Domingo, 17 de Abril de 2016

Happy Hollows - Way Home

Produzido por Lewis Pesacov nos estúdios Sunset Sound e masterizado por Mark Chalecki, Way Home é o mais recente tema divulgado pelos Happy Hollows, uma banda norte americana oriunda de Los Angeles, na Califórnia e formada por Sarah Negahdari, Charlie Mahoney, Matt Fry e Dan Marcellus.

A banda está prestes a entrar em digressão no próximo mês de maio com os consagrados Lucious e o cariz rugoso e elétrico, mas simultaneamente luminoso e efervescente desta canção bastante festiva, é uma excelente porta de entrada para um grupo que tem em Amethyst o seu último registo de originais, editado em 2013 e que parece ter finalmente sucessor. Confere...


autor stipe07 às 21:11
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

The Moth And The Flame – Young And Unafraid

Os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett, Michael Goldman e Andrew Tolman são uma das melhores descobertas musicais que fiz nos últimos anos, um grupo que me ficou sempre na retina assim que tive a oportunidade de escutar o disco homónimo de estreia deste grupo norte americano natural de Provo, no Utah e atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia. Esse é um dos álbuns que mais saiu da estante cá de casa nos últimos anos e que até deu origem a um dos takes do blogue na Everything Is New TV. Os The Moth And The Flame lançaram esse disco homónimo de estreia a 11.11.11. e entretanto já chegou o sucessor, um álbum intitulado Young And Unafraid e que foi concebido pela banda juntamente com os aclamados produtores Peter Katis (Interpol, The National), Tony Hoffer (M83, Beck) e Nate Pyfer (Parlor Hawk, Fictionist).

Young And Unafraid foi precedido de um EP com mais quatro canções, editado em setembro último e cujo conteúdo nos ofereceu, desde logo, algumas luzes sobre o conteúdo sonoro deste sucessor de The Moth And The Flame, que viu a luz do dia através da Elektra Records. Já agora, recordo que há dois anos, em 2013, a banda tinha lançado um outro Ep intitulado simplesmente &, um conjunto de canções editado pela Hidden Records e produzido por Joey Waronker (Beck, Atoms For Peace, R.E.M.).

Neste Young and Unafraid mantém-se, felizmente, a sonoridade pop atmosférica da estreia, com canções que envolvem o ouvinte em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa, como se percebe logo na visceralidade de Red Flag e na imponência de Silvertongue. O indie rock mantém-se, assim, como elemento ativo de um arquétipo de onde também sobressai uma presença forte da sintetização, com instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para nos arrastar sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico, com caraterísticas muito próprias. Há, assim, canções extremamente simples e que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos, enquanto outras soam mais ricas e trabalhadas, que nos fazem descolar um pouco mais de uma zona de conforto sonora e arriscam ambientes épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada, bem explícita, por exemplo, na matriz sintética de Live While I Breathe.

Seja qual for a fórmula aplicada, os The Moth And The Flame pegam firmemente no seu som e usam-no como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que recorda imenso o Beck Hansen do período Sea Changes, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.

Neste tempo em que abundam os downloads rápidos e as embalagens descartáveis é reconfortante ver uma banda tão interessada e orgulhosa da forma como apresenta a sua música, ainda mais quando o essencial (a música) é bastante recomendável! Uma bonita surpresa que regressa novamente e que espero que aprecies devidamente…

The Moth And The Flame - Young And Unafraid

01. Red Flag
02. Young And Unafraid
03. Empire And The Sun
04. Live While I Breathe
05. Wishing Well
06. Silvertongue
07. Run Anyway
08. Sorry
09. 10 Years Alone
10. Round
11. Life In The Doorway
12. We Are Not Only What We’ve Been Before


autor stipe07 às 20:16
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Terça-feira, 8 de Março de 2016

Eleanor Friedberger – New View

A cidade que nunca dorme é o habitat natural de Eleanor Friedberger, de regresso aos lançamentos discográficos com New View, onze canções que viram a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da Frenchkiss Records e que voltam a deliciar-nos com uma simbiose feliz entre as vertentes mais clássicas e alternativas do rock, com a folk a fazer a ponte entre dois universos que, replicados em baladas como Open Season e na luminosa Your World quase se fundem, sem fronteiras claramente definidas, o que faz deste registo uma coleção de canções que superou, na minha opinião, tudo aquilo que a autora já tinha conseguido apresentar no seu catálogo.

