Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

Bat For Lashes – The Bride

Foi já em fevereiro que com a ternurenta simplicidade de I Do, o primeiro tema divulgado por Natasha Khan de The Bride, o novo  e quarto registo de originais do projeto Bat For Lashes, percebemos, quase sem hesitação, o ideário estético da nova coleção de canções de um extraordinário projeto que esta artista, cantora e compositora britânica, oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há praticamente uma década.

Essa canção e um lindíssimo para de sapatos vermelho, publicado na página de Facebook da autora, juntamente com um convite de casamento, deram o mote e o conteúdo não defrauda quem aguardava com elevadas expetativas este The Bride. Co-produzido por Ben Christophers e Dan Carey, Simon Felice e Head, este disco conta, de acordo com o press release do lançamento, a história de uma mulher cujo noivo morreu num acidente a caminho da igreja no dia do seu casamento. A noiva foge e parte em lua de mel sozinha, resultando numa numa sombria meditação sobre amor, perda, sofrimento, e celebração, uma sucessão de eventos contada por uma das mais belas vozes da música atual, principalmente no modo como aborda e amplia a sentimentalidade que pode ser extraída, como é hábito, de cada nota e cada acorde destes Bat For Lashes.

Natasha é exímia a penetrar no nossso âmago e tem um talento imenso no modo como nos consegue colocar na linha da frente de toda a traam que gira em redor das suas canções, que narram eventos que podem suceder com naturalidade a quem se entrega ao amor com convicção e procura, nesse sentimento, viver uma jornada emocional única e que faça do dia a dia um constante tesouro. Tendo em conta o contexto de The Bride, pode achar-se que é cruel e pessismista a panóplia de acontecimentos  que estas canções narram, mas se escutarmos atentamente a doce melancolia de Never Forgive The Angels ou Close Encouters percebemos que a redenção também faz parte dentro do conceito de perca e que a ideia de recomeço deve nortear sempre quem é desafiado pelas circunstâncias menos felizes da vida. I Will Never Love Again contém essa aparente contradição e If I Knew ensina-nos que se o destino nem sempre está nas nossas mãos, aquilo que semeamos é sempre aquilo que acabamos por colher, aconteça o que acontecer.

A dor pesa, a cegueira total é uma possibilidade perante tão nefasta realidade como a que norteia a lírica destas canções, mas Natasha, aguçando-nos com esse vírus, sabe como ensinar-nos a sermos fortes, duros, imprevisíveis e implacáveis perante a dor. Este disco é recomendado a todos aqueles que vivem felizes, acham que são felizes, mesmo que isso signifique um auto engano permanente e a quem julga que bateu no fundo de um poço e não vislumbra qualquer luz no seu topo. Espero que aprecies a sugestão... 

Bat For Lashes - The Bride

01. I Do
02. Joe+s Dream
03. In God’s House
04. Honeymooning Alone
05. Sunday Love
06. Never Forgive The Angels
07. Close Encounters
08. Widow’s Peak
09. Land’s End
10. If I Knew
11. I Will Love Again
12. In Your Bed
13. Clouds


autor stipe07 às 11:10
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Terça-feira, 5 de Julho de 2016

Caveman – Otero War

Depois de Coco Beware, disco editado em 2011 e de um homónimo lançado dois anos depois, os nova iorquinos Caveman estão de regresso aos lançamentos com Otero War, um registo lançado a dezassete de junho último, por intermédio da Fat Possum. Este quinteto formado por Matthew Iwanusa (vocalista), Jimmy "Cobra" Carbonetti (guitarra), Sam Hopkins (teclista), Stefan Marolachakis (baterista) e Jeff Berrall (baixista) não complica muito e vive hoje essencialmente sob a influência do típico rock norte americano, desta vez procurando recriar uma espécie de narrativa sci-fi, como exemplarmente ilustra também, além das doze canções, o artwork de Otero War, da autoria de ilustrador Marc Ericksen.

Tal como os dois discos antecessores, este terceiro alinhamento da carreira dos Caveman pode servir como exemplo do estado atual do indie rock nesta segunda década do século XXI. A exuberância da bateria e das guitarras e o modo como as teclas se entrelaçam nesse pulsar orgânico que se estabelece entre cordas e percussão, é um bom exemplo do modo como trinta anos depois dos gloriosos anos oitenta ainda é possível construir baladas pop, plenas de ritmo e intensidade e, simultaneamente, com aquela sensibilidade desarmante capaz de tocar no coração mais empedrenido. Os sintetizadores de Life Or Just Leaving e o modo como em dois ou três acordes apenas exaltam a mensagem otimista de Believe, reforçam o ideário comparativo acima descrito, agora num modo mais contemplativo e os efeitos que enfeitam o frenesim de On My Own são outro detalhe que atesta o modo assertivo como estes Caveman expressam todo um catálogo de sons e estratégias de composição melódica que consolidam o indie rock atual.

