Sábado, 18 de Maio de 2013

Treetop Flyers – The Mountain Moves

Lançado no passado dia vinte e nove de abril na Europa por intermédio da Loose Records, The Mountain Moves é o disco de estreia dos Treetop Flyers, um quinteto de Londres formado por Reid Morrison, Sam Beer, Tomer Danan, Laurie Sherman e Matthew Starritt e que procuram apropriar-se de um género musical com profundas raízes na terra do Tio Sam.


Apesar de serem ingleses e estarem sedeados em Londres, é na solarenga Califórnia que os Treetop Flyers encontram inspiração para a sua música, até porque o disco foi gravado em Malibu e o baterista, Tomer Danan, é norte americano. Catapultados pelo sucesso de nomes tão consagrados como os seus conterrâneos Mumford & Sons, cujo disco Babel foi laureado no último Grammy com o troféu de Álbum do ano, este grupo assenta a sua sonoridade no folk rock que a partir da década de sessenta começou a ser proposto por nomes tão influentes como os the Byrds e os Crosby, Stills, Nash & Young. Eles vão mesmo tentar a sua sorte no outro lado do atlêntico já que também assinaram com o selo norte americano Partisan Records e verão The Mountain Moves ser editado nos Estados Unidos a vinte e cinco de junho próximo.

The Mountain Moves sucede aos EPs Bury To Past e Things Will Change, foi produzido por Noah Georgeson e segue as mesmas referências biblícas dos já citados Mumford & Sons. É um álbum com onze canções assentes numa instrumentação e produção impecável e vocalizações muito peculiares, partilhadas por Sam Beer e Reid Morrison, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e descomplicadas.

Apesar do foco sonoro do conteúdo do disco estar centrado na folk rock, também há alguns detalhes típicos do rock britânico que era feito pelas clássicas guitarras dos Faces e dos Rolling Stones, principalmente no sublime e enérgico tema de abertura, Things Will Change, o primeiro single já retirado do disco e em Waiting For You, canção que facilmente nos trasnposta até ao universo dos anos setenta e dos Fleetwood Mac. Postcards destaca-se um pouco das restante canções já que tem uma componente mais pop e poderá ser um potencial single do disco, com o objetivo de demonstrar que também há um certo ecletismo no som dos Treetop Flyers. 

The Mountain Moves equilibra com sapiência elementos do rock, do country e da soul, conta histórias e retrata imagens que poderiam ser vividas por qualquer um de nós em cada uma das onze canções, é um excelente álbum de estreia e representa um bom augúrio relativamente ao futuro deste grupo, que poderá ser o próximo a conquistar o outro lado do atlântico. Espero que aprecies a sugestão...

01. Things Will Change
02. Houses Are Burning
03. Waiting On You
04. Rose Is In The Yard
05. She’s Gotta Run
06. Haunted House
07. Postcards
08. Making Time
09. Picture Show
10. Storm Will Pass
11. Is It All Worth It


autor stipe07 às 21:40
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Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Bravestation - IV

Depois de Giants Dreamers, álbum editado no verão passado e que divulguei oportunamente, os Bravestation dos irmãos Devin Wilson (voz e baixo) e Derek Wilson (guitarra) e de Andrew Heppner (teclados e sintetizadores) e Jeremy Rossetti (bateria e percurssão), estão de regresso aos discos com IV, um EP editado no passado dia catorze de maio. Entretanto já divulgaram alguns singles desse novo álbum, sendo o mais recente Somewhere We Belong, canção disponível para download no bandcamp da banda, assim como o restante EP.

Liricamente, as quatro canções deste EP contam histórias que misturam fantasia com realidade e que depois ganham vida com canções emotivas, luminosas e cheias de cor (We use emotional experiences from real life and try to recreate them in another world).

Sonoramente, estes quatro rapazes de Montreal, no Canadá, misturam elementos do R&B com a new wave e a eletrónica, criando paisagens sonoras com uma atmosfera e abordagem tendencialmente pop. Conseguem colocar uma elevada dose de groove nas canções, salientadas pelo ligeiro abanar de ancas que proporcionam. Os anos oitenta estão bastante presentes, quer nos efeitos hipnóticos colocados na voz, como nos sintetizadores, que recriam a sonoridade típica dessa década. E, à semelhança do que acontece com outros projetos similares contemporâneos, é possível sentir aqui que a abordagem a esses gloriosos anos da pop soa, ao mesmo tempo, como um retrocesso temporal, mas também algo sonoramente futurista. Confere...

01. All We Have Is Us
02. Somewhere We Belong
03. Ancient Kids
04. Rain Child


autor stipe07 às 22:19
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Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

French Films – White Orchid

Os French Films de francês só têm o nome já que são um quinteto indie rock natural de Helsinquia, Finlândia, formado por Johannes Leppänen (voz e guitarra), Joni Kähkönen (voz e guitarra), Mikael Jurmu (voz e baixo), Santtu Vainio (teclado, percurssão e guitarra) e Antti Inkiläinen (bateria). Lançaram em 2010 o EP Golden Sea e em setembro de 2011, Imaginary Future, o disco de estreia, que na altura divulguei e que fez parte da minha lista dos melhores desse ano. Agora, chegou finalmente o sucessor. O novo trabalho do grupo finlandês chama-se White Orchid e viu a luz do dia novamente através da GAEA Records.

Se o EP Golden Sea foi muito bem recebido pela crítica do rock independente, Imaginary Future, o tal disco de estreia, tinha a mesma sonoridade do EP, ou seja, um rock sujo e lo fi, uma espécie de surf rock com um pé no post punk de um grupo cujo som lembra as praias da Califórnia e um nome que remete à Nouvelle Vague.  Assim, todos os trabalhos da banda, incluindo este White Orchid, são bastante homogéneos e facilmente identificáveis para quem estiver já minimamente familiarizado pelo grupo. Obviamente que esta constatação acaba por ser uma faca de dois gumes já que quem os aprecia delicia-se com esta nova coleção de canções e quem esperava por algo diferente e uma inversão inesperada na sonoridade do grupo, sentir-se-á defraudado com esta nova etapa dos French Films. Talvez isso venha a suceder no terceiro disco...

No My Space da banda os French Films estamparam rostos do francês Serge Gainsbourg e dos Jesus and Mary Chain e descrevem a sua música como sendo inspiradas no inverno frio e escuro. Mas White Orchid é a banda sonora de um dia de verão, um cardápio de surf rock, com trinta e serte minutos de canções curtas mas vibrantes. Existem boas letras, arranjos assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e criativa e com alguns efeitos e detalhes típicos da pop e do punk dos anos oitenta. A bateria e a secção ritmíca são bastante aceleradas, surgindo ali no meio Latter Days, a fazer de contraponto ao restante conteúdo, graças a um noise diferenciado e a uma melodia mais aberta e luminosa. Em Into Thousand Years a banda também diminui um pouco o ritmo, até porque depois de oito canções, os French Films perceberam que seria bom abrandar um pouco e em boa hora o fizeram.

Em toda esta toada descontraída e ao mesmo tempo visceral, estes finlandeses conseguem juntar uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante dançável. Vale a pena ouvir o disco todo, sem parêntesis e pausas, com uma atitude descontraída e jovial, já que certamente fará o ouvinte antecipar o verão que se aproxima. Espero que aprecies a sugestão...

01. White Orchid
02. Where We Come From
03. Ridin’ On
04. Special Shades
05. All The Time You Got
06. Latter Days
07. Long Lost Children
08. Juveniles
09. Into Thousand Years
10. 99


autor stipe07 às 17:49
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Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Junip - Junip

Lançado no passado dia vinte e três de abril pela Mute, Junip é o homónimo disco dos Junip, um porjeto sueco liderado por José Gonzaléz e que também incluí o baterista Elias Araya e Tobias Winterkorn nas teclas. Apesar de José González ser o grande líder e mentor deste projeto, ele próprio procura sacudir um pouco a água do pacote em relação à sua relevânvcia no processo criativo e conceptual dos Junip, afirmando que este álbum é disco de toda a banda; All the ups and downs were very ‘Junip, (...) so titling it with our name seemed appropriately iconic. It’s truly a band album. Line Of Fire e Your Life Your Call são os dois singles já conhecidos deste álbum e foram disponibilizados para download gratuito.

O folk rock e alguma psicadelia são as traves mestras de Junip, um conjunto de dez canções competentes na forma como abarcam diferentes universos dentro de um mesmo cosmos, que misturam harmoniosamente estes estilos com a voz suave de González, sendo este um álbum pop, em toda a sua elegância e sofisticação. Os arranjos são bem feitos e prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação da guitarra e da bateria com o órgão e com sons de um sintetizador analógico.

O tempo é um dos fatores determinantes para se entender este disco, um tempo que se revela na rapidez com que os dez temas passam e na maturidade que eles transpiram. A abertura com Line of Fire já deixa isso bem claro; Com uma interessante progressão, a música acumula timbres e camadas, que atingem um clímax nos versos With no one else around you, no one to understand you, no one to hear you calls, usados para contar que, em situações muito tensas, é natural que haja quem desista de lutar. É triste quando isso acontece, mas não é preciso fazer disso um drama. A já citada maturidade é destilada quando José González, na sua escrita, mantém uma postura mais observadora do que propriamente de protagonismo, devido a uma já interessante experiência de vida.

Suddenly plasma as mesmas melodias bonitas e a viola de González mantém-se fiel a esse mesmo espírito. Depois, vem So Clear, tema que injeta uma energia maior ao álbum, juntamente com Villain, a canção que encerra a primeira metade do disco. Entre as duas está a simpática Your Life Your Call com o refrão stand up or enjoy your fall, a ser mais um atestado de maturidade do autor.

A segunda metade de Junip começa com Walking Lightly, a canção mais longa do álbum; Com uma letra concisa mas densa, o tema tem uma cadência calorosa e envolvente e as canções seguintes continuam a misturar a realidade da vida com a beleza que ela pode ter, algo bem patente no refrão iluminado de Head First e na sonoridade peculiar do baixo de Baton. Por outro lado, Beginnings é a canção mais sombria de todo o disco, um tema que se arrasta por cinco minutos como uma ressaca melancólica, algo que se altera com After All Is Said And Done, a última música do álbum. Essa canção serena, doce e reconfortante, fala da tal questão do tempo, ouvindo-se mesmo pequenos sons de relógios fora do compasso da música, o que reproduz a tensão de quem vê o tempo correr e precisa lidar com isso da melhor forma que pode e sabe.