pic by Philip Cosores

Gravado do outro lado do continente americano, na cidade dos anjos, New View contém esse aspeto mais solarengo e descontraído da costa do pacífico, em oposição à maior frieza do atlântico que banha a costa leste de onde provém. Esta é logo uma das impressões mais fortes do terceiro registo a solo de uma mulher apaixonada, persistente e impulsiva, que não desiste de perseguir os seus sonhos mais verdadeiros e raramente se envergonha por amar e por usar a música como forma de exorcizar os seus fantasmas e dar vida aos seus maiores devaneios, ela que já foi namorada, por exemplo, de Britt Daniel ds Spoon e Alex Kapranos, vocalista dos Franz Ferdinand. Esta atração pelo lado mais afetivo da música transparece nas suas canções, que letra após letra, verso após verso, servem para a autora abrir-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós.

Na verdade, escuta-se New View e o que mais impressiona é uma enorme sensação de sinceridade e o cariz fortemente genuíno das canções. A cantora construiu belíssimas melodias que se entrelaçaram com as letras e com a sua voz marcante com enorme mestria e, ao mesmo tempo, palpita uma notória sensação instintiva, como se ela tivesse deixado fluir livremente tudo aquilo que sente e assim potenciado a possibilidade de nos emocionarmos genuinamente com estas canções. A cândura folk desarmante de Never Is A Long Time e o sussurro de uma voz que nos adverte para as adversidades e os contratempos da vida e o piano deambulante e a brisa jazzística que sobressai da percussão de Cathy, With The Curly Hair, numa canção sobre o lado mais espontâneo e impulsivo do amor, são duas faces desta mesma moeda chamada sinceridade, provando que neste disco Eleanor deu tudo, não se escondeu nem se poupou, melodicamente e sentimentalmente e, por isso, este é um alinhamento que causa impacto e está carregado de sentimento. Ela foi simples e assertiva, sem deixar de nos tocar e de construir algo que podemos usar para explicar as nossas próprias angústias e dores.

No ocaso do disco, a monumentalidade das teclas de A Long Walk clarifica que às vezes mais difícil do que murmurar sobre o amor é enfrentar o amor em si e aceitar o cariz frequentemente finito do mesmo, enquanto sentimento com contornos tantas vezes ambíguos e irracionais. O amor tem múltiplas facetas e este disco serve para nos nos ensinar como abrir o sotão onde guardamos as nossas dores e receios. Muitas vezes, vivemos uma vida inteira sem tocar nele com receio dos fantasmas que possamos despertar. Talvez seja mais fácil fazê-lo ao som deste disco. A única certeza do amor é mesmo ser sempre incerto. Espero que aprecies a sugestão...

Eleanor Friedberger - New View

01. He Didn’t Mention His Mother
02. Open Season
03. Sweetest Girl
04. Your Word
05. Because I Asked You
06. Never Is A Long Time
07. Cathy With The Curly Hair
08. Two Versions Of Tomorrow
09. All Known Things
10. Does Turquoise Work?
11. A Long Walk


autor stipe07 às 18:48
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2015

The Moth And The Flame – Young And Unafraid EP

Os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett, Michael Goldman e Andrew Tolman são uma das melhores descobertas musicais que fiz nos últimos anos, um grupo que me ficou sempre na retina assim que tive a oportunidade de escutar o disco homónimo de estreia deste grupo norte americano natural de Provo, no Utah e atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia. Esse é um dos álbuns que mais saiu da estante cá de casa nos últimos anos e que até deu origem a um dos takes do blogue na Everything Is New TV. Os The Moth And The Flame lançaram esse disco homónimo de estreia a 11.11.11. e já se encontram em estúdio a preparar o sucessor, juntamente com o produtor Peter Katis (Interpol, The National), Tony Hoffer (M83, Beck) e Nate Pyfer (Parlor Hawk, Fictionist).

Em maio deste ano viu a luz do dia Young & Unafraid, o primeiro single deste que será o segundo registo de originais e que, entretanto, deu origem a um EP com mais quatro canções, editado em setembro último e cujo conteúdo nos oferece algumas luzes sobre o conteúdo sonoro do sucessor de The Moth And The Flame, que verá a luz do dia através da Elektra Records. Já agora, recordo que há dois anos, em 2013, a banda tinha lançado um outro Ep intitulado simplesmente &, um conjunto de canções editado pela Hidden Records e produzido por Joey Waronker (Beck, Atoms For Peace, R.E.M.).

