Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

Weaves - Weaves

Jasmyn Burke (voz), Morgan Waters (guitarra), Zach Bines (baixo) e Spencer Cole (bateria), são os Weaves, um quarteto canadiano natural de Toronto, que depois de um excelente ep lançado há dois anos acaba de se estrear nos discos, de modo bastante promissor, com Weaves, onze canções abrigadas pela Kanine Records e que em pouco mais de meia hora cruzam os fundamentos do indie rock com alguns dos aspetos mais contemporâneos desse género sonoro, num resultado final que tem tanto de acessível como de inédito, criativo e agradavelmente refrescante e único.

No fuzz e no curioso efeito abrasivo da guitarra de Tick e, nesse mesmo tema, no baixo que marca a cadência das mudanças de ritmo de uma bateria frenética e numa voz que balança entre o lamento e vigoroso impulso, fica desde logo percetível que estes Weaves são audaciosos e vanguardistas, mas também não descuram uma vertente mais comercial, que melodicamente seja atrativa e possa fazê-los atingir uma apreciável franja de público mais jovem e que goste de sonoridades efusivas, viscerais e festivas. Se Birds & Bees e Candy contêm esse apelo pretensioso de conseguir usar o ruído como algo aditivo e dançável, já Shithole, por exemplo, tem um cariz mais sério e maduro, sem deixar de soar de modo refrescante e simultaneamente vintage, com os Pixies a serem uma referência marcante e óbvia, algo que a mais intimista e subtil Eagle também demonstra, assim como, na mesma toada, o clima mais sensual e desconcertante de Two Oceans.

Estes Weaves são assim, imprevisíveis, salutarmente impulsivos e animados e algo pervertidos até, sem deixarem de exalar uma atraente inocência e até um inusitado experimentalismo, expresso no arrojo de Coo Coo e Sentence e particularente reflexivo em Stress. Conduzidos por guitarras inspiradas, uma sapiência melódica invulgar e um irresistível travo festivo, apresentam-se humildemente ao grande público sem um denecessário glamour ou uma insípida limpidez sonora, mas antes com toda a honestidade que é possível existir no seio de uma banda de indie rock que quer apenas e só, como claramente se percebe, servir-se da música para celebrar um presente colorido, como se não houvesse amanhã. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tick
02. Birds & Bees
03. Candy
04. Shithole
05. Eagle
06. Two Oceans
07. Human
08. Coo Coo
09. Sentence
10. One More
11. Stress


autor stipe07 às 12:03
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

Day Wave - Hard To Read EP

day wave

Natural de Oakland, o norte americano Jackson Phillips, que assina a sua música como Day Wave, está de regresso com Hard To Read, o seu segundo EP lançado em formato digital, o sucessor de Headcase, o primeiro tomo do músico e que o colocou logo nos radares da crítica mais atenta.

Com a melhor dream pop na mira, Phillips tomou as rédeas de todo o trabalho envolvido na gravação destas suas novas cinco canções, desde a mistura à produção, passando pela própria gravação. O resultado é um alinhamento de temas vibrantes, com Gone, o primeiro single retirado de Hard To Read, a impressionar pela linha melódica sintetizada vibrante e pelo modo como um estrondoso baixo e a bateria a ela se juntam para depois abrirem as mãos para uma linha de guitarra insinuante. É uma canção que parece querer forçar o ouvinte a deixar, nem que seja por breves instantes, tudo e todos para trás, rumo aquela luz que está sempre ali, mas que nunca temos coragem de perscutar.

O rock emotivo do tema homónimo, a atmosfera catárquica de Stuck e o clima sonhador de You são mais três belos momentos destes dezoito minutos que sabem aquela brisa quente e aconchegante que entra pela nossa janela nestas convidativas noites de verão. Day Wave pode gabar-se de ser capaz de mostrar uma invulgar intensidade emocional na sua escrita e de poder ser já caraterizado como um artista possuidor não só dessa importante valência mas também de um tímbre vocal único, uma postura confiante e exímio intérprete de guitarras angulares, acompanhadas por sintetizadores luminosos e um baixo geralmente imponente, as suas principais matrizes identitárias. Ele exala uma faceta algo sonhadora e romântica que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada e que irá certamente agradar a todos os apreciadores do género. Espero que aprecies a sugestão...

