Domingo, 19 de Outubro de 2014

Martin Carr - The Breaks

Martin Carr, também conhecido como vocalista dos The Boo Radleys, editou no passado dia vinte e nove de setembro The Breaks, o seu segundo disco solo, um músico e compositor que, de acordo com o press release que me chegou às mãos da Tapete Records, é um songwriter cujo trabalho é pop mas não necessariamente popular e cujo percurso revela uma relação ambivalente com as sensibilidades convencionais. Neste disco, a sua voz transforma-se num eco confessional de todas as nossas dúvidas. The Breaks conta com as participações especiais de Andy Fung, Corin Ashley e John Rae.

Martin Carr aposta forte em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exala uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Neste trabalho ele apresenta em apenas dez canções toda a herança que os Red House Painters, os Fleetwood Mac ou os conterrâneos Prefab Sprout e os The Smiths deixaram na formação do músico, que parece ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende para vários espetros sonoros, nomeradamente o indie rock, a própria folk (No Money In My Pocket) e a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos como The Santa Fe Skyway, St Peter In Chains e Senseless Apprentice, músicas que possibilitam não apenas o desenvolvimento de uma instrumentação radiante, como a possibilidade de constatar que Martin alcançou elevados parâmetros e patamares de qualidade, inclusive na sua intepretação vocal.

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em diversas camadas sonoras, com as cordas à cabeça. Estas podem escutar-se num registo acústico ou eletrificado e, muitas vezes, em ambos em simultâneo, onde também não falta uma secção de sopros imponente e um piano, que em Sometimes It Pours mal se nota e em Mainstream tem uma subtileza avassaladora enquanto sustenta uma viola. Acaba por ser um misto de cordas mas, seja em que registo for que se escutem, estão todas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, principalmente quando se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos. A bateria tem também uma presença sempre radiante, com a batida que marca o ritmo de Mountains e de Senseless Apprentice a serem os instantes do disco onde a percurssão mais se destaca.

Mesmo nos momentos mais melancólicos e sombrios, como Mainstream e No Money In My Pocket, dois belíssimos instantes acústicos e melódicos, há uma curiosa sensação de naturalidade e dinamismo em The Breaks, uma espécie de ligeireza cheia de charme e delicadeza, um ambiente sonoro descontraído que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz de Martin e dos seus convidados que, quase sempre, são vozes de suporte, encaixam na melodia das canções. Percebe-se claramente que o músico é bastante inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Disco imponente mas também delicado e repleto de bons arranjos, The Breaks é um refúgio bucólico bastante aprazível, um compêndio de sensibilidade e optimisto onde o autor entregou-se à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

1. Santa Fe Skyway
2. St. Peter In Chains
3. Mainstream
4. Mountains
5. Sometimes It Pours
6. Senseless Apprentice
7. No Money In My Pocket 
8. I Don't Think I'll Make It
9. Mandy Get Your Mello On
10. The Breaks


autor stipe07 às 21:04
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

The Pineapple Thief – Magnolia

Bruce Soord, Steve Kitch, Jon Sykes e Dan Osborne são os The Pineapple Thief, uma banda britânica natural de Sommerset, que está de regresso aos discos com Magnolia, doze canções que viram a luz do dia a quinze de setembro por intermédio da Kscope. Este registo sucede a All The Wars, um álbum que o grupo lançou há cerca de dois anos e que divulguei na altura.

Habituados a criar hinos sonoros inspirados nas diferentes manifestações que pode ter o amor e que costumam preencher o ideário lírico das suas canções, os The Pineapple Thief surgem em Magnolia mais maduros e controlados e ainda com novos truques na manga, nomeadamente alguns pequenos arranjos inéditos no seu percurso discográfico. Além da receita habitual, a introdução de Simple as That, os refrões pesados de Alone at Sea e de Breathe e as teclas de Coming Home mostram, desde logo, que os The Pineapple Thief continuam a apostar na típica sonoridade rock, mas também conseguem dar-nos instantes sonoros delicados, tudo isto graças à capacidade critiva da banda, mas também à presença, em algumas canções de uma vasta teia instrumental. O resultado final acaba por ser um excelente compêndio de rock alternativo, dominado por guitarras marcadas por compassos irregulares e distorções que se entrecuzam com uma vertente mais acústica, feita com delicados arranjos de cordas batidas do baixo, mas onde também não faltam nuances eletrónicas proporcionadas por sintetizadores e samplers, aspetos que nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Esta receita é abrilhantada e sustentada por uma voz sempre imponente, o principal fio condutor das doze canções e que muitas vezes contrasta com a natureza algo sombria de algumas melodias.

Os The Pineapple Thief encontram as suas raízes no rock progressivo, mas também conseguem oferecer propostas abrangentes e podem ser incluídos naquele rol de bandas que gostam de experimentar e direcionar a sua música por diferentes caminhos a cada novo disco, procurando conquistar o seu espaço entre os grandes nomes desse rock progressivo atual. Espero que aprecies a sugestão...

The Pineapple Thief - Magnolia

01. Simple As That
02. Alone At Sea
03. Don’t Tell Me
04. Magnolia
05. Seasons Past
06. Coming Home
07. The One You Left To Die
08. Breathe
09. From Me
10. Sense Of Fear
11. A Loneliness
12. Bond


autor stipe07 às 21:40
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Melody’s Echo Chamber – Shirim

Melody's Echo Chamber

Melody’s Echo Chamber é Melody Prochet, uma cantora e compositora parisiense que toca uma fantástica pop psicadélica. Estreou-se nos disco em 2012 com um homónimo produzido por Kevin Parker, o vocalista dos Tame impala e  na próxima primavara vai lançar o seu segundo disco de originais.

Esse trabalho ainda não tem nome, mas já se sabe que será a própria Prochet a produzir o disco, que tem em Shirim o primeiro avanço divulgado, uma curiosa canção pop que deambula entre a habitual psicadelia e o groove do ska. Confere aqui...


autor stipe07 às 13:19
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

We Were Promised Jetpacks - Unravelling

Três anos de In The Pit Of The Stomach e após um trabalho ao vivo chamado E Rey (Live In Philadelphia), lançado em fevereiro deste ano, os escoceses We Were Promised Jetpacks estão de regresso com Unravelling, o terceiro disco de originais, lançado no passado dia seis de outubro por intermédio da Fatcat Records. Unravelling foi gravado em Glasgow, no país natal, nos Chem19 Studios, tendo sido produzido por Paul Savage, um nome que conta no currículo com outros escoceses de nomeada, como os Camera Obscura, Teenage Fanclub, The Twilight Sad, Franz Ferdinand e Mogwai. Os We Were Promised Jetpacks tornaram-se entretanto num quinteto com a entrada do multi-instrumentista Stuart McGachan, que une-se a Adam Thompson (vozes e guitarra), Darren Lackie (bateria), Sean Smith (baixo) e Michael Palmer (guitarra).

Este projeto começou a sua carreira em 2003 num concurso de bandas de escola e o primeiro disco, These Four Walls, deveu muito do sucesso às músicas que colocou em várias séries de televisão e filmes. Não os alçou à fama no imediato, mas deixou-os debaixo do olho clinico de muita gente que, como eu, se interessa pela sonoridade tipica do grupo. Tendo em conta In The Pit Of The Stomach, o trabalho que os consagrou definitivamente e este Unravelling, o som dos We Were Promised Jetpacks é assumidamente um rock indie que plana entre a experimentação e o psicadelismo. Ao longo deste disco liderado pelas guitarras, ouve-se canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, com variações, ruídos e efeitos variados. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades.

