Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Dead Stars - Slumber

Oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os norte americanos Dead Stars são mais uma das minhas apostas para uma das bandas do ano, no que respeita ao fuzz rock, feito com guitarras cheias de distorção e ligadas à eletricidade, mas que não negligenciam uma forte componente melódica. Nostálgico e carregado de algumas das melhores caraterísticas do indie rock alternativo dos anos noventa, Slumber é o novo disco deste trio formado por Jeff, John e Jaye, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Old Flame Records.

Com os ouvidos colados no passado, mas implacáveis na forma como soam atuais e revigorantes, os Dead Stars cantam sobre a dor, a saudade e os problemas típicos da juventude, com as vocalizações de Jeff, quase sempre melódicas e harmoniosas, a serem, frequentemente, o contraponto com a componente instrumental de cariz mais aspero e lo fi; Jeff mistura bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias e a guitarra que tem junto a si, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza, apesar de, felizmente, o red line das guitarras ser uma componente essencial do cardápio sonoro dos Dead Stars.

Na verdade, ao cruzar as guitarras sujas às melodias de vozes, este trio replica fórmulas assertivas criadas e testadas ao longo de várias décadas e estabelecem, desse modo, um trabalho recheado pelo contraste, algo bem audível em Someone Else ou Older, por exemplo, dois temas com idêntica receita, a primeira mais elétrica e a segunda predominantemente acústica, mas que não deixam de ter profundos pontos de interseção, uma constância concetual que se repete mesmo quando tentam, a todo o custo, parecer grandes, quando não receiam abraçar uma toada mais shoegaze e pop em Dreaming To Forget ou Underwater, duas canções que deixam de lado os tais limites do rock caseiro e convertem-se em momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa.

Slumber traz-nos à memória aquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo. Está aqui toda a nostalgia dessa época, canções que sabem a Teenage Fanclub, guitarras que fazem de Dinosaur Jr., Nirvana, Smashing Pumpkins (Walking Away), Foo Fighters (Crawl) e Pavement, sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com  o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.

No fundo, os Dead Stars acabam por ser a visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. E o grande brilho deste disco é, ao ouvi-lo, ter-se a perceção das bandas que foram usadas como inspiração, não como plágio, mas em forma de homenagem. Uma homenagem tão bem feita que apreciá-la é tão gratificante como ouvir uma inovação musical da semana passada. Espero que aprecies a sugestão... 

Dead Stars - Slumber

01. Someone Else
02. Summer Bummer
03. Walking Away
04. Crawl
05. Daylight
06. Older
07. Never Knew You
08. Disappearing
09. Dreaming To Forget
10. Underwater
11. Wasted
12. Heal Over Time

 


autor stipe07 às 21:58
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TV On The Radio - Happy Idiot

 

TV On The Radio - Seeds

Depois de dois temas lançados o ano passado, Mercy e Million Miles, acaba por ser uma excelente novidade a definição concreta da data de lançamento de Seeds, o novo disco dos norte americanos TV On The Radio. 

Tudo começou com a partilha de um teaser do disco e, há algumas horas, a revelação de mais detalhes sobre a obra, nomeadamente a tracklist e um novo single intitulado Happy Idiot. Esta música alegre e luminosa é um excelente tónico para o futuro de uma banda que sentiu, como é óbvio, o inesperado falecimento do baixista Gerard Smith, em 2011.

Seeds foi produzido pelo próprio David Sitek e será editado a dezoito de novembro. Confere...


autor stipe07 às 17:41
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Mumblr - Got It

Os mais atentos a este espaço já terão certamente reparado nos Mumblr e nos vários singles que tenho apresentado desta banda. Ora então, cá vai mais um...

Como já referi anteriormente, após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, preparam-se para, finalmente, estrrar-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração do grupo e chegará aos escaparates já a dezasseis de setembro, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Num disco que irá debruçar-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas, Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum e depois Roach. As duas canções apostavam numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, através de uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.
Got It, o terceiro avanço divulgado de Full of Snakes, não foge muito a esta toada, mas é um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva. Sobre esta canção, Nick Morrison refere: It´s about being a strange, confused young man; feigning confidence and asking people to take him as he is.
Os temas já divulgados de Full of Snakes estão disponíveis para download. Confere...


autor stipe07 às 17:26
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Faded Paper Figures – Relics

Oriundos de Los Angeles, na Califórnia, os Faded Paper Figures são R. John Williams, Kael Alden e Heather Alden, um trio que acaba de editar um delicioso disco chamado Relics e que viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto por intermédio da Shorthand Records. Relics é um álbum que deve ser escutado por todos aqueles que apreciam o cruzamento ímpar entre a pop que sobrevive de mãos dadas com alguns detalhes típicos da eletrónica e da folk e onde é feliz e verdadeiramente proveitosa a simbiose entre as cordas e o sintetizador.

Este trio surpreende, desde logo, pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente num dedilhar de cordas, um sintetizador cheio de vida e carregado de efeitos e uma voz frequentemente modificada. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza, num disco deslumbrante e tecnicamente impecável, que enche as medidas e comprova que os Faded Paper Figures sabem criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme e onde cada detalhe das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Basta ouvir os raios flamejantes que são debitados pelo sintetizador em Breathing ou o dedilhar de uma viola na folk de Fellaheen e Wake Up Dead, para se perceber a facilidade com que a banda navega entre pólos apenas aparentemente opostos, com notável perícia e absoluto conforto.

A abertura épica e visceral com a já citada Breathing abre-nos as portas para uma sequência de músicas divertidas e com minuciosos detalhes, que, mesmo nos moentos mais introspetivos, como Not The End Of The World ou Forked Paths, não deixam de transparecer sempre uma faceta algo dançante e espontânea, bastante próxima de um clima festivo e mais urbano. Depois, temas como Lost Stars ou Who Will Save Us Now, entre outros, aproximam o trio de uma linguagem sonora com aproximação a elementos quase futurísticos e de uma estética mais synthpop. no fundo, ao terminar a audição, ficou claro que as boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo fizeram com que Relics cresça e cada nova canção, dividem o álbum em vários momentos e evitam que os melhores se concentrem demasiado em vários dos momentos do disco. É, no fundo, um disco sem ondas, homogéneo e lineado por alto.

Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de John, um detalhe importante para o sucesso deste álbum intenso e hipnótico, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

 

Faded Paper Figures - Relics

01. Breathing

02. Wake Up Dead
03. Not The End Of The World (Even As We Know It)
04. Lost Stars
05. Fellaheen
06. On The Line
07. Spare Me
08. Who Will Save Us Now
09. Horizons Fall
10. Real Lies
11. What You See
12. Forked Paths

 


autor stipe07 às 21:32
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So Cow - Science Fiction

Oriundos de Galway, os irlandeses So Cow são Peter O'Shea, Jonny White e Brian Kelly, um trio que aposta na receita simples mas aditiva que suporta o indie rock de garagem, fazendo-o com um interessante grau de diversão, boa disposição, humor e empatia.

Science Fiction é o primeiro avanço divulgado de The Long Con, um disco que irá chegar aos escaparates a dezasseis de setembro por intermédio da Goner. O tema tem no punk e no rock de garagem feito com guitarras cheias de distorção, mas melodicamente muito ricas, as suas traves mestras e nele percebe-se que os So Cow sabem como pegar na sonoridade que escolheram com elevada mestria e até com uma forte componente experimental. Confere...


autor stipe07 às 21:02
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Domingo, 31 de Agosto de 2014

Suno Deko - Throw Color EP

Suno-Deko

Lançado no passado dia vinte e dois de julho através da conceituada Stratosfear, Throw Color é o novo EP de Suno Deko, aka David Courtright, um músico de Atlanta, na Georgia, que aposta numa pop experimental.

Com este EP, Courtright oferece-nos uma perspetiva bastante criativa e única de como o indie rock actual pode abarcar várias influências e diferentes estilos, desde que a conjugação entre as cordas e a percussão com os sintetizadores abriu uma verdadeira caixa de pandora.

Jovial, hiperativo e barulhento na dose certa, Throw Color tem uma toada lo fi, crua e pujante. Está cheio de quebras e mudanças de ritmos, com uma certa e, quanto a mim, feliz dose de improviso, em quatro canções com uma energia ímpar que debita ao longo de seus mais de quinze minutos de duração, sons que se atropelam durante o percurso e que sustentam temas cheios de personalidade, alegria e cor.

Será certamente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que distingue os vários e que, por acréscimo, sustenta o conteúdo de Throw Color. Mas o jogo que se estabelece entre as cordas e a bateria em Bluets, uma canção sóbria, calma, limpa e tranquila, é o meu tema preferido do EP, um viciante momento de pop melosa e introspetiva. No entanto, Deliver também tem algo de especial e fortemente emotivo, proporcionado por uma melodia sintetizada fortemente nostálgica e uma letra bastante emotiva, capaz de despedaçar qualquer coração menos habituado e disponível a deixar-se confundir por sentimentos particularmente profundos (I would tear the stars down for your love).

Throw Color foi idealizado e composto com base na emoção e na intuição de um artista que sabe que territórios deve pisar e esta liberdade é algo que nem todos conseguem com semelhante qualidade. Masterizado por Warren Hildebrand dos Foxes In Fiction, provoca um forte impacto lisérgico em quem se predispõe a ouvir atentamente o seu conteúdo e destaca-se pelo manancial de de detalhes e nuances instrumentais, excelentes para explorar e descobrir uma perspetiva diferente e peculiar do que pode ser proposto no cenário indie atual, enquanto se flutua num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 22:50
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Sábado, 30 de Agosto de 2014

Eastern Hollows – Eastern Hollows

Lançado pela etiqueta Club AC30, Eastern Hollows é o homónimo disco de estreia dos norte americanos Eastern Hollows, mais uma banda oriunda de Brooklyn, um dos bairros mais efervescentes de Nova Iorque. Formados por Travis deVries (voz, guitarra, percurssão), Martin Glazier (voz, guitarra), Sean Gibbons (guitarra), Brian Brennan (baixo) e Jeremy Sampson (bateria, percurssão), os Eastern Hollows apontam sonoramente para as influências nostálgicas dos anos noventa e apresentam na estreia um álbum bem interessante, com dez canções de nível semelhante, que vão do rock progressivo ao fuzz, passando pela britpop.

Grandes admiradores dos The Stone Roses, este quinteto não esconde as suas influências e o próprio registo vocal de Travis DeVries recorda-nos Ian Brown. Logo em Space Spirits, o tema de abertura, percebe-se que há, na conjugação do baixo com a voz em eco e com a melodia da guitarra, um cariz lo fi profundamente nostálgico e que o conjunto criado assenta numa espécie de mistura da psicadelia típica dos anos sessenta com a britpop mais contemporânea. A percussão acelerada de The Way That You've Gone e uma guitarra adornada com leves pitadas de shoegaze e pós rock, dá vida a um turbilhão encorpado e calcado num som garageiro e psicadélico e que evoca grandes épocas do rock n’roll.

As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Temas como Days Ahead ou Summer's Dead também usam as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E noutros temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Eastern Hollows.

De certa forma e à semelhança de outros projetos apresentados por cá ultimamente, os Eastern Hollows seguem pisadas vintage, mas buscam, em simultâneo e sem falsos pudores, uma sonoridade também comercial, mesmo quando mergulhada num oceano de ruídos, ou com um certo toque de psicadelia. Deste modo, acabam por atestar a vitalidade atual do lo fi e do reencontro com sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, através de uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop. Este é mais um disco em que tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação e asseguro-vos que em Eastern Hollows ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.

