bastante assertiva, criativa e inspirada no momento de criar música.

Homebound 456 acaba por ser um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da filosofia dos Vaarwell e a maneira como exploram essa unidade e como selecionam as nuances sonoras que interligam as canções, contém um charme sedutor difícil de explicar. Aliás, se dúvidas ainda vão subsistindo, as variações ritmícas e o arsenal instrumental de Sheets, o tema que encerra o alinhamento, esclarecem definitivamente o mais céptico. No fundo, a receita é uma mescla efusivamente minimal de alguns detalhes implícitos do clássico rock experimental e lisérgico, com alguns dos principais atributos da eletrónica e da pop atual, com todos estes acertos a encontrarem o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de I Never Leave, I Never Go, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior um eco que faz parecer que existem dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. O assunto da canção pode não ter nada a ver com esta ideia, mas foi a isso que ela me soube.

No restante alinhamento de Homebound 456, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira You e o incisivo espairecer que nos suscita a guitarra de Waiting Game, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado na simplicidade do tema homónimo, por outro, insistem na já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que consegue apontar novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop nacional atual e que logo ao primeiro disco instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Luis Severo - Luis Severo

Apresentado pela Cuca Monga, Luis Severo é o novo álbum de Luís Severo, um homónimo que sucede ao excelente trabalho Cara d’Anjo. Gravado e produzido em Alvalade com a ajuda de Diogo Rodrigues e de Manuel Palha e masterizado por Eduardo Vinhas no Golden Pony, Luis Severo está disponível no bandcamp desde sexta-feira, dia dez de Março e conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Teresa Castro, Bia Diniz e Primeira Dama nos coros, Tomás Wallenstein nos violinos, Violeta Azevedo nas flautas e Salvador Seabra na percussão. As fotografias do artwork do disco são da autoria de Francisco Aguiar e Raquel Rodrigues.

Registo bastante tocante e emotivo, contendo uma salutar contemporaneidade lírica e instrumental, proporcionada por um dos nomes maiores da nova música nacional, Luis Severo confirma e potencia uma das certezas maiores do panorama musical luso, que foi em tempos apelidado de Messi do nacional-cançonetismo, por causa de Cara d'Anjo, um trabalho de estreia que plasmou todos os excelentes atributos artísticos deste ex-O Cão da Morte. Assim, em oito canções, muitas delas resultantes de melodias que o músico já guardava no seu âmago, aguardando materialização, há alguns anos, Luis Severo configura uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco. A superior complacência romântica que transborda dos violinos de Amor E Verdade, as reminiscências da melhor pop oitocentista que contemplamos na luminosidade de A Escola, o swing buliçoso das cordas de Planície (tudo igual), ou o frenesim charmoso da guitarra que conduz Boa Companhia, podem muuto bem servir de inspiração para os filmes que na nossa mente podemos produzir com estas canções, sendo este realismo impressivo talvez o atributo maior de um trabalho bastante colorido e diversificado, não só porque é sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, mas também porque, numa outra perspetiva, pode também mostrar-se absolutamente minimal, incrivelmente simples e estupendamente crú, tal é o modo aberto e desafiante como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida.

É curioso constatar o acerto temporal em que Luis Severo chega aos escaparates, fazendo-o em pleno inverno tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós na próxima primavera, já que este é um alinhamento perfeito para saborear buliçosamente todos os odores, sensações, cores e flirts que a aproximação regular e anual do sol ao nosso hemisfério sempre suscita. E o verão está também logo ali, em O Olho de Lince. Se ouvirem o tema, vão perceber porquê. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Trêsporcento - O Sonho

Resultado de imagem para trêsporcento 2017

Quase cinco anos depois do excelente Quadro, os lisboetas Trêsporcento, deTiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista), parecem apostados em fazer de 2017 mais um ano memorável na já respeitável carreira de um dos projetos essenciais do universo indie sonoro nacional. Para isso contam com Território Desconhecido, o próximo álbum do grupo, que irá ver a luz do dia a sete de abril próximo.

