Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2016

White Noise Sound – Like A Pyramid Of Fire

O indie rock psicadélico tem mais um nome relevante a acrescentar ao longo cardápio de bandas e projetos que se têm assumido no universo sonoro alternativo, rebocadas pelo sucesso atual de um espetro sonoro revivalista, mas com caraterísticas muito próprias que acabam por se entrelaçar com elevado grau de asserto com algumas das tendências mais contemporâneas do rock. Falo dos galeses White Noise Sound, uma banda que em 2015 lançou Like A Pyramid Of Fire, um compêndio de oito canções que viram a luz do dia com a ajuda da editora Rocket Girl, uma etiqueta cada vez mais rica e essencial para os apreciadores deste género sonoro e com nomes tão influentes como God Is An Astronaut ou Jon DeRosa na sua lista de projetos.

Para o segundo disco da carreira, os White Noise Sound rodearam-se de nomes tão importantes como o produtor e DJ Phil Kieran e Cian Ciaran e o resultado foi um aglomerado hipnótico e intenso, mas bastante melódico de psicadelia, com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível. Como se percebe logo na majestosa Heavy Echo, é uma filosofia sonora conduzida por um sintetizador pleno de efeitos deslumbrantes, um baixo que marca o ritmo e a cadência com rigor, mas também flexibilidade e sentimento e onde abundam distorções de guitarra que criam um oásis denso, atmosférico e sujo de riffs imponentes e incisivos. Logo depois, no piano sensível e profundamente revivalista, claramente pink floydiano, de Bow, não existem mais razões para duvidarmos do modo como este Like A Pyramid Of Fire está carregado de melodias que projetam inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, sempre com enorme mestria e criatividade. O modo como em All You Need, primeiro a bateria e depois o sintetizador, fazem a composição atravessar terrenos experimentais e etéreos e com elevada fluidez e prazer, amplifica a certeza sobre o modo como estes White Noise Sound conseguem ser concisos e diretos e, ao mesmo tempo, separar bem os diferentes sons e mantê-los isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções. O próprio modo como o punk mais libidinoso e másculo exala de todos os poros das cordas das guitarras que sustentam Red Light e, em Can't You Seet It, a forma como a composição cresce em volume e grandiosidade enquanto se desembrulham nos nossos ouvidos diferentes detalhes sintéticos, orgânicos e percussivos, nos quais se incluem alguns samples vocais e batidas e a fluidez com que os instrumentos vão surgindo, são outros marcos impressivos nesta dinâmica que o disco contém, enquanto nos oferece uma viagem única que constitui um verdadeiro sopro de renovação de um género sonoro que tocado com tal mestria, torna-se verdadeiramente intemporal. Espero que aprecies a sugestão...

White Noise Sound - Like A Pyramid Of Fire

01. Heavy Echo
02. Bow
03. Can’t You See It
04. Red Light
05. All You Need
06. Step Into The Light
07. Do It Again
08. Feel It


autor stipe07 às 16:46
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Sábado, 6 de Fevereiro de 2016

Twin Cabins – Harmless Fantasies EP

Viu a luz do dia a treze de novembro passado Harmless Fantasies, o mais recente discográfico do projeto californiano Twin Cabins, liderado por Nacho Cano e ao qual se juntam, atualmente, Jack Doutt, Dan Gonzalez Hdz, Cheyne Bush, Ben Levinson e Mona Maruyama. Refiro-me a um EP com oito canções, disponível na plataforma bandcamp gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo e que parece pretender abarcar num único e longo abraço toda a gama de mestres da melancolia pop norte americana.

