Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Chad Vangaalen – I Want You Back EP

O canadiano Chad Vangaalen prepara-se para regressar aos discos com Shrink Dust, o novo trabalho de estúdio do músico, com data de lançamento anunciada para vinte e nove de Abril, através da Sub Pop Records. No entanto, como sucedeu o Record Store Day, Chad não quis deixar passar e efméride em claro e, no âmbito do evento, divulgou um EP com quatro canções intitulado I Want You Back e também editado por intermédio da Sub Pop Records.

As quatro canções do EP são curtas e com uma sonoridade muito crua, com destaque para o rock visceral do tema homónimo, que conta com a participação especial do coletivo Xiu Xiu. Após o instante acústico intitulado Candle chega It Must Be Alright, um breve passeio pela essência do melhor rock psicadélico. O EP termina com She Calls For Me, mais uma canção onde fica explícita a habitual toada experimental e fortemente sintetizada, mas que nunca se entrega ao exagero, que Chad habitualmente propôe. Confere...

Chad Vangaalen - I Want You Back

01. I Want You Back
02. Candle
03. It Must Be Alright
04. She Calls For Me


autor stipe07 às 22:03
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Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

NO – El Prado

Nascidos em maio de 2010 em Echo Park, nos arredores de Ls Angeles e formados por Bradley, Sean, Michael, Reese, Ryan, Simon, os NO ganharam vida depois do cantor Bradley Hanan Carter e do baixista Sean Daniel Stentz se terem conhecido num restaurante de Los Angeles, os NO estrearam-se nos lançamentos discográficos em 2011 com Don’t Worry, You’ll Be Here Forever, um EP que logo os colocou no radar dos críticos e da imprensa especializada local e possibilitou que andassem, nessa época, a abrir concertos para nomes tão importantes como os Best Coast e os Electric Guest e, na Europa, com Father John Misty. Em 2013 continuaram a dar concertos e a participar em festivais, nomeadamente em Londres no London’s Hard Rock Calling e na Alemanha no festival Southside and Hurricane, além de terem aberto concertos dos The Smashing Pumpkins, Public Image LTD e The Naked and Famous.

Ao longo desses dois anos foram-se dando a conhecer e a alargar uma base já interessante de admiradores que aguardavam com elevada expetativa o lançamento de El Prado, o longa duração de estreia dos NO, editado no passado dia 18 de fevereiro por intermédio da Arts & Crafts, um disco misturado por Billy Bush (Tegan & Sara, Foster The People, Jake Bugg) e masterizado por Joe LaPorta (Beach House, Foo Fighters, Vampire Weekend).

Os NO nasceram da admiração dos músicos do grupo por artistas que são, acima de tudo, cantautores, principalmente quando versam sobre o amor e o lado mais obscuro e menos feliz desse sentimento e isso é algo que se percebe no conteúdo de El Prado. Leonard Cohen, Bill Callahan, Johnny Cash e Lou Reed, são influências declaradas da banda, mas parece-me que a escrita de Matt Berninger e o universo sonoro imagiando pelos irmãos Dessner são a zona sonora de conforto estabelecida pelos NO, que parecem muito confortáveis a residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada. No entanto, há que, desde já, clarificar que não existe aqui o perigo relacionado com uma possível queda na redundância convencional ou na repetição aborrecida de uma fórmula, que tem nos The National um líder incontestado e incomparável. Os NO sabem como utilizar as influências que mexem com o seu âmago e dar-lhes um cunho muito próprio.

Em El Prado temos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para dar vida a um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para o ambiente sombrio e nostálgico que esta banda californiana pretende replicar. Há canções extremamente simples e que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos (North Star), enquanto outras soam mais ricas e trabalhadas, como Stay With Me.

Seja como for, não se pense que El Prado é apenas um compêndio de canções que abordam a recusa em encontrar o lado mais feliz da existência humana, ou uma tomada de consciência de que a existência humana deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o seu lado negro. Sofrer por amor será sempre uma inevitabilidade, mas canções como Leave the Door Wide Open ou Another Life ajudam-nos a direcionar também o foco para o que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes.

Portanto, se para os mais distraídos, os mais de cinquenta minutos de El Prado podem soar algo depressivos e angustiantes, esclareço que esta é uma rodela que exige tempo, que se revela a pouco e pouco e que só será devidamente entendida após várias e repetidas mas dedicadas audições, já que está muitas vezes algo implícta uma toada mais épica e aberta do grupo, juntamente com a capacidade eclética que os NO demonstram para compôr, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo.

El Prado é um excelente disco de estreia de um grupo que busca na luminosidade das guitarras, na delicadez dos arranjos e numa apurada versatilidade instrumental, a receita que levará cada um de nós a dizer SIM a uma banda e a um disco que, à imagem das nossas vidas, tem dois lados aparentemente contraditórios mas que se complementam. Espero que aprecies a sugestão...  

NO - El Prado

01. Leave The Door Wide Open
02. Stay With Me
03. What’s Your Name
04. Monday
05. So Scared
06. There’s A Glow
07. Interlude
08. Another Life
09. The Long Haul
10. North Star
11. Last Chance
12. Hold On
13. Go Outside


autor stipe07 às 21:30
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Jack White - Lazaretto

Na passada sexta feira, no âmbito do evento Record Store Day, Jack White deu a conhecer o single Lazaretto enquanto eram impressas em Nashville, nas instalações da Third Man Records, a sua editora, cópias em vinil do tema, que tinha como lado B uma cover de The Power Of My Love, um original de Elvis Presley. Todo o processo decorreu em menos de quatro horas e fez com que a façanha ganhasse o título de The World’s Fastest Studio-to-Store Record.

Agora, alguns dias depois, o músico apresenta a mesma canção na versão de estúdio, ou seja, aquela que fará parte de Lazaretto, o próximo disco de Jack White. No tema, White arrisca alguns acordes de guitarra com um certo cariz funk, mas a habitual assinatura impressa a rock de garagem feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento da canção. Confere...


autor stipe07 às 12:39
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Terça-feira, 22 de Abril de 2014

Bootstraps – Bootstraps

Formados por Jordan Beckett (voz, guitarra, piano), Nathan Warkentin (bateria) e David Quon (guitarras, piano), os norte americanos Bootstraps são uma banda de indie rock natural de Los Angeles, que acaba de se estrear nos discos com um homónimo lançado por intermédio da Harvest Records e da Capitol Records.

