Sábado, 22 de Novembro de 2014

Mozes And The Firstborn - Mozes And The Firstborn

Numa esplendorosa embalagem de discos que me chegou hoje à redação, enviada pelo simpático pessoal da Siluh Records e que inclui rodelas de nomes tão fantásticos como os Dust Covered Carpet, Mile Me Deaf, M185, Francis International Airport ou Scarlet Chives, entre outros, começo por destacar o disco de estreia de uma banda holandesa chamada Mozes And the Firstborn. Foi entre Eindhoven e Antuérpia que nasceram em 2010 os Mozes And The Firstborn e o disco homónimo que vos sugiro foi lançado em feveriero deste ano. A edição está disponivel no bandcamp, com a possibilidade de doares um valor pela mesma ou de a obteres gratuitamente. O lançamento do álbum tinha sido antecedido de um ep intitulado I Got Skills, o mesmo nome do principal single do disco, trabalho esse também disponível para download gratuito no bandcamp deste grupo formado por Raven Aartsen, Corto Blommaert, Melle Dielesen e Ernst-Jan van Doorn.

Os Mozes And The Firstborn estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que se possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista, na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos europeus que melhor o replica, assim como o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Nesta estreia bastante feliz, estes quatro holandeses convidam-nos a embarcar numa viagem aos período aúreo do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar Bloodsucker e seguimos a caminho da praia ao som dos Mozes And The Firstborn e de volta ao surf rock luminoso dos anos sessenta, aquele rock solarengo que nos impressiona com a contemporaneidade vintage nada contraditória, que se sente depois nos acordes sujos de What's Wrong Momma e no groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre o tal single I Got Skills e Peter Jr., dois dos melhores temas do disco.

Uma das composições mais curiosas de Mozes And The Firstborn é Seasons, uma canção que inicia com um teclado, ao qual se junta depois uma guitarra que repete uma distorção hipnótica contínua, exemplarmente acompanhada pela bateria, a fazer recordar alguns dos melhores momentos do período aúreo dos britânicos Kasabian. Depois, Time's A Headache e Heaven são rock sujo e cru, com um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela pujança das guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem nas canções. Skinny Girl obedece integralmente à toada surf revivalista e plena de luz, uma canção com uma sonoridade simultaneamente grandiosa e controlada. Já as cordas de Gimme Some e o efeito que as acompanham, assim como a percussão groove do tema, sustentam uma das mais belas melodias de um disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Down With The Band, uma das peças mais psicadélicas e com um jogo de vozes inédito.

Disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical carregada de emoção, cor e rebeldia, Mozes And The Firstborn garante a esta banda holandesa a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações. Há neste carápio sonoro uma intemporalidade que se expressa na forma como o quarteto plasma com elevada dose de criatividade o que de melhor recria atualmente o vintage, mas também no esforço evidente como expressam uma demanda por algo genuíno e que depois sirva de modelo e de referencial sonoro.

Em suma, Mozes And The Firstborn é, como de algum modo já referi, coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta e é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, plasmado na soma do seu alinhamento, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com visões de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:54
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CITYSPARK - Sun Will Shine

Cityspark.jpg

Formados a 1 de Dezembro de 2008 entre Castelo de Paiva e Cinfães, os CITYSPARK abraçaram, de acordo com a banda, o desafio a novas sonoridades que passam pelo rock, a pop e o indie. Começaram por gravar, em 2009, o EP Made In Cityspark e um ano depois regressaram ao estúdio para gravar um novo tema intitulado Butterfly.

Agora, alguns anos depois e após muitas dores de cabeça de persistência, de concertos realizados mas acima de tudo muita vontade de cumprir um dever realizado, vai chegar aos escaparates Violet, o primeiro longa duração da banda.

Violet foi gravado nos estúdios Replay Studios, produzido por Mário de Sá e a própria banda e tem previsto o lançamento para treze de dezembro, altura em que haverá também, em Castelo de Paiva, um concerto de apresentação, que contará com a presença de diversos convidados especiais.

O primeiro single retirado de Violet chama-se Sun Will Shine e o vídeo da canção já pode ser visto e partilhado por todos no You Tube e Facebook da banda. A canção impressiona pelo pendor rock, festivo e solarengo, mas onde a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona pelo charme vintage. O resultado final é uma belíssima composição envolvida numa psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial. Confere...