Um súbito piscar de olhos torna-se involuntário e depois permanente enquanto o trompete de Made Me vai espreitando por uma melodia fortemente percussiva e envolvente e a verdade é que este detalhe sonoro que compõe o primeiro tema do alinhamento de Harmless Fantasies serve de base à maioria das canções. Logo depois, em Get Better, teclados luminosos e marcados por um tom atmosférico, mas alegre, continuam a ser amparados por uma bateria sintetizada que depois recebe a companhia ilustre de alguns efeitos e uma voz que, apesar do registo e efeito em eco, nunca deixa de se mostrar dotada de uma enorme acessibilidade poética e lírica. Isso percebe-se também em Painfully Obvious, canção permeada por versos deliciosos e uma instrumentação bastante harmónica, onde, claro está, a percussão, dominada por uma pandeireta, dita a sua lei e o tal trompete torna-se no seu principal aliado, numa dinâmica melosa e emotiva que parece querer denunciar uma necessidade confessional de resolução e redenção, exposta de modo delicado e emocionante, mas também um pouco triste. Esse trompete torna-se ainda mais convincente e vigoroso em You're Being Stupid, sendo, de certa forma, apesar de instrumento de sopro, um aparato tecnológico mais amplo para toda esta expressão musical que Harmless Fantasies contém, um EP que parece servir para a descoberta da mente de Nacho Cano, um homem cheio de particularidades e com uma enorme mente criativa, que se expressa intensamente mesmo quando o ambiente sinistro de (Fantasy) nos quer sugar para o interior de um âmago que se esforça de forma inédita para explicitar alguns dos maiores aspetos da fragilidade humana.

Uma das grandes virtudes destes Twin Cabins expressa-se no modo como abordam um convincente ineditismo, plasmado na honestidade derramada na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, mas também no modo como toda esta amálgama sintética e calculadamente minimalista que suporta este EP, nos traz luz... uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas pelo contacto e pela tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. Espero que aprecies a sugestão...

Twin Cabins - Harmless Fantasies

01. Made Me
02. Get Better
03. Painfully Obvious
04. You’re Being Stupid
05. (Fantasy)
06. Angelina
07. With Pleasure
08. Still


autor stipe07 às 21:45
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016

Fine Points – Hover EP

Editado no início do verão do ano passado, Hover é o registo discográfico de estreia dos Fine Points, uma projeto norte americano oriundo da costa oeste e formado por Evan Reiss e Matt Holliman, dois músicos dos míticos Sleepy Sun. Refiro-me a um EP com sete canções, que viu a luz do dia à boleia da Dine Alone Records e que contém uma pop psicadélica invulgar, mas bastante atrativa, gravada numa antiga igreja em New Telos, em Oakland e que captou eficazmente a energia revigorante das ondas do pacífico e a paz cristalina que emana das paisagens de uma porção da imensa América que sempre transmitiu um calor intenso e mágico a quem se foi deixando, desde a década de sessenta do século passado, absorver por este ambiente cristalino único e invulgar.

Hover vale pelo modo como pisa um terreno fortemente experimental, banhado por uma psicadelia pop ampla e elaborada, onde um timbre cristalino debitado por guitarras inebriantes, uma percussão vigorosa e sedutora e uma panóplia de efeitos se cruzam de modo a fazer-nos ranger os dentes e elevar o queixo, guiados por um som luminoso, atrativo e imponente, mas que não descura aquela fragilidade e sensorialidade que, como se percebe logo em Astral Season, encarna um registo ecoante e esvoaçante que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Com um som intenso, épico e esculpido à medida exata, Hover arranca o máximo de cada componente do projeto. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas, como sucede em The Painted Fox ou These Day e se um baixo imponente se cruza com cordas e outros elementos típicos da folk em Just Like That, já Future Hands torna sonoramente bem audível um piscar de olhos insinuante a um krautrock que prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um EP que contém um acabamento límpido e minimalista, seguindo em ritmo ascendente, mas sempre controlado.

Hover oferece-nos aquele sol da Califórnia que tantos de nós se habituaram a ver apenas nos filmes, replicado por uns Fine Points divididos entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica, enquanto escrevem versos que parecem dançar de acordo com harmonias magistrais, onde tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo deste Hover um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, onde foram usadas todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente. Este é um verdadeiro compêndio pop, no sentido mais restrito, que nos acolhe numa ilha mágica, cheia de sonhos e cocktails e onde podemos ser acariciados pela brisa do mar. E quem não acredita que a música pode fazer magia, não vai sentir-se tocado por este EP, que tem nas suas canções visões de cristal, muitos corações e estrelas cintilantes, tornando-se num espetáculo fascinante, capaz de encantar o maior dos cépticos. Espero que aprecies a sugestão...