Neste EP Young and Unafraid mantém-se, felizmente, a sonoridade pop atmosférica da estreia, com canções que envolvem o ouvinte em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa e com o indie rock a ser elemento ativo de um arquétipo com instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para nos arrastar sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico, com caraterísticas muito próprias. Há, assim, canções extremamente simples e que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos, enquanto outras soam mais ricas e trabalhadas, que nos fazem descolar um pouco mais de uma zona de conforto sonora e arriscam ambientes épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada.

Seja qual for a fórmula aplicada, os The Moth And The Flame pegam firmemente no seu som e usam-no como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que recorda imenso o Beck Hansen do período Sea Changes, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.

Neste tempo em que abundam os downloads rápidos e as embalagens descartáveis é reconfortante ver uma banda tão interessada e orgulhosa da forma como apresenta a sua música, ainda mais quando o essencial (a música) é bastante recomendável! Uma bonita surpresa que regressa novamente e que espero que aprecies devidamente…

The Moth And The Flame - Young And Unafraid EP

01. Live While I Breathe
02. Run Anyway
03. Young And Unafraid
04. 10 Years Alone
05. Wishing Well


autor stipe07 às 15:56
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Kisses – Rest In Paradise

Editado a nove de outubro último, Rest In Paradise é o novo registo discográfico dos Kisses, o terceiro de uma dupla norte americana oriunda de Los Angeles e que que usa a eletrónica como principal ferramenta na construção das suas canções, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade.

Num disco carregado de temas com airplay fácil e com tudo para darem a volta ao mundo, Jesse Kivel e Zinzi Edmundson, agora já casados e pais de um bebé, oferecem-nos, em quarenta e cinco minutos, um alinhamento com uma elevada componente sintética, mas onde também não faltam guitarras e outros detalhes mais orgânicos, sejam  acústicos ou eletrificadas, mas sempre com a exeriência pessoal do casal como centro nevrálgico da temática das canções, agora liricamente mais maduras, em oposição ao romantismo algo pueril que brotava de Funny Heartbeat, o registo anterior e que lançou estes Kisses para as luzes da ribalta.

Rest In Paradise tem vários momentos particularmente deslumbrantes e efusivos e outros mais contemplativos, mas igualmente intensos. Se o extraordinário single Groove devia ser já uma presença obrigatória em qualquer pista de dança, não só pelo ambiente dançante efusivo que cria, mas também pelo travo vintage psicadélico que contém, já as cançãoseguinte, Sun, mantendo a mesma fórmula instrumental mas reduzindo na cadência das batidas, expôe uma atmosfera diferente, mas bastante melódica e orgânica, algo nua e carregada de sentimento.  Já Control leva-nos de novo para debaixo da bola de cristal, mas agora num registo mais insinuante e com uma linguagem sonora mais marcada por detalhes percussivos que conferem ao tema uma intimidade groove e um desejo de abanar as ancas sem sair do sítio, bastante carregados. É uma abordagem um pouco diferente à dança e onde impera um charme e uma sofisticação muito próprios que os samples de instrumentos de sopro ajudam a ampliar.

Nile acaba por ser, na minha opinião, o grande momento de Rest In Paradise, um portentoso e contemporâneo convite à dança sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir, um tema que impressiona pela grandiosidade e pelo modo como os efeitos exalam um saudável espontaneidade, alinhados por uma batida quente e um andamento melódico único e fortemente inebriante. Essa canção atesta a tremenda fluidez que estes dois músicos partilham entre si, enquanto casal e intérpretes de uma forma de arte universal e capaz de comungar connosco, como é a música. Ouvir estes Kisses acaba por ser uma sensação algo sedutora, com um efeito narcótico que provoca o nosso íntimo e num abraço profundo, nos acompanha pista fora sem destino previamente traçado e com trechos sonoros em que convém ir buscar as plumas para viajar convenientemente até aos anos oitenta.

Em suma, ao som do ambiente leve, épico e envolvente que marca os alicerces de Rest In Paradise, esta é uma cúpula incisiva entre rock e eletrónica, uma relação quente e assertiva, baseada num alinhamento que nos convoca para uma verdadeira orgia entre sub-géneros da pop, que ao longo das dez canções vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, enquanto saboremos mais um copo e apreciamos um final de tarde glamouroso. Espero que aprecies a sugestão...

