Sábado, 18 de Maio de 2013

Treetop Flyers – The Mountain Moves

Lançado no passado dia vinte e nove de abril na Europa por intermédio da Loose Records, The Mountain Moves é o disco de estreia dos Treetop Flyers, um quinteto de Londres formado por Reid Morrison, Sam Beer, Tomer Danan, Laurie Sherman e Matthew Starritt e que procuram apropriar-se de um género musical com profundas raízes na terra do Tio Sam.


Apesar de serem ingleses e estarem sedeados em Londres, é na solarenga Califórnia que os Treetop Flyers encontram inspiração para a sua música, até porque o disco foi gravado em Malibu e o baterista, Tomer Danan, é norte americano. Catapultados pelo sucesso de nomes tão consagrados como os seus conterrâneos Mumford & Sons, cujo disco Babel foi laureado no último Grammy com o troféu de Álbum do ano, este grupo assenta a sua sonoridade no folk rock que a partir da década de sessenta começou a ser proposto por nomes tão influentes como os the Byrds e os Crosby, Stills, Nash & Young. Eles vão mesmo tentar a sua sorte no outro lado do atlêntico já que também assinaram com o selo norte americano Partisan Records e verão The Mountain Moves ser editado nos Estados Unidos a vinte e cinco de junho próximo.

The Mountain Moves sucede aos EPs Bury To Past e Things Will Change, foi produzido por Noah Georgeson e segue as mesmas referências biblícas dos já citados Mumford & Sons. É um álbum com onze canções assentes numa instrumentação e produção impecável e vocalizações muito peculiares, partilhadas por Sam Beer e Reid Morrison, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e descomplicadas.

Apesar do foco sonoro do conteúdo do disco estar centrado na folk rock, também há alguns detalhes típicos do rock britânico que era feito pelas clássicas guitarras dos Faces e dos Rolling Stones, principalmente no sublime e enérgico tema de abertura, Things Will Change, o primeiro single já retirado do disco e em Waiting For You, canção que facilmente nos trasnposta até ao universo dos anos setenta e dos Fleetwood Mac. Postcards destaca-se um pouco das restante canções já que tem uma componente mais pop e poderá ser um potencial single do disco, com o objetivo de demonstrar que também há um certo ecletismo no som dos Treetop Flyers. 

The Mountain Moves equilibra com sapiência elementos do rock, do country e da soul, conta histórias e retrata imagens que poderiam ser vividas por qualquer um de nós em cada uma das onze canções, é um excelente álbum de estreia e representa um bom augúrio relativamente ao futuro deste grupo, que poderá ser o próximo a conquistar o outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...

01. Things Will Change
02. Houses Are Burning
03. Waiting On You
04. Rose Is In The Yard
05. She’s Gotta Run
06. Haunted House
07. Postcards
08. Making Time
09. Picture Show
10. Storm Will Pass
11. Is It All Worth It


autor stipe07 às 21:40
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Bravestation - IV

Depois de Giants Dreamers, álbum editado no verão passado e que divulguei oportunamente, os Bravestation dos irmãos Devin Wilson (voz e baixo) e Derek Wilson (guitarra) e de Andrew Heppner (teclados e sintetizadores) e Jeremy Rossetti (bateria e percurssão), estão de regresso aos discos com IV, um EP editado no passado dia catorze de maio. Entretanto já divulgaram alguns singles desse novo álbum, sendo o mais recente Somewhere We Belong, canção disponível para download no bandcamp da banda, assim como o restante EP.

Liricamente, as quatro canções deste EP contam histórias que misturam fantasia com realidade e que depois ganham vida com canções emotivas, luminosas e cheias de cor (We use emotional experiences from real life and try to recreate them in another world).

Sonoramente, estes quatro rapazes de Montreal, no Canadá, misturam elementos do R&B com a new wave e a eletrónica, criando paisagens sonoras com uma atmosfera e abordagem tendencialmente pop. Conseguem colocar uma elevada dose de groove nas canções, salientadas pelo ligeiro abanar de ancas que proporcionam. Os anos oitenta estão bastante presentes, quer nos efeitos hipnóticos colocados na voz, como nos sintetizadores, que recriam a sonoridade típica dessa década. E, à semelhança do que acontece com outros projetos similares contemporâneos, é possível sentir aqui que a abordagem a esses gloriosos anos da pop soa, ao mesmo tempo, como um retrocesso temporal, mas também algo sonoramente futurista. Confere...

01. All We Have Is Us
02. Somewhere We Belong
03. Ancient Kids
04. Rain Child


autor stipe07 às 22:19
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Quinta-feira, 16 de Maio de 2013

Snowden - No One In Control

Snowden é um projeto musical indie, alternativo e experimental liderado pelo músico Jordan Jeffares, natural de Austin, no Texas. A banda formou-se em Atlanta, já em 2003 e estrearam-se nos discos três anos depois com Anti-Anti, através da Jade Tree. Após a separação desta editora e de uma mudança para Chicago e depois para Brooklyn (Nova Iorque), com outra passagem por Atlanta no meio (confuso?), Jeffares regressou a Austin e assinou pela Serpents & Snakes, a primeira editora dos Kings Of Leon. Em fevereiro do ano passado entrou em estúdio e assim tiveram início as gravações de No One In Control, álbum que viu a luz do dia recentemente e cujo grande destaque é o single The Beat Comes. Esta canção já é conhecida desde o verão passado e tem um vídeo, realizado por John Merizalde. O tema foi já alvo de várias remisturas, entre as quais destaco a do projeto Lane 8, disponível abaixo para download gratuito. Apesar de Snowden ser essencialmente um projeto a solo de Jordan Jeffares, entraram novos membros na banda e que já estão a tocar nos concertos de promoção deste novo trabalho dos Snowden; Falo de Keith Vogelsong, Yoi Fujita, Mikey Jones, Chandler Rentz, Corinne Lee e David Payne.

Há sempre magia quando a literatura e a música se encontram e esse cruzamento é feliz nos Snowden já que além do projeto ser inspirado no nome de um personagem do best-seller de Joseph Heller Catch-22, no conteúdo de No One In Control, a habilidade de Jordan para a escrita e composição musical é muito visível. Esta capacidade de conjugar os dois mundos artísticos recorda um pouco Paul Banks e os Interpol, com o disco a ter um conteúdo algo sombrio e ao mesmo tempo dançável, assente numa percussão vincada, um baixo pulsante e uma sintetização muito intensa, carregada de loops e efeitos e letras profundas e com uma elevada sensibilidade emocional.

Logo na abertura, o cariz épico do tema homónimo, reforçado por uma voz intensa e pouco convencional, apresenta muito bem esta riqueza sonora, que atinge o auge na já citada The Beat Comes, uma animada canção, com uma distorção de guitarra frenética, uma toada que anima os espíritos mais taciturnos e com uma letra memorável (Bop your head till the beats comes, keep your mouth off the canon, I shiver down south, there’s no way to go back now). A constante repetição do refrão de So Red faz do tema um instante romântico que arrebata qualquer coração (I could be a poet but we don’t have time); É uma daquelas canções que poderias ouvir indefinidamente que descobririas nela sempre um detalhe novo. Mas também destaco o refrão que sera sera do tema Not Good Enough, o monumento rock que é Hiss e Keep Quiet, o single mais recente retirado de No One In Control, um excelente exemplo da capacidade criativa dos Snowden. A canção começa com uma bateria e um registo vocal algo desconexo mas muito atmosférico que rapidamente te atrai e te deixa pregado a ela durante os quase seis minutos de duração. 

Em No One In Control os Snowden demonstram que é possível fazer música que prova que ninguém consegue controlar completamente as suas emoções quando experimentam a beleza e o verdadeiro sentido de uma vida vivida em pleno e onde as possibilidades são ilimitadas. Espero que aprecies a sugestão...

