Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Foxygen - We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por  Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.

A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.

In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.

On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophies tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.

O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic termina com a hipnótica Oh No 2canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.

We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado.  Espero que aprecies a sugestão...

In The Darkness

No Destruction

On Blue Mountain

San Francisco

Bowling Trophies

Shuggie

Oh Yeah

We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Oh No 2 

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autor stipe07 às 18:08
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Colleen Green - Sock It To Me

Natural de Los Angeles, Colleen Green editou no passado dia dezanove de março Sock It To Me, o seu segundo álbum, por intermédio da etiqueta de Seattle Hardly ArtHeavy Shit e Time In The World são os dois singles já conhecidos deste álbum, criado por uma artista que aposta na simplicidade e que costuma subir sozinha ao palco, apenas com uma guitarra, uma beat box e um par de óculos.


No universo musical é comum a possibilidade de dividirmos os executantes e compositores em dois grandes grupos; Por um lado há aqueles que se destacam pelas suas composições grandiosas e carregadas de detalhes que procuram abarcar uma heterogénea míriade sonora e depois há quem prefira ser o mais simples possível, servindo-se de uma teia instrumental curta e, mesmo assim, conseguir criar um bom naipe de canções. Colleen Green insere-se claramente neste segundo grupo; É fácil imaginarmos a miúda no interior de um quarto completamente desarrumado e com uma guitarra na mão, apenas acompanhada por uma beat box, a fazer música. Sock It To Me remete-nos para a pop e para o punk dos anos sessenta, seguindo a tradição minimal de uns Ramones ou uns Beat Happening e, tentando ser mais atual, com algumas semelhanças com os primeiros trabalhos dos Best Coast. Há um certo charme implícito nas limitações que Colleen impôs ao conteúdo de Sock It To Me, mas também na sinceridade com que as admite já que, por exemplo, confessa que optou utilizar uma beat box em vez da tradicional bateria, porque não sabe tocar uma.

No que concerne às canções, Heavy Shit não tem o sintetizador que se destacava em Time in the World; porém, a artista tem o dom de saber lidar com a simplicidade e, ao mesmo tempo, situar-se numa zona de conforto onde é capaz de compôr belíssimas composições.  Dois elementos fundamentais na música de Colleen Green são a distorção e uma certa toada lo fi. Ambos estão presentes, assim como uma postura vocal ímpar e guitarras bastante aditivas e com uma forte toada punk.

Além dos dois singles já citados, os fãs do filme True Romance irão apreciar a canção You're So Cool, já que se refere à relação entre a personagem Alabama, interpretada por Patricia Arquette e Clarence, interpretado por Christian slater. A temática das canções gira muito em redor de temas típicos de miúdas, algo que mais uma vez nos remete para a década de sessenta, já que também é devido à sensibilidade da escrita de Colleen, que ela recorda outras bandas desse período. When He Tells Me, Darkest Eyes e Every Boy Wants a Normal Girl, são três temas que o atestam já que falam de sentimentos e emoções típicas do universo adolescente feminino.

Sock It To Me conjuga e atualiza para 2013 o que de melhor existia nos grupos pop femininos dos anos sessenta e o punk da década seguinte, com melodias carregadas de charme, feitas com uma beat box, riffs de guitarra simples mas poderosos e alguma sintetização. É uma coleção honesta de canções onde não parece ter havido uma especial preocupação em compôr para a crítica, mas antes, com a tal simplicidade, criar a música que Colleen mais aprecia. Here's what I got. No questions. Espero que aprecies a sugestão...

12834

01. Only One
02. Time in the World
03. You’re So Cool
04. Close to You
05. Sock it to Me
06. Darkest Eyes
07. Heavy Shit
08. Every Boy Wants a Normal Girl
09. Taxi Driver
10. Number One


autor stipe07 às 22:28
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Sábado, 23 de Março de 2013

EELS – Wonderful, Glorious

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos discos com Wonderful, Glorious, um trabalho com treze temas e inteiramente gravado nos estúdios do músico em Los Feliz, nos arredores de Los Angeles, construídos de raíz para a ocasião. Este álbum foi lançado a quatro de fevereiro por intermédio da Vagrant Records; É o décimo disco dos Eels e interrompe um hiato de quase três anos após um período bastante profícuo da banda e que deu origem à triologia Hombre Lobo (2009), End Times (2010) e Tomorrow Morning (2010).

Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o início, o primeiro single de Wonderful, Glorious não surpreendeu quem já está habituado a constantes e felizes quebras na conduta sonora deste grupo norte americano; Após a introspeção latente em End Times, a agressividade punk de Peach Blossom encontra paralelo na transformação sonora que no virar do século operaram de Daisies Of The Galaxy (2000) para Souljacker (2001). Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo.
A temática das canções de Wonderful, Glorious é variada e, como sempre, há uma forte componente autobiográfica na escrita de Mr. E. Sonoramente, a agressividade de canções como Kinda FuzzyOpen My PresentStick Together e New Alphabet, não é gratuíta, digamos assim, ou seja, é feita com algum controlo e com uma instrumentação apelativa, que combina muito bem com a típica rouquidão vocal de Everett. Na triologia citada, Mark cantou sobre algumas mazelas que certamente o atormentavam nesse período e agora, em Wonderful, Glorious, o músico sai de novo de uma espécie de clausura emocional e introspetiva, para se libertar e mostrar, sem receio, a sua faceta mais rebelde e divertida, não havendo agora lugar para sentimentos obscuros e lamentações.
Wonderful, Glorious nunca será o disco do tudo ou nada dos Eels, porque estamos na presença de uma banda que já carimbou, com legitimidade, o seu lugar no historial mais ilustre e fundamental do rock alternativo, devido a mais de duas décadas de uma imaculada carreira. Mas sente-se que é um implícito grito de revolta, por parte de um grupo que ciente de tudo isto, talvez esteja cansado da indiferença e de, injustamente, ter vivido todo este tempo numa inexplicável penumbra mediática. Em Bombs Away os Eels assumem a intenção de causar estragos e o groove invulgar de Kinda Fuzzy e a emoção latente na folk da belíssima On The Ropes, servem para provar que há uma míriade sonora notável no cardápio sonoro do grupo e que, no caso da última canção, ao comparar-se com um pugilista, Mr E. assume que não está KO e que quer lutar pelo seu justo lugar no estrelato. Em The Turnaround, no meio de uma certa tensão, Mark prova que sabe aproveitar o seu potencial criativo e assume que pode haver reviravoltas no combate, mas o crescendo da canção sustenta que ele está pronto, uma vez mais, para enfrentar as adversidades e continuar a sua caminhada.

Wonderful, Glorious pode não mudar muita coisa no universo musical dos Eels devido à riqueza do mesmo, mas depois da tal triologia, a liberdade deste disco acaba por ser uma lufada de ar fresco. A dinâmica do sucesso é difícil de prever, mas Everett e companhia merecem elogios de um público maior do que aquele que o conhece e produziram aqui um punhado de canções marcantes que podem realmente leva-los mais além. Oxalá eles alcancem a fama e o reconhecimento público que tanto reclamam em Wonderful, Glorious, porque bem o merecem. Espero que aprecies a sugestão...