Logo no início, com o single Safety In Numbers, percebe-se que o red line nas guitarras será uma constante ao longo do disco e que essa opção alinhada com uma percurssão vibrante, é nada mais nada menos que uma demanda pelo verdadeiro som épico, luminoso e expansivo que só o indie rock de cariz mais progressivo consegue replicar. Peaks and Troughs amplifica essa opção que fica definitivamente firmada em I Keep It Composed, um verdadeiro hino de estádio que precisa de espaço e tempo para manifestar todo o seu esplendor. Mesmo em temas menos amplos como Disconnecting ou Bright Minds, há sempre um cariz épico e vincadamente emotivo, razão pela qual não é exagero afirmar que Unravelling denota esmero e paciência na forma como a banda acertou nos mínimos detalhes, já que, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Os We Were Promised Jetpacks parecem dispostos a seguir em frente, rumo ao estrelato e a procurar ombrear com os Muse num pódio que nem tem sido muito cobiçado, com um clima sonoro bem delimitado e que não se altera, mesmo com a entrada da voz, que apesar de revolver um pouco a estrutura pop de algumas canções, é mais um trunfo para lhes facultar uma maior grandiosidade. O próprio piano de Peace Sign é apenas mais um elemento que em vez se apontar para uma direção oposta serve para cimentar com maior ênfase esta busca pela construção de hinos de estádio à boa maneira do rock britânico, assim com o baixo de Night Terror, o maior protagonista de uma canção majestosa e ceia de vigor e onde se exala um enorme travo punk. Este é o meu grande destaque do disco, até por ser uma canção cheia de energia e dominada por um descarado sentimento de urgência, aquela que poderá mostrar a luz a este grupo de rapazes, caso tenham a pretensão de se tornarem em verdadeiros músicos de barba rija e ascenderem num futuro próximo à premier league rockeira no arquipélago de Sua Majestade.

Peace Of Mind é o âmago de um disco que projeta inúmeras possibilidades sonoras por parte de uma banda que vive no complicado equilibrio de querer ao mesmo tempo que escreve de uma forma bastante pessoal e intima, não se envergonhar de pretender um dia esgotar a lotação de um Wembley ou, pelo menos, as bancadas do Cardiff Stadium, servindo-se de um universo sonoro recheado de várias experimentações e renovações, mas que pretende, acima de tudo, soar poderoso, jovial e inventivo, desde que o indie rock de cariz mais sinfónico e potente nunca deixe de fazer parte da sua cartilha. Espero que aprecies a sugestão....

We Were Promised Jetpacks - Unravelling

01. Safety In Numbers
02. Peaks And Troughs
03. I Keep It Composed
04. Peace Sign
05. Night Terror
06. Disconnecting
07. Bright Minds
08. A Part Of It
09. Moral Compass
10. Peace Of Mind
11. Ricochet

 


autor stipe07 às 21:47
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Majical Cloudz - Your Eyes

Majical Cloudz by Amber Davis

A dupla canadiana Majical Cloudz continua a divulgar algumas canções que ficaram de fora do extroardinário alinhamento de Impersonator e a disponibilizá-las gratuitamente no seu sitio oficial.

Escrita em 2011, Your Eyes foi reproduzida várias vezes pelo projeto nos concertos de promoção de Impersonator e, como é habitual, contém uma enorme aúrea doce e nostálgica, alicerçada no posicionamento assertivo da voz de Devon e na inclusão de preciosos detalhes finos. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Shy Boys - Shy Boys

Oriundos do estado do Kansas, os norte americanos Shy Boys são Collin Rausch, Kyle Rausch e Konnor Ervin, um trio que surpreendeu em 2013 com Peachy, o disco de estreia. Pouco mais de um ano depois, estão de regresso aos lançamentos discográficos com um trabalho homónimo que viu a luz do dia por intermédio da High Dive Records.

Os Shy Boys servem-se daquela cartilha vintage que alicerça o processo de composição melódica nos primórdios da pop e do surf rock dos anos sessenta, mas que depois vai também beber alguns detalhes e arranjos ao rock alternativo de finais do século passado. É uma receita muito em voga nos dias de hoje e onde, neste caso, também cabe o punk de cariz mais lo fi e a chamada psicadelia. Uma percurssão sóbria e inspirada, teclados, guitarras, baixo e voz, são o arsenal particular destes Shy Boys, onde reina a simplicidade estrutural, algo bem evidente logo na abertura, em Is This What You Are, um dos grandes destaques do disco, um tema que nos remete, no imediato, para essa teia intrincada de influências, incluindo a tal psicadelia.

Se esse arranque é perfeito para balizar a nossa bússola no ideário sonoro que nos espera, todos os contrastes que, de algum modo, descrevem o ideário sonoro deste Shy Boys, encontram-se bem audíveis ao longo do alinhamento; Se Notion entra no nosso ouvido do mesmo modo bizarro que o som de um búzio que resgata para nós o barulho das ondas de uma praia havaina frequentada há meio século pelos The Birds ou os Beach Boys, já um pouco adiante, a banda sonora ideial para um instante cinéfilo western spaghetty é proposto em And I Am Nervous, enquanto Heart Is Mine e Fireworks trazem de volta tudo aquilo que de icónico, sensual e apelativo tem o universo criado em tempos pelos míticos The Velvet Underground. No entanto, um dos temas mais curiosos do disco e que aponta num sentido distinto do restante cardápio é Submarine, um título feliz para uma canção em que, ajudados por um baixo monocórdico, os Shy Boys submergem-nos numa atmosfera nosdisctálgica, hipnotizante e algo claustrufóbica.

As vocalizações de Collin são únicas e particularmente originais. Produzido com o vintage eco lo fi tão em voga atualmente e conduzido por uma percurssão acelerada e distorções de guitarra que vão beber ao cruzamento da surf music com a psicadelia, é um falsete melódico e harmonioso, que se mistura com mestria com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia, delicadeza e melancolia o que perde em alguma distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não deixar de fazer parte do cardápio sonoro dos Shy Boys.

Para quem procura aquela sonoridade indie mais inocente e etérea, que nos recorda aquelas cassetes antigas que temos lá em casa, empoeiradas, cheias de gravações caseiras e lo fi, mas onde não falta uma dose equilibrada de ruído, está aqui uma proposta que certamente irá encher as medidas e que traz-nos à memória aquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primórdios do rock alternativo. Estas dez canções bastante fiáveis estão cheias dessa inocência regada com acne, mas também imploram para serem levadas muito a sério, até porque foram criadas por um grupo que quer muito ser uma referência obrigatória no universo sonoro em que se situa, enquanto espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais experimental, alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Is This Who You Are
Keeps Me On My Toes
Notion
Bully Fight
And I Am Nervous
Heart Is Mine
Postcard
Submarine
Fireworks
Trim


autor stipe07 às 18:16
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The Flaming Lips – Lucy In the Sky With Diamonds (Feat. Miley Cyrus & Moby) (The Beatles Cover)

The Flaming Lips - "Lucy In the Sky With Diamonds" (Feat. Miley Cyrus & Moby) (The Beatles Cover)

Já é conhecido o alinhamento e a lista completa de artistas convidados de With A Little Help From My Fwends, o álbum de tributo dos norte americanos The Flaming Lips ao clássico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, um dos discos fundamentais da carreira dos Beatles.

