Quarta-feira, 4 de Março de 2015

Le Thug - Place Is EP

Oriundos de Glasgow, os escoceses Le Thug são Clio Alexandra MacLellan (voz), Danny McColgan (samplers, teclados) e Michael Raphael Gilfedder (guitarra), um trio que editou em 2013 um excelente EP chamado Ripping e que está de regresso com outro EP, editado no dia dezasseis de fevereiro, em formato digital e vinil, através da etiqueta Song By Toad, Records de Matthew Young.

Se tivesse de escolher uma só palavra para descrever os Le Thug, atmosféricos seria o vocábulo escolhido. Assim que ouvi os seis temas deste EP senti que tinha acabado de regressar de uma viagem rumo aquelas bandas sonoras feitas nos anos oitenta propositadamente para filmes mudos, algo que atinge o auge na sequência feito com o austero tema Pals e a longa Basketball Land. E essa época musical, com um certo travo noir, é exatamente uma das declaradas influências do grupo, já que Place Is contém melodicamente o que de melhor foi feito ultimamente na synth pop europeia, um género musical várias vezes citado em Man On The Moon.

Quem estiver atento ao fenómeno, certamente terá notado que ultimamente a nostagia desta década é uma forte aposta no cenário indie europeu, um revivalismo que, apesar de ser sustentado pelo caráter minimalista da instrumentação, procura dissecar, principalmente, um universo melódico climático predominantemente sombrio e obscuro e, por isso, também mais sedutor e hipnótico. Este fio condutor também se encontra no forte sentido emotivo da componente lírica que, estando nos Le Thug a cargo da voz celestial de Clio, pretende, neste caso, replicar um registo em falsete afundado num colchão de sons eletrónicos, criados, quase sempre, por um sintetizador cheio de samplers, loops e efeitos, que parecer também satirizar uma eletrónica retro, feita com VHS, mas cheia de charme e bom gosto.

Logo desde o início do EP os Le Thug vincam este estilo que se mantém ao longo do seu alinhamento; Se a já referida Pals destaca-se pela simplicidade da secção rítmica, são as guitarras quem conduzem Basketball Land e Losing Song, com a última a destacar-se pelos sons metálicos de um teclado em espiral, que já tinha feito furor em Paint, sempre com uma natureza contagiante, em canções que são verdadeiras obras primas que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, feitas por uma banda onde todos os elementos conjugam e recriam com distinção o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo e talvez nos sirvam também para mostrar o futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...

Outer Hebridean

Pals

Basketball Land

Paints 

Losing Song

FC



autor stipe07 às 21:37
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My Morning Jacket – Big Decisions

My Morning Jacket - Big Decisions

Os norte americanos My Morning Jacket de Jim James já têm sucessor para o aclamado Circuital (2011) e regressam aos discos a quatro de maio próximo com The Waterfall, um trabalho produzido novamente por Tucker Martine (The Decemberists, Modest Mouse, Neko Case).

Gravado maioritariamente em Stinson Beach, na Califórnia, mas também noutros locais como Portland ou a cidade natal da banda e com a luz do dia a ser possível com a chancela da insuspeita ATO Records, em parceria com a Capitol Records, The Waterfall será certamente mais um marco obrigatório na carreira desta banda já veterana mas ainda fundamental no universo sonoro norte americano. O indie rock psicadélico de Big Decisions, o primeiro single divulgado do disco, comprova claramente que este quinteto de Louisville, no Kentucky, deve continuar a merecer a nossa atenção. Confere...

Stinson Beach was so psychedelic and focused. It was almost like we lived on our own little moon out there. It feels like you’re up in the sky. - Jim James

Website
[mp3 320kbps] tb ul ob zs


autor stipe07 às 15:56
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Terça-feira, 3 de Março de 2015

Dust Covered Carpet - Pale Noise

Formados por Volker e Armin Buchgraber, dois irmãos de Viena, os austríacos Dust Covered Carpet remontam as suas raízes a 2003, mas apenas em 2007 definiram definitivamente o seu alinhamento, formado atualmente por Volker e Julia Luiki. Os Dust Covered Carpet estrearam-se nos discos no ano seguinte com Rededust The Doubts I Trust, um trabalho com cinco canções que firmou desde logo a indie folk melódica e experimental que alicerça a sonoridade do projeto. Desde então os Dust Covered Carpet lançaram mais algumas edições especiais, singles e discos, com especial destaque para Pale Noise, uma coleção de dez canções escritas entre Tallin, na Estónia e Viena, produzidas pela própria banda e por  Paul Gallister, Alexandr Vatagin e Philipp Forthuber.

