Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Cairobi - Distan Fire EP

Com músicos da Inglaterra, México, Itália e Áustria, mas baseados atualmente em Londres, os Cairobi são Giorgio Poti, Salvador Garza, Stefan Miksch, Alessandro Marrosu e Aurelien Bernard, um coletivo que se lançou nos lançamentos discográficos com Distante Fire, um EP que viu a luz do dia a dezasseis de fevereiro.

Animados e melancólicos, mas plenos de energia e focados numa enorme dedicação à causa, estes Cairobi não complicam na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage e são um claro exemplo de que quando a música é boa, esse tipo de projeções e comparações tornam-se inócuos e a data da gravação pouco importa, sendo apenas um mero detalhe formal sem qualquer valor.

Zoraide é a canção que abre o alinhamento de Distante Fire, uma junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso e por ser extremamente dançável, deverá ser objeto do maior deleite e admiração. Esta é, acreditem, uma canção que desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Depois, o batuque e as cordas de Perfect Strangers convencem-nos definitivamente que estamos a escutar algo grandioso, mas sempre controlado, um sentimento plasmado num épico festim que parece implodir a qualquer instante e que o carrocel instrumental de Human Friend, consumindo-nos com um arsenal de efeitos, flashes e ruídos que correm impecavelmente ao longo da melodia, ajuda a cimentar.

O instrumental Please encerra o EP estendendo-se graciosamente por uma passadeira vermelha, à boleia de um belíssimo instante de folk psicadélica. Esta é a canção mais melancólica do EP, um ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada e que prossegue a sua demanda triunfal até ao último segundo com insanidade desconstrutiva e psicadélica, onde também cabe aquela incontestável beleza e coerência dos detalhes que nos fazem levitar.

Com quatro canções que se sucedem articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea, Distant Fire está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição e eleva estes Cairobi para um elevado patamar qualitativo de cenários e experiências instrumentais. Espero que aprecies a sugestão...

Zoraide

Perfect Strangers

Human Friend

Please

 


autor stipe07 às 21:22
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Shirley Said - Salvation (video)

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Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

Depois de terem divulgado o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia, agora chegou a vez de ser conhecido o filme de Salvation, o lado a de um single que vai ser editado, apenas em formato digital, a vinte e três de março.

Nesta canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Quanto ao video, a junção de paisagens amplas e naturais, com elementos abstratos, funciona como uma metáfora interessante da sonoridade dos Shirley Said que, fazendo juz à descrição deste single acima plasmada, gravita na fusão de dois universos sonoros ambivalentes, onde o sintético e o orgânico se fundem. Confere...


autor stipe07 às 17:55
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015

Shirley Said - Merry Go Round (video)

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Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

A dupla acaba de divulgar o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia. Na canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Confere...


autor stipe07 às 21:13
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Cairobi - Zoraide

Cairobi

Com músicos da Inglaterra, México, Itália e Áustria, mas baseados atualmente em Londres, os Cairobi são Giorgio Poti, Salvador Garza, Stefan Miksch, Alessandro Marrosu e Aurelien Bernard, um coletivo prestes a lançar-se nos lançamentos discográficos com Distante Fire, um EP que vai ver a luz do dia a dezasseis de fevereiro do próximo ano.

Zoraide é a canção que abre o alinhamento de Distante Fire, uma junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso e por ser extremamente dançável, deverá ser objeto do maior deleite e admiração. Esta é, acreditem, uma canção que desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Confere...


autor stipe07 às 18:28
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Domingo, 2 de Novembro de 2014

Deckard - Noble Gases EP

O italiano Beppe Massara faz música como Deckard e fez-me chegar à redação Noble Gases, um curioso EP de seis canções, desde logo pelo conceito que as envolve, explícito no título das mesmas. Editado já a trinta de maio pela etiqueta T.a. Rock Records, Noble Gases sucede ao disco Bit Bullets (2010) e foi trabalhado integralmente por Beppe Massara, já que foi ele quem também cuidou dos arranjos, gravação e produção dos temas. Nele escutam-se as participações especiais de Alberto Fiori e Francesco Guerri, em alguns detalhes instrumentais e da argentina Carolina Pintos, com a voz.

