Sábado, 25 de Abril de 2015

The Kindling - By Morning

Guy Weir, Tomas Garcia e Ben Ramster são os The Kindling uma banda sedeada em Londres, que contou com as participações especiais dos violinos de Kelly Jakubowski e dos efeitos de Joe Leach para gravar um disco novo intitulado By Morning, um trabalho que aposta forte numa profunda melancolia proporcionada por canções que gravitam em redor de uma folk introspetiva e tipicamente nórdica, onde sobressaiem deliciosos arranjos de cordas e melodias que se arrastam sem pressa, mas com uma direção bem definida, aquela que segue diretamente e pelo caminho mais curto rumo aos nossos sentimentos mais profundos e delicados.

A apenas aparente rudeza da distorção de Television Static Dreams, o primeiro single retirado deste disco e seu maior destaque, transmite uma poderosa sensação introspetiva e sonhadora. Imersa em pequenos detalhes, dos quais sobressai a pandeireta e o tambor, que procuram conferir uma forte sensação crua e orgânica ao tema, são elementos que se repetem ao longo de um alinhamento que só poderá ser devidamente apreciado se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que estes The Kindling possuem e transmitem.

O falsete e a guitarra de Guy conduzem temas como Climb In, Unlucky e Long Distance e estes são apenas alguns dos vários exemplos que, em By Morning, exaltam uma tremenda serenidade e um natural excesso de tempo, conceitos que sobressaiem nestas canções com uma clareza incomum. Este é um acordar matinal musical proposto pelos The Kindling, uma alvorada tão diferente e proporcionalmente oposta às nossas rotinas diárias e à escravatura do relógio que roda incessantemente a partir do momento em que somos forçados a deixar o mundo dos sonhos para trás e viver um dia a dia nem sempre suficientemente recompensador.

As cordas e o jogo de vozes de Hunting Stars e Slow Down tocam profundamentem o coração. Como a maioria das canções, começam com o dedilhar de uma guitarra, neste caso a acústica, mas depois vão sendo adicionados novos instrumentos, que acrescentam pequenos detalhes sonoros, mas que fazem muitas vezes toda a diferença e demonstram a abundância de talento dos mentores deste projeto, já que pintam uma belíssima paleta de cores sonoras e criam uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada.

Alguma das nossas manhãs deviam ser assim, arrastadas por esta visão poética dos primeiros minutos dos nossos dias, em que a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, com as canções de By Morning a servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:15
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

Evols - Shelter

EVOLS

Antes do final de 2015, lá para o outono, chegará aos escaparates o tão aguardado segundo álbum dos Evols, um trabalho gravado e misturado nos últimos dois anos entre a sala de ensaios da banda e os estúdios Sá da Bandeira. Com eidção da Fnac Discos e Wasser Bassin, este disco irá marcar, de acordo com o press release de Shelter, o primeiro single divulgado, uma evolução no som da banda, que conta com um novo baterista e um novo baixista (Jorge Queijo e João Santos).

Ainda de acordo com esse documento, que explica melhor que ninguém a sonoridade que orienta este projeto, os Evols são influenciados pelas raízes do rock e do blues e por toda a cultura psicadélica que se reinventa há mais de 50 anos. Fazem música intemporal, longe dos holofotes, mas perto das pessoas onde eles gostam de estar. As composições da banda remetem habitualmente para uma viagem entre a melodia, a estridência e a distorção, numa potência e impacto de guitarras levados ao limite até ao inaudível. O tempo e a contemplação rural, as raízes da música popular americana que alternam com a histeria e o excesso do rock, sempre numa perspectiva mundana, que por vezes lembra o som de amplificadores menores ou de slotmachines, são permissas importantes no seu cardápio de influências.

Confere Shelter e o video do tema realizado pela artista plástica Laetitia Morais e mantém-te na rota deste grupo porque, de acordo com a amostra, vem aí certamente um grande disco!


autor stipe07 às 15:45
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Noel Gallagher’s High Flying Birds – Chasing Yesterday

O britânico Noel Gallagher e os High Flying Birds regressaram aos discos em março com Chasing Yesterday, atráves da Sour Mage Records, o segundo trabalho de uma banda liderada por um músico que  terá escrito algumas das páginas mais significativas do livro das escrituras da britpop, não só nos Oasis, como noutros projetos em que se envolveu também como produtor.

