Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Vetiver – Complete Strangers

Sexto álbum da discografia de Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, Complete Strangers é, conforme o título indica, uma compilação sentida e honesta da partilha de sensações e eventos que o autor experimentou recentemente em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida. Diário de bordo de um autor que tem tido diferentes músicos a colaborar consigo ao longa da carreira, mas que teve sempre em Thom Monahan, o engenheiro de som e produtor deste disco, o seu parceiro mais fiel, Complete Strangers foi gravado em Los Angeles, com a companhia dos músicos Bart Davenport, Gabe Noel e Josh Adams e quer a batida luminosa de Stranger Still, quer a viola que conduz From No On e, principalmente, Current Carry, além de, logo no início, situarem o ouvinte na heterogeneidade muito própria deste projeto, mostram-nos o efeito que o sol da costa oeste tem na música de Andy e como é bom ele ter-se deixado levar pelos insipradores raios flamejantes que esse astro atirou para as janeas do estúdio onde se instalou, para dar vida a uma folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, que deambulando entre o acústico e o sintético e psicando amiúde o olho a um certo travo psicadélico, criou canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos, que pode muito bem ser a mundialmente famosa indie pop.

Vetiver é mestre a misturar harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz grave, mas suave e confessional, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido, além de arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação. Que melhor exemplo do que o jogo de sedução que se estabelece entre o efeito da guitarra, as cordas de uma viola e um insinuante baixo em Confiding, uma canção sobre as vulnerabilidades próprias do amor, para plasmar o enorme charme da música de Vetiver? Que melhor instante do que aquele em que, em Backwards Slowly, variados efeitos percussivos e um sintetizado se cruzam com essa mesma guitarra e a cândura da voz de Andy, para nos levar fazer querer ir até à praia mais próxima e enfrentar esse mesmo sol bem de frente para sermos ilmunados pela mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções? Que melhor ritmo, do que aquele que sustenta Loose Ends ou a bossa nova de Time Flies By para nos fazer colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal e conseguirmos, finalmente, traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar?

A música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterra-nos num mundo paralelo onde só cabem as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que entre a luz e a melancolia tornam-se verdadeiras e realizam-se, provando que Andy sabe como contar histórias que o materializam na forma de um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade.

Complete Strangers é um daqueles discos que nos vão soar sempre a algo familiar; Escutá-lo pela primeira vez é experimentar aquela sensação que estamos a rever alguém que já se cruzou na nossa vida em tempos e que nos causou sensações boas e partilhou conosco belos momentos quando tal sucedeu. E essa impressão sente-se porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza, ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Os lindíssimos acordes que nos vão surpreendendo ao longo do álbum dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante de calcorrear a vida real, desde que haja portos de abrigo como este durante o percurso, trabalhos discográficos que nos dão as pistas certas para uma vivência existencial plena e verdadeiramente feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Complete Strangers

01. Stranger Still
02. From Now On
03. Current Carry
04. Confiding
05. Backwards Slowly
06. Loose Ends
07. Shadows Lane
08. Time Flies By
09. Edgar
10. Last Hurrah


autor stipe07 às 21:10
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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Of Monsters And Men – Crystals

Of Monsters And Men - Crystals

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn.

Crystals é o primeiro avanço desse disco e para ilustrar a mensagem positiva da composição, assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras, o ator Siggi Sigurjóns surge no video a entoar cada verso da canção com sentimento e emoção. A direção é de Addi Atlondres e Freyr Arnason. Confere...


autor stipe07 às 21:40
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single Of Monsters And Men – Crystals

Of Monsters And Men - Crystals

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn.

Crystals é o primeiro avanço desse disco e para ilustrar a mensagem positiva da composição, assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras, o ator Siggi Sigurjóns surge no video a entoar cada verso da canção com sentimento e emoção. A direção é de Addi Atlondres e Freyr Arnason. Confere...


autor stipe07 às 21:38
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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

Wind In Sails – Morning Light

Editado a vinte e quatro de fevereiro último, Morning Light é o novo disco do projeto a solo de Evan Pharmakis intitulado Wind In Sails, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio do consórcio Equal Vision Records / Headphone Music e que, de acordo com as intenções do autor, está cheio de canções honestas e que pretendem transmitir uma mensagem positiva e inspiradora. Na verdade, em onze canções apenas e com uma viola debaixo do braço, este músico norte americano, oriundo de Newport em Rhode Island, mostra ser exímio na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

As canções de amor nunca passam de moda por muito que haja quem aprecie reforçar o cariz algo frágil e ingénuo da temática. São canções que ficam sempre bem quando são cantadas de modo emotivo e particularmente profundo e sentido como é o caso de Evan, que consegue, com a mesma certeza e simplicidade ,em temas como Push and Shove ou Lucid State, abordar o lado mais exuberante e luminoso dos afetos e, em belíssimos e sentidos instantes sonoros como Keeping Count ou Hanging Over You, oferecer-nos a sua visão mais sombria e comtemplativa das relações humanas.

A guitarra, na sua versão acústica, é, como já referi, o amigo fiel de Wind In Sails, uma extensão viva e inteligente do seu próprio coração, já que não é preciso um grande esforço para sentir vida no modo com as cordas vibram e se entrelaçam com a percurssão para criar lindíssimas melodias, capazes de emocionar o ser mais incauto, sempre harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e que não descuram, por exemplo em The Mess We're In, um certo toque psicadélico e uma toada folk que em Murder Backwards e Set Adrift plasmam um charme indisfarçável muito bem replicado e bastante recomendável.

As canções de Wind In Sails estão cobertas por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Morning Light está imbuído de uma enorme beleza melódica, escuta-se com enorme fluidez, há um encadeamento claro, uma noção de sequencialidade e uma relação clara entre as canções. A postura vocal de Pharmakis, sempre exuberante e capaz de deambular por diferentes tons e registos sem preder a emotividade nas sensações que transmite, é perfeita para encarnar este cosmos temático e em certos momentos é fantástico o modo como mistura harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz confessional, sendo esse um detalhe precioso no modo como Morning Light se mostra um álbum ameno, íntimo, cuidadosamente produzido e arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Em Morning Light Evan Pharmakis assume um rumo muito próprio para este projeto Wind In Sails, avançando em passo acelerado em direção a uma maturidade fortemente espiritual, onde subsiste um ideal de leveza e cor constantes, como se ele quisesse transmitir ao mundo inteiro, com elevado e profundo sentido de urgência que se elogia, todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, seduzindo pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro com um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

Wind In Sails - Morning Light

01. Push And Shove
02. Keeping Count
03. Level Head
04. Lucid State
05. Murder Backwards
06. Side By Side
07. Hanging Over You
08. Set Adrift
09. The Mess We’re In
10. Heart To Focus
11. Wild Child


autor stipe07 às 22:01
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Sexta-feira, 20 de Março de 2015

Rita Braga - Gringo In São Paulo EP

Depois de no delicioso disco de estreia, intitulado Cherries That went to The Police  Rita Braga ter reinterpretado temas oriundos de vários países e em várias línguas, esta portuguesa, filha do mundo, voltou ao estúdio para compôr cinco temas originais e inéditos que idealizou no período em que morou no Brasil em 2013 e aos quais deu o nome de Gringo In São Paulo, um simpático EP gravado na Casa do Mancha, um estúdio de gravação e local de concertos conhecido no cenário musical alternativo e independente da maior cidade da América Latina.

Neste EP Rita Braga manuseia com enorme mestria o ukelele, o seu fiel parceiro e instrumento de eleição, mas também os teclados e uma magnífica voz. O registo conta com a participação de vários músicos de São Paulo, nomeadamente Mancha Leonel (bateria), Bernard Simon Barbosa (guitarra eléctrica e baixo), Pedro Falcão (cuíca e pandeiro), José Vieira (piano), Peri Pane (violoncelo) e Matheus Zingano (guitarra acústica). Chris Carlone, um músico norte americano com quem Rita tem vindo a colaborar desde 2008 também surge nos créditos deste Gringo In São Paulo, misturado e masterizado já do lado de cá do atlântico, em plena invicta, com a ajuda de Marc Behrens, tendo a capa da edição em vinil sido concebida também por Marc Behrens e a própria Rita Braga, uma edição física de sete polegadas que conta com os temas Gringo in São Paulo e Erosão, acompanhado de um download card com os cinco temas que integram o EP.

Apesar da importância do instrumento musical ukelele na vida e na carreira de Rita Braga, que já conta no seu curriculum com digressões extensas nos Balcãs e atuações na Itália, Polónia, Bélgica e Suécia, além de gravações com músicos espanhóis e portugueses e agora brasilseiros e influências declaradas de nomes tão fundamentais como Tom Zé, Carmen Miranda, Bob Dylan, Sílvio Caldas ou Black Sabbath, a música de Rita Braga é como um caleidoscópio de músicas do mundo, onde, no caso concreto deste EP, aquela insinuante habitual pitada tropicália, funciona como uma espécie de cereja no topo do bolo e ajuda a plasmar uma incrível sensação de ligação entre as canções, mesmo que uma audição isolada do alinhamento pareça mostrar mais pontos de desencontro do que convergentes entre as várias composições.

Na verdade, ao longo do alinhamento de Gringo In São Paulo assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e escutar estes vinte minutros é um exercício muito divertido e reconfortante, com um certo teor melancólico, é certo, onde aquela saudade tão portugesa transpira amiúde, mas, simultaneamente, um exercício otimista e alegre, num trabalho cujo conteúdo geral reside nesta feliz ambivalência.

Em pólos apenas aparentemente opostos parecem também situar-se a exuberância da riqueza instrumental e do arsenal material que sustenta as canções (Helicóptero será a excepção desta constatação) e a subtileza com que os diferentes protagonistas sonoros surgem nas músicas. Refiro-me, por exemplo, a alguns dos instrumentos de percussão, muitos num registo quase impercetível, nomeadamente a cuíca no tema homónimo, outros parecendo deliberadamente condutores e líderes das melodias, conferindo à sonoridade geral de Gringo In São Paulo uma sensação, quanto a mim, bastante experimental, apesar do forte cariz radiofónico e pop da música de Rita Braga.

O cenário melódico que transborda das canções, acaba por possuir uma simplicidade particularmente bonita, apesar da tal exuberância instrumental, com a doçura e a inocência que transpira de Helicóptero a ser, quanto a mim, o momento mais elegante e significativo de uma autora versátil, num EP que presenteia-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que faz com que se defina como uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade.

O registo vocal de Rita Braga é, sem dúvida, um dos seus maiores trunfos e a sua elasticidade fantástica. Além de cantar no EP em três línguas (ingrês, português de Lisboa e português de São Paulo), também leva o desempenho vocal a diferentes patamares, onde não falta até uma espécie de registo imitativo no tema homónimo, por sinal cantado em inglês, ou melhor, ingrês (gringo). Parece-me claro que a autora procura comportar-se como uma atriz quando canta as suas canções, e a mesma confirma-o na entrevista que me concedeu e que podes conferir abaixo, encarnando, com a voz, as diferentes personagens que cria, funcionando como recurso estilístico dos diferentes estados de espírito de uma mesma personagem, à medida que vão sendo relatadas diferentes histórias em que ele é protagonista, neste caso a gringa que deambula por São Paulo, havendo, assim, uma explícita vertente dramática na tua música.

Gringo In são Paulo representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único, que deve ser apreciado enquanto nos rodeamos dos melhores prazeres que esta vida tem para oferecer e conferimos um universo cheio de cores e sons que nos causam espanto, devido à impressionante quantidade de detalhes que Rita coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma destas canções. Aqui tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por diferentes épocas, estilos e preferências musicais, em temas que dão as mãos a um emaranhado de referências que têm como elemento agregador a busca de um clima sonoro com um elevado cariz acolhedor, animado e otimista, provando que a canção portuguesa encontrou em Rita Braga mais uma compositora e letrista notável e sofisticada. Espero que aprecies a sugestão...

Antes de abordarmos especificamente o conteúdo de Gringo In são Paulo, há uma pergunta que não resisto formular. Apesar da importância do instrumento musical ukelele na tua vida e na tua carreira, com digressões extensas nos Balcãs e atuações na Itália, Polónia, Bélgica e Suécia, gravações com músicos espanhóis e portugueses e agora brasileiros e influências declaradas de nomes tão fundamentais como Tom Zé, Carmen Miranda, Bob Dylan, Sílvio Caldas ou Black Sabbath, pode-se caraterizar a música de Rita Braga como um caleidoscópio de músicas do mundo?

É possível... É óbvio que tenho pegado em muitas culturas diferentes, tanto falando em géneros e referências musicais como em países (o meu primeiro álbum, “Cherries That Went To The Police”, consiste em versões de canções de várias origens cantadas nas respectivas línguas e o meu projeto a solo tem-se baseado um pouco nessa ideia). No entanto tento mudar as coisas do seu contexto original: toco alguns temas folk mas não da forma tradicional, ou jazz, ou samba, etc. É um bocado o fenómeno de aculturação, ou mesmo “choque cultural”: conhecer as regras do jogo e depois mudá-las e adaptá-las. Este novo disco tem muita influência do Brasil porque foi lá que o fiz e desta vez são composições minhas, no entanto não tentei reproduzir um certo estilo de música brasileira, usei as referências de modo mais subjetivo e pessoal.

Quem é este gringo e o que foi ele fazer a São Paulo? Gringo In São Paulo é um EP conceptual?

É. Na verdade o gringo é uma gringa, é a minha história no Brasil. Com vários momentos. Todas as músicas foram escritas e gravadas durante a minha estadia de poucos meses lá. Tinha essa “missão” que me pus de produzir um disco em São Paulo, com músicos da cidade, e este disco é o resultado.

Ouvir Gringo In São Paulo foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Com um certo teor melancólico mas, simultaneamente, otimista e alegre, o conteúdo geral do trabalho reside nesta feliz ambivalência. As minhas sensações correspondem ao que pretendeste transmitir sonoramente?

Acho que faz sentido. Essa mistura de simultaneamente otimista e alegre com uma dose de melancolia tem muito a ver com o Brasil, e identifico-me com essa maneira de ser, de ter as emoções mais à flor da pele, apesar de não ter sido intencional passar essas sensações para quem escuta o disco.

Confesso que o que mais me agradou na audição do EP foi uma certa bipolaridade entre a riqueza instrumental e a subtileza com que os diferentes protagonistas sonoros surgiam nas músicas. Falo, por exemplo, de alguns dos instrumentos de percussão, muitos num registo quase impercetível, nomeadamente a cuíca no tema homónimo, outros parecendo deliberadamente condutores e líderes das melodias, conferindo à sonoridade geral de Gringo In São Paulo uma sensação, quanto a mim, bastante experimental, apesar do forte cariz radiofónico e pop da tua música. Consideras-te uma compositora rígida, no que concerne às opções que defines para a tua música ou, durante o processo criativo, estás aberta a ires modelando as tuas ideias à medida que o barro se vai moldando, nomeadamente quando as mesmas surgem da parte dos músicos convidados?

A base que compus para as músicas teve uma estrutura fixa (que revi até com o Mancha antes de ir a estúdio, número de estrofes e duração do solo, etc), e direcionei os músicos no sentido dos arranjos mas sempre com espaço em aberto, não lhes disse as notas exatas que tinham que tocar, mas um certo tipo de “feeling”. Por isso as ideias que considerei que faziam sentido foram sempre bem vindas e incluídas. Na fase de mistura e masterização em que trabalhei com o produtor alemão Marc Behrens mudámos ainda pequenas coisas, por exemplo no single recortámos sons da cuíca para imitar buzinas dos carros. Também concordo que tenho um lado experimental, apesar de a sonoridade ser pop e penso que acessível.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

Na maioria das canções que escrevo a melodia é a primeira coisa a surgir e depois trabalho o acompanhamento e as letras, apesar de outras vezes começar por compor com um teclado ou menos frequentemente com o ukulele. A voz é o meu instrumento principal. Acho que o facto de ouvir muita música de vários estilos e de já ter feito tantas versões faz com que tenha um arquivo de memória musical como uma espécie de base de dados que ajuda a criar. Inspiro-me em situações, sítios e pessoas que me rodeiam, tal como me disse um escritor, “the stories are already there”, e cada canção pode ser como uma história ou um poema.

O teu registo vocal é um dos teus maiores trunfos e a tua elasticidade fantástica. Além de cantares no EP em três línguas (inglês, português de Lisboa e português de São Paulo), também levas a tua voz a diferentes patamares, onde não falta até uma espécie de registo imitativo no tema homónimo, por sinal cantado em inglês. Procuras comportar-te como uma atriz quando cantas as tuas canções, encarnando, com a voz, as diferentes personagens que crias, ou a voz serve funciona como recurso estilístico dos diferentes estados de espírito de uma mesma personagem, à medida que vão sendo relatadas diferentes histórias em que ele é protagonista, neste caso o gringo que deambula por São Paulo? Em suma, há uma explícita vertente dramática na tua música?

Sim, há. Para mim funciona como várias personagens, às vezes duas na mesma canção, mas também pode ser o caso de ser a mesma personagem em diferente estado de espírito, deixo isso em aberto. No single invoquei o sotaque inglês da Carmen Miranda e no final o Bob Dylan, ou seja às vezes até podem surgir personagens masculinos. Tal como o Fernando Pessoa e a sua Maria José. Em “Poetas do Fim do Mar”, o sotaque brasileiro que tentei reproduzir é a dos cantores da rádio dos anos 30, que se aproxima mais do nosso português, e com um “R” muito exagerado.

Adoro a doçura e a inocência que transpira de Helicóptero. A Rita tem um tema preferido em Gringo In São Paulo?

Penso que não tenho um tema preferido... nos últimos dias a “Erosão” tem estado mais presente porque terminámos o clipe há pouco tempo, foi a primeira vez que filmei aqui na zona do Porto e gostei de trabalhar com o Ricardo Leite e o Pedro Neves. Mas fora isso poderia falar de outros temas do disco.

O tema homónimo teve direito a um excelente vídeo de animação idealizado pelo artista sérvio Vuk Palibrk. Como surgiu a oportunidade de trabalhar com um nome tão interessante e o conceito é da tua autoria, foi um trabalho partilhado ou o autor teve carta branca para idealizar o conteúdo?

Conheci o Vuk Palibrk e o seu trabalho gráfico na primeira viagem à Sérvia, quando fui convidada do Festival Internacional de Banda Desenhada GRRR! em 2006, com uma exposição de desenhos e concerto. Para este clipe, sabendo que a animação feita à mão é um trabalho monstruoso que pode levar anos a produzir poucos minutos, pedi para ele usar pedaços de filmes dele, e juntar alguns elementos alusivos à letra da música (prédios, multidão, carros, etc).

O que podemos esperar do futuro discográfico da Rita Braga?

Estou a preparar demos para um futuro álbum a solo que terá por base mais teclados, sintetizadores e caixas de ritmos. Também quero a certa altura gravar um disco de “Chips and Salsa”, o meu dueto com o Chris Carlone. Um mais eletrónico, o outro acústico. Ambos de temas autorais, não excluindo uma ou outra versão.


autor stipe07 às 21:27
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Quinta-feira, 19 de Março de 2015

Houndmouth – Little Neon Limelight

Editado a dezassete de março através da Rough Trade, Little Neon Limelight é o novo álbum dos Houndmouth, uma banda orte americana natural de New Albani, em Indiana, formada por  Matt Myers, Shane Cody, Katie Toupin e Zak Appleby e que chama a si o tipico indie rock norte americano, temperado pela soul e pelo blues, resgatando influências hippies e fortalecendo um som de oposição ao que têm proposto ultimamente as guitarras típicas da cena indie norte americana, nomeadamente num registo mais punk, principalmente o que é oriundo da região de Brooklyn, Nova Iorque.

Os Houndmouth mergulham então numa psicadelia folk algo nostálgica e ligeira, muito à semelhança do que sucedeu nos primórdios do rock influenciado pelo sol da Califórnia e pela maré constante de fuzileiros que partiam para o Vietname, algures nos anos sessenta, além de se apoiarem num som montado em cima de um coletivo musical, que reproduz jovialmente uma força neo hippie que preenche cada instante das onze músicas deste álbum.

Da pop solarenga de Sedona, passando pela toada country de Otis e Honey Slider, a bucólica for No One e por aquele rock ritmado e musculado que Elvis cimentou há meio século e que 15 years replica numa visão mais contemporânea e com alguns tiques gospel a lançarem ainda mais achas para a fogueira, Little Neon Limelight parece uma visita guiada À herança sonora de uma América que inspira uma banda que se entrega de peito aberto a uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, deixando-se consumir abertamente por ´varias referências típicas do outro lado do atlântico e que percorrem cada uma das onze canções e expandem os territórios deste grupo de Indiana.

A simbiose entre estes diferentes géneros possibilita também que eles se encontrem em alguns momentos, como em Gasoline, canção cuja viola acústica e um registo vocal coletivo irrepreensivel formaliza uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, ou no indie rock animado, certeiro e dançavel de Say It, canção que funde guitarras, baixo e teclados com uma percussão com invulgar mestria e que tanto pode animar uma movimentada praia californiana em hora de ponta, como uma quermesse de domingo bem no interior do Tennessee.

Parecendo não se importar por transmitir em alguns momentos uma óbvia sensação de despreocupação, claramente audível na inserção de sons típicos de um convivio em pleno estúdio e que são deixados propositadamente para dar um ar mais natural a algumas canções, Little Neon Limelight cativa pelo modo como espalha um charme e uma delicadez algo invulgares, ao mesmo tempo que transmite sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê enquanto plasma o que de melhor o indie rock norte americano mais genuino ofereceu ao mundo no último meio século. Espero que aprecies a sugestão...

Houndmouth - Little Neon Limelight

01. Sedona
02. Otis
03. 15 Years
04. For No One
05. Black Gold
06. Honey Slider
07. My Cousin Greg
08. Gasoline
09. By God
10. Say It
11. Darlin’


autor stipe07 às 21:39
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Segunda-feira, 16 de Março de 2015

Quiet Quiet Band - Low Noon

Paul, Jon, Scott, Jay, Tom e Devon são os Quiet Quiet Band, um coletivo inglês, oriundo de Londres e que forma uma verdadeira orquestra folk que aposta numa fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, tudo assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Alegres e festivos, já com alguma reputação relativamente aos espetáculos ao vivo, sempre cheios de diversão e alegria, os Quiet Quiet Band são uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor e estrearam-se nos discos com Low Noon, um trabalho que viu a luz do dia a nove de março e uma banda sonora perfeita para uma festa longa e bem regada, num ambiente ao ar livre, preferivelmente rural e bucólico.

Composição sonora carregada de texturas, criadas através da justaposição de diferentes camadas de instrumentos e sons e com um excelente jogo de vozes, Battery Human é o efervescente primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção com um elevado cariz contemporâneo e atual, apesar do forte revivalismo que o espetro sonoro que os Quiet Quiet Band abordam sempre encerra. Mas o tema de abertura, Hunter's Moon, também deixa boquiaberto quem aprecia melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, dominados por cordas, com um resultado final verdadeiramente vibrante e com uma energia bastante particular.

Em How Long  e Looks Like An Ending as mesmas cordas, quer das guitarras, quer dos violinos, servem para criar um ambiente mais melancólico e aconchegante, mostrando que estes Quiet Quiet Band se têm jeito para animar, também conseguem suscitar sensações e sentimentos mais introspetivos e profundos. Mas o ritmo frenético regressa logo de seguida, em Fudge (Highly Poisoned) e com os sons inéditos e naturais de Bunks e do baixo de Carol-Ann testemunhamos um saudável experimentalismo que comprova o modo assertivo como todos os arranjos e detalhes de Low Noon terão sido certamente ponderados de forma muito cuidada, pois só assim se entende o audível aconchego da profusão de sons e de ruídos e poeiras sonoras, muitas sem sentido de ordem aparente, mas que resultam e mostram a originalidade com que os Quiet Quiet Band usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de frescura e vitalidade, mas onde também há espaço para composições melancólicas, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura todo o tipo de sentimentos e emoções, mesmo nas sonoridades mais festivas e descomplicadas.

Low Noon é um passeio movimentado e luminoso por intenso e imenso jogo de texturas sonoras, uma viagem pela essência da folk de cariz mais europeu, idealizada por seis exuberantes replicadores de sons que, sem nunca se entregarem ao exagero, até porque é explícita a toada experimental que ocupa este compêndio folk de enorme beleza natural, parecem não querer olhar apenas para o universo tipicamente folk, mas também abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos, outros universos musicais. Confere...


autor stipe07 às 18:10
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Domingo, 15 de Março de 2015

Villagers – Hot Scary Summer

Os irlandeses Villagers de Conor O'Brien estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical.

A treze de abril chegará aos escaparates Darling Arithmetic, o novo álbum dos Villagers, através da Domino Records e Hot Scary Summer é o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção onde Conor O'Brien canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (all the pretty young homophobes looking out for a fight).

Villagers - Hot Scary Summer


autor stipe07 às 18:47
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Sábado, 14 de Março de 2015

Peixe - Motor

Pedro Cardoso é Peixe, antigo guitarrista dos Ornatos Violeta e hoje um nome fundamental quando é hora de assinalar as principais referências nacionais desse instrumento. Em 2002, formou a banda de rock Pluto e a banda de jazz DEP. 2010 foi o ano da edição de Joyce Alive com o grupo Zelig e mais tarde em 2012 de Apneia, o seu primeiro álbum a solo, infelizmente ignorado por grande parte da crítica. Motor é o seu segundo registo a solo, um disco editado a nove de março último, que merece ampla divulgação pela magnitude qualitativa e beleza ímpar do seu conteúdo, um trabalho gravado, misturado e masterizado por Nuno Mendes.

Preenchido com catorze instrumentais de rara sensibilidade e luz, ao mesmo tempo que é possível absorver Motor como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o seu alinhamento é um exercício reconfortante e que provoca pura satisfação. Ao fazê-lo, percebe-se o modus operandi de Peixe e o modo como através da guitarra projeta inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, num resultado final que impressiona pela beleza utópica das composições, que exploraram ao máximo a relação sensorial humana que o autor estabelece com um instrumento que é um prolongamento físico da sua alma e com o qual atiça todos os nossos sentidos e provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar.

Contendo belíssimas texturas, que vão muito além do mero registo sonoro, Motor trespassa o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui de maneira hermética, sustentada por uma base instrumental concreta, mas plena de nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se os dois protagonistas maiores, músico e instrumento, fossem um só corpo num bloco único de som.

Motor dispensou a componente lírica, mas nem por isso deixa de conter letras pessoais, expressas através de uma notável variedade de acordes, timbre e ritmos, que contam com notável clareza histórias na primeira pessoa de uma pessoa que também se apropria das histórias dos outros para as contar como se fossem suas, quando também são suas. Genuíno e eloquente no modo como dá vida a sentimentos, desejos e emoções de um ser humano, Peixe enche-nos a alma e faz-nos acreditar que é possível ser-se verdadeiramente feliz apreciando as suas pinturas sonoras carregadas de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sua sensibilidade para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:23
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Sexta-feira, 13 de Março de 2015

Cairobi - Distan Fire EP

Com músicos da Inglaterra, México, Itália e Áustria, mas baseados atualmente em Londres, os Cairobi são Giorgio Poti, Salvador Garza, Stefan Miksch, Alessandro Marrosu e Aurelien Bernard, um coletivo que se lançou nos lançamentos discográficos com Distante Fire, um EP que viu a luz do dia a dezasseis de fevereiro.

Animados e melancólicos, mas plenos de energia e focados numa enorme dedicação à causa, estes Cairobi não complicam na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage e são um claro exemplo de que quando a música é boa, esse tipo de projeções e comparações tornam-se inócuos e a data da gravação pouco importa, sendo apenas um mero detalhe formal sem qualquer valor.

Zoraide é a canção que abre o alinhamento de Distante Fire, uma junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso e por ser extremamente dançável, deverá ser objeto do maior deleite e admiração. Esta é, acreditem, uma canção que desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Depois, o batuque e as cordas de Perfect Strangers convencem-nos definitivamente que estamos a escutar algo grandioso, mas sempre controlado, um sentimento plasmado num épico festim que parece implodir a qualquer instante e que o carrocel instrumental de Human Friend, consumindo-nos com um arsenal de efeitos, flashes e ruídos que correm impecavelmente ao longo da melodia, ajuda a cimentar.

O instrumental Please encerra o EP estendendo-se graciosamente por uma passadeira vermelha, à boleia de um belíssimo instante de folk psicadélica. Esta é a canção mais melancólica do EP, um ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada e que prossegue a sua demanda triunfal até ao último segundo com insanidade desconstrutiva e psicadélica, onde também cabe aquela incontestável beleza e coerência dos detalhes que nos fazem levitar.

Com quatro canções que se sucedem articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea, Distant Fire está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição e eleva estes Cairobi para um elevado patamar qualitativo de cenários e experiências instrumentais. Espero que aprecies a sugestão...

Zoraide

Perfect Strangers

Human Friend

Please

 


autor stipe07 às 21:22
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