Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

His Name Is Alive - African Violet Casts A Spell

hnia

Liderados por Warren Defever, o único elemento do grupo que se mantém desde a formação, os norte americanos His Name Is Alive são uma banda de rock experimental oriunda de Livonia, uma pequena cidade no estado do Michigan. Depois de algumas cassetes gravadas em nome próprio, estrearam-se nos discos no início da década de noventa, através da conceituada 4AD Records e, de então para cá, entre EPs e álbuns, nunca ficaram muito tempo sem gravar, durante duas décadas de apreciável consistência e forte identidade, com Warren a conseguir manter a sonoridade do grupo, apesar da enorme variedade de músicos que têm passado pelo projeto.

No próximo dia vinte e oito de outubro chegará aos escaparates Tecuciztecatl, via HNIA, o novo disco dos His Name Is Alive e descrito por Warren como um compêndio de ópera rock que serviu para exorcizar alguns demónios que vinha carregando consigo. African Violets Cast A Spell, o primeiro single divulgado, é uma canção preenchida com arranjos que têm tanto de lindíssimo como de bizarro, uma espécie de mistura entre uma folk clássica com uma pop luxuriante e sem paralelo. Confere...


autor stipe07 às 13:41
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Thom Yorke – Tomorrow’s Modern Boxes

Vocalista da banda que ocupa o trono do indie rock alternativo há quase duas décadas e um dos criativos musicais fundamentais da história da música contemporânea, Thom Yorke está claramente apostado em deixar uma marca indelével na história da música e não apenas e só por causa do conteúdo do seu cardápio sonoro, mas também na forma inovadora como pretende revelar e disponibilizar o mesmo. Crítico assumido sobre a forma como a indústria fonográfica tem assumido as rédeas da distribuição, Yorke disponibilizou no passado dia vinte e seis de setembro Tomorrow's Modern Boxes, o seu segundo disco a solo, para download digital e também em vinil na página oficial, experimentando uma nova forma de edição e distribuição, através da tecnologia BitTorrent, criada por uma empresa norte-americana e que permite a cada consumidor partilhar e gerir ficheiros sem intermediários.

Num comunicado que assina com Nigel Godrich, o produtor do disco e divulgado no dia do lançamento, ambos explicavam que Tomorrow’s Modern Boxes é uma experiência e que, se correr bem, poderá ser o caminho para que os criadores artísticos voltem a ter controlo sobre o comércio na Internet. Seja como for, e independemente do sucesso desta nova abordagem comercial, importa é, desde já, debruçarmo-nos sobre aquilo que realmente importa, o conteúdo deste registo de um músico que promete, como já referi, deixar uma marca indelével na história da música, particularmente a eletrónica.

Uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante e elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um baixo sintético com um volume crescente, quase sempre livres de constrangimentos estéticos e que nos provocam um saudável torpor, são já a imagem de marca da música de Thom Yorke, alguém que parece decididamente apostado em compôr música principalmente para si e, de forma subtil, criar um ambiente muito próprio e único através da forma como o sustenta instrumentalmente, ao privilegiar uma abordagem eminentemente sintética. Os oito temas do alinhamento de Tomorrow's Modern Boxes vivem, portanto, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral. É deste cruzamento espetral e meditativo que o disco vive, um registo que espelha a elevada maturidade do autor e espelha a natural propensão do mesmo para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe, muitas vezes de forma bastante implícita e quase inaudível o baixo e a bateria.

Analisar a música de Thom Yorke e não falar da sua voz é desprezar um elemento fulcral da sua criação artística; Ela é também em Tomorrow's Modern Boxes um fio condutor das canções, seja através do habitual falsete, amiúde manipulado em A Brain In A Bottle, o tema onde essa forma de cantar é mais explícita,ou através de um registo sussurrante, ou ainda de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais. E este último registo ganha contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste disco quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb em temas como Truth Ray ou There Is No Ice (For My Drink) e transforma-se numa das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Yorke está ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. Curiosamente, o piano costuma ser um fiel companheiro do músico e um instrumento que se alia com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge destacado em Pink Section, por sinal um tema onde o protagonismo da voz é ínfimo.

Tomorrow's Modern Boxes é de um subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Thom Yorke.

Nigel Goodrich já tinha produzido The Eraser, o primeiro registo a solo de Yorke e também foi ele que OkComputorizou os Radiohead, pelo que este novo manifesto de eletrónica experimental é também certamente responsabilidade sua, assim como a opção pela ausência total das guitarras e pela primazia do trabalho de computador, da construção de samples, no fundo, da incubação de uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual.

Mais apontado para satisfazer o seu umbigo do que propriamente saciar a fome de excelência de quem o venera e exulta a cada suspiro ruidoso que o autor exala, Tomorrow's Modern Boxes é um despertar maquinal, onde a pureza da voz contrasta com a agressividade de uma modernidade plasmada em letras que mostram o mesmo Thom Yorke de sempre, irreverente, meio perdido, entre o compreensível e o mundo dele, estando, no meio, a sua luta constante com a sociedade e a sua vertente intervencionista politica, ambiental e social. Espero que aprecies a sugestão... 

Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes

01. A Brain In A Bottle
02. Guess Again!
03. Interference
04. The Mother Lode
05. Truth Ray
06. There Is No Ice (For My Drink)
07. Pink Section
08. Nose Grows Some


autor stipe07 às 22:46
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Peace - Lost On Me

Peace - Lost On Me

Oriundo de Birmingham, o quarteto inglês Peace continua a revelar novos detalhes do seu segundo disco de originais. Lost On Me é o novo single retirado do álbum e já tem direito a vídeo oficial, por sinal bastante engraçado e criativo. Nele, a banda fica presa num loop infinito de passos de dança que os levam a arriscar as suas vidas e, ao que parece, a morrer ao final. Confere...


autor stipe07 às 13:17
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Domingo, 28 de Setembro de 2014

Roadkill Ghost Choir – In Tongues

Oriundos de Deland, na Flórida, os norte americanos Roadkill Ghost Choir de Andrew Shepard, Zach Shepard, Maxx Shepard, Stephen Garza e Kiffy Myers, estrearam-se no passado dia vinte e cinco de agosto nos discos com In Tongues, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Greatest Hiss Records e que foi gravado com a ajuda do produtor Dough Boehm (Girls, Dr. Dog), em Athens, na Georgia e no estúdio da banda localizado na sua terra natal.

Com concertos recentes em festivais tão emblemáticos como Bonnaroo e Lollapalooza, estes Roadkill Ghost Choir começam a ganhar um lugar de relevo no panorama indie norte americano, muito por causa do conteúdo deste In Tongues que, pelos vistos, também se inspirou bastante na vida de uma banda na estrada, em plena digressão e do sentimento de solidão e de distanciamento do mundo real que os músicos tantas vezes sentem, quando estão fora de casa e do seu habitat natural por um longo período de tempo.

In Tongues contém dez canções que combinam elementos clássicos da pop e do rock americano, de forma a criar um som com melodias apelativas, através de uma mistura de diferentes personalidades, todas com enorme talento e capazes de criar excelentes canções. Os músicos, vários deles irmãos, que compôem esta banda fizeram um excelente trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre os instrumentos de sopro, a percurssão e as guitarras que o sustenta e, na verdade, a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. O trompete acaba por ser um significativo detalhe para a envolvência do disco, um instrumento que em Hwy define mesmo o processo de construção melódica, mas é o banjo o protagonista maior de um cardápio instrumental que não renega a replicação de vários subgéneros da pop que se misturam com o clássico rock e que fazem deste trabalho uma verdadeira súmula de algumas das melhores caraterísticas do ideário sonoro de terras do Tio Sam.