Pale Noise deambula entre a folk e o indie rock mais progressivo, com Grey Formations ou o single Linnahall a serem apenas dois bons exemplos desta mescla muito comum em bandas nórdicas e do centro da Europa. Mas também há aqui espaço para explorar a dream pop de forte cariz eletrónico, com a melancolia contínua de Polar Romantic, recriada nas notas do sintetizador e em alguns arranjos de metais, a deixarem uma marca profunda numa longa canção que parece feita para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Num disco onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico, estes austríacos parecem decididos em sair do seu casulo instrospetivo e da timidez que os enclausura, apesar da beleza de Meteor e dos riquíssimos detalhes da desarmante All Off You, para apostar num ambiente sonoro luminoso, colorido e expansivo, que o baixo e as guitarras de Distance firmam, mas o sintetizador e as distorções inebriantes de Leaning Duets também apontam, num disco que vive essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, que a mesma pode criar, mas que se define qualitativamente à custa da sua toada mais orgânica, ruidosa e visceral.

É deste cruzamento espectral e meditativo que Pale Noise vive, com dez canções algo complexas, mas bastante assertivas. Antenatal joga um pouco nos dois campos, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e as vozes se enquadram com a grave bateria e sons da natureza que nos afogam numa hipnótica nuvem de melancolia.

Pale Noise serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:20
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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

Computer Magic - Dreams Of Better Days EP

Danielle Johnson aka Danz, uma DJ e bloguer com especial apetência para espetros musicais que misturem as tendências mais atuais da eletrónica com uma pop de forte pendor vintage é a mente que controla, manipula e dá vida a Computer Magic, um projeto que acaba de divular um novo EP intitulado Dreams Of Better Days, seis canções que se deitam à sombra de cruas batidas, cheias de loops e efeitos que se conjugam com alguns elementos minimalistas, alguns deles particularmente bonitos e curiosos.

A eletrónica e os ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral é, pois, a pedra de toque deste cardápio, onde abunda um som esculpido e complexo audível logo nosefeitos sinteizados e na leve batida de K2 / Intro, mas onde se destaca, sem dúvida, o single Shipwrecking. Esta excelente canção, produzida por Abe Seiferth, borbulha de cor e intensidade, devido aos arranjos sintetizados que contém e à condução proporcionada por uma bateria cheia de charme, encapsulando-a num ambiente algo aquático e denso, mas extremamente sedutor.

Testemunhamos contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste EP quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb; Em My Love, por exemplo, a vertente sintética mostra-se apenas como uma das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que Danz plasma a sua íntima e estreita relação com a pop, udando também alguns dos artifícios obrigatórios do rock clássico, mas sem abandonar as suas origens mais eletrónicas e sombrias. Já agora, este último tema acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros, que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual, fazendo-o com um elevado índice de maturidade e firmeza, o que plasma o imenso bom gosto na forma como a autora aposta nesta relação simbiótica, enquanto parte à descoberta de texturas sonoras. Curiosamente, a gitarra poderia ser um fiel companheiro da artista e um instrumento que se aliaria com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge com um certo destaque e bastante implícito na homónima Dreams of Better Days (Don’t Pass Me By), por sinal um tema onde o protagonismo da voz é menos evidente e o registo algo modificado maquinalmente.

Dream Of Better Days é de uma subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Computer Magic. Espero que aprecies a sugestão...