Kisses - Rest In Paradise

01. Paradise Waiting Room

02. A Groove
03. Sun
04. Control
05. The Nile
06. Fred Roses
07. Sunset Ltd.
08. Jam
09. Eternal
10. Rest In Paradise


autor stipe07 às 19:55
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Sábado, 7 de Novembro de 2015

Line And Circle – Split Figure

Os Line & Circle nasceram da colaboração entre Brian J. Cohen (voz, guitarra) e Brian Egan (teclados), dois músicos do Ohio que entretanto se mudaram para Los Angeles e a quem se juntaram, entretanto, o guitarrista Eric Neujahr, o baterista Nick Cisik, e o baixista Jon Engelhard. Um ano depois de um EP homónimo editado pela própria banda e produzido por Lewis Pesacov, já chegou aos escaparates o primeiro longa duração dos Line & Circle, um disco intitulado Split Figure e que atesta o futuro promissor que já se adivinhava para o grupo aquando da publicação do EP, que vê dois dos três temas do seu alinhamento no conteúdo desta estreia, nomeadamente Wounded Desire e Mesolithic.

Se a beleza pode tornar-se em algo de certa forma cansativo, principalmente quando surge de mãos dadas com a monotonia ou a repetição sucessiva, nestes Line And Circle a beleza das canções contradiz tal premissa, porque estamos na presença de uma luminosa coleção de canções e  que vivem num enredo melódico preenchido por intimismo e drama. Com uma receita instrumental transversal e única, que se comporta como a lava que desce pela montanha abaixo absorvendo e derretendo tudo em redor, define-se por um baixo vibrante, uma percussão ritmada e guitarras cheias de efeitos e melodias ricas. É, claramente, um padrão bastante particular e inspirado e cada uma destas dez canções apresenta uma definição de beleza e cor tão rigorosa, que é impossivel não sentir nesta alquimia harmoniosa um invejável sentido estético.

Split Figure é uma coleção irrepreensível de canções umbilicalmente ligadas ao período aúreo do rock alternativo, que ditou leis em finais do século passado, mas com uma modernidade e atualidade absolutas, com um pulsar textural muito intenso e viciante. Espero que aprecies a sugestão...

Line And Circle - Split Figure

01. Roman Ruins
02. Like A Statue
03. Mine Is Mine
04. Split Figure
05. Mesolithic
06. Wounded Desire
07. Out Of Metaphors
08. Shade Of Pride
09. Complicated Heart
10. Tunnel Joy


autor stipe07 às 22:34
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015

Mild High Club – Timeline

Escorre em pouco menos de meia hora pelos nossos ouvidos Timeline, o portentoso disco de estreia dos Mild High Club, a carapaça pop de Alexander Brettin, músico norte-americano fã de Todd Rundgren e Wire.

O esplendor das cordas de Club Intro e o baixo e o teclado de Windowpane, assim como a voz ecoante de Brettin e a chuva de metais que se espalha por este tema, vestem-nos com umas enormes calças à boca de sino, camisas com golas até ao umbigo, desabotoadas na mesma medida, uma barba farta e um florido colar ao pescoço e coloca-nos em redor de todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

As guitarras são o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Mild High Club, feitas de acordes lentos, vibrações cruas bem audíveis, por exemplo em Not To Self e algumas distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez, tudo escorrido sem pressas e com um certo ar preguiçoso, como convém à solarenga califórnia que abriga Brettin. Mas a receita também se compôe com alguns teclados munidos de um interessante arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais e uma secção rítmica que vive de uma bateria com a cadência exigida pela dose de lisergia que escorre em cada tema, numa sobreposição instrumental em camadas, onde dentro de uma clara essência pop que tem sempre o experimentalismo em ponto de mira, busca também uma acessibilidade que procura fazer de Timeline uma ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida.

Com outros destaques além dos já citados, este disco só pode ser saboreado convenientemente se tiver for tida em conta a delicada sensibilidade das cordas que suportam a cândida melodia do belíssimo instante de folk psicadélica chamado You And Me e a monumentalidade comovente de The Chat, tema que conta com a participação de Ariel Pink e Weyes Blood. Estes são dois extraordinários tratados sonoros que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração que se atravesse e plasmam, além do vasto espetro instrumental presente em Timeline, a capacidade que estes Mild High Club também têm para compôr peças sonoras melancólicas e apresentar o melodioso com elevada estética pop.

