Domingo, 29 de Março de 2015

KRILL - A Distant Fist Unclenching

Jonah Furman (baixo, voz), Aaron Ratoff (guitarra) e Ian Becker (bateria) são os Krill, uma banda oriunda de Boston, na costa leste dos Estados Unidos, já com meia década de existência e que a dezassete de fevereiro último lançou A Distant Fist Unclenching, o terceiro álbum da carreira do trio, nove excelentes canções gravadas por Justin Pizzoferrato, em julho e agosto de 2014, nos estúdios Sonelab em Easthampton, Massachusetts e masterizadas por Carl Saff. Editado pela insuspeita Exploding in Sound Records em parceria com a Double Double Whammy e a Steak Club Records, A Distant Fist Unclenching está disponivel em formato digital e em vinil.

Com uma já apreciável reputação no país de origem e digressões com os Deerhoof, os conterrâneos Speedy Ortiz, Big Ups ou The Thermals, os Krill preparam-se para dar o salto para a Europa este ano, trazendo na bagagem estas nove novas canções que encarnam uma verdadeira jornada sentimental, auto-depreciativa e filosófica pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que explora habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão do rock, com outras vertentes sonoras, nomeadamente o post punk e o hardcore, de uma forma direta, mas também densa, sombria, progressiva e marcadamente experimental. Esta é uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, se alia o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros tão bem recriados e reproduzidos há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

A Distant Fist Unclenching são, portanto, nove canções enérgicas, invadidas por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Phantom ou Torturer atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade descontrolada, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim sonoro acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do rock, com a já referida Torturer a ser talvez aquele tema que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Krill. Esta Torturer é um excelente exemplo da exploração de uma ligação estreita entre a psicadelia e o rock progressivo, através de um sentido épico pouco comum e com resultados práticos extraordinários, mas em instantes sonoros do calibre de Mom ou Squirrels a estreita relação entre guitarras carregadas de fuzz e um baixo vigoroso, amplia a intensidade experimental dos Krill e dá-lhes um lado ainda mais humano, orgânico e sentimental. A própria performance de Furman, dono de um registo vocal curioso e desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, é também um dos grandes suportes do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai, como já dei a entender, a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

Com o charme de uma recomendável toada lo fi como pano de fundo de toda esta apenas aparente amálgama, A Distant Fist Unclenching prova que os Krill estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos, como mostra este compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Krill são um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Phantom

Foot

Fly

Torturer

Tiger

Mom

Squirrels

Brain Problem

It Ends

 


autor stipe07 às 22:31
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Vetiver – Complete Strangers

Sexto álbum da discografia de Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, Complete Strangers é, conforme o título indica, uma compilação sentida e honesta da partilha de sensações e eventos que o autor experimentou recentemente em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida. Diário de bordo de um autor que tem tido diferentes músicos a colaborar consigo ao longa da carreira, mas que teve sempre em Thom Monahan, o engenheiro de som e produtor deste disco, o seu parceiro mais fiel, Complete Strangers foi gravado em Los Angeles, com a companhia dos músicos Bart Davenport, Gabe Noel e Josh Adams e quer a batida luminosa de Stranger Still, quer a viola que conduz From No On e, principalmente, Current Carry, além de, logo no início, situarem o ouvinte na heterogeneidade muito própria deste projeto, mostram-nos o efeito que o sol da costa oeste tem na música de Andy e como é bom ele ter-se deixado levar pelos insipradores raios flamejantes que esse astro atirou para as janeas do estúdio onde se instalou, para dar vida a uma folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, que deambulando entre o acústico e o sintético e psicando amiúde o olho a um certo travo psicadélico, criou canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos, que pode muito bem ser a mundialmente famosa indie pop.

Vetiver é mestre a misturar harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz grave, mas suave e confessional, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido, além de arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação. Que melhor exemplo do que o jogo de sedução que se estabelece entre o efeito da guitarra, as cordas de uma viola e um insinuante baixo em Confiding, uma canção sobre as vulnerabilidades próprias do amor, para plasmar o enorme charme da música de Vetiver? Que melhor instante do que aquele em que, em Backwards Slowly, variados efeitos percussivos e um sintetizado se cruzam com essa mesma guitarra e a cândura da voz de Andy, para nos levar fazer querer ir até à praia mais próxima e enfrentar esse mesmo sol bem de frente para sermos ilmunados pela mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções? Que melhor ritmo, do que aquele que sustenta Loose Ends ou a bossa nova de Time Flies By para nos fazer colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal e conseguirmos, finalmente, traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar?