Responsável, portanto, por algumas das marcas identitárias do indie rock que povoa o nosso subconsciente e que forjaram parte importante da história da música dos finais do século passado, o mais velho dos irmãos Gallagher assina em Chasing Yesterday pouco mais de uma dezena de novas canções que transportam consigo muita dessa herança, mas com um espírito renovado e mais contemporâneo.

Claramente feliz com a liberdade musical ilimitada que uma carreira a solo lhe permite, já que a componente High Flying Birds do projeto é apenas um elemento acessório e que se rege cegamente pelas orientações do líder, Noel Gallagher expôe o habitual modelo de canção assente na primazia das cordas das guitarras, no que concerne ao processo de condução melódica, estando reservada à percussão um papel mais acessório e secundário. Logo nas cordas de Riverman e, mais adiante, em The Dying Of The Light, é fácil recordarmos o hino Wonderwall e In The Heat Of The Moment tem aquela toada épica e gloriosa que os Oasis tanto gostavam de explorar e que o efeito mais contemporâneo do baixo atualiza com notável precisão, ficando, nestes dois temas bastante diferentes, o cone sonoro por onde circulará o restante alinhamento, que, como se vê, tem impressa uma marca identitária única e facilmente identificável. 

Ao longo do alinhamento, se os teclados retro de The Girl With X-Ray Eyes e o seu refrão apoteótico piscam o olho a uma certa lisergia pop, acontecendo o mesmo com os metais de The Right Stuff, já o rock psicadélico sujo e empoeirado de The Mexican, a espiral emotiva da grandiosa Lock All The Doors e a batida sintética e o jogo de guitarras de Ballad Of The Mighty I, trilham a paleta de cores caraterística do percurso do autor, com While The Song Remains The Same a ser um outro bom exemplo dessa fórmula, mas com as tais roupagens mais atuais e que piscam o olho a um público mais jovem. O próprio efeito inicial da guitarra que depois se transforma, quase por magia, num riff assombroso e inebriante em You Know We Can't Go Back mostra como Gallagher tem a noção que os seus ouvintes esperam de si música que possa ser cantada sem complicações desnecessárias e que ao vivo deve surpreender e encher espaços amplos e abertos.

Chasing Yesterday é um disco elegante, impecavelmente produzido e pronto para ser cantado por multidões que irão decorar estas letras até à exaustão, pensado, idealizado e tocado, quase na íntegra, por um dos melhores compositores, cantores e guitarristas das últimas duas décadas e ao qual o indie rock britânico tanto deve. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Chasing Yesterday

01. Riverman
02. In The Heat Of The Moment
03. The Girl With X-Ray Eyes
04. Lock All The Doors
05. The Dying Of The Light
06. The Right Stuff
07. While The Song Remains The Same
08. The Mexican
09. You Know We Can’t Go Back
10. Ballad Of The Mighty I
11. Do The Damage
12. Revolution Song
13. Freaky Teeth
14. In The Heat Of The Moment (Remix)
15. Leave My Guitar Alone


autor stipe07 às 15:45
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Quinta-feira, 23 de Abril de 2015

Paperhaus - Paperhaus

Oriundos de Washington, os norte americanos Paperhaus são Alex Tebeleff, Eduardo Rivera, Johnny Fantastic e Brandon Moses, uma banda de indie rock bastante seguida e apreciada no cenário alternativo local, até porque gerem um espaço de diversão noturna onde costumam decorrer concertos, com o mesmo nome da banda. Ainda no ano passado decorreu um festival de bandas nesse local chamado In It Together, dinamizado pelo grupo, mas depois foi tempo de se concentrarem na sua música. E esta música, imponente, visionária e empolgante, assenta no típico indie rock atmosférico, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do krautrock e do post punk a conferirem a estes Paperhaus uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum.

Cairo, o primeiro single divulgado de Paperhaus, o novo disco homónimo deste projeto, editado a dez de fevereiro último e produzido por Peter Larkin e onde também participam os músicos Tarek Mohamed, Alexia Gabriella, Ben Schurr e Dave Klinger, além dos elementos da banda, é um exemplo corrosivo, hipnótico e contundente da cartilha sonora que os Paperhaus guardam na sua bagagem, com a guitarra a assumir, desde logo, um amplo plano de destaque no processo de condução melódica, eficazmente acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria entusiasmante e luminosa. As mudanças de ritmo com que a mesma abastece Untitled e o modo como as quebras e mudanças de ritmo acompanham as variações que ela produz, ampliam a perceção fortemente experimental, numa canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Paperhaus conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.