01. Bombs Away
02. Kinda Fuzzy
03. Accident Prone
04. Peach Blossom
05. On The Ropes
06. The Turnaround
07. New Alphabet
08. Stick Together
09. True Original
10. Open My Present
11. You’re My Friend
12. I Am Building A Shrine
13. Wonderful, Glorious


autor stipe07 às 19:55
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Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

The Little Ones – The Dawn Sang Along

Os The Little Ones são Lee LaDouceur, Kevin Lenhart, Ian Moreno, Brian Reyes, Ed Reyes e Ryan Wilson, uma banda de indie surf pop de Los Angeles.

The Dawn Sang Along é o mais recente trabalho dos The Little Ones e sucede a Morning Tide, o trabalho de estreia do grupo, lançado em 2008; Foi gravado nos estúdios Rollercoaster Recording e produzido por David Newton dos The Mighty Lemon Drops, proprietário do estúdio e pelos próprios The Little OnesThe Dawn Sang Along foi lançado no passado dia doze de fevereiro pela Branches Recording Collective e está disponível para audição no bandcamp da banda.

Para quem estiver já cheio de vontade de antecipar na sua mente o próximo verão e as férias que se avizinham ainda para alguns, The Dawn Sang Along é um excelente disco para esse propósito. O álbum tem onze canções simples e animadas, com a musicalidade extremamente jovem, adolescente e com uma forte aúrea pop que já se escutava em Morning Tide.

As guitarras dominam o cenário montado e criam melodias dançantes que chegam a ser acompanhadas, por exemplo, com ritmos de xilofones, como podemos notar em Argonauts, a primeira canção do álbum e com um vídeo cheio de praia e surf, dirigido pelo próprio Lee LaDouceur. As seguintes seguem no mesmo molde, ajudadas pelo embalo da voz aguda do vocalista e pelos teclados.

Por abarcarem o mesmo território sonoro de bandas como os Phoenix e os Two Door Cinema Club, os The Little Ones estão a optar por uma sonoridade que está na ordem do dia e com elevado potencial de aceitação junto do grande público, em especial o mais jovem que aprecia dar alguns passos de dança no quarto ou numa festa junto de uma psicina. Espero que aprecies a sugestão...

The Little Ones - The Dawn Sang Along

01. Argonauts
02. Boy On Wheels
03. Little Souls
04. Forro
05. Catch The Movement
06. Shake Your Sign
07. AWOL
08. Art In The Streets
09. Super Bros.
10. Body
11. Ain’t It Like You And Me


autor stipe07 às 22:07
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Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2013

Great White Buffalo – Great White Buffalo EP

Os Great White Buffalo são uma banda rock de Los Angeles formada em 2010 por Graham Bockmiller (guitarra e voz), Stephen Johnson (guitarra e voz), Paul Hiller (baixo) e Rich Carrillo (bateria). Considerados pela publicação Pigeons and Planes como uma das dez bandas dessa cidade da costa oeste norte americana que merecem toda a atenção, lançaram no passado dia trinta de janeiro um EP homónimo que está disponível para audição e download no bandcamp da banda. Great White Buffalo sucede a Tightrope, um outro EP lançado em abril do ano passado.

Great White Buffalo foi gravado nos Harmony Studios de Los Angeles e os seis temas do EP foram todos escritos pela banda, tendo estado a produção a cargo da mesma e de Philip Allen, vencedor de um Grammy e um nome que já trabalhou com Adele e os Aerosmith. foi também ele quem ficou a cargo do processo de mistura.
Lord Huron e Father John Misty são já dois fãs declarados deste grupo, que nos oferece, neste EP, canções com uma típica sonoridade rock e que terão como maiores influências os Foo Fighters, Kings Of Leon e The Strokes.
Brevemente a banda irá tocar no Noise Pop Festival em São Francisco e no SXSW. Espero que aprecies a sugestão...

01. Thanks For Nothing
02. Likely Story
03. In The Fold
04. Teeth
05. Sleepwalk
06. Burn


autor stipe07 às 20:50
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

Local Natives – Hummingbird

Conheço os Local Natives desde que em 2010 apresentei Gorilla Manor (2009) e desde aí fiquei sempre muito atento a este quinteto de Los Angeles. Assim, era com justificada expetativa quer aguardava por Hummingbird, o disco mais recente de um grupo californiano, que faz da leveza instrumental, do sofrimento traduzido em versos e da formatação primorosa que brinca com a excelência das formas instrumentais, a sua imagem de marca. Humminbird foi produzido por Aaron Dessner, dos The National e chegou às lojas no passado dia vinte e nove de janeiro pela Frenchkiss.

A sonoridade dos Local Natives sempre se manteve dentro de uma atmosfera bem delineada e de uma constante proximidade lírica e musical, algo bem patente no Gorilla Manor, uma obra que alicerçou definitivamente o rumo sonoro do grupo. Hummingbird concretiza tudo aquilo que foi proposto há três anos e acrescenta uma maior componente épica, feita com texturas monumentais e arranjos que parecem aproximar o grupo das propostas de Robin Pecknold (Fleet Foxes) e Win Butler (Arcade Fire) e fazer uma espécie de simbiose das mesmas. Continua a ouvir-se os detalhes étnicos e conceptuais, mantendo-se uma relação estreita com as propostas mais recentes dos Vampire Weekend e a obra dos Talking Heads. Já agora, acrescento que Warning Sign, dos Talking Heads, foi alvo de uma versão pelos Local Natives.

Em Hummingbird há coerência no alinhamento e cada tema parece introduzir e impulsionar o seguinte, numa lógica de progressão, mas nunca perdendo de vista as melodias suaves e a dor, dois vectores essenciais do conceito sonoro dos Local Natives. Dessa forma, enquanto Heavy Feet cresce de maneira a soterrar-nos com emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, Ceilings puxa o álbum para ambientes mais melancólicos e amenos. Existem ainda composições que lidam, em simultâneo, com esta duplicidade, caso de Breakers, um tema que nos transporta até altos e baixos instrumentais, que atacam diretamente os nossos sentimentos.

E são estes sentimentos que suportam cada mínima fração instrumental e poética de Hummingbird; Das confissões de You & I, à honestidade de Bowery, praticamente tudo aquilo que se ouve lida com aspectos dolorosos da vida a dois, algo que aproxima também os Local Natives dos lamentos adultos que abastecem a obra dos The National, algo a que não será alheia a já referida presença de Aaron Dessner na produção.

Hummingbird é também um deleite para os apreciadores de belas vozes; Os músicos da banda vão-se revezando na sobreposição de cantos e de maneira orquestral direcionam os rumos marcados pelos instrumentos. As vozes servem como estímulo para o começo, o meio e o fim das canções e não são apenas um instrumento extra, mas a linha que guia e amarra o álbum do princípio ao fim.

Embora tenha a concorrência de um universo musical saturado de propostas, Hummingbird consegue posicionar os Local Natives num lugar de destaque, porque traz na constante proximidade entre as vozes e as melodias instrumentais, imensa emoção e carateriza-se por ser um registro que involuntariamente chama a atenção pela beleza e que, por isso, deve ser apreciado com cuidado e real atenção. Espero que aprecies a sugestão...

01. You And I
02. Heavy Feet
03. Ceilings
04. Black Spot
05. Breakers
06. Three Months
07. Black Balloons
08. Wooly Mammoth
09. Mt. Washington
10. Columbia
11. Bowery


autor stipe07 às 18:55
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Sábado, 26 de Janeiro de 2013

Gliss – Langsom Dans

Os Gliss são um trio sediado em Los Angeles, formado por músicos dinamarqueses e norte americanos, nomeadamente Victoria Cecilia, Martin Klingman e David Reiss. Langson Dams é o terceiro disco do grupo e foi lançado no passado dia vinte e dois de janeiro pela Modern Outsider. Refiro-me a um intenso compêndio de pop suave e etérea e que confirma anteriores comparações da banda a nomes como os Beach House, Crystal Castles e Lower Dens, entre outros, aos quais ouso juntar The XX, Portishead, Joy Formidable, Purity Ring e Depeche Mode.

A sonoridade pop tipicamente escandinava, feita de paisagens sonoras atmosféricas assentes no sintetizador e de vocalizações intensas e cheias de efeito, aqui asseguradas pela belíssima voz de Victoria Cecilia, é o fio condutor da tapeçaria sonora que compõe Langsom Dans. Nota-se que houve um cuidado extremo ao nível dos arranjos e que tudo o que se ouve foi pensado com detalhe. Guitarras cheias de eco e teclados murmurantes e que fazem lembrar os anos oitenta ajudam a aprimorar uma certa subtileza, algo sombria e até sinistra, uma espécie de pop obscura, mas sem ser gótica. Tudo isto confere aos Gliss um indisfarçavel encanto e atração, uma aúrea que faz deles mais um nome a ter em conta no universo pop alternativo.

Weight Of Love é o primeiro single retirado de Langsom Dans, um tema que já tem um vídeo, realizado por Paul Boyd, num clima surreal e quase psicadélico.

Ouvir os Gliss faz-nos sentir uma enorme nostalgia porque eles sabem como dar vida à sonoridade pop, com influências retro e vintage, tão em voga nos dias de hoje. Espero que aprecies a sugestão...

01. Blood On My Hands
02. A To B
03. Into The Water
04. Weight Of Love
05. Blur
06. Hunting
07. Waves
08. The Sea Tonight
09. Through The Mist
10. In Heaven
11. Black Is Blue
12. Kite In The Sky


autor stipe07 às 15:17
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Domingo, 20 de Janeiro de 2013

Rhye - The Fall


Rhye é uma dupla oriunda de Los Angeles, na Califórnia e que resulta da combinação do canadiano Milosh com Robin Hannibal dos dinamarqueses Quadron, uma banda com uma sonoridade eletrosoul.

The Fall é o nome do novo disco desta dupla, uma das grandes apostas para 2013. As dez canções são uma trama de versos confessionais, apaixonados e levemente dançantes, uma sonoridade sublime, feita com muitas teclas de piano que constroem detalhes sonoros adoráveis, algo que vai de encontro ao que há de mais sublime na pop. Há uma toada soul com algumas semelhanças com o que é proposto pelos britânicos The XX.

Para entender com clareza do que se trata este The Fall basta uma rápida audição da canção que dá título ao registo, um tema com uma tonalidade algo implícita e muito sedutora, que parece desmanchar-se suavemente nos nossos ouvidos. É possível descarregarem o tema gratuitamente através do sítio oficial do projecto californiano. Espero que aprecies a sugestão...

Rhye -The Fall

01. Open
02. The Fall
03. Last Dance
04. Verse
05. Shed Some Blood
06. 3 Days
07. One Of Those Summer Days
08. Major Minor Love
09. Hunger
10. Woman


autor stipe07 às 17:59
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2013

Alek Fin – Mull EP

Nos últimos dias, não sei se por influência deste tempo escuro e chuvoso ou das constantes sonecas que o meu filho disfruta ao meu lado enquanto, nesse tempo livre que ele me concede, ouço nova música, tenho dado por mim a sentir uma especial atração por sonoridades mais etéreas, melancólicas e com uma forte componente eletrónica, algo notório nas minhas últimas publicações neste blogue. E uma das minhas recentes descobertas vem de Los Angeles. Falo de Alek Fin, um produtor e compositor de música eletrónica que está a fazer furor devido a um EP que lançou no passado dia um de dezembro de 2012. O trabalho intitula-se Mull e contém quatro temas que plasmam sonoridades típicas de nomes como os Captions, Death Rabbit, DJ 501, Jon Hopkins, Radiohead, Vex Mohan, James Blake, Robot Koch, Flying Lotus e Atlas Sound, influências declaradas do músico.

Mull ouve-se do início ao fim sem grandes sobressaltos. E apesar de só ter quatro canções, são suficientes para conseguirmos descolar para um outro ambiente calmo e soturno, feito com fantasmagóricas nuvens que nos catapultam para paisagens sonoras espaciais, uma atmosfera introspetiva mas que inclui algumas pequenas surpresas, conferidas por subtis detalhes sonoros. Os temas estão carregados de graves e compactas batidas cósmicas feitas com bateria e sintetizadores e a voz em eco, envolvida quase sempre por uma espécie de fragilidade cristalina, nomeadamente no single homónimo, ajuda a agudizar essa sensação de evitação para uma outra dimensão física. Se aprecias o universo mais recente friado por Thom Yorke nos Atoms For Peace ou em King Of Limbs, o último disco dos Radiohead, então garanto-te que vais ficar plenamente convencido e adorar escutar este EP, principamente o single Waiting Like A Wolf, disponibilizado para download pelo músico, como podes conferir abaixo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Mull
02. Rocks In Paper
03. Waiting Like A Wolf
04. Gone


autor stipe07 às 17:18
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Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2012

Flashing Red Lights - Prestige EP


Já há algum tempo que não havia novidades dos Flashing Red Lights, um projeto californiano, oriundo de Los Angeles, liderado por Mack Slevin. O último lançamento tinha sido o EP Faster Horses, mas já tem sucessor. No passado dia vinte e sete de novembro foi divulgado Prestige, mais um EP de um músico que continua a progredir no desenvolvimento de uma pop eletrónica, assente numa sonoridade límpida e etérea e com a voz e as letras de Slevin a assumirem o destaque.

O título Prestige foi inspirado no nome de um supermercado de Los Angeles. A audição das quatro canções do EP é quase uma espécie de monólogo que o autor tem connosco, tal é a profundidade e o domínio da sua voz, muito parecida com a de Moby.  A gravação terá sido pouco dispendiosa e feita com aparente simplicidade, socorrendo-se de algum software de sintetização, que serviu para compôr batidas extraordinárias, das quais destaco nao só o single If I Had The Time, mas também a dançável You're Not Smart. Além desse software, assume um papel preponderante nos temas, a utilização de samples variados; Um exemplo disso foi o recurso a gravações de vozes através do seu telefone, em bares, festas e casas de amigos, simples elementos do quotidiano comum de Mack, vivências que todos nós testemunhamos e que são o grande suporte da música dos Flashing Red Lights. Espero que aprecies a sugestão...

Prestige EP cover art

If I Had The Time

Pipes 2

You're Not Smart

Generation


autor stipe07 às 17:07
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Sábado, 22 de Dezembro de 2012

In The Valley Below - In The Valley Below

Os In The Valley Below são um novo par que começa a fazer-se notar lá para os lados de Los Angeles formado por Angela Gail e Jeffrey Jacob. No início do passado mês de outubro editaram o trabalho homónimo de estreia, um EP com quatro canções disponíveis no bandcamp da banda e que têm no single Peaches o grande destaque.


A sonoridade desta dupla é uma espécie de chic dream pop, assente em sintetizadores que procuram criar paisagens sonoras etéreas. No entanto, deve ser desde já evitada a tendência para procurar algum tipo de comparação com outras duplas do mesmo universo musical, nomeadamente os Beach House. Estes dois músicos e intérpretes confessam ter uma obsessão por sonoridades dos anos oitenta e apontam mesmo o exemplo da canção In The Air Tonight, de Phil Collins, como um exemplo perfeito da sonoridade que os fascina e pretendem reproduzir.

A audição de In The Valley Below comprova esta busca, mas o que mais me agradou nos quatro temas foi o ênfase muito particular que é colocado na voz de ambos. Não há aqui um elemento que assuma a primazia vocal; Os temas são quase sempre cantados pelos dois, em simultâneo, uma particularidade muito interessante e fundamental para dar mais corpo e uma toada algo épica aos temas. A nostálgica Take Me Back ilustra com notável perfeição esta simbiose sincera e profundamente emocional entre ambos que ganha contornos de uma quase evidente interação sexual entre ambos em Hymnal.

Estamos no inverno e há dias em que nos assalta aquela nostalgia que nos quer levar até aqueles finais solarengos dos dias de verão; In The Valley Below é para guardar num recanto precioso do iPOD ou do leitor de mp3 e devidamente apreciado, daqui a alguns meses, numa esplanada junto ao mar, em pleno pôr do sol. São poucas as vezes em que uma proposta tão óbvia, vulgar e algo redundante, assume particular significado. Espero que aprecies a sugestão...

In The Valley Below cover art

Peaches

Take Me Back

Palm Tree Fire

Hymnal


autor stipe07 às 08:57
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Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012

He’s My Brother She’s My Sister – Nobody Dances In This Town

Os He's My Brother She's My Sister são uma banda de Los Angeles, líderada pelos irmãos Robert Kolar, um conhecido ator e escritor de canções (voz e guitarra) e Rachel Kolar, líder de uma companhia de teatro de Los Angeles (voz e percussão). Podem ser definidos como um circo de glam folk já que, além da sonoridade que exibem, apostam imenso na componente visual, chamando a atenção o fato de, por exemplo, Lauren Brown, a baterista, fazer percussão com sapateado (tap dancing) e o baixista Oliver Newell, um também conhecido artista e compositor, utilizar um baixo acústico, uma espécie de baixolão. O guitarrista Aaron Robinson também faz parte desta troupe, um músico que já tocou com os Sea Wolf e os Akron Family. Nobody Dances In This Town, editado no passado dia nove de outubro, é o primeiro álbum dos He's My Brother She's My Sister e foi lançado pela sua própria editora, a Park The Van Records.

A primeira imagem visual que se forma na nossa mente quando começamos a escutar Nobody Dances In This Town é a imagem de um salloon, onde se imagina a banda a tocar e as suas vozes, sempre muito sorridentes, a misturar-se com aquele glamour  típico do deserto texano, numa festa cheia de cowboys e muito whisky. Os He's My Brother She's My Sister têm a perfeita noção do que é uma banda e de como a componente teatral poderá ser uma mais valia para as canções.

Da abertura com o tema rockabilly Tales That I Tell, ao fecho com o blues de Can't See The Stars, as canções atravessam paisagens musicais que nos levam fundamentalmente ao glam da década de setenta e à pop twist and shout dos anos sessenta. Mas isto não significa que os He's My Brother She's My Sister se sintam apenas confortáveis com sons do passado; A excelente The Same Old Ground é um dos melhores temas de country alternativo que ouvi em 2012 e encaixa perfeitamente nesta máquina do tempo que Nobody Dances In This Town encarna. Mas ainda há mais para apreciar neste disco verdadeiramente festivo, nomeadamente a teatral Clackin Heels, onde estão explícitos os tais dotes e atributos tap dancing de Lauren Brown e a guitarra cheia de reverb em que assenta Touch The Lightning.

Nesta fusão de rock, com soul, blues e funk, este é um disco pouco aconselhável a quem desdenha e lhe mete confusão um sempre recomendável e salutar abanar de ancas. Espero que aprecies a sugestão...

He's My Brother She's My Sister - Nobody Dances In This Town

01. Tales That I Tell
02. Let It Live Free
03. Let’s Go
04. The Same Old Ground
05. Slow It Down
06. Wake Your Heart
07. Electric Love
08. Clackin’ Heels
09. Touch The Lightning
10. Choir Of The Dead
11. Can’t See The Stars

Website
[mp3 320kbps] rg ul dm


autor stipe07 às 22:11
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2012

Curtas... LXXVI

Os STRFKR (Starfucker) estarão de regresso aos discos logo no início de 2013 com Miracle Mile. Entretanto já é conhecido o primeiro single desse novo trabalho da banda de Portland. A canção chama-se While I'm Alive e foi disponibilizada pela Polyvynil Records.

 

West Coast Christmas EP Collection é o novo trabalho que os canadianos Said The Whale lançaram nos últimos dias. Como o próprio título indica, é uma coleção de dez temas relacionados com a época do ano festiva que atravessamos e que a banda gravou desde que se formou, em 2007. O EP está disponível para download no bandcamp da banda, até ao próximo mês de março.

01. The Bones Of Winter (2007)
02. Christmas Under The Clouds (2007)
03. Puddleglum (2008)
04. Wanting Like Veruca (2009)
05. Weight Of The Season (2009)
06. Brightest On My Street (2010)
07. 24 Days Of Xmas (2010)
08. Joy And Love (2011)
09. Smoke Signals (2011)
10. Hope And Peace (2011)

 

E as novidades natalícias continuam... A banda Los Campesinos! acaba de oferecer a todos os fãs e a quem queira, o seu tema de Natal. A canção chama-se A Doe To A Deer e está disponível na página da banda.