Day Wave - Hard To Read

01. Gone
02. Stuck
03. Deadbeat Girl
04. Hard To Read
05. You


autor stipe07 às 15:23
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Dinosaur Jr. – Give A Glimpse Of What Yer Not

2016 está a ser um ano profícuo no que diz respeito à música e ficará invariavelmente na história por marcar o regresso aos discos dos míticos Dinosaur Jr. de J Mascis, Lou Barlow e Murph aos discos. Recordo que o trio gravou três álbuns nos anos oitenta e surpreenderam-nos a todos quando se reuniram novamente já neste século, há pouco mais de uma década, tendo editado desde então Beyond (2007), Farm (2009) e I Bet On Sky (2012).  Agora, onze anos depois desse recomeço, chega aos escaparates Give A Glimpse Of What Yer Not, sendo curioso constatar que uma das bandas essenciais do rock alternativo de final do século passado tenha já mais discos editado no século XXI do que nessa fase inicial da carreira.

Tendo visto a luz do dia à boleia da conceituada Jagjaguwar, Give A Glimpse Of What Yer Not contém doze canções que, celebrando trinta anos de carreira deste projeto único, oferecem aos nossos ouvidos uma já esperada toada revivalista, protagonizada por uma banda em grande forma e com todas as suas marcas identitárias intactas e consentâneas com toda a herança que carregam. Assim, e como se percebe logo nas festivas Going Down e Tiny, o busílis instrumental concentra-se, naturalmente, em guitarras bastante eletrificadas e com uma identidade vincada, uma bateria frenética e um baixo sempre omnipresente, mesmo que não esteja na primeira linha da condução melódica e, o mais importante, numa jovialidade e numa luminosidade festivas que se saúdam e que atestam o habitual excelente humor e positivismo destes três músicos, mesmo quando em Be A Part e Lost All Day se mostram ligeiramente soturnos e intimistas e mais progressivos e sombrios em I Walk For Miles.

Com nove das canções a terem sido escritas por J Mascis e as outras duas por Lou Barlow, as amáveis Love Is...Left/Right, duas composições que personificam um pouco a personalidade de um músico que dos Sebadoth ao seu projeto a solo sempre procurou um balanço delicado entre o quase pop e o rock mais ruidoso, Give A Glimpse Of What Yer Not é um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimos temas, mas também porque reforça o traço de honestidade de uma banda que é protagonista cimeira no universo sonoro em que se move. Numa América onde se prime o gatilho com uma incrível facilidade e com toda a insanidade que prolifera por este mundo fora nos dias de hoje e num verão particularmente turbulento e agitado, é bom poder contar com este refúgio sonoro tão refrescante e ligeiro e, ao mesmo tempo, preenchido com canções cheias de significado, têmpera e entusiasmo. Espero que aprecies a sugestão...

Dinosaur Jr. - Give A Glimpse Of What Yer Not (2016)

01. Goin Down
02. Tiny
03. Be A Part
04. I Told Everyone
05. Love Is…
06. Good To Know
07. I Walk For Miles
08. Lost All Day
09. Knocked Around
10. Mirror
11. Left/Right


autor stipe07 às 17:51
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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

FAWNN – Ultimate Oceans

Ferndale, nos arredores de Detroit, no Michigan, é o poiso dos FAWNN, uma banda formada por Alicia Gbur, Christian Doble, Matt Rickle e Mike Spence e que aposta na opulência e na majestosidade sonoras, como permissas fundamentais do seu cardápio sonoro, recentemente atualizado com Ultimate Oceans, o quarto álbum da carreira do grupo, onze canções que viram a luz do dia o início deste verão à boleia da Quite Scientific Records.

Ultimate Oceans é uma porta aberta para um mundo paralelo feito de guitarras distorcidas e governado pela nostalgia da pop, do rock experimental, do grunge e do punk rock, uma multiplicidade de géneros e estilos que, entrocando no ramo comum do rock alternativo, encontram nas guitarras o seu grande referencial instrumental. Assim, se temas como Galaxies e Master Blaster são um piscar de olhos objetivo ao rock mais melódico e pulsante, já o baixo, as variações ritmícas e o fuzz da guitarra de Secret Omnivore piscam o olho a ambientes mais experimentais, com o clima soturno de Nosebleed a conter algumas marcas identitárias do típico som americano de final do século passado.

Traçado logo até à terceira música o cenário deste Ultimate Oceans e da cartilha sonora destes FAWNN, percebe-se que conhecedores profundos e claramente marcados por uma sonoridade que é muito própria de uma América que sabe como condensar diferentes estilos, não faltando até um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi nesta música, numa espécie de space rock que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem em Survive, por exemplo, a própria pop adocicada e intimista na mira. Os Breeders, os My Bloody Valentine e, mais recentemente, os próprios Surfer Blood, podem ser para aqui chamados como referenciais incontornáveis, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama que prova que os FAWNN estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

Num alinhamento que avança permitindo às canções espreitar e ir um pouco além das zonas de influência sonora da banda que as criou, Ultimate Oceans é pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Espero que aprecies a sugestão...

