Segunda-feira, 6 de Julho de 2015

Yucatan – Uwch Gopa’r Mynydd

Oriundos do País de Gales, ou melhor, de Cymru, o nome antigo pelo qual era conhecido o território atualmente denominado Wales, nas ilhas Britânicas, os Yucatan são uma das novas sensações do universo sonoro alternativo, etéreo e melanólico, devido a Uwch Gopa’r Mynydd, o novo trabalho deste quarteto, lançado no passado dia vinte e dois de junho através da Recordiau Coll.

Escuta-se Uwch Gopa’r Mynydd e são inevitáveis salutares e elogiosas comparações com os vizinhos Sigur Rós, não só por causa da postura lírica e vocal, com estes Yucatan a cantarem com um dialeto próprio à semelhança do trio islandês, mas principalmente devido à sonoridade fortemente emotiva que os envolve. Sem esforço, este trabalho é capaz de projetar nos nossos ouvidos uma tela cheia de sonhos e sensações que muitas vezes apenas pequenos detalhes ou amplos arranjos conseguem proporcionar. O abraço feliz entre cordas exuberantes e metais impregnados de cândura em Cwm Llwm e o teclado soturno, os violinos, as guitarras distorcidas a percussão majestosa de Ffin, fazem-nos emergir num ambiente muito próprio e montam, logo à partida, o puzzle que contém o espetro sonro em que estes Yucatan se movimentam, com uma personalidade muito vincada e que nos remete também, emvários instantes, para a pueril simplicidade do mundo infantil. Os sinos e o falsete de Word Song e Angharad, o efeito minimal da guitarra da última e os efeitos burbulhantes e aquáticos de Ochenaid parecem saidos de uma caixa de música minúscula, que foi colocada num local bem determinado, por geração espontânea ou por obra do divino, não se sabe muito bem, mas escondida eficazmente, no fundo de um lago gelado que se formou há milhares de anos nas profundezas de uma escura, mas intacta e nunca explorada caverna, mas que foi revelada aos Yucatan em sonhos, já que só eles conseguiriam descodificar com notável precisão o seu conteúdo e materializá-lo nestas duas canções.

Sendo ou não obra do além ou apenas o resultado final de um trabalho intenso e planeado ao milímetro por quatro músicos que nasceram agraciados pelo desejo do lado bom de um dia se juntarem para compôr e tocar, Uwch Gopa’r Mynydd é festivo e grandioso e, contendo nuances variadas e harmonias magistrais, é um facto que todos os seus componentes, vocal e instrumental, orientam-se de forma controlada, como se tivessem sido agrupados com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma projeção do lado apenas bom de cada um de nós. Na verdade, é curioso perceber que sendo essa constatação natural perante uma audição sentida e dedicada, também é plausível constatar que as oito canções fluem de maneira hermética e acizentada. O piano e a voz de Halen Daean A Swn Y Mon e o modo como os tambores aumentam o rufar e os trompetes se insinuam à medida que o ritmo e a intensidade progridem, oferecem-nos essa sensação dicotómica expondo dentro de nós sentimentos de alegria e exaltação, mas também de arrepio e um certo torpor perante a grandiosidade do sentimento que exala do tema. 

Tendo na algibeira este álbum que conceptual e estilisticamente se fecha dentro de um campo próprio, intensamente místico e imerso num plano sonoro gracioso e sendo devidamente apreciados, estes Yucatan poderão ser acusados formalmente e posteriormente sentenciados, sem possibilidade de recurso, de serem responsáveis por uma nova geração de ouvintes se voltar a aproximar da música erudita ou de quaisquer outras formas de experimentação sonora, que incluem tantas vezes estranhos mas produtivos diálogos sempre passíveis de existir neste imenso mar de possibilidades chamado música. São discos como estes que impelem qualquer amante e crítico musical a nunca virar a cara à luta, nem se deixar absorver pelo desalento da incompreensão. Espero que aprecies a sugestão...