Fine Points - Hover

01. Astral Season
02. Just Like That
03. The Painted Fox
04. Amalia
05. Future Hands
06. These Days
07. In Lavender


autor stipe07 às 21:04
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Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016

Kinsey – My Loneliest Debut

Dezoito de setembro último foi o dia do lançamento de My Loneliest Debut, o registo de estreia do baterista, produtor, compositor e multi instrumentista nova iorquino Kinsey, onze canções produzidas pelo próprio músico e misturadas por Chris Athens e que agregam alguns dos mais interessantes detalhes que definem a indie pop contemporânea norte americana, nomeadamente quando se mistura com pilares fundamentais do rock setentista de século passado, uma simbiose magistralmente interpretada aqui, em composições como Wide Awake, o esplendoroso tema de abertura de My Loneliest Debut.

Kinsey oferece-nos, logo na estreia, um registo discográfico pleno de luz em forma de música, um disco cheio de brilho e cor em movimento, uma obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana. Não é só o tema já referido que transborda alegria e majestosidade; A folk charmosa debitada pela viola de Dawn e, de modo mais animado, pelo banjo de Whipping Boy, as cordas reluzentes e o piano frenético da composição homónima, os tambores e novamente o piano, mas mais deambulante e soturno em Defender, ou os efeitos da guitarra que adornam o blues empolgante de I'm Home e o ruído envolvente de We Are Pipes, são composições que abordando a pop sobre as diferentes perspetivas que comprovam o elevado ecletismo do autor, nos fazem desertar por uma espécie de universo paralelo, que nos proporciona um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos e que, ao longo da audição deste My Loneliest Debut, vão surgindo quer nas notas mais delicadas, quer quando as mesmas se mostram num modo particularmente explosivo, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si.

Em My Loneliest Debut vence aquela pop clássica e intemporal e que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim dar origem a canções cheias de sons poderosos e tortuosos e sintetizadores flutuantes e vozes deslumbrantes. E Kinsey parece dominar a fórmula correta para o fazer, como se percebe por este álbum pop poderoso, sem cantos escuros, orquestral e extremamente divertido, que sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, tem a capacidade de a usar como instrumento privilegiado para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia e que nos permite aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, onde tudo soa utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Kinsey - My Loneliest Debut

01. Wide Awake
02. Dawn
03. Get Lost
04. Whipping Boy
05. Youth
06. My Loneliest Debut
07. Chateau Ludlow
08. Defender
09. I’m Home
10. We Are Pipes
11. Eat Your Heart Out


autor stipe07 às 21:46
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PJ Harvey - The Wheel

Let England Shake (2011), o último registo de originais da britânica PJ Harvey, já tem, finalmente, sucessor. As onze canções que farão parte do alinhamento de The Hope Six Demolition Project irão ver a luz do dia a quinze de abril próximo e um dos temas já divulgado é The Wheel, canção que tem também já direito a um vídeo realizado pelo fotojornalista Seamus Murphy e que compila várias imagens da cantora, recolhidas entre 2011 e 2015 no Kosovo.

The Wheel amplia as enormes expetativas já criadas em redor do conteúdo de Six Demolition Project e, pela amostra, parece claro que PJ Harvey irá regressar a territórios sonoros mais elétricos, crus e rugosos, um retorno que, quanto a mim, se saúda. Confere...


autor stipe07 às 18:07
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2016

Bloc Party – Hymns

Foi no passado dia vinte e nove de janeiro que chegou aos escaparates Hymns, o quinto registo de estúdio dos britânicos Bloc Party, uma banda londrina liderada pelo carismático vocalista e guitarrista Kele Okereke e referência fundamental do indie rock alternativo do início deste século.

Primeiro álbum dos Bloc Party com o baixista e teclista Justin Harris e o baterista Louise Bartle, Hymns foi produzido por Tim Bran e Roy Kerr e procura relançar a carreira de um projeto que já em 2012 tentou obter um novo fôlego à boleia do visceral Four, mas que tarda em regressar à boa forma dos primórdios. Com uma herança pesada nos ombros e com agulhas também direcionadas para uma carreira a solo, Kele Okereke tem tentado, em abono da verdade, manter os Bloc Party à tona e só o simples fato de o grupo ter sobrevivido às querelas pós lançamento de Four, que resultaram no adeus do baterista Matt Tong e do multi instrumentista Gordon Moakes, é já um sinal positivo e que merece realce, no que concerne ao lançamento deste novo trabalho da banda.