Considero já estes Eastern Hollows como uma das bandas americanas mais inglesas do momento, até porque além de terem conseguido encontrar um equilíbrio muito interessante entre os principais universos sonoros que os orientam, a audição do disco leva-nos a sentir desde logo um forte sentimento de nostalgia. Ao mesmo tempo que seguram com vigor as amarras do passado, a forma como abordam as influências, nomeadamente através das guitarras, faz-nos perceber que há aqui algo de genuíno e de forte cariz identitário, difícil de ouvir noutro projeto. Espero que aprecies a sugestão...

Eastern Hollows - Eastern Hollows

01. Space Spirits
02. The Way That You’ve Gone
03. Days Ahead
04. Still Smile
05. Mickey Galaxy
06. Summer’s Dead
07. Northern Lad
08. I Have the Past
09. Somewhere In My World
10. One Less Heart

 


autor stipe07 às 14:36
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Hooray For Earth – Racy

Oriundos de Broolyn, Nova Iorque, os Hooray For Earth são um projeto emanado do génio de Noel Heroux, um músico que começou a carreira a criar música de forma caseira e que se estreou em 2011 com True Loves. Rapidamente percebeu que para conseguir misturar com coerência e maior esplendor a pop com o rock alternativo deveria criar uma banda e assim surgiram os Hooray For Earth, um grupo que aposta num indie rock com uma forte componente sintética. Desde Never, um single que lançaram em 2012, que os Hooray For Earth não davam notícias, mas a vinte e nove de julho, voltaram aos escaparates com Racy, por intermédio da Dovecote Records.

Produzido pelo próprio Noel Heroux e por Chris Coady (TV On The Radio, Yeah, Yeah, Yeahs), Racy é um conjunto de nove canções assentes em riffs assimétricos, conjugados com uma panóplia considerável de ruídos sintetizados com uma apreciável toada pop e que além de serem um bom exemplo do que de melhor vai surgindo atualmente que revive todo o assertivo clima do garage rock, também apostam na replicação de um ambiente sonoro grandioso e não necessariamente caseiro e lo fi, mostrando uns Hooray For Earth festivos e em busca de grandes multidões, artilhados com acordes e linhas melódicas particularmente acessíveis.

Depois da introdução com Hey, um tema que pretende prender a nossa atenção para o que aí vem, o primeiro grande momento do disco chega com a sonoridade épica e intensa de Keys, uma canção que ao acrescentar guitarras sujas a um sintetizador cheio de loopings e detalhes cósmicos e a uma melodia vocal pulsante e inspirada, espanca-nos com uma extraordinária sequência de ruídos estrondosos.

O punk rock dos anos oitenta, concertado com a pop eletrónica da mesma época chega com Say Enough e um baixo particularmente esplendoroso e completamente ligado à corrente, acaba por ser um belo aperitivo para outro momento alto de Racy, a rápida e efervescente Somewhere Else; Esta canção tem uma toada algo lo fi, com a distorção de uma guitarra particularmente melódica, mas eleva-se para um patamar elevado quando mostra todo aquele mel que nos remete para indie pop nórdica de há trinta anos atrás, através de um efeito sintetizado futurista a suportar uma voz refinada, vigorosa, intensa e intrincada. Esta canção, o tema homónimo e o excelente momento experimental plasmado na balada Last, First, provam que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos de outras décadas, assim como todo o clima sentimental do passado e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte ou trinta anos depois, a fazer escola.

Apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de Racy, uma eletrónica quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá ao disco uma atmosfera sombria e visceral. No fundo, há uma apenas aparente amálgama de caraterísticas sonoras que tanto se encaixam no indie rock progressivo, que aponta baterias aos estádios, como na pop eletrónica vintage e marcadamente experimental e nostálgica, que uma produção cuidada e límpida potenciou e que deixa para o futuro algumas pistas interessantes que os Hooray For Earth poderão aproveitar para conseguirem ser ainda mais grandiosos, sem descurarem uma sempre recomendável componente psicadélica. Espero que aprecies a sugestão...

Hooray For Earth - Racy

01. Hey
02. Keys
03. Say Enough
04. Somewhere Else
05. Racy
06. Last, First
07. Airs
08. Happening
09. Pass


autor stipe07 às 15:35
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Lost Boy? - Graves

Lost Boy ? - "Graves"

Oriundos do convidativo bairro de Brooklyn, em Nova Iorque, os Lost Boy? são liderados por Davey Jones, ao qual se juntam Ryan, Matt e R.J., um grupo que aposta claramente naquela receita simples mas claramente aditiva que suporta os fundamentos básicos do indie punk rock. Enérgica, animada e bastante divertida, mas com uma abordagem temática algo sombria, como canta Davey no refrão (We hold each other’s hands in our graves), Graves é um dos avanços de Canned, o álbum de estreia do grupo, que verá a sua edição física sair para às lojas lá para março do próximo ano, via Double Double Whammy/Old Flame Records. Confere...


autor stipe07 às 14:22
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

The Raveonettes – Pe’ahi

Os dinamarqueses The Raveonettes de Sune Rose Wagner e Sharin Foo, estão de regresso aos lançamentos discográficos com o sétimo álbum da carreira da dupla. Pe’ahi sucede a Observator (2012), foi produzido por Justin Meldal-Johnsen e chegou às lojas no passado dia vinte e um de julho, através da Beat Dies Records.


Admiradores confessos de sonoridades esplendorosas e que os façam tocar a guitarra sempre completamente ligados à corrente, os The Raveonettes abrem este disco com a roqueira e dançante Endless Sleeper e percebe-se logo que há, simultaneamente, com a ajuda de uma bateria a recordar detalhes da bossa nova e um piano inspirado, uma tentativa de estabelecer pontes entre o indie rock, com alguns detalhes mais sensíveis da pop, bem estruturados e devidamente adocicados com arranjos bem conseguidos. Sisters, o primeiro single retirado do disco, e Wake Me Up, duas canções doces, mas com muita distorção e instantes bem noisy, ajudam a reforçar essa fusão que, nos quase quarenta minutos que duram este disco, é particularmente consistente e carregado de referências assertivas.

Pe'ahi é bastante inspirado na morte do pai de Sharin Fooe da mudança da artista para o sul da Califórnia, onde absorveu o clima veraneante das praias, particularmente audível nos arranjos de The Rains Of May. Aí idealizou fazer um álbum que fosse instrumental mais amplo e heterogéneo  que os antecessores, com novos instrumentos e diferentes efeitos, que a produção de Justin Meldal-Johnsen, um nome consagrado que já trabalhou com Beck e os Garbage, entre outros, ajudou, de forma preciosa, a salientar.

Assim, aparentemente presos a uma sonoridade vintage, que fez escola há umas três décadas, os The Raveonettes conseguiram dar vida ao que idealizaram, não abusando instrumentalmente, nem exagerando na forma como utilizaram o sintetizador e manipularam a própria voz, conseguindo assim um equilíbrio interessante entre a busca de uma toada lo fi expressiva e sintética e um som que não dispensa a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão. E a cereja no topo do bolo foi terem tido a capacidade de encontrar este ponto açucarado envolto numa pulsão rítmica, que nem as guitarras carregadas de fuzz e os teclados e as vozes processadas conseguem disfarçar e que os tiques de hip hop percetíveis nas batidas que constroem os alicerces de Kill e Killer In The Streets ajudam a realçar.

Este sétimo álbum da dupla pode significar uma mudança na direção sonora, uma abertura para um universo mais amplo ou, quem sabe, é apenas uma fotografia musical de um momento bem específico. É possível, porém, comprovar que os tempos recentes e difíceis experimentados por Sune e Sharin contribuíram para seu trabalho ganhar mais corpo e versatilidade. Pe'Ahi só não ultrapassa o teor adolescente pervertido da estreia, The Chain Gang Of Love, de 2003.

Apesar de os The Raveonettes nunca terem atingido uma performance de vendas espetacular, mantiveram-se fieis à sua bitola sonora, assente, quase sempre, numa vertente instrumental fortemente elétrica, densa mas melodiosa, uma percussão vincada e uma voz apaixonada, que nunca deixou de escrever letras fortemente reflexivas sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea. Pe'ahi pode fazer-nos acreditar na ilusão de que há aqui uma inflexão sonora com reflexos no futuro discográfico da dupla e que uma vertente experimental cada vez mais vincada e versátil fará parte do cardápio sonoro que vier a seguir a este álbum. Suposições à parte, o que importa reter é que Pe'ahi é mais um exemplo concreto de que os The Raveonettes são uma daquelas bandas em quem se pode confiar verdadeiramente e que nunca defraudam, já que sabem como juntar com talento todas as peças do indie rock para formar um tratado sonoro cheio de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas, com um inspirado clima espetral. Espero que aprecies a sugestão...

The Raveonettes - Pe'ahi

01. Endless Sleeper
02. Sisters
03. Killers In The Streets
04. Wake Me Up
05. Z-Boys
06. A Hell Below
07. The Rains Of May
08. Kill
09. When Night Is Almost Done
10. Summer Ends


autor stipe07 às 21:03
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Real Estate – Had To Hear

Editado a quatro de março por intermédio da Domino Records, Atlas é o terceiro álbum dos Real Estate, uma banda norte americana formada por Martin Courtney, Matt Mondanile, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman. Agora, quase meio ano depois, editam em formato single, Had To Hear, o tema de abertura desse disco.

Had To Hear tem Paper Dolls como lado b e aposta num  indie-folk-surf-suburbano, feito, neste caso, por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação. Estes são alguns dos traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo que olha cada vez mais e com maior atenção, para o rock alternativo dos anos oitenta e que, servindo-se de uma mais vincada vertente sintética, mostram um cariz particularmente urbano e atual. Confere...

Real Estate - Had To Hear

Genre: Indie/Pop/Rock/Psychedelic
Country: USA

Tracklist

01. Had To Hear
02. Paper Dolls

Website
[mp3 V0] tb ul ob zs


autor stipe07 às 16:06
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Bear In Heaven – Time Is Over One Day Old

Os Bear In Heaven, um grupo norte americano natural de Brooklyn, na big apple e encabeçado por Jon Philpot desde a sua fundação, em 2003, lançaram há pouco mais de dois anos I Love You, It’s Cool, o sucessor de Beast Rest Forth Mouth, um trabalho lançado em 2009. Este trio tem alcançado um distinto resultado, depois de uma série de experiências e um variado jogo de referências acumuladas, que se esperava ter sequência em Time Is Over One Day Old, o novo trabalho do grupo, editado no passado dia cinco de agosto, através da Dead Oceans.


Time Between, o primeiro avanço do álbum, plasmou logo as mais diversificadas escolas musicais formadas ao longo das últimas décadas, que têm inspirado os Bear In Heaven, numa canção com referências diretas ao movimento krautrock, doses imoderadas de psicadelia e um acerto com a música eletrônica que suporta toda uma estrutura melódica. E, na verdade, em Time Is Over One Day Old, este grupo continua a transpirar o género criado na década de sessenta e que composições estruturalmente similares como esse single, Autumn ou The Sun And The Moon And The Stars, ajudam a comprovar.

É interessante escutar este disco e, conhecendo o trabalho anterior do grupo, perceber que o cenário sonoro retratado não é propriamente genuíno, mas acaba por soar como sendo verdadeiramente próprio desta banda, que tem uma forma muito própria de combinar o rock psicadélico com elementos eletrónicos, de modo a crair algo simultaneamente épico e intenso. You Don't Need The World e They Dream são duas canções intensas, exposivas e que nos deixam na dúvida se poderão ser devidamente assimiladas quando escutadas num raro momento de lucidez ou como banda sonora de alguns dos nossos melhores sonhoe e devaneios.