 


autor stipe07 às 14:19
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Nothing – Guilty Of Everything

Editado a quatro de março pela Relapse Records, uma editora importante para várias bandas que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e já com um catálogo bastante interessante, Guilty of Everything é o trabalho de estreia dos Nothing, uma banda de Filadélfia, que logo em Hymn To The Pillory, o primeiro tema deste disco, clarifica que deambula entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral.

Guilty Of Everything é o culminar de dois anos de intensa atividade do coletivo, que durante este período andou em digressão pela América do Norte, impressionando audiências com um som cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line. Produzido por Jeff Zeigler, um profissional de nomeada que já trabalhou com Kurt Vile e os War On Drugs, entre outros, Guilty Of Everything traz até nós o melhor da herança do rock alternativo de finais do século passado, suportada por  nomes tão fundamentais como os My Bloody Valentine ou os Smashing Pumpkins, só para citar algumas das influências mais declaradas do grupo.

Instrumentalmente muito rico, apesar da primazia das guitarras, este disco também conta com algumas sintetizações que conferem ao som dos Nothing uma toada muito rica e luminosa e um travo pop que ajuda a amenizar o cariz mais sombrio do rock que replicam e que em Bent Nail pisca o olho ao grunge e em Dig chega ao metal.

A voz é um dos detalhes mais assertivos do disco; Ela sopra na nossa mente e envolve-nos com uma toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando, apesar do ruido sombrio das guitarras, um cocktail delicioso de boas sensações. Geralmente em reverb, numa postura claramente lo fi, ela é uma consequência lógica das opções sonoras do grupo e um elemento importante para criar o ambiente soturno e melancólico pretendido. Na já citada Dig acaba por carregar toda a compoente nostálgica com que os Nothing pretendem impregnar o seu ADN e no restante alinhamento nunca deixa de ser um fator decisivo para que se instale um certo charme vintage que busca o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o indie rock com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com os punhos cerrados e a apelar ao nosso lado mais selvagem e cru. Em Get Well a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Nothing conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram. Esta canção, conduzida por um baixo vibrante e uma guitarra carregada de fuzz e distorção, é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia.

Percebe-se que os Nothing têm no tal ADN bem vincada a vontade de experimentar e Guilty Of Everything, apesar da escuridão introspetiva que contém, respira por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Canções como Sumersault ou Beat Around The Bush transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como nos forçar ao isolamento de forma direta, pura e bastante original. Este disco não é para ser escutado com um grupo de amigos num momento de diversão, mas solitariamente e num momento de recolhimento pessoal.

Logo na estreia os Nothing parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Guilty Of Everything é um trabalho que de algum modo impressiona pelo bom gosto com que se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador, de cerca de quarenta minutos de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Nothing são, por isso, um nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Nothing - Guilty Of Everything

01. Hymn To The Pillory
02. Dig
03. Bent Nail
04. Endlessly
05. Somersault
06. Get Well
07. Beat Around The Bush
08. B&E
09. Guilty Of Everything


autor stipe07 às 21:37
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Ghastly Menace - Closing

Ghastly Menace - "Closing" (Stereogum Premiere)

Formados por Andy Schroeder (voz, bateria, teclado e guitarra), Chris Geick (voz, samples e sintetizador), Kody Nixon (baixo), Michael Heringhaus (guitarra e teclados) e Clint Weber (bateria), os norte americanos Ghastly Menace pretendem conquistar o universo sonoro alternativo com um indie rock orquestral, feito de uma dose extra de guitarras e versos simultaneamente épicos e acessíveis, com o acrescento de arranjos onde contrastam elementos acústicos e elétricos e que deitam por terra qualquer sintoma de monotonia e repetição ao longo da audição.

O disco de estreia deste coletivo de Chicago irá chegar aos escaparates no início do próximo ano através da etiqueta The Record Machine e Closing é o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção sobre aquilo que se sente quando há uma decisão a tomar e, apesar de muitas vezes haver um caminho óbvio, há sempre outras opções que podem ser ponderadas. Confere...

 


autor stipe07 às 13:33
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Little Arrow - Furious Finite

Formados por William Hughes, Dan Messore, Ben Sharpe, Callum Duggan e Rich Chitty, os galeses Little Arrow apresentaram ao mundo a sua folk de forte cariz etéreo e melancólico em 2011 com Mask and Poems, tendo o segundo disco, Wild Wishes, visto a luz do dias dois anos depois. Agora, quase no ocaso de 2014, regressam à carga com Furious Finite, mais uma coleção de canções que misturam o épico com o contemplativo e que parecem tão naturais e espontâneas como a enorme beleza da região de onde provêm e que os inspira, situada na extremidade noroeste das ilhas britânicas.