Helium, Neon, Argon, Krypton, Xenon e Radon são os seis gases nobres da natureza, elementos quimícos que existem naturalmente, têm caraterísticas comuns e que além de serem incolores e inodores e de possuirem baixa radioactividade, fazem parte do mesmo grupo da Tabela Periódica dos Elementos, nomeadamente o 18.

Compostas no início deste ano, as canções revivem o período aúreo da eletrónica europeia das últimas três décadas do século passado e, seguindo uma mesma inspiração, têm algumas nuances que as distinguem, um pouco à imagem do que sucede com os elementos quimicos que recriam. Dominadas por sintetizadores e com alguns arranjos que incluem samples de vozes, teclas de pianos e cordas de viola, são canções que recriam uma atmosfera sonora intimista, mas também algo cibernética e futurista. 

Da chillwave melancólica de Helium e da mais acessivel Neon, ao techno minimal de Krypton, passando pelo space pop de Xenon, o alinhamento cheio de efeitos robóticos carregados de poeira, parece funcionar como uma justaposição de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, já que é fluída a interligação entre os vários gases, como se estivessemos diante de uma obra única com a duração de pouco mais de trinta minutos.

Deckard é um dos segredos mais bem guardados da eletrónica europeia e neste EP mostra a sua visão desta tendência atual que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

 

1.Helium

2.Neon

3.Argon

4.Krypton

5.Xenon

6.Radon

 


autor stipe07 às 21:38
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Niagara – Don’t Take It Personally

Sedeados em Turim, os italianos Niagara são David Tomat e Gabriele Ottino, dois extraordinários músicos e produtores, que também já foram membros da mítica banda de rock italiana N.A.M.B., além do coletivo Gemini Excerpt. Já agora, Tomat grava ainda em nome próprio e Ottino mantém outro projeto, acompanhado por Milena Lovesick. Editado no passado dia nove de setembro através da Monotreme Records, Don't Take it Personally é o extraordinário novo disco deste projeto que se estreou em 2012 com o não menos eloquente Otto e que, à semelhança desse primeiro trabalho, mergulha a pop eletrónica com nuances sonoras que ganham vida em densas e pastosas águas turvas, devido ao elevado pendor psicadélico, num expressivo balanço entre uma faceta experimental e um lado mais groove e dançável, de algum modo evocando o bom e velho trip hop que surgiu no início dos anos noventa noutro ponto da Europa.

Don't Take It Personally parece querer falar-nos de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo, já que escuta-se como uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos Niagara para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. 

Como nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e percebe-se que a dupla sabe melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, este é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. Se o típico trip hop ácido e nebuloso conduz John Barrett , que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como por teclados e um subtil efeito de guitarra em Currybox, já em Vanillacola é o rock progessivo feito com guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo folk pintado com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Laes, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada e devido à forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que nos proporciona uma assombrosa sensação de conforto e nos oferece o melhor momento do disco. Já a voz robótica e o cruzamento de vários ruídos sintéticos espaciais que parecem sair de um sintetizador analógico monofónico em Speak And Spell e, mais adiante, em Else (feel like a eletric machine), conduz-nos numa viagem rumo ao universo da pop eletrónica com um cariz vincadamente ambiental, denso, complexo e futurista, que ganha um fôlego ainda mais intenso em Popeye e China Eclipse, uma canção dividida em duas. Essa mesma voz aparece apenas na última e fica carregada de poeira e eco, adornada por subtis efeitos e ruídos etéreos e melancólicos que colocam-nos na rota certa de um álbum que impressiona pela tal atmosfera densa e pastosa, mas claramente libertadora e esotérica.

Em Don't Take It Personally, a produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo, num disco que é muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor e estes Niagara irão certamente e muito em breve, assumir justamente uma posição de relevo no espetro sonoro em que se inserem. Espero que aprecies a sugestão...

Niagara - Don't Take It Personally

01. John Barrett
02. Fat Kaoss
03. Vanillacola
04. Speak And Spell
05. Laes
06. Currybox
07. Popeye
08. China Eclipse
09. Else
10. Bloom


autor stipe07 às 21:28
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Sábado, 8 de Março de 2014

Be Forest – Earthbeat

Pesaro é uma pequena cidade na costa nordesta italiana e um viveiro cultural onde, nos últimos, anos, têm despontado algumas bandas promissoras, entre elas os Be Forest. Formados por Costanza Delle Rose (baixo e voz), Erica Terenzi (bateria e voz), Nicola Lampredi (guitarra) e Lorenzo Badioli (sintetizadores), este grupo italiano estreou-se nos discos em 2011 com Cold, um trabalho que chamou a atenção por plasmar uma forte influência de um nome tão fundamental como os Cure. Agora, no passado dia quatro de fevereiro chegou o sucessor; O sempre difícil segundo álbum dos Be Forest chama-se Earthbeat e viu a luz do dia por intermédio da We Were Never Being Bored, uma editora importante para várias bandas que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e já com um catálogo bastante interessante.

WEB_BF_2014_1

Um dos grandes atributos com que os Be Forest puderam contar para a criação de Earthbeat foi Lorenzo Badioli, músico que não tinha feito parte dos créditos da estreia. E a verdade é que as sintetizações que ele reproduz conferem ao som dos Be forest uma toada muito rica e luminosa, talvez mais pop do que o escutado em Cold, um disco algo sombrio. Captured Heart, o single de avanço do trabalho, é um bom exemplo desta busca de algo mais luminoso, um desejo bem patente na percussão tribal e na própria letra da canção (It’s better you run away with me, cause all my life I have been dead inside).

A verdade é que Earthbeat poderá agradar aos fãs de uns Pains Of Being Pure At Heart, mas também a quem aprecia aproximações mais lo fi, típicas de uns Blouse ou de umas Warpaint e, no cômputo geral, este é um trabalho que de algum modo impressiona pelo bom gosto com que se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador.

A voz de Erica Terenzi é também um elemento importante para criar um ambiente de rara frescura e pureza sonora, de feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta uma dream pop com um cariz fortemente nostalgico e contemplativo, mas também feita com um certo groove.

Os Be Forest têm no seu ADN bem vincada a vontade de experimentar e Earthbeat respira por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Be Forest - Earthbeat

01. Totem
02. Captured heart
03. Lost boy
04. Ghost dance
05. Airwaves
06. Totem II
07. Colours
08. Sparkle
09. Hideway

 


autor stipe07 às 20:58
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014

The Base - Twenty Minutes By Fall EP

Naturais de Padova, na Italia, os The Base são Renato Rancan (guitarra e sintetizador), Francesco Zambon (bateria), Paolo Fava (voz, guitarra), Andrea Visaggio (voz, baixo), Stefano Murrone (sintetizador) e Filippo Lorenzin (editor). Twenty Minutes By Fall é o trabalho de estreia da banda, um EP com seis canções, integralmente disponível para download gratuito no soundcloud da banda.

Os The Base existem desde o início de 2013 e tudo começou com a criação do single Balance, que encerra este EP e de um video promocional do tema. A boa aceitação da canção pela crítica encorajou o grupo as continuar a criar, de tal forma que já se econtram a preparar o lançamento do disco de estreia, que poderá ocorrer ainda este ano.

Quanto à sonoridade dos The Base, são evidentes as aproximações diretas ao legado dos Joy Division e ao trabalho mais contemporâneo desenvolvido pelos Interpol, resultado identificado nas guitarras e nas vozes sóbrias, com o típico registo grave, que delimitam toda a mecânica do EP, com especial destaque para Space, uma canção que poderia facilmente ser encontrada nos primeiros discos da banda de Nova Iorque. Essa tonalidade simultaneamente sombria e dançável é também audível em Twin Peaks, canção que mesmo mergulhada em acertos mais sombrios e em alguns detalhes eletrónicos, está sonoramente próxima do velho fulgor anguloso e elétrico do indie rock.

A terminar o EP, algures entre os U2 e Codplay, a tal Balance explora nuvens de sintetizadores e encaixes certeiros de guitarras, o que resulta em algo simultaneamente épico e cativante.

Twenty Minutes By Fall é uma descoberta algo inesperada numa Itália que raramente nos habituou a dar-nos bandas que apostam em replicar referências sonoras alimentadas por grandes ícones em décadas anteriores e cuja receita assentava no uso de melodias rock com riffs imparáveis que davam forma a sons volumosos, densos e principalmente etéreos, mas também algo nostálgicos e sombrios. Pela amostra, os The Base merecem, desde já, o maior crédito e uma certa ansiedade pela chegada do longa duração de estreia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:56
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Sábado, 21 de Dezembro de 2013

We Are Us - And This Is You

Lançado no passado dia vinte e cinco de setembro, And This Is You é o EP de estreia dos italianos We Are Us, uma dupla de indie punk formada por Silvio Pasqualini e Maddalena Zavatta e que ainda se encontra numa fase muito embrionária da carreira. Silvio e Maddalena conheceram-se num festival de rock onde tocaram com as suas bandas anteriores.

And This Is You são três magníficas canções, You, Talking To My Baby e Call Me, que do punk ao rock, passando pela new wave, abarcam diferentes espetros sonoros e que me deixaram a salivar quanto ao futuro dos We Are Us.  São canções assentes na voz delicada e com uma toada muito pop de Maddalena, a que se junta os riffs rasgados das guitarras de Pasqualini.Ficarei muito atento a esta dupla e espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 23:19
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Terça-feira, 15 de Outubro de 2013

Porcelain Raft - Permanent Signal

Pouco mais de um ano após Strange Weekend, o primeiro disco da carreira, Mauro Remiddi, um italiano nascido em 1972 e a viver em Nova Iorque, está de regresso com um novo trabalho de originais chamado Permanent Signal, lançado através da Secretly Canadian. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011 e do tal longa duração de estreia, este projeto ganhou respeito devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno de suas composições.

Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música e pela sua atribulada e quase nómada existência pessoal.

Permanent Signal é uma expressão inglesa que identifica um telefone que fica sem linha, sem ligação e inativo por um longo período de tempo. De algum modo, o título deste disco acaba por ser um reflexo da vida de Remiddi; O músico nasceu e cresceu em Itália, depois viveu doze anos em Londres e agora vive há um par de anos em Nova Iorque, período que coincidiu com a edição de Strange Weekend e que obrigou o Remiddi a andar em digressão quase um ano. Assim, este músico começou a dar por si a ter conversas imaginárias com amigos que não vê há muito tempo e percebeu que tantas mudanças fizeram-no sentir falta de determinadas pessoas que faziam parte do seu dia a dia e que agora percebeu que eram realmente importantes para si.

Com uma sonoridade em tudo idêntica ao disco de estreia, Permanent Signal é uma espécie de mea culpa, um edifício sonoro que usa como primeira pedra aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida. E dentro dessa caraterística é impossível não notar também na importância que tem no projeto a voz andrógina de Remiddi, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e relaxante.

A escrita algo abstrata e intrigante faz com que o músico tenha diretamente conosco as tais conversas que foi adiando com os seus amigos, soando simultaneamente genuíno e romântico, como se ao mesmo tempo que sente necessidade de aconchego, tenha também um coração imenso cheio da boas sensações para retribuir e distribuir por todos nós. Neste seu segundo disco Porcelain Raft faz uma espécie de contrição em relação a todos aqueles que foi deixando fisicamente para trás e cimenta definitivamente a sua posição no universo sonoro que replica com enorme espiritualidade e sinceridade. Espero que aprecies a sugestão...

porcelainraft2.11183opt13

01. Think Of The Ocean
02. Cluster
03. Minor Pleasure
04. Open Letter
05. Night Birds
06. It Ain’t Over
07. I Lost Connection
08. Warehouse
09. The Way Out
10. Five Minutes From Now
11. Echo


autor stipe07 às 21:05
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