Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Björk – Blissing Me

Björk - Blissing Me

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, prepara-se para ter sucessor já dentro de dias.

O novo disco da artista islandesa chamar-se-à Utopia, irá ver a luz do dia já dia vinte e quatro, via One Little Indian, e será, de acordo com a própria autora, uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam. Supostamente irá conter algumas ideias e sugestões para um mundo melhor, o que deverá ser mesmo uma realidade tendo em conta Blissing Me, o novo single divulgado do disco, cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. Falo de uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondcional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro. Confere...


autor stipe07 às 21:34
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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

Martin Carr - New Shapes Of Life

Já chegou aos escaparates New Shapes Of Life, o terceiro capítulo da exuberante obra discográfica do escocês Martin Carr e o segundo do artista editado pela Tapete Records. Este é um trabalho que sucede a The Breaks, um registo lançado em 2014 e onde o artista lidou com os sentimentos de separação do mundo que o rodeia mas, por algum motivo que não entende, ficou mais insatisfeito no final do disco do que quando o tinha começado a compôr e desta vez, quis ir mais fundo.

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Misturado por Greg Harver, um amigo de Martin também escocês mas residente na Nova Zelândia e de Clint Murphy, New Shapes Of Life é fortemente influenciado pela herança de David Bowie e tal sucede porque foi a morte desse ícone da cultura contemporânea que acabou por desencravar um período de crise criativa que Carr estava a viver no ano de 2015. O músico tinha-se refugiado no seu estúdio em Glasgow com o propósito de compôr novas canções, os resultados eram infrutíferos, mas a morte de Bowie despoletou em Carr o desejo de se embrenhar em toda a discografia do artista inglês, assim como em filmes e biografias sobre esse artista e tal experiência ensinou ao escocês a importância de se exprimir através dum determinado meio além de o ter feito refletir sobre a sua vida e nos anos que tinha desperdiçado a viver a vida dum artista mas a negligenciar a arte.

A lírica acabou por ser o ponto de partida das canções, ao contrário do habitual modus operandi de Carr e foi gasta bastante energia nessa componente essencial do processo de construção de uma canção, tendo o artista ido ao limite do seu próprio bem-estar mental, já que foi bastante auto-biográfico durante esse processo. Mas terá valido a pena todo o esforço dispendido já que poemas como o que conduz o tema homónimo ou Future Reflections são apenas dois bons exemplos da superior bitola qualitativa da escrita que se pode conferir neste disco. 

Quanto ao conteúdo sonoro, New Shapes Of Life projeta o autor para um universo sonoro bastante mais dinâmico e expansivo do que os trabalhos antecessores, onde melodias florescentes convivem lado a lado, com enorme frequência, com uma percussão imaculada e exuberante. O rock expansivo e dinâmico de Damocles ou a toda mais atmosférica e etérea de The Main Man acabam por condensar todo o espetro sonoro transversal a um alinhamento muito rico e intrincado instrumentalmente, inclusive ao nível da percussão, mas com os sintetizadores atmosféricos, amiúde um piano sedutor e até alguns sopros a fazerem parte do arquétipo sonoro que definitivamente retira Carr da sua zona de conforto sonora através de um verdadeiro concentrado de soluções melódicas e de arranjos programadas, onde tudo flui de maneira inventiva de modo exuberante e sentido.
Além dos temas já referidos, até ao final, canções como a divagante A Mess Of Everything e o rock épico e pulsante de Three Studies of The Mall Black afagam com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a doutrina deste autor, plasmada num folk rock muito ternurento, mesmo que às vezes pareça escondido no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação.

Há discos que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há instantes em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Álbum fortemente hermético porque que se fecha dentro de um campo muito próprio e por isso particularmente genuíno e emocionalmente pesado, New Shapes Of Life é um bom exemplo de como é possivel apresentar um trabalho artisticamente muito criativo, mesmo que assente a sua sonoridade numa amálgama aparentemente improvável que mistura folk, indie pop e indie rock, com post rock e alguns elementos eletrónicos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:46
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Quarta-feira, 11 de Outubro de 2017

Fink - Resurgam

Três anos depois do excelente álbum Hard Believer, o projeto Fink de Fin Greenall (voz, guitarra), um músico britânico com quarenta e cinco anos, natural de Bristol e que, deambulando entre Londres e Berlim, vai-se destacando não só como músico, mas também como compositor e produtor para outros projetos, está de volta com Resurgam, dez canções que viram a luz do dia no final de setembro e que catapultam este projeto para um nível qualitativo de excelência numa carreira sempre a subir, disco após disco.

