Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Joan As Police Woman - The Classic

Joan Wasser, que o mundo conhece como Joan As Police Woman e como a eterna namorada de Jeff Buckley, está de regresso aos discos com The Classic, um trabalho produzido pela própria Joan Wasser e por Tyler Wood, editado através da PIAS Recordings e que contou com a participação especial de um vasto leque de músicos, dos quais se destacam Joseph Arthur, Steve Bernstein, Oren Bloedow, Doug Wieselman e Reggie Watts, entre outros. Todas estas aparições enriquecem imenso Classic, quer ao nível instrumental, quer da voz, mas não posso deixar de destacar a presença de Reggie Watts no tema homónimo do disco, pelo modo como confere uma toada gospel incrível à canção.

Incubado na mente criativa de uma artista que já fez parte dos projetos Dambuilders, Those Bastard Souls e Mind Science Of The Mind e de ter cantado com Lou Reed, Antony & The Johnsons ou Rufus Wainwright, The Classic conquista-nos logo no início com Witness, Holy City e The Classic, três canções que nos colocam bem no centro do que melhor se pode encontrar na música negra norte americana e atestam definitivamente que Joan As Police Woman é uma das mais talentosas, vibrantes, originais e carismáticas escritoras de canções da atualidade e que a sua música pede e merece um ambiente especial e muito próprio para ser devidamente disfrutada.

Gravado quase na totalidade ao vivo, este trabalho que mistura então o indie rock, com alguns dos detalhes mais importantes do jazz, do funk, do R&B e da soul, prossegue sempre de forma sofisticada e com um esplendor e uma luminosidade incomuns, de algum modo expressas no artwork de um disco que vale ouro, como o tom dessa imagem.

Depois de um arranque de carreira em grande forma, com Real Life (2006) e To Survive (2008), nem em Cover (um disco de covers, como o nome indica, lançado em 2009), ou The Deep Field (2011) ela deu sequência a essa mestria inicial. Mas agora, em 2014 está de regresso a Joan As Police Woman intensa e apaixonante, que tanto expôe tristezas e receios e até ideias relacionadas com a própria morte (What Would You Do), como nos indica caminhos mais ou menos diretos para a felicidade (Stay), que pode até ser a carnal, fazendo tudo isso sempre de mãos dadas com aquela soul que vai buscar inspiração à motown. E, mesmo tendo em conta que a intimista Get Direct é uma das melhores canções do disco, fá-lo com aquela exuberância que antes o uso quase exclusivo do piano, como suporte do processo de construção melódica, de algum modo restringia, para agora, tendo optado por uma vasta miríade de instrumentos e coros, conseguir mostrar-se mais positivista, emotiva e até interessante, principalmente porque mostra ser capaz de se mover com à vontade por territórios sonoros mais diversificados, mantendo uma elevada bitola qualitativa nas suas composições. Esse tal piano, agora é muitas vezes subsituido por um orgão sintetizado, que dá ao som de Joan As Police Woman um travo mais masculino, alternativo e até psicadélico.

The Classic termina com a reggae Ask Me e damos por nós a lamentar porque, infelizmente e por razões do foro pessoal, Joan As Police Woman teve de cancelar alguns concertos que iria dar no nosso país durante este mês de novembro. Seja como for, isso não retira brilho a um disco que nos faz recuar musicalmente algumas décadas, de um modo cativante e tão intenso que é possivel imaginarmos que estamos num daqueles ambientes smokey dos bares de música ao vivo, enquanto escutamos este The Classic, que também não fica nada mal como banda sonora para usufruirmos de uma boa companhia de serão. Espero que aprecies a sugestão...