FAWNN - Ultimate Oceans

01. Galaxies
02. Secret Omnivore
03. Nosebleed
04. Shadow Love
05. Dream Delivery
06. Master Blaster
07. Survive
08. Phantom Phantasy
09. Red Moon
10. Watching You…
11. Pixel Fire
12. Galaxies (Remix)
13. Shadow Love (Remix)
14. Red Moon (Remix)
15. Pixel Fire (Remix)


autor stipe07 às 17:22
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2016

Wilco - Locator

Wilco - Locator

Exatamente um ano após a surpreendente edição do excelente Star Wars, os norte americanos Wilco de Jeff Tweedy, ofereceram uma nova canção, de modo a celebrar a efeméride. Disponível aqui em troca do teu endereço de email, Locator teria cabido no alinhamento de Star Wars, pela excelência de um folk noise algo cru e minimal e que contém aquele balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, sem nunca descurar a particularidade fortemente melódica que costuma definir as composições desta banda de Chicago. Confere...


autor stipe07 às 18:54
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

Graham Candy – Plan A

Graham Candy é um ator e compositor que nasceu nos antípodas, na Nova Zelândia, cresceu em Auckland, onde estudou música, dança e teatro, mas tem o seu quartel general atualmente montado na Alemanha, onde vive desde 2013. Começou por dar nas vistas ofercendo a sua voz a algumas composições do conceituado DJ alemão Allen Ferben, nomeadamente no tema She Moves, que ganhou projeção internacional, o que fez com que colaborasse também, e mais recentemente, com Parov Stelar e o DJ Robin Schulz. Depois de um EP editado o ano passado, Plan A é o seu disco de estreia, doze canções editadas no início de maio e que impressionam não só por causa do falsete adocicado de um timbre vocal único, mas também devido a uma feliz amálgama sonora que coloca em primeiro plano uma indie pop bastante acessível e intensa, onde pianos e sintetizadores ditam a sua lei.

As canções de Plan A são um passeio pelas influências de Graham e pela sua capacidade inventiva na hora de usar essas referências para criar. Espalhada pelo álbum há muito da energia que nomes como Gnarls Barkley ou, numa direção oposta, Sufjan Stevens e até Mika, nos foram deixando na primeira década deste século, com o piano de Home e a batida adornada de efeitos de Glowing In The Dark, a plasmarem essas heranças diretas da pop e das novas tendências de uma eletrónica cada vez mais abrangente e que tem sempre as pistas de dança na mira. Os próprios samples que introduzem o groove da batida plena de soul de 90 Degrees são uma excelente amostra desse piscar de olhos objetivo à bola de espelhos, uma filosofia sonora constante num alinhamento ruidoso, mas luminoso, cheio de ganchos, improvisos e colagens, que nasceram, certamente, num processo de gravação rápido e divertido e onde é evidente um processo de mistura e produção bastante inspirado e feliz, que tem como ponto alto a visceralidade e as pujança de Back Into It, uma daquelas canções que clama por punhos cerrados e uma elevada dose de testosterona, à medida que a batida nos aprisiona sem dó nem piedade. 

Claramente talentoso, com uma enorme soul na alma e comparável a alguns virtuosos clássicos da pop e do próprio R&B, exemplarmente homenageados em Kings And Queens, logo na estreia Graham Candy grita e afirma quer o seu lado mais clássico, quer a sua definitiva obsessão por uma superior e ímpar grandiosidade instrumental, onde não faltam saxofones e trompetes, além de uma percussão imponente, detalhes que dão a este excelente álbum uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais alegres e bem dispostos da mente deste excelente autor. Espero que aprecies a sugestão...

Graham Candy - Plan A

01. Home
02. Glowing In The Dark
03. 90 Degrees
04. Back Into It
05. My Wellington
06. Kings And Queens
07. Travellers Lovers
08. Heart Of Gold
09. Little Love
10. Paid A Nickel
11. Broken Heart
12. Memphis


autor stipe07 às 17:18
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

The High Violets – Heroes And Halos

Oriundos de Portland, no Oregon e nascidos das cinzas dos míticos The Bella Low, os norte americanos The High Violets são um quarteto formado por Clint Sargent, Kaitlyn ni Donovan, Luke Strahota e Colin Sheridan. Editaram já este ano Heroes And Halos, o quinto registo do grupo, uma coleção de dez canções que da pop ao shoegaze, passando pelo rock experimental, viram a luz do dia à boleia da Saint Marie Records.