Gravado desde Junho passado até há poucas semanas, misturado por Carlos Jorge Vales e masterizado por Miguel Pinheiro Marques, Território Desconhecido conta com a participação especial de Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu e gravou o disco no Estúdio do Olival, à excepção das baterias que foram captadas por Manuel San Payo. 

O Sonho é o primeiro single retirado de Território Desconhecido e nele a ideia de maturidade é a que salta mais à vista quando apreciamos a atualidade de uma canção que nos mostra os Trêsporcento fiéis a si próprios e a trilharem de modo cada vez mais assertivo e criativo o percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop aberta e luminosa e sempre cantada em português. Confere...

 


autor stipe07 às 09:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

Velhos - Velhos

Gravado e misturado no Estúdio Zeco por João Sozinho e masterizado por Nélson Carvalho no Estúdio SSL Valentim de Carvalho, exceto Manso, canção não masterizada e uma edição conjunta da AMOR FÚRIA e da Flor Caveira, Velhos é o novo registo de originais dos Velhos, um coletivo lisboeta que em nove magníficas canções nos oferece uma das melhores surpresas nacionais sonoras de 2016.

Foto de Os Velhos.

As canções de Velhos têm o curioso efeito de parecerem deambular numa espécie de descontrolado vaivém, sem aparente origem e destino. A falsa lentidão do riff da guitarra de Aberta Nova e o modo como um efeito distorcido se insinua no refrão, são apensas dois dos detalhes que, logo no tema de abertura, nos fazem ter essa impressão de que há aqui algo simultaneamente denso e intrincado, mas também bastante profundo e revelador. O feliz enclausuramento que todos deveríamos sentir pelo menos uma vez na vida e que é descrito em Manso, desfilando perante os nossos ouvidos através dessa matriz sonora, parece ainda mais perene e um daqueles alvos apetitosos, que deve estar ali, num lugar cimeiro dos nossos objetivos mais prementes.

Todo o disco merece dedicada e atenta audição, sendo um exercício ainda mais recompensador se acompanhado por uma interiorização dos diversos poemas musicados, assentando, no geral, em lindíssimas melodias amigáveis e algo psicadélicas, feitas com guitarras distorcidas, mas também momentos mais íntimos e quase silenciosos, onde se canta de modo mais grave e existe uma maior escassez instrumental. Aqui Parado é um tema que nos apresenta, com exatidão, esta ambivalência que, no fundo, é algo fictícia porque o rumo melódico e instrumental que sustenta esta e as outras canções é, apenas, uma forma de apresentar as diversas cargas emotivas que as letras contêm. E depois, no modo como em Dorme a bateria se relaciona com o fuzz da guitarra e os diferentes registos vocais, a solo e em coro, são aspetos que esclarecem-nos que este é um coletivo de músicos único e que também consegue libertar-se de uma certa timidez introspetiva, para se apresentarem, quando é necessário, mais luminosos e expressivos. Aliás, isso também fica plasmado em Casa Comigo, canção que impressiona pelo seu edifício melódico, que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino rock, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de Velhos, mas com superior abrangência e cor.

Velhos acaba por ser uma espécie de narrativa espiritual e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e, ao longo da sua audição, acabamos, frequentemente, por ter de esquecer tudo aquilo que nos rodeia para conseguirmos saborear devidamente algo grandioso, porque transmite um rol de emoções e sensações com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade melancólica bastante contemplativa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

Noiserv - 00:00:00:00

Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra, adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's Therehavendo, a partir de amanhã, mais um compêndio de canções para juntar a esta lista. Refiro-me a um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mesmo para o próprio autor, após uma fatalidade originada por um jogo de basquetebol no ocaso do último inverno e que limitando fisicamente Noiserv, devido à fratura de um pé, conduziu-o para a frente das teclas de um piano. Ficaram, assim, lançados os dados para este novo registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Resultado de imagem para noiserv 00:00:00:00

Descrito como a banda sonora para um filme que ainda não existe, mas que pode muito bem servir de mote para um nosso, desde que o queiramos, 00:00:00:00 é uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco, fornecendo-nos inspiração para os filmes que na nossa mente podemos, com elas, produzir. E este é o atributo maior de um trabalho oposto do seu antecessor, que era feito de longos títulos e sonora e visualmente bastante colorido e diversificado, por ser instrumentalmente sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, muitos deles autênticos brinquedos e porque graficamente também obedecia a essa premissa. 00:00:00:00 é absolutamente minimal, incrivelmente simples, estupendamente crú e, por isso, aberto e (de outro modo) desafiante no modo como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida. 