Bootstraps foi gravado por Skip Saylor (Tom Petty, Wilco, Suicidal Tendencies) em Northridge, na Califórnia depois de o actor e realizador Sam Jaeger ter pedido a Beckett para escrever canções para o seu aclamado filme Take Me Home. A banda passou um dia em estúdio a gravar alguns temas e, ne sequência dessa sessão produtiva, os Bootstraps regressaram aos estúdio mais quatro sessões, onde gravaram os três últimos temas que completaram o disco, com a ajuda de Richard Dodd (Kings of Leon, The Raconteurs).

Bootstraps

A audição de Bootstraps entende-se claramente à luz da inclusão das sessões de gravação do álbum na criação de alguns temas para a banda sonora de um filme dramático, já que o conteúdo melódico do disco transporta-nos facilmente para um universo melancólico e dramático. As canções do álbum apoiam-se na voz intensa de Jordan, algures entre Bryan Adams e John Mellencamp, que combinada com o piano e a guitarra acústica originaram várias baladas verdadeiramente inspiradoras e direcionadas diretamente para todos aqueles que gostam de ouvir algo que toque, seja inspirador e que vá direto ao coração. 

O disco abre com a instrumental Road Noise que nos remete para o universo post rock que nomes como os Explosions in The Sky tão bem replicam, mas também há uma inegável toada indie pop, que bandas como os consagrados Coldplay terão certamente servido de forte inspiração. E isso sucede não só nesse tema, mas também, e principalmente, em Sleeping Giant, o single já retirado do disco e uma escolha certamente justificada pelo forte cariz radiofónico da canção. O terceiro tema do alinhamento de Bootstraps, OH CA, mantêm-se nesta tendência e consegue facilmente levar-nos até às paisagens mais deslumbrantes de uma Califórnia cheia de luz

Até ao final do disco, canções como Nothin On You Kid, Haywire, Highway Miles, Guiltfree e Revel, alteram um pouco esta atmosfera inicial e remetem-nos para ambientes mais introspetivos, através de uma maior preponderância da componente acústica, com os arranjos de cordas a serem um aspeto importante na seleção dos arranjos que suportam a arquitetura das canções.

Bootstraps são trinta e cinco minutos de entretenimento indie pop rock agradável, bem escrito, tocado e impecavelmente produzido. As canções são inspiradoras, exalam sentimentos fortes e intensos e este disco pode ser uma escolha acertada para quem pretenda dar um toque mais emocional à banda sonora da sua vida. Espero que aprecies a sugestão...

Bootstraps - Bootstraps01. Road Noise

02. Sleeping Giant
03. Oh CA
04. Nothing On You
05. FortyFive
06. Haywire
07. Highway Miles
08. Wild Moan
09. Guiltfree
10. Revel


autor stipe07 às 21:33
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Damon Albarn – Heavy Seas Of Love

Damon Albarn, o líder dos Blur e dos Gorillaz, vai editar no próximo dia vinte e oito o tão aguardado disco a solo. O álbum chama-se Everyday Robots e irá ver a luz do dia por intermédio da Parlophone.

Depois do tema homónimo e de Lonely Press Play, foi divulgada a canção Heavy Seas Of Love, uma excelente balada que conta com belíssimos arranjos, um piano extraordinário e um dueto entre Albarn e Brian Eno. Confere... 

Damon Albarn - Heavy Seas Of Love


autor stipe07 às 16:43
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

The Flaming Lips – 7 Skies H3

Os The Flaming Lips de Wayne Coyne são uma presença habitual nas edições do Record Store Day e na edição de 2014 marcaram a sua presença com 7 Skies H3, um EP com dez canções, onde se destaca o single honónimo.

A canção 7 Skies H3 já havia sido divlgada pelos The Flaming Lips no Halloween de 2011 e a versão da altura era um tema megalómano com a exata duração de vinte e quatro horas, que foi vendido no formato Pen Drive, incrustradas em caveiras humanas, tendo sido vendidos dezassete exemplares dessa edição especial ao preço unitário de cinco mil doláres.

Três anos depois o coletivo de Oklahoma recupera a canção para a edição deste ano do Record Store Day e reduz a sua duração para uns meros quarenta e três minutos, divididos em dez temas, misturados por Dave Fridmann com o apoio de Michael Ivins. Como é de esperar e a sequência do que os The Flaming Lips propuseram em The Terror, 7Skies H3 baseia-se em composições atmosféricas com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma aproximada e homogénea. A habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral que diz tanto a Coyne, tem vindo a oscilar, desta vez, entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock.

A poesia dos The Flaming Lips é sempre metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só eles conseguem transmitir. O artwork desta edição em vinil é da autoria de George Salsibury. Espero que aprecies a sugestão...

The Flaming Lips - 7 Skies H3

01. 7 Skies H3 (Can’t Shut Off My Head)
02. Meepy Morp
03. Battling Voices From Beyond
04. In A Dream
05. Metamorphosis
06. Requiem
07. Meepy Morp (Reprise)
08. Riot In My Brain!!
09. 7 Skies H3 (Main Theme)
10. Can’t Let It Go


autor stipe07 às 20:48
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Coldplay - Midnight

Coldplay - Midnight

 

Os britânicos Coldplay de Chris Martin estão quase a regressar aos discos com Ghost Stories, o sexto álbum da carreira do grupo e que será editado, via Parlophone, no próximo mês de maio. O primeiro indício deste álbum foi tornado público a vinte e cinco de fevereiro último quando os Coldplay revelaram um teaser do álbum onde se incluia Midnight, um dos temas do alinhamento de Ghost Stories.

No passado dia dezanove de abril, no âmbito da efeméride Record Store Day, os Coldplay lançaram uma edição em vinil do tema, escrito a meias com Jon Hopkins e com um lindíssimo artwork feito com uma gravura de água com três leões e uma figura humana, da autoria de Mila Furstova. Sonoramente, Midnight assenta num sintetizador vibrante e cheio de efeitos luminosos, numa voz também sintetizada e numa percussão bastante vincada, mas com alguns arranjos, nomeadamente do piano, a conferirem o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay. Confere...


autor stipe07 às 19:50
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Pixies - Women Of War

Pixies - "Women Of War"

No dia vinte e nove de abril vai chegar às lojas Indie Cindy, o novo disco dos Pixies de Black Francis e o primeiro longa duração da banda em vinte e três anos e, na verdade, uma súmula de dois EPs que o grupo editou em 2013 e que fui dando conta no blogue, aqui e aqui.

Quem comprou a pré-edição especial do disco no último Record Store Day foi surpreendido com um vinil de 7" com uma nova canção chamada Women Of War e que não faz parte do alinhamento de Indie Cindy. Confere...


autor stipe07 às 11:59
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Sábado, 19 de Abril de 2014

Tame Impala - Live Versions

Naturais de Perth e liderados pelo multi instrumentista Kevin Parker, os Tame Impala são um dos grandes destaques do dia de hoje, data em que se celebra a edição de 2014 do Record Store Day. No âmbito desta efeméride é hoje editado Live Versions, um novo EP dos Tame Impala, composto por gravações ao vivo.

Do alinhamento do EP constam nove temas captados num concerto do ano passado em Chicago e, segundo Kevin Parker, pretendem ilustrar o quanto ficam diferentes as canções ao vivo comparadas com as versões de estúdio. De acordo com o press release do alnçamento, o objectivo é dar aos fãs algo que ainda não possuam; algo que apenas tenham experienciado num concerto dos Tame Impala.

Tendo como principal trunfo a capacidade que demonstram em replicar a psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas, os Tame Impala são uma das bandas fundamentais do universo sonoro alternativo atual e Innerspeaker e Lonerism os discos da banda australiana que forneceram a matéria-prima de Live Versions.

Este EP é um excelente aperitivo para a atuação que os Tame Impala têm prevista dia deassete de Julho no Meco, por ocasião do Super Bock Super Rock. Confere...

Tame Impala - Live Versions

01. Endors Toi
02. Why Won’t You Make Up Your Mind
03. Sestri Levante
04. Mind Mischief
05. Desire Be Desire Go
06. Half Full Glass
07. Be Above It
08. Feels Like We Only Go Backwards
09. Apocalypse Dreams

 


autor stipe07 às 18:30
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Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Underground Lovers – Weekend

Oriundos de Melbourne, na Austrália, os Underground Lovers são atualmente constituidos por Philippa Nihill, Richard Andrew, Maurice Argiro, Glenn Bennie, Vincent Giarrusso e Emma Bortignon. Apostam no revivalismo do rock progressivo e psicadélico, com uma forte componente experimental, que começou a fazer escola nas décadas de sessenta e de setenta. Pouco conhecidos no resto do mundo, são acompanhados com particular devoção no país de origem e considerados como uma das mais inovadoras bandas australianas, pela forma como conjugam a tradicional tríade baixo, guitarra e bateria com a tecnologia e a eletrónica que hoje prolifera na música e que permite às bandas alargar o seu cardápio instrumental.

Editado a treze de abril do último ano através da Rubber Records, Weekend é o trabalho mais recente dos Underground Lovers, um disco que celebra vinte e cinco anos da carreria do grupo e que sucede a Wonderful Things (2011).

A banda iniciou a sua carreria discográfica em mil novecentos e noventa e um com um homónimo e Weekend é já o décimo primeiro álbum da carreira dos Underground Lovers, um grupo que passou por algumas transformações, várias entradas e saídas de elementos e com um historial típico de uma banda com um elevado número de músicos com vidas díspares e conturbadas. 

Weekend são dez canções que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Apesar da já extensa carreira, não conhecia este grupo e confesso-me impressionado pela beleza utópica das composições dos Underground Lovers, algo que não falta neste álbum, assim como as belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos mais agressivos. 

Weekend denota esmero e paciência por parte de Vincent Giarrusso, o grande mentor e compositor da banda, principalmente na forma como acerta nos mínimos detalhes. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver Weekend como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Underground Lovers projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de psicadelia, rock progressivo, soul e blues.

O som espacial, experimental, psicodélico, barulhento e melódico que a banda criou ao longo da carreira, não se compara, de acordo com o que percebi de outras críticas que li do disco, com o conteúdo de Weekend, pelos vistos o trabalho mais intenso e marcante da carreira da banda. Weekend acrescenta à bagagem sonora dos Underground Lovers novas e belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte do ADN do grupo.

O meu grande destaque deste disco é a elevadíssima dose de psicadelia em que assenta Can For Now e, já agora, a recente edição desta música no formato single inclui no alinhamento uma fantástica versão do clássico I'll Be Your Mirror dos Velvet Underground, certamente uma influência importante do grupo. Outro tema que merece amplo destaque e audições repetidas é a batida ácida e o baixo de Au Pair, um tema cantado com uma voz em eco entrelaçada com uma guitarra plena de distorção, dois detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage.

Apesar da longevidade e da erosão que a instabilidade da formação provoca no seio de uma banda, os Underground Lovers parecem não ter perdido o brilho e não demonstram cansaço ou falta de inspiração. Weekend tem tudo para, daqui a alguns anos, ser o clássico da banda que todos aqueles que pretendem revisitar a carreira deste grupo australiano vão querer ouvir. Na verdade, mergulhados num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, os Underground Lovers soam tão poderosos, joviais e inventivos como soavam há duas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

01. Spaces
02. Can For Now
03. Haunted (Acedia)
04. Dream To Me
05. Signs Of Weakness
06. Riding
07. St Germain
08. Au Pair
09. In Silhouette
10. The Lie That Sets You Free

 


autor stipe07 às 21:37
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La Sera - Running Wild

O trio de indie rock Vivian Girls anunciou há algum tempo  fim da banda e deram concretos de despedida em Nova Iorque, de onde são naturais, mais concretamente de Brooklyn e em Los Angeles.

Quem não perdeu tempo e anunciou novidades no que diz respeito à sua carreira a solo é a baixista Katy Goodman. Nesta primavera, mais concretamente a treze de maio e através da Hardly Art,  ela vai editar Hour Of The Dawn, o seu terceiro álbum, que gravou sob o pseudónimo La Sera.

Katy adiantou que Hour Of The Dawn será um trabalho mais alegre que os antecessores algo que o pop punk de Losing To The Dark, o tema de abertura do disco, demonstrou claramente, assim como o rock de garagem de Running Wild, o segundo avanço de Hour To The Dawn divulgado. Confere...


autor stipe07 às 12:35
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Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Protomartyr - Under Color Of Official Right

Os Protomartyr são uma banda pós-punk norte americana formada em em 2008, em Detroit. Joe Casey toma conta das vozes, Greg Ahee da guitarra, Alex Leonard da bateria e Scott Davidson do baixo. Under Color Of Official Right é o novo disco dos Protomartyr, um álbum que viu a luz do dia a oito de abril por intermédio da Hardly Art.

Os Protomartyr são uma daquelas bandas que se destacam por uma vincada atitude rock, muito à moda antiga, de punhos cerrados e contra as normas vigentes. Oriundos de uma cidade fortemente industrializada, conhecida pelos longos invernos e por ter criado, ao longo da sua história, mentes brilhantes, mas fortemente atingida pela crise que atingiu o mercado imobiliário em 2008, não tiveram grandes dificuldades em arranjar várias fontes de inspiração para as suas letras com forte sentido crítico. Para lhes dar vida, fazem um som post punk que me despertou a atenção devido ao facto de conseguirem englobar várias influências de forma coesa e com sentido.

Esta banda de Detroit começou por editar dois EPs em 2012, Dreads 85 84 e Colpi Proibiti, que vieram logo demonstrar que eram uma banda a ter em conta e com o álbum de estreia, No Passion All Technique, lançado no mesmo ano, receberam elogios de várias publicações especializadas físicas e digitais, espalhadas por esse mundo fora.

A sonoridade deste Under Color Of Official Right, o sempre dificil segundo disco, é forte, dinâmica e conta com uma variedade de texturas sonoras que, como já referi, parecem entroncar no post punk e em outras sonoridades típicas dos anos oitenta, algures entre os Gang of Four e o hard rock dos Devo. Nota-se também a influência dos seus conterrâneos MC5 e o som característico da fase final dos Black Flag. As guitarras são barulhentas e sente-se igualmente alguma daquela claustrofobia espalhada pelos primeiros álbuns dos Interpol.

Gravado num único fim de semana com a ajuda de Bill Skibbe e Jessica Ruffins (Wolf Eyes, Cass McCombs, Lower Dens, Six Organs of Admittance) nos estúdios Key Club Recording Studio, em Benton Harbor, o disco tem perto de quarenta minutos e ouve-se de um fôlego, até porque as canções são curtas e concisas, ou seja, estão ali no ponto certo tendo em conta a sonoridade típica. Dele já foram retirados os singles Singles Scum, Rise! e Come & See, mas o meu grande destaque da rodela vai, sem dúvida, para Tarpeian Rock, uma canção vibrante, assente num rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o biaxo vibrante em perfeita harmonia e a voz amplificada e distorcida, conjugada com guitarras carregadas de distorção, a conferir à canção uma toada psicadélica extraordinária.

 A voz de Zachary é um dos trunfos do disco, já que parece uma simbiose perfeita entre Nick Cave e Jeffrey Lee Pierce e as letras que escreve obedecem a um padrão onde abundam os estados de alma depressivos, abordando temas como a noite, a escuridão e o sexo em contextos menos convencionais, aém da temática politica que enunciei.

Under Color Of Official Right é um disco feito de peito aberto para o mundo, sem rodeios nem concessões. O seu conteúdo apresenta temas que se movem em diferentes velocidades e ritmos de forma convincente e vem reforçar tudo o que já se notava nos anteriores trabalhos dos Protomartyr. É, certamente, um álbum que figurará em muitas listas de melhores do ano. Espero que aprecies a sugestão...

1. Maidenhead
2. Ain’t So Simple
3. Want Remover
4. Trust Me Billy
5. Pagans
6. What the Wall Said
7. Tarpeian Rock
8. Bad Advice
9. Son of Dis
10. Scum, Rise!
11. I Stare at Floors
12. Come & See
13. Violent
14. I’ll Take That Applause


autor stipe07 às 19:55
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Echo And The Bunnymen - Lovers On The Run

Echo And The Bunnymen - "Lovers On The Run"

Lendas do indie pop rock dos anos oitenta, os Echo And The Bunnymen continuam em grande forma e a compôr belíssimas canções, com uma enorme componente melódica e a habitual toada épica e dramática que os carateriza.

A três de junho chegará às lojas, através da 429 Records, Meteorites, o novo álbum dos Echo And The Bunnymen e Lovers On The Run é o primeiro avanço já divulgado. Confere...


autor stipe07 às 19:48
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Quarta-feira, 16 de Abril de 2014

The New Division – Together We Shine

Os The New Division são uma banda da Los Angeles, formada em 2005 por John Kunkel, ao qual se juntou mais tarde Michael Janz, Mark Michalski e Brock Woolsey e Alex Gonzales. Falei deles em finais de 2011 por causa de Shadows, o disco de estreia do grupo e agora, quase três anos depois, chegou finalmente o sucessor. O novo álbum dos The New Division chama-se Together We Shine e viu a luz do dia por intermédio da etiqueta Division 87.


Banda que aposta no revivalismo punk rock dos anos oitenta, combinado com a eletrónica mais influente dessa época, razão pela qual não será alheia a inserção das palavras New (Order) e (Joy) Division no nome, este quinteto procurou, no sempre difícil segundo disco, apostar numa sonoridade mais pop, luminosa e expansiva que na estreia, certamente em busca de um maior sucesso comercial e de ampliar a sua rede de ouvintes e seguidores, além do nicho de seguidores que têm acompanhado o percurso da banda com particular devoção.

Assim, Together We Shine impressiona, desde logo, pela qualidade da produção e pela aposta firme na criação de um som límpido e algo futurista. Estamos na presença de um álbum cuidadosamente trabalhado, onde as influências são bem claras e canções como Den Bosch, o tema que abre o disco após uma breve intro, Bright Morning Star, Stockholm, Smile e England, foram certamente pensadas para o airplay, já que baseiam-se numa pop épica e conduzida por teclados sintéticos que dão vida a refrões orelhudos e melodias que se colam ao ouvido com particular ênfase.

Se na estreia as guitarras dominavam o processo de criação melódica, em Together We Shine os sintetizadores e os efeitos da bateria eltrónica assumem os comandos, com temas como Lifted a tocarem mesmo a fronteira do house. O baixo também é um instrumento relevante em algumas canções; Em Shine e Honest posiciona-se mesmo na linha da frente no que diz respeito ao cardápio instrumental mais audível.

Não é novidade nenhuma dizer-se que a música enquanto forma de arte é um fenómeno onde quem inova sonoramente pode encontrar aí o caminho para o sucesso. No entanto, penso que esta manifestação artística também é um fenómeno cíclico e que as bandas e artistas que buscam elementos retro de outras décadas para recriar um estilo próprio também poderão encontrar a chave para o sucesso. Exemplos que procuram seguir esta doutrina são bem comuns nos dias de hoje são bem comuns e, ao segundo disco, já não restam dúvidas que os The New Division escolheram a inesquecível década da ascensão da música eletrónica para sustentar a sua carreira discográfica. Espero que aprecies a sugestão...

The New Division - Together We Shine

01. Intro
02. Den Bosch
03. Shine
04. Honest
05. Stockholm
06. St. Petersburg
07. Smile
08. Lifted
09. England
10. Bright Morning Star
11. Lisbon

 


autor stipe07 às 22:56
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Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Francis International Airport – Cache

Lançado já a três de maio de 2013 pela Siluh Records, Cache é o trabalho mais recente dos Francis International Airport, uma banda austríaca, oriunda da capital desse pais, Viena e formada por Markus Zahradnicek, David Zahradnicek, Georg Tran, Christian Hölzel e Manuel Riegle. Os Francis International Airport são considerados por muita crítica como a banda de maior relevo do cenário índie austriaco, principalmente por causa de Woods, o disco que  o grupo deu a conhecer em 2010 e que os lançou para as luzes da ribalta, além das atuações memoráveis que, logo a seguir, proporcionaram em edições dos festivais Eurosonic e Primavera Sound, que se costuma distribuir entre o Porto e algumas cidades espanholas, nomeadamente Barcelona.

Em Cache, os Francis International Airport apostam num som mais sintético, em deterimento de uma toada pop, algo ligeira, típica dos lançamentos anteriores; Agora propôem composições sonoras onde se procura proporcionar um ambiente de maior sofisticação. Desse modo, o conteúdo de Cache é assente em sintetizadores e baterias eletrónicas, e existe uma enorme atenção aos detalhes, notando-se que houve um relevante trabalho de produção e a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos.

Os Francis International Airport não negam as influências diretas que plasmam na sua música, oriundas, essencialmente, da vizinha Alemanha, nomeadamente do krautrock, um sub-género do indie rock que se começou a popularizar na década de setenta com os Kraftwerk e, logo depois, pelos Neu!, duas das bandas mais importantes do gigante vizinho.

Seja como for, os Francis International Airport elevam-se a um patamar elevado e conferem um charme indismentível ao seu cardápio sonoro quando procuram fazer uma simbiose entre essa vertente sintética e dão vida e corpo às suas propostas fazendo igualmente uso dos típicos sintetizadores, que debitam efeitos similares aquilo que foi proposto por uns New Order em plenos anos oitenta e agregam-nos a melodias feitas com a guitarra à imagem do que os Radiohead propuseram em finais da década seguinte e na viragem para este século.

Cache é um disco transversal a várias épocas e géneros e escutá-lo é entrar numa viagem onde desfilam pelos nossos ouvidos algumas das caraterísticas e detalhes que fizeram escola no universo sonoro alternativo. Os Francis International Airport procuram servir-se de um notório sentido estético para nos causar agradáveis sensações auditivas durante essa viagem e fazer dela uma verdadeira lição de história musical cujos principais intervenientes, e respetiva herança, encontram-se na música desta banda e fazem dela uma importante referência da eletrónica atual. Espero que aprecies a sugestão... 

Francis International Airport - Cache

01. Berenice
02. Backspace
03. Pitch Paired
04. The Right Ones
05. Templates
06. March
07. Sulfur Sun
08. Great Deeds
09. Diorama
10. HMCS Windflower
11. Wait And See

 


autor stipe07 às 21:28
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Dead Lef Echo - true.deep.sleeper EP

Naturais de Brooklyn, em Nova Iorque, os norte americanos Dead Lef Echo são Ana B. (guitarra, teclados e voz), Lg (guitarra e voz), Kevin K. (bateria)e Steve S. (baixo). Anunciaram o lançamento do disco de estreia para este verão, um trabalho que vai chamar-se Thought and Language e está quase pronto. Esse disco foi misturado por John Fryer (Lush, NIN, Depeche Mode) e o artwork é da autoria da lendária etiqueta V23, liderada por Vaughan Oliver, um designer que já trabalhou com os Pixies e os Bauhaus, entre outros.

Entretanto, enquanto Thought and Language não chega, os Dead Lef Echo lançaram a vinte e cinco de fevereiro um EP intitulado true.deep.sleeper, através da texana Moon Sounds Records e disponível no bandcamp do coletivo.

true.deep.sleeper foi misturado por Monte Vallier (Soft Moon, Weekend) e contém quatro canções com algum do melhor rock psicadélico com forte componente lo fi que ouvi ultimamente. O principal traço identitário dos Dead Lef Echo é o post punk feito com uma cuidada sujidade ruidosa e através da distorção das guitarras, mas onde o baixo também tem um papel importante, como é possível perceber em so.wrong. O tema título do disco é um verdadeiro caldeirão sonoro com os melhores ingredientes do típico rock psicadélico e depois há algo quase oposto em Blind Island, um tema cheio de detalhes habituais na dream pop e ainda uma toada mais dub em Heaven Sent Sleeper.

true.deep.sleeper é um conjunto coeso de quatro canções que abarcam diferentes estilos sonoros, através de uma estrutura muito bem construída e que não vão dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta. Daqui a algumas semanas falaremos certamente de Thought and Language. Espero que aprecies a sugestão...

true.deep.sleeper EP

true.deep.sleeper

so.wrong

blind.island

heaven.sent.sleeper


autor stipe07 às 18:32
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Bleeding Rainbow - Interrupt

Os Bleeding Rainbow são de Filadélfia, um quarteto formado por Rob, Sarah, Al e Ashley, que acaba de surpreender todos aqueles que estão atentos ao universo sonoro indie e alternativo com um excelente disco intitulado Interrupt, que viu a luz do dia no passado dia vinte e cinco de fevereiro por intermédio da Kanine Records.


Podendo aparentemente ser vistos como uma novidade, a verdade é que desde 2009 que os Bleeding Rainbow andam por cá a lançar música e em grande atividade. Nesse ano estrearam-se nos discos com Mystical Participation, um trabalho que causou impato pela sonoridade indie rock, próxima de uma pop ligeira e nostálgica, muito à imagem dos contemporâneos e mais cnsagrados Cults ou The Pains of Being Pure At Heart.

Entretanto o tempo passou, a banda assinou pela major Kanine Records, alargou o seu leque de influências e o espetro sonoro e Interrupt, o registo desta banda norte americana, mostra uma produção mais cuidada e apurada e uma sonoridade mais firme, homogéna e convicta.

O rock alternativo dos anos noventa é agora a grande bitola que orienta o som dos Bleeding Rainbow e bandas como My Bloody Valentine, Nirvana ou Sonic Youth saltam-nos à mente assim que o disco se desenrola e canções como Tell Me, Dead Head ou So You know, comprovam que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola.

Aparentemente sem grandes pretensões mas, na verdade, de forma claramente calculada, os Bleeding Rainbow procuram criar um som ligeiro, agradável e divertido, onde não faltam as guitarras cheias de distorção e melodicamente apuradas, a contrastar com uma postura vocal doce e delicada. É, em suma, uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Bleeding Rainbow - Interrupt

01 – Time & Place
02 – Tell Me
03 – Start Again
04 – So You Know
05 – Dead Head
06 – Out of Line
07 – Images
08 – Monochrome
09 – Cut Up
10 – Phase


autor stipe07 às 22:09
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

TOONS - TOONS

Naturais de Brooklyn, Nova Iorque, os TOONS são Matthew Gregory (voz e bateria), Brian Wess (baixo), Davey Jones (voz e guitarra) e Ryan Foster (guitarra) e lançaram no passado dia vinte e cinco de março, através da Old Flame Records, TOONS, um disco homónimo, disponível abaixo para audição e download e possível de ser adquirido em formato cassete, numa edição limitada a trezentos exemplares.

Álbum conceptual, TOONS fala da importância que uma simples vaca leiteira tem na vida destes quatro rapazes que, pelos vistos dão ao leite uma importância algo inédita para quem está mais na idade de elogiar e carburar outros liquidos mais etílicos. Vivendo na cosmopolita Nova Iorque, os TOONS terão frequentes sonhos sórdidos e pouco recomendáveis acerca da pacata e saudável vida no campo e TOONS foi a melhor forma que encontraram de expôr essa curiosa tendência.

TOONS foi misturado por Mike Ditrio e as suas onze canções estão cheias de guitarras que, do fuzz ao grunge, explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa. Não há grandes segredos no alinhamento do disco e esse é, decididamente, um elogio que se pode fazer a um álbum divertido e animado, feito por quatro músicos que sonham resgatar a alma de um som com mais de vinte anos e que, muitas vezes tocado com uma certa displicência, mas sempre com uma grande dose de alma e criatividade, marcou indubitavelmente uma geração.

Milkn', o segundo tema do alinhamento de TOONS, é um  dos grandes destaques do trabalho e essencial para se perceber o universo que os TOONS procuram criar neste disco que, até ao final, em Watch We Change, não dá descanso a guitarras que debitam continuamnete melodias certeiras, que vão diretas ao assunto e que impressionam pelas variadas mudanças de direção e por um clima sempre acelerado e festivo.

Canções como Strip Club Blues e What You Back, além das já citadas, exemplificam com precisão que estes quatro músicos são excelentes representantes da melhor herança norte americana atual do rock alternativo que se fazia há uns vinte anos, exímios intérpretes de um noise rock cheio de guitarras distorcidas e inebriantes. Depois há ainda temas mais melódicos, como N.E.T.S. (I Care) e Smile (Sold Out), que mostram um outro lado, também feito de alguma introspeção e de uma complexidade instrumental e lírica que nos envolve e nos faz mergulhar numa animada teia, tecida por uma banda que está no rumo certo para se tornar numa referência essencial do rock alternativo nos próximos anos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:44
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My Sad Captains - Best Of Times

Os My Sad Captains são uma banda de rock alternativo natural de Londres, cujo nome foi inspirado por um poema do escritor Thom Gunn. Os membros da banda são Ed Wallis, Jim Wallis, Nick Goss e Dan Davis e lançaram em 2009 Here & Elsewhere, o álbum de estreia. A sete de novembro de 2011, chegou ao mercado Fight Less, Win More, um álbum extraordinário e que divulguei na altura, produzido por Larry Crane, um nome que já trabalhou com Elliot Smith, Cat Power e Stephen Malkmus, entre outros. Esse disco foi lançado através da reputada etiqueta Stolen Recordings. Agora, pouco mais de dois anos depois, chegou aos escaparates Best Of Times, o sucessor.

Logo a abrir, o primeiro tema do alinhamento do álbum, em vez de servir de despedida, é uma canção perfeita para nos introduzir neste disco, através de uma sonoridade simultaneamente enérgica e memorável, parecendo fortemente influenciada por bandas indie americanas, como os Yo La Tengo e os Red House Painters, com a caraterística mistura de detalhes e arranjos que resultaram numa melancolia inebriante, épica e grandiosa. Esse efeito que repete-se em All Times Into One e, com particular ênfase e delicadeza, em Extra Curricular, um belo murmúrio que nasce de um baixo irrepreensível e aventura-se no território do denominado krautrock, devido aos efeitos sintetizados borbulhantes e à batida industrial.

Apesar de algumas canções que sustentam o disco terem uma evidente luminosidade e um apurado sentido épico, há outros momentos mais introspetivos, mas igualmente belos, com especial destaque para o minimal dedilhar da viola na balada All In Your Mind e para a extensa Hardly There, uma canção que nos abraça com uma linha de viola simples, mas que se entranha sem grande esforço. arranjos sintetizados cheios de doçura e uma percussão  a canção In Time, uma das mais sombrias do disco, um tema que impressiona quer devido ao dominio efetivo de uma linha de baixo consistente e da guitarra que impõe uma melodia única e extremamente agradável, quer devido à letra, simultaneamente cândida e profunda.

Best Of Times é um disco que não nos dá tempo para recuperar o fôlego. E tal não sucede por ser demasiado frenético, mas porque são imensos os momentos que proporcionam prazer, conforto e admiração durante a sua escuta. É um disco para ser ouvido e contemplado, um trabalho onde há momentos animados e luminosos, mas também instantes de pausa, de sossego e melancolia, esta, muitas vezes, quase absurda. Tal sofreguidão deve-se, em suma, à consistência com que, música após música, somos confrontados e confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas. Espero que aprecies a sugestão...

My Sad Captains - Best Of Times01. Goodbye

02. Wide Open
03. In Time
04. All Times Into One
05. Extra Curricular
06. All In Your Mind
07. Hardly There
08. Keeping On, Keeping On
09. Familiar Ghosts


autor stipe07 às 18:20
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Fusing Culture Experience 2014

Depois do sucesso que foi a edição de 2013 do Fusing Culture Experience, um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia, já se conhecem alguns detalhes importantes sobre a edição deste ano que decorre na Figueira da Foz nos dias 14, 15 e 16 de Agosto.

Assim, a edição de 2014 acaba de confirmar seis novos nomes da música nacional absolutamente obrigatórios, nomeadamente os PAUSFor Pete SakeFirst Breath After ComaDead ComboYou Can’t Win Charlie Brown e Capicua. No cartaz já estavam confirmados os nomes Legendary TigermanCapitão FaustoOcta PushPrimitive Reason,Sensible Soccers e Norton.

 

Os PAUS são muito mais que Joaquim Albergaria, Hélio Morais, Makoto Yagyu e Fábio Jevelim somados. Com raízes a virem de projectos como Linda Martini, If Lucy Fell e até Vicious Five, esta banda natural de Lisboa tem sido uma das bandas portuguesas com maior expansão internacional nos últimos tempos. Reconhecidos pela sua bateria siamesa, pelo baixo e pelos teclados, os PAUS, considerados um dos melhores concertos do FUSING 2013, regressam à Figueira da Foz com o seu último álbum “Clarão”, apresentado no passado dia 28 de Março.

 

Os For Pete Sake andam nestas andanças há pouco tempo mas já marcaram lugar na primeira fila do universo musical português. Donos de uma fusão de géneros e ritmos que vão do folk dos anos 70 ao indie rock, este sexteto de Lisboa é reconhecido por temas como “Stains”, “Morning”, “House” e o mais recente hino da EDP, “Got Soul”.

 

Os First Breath After Coma apresentam-nos uma música espacial, um post rock e desde 2012 têm conquistado uma vasta comunidade de fãs. Formada por Roberto Caetano, Telmo Soares, Rui Gaspar e Pedro Marques, a banda venceu já o casting Vodafone Mexefest e lançou em Novembro passado o seu primeiro álbum, "The Misadventures Of Anthony Knivet”.

 

Os Dead Combo têm só dois elementos mas deixam um rasto de destruição por todas as salas de espectáculos e festivais por onde passaram. Reconhecidos dentro e fora do país, a dupla formada por Tó Trips e Pedro Gonçalves lançaram no passado dia 10 de Março o seu quinto álbum de originais, “A Bunch of Meninos”.

 

Os You Can’t Win, Charlie Brown são formados por Afonso Cabral, Salvador Menezes, David Santos (mais conhecido como Noiserv), Luís Costa, Tomás Sousa e João Gil e garantem uma viagem ao folk e à electrónica, através de sonoridades melancólicas e saudosistas.

 

Com álbum acabado de sair, Ana Matos Fernandes AKA Capicua vai mostrar à Figueira da Foz do que é capaz uma Sereia Louca. A Rapper conhecida pelas suas letras intensas e prestações em palco brutais e cheias de garra, é um dos nomes mais falados de 2014 e promete representar o Hip Hop no FUSING ao mais alto nível.


O passe geral para o FUSING Culture Experience já está disponível na bilheteira online e nos locais habituais. Até 30 de Abril, o passe geral para o evento custa apenas 30 euros e conta já com elevada afluência na sua compra. Todas as informações estão disponíveis em www.fusing.pt ou na página oficial do evento no Facebook, Fusing Culture Experience.

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autor stipe07 às 10:56
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Terça-feira, 8 de Abril de 2014

Dirty River - Dark Summer vs Ticket

Oriundo de Nova Iorque, o trio Dirty River prepara-se para lançar o disco de estreia, um homónimo que será editado no próximo dia quinze de abril por intermédio da Fleeting Youth Records. Depois de Releaf, o primeiro single retirado de Dirty River, agora chegou a vez de serem divulgadas mais duas canções, Dark Summer e Ticket.

Estas são mais duas canções comandadas pela voz grave e austera de Forrest Hackenbrock, mas incrivelmente próxima dos nossos ouvidos. essa voz cruza-se com uma percussão grave e uma guitarra swingada carregada de distorção no primeiro exemplo e melodicamente muito assertiva em Ticket. O resultado final de ambas é um rock, com fortes pitadas daquele blues fumarento tão americano, num resultado minimalista, mas simultaneamente eufórico e relaxante. Confere..


autor stipe07 às 17:10
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Jack White - High Ball Stepper

Jack White já anunciou a data de lançamento de Lazaretto, o seu próximo disco. O trabalho chega às lojas a dez de junho por intermédio da Third Man Records, a etiqueta do artista e High Ball Stepper é o primeiro avanço divulgado, além de um excelente video da canção. 

Apesar de ser um instrumental, basta ouvirmos alguns segundos da música para identificar o estilo cada vez mais inédito deste artista, assente no manusear único da guitarra e numa distorção inconfundível. Confere..


autor stipe07 às 10:59
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Next Stop: Horizon - The Harbour, My Home

Dois anos e meio depois do maravilhoso disco de estreia We Know Exactly Where We Are Going, a dupla Next Stop:Horizon está de regresso com The Harbour, My Home, um trabalho gravado no estúdio da banda, com equipamento totalmente analógico e vintage e instrumentos nada comuns em discos pop, como o clarinete baixo, a harmónica e o bandolim,entre outros.

Oriundos de Gotemburgo, na Suécia e representados pela Tapete Records, os Next Stop: Horizon são Pär Hagström e Jenny Roos, dois músicos que além de partilharem um pequeno apartamento fazem música juntos e acreditam piamente que o mundo seria um local bem melhor se tivesse a possibilidade de ouvir as suas criações sonoras. Na verdade, depois de ouvir The Harbour, My Home, compreendo este desejo, assente na presunção de que há uma elevada bitola qualitativa no produto que a dupla tem para nos oferecer e com a qual concordo. 

Inlfuenciados por uma vasta rede de influências que vão do rock ao jazz, passando, pela folk europeia, o gospel e a músca de câmara, os Next Stop: Horizon gostam de escrever sobre a vida, a morte e tudo o que fica ali, extamente no meio. E, por falar em meio, convém contextualizar devidamente The Harbour, My Home, um exercício que também ajuda a perceber o conteúdo sonoro das onze canções do alinhamento. Entre o trabalho de estreia e The Harbour, My Home, os Next Stop: Horizon compuseram a banda sonora de uma peça de teatro que esteve em cena no Saarland State Theatre, em Saarbrücken, na Alemanha. A peça baseva-se num conto de Wilhelm Hauff chamado Das kalte Herz, onde a história gira em torno de um jovem ganancioso que vende o seu coração para conseguir fazer fortuna. Esta experiência teatral marcou profundamente a dupla e o processo de criação deste disco e explica o clima algo denso e sombrio do mesmo, apesar da luminosidade folk de temas como Rain On Me.

The Harbour, My Home é um trabalho de pendor menos acústico que na estreia e mais virado para o uso de instrumentos que, mesmo sendo, como já referi, analógicos, dão às canções uma toada mais sintética, apenas contrapostos pela percussão tocada por Magnus Boqvist, muitas vezes com objetos inusitados e pelos timbres de voz que vão sendo adicionados e que conseguem dar a algumas canções a oscilação necessária para transparecerem mais sentimentos e fazerem delas momentos obrigatórios de contemplar. Esta voz em Talking Low atinge uma simbiose perfeita com a vertente instrumental (I’ve got sisters, I’ve got brothers, I’ve got some friends here, too, and we’re starting to feel that we just don’t know what to do).

The Harbour, My Home acaba por ser uma espécie de analogia indicada para nos situarmos no início do disco e deixarmo-nos conduzir numa viagem por um oceano intrigante e sombrio, mas profundamente delicado e melódico. A bordo do barco conduzido por Pär e Jenny deixamo-nos levar por uma súmula de toda a amálgama de elementos e referências sonoras com que se identificam, o que confere ao disco uma sensação um pouco dúbia, de difícil catalogação, portanto, e assim deveras interessante de tentar deslindar.

Quando chega ao fim The Harbour, My Home ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela. Espero que aprecies a sugestão...

01 something rare and something fine
02 rain on me 
03 the harbour, my home
04 the sea of...
05 a heart of gold
06 gonna get it back
07 the beginning
08 the wish
09 talking low
10 we'll whistle so
11 ennui 

 

 


autor stipe07 às 23:10
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Douga - Kids Of Tomorrow

Naturais de Manchester e liderados pelo multi-instrumentista Johnny Winbolt-Lewis, aos quais se junta John Waddington (baixo e teclas)e o violinista e guitarrista convidado DBH, os Douga são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia com alguns dos melhores detalhes do rock experimental contemporâneo. Kids Of Tomorrow, o single que está a lançar esta banda para a ribalta, tem uma atmosfera única e pode ser caraterizado como um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos.

Esta canção está disponível para download gratuito e deixou-me a salivar pelo disco de estreia do projeto chamado The Silent Well, que foi gravado nos estúdios 80 Hertz com o produtor George Atkins e que chegará aos escaparates a dezanove de maio por intermédio da Do Make Merge Records. Confere...


autor stipe07 às 17:15
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Domingo, 6 de Abril de 2014

We Invented Paris – Rocket Spaceship Thing

Lançado no passado dia catorze de fevereiro pela Spectacular Spectacular, Rocket Spaceship Thing é o novo álbum dos suiços We Invented Paris, um trabalho que sucede ao excelente homónimo que divulguei no início de 2012. Os We Invented Paris são um coletivo que aposta numa sonoridade indie com uma forte cariz épico, feito com melodias que transportam uma enorme carga emocional, que conjugada com uma enorme competência e interessante grau de criatividade, no que diz respeito ao processo de criação melódica, resulta numa atmosfera invulgar e muito agradável de escutar, à qual não escapa nenhuma das onze canções deste Rocket Spaceship Thing.

Todas as músicas deste disco de estreia são heterogéneas e individuais, cada uma com traços próprios, que conseguem dar uma atmosfera diversificada ao álbum. Quase todas são singles em potência; Desde a alegria suave simples do single Mont Blanc, à contagiante e festiva Everyone Knows, tudo parece simplesmente fluir, graças também a um trabalho de produção impecável. Neste álbum é ainda obrigatório conferir o belíssimo momento acústico que se escuta no dedilhar da viola de Dance On Water, o instante pop inebriante de Zeppelins, os sintetizadores e o orgão vintage de Farmer e a balada simultaneamente doce e inquietante chamada Treeless.

Os We Invented Paris acabam por se destacar porque não são muitas bandas que conseguem agregar tantos géneros musicais diferentes num só trabalho. Neles encontramos folk, indie pop e outros subgéneros, tudo tocado com violas que soam eufóricas, guitarras tímidas e batidas contagiantes.

É muito difícil encontrar uma banda que, logo ao segundo disco, mostre um conteúdo musical com tanta carga emocional e maturidade musical. A sonoridade da banda é extremamente acessível e surpreendentemente imediata. Dá para notar isso logo no primeiro single, a já citada e polida Mont Blanc. O álbum é cheio de momentos graciosos e suaves, com uma delicadeza notável e uma sensibilidade que se destaca. Durante alguns períodos, remete para os Death Cab For Cutie, nomeadamente para o clássico Plans, de 2005, mas também me soam, em alguns instantes, ao disco de estreia dos Grouplove, Never Trust A Happy Song e a alguns dos melhores momentos dos Pains Of Being Pure At Heart.

Sendo melódico e algumas vezes triste, não se pode também dizer que o álbum seja sombrio, já que os We Invented Paris conseguem ter a arte de separar muito bem a melancolia da severidade, tratando a tristeza de forma leve e elegante e na dose perfeita.

Por tudo isto, este Rocket Spaceship Thing é um trabalho que vale a pena ouvir muitas vezes e aproveitar cada audição de forma diferente, num disco que desperta múltiplas sensações e que demonstra que esta banda suiça já se sente bastante à vontade e confortável dentro da sonoridade criativa que segue e replica. Espero que aprecies a sugestão...

We Invented Paris - Rocket Spaceship Thing

01. Mont Blanc
02. Auguste Piccard
03. Everyone Knows
04. Dance On Water
05. Zeppelins
06. Farmer
07. Polar Bears
08. Philosopher
09. Treeless
10. Requiem
11. Sleeptalker

 


autor stipe07 às 21:19
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