A música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterra-nos num mundo paralelo onde só cabem as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que entre a luz e a melancolia tornam-se verdadeiras e realizam-se, provando que Andy sabe como contar histórias que o materializam na forma de um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade.

Complete Strangers é um daqueles discos que nos vão soar sempre a algo familiar; Escutá-lo pela primeira vez é experimentar aquela sensação que estamos a rever alguém que já se cruzou na nossa vida em tempos e que nos causou sensações boas e partilhou conosco belos momentos quando tal sucedeu. E essa impressão sente-se porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza, ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Os lindíssimos acordes que nos vão surpreendendo ao longo do álbum dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante de calcorrear a vida real, desde que haja portos de abrigo como este durante o percurso, trabalhos discográficos que nos dão as pistas certas para uma vivência existencial plena e verdadeiramente feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Complete Strangers

01. Stranger Still
02. From Now On
03. Current Carry
04. Confiding
05. Backwards Slowly
06. Loose Ends
07. Shadows Lane
08. Time Flies By
09. Edgar
10. Last Hurrah


autor stipe07 às 21:10
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YAST - When You’re Around

Os suecos YAST formaram-se em 2007 na localidade de Sandviken e no ano seguinte mudaram-se para Malmö, sendo, desde então, uma banda formada por Carl Jensen, Tobias Widman e Marcus Norberg. Em 2010 o trio passou a quinteto com a entrada de Markus Johansson e Niklas Wennerstrand, o baterista e o baixista dos Aerial. YAST, o disco homónimo, foi editado em fevereiro de 2013 por intermédio da Adrian Recordings e em 2015 chegará o sucessor.

A habitual melancolia escandinava é a pedra de toque da indie pop açucarada dos YAST, feita com uma fórmula que usa guitarras luminosas e uma percussão sempre mais subtil do que propriamente muito grave e vincada. As canções deste grupo não deixam de ter uma certa toada épica e simultaneamente lo fi, dois ítens bem patentes no curto mas conciso single When You're Around, o primeiro avanço desse trabalho.

As cordas são o mel que adoça o processo de composição dos YAST, algo que se saboreia claramente neste tema que terá outro sabor se for escutado num dia de sol radioso e que, por saber aquela brisa fresca que tempera os dias mais quentes sem ofuscar o brilho do sol, pode muito bem caber num ipod a caminho de uma das nossas praias no verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 16:53
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Quinta-feira, 26 de Março de 2015

Passenger Peru - Light Places

Oriunda de Brooklyn, Nova Iorque, a dupla norte americana Passenger Peru editou o seu trabalho de estreia no início de 2014, uma edição apenas em cassete e em formato digital, através da Fleeting Youth Records e que foi dissecada já por cá. Formados por Justin Stivers (baixista dos The Antlers no álbum Hospice) e pelo virtuoso multi-instrumentista Justin Gonzales, os Passenger Peru estão de regresso em 2015 com Light Places, um compêndio de doze novas canções da dupla, viu a luz do dia a vinte e quatro de fevereiro e que podes encomendar facilmente.

Fortemente psicadélicos e com o punk ali ao canto da mira, estes Passenger Peru têm uma originalidade muito própria e um acentuado cariz identitário, por procurarem, em simultâneo, uma textura sonora aberta, melódica e expansiva e não descurar o indispensável pendor lo fi e uma forte veia experimentalista, percetivel na distorção das guitarras, no vigor do baixo de Stivers e, principalmente, nas guitarras plenas de fuzz e distorções rugosas e inebriantes. Este instrumento é frequentemente chamado para a linha da frente na arquitetura sonora de Light Places, ficando com as luzes da ribalta e um elevado protagonismo em várias canções, com particular destaque logo para o pop rock, algo cósmico, mas ligeiramente lo fi, cheio de arranjos detalhado da impressiva The Best Way To Drown, o primeiro single retirado do álbum e o contraste entre o red line e a viola acústica em Placeholder e o apenas aparente caos grunge de One Time Daisy Fee, canção onde a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, sobrevive em contraste com a pujança do baixo, a distorção da voz e a amplitude épica da melodia.

Break My Neck, o segundo single retirado de Light Places, vira um pouco a agulha do álbum para um universo mais melancólico, um tema vincadamente reflexivo e introspetivo, cheio de cordas com arranjos e detalhes que facilmente nos deslumbram e onde a voz de Stivers é um trunfo declarado, no modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína (one deep breath, sad but true, one deep breath, leads to you, break my neck, break my neck to, break my neck to see the stars, the stars explode above...). Este tema plasma com precisão as virtudes técnicas que os Passenger Peru possuem para criar música e a forma como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria. Na sequÊncia, o lindíssimo clima acústico de Falling Art School, canção que trasnpira a uma naturalidade e espontaneidade curiosas, com diferentes sons a arranjos a serem adicionados e retirados quase sem se dar por isso, é um exemplar modelo sonoro que prova que estes Passenger Peru sabem como harmonizar e tornar agradável aos nossos ouvidos sons aparentemente ofensivos e pouco melódicos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que a dupla nos oferece nas reverberações ultra sónicas deste tema e no transe da batida e dos detalhes sintéticos de Better Than The Movies, assim como no agregado instrumental clássico, despido de exageros desnecessários mas apoteótico que define Impossible Mathematics, é a demonstração cabal do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, levando-nos rumo ao período aúreo rock alternativo, com os solos e riffs da guitarra a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental, que comprime tudo aquilo que sonoramente seduz os Passenger Peru em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Na reta final do disco, o regresso do simples dedilhar orgânico da viola na ternurenta On Company Time, que se repete em Pretty Lil' Paintin', alarga ainda mais o abraço sonoro que Stivers e Gonzales dão às fronteiras que definem o seu cardápio e são a cereja que faz de Light Places um marco na carreira destes Passenger Peru, definido em grande estilo, por um coletivo irreverente e inspirado, uma irrepreensível coletânea que aposta numa espécie de hardcore luminoso, uma hipnose instrumental abrasiva e direta, mas melodiosa e rica, que nos guia propositadamente para um mundo criado específicamente pelo grupo, onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Passenger Peru produzem, feita com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:41
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Brandon Flowers - Can't Deny My Love

Brandon Flowers - Can't Deny My Love

Vocalista e lider dos The Killers, Brandon Flowers voltou a apontar agulhas para a sua carreira a solo, estando para breve o lançamento du sucessor de Flamingo, o anterior registo do músico, editado em 2010.

Desired Effect irá ver a luz do dia a dezoito de maio e Can't Deny My Love é o primeiro avanço divulgado desse trabalho, uma canção com uma sonoridade diferente do habitual, sendo o produtor Ariel Rechtshaid responsável por essa inflexão, com o próprio Flowers a afirmar que procurou sair da sua habitual zona de conforto, para apostar agora numa sonoridade que não descura as guitarras, mas que coloca o sintetizador na linha da frente do processo de composição melódica. Confere...


autor stipe07 às 11:04
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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Of Monsters And Men – Crystals

Of Monsters And Men - Crystals

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn.

Crystals é o primeiro avanço desse disco e para ilustrar a mensagem positiva da composição, assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras, o ator Siggi Sigurjóns surge no video a entoar cada verso da canção com sentimento e emoção. A direção é de Addi Atlondres e Freyr Arnason. Confere...


autor stipe07 às 21:40
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single Of Monsters And Men – Crystals

Of Monsters And Men - Crystals

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn.

Crystals é o primeiro avanço desse disco e para ilustrar a mensagem positiva da composição, assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras, o ator Siggi Sigurjóns surge no video a entoar cada verso da canção com sentimento e emoção. A direção é de Addi Atlondres e Freyr Arnason. Confere...


autor stipe07 às 21:38
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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

Wind In Sails – Morning Light

Editado a vinte e quatro de fevereiro último, Morning Light é o novo disco do projeto a solo de Evan Pharmakis intitulado Wind In Sails, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio do consórcio Equal Vision Records / Headphone Music e que, de acordo com as intenções do autor, está cheio de canções honestas e que pretendem transmitir uma mensagem positiva e inspiradora. Na verdade, em onze canções apenas e com uma viola debaixo do braço, este músico norte americano, oriundo de Newport em Rhode Island, mostra ser exímio na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

As canções de amor nunca passam de moda por muito que haja quem aprecie reforçar o cariz algo frágil e ingénuo da temática. São canções que ficam sempre bem quando são cantadas de modo emotivo e particularmente profundo e sentido como é o caso de Evan, que consegue, com a mesma certeza e simplicidade ,em temas como Push and Shove ou Lucid State, abordar o lado mais exuberante e luminoso dos afetos e, em belíssimos e sentidos instantes sonoros como Keeping Count ou Hanging Over You, oferecer-nos a sua visão mais sombria e comtemplativa das relações humanas.

A guitarra, na sua versão acústica, é, como já referi, o amigo fiel de Wind In Sails, uma extensão viva e inteligente do seu próprio coração, já que não é preciso um grande esforço para sentir vida no modo com as cordas vibram e se entrelaçam com a percurssão para criar lindíssimas melodias, capazes de emocionar o ser mais incauto, sempre harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e que não descuram, por exemplo em The Mess We're In, um certo toque psicadélico e uma toada folk que em Murder Backwards e Set Adrift plasmam um charme indisfarçável muito bem replicado e bastante recomendável.

As canções de Wind In Sails estão cobertas por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Morning Light está imbuído de uma enorme beleza melódica, escuta-se com enorme fluidez, há um encadeamento claro, uma noção de sequencialidade e uma relação clara entre as canções. A postura vocal de Pharmakis, sempre exuberante e capaz de deambular por diferentes tons e registos sem preder a emotividade nas sensações que transmite, é perfeita para encarnar este cosmos temático e em certos momentos é fantástico o modo como mistura harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz confessional, sendo esse um detalhe precioso no modo como Morning Light se mostra um álbum ameno, íntimo, cuidadosamente produzido e arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Em Morning Light Evan Pharmakis assume um rumo muito próprio para este projeto Wind In Sails, avançando em passo acelerado em direção a uma maturidade fortemente espiritual, onde subsiste um ideal de leveza e cor constantes, como se ele quisesse transmitir ao mundo inteiro, com elevado e profundo sentido de urgência que se elogia, todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, seduzindo pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro com um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

Wind In Sails - Morning Light

01. Push And Shove
02. Keeping Count
03. Level Head
04. Lucid State
05. Murder Backwards
06. Side By Side
07. Hanging Over You
08. Set Adrift
09. The Mess We’re In
10. Heart To Focus
11. Wild Child


autor stipe07 às 22:01
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Domingo, 22 de Março de 2015

Dead Mellotron – Winter EP

Oriundo de Baltimore, no Maryland, o projeto Dead Mellotron editou no passado mês de dezembro Winter, um EP com cinco canções onde reina um cruzamento feliz entre o rock progressivo e uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Intro, a canção de abertura do álbum, plasma essa relação quase simbiótica entre dois universos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, com a fragilidade incrivelmente sedutora de Totaled a mostrar já guitarras e um baixo e uma bateria que seguem a sua dinâmica natural, enquanto assumem uma faceta algo negra e obscura, para criar um instrumental tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

All Gray aconchega a chegada de uma voz sintetizada, que se confunde, de certo modo, com um simples arranjo instrumental, enquanto olha para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, numa melodia que explora uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente nos invade. Acaba por ser nesta canção que se percebe que a escrita dos Dead Mellotron carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi.

Até ao final, a guitarra planante e etérea de Who Else e o sintetizador lisérgico e cósmico por onde deambula Sleepover, mostra como estes Dead Mellotron nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito, já que, principalmente no último tema, das guitarras que escorrem ao longo do mesmo, passando pelo tal sintetizador e os efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do tema tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Winter é como o frio, a chuva, o vento ou a neve que nos apoquentam, enquanto nos recordam da importância dessa estação do ano algo incómoda para o ciclo de renovação da natureza, num EP que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a paisagem vasta, imensa e simultaneamente diversificada que sustenta o universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações e que soa poderoso, jovial e inventivo, de onde este projeto norte americano é natural. Espero que aprecies a sugestão... 

No Cover

01. Intro

02. Totaled
03. All Gray
04. Who Else
05. Sleepover


autor stipe07 às 21:57
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Django Django - Reflections

Django Django - Reflections

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome que acompanho com toda a atenção desde que há cerca de dois anos lançaram um espectacular homónimo de estreia.

A banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, vai regressar aos discos este ano, mais propriamente a cinco de maio por intermédio da Ribbon Music. O álbum chama-se Born Under Saturn e já há dois avanços conhecidos; Depois de em janeiro termos conhecido First Light, agora chegou a vez de ser divulgado Reflections, mais um tema onde os Django Django aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, sempre acompanhada por guitarras e um teclado que, neste caso, parece ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Basicamente, uma mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento. Confere...


autor stipe07 às 15:12
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