Assim, se Almost Visible Orchestra contava histórias, algumas delas inspiradas em eventos reais, fazendo-o de modo concreto e incrivelmente realista, agora Noiserv sobe um patamar acima no arrojo que coloca no modo como se quer relacionar com os seus seguidores, oferecendo-lhes o inesperado, algo que à primeira audição parece o oposto daquilo a que sempre os habituou. Mas o que ele realmente faz é, obedecendo à filosofia conceptual da sua carreira e, certamente, da sua personalidade, que sempre buscou, deliciosamente, a melancolia, os afetos, a emotividade, a saudável ingenuidade genuína e o louvor do bem e do encontro da felicidade concreta através da experimentação do bem comum, desafiar-nos a darmos-lhe as mãos e sermos nós também, através da audição deste disco, construtores e definidores deste ideário, imaginando as tramas e a mensagem subjacente a cada um destes oito temas, cujos títulos podem muito bem ser o numeral referente a cada um dos takes por nós idealizados.

É curioso constatar o acerto temporal em que 00:00:00:00 chega aos escaparates, fazendo-o em pleno outono tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós e perante quem comungue connosco todo o calor que, potencialmente, este alinhamento contém e que o inverno prestes a chegar certamente exigirá e agradecerá que seja vivido.

Confesso que já me apropriei de Sete, o meu número preferido, um doce e tocante instrumental, com um imenso travo a melancolia, perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de um lindíssimo piano, para primeira cena do meu filme. Convido-vos a fazerem o mesmo e a deixarem-se levar, sem reservas, por este universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, que marca um regresso aos discos imperdível e claramente inspirado de um músico, intérprete e compositor único no nosso panorama musical. Lá no alto, sei que alguém já o faz. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para noiserv 00:00:00:00

Três

Sete

Seis

Quinze

Onze

Vinte e Três

Catorze

Dezoito


autor stipe07 às 21:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

Terrakota - Oxalá

Já chegou aos escaparates Oxalá, o novo registo de originais dos Terrakota, um coletivo sedeado na capital do antigo império, mas de setas apontadas para os quatro cantos de um planeta cada vez mais pequeno e global e culturalmente e etnicamente díspar. E se em pleno arranque do século XXI esta realidade apresenta-se como um facto incontornável, tal deve-se, sem sombra de dúvida, à coragem e à perseverança de um pequeno povo que há alguns séculos sulcou novos mares e descobriu outras culturas, saberes e tradições, que estes Terrakota plasmam, com notável vibração e autenticidade, neste Oxalá.

Resultado de imagem para terrakota 2016

Gravado nos estúdios dos próprios Terrakota e nos estúdios GroundZero e TooLate, Oxalá é uma edição completamente independente e conta com as participações de Vitorino, Mahesh Vinayakram, Selma Uamusse, Anastácia Carvalho e Florian Doucet entre outros. Este novo capítulo da discografia dos Terrakota tem como ponto de partida Lisboa, faz um pequeno e curioso desvio pelo coração do Alentejo na introdução do tema homónimo e depois, assume-se como ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.

Saboreando poemas escritos em português, inglês e francês, Oxalá coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu e disserta sobre o modo como diferentes territórios e porções de um planeta que foi beijado um dia pelo intrépido português, faculta uma heterogeneidade de sensações e obrigou aos nativos a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência.

Não é assim tão ousado afirmar que a música dos Terrakota é um exercício antropológico, com tudo aquilo que de interessante e revelador tem, forçosamente, um documento sonoro que permite tal desiderato. Sendo o artwork do disco, da autoria de Alexandre Louza, logo à partida, revelador das reais intenções deste coletivo, é no gira giro do mundo que a humanidade se desvenda, como se pode escutar no tema que abre Oxalá, mas também na distância que separa a vibração do violão da cadência das congas e do treme terra em Entre O Céu E A Terra. E se enquanto passamos dessa Gira Giro a Jah Flow viajamos, num ápice, da Índia à Jamaica, já em Mexe Mexe e Bankster é numa ruela lamacenta mas cheia de cor de Luanda ou da Praia que aterramos, mesmo no ventre daquela África que tanto nos ofereceu ao longo de seis séculos de intercâmbios e histórias nem sempre pacíficas, mas ainda hoje marcantes e impressas num povo que vivendo à beira mar plantado deve ao continente negro, como referi acima, uma elevada quota parte do seu adn atual.