A particularidade que estes Roadkill Ghost Choir parecem ter de conseguirem soar simultaneamente familiares e únicos é um aspeto que brota do conteúdo geral de um disco que, conseguindo passear entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica (I Could See Everything), onde se inclui um baixo amiúde esplendoroso (A Blow To The Head), com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica (Down & Out), origina algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece não ter nunca qualquer receio em deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do próprio post punk, o indie rock mais épico. Apesar de as canções serem conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz de Andrew se posiciona e se destaca à medida que canta sobre o presente, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas.

Há definitivamente algo de especial nestes Roadkill Ghost Choir e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk e do rock norte americano contemporâneo para criar um som cheio de frescura e vitalidade, apresentando em In Tongues um pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Andrew Shepard sabe muito bem como encaixar. Espero que aprecies a sugestão... 

Roadkill Ghost Choir - In Tongues

01. Slow Knife
02. HWY
03. Down And Out
04. A Blow To The Head
05. I Could See Everything
06. No Enemy
07. Womb
08. Lazarus, You’ve Been Dreaming
09. Dead Friend
10. See You Soon


autor stipe07 às 21:10
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Sábado, 27 de Setembro de 2014

Perfume Genius - Too Bright

Editado no passado dia vinte e três de setembro por intermédio da Matador Records, Too Bright é o novo álbum de Perfume Genius, aka Mike Hadreas, um músico natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos nomes mais excitantes do cenário alternativo. Dois anos depois, Put Your Back N 2 It ofereceu-nos momentos sonoros soturnos e abertamente sofridos e agora, em Too Bright, Hadreas amplia as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam  connosco com elevada empatia.

Gravado com Adrian Utley dos Portishead e com a participação especial de John Parish em vários temas, Too Bright é um disco inteiramente dominado por uma voz que se faz acompanhar de um ilustre piano, enquanto relata eventos de uma vida com alguns detalhes que nem sempre são particularmente agradáveis. Mike teve grandes dificuldades em lidar com a homofobia que sempre sentiu em redor devido à sua condição sexual e ao processo de recuperação que teve de encetar devido a uma dependência do álcool e das drogas, algo que a atmosfera lo-fi dos seus álbuns ilustra como uma necessidade confessional de resolução e redenção. Como o próprio Hadreas, os seus discos são delicados, emocionantes, e inerentemente tristes.

Too Bright não é uma inflexão radical em relação à toada dos trabalhos anteriores, mas há aqui algo mais intenso, também por causa das suas mudanças na vida pessoal e que, ao escutarmos a sua música, sentimos enorme curiosidade em conhecer. A forma contundente como Mike abre-nos o seu coração, impele-nos ao desejo de conhecer melhor o homem por detrás do piano e dos sintetizadores, os dois grandes pilares instrumentais de Too Bright e que, no caso dos últimos, alargaram exponencialmente o leque de possibilidades melódicas e de tomada de decisões ao nível dos arranjos.

Sendo então um artista que já confessou que não consegue fazer música se ela não falar sobre si próprio e que aproveitou, ainda, para referir que continua a guardar muitos segredos dentro de si, em Too Bright os timbres distorcidos de Queen, a dinâmica melosa e emotiva de Fool e a pop vintage de Grid, são exemplos nítidos sobre a forma como Mike criou neste trabalho, através de um aparato tecnológico mais amplo, caminhos de expressão musical inéditos na sua discografia e, simultaneamente, novas formas de se revelar a quem quiser conhecer a sua personalidade.

Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial para a mente criativa do músico, tendo em conta as especificidades da sua realidade que já referi, apenas genericamente. A voz grave e algo enraivecida e ferida que se escuta em I'm A Mother e que se distorce ainda mais em My Body, à medida que a componente instrumental sintética cria, nesta última, um ambiente sinistro e nos suga para o interior do âmago de Hadreas, provoca em nós um sentimento de repulsa, porque sentimos vontade de lutar contra essa evidência mas, por outro lado, causa uma atração intensa, como se não quisessemos deixar tão cedo de escutar este momento de verdadeiro delírio.

Perfume Genius é, como vemos, mestre na forma como utiliza a dor para transformar a sua intimidade em algo universal e na maneira como aborda de forma inédita as relações e a fragilidade humana. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada por ele na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída.

Too Bright faz justiça ao nome porque traz-nos luz... Não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas o contacto e a tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. É uma luz suplicante, que luta contra os nossos desejos, ou que quer apenas ser a materialização deles, emanada de um disco sombrio e, por isso, muito forte, enquanto plasma uma nova faceta do percurso discográfico do autor. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - Too Bright

01. I Decline
02. Queen
03. Fool
04. No Good
05. My Body
06. Don’t Let Them In
07. Grid
08. Longpig
09. I’m A Mother
10. Too Bright
11. All Along

 


autor stipe07 às 13:59
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014

The Rentals – Lost In Alphaville

Liderados por Matt Sharp, o emblemático baixista fundador dos Weezer, os  The Rentals editaram no passado dia a vinte e seis de agosto, por intermédio da Polyvinyl Records, Lost In Alphaville, um disco que contou também com as contribuições de Jess Wolfe e Holly Laessig (Lucius), Ryen Slegr (Ozma), Lauren Chipman (The Section Quartet) e Patrick Carney (The Black Keys). Misturado por D. Sardy (Jay-Z, LCD Soundsystem), Lost In Alphaville é a materialização sonora do ideário musical de um cérebro, que foi, tantas vezes, o grande responsável pelas melodias de uns Weezer repletos de glória e tradições, onde havia um Rivers Cuomo que dava a cara com as letras e a voz, mas era Sharp quem, criativamente, dominava o processo de composição melódica de vários hinos que fizeram as delícias de milhões de seguidores em todo o mundo, no período aúreo dessa banda norte americana, em finais do século passado.

Nos The Rentals Matt aposta num indie rock essencialmente progressivo, com sintetizadores vintage e guitarras futuristas à cebeça, uma espécie de modernismo retro tão em voga nos dias de hoje. Neste terceiro disco do projeto atingiu o topo, com a preciosa ajuda de nomes tão importantes como Carney, na bateria, o guitarrista Ryen, da dupla feminina constituida por Jess Wolfe e Holly Laessig e a violinista Lauren, como referi acima. Além disso, Joey Santiago (Pixies) també aparece nos créditos de um cardápio de dez canções surpreendentes, onde dominam as tais guitarras e sintetizadores, mas onde o baixo tem um papel preponderante já que é o manto sobre o qual assenta todo o arsenal inastrumental que as preenche. Esse baixo começa cumprir o seu papel logo em It's Time To Come Home, com as vozes, as guitarras em catadupa e os teclados cheios de detalhes e efeitos inspirados, a darem ao tema uma toada vintage que a voz sussurrada de Sharp amplia. 

Traces Of Our Tears, acelera e aumenta o clima de festa e a partir daí, guitarras distorcidas que se confudem com sons sintetizados e a bateria de Carney sempre em polvorosa, mesmo que algumas vezes não seja o centro nevrálgico, são a receita que apenas abranda um pouco nas baladas Stardust e Damaris, a última sobre amores impossiveis e que atinge o clímax no cariz épico e vincadamente emotivo que os violinos ajudam a recriar em Irrational Things, uma espécie de falasa balada. 1000 Seasons, o tema já escolhido para single, situa-se no ponto nevrálgico de Lost In Alphaville, uma canção que fala de memórias escritas num diário secreto.

