Segunda-feira, 7 de Abril de 2014

Next Stop: Horizon - The Harbour, My Home

Dois anos e meio depois do maravilhoso disco de estreia We Know Exactly Where We Are Going, a dupla Next Stop:Horizon está de regresso com The Harbour, My Home, um trabalho gravado no estúdio da banda, com equipamento totalmente analógico e vintage e instrumentos nada comuns em discos pop, como o clarinete baixo, a harmónica e o bandolim,entre outros.

Oriundos de Gotemburgo, na Suécia e representados pela Tapete Records, os Next Stop: Horizon são Pär Hagström e Jenny Roos, dois músicos que além de partilharem um pequeno apartamento fazem música juntos e acreditam piamente que o mundo seria um local bem melhor se tivesse a possibilidade de ouvir as suas criações sonoras. Na verdade, depois de ouvir The Harbour, My Home, compreendo este desejo, assente na presunção de que há uma elevada bitola qualitativa no produto que a dupla tem para nos oferecer e com a qual concordo. 

Inlfuenciados por uma vasta rede de influências que vão do rock ao jazz, passando, pela folk europeia, o gospel e a músca de câmara, os Next Stop: Horizon gostam de escrever sobre a vida, a morte e tudo o que fica ali, extamente no meio. E, por falar em meio, convém contextualizar devidamente The Harbour, My Home, um exercício que também ajuda a perceber o conteúdo sonoro das onze canções do alinhamento. Entre o trabalho de estreia e The Harbour, My Home, os Next Stop: Horizon compuseram a banda sonora de uma peça de teatro que esteve em cena no Saarland State Theatre, em Saarbrücken, na Alemanha. A peça baseva-se num conto de Wilhelm Hauff chamado Das kalte Herz, onde a história gira em torno de um jovem ganancioso que vende o seu coração para conseguir fazer fortuna. Esta experiência teatral marcou profundamente a dupla e o processo de criação deste disco e explica o clima algo denso e sombrio do mesmo, apesar da luminosidade folk de temas como Rain On Me.

The Harbour, My Home é um trabalho de pendor menos acústico que na estreia e mais virado para o uso de instrumentos que, mesmo sendo, como já referi, analógicos, dão às canções uma toada mais sintética, apenas contrapostos pela percussão tocada por Magnus Boqvist, muitas vezes com objetos inusitados e pelos timbres de voz que vão sendo adicionados e que conseguem dar a algumas canções a oscilação necessária para transparecerem mais sentimentos e fazerem delas momentos obrigatórios de contemplar. Esta voz em Talking Low atinge uma simbiose perfeita com a vertente instrumental (I’ve got sisters, I’ve got brothers, I’ve got some friends here, too, and we’re starting to feel that we just don’t know what to do).

The Harbour, My Home acaba por ser uma espécie de analogia indicada para nos situarmos no início do disco e deixarmo-nos conduzir numa viagem por um oceano intrigante e sombrio, mas profundamente delicado e melódico. A bordo do barco conduzido por Pär e Jenny deixamo-nos levar por uma súmula de toda a amálgama de elementos e referências sonoras com que se identificam, o que confere ao disco uma sensação um pouco dúbia, de difícil catalogação, portanto, e assim deveras interessante de tentar deslindar.

Quando chega ao fim The Harbour, My Home ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela. Espero que aprecies a sugestão...

01 something rare and something fine
02 rain on me 
03 the harbour, my home
04 the sea of...
05 a heart of gold
06 gonna get it back
07 the beginning
08 the wish
09 talking low
10 we'll whistle so
11 ennui 

 

 


autor stipe07 às 23:10
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Domingo, 6 de Abril de 2014

We Invented Paris – Rocket Spaceship Thing

Lançado no passado dia catorze de fevereiro pela Spectacular Spectacular, Rocket Spaceship Thing é o novo álbum dos suiços We Invented Paris, um trabalho que sucede ao excelente homónimo que divulguei no início de 2012. Os We Invented Paris são um coletivo que aposta numa sonoridade indie com uma forte cariz épico, feito com melodias que transportam uma enorme carga emocional, que conjugada com uma enorme competência e interessante grau de criatividade, no que diz respeito ao processo de criação melódica, resulta numa atmosfera invulgar e muito agradável de escutar, à qual não escapa nenhuma das onze canções deste Rocket Spaceship Thing.

Todas as músicas deste disco de estreia são heterogéneas e individuais, cada uma com traços próprios, que conseguem dar uma atmosfera diversificada ao álbum. Quase todas são singles em potência; Desde a alegria suave simples do single Mont Blanc, à contagiante e festiva Everyone Knows, tudo parece simplesmente fluir, graças também a um trabalho de produção impecável. Neste álbum é ainda obrigatório conferir o belíssimo momento acústico que se escuta no dedilhar da viola de Dance On Water, o instante pop inebriante de Zeppelins, os sintetizadores e o orgão vintage de Farmer e a balada simultaneamente doce e inquietante chamada Treeless.

Os We Invented Paris acabam por se destacar porque não são muitas bandas que conseguem agregar tantos géneros musicais diferentes num só trabalho. Neles encontramos folk, indie pop e outros subgéneros, tudo tocado com violas que soam eufóricas, guitarras tímidas e batidas contagiantes.

É muito difícil encontrar uma banda que, logo ao segundo disco, mostre um conteúdo musical com tanta carga emocional e maturidade musical. A sonoridade da banda é extremamente acessível e surpreendentemente imediata. Dá para notar isso logo no primeiro single, a já citada e polida Mont Blanc. O álbum é cheio de momentos graciosos e suaves, com uma delicadeza notável e uma sensibilidade que se destaca. Durante alguns períodos, remete para os Death Cab For Cutie, nomeadamente para o clássico Plans, de 2005, mas também me soam, em alguns instantes, ao disco de estreia dos Grouplove, Never Trust A Happy Song e a alguns dos melhores momentos dos Pains Of Being Pure At Heart.

Sendo melódico e algumas vezes triste, não se pode também dizer que o álbum seja sombrio, já que os We Invented Paris conseguem ter a arte de separar muito bem a melancolia da severidade, tratando a tristeza de forma leve e elegante e na dose perfeita.

Por tudo isto, este Rocket Spaceship Thing é um trabalho que vale a pena ouvir muitas vezes e aproveitar cada audição de forma diferente, num disco que desperta múltiplas sensações e que demonstra que esta banda suiça já se sente bastante à vontade e confortável dentro da sonoridade criativa que segue e replica. Espero que aprecies a sugestão...

We Invented Paris - Rocket Spaceship Thing

01. Mont Blanc
02. Auguste Piccard
03. Everyone Knows
04. Dance On Water
05. Zeppelins
06. Farmer
07. Polar Bears
08. Philosopher
09. Treeless
10. Requiem
11. Sleeptalker

 


autor stipe07 às 21:19
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2014

Angel Olsen - Burn Your Fire With No Witness

Grande fã de Lou Reed e uma das peças essenciais da banda de Bonnie Prince Billy, Angel Olsen é um dos novos nomes a reter no universo sonoro alternativo. Entre o rock e o grunge dos anos noventa, a folk dos anos setenta e o chamado alt country, Burn Your Fire With No Witness é o disco que apresenta ao mundo esta cantora de vinte e seis anos, que já se tinha estreado nos discos em 2012 com Half Way Home, além de ter também no seu cardápio Strange Cacti, um EP que editou em 2010. Burn Your Fire With No Witness foi produzido por John Congleton, habitual colaborador de Bill Callahan e editado por intermédio da conceituada Jagjaguwar.

Natural do estado norte americano do Missouri, esta norte americana usa como principal combustível do seu processo de composição a temática do amor e vai beber as suas maiores influências ao puro rock assente numa elaborada arquitetura de efeitos da pedaleira e uma voz que surge, bastantes vezes, analógica, distorcida e enigmática, como se pode escutar, neste disco e logo a abrir, num típico tema introdutório chamado Unfucktheworld.

Pouco mais de quarenta anos depois de Joni Mitchell ter surpreendido com a obra prima Blue (1971), Angel usa outros ingredientes sonoros mas estão também aqui os princípios liricos e o ideal temático que a canadiana explorou sabiamente nesse disco e que se relacionavam com  a melancolia escancarada de um coração partido.

O pedal da distorção é ligado em Forgiven/Forgotten, uma canção dominada integralmente pelas guitarras à Sonic Youth e que aponta também à herança das gémeas Deal. Mas a interpretação country de Hi-Five, com a voz novamente num registo analógico e distorcido, já nos leva por outros caminhos e mostra-nos que não é só do rock sónico que vive Angel Olsen. Esta tríade abre o disco da melhor forma e coloca a nú diferentes sensações que o amor pode despertar e que tantas vezes oscilam entre o ódio e a paixão e que Olsen traz até nós através de um rock dançante mas que nunca abandona as fronteiras da folk, umas vezes algo inocente, noutros momentos mais sisudo.

O disco prossegue e impressiona novamente quando os conflitos amorosos, tantas vezes impregnados de inebriantes sentimentos de culpa, ficam expostos em baladas como Lights Out e Windows, temas carregados de sentimento e que mostram que o amor, sendo tantas vezes descrito através do martírio alcoólico das palavras, também pode ser cantado com lógica e, como um respiro, terminar sem motivos.

Burn Your Fire For No Witness é a banda sonora perfeita de um romance moderno, o passo certo depois de um relacionamento que não resultou, um conto romântico particular, uma procissão melancólica de canções densas que exorcizam diversos demónios, sustentadas na crueza amarga dos versos e na forma como as guitarras dão um sombreado estético simultaneamente belo e perturbador a este exercício redentor levado a cabo por uma cantora e compositora que, com uma guitarra nas mãos, demonstra uma criatividade efervescente de louvar. Espero que aprecies a sugestão...

Angel Olsen - Burn Your Fire For No Witness

01 Unfucktheworld
02 Forgiven/Forgotten
03 Hi-Five
04 White Fire
05 High & Wild
06 Lights Out
07 Stars
08 Iota
09 Dance Slow Decades
10 Enemy
11 Windows


autor stipe07 às 22:01
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Terça-feira, 1 de Abril de 2014

The War On Drugs – Lost In The Dream

 Depois de Slave Ambient, disco que os The War On Drugs, editaram no final de 2011 e que foi destaque em Man on The Moon poucas semanas depois, a banda de Adam Gradunciel,  um músico norte americano cuja sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos foi aos poucos transformando-se numa referência para vários artistas em início de carreira, está de regresso com um novo registo de originais. Lost In The Dream viu a luz do dia a catorze de março de 2014, via Secretly Canadian e Red Eyes foi o primeiro avanço conhecido desse trabalho.


Red Eyes é uma canção perfeita para nos recordar o quanto esta banda é fantástica e como esta sonoridade indie rock, solta e etérea e abastecida por sintetizadores enérgicos e dançáveis, é a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que descrevem este início de primavera. Assim que ouvi a canção criei logo elevadas expetativas em relação ao restante conteúdo de Lost In The Dream, cuja capa feita por uma foto envelhecida pelo tempo enquanto Gradunciel medita e repousa, fez-me logo criar suposições e imaginar que este novo álbum dos The War On Drugs contém uma elevada vertente autobiográfica, que poderá servir para o músico entender melhor o seu âmago, fazendo-o através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical.

Na verdade, Lost In The Dream é um compêndio de várias narrativas, onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor e a perceber sobre aquilo que medita, as suas conclusões e as perceções pessoais daquilo que observa enquanto a sua vida vai-se desenrolando e ele procura não se perder demasiado na torrente de sonhos que guarda dentro de si e que nem sempre são atingíveis.

Musicalmente, Lost In The Dream deambula entre a folk, a dream pop, o indie rock e a psicadelia, com o reverb das guitarras e os sintetizadores a sustentarem o cardápio sonoro de um disco dinâmico e que se destaca logo na abertura com Under The Pressure, uma longa canção que apresenta uma progressão interessante e onde vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, nomeadamente sintetizadores e saxofones, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte.

Letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados, com os quais o autor se identifique profundamente e, além da secção de sopros do já citado single Red Eyes, há que enfatizar as paisagens sonoroas criadas em Suffering e Eyes To The Wind, duas canções que, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz se posiciona e se destaca.

Lost In The Dream é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Gradunciel sereno e bucólico, através de uma viagem aos universo de Dylan e Kurt Vile, passando por Springsteen, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências amorosoas do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas. Espero que aprecies a sugestão...

The War On Drugs - Lost In The Dream

01. Under The Pressure
02. Red Eyes
03. Suffering
04. An Ocean In Between The Waves
05. Disappearing
06. Eyes To The Wind
07. The Haunting Idle
08. Burning
09. Lost In The Dream
10. In Reverse

 


autor stipe07 às 22:37
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Segunda-feira, 31 de Março de 2014

Woods - With Light And With Love

Woods 2014 press pic

Os Woods são de Warwick, nos arredores de Nova Iorque e uma banda formada por Jeremy Earl, Jarvis Taveniere, Kevin Morby, Aaron Neveu. Lançaram o álbum Bend Beyond em dezoito de setembro de 2012 e a nove de julho de 2013 voltaram com novidades, um single limitado a 1000 cópias com dois temas, Be All Be Easy e God's Children.

Brevemente vai chegar aos escaparates um novo disco da banda chamado With Light And With Love e acaba de ser divulgado o single homónimo, que durante nove minutos plasma um rock etéreo e psicadélico, com fortes reminiscências da folk tradicional norte americana. With Light And With Love é editado a quinze de abril pela etiqueta Woodsist. Confere...


autor stipe07 às 12:36
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Sexta-feira, 28 de Março de 2014

Noiserv - This is maybe the place where trains are going to sleep at night

David Santos, aka Noiserv, tem um novo vídeo para o seu delicioso disco Almost Visible Orchestra, um trabalho que tive o privilégio de divulgar neste blogue, num artigo que incluiu uma entrevista com o este fantástico músico e compositor nacional! A música de abertura do disco chama-se This is maybe the place where trains are going to sleep at night, é o meu tema escolhido do disco e foi a canção escolhida para terceiro single. O tal vídeo foi realizado pelo coletivo We Are Plastic Too e a direção de fotografia ficou a cargo do Leandro Ferrão.

Em simultâneo com o lançamento deste novo single é lançada também a segunda edição da caixinha de música de Noiserv com o tema original Once upon a time i thought about having a song in a music box escrito pelo músico lisboeta. Confere...


autor stipe07 às 19:24
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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

The Soft Hills - Departure

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.

Entretanto, já em 2013, chegou o terceiro álbum; Lançado em fevereiro desse ano, Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofundou a sonoridade proposta pelo disco anterior. Agora, cerca de um ano depois, já é conhecido o quarto tomo da discografia dos Soft Hills; O álbum chama-se Departure e mantém a aposta dos The Soft Hills na abordagem de diferentes espetros sonoros dentro do universo indie.

Departure é um disco de contrastes: sente-se o sol, harmonias e calor da Califórnia e o escuro, falta de cor e a chuva de Seattle. O disco conjuga a típica toada pop, com alguma folk implícita, à mistura com a psicadelia europeia e o rock alternativo de início dos anos oitenta. O resultado final envolve-nos num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio, algo que comprova, uma vez mais as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição, ele que, ainda por cima, é detentor de uma voz única e incomparável.

Seja através de efeitos com ecos e com reverb das guitarras, ou através do simples dedilhar de uma corda acústica, ou de um efeito sintetizado luminoso, ou sombrio, Departure levanta voo em Nova Iorque (The Golden Hour), com a ajuda dos Interpol e aterra na Berlim governada por Bowie nos anos setenta (Stairs). Pelo meio não deixa de abordar também os caraterísticos sons da folk, momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e, como já referi, por tiques típicos da psicadelia.

Em suma, num disco eclético e variado, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, mas desta vez também cruzaram o atlântico em busca das raízes do indie rock mais sombrio, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. O single Golden Hour está disponivel no soundcloud da Tapete Records. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Deaprture

01. Golden Hour
02. Black Flowers
03. Road To The Sun
04. The Fold
05. White Queen
06. Reverie
07. How Can I Explain?
08. Here It Comes
09. Blue Night
10. Belly Of A Whale
11. Stairs


autor stipe07 às 21:25
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Sexta-feira, 21 de Março de 2014

Real Estate - Atlas

Editado a quatro de março por intermédio da Domino Records, Atlas é o terceiro álbum dos Real Estate, uma banda norte americana formada por Martin Courtney, Matt Mondanile, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman. Este trabalho sucede a Days, um dos álbuns mais aclamados em 2011 no universo sonoro indie e alternativo, ano em que foi editado.

Os Real Estate sempre se assumiram como uma banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, algo que ficou muito claro logo na estreia com Fake Blues. Em Days aprimorou-se a mistura com as guitarras e soou ainda melhor esta vontade dos Real Estate em serem exímios na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja. Assim, os Real Estate ficaram famosos pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo que agora, em Atlas, olha cada vez mais e com maior atenção, para o rock alternativo dos anos oitenta e, servindo-se de uma mais vincada vertente sintética, mostra neste novo disco um cariz mais urbano e atual.

Ouvimos cada uma das músicas deste trabalho e conseguimos, com uma certa clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que foram sendo adicionados e que esculpiram as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os tais arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Num disco que não deixa de ser variado quanto às temáticas que aborda, vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. E há que salientar que esse amor que é tão caro aos Real Estate, tem uma componente cada vez mais biográfica e canções como Crime ou Talking Backwards e até a instrumental April's Song, estão cobertas por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Atlas está imbuído de uma enorme beleza melódica, escuta-se com enorme fluidez, há um encadeamento claro entre os vários temas, uma noção de sequencialidade e uma relação clara entre os temas, mesmo aqueles que parecem opostos no conceito e na ideia que procuram aflorar.

Em Atlas os Real Estate avançam em passo acelerado em direção à maturidade, num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

Real Estate - Atlas01. Had To Hear

02. Past Lives
03. Talking Backwards
04. April’s Song
05. The Bend
06. Crime
07. Primitive
08. How Might I Live
09. Horizon
10. Navigator

 

 

 


autor stipe07 às 21:12
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Quinta-feira, 20 de Março de 2014

Fanfarlo – Let’s Go Extinct

Depois do bem sucedido Reservoir, o trabalho de estreia, editado em 2009 e do menos exuberante, mas igualmente competente, sucessor, Rooms Filed With Light (2012), já chegou às lojas o terceiro disco da banda londrina de pop folk Fanfarlo, liderada pelo carismático músico sueco Simon Balthazar, ao qual se juntam Valentina Magaletti (substituiu recentemente Amos Memon), Cathy Lucas (teclado e violino), Leon Beckenham (piano e trompete) e Justin Finch (baixo). O novo trabalho dos Fanfarlo chama-se Let´s Go Extinct, viu a luz do dia através da etiqueta Blue Horizon e foi produzido por David Wrench, habitual colaborador do grupo e pelos próprios Fanfarlo.

 

Tem sido uma experiência bastante interessante o acompanhamento do percurso sonoro evolutivo destes Fanfarlo que, na minha opinião, por muitos álbuns que ainda venham a editar, dificilmente conseguirão, alguma vez, superar o espetacular encanto frágil e inocente de Reservoir, o trabalho de estreia, um pouco à imagem do que os Coldplay fizeram em Parachutes ou os Arcade Fire com Funeral. O sucessor, Rooms Filled With Light, foi um passo em frente no processo de amadurecimento da banda e na busca de novoas propostas instrumentais e agora Let's Go Extinct representa, de algum modo, o epílogo de uma triologia, a confirmação da superação de algumas limitações e receios e do sucesso na obtenção de um som mais empolgante, maduro e ambicioso.

Portanto, quem, como eu, tiver a perceção clara do conteúdo dos dois discos anteriores, ao escutar Let's Go Extinct percebe imediatamente que Simon e os seus parceiros procuraram, desta vez, criar ambientes sonoros épicos e luminosos e um som mais aberto e expansivo. A Distance, o primeiro tema que foi divulgado deste álbum, mostrou logo uns Fanfarlo mais alegres e explosivos e percebeu-se que eles queriam apresentar algo mais dançante e bem menos introspectivo.

A materialização prática de todo este novo referencial sonoro dos Fanfarlo, audível em Let's Go Extinct, utiliza como receita uma maior primazia da vertente sintética e dos teclados relativamente às cordas e à secção de sopros, duas nuances importantes da banda para a obtenção da sua caraterística toada folk, que não desaparece, mas ganha contornos mais modernos e consentâneos com a indie pop atual. Temas como We’re The FutureThe Beginning And The End e Landlocked são exemplos claros da aposta nesta nova estratégia sonora, quase oposta ao conteúdo geral frágil e intimista das raízes de Reservoir.

Esta manutenção dos habituais tiques sonoros essencial dos Fanfarlo com novas abordagens é, realmente, o sustentáculo da sonoridade geral de Let's Go Extinct que, tematicamente, também procura dar um passo em frente no que liricamente o grupo costuma apresentar. Assim, desta vez procuram abordar temas cada vez mais abrangentes e arriscados que, conforme indica o título do álbum, abordam as principais dúvidas existenciais de uma humanidade que procura sobreviver neste planeta cada vez menos azul, fazendo-o a partir das nossas próprias origens, e ajudando o ouvinte a refletir sobre as mesmas, num clima feliz, animado e dançante.

Com uma maior aposta na mistura de uma orquestração pop com a eletrónica e numa mais diversificada amálgama sonora, em Let's Go Extinct os Fanfarlo anunciam que são uma banda que quer evoluir e ousa mudar, e assim, continuar a ser promissora. Espero que aprecies a sugestão..

Fanfarlo - Let's Go Extinct

01. Life In The Sky
02. Cell Song
03. Myth Of Myself (A Ruse To Exploit Our Weaknesses)
04. A Distance
05. We’re The Future
06. Landlocked
07. Painting With Life
08. The Grey And Gold
09. The Beginning And The End
10. Let’s Go Extinct

 


autor stipe07 às 20:57
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

A Jigsaw - Postcards From Hell

Os A Jigsaw preparam-se para entrar em estúdio para gravar o seu quarto álbum que será o sucessor de Drunken Sailors & Happy Pirates. E em jeito de despedida deste anterior trabalho, acompanham esta entrada em estúdio com a edição de mais um B-Side deste. Trata-se da canção Postcards From Hell, estreada pela primeira vez ao vivo na Antena 3 e que teve direito a um vídeo de animação da realizadora Maria Inês Afonso.

Estarei atento ao lançamento deste disco, que certamente será objeto de crítica e divulgação neste espaço. Para já, confere Postcards From Hell e um texto da Maria Inês sobre o vídeo.

 

"The Strangest Friend" foi o primeiro tema que ouvi e logo nesse momento imaginei todos aqueles ritmos e sons distintos traduzidos em cores e texturas animadas. Pessoalmente, o nosso encontro foi nos estúdios da Antena 1, no programa do Jorge Afonso. Como é hábito, trazia comigo o bloco de desenho. Achei o instrumento do Jorri fascinante e num instante dei-lhe forma no papel. No final do programa, em conversa à roda dos desenhos, partilhei-lhes que imaginava a sua música através da animação e, umas frases mais tarde, convidaram-me a criar um vídeo original para um dos seus temas ainda por estrear. Disse imediatamente que sim.

Uns dias depois, numa troca de emails, o João Rui enviou-me o "Postcards from Hell" e explicou-me que era uma mensagem para aqueles que os acompanharam e que os transformaram na identidade que é hoje a Jigsaw.

A partir daí ofereceram-me liberdade total para criar uma animação, sem deadlines ou quaisquer premissas estéticas.

Creio que o melhor que podia fazer era oferecer a minha criatividade e tornar visual as sensações que Postcards me provoca. Ela fala do conhecimento e de como este nos move e constrói a nossa identidade. A forma que encontrei de tornar visual este conhecimento foi quase imediata: representá-lo sob a imagem de fluxo de tintas aguadas, como se fosse um rio, uma corrente ao longo da canção. Nessa corrente viajam as suas memórias, relações, desilusões e aprendizagens. A figura do lobo, personagem principal, pretende ser uma representação da identidade a Jigsaw que, ao longo de todo o vídeo, vai velejando espaços que partilha com outros. Por vezes perde o seu navio, o seu rumo, desvia-se um pouco, mas chega sempre ao fim consciente e em sintonia com a sua identidade.

Agradeço muito esta oportunidade porque são trabalhos como este que nos permitem conhecer mais um bocadinho daquilo que somos. Penso que o enorme prazer e privilégio que senti ao criar esta pequena animação se pode traduzir pelo carácter experimental, curioso e multifacetado da sua estética. Também não seria possível de outra forma, se não falássemos de excelentes fazedores de música.

Aos a Jigsaw, um enorme obrigado!


autor stipe07 às 12:37
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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Beck – Morning Phase

Depois de seis anos de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, está de regresso em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia a vinte e cinco de fevereiro por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor com quase quarenta e quatro anos e que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço.

A introdução de Morning Phase, com os violinos de Cycle e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Morning e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Beck está, assim, de regresso a um universo que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este músico norte americano herdou de Neil Young e que sabe hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Morning Phase é uma benção caída do céu para todos aqueles que, como eu, têm alinhada na sua prateleira, cronologicamente, toda a vasta discografia de Beck e que acabam por, invariavelmente, ir desfolhar sempre aquele setor mais central, algures entre Mutations e, principalmente, Sea Change. No entanto, convém esclarecer os mais desatentos e menos familiarizados com o historial de Beck, que as semelhanças ficam por aqui; Apesar de Cycles iniciar com o mesmo acorde Mi da também introdutória Golden Age do disco de 2002, e se Morning mantém a toada, há doze anos Beck exorcizava os seus fantasmas após o final de um relacionamento com uma namorada de muitos anos, vendo-se assim refém de uma obra que representava o seu estado de profunda tristeza e melancolia, mas hoje Morning Phase é reflexo de uma fase muito mais feliz da sua vida, que tem aproveitado devidamente com a sua esposa, Marissa Ribisi e os dois filhos (Cosimo e Tuesday) e que os arranjos coloridos de Heart Is A Drum, um tema que ganha vida através de um blues da melhor qualidade, parecem claramente expressar. Esta canção cheia de efeitos na voz do músico que iluminam o ambiente e a música, é um dos meus destaques deste álbum.

Mas Morning Phase tem outros momentos cheios de esplendor e que importa realçar; Blackbird Chain é a banda sonora perfeita para uma declaração de amor sentida e Unforgiven salta ao ouvido por se afastar do formato mais acústico e servir-se dos sintetizadores e de uma orquestra de fundo para aguçar o nosso espírito. Já Wave impressiona pelas fantasticas linhas do mesmo violino que nos tinha deslumbrado na abertura; Os arranjos densos, orquestrados e quase góticos desta canção, dão-nos uma visão panorâmica de um Beck pequeno e isolado diante da imensidão ao seu redor, como se estivéssemos a contemplar uma figura distante, cada vez mais desfocada e misteriosa. De referir ainda o banjo ternurento de Say Goodbye, a inspiração romântica e a exuberância orquestral de Waking Light e a folk animada de Blue Moon, uma referência direta a Nick Drake, um dos grandes inspiradores deste músico nascido em 1970 em Los Angeles, filho de uma atriz e um compositor.

O Beck que antes brincava com o sexo (Sexx Laws) ou que gozava com o diabo (Devil's Haircut) faz agora uma espécie de ode à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e da country. A receita é extremamente assertiva e eficaz; Com as participações especiais de músicos tão conceituados como o baterista Joey Waronker (Atoms For Peace) e o baixista Justin Meldal-Johnsen, Morning Phase reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Fica claro em Morning Phase que Beck ainda caminha, sofre, ama, decepciona-se, e chora, mas que vive numa fase favorável e tranquila. Espero que aprecies a sugestão...

Beck - Morning Phase

01. Morning
02. Heart Is A Drum
03. Say Goodbye
04. Waking Light
05. Unforgiven
06. Wave
07. Don’t Let It Go
08. Blackbird Chain
09. Evil Things
10. Blue Moon
11. Turn Away
12. Country Down


autor stipe07 às 17:28
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

Case Conrad - Leikko

Os Case Conrad são uma banda de indie pop sueca, formada por Gustav Haggren (voz e guitarra), Per Henrik Adolfsson (voz e guitarra), Robert Johansson (guitarra, orgão e sintetizador), Petter Bengtsson (bateria, percussão e voz), Vasco Batista (baixo, voz) e Carl-Johan Elger (sintetizadores, trompete). Depois do sucesso alcançado com Dew Point, um disco editado em 2010 e que possibilitou aos Case Conrad uma digressão pela Europa e pelos Estados Unidos, esta espécie de super grupo, porque integra elementos provenientes de outras bandas, resolveu deitar mãos à obra e lançar mais uma coleção de canções, que viram a luz do dia a catorze de fevereiro último.

A indie pop luminosa típica do norte da Europa é a grande pedra de toque de Leikko. Os ingredientes estão cá todos; Melodias aditivas que alcançam o auge no single Copper Thief, uma percurssão algo subtil mas vigorosa e, como atributo maior, uma guitarra distinta e que, neste caso, ao ser tocada por Robert Johansson, alcança também alguns dos traços identitários da psicadelia.

As canções dos Case Conrad têm, portanto, um ambiente muito próprio . A abrir o disco, Lonelylightlylowshine escancara-nos as portas para um mundo que sabe a liberdade e tem o sabor da alegria dos dias cheios de luz. O tal single Copper Thief é aquela canção onde o predomínio das cordas é notório, não só no baixo que conduz a melodia, como depois na viola e na distorção da guitarra e, ainda no arranque, os arranjos feitos com instrumentos de sopros na balada Recording Of A Dream e em The Years I Spent Punkrockin são uma das marcas que também confere a este álbum a sua identidade tipicamente nórdica.

Leikko prossegue com mais um momento instrospetivo chamado Redwood mas, neste caso, bastante rico em termos de arranjos, com uma certa toada orquestral, mas depois as guitarras voltam à linha da frente no indie rock de Blueprints e numa toada um pouco mais psicadélica, em Sugar Factory, bons exemplos da produção exemplar, a cargo dos próprio Case Conrad.

Disponível para audição no bandcamp dos Case Conrad, Leikko são dez canções que descrevem locais e pessoas que marcaram a banda durante a digressão acima referida; Dos polícias de Nova Iorque, aos poetas de Nova Orleães, passando pelos bombeiros do Louisiana ou as casas típicas de Hamburgo, quase todas elas não deixam de ter uma certa toada épica, adoçicada por cordas que se escutam em qualquer altutra do ano, mas que penso que terão outro sabor se forem escutadas num dia de sol radioso e que, por saberem aquela brisa fresca que tempera os dias mais quentes sem ofuscar o brilho do sol, poderão muito bem caber num ipod a caminho de uma das nossas praias no verão que há-de, um dia, chegar. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 20:40
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Armada - Má Rês

Os portugueses Armada andam a antecipar a chegada do disco de estreia, que está em processo de gravação, com a divulgação de vários telediscos de temas retirados do EP de estreia, Clássico. Depois de terem sido dado a conhecer os filmes dos singles SinceramenteBandidos do Cais e Afinal., agora chegou a vez do video para Má Rês.

De acordo com o press release do video, Má Rês leva-nos até à Avenida da Liberdade, numa viagem frenética que permite atestar a energia contagiante da banda no palco andante II do Vodafone Mexefest. Óculos escuros, atitude e cara de mau, num rock n’roll sobre rodas!

Recordo que Clássico é um EP que catapulta os Armada para a linha da frente do indie rock português, através de uma música que apresenta a sonoridade típica de um grupo que canta em português e que, dos Rolling Stones, aos Beatles, passando pelos Smiths, aposta num indie rock clássico, luminoso e vibrante, com travos de folk, mas que também não dispensa uma sonoridade urbana e clássica. É uma espécie de rock n'roll suave e ligeiro, bem disposto e divertido, que aposta em refrões orelhudos, simples mas eficazes. Confere...


autor stipe07 às 12:54
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Segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2014

Nobody's Bizness - Donkey

Formados por  Petra Pais, Luís Ferreira, Pedro Ferreira e Luís Oliveira, os lisboetas Nobody's Bizness são uma banda nacional muito curiosa e original, que nasceu em 2003 da vontade de recriar o blues de raiz e resgatar ao pó dos tempos e às estrias de velhos 78 rpm, lendas dos blues como Robert Johnson, Tampa Red, Ida Cox, Alberta Hunter, Bessie Smith, Willie Dixon, Skip James ou Muddy Waters com os seus arranjos pessoais. Estrearam-se em 2010 nos discos com It’s Everybody’s Bizness Now, um trabalho que continha algumas versões e originais.

A completarem dez anos de vida e de estrada, acabam de editar Donkey, o segundo disco da banda, um nome escolhido devido à vontade dos Nobody's Bizness em ajudar a Associação para a Preservação do Burro – Burricadas, uma associação que recolhe e protege burros maltratados, depois do Pedro Ferreira ter visitado uma associação de preservação do burro Mirandês. Ganhou forma quando descobriram o trabalho da Burricadas, que procura dar uma vida digna (ou um final de vida, na maior parte dos casos) a burros mal tratados, burros de trabalho que foram abandonados ou vendidos para abate depois de uma vida inteira de serviço.

Donkey é um disco composto quase exclusivamente por originais e para suportar os custos de produção deste disco, que foi, à semelhança do trabalho de estreia, uma edição de autor, os Nobody’s Bizness promoveram promover uma campanha de angariação de fundos que, de acordo com a entrevista que a banda me concedeu e que podes conferir abaixo, superou todas as expetativas.

Escutar Donkey é aceitar entrar numa visagem até à América mais profunda, tão genuína em Señorita Carolina, ao som de guitarras, mandolins e todo o outro arsenal instrumental de cordas que personifica e dá vida ao que de melhor tem o blues. Disco excelente para se escutar enquanto se conduz, Donkey não é, contudo, um álbum linear e totalmente homógeneo, sendo esse um dos maiores elogios que se pode fazer ao trabalho e que o single People I Wish For tão bem nos mostra. Donkey coloca-nos, logo em (We're) Evilbound, nos trilhos de um género sonoro raramente replicado deste lado do atlântico, com o banjo e a guitarra, não só desse tema, mas também, por exemplo, do homónimo, a fazer-nos crer que a costa leste dos Estados Unidos pode ser, se acreditarmos, algures entre Alfama e o Cais do Sodré.

Em Mister Simon e Married By Fall, fazemos um desvio até Nova Iorque, para escutarmos, primeiro, uma espécie de homenagem a Paul Simon e depois deixarmo-nos envolver por um qualquer salão de jazz, que prolifera na cidade que nunca dorme certamente à mesma escala propocional que as casas de fados da nossa capital. Married By Fall é, na sua essência, intrigante e sedutora e tem aspetos e detalhes que voltam a ser escutados mais à frente, noutros momentos do disco em que a banda procura ampliar as suas capacidades de beliscar novos e diferentes territóros e que poderão ser pistas valiosas para o próximo trabalho da banda.

Não é justo escrever sobre este disco e terminar sem destacar a voz única de Petra Pais, sublime no single People I Wish For; Quando, no blues, a vertente instrumental assume quase sempre o lugar de destaque e a voz é, tantas vezes, um complemento ou um mero acessório, em Donkey Petra é uma peça fulcral do puzzle intrincado de arranjos, melodias e sons que sustentam as dez músicas deste disco e fazem dele um dos destaques nacionais do início deste ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Donkey é o novo marco do percurso discográfico dos Nobody’s Bizness, um trabalho que surge após dez anos de carreira e que ganhou vida através de uma edição de autor. Como correu a campanha de angariação de fundos através da plataforma de crowdfunding? Deu para os gastos?

Correu muito bem e excedeu todas as nossas expectativas, que por sinal eram muito baixas. Ultrapassámos o valor que pedimos e sem isso não teríamos o Donkey cá fora.

 

O nome escolhido para o álbum, Donkey, nasceu da vontade da banda de ajudar a Burricadas - Associação para a Preservação do Burro, uma associação que recolhe e protege burros maltratados. Como surgiu a ideia?

A ideia surgiu inicialmente depois do Pedro Ferreira ter visitado uma associação de preservação do burro Mirandês. Ganhou forma quando descobrimos o trabalho da Burricadas, que não faz distinção de raça e faz o que não vimos mais ninguém fazer, dar uma vida digna (ou um final de vida, na maior parte dos casos) a burros mal tratados, burros de trabalho que foram abandonados ou vendidos para abate depois de uma vida inteira de serviço. Sensibilizou-nos e quisemos de alguma forma dar visibilidade ao projeto.

 

Depois da excelente trabalho de estreia It’s Everybody’s Bizness Now, quais são as vossas expectativas para Donkey? Querem que o disco vos leve até onde?

Antes de mais agradecemos o “excelente” ali! E para o nosso Donkey, a expectativa é levá-lo o mais longe possível. Gostávamos de poder apresentá-lo em palco em todo o país e angariar muitos padrinhos, para nós e para a Burricadas.

 

E quais são as grandes diferenças entre It’s Everybody’s Bizness Now e Donkey?

Desde logo, a formação: passámos de sexteto a quarteto, deixámos de ter uma das vozes principais e a bateria. Depois a sonoridade. Assumimos uma postura menos presa aos blues do primeiro registo de estúdio e só temos originais, está mais presente aquilo que somos enquanto ouvintes, reconhecemos mais tudo o que ouvimos naquilo que escrevemos.

 

Além de ter apreciado a riqueza instrumental e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos e depois existe um processo de agregação?

Regra geral, surge primeiro um esboço do tema pelas mãos do Luís Ferreira (e do Pedro, que neste disco também já nos trouxe uma ou outra prenda :)). Depois juntamo-nos todos na sala de ensaio e desconstruímos o que ele traz e o resto vai surgindo naturalmente. Vamos para onde as canções nos permitem ir.

 

Adorei o artwork de Donkey. A quem se devem os créditos da fotografia?

A fotografia é do nosso grande amigo Bruno Espadana, que nos acompanha desde o início do nosso percurso. É um fotógrafo absolutamente divino.  Podem descobrir o trabalho dele no site: http://www.brunoespadana.com/

 

Estou viciado no tema People I Wish For, por sinal, single do disco. E o banda, tem um tema preferido ou que dê mais gozo tocar em Donkey?

Cada um de nós tem o seu. Para mim (Petra) é o Señorita Carolina, para o Luís F. é o Donkey, para o Luís O. é o (We're) Evil Bound e para o Pedro, diz ele, tal é o nível de prazer que tem a tocá-los todos que não consegue escolher um tema favorito.

 

O que vos move é apenas estes blues cruzados com a folk norte-americana, o jazz ou a música country, ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Nobody’s Bizness?

Nem nós sabemos ainda! Como dizia acima, vamos até onde as canções nos permitirem, nunca se sabe se o próximo disco não será um disco de mornas ou de punk rock!

 

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

Não é necessariamente uma opção consciente. As letras surgem e não penso muito nisso. Se eventualmente surgirem em português, em espanhol ou em francês, abraço-as com o mesmo prazer.

 

Têm andado em digressão a promover o álbum. Como tem corrido?

Ainda não andamos, temos o concerto de lançamento no Teatro da Trindade em Lisboa a 2 de Março e mais uma ou outra coisa na calha que iremos anunciando na página do inevitável facebook.

 

Apenas em jeito de curiosidade e para terminar… Quais são as três bandas ou projetos atuais que mais admiram?

Penso que falo por todos quando menciono Old Jerusalem, DD Peartree e o JP Simões. Não são só amigos, são músicos com trabalhos extraordinários.


autor stipe07 às 18:07
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

Filho da Mãe - Cabeça

Gravado e masterizado por Guilherme Gonçalves no Coro Alto do Convento da Saudação - O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, Cabeça é o novo álbum do projeto Filho da Mãe, o projeto musical que o guitarrista Rui Carvalho utiliza para exorcizar alguns fantasmas e que sucede ao EP Palácio, o trabalho de estreia de Filho da Mãe, datado de 2011 e disponível para download gratuito no seu bandcamp.

Rui Carvalho é Filho da Mãe, mas também a extensão física de um guitarra portuguesa, tal é a mestria simbiótica e única com que a dedilha. De acordo com o próprio, Cabeça é a Porra de sítio em que os monstros se encontram e discutem as imitações uns dos outros. Parecem contrafeitos e aborrecidos enquanto raspam os cornos nas paredes e se fingem incomodados com as razias dos insectos. Não se apercebem da enorme sombra que projectam em tudo, do monte gigante de lixo e dejectos que acumulam, do sopro constante a que obrigam os ouvidos. Mas, na minha opinião, Cabeça é, também, o local onde projetamos, artilhamos, desenvolvemos e controlamos as nossas maiores obsessões e aquela que mais absorve o Filho da Mãe é, sem dúvida, a música em todo o seu esplendor, sendo o nome artístico selecionado pelo músico, a nomenclatura perfeita para descrever a inquietação que todo o seu corpo lateja e expressa quando transfere todas as suas energias para as cordas de uma guitarra.

De acordo com a entrevista que Rui me concedeu e que está transcrita abaixo, o músico não vê como pode interagir com as pessoas fazendo música, se algo desse tipo não acontecer. Pensa primeiro no que a música o faz sentir a si, mas a verdade é que o exercício de audição de Cabeça é simultaneamente tão inquietante e tão belo e excitante como será interpretar e tocar todos os temas do seu alinhamento.

O diálogo intrigante que Filho da Mãe e a guitarra têm entre si, é perfeitamente entendível por todos nós. A linguagem é clara, mesmo que não saibamos identificar uma só nota ou acorde do que ele executa. E, o melhor, ambos convidam-nos a entrar nesse diálogo, a apropriarmo-nos desses sons que nos intrigam e usá-los para nosso próprio proveito e usufruto catártico. Mas não nos atrevemos... Eu, pelo menos, não consigo entrar nesse diálogo. A relação de intimidade entre ambos é tal que importa preservar, acima de tudo, a forma genuína como interagem e deixar, de alguma forma, as prováveis dores físicas desta conversação, apenas e só para o Filho da Mãe, que se atreve a extrair e a colocar a nú todas as virtudes e qualidades da guitarra, deixando-a completamente desprovida, desarmada e sem mais trunfos luminosos para apresentar.

Da complexidade de Cerca de Abelhas, à nobre delicadez do tema homónimo, passando pelas admiráveis variações de ritmo em Improviso De Naperon, ou a toada notavelmente orgânica e viva de Um Mali Provisório e Um Bipolar, Cabeça é um disco cheio de vida, uma parte concreta, palpável e bem definida de um corpo que se mexe, respira, fala, pensa e vive chamado Rui e, por isso, um dos trabalhos mais humanos, pessoais, genuínos e distintos da música portuguesa nos últimos anos. Convido-te a leres, como já referi, a entrevista que o autor do álbum me concedeu com o inestimável apoio da Let's Start A Fire e espero que aprecies a sugestão... 

Terra Feita

Não Te Mexas

Cerca De Abelhas

Caminho De Pregos

Um Bipolar

Um Bipolar Dois

Mali Provisório

Cabeça

Improviso de Naperon

Um Monge Às Costas

Quadro Branco

Sem Demónios

Chamas-te Rui Carvalho mas assinas com Filho da Mãe. Podes explicar aos leitores de Man On The Moon a razão da escolha deste pseudónimo ou alter-ego?

Não sei se pretende ser um alter-ego. Gostava de ter um nome tal e qual como uma banda e não assinar o meu nome mesmo. Não sei muito bem porque razão...não há muito mais a dissecar acerca da escolha do nome. Parece ter algo de provocante mas não o pretendo assim tanto. É algo que duma maneira ou outra parece ligar bem comigo, sinto-lhe algo mais amigável do que agressivo, mas também pode ter essa qualidade.

 

Depois de uma outra vida musical nos If Lucy Fell e noutros projetos nacionais, agora desligou-se a distorção e os teus dedos tocam uma guitarra clássica de seis cordas, que noutras vidas foi eléctrica. É como Filho Da Mãe que te sentes mais realizado?

É difícil de responder. Ultimamente é das coisas que me tem dado mais gozo sim...mas isso pode ser mais fruto do contexto do que de uma preferência. Não costumo hierarquizar bandas ou projectos de música, quando é feito com vontade e sai bom resultado tudo me faz sentir realizado.

 

Cabeça foi gravado dentro das paredes do Convento da Saudação, em Montemor-o-Novo. Como surgiu essa possibilidade?

Surgiu um bocado por acaso, não estava planeado à partida, mas assim que se pôs a possibilidade senti logo que ia ser um sítio perfeito para gravar (ou tentar gravar) o disco.

 

Falando um pouco do conteúdo do álbum, li algures que Cabeça são os ossos a mover-se ao som de uma música que, ao longo de um álbum, vence pelo poder catártico de provocar reações extremas. Pessoalmente confesso que Cabeça teve em mim um forte efeito persuasivo, que me fez sentir algo muito visceral e rugoso, mas simultaneamente aditivo. Achas que este teu disco e uma simples guitarra de seis cordas terão o poder de provocar reações nas pessoas, quer sejam físicas ou mentais?

Espero bem que sim. Sinceramente não vejo como posso interagir com as pessoas fazendo música, se algo desse tipo não acontecer. Mas penso primeiro no que a música me faz sentir a mim...e sinceramente não sei se penso muito, acho que vou sendo bem mais intuitivo do que racional. Depois só espero que essas sensações se reproduzam nas pessoas que o ouvem claro, mesmo que as interpretem de maneiras diferentes.

 

Descreve um pouco essa relação tão íntima, apaixonada e física que partilhas com a guitarra clássica. Funciona quase como uma extensão do teu próprio eu, parece-me… Concordas?

Creio que sim, concordo.

 

Depois da excelente estreia que foi Palácio, quais são as tuas expectativas para Cabeça? Queres que o disco te leve até onde?

Não acumulo muitas expectativas. Para já queria que as pessoas gostassem, pelo que tenho ouvido e lido, parece-me que sim, o que é óptimo. Não quero que o disco me leve a lado nenhum, mas gostava de o conseguir levar a muita gente em salas de concerto, neste país e noutros.