Luis Vasquez, um produtor de Oakland que assina The Soft Moon, acaba de disponibilizar uma remistura da sua autoria de Ice Age, um original do coletivo How To Destroy Angels, liderado por Trent Reznor. O original faz parte do EP Omen, que divulguei oportunamente.

O download está disponível por um período limitado, portanto, apressa-te!

 

Os Dead Times, uma dupla de Los Angeles formada por Calvin Markus e Travis Bunn, dedicaram-se, em 2012, a compor temas que misturam, com mestria, R&B e indie pop, seguindo as pisadas de outros percursores, nomeadamente James Blake e Ofei. Um dos novos temas dos Dead Times é Feel, uma música que me chamou a atenção pela belíssima melodia, os samples de vozes e a batida feita com palmas. No Bandcamp do grupo está disponível o EP de estreia deste projeto.


autor stipe07 às 11:43
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012

The Soft Moon - Zeros

Citado Curtas... LIII, foi a trinta de outubro que a Captured Tracks lançou Zeros, o segundo álbum de estúdio do quinteto Soft Moons e que sucede ao álbum homónimo, editado em 2010. Esta banda natural de São Francisco, na California, tem uma sonoridade distante desse ambiente solarengo, já que fazem um pós punk sombrio, muito na linha de outros grupos, como os Crystal Stilts, Cold Cave ou A Place To Bury Strangers, todos oriundos de Nova Iorque, na outra costa dos Estados Unidos da América.

Em Zeros os Soft Moon partiram em busca de uma sonoridade menos comercial e mergulharam num oceano de ruídos, com um certo toque de psicodelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas. Zeros segue as pegadas e o rumo estabelecido em The Soft Moon, deixa ao ouvinte pouco tempo e espaço para respirar e da canção de abertura, It Ends, até a chegada da canção de encerramento ƨbnƎ tI, uma versão espelhada inclusive musicalmente da música inicial, o disco não abranda um instante.

Por mais óbvia que seja a associação, não é difícil lembrar imediatamente a herança deixada pelos Joy Division, principalmente o conteúdo do ainda hoje revolucionário Unknown Pleasures, de 1979. Da capa minimalista em preto e branco, passando pela inexistência de uma ordem correta no trabalho, Zeros tem tudo para ser uma versão reformulada do clássico, não de maneira plagiada, mas como uma homenagem e referência.

As guitarras são o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se Insides remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Remembering The Future usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. Soma-se às guitarras e ao baixo os sintetizadores que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Zeros.

Zeros soa, de certa forma, como uma versão mais aprimorada da estreia, um som mais enraivecido, intenso e incansável, ou seja, a banda, ao invés de infletir o seu rumo sonoro, amadureceu as suas opções e, ao mesmo tempo, sem romper ou superar os seus limites dentro de uma zona de acerto, experimentam em pequenas doses e apontam algumas dicas e bases para o que poderão vir a desenvolver futuramente.

Para quem aprecia e quer manter-se atualizado sobre o que o mercado oferece em termos de ruídos sombrios e massas volumosas de som obscuros, Zeros é um disco obrigatório. Espero que aprecies a sugestão...

01 – It Ends
02 – Machines
03 – Zeros
04 – Insides
05 – Remembering the Future
06 – Crush
07 – Die Life
08 – Lost Years
09 – Want
10 – ƨbnƎ tI


autor stipe07 às 13:02
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012

Sea Wolf – Old World Romance

Os Sea Wolf são uma banda folk da Califórnia liderada pelo cantor e compositor Alex Brown Church, ao qual se juntam, atualmente,  Church, Lisa Fendelander (teclado), Theodore Liscinski (baixo), Joey Ficken (bateria), Nathan Anderson (guitarra) e Joyce Lee (violoncelo). Recentemente lançaram Old World Romance, o novo disco da banda e que sucede a White Water, White Bloom. Old World Romance foi produzido e gravado no próprio estúdio de Alex e misturado por Kennie Takahashi, que já trabalhou com os The Black Keys e os Broken Bells. Old Friend, o grande destaque deste trabalho, está disponível para download no sitio do grupo.

Old World Romance é sonoramente um álbum linear; Ouve-se de uma ponta à outra sem grandes sobressaltos. Seja como for, há algumas canções que se destacam, como a já citada Old Friend, Saint Catherine, a bem humorada Dear Fellow Traveler e Priscila, uma belíssima canção de amor. O romantismo é a grande pedra de toque dos Sea Wolf e isso é bem evidente na forma como as cordas e os acordes acústicos se destacam e na postura vocal de Alex. Dentro da ta linearidade não deixa de haver uma certa abundância de belos detalhes sonoros típicos da estrutura convencional das canções pop.

Alex Brown, o grande mentor dos Sea Wolf, deverá ser uma pessoa extremamente reservada e pouco expansiva. A movimentada e bulicosa cidade dos anjos não será certamente grande fonte de inspiração para uma sonoridade tão outonal e introspetiva, com uma produção tão precisa e discreta e que deverá encontrar raízes em alguém que gosta de vaguear até tarde, reencontrar amigos do passado e tentar ocupar o pensamento a aprofundar sentimentos e assim uma maior valorização pessoal. Old World Romance deve ser visto desta perspetiva de certa forma singular e ser aceite como um compêndio de melancolia optimista e intimista, perfeito para acompanhar com o On The Road de Jack Kerouac ou para se aventurar por estradas, mares, ou seja lá onde for. Espero que aprecies a sugestão...

01. Old Friend
02. In Nothing
03. Priscilla
04. Kasper
05. Blue Stockings
06. Saint Catherine St.
07. Changing Seasons
08. Dear Fellow Traveler
09. Miracle Cure
10. Whirlpool


autor stipe07 às 21:49
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012

Curtas... LXIV

As irmãs canadianas Tegan And Sara estão de regresso aos lançamentos discográficos no início de 2013. O álbum irá chamar-se Heartthrob e será o sétimo trabalho de estúdio da dupla, sucedendo a Sainthood, de 2009.

Heartthrob deverá expandir as referências pop e eletrónicas que há algum tempo acompanham o trabalho deste projeto, algo muito patente em I’m Not Your Hero, o primeiro single conhecido do disco. A canção utiliza a já tradicional melancolia como pano de fundo e depois divide-se em momentos mais dançantes e outros introspectivos, algo que deverá agradar aos seguidores mais fiéis das Tegan And Sara.

 

As melodias peculiares dos Local Natives estão de volta. Depois de Gorilla Manor, um dos grandes discos de 2009, o grupo de Los Angeles anunciou para o dia vinte e oito de janeiro a chegada de Hummingbird, o segundo e muito aguardado trabalho de estúdio da banda. Primeiro exemplar do novo álbum, que será lançado pelos selos Frenchkiss e Infectious, Breakers torna pública a evolução do quarteto, que mesmo sem querer estabelecer um registro de proporções épicas, flutua entre os Grizzly Bear do álbum Veckatimest e as cores que preencheram a estreia dos Vampire Weekend. Por enquanto, a melhor música de 2013.

