Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

Weaves - Weaves

Jasmyn Burke (voz), Morgan Waters (guitarra), Zach Bines (baixo) e Spencer Cole (bateria), são os Weaves, um quarteto canadiano natural de Toronto, que depois de um excelente ep lançado há dois anos acaba de se estrear nos discos, de modo bastante promissor, com Weaves, onze canções abrigadas pela Kanine Records e que em pouco mais de meia hora cruzam os fundamentos do indie rock com alguns dos aspetos mais contemporâneos desse género sonoro, num resultado final que tem tanto de acessível como de inédito, criativo e agradavelmente refrescante e único.

No fuzz e no curioso efeito abrasivo da guitarra de Tick e, nesse mesmo tema, no baixo que marca a cadência das mudanças de ritmo de uma bateria frenética e numa voz que balança entre o lamento e vigoroso impulso, fica desde logo percetível que estes Weaves são audaciosos e vanguardistas, mas também não descuram uma vertente mais comercial, que melodicamente seja atrativa e possa fazê-los atingir uma apreciável franja de público mais jovem e que goste de sonoridades efusivas, viscerais e festivas. Se Birds & Bees e Candy contêm esse apelo pretensioso de conseguir usar o ruído como algo aditivo e dançável, já Shithole, por exemplo, tem um cariz mais sério e maduro, sem deixar de soar de modo refrescante e simultaneamente vintage, com os Pixies a serem uma referência marcante e óbvia, algo que a mais intimista e subtil Eagle também demonstra, assim como, na mesma toada, o clima mais sensual e desconcertante de Two Oceans.

Estes Weaves são assim, imprevisíveis, salutarmente impulsivos e animados e algo pervertidos até, sem deixarem de exalar uma atraente inocência e até um inusitado experimentalismo, expresso no arrojo de Coo Coo e Sentence e particularente reflexivo em Stress. Conduzidos por guitarras inspiradas, uma sapiência melódica invulgar e um irresistível travo festivo, apresentam-se humildemente ao grande público sem um denecessário glamour ou uma insípida limpidez sonora, mas antes com toda a honestidade que é possível existir no seio de uma banda de indie rock que quer apenas e só, como claramente se percebe, servir-se da música para celebrar um presente colorido, como se não houvesse amanhã. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tick
02. Birds & Bees
03. Candy
04. Shithole
05. Eagle
06. Two Oceans
07. Human
08. Coo Coo
09. Sentence
10. One More
11. Stress


autor stipe07 às 12:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 23 de Julho de 2016

Melt Yourself Down - Last Evenings On Earth

Depois de um homónimo lançado em 2013, os britânicos Melt Yourself Down de Kushal Gaya estão de regresso com mais uma incandescente e festiva dose de afrobeat, à boleia de Last Evenings On Earth, nove canções que viram a luz do dia em abril com a chancela da The Leaf Label e que se debruçam sobre o contínuo apocalipse que o mundo vive, principalmente desde o início do século passado, feito de guerras, doenças, uma desenfreada corrida às armas e, principalmente, um choque civilizacional que cava um fosso cada vez maior entre uma pequena casta de privilegiados e o resto da humanidade, muito nela ainda a viver de modo desumano e em absoluta pobreza.

Percorrer o sinuoso e labiríntico alinhamento de Last Evenings On Earth é nunca saber o que está um pouco mais à frente ou do outro lado da esquina, que se apresenta na forma melódica menos esperada. Batidas orgânicas são subitamente trespassadas por teclados, particularmente impressivos na monumentalidade de Jump The Fire e os sopros estão sempre presentes, com canções como The God Of You, a ébria Listen Out, ou o punk aparentemente descontrolado de Communication a criarem um falso clima de festa. É que, se por um lado o corpo é continuamente convidado à dança despreocupada e enérgica, também não há como ficar indiferente ao conteúdo incisivo da escrita destas canções onde a virulância da morte e das doenças e o sortilégio da guerra são áreas vocabulares continuamente presentes e transversais.

Melt Yourself Down é um compêndio muito próprio e sui generis, que numa mescla do referido afrobeat com alguns dos melhores detalhes do jazz atual, que comporta cada vez mais e sem aparente pudor alguns artifícios eletrónicos e do próprio indie rock, exemplarmente expresso no fuzz da guitarra de Bharat Mata, nos oferece um verdadeiro caldeirão sonoro nada ingénuo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

Day Wave - Hard To Read EP

day wave

Natural de Oakland, o norte americano Jackson Phillips, que assina a sua música como Day Wave, está de regresso com Hard To Read, o seu segundo EP lançado em formato digital, o sucessor de Headcase, o primeiro tomo do músico e que o colocou logo nos radares da crítica mais atenta.

Com a melhor dream pop na mira, Phillips tomou as rédeas de todo o trabalho envolvido na gravação destas suas novas cinco canções, desde a mistura à produção, passando pela própria gravação. O resultado é um alinhamento de temas vibrantes, com Gone, o primeiro single retirado de Hard To Read, a impressionar pela linha melódica sintetizada vibrante e pelo modo como um estrondoso baixo e a bateria a ela se juntam para depois abrirem as mãos para uma linha de guitarra insinuante. É uma canção que parece querer forçar o ouvinte a deixar, nem que seja por breves instantes, tudo e todos para trás, rumo aquela luz que está sempre ali, mas que nunca temos coragem de perscutar.

O rock emotivo do tema homónimo, a atmosfera catárquica de Stuck e o clima sonhador de You são mais três belos momentos destes dezoito minutos que sabem aquela brisa quente e aconchegante que entra pela nossa janela nestas convidativas noites de verão. Day Wave pode gabar-se de ser capaz de mostrar uma invulgar intensidade emocional na sua escrita e de poder ser já caraterizado como um artista possuidor não só dessa importante valência mas também de um tímbre vocal único, uma postura confiante e exímio intérprete de guitarras angulares, acompanhadas por sintetizadores luminosos e um baixo geralmente imponente, as suas principais matrizes identitárias. Ele exala uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...

Day Wave - Hard To Read

01. Gone
02. Stuck
03. Deadbeat Girl
04. Hard To Read
05. You


autor stipe07 às 15:23
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Dinosaur Jr. – Give A Glimpse Of What Yer Not

2016 está a ser um ano profícuo no que diz respeito à música e ficará invariavelmente na história por marcar o regresso aos discos dos míticos Dinosaur Jr. de J Mascis, Lou Barlow e Murph aos discos. Recordo que o trio gravou três álbuns nos anos oitenta e surpreenderam-nos a todos quando se reuniram novamente já neste século, há pouco mais de uma década, tendo editado desde então Beyond (2007), Farm (2009) e I Bet On Sky (2012).  Agora, onze anos depois desse recomeço, chega aos escaparates Give A Glimpse Of What Yer Not, sendo curioso constatar que uma das bandas essenciais do rock alternativo de final do século passado tenha já mais discos editado no século XXI do que nessa fase inicial da carreira.

Tendo visto a luz do dia à boleia da conceituada Jagjaguwar, Give A Glimpse Of What Yer Not contém doze canções que, celebrando trinta anos de carreira deste projeto único, oferecem aos nossos ouvidos uma já esperada toada revivalista, protagonizada por uma banda em grande forma e com todas as suas marcas identitárias intactas e consentâneas com toda a herança que carregam. Assim, e como se percebe logo nas festivas Going Down e Tiny, o busílis instrumental concentra-se, naturalmente, em guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que atestam o habitual excelente humor e positivismo destes três músicos, mesmo quando em Be A Part e Lost All Day se mostram ligeiramente soturnos e intimistas e mais progressivos e sombrios em I Walk For Miles.

Com nove das canções a terem sido escritas por J Mascis e as outras duas por Lou Barlow, as amáveis Love Is...Left/Right, duas composições que personificam um pouco a personalidade de um músico que dos Sebadoth ao seu projeto a solo sempre procurou um balanço delicado entre o quase pop e o rock mais ruidoso, Give A Glimpse Of What Yer Not é um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimos temas, mas também porque reforça o traço de honestidade de uma banda que é protagonista cimeira no universo sonoro em que se move. Numa América onde se prime o gatilho com uma incrível facilidade e com toda a insanidade que prolifera por este mundo fora nos dias de hoje e num verão particularmente turbulento e agitado, é bom poder contar com este refúgio sonoro tão refrescante e ligeiro e, ao mesmo tempo, preenchido com canções cheias de significado, têmpera e entusiasmo. Espero que aprecies a sugestão...

Dinosaur Jr. - Give A Glimpse Of What Yer Not (2016)

01. Goin Down
02. Tiny
03. Be A Part
04. I Told Everyone
05. Love Is…
06. Good To Know
07. I Walk For Miles
08. Lost All Day
09. Knocked Around
10. Mirror
11. Left/Right


autor stipe07 às 17:51
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 19 de Julho de 2016

FAWNN – Ultimate Oceans

Ferndale, nos arredores de Detroit, no Michigan, é o poiso dos FAWNN, uma banda formada por Alicia Gbur, Christian Doble, Matt Rickle e Mike Spence e que aposta na opulência e na majestosidade sonoras, como permissas fundamentais do seu cardápio sonoro, recentemente atualizado com Ultimate Oceans, o quarto álbum da carreira do grupo, onze canções que viram a luz do dia o início deste verão à boleia da Quite Scientific Records.

Ultimate Oceans é uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia da pop, do rock experimental, do grunge e do punk rock, uma multiplicidade de géneros e estilos que, entrocando no ramo comum do rock alternativo, encontram nas guitarras o seu grande referencial instrumental. Assim, se temas como Galaxies e Master Blaster são um piscar de olhos objetivo ao rock mais melódico e pulsante, já o baixo, as variações ritmícas e o fuzz da guitarra de Secret Omnivore piscam o olho a ambientes mais experimentais, com o clima soturno de Nosebleed a conter algumas marcas identitárias do típico som americano de final do século passado.

Traçado logo até à terceira música o cenário deste Ultimate Oceans e da cartilha sonora destes FAWNN, percebe-se que conhecedores profundos e claramente marcados por uma sonoridade que é muito própria de uma América que sabe como condensar diferentes estilos, não faltando até um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi nesta música, numa espécie de space rock que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem em Survive, por exemplo, a própria pop adocicada e intimista na mira. Os Breeders, os My Bloody Valentine e, mais recentemente, os próprios Surfer Blood, podem ser para aqui chamados como referenciais incontornáveis, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama que prova que os FAWNN estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

Num alinhamento que avança permitindo às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora da banda que as criou, Ultimate Oceans é pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Espero que aprecies a sugestão...

FAWNN - Ultimate Oceans

01. Galaxies
02. Secret Omnivore
03. Nosebleed
04. Shadow Love
05. Dream Delivery
06. Master Blaster
07. Survive
08. Phantom Phantasy
09. Red Moon
10. Watching You…
11. Pixel Fire
12. Galaxies (Remix)
13. Shadow Love (Remix)
14. Red Moon (Remix)
15. Pixel Fire (Remix)


autor stipe07 às 17:22
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

The High Violets – Heroes And Halos

Oriundos de Portland, no Oregon e nascidos das cinzas dos míticos The Bella Low, os norte americanos The High Violets são um quarteto formado por Clint Sargent, Kaitlyn ni Donovan, Luke Strahota e Colin Sheridan. Editaram já este ano Heroes And Halos, o quinto registo do grupo, uma coleção de dez canções que da pop ao shoegaze, passando pelo rock experimental, viram a luz do dia à boleia da Saint Marie Records.

É num indisfarçável cruzamento explícito entre esplendor, majestosidade, epicidade e intimidade que deambulam as guitarras planantes de How I Love (Everything About You), canção que abre o alinhamento de Heroes And Halos e nos coloca frente a frente com um rock adocicado, intenso e convidativo, uma sonoridade que tanto cabe na amplitude de um estádio imenso como, em simultâneo, e se percebe nas cordas de Dum Dum, serve para uma introspeção serena, com Long Last Night a ser uma daquelas canções que crescem em arrojo e emoção, mostrando-se desafiante no modo como nos envolve.

Depois, o groove algo sinistro de Longitude, o beijo intenso que nos é proporcionado por Ease On e finalmente, no epílogo, a crueza acústica orgânica mas sentida de Heart In Our Throats, atestam o elevado grau de assertividade melódica e instrumental de uma banda intensa e que compôe música de forte cariz sensorial, já que sabe carregar nos botões certos das nossas emoções, oferecendo-nos um disco perfeito para ser escutado naquelas manhãs difíceis, em que a noite foi longa e agitada, mas onde existe um sopro que nos permite voltar a respirar com o ritmo e a cadência certas, para ser possível olhar o novo dia com uma renovada pujança e a certeza de que os mesmos podem ser sempre cada vez melhores. Espero que aprecies a sugestão...

The High Violets - Heroes And Halos

01. How I Love (Everything About You)
02. Dum Dum
03. Long Last Night
04. Break A Heart
05. Bells
06. Heroes And Halos
07. Longitude
08. Ease On
09. Comfort In Light
10. Hearts In Our Throats

 


autor stipe07 às 21:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 13 de Julho de 2016

Crescendo – Unless

Lançado no final do último inverno, Unless é o segundo trabalho dos Crescendo, um trio norte americano oriundo de Los Angeles, concebido por Gregory Cole, o mentor do projeto, ao qual se juntaram Olive Kimoto e Jess Krichelle. O grupo estreou-se em 2014 com o aclamado Lost Thoughts, uma coleção de canções escritas por Gregory e que se debruçavam sobre alguém que estava apaixonado e vivia dentro de uma pintura a óleo famosa e este Unless reforça este espírito imaginário bastante romântico, caloroso e apelativo de uns Crescendo que se servem de algumas das melhores armas do shoegaze e da dream pop para nos fazerem mergulhar num universo bastante impressionista, mágico, etéreo e espacial, também.

Estas doze canções incluídas em Unless são, sem reservas ou pudores, eficazes na transmissão de sentimentos e ações onde a materialização do aparentemente impossível é apenas uma consequência óbvia da espontaneidade de quem se deixa conduzir pelo desejo e pelos sonhos. O código morse de Intro que antecede e depois intercala o pulsar inquietante e majestoso de Repulsor serve para nos explicar que este é um alinhamento que tem o intuíto claro de comunicar com o ouvinte e deixar uma mensagem específica, mas que para a mesma seja entendida é essencial que haja predisposição para a assimilação sem reservas da linguagem muito própria que expôe estes Crescendo.

Daí em diante, uma voz em permanente eco e quase impercetível, guitarras carregadas de loops enleantes e distorções rugosas, particularmente impressivas em Tell, principalmente quando flutuam por cima de um baixo encorpado e uma bateria quase sempre num registo rítmico frenético, são o receituário de uns Crescendo que em Last e em Said não deixam de piscar os dois olhos, praticamente em simultâneo, ao krautrock e que em Pressure, um tema que conta com a participação especial de Frankie A. Soto, mostram todo a nuvem ciclópica e catalisadora que envolve um som genuíno e muito peculiar onde, num misto de ingenuidade, impulsividade, esperança e resiliência, contam as suas histórias e cabem todos os nossos sonhos, mesmo os mais inquietantes. Os quase três minutos de Softly são um daqueles elixires psicotrópicos que tomando conta de nós, tornam-nos num herói incrivelmente sedutor, capaz de guiar ao éden quem se deixar arrebatar por si. Espero que aprecies a sugestão...

Crescendo - Unless

01. Intro
02. Repulsor
03. Tell
04. Last
05. Haunted
06. Said
07. The Morning Sonata
08. Space Cadett
09. Pressure (Feat. Frankie Soto)
10. Transformer
11. Yet
12. Softly


autor stipe07 às 18:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Marvel Lima - Fever (Vídeo)

Depois de em 2014 terem surpreendido a mais atenta crítica nacional com Mi Vida, canção que seria o primeiro avanço para o disco de estreia, que parece que irá ver, finalmente, a luz do dia, lá para setembro, à boleia da editora pontiaq, os alentejanos Marvel Lima acabam de divulgar uma nova prova sonora, que comprova ser este um projeto a ter claramente em conta no panorama indie e alternativo nacional.

Esse sinal dado por este quinteto oriundo de Beja, intitula-se Fever, um tema que encontra a sua alma e pujança numa mistura de indie pop e indie rock com o punk e o post rock, sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, um cocktail ampliado por uma elevada dose de emoção, arrojo e amplitude progressiva que, conforme indica o press release do lançamento, també conta comum forte tempêro mediterrâneo e uma assumida influência latina

Divulgado já há algumas semanas neste blogue, Fever volta à ordem do dia devido ao vídeo da canção, recentemente divulgado. O filme aposta numa abordagem sensual e distorcida à esquizofrenia, tendo sido realizado/editado por Diogo Vargas com ilustrações de Carolina Arbués Moreira e com a participação de todos os membros da banda.Confere...


autor stipe07 às 18:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 6 de Julho de 2016

Ivy Moon - Prelude EP

Nascidos há dois anos em Santiago de Compostela, os Ivy Moon são um quarteto formado por Elba Souto, Inés Mirás, Pablo González e Alberto Rama e têm já um intenso percurso sonoro, apesar da curta existência. Estrearam-se logo no Brincadeira Festival (2014) e desde o seu nascimento percorreram já algumas das mais emblemáticas salas de espetáculos da Galiza; O La Fábrica de Chocolate (Vigo), Sala Garufa (Coruña), Sala Son, Sala Super 8, Sala Moon, Sala Sónar..., tendo também atuado em outros locais do país natal. Os Ivy Moon já têm dois EPs no seu cardápio, sendo o mais recente Prelude, cinco canções que olham para o indie rock alternativo de frente, com um leque alargado de influências que do grunge ao experimentalismo psicadélico, colocam sempre as guitarras na linha da frente da condução melódica, que não dispensa um charmoso pendor lo fi.

Os acordes iniciais de Buried By Ignorance são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Ivy Moon deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e em Hallocinogetic assumem mesmo uma faceta algo punk, esculpida com cordas ligas à eletricidade, que fazem desta canção um intenso e frenético instante sonoro, também bastante festivo.

Estes Ivy Moon transpiram uma exibição consciente de sapiência melódica, conseguindo nas cinco canções diversificar estilos, sem descurar o tronco comum que as une. Curls, por exemplo, seduz pelo dedilhar inicial da guitarra e surpreende, logo depois, pela distorção robusta, acompanhada de uma bateria que cresce e que amplia a emotividade do tema, para, logo depois, o clima mais cru e hipnótico de Addicted, nos oferecer, num imenso arsenal de arranjos e detalhes, um agregado sonoro rico em alguns dos melhores detalhes do rock alternativo de final do século passado.

Os Ivy Moon sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida, feita de cinco canções que são um evidente marco de libertação e de experimentação onde não terá havido apenas um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:14
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 5 de Julho de 2016

Caveman – Otero War

Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e de um homónimo lançado dois anos depois, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Otero War, um registo lançado a dezassete de junho último, por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico rock norte americano, desta vez procurando recriar uma espécie de narrativa sci-fi, como exemplarmente ilustra também, além das doze canções, o artwork de Otero War, da autoria de ilustrador Marc Ericksen.

Tal como os dois discos antecessores, este terceiro alinhamento da carreira dos Caveman pode servir como exemplo do estado atual do indie rock nesta segunda década do século XXI. A exuberância da bateria e das guitarras e o modo como as teclas se entrelaçam nesse pulsar orgânico que se estabelece entre cordas e percussão, é um bom exemplo do modo como trinta anos depois dos gloriosos anos oitenta ainda é possível construir baladas pop, plenas de ritmo e intensidade e, simultaneamente, com aquela sensibilidade desarmante capaz de tocar no coração mais empedrenido. Os sintetizadores de Life Or Just Leaving e o modo como em dois ou três acordes apenas exaltam a mensagem otimista de Believe, reforçam o ideário comparativo acima descrito, agora num modo mais contemplativo e os efeitos que enfeitam o frenesim de On My Own são outro detalhe que atesta o modo assertivo como estes Caveman expressam todo um catálogo de sons e estratégias de composição melódica que consolidam o indie rock atual.

Apesar do nome da banda, estes Caveman não têm muito de cavernoso e obscuro. Mesmo quando em Project o baixo salta para a linha da frente e uma certa toada punk assalta o edifício sonoro da canção, isso serve apenas para reforçar o ecletismo e a abrangência de um disco com uma sonoridade bastante pop e acessível. As canções também se destacam pela voz de Matthew e o vigor da bateria de Stefan é outro trunfo essencial, como se percebe, por exemplo, na cadência de Human, mais uma composição que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje não deixa ainda, como se percebe neste Otero War, de ser um manancial de inspiração no momento de compôr. 

Numa época em que muitos críticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção essa crítica, assentando tal permissa não só na elevada qualidade da sua seleção instrumental, mas também numa habilidade lírica incomum e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.

Disco dominado essencialmente pelas guitarras, há em Otero War um notório amadurecimento na forma desta banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

Caveman - Otero War

01. Never Going Back
02. Life Or Just Living
03. On My Own
04. Project
05. Lean On You
06. The State Of Mind
07. 80 West
08. Human
09. Believe
10. Over The Hills
11. All My Life
12. I Need You In My Life


autor stipe07 às 22:20
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Julho 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
12

17

24
26
27
28
29
30

31


posts recentes

Weaves - Weaves

Melt Yourself Down - Last...

Day Wave - Hard To Read E...

Dinosaur Jr. – Give A Gli...

FAWNN – Ultimate Oceans

The High Violets – Heroes...

Crescendo – Unless

Marvel Lima - Fever (Víde...

Ivy Moon - Prelude EP

Caveman – Otero War

Miss Lava - Sonic Debris

Autolux – Pussy’s Dead

Mumblr - The Never Ending...

Band Of Horses - Why Are ...

Kaiser Chiefs – Parachute

Two Door Cinema Club – Ar...

Okta Logue – Diamonds And...

The Weatherman - Kind of ...

The Temper Trap -Thick As...

Leapling - Suspended Anim...

X-Files

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds