Sexta-feira, 24 de Julho de 2015

The Mowgli’s – Summertime

The Mowgli's - Summertime

Sedeado em Los Angeles, o coletivo norte americano The Mowgli's segue o trilho da herança deixada por nomes como os Byrds, os Beach Boys, ou os mais contemporâneos Grouplove e Edward Shape & The Magnetic Zeros, através de uma indie folk vibrante e luminosa. Formados em 2010 pelo cantor e compositor Colin Dieden, os The Mowgli's são um grupo extenso, formado atualmente por David Applebaum, Spencer Trent, Matt Di Panni, Josh Hogan, Andy Warren e Katie Earl, além de Dieden.

A banda estreou-se em 2012 nos discos com Sound the Drum, juntamente com o EP Love's Not Dead. Regressaram rapidamente aos lançamentos um ano depois com Waiting for the Dawn e agora, em 2015, estão de regresso com Kids in Love, o terceiro álbum produzido por Captain Cuts e Matt Radosevich, sendo a aditiva e vibrante Summertime, a primeira canção divulgada do disco. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

Wavves - Way Too Much

Poucas semanas após o lançamento de No Life For Me, um disco que resultou de uma parceria com os Cloud Nothings de Dylan Baldi, Nathan Williams está de regresso com o seu projeto WavvesAfraid of Heights (2013), o último registo de originais da banda, tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado V e que será o quinto deste grupo californiano.

A letra imediata e a melodia aditiva de Way Too Much, o primeiro single divulgado de V, balança algures entre os The Replacements, os Green Day a até os Blink-182, mas não deixa de ser uma típica canção dos Wavves, pelo modo como aborda a surf music e o punk rock, juntando-se ainda a essência pop de Williams. Confere...


autor stipe07 às 11:03
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Domingo, 19 de Julho de 2015

Tashaki Miyaki – Under Cover Vol. II

A vocalista Lucy Miyaki e o guitarrista Tashaki formam o núcleo duro dos Tashaki Miyaki, uma banda oriunda de Los Angeles que navega nas águas turvas e profundas da dream pop de pendor psicadélico. Em digressão com os Allah-Las durante o outono de 2014, resolveram gravar algumas covers para a ocasião, na senda do que já tinham feito em 2012 com Under Cover, um lançamento que inclui versões de originais dos Roxette, INXS, Troggs e Bob Dylan, entre outros.

Neste segundo tomo de covers dos Tashaki Miyaki, a dupla resolveu revisitar com a ajuda do produtor Joel Jerome outros clássicos, sempre com a habitual atmosfera densa e particularmente sensual e hipnótica que colocam na sua música, com The Beautiful Ones, o original de Prince, a ser o exemplo claro do modo bastante original e assertivo como o fizeram.

Com uma sonoridade cada vez mais sóbria e adulta, Lucy e Tashaki criaram mais um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia, que atinge o seu auge, na minha opinião, na pop luminosa e pueril de I Only Have Eyes For You. Mas logo em Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t’ve) e em Never My Love, a dupla apresenta uma instrumentação que tem como pano de fundo essencial a música folk e a herança da América do Norte, sendo audível a procura de uma sonoridade ainda mais intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo. Nos inconfundível dedilhar das notas de Take My Breath Away e na sobriedade dos arranjos sente-se uma superior carga emotiva e a voz adocicada de Lucy, que parece pairar numa frágil nuvem de algodão, faz juz à cândura de uma letra que transborda fragilidade em todas as sílabas e versos. Esta voz, quando em Life Line, dos Pink Floyd, replica um registo mais grave sem colocar em causa o elevado pendor lisérgico da cantora, é mais uma manifestação audível e concreta do jogo dual que os Tashaki Miyaki conseguem oferecer ao ouvinte, entre força e fragilidade, dois aspetos que nas vozes, na letra e na insturmentação, se equilibram de forma vincada e segura.

Disponível para download gratuito, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, Under Cover Vol. II é um compêndio sonoro que surpreende pelo bom gosto como apresenta de forma sombria e introspetiva, mas superiormente frágil e sedutora, a  visão dos Tashaki Miyaki sobre alguns temas que sempre tocaram a dupla, mas, principalmente, pela forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem as escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Tashaki Miyaki - Under Cover Vol. II

Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t’ve)
Take My Breath Away
Never My Love
Life Line
This Time Tomorrow
I Can’t Stand The Rain
I Only Have Eyes For You
The Beautiful Ones


autor stipe07 às 22:59
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2015

The New Division – Gemini

Os The New Division são uma banda de Riverside, nos arredores Los Angeles, formada em 2005 por John Kunkel, ao qual se juntam, ao vivo, Brock Woolsey, Michael Janz,Mark Michalski e Alex Gonzales. Falei deles em finais de 2011 por causa de Shadows, o disco de estreia deste projeto que, como se percebe, é obra da mente criativa de Kunkel. Já o ano passado voltei a aflorar os The New Division devido a Together We Shine, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da etiqueta Division 87 na primavera desse ano e agora, catorze meses depois, Gemini é o novo compêndio sonoro do grupo, treze canções com alguma da melhor pop new wave que se pode escutar atualmente.