 

A treze de novembro os Stumbleine irão editar um novo disco intitulado Spiderwebbed, através da Monotreme Records. Os Stumbleine são uma banda de Bristol, cidade natural dos Massive Attack, Portishead e Tricky e partilham da mesma sonoridade atmosférica, eletrónica e sintetizada desses nomes.

Neste Spiderwebbed existem algumas participações especiais, nomeadamente de CoMa e de Steffaloo. Com esta última compuseram uma versão de Fade Into You, um clássico da década de noventa dos Mazzy Star.

 

Stumbleine - Spiderwebbed

01. Cherry Blossom
02. If You
03. Capulet
04. The Beat My Heart Skips (Feat. CoMa)
05. Honey Comb
06. Solar Flare
07. Fade Into You (Feat. Steffaloo)
08. Kaleidoscope
09. The Corner Of Her Eye
10. Catherine Wheel (Feat. Birds Of Passage) 

 

Os Mazes disponibilizaram para download gratuíto, através da Fat Cat Records, Bodies, o seu single mais recente. O tema faz parte de uma cassete que esta banda londrina vai vender na digressão que entretanto vai iniciar com os The Cribs e que inclui no lado B uma remistura do mesmo tema da autoria de Hookworms, um produtor de Leeds.

 

A dupla californiana Crocodiles lançou on início deste ano Endless Flowers, o seu terceiro álbum. Agora preparam-se para iniciar uma digressão europeia e de forma a assinalar esse facto, editaram  Bubblegum Trash, um dos singles de  Endless Flowers e que verá a luz do dia a vinte e seis de novembro.

Bubblegum Trash conta com a participação especial de Dee Dee, vocalista das Dum Dum Girls, casada com Brandon Welchez, lider dos Crocodiles e com quem canta no tema o sugestivo verso, You can suck me like a bubble pop.


autor stipe07 às 13:34
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Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012

Flying Lotus - Until The Quiet Comes

É recorrente que o sonho seja uma temática bastante abordada por artistas plásticos, cineastas e músicos, que têm neles a principal fonte de inspiração e tentam incessantemente produzir algo que se aproxime do que é sentindo num sonho. Pode ser que Steven Ellison não seja apenas um artista onírico ou surrealista, mas fica claro que a sua imaginação transcende o estado lógico e comum, porque é muito fácil sentirmo-nos dentro de um sonho ao ouvirmos a música do projeto Flying Lotus.

Este produtor, natural de Los Angeles, constrói em Until the Quiet Comes, o seu mais recente disco, anunciado em Curtas... XLVII, ambientes repletos de sensações, através de notas musicais flutuantes e leves, com texturas suaves e espaciais. Elementos sonoros dispersos, mas que não passam a sensação de desarrumação ou caos. São partículas que flutuam subtilmente em cada canção e que ignoram a gravidade. Este disco é acima de tudo uma extraordinária viagem, repleta de detalhes únicos, mesmo nos momentos mais experimentais.

Em Until The Quiet Comes, as canções são curtas e ligam-se umas as outras; Por isso o disco deve ser analisado na sua totalidade e ouvido sem saltar a ordem dos temas. Mas não é por isso que não deixam de haver canções radiofónicas, com destaque para Putty Boy Strut, com uma batida marcante e vozes que parecem sintetizadores. A primeira canção, All In, tem uma  percurssão viva e arranjos cintilantes e etéreos; Serve desde logo para provar que Ellison é mais do que um simples produtor de música eletrónica, mas também um talentoso compositor que bebe de diferentes fontes e une de maneira única elementos do hip hop, do trip hop e do jazz (já agora, Ellison é sobrinho neto da pianista Alice Coltrane, esposa de John Coltrane).

Until The Quiet Comes deve também muito da sua riqueza musical às participações especiais! O baixista Thundercat, habitual colaborador neste projeto Flying Lotus, aparece a cantar em DMT Song e toca na belíssima Hunger, uma canção composta com um simples emaranhado de instrumentos e cordas e que também conta com a brilhante participação de Niki Randa. Thom Yorke aparece de forma muito subtil e quase impercetível em Electric Candyman.

Flying Lotus assume-se neste disco como um projeto único e capaz de causar furor sem batidas grandiosas e demasiado elaboradas. O segredo acaba por estar na subtileza dos arranjos e na misteriosa leveza que percorre todo o disco. Com este Until The Quiet Comes, Ellison ganha direito a ser considerado uma referência, inspiração e até objeto de culto. Espero que aprecies a sugestão...

01 - All In
02 - Getting There feat. Niki Randa
03 - Until the Colours Come
04 - Heave(n)
05 - Tiny Tortures
06 - All the Secrets
07 - Sultan's Request
08 - Putty Boy Strut
09 - See Thru to U feat. Erykah Badu
10 - Until the Quiet Comes
11 - DMT Song feat. Thundercat
12 - The Nightcaller
13 - Only if You Wanna
14 - Electric Candyman feat. Thom Yorke
15 - Hunger feat. Niki Randa
16 - Phantasm feat. Laura Darlington
17 - me Yesterday//Corded
18 - Dream to Me

 

Flying Lotus - Putty Boy Strut by French Mustache


autor stipe07 às 13:30
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2012

Future Of Forestry – Young Man Follow EP

Future Of Forestry - Young Man Follow

01. Would You Come Home
02. As It Was
03. Chariots
04. Things That We Should Say

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autor stipe07 às 21:26
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

White Arrows – Dry Land Is Not A Myth

Os White Arrows são uma banda de cinco músicos natural de Los Angeles e lançaram no passado dia dia dezasseis de junho o disco de estreia; A rodela chama-se Dry Land Is Not A Myth e viu a luz do dia através do selo Votiv.

Para promover o disco os White Arrows começaram por lançar o single Get Gone, que, tal como o restante disco, com dez canções que passeiam por uma espécie de afrobeat um pouco pop, a fazer lembrar os Vampire Weekend mais nostálgicos e etéreos. A produção deste Dry Land Is Not A Myth ficou a cargo do coletivo RAC (Remix Artist Collective).

Além da já citada Get Gone, destaco também as canções Coming Or Going, Settle Down e I Can Go, o segundo single de trabalho. Esta canção tem uma sonoridade um pouco mais índie e que ameaça explodir a qualquer altura; No entanto, os sintetizadores refreiam um pouco a crueza latente e deixam a música ainda mais bonita e melódica. A mistura destas várias influências não se restringe a esta canção, mas permeia todo o disco, o que resulta numa pop tropical, um pouco psicadélica e extremamente contagiante. Espero que aprecies a sugestão...