É num indisfarçável cruzamento explícito entre esplendor, majestosidade, epicidade e intimidade que deambulam as guitarras planantes de How I Love (Everything About You), canção que abre o alinhamento de Heroes And Halos e nos coloca frente a frente com um rock adocicado, intenso e convidativo, uma sonoridade que tanto cabe na amplitude de um estádio imenso como, em simultâneo, e se percebe nas cordas de Dum Dum, serve para uma introspeção serena, com Long Last Night a ser uma daquelas canções que crescem em arrojo e emoção, mostrando-se desafiante no modo como nos envolve.

Depois, o groove algo sinistro de Longitude, o beijo intenso que nos é proporcionado por Ease On e finalmente, no epílogo, a crueza acústica orgânica mas sentida de Heart In Our Throats, atestam o elevado grau de assertividade melódica e instrumental de uma banda intensa e que compôe música de forte cariz sensorial, já que sabe carregar nos botões certos das nossas emoções, oferecendo-nos um disco perfeito para ser escutado naquelas manhãs difíceis, em que a noite foi longa e agitada, mas onde existe um sopro que nos permite voltar a respirar com o ritmo e a cadência certas, para ser possível olhar o novo dia com uma renovada pujança e a certeza de que os mesmos podem ser sempre cada vez melhores. Espero que aprecies a sugestão...

The High Violets - Heroes And Halos

01. How I Love (Everything About You)
02. Dum Dum
03. Long Last Night
04. Break A Heart
05. Bells
06. Heroes And Halos
07. Longitude
08. Ease On
09. Comfort In Light
10. Hearts In Our Throats

 


autor stipe07 às 21:50
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2016

Crescendo – Unless

Lançado no final do último inverno, Unless é o segundo trabalho dos Crescendo, um trio norte americano oriundo de Los Angeles, concebido por Gregory Cole, o mentor do projeto, ao qual se juntaram Olive Kimoto e Jess Krichelle. O grupo estreou-se em 2014 com o aclamado Lost Thoughts, uma coleção de canções escritas por Gregory e que se debruçavam sobre alguém que estava apaixonado e vivia dentro de uma pintura a óleo famosa e este Unless reforça este espírito imaginário bastante romântico, caloroso e apelativo de uns Crescendo que se servem de algumas das melhores armas do shoegaze e da dream pop para nos fazerem mergulhar num universo bastante impressionista, mágico, etéreo e espacial, também.

Estas doze canções incluídas em Unless são, sem reservas ou pudores, eficazes na transmissão de sentimentos e ações onde a materialização do aparentemente impossível é apenas uma consequência óbvia da espontaneidade de quem se deixa conduzir pelo desejo e pelos sonhos. O código morse de Intro que antecede e depois intercala o pulsar inquietante e majestoso de Repulsor serve para nos explicar que este é um alinhamento que tem o intuíto claro de comunicar com o ouvinte e deixar uma mensagem específica, mas que para a mesma seja entendida é essencial que haja predisposição para a assimilação sem reservas da linguagem muito própria que expôe estes Crescendo.

Daí em diante, uma voz em permanente eco e quase impercetível, guitarras carregadas de loops enleantes e distorções rugosas, particularmente impressivas em Tell, principalmente quando flutuam por cima de um baixo encorpado e uma bateria quase sempre num registo rítmico frenético, são o receituário de uns Crescendo que em Last e em Said não deixam de piscar os dois olhos, praticamente em simultâneo, ao krautrock e que em Pressure, um tema que conta com a participação especial de Frankie A. Soto, mostram todo a nuvem ciclópica e catalisadora que envolve um som genuíno e muito peculiar onde, num misto de ingenuidade, impulsividade, esperança e resiliência, contam as suas histórias e cabem todos os nossos sonhos, mesmo os mais inquietantes. Os quase três minutos de Softly são um daqueles elixires psicotrópicos que tomando conta de nós, tornam-nos num herói incrivelmente sedutor, capaz de guiar ao éden quem se deixar arrebatar por si. Espero que aprecies a sugestão...