With A Little Help From My Fwends irá chegar aos escaparates já a vinte e oito de outubro, via Warner Brothers, e um dos destaques é, sem dúvida, a versão da intemporal Lucy In The Sky With Diamonds, que conta com as participações de Moby e Miley Cyrus. O tema pode ser escutado aqui, assim como ser feita a aquisição do álbum.

Confere abaixo a tracklist de With A Little Help From My Fwends e a contribuição dos Electric Würms, outro projeto de Wayne Coyne, a meias com Steven Drozd, para Fixing A Hole.

 

Tracklist de With A Little Help From My Fwends:
01 “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (Feat. My Morning Jacket, Fever the Ghost & J Mascis)
02 “With A Little Help From My Friends” (Feat. Black Pus & Autumn Defense)
03 “Lucy In The Sky With Diamonds” (Feat. Miley Cyrus & Moby)
04 “Getting Better” (Feat. Dr. Dog, Chuck Inglish & Morgan Delt)
05 “Fixing A Hole
06 “She’s Leaving Home” (Feat. Phantogram, Julianna Barwick & Spaceface)
07 “Being For The Benefit Of Mr. Kite!” (Feat. Maynard James Keenan, Puscifer & Sunbears!)
08 “Within You Without You” (Feat. Birdflower & Morgan Delt)
09 “When I’m Sixty-Four” (Feat. Def Rain & Pitchwafuzz)
10 “Lovely Rita” (Feat. Tegan and Sara & Stardeath and White Dwarfs)
11 “Good Morning Good Morning” (Feat. Zorch, Grace Potter & Treasure Mammal)
12 “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)” (Feat. Foxygen & Ben Goldwasser)
13 “A Day In The Life” (Feat. Miley Cyrus & New Fumes)

 


autor stipe07 às 14:11
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Domingo, 12 de Outubro de 2014

Menace Beach - Come On Give Up

Menace Beach - Ratworld

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que irá estrear-se nos discos a dezanove de janeiro do próximo ano com Ratworld, um trabalho com um dos artworks mais insólitos que vi ultimamente e que chegará aos escaparates através da Memphis Industries.

A navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a surf pop e a psicadelia lo fi, os Menace Beach acabam de divulgar Come On Give Up, o single que antecipa Ratworld. Este tema foi disponibilizado para download gratuito. Confere...

 


autor stipe07 às 15:31
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Nick Nicely - Space Of A Second

Lançado no passado dia vinte e nove de setembro, através da Lo Recordings, Space Of Sound é o novo compêndio sonoro de Nick Nicely, uma verdadeira caldeirada de pop psicadélica concebida por um músico e produtor que é já um nome lendário da eletrónica britânica, desde que se estreou no início dos anos oitenta com DCT Dreams, um single que, de Neu aos Kraftwerk, olhava já nessa altura e com acerto para o período mais psicotrópico dos Beatles e dos Pink Floyd, quando era Syd Barrett quem ditava as regras.

O primeiro disco chegou apenas em 2004 quando a Tenth Planet Records resolveu compilar uma série de singles que este músico tinha editado de 1978 até esse ano, tendo nascido assim Psychotropia. Com esse longa duração, Nick Nicely aitngiu um maior número de ouvintes e aquilo que era até então um segredo bem guardado da eletrónica de Terras de Sua Majestade, tornou-se num fenómeno à escala global. Não tardaram a surgir colaborações com nomes tão importantes como Ariel Pink ou John Maus e, como a sonoridade que o músico replica está na ordem do dia, tornava-se urgente ele mostrar a sua visão desta tendência atual na pop que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

Space of a Second são então catorze canções que, muitas vezes, são dificeis de serem catalogadas como canções com identidade própria e que obdecem ao habitual formato das mesmas, já que que parecem funcionar como um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, a habitual onda expressiva de Nick relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico feito de guitarras experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal e de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros.

A canção que melhor se aproxima do habitual formato e de uma sonoridade indie mais acessível é Longwaytothebeach, um tema que inicia com sons de passos na areia e que depois encontra os alicerces num baixo encorpado, numa bateria cheia de groove e numa guitarra que dispara riffs em várias direções. Mas quer nesta música, quer nas restantes, a voz de Nick aparece sempre num registo modificado sinteticamente e funciona, geralmente, como mais um agregado sonoro que amplia um certo barroquismo lo fi que exala dos temas, do que propriamente com a função explícita de dar vida e som a um poema com uma mensagem clara e entendivel. Se em HeadwindAheadwind parece que o produtor enlouqueceu de vez, Hilly Road é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Wrottersley Road subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. A referida revisão eufórica que parece orientar o trabalho de Nick atinge o auge quando Space Of A Second desperta-nos para os tais Pink Floyd imaginários e futuristas ao som da sequência London South e Raw Euphoria, e principalmente de Rrainbow, o tema que melhor revive uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há quarenta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação.

Uma das virtudes e encantos de Nick Nicely terá sido sempre essa capacidade de criar tratados sonoros algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre embebidos num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Space Of A Second segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico e coloca o autor no olho do furacão de uma encruzilhada sonora, ao fazer uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos. Este é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante, garanto-vos. Espero que aprecies a sugestão...

1. HeadwindAheadwind
2. Rosemarys Eyes
3. Space Of A Second
4. Wrottersley Road
5. Whirlpool
6. London South
7. Raw Euphoria
8. Change In Charmaine
9. Rrainbow
10. Longwaytothebeach
11. Lobster Dobbs
12. Hilly Fields Acoustic


autor stipe07 às 19:17
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Foxes In Fiction – Ontario Gothic

Foxes In Fiction

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, Ontário Gothic, um verdadeiro tratado de dream pop e que será em breve dissecado por cá. Para já e como aperitivo, partilho Ontario Gothic, o single homónimo e primeiro tema retirado de Ontario Gothic nesse formato, assim como um texto do músico sobre o processo de composição do disco. Confere...

Musicially, “Ontario Gothic” begins where the previous song on the album, “Shadow’s Song” lets off. The the same melody – made from cutting up & copying and pasting singular guitar notes forms the melodic basis for the majority former. The instrumental elements of the middle / transition section make up the Foxes in Fiction song “Breathing In” found on the first Angeltown compilation. And like “Shadow’s Song” it features violin arrangements by Owen Pallett.

Lyrically, “Ontario Gothic” is written about a close friend name Cait who died in 2010 and to whom the album is dedicated. Cait was one of the closest friends that I had for many years when I was a bit younger. She and I became really close after I had moved back to my hometown in the suburbs of Toronto, away from a farm in rural Ontario that my family lived on from 2001 until 2004. I was coming away from what was the worst and most emotionally tumultuous period of my life at that point and I carried a lot of fucked up anxiety and deep sadness about my life and myself as a person. But more than anything else, getting to know, open up to and spend time with Cait during those first years helped open me up to kinds of happiness and a love for life that I didn’t think was within the realm of possibility at that point in my life.

She was one of the most remarkable, open and truly good people I’ve ever known, really. The song “Flashing Lights Have Ended Now” was also written about her just a point where we’re drifting apart; a year later she was gone. I wrote this song to crystallize the better parts of our friendship and to remember the healing effect that she had on me as a person which without I would not be the same person or have the same acceptance for life that I do now. I miss her enormously and I feel her influence and presence constantly.

 


autor stipe07 às 13:10
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Engineers - Always Returning

Formados atualmente pelo multi-instrumentista Mark Peters, o aclamado músico e produtor alemão Ulrich Schnauss e pelo baterista londrino e compositor Matthew Linley, os Engineers têm criado belíssimas texturas sonoras na última decada e são já um nome de referência no universo da eletrónica de cariz mais ambiental e experimental. Estrearam-se em 2005 com um homónimo que lhes apontou logo imensos holofotes e quatro anos depois, com Three Fact Fader atingiram um estatuto enorme que, no ano seguinte, em 2010, com In Praise Of More, solidificaram definitivamente essa visão, com um enorme grau de brilhantismo. Esse foi o ano em que Ulrich Schnauss juntou-se aos Engineers e Always Returning é o novo passo na carreira de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros.

Com o tema Fight or Flight disponibilizado pela editora Kscope para download gratuíto, Always Returning oscila entre temas puramente instrumentais e outros que não dispensam a presença da voz,  em dez canções que consolidam a maturidade de um grupo que sabe estabelecer entre os seus membros um diálogo feliz e profícuo, em busca do melhor contraste entre as diferentes referências sonoras que orientam o grupo, acabando por as sublimar com mestria e fazer com que se destaque a emoção com que a música criada pelos Engineers consegue transportar bonitos sentimentos.

Always Returning é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Da guitarra picada de Bless The Painter, que busca uma psicadelia que se lança sobre o avanço lento mas infatigável de um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, depois, em Searched for Answers e Smoke & Mirrors, parece que se deixou envolver por uma bolha de hélio passada a lustro pelo rock alternativo dos anos oitenta, ao eco sintetizado e incrivelmente épico de Fight Or Flight, o disco é um manancial de diferentes géneros sonoros e faz uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos.

O auge desta revisão eufórica acontece quando Always Returning desperta-nos para uns Pink Floyd imaginários e futuristas ao som de It Rings So True  e Smiling Back, uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há trinta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação. O próprio rock melódico mais barroco, ou a típica folk pop melancólica aparecem em temas como Drive Your Car ou Innsbruck, uma sequência impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com alguma devoção e faz-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início dos dois temas. A melancolia das duas canções é comandada por um som de guitarra, que aliado a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo aos temas e, no caso de Drive Your Car, a voz de Mark consegue trazer a oscilação necessária para transparecer uma elevada veia sentimental.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto e apesar das diferentes origens musicais, nenhum estilo domina claramente e o efeito é o de várias abordagens sonoras, igualmente magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativa, que permite a concordância e a discordância, por sua vez. Do rock clássico, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, este alinhamento impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Always Returning é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Bless the Painter
Fight or Flight (Download)
It Rings So True
Drive Your Car
Innsbruck
Searched for Answers
Smiling Back
A Million Voices
Smoke and Mirrors
Always Returning

 


autor stipe07 às 21:31
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Joel Gion – Apple Bonkers

Joel Gion, conhecido por ser o homem da percurssão e do tamborim nos Brian Jonestown Massacre, acaba de iniciar uma carreira discográfica em nome próprio com Apple Bonkers, uma coleção de dez canções que viu a luz do dia a dezoito de agosto. A propósito do desejo de se estrear numa carreira a solo e numa fase de relativo pousio dos Brian Jonestown Massacre, Joel revela na sua página oficial:

With all the BJM members now living  so spread out across the world, I found myself increasingly missing the album making process. This feeling of disconnect is what kick started me into exploring my own song writing process and turned out to be a hugely important piece of self discovery. No more time for my beloved laziness. So I made my own music with a with bunch of friends in the studio coming and going and having a great time creating. I think a lot of people are going to be surprised by this album

Como se depreende desta declaração, se, por um lado o processo de idealização e criação de Apple Bonkers foi muito espontâneo e partiu, essencialmente, das saudades que o músico já sentia de estar em estúdio, por outro, também se deve ao desejo de Joel em trabalhar com outros músicos seus amigos, com esta sua estreia a contar com as participações especiais de membros dos Dandy Warhols, dos próprios BJM, dos Dead Skeletons, dos Sprindrift e dos The Warlocks.

Com o single Yes a abrir as hostilidades e a assumir-se como grande destaque de Apple Bunkers, o disco é um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador. Em vez das esperadas distorções e de um som algo ríspido, encontramos texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na discografia de bandas como os Tame Impala, assim como os TOY, The Horrors, POND, ou os próprios MGMT, grupos que têm aberto uma espécie de caixa de pandora e onde a estética sonora que reinventaram serve de inspiração para novos projetos, como é o caso de Joel Gion, mas onde também podemos arriscar incluir os norte americanos Moon Duo ou os os Wooden Shjips, além dos conterrâneos Black Market Karma.

Neste caldo psicadélico destacam-se os excelentes arranjos de cordas, sendo bom exemplo disso não só o single já citado, mas também Smile, uma canção que mantém a toada anterior. Já Flowers apela a um travo mais ponderado e luminoso, um tema clássico no que diz respeito à conexão feliz entre o fuzz de uma guitarra e a secção rítmica vitaminada que encorpora o rock psicadélico dos anos sessenta. O mesmo sucede com Dart e Sun Structures, canções onde a intimidade centra-se no baixo e na guitarra, feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência daquele rock muito britânico. Mas também há uma viola completamente desligada da corrente, uma outra forma válida para a criação de ambientes psicadélicos, neste caso em Change My Mind, uma das canções mais calmas e bonitas do disco. Já Mirage, com arranjos e efeitos épicos e uma voz etérea conjugada com uma secção rítmica assertiva, é outra canção de audição obrigatória, assim como Radio Silence, um tema que nos remete para o período aúreo do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta e aquele que talvez melhor indique que a bateria é também uma das importantes mais valias deste trabalho, como não podia deixar de ser em Joel. Aliás, quer Radio Silence, quer depois Two Daisies e Sail On são os temas mais volumosos do cardápio de Apple Bonkers e aqueles que viabilizam a condução de um som mais denso, atmosférico e sujo, podendo, quem sabe, apontar caminhos para, no futuro, Joel demandar em busca de diferentes viagens a vários universos sonoros, tendo talvez amanhã o sintetizador como veículo privilegiado dessa demanda por distintos territórios auditivos. 

Apple Bonkers faz-nos, com grande eficácia, um convite para uma viagem no tempo, do passado ao presente, no disco de estreia de um artista que aposta em melodias contagiantes e que parece ser mais experiente do que o tempo de existência do seu projeto a solo, tal é o grau de maturidade que já demonstra neste trabalho. A experiência dos amigos músicos que aparecem no alinhamento também terá sido importante para a materialização desta evidência. Espero que aprecies a sugestão...

Joel Gion - Apple Bonkers

01. Yes
02. Smile
03. Hairy Flowers
04. Dart
05. Change My Mind
06. Mirage
07. Radio Silence
08. Two Daisies
09. Sail On
10. S Bring You Down


autor stipe07 às 22:24
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

Firekites - Closing Forever Sky

Seis anos depois de The Bowery, o registo de estreia, os Firekites de Pegs Adams, Ben Howe, Tim Mcphee e Jason Tampake, um quarteto oriundo da Newcastle australiana, estão de regresso com mais sete belíssimas canções, contidas num novo disco chamado Closing Forever Sky e que viu a luz do dia por intermédio da etiqueta local Spunk Records.