Witness

Holy City

The Classic

Good Together

Get Direct

What Would You Do

New Year’s Day

Shame

Stay

Ask Me


autor stipe07 às 23:18
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Little Arrow - Furious Finite

Formados por William Hughes, Dan Messore, Ben Sharpe, Callum Duggan e Rich Chitty, os galeses Little Arrow apresentaram ao mundo a sua folk de forte cariz etéreo e melancólico em 2011 com Mask and Poems, tendo o segundo disco, Wild Wishes, visto a luz do dias dois anos depois. Agora, quase no ocaso de 2014, regressam à carga com Furious Finite, mais uma coleção de canções que misturam o épico com o contemplativo e que parecem tão naturais e espontâneas como a enorme beleza da região de onde provêm e que os inspira, situada na extremidade noroeste das ilhas britânicas.

Conhecido há algumas semanas, o single Medicine Moon já apontava para o caminho certo de consolidação da sonoridade intrínseca desta banda. Essa canção é um exemplo feliz da capacidade dos Little Arrow em estabelecer uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, através de melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos clássicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, amiúde dominados pelos instrumentos de sopro, samples, teclados e uma percurssão, elementos que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Assim que o disco começa somos rapidamente absorvidos pelo mundo caleidoscópico dos Little Arrow, um universo cheio de cores e sons que nos causam espanto, devido à impressionante quantidade de detalhes que o quinteto coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco.

Após o single, a mais introspetiva e pastoral Pier Maountain é uma verdadeira tela sonora, com a textura barroca da harpa, a serenidade contemplativa da guitarra e a doce opulência do trompete a darem as mãos para mostrar um emaranhado de referências que têm como elemento agregador a busca de um clima sonoro com uma elevado cariz ambiental, mas que não deixa de ser acolhedor, animado e otimista. A percurssão de Loss Um, o sample inicial de Diamond Shy e a vila acústica que se segue, assim como  o conjunto de sons e incontáveis referências e detalhes que borbulham enquanto estes temas se desenvolve e crescem, são mais duas janelas que os Little Arrow nos abrem para contemplarmos canções recheadas de versos intrigantes, instigadores e particularmente melódicos. Depois, há ainda Ha Ha Happiness, uma canção com uma energia contagiante e diferente das restantes, com um espírito mais rock e que demonstra a tal versatilidade que os Little Arrow demonstram possuir e Flat Earth, War Drones e Holding & Knowing, três temas que plasmam a enorme capacidade que este coletivo possui para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas.

Domina Furious Finite um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, como ilustra a capa de um disco que sugere que encontremos no seu interior uma harmoniosa fonte de conhecimento e inspiração musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje. Ao encararmos o seu conteúdo com particular devoção, percebemos que essa suposição inicial terá alguma razão de ser já que o mesmo é a expressão prática de uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Espero que aprecies a sugestão...

 01. Government Bodies

02. Medicine Moon
03. Pier Mountain
04. Lossum
05. Diamond Shy
06. Flat Earth
07. War Drones
08. Holding & Knowing
09. Ha Ha Happiness
10. Spider
11. Hedgerow

 


autor stipe07 às 18:02
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy

Já chegou finalmente aos escaparates My Favourite Faded Fantasy, o novo disco do irlandês Damien Rice, um músico e compositor exemplar, natural de Dublin. My Favourite Faded Fantasy é o primeiro disco de Damien em oito anos, contém oito canções no alinhamento e viu a luz do dia no início de novembro por intermédio da Warner.

Produzido por Rick Rubin, My Favourite Faded Fantasy é o terceiro tomo da carreira discográfica de um autor que se estreou em 2002 com O e parece querer seguir o rumo que continuou a traçar aí e, depois, em 9 (2006), um caminho feito de ambientes claramente confesionais e tão nostálgicos e comtemplativos como a Islândia onde o músico se refugiou nos últimos anos, longe do mediatismo e dos palcos.

