Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Slowness – How To Keep From Falling Off A Mountain

Formados em 2008 em São Francisco, os norte americanos Slowness são uma dupla formada por Julie Lynn e Geoffrey Scott. Deram início às hostilidades com Hopeless but Otherwise, um EP produzido por Monte Vallier (Weekend, The Soft Moon, Wax Idols) e no ano passado surpreenderam com o longa duração For Those Who Wish to See the Glass Half Full, produzido pelo mesmo Vallier e que teve uma edição física em vinil, via Blue Aurora Audio Records. Agora, no passado dia três de junho, foi editado How to Keep From Falling Off a Mountain, o sempre difícil segundo disco.

Algures entre Stereolab, os seus conterrâneos The Soft Moon e Slowdive, os Slowness são uma excelente banda para se perceber como os anos oitenta devem soar em 2014. Produzido, como é habitual, por Vallier, How To Keep From Falling Off A Mountain são oito canções tranquilas, com leves pitadas de shoegaze e pós rock, mas nada de muito barulhento, apesar de uma forte componente experimental, explícita logo no início na sobreposição de distorções e efeitos de guitarras em Mountain. Division e Illuminate têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e são para mim os grandes momentos do disco, belos instantes sonoros pop onde a voz é colocada em camadas, bem como as guitarras, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa.
As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se a já citada Illuminate remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Anon (Part I), usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E nos restantes temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por How To Keep From Falling Off A Mountain.
De certa forma, os Slowness seguem as pisadas do pós punk mais sombrio, que busca uma sonoridade menos comercial e mergulha num oceano de ruídos, com um certo toque de psicadelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.
How To Keep From Falling Off A Mountain não vai dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico, como uma veia mais etérea e até melancólica. É um disco bom para ouvir enquanto se contempla o céu naqueles finais de tarde junto a um mar sem ondas. Espero que aprecies a sugestão...

Slowness - How To Keep From Falling Off A Mountain

01. Mountain
02. Division
03. Illuminate
04. Anon (Part I)
05. Anon (Part II)
06. Anon (Part III)
07. Anon (Part IV)
08. Anon (A Requiem In Four Parts)


autor stipe07 às 22:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Mark Lanegan Band – Sad Lover

Mark Lanegan está de regresso e com muitas novidades. Além de ter anunciado o lançamento de No Bells On Sunday, um EP, para o dia vinte e cinco de agosto, apenas em formato vinil, também já é público que haverá novo disco até ao final do ano e que o mesmo irá chamar-se Phantom Radio.

Sad Lover é o primeiro avanço divulgado de No Bells On Sunday e além da habitual postura vocal de Mark, impressiona por piscar o olho ao krautrock, por causa da percussão e dos efeitos da guitarra. Uma canção potente e hipnótica que antecipa dois possíveis excelentes lançamentos discográficos. Confere...

Mark Lanegan Band - Sad Lover


autor stipe07 às 11:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 20 de Julho de 2014

The KVB – Out Of Body EP

Nicholas Wood e Kat Day são o núcelo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós-punk britânico dos anos oitenta. Out Of Body é o mais recente registo de originais da dupla, um EP com seis canções lançado pela a Recordings.

Gravado por Fabien Leseure nos estúdios da editora e nos estúdios H1-3, em Funkhaus, nos arredores de Berlim e com a participações especial de Joe Dilworth, na bateria, Out Of Body é um exemplo claro de que é possível ainda apresentar uma sonoridade própria e um som adulto e jovial, mesmo que o género musical esteja já algo saturado de propostas que pretendem destacar-se e obter uma posição relevante. Os The KVB não esmorecem perante a concorrência e neste EP esmeraram-se na construção de canções volumosas, viabilizadas por se deixarem conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras e na bateria, instrumentos que se entrelaçam na construção dos melhores momentos do trabalho, com especial destaque para Heavy Eyes, música onde a banda espreita perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

No entanto, instrumentalmente, From Afar e, principalmente, Cartesian Bodies, são os momentos altos do EP, canções conduzidas por um baixo vibrante e que recordam-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva do sintetizador. No final, Between Suns segue as pisadas deixadas pelos cinco temas anteriores mas, além do baixo vibrante e de uma guitarra carregada de fuzz e distorção, há uma toada que privilegia a primazia da bateria, cheia de mudanças de ritmo, outro traço identitário do rock psicadélico, assim como alguns arranjos delicados feitos com metais quase impercetiveis.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB, logo na estreia, parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Out Of Body é um excelente EP e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. É que se há projetos que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência, os The KVB provam já a sua na capacidade que demonstram em mutar a sua música e adaptá-la a um público ávido de novidades, de algo novo e refrescante e que as faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Out Of Body

01. All Around You
02. From Afar
03. Heavy Eyes
04. Cartesian Bodies
05. Across The Sea
06. Between Suns

 

 


autor stipe07 às 23:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Say Hi – Endless Wonder

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente é Endless Wonder, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de junho, por intermédio da Barsuk Records e já o oitavo da carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental, mas sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, onde não falta o rock setentista, o rock de garagem e o blues é a pedra de toque incial deste disco, já que Hurt In The Morning e Such A Drag, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e num baixo bastante encorpado, além de guitarras plenas de groove e distorção. Critters abranda um pouco o ritmo mas a receita mantém-se, agora numa toada mais nostálgica e torna-se claro que Eric merece obter um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Com uma década de carreira, o músico parece ter atingido o ponto mais alto de uma discografia com alguns momentos marcantes, apresentando agora novas nuances e um som mais experimental, que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem potencial para um elevado airplay.

Momentos como o groove que destila imensa soul de When I Think About You,  o baixo de Like Apples Like Pears, o efeito arrojado e a secção de metais de Figure It Out ou o sintetizador minimal que abre The Trouble With Youth e que depois desliza até ao krautrock, são outros quatro exemplos que mostram que Say Hi estará no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojado do que nunca, na sua viagem de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o ADN da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido à voz fantástica de Eric, que atinge o apogeu interpretativo em Figure It Out, mas que ao longo do trabalho preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. O que aqui temos é uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Endless Wonder

01. Hurt In The Morning
02. Such A Drag
03. Critters
04. When I Think About You
05. Like Apples Like Pears
06. Figure It Out
07. Clicks And Bangs
08. Sweat Like The Dew
09. Love Love Love
10. The Trouble With Youth


autor stipe07 às 21:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

The Rosebuds - Blue Eyes

Oriundos de Raleigh, os norte americanos The Rosebuds estão de regresso aos discos com Sand + Silence, um trabalho que irá ver a luz do dia já a cinco de agosto, por intermédio da Western Vinyl.

Depois de ter sido divulgado In My Teeth, o tema de abertura, agora chegou a vez de ser dado a conhecer Blue Eyes, mais um avanço do álbum e uma canção que impressiona pela melodia e pelos coros.

Sand + Silence foi gravado nos estúdios de Justin Vernon. Além de ter recebido os The Rosebuds, aceitou tocar teclas em alguns temas do disco, que também conta com a participação especial de Nick Sanborn dos Sylvan Esso. Os dois temas foram disponibilizados para download pela Western Vinyl. Confere...


autor stipe07 às 11:29
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Tim Bowness – Abandoned Dancehall Dreams

Nascido e criado no noroeste de Englaterra, Tim Bowness começou a sua carreira nos anos noventa, tendo sido representado pelas etiquetas Probe Plus, One Little Indian e Sony/Epic 550, tendo começado por se destacar como vocalista e compositor dos No-Man, banda onde também tocava Steven Wilson, membro dos Porcupine Tree. Nesse projeto participou em seis discos e um documentário, mas ainda arranjou tempo para colaborar com a italiana Alice e com Robert Fripp, Hugh Hopper (Soft Machine), OSI e Phil Manzanera dos Roxy Music, entre outros, além de ter feito parte dos Henry Fool e dos Memories Of Machines.

Além disso, Tim ainda gravou o álbum Flame (1994) com Richard Barbieri (Porcupine Tree), coproduziu e compôs para o aclamado Talking With Strangers (2009), um álbum de Judy Dyble, antigo membro dos Fairport Convention e tem colaborado com Peter Chilvers, um músico que costuma acompanhar Brian Eno e Karl Hyde. Desde 2001 ele dirige a bem sucedida etiqueta e loja de música online Burning Shed, juntamente com o baixista Pete Morgan, seu antigo companheiro nos No-Man.
Agora, vinte e um anos após o disco de estreia dos No-Man e dez depois de My Hotel Year, o seu primeiro registo a solo, Tim Bowness está de regresso aos lançamentos discográficos com Abandoned Dancehall Dreams, o seu segundo álbum a solo, lançado pela etiqueta Inside Out.
Produzido pelo próprio Bowness e misturado por Steven Wilson, parceiro nos No-Man, Abandoned Dancehall Dreams conta com as participações especiais de Pat Mastelotto (King Crimson), Colin Edwin (Porcupine Tree), Anna Phoebe (Trans-Siberian Orchestra) e alguns músicos que costumam tocar, ao vivo, com os No-Man, nomeadamente Stephen Bennett, Michael Bearpark, Pete Morgan, o próprio Steven Wilson, Andrew Booker e Steve Bingham. O compositor clássico Andrew Keeling, famoso pelo seu trabalho com a The Hilliard Ensemble e Evelyn Glennie ajudaram nos arranjos e nas orquestrações formidáveis que se podem escutar nas oito canções deste disco.

Abandoned Dancehall Dreams combina alguns dos detalhes mais significativos do chamado art rock, com uma escrita verdadeiramente sublime. Há algo de cinematográfico nestas oito canções, com uma sonoridade ampla e impecavelmente produzida, um conteúdo sofisticado que eleva a música de Bowness a um patamar qualitativo que alcança horizontes de excelência quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e proporciona-nos algumas explosões que, com os coros finais, dão a alguns temas a cor e o brilho que nos fazem levitar. As cordas e a bateria de The Warm-Up Man Forever, o pendor acústico de Waterfoot, a combinação entre o baixo e o sintetizador em Dancing For You, o rock pulsante de Smiler At 50 e a guitarra pinkfloydiana e os violinos de I Fought Against The South, são alguns exemplos de canções capazes de nos fazer flutuar num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas e que demonstram que Tim é exímio a misturar ótimos arranjos clássicos, feitos com cordas, teclados e bateria, com uma voz que parece ser cantada junto ao nosso ouvido.

Em Abandoned Dancehall Dreams o grande mentor dos No-Man supera largamente o desafio que o segundo disco, neste caso a solo, geralmente provoca. Tendo trabalhado, ao longo da sua carreira, com uma série de nomes importantes do rock progressivo e do art rock britânicos, não surpreende a mestria com que explorou um espetro mais minimalista desse ramo do indie rock, sem deixar de ser sonoramente exuberante, profundo, delicado e soberbo. Espero que aprecies a sugestão...

Tim Bowness - Abandoned Dancehall Dreams

01. The Warm-Up Man Forever
02. Smiler At 50
03. Songs Of Distant Summers
04. Waterfoot
05. Dancing For You
06. Smiler At 52
07. I Fought Against The South
08. Beaten By Love


autor stipe07 às 22:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Cold War Kids – All This Could Be Yours

Os norte americanos Cold War Kids acabam de divulgar All This Could Be Yours, um luminoso tratado de indie rock, feito com uma percussão imponente e uma melodia contagiante e que fará parte do alinhamento do próximo álbum do grupo, ainda sem título e data precisa de lançamento, apesar de outubro ser o mês apontado. Seja como for, esse disco irá, certamente, ver a luz do dia por intermédio do selo Downtown, em parceria com a Sony RED.

Esta banda de Silverlake, na Califórnia, tinha-se destacado com Dear Miss Lonelyhearts, o úlrimo registo discográfico dos Cold War Kids e o sucessor é aguardado com enorme expetativa. Confere...

Cold War Kids - All This Could Be Yours


autor stipe07 às 11:23
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Blonde Redhead – Dripping

Kazu Makino, Amedeo Pace, Simone Pace são os Blonde Redhead e preparam-se para lançar em setembro Barragán, o nono álbum na carreira deste grupo oriundo de Nova Iorque e que tem construido um catálogo sonoro bastante consistente, com a dream pop sempre na fila da frente, no que diz respeito à sonoridade que replicam.

Com uma faceta fortemente instrumental e construída a partir de sintetizadores e teclados, Dripping é o mais recente avanço divulgado de Barragán, um disco que  chega às lojas a dois de setembro, pelo selo Kobalt. Confere...

Blonde Redhead - Dripping


autor stipe07 às 10:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Parquet Courts - Sunbathing Animal

Liderados por Andrew Savage, os Parquet Courts são um quarteto norte americano que apresentei em 2012 por causa de Light Up Gold, um disco que incorpora aquela sonoridade crua, rápida e visceral, que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Dois anos depois, esta banda oriunda de Brooklyn, em Nova Iorque, regressou aos lançamentos discográficos com Sunbathing Animal, um álbum que foi editado a três de junho por intermédio da What’s Your Rupture/Mom + Pop.

Sunbathing Animal pode começar a ser escutado logo pelo single homónimo, uma canção assente num punk rock vigoroso e cheio de guitarras distorcidas, mas logo aí percebe-se que a atmosfera musical enraivecida e algo descontraída da estreia é apenas uma mera recordação. Sunbathing Animal continua a ser um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das suas diferentes composições, sempre com o acompanhamento exemplar do baixo e não deixa de soar a um daqueles trabalhos que parece ter sido gerado por artifícios caseiros de gravação, além de não descurar métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu o rock em finais dos anos setenta. No entanto, é um disco mais maduro que Light Up Gold e nele Savage continua a escrever canções para ouvir a qualquer hora do dia, sem que necessariamente seja preciso uma solução filosófica para desvendar os seus versos, mas entrega-se de forma mais incisiva à escrita, com temas que abordam o tédio do dia a dia (Into The Garden), o amor (Dear Ramona) ou o simples flirt (Always Back In Town) e onde parece possível visualizar histórias de vida comuns, através da audição de retratos honestos sobre pessoas (She’s Rolling) ou sentimentos (Instant Disassembly), numa Nova Iorque cheia de gente algo inócua, mas que não deixa de ser honesta e de ter o seu encanto.

Esta relação estreita dos Parquet Courts com a sua cidade não é apenas percetível nas letras; A componente instrumental remete-nos facilmente para a herança dos The Velvet Undergorund de John Cale. Os arranjos sujos e as guitarras desenfreadas da já citada She's Rolling, um tema com uma forte índole psicadélica, são um exemplo claro dessa aproximação, mas nomes como os Television (Black and White), Talking Heads (What Color Is Blood) e até os britânicos Wire também passeiam as suas influências pelo disco.

Independentemente de todas as referências nostálgicas que Sunbathing Animal possa suscitar, o que importa reter é o seu conteúdo musical e a verdade é que neste trabalho, em pouco mais de quarenta minutos, os Parquet Courts apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido numa simbiose entre garage rockpós punk e rock, até se tornarem naquilo que são, peças sonoras que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

01 Bodies
02 Black and White
03 Dear Ramona
04 What Color Is Blood
05 Vienna II
06 Always Back in Town
07 She's Rollin
08 Sunbathing Animal
09 Up All Night
10 Instant Disassembly
11 Duckin and Dodgin
12 Raw Milk
13 Into the Garden


autor stipe07 às 22:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

The Drums - Magic Mountain

Os The Drums estão de volta com Magic Mountain, o sucessor do já longínquo Portamento (2011) e um trabalho que deverá chegar às lojas em setembro. O tema homónimo do disco é o primeiro avanço divulgado pelo grupo nova iorquino liderado por Jonathan Pierce e novamente apenas uma dupla, com Jacob Graham a ser a outra metade e com os The Drums a regressarem à formação original.

De acordo com o vocalista, este retorno às origens irá fazer com que o novo trabalho plasme um som mais genuíno e próximo do ADN do projeto, já que os The Drums puderam voltar a trabalhar sem nenhuma ideia pré-concebida e fizeram um som mais livre e próximo do que os dois sempre idealizaram quando se juntaram para fazer música. Confere...


autor stipe07 às 21:54
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

TV Girl - French Exit

Os TV Girl são uma banda de São Diego formada por Trung Ngo e Brad Peterson e tocam aquele típico bedroom pop, lo fi, caseiro e deliciosamente irresistível. No final de 2010 e já em 2011 lançaram uma série de EPs, sempre disponibilizados gratuitamente, com especial destaque para o EP Dirty Gold, resultado de uma parceria com os Dirty Gold, também de San Diego e em cuja edição as bandas partilharam uma versão da outra. No início do passado mês de junho, chegou finalmente o primeiro longa duração dos TV Girl, um trabalho intitulado French Exit e também disponivel para download no bandcamp da banda.

Seria perfeitamente natural que os TV Girl optassem, no primeiro longa duração da história do grupo, por uma súmula dos EPs lançados anteriormente, mas um dos aliciantes de French Exit é ser constituído por um alinhamento de doze canções que são inéditos na carreira da dupla.

Acaba por ser muito apropriado este álbum surgir nesta época já que ele desperta em nós imagens mentais que forçosamente nos remetem para situações vividas em dias cheios de sol, luz, água e calor. Pantyhose, o tema de abertura, mas, principlamente, a atmosfera vibe e relaxada do indie surf de Birds Don't Sing trazem-nos à memória o clima quente e tropical, tão apropriado para este verão que apesar de teimar em manter-se tímido e reservado, terá certamente ainda dias com luz, cor e calor para nos brindar e onde estas canções dos TV Girl encaixarão certamente e com particular sincronia. Essa canção, o single já retirado do disco e Daughter Of A Cop, impressionam pela forma relaxante como conjugam alguns arranjos que piscam o olho declaradamente ao jazz e à bossa nova e todos juntos, de mãos dadas, apresentam um verdadeiro festim sonoro para os nossos ouvidos sempre sedentos de paisagens sonoras relaxantes e elegantes.

Ouvimos cada uma das músicas deste trabalho e conseguimos, com uma certa clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que foram sendo adicionados e que esculpiram as canções, com particular destaque para as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e para alguns arranjos sintéticos que sobressaiem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

O clássico indie power pop, lo fi, mas alegre e luminoso, assentará arraiais onde quer que French Exit se escute; Além dos destaques já referidos, a graciosidade dos teclados em Louise, uma canção enfeitada com vários samples de vozes femininas, ou a pop adocicada de Hate Yourself e The Getaway, ou o charme inconfundível de The Blonde são canções que merecem todo o destaque, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. A fusão destas várias influências não se restringe a estas canções, mas permeia todo o disco, de forma extremamente contagiante.

Em suma, French Exit são doze canções que se ouvem em pouco mais de trinta minutos, temas curtos e diretos, mas com a duração suficiente para transmitirem uma mensagem alegre e divertida. Guitarras luminosas e com as cordas a vibrar acusticamente ou ligadas às máquinas, um baixo vibrante e uma bateria cheia de potência e cor, são os ingredientes principais de que os TV Girl se servem para dar vida a estas canções. As mesmas têm uma tonalidade e uma temática um pouco adolescente, bem recreada na capa do álbum, que evoca a melancolia dos nossos verdes anos, mas é um compêndio sonoro onde esta dupla californiana avança em passo acelerado em direção à maturidade, num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

01 – Pantyhose
02 – Birds Dont Sing
03 – Louise
04 – Hate Yourself
05 – The Getaway
06 – Talk to Strangers
07 – The Blonde
08 – Daughter of a Cop
09 – Lovers Rock
10 – Her and Her Friend
11 – Come When You Call
12 – Anjela


autor stipe07 às 21:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Field Report - Wings

Os norte americanos Field Report são de Milwaukee e liderados Chris Porterfield, a quem se junta Travis Whitty e Shane Leonard. O grupo não divulgava nenhuma canção desde 2012, mas vão regressar aos discos a 7 de outubro com Marigolden, através da Partisan Records.

Wings é o primeiro single divulgado do disco, um tema que fala de complicada relação de Chris com o álcool, além de refletir sobre a sua vida atribulada, muito por causa das constantes digressões a que um músico está sujeito. Confere...


autor stipe07 às 21:24
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 13 de Julho de 2014

Viet Cong - Cassette EP

Uma das melhores surpresas do ano são os Viet Cong, uma banda formada por Matt Flegel e Mike Wallace, dois músicos dos extintos Women, um grupo norte americano de Calgary, que terminou a carreira há alguns anos, mas que deixou saudades no universo sonoro alternativo e aos quais se juntam Scott "Monty" Munro e Danny Christiansen. No passado dia oito de julho os Viet Cong editaram, através da Mexican SummerCassette, um EP que inclui no seu alinhamento Static Wall, uma incrível canção que nos leva numa viagem do tempo até à psicadelia dos anos setenta, assim como o restante alinhamento de sete canções.

Logo no início, em Throw It Away, ao revisitarem a herança dos Rolling Stones, percebe-se que estes Viet Cong não têm receio de mostrar a capacidade intrínseca que possuem para replicar a psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas. Logo de seguida, Uncouscious Melody faz uma revisão dessa psicadelia, mas numa busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes desse espetro sonoro que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

O EP prossegue repleto de surpresas e Oxygen Feed inflete em direção à mesma época, mas através de uma pop luminosa tão solarenga como o verão de Calgary, onde a banda reside. E enquanto a música avança e depois Static Wall e a sintetizada Structureless Design encaixam no mesmo ambiente sonoro, deixamo-nos ir com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que buscam uma qualquer praia onde depois do pôr do sol cabe uma fogueira que se acende noite dentro e onde existe um vidrão que irá ficar cheio, enquanto a areia se confunde com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação não deixaria raízes para que no futuro se instalasse uma onda revivalista em redor da sonoridade que daí brotava, deve ouvir atentamente Dark Entries porque ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove da guitarra e da voz sintetizada de Matt, a grande força motriz de um EP dotado de uma maturidade particular, com canções que pretendem hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, mas com os pés bem fixos no presente. Criativo e coerente, Cassette parece ser um EP que será melhor compreendido no futuro próximo e, enquanto tal não sucede, resta-nos viajar e delirar ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão... 

01 Throw It Away
02 Unconscious Melody
03 Oxygen Feed
04 Static Wall
05 Structureless Design
06 Dark Entries
07 Select Your Drone


autor stipe07 às 17:48
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sábado, 12 de Julho de 2014

Speedy Ortiz - Bigger Party

A edição de 2014 da série Adult Swin Singles já começa a divulgar algumas surpresas bastante agradáveis. Recordo que esta iniciativa divulga e disponibiliza gratuitamente um single semanalmente, tendo a edição de 2013 treze singles no catálogo e a deste ano já cinco no cardápio.

E o single que estará disponível a partir do próximo dia catorze é Bigger Party, a contribuição dos Speedy Ortiz de Matt Robidoux (guitarra), Mike Falcone (bateria), Sadie Dupuis (guitarra, voz) e Darl Ferm (baixo), uma banda de Northampton que aposta num som cheio de guitarras, que do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa. Bigger Party obedece a essa fórmula assertiva. Confere...


autor stipe07 às 11:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Half Japanese - In Its Pull

Half Japanese

Os lendários Half Japanese são uma banda de culto desde os anos oitenta e tocam um rock experimental que tem feito escola e que se evidenciou de tal modo que, em 1993, Kurt Cobain convidou-os para abrirem para os Nirvana. Recentemente andaram a abrir concertos dos Neutral Milk Hotel.

Agora, treze anos depois do último registo de originais, os Half Japanese estão de regresso aos lançamentos discográficos com Overjoyed e, um trabalho que chegará às lojas a dois de setembro através da Jyful Noise e In Its Pull é o primeiro avanço divulgado do álbum. Confere...


autor stipe07 às 11:33
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

We Were Promised Jetpacks - Safety In Numbers

We Were Promised Jetpacks

Representados pela insuspeita FatCat, os We Were Promised Jetpacks são um dos vértices de um triunvirato escocês representado por essa etiqueta, onde também se inserem os Frightened Rabbit e os Twilight Sad. Unraveling, o próximo disco desta banda natural de Edimburgo e formada por Adam Thompson (voz e guitarra), Michael Palmer (guitarra), Sean Smith(baixo) e Darren Lackie (bateria), chegará às lojas no outono e o punk rock melódico de Safety In Numbers é o primeiro avanço divulgado do álbum. Confere...

 

 


autor stipe07 às 11:22
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Interpol - All The Rage Back Home

Depois de um interregno de quase quatro anos os Interpol já têm praticamente pronto El Pintor, o novo disco desta banda liderada por Paul Banks. Escrito e gravado durante o ano de 2013, em Nova Iorque, cidade de onde a banda é natural, nos estúdios Electric Lady Studios & Atomic Sound, por Mr. James Brown, El Pintor foi misturado em Londres, nos Assault & Battery Studios, por Alan Moulder.

Todas as canções de El Pintor foram escritas e produzidas pelos Interpol, com Daniel Kessler à guitarra, Samuel Fogarino na bateria e Paul Banks na voz, na guitarra e, pela primeira vez, no baixo. O disco conta com as participações especiais de Brandon Curtis (The Secret Machines) nos teclados em nove canções, de Roger Joseph Manning, Jr. (Beck) nos teclados em Tidal Wave e de Rob Moose (Bon Iver) a tocar violino e viola em Twice as Hard.
O álbum chegará aos escaparates a oito de setembro por cá e no dia seguinte nos Estados Unidos da América, mas já pode ser conferido All The Rage Back Home, o primeiro single do disco. Confere...


autor stipe07 às 23:30
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Circulatory System - Stars And Molecules

Circulatory System

2014 está a ser um ano excelente para os fãs dos Elephant Six. Além da digressão mundial com os Neutral Milk Hotel, Will Cullen Hart, o líder do grupo, prometeu que irá lançar novos trabalhos de outras duas bandas que integra, os Circulatory System e os Olivia Tremor Control.

Em relação aos primeiros, o novo trabalho chama-se Mosaics Within Mosaics e Stars And Molecules, uma canção que começa com um sinal rádio estático, ao qual se juntam vários arranjos sintetizados, guitarras melódicas e uma percurssão curiosa, é o mais recente single divulgado do disco. Confere...

 


autor stipe07 às 12:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 8 de Julho de 2014

The Fresh And Onlys – House Of Spirits

Lançado através da Mexican Summer, House Of Spirits é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a  Long Slow Dance (2012) e ao EP Soothsayer (2013),  sendo já o quinto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco e formado por Tim Cohen, Shayde Sartin, Wymond Miles e Kyle Gibson.

House Of Spirits é mais uma firme coleção de dez canções que mantêm os The Fresh & Onlys fiéis a um fio condutor, que exploram até à exaustão e com particular sentido criativo. É um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Em relação a Long Slow Dance, o antecessor, House Of Spirits acaba por ter um elevado foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras e canções como Who Let The DevilAnimal of One e April Fools são as que mais se aproximam desse registo, principalmente pelas letras e pela voz de Tim Cohen, que várias vezes nos remete para a nostalgia sombria dos anos oitenta.

O sabor a novidade é algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada Home Is Where? e, logo a seguir, no single Who Let The Devil. No entanto, apesar da distorção e do cariz lo fi de vários arranjos, o controle e a harmonia estão sempre presentes, mesmo em Bells Of Paonia, o tema mais experimental do disco, uma balada que assenta num reverb de guitarra, conjugado com um teclado épico e com um registo bastante adoçicado na voz de Tim Cohen, um dos principais atributos desta banda. Esse cariz inventivo também é notório na envolvente Candy, uma canção com uma belíssima base melódica assente em belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado e arranjos de sopro e também em Madness, um tema que progride da eletrónica até distorções hipnotizantes e que impressionam quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

Durante a audição do álbum é notória uma certa leveza nas canções, uma enorme busca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras e, por isso, o resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável. House Of spirits é uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das referências noise, folk e psicadélicas, através de um som leve e cativante, com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - House Of Spirits

01. Home Is Where?
02. Who Let The Devil
03. Bells Of Paonia
04. Animal Of One
05. I’m Awake
06. Hummingbird
07. April Fools
08. Ballerina
09. Candy
10. Madness

 


autor stipe07 às 18:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Naomi Punk - Television Man

Television Man

 

Oriundo de Olympia, em Washington, o trio punk norte-americano Naomi Punk, formado por Travis Coster, Neil Gregerson e Nic Luempert tem sobressaído pelas suas atuações ao vivo, verdadeiramente incendiárias, através de um singular punk catártico, quase sempre assente em The Feeling, o último disco do grupo, lançado em 2012.

Esse trabalho já tem sucessor e o novo álbum dos Naomi Punk intitula-se Television Man, o primeiro longa duração que o grupo publica por intermédio da Captured Tracks e nas lojas a cinco de agosto. Gravado na terra natal, durante o outono e o inverno de 2013, e masterizado por Rick Fisher, Television Man é uma coleção de hinos punk indefiníveis e peças instrumentais onde a banda mostra os níveis de agressão catártica que se tornaram sua assinatura, sendo o single homónimo um dos seus destaques. Confere...


autor stipe07 às 11:30
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

James – La Petite Mort

Depois de em 2008 terem surpreendido com o retorno aos lançamentos discográficos após um anunciado fim de carreira, com Hey Ma, os James de Tim Booth, Jim Glennie (baixo), Larry Gott (guitarra), Saul Davies (guitarra, violino), Mark Hunter (teclados), David Baynton-Power (bateria) e Andy Diagram (trompete), estão de regresso aos trabalhos de estúdio com La Petite Mort, o décimo terceiro longa duração deste coletivo britânico, natural de Manchester. La Petite Mort foi produzido por Max Dingel (The Killers, Muse, White Lies) e escrito em Manchester, Lisboa, Atenas e nas Highlands escocesas, tendo a morte da mãe de Tim Booth, uma referência importante da sua vida, servido de mote para o conteúdo lírico e emocional de dez canções que lidam com a mortalidade, mas sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente lhe é atribuido.

Conhecemos Tim Booth há três décadas, já o ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, mas é curioso começar a ouvir este disco e, logo em Walk Like You, escutarmos um Booth que declama com sentimento que ainda não o conhecemos verdadeiramente e que tem muito maisdentro de si para nos revelar. Percebe--se logo o cariz autobiográfico do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização de uma perca certamente traumática, mas que deve ser vivida, sustentada, acima de tudo, pelas boas memórias e recordações que o músico guarda dentro de si da mãe.

Nome maior da pop independente dos últimos 30 anos e detentores de mais de vinte singles que alcançaram o top britânico, os James testemunharam todos os movimentos musicais que foram aparecendo em Inglaterra e foram sempre uma alternativa credível, por exemplo, à britpop e seguem ainda firmes no seu caminho, iniciado quando na primeira metade da década de oitenta foram apontados como os candidatos maiores a dar sequência à herança inolvidável dos The Smiths.

Em La Petite Mort é procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível das guitarras que carimbam o ADN dos James com o indie rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. A presença de Max Dingel na produção é o tiro certeiro nessa demanda, apesar de não ser justo descurar a herança que nomes como Gil Norton ou Brian Eno, figuras ilustres que já produziram discos dos James, ainda têm na sonoridade do grupo.

Este encaixe de novas tendências proorcionado por Max fica plasmado logo na já referida Walk Like You, uma canção onde os efeitos e os pianos ajudam as guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Booth. Depois, Curse Curse está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a percurssão a conduzirem a canção. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de Moving OnGone Baby Gone exala U2 por todos os poros sonoros e Frozen Britain tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas.

Uma das sequências mais interessantes de La Petite Mort é constituida pela balada Bitter Virtue, uma canção introspetiva e melancólica onde a voz de Booth assenta na perfeição, à qual se segue All In My Mind, o clássico tema orquestral conduzido pelo piano, com alguns detalhes das cordas e do trompete a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente James. A sequência termina com o mesmo piano, mas agora a tocar numa espécie de looping crescente, em Quicken The Dead, uma canção que é depois adornada por lindíssimos coros, pela mesma secção de sopro e por cordas implícitas mas deslumbrantes.

La Petite Mort chega ao ocaso com a sentida e confessional All I'm Saying e com a herança dos The Smiths vincada em Whistleblowers e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os James ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico indie rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

James - La Petite Mort

01. Walk Like You
02. Curse Curse
03. Moving On
04. Gone Baby Gone
05. Frozen Britain
06. Interrogation
07. Bitter Virtue
08. All In My Mind
09. Quicken The Dead
10. All I’m Saying


autor stipe07 às 21:21
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

Menace Beach - Tennis Court

Menace Beach

Oriunda de Leeds, a dupla britânica Menace Beach causou sensação no início deste ano com o lançamento de Lowtalker, um EP impregnado com um indie pop cheio de guitarras plenas de fuzz e com alguns dos tiques habituais da chamada britpop.

No próximo dia um de setembro vão lançar em formato single, o tema homónimo desse EP, com Tennis Court no lado b da edição em vinil, através da Memphis Industries. Confere...


autor stipe07 às 10:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 6 de Julho de 2014

Cold Cave – Full Cold Moon

O projeto Cold Cave liderado por Wesley Eisold, com a colaboração de Amy Lee está de regresso aos discos com Full Cold Moon, um disco lançado em nome próprio e que foi antecedido pelo lançamentos de vários singles já desde meados de 2013. Essa contínua antecipação do conteúdo deste novo trabalho dos Cold Cave fez com que o mesmo fosse aguardado com alguma expetativa, uma avalanche de composições avulsas que mostraram um concentrado de experiências capaz de repetir a mesma formatação sombria dos discos Love Comes Close (2009) e Cherish the Light Years (2011).

Na verdade, não sendo um disco tão sombrio como algumas das anteriores propostas deste projeto, Full Cold Moon divide-se entre essa subtileza experimental e uma certa busca de algo mais comercial e, para o conseguir, Wesley não deixa de apostar nas batidas velozes e nos efeitos assertivos dos sintetizadores, com o tema A Little Death To Laugh a não ser uma escolha inocente para aberura do disco, já que faz uma súmula significativa do conteúdo do restante alinhamento. A rápida e efervescente Young Orisoner Dreams Of Romance tem uma toada mais lo fi, com a distorção da guitarra e um efeito sintetizado futurista e suportarem a voz manipulada de Eisold. Esta canção prova que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola. A instrumental Tristan Corbière já nos remete para um universo eletrónico mais experimental e depois Oceans With No End é rock sem complexos e complicações, concentrado com alguns detalhes típicos do indie rock alternativo dos anos noventa.

Com este início tão diversificado, acaba-se por perceber que os Cold Cave misturam a psicadelia, o rock e a eletrónica quase sempre numa toada lo fi e querem que degustemos uma belíssima caldeirada, feita com estas várias espécies sonoras. Seja como for, apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de todo o trabalho, quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá a Full Cold Moon uma atmosfera sombria e visceral.

É, em suma, uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Cave - Full Cold Moon

01. A Little Death To Laugh
02. Young Prisoner Dreams Of Romance
03. Tristan Corbiere
04. Oceans With No End
05. People Are Poison
06. Black Boots
07. Meaningful Life
08. God Made The World
09. Dandelion
10. Nausea, The Earth And Me
11. Don’t Blow Up The Moon
12. Beaten 1979

 


autor stipe07 às 23:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 4 de Julho de 2014

The Antlers – Familiars

Um dos discos que aguardei nas últimas semanas com maior expetativa foi Familiars, o novo trabalho dos The Antlers, uma banda de Brooklyn, Nova Iorque, liderada por Peter Silberman, a quem se juntam Darby Cicci e Michael Lerner. Familiars viu a luz do dia a dezasseis de junho, por intermédio da ANTI.

 

O último sinal de vida dos The Antlers tinha sido dado pelo EP Undersea, quatro canções que ganharam vida em 2012, cheias de sons aquáticos e claustrofóbicos, sem perder o habitual caráter relaxante. Undersea era uma espécie de retorno à boa forma dos The Antlers e absorvia as mesmas referências exploradas no fantástico Hospice, o anterior disco oficial da banda, fazendo-o de forma extensa e bem produzida. Agora, em Familiars, o grupo chega mais uma vez próximo do post rock e de outras preferências mais etéreas, que passam também pelo jazz e pela música experimental, através da habitual receita  feita de guitarras esvoaçantes e tranquilas, uma bateria que ganha em mestria uma calculada ausência de fulgor e a já imagem de marca que é a presença do trompete, um instrumento que aparece sempre de mãos dadas com alguma dose de reverb e que casa na perfeição com o clima melódico que os The Antlers procuram recriar num disco que pretende contar histórias muito concretas, relacionadas com a vida comum e os conflitos psicológicos que ela frequentemente provoca.

Se por uma lado as canções de Familiars podem ter um cariz algo auto biográfico, relacionado com a dimensão pessoal do próprio Silberman, por outro, às vezes dá a sensação que ele está a visualizar os acontecimentos que as letras narram na terceira pessoal, o que cria uma espécie de ilusão, como se ele fosse um duplo que vive e assiste, numa espécie de diálogo interior, um face to face metafórico que, por exemplo, a canção Doppelgänger claramente exemplifica. Se os versos de cada canção abraçam um contexto particular, em termos de arranjos, Familiars é um disco abrangente, com o cruazamento entre a leveza onírica da dream pop e o cariz mais rugoso que faz parte do rock alternativo a não descurar a presença de outros espetros sonoros, possibilitados não só pela presença já mencionada do trompete, como de alguns metais e de guitarras que não se deixam enlear por regras e imposições herméticas. Bom exemplo disso são os mais de sete minutos de Revisited, uma canção lenta mas cheia de detalhes preciosos, com particular destaque para o violoncelo tocado por Brent Arnold e o trombone de Jon Natchez, dois convidados especiais do disco, que criam uma manta sonora particularmente feliz para o encaixe da voz de Silberman.

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Familiars é mais um tiro certeiro na carreira deste trio de Nova Iorque e talvez o melhor álbum dos The Antlers até ao momento, não só por causa destas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional, metaforicamente mais brando e menos doloroso do que o ambiente das propostas anteriores da banda, apesar de Intruders e Director serem duas canções que abordam diretamente a temática da morte. Espero que aprecies a sugestão...

The Antlers - Familiars

01. Palace
02. Doppelgänger
03. Hotel
04. Intruders
05. Director
06. Revisited
07. Parade
08. Surrender
09. Refuge


autor stipe07 às 18:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Tony Allen - Go Back (Feat. Damon Albarn)

Tony Allen - "Go Back" (Feat. Damon Albarn)

Tony Allen fez furor nos anos setenta como baterista dos Fela Kuti, uma banda africana fundamental para o estudo do universo afrobeat e uma importante referência para quem aprecia ess espetro sonoro. Depois disso, Allen tocou noutros projetos e com outros músicos, nomeadamente com King Sunny Ade e Sébastien Tellier, mas foram as suas colaborações com Damon Albarn nos grupos The Good, The Bad, & The Queen e Rocket Juice & The Moon, que mais sobressairam.

Em outubro chega às lojas Film Of Life, o novo disco a solo de Tony Allen, através da Jazz Village e Go Back, o primeiro single divulgado desse trabalho, conta com a participação especial do vocalista dos Blur, na voz. Confere...


autor stipe07 às 13:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Em escuta...

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Julho 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9

19

22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


posts recentes

Slowness – How To Keep Fr...

Mark Lanegan Band – Sad L...

The KVB – Out Of Body EP

Say Hi – Endless Wonder

The Rosebuds - Blue Eyes

Tim Bowness – Abandoned D...

Cold War Kids – All This ...

Blonde Redhead – Dripping

Parquet Courts - Sunbathi...

The Drums - Magic Mountai...

TV Girl - French Exit

Field Report - Wings

Viet Cong - Cassette EP

Speedy Ortiz - Bigger Par...

Half Japanese - In Its Pu...

X-Files

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

Procura...

 

Visitors (since 31.05.12)

blogs SAPO

subscrever feeds