01. No One In Control
02. So Red
03. Anemone Arms
04. The Beat Comes
05. Hiss
06. Keep Quiet
07. Don’t Really Know Me
08. Not Good Enough
09. Candy
10. No Words No More
11. This Year


autor stipe07 às 20:56
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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

French Films – White Orchid

Os French Films de francês só têm o nome já que são um quinteto indie rock natural de Helsinquia, Finlândia, formado por Johannes Leppänen (voz e guitarra), Joni Kähkönen (voz e guitarra), Mikael Jurmu (voz e baixo), Santtu Vainio (teclado, percurssão e guitarra) e Antti Inkiläinen (bateria). Lançaram em 2010 o EP Golden Sea e em setembro de 2011, Imaginary Future, o disco de estreia, que na altura divulguei e que fez parte da minha lista dos melhores desse ano. Agora, chegou finalmente o sucessor. O novo trabalho do grupo finlandês chama-se White Orchid e viu a luz do dia novamente através da GAEA Records.

Se o EP Golden Sea foi muito bem recebido pela crítica do rock independente, Imaginary Future, o tal disco de estreia, tinha a mesma sonoridade do EP, ou seja, um rock sujo e lo fi, uma espécie de surf rock com um pé no post punk de um grupo cujo som lembra as praias da Califórnia e um nome que remete à Nouvelle Vague.  Assim, todos os trabalhos da banda, incluindo este White Orchid, são bastante homogéneos e facilmente identificáveis para quem estiver já minimamente familiarizado pelo grupo. Obviamente que esta constatação acaba por ser uma faca de dois gumes já que quem os aprecia delicia-se com esta nova coleção de canções e quem esperava por algo diferente e uma inversão inesperada na sonoridade do grupo, sentir-se-á defraudado com esta nova etapa dos French Films. Talvez isso venha a suceder no terceiro disco...

No My Space da banda os French Films estamparam rostos do francês Serge Gainsbourg e dos Jesus and Mary Chain e descrevem a sua música como sendo inspiradas no inverno frio e escuro. Mas White Orchid é a banda sonora de um dia de verão, um cardápio de surf rock, com trinta e serte minutos de canções curtas mas vibrantes. Existem boas letras, arranjos assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e criativa e com alguns efeitos e detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta. A bateria e a secção ritmíca são bastante aceleradas, surgindo ali no meio Latter Days, a fazer de contraponto ao restante conteúdo, graças a um noise diferenciado e a uma melodia mais aberta e luminosa. Em Into Thousand Years a banda também diminui um pouco o ritmo, até porque depois de oito canções, os French Films perceberam que seria bom abrandar um pouco e em boa hora o fizeram.

Em toda esta toada descontraída e ao mesmo tempo visceral, estes finlandeses conseguem juntar uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante dançável. Vale a pena ouvir o disco todo, sem parêntesis e pausas, com uma atitude descontraída e jovial, já que certamente fará o ouvinte antecipar o verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...

01. White Orchid
02. Where We Come From
03. Ridin’ On
04. Special Shades
05. All The Time You Got
06. Latter Days
07. Long Lost Children
08. Juveniles
09. Into Thousand Years
10. 99


autor stipe07 às 17:49
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Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Junip - Junip

Lançado no passado dia vinte e três de abril pela Mute, Junip é o homónimo disco dos Junip, um porjeto sueco liderado por José Gonzaléz e que também incluí o baterista Elias Araya e Tobias Winterkorn nas teclas. Apesar de José González ser o grande líder e mentor deste projeto, ele próprio procura sacudir um pouco a água do pacote em relação à sua relevânvcia no processo criativo e conceptual dos Junip, afirmando que este álbum é disco de toda a banda; All the ups and downs were very ‘Junip, (...) so titling it with our name seemed appropriately iconic. It’s truly a band album. Line Of Fire e Your Life Your Call são os dois singles já conhecidos deste álbum e foram disponibilizados para download gratuito.

O folk rock e alguma psicadelia são as traves mestras de Junip, um conjunto de dez canções competentes na forma como abarcam diferentes universos dentro de um mesmo cosmos, que misturam harmoniosamente estes estilos com a voz suave de González, sendo este um álbum pop, em toda a sua elegância e sofisticação. Os arranjos são bem feitos e prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação da guitarra e da bateria com o órgão e com sons de um sintetizador analógico.

O tempo é um dos fatores determinantes para se entender este disco, um tempo que se revela na rapidez com que os dez temas passam e na maturidade que eles transpiram. A abertura com Line of Fire já deixa isso bem claro; Com uma interessante progressão, a música acumula timbres e camadas, que atingem um clímax nos versos With no one else around you, no one to understand you, no one to hear you calls, usados para contar que, em situações muito tensas, é natural que haja quem desista de lutar. É triste quando isso acontece, mas não é preciso fazer disso um drama. A já citada maturidade é destilada quando José González, na sua escrita, mantém uma postura mais observadora do que propriamente de protagonismo, devido a uma já interessante experiência de vida.

Suddenly plasma as mesmas melodias bonitas e a viola de González mantém-se fiel a esse mesmo espírito. Depois, vem So Clear, tema que injeta uma energia maior ao álbum, juntamente com Villain, a canção que encerra a primeira metade do disco. Entre as duas está a simpática Your Life Your Call com o refrão stand up or enjoy your fall, a ser mais um atestado de maturidade do autor.

A segunda metade de Junip começa com Walking Lightly, a canção mais longa do álbum; Com uma letra concisa mas densa, o tema tem uma cadência calorosa e envolvente e as canções seguintes continuam a misturar a realidade da vida com a beleza que ela pode ter, algo bem patente no refrão iluminado de Head First e na sonoridade peculiar do baixo de Baton. Por outro lado, Beginnings é a canção mais sombria de todo o disco, um tema que se arrasta por cinco minutos como uma ressaca melancólica, algo que se altera com After All Is Said And Done, a última música do álbum. Essa canção serena, doce e reconfortante, fala da tal questão do tempo, ouvindo-se mesmo pequenos sons de relógios fora do compasso da música, o que reproduz a tensão de quem vê o tempo correr e precisa lidar com isso da melhor forma que pode e sabe.

Enquanto muitas bandas se esforçam para denotarem maturidade de um disco para o outro, os Junip preocuparam-se mais em apresentar um disco que é uma espécie de sortido de diferentes sabores, uma coleção de canções seguras, sensíveis e que sirvam para comunicar com o ouvinte. É um álbum excelente para quem julga a beleza não é óbvia, mas algo que pode ser encontrado onde menos se espera e para quem raramente viva em pólos opostos e tem o descomplicador sempre ligado. Espero que aprecies a sugestão...

01. Line Of Fire
02. Suddenly
03. So Clear
04. Your Life, Your Call
05. Villian
06. Walking Lightly
07. Head First
08. Baton
09. Beginnings
10. After All Is Said And Done


autor stipe07 às 15:26
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Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Generationals – Heza

Os Generationals são uma dupla norte americana indie pop de New Orleans, formada por Ted Joyner e Grant Widmer. Heza é o terceiro disco do grupo, editado no passado dia dois de abril por intermédio da Polyvinyl Records. A banda estreou-se nos discos em 2009 com Cow Law e em 2011 editaram o sucessor, Actor-Caster.

Os dez temas de Heza circulam entre abordagens mais electrónica como num indie sombrio e nublado, sempre com uma base melódica muito elaborada e coesa, que poderá cair facilmente no goto do grande público, com especial destaque para Put A Light On, já uma das canções do ano. O vídeo da canção foi filmado na própria New Orleans, cidade natal dos artistas. Dirigido por Vice Cooler, o filme capta os membros da banda, assim como os próprios moradores da cidade, que aparecem a dançar e a preparar-se para colocar as fantasias características dos tradicionais festivais realizados anualmente nessa cidade.

Depois de Con Law e do sucessor Actor-Caster, Heza pode pôr-nos a cantarolar e a bater palmas ao som do seu conteúdo, mas não deixa de ser o disco mais experimental da carreira dos Generationals, um álbum onde experimentarem abordagens sonoras que ainda não se tinham ouvido nos antecessores, numa tentativa de tornarem mais pronunciadas as influências que os norteiam, quase sempre relacionadas com os teclados típicos do anos oitenta. Assim, Heza é um disco pouco uniforme, já que essas experimentações novas, ao aumentarem o universo sonoro deste grupo norte americano, fizeram com que a variedade sonora presente tivesse uma elevada amplitude. Seja como for, uma toada animada, luminosa e feliz é algo transversal ao conteúdo musical que a dupla propôe em 2013, indo da Spinto Band, aos Noah and The whale, passando mesmo, numa vertente mais rock, pelos The Black Keys.