Conhecido há algumas semanas, o single Medicine Moon já apontava para o caminho certo de consolidação da sonoridade intrínseca desta banda. Essa canção é um exemplo feliz da capacidade dos Little Arrow em estabelecer uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, através de melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos clássicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, amiúde dominados pelos instrumentos de sopro, samples, teclados e uma percurssão, elementos que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Assim que o disco começa somos rapidamente absorvidos pelo mundo caleidoscópico dos Little Arrow, um universo cheio de cores e sons que nos causam espanto, devido à impressionante quantidade de detalhes que o quinteto coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco.

Após o single, a mais introspetiva e pastoral Pier Maountain é uma verdadeira tela sonora, com a textura barroca da harpa, a serenidade contemplativa da guitarra e a doce opulência do trompete a darem as mãos para mostrar um emaranhado de referências que têm como elemento agregador a busca de um clima sonoro com uma elevado cariz ambiental, mas que não deixa de ser acolhedor, animado e otimista. A percurssão de Loss Um, o sample inicial de Diamond Shy e a vila acústica que se segue, assim como  o conjunto de sons e incontáveis referências e detalhes que borbulham enquanto estes temas se desenvolve e crescem, são mais duas janelas que os Little Arrow nos abrem para contemplarmos canções recheadas de versos intrigantes, instigadores e particularmente melódicos. Depois, há ainda Ha Ha Happiness, uma canção com uma energia contagiante e diferente das restantes, com um espírito mais rock e que demonstra a tal versatilidade que os Little Arrow demonstram possuir e Flat Earth, War Drones e Holding & Knowing, três temas que plasmam a enorme capacidade que este coletivo possui para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas.

Domina Furious Finite um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, como ilustra a capa de um disco que sugere que encontremos no seu interior uma harmoniosa fonte de conhecimento e inspiração musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje. Ao encararmos o seu conteúdo com particular devoção, percebemos que essa suposição inicial terá alguma razão de ser já que o mesmo é a expressão prática de uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Espero que aprecies a sugestão...

 01. Government Bodies

02. Medicine Moon
03. Pier Mountain
04. Lossum
05. Diamond Shy
06. Flat Earth
07. War Drones
08. Holding & Knowing
09. Ha Ha Happiness
10. Spider
11. Hedgerow

 


autor stipe07 às 18:02
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Archive - Black And Blue

Os Archive de Darius Keelers e Dan Griffiths e aos quais se juntam neste momento Pollard Berrier, Rosko John, Dave Pen, Maria Q, Smiley, Steve Harris, Steve Davis, Jonathan Noyce, Holly Martin e Mickey Hurcombe, são um dos nomes essenciais do trip-hop que começou a fazer escola na década de noventa no Reino unido e já andam por cá desde 1996. Entre Londres e Paris, foram responsáveis por alguns dos mais marcantes discos do panorama alternativo dos últimos vinte anos, com destaque para Londinium  (1996), Take My Head (1999) e Noise (2004), entre tantos outros. Um dos últimos registos de originais do projeto tinha sido With Us Until You're Dead, um trabalho editado em 2012 e do qual dei conta na altura, mas ainda há poucos meses, mais concretamente a vinte e seis de maio, lançaram um outro trabalho in intitulado Axiom.

Agora, cerca de meio ano depois, já há sucessor anunciado; Disponibilizado gratuitamente no soundcloud oficial do coletivo, Black and Blue é um dos três primeiros avanços já divulgados para Restriction, o décimo álbum da carreira dos Archive, que irá ver a luz do dia a doze de janeiro de 2015, através da PIAS Recordings. A canção, uma das doze do alinhamento de Restriction, é um registo quase à capella, com a voz a ser acompanhada por um orgão e um efeito de uma guitarra que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia.