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O título deste novo disco de Fink é inspirado numa inscrição de origem latina que o autor encontrou numa igreja quase milenar de Cornwall, sua cidade natal e cujo espírito e significado faz-se sentir, transversalmente, ao longo de todo o alinhamento, produzido pelo carismático Flood (PJ Harvey, U2, Foals, Warpaint, The Killers) e gravado nos estúdios Assault & Battery Studios, que este produtor partilha com Alan Moulder no norte de Londres.

Num projeto em que os dois maiores trunfos são a belíssima voz de Fin e o magnífico trabalho instrumental, principalmente de Tim Thornton, à frente da bateria e da guitarra, ficamos logo agarrados ao disco com Resurgam, o tema homónimo de abertura, feito de uma melodia que tem por base uma bateria e a voz de Fink impregnada de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado e algumas cordas. Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e orgânico e com uma forte toada blues. Depois, no clima envolvente de Day 22, bastante influenciado por alguns arranjos de sopros inebriantes e na sumptuosa delicadeza do piano que baliza Cracks Appear, ao qual vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de uma guitarra eletrificada, percebe-se que há não só um maior arrojo pop relativamente a Hard Believer, mas também a assunção por parte do autor de que a opção por um alinhamento sinuoso e cativante e que nos convide frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno, acaba por ser a opção certa não só para conseguir materializar os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, mas também para chegar a um número ainda maior de ouvintes que ainda não tiveram a oportunidade de se deliciar com a filosofia estilística deste artista tremendamente dotado.

Na verdade, além dos temas já citados, não faltam neste disco, vários outros exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo do cardápio de Fink. Se o transbordar de um sentimento algo angustiante e sentido à boleia do piano em Word to The Wise e da viola em Not Everything Was Better In The Past mostram um lado do músico algo inquietante e a suplicar por um outro patamar de serenidade, já a subtil clareza da batida sincopada que alimenta a sempre crescente The Determined Cut e a suavidade contínua e algo subtil de Godhead oferecem-nos, em oposição, um Fink mais sorridente e esperançoso, um exímio e lúcido contador de histórias que servem a qualquer comum dos mortais.

Resurgam está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Fink - Resurgam

01. Resurgam
02. Day 22
03. Cracks Appear
04. Word To The Wise
05. Not Everything Was Better In The Past
06. The Determined Cut
07. Godhead
08. This Isn’t A Mistake
09. Covering Your Tracks
10. There’s Just Something About You


autor stipe07 às 21:25
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Domingo, 8 de Outubro de 2017

The Clientele - Music For The Age Of Miracles

Alasdair MacLean e Anthony Harmer conhecem-se e tocaram juntos em meados dos anos noventa mas perderam contacto. Actualmente, vivem a pouca distância e a sugestão duma sessão experimental juntos levou a que Anthony fizesse os arranjos das músicas de MacLean e isso aconteceu até terem músicas suficientes para um disco. MacLean perguntou a James Hornsey (baixo) e Mark Keen (bateria, piano e percussão) se queriam fazer um novo disco de The Clientele e assim nasceu Music For The Age Of Miracles, o primeiro disco em sete anos desta banda mítica do indie rock psicadélico das últimas duas décadas, um alinhamento de doze canções abrigado pela Tapete Records.

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Logo em The Neighbour, no esplendor de uma viola acústica à qual se junta, pouco depois do início do tema, a congénere elétrica, mas também violinos e uma bateria pulsante, ficamos com a certeza que nos aguarda uma sequência eloquente e grandiosa, proporcionada por um projeto com uma linguagem sonora que até já foi influenciada por sonoridades mais cruas e até próximas do punk, mas que hoje subsiste, de modo bastante particular, à sombra de uma folk pop encharcada com melancolia e romance. De facto, em Music for The Age Of Miracles, MacLean e Harmer procuraram um som mais imediato e acessível do que os trabalhos antecessores, mas igualmente profundo, sedutor e comunicativo.

Depois desse início prometedor, no piano enternecedor do instante instrumental Lyra In April percebe-se a busca de um ambiente intimista e poético, com Lunar Days, logo a seguir, a cimentar essa demanda e, consequentemente, o ambiente geral de um disco que instrumentalmente olha para as cordas com amor e até alguma sofreguidão, mas que também pede às teclas e à bateria para darem o melhor de si na criação do tal ambiente sedutor e envolvente.