O tal rock progressivo que referi no início, resplandesce em Tought Of Sound e acaba por ser um excelente começo de um novo momento alto do disco, que também inclui Song Of Remembering, uma das melhores canções de Lost In Alphaville e que  brilha, sobretudo, devido às guitarras em looping e o rock clássico e nostálgico de Seven Years. A psicadelia também faz a sua aparição com The Future, um tema lento, mas algo inebriante e que encerra em beleza um conjunto de dez canções que  não deixam de recuperar aquela veia experimental que definiu o rock alternativo dos anos noventa, mas que também aponta a outros períodos passados e deixa excelentes pistas sobre como poderá ser o amanhã do género sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

The Rentals - Lost In Alphaville

01. It’s Time To Come Home
02. Traces Of Our Tears
03. Stardust
04. 1000 Seasons
05. Damaris
06. Irrational Things
07. Thought Of Sound
08. Song Of Remembering
09. Seven Years
10. The Future

 


autor stipe07 às 19:07
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SLUG - Cockeyed Rabbit Wrapped In Plastic

SLUG

Peter Brewis é o carismático líder dos Field Music, mas não deixa de se envolver em outros projetos. Além de estar a trabalhar num disco de música orquestral com Paul Smith, também tem colocado o dedo no disco de estreia dos SLUG,uma banda liderada por Ian Black, o seu baixista nos Field Music.

Disponível abaixo para download gratuito, Cockeyed Rabbit Wrapped In Plastic são dois minutos de punk rock progressivo de primeira água, com uma toada funk particularmente inédita, uma canção que soa tão estranha e igualmente criativa como a imagem do single. Tendo em conta o pedigree dos músicos envolvidos no tema e o seu conteúdo sonoro, é uma excelente apresentação de um projeto que dará certamente cartas no próximo ano. Confere...

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autor stipe07 às 13:27
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Alt-J (∆) – This Is All Yours

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, está de regresso aos lançamentos com This Is All Yours, através da Infectious, um álbum que, além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a eleva para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

As treze canções de An Awesome Wave encaixavam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito; Eram canções que nos faziam descobrir a sua complexidade à medida que se escutava o alinhamento de forma viciante. A atmosfera dançante de Brezeblocks e de Fitzpleasure, misturava-se com músicas mais calmas e relaxantes como Something Good e Taro e, na verdade, talvez ainda estejamos todos demasiado conetados com essa doce recordação para aceitarmos com facilidade a nova vida deste (agora) trio que aposta num som mais esculpido e complexo, algo que nos obriga a um exercício maior na primeira percepção das novas composições, mas que eu recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

Mais uma vez, os Alt-J (∆) têm como base insturmental o uso de sintetizadores e continuam a ser exímios na replicação de harmonias vocais belíssimas, mantendo-se aquela impressão de que as canções nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente. Mas, o grande motivo de verdadeira celebração relativamente ao conteúdo do sempre difícil segundo disco deste projeto de Leeds, certamente um dos mais excitantes do cenário indie atual, é a forma particularmente viva e espontânea com que celebram os ideais de charme e delicadeza; Eles ficam explícitos durante a viagem que o alinhamento de This Is All Yours nos permite fazer entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, uma epopeia de treze canções onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de ofrma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual.

Ao longo deste álbum abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Escuta-se a forte comoção latente de Hunger Of The Pine, o punk blues enérgico e libertário de Left Hand Free, o momento de maior excelência deste disco, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a The Gospel of John Hurt e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar na sequência final feita com Bloodfood Pt. II Leaving Nara, para se conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que o grupo foi convocar a esses dois universos sonoros que o rodeia e com os quais se identifica, com um elevado índice de maturidade e firmeza, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam nesta relação simbiótica, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras.

Se An Awesome Wave tinha momentos que, como já referi, convidavam ao abanar de ancas explícito e propositado, este sucessor impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno, mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Além do já referido sintetizador, uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instrumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Ao confrontar-se com a saída de Gwil, para muitos o líder do projeto, o trio que manteve o barco à tona teve de arregaçar as mangas e, talvez liberto de uma certa formatação criativa bem balizada que esse músico impunha, dedicar-se de forma mais democrática à expansão do seu cardápio sonoro, com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas bem sucedida, feita de imensos detalhes e uma elevada subtileza.

Em equipa que ganha às vezes também se mexe e o som complexo e profundo dos Alt-J (∆) resistiu com solidez e de modo exemplar à mudança, já que This Is All Yours comprova que um dos predicados que poderemos, pelos vistos, esperar sempre deste coletivo britânico prende-se com a capacidade que tem em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico que apresenta. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Alt-J (∆) e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - This Is All Yours

01. Intro
02. Arrival In Nara
03. Nara
04. Every Other Freckle
05. Left Hand Free
06. Garden Of England
07. Choice Kingdom
08. Hunger Of The Pine
09. Warm Foothills
10. The Gospel Of John Hurt
11. Pusher
12. Bloodflood Pt. II
13. Leaving Nara


autor stipe07 às 21:33
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Pedro Lucas - A Porta do Amor

Pedro Lucas nasceu em Lisboa em 1987. Toca com os Velhos desde os 19 anos. Entre 2009 e 2013 colaborou também, ao vivo ou em estúdio, com os Salto e com o Manuel Fúria, entre outros. Em 2011 lançou pela Optimus Discos Não há crianças em Las Vegas, um EP onde era vocalista, compositor e produtor, assinando como Lucas Bora-Bora.

Agora, depois de quinze pequenos concertos de apresentação, chegou o momento de Pedro Lucas divulgar A Porta do Amor, o seu mais recente single. Este tema antecede Águas Livres, o longa duração de estreia do músico, um disco gravado durante o ano de 2013 e produzido por Walter Benjamim e gravado entre Londres e Alvito, no Alentejo, num processo que, segundo o press release do lançamento deste tema, foi apelidado pelo Pedro de carinhosamente vagaroso e que, também por isso, será uma edição limitada,  em formato livro, numerada e datada, toda desenhada e encadernada pelo próprio autor.

Ainda de acordo com a nota de imprensa, o disco reúne as melhores dez canções que Pedro Lucas foi compondo paralelamente à sua actividade com os Velhos (a sua banda), Nuno Lucas e outros amigos. No registo encontra-se uma ligação clara à herança da canção de língua portuguesa, tratada com um certo vagar brasileiro, narrativo por vezes, e com um espírito clássico: dos arranjos, do álbum completo, da balada sincera, das histórias de amor.

O vídeo desta canção foi realizado por Tomás Magalhães. Acompanhado por uma banda de amigos, Pedro Lucas apresentará o novo disco ao vivo na Casa Independente a 24 de Outubro, no Porto no Cinema Passos Manuel a 31 de Outubro e em Guimarães no Centro Cultural de Vila Flor a 1 de Novembro. O álbum estará à venda nos concertos estando também disponível nas plataformas digitais e para download na página oficial do músico. Confere...


autor stipe07 às 13:33
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Quarta-feira, 24 de Setembro de 2014

The Drums – Encyclopedia

Brooklyn, em Nova Iorque, é um verdadeiro viveiro musical sem paralelo no mundo inteiro, um éden para os amantes do universo sonoro indie e alternativo e os The Drums uma referência fundamental desse bairro da Big Apple. Atualmente formados pela dupla Jonathan (Jonny) Pierce e Jacob Graham, a mesma que fundou o grupo e já sem as presenças de Adam Kessler e Connor Hanwick, os The Drums já têm sucessor para o excelente Portamento (2011), um trabalho chamado Encyclopedia, lançado no último dia vinte e dois de setembro, por intermédio da Minor Records.