Além do vídeo de Black and Blue, é possivel tambem visualizar na página oficial da banda os filmes de Kid Corner e Feel It, os dois outros avanços de Restriction já divulgados. Confere...


autor stipe07 às 13:26
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Sequin - Flamingo

Editado no passado mês de abril, Penelope é o mais recente registo de originais de Sequin, segundo a própria apenas uma parte daquilo que Ana faz na música, a Ana Miró habitual cúmplice do projeto JIBÒIA e dona de uma das vozes mais bonitas do universo musical português. Penelope foi produzido por Moullinex e contém dez canções que refrescam imenso o universo eletropop nacional e que plasmam a enorme capacidade e o imenso talento de Sequin para compôr e cantar.

Na entrevista que Sequin concedeu a Man On The Moon, na altura do lançamento do disco, a autora confessou que Penelope é um trabalho muito pessoal e que marca uma fase da sua vida onde se dá uma passagem de um momento mais negro de estagnação criativa e emocional para um momento mais luminoso de libertação e concretização pessoal. Flamingo, o novo single retirado de Penelope, retrata fielmente esta transição, com o próprio press release do lançamento do tema a ser feliz quando constata que as canções de Sequin são verdadeiras bolas de espelho, bem a condizer com o ambiente nocturno e dançável dos seus temas.

Flamingo é já o terceiro single extraído de Penelope e o vídeo foi realizado por Pedro Pinto e co-produzido pelo próprio e por Ana Miró. já agora, Sequin vai estar este fim-de-semana em concertos, amanhã no Cellos Rock, em Barcelos e sábado noTexas Bar, em Leiria. Confere...


autor stipe07 às 13:22
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

To The Wedding - Silver Currents

Silver Currents é o trabalho de estreia do projeto To The Wedding, encabeçado por Lauren Grubb, um multi-instrumentista norte americano, natural de São Francisco, na Califórnia e que já tinha em 2010 editado um EP intitulado Taken, disponível no bandcamp, assim como este seu disco de estreia.

Com todas as canções a serem escritas e interpretadas por Lauren Grubb, houve, no entanto, algumas participações especiais no disco que importa salientar, nomeadamente Evan Orfanos, que tocou baixo em Set Fire e Time Pilot, Neil Gong, que pegou na guitarra em Come On e Martin Newman, que tocou esse instrumento em Set Fire e Time Pilot, ele que é presença assídua neste blogue, não só por causa dos Plumerai, mas também, mais recentemente, devido aos DRLNG.

As cinco canções de Silver Currents estão afogadas numa encantadora melancolia, com Come On desde logo a deixar-nos o convite para embarcarmos numa pequena viagem, confortavelmente instalados numa nuvem de algodão quente e fofa, enquanto sobrevoamos um trabalho capaz de resgatar o lado mais pueril e introspetivo dos nossos pensamentos. Essa canção assenta numa melodia feita com um efeito de guitarra que recuou no tempo uns trinta anos e ao qual vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo uma bateria suave, mas que impõe o ritmo adequado para que a descolagem ocorra sem sobressaltos. Em Silver Currents, o tema homónimo, os Mojave 3 são de imediato chamados à linha da frente das influências, não só no falsete em eco do registo vocal delicado, como no efeito da guitarra que vai pairando ao longo da canção, enquanto uma viola espreita o momento certo para ganhar um protagonismo, que acontece com a chegada da bateria, que conduz o resto da canção através de uma pop com traços de shoegaze e uma certa psicadelia.

Nos temas iniciais do disco percebe-se que há uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica, com o restante cardápio instrumental assertivo a fundamentar-se na relação progressiva que o baixo e a bateria constroem, dois excelentes tónicos para  potenciar a capacidade de Lauren em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. Essa viola acústica acaba por ter o merecido momento de protagonismo e fulgor na lindíssima Set Fire, uma canção que espreita perigosamente a fronteira do rock progressivo, porque contém os riffs mais assertivos e ruidosos que as guitarras tocam no alinhamento, mas que não sobreviveria sem a delicadeza das cordas que conduzem o edifício melódico. Este tema é um dos meus destaques deste trabalho, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos do melhor rock psicadélico.

Silver Currents chega ao ocaso com o baixo pulsante de Time Pilot e com a voz de Lauren a atingir um nível de delicadeza tal que quase se consegue vê-lo a planar diante de nós, enquanto, confortavelmente instalados na nuvem que nos coloca na primeira fila dos nossos desejos mais profundos, nos deixamos envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica da sua interpretaçao, que nos embala e seduz implacavelmente.