Apesar do nome da banda, estes Caveman não têm muito de cavernoso e obscuro. Mesmo quando em Project o baixo salta para a linha da frente e uma certa toada punk assalta o edifício sonoro da canção, isso serve apenas para reforçar o ecletismo e a abrangência de um disco com uma sonoridade bastante pop e acessível. As canções também se destacam pela voz de Matthew e o vigor da bateria de Stefan é outro trunfo essencial, como se percebe, por exemplo, na cadência de Human, mais uma composição que nos remete, no imediato, para aquela pop dos anos oitenta que tinha uma toada épica e ao mesmo tempo etérea e que hoje não deixa ainda, como se percebe neste Otero War, de ser um manancial de inspiração no momento de compôr. 

Numa época em que muitos críticos começam já a considerar que a maioria das bandas do universo alternativo acabam por se tornar aborrecidas por apenas replicarem sons do passado ou seguirem as habituais fórmulas há muito estabelecidas, pelos menos os Caveman, seguindo essas bitolas, denotam capacidade para passar com interessante distinção essa crítica, assentando tal permissa não só na elevada qualidade da sua seleção instrumental, mas também numa habilidade lírica incomum e numa interpretação instrumental e criação melódica exemplares.

Disco dominado essencialmente pelas guitarras, há em Otero War um notório amadurecimento na forma desta banda comunicar e chegar aos ouvidos dos seus fãs, com uma maior adição de elementos da eletrónica e uma mais vasta rede de influências que potenciam a capacidade dos Caveman em agradar a um universo mais vasto de admiradores. Espero que aprecies a sugestão...

Caveman - Otero War

01. Never Going Back
02. Life Or Just Living
03. On My Own
04. Project
05. Lean On You
06. The State Of Mind
07. 80 West
08. Human
09. Believe
10. Over The Hills
11. All My Life
12. I Need You In My Life


autor stipe07 às 22:20
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Terça-feira, 28 de Junho de 2016

The Tallest Man On Earth – Time Of The Blue

The Tallest Man On Earth - Time Of The Blue

O sueco Kristian Matsson, que assina a sua música como The Tallest Man On Earth, acaba de divulgar Time Of The Blue, uma nova canção que é mais uma etapa evolutiva na carreira de um músico que desde a estreia, em 2008, com Shallow Grave, até a Dark Bird Is Home, o último disco de Matsson, editado o ano passado, cresceu sempre de modo sustentado e com cada vez maior aceitação e reconhecimento público.

O minimalismo acústico e eminentemente folk deste tema, em oposição com o sentimentalismo que dele transborda, remete Time Of The Blue para os primórdios da carreira do autor, havendo algo de aboslutamente profundo e perene nesta canção que catapulta The Tallest Man On Earth para um patamar superior de exuberância lírica. O próprio excelente vídeo do tema, realizado por Rolf Nylinder, amplia esta sensação. Confere...

 


autor stipe07 às 22:51
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Domingo, 26 de Junho de 2016

Band Of Horses - Why Are You Ok

Foi a dez de junho e à boleia da Interscope Records que chegou aos escaparates Why Are You Ok, o novo registo de originais dos norte americanos Band Of Horses, um trabalho produzido por Jason Lytle e sucessor do aclamado Mirage Rock, um álbum editado já em 2012. Casual Party, o primeiro avanço divulgado de Why Are You Ok, é uma canção com uma exuberância instrumental ímpar e um frenesim melódico bastante impressivo e o restante alinhamento acaba por confirmar um trabalho cheio de interseções entre guitarras e sintetizadores, criadas por uns Band Of Horses que são já hoje um dos grupos mais respeitáveis do cenário rock do país natal e que chegam ao quinto disco a cimentar as referências sonoras que durante quase uma década têm sido essenciais para o grupo, sem aparente sinal de desgaste.

A escolha de Jason Lytle, um guru do rock progressivo que se notabilizou no dealbar deste milénio com o muito aclamado Software Plump, atraiu desde logo as atenções da crítica especializada para este novo álbum do projeto liderado por Ben Bridwell, com as opiniões a centrarem-se numa ausência de meio termo em relação à bitola qualitativa de Why Are You Ok. E a verdade é que as doze composições do disco puxam essa noção de termo para o lado mais radioso e desejado da análise, já que este é um disco efusivo e grandioso, para ser contemplado com deleite e atenta dedicação.

Logo no misticismo de Dull Times/The Moon, uma relação simbiótica entre dois temas que se apresentam num pacote único, fica plasmada não só uma enorme beleza melódica, mas também uma elevada riqueza instrumental e uma seleção de arranjos e efeitos, ao nível das guitarras que conferem à canção uma paleta de cores de agradável contemplação. Estes aspetos acabam por ser transversais a todo o disco, que se reveste de uma certa espiritualidade, com a encorpada Solemn Oath e a enorme beleza dos teclados e das cordas de Hag a acabarem por nos fazer imaginar, espontaneamente, algumas das mais deslumbrantes paisagens naturais de uma América com uma identidade muito própria e que este grupo de Seattle tão bem expressa.

Um dos maiores atributos de Why Are You Ok é, claramente, a capacidade que este disco tem de nos oferecer toda a amálgama que hoje define o ideário sonoro dos Band Of Horses, projeto que ao longo da carreira sempre teve um carimbo folk fortemente impregnado, mas que no seu adn é, acima de tudo, uma banda rock, com tudo aquilo que em termos de abrangência isso significa para o reportório de um coletivo. Assim, se o verdadeiro e clássico indie rock acaba por ser alvo de revisão feliz e fraterna na já referida Casual Party e também em In A Drawer e se o tal lado folk surge de modo impressivo em Throw My Mess, acaba por por ser nos arranjos singelos que circundam Whatever, Wherever e na simplicidade desarmante da crueza acústica e lo fi de Country Teen e no pendor sombrio e introspetivo de Barrel House, que os Band Of horses mostram os predicados maiores que foram adicionados ao rol de adjetivos que caraterizam hoje o típico som do trupo.

Melhor registo deste grupo até ao momento e um dos lançamentos de referência do ano, Why Are You Ok é um disco que exala uma elevada fluidez e uma saudável honestidade, por parte de uma banda que não quer sentir-se presa a balizas que condicionem o seu processo de construção melódica, mas movimentar-se livremente pelo manancial de oportunidades que o indie rock proporciona a quem tem capacidade criativa suficiente para explorar profundamente um género sonoro com caraterísticas muito próprias, mas que possibilitam inúmeras abordagens e explorações. Com este disco os Band Of Horses obtêm o legítimo direito de passarem a ser considerados com uma dos projetos atuais que melhor sustenta esta teoria. Espero que aprecies a sugestão...

Band Of Horses - Why Are You OK

01. Dull Times/The Moon
02. Solemn Oath
03. Hag
04. Casual Party
05. In A Drawer
06. Hold On Gimme A Sec
07. Lying Under Oak
08. Throw My Mess
09. Whatever, Wherever
10. Country Teen
11. Barrel House
12. Even Still


autor stipe07 às 19:47
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Quarta-feira, 15 de Junho de 2016

The Weatherman - Kind of a Bliss

The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, está de regresso aos discos com Eyeglasses for the Masses, um álbum editado a vinte e nove de Abril e que nos remete para um universo pop e psicadélico, diversificado e abrangente, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.

O mais recente single extraído de Eyeglasses for the Masses é Kind Of A Bliss, um alerta vermelho sobre a solidão e o sofrimento que a mesma causa frequentemente, nomeadamente nas vítimas de abusos de toda a espécie e das mais variadas faixas etárias. O tema já tem direito a vídeo, que apresenta o caso de uma vítima de violência doméstica, um dos maiores flagelos da sociedade ocidental contemporânea.

The Weatherman estreou-se nos lançamentos discográficos em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009), e um homónimo, em 2013, antes deste Eyeglasses for the Masses. Confere...


autor stipe07 às 21:57
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2016

Old Jerusalem - A Charm

Com uma carreira já cimentada de praticamente quinze anos, o lindíssimo projeto Old Jerusalem, assinado por Francisco Silva, regressou aos discos com a rose is a rose is a rose, um novo tomo de uma já extensa e riquíssima discografia, após um interregno de quatro anos. Esta é uma incrível jornada, batizada com uma música do mítico Will Oldham e o título do álbum, como se percebe, um jogo de palavras muito curioso que sustenta, na minha opinião, dez canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional.

Um dos grandes destaques de a rose is a rose is a rose é, claramente, A Charm, a canção que abre o alinhamento e que balança um pouco ali, entre os altos e baixos da vida e como é, tantas vezes, muito ténue a fronteira entre esses dois pólos, entre magia e ilusão, como se a explicação das diferentes interseções com que nos deparamos durante a a nossa existência fossem alguma vez possível de ser relatada de forma lógica e direta. Esse tema acaba de ter direito a um excelente vídeo, realizado por Natacha Oliveira.

Entretanto, os concertos de promoção de a rose is a rose is a rose prosseguem, estando já confirmadas as seguintes datas:

- 25 de Junho/ Paços da Cultura, São João da Madeira

- 30 de Junho/ TBA, São Pedro do Sul

- 2 de Julho/ TBA, TBA

- 23 de Julho/ Associação Arquente, Faro

- 24 de Julho/ Fortaleza de Sagres, Sagres

- 2 de Setembro/ Sons À Sexta, Fundão


autor stipe07 às 21:56
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2016

Cass McCombs – Opposite House

Cass McCombs - Opposite House

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está prestes a regressar aos discos com Mangy Love, o oitavo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Será um alinhamento de doze canções, que verão a luz a vinte e seis de agosto e sucedem ao excelente Big Wheel And Others, sendo o primeiro álbum do músico depois de ter assinado pela ANTI- Records.

Opposite House é o primeiro avanço divulgado de Mangy Love, canção que conta com a participação especial de Angel Olsen nas vozes de fundo e que reforça a habitual sonoridade de McCombs, assente em banjos e violões carregados de amargura e de uma interessante dose de bom humor e ironia, uma sonoridade simplista, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas doses de uma folk ruidosa, num oceano de melancolia ilimitada. Confere...


autor stipe07 às 19:18
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Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Damien Jurado - Visions Of Us On The Land

Lançado no passado mês de março pela Secretly Canadian, Visions Of Us On The Land é o novo compêndio de canções do norte americanos Damien Jurado e encerra uma trilogia iniciada em 2012 com Maraqopa, disco ao qual se seguiu Brothers and Sisters of the Eternal Son, dois anos depois.  Este Visions Of Us On The Land foi  produzido por Richard Swift e confirma Damien Jurado como um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas de uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente Jurado.

Este Visions Of Us On The Land é, portanto, uma homenagem profunda aquela América feita de índios e cowboys, mas também de pioneiros, viajantes e exploradores, uma narrativa vibrante onde vozes e instrumentos compôem um painel muito impressivo que nos permite viajar no tempo. E nessa demanda podemos ir até às montanhas rochosas do Utah, à neve do Alasca, ao sol da Califórnia e ao pó do deserto texano ou aos desfiladeiros de Yellowstone, à medida que apreciamos descrições vivas e intensas de cenários que muitas vezes só vemos em filmes.

Assim, e citando alguns dos instantes mais impressivos de um alinhamento que é, no seu todo, um retrato vivo, se Mellow Blue Polka Dot nos coloca bem no centro de um acampamento índio, já o rock psicadélico setentista de Lon Bella senta-nos ao volante de um descapotável em plena Route 66, sem destino fixo, enquanto QACHINA deixa-nos apreciar deslumbre paisagístico de montanhas verdejantes, com fontes de água pura ainda intactas e onde ursos, águias, lobos e veados coabitam pacificamente, sem nunca terem sentido a presença humana.

O alinhamento prossegue e não há como evitar uma enorme sensação de conforto ou esconder o sorriso perante o excelente registo vocal que conduz ONALASKA, o êxtase percussivo carregado de sol da inebriante Walrus, a majestosidade melódica de Exit 353, a cândura e a inocência de Queen Anne ou o aconchegante dedilhar da viola da noturna e introspetiva On The Land Blues, outros exemplos da excelência de um disco que, sendo já o décimo segundo da carreira de Damien Jurado, é um dos momentos maiores da sua carreira, pricncipalmente pelo modo como este músico se coneta com o solo que diariamente pisa e o honra e preserva, mostrando-nos, numa jornada evocativa, o melhor que tem e que sente pelo seu país. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Visions Of Us On The Land

01. November 20

02. Mellow Blue Polka Dot
03. QACHINA
04. Lon Bella
05. Sam And Davy
06. Prisms
07. ONALASKA
08. TAQOMA
09. On The Land Blues
10. Walrus
11. Exit 353
12. Cinco De Tomorrow
13. And Loraine
14. A.M. AM.
15. Queen Anne
16. Orphans In The Key Of E
17. Kola


autor stipe07 às 21:29
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Terça-feira, 17 de Maio de 2016

The Weatherman - Eyeglasses for the masses

Gravado nos estúdios Hertzcontrol em Caminha por Marco Lima, produzido pelo próprio e por e Alexandre Almeida, e misturado nos SoundHill Studios no Porto por João André, Eyeglasses For The Masses é o quarto e novo registo de originais de The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, cujo universo pop e psicadélico nos remete para um mundo sonoro onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como os The Beatles, claramente audíveis na cândura de Now & Then, ou os Beach Boys, homenageados a preceito em Endless Expectations, são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da pop e da eletrónica atual.

Masterizado em Los Angeles pela mão do galardoado Brian Lucey (Artic Monkeys, Black Keys, The Shins, Beck, Sigur Ros, entre outros), Eyeglasses For The Masses assinala uma década de carreira de um músico que sempre demonstrou ser um inspirado e comovente escritor de canções e que, desta vez, quis, de acordo com o press release do lançamento, mover tudo e todos com o poder de uma grande canção. De facto, apoiado pela enorme mestria com que manipula, principalmente, as teclas de um piano, The Weatherman dá-nos a mão e convida-nos a penetrar sem hesitações num disco que faz de nós, inicialmente estranhos numa terra estranha, acabados de chegar ou prontos para partir, num alinhamento que funciona como um campo de sacos cheios de memórias onde a vida se refugia ou fica presa, quando o amor nos resolve pregar, mais uma vez, uma enorme partida.

Tal como esse amor, esta é uma viagem empolgante, onde tudo começa e acaba, instigados pela motivação de canções tão felizes como All The In Between e outras capazes de manipular a nossa mente fragilizada e entorpecida para o lado mais positivo da existência humana, algo que sucede intuitivamente a quem se deixar embrenhar pela monumentalidade instrumental de A Kind Of A Bliss, canção que nos oferece uma sensação de liberdade incomensurável, com o bónus de expirar do nosso âmago toda a cegueira, vertigem, ou abismo, que a solidão tantas vezes nos proporciona.

Parece-me que para quem recentemente ficou só e sente medo que essa fatalidade se prolongue no tempo, algo que nem sempre está nas nossas mãos evitar, este é um álbum que pode indicar pistas seguras para que tal não suceda e que nos pode mostrar o que há do outro lado do vidro que reflete a nossa existência, agora algo perdida. Se tantas vezes nos esquecemos que aquilo que é esta fragilidade que é visível, principalmente aos outros, pode ser apenas aparente, o grito de esperança que desembrulhamos em Unpack My Mind, mostra-nos que muitas vezes depende da nossa força interior o encontro, ou não, de uma nova felicidade, que tantas vezes, por conformismo ou pessimismo, julgamos inatingível.

Mesmo que o ideário global do autor, ao idealizar Eyeglasses For the Masses, não tenha tido esta premissa de busca e reencontro do lado mais positivo e colorido da existência e da felicidade, não há como resistir a esse forte apelo, algumas vezes bastante emotivo, em onze canções onde se cruzam pessoas e factos reais, que nos ensinam que há escolhas que dependem exclusivamente de nós e que nunca devemos condicionar o nosso acesso ao amor devido à nossa religião, estatuto social ou género. One Of These Days, tudo ficará novamente no sítio certo, nem que isso signifique a nossa vida precise de ser completamente virada do avesso. Espero que aprecies a sugestão...

At The In Between

To The Universe

A Kind Of Bliss

Now & Then

Eyeglasses For The Masses

Endless Expectations

Unpack My Mind

Ice II

One Of These Days

Good Dreaming

Call All Monkeys (bonus track)


autor stipe07 às 21:22
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Quarta-feira, 11 de Maio de 2016

Joana Barra Vaz - A Demora

Depois de Tanto Faz, o primeiro single divulgado de Mergulho Em Loba, o próximo disco de Joana Barra Vaz, que deverá ver a luz do dia lá para setembro, A Demora é o novo tema divulgado por esta cantora e compositora, ao mesmo tempo que nos é dado também a conhecer o vídeo, realizado em conjunto com Maria João Marques. 

A Demora é um lindíssimo tema, que se destaca pelo ambiente aconchegante e acolhedor proporcionado pela indulgência das cordas, cujos arranjos se passeiam exuberantemente em redor da melodia e de um registo vocal belo e envolvente. A canção foi gravada entre os Estudios Iá e na SMUP e conta com pré-produção e arranjos de David Pires, da própria Joana Barra Vaz e da banda F l u me, tendo sido produzido por Luís Nunes e pela autora. Confere...

 


autor stipe07 às 22:40
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