Logo que se conheceu, há algumas semanas, o primeiro avanço de Encyclopedia, percebeu-se que há uma inflexão sonora relativamente aquelas que têm sido as habituais propostas dos The DrumsMagic Mountain é um portento de post punk, que parece ter vindo diretamente do período aúreo e, por isso, mais sombrio, do indie rock, um género que floresceu em plena transição entre as décadas de setenta e oitenta, uma verdadeira montanha mágica sintetizada e movida com as guitarras mais ousadas e agressivas que se escutaram até hoje neste projeto.

Pouco tempo depois, com a divulgação de I Can't Pretend, o panorama anteriormente descrito confirmou-se, com os sintetizadores novamente na linha da frente do processo de construção melódica da canção e com as expetativas no seio dos mais atentos a subirem numa escala tão exponencial como a rugosa vitalidade experimental que os The Drums demonstravam ter nesta nova fase da sua existência, saudando-se a opção pelo encosto a tão importantes referências. Tal facto, na minha opinião, faz com que seja cada vez mais percetivel a evidente capacidade que esta dupla possui de criar algo único e genuíno com a sua discografia, algo que foi muito prometido nos primórdios da banda e que agora parece regressar com renovado vigor.

Com a audição integral de Encyclopedia e tendo em mente os dois temas previamente conhecidos, confirmaram-se as minhas suspeitas, que me diziam que, apesar de agora serem apenas dois músicos, ampliou-se o cardápio instrumental de que os The Drums se servem para criar, mais diversificado, com o sisntetizador a abrir um novo leque de possibilidades que a banda não se coibiu de explorar, de forma particularmente assertiva, em alguns momentos do disco. Além das duas canções já referidas, temas como a balada Kill My Heart, que fala de sonhos muitas vezes impossíveis, ou Face Of God” e Bell Laboratories, provam que os The Drums chegaram ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos, para assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, com sintetizadores flutuantes e uma voz particularmente inspirada. A postura vocal de Pierce está mais madura e suculenta e particularmente tocante e emocionada em alguns momentos, com canções como I Hope Time Doesn't Change e Kiss Me Again a serem aquelas em que melhor se pode apreciar esta nova formatação vocal algo nostálgica, amiúde feita com uma quase pueril simplicidade.

Outro dos momentos altos do álbum é Face Of God, uma boa canção que volta a abordar questões mentais, agora relacionadas com os nosso medos e como devemos ter a capacidade de controlar os nosso momentos de maior ansiedade, para que não sejamos paralisados por eles e incapacitados de poder ter uma vida normal e realizada numa sociedade contemporânea altamente competitiva e propícia à incubação de fobias e receios. Os The Drums sempre apreciaram a abordagem deste género de temáticas particularmente existencialistas e a já citada Bell Laboratories é outro tema que o demonstra, em especial no modo como nos convida e incita a nunca termos receio de dar aquele passo em frente que muitas vezes nos falta, rumo ao desconhecido, que pode ser compensador, devido aos tais receios que nos toldam a iniciativa.

Em Encyclopedia os The Drums alargam os seus horizontes e contrariam quem considera que as fórmulas bem sucedidas devem ser replicadas até à exaustão e que as formas antigas de composição são sempre as mais eficientes. É notório que a dupla quer fazer parte da equipa daqueles que se orgulham dos atalhos e das rotas divergentes que exploram e, fazendo-o com este nível qualitativo que Encyclopedia emana, não dar argumentos a quem quiser catalogar com injusto menosprezo um instante discográfico de uns The Drums que, mais que perceber zonas de conforto, talvez estejam com vontade de, radicalmente, procurar romper com as mesmas e, para já, ousar viver numa espécie de limbo criativo e ir vendo o que dá. Seja como for, estamos na presença de um trabalho que só demonstra a relevância deste projeto nova iorquino no universo indie atual, uma prova evidente que o grupo não desiste de ser uma referência e que procura fazê-lo com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...

The Drums - Encyclopedia

01. Magic Mountain
02. I Can’t Pretend
03. I Hope Times Doesn’t Change Him
04. Kiss Me Again
05. Let Me
06. Break My Heart
07. Face Of God
08. U.S. National Park
09. Deep In My Heart
10. Bell Laboratories
11. There Is Nothing Left
12. Wild Geese


autor stipe07 às 21:32
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Summerays - Nostalgia

Oriundo de Cleveland, no Ohio, Summerays é um projeto sonoro encabeçado por Luke, um músico de vinte e quatro anos com uma discografia já apreciável, iniciada no verão de 2011 e disponível no bandcamp do projeto, com a possibilidade de a obteres gratuitamente ou doares um valor pelo cardápio, e onde se destaca Summer Daze, um longa duração editado no início de 2013.

Mais de ano e meio depois desse trabalho, Summerays está de regresso com Nostalgia, um novo single disponibilizado na mesma plataforma e formato, por intermédio da habitual etiqueta do projeto, a Cool Summer Records. Sonoramente, quer esta nova canção, que tem como lado b o tema I Don’t Know Where We’re Going, quer a restante coleção de Luke, é bastante fiável, apostando, com notável mestria, nas origens da pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta, uma belíssima indie pop lo fi onde somos constantemente convidados a dançar, conduzidos pela guitarra elétrica. Confere...

Summerays - Nostalgia

01. Nostalgia
02. I Don’t Know Where We’re Going


autor stipe07 às 17:59
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Avi Buffalo – At Best Cuckold

Os norte americanos Avi Buffalo são de Long Beach, na California e estrearam-se em 2010 com um registo homónimo que conquistou a crítica. Depois disso mantiveram-se num silêncio que acaba, finalmente, de ser quebrado com o anúncio de At Best Cuckold, um novo disco do grupo, que viu a luz do dia a nove de setembro através da Sub Pop RecordsAt Best Cuckold foi produzido por Avi Zahner-Isenberg, o líder da banda e gravado em Los Angeles, São Francisco e Nova Iorque.

Banda responsável por uma das melhores estreias de 2010, os Avi Buffalo estão de volta e a querer resgatar o verdadeiro espírito dos anos sessenta em diante com dez canções bastante fiáveis e que nos remetem, com notável mestria, para as origens da pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. E já percebi que tudo isto é certamente influenciado por nomes tão importantes como os Talking Heads, Fleetwood Mac, The Microphones e os The Beach Boys.

At Best Cuckold tem pouco mais de trinta minutos e, por isso, ouve-se de uma assentada. Aliás, entende-se que há uma interligação latente entre os temas e que não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. Um belíssimo instante indie pop lo fi chamado So What é o aperitivo que abre o alinhamento e depois vamos sendo constantemente convidados a dançar ao som de uma pop bastante aditiva e peculiar.

As canções são quase sempre conduzidas pela guitarra elétrica, mas também há uma forte presença da sua congénere acústica e do baixo. Até o piano faz a sua aparição e logo no segundo tema e em She Is Seventeen. Memories Of You é um memorável instante épico, impregnado de cor e luz graças às teclas que graciosamente deambulam em redor das cordas eletrificadas, dando origem a um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante; Já She Is Seventeen é uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. As notas parecem sinónimos de tranquilidade, guiam os efeitos ao fundo da música e acompanham o piano sem pressa.