Felizes no modo como se estreiam nos discos com um acervo de canções único e peculiar e que resulta, certamente, da consciência que Alexander Brettin, o grande mentor do projeto, tem das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os Mild High Club querem ficar ligados umbilicalmente e logo à partida à lista de referências essenciais na parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que tem inundado os nossos ouvidos ultimamente. Isso sucede porque Timeline é um tratado sonoro de natureza hermética, mas que não se furta a quebrar algumas regras da pop, nomeadamente na questão da crueza lo fi, e até de desafiar as mais elementares do bom senso que uma estreia quase sempre exige, preferindo impressionar pelo arrojo, mostrando-se assim genial no modo como dá vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Mild High Club - Timeline

01. Club Intro
02. Windowpane
03. Note To Self
04. You And Me
05. Undeniable
06. Timeline
07. Rollercoaster Baby
08. Elegy
09. Weeping Willow
10. The Chat (Feat. Ariel Pink And Weyes Blood)


autor stipe07 às 18:08
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Domingo, 11 de Outubro de 2015

Wavves - V

Poucas semanas após o lançamento de No Life For Me, um disco que resultou de uma parceria com os Cloud Nothings de Dylan Baldi, Nathan Williams está de regresso com o seu projeto Wavves. Assim, Afraid of Heights (2013), o último registo de originais da banda, tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado V, o quinto deste grupo californiano e que viu a luz do dia à boleia da Warner Brothers.

Produzido por Woody Jackson, V resgata, sem grandes segredos, truques intrincados ou artifícios desnecessários, um som nostálgico que, como seria de esperar, contém aquela mescla entre surf music e punk rock que bandas como os The Replacements, os Green Day a até os Blink-182, cultivaram e semearam aos sete ventos, exaustivamente no final do século passado. E convém também esclarecer, desde já, que é um indie rock incubado na mente de um músico que não tem, claramente, firmes intenções comerciais, nem uma obsessiva preocupação em vir a fazer parte dos compêndios futuros que compilarem nomes e bandas que serviram de referência essencial ao desenvolvimento da pop e do rock alternativo desta década.

A grande preocupação dos Wavves é, simultaneamente, o seu maior gozo; Oferecer ao ouvinte e ao próprio grupo, canções rápidas e incisivas, de acordes simples e facilmente digeriveis, com refrões orelhudos e intensidade melódica suficiente para divertir uma juventude despreocupada, que vive o imediato e que olha para o amanhã como algo longínquo e que merecerá toda a atenção quando se fizer presente. Até lá, o que importa é curtir ao máximo e este V é uma banda sonora pensada para esse propósito com canções como Way Too Much e Pony, entre outras, a obedecerem a essa fórmula tão legitima como outra qualquer. Se a música faz parte da indústria do entretenimento, V é uma seta apontada diretamente ao centro do alvo desse conceito de animação e que atinge de modo certeiro esse objetivo em All The Same.

Sendo assim, guitarras afundadas em elevadas doses de reverb, com destaque para o desempenho em Flamezszum registo vocal animado e uma bateria sempre frenética, exemplarmente acompanhada por um baixo que se esmera em Redlead e que cumpre sempre à risca a função de acomodar quer o ritmo quer a melodia, constitui a receita instrumental de que os Wavves se serviram para transmitir sensações e ideias tipicamente juvenis enquanto exploram o vasto leque de possibilidades que o punk rock oferece a quem se predispõe, como é o caso, a não colocar entraves e limites na sua exploração.

Disco de audição obrigatória para os apreciadores do género, mas que contém essa limitação de não ser particularmente abrangente, V é uma coleção de canções que obedecem à tradição dos Wavves de oferecerem sempre instantes sonoros capazes de agradar no imediato, enquanto tocam aquilo que realmente gostam e lhes dá prazer. E só por essa faceta genuína e de manutenção de uma integridade que se saúda, é um compêndio sonoro que merece uma audição que deverá ser sempre experimentada de modo divertido e festivo. Espero que aprecies a sugestão...

Wavves - V

01. Heavy Metal Detox
02. Way Too Much
03. Pony
04. All The Same
05. My Head Hurts
06. Redlead
07. Heart Attack
08. Flamezsz
09. Wait
10. Tarantula
11. Cry Baby
12. Fast Ice

 


autor stipe07 às 19:43
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Terça-feira, 6 de Outubro de 2015

The Smoking Trees – TST

Oriundos de Los Angeles na Califórnia, os The Smoking Trees são Martin Nunez, aka Sir Psych e Al Rivera, aka L.A.AL. TST é o mais recente longa duração da dupla, um trabalho que viu a luz do dia a dez de julho através do consórcio Ample Play Records/Burger Records/Colour Tree Records e que encarna uma indie pop psicadélica particularmente luxuriante, espiritual e hipnótica.

