Domingo, 5 de Julho de 2015

The Soft Hills – Cle Elum

Depois de Chromatisms e Departure, os norte americanos The Soft Hills de Garrett Hobba estão de regresso com Cle Elum, um novo tomo de canções, que viram a luz do dia a doze de maio por intermédio da Tapete Records.

Um dos projetos mais profícuos dos últimos anos na costa oeste dos Estados Unidos, os The Soft Hills têm em Garrett Hobba a sua grande força motriz e sendo este disco escrito na íntegra e produzido pelo próprio, acaba por ser, naturalmente, um reflexo muito pessoal de um músico sensível e emotivo e dono de uma voz que vinca, com particular ênfase, essas caraterísticas, projetando tudo aquilo que mexe consigo e preenche o seu coração. O orgão minimal e o modo suplicante como Hobba se expressa em Temple of Heavan e, em oposição, a luminosidade da flauta, da viola acústica e das vozes de San Pablo Bay, apresentam-nos, logo na abertua de Cle Elum, a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor da Califórnia, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva de uma Seattle que já foi também poiso do músco .

Mais calmo e acústico que os antecessores, Cle Elum é uma ode explícita à tipica folk norte-americana, com origens e uma matriz singular e um dedilhar de guitarra muito próprio. O modo como alguns efeitos nublosos se misturam com as cordas em My Lucky Pal, por exemplo, contém todos esses genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio. E depois, na simplicidade melódica de temas como Feathers que, com uma simples harmonia e algumas teclas transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprova-se que as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que, ainda por cima, é, como já referi, detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar.

Em suma, num disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Cle Elum

01. Temple Of Heavan
02. San Pablo Bay
03. Gold Leaves
04. My Lucky Pal
05. The Mess You’re In
06. Into The Lately
07. Skeleton Key (Return To The Earth)
08. Feathers
09. Singing A Song Nobody Knows
10. In The Cool Breath Of Morning
11. It’s A Perfect Day
12. Transient Hotels


autor stipe07 às 17:54
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2015

The Happy Hollows - Astrid

A talentosa Sarah Negahdari, Charlie Mahoney e Matt Fryos são os The Happy Hollows, um trio norte americano, oriundo de Los Angeles já com dois álbuns no cardápio; Spells (2010) e Amethyst (2013). Astrid, um single, acaba de ver a luz do dia, sendo o novo pulsar desta banda, um tema gravado nos famosos Sunset Studies, da cidade dos anjos.

Produzido por Lewis Pesacov e misturado em Londres por Gareth Jones, Astrid sustenta o seu edifício melódico num excelente e vintage sintetizador Roland Juno 106, em redor do qual gravita uma bateria impulsiva, guitarras plenas de fuzz e a belissíma voz de Sarah, rebelde e evocativa, numa canção que mistura fé com destino, dois conceitos que muitas vezes se fundem, principalmente quando se acredita, como referem os próprios The Happy Hollows, que existe algo de cósmico e superior que rege a nossa existência. Confere...

https://twitter.com/happyhollows www.instagram.com/happyhollows


autor stipe07 às 18:16
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2015

Vinyl Williams - World Soul

Lionel Williams é um músico e artista plástico natural de Los Angeles que assina a sua música como Vinyl Williams, tendo-se estreado nos disco em 2012 com Lemniscate, um trabalho com uma pop de forte índole lo fi, mas com interessante aceitação no seio da crítica.

Três anos depois, Vinyl Williams está de regresso com Into, um álbum que vai ver a luz do dia a vinte e quatro de julho por intermédio da Company Records, a editora de Chazwick Bundick, também conhecido como Toro Y Moi. A pop lisérgica de World Soul é o primeiro single divulgado de Into e mostra um Vinyl Williams absorvido pelas relações nem sempre harmoniosas entre cultura e religião e o conflito interior que a crença, a fé e a constante atração por tudo aquilo que é metafísico tantas vezes provoca no ser humano. O krautrock e a psicadelia acabam também por andar um pouco em redor dos conceitos sonoros de Vinyl Williams, que tem uma visão muito particular e algo surrealista do mundo que o rodeia e que o artwork do single, também da sua autoria, também expressa. Confere...


autor stipe07 às 17:13
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2015

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso do último ano, divulgarem mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9, agora, a vinte e três de janeiro último, regressaram aos lançamentos discográficos com Geodesic Home Place, treze novas canções que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte amricanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemprâneas, basta ouvir-se Slippin' slide, um dos emas mais inebriantes e festivos de Geodesic Dome Piece para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Buff ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de Magic Leaves.

Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os The Blank Tapes querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do baixo de So High e dos teclados de Oh My Muzak, assim como do experimentalismo instrumental de For Breakfast, que se aproxima do blues marcado pela guitarra em 4:20, além da percussão orgânica e de alguns ruídos e vozes de fundo que assentam muito bem na canção. A campestre Brown Chicken Brown Cow e a baladeira e sentimental Do You Wanna Get High? mantêm a toada revivalista, com um certo travo surf, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.

Geodesic Dome Piece é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

01. Way Too Stoned
02. Oh My My
03. Buff
04. Magic Leaves
05. For Breakfast
06. So High
07. Oh My Muzak
08. Slippin’ Slide
09. 4:20
10. Brown Chicken Brown Cow
11. Do You Wanna Get High?
12. To Your Dome Piece
13. Do You Wanna Get High (Acoustic Demo)


autor stipe07 às 15:15
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2015

LA Font - Whisperer

Liderados por Danny Bobbe e ao qual se junta Jon, Harlow e Greg e oriundos de Echo Park, nos arredores de Los Angeles, os norte americanos LA Font acabam de divulgar Whisperer, o seu mais recente single, um tema que antecipa Hangtime Vol. 1, o novo EP da banda, que irá ver a luz do dia a vinte e oito de abril, em formato digital e cassete, através da insuspeita e espetacular editora Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

A propósito deste novo trabalho dos LA Font, Bobbe afirmou recentemente: Hangtime's a record about not waiting around for something to happen. It's about putting in work, kicking it out, washing your hands and starting again. Take the best part of a lemon meringue pie (the meringue) and a Dodger Dog (the Dodgers) and that’s Hangtime Vol. 1.

Whisperer é uma canção inicialmente melancólica, mas com uma progressão excelente que apostando numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, mostra uns LA Font particularmente melódicos e com um elevado sentido de estética sonora. Brevemente os LA Font irão entrar em digressão com os Shark?. Confere...

 


autor stipe07 às 18:22
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Sábado, 28 de Março de 2015

Wand - Golem

Os Wand são uma banda norte americana, oriunda de Los Angeles e liderada por Cory Hanson, um músico que toca regularmente com Mikal Cronin e os Meatbodies, dois projetos que já foram referenciados em Man On The Moon. Nestes Wand, juntam-se a Cory, Evan Burrows, Daniel Martens e Lee Landey.

Os Wand tocam um indie punk rock psicadélico, progressivo, experimental e fortemente aditivo e Ganglion Reef, o disco de estreia, editado em 2014, foi um marco e uma referência para os amantes do género. Agora, um ano depois, os Wand já têm sucessor pronto; Golem chegou a dezassete de março através da etiqueta In The Red e tem no fuzz rock a sua pedra de toque, talvez a expressão mais feliz para caraterizar o caldeirão sonoro que os Wand reservam para nós e que logo na imponência de The Unexplored Map e no festim grandioso de Self Hynosis In 3 Days, o primeiro single divulgado, fica claramente plasmado. Esta canção é um delicioso exemplar de indie rock astral e vigoroso, um tratado sonoro que ressuscita o que de melhor se pode escutar relativamente ao rock alternativo da última década do século passado, com um upgrade de adição psicotrópica e elevada lisergia.

As guitarras são, naturalmente, o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Wand, feitas de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Mas a receita também se compôe com sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias, uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, que é várias vezes literalmente cortada a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade que se saúda.

O efeito abrasivo de Reaper Invert ao contrastar com o efeito sinistro da guitarra, mostra o enorme acerto de Cory na busca de um som grandioso e simultaneamente acessivel a todos os ouvidos. Melodicamente pattindo em busca de um sentido épico irrepreensível, a canção acaba por funcionar como um excelente interlúdio para Melted Rope, um grandioso instante sonoro psicadélico que ressuscita o glorioso espelndor do rock progressivo que fez escola na década de setenta do século passado e que encontra sequência mais ruidosa e ácida no inenso edifício sonoro pulsante e esplendoroso que alimenta Cave In. A sensibilidade da viola e o efeito da guitarra que trespassa a melodia de alto abaixo na primeira e o fuzz das guitarras e as constantes mudanças de ritmo na segunda, acentuam a monumentalidade de dois extraordinários tratados sonoros que, sendo o núcelo duro de Golem, resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração, além de plasmarem o vasto espetro instrumental presente no disco e a capacidade que estes Wand têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop

A viagem alucinante que a audição de Golem nos oferece prossegue sem intervalos ou concessões e vão-se multiplicando os diferentes efeitos que alimentam as guitarras dos Wand, sempre no limiar daquilo que é humanamente suportável e sonoramente majestoso, sem perca de controle ou equilibrio. Este constante experimentalismo fica novamente plasmado nas águas turvas e sombrias em que navega Flesh Tour e no grunge abrasivo e hipnótico de Floating Head, mas também, e de modo mais vincado, em Planet Golem, canção onde parece valer mesmo tudo e onde não terão havido concessões no que diz respeito às opções tomadas, quer no que diz respeito ao sabor inebriante das guitarras, quer no que que concerne à seleção de ruídos e detalhes de fundo que servem para dar corpo e substância a um clima sonoro intenso e nubloso.

Golem chega ao ocaso com um intenso upgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, chamado The Drift, uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico e quando damos por nós, o disco terminou mais ainda estamos completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustenta os Wand e percebemos que não há escapatória possível desta ode imensa de celebração estratosférica. Tens coragem para carregar novamente no play? Eu nem me paercebi que o fiz. Espero que aprecies a sugestão...

Album cover: Wand – Golem (2015)

1. The Unexplored Map
2. Self Hypnosis In 03 Days
3. Reaper Invert
4. Melted Rope
5. Cave In
6. Flesh Tour
7. Floating Head
8. Planet Golem
9. The Drift


autor stipe07 às 20:19
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Vetiver – Complete Strangers

Sexto álbum da discografia de Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, Complete Strangers é, conforme o título indica, uma compilação sentida e honesta da partilha de sensações e eventos que o autor experimentou recentemente em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida. Diário de bordo de um autor que tem tido diferentes músicos a colaborar consigo ao longa da carreira, mas que teve sempre em Thom Monahan, o engenheiro de som e produtor deste disco, o seu parceiro mais fiel, Complete Strangers foi gravado em Los Angeles, com a companhia dos músicos Bart Davenport, Gabe Noel e Josh Adams e quer a batida luminosa de Stranger Still, quer a viola que conduz From No On e, principalmente, Current Carry, além de, logo no início, situarem o ouvinte na heterogeneidade muito própria deste projeto, mostram-nos o efeito que o sol da costa oeste tem na música de Andy e como é bom ele ter-se deixado levar pelos insipradores raios flamejantes que esse astro atirou para as janeas do estúdio onde se instalou, para dar vida a uma folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, que deambulando entre o acústico e o sintético e psicando amiúde o olho a um certo travo psicadélico, criou canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos, que pode muito bem ser a mundialmente famosa indie pop.

Vetiver é mestre a misturar harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz grave, mas suave e confessional, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido, além de arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação. Que melhor exemplo do que o jogo de sedução que se estabelece entre o efeito da guitarra, as cordas de uma viola e um insinuante baixo em Confiding, uma canção sobre as vulnerabilidades próprias do amor, para plasmar o enorme charme da música de Vetiver? Que melhor instante do que aquele em que, em Backwards Slowly, variados efeitos percussivos e um sintetizado se cruzam com essa mesma guitarra e a cândura da voz de Andy, para nos levar fazer querer ir até à praia mais próxima e enfrentar esse mesmo sol bem de frente para sermos ilmunados pela mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções? Que melhor ritmo, do que aquele que sustenta Loose Ends ou a bossa nova de Time Flies By para nos fazer colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal e conseguirmos, finalmente, traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar?

A música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterra-nos num mundo paralelo onde só cabem as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que entre a luz e a melancolia tornam-se verdadeiras e realizam-se, provando que Andy sabe como contar histórias que o materializam na forma de um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade.

Complete Strangers é um daqueles discos que nos vão soar sempre a algo familiar; Escutá-lo pela primeira vez é experimentar aquela sensação que estamos a rever alguém que já se cruzou na nossa vida em tempos e que nos causou sensações boas e partilhou conosco belos momentos quando tal sucedeu. E essa impressão sente-se porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza, ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Os lindíssimos acordes que nos vão surpreendendo ao longo do álbum dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante de calcorrear a vida real, desde que haja portos de abrigo como este durante o percurso, trabalhos discográficos que nos dão as pistas certas para uma vivência existencial plena e verdadeiramente feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Complete Strangers

01. Stranger Still
02. From Now On
03. Current Carry
04. Confiding
05. Backwards Slowly
06. Loose Ends
07. Shadows Lane
08. Time Flies By
09. Edgar
10. Last Hurrah


autor stipe07 às 21:10
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Kodak To Graph - ISA

Depois de em agosto de 2013 Mikey Maleki ter andado a editar uma canção por mês, numa longa e bonita jornada que resultou na compilação 2013 Monthly Singles, disponivel para audição e download e que fui dando conta, por cá, durante esse ano, este músico e produtor norte americano de origens iranianas oriundo de Pensacola, na Flórida, atualmente a residir em Los Angeles e que assina a sua música como Kodak To Graph, começou 2015 a participar ativamente na gravação de Oldies, um trabalho também disponivel gratuitamente e que plasma eletrificantes experimentações sonoras. Agora, a dez de março, chegou, finalmente, o seu longa duração de estreia, um disco chamado ISA, também possivel de ser obtido gratuitamente e que é uma verdadeira jornada emotiva e emocional pelos pensamentos, experiências e momentos que se revelaram significativos para o autor nos últimos temps e que o transformaram no músico e pessoa que é hoje.

Maleki sempre gostou de gravar e depois reproduzir sinteticamente sons reais, que capta ao seu redor e que tanto podem ser relacionados com a natureza, nomeadamente o chilrear de aves ou os galhos que se quebram durante um passeio pela floresta, como sons mais citadinos e que reproduzem ruídos habituais num ambiente citadino. Desolation Wilderness é um bom tema para se perceber de que modo funciona esta imagem de marca de Kodak to Graph e igualmente bastante presente no restante alinhamento de ISA. O autor confessa cultivar esse gosto com método porque acha que a inserção desses arranjos nas melodias enriquece-as e funciona, de certa forma, como a componente lírica das suas canções, geralmente instrumentais, dando-lhes uma clara sensação de narrativa e ampliando o propósito que elas têm, que é o de contar histórias concretas e com vida, mesmo que não contenham letras e uma voz que as replique de modo entendível. Quando a voz surge nas canções de Maleki é quase sempre modificada e samplada, funcionando como mais um detalhe sonoro ou outro dos instrumentos que deambulam pelas composições. Los Angeles, tema de tributo à cidade que recentemente acolheu este músico, é um notável exemplo do modo como Maleki utiliza a voz como mero recurso sonoro, no meio de outros detalhes e sons que facilmente nos colocam no meio da movimentada South Vermont rumo a Beverly Hills.

A música de Kodak To Graph exala imenso uma sensação de convite frequente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e este produtor não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Belong, o tema de abertura, a surpreender desde logo pelo cariz pop claramente urbano, proporcionado por uma eletrónica manipulada com mestria, não só no modo como o cruza o trompete com a melodia, mas também pelo realce que alguns metais usufruem em determinados momentos da canção. Belong liga-se com Floating através de uma batida minimal que depois parece submergir num mundo aquático e, por isso, sonoramente mais denso e pastoso e se esta conexão entre canções acentua o tal espírito de narrativa sequencial que domina ISA, a opção por arranjos, detalhes, ruídos e métodos de manipulação sonora que se interligam com o título das canções, além de nos fazerem perceber as diversas variáveis que Mike introduz no sintetizador para transmitir uma sensação intrincada e fortemente espiritual. Na verdade, ISA transborda um ideal de leveza e cor constantes, como se o disco transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, apesar de, felizmente, serem agora menos frios e sombrios, permitindo-nos escutar uma música bastante sensorial, que parece ter textura, cheiro e flutuações térmicas condizentes com o ritmo, a batida ou o borbulhar de determinados detalhes, aquáticos ou terrenos que facilmente se identificam e que são passíveis de serem confrontados com aspetos reais e palpáveis do meio que nos rodeia. Se a sensibilidade emotiva, minimal e arrepiante de Glaciaa nos obriga a vestir um agasalho bem quente enquanto sobrevoamos os pólos, as já citadas Los Angeles e Belong retratam uma América multicultural e cosmopolita que acolheu e inspira Maleki.

Rico e arrojado e apontando em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, ISA tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor eletrónica contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, oferecer música que se sente e que se vê, englobando diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, que podem passar pelo trip hop, a chillwave, o hip hop ou o R&B num pacote que conta histórias que as máquinas de Maleki sabem, melhor do que ninguém, como reporduzir e encaixar. Este é um álbum para ser escutado, visto e sentido, recheado de paisagens sonoras bastante diversificadas, mas de algum modo descomplicadas e acessíveis e que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 19:14
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Segunda-feira, 9 de Março de 2015

Dirty Dishes - Guilty

Os Dirty Dishes são Jenny Tuite e Alex Molini, uma dupla oriunda de Los Angeles, na Califórnia que se conheceu quando Alex vomitou acidentalmente nos sapatos de Jenny numa festa e, sentindo-se mal com isso, procurou no dia seguinte o contacto dela para lhe oferecer um novo par de sapatos. O par de solas nunca foi entregue, mas desse contacto nasceu uma nova banda, estes Dirty Dishes que têm em Guilty o seu mais recente lançamento discográfico, um trabalho disponivel no bandcamp do projeto, desde vinte e sete de janeiro, em formato vinil e digital, através da Exploding In Sound Records e em formato cassete através da Seagreen.

Num disco que se divide em dois períodos distintos, o baixo e as distorções da guitarra de Thank You Come Again convidam-nos a recordar o período aúreo do grunge dos anos noventa, um revivalismo salutar proposto por uma dupla que sabe como causar impacto logo à primeira e criar um ambiente de tensão, narcótico, empoeirado e fortemente aditivo. Os Dirty Dishes fazem juz ao nome e, em Red Roulette, servem-nos, com enorme requinte, esse som sujo, ampliando a toada épica inicial e plasmando uma interrssante capacidade melódica numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, fazendo juz à sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do indie rock norte americano há mais de duas décadas.

Chega-se a Guilty, o tema hómónimo e um dos singles já extraídos do disco e a bitola sonora destes Dirty Dishes já não tem segredos. Mesmo que haja um ambiente mais sombrio a tomar conta desta canção, o mesmo não defrauda os apreciadores do género. A partir de Androgynous Love Song, Guilty entra então num rumo mais reflexivo e calmo, mas respeitando sempre a fórmula sonora inderente à dupla. Esta canção é dominada pelo pendor acústico das cordas e pela cândura nada óbvia da voz de Jenny e, logo a seguir, a atmosférica Dan Cortez, canção onde a percurssão se vai insinuando enquanto não desiste de tentar engatar o ritmo, alinha com a mesma voz e um efeito agudo de uma guitarra hipnótica, sendo estes detalhes bons exemplos da forma corajosa como, logo na estreia, os Dirty Dishes não se coibem de tentar experimentar ideias diferentes e fugir do comum.

Neste segundo momento do disco, canções como Dinner Bell, uma composição cheia de efeitos e detalhes preciosos, enquanto é guiada por um baixo nada óbvio e o misterioso lamento chamado Lackluster, contêm momentos de pura improvisação, com instantes intrumentais que apontam em diferentes direções e com um baixo que não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico das mesmas. E esta faceta mais experimental, que tem o seu instante mais curioso na folk acústica de One More Time, como anteriormente referi, não perturba a conturbada homogeneidade de um alinhamento sempre fluído e acessível, apesar desses momentos e da especificidade rugosa do som que carateriza os Dirty Dishes.

Em Guilty esta dupla californiana estabelece uma zona de conforto, mas não se coibe de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, à folk, passando pelo punk rock e ao próprio rock progressivo, num disco excitante e intenso e que nos desperta para um paraíso de glória e esplendor. A verdade é que eles parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de cerca de quarenta minutos intensos, rugosos e que não envergonharão o catálogo sonoro deste grupo de Los Angeles, seja qual for o restante conteúdo que o futuro lhes reserve. Espero que aprecies a sugestão...
01. Thank You Come Again
02. Red Roulette
03. Guilty
04. Androgynous Love Song
05. Dan Cortez
06. Dinner Bell
07. Lackluster
08. One More Time
09. Sugar Plum Fairies


autor stipe07 às 22:59
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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

Warpaint - No Way Out

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa são as Warpaint, um título feliz para quatro intérpretes que compôem música que parece vir do interior da alma mais sincera e verdadeira que podemos imaginar e que o ano passado surpreenderam com um disco homónimo onde deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta negra e obscura, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com uma certa timidez que não era mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica

Agora, quase um ano depois, as Warpaint voltam a deixar-nos boquiabertos com No Way Out, uma nova canção que indicia a proximidade de um novo registo de originais e que promete ser mais um marco na carreira deste projeto californiano. O tema assenta em deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi. Confere...


autor stipe07 às 15:56
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