O revivalismo punk rock dos anos oitenta, combinado com a eletrónica mais influente dessa época, razão pela qual não será alheia a inserção das palavras New (Order) e (Joy) Division no nome, é a grande força motriz do processo de criação musical de Kunkel, um músico bastante interessando por esse período musical e que procura replicar com uma contemporaneidade que se saúda, plasmada, por exemplo, no inedetismo de alguns efeitos sintetizados, piscando o olho a uma sonoridade pop, luminosa e expansiva, certamente em busca de um elevado sucesso comercial e de ampliar a sua rede de ouvintes e seguidores, além do nicho de seguidores que têm acompanhado o percurso da banda com particular devoção.

Assim, Gemini impressiona, desde logo, pela qualidade da produção, da autoria do próprio Kunkel coadjuvado por F.J. DeSanto e pela aposta firme na criação de um som límpido e que entre o revivalismo e algumas intenções futuristas, agrada e seduz, até pelo forte apelo às pistas de dança. Estamos na presença de um álbum cuidadosamente trabalhado, onde as influências são bem claras e canções como a vigorosa Senseless, a pulsante Iris, a retro Introspective ou a sombria e mais orgânica Alive, foram certamente pensadas para o airplay, baseando-se numa pop épica e conduzida por teclados sintéticos que dão vida a refrões orelhudos e melodias que se colam ao ouvido com particular ênfase.

Apesar do dedilhar de cordas que abastece a melodia de Golden Winter Child e das distorções da épica Murder Shock, as guitarras dominam cada vez menos o processo de criação melódica dos The New Division e neste Gemini os sintetizadores e os efeitos da bateria eletrónica assumem os comandos, com temas como Copycat ou Eyes a olharem de frente para aquela pop nórdica fortemente sentimental que os A-Ha recriaram com mestria no tal período temporal que entusiasma Kunkel.

Não é novidade nenhuma dizer-se que a música enquanto forma de arte é um fenómeno onde quem inova sonoramente pode encontrar aí o caminho para o sucesso. No entanto, penso que esta manifestação artística também é um fenómeno cíclico e que as bandas e artistas que buscam elementos retro de outras décadas para recriar um estilo próprio também poderão encontrar a chave para o sucesso. Exemplos que procuram seguir esta doutrina são bem comuns nos dias de hoje são bem comuns e, ao terceiro disco, já não restam dúvidas que os The New Division escolheram a inesquecível década da ascensão da música eletrónica para sustentar a sua carreira discográfica. Espero que aprecies a sugestão...

The New Division - Gemini

01. ii.
02. Killer
03. Gemini
04. Senseless
05. Iris
06. Introspective
07. i.
08. Alive
09. Golden Winter Child
10. Copycat
11. Eyes
12. Murder Shock
13. Bloom


autor stipe07 às 20:54
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Domingo, 5 de Julho de 2015

The Soft Hills – Cle Elum

Depois de Chromatisms e Departure, os norte americanos The Soft Hills de Garrett Hobba estão de regresso com Cle Elum, um novo tomo de canções, que viram a luz do dia a doze de maio por intermédio da Tapete Records.

Um dos projetos mais profícuos dos últimos anos na costa oeste dos Estados Unidos, os The Soft Hills têm em Garrett Hobba a sua grande força motriz e sendo este disco escrito na íntegra e produzido pelo próprio, acaba por ser, naturalmente, um reflexo muito pessoal de um músico sensível e emotivo e dono de uma voz que vinca, com particular ênfase, essas caraterísticas, projetando tudo aquilo que mexe consigo e preenche o seu coração. O orgão minimal e o modo suplicante como Hobba se expressa em Temple of Heavan e, em oposição, a luminosidade da flauta, da viola acústica e das vozes de San Pablo Bay, apresentam-nos, logo na abertua de Cle Elum, a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor da Califórnia, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva de uma Seattle que já foi também poiso do músco .

