Quinta-feira, 26 de Maio de 2016

Clock Opera - In Memory

Clock Opera - In Memory

Está prestes a ver a luz do dia o novo registo discográfico dos britânicos Clock Opera de Guy Connelly e com essa nova coleção de canções, uma mão cheia de sintetizadores inebriantes, guitarras, linhas de baixo pulsantes e teclas que acompanham refrões sublimes. In Memory, o mais recente single divulgado desse novo registo, traz-nos esse rock intenso, com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções. Confere...


autor stipe07 às 22:19
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

Unknown Mortal Orchestra - First World Problem

Depois de os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielsen e de Jake Portrait e Greg Rogove, terem-nos oferecido Multi-Love, um dos melhores discos do ano passado, eis que voltam a dar sinais de vida com First World Problem, uma extraordinária canção que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contém a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente.

Além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, esta canção ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior. O volume e a densidade instrumental da canção torna indisfarçável a busca dos Unknown Mortal Orchestra de uma melodia agradável, marcante e rica em detalhes e texturas, com uma grandiosidade controlada e que contém um forte apelo às pistas de dança. Confere...

 


autor stipe07 às 22:06
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Frail - Bones EP

Nova Orleães é a cidade de origem dos Frail, um trio formado por Ben Polito (voz e guitarra), Hunter Keene (bateria) e Nick Corson (baixo), três músicos conceituados do cenário indie local e que já tocaram em bandas como os Grotto Girl, Pudge, The Roses e Squirrel Queen. Bones é o registo de estreia destes Frail, seis canções claramente influenciadas por alguns dos melhores detalhes do indie rock alternativo da última década do século passado e cuja edição, quer digital quer física, tem a chancela da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Neste Bones, os Frail procuraram criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, claramente o ideário lírico privilegiado das suas canções. Na verdade, eles debruçam-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas.

Waiting, o primeiro avanço divulgado do álbum, é uma canção que numa simbiose entre garage rock, pós punk e rock clássico, contém a sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há umas três décadas e logo aí se percebeu a bitola sonora destes Frail e o restante alinhamento, na verdade, não defrauda os apreciadores do género, até porque Lake Charles, por exemplo, também não foge muito a esta toada, apesar de ser um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva.

Apesar de estar claramente balizado o espetro sonoro dos Frail, há que destacar a forma corajosa como, logo na estreia, não se coibem de tentar experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola. Canções como Humid ou Stay contêm momentos de pura improvisação, com guitarras que apontam em diferentes direções e um baixo que também não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico. E estes dois importantes ítens não perturbam a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar da especificidade rugosa do som que carateriza os Frail.
Bones estabelece a zona de conforto deste trio que não se coibe de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que eles parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de pouco mais de vinte minutos intensos, rugosos e que não envergonharão o catálogo sonoro deste grupo do estado de Louisiana, seja qual for o restante conteúdo que o futuro lhes reserve. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:57
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Terça-feira, 24 de Maio de 2016

Damien Jurado - Visions Of Us On The Land

Lançado no passado mês de março pela Secretly Canadian, Visions Of Us On The Land é o novo compêndio de canções do norte americanos Damien Jurado e encerra uma trilogia iniciada em 2012 com Maraqopa, disco ao qual se seguiu Brothers and Sisters of the Eternal Son, dois anos depois.  Este Visions Of Us On The Land foi  produzido por Richard Swift e confirma Damien Jurado como um dos nomes fundamentais da folk norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas de uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente Jurado.

Este Visions Of Us On The Land é, portanto, uma homenagem profunda aquela América feita de índios e cowboys, mas também de pioneiros, viajantes e exploradores, uma narrativa vibrante onde vozes e instrumentos compôem um painel muito impressivo que nos permite viajar no tempo. E nessa demanda podemos ir até às montanhas rochosas do Utah, à neve do Alasca, ao sol da Califórnia e ao pó do deserto texano ou aos desfiladeiros de Yellowstone, à medida que apreciamos descrições vivas e intensas de cenários que muitas vezes só vemos em filmes.

Assim, e citando alguns dos instantes mais impressivos de um alinhamento que é, no seu todo, um retrato vivo, se Mellow Blue Polka Dot nos coloca bem no centro de um acampamento índio, já o rock psicadélico setentista de Lon Bella senta-nos ao volante de um descapotável em plena Route 66, sem destino fixo, enquanto QACHINA deixa-nos apreciar deslumbre paisagístico de montanhas verdejantes, com fontes de água pura ainda intactas e onde ursos, águias, lobos e veados coabitam pacificamente, sem nunca terem sentido a presença humana.

O alinhamento prossegue e não há como evitar uma enorme sensação de conforto ou esconder o sorriso perante o excelente registo vocal que conduz ONALASKA, o êxtase percussivo carregado de sol da inebriante Walrus, a majestosidade melódica de Exit 353, a cândura e a inocência de Queen Anne ou o aconchegante dedilhar da viola da noturna e introspetiva On The Land Blues, outros exemplos da excelência de um disco que, sendo já o décimo segundo da carreira de Damien Jurado, é um dos momentos maiores da sua carreira, pricncipalmente pelo modo como este músico se coneta com o solo que diariamente pisa e o honra e preserva, mostrando-nos, numa jornada evocativa, o melhor que tem e que sente pelo seu país. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Visions Of Us On The Land

01. November 20

02. Mellow Blue Polka Dot
03. QACHINA
04. Lon Bella
05. Sam And Davy
06. Prisms
07. ONALASKA
08. TAQOMA
09. On The Land Blues
10. Walrus
11. Exit 353
12. Cinco De Tomorrow
13. And Loraine
14. A.M. AM.
15. Queen Anne
16. Orphans In The Key Of E
17. Kola


autor stipe07 às 21:29
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

Mira, Un Lobo! - Heart Beats Slow

Esplendor, exuberância e sentimento, são adjetivos que me assaltaram com insistência o pensamento durante as várias audições de Heart Beats Slow, o refúgio sonoro lançado recentemente pela Tapete Records e criado pelo lisboeta Luís F. de Sousa, que assina a sua música como Mira, Un Lobo!. É um disco com dez canções que apostam as fichas todas na voz eclética do autor, conjugada com arranjos bastante melódicos, refrões simples e versos contundentes, uma estrutura inicial depois suportada por uma invulgar criatividade no manuseamento dos sintetizadores e que está explícita, por exemplo, na intensidade do trip hop de Newborn Killers, mas também por algumas cordas, elétricas e acústicas. É um compêndio sonoro de forte cariz fortemente ambiental, uma verdadeira espiral pop onde não falta também um marcante estilo percurssivo.

Sustentado por uma propensão certamente inata para a feliz sobreposição de várias camadas de sopros sintetizados, mas também inspirado no modo como é capaz de utilizar o simples dedilhar de uma viola para instigar Sliced Guitar, uma das melhores canções deste disco, em Heart Beats Slow Mira, Un Lobo! filtra tudo de modo bastante orgânico, amplo e rugoso, numa linha vincadamente experimental. São canções que se sustentam numa receita particularmente minimal, mas profunda e crua, que cria um universo fortemente cinematográfico e imersivo. A verdade é que parece haver momentos em que o autor toca submergido num mundo subterrâneo, de onde debita sons através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exala desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenhou. A tecla do piano que introduz Like Punching Glass é, por si só, um marco impressivo desta fórmula, mas Tramadol ou Serotonin também demonstram-no, dois temas que parecem ter vida própria, com os seus efeitos a parecer que foram esculpidos e debitados pela própria natureza. E logo depois, assistir ao modo como progride o edifício instrumental que anima Suffocation, obriga a um exercício exigente de percepção, mas que além de ser fortemente revelador é claramente recompensador.

A mesma receita, mas de modo ainda mais grandioso e hipnótico, repete-se em We're Not Far, canção que impressiona pela cândura inicial dos efeitos que manipulam a voz, que funciona e sussurra também como membro pleno do arsenal instrumental, mas que depois se desenvolve e simultaneamente nos envolve, numa espiral de sentimento e grandiosidade, patente também no no frenesim do sintetizador e numa bateria inebriante, não havendo, como se percebe, regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos.

De facto, este Mira, Un Lobo! é mais um bom exemplo de um músico capaz de ser genuíno no modo como manipula o sintético, de modo a dar-lhe vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos ou linhas melódicas dispersas em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Os constantes flashes metálicos projetados pelas teclas em várias direções criam um cenário idílico, não faltando, inclusive, no tema homónimo, uma deliciosa pitada psicadélica a escorrer por todos os seus poros, potenciando a incontestável beleza e coerência de um álbum que nos catapulta rumo a um universo invulgarmente empolgante e sensorial, que da eletrónica, à pop, passando pelo rock progressivo cria uma relação simbiótica bastante sedutora, um disco entalhado no ventre da terra mãe e de onde brotou para se tornar na banda sonora perfeita de um território tremendamente sensorial, assente numa arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande obra linda e inquietante. Espero que aprecies a sugestão...

1. Tramadol
2. Newborn Killers
3. Serotonin
4. Suffocation
5. Sliced Guitar
6. We're Not Far
7. Like Punching Glass
8. Spaceman
9. Heart Beats Slow
10. Introduction


autor stipe07 às 23:05
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Domingo, 22 de Maio de 2016

Glass Animals – Life Itself

Glass Animals - Life Itself

Depois de Zaba (2014), o disco de estreia, os britânicos Glass Animals vão regressar brevemente aos discos com How To Be A Human Being e Life Itself é o primeiro avanço divulgado do álbum. Esta canção é rica em detalhes e contém um groove muito genuíno, com uma atmosfera dançante, onde encaixa indie popfolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante. Confere...


autor stipe07 às 19:22
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Quinta-feira, 19 de Maio de 2016

Quelle Dead Gazelle - Maus Lençois

Miguel Abelaira e Pedro Ferreira são a dupla que encarna Quelle Dead Gazelle, um projeto artistíco de indie rock experimental, oriundo de Lisboa e que está de regresso aos discos com Maus Lençóis, oito canções produzidas pelos próprios e por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim e que traduzem uma jornada sonora no espaço e no tempo, à procura da expressão melódica da natureza e dos sentimentos humanos, bem como a envolvência entre ambos e que se inspira fortemente na contemporaneidade de um país que vive há meia década assombrado por uma inquietante crise, que começou por ser económica mas que, hoje em dia, é também já uma profunda crise de valores, de ausência de rumo e de identidade, suportada de um povo que parece cada vez mais resignado a toda esta conjuntura e fatalidade.

Mesmo não parecendo presos por amarras ou balizas que enclausurem o arquétipo sonoro pelo qual se regem, o alargado espetro rítmico de uma bateria capaz de encarnar as diferentes personagens que ganham vida em cada uma destas canções e o timbre típico agudo e lo fi da guitarra, que se afirma, também, como uma verdadeira imagem de marca desta dupla, mostra que a bitola sonora destes Quelle Dead Gazelle andará sempre em redor do post rock com uma forte componente melódica, um aspeto essencial do adn do grupo, bem patente quer na toada mais étnica de Burundi ou no groove efusivo de Pedra Pomes, apenas dois exemplos de como, apesar da ausência da compoente lírica, é possível escutar Maus Lençóis e perceber que há aqui uma narrativa de diferentes tramas. É possível apreciar este álbum do mesmo modo que abrimos um livro e, de facto, contemplá-lo é quase como abrir várias áginas já que, realmente, percebe-se a existência dessa linha sonora contínua, onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Sejamos, ou não, apreciadores desta sonoridade mais crua, ríspida e claramente experimental, mas inspirada e sentida, não é possível escutar Maus Lençóis sem absorver a obra como um todo e entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o seu alinhamento é resultado da mais pura satisfação, como se os Quelle Dead Gazelle projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, num resultado final que se assume como um álbum conceptual, que impressiona pela beleza utópica de composições que exploram ao máximo a relação sensorial humana, com um som psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar e, contendo belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte da essência do grupo, trespassam sempre o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui de maneira hermética e acizentada, como convém a uma crise bem sucedida. Espero que aprecies a sugestão...

Maus Lençóis cover art

Sede

Pedra-Pomes

Vaca Fria

Abismo

Burundi

Costas Quentes

Chavalo Lusitano

Fala Baixo


autor stipe07 às 22:07
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Marvel Lima - Fever

Depois de em 2014 terem surpreendido a mais atenta crítica nacional com Mi Vida, canção que seria o primeiro avanço para o disco de estreia, que parece que irá ver, finalmente, a luz do dia, lá para setembro, à boleia da editora pontiaq, os alentejanos Marvel Lima acabam de divulgar uma nova prova sonora, que comprova ser este um projeto a ter claramente em conta no panorama indie e alternativo nacional.

Esse sinal dado por este quinteto oriundo de Beja, intitula-se Fever, um tema que encontra a sua alma e pujança numa mistura de indie pop e indie rock com o punk e o post rock, sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, um cocktail ampliado por uma elevada dose de emoção, arrojo e amplitude progressiva que, conforme indica o press release do lançamento, també conta com um forte tempêro mediterrâneo e uma assumida influência latina. Confere...


autor stipe07 às 22:02
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Quarta-feira, 18 de Maio de 2016

Oscar – Cut And Paste

Oriundo de Londres, Oscar Scheller é Oscar, um dos nomes mais comentados no cenário indie pop britânico devido a Cut And Paste, o registo de estreia deste músico e compositor, editado no passado dia treze do corrente mês com a chancela da Wichita Recordings e com dez canções feitas para dançar, até à exaustão, no baile da esquina, regado com torneiras que nunca estão secas e onde os niveis de destilação corporal atingem o limite.

O rugoso punk rock de Sometimes, canção conduzida por um baixo musculado e uma guitarra inspirada, trespassada por efeitos estratosféricos, clarifica, desde logo, que Cut And Paste é um manifesto pop, senão para o mundo inteiro, pelo menos para os subúrbios de uma Londres sempre ávida de novidades e que muitas vezes coloca em determinadas bandas ou artistas expetativas que as mesmas depois, nem sempre conseguem acompanhar. Nele, quer seja abrigado pelo groove sedutor e cheio de pêlo na venta de Feel It Too ou pelo piscar de olhos a uma centelha punk em Daffodil Days, Oscar desafia as suas probabilidades, não se preocupa com aquilo que poderão esperar de si e apresenta a sua paleta sonora, que das raízes do rock britânico a alguns dos detalhes mais prementes da pop atual, conjuga sintetizadores, teclados e batidas, com guitarras, num aparente caos, que neste caso resulta plenamente, já que nos oferece um clima sonoro que abre os nossos ouvidos para algo inédito e que parece divertir imenso o autor. Mesmo quando Oscar arrisca por terrenos mais reflexivos, como sucede na redentora Good Things, ou na luminosa Beautiful Words, não existem motivos para duvidar da capacidade deste artista em utilizar a típica ironia britânica com elevada mestria, fazendo-o de modo assertivo e sem deturpar a essência de quem é feliz alimentando-se de riffs de guitarra vigorosos e da pujança de uma percussão que cresce à sombra de um punk dançante, permissas que clarificam um modus operandi diversificado, acessível e orelhudo.

Cut and Paste foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e cimenta num nível qualitativamente elevado o espetro sonoro e a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se tornar num referencial dos grandes autores que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. E aquela toada épica e grandiosa que esse indie local quase exige em determinados instantes, como se cada banda ou projeto tivessem que compor um hino glorioso à Rainha e ao Império para conquistar os corações mais inflamados do proletariado que tantas vezes gosta de se sentir orgulhosamente só, também está devidamente salvaguardado na vibe funk de Good Things. Espero que aprecies a sugestão..

Oscar - Cut And Paste

01. Sometimes
02. Be Good
03. Feel It Too
04. Good Things
05. Only Friend (Feat. Marika Hackman)
06. Breaking My Phone
07. Daffodil Days
08. Fifteen
09. Beautiful Words
10. Gone Forever


autor stipe07 às 21:37
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Terça-feira, 17 de Maio de 2016

The Weatherman - Eyeglasses for the masses

Gravado nos estúdios Hertzcontrol em Caminha por Marco Lima, produzido pelo próprio e por e Alexandre Almeida, e misturado nos SoundHill Studios no Porto por João André, Eyeglasses For The Masses é o quarto e novo registo de originais de The Weatherman, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, cujo universo pop e psicadélico nos remete para um mundo sonoro onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como os The Beatles, claramente audíveis na cândura de Now & Then, ou os Beach Boys, homenageados a preceito em Endless Expectations, são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da pop e da eletrónica atual.

Masterizado em Los Angeles pela mão do galardoado Brian Lucey (Artic Monkeys, Black Keys, The Shins, Beck, Sigur Ros, entre outros), Eyeglasses For The Masses assinala uma década de carreira de um músico que sempre demonstrou ser um inspirado e comovente escritor de canções e que, desta vez, quis, de acordo com o press release do lançamento, mover tudo e todos com o poder de uma grande canção. De facto, apoiado pela enorme mestria com que manipula, principalmente, as teclas de um piano, The Weatherman dá-nos a mão e convida-nos a penetrar sem hesitações num disco que faz de nós, inicialmente estranhos numa terra estranha, acabados de chegar ou prontos para partir, num alinhamento que funciona como um campo de sacos cheios de memórias onde a vida se refugia ou fica presa, quando o amor nos resolve pregar, mais uma vez, uma enorme partida.

Tal como esse amor, esta é uma viagem empolgante, onde tudo começa e acaba, instigados pela motivação de canções tão felizes como All The In Between e outras capazes de manipular a nossa mente fragilizada e entorpecida para o lado mais positivo da existência humana, algo que sucede intuitivamente a quem se deixar embrenhar pela monumentalidade instrumental de A Kind Of A Bliss, canção que nos oferece uma sensação de liberdade incomensurável, com o bónus de expirar do nosso âmago toda a cegueira, vertigem, ou abismo, que a solidão tantas vezes nos proporciona.

Parece-me que para quem recentemente ficou só e sente medo que essa fatalidade se prolongue no tempo, algo que nem sempre está nas nossas mãos evitar, este é um álbum que pode indicar pistas seguras para que tal não suceda e que nos pode mostrar o que há do outro lado do vidro que reflete a nossa existência, agora algo perdida. Se tantas vezes nos esquecemos que aquilo que é esta fragilidade que é visível, principalmente aos outros, pode ser apenas aparente, o grito de esperança que desembrulhamos em Unpack My Mind, mostra-nos que muitas vezes depende da nossa força interior o encontro, ou não, de uma nova felicidade, que tantas vezes, por conformismo ou pessimismo, julgamos inatingível.

Mesmo que o ideário global do autor, ao idealizar Eyeglasses For the Masses, não tenha tido esta premissa de busca e reencontro do lado mais positivo e colorido da existência e da felicidade, não há como resistir a esse forte apelo, algumas vezes bastante emotivo, em onze canções onde se cruzam pessoas e factos reais, que nos ensinam que há escolhas que dependem exclusivamente de nós e que nunca devemos condicionar o nosso acesso ao amor devido à nossa religião, estatuto social ou género. One Of These Days, tudo ficará novamente no sítio certo, nem que isso signifique a nossa vida precise de ser completamente virada do avesso. Espero que aprecies a sugestão...

At The In Between

To The Universe

A Kind Of Bliss

Now & Then

Eyeglasses For The Masses

Endless Expectations

Unpack My Mind

Ice II

One Of These Days

Good Dreaming

Call All Monkeys (bonus track)


autor stipe07 às 21:22
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