Disco feito demanda e oferenda de diferentes cheiros e emoções e, conforme se percebe em Entre o Céu E A Terra, um trabalho que também serve para nos explicitar como esta evolução tem um lado negro e nefasto, nele os Terrakota, como banda de intervenção que são, assumidamente, querem-nos fazer refletir nesse sofisma, algo audível, por exemplo, nesse tema quando se escuta Já Veio Expulso da Índia! Lá teve falha o seu plano. Depois de ir minar o Brasil, foi pegar o Jamaicano. Oxalá abre, por todas estas e tantas outras boas razões, um novo capítulo da vida de uns Terrakota renovados e com uma abrangência sonora ímpar no panorama musical nacional. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:57
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016

Noiserv - Sete

Resultado de imagem para david santos noiserv 2016

Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, além dos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless e Almost Visible Orchestra, havendo também a destacar o DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There. Esta é já uma já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Hoje mesmo Noiserv deu a conhecer ao mundo Sete, o meu número preferido, um doce e tocante instrumental, com um imenso travo a melancolia, perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de um lindíssimo piano. O de Sete é acompanhado por alguns metais e conduz-nos por um universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, exemplarmente retratado num espetacular vídeo com argumento de Tiago Ribeiro, produzido por Andreia Lucas e realizado por Gustavo Sá e Sílvio Rocha, sendo as maquetes da Autoria de Pedro Alves da Gare.

Adivinha-se um regresso aos discos imperdível e claramente inspirado de um músico, intérprete e compositor único no nosso panorama musical. Confere...


autor stipe07 às 11:22
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 1 de Julho de 2016

Miss Lava - Sonic Debris

Com o quartel general montado em Lisboa, J. Garcia, Johnny Lee, K. Raffah e Ricardo Ferreira são os Miss Lava, uma banda de regresso aos discos com Sonic Debris, dez canções lançadas à boleia da Small Stone Records, misturadas por Benny Grotto, masterizadas por Chris Goosman e produzidas por Fernando Matias e os próprios Miss Lava e que, de acordo com o press release do lançamento, plasmam uma viagem sónica com uma diversidade ainda não evidenciada antes pela banda e que os levou a projetar estilhaços sonoros distorcidos, asteroides psicadélicos e bestas obscuras.

Com uma carreira bastante profícua, algo a que não será alheio a forte camaradagem que une estes quatro irmãos, que fazem questão de partilhar o processo de composição melódica das suas canções, os Miss Lava chegam ao terceiro registo de originais na fase mais profícua carreira, oferecendo-nos um alinhamento que é inspirado no rock puro sangue, aditivo e psicadélico, com reminiscências na década de setenta. É um rock visceral, orgânico e intenso, que dispensando o uso de artifícios eletrónicos e não deixando de nas cordas da soul de In A Sonic Fire We Shall Burn espreitar ambientes mais intimistas e crus, com um louvável pendor atmosférico, impressiona, principalmente, pela epicidade de canções como Another Beast Is Born e, principalmente pelo fabuloso frenesim das guitarras e da bateria encorpada de I'm The Asteroid.

Além dos temas já citados, até ao ocaso deste registo, o baixo e a guitarra abrasiva de At The End Of The Light e os desvios rítmicos desta canção, o carrocel instrumental que sustenta os punhos cerrados que conduzem Symptomatic e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento blues de Pilgrims of Decay, atestam com superior magnificiência a espiral psicadélica que é este Sonic Debris, um álbum que nos suga para um abismo onde também cabem belos momentos com todo o potencial para chegarem a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas. Os Miss Lava merecem já, claramente, uma posição de relevo na esfera indie internacional. Espero que aprecies a sugestão...