Enquanto muitas bandas se esforçam para denotarem maturidade de um disco para o outro, os Junip preocuparam-se mais em apresentar um disco que é uma espécie de sortido de diferentes sabores, uma coleção de canções seguras, sensíveis e que sirvam para comunicar com o ouvinte. É um álbum excelente para quem julga a beleza não é óbvia, mas algo que pode ser encontrado onde menos se espera e para quem raramente viva em pólos opostos e tem o descomplicador sempre ligado. Espero que aprecies a sugestão...

01. Line Of Fire
02. Suddenly
03. So Clear
04. Your Life, Your Call
05. Villian
06. Walking Lightly
07. Head First
08. Baton
09. Beginnings
10. After All Is Said And Done


autor stipe07 às 15:26
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Domingo, 12 de Maio de 2013

Sweet Baboo – Ships

Sweet Baboo é Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, no País de Gales e que lancou no passado dia vinte e dois de abril, por intermédio da Moshi Moshi Records, Ships, o seu segundo disco, um álbum conceptual, cujo tema principal é, supostamente, o mar... (I was writing a lot of songs about the sea and thought it was a good idea to make a concept album and call it ‘Ships. Somewhere along the way the concept got a bit confused so now I like to call it a brass based pop album inspired by girls, the north Wales Coast and mostly the sea.).

Algo timidamente, Stephen começa o disco confessando, em If I Died, que Daniel Johnston has hundreds of great tunes, and I’ve got six., uma afirmação assertiva porque Sweet Baboo ainda é um projeto em início de carreira e, por isso, com larga margem de progressão. Já agora, If I Died é o single mais recente extraído do disco, uma divertida e animada canção, com uma percussão rápida e intensa e acompanhada por um trompete fantástico. A escrita do tema teve a ajuda do amigo H.Hawkline e foi Casey Raymond quem fez o vídeo da canção, que também merece uma visualização atenta.

Logo nesta amostra inicial percebe-se que Ships é um registo sonoramente multi-colorido e onde se conjugam diversas influências, que vão da folk ao synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado. Acabamos por estar na presença de um disco que poderá agradar a faixas etárias batante juvenis que, apesar de não entenderem algumas das temáticas abordadas em várias canções, muitas vezes com um lírismo algo macabro e sombrio, poderão sentir um real fascínio pelo teor instrumental do álbum. 

Há uma estranha sensação de vulnerabilidade nas canções, como se a qualquer momento pudessem sofrer algum desvio no rumo sonoro que as sustenta, o que só prova que Stephen é um poço de criatividade melódica e que ao conjugar com mestria diferentes influências, não confere um cariz estanque aos temas que, no entanto, têm a particularidade comum de serem conduzidos pela voz do músico e pela sua guitarra, cabendo à abundante secção de metais e a várias aparições de instrumentos de sopro um protagonismo também relevante.

Toda esta conjugação de factores acaba por dar alguma pompa e imponência a Ships, ainda mais quando alguns arranjos algo kitsch resolvem aparecer, quase sempre sem aviso prévio. Por exemplo, em The Morse Code For Love Is Beep Beep, Beep Beep, The Binary Code Is One One, há uma letra repetitiva e hipnótica, que parece transformar-se numa espécie de código morse, que tanto causa repulsa como, em simultâneo, uma estranha atração, causada pela secção de sopro que embeleza e conduz a canção.

Do jingle de C'mon Let´s Mosh ao ska de Build You a Butterfly, passando pela sensualidade pop de 8 Bit Monsters e sempre num evidente clima de ingenuidade e boa disposição, há um elevado dinamismo na toada das canções e na forma como elas vão surgindo e estão encadeadas. Mesmo nos momentos mais calmos, dos quais destaco a guitarra country de Chubby Cheeks e o piano que orienta o blues de Let's Go Swimming Wild, a audição de Ships é uma verdadeira festa, certamente organizada com muito amor e que merece ser elogiada pela sinceridade e pelo charme cativante com que se atreve a desafiar todos os nossos sentidos. Espero que aprecies a sugestão...

01. If I Died
02. The Morse Code For Love Is Beep Beep, Beep Beep, The Binary Code Is One One
03. Let’s Go Swimming Wild
04. C’mon Let’s Mosh!
05. Twelve Carrots Of Love
06. Chubby Cheeks
07. 8 Bit Monsters
08. You Are A Wave
09. The Sea Life Is The Life For Me (Mermaid Cutie)
10. Build You A Butterfly
11. Cate’s Song


autor stipe07 às 22:10
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

The Soft Hills – Chromatisms

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.


Entretanto já chegou o terceiro álbum; Lançado no passado dia oito de fevereiro e disponível para audição no bandcamp da banda, Chromatisms é o novo disco dos The Soft Hills, um trabalho carregado de referências literárias e que incorpora referências a sonhos e visões que fazem da audição do mesmo uma experiência algo mística que nos leva até ambientes mitológicos, através de nuvens sonoras cheias de magia e melancolia.

Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofunda a sonoridade proposta pelo disco anterior. Contendo Riding High e Sweet Louise (o primeiro single retirado do disco), dois temas impregnados com a sujidade de um Neil Young, uma acidez lírica e com profundas raízes no rock, não deixam de abordar também os caraterísticos sons da folk, nomeadamente em Dear Mr. Moonlight e na soturna On The Beach, dois temas que devido às guitarras e à percurssão me soaram a um cruzamento feliz entre Fleet Foxes e Pink Floyd.

Mas Chromatisms não se baliza apenas por estas duas tendências sonoras; Há um momento épico em Mighty River e depois chega-nos o centro espiritual do disco com Payroll e a belíssima linha melódica de Un; Estes dois temas estão cheio de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e por tiques típicos da psicadelia, devido aos ecos e ao reverb das guitarras.

À imagem do que fazem os seus primos Fleet Foxes e My Morning Jacket, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, sendo Chromatisms um convite feito por Hobba e os seus companheiros para uma viagem sonora pelo interior desse país e das suas raízes, através de uma escrita que apela a tradições e eventos do passado, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

01. Riding High
02. Sweet Louise
03. Marigolds
04. Dear Mr. Moonlight
05. Payroll
06. Un
07. Horse And Carriage
08. The Gifts You Hide
09. Mighty River
10. Desert Rose


autor stipe07 às 22:08
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Kurt Vile - Wakin On A Pretty Daze

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011, Kurt Vile está de regresso com Wakin On A Pretty Daze, álbum lançado no passado dia nove de abril por intermédio da Matador Records. Never Run Away é o primeiro single já conhecido deste disco proposto por um músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elécrica.

Kurt Vile parece ter encontrado um ponto de equilíbrio dentro das composições e dos sons que propôe há já uma década. Ancorado em músicas cada vez mais confortáveis, o compositor vem desde 2008, com Constant Hitmaker, trilhando caminhos sonoros feitos de guitarras simples e uma voz emocionada e romântica, sem nunca pôr de lado uma certa toada psicadélica. Wakin on a Pretty Daze acaba por ser uma sequência do que já tinha proposto há dois anos, mas agora ele procura posicionar-se no universo indie num lugar cada vez mais amplo, já que não se limita apenas às confissões românticas e caseiras, mas também busca, através de pequenas viagens lisérgicas tratadas na instrumentação ou no uso de letras que rompem com a proposta intimista do trabalho passado, ser menos tímido e mais grandioso.

Em Wakin On A Pretty Daze mantêm-se as viagens ao rock psicadélico da década de setenta, mas Vile abre a porta para que as suas músicas se derramem em versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos que costuma abordar, mas com a diferença de que agora eles olham para o mundo e não apenas para uma exposição das suas emoções intrínsecas. É como se o músico deixasse o seu ambiente para caminhar pelo mundo real, algo audível nas imensas passagens instrumentais que pintam aqueles que poderiam ser os tais possíveis pontos de silêncio da obra. Músicas enormes como Goldtone, Too Hard e Was All Talk, todas na casa dos oito minutos, manifestam instrumentalmente as reformulações plasmadas neste novo disco.

Pela forma como os arranjos se acomodam, não é difícil encontrar uma aproximação ao que Neil Young produziu no começo da sua carreira, deixando para os instantes mais comportados uma forte relação com a obra de Nick Drake, nomeadamente quando propôe melodias mais convencionais (Girl Called Alex) ou na forma como, por exemplo em Too Hard, derrama os versos da canção com um certo pendor bucólico. Nos temas mais rápidos do álbum, Vile acaba por deixar-se levar pelo que de mais comercial e coerente existe na música atual, principalmente na folk de Snowflakes Are Dancing ou no rock leve de Never Run Away, o tal single já divulgado e a canção mais pop do disco.

Kurt Vile jamais se perde no caminho, mesmo quando inova com as tais passagens instrumentais extensas que discutem amor, saudade ou meras futilidades diárias, como se o músico apenas observasse o tempo passar e fosse capaz de descrever cada mínimo aspecto sobre ele. Wakin On A Pretty Daze é, por isso, uma obra que exige tempo, mas que garante acrescentar algo ao ouvinte no final. Espero que aprecies a sugestão...

01. Wakin On A Pretty Day
02. KV Crimes
03. Was All Talk
04. Girl Called Alex
05. Never Run Away
06. Pure Pain
07. Too Hard
08. Shame Chamber
09. Snowflakes Are Dancing
10. Air Bud
11. Goldtone


autor stipe07 às 22:40
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Terça-feira, 30 de Abril de 2013

Caveman – Caveman

Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e que divulguei na altura, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Caveman, um homónimo lançado no passado dia dois de abril por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico folk rock norte americano.

Forjado num celeiro de New Hampshire, propriedade da avó de Iwanusa, Caveman é resultado de longas jam sessions, dentro de uma sonoridade post rock que tinha tido alguns lampejos na estreia e que caraterizava as anteriores bandas dos elementos do quinteto, veteranos e profundos conhecedores do cenário musical nova iorquino (We’d all sit in this one room together and one by one we’d all go into the bathroom and record ourselves making the most psycho noises possible.).

