Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2016

Nosound – Scintilla

Os italianos Nosound são vistos como uma das mais influentes bandas de alt/art rock da Europa, já que combinam, com particular mestria, influências que vão da psicadelia setentista de século passado ao rock alternativo da década seguinte, passando por alguns dos traços mais caraterísticos do rock progressivo atual. Este projeto começou a solo em 2005, pelas mãos de Giancarlo Erra, mas rapidamente cresceu para uma banda de cinco músicos, com Marco Berni, Alessandro Luci, Paolo Vigliarolo e Giulio Caneponi a serem os companheiros atuais de Erra nesta aventura, que também já contou com os músicos Paolo Martellacci, Gigi Zito, Gabriele Savini e Mario Damico.

Uma sonoridade intensa e bastante evocativa encabeçada por nomes tão distintos como Brian Eno e Pink Floyd por um lado ou Sigur Rós e Porcupine Tree por outro, é aquela que abastece Scintilla, o nome do quinto e novo registo de originais destes Nosound, dez canções embrulhadas por uma produção impecável e que nos emergem numa intensa catarse de letargia sentimental proporcionada com apurado bom gosto.

Logo na introdutória Short Story sentimos nos ombros toda a carga emocional do universo Nosound. Logo depois, na cândura vocal de Erra e na beleza melancólica de Last Lunch, que nos conserva e nos alivia, somos clarificados acerca do enorme poder que a música pode ter no nosso amago e no modo como remexe com causas que achávamos perdidas e convenções que eram, para o nosso cerne, verdades insofismáveis.

A música de Scintilla possibilita este abanão estimológico, numa espécie de profecia que abrigada pelas asas onde planam os metais de Little Man ou pela guitarra que divaga em Sogno E Incendio, nos faz crer que nem sempre tudo aquilo que julgamos resolvido, para o bem ou para o mal, não possa ser visto de uma outra perspetiva e acabar por ser alvo de uma diferente abordagem. A eternidade que dura cada nota da guitarra deste último tema dá-nos o fôlego suficiente para nos apropriarmos daquela réstia de coragem que falta para que tudo se revire e em The Perfect Wife o modo como o baixo oscila entre o querer estar no primeiro plano do processo de construção melódica e, a partir de determinado ponto, numa posição de menor protagonismo, cimenta esta ténue fronteira entre aquilo que é o que é, mas nem sempre é o que realmente parece ser. A própria atmosfera do tema homónimo e os raios de luz que o piano e a distorção da guitarra nos oferecem nessa canção, traduzem este sentimento que se baseia num misto de eterna dúvida acerca das felizes certezas que vamos construindo e na nossa predisposição para não fazermos de conta que a vida é mesmo assim, um constante sobressalto para quem se resigna a viver numa realidade de confortáveis aparências. Espero que aprecies a sugestão...

Nosound - Scintilla

01. Short Story
02. Last Lunch
03. Little Man
04. In Celebration Of Life
05. Sogno E Incendio
06. Emily
07. The Perfect Wife
08. Love Is Forever
09. Evil Smile
10. Scintilla


autor stipe07 às 17:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

a violet pine - Turtles

A vinte e três de setembro chegou aos escaparates, por intemédio da T.a. Rock Records, Turtles, o segundo disco dos italianos a violet pine, uma banda italiana que se divide entre Barletta, Bergamo e Milão e formada por Giuseppe Procida, Pasquale Ragnatela e Paolo Ormas e que aposta no post rock com pitadas de shoegaze no processo de composição melódica.

Nos a violet pine não existem limites, regras e concessões para o ruído, na mesma proporção da ausência de caos para a expansão do mesmo. Uma guitarra a desafiar permanentemente os limites do que é humanamente audível, mas sempre com um consistente entalhe melódico, um baixo cuja vibração das cordas parece ter sido captada no fundo da gruta mais escura e cavernosa a que a banda teve acesso, uma bateria tão crua como a força de um braço quando bate sem receio da dor e sintetizadores que nunca reclamam no instante de oferecer efeitos abrasivos, constituem a mistura instrumental nada anárquica, mas bastante heterogénea de que este trio se serve no momento de compôr. Estes são, claramente, todos os vetores sonoros que têm orientado a carreira dos a violet pine e Turtles sobrevive à luz dessa base sonora bastante peculiar e climática, com propostas ora banhadas por um doce toque de psicadelia a preto e branco, nomeadamente o espetacular single New Gloves, ora consumidas por um teor ambiental denso e complexo, como se confere no ranger metálico de New Game, ou no emaranhado de batidas e efeitos que sustentam o tema homónimo.