Verdadeiramente desconcertante e com uma produção eminentemente caseira, TST é um disco que faz da sua audição um desafio constante, quer devido ao modo como coloca em causa, permanentemente e sem concessões, o típico formato canção, mas também pela amálgama heterogénea de arranjos, samples e sons que rodeiam e sustentam as suas composições.

Instrumentalmente, desde a bateria ao baixo, passando pelo orgão, o piano, guitarras, cítaras e um arsenal alargado de instrumentos de percussão, é extenso o rol de convidados para esta festa única e lisérgica, aos quais se juntam gravações de sons do nosso quotidiano e com os quais nos podemos identificar pessoalmente e um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. A partir daí, abundam as sobreposições instrumentais em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa curiosa busca de acessibilidade, apesar do conteúdo de TST ser algo rugoso e com uma forte estética lo fi, havendo o propósito claro de aproximação ao ouvinte, cativando-o para uma audição dedicada.

Logo em Good Morning, a voz modificada sinteticamente, os sons da natureza que se escutam, feitos com o mar e aves e uma caixa de música e depois o espraiar lento de uma cítara, cimentam o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos The Smoking Trees, feito de distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Depois a surf pop vintage de Home In The Morning, toda a herança pop aditiva e luminosa que o espírito barroco das cordas de Best Friend transportam, ou o puro rock psicadélico que baliza Awake In Your Dreams e num formato mais acústico Trips, são alguns dos instantes de TST que fazem destes The Smoking Trees uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Disco desconcertante, TST oferece-nos uma espécie de monumentalidade comovente através de extraordinários tratados sonoros que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração, enquanto plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no disco, a capacidade que estes The Smoking Trees possuem para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop, não havendo escapatória possível desta ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida. Espero que aprecies a sugestão...

The Smoking Trees - TST

01. Good Morning
02. Home In The Morning
03. Best Friend
04. Trips
05. It’s Only Natural
06. Awake In Your Dreams
07. She Takes Flight With Me
08. Island Of Adventure
09. Rose Flower Lilac
10. California Air
11. Victoria’s Garden
12. Through Your Reflection
13. She Knows


autor stipe07 às 20:44
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Sexta-feira, 2 de Outubro de 2015

Superhumanoids – Do You Feel OK?

Editado no passado dia onze de setembro através da Innovative Leisure, Do You Feel Ok? é o novo disco dos Superhumanoids de Sarah Chernoff, Cameron Parkins, Max St. John e Evan Weinerman, um projeto oriundo de Los Angeles e que ao segundo disco de originais nos oferece um fluxo de canções muito agradável, relaxante e até algo sensual, com exemplares como Anxious In Venice ou Touch Me a possuirem além de uma energia sexual latente, que a própria capa do disco acentua, um inegável charme, festivo e viciante.

Com um olhar assertivo às pistas de dança, mesmo quando em temas como Dull Boy ou Oh Me se confere uma sonoridade mais atmosférica e melancólica, os Superhumanoids não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçarem em sonhos por realizar, também servem para dançar.

Assim, estes Superhumanoids exploram em Do You Feel Ok? as diversas intersecções que é posssível estabelecer entre a indie, o rock progressivo e a electrónica, numa mistura absolutamente sedutora, como já referi. É uma receita dominada por sintetizadores que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos e de braço dado com um baixo sempre vigoroso, várias camadas de efeitos sobrepostos com particular minúcia e coerência e guitarras exuberantes.

Em Do You Feel Ok?, os Superhumanoids não querem só resgatar os sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador, ao mesmo tempo. As canções deste disco prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás, num disco que navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em onze canções onde a eletrónica é um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. É uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão...

Superhumanoids - Do You Feel OK

01. Anxious In Venice
02. Oh Me I
03. Norwegian Black Metal
04. Touch Me
05. Dull Boy
06. Death Rattle
07. Dada
08. Do You Feel OK?
09. 12 Fingers
10. I Want To Believe
11. Blinking Screens


autor stipe07 às 18:03
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