O disco abre com o single homónimo, uma canção de mais de seis minutos de duração, com um início bastante calmo e contemplativo, para depois evoluir para uma sonoridade vibrante, uma uma das marcas inconfundíveis do músico. Logo nessa abertura de portas e na sombria It Takes A Lot To Know A Man, fica claro que o arsenal instrumental gira em redor do piano, do violino e da guitarra acústica, exalando, no entanto, uma apreciável veia experimentalista, com arranjos que fazem balançar os temas entre o indie luminoso e épico (I Don't Want to Change You) e aquela toada mais sensível e sombria, que as cordas e a voz única e inconfundível de Damien tão bem replicam, como, por exemplo, em Colour Me In. Esta voz carrega em todo o disco um lamento de fundo, uma espécie de nó na garganta fielmente ampliado e reproduzido e que comove, ainda por cima quando se dedica a dar vida a canções de amor e arrependimento cercadas de fragilidade nos ricos arranjos instrumentais e onde a raiva, o remorso, a tristeza e a descoberta de buscas incessantes aos recantos mais profundos da alma são a sua grande força motriz.

I Don't Want to Change You e The Greatest Bastard são outros singles já retirados de um trabalho que tresanda a uma tremenda honestidade que este músico irlandês parece querer muito preservar, como se a música fosse o seu veículo privilegiado para expôr tudo aquilo que emocionalmente lhe toca fundo e de algum modo preenche ou, de um ponto de vista menos otimista, o perturba. Em The Greatest Bastard, Damien parece sentir uma necessidade profunda de se entregar ao julgamento cruel de quem o censura e lhe virou as costas devido a erros do passado, fazendo-o com uma humildade tal que torna-se impossível não o perdoar de qualquer momento menos bom que tenha protagonizado e não hesitar a dar uma nova oportunidade a um homem que se apresenta perante as suas heranças completamente desarmado e disponível a aceitar qualquer suplício para ter da vida um novo rumo que lhe permita decobrir uma nova luz.

Para nós que gostamos de dar uma utilidade, nem quee seja fútil, a um compêndio sonoro que de algum modo nos toca e emociona, My Favourite Faded Fantasy tem instantes que tanto podem servir de banda sonora para a leitura de uma carta de amor verdadeiramente sentida que recebemos de alguém que desejamos ardentemente, como outros que poderão servir para potenciar a nossa dor caso a missiva, com o mesmo remetente, tenha um conteúdo completamente oposto, de anúncio de completa rejeição.

Cheio de pequenas historias românticas, algumas de proporções épicas, como comprovam os mais de nove minutos de It Takes A Lot To Know A Man, My Favourite Faded Fantasy é um regresso feliz às luzes da ribalta de um homem que vive no apogeu da maturidade que os seus quarenta anos lhe conferem e  que tem o enorme atributo de criar belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vida. Este é um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes, já que o alinhamento tanto está recheado de sensações positivas, plasmadas em canções expansivas e, ao mesmo tempo, imbuídas por um forte caráter intimista, como de canções como The Box, que parecem não querer nada mais a não ser obedecer ao nosso desejo de fuga de uma realidade que às vezes aprisiona e sufoca. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy

01. My Favourite Faded Fantasy
02. It Takes A Lot To Know A Man
03. The Greatest Bastard
04. I Don’t Want To Change You
05. Colour Me In
06. The Box
07. Trusty And True
08. Long Long Way


autor stipe07 às 21:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Pompeii – Loom

Os norte americanos Pompeii são Dean Stafford, Colin Butler, Rob Davidson e Erik Johnson, um grupo de Austin, no Texas, com já dez anos de carreira e uma reputação importante no cenário indie local. Lançado no passado dia através da Red Eye Transit, Loom é o novo compêndio sonoro dos Pompeii, um trabalho misturado por Erik Wofford (Explosions In The Sky, Okkervil River, My Morning Jacket) em Austin, masterizado por Jeff Lipton (Arcade Fire, Bon Iver, The Magnetic Fields) e que contou com a participação espeical do coletivo Tosca String Quartet em alguns instrumentais do disco.