Em temas como a intrigante Surrender ou o fuzz pop de So Slow, o som destes Paperhaus é encorpado, decidido, seguro e luminoso e surpreende o modo como transformam uma hipotética rispidez visceral em algo de extremamente sedutor e apelativo, com uma naturalidade e espontaneidade curiosas. Depois, escuta-se I'll Send It To You e percebe-se não só o modo como a voz de Tebeleff é um trunfo declarado dos Paperhaus por causa do modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína, mas também como determinados arranjos como aquele que, neste caso, é proporcionado pelo trompete, plasmam com precisão as virtudes técnicas do quarteto e o modo como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Mas mesmo quando se apresentam mais sombrios e introspetivos, nomeadamente em 432, esses conceitos não se desvanecem por completo, porque se é impossível ficar indiferente à emotividade que transborda do efeito da guitarra e da linha de violino que abastecem essa canção, também nos atinge no âmago de modo contundente o modo como o tema progride e a bateria a guitarra se expandem quase sem limites. Já Misery surpreende pelo minimalismo inicial algo boémio, como se a banda estivesse dominada por uma aúrea psicotrópica lisérgica que lhe tolheu os sentidos, para deixarem os instrumentos se expressarem livremente, de modo quase anárquico, até que na reta final, quando os Paperhaus se libertam e tomam de novo as rédeas e conta da canção, desenvolve-se uma verdadeira espiral de fuzz rock, rugoso, visceral e psicadélico, cheio de efeitos e flashes, numa ordenada onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock.

Há nestes Paperhaus uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos reavivando no ouvinte outros projetos que foram preponderantes nas últimas décadas do século passado e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabús ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Paperhaus produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:56
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Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

The Espionne – In Colour

Corre ou esconde-te, é este o aviso que recebemos no tema de abertura de In Colour, porque não há como escapar ileso à passagem pelos teus ouvidos destes The Espionne, uma banda natural de Lucerna, na Suiça, formada por Roger Schaffner, Jonas Walker, Manuel Mahler, Simon Hafner, Tino Schaffner e que se estreia nos discos com um trabalho disponivel para audição integral na página da banda e que encontra no indie rock orelhudo e festivo, mas também com alguns traços de melancolia, os traços identitários essenciais do edificio sonoro em que sustenta.

In Colour faz juz ao título do disco pois é abrangente a paleta instrumental e assertivo o modo como a mesma enche de cor e substância a música destes The Espionne, com as típicas caraterísticas do indie rock europeu, que dá bastante primazia a uma vertente mais pop e épica do que o usual. A já citada Run Or Hide e as mudanças de ritmo e de volume em Brick Wall plasmam logo quer a abrangência quer a heterogeneidade de um alinhamento onde cada tema tem traços próprios, que conseguem dar uma atmosfera diversificada ao álbum.

Não é usual encontrar uma banda estreante e com pouco tempo de estrada já com tanta carga emocional e com a maturidade musical que estes The Espionne revelam; O jogo que se estabelece entre a guitarra e o efeito sintetizado em Heavy Sand e o constante desfilar de um borbulhante efeito em Back On My Feet, por cima das cordas e de uma bateria ritmada, exalam uma delicadeza notável e uma sensibilidade incomum. E em temas como Out Of The Night ou Upper Class Hero, sendo mais introspetivos e profundos, é igualmente reconfortante conferiro o modo como é expressa uma melancolia doce e positiva, pelo que escutar sequencialmente In Colour acaba por ser uma experiência de contacto direto com uma narrativa principal definida, num álbum circular e onde cada canção se interliga com a seguinte. O modo como o grupo distribui os arranjos, ampliando os refrões e dando-lhes em quase todas as canções uma grandiosidade invulgar, faz com que o álbum nunca resvale para um clima perrigosamente sombrio, havendo arte no modo como é separada a melancolia da severidade, sendo a tristeza tratada de forma leve e elegante e na dose perfeita.