Mais calmo e acústico que os antecessores, Cle Elum é uma ode explícita à tipica folk norte-americana, com origens e uma matriz singular e um dedilhar de guitarra muito próprio. O modo como alguns efeitos nublosos se misturam com as cordas em My Lucky Pal, por exemplo, contém todos esses genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio. E depois, na simplicidade melódica de temas como Feathers que, com uma simples harmonia e algumas teclas transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprova-se que as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que, ainda por cima, é, como já referi, detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar.

Em suma, num disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Cle Elum

01. Temple Of Heavan
02. San Pablo Bay
03. Gold Leaves
04. My Lucky Pal
05. The Mess You’re In
06. Into The Lately
07. Skeleton Key (Return To The Earth)
08. Feathers
09. Singing A Song Nobody Knows
10. In The Cool Breath Of Morning
11. It’s A Perfect Day
12. Transient Hotels


autor stipe07 às 17:54
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Segunda-feira, 25 de Maio de 2015

The Happy Hollows - Astrid

A talentosa Sarah Negahdari, Charlie Mahoney e Matt Fryos são os The Happy Hollows, um trio norte americano, oriundo de Los Angeles já com dois álbuns no cardápio; Spells (2010) e Amethyst (2013). Astrid, um single, acaba de ver a luz do dia, sendo o novo pulsar desta banda, um tema gravado nos famosos Sunset Studies, da cidade dos anjos.

Produzido por Lewis Pesacov e misturado em Londres por Gareth Jones, Astrid sustenta o seu edifício melódico num excelente e vintage sintetizador Roland Juno 106, em redor do qual gravita uma bateria impulsiva, guitarras plenas de fuzz e a belissíma voz de Sarah, rebelde e evocativa, numa canção que mistura fé com destino, dois conceitos que muitas vezes se fundem, principalmente quando se acredita, como referem os próprios The Happy Hollows, que existe algo de cósmico e superior que rege a nossa existência. Confere...

https://twitter.com/happyhollows www.instagram.com/happyhollows


autor stipe07 às 18:16
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2015

Vinyl Williams - World Soul

Lionel Williams é um músico e artista plástico natural de Los Angeles que assina a sua música como Vinyl Williams, tendo-se estreado nos disco em 2012 com Lemniscate, um trabalho com uma pop de forte índole lo fi, mas com interessante aceitação no seio da crítica.

Três anos depois, Vinyl Williams está de regresso com Into, um álbum que vai ver a luz do dia a vinte e quatro de julho por intermédio da Company Records, a editora de Chazwick Bundick, também conhecido como Toro Y Moi. A pop lisérgica de World Soul é o primeiro single divulgado de Into e mostra um Vinyl Williams absorvido pelas relações nem sempre harmoniosas entre cultura e religião e o conflito interior que a crença, a fé e a constante atração por tudo aquilo que é metafísico tantas vezes provoca no ser humano. O krautrock e a psicadelia acabam também por andar um pouco em redor dos conceitos sonoros de Vinyl Williams, que tem uma visão muito particular e algo surrealista do mundo que o rodeia e que o artwork do single, também da sua autoria, também expressa. Confere...


autor stipe07 às 17:13
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2015

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso do último ano, divulgarem mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9, agora, a vinte e três de janeiro último, regressaram aos lançamentos discográficos com Geodesic Home Place, treze novas canções que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte amricanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemprâneas, basta ouvir-se Slippin' slide, um dos emas mais inebriantes e festivos de Geodesic Dome Piece para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Buff ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de Magic Leaves.

Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os The Blank Tapes querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do baixo de So High e dos teclados de Oh My Muzak, assim como do experimentalismo instrumental de For Breakfast, que se aproxima do blues marcado pela guitarra em 4:20, além da percussão orgânica e de alguns ruídos e vozes de fundo que assentam muito bem na canção. A campestre Brown Chicken Brown Cow e a baladeira e sentimental Do You Wanna Get High? mantêm a toada revivalista, com um certo travo surf, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.

Geodesic Dome Piece é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

01. Way Too Stoned
02. Oh My My
03. Buff
04. Magic Leaves
05. For Breakfast
06. So High
07. Oh My Muzak
08. Slippin’ Slide
09. 4:20
10. Brown Chicken Brown Cow
11. Do You Wanna Get High?
12. To Your Dome Piece
13. Do You Wanna Get High (Acoustic Demo)


autor stipe07 às 15:15
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2015

LA Font - Whisperer

Liderados por Danny Bobbe e ao qual se junta Jon, Harlow e Greg e oriundos de Echo Park, nos arredores de Los Angeles, os norte americanos LA Font acabam de divulgar Whisperer, o seu mais recente single, um tema que antecipa Hangtime Vol. 1, o novo EP da banda, que irá ver a luz do dia a vinte e oito de abril, em formato digital e cassete, através da insuspeita e espetacular editora Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

A propósito deste novo trabalho dos LA Font, Bobbe afirmou recentemente: Hangtime's a record about not waiting around for something to happen. It's about putting in work, kicking it out, washing your hands and starting again. Take the best part of a lemon meringue pie (the meringue) and a Dodger Dog (the Dodgers) and that’s Hangtime Vol. 1.

