Segunda-feira, 21 de Novembro de 2016

Foreign Fields – Take Cover

Eric Hillman, Brian Holl, Nathan Reich, Nate Babbs e Clayton Fike, são os Foreign Fields, uma banda norte americana natural de Nashville que se tem notabilizado desde 2012 com uma consistente série de eps, construídos com fino recorte e indesmentível bom gosto. Take Cover, o primeiro longa duração do grupo, assume-se como o lógico passo em frente de um já glorioso percurso, assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.

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Logo na inquietude quase impercetível de I Killed You In The Morning percebe- se que há uma espécie de sonambulismo retemperador na música destes Foreign Fields, como se o mundo em redor se estilizasse e ficasse estático e perene, perante este incitamento automático à reclusão e à reflexão profunda. Logo depois, no single Dry, perante o desfilar harmonioso de cordas, teclas e batidas, que ora planando ora se enterrando chão dentro direitinho ao nosso âmago e que carregam consigo uma folk muito introspetiva e tremendamente reflexiva, consegue-se, em simultâneo, obter uma corajosa epicidade e um incomensurável torpor, algo musculado, mas que nos oferece uma sensação de segurança de difícil catalogação.

E assim arranca este Take Cover, um disco onde se escutam alguns arranjos e detalhes muito simples, mas também cavidades intrincadas de sons das mais variadas proveniências e cores, feitas quase sempre com instrumentos de percurssão, teclados e harmónicas, elementos que nos levam ao colo numa viagem intimista pelos caminhos rugosos de uma América sulista, que preza valores e tradições e não aquela América feita apenas com o caos das metrópoles gigantescas, cheias de luzes, néons e cor, mas às vezes também com locais muito escuros e sombrios.

Esta é, no fundo, uma pop suculenta, que por ter uma fácil assimilação, não significa que seja rarefeita, minimal, ou desprovida de ingredientes faustosos, encontrando o seu lado delicioso e atrativo exatamente no modo como conjuga todo um requinte instrumental, à medida que desfila um derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição de emoções intrínsecas.

Se vontade faltar para mais, deixemo-nos ficar apenas e sós pelo piano e pelo falsete de Weeping Red Devil, criado para expiar pecados mas também para comungar com o ouvinte os prazeres que experimenta, para percebermos como vale a pena descobrirmos que este disco oferece-nos gratuitamente um exercício de aceitação plena de um estado de consciência sobre uma vida em constante rebuliço, mas constante no modo como lida com os diferentes sentimentos e emoções de uma América campestre, um pouco fechada sobre sim mesma e o seu passado, que muitas vezes parece ter parado há várias décadas no tempo, hoje numa autêntica encruzilhada, mas que não deixa também de ser muito luminosa e acolhedora. Espero que aprecies a sugestão...

Foreign Fields - Take Cover

01. Tangier
02. I Killed You In The Morning
03. Dry
04. I
05. Weeping Red Devil
06. Grounded
07. In Love Again
08. We Live Inside
09. Take Cover
10. Correct Me
11. Hope Inside The Fire
12. When You Wake Up


autor stipe07 às 22:20
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016

Cultural Lungs - Fortress

Com uma guitarra na mão e um universo infinito de possibilidades de escrita e composição na outra, Cássio Ferreira é o grande mentor do projeto musical Cultural Lungs, nascido em 2005 e que, de acordo com várias descrições, soa a Hans Zimmer a tentar encorajar os Radiohead a ultrapassar uma depressão. Independentemente dessa ideia e do modo como a mesma poderá, desde logo, balizar na nossa mente o conteúdo sonoro de Fortress, o mais recente disco deste projeto, o importante é, à partida, esclarecer que este não é um alinhamento para ser escutado sem a noção clara que Fortress é um álbum concetual sobre a história da humanidade e que a escolha do modo como se escutam os temas, define o final da mesma.

Nos pouco mais de quarenta minutos deste álbum escorrem dezoito canções que encontram nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão de sentimentos e emoções que impressionam, uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Logo em Prologue uma voz feminina bastante sedutora e apelativa, dá-nos as boas vindas a esta viagem, que promete ser única, com a crueza das cordas de Glass a esclarecer-nos, no imediato, do elevado grau de pureza e de delicadeza deste autor, que em Walls consegue, num abrir e fechar de olhos, levar-nos do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, cruzado com rock progressivo, uma mistura que encontra o seu sustento nas teclas de um piano carregado de um intenso charme e que parece também não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este tema representa.