Não são muitas as bandas que conseguem à partida surpreender de modo tão imediato com um som tão acessível e maduro tocado com virtuosas guitarras que soam eufóricas ou tímidas, na medida certa e uma bateria que sabe como ser discreta enquanto conduz com fluidez temas plenos de arranjos sintetizados que nunca exageram nem desvirtuam o cariz indie rock pretendido. Todas as canções são singles em potência e a música destes The Espionne simplesmente flui, sem grandes segredos e complicações, num disco que vale a pena ouvir muitas vezes e aproveitar cada audição de forma diferente.

Até à fria mas acolhedora Steps In December, uma canção que exprime na perfeição as diferentes sensações climáticas e físicas que o rigor do mês referido geralmente contém, com as consequências positivas que também daí advêm para a nossa existência que procura momentos mais acolhedroes, quentes e reconfortantes nesse período temporal, estamos na presença de um disco que desperta múltiplas sensações e que demonstra que esta banda suiça já se sente bastante à vontade e confortável dentro da sonoridade criativa que pretende seguir. Espero que aprecies a sugestão...

The Espionne - In Colour

01. Run Or Hide
02. Brick Wall
03. Heavy Sand
04. Out Of The Night
05. Back On My Feet
06. Blurry Lines
07. Cecilia
08. Hello Dreams
09. Upper Class Hero
10. Kaleidoscope
11. Steps In December


autor stipe07 às 22:43
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Terça-feira, 21 de Abril de 2015

Unknown Mortal Orchestra - Can't Keep Checking My Phone

Os Unknown Mortal Orchestra vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. II, o segundo álbum da banda, viu a luz há cerca de dois anos e catapultou o projeto para o estrelato, ao reforçar de forma comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B.

No próximo dia vinte e seis de maio vai chegar aos escaparates Multi-Love, o novo disco dos Unknown Mortal Orchestra, um trabalho que verá a luz do dia por intermédio da Jagjaguwar e depois de ter sido conhecido o tema homónimo, chegou agora a vez de ser divulgado Can't Keep Checking My Phone, canção que contém a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, que além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica dos anos sessenta. Confere...


autor stipe07 às 17:26
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Segunda-feira, 20 de Abril de 2015

Cobalt Cranes – Days In The Sun

Editado em agosto de 2014 pela Lolipop Records, Days In The Sun é o último registo de originais dos Cobalt Cranes, uma banda norte americana oriunda da costa oeste e que tem no seu núcleo duro uma dupla formada por Kate Betuel e Tim Foley que, em apenas oito músicas e quase meia hora de audição, nos oferecem uma viagem lisérgica gratuita rumo à pop luminosa e psicadélica dos anos sessenta, aquela sonoridade tão solarenga como o estado norte americano de onde a banda é oriunda.

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte amricanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemprâneas, basta ouvir-se as cordas de Flowers On Your Grave ou o efeito da guitarra de In A Daze ou Dark Star para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Last Horizon ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos.

Esta sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os Cobalt Cranes são genuínos guardiões de um som que deve muito à composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, mas que hoje certamente dispensa tais extras, para replicar a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do baixo de Heavy Heart, assim como do experimentalismo instrumental num registo mais progressivo de Sun Down, que se aproxima do blues marcado pela guitarra em Fall In, além da percussão orgânica e de alguns ruídos e vozes de fundo que assentam muito bem na canção.

Cheio de canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante aos Cobalt Cranes a impressão firme da a sonoridade típica que também contém margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuram um sentimento identitário e de herança, Days In The Sun é mais um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Cobalt Cranes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

Cobalt Cranes - Days In The Sun

01. Flowers On Your Grave
02. In A Daze
03. Last Horizon
04. Dark Star
05. Fall In
06. Heavy Heart
07. Sundown
08. Sleepwalk

Website
[mp3 320kbps] ul ob zs uc


autor stipe07 às 19:36
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Domingo, 19 de Abril de 2015

Zero 7 – EP3

Depois do EP Simple Science, editado a dezoito de agosto do ano passado por intermédio da Make Records, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado EP3, que dá continuidade à filosofia que orientou EP1 (1999) e EP2 (2000), dois trabalhos lançados quando a dupla ainda estava vinculada a etiquetas menores.

Com a participações especiais de nomes como José González, Only Girl e o australiano Danny Pratt, EP3 contém quatro originais e uma remistura, composições que, de acordo com os Zero 7, foram sendo compostas ao longo do ano anterior e como não se incluiam no arquétipo sonoro de Simple Science, acabaram por ficar na gaveta à espera do melhor momento para verem a luz do dia. Como a banda achou que a sonoridade de 400 Blows tinha um certo paralelismo com uma cover que fizeram de The Colour Of Spring, um original de Mark Hollis, então estava encontrado o mote para este EP3.

E que sonoridade é esta que se interliga entre os diferentes temas deste novo capítulo discográfico dos Zero 7? Uma eletrónica sofisticada e ambiental, com um cariz quase minimal e cheia de detalhes preciosos, que dão às canções uma toada densa, mas bastante agradável. Das passagens de piano do primeiro tema, aos sons da natureza que se escutam em The Colour Of Spring, passando pela excelência das vozes de Pratt e de Only Girl e no modo como encaixam de modo fluente no conceito sonoro dos Zero 7, são vários os pontos de contacto entre as várias músicas. E depois há José González e a sua participação especial na enigmática e sombria Last Light, que oferece à dupla britânica uma performance vocal irreprensível numa canção de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à soul.

EP3 encerra com um belíssimo instrumental eletrónico, que se destaca pela percurssão orgânica ritmada, com as pistas de dança na mira, acoplada a detalhes sintéticos absolutamente deliciosos e que exalam aquele charme típico dos Zero 7, que dão à dupla aquele ambiente fashion que sempre os caraterizou.

Disponível no formato físico vinil e em formato digital, EP3 é um extraordinário momento de puro relaxamento e de contemplação sonora que nos permite embarcar numa curta mas profunda viagem ao universo musical típico dos Zero 7 e do seu cardápio sonoro. Em EP3 tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e conseguido, alicderçado em criações sonoras versáteis e que resultam de uma fórmula legítima e louvável de uma dupla que está sempre aberta a encontrar um sopro de renovação. Espero que aprecies a sugestão...

Zero 7 - EP3

01. 400 Blows
02. The Colour Of Spring
03. Last Light (Feat. José Gonzalez)
04. Crush Tape
05. 400 Blows (John Wizards Remix)


autor stipe07 às 18:14
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Sábado, 18 de Abril de 2015

Afonso Pais - Terra Concreta

Afonso Pais, nascido em Lisboa em 1979, tem formação em piano e bateria, mas escolheu a guitarra, intensificando os estudos na escola de jazz do Hot Clube de Portugal e na New School University, nos Estados Unidos. Gravado em estúdios de gravação ao ar livre, em Parques Naturais nacionais e no Vale de Darnum, na ilha do Borneu, com a captação de instantes sonoros únicos e, por isso, irrepetíveis, Terra Concreta é a nova menina dos olhos deste músico, um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, nascido com o propósito firme de transportar o ouvinte para esses locais e de levar a música de regresso às suas origens, sendo a natureza fonte de inspiração e, simultaneamente, protagonista, dividindo esse papel com a viola e com as vozes de Albert Sanz, Luísa Sobral, Beatriz Nunes, Joana Espadinha, Rita Martins e João Firmino, além do próprio Afonso.

Capaz de colocar o ouvinte no meio da natureza, contemplando-a usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, Terra Concreta é, na minha opinião, um compêndio de música com cheiros e cores muito próprios. Ponto simultâneo de partida e chegada, sempre, mas nunca de passagem, o disco permite-nos contactar com instantes de manifestação musical espontâneos, que exalam a profunda delicadeza e sensibilidade do autor e o modo tremendamente eficaz como ele transporta essas duas facetas intrínsecas à sua capacidade criativa para a música que produz, com a felicidade de também nos mostrar, à sua maneira, locais naturais no seu estado mais puro, consciencializando-nos para a presrvação dos mesmos, quase sem darmos por isso.

A natureza acaba por se tornar grata a Afonso, já que se revela esplendorosa e bastante participativa ao longo do diso, revelando uma generosidade heróica através de instantes lindíssimos, não só audíveis no chilrear de algumas aves, mas também nos sons que o movimento do ar, feito vento, consegue criar e que o excelente trabalho de gravação e produção captou. São instantes sonoros naturais subtis, alguns audíveis de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, percebendo-se que a sonoridade geral de Terra Concreta exala uma sensação vincadamente experimental.