De vez em quando também se escutam arranjos e melodias sintetizadas, mas as cordas, o baixo e a bateria são aqui mais do que suficientes para o grupo atingir os seus propósitos. E voltando às cordas, a sequência feita com Two Cherished Understandings e Overwhelmed With Pride é um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico, duas canções verdadeiramente imperdíveis, enquanto que em Found Blind já temos cordas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, como no entusiasmo lírico.

Os Avi Buffalo têm um encanto muito particular na postura vocal na forma como aconchegam a voz e ausam para dar corpo às canções, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que dá ao conjunto uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica, num disco onde o trato sobre o amor não é leve e sublime, preferindo antes debruçar-se sobre a paixão e as suas travessuras, uma temática bastante usual nos álbuns dos Avi Buffalo.

Para quem procura aquela pop algo inocente, está aqui uma proposta que certamente irá encher as medidas. Estas canções estão cheias daquela inocência regada com acne, mas já imploram para serem levadas muito a sério, até porque foram criadas por um grupo que é já uma referência obrigatória no universo sonoro em que se situa, enquanto espelham com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.. Espero que aprecies a sugestão...

Avi Buffalo - At Best Cuckold

01. So What
02. Memories Of You
03. Can’t Be Too Responsible
04. Two Cherished Understandings
05. Overwhelmed With Pride
06. Found Blind
07. She Is Seventeen
08. Think It’s Gonna Happen Again
09. Oxygen Tank
10. Won’t Be Around No More

 


autor stipe07 às 23:18
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School Of Seven Bells – I Got Knocked Down (But I’ll Get Up)

A vinte e nove de dezembro de 2013, perdia a vida, aos trinta e cinco anos, o guitarrista Benjamin Curtis da dupla School of Seven Bells. Curtis tinha sido diagnosticado com um tipo raro de cancro linfático logo no início desse ano. Antes de sua morte, o músico gravou no hospital, com um laptop, uma versão de I Got Knocked Down (But I’ll Get Up), um clássico de Joey Ramone, lançado no álbum póstumo Don't Worry About Me (2002), o primeiro trabalho a solo do vocalista dos Ramones.

Esta cover de I Got Knocked Down (But I’ll Get Up), conta com a voz de Alejandra Deheza, a parceira de Benjamin Curtis nos School of Seven Bells. Confere...

School Of Seven Bells - I Got Knocked Down (But I'll Get Up)


autor stipe07 às 13:24
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Starwalker – Losers Can Win EP

Editado já a dezoito de março via Prototyp Recording & Bang ehf e disponivel para escutaLosers Can Win é o nome do EP de estreia dos Starwalker, uma dupla maravilha que junta dois ícones da pop dos nossos dias, nada mais nada menos que Jean-Benoit Dunckel (Air) e o compositor islandês Bardi Johannsson (Bang Gang, Lady & Bird).


Quando os Air vivem um hiato, Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome era inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica e onde ele deu as mãos à lindíssima Lou Hayter, dando origem a uma dupla cheia de charme e de onde só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que foi apresentado nas onze canções do homónimo de estreia desse projeto.

Agora, em Losers Can Win, predominam as reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, com a eletrónica muito presente, essencialmente na versão mais calma, melódica e clássica, sendo Bad Weather um tema fortemente apelativo para quem aprecia o período mais recente da carreira dos Air e as cordas luxuriantes do tema homónimo, uma porta de entrada privilegiada para quem sente saudades do período inicial aúreo da dupla francesa. 

As cinco canções deste EP são construídas de forma particularmente inspirada no modo como unem a orgânica vocal de Dunckel com uma sintetização que, carregada de efeitos de piano, metais, bateria e outros elementos sonoros nem sempre claramente percetíveis e que funiconam como simples mas preciosos detalhes na manta sonora apresentada, facilmente nos tiram do chão em direção ao espaço. É uma música espacial e inventiva, equilibrada com a rigidez contemplativa kraftwerkiana,o pendor cinematográfico de um Brian Eno e a serenidade típica dos Air e mesmo que Dunckel tenha aqui deixado que Bardi fosse um parceiro ativo no processo de criação melódica, predomina muito do estilo eletrónico típico dos Air, com a bela voz de Dunckel a casar muito bem com as viagens climáticas e etéreas que a dupla compôs.

Seja quando, por exemplo em Losers Can Win, existe um apelo para o movimento new wave mais dançante, ou quando Moral Sex sobrevive com notável sobriedade à custa de lindíssimos efeitos plenos de influências bem vincadas do krautrock, Losers Can Win é uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Starwalker - Losers Can Win

01. Losers Can Win
02. Bad Weather
03. Moral Sex
04. Losers Can Win (All That You’ve Got)
05. Bad Weather (Bloodgroup Remix)


autor stipe07 às 22:43
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The Rural Alberta Advantage - Runners in the Night

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Os canadianos The Rural Alberta Advantage de Nils Edenloff, preparam-se para um outono preenchido, já que muito em breve vão editar um novo disco chamado Mended With Gold e depois irão entrar em digressão para promover o mesmo. Runners In The Night é o single mais recente desse trabalho de uma das bandas mais icónicas do universo indie de Toronto. Confere...


autor stipe07 às 13:28
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Domingo, 21 de Setembro de 2014

The Kooks - Listen

Depois de Junk Of the Heart (2011), os britânicos The Kooks estão de regresso aos discos com Listen, um novo álbum que chegou aos escaparates através do consórcio EMI/Virgin e que contou com a participação especial do produtor de hip hop Inflo e ainda com as presenças na produção de Luke Pritchard e Frasier T. Smith e de um novo baterista chamado Alexis Nunez.

Oriundos de Brighton, uma cidade inglesa com uma vida cultural bastante animada, os The Kooks são uma das bandas mais incomprendidas do cenário indie britânico e nunca forma levados demasiado a sério. Com tenra idade começaram a dar nas vistas, havendo mesmo quem os tivesse catalogado de boys band, um grupo de rapazes com um rosto particularmente laroca e que tendo uma boa máquina de produção para trás, tinham apenas que cantar, tocar e... encantar.

Na verdade, os The Kooks são trabalhadores árduos, sério, responsáveis e criativos. Se as três primeiras constações não podem merecer qualquer objeção de quem procurar inteirar-se sobre a carreira e o modus operandi da banda e for sério, já a questão da criatividade fica sempre, naturalmente, ao critério de cada um e da impressão que, neste caso, o cardápio sonoro do grupo lhe suscita. Mas, também aqui, há que ser coerente e sério e desbravar, sem concessões, uma já apreciável discografia, que, com este Listen, atinge o quarto tomo e que começou em grande, em 2006, com o excelente Inside In/Inside Out.

Muitas bandas rock são acusadas de deturpar a sua essência quando procuram encetar por uma sonoridade mais pop, mas essa procura de outros caminhos não tem sempre que resvalar para algo qualitativamente menor. A possibilidade de livre escolha por parte das bandas deve ser uma permissa obrigatória e, como sabemos, muitas vezes são as etiquetas que impôem os rumos a seguir, sejam convergentes ou divergentes com o percurso habitual. No caso de Listen, quem conhece o estilo desta banda, rapidamente irá notar que Luke Pritchard, o líder e principal criativo do grupo, procurou uma inflexão que deixa um pouco de lado as guitarras, para apostar em batucadas, palmas e na própria voz como mais um instrumento da banda, algo muito semelhante ao que, por exemplo, tUnE-yArDs costuma propôr, na verdade a primeira influência que me ocorreu assim que me debruçei na audição do disco, por muito absurda que ela possa ser ou parecer.