Com uma escrita maravilhosa e impregnado com soberbos arranjos orquestrais, Loom são pouco mais de quarenta minutos de puro deleite sonoro. Da pop mística e graciosa com um forte cariz sentimental (Celtic Mist), ao indie rock que fez escola em finais do século passado (Frozen Planet), ao mais progresssivo (Blueprint), passando pela típica intimidade da folk americana (Frozen Reprise), escutam-se dez canções envolventes, festivas e grandiosas e que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Loom denota esmero e paciência por parte dos Pompeii, principalmente na forma como acertam nos mínimos detalhes. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, uma percurssão eminentemene orgânica e envolvida por ricos teclados e arranjos majestosos, até à poderosa voz de Dean, simultaneamente dolorosa e magistral, rica e envolvente, belíssima em Sleeper e quase sempre assente numa generosidade criativa, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

O som dos Pompeii é espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico e há alguns momentos neste disco que comprovam todas estas facetas por si só o que acrescenta à bagagem sonora dos Pompeii novas e belíssimas texturas, que não se desviam do cariz marcadamente experimental que faz parte do ADN do grupo. É fabuloso o modo como Sleeper cresce e se desenvolve, com uma percurssão que à medida que surge da penumbra, vinda de diferente fontes, vai chamando para junto de si um verdadeiro arsenal instrumental orgânico e sintético que explode num final sónico e verdadeiramente emocionante e grandioso. A bateria e o efeito da guitarra em Rescue também permitem esta absorção de diferentes sensações e o contato direto com uma multiplicidade de planos sonoros ganha neste tema uma dimensão superior. E outro instante que merece amplo destaque e audições repetidas devido à forma como plasma o cariz épico, melancólico e grandioso e o alargado leque sonoro destes Pompeii é a batida ácida e cadente de Ekspedition e as cordas em formato acústico de uma viola e um violino que se entrelaçam entre si e com uma linha de guitarra eletrificada, num tema cantado com uma voz em coro, diversos detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage

Não é preciso chegar ao final do disco para perceber que Loom gira em redor de um sentimento muito específico, mas a voz emocionalmente forte de Dean em Drift, acompanhada por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor, onde o orgânico dedilhar das cordas e das teclas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Esta canção encerra da melhor forma um disco que transporta uma beleza e uma complexidade que merecem ser apreciadas com particular devoção e faze-nos sentir vontade de carregar novamente no play e voltar ao inicio. Espero que aprecies a sugestão...

Pompeii - Loom

01. Loom
02. Celtic Mist
03. So Close
04. Frozen Planet
05. Frozen Reprise
06. Blueprint
07. Rescue
08. Ekspedition
09. Sleeper
10. Drift


autor stipe07 às 22:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 1 de Novembro de 2014

Ana Cláudia - De Outono EP

Produzido, gravado e misturado por Ben Monteiro e com todos os instrumentos a terem sido tocados por Ana Cláudia e Ben, De Outono é o EP que coloca Ana Cláudia, uma licenciada em Jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa, na lista dos novos artistas e das magníficas vozes portuguesas a seguir atentamente por cá, num lançamento que é, sem sombra de dúvidas, um dos mais bonitos de 2014.

De Outono são cinco canções certinhas que são uma excelente banda sonora para fecharmos definitivamente a porta deste verão atípico e de olharmos em frente para os rigores climatéricos dos próximos meses com renovada esperança e alegria, porque agora também podemos contar com este lindo aconchego para nos dar luz, cor e algum calor nos dias mais cinzentos e frios que tivermos de enfrentar.

Com letras escritas pela própria Ana e outras da autoria de Liliana Baptista (Colher de Chá) e de Cícero Rosa Lins (João e o Pé de Feijão), De Outono é uma ode feliz a uma estação do ano que geralmente nos causa alguma repulsa por marcar a despedida dos prazeres do verão, mas que tem atributos tão belos como as cores e os cheiros de uma natureza que se prepara para queimar uma nova etapa no seu ciclo de renovação, enquanto nos oferece alguns dos seus frutos mais doces e etílicos que possui.