Escutar Terra Concreta é, sem dúvida, um exercício muito agradável e reconfortante, mas também intrigante e melancólico. Este é um documento que não tem apenas as cordas como protagonistas maiores do processo melódico, já que a própria natureza e o chilrear constante das aves são, realmente, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem.

Terra Concreta sucede a Onde mora o mundo, disco que Afonso Pais editou com JP Simões, em 2011. Da discografia do músico fazem parte ainda Terranova (2004), Subsequências (2008) e participações em álbuns de Paula Sousa, Joana Machado ou Paulo Bandeira. Confere abaixo a entrevista que gentilmente o autor concedeu ao blogue e espero que aprecies a sugestão...

Gravado em estúdios de gravação ao ar livre, em Parques Naturais nacionais e no Vale de Darnum, na ilha do Borneu, com a captação de instantes sonoros únicos e, por isso, irrepetíveis, Terra Concreta é um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, capaz de colocar o ouvinte no meio da natureza, contemplando-a usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião música com cheiros e cores muito próprios. Como surgiu a ideia de gravar um disco assim?

Surgiu da regularidade com que visito zonas naturais remotas, sempre acompanhado do meu instrumento musical, a guitarra. Em determinado momento quis experimentar registar o momento natural combinado com a inspiração que dele advém, ao tocar e criar trechos musicais associados ao meio envolvente. Adorei o resultado, e a forma como a música progride de forma diferente neste enquadramento.

De acordo com o press release do álbum, Terra Concreta foi feito sem geradores, só com instrumentos acústicos e com a textura irrepetível dos sons naturais como mote. O registo em disco representa cerca de um ano de incursões no campo, resultando na selecção de temas que melhor representa o momento espontâneo e consequente do meio-envolvente. Logisticamente como foi gravar um disco assim? Como se consegue levar um estúdio “lá para fora”?

Há já muitos anos que se fazem documentários de vida selvagem, como aqueles que vemos na televisão, onde parece que tudo acontece de forma fácil e coordenada, e o meio natural se revela exposto e solícito. Na verdade, esta ilusão de fluxo resulta de horas e horas, meses e meses de tentativas e erros… No contexto do "Terra Concreta", usei um gravador de alta fidelidade daqueles que registam sons nesses documentários mais celebrados, e gravei um ano de incursões musicais nas zonas mais remotas das nossas reservas naturais, das quais escolhi apenas o material que representa absolutamente a melhor combinação entre o meio-envolvente e a prestação musical.

Pessoalmente, penso que Terra Concreta tem tudo o que é necessário para, finalmente, o Afonso Pais ter o reconhecimento público que merece. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu novo fôlego no teu projeto a solo?

Não sinto que haja uma falta de reconhecimento, mas sim barreiras e obstáculos inventados por uma indústria musical permeável ao consensual e dependente das vendas quase imediatas, bastante alheada do propósito cultural que todos partilhamos; sem mesmo atender ao facto de que os movimentos culturais são cada vez mais gerados à sua margem (indústria e "mainstream" artístico), mas sim dinamizados por pequenas comunidades artísticas de tendências convergentes. Se algum projecto meu no qual acredito, como é o caso de "Terra Concreta", for exposto aos ouvintes, conto que a entrega e adesão se baseie só na simples premissa: gosto ou não gosto.

Ouvir Terra Concreta foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante, melancólico, é realmente um documento que não tem apenas as cordas como protagonistas maiores do processo melódico e a própria natureza e o chilrear constante das aves são, realmente, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem. Esta supremacia do natural corresponde ao que pretendeste transmitir sonoramente neste projeto?

A supremacia do natural a que se refere é também a supremacia do manancial humano de inspiração, no sentido de levar a cabo as suas tarefas de auto-superação, que nos trouxeram enquanto espécie à descoberta das leis da física, do lazer, da genética, e da confiança na infinitude da criatividade que caracteriza Hermeto Pascoal, Salvador Dali ou Fernando Pessoa, nas artes. Só espero não estagnar na minha procura, audácia à parte, no sentido de viabilizar tudo o que justifique uma procura por um elo inabalável com algo que nos sustenta: a natureza tem esse papel para mim, dia após dia, apenas lhe prestei a homenagem que esteve ao meu alcance, com a noção de que a qualidade supera o desejo de concretização.