01. Roll Forever
02. Get Gone
03. Coming Or Going
04. I Can Go
05. Golden
06. Little Birds
07. Sail On
08. Getting Lost
09. Settle Down
10. Fireworks Of The Sea


autor stipe07 às 12:40
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Terça-feira, 26 de Junho de 2012

Lemonade - Driver

Até à explosão da chillwave no final da última década, era raro encontramos algum disco que influenciado pelo clima tropical, conseguisse plasmar uma simbiose perfeita com os ritmos quentes da música brasileira. Entre erros e acertos, às vezes lá aparecia algum disco acima da média, que mantendo uma linearidade pop, se deixava influenciar positivamente pelo ambiente tropical. Uma das poucas bandas que sempre teve o virtuosismo de provar essa combinação são os Lemonade de Alex Pasternark, Callan Clendenin e Ben Steidel, banda natural da Califórnia e que acaba de lançar Driver, através da True Panther Sounds. Driver, antecipado em Curtas... XXXVI, é um disco inteligente e poderoso e sucede ao homónimo de estreia, lançado em 2008.

Em Driver os Lemonade demonstram toda a sua inteligência e génio já que, se por um lado dá a sensação que trazem algo de novo ao seu cardápio sonoro, ao mesmo tempo a audição confirma que estamos perante um exercício inteligente e que transforma em novidade as mesmas experiências testadas por eles há quatro anos, na estreia.

Driver tem canções mais climáticas e outras prontas para as pistas; Uma dicotomia assente em beats eletrónicos, teclados enevoados e guitarras nada aguerridas, algo muito semelhante ao que foi testado pelos suecos Air France há alguns anos, em No Way Down. O que separa o trio californiano da extinta dupla europeia é justamente o tempero tropical da música brasileira e o que os aproxima é a funcionalidade levemente etérea de músicas como Eye Drops, Vivid e principalmente Sinead.

Entre incontáveis referências, o trio alcança uma sonoridade própria ao longo do disco, mais distante das experimentações por vezes exageradas da estreia e deixam que a voz assuma um papel mais importante, tornado as canções mais próximas do ouvinte. No entanto, são raros os momentos em que as canções alcançam uma sonoridade mais extensa e popular do que eventualmente poderiam, o que parece ser estratégico para que haja um certo auto controle no crescimento da popularidade da banda, procurando que a mesma se mantenha num nicho bem específico do público.

Mais do que um disco perfeito para o verão que se aproxima, Driver rompe com o limite das estações e do clima e é um trabalho diversificado e perfeito para os mais diversos gostos e situações. Ora dançante, ora experimental, o disco atesta a maturidade da banda e acaba por poder ser um excelente farol para o futuro de outros projetos similares, nomeadamente os Neon Indian, Toro Y Moi, Washed Out e tantos outros.

Como o próprio título do álbum aponta, Driver apela ao movimento, neste caso por encarnar a condução dos Lemonade em busca de novas opções. Agora há que ficar atento e perceber qual será o futuro deste virar de rumo, sem perca da base e do sentido sonoro global deste projeto. Espero que aprecies a sugestão...

01 Infinite Style
02 Neptune
03 Ice Water
04 Eye Drops
05 Whitecaps
06 Vivid
07 Sinead
08 Sister
09 Big Changes
10 Softkiss

Neptune by LemonadeMusic

Softkiss by LemonadeMusic


autor stipe07 às 13:28
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Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

Princeton – Remembrance Of Things To Come

Os Princeton são um quarteto de indie pop natural de Los Angeles, liderado por Jesse Kivel, secundado pelo irmão Matt Kivel e que lançou no passado dia vinte e um de fevereiro, através da Hit City U.S.A./Easter Everywhere, Remembrance of Things to Come, segundo disco deste projeto. A banda tinha-se estreado nos disco em 2009 com Cocoon Of Love, um álbum que fez a crítica comparar os Princeton aos Vampire Weekend e à dupla Matt & Kim.

A canção título deste novo disco dos Princeton, Remembrance of Things to Come, e que podes ouvir e obter gratuitamente no sitio da banda, tem uma introdução que realmente remete para esses artistas. No entanto, este Remembrance of Things to Come mostra que este segundo álbum merece uma atenção mais cuidada e desprendida dos nossos radares e que estes californianos, após a estreia, resolveram seguir um caminho diferente.

Para começar, para compor o disco, a banda viajou até Londres, algo que terá contribuido certamente para o abandono de influências mais folk e a busca por um som mais dancável. Os próprios irmãos Kivel admitem que ouviram muito Gorillaz e Foals em terras de sua majestade, mas também me parece terem levado na bagagem discografia synth-pop e indie sueco, nomeadamente Jens Lekman e Kings of Convenience.

Assim, Remembrance of Things to Come, afasta de vez os Princeton das comparações com o indie universitário de inspirações world music dos Vampire Weekend e soam agora a algo mais complexo e intrigante, ou seja, maduro. Os violinos impecáveis de Andre e Loise e o piano de Oklahoma ainda revelam cartões postais dos estreantes Princeton, mas ótimos momentos como Holding Teeth, To The Alps e Florida confirmam que a banda conseguiu ir ainda mais além. Espero que aprecies a sugestão...

01. Remembrance Of Things To Come
02. Florida
03. Grand Rapids
04. Holding Teeth
05. Phase
06. To The Alps
07. Oklahoma
08. Andre
09. Riches
10. Louise
11. Clamoring For Your Heart
12. This Weather, A Swimmer
13. Milly


autor stipe07 às 13:25
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Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Electric Guest – Mondo

Produzido por Danger Mouse, Mondo é o disco de estreia dos Electric Guest, uma dupla natural de Los Angeles e formada por Asa Taccone e Matthew Compton. Mondo leva-nos por uma viagem conduzida por pianos em tons melódicos e efeitos psicadélicos, havendo já quem compare a ascenção destes Electric Guest ao que fizeram o ano passado os conterrâneos Foster The People, banda para a qual têm andado a abrir alguns concertos.

Poderá haver quem legitimamente estranhe a aposta do reputado Danger Mouse num disco de estreia de uma banda completamente desconhecida, ou então quem procure perceber as razões para tal facto. E afinal elas explicam-se de forma muito simples: O vocalista e principal compositor da banda, Asa Taconne, morou dois anos com Danger Mouse que cedo se interessou pelas movimentações musicais de Asa e em boa hora deu o empurrãozinho necessário para que o disco do seu aprendiz acontecesse.

As canções de Mondo oscilam entre o lado mais pegajoso da pop e elementos do rock psicadélico, com o tal piano, sintetizadores vintage, guitarras e baixos a suportar a construção melódica das canções. O primeiro single do álbum é This Head I Hold,  uma pequena mas potente injeção de adrenalina, com pianos dançantes e um refrão apelativo que faz bater os pés instantaneamente. Awake é a canção mais mexida do disco, acompanhada por uma linha de baixo firme e dividida em três partes. Na primeira, Asa divide o refrão com harmonias vocais que soam como um coral de igreja e um clima melódico que me fez recordar momentos dos Broken Bells. Depois ela transforma-se num eufórico passeio pela soul e com as mesmas vozes a cantar um novo refrão, para no final chegarem palminhas e batidas R&B, que nos trazem um terceiro refrão, que termina a música, um menáge irresistível entre a pop, o rock e a psicadelia.

Outra das boas canções do disco dura nove minutos e é a sedutora Troubleman. Mas não desistas de a ouvir pela duração; Carrega no play e prepara-te para escutares uma melodia bonita e uma letra poética a infectar o teu cérebro, graças a arranjos meticulosamente programados, como órgãos de igreja, violas, guitarras e inúmeros detalhes que só aparecem com audições repetidas. O adorável refrão aparece frequentemente, mas é um solo de guitarra que dá o tom para o segundo ato da canção, que inesperadamente, soa como uma música totalmente diferente e onde o título da canção é finalmente revelado. Com baterias, harmonias vocais e a produção espetacular de Danger Mouse, esta segunda metade eleva a canção até uma viagem esotérica onde, no final, para surpresa, as cordas são amarradas e o refrão da primeira parte regressa e os nove minutos terminam com mais um solo de guitarra, numa canção que nos obriga a senti-la e a experienciá-la.

Outro destaque é American Daydream, uma música que mostra um momento mais pop dos Electric Guest, com um refrão que parece estar a ser cantado em coro e que nos faz lembrar uns MGMT mais maduros.

Em suma, estes Electric Guest, além de serem uma agradável supresa, são já uma das maiores promessas para 2012, até porque, como se sabe, um produtor consagrado pode ajudar a definir o som de uma nova banda ao mesmo tempo e até manipular a sua essência por completo. Felizmente, no caso dos Electric Guest, parece-me que ambos os lados saiem vencedores desta parceria. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Holes
02. This Head I Hold
03. Under The Gun
04. Awake
05. Amber
06. The Bait
07. Waves
08. Troubleman
09. American Daydream
10. Control


autor stipe07 às 13:22
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Segunda-feira, 30 de Abril de 2012

KO KO – Float EP

Um dos últimos disco que tem tocado com alguma insistência nos meus headphones tem sido o EP de estreia de uma dupla norte americana formada por dois irmãos chamada KO KO. O EP chama-se Float e os manos são Ryan e Taylor Lawhon, naturais de Los Angeles e Ko Ko era o nome de um barco que em tempos eles quiseram ter.

A sonoridade destes KO KO e do EP é bastante nostálgica, algo épica e feita de uma pop luminosa com reverb; Em suma, uma espécie de brisa suave que nos reconforta num dia primaveril e cheio de sol. Espero que aprecies a sugestão...

01. Float
02. Intermission
03. So Strange


autor stipe07 às 19:24
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Quinta-feira, 22 de Março de 2012

Dunes - Noctiluca

Conforme referi em Curtas... XXIX, os Dunes são um projeto de Los Angeles que nasceu das cinzas da banda de punk rock Mika Miko, nomeadamente da iniciativa do baterista Kate Hall e preparam-se para lançar o disco de estreia; O álbum chama-se Noctiluca e foi lançado no passado dia seis de março através da Post Present Medium e de onde já foram retirados os singles Vertical Walk e Jukebox, ambos disponiveis para download gratuito na publicação online stereogum.

 

A sonoridade dos Dunes é etérea e um pouco minimal; Aproximam-se da pop experimental, com uma abordagem quase sempre emotiva e deslumbrante. Kate Hall lidera o projeto mas é a Stephanie Chan, responsável pela voz, guitarras e escrita das letras, quem cabe o maior destaque, até porque tem uma voz bonita e poderosa. Já agora, o elemento que falta citar do trio é Mark Greshowak, que toca guitarra e baixo. Acaba por haver aqui uma mistura perfeita entre três músicos que experimentam imenso, mas parece-me que sempre com um objetivo comum, porque Noctiluca tem toda a aparência sonora de ser um álbum pensado até ao mais ínfimo detalhe, apesar de ter momentos que à primeira audição poderão parecer um pouco caóticos.

A banda acaba por soar a uma espécie de fusão entre Dum Dum Girls e Warpaint com Chrissie Hynde aos comandos da voz, numa uma sonoridade retro, devido à forte influência dos anos oitenta, mas, ao mesmo tempo, com algo de excitante e novo e, no fundo, bastante recomendável. Espero que aprecies a sugestão... 

1.  Jukebox
2.  Lonely Palm
3.  Vertical Walk
4.  Red Gold
5.  Living Comfortably
6.  Falling
7.  Shadow
8.  Cameron
9.  The Spark
10. Minnow & The Machine
11. Tied Together


autor stipe07 às 13:43
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

Light FM – Buzz Kill City

Os Light FM são uma banda com sede em Los Angeles, mas que se formou bem no coração da América, nomeadamente em Chicago, liderada por Josias Mazzaschi. Os restantes membros são Nicki Nevlin no baixo, Jimmy Lucido na bateria e Wheeler Savannah nos teclados. O grupo tem já um culto alargado no país natal; Além de terem andado em digressão com os Smashing Pumpkins, os Ra Ra Riot, os Grandaddy e os The National, participaram am vários programas de televisão norte americanos. Lançaram no passado dia um de outubro, Buzz Kill City, o segundo disco da discografia da banda.

A sonoridade de Buzz Kill City é dominada inteiramente pelas guitarras e não é propriamente um disco fácil de ouvir. Os Light FM parecem querer ao longo do disco esmurrar o ouviente com várias camadas sonoras, quase sempre cruas e com alguma distorção.

Logo a abrir, Mercy é conduzida por uma guitarrada com um riff acompanhado por uma voz nasal a fazer lembrar Billy Corghan. A bateria é tocada de forma irrepreensível e os teclados sintetizados dão à canção um charme muito próprio. Estes teclados acabam por se fazer ouvir em várias canções, nomeadamente em Last Chance, uma brilhante canção indie pop, com um refrão simples e contagiante.

Outras canções que merecem ser ouvidas são Homeless Love Anthem e Ode To Hollywood, a primeira bastante influenciada pela synth pop dos anos oitenta e conduzida pela bateira e pelas guitarras e a outra com arranjos que misturam rock alternativo com tiques da new wave, resultando numa sonoridade muito à Sonic Youth. Aliás, a plástica Hollywood, cidade das ruturas e dos sonhos perdidos, é uma temática muito presente ao longo do disco.

No geral, Buzz Kill City é um disco talvez demasiado cru, com canções que poderiam conter uma maior delicadeza nos arranjos e centelhas de algo mais melódico; No entanto, tendo em conta que canções como Kill The Landlord e a já citada Mercy mostram um potencial enorme, é este o álbum que está a levar os Light FM para a ribalta, numa espécie de viagem sonora em que somos levados por uma experiência voyeurista através de ritmos cativantes e letras bastante biográficas e, por isso, sinceras. Espero que aprecies a sugestão...

01. Mercy
02. Last Chance
03. For Better Or Worse
04. Homeless Love Anthem
05. Thrown Against A Wall
06. Indirect Communication
07. Kill the Landlord
08. $5 Paradise
09. Ode To Hollywood
10. Bad Gene


autor stipe07 às 16:45
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