Crescendo - Unless

01. Intro
02. Repulsor
03. Tell
04. Last
05. Haunted
06. Said
07. The Morning Sonata
08. Space Cadett
09. Pressure (Feat. Frankie Soto)
10. Transformer
11. Yet
12. Softly


autor stipe07 às 18:35
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Marvel Lima - Fever (Vídeo)

Depois de em 2014 terem surpreendido a mais atenta crítica nacional com Mi Vida, canção que seria o primeiro avanço para o disco de estreia, que parece que irá ver, finalmente, a luz do dia, lá para setembro, à boleia da editora pontiaq, os alentejanos Marvel Lima acabam de divulgar uma nova prova sonora, que comprova ser este um projeto a ter claramente em conta no panorama indie e alternativo nacional.

Esse sinal dado por este quinteto oriundo de Beja, intitula-se Fever, um tema que encontra a sua alma e pujança numa mistura de indie pop e indie rock com o punk e o post rock, sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, um cocktail ampliado por uma elevada dose de emoção, arrojo e amplitude progressiva que, conforme indica o press release do lançamento, també conta comum forte tempêro mediterrâneo e uma assumida influência latina

Divulgado já há algumas semanas neste blogue, Fever volta à ordem do dia devido ao vídeo da canção, recentemente divulgado. O filme aposta numa abordagem sensual e distorcida à esquizofrenia, tendo sido realizado/editado por Diogo Vargas com ilustrações de Carolina Arbués Moreira e com a participação de todos os membros da banda.Confere...


autor stipe07 às 18:08
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

Bat For Lashes – The Bride

Foi já em fevereiro que com a ternurenta simplicidade de I Do, o primeiro tema divulgado por Natasha Khan de The Bride, o novo  e quarto registo de originais do projeto Bat For Lashes, percebemos, quase sem hesitação, o ideário estético da nova coleção de canções de um extraordinário projeto que esta artista, cantora e compositora britânica, oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há praticamente uma década.

Essa canção e um lindíssimo para de sapatos vermelho, publicado na página de Facebook da autora, juntamente com um convite de casamento, deram o mote e o conteúdo não defrauda quem aguardava com elevadas expetativas este The Bride. Co-produzido por Ben Christophers e Dan Carey, Simon Felice e Head, este disco conta, de acordo com o press release do lançamento, a história de uma mulher cujo noivo morreu num acidente a caminho da igreja no dia do seu casamento. A noiva foge e parte em lua de mel sozinha, resultando numa numa sombria meditação sobre amor, perda, sofrimento, e celebração, uma sucessão de eventos contada por uma das mais belas vozes da música atual, principalmente no modo como aborda e amplia a sentimentalidade que pode ser extraída, como é hábito, de cada nota e cada acorde destes Bat For Lashes.

Natasha é exímia a penetrar no nossso âmago e tem um talento imenso no modo como nos consegue colocar na linha da frente de toda a traam que gira em redor das suas canções, que narram eventos que podem suceder com naturalidade a quem se entrega ao amor com convicção e procura, nesse sentimento, viver uma jornada emocional única e que faça do dia a dia um constante tesouro. Tendo em conta o contexto de The Bride, pode achar-se que é cruel e pessismista a panóplia de acontecimentos  que estas canções narram, mas se escutarmos atentamente a doce melancolia de Never Forgive The Angels ou Close Encouters percebemos que a redenção também faz parte dentro do conceito de perca e que a ideia de recomeço deve nortear sempre quem é desafiado pelas circunstâncias menos felizes da vida. I Will Never Love Again contém essa aparente contradição e If I Knew ensina-nos que se o destino nem sempre está nas nossas mãos, aquilo que semeamos é sempre aquilo que acabamos por colher, aconteça o que acontecer.

A dor pesa, a cegueira total é uma possibilidade perante tão nefasta realidade como a que norteia a lírica destas canções, mas Natasha, aguçando-nos com esse vírus, sabe como ensinar-nos a sermos fortes, duros, imprevisíveis e implacáveis perante a dor. Este disco é recomendado a todos aqueles que vivem felizes, acham que são felizes, mesmo que isso signifique um auto engano permanente e a quem julga que bateu no fundo de um poço e não vislumbra qualquer luz no seu topo. Espero que aprecies a sugestão... 

Bat For Lashes - The Bride

01. I Do
02. Joe+s Dream
03. In God’s House
04. Honeymooning Alone
05. Sunday Love
06. Never Forgive The Angels
07. Close Encounters
08. Widow’s Peak
09. Land’s End
10. If I Knew
11. I Will Love Again
12. In Your Bed
13. Clouds


autor stipe07 às 11:10
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