No entanto, apesar do nome e dessa herança, Caveman não tem muito de cavernoso e obscuro, pois até é um disco com uma sonoridade bastante pop e folk, ouvindo-se apenas algum barulho e distorção aqui ou ali. As canções destacam-se pela voz de Matthew e pela vigorosa bateria de Stefan, havendo lampejos de pop (My Time), de alt country (Old Friend) e experimentações etéreas (Over My Head e I See You), que chegam a pisar territórios explorados pelos Radiohead ou Pink Floyd, apesar dos Fleet Foxes serem o projeto que mais vezes assalta a nossa memória durante a audição deste homónimo. In The City, o single já retirado do álbum, acaba por ser o seu maior destaque, um tema que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje é reproduzida com mestria, por exemplo, pelos The Antlers. 

Numa época em que muitos criticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção o habitual síndroma do segundo álbum, assentando essa permissa numa habilidade lírica incomum, apesar da temática das canções ser algo generalista e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.

Não há uma total reconstrução da sonoridade estética de Coco Beware, disco que foi dominado pelas guitarras, mas em Caveman há um notório amadurecimento na forma da banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que, apesar de fazer com que tenham perdido alguma daquela espontaniedade que as guitarras geralmente permitem que exista, potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

01. Strange To Suffer
02. In The City
03. Shut You Down
04. Where’s The Time
05. Chances
06. Over My Head
07. Ankles
08. Pricey
09. I See You
10. Never Want To Know
11. The Big Push

 


autor stipe07 às 22:04
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Foxygen - We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por  Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.

A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.

In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.

On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophies tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.

O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic termina com a hipnótica Oh No 2canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.

We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado.  Espero que aprecies a sugestão...

In The Darkness

No Destruction

On Blue Mountain

San Francisco

Bowling Trophies

Shuggie

Oh Yeah

We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Oh No 2 

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autor stipe07 às 18:08
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Sábado, 27 de Abril de 2013

Paper Beat Scissors - Tendrils, Live At St. Matthew's Church


Liderados pelo simpático Tim Crabtree, os canadianos Paper Beat Scissors lançaram recentemente, por intermédio da Forward Music Group e relacionado com o evento Record Store Day, uma edição em vinil, limitada a trezentos exemplares, de Tendrils - Live At St. Matthew's Church. Produzido pelo próprio Tim Crabtree, o disco inclui apenas dois temas, Tendrils na lado A e Onwards no lado B e ambos foram gravados ao vivo na igreja de St. Matthews, em Halifax, na Nova Escócia, durante um festival de jazz que aí se realizou, no passado dia onze de julho e contaram com a participação especial dos Clogs, uma banda de Nova Iorque que costuma colaborar com os The National e com os My Brightest Diamond, nas vozes, em Tendrils.

Além do vinil com as duas canções, o 45RPM traz um postal com um lindíssimo artwork da autoria da artista Sydney Smith, que inclui im código que possibilita três vezes o download, no site da etiqueta Forward Music Group, dos sete temas que a banda tocou nesse concerto.

Agradeço ao Tim pelo envio do meu exemplar que já chegou e enriqueceu imenso a minha coleção discográfica e desejo-lhe o maior sucesso na digressão europeia que os Paper Beat Scissors estão a iniciar. Espero que aprecies a sugestão...

Tendrils

Onwards


autor stipe07 às 11:20
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Wild Belle - Isles

Os Wild Belle são Natalie Bergman e Elliot Bergman, dois irmãos de Chicago que têm no rock pasicadélico com travos folk, reggae e ska as suas principais influências. Isles, o disco de estreia, foi editado por intermédio da Columbia Records no passado dia onze de março.

Uma das particularidades de um disco que frequentemente me chama a atenção é a capa do mesmo. Tenho um interesse particular por perceber as escolhas das bandas e, antes de me debruçar naquilo que talvez mais interesse, que é o conteúdo, não resisto a divulgar a justificação do art work da capa de Isles. A pintura selecionada é um quadro que foi feito pela mãe dos músicos e uma homenagem à mesma, que faleceu recentemente.

Referências à tristeza e à dor que essa perca provocou nos Wild Belle seriam perfeitamente naturais e compreensíveis, tendo em conta essa perca física recente da figura maternal. No entanto, o clima proposto é exatamente o oposto. Isles é como que um arquipélago musical onde existem diferentes canções, sendo cada uma delas uma ilha particular, com um ambiente sonoro particular e onde a criatividade é transversal aos onze temas do disco.

Isles está estruturado no típico groove recheado de metais e ruma frequentemente até trilhos sonoros dominados pelo ska e outras influências que os dois irmãos agregam com mestria. A voz de Natalie carrega em si uma essência vocal que facilmente se associa a nomes como Lily Allen e Alex Winston e destaca-se particularmente em Keep You, It's Too Late e Backslider. Já Another Girl reacende um passado pelo qual Adele e Duffy poderiam fazer parte numa versão acústica.

Isles pode facilmente vir a ser uma boa referência futura para uma ampliação ainda mais vasta do reggae, que tem aqui os seus traços identitários bem identificados e ao mesmo tempo diluídos numa pop leve e que caberia muito bem na banda sonora de uma festa de verão junto ao mar, com tiques sonoros mais contemporâneos e refrescantes. Sobram referências culturais direcionadas a lugares como África, Jamaica e Hawai, bem notadas em canções como Twisted, June e Love Like This, que se destacam pelos arranjos simples e pela sonoridade típica desses locais, onde o reggae tem uma forte implementação.

Se teoricamente cada canção de Isles conta diferentes histórias, melodicamente Wild Belle assenta num leque de influências sonoras, muito bem distribuídas em cada um dos temas, o que confere uma notável homogeneidade e identidade ao disco.  Se realmente será uma realidade a tal transformação de Isles numa referência futura para quem queira vir a apostar nesta fusão sonora, ainda é um pouco cedo para o dizer com absoluta certeza; Seja como for, encontrar os típicos ambientes do verão que se aproxima, é algo muito possível nesta estreia dos Wild Belle. Espero que aprecies a sugestão...

Wild Belle - Isles

01. Keep You
02. It’s Too Late
03. Shine
04. Twisted
05. Backslider
06. Happy Home
07. Another Girl
08. Love Like This
09. When It’s Over
10. June
11. Take Me Away


autor stipe07 às 22:47
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Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

Telekinesis - Dormarion

Já chegou às lojas Dormarion, o terceiro disco do projeto norte americano Telekinesis, lançado no passado dia doze de abril de 2013, via Merge Records. Dormarion foi produzido pelo baterista Jim Eno, dos Spoon, e por Michael Benjamim Lerner, o grande mentor e líder dos Telekinesis. Dormarion sucede 12 Desperate Straight Lines, álbum lançado em 2011.

Lerner escreveu as doze músicas de Dormarion no início de 2012, em sua casa e na residência dos seus pais, mas as mesmas só foram gravadas no final do verão desse ano, no estúdio do produtor, em Austin, no Texas, chamado Public Hi-Fi. Dormarion é o nome da rua onde esse estúdio se situa. Lerner e Jim Eno tocaram todos os instrumentos no disco, mas ao vivo, a banda também conta com Erik Walters (The Globes) na guitarra, Eric Elbogen (Sy Hi) no baixo, e Rebecca Cole (Wild Flag) no teclado.

Michael Benjamin Lerner voltou à atividade depois de dois anos sem inéditos e parece tê-o feito sem grande pressão já que Dormarion divide-se em canções que retratam ambientes muito confortáveis. Dividido entre a sua casa e o lar dos seus pais, o processo de escrita e composição foi fortemente introspetivo e os resultados só vieram à tona no final desse verão, altura em que Lerner se reuniu ao produtor Jim Eno, que, além de ser baterista dos Spoon, assistiu Michael na criação e nos processos técnicos deste álbum.

Em Dormarion a sonoridade dos Telekinesis regressa um pouco às origens, aproximando-se da tranquilidade intimista do disco homónimo de estreia, editado em 2009 e que foi quebrada com 12 Desperate Straight Lines, um álbum com uma sonoridade mais elétrica e próxima do rock n'roll. Nesta toada novamente mais tranquila, Dormarion é um resumo de anteriores experiências de Michael e a junção de  algumas experimentações com sintetizadores, algo que aproxima este álbum de uma sonoridade pop feita de baladas tranquilas conduzidas pela viola e outras composições mais agitadas, algumas com interessantes efeitos vocais.

Não há, portanto, uma clara lineariedade no material de Dormarion, já que é possível sentir as frequentes mudanças a cada nova canção. Symphony, por exemplo, é uma canção romântica, vagarosa, sentimental e acústica que se encaixaria facilmente num trabalho plenamente folk e tradicional. No entanto, ela é contraposta a seguir por uma série de camadas eletrónicas e percussões frenéticas em Dark To Light. Os timbres de voz editados e permeados por uma atmosfera quase espacial não impressionam e ganham um novo caminho em Little Hill, que apoia-se num indie rock facilmente ouvido, por exemplo, nos Death Cab For Cutie.

Dormarion comprova novamente a mestria de Michael Lerner na forma como demonstra flexibilidade em abordar diferentes malhas sonoras sem deixar de ser minimamente coeso, o que lhe abre, em termos de futuro, um alargado leque de possibilidades que o poderão impulsionar para um patamar ainda mais elevado de destaque e de reconhecimento público. Temas como Power Lines e Lean On Me, com uma essência mais roqueira, talvez sejam, na minha opinião, a melhor opção que os Telekinesis deverão tomar em futuros lançamentos. Espero que aprecies a sugestão...

01. Power Lines

02. Empathetic People

03. Ghosts And Creatures

04. Wires

05. Lean On Me

06. Symphony

07. Dark To Light

08. Little Hill

09. Ever True

10. Island #4

11. Laissez Faire

12. You Take It Slowly


autor stipe07 às 23:10
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Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

Josh Rouse – The Happiness Waltz

Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso em 2013 com The Happiness Waltz, disco lançado no passado dia dezanove de março por intermédio da Yep Roc Records. O álbum foi produzido por Brad Jones, que já havia trabalhado com o cantor em 1972 e em Nashville e foi gravado em Valência, Espanha, no estúdio do artista, chamado Rio Bravo.