Os acordes iniciais de Closing Forever Sky são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Firekites deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, para criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

A escrita deste quarteto oriundo dos antípodas carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a essa sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi. Esta evidência desarma completamente os Firekites e além de os envolver numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, despe-os de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que os poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza os membros do grupo.

Em Closing Forever Sky ouve-se ecos da negrura de projectos recentes como Esben & the Witch. Ouve-se Cocteau Twins. Ouve-se Portishead e Massive Attack, não só no single homónimo, mas também no clima sussurrante e hipnótico de Somewhere Bright First. The Fallen, canção que recebe o alívio de uma guitarra acústica, que depois cresce e se deixa envolver num imenso arsenal de arranjos e detalhes, chega a parecer Radiohead, principalmente na forma como acomoda uma agradável melancolia nas teclas no imenso agregado sonoro que a sustenta. Mas a banda de Thom Yorke também dá uma mãozinha na distorção das guitarras que dá vida ao apogeu final da já referida Somewhere Bright First.

Todos estes exemplos mostram que os Firekites sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se as canções fossem um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida.

Mas em Closing Forever Sky também ouve-se estranheza e ouve-se escuridão; Em Said Without A Song é difícil catalogar instrumentalmente a natureza tecnológica que sustenta o tema, mas o silêncio abosluto também está lá, bem no fundo, a ecoar ao longo da canção, como um manto que o cobre, mesmo que seja de forma quase inaudível... Um silêncio que, ao contrário da maior parte dos silêncios, é um silêncio que se escuta. Depois, em Antidote, ouve-se harmonias de vozes de outro planeta e surgem os The XX na guitarra e no baixo, de um modo que me despertou uma curiosa sensualidade, que tantas vezes reprimo e que me faz imaginar um vídeo para o tema, em que junto com este quarteto abano as ancas num qualquer anúncio de moda.

Depois de um disco de estreia que obrigou a banda a emergir da solidão e a revelar-se sem restrições, Closing Forever Sky é um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a vastidão imensa e simultaneamente diversificada da paisagem e de um mundo completamente diferente do nosso, de onde estes Firekites são originários. Espero que aprecies a sugestão...

Firekites - Closing Forever Sky

01. Closing Forever Sky
02. Fallen
03. The Counting
04. Fifty Secrets
05. Somewhere Bright First
06. Said Without A Sound
07. Antidote


autor stipe07 às 17:00
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Speedy Ortiz - Doomsday

Speedy Ortiz - "Doomsday"

A iniciativa LAMC, da autoria da etiqueta Famous Class, é uma homenagem da mesma a Ariel Panero, um antigo colaborador da editora que, enquanto esteve vivo, sempre tentou que algumas bandas conseguissem o justo reconhecimento e que tem um memorial em seu nome, o VH1 Save The Music, com as receitas de venda destes singles a reverterem integralmente para o mesmo, podendo ser adquiridos na plataforma Bandcamp.

Para cada single de 7" que é lançado, a Famous Class pede a um artista preferido que faculte um tema que nunca tenha editado e depois solicita ao mesmo que escolha uma banda nova e emergente que admire, para que contribua com uma canção para o lado b do single.

E o single mais recente a ser divulgado por esta iniciativa é da autoria dos Speedy Ortiz de Matt Robidoux (guitarra), Mike Falcone (bateria), Sadie Dupuis (guitarra, voz) e Darl Ferm (baixo), que, por sua vez, convidaram Chris Weisman para o lado b.

Doomsday é o nome da canção da banda de Northampton, um tema bastante melódico e algo emotivo e que aposta num som cheio de guitarras com raízes no rock alternativo da década de noventa. Chris Weisman contribui com um instante de pop acústica intitulado I Took It Off A Record. Confere...


autor stipe07 às 13:36
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Domingo, 5 de Outubro de 2014

Colony House – When I Was Younger

Os Colony House são Caleb Chapman, Will Chapman e Scott Mills, uma banda norte americana de indie rock de Franklin, no Tennessee e que se inspirou num complexo habitacional na baixa da sua cidade natal para dar nome a um projeto que acaba de se estrear nos discos com When I Was Younger, uma coleção de catorze canções particularmente inspiradas e com uma toada eminentemente comercial e virada para o airplay fácil, não sendo esta constatação necessariamente uma crítica depreciativa relativamente ao conteúdo do disco. When I Was Younger viu a luz do dia em julho através da Descendant Records.

Com a banda a partir, de forma decidida, para ambientes épicos e climáticos e com as guitarras e os sintetizadores a servirem de bitola no processo de criação musical, When I Was Younger tem vários momentos, numa fragmentação genérica mas que funciona agregada como um edifício sonoro complexo e claramente inspirado. Há por aqui excelentes momentos contemplativos e festivos e o disco vive um pouco da busca de equilibrio entre estes dois pólos previsivelmente opostos, com o núcleo duro do trabalho a ser um enorme oceano de sons e ecos que nos convidam à auto análise interior, mas que também não descuram a busca de sons de outras latitudes mais quentes.

Da melancolia efervescente de Waiting For My Time to Come, ao groove do single Silhouettes, passando ainda pelo indie rock de Caught Me By Surprise, escutamos um ambiente sonoro bastante festivo e particularmente grandioso, que atinge um auge significativo em Keeping On Keeping On, um tema pensado como um daqueles típicos hinos de estádio, capaz de arrebatar multidões e de fazer dançar mesmo aqueles que geralmente não apreciam particularmente deixar-se levar pelo ritmo pulsante de canções que apostam numa percurssão bem vincada e em efeitos de guitarra bastante efusivos.

Com essas guitarras e essa percurssão incisiva e os sintetizadores dos anos oitenta a servirem de bitola no processo de criação musical, onde não faltam alguns arranjos de piano que ampliam o cariz pop, épico e melancólico deste disco, os Colony House pretendem, em suma e sem um segredo especial, criar algo que seja festivo e grandioso e que possa conquistar um público heterógeneo, servindo-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos. Espero que aprecies a sugestão...

Colony House - When I Was Younger

01. Silhouettes
02. Second Guessing Games
03. When I Was Younger
04. Caught Me By Surprise
05. Roll With The Punches
06. Keep On Keeping On
07. Waiting For My Time To Come
08. 2:20
09. Learning How To Love
10. Won’t Give Up
11. Moving Forward
12. Glorious
13. I Had To Grow Up
14. Lose Control


autor stipe07 às 14:38
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Sábado, 4 de Outubro de 2014

Cloud Castle Lake - Dandelion EP

Para quem aprecia aquela simbiose já clássica entre o post rock amiúde visceral e quase sempre etéreo dos islandeses Sigur Rós, com o indie rock progressivo dos Radiohead, irá certamente apreciar Dandelion, o novo EP dos Cloud Castle Lake, uma banda irlandesa, natural de Dublin e formada por Brendan William Jenkinson, Rory O'Connor e Daniel McAuley. Dandelion chegou aos escaparates a dezanove de setembro, por intermédio da Happy Valley.

Sync, o tema de abertura deste EP e single do mesmo é uma excelente porta de entrada para uma curta mas intensa viagem sonora, proporcionada por quatro canções vibrantes e pulsantes, que sabem a triunfalismo e celebração. Este tema, com os instrumentos de sopro de mãos dadas com o piano e um belíssimo falsete a construirem a primeira camada do seu edifício sonoro, que depois recebe uma percurssão orgânica suave que vai ser, adiante, comprimida pelas cordas do baixo, à boa maneira da sonoridade típica dos Radiohead no período In Rainbows,deixa dentro de nós uma incrível sensação de euforia, mas controlada, proporcionada pela forma poética como se sente que a delicadeza e a candura procuram equilibrar-se com a agressividade e a rispidez, enquanto se assiste a um combate fraticida entre estes dois opostos.

Os tambores e a bateria de A Wolf Howling ampliam esta compilação dramática e, de repente, somos subjugados para um conto fantástico, cheio de criaturas sobrenaturais que se degladiam entre si enquanto replicam algumas das melhores nuances do indie rock progressivo, ao mesmo tempo que, com o seu estilo único, Daniel McAuley tira-nos o fôlego com o seu falsete fortemente emotivo, que deixa-nos muitas vezes sem reação e toca profundamente o coração.

A toada abranda um pouco, mas mantém-se aquele ar sombrio e algo misterioso em Mothcloud, à medida que o dedilhar de uma guitarra acústica e o falsete de Daniel recebem uma secção inteira de instrumentos de sopro e a distorção de uma guitarra que poderia ser tocada pelo arco de violoncelo de Jón Þór Birgisson. Este cenário melódico pinta uma belíssima paleta de cores sonoras e cria uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada que se prolonga em Dandelion, canção onde as cordas sobressaiem e que, por isso, tem uma toada um pouco mais folk que as restantes. É um instante perfeito para nos resgatar, lentamente, do mundo mágico para onde fomos sugados, para voltarmos sãos e salvos a uma realidade que é, tantas vezes, tão melancólica e sombria, mas igualmente graciosa como estas quatro canções, depois de cerca de vinte minutos de incontrolada euforia, que, se formos justos, mereceram a nossa mais sincera devoção.. Espero que aprecies a sugestão...

Sync

A Wolf Howling

Mothcloud

Dandelion


autor stipe07 às 20:57
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

So Cow - The Long Con

Oriundos de Galway, os irlandeses So Cow são Peter O'Shea, Jonny White e Brian Kelly, um trio que aposta na receita simples mas aditiva que suporta o indie rock de garagem, fazendo-o com um interessante grau de diversão, boa disposição, humor e empatia. Produzido por Greg Saunier, dos Deerhoof, The Long Con é o novo disco do trio, um trabalho que chegou aos escaparates a dezasseis de setembro por intermédio da Goner.

Os So Cow são mais uma daquelas bandas que procura ser simples e assertiva na fórmula enquanto revivem o espírito instaurado nas composições e nos registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta e que usam artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período, numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.

The Long Con começa com a intrépida Get Down Off That Thing e a partir daí o pé raramente alivia o acelerador, quer da bateria quer da distorção das guitarras. Logo depois chega Science Fiction, um dos singles já retirados do disco e um dos momentos altos de The Long Con. Esta canção tem no punk e no rock de garagem feito com guitarras cheias de distorção, mas melodicamente muito ricas, as suas traves mestras e nela, mas também, por exemplo, em Vigilanti Cura, percebe-se que os So Cow sabem como pegar na sonoridade que escolheram com elevada mestria e também com uma forte componente experimental.

Sugar Factory é um dos temas mais curiosos do disco; Não foge à sonoridade geral do mesmo, mas há o delicioso detalhe de um instrumento de sopro típico da Irlanda que dá à canção uma toada folk muito interessante, sem deixar de ser concentrada no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento desta e das diferentes composições do alinhamento. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, nomeadamente em I Want Out que consegue aproximar-se de uma sonoridade que mistura momentos mais luminosos de uns Clash ou Ramones, com uma faceta algo adolescente dos Sonic Youth.

A aproximação à psicadelia não fica por aqui e em Say Hello o baixo volta a dar um ar da sua graça enquanto as guitarras aproximam-se do surf rock típico da década de sessenta e a canção consegue fazer-nos visualizar enormes pranchas de surf em plena pradaria irlandesa.

The Long Con incorpora a sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Em pouco mais de meia hora estes quatro músicos apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, The Long Con usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos So Cow de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

01 – Get Down off That Thing
02 – Science Fiction
03 – Sugar Factory
04 – Operating at a Loss
05 – I Want Out
06 – Vigilanti Cura
07 – Say Hello
08 – Turning into You
09 – To Be Confirmed
10 – Guess Who’s Dead
11 – The Other One
12 – Second Last Line of the National Anthem
13 – Barry Richardson


autor stipe07 às 21:05
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Dead Seem Old - They Won't Find Us

Dead Seem Old é um projeto de indie pop sedeado em Londres e da autoria do músico e compositor Thom Wicks. Interessado pela experimentação sonora, Wicks costuma andar sempre com uma guitarra de flamengo e um gravador de quatro pistas para gravar as suas demos.

They Won't Find Us, o seu single de estreia, foi escrito e composto num quarto de hotel, durante uma viagem do mesmo à Indonésia. Para a gravação do tema contou com a preciosa ajuda do baterista e produtor Javier Weyler (Phil Manzanera/Stereophonics), tendo sido acordado que os contos de Grimm a a surf music dos anos sessenta teriam que ser referências fundamentais do tema, já que são duas influências importantes para Wicks.
O resultado é uma peça de indie pop contemporâneo absolutamente memorável, que dos coros aos arranjos das cordas, irradia uma luz incomum e que merece uma audição dedicada, assim como We Used To See Faces, o lado b do single. Confere...

 


autor stipe07 às 13:39
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Blonde Redhead - Barragán

Kazu Makino, Amedeo Pace, Simone Pace são os Blonde Redhead e lançaram no passado dia dois de setembro Barragán, o nono álbum na carreira deste grupo oriundo de Nova Iorque e que tem construido um catálogo sonoro bastante consistente, com a dream pop sempre na fila da frente, no que diz respeito à sonoridade que replicam. Com o nome inspirado no célebro arquiteto mexicano Luis Barragán, Barragán viu a luz do dia por intermédio do selo Kobalt, em parceria com a Popstock e foi produzido por Drew Brown, um nome importante do universo indie e que já trabalhou com nomes tão significativos com Beck, Radiohead ou os The Books.

Há algo de intenso e peculiar em Barragán, o tema homónimo que abre o disco, um ruído agradável, cheio de detalhes campestres e que servirá certamente para acalmar a mente e o ouvido para o deleite sonoro que se segue, em mais nove canções que deslumbram pela riqueza da sua faceta instrumental, construída, quase sempre, a partir de sintetizadores e teclados bastante inspirados, que replicam discretos apontamentos e arranjos subtis , que algures entre a tal dream pop, mas também a folk e a eletrónica, dão vida a letras surrealistas e tingem de magia e cor os nossos ouvidos.

Lady M exala um charme intenso, feito com uma vocalização exuberante que se repete ao longo do disco e que atinge um verdadeiro clímax interpretativo em Cat On Tin Roof, principalmente pela forma como o tom agudo e extremamente sedutor e insinuante da voz de Kazu se entrelaça com um baixo encorpado e algo matreiro. Este mesmo baixo já tinha feito a sua primeira aparaição em Dripping e, obrigando-nos a abanar a anca logo à terceira canção, conferiu a necessária sensualidade que o requinte geralmente exige e que, pouco depois, intrometendo-se no jogo entre a guitarra e o sintetizador em Mind To Be Hand, conquista-nos irremediavelmente e leva-nos a não querer perder mais o rasto deste novo registo de um coletivo que tem construido um catálogo sonoro bastante consistente, que fez dos Blonde Redhead uma das bandas mais fascinantes dos nossos dia.

Há algo de desafiante no modo como este trio se afunda num experimentalismo refinado, que além de criar o ambiente perfeito para a voz sedutora de Makino, dá vida e som a texturas e cenografias sonoras ímpares e genuínas, não só no que concerne a tudo aquilo que é geralmente audível no domínio da eletrónica, mas também no campo do orgânico, tal é a delicadeza e a fragilidade de alguns arranjos de cordas ou sopros, quase sempre arrumados com uma impecável sobriedade e a evidenciar sinais de uma recomendável exuberância criativa.

Com uma carreira que virou decididamente agulhas para a pop a partir de Melody of Certain Damaged Demons (2000) e aprofundou essa inflexão com Misery is A Buttefly (2004) e, principalmente, no fantástico 23 (2007), os Blonde Redhead ainda arriscaram terrenos eminentemente eletrónicos com Penny Sparkle(2010). Seja como for, Barragán acaba por ser o passo lógico de uma certa agregação de todas as facetas sonoras que foram alimentando o trio, num alinhamento recheado de obras primas que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos e quase sempre afundado num colchão de sons eletrónicos que fazem de Barragán um passeio divertido e, ao mesmo tempo, introspetivo, cheio de charme e bom gosto. Os Blonde Redhead conjugam e criam com distinção o que de melhor é feito atualmente no universo indie pop e numa época em que existe uma explosão de novas propostas, mas só se distinguem realmente aquelas que conseguem atingir um patamar qualitativo verdadeiramente inovador e deslumbrante. Em Nova Iorque ainda sobrevive, ao fim de quase três décadas, uma banda bastante inovadora e de sonoridade única, cada vez mais experimental e minimalista e que não se cansa de arregaçar as mangas em busca do constante desafio e da descoberta. Espero que aprecies a sugestão...

Blonde Redhead - Barragán

01. Barragán
02. Lady M
03. Dripping
04. Cat On Tin Roof
05. The One I Love
06. No More Honey
07. Mind To Be Had
08. Defeatist Anthem (Harry And I)
09. Penultimo
10. Seven Two

 


autor stipe07 às 21:29
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Camera - Remember I Was Carbon Dioxide

Apelidados de krautrock guerrilla devido à forma ousada como costumam apresentar a sua música, tocando muitas vezes em locais públicos sem licença, nomeadamente estações de metro, os berlinenses Camera são Franz Bargmann, Timm Brockmann e Michael Drummer, um coletivo que se estreou em 2012 com o fantástico Radiate!. Algum tempo depois chegou o EP Système Solaire e agora estão de regresso com Remember I Was Carbon Dioxide, mais um longa duração, este com doze canções que nos abraçam e nos convidam para encetar uma viagem única e de algum modo hipnótica pelo krautrock, um universo sonoro que agrada profundamente a este trio e que é, naturalmente, dominado pela eletrónica.

Escuta-se Remember I Was Carbon Dioxide e estamos, de certa forma, positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio eminentemente sintético, mas que não deixa de piscar o olho a alguns detalhes mais orgânicos. Esta aparente ambivalência soa nestes Camera como um todo complexo, mas coerente e que fica logo patente em From The Outside, a canção de abertura, quando um baixo encorpado e uma batida marcada e hipnótica se aliam a um conjunto de ritmos e sons diversificados. Esta fórmula vai ao encontro do press release do lançamento quando afirma que na primeira faixa do disco, a assinatura sonora de Camera, está elegantemente tecida no remoinho hipnótico da música, um eco distante de “Autobahn” dos Kraftwerk. E, na realidade, estes Camera, apesar de serem contemporâneos na forma como abordam este espetro sonoro tão caraterístico e, ao contrário de muitos outros, rigidamente balizado numa década específica, no que concerne às suas origens e período aúreo, merecem especial relevo porque essa contemporaneidade revela-se na forma como apontam noutras direções, onde pode dominar também, mesmo que implicitamente, um teor ambiental denso e complexo, com um resultado atmosférico, mas que não deixa a sonoridade geral do trio e deste Remember I Was Carbon Dioxide cair numa perigosa letargia, já que há aqui, e concretizando, sinais bem audíveis que apontam baterias também ao rock e à punk dance.

Em suma, nestas doze canções assiste-se a uma soma de várias partes, num disco que apresenta uma banda em constante progressão e alienação do óbvio sonoro, vanguardista e, na mesma medida, comprometida com a sua notável herança e espólio, um trio que se deixou levar com natural fluídez pelo trabalho que desenvolveu em estúdio e que, com essa postura corajosa, não defrauda aquela componente experimental que lhe é intrínseca e que fica sempre gravada na memória de quem assiste aos concertos dos Camera.

Enérgico, psicadélico e movido a sintetizadores que não escondem a rigidez maquinal que lhes é subjacente, mas temperado com guitarras que trazem consigo ecos bem audíveis de post punksynthpop e dance punk, Remember I Was Carbon Dioxide é um disco onde a produção é uma das mais valias já que, desde o processo dos primeiros arranjos até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e que, de algum modo, ajuda a colocar de novo Berlim na linha da frente das referências fundamentais no género. Espero que aprecies a sugestão...

From The Outside
Parhelion
Synhcron
Roehre
4PM
Haeata
Ozymandias
To The Inside
2AM
Trophaee
Vortices
Hallraum


autor stipe07 às 20:27
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

LA Font - Pretty In Love

Liderados por Danny Bobbe e ao qual se junta Jon, Harlow e Greg e oriundos de Echo Park, nos arredores de Los Angeles, os norte americanos LA Font acabam de divulgar Pretty In Love, o mais recente single, um tema que antecipa um longa duração que verá a luz do dia a treze de outubro, em formato digital e cassete, através da insuspeita e espetacular editora, a Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Pretty In Love é uma canção alegre e divertida e que aposta numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico. Já agora, os LA Font também divulgaram recentemente um video para Onshore, um dos clássicos da banda e onde o produtor do filme, Hank Friedmann e como poderás conferir abaixo, apocaliticamente coloca em prática uma máxima bastante em voga no país natal do grupo e que diz loose lips sink ships.


autor stipe07 às 10:51
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Niagara – Don’t Take It Personally

Sedeados em Turim, os italianos Niagara são David Tomat e Gabriele Ottino, dois extraordinários músicos e produtores, que também já foram membros da mítica banda de rock italiana N.A.M.B., além do coletivo Gemini Excerpt. Já agora, Tomat grava ainda em nome próprio e Ottino mantém outro projeto, acompanhado por Milena Lovesick. Editado no passado dia nove de setembro através da Monotreme Records, Don't Take it Personally é o extraordinário novo disco deste projeto que se estreou em 2012 com o não menos eloquente Otto e que, à semelhança desse primeiro trabalho, mergulha a pop eletrónica com nuances sonoras que ganham vida em densas e pastosas águas turvas, devido ao elevado pendor psicadélico, num expressivo balanço entre uma faceta experimental e um lado mais groove e dançável, de algum modo evocando o bom e velho trip hop que surgiu no início dos anos noventa noutro ponto da Europa.

Don't Take It Personally parece querer falar-nos de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo, já que escuta-se como uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos Niagara para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. 

Como nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e percebe-se que a dupla sabe melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, este é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. Se o típico trip hop ácido e nebuloso conduz John Barrett , que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como por teclados e um subtil efeito de guitarra em Currybox, já em Vanillacola é o rock progessivo feito com guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo folk pintado com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Laes, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada e devido à forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que nos proporciona uma assombrosa sensação de conforto e nos oferece o melhor momento do disco. Já a voz robótica e o cruzamento de vários ruídos sintéticos espaciais que parecem sair de um sintetizador analógico monofónico em Speak And Spell e, mais adiante, em Else (feel like a eletric machine), conduz-nos numa viagem rumo ao universo da pop eletrónica com um cariz vincadamente ambiental, denso, complexo e futurista, que ganha um fôlego ainda mais intenso em Popeye e China Eclipse, uma canção dividida em duas. Essa mesma voz aparece apenas na última e fica carregada de poeira e eco, adornada por subtis efeitos e ruídos etéreos e melancólicos que colocam-nos na rota certa de um álbum que impressiona pela tal atmosfera densa e pastosa, mas claramente libertadora e esotérica.

Em Don't Take It Personally, a produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo, num disco que é muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor e estes Niagara irão certamente e muito em breve, assumir justamente uma posição de relevo no espetro sonoro em que se inserem. Espero que aprecies a sugestão...

Niagara - Don't Take It Personally

01. John Barrett
02. Fat Kaoss
03. Vanillacola
04. Speak And Spell
05. Laes
06. Currybox
07. Popeye
08. China Eclipse
09. Else
10. Bloom


autor stipe07 às 21:28
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His Name Is Alive - African Violet Casts A Spell

hnia

Liderados por Warren Defever, o único elemento do grupo que se mantém desde a formação, os norte americanos His Name Is Alive são uma banda de rock experimental oriunda de Livonia, uma pequena cidade no estado do Michigan. Depois de algumas cassetes gravadas em nome próprio, estrearam-se nos discos no início da década de noventa, através da conceituada 4AD Records e, de então para cá, entre EPs e álbuns, nunca ficaram muito tempo sem gravar, durante duas décadas de apreciável consistência e forte identidade, com Warren a conseguir manter a sonoridade do grupo, apesar da enorme variedade de músicos que têm passado pelo projeto.

No próximo dia vinte e oito de outubro chegará aos escaparates Tecuciztecatl, via HNIA, o novo disco dos His Name Is Alive e descrito por Warren como um compêndio de ópera rock que serviu para exorcizar alguns demónios que vinha carregando consigo. African Violets Cast A Spell, o primeiro single divulgado, é uma canção preenchida com arranjos que têm tanto de lindíssimo como de bizarro, uma espécie de mistura entre uma folk clássica com uma pop luxuriante e sem paralelo. Confere...


autor stipe07 às 13:41
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Thom Yorke – Tomorrow’s Modern Boxes

Vocalista da banda que ocupa o trono do indie rock alternativo há quase duas décadas e um dos criativos musicais fundamentais da história da música contemporânea, Thom Yorke está claramente apostado em deixar uma marca indelével na história da música e não apenas e só por causa do conteúdo do seu cardápio sonoro, mas também na forma inovadora como pretende revelar e disponibilizar o mesmo. Crítico assumido sobre a forma como a indústria fonográfica tem assumido as rédeas da distribuição, Yorke disponibilizou no passado dia vinte e seis de setembro Tomorrow's Modern Boxes, o seu segundo disco a solo, para download digital e também em vinil na página oficial, experimentando uma nova forma de edição e distribuição, através da tecnologia BitTorrent, criada por uma empresa norte-americana e que permite a cada consumidor partilhar e gerir ficheiros sem intermediários.

Num comunicado que assina com Nigel Godrich, o produtor do disco e divulgado no dia do lançamento, ambos explicavam que Tomorrow’s Modern Boxes é uma experiência e que, se correr bem, poderá ser o caminho para que os criadores artísticos voltem a ter controlo sobre o comércio na Internet. Seja como for, e independemente do sucesso desta nova abordagem comercial, importa é, desde já, debruçarmo-nos sobre aquilo que realmente importa, o conteúdo deste registo de um músico que promete, como já referi, deixar uma marca indelével na história da música, particularmente a eletrónica.

Uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante e elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um baixo sintético com um volume crescente, quase sempre livres de constrangimentos estéticos e que nos provocam um saudável torpor, são já a imagem de marca da música de Thom Yorke, alguém que parece decididamente apostado em compôr música principalmente para si e, de forma subtil, criar um ambiente muito próprio e único através da forma como o sustenta instrumentalmente, ao privilegiar uma abordagem eminentemente sintética. Os oito temas do alinhamento de Tomorrow's Modern Boxes vivem, portanto, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral. É deste cruzamento espetral e meditativo que o disco vive, um registo que espelha a elevada maturidade do autor e espelha a natural propensão do mesmo para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe, muitas vezes de forma bastante implícita e quase inaudível o baixo e a bateria.

Analisar a música de Thom Yorke e não falar da sua voz é desprezar um elemento fulcral da sua criação artística; Ela é também em Tomorrow's Modern Boxes um fio condutor das canções, seja através do habitual falsete, amiúde manipulado em A Brain In A Bottle, o tema onde essa forma de cantar é mais explícita,ou através de um registo sussurrante, ou ainda de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais. E este último registo ganha contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste disco quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb em temas como Truth Ray ou There Is No Ice (For My Drink) e transforma-se numa das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Yorke está ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. Curiosamente, o piano costuma ser um fiel companheiro do músico e um instrumento que se alia com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge destacado em Pink Section, por sinal um tema onde o protagonismo da voz é ínfimo.

Tomorrow's Modern Boxes é de um subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Thom Yorke.

Nigel Goodrich já tinha produzido The Eraser, o primeiro registo a solo de Yorke e também foi ele que OkComputorizou os Radiohead, pelo que este novo manifesto de eletrónica experimental é também certamente responsabilidade sua, assim como a opção pela ausência total das guitarras e pela primazia do trabalho de computador, da construção de samples, no fundo, da incubação de uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual.

Mais apontado para satisfazer o seu umbigo do que propriamente saciar a fome de excelência de quem o venera e exulta a cada suspiro ruidoso que o autor exala, Tomorrow's Modern Boxes é um despertar maquinal, onde a pureza da voz contrasta com a agressividade de uma modernidade plasmada em letras que mostram o mesmo Thom Yorke de sempre, irreverente, meio perdido, entre o compreensível e o mundo dele, estando, no meio, a sua luta constante com a sociedade e a sua vertente intervencionista politica, ambiental e social. Espero que aprecies a sugestão... 

Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes

01. A Brain In A Bottle
02. Guess Again!
03. Interference
04. The Mother Lode
05. Truth Ray
06. There Is No Ice (For My Drink)
07. Pink Section
08. Nose Grows Some


autor stipe07 às 22:46
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Peace - Lost On Me

Peace - Lost On Me

Oriundo de Birmingham, o quarteto inglês Peace continua a revelar novos detalhes do seu segundo disco de originais. Lost On Me é o novo single retirado do álbum e já tem direito a vídeo oficial, por sinal bastante engraçado e criativo. Nele, a banda fica presa num loop infinito de passos de dança que os levam a arriscar as suas vidas e, ao que parece, a morrer ao final. Confere...


autor stipe07 às 13:17
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