Music For The Age Of Miracles está, portanto, repleto de momentos elegantes, bonitos e que merecem dedicada audição, no modo como impressionam e cativam. A progressão simples inicial dos acordes da arrebatadora Falling Asleep, os curiosos efeitos percussivos e depois, em opsição, alguns arranjos deslumbrantes no final, praticularmente ricos, numa das canções mais pessoais do registo, são um excelente tónico para quem quiser realmente deixar-se envolver pela riqueza estilística actual destes The Clientele. Na sequência,o requinte percurssivo e o solo de trompete a cargo de Leon Beckenham em Everything You See Tonight Is Different From Itself, assim como a melodia doce e aditiva de Everyone You Meet, também têm a capacidade de mostrar uma faceta dos The Clientele algo inédita, porque residindo num universo algo sombrio e entalhado numa forte teia emocional amargurada, demonstram e ampliam, desta vez, a capacidade para compôrem, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo, mas também plenos de cor, luminosidade e optimismo. Depois, instantes curiosos como o som do vento captado no exterior da casa do realizador Derek Jarman em North Circular Days, dão um cariz ainda mais abrangente e rico à filosofia criativa que norteou a concepção do trabalho.

Álbum muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade, Music for The Age Of Miracles firma uma posição forte dos The Clientele na classe das bandas que atingiram uma posição de relevo no universo sonoro em que se inserem, apostando em canções extremamente simples e outras que soam mais ricas e trabalhadas, sempre com um intenso charme a apoderar-se invariavelmente de todas elas. Espero que aprecies a sugestão...

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1. The Neighbour
2. Lyra in April
3. Lunar Days
4. Falling Asleep
5. Everything You See Tonight Is Different From Itself
6. Lyra in October
7. Everyone You Meet
8. The Circus
9. Constellations Echo Lanes
10. The Museum of Fog
11. North Circular Days
12. The Age of Miracles


autor stipe07 às 21:58
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Quarta-feira, 4 de Outubro de 2017

Cinnamon Tapes - Nabia

Cinnamon Tapes é o nome artístico de Susan Souza, uma cantora e compositora brasileira, natural de São Paulo, que acaba de se estrear nos discos com Nabia, quase quarenta minutos de uma pop folk introspetiva bastante profunda e um pouco enigmática, que viu a luz do dia através da Balaclava Records e que deve também muito do seu sumo e conteudo à relação de amizade da artista com Steve Shelley, antigo membro dos Sonic Youth.

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É ao som da viola que Susan reflete sobre o mundo à sua volta, fazendo-o, curiosamente, com um certo misticismo, porque no seu universo lírico, ora em inglês ora em português, são várias as referências a elementos como o tarot, o paganismo, ou o zodíaco, este último explícito em Lua, Terra e Sol, por exemplo, mas também com um elevado grau de impressionismo realista, já que as histórias que conta são comuns a qualquer ser humano que anda por cá e que sente algumas dificuldades em ser feliz e sentir-se realizado.

São, no fundo, temas que exalam um certo feminismo algo angustiado, mas também uma acolhedora melancolia, onde a vertente mais acústica destila os sentimentos amargurados e soturnos e os instantes mais elétricos e de maior amplitude instrumental oferecem as composições mais desconcertantes, experimentais e luminosas de Nabia, como é o caso de Cinnamon Sea ou o piano agridoce de Ventre.

Este alinhamento exige tempo, mas quanto mais nos aventuramos nele, melhor percebemos o quanto Susan é uma excelente intérprete como cantora, compositora e até como produtora. Por mais que demore a entrar, quando desvendado Nabia tece no ouvinte uma teia sonora e poética que toca e emociona, mesmo que algumas nuvens tentem bloquear essa sensação. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:38
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

Time For T - Hoping Something Anything

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o novo registo de originais dos Time for T de Tiago Saga. Refiro-me a um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, por este jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues.

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Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso das batidas e dos arranjos de Ronda, como ao próprio jazz, exuberante nos sopros e nas teclas de Back to School, indo também até ao blues experimental em India, aquele rock mais impulsivo e cru, audível em Rescue Plane e ao mais boémio que procura ser melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que a divertida Wax plasma na perfeição.

Este é, portanto, um compêndio de catorze canções ecléticas, com metade delas compostas logo desde o lançamento do ep homónimo do grupo em janeiro de 2015 e a outra metade inspiradas pela viagem de Tiago Saga à India no início de 2016. Mas, independentemente deste balizar temporal, cada uma delas tem vincada a sua própria identidade, estando todas de certo modo livres daquelas amarras que uma produção demasiado cuidada e límpida muitas vezes causa. Como o disco foi produzido pelos próprios Time For T, os temas acabam por soar aquele charme genuíno que os registos mais orgânicos quase sempre possuem. Ao vivo as versões dos temas não deverão diferir muito, nomeadamente em termos de arranjos e esse é, claramente, outro grande atributo deste Hoping Something Anything, um disco para ser escutado e saboreado num final de tarde relaxante e, de preferência, solarengo, juntamente com um bom chá,quente ou frio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:29
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Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

Tomara - Favourite Ghost

Já chegou aos escaparates Favourite Ghost, o disco de estreia do projeto Tomara da autoria de Filipe Monteiro, um músico que começou por estudar Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes e que trabalhou em vídeos e na parte visual de concertos de nomes como os já extintos Da Weasel, mas também com Paulo Furtado, David Fonseca, Rita Redshoes, António Zambujo e Márcia. São oito canções plenas daquela nostalgia que provoca encantamento e torpor, temas que enquanto suavemente entram pelos nossos ouvidos, inapelavelmente nos arrebatam e conquistam e em definitivo.

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Logo nas cordas de Hollow Filipe Monteiro convida-nos ao exercício de contemplar o mundo que nos rodeia e, emsimultâneo, a acompanhar o modo como ele também observa o mesmo espaço exterior, mas com uma assertividade incomum, referindo que o mesmo se constrói de exercícios filosóficos que se transformam em tratados lançados para o barulho dos nossos dias e que é importante, vestirmo-nos, se de sapiência formos ricos, do que vale a pena. Este convite inicial e a posterior citação do autor acabam por ser o mote para um álbum que faz uma reflexão crítica bastante pessoal de uma contemporaneidade comum a todos nós, mas que pode ser observada e analisada com diferentes olhares e através de diversos ângulos, sendo o de Filipe claramente aquele que privilegia a componente visual e a musicalidade dessa mesma abordagem.

O disco prossegue e o balanço suave das teclas, as guitarras efusivas e a bateria marcante de Coffee And Toast, a primeira amostra divulgada de Favourite Ghost, remete-nos exatamente para esse universo impressivo, em que a música possibilita a formulação de um ideário e uma trama passíveis de desfilar pela nossa mente, neste caso explicada, novamente pelo próprio autor, como uma canção que narra de forma bela e redentora dias em que a felicidade foi, circunstancialmente, mergulhada num qualquer nevoeiro desordenado e difícil, quase penumbroso, mas com a música a voltar a colocar tudo nos eixos, já que devido a ela o amor emerge ressoante.

Daí em diante, qual soberano dos afetos, Filipe tanto nos faz sorrir sem medo do amanhã defronte da luz que exala da folk intuitiva que reina na acusticidade do tema homónimo, como faz balançar suavemente todo aquele caldo de sentimentos e ressentimentos que o nosso coração guarda sem rancor ao som da guitarra eletrificada que sustenta For No Reason, conseguindo também a proeza de, na pop caleidoscópica algo intrincada de Hope for The Beast, nos fazer acreditar piamente que por detrás dos nossos maiores monstros poderá estar aquele às de trunfo que precisamos de levar a jogo para que tudo volte a fazer sentido.

Favourite Ghost é um manual delicioso de exorcização e crença, com o bónus de carregar nos ombros além do rico manancial lírico que permite tal desiderato, conter ainda deliciosas canções adornadas por uma tranquilidade acústica, uma filosofia estilística que impressiona e fica exemplarmente descrita, guiada quase sempre por guitarras, ora límpidas, ora plenas de efeitos eletrificados algo insinuantes, mas sempre com uma profunda gentileza sonora. Muitas vezes, como é o caso de Land At The Bottom Of The Sea, a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e depois, canções como a cândida e intimista The Road ou o minimalismo suave delicioso de House, são outros exemplos extraordinários de temas que transbordam uma majestosa e luminosa melancolia.

Favourite Ghost conta com algumas participações especiais, nomeadamente Márcia na voz, no tema House e depois o quarteto de cordas de Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Ana Claúdia Serrão, que já gravaram, por exemplo, com Old Jerusalem e João Cabrita, João Marques e Jorge Teixeira nos sopros. Confere, já a seguir, a entrevista que o Filipe Monteiro gentilmente me concedeu e espero que aprecies a sugestão...

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Hallow

Coffe And Toast

Favourite Ghost

For No Reason

Hope For The Best

The Road

House (feat. Marcia)

Land At The Bottom Of The Sea

Olá Filipe. Obrigado pelo tempo que disponibilizas para responder ao meu blogue. É um gosto ouvir o teu disco de estreia, que me encantou imenso, confesso. Estudaste Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes e trabalhaste em vídeos e na parte visual de concertos de nomes importantes do nosso panorama musical. Como surgiu a ideia de te tornares também um músico?

Na verdade sempre fui músico ainda antes de ser tudo aquilo que mencionaste. O percurso que fui traçando na área do vídeo e da realização foi sendo construído sempre em paralelo com a musica. Após a “extinção” dos Atomic Bees, banda da qual fiz parte em finais dos 90’s, continuei a tocar com a Rita Redshoes (vocalista dos Atomic) e acompanhei-a em estúdio e no palco durante os dois primeiros discos. E agora toco com a Márcia desde 2011 e produzi o Casulo de 2013. A musica sempre esteve nos meus dias, antes de tudo o resto.

Favourite Ghost é, então, o título do teu álbum de estreia. Um título muito curioso que sustenta, na minha opinião, oito canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional. Começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este novo trabalho e como surgiu o título?

A minha grande expectativa, até agora, era terminar o disco porque foi um processo muito longo. Comecei a trabalhar nele em 2011 e só agora é que vai ver a luz do dia. Agora que está prestes a ser editado acho que o máximo que posso desejar é que ele consiga chegar aos ouvidos de quem por ele se afeiçoe. Não muito mais que isso, e já não é pouca coisa nos dias que correm.

O titulo vem de uma das canções que o compõem. Foi uma canção que escrevi para a minha filha que tem agora 5 anos e meio. É uma canção muito especial para mim e sintetiza muito do que é abordado no disco; fala de um amor incondicional, mas também do medo, da esperança e do Futuro. Os favourite ghosts são os medos essenciais que nos podem vir a definir, para o bem e para o mal, se não aprendermos a lidar com eles. Todo o disco é um reconhecimento desses medos ou fantasmas; uma tentativa de os olhar nos olhos e aprender a conviver com eles. E se não são ultrapassáveis, pelo menos para já, então que os mantenhamos à vista e por perto. Aprender a conviver com isso.

Quando é que este álbum começou a nascer na tua mente?

É uma vontade que vem desde sempre, mas que arrumei numa caixa, longe da vista, durante muitos anos. Mas a ideia concreta de fazer o disco, de assumir isso para mim próprio começou algures em 2011. Daí até hoje foi todo um processo demorado, com muitas interrupções pelo caminho. Se o disco hoje existe devo-o à Márcia que me “empurrou” para o fazer. E me amparou durante todo o processo.

Como é o teu processo de composição? Em que te inspiras para criar estas melodias que me pareceram tão próximas e que cativam com tanta intensidade? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea, ou são criadas individualmente, ou quase nota a nota e depois existe um processo de agregação?

Não tenho uma regra. E neste disco isso acontece. Há canções que nasceram da forma mais irreflectida que se possa imaginar. E a maioria talvez tenha surgido assim. Depois nos arranjos é que talvez as coisas difiram muito de caso para caso. A Coffee and Toast e a Favourite Ghost, por exemplo, são canções que levaram algum tempo até encontrarem a sua forma final. Mas quando encontro o “sitio” certo para uma canção é-me muito fácil reconhecê-lo. A For no Reason ou a House são canções cujo arranjo eu encontrei muito instintivamente, tal como os temas instrumentais.

Li algures que Favourite Ghost debruça-se sobre a capacidade de fazermos escolhas e filtramos o que mais nos interessa e nos faz feliz neste barulho dos nossos dias. É mesmo esta, no fundo, a grande mensagem que queres transmitir neste disco?

Essa citação é do Ricardo Mariano que escreveu o press release para o disco. Eu acho que estou demasiado próximo para conseguir ter a necessária lucidez. Mas fiquei muito feliz quando li essa frase por perceber que do disco ele teria retirado essa ideia. E gosto de acreditar que o disco transmite isso. Uma ideia de necessidade de auto-preservação daquilo que é mais importante para cada um. Não é fácil manter o tino nos dias que correm.

Favourite Ghost conta com algumas participações especiais, nomeadamente Márcia na voz, no tema House e depois o quarteto de cordas de Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Ana Claúdia Serrão, que já gravaram, por exemplo, com Old Jerusalem e João Cabrita, João Marques e Jorge Teixeira nos sopros. Como foi selecionar e agregar nomes tão ilustres à tua volta? Eram pessoas com quem quiseste desde logo, à partida, trabalhar neste disco, ou foram surgindo e sendo convidadas à medida que as canções iam tomando forma no teu âmago?

A Márcia foi uma escolha óbvia. Além de ser a minha grande companheira de Vida foi a pessoa que me levou a assumir que queria fazer um disco, e que tinha de o fazer. Devo-lhe isso e muito mais. E a canção que cantamos só poderia ser cantada por nós, a dois.

As cordas e os metais surgiram já na recta final de produção do disco. Algumas canções pediam para crescer mais um pouco. E procurei, entre amigos, as pessoas certas para me ajudarem a concretizar isso.

Confesso que o que mais me agradou na audição deste álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase imperceptível, conferindo à sonoridade geral de Favourite Ghost uma clara sensação de riqueza e bom gosto. Em termos de ambiente sonoro, o que idealizaste para o álbum inicialmente correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

Alterações de fundo não. As canções foram crescendo lentamente. Como o processo foi tão demorado fui tendo tempo e distância para as imaginar com muita calma. Por isso não houve nenhum volte face em nenhuma canção. Simplesmente umas estiveram mais tempo em gestação.

Durante a feitura do disco, houve outros que tivesses ouvido muito e te tenham influenciado?

Nem por isso. Ou pelo menos não directamente ou conscientemente. Aquilo que ouço e me cativa não me faz necessariamente querer estar próximo artisticamente. Um dos discos que mais ouvi nestes últimos tempos foi o do Benjamin Clementine. O disco inspira-me imenso mas se calhar a outros níveis, não propriamente na musica que faço. Acho que só consigo fazer aquilo que sou. E eu não sou o Benjamin Clementine. Mas sinto as influências muitas vezes quando componho. E não fujo delas. São referências que fui acumulando ao longo dos anos e algumas nem são propriamente de artistas que tenha ouvido assim com tanta intensidade. Mas estão próximos do meu DNA.

O teu single Coffee and Toast, teve, na minha opinião, uma excelente e justa aceitação, quer por parte do público, quer por parte da crítica. Surpreendeste-te com a popularidade de uma canção que até não vai muito de encontro aos géneros populares do momento e tal facto também te fez aumentar as expectativas relativamente a este pontapé de saída do projeto Tomara?

Fiquei muito feliz com a recepção ao Coffee and Toast. Tenho perfeita consciência que a minha musica não é talhada para um mainstream e daí as minhas expectativas centrarem-se apenas na vontade de que a musica chegue aos ouvidos de quem dela possa gostar. E sei que esse público existe. Acho que foi um primeiro passo bonito.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantares em inglês e a opção será para se manter?

Não existe nenhuma razão especial excepto o facto de me sentir bem a cantar e escrever em inglês. Foi e é uma ambição minha para este projecto ter canções em português porque acho que não há forma mais intensa de comunicar do que na nossa própria língua. Mas neste disco isso acabou por não fazer sentido porque as canções nasceram desta forma e nesta língua. Tentar forçar isso pareceu-me um exercício contra-natura, que iria retirar muita da honestidade que reconheço no disco. No futuro sim, espero conseguir fazer isso e inclusive ter outras vozes a cantar com a minha. Pode parecer estranho dizer isto de um projecto em que gravo os instrumentos todos e canto as canções sozinho, mas a minha ambição para TOMARA é que se torne cada vez mais um projecto colaborativo e não solitário. Este foi apenas o primeiro passo e teve de ser dado desta forma.

O que vai mover Tomara será sempre esta pop folk simultaneamente vibrante e contemplativa, com pitadas de jazz e blues, ou gostarias ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico deste projeto?

Não tenho fronteiras estilísticas para além do meu próprio DNA musical. O processo criativo leva-te sempre (se estiveres aberto a isso) a alargar as tuas próprias fronteiras e acho que isso irá acontecer naturalmente. As minhas “raízes” Folk talvez se mantenham perenes no caminho mas abrem espaços para deixar entrar outras cores. E isso é um processo orgânico e contínuo. Nunca farei um “esforço” para chegar a determinada sonoridade porque isso seria travestir-me artisticamente e não acredito nisso. Pelo menos não para mim.

Obrigado! Um abraço ☺

Obrigado eu pelas perguntas atentas e generosas.


autor stipe07 às 21:52
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Sábado, 16 de Setembro de 2017

The Fresh And Onlys – Wolf Lie Down

Lançado através da Sinderlyn Records, Wolf Lie Down é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a Long Slow Dance (2012), ao EP Soothsayer(2013) e ao aclamado House of Spirits (2014) sendo já o sexto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco, na Califórnia e formado por Tim Cohen, ao qual se juntam, atualmente, Shayde Sartin e Kyle Gibson, com James Kim e James Barone a serem os bateristas de serviço em várias canções deste disco.

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Tim Cohen tem tido um ano de 2017 bastante produtivo. Depois de um disco a solo intitulado Luck Man está de regresso com os seus The Fresh And Onlys à boleia de um álbum com oito canções que mantêm o projeto numa elevada bitola. É um registo composto por excelentes canções que logo a abrir, com o tema homónimo, refletem um indie rock portentoso, com aquela sonoridade tipicamente americana. Mas não é só Wolf Lie Down que nos esclarece acerca do feliz acerto deste alinhamento. Daí em diante não faltam outros instantes onde guitarras plenas de fuzz conduzem melodias cativantes, num som que sabe claramente às suas origens, porque exala um odor que se distingue de imediato, tal é a energia deste fio condutor que explora até à exaustão e com particular sentido criativo um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, transporta lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Se o referido tema homónimo debruça-se sobre alguém que anseia quase desesperadamente por um grande amor,  já Black Widow, a canção que encerra Wolf Lie Down, é uma narrativa profunda sobre o lado mais negro da mente humana, sustentada, curiosamente, numa gentil melodia acústica que serve de contraponto ao ideário lírico da canção. E acaba por ser nesta deriva entre dois pólos que muitas vezes se entroncam e misturam na história de cada um de nós que Cohen se inspira para escrever canções que atingem facilmente o nosso âmago, tal é a autenticidade e impressionismo que transportam. Pelo meio, na subtil indiferença do expermentalismo de Walking Blues, na visita que nos é oferecida ao antigo oeste selvagem na curiosa Becomings ou no charme funky que dá ainda mais cor à cósmica Qualm Of Innocence, ampliada por um coro gospel, nunca nos sentimos aborrecidos à medida que vão desfilando belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado, alguns arranjos de sopros e distorções hipnotizantes que impressionam até quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

É bom perceber que Cohen sente-se cada vez mais confortável e maduro na sua posição de reverendo denunciador de tudo aquilo que hoje cativa e inquieta toda uma geração que, a meio do seu percurso existencial, vê todo um legado de ideiais e valores prestes a esfumar-se no meio de uma sociedade cada vez mais frenética e tecnológica. O cariz orgânico e assumidamente rugoso de Dancing Chair expressa esta espécie de grito de revolta, enquanto agrega, bem no centro do alinhamento de Wolf Lie Down, esta viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula de variadas referências noise, folk e psicadélicas. Tal é conseguido através de um som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, sempre com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - Wolf Lie Down

01. Wolf Lie Down
02. One Of A Kind
03. Qualm Of Innocence
04. Walking Blues
05. Dancing Chair
06. Impossible Man
07. Becomings
08. Black Widow


autor stipe07 às 12:30
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Quarta-feira, 6 de Setembro de 2017

Andrew Belle – Dive Deep

O compositor e músico californiano Andrew Belle regressou este verão aos discos com Dive Deep, onze canções escritas e compostas por um dos intérpretes mais importantes da indie pop atual no lado de lá do atlântico, um artista que conhece, com minúcia e destreza, como replicar um ambiente sonoro multicolorido e espetral, sendo claramente influenciado pela paisagem multicultural de Los Angeles, cidade onde Andrew vive atualmente.

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O alinhamento de Dive Deep contém um forte cunho impressivo enquanto explora algumas das mais contemporâneas interseções entre pop e eletrónica, através de uma vasta paleta instrumental que dando primazia ao sintetizador não deixa também de recorrer a alguns detalhes e arranjos de índole mais orgânica, em especial os percurssivos.

No clima etéreo e fortemente climático de Horizon e na batida pulsante de Black Clouds encontramos, logo à partida, um som cheio e irrepreensivelmente produzido, repleto de pequenas nuances que nos vão espevitando e nos fazem manter o foco na audição, à medida que Belle explana todos os seus atributos não só como cantor, mas também, e principalmente, como escritor de poemas que servem a todos quantos procuram viver com intensidade e procuram usufruir o que de melhor a vida pode proporcionar.

Depois de um excelente ano em 2013, que teve como momento alto a edição do aclamado disco Black Bear, Andrew perdeu a voz durante dois meses e nesse período sentiu enorme receio de ter de lidar com um futuro sem a música no centro da sua vida. Felizmente recuperou desse grave problema de saúde e este Dive Deep reflete, com honestidade e uma certa exaltação, a alegria que o músico voltou a sentir por ter novamente a capacidade de utilizar os seus atributos vocais para transmitir tudo aquilo que o emociona.

Dive Deep acaba por ser um disco que debruçando-se sobre a normalidade da existência humana e as suas rotinas, procura também vestir a pele de conselheiro na hora de tomar aquelas decisões que tantas vezes definem a ténue fronteira que nos separa do mundo da ignorância e dos medos, do usufruto pleno dos desafios com que somos constantemente confrontados. É um disco de esperança, de coragem, alegre e positivo e que não nos deixa paralisar na indecisão e na dúvida, até porque, conforme indica o tema homónimo, são muitas as vezes em que aquilo que de melhor nos sucede é consequência de um anterior mergulho corajoso no desconhecido e na indecisão. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Belle - Dive Deep

01. Horizon
02. Black Clouds
03. Down
04. Honey And Milk
05. Dive Deep
06. T R N T
07. New York
08. You
09. Hurt Nobody
10. Drought
11. When The End Comes


autor stipe07 às 14:26
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Terça-feira, 29 de Agosto de 2017

We Invented Paris – Catastrophe

Já chegou aos escaparates Catastrophe, o novo álbum dos suiços We Invented Paris, um trabalho que sucede ao excelente Rocket Spaceship Thing que divulguei em 2014 e cujas treze canções catapultam esta banda liderada por Flavian Graber para um novo patamar de excelência dentro de um paradigma sonoro que, numa esfera eminentemente pop, tanto abraça a folk como a eletrónica futurística, mas de forte pendor retro, criando, desta vez, a banda sonora perfeita para aquilo que um realizador cinematográfico dos anos oitenta imaginaria que fosse hoje o nosso planeta, caso tivesse de colocar numa tela as suas visões trinta anos após esse presente.

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Começa-se a escutar a atmosfera sintética de Looking Back e o modo como o efeito metálico de uma guitarra vibrante atravessa os teclados para se perceber que estes We Invented Paris são um coletivo que aposta numa sonoridade indie com uma forte cariz épico, feita com melodias que transportam uma enorme carga emocional, também bastante ampliada pela irrepreensível postura vocal de Flavian. É uma sonoridade que revela uma enorme competência e interessante grau de criatividade, no que diz respeito ao processo de criação melódica, o que resulta numa atmosfera invulgar e muito agradável de escutar, à qual não escapa nenhuma das treze canções deste Catastrophe.

Na verdade, quase todas as músicas são singles em potência; Em sequência, o timbre funk do baixo e da bateria e o efeito robotizado da voz em Fuss, a luminosidade dos arranjos e do piano que proporcionam uma faceta algo sensível e cândida a Kaleidoscope, os sintetizadores vintage e os ecos que ressoam em High Tide, o rock inebriante e impulsivo de Air Raid Shelter e do tema homónimo, o piscar de olhos à melhor pop oitocentista nórdica em Storm ou a balada simultaneamente doce e inquietante chamada A Lake In The Morning mostram o quanto as músicas deste disco são heterogéneas e individuais, cada uma com traços próprios e conseguindo, assim, recriarem, em conjunto, uma atmosfera diversificada ao álbum.

Os We Invented Paris acabam por se destacar porque não são muitas bandas que conseguem agregar tantos géneros musicais diferentes num só trabalho. Neles encontramos quase todos os subgéneros da pop e do melhor rock alternativo, tudo tocado com violas que soam eufóricas, guitarras tímidas, mas também inquietantes e arrebatadoras e sintetizadores que não se envergonham de abraçar uma vasta panóplia de efeitos e batidas contagiantes. Não é fácil encontrar no cenário europeu exterior à realidade anglo-saxónica uma banda que mostre um conteúdo musical com tanta carga emocional e maturidade musical e Catastrophe, ao conter tantos momentos graciosos e suaves, com uma delicadeza notável e uma sensibilidade que se destaca, faz destes We Invented Paris uma banda que vale realmente a pena ouvir muitas vezes e aproveitar cada audição de forma diferente, num disco que desperta múltiplas sensações e que demonstra o quanto eles se sentem confortáveis dentro da sonoridade criativa que seguem e replicam. Espero que aprecies a sugestão...

We Invented Paris - Catastrophe

01. Looking Back
02. Fuss
03. Kaleidoscope
04. High Tide
05. Air Raid Shelter
06. Storm
07. Superlove
08. Spiderman
09. Catastrophe
10. Touriste
11. A Lake In The Morning
12. When Did I Stop
13. Arsonist


autor stipe07 às 21:17
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