 

Songwriting for me is something I have to do to stay on the sunny side of life. It’s my therapy. I pick up a guitar from time to time and it spills out. I feel lucky in that, after years of being blessed by their presence, the song spirits are still moving through me

 

Quinze anos depois de este músico natural dos subúrbios de Nashville, no Tennessee e cinco anos após ter trocado, por amor, essa Nashville por Valência, na espanha, Josh Rouse não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da sua escrita e composição, já que The Happiness Waltz é um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da sua experiência recente como marido e pai e que, também por isso, conjuga tudo aquilo que de bom tem a sua fantástica carreira.

No início da sua carreira Josh terá sido fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. Os belíssimos arranjos de cordas que ele propunha e ainda cria e reproduz, tornaram-se logo numa imagem de marca e o seu disco de estreia Dressed Up Like Nebraska, de 1998, é hoje, um disco fundamental da música popular norte americana do final do século passado. Depois, Chester, o EP que Rouse gravou com o cérebro por trás dos Lambchop, Kurt Wagner, foi mais uma prova de que ele era uma boa aposta para o futuro.

Com o novo século chega o reconhecimento mundial obtido com os clássicos Under The Cold Blue Stars em 2002, 1972 em 2003 e Nashville em 2005. Com essa tríade Josh provou definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Nashville, o meu disco preferido de Josh Rouse, acabou por ser uma marco na sua carreira já que foi o clímax de toda uma época em que se dedicou a cantar sobre a sua herança de menino filho de militares que viveu em várias cidades e os sofrimentos amorosos que teve, nos quais se inclui um divórcio atribulado; Canções como Street Lights, Winter In The Hamptons e outras, mostram a fina fronteira que existe muitas vezes entre dor e redenção e indicavam que daí para a frente nada mais seria igual e que nos próximos álbuns o músico teria de se reinventar.

Em 2006 Josh foi morar na cidade de Villa de Santa Maria, próximo de Valencia, no sul da Espanha e aí inicia uma nova vida e, musicalmente, uma nova fase da sua carreira. Os discos posteriores a essa mudança mantêm o espírito e as habilidades de composição de Josh, mas procuram transmitir uma sonoridade mais extrovertida e luminosa, fruto também de um novo amor, agora com a espanhola Paz Suay, cantora com quem Josh entretanto casou. Assim, Subtitulo (2006) tem canções mais leves, como Quiet Town, Summertime, Givin' It Up e a exceção, a autobiográfica, The Man Who Doesn't Know How To Smile, que já conta com a voz de Paz. Logo de seguida, Josh e Paz editam o EP She's Spanish, I'm American, dando como oficial a também união artística do casal.

Os trabalhos seguintes, Country Mouse, City House (2007), El Turista (2010) e The Long Vacations (2011), foram incorporando elementos melódicos espanhóis na música de Rouse, inclusive nas letras que levam Josh a cantar numa língua que nem sempre domina na perfeição, como se percebe, por exemplo, em Bienvenido ou Las Voces. Em 2011, Josh Rouse And The Long Vacations, é uma tentativa do músico de, mantendo a mesma proposta sonora alegre e festiva, partir até aos anos setenta e à costa oeste dos Estados Unidos.

Agora, The Happiness Waltz é a assumida tentativa de, como referi acima, tentar fazer uma espécie de súmula da carreira e uma simbiose das duas grandes fases da sua carreira, a tristeza por algo ou alguém que se foi, com a certeza do sol quente do mediterrâneo peninsular. O disco começa com Julie (Come Out Of The Rain), uma bela canção devido à voz e ao timbre da guitarra; Depois segue-se Simple Pleasure um tema simples e feliz, com uma sonoridade muito colada aos The Smiths, assim como It's Good To Have You, onde Josh assume estar feliz com a sua nova família. Esta temática familiar volta a estar presente em This Movie's Way To Long.

City People, City Things acena novamente aos anos setenta, assim como Our Love, um dos destaques do álbum por ter um ritmo parecido com uma valsa e travos de soft rock do início dos anos 70. A Lot Like Magic acena à pop britânica dos anos oitenta e casa-a com as melodias americanas dos anos setenta e com a própria pop soul típica da Motown. Em Start A Family, Josh regressa aos climas hispânicos e a percussão e o baixo de Western Islands recordam Winter In The Hamptons, um dos destaques de Nashville.

Nos últimos três temas de The Happinezz Waltz o ritmo abranda um pouco; Purple And Beige é um belíssima balada, feita com notáveis arranjos de cordas e onde Rouse recorda tempos distantes. The Ocean  fala sobre a mudança do músico do interior americano para o mediterrâneo e o tema homónimo é um final perfeito para um disco único, devido à mistura instrumental que congrega. Espero que aprecies a sugestão...

 

I can’t wait another moment to see those eyes

Lately all I care about is you and me

And the future that looks so bright

It feels good to have you in my life

01. Julie (Come Out Of The Rain)
02. Simple Pleasure
03. It’s Good To Have You
04. City People, City Things
05. This Movie’s Way Too Long
06. Our Love
07. A Lot Like Magic
08. Start Up A Family
09. The Western Isles
10. Purple And Beige
11. The Ocean
12. The Happiness Waltz


autor stipe07 às 22:42
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Domingo, 7 de Abril de 2013

Phosphorescent - Muchacho

Phosphorescent é o projeto musical de Matthew Houck, um músico que se move entre Brooklyn e o Alabama e que lançou em 2010 o aclamado álbum Here’s To Taking It Easy. Agora, em 2013 e de acordo com o que anunciei em Curtas... LXXV, chegou aos escaparates, a dezanove de março, Muchacho, o sucessor, por intermédio da Dead Oceans, onde Matthew se fez acompanhar do engenheiro de som John Agnello, que ajudou Kurt Vile na construção do memorável Smoke Ring For My Halo.

Escrito numa praia mexicana, Muchacho tem impresso alguns dos mais importantes detalhes do cancioneiro norte americano dos últimos vinte anos. Com raízes na folk, o projeto Phosphorescent já abordou sonoridades mais excêntricas, nomeadamente em Pride (2007), mas depois passou a deixar-se influenciar pela dor e pela saudade, quer no álbum seguinte, quer neste Muchacho.


Wilco, Jim James, Bon Iver e até os Lambchop são referências óbvias de um projeto e um álbum que, por abarcar um universo sonoro rico e vasto, estende-se para além dos limites iniciais da composição. Há canções grandiosas (The Quotidian Beasts) e outras mais simples, quer na escrita, quer na sonoridade (Muchacho's Tune) e onde elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres se apoderam da obra com extrema delicadeza.

Muchacho é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos, algo percetível logo na abertura, em Sun, Arise! (An Invocation, An Introduction). A temática das canções gira em redor da dor da perca e do posterior e indispensável processo de libertação, algo plasmado no tema homónimo (See I was slow to understand, This river’s bigger than I am, It’s running faster than I can, though lord I tried) ou em Terror In The Canyons (Now you’re telling me my heart’s safe, And I’m telling you I know/,You’re telling me lean in and I’m telling you to go), canções onde Houck parece lentamente despertar e onde deixa para trás a dor expressa nos álbuns anteriores, utilizando então Muchacho para depurar antigos fantasmas.

Mas o disco tem outros destaques... Ride On, Right On é uma canção rock com um clima eletrónico e Down To Go recorda os momentos mais sombrios e introspetivos dos The National. E depois há Song For Zula, o primeiro single de Muchacho, um tema épico, cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que expressam com particular envolvência o amor, que volta a ser elevado em em Terror In The Canyons (The Wounded Master).

Muchacho é a partir de agora a obra prima de Matthew Houck. Sem precisar de soar demasiado grandioso, Phosphorescent celebra a melancolia como quem sobreviveu à dor e caminha de rosto erguido. Transita intencionalmente entre o passado e o presente e deverá ser uma referência para os seus lançamentos futuros. Espero que aprecies a sugestão...

01. Sun, Arise! (An Invocation, An Introduction)
02. Song For Zula
03. Ride On / Right On
04. Terror In The Canyons (The Wounded Master)
05. A Charm / A Blade
06. Muchacho’s Tune
07. A New Anhedonia
08. The Quotidian Beasts
09. Down To Go
10. Sun’s Arising (A Koan, An Exit)


autor stipe07 às 22:16
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Sexta-feira, 5 de Abril de 2013

Black Rebel Motorcycle Club - Specter At The Feast

Depois de terem editado Beat the Devil's Tattoo em 2009, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com Specter At The Feast, o sétimo disco de uma carreira de doze anos de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.

Ao longo destes doze anos, os BRMC talvez não tenham salvado o rock, mas há que ser justo e admitir que se tornaram numa das bandas essenciais deste género musical. Mesmo após a estreia e o similar Take Them On, On Your Own, quando infletiram um pouco no rumo e em Howl abraçaram também a country e a folk, não deixaram nunca de perder a sua identidade, que apenas foi um pouco abalada com Baby 81 e The Effects of 333, os dois únicos álbuns dos BRMC que não me seduzem e que considero terem sido verdadeiros tiros ao lado na valiosa trajetória musical do grupo. Assim, na primeira década de existência, os BRMC nem sempre cumpriram a ótima expetativa criada na estreia mas, em 2009, Beat the Devil's Tattoo voltou a colocar o percurso dos BRMC nos eixos, refrescou-os e pessoalmente devolveu-me a esperança e deixou-me com água na boca relativamente ao futuro e ao sucessor.

Specter At The Feast tem doze canções feitas de country, garage rock, blues e psicadelia, ou seja, que congregam muitas das qualidades dos BRMC, mas que também, infelizmente, voltam a expôr alguns dos seus maiores defeitos. Mantém-se o espírito volátil do grupo, há uma maior dose de epxerimentalismo e recuperaram a sonoridade ruidosa que os sustentam. Se analisarmos as canções individualmente, extraídas da dinâmica do disco, a bitola qualitativa talvez seja maior do que a pura e simples análise de Specter At The Feast como um todo porque, em traços gerais, o disco é muito heterógeneo e nada feliz sequencialmente. Este entusiasmo seguido de algum tédio e vice-versa evidencia que não terá havido uma acertada escolha do alinhamento e, por isso, alguns temas que demonstram que os BRMC não perderam a capacidade de fazer grandes canções acabam por ficar relativamente isolados no meio daqueles que trazem à tona momentos menos inspirados. Returning, uma canção liricamente marcada pela partida de alguém querido, algo que, como veremos à frente, sucedeu com os BRMC (but you must leave and not turn back, knowing what you hold, how much time have we got left, its killing us, it carries us on) e Rival são dois temas que provam a existência destes dois pólos opostos.