K2 / Intro
Shipwrecking
My Love
Dreams of Better Days (Don’t Pass Me By)
Mindstate
Birds / Outro


autor stipe07 às 17:56
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Warpaint - No Way Out

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa são as Warpaint, um título feliz para quatro intérpretes que compôem música que parece vir do interior da alma mais sincera e verdadeira que podemos imaginar e que o ano passado surpreenderam com um disco homónimo onde deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta negra e obscura, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com uma certa timidez que não era mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica

Agora, quase um ano depois, as Warpaint voltam a deixar-nos boquiabertos com No Way Out, uma nova canção que indicia a proximidade de um novo registo de originais e que promete ser mais um marco na carreira deste projeto californiano. O tema assenta em deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi. Confere...


autor stipe07 às 15:56
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

In Tall Buildings - Driver

Já foi finalmente editado Driver, um dos trabalhos mais aguardados por cá no início de 2015 e que viu a luz do dia a dezassete de fevereiro através da Western Vinyl. Este disco é da autoria de Erik Hall, um músico e compositor de Pilsen, nos arredores de Chicago, por detrás do projeto In Tall Buildings, que, de acordo com o próprio, compõe inspirado por duas dicas filosóficas, uma de Allen Ginsburg (First thought, best thought) e a outra da autoria de Kurt Vonnegut (Edit yourself, mercilessly). Se a teoria de Ginsburg apela à primazia do instintivo e da naturalidade e da crueza, acima de tudo, já as palavras de Vonnegut parecem instar à constante insatisfação e à busca permanente da perfeição, considerando-se cada criação como algo inacabado e que pode ser alvo de melhorias e alterações. Driver foi produzido entre a casa de Hall e uma quinta em Leelanau County, no Michigan.

A música de Erik Hall vive um pouco desta aparente dicotomia, já que quando assina In Tall Buildings propôe e cria paisagens sonoras simples e amenas, de algum modo descomplicadas e acessíveis, mas que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto na forma como constrói as melodias, deixando sempre margem de manobra para que nos possamos apropriar das suas canções e dar-lhes o nosso próprio sentido. Aquela folk acústica, que em determinados instantes pisca o olho a um certo travo psicadélico, é, portanto, a trave mestra de Driver, competente na forma como abarca diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e como mistura harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a voz grave, mas suave e confessional de Hall, sendo este um álbum ameno, íntimo, cuidadosamente produzido e arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Ficamos logo agarrados ao disco com Bawl Cry Wal, o tema de abertura, feito de uma melodia que tem por base a bateria e umas cordas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado. Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e dominado por cordas com uma forte toada blues. Logo depois, All You Pine, apesar de menos ritmada, segue a mesma dinâmica que sustenta um alinhamento sinuoso e cativante, que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e onde Hall não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Unmistakable, o segundo single, a surpreender pouco depois, não só pelo título da canção, sem dúvida uma opção feliz para mais um registo sonoro de dificil catalogação, mas também pela sonoridade pop claramente urbana, mais eletrónica,perfeita no modo como o baixo e a batida se cruzam com o sintetizador. 

Pouco depois, ao sermos presenteados com I'll Be Up Soon, percebemos que In Tall Buildings também manipula com mestria os típicos suspiros sensuais que a subtil eletrificação da guitarra e uma batida lenta e marcada proporcionam e que há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpretam. Por exemplo, em When You See Me Fall um efeito em espiral e melodicamente hipnótico e o modo com a voz com ele se entrelaça e o dedilhar deambulante de Aloft são outros dois momentos que trazem brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.

O auge do disco chega com a atmosfera simultaneamente íntima e vibrante do single Flare Gun, um tema que está já na minha lista das melhores do ano e isso deve-se à forma particular como as cordas deambulam alegremente pela melodia e dão à canção uma sensação intrincada e fortemente espiritual, um ideal de leveza e cor constantes, como se ela transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nosso dias, agora algo frios e sombrios.

Rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, Driver tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Hall sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Este é um álbum essencial, recheado de paisagens sonoras simples e amenas, de algum modo descomplicadas e acessíveis, mas que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

Bawl Cry Wail

All You Pine

Exiled

Unmistakable

Aloft

Flare Gun

I'll Be Up Soon

Cedarspeak

When You See Me Fall

Pouring Out


autor stipe07 às 19:24
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Heavenly Beat – Eucharist

Heavenly Beat é o alter-ego de John Pena, baixista dos Beach Fossils e um nome bastante conhecido e respeitado no cenário musical independente e alternativo. Lançado no final do ano passado, Eucharist é já o terceiro tomo de uma discografia que foi integralmente dissecada por cá; O álbum de estreia do projeto, editado em Julho de 2012, chamava-se Talent e foi divulgado pouco depois, tendo sucedido o mesmo com Prominence, o sempre difícil segundo disco dos Heavenly Beat, lançado, como sempre, através da Captured Tracks, em outubro de 2013.