 

Adorei o artwork de Cabeça. A quem se devem os créditos da ilustração e que significa?

O artwork foi desenvolvido pela Cláudia Guerreiro e por muitas conversas que fomos tendo ao longo de um ano. Há muito dentro do Cabeça que está ligado a essas conversas não só o artwork. A música acaba por ser a expressão de tudo isso também. O artwork foi primeiro pensado para Vinyl e acabou por ser adaptado a CD. Trata-se de uma gravura feita pela Cláudia. A fotografia (tirada por Paulo Segadães) da chapa (matriz) constitui a capa e contra-capa. Uma cópia da gravura encontra-se no interior e foi feita uma tiragem limitada de gravuras que se podem adquirir separadamente. O Sérgio França encarregou-se do design. É difícil dizer o que significa. É uma Cabeça, uma expressão física do que se encontra lá dentro.

 

Estou viciado no tema Não Te Mexas que, por acaso, estás a oferecer no teu bandcamp. E o Rui, tem um tema preferido em Cabeça?

Não tenho preferidos. Há alguns que com tempo se vão perdendo, mas por enquanto ainda não. Neste momento tocar o Não Te Mexas e o Cerca de Abelhas dão-me muito gozo, mas ao vivo o Improviso tornou-se uma surpresa.

 

O que te move é apenas esta espécie de indie folk acústica e experimental, com raízes no próprio ideário tradicional musical português, ou gostarias no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico do Filho da Mãe?

Não faço ideia ainda. Nenhuma ideia. Podem-se esperar mais discos isso de certeza.

 

Tens andado em digressão a promover o álbum. Como tem corrido?

Tem sido óptimo poder tocar este disco ao vivo. Diferente do Palácio mas igualmente com uma boa reacção das pessoas. Ainda o estou a conhecer ao vivo...Disco e Concerto são dois bichos diferentes.

 

Apenas em jeito de curiosidade… Quais são as três bandas ou projetos atuais que mais admiras?

Nunca consigo responder a isso. Há bandas das quais me sinto muito próximo, mas colocar isso em três é para mim complicado.


autor stipe07 às 22:23
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Terça-feira, 4 de Fevereiro de 2014

Capitão Fausto - Pesar O Sol (Análise do disco e entrevista)

Os portugueses Capitão Fausto regressaram aos discos no passado dia vinte e sete de janeiro de janeiro com Pesar O Sol, o segundo longa duração desta banda lisboeta formada por Domingos, Francisco, Manuel, Salvador e Tomás. Pesar o Sol foi gravado na Adega da Quinta de Santo Amaro e misturado por Nuno Roque e masterizado por Greg Calbi, que já trabalhou com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala e Kurt Vile, entre outros.

Pesar o Sol sucede a Gazela, o disco de estreia dos Capitão Fausto, editado pela Chifre em novembro de 2011 e a banda espera anunciar várias datas e concertos para promover o trabalho. Para já, estão marcados dois espetáculos; Dia seis de Fevereiro, no Lux, e dia vinte e dois de Fevereiro no Hardclub. Já agora, para estes dois espectáculos há um disco-bilhete com apoio da Fnac, onde a compra do mesmo traz o disco e possibilitará acesso aos concertos. Este disco-bilhete pode ser adquirido pelo preço de 9,99€, em pré-venda em exclusivo em fnac.pt e nas lojas Fnac. A banda privilegia concertos em pequenos clubes espalhados pelo país e o principal objectivo é poder tocar canções do álbum Gazela e também do Pesar o Sol em ambientes mais fechados e próximos do seu público.

A audição de Pesar O Sol transporta-nos para o indie rock psicadélico dos anos sessenta e setenta que hoje está muito em voga, com os Tame Impala à cabeça, mas com outros nomes como os Pond e agora os Temples, na linha da frente. No entanto, um dos maiores atributos dos Capitão Fausto neste trabalho, foi terem sabido pegar em possíveis influências que admiram e dar-lhes um cunho muito próprio, uma marca deles, única e distinta. É, como já disse, um indie rock clássico, com fortes reminiscências nos anos setenta, luminoso e vibrante, cheio de fuzz nas guitarras, mas que também não dispensa uma sonoridade urbana e clássica. Fazendo uma comparação entre este novo trabalho e Gazela, e de acordo com os próprios Capitão Fausto, se no Gazela as canções eram mais directas e frenéticas, no Pesar o Sol são mais energéticas e contemplativas.

Gravado, como já referi numa adega, Pesar O Sol  é como o vinho bom que enche as pipas do espaço onde foi concebido; São dez temas que se bebem de um trago só e que, se devidamente apreciados, poderão ter também ter o mesmo efeito saboroso e inebriante, potenciados por repetidas audições que permitem que determinados detalhes e arranjos se tornem cada vez mais nítidos e possam, assim, ser plenamente apreciados.

Maneiras Más é o primeiro avanço divulgado para Pesar O Sol, uma canção rápida, incisiva e direta, com a habitual toada rock, algo experimental, crua e psicadélica, a que os Capitão Fausto já nos habituaram. O single tem um vídeo realizado por Ricardo Oliveira e foi filmado em Évora, na Herdade da Pimenta, na praia do Guincho, e na quinta de Santo Amaro em Cadima. Mas depois também há o rock espacial de Litoral, a psicadelia inebriante de Tui, o banquete festivo com guitarras carregadas de fuzz no cardápio de A Batalha de Formariz, canção redentora de um episódio algo burlesco, mas só possível neste nosso Portugal tão bom e às vezes tão genuíno e tão profundo e também Lameira, o tema mais consensual no seio do grupo e a balada que transpira uma profunda sensação de conforto coletivo por tudo aquilo que Pesar O Sol certamente ofereceu aos seus criadores

Pesar O Sol é o contributo nacional de peso para a equipa formada por aquelas bandas que ajudam a contrariar quem, já por milhares de vezes, anunciou a morte do rock. Podendo, no futuro, abrir novas possibilidades de reinvenção do seu som, atravessando terrenos ainda mais experimentais, etéreos e com alguma dose de eletrónica, os Capitão Fausto são já, atualmente, o expoente máximo do melhor indie rock alternativo que ilumina o nosso país e o sol à volta do qual deverão gravitar outros projetos que tenham interesse em apostar neste tipo de sonoridade que, pessoalmente, considero bastante apelativa. Convido à leitura da entrevista que os Capitão Fausto me concederam com o inestimável apoio da Let's Start A Fire e espero que apreciem a sugestão...

pesar o sol

01 – Nunca Faço Nem Metade
02 – Litoral
03 – Tui
04 – Flores do Mal
05 – Pesar o Sol
06 – Célebre Batalha do Formariz
07 – Ideias
08 – Prefiro Que Não Concordem
09 – Maneiras Más
10 – Lameira

Pesar O Sol foi gravado no verão de 2012 mas só agora é lançado. Ano e meio não é demasiado tempo? Se fosse gravado hoje têm aquela sensação que fariam algo diferente?

Não é demasiado tempo, felizmente tivemos um ano seguinte com bastantes concertos e muitas coisas para fazer. O disco foi gravado nem um ano depois do lançamento do Gazela simplesmente porque nos apeteceu ir gravar outro. Foi um disco que nos deu algum trabalho e por isso tentámos retirar o melhor dele para ficar tudo como queríamos. Nem sempre é fácil lançar um disco e por vezes pode ser um processo longo. É uma fotografia daquilo que éramos naquela altura, e provavelmente se fosse gravado hoje seria diferente mas encaramos isso de forma positiva, o mais importante é ainda não ter envelhecido nos nossos ouvidos.

Como deverão compreender, é natural escutar-se este fantástico álbum e sermos transportados para o indie rock psicadélico dos anos sessenta e setenta que hoje está muito em voga, com os Tame Impala à cabeça, mas com outros nomes como os Pond e agora os Temples, na linha da frente. No entanto, eu acho que um dos vossos maiores atributos foi ter sabido pegar em possíveis influências que admiram e dar-lhes um cunho muito próprio, uma marca vossa e distinta. Como descrevem, em traços muito gerais, o conteúdo sonoro de Pesar O Sol?

Tame Impala, Pond e Temples são sem dúvida influências. Mas antes desta vaga de revivalismo da música dos anos 60 e 70 sempre fomos fascinados por essa época, desde o tempo em que os discos de Pink Floyd, Beatles ou Beach Boys tocavam nos carros dos nossos pais. Com este disco fomos mais capazes de expressar as nossas referências mas não pensamos nelas quando compomos, o processo de composição geralmente é alheio a isto ou aquilo, estamos mais preocupados em dar à canção o que ela merece sem pensar muito em terceiros. Talvez o cunho próprio venha daí, só depois de gravadas as músicas é que íamos à procura desta ou daquela referência mais óbvia.

Pesar o Sol é um disco viajante, com canções longas mas energéticas. É também um disco de Rock, não somos unicamente influenciados pela música que já se fez mas também pela música que se faz hoje em dia.

Este indie rock clássico, com fortes reminiscências nos anos setenta, luminoso e vibrante, cheio de fuzz nas guitarras, mas que também não dispensa uma sonoridade urbana e clássica, é mesmo o género de música que mais apreciam?

Depende. Na altura foram essas as principais referências e temos obviamente especial gosto por elas mas todos ouvimos diferentes bandas e artistas e a cada semana que passa vão entrando mais na lista. Somos mais do tipo de gostar de bandas por o que elas são e não pelo género em que se inserem.

Quais são as maiores diferenças entre Gazela e Pesar O Sol?

Da nossa parte sentimos que no Gazela as canções eram mais directas e frenéticas. No Pesar o Sol são mais energéticas e contemplativas. 

Quais são as vossas expectativas para Pesar o Sol? Querem que este trabalho vos leve até onde?

As expectativas são de fazer chegar a nossa música a quem goste dela, e de preferência conseguir que ela chegue a mais e mais pessoas, seja ouvindo o disco ou assistindo a um concerto. Queremos que o Pesar o Sol nos dê a possibilidade de no futuro gravar mais um, dois, três ou vinte e cinco discos. Acreditamos que em Portugal as bandas não se fazem apenas por um disco mas por uma carreira.

Penso que a vossa sonoridade poderia ser bem sucedida nos países que abrem os braços ao chamado indie rock psicadélico. Os Capitão Fausto estão, de algum modo, a pensar numa internacionalização, ou é apenas Portugal importante para o futuro da vossa carreira?

Para nós é simples, não pensamos numa internacionalização e gostamos muito de estar em Portugal e ainda há muito para fazer por cá. Se nos convidarem para tocar no estrangeiro vamos porque no fundo o que gostamos é de tocar para pessoas, onde quer que estejam. Era óptimo e temos esse desejo como provavelmente muitas bandas o têm, mas estamos bem aqui.

Acho curioso o artwork do disco e muito bem conseguido. Aposto que tem uma relação próxima com o facto de terem gravado numa adega e a leitura que faço dele é que aquelas pipas estão cheias com as canções de Pesar O sol e, tal como o vinho bom que as costuma encher, vocês acreditam que estes dez temas, se devidamente apreciados, poderão ter também ter o mesmo efeito saboroso e inebriante. Faz algum sentido esta minha leitura do artwork? Gostam de vinho? Qual é a vossa explicação, caso exista alguma racional, para a capa do disco?

O artwork foi feito pelo Francisco, teclista, e é uma representação da banda na altura da gravação. O disco foi gravado numa Adega, fora de Lisboa. A sala e o ambiente dessa altura foram uma influência para o próprio som das músicas, não existiram qualquer tipo de pressões citadinas e fizemos aquilo que queríamos. Achámos por bem ter isso representado. Mesmo ao pé das pipas estivemos 10 dias seguidos a gravar o Pesar o Sol. Mais do que as pipas é a própria sala que se tornou especial para nós, porque é muito bonita e merecia uma fotografia. O vinho vem por acréscimo!

