Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Starwalker – Losers Can Win EP

Editado já a dezoito de março via Prototyp Recording & Bang ehf e disponivel para escutaLosers Can Win é o nome do EP de estreia dos Starwalker, uma dupla maravilha que junta dois ícones da pop dos nossos dias, nada mais nada menos que Jean-Benoit Dunckel (Air) e o compositor islandês Bardi Johannsson (Bang Gang, Lady & Bird).


Quando os Air vivem um hiato, Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome era inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica e onde ele deu as mãos à lindíssima Lou Hayter, dando origem a uma dupla cheia de charme e de onde só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que foi apresentado nas onze canções do homónimo de estreia desse projeto.

Agora, em Losers Can Win, predominam as reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, com a eletrónica muito presente, essencialmente na versão mais calma, melódica e clássica, sendo Bad Weather um tema fortemente apelativo para quem aprecia o período mais recente da carreira dos Air e as cordas luxuriantes do tema homónimo, uma porta de entrada privilegiada para quem sente saudades do período inicial aúreo da dupla francesa. 

As cinco canções deste EP são construídas de forma particularmente inspirada no modo como unem a orgânica vocal de Dunckel com uma sintetização que, carregada de efeitos de piano, metais, bateria e outros elementos sonoros nem sempre claramente percetíveis e que funiconam como simples mas preciosos detalhes na manta sonora apresentada, facilmente nos tiram do chão em direção ao espaço. É uma música espacial e inventiva, equilibrada com a rigidez contemplativa kraftwerkiana,o pendor cinematográfico de um Brian Eno e a serenidade típica dos Air e mesmo que Dunckel tenha aqui deixado que Bardi fosse um parceiro ativo no processo de criação melódica, predomina muito do estilo eletrónico típico dos Air, com a bela voz de Dunckel a casar muito bem com as viagens climáticas e etéreas que a dupla compôs.

Seja quando, por exemplo em Losers Can Win, existe um apelo para o movimento new wave mais dançante, ou quando Moral Sex sobrevive com notável sobriedade à custa de lindíssimos efeitos plenos de influências bem vincadas do krautrock, Losers Can Win é uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Starwalker - Losers Can Win

01. Losers Can Win
02. Bad Weather
03. Moral Sex
04. Losers Can Win (All That You’ve Got)
05. Bad Weather (Bloodgroup Remix)


autor stipe07 às 22:43
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

heklAa - Songs In F.

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso aapixonado pelo post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, ele fez chegar à nossa redação Songs In F., um EP com quatro canções que o músico idealizou e compôs inspiradas na viagem que fez à Islândia em 2010, onde esteve retido devido à famosa erupção vulcânica do vulcão Eyjafjallajökull. Por exemplobAck to jokulsArlon, a canção de abertura do EP, é uma verdadeira visita guiada sonora às maravilhas naturais da localidade que dá nome à canção.

Tanto essa como as outras três canções que compôem Songs In F. impressionam pelo charme e pela limpidez exata com que transparecem o ambiente típico da ilha mais a norte do nosso continente, quase trinta minutos em que podemos facilmente imaginar os espaços, as cores e os cheiros que inspiraram Touraton e que se aprimoram numa elegância altiva, potenciada pelo cunho sentimental com que o compositor abraça a míriade sonora de que se serviu para compôr.

Com uma forte componente insturmental e uma ausência algo sentida da voz, este EP disponível no bandcamp, tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Songs In F., já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um EP carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define por uma deriva entre a componente orquestral, quase sempre assente em simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, que se fundem com novos e antigos estilos sonoros e elementos típicos da eletrónica.

Em Songs In F. e em particular na magnífica thousAnds of comets Are fAlling down on eArth, o meu tema preferido do EP, Sebastién aproxima-se com vigor da chamada música erudita, usando-a com o mesmo à vontade com que tantos outros se apropriam de quaisquer outras formas de experimentação sonora e atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todoâ os instrumentos que ele utiliza fossem agrupados num bloco único de som chamado Islândia, um país que afinal também pode ser além de um pedaço de território vulcÂnico onde vive um povo resistente e milenar, quatro canções avassaladoras e marcantes e com uma sonoridade única e peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

  • bAck to jokulsArlon
  • thousAnds of comets Are fAlling down on eArth
  • oceAns
  • being steindor Andersen


autor stipe07 às 21:50
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Low Roar – 0

Low Roar é o projeto a solo de um músico chamado Ryan Karazija, que depois de alguns anos em São Francisco, na Califórnia, a tentar dar vida à banda Audrye Sessions, decidiu atravessar o Atlântico e instalar-se em Reiquiavique, capital da Islândia. Finalmente aí conseguiu o seu momento Cinderela, sendo o frio mas inspirador ambiente local o sapato onde a sua música conseguiu encaixar. Assim, a um de novembro de 2011, lançou o seu disco de estreia homónimo através da Tonequake Records e agora, dois anos e meio depois, já há sucessor; O, o sempre difícil segundo álbum de Low Roar, chegou aos escaparates no passado dia oito de julho, através da mesma etiqueta do primeiro.