Independentemente da abordagem que é feita em cada canção e que varia imenso, com Have Fun, por exemplo, a piscar o olho a uma toada mais comercial e acessível, o que este disco nos oferece sem rodeios é um indie rock fulgurante, visceral infeccioso e incisivo, claramente marcado pela nostalgia dos anos oitenta, quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave, sombrio e ligeiramente distorcido.

Além de The Game, o tema de abertura, ser uma excelente porta de entrada para Turtles, porque contendo uma riqueza instrumental imensa, é também uma canção algo assustadora, friamente dividida em várias secções que, à medida que surgem, ampliam o cariz sombrio da canção e engrandecem o clima da mesma, Last Year é outra composição de audição imprescindível para se perceber como funcionam e se clarificam as transições sonoras em que os a violet pine apostam, notando-se a experimentação de diferentes estilos, com ecos bem audíveis de post punk e até uma faceta algo gótica, à qual não sera alheia a forte herança deixada por projetos como os Depeche Mode, se bem que estes italianos fazem-no com um forte carimbo experimental.

É evidente a mestria com que os a violet pine executam aquilo que pretenderam arquitetar em Turtles e impressiona a forma como enquadram todas estas referências num estilo muito próprio e inédito. Apreciar esta coleção algo invulgar de canções e todas as dinâmicas que propõe é um exercício auditivo simultâneamente complexo e recompensador, porque estamos na presença de uma amálgama sonora bastante calculada e muito bem construída. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:43
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 3 de Junho de 2015

A Violet Pine - New Gloves

A vinte e três de setembro irá chegar aos escaparates, por intemédio da T.a. Rock Records, Turtles, o segundo disco dos italianos A Violet Pine, uma banda italiana que se divide entre Barletta, Bergamo e Milão e formada por Giuseppe Procida, Pasquale Ragnatela e Paolo Ormas e que aposta no post rock com pitadas de shoegaze no processo de composição melódica.

New Gloves é o primeiro avanço divulgado de Turtles, um indie rock fulgurante, visceral infeccioso e incisivo, claramente marcado pela nostalgia dos anos oitenta, sustentado num baixo bastante grave, guitarras plenas de distorção e uma secção rítmica exemplar. Em setembro voltarei aos A Violet Pine para uma crítica completa a Turtles. Até lá, delicia-te com este single imperdível. Confere...

 


autor stipe07 às 17:34
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Cairobi - Distan Fire EP

Com músicos da Inglaterra, México, Itália e Áustria, mas baseados atualmente em Londres, os Cairobi são Giorgio Poti, Salvador Garza, Stefan Miksch, Alessandro Marrosu e Aurelien Bernard, um coletivo que se lançou nos lançamentos discográficos com Distante Fire, um EP que viu a luz do dia a dezasseis de fevereiro.

Animados e melancólicos, mas plenos de energia e focados numa enorme dedicação à causa, estes Cairobi não complicam na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage e são um claro exemplo de que quando a música é boa, esse tipo de projeções e comparações tornam-se inócuos e a data da gravação pouco importa, sendo apenas um mero detalhe formal sem qualquer valor.

Zoraide é a canção que abre o alinhamento de Distante Fire, uma junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso e por ser extremamente dançável, deverá ser objeto do maior deleite e admiração. Esta é, acreditem, uma canção que desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Depois, o batuque e as cordas de Perfect Strangers convencem-nos definitivamente que estamos a escutar algo grandioso, mas sempre controlado, um sentimento plasmado num épico festim que parece implodir a qualquer instante e que o carrocel instrumental de Human Friend, consumindo-nos com um arsenal de efeitos, flashes e ruídos que correm impecavelmente ao longo da melodia, ajuda a cimentar.

O instrumental Please encerra o EP estendendo-se graciosamente por uma passadeira vermelha, à boleia de um belíssimo instante de folk psicadélica. Esta é a canção mais melancólica do EP, um ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada e que prossegue a sua demanda triunfal até ao último segundo com insanidade desconstrutiva e psicadélica, onde também cabe aquela incontestável beleza e coerência dos detalhes que nos fazem levitar.

Com quatro canções que se sucedem articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea, Distant Fire está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição e eleva estes Cairobi para um elevado patamar qualitativo de cenários e experiências instrumentais. Espero que aprecies a sugestão...

Zoraide

Perfect Strangers

Human Friend

Please

 


autor stipe07 às 21:22
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Shirley Said - Salvation (video)

shirleysaid_press_960

Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

Depois de terem divulgado o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia, agora chegou a vez de ser conhecido o filme de Salvation, o lado a de um single que vai ser editado, apenas em formato digital, a vinte e três de março.