Assim, partindo desta permissa, aviso os mais incautos que ainda não escutaram estas onze canções, que Listen não contém riffs de guitarra vigorosos ou aquele punk dançante que costuma escutar-se nesta banda, mas é um trabalho diversificado, acessível, com melodias orelhudas e que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e que alargou bastante o espetro sonoro dos The Kooks, sem trair a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se manter no seio das grandes bandas que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico.

Basta escutar. logo na abertura, o coro gospel sintetizado de Around Town, a bateria marcante e a guitarra psicadélica, para tomarmos contacto com a ampla expressão de géneros e estilos que, numa bitola mais pop, os The Kooks pretendem abraçar, com uma louvável veia experimental. A seguir, o funk branco de Forgive & Forget leva-nos às pistas de dança dos anos oitenta, uma canção sobre uma discussão entre um casal dentro de um bar de londres e que poderia muito bem ter sido causada por uma cena de ciúmes provocada pelos olhares de desejo que um dos dois suscitou na plateia, enquanto abanva a anca ao som desta empolgante canção. Os teclados em cascata de Westside, o piano de See Me Now, os ruídos urbanos que introduzem It Was London, outra canção assente numa bateria claramente dançante e em guitarras a saber a funk, são outros momentos altos de um disco que vai surpreendendo à medida que escorre pelos nossos ouvidos e nos convida a abanar a anca, muitas vezes sem percebermos muito bem como ou porquê.

Para o final, a acústica e ensolarada Dreams, embelezada por arranjos que incluem ruídos do oceano e teclados que parecem de outro mundo, as palmas e o clima algo latino a pedir uma Tequilla (de) Sunrise e o momento pop por excelência do disco personificado na grandiosa Are We Electric, encerram um disco onde os The Kooks expandiram a sua paleta sonora, diversificaram o clima e abriram os olhos para um novo mundo que parece diverti-los imenso e onde, pelos vistos, se sentem igualmente confortáveis. Será um pouco injusto se este Listen não figurar em algumas listas dos melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão...

The Kooks - Listen

01. Around Town

02. Forgive And Forget
03. Westside
04. See Me Now
05. It Was London
06. Bad Habit
07. Down
08. Dreams
09. Are We Electric
10. Sunrise
11. Sweet Emotion

 


autor stipe07 às 21:48
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Sábado, 20 de Setembro de 2014

Millionyoung – Materia EP

Lançado com o selo da insuspeita Old Flame Records e disponível para audição no bandcamp da etiqueta, Materia é o novo EP de Millionyoung, o projeto musical de Mike Diaz, um músico e produtor norte americano, natural de Miami, na Flórida e que contou, como é habitual, com a ajuda preciosa de Kristof Ryan.

Nestas novas cinco canções do seu cardápio sonoro, Mike mantêm a busca pela simbiose entre a eletrónica de cariz mais ambiental e o R&B. É uma receita que, no caso deste autor, raramente dispensa linhas de baixo com uma toada funk e sintetizadores retro, dois aspetos claramente audíveis, por exemplo, em VII, o momento instrumental por excelência do EP. A estes detalhes junta-se uma voz que pode ser manipulada com efeitos, geralmente em eco e reverb e obtem-se um resultado final repleto com o charme inconfundível e urbano que plasma o que de melhor se vai propondo atualmente no universo da chillwave.

O que Materia tem e facilmente nos fascina é, tendo em conta o universo sonoro descrito, uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo o single homónimo, poderão facilmente fazer-nos abanar a anca sem percebermos muito bem como e porquê, devido aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhado por um sintetizador delicioso. Mas também destaco Tell Me, uma música que me levou até aos Memory Tapes e o album Seek Magic (2009), uma intrincada composição e que, no meio do EP, funciona como uma espécie de catarse sónica claramente agregadora do seu conteúdo e onde tudo o o que atrai e influencia Millionyoung é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto..

É, pois, muito agradável ouvir o EP na íntegra, até porque a transição entre os temas muitas vezes mal se percebe, já que é tudo muito melódico e bem estruturado. Mais do que para cantar ou dançar, Materia é uma coleção de canções perfeita para relaxar e descontrair, além de provar que a chillwave está longe de ser um género musical passageiro e secundário e que é um ótimo terreno para quem gosta de testar sonoridades e experimentações, sem recear ser apontado como uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

Millionyoung - Materia

01. Materia
02. Feeder Band
03. Tell Me
04. VII
05. Fade Away

 


autor stipe07 às 21:51
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Radiator Hospital - Torch Song

Lançado no passado dia um de setembro via Salinas e disponível no bandcamp com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, Torch Song é o novo trabalho dos Radiator Hospital, um quarteto norte americano sedeado em Filadélfia e liderado por Sam Cook-Parrott, um músico que começou este projeto a solo e com gravações caseiras. Depois de ter editado Something Wild, um disco que contou com a participação especial de Allison Crutchfield, Sam convidou novamente esta voz feminina, mas também a sua irmã, Katie Crutchfield dos Waxahatchee e Maryn Jones dos All Dogs, para fazerem parte do alinhamento que gravou este seu novo trabalho.

Ouvir Torch Song é acompanhar esta trupe norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa curiosa posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar de uma implícita e pouco assumida componente etérea, são simples, concisa, curtas e diretas. Num alinhamento de quinze temas que se esfumam em pouco mais de meia hora, domina aquela sonoridade ligeira e descomprometida feita com o rock ligeiro e extrovertido que nos recorda as cassetes antigas que temos lá em casa, empoeiradas, cheias de gravações caseiras e lo fi do que ouvíamos à cerca de vinte a vinte e cinco anos atrás. É pois, uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

À medida que os temas escorrem e se sucedem com uma sofreguidão que, no entanto, não se torna nunca sufocante, estes quatro músicos apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É, pois, um disco rápido, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Elas dominam o processo de composição melódica, mas não há uma lineariedade no som emanado pelas mesmas, que tanto se pode aproximar perigosamente do blues (Fireworks), do rock clássico (Just May Be The One), do chamado rock de garagem (Bedtime Story), como alinhar por outro espetro ainda mais alternativo e invadir terrenos típicos da surf pop algo clássica (Venus Of The Venue), daquele fuzz que faz uma revisão da psicadelia (181935, Honeymoon Phase), ou ainda ir ao encontro de terrenos assumidamente experimentais, com Sleeping House a ser a única canção que não tem a guitarra no topo do arsenal instrumental que a sustenta, mas a contar com ela para alguns dos arranjos decisivos. Seja qual for a abordagem, esse instrumento replica sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar a outros tempos e entregar-nos canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico e a pop mais psicadélica.

As vocalizações de Sam, afinadas mas com aquele charme aspero e lo fi, fundem-se frequentemente com a natural abordagem mais melódica e harmoniosa da dupla feminina, algo que The Eye plasma com clareza. Quando canta sozinho, o líder do projeto mistura sempre bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza, com Fireworks (Reprise) a ser o clímax desta relação íntima entre as dimensões vocal e instrumental. Mesmo quando o red line de guitarras mais desenfreadas, ou com arranjos mais sujos, atinge um nível que possa colocar em causa o saudável encanto pop, vintage, relaxante e atmosférico que carateriza estes Radiator Hospital, Sam não permite que as mesmas coloquem em causa a harmoniosa sonoridade geral do conjunto, através de um trabalho de produção irreprensível e que manteve sempre intacto o cariz de acessibilidade tipicamente pop que parece caraterizar este projeto.