Yucatan - Uwch Gopa’r Mynydd

01. Ffin
02. Cwm Llwm
03. Word Song
04. Halen Daean A Swn Y Mon
05. Ochenaid
06. Llyn Tawelwch
07. Angharad
08. Uwch Gopa’r Mynydd


autor stipe07 às 21:45
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Kubalove - Trouble

Algures entre os Goldfrapp e os M83 situam-se os Kubalove um projeto de eletropop sedeado em Londres e que faz já parte do cardápio da Lost In The Manor.

O pop funk sintetizado melódico e com um forte apelo às pistas de dança de Trouble, uma canção que se debruça sobre a pressão e o desejo que muitos de nós sentem relativamente aos impulsos imediatos que a sociedade contemporânea nos oferece constantemente é a proposta sonora mais recente deste projeto liderado por uma cantora que a coberto da sua sensualidade nos inebria com particular mestria. Confere...


autor stipe07 às 14:40
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Domingo, 5 de Julho de 2015

The Soft Hills – Cle Elum

Depois de Chromatisms e Departure, os norte americanos The Soft Hills de Garrett Hobba estão de regresso com Cle Elum, um novo tomo de canções, que viram a luz do dia a doze de maio por intermédio da Tapete Records.

Um dos projetos mais profícuos dos últimos anos na costa oeste dos Estados Unidos, os The Soft Hills têm em Garrett Hobba a sua grande força motriz e sendo este disco escrito na íntegra e produzido pelo próprio, acaba por ser, naturalmente, um reflexo muito pessoal de um músico sensível e emotivo e dono de uma voz que vinca, com particular ênfase, essas caraterísticas, projetando tudo aquilo que mexe consigo e preenche o seu coração. O orgão minimal e o modo suplicante como Hobba se expressa em Temple of Heavan e, em oposição, a luminosidade da flauta, da viola acústica e das vozes de San Pablo Bay, apresentam-nos, logo na abertua de Cle Elum, a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor da Califórnia, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva de uma Seattle que já foi também poiso do músco .

Mais calmo e acústico que os antecessores, Cle Elum é uma ode explícita à tipica folk norte-americana, com origens e uma matriz singular e um dedilhar de guitarra muito próprio. O modo como alguns efeitos nublosos se misturam com as cordas em My Lucky Pal, por exemplo, contém todos esses genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio. E depois, na simplicidade melódica de temas como Feathers que, com uma simples harmonia e algumas teclas transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprova-se que as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que, ainda por cima, é, como já referi, detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar.

Em suma, num disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Cle Elum

01. Temple Of Heavan
02. San Pablo Bay
03. Gold Leaves
04. My Lucky Pal
05. The Mess You’re In
06. Into The Lately
07. Skeleton Key (Return To The Earth)
08. Feathers
09. Singing A Song Nobody Knows
10. In The Cool Breath Of Morning
11. It’s A Perfect Day
12. Transient Hotels


autor stipe07 às 17:54
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Sábado, 4 de Julho de 2015

Grasscut - Everyone Was A Bird

​Oriundos de Brighton, os britânicos Grasscut são uma dupla formada por Andrew Phillips e Marcus O’Dair e estão de regresso aos discos com Everyone Was A Bird, o terceiro tomo da carreira do projeto, editado através da Lo Recordings. Se coube essencialmente a Phillips escrever, cantar, produzir e tocar piano, guitarra, baixo, sintetizador, Everyone Was A Bird acabou por ser o trabalho da dupla onde Marcus teve, até agora, um papel mais ativo, já que também toca piano e baixo na maior parte das canções.

Fortemente cinematográficos e imersivos, submergidos num mundo quase subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar estas oito nove músicas que acresecentam ao seu já notável cardápio, os Grasscut impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial das suas canções. Os feitos que borbulham de Islander, canção inspirada numa zona chamada Jersey onde Phillips cresceu e o mapa conciso que o tema cria do espaço escuro e fundo onde este disco foi criado, subsistem à custa de uma mistura feliz entre a eletrónica mais introspetiva e minimal e alguns dos mais preciosos detalhes do post rock, onde não faltam belíssimos violinos, particulamrnte ativos também em Radar. Depois, as teclas do piano, um baixo sempre vibrante e lindísiimas letras, algumas delas inspiradas na obra de Robert Macfarlane, autor do clássico Landmarks, Mountains of the Mind, The Wild Places and The Old Ways, são outros elementos sonoros do álbum que o emblezam particularmente.