Specter At The Feast começa com Fire Walker, um típico tema introdutório, com um baixo firme e constante e momentos etéreos criados pelo sintetizador. Depois, uma das canções que mais remete para o glorioso passado dos BRMC é Let The Day Begin, um tema onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah. Esta canção é o meu destaque maior de Specter At The Feast e será, certamente, uma homenagem sentida a Michael Been, pai de Robert e engenheiro de som dos BRMC durante vários anos, falecido em 2010 logo após um concerto na Bélgica e que tinha gravado essa canção há alguns anos com os The Call, banda a que Michael pertenceu. A morte provoca sempre reaçoes imprevisíveis em quem a enfrenta e os BRMC tiveram de aprender a liderar com a perca de um ente querido, alguém que os acompanhou diariamente durante vários anos. Acabaram por canalizar para a música o sofrimento que sobre eles se abateu e usar essa morte como um meio criativo e assim expressarem, através desta tragédia, a sua visão poética da dor, de forma comovente e sincera, não só em Let The Day Begin, mas em todo o conteúdo do disco. Specter At The Feast acaba por ser contagiado por esse clima sombrio e funcionar como uma espécie de tributo a Michael Been, além de ser uma forma de lidar com a dor dessa perca.

Outros destaques de Specter At The Feast são, na minha opinião, Hate The Taste, um tema que introduz a sequência mais ruidosa do disco e que tem traços de post-punk e blues, Teenage Disease, canção onde essa fúria se mantém, mas que agora abraça o noise rock e o rock alternativo e a psicadelia etérea que tomam conta de Sometimes The Light, devido ao órgão que nela se escuta.

Specter At The Feast encerra majestosamente com Sell It e Lose Yourself, duas longas canções feitas com efeitos de guitarras sombrios e interessantes e marcadas por belas melodias. A primeira volta a falar da dor da perca e apela a uma lado mais religioso, falando da importância de Deus para a superação da mesma (I got god, I got the medication i got enough to make it all go away) e Lose Yourself é o último esforço para que haja novamente luz, a mesma que acaba por brilhar na canção devido à interação brilhante entre a voz e delicadeza da guitarra de Peter.

Specter At The Feast é um álbum muito carregado emocionalmente e que reflete o estado psíquico de uma banda muito marcada por transformações e dissabores, mas que nunca deixou, ao longo da carreira, de tentar ser coerente no desejo de deixar, disco após disco, novas pistas para a salvação do rock. O resultado final algumas vezes não foi o melhor, mas essa nobre intenção sempre esteve presente na discografia dos BRMC e ganhou um novo vigor neste disco. Espero que aprecies a sugestão...

01. Fire Walker
02. Let The Day Begin
03. Returning
04. Lullaby
05. Hate The Taste
06. Rival
07. Teenage Disease
08. Some Kind Of Ghost
09. Sometimes The Light
10. Funny Games
11. Sell It
12. Lose Yourself


autor stipe07 às 18:19
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Sábado, 30 de Março de 2013

Home By Hovercraft - Are We Chameleons?

Os Home By Hovercraft são uma banda de Dallas, no Texas, liderada pelo casal Seth Magill and Shawn Magill, aos quais se juntaram a irmã de Seth, Abbey Magill, Johnny Sequenzia e Max Hartman. Are We Chameleons? é o álbum de estreia do grupo e viu a luz do dia a doze de março.

Na música, hoje em dia quase nada é propriamente novo. O segredo do sucesso está, na esmagadora maioria das vezes, na criatividade com que diferentes sonoridades se misturam e são replicadas e a toada inventiva acaba por se justificar pela originalidade com que determinada banda ou projeto consegue, de forma diferente, cozinhar os diferentes ingredientes que selecionou. Os Home By Hovercraft são o exemplo claro de um grupo que pretende servir-se de uma paleta abrangente de estilos sonoros e concentrá-los de forma que resultem num coerente registo pop que nos transporte até ambientes do passado mais clássicos e tradicionais.

Are We Chameleons? foi produzido por Paul Williams e a principal referência dos Home By Hovercraft são, sem dúvida os The National, com a própria voz de Seth a fazer lembrar o registo de Matt Berninger. Mas Spoon, Beirut ou Nick Cave também cabem na míriade de influências que definem a sonoridade deste grupo texano. Está implícito no ADN dos Home By Hovercraft um forte sentido de teatralidade, não só no campo musical, mas também na forma como este negócio de família se apresenta ao vivo, influenciados pela pop clássica com traços de um certo art rock.

A variedade de instrumentos que utilizam, com destaque para os de sopro e percussão, que vão da tuba ao xilofone, passando depois, nas cordas, pelo violino, além dos clássicos piano e guitarra, ajudam imenso a transportar o ouvinte de Are We Chameleons? até vivências do passado que, no caso da divertida In Hand, me fizeram recordar os ambientes palacianos do barroco francês.

Acaba por haver aqui também travos de folk, uma grandiosidade algo esotérica e uma implícita extravagância que nos transporta também aos ambientes típicos da Broadway ou do próprio Moulin Rouge. A própria banda esteve a trabalhar num musical chamado On the Eve e confessa que o conteúdo de Are We Chameleons? resulta do trabalho desenvolvido para esse musical que, em 2012, esteve no Margo Jones Theater e no Magnolia Lounge at Fair Park e que faz parte do programa do Theatre Three, sendo todas estas salas em Dallas (We sculpted Are We Chameleons? as we were about to go into production for On the Eve. We took the ones from the musical that we were most confident taking into the studio. - Seth Magill). Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 19:47
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Sexta-feira, 29 de Março de 2013

Jim James – Regions Of Light And Sound Of God

Depois de ter editado, nos My Morning Jacket, Circuital, em 2011, Jim James, um músico dessa banda e natural de Louisville, no Kentucky, está de regresso com Regions of Light and Sound of God, disco lançado a cinco de fevereiro pela ATO.

Regions Of Light And Sound Of God foi produzido, composto e gravado com base no solitário trabalho de Jim James e, por isso, o álbum acaba por ser, de maneira bastante natural, um reflexo da alma e da mente dele. Desde a forma como as guitarras são enquadradas nas melodias, até à escrita dos versos, tudo plasma uma atmosfera de perfeita solidão. Dentro desse propósito, cada instante ao longo do retrato de nove composições tem uma relação direta com a vida do músico, como se ele fosse uma personagem que se transforma na matéria-prima audível em Regions Of Light And Sound Of God.

Circuital era um disco um pouco confuso, fruto de uma fase dos My Morning Jacket em que não queriam rejeitar as melodias orgânicas e bucólicas que deram vida aos trabalhos iniciais dessa banda e, ao mesmo tempo, fundi-las com acabamentos mais atuais e futurísticos. Digamos que foi uma busca pelo chamado country alternativo, onde o campo se transformam na cidade e os agregados de distorção que se adicionaram às cordas, tornaram-se na base funcional do conteúdo do disco.

Regions of Light and Sound of God também flutua entre o passado e esse futuro bem exemplificado na capa, com James a caminhar num cenário minimalista delineado pelas cores, uma metáfora para a matéria urbana desta sua primeira obra a solo. Da voz que remete para a folk da década de setenta, passando pela ponderação sonora, tudo se organiza de forma contrastante e cada realce musical abordado pelo disco não deixa de transparecer uma visita ao passado. O velho e o novo, o futurístico e arcaico, a simplicidade de uma corda e a excentricidade de um sintetizador, balançam entre si e dividem protagonismos, com coerência e bom gosto.

Num artista iniciante, esta fórmula difusa talvez resultasse num exercício cheio de antagonismos desligados e incoerências; Nas mãos de Jim James, um veterano nestas andanças, o casamento desta bipolaridade sonora resulta na perfeição, porque há ordem na forma como, em cada composição, as guitarras se dissolvem nas típicas propostas ambientais acústicas, ao mesmo tempo que são adornadas por distorções orgânicas e eletrónicas. Assim, temas que à partida poderiam ter um conteúdo mais simplista, acabaram por aflorar num cenário de arranjos, versos e sensações naturalmente grandiosas, um reforço necessário para a boa forma da obra.

Diferente de tantos outros registos que até brincam com as mesmas perceções musicais do artista, Regions Of Light and Sound of God é um trabalho que encanta justamente pelos instantes de nostalgia dissolvidos pelo álbum. A dor e as pequenas interpretações quotidianas de James são universais, fator que converte o álbum num trabalho naturalmente clássico e construído em cima de referências vintage, mas atuais. Espero que aprecies a sugestão...

01. State of the Art (A.E.I.O.U)
02. I Didn’t Know Til Now
03. Dear One
04. A New Life
05. Exploding
06. Of The Mother Again
07. Actress
08. All Is Forgiven
09. God’s Love To Deliver

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autor stipe07 às 22:00
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Quarta-feira, 27 de Março de 2013

Elephant Stone – Elephant Stone

Os Elephant Stone são Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, uma banda de Montreal, no Canadá, que se formou em 2009 pela iniciativa de Rishi Dhir, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Basta dizer que nos últimos anos gravou e andou em digressão com nomes tão importantes desse género musical como os The Black Angels, Brian Jonestown Massacre, ou os The Horrors.

Ainda nesse ano de 2009 os Elephant Stone editaram The Seven Seas, o disco de estreia. Nesse trabalho Dhir deu início à sua busca, quase obsessiva pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que o músico também andou na digressão de 2011, dos The Brian Jonestown Massacre. Agora, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records.

O uso da cítara por Dhir no The Seven Seas não foi uma novidade em trabalhos do universo indie e shoegaze, mas sucedeu com uma qualidade tão invulgar, que obrigou os habituais ouvintes deste género de sonoridade a ficarem atentos aos Elephant Stone. No entanto, o conteúdo do álbum ainda não estava devidamente balizado e a míriade de detalhes sonoros presentes, e que passavam também pela brit pop, não deixava que se formasse uma opinião rigorosa acerca do que, musicalmente, os Elephant Stone pretendem atingir. Assim, dar a este segundo disco o nome da prória banda, talvez seja uma forma de dar as cartas de novo, uma espécie de recomeço, finalmente um assumir mais preciso das verdadeiras motivações destes quatro músicos, onde Dhir é o cérebro dominante.

Neste segundo álbum a cítara ouve-se ainda mais e agora é também usada, nos arranjos, para fazer sobressair a tonalidade psicadélica das canções e não apenas para substituir a guitarra na primazia melódica. Além da cítara, também se escuta outro instrumento de cordas tradicional indiano, tocado com um arco, chamado dilruba.

Os cinco primeiros temas de Elephant Stone obedecem aos padrões habituais da indie pop de cariz mais psicadélico, onde além das cordas cativa o brilho e o pulsar intenso da bateria. A partir da segunda metade do disco a velocidade abranda, aumenta a complexidade e sobressai uma tonalidade quase espiritual em algumas canções, com especial ênfase para a instrumental Sally go Round The Sun. Ouve-se com maior regularidade os instrumentos tradicionais indianos já referidos, nomeadamente, como reforcei, no esplendor que conferem ao nível dos arranjos. A guitarra também ganha um pendor mais sinistro, efeito reforçado pela componente acústica da mesma e pela maior predominância da voz em reverb e eco.

Antes de teminar importa referir que Elephant Stone é inspirado na música dos Stone Roses com o mesmo nome e numa estátua do deus hindu Ganesh que o próprio Rishi Dhir possui e que o leva a referi que a sua banda tem uma sonoridade hindie rock. Espero que aprecies a sugestão...

Elephant Stone - Elephant Stone

01. Setting Sun
02. Heavy Moon
03. Masters Of War
04. Hold Onto Yr Soul
05. A Silent Moment
06. Looking Thru Baby Blue
07. Sally Go Round the Sun
08. Love The Sinner, Hate The Sin
09. The Sea Of Your Mind
10. The Sacred Sound


autor stipe07 às 16:00
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Terça-feira, 26 de Março de 2013

Devendra Banhart – Mala

Devendra Banhart está de regresso com Mala, o seu oitavo disco lançado recentemente por intermédio da Nonesuch e que interrompe um hiato de quase quatro anos, já que sucede a What Will Be, álbum lançado em 2009 e que replicava novamente a típica sonoridade folk psicadélica e latino americana do músico, razão pela qual todos ansiávamos por um regresso que fosse tudo menos normal e previsível, para que não tívessemos que nos deparar com um Devendra demasiado aobrrecido, previsível e calculista e atirá-lo de vez para a secção das irrelevâncias com as quais não há tempo a perder porque o mundo está demasiado habitado de música e, mais do que nunca, selecionar, é preciso.

Devendra deve ter tido em atenção esta necessidade de inovar quando começou a projetar Mala. Neste novo trabalho do músico mantém-se presente o fascínio pelos ritmos latinos que sempre acompanharam toda a discografia do cantor e compositor texano, porém, nunca de forma tão explícita como agora. Mala está cheio de referências à música construída na América Latina, principalmente os realces que sustentaram a bossa nova e boa parte dos sons brasileiros da década de cinquenta até à explosão da Tropicália. Devendra transforma-se num verdadeiro trovador latino quando interpreta Mi Negrita e cruza a pop solarenga dos Beatles com o glam rock em Won't You Come Over.

Nas suas letras sobressai constantemente um aprimorado jogo entre a gentileza e uma certa agressividade, no seio de canções manchadas pela saudade. Esta dicotomia não é propriamente algo que soe absurdo já que o humor é uma caraterística muito presente na escrita de Devendra e há que não esquecer, nesse apaziguamento, a tal serenidade tropical e o clima latino que banham Mala. Tudo isto cria um composto agridoce e melódico e a própria tristeza é compreendida com um ligeiro sorriso, algo bem patente em Your Fine Petting Duck, um tema que representa bem todo esse sentimento que abastece o álbum, tratando do fim de um relacionamento com nostalgia e com uma certa dose de felicidade.

Mala exala pacatez e honestidade e pressente-se que Devendra se apresenta como é, tão criativo como no começo da carreira e menos próximo do que em alguns momentos parecia ser uma encenação ou um personagem interpretado pelo artista.

Mergulhado em recortes dolorosos de tudo o que o músico viveu nos últimos quatro anos, Mala é atual e um trabalho eminentemente nostálgico. Menos metafórico e muito mais consciente da necessidade de soar íntimo do ouvinte, Devendra Banhart fez de cada tema deste disco um instrumento de aproximação com diferentes públicos, sendo este o álbum mais acessível e encantador da sua carreira. Espero que aprecies a sugestão...

01. Golden Girls
02. Daniel
03. Fur Hildegard Von Bingen
04. Never Seen Such Good Things
05. Mi Negrita
06. Your Fine Petting Duck
07. The Ballad Of Keenan Milton
08. A Gain
09. Won’t You Come Over
10. Cristobal Risquez
11. Hatchet Wound
12. Mala
13. Won’t You Come Home
14. Taurobolium


autor stipe07 às 13:09
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Sábado, 23 de Março de 2013

EELS – Wonderful, Glorious

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos discos com Wonderful, Glorious, um trabalho com treze temas e inteiramente gravado nos estúdios do músico em Los Feliz, nos arredores de Los Angeles, construídos de raíz para a ocasião. Este álbum foi lançado a quatro de fevereiro por intermédio da Vagrant Records; É o décimo disco dos Eels e interrompe um hiato de quase três anos após um período bastante profícuo da banda e que deu origem à triologia Hombre Lobo (2009), End Times (2010) e Tomorrow Morning (2010).

Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o início, o primeiro single de Wonderful, Glorious não surpreendeu quem já está habituado a constantes e felizes quebras na conduta sonora deste grupo norte americano; Após a introspeção latente em End Times, a agressividade punk de Peach Blossom encontra paralelo na transformação sonora que no virar do século operaram de Daisies Of The Galaxy (2000) para Souljacker (2001). Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo.
A temática das canções de Wonderful, Glorious é variada e, como sempre, há uma forte componente autobiográfica na escrita de Mr. E. Sonoramente, a agressividade de canções como Kinda FuzzyOpen My PresentStick Together e New Alphabet, não é gratuíta, digamos assim, ou seja, é feita com algum controlo e com uma instrumentação apelativa, que combina muito bem com a típica rouquidão vocal de Everett. Na triologia citada, Mark cantou sobre algumas mazelas que certamente o atormentavam nesse período e agora, em Wonderful, Glorious, o músico sai de novo de uma espécie de clausura emocional e introspetiva, para se libertar e mostrar, sem receio, a sua faceta mais rebelde e divertida, não havendo agora lugar para sentimentos obscuros e lamentações.
Wonderful, Glorious nunca será o disco do tudo ou nada dos Eels, porque estamos na presença de uma banda que já carimbou, com legitimidade, o seu lugar no historial mais ilustre e fundamental do rock alternativo, devido a mais de duas décadas de uma imaculada carreira. Mas sente-se que é um implícito grito de revolta, por parte de um grupo que ciente de tudo isto, talvez esteja cansado da indiferença e de, injustamente, ter vivido todo este tempo numa inexplicável penumbra mediática. Em Bombs Away os Eels assumem a intenção de causar estragos e o groove invulgar de Kinda Fuzzy e a emoção latente na folk da belíssima On The Ropes, servem para provar que há uma míriade sonora notável no cardápio sonoro do grupo e que, no caso da última canção, ao comparar-se com um pugilista, Mr E. assume que não está KO e que quer lutar pelo seu justo lugar no estrelato. Em The Turnaround, no meio de uma certa tensão, Mark prova que sabe aproveitar o seu potencial criativo e assume que pode haver reviravoltas no combate, mas o crescendo da canção sustenta que ele está pronto, uma vez mais, para enfrentar as adversidades e continuar a sua caminhada.

Wonderful, Glorious pode não mudar muita coisa no universo musical dos Eels devido à riqueza do mesmo, mas depois da tal triologia, a liberdade deste disco acaba por ser uma lufada de ar fresco. A dinâmica do sucesso é difícil de prever, mas Everett e companhia merecem elogios de um público maior do que aquele que o conhece e produziram aqui um punhado de canções marcantes que podem realmente leva-los mais além. Oxalá eles alcancem a fama e o reconhecimento público que tanto reclamam em Wonderful, Glorious, porque bem o merecem. Espero que aprecies a sugestão...

01. Bombs Away
02. Kinda Fuzzy
03. Accident Prone
04. Peach Blossom
05. On The Ropes
06. The Turnaround
07. New Alphabet
08. Stick Together
09. True Original
10. Open My Present
11. You’re My Friend
12. I Am Building A Shrine
13. Wonderful, Glorious


autor stipe07 às 19:55
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Sexta-feira, 22 de Março de 2013

Sans Parade – Sans Parade

Os Sans Parade são uma banda finlandesa fundada em 2009 e liderada por Markus Perttula (voz e baixo) e Jani Lehto (guitarra, sintetizador, piano, percurssão,...), aos quais se juntaram o multi-instrumentista Pekka Tuppurainen, Ville Pynssi (bateria), Tommi Asplund (violino), Inkeri Siirilä (violino), Laura Turpeinen (viola) e Magdalena Valkeus. Sans Parade, um homónimo, é o disco de estreia deste grupo que se divide entre Turku e Helsinquia, na Finlândia e Estocolmo, na Suécia, um álbum que viu recentemente a luz do dia por intermédio da Soliti Records.

Quando se escuta música nova, geralmente há dois tipos diferentes de sensações; Há discos e bandas que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há momentos em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Os finlandeses Sans Parade são um destes casos, o exemplo claro de uma banda que, tendo em conta este disco homónimo de estreia, nos deixam sem adjetivos suficientemente claros para que possamos definir com exatidão a sua qualidade sonora.

Formados em 2009 pelo músico, cantor e escritor Markus Perttula e pelo músico de house Jani Lehto, os Sans Parade rapidamente tornaram-se num trio quando o músico de jazz Pekka Tuppurainen se juntou à dupla. Hoje o grupo é ainda maior, com músicos que dominam diferentes géneros musicais e que, além dos já referidos, também tocam a folk. Assim, esta massiva junção de géneros e influências, naturalmente iria dar origem a um verdadeiro caldeirão sonoro, algo que se escuta em Sans Parade, um disco cantado por uma belíssima voz e com arranjos orquestrais lindíssimos, que fazem dele uma das mais belas surpresas do início de 2013.

Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir, já que este grupo tem, como referi, as suas raízes num ponto do globo artisticamente muito criativo e assenta a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock,  com post rock e alguns elementos eletrónicos, os Sans Parade deixam aqui bem claro que fizeram um disco perfeito para quem tem necessidade de se afundar em sonoridades etéreas para ganhar um novo ânimo e assim deixar para trás as adversidades. Logo na pop rock orquestral de The Last Song Is A Love Song, um tema que expande os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e temos a explosão que, com os coros finais, dá a cor e brilho que nos fazem levitar, apetece aumentar o volume o mais possível para não deixarmos escapar nenhum dos imensos detalhes sonoros e para nos deixarmos engolir pela voz cândida de Perttula que nos obriga a acordar... Waltz with me! I’ve stopped dreaming, I’m not okay.

Depois, basta conferir A Ballet On The Sea e December 13th para não restarem mais dúvidas que estamos na presença de um disco com uma sonoridade única e peculiar, com várias canções que soam a uma perfeição avassaladora e onde custa identificar um momento menos inspirado.

Sans Parade é uma espécie de súmula de toda a amálgama de elementos e referências sonoras o que confere ao disco uma sensação um pouco dúbia, de difícil catalogação e assim deveras interessante tentar deslindar. Nele somos conduzidos para lugares calmos e distantes, os quais conseguem ser alcançados muito por influência de uma voz que parece conversar connosco. Quando o disco termina ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Já agora e como os sintetizadores tiveram a primazia na condução sonora de Sans Parede, aqui podes ler um artigo muito interessante onde se parecebe a artilharia que foi utilizada em cada canção. Espero que aprecies a sugestão...

Sans Parade - Sans Parade

01. The Last Song Is A Love Song
02. The End Of The World 1964
03. Guarded Mountain
04. Dead Trees
05. A Ballet In The Sea
06. In A Coastal Town
07. Swept Away
08. A Liking Song
09. From Leytonstone To Canary Wharf
10. On The Sunniest Sunday
11. One Of Those Mornings
12. On December 13th


autor stipe07 às 22:54
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Sexta-feira, 8 de Março de 2013

Manuel Fúria - Manuel Fúria Contempla Os Lírios Do Campo

Manuel Fúria Contempla Os Lírios Do Campo é o novo disco de Manuel Fúria, ex-vocalista d'Os Golpes e um dos nomes de maior relevo do cenário musical nacional atual. Este novo álbum é uma edição Amor Fúria e sucede a Manuel Fúria Apresenta As Aventuras Do Homem Arranha (2008);  Foi lançado no passado dia vinte e oito de janeiro e produzido pelo próprio Manuel Fúria. O disco conta com as participações de Hélio Morais (Paus, Linda Martini), Martinho Lucas Pires (Deserto Branco), Lucas (Os Velhos), Silas Ferreira (Pontos Negros, Te Voy A Matar, Náufragos), Tomás Wallenstein (Capitão Fausto, Náufragos), Paulo Jesus (João Só e Abandonados, Náufragos), Tomás Cruz (Asterisco Cardinal Bomba Caveira, Náufragos), Daniel Hewson (Madonna, Groove Armada, Náufragos), Ricardo Pinto (Kumpanhia Algazarra, Náufragos), Bruno Margalho (Infrasonic, Chaterine Mourisseau, Náufragos), Luis Montenegro (SALTO), Francisca Aires Mateus (Náufragos) e Madalena Sassetti (Náufragos). Quase todos estes nomes estão ligados a outras bandas ou iniciativas em nome próprio, um espírito de partilha recente na música moderna portuguesa e que se aplaude.

Que Haja Festa Não Sei Onde é o primeiro single extraído do disco Manuel Fúria Contempla Os Lírios Do Campo e da sua banda Os Naúfragos, tema onde se pode ouvir que Abril ainda não morreu, O sol ainda não morreu, o que pressupõe, desde já, como ficou plasmado na entrevista que Manuel Fúria me concedeu e transcrita abaixo, que estamos na presença de um escritor de canções algo subversivo, que não é imune ao seu país contemporâneo, mas que se inspira, principalmente, no Portugal profundo feito de árvores, campanários, rixas e desamores e onde a Lisboa multifacetada, capital do seu coração, era, no passado, uma espécie de ponto colorido neste enorme jardim à beira mar plantado, mas que ele agora quer que arda, para que o país não mais se confunda com uma simples e pequena parte de um todo muito maior.

Os nove temas deste álbum exalam uma estranha beleza e um profundo sentimento de urgência, uma espécie de grito sincero  e algo confessional, porque neles Fúria clama, quase em fúria e de uma forma absolutamente sincera, para que nunca nos esqueçamos das nossas raízes, mas que também serve de aviso, já que terminou o tempo das hesitações e da nostalgia incipiente e o futuro só anima e conforta quem ama com coragem e em permanente espírito de alegria e festa. Manuel Fúria é um homem de fé, cheio de esperança de que deixemos de viver de vez numa espécie de eterna espera e deriva, neste limbo angustiante que clama por uma catarse coletiva alegre, festiva e revolucionária.

Sonoramente, para que esse efeito se atinja, Manuel Fúria e os Náufragos obedecem a uma miríade sonora que nos remete para a folk mas que também revive sonoridades punk rock do início dos anos oitenta e que ainda hoje estão atuais. Os arranjos trasmitem grandiosidade às canções e os metais, cordas e instrumentos de sopro elevam-nas a um interessantíssimo patamar festivo, de cor, alegria e excelência. Entrando em comparações, quase que me atrevo a dizer que temos aqui um travo de Arcade Fire em português. Confere então a entrevista que Manuel Fúria me concedeu, com o inestimável apoio da Raquel Lains da Let's Start A Fire e espero que aprecies a sugestão...

Declaração de intenções
Estandarte
Procuro a claridade
Que haja festa não sei onde
Jogo do sapo
A tempestade
Canção para casar contigo
À minha alma
Os lírios do campo

Depois de Manuel Fúria Apresenta As Aventuras Do Homem Arranha de 2008, surge finalmente o sucessor, Manuel Fúria Contempla Os Lírios do Campo. Quais são as principais diferenças entre os dois discos?

Há duas grandes diferenças. A primeira tem a ver com o aspecto formal: esse primeiro registo são 4 canções + 1 lamento musicado cuja gravação aconteceu de modo caseiro, rasteiro, rafeiro - uma produção do Tiago (na altura) Guillul bem à medida dos parâmetros sónicos da FlorCaveira pura; este segundo disco - 1 lamento musicado + 8 canções - foi gravado pelo José Fortes, produzido por mim e misturado pelo Nelson Carvalho, procuramos a alta fidelidade e um som grandioso que pudesse ser tradução dos Náufragos a tocarem num teatro (o que de facto aconteceu, no Belém Clube). A segunda diferença surge ao nível da substância propriamente dita: o primeiro disco aborda a desadequação a um sítio novo, grande e confuso, este novo trabalho tem a ver com o ponto de náusea dessa desadequação e a partida à procura de um lugar que rime com plenitude.

 

Este novo álbum está cheio de participações especiais, a maioria nomes ilustres do cenário musical nacional atual. Como foi possível congregar tantos cúmplices de excelência em redor desta causa?

Não foi particularmente complicado. Na verdade são pessoas com as quais fui travando cumplicidades ao longo destes últimos anos. A medida dessa possibilidade compreende-se na distância que separa os dedos de uma mão de um telefone.

Durante a audição de Manuel Fúria Contempla Os Lírios do Campo, chamou-me particularmente a atenção a escrita de algumas canções e o uso de palavras como «pátria», «amor», caridade», «coração», «bondade», «rei», «fé», «rapariga», «noiva», «Cristo», «contemplação», «mistério» e «alma. Estes vocábulos remeteram-me, de algum modo, para o passado histórico do nosso país, feito de paisagens bucólicas e com forte pendor religioso, onde talvez a Lisboa que Queres Ver a Arder, fosse uma exceção. Esta minha suposição está correta? Onde te inspiras para escrever as tuas canções?

Está correcta e incorrecta ao mesmo tempo. Não vivo absorvido pela História, mas dou os meus passos consciente do peso que carregamos nos nossos ombros e em relação ao qual somos devedores e, no meu caso pessoal, amante. Amante do passado, do presente e do futuro. Isto significa que as minhas referências não são exclusivas de tempos antigos, isso poderá servir de ponto de partida para o que escrevo mas o caminho da escrita passa pelas ruas que percorremos, as estradas que viajamos, como num filme do Rossellini ou do Kiarostami, o aqui e o agora assim mesmo. Depois há a direcção para onde esse caminho aponta, mas isso é outra história.

 

E já agora, consideras-te um poeta cantautor?

Nem uma coisa nem outra. Escrevo letras de canções, o parente pobre do poema (e parece-me que a única pessoa no mundo inteiro que escreve letras que são poemas, ou o contrário, é o Leonard Cohen) . Também não gosto de me chamar cantautor, acho a palavra pretensiosa e a certo ponto desprezível. Considero-me alguém com coisas para dizer e que inventa fórmulas para isso através dos códigos da música pope. Um cantor. Um autor. Um inventor.

 

Ainda nas letras, no tema Que Haja Festa Não sei Onde ouve-se Abril ainda não morreu, O sol ainda não morreu. Também te consideras um músico de intervenção?

Não no sentido politizado do termo intervenção; sentir-me-ia muito contente se as minhas coisas interviessem, significaria que o mundo que trago comigo influencia as pessoas, e como acredito que é um mundo bom, as pessoas poderiam participar disso. Depois este Abril vai para além do Abril dos cravos, é o Abril dos lírios - que são o que importa.

 

Acompanho o universo musical indie e alternativo com interesse, em particular o que se faz na América do Norte e que revive antigas sonoridades punk rock do início dos anos oitenta. Pode-se dizer que o rock feito de canções que sabem tão bem e se esfumam tão rápido como um cigarro são também uma das tuas maiores influências, independentemente da míriade sonora presente em Manuel Fúria Contempla Os Lírios do Campo? Se estiver errado, corrige-me!

Com certeza que sim. Cresci a ouvir e a cantar canções. Ouço-as todos os dias. Neste preciso momento estou a ouvir uma e tudo (Higgs Boson Blues do novo disco do Nick Cave). Ouvi e ouço outro tipo de formatos e abordagens à música, ao som, ao ruído, mas é a canção que mais me interessa.

 

Há quem te considere the next big thing da pop nacional. O que tens a dizer em tua defesa?

Sou inocente.

 

O vídeo do single Que Haja Festa Não Sei Onde é muito simples, mas extraordinário, festivo e cheio de participações especiais. Como correram as gravações?

Foram tranquilas. Desde o início que o Alexandre Azinheira (o realizador) e eu definimos os parâmetros sob os quais o teledisco teria que se reger: banda a tocar, fundo com a pintura da paisagem de Matlock do William Marlow e pronto. Estava tudo organizado, a única coisa que falhou foi o Benfica ter perdido no jogo dessa noite.

 

Tens uma canção preferida neste álbum?

A dos Velhos, À Minha Alma.

 

Como tem corrido a promoção ao disco? Dia 22 de Fevereiro vais tocar no Ritz Clube, em Lisboa e dia 23 de Fevereiro no Plano B, no Porto. Há surpresas? Vão aparecer convidados? O que podes desvendar? (como já aconteceu respondo com base nisso...)

De um modo geral a imprensa tem recebido bem este trabalho, à excepção de um ou outro jornalista que não vai à bola comigo e com as minhas coisas. Os concertos correram muito bem. O Ritz estava apinhado de gente e foi uma alegria enorme partilhar o placo com amigos, oferecer um espectáculo bem pensado, ensaiado e tocado, e acabar com um coro gigante, constituído pela audiência, a entoar a malha principal da Canção Para Casar Contigo. O grande receio concentrava-se no Porto, uma cidade cujo público é mais difícil de prever, mas, para surpresa minha, o Plano B estava muito bem composto. Foram dois dias óptimos.

 

O que podemos esperar do futuro discográfico de Manuel Fúria?

Podemos esperar a conclusão deste tríptico e depois também podemos esperar outros projectos paralelos, outras aventuras, e edições com pinta.


autor stipe07 às 19:11
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Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

Old English – Prose And Kahns

Os Old English são uma banda canadiana, sedeada em Toronto e formada por Matt Henderson, Daniel Halyburton, Thom MacFarlane, Matt Froese, Mark Underdown, Jessica Underdown, Ben Bowen e Matt Masters. Disponibilizaram a oito de janeiro no bandcamp da banda uma preview com três temas de Prose And Khans, o álbum de estreia deste grupo, lançado no passado dia cinco de fevereiro. Este disco é resultado de um aturado trabalho de três anos de gravação e produção, em seis cidades e três países diferentes e contou com a contribuição de mais de vinte músicos.

Todos os temas foram escritos por Matt Henderson e a melancolia introspectiva é a pedra de toque temática de onze canções assentes na guitarra acústica e nos sintetizadores. Nelas, os Old English abraçam uma míriade sonora que vai do shoegaze de Pop Shop, à folk de Old Things e Anchors, passando pela brit-rock em The Corrections.

As letras estão carregadas de metáforas cheias de significado, sendo a natureza do amor e os seus segredos intrincados a base temática (This can’t be what you meant, for our knees to bruise but barely leave a dent ou, Oh, these days it’s hard to know/a temporary spine from customary home). Cada canção vai dando pistas para desvendar uma espécie de puzzle complexo, uma novela que fala de sonhos falhados (Lotteries And Tents) e da beleza do primeiro amor e dos seus riscos e frustrações (Pop Shop). Outro tema curioso é My Dear Neighbours, cuja letra fala de alguém que tenta submergir atà á superfície da água num oceano de memórias que clamam por liberdade. Mas a luminosa celebração que se escuta em We’ve Been Here Before é, sem dúvidas, o maior destaque de um álbum, que também tem, curiosamente alguns momentos instrumentais, interlúdios de enorme interesse e beleza, além de um banjo encantador (Old Things).

Em suma, este coletivo liderado por Henderson e que inicialmente se chamava Matt Henderson and the Mouth Breathers, por ser um projeto a solo, criou na estreia um poético mundo colorido mas onde também cabem os nossos medos e imperfeições. Espero que aprecies a sugestão...

01. Runner-Up
02. Anchors
03. We’ve Been Here Before
04. The Corrections
05. Lotteries And Tents
06. Older Things
07. We Can Never Have It All
08. Layaway
09. Farmer’s Tan
10. Pop Shop
11. My Dear Neighbours


autor stipe07 às 22:01
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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

STRFKR - Miracle Mile

Os STRFKR (Starfucker) são uma banda norte americana de Portland, no Oregon, formada por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Conforme anunciei no Curtas... LXXVI, Miracle Mile é o último disco da banda, lançado no passado dia dezanove de fevereiro pela Polyvinyl Records.

Os STRFKR (Starfucker), antigos Pyramids, sempre foram uma banda de grandes melodias, letras aditivas e uma sonoridade impecável. Isso é bem evidente ao longo de toda a discografia deste coletivo, disponível para audição gratuita e integral no sitio da editora e com um conteúdo assente em sintetizadores e numa voz peculiar e bem enquadrada. Tem sido assim desde o surgimento do grupo, em 2007, marca que se repete no homónimo lançado em 2008 e no Reptilians de 2011. Após meia dúzia de anos, este era o momento certo para o grupo arriscar um pouco mais, o que aconteceu neste Miracle Mile, o álbum mais coerente e com melhor estratégia musical do grupo.

Em canções como Julius, Florida e mesmo na versão do clássico Girls Just Want To Have Fun de Cyndi Lauper, o novo álbum deixa os teclados fluírem de forma suave e muito encantadora. De mãos dadas com a pop durante toda a audição, este novo disco deixa de lado uma aúrea algo cinzenta que pairava nos outros discos e, tal como a capa colorida de Miracle Mile, os STRFKR operam um pequeno milagre sonoro e tornam-se mais expansivos e luminosos, com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar. E o mais interessante é que conseguem fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam a tal coerência e acerto na estratégia musical.

Em Miracle Mile há menos pressa e menos sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e as aproximações com a eletrónica, que sempre fizeram parte do ADN dos STRFKR, agora abrem espaço para uma simbiose entre a indie pop da década passada e a folk confortável da década de noventa. Basta contactarmos com o cenário mágico de Say To You ou o clima nostálgico de Fortune’s Fool para ficarmos plenamente convencidos que Miracle Mile é um belíssimo álbum, com um desempenho formidável, ao nível instrumental e da voz e que apesar de faltarem mais canções com um cariz tão comercial como a primeira, não é difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo.

De Toro Y Moi a Foster The People, passando pela synthpop de Leave It All Behind, um tema que passeia pela década de oitenta sem colocar de lado a música pop mais recente, nomeadamente os Passion Pit do álbum Gossamer ou os Ra Ra Riot no recente Beta Love, estamos na presença de uma obra com um conteúdo grandioso e experimentações que interagem com a pop convencional. Em suma, um tratado musical leve e cuidado e que encanta. Espero que aprecies a sugestão...

01. While I’m Alive
02. Sazed
03. Malmö
04. Beach Monster
05. Isea
06. YA YA YA
07. Fortune’s Fool
08. Kahlil Gibran
09. Say to You
10. Atlantis
11. Leave It All Behind
12. I Don’t Want to See
13. Last Words
14. Golden Light
15. Nite Rite


autor stipe07 às 21:57
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Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013

The Spinto Band - Cool Cocoon

Os Spinto Band de Nick Krill são uma banda norte americana de Wilmington, no Delaware, com dezassete anos de existência e uma carreira bem solidificada no universo musical indie. Há sete anos atrás receberam notoriedade por terem sido os primeiros a gravar nas já emblemáticas performances do La Blogotheque de Paris. No passado dia cinco de fevereiro deram a conhecer Cool Cocoon, o quarto disco de originais do grupo, por intermédio da Spintonic Recordings.

Musicalmente, Cool Cocoon é um compêndio índie que se ouve de um só travo e que nos remete exatamente para a década em que o grupo se fundou, mas sem deixarem de abordar novos horizontes sonoros. Logo na abertura, no single Shake It Off e depois também nas harmonias inspiradas de She Don't Want Me e na indie pop meticulosa de Memo e Amy + Jen, somos transportados até um universo sonoro melódico e com belíssimos arranjos que facilmente nos encantam.

Líricamente, as canções versam e falam sobre as dúvidas da vida e a sua aparente simplicidade; Estão lá os habituais sentimentos de rejeição, nomeadamente em Shake It Off, onde se pode escutar You say it hurts to kiss me over and over again, e em She Don’t Want Me, por razões óbvias. Mas o processo de escrita das canções também procurou contemplar momentos positivos e alegres, nomeadamente em What I Love.

Cool Cocoon não é um disco festivo, não é um disco que fale do fim de relações, ou uma rodela para uma determinada ocasião específica. Cool Coccon é linear mas, ao mesmo tempo, transversal e maleável, porque tem uma pop folk simultaneamente animada e algo tímida e que se adapta facilmente ao nosso estado de espírito, seja ele qual for.

Este disco encarna mais um passo em frente de uma banda que nos últimos dezassete anos assinou alguns momentos bastante inspirados do cenário musical alternativo. Neste disco os The Spinto Band amadureceram, aprenderam o caminho e encontraram a direção certa. Espero que aprecies a sugestão...

The Spinto Band - Cool Cocoon

01. Shake It Off
02. Amy + Jen
03. What I Love
04. Memo
05. Look Away
06. She Don’t Want Me
07. Static
08. Enemy
09. Na Na Na
10. Breath Goes In


autor stipe07 às 21:50
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eu...

Takes MOM - Everything Is New TV

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Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

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