A primeira impressão que estas quinze canções no oferecem é de absoluto domínio por parte do líder dos Bloc Party relativamente à filosofia sonora subjacente, uma ideia que se amplia quando se tenta fazer uma intereseção entre o conteúdo de Hymns e o piscar de olhos ao house e à eletrónica que Okereke tem feito ultimamente, em nome próprio. Logo na sintetização de The Love Within e, pouco depois, nas batidas da ambiental My True Name, aqui numa abordagem oposta, mas no mesmo campo sintético, fica plasmado este ideário. E apesar de temas como a intensa Into The Heart, a animada The Good News ou a soul de Only He Can Heal Me, tentarem salvar a face do indie rock mais cru e punk que ainda poderia caraterizar o momento atual desta banda londrina, a verdade é que é aquele ambiente mais sintético e algo artificial que paira constantemente ao longo da audição eclipsando, assim, qualquer tentativa que Okereke tenha feito de fazer prevalecer o genuíno som que catapultou, há mais de uma década, os Bloc Party para um merecido estrelato. No meio do disco, Virtue acaba por ser aquele tema que faz uma espécie de ponte entre estes dois mundos, pelo modo inspirado como a orgânica das guitarras consegue uma junção simbiótica feliz com os teclados, sendo, infelizmente, caso isolado no alinhamento, algo que deixa um certo amargo de boca a quem percebe que aqui sim, houve acerto e criatividade na nova fórmula que conduz o presente dos Bloc Party.

Urgência, angústia, raiva e caos sempre foram temáticas muito presentes na música deste grupo, não só nas letras, mas também no modo como a crueza e a espontaneidade instrumental exalavam, fluidamente, estas ideias. Em Hymns há apenas resquícios de tudo isto e um notório abrandamento rítmico e mesmo em algumas letras que abordam uma certa espiritualidade e que se focam, quase de certeza, em experiências pessoais do líder da banda, além de ampliarem a tal sensação de dominância por parte do guitarrista e vocalista, transportam-nos para um universo algo complexo e filosófico, que tem pouco a ver com a energia e a genuinidade de antigamente.

Compete ao público em geral e aos fãs mais acérrimos dos Bloc Party decidirem se este Hymns é, ou não, mais um passo em falso na carreira deste grupo. A própria adesão aos concertos da digressão que aí vem e a química no seio da banda durante a mesma, poderão influenciar decisivamente o comportamento comercial deste registo. Seja como for, é impossível evitar o sentimento de uma certa desilusão, naturalmente originada por uma herança pesada e com a qual os Bloc Party ainda não lidam devidamente, mas também por um agregado sonoro demasiado experimental, artificial e etéreo e que não oferece solidez, vibração, consistência e criatividade, com as doses devidas, tendo em conta a assinatura impressa nos créditos de cada canção. Espero que aprecies a sugestão...

Bloc Party - Hymns

01. The Love Within
02. Only He Can Heal Me
03. So Real
04. The Good News
05. Fortress
06. Different Drugs
07. Into The Earth
08. My True Name
09. Virtue
10. Exes
11. Living Lux
12. Eden
13. Paraíso
14. New Blood
15. Evening Song


autor stipe07 às 23:09
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Sábado, 30 de Janeiro de 2016

The Raveonettes – This World Is Empty (Without You)

The Raveonettes - This World Is Empty (Without You)

Depois do estrondoso Pea'hi (2014), o sétimo álbum da carreira, os dinamarqueses The Raveonettes de Sune Rose Wagner e Sharin Foo resolveram fazer algo diferente em 2016 e estão de regresso aos lançamentos, divulgando mensalmente um tema, por sinal gratuitamente, num projeto que a dupla intitula de Rave-Sound-Of-The-Month e que pretende funcionar como uma espécie de anti-álbum. Será um compêndio de canções que irão nascer com uma identidade própria e de modo espontâneo e janeiro oferece-nos This World Is Empty (Without You), um tema que pisa o olho ao melhor rock alternativo dos anos oitenta e com um refrão bastante aditivo e desafiante, onde sobressai uma guitarra soturna, mas bastante aditiva. Confere...


autor stipe07 às 16:53
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Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016

De Rosa – Weem

Os escoceses De Rosa são mais um daqueles segredos bem guardados do nicho sonoro alternativo, que merece sair da penumbra e chegar a um público mais alargado, devido a uma filosofia sonora que privilegia uma simbiose feliz entre um indie rock lo fi e um charme melódico contemplativo capaz de abanar algumas convenções e de despertar no íntimo de ouvintes mais devotos algumas sensações que nem sempre são de simples análise e justificação.

30.png

Oriundos de Lanarkshire, uma pequena cidade das Highlands e formados por Martin John Henry, Neil Woodside e James Woodside, já andam há algum tempo à procura do justo reconhecimento, com três discos em carteira, tendo o último, um trabalho intitulado Weem, sido lançado no passado dia vinte e dois à boleia da Rock Action Records. Já agora, os outros dois registos discográficos destes De Rosa intitulam-se Mend e Prevention e viram a luz do dia através da Chemikal Underground Records, uma conceituada editora de Glasgow.

Com onze canções alicerçadas em cordas que procuram sempre um timbre sensível e delicado, Weem é um oasis sereno e luminoso por onde deambulam canções que transportam um interessante grau de criatividade e inedetismo. Logo na abertura, os efeitos ecoantes de Spectre e o suspiro minimal dos metais, ao deixarem-se dominar pela majestosidade da bateria e das distorções da guitarra, mostram uma relação feliz entre uma pop experimental e um rock progressivo, um universo muito específico que percorre vias menos óbvias e não descura um intenso sentido melódico. Depois, no ambiente soturno, mas aconchegante de Lanes e na inquietante brisa que escapa da monumentalidade instrumental de Fausta, convencemo-nos que este é um disco que nos oferece tantos lugares diferentes, uma ambição salutar e diferentes texturas e possíveis leituras das mesmas. Em Scott Frank Juniper, por exemplo, apreciamos uma música que subsiste num agregado de guitarras melodiosas, uma percussão cheia de metais que pretendem vincar uma cândura muito própria, um efeito minimal mas omnipresente e outros arranjos de cordas, tudo de mãos dadas com uma voz capaz de converter uma arena inteira a uma causa impossível. Depois, no dedilhar sedutor da viola de Devils, canção com um clima acústico particularmente delicioso, na força e na altivez que emanam de The Sea Cup e no indisfarçável flirt com o rock progressivo em Chip On My Shoulder, estes De Rosa não se entregam nunca à monotonia e mostram ser sábios a criar temas que apesar de poderem ser fortemente emotivos e se debruçarem em sonhos por realizar, também servem para mostrar que é perfeitamente possível criar um disco que seja intrigante, sem deixar de ser acessível.

Disco com elevadas ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, Weem quer entrar pelos nossos ouvidos com propósitos firmes, de modo a afligir convenções, colocar em causa ideias pré concebidas e afrontar estruturas e sentimentos que julgamos ser inabaláveis, à medida que sacode os nossos sentidos com sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...

De Rosa - Weem

01. Spectres
02. Lanes
03. Chip On My Shoulder
04. Scott Fank Juniper
05. Falling Water
06. Fausta
07. Prelude To Entropic Doom
08. The Sea Cup
09. Devils
10. Lanes (Reprise)
11. The Mute


autor stipe07 às 21:25
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

Massive Attack - Ritual Spirit EP

Primeiro lançamento dos Massive Attack desde o fabuloso Heligoland (2010), Ritual Spirit é o novo compêndio de canções da dupla Robert Del Naja e Grant Marshall. São quatro temas divulgados inicialmente através de uma aplicação intitulada Fantom, mas agora também já disponiveis no circuito comercial habitual e que marcam um regresso em grande forma destes pesos pesados da eletrónica, do trip hop e da pop experimental.

Com as participações especiais de nomes tão significativos como Tricky, Roots Manuva, Azekel ou os Young Fathers, Ritual Spirit é um oásis sonoro intenso e implacavelmente sombrio, criado pelos génios superlativos da manipulação dos típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam. Num compêndio homogéneo, mas onde é possível destrinçar dois rumos algo distintos, se a composição homónima ou Take It There juntam, de algum modo, o passado musical da dupla de Bristol, com algumas tendências sintéticas do presente, antevendo assim, devido ao referencial que representam, bastante sobre o futuro próximo de toda a música eletrónica mais soturna e atmosférica, já em Dead Editors ou Voodoo In My Blood, os Massive Attack aproveitam as presenças de Roots Manuva e dos Young Fathers, respetivamente, para tentarem fugir um pouco de si próprios e do seu som inigualável. Continuando a ser os mesmos mestres de sempre, nestes dois casos na arte de manipular os traços caraterísticos e identitários da trip hop, conseguem assim retocar um pouco o seu adn, sem descurar a já habitual e espantosa dose de sensualidade e suavidade que é sempre possível conferir na tonalidade das canções que interpretam, trazendo assim, mesmo no seio daquela névoa que faz parte do charme da dupla, brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.

