01. Barriers
02. Snowblind
03. It Starts And Ends With You
04. Sabotage
05. For The Strangers
06. Hit Me
07. Sometimes I Feel I’ll Float Away
08. What Are You Not Telling Me?
09. Always
10. Faultlines
Formados em 2006 e liderados por Charlie Fink, Os britânicos Noah And The Whale de Charlie Fink, Tom Hobden, Urby Whale, Fred Abbott e Michael Petulla estão de vregresso aos lançamentos discográficos com Heart Of Nowhere, o sucessor de Last Night On Earth, disco essencial na discografia desta banda londrina porque a catapultou definitivamente para o estrelato, apesar de, na minha opinião, a verdadeira obra prima do grupo ser The First Days Of Spring, álbum de 2009. Heart Of Nowhere viu a luz do dia a seis de maio por intermédio da Mercury e foi gravado nos West London's British Grove Studios, de Londres.

A sonoridade dos Noah And The Whale deambula entre uma forte linha de baixo, a luz do violino e as guitarras em desafioa A primeira boa notícia que se pode divulgar deste quarto disco da carreira do grupo é que o seu conteúdo sonoro relaciona-se mais com a tal obra prima de 2009 do que com o antecessor de 2011; Esse disco foi uma espécie de tiro ao lado na discografia do grupo, porque foi pensado quase única e exclusivamente para o sucesso comercial, mesmo que o preço a pagar tivesse sido alguma perca de identidade, de esquecimento do ADN sonoro do grupo. Portanto, com a chegada de Heart Of Nowhere, Charlie Fink e os parceiros de grupo voltam aos eixos, tratando do novo álbum como um ponto de aprimoramento controlado e contendo algumas boas composições, mas já muito longe do propósito orquestral que alimentou Peaceful, The World Lays Me Down, o primeiro disco do grupo, editado em 2008.
Com um som amplo e com as cordas e os sintetizadores a assumirem importante papel, Heart Of Nowhere é uma proposta que parece encontrar acerto e uma certa dose de novidade naquilo que os The Killers propuseram em Battle Born o ano passado. Assim, o disco está carregado de referências dos anos oitenta, nomeadamente a power pop onde o amor que rompe a noite, a vontade de crescer e a tentativa de agarrar um sonho, fazem lembrar alguns dos álbuns essenciais de Springsteen e a captura de marcas expressivas que definiram a música dessa época. Há batidas e vozes cheias de eco, canções amarguradas por acordes melancólicos e sintetizadores que se espalham sem receio e parecem prencher as lacunas e os sons vazios e pouco expressivos que criaram em 2011, além de fazerem dos Noah And The Whale definitivamente intímos da melhor música pop que se ouve atualmente.
Logo em Introduction, onde é muito bem vinda a presença de Anna Calvi na voz, é clara a relação com o pós punk e outras marcas específicas construídas há mais de três décadas; Esta canção deixa claro que o rumo agora é outro e que há um propósito claro de resgatar o lado mais comercial do grupo, já que são várias as canções com um ADN cheio de airplay. Duas delas são There Will Come a Time e Now Is Exactly The Time, autênticos hinos de verão, que se tornam, sem demora, em verdadeiros vícios auditivos. All Through The Night ou Lifetime, são mais dois temas que seguem a pegada revivalista dos anos oitenta, que nas mãos deste quinteto parece ter sido bem aproveitada, através de uma agilidade pop que os faz percorrer caminhos da indie folk até chegarem a estradas onde o rock acelera sem respeitar limites de velocidade. A primeira destaca-se por ter uma guitarra muito aditiva com solos que deliciam os nossos ouvidos e a segunda agarra-se a alguma da tradição folk da banda e dispara violinos que são bem secundados por um baixo primaveril, que sublinha uma letra nostálgica que recorda sonhos, rezas e promessas.
Já agora, no que diz respeito às letras, todas da autoria de Fink, Heart Of Nowhere será o disco mais introspetivo do grupo, já que a escrita do vocalista e guitarrista dos Noah and The Whale fala muito de memórias, experiências de vida, amores e outros sentimentos que perduram, dando a sensação que ele às vezes é já demasiado maduro para os ainda vinte e sete anos que carrega. A esperança é outro sentimento muito presente neste álbum e Fink tenta mostrar-nos que a família e os amigos são núcleos essenciais nas nossas vidas.
Numa época onde abundam propostas de cariz mais sombrio e lo fi, no quarto disco da carreira os Noah And The Whale utilizam todo o seu potencial e continuam a fazer o que mais sabem; Canções com uma forte aúrea pop e a estabelecerem uma ponte perfeita entre a melancolia, o romance, a dor da perda e uma certa paz de espírito carregada de sabedoria. Espero que aprecies a sugestão...
01. Introduction
02. Heart Of Nowhere
03. All Through The Night
04. Lifetime
05. Silver And Gold
06. One More Night
07. Still After All These Years
08. There Will Come A Time
09. Now Is Exactly The Time
10. Not Too Late
Lançado no passado dia vinte e nove de abril na Europa por intermédio da Loose Records, The Mountain Moves é o disco de estreia dos Treetop Flyers, um quinteto de Londres formado por Reid Morrison, Sam Beer, Tomer Danan, Laurie Sherman e Matthew Starritt e que procuram apropriar-se de um género musical com profundas raízes na terra do Tio Sam.

Apesar de serem ingleses e estarem sedeados em Londres, é na solarenga Califórnia que os Treetop Flyers encontram inspiração para a sua música, até porque o disco foi gravado em Malibu e o baterista, Tomer Danan, é norte americano. Catapultados pelo sucesso de nomes tão consagrados como os seus conterrâneos Mumford & Sons, cujo disco Babel foi laureado no último Grammy com o troféu de Álbum do ano, este grupo assenta a sua sonoridade no folk rock que a partir da década de sessenta começou a ser proposto por nomes tão influentes como os the Byrds e os Crosby, Stills, Nash & Young. Eles vão mesmo tentar a sua sorte no outro lado do atlêntico já que também assinaram com o selo norte americano Partisan Records e verão The Mountain Moves ser editado nos Estados Unidos a vinte e cinco de junho próximo.
The Mountain Moves sucede aos EPs Bury To Past e Things Will Change, foi produzido por Noah Georgeson e segue as mesmas referências biblícas dos já citados Mumford & Sons. É um álbum com onze canções assentes numa instrumentação e produção impecável e vocalizações muito peculiares, partilhadas por Sam Beer e Reid Morrison, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e descomplicadas.
Apesar do foco sonoro do conteúdo do disco estar centrado na folk rock, também há alguns detalhes típicos do rock britânico que era feito pelas clássicas guitarras dos Faces e dos Rolling Stones, principalmente no sublime e enérgico tema de abertura, Things Will Change, o primeiro single já retirado do disco e em Waiting For You, canção que facilmente nos trasnposta até ao universo dos anos setenta e dos Fleetwood Mac. Postcards destaca-se um pouco das restante canções já que tem uma componente mais pop e poderá ser um potencial single do disco, com o objetivo de demonstrar que também há um certo ecletismo no som dos Treetop Flyers.
The Mountain Moves equilibra com sapiência elementos do rock, do country e da soul, conta histórias e retrata imagens que poderiam ser vividas por qualquer um de nós em cada uma das onze canções, é um excelente álbum de estreia e representa um bom augúrio relativamente ao futuro deste grupo, que poderá ser o próximo a conquistar o outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...
01. Things Will Change
02. Houses Are Burning
03. Waiting On You
04. Rose Is In The Yard
05. She’s Gotta Run
06. Haunted House
07. Postcards
08. Making Time
09. Picture Show
10. Storm Will Pass
11. Is It All Worth It

Depois de Giants Dreamers, álbum editado no verão passado e que divulguei oportunamente, os Bravestation dos irmãos Devin Wilson (voz e baixo) e Derek Wilson (guitarra) e de Andrew Heppner (teclados e sintetizadores) e Jeremy Rossetti (bateria e percurssão), estão de regresso aos discos com IV, um EP editado no passado dia catorze de maio. Entretanto já divulgaram alguns singles desse novo álbum, sendo o mais recente Somewhere We Belong, canção disponível para download no bandcamp da banda, assim como o restante EP.
Liricamente, as quatro canções deste EP contam histórias que misturam fantasia com realidade e que depois ganham vida com canções emotivas, luminosas e cheias de cor (We use emotional experiences from real life and try to recreate them in another world).
Sonoramente, estes quatro rapazes de Montreal, no Canadá, misturam elementos do R&B com a new wave e a eletrónica, criando paisagens sonoras com uma atmosfera e abordagem tendencialmente pop. Conseguem colocar uma elevada dose de groove nas canções, salientadas pelo ligeiro abanar de ancas que proporcionam. Os anos oitenta estão bastante presentes, quer nos efeitos hipnóticos colocados na voz, como nos sintetizadores, que recriam a sonoridade típica dessa década. E, à semelhança do que acontece com outros projetos similares contemporâneos, é possível sentir aqui que a abordagem a esses gloriosos anos da pop soa, ao mesmo tempo, como um retrocesso temporal, mas também algo sonoramente futurista. Confere...
01. All We Have Is Us
02. Somewhere We Belong
03. Ancient Kids
04. Rain Child
Snowden é um projeto musical indie, alternativo e experimental liderado pelo músico Jordan Jeffares, natural de Austin, no Texas. A banda formou-se em Atlanta, já em 2003 e estrearam-se nos discos três anos depois com Anti-Anti, através da Jade Tree. Após a separação desta editora e de uma mudança para Chicago e depois para Brooklyn (Nova Iorque), com outra passagem por Atlanta no meio (confuso?), Jeffares regressou a Austin e assinou pela Serpents & Snakes, a primeira editora dos Kings Of Leon. Em fevereiro do ano passado entrou em estúdio e assim tiveram início as gravações de No One In Control, álbum que viu a luz do dia recentemente e cujo grande destaque é o single The Beat Comes. Esta canção já é conhecida desde o verão passado e tem um vídeo, realizado por John Merizalde. O tema foi já alvo de várias remisturas, entre as quais destaco a do projeto Lane 8, disponível abaixo para download gratuito. Apesar de Snowden ser essencialmente um projeto a solo de Jordan Jeffares, entraram novos membros na banda e que já estão a tocar nos concertos de promoção deste novo trabalho dos Snowden; Falo de Keith Vogelsong, Yoi Fujita, Mikey Jones, Chandler Rentz, Corinne Lee e David Payne.

Há sempre magia quando a literatura e a música se encontram e esse cruzamento é feliz nos Snowden já que além do projeto ser inspirado no nome de um personagem do best-seller de Joseph Heller Catch-22, no conteúdo de No One In Control, a habilidade de Jordan para a escrita e composição musical é muito visível. Esta capacidade de conjugar os dois mundos artísticos recorda um pouco Paul Banks e os Interpol, com o disco a ter um conteúdo algo sombrio e ao mesmo tempo dançável, assente numa percussão vincada, um baixo pulsante e uma sintetização muito intensa, carregada de loops e efeitos e letras profundas e com uma elevada sensibilidade emocional.
Logo na abertura, o cariz épico do tema homónimo, reforçado por uma voz intensa e pouco convencional, apresenta muito bem esta riqueza sonora, que atinge o auge na já citada The Beat Comes, uma animada canção, com uma distorção de guitarra frenética, uma toada que anima os espíritos mais taciturnos e com uma letra memorável (Bop your head till the beats comes, keep your mouth off the canon, I shiver down south, there’s no way to go back now). A constante repetição do refrão de So Red faz do tema um instante romântico que arrebata qualquer coração (I could be a poet but we don’t have time); É uma daquelas canções que poderias ouvir indefinidamente que descobririas nela sempre um detalhe novo. Mas também destaco o refrão que sera sera do tema Not Good Enough, o monumento rock que é Hiss e Keep Quiet, o single mais recente retirado de No One In Control, um excelente exemplo da capacidade criativa dos Snowden. A canção começa com uma bateria e um registo vocal algo desconexo mas muito atmosférico que rapidamente te atrai e te deixa pregado a ela durante os quase seis minutos de duração.
Em No One In Control os Snowden demonstram que é possível fazer música que prova que ninguém consegue controlar completamente as suas emoções quando experimentam a beleza e o verdadeiro sentido de uma vida vivida em pleno e onde as possibilidades são ilimitadas. Espero que aprecies a sugestão...
01. No One In Control
02. So Red
03. Anemone Arms
04. The Beat Comes
05. Hiss
06. Keep Quiet
07. Don’t Really Know Me
08. Not Good Enough
09. Candy
10. No Words No More
11. This Year
Os French Films de francês só têm o nome já que são um quinteto indie rock natural de Helsinquia, Finlândia, formado por Johannes Leppänen (voz e guitarra), Joni Kähkönen (voz e guitarra), Mikael Jurmu (voz e baixo), Santtu Vainio (teclado, percurssão e guitarra) e Antti Inkiläinen (bateria). Lançaram em 2010 o EP Golden Sea e em setembro de 2011, Imaginary Future, o disco de estreia, que na altura divulguei e que fez parte da minha lista dos melhores desse ano. Agora, chegou finalmente o sucessor. O novo trabalho do grupo finlandês chama-se White Orchid e viu a luz do dia novamente através da GAEA Records.

Se o EP Golden Sea foi muito bem recebido pela crítica do rock independente, Imaginary Future, o tal disco de estreia, tinha a mesma sonoridade do EP, ou seja, um rock sujo e lo fi, uma espécie de surf rock com um pé no post punk de um grupo cujo som lembra as praias da Califórnia e um nome que remete à Nouvelle Vague. Assim, todos os trabalhos da banda, incluindo este White Orchid, são bastante homogéneos e facilmente identificáveis para quem estiver já minimamente familiarizado pelo grupo. Obviamente que esta constatação acaba por ser uma faca de dois gumes já que quem os aprecia delicia-se com esta nova coleção de canções e quem esperava por algo diferente e uma inversão inesperada na sonoridade do grupo, sentir-se-á defraudado com esta nova etapa dos French Films. Talvez isso venha a suceder no terceiro disco...
No My Space da banda os French Films estamparam rostos do francês Serge Gainsbourg e dos Jesus and Mary Chain e descrevem a sua música como sendo inspiradas no inverno frio e escuro. Mas White Orchid é a banda sonora de um dia de verão, um cardápio de surf rock, com trinta e serte minutos de canções curtas mas vibrantes. Existem boas letras, arranjos assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e criativa e com alguns efeitos e detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta. A bateria e a secção ritmíca são bastante aceleradas, surgindo ali no meio Latter Days, a fazer de contraponto ao restante conteúdo, graças a um noise diferenciado e a uma melodia mais aberta e luminosa. Em Into Thousand Years a banda também diminui um pouco o ritmo, até porque depois de oito canções, os French Films perceberam que seria bom abrandar um pouco e em boa hora o fizeram.
Em toda esta toada descontraída e ao mesmo tempo visceral, estes finlandeses conseguem juntar uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante dançável. Vale a pena ouvir o disco todo, sem parêntesis e pausas, com uma atitude descontraída e jovial, já que certamente fará o ouvinte antecipar o verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...
01. White Orchid
02. Where We Come From
03. Ridin’ On
04. Special Shades
05. All The Time You Got
06. Latter Days
07. Long Lost Children
08. Juveniles
09. Into Thousand Years
10. 99
Lançado no passado dia vinte e três de abril pela Mute, Junip é o homónimo disco dos Junip, um porjeto sueco liderado por José Gonzaléz e que também incluí o baterista Elias Araya e Tobias Winterkorn nas teclas. Apesar de José González ser o grande líder e mentor deste projeto, ele próprio procura sacudir um pouco a água do pacote em relação à sua relevânvcia no processo criativo e conceptual dos Junip, afirmando que este álbum é disco de toda a banda; All the ups and downs were very ‘Junip, (...) so titling it with our name seemed appropriately iconic. It’s truly a band album. Line Of Fire e Your Life Your Call são os dois singles já conhecidos deste álbum e foram disponibilizados para download gratuito.

O folk rock e alguma psicadelia são as traves mestras de Junip, um conjunto de dez canções competentes na forma como abarcam diferentes universos dentro de um mesmo cosmos, que misturam harmoniosamente estes estilos com a voz suave de González, sendo este um álbum pop, em toda a sua elegância e sofisticação. Os arranjos são bem feitos e prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação da guitarra e da bateria com o órgão e com sons de um sintetizador analógico.
O tempo é um dos fatores determinantes para se entender este disco, um tempo que se revela na rapidez com que os dez temas passam e na maturidade que eles transpiram. A abertura com Line of Fire já deixa isso bem claro; Com uma interessante progressão, a música acumula timbres e camadas, que atingem um clímax nos versos With no one else around you, no one to understand you, no one to hear you calls, usados para contar que, em situações muito tensas, é natural que haja quem desista de lutar. É triste quando isso acontece, mas não é preciso fazer disso um drama. A já citada maturidade é destilada quando José González, na sua escrita, mantém uma postura mais observadora do que propriamente de protagonismo, devido a uma já interessante experiência de vida.
Suddenly plasma as mesmas melodias bonitas e a viola de González mantém-se fiel a esse mesmo espírito. Depois, vem So Clear, tema que injeta uma energia maior ao álbum, juntamente com Villain, a canção que encerra a primeira metade do disco. Entre as duas está a simpática Your Life Your Call com o refrão stand up or enjoy your fall, a ser mais um atestado de maturidade do autor.
A segunda metade de Junip começa com Walking Lightly, a canção mais longa do álbum; Com uma letra concisa mas densa, o tema tem uma cadência calorosa e envolvente e as canções seguintes continuam a misturar a realidade da vida com a beleza que ela pode ter, algo bem patente no refrão iluminado de Head First e na sonoridade peculiar do baixo de Baton. Por outro lado, Beginnings é a canção mais sombria de todo o disco, um tema que se arrasta por cinco minutos como uma ressaca melancólica, algo que se altera com After All Is Said And Done, a última música do álbum. Essa canção serena, doce e reconfortante, fala da tal questão do tempo, ouvindo-se mesmo pequenos sons de relógios fora do compasso da música, o que reproduz a tensão de quem vê o tempo correr e precisa lidar com isso da melhor forma que pode e sabe.
Enquanto muitas bandas se esforçam para denotarem maturidade de um disco para o outro, os Junip preocuparam-se mais em apresentar um disco que é uma espécie de sortido de diferentes sabores, uma coleção de canções seguras, sensíveis e que sirvam para comunicar com o ouvinte. É um álbum excelente para quem julga a beleza não é óbvia, mas algo que pode ser encontrado onde menos se espera e para quem raramente viva em pólos opostos e tem o descomplicador sempre ligado. Espero que aprecies a sugestão...
01. Line Of Fire
02. Suddenly
03. So Clear
04. Your Life, Your Call
05. Villian
06. Walking Lightly
07. Head First
08. Baton
09. Beginnings
10. After All Is Said And Done
Os Generationals são uma dupla norte americana indie pop de New Orleans, formada por Ted Joyner e Grant Widmer. Heza é o terceiro disco do grupo, editado no passado dia dois de abril por intermédio da Polyvinyl Records. A banda estreou-se nos discos em 2009 com Cow Law e em 2011 editaram o sucessor, Actor-Caster.

Os dez temas de Heza circulam entre abordagens mais electrónica como num indie sombrio e nublado, sempre com uma base melódica muito elaborada e coesa, que poderá cair facilmente no goto do grande público, com especial destaque para Put A Light On, já uma das canções do ano. O vídeo da canção foi filmado na própria New Orleans, cidade natal dos artistas. Dirigido por Vice Cooler, o filme capta os membros da banda, assim como os próprios moradores da cidade, que aparecem a dançar e a preparar-se para colocar as fantasias características dos tradicionais festivais realizados anualmente nessa cidade.
Depois de Con Law e do sucessor Actor-Caster, Heza pode pôr-nos a cantarolar e a bater palmas ao som do seu conteúdo, mas não deixa de ser o disco mais experimental da carreira dos Generationals, um álbum onde experimentarem abordagens sonoras que ainda não se tinham ouvido nos antecessores, numa tentativa de tornarem mais pronunciadas as influências que os norteiam, quase sempre relacionadas com os teclados típicos do anos oitenta. Assim, Heza é um disco pouco uniforme, já que essas experimentações novas, ao aumentarem o universo sonoro deste grupo norte americano, fizeram com que a variedade sonora presente tivesse uma elevada amplitude. Seja como for, uma toada animada, luminosa e feliz é algo transversal ao conteúdo musical que a dupla propôe em 2013, indo da Spinto Band, aos Noah and The whale, passando mesmo, numa vertente mais rock, pelos The Black Keys.
Heza é um bom e animado disco, apropriado para o verão que não deverá tardar, com uma toada pop, apesar da tal essência experimental e que deve ser escutado sem demasiadas expetativas e sem grandes compromissos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Spinoza
02. Extra Free Year
03. Say When
04. You Got Me
05. Put A Light On
06. I Never Know
07. Awake
08. Kemal
09. I Used to Let You Get to Me
10. Durga II
Os canadianos Born Ruffians já têm sucessor para Say It (2010); O novo álbum da banda de Luke Lalonde, Mitch Derosier, Steven Hamelin e Andy Lloyd chama-se Birthmarks e viu a luz do dia a dezasseis de abril por intermédio das Paper Bag Records e Yep Roc Records.

Birthmarks é o álbum que atesta o amadurecimento dos Born Ruffians, a passagem para um outro estádio de maturidade musical, que será certamente reflexo do próprio crescimento pessoal dos músicos da banda, que deixaram já a adolescência e início da juventude que suportou os três primeiros discos do grupo, para agora, trocarem os temas adolescentes por outros mais condizentes com a idade, que também trouxe mais preocupações e responsabilidades.
Assim, liricamente, Birthmarks é um álbum adulto e volta a atestar a competência e o talento da escrita de Luke Lalonde, um rapaz que já merece maior destaque no cenário musical alternativo atual, apesar de ele nunca se ter importado muito com arranjos e formatações líricas e melódicas capazes de atingir a maior parte do público. Sonoramente, Birthmarks volta a assentar nas já habituais guitarras agudas e no baixo e bateria marcantes, mas foi composto de forma menos espontânea que os antecessores, devido também à presença em estúdio do metódico produtor Roger Leavens, que trouxe aos arranjos do álbum maior clareza, robustez e uma sonoridade claramente mais pop.
Não deixam de ser inevitáveis normais comparações com outros projetos de relevo do cenário musical atual; Needle, a canção de abertura e principal single e a lindíssima Never Age assemelham-se, em diversos momentos, com a sonoridade dos Fleet Foxes, With Her Shadow inspirou-se em composições dos Vampire Weekend e Ocean's Deep poderia ter sido uma canção idealizada por Luke Pritchard e assim fazer parte do alinhamento de um disco dos The Kooks. Noutra órbitra mais nostálgica, Permanent Hesitation remete-nos para a new wave dos Talking Heads, assim como Too Soaked To Break, canção cheia de referências da década de oitenta. Finalmente há que destacar So Slow, canção que tem um timbre R&B muito interessante e algo inédito nos Born Ruffians.
Birthmarks é o disco mais maduro da discografia desta banda canadiana, denota uma progressão lírica louvável e tem a vantagem de não colocar ainda os Born Ruffians numa zona de conforto, deixando tudo em aberto relativamente ao percurso sonoro que o quarteto ainda pode vir a desenhar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...
01. Needle
02. 6-5000
03. Ocean’s Deep
04. Permanent Hesitation
05. Cold Pop
06. Golden Promises
07. Rage Flows
08. So Slow
09. With Her Shadow
10. Too Soaked To Break
11. Dancing On The Edge Of Our Graves
12. Never Age
Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.
Entretanto já chegou o terceiro álbum; Lançado no passado dia oito de fevereiro e disponível para audição no bandcamp da banda, Chromatisms é o novo disco dos The Soft Hills, um trabalho carregado de referências literárias e que incorpora referências a sonhos e visões que fazem da audição do mesmo uma experiência algo mística que nos leva até ambientes mitológicos, através de nuvens sonoras cheias de magia e melancolia.
Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofunda a sonoridade proposta pelo disco anterior. Contendo Riding High e Sweet Louise (o primeiro single retirado do disco), dois temas impregnados com a sujidade de um Neil Young, uma acidez lírica e com profundas raízes no rock, não deixam de abordar também os caraterísticos sons da folk, nomeadamente em Dear Mr. Moonlight e na soturna On The Beach, dois temas que devido às guitarras e à percurssão me soaram a um cruzamento feliz entre Fleet Foxes e Pink Floyd.
Mas Chromatisms não se baliza apenas por estas duas tendências sonoras; Há um momento épico em Mighty River e depois chega-nos o centro espiritual do disco com Payroll e a belíssima linha melódica de Un; Estes dois temas estão cheio de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e por tiques típicos da psicadelia, devido aos ecos e ao reverb das guitarras.
À imagem do que fazem os seus primos Fleet Foxes e My Morning Jacket, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, sendo Chromatisms um convite feito por Hobba e os seus companheiros para uma viagem sonora pelo interior desse país e das suas raízes, através de uma escrita que apela a tradições e eventos do passado, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...
01. Riding High
02. Sweet Louise
03. Marigolds
04. Dear Mr. Moonlight
05. Payroll
06. Un
07. Horse And Carriage
08. The Gifts You Hide
09. Mighty River
10. Desert Rose
Depois de CarrionCrawler/The Dream, disco editado em 2011 e que divulguei na altura e de Putrifiers II, os Thee Oh Sees de John Dwyer e Brigid Dawson, os músicos por detrás deste projeto natural de São Francisco, estão de regresso com Floating Coffin, álbum editado no passado dia dezasseis de abril por intermédio da Castle Face Records, editora do próprio John Dwyer.
Uma das principais permissas evidentes no cenário do rock alternativo da costa oeste carateriza-se pela existência de bandas onde a figura criativa central está concentrada num só músico. Ty Segall, Tim Presley dos White Fence e John Dwyer destes The Oh Sees, são exemplos concretos de músicos que lideram grupos que misturam o rock de garagem com a psicadelia e assim constroem experiências musicais hipnóticas e lisérgicas que não são mais do que a materialização do que sonoramente vagueia pela mente de cada um deles.
Floating Coffin tem um conteúdo sonoro que abarca a sonoridade surf rock dos anos sessenta e os elementos do rock clássico dos anos setenta, enfeitados com as cores da psicadelia e a aceleração do punk, até alcançar o rock de garagem, num resultado final feito de uma massa de sons camuflados pelo toque sempre caseiro dos ruídos. São colagens absorvidas pela capacidade do músico em produzir um som que mesmo referencial, encontra na maturidade pop das letras um rumo distinto que firma um vínculo muito próprio com o ouvinte.
Assim, neste novo disco dos Thee Oh Sees, Dwyer continua a sequência que havia iniciado há dois anos. Sustentado pelas mesmas experiências instrumentais que se ouve em Castlemania e Carrion Crawler/The Dream, este recente álbum traz no uso orquestrados das guitarras um exercício de estimulo para manter o ouvinte atento durante toda a obra. Seja pelo uso de sons mais sérios (Night Crawler) ao uso de canções que brincam com a psicadelia mais convencional (Strawberries One & Two), a forma como são apresentadas as distorções e ruídos flui como a linha condutora de todo o trabalho.
Movido pela agressividade, mas sem o desprezo pelo uso coerente de melodias, Toe Cutter/Thumb Buster, caberia muito bem no Lonerism dos Tame Impala e, no sentido oposto, No Spell, assentaria perfeitamente no Days dos Real Estate. Também há aproximações ao hardcore em Maze Fancier e experimentações insutiadas em Tunnel Time.
Em suma, Floating Coffin é mais uma prova da imensa maturidade dos Thee Oh Sees e mostra a capacidade do seu líder em se aproximar cada vez mais do grande público, mas mantendo-se fiel ao ambiente desconcertante que tanto gosta de plasmar nas suas criações sonoras. Espero que aprecies a sugestão...

01 I Come From the Mountain
02 Toe Cutter – Thumb Buster
03 Floating Coffin
04 No Spell
05 Strawberries 1 + 2
06 Maze Fancier
07 Night Crawler
08 Sweet Helicopter
09 Tunnel Time
10 Minotaur

Um ano após o lançamento do álbum Coyote, o norte americano Mesita, ou seja, o músico de vinte e quatro anos James Cooley, natural de Denver, no Colorado, acaba de divulgar um novo EP. A belíssima coleção de quatro canções chama-se XYXY, foi lançada no passado dia vinte e três de abril e está disponível para download no bandcamp do músico, graças também à sempre louvável generosidade do mesmo.
Mesita é um projeto que tem em Sufjan Stevens e os Sea And Cake algumas das suas principais influências. O EP começa com Alone Is Okay, um tema introdutório e com um forte teor introspetivo, guiado por um piano muito melódico, alguns metais e a voz de James em falsete. Depois, Hostages mantém o mesmo piano, mas já inclui uma percussão sintetizada, com uma certa toada soul e a mesma voz de James, mas agora em coro, algo que amplia o pendor emocional do tema. De seguida chega o grande destaque do EP; Kingston é uma canção conduzida por uma percussão rápida e aditiva, acompanhado por um baixo em groove, um sintetizador cheio de loops e efeitos e a voz em eco e quase impercetível do músico a espalhar sensualidade e hipnotismo à canção. Para o fim, chega o tema homónimo, uma canção cheia de charme e com uma nova batida, também rápida mas com algumas variações e os efeitos metálicos de sempre, que incluem cordas e instrumentos de sopro.
XYXY são cerca de quinze minutos muito inspirados de um músico que entretanto já está de regresso ao estúdio para compôr e gravar novos temas pelo que em breve deverão haver novidades de Mesita para podermos disfrutar. Espero que aprecies a sugestão...
Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011, Kurt Vile está de regresso com Wakin On A Pretty Daze, álbum lançado no passado dia nove de abril por intermédio da Matador Records. Never Run Away é o primeiro single já conhecido deste disco proposto por um músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elécrica.

Kurt Vile parece ter encontrado um ponto de equilíbrio dentro das composições e dos sons que propôe há já uma década. Ancorado em músicas cada vez mais confortáveis, o compositor vem desde 2008, com Constant Hitmaker, trilhando caminhos sonoros feitos de guitarras simples e uma voz emocionada e romântica, sem nunca pôr de lado uma certa toada psicadélica. Wakin on a Pretty Daze acaba por ser uma sequência do que já tinha proposto há dois anos, mas agora ele procura posicionar-se no universo indie num lugar cada vez mais amplo, já que não se limita apenas às confissões românticas e caseiras, mas também busca, através de pequenas viagens lisérgicas tratadas na instrumentação ou no uso de letras que rompem com a proposta intimista do trabalho passado, ser menos tímido e mais grandioso.
Em Wakin On A Pretty Daze mantêm-se as viagens ao rock psicadélico da década de setenta, mas Vile abre a porta para que as suas músicas se derramem em versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos que costuma abordar, mas com a diferença de que agora eles olham para o mundo e não apenas para uma exposição das suas emoções intrínsecas. É como se o músico deixasse o seu ambiente para caminhar pelo mundo real, algo audível nas imensas passagens instrumentais que pintam aqueles que poderiam ser os tais possíveis pontos de silêncio da obra. Músicas enormes como Goldtone, Too Hard e Was All Talk, todas na casa dos oito minutos, manifestam instrumentalmente as reformulações plasmadas neste novo disco.
Pela forma como os arranjos se acomodam, não é difícil encontrar uma aproximação ao que Neil Young produziu no começo da sua carreira, deixando para os instantes mais comportados uma forte relação com a obra de Nick Drake, nomeadamente quando propôe melodias mais convencionais (Girl Called Alex) ou na forma como, por exemplo em Too Hard, derrama os versos da canção com um certo pendor bucólico. Nos temas mais rápidos do álbum, Vile acaba por deixar-se levar pelo que de mais comercial e coerente existe na música atual, principalmente na folk de Snowflakes Are Dancing ou no rock leve de Never Run Away, o tal single já divulgado e a canção mais pop do disco.
Kurt Vile jamais se perde no caminho, mesmo quando inova com as tais passagens instrumentais extensas que discutem amor, saudade ou meras futilidades diárias, como se o músico apenas observasse o tempo passar e fosse capaz de descrever cada mínimo aspecto sobre ele. Wakin On A Pretty Daze é, por isso, uma obra que exige tempo, mas que garante acrescentar algo ao ouvinte no final. Espero que aprecies a sugestão...
01. Wakin On A Pretty Day
02. KV Crimes
03. Was All Talk
04. Girl Called Alex
05. Never Run Away
06. Pure Pain
07. Too Hard
08. Shame Chamber
09. Snowflakes Are Dancing
10. Air Bud
11. Goldtone
Lançado pela Jagjaguwar no passado dia dois de abril, Until In Excess, Imperceptible UFO é o quarto disco da carreira dos The Besnard Lakes, uma banda de Montreal no Canadá formada pelo casal Jace Lasek e Olga Goreas e ainda Kevin Laing e Richard White. Until In Excess, Imperceptible UFO sucede a Are the Dark Horse e a Are the Roaring Night.

Os The Besnard Lakes são uma banda de indie rock psicadélico, com uma sonoridade descrita como uma espécie de space rock que se cruza com a típica dream pop. Com a participação especial de Spencer Krug e Mike Bigelow dos Moonface e da harpa de Sarah Page dos The Barr Brothers, Until In Excess, Imperceptible UFO é uma obra grandiosa que aproxima este quarteto do que propuseram Brian Wilson e Roger Waters em Pet Sounds e Dark Side Of The Moon, respetivamente. É um conjunto de oito canções, todas entre os cinco e os sete minutos, que ilustram bem essa descrição porque cada uma delas é uma peça de um enorme puzzle que juntas criam uma atmosfera sonhadora e plena de hipnotismo, muito por culpa também da voz única de Olga, que se destaca em particularmente em People Of The Sticks, o primeiro single retirado do álbum.
As músicas contêm momentos de pura inspiração lírica envolta em guitarras deambulantes e, como seria de esperar, movimentadas por uma percussão assente no rock. Este cocktail sonoro cria uma atmosfera às vezes difícil de catalogar, com momentos simultaneamente intimistas e explosivos e etéreos e bombásticos, algo plausível num grupo que sempre apresentou trabalhos conceptuais, relacionados com temas como a guerra e a espionagem.
O próprio título deste álbum indicia o seu conteúdo algo misterioso e neste quarto trabalho dos The Besnard Lakes houve uma expansão do que sempre propuseram, visando atingir o tal space rock, já que tanto as letras como a própria sonoridade pretendem levar o ouvinte até outras dimensões do chamado universo sci-fi, difíceis de catalogar, mas certamente pouco terrenas. Logo no início do tema At Midnight ouvimos Goreas a cantar What was that sound I heard that suddenly appeared? e em The Specter mantém-se este código lírico e bitola intrigante quando se escuta Can you hear me knocking from the other side?
Until In Excess, Imperceptible UFO é a banda sonora de uma viagem a um mundo superior, hipnótico e psicadélico, idealizado pela própria banda como se a sua música fosse uma extensão das dúvidas destes quatro músicos que parecem não duvidar da existência de outros mundos paralelos e servisse para responder a questões existenciais e fazer com que outras surjam durante a audição. Espero que aprecies a sugestão...
01. 46 Satires
02. And Her Eyes Were Painted Gold
03. People Of The Sticks
04. The Spectre
05. At Midnight
06. Catalina
07. Colour Yr Lights In
08. Alamogordo
Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e que divulguei na altura, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Caveman, um homónimo lançado no passado dia dois de abril por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico folk rock norte americano.

Forjado num celeiro de New Hampshire, propriedade da avó de Iwanusa, Caveman é resultado de longas jam sessions, dentro de uma sonoridade post rock que tinha tido alguns lampejos na estreia e que caraterizava as anteriores bandas dos elementos do quinteto, veteranos e profundos conhecedores do cenário musical nova iorquino (We’d all sit in this one room together and one by one we’d all go into the bathroom and record ourselves making the most psycho noises possible.).
No entanto, apesar do nome e dessa herança, Caveman não tem muito de cavernoso e obscuro, pois até é um disco com uma sonoridade bastante pop e folk, ouvindo-se apenas algum barulho e distorção aqui ou ali. As canções destacam-se pela voz de Matthew e pela vigorosa bateria de Stefan, havendo lampejos de pop (My Time), de alt country (Old Friend) e experimentações etéreas (Over My Head e I See You), que chegam a pisar territórios explorados pelos Radiohead ou Pink Floyd, apesar dos Fleet Foxes serem o projeto que mais vezes assalta a nossa memória durante a audição deste homónimo. In The City, o single já retirado do álbum, acaba por ser o seu maior destaque, um tema que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje é reproduzida com mestria, por exemplo, pelos The Antlers.
Numa época em que muitos criticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção o habitual síndroma do segundo álbum, assentando essa permissa numa habilidade lírica incomum, apesar da temática das canções ser algo generalista e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.
Não há uma total reconstrução da sonoridade estética de Coco Beware, disco que foi dominado pelas guitarras, mas em Caveman há um notório amadurecimento na forma da banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que, apesar de fazer com que tenham perdido alguma daquela espontaniedade que as guitarras geralmente permitem que exista, potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

01. Strange To Suffer
02. In The City
03. Shut You Down
04. Where’s The Time
05. Chances
06. Over My Head
07. Ankles
08. Pricey
09. I See You
10. Never Want To Know
11. The Big Push
Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.

A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.
In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.
On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.
San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophies tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.
O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic termina com a hipnótica Oh No 2, canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.
We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...
In The Darkness
No Destruction
On Blue Mountain
San Francisco
Bowling Trophies
Shuggie
Oh Yeah
We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic
Oh No 2
No passado dias cinco de abril chegou aos escaparates, por intermédio da Soliti Music, Black Lizard, o homónimo de estreia dos Black Lizard, uma banda finlandesa formada por Paltsa-Kai Salama, Joni Seppänen (guitarra e sintetizador), Lauri Lyytinen (baixo) e Onni Nieminen (bateria e percurssão).
As sessões de gravação de Black Lizard decorreram entre Berlim e Helsinquia e contaram com a participação especial de Anton Newcombe dos The Brian Jonestown Massacre, sendo Love Is A Lie o primeiro single retirado deste trabalho. Os Black Lizard assentam a sua sonoridade no rock psicadélico e hipnótico, com raízes nos anos setenta, na senda de outras bandas atuais, nomeadamente os Brian Jonestown Massacre, Spacemen 3 ou os B.R.M.C., entre outros.
Para a sonoridade deste homónimo, com nove canções e quase quarenta minutos de duração, terá sido fundamental a ajuda de Anton Newcombe, durante as sessões de gravação que decorreram em Berlim. A simplicidade ao nível da percussão e uma abordagem direta por parte das guitarras em busca da tão ansiada sonoridade hipnótica psicadélica, acabam por ser dois grandes trunfos, com um cunho pessoal que faz dos Black Lizard mais do que apenas uma banda que recorre a uma súmula de influências sonoras.
Cada uma das canções do disco tem um selo próprio ou um detalhe diferente que a diferencia das demais. O disco começa com a simples Honey, Please, um tema muito ao estilo dos Spacemen 3; Depois, Love Is A Lie é uma escolha perfeita para single, principalmente pelos coros e pelo desempenho vocal, em especial ao nível dos coros. New Kind Of High prepara o caminho para Some Drugs, uma canção com uma batida constante altamente aditiva e Forever Gold é um brilhante momento pop, mesmo antes da atmosfera sombria que Thrill proporciona, uma canção muito próxima da sonoridade dos The Velvet Undferground, com a própria voz de Paltsa-Kai Salama a aproximar-se perigosamente do registo de um Lou Reed. Esta aproximação também é audível no final, em Fucking Up. Boundaries é uma das melhores canções do álbum, não só por inculir uma interessante variedade instrumental, que incluí a cítara, que lhe confere um elevado pendor hipnótico, mas por contar com o desempenho de Anton numa curiosa bateria elétrica.
Os finlandeses Black Lizard são mais um nome a ter em conta no universo musical psicadélico e apesar de se dedicarem a dar um cunho próprio a uma sonoridade que surgiu há quase quarenta anos, com este estreia colocaram-se na linha da frente de um grupo importante de bandas que voltaram a colocar no nosso roteiro sonoro o rock psicadélico e hipnótico. Espero que aprecies a sugestão...

Honey, Please
Boundaries
Dead Light
Love Is A Lie
New Kind Of High
Some Drugs
Forever Gold
Thrill
Fucking UP
Os suecos YAST formaram-se em 2007 na localidade de Sandviken e no ano seguinte mudaram-se para Malmö, sendo, desde então, uma banda formada por Carl Jensen, Tobias Widman e Marcus Norberg. Em 2010 o trio passou a quinteto com a entrada de Markus Johansson e Niklas Wennerstrand, o baterista e o baixista dos Aerial. YAST, o disco homónimo, foi editado no passado mês de fevereiro por intermédio da Adrian Recordings.

A habitual melancolia escandinava é a pedra de toque da indie pop açucarada dos YAST, feito com a habitual fórmula que usa guitarras luminosas e uma percussão sempre mais subtil do que propriamente muito grave e vincada. São canções que não deixam de ter uma certa toada épica e simultaneamente lo fi, dois ítens bem patentes no curto mas conciso single homónimo. Mas outro dos temas que destaco do disco é Stupid, canção onde o predomínio das cordas é notório, não só no baixo que conduz a melodia, como depois na viola e na distorção da guitarra.
As cordas acabam por ser o mel que adoça o processo de composição dos YAST, algo que se saboreia claramente neste conjunto de doze canções que terão outro sabor se forem escutadas num dia de sol radioso e que, por saberem aquela brisa fresca que tempera os dias mais quentes sem ofuscar o brilho do sol, poderão muito bem caber num ipod a caminho de uma das nossas praias no verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...

01. YAST
02. Rock ‘N’ Roll Dreams
03. Stupid
04. Robin
05. Believes
06. Heart Of Steel
07. I Wanna Be Young
08. Always On My Mind
09. Strangelife
10. Sick
11. The Person I Once Was
12. Joy
Os Suede estão de regresso aos discos com Bloodsports, o sexto álbum desta banda de rock alternativo britânica. Bloodsports foi editado no passado mês de março, sendo o primeiro trabalho da banda depois de um hiato de uma década, já que sucede a A New Morning, álbum de 2002. Nesse ano os Suede sairam de circulação na ressaca do movimento brit pop que liderou o rock alternativo na década de noventa e numa altura em que eram as bandas do lado de lá do atlântico, lideradas pelos The Strokes e pelos Interpol, que começavam a dar cartaz no universo musical alternativo.

Grupo que teve e tem como maiores referências os Smiths e os Commotions, os Suede andaram sempre à procura da direção certa e dos melhores cruzamentos sonoros dentro da esfera brit pop. Curiosamente, quando a banda se formou em 1989, num anúncio de jornal era pedido um baterista e o ex Smiths Mike Joyce candidatou-se ao cargo, mas logo desistiu quando percebeu que a sua anterior banda seria uma das bitolas dos Suede e que ele próprio poderia tornar-se num óbice dentro de um projeto que queria estabelecer uma identidade própria apesar de não renegar influências.
Ao longo da carreira, os Suede acabaram por conseguir estabelecer uma sonoridade muito peculiar e sua, graças não só à postura de Brett Anderson, o carismático líder, mas também devido aos detalhes sofisticados e aos arranjos únicos do guitarrista Richard Oakes. Não houve propriamente uma coesão em termos de sonoridade já que a discografia dos Suede não é particularmente homogénea; O primeiro álbum homónimo, editado em 1993, era um disco mais rock e Dog Man Star (1994) já mostrava uma faceta da banda mais obscura e de sonoridades sofisticadas. O terceiro, Coming Up (1996) mostrou um lado pop e melódico da banda, sendo até hoje o disco dos Suede mais bem sucedido comercialmente. Depois do experimentalismo em excesso com Head Music (1999) a banda lançou A New Morning (2002), trabalho cheio de arranjos acústicos e que apesar da qualidade não chamou muito a atenção do grande público.
Pouco mais de dez anos depois a banda regressa, curiosamente numa fase em que o retro e os anos noventa voltam a estar na moda e os Suede deixam para os fãs a possibilidade de eles próprios concluirem se o grupo foi capaz de lançar canções de qualidade e finalmente estabelecer a tal identidade que tanto procuraram toda a carreira. A própria banda deixa pistas já que em entrevistas recentes Brett Anderson disse que Bloodsports combina o lado mais lírico de Coming Up com os elementos obscuros de Dog Man Star.
Embora isso pareça estranho, não posso deixar de concordar que é esse o clima que permeia grande parte das canções deste novo álbum. Bloodsports está impregnado com os tais arranjos envolventes e sofisticados e transporta uma sensibilidade melódica muito aprazível. Há vários arranjos e riffs inspirados como em Snowblind e Starts And Ends With You e a melódica For The Strangers mostra um competente trabalho do guitarrista Richard Oakes e um clima que os Suede sempre exploraram de forma criativa. O primeiro tema do álbum, Barriers, talvez seja um dos pontos mais fracos do disco, mas gostaria de destacar a soturna Sometimes I Feel I'll Float Away, uma canção com uma toada inicial atmosférica, mas que depois cresce para um registo muito aditivo e linear. Gostei também da grandiosa Hit Me, tema que intercala uma excelente interpretação de Anderson com um trabalho habilidoso da restante banda. Já a fúnebre Always traz sons modulados e camadas sonoras que lhe dão um clima espectral.
Se no início de carreira os Suede não sabiam muito bem para onde iriam, após tantos discos lançados parece-me que ainda não terão chegado a um consenso sobre isso e talvez resida aí a sua maior virtude. Espero que aprecies a sugestão...

A série de reedições comemorativas dos R.E.M., a melhor banda da história do rock alternativo, continuará no dia catorze de maio com o álbum Green (1988), que completa 25 anos e foi o primeiro trabalho lançado pela multinacional Warner, depois dos primeiros seis álbuns da banda terem visto a luz doa por intermédio da independente I.R.S..
01. So. Central Rain (I’m Sorry)
02. Feeling Gravity’s Pull
03. Strange
04. King Of Birds
05. I Remember California
You Belong Here é o disco de estreia dos Leagues, um grupo norte americano natural de Nashville e formado por Tyler Burkum, Thad Cockrell e Jeremy Lutito, três músicos já com experiência e um passado solidificado na indústria musical local. O álbum viu a luz do dia a vinte e nove de janeiro deste ano por intermédio da Bufalotone Records e sucede a um EP homónimo lançado em 2011.

Este trio é uma das novas coqueluches do profícuo cenário indie de Nashville, devido essencialmente às suas meldias pop luminosas e aditivas, feitas com guitarras quase sempre límpidas, algo bem patente em Spotlight, o tema de abertura e primeiro single retirado do álbum.
Além de Spotlight, destaco, na sequência, a perfeição da bateria, a beleza do baixo e a melodia da guitarra do tema homónimo e depois as canções Lost It All e Friendly Fire. A última é uma balada dominada pelo piano e que exemplifica com mestria um dos grandes trunfos dos Leagues, que é a performance vocal de Thad, o vocalista, que canta quase sempre num registo agudo e que muitas vezes se confunde com uma voz feminina. Essa voz ganha novamente amplo destaque em Magic, um tema com fortes raízes locais já que o riff de guitarra remete-nos para Jack White e os coros que acompanham Thad, fazem da canção, um potencial sucesso, certamente com uma ainda maior amplitude quando interpretada ao vivo.
O amor e o romantismo são as temáticas abordadas em quase todas as canções, que narram aspetos comuns da vivência humana, retratando com proximidade sentimentos normais de serem extravasados por qualquer um de nós. Haunted, um dos temas que fazia parte do EP de estreia, é um exemplo paradigmático desta proximidade com o ouvinte: You came to me in a summer dream, you came to me in a mystery. All alone on a desert road at night. I saw you in a motel room, I found my way but I do not have a clue. All along, I felt you deep inside. Everybody has a heart worth breaking, everybody has someone that got away. Everybody has a love they’re looking for. Mas a já referida Friendly Fire, canção que encerra o disco, ao referir-se à temática da separação também emociona e arrebata qualquer coração, mesmo algum que seja menos propenso às coisas do amor: I wasn’t fighting with you, I was fighting for you. I was trying to do what I could do. And if it came across wrong, that wasn’t my intention. Sometimes I come across too strong, I think I just failed to mention. And if I ever hurt you, that was never my desire. You’ve been wounded by my friendly fire.
Nesta interessantíssima estreia, os Leagues não desejam que a inocência seja um adjetivo que qualifique You Belong Here, porque as canções abordam, antes de mais, a vontade de tirar partido do amor e de outras das coisas boas da vida mesmo quando esta tem momentos mais complicados. Espero que apreecies a sugestão...

01. Spotlight
02. You Belong Here
03. Haunted
04. Walking Backwards
05. Lost It All
06. One Hand
07. Magic
08. Mind Games
09. Pass My Way
10. Friendly Fire
Natural de Los Angeles, Colleen Green editou no passado dia dezanove de março Sock It To Me, o seu segundo álbum, por intermédio da etiqueta de Seattle Hardly Art. Heavy Shit e Time In The World são os dois singles já conhecidos deste álbum, criado por uma artista que aposta na simplicidade e que costuma subir sozinha ao palco, apenas com uma guitarra, uma beat box e um par de óculos.
No universo musical é comum a possibilidade de dividirmos os executantes e compositores em dois grandes grupos; Por um lado há aqueles que se destacam pelas suas composições grandiosas e carregadas de detalhes que procuram abarcar uma heterogénea míriade sonora e depois há quem prefira ser o mais simples possível, servindo-se de uma teia instrumental curta e, mesmo assim, conseguir criar um bom naipe de canções. Colleen Green insere-se claramente neste segundo grupo; É fácil imaginarmos a miúda no interior de um quarto completamente desarrumado e com uma guitarra na mão, apenas acompanhada por uma beat box, a fazer música. Sock It To Me remete-nos para a pop e para o punk dos anos sessenta, seguindo a tradição minimal de uns Ramones ou uns Beat Happening e, tentando ser mais atual, com algumas semelhanças com os primeiros trabalhos dos Best Coast. Há um certo charme implícito nas limitações que Colleen impôs ao conteúdo de Sock It To Me, mas também na sinceridade com que as admite já que, por exemplo, confessa que optou utilizar uma beat box em vez da tradicional bateria, porque não sabe tocar uma.
No que concerne às canções, Heavy Shit não tem o sintetizador que se destacava em Time in the World; porém, a artista tem o dom de saber lidar com a simplicidade e, ao mesmo tempo, situar-se numa zona de conforto onde é capaz de compôr belíssimas composições. Dois elementos fundamentais na música de Colleen Green são a distorção e uma certa toada lo fi. Ambos estão presentes, assim como uma postura vocal ímpar e guitarras bastante aditivas e com uma forte toada punk.
Além dos dois singles já citados, os fãs do filme True Romance irão apreciar a canção You're So Cool, já que se refere à relação entre a personagem Alabama, interpretada por Patricia Arquette e Clarence, interpretado por Christian slater. A temática das canções gira muito em redor de temas típicos de miúdas, algo que mais uma vez nos remete para a década de sessenta, já que também é devido à sensibilidade da escrita de Colleen, que ela recorda outras bandas desse período. When He Tells Me, Darkest Eyes e Every Boy Wants a Normal Girl, são três temas que o atestam já que falam de sentimentos e emoções típicas do universo adolescente feminino.
Sock It To Me conjuga e atualiza para 2013 o que de melhor existia nos grupos pop femininos dos anos sessenta e o punk da década seguinte, com melodias carregadas de charme, feitas com uma beat box, riffs de guitarra simples mas poderosos e alguma sintetização. É uma coleção honesta de canções onde não parece ter havido uma especial preocupação em compôr para a crítica, mas antes, com a tal simplicidade, criar a música que Colleen mais aprecia. Here's what I got. No questions. Espero que aprecies a sugestão...

01. Only One
02. Time in the World
03. You’re So Cool
04. Close to You
05. Sock it to Me
06. Darkest Eyes
07. Heavy Shit
08. Every Boy Wants a Normal Girl
09. Taxi Driver
10. Number One
Divulgado no Curtas... XCI, viu a luz do dia no início de novembro de 2012 Quadro, o novo disco dos Trêsporcento, uma banda de Lisboa formada por Tiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista). Quadro foi editado com selo da Azáfama e os singles de apresentação, Veludo e Cascatas, já estão disponíveis e a rodar em várias rádios e plataformas digitais. Quadro foi produzido e arranjado pelos próprios Trêsporcento e por Diego Salema Reis, tendo sido gravado por Diego Salema Reis e Nuno Roque e misturado no Islignton Arts Factory Studio, em Londres.
Recentemente também foi divulgado o vídeo de Cascatas, realizado por Tomás Paiva Raposo, com um conteúdo algo negro, cru e direto, em contraste com o teor colorido do filme divulgado anteriormente para Veludo. Quadro sucede a Hora Extraordinária, álbum de 2011, um trabalho que incluia o tema Elefantes Azuis e que fez furor na altura. A banda tinh-se estreado em 2009 com um EP homónimo.

De acordo com a entrevista que a banda me concedeu e que poderão conferir adiante, Quadro é um salto em frente no cardápio musical desta banda, já que tem um conteúdo mais maduro e dentra o processo evolutivo de composição que a banda tem sofrido desde que existe. Esta ideia de maturidade é a que salta mais à vista quando apreciamos a atualidade dos Trêsporcento, mas eles mantêm-se fiéis a si próprios e trilham o mesmo percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop, cada vez mais aberta e luminosa e sempre cantada em português. Esta opção pela língua materna acabou por ser, de acordo com a banda, uma escolha natural, justificada por ser a língua que utilizam para comunicar com os amigos e as pessoas que conhecem e, sendo a sua música também uma forma de comunicar e estabelecer redes, cantar em português parece-lhes ser o mais indicado. Aliás, esta tendência para um cada vez maior recurso a língua portuguesa pelas nossas bandas, é bastante atual, com destaque para os TV Rural, oLUDO, O Martin ou Manuel Fúria, só para citar três exemplos dentro da esfera sonora dos Trêsporcento.
Tematicamente, o Portugal contemporâneo e as pessoas que nele vivem e lutam diariamente pela felicidade e realização pessoais são a pedra de toque do conteúdo lírico de Quadro proposto por Tiago Esteves, algo que também comprova um nítido alinhamento do grupo com outras bandas que fazem da simplicidade e dos pequenos detalhes da existência humana, ideias passíveis de serem contadas, descritas e pintadas sonoramente, com sensibilidade e altivez, no seio de uma simples canção pop, cheia de luz, de cor e de esperança. Espero que aprecies a sugestão...

Depois de Trêsporcento (EP 2009) e Hora Extraordinária (CD 2011), Já chegou às lojas Quadro. Quais são as principais diferenças entre EP e o disco de estreia e o conteúdo sonoro este sucessor?
A principal diferença é ter sido o mais recente e só por isso já reflecte uma postura diferente dos seus antecessores. A nossa maneira de fazer música tem evoluído muito ao longo destes anos, este é talvez um álbum mais maduro.
Da capa de Quadro à temática das canções, parece-me que há aqui algo de conceptual, uma tentativa de pintar quadros sonoros que abordam explicitamente o dia a dia de um qualquer comum mortal, apesar do teor algo abstracto da capa do disco. Como chegaram à escolha do nome para o álbum?
A capa nasceu de uma experiência feita com o artista plástico Vasco Monteiro em que lhe pedimos que pintasse alguma coisa enquanto ouvia pela primeira vez o álbum. Esta experiência foi filmada para fazer parte do videoclipe da música Veludo e o resultado originou a capa do álbum, que por ser um quadro se chama Quadro.
Durante a audição de Quadro chamou-me particularmente a atenção a simplicidade da vossa escrita e a mestria com que encaixam as letras na melodia. Como é o processo de criação musical dos Trêsporcento? Surgem primeiro as letras, ou elas são criadas em função de melodias que entretanto vão surgindo?
Esse processo varia muito, umas vezes as letras são escritas primeiro que as músicas, outras vezes são escritas a pensar em melodias que já existem.
Onde se inspiram para escrever as vossas canções?
No dia a dia, no que nos envolve e em qualquer forma de arte. A leitura, o cinema e também a música são óptimas fontes de inspiração.
Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse. Quais são as vossas principais influências musicais?
Elas são variadas, desde Pink Floyd, Beatles, The Walkmen, Jonhy Cash, Radiohead e actualmente quase tudo o que se faz em Portugal.
O vídeo do single Cascatas, de acordo com o press release do single, pretende apresentar o lado menos colorido de Quadro, de intenções mais cruas e directas e foi filmado por Tomás Paiva Raposo durante o concerto de apresentação do álbum em Lisboa, e editado por Highopes Visuals. Como surgiu a ideia?
Foi uma escolha natural. Os planos do Tomás já nos tinham impressionado no primeiro vídeo que lançámos, Elefantes Azuis.
A banda tem uma canção preferida neste álbum?
Acho que cada um tem a sua preferida no entanto nos concertos gostamos de tocar a “quero que sejas minha”!
Cantar em português é uma opção para a vida, ou não está colocada de lado a hipótese de cantarem noutros idiomas?
Foi tão natural como falar com um amigo. Somos portugueses e falamos para portugueses logo ter que fazer uma escolha nem nos passou pela cabeça. Quem sabe o que o futuro nos reserva, todas as formas de expressão são válidas.
No passado dia seis de abril participaram e tocaram na grande festa da Azáfama, que decorreu no Teatro do Bairro,em Lisboa. Como correu? É importante para os Trêsporcento esta ligação à Azáfama?
Uma loucura, o espírito da família Azáfama surgiu a todo gás no meio daquele palco. Quem lá esteve não esquecerá tão breve e claro, sentimos orgulho em fazer parte de tudo isto.
Onde é que os leitores de Man On The Moon podem ver os Trêsporcento a tocar nos próximos tempos?
Para já em Lisboa, possivelmente na segunda semana de Maio. Estejam atentos ao Facebook.
O que podemos esperar do futuro discográfico dos Trêsporcento?
Falta no nosso portefólio um registo ao vivo e é muito provável que seja um projecto a realizar ainda este ano.
Ace Reporter é o projeto musical de Chris Snyder, um cantor, escritor, compositor e multi-instrumentisata de Brooklyn, Nova Iorque e Yearling o disco de estreia deste projeto, disponível para download gratuito no sitio da banda. Snyder formou este projeto depois de em 2010 os The States, a sua banda de sempre, terem terminado. Após quatro EPs que resultaram de uma iniciativa chamada threesixfive project, este músico, que começou a tocar violino com quatro anos, acabou por, na primavera do ano seguinte, escolher algumas das suas melhores canções e deu início ao processo de gravação de Yearling.

Este disco compila algumas das suas experiências pessoais mais marcantes e conta com as participações especiais do baterista Aaron Steele e do guitarrista Chris Kuklis, tendo sido misturado por Chris Grainger, engenheiro de som dos Wilco e dos Switchfoot, entre outros. A propósito do processo de gravação de Yearling, Chris referiu: During the threesixfive project, I had two hours every evening to write, record, and mix a new song. This meant that I had to give up on premeditation, whatever happened when I sat down to write became the song, period. I generally didn't bother to flesh out an idea before pushing the record button because I just didn't have time. Recording the album was an opportunity to see where a few of the songs could go beyond that.
O conteúdo de Yearling é diversificado e balança entre o pop rock melodioso de Untouched And Arrived, um tema onde as cordas e a bateria conjugadas com a voz de Snyder resultam na perfeição. Apreciei igualmente o groove de Collected Works e não posso ainda deixar de destacar os violinos que se podem escutar em If I See You Again.
Globalmente, Yearling acaba por relatar um ano da vida de um músico e poeta, um artista com uma enorme capacidade quer ao nível da escrita, quer da composição. Cada canção é um fragmento da sua existência e evoca diferentes locais, situações e momentos pelos quais passou e não apenas em Nova Iorque. O próprio Snyder assume que este disco é auto biográfico e o resultado de uma vontade explícita de fazer algo introspetivo e solitário, depois do fim dos The States. Suddenly I was a musician without a mission after The States broke up. I wanted to do something extremely solitary, and overnight the threesixfive project was born. The record feels like an inside-out biography, and the threesixfive project even more so, which is why the lyrics tend to oscillate between diary-like and impressionistic. The songs are snapshots of slippery, fragile moments, which are gone as soon as they come. Ace Reporter começou por ser um escape, mas agora, com Yearling na bagagem, Snyder tem argumentos sólidos para expandir este conceito e mostrá-lo ao mundo inteiro. Espero que aprecies a sugestão...
01. Bronze
02. Untouched And Arrived
03. Stick To
04. Into Chicago
05. Aesop
06. Arcadia
07. Collected Works
08. Guilttrip
09. Pepsicosign
10. If I See You Again
Já chegou às lojas Dormarion, o terceiro disco do projeto norte americano Telekinesis, lançado no passado dia doze de abril de 2013, via Merge Records. Dormarion foi produzido pelo baterista Jim Eno, dos Spoon, e por Michael Benjamim Lerner, o grande mentor e líder dos Telekinesis. Dormarion sucede 12 Desperate Straight Lines, álbum lançado em 2011.
Lerner escreveu as doze músicas de Dormarion no início de 2012, em sua casa e na residência dos seus pais, mas as mesmas só foram gravadas no final do verão desse ano, no estúdio do produtor, em Austin, no Texas, chamado Public Hi-Fi. Dormarion é o nome da rua onde esse estúdio se situa. Lerner e Jim Eno tocaram todos os instrumentos no disco, mas ao vivo, a banda também conta com Erik Walters (The Globes) na guitarra, Eric Elbogen (Sy Hi) no baixo, e Rebecca Cole (Wild Flag) no teclado.

Michael Benjamin Lerner voltou à atividade depois de dois anos sem inéditos e parece tê-o feito sem grande pressão já que Dormarion divide-se em canções que retratam ambientes muito confortáveis. Dividido entre a sua casa e o lar dos seus pais, o processo de escrita e composição foi fortemente introspetivo e os resultados só vieram à tona no final desse verão, altura em que Lerner se reuniu ao produtor Jim Eno, que, além de ser baterista dos Spoon, assistiu Michael na criação e nos processos técnicos deste álbum.
Em Dormarion a sonoridade dos Telekinesis regressa um pouco às origens, aproximando-se da tranquilidade intimista do disco homónimo de estreia, editado em 2009 e que foi quebrada com 12 Desperate Straight Lines, um álbum com uma sonoridade mais elétrica e próxima do rock n'roll. Nesta toada novamente mais tranquila, Dormarion é um resumo de anteriores experiências de Michael e a junção de algumas experimentações com sintetizadores, algo que aproxima este álbum de uma sonoridade pop feita de baladas tranquilas conduzidas pela viola e outras composições mais agitadas, algumas com interessantes efeitos vocais.
Não há, portanto, uma clara lineariedade no material de Dormarion, já que é possível sentir as frequentes mudanças a cada nova canção. Symphony, por exemplo, é uma canção romântica, vagarosa, sentimental e acústica que se encaixaria facilmente num trabalho plenamente folk e tradicional. No entanto, ela é contraposta a seguir por uma série de camadas eletrónicas e percussões frenéticas em Dark To Light. Os timbres de voz editados e permeados por uma atmosfera quase espacial não impressionam e ganham um novo caminho em Little Hill, que apoia-se num indie rock facilmente ouvido, por exemplo, nos Death Cab For Cutie.
Dormarion comprova novamente a mestria de Michael Lerner na forma como demonstra flexibilidade em abordar diferentes malhas sonoras sem deixar de ser minimamente coeso, o que lhe abre, em termos de futuro, um alargado leque de possibilidades que o poderão impulsionar para um patamar ainda mais elevado de destaque e de reconhecimento público. Temas como Power Lines e Lean On Me, com uma essência mais roqueira, talvez sejam, na minha opinião, a melhor opção que os Telekinesis deverão tomar em futuros lançamentos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Power Lines
02. Empathetic People
03. Ghosts And Creatures
04. Wires
05. Lean On Me
06. Symphony
07. Dark To Light
08. Little Hill
09. Ever True
10. Island #4
11. Laissez Faire
12. You Take It Slowly
Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos The Flaming Lips, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto. The Terror, o último trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne, é mais um capítulo desta saga alimentada por histórias complexas (Yoshimi Battles the Pink Robots), sentimentos (The Soft Bulletin) e experimentações únicas (Zaireeka). The Terror chegou às lojas a um de abril por intermédio da Warner e sucede a Embryonic, álbum editado em 2009, tendo sido produzido, como é habitual, por David Fridmann.

The Terror é já o décimo terceiro disco de um grupo que, com tão rico cardápio, está, certamente, no olho do furacão de uma encruzilhada sonora. The Terror não deixa de funcionar como um quase aditamento às experimentações de Embryonic, o antecessor, também evidentes na coletânea The Flaming Lips And Heavy Fwends, lançada o ano passado e que contou com nomes tão importantes como Nick Cave, Yoko Ono, Tame Impala ou Bon Iver no alinhamento. Assim, este novo trabalho dos The Flaming Lips mantém a haibtual estratégia da banda de construir um alinhamento de vários temas, mas que funcionam como uma espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções.
Conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, patente nas colaborações recentes com Tame Impala e Neon Indian, os The Flaming Lips revelam neste novo trabalho composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogênea que The Terror, como todos os discos deste grupo, está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.
Sonoramente, a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock. Se no tema homónimo parece que os The Flaming Lips enlouqueceram de vez, Be Free, a Way é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Try to Explain subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Destaco também You Lust, um tema que conta com a participação especial da dupla Phantogram. Já agora, o primeiro single retirado de The Terror foi o tema Sun Blows Up Today, canção que não faz parte do alinhamento do disco, sendo só obtido por quem adquirir a versão digital, que também inclui uma cover de All You Need Is Love, um clássico dos The Beatles.
Uma das virtudes e encantos dos The Flaming Lips foi sempre a capacidade de criarem discos algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. The Terror segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico mas, tematicamente, parece ser um trabalho muito terreno, digamos assim, porque fala imenso do amor, mas também do abandono e da proximidade com a morte. A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. Espero que aprecies a sugestão...
CD 1
01. Look… The Sun Is Rising
02. Be Free, A Way
03. Try To Explain
04. You Lust
05. The Terror
06. You Are Alone
07. Butterfly, How Long It Takes To Die
08. Turning Violent
09. Always There In Our Hearts
CD 2
01. Sun Blows Up Today
02. All You Need Is Love
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