De aí em diante, enquanto cada canção segue um encadeamento e continua o ideário transmitido pela anterior, Cássio vai continuando a oferecer-nos um naipe riquíssimo de imagens evocativas, que depois sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico cuja filosofia subjacente prova a sensibilidade do mesmo para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Se Room levita em redor de uma névoa lo fi com um fulgurante travo acústico à mistura, já People e Mask são duas peças sonoras eminentemente contemplativas e que oferecem-nos uma espécie de monumentalidade comovente, enquanto Fear e Voice mostram-nos um lado mais solar e extrovertido, algo que sucede em ambos com elevado sentido melódico e uma vincada estética pop.

Com alguns dos temas acima referidos, assim como outros, a terem direito a uma segunda versão, nasegunda metade do álbum, competindo a cada ouvinte, como referi, selecionar que percurso ousa trilhar nesta viagem, Fortress contém um tempero muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimentos, eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atingem à boleia deste músico um estado elevado de consciência e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:24
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2016

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Until The Hunter

Uma das parcerias mais interessantes que surgiu recentemente na penumbra do universo sonoro indie intitula-se Hope Sandoval And The Warm Inventions e junta Hope Sandoval, icónica vocalista dos Mazzy Star e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. Há já um disco de estreia, intitulado Until The Hunter, que viu a luz do dia a quatro de novembro, através da Tendril Tales, a editora de Hope Sandoval e nele esta dupla oferece-nos uma belíssima viagem lisérgica, patente na instrumentação que se deixa conduzir pelos trilhos sónicos de uma guitarra, elétrica ou acústica, e pela complacência de uma bateria charmosa, tudo embrulhado em letras de acordo com as propostas mais intimistas dos grupos de origem dos mentores deste projeto e onde Let Me Get There, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kurt Vile, se assume como momento maior de um enredo de particularmente atrativo e com um charme muito próprio.

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A folk de cariz mais etéreo e intimista, com aquele pendor feminino tão específico e sui generis, é o eixo principal de Until The Hunter, mas algumas das novas tendências da eletrónica mais ambiental, que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios, também tem papel de relevo e logo em Into The Trees, nove nebulosos minutos particularmente hipnóticos e submersivos. Quem se deixar levar por esse pendor inicial e achar que o restante alinhamento segue essa bitola, surpreender-se-á, logo de imediato, com a soul do efeito da guitarra que plana sobre as cordas e a voz incomensuravelmente doce de Sandoval em The Peasant, assim como com os resquícios da dita chamber folk presentes no dedilhar da viola de A Wonderful Seed e de The Hiking Song.

A partir daqui já não restam dúvidas que este é um disco de fervura lenta, para ser apreciado lentamente, de modo sossegado e intimista. Se a já referida Let Me Gett There e Day Disguise nos oferecem aquela pureza típica de uma primaveril manhã solarenga em que o único propósito que se apresenta diante de nós é um cadeirão de baloiço no alpendre em frente ao jardim lá de casa, já o efeito da guitarra de Treasure pede uma lareira quente, enquanto Salt Of The Sea e Liquid Lady nos colocam ao fundo de um balcão de um bar boémio e fumarento, em final de noite particularmente bem regada.

Until The Hunter sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, às vezes perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de canções com um travo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. É um alinhamento que marca um início de percurso nos discos imperdível e claramente inspirado de um projeto no panorama musical atual. Espero que aprecies a sugestão...

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Until The Hunter

01. Into The Trees
02. The Peasant
03. A Wonderful Seed
04. Let Me Get There
05. Day Disguise
06. Treasure
07. Salt Of The Sea
08. The Hiking Sea
08. Isn’t It True
10. I Took A Sip
11. Liquid Lady


autor stipe07 às 20:11
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2016

The Shins – Dead Alive

The Shins - Dead Alive

Sem dar sinais de vida desde a contribuição em 2004 para a banda sonora do filme So Now What, os The Shins de James Mercer estão de regresso com Dead Alive, uma canção lançada em pleno halloween e que prepara terreno para um novo registo de originais, que deverá ver a luz do dia em 2017.

Dead Alive serve-se de uma já forte referência do nosso quotidiano para construir o panorama lírico de uma canção que pende ora para a folk, ora para a indie pop mais adocicada e acessível, aspetos possibilitados por uma instrumentação radiante, com a possibilidade de constatarmos que Mercer continua a alcançar elevados parâmetros e patamares de qualidade na sua intepretação vocal. Confere...


autor stipe07 às 18:52
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2016

Noiserv - 00:00:00:00

Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra, adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's Therehavendo, a partir de amanhã, mais um compêndio de canções para juntar a esta lista. Refiro-me a um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mesmo para o próprio autor, após uma fatalidade originada por um jogo de basquetebol no ocaso do último inverno e que limitando fisicamente Noiserv, devido à fratura de um pé, conduziu-o para a frente das teclas de um piano. Ficaram, assim, lançados os dados para este novo registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

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Descrito como a banda sonora para um filme que ainda não existe, mas que pode muito bem servir de mote para um nosso, desde que o queiramos, 00:00:00:00 é uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco, fornecendo-nos inspiração para os filmes que na nossa mente podemos, com elas, produzir. E este é o atributo maior de um trabalho oposto do seu antecessor, que era feito de longos títulos e sonora e visualmente bastante colorido e diversificado, por ser instrumentalmente sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, muitos deles autênticos brinquedos e porque graficamente também obedecia a essa premissa. 00:00:00:00 é absolutamente minimal, incrivelmente simples, estupendamente crú e, por isso, aberto e (de outro modo) desafiante no modo como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida. 

Assim, se Almost Visible Orchestra contava histórias, algumas delas inspiradas em eventos reais, fazendo-o de modo concreto e incrivelmente realista, agora Noiserv sobe um patamar acima no arrojo que coloca no modo como se quer relacionar com os seus seguidores, oferecendo-lhes o inesperado, algo que à primeira audição parece o oposto daquilo a que sempre os habituou. Mas o que ele realmente faz é, obedecendo à filosofia conceptual da sua carreira e, certamente, da sua personalidade, que sempre buscou, deliciosamente, a melancolia, os afetos, a emotividade, a saudável ingenuidade genuína e o louvor do bem e do encontro da felicidade concreta através da experimentação do bem comum, desafiar-nos a darmos-lhe as mãos e sermos nós também, através da audição deste disco, construtores e definidores deste ideário, imaginando as tramas e a mensagem subjacente a cada um destes oito temas, cujos títulos podem muito bem ser o numeral referente a cada um dos takes por nós idealizados.

É curioso constatar o acerto temporal em que 00:00:00:00 chega aos escaparates, fazendo-o em pleno outono tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós e perante quem comungue connosco todo o calor que, potencialmente, este alinhamento contém e que o inverno prestes a chegar certamente exigirá e agradecerá que seja vivido.

Confesso que já me apropriei de Sete, o meu número preferido, um doce e tocante instrumental, com um imenso travo a melancolia, perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de um lindíssimo piano, para primeira cena do meu filme. Convido-vos a fazerem o mesmo e a deixarem-se levar, sem reservas, por este universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, que marca um regresso aos discos imperdível e claramente inspirado de um músico, intérprete e compositor único no nosso panorama musical. Lá no alto, sei que alguém já o faz. Espero que aprecies a sugestão...

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Três

Sete

Seis

Quinze

Onze

Vinte e Três

Catorze

Dezoito


autor stipe07 às 21:09
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016

You Can't Win, Charlie Brown - Marrow

Marrow é um vegetal parente da courgette, cultivado nas ilhas britânicas, na Holanda e na Nova Zelândia e agora também o título do novo registo de originais dos extraordinários You Can't Win, Charlie Brown de Afonso Cabral (voz, teclas, guitarra), Salvador Menezes (voz, guitarra, baixo), Tomás Sousa (bateria, voz), David Santos (teclas, voz), João Gil (teclas, baixo, guitarra, voz) e Luís Costa (guitarra). Gravado no HAUS, por Fábio Jevelim, Makoto Yagyu e Miguel Abelaira e misturado por Luís Nunes, também conhecido por Benjamim, colaborador de longa data dos You Can't Win, Charlie Brown, Marrow é um sentido conjunto de quadros sonoros pintados com belíssimos arranjos de cordas, sintetizadores capazes de fazer espevitar o espírito mais empedernido e imponentes doses eletrificadas de fuzz e distorção, que se saúdam amplamente, tudo adornado por uma secção vocal contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto e proximidade.

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Com tantas bandas e artistas a ditar cada vez mais novas tendências no indie rock, é refrescante encontrar por cá alguém que o faz de forma diferente e de modo profundo, intenso e poderosamente bem escrito, ainda por cima depois de os You Can't Win, Charlie Brown terem calcorreado territórios sonoros mais acústicos e introspetivos, em trabalhos anteriores. Assim, se a groove vibrante e profundamente orgânica de Above The Wall, o tema que abre Marrow, mal dá tempo para recuperar o fôlego, logo depois, canções como a solarenga e festiva Linger On, a rockeira e sumptuosa Pro Procrastinator e, num registo mais melancólico e introspetivo, a cadência lancinante de Mute, escancaram-nos um mundo inédito, cujos códigos e fechaduras só os You Can't Win, Charlie Brown conhecem, mas que anseiam por partilhar com todos nós. E tal só sucederá eficazmente se estivermos sedentos de sensações revigorantes e reflexivas, já que este coletivo socorre-se continuamente de imagens evocativas, que depois sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico cuja filosofia subjacente prova a sensibilidade dos You Can't Win, Charlie Brown para expressarem pura e metaforicamente a fragilidade humana.

Até ao ocaso de Marrow continua a desfilar um rol imenso de sensações, vivências, confissões, avisos, ordens e conselhos, um glossário abrigado sonoramente em influências que tendo o rock experimental como génese, abastecem-se da psicadelia setentista, audível na intrincada Joined By The Head e na majestosa Bones, mas também da eletrónica dos anos oitenta, exemplarmente documentada na alegoria pop extravagante e irresistivelmente dancável de If I Know You, Like You Know I Do e ainda, aqui e ali, nos primórdios da surf pop, do jazz e da querida folk, imponente nas cordas iniciais e nos coros de In The Light There Is no Sun, canção que vai do recanto escuro mais seguro do nosso aconchego à nuvem de algodão com melhor vista que adorna o céu onde cabem todos os nossos sonhos.

Marrow escuta-se num ápice e não deixa ninguém indiferente! Mexe, espicaça, suscita um levantar de poeira que depois não se resolve de modo a que no fim assente pedra sobre pedra e exala uma curiosa sensação de sofreguidão, porque se quer ouvir sempre mais e mais e ficar ali, preso neste mundo dos You Can't Win, Charlie Brown, consistentes e esplendororos no modo como, música após música, conceptual e criativamente nos confortam e desassossegam com melodias maravilhosamente irresistiveis e onde é muito ténue a linha que separa o positivamente irascível do enigmaticamente ternurento. Espero que aprecies a sugestão...

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1 – Above The Wall

2 – Linger On

3 – Pro Procrastinator

4 – Mute

5 – If I Know You, Like You Know I Do

6 – In The Light There Is No Sun

7 – Joined By The Head

8 – Frida (La Blonde)

9 - Bones

 


autor stipe07 às 17:17
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016

Ultimate Painting – Dusk

Editado a trinta de setembro por intermédio da Trouble In Mind Records, Dusk é o terceiro disco da carreira dos Ultimate Painting, uma dupla inglesa formada por Jack Cooper e James Hoare, habituais colaboradores dos Mazes e de Veronica Falls e que contou com a participação especial de Melissa Rigby na bateria, na gravação de um compêndio que sucede a um registo homónimo de estreia e ao muito aclamado álbum Green Lanes, editado o ano transato.

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Os Ultimate Painting assumem-se claramente como uma banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, algo que ficou muito claro logo na estreia com Ultimate Painting. Em Green Lanes aprimorou-se a mistura com as guitarras e soou ainda melhor esta vontade da dupla em ser exímia na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja. Assim, os Ultimate Paiting começam a distinguir-se pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor com um certo toque psicadélico, cobertas, neste caso, por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. E a verdade é que temas como o excelente single Bills, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, o piano ternurento de Lead The Way ou a luminosidade melódica algo inebriante de Skippool Creek permitem-nos, com uma certa clareza, refletir sobre tão nobre sentimento e tudo aquilo que de bom tem para nos oferecer, enquanto percebemos os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e esculpindo as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Em Dusk vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. Neste disco, os Ultimate Paiting avançam em passo acelerado em direção à maturidade, de um modo extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retratam sonoramente eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro. Espero que aprecies a sugestão...

Ultimate Painting - Dusk

01. Bills
02. Song For Brian Jones
03. A Portrait Of Jason
04. Lead The Way
05. Monday Morning, Somewhere Central
06. Who Is Your Next Target?
07. Skippool Creek
08. I’m Set Free
09. Silhouetted Shimmering
10. I Can’t Run Anymore


autor stipe07 às 19:25
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2016

Bon Iver - A Million

Cinco anos após um excelente homónimo, já chegou aos escaparates e à boleia da Jagjaguwar, A Million, o novo compêndio de canções de Justin Vernon aka Bon Iver. São dez canções que resultam da necessidade instintiva deste extraordinário músico de criar e inovar, simultaneamente, sem ter a pressão de recuperar tempo perdido e assim apresentar ao mundo uma coleção de canções que apenas pecam por esta longa espera e por terem estado tanto tempo escondidas no âmago do seu autor.

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22 (OVER S∞∞N) e 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠ são dois temas que impressionam pelo ambiente introspetivo e reflexivo que encerram e transportam uma aparente ambiguidade sonora fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a folk e a pop mais experimental e a pura eletrónica, duas canções que não terão sido escolhidas ao acaso para abrirem o alinhamento de A Million, já que marcam uma nova rota estilística inédita no cardápio de Bon Iver, parecendo ter sido embaladas num casulo de seda, da autoria de um verdadeiro trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker e aquela espiritualidade negra que se escuta com invulgar fluidez.

Se os dois temas anteriormente referidos impressionam os seguidores e admiradores mais puristas deste músico, escuta-se o excelente trabalho vocal de 715 – CR∑∑KS e o modo como cresce a miríade de efeitos que replicam sons naturais na contemplativa 33 “GOD” e percebe-se que este não é um disco comum, mas um acontecimento cuja audição deveria estar ao alcance do mais comum dos mortais e fazer parte das suas obrigações diárias, como receita eficaz para a preservação da sua integridade sentimental e espiritual, duas das facetas que, conjugadas com a inteligência, nos distinguem a nós humanos, dos outros animais. Estas duas canções iniciais e a folk benevolente de 29 #Strafford APTS são também um excelente contributo para analisar a música de Bon Iver do ponto de vista da sua voz, um elemento fulcral da sua criação artística; Ela é em A Million um fio condutor das canções, seja através do seu habitual falsete, ou através de um registo sussurrante, ou ainda de uma performancevocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes, casando com as cordas, contrasta com a natural frieza das batidas digitais, porque expondo-se à boleia de uma folk intimista e sedutora, esta não sobrevive isolada e ganha, ao terceiro álbum, uma dimensão superior ao abrigar-se num arsenal de sintetizadores que incorporam a densidade e a névoa sombria que a sua música agora exige e que em 8 (circle) ganha contornos superiores de magnificiência e majestosidade.

Esta abordagem mais maquinal e sintetizada de Bon Iver relativamente à música que cria é obra de alguém decididamente apostado em compôr música com bom gosto e diversidade e, de forma subtil, criar um ambiente muito próprio e único através da forma como o sustenta instrumentalmente, ao privilegiar também, no universo da folk, uma abordagem inédita. à luz desta nova concepção melódica e instrumental A Million vive de um certo cruzamento espetral e meditativo, um registo que espelha a elevada maturidade dos autor e a natural propensão do mesmo para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, enquanto replica alguns dos melhores detalhes da folk contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Bon Iver - 22, A Million

01. 22 (OVER S∞∞N)
02. 10 d E A T h b R E a s T ⚄ ⚄
03. 715 – CR∑∑KS
04. 33 “GOD”
95. 29 #Strafford APTS
06. 666 ʇ
07. 21 M◊◊N WATER
08. 8 (circle)
09. ____45_____
10. 00000 Million


autor stipe07 às 23:07
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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

Kishi Bashi – Sonderlust

Lançado no passado dia dezasseis, Sonderlust é o novo disco de Kishi Bashi, um multi-intrumentista de Athens, na Georgia e colaborador de nomes tão conhecidos como Regina Spektor e os Of Montreal e que se aventurou a solo em 2012 pela mão da Joyful Noise, com 151a, disco que era um enorme e generoso festim de alegria e descomprometimento, tal como acontece com este novo registo que viu a luz do dia por intermédio da mesma etiqueta.

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Kaoru Ishibashi é o verdadeiro nome de um artista de ascendência japonesa, que começou a chamar a atenção em 2011, com apresentações surpreendentes, onde cantava e tocava violino e acrescentava uma caixa de batidas e sintetizadores, agregando novos e diferentes elementos e fazendo incursões em diversas sonoridades. Conhecido pela sua profunda veia inventiva, Kishi Bashi aposta num micro género da pop, uma espécie de ramificação barroca ou orquestral desse género musical, uma variante que vive em função de violinos, de arranjos claramente pomposos e cheios de luz e de vozes cristalinas, com o falsete a ser uma opção óbvia e constante.

A folk orgânica do violino é mesmo o fio condutor principal das canções de Sonderlust e o grande suporte da luminosidade da um alinhamento delicioso no modo como agrega alguns dos pilares fundamentais da pop, com a explosão sónica que o arsenal instrumental eletrónico proporciona, principalmente quando a versatilidade e o bom gosto são elementos fundamentais e muito presentes. No entanto, além das cordas, os sopros, nomeadamente a flauta, também se chegam à frente, numa plataforma de sons e melodias exemplarmente elaboradas e artisticamente positivas e sedutoras. Canções como a épica e exuberante Hey Big Star, Statues In A Gallery ou Say Yeah são belos exemplos do modo exímio como Bashi pinta neles as suas cores prediletas de forma memorável e também influenciado pela música árabe e oriental.

Disco onde não faltam arranjos etéreos, gravações viradas do avesso e tiques de new age, Sonderlust irradia uma universalidade muito própria e tem momentos que fazem-nos sentir que estamos a degustar a própria música, como se cada garfada que damos numa determinada canção nos fizesse sentir todos os elementos de textura, cheiros e sabores da mesma. Apreciar estas dez composições oferece-nos a sensação de que os dias bons estão aqui para durar e que nada de mal pode acontecer enquanto se escuta todo este otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Espero que aprecies a sugestão...

Kishi Bashi - Sonderlust

01. m’lover
02. Hey Big Star
03. Say Yeah
04. Can’t Let Go, Juno
05. Ode To My Next Life
06. Who’d You Kill
07. Statues In A Gallery
08. Why Don’t You Answer Me
09. Flame On Flame (A Slow Dirge)
10. Honeybody


autor stipe07 às 22:33
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Domingo, 25 de Setembro de 2016

Hope Sandoval And The Warm Inventions – Let Me Get There

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Let Me Get There

Uma das parcerias mais interessantes que começa a surgir na penumbra do universo sonoro indie intitula-se Hope Sandoval And The Warm Inventions e junta Hope Sandoval, icónica vocalista dos Mazzy Star e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. Há já um disco de estreia programado para este projeto, a ver a luz do dia lá para novembro e intitulado Until The Hunter e Let Me Get There é o mais recente single divulgado desse registo, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kurt Vile e que nos oferece uma belíssima viagem lisérgica, patente na instrumentação que se deixa conduzir pelos trilhos sónicos de uma guitarra elétrica e pela complacência de uma bateria charmosa, tudo embrulhado numa letra de acordo com as propostas mais intimistas dos grupos de origem dos mentores deste projeto.

Until The Hunter irá ver a luz do dia a quatro de novembro, através da Tendril Tales, a editora de Hope Sandoval. Confere...


autor stipe07 às 23:29
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