Nesta canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Quanto ao video, a junção de paisagens amplas e naturais, com elementos abstratos, funciona como uma metáfora interessante da sonoridade dos Shirley Said que, fazendo juz à descrição deste single acima plasmada, gravita na fusão de dois universos sonoros ambivalentes, onde o sintético e o orgânico se fundem. Confere...


autor stipe07 às 17:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015

Shirley Said - Merry Go Round (video)

shirleysaid_press_960

Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

A dupla acaba de divulgar o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia. Na canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Confere...


autor stipe07 às 21:13
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Cairobi - Zoraide

Cairobi

Com músicos da Inglaterra, México, Itália e Áustria, mas baseados atualmente em Londres, os Cairobi são Giorgio Poti, Salvador Garza, Stefan Miksch, Alessandro Marrosu e Aurelien Bernard, um coletivo prestes a lançar-se nos lançamentos discográficos com Distante Fire, um EP que vai ver a luz do dia a dezasseis de fevereiro do próximo ano.

Zoraide é a canção que abre o alinhamento de Distante Fire, uma junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso e por ser extremamente dançável, deverá ser objeto do maior deleite e admiração. Esta é, acreditem, uma canção que desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Confere...


autor stipe07 às 18:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 2 de Novembro de 2014

Deckard - Noble Gases EP

O italiano Beppe Massara faz música como Deckard e fez-me chegar à redação Noble Gases, um curioso EP de seis canções, desde logo pelo conceito que as envolve, explícito no título das mesmas. Editado já a trinta de maio pela etiqueta T.a. Rock Records, Noble Gases sucede ao disco Bit Bullets (2010) e foi trabalhado integralmente por Beppe Massara, já que foi ele quem também cuidou dos arranjos, gravação e produção dos temas. Nele escutam-se as participações especiais de Alberto Fiori e Francesco Guerri, em alguns detalhes instrumentais e da argentina Carolina Pintos, com a voz.

Helium, Neon, Argon, Krypton, Xenon e Radon são os seis gases nobres da natureza, elementos quimícos que existem naturalmente, têm caraterísticas comuns e que além de serem incolores e inodores e de possuirem baixa radioactividade, fazem parte do mesmo grupo da Tabela Periódica dos Elementos, nomeadamente o 18.

Compostas no início deste ano, as canções revivem o período aúreo da eletrónica europeia das últimas três décadas do século passado e, seguindo uma mesma inspiração, têm algumas nuances que as distinguem, um pouco à imagem do que sucede com os elementos quimicos que recriam. Dominadas por sintetizadores e com alguns arranjos que incluem samples de vozes, teclas de pianos e cordas de viola, são canções que recriam uma atmosfera sonora intimista, mas também algo cibernética e futurista. 

Da chillwave melancólica de Helium e da mais acessivel Neon, ao techno minimal de Krypton, passando pelo space pop de Xenon, o alinhamento cheio de efeitos robóticos carregados de poeira, parece funcionar como uma justaposição de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, já que é fluída a interligação entre os vários gases, como se estivessemos diante de uma obra única com a duração de pouco mais de trinta minutos.

Deckard é um dos segredos mais bem guardados da eletrónica europeia e neste EP mostra a sua visão desta tendência atual que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

 

1.Helium

2.Neon

3.Argon

4.Krypton

5.Xenon

6.Radon

 


autor stipe07 às 21:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Niagara – Don’t Take It Personally

Sedeados em Turim, os italianos Niagara são David Tomat e Gabriele Ottino, dois extraordinários músicos e produtores, que também já foram membros da mítica banda de rock italiana N.A.M.B., além do coletivo Gemini Excerpt. Já agora, Tomat grava ainda em nome próprio e Ottino mantém outro projeto, acompanhado por Milena Lovesick. Editado no passado dia nove de setembro através da Monotreme Records, Don't Take it Personally é o extraordinário novo disco deste projeto que se estreou em 2012 com o não menos eloquente Otto e que, à semelhança desse primeiro trabalho, mergulha a pop eletrónica com nuances sonoras que ganham vida em densas e pastosas águas turvas, devido ao elevado pendor psicadélico, num expressivo balanço entre uma faceta experimental e um lado mais groove e dançável, de algum modo evocando o bom e velho trip hop que surgiu no início dos anos noventa noutro ponto da Europa.

Don't Take It Personally parece querer falar-nos de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo, já que escuta-se como uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos Niagara para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. 

