Quarta-feira, 22 de Junho de 2016

Two Door Cinema Club – Are We Ready? (Wreck)

Two Door Cinema Club - Are We Ready (Wreck)

Os irlandeses Two Door Cinema Club, de Alex Trimble, Kevin Baird e Sam Halliday, vão regressar aos discos a catorze de outubro próximo com Gameshow, dez canções que vão quebrar um hiato de quatro anos do projeto. Este será o terceiro disco da banda, sucedendo ao muito aclamado Beacon (2012) e a Tourist History (2010), o disco de estreia.

Há poucos dias a banda apresentou em primeira mão, no programa de Annie Mac, na BBC Radio 1, Are We Ready? (Wreck), o primeiro avanço de Gameshow e, pela amostra, está de regresso aquele fluxo planante das guitarras, típico de um trio onde tudo flui para impressionar e levar os ouvintes a entregarem-se aos encantos e à dança involuntária que conseguem imprimir ao ideário sonoro das suas canções. Confere...


autor stipe07 às 22:01
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 21 de Junho de 2016

Okta Logue – Diamonds And Despair

Philip Meloi, Benno Herz, Robert Herz e Max Schneider são os alemães Okta Logue, um quarteto distribuido por Frankfurt e Darmstadt e mais um nome a direcionar o seu processo de criação sonora para aquela psicadelia pop ampla e elaborada, através de um som firme e definido e onde cada instrumento parece assumir uma função de controle, nunca se sobrepondo demasiado aos restantes, com Diamonds And Despair, o mais recente disco do grupo, a encarnar um espírito ecoante e esvoaçante, transversal às catorze canções do seu alinhamento e que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

O fuzz do sintetizador e o esplendor das cordas de Pitch Black Dark e da alegoria pop One-Way Ticket To Breakdown, os detalhes percussivos e a guitarra planante de Helpless e o ambiente etéreo e imersivo criado pelos efeitos de Stars Collapse esclarecem o ouvinte acerca da constante omnipresença do experimentalismo rock que ditou a sua lei nos grandiosos anos setenta e da salutar psicadelia instrumental e melódica que definia alguns dos nomes fundamentais desse género que hoje vem sendo replicado com enorme sucesso nos dois lados do atlântico.

Como é apanágio num som que se pretende luminoso, atrativo e imponente, sem descurar aquela fragilidade e sensorialidade que o território estilístico onde estes Okta Logue se movem exige, Diamonds And Despair caracteriza-se, em grande parte, pela subtileza com que este quarteto alemão incorpora uma musicalidade prática, concisa e ao mesmo tempo muito abrangente, num disco marcado pela proximidade entre as canções, fazendo com que o uso de letras cativantes e de uma instrumentação focada em estruturas técnicas simples, amplie os horizontes e os limites que vão sendo traçados em mais de uma hora de canções com tudo para tornarem-se em verdadeiros clássicos da pop experimental. A majestosidade das guitarras que conduzem Waves e a direção delicada e ao mesmo tempo mais esculpida e etérea, que a banda assume em Wasted With You, assim como o acabamento límpido e minimalista, mas fortemente sentimental e profundo de It's Been A While, arrancam o máximo daquilo que as guitarras conseguem enfatizar ao nível dos efeitos e das distorções hipnóticas e acabam por ser um piscar de olhos insinuante a um krautrock que, cruzado com um subtil minimalismo eletrónico, prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um disco em ritmo ascendente, mas sempre controlado, até à última canção.

Pleno de nuances variadas e harmonias magistrais, em Diamonds and Despair tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, através de um disco assertivo, onde os Okta Logue utilizaram todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente e que obriga a crítica a ficar particularmente atenta a este grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Okta Logue - Diamonds And Despair

01. Pitch Black Dark
02. Helpless
03. Stars Collapse
04. Waves
05. Diamonds And Despair
06. Heat
07. Under The Pale Moon
08. It’s Been A While
09. One-Way Ticket To Breakdown
10. Wasted With You
11. Heroes Of The Night
12. Distance
13. Summer Days
14. Take It All


autor stipe07 às 21:39
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

The Weatherman - Kind of a Bliss

The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, está de regresso aos discos com Eyeglasses for the Masses, um álbum editado a vinte e nove de Abril e que nos remete para um universo pop e psicadélico, diversificado e abrangente, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.

O mais recente single extraído de Eyeglasses for the Masses é Kind Of A Bliss, um alerta vermelho sobre a solidão e o sofrimento que a mesma causa frequentemente, nomeadamente nas vítimas de abusos de toda a espécie e das mais variadas faixas etárias. O tema já tem direito a vídeo, que apresenta o caso de uma vítima de violência doméstica, um dos maiores flagelos da sociedade ocidental contemporânea.

The Weatherman estreou-se nos lançamentos discográficos em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009), e um homónimo, em 2013, antes deste Eyeglasses for the Masses. Confere...


autor stipe07 às 21:57
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 14 de Junho de 2016

The Temper Trap -Thick As Thieves

Os australianos The Temper Trap, banda formada em 2005, liderada por Dougy Mandagi e conhecida pelo som atmosférico, adornado com guitarras e um grande conjunto de ritmos pulsantes, viram o sucesso em 2009 quando Sweet Disposition, extraído do seu álbum de estreia Conditions, se tornou num verdadeiro fenómeno à escala mundial. Em maio de 2012 regressaram aos lançamentos com um disco homónimo lançado através da Infectious Records, que resultou numa vasta digressão mundial, com presença em vários festivais importantes e elogios de bandas como os Rolling Stones ou os Coldplay.

Agora, quatro anos depois desse registo, os The Temper Trap estão de regresso com Thick As Thieves, disco lançado a dez de junho e com vários momentos interessantes, dos quais destaco Fall Together, canção que resulta de uma parceria com Justin Parker, habitual produtor de Lana Del Rey.

Além de Justin Parker, nos créditos de Thick As Thieves podemos encontrar também os nomes de Ben Allen e Pascal Gabriel, mas é a voz de Mandagi, que assemelha-se algumas vezes ao registo de um Jeff Buckley e que é feita, constantemente, com doloridas expressões faciais, que continua a ser o trunfo maior de uma banda exímia a dar vida a canções com uma forte toada sentimental, assentes quase sempre numa guitarra empolgante e carregada de efeitos, de mãos dadas com sintetizadores estratosféricos, que procuram desbravar novos caminhos e uma indisfarçável ode celebratória.

De disco para disco tem havido uma busca quase obsessiva dos The Temper Trap por uma nova identidade sonora e, sendo já algo longínqua a estreia, aproximam-se cada vez mais da sonoridade dos anos oitenta que tanto pode oscilar entre o rock de estádio de uns Scorpions, como a pop baladeira e melancólica dos Spandau Ballet. E este Thick As Thieves acaba por deambular entre estes dois pólos, tendo como atributo maior falar de sentimentos reais e geralmente felizes e que, por isso, pretendem e de slgum modo conseguem colocar enormes sorrisos no nosso rosto durante a audição. Espero que aprecies a sugestão...

The Temper Trap -Thick As Thieves

01. Thick as Thieves
02. So Much Sky
03. Burn
04. Lost
05. Fall Together
06. Alive
07. Riverina
08. Summer’s Almost Gone
09. Tombstone
10. What If I’m Wrong
11. Ordinary World


autor stipe07 às 21:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 13 de Junho de 2016

Leapling - Suspended Animation

Depois de no início de 2015 me terem espantado com o fabuloso Vacant Page, os nova iorquinos Leapling, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica, regressaram aos lançamentos discográficos com Suspended Animation, um álbum que viu a luz do dia a dez de junho, através da Exploding In Sound.

Hey Sister, Alabaster Snow e One Hit Wonder são alguns dos momentos altos de Suspended Animation, um trabalho que continua a revelar extraordinários acordes de guitarra com um comovente objetivo melódico, como só estes Leapling nos sabem oferecer. Tal é, sem dúvida, o resultado de todas as experiências acumuladas por Dan Arnes, o líder do projeto, além, claro, das referências melódicas típicas do grupo, que da herança que os The Beach Boys, os The Kins e os The Smiths, passando pelos Wilco, nos deixaram, parece também utilizar referências do próprio quotidiano para construir um panorama instrumental e lírico que pende ora para o rock experimental, ora para a indie pop adocicada e acessível.

Estes Leapling continuam a provar serem mestres no desenvolvimento de uma instrumentação radiante, reflexo da capacidade do grupo em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que se repete neste Suspended Animation, disco que fala de paixão e de amor, como os melhores psicoativos sentimentais que podemos usar, mas também de portas que se abrem para nunca mais se fechar, decisões difíceis e manhãs irrepetíveis, exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo deste grupo. E o que mais sobressai durante a audição integral do trabalho é a perceção clara que os Leapling optaram por ligar a sua faceta experimental a pleno gás, obtendo um balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, mas sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que já define o arquétipo das suas composições. Espero que aprecies a sugestão...

Leapling - Suspended Animation

01. I Decide When It Begins
02. Alabaster Snow
03. Don’t Move Too Fast
04. Shakin’
05. You Lemme Know
06. Suspended Animation
07. One Hit Wonder
08. Hey Sister
09. Why Can’t You Open Up Your Door?
10. Good Morning (It’s Okay)
11. Time Keeps Tickin’


autor stipe07 às 23:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 9 de Junho de 2016

You Can't Win, Charlie Brown - Above the Wall

Quase dois anos e meio depois da edição de Diffraction/Refraction, os lisboetas You Can't Win, Charlie Brown de Afonso Cabral (voz, teclas, guitarra), Salvador Menezes (voz, guitarra, baixo), Tomás Sousa (bateria, voz), David Santos (teclas, voz), João Gil (teclas, baixo, guitarra, voz) e Luís Costa (guitarra), regressam em setembro próximo aos lançamentos discográficos com Marrow, um compêndio de canções que nos irá certamente oferecer mais um sentido quadro sonoro, pintado com belíssimos arranjos de cordas que, no caso de Above The Wall, o primeiro tema divulgado do disco, apostam numa imponente dose eletrificada de fuzz e distorção, que se saúda amplamente e uma voz contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto.

Este tema Above the Wall, assim como o restante conteúdo de Marrow, foram gravados no HAUS, por Fábio Jevelim, Makoto Yagyu e Miguel Abelaira e misturados por Luís Nunes, também conhecido por Benjamim, colaborador de longa data dos You Can't Win, Charlie Brown.

Com tantas bandas e artistas a ditar cada vez mais novas tendências no indie rock, é refrescante encontrar por cá alguém que o faz de forma diferente e de modo profundo, intenso e poderosamente bem escrito, ainda por cima depois de ter calcorreado territórios sonoros mais acústicos e introspetivos. Se este primeiro avanço de Marrow mal dá tempo para recuperar o fôlego, aposto que o que aí vem estará carregado de imagens evocativas, sustentadas em melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provarão, novamente, a sensibilidade dos You Can't Win, Charlie Brown para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. 


autor stipe07 às 13:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 8 de Junho de 2016

The Kills - Ash & Ice

Os britânicos The Kills de Jamie Hince e Alison Mosshart acabaram finalmente um hiato discográfico de praticamente meia década, já que o excelente Blood Pressures tinha sido o último disco que a dupla lançou já no longínquo ano de 2011. Gravado no outro lado do atlântico, em Los Angeles e nos estúdios Electric Lady, em Nova Iorque, Ash & Ice é o nome do novo álbum dos The Kills, um trabalho produzido pelo guitarrista Jamie Hince, com a preciosa ajuda do conceituado John O’Mahoney e lançado pela Domino Records.

Uma das primeiras impressões que sobressai de Ash & Ice é a manutenção da química intensa entre a dupla, uma das conexões mais sólidas e bem sucedidas do espetro sonoro em que estes The Kills se movimentam. A guitarra fluída de Hince em Heart Of A Dog, o modo como o som sintetizado que baliza a melodia em Doing To The Death, sem beliscar o fuzz das cordas eletrificadas e a emotividade e pujança vocal de Alison, em ambos os temas, esclarece, desde logo, os mais pessimistas e sossega os fãs acérrimos de um projeto que tem uma significativa e fiel prole de seguidores por cá.

Mas as constatações e as revelações em Ash & Ice não ficam por aqui. Tendo em conta estes temas iniciais, o trabalho não defrauda a herança da dupla, mas chega-se à imponência percussiva de Bitter Fruit e ao rigor e pendor orgânico da batida de Siberian Nights, duas canções feitas de punhos cerrados e queixo levantado, como o velhinho e anguloso indie rock exige, para se concluir que, além do aspeto identitário anteriormente referido, estes The Kills também continuam capazes de, sem dó nem piedade, proporcionarem um ambiente ora sombrio e nostálgico, ora aquele onde cabem os jeans coçados escondidos no guarda fatos, as t-shirts coloridas e um congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa.

Se a cereja no topo do bolo de Ash & Ice é, quanto a mim, Impossible Tracks, canção com uma vibração ímpar e que emerge com toques de grandiosidade em estradas difíceis de percorrer, é no refrão da mais soturna e exigente Days Of Why and How, no ardor intimista de That Love e no sentimentalismo minimalista de Hum For Your Buzz, que se entende que este alinhamento também amplia o som de uns The Kills notoriamente na fase mais madura da carreira e abertos e prontos para novas sonoridades e descobertas, apesar de confessarem sentirem-se mais confortáveis a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora. No fundo, o rugoso, crú e visceral punk rock dos The Kills mantém-se intocável, assim como o charme inconfundível de uma dupla única e sem paralelo no universo alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

The Kills - Ash And Ice

01. Doing It To Death
02. Heart Of A Dog
03. Hard Habit To Break
04. Bitter Fruit
05. Days Of Why And How
06. Let It Drop
07. Hum For Your Buzz
08. Siberian Nights
09. That Love
10. Impossible Tracks
11. Black Tar
12. Echo Home
13. Whirling Eye


autor stipe07 às 23:11
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 7 de Junho de 2016

Psychic Ills – Inner Journey Out

Um das mais curiosas apostas do catálogo da Sacred Bones Records são os Psychic Ills, um projeto norte americano oriundo da big apple e que desde 2003 tem divagado por um universo de explorações sonoras que criam pontos de interseção seguros e estreitos entre eletrónica, rock ambiental e rock progressivo, sempre com uma toada eminentemente lo fi e psicadélica, que até nem dispensou alguns artifícios caseiros de gravação, como se percebe em Inner Journey Out, o quinto disco do grupo, editado no passado dia três de junho pela referida etiqueta.

Tocar a nostalgia e dar vida a uma sensação tão singela e simultaneamente perene como essa requere, obrigatoriamente, uma jornada sonora com uma elevada dose de bom gosto e que busque uma harmonia e um rigor instrumentais que são, quanto a mim, uma imagem de marca destes Psychic Ills. Essa evidência fica plasmada bem cedo, durante a audição de Inner Journey Out, não só na escuta do orgão de Back To You e no modo como os instrumentos percussivos e de sopro vão sendo adicionados à melodia, à medida que a emotividade vocal de Tres Warren toma conta do nosso âmago, mas também, e principalmente, no ritmo efusiante, marcado pelo baixo rugoso e pelo compasso de uma bateria intransigente nos tempos e que se vai deixando enlear por uma distorção de guitarra a espumar aquele blues tipicamente americano até ao tutano, em Another Change, mas também na luminosidade das cordas da folk boémia e contemplativa de I Don't Mind, canção que conta com a participação especial de Hope Sandoval (Mazzy Star) e que na componente eletrificada, também ressuscita alguns dos melhores atributos do cardápio de efeitos que define a típica guitarra do outro lado do atlântico e que exala uma mansidão folk rock psicadélica incomum e capaz de nos envolver num torpor intenso.

Já completamente absorvidos por um início de alinhamento tão intenso e incandescente, levamos um soco no baixo ventre quando entra pelos nossos ouvidos Mixed Up Mind, canção que, quanto a mim (e como ninguém vai ler isto, posso dizê-lo abertamente), tem na sua génese tudo para ser sexualmente bastante apelativa e funcionar como um verdadeiro e eficaz estimulante. Na verdade, quer esta Mixed Up Mind, quer All Alone, parecem uma espécie de parelha inseparável, dois temas que se enrolaram sem apelo nem agravo, envoltos numa sonoridade que faz com que pareçam ter estado presos num qualquer transítor há várias décadas e que finalmente libertados com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, tendo ficado disponíveis algures num assento almofadado virado para uma solarenga praia, no início daquela madrugada que todos vivemos uma vez na vida, ou na cama mais confortável lá de casa, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, se bem acompanhados, oferece-nos uma estadia de magia e delicadeza invulgares.

Até ao final aguardam-nos muitas outras surpresas e instantes de difícil mas bastante acessível e recompensadora catalogação sonora, que experimentados à boleia do cinismo de Coca-Cola Blues, da simplicidade crua de Music In My Head e da exuberância e majestosidade de Ra Wah Wah, permitem-nos a absorção plena e dedicada de uma assumida grandiosidade celestial, onde o retro se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, imbuída de uma salutar complexidade que coloca os autores rumo ao típico rock que se situa num patamar superior de abrangência.

Estes Psychic Ills deixam-nos viajar no tempo e enquanto nos fazem recuar quase meio século, sob o efeito soporífero de canções que parecem não ter um tempo exato para viverem e que se deixam espraiar até ao limite de tudo aquilo que têm de sublime para nos transmitir, oferecem-nos uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos deixou até hoje. Espero que aprecies a sugestão... 

Psychic Ills - Inner Journey Out

01. Back To You
02. Another Change
03. I Don’t Mind
04. Mixed Up Mind
05. All Alone
06. New Mantra
07. Coca-Cola Blues
08. Baby
09. Music In My Head
10. No Worry
11. Hazel Green
12. Confusion (I’m Alright)
13. Ra Wah Wah
14. Fade Me Out


autor stipe07 às 23:23
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 6 de Junho de 2016

Beck - Wow

Beck - Wow

Depois de mais de meia de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, com a divulgação de um novo single intitulado Wow, se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço, depois de no verão passado ter igualmente surpreendido com outro single intitulado Dreams.

Entre o hip-hop e o R&B, Wow deverá fazer parte do alinhamento do próximo disco de Beck e, de acordo com o músico, o sucessor de Morning Phase será um trabalho completamente diferente e misturará garage rock com dance music. Assim, além de ter sido uma enorme surpresa, esta canção merece destaque porque nela Beck colaborou com vários ilustradores, designers gráficos e artistas, nomeadamente o português Bráulio Amado. Este designer gráfico vive em Brooklyn, Nova Iorque e foi, juntamente com o realizador Jimmy Turrell, co-responsável pela direcção de arte do tema. Confere...


autor stipe07 às 23:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Cass McCombs – Opposite House

Cass McCombs - Opposite House

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está prestes a regressar aos discos com Mangy Love, o oitavo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Será um alinhamento de doze canções, que verão a luz a vinte e seis de agosto e sucedem ao excelente Big Wheel And Others, sendo o primeiro álbum do músico depois de ter assinado pela ANTI- Records.

Opposite House é o primeiro avanço divulgado de Mangy Love, canção que conta com a participação especial de Angel Olsen nas vozes de fundo e que reforça a habitual sonoridade de McCombs, assente em banjos e violões carregados de amargura e de uma interessante dose de bom humor e ironia, uma sonoridade simplista, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas doses de uma folk ruidosa, num oceano de melancolia ilimitada. Confere...


autor stipe07 às 19:18
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Junho 2016

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

16
17
18

19
20
23
25

26
27
28
29
30


posts recentes

Two Door Cinema Club – Ar...

Okta Logue – Diamonds And...

The Weatherman - Kind of ...

The Temper Trap -Thick As...

Leapling - Suspended Anim...

You Can't Win, Charlie Br...

The Kills - Ash & Ice

Psychic Ills – Inner Jour...

Beck - Wow

Cass McCombs – Opposite H...

DTHPDL - The Future

Porches – Pool

Snakes - Snakes

Wild Beasts - Get My Bang

Metronomy – Old Skool

Young Girls – Party Blood

Clock Opera - In Memory

Unknown Mortal Orchestra ...

Frail - Bones EP

Damien Jurado - Visions O...

X-Files

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds