Domingo, 24 de Maio de 2015

LoneLady – Hinterland

Julie Campbell é LoneLady, uma magnífica voz impregnada com uma irrepreensível soul oriunda de Manchester e que se estreou nos discos em 2010 com o interessante Nerve Up. Cinco anos depois, Julie está de regresso com Hinterland e disposta a mostrar que continua a haver vida e capacidade de renovação para o bom e velho trip-hop e que a criatividade é uma mais valia para este género sonoro quando a abordagem sucede através da conjugação de diferentes referências sem deturpar a essência.

Denso, sussurrante e com o nervo à flor da pele, é assim Hinterland, um álbum luminoso e expansivo e que convida a dançar logo em Into The Cave, canção impregnada com um notável funk que só um baixo tão inspirado como aquele que conduz esta canção poderia proprocionar. A batida de Bunkerpop de mãos dadas com um ligeiro efeito reverberado na voz de LoneLady plasma a tal relação estreita entre diferentes conceitos, com aquela eletrónica tão industrial, cinzenta e melancólica como a cidade de onde a autora é oriunda a piscar o olho ao punk rock, originando uma atmosfera sonora que exala uma tremenda urbanidade e onde a herança de nomes como os Gang Of four, os Talking Heads, Tricky e os prórios Joy Division se junta com a contemporaneidade de uma Likke Li ou de Grimes. Mais adiante, no baixo minimal mas vincado e nos efeitos frenéticos, de origem sintética que ao intercalarem com a batida, clamam por um momento de êxtase que nunca chega, em (I Can See) Landscapes, e no transe melódico sempre controlado que mistura dance music com punk rock em Silvering e Red Scrap, fica carimbado o reforço desta espreitadela algo timida, mas curiosa e evidente, que LoneLady faz ao universo do indie rock mais rugoso e idílico. 

Hinterland avança com firmeza e se o tema homónimo assume-se como uma composição tipicamente pop, animada por um flash de uma guitarra exuberante, num espaço de delicioso diálogo desse efeito futurista com heranças e referências de outros tempos, já Groove It Out plasma claramente uma outra intrincada relação, desta vez entre a típica sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order, com o groove de uma guitarra que se vai deixando conduzir por típicos suspiros sensuais que só o baixo e as batidas da dub proporcionam. Quer este tema, quer a declarada essência vintage dos sons sintetizados de Flee! acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências que conjugam teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens mais comtemplativas, com a lindissima voz de LoneLady a ser mais um predicado na elevada dose de sensualidade e suavidade que exala da tonalidade de quase todas estas canções e que trazem as brisas mais aprazíveis ao ouvinte.

Hinterland não trai de forma alguma a herança do trip hop e lança mais preciosas achas para a fogueira que ilumina novas relações intimas entre eletónica, pop e punk rock. Nele, LoneLady junta o passado musical que a influencia com o presente e antevém assim o futuro próximo de parte da música eletrónica. De facto, Hinterland soou-me como algo refrescante e, ao mesmo tempo, incrivelmente retro, porque permitiu-me recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante, possibilitou-me também descobrir uma nova luz dentro do universo musical que esta autora hoje defende como poucos. Espero que aprecies a sugestão...

LoneLady - Hinterland

01. Into The Cave
02. Bunkerpop
03. Hinterland
04. Groove It Out
05. (I Can See) Landscapes
06. Silvering
07. Flee!
08. Red Scrap
09. Mortar Remembers You


autor stipe07 às 18:03
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Sábado, 23 de Maio de 2015

EELS – Royal Albert Hall

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Royal Albert Hall, uma ilustração sonora e visual viva que nos oferece de modo exemplar um magnífico concerto que a banda deu na mítica casa de espetáculos londrina que intitula o disco, a trinta de junho de 2014, nove anos depois da última passgem do grupo norte-americano por esse local. Este concerto foi o culminar de uma digressão que teve início pouco mais de um mês antes e que levou os Eels a tocarem em locais tão miticos como o Orpheum Theater em Los Angeles, o Vic Theater em Chicago, o Apollo em Nova Iorque ou o Concert Hall em Amsterdão, entre outros.

Com edição em formato CD duplo e DVD, Royal Albert Hall é um documento excelente para quem, com eu, sente necessidade de reforço periódico dos laços afetivos que unem o fã aos Eels. O conteúdo sonoro do trabalho e a própria filmagem do mesmo colocam-nos no centro do espetáculo e, principalmente, no âmago introspetivo de um Everett que gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo.

Com o concerto a revisitar alguns dos marcos fundamentais da carreria de uns Eels que usam um fato e uma gravata que vincam uma oposição clara a uma anterior digressão mais punk e eletrificada que tinha promovido o álbum Wonderful Glorious (2013) e, portanto, com um foco mais incisivo no fase mais recente onde a folk assume o protagonismo maior, há uma forte componente autobiográfica na postura da banda e de Mr. E, que se entrega genuinamente ao espetáculo e à audiência, com o respeito pelos suspiros, as palmas, os silêncios e as gargalhadas a ampliarem esse efeito, enquanto se ouve cantar sobre algumas mazelas que sempre atormentavam a vida pessoal de um músico, que aqui sai de novo de uma espécie de clausura emocional e introspetiva, para se libertar e mostrar, sem receio, a sua faceta mais rebelde e divertida, não havendo agora lugar para sentimentos obscuros e lamentações.

Com um belissimo alinhamento que respira todo o historial do grupo, um extraordinário sentido de humor onde não faltam alusões inteligentes aos Rolling Stones e aos Beatles e a fixação de Mr. E pelo orgão de tubos da sala, onde irá terminar a sua performance de modo exemplar e com versões bem escolhidas de clássicos como When You Wish Upon a Star (BSO O Pinóquio) ou Can’t Help Falling in Love With You, (Elvis Presley), Royal Albert Hall é mais uma demonstração cabal que Everett e companhia merecem elogios de um público maior do que aquele que os conhece e que produziram um compêndio de canções marcantes que deviam realmente tê-los levado mais além. Espero que aprecies a sugestão...

Eels - Royal Albert Hall

01. Where I’m At
02. When You Wish Upon A Star
03. The Morning
04. Parallels
05. Addressing The Royal Audience
06. Mansions Of Los Feliz
07. My Timing Is Off
08. A Line In The Dirt
09. Where I’m From
10. It’s A Motherfucker
11. Lockdown Hurricane
12. A Daisy Through Concrete
13. Introducing The Band
14. Grace Kelly Blues
15. Fresh Feeling
16. I Like Birds
17. My Beloved Monster
18. Gentlemen’s Choice
19. Mistakes Of My Youth / Wonderful, Glorious
20. Where I’m Going
21. I Like The Way This Is Going
22. Blinking Lights (For Me)
23. Last Stop, This Town
24. The Beginning
25. Can’t Help Falling In Love
26. Turn On Your Radio
27. Fly Swatter
28. The Sound Of Fear


autor stipe07 às 22:08
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

Slug - Ripe

Peter Brewis é o carismático líder dos Field Music, mas não deixa de se envolver em outros projetos. Além de estar a trabalhar num disco de música orquestral com Paul Smith, também tem colocou o dedo e a mente no disco de estreia dos Slug, uma banda liderada por Ian Black, o seu baixista nos Field Music e que viu a luz do dia a treze de abril através da Memphis Industries.

O indie rock barulhento, negro e sombrio, sem restrições melódicas e claramente inspirado numa apenas aparente dicotomia entre o minimalismo instrumental e a exuberância sonora que guitarras plenas de fuzz e distorção, uma bateria inebriante e um baixo vigoroso e impulsivo podem criar, são detalhes que certamente não passarão despercebidos a estes Slug na hora de compor, Os efeitos metálicos que surgem logo em Grimacing Mask, de mãos dadas com a gravidade de uma voz empolgante, andrógena e sentida, ampliam a segurança e o atrevimento destes Slug e com Cockeyed Rabbit Wrapped In Plastic, dois minutos de punk rock progressivo de primeira água, com uma toada funk particularmente inédita, uma canção que soa tão estranha e igualmente criativa como a imagem do single, atestam definitivamente o pedigree dos músicos envolvidos neste projeto que tamvém contém uma forte componente cinematográfica, com os Slug a confessarem a influência de algumas bandas sonoras para o conteúdo de Ripe.

O disco promete emoções fortes enquanto plasma diferentes possibilidades sonoras e claras virtudes técnicas que comprovam o elevado grau de virtuosismo dos Slug. Neste último aspeto há que destacar a beleza do piano de Peng Peng e o modo como os restantes instrumentos de cordas e sopro vaõ surgindo, de modo progressivo, sem ofuscarem o protagonismo do teclado, a conexão íntima entre voz e percussão no instrumental ambiental e relaxante Weight Of Violence e o modo como a sensual, angulosa e pastiche Running To Get Past Your Heart sobrevive com apenas uma simples linha de baixo com três notas, tendo sido gravada com os bongos e bateria captadas com microfones de vozes.

Sendo estes momentos acima referidos verdadeiramente extraordinários, mesmo assim não há como não deixar passar em claro o modo como a leve e psicotrópica Sha La La brilha enquanto abraça uma estranha relação entre a pop psicadélica e o r&b à boleia de majestosos trompetes e uma bateria cheia de detalhes e o modo como Eggs and Eyes e Greasy Mind piscam o olho à luxúria pop dos saudosos anos oitenta. E se Kill Your Darling é a banda sonora perfeita para um clássico de terror de baixo orçamento, Shake Your Loose Teeth é um portento sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, que nos oferece um cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto, uma parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo com um forte sentido melódico e uma certa essência pop.

Ripe é um meticuloso exercício de corte, colagem, costura e montagem de um vasto mapa de influências, oferecido por uma banda que se sente particularmente confortável ao aventurar-se por ambientes essencialmente orgânicos, minimais e crus, mas que possui uma visão do rock claramente alternativa, experimental, aberta e livre de restrições comerciais, acabando esta estreia por ser uma excelente fusão do melhor destes dois mundos e uma sublime rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Slug se sentam com um conforto e um à vontade incomuns. Espero que aprecies a sugestão...

Grimacing Mask
Cockeyed Rabbit Wrapped in Plastic
Sha La la
Eggs and Eyes
Greasy Mind
Shake Your Loose Teeth
Weight of Violence
Running To Get Past Your Heart
Peng Peng
Kill Your Darlings
At Least Show That You Care


autor stipe07 às 18:55
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Quinta-feira, 21 de Maio de 2015

They Might Be Giants – Glean

Lançado no passado dia vinte e um de abril por intermédio da Idlewild/Lojinx, Glean é, imagine-se, o décimo sétimo álbum da carreira dos They Might Be Giants, uma mítica banda norte americana, oriunda da big apple e atualmente formada por John Flansburgh, John Linnell, Dan Miller, Danny Weinkauf e Marty Beller. Este disco tem a particularidade de ter no seu alinhamento vários temas que se inserem numa iniciativa da banda chamada Dial-A-Song Project, que teve início já na decada de oitenta e terminou em 2008, sobrevivendo apenas na internet. Este recurso permite ligarmos para um número de telefone que nos oferece a audição de um tema da banda com Glean e conter uma base de canções regularmente partilhadas com os visitantes.

Com quinze canções que se estendem por pouco mais de meia hora, Glean é um exercício poético de muitos contrastes, um pouco à imagem do indefinível e sedutor vídeo da canção de End of the Rope e impressiona pela viagem divertida e ligeira que oferece ao ouvinte, até um amplo espetro sonoro que se estende entre a pop luminosa da Answer, ou a mais lamechas de Madam, I Challenge You To A Duel e o rock alternativo de I Can Help The Next In Line, sem descurar alguns aspetos essenciais do punk rock, claramente esplanados em Erase, mas também daquela folk blues sulista que Good To Be Alive replica com um acerto e uma luminosidade invulgares. E, qual cereja no topo do bolo desta alegoria pop, também não falta um trajeto curioso de cariz mais eletrónico, patente em All The Lazy Boyfriends e Unpronounceable.

Mas do frenesim rock de Aaa, à psicadelia de I'm a Coward, passando pelo rock mais progressivo de Underwater Woman, não faltam outros piscares de olho a toda a herança não só da própria banda como da história do rock nas últimas décadas, havendo até espaço para uma interessante referência à música francesa dos anos vinte em Let Me Tell You About My Operation, com o sarcasmo e o humor que tão bem carateriza a dupla que lidera este projeto. Estas sonoridades mais clássicas não se esgotam nesse instante, podendo ser novamente conferidas não só no mirabolante tema homónimo, mas principalmente, no modo como o jazz e o blues se fundem à boleia da dança que o piano, o trompete e a bateria estabelecem em Music Jail, Pt. 1 And 2.

Se analisarmos com distanciamento e amplitude a história do universo indie, facilmente chegaremos à conclusão que os They Might Be Giants são um grupo de músicos com um vasto conhecimento das bases do indie rock e um dos nomes essenciais deste universo cultural sonoro das últimas duas décadas. E merecem amplo destaque porque conseguiram sempre ser originais, dentro do quadro musical que faz parte do ADN da banda e que se sustenta na busca de sonoridades estranhas, bizarras e inovadoras. Glean é mais uma prova concerta da excentricidade deste grupo, da rara graça como combinam e manipulam, com sentido melódico e lúdico, a estrutura de uma canção, no fundo, um esforço indisciplinado, infantil e claramente emocional, mas bem sucedido de se manterem à tona de água na lista das bandas imprescindíveis para contar a história contemporânea do rock alternativo. Os They Might Be Giants não perderam a capacidade de escrever belas canções no universo das coisas estranhas que fazem apenas parte do mundo da dupla que lidera o grupo e demonstram essa virtude de modo cativante e com uma salutar criatividade e elevada imaginação. Espero que aprecies a sugestão...

They Might Be Giants - Glean

01. Erase
02. Good To Be Alive
03. Underwater Woman
04. Music Jail, Pt. 1 And 2
05. Answer
06. I Can Help The Next In Line
07. Madam, I Challenge You To A Duel
08. End Of The Rope
09. All The Lazy Boyfriends
10. Unpronounceable
11. Hate The Villanelle
12. I’m A Coward
13. Aaa
14. Let Me Tell You About My Operation
15. Glean


autor stipe07 às 22:28
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2015

Surfer Blood - 1000 Palms

Os Surfer Blood são uma banda de surf rock natural de West Palm Beach, na Flórida, formada por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Thom Fekete e Kevin Williams. Impressionaram esta publicação há cerca de dois anos com Pythons, o segundo longa duração do grupo. No passado dia doze chegou aos escaparates 1000 Palms, o sucessor de Pythons, uma nova coleção de canções destes Surfer Blood sedentos e claramente felizes no modo como piscam o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, fazendo-o com uma particular relevância comercial que tem aproximado o quarteto de um número cada vez maior de ouvintes. Na verdade, logo desde o início de 1000 Palms, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Grand Inquisitor à nostalgia ensolarada de Island, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em I Can't Explain, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários.

Além desta ampla miríade de influências que fundamentam o seu cardápio sonoro, um dos grandes trunfos destes Surfer Blood é, sem sombra de dúvida, a voz de John Pitts, um importante factor para essa aproximação com o ouvinte já que, melodicamente, decide a maioria dos rumos sonoros que as diferentes canções têm, mesmo que abundem várias camadas de distorção nos alicerces das mesmas. Seja como for e apesar da tal importância da voz, as guitarras são um dos principais atributos de 1000 Palms e imprescindíveis para o seu dinamismo. Tocadas por Thom Fekete e pelo também vocalista John Paul Pitts, são extremamente criativas e dão-nos melodias únicas, com destaque para Sabre-Tooth And Bone e a já citada I Can't Explain; Se a primeira dissolve-se uniformemente em acordes muito precisos, mesmo que os efeitos alternem entre o rugoso e o luminoso, a segunda cresce num solo que nos leva, ainda que levemente, até à psicadelia, conferindo a tal toada progressiva referida. Já Covered Wagons conduz o registo das cordas para uma toada mais pop e os vários blocos de distorção de Dorian aproximam claramente o quarteto da essência de Slow Six, o primeiro disco e claramente o mais cru ate à data.

Novamente afastados de grandes editoras e de regresso ao circuito comercial independente depois de terem editado Pythons à sombra da Warner Bros. e, talvez por isso, libertos de algumas amarras editoriais, os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e, como mostra, por exemplo, Other Desert Cities, instantes de notável esplendor e júbilo. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - 1000 Palms

01. Grand Inquisitor
02. Island
03. I Can’t Explain
04. Feast/Famine
05. Point Of No Return
06. Sabre-Tooth And Bone
07. Covered Wagons
08. Dorian
09. Into Catacombs
10. Other Desert Cities
11. NW Passage


autor stipe07 às 21:45
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The Bats Pajamas - Witch Way

Oriundos de Toronto, os The Bats Pajamas mais uma forte aposta da texana Fleeting Yourh Records, de Ryan M. e preparam-se para a estreia nos discos a vinte e seis de maio com Hello, um trabalho gravado em poucos dias no quarto de um elemento da banda e que será editado em formato cassete e digital.

Depois de terem divulgado Wrong House, o primeiro avanço de Hello, agora chegou a vez de disponibilizarem Witch Way, mais uma canção conduzida por guitarras plenas de distorção e que firmam o indie rock rugoso, cru, intenso e vibrante que faz parte do adn destes The Bats Pajamas, onde também sobressai uma voz que pula em poucos segundos de uma postura grave e acessível, para um registo ruidoso e particularmente enraivecido, ampliado por um curioso efeito em eco. Confere...


autor stipe07 às 21:37
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Terça-feira, 19 de Maio de 2015

Balthazar – Thin Walls

Três anos após o aclamado Rats, os belgas Balthazar estão de regresso com Thin Walls, um disco que viu a luz do dia a trinta de março através da etiqueta Play It Again SamThin Walls foi gravado em Inglaterra, nos estúdios Yellow Fish Studios, com o apoio de Ben Hillier (Blur, Depeche Mode, Elbow) e Jason Cox (Massive Attack, Gorillaz).

Mais autêntico e selvagem do que qualquer um dos trabalhos anteriores dos Balthazar, que sempre tiveram uma preocupação clara em seguir determinados cânones e regras pré-estabelecidas, quase sempre por eles próprios, como se estivessem plenamente convencidos que existe um caminho bem balizado rumo ao estrelato e ao sucesso comercial, Thin Walls é um marco de ruptura com esse passado, um compêndio sonoro que exala uma elevada maturidade, quer melódica quer instrumental e um acerto criativo superior a qualquer registo anterior deste grupo belga.

Escrito na ressaca da extensa digressão de promoção a Rats, este terceiro trabalho dos Balthazar reflete o corropio que a banda viveu durante vários meses e a necessidade que todos sentiram de se libertar dessas amarras e das rotinas desgastantes que a vida na estrada tantas vezes oferece, para comporem novas canções que renovassem não só o cardápio da banda, mas que representassem igualmente um salto em frente na carreira e na digestão emocional dos cinco elementos do grupo relativamente aquilo que a música enquanto atividade profissional tem provocado na dimensão pessoal de cada um. Dirty Love expressa claramente todo o transtorno emocional que uma digressão proporciona e que muitas vezes resulta no fim do amor e Then What, o primeiro avanço divulgado do disco, é uma canção que fala de alguém que está completamente dominado por esse mesmo amor que sente por alguém, ao ponto de perceber que a sua felicidade deixou de depender de si próprio e que não lhe resta outra saída senão aprender a lidar com essa nova realidade. Estes acabam por ser dois exemplos claros desta clara manifestação de novos interesses e da busca de uma maior pureza sentimental, sem olhar propriamente aquilo que o ouvinte à partida espera de um grupo capaz de agradar às massas.

Ao longo do alinhamento, canções como a emotiva Bunker ou a perturbadora e amarga I Looked For You são outras notáveis composições que demonstram o modo coerente e apaixonado como os Balthazar funcionam enquanto corpo único e como catalizaram toda a energia que foram reprimindo ao longo do tempo em que escreveram e compuseram presos às tais amarras, para apresentarem em Thin Walls excelentes e convincentes músicas que são prova de uma notável auto confiança, uma tremenda experiência e acerto interpretativos e, principalmente, temas que transbordam uma salutar melancolia, que consegue tocar mesmo em quem se considera menos propenso ou mais resistente ao arrepio fácil. Espero que aprecies a sugestão...

Balthazar - Thin Walls

01. Decency
02. Then What
03. Nightclub
04. Bunker
05. Wait Any Longer
06. Dirty Love
07. Last Call
08. I Looked For You
09. So Easy
10. True Love


autor stipe07 às 22:06
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Stereophonics – C’est La Vie

Stereophonics - C'est La Vie

Os galeses Stereophonics estão de regresso aos discos em 2015 com Keep The Village Alive, um trabalho cujo alinhamento de dez canções podes conferir abaixo e que vai ver a luz do dia a onze de setembro, sucedendo a Graffitti On The Wall (2013).

C'est La Vie é o primeiro avanço divulgado de Keep The Village Alive, um tema que já tem direito a um original vídeo que mostra um grupo de jovens numa festa bastante animada e regada e que tem como principais protagonistas os atores Aneurin Barnard, Matthew Aubrey e Antonia Thomas, esta última conhecida pela série Misfits. Confere...

1. C'est La Vie
2. White Lies
3. Sing Little Sister
4. I Wanna Get Lost With You
5. Song For The Summer
6. Fight Or Flight
7. My Hero
8. Sunny
9. Into The World
10. Mr And Mrs Smith


autor stipe07 às 13:25
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

Tape Junk - Tape Junk

O projeto TAPE JUNk encabeçado por João Correia e ao qua se juntam Joaquim Francisco, Nuno Lucas e António Vasconcelos está de regresso com um trabalho homónimo, gravado durante três dias no Alvito no verão passado, sob um sol abrasador, num oito pistas instalado no sotão de Luis Nunes (Walter Benjamim), que também produziu o disco. Apesar de ser o segundo da carreira da banda, TAPE JUNk é uma espécie de recomeço para o quarteto e um verdadeiro disco de banda, já que, ao contrário de The Good and The Mean (2013), um quase registo a solo, é um trabalho mais direto e crú, com um alinhamento bastante espontâneo, já que metade do mesmo nunca tinha sido tocado pela banda antes e a outra metade foi gravada com os arranjos utilizados ao vivo e registado sem qualquer isolamento dos instrumentos, uma receita que imprimiu uma particular energia e espontaneidade às gravações, próxima do que os TAPE JUNk costumam preconizar ao vivo.

O tempo do João Correia é, certamente uma sucessão de algumas rotinas, uma significativa quantidade de banalidades e depois, um interessante conjunto de eventos inspiradores, que lhe provocam sentimentos e sensações únicas que encontra na música, mesmo inconscientemente a melhor forma de expressar, apesar de não apreciar particularmente levar-se demasiado a sério, como personagem deste quotidiano em que todos nos movemos. E este homónimo dos TAPE JUNk plasma, com notável nitidez essa personificação de soalheiras aventuras sonoras, algumas delas com um elevado pendor pessoal e intimista, onde não falta um confessado humor negro, e outras a sobreviverem à custa do nonsense, com Thumb Sucking Generation a ser, claramente, um exemplo claro desta despreocupação e deste desejo pessoal que os TAPE JUNk sentem, na pessoa do João Correia, de não serem levados demasiado a séra no que concerne à escrita das canções. Seja como for, não se pense que neste trabalho é impossível encontrar um aconchego para as nossas mágoas ou um incentivo ao despertar aquilo que de melhor guardamos dentro de nós; The Left Side Of My Bed ou Me and My Gin são dois exemplos do modo assertivo como os TAPE JUNk conseguem, utilizando uma linguagem sonora e lírica simples e, simultaneamente, intensa e profunda, falar de situações do quotidiano com as quais facilmente nos identificamos, duas músicas que podem ser um excelente veículo para o reavivar de algumas memórias que estão um pouco na penumbra e que nos confortam o ego quando delas nos recordamos.

Banda de palco e com uma notável reputação nesse campo, os TAPE JUNk são uma típica banda rock que assenta a sua sonoriade em guitarras que replicam melodias contagiantes e que exalam uma sensação de comptempraenidade que pode surgir nas notas mais delicadas, até quando elas estão num modo particularmente explosivo, nos efeitos selecionados ou nos arranjos simples, mas bastante criativos, onde não faltam peculaires variações de ritmo e uma saudável sensação de crueza e ingenuidade ou então, no modo como as vozes se alternam e se sobrepôem em camadas, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que claramente se chama de som de banda.

Pavement, Giant Sand, Stooges, Rolling Stones ou Velvet Underground são influências assumidas e declaradas, mas quem vence é aquel rock clássico e intemporal que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, luminosos e flutuantes e vozes deslumbrantes. E os TAPE JUNk provam que não é preciso ser demasiado complicado e criar sons e melodias intrincadas. Consegui-lo é ser-se agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e este quarteto sujeita-se seriamente a obter tal desiderato, já que usou a fórmula correcta, feita com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita que muitas vezes existe no universo musical para demonstrar uma formatação adulta e a capacidade de se reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que uma banda se insere.

TAPE JUNk é um álbum rock poderoso mas extremamente divertido, sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, num disco sem cantos escuros. Confere, já de seguida, a entrevista que o João Correia concedeu a este blogue sobre o disco e espero que aprecies a sugestão...

1 - Substance
2 - Bag of Bones
3 - Scratch and Bite
4 - Six String and the Booze
5 - Joyful Song
6 - Me and My Gin
7 - All My Money Ran Out
8 - The Left Side of the Bed
9 - Thumb Sucking Generation

Ao contrário de The Good And The Mean, disco sobre o qual conversámos e onde o João Correia tomou conta de grande parte da ocorrência, já lá vão quase dois anos, este vosso novo trabalho, um homónimo, resulta da interacção directa entre todos os elementos do grupo. Quais são as grandes diferenças entre os dois álbuns?

O primeiro disco foi uma experiência. Não fazia ideia do que ia fazer com aquilo. Felizmente foi bem recebido e surgiram concertos e montámos uma banda. Podia ter sido apenas um registo daquela altura e das músicas que escrevi e de como me apeteceu gravá-las na altura. Nunca foi pensado como o primeiro disco de uma banda. Os anos passaram, demos muitos concertos e encontrámos a nossa sonoridade. Acho que foi um processo óbvio e muito natural. Este novo disco teve um processo de gravação completamente diferente. Agora é sim um disco de uma banda. O segundo de Tape Junk mas o primeiro da banda. E eu quis que fosse um disco espontâneo e até ingénuo como a maior parte dos primeiros discos das bandas de que gosto. 

Este disco foi feito como se fosse um gathering de amigos. Fez-me lembrar quando era puto e gravava com os meus primos nas férias do Verão, na altura para um 4 pistas. Os anos passaram e duplicaram-se as pistas. Os junks não são primos de sangue mas somos todos família.

Pelos vistos a gravação do disco foi uma grande experiência, muito crua, espontânea e direta. Praticamente metade do alinhamento nunca tinha sido tocado pela banda antes e a outra metade foi gravada com os arranjos utilizados ao vivo. Como foram esses dias frenéticos no Alvito?

Passamos os dias a lutar contra um calor abrasador...Mas não abdicámos, é claro,de belos repastos, bom vinho e aguardente caseira ( como menciona a Valéria ). Tratámo-nos muito bem. Todos os dias acordávamos bem cedo e passávamos os dias a tocar no sotão do Luís Nunes. Os takes foram gravados para um Tascam 8 pistas de fita.

As bases instrumentais do disco foram gravadas live e sem isolamento dos instrumentos. Ou seja, cada instrumento tem uma soma sonora dos outros. Há quem defenda que isso é ruído e que "estraga" o som... Eu acho que isso é música. Gravámos umas quantas canções como já as tocávamos ao vivo e entretanto acrescentámos umas quantas que nunca tinham sido tocadas. E essas acabaram por ser algumas das mais importantes do disco, na minha opinião. O "Thumb Sucking Generation", "Six String and the Booze", o "Substance" (que nem uma maquete manhosa tinha) são dos temas que mais definem o álbum e não os conheciamos bem antes de irmos para as gravações. É como quando fazes uma música nova e gravas uma demo, ouves tudo e pensas : "isto está muita fixe!" ou então "em que raio é que eu estava a pensar quando escrevi isto!". Quando gosto da demo até tenho medo de gravar a música em estúdio depois, fica sempre pior. Pensas demais sobre aquilo e a espontaneidade desaparece. Aqui não houve sequer tempo para isso acontecer. Foi um disco em que corremos riscos, umas coisas correram bem, outras não. E ainda bem que assim foi.

As guitarras parecem-me ser o grande fio condutor das canções e, na minha opinião, um dos vossos maiores atributos é a forma simples e direta, sem grandes rodeios ou floreados desnecessários, como apresentam a vossa visão sonora do formato canção, como peças sonoras que, à exceção de ThumbSucking Generation, se esfumam mais depressa que um cigarro, mas que não deixam ninguém indiferente, já que prendem e ficam facilmente na memória. No que concerne às opções que definem para a vossa música, nomeadamente durante o processo criativo, como funcionam como banda?

Normalmente tenho uma demo das músicas gravadas com guitarra acustica e voz. Depois junto-me com o António e gravamos as ideias para as partes de cada instrumento. Depois tocamos todos juntos decidimos o que cada um faz. Eu gosto de manter as coisas muito simples em Tape Junk. Não procuro um som novo e não me preocupa a questão da banda vir a ter sucesso ou não. A ideia deste grupo é escrever canções, tocá-las juntos e partilhar o que fazemos com as pessoas que nos querem ouvir. Escrevo canções em casa quando elas surgem e ambiciono escrevê-las cada vez melhor. Os arranjos nesta banda estão em segundo plano. Têm de ser muito naturais e respeitar o flow da canção. Acho que cada banda tem a sua função. A nossa, para já, é keep it simple. Quero que se ouça pessoas a tocar neste disco. E nós somos pessoas simples.

E como foi trabalhar com o Luis Nunes aka Walter Benjamim, um músico extraordinário que também já foi destaque por cá algumas vezes?

O Luis é um grande amigo e já trabalho com ele há muitos anos. Quis gravar com ele porque já sabia que ele não gostava nada da sonoridade e arranjos do primeiro disco e achei que ele era a pessoa certa para gravar este porque eu queria fazer algo que distanciasse os dois. Para além de gravar também produziu. Fez-me a proposta de gravar tudo num oito pistas no sótão dele em Alvito. Adorei a ideia e lá fomos nós.

Logo na primeira música que gravámos percebi que não ia ser fácil... Fizémos uns dez takes do "All my money ran out" e cada vez que chegávamos ao fim ele dizia "mais um". Depois punha a fita para trás e ficavamos os cinco em silêncio. Optamos por mudar de música e eu pensei que as coisas podiam correr mal porque nunca tinhamos gravado assim juntos. Estivemos umas três horas para nos adaptarmos ao processo...

O Luís e eu somos como irmãos e passamos o tempo todo a discutir cada vez que estamos sob pressão. É hilariante! Eu sou sempre pessimista, ele não. Esse caos é perfeito para mim, odeio quando está tudo muito organizado e no sítio quando tem a ver com Tape Junk. Quando acabámos de gravar tudo no terceiro dia fomos ouvir o disco ainda muito em bruto. Deviam ser umas 4h da manhã e tinhamos passado os dias a gravar e eu disse : ok, foi trabalho em vão, estas músicas juntas não fazem sentido nenhum. O Luís fez um alinhamento em 20 segundos e pôs no play e disse algo como foda-se, és tão chato, meu. Cala-te e ouve as músicas. Eu calei-me e ouvi. Esse alinhamento ficou o do disco, nunca mais se mexeu.Trabalhar com o Luís é altamente.

Tape Junk é um festivo e animado compêndio de indie rock, que apenas abranda um pouco em Me And My Gin, um dos meus temas preferidos do disco e em The Left Side Of The Bed. Fiquei curioso… O gin é a bebida oficial dos TAPE JUNk? Qual é a temática desta canção?

Hahaha nada disso... Se fosse acerca da bebida de eleição seria "Me and my whiskey" mas soava muito mal. Escrevi essa letra no balcão do Roterdão no Cais do Sodré enquanto falava com um amigo meu. Passado uns dias vi que tinha a letra nas notas do telefone e arranjei a coisa e escrevi a música. Esta é das poucas em que a letra surgiu antes da música.

Escrevi isso na altura do primeiro disco quando andava sempre bêbado. Quando estás assim achas que não consegues fazer nada sem beber um copo antes. É uma idiotice. A música é completamente bipolar porque salta de versos sérios para versos completamente idiotas. É das minhas preferidas do disco.

Continuando a abordar a questão das letras, as relações amorosas e a complexidade que envolvem, que exigem um constante (des)acerto para funcionarem, pareceu-me ser uma ideia muito latente no disco e em particular em Joyful Song eThe Left Side Of The Bed. Esta minha percepção faz algum sentido? O que mais inspira a vossa escrita?

Neste disco acho que não me levo a sério demais na escritas das canções. Existem letras no outro disco que agora me acompanham e nem sempre as quero cantar. São muito pessoais. Depois tenho de tocar a mesma música vezes sem conta e já não sinto o que sentia e parece que estou a "vender" um sentimento falso. Neste disco tenho pouca coisa pessoal e tenho mais humor negro nas músicas, se calhar. Também tenho letras como o Thumb Sucking Generation que não interessam para nada... está lá porque tinha de dizer algo e nem me lembro quando nem porque escrevi aquilo. O importante é a música nesse caso. E o nonsense também me atrai na verdade. Quanto à inspiração, acho que escreves coisas melhores quando não estás bem. Quando não escreves uma música porque queres, mas escreves porque tem de ser. O "Left side of the bed" foi um desses casos. As coisas mudaram depois de escrever essa música. Fechei um ciclo de canções de amor depressivas... Depois dessa e do "Me and my gin" surgiu o resto do disco que tem uma linha muito mais leve do que o anterior. Mas misery loves company e toda a gente gosta de ouvir alguém a cantar coisas depressivas, não é? Isso é um bocado chato para um escritor de canções mas eu próprio não me levo tão a sério quando não escrevo sobre coisas viscerais e trágicas. O refrão do "Substance" ridiculariza precisamente esta questão.

O primeiro single do disco é Six String and The Booze e já foi divulgado o vídeo, por sinal bastante divertido e muito bem idealizado. Quem merece os créditos por esse excelente trabalho?

Tive a ideia de ter um vídeo com um casal em que a mulher era contorcionista. Mas faltava-me organizar a ideia e ter uma história interessante. O realizador Pedro Pinto, com quem tinha trabalhado no "Live at 15A" de Julie & The Carjackers agarrou a ideia e fez este mockumentary incrível. Achei a ideia genial. Deu muito trabalho, passámos semanas a fio para juntar a equipa, planear tudo e fazer o vídeo em dois dias com um budget muito reduzido. O Pedro é muito talentoso, hard worker e super profissional. No próprio video estão os créditos de toda a equipa. Foram todos incríveis.

Os TAPE JUNk fazem agora parte da família Pataca Discos. Qual é a sensação?

Eu sinto que estou na Pataca desde que gravei o "Dá" da Márcia. Desde então que tenho estado sempre ligado à editora. Julie & The Carjackers, Walter Benjamin, Bruno Pernadas, They're Heading West são bandas/artistas com quem toco e que fazem parte da Pataca. O João Paulo Feliciano só edita o que gosta muito por isso estava com algum receio das demos que lhe mostrei... Ouvimos as músicas os dois com o Luís Nunes e de cerca de vinte, eles aproveitaram umas oito e mandaram-me vir para casa escrever mais. Só depois disso é que houve certeza que estava ali um disco e entrámos para a Pataca Discos muito contentes.

Como está a correr a promoção do disco? Onde será possível ver os TAPE JUNk a tocar num futuro próximo?

Para já só posso anunciar o Festival Lá Fora em Évora, Festival Med e Nos Alive.

Para terminar apenas outra curiosidade… Quem é a Valéria?

Qual Valéria?! Valéria... Humm... Nome bonito mas não sei do que falas...

( Obrigado pela entrevista, gostei muito das tuas perguntas. João )


autor stipe07 às 19:33
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Domingo, 17 de Maio de 2015

Other Lives - Rituals

Os norte americanos Other Lives de Jesse Tabish (piano, guitarra, voz) Jonathon Mooney (piano, violino, guitarra, percussão, trompete) e Josh Onstott (baixo, teclados, percussão, guitarra, voz) acabam de quebrar um hiato algo prolongado, já que a sua última edição discográfica tinha sido um EP em meados de 2012 e um longa duração em 2011. Rituals é o novo disco desta banda de Oklahoma e chegou aos escaparates no início de maio, catorze canções que afastam de uma vez o estigma predominantemente folk deste projeto, projetando o trio para um universo sonoro bastante mais dinâmico e expansivo, onde melodias florescentes convivem lado a lado, com enorme frequência, com uma percussão imaculada e exuberante.

Rituals é para ser escutado com devoção e um bom par de auscultadores e isso percebe-se logo em Fair Weather, uma canção intensa e imponente, cheia de preciosos detalhes, que incluem sopros, teclas e metais, além de vários samples de sons naturais. Logo depois, o sintetizador atmosférico de Pattern oferece-nos uns Other Lives sedutores e plenos de charme, com Jesse Tabish a expôr os seus imensos atributos vocais enquanto entoa uma pop atmosférica fortemente etérea.

Tomando como ponto de partida este início prometedor e fulgurante, fica claro que a banda pegou firmemente no seu som e usou-o como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda forneceu imediatamente uma cor imensa às melodias e a própria voz serve, frequentemente, para transmitir esta ideia de exuberância e sentimento. Reconfiguration, o fabuloso primeiro avanço no formato single de Rituals, aprofunda ainda mais a perceção do quanto este é um trabalho muito rico e intrincado instrumentalmente, um tema rico ao nível da percussão, mas com os sintetizadores atmosféricos, um piano sedutor e até um violino a fazerem parte do arquétipo sonoro e do compêndio de destaques do tema.

O trabalho de produção de Joey Waronker (Atoms For Peace), foi preciosíssimo neste farto entalhe de intensos e preciosos instantes, com o piano sombrio de Easy Way Out a remeter-nos naturalmente para o ambiente sonoro imaginado e replicado tantas vezes por Thom Yorke, quer a solo, quer nos Radiohead. Esta canção e as teclas e a percussão de cariz mais tribal de Beat Primal e de English Summer descolam os The Other Lives definitivamente da sua zona de conforto sonora e oferecem-nos um verdadeiro concentrado de soluções programadas, onde tudo flui de maneira inventiva de modo exuberante e sentido. Os violinos de New Fog, o registo vocal com aquele típico efeito da música de câmara e o modo como um teclado se vai desenrolando, segundo após segundo, à medida que são acrescentados alguns sopros, são apenas mais algumas achas para esta fogueira, alimentada por uma pop orquestral que os tambores de 2 Pyramids, o pianos de No Trouble e It's No Magic e todo o anel sonoro emcional que à volta deles gravita, reforça, fazendo-nos acreditar definitivamente que estes The Other Lives são bem capazes de nos levar para lugares calmos e distantes, profundos e desafiantes.

Até ao final, Need A Line e For The Last afagam com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a doutrina deste trio, sendo estas talvez as duas canções que preservam o melhor da herança antiga do grupo, plasmada numa folk rock muito ternurenta, mesmo que às vezes pareça escondida no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação.

Há discos que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há instantes em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Álbum fortemente hermético porque que se fecha dentro de um campo muito prório e por isso particularmente genuíno e emocionalmente pesado, Rituals é um bom exemplo de como é possivel apresentar um trabalho artisticamente muito criativo, mesmo que assente a sua sonoridade numa amálgama aparentemente improvável que mistura folk, indie pop e indie rock,  com post rock e alguns elementos eletrónicos. Espero que aprecies a sugestão...

Other Lives - Rituals

01. Fair Weather
02. Pattern
03. Reconfiguration
04. Easy Way Out
05. Beat Primal
06. New Fog
07. 2 Pyramids
08. Need A Line
09. English Summer
10. Untitled
11. No Trouble
12. For The Last
13. Its Not Magic
14. Ritual


autor stipe07 às 22:41
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