A música de Ana Cláudia é também um pouco assim, de difícil trato, mas que depois se saboreia e se entranha, remexendo no nosso íntimo sem pedir licença e trazendo à tona algumas das nossas memórias mais bem guardadas e que sabem bem num período de renovação avivar, para que nunca tenhamos a ousadia de deixarmos cair no esquecimento tudo aquilo que decalcou os traços mais genuínos e encantadores da nossa identidade.

O EP está disponível para download legal e gratuito. Espero que aprecies a sugestão...

Colher de Chá
Bailarina
João e o Pé de Feijão
Riso
Outro Caminho


autor stipe07 às 15:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Astronauts - Four Songs EP

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney. um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain e que divulguei recentemente por causa de Hollow Ponds o extraordinário disco de estreia desta nova vida musical de um homem que guarda no seu universo sonoro teclas, cordas e baquetas mas, acima de tudo, um tremendo bom gosto e uma capacidade ímpar para compôr canções que só poderão ser devidamente apreciadas se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que elas possuem e transmitem.

Já a preparar o sucessor de Hollw Ponds, Four Songs EP acontece numa lógica de querer encerrar um capítulo extenso e intenso da vida de Carney, que se inspirou em algumas experiências traumáticas pessoais recentes para compôr esse álbum, nomeadamente uma fratura grave de uma perna que o fez sofrer bastante e o prendeu a uma cama de hospital durtante um longo período. As quatro canções deste EP são como que sobras dessa obra maior, mas não ficam a dever nada em termos qualitativos ao alinhamento do disco. Comprovam a efervescência com que Astronauts se serve do krautrock e da dream pop e ampliam ainda mais a sensação de bom gosto que experimentamos ao escutá-las, criadas por um compositor que, com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, tem o comportamento típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição.

Only Son, o tema que abre o EP, é um fantástico instante sonoro e o último tema divulgado pelo músico que aborda diretamente a fratura do pé que o apoquentou. simultaneamente claustrufóbica e épica e fortemente melódica, é uma música inspiradora e vibrante, com arranjos deslumbrantes e que não poupa na materialização dos melhores atributos que Carney guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas.

Lion Tamer é um pouco mais introspetiva e melancólica e conta com um dedilhar de guitarra que casa na perfeição com uns lindíssimos arranjos de metais, algo que confere à canção um clima particularmente charmoso e contemplativo. A voz em coro dá mais corpo à canção e à medida que a mesma cresce, com o aumento da distorção e do ritmo da percurssão, que replicam uma melodia repetitiva, parece que levantamos voo com ela sem qualquer receio de olhar para trás e de nos deixarmos levar pelo cariz fortemente hipnótico da mesma.

Os dois últimos temas do EP mostram um Carney ainda mais resguardado, mas a potenciar ao máximo a capacidade que possui de nos deslumbrar e, de modo algo inédito, a provar que também há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpreta. Se a planante e eterea Think On (2003) faz, um elogio sincro a Elliot Smith, um dos seus heróis, Death From The Stars é um pequeno instrumental onde acorda de uma viola se entrelaça com alguns efeitos edepois nos transporta numa viagem rumo ao revivalismo dos anos oitenta que nos traz brisas bastante aprazíveis.

Four Songs é um EP rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O trabalho tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Dan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Belle & Sebastian – Party Line

Belle & Sebastian - "Party Line"

Já se sabe desde setembro que os escoceses Belle & Sebastian estão de regresso aos discos com um novo álbum. Esse trabalho irá chamar-se Girls In Peacetime Want To Dance e verá a luz do dia a vinte de janeiro através da Matador Records, sendo o primeiro da banda em quatro anos, desde Write About Love.

