Sexta-feira, 26 de Agosto de 2016

Poliça - United Crushers

Já com meia década de existência e com United Crushers, o terceiro álbum, como prova de elevada bitola qualitativa, os norte americanos Poliça chegam a 2016 aconchegados por doze novas canções que se debruçam sobre a realidade social e política do país de origem à boleia de uma pop sintetizada intensa, particularmente charmosa e sonoramente muito inspirada nos inesquecíveis anos oitenta.

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Desde que se escutou It's all shit, it's all shit, it's all shit, em Summer Please, o primeiro tema divulgado para promoção de United Crushers, percebeu-se que estes Poliça não são indiferentes a uma América cheia de contrastes, onde o superficial e o consumo ditam regras e as desigualdades sociais e as tensões interraciais estão na ordem do dia. Esta é uma temática que os Poliça já tinham abordado quer em Give You The Ghost, quer em Shulamith, os dois antecessores, mas ao terceiro tomo o grupo de Minneapolis emerge exaustivamente neste ideário, com temas como Wedding, que se debruça sobre a violência policial (all the cops want in… saying hands up, the bullets in), ou Melting Block, uma reflexão sobre a cada vez mais decadente vida nos subúrbios de uma grande metrópole, a serem composições que de modo profundo refletem esta espécie de psicanálise a que um país inteiro se submete ao ter aceite, voluntariamente, ou não, deitar-se no divã que enfeita o canto mais obscuro do estúdio destes Poliça.

Sonoramente, United Crushers vive, em suma, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada mais reflexiva, com o baixo, sublime em Fish e Berlin, a ser essencial pelo constante ruído de fundo orgânico e visceral que oferece ao alinhamento, tornando-o ainda mais impulsivo e contundente. É um cruzamento espectral, sonoro e meditativo entre música e mensagem, majestoso em Lately, uma relação que sustenta os alicerces de um disco com doze canções algo complexas e bastante assertivas e que provam a elevada maturidade deste grupo e a sua natural propensão para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe as clássicas guitarra, baixo e bateria, além de uma performance vocal aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais.

Sofisticados, rigorosos e positivamente frios, os Poliça chegam a 2016 interpretativamente brilhantes, quer ao nível da composição, quer da escolha dos instrumentos e dos arranjos, compondo com diferentes graus de intensidade e a exigirem de quem se interesse por este belo álbum, um tempo e uma dedicação que objetivamente merecem. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Summer Please
02. Lime Habit
03. Someway
04. Wedding
05. Melting Block
06. Top Coat
07. Lately
08. Fish
09. Berlin
10. Baby Sucks
11. Kind
12. Lose You

 


autor stipe07 às 14:18
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

Lisa Hannigan – At Swim

A irlandesa Lisa Hannigan está de regresso aos discos com At Swim, a nova coleção de canções de uma das intérpretes e compositoras do cenário musical atual mais relevantes e que depois de ter feito parte da banda de Damien Rice abriu as hostilidades já há quase uma década com Sea Sew (2008), um álbum encantador que deixou logo a crítica especializada rendida. Três anos depois, em 2011, chegou Passenger, o segundo trabalho, que manteve a bitola qualitativa inicial e onde se destacava um dueto com Ray LaMontagne no tema O Sleep.

At Swin interrompe um hiato de cinco anos e permite-nos contemplar uma Lisa Hannigan em pleno estado de maturidade e mais incisiva e criativa do que nunca no modo como é capaz de nos enternecer com simples canções, um trabalho que também foi alavancado por Aaron Dessner, dos The National, admirador do percurso de Lisa e que desde o início das gravações se disponibilizou para oferecer toda a ajuda que a cantora precisasse, desencandeando uma troca de correspondência transatlântica, de trechos sonoros e lirícos, que sustentam muito do cardápio disponível em At Swim.

Gravado então junto ao rio Hudson, em Nova Iorque e produzido por Dessner, At Swim gira muito em redor da doce gravidade da voz única de Lisa, exímia a penetrar no nossso âmago e com um talento imenso no modo como nos consegue colocar na linha da frente de toda a trama que gira em redor das suas canções, que narram eventos que podem suceder com naturalidade a quem se entrega ao amor com convicção e procura, nesse sentimento, viver uma jornada emocional única e que faça do dia a dia um constante tesouro. É vasta a panóplia de acontecimentos que estas canções narram, com Fall a expôr as sensações de isolamento e solidão que a saída de casa causou na autora e a luminosidade acolhedora de Lo a levantar a nossa mente para um voo estratosférico com uma quase impercetível serenidade. Depois, se escutarmos atentamente a doce melancolia debitada pela guitarra de Prayer For The Dying percebemos que esta é uma daquelas canções capaz de elevar o espírito daquele nosso amigo que está a atravessar um momento amoroso menos positivo. Entretanto, se o dedilhar do banjo de Snow esclarece-nos que a redenção também faz parte dentro do conceito de perca e que a ideia de recomeço deve nortear sempre quem é desafiado pelas circunstâncias menos felizes da vida, o piano de We, The Drowned ensina-nos que se o destino nem sempre está nas nossas mãos e que aquilo que semeamos é sempre aquilo que acabamos por colher, inevitavelmente.

Um dos momentos mais significativos e curiosos de At Swim é a interpretação à capella de Anahorish, um poema maravilhoso de Seamus Heaney e que nos prende hermeticamente bem longe do turbilhão ruminante de uma qualquer existência quotidiana, criando um universo familiar e cativante que facilmente nos enclausura. A partir daí, a percussão jazzística absolutamente irrepreensível e carregada de soul de Tender e o piano minimalista de Barton expressam, sintomaticamente, um constante plasmar de paradoxos, de uma constante tensão oscilante entre a celebração e a ansiedade, a pop e a folk, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético.

At Swim esconde no seu seio uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de Lisa Hannigan, uma cantautora que jurou uma fidelidade quase canónica à lentidão melódica, à boleia do charme das cordas e à capacidade que o uso assertivo dos graves, agudos e falsetes da sua voz têm de colocar em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Lisa Hannigan - At Swim

01. Fall
02. Prayer For The Dying
03. Snow
04. Lo
05. Undertow
06. Ora
07. We, The Drowned
08. Anahorish
09. Tender
10. Funeral Suit
11. Barton


autor stipe07 às 10:36
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

Bon Iver – 22 (OVER S∞∞N) & 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠

Cinco anos após um excelente homónimo, será no final do próximo mês de setembro e a boleia da Jagjaguwar que Justin Vernon aka Bon Iver irá regressar aos lançamentos discográficos. A Million é o título daquele que será o seu terceiro registo de originais e que sucede, assim, a Bon Iver, lançado em 2011.

22 (OVER S∞∞N) e 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠ são os primeiros avanços divulgados do disco, dois temas que impressionam pelo ambiente introspetivo e reflexivo que encerram e transportam uma aparente ambiguidade sonora fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a folk e a pop mais experimental e a pura eletrónica, duas canções que parecem ter sido embaladas num casulo de seda, da autoria de um verdadeiro trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker e a espiritualidade negra e que se escutam com invulgar fluidez. Confere os dois temas e o alinhamento de A Million...

01. 22(OVER S∞∞N)
02. 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠
03. 715 – CRΣΣKS
04. 33 “GOD”
05. 29 #Strafford APTS
06. 666 ʇ
07. 21 M♢♢N WATER
08. 8(circle)
09. ____45____
10. 00000 Million


autor stipe07 às 21:28
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

Father John Misty – Real Love Baby

Father John Misty - Real Love Baby

Father John Misty já foi visto como um reverendo barbudo e cabeludo, que vagueava pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young. Encharcado, pegava no violão e cantava sobre cenas bíblicas, Jesus e João Batista e a solidão. Hoje, Father John Misty não é só um artista, é uma personagem criada e interpretada por Josh Tillman, antigo baterista dos Fleet Foxes, que tinha uma vida bastante regrada e obscura, mas que hoje vive apaixonado e feliz com esse maravilhoso novo estado de alma.

Intérprete de um dos melhores concertos da última edição do NOS Alive, Misty divulgou recentemente Real Love Baby, uma nova canção que teve a primeira versão gravada em maio e que foi agora alvo de revisão e cujo indulgente teor lo fi das suas cordas sessentistas afaga com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a sua doutrina, num registo clássico e fortemente emocional. Confere...


autor stipe07 às 14:23
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Sexta-feira, 5 de Agosto de 2016

LNZNDRF - Green Roses

Coletivo fundamental do indie rock deste século, os norte americanos The National têm sabido potenciar e expressar a enorme veia criativa dos seus membros noutros projetos paralelos, que devem o sucesso obtido não só ao símbolo de qualidade intrínseco à presença de um membro dessa banda nos créditos, mas também, e principalmente por isso, por causa da superior qualidade do conteúdo sonoro que é criado. Assim, se em 2015 Matt Berninger e Bryce Dessner uniram-se a Brent Knopf dos Menomena para formar os EL VY e se Bryan Devendorf deu as mãos a Danny Seim, dos mesmos Menomena e a Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens), para incubar os Pfarmers, os irmãos Scott e o mesmo Bryan Devendorf unirem-se a Ben Laz dos Beirut, para criar os LNZNDRF, um projeto que se estreou no início deste ano com um discos homónimo, à boleia da conceituada 4AD, e que parece ter já um sucessor na calha.

Enquanto o segundo registo dos originais dos LNZNDRF não chega, a banda acaba de editar dois temas em formato EP; Refiro-me a Green Roses e Salida, dois monumentos sonoros majestosos e de qualidade ímpar, instrumentais com um cariz fortemente ambiental, sustentados por várias camadas de sopros sintetizados, guitarras plenas de frenesim e efeitos que piscam o olho a uma orgânica particularmente minimal, mas profunda e crua, num universo fortemente cinematográfico e imersivo.

Nestes vinte e cinco minutos escuta-se uma espiral pop onde não falta o marcante estilo percurssivo de Devendorf, ou algum do cardápio de efeitos que Danny apresentou nos Menomena, mas onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. O lançamento acaba por seguir um pouco a linha experimental das oito canções que faziam parte do alinhamento de LNZNDRF, mas quer os sopros de Green Roses e principalmente o krautrock do baixo de Salida dão asas a emoções mais etéreas e luminosas, exaladas desde as profundezas do refúgio bucólico e denso onde certamente estes músicos se embrenham para criar composições que impressionam pelo forte cariz sensorial. Confere...

LNZNDRF - Green Roses

01. Green Roses
02. Salida


autor stipe07 às 15:54
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2016

Tape Waves - Here To Fade

Se nos deixarmos levar pela cândura de Nowhere, um dos momentos maiores de Here To Fade, o novo disco dos Tape Waves de Jarod Weldin e Kim Weldin, é bem possível que a nossa mente nos faça aterrar naquela praia vintage que nos leva de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como a Carolina do Sul, o estado norte americano onde a banda reside. Essa passagem para uma outra dimensão sucede naturalmente enquanto se escuta, além desta, mais nove canções tranquilas, que não deixam de conter leves pitadas de shoegaze e post rock, mas que nunca atravessam aquela fronteira que poderia conduzir a sonoridade da dupla para algo de muito barulhento ou demasiado experimental.

Sucessor do excelente Let You Go, o fantástico disco de estreia do projeto, editado em 2014, Here To Fade eleva esta dupla norte americana oriunda de Charleston para uma superior dimensão estilística, com a sonoridade simples e impecavelmente produzida do antecessor a ser aprimorada, numa evidente e salutar aproximação à melhor surf pop melancólica e romântica, através de guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.

Temas como a efusiva Close Your Eyes, canção que esconde um baixo que lhe confere um toque punk absolutamente delicioso, a planante Go Away ou a ritmada Standing In Line têm algo de épico e sedutor, com uma sonoridade muito implícita no modo como, num contexto sonoro aparentemente minimal, apresentam diferentes nuances e uma vasta miríade de detalhes, efeitos e arranjos, com o registo vocal ecoante a funcionar como o contraponto decisivo para a feliz criação de uma atmosfera geral calma e contemplativa, com uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica incomuns e bastante sentimentalista e transmissora de boas vibrações. A voz doce de Kim e o acerto instrumental de Jarold contrastam e complementam-se, em simultâneo, e transbordam uma imensa eficácia e bom gosto na forma como dão vida a temas coerentes, com um forte cariz romântico e que versam sobre o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios.

Gravado e misturado pelo próprio Jarod Weldin e masterizado por Joe Goodwin e com o lindíssimo artwork da autoria de Savannah Rusher, Here To Fade confirma o modo assertivo como os Tape Waves falam com particular delicadeza sobre o sabor doce e amargo da vida, tal como a conhecemos, com a melhor estratégia a ser aquela em que o plano principal é não haver planos, ao som de uma festa algo melancólica e instrospetiva, mas que não deixa de ser também feita de cor, movimento e muita letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Tape Waves - Here To Fade

01. So Fast
02. Always Shines
03. Nowhere
04. Calling
05. Close Your Eyes
06. Go Away
07. Standing In Line
08. Fine For Now
09. Stay Mine
10. Morning Time

 


autor stipe07 às 10:54
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Segunda-feira, 1 de Agosto de 2016

Future Generations – Future Generations

Eric Grossman, Mike Samsevere, Eddie Gore, Dylan e Devon Sheridan são os Future Generations, um coletivo nova iorquino sedeado no Bronx e que acaba de se estrear nos discos com um homónimo, dez canções que viram a luz do dia há poucos dias através da Frenchkiss Records.

Tudo começou na universidade de Fordham, há cerca de meia década, quando Eddie conheceu Eric e Mike. Começaram a viver juntos e daí até fazerem música foi um pequeno passo. Depois de Devon se ter juntado ao grupo, chegou o primeiro EP, a atenção da Frenchkiss, uma etiqueta nova iorquina de relevo no cenário indie e agora, finalmente, este compêndio de canções que são já um marco imprescindível e obrigatório neste ano repleto de novidades e registos sonoros qualitativamente incomuns.

Em quase quarenta minutos, Future Generations tem bem assentes as suas coordenadas, de modo a estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico, bem patente logo na formosa Grace. É uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e uma voz que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Future Generations nos oferece vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, num ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Sintetizadores e cordas onde abundam guitarras experimentais trocam piropos, para depois, como é o caso de Stars, desabrocharem numa explosão sónica, feita de exuberância e cor. Mesmo no território mais negro e minimal de This Place We go, no tribalismo percussivo de Black and Bleu, ou na mais reflexia e etérea Coast, ocorre sempre um percurso triunfante e seguro, numa súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade e uma sensualidade pop lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Future Generations faz mossa nos nossos ouvidos e agita a mente, assim deixemo-nos nós ser conduzidos por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante da linha sintetizada em que se sustenta 60 Seconds, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete de efeitos borbulhantes que contém, numa riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma ordenada amálgama sonora, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, colocando as agulhas intencionalmente orientadas para algo épico.

Future Generations é um corpo único e indivisível e com vida própria, servido em bandeja de ouro, uma alegoria pop aventureira que plasma intensamente e com elevada bitola qualitativa as novas e mais inspiradas tendências do indie contemporâneo, mesmo no clima retro vintage oitocentista de You've Got Me Flush. É, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Future Generations - Future Generations

01. Grace
02. Stars
03. Rain
04. Black And Bleu
05. This Place We Go
06. You’ve Got Me Flush
07. Find An Answer
08. Coast
09. 60 Seconds
10. Thunder In The City


autor stipe07 às 11:05
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Domingo, 31 de Julho de 2016

Helado Negro - Runaround

Helado Negro - Runaround

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos e que vai lançar, já a seis de outubro, Private Energy, o seu quinto longa duração. Runaround é o mais avanço divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade.

Private Energy será mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco em que Lange irá ampliar as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar, em catorze canções, uma multiplicidade de referências sonoras, contando, desta vez, com o contibuto visual e artístico, nomeadamente em palco, do coletivo Tinsel Mammal, um grupo de dançarinos com vestes prateadas e que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro. Confere...


autor stipe07 às 16:57
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

Weaves - Weaves

Jasmyn Burke (voz), Morgan Waters (guitarra), Zach Bines (baixo) e Spencer Cole (bateria), são os Weaves, um quarteto canadiano natural de Toronto, que depois de um excelente ep lançado há dois anos acaba de se estrear nos discos, de modo bastante promissor, com Weaves, onze canções abrigadas pela Kanine Records e que em pouco mais de meia hora cruzam os fundamentos do indie rock com alguns dos aspetos mais contemporâneos desse género sonoro, num resultado final que tem tanto de acessível como de inédito, criativo e agradavelmente refrescante e único.

No fuzz e no curioso efeito abrasivo da guitarra de Tick e, nesse mesmo tema, no baixo que marca a cadência das mudanças de ritmo de uma bateria frenética e numa voz que balança entre o lamento e vigoroso impulso, fica desde logo percetível que estes Weaves são audaciosos e vanguardistas, mas também não descuram uma vertente mais comercial, que melodicamente seja atrativa e possa fazê-los atingir uma apreciável franja de público mais jovem e que goste de sonoridades efusivas, viscerais e festivas. Se Birds & Bees e Candy contêm esse apelo pretensioso de conseguir usar o ruído como algo aditivo e dançável, já Shithole, por exemplo, tem um cariz mais sério e maduro, sem deixar de soar de modo refrescante e simultaneamente vintage, com os Pixies a serem uma referência marcante e óbvia, algo que a mais intimista e subtil Eagle também demonstra, assim como, na mesma toada, o clima mais sensual e desconcertante de Two Oceans.

Estes Weaves são assim, imprevisíveis, salutarmente impulsivos e animados e algo pervertidos até, sem deixarem de exalar uma atraente inocência e até um inusitado experimentalismo, expresso no arrojo de Coo Coo e Sentence e particularente reflexivo em Stress. Conduzidos por guitarras inspiradas, uma sapiência melódica invulgar e um irresistível travo festivo, apresentam-se humildemente ao grande público sem um denecessário glamour ou uma insípida limpidez sonora, mas antes com toda a honestidade que é possível existir no seio de uma banda de indie rock que quer apenas e só, como claramente se percebe, servir-se da música para celebrar um presente colorido, como se não houvesse amanhã. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tick
02. Birds & Bees
03. Candy
04. Shithole
05. Eagle
06. Two Oceans
07. Human
08. Coo Coo
09. Sentence
10. One More
11. Stress


autor stipe07 às 12:03
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Sábado, 23 de Julho de 2016

Melt Yourself Down - Last Evenings On Earth

Depois de um homónimo lançado em 2013, os britânicos Melt Yourself Down de Kushal Gaya estão de regresso com mais uma incandescente e festiva dose de afrobeat, à boleia de Last Evenings On Earth, nove canções que viram a luz do dia em abril com a chancela da The Leaf Label e que se debruçam sobre o contínuo apocalipse que o mundo vive, principalmente desde o início do século passado, feito de guerras, doenças, uma desenfreada corrida às armas e, principalmente, um choque civilizacional que cava um fosso cada vez maior entre uma pequena casta de privilegiados e o resto da humanidade, muito nela ainda a viver de modo desumano e em absoluta pobreza.

Percorrer o sinuoso e labiríntico alinhamento de Last Evenings On Earth é nunca saber o que está um pouco mais à frente ou do outro lado da esquina, que se apresenta na forma melódica menos esperada. Batidas orgânicas são subitamente trespassadas por teclados, particularmente impressivos na monumentalidade de Jump The Fire e os sopros estão sempre presentes, com canções como The God Of You, a ébria Listen Out, ou o punk aparentemente descontrolado de Communication a criarem um falso clima de festa. É que, se por um lado o corpo é continuamente convidado à dança despreocupada e enérgica, também não há como ficar indiferente ao conteúdo incisivo da escrita destas canções onde a virulância da morte e das doenças e o sortilégio da guerra são áreas vocabulares continuamente presentes e transversais.

Melt Yourself Down é um compêndio muito próprio e sui generis, que numa mescla do referido afrobeat com alguns dos melhores detalhes do jazz atual, que comporta cada vez mais e sem aparente pudor alguns artifícios eletrónicos e do próprio indie rock, exemplarmente expresso no fuzz da guitarra de Bharat Mata, nos oferece um verdadeiro caldeirão sonoro nada ingénuo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:28
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