Heza é um bom e animado disco, apropriado para o verão que não deverá tardar, com uma toada pop, apesar da tal essência experimental e que deve ser escutado sem demasiadas expetativas e sem grandes compromissos. Espero que aprecies a sugestão...

Generationals - Heza

01. Spinoza
02. Extra Free Year
03. Say When
04. You Got Me
05. Put A Light On
06. I Never Know
07. Awake
08. Kemal
09. I Used to Let You Get to Me
10. Durga II


autor stipe07 às 18:31
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Domingo, 12 de Maio de 2013

Sweet Baboo – Ships

Sweet Baboo é Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, no País de Gales e que lancou no passado dia vinte e dois de abril, por intermédio da Moshi Moshi Records, Ships, o seu segundo disco, um álbum conceptual, cujo tema principal é, supostamente, o mar... (I was writing a lot of songs about the sea and thought it was a good idea to make a concept album and call it ‘Ships. Somewhere along the way the concept got a bit confused so now I like to call it a brass based pop album inspired by girls, the north Wales Coast and mostly the sea.).

Algo timidamente, Stephen começa o disco confessando, em If I Died, que Daniel Johnston has hundreds of great tunes, and I’ve got six., uma afirmação assertiva porque Sweet Baboo ainda é um projeto em início de carreira e, por isso, com larga margem de progressão. Já agora, If I Died é o single mais recente extraído do disco, uma divertida e animada canção, com uma percussão rápida e intensa e acompanhada por um trompete fantástico. A escrita do tema teve a ajuda do amigo H.Hawkline e foi Casey Raymond quem fez o vídeo da canção, que também merece uma visualização atenta.

Logo nesta amostra inicial percebe-se que Ships é um registo sonoramente multi-colorido e onde se conjugam diversas influências, que vão da folk ao synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado. Acabamos por estar na presença de um disco que poderá agradar a faixas etárias batante juvenis que, apesar de não entenderem algumas das temáticas abordadas em várias canções, muitas vezes com um lírismo algo macabro e sombrio, poderão sentir um real fascínio pelo teor instrumental do álbum. 

Há uma estranha sensação de vulnerabilidade nas canções, como se a qualquer momento pudessem sofrer algum desvio no rumo sonoro que as sustenta, o que só prova que Stephen é um poço de criatividade melódica e que ao conjugar com mestria diferentes influências, não confere um cariz estanque aos temas que, no entanto, têm a particularidade comum de serem conduzidos pela voz do músico e pela sua guitarra, cabendo à abundante secção de metais e a várias aparições de instrumentos de sopro um protagonismo também relevante.

Toda esta conjugação de factores acaba por dar alguma pompa e imponência a Ships, ainda mais quando alguns arranjos algo kitsch resolvem aparecer, quase sempre sem aviso prévio. Por exemplo, em The Morse Code For Love Is Beep Beep, Beep Beep, The Binary Code Is One One, há uma letra repetitiva e hipnótica, que parece transformar-se numa espécie de código morse, que tanto causa repulsa como, em simultâneo, uma estranha atração, causada pela secção de sopro que embeleza e conduz a canção.

Do jingle de C'mon Let´s Mosh ao ska de Build You a Butterfly, passando pela sensualidade pop de 8 Bit Monsters e sempre num evidente clima de ingenuidade e boa disposição, há um elevado dinamismo na toada das canções e na forma como elas vão surgindo e estão encadeadas. Mesmo nos momentos mais calmos, dos quais destaco a guitarra country de Chubby Cheeks e o piano que orienta o blues de Let's Go Swimming Wild, a audição de Ships é uma verdadeira festa, certamente organizada com muito amor e que merece ser elogiada pela sinceridade e pelo charme cativante com que se atreve a desafiar todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão...

01. If I Died
02. The Morse Code For Love Is Beep Beep, Beep Beep, The Binary Code Is One One
03. Let’s Go Swimming Wild
04. C’mon Let’s Mosh!
05. Twelve Carrots Of Love
06. Chubby Cheeks
07. 8 Bit Monsters
08. You Are A Wave
09. The Sea Life Is The Life For Me (Mermaid Cutie)
10. Build You A Butterfly
11. Cate’s Song


autor stipe07 às 22:10
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Quinta-feira, 9 de Maio de 2013

Born Ruffians – Birthmarks

Os canadianos Born Ruffians já têm sucessor para Say It (2010); O novo álbum da banda de Luke Lalonde, Mitch Derosier, Steven Hamelin e Andy Lloyd chama-se Birthmarks e viu a luz do dia a dezasseis de abril por intermédio das Paper Bag Records e Yep Roc Records.


Birthmarks é o álbum que atesta o amadurecimento dos Born Ruffians, a passagem para um outro estádio de maturidade musical, que será certamente reflexo do próprio crescimento pessoal dos músicos da banda, que deixaram já a adolescência e início da juventude que suportou os três primeiros discos do grupo, para agora, trocarem os temas adolescentes por outros mais condizentes com a idade, que também trouxe mais preocupações e responsabilidades.

Assim, liricamente, Birthmarks é um álbum adulto e volta a atestar a competência e o talento da escrita de Luke Lalonde, um rapaz que já merece maior destaque no cenário musical alternativo atual, apesar de ele nunca se ter importado muito com arranjos e formatações líricas e melódicas capazes de atingir a maior parte do público. Sonoramente, Birthmarks volta a assentar nas já habituais guitarras agudas e no baixo e bateria marcantes, mas foi composto de forma menos espontânea que os antecessores, devido também à presença em estúdio do metódico produtor Roger Leavens, que trouxe aos arranjos do álbum maior clareza, robustez e uma sonoridade claramente mais pop.

Não deixam de ser inevitáveis normais comparações com outros projetos de relevo do cenário musical atual; Needle, a canção de abertura e principal single e a lindíssima Never Age assemelham-se, em diversos momentos, com a sonoridade dos Fleet Foxes, With Her Shadow inspirou-se em composições dos Vampire Weekend e Ocean's Deep poderia ter sido uma canção idealizada por Luke Pritchard e assim fazer parte do alinhamento de um disco dos The Kooks. Noutra órbitra mais nostálgica, Permanent Hesitation remete-nos para a new wave dos Talking Heads, assim como Too Soaked To Break, canção cheia de referências da década de oitenta. Finalmente há que destacar So Slowcanção que tem um timbre R&B muito interessante e algo inédito nos Born Ruffians.

Birthmarks é o disco mais maduro da discografia desta banda canadiana, denota uma progressão lírica louvável e tem a vantagem de não colocar ainda os Born Ruffians numa zona de conforto, deixando tudo em aberto relativamente ao percurso sonoro que o quarteto ainda pode vir a desenhar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

01. Needle
02. 6-5000
03. Ocean’s Deep
04. Permanent Hesitation
05. Cold Pop
06. Golden Promises
07. Rage Flows
08. So Slow
09. With Her Shadow
10. Too Soaked To Break
11. Dancing On The Edge Of Our Graves
12. Never Age

 


autor stipe07 às 22:02
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

The Soft Hills – Chromatisms

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.


Entretanto já chegou o terceiro álbum; Lançado no passado dia oito de fevereiro e disponível para audição no bandcamp da banda, Chromatisms é o novo disco dos The Soft Hills, um trabalho carregado de referências literárias e que incorpora referências a sonhos e visões que fazem da audição do mesmo uma experiência algo mística que nos leva até ambientes mitológicos, através de nuvens sonoras cheias de magia e melancolia.

Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofunda a sonoridade proposta pelo disco anterior. Contendo Riding High e Sweet Louise (o primeiro single retirado do disco), dois temas impregnados com a sujidade de um Neil Young, uma acidez lírica e com profundas raízes no rock, não deixam de abordar também os caraterísticos sons da folk, nomeadamente em Dear Mr. Moonlight e na soturna On The Beach, dois temas que devido às guitarras e à percurssão me soaram a um cruzamento feliz entre Fleet Foxes e Pink Floyd.

Mas Chromatisms não se baliza apenas por estas duas tendências sonoras; Há um momento épico em Mighty River e depois chega-nos o centro espiritual do disco com Payroll e a belíssima linha melódica de Un; Estes dois temas estão cheio de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e por tiques típicos da psicadelia, devido aos ecos e ao reverb das guitarras.

À imagem do que fazem os seus primos Fleet Foxes e My Morning Jacket, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, sendo Chromatisms um convite feito por Hobba e os seus companheiros para uma viagem sonora pelo interior desse país e das suas raízes, através de uma escrita que apela a tradições e eventos do passado, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

01. Riding High
02. Sweet Louise
03. Marigolds
04. Dear Mr. Moonlight
05. Payroll
06. Un
07. Horse And Carriage
08. The Gifts You Hide
09. Mighty River
10. Desert Rose


autor stipe07 às 22:08
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Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Thee Oh Sees - Floating Coffin

Depois de CarrionCrawler/The Dream, disco editado em 2011 e que divulguei na altura e de Putrifiers II, os Thee Oh Sees de John Dwyer e Brigid Dawson, os músicos por detrás deste projeto natural de São Francisco, estão de regresso com Floating Coffin, álbum editado no passado dia dezasseis de abril por intermédio da Castle Face Records, editora do próprio John Dwyer.

Uma das principais permissas evidentes no cenário do rock alternativo da costa oeste carateriza-se pela existência de bandas onde a figura criativa central está concentrada num só músico. Ty Segall, Tim Presley dos White Fence e John Dwyer destes The Oh Sees, são exemplos concretos de músicos que lideram grupos que misturam o rock de garagem com a psicadelia e assim constroem experiências musicais hipnóticas e lisérgicas que não são mais do que a materialização do que sonoramente vagueia pela mente de cada um deles.

Floating Coffin tem um conteúdo sonoro que abarca a sonoridade surf rock dos anos sessenta e os elementos do rock clássico dos anos setenta, enfeitados com as cores da psicadelia e a aceleração do punk, até alcançar o rock de garagem, num resultado final feito de uma massa de sons camuflados pelo toque sempre caseiro dos ruídos. São colagens absorvidas pela capacidade do músico em produzir um som que mesmo referencial, encontra na maturidade pop das letras um rumo distinto que firma um vínculo muito próprio com o ouvinte.

Assim, neste novo disco dos Thee Oh Sees, Dwyer continua a sequência que havia iniciado há dois anos. Sustentado pelas mesmas experiências instrumentais que se ouve em Castlemania e Carrion Crawler/The Dream, este recente álbum traz no uso orquestrados das guitarras um exercício de estimulo para manter o ouvinte atento durante toda a obra. Seja pelo uso de sons mais sérios (Night Crawler) ao uso de canções que brincam com a psicadelia mais convencional (Strawberries One & Two), a forma como são apresentadas as distorções e ruídos flui como a linha condutora de todo o trabalho.

Movido pela agressividade, mas sem o desprezo pelo uso coerente de melodias, Toe Cutter/Thumb Buster, caberia muito bem no Lonerism dos Tame Impala e, no sentido oposto, No Spell, assentaria perfeitamente no Days dos Real Estate. Também há aproximações ao hardcore em Maze Fancier e experimentações insutiadas em Tunnel Time.

Em suma, Floating Coffin é mais uma prova da imensa maturidade dos Thee Oh Sees e mostra a capacidade do seu líder em se aproximar cada vez mais do grande público, mas mantendo-se fiel ao ambiente desconcertante que tanto gosta de plasmar nas suas criações sonoras. Espero que aprecies a sugestão...

 

01 I Come From the Mountain
02 Toe Cutter – Thumb Buster
03 Floating Coffin
04 No Spell
05 Strawberries 1 + 2
06 Maze Fancier
07 Night Crawler
08 Sweet Helicopter
09 Tunnel Time
10 Minotaur



autor stipe07 às 21:41
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Sábado, 4 de Maio de 2013

Mesita - XYXY EP


Um ano após o lançamento do álbum Coyote, o norte americano Mesita, ou seja, o músico de vinte e quatro anos James Cooley, natural de Denver, no Colorado, acaba de divulgar um novo EP. A belíssima coleção de quatro canções chama-se XYXY, foi lançada no passado dia vinte e três de abril e está disponível para download no bandcamp do músico, graças também à sempre louvável generosidade do mesmo.

Mesita é um projeto que tem em Sufjan Stevens e os Sea And Cake algumas das suas principais influências. O EP começa com Alone Is Okay, um tema introdutório e com um forte teor introspetivo, guiado por um piano muito melódico, alguns metais e a voz de James em falsete. Depois, Hostages mantém o mesmo piano, mas já inclui uma percussão sintetizada, com uma certa toada soul e a mesma voz de James, mas agora em coro, algo que amplia o pendor emocional do tema. De seguida chega o grande destaque do EP; Kingston é uma canção conduzida por uma percussão rápida e aditiva, acompanhado por um baixo em groove, um sintetizador cheio de loops e efeitos e a voz em eco e quase impercetível do músico a espalhar sensualidade e hipnotismo à canção. Para o fim, chega o tema homónimo, uma canção cheia de charme e com uma nova batida, também rápida mas com algumas variações e os efeitos metálicos de sempre, que incluem cordas e instrumentos de sopro.

XYXY são cerca de quinze minutos muito inspirados de um músico que entretanto já está de regresso ao estúdio para compôr e gravar novos temas pelo que em breve deverão haver novidades de Mesita para podermos disfrutar. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 22:01
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Kurt Vile - Wakin On A Pretty Daze

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011, Kurt Vile está de regresso com Wakin On A Pretty Daze, álbum lançado no passado dia nove de abril por intermédio da Matador Records. Never Run Away é o primeiro single já conhecido deste disco proposto por um músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elécrica.

Kurt Vile parece ter encontrado um ponto de equilíbrio dentro das composições e dos sons que propôe há já uma década. Ancorado em músicas cada vez mais confortáveis, o compositor vem desde 2008, com Constant Hitmaker, trilhando caminhos sonoros feitos de guitarras simples e uma voz emocionada e romântica, sem nunca pôr de lado uma certa toada psicadélica. Wakin on a Pretty Daze acaba por ser uma sequência do que já tinha proposto há dois anos, mas agora ele procura posicionar-se no universo indie num lugar cada vez mais amplo, já que não se limita apenas às confissões românticas e caseiras, mas também busca, através de pequenas viagens lisérgicas tratadas na instrumentação ou no uso de letras que rompem com a proposta intimista do trabalho passado, ser menos tímido e mais grandioso.

Em Wakin On A Pretty Daze mantêm-se as viagens ao rock psicadélico da década de setenta, mas Vile abre a porta para que as suas músicas se derramem em versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos que costuma abordar, mas com a diferença de que agora eles olham para o mundo e não apenas para uma exposição das suas emoções intrínsecas. É como se o músico deixasse o seu ambiente para caminhar pelo mundo real, algo audível nas imensas passagens instrumentais que pintam aqueles que poderiam ser os tais possíveis pontos de silêncio da obra. Músicas enormes como Goldtone, Too Hard e Was All Talk, todas na casa dos oito minutos, manifestam instrumentalmente as reformulações plasmadas neste novo disco.

Pela forma como os arranjos se acomodam, não é difícil encontrar uma aproximação ao que Neil Young produziu no começo da sua carreira, deixando para os instantes mais comportados uma forte relação com a obra de Nick Drake, nomeadamente quando propôe melodias mais convencionais (Girl Called Alex) ou na forma como, por exemplo em Too Hard, derrama os versos da canção com um certo pendor bucólico. Nos temas mais rápidos do álbum, Vile acaba por deixar-se levar pelo que de mais comercial e coerente existe na música atual, principalmente na folk de Snowflakes Are Dancing ou no rock leve de Never Run Away, o tal single já divulgado e a canção mais pop do disco.