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Torch Song rompe com várias propostas de outros registos similares, porque usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Radiator Hospital de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, deliciá-los com o ruído que fielmente espelha alguns dos preciosos detalhes do melhor rock alternativo e assim,  espelhando com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais independente, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

1. Leather & Lace

2. Blue Gown
3. Cut Your Bangs
4. The Eye
5. 181935
6. Venus of The Avenue
7. Five & Dime
8. Fireworks
9. Bedtime Story
10. I'm All Right
11. Honeymoon Phase
12. Sleeping House
13. Just May Be The One
14. Fireworks (Reprise)
15. Midnight Nothin


autor stipe07 às 21:58
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Cherry Glazerr – Had Ten Dollaz

Cherry Glazerr

Vindos diretamente de Los Angeles, os norte americanos Cherry Glazerr começaram quando a guitarrista, compositora e vocalista Clementine Creevy começou a gravar umas demos caseiras a solo com o pseudónimo Clembutt. Encorajada por Lucy Miyaki, da banda conterrânea Tashaki Miyaki e já a gravar com o engenheiro de som Joel Jerome, Clementine passou a contar com a companhia do baixista Sean Redman e da baterista Hannah Uribe e assim nasceram estes Cherry Glazerr.

Had Ten Dollaz é o novo tema do trio e vai ser editado em formato single a vinte e oito de outubro, através da Suicide Squeeze e terá como lado b a canção Nurse Ratched. Had Ten Dollaz é um precioso instante de indie rock de garagem sem concessões e artifícios desnecessários, uma canção que foi escolhida por Yves Saint-Laurent para fazer parte dos seus desfiles, no início deste ano e que poderá fazer com que finalmente os holofotes olhem com um pouco mais de atenção para este novo projeto, quanto a mim merecedor de maior projeção. Confere...

 


autor stipe07 às 17:55
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Mumblr - Full of Snakes

Após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, finalmente  estrearam-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração dos Mumblr e chegou aos escaparates a dezasseis de setembro, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Num disco disponível em edição digital ou em cassete, com dezassete canções, algumas delas untitled, parece que os Mumblr estão apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das suas canções. Na verdade, eles debruçam-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas.
Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebeu qual seria a bitola sonora destes Mumblr e o alinhamento na verdade não defrauda os apreciadores do género, até porque Got It, outro avanço divulgado de Full of Snakes, não foge muito a esta toada, apesar de ser um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva. Já agora, sobre esta canção, Nick Morrison referiu recentemente: It´s about being a strange, confused young man; feigning confidence and asking people to take him as he is.
Apesar de estar claramente balizado o espetro sonoro dos Mumblr, há que destacar a forma corajosa como, logo na estreia, não se coibem de tentar experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola. Canções como Black Ships, White Devil ou Greyhound Station, contêm momentos de pura improvisação, com guitarras que apontam em diferentes direções e o baixo dos dois singles acima citados não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico das mesmas. E estes dois importantes ítens não perturbam a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar desses momentos e da especificidade rugosa do som que carateriza os Mumblr.
Em Full Of Snakes os Mumblr estabelecem uma zona de conforto, mas não se coibem de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que eles parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de cerca de quarenta minutos intensos, rugosos e que não envergonharão o catálogo sonoro deste grupo de Filadélfia, seja qual for o restante conteúdo que o futuro lhes reserve. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:27
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The Twilight Sad – Last January

The Twilight Sad - Last January

O indie rock anguloso e expressivo dos escoceses The Twilight Sad de James Graham (voz), Andy MacFarlane (guitarra) e Mark Devine (bateria), está de regresso com um novo álbum intitulado Nobody Wants to Be Here and Nobody Wants to Leave.

Last January é o primeiro single retirado deste disco que irá ver a luz do dia por intermédio da Fat Cat Records. Confere... 


autor stipe07 às 13:20
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Interpol – El Pintor

Depois de um interregno de quase quatro anos, os Interpol estão de regresso aos lançamentos com El Pintor, o novo disco desta banda liderada por Paul Banks. Escrito e gravado durante o ano de 2013, em Nova Iorque, cidade de onde o grupo é natural, nos estúdios Electric Lady Studios & Atomic Sound, El Pintor foi misturado em Londres, nos Assault & Battery Studios, por Alan Moulder.

Todas as canções de El Pintor foram escritas e produzidas pelos Interpol, com Daniel Kessler à guitarra, Samuel Fogarino na bateria e Paul Banks na voz, na guitarra e, pela primeira vez, no baixo. O disco conta com as participações especiais de Brandon Curtis (The Secret Machines) nos teclados em nove canções, de Roger Joseph Manning, Jr. (Beck) nos teclados em Tidal Wave e de Rob Moose (Bon Iver) a tocar violino e viola em Twice as Hard.

Independentemente do estado atual daquele indie rock de cariz mais alternativo e que aposta no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio que fez furor nos finais da década de setenta e início da seguinte, com nomes com os Joy Division ou os Cure à cabeça, o género deve imenso a nomes como os The White Stripes, The Killers, The Strokes e, principalmente, a estes Interpol, grupos que se destacaram com o disco de estreia no início deste século e que, agregados a esse estigma, procuraram evoluir, nos trabalhos seguintes, para outras sonoridades e para a exploração de diferentes territórios sonoros. Os Interpol seguiram esse percurso e nem sempre o fizeram de forma imaculada, apesar de, pessoalmente, não desvalorizar tanto o conteúdo de Our Love To Admire e do homónimo Interpol, os dois antecessores deste El Pintor, como tanta crítica que li sobre esses trabalhos quando viram a luz do dia. E, na verdade, em 2014, os Interpol resolveram voltar ao trilho inicial, sendo este disco uma espécie de novo reinício de um trio que finalmente percebeu que a sua imensa legião de fãs não se importa que se mantenham no território sonoro onde se sentem mais confortáveis, aquele que os lançou para as luzes da ribalta, quando com o indie rock genuíno de Antics e o post punk revivalista de Turn On The Bright Lights conquistaram meio mundo.

El Pintor, um curioso anacrónico da palavra Interpol, não é Antics, ou Turn On The Bright Lights, ou uma súmula dos dois, mas é o álbum dos Interpol que melhor homenageia esse extraordinário início de carreira. Este trio de Nova Iorque está, pois, de regresso ao formato que exalta o espírito sombrio dos anos oitenta e não é necessário escutar demasiados acordes de All The Rage Back Home, o tema de abertura, para se perceber essa evidência, à medida que iniciamos uma viagem alicerçada num Banks incisivo como nunca, mas também em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas e num baixo cheio daquele groove punk, com Sam a colar todos estes elementos, através da bateria, com uma coerência exemplar.

Quando o tema de abertura de um disco é tão assertivo, ou mantemos as expetativas ou assumimos que a canção charneira foi colocada no início e o restante alinhamento não atinge essa bitola; Em El Pintor vale a pena seguir pelo primeiro caminho, porque o restante conteúdo sonoro do alinhamento replica e acentua os elogios que a primeira canção suscita. Aquela sensualidade algo enigmática, mas nada figurativa, que sempre rodeou os Interpol, exala por todos os poros de My Blue Supreme e de My Desire, a primeira uma canção que nos obriga a inspirar e a expirar ao ritmo da mesma até ao êxtase final e a segunda um tema que nos recorda aquele prazer tantas vezes difícil de descrever que os Interpol sempre provocaram no nosso íntimo, uma canção de resposta por parte da banda a todos aqueles que já duvidavam das capacidades do grupo em se focar no som que melhor os identifica e na temática lírica que exemplarmente sempre abordaram, relacionada com o lado mais complicado das relações, a frustração e uma faceta algo provocatória que nunca enjeitaram demonstrar (In my desire, I'm a frustrated man, some of us ask for peace, do what we can, play me out, play me out, look like your chance has come).

Outros destaques de El Pintor são o post punk de Everything Is Wrong, o indie rock anguloso e que marca claramente a tal ruptura com o passado recente de Ancient Ways (Oh fuck the ancient ways), Anywhere, uma canção que mantém-nos empolgados do início ao fim, Breaker 1, um extraordinário tema que nos remete para a sonoridade épica, melódica e melancólica do clássico NYC, um dos momentos maiores de Antics e a balada Same Town, New Story; um verdadeiro símbolo, até pelo título, desta nova vida do grupo.

El Pintor é um recomeço em grande forma, como já referi, mas também um grito de raiva por parte da banda em relação às críticas que receberam nos últimos anos. Percebe-se, por este disco, que os Interpol assumiram que há um caminho que só eles podem trilhar solitariamente e que já perceberam que as formas antigas de composição são as mais eficientes, mas que se orgulham dos atalhos e das rotas divergentes que já exploraram e que qerem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns instantes discográficos de determinados projetos que procuraram apenas, ao longo da carreira, perceber zonas de conforto ou, radicalmente, procurar romper com as mesmas e até viver numa espécie de limbo criativo e ir vendo o que dá.

El Pintor é indie rock e pós punk sem falsos pressupostos, tem um valor natural e genuíno e não precisa de uma análise demasiado profunda para o percebermos, até porque um dos seus grandes atributos, enquanto disco, é não ser demasiado intrincado ou redundante no que concerne aos arranjos e ao arsenal instrumental de que se serve, algo que só demonstra a relevância deste trio nova iorquino no universo indie atual, uma prova evidente que o grupo está de regresso às origens com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...

Interpol - El Pintor

01. All The Rage Back Home
02. My Desire
03. Anywhere
04. Same Town, New Story
05. My Blue Supreme
06. Everything Is Wrong
07. Breaker 1
08. Ancient Ways
09. Tidal Wave
10. Twice As Hard


autor stipe07 às 22:04
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Creepers - Stuck

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Creepers é um novo projeto norte americano, oriundo de São Francisco, na Califórnia e uma espécie de banda b dos Deafheaven, já que conta com Dan Tracy e Shiv Mehra no alinhamento, além de Varun Mehra e Christopher Natividad. O disco de estreia dos Creepers chega aos escaparates a vinte e oito de outubro e chama-se Lush, um cardápio de sete canções e do qual já se conhece Stuck, o fantástico tema de abertura e que impressiona pelo clima shoegaze e pelo ambiente criado pela bateria.

Lush foi gravado e produzido por Andrew Oswald e terá o selo da All Black Recording Company, a etiqueta do líder dos Deafheaven, George Clarke. Stuck está disponível para download via stereogum. Confere...


autor stipe07 às 13:32
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

The New Pornographers – Brill Bruisers

Chegou no passado dia vinte e seis de agosto aos escaparates, através da Matador Records e da Last Gang, Brill Bruisers, o sexto álbum de estúdio dos canadianos The New Pornographers e o primeiro em quatro anos. Os The New Pornographers são um super grupo natural de Vancouver e formado por Dan Bejar, Kathryn Calder, Neko Case, John Collins, Kurt Dahle, Todd Fancey, Carl Newman e Blaine Thurier, sendo alguns destes nomes, nomeadamente Bejar (Destroyer), Neko Case e Newman, verdadeiramente fundamentais para a indie contemporânea. Newman descreve este Bill Bruisers como um álbum de celebração. Depois de períodos complicados estou num ponto da minha vida em que nada me puxa para baixo e a música reflecte isso, acrescenta o músico. O curioso artwork do disco é da autoria dos artistas Steven Wilson e Thomas Burden e, já agora, a palavra Brill do título alude ao Brill Building, um edifício em Nova Iorque onde o som da pop e do rock dos anos sessenta foi definido pelos compositores e etiquetas que tinham escritórios ali.

A primeira coisa que me apraz dizer depois de ter escutado este disco é que Brill Bruisers é luz em forma de música, um disco cheio de brilho e cor em movimento, uma obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana, apesar de, por exemplo, War On The East Coast, o single já extraído, ser sobre o lado mais negro de um mundo feito de dúvidas, deceções e guerras, tantas vezes desnecessárias e incompreensiveis. Seja como for, mesmo nessa canção, não se deixa de ter vontade de pular e de querer desertar desse universo paralelo para um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos e que, nestas treze canções, podem surgir nas notas mais delicadas, até quando elas estão num modo particularmente explosivo, ou então, e principalmente, nas vozes, que se alternam e se sobrepôem em camadas, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que Newman chama de som de banda.

Em Brill Bruisers quem vence é aquela pop clássica e intemporal que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes deslumbrantes. E não é preciso ser demasiado complicado e criar sons e melodias intrincadas. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção e os The New Pornographers sujeitam-se seriamente a obterem tal distinção, já que usaram a fórmula correcta, feita com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita que muitas vezes existe no universo musical para demonstrar uma formatação adulta e a capacidade de se reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que uma banda se insere.

No fundo, Brill Bruisers é um álbum pop poderoso, orquestral e extremamente divertido, sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, num disco sem cantos escuros, já que nele nem uma balada se escuta, mesmo em momentos mais lentos como Champions Of Red Wine.

Brill Bruisers é um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referênciasque nos permitem aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, onde tudo soa utopicamente perfeito. É uma espécie de caldeirão sonoro feito por um elenco de extraordinários músicos e artistas, que sabem melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe neste universo sonoro ao qual dão vida e que deve estar sempre pronto para projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte, assentes num misto de power pop psicadélica e rock progressivo. Espero que aprecies a sugestão...

The New Pornographers - Brill Bruisers

01. Brill Bruisers
02. Champions Of Red Wine
03. Fantasy Fools
04. War On The East Coast
05. Backstairs
06. Marching Orders
07. Another Drug Deal Of The Heart
08. Born With A Sound
09. Wide Eyes
10. Dancehall Domine
11. Spidyr
12. Hi-Rise
13. You Tell Me Where

 


autor stipe07 às 21:16
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Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy

Damien Rice letras

Pouco depois de anunciar o lançamento de um novo álbum, Damien Rice divulgou a primeira música do trabalho. Intitulada My Favourite Faded Fantasy, o mesmo nome do disco, a canção de mais de seis minutos de duração tem um início bastante calmo e contemplativo, para depois evoluir para uma sonoridade vibrante, uma das marcas inconfundíveis do músico.
Com produção de Rick Rubin, o álbum My Favourite Faded Fantasy, o primeiro de Rice em oito anos, será composto por oito canções e tem lançamento marcado para o dia onze de novembro, através da Warner. Confere...

Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy


autor stipe07 às 17:17
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