Everyone Was A Bird fala do passado dos antepassados desta dupla, é uma busca muito particular das origens e da identidade de ambos, enquanto procuram replicar sonoramente as paisagens naturais onde habitaram os seus antecessores; Escutam-se os sons naturais de Curlews, o piano vintage que conduz a melodia e o registo vocal em coro num assombroso registo em falsete, para pintarmos sem grande dificuldade na nossa mente a tela paisagistíca que inspirou os Grasscut, onde não faltam ribeiros cheios de vida, manhãs dominadas pelo nevoeiro e um frio intenso e revigorante e uma fauna muito particular, com a curiosidade de, num patamar inferior, suportando este quadro idílico, estar o tal universo submerso, escuro e entalhado qase no ventre da terra mãe, expirando por um buraco cravado no solo poeirento toda esta vida feita música, que tanto pode estar ainda em Jersey, como já no estuário de Mawddach, no País de Gales, região de origem da família de Philips e onde a maioria da mesma ainda reside, ou a própria Brighton, que inspirou o conteúdo particularmente profundo e emotivo da balada Snowdown, cantada por Elisabeth Nygård e da pensativa e reflexiva, mas também épica The Field.

O momento mais emocionante, extorvertido e grandioso de Everyone Was A Bird acaba por ser o final com Red Kite, tema onde os Grasscut parecem já querer projetar-se para uma dimensão superior,  numa canção cheia de detalhes e sons fortemente apelativos e luminosos, aprofundando a relação intensa que existe neste disco entre música e uma componente mais visual, ao que não será alheio o trabalho de Phillips como criador de bandas sonoras, sendo bom exemplo a sua participação, por intermédio de outro quarteto de que faz parte, no aclamado documentário Piper Alpha: Fire In The Night, que relata os trágicos acontecientos ocorridos no Mar do Norte em Julho de 1988, quando um incêndio numa plataforma petrolífera tirou a vida a cento e sessenta e sete trabalhadores e a elaboração de uma série de filmes de paisagens naturais, da autoria de Roger Hyams e do fotógrafo Pedr Browne, para acompanahrem cada um dos oito temas de Everyone Was A Bird, nomeadamente quando forem tocados ao vivo, sendo projetados durante os concertos dos Grasscut.

Com as participações especiais nas vozes da já referida Elisabeth Nygård, de Adrian Crowley e de Seamus Fogarty e de Aram Zarikian na bateria, Emma Smith e Vince Sipprell nas cordas, Everyone Was A Bird é uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante, que nos faz imaginar a beleza daquelas ilhas sem grande esforço e quem se deixar contagiar pela melancolia destes Grasscut será transportado rapidamente para o gélido norte das ilhas britânicas, talvez acompanhado por uma xícara bem quente de chá. Espero que aprecies a sugestão...

Grasscut - Everyone Was A Bird

01. Islander
02. Radar
03. Curlews
04. Fallswater
05. Halflife
06. Snowdown
07. The Field
08. Red Kite


autor stipe07 às 18:35
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Eliot Sumner – After Dark

Eliot Sumner - After Dark

Com o ocaso do projeto I Blame Coco, Eliot Sumner virou definitivamente agulhas para o seu projeto a solo que deverá ver o disco de estreia ainda antes do final deste ano. After Dark é o primeiro single divulgado desse álbum e nela, a voz andrógena de Eliot é coberta por uma nuvem de sintetizadores, guitarras precisas e batidas que moldam uma melodia cujo clima soturno apela claramente à pop dos anos oitenta.

No vídeo, captado num estúdio pouco iluminado, a cantora surge com os colegas de banda, todos separados por estações, num ambiente repleto de luzes coloridas e projeções frenéticas que ajudam a ampliar o tom sombrio da canção. Confere...


autor stipe07 às 18:22
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2015

The Libertines – Gunga Din

The Libertines - Gunga Din

Onze anos depois do último registo de originais, os britânicos The Libertines, de Peter Doherty e Carl Barât, têm finalmente um novo trabalho na calha. Anthems for Doomed Youth chega aos escaparates em setembro, via Harvest, e Gunga Din é o primeiro single divulgado.

A canção inspira-se num poema do século XIX com o mesmo nome da autoria de Rudyard Kipling e o vídeo, realizado por Roger Sargent, mostra o quarteto a deambular pelas ruas do Red Light District, na Tailândia. Confere...

 


autor stipe07 às 10:04
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2015

Cold Weather Company – Somewhere New

Brian Curry, Jeff Petescia e Steve Shimchick são os Cold Weather Company, um trio norte americano oriundo de New Brunswick, em Nova Jersey, que se estreou nos discos no início deste ano com Somewhere New, treze canções que viram a luz do dia logo em janeiro e que foram captadas em quartos, caves e até numa cabine, gravadas e misturadas por Ralph Nicastro dos Boxed Wine.

É a mais genuína herança sonora da América profunda que preenche o código genético destes Cold Weather Company, abastecido por cordas, que servem como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções. Este coletivo mergulha fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, este trio deixa-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem cada uma destas treze canções e expandem os territórios deste grupo da costa leste. A simbiose entre os dois géneros possibilita que eles se encontrem, como em Steer, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia que o ambiente acústico de Fellow In The North, o piano de Unlocked, a luminosidade do dedilhar de Jasmine ou a pronúncia grave das notas de Fall Low denunciam de forma declarada.

Há em Somewhere New uma capacidade subtil de incorporar um sentimento universal e quase filosófico de crença em algo novo, diferente e, por isso, conforme indica o título, substancialmente melhor. Nas letras os Cold Weather Company assumem uma postura quase religiosa, com muitas das canções a refletirem sobre fé e crenças, num disco bucólico e nostálgico que o aproxima de outros grandes representantes da cena folk atual, com os Fleet Foxes, ou os The Decemberists a serem, cdertamente, referências óbvias. A própria subtileza vocal de Brian Curry parece rondar em várias canções Colin Meloy, uma aproximação que, por exemplo, em Horizon Fire, resulta num doce retrato do que seria a música pop há umas cinco décadas. Esta calma acaba por definir a estrutura geral de Somewhere New, com a busca de delicadeza e um altivo controle da espontaniedade a serem, para já, uma imagem de marca destes Cold Weather Company.

Na estreia, este trio norte americano utiliza a santa triologia da pop, da folk e da country de forma extremamente assertiva e eficaz, num resultado final que reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que simultanemente nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Weather Company - Somewhere New

01. Horizon Fire
02. Fellow In The North
03. Steer
04. Inside Your Eyes
05. Someone Else
06. Hey Bodham Dae / What Do I Do
07. Garden
08. Unlocked
09. Jasmine
10. Tumbling
11. Recollection
12. Fall Low
13. Seafarer


autor stipe07 às 22:00
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Beach House - Sparks

Beach House - Sparks

É já a vinte e oito de agosto que chega às lojas, através da Sub Pop, Depression Cherry, o quinto álbum da dupla Beach House e Sparks é o primeiro single divulgado do sucessor do aclamado Bloom

Com uma sonoridade simples e nebulosa, bastante melódica e etérea, assente em sintetizadores assertivos e ruidosos e guitarras com efeitos recheados de eco, os Beach House mantêm, em Sparks, intacta a sua aura melancólica e mágica, que vive em redor da voz doce de Victoria Legrand e da mestria instrumental de Alex Scally e se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, com My Bloody Valentine, Rocketship e Slowdive a serem recordados com alguma nitidez neste tema. Confere...


autor stipe07 às 16:37
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DIV I DED - Late Awakening

A dezassete de julho chega aos escaparates Born To Sleep, o disco de estreia dos DIV I DED, um projeto checo criado pelo multi-instrumentista Filip Helštýn em 2013, juntamente com a vocalista Viktorie Marksová e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inspirados pela pop melancólica simples e intrigante, feita com aquele intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação e adornada com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, os DIV I DED também piscam o olho ao punk rock em Late Awakening, o primeiro single divulgado de Born To Sleep, um tema que exala um charme melódico que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Confere...


autor stipe07 às 16:25
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2015

André Barros - Soundtracks Vol. I

Estudante de direito, André Barros resolveu, em boa hora, aprender a tocar piano, de modo autodidata e numa idade considerada por muitos como tardia mas que, pelos vistos, tendo em conta a beleza da tua música, resultou na perfeição. O passo seguinte, acabou por ser estudar produção musical e para isso rumou à Islândia para trabalhar alguns meses no Sundlaugin Studio dos Sigur Rós, uma das minhas bandas preferidas, num espaço que eu adorava visitar.

Particularmente apaixonado por música instrumental, André Barros sempre adorou escutar bandas sonoras e a facilidade com que tocou um dos temas de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, de Yann Tiersen, num piano acústico de uma amiga, acabou por ser o click final para o arranque de uma carreira, feita muitas vezes de improviso e que acaba de ter um enorme fòlego intitulado Soundtracks Vol. I, o seu rerceiro registo de originais e que, gravado entre Lisboa e Paço de Arcos, viu a luz do dia a dezoito de maio, por intermédio da Omnichord Records.

Soundtracks Vol. I contém, entre outros, os temas do filme Our Father, de Linda Palmer, que renderam ao autor um galardão para melhor banda sonora no Los Angeles Independent Film Festival Awards e que, depois de ter alcançado boas críticas e alguns prémios em vários festivais, chegou também à edição de 2015 do Festival de Cannes.

Músico de excelência e exímio criador de arranjos, quer de teclas quer de cordas, em Soundtracks Vol. 1 André Barros oferece-nos vários temas criados essencialmente para curtas metragens e documentários, com Between Waves a ser a única canção que não é da sua autoria. Refiro-me a um tema de Yuchiro Nakano, com arranjos da autoria de André Barros e que fez parte de uma curta-metragem com o mesmo nome. Depois, há também uma excelente composição intitulada Gambiarras, que conta com a participação especial do escritor Valter Hugo Mãe, que escreveu um poema que o próprio leu, além de uma canção intitulada Flowers On Your Skin, criada propositadamente para o espetáculo de dança contemporânea Short Street Stories.
Trabalho comtemplativo, relaxante e intimista, Soundtracks Vol. I é um admirável compêndio de trechos sonoros, feitos com cordas e pianos que se unem entre si com uma confiança avassaladora, tornando-se absolutamente recompensadores pelo modo como nos transmitem uma paz de espírito genuína, ao memso tempo que conseguem ajudar-nos a materializar visualmente os diferentes cenários que as composições pretendem recriar nos diferentes filmes em que são utilizados. Este é um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, capaz de colocar o ouvinte no meio da ação dos filmes e documentários que utilizam as várias composições do alinhamento, contemplando-os usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião, música com cheiros e cores muito próprios.

Não só no conceito que pretendeu, pelos vistos, criar sons tendo em conta a trama que se desenrola no grande ecrã, sons do momento e, por isso irrepetíveis, mas também na materialização, onde não faltam instantes sonoros subtis proporcionados por alguns arranjos que, confesso, só uma audição atenta com headphones me permitiu conferir, já que alguns são audíveis de forma quase impercetível, percebe-se que a sonoridade geral de Soundtracks Vol. 1 exala uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental e tem tudo o que é necessário para, finalmente, o André Barros ter o reconhecimento público que merece. Confere a entrevista que André Barros concedeu a Man On The Moon e espero que aprecies a sugestão...

Gravado em Lisboa e em Paço de Arcos, Soundtracks Vol. 1 é um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, capaz de colocar o ouvinte no meio da ação dos filmes e documentários que utilizam as várias composições do alinhamento, contemplando-os usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião, música com cheiros e cores muito próprios. Como surgiu a ideia de gravar um disco assim?

Agradeço imenso estas palavras! Diria que não houve, inicialmente, qualquer intenção de gravar um disco assim pois aquando da composição das várias bandas sonoras a que estes temas pertencem (portanto, desde final de 2013) eu não antevia que, juntamente com a editora, viríamos posteriormente a tomar a decisão de os compilar num CD e passar a ter esta mostra do meu trabalho nesta área dividida por volumes. No entanto, depois de termos os temas prontos, depois de terminadas as bandas sonoras, tudo fez sentido e dado que continuarei a trabalhar com afinco neste mundo da música para imagem, então que melhor forma de o partilhar com o público do que criar estas compilações ao longo do tempo?

Pessoalmente, penso que Soundtracks Vol. 1  tem tudo o que é necessário para, finalmente, o André Barros ter o reconhecimento público que merece. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu novo fôlego no teu projeto a solo?

É extraordinário sentir isso, e sinto-me muito grato por até hoje ter recebido um bom feedback deste trabalho de que tanto me orgulho. Espero tão somente que possa continuar a partilhar as minhas criações com as pessoas, seja gravando mais bandas sonoras, seja pelos concertos, seja pelo lançamento de um novo álbum de originais (que não para filmes). Para o fazer, certamente que terei de influenciar positivamente quem escuta o meu trabalho para que possa ter as condições para continuar, e estou convicto de não defraudarei as expectativas de quem, tão gentilmente, tem seguido o meu percurso.

Ouvir Soundtracks Vol. 1 foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante e melancólico, é realmente um documento que não tem apenas as teclas do piano como protagonistas maiores do processo melódico, com as cordas, quer de violas, quer de violinos, a serem, também, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem. Esta supremacia do cariz fortemente orgânico e vivo que esta miríade instrumental constituída por teclas e cordas por natureza confere à música que replica, corresponde ao que pretendeste transmitir sonoramente neste trabalho?

Sem dúvida! Estes temas, todos eles, vivem muito da intenção aquando da sua interpretação, e não apenas de todo o aparato técnico que montamos quando os criamos em estúdio. Este é um aspecto crucial que influenciará certamente a escuta atenta de quem põe o disco a tocar, é também um aspecto que vou tentando aprimorar a cada trabalho que vou produzindo, sendo que por vezes se pode tornar um desafio enorme partilhar com os músicos exactamente a intenção que pretendo que coloquem em cada frase, mas tudo isto é uma aprendizagem e felizmente vejo-me rodeado de músicos bem talentosos e maduros, apesar da sua (nossa!) juventude!

Em traços gerais, como foram sendo selecionados os filmes e documentários onde se podem escutar estas canções? Recebeste convites para participares na banda-sonora ou tu próprio abordaste alguns realizadores com essa intenção?

Até agora, todos os filmes nos quais tive o prazer de participar com o meu trabalho (tirando somente produções para filmes institucionais e corporativos/publicidade) surgiram graças ao meu trabalho de pesquisa (uma parte fundamental da minha actividade!) que desenvolvo incessantemente, procurando projectos de filmes em fases de pré-produção para os quais acha uma futura possibilidade de vir a integrar enquanto compositor. Uma vez captado o interesse de um realizador/produtores, desenvolvo os contactos por forma a mostrar que consigo atingir a sonoridade que pretendem, enviando demos com base em guiões ou outro material já disponível, até que (nos casos em que fui bem sucedido) recebo a confirmação do outro lado para integrar oficialmente a equipa de produção.

Não só no conceito que pretendeu, pelos vistos, criar sons tendo em conta a trama que se desenrola no grande ecrã, sons do momento e, por isso irrepetíveis, mas também na materialização, onde não faltam instantes sonoros subtis proporcionados por alguns arranjos que, confesso, só uma audição atenta com headphones me permitiu conferir, já que alguns são audíveis de forma quase impercetível, percebe-se que a sonoridade geral de Soundtracks Vol. 1 exala uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental. Houve, desde o início do processo de gravação, uma rigidez no que concerne às opções que estavam definidas, nomeadamente o tipo de sons a captar no piano e a misturar com as cordas e as vozes, ou durante o processo houve abertura para modelar ideias à medida que o barro se foi moldando?

Sim, há sempre uma certa flexibilidade que me dão durante o processo de amadurecimento dos temas, e que me permite experimentar novos sons ou novos efeitos que poderão enriquecer o resultado final do trabalho. Acredito que tais pormenores, e claro muitos deles apenas perceptíveis se escutados atentamente, acabam por contribuir para uma identidade mais vincada de cada projecto, ajudando-me a enriquecer e a complementar uma melodia.

Além de ter apreciado a riqueza sonora natural, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei muito bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

Muito obrigado! De facto, tento sempre que o meu trabalho tenha uma boa estrutura melódica pois acabou por ser esta a razão que me levou a entrar no universo da música, da composição... é muito inglório atribuir a este ou outro aspecto/acontecimento o papel de  fonte de inspiração pois será sempre uma resposta subjectiva e incompleta, na medida em que sinto que há uma infinidade de factores de certamente contribuirão para a génese do meu trabalho de composição, muitos deles claramente intuitivos e difíceis de racionalizar!

Valter Hugo Mãe escreveu propositadamente o poema de Gambiarras, um tema em que ele próprio também colabora com a voz. Como surgiu a possibilidade de trabalhar com este escritor ilustre no disco? De quem partiu a iniciativa desta colaboração?

Eu conheci o Valter e enderecei-lhe o convite, sendo que já vinha a amadurecer este tema há algum tempo, e com ele também a ideia de cruzar a poesia (ainda que não declamada, apenas lida) com o este meu trabalho. E quem melhor do que o Valter, que aliás tem imensas colaborações com projectos musicais, para me ajudar a concretizar este devaneio?

Adoro a composição Wounds Of Waziristan, por sinal o single do disco. O André tem um tema preferido em Soundtracks Vol. 1?

É-me sempre difícil responder a esta questão, pois tenho muito carinho por todos os temas do álbum... mas se realmente tivesse de eleger um e distingui-lo como uma espécie de “single” do disco, de facto escolheria precisamente o Wounds of Waziristan pois trata-se do primeiro tema que alguma vez compus para filme, logo terá sempre um espaço especial no meu trajecto e nas minhas memórias!

Em relação ao futuro, após Soundtracks Vol. 1, já está definido o próximo passo na tua carreira?

Continuar a trabalhar nesta área das bandas sonoras pois, para além de me dar imenso prazer, dá-me também um certo conforto financeiro para que me possa continuar a aventurar sem receios nesta indústria! Continuar com os concertos de apresentação tanto deste álbum como do anterior e ir pensando em temas para um eventual álbum a solo (isto é, que não de temas para bandas sonoras).

Em tempos, quando estudavas Direito, resolveste aprender a tocar piano, pelos vistos de modo autodidata, numa idade que muitos podem considerar tardia mas que, pelos vistos, tendo em conta a beleza da tua música, resultou na perfeição. Como se deu esse click?

Sim! Agradeço a simpatia. Eu já ouvia imensa música instrumental e nomeadamente de bandas sonoras pela altura em que estava perto de terminar o curso de Direito, pelo que um dia lembrei-me de tentar tocar um dos temas da banda sonora do filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” de Yann Tiersen... pesquisei no Youtube como tocar o tema e pedi a uma amiga que me deixasse tentar fazê-lo num piano acústico que ela tinha em casa. Quando percebi que o fiz com relativa facilidade, apaixonei-me de imediato pelo toque e pela sonoridade do piano, daí até comprar um piano digital passaram uns dias e desde logo me aventurei no improviso até construir os meus temas!

Depois, o passo seguinte, acabou por ser estudar produção musical e para isso rumaste à Islândia para trabalhar alguns meses no Sundlaugin Studio dos Sigur Rós, uma das minhas bandas preferidas, num espaço que eu adorava visitar. Como é, em traços gerais, o ambiente nesse estúdio? Como foi essa experiência?

Sim, estive naquele estúdio maravilhoso durante 3 meses, no Verão de 2012. Foi uma experiência inesquecível, aprendi imenso, contactei com músicos e técnicos extraordinários e seria ridículo não dizer que foi o concretizar de um sonho poder partilhar aquele ambiente com músicos e projectos que tanto admiro. São todos extremamente profissionais e pessoas muito dedicados a esta arte. Reina a calma e a boa disposição e procura-se sempre a perfeição sonora respeitando-se todo e cada instrumento e músico para que transpareça nas gravações a paixão que se sente pelo que fazem.

 


autor stipe07 às 21:32
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Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

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