Silver Currents é uma coleção de excelentes composições que, quase sem se dar por isso, apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura de Lauren é um trunfo explorado positivamente e ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas conjugadas com efeitos sonoros que na instrumental 86velocity parecem de outro mundo, têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada à mensagem das canções. Ouvir este disco é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções reproduzidas por um músico que sabe como criar paisagens sonoras que transparecem calma e serenidade, de forma pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Come On

Silver Currents

86velocity

Set Fire

Time Pilot

 

 


autor stipe07 às 20:42
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Noiserv - Everything should be perfect even if no one's there

Quase dez anos depois do primeiro concerto em Março de 2005, noiserv acaba de editar Everything should be perfect even if no one's there, o seu primeiro DVD, que acaba por ser uma excelente forma de assistirmos no conforto do nosso lar a um concerto de um dos músicos fundamentais do universo musical nacional. Com um alinhamento de nove canções, onde se escutam vinte e quatro instrumentos tocados por apenas um músico em palco, noiserv pretende comunicar conosco de um modo próximo, expondo sem receios toda a energia e emoção que coloca nos seus espetáculos, ao mesmo tempo que nos questiona sobre aquilo que nos move e faz procurar a perfeição.

Produzido pelo CANAL180 e também possível devido a uma parceria com a Filmesdamente e o Município de Ponte de Lima, o concerto documentado neste DVD foi filmado em março no lindíssimo Teatro Diogo Bernardes, em Ponte de Lima e regista fielmente o ambiente intimista e caloroso dos concertos da digressão de Almost Visible Orchestra e nos quais noiserv revisitou também algumas das músicas mais conhecidas dos discos anteriores.

 It's easy to be a marathoner even if you are a carpenter foi a canção escolhida para single deste registo ao vivo, gravado com seis câmaras e que foi ao encontro da vontade de noiserv em ter as pessoas mais perto num concerto, tentar encurtar a distância que existe sempre num auditório e registar todos os momentos importantes na sua forma de tocar estas músicas ao vivo.

Como extra, o DVD tem ainda o filme 53 minutes and a few seconds, que regista o processo de montagem de um concerto de noiserv. Dá uma vista de olhos ao sugestivo trailer de Everything should be perfect even if no one's there, adquire o DVD e no final confere a entrevista que o músico me concedeu a propósito deste lançamento fantástico!

 

Na entrevista que me concedeste na altura do lançamento de Almost Visible Orchestra, confessaste que não gostavas de criar expetativas, mas que desejavas muito que as músicas deste disco pudessem fazer parte da vida de algumas pessoas. Mais de um ano e vários concertos depois, estás feliz com tudo aquilo que Almost Visible Orchestra ofereceu à tua vida e à tua carreira e o sucesso do mesmo faz-te sentires realizado?

Sinto-me 100% realizado com este disco, é bom sentir, que mais de um ano depois, quando oiço o disco ainda sinto que não mudava nada, que é assim que faz sentido! Por outro lado o feedback das pessoas tem sido excecional, e se no fundo é para elas que as músicas existem, acho que era impossível ter corrido melhor.

Como acabou por surgir a ideia de editar um dos concertos da digressão de Almost Visible Orchestra em DVD? Foi algo espontâneo, ou já havia a vontade de um dia fazer algo do género?

Sempre tive a vontade de um dia ter um registo ao vivo das minhas canções, e senti que era agora ao fim de 3 discos a altura certa.

Houve algum cuidado especial em termos de produção nesse concerto em Ponte De Lima, ou quem assistiu a espetáculos teus, da mesma digressão, em salas semelhantes, sonoramente não irá notar a diferença?

Os concertos nunca são iguais, e dentro daquilo que os diferencia este é diferente de todos os outros.

Já agora, a que se deveu a escolha do Teatro Diogo Bernardes em Ponte de Lima? As caraterísticas da sala pesaram na escolha, ou teve a ver com questões de promoção, nomeadamente o apoio da Câmara Municipal desse Concelho?

A escolha deste teatro deveu-se exclusivamente ao facto de ser para mim uma das salas mais bonitas que temos no País e eu achar que era aí que fazia sentido. Felizmente tive um grande apoio do Municipio o que logisticamente foi muito importante.

Nesse concerto tocas nove músicas, rodeado por vinte e quatro instrumentos, qual one man show. Acredito que já te tenham feito esta pergunta várias vezes, mas não resisto… Como consegues ter controlo absoluto sobre toda a situação e qual foi a fonte da criatividade onde bebeste para conseguires oferecer algo tão bonito e sonoramente tão diversificado e abrangente sozinho?