Kurt Vile jamais se perde no caminho, mesmo quando inova com as tais passagens instrumentais extensas que discutem amor, saudade ou meras futilidades diárias, como se o músico apenas observasse o tempo passar e fosse capaz de descrever cada mínimo aspecto sobre ele. Wakin On A Pretty Daze é, por isso, uma obra que exige tempo, mas que garante acrescentar algo ao ouvinte no final. Espero que aprecies a sugestão...

01. Wakin On A Pretty Day
02. KV Crimes
03. Was All Talk
04. Girl Called Alex
05. Never Run Away
06. Pure Pain
07. Too Hard
08. Shame Chamber
09. Snowflakes Are Dancing
10. Air Bud
11. Goldtone


autor stipe07 às 22:40
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Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Tomorrow’s World – Tomorrow’s World

Editado a oito de abril através da Naïve, Tomorrow's World é o disco homónimo de estreia de um novo projeto francês, suportado numa dupla formada por Jean-Benoît Dunckel dos Air e Lou Hayter, dos New Young Pony Club.

Nos períodos em que os Air estão parados Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E agora, em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome é inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica. Desta vez, a outra face é feminina, neste caso a lindíssima Lou Hayter e desta dupla cheia de charme só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que é apresentado nas onze canções do homónimo de estreia.

Em Tomorrow's World ouve-se mais reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, do que dos New Young Pony Club, o que deverá significar que as rédeas ficaram nas mãos de Dunckel. A eletrónica está muito presente, mas na versão mais calma, melódica e clássica. 

Um dos meus temas preferidos do disco é A Heart That Beats For Me, uma canção com uma certa doçura chic que me fez lembrar o saudoso Moon Safari (1998). Há igualmente uma escrita apurada, que resultou em notáveis momentos de poesia, com realce para as letras de Don’t Let Them Bring You Down (It’s not the time of year that brings me down/It’s not the rain that’s falling down, down/It’s all the people who are not around. e de Drive (Follow the moon through the night/ I feel the pull of the machine/The blood is rushing to my head/I’m driving closer to the edge).

Mesmo que Dunckel, por ter na mão as tais rédeas, não fuja aqui muito do estilo eletrónico típico dos Air, é importante ressaltar a bela voz de Lou Hayter que casa muito bem com as viagens climáticas e etéreas que o seu parceiro compôe, com a performance vocal da miúda a destacar-se em Think Of Me, uma canção que assenta numa melodia simples de um teclado e Insider, já para não falar do charme de Pleurer Et Chanter, acentuado por a música ser cantada em francês. Esta canção mistura também um baixo espacial, com um piano etéreo e uma batida que fazem dela uma espécie de trip ácida implícita. A já citada Drive, sonoramente remete-nos para os anos oitenta e o movimento new wave mais dançante, típico de uns Human League e, finalmente, So Long My Love, uma canção cheia de efeitos, tem influências bem vincadas do krautrock.

À imagem da capa do disco, Tomorrow's World acaba por ser uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Tomorrow's World - Tomorrow's World

01. A Heart That Beats For Me
02. Think Of Me
03. Drive
04. Pleurer Et Chanter
05. So Long My Love
06. Don’t Let Them Bring You Down
07. Metropolis
08. You Taste Sweeter
09. Catch Me
10. Life On Earth
11. Inside


autor stipe07 às 22:43
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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

The Besnard Lakes – Until In Excess, Imperceptible UFO

Lançado pela Jagjaguwar no passado dia dois de abril, Until In Excess, Imperceptible UFO é o quarto disco da carreira dos The Besnard Lakes, uma banda de Montreal no Canadá formada pelo casal Jace Lasek e Olga Goreas e ainda Kevin Laing e Richard White. Until In Excess, Imperceptible UFO sucede a Are the Dark Horse e a Are the Roaring Night.

Os The Besnard Lakes são uma banda de indie rock psicadélico, com uma sonoridade descrita como uma espécie de space rock que se cruza com a típica dream pop. Com a participação especial de Spencer Krug e Mike Bigelow dos Moonface e da harpa de Sarah Page dos The Barr Brothers, Until In Excess, Imperceptible UFO é uma obra grandiosa que aproxima este quarteto do que propuseram Brian Wilson e Roger Waters em Pet Sounds e Dark Side Of The Moon, respetivamente. É um conjunto de oito canções, todas entre os cinco e os sete minutos, que ilustram bem essa descrição porque cada uma delas é uma peça de um enorme puzzle que juntas criam uma atmosfera sonhadora e plena de hipnotismo, muito por culpa também da voz única de Olga, que se destaca em particularmente em People Of The Sticks, o primeiro single retirado do álbum.

As músicas contêm momentos de pura inspiração lírica envolta em guitarras deambulantes e, como seria de esperar, movimentadas por uma percussão assente no rock. Este cocktail sonoro cria uma atmosfera às vezes difícil de catalogar, com momentos simultaneamente intimistas e explosivos e etéreos e bombásticos, algo plausível num grupo que sempre apresentou trabalhos conceptuais, relacionados  com temas como a guerra e a espionagem.

O próprio título deste álbum indicia o seu conteúdo algo misterioso e neste quarto trabalho dos The Besnard Lakes houve uma expansão do que sempre propuseram, visando atingir o tal space rock, já que tanto as letras como a própria sonoridade pretendem levar o ouvinte até outras dimensões do chamado universo sci-fi, difíceis de catalogar, mas certamente pouco terrenas. Logo no início do tema At Midnight ouvimos Goreas a cantar What was that sound I heard that suddenly appeared? e em The Specter mantém-se este código lírico e bitola intrigante quando se escuta Can you hear me knocking from the other side?

Until In Excess, Imperceptible UFO é a banda sonora de uma viagem a um mundo superior, hipnótico e psicadélico, idealizado pela própria banda como se a sua música fosse uma extensão das dúvidas destes quatro músicos que parecem não duvidar da existência de outros mundos paralelos e servisse para responder a questões existenciais e fazer com que outras surjam durante a audição. Espero que aprecies a sugestão... 

The Besnard Lakes - Until In Excess, Imperceptible UFO

01. 46 Satires
02. And Her Eyes Were Painted Gold
03. People Of The Sticks
04. The Spectre
05. At Midnight
06. Catalina
07. Colour Yr Lights In
08. Alamogordo


autor stipe07 às 21:57
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Terça-feira, 30 de Abril de 2013

Caveman – Caveman

Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e que divulguei na altura, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Caveman, um homónimo lançado no passado dia dois de abril por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico folk rock norte americano.

Forjado num celeiro de New Hampshire, propriedade da avó de Iwanusa, Caveman é resultado de longas jam sessions, dentro de uma sonoridade post rock que tinha tido alguns lampejos na estreia e que caraterizava as anteriores bandas dos elementos do quinteto, veteranos e profundos conhecedores do cenário musical nova iorquino (We’d all sit in this one room together and one by one we’d all go into the bathroom and record ourselves making the most psycho noises possible.).

No entanto, apesar do nome e dessa herança, Caveman não tem muito de cavernoso e obscuro, pois até é um disco com uma sonoridade bastante pop e folk, ouvindo-se apenas algum barulho e distorção aqui ou ali. As canções destacam-se pela voz de Matthew e pela vigorosa bateria de Stefan, havendo lampejos de pop (My Time), de alt country (Old Friend) e experimentações etéreas (Over My Head e I See You), que chegam a pisar territórios explorados pelos Radiohead ou Pink Floyd, apesar dos Fleet Foxes serem o projeto que mais vezes assalta a nossa memória durante a audição deste homónimo. In The City, o single já retirado do álbum, acaba por ser o seu maior destaque, um tema que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje é reproduzida com mestria, por exemplo, pelos The Antlers. 

Numa época em que muitos criticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção o habitual síndroma do segundo álbum, assentando essa permissa numa habilidade lírica incomum, apesar da temática das canções ser algo generalista e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.

Não há uma total reconstrução da sonoridade estética de Coco Beware, disco que foi dominado pelas guitarras, mas em Caveman há um notório amadurecimento na forma da banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que, apesar de fazer com que tenham perdido alguma daquela espontaniedade que as guitarras geralmente permitem que exista, potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

01. Strange To Suffer
02. In The City
03. Shut You Down
04. Where’s The Time
05. Chances
06. Over My Head
07. Ankles
08. Pricey
09. I See You
10. Never Want To Know
11. The Big Push

 


autor stipe07 às 22:04
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Foxygen - We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por  Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.

A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.

In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.

On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophies tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.

O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic termina com a hipnótica Oh No 2canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.

We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado.  Espero que aprecies a sugestão...

In The Darkness

No Destruction

On Blue Mountain

San Francisco

Bowling Trophies

Shuggie

Oh Yeah

We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Oh No 2 

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autor stipe07 às 18:08
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Sábado, 27 de Abril de 2013

Paper Beat Scissors - Tendrils, Live At St. Matthew's Church


Liderados pelo simpático Tim Crabtree, os canadianos Paper Beat Scissors lançaram recentemente, por intermédio da Forward Music Group e relacionado com o evento Record Store Day, uma edição em vinil, limitada a trezentos exemplares, de Tendrils - Live At St. Matthew's Church. Produzido pelo próprio Tim Crabtree, o disco inclui apenas dois temas, Tendrils na lado A e Onwards no lado B e ambos foram gravados ao vivo na igreja de St. Matthews, em Halifax, na Nova Escócia, durante um festival de jazz que aí se realizou, no passado dia onze de julho e contaram com a participação especial dos Clogs, uma banda de Nova Iorque que costuma colaborar com os The National e com os My Brightest Diamond, nas vozes, em Tendrils.

Além do vinil com as duas canções, o 45RPM traz um postal com um lindíssimo artwork da autoria da artista Sydney Smith, que inclui im código que possibilita três vezes o download, no site da etiqueta Forward Music Group, dos sete temas que a banda tocou nesse concerto.

Agradeço ao Tim pelo envio do meu exemplar que já chegou e enriqueceu imenso a minha coleção discográfica e desejo-lhe o maior sucesso na digressão europeia que os Paper Beat Scissors estão a iniciar. Espero que aprecies a sugestão...

Tendrils

Onwards


autor stipe07 às 11:20
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Wild Belle - Isles

Os Wild Belle são Natalie Bergman e Elliot Bergman, dois irmãos de Chicago que têm no rock pasicadélico com travos folk, reggae e ska as suas principais influências. Isles, o disco de estreia, foi editado por intermédio da Columbia Records no passado dia onze de março.

Uma das particularidades de um disco que frequentemente me chama a atenção é a capa do mesmo. Tenho um interesse particular por perceber as escolhas das bandas e, antes de me debruçar naquilo que talvez mais interesse, que é o conteúdo, não resisto a divulgar a justificação do art work da capa de Isles. A pintura selecionada é um quadro que foi feito pela mãe dos músicos e uma homenagem à mesma, que faleceu recentemente.

Referências à tristeza e à dor que essa perca provocou nos Wild Belle seriam perfeitamente naturais e compreensíveis, tendo em conta essa perca física recente da figura maternal. No entanto, o clima proposto é exatamente o oposto. Isles é como que um arquipélago musical onde existem diferentes canções, sendo cada uma delas uma ilha particular, com um ambiente sonoro particular e onde a criatividade é transversal aos onze temas do disco.

Isles está estruturado no típico groove recheado de metais e ruma frequentemente até trilhos sonoros dominados pelo ska e outras influências que os dois irmãos agregam com mestria. A voz de Natalie carrega em si uma essência vocal que facilmente se associa a nomes como Lily Allen e Alex Winston e destaca-se particularmente em Keep You, It's Too Late e Backslider. Já Another Girl reacende um passado pelo qual Adele e Duffy poderiam fazer parte numa versão acústica.

Isles pode facilmente vir a ser uma boa referência futura para uma ampliação ainda mais vasta do reggae, que tem aqui os seus traços identitários bem identificados e ao mesmo tempo diluídos numa pop leve e que caberia muito bem na banda sonora de uma festa de verão junto ao mar, com tiques sonoros mais contemporâneos e refrescantes. Sobram referências culturais direcionadas a lugares como África, Jamaica e Hawai, bem notadas em canções como Twisted, June e Love Like This, que se destacam pelos arranjos simples e pela sonoridade típica desses locais, onde o reggae tem uma forte implementação.

Se teoricamente cada canção de Isles conta diferentes histórias, melodicamente Wild Belle assenta num leque de influências sonoras, muito bem distribuídas em cada um dos temas, o que confere uma notável homogeneidade e identidade ao disco.  Se realmente será uma realidade a tal transformação de Isles numa referência futura para quem queira vir a apostar nesta fusão sonora, ainda é um pouco cedo para o dizer com absoluta certeza; Seja como for, encontrar os típicos ambientes do verão que se aproxima, é algo muito possível nesta estreia dos Wild Belle. Espero que aprecies a sugestão...

Wild Belle - Isles

01. Keep You
02. It’s Too Late
03. Shine
04. Twisted
05. Backslider
06. Happy Home
07. Another Girl
08. Love Like This
09. When It’s Over
10. June
11. Take Me Away


autor stipe07 às 22:47
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Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

YAST - YAST

Os suecos YAST formaram-se em 2007 na localidade de Sandviken e no ano seguinte mudaram-se para Malmö, sendo, desde então, uma banda formada por Carl Jensen, Tobias Widman e Marcus Norberg. Em 2010 o trio passou a quinteto com a entrada de Markus Johansson e Niklas Wennerstrand, o baterista e o baixista dos Aerial. YAST, o disco homónimo, foi editado no passado mês de fevereiro por intermédio da Adrian Recordings.


A habitual melancolia escandinava é a pedra de toque da indie pop açucarada dos YAST, feito com a habitual fórmula que usa guitarras luminosas e uma percussão sempre mais subtil do que propriamente muito grave e vincada. São canções que não deixam de ter uma certa toada épica e simultaneamente lo fi, dois ítens bem patentes no curto mas conciso single homónimo. Mas outro dos temas que destaco do disco é Stupid, canção onde o predomínio das cordas é notório, não só no baixo que conduz a melodia, como depois na viola e na distorção da guitarra.

As cordas acabam por ser o mel que adoça o processo de composição dos YAST, algo que se saboreia claramente neste conjunto de doze canções que terão outro sabor se forem escutadas num dia de sol radioso e que, por saberem aquela brisa fresca que tempera os dias mais quentes sem ofuscar o brilho do sol, poderão muito bem caber num ipod a caminho de uma das nossas praias no verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...

01. YAST
02. Rock ‘N’ Roll Dreams
03. Stupid
04. Robin
05. Believes
06. Heart Of Steel
07. I Wanna Be Young
08. Always On My Mind
09. Strangelife
10. Sick
11. The Person I Once Was
12. Joy


autor stipe07 às 16:02
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Suede – Bloodsports

Os Suede estão de regresso aos discos com Bloodsports, o sexto álbum desta banda de rock alternativo britânica. Bloodsports foi editado no passado mês de março, sendo o primeiro trabalho da banda depois de um hiato de uma década, já que sucede a A New Morning, álbum de 2002. Nesse ano os Suede sairam de circulação na ressaca do movimento brit pop que liderou o rock alternativo na década de noventa e numa altura em que eram as bandas do lado de lá do atlântico, lideradas pelos The Strokes e pelos Interpol, que começavam a dar cartaz no universo musical alternativo.


Grupo que teve e tem como maiores referências os Smiths e os Commotions, os Suede andaram sempre à procura da direção certa e dos melhores cruzamentos sonoros dentro da esfera brit pop. Curiosamente, quando a banda se formou em 1989, num anúncio de jornal era pedido um baterista e o ex Smiths Mike Joyce candidatou-se ao cargo, mas logo desistiu quando percebeu que a sua anterior banda seria uma das bitolas dos Suede e que ele próprio poderia tornar-se num óbice dentro de um projeto que queria estabelecer uma identidade própria apesar de não renegar influências.

Ao longo da carreira, os Suede acabaram por conseguir estabelecer uma sonoridade muito peculiar e sua, graças não só à postura de Brett Anderson, o carismático líder, mas também devido aos detalhes sofisticados e aos arranjos únicos do guitarrista Richard Oakes. Não houve propriamente uma coesão em termos de sonoridade já que a discografia dos Suede não é particularmente homogénea; O primeiro álbum homónimo, editado em 1993, era um disco mais rock e Dog Man Star (1994) já mostrava uma faceta da banda mais obscura e de sonoridades sofisticadas. O terceiro, Coming Up (1996) mostrou um lado pop e melódico da banda, sendo até hoje o disco dos Suede mais bem sucedido comercialmente. Depois do experimentalismo em excesso com Head Music (1999) a banda lançou A New Morning (2002), trabalho cheio de arranjos acústicos e que apesar da qualidade não chamou muito a atenção do grande público.

Pouco mais de dez anos depois a banda regressa, curiosamente numa fase em que o retro e os anos noventa voltam a estar na moda e os Suede deixam para os fãs a possibilidade de eles próprios concluirem se o grupo foi capaz de lançar canções de qualidade e finalmente estabelecer a tal identidade que tanto procuraram toda a carreira. A própria banda deixa pistas já que em entrevistas recentes Brett Anderson disse que Bloodsports combina o lado mais lírico de Coming Up com os elementos obscuros de Dog Man Star.

Embora isso pareça estranho, não posso deixar de concordar que é esse o clima que permeia grande parte das canções deste novo álbum. Bloodsports está impregnado com os tais arranjos envolventes e sofisticados e transporta uma sensibilidade melódica muito aprazível. Há vários arranjos e riffs inspirados como em Snowblind e Starts And Ends With You e a melódica For The Strangers mostra um competente trabalho do guitarrista Richard Oakes e um clima que os Suede sempre exploraram de forma criativa. O primeiro tema do álbum, Barriers, talvez seja um dos pontos mais fracos do disco, mas gostaria de destacar a soturna Sometimes I Feel I'll Float Away, uma canção com uma toada inicial atmosférica, mas que depois cresce para um registo muito aditivo e linear. Gostei também da grandiosa Hit Me, tema que intercala uma excelente interpretação de Anderson com um trabalho habilidoso da restante banda. Já a fúnebre Always traz sons modulados e camadas sonoras que lhe dão um clima espectral.

Se no início de carreira os Suede não sabiam muito bem para onde iriam, após tantos discos lançados parece-me que ainda não terão chegado a um consenso sobre isso e talvez resida aí a sua maior virtude. Espero que aprecies a sugestão...

Suede - Bloodsports

01. Barriers
02. Snowblind
03. It Starts And Ends With You
04. Sabotage
05. For The Strangers
06. Hit Me
07. Sometimes I Feel I’ll Float Away
08. What Are You Not Telling Me?
09. Always
10. Faultlines


autor stipe07 às 21:58
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Terça-feira, 23 de Abril de 2013

CHVRCHES - Recover EP

Os CHVRCHES são Iain Cook, Martin Doherty e Lauren Mayberry, um trio de Glasgow, na Escócia e Recover é o EP de estreia a banda, editado no passado dia vinte e seis de março por intermédio da Glassnote. Os CHVRCHES são uma das novas sensações da indie pop atual de cariz mais eletrónico e experimental e, devido a este EP, vistos como uma das potenciais grandes bandas dos próximos anos.

Para que se faça justiça a este novidade refrescante, os CHVRCHES devem, antes de mais, ser reconhecidos pela capacidade que demonstram em reinventar um pouco mais a pop, um género musical há algum termpo muito saturado de propostas e onde só os grandes talentos conseguem realmente se distinguir dessa amálgama sonora que a pop diariamente nos dá. Alguma excentricidade acaba por ser aquele detalhe precioso que os faz sobressair e fazer com que as canções de Recover, ainda que assentes num clima experimental e numa sonoridade livre de padrões, possam ter um acabamento ao mesmo tempo radiofónico e aprazível.

Não há como não reconhecer que a voz de Lauren Mayberry é impecável no balanço entre altos e baixos e dá-nos refrões facilmente cantaroláveis e os sintetizadores ricos acabamentos melódicos, que se aproximam da toada pop da década de noventa, tão em voga no atual cenário alternativo nórdico e que nos remete para trabalhos mais recentes de um James Blake mais dançável, dos The Knife ou dos Fever Ray, entre outros. Música pop na melhor formatação vendável das melodias, mas livre de exageros ou conceitos dispensáveis.

Bastam os instantes iniciais de ZVVL para perceber que há muito por trás da massa encefálica da tríade que compõe a banda. Mas um dos meus destaques e grande surpresa do EP é o conteúdo sonoro de Now Is Not The Time, uma música voltada para as pistas de dança e com as antigas tendências a serem trabalhadas com foco no presente e na novidade.

Como o título anuncia, Recover parece trabalhado de forma a recuperar a boa forma da música, neste caso a pop, através da apresentação ao público de uma míriade de possibilidades e transformações que encarnam um duelo constante entre a ausência de novidade na essência, mas usando sons do passado como um instrumento favorável ao ineditismo. Em suma, aplicar a velha fórmula de olhar para o que já foi feito em busca da conquista de algo novo. Uma estratégia repetida por centenas de outras bandas, mas que parece dar certo nas mãos do CHVRCHES. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:57
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Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Echopark - Trees

Echopark é o novo projeto do italiano Antonio Elia Forte, um músico a residir atualmente em Londres. Trees, lançado a dezasseis de abril, é o disco de estreia e foi gravado quase inteiramente num quarto arrendado em Whitechapel, nos arredores da capital britânica, com meios instrumentais rudimentares e apenas uma mão cheia de microfones.

Teleportation é o primeiro single retirado de Trees. O video foi realizado por Valentina Dell’Aquila e o download do tema pode ser feito gratuitamente através da página do soundcloud da editora Enclaves.

 

Antonio é natural de Lecce onde, com cinco anos, pegou na guitarra que era do seu pai e começou a querer tocar. Lecce é uma cidade mediterrânica do sul de Itália conhecida pelo bom tempo durante todo o ano e pelo dinâmico movimento underground. É um local onde proliferam músicos, e praticantes de skate e surf. Em Itália acaba por ser o equivalente a Echo Park, uma importante zona industrial de Los Angeles, onde se inspirou para batizar este seu projeto musical.

Para Antonio a imperfeição é um objetivo concreto, uma espécide de ideal que busca com lucidez e um bom gosto que merece amplo destaque. Atualmente abundam propostas sonoras que fazem do ruído e da imprecisão sonora pontos de partida no processo de criação musical e Echopark segue esse rumo, mas fá-lo com inegável mestria, nomeadamente na forma como consegue captar o instante mais emotivo de uma canção e deixá-lo submergir, sem que o conceito lo fi e impreciso seja subjugado.

Trees percorre o mesmo território da dream pop de uns Beach House ou uns Midas Fall, mas sem obedecer ao habitual formato canção, indo mais ao encontro do que, por exemplo, Four Tet ou Youth Lagoon costumam sugerir. É um disco que se deve ouvir de uma enfiada, como um todo, como se fosse apenas um tema de trinta e seis minutos e proporciona sentimentos antagónicos já que é um disco muito acessível mas difícil de descrever. Tem momentos intrigantes, principalmente aqueles em que se ouvem as tais imperfeições, ruídos de fundo e colagens e aqui reside o maior charme do disco porque ficamos sem saber muito bem se são sempre propositadas ou até momentos sonoros involuntários. Tão depressa surgem ruídos sintetizados como um incrível baixo (Mountain) ou sons de cordas perfeitamente limpídos (For Lore), mas sempre com um fundo, que muitas vezes é um simples bater de ondas ou a aspereza do contacto entre dois grãos de areia.

Esta primavera Antonio vai passar do quarto arrendado para os palcos e entrar em digressão para promover Trees. E uma das grandes novidades é que terá uma banda a acompanhá-lo. O disco tem momentos que poderão agradar bastante ao vivo. Espero que aprecies a sugestão...

Cranes

Teleportation

Mountain

Franky

Youth and Fury

Raindrops

Gray Clouds

Brother

No Time To Riot

Waves

For Lore

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autor stipe07 às 22:49
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Domingo, 21 de Abril de 2013

R.E.M. – Live In Greensboro EP


A série de reedições comemorativas dos R.E.M., a melhor banda da história do rock alternativo, continuará no dia catorze de maio com o álbum Green (1988), que completa 25 anos e foi o primeiro trabalho lançado pela multinacional Warner, depois dos primeiros seis álbuns da banda terem visto a luz doa por intermédio da independente I.R.S..

Com a edição remasterizada do álbum original, chegará brevemente um segundo disco com vinte e uma canções gravadas ao vivo, no dia dez de novembro de 1989, em Greensboro (Carolina do Norte, EUA). Mas, para já, enquanto esse longa duração ao vivo não chega, acaba de ser lançada uma edição comemorativa do Record Store Day, que decorreu ontem um pouco por todo o mundo, o EP Live in Greensboro com cinco canções retiradas desse concerto. Espero que aprecies a sugestão...

R.E.M. - Live In Greensboro

01. So. Central Rain (I’m Sorry)
02. Feeling Gravity’s Pull
03. Strange
04. King Of Birds
05. I Remember California


autor stipe07 às 22:57
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Sábado, 20 de Abril de 2013

Leagues – You Belong Here

You Belong Here é o disco de estreia dos Leagues, um grupo norte americano natural de Nashville e formado por Tyler Burkum, Thad Cockrell e Jeremy Lutito, três músicos já com experiência e um passado solidificado na indústria musical local. O álbum viu a luz do dia a vinte e nove de janeiro deste ano por intermédio da Bufalotone Records e sucede a um EP homónimo lançado em 2011.

leagues you belong here review

Este trio é uma das novas coqueluches do profícuo cenário indie de Nashville, devido essencialmente às suas meldias pop luminosas e aditivas, feitas com guitarras quase sempre límpidas, algo bem patente em Spotlight, o tema de abertura e primeiro single retirado do álbum.

Além de Spotlight, destaco, na sequência, a perfeição da bateria, a beleza do baixo e a melodia da guitarra do tema homónimo e depois as canções Lost It All e Friendly Fire. A última é uma balada dominada pelo piano e que exemplifica com mestria um dos grandes trunfos dos Leagues, que é a performance vocal de Thad, o vocalista, que canta quase sempre num registo agudo e que muitas vezes se confunde com uma voz feminina. Essa voz ganha novamente amplo destaque em Magic, um tema com fortes raízes locais já que o riff de guitarra remete-nos para Jack White e os coros que acompanham Thad, fazem da canção, um potencial sucesso, certamente com uma ainda maior amplitude quando interpretada ao vivo.

O amor e o romantismo são as temáticas abordadas em quase todas as canções, que narram aspetos comuns da vivência humana, retratando com proximidade sentimentos normais de serem extravasados por qualquer um de nós. Haunted, um dos temas que fazia parte do EP de estreia, é um exemplo paradigmático desta proximidade com o ouvinte: You came to me in a summer dream, you came to me in a mystery. All alone on a desert road at night. I saw you in a motel room, I found my way but I do not have a clue. All along, I felt you deep inside. Everybody has a heart worth breaking, everybody has someone that got away. Everybody has a love they’re looking for. Mas a já referida Friendly Fire, canção que encerra o disco, ao referir-se à temática da separação também emociona e arrebata qualquer coração, mesmo algum que seja menos propenso às coisas do amor: I wasn’t fighting with you, I was fighting for you. I was trying to do what I could do. And if it came across wrong, that wasn’t my intention. Sometimes I come across too strong, I think I just failed to mention. And if I ever hurt you, that was never my desire. You’ve been wounded by my friendly fire.

Nesta interessantíssima estreia, os Leagues não desejam que a inocência seja um adjetivo que qualifique You Belong Here, porque as canções abordam, antes de mais, a vontade de tirar partido do amor e de outras das coisas boas da vida mesmo quando esta tem momentos mais complicados. Espero que apreecies a sugestão...

Leagues - You Belong Here

01. Spotlight
02. You Belong Here
03. Haunted
04. Walking Backwards
05. Lost It All
06. One Hand
07. Magic
08. Mind Games
09. Pass My Way
10. Friendly Fire


autor stipe07 às 23:31
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Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

Colleen Green - Sock It To Me

Natural de Los Angeles, Colleen Green editou no passado dia dezanove de março Sock It To Me, o seu segundo álbum, por intermédio da etiqueta de Seattle Hardly ArtHeavy Shit e Time In The World são os dois singles já conhecidos deste álbum, criado por uma artista que aposta na simplicidade e que costuma subir sozinha ao palco, apenas com uma guitarra, uma beat box e um par de óculos.


No universo musical é comum a possibilidade de dividirmos os executantes e compositores em dois grandes grupos; Por um lado há aqueles que se destacam pelas suas composições grandiosas e carregadas de detalhes que procuram abarcar uma heterogénea míriade sonora e depois há quem prefira ser o mais simples possível, servindo-se de uma teia instrumental curta e, mesmo assim, conseguir criar um bom naipe de canções. Colleen Green insere-se claramente neste segundo grupo; É fácil imaginarmos a miúda no interior de um quarto completamente desarrumado e com uma guitarra na mão, apenas acompanhada por uma beat box, a fazer música. Sock It To Me remete-nos para a pop e para o punk dos anos sessenta, seguindo a tradição minimal de uns Ramones ou uns Beat Happening e, tentando ser mais atual, com algumas semelhanças com os primeiros trabalhos dos Best Coast. Há um certo charme implícito nas limitações que Colleen impôs ao conteúdo de Sock It To Me, mas também na sinceridade com que as admite já que, por exemplo, confessa que optou utilizar uma beat box em vez da tradicional bateria, porque não sabe tocar uma.

No que concerne às canções, Heavy Shit não tem o sintetizador que se destacava em Time in the World; porém, a artista tem o dom de saber lidar com a simplicidade e, ao mesmo tempo, situar-se numa zona de conforto onde é capaz de compôr belíssimas composições.  Dois elementos fundamentais na música de Colleen Green são a distorção e uma certa toada lo fi. Ambos estão presentes, assim como uma postura vocal ímpar e guitarras bastante aditivas e com uma forte toada punk.

Além dos dois singles já citados, os fãs do filme True Romance irão apreciar a canção You're So Cool, já que se refere à relação entre a personagem Alabama, interpretada por Patricia Arquette e Clarence, interpretado por Christian slater. A temática das canções gira muito em redor de temas típicos de miúdas, algo que mais uma vez nos remete para a década de sessenta, já que também é devido à sensibilidade da escrita de Colleen, que ela recorda outras bandas desse período. When He Tells Me, Darkest Eyes e Every Boy Wants a Normal Girl, são três temas que o atestam já que falam de sentimentos e emoções típicas do universo adolescente feminino.

Sock It To Me conjuga e atualiza para 2013 o que de melhor existia nos grupos pop femininos dos anos sessenta e o punk da década seguinte, com melodias carregadas de charme, feitas com uma beat box, riffs de guitarra simples mas poderosos e alguma sintetização. É uma coleção honesta de canções onde não parece ter havido uma especial preocupação em compôr para a crítica, mas antes, com a tal simplicidade, criar a música que Colleen mais aprecia. Here's what I got. No questions. Espero que aprecies a sugestão...

12834

01. Only One
02. Time in the World
03. You’re So Cool
04. Close to You
05. Sock it to Me
06. Darkest Eyes
07. Heavy Shit
08. Every Boy Wants a Normal Girl
09. Taxi Driver
10. Number One


autor stipe07 às 22:28
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