Contemporâneo, futurista e, ao mesmo tempo, deliciosamente retro, porque os Massive Attack nunca deixam de nos oferecer gratuitamente aquela sensação quase física de conseguirmos, através deles, recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol, Ritual Spirit balança entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante que nos possibilita descobrir uma nova luz e pistas concretas para outros rumos que poderão vir a sustentar o universo musical que Del Naja e Marshall ajudaram a criar e ainda hoje renovam e defendem como ninguém. Espero que aprecies a sugestão...

Massive Attack - Ritual Spirit

01. Dead Editors (Feat. Roots Manuva)
02. Ritual Spirit (Feat. Azekel)
03. Voodoo In My Blood (Feat. Young Fathers)
04. Take It There (Feat. Tricky And 3D)


autor stipe07 às 16:12
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Tindersticks – The Waiting Room

Os Tindersticks de Stuart Staples, uma das melhores bandas que surgiu na Inglaterra nos anos noventa e que trouxe para o rock independente e alternativo uma elegância sombria inimitável, completam em 2016 vinte e quatro anos de uma carreira irrepreensível. E The Something Rain, o nono álbum deste grupo de Nottingham, lançado em 2012, tem, finalmente, sucessor. The Waiting Room, o novo e décimo álbum da carreira dos Tindersticks, viu a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da City Slang e trata-se de mais um disco conceptual, com um acompanhamento audiovisual e onde todas as canções servem de banda sonora para um leque de curtas-metragens, cada uma realizada por um realizador diferente.

Como é já habitual numa banda que entende a música como uma forma de arte superior, inigualável e fortemente impressiva, The Waiting Room exige escuta dedicada e atenta, de preferência na posse de um estado de alma descontraído, que permita saborear a verdadeira essência de onza canções que, no seu todo, constituem uma obra discográfica de qualidade superior.

Este é um disco que preza a harmonia e o aconchego auditivo e a exuberância instrumental de Second Chance Man e a misteriosa elegância de Were We Once Lovers?, canção cujo video foi realizado por Pierre Vinour, do projeto La Blogothèque e que contém uma míriade instrumental densa e elaborada, rica em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos, evidenciam este charme muito próprio e com uma matriz identitária bastante vincada.

Na verdade, os Tindersticks sempre nos habituaram a arranjos sofisticados, que depois ainda obtêm uma maior notoriedade devido à consciente pose teatral e dramática que exalam, quase sempre personificada na voz do lider da banda, resultando numa sonoridade global do disco bastante jazzística e complexa. The Waiting Room não foge a este conjunto de permissas, com Help Yourself a aprofundar este olhar jazzístico e depois, em temas como Hey Lucinda, canção que conta com a participação vocal esplendorosa de Jehnny Beth das Savages, em dueto com Staples, ou na melancólica Planting Holes, pianos, metais e xilofone, fundamentais na construção deste ideário sonoro, são instrumentos muito presentes, sempre lado a lado com a guitarra, o baixo e a bateria. 

Com o ambiente noturno e contemplativo de We Are Dreamers!, outra canção que conta com a voz de Jehnny Beth e a sofisticação de Like Only Lovers Can, chega ao ocaso um disco que demonstra cabalmente o modo como poucas bandas igualam os Tindersticks na capacidade de envolver o ouvinte, já que The Waiting Room pinta um quadro sonoro muito concreto e que nos cerca de sensações tão reais como nós próprios e os nossos medos e euforias. Espero que aprecies a sugestão...

Tindersticks - The Waiting Room

01. Follow Me
02. Second Chance Man
03. Were We Once Lovers?
04. Help Youself
05. Hey Lucinda
06. This Fear Of Emptiness
07. How He Entered
08. The Waiting Room
09. Planting Holes
10. We Are Dreamers!
11. Like Only Lovers Can


autor stipe07 às 21:00
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