Hoje foi divulgado o primeiro single de Girls In Peacetime Want To Dance; A canção chama-se Party Line e conduz-nos de volta ao indie pop mais orelhudo, com aquele requinte vintage que revive os gloriosos anos oitenta. Confere...


autor stipe07 às 18:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 25 de Outubro de 2014

DRLNG - Icarus EP

Os Plumerai juntaram-se em 2011 para fazer música e assim nasceu uma banda em Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras), James Newman (baixo) e Mickey Vershbow (bateria). Agora, três anos depois, alguns dos integrantes dessa banda resolveram dar vida a um novo projeto paralelo intitulado DRLNG (darling), que se estreou no passado dia dezasseis de outubro com um EP intitulado Icarus, disponível numa edição limitada em vinil de 12" e no bandcamp e soundcloud do projeto.
Gravado por Alex Gracia-Rivera nos estudios Mystic Valey, um dos poucos estúdios americanos que usa ainda apenas e só equipamento analógico, este EP contém quatro excelentes canções que apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura e límpida de Eliza é um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas de Martin têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz de Eliza, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Icarus, o tema homónimo, permite-nos desde logo dissecar diferentes vias e infuências, já que, ao mesmo tempo que há uma paisagem sonora que transparece calma e serenidade, também existe na guitarra uma tensão constante, numa melodia amigável e algo psicadélica, que se arrasta até ao final num longo diálogo entre a distorção e o timbre do baixo. My Gipsy tem um formato intímo e marcadamente nostálgico e Playground Punk usa a bateria para brincar com os nossos sentidos, sempre à espera do momento certo para explodir. Para o ocaso ficou Seattle, um tema cantado em francês e onde o fio condutor parece incialmente ser o jazz e a folk, mas com o indie rock mais progressivo a ser o grande suporte de uma canção que mostra uns DRLNG que parecem também querer apostar, no futuro, em ambientes sonoros mais ruidosos.

Há uma enorme sensação de conforto durante a audição de Icarus, possibilitada por uma atmosfera rítmica e sonora claramente orientada para permitir aos autores expressarem-se de forma melancólica e, desse modo, exaltarem cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Este EP tem uma expressividade única e claramente intencional, que abrange, de forma reconfortante, o espaço onde é ouvido, como se fosse um manto que permanece sempre cativante, mas também feliz e carregado de esperança. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:14
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Allah-Las – Worship The Sun

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las são Miles, Pedrum, Spencer e Matt e têm um novo disco intitulado Worship The Sun, um trabalho lançado por intermédio da Innovative Leisure no último dia dezasseis de setembro e que sucede a um homónimo que foi o disco de estreia da banda, editado em 2012.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Depois de terem impressionado com o búzio de Allah-Las, estes californianos mantêm a toada no sucessor e trazem o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Levam-nos novamente numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar De Vida Voz e cá vamos nós a caminho da praia ao som dos Allah-Las e de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde a banda reside. E vamos com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos Allah-Las, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação não permitia grande rigor melódico, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos de No Werewolf e do groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre Artifact e Recurring, dois dos melhores temas do disco. Depois, o tema homónimo tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção. Had It All, o single já retirado do disco, obedece integralmente à toada revivalista, com um certo travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Jimmy Hendrix, numa sonoridade simultaneamente grandiosa e controlada. Já as cordas de Nothing To Hide e o efeito que as acompanham, assim como a percurssão groove do tema homónimo e os efeitos hipnóticos da guitarra, sustentam duas das mais belas melodias de um disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Better Than Mine

Uma das canções mais curiosas do álbum é 501-415, a peça mais psicadélica e sintética do disco e com um timbre pouco usual, estado aqui o momento mais experimental de um trabalho que mesmo nos momentos puramente instrumentais, como Ferus Gallery, Yemeni Jade e a já citada No Werewolf, não desilude.

Buffalo Nickel tem o melhor refrão de Worship The Sun, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Follow You Down tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo baixo e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção, uma atmosfera que se repeate no surf rock de Every Girl, uma forma muito luminosa e festiva de encerrar um disco que feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações.

Worship The Sun é, como de algum modo já referi, coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta e é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana. É um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Worship The Sun

01. De Vida Voz
02. Had It All
03. Artifact
04. Ferus Gallery
05. Recurring
06. Nothing To Hide
07. Buffalo Nickel
08. Follow You Down
09. 501-415
10. Yemeni Jade
11. Worship The Sun
12. Better Than Mine
13. No Werewolf
14. Every Girl


autor stipe07 às 22:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Brass Wires Orchestra - Cornerstone

Gravado nos Black Sheep Studios por Makoto Yagyu (PAUS) e Fábio Jevelim (PAUS) e masterizado nos Abbey Road Studios (Londres) por Frank Arkwright (responsável pela masterização também do álbum Neon Bible, dos Arcade Fire), Cornerstone é o novo disco dos Brass Wires Orchestra, um coletivo nacional formado por Miguel da Bernarda, Afonso Lagarto, Rui Gil, Luís Grade Ferreira, Zé Valério, Nuno Faria, António Fontes, Tiago Rosa, António Vasconcelos, nove músicos que formam uma verdadeira orquestra folk que aposta numa fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, tudo assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, amiúde dominados pelos instrumentos de sopro, que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

A expetativa em redor de Cornerstone começou a fervilhar no universo indie nacional, na sequência de uma série de concertos que, tendo acontecido sem o objetivo de elevar a banda para um patamar profissional, revelaram, desde logo, alguns temas que acabariam por se tornar em hinos incontornáveis nos concertos da banda, como é o caso de Tears of Liberty ou Wash My Soul. Impulsionados certamente também por tal impacto, estes músicos decidiram, em boa hora, dar o passo seguinte e a verdade é que este disco é já um marco num ano que está a ser extraordinário e de definitiva afirmação para o cenário musical indie e alternativo português.

Cornerstone é uma belíssima coleção de dez originais feitos com melodias hipnotizantes que conseguem misturar os mais inusitados instrumentos com incrível mestria e com a secção de sopros a ser um elemento importante para criar a energia contagiante e a alegria que estes Brass Wires Orchestra transmitem nas suas canções. São composições sonoras carregadas de texturas, criadas através da justaposição de diferentes camadas de instrumentos e sons, uma conjugação com um elevado cariz contemporâneo e atual, apesar do forte revivalismo que este espetro sonoro sempre encerra. O resultado final é verdadeiramente vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece não querer olhar apenas para o universo tipicamente folk, mas também abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos, as facetas mais soul e blues do próprio indie rock.

Cornerstone tem vários momentos altos e deles não posso deixar passar em claro, por exemplo, os dois tremas já referidos, nomeadamente a sensibilidade de Wash My Soul, o tema de abertura e o ritmo frenético e as cordas inebriantes de Tears Of Liberty, uma canção que cabe na algibeira de todos aqueles que já viveram amores desencontrados e não correspondidos. Depois, ainda há People & Humans, uma canção com uma energia diferente das restantes e que demonstra a versatilidade que os Brass Wires Orchestra já demonstram possuir e Time, um tema que plasma a enorme capacidade que o coletivo possui para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas. No final, The Life I Chose é um dos temas mais curiosos do disco, um título feliz para uma música criada por uma banda que sabe bem qual o caminho sonoro que pretende decalcar e sobre o qual se debruça, assim como sobre outros aspetos importantes da banda e deste trabalho, numa entrevista que me concedeu e que aparece transcrita já a seguir. 

Há definitivamente algo de especial nestes Brass Wires Orchestra e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de frescura e vitalidade, mas onde também há espaço para composições melancólicas, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e descomplicadas. Espero que aprecies a sugestão...

Depois do sucesso alcançado em vários concertos e que revelaram alguns temas vossos que são já hinos incontornáveis, começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para Cornerstone?