Conseguir ter controlo sobre tudo, vem de muitos ensaios e de tocar muitas vezes. A fonte de criatividade é uma resposta dificil, as coisas não surgiram de uma só vez, foi algo que foi crescendo ao longo dos tempos, fruto de muita dedicação e vontade, julgo eu.

Desses vinte e quatro instrumentos há assim algum mais curioso, ou que tenha uma história especial que queiras partilhar connosco?

Eu acho que todos eles são especiais, principalmente porque foram todos comprados em locais e alturas diferentes. Tenho por exemplo um pianinho vermelho, muito pequeno, que comprei a um senhor de idade nas ruas de Berlim, quando há uns anos lá fui tocar.

O DVD chama-se Everything should be perfect even if no one's there. Além de ser um título em tudo semelhante ao conceito do nome das canções do disco, há alguma explicação lógica para o mesmo?

Há uma explicação muito forte que se percebe depois de ver o DVD :P, mas não vou revelar para não tirar a surpresa :)!

Ainda sobre o título, procuraste sempre a perfeição nos teus concertos nesta digressão, mais em termos de replicares com exatidão as canções conforme se escutam na versão de estúdio, ou fazê-lo obedecendo ao que idealizaste quando as imaginaste tocadas ao vivo? Em suma, houve momentos em que sentiste necessidade de improvisar no momento, mesmo que o público não tenha notado, ou correu tudo de acordo com o plano pré-estabelecido?

Quando falo em perfeição, é mais na dedicação que quero sempre ter em cada música, posso improvisar um instrumento, ou mudar algo no momento, agora o que procuro sempre que seja perfeito, é a minha dedicação total a quem se deslocou para ir ver um concerto meu.

Admiro a necessidade que sentes de ter o público próximo de ti, o modo como te expões, o grau de proximidade e até o carinho com que nos tratas, não só nos concertos, como nas redes sociais ou diariamente, quando és reconhecido. Como tem sido lidar com a exposição que Almost Visible Orchestra te proporcionou, apesar de já seres, anteriormente, um músico conhecido e reconhecido?

Eu acho que serei eternamente agradecido a todos aqueles que por gostarem do que eu faço, me deixam continuar a fazê-lo. Por isso, dentro de certos limites, acho que as pessoas merecem o carinho que tenho por todas elas, porque na realidade é o que sinto, um enorme agradecimento.

E sucessor? Há planos para voltar ao estúdio? E quanto a isso, volto a encerrar esta entrevista com a mesma questão da anterior… O que te move é apenas o acústico e o experimental ou gostarias no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico de Noiserv?

O sucessor...pergunta dificil :P! Haverá certamente um sucessor, mas ainda não consigo ter uma previsão, por enquanto vou deixando apenas que as ideias comecem a surgir. O que podemos esperar, nem eu sei bem, só o tempo o dirá, também a mim.


autor stipe07 às 13:16
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

The Growlers – Chinese Fountain

Os The Growlers são uma banda norte americana de Costa Mesa, na Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra) e que descobri já em 2012 por causa de Hung At Heart, o terceiro álbum da discografia do grupo, um disco gravado em Nashville, editado em novembro desse ano através da Everloving Records e que foi produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. Um ano após esse registo, disponibilizaram Guilded Pleasures e agora, novamente com uma cadência quase anual, os The Growlers regressam às edições com Chinese Fountain, um trabalho editado no passado dia três de setembro e disponivel na plataforma bandcamp.

Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles focam-se no rock de garagem e no blues como pedras de toque e adicionam uma toada lo fi, que lhes dá um certo charme e uma personalidade ímpar, devido a alguns arranjos inéditos e uma guitarra que, não raras vezes, se aproxima perigosamente da psicadelia.

Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e obedece claramente a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria, até porque há uma elevada sensação de espontaneidade na maioria deste alinhamento de onze canções, onde não faltam ecos crescentes e explosões percurssivas, como se tivesse sido composto para ser escutado por amigos. Espero que aprecies a sugestão..

The Growlers - Chinese Fountain

01. Big Toe
02. Black Memories
03. Chinese Fountain
04. Dull Boy
05. Good Advice
06. Going Gets Tuff
07. Magnificent Sadness
08. Love Test
09. Not The Man
10. Rare Hearts
11. Purgatory Drive


autor stipe07 às 19:14
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Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

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