Esse aparente incómodo sobre qual o melhor estado de espírito para a absorção devida do conteúdo de Time Is Over One Day Old, obtém-se precocemente já que, assim que carregamos no play, em poucos minutos, os teclados mágicos, as guitarras que se derretem e os versos fáceis prendem-nos a atenção e convidam-nos, sem retorno possível, para uma sucessão de experimentações complexas que nos vão surpreendendo, numa viagem a bordo de um krautrock psicadélico, particularmente lisérgico e até algo lunático. Basta escutar a guitarra da já citada The Sun And The Moon And The Stars, para se perceber que os Bear In Heaven têm a capacidade de nos levar com eles para lugares distantes e grandiosos, onde o som se propaga de forma crscente e onde também cabe a melancolia (Present Tense) e a sensualidade (If I Were To Lie), num cocktail contagiante, detalhado e complexo de um disco que carece de tempo e da tal predisposição adequada, para ser compreendido como um todo, já que revela também lentamente toda a sua natureza.

Time Is Over One Day Old é um disco ambientado no mesmo cenário do registo de estreia do grupo, uma sucessão de dez canções onde a psicadelia pretende hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Simultaneamente criativos e coerentes, os Bear In Heaven mostram-se particularmente experimentais na forma como deram vida a um trabalho tipicamente rock, onde persiste uma vincada relação entre o vintage e o contemporâneo, mas que será melhor compreendido no futuro próximo, à medida que for mais dissecado. Enquanto tal não sucede, resta-nos começar viajar e a delirar, quanto antes, ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão... 

Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

01. Autumn

02. Time Between
03. If I Were To Lie
04. They Dream
05. The Sun and The Moon And The Stars
06. Memory Heart
07. Demon
08. Way Off
09. Dissolve The Walls
10. You Don’t Need The World

 


autor stipe07 às 20:55
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Mumblr - Roach

Após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, preparam-se para, finalmente, estrear-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração dos Mumblr e chegará aos escaparates a dezasseis de setembro, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas..

Full Of Snakes é um disco que irá debruçar-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas. Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum e agora chegou a vez de Roach, mais uma canção que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Tal como sucedeu com Philadelphia, Roach também está disponível para download. Confere...


autor stipe07 às 20:52
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

The Rosebuds - Sand + Silence

Oriundos de Raleigh e com o nome da banda insiprado no filme Citizen Kane de Orson Wells, os norte americanos The Rosebuds de Ivan Howard e Kelly Crisp estão de regresso aos discos com Sand + Silence, um trabalho que viu a luz do dia a cinco de agosto, por intermédio da Western Vinyl. Sand + Silence foi gravado nos estúdios de Justin Vernon. Além de ter recebido os The Rosebuds, aceitou tocar teclas em alguns temas do disco, que também conta com a participação especial de Nick Sanborn dos Sylvan Esso. 


Justin Vernin é um figura ímpar do universo indie contemporâneo e a sua simples presença nos créditos de um disco acaba por ser um selo de qualidade importante do mesmo. Com uma carreira única firmada em projetos tão relevantes como Bon Iver, Volcano Choir ou The Shouting Matches, Justin não hesitou em colaborar decisivamente no conteúdo do novo trabalhos destes The Rosebuds, de um modo tal que pode ser mesmo considerado como mais um elemento da banda, mesmo que essa colaboração não dê mais frutos futuramente. A própria carreira dos The Rosebuds é sempre uma enorme incógnita, uma banda que não é conhecida pela regularidade, mas que quando produz música fá-lo sempre de forma assertiva e com uma elevada bitola qualitativa.

Sand + Silence não foge a esta ideia, um disco que aposta numa surf pop bastante atual e que remetendo-nos facilmente para as areias da nossa praia preferida, convida-nos a fazê-lo com uma toada eminentemente comtemplativa, apesar de o conteúdo geral das onze canções do álbum não deixar de incluir também um interessante pendor festivo e divertido.

Se o disco é, como acabei de referir, um tratado indie pop moderno, apesar dos traços de folk rock que se escutam em canções como Death Of An Old Bike e Tiny Bones, naturalmente tem um vincado pendor vintage, não só no que se refere aos areanjos selecionados, onde as cordas luminosas e as teclas inspiradas têm a primazia, mas também quando se analisa a estrutura melódica das canções. Looking For é um exempo feliz de uma canção que nos consegue trasnportar com classe para os primórdiso da pop nos anos sessenta e Wait A Minute para duas décadas depois e há muitas outras que também parecem ter sido pensadas para o airplay de algumas rádios de outrora, com especial destaque para a deliciosa In My Teeth. Ao mesmo tempo, há temas pwerfeitos para incluir em algumas playlists dos apreciadores atuais deste género de música, mesmo que não vislumbrem diariamente o mar no seu horizonte, com a romântica Give Me A Reason a ser a companhia perfeita para queles dias em que nos sentimos mais assaltados pela introspeção melancólica.

Com um padrão bem vincado na hora de compôr, numa carreira com mais de uma década e cheia de grandes momentos, os The Rosebuds revelam em Sand +Silence um som apurado, além de mostrarem uma flexibilidade bastante adulta para cruzar o rock alternativo com alguns detalhes eletrónicos e assim, com a ajuda preciosa de Vernon, chegar à tal indie pop veraneante e refinada, harmoniosa e requintada, cheia de charme e sedução e que facilmente nos cativa. Espero que aprecies a sugestão...

The Rosebuds - Sand + Silence

01. In My Teeth
02. Sand + Silence
03. Give Me A Reason
04. Blue Eyes
05. Mine Mine
06. Wait A Minute
07. Esse Quam Videri
08. Death Of An Old Bike
09. Looking For
10. Walking
11. Tiny Bones


autor stipe07 às 16:00
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The Twilight Sad - There's A Girl In The Corner

Os The Twilight Sad são uma banda de indie rock de Kilsyth, na Escócia, com onze anos de carreira. Com James Alexander Graham (voz), Andy MacFarlane (guitarra, teclas) e Mark Devine (bateria) no alinhamento, já lançaram três discos: Fourteen Autumns & Fifteen Winters (2007), Forget the Night Ahead (2009) e No One Can Ever Know (2012), trabalhos onde o post rock, com uma elevada toada punk e shoegaze esteve sempre presente, assim como o chamado krautrock que foi fazendo escola no universo sonro alternativo desde a década de setenta.

O quarto disco dos The Twilight Sad está prestes a chegar aos escaparates e There's A Girl In The Corner é o primeiro avanço desse novo trabalho do grupo que se irá chamar Nobody Wants To Be Here And Nobody Wants To Leave. Confere...


autor stipe07 às 10:19
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Sábado, 23 de Agosto de 2014

Coast Jumper – The End Of Broad Slough EP

Gravado durante o ano de 2013 e apenas terminado devido a vários donativos, The End Of Broad Slough é o novo EP dos Coast Jumper, uma banda norte americana sedeada em Oakland e que no verão de 2012 estreou-se nos discos com Grand Opening, um trabalho produzido por Kevin Harper e que foi dissecado por cá. Editado no passado dia um de agosto e disponibilizado no bandcamp da banda, com a possibilidade de obteres uma edição limitada em vinil, The End Of Broad Slough contém cinco canções feitas com belíssimos arranjos acústicos, mas onde também se nota o esplendor das guitarras elétricas e de uma percurssão bastante vincada e com um apreciável pendor épico.

Os Coast Jumper fazem canções abertas e luminosas enquanto se movimentam dentro do rock experimental e progressivo, mas onde também não faltam alguns dos detalhes mais caraterísticos da típica folk norte americana. Pelos vistos acharam que conceitos como o ambienteagressão, harmonia e libertação, amores perdidos e o crescimento, são boas temáticas para as suas canções, assentes, quase sempre, numa melodiosa alquimia lisérgica, coberta de acordes quase tão hipnóticos como qualquer caleidoscópio ácido.

A canção de abertura do EP, Western Star, tem uma sonoridade grandiosa, seguida da beleza quase etérea de Anita (You're Mad); Esta canção parece que foi matematicamente pensada, com uma voz e acordes que destoam de uma sequência normal na maioria das músicas. As ditas vozes fazem vir à tona lembranças psicadélicas setentistas e as mudanças que o cantor vai efetuando no andamento, faz com que os nossos ouvidos sejam agarrados a cada acorde.

Depois da voz sintetizada e dos violinos que suportam a balada acústica Right On Track e da indie pop nostálgica e simultaneamente ligeira e descomprometida de King Phillip, já estás definitivamente agarrado ao EP a até ao fim será inevitável perceberes que estes Coast Jumper fazem canções profundas e com sentimento, tratados sonoros propostos com uma extrema e delicada sensibilidade e que possuem muito mais do que aquela simples pop chiclete nas suas artérias. Espero que aprecies a sugestão..

Coast Jumper - The End Of Broad Slough

01. Western Star
02. Anita (You’re Mad)
03. Right On Track
04. King Phillip
05. Blackout

 


autor stipe07 às 19:37
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Dope Body - Hired Gun

Dope Body

Oriundos de Baltimore, os indie rockers norte americanos Dope Body estão de regresso com um novo álbum intitulado Lifer e que chegará aos escaparates a vinte e um de outubro através da Drag City.

Hired Gun é o primeiro avanço divulgado de Lifer e mostra uns Dope Body em grande forma: Fazem-no através de uma canção assente num indie rock clássico e visceral, pleno de noise, guitarras distorcidas, riffs poderosos e uma percurssão vibrante. Confere...

 


autor stipe07 às 11:50
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Highlands – Dark Matter Traveler

Editado no passado dia quinze de julho, Dark Matter Traveler é o novo e segundo disco dos Highlands, um grupo de Long Beach, na Califórnia, formado por Scott, Chris, Stephen e Beau Balek. Dark Mark Traveler foi produzido pela banda e por Rollie Ulug e masterizado por J.P. Bendzinski. O artwork do disco é da autoria de Yan Burdzinski.


Há algo de particularmente tenso, narcótico, intenso e hipnótico no ambiente sonoro destes Highlands, que partilham connosco o seu gosto pelo cruzamento entre o punk mais sombrio e o rock clássico e noisy, carregado de reverb. A ideia é debitar melodias épicas, com um certo groove e um forte pendor psicadélico.

Dark Mark Traveler são, então, dez canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e logo no início, em Show Me e Onto You, ao revisitarem a herança de nomes como os Pylon, os Felt, ou os próprios Jesus and Mary Chain, percebe-se que estes Highlands não têm receio de mostrar a capacidade intrínseca que possuem para replicar a psicadelia que se desenvolveu nas décadas de setenta e oitenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas.

O disco prossegue e, logo de seguida, se Beauty faz uma revisão dessa psicadelia, mas numa busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes desse espetro sonoro que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Com uma postura vocal algo arrastada mas assertiva, o reverb na voz acaba por ser uma consequência lógica desta opção que, na melancolia épica de Your Let Down, carrega toda a componente nostágica com que os Highlands pretendem impregnar o seu ADN. O vocalista, ao soprar na nossa mente e ao envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. Se abundam ecos e efeitos com um elevado teor revivalista, particularmente assertivos em Situations, os Highlands surpreendem igualmente com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove da guitarra que, em Go Down, procura ambientes de estádio, amplos e vincadamente etéreos, impulsionados também por uma bateria pulsante e variada que, alinhada com essas distorções agudas da guitarra, as principais pedras de toque do cenário melódico arquitetado. You Stay Up segue  essas pisadas, mas numa toada que privilegia a primazia da bateria, cheia de mudanças de ritmo, outro traço identitário do rock psicadélico, assim como alguns arranjos delicados feitos com metais quase impercetiveis.

If The Universe is Full Of Noise, então os Highlands terão uma importante palavra a dizer na banda sonora criada com o exclusivo propósito de demonstrar a uma qualquer entidade exterior do que os humanos são capazes de produzir de melhor no universo indie mais progressivo e psicadélico. Espero que aprecies a sugestão...

Highlands - Dark Matter Traveler

01. Show Me
02. Onto You
03. Beauty
04. Daylight Station
05. I Know
06. Connections
07. Situations
08. Your Let Down
09. Go Down
10. You Stay Up

 


autor stipe07 às 23:03
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Meatbodies - Tremmors

MeatBodies_CoverArt

Natural de Los Angeles, na Califórnia, o norte americano Chad Ubovich tem-se destacado como baixista e guitarrista na banda de Mikal Cronin e como baixista nos FUZZ, um dos projetos do inconfundível Ty Segall. No entanto, ele também tem a sua própria banda; Chamam-se Meatbodies e no próximo dia catorze de outubro vão lançar um longa duração homónimo, através da insuspeita In The Red.

Tremmors é o primeiro avanço divulgado desse disco que a editora já teve a amabilidade de enviar para a nossa redação, uma canção potente e visceral, que denota a capacidade inaudita que estes Meatbodies possuem para apresentar um indie rock progressivo, com um forte pendor shoegaze e psicadélico, uma verdadeira viagem lisérgica assente numa espécie de cruzamento feliz entre os Led Zeppelin e os The Flaming Lips. Confere...


autor stipe07 às 09:28
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Childhood – Lacuna

Formado por Ben Romans Hopcraft, Leo Dobsen, Daniel Salamons e Jonny Williams e oriundo de Londres, o coletivo britânico Childhood acaba de se estrear nos discos com Lacuna, um trabalho produzido por Dan Carey e que viu a luz do dia por intermédio da Marathon Artists.

Childhood é um daqueles projetos que aposta numa veia sonora algo instável e experimental, uma espécie de eletropsicadelismo assente numa pop de cariz eletrónico que, neste caso, parece viver mergulhada num mundo controlado por sintetizadores, que criam melodias que passeiam pelo mundo dos sonhos. As próprias letras que os Childhood escrevem dançam nos nossos ouvidos e a voz de Leo, um dos destaques do projeto, cresce, música após música, num misto de euforia, subtileza e entrega.

De cariz eminentemente nostálgico, mas que não coloca de lado um ambiente bastante animado e festivo, Lacuna é um disco com o qual criamos facilmente empatia, já que desperta sensações apelativas, relacionadas com eventos passados que nos marcaram, despertando em nós aquelas referências pessoais que nunca nos deixam. Tendo em conta esta constatação fantástica e até literal, o disco poderá acabar por parecer a banda sonora de um conto infantil que poderia ser ilustrado pela mesma capa de cores exageradas e pelo traço pueril que guarda a rodela. No entanto, uma audição atenta mostra-nos que este passeio por um universo feito de exaltações melancólicas nada mais é do que um retrato sombrio, mas sonoramente épico e luminoso, do tantas vezes estranho quotidiano que sustenta a vida adulta. Em onze canções onde há um certo clima circense e uma evidente psicadelia pop que lida com as orquestrações lo fi, o amor, mas também a solidão ou o abandono, servem como assunto, estes últimos conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade.

Uma das ideias que mais me absorveu durante a audição dos Lacuna foi uma certamente consciente vontade dos Childhood em soarem genuínos e apresentarem algo de inovador; Em alguns instantes desta obra, como nos ruídos sintéticos de You Could Be Different, nos ritmos das roqueiras Sweet Preacher e When You Rise, a última fortemente progressiva e na melancolia de As I Am ou do single épico Falls Away, a banda faz algo inovador e diferente, e Tides e Solemn Skies ampliam esta quase obsessiva vontade dos Childhood em se afastarem das habituais referências que suportam o edifício comercial do universo sonoro indie, para flutuarem entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto e melodias ascendentes e alegres. Esta fórmula faz de Lacuna uma obra prima fortemente sentimental e capaz de abarcar um cardápio instrumental bastante diversificado, que prova que os Childhood entraram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, seja eletrónico ou acústico e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas.

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, através dessa fórmula acima descrita feita com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no tal eletropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise


autor stipe07 às 19:21
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Stardeath And White Dwarfs – Wastoid

Os Stardeath and White Dwarfs de Dennis Coyne, Matt Duckworth, Casey Joseph e Ford Chastain estão de regresso aos discos com Wastoid, um trabalho que tem o selo da insuspeita Federal Prism e que sucede ao aclamado Playing Hide and Seek With the Ghosts of Dawn (2012). Oriundos de Oklahoma e liderados por Dennis Coyne, sobrinho de Wayne Coyne, o lider dos The Flaming Lips, os Stardeath and White Dwarfs seguem, neste Wastoid, o terceiro disco do grupo, por caminhos tão experimentais quanto os trabalhos antecessores do grupo.


Com a participação especial dos próprios The Flaming Lips em Screaming e dos New Fumes e Chrome Pony em várias canções, Wastoid amplia ainda mais o clima lisérgico de uma banda que além de possuir um dos nomes mais intrigantes e originais do universo indie, aborda como muitas poucas o rock alternativo e a eletrónica, através de uma amálgama sonora com um forte pendor experimental.

Cada nova canção ou disco destes Stardeath and White Dwarfs alimenta, inevitavelmente, comparações entre essas novas propostas e o que os The Flaming Lips têm apresentado. Wayne Coyne tem estado bastante ativo e ultimamente, tanto no seu projeto alternativo Electric Würms, onde dá as mãos a Stephen Drodz e nos Lips, que atualmente estão a desenvolver um disco de tributo ao clássico Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos The Beatles, à semelhança do que fizeram há agum tempo, com a ajuda dos próprios Stardeath and White Dwarfs, com o Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd (The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon), mantém-se no trilho aventureiro de um experimentalismo ousado e que parece não conhecer tabús ou fronteiras. Wastoid acompanha essa bitola, o sobrinho calcorreira o mesmo percurso do tio e este caminho paralelo tem um estilo bem definido, com o reverb e as distorções a serem a regra fundamental de todo o processo de composição melódica.

Conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os Stardeath And White Dwarfs são exímios na forma como criam composições que, apesar da rugusidade dos arranjos e do tom sombrio das cordas e dos efeitos, não deixam de ter um elevado cariz atmosférico, muitas vezes com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental, sendo depois tudo dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Wastoid está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.

Ao tentar separar-se um pouco o trigo do joio, percebe-se que a mistura entre o rock alternativo e a eletrónica faz-se num caldeirão onde cabem vários subgéneros do rock e da pop, com o blues e a folk à cabeça; Se canções como Luminous Veil, assentam num folk rock desacelerado, a canção homónimoa do disco cheira a blues por todos os poros e depois temas como Birds of War e a tal The Screaming, que conta com a ajuda dos The Flaming Lips, contêm alguns dos mais elementares detalhes da pop, onde também não falta a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock, sendo Frequency um tema exemplar para a perceção desta apenas aparente ambivalência.

Uma das virtudes e encantos deste grupo de Oklahoma parece ser a capacidade de criarem canções algo desfasadas do tempo real, quase sempre relacionadas com um tempo futuro. Escutar Wastoid leva-nos a imaginar cenários e universos paralelos, através de uma permissa temporal algo esotérica, mas este parece ser também um trabalho muito terreno, porque fala imenso do amor, do abandono e dos problemas existencias típicos no seio de uma família vulgar de quem está prestes a entrar na vida adulta. A poesia dos Stardeath And White Dwarfs é algo metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos.

Com tanto a unir os parentes Coyne, o único ponto de divergência é que se ao décimo terceiro disco, em The Terror, o último registo de originais dos The Flaming Lips, eles viviam no olho do furacão de uma encruzilhada sonora que, diga-se, superaram, na minha opinião, com distinção, estes Stardeath and White Dwarfs parecem ainda muito longe de querer apontar agulhas para outros caminhos, o que, tendo em conta o conteúdo de Wastoid, naturalmente se saúda. Espero que aprecies a sugestão...

Stardeath And White Dwarfs - Wastoid

01. The Chrome Children
02. Frequency
03. Hate Me Tomorrow
04. Wastoid
05. Birds Of War
06. All Your Friends
07. The Screaming
08. Luminous Veil
09. Guess I’ll Be Okay
10. Sleeping Pills And Ginger Ale
11. Surprised


autor stipe07 às 21:44
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Booby Trap - Calem-se Já!

Os Aveirenses Booby Trap acabam de mostrar ao mundo o novo vídeo da banda. Calem-se Já!, um dos temas de Survival, o mais recente registo de originais desta banda e que divulguei no início do ano,  é a canção que foi colocada em filme, um trabalho que, de acordo com a banda, foi feito com muito amor, suor, Super Bock e moscatel.

O vídeo foi filmado e realizado por Nuno Marques Videojunk e, ainda de acordo com os Booby Trap, contou com um orçamento absurdo de 25€ , sem contar com a cerveja e o moscatel. Confere...


autor stipe07 às 17:46
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Deerhoof - Exit Only

Os Deerhoof são uma banda rock de São Francisco, formada por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier e estão de regresso aos discos com mais dez canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hopriffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela chama-se La Isla Bonita e vai ver a luz do dia a três de novembro através da Polyvinyl Records.

Exit Only é o primeiro tema divulgado do disco, sendo também já conhecida a tracklist. Confere...

01 Paradise Girls
02 Mirror Monster
03 Doom
04 Last Fad
05 Tiny Bubbles
06 Exit Only
07 Big House Waltz
08 God 2
09 Black Pitch
10 Oh Bummer



autor stipe07 às 17:32
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The Unicorns - Let Me Sleep

The Unicorns

Os The Unicorns reuniram-se recentemente para alguns concertos, os primeiros da última década e que incluiram alguns espetáculos de abertura para os Arcade Fire. Pelos vistos, os concertos correram tão bem que a banda decidiu gravar mais um disco.

O novo álbum dos The Unicorns chama-se Who Will Cut Our Hair When We’re Gone e inclui alguns temas bónus, nomeadamente Let Me Sleep, uma canção fantástica e que pressupõe que o novo álbum desta banda norte americana oriunda de Columbia e formada pela dupla Alden Ginger e Nick Diamonds será um verdadeiro acontecimento. Confere...


autor stipe07 às 17:13
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Interpol - Ancient Ways

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já têm praticamente pronto El Pintor, o novo disco desta banda liderada por Paul Banks. Escrito e gravado durante o ano de 2013, em Nova Iorque, cidade de onde a banda é natural, nos estúdios Electric Lady Studios & Atomic Sound, por Mr. James Brown, El Pintor foi misturado em Londres, nos Assault & Battery Studios, por Alan Moulder.

Todas as canções de El Pintor foram escritas e produzidas pelos Interpol, com Daniel Kessler à guitarra, Samuel Fogarino na bateria e Paul Banks na voz, na guitarra e, pela primeira vez, no baixo. O disco conta com as participações especiais de Brandon Curtis (The Secret Machines) nos teclados em nove canções, de Roger Joseph Manning, Jr. (Beck) nos teclados em Tidal Wave e de Rob Moose (Bon Iver) a tocar violino e viola em Twice as Hard.
O álbum chegará aos escaparates a oito de setembro por cá e no dia seguinte nos Estados Unidos da América, mas já pode ser encomendado. A banda disponibilizou no seu site um video das sessões de gravação do disco e acaba de ser divulgado Ancient Ways, mais um avanço da rodela. Confere...


autor stipe07 às 10:57
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