Whisperer é uma canção inicialmente melancólica, mas com uma progressão excelente que apostando numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, mostra uns LA Font particularmente melódicos e com um elevado sentido de estética sonora. Brevemente os LA Font irão entrar em digressão com os Shark?. Confere...

 


autor stipe07 às 18:22
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Sábado, 28 de Março de 2015

Wand - Golem

Os Wand são uma banda norte americana, oriunda de Los Angeles e liderada por Cory Hanson, um músico que toca regularmente com Mikal Cronin e os Meatbodies, dois projetos que já foram referenciados em Man On The Moon. Nestes Wand, juntam-se a Cory, Evan Burrows, Daniel Martens e Lee Landey.

Os Wand tocam um indie punk rock psicadélico, progressivo, experimental e fortemente aditivo e Ganglion Reef, o disco de estreia, editado em 2014, foi um marco e uma referência para os amantes do género. Agora, um ano depois, os Wand já têm sucessor pronto; Golem chegou a dezassete de março através da etiqueta In The Red e tem no fuzz rock a sua pedra de toque, talvez a expressão mais feliz para caraterizar o caldeirão sonoro que os Wand reservam para nós e que logo na imponência de The Unexplored Map e no festim grandioso de Self Hynosis In 3 Days, o primeiro single divulgado, fica claramente plasmado. Esta canção é um delicioso exemplar de indie rock astral e vigoroso, um tratado sonoro que ressuscita o que de melhor se pode escutar relativamente ao rock alternativo da última década do século passado, com um upgrade de adição psicotrópica e elevada lisergia.

As guitarras são, naturalmente, o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Wand, feitas de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Mas a receita também se compôe com sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias, uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, que é várias vezes literalmente cortada a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade que se saúda.

O efeito abrasivo de Reaper Invert ao contrastar com o efeito sinistro da guitarra, mostra o enorme acerto de Cory na busca de um som grandioso e simultaneamente acessivel a todos os ouvidos. Melodicamente pattindo em busca de um sentido épico irrepreensível, a canção acaba por funcionar como um excelente interlúdio para Melted Rope, um grandioso instante sonoro psicadélico que ressuscita o glorioso espelndor do rock progressivo que fez escola na década de setenta do século passado e que encontra sequência mais ruidosa e ácida no inenso edifício sonoro pulsante e esplendoroso que alimenta Cave In. A sensibilidade da viola e o efeito da guitarra que trespassa a melodia de alto abaixo na primeira e o fuzz das guitarras e as constantes mudanças de ritmo na segunda, acentuam a monumentalidade de dois extraordinários tratados sonoros que, sendo o núcelo duro de Golem, resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração, além de plasmarem o vasto espetro instrumental presente no disco e a capacidade que estes Wand têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop

A viagem alucinante que a audição de Golem nos oferece prossegue sem intervalos ou concessões e vão-se multiplicando os diferentes efeitos que alimentam as guitarras dos Wand, sempre no limiar daquilo que é humanamente suportável e sonoramente majestoso, sem perca de controle ou equilibrio. Este constante experimentalismo fica novamente plasmado nas águas turvas e sombrias em que navega Flesh Tour e no grunge abrasivo e hipnótico de Floating Head, mas também, e de modo mais vincado, em Planet Golem, canção onde parece valer mesmo tudo e onde não terão havido concessões no que diz respeito às opções tomadas, quer no que diz respeito ao sabor inebriante das guitarras, quer no que que concerne à seleção de ruídos e detalhes de fundo que servem para dar corpo e substância a um clima sonoro intenso e nubloso.

Golem chega ao ocaso com um intenso upgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, chamado The Drift, uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico e quando damos por nós, o disco terminou mais ainda estamos completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustenta os Wand e percebemos que não há escapatória possível desta ode imensa de celebração estratosférica. Tens coragem para carregar novamente no play? Eu nem me paercebi que o fiz. Espero que aprecies a sugestão...

Album cover: Wand – Golem (2015)

1. The Unexplored Map
2. Self Hypnosis In 03 Days
3. Reaper Invert
4. Melted Rope
5. Cave In
6. Flesh Tour
7. Floating Head
8. Planet Golem
9. The Drift


autor stipe07 às 20:19
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