Acompanham Pena nos Heavenly Beat os músicos Andrew Mailliard e Chris Burke e ao terceiro disco, como a sonoridade do projeto se mantém inalterada, há pouco a acrescentar às análises anteriores. Seja como for, há que realçar que a música deste projeto, inicialmente se estranha, mas depois, com tempo, facilmente se entranha e provoca em nós sensações de prazer e bem estar. Isso acontece porque nos Heavenly Beat John Pena explora as intersecções entre a índie e a electrónica, numa mistura absolutamente tranquilizante, que assenta muito em batidas paradisíacas, que nos fazem ter sempre a sensação que estamos a escutar o disco num local belo e único. É uma música que acaba por funcionar como uma sonora escapadinha homeopática, sem nunca nos deixa esquecer quem somos e o que desejamos da vida, já que estas canções também nos dão tranquilidade e força para lidar com uma realidade em permanente convulsão.

Logo na introdutória Kin ficam plasmada a caritilha sonora do trio e o single Patience reforça a possibilidade de sermos invadidos por um som simultanamente fresco e hipnótico ao longo de doze canções de agulhas viradas para uma dream pop que assenta, com frequência, numa chillwave simples, bonita e dançável, construída em redor de uma bateria com a cadência e a vibração certas e guitarras e sintetizadores que se entrelaçam constantemente de modo a criar o tempero ideal às composições.

Além destas virtudes no campo instrumental e do casamento assertivo entre o dedilhar das cordas e uma matriz sintética na dose certa, um dos maiores segredos destes Heavenly Beat parece-me ser o arranjo melódico que sustenta os temas e a postura vocal, às vezes um pouco lo fi e shoegaze, mas que dá às composições aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.

O fluxo das canções é muito agradável relaxado e mesmo sensual e se um dos grandes destaques de Eucharist é o já citado single Patience, a energia sexual bastante latente na percurssão e no efeito que deambula por Manna e em Covet. Mas o dedilhar das cordas em Head e o modo como a batida é adicionada, acaba por ter também um inegável charme, festivo e viciante, assim como a forma como cresce o sintetizador de Legacy, nomeadamente durante o minuto incial, quando recebe uma batida que funciona impecavelmente em modo palmas de fundo. Também não há como resistir ao esplendor da viola e das castanholas do solarengo e inebriante tema homónimo.

Se Pena vive atualmente numa espécie de encruzilhada relativamente ao melhor rumo a dar a este projeto, anseio que ele se mantenha neste modus operandi indefinidamente, em vez de procurar calcorrear outros terrenos menos luminosos e que possam colocar em causa a integridade que os Heavenly Beat têm vindo a construir a pulso, com uma cadência praticamente anual e que tem já como enorme atributo espelhar com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Heavenly Beat - Eucharist

01. Kin
02. Patience
03. Manna
04. Faults
05. Head
06. Legacy
07. Covet
08. Eucharist
09. Relevance
10. Beyond
11. Effort
12. Relentless


autor stipe07 às 22:03
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Shirley Said - Salvation (video)

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Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

Depois de terem divulgado o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia, agora chegou a vez de ser conhecido o filme de Salvation, o lado a de um single que vai ser editado, apenas em formato digital, a vinte e três de março.

Nesta canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Quanto ao video, a junção de paisagens amplas e naturais, com elementos abstratos, funciona como uma metáfora interessante da sonoridade dos Shirley Said que, fazendo juz à descrição deste single acima plasmada, gravita na fusão de dois universos sonoros ambivalentes, onde o sintético e o orgânico se fundem. Confere...


autor stipe07 às 17:55
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

Father John Misty – I Love You, Honeybear

Father John Misty já foi visto como um reverendo barbudo e cabeludo, que vagueava pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young. Encharcado, pegava no violão e cantava sobre cenas bíblicas, Jesus e João Batista e a solidão. Hoje, Father John Misty não é só um artista, é uma personagem criada e interpretada por Josh Tillman, antigo baterista dos Fleet Foxes, que tinha uma vida bastante regrada e obscura, mas que hoje vive apaixonado e feliz com esse maravilhoso novo estado de alma.

Tillman já tinha lançado a partir de 2005 uma série de EPs e um álbum em 2010, entanto, só após a rescisão com os Fleet Foxes e uma assinatura com a Sub Pop, é que o seu projeto a solo ganhou pujança, tendo-se juntando, assim, todos os ingredientes para a chegada de Fear Fun, um álbum editado na primavera de 2012 com estrondo. Agora, quase três anos depois, Fear Fun já tem sucessor, uma coleção de onze canções intitulada I Love You, Honeybear, que documentam o seu novo status, mas que não deixam de condensar ainda um certo sarcasmo feroz e melancolia, com um resultado que se não é a reinvenção da roda contém uma saudável dose de letargia que garante sucessivas audições, por dias a fio.

Sedutor, cativante, profundamente engenhoso e com todos os atributos para ser um verdadeiro diabo vestido de anjo, Tillman serve-se das cordas para expressar sentimentos que se causam algum desconforto na mente dos mais desconfiados sobre as suas reais intenções, afaga com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a sua doutrina.

Agora a viver em Nova Orleães, depois de anos escaldado pelo sol californiano e, como referi, entretanto apaixonado, nomeadamente pela fotógrafa Emma Elizabeth Garr, hoje Emma Elizabeth Tillman, Tillman escreve neste disco sobre o amor, mas não de modo a documentar apenas e só este seu novo estado pessoal, preferindo falar sobre si próprio e o modo como a sua intimidade de certa forma se modificou devido ao amor, procurando fazer canções de amor bonitas, sentidas, repletas de orquestrações opulentas e com algumas baladas que, no caso de When You’re Smiling And Astride Me são conduzidas por um belíssimo piano num registo clássico e fortemente emocional.

Com um pé em Nashville (I Love You, Honeybear) e outro na mexicana Valladolid (Chateau Lobby #4 (In C For Two Virgins)), o músico aprofunda neste seu segundo trabalho o senso de humor e a sagacidade das suas letras, cada vez mais inteligentes e enigmáticas, com um elevado sentido críptico, até, não sendo óbvia a descodificação célere das suas reais intenções relativamente a todos aqueles que se deixam inebriar pelos seus sermões e fazer parte de um rebanho que se assanha sempre que o pastor investe no tema recorrente deste trabalho, o amor. E Tillman fá-lo por vias pouco convencionais (I just love the kind of woman who can walk over a man), mesmo quando também embarca no auto elogio direto, com temas como Bored in the USA ou The Ideal Husband, a mostrarem ter aquela estrela certeira chamada aúrea, capaz de conduzir todos os holofotes para que incidam sobre si.

As canções de Father John Misty possuem, inevitavelmente, uma característica narrativa, nostálgica e sempre com aquela aura fantasiosa de uma era longínqua do rádio e da indústria fonográfica. Sentimo-nos em casa e bastante acolhidos ao som de temas como Strange Encounter e Nothing Good Ever Happens at Goddam Thirsty Crow e preciosidades como a já citada When You’re Smiling and Astride Me e os sintetizadores de True Affection são geniais no modo como plasmam um folk rock muito ternurento que mesmo escondido no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação emocional têm tudo para fazer de Tillmam um verdadeiro sex symbol indie e estrela improvável, ainda por cima apaixonado como um bebé, carente de afetividade constante, como tão bem mostra a capa retratando-o como o pequeno Cristo barbudo no colo de Maria, rodeado por pequenas criaturas que poderão personificar todos aqueles demonios que o cercam, prontos a colocar em causa o seu novo mundo cor-de-rosa, à primeira oortunidade. Será que irão conseguir? Espero que aprecies a sugestão...

Father John Misty - I Love You, Honeybear

01. I Love You, Honeybear
02. Chateau Lobby #4 (In C For Two Virgins)
03. True Affection
04. The Night Josh Tillman Came To Our Apt.
05. When You’re Smiling And Astride Me
06. Nothing Good Ever Happens At The Goddamn Thirsty Crow
07. Strange Encounter
08. The Ideal Husband
09. Bored In The USA
10. Holy Shit
11. TI Went To The Store One Day


autor stipe07 às 22:20
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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015

Grooms – Comb The Feelings Through Your Hair

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Grooms têm no texano Travis Johnson o grande mentor e suporte, um músico que tem vivido e composto neste bairro da big apple, tendo a banda ensaiado e gravado nos estúdios locais Death By Audio, entretanto encerrados, durante sete anos. Primeiro como Muggabears e depois Grooms, o coletivo passou nos últimos tempos por algumas dificuldades, nomeadamente financeiras, que forçaram o baixista e também compositor Emily Ambruso a um hiato, deixando apenas Johnson como membro original do alinhamento que, felizmente, não desistiu da banda. Lutando contra todas estas contrariedades, Johnson recrutou Jay Heiselmann para o baixo e o ator e comediante Steve Levine para a bateria e Comb The Feelings Through Your Hair é o primeiro capítulo desta nova etapa da vida dos Grooms, um disco que viu a luz do dia a dezassete de fevereiro, através da Western Vinyl.

A indie pop e o rock luxuriante, com o ritmo e a cadência certas e uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que abraça um interessante e algo inédito leque de influências, sempre com uma filosofia vintage, é a pedra de toque de onze canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Genuínos, ecléticos e criativos, estes Grooms compõem temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada de cor, festa e alegria, onde terá havido certamente um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a músicas que gostam.

Ouvimos cada uma das músicas de Comb The Feelings Through Your Hair e conseguimos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que esculpiram as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Este é, portanto, um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada.

Um belíssimo instante indie chamado Bed Version é o aperitivo que abre o alinhamento e depois vamos sendo constantemente convidados a dançar ao som de uma filosofia sonora bastante aditiva e peculiar, que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê.

A guitarra elétrica, como já foi referido, possui o ónus da condução melódica, mas também há uma forte presença da sua congénere acústica e do baixo. Até o sintetizador faz a sua aparição e logo no tema homónimo cria uns loopings que introduzem eficazmente uma linha de guitarra inebriante, cabendo-lhe o mesmo papel num memorável instante épico, impregnado de cor e luz graças chamado Cross Off, canção que obtém o sustento nas teclas que graciosamente se insinuam e deambulam em redor das cordas eletrificadas, dando origem a um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante. Já Grenadine Scene From Inside é uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. As notas parecem sinónimos de tranquilidade, guiam os efeitos ao fundo da música e acompanham uma inédita secção de sopros com excelente sintonia.

De vez em quando também se escutam arranjos e melodias sintetizadas, mas as cordas, o baixo e a bateria são o busílis do grupo para atingir os seus propósitos. E voltando às cordas, a sequência feita com o rock angular e rugoso de Doctor M e a cavalgada entusiástica e delirante de Will The Boys em oposição ao experimentalismo acústico noir e contemplativo de Half Cloud, um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico que nos desarma, é um dos pontos altos e imperdiveis de Comb The Feelings Through Your Hair, depois de em Something Wild termos sido agraciados por uma outra estirpe de cordas, aquelas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, quer no entusiasmo lírico. 

Para o ocaso o sentimentalismo imberbere de Foster Sister e a altivez orquestral de Later A Dream oferecem-nos paisagens ainda mais grandiosas e significativas, dois arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos Grooms para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz.

Com um forte cariz urbano e atual, Comb The Feelings Through Your Hair é um disco excitante e intenso, que nos prende numa bolha dinâmica adornada por aquele rock pastiche que nos desperta para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nos apoquente. Pleno de cenários complexos e repletos de sensações únicas, que os Grooms conseguem muito bem transmitir à boleia de um cardápio instrumental bastante diversificado, Comb The Feelings Through Your Hair prova que este coletivo norte americano entra no estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispor para criar música, com uma quase pueril simplicidade, que plasma uma noável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje para nos oferecer, enquanto se vai, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme. Espero que aprecies a sugestão...

Grooms - Comb The Feelings Through Your Hair

01. Bed Version
02. Comb The Feelings Through Your Hair
03. Cross Off
04. Something Wild
05. Doctor M
06. Half Cloud
07. Will The Boys
08. Savage Seminar
09. Grenadine Scene From Inside
10. Foster Sister
11. Later A Dream


autor stipe07 às 21:20
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