Não sei se a culpa é do longo e rigoroso inverno, das paisagens rochosas, ou das águas das inúmeras nascentes que banham aquela ilha, mas há algo de incrível naquela atmosfera e que pelos vistos inspira decisivamente à criação musical. E depois de tantos anos de busca, parece que foi mesmo na Islândia que este artista introvertido mas cheio de talento, parece ter encontrado a sua redenção sonora.

0 utiliza os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico de Low Roar, mas Ryan perdeu alguma da timidez inicial e agora surpreende-nos com um clima mais agressivo, aberto, ambiental e orquestral. Se Low Roar era um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientava de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som, em 0 mantêm-se as harmonias magistrais e o disco pode ser também escutado com um único bloco de som, mas é dada uma maior liberdade e volume ao arsenal instrumental de que Low Roar se serve para recriar as treze canções de um disco invulgarmente longo, com canções intensas e que são certamente resultado de um período de intensa inspiração nas vida de Ryan.

Cada canção deste 0 é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina destas frias manhãs de inverno. A abertura do disco com Breathe In, coloca-nos imediatamente num universo místico ou imerso no mesmo plano gracioso que move um músico que gosta certamente de realizar um som totalmente bucólico, épico e melancólico, feito com a viola eo violino e que sirva de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, apesar dos diferentes ruídos que vão sendo adicionados parecerem ter sido extraídos do próprio subsolo desta ilha vulcânica o que projeta também na canção um som acizentado e urbano, mais terra a terra.

A guitarra liga-se à corrente em Easy Way Out e a melancolia instala-se em nosso redor, assim como o desejo profundo de contemplação dos nossos maiores medos, já que esta parece ser uma canão convidativa ao exercício de exorcização plena dos mesmos, principalmente quando a melodida se expande com a adição de instrumentos de sopro e uma bateria mais marcada que amplia o cariz épico do tema. Basta escutar-se a forma como ele conjuga a voz com os diferentes instrumentos de Nobody Loves Me Like You, o single do disco, para se ficar verdadiramente impressionado, não só com a musicalidade criada, mas também com a intemporalidade da mesma e a centelha criativa que a sustenta. Depois, I'll Keep Coming é comandada por um som sintetizado lúguebre e rugoso, que aliado às cordas e a uma percussão vincada, dá um tom fortemente eletrónico à canção e juntamente com os timbres de voz de Ryan, consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazendo dela mais um momento obrigatório de contemplar em 0. Esta fórmula algo minimalista mas extremamente eficaz, onde às cordas e à componente sintética vão sendo adicionados ruídos e pequenos sons num permanente crescendo, repete-se graciosamente em Please Don't Stop (Chapter I) e Please Don't Stop (Chapter II).

Esta sequência inicial acaba por ser o momento nevrálgico do álbum que, como se percebe, tem como um dos pontos fortes de Low Roar a  voz, que eleva-se ao máximo da beleza intemporal, num registo a fazer-me lembrar os melhores momentos de Thom Yorke em Numb ou Street Spirit (Fade Out) e a postura de Jónsi em Valtari, um dos trabalhos mais recentes dos Sigur Rós. Ryan é decididamente um especialista na criação de canções lacrimejantes e que transportam as nossas emoções para um estado emocional que pode parecer depressivo, à imagem dos conterrâneos islandeses, mas que acaba por ser libertador.