Não só no conceito que pretendeu, pelos vistos, captar sons no momento e, por isso irrepetíveis, mas também na materialização, onde não faltam instantes sonoros naturais subtis, alguns audíveis de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, percebe-se que a sonoridade geral de Terra Concreta exala uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental. Houve, desde o início do processo de gravação, uma rigidez no que concerne às opções que estavam definidas, nomeadamente o tipo de sons a captar e a misturar com as cordas e as vozes, ou durante o processo houve abertura para modelar ideias à medida que o barro se foi moldando?

Um pouco dos dois. Por cada faixa escolhida para o disco houve talvez dez faixas gravadas, em média. Desejei que a qualidade final de execução, interpretação e improviso (quando aplicável) não fossem vitimas de uma escolha que pudesse por em causa o propósito do disco: fundir e homogeneizar a música e o meio natural. E assim aconteceu, houve para cada canção pelo menos um "take" que tornou possível a inclusão da canção correspondente no disco. 

Relativamente às vozes, Terra Concreta conta com as participações especiais de Albert Sanz, Luísa Sobral, Beatriz Nunes, Joana Espadinha, Rita Martins e João Firmino. Foram escolhas pessoais tuas desde o início e as primeiras, ou após teres a parte instrumental dos temas pronta, estudaste as melhores opções?

Houve um processo de selecção a três variáveis, no qual decidi combinando as três:

1 - O local adequado para a gravação.

2- A pessoa que quis convidar para esse lugar

3 - A canção que compus pensando na pessoa que quis convidar cantando no lugar designado.

Além de ter apreciado a riqueza sonora natural, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

No efeito que algum lugar verdadeiramente natural exerce em nós e na nossa condição humana enquanto seres singulares, e no desejo de que a originalidade seja um desígnio a nós  predestinado, consequente da nossa proveniência natural, e passível de ser descoberto e potenciado pela nossa curiosidade. A profundidade com que nos relacionamos com as nossas origens não tem fundo.

Adoro a canção Desaire. O Afonso tem um tema preferido em Terra Concreta?

Obrigado. Tenho de dizer que a sucessão de temas e sons naturais presente na colecção de temas do disco perfaz a estória. Quis porém que cada pessoa ou potencial ouvinte pudesse entrar no universo de cada canção, de forma a nomear a sua favorita. Como foram gravadas em espaços diferentes, com instrumentações distintas e sons naturais tão distintos, coube a cada composição o seu lugar na minha estima, mas só a sua sucessão conta a viagem que pretendo apresentar.

Em relação ao futuro, após Terra Concreta, já está definido o próximo passo na tua carreira?

Gravei já outro repertório, de volta aos estúdios, mas quero dizer que "Terra Concreta" é um trabalho discográfico que não se esgota nas canções que o conduzem nem se revê na venda desenfreada de actuações e CD´s. "Terra Concreta" é um cartão de visita, uma forma de expor a música e criatividade a novas premissas, um registo "on-going", que vou querer continuar sob a forma de novas intervenções na natureza que disponibilizarei on-line ao longo de futuros trabalhos discográficos e do meu percurso, dos quais este CD é um primeiro marco e representação física de viabilidade e bom presságio.

Agradeço a entrevista, foi sem dúvida a mais desafiante de todas, e por isso agradeço.


autor stipe07 às 22:09
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Wild Beasts – Woebegone Wanderers II

O quarteto britânico Wild Beasts regressou em 2014 aos discos com o excelente Present Tense e, quase no ocaso desse ano, revelou um single com dois temas, que resultaram de uma parceria com um ilustrador francês, natural de Paris, chamado Mattis Dovier. Juntos criaram uma história interativa, da qual faziam parte os dois lados do single, Soft Future, o primeiro tema instrumental do cardápio sonoro da banda e Blood Knowledge.

Agora, alguns meses depois, o produtor John Hopkins divulgou na rádio inglesa BBC uma nova canção intitulada Woebegone Wanderers II. Este II no título implica que será uma sequência da canção com o mesmo nome lançada no disco Limbo, Panto, de 2008 e continua a mostrar uns Wild Beasts apostados em mergulhar num universo que abrange alguns elementos específicos das novas propostas que vão surgindo no campo da dream pop. Confere...

Wild Beasts - Woebegone Wanderers II


autor stipe07 às 21:34
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