Como nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e percebe-se que a dupla sabe melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, este é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. Se o típico trip hop ácido e nebuloso conduz John Barrett , que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como por teclados e um subtil efeito de guitarra em Currybox, já em Vanillacola é o rock progessivo feito com guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo folk pintado com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Laes, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada e devido à forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que nos proporciona uma assombrosa sensação de conforto e nos oferece o melhor momento do disco. Já a voz robótica e o cruzamento de vários ruídos sintéticos espaciais que parecem sair de um sintetizador analógico monofónico em Speak And Spell e, mais adiante, em Else (feel like a eletric machine), conduz-nos numa viagem rumo ao universo da pop eletrónica com um cariz vincadamente ambiental, denso, complexo e futurista, que ganha um fôlego ainda mais intenso em Popeye e China Eclipse, uma canção dividida em duas. Essa mesma voz aparece apenas na última e fica carregada de poeira e eco, adornada por subtis efeitos e ruídos etéreos e melancólicos que colocam-nos na rota certa de um álbum que impressiona pela tal atmosfera densa e pastosa, mas claramente libertadora e esotérica.

Em Don't Take It Personally, a produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo, num disco que é muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor e estes Niagara irão certamente e muito em breve, assumir justamente uma posição de relevo no espetro sonoro em que se inserem. Espero que aprecies a sugestão...

Niagara - Don't Take It Personally

01. John Barrett
02. Fat Kaoss
03. Vanillacola
04. Speak And Spell
05. Laes
06. Currybox
07. Popeye
08. China Eclipse
09. Else
10. Bloom


autor stipe07 às 21:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 8 de Março de 2014

Be Forest – Earthbeat

Pesaro é uma pequena cidade na costa nordesta italiana e um viveiro cultural onde, nos últimos, anos, têm despontado algumas bandas promissoras, entre elas os Be Forest. Formados por Costanza Delle Rose (baixo e voz), Erica Terenzi (bateria e voz), Nicola Lampredi (guitarra) e Lorenzo Badioli (sintetizadores), este grupo italiano estreou-se nos discos em 2011 com Cold, um trabalho que chamou a atenção por plasmar uma forte influência de um nome tão fundamental como os Cure. Agora, no passado dia quatro de fevereiro chegou o sucessor; O sempre difícil segundo álbum dos Be Forest chama-se Earthbeat e viu a luz do dia por intermédio da We Were Never Being Bored, uma editora importante para várias bandas que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e já com um catálogo bastante interessante.

WEB_BF_2014_1

Um dos grandes atributos com que os Be Forest puderam contar para a criação de Earthbeat foi Lorenzo Badioli, músico que não tinha feito parte dos créditos da estreia. E a verdade é que as sintetizações que ele reproduz conferem ao som dos Be forest uma toada muito rica e luminosa, talvez mais pop do que o escutado em Cold, um disco algo sombrio. Captured Heart, o single de avanço do trabalho, é um bom exemplo desta busca de algo mais luminoso, um desejo bem patente na percussão tribal e na própria letra da canção (It’s better you run away with me, cause all my life I have been dead inside).

A verdade é que Earthbeat poderá agradar aos fãs de uns Pains Of Being Pure At Heart, mas também a quem aprecia aproximações mais lo fi, típicas de uns Blouse ou de umas Warpaint e, no cômputo geral, este é um trabalho que de algum modo impressiona pelo bom gosto com que se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador.

A voz de Erica Terenzi é também um elemento importante para criar um ambiente de rara frescura e pureza sonora, de feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta uma dream pop com um cariz fortemente nostalgico e contemplativo, mas também feita com um certo groove.

Os Be Forest têm no seu ADN bem vincada a vontade de experimentar e Earthbeat respira por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Be Forest - Earthbeat

01. Totem
02. Captured heart
03. Lost boy
04. Ghost dance
05. Airwaves
06. Totem II
07. Colours
08. Sparkle
09. Hideway

 


autor stipe07 às 20:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Janeiro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
13
14


22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


posts recentes

Nosound – Scintilla

a violet pine - Turtles

A Violet Pine - New Glove...

Cairobi - Distan Fire EP

Shirley Said - Salvation ...

Shirley Said - Merry Go R...

Cairobi - Zoraide

Deckard - Noble Gases EP

Niagara – Don’t Take It P...

Be Forest – Earthbeat

The Base - Twenty Minutes...

We Are Us - And This Is ...

Porcelain Raft - Permanen...

Echopark - Trees

Conheces os Snow In Mexic...

Porcelain Raft – Strange ...

A Classic Education - Cal...

X-Files

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds