Sábado, 19 de Abril de 2014

Tame Impala - Live Versions

Naturais de Perth e liderados pelo multi instrumentista Kevin Parker, os Tame Impala são um dos grandes destaques do dia de hoje, data em que se celebra a edição de 2014 do Record Store Day. No âmbito desta efeméride é hoje editado Live Versions, um novo EP dos Tame Impala, composto por gravações ao vivo.

Do alinhamento do EP constam nove temas captados num concerto do ano passado em Chicago e, segundo Kevin Parker, pretendem ilustrar o quanto ficam diferentes as canções ao vivo comparadas com as versões de estúdio. De acordo com o press release do alnçamento, o objectivo é dar aos fãs algo que ainda não possuam; algo que apenas tenham experienciado num concerto dos Tame Impala.

Tendo como principal trunfo a capacidade que demonstram em replicar a psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas, os Tame Impala são uma das bandas fundamentais do universo sonoro alternativo atual e Innerspeaker e Lonerism os discos da banda australiana que forneceram a matéria-prima de Live Versions.

Este EP é um excelente aperitivo para a atuação que os Tame Impala têm prevista dia deassete de Julho no Meco, por ocasião do Super Bock Super Rock. Confere...

Tame Impala - Live Versions

01. Endors Toi
02. Why Won’t You Make Up Your Mind
03. Sestri Levante
04. Mind Mischief
05. Desire Be Desire Go
06. Half Full Glass
07. Be Above It
08. Feels Like We Only Go Backwards
09. Apocalypse Dreams

 


autor stipe07 às 18:30
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Terça-feira, 15 de Abril de 2014

Francis International Airport – Cache

Lançado já a três de maio de 2013 pela Siluh Records, Cache é o trabalho mais recente dos Francis International Airport, uma banda austríaca, oriunda da capital desse pais, Viena e formada por Markus Zahradnicek, David Zahradnicek, Georg Tran, Christian Hölzel e Manuel Riegle. Os Francis International Airport são considerados por muita crítica como a banda de maior relevo do cenário índie austriaco, principalmente por causa de Woods, o disco que  o grupo deu a conhecer em 2010 e que os lançou para as luzes da ribalta, além das atuações memoráveis que, logo a seguir, proporcionaram em edições dos festivais Eurosonic e Primavera Sound, que se costuma distribuir entre o Porto e algumas cidades espanholas, nomeadamente Barcelona.

Em Cache, os Francis International Airport apostam num som mais sintético, em deterimento de uma toada pop, algo ligeira, típica dos lançamentos anteriores; Agora propôem composições sonoras onde se procura proporcionar um ambiente de maior sofisticação. Desse modo, o conteúdo de Cache é assente em sintetizadores e baterias eletrónicas, e existe uma enorme atenção aos detalhes, notando-se que houve um relevante trabalho de produção e a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos.

Os Francis International Airport não negam as influências diretas que plasmam na sua música, oriundas, essencialmente, da vizinha Alemanha, nomeadamente do krautrock, um sub-género do indie rock que se começou a popularizar na década de setenta com os Kraftwerk e, logo depois, pelos Neu!, duas das bandas mais importantes do gigante vizinho.

Seja como for, os Francis International Airport elevam-se a um patamar elevado e conferem um charme indismentível ao seu cardápio sonoro quando procuram fazer uma simbiose entre essa vertente sintética e dão vida e corpo às suas propostas fazendo igualmente uso dos típicos sintetizadores, que debitam efeitos similares aquilo que foi proposto por uns New Order em plenos anos oitenta e agregam-nos a melodias feitas com a guitarra à imagem do que os Radiohead propuseram em finais da década seguinte e na viragem para este século.

Cache é um disco transversal a várias épocas e géneros e escutá-lo é entrar numa viagem onde desfilam pelos nossos ouvidos algumas das caraterísticas e detalhes que fizeram escola no universo sonoro alternativo. Os Francis International Airport procuram servir-se de um notório sentido estético para nos causar agradáveis sensações auditivas durante essa viagem e fazer dela uma verdadeira lição de história musical cujos principais intervenientes, e respetiva herança, encontram-se na música desta banda e fazem dela uma importante referência da eletrónica atual. Espero que aprecies a sugestão... 

Francis International Airport - Cache

01. Berenice
02. Backspace
03. Pitch Paired
04. The Right Ones
05. Templates
06. March
07. Sulfur Sun
08. Great Deeds
09. Diorama
10. HMCS Windflower
11. Wait And See

 


autor stipe07 às 21:28
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Twin Shadow - To The Top

Depois de compôr o tema Old Love / New Love em exclusivo para o jogo GTA V, o músico Twin Shadow acaba de disponibilizar gratuitamente uma nova canção chamada To The TopGeorge Lewis Jr. ainda não revelou muitos detalhes a respeito deste seu novo tema, não havendo confirmação se fará parte do alinhamento do seu próximo álbum.

To The Top tem uma sonoridade grandiosa e épica, algures entre a world music e alguns dos melhores arranjos, instrumentalmente ricos e que fizeram escola no auge da típica pop dos anos oitenta, um universo sonoro que já tinha sustentado Confess, o último disco deste músico norte americano. Confere...


autor stipe07 às 17:29
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Sigur Rós - The Rains of Castamere (Game Of Thrones cover)

Já há alguns meses tinha sido anunciado que os Sigur Rós iriam ter uma participação especial da quarta temporada da aclamada série Game of Thrones e, além disso, a gravação de um tema para a banda sonora também era algo expetável. Na verdade, depois de os The National já o terem feito, agora chegou a vez do grupo islandês divulgar a sua versão do tema The Rains Of Castamere, que faz parte da banda sonora da série. Confere...


autor stipe07 às 11:29
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Domingo, 13 de Abril de 2014

Dinowalrus - Psychic Pharmacy

Naturais de Brooklyn, Nova Iorque e liderados pelo guitarrista Pete Feigenbaum, os Dinowalrus estão de regresso aos lançamentos discográficos com Complexion, um disco que será editado a quatro de junho pela Personal Projects.

Complexion é resultado de um longo e árduo processo de gravação já que o primeiro tema conhecido do disco foi Grounded e isso ocorreu já em 2012. Agora chegou a vez de Psychic Pharmacy, uma canção que impressiona pelo ambiente melódico expansivo e animado criado pelas guitarras, pelos arranjos cheios de luz e cor e que são deliciosamente rematados por um saxofone nos instantes finais da canção.

Psychic Pharmacy foi disponibilizada para download gratuito pela própria banda. Confere...


autor stipe07 às 23:00
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Fujiya & Miyagi - Flaws

Fugiya & Miyagi - Flaws

Os britânicos Fujiya & Miyagi não editam nenhum disco desde Ventriloquizzing, um trabalho que chegou às lojas em janeiro de 2011 e que apostava numa pop algo confortável e com um certo groove, mas parece que, finalmente, vão juntar em 2014 mais um longa duração ao seu cardápio sonoro. O novo disco da dupla vai chamar-se Artificial Sweeteners e será editado a seis de maio pela Yep Roc.

A apostarem numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, os Fujiya & Miyagi parecem querer começar a apresentar uma estética sonora cada vez mais próxima do house, como ficou demonstrado em Tetrahydrofolic Acid, o primeiro single de Artificial Sweeteners disponibilizado pelo grupo. Agora chegou a vez de Flaws, o tema de abertura do álbum e que aposta numa espécie de Italo-disco. Confere...


autor stipe07 às 13:24
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2014

My Sad Captains - Best Of Times

Os My Sad Captains são uma banda de rock alternativo natural de Londres, cujo nome foi inspirado por um poema do escritor Thom Gunn. Os membros da banda são Ed Wallis, Jim Wallis, Nick Goss e Dan Davis e lançaram em 2009 Here & Elsewhere, o álbum de estreia. A sete de novembro de 2011, chegou ao mercado Fight Less, Win More, um álbum extraordinário e que divulguei na altura, produzido por Larry Crane, um nome que já trabalhou com Elliot Smith, Cat Power e Stephen Malkmus, entre outros. Esse disco foi lançado através da reputada etiqueta Stolen Recordings. Agora, pouco mais de dois anos depois, chegou aos escaparates Best Of Times, o sucessor.

Logo a abrir, o primeiro tema do alinhamento do álbum, em vez de servir de despedida, é uma canção perfeita para nos introduzir neste disco, através de uma sonoridade simultaneamente enérgica e memorável, parecendo fortemente influenciada por bandas indie americanas, como os Yo La Tengo e os Red House Painters, com a caraterística mistura de detalhes e arranjos que resultaram numa melancolia inebriante, épica e grandiosa. Esse efeito que repete-se em All Times Into One e, com particular ênfase e delicadeza, em Extra Curricular, um belo murmúrio que nasce de um baixo irrepreensível e aventura-se no território do denominado krautrock, devido aos efeitos sintetizados borbulhantes e à batida industrial.

Apesar de algumas canções que sustentam o disco terem uma evidente luminosidade e um apurado sentido épico, há outros momentos mais introspetivos, mas igualmente belos, com especial destaque para o minimal dedilhar da viola na balada All In Your Mind e para a extensa Hardly There, uma canção que nos abraça com uma linha de viola simples, mas que se entranha sem grande esforço. arranjos sintetizados cheios de doçura e uma percussão  a canção In Time, uma das mais sombrias do disco, um tema que impressiona quer devido ao dominio efetivo de uma linha de baixo consistente e da guitarra que impõe uma melodia única e extremamente agradável, quer devido à letra, simultaneamente cândida e profunda.

Best Of Times é um disco que não nos dá tempo para recuperar o fôlego. E tal não sucede por ser demasiado frenético, mas porque são imensos os momentos que proporcionam prazer, conforto e admiração durante a sua escuta. É um disco para ser ouvido e contemplado, um trabalho onde há momentos animados e luminosos, mas também instantes de pausa, de sossego e melancolia, esta, muitas vezes, quase absurda. Tal sofreguidão deve-se, em suma, à consistência com que, música após música, somos confrontados e confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas. Espero que aprecies a sugestão...

My Sad Captains - Best Of Times01. Goodbye

02. Wide Open
03. In Time
04. All Times Into One
05. Extra Curricular
06. All In Your Mind
07. Hardly There
08. Keeping On, Keeping On
09. Familiar Ghosts


autor stipe07 às 18:20
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The Fresh & Onlys - Animal of One

Oriundos de São Francisco e formados por Tim Cohen, Shayde Sartin, Wymond Miles e Kyle Gibson, os norte americanos The Fresh & Onlys preparam-se para regressar aos discos a dez de junho, por intermédio da Mexican Summer, com House Of Spirits, um trabalho com dez canções.

Animal Of One é o mais recente single divulgado do àlbum, uma canção com uma sonorida clássica e tipicamente pop, cheia de detalhes vintage. Confere...

Tracklist:

01. Home Is Where?

02. Who Let the Devil

03. Bells of Paonia

04. Animal of One

05. I’m Awake

06. Hummingbird

07. April Fools

08. Ballerina

09. Candy

10. Madness


autor stipe07 às 15:15
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Arrange - Their Bodies In A Fog

Natural de Portland, no Oregon, Arrange é o projeto musical de Malcom Lacey, que lançou no passado dia dezoito de março, por intermédio da Orchid Tapes, Their Bodies In A Fog, um disco com onze canções disponível gratuitamente no soundcloud e no bandcamp do músico, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.


Their Bodies In A Fog é já o terceiro registo de originais que divulgo de Arrange, depois de Plantation (2011) e New Memory (2012). Em Their Bodies In A Fog, Lacey mantém a sua típica sonoridade etérea e lenta, mas também algo inquietante.

Algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, as músicas de Their Bodies In A Fog são construídas sobre camadas de guitarras e efeitos que criam exuberantes paisagens sonoras, com arranjos a recordar, a espaços, Tim Hecker, James Blake e Sigur Rós e que criam ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza.

Lacey é capaz de de criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme, algures entre climas opressivos e outros mais intemporais, mas sempre circulares e falsamente herméticos. Home é um excelente exemplo de uma canção que começa num registo quase minimal e que depois cresce até atingir um clima fortemente épico e luminoso. Além dessa canção, também a guitarra de Stranger, o piano e os sons ambiente da instrumental Heart // What If This Were It, ou o sinterizador de Dream, apenas para citar alguns bons exemplos, aliados a uma percussão cheia de variações e diferentes instrumentos, provam que cada detalhe das onze músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Estas são canções que, com o tempo, ficam no ouvido e cada um de nós poderá interpretar pessoalmente a sonoridade da música de Arrange e o que ele pretende transmitir.

O disco ouve-se de um travo só, quase como se fosse uma grande canção. Não há nada de demasiado complicado nas letras, o que até é mais um facto que abona a favor do álbum e comprova que Lacey não anda particularmente desesperado em demonstrar que é uma espécie de génio precoce, mas apenas um artista preocupado em revelar os seus sentimentos mais comuns através da música. Seja como for, temas como o sofrimento e a solidão e o aor envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz do autor.

Mkisturado por Warren Hildebrand, Their Bodies In A Fog é mais um triunfo em toda a escala de Arrange e, sem grandes alaridos ou aspirações, outro passo seguro na carreira deste jovem e talentoso músico norte americano que, apesar da aparente fragilidade da sua produção, consegue sempre resultados magníficos.

Parece difícil acreditar que um projeto possa amadurecer e criar tanto em apenas três anos, mas felizmente existe este Arrange e a sua fórmula simples, porque não se propõe criar algo demasiado denso, mas proporcionar a audição de canções que nos ficam no ouvido, sedutoramente abertas e convidativas a audições repetidas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:38
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Douglas Dare - Swim

É já a doze de maio que o músico e compositor britânico Douglas Dare se estreia nos discos através da conceituada Erased Tapes. O álbum vai chamar-se Whelm e Swim é o primeiro avanço divulgado. Natural da localidade costeira de Bridport no sudoeste de Inglaterra, Douglas estudou composição musical na Universidade de Liverpool e está agora sedeado em Londres.

Filho de um professor de piano, este músico de apenas vinte e três anos serve-se desse instrumento nesta canção, mas também de uma percussão eletrónica e de vários efeitos e arranjos intemporais e carregados de charme para criar, em Swim, uma onda melancólica intensa e emocionante, sem deixar de lado a delicadeza.

Douglas Dare foi músico de suporte das últimas digressões de Ólafur Arnalds e Nils Frahm. Swim está disponível para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 11:51
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Terça-feira, 8 de Abril de 2014

Liars – Mess

Poucas bandas se transformaram tanto ao longo da última década como o trio de Nova Iorque chamado Liars e formado por Angus Andrew, Aaron Hemphill e Julian Gross. Deram início à carreira com uma sonoridade muito perto do noise rock, com experimentações semelhantes ao que fora testado pelos Sonic Youth do início de carreira e até com algumas doses de punk dance e aos poucos foram aproximando-se de uma sonoridade mais amena e introspetiva. O que antes era ruído, distorção e gritos desordenados, passou a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que passou a imperar com evidência desde o disco homónimo lançado em 2007. 

Este toque experimental acabou por se manter e WIXIW (pronuncia-se wish you) foi o culminar de uma tríade que começou no tal Liars de 2007 e prosseguiu em Sisterworld (2010). Agora, cerca de dois anos depois, os Liars voltam a apostar numa inflexão sonora com Mess, o novo trabalho do grupo,lançado no passado dia 25 de março, através da Mute Records.


Um colorido novelo de lã ilsutra a capa de Mess e, na verdade, é uma analogia interessante e feliz relativamente ao conteúdo do disco, produzido pelo próprio Angus Drew, líder dos Liars. Mess é uma mistura nada anárquica, mas bastante heterogénea de todos os vetores sonoros que têm orientado a carreira dos Liars e, sendo um álbum carregado de batidas, com uma base sonora bastante peculiar e climática, tem propostas ora banhadas por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumidas por um teor ambiental denso e complexo.

Independentemente da abordagem que é feita em cada canção e que varia imenso, a eletrónica é o fio condutor de todo o trabalho, quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que cria uma atmosfera sombria e visceral.

Mask Masker, o tema de abertura, é uma excelente porta de entrada para Mess, porque além de conter uma riqueza instrumental imensa, é uma canção algo assustadora, friamente dividida em várias secções que, à medida que surgem, ampliam o cariz sombrio da canção e engrandecem o clima da mesma, agravado por uma letra onde se identifica um conteúdo que mistura, sem pudor, alusões à violência física misturadas com perversão sexual e desvios comportamentais (take my pants off, use my socks, smell my socks, eat my face off [...] give me your face).

Assim, à medida que o registo avança, ficam claras as transições sonoras em que os Liars sempre apostaram e nota-se a experimentação de diferentes estilos, com ecos bem audíveis de post punk, synthpop e dance punk dos anos oitenta e a eletrónica sombria à Gary Numam, ou mais dançante, típica de uns Nine Inch Nails, bem audível em I'm No Gold e até uma faceta algo gótica, herdada dos Depeche Mode.

É evidente a mestria com que os Liars executam aquilo que pretenderam arquitetar em Mess e impressiona a forma como enquadram todas estas referências num estilo muito próprio e inédito. Desenrolar esta bola colorida de onze canções e todas as dinâmicas que propõe é um exercício auditivo simultâneamente complexo e recompensador, porque estamos na presença de uma amálgama sonora bastante calculada e muito bem construída. Mess é, sem sombra de dúvida, mais um firme ponto de referência da carreira discográfica extraordinária que define a carreira deste trio norte americano. Espero que aprecies a sugestão...

Liars - Mess

01. Mask Maker
02. Vox Turned D.E.D
03. I’m No Gold
04. Pro Anti Anti
05. Can’t Hear Well
06. Mess On A Mission
07. Darkside
08. Boyzone
09. Dress Walker
10. Perpetual Village
11. Left Speaker Blown

 


autor stipe07 às 21:42
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Next Stop: Horizon - The Harbour, My Home

Dois anos e meio depois do maravilhoso disco de estreia We Know Exactly Where We Are Going, a dupla Next Stop:Horizon está de regresso com The Harbour, My Home, um trabalho gravado no estúdio da banda, com equipamento totalmente analógico e vintage e instrumentos nada comuns em discos pop, como o clarinete baixo, a harmónica e o bandolim,entre outros.

Oriundos de Gotemburgo, na Suécia e representados pela Tapete Records, os Next Stop: Horizon são Pär Hagström e Jenny Roos, dois músicos que além de partilharem um pequeno apartamento fazem música juntos e acreditam piamente que o mundo seria um local bem melhor se tivesse a possibilidade de ouvir as suas criações sonoras. Na verdade, depois de ouvir The Harbour, My Home, compreendo este desejo, assente na presunção de que há uma elevada bitola qualitativa no produto que a dupla tem para nos oferecer e com a qual concordo. 

Inlfuenciados por uma vasta rede de influências que vão do rock ao jazz, passando, pela folk europeia, o gospel e a músca de câmara, os Next Stop: Horizon gostam de escrever sobre a vida, a morte e tudo o que fica ali, extamente no meio. E, por falar em meio, convém contextualizar devidamente The Harbour, My Home, um exercício que também ajuda a perceber o conteúdo sonoro das onze canções do alinhamento. Entre o trabalho de estreia e The Harbour, My Home, os Next Stop: Horizon compuseram a banda sonora de uma peça de teatro que esteve em cena no Saarland State Theatre, em Saarbrücken, na Alemanha. A peça baseva-se num conto de Wilhelm Hauff chamado Das kalte Herz, onde a história gira em torno de um jovem ganancioso que vende o seu coração para conseguir fazer fortuna. Esta experiência teatral marcou profundamente a dupla e o processo de criação deste disco e explica o clima algo denso e sombrio do mesmo, apesar da luminosidade folk de temas como Rain On Me.

The Harbour, My Home é um trabalho de pendor menos acústico que na estreia e mais virado para o uso de instrumentos que, mesmo sendo, como já referi, analógicos, dão às canções uma toada mais sintética, apenas contrapostos pela percussão tocada por Magnus Boqvist, muitas vezes com objetos inusitados e pelos timbres de voz que vão sendo adicionados e que conseguem dar a algumas canções a oscilação necessária para transparecerem mais sentimentos e fazerem delas momentos obrigatórios de contemplar. Esta voz em Talking Low atinge uma simbiose perfeita com a vertente instrumental (I’ve got sisters, I’ve got brothers, I’ve got some friends here, too, and we’re starting to feel that we just don’t know what to do).

The Harbour, My Home acaba por ser uma espécie de analogia indicada para nos situarmos no início do disco e deixarmo-nos conduzir numa viagem por um oceano intrigante e sombrio, mas profundamente delicado e melódico. A bordo do barco conduzido por Pär e Jenny deixamo-nos levar por uma súmula de toda a amálgama de elementos e referências sonoras com que se identificam, o que confere ao disco uma sensação um pouco dúbia, de difícil catalogação, portanto, e assim deveras interessante de tentar deslindar.

Quando chega ao fim The Harbour, My Home ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela. Espero que aprecies a sugestão...

01 something rare and something fine
02 rain on me 
03 the harbour, my home
04 the sea of...
05 a heart of gold
06 gonna get it back
07 the beginning
08 the wish
09 talking low
10 we'll whistle so
11 ennui 

 

 


autor stipe07 às 23:10
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Domingo, 6 de Abril de 2014

We Invented Paris – Rocket Spaceship Thing

Lançado no passado dia catorze de fevereiro pela Spectacular Spectacular, Rocket Spaceship Thing é o novo álbum dos suiços We Invented Paris, um trabalho que sucede ao excelente homónimo que divulguei no início de 2012. Os We Invented Paris são um coletivo que aposta numa sonoridade indie com uma forte cariz épico, feito com melodias que transportam uma enorme carga emocional, que conjugada com uma enorme competência e interessante grau de criatividade, no que diz respeito ao processo de criação melódica, resulta numa atmosfera invulgar e muito agradável de escutar, à qual não escapa nenhuma das onze canções deste Rocket Spaceship Thing.

Todas as músicas deste disco de estreia são heterogéneas e individuais, cada uma com traços próprios, que conseguem dar uma atmosfera diversificada ao álbum. Quase todas são singles em potência; Desde a alegria suave simples do single Mont Blanc, à contagiante e festiva Everyone Knows, tudo parece simplesmente fluir, graças também a um trabalho de produção impecável. Neste álbum é ainda obrigatório conferir o belíssimo momento acústico que se escuta no dedilhar da viola de Dance On Water, o instante pop inebriante de Zeppelins, os sintetizadores e o orgão vintage de Farmer e a balada simultaneamente doce e inquietante chamada Treeless.

Os We Invented Paris acabam por se destacar porque não são muitas bandas que conseguem agregar tantos géneros musicais diferentes num só trabalho. Neles encontramos folk, indie pop e outros subgéneros, tudo tocado com violas que soam eufóricas, guitarras tímidas e batidas contagiantes.

É muito difícil encontrar uma banda que, logo ao segundo disco, mostre um conteúdo musical com tanta carga emocional e maturidade musical. A sonoridade da banda é extremamente acessível e surpreendentemente imediata. Dá para notar isso logo no primeiro single, a já citada e polida Mont Blanc. O álbum é cheio de momentos graciosos e suaves, com uma delicadeza notável e uma sensibilidade que se destaca. Durante alguns períodos, remete para os Death Cab For Cutie, nomeadamente para o clássico Plans, de 2005, mas também me soam, em alguns instantes, ao disco de estreia dos Grouplove, Never Trust A Happy Song e a alguns dos melhores momentos dos Pains Of Being Pure At Heart.

Sendo melódico e algumas vezes triste, não se pode também dizer que o álbum seja sombrio, já que os We Invented Paris conseguem ter a arte de separar muito bem a melancolia da severidade, tratando a tristeza de forma leve e elegante e na dose perfeita.

Por tudo isto, este Rocket Spaceship Thing é um trabalho que vale a pena ouvir muitas vezes e aproveitar cada audição de forma diferente, num disco que desperta múltiplas sensações e que demonstra que esta banda suiça já se sente bastante à vontade e confortável dentro da sonoridade criativa que segue e replica. Espero que aprecies a sugestão...

We Invented Paris - Rocket Spaceship Thing

01. Mont Blanc
02. Auguste Piccard
03. Everyone Knows
04. Dance On Water
05. Zeppelins
06. Farmer
07. Polar Bears
08. Philosopher
09. Treeless
10. Requiem
11. Sleeptalker

 


autor stipe07 às 21:19
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Angel Olsen - Burn Your Fire With No Witness

Grande fã de Lou Reed e uma das peças essenciais da banda de Bonnie Prince Billy, Angel Olsen é um dos novos nomes a reter no universo sonoro alternativo. Entre o rock e o grunge dos anos noventa, a folk dos anos setenta e o chamado alt country, Burn Your Fire With No Witness é o disco que apresenta ao mundo esta cantora de vinte e seis anos, que já se tinha estreado nos discos em 2012 com Half Way Home, além de ter também no seu cardápio Strange Cacti, um EP que editou em 2010. Burn Your Fire With No Witness foi produzido por John Congleton, habitual colaborador de Bill Callahan e editado por intermédio da conceituada Jagjaguwar.

Natural do estado norte americano do Missouri, esta norte americana usa como principal combustível do seu processo de composição a temática do amor e vai beber as suas maiores influências ao puro rock assente numa elaborada arquitetura de efeitos da pedaleira e uma voz que surge, bastantes vezes, analógica, distorcida e enigmática, como se pode escutar, neste disco e logo a abrir, num típico tema introdutório chamado Unfucktheworld.

Pouco mais de quarenta anos depois de Joni Mitchell ter surpreendido com a obra prima Blue (1971), Angel usa outros ingredientes sonoros mas estão também aqui os princípios liricos e o ideal temático que a canadiana explorou sabiamente nesse disco e que se relacionavam com  a melancolia escancarada de um coração partido.

O pedal da distorção é ligado em Forgiven/Forgotten, uma canção dominada integralmente pelas guitarras à Sonic Youth e que aponta também à herança das gémeas Deal. Mas a interpretação country de Hi-Five, com a voz novamente num registo analógico e distorcido, já nos leva por outros caminhos e mostra-nos que não é só do rock sónico que vive Angel Olsen. Esta tríade abre o disco da melhor forma e coloca a nú diferentes sensações que o amor pode despertar e que tantas vezes oscilam entre o ódio e a paixão e que Olsen traz até nós através de um rock dançante mas que nunca abandona as fronteiras da folk, umas vezes algo inocente, noutros momentos mais sisudo.

O disco prossegue e impressiona novamente quando os conflitos amorosos, tantas vezes impregnados de inebriantes sentimentos de culpa, ficam expostos em baladas como Lights Out e Windows, temas carregados de sentimento e que mostram que o amor, sendo tantas vezes descrito através do martírio alcoólico das palavras, também pode ser cantado com lógica e, como um respiro, terminar sem motivos.

Burn Your Fire For No Witness é a banda sonora perfeita de um romance moderno, o passo certo depois de um relacionamento que não resultou, um conto romântico particular, uma procissão melancólica de canções densas que exorcizam diversos demónios, sustentadas na crueza amarga dos versos e na forma como as guitarras dão um sombreado estético simultaneamente belo e perturbador a este exercício redentor levado a cabo por uma cantora e compositora que, com uma guitarra nas mãos, demonstra uma criatividade efervescente de louvar. Espero que aprecies a sugestão...

Angel Olsen - Burn Your Fire For No Witness

01 Unfucktheworld
02 Forgiven/Forgotten
03 Hi-Five
04 White Fire
05 High & Wild
06 Lights Out
07 Stars
08 Iota
09 Dance Slow Decades
10 Enemy
11 Windows


autor stipe07 às 22:01
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Yalls - High Society

United

Natural de Berkeley, o produtor Dan Casey assina como Yalls e além de editar música em nome próprio costuma colaborar em outros projetos, sempre com uma enorme bitola qualitativa. A seis de maio vai ser editado United, o seu disco de estreia, através da Gold Robot e High Society é um dos avanços revelados desse trabalho. A paisagem etérea e melancólica da canção, criada por uma nuvem de sintetizadores, uma bateria eletrónica e um solo de guitarra deslumbrante, impressiona e cria o ambiente perfeito para nos ajudar a recordar no mais íntimo de cada um de nós, alguns momentos de puro êxtase. High Society foi disponibilizada para download gratuíto. Confere...

 


autor stipe07 às 19:11
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Lacrosse - Are You Thinking Of Me Every Minute Of Every Day

Naturais da Suécia, os Lacrosse são Nina Wähä Arlinder (voz), Kristian Dahl (voz e guitarra), Henrik Johansson (guitarra e voz), August Zachrisson (teclados e voz), Robert Arlinder (baixo e voz) e Tobias Dahlström (bateria e voz) e lançaram recentemente o seu terceiro álbum depois de um hiato de alguns anos, iniciado com o lançamento de Bandages For The Heart, em 2010. Depois disso o grupo perdeu um dos seus membros, outros foram pais e, pelos vistos, a banda precisava de encontrar novos caminhos e, por isso, trabalhou em conjunto com o produtor conterrâneo Henrik Svensson, conhecido pelo excelente trabalho desenvolvido com algumas bandas do mesmo país, nomeadamente os Moneybrother, Existensminimum e os Fint Tillsammans, entre outros, para ajudar na criação deste álbum.

Assim, o novo trabalho de originais dos Lacrosse chama-se Are You Thinking Of Me Every Minute Of Every Day, viu a luz do dia a vinte e quatro de janeiro e foi gravado em três diferentes estúdios de Estocolmo, durante duas semanas, o tempo suficiente para o disco ser também produzido e misturado.

Escuta-se Summer Ends, um dos singles já retirados deste álbum e fica claro que o indie rock dos Lacrosse transpira confiança e uma forte ligação simbiótica entre o quinteto. No entanto, isso não significa que o processo de composição no seio dos Lacrosse seja pacífico e espontâneo. De acordo com o grupo, as dez canções de Are You Thinking Of Me Every Minute Of Every Day foram escritas entre 2009 e 2012 e mudaram constantemente durante esses três anos. Mas quando chegou a altura de entrar em estúdio e encontrar uma versão definitiva das mesmas, aconteceu magia, o grupo ficou muito satisfeito com o resultado final e rapidamente os temas encontraram a sua versão definitiva, pelos vistos, no momento certo.

Are you Thinking Of Me Every Minute Of Every Day é um disco coeso e empolgante. A banda fala do amor de uma forma muito séria e procura exaltar o poder desse sentimento com melodias luminosas, grandiosas, com um forte cariz épico e, por isso, ricas em arranjos e variadas nos efeitos, não só ao nível das cordas, como da sintetização. A própria banda confessa que a ideia geral por trás desse álbum é o amor altruísta em tempos de egocentrismo extremo.

Ouve-se, ao longo do disco, uma espécie de pop sinfónica e melancólica, que me fez em alguns momentos recordar os Sparks ou os norte americanos Imperial Teen e percebe-se que os Lacrosse são uma banda confortável na sua própria pele, mas que também não tem medo de abraçar o inesperado.

Are You Thinking Of Me Every Minute Of Every Day é um álbum bastante sólido e despretensioso, com uma exuberância doce e juvenil, apenas com o senão de transparecer, em alguns momentos, um receio de dar maior pujança às guitarras e a uma sonoridade um pouco mais rock. É, principalmente, um disco perigoso porque, independentemente da tua situação emocional atual, depois da audição deste álbum não te admires se ficares cheio de vontade de sair para a rua cheio de amor para dar, de comprares balões em forma de coração e de encheres de beijos metade da cidade. O fantástico artwork deste disco é da autoria da artista norueguesa Ida Frosk. Espero que aprecies a sugestão... 

Don't Be Scared
I Told You So (Didn't I?)
I Need Your Heart, I Need Your Soul
50 Percent Of Your Love
If Summer Ends
Are You Thinking Of Me Every Minute Of Every Day
Give You More
The Key
This Is Not A War, No Winners, No Losers
Easter Island


autor stipe07 às 12:48
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Cut Copy - In These Arms Of Love

Em 2013 os Cut Copy editaram o álbum Free Your Mind e estão de regresso para publicar um single no âmbito do Record Store Day, a dezanove de abril próximo. O lado A da rodela chama-se In These Arms Of Love e o lado B Like Any Other Day. O primeiro tema acaba de ser partilhado pela banda, uma canção expansiva, que aposta num ambiente com uma elevada toada épica, cheia de reverb e sintetizadores. Confere...

The single is out 4/19, Record Store Day, on Modular.


autor stipe07 às 12:33
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Terça-feira, 1 de Abril de 2014

The War On Drugs – Lost In The Dream

 Depois de Slave Ambient, disco que os The War On Drugs, editaram no final de 2011 e que foi destaque em Man on The Moon poucas semanas depois, a banda de Adam Gradunciel,  um músico norte americano cuja sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos foi aos poucos transformando-se numa referência para vários artistas em início de carreira, está de regresso com um novo registo de originais. Lost In The Dream viu a luz do dia a catorze de março de 2014, via Secretly Canadian e Red Eyes foi o primeiro avanço conhecido desse trabalho.


Red Eyes é uma canção perfeita para nos recordar o quanto esta banda é fantástica e como esta sonoridade indie rock, solta e etérea e abastecida por sintetizadores enérgicos e dançáveis, é a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que descrevem este início de primavera. Assim que ouvi a canção criei logo elevadas expetativas em relação ao restante conteúdo de Lost In The Dream, cuja capa feita por uma foto envelhecida pelo tempo enquanto Gradunciel medita e repousa, fez-me logo criar suposições e imaginar que este novo álbum dos The War On Drugs contém uma elevada vertente autobiográfica, que poderá servir para o músico entender melhor o seu âmago, fazendo-o através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical.

Na verdade, Lost In The Dream é um compêndio de várias narrativas, onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor e a perceber sobre aquilo que medita, as suas conclusões e as perceções pessoais daquilo que observa enquanto a sua vida vai-se desenrolando e ele procura não se perder demasiado na torrente de sonhos que guarda dentro de si e que nem sempre são atingíveis.

Musicalmente, Lost In The Dream deambula entre a folk, a dream pop, o indie rock e a psicadelia, com o reverb das guitarras e os sintetizadores a sustentarem o cardápio sonoro de um disco dinâmico e que se destaca logo na abertura com Under The Pressure, uma longa canção que apresenta uma progressão interessante e onde vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, nomeadamente sintetizadores e saxofones, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte.

Letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados, com os quais o autor se identifique profundamente e, além da secção de sopros do já citado single Red Eyes, há que enfatizar as paisagens sonoroas criadas em Suffering e Eyes To The Wind, duas canções que, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz se posiciona e se destaca.

Lost In The Dream é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Gradunciel sereno e bucólico, através de uma viagem aos universo de Dylan e Kurt Vile, passando por Springsteen, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências amorosoas do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas. Espero que aprecies a sugestão...

The War On Drugs - Lost In The Dream

01. Under The Pressure
02. Red Eyes
03. Suffering
04. An Ocean In Between The Waves
05. Disappearing
06. Eyes To The Wind
07. The Haunting Idle
08. Burning
09. Lost In The Dream
10. In Reverse

 


autor stipe07 às 22:37
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Domingo, 30 de Março de 2014

The Kooks - Down

The Kooks letras

Depois de Junk Of the Heart (2011), os britânicos do The Kooks estão prestes a regressar aos discos com um novo álbum, que contou com a participação especial do produtor de hip hop Inflo, mas ainda sem data prevista de lançamento ou nome. No entanto, Down é o primeiro single que a banda revela em 2014, uma canção que terá direito a lançamento em formato EP, com mais três temas.

Esta nova proposta dos The Kooks deixa um pouco de lado as guitarras e aposta em batucadas, palmas e na voz de Luke Pritchard a funcionar como mais um instrumento da banda, algo muito semelhante ao que tUnE-yArDs costuma propôr. Confere...

The Kooks - Down

Website
[mp3 320kbps] tb ul ob zs


autor stipe07 às 14:01
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Sexta-feira, 28 de Março de 2014

Kevin Drew – Darlings

Outrora líder dos canadianos Broken Social Scene, Kevin Drew não editava nenhum trabalho a solo desde Spirit If..., o seu disco de estreia, que viu a luz do dia no já longínquo ano de 2007. No entanto, já chegou, finalmente, o sucessor desse álbum; O novo registo de originais de Kevin Drew intitula-se Darlings e viu a luz do dia a dezoito de março através do selo Arts & Crafts. Este novo álbum de Drew conta com as participações especiais de Charles Spearin e Ohad Benchetrit, seus antigos parceiros nos Broken Social Scene, de Dean Stone dos Apostle Of Hustle e Dave Hamelin, dos Stills.


Good Sex tem sido o grande cabeça de cartaz deste disco e, na verdade, é uma excelente canção para nos introduzir na temática geral de Darlings, um trabalho que, de acordo, com Kevin, aborda, muitas vezes de forma autobiográfica, as questões do sexo e do amor e a importância das mesmas nas nossas vidas (the album is about the rise and fall of love and sex, in my own life and in today’s society).

De Body Butter até And That's All I Know somos constantemente provocados na líbido, não só no prazer que tal nos suscita mas, principalmente, na reflexão pessoal que tal temática invariavelmente nos suscita, nas suas diferentes dimensões, que vão do simples prazer erótico à troca sincera de sentimentos e de promessas entre duas pessoas que verdadeiramente se amam e que têm no sexo apenas mais uma das várias dimensões do amor que as unem

Kevin Drew parece seguir de perto uma fórmula própria que o acompanha há bastante tempo e que assenta em melodias orelhudas acompanhadas por vozes de fácil digestão e arranjos selecionados com particular cuidado, muito à imagem do que a banda que Kevin liderou nos habituou durante mais de uma década. Do rock (Bullshit Ballad) ao R&B, passando pelo mesmo rock mas numa toada mais pop (It's Cool), não há aqui grandes floreados e exageros e Kevin procutra ir sempre direto ao assunto, quer através das guitarras compactas que se escutam em It's Cool, ou de alguns detalhes típicos de uma eletrónica ambiental que My God tão bem evidencia.

Além destes temas com fronteiras minimamente definidas, Kevin também mostra algum gosto pelo risco quando puxa os galões à produção e apresenta uma original sobreposição de vozes, quer na tal Good Sex, mas também  em You Got Caught, ou quando procura misturar os diferentes géneros que mais aprecia, como em You in Your Were e You Gotta Feel It, mas sem perder um nítido controle e uma sóbria estabilidade. Desse modo, o álbum avança numa atmosfera próxima do ouvinte e confortável para o mesmo.

O labirinto sonoro de Drew é de simples resolução e torna-se agradável perceber os vários contornos que o definem e os pontos de localização que orientam a cartografia sonora de Darlings. Espero que aprecies a sugestão... 

Kevin Drew - Darlings

01. Body Butter
02. Good Sex
03. It’s Cool
04. Mexican Aftershow Party
05. You Gotta Feel It
06. First In Line
07. Bullshit Ballad
08. My God
09. You In Your Were
10. You Got Caught
11. And That’s All I Know


autor stipe07 às 21:16
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Noiserv - This is maybe the place where trains are going to sleep at night

David Santos, aka Noiserv, tem um novo vídeo para o seu delicioso disco Almost Visible Orchestra, um trabalho que tive o privilégio de divulgar neste blogue, num artigo que incluiu uma entrevista com o este fantástico músico e compositor nacional! A música de abertura do disco chama-se This is maybe the place where trains are going to sleep at night, é o meu tema escolhido do disco e foi a canção escolhida para terceiro single. O tal vídeo foi realizado pelo coletivo We Are Plastic Too e a direção de fotografia ficou a cargo do Leandro Ferrão.

Em simultâneo com o lançamento deste novo single é lançada também a segunda edição da caixinha de música de Noiserv com o tema original Once upon a time i thought about having a song in a music box escrito pelo músico lisboeta. Confere...


autor stipe07 às 19:24
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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

The Soft Hills - Departure

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.

Entretanto, já em 2013, chegou o terceiro álbum; Lançado em fevereiro desse ano, Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofundou a sonoridade proposta pelo disco anterior. Agora, cerca de um ano depois, já é conhecido o quarto tomo da discografia dos Soft Hills; O álbum chama-se Departure e mantém a aposta dos The Soft Hills na abordagem de diferentes espetros sonoros dentro do universo indie.

Departure é um disco de contrastes: sente-se o sol, harmonias e calor da Califórnia e o escuro, falta de cor e a chuva de Seattle. O disco conjuga a típica toada pop, com alguma folk implícita, à mistura com a psicadelia europeia e o rock alternativo de início dos anos oitenta. O resultado final envolve-nos num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio, algo que comprova, uma vez mais as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição, ele que, ainda por cima, é detentor de uma voz única e incomparável.

Seja através de efeitos com ecos e com reverb das guitarras, ou através do simples dedilhar de uma corda acústica, ou de um efeito sintetizado luminoso, ou sombrio, Departure levanta voo em Nova Iorque (The Golden Hour), com a ajuda dos Interpol e aterra na Berlim governada por Bowie nos anos setenta (Stairs). Pelo meio não deixa de abordar também os caraterísticos sons da folk, momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e, como já referi, por tiques típicos da psicadelia.

Em suma, num disco eclético e variado, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, mas desta vez também cruzaram o atlântico em busca das raízes do indie rock mais sombrio, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. O single Golden Hour está disponivel no soundcloud da Tapete Records. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Deaprture

01. Golden Hour
02. Black Flowers
03. Road To The Sun
04. The Fold
05. White Queen
06. Reverie
07. How Can I Explain?
08. Here It Comes
09. Blue Night
10. Belly Of A Whale
11. Stairs


autor stipe07 às 21:25
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Yumi Zouma - It Feels Good To Be Around You (feat Air France)

Yumi Zouma

Representados já pela insuspeita etiqueta norte americana Cascine, os Yumi Zouma são um trio formado por Charlie Ryder, Josh Burgess e Kim Pflaum, que se divide por Nova Iorque, Paris e Christchurch; Editaram no passado dia onze de fevereiro o seu EP de estreia, que divulguei recentemente e agora surpreenderam com uma cover de It Feels Good To Be Around You, um original dos Air France.

Os Air France foram uma dupla formada por Joel Karlsson and Henrik Markstedt, que cessou a sua atividade musical há dois anos e It Feels Good To Be Around You foi um dos últimos temas que gravaram.

Nesta versão, disponibilizada para download gratuito, os Yumi Zouma serviram-se de uma estética sonora essencialmente nostágica, que nos puxa para uma atmosfera muito própria e revivalista, através de batidas sintetizadas e uma voz plena de sensualidade e nostalgia. Confere...


autor stipe07 às 16:28
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Quarta-feira, 26 de Março de 2014

Sisyphus - Sisyphus

Depois de se terem estreado em 2012 com Beak & Claw, Sufjan Stevens, Son Lux e o rapper Serengeti estão de volta com o seu projeto alternativo, agora batizado de Sisyphus. Este novo grupo segue as pistas do anterior que se chamava S / S / S, ou seja, enquanto Stevens e Lux arquitetam o cenário instrumental que define as canções, cabe ao rapper Serengeti espalhar por elas um verdadeiro catálogo de rimas.

Sisyphus mistura o típico hip hop com alguns dos aspetos mais clássicos da pop e do indie rock, algo hoje muito em voga, nomeadamente o uso da sintetização. É um disco muito melódico e que expande novos horizontes no campo da experimentação sonora que aborda traços mais comuns da música negra e mais marginalizada pelo grande público e pelo espetro comercial, com honrosas exceções, nomeadamente aquilo que os Gorillaz de Damon Albarn conseguiram mostrar durante pouco mais de uma década.

Calm It Down, o primeiro single divulgado de Sisyphus, plasma um cardápio de referências já lançadas no disco anterior e que caminham em direção aos anos noventa, cruzando sintetizadores e vozes, numa canção com fortes reminiscências nos esboços sintéticos produzidos por Stevens em The Age Of AdzRhythm Of Devotion, mais outro tema já retirado do álbum no formato single, também aposta numa direção sonora que recua duas décadas, cruzando sintetizadores e vozes, mas com uma mais forte toada nostálgica e contemplativa.

Esta vertente de aproveitamento de traços sonoros identitários dos outros projetos destes músicos é muito audível nos Sisyphus que, em vez de aproveitarem este projeto alternativo das suas carreiras para abordagens díspares, resolveram fazer uma espécie de simbiose do que de melhor cada um tem para oferecer, tendo em conta o universo sonoro com que mais se identifica, com especial ênfase na herança de Stevens.

Esta interação entre artistas e géneros é, como se percebe, o grande valor desta obra e há ainda outros instantes em que o contraste entre a voz grave e direta de Serengetti com a verve melancólica de Sufjan traz alguns momentos agradáveis. O swing de Lion’s Share, as batidas tribais de Alcohol, ou a curiosa My Oh My, o tema onde melhor se percebe toda esta mescla, são mais três exemplos que me impressionaram, num meio termo entre a música eletrónica, o indie e o rap, numa busca de um ponto de intersecção, mas onde não se aprofunda nenhum dos estilos.

Sisyphus é um disco obrigatório para todos aqueles que dizem não gostar de rap e hip hop e que, sentindo desgosto por essa aparente repulsa e os ouvidos apurados para outros universos sonoros, têm o desejo de encontrar prazer em boas letras ritmadas, com batidas rápidas e cheias de sentimento, tudo misturado num caldeirão onde o experimntalismo é a pedra de toque de... canções feitas por três músicos extremamente criativos e competentes. Divertido, Sisyphus torna-se essencial para qualquer admirador dos diferentes projetos deste trio e mostra um imenso potencial desta banda para o futuro. Sisyphus chegou às lojas no passado dia dezoito via Asthmatic Kitty e Joyful Noise. Espero que aprecies a sugestão...


01 Calm It Down
02 Take Me
03 Booty Call
04 Rhythm of Devotion
05 Flying Ace
06 My Oh My
07 I Won't Be Afraid
08 Lion's Share
09 Dishes in the Sink
10 Hardly Hanging On
11 Alcohol


autor stipe07 às 20:54
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Terça-feira, 25 de Março de 2014

Kite Party - Halflife

Naturais de Filadélfia, os norte americanos Kite Party de Andre, Tim, Pat, Russell e Justin, preparam-se para regressar aos discos com Come On Wandering, um trabalho que verá a luz do dia a seis de maio por intermédio da Animal Style Reords, uma conceituada editora indie de Annaheim.

Come on Wandering sucede a Baseball Season (2011), o disco de estreia do grupo e, de acordo com Halflife, o primeiro single revelado, será um disco que irá explorar novas direções sonoras, com uma toada certamente mais pop e comercial. Confere...


autor stipe07 às 17:51
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Takes MOM - Everything Is New TV (EP7 - Low Vertical)

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Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

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