Adorei a Célebre Batalha de Romariz; E a banda, tem um tema preferido em Pesar O Sol?

Cada um tem a que gosta mais e a que gosta menos. Mas a mais consensual será a Lameira, porque foi a última a ser gravada e é a música que encerra o disco.

Ainda em relação a esse tema, parece que foi inspirado numa célebre ocorrência provocada por vocês numa festa de verão na localidade de Formariz. Querem contar, de forma muito breve, obviamente, essa história?

Quando estávamos a compor o disco perto de Paredes de Coura fomos a uma festa em Formariz, uma aldeia próxima, e acabámos expulsos por todos os locais. Não houve sangue mas foi uma derrota, cómica até, e no dia seguinte escrevemos a canção. Entretanto fizemos as pazes com os habitantes de Formariz.

Não sou um purista e acho que há imensos projectos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem também em inglês. Mas admiro a forma inteligente e matreira como usam a nossa língua; Há alguma razão especial para cantarem apenas em português e a opção será para se manter?

Nunca pensámos em cantar em Inglês. O Rock hoje em dia é universal e sempre nos pareceu natural cantar na nossa lingua que conhecemos bem melhor do que qualquer outra. Cantaremos sempre em Português.

Imagino que entretanto já tenham temas novos compostos. Será preciso esperar mais três anos para saborear um novo trabalho dos Capitão Fausto?

Temas não, mas muitas ideias a ganharem forma. E não, já temos uma ideia mais clara daquilo que queremos fazer de agora em diante e estamos a aprender a ser cada vez mais pragmáticos. Se tudo correr bem a distância entre discos irá diminuir.

O que vos move é apenas indie rock psicadélico ou gostariam no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Capitão Fausto?

Nem nós sabemos, mas somos abertos a tudo e não renegamos qualquer tipo de música. Jamais faremos um disco igual a outro, e a cada dia que passa ouvimos mais e mais música e somos naturalmente influenciados por ela. Estamos sempre a experimentar novas sonoridades porque gostamos de refrescar a própria música que fazemos.

Como vai decorrer a promoção de Pesar O Sol? Onde poderemos ver os Capitão Fausto a tocar num futuro próximo?

Os concertos de lançamento serão dia 6 de Fevereiro, no Lux, e dia 22 de Fevereiro no Hardclub. A seu tempo temos mais datas para anunciar e esperamos fazer uma digressão pelo país.

Para terminar, está previsto mais algum concerto na A1, depois daquela experiência espontânea em janeiro de 2013?

Sim, mas desta vez na A5.


autor stipe07 às 20:47
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014

The Migrant - Beads

Os The Migrant são liderados por Bjarke Bendtsen, um músico de Copenhaga, na Dinamarca. Falo de um projeto de indie pop, mas com imensos traços de folk e psicadelia e já com uma trajetória importante. Estrearam-se nos discos com Travels in Lowland, em 2010 e depois chegou Amerika, no ano seguinte. Beads é o terceiro trabalho deste coletivo que, juntamente com a restante discografia, está disponível para audição, via spotify.

A Dinamarca é um país com várias bandas a terem merecido já amplo destaque neste blogue, nomeadamente os Efterklang e os The Choir Of Young Believeres, pessoalmente duas referências obrigatórias desse país nórdico. E há sempre algo comum em relação aos projetos que daí chegam; Independentemente da riqueza eclética e heterogénea das propostas musicais dinamarquesas, é incontornável uma tendência clara de todas para o privilégio da riqueza instrumental, sendo também óbvia a facilidade que têm em balançar entre o orgânico e o eletrónico, muitas vezes com enorme subtileza, em especial no que concerne às cordas e à percurssão. Carriage e Through The Night são dois temas de Beads que sobressaiem do alinhamento deste trabalho dos The Migrant, exatamente devido a esta tendência de agregação que é tudo menos caótica.

Mas este trabalho merece destaque e uma audição atenta, também por causa da magia que parece existir na forma como alguns temas casam uma voz, tantas vezes num registo em falsete, com a acústica das cordas. E estas mesmas cordas podem ter diferentes origens; Muitas vezes ficamos na dúvida, se estamos a ouvir uma harpa, ou uma guitarra, aliados, quase sempre do piano, para criar melodias animadas, mas certamente com um intenso pendor introspetico. Lion e Kids são excelentes exemplos disso, canções sustentadas por uma espécie de space folk, também bastante audíve no tema homónimo.

É da folk que Bendtsen se abastece para criar música, aquela folk que nasceu no outro lado do atlântico, mas dando-lhe o tal cunho nórdico descrito acima, o que faz com que a música dos The Migrant seja muitas vezes descrita como uma jornada de meditação através de uma folk nordic americana, onde o brilho das cordas e a típica melancolia nórdica andam sempre de mãos dadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Migrant - Beads

01. The Lion
02. Beads
03. Ask The Current
04. Strangers
05. Through The Night
06. Days
07. Nuts
08. Amsterdam
09. The Pony
10. Carriage
11. Place To Rest
12. Kids

 


autor stipe07 às 22:54
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Damien Jurado - Brothers and Sisters of the Eternal Son

A indie folk de Damien Jurado está de regresso, mais bela do que nunca, com Brothers and Sisters of the Eternal Son, o décimo primeiro disco do músico, lançado no passado dia vinte e um de janeiro por intermédio da Secretly Canadian. Brothers And Sisters of the Eternal Son foi produzido por Richard Swift (The Shins), que já tinha trabalhado com Jurado em Maraqopa, a obra prima que o músico lançou em 2012

 

Brothers And Sisters of the Eternal Son é, de acordo com o próprio Damien, baseado num sonho que o músico teve sobre alguém que desaparece e que sai de casa sem nada que o identifique, com o único e simples propósito de desaparecer sem deixar qualquer rasto. O disco é uma sequela de Maraqopa, um álbum que já abordava a temática da ideia de fuga, como a forma mais eficaz de cada um se reencontrar e captar com exatidão a sua essência, mas é, acima de tudo, o retrato de uma América que poucos conhecem, tornada personagem principal do disco no rufar dos tambores que nos levam numa longa viagem pelo interior mais profundo de um país que, por muito moderno que seja, no dia em que renegar a sua essência mitológica, feita de apaches e yankees, perderá todo o sentido. E essa essência ganha vida tanto na tundra a norte, como nas longas pradarias a oeste, ou nos vastos desertos a sul, num universo imenso de tribos, crenças e cores que, de Nova Iorque a Los Angeles, passando pela Seattle de Jurado, está cheia de espaços vazios e estranhas personagens que parecem fantasmas cinzentos.

No meio dessa gente que vagueia numa América traumatizada pelo Iraque e que ora agarrada à crença inabalável nos drones, ora com receio de contar os seus sonhos mais íntimos ao telefone, Jurado é uma sombra, uma tecla de um piano, uma folha de vento que voa ao som de um dedo que se aconchega na corda de uma guitarra, é um fantasma do nosso melhor amigo que nunca mais vimos, um cronista desse território tornado, através destas canções, assentes quase sempre numa lindíssima folk acústica, na materialização da sua própria alma.

Ao contar o que lhe invade a alma, quando se refugia no vazio ou no estúdio mais próximo e reflete sobre a sua América, Jurado segura com todas as forças na viola e transforma-a na sua arma de destruição maciça predileta. Devidamente artilhado, despeja as munições em pleno território amigo, sedento por poder ajudar os seus conterrâneos, que vivem em estados de espírito que oscilam entre o conformismo e a esperança sem sentido, a conseguirem vislumbrar uma centelha de luz, que poderá estar na lindíssima voz que escorre em Silver Joy, a canção mais longa do disco, com um groove algo caribenho e dançante, mas também em Silver Donna e Silver Katharine e que mesmo quando é sintetizada em Jericho Road, insiste em professar que nele está a luz, o caminho, a verdade e a vida.

Brothers and Sisters of the Eternal Son é um compêndio de pequenas polaroides em preto e branco, um disco que condensa, em pouco mais de meia hora, sarcasmo feroz e melancolia, em doze canções que criam atmosferas quase transcendentais, com pitadas de psicadelismo, arranjos barrocos e espirituais, e por isso resultam em algo que garante sucessivas audições, por dias a fio. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Brothers And Sisters Of The Eternal Son

01. Magic Number
02. Silver Timothy
03. Return To Maraqopa
04. Metallic Cloud
05. Jericho Road
06. Silver Donna
07. Silver Malcolm
08. Silver Katherine
09. Silver Joy
10. Suns In Our Mind

 


autor stipe07 às 20:53
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Eels - Agatha Chang

À frente dos Eels, o norte americano Mark Oliver Everett, simplesmente conhecido como E, idealizou e deu vida a uma das mais interessantes e completas discografias do universo sonoro alternativo dos últimos vinte anos. Com uma média impressionante de lançamentos discográficos, os Eels viajaram pelo indie rock e pela pop acústica, cruzaram-se com a folk e chegaram mesmo a dar asas ao punk.

No próximo dia vinte e dois de abril chegará aos escaparates The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett, o décimo primeiro álbum dos Eels, um trabalho que verá a luz do dia por intermédio da E Works, a etiqueta do próprio E. Este disco sucede a Wonderful Glorious e à triologia Hombre Lobo (2009), End Times (2010) e Tomorrow Morning (2010) , de acordo com Agatha Chang,  o primeiro single divulgado do álbum, será o regresso dos Eels a uma sonoridade folk eminentemente acustica, melancólica e introspetiva. A canção é uma lindíssima balada, com notáveis arranjos de cordas que servem para ajudar a E a ir, mais uma vez, direto ao assunto sobre um dos seus temas prediletos, as questões do amor (I couldn’t bear to break up my old gang, But I should have stayed with Agatha Chang). Confere Agatha Chang e a tracklist de The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett.

 

1. Where I’m At
2. Parallels
3. Lockdown Hurricane
4. Agatha Chang
5. A Swallow in the Sun
6. Where I’m From
7. Series of Misunderstandings
8. Kindred Spirit
9. Gentleman’s Choice
10. Dead Reckoning
11. Answers
12. Mistakes of My Youth
13. Where I’m Going

Deluxe Edition 13 Track Bonus Disc
1. To Dig It
2. Lonely Lockdown Hurricane
3. Bow Out
4. A Good Deal
5. Good Morning Bright Eyes
6. Millicent Don’t Blame Yourself
7. Thanks I Guess
8. On The Ropes (LIVE WNYC)
9. Accident Prone (LIVE WNYC)
10. I’m Your Brave Little Soldier (LIVE WNYC)
11. Fresh Feeling (LIVE KCRW)
12. Trouble With Dreams (LIVE KCRW)
13. Oh Well (LIVE KCRW)


autor stipe07 às 19:11
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Domingo, 26 de Janeiro de 2014

Conheces os Agua Roja?

Os Agua Roja são November (voz), Benjamin Porraz (guitarra) e Clement Roussel (teclados), uma banda francesa natural de Paris. Chamaram-me a atenção por causa do soundcloud do grupo, onde é possível escutar e obter gratuitamente Summer Ends, Third Eye Vision e Troublemaker, as três canções já lançadas pelos Agua Roja.

Com um propósito certamente vintage, os três temas têm um groove com um certo clima tropical, que nos remete para os primórdios do surf rock e da indie pop, algures nas décadas de sessenta e setenta. Vale a pena ficar atento a futuros lançamentos destes Agua Roja. Confere...

 

 

 


autor stipe07 às 21:55
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Fanno Creek – Monuments

Os Fanno Creek são Quinn Mulligan, Evan Hailstone e Dane Brist, um trio de Portland, no Oregon, que aposta numa sonoridade ligeira e tipicamente folk. Monuments é o disco de estreia deste grupo norte americano, um trabalho que viu a luz do dia em dezembro de 2013 por intermédio da Sohitek Records.

Monuments é uma coleção de doze canções feitas com uma folk muito inspirada e liderada, quase sempre, pelo belíssimo jogo de vozes entre Quinn e Evan, sem dúvida uma das mais valias dos Fanno Creek. O single On My Way é um dos grandes destaques deste trabalho, um tema que nos remete para o universo de uns Fleet Foxes, uma canção com uma belíssima harmonia repleta de elementos pop, com palmas no momento certo e as cordas, a percurssão, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição.

Outro tema que também chama facilmente a nossa atenção é How Long, não só devido ao falsete da voz, mas também por causa da vibração da guitarra e de um baixo proeminente, que criam uma atmosfera sonora que nos remete para a década de sessenta. Mas a minha canção favorita é Trilithon, um tema que começa com uma simples guitarra e que depois se vai alicerçando numa bateria em contínuo crescimento e numa voz harmoniosa que, juntamente com o violino, confere à canção um ambiente muito nostálgico e emotivo, enquanto a banda canta I’ve seen death, and I’ve seen love, but all that I am thinking of, is dollar bills that I don’t have, it’s comfort in your clenching hands. Este é um bom exemplo de como as histórias contidas neste álbum fazem-nos sentir tudo aquilo que os Fanno Creek têm para nos contar, sobre o amor, a felicidade, o companheirismo ou simples desabafos.

Depois, ao longo do disco, além da instrumentação de base já referida, os trompetes, os metais, o violoncelo e o violino e alguns elementos sintetizados criam arranjos que enriquecem imenso Monuments e o fazem fluir para territórios que irão certamente unir todos aqueles que tanto apreciam uma folk, algures entre Neil Young e os Lumineers

É interessante ouvir Mountains e perceber que os Fanno Creek não tiveram receio de arriscar e buscaram uma simbiose de detalhes raramente ouvida nas propostas atuais. É uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e da eletrónica assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares. A banda impressiona pela simplicidade e rusticidade e demonstram que não é preciso ser demasiado extravagante e ousado para soar musicalmente bem. Têm um som honesto e despido de grandiosidade e é exatamente isso que faz deste Monuments um ótimo disco.

Uma das iniciativas mais peculiares que a banda para promover monuments foi a realização de uma espécie de caça ao tesouro; Espalharam em nove monumentos e locais emblemáticos de Portland um pacote com um exemplar de Monuments e outro material promocional, para que, quem quisesse, os procurasse, havendo algumas pistas no site oficial dos Fanno Creek. Espero que aprecies a sugestão...

Fanno Creek - Monuments

01. Overture
02. On My Way
03. Trilithon
04. How Long
05. Page
06. Bones
07. Body, Brain
08. Dead Wrong
09. Break In
10. Green Stones
11. Dream Song
12. What Am I Thinking

 


autor stipe07 às 14:02
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014

Solander - Monochromatic Memories

Naturais de Malmö, na Suécia, os Solander são Fredrik Karlsson e Anja Linna e Monochromatic Memories é o ,mais recente disco da dupla, editado este mês de janeiro por intermédio da A Tenderversion Recording. A banda estreou-se nos discos em 2009 com We Are Pigeons e depois de uma extensa digressão no ano seguinte, chegou, no inverno de 2011, Passing Mt. Satu, o segundo disco dos Solander, que projetou ainda mais este projeto, que tem na típica indie folk nórdica a sua pedra de toque.

Monochromatic Memories é pois, o terceiro disco de dois amigos da faculdade que resolveram fazer música juntos e que têm vindo progressivamente e de forma natural a tornar-se numa referência importante do cenário musical alternativo sueco. No início do processo de idealização de Monochromatic Memories a banda tinha em mente buscar inspiração em ambientes alegres e luminosos.No entanto, Fredrik e Anja viram-se envolvidos por um intenso sentimento de perca devido a um evento certamente relacionado com a partida de alguém querido para ambos e, por isso, não conseguindo abstrair-se dessa nova realidade, acabaram por compôr um trabalho intensamente nostálgico e que terá servido para carpir a mágoa.

All Opportunities, o segundo tema do alinhamento de Monochromatic Memories, será talvez a canção que melhor espelha toda esta ambiência à volta da gestação do disco. Gravado em Estocolmo com o produtor Christian Gabel, o tema alicerça-se num sintetizador e num violoncelo tocado por Anja, onde se deita a voz de Karlsson, sobre uma núvem espessa de dor e amoção. O mesmo sentimento é facilmente percetível em Preludium, desta vez com diversos arranjos de cordas a acentuarem a delicadeza do quase falsete de Karlsson.

Monday Afternoon e Black Rug são dois exemplos perfeitos do cariz mais folk deste trabalho e de uma clara aproximação à típica sonoridade dos conterrâneos Junip, algo a que não será alheio o facto de os Solander serem muito admirados por José González, tendo inclusivamente andado em digressão com a banda desse músico sueco.

Todas as canções de Monochromatic Memories que se destacam por uma preponderância da folk, assentam em arranjos bem feitos e que prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação do dedilhar da viola e da bateria com o órgão e com sons do tal violoncelo. Em Hey Wolf essa cumplicade entre teclas e cordas assume contornos de excelência e gera uma melodia que, com a voz incrivelmente bonita de Karlsson a pairar delicadamente sobre ela, cria uma canção pop simples e muito elegante.

Já na reta final do disco, não posso deixar de destacar o charme da viola que se escuta em London Marbles e na canção homónima, mais dois exemplos perfeitos de como restam poucas dúvidas que a música dos Solander, apesar das vicissitudes que rodearam o processo de criação de Monochromatic Memories, é fortemente influenciada pelas paisagens simultaneamente espetaculares e melancólicas de uma Suécia que viveu séculos de isolamento e dificuldades e onde reside uma população com traços peculiares de caráter, bem expressos na cândura orgânica e introspetiva das suas canções.

Em suma, a música dos Solander é feita de uma indie predominantemente acústica, com forte vínculo à folk moderna, mas onde também cabem detalhes e arranjos eletrónicos, que têm tanto de delicado e etéreo como de grandioso. Encontramos aqui dois músicos competentes na forma como abarcam diferentes universos dentro de um mesmo cosmos, que misturam harmoniosamente estilos, mas sendo este um álbum pop, em toda a sua elegância e sofisticação. 

Não custa imaginar estas músicas a serem compostas em dias curtos e longas e frias noites, onde terá sido intensa e constante a procura de harmonias o mais doces e transparentes possíveis. Com tantas bandas e artistas a fazer atualmente a dita indie folk, é refrescante encontrar alguém que o faz de forma diferente e com músicas profundas e poderosamente bem escritas. Espero que aprecies a sugestão...

1. The Woods Are Gone
2. All Opportunities
3. Monday Afternoon
4. Preludium
5. Black Rug
6. Hey Wolf
7. Social Scene
8. London Marbles
9. Monochromatic Memories
10. Lighthouse


autor stipe07 às 21:57
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Built To Spill - Jokerman (Bob Dylan cover)

Bob Dylan - "Jokerman"

Os Built To Spill são uma das bandas fundamentais do universo sonoro alternativo das últimas décadas e um dos nomes presentes no alinhamento de Bob Dylan In The 80s: Volume One, um disco de tributo ao lendário cantor e compositor. Essa coletânea de versões de nomes tão importantes como Keer Trick, Reggie Watts, Elvis Perkins, incide, como o título indica, sobre a discografia de Dylan dos anos oitenta, principalmente o período em que gravou Infidels e se afastou do cristianismo para voltar a abraçar o judaísmo.

Jokerman fazia parte do alinhamento de Infidels e os Built To Spill ofereceram toda a sua clássica potência sonora à versão que fizeram deste tema, disponível gratuitamente.

Bob Dylan In The ’80s: Volume One chega ao mercado a vinte e cinco de março, através da Ato Records. Confere...


autor stipe07 às 10:33
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Terça-feira, 21 de Janeiro de 2014

Warpaint - Warpaint

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa estão de regresso com Warpaint, um título feliz para batizar o segundo disco da banda, já que, tendo em conta o seu conteúdo, este parece ser um trabalho que vem mesmo do interior da alma mais sincera e verdadeira das Warpaint, quatro miúdas que se enfiaram vários meses numa pequena casa para darem  à luz doze canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora. Joshua Tree é o nome de uma região desértica na costa oeste dos Estados Unidos da América e onde fica essa tal casa, um local batizado com esse nome por mórmons que acreditavam que as abundantes árvofres que aí existiam eram um sinal de Joshua indicando a terra prometida aos pioneiros que aí chegavam no século XVIII.

As Warpaint fugiram de uma Los Angeles artificial e onde grande parte da população vive uma vida inteira na ilusão de que nessa cidade dos anjos está a terra prometida onde relizarão todos os sonhos para, no contacto com a verdadeira natureza, criarem este belíssimo trabalho, o sucessor de The Fool, o álbum de estreia e que também tinha visto a luz do dia por intermédio da Rough Trade.

O imenso deserto de Joshua Tree foi o local perfeito para as Warpaint livrarem-se de todas as más influências e criarem algo genuíno. Com a ajuda de Flood, um mestre em retirar o melhor do verdadeiro espírito de uma banda, algo que nomes tão importante como os Sigur Rós, Nick Cave ou PJ Harvey podem comprovar, as quatro miúdas deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta mais negra e obscura do que a estreia, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Os acordes iniciais de Warpaint são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi. Esta evidência desarma completamente as Warpaint e além de, sem qualquer ponta de machismo, eu considerar que as envolve numa intensa aúrea sexual, despe-as de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, que as poderia envolver, para mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade das quatro.

Warpaint é tudo menos um disco igual a tantos outros ou comum. Love Is To Die , single já retirado do disco, destaca-se pelo frenesim que o baixo e a bateria impôem, num combate de notas agudas e graves que espelham a aparente dicotomia que a letra transmite (Love is to die, Love is to not die, Love is to dance) cantada em jeito de lamúria ou desabafo.

Feitas as introduções, é aqui que o disco começa a aquecer e a mostrar vida própria e independente. Ouve-se ecos da negrura de projectos recentes como Esben & the Witch. Ouve-se Cocteau Twins. Ouve-se Portishead e Massive Attack. Teese, canção que recebe o alívio de uma guitarra acústica, chega a parecer Radiohead. Ouve-se estranheza, ouve-se escuridão. Ouve-se harmonias de vozes de outro planeta, já características do quarteto norte-americano. Mais à frente ainda, há The XX na guitarra e no baixo. Há sensualidade numa Disco//Very que nos faz imaginar um quarteto de mulheres emancipadas a abanar as ancas num qualquer anúncio de moda.

Em suma, Warpaint é para a banda, depois de um disco de estreia que obrigou a uma digressão desgastante com mais de dois anos, um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a paisagem que as rodeou durante o período de gestação.

As Warpaint põem à prova o novo álbum ao vivo na Aula Magna, a um de Março. Espero que aprecies a sugestão...

Warpaint - Warpaint

01. Intro
02. Keep It Healthy
03. Love Is To Die
04. Hi
05. Biggy
06. Teese
07. Disco//Very
08. Go In
09. Feeling Right
10. CC
11. Drive
12. Son


autor stipe07 às 21:10
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

You Can't Win Charlie Brown - Diffraction / Refraction (inclui entrevista)

Depois do sucesso alcançado em 2011 com Chromatic, o disco de estreia e a recriação ao vivo dos Velvet Underground, no final de 2012, o coletivo You Can't Win Charlie Brown regressou hoje, dia vinte de janeiro, aos lançamentos discográficos com Diffraction / Refraction, o segundo disco desta banda formada por Tomás Sousa (bateria) Afonso Cabral (voz, piano e guitarras), Salvador Menezes (voz, guitarra acústica e baixo), David Santos (voz, teclados, metalofones), Luís Costa (guitarra eléctrica) e João Gil (guitarra acústica e teclados). Diffraction / Refraction foi gravado, à semelhança do disco de estreia, nos estúdios da Pataca Discos, produzido pelos próprios You Can't Win Charlie Brown, misturado por Luís Nunes (Walter Benjamim) e masterizado por Rafael Toral. Confere..

Com tantas bandas e artistas a fazer atualmente lá fora a dita indie folk, é refrescante encontrar por cá alguém que o faz de forma diferente e com músicas profundas e poderosamente bem escritas. Diffraction / Refraction é um disco que logo, desde o início, não dá tempo para recuperar o fôlego. E tal não sucede por ser demasiado frenético; Até há momentos de pausa, contemplação, de sossego e de melancolia, esta muitas vezes quase absurda. Tal sofreguidão deve-se antes à consistência com que, música após música, somos confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas.

A belíssima canção que abre o trabalho chama-se After December e é já um dos singles retirados do álbum; Já reconhecida por cá como uma das canções maiores do ano, é feita de infecciosas harmonias vocais e uma melodia magistral. Fall For You segue noutra direção devido ao piano e à batida sintetizada e a forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que os Air adoravam ter incluido em Moon Safari, proporcionando ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto.

Pouco depois somos confrontados com o sentido quadro sonoro, feito de quatro minutos pintados com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que é Be My World (recomendo vivamente o video desta canção, realizado pelo baterista, Tomas Sousa, que, de acordo com o grupo serve para antecipar as múltiplas atmosferas que poderemos vislumbrar em Diffraction / Refraction) e ficamos então com a certeza que os You Can't Win Charlie Brown atingiram a excelência com este disco, onde nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e que sabem melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, como fica bem evidente no crescendo da canção, algo plasmado com igual evidência em Shout, uma canção um pouco sombria, mas simultâneamente festiva e com a voz incrivelmente bonita de Afonso a pairar delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante. Já agora, neste disco todos os elementos da banda cantam, mas é a voz do Afonso a que mais se escuta. Pelo meio, I Wanna Be Your Fog poderia ser usada como música padrão para definir a indie acústica bem feita. Mais para o fim, também fiquei impressionado com a percurssão de Natural Habitatpor ter uma sonoridade que contrasta, algo inesperada e com uma letra que, de acordo com a minha interpretação pessoal, fala de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo.

Diffraction / Refraction é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos You Can't Win Charlie Brown para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que eles combinam com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. No que diz respeito à escrita, uma espécie de fantasmagoria impregna a poesia das canções, por isso Diffraction / Refraction recordou-me também tempos idos, sonhos e aquelas pessoas especiais que não estão mais entre nós, mas que ficaram fotografadas por uma máquina em tudo semelhante à da capa na nossa memória.

Pessoalmente, os You Can't Win Charlie Brown, provocaram em mim um efeito devastador e senti este álbum como uma espécie de disco híbrido perfeito. Convido-te a conferires a entrevista que a banda me concedeu e espero que, tal como eu, também aprecies esta sugestão...

1 - After December
2 - Fall For You
3 - Post Summer Silence
4 - Be My World
5 - I Wanna Be Your Fog
6 - Shout
7 - Natural Habitat
8 - Heart
9 - From Her Soothing Mouth
10 - Under
11 - Won’t Be Harmed

Depois do sucesso alcançado em 2011 com Chromatic, o disco de estreia e a recriação ao vivo dos Velvet Underground, no final de 2012, regressam aos lançamentos com Diffraction / Refraction. Começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para este novo trabalho?

Luís Costa: Bom, as expectativas são mais ou menos sempre as mesmas… que as pessoas gostem e se identifiquem com as músicas, e idealmente que reconheçam alguma evolução em relação ao álbum anterior.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de Diffraction / Refraction uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido, ainda mais quando parece que houve da vossa parte, pelo que já li, uma tentativa de soarem um pouco mais simples e diretos do que em Chromatic. No fundo, em termos de ambiente sonoro, que idealizaram para o álbum inicialmente? E o resultado final correspondeu ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

L.C. Houve uma tentativa consciente de tentar não “sufocar” as músicas com demasiados arranjos e deixá-las respirar, mas essa preocupação na verdade só surgiu mais perto do final do processo. Talvez o que tenha contribuído mais para os arranjos parecerem mais controlados em relação ao Chromatic, foi o facto de que já nos conhecemos melhor agora, sabemos qual o espaço que cada um ocupa musicalmente e por consequência as músicas já foram compostas e construídas com isso em mente. No 1º álbum ainda havia aquela urgência de querermos mostrar o que conseguíamos fazer, todos queríamos tocar tudo. Neste houve uma maturidade diferente e penso que isso se reflectiu numa melhor arrumação dos arranjos em cada tema.

 

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, quer orgânica, quer eletrónica, e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos e depois existe um processo de agregação?

L.C. O nosso processo de composição parte sempre de uma ideia base de alguém, a única coisa que varia é o grau de desenvolvimento dessa ideia quando é apresentada ao resto da banda. Nalguns casos podem ser só uns riffs que são depois trabalhados por todos, noutros a ideia já vem perfeitamente consolidada e os restantes só adicionam pormenores. No passado trabalhámos muito via internet, cada um gravava as suas partes em casa e depois enviava para os outros, mas neste álbum o processo foi muito mais presencial, o que na minha opinião também contribuiu para uma maior consistência das músicas.

Acho que até hoje ainda nunca compusemos uma música todos juntos no ensaio, mas já falámos que no próximo álbum gostaríamos de tentar isso, a ver vamos.

 

De acordo com vocês, o vídeo de Be My World serve para antecipar as múltiplas atmosferas que poderemos vislumbrar em Diffraction / Refraction, que foram concebidas, desenhadas e realizadas pelo baterista da banda, Tomás Sousa. Há aqui, neste novo trabalho, algo mais pensado do que apenas a simples composição musical, nomeadamente a ideia de editar algum tipo de animação em conjunto com a música, quer noutros singles deste trabalho, quer no futuro discográfico do grupo?

L.C. Não, não pensámos tão longe. O Tomás trabalha na área de design e quando estávamos a trocar ideias sobre o que poderia ser o vídeo, ele ofereceu-se para experimentar fazer o vídeo com animação em 3D. Acho que no fundo foi um desafio que ele se quis auto-impôr, e que felizmente para nós resultou muito bem com a música.

 

A apresentação de Diffraction / Refraction irá ocorrer no Centro Cultural de Belém a dezoito de janeiro. Há surpresas prensadas e preparadas? E o alinhamento do concerto vai também passear por Chromatic?

L.C. Acho que a surpresa é não haver grandes surpresas! Vamos simplesmente tentar os 6 recriar as músicas do Diffraction o melhor que conseguirmos, e também iremos revisitar algumas do Chromatic e do nosso primeiro EP.

 

Diffraction / Refraction foi produzido pela própria banda. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?

L.C. Surgiu com alguma naturalidade, porque quando partimos para estúdio já tínhamos uma ideia muito definida do que pretendíamos. A melhor maneira de conseguirmos isso era assumir as rédeas, não fazia sentido delegar essa tarefa.

 

Depois de ter apreciado imenso a extravagante capa de Chromatic, confesso que fiquei particularmente surpreso com a simplicidade do artwork de Diffraction / Refraction. Como surgiu a ideia e que câmara fotográfica é aquela?

L.C. O artwork é um trabalho conjunto de muita gente. Falámos com o Pedro Gaspar, que já tinha feito a capa do Chromatic, e demos-lhe bastante liberdade. Em conversa com o João Paulo Feliciano, eles lembraram-se de usar obras do Rui Toscano (artista que também partilha o espaço onde gravámos o disco).  O universo dele encaixava naquilo que nós sentiamos quando ouviamos o disco (e neste nós incluem-se o Pedro e o João Paulo). Fez nos tanto sentido que até foi a capa que inspirou o nome do disco.

 

Adoro a canção I Wanna Be Your Fog. Os You Can’t Win Charlie Brown têm um tema preferido em Diffraction / Refraction?

L.C. Acho que cada membro tem um tema preferido diferente, e mesmo esse provavelmente varia consoante os dias. A beleza deste álbum para mim é que tem uma variedade de ambientes bastante grande, portanto há uma música para cada estado de espírito. Neste momento a minha preferida é a Won’t be harmed, mas amanhã já pode ser uma diferente.

 

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

L.C. O Afonso viveu muito tempo no estrangeiro, portanto o Inglês é quase tão natural para ele quanto o Português. Penso que isso, aliado ao facto da maioria das suas influências serem bandas anglo-saxónicas, fez com que naturalmente escrevesse em Inglês. Foi algo que nunca sequer discutimos entre nós, pessoalmente é-me um bocadinho irrelevante a língua em que se canta, o que me interessa é o sentimento com que se canta. Por isso é que me consigo identificar com as músicas dos Sigur Rós, por exemplo, apesar de não fazer ideia do que estão a dizer.

 

Atualmente a Pataca Discos do João Paulo Feliciano é a casa de alguns dos nomes fundamentais do universo sonoro musical nacional. É importante para vocês pertencer a esta família que vai do jazz, ao fado, passando pela pop e pela eletrónica, ainda mais quando se prepara para abrir uma loja digital e estabelecer uma parceira com a PIAS?

L.C.: A Pataca tem sido a nossa casa desde praticamente o início, inevitavelmente acaba quase por se tornar como uma família, sim. Ainda por cima a maior parte dos artistas ligados à Pataca já conhecíamos de uma forma ou de outra, portanto fica tudo entre amigos.

O mais importante de pertencer à Pataca tem sido o termos acesso a condições de gravação excepcionais que noutras circunstâncias seria perfeitamente impossível, e acima de tudo termos a  liberdade de fazermos o que queremos musicalmente sem condicionantes, temos de agradecer ao João Paulo Feliciano pela confiança que sempre depositou em nós.

 

 

O que vos move é apenas o rock, a folk e a indie pop experimental ou gostariam ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos You Can’t Win Charlie Brown?

L.C. É bastante difícil de prever uma coisa dessas, porque todos ouvimos coisas muito diferentes e os gostos estão sempre a mudar. Arrisco dizer que não será um álbum de kuduro-progressivo, mas nunca se sabe… ;)

 

Quais são as três bandas atuais que mais admiram?

L.C.: Só 3? impossível! :) Mas posso-te dizer as últimas descobertas que fiz e que mais me impressionaram: os Torto, Three Trapped Tigers e a Chelsea Wolfe.

 

Não posso terminar esta entrevista sem vos questionar sobre outro assunto. Com que marcas ficou a banda da recriação do álbum clássico Velvet Underground & Nico? Como foi trabalhar para aquelas músicas e se de algum modo esse trabalho influenciou o conteúdo de Diffraction / Refraction?

L.C. Musicalmente não podemos dizer que nos tenha influenciado directamente, mas provavelmente acabou por influenciar no método de composição. Foi nas sessões de preparação para os Velvet que começámos a juntarmo-nos presencialmente para trabalhar numa ideia base que alguém trazia, e depois cada um ia inventando e gravando as suas partes na hora. Essa maneira de compor acabou por se transpôr para as sessões de pré-produção do Diffraction.


autor stipe07 às 21:13
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