Another Beast Is Born

The Silent Ghost Of Doom

I'm The Asteroid

In A Sonic Fire We Shall Burn

At The End Of The Light

In The Arms Of The Freaks

Symptomatic

Fangs Of Venom

Pilgrims Of Decay

Planet Darkness

 


autor stipe07 às 17:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 9 de Junho de 2016

You Can't Win, Charlie Brown - Above the Wall

Quase dois anos e meio depois da edição de Diffraction/Refraction, os lisboetas You Can't Win, Charlie Brown de Afonso Cabral (voz, teclas, guitarra), Salvador Menezes (voz, guitarra, baixo), Tomás Sousa (bateria, voz), David Santos (teclas, voz), João Gil (teclas, baixo, guitarra, voz) e Luís Costa (guitarra), regressam em setembro próximo aos lançamentos discográficos com Marrow, um compêndio de canções que nos irá certamente oferecer mais um sentido quadro sonoro, pintado com belíssimos arranjos de cordas que, no caso de Above The Wall, o primeiro tema divulgado do disco, apostam numa imponente dose eletrificada de fuzz e distorção, que se saúda amplamente e uma voz contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto.

Este tema Above the Wall, assim como o restante conteúdo de Marrow, foram gravados no HAUS, por Fábio Jevelim, Makoto Yagyu e Miguel Abelaira e misturados por Luís Nunes, também conhecido por Benjamim, colaborador de longa data dos You Can't Win, Charlie Brown.

Com tantas bandas e artistas a ditar cada vez mais novas tendências no indie rock, é refrescante encontrar por cá alguém que o faz de forma diferente e de modo profundo, intenso e poderosamente bem escrito, ainda por cima depois de ter calcorreado territórios sonoros mais acústicos e introspetivos. Se este primeiro avanço de Marrow mal dá tempo para recuperar o fôlego, aposto que o que aí vem estará carregado de imagens evocativas, sustentadas em melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provarão, novamente, a sensibilidade dos You Can't Win, Charlie Brown para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. 


autor stipe07 às 13:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 8 de Junho de 2016

Old Jerusalem - A Charm

Com uma carreira já cimentada de praticamente quinze anos, o lindíssimo projeto Old Jerusalem, assinado por Francisco Silva, regressou aos discos com a rose is a rose is a rose, um novo tomo de uma já extensa e riquíssima discografia, após um interregno de quatro anos. Esta é uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e o título do álbum, como se percebe, um jogo de palavras muito curioso que sustenta, na minha opinião, dez canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional.

Um dos grandes destaques de a rose is a rose is a rose é, claramente, A Charm, a canção que abre o alinhamento e que balança um pouco ali, entre os altos e baixos da vida e como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta. Esse tema acaba de ter direito a um excelente vídeo, realizado por Natacha Oliveira.

Entretanto, os concertos de promoção de a rose is a rose is a rose prosseguem, estando já confirmadas as seguintes datas:

- 25 de Junho/ Paços da Cultura, São João da Madeira

- 30 de Junho/ TBA, São Pedro do Sul

- 2 de Julho/ TBA, TBA

- 23 de Julho/ Associação Arquente, Faro

- 24 de Julho/ Fortaleza de Sagres, Sagres

- 2 de Setembro/ Sons À Sexta, Fundão


autor stipe07 às 21:56
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Março 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
15
16

19
21
25

26
29
30
31


posts recentes

Vaarwell - Homebound 456

Luis Severo - Luis Severo

Trêsporcento - O Sonho

Velhos - Velhos

Noiserv - 00:00:00:00

Terrakota - Oxalá

Noiserv - Sete

Miss Lava - Sonic Debris

You Can't Win, Charlie Br...

Old Jerusalem - A Charm

Mira, Un Lobo! - Heart Be...

Quelle Dead Gazelle - Mau...

The Loafing Heroes - The ...

Electric Man - Electric M...

Capitão Fausto - Amanhã T...

We Trust - We Are The One...

Noiserv - Don't say Hi if...

Numbers Are Futile - Sunl...

Afonso Pais - Terra Concr...

Vitorino Voador - O dia e...

X-Files

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds