Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Niagara – Don’t Take It Personally

Sedeados em Turim, os italianos Niagara são David Tomat e Gabriele Ottino, dois extraordinários músicos e produtores, que também já foram membros da mítica banda de rock italiana N.A.M.B., além do coletivo Gemini Excerpt. Já agora, Tomat grava ainda em nome próprio e Ottino mantém outro projeto, acompanhado por Milena Lovesick. Editado no passado dia nove de setembro através da Monotreme Records, Don't Take it Personally é o extraordinário novo disco deste projeto que se estreou em 2012 com o não menos eloquente Otto e que, à semelhança desse primeiro trabalho, mergulha a pop eletrónica com nuances sonoras que ganham vida em densas e pastosas águas turvas, devido ao elevado pendor psicadélico, num expressivo balanço entre uma faceta experimental e um lado mais groove e dançável, de algum modo evocando o bom e velho trip hop que surgiu no início dos anos noventa noutro ponto da Europa.

Don't Take It Personally parece querer falar-nos de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo, já que escuta-se como uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos Niagara para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. 

Como nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e percebe-se que a dupla sabe melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, este é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. Se o típico trip hop ácido e nebuloso conduz John Barrett , que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como por teclados e um subtil efeito de guitarra em Currybox, já em Vanillacola é o rock progessivo feito com guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo folk pintado com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Laes, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada e devido à forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que nos proporciona uma assombrosa sensação de conforto e nos oferece o melhor momento do disco. Já a voz robótica e o cruzamento de vários ruídos sintéticos espaciais que parecem sair de um sintetizador analógico monofónico em Speak And Spell e, mais adiante, em Else (feel like a eletric machine), conduz-nos numa viagem rumo ao universo da pop eletrónica com um cariz vincadamente ambiental, denso, complexo e futurista, que ganha um fôlego ainda mais intenso em Popeye e China Eclipse, uma canção dividida em duas. Essa mesma voz aparece apenas na última e fica carregada de poeira e eco, adornada por subtis efeitos e ruídos etéreos e melancólicos que colocam-nos na rota certa de um álbum que impressiona pela tal atmosfera densa e pastosa, mas claramente libertadora e esotérica.

Em Don't Take It Personally, a produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo, num disco que é muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor e estes Niagara irão certamente e muito em breve, assumir justamente uma posição de relevo no espetro sonoro em que se inserem. Espero que aprecies a sugestão...

Niagara - Don't Take It Personally

01. John Barrett
02. Fat Kaoss
03. Vanillacola
04. Speak And Spell
05. Laes
06. Currybox
07. Popeye
08. China Eclipse
09. Else
10. Bloom


autor stipe07 às 21:28
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Sábado, 8 de Março de 2014

Be Forest – Earthbeat

Pesaro é uma pequena cidade na costa nordesta italiana e um viveiro cultural onde, nos últimos, anos, têm despontado algumas bandas promissoras, entre elas os Be Forest. Formados por Costanza Delle Rose (baixo e voz), Erica Terenzi (bateria e voz), Nicola Lampredi (guitarra) e Lorenzo Badioli (sintetizadores), este grupo italiano estreou-se nos discos em 2011 com Cold, um trabalho que chamou a atenção por plasmar uma forte influência de um nome tão fundamental como os Cure. Agora, no passado dia quatro de fevereiro chegou o sucessor; O sempre difícil segundo álbum dos Be Forest chama-se Earthbeat e viu a luz do dia por intermédio da We Were Never Being Bored, uma editora importante para várias bandas que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e já com um catálogo bastante interessante.

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Um dos grandes atributos com que os Be Forest puderam contar para a criação de Earthbeat foi Lorenzo Badioli, músico que não tinha feito parte dos créditos da estreia. E a verdade é que as sintetizações que ele reproduz conferem ao som dos Be forest uma toada muito rica e luminosa, talvez mais pop do que o escutado em Cold, um disco algo sombrio. Captured Heart, o single de avanço do trabalho, é um bom exemplo desta busca de algo mais luminoso, um desejo bem patente na percussão tribal e na própria letra da canção (It’s better you run away with me, cause all my life I have been dead inside).

A verdade é que Earthbeat poderá agradar aos fãs de uns Pains Of Being Pure At Heart, mas também a quem aprecia aproximações mais lo fi, típicas de uns Blouse ou de umas Warpaint e, no cômputo geral, este é um trabalho que de algum modo impressiona pelo bom gosto com que se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador.

A voz de Erica Terenzi é também um elemento importante para criar um ambiente de rara frescura e pureza sonora, de feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta uma dream pop com um cariz fortemente nostalgico e contemplativo, mas também feita com um certo groove.

Os Be Forest têm no seu ADN bem vincada a vontade de experimentar e Earthbeat respira por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Be Forest - Earthbeat

01. Totem
02. Captured heart
03. Lost boy
04. Ghost dance
05. Airwaves
06. Totem II
07. Colours
08. Sparkle
09. Hideway

 


autor stipe07 às 20:58
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014

The Base - Twenty Minutes By Fall EP

Naturais de Padova, na Italia, os The Base são Renato Rancan (guitarra e sintetizador), Francesco Zambon (bateria), Paolo Fava (voz, guitarra), Andrea Visaggio (voz, baixo), Stefano Murrone (sintetizador) e Filippo Lorenzin (editor). Twenty Minutes By Fall é o trabalho de estreia da banda, um EP com seis canções, integralmente disponível para download gratuito no soundcloud da banda.

Os The Base existem desde o início de 2013 e tudo começou com a criação do single Balance, que encerra este EP e de um video promocional do tema. A boa aceitação da canção pela crítica encorajou o grupo as continuar a criar, de tal forma que já se econtram a preparar o lançamento do disco de estreia, que poderá ocorrer ainda este ano.

Quanto à sonoridade dos The Base, são evidentes as aproximações diretas ao legado dos Joy Division e ao trabalho mais contemporâneo desenvolvido pelos Interpol, resultado identificado nas guitarras e nas vozes sóbrias, com o típico registo grave, que delimitam toda a mecânica do EP, com especial destaque para Space, uma canção que poderia facilmente ser encontrada nos primeiros discos da banda de Nova Iorque. Essa tonalidade simultaneamente sombria e dançável é também audível em Twin Peaks, canção que mesmo mergulhada em acertos mais sombrios e em alguns detalhes eletrónicos, está sonoramente próxima do velho fulgor anguloso e elétrico do indie rock.

A terminar o EP, algures entre os U2 e Codplay, a tal Balance explora nuvens de sintetizadores e encaixes certeiros de guitarras, o que resulta em algo simultaneamente épico e cativante.

Twenty Minutes By Fall é uma descoberta algo inesperada numa Itália que raramente nos habituou a dar-nos bandas que apostam em replicar referências sonoras alimentadas por grandes ícones em décadas anteriores e cuja receita assentava no uso de melodias rock com riffs imparáveis que davam forma a sons volumosos, densos e principalmente etéreos, mas também algo nostálgicos e sombrios. Pela amostra, os The Base merecem, desde já, o maior crédito e uma certa ansiedade pela chegada do longa duração de estreia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:56
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Sábado, 21 de Dezembro de 2013

We Are Us - And This Is You

Lançado no passado dia vinte e cinco de setembro, And This Is You é o EP de estreia dos italianos We Are Us, uma dupla de indie punk formada por Silvio Pasqualini e Maddalena Zavatta e que ainda se encontra numa fase muito embrionária da carreira. Silvio e Maddalena conheceram-se num festival de rock onde tocaram com as suas bandas anteriores.

And This Is You são três magníficas canções, You, Talking To My Baby e Call Me, que do punk ao rock, passando pela new wave, abarcam diferentes espetros sonoros e que me deixaram a salivar quanto ao futuro dos We Are Us.  São canções assentes na voz delicada e com uma toada muito pop de Maddalena, a que se junta os riffs rasgados das guitarras de Pasqualini.Ficarei muito atento a esta dupla e espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 23:19
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Terça-feira, 15 de Outubro de 2013

Porcelain Raft - Permanent Signal

Pouco mais de um ano após Strange Weekend, o primeiro disco da carreira, Mauro Remiddi, um italiano nascido em 1972 e a viver em Nova Iorque, está de regresso com um novo trabalho de originais chamado Permanent Signal, lançado através da Secretly Canadian. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011 e do tal longa duração de estreia, este projeto ganhou respeito devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno de suas composições.

Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música e pela sua atribulada e quase nómada existência pessoal.

Permanent Signal é uma expressão inglesa que identifica um telefone que fica sem linha, sem ligação e inativo por um longo período de tempo. De algum modo, o título deste disco acaba por ser um reflexo da vida de Remiddi; O músico nasceu e cresceu em Itália, depois viveu doze anos em Londres e agora vive há um par de anos em Nova Iorque, período que coincidiu com a edição de Strange Weekend e que obrigou o Remiddi a andar em digressão quase um ano. Assim, este músico começou a dar por si a ter conversas imaginárias com amigos que não vê há muito tempo e percebeu que tantas mudanças fizeram-no sentir falta de determinadas pessoas que faziam parte do seu dia a dia e que agora percebeu que eram realmente importantes para si.

Com uma sonoridade em tudo idêntica ao disco de estreia, Permanent Signal é uma espécie de mea culpa, um edifício sonoro que usa como primeira pedra aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida. E dentro dessa caraterística é impossível não notar também na importância que tem no projeto a voz andrógina de Remiddi, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e relaxante.

A escrita algo abstrata e intrigante faz com que o músico tenha diretamente conosco as tais conversas que foi adiando com os seus amigos, soando simultaneamente genuíno e romântico, como se ao mesmo tempo que sente necessidade de aconchego, tenha também um coração imenso cheio da boas sensações para retribuir e distribuir por todos nós. Neste seu segundo disco Porcelain Raft faz uma espécie de contrição em relação a todos aqueles que foi deixando fisicamente para trás e cimenta definitivamente a sua posição no universo sonoro que replica com enorme espiritualidade e sinceridade. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Think Of The Ocean
02. Cluster
03. Minor Pleasure
04. Open Letter
05. Night Birds
06. It Ain’t Over
07. I Lost Connection
08. Warehouse
09. The Way Out
10. Five Minutes From Now
11. Echo


autor stipe07 às 21:05
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Echopark - Trees

Echopark é o novo projeto do italiano Antonio Elia Forte, um músico a residir atualmente em Londres. Trees, lançado a dezasseis de abril, é o disco de estreia e foi gravado quase inteiramente num quarto arrendado em Whitechapel, nos arredores da capital britânica, com meios instrumentais rudimentares e apenas uma mão cheia de microfones.

Teleportation é o primeiro single retirado de Trees. O video foi realizado por Valentina Dell’Aquila e o download do tema pode ser feito gratuitamente através da página do soundcloud da editora Enclaves.

 

Antonio é natural de Lecce onde, com cinco anos, pegou na guitarra que era do seu pai e começou a querer tocar. Lecce é uma cidade mediterrânica do sul de Itália conhecida pelo bom tempo durante todo o ano e pelo dinâmico movimento underground. É um local onde proliferam músicos, e praticantes de skate e surf. Em Itália acaba por ser o equivalente a Echo Park, uma importante zona industrial de Los Angeles, onde se inspirou para batizar este seu projeto musical.

Para Antonio a imperfeição é um objetivo concreto, uma espécide de ideal que busca com lucidez e um bom gosto que merece amplo destaque. Atualmente abundam propostas sonoras que fazem do ruído e da imprecisão sonora pontos de partida no processo de criação musical e Echopark segue esse rumo, mas fá-lo com inegável mestria, nomeadamente na forma como consegue captar o instante mais emotivo de uma canção e deixá-lo submergir, sem que o conceito lo fi e impreciso seja subjugado.

Trees percorre o mesmo território da dream pop de uns Beach House ou uns Midas Fall, mas sem obedecer ao habitual formato canção, indo mais ao encontro do que, por exemplo, Four Tet ou Youth Lagoon costumam sugerir. É um disco que se deve ouvir de uma enfiada, como um todo, como se fosse apenas um tema de trinta e seis minutos e proporciona sentimentos antagónicos já que é um disco muito acessível mas difícil de descrever. Tem momentos intrigantes, principalmente aqueles em que se ouvem as tais imperfeições, ruídos de fundo e colagens e aqui reside o maior charme do disco porque ficamos sem saber muito bem se são sempre propositadas ou até momentos sonoros involuntários. Tão depressa surgem ruídos sintetizados como um incrível baixo (Mountain) ou sons de cordas perfeitamente limpídos (For Lore), mas sempre com um fundo, que muitas vezes é um simples bater de ondas ou a aspereza do contacto entre dois grãos de areia.

Esta primavera Antonio vai passar do quarto arrendado para os palcos e entrar em digressão para promover Trees. E uma das grandes novidades é que terá uma banda a acompanhá-lo. O disco tem momentos que poderão agradar bastante ao vivo. Espero que aprecies a sugestão...

Cranes

Teleportation

Mountain

Franky

Youth and Fury

Raindrops

Gray Clouds

Brother

No Time To Riot

Waves

For Lore

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autor stipe07 às 22:49
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Domingo, 18 de Março de 2012

Conheces os Snow In Mexico?

Os Snow In Mexico são Massimiliano Cruciani (guitarra e voz) e Andrea Novelli (sintetizador e percussão), dois músicos naturais de Roma e que se estrearam nos lançamentos discográficos em 2009 com um EP homónimo. Agora, em 2012, lançaram um novo EP intitulado Prodigal Summer.

Estes dois trabalhos discográficos estão disponiveis para download gratuíto no sitio da banda, mas aceitam, obviamente, um donativo pelos mesmos, algo que deve ter sido em consideração já que o conteúdo dos dois álbuns merece uma audição atenta. A sonoridade de ambos assenta numa pop eletrónica e de ambos destaco Velvet, do EP homónimo, uma canção muito luminosa e alegre e com arranjos de cordas muito bonito.

Espero que te delicies com estas duas amostras de um projeto bastante interessante e que aprecies a sugestão...

01. Prodigal Summer
02. 4 Days
03. I Need To Sleep
04. Code Playground


autor stipe07 às 12:38
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Porcelain Raft – Strange Weekend

Remiddi é um italiano a viver em Nova Iorque. Nascido em 1972, Remiddi torna-se num caso especial, pois pertence a uma geração que sempre se colou a uma sonoridade mais rock ou, pelo menos, algo distante do som típico deste projeto que batizou de Porcelain Raft. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011, este projeto ganhou respeito devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno de suas composições. No passado dia 24 de janeiro, via Secretly Canadian, lançou o primeiro disco; Chama-se Strange Weekend e foi gravado numa cave em Brooklyn, Nova Iorque, como se Remiddi se quisesse esconder e deixar as canções falarem por si.

Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música.

A primeira pedra do edifício que Porcelain Raft escolheu para sustentar a sua música é aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida. E, ao mesmo tempo, é impossível não notar também na importância que tem a voz andrógina de Remiddi, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e relaxante. No entanto, apesar de serem estes os ingredientes fundamentais desta mistura que Remiddi tenta reproduzir, sente-se que falta qualquer coisa que nos deixe com água na boca; A única canção inovadora e que arrisca ir um pouco além da receita adotada é Unless You Speak From Your Heart, que funciona de forma quase antagónica em relação aos restantes temas.

Strange Weekend pode ser visto de várias perspectivas, mas por mais que tentemos encontrar o que torna este disco especial, a verdade é que nenhum dos argumentos com que Remiddi nos tenta iluminar, parecem verdadeiramente capazes de nos convencer; Desde o sentimento típico da dream pop, passando pela lírica das canções, tudo soa a uma sobreposição de camadas supérfluas de um universo oco e incipiente. Mesmo que a nossa imaginação desperte durante a audição e haja um clique que nos acorda, Strange Weekend deixa-nos a perguntar onde já ouvimos isto antes. Seja como for, é um disco essencial para os verdadeiros fãs do género.

Porcelain Raft destacou-se recentemente por ter feito uma cover de Come As You Are dos Nirvana e em breve embarcará na digressão europeia dos M83, que passa por Portugal.

01. Drifting In And Out
02. Shapeless And Gone
03. Is It Too Deep For You?
04. Put Me To Sleep
05. Backwords
06. Unless You Speak From Your Heart
07. The End Of Silence
08. If You Have A Wish
09. Picture
10. The Way In

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autor stipe07 às 13:09
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Sábado, 10 de Dezembro de 2011

A Classic Education - Call It Blazing

Os A Classic Education são uma banda natural de Bolonha, na Itália, mas liderada por um músico canadiano chamado Jonathan Clancy. Os restantes elementos são Luca, Paul, GiuliaFrederico. Acabam de mostrar ao mundo o disco de estreia Call It Blazing, produzido por Jarvis Taveniere e lançado pela Lefse Records e cujo artwork foi executado por Aleksandra Niepsuj.

Os A Classic Education juntam várias influências bastante interessantes nas doze canções deste Call It Blazing. A crítica que li não é unânime na descrição do som; No entanto, e porque depois de ouvir o álbum tirei conclusões semelhantes, destaco a conceituada SPIN que refere que estes bolonheses soam a uma mistura entre os Pains of Being Pure at Heart e os Ra Ra Riot. Em suma, é rock indie que se ouve neste álbum que flui tranquilamente do começo ao fim, assente em camadas de som baseadas em guitarras e sobre as quais o vocalista Jonathan Clancy solta uma voz tipica de um roqueiro dos anos cinquenta.

O resultado final não compromete. Call It Blazing é um álbum constante e que vagueia por uma espécie de mar tranquilo, mas volta e meia somos sacudidos por uma onda mais cavada, mas que nunca rebenta verdadeiramente. Estes A Classic Education mostram na estreia que têm grande potencial e que são uma bela surpresa vinda do país da bota também já quase afundado na depressão económica e financeira em que vivemos! Espero que aprecies a sugestão...

01. Work It Out
02. Baby, It’s Fine
03. Grave Bird
04. Gone To Sea
05. Place A Bet On You
06. Billy’s Gang Dream
07. Spin Me Round
08. Forever Boy
09. Can You Feel The Backwash
10. Terrible Day
11. I Lost Time
12. Night Owl

 

 


autor stipe07 às 11:23
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