Não temos grandes expectativas, queremos apenas a possibilidade de andar por aí a divulgar o nosso trabalho.

Brass Wires Orchestra é um coletivo de nove músicos, certamente de diferentes escolas musicais e origens e com gostos diversificados. Como se consegue colocar ordem na casa e colocar todos a remar no mesmo sentido?

É mais fácil do que se possa pensar. Nós adoptámos linhas estéticas que nos permitem comunicar e compor sempre para o mesmo sentido. 

Como surgiu a possibilidade de gravar o disco nos Black Sheep Studios, com Makoto Yagyu e Fábio Jevelim?

Nós sempre ensaiámos nos BlackSheep Studios, foi um passo natural gravarmos lá com o Makoto e com o Fábio.

Cornerstone foi masterizado nos míticos Abbey Road Studio, em Londres, pelo inigualável Frank Arkwright, que já colocou as mãos em álbuns de nomes tão importantes como os Arcade Fire. Que peso teve este produtor no resultado final?

É sempre de peso ter o selo de qualidade do Frank e dos Abbey Road Studios.

Olhando agora para o conteúdo de Cornerstone, confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de uma frescura e que tem tanta vitalidade . No fundo, em termos de ambiente sonoro, que idealizaram para o álbum inicialmente? E o resultado final correspondeu ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

A nossa visão manteve-se sempre a mesma durante o processo. Com o tempo fomos limando alguns arranjos e escolhas melódicas.

Mesmo nos temas novos já se nota alguma maturidade no que toca a subtileza de arranjos. É uma preocupação nossa.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos e depois existe um processo de agregação?

O processo inicia-se com trabalho de casa. Depois sim, no estúdio de ensaio, trabalhos a base já existente.

Cada elemento é responsável pela sua melodia e surgem de forma muito natural e espontânea. 

Até que ponto é correto dizer que a secção de sopros da banda é o elemento fulcral e decisivo de toda esta trama?

Não seria muito acertado, porque apesar de estarem presentes em todos os temas, são tão importantes como qualquer outro instrumento, são é mais barulhentos.

Confesso que fiquei particularmente surpreso e agradado com o bom gosto do artwork de Cornerstone. Há algo de conceptual e alguma relação direta com o conteúdo lírico e sonoro?

O artwork foi pensado com cuidado, o seu imaginário remete para uma estética com a qual nos identificamos. O responsável foi o Tiago Albuquerque.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

O inglês é para se manter. Todas as nossas referências cantam em inglês e o compositor das músicas, o Miguel, estudou numa escola inglesa e portanto é-lhe mais natural escrever em inglês do que em português.

O que vos move é apenas esta folk feita de composições melancólicas, com um acabamento bucólico, mas também alegre e descomplicado ou gostariam ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Brass Wires Orchestra?

Exploramos cada vez mais sonoridades diferentes. Elementos eletrónicos, pedais de efeitos, etc.

Achamos que o próximo trabalho vai surpreender muita gente pela positiva.


autor stipe07 às 18:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Em escuta...

Facebook

Twitter

Twitter

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Novembro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9


28
29

30


posts recentes

Joan As Police Woman - Th...

Little Arrow - Furious Fi...

Damien Rice – My Favourit...

Pompeii – Loom

Ana Cláudia - De Outono E...

Astronauts - Four Songs E...

Belle & Sebastian – Party...

DRLNG - Icarus EP

Allah-Las – Worship The S...

Brass Wires Orchestra - C...

Engineers - Always Return...

Cloud Castle Lake - Dande...

So Cow - The Long Con

Roadkill Ghost Choir – In...

Pedro Lucas - A Porta do ...

Damien Rice – My Favourit...

Ty Segall - Manipulator

Astronauts – Hollow Ponds

Duplodeck - Verões

Faded Paper Figures – Rel...

X-Files

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

Procura...

 

Visitors (since 31.05.12)

blogs SAPO

subscrever feeds