0 é um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som. Quando chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela, o que faz de 0 uma das grandes referências para os melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Low Roar - 0

01. Breathe In
02. Easy Way Out
03. Nobody Loves Me Like You
04. I’ll Keep Coming
05. Half Asleep
06. Please Don’t Stop (Chapter 1)
07. I’m Leaving
08. In The Morning
09. Phantoms
10. Anything You Need
11. Dreamer
12. Vampire On My Fridge
13. Please Don’t Stop (Chapter 2)


autor stipe07 às 22:06
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Sigur Rós - The Rains of Castamere (Game Of Thrones cover)

Já há alguns meses tinha sido anunciado que os Sigur Rós iriam ter uma participação especial da quarta temporada da aclamada série Game of Thrones e, além disso, a gravação de um tema para a banda sonora também era algo expetável. Na verdade, depois de os The National já o terem feito, agora chegou a vez do grupo islandês divulgar a sua versão do tema The Rains Of Castamere, que faz parte da banda sonora da série. Confere...


autor stipe07 às 11:29
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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

Tilbury – Northern Comfort

Os Tilbury são uma banda islandesa de Reykjavík formada pelo baterista Þormóður Dagsson (Skakkamange, Jeff Who?, Hudson Wayne) no verão de 2010. Inicialmente foi pensado como um projeto a solo intitulado Formadur Dagsbrunar, mas rapidamente projetou-se para uma banda quando a Dagsson se juntaram Kristinn Evertsson (sintetizadores e teclados), Örn Eldjárn (guitarra e voz), Magnús Trygvason Eliassen (bateria) e Guðmundur Óskar Guðmundsson (baixo). O disco de estreia chegou em maio de 2012; Chamava-se Exorcise, foi editado pela Record Records e divulgado por cá. Entretanto já há sucessor; O novo trabalho dos Tilbury intitula-se Modern Comfort e também viu a luz do dia por intermédio da Record Records.

Os Tilbury são uma espécie de super grupo já que aglomera intérpretes que fizeram uma carreira musical consistente noutros projetos importantes do panorama musical local. Um belo exemplo da típica simpatia nórdica, fizeram questão de me enviar o disco de estreia quando souberam da divulgação do mesmo no blogue e por isso havia uma elevada expetativa da minha parte em relação ao novo trabalho desta banda islandesa. De facto, a audição de Northern Comfort remete-nos de imediato para nomes tão fundamentais como, por exemplo, os Belle And Sebastian, até porque os próprios Tilbury confessaram ser uma banda de folk pop. Mas é importante não cair na fácil tentação de avaliar o álbum apenas através dessa bitola, já que  neste Northern Comfort, escuta-se, com alguma insistência, vários detalhes sonoros que nos remetem para uma pop ainda mais etérea, sonhadora e gratificante, da qual os Mercury Rev, por exemplo, são um dos expoentes máximos, mas onde também não faltam arranjos que plasmam uma faceta mais rock, o que faz com que este disco esteja cheio de verdadeiras pérolas sonoras!

À semelhança do disco de estreia, Northern Comfort explora diferentes géneros e novas avenidas musicais, sabe aqueles dias primaveris, feitos com um sol ainda algo tímido e que acorda após um longo inverno; É um álbum fascinante, oriundo de um país que, musicalmente, tem uma comunidade de artistas muito díspar, criativa e flexível, que raramente desilude e que merece toda a tua atenção. Espero que aprecies a sugestão...

Tilbury - Northern Comfort

01. Deliverance
02. Frozen
03. Hollow
04. Turbulence
05. Cool Confrontation
06. Northern Comfort
07. Animals
08. Shook Up
09. Great Expectations
10. Transmission

 


autor stipe07 às 19:09
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Domingo, 5 de Janeiro de 2014

Axel Flovent - Your Ghost EP

Natural de Húsavik, na costa norte da Islândia, Axel Flóvent é um dos nomes emergentes da indie folk daquele país nórdico, um músico e compositor que com dezoito anos começou a criar a sua própria música, nomeadamente Your Ghost, o seu mais recente EP, editado a dezassete de outubro de 2013 e disponível para download gratuito no bandcamp do músico, assim como outros dois EPs, Sea Creatures e Narrow-Minded, disponíveis abaixo para audição.

A música de Axel Flóvent é fortemente influenciada pelas paisagens simultaneamente espetaculares e melancólicas de uma Islândia que viveu séculos de isolamento e dificuldades e onde reside uma pequena mas homogénea população, com traços peculiares de caráter, bem expressos na cândura orgânica e introspetiva das suas canções.

Falo de uma indie predominantemente acústica, com forte vínculo à folk moderna, mas onde também cabem detalhes a arranjos eletrónicos. Assim, Your Ghost é uma coleção rica de quatro belas canções, todas escritas por Axel e compostas certamente em dias curtos e longas e frias noites, onde terá sido intensa e constante a procura de harmonias o mais doces e transparentes possíveis.

Com tantas bandas e artistas a fazer atualmente a dita indie folk, é refrescante encontrar alguém que o faz de forma diferente e com músicas profundas e poderosamente bem escritas. A belíssima canção folk homónima é o primeiro single retirado deste EP, uma das mais bonitas baladas que escutei recentemente, feita de infecciosas harmonias vocais e uma melodia magistral.

A música de Axel Flóvent é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade desta músico islandês para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que Axel Flóvent combina com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Esperoque aprecies a sugestão...

SoundCloud vimeo.com Facebook


autor stipe07 às 15:21
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Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013

Death Vessel - Ilsa Drown

Natural de Rhode Island, o cantor folk Joel Thibodeau, aka Death Vessel, tem um novo álbum intitulado Island Intervals, que chegará aos escaparates a vinte e cinco de fevereiro de 2014, por intermédio da Sub Pop Records. O primeiro tema divulgado do disco é Ilsa Drown, uma canção que conta com a participação especial de Jónsi, vocalista dos islandeses Sigur Rós.

Ilsa Drown é um belíssimo instante folk, intrspetivo mas luminoso, assente, como seria de esperar, no dedilhar de uma guitarra, com as vozes de Joel e Jónsi a fazerem um casamento perfeito e a criarem juntas um ambiente etéreo e comtemplativo. É raro, mas curioso escutar a voz de Jónsi num registo mais acústico, porque possibilita ouvir e perceber determinados timbres que tornam o seu falsete ainda mais aconchegante. Confere...


autor stipe07 às 18:44
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Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

Sigur Rós – Kveikur

Pouco mais de um ano após Valtari, os islandeses Sigur Rós estão de volta com Kveikur (em português, pavio), o sétimo e novo álbum da banda, lançado hoje, dia dezassete de junho, pela insuspeita XL Recordings e cheio de canções que nos transportam, mais uma vez, para a fria e inóspita, mas mística e maravilhosa Islândia, terra natal deste grupo de músicos que são já um nome incontornável no cenário musical indie e alternativo dos últimos quinze anos. Agora reduzidos a trio, Jónsi Birgisson, Georg Hólm e Orri Páll Dýrason são provavelmente os maiores responsáveis por toda uma geração de ouvintes se ter aproximado da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação e estranhos diálogos que possam existir dentro do campo musical. Ao lado da conterrânea Björk e dos Mum, este trio não apenas colocou a Islândia no mapa dos grandes expoentes musicais, como definiu de vez o famigerado pós rock, género que mesmo não sendo de autoria da banda, só alcançou o estatuto e a celebração de hoje graças ao rico cardápio instrumental que este grupo conseguiu alicerçar com a sua discografia.

 

Adeptos da constante transformação de suas obras, desde Von, o primeiro álbum, que os Sigur Rós se concentram na produção de discos que, mesmo próximos, organizam-se e funcionam de maneiras diferentes. Têm sido álbuns que acabam sempre por partilhar um novo sentimento ou proposta, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a cada nova estreia. Protegidos por uma discografia coesa e com pelo menos três grandes obras carregadas de conceitos particulares (Ágætis byrjun, ( ) e Takk), os Sigur Rós conquistaram uma natural fama de banda intocável, a quem sonoramente quase tudo se tornou permitido e, por isso, passaram grande parter da carreira a inventar sonoridades que ultrapassam o efeito natural de qualquer música e a lidar, com arte, com o lado mais sentimental de quem, como eu, os venera.

Após o lançamento de Með suð í eyrum við spilum endalaust (2008) houve quem começasse a sugerir um défice de criatividade no seio do grupo, mas pessoalmente prefiro ver esse disco e o próprio Valtari como resultado da tal busca por novos horizontes sonoros. Kveikur acaba por ser uma sucessão óbvia de Valtari, talvez o mais introspectivo e difícil disco do grupo, uma obra de oito canções que ecoava de forma suja, distante da subtileza angelical que se manifestava nos discos anteriores. E justifico essa sucessão óbvia dizendo que Kveikur soa a uma espécie de continuação do que foi testado no antecessor, nomeadamente na estabilização do tal rompimento com o que foi apresentado pelo grupo há mais de uma década, mas agora, utilizando os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico de Valtari, com um clima mais agressivo, aberto, ambiental e orquestral.

Se Valtari era um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientava de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som, em Kveikur mantêm-se as harmonias magistrais e o disco pode ser também escutado com um único bloco de som, mas é dada uma maior liberdade e volume ao arsenal instrumental de que a banda se serve para recriar as nove canções. Logo a abrir, a opulência sonora de Brennisteinn não soará particularmente estranha a quem já está devidamente identificado com a discografia dos Sigur Rós e percebe que há aqui o apelo da novidade, mas sem abandonar a essência. Depois, à medida que o disco avança, testemunhamos esse esforço, às vezes eufórico, de atingir um intenso impacto lisérgico no ouvinte.

Em Kveikur, a percussão é o campo do arsenal instrumental que mais se amplifica relativamente a Valtari e talvez aquele que encontra maiores pontos de encontro com o passado do grupo; Hrafntinna traz-nos de volta alguns instantes percussivos de Með suð í eyrum við spilum endalaust e Ísjaki, remete-nos em alguns momentos para os momentos mais comerciais de Takk, quando Glósóli eHoppípolla apresentaram de forma definitiva o trabalho da banda ao público em geral.

Quem conviveu intimamente na última década com a música dos Sigur Rós e criou algumas defesas quanto à possível transformação sonora da banda, tornando-se algo purista relativamente à fórmula que sempre adoptaram, terá já torcido o nariz a Valtari e ainda mais desapontado ficará com Kveikur. Mas, se quem teve essa tal convivência íntima de espírito aberto e são e predisposto a aceitar novos rumos, tem em Kveikur um novo manancial de de detalhes e nuances instrumentais para explorar e descobrir, um exercício musical que certamente será do agrado de quem não se importa de descobrir uns Sigur Rós mais crús, diretos e psicadélicos, mas que não deixam, mesmo assim, de nos fazer flutuar num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas. Espero que aprecies a sugestão...

01. Brennisteinn
02. Hrafntinna
03. Ísjaki
04. Yfirborð
05. Stormur
06. Kveikur
07. Rafstraumur
08. Bláþráður
09. Var


autor stipe07 às 21:48
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Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Curtas... XCIX

O sueco Jay-Jay Johanson acaba de editar Best Of 1996 - 2013, uma coleção de vinte canções onde recorda um percurso musical com já dezassete anos e onde se destacam os primeiros três discos, muito inspirados pelo trip-hop de Bristol, principalmente o Whiskey e o Tattoo.

O sueco olhava para esse novo som que chegava do Reino Unido de um ponto de vista jazzístico e na altura adoptou um registo muito à Sinatra que lhe assentava na perfeição. Mas o sueco também foi acompanhando as novas tendências; Piscou o olho ao electroclash em Antenna e ao drum´n´bass em canções como She´s Mine But I´m Not Hers.

Best Of 1996 - 2013 retrata essa irregularidade que domina uma antologia que deixa claros os momentos que contam na vida musical do sueco, aos quais se junta o inédito Paris. Confere...

01. Paris
02. It Hurts Me So (Radio Edit)
03. So Tell The Girls That I Am Back In Town (Radio Edit)
04. The Girl I Love Is Gone
05. Milan, Madrid, Chicago, Paris (Radio Edit)
06. She’s Mine But I’m Not Hers
07. Keep It A Secret
08. Believe In Us
09. Far Away (Radio Edit)
10. On The Radio (Demo Version)
11. Tomorrow (Alternative Mix)
12. Rush (Radio Edit)
13. Because Of You
14. She Doesn’t Live Here Anymore
15. Rocks In Pockets
16. Only For You
17. Wonder Wonders
18. Lightning Strikes (Single Edit)
19. Dilemma
20. On The Other Side

Website
[mp3 320kbps] rg ul zs

 

Quem também acaba de lançar uma coletânea de canções é Rodrigo Leão. Songs (2004-2012) está concebido como o primeiro passo para uma possível trilogia que, ao mesmo tempo, revê matéria já lançada e antecipa novos caminhos e reúne canções cantadas em inglês que desde Cinema têm pontuado a discografia de Rodrigo Leão

As vozes de Sónia Tavares (The Gift), de Ana Vieira, de Beth Gibbons (Portishead) Neil Hannon (The Divine Comedy), Stuart Staples (Tindersticks), Scott Mathew e Joan as Police Woman deram na última década um carácter universal à música de Rodrigo Leão por via do uso poético do inglês em temas que marcaram as aventuras editoriais Cinema (2004), A Mãe (2009) e A Montanha Mágica (2011).
Songs (2004-2012) parte exactamente dessa ideia de vocação universalista de um músico e compositor que, na sua discografia, colaborou com artistas de diferentes nacionalidades, que cantaram em várias línguas, tendo explorado uma vertente mais ibérica e outra mais atlântica, quase sempre com resultados apaixonantes.

 

Os Misophone regressam aos discos a dezanove de junho com Before the Waves Roll e já divulgaram um artwork do álbum feito por Jockum Nordström e uma canção intitulada A Mother's Last Word. Confere...


Depois de Childhood's End, já é conhecido mais um avanço para Impersonator, o novo disco dos Majical Cloudz que chegará a vinte e um de maio. Bugs Don't Buzz é a nova canção divulgada e encontra-se disponível para download gratuito.


Os Sigur Rós estão encarregues da banda sonora de um episódio da mítica série The Simpsons, que passará nas televisões americanas já no próximo dia dezanove de maio. Para além de música original a acompanhar a viagem de Homer e companhia até à Islândia, a banda irá também apresentar uma versão para o tema original da série. Matt Groening, o criador dos The Simpsons, confessa-se fã de longa data dos Sigur Rós e orgulha-se desta colaboração sem precedentes com a banda.

Kveikur, o sétimo álbum dos islandeses, chega a 18 de Junho com selo da XL Recordings. Fiquem com Ísjaki, o último single retirado desse disco.


autor stipe07 às 13:46
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Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Ólafur Arnalds – For Now I Am Winter

Natural da belíssima Islândia, o compositor Ólafur Arnalds deu-nos no passado dia vinte e cinco de fevereiro a mais recente versão do seu inverno, através de For Now I Am Winter, o seu terceiro disco que, estimados leitores, é um trabalho tão aconchegante que as doze músicas que contém conseguem facilmente tirar-nos o fôlego. For Now I Am Winter contou com arranjos de Nico Muhly e a participação especial, na voz, de Arnór Dan Arnarson em quatro canções, cantor dos Agent Fresco e que já tinha participado no projeto de beneficiência do japonês Ryuichi Sakamoto de apoio às vítimas do tsunami no seu país natal.

Ólafur estreou-se em 2007 com Eulogy For Evolution e é já um dos mais reputados compositores da atualidade. Combina música de orquestra com eletrónica. Além dos dois discos anteriores, Ólafur já tinha editado alguns EPs e composto bandas sonoras de filmes. Ele próprio considera que este disco é, para já, a obra-prima da sua carreira, um álbum que atesta o seu enorme amadurecimento porque embarca numa evolução conceptual sazonal que usufrui do neo-clássico e estabelece-se como um pilar do estilo e que benefecia certamente do salto que deu recentemente da Erased Tapes para a Mercury Classics.

Uma das grandes novidades do álbum é, pela primeira vez nos seus trabalhos, incluir a voz; Se And They Have Escaped The Weight Of Darkness (2010) tinha colocado Ólafur na linha da frente do universo sonoro que abarca, este For Now I Am Winter dá um novo passo em frente, não só por causa dessa inserção vocal, mas principalmente porque expande ainda mais os seus horizontes e aprimora a elegância e o cunho sentimental com que abraça a míriade sonora que de que se serve para compôr.

Se anteriormente era o piano que liderava o processo de composição, neste terceiro disco Ólafur também colocou em enorme plano de destaque as cordas, com particular destaque para o violino. Os arranjos do norte americano Nico também adicionaram novas texturas ao som do compoitor islandês e adicionaram os sintetizadores ao seu cardápio essencial.

O álbum tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de For Now I Am Winter, já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um disco carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define pela tal deriva entre a componente mais orquestral e elementos típicos da eletrónica.

A voz de Arnór acaba por fazer dos quatro temas onde o podemos ouvir os destaques maiores de For Now I Am Winter, porque, nas mesmas, o patamar de emoção acaba por ser potenciado, já que este cantor conjuga, por exemplo, a genialidade de Jónsi (Sigur Rós) com a sensibilidade vocal de Martyn Heyne dos dinamarqueses Efterklang.

For Now I Am Winter é uma extraordinária coleção de catorze temas islandeses, misturados com técnicas minimalistas norte americanas e regadas com a tradicional sensibilidade europeia. Simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, fundem novos e antigos estilos sonoros, uma sugestão que todos irão certamente apreciar...

01. Sudden Throw
02. Brim
03. For Now I Am Winter (Feat. Arnor Dan)
04. A Stutter (Feat. Arnor Dan)
05. Words Of Amber
06. Reclaim (Feat. Arnor Dan)
07. Hands, Be Still
08. Only The Winds
09. Old Skin (Feat. Arnor Dan)
10. We (Too) Shall Rest
11. This Place Was A Shelter
12. Carry Me Anew
13. No. Other (Feat. Arnor Dan)


autor stipe07 às 22:07
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