Quinta-feira, 28 de Maio de 2015

Hot Chip - Why Make Sense?

Lançado a dezoito de maio por intermédio da Domino Records e produzido por Mark Ralph e pelos próprio Hot Chip, Why Make Sense? é já o sexto álbum da carreira desta banda londrina absolutamente essencial, quando se quer fazer um ponto de situação rigoroso sobre o estado atual da música de dança. Atualmente formados por Alexis Taylor e John Goddard, Owen Clarke, Felix Martin, Al Doyle, Rob Smoughton e Sarah Jones, os Hot Chip têm esse cariz de banda indispensável porque, além de serem um dos nomes mais consensuais e proficuos do universo sonoro em que navegam, são agora também mais ecléticos e, se quisermos ser justos, antes de uma análise mais aprofundada, convém afirmar, previamente, que Why Make Sense? é o disco mais abrangente do historial discográfico do grupo.

Huarache Lights é um portentoso e contemporâneo convite à dança sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir, um tema que impressiona pela grandiosidade e pelo modo como os efeitos exalam um saudável espontaniedade, desde os flashes sintetizados ao efeito robótico da voz, alinhados por uma batida quente e um andamento melódico único e fortemente inebriante. Logo nessa abertura se percebe a elevada maturidade dos Hot Chip e o modo convincente como escolheram abrir o disco com uma composição que agarra o ouvinte pelos colarinhos e o coloca, mesmo que não queira, na pista de dança mais próxima, mesmo que ela se situe no recanto mais secreto da sua mente.

Fisica ou espiritualmente não há como não dançar ao som de Huarache Lights e nem o modo como os Hot Chip piscam o olho ao hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, em Love Is The Future, refreia os ânimos, convidando-nos antes a uma postura corporal diferente, mas fisicamente com um grau semelhante de lisergia. A festa prossegue e em Cry For You as plumas e biquinis já se confundem e ancas abanam sem pudor ao som do charme sofisticado do indie pop festivo de uma canção que mistura vozes robóticas com efeitos flamejantes e uma percussão sintética cheia de variações, numa receita que se estende, de modo mais sedutor e novamente com o R&B aos comandos a Started Right e nos coloca na linha da frente de um universo particularmente radioso e onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado, à boleia de um sintetizador luminoso. Esta insistência em sonoridades mais negras e que atualmente agradam ao público mais jovem e que se repetem, adiante, em Easy to Get, é um dos marcos mais inéditos de Why Make Sense?, asim como a tremenda fluidez que todos os músicos partilham entre si, são  uma das principais justificações para a tal maior amplitude sonoroa deste grupo londrino e para a justa concessão de uma elevada bitola qualitativa ao conteúdo geral do disco.

Se a toada abranda em White Wine And Fried Chicken e, pouco depois, também à boleia do teclado sintetizado de So Much Further To Go, isso não significa que seja momento de regressar ao sofá e ao quotidiano comum que tantas vezes nos engole. É momento, sim, de procurar alguém que comungue connosco a sensação sedutora que os efeitos da guitarra e o jogo de vozes provocam no nosso íntimo e num abraço profundo, nos acompanhe pista fora sem destino previamente traçado, até porque depois é hora de ir buscar as plumas e viajar novamente até aos anos oitenta ao som do ambiente leve, épico e envolvente que marca os alicerces de Dark Night.

Até ao ocaso de Why Make Sense? há ainda que realçar as portas também algo inéditas que os Hot Chip abrem rumo ao trip-hop em Need You Now, uma canção que nos mantém debaixo da bola de espelhos, mas que marca pela melancolia discreta e por um charme maduro e inteligente que se repete, no tema final do alinhamento, mas noutro registo sonoro. Falo de uma cúpula incisiva entre rock e eletrónica, uma relação quente e assertiva que o tema homónimo transpira, encerrando deste modo sugestivo um alinhamento que nos convoca para uma verdadeira orgia entre sub-géneros da pop, que ao longo das dez canções vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena e substituindo-se entre si, estendidos numa almofada junto à piscina, enquanto saboreiam mais um copo e apreciam um final de tarde glamouroso. Espero que aprecies a sugestão...

Hot Chip - Huarache Lights

01. Huarache Lights
02. Love Is The Future
03. Cry For You
04. Started Right
05. White Wine And Fried Chicken
06. Dark Night
07. Easy To Get
08. Need You Now
09. So Much Further To Go
10. Why Make Sense?


autor stipe07 às 22:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Elbow – What Time Do You Call This?

Elbow - What Time Do You Call This

Depois de The Take Off And Landing Of Everything , o sexto álbum da carreira dos britânicos Elbow de Guy Garvey, um trabalho que viu a luz do dia há pouco mais de um ano através da Fiction, What Time Do You Call This é o novo sinal de vida do grupo, um tema que faz parte da banda sonora do filme Man Up, que conta nos principais papéis com Simon Pegg e Lake Bell.

A banda sonora de Man Up foi editada há poucos dias pelo mesmo selo dos Elbow, a etiqueta Fiction e, de acordo com o diretor Ben Palmer, What Time Do You Call This encaixa perfeitamente no enredo do filme. A canção bonita e delicada, tem uma sonoridade tipicamente Elbow, ou seja, tem algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços da canção a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pelas voz. Confere...


autor stipe07 às 21:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 27 de Maio de 2015

Pfarmers – Gunnera

Nome de planta gigante que abunda, por exemplo, nas margens do biblíco Rio Jordão e que se tornou personagem principal de um sonho que invadiu em tempos o descanso sagrado de Danny Seim (Menomena e Lackthereof), Gunnera é o trabalho de estreia do super projeto Pfarmers, que além desse músico conta também com Bryan Devendorf (The National) e Dave Nelson (David Byrne, St. Vincent, Sufjan Stevens).

Apesar da enorme notoriedade dos seus membros, Gunnera não soa a nada do que tenham produzido antes nos projetos de origem. Benthos, o tema de abertura de Gunnera, é uma longa composição instrumental de cariz fortemente ambiental, sustentada por várias camadas de sopros sintetizados e lança o disco numa espiral pop onde não falta o marcante estilo percurssivo de Devendorf, ou algum do cardápio de efeitos que Danny apresentou nos Lackthereof, mas onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso. A voz grave de Seim é outro atributo fundamental para a criação de um som profundo, assim como o seu baixo pleno de groove.

You Shall Know The Spirit lança-nos definitivamente no universo fortemente cinematográfico e imersivo destes Pfarmers, que parecem tocar submergidos num mundo subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar estas sete músicas que impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial. No caso deste tema, apresentam-nos um som esculpido e complexo, onde é forte a dinâmica entre os sopros e o baixo, num encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. A mesma receita, mas de modo ainda mais grandioso e hipnótico repete-se em How To Build A Tube, canção que impressiona pela grandiosidade, patente nos samples, nos teclados e nos sintetizadores inebriantes, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Mais um bom exemplo de uma banda capaz de ser genuína no modo como manipula o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Os feitos que borbulham de Work For Me, uma canção onde os flashes metálicos projetados em várias direções e a percussão inebriante e irregular criam um cenário idílico para os apreciadores do punk blues mais enérgico e libertário, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons das guitarras e do baixo que dão vida a El Dorado e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos dos sopros e dos flashes sintetizados que nos fazem levitar no single The Ol' river Gang, justificam, sem qualquer sombra de dúvida, a atribuição de um claro nível de excelência aos diferentes fragmentos que os Pfarmers convocaram nos vários universos sonoros que os rodeiam e que da eletrónica, à folk, passando pela pop e o rock progressivo criam uma relação simbiótica bastante sedutora, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras que podem muito bem servir de referência para projetos futuros.

Gunnera termina com Promised Land, um ribeiro sonoro por onde confluem vários sons da mais diversa estirpe e de diferentes proveniências, mas todos cheios de vida e prestes a desaguar na Terra Prometida idealizada pelos Pfarmers. Aí são arremessadas para longe todas aquelas manhãs dominadas pelo nevoeiro e pelo frio intenso, que parecem muitas delas ter vindo do tal universo submerso, escuro e entalhado quase no ventre da terra mãe, para se passar a viver rodeados de sons fortemente apelativos e luminosos, sendo Gunnera a banda sonora perfeita desse território tremendamente sensorial, feita com uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante. Para chegarem a este resultado único, os Gunnera não recearam entregar-se de corpo e alma ao instrumentos que mais apreciam mas também ao mundo das máquinas, numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, acabando cada um dos músicos por ser aquele detalhe orgânico que dá alma a todas as ligações de fios e transístores que tiveram que criar nestas sete canções e que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de cada um deles. Espero que aprecies a sugestão...

Pfarmers - Gunnera

01. Benthos
02. You Shall Know The Spirit
03. Work For Me
04. El Dorado
05. The Ol’ River Gang
06. How To Build A Tube
07. Promised Land


autor stipe07 às 22:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Destroyer – Dream Lover

Destroyer - Dream Lover

O clássico Kaputt (2011) e o extraordinário EP Five Spanish Songs (2013), as duas últimas obras discográficas de Destroyer, já têm finalmente sucessor. O novo disco deste projeto que emana da mente criativa de Dan Bejar chama-se Poison Season e será lançado a vinte e oito de agosto pelos selos Marge e Dead Oceans.

Bejar não gosta de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, preferindo que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido tempo e com a pressa que merece. No entanto, Dream Lover, o primeiro avanço divulgado de Poison Season, parece querer afirmar-se em sentido contrário a esse travo de espontaneidade, à boleia do elevado sentido de urgância que exala no frenesim das guitarras, agora menos sedutoras e mais ríspidas, estabelecendo um caos inédito que os metais, os intensos trompetes, as batidas e a postura vocal de Destroyer ampliam.

Há aqui um desejo claro de mudança que se saúda, numa roupagem menos pop e sofisticada e mais orgânica, com o rock vintage a afastar Dan Bejar da sua zona de conforto canadiana e de uma certa inércia artística em que se sentia. Confere...


autor stipe07 às 17:45
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 26 de Maio de 2015

Landfork - Koreatown Station

A viver atualmente em Calgary, no Canadá, Jon Gant é Landfork, uma espécie de alter-ego de um músico que tem na chamada synth pop uma grande paixão. Por isso, a sonoridade do projeto assenta num forte predomínio da eletrónica e dos sintetizadores. Descobri-o quando editou em agosto de 2013 Nights At The Kashmir Burlesk, um trabalho que sucedeu a Tiománaí, o disco de estreia do projeto, editado em outubro de 2011. No passado dia oito de julho de 2014 Landfork editou Trust, o seu terceiro álbum e já está de volta com Koreatown Station, o quarto tomo de uma exemplar carrreira discográfica onde a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop há uns trinta anos atrás, são reis e senhores do respetivo conteúdo.

Parece fácil vislumbrar o período aúreo da synth pop dos anos oitenta à boleia da aúrea nostálgica que circunda a música de Landfork. Basta escutar-se a toada épica e reconfortante de Wild Love ou o charme de Staring At The Movie, para se perceber o modo como o autor se movimenta confortavelmente pelos meandros da pop mais introspetiva, mas a percussão frenética da bateria, o efeito em eco da voz e os flashes sintetizados de California Gold ou o sintetizador rugoso de Running Wild, continuando a replicar com enorme bom gosto os traços identitários e mais melancólicos da pop de cariz eminentemente eletrónico, também mostram vigor e um interessante apelo às pistas de dança, não faltando aqui material sonoro capaz de nos fazer abanar a anca. 

Koreatown Station acaba por viver da busca de equilibrio entre estes dois pólos previsivelmente opostos, com o núcleo duro do trabalho a ser um enorme oceano de sons e ecos que nos convidam à auto análise interior, mas que também não descuram a busca de sons de outras latitudes mais quentes. O processo de composição melódica acaba por se sustentar tendo os teclados como maiores protagonistas, em redor dos quais foram surgindo diferentes efeitos e arranjos, muitas vezes dominados por cordas e por uma percussão bastante inspirada.

Com a espiral sintetizada e o baixo de Can't Stop a piscarem já o olho a alguns dos traços identitários da génese do punk rock mais sombrio e o tema homónimo a espreitar ambientes mais progressivos e pesados, o groove e a natureza contagiante do arsenal instrumental de Grey Bandana acaba por funcionar como uma súmula deste agregado de tendências, quer rítmicas, quer melódicas que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, feitas por um artista que além de tocar todos os instrumentos de base, também manuseiam o sintetizador.

Afundado num colchão de sons eletrónicos e que satirizam de certa forma a eletrónica retro, feita com VHS, Landfork leva-nos num passeio divertido, mas também introspetivo, cheio de charme e bom gosto por uma década ímpar no cenário musical conjugando e recriando com distinção o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo. Mas em abono da verdade, também fará algum sentido afirmar que poderão estar aqui algumas pistas interessantes sobre o próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:15
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 25 de Maio de 2015

Thee Oh Sees - Mutilator Defeated At Last

Viu a luz do dia a dezoito de maio, através da Castle Face, a editora do prório John Dwyer, Mutilator Defeated At Last, o nono álbum da carreira dos norte americanos Thee Oh Sees, que são liderados por este músico e ao qual se juntam ataulmente Tim Hellman (baixo), Nick Murray (bateria), Brigid Dawson (teclados) e Chris Woodhouse (enginheiro de som). Este é um regresso aos lançamentos discográficos que se saúda desta banda californiana que tem impressionado pelo modo como sugere uma sonoridade que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, num incómodo sadio que já não nos deixa duvidar acerca do ADN destes Thee Oh Sees, que também sabem surpreender quando adicionam belíssimos arranjos orquestrais, onde não faltaram, nomeadamente em Drop (2014), o antecessor, inéditos instrumentos de sopro.

Com a guitarra eletrificada debaixo do braço e o garage rock a escorrer por veias salutarmente contaminadas por um vírus lisérgico que o atrai compulsivamente ao universo da psicadelia, John Dwier é já uma referência obrigatória do bem sucedido cenário indie norte americano, de mãos dadas com Ty Segall ou Mikal Cronin, outros exemplos, ainda que com abordagens díspares, desta fixação pela criação de canções simples mas empolgantes e a transbordar de fuzz e de distorção, numa viagem que leva-nos do noise, ao grunge, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa.

Mutilator Defeated At Last é mais um capítulo bem sucedido desta saga que, no caso dos Thee Oh Sees e, diga-se em abono da verdade, também no de Ty Segall, se mostra bastante profícua, com a edição, em média, de um disco por ano. E esta elevada bitola qualitativa sobrevive à custa do modo astuto como o grupo continua a abanar-nos com riffs agressivos e esplendorosos que, quer se prolonguem por músicas completas, ou por instantes das composições, têm sempre uma forte vertente hipnótica e uma ilimitada ousadia visceral.

Os Thee Oh Sees sabem quais são os seus pontos fortes e exploram-nos até à exaustão e de modo cada vez mais ousado e tecincamente perfeito; Logo no ritmo frenético de Web, passando pela enraivecida e emotiva toada de Whitered Hand ou a atrrebatadora intensidade de Lupine Ossuary, torna-se claro que a guitarra de John Dwier está mais solta, viva e criativa do que nunca e os músicos que o acompanham vivem no auge do seu virtuosismo interpretativo e no modo como o colocam ao serviço deste abraço constante que junta o punk com a psicadelia, de modo a criar uma atmosfera verdadeiramente hipnotizante.

A voz sempre aguda e nem sempre percetível de Dwier surge, neste disco, mais bem acompanhada pelos sintetizadores do que em qualquer registo anterior, numa exploração de novas tendências paricularmente feliz e estes dois aspetos assim como o modo como o baixo surge com um maior protagonismo no sustento melódico e a bateria plasma um inédito sentido de urgência, como é o caso de Whitered Hand, comprovam esse auge progressivo do grupo, sempre com o blues ali ao virar da esquina, que o frenesim punk de Rogue Planet e Turned Out Light, a contundente Pour Queen e um caldeirão sonoro chamado Lupine Ossuary, também carimbam. Mesmo os orgãos de Sticky Hulks ou o dedilhar acústico das cordas em Holy Smoke não destoam da toada geral de Mutilator Defeated At Last, nem colocam em causa a centelha que guia e ilumina o ritmo empolgante do disco. 

Escuta-se Mutilator Defeated At Last e a sensação que fica é que os The Oh Sees atravessaram novamente as barreiras do tempo até há umas décadas atrás mas, ao mesmo tempo, mantêm-se joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo mantém intata a sua insana cartilha de garage folk e rock blues com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deste grupo é, cada vez mais, uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão... 

Web
Withered Hand
Poor Queen
Turned Out Light
Lupine Ossuary
Sticky Hulks
Holy Smoke
Rogue Planet
Palace Doctor


autor stipe07 às 23:01
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

The Happy Hollows - Astrid

A talentosa Sarah Negahdari, Charlie Mahoney e Matt Fryos são os The Happy Hollows, um trio norte americano, oriundo de Los Angeles já com dois álbuns no cardápio; Spells (2010) e Amethyst (2013). Astrid, um single, acaba de ver a luz do dia, sendo o novo pulsar desta banda, um tema gravado nos famosos Sunset Studies, da cidade dos anjos.

Produzido por Lewis Pesacov e misturado em Londres por Gareth Jones, Astrid sustenta o seu edifício melódico num excelente e vintage sintetizador Roland Juno 106, em redor do qual gravita uma bateria impulsiva, guitarras plenas de fuzz e a belissíma voz de Sarah, rebelde e evocativa, numa canção que mistura fé com destino, dois conceitos que muitas vezes se fundem, principalmente quando se acredita, como referem os próprios The Happy Hollows, que existe algo de cósmico e superior que rege a nossa existência. Confere...

https://twitter.com/happyhollows www.instagram.com/happyhollows


autor stipe07 às 18:16
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 24 de Maio de 2015

LoneLady – Hinterland

Julie Campbell é LoneLady, uma magnífica voz impregnada com uma irrepreensível soul oriunda de Manchester e que se estreou nos discos em 2010 com o interessante Nerve Up. Cinco anos depois, Julie está de regresso com Hinterland e disposta a mostrar que continua a haver vida e capacidade de renovação para o bom e velho trip-hop e que a criatividade é uma mais valia para este género sonoro quando a abordagem sucede através da conjugação de diferentes referências sem deturpar a essência.

Denso, sussurrante e com o nervo à flor da pele, é assim Hinterland, um álbum luminoso e expansivo e que convida a dançar logo em Into The Cave, canção impregnada com um notável funk que só um baixo tão inspirado como aquele que conduz esta canção poderia proprocionar. A batida de Bunkerpop de mãos dadas com um ligeiro efeito reverberado na voz de LoneLady plasma a tal relação estreita entre diferentes conceitos, com aquela eletrónica tão industrial, cinzenta e melancólica como a cidade de onde a autora é oriunda a piscar o olho ao punk rock, originando uma atmosfera sonora que exala uma tremenda urbanidade e onde a herança de nomes como os Gang Of four, os Talking Heads, Tricky e os prórios Joy Division se junta com a contemporaneidade de uma Likke Li ou de Grimes. Mais adiante, no baixo minimal mas vincado e nos efeitos frenéticos, de origem sintética que ao intercalarem com a batida, clamam por um momento de êxtase que nunca chega, em (I Can See) Landscapes, e no transe melódico sempre controlado que mistura dance music com punk rock em Silvering e Red Scrap, fica carimbado o reforço desta espreitadela algo timida, mas curiosa e evidente, que LoneLady faz ao universo do indie rock mais rugoso e idílico. 

Hinterland avança com firmeza e se o tema homónimo assume-se como uma composição tipicamente pop, animada por um flash de uma guitarra exuberante, num espaço de delicioso diálogo desse efeito futurista com heranças e referências de outros tempos, já Groove It Out plasma claramente uma outra intrincada relação, desta vez entre a típica sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order, com o groove de uma guitarra que se vai deixando conduzir por típicos suspiros sensuais que só o baixo e as batidas da dub proporcionam. Quer este tema, quer a declarada essência vintage dos sons sintetizados de Flee! acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências que conjugam teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens mais comtemplativas, com a lindissima voz de LoneLady a ser mais um predicado na elevada dose de sensualidade e suavidade que exala da tonalidade de quase todas estas canções e que trazem as brisas mais aprazíveis ao ouvinte.

Hinterland não trai de forma alguma a herança do trip hop e lança mais preciosas achas para a fogueira que ilumina novas relações intimas entre eletónica, pop e punk rock. Nele, LoneLady junta o passado musical que a influencia com o presente e antevém assim o futuro próximo de parte da música eletrónica. De facto, Hinterland soou-me como algo refrescante e, ao mesmo tempo, incrivelmente retro, porque permitiu-me recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante, possibilitou-me também descobrir uma nova luz dentro do universo musical que esta autora hoje defende como poucos. Espero que aprecies a sugestão...

LoneLady - Hinterland

01. Into The Cave
02. Bunkerpop
03. Hinterland
04. Groove It Out
05. (I Can See) Landscapes
06. Silvering
07. Flee!
08. Red Scrap
09. Mortar Remembers You


autor stipe07 às 18:03
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 23 de Maio de 2015

EELS – Royal Albert Hall

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos lançamentos discográficos com Royal Albert Hall, uma ilustração sonora e visual viva que nos oferece de modo exemplar um magnífico concerto que a banda deu na mítica casa de espetáculos londrina que intitula o disco, a trinta de junho de 2014, nove anos depois da última passgem do grupo norte-americano por esse local. Este concerto foi o culminar de uma digressão que teve início pouco mais de um mês antes e que levou os Eels a tocarem em locais tão miticos como o Orpheum Theater em Los Angeles, o Vic Theater em Chicago, o Apollo em Nova Iorque ou o Concert Hall em Amsterdão, entre outros.

Com edição em formato CD duplo e DVD, Royal Albert Hall é um documento excelente para quem, com eu, sente necessidade de reforço periódico dos laços afetivos que unem o fã aos Eels. O conteúdo sonoro do trabalho e a própria filmagem do mesmo colocam-nos no centro do espetáculo e, principalmente, no âmago introspetivo de um Everett que gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo.

Com o concerto a revisitar alguns dos marcos fundamentais da carreria de uns Eels que usam um fato e uma gravata que vincam uma oposição clara a uma anterior digressão mais punk e eletrificada que tinha promovido o álbum Wonderful Glorious (2013) e, portanto, com um foco mais incisivo no fase mais recente onde a folk assume o protagonismo maior, há uma forte componente autobiográfica na postura da banda e de Mr. E, que se entrega genuinamente ao espetáculo e à audiência, com o respeito pelos suspiros, as palmas, os silêncios e as gargalhadas a ampliarem esse efeito, enquanto se ouve cantar sobre algumas mazelas que sempre atormentavam a vida pessoal de um músico, que aqui sai de novo de uma espécie de clausura emocional e introspetiva, para se libertar e mostrar, sem receio, a sua faceta mais rebelde e divertida, não havendo agora lugar para sentimentos obscuros e lamentações.

Com um belissimo alinhamento que respira todo o historial do grupo, um extraordinário sentido de humor onde não faltam alusões inteligentes aos Rolling Stones e aos Beatles e a fixação de Mr. E pelo orgão de tubos da sala, onde irá terminar a sua performance de modo exemplar e com versões bem escolhidas de clássicos como When You Wish Upon a Star (BSO O Pinóquio) ou Can’t Help Falling in Love With You, (Elvis Presley), Royal Albert Hall é mais uma demonstração cabal que Everett e companhia merecem elogios de um público maior do que aquele que os conhece e que produziram um compêndio de canções marcantes que deviam realmente tê-los levado mais além. Espero que aprecies a sugestão...

Eels - Royal Albert Hall

01. Where I’m At
02. When You Wish Upon A Star
03. The Morning
04. Parallels
05. Addressing The Royal Audience
06. Mansions Of Los Feliz
07. My Timing Is Off
08. A Line In The Dirt
09. Where I’m From
10. It’s A Motherfucker
11. Lockdown Hurricane
12. A Daisy Through Concrete
13. Introducing The Band
14. Grace Kelly Blues
15. Fresh Feeling
16. I Like Birds
17. My Beloved Monster
18. Gentlemen’s Choice
19. Mistakes Of My Youth / Wonderful, Glorious
20. Where I’m Going
21. I Like The Way This Is Going
22. Blinking Lights (For Me)
23. Last Stop, This Town
24. The Beginning
25. Can’t Help Falling In Love
26. Turn On Your Radio
27. Fly Swatter
28. The Sound Of Fear


autor stipe07 às 22:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

Slug - Ripe

Peter Brewis é o carismático líder dos Field Music, mas não deixa de se envolver em outros projetos. Além de estar a trabalhar num disco de música orquestral com Paul Smith, também tem colocou o dedo e a mente no disco de estreia dos Slug, uma banda liderada por Ian Black, o seu baixista nos Field Music e que viu a luz do dia a treze de abril através da Memphis Industries.

O indie rock barulhento, negro e sombrio, sem restrições melódicas e claramente inspirado numa apenas aparente dicotomia entre o minimalismo instrumental e a exuberância sonora que guitarras plenas de fuzz e distorção, uma bateria inebriante e um baixo vigoroso e impulsivo podem criar, são detalhes que certamente não passarão despercebidos a estes Slug na hora de compor, Os efeitos metálicos que surgem logo em Grimacing Mask, de mãos dadas com a gravidade de uma voz empolgante, andrógena e sentida, ampliam a segurança e o atrevimento destes Slug e com Cockeyed Rabbit Wrapped In Plastic, dois minutos de punk rock progressivo de primeira água, com uma toada funk particularmente inédita, uma canção que soa tão estranha e igualmente criativa como a imagem do single, atestam definitivamente o pedigree dos músicos envolvidos neste projeto que tamvém contém uma forte componente cinematográfica, com os Slug a confessarem a influência de algumas bandas sonoras para o conteúdo de Ripe.

O disco promete emoções fortes enquanto plasma diferentes possibilidades sonoras e claras virtudes técnicas que comprovam o elevado grau de virtuosismo dos Slug. Neste último aspeto há que destacar a beleza do piano de Peng Peng e o modo como os restantes instrumentos de cordas e sopro vaõ surgindo, de modo progressivo, sem ofuscarem o protagonismo do teclado, a conexão íntima entre voz e percussão no instrumental ambiental e relaxante Weight Of Violence e o modo como a sensual, angulosa e pastiche Running To Get Past Your Heart sobrevive com apenas uma simples linha de baixo com três notas, tendo sido gravada com os bongos e bateria captadas com microfones de vozes.

Sendo estes momentos acima referidos verdadeiramente extraordinários, mesmo assim não há como não deixar passar em claro o modo como a leve e psicotrópica Sha La La brilha enquanto abraça uma estranha relação entre a pop psicadélica e o r&b à boleia de majestosos trompetes e uma bateria cheia de detalhes e o modo como Eggs and Eyes e Greasy Mind piscam o olho à luxúria pop dos saudosos anos oitenta. E se Kill Your Darling é a banda sonora perfeita para um clássico de terror de baixo orçamento, Shake Your Loose Teeth é um portento sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, que nos oferece um cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto, uma parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo com um forte sentido melódico e uma certa essência pop.

Ripe é um meticuloso exercício de corte, colagem, costura e montagem de um vasto mapa de influências, oferecido por uma banda que se sente particularmente confortável ao aventurar-se por ambientes essencialmente orgânicos, minimais e crus, mas que possui uma visão do rock claramente alternativa, experimental, aberta e livre de restrições comerciais, acabando esta estreia por ser uma excelente fusão do melhor destes dois mundos e uma sublime rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Slug se sentam com um conforto e um à vontade incomuns. Espero que aprecies a sugestão...

Grimacing Mask
Cockeyed Rabbit Wrapped in Plastic
Sha La la
Eggs and Eyes
Greasy Mind
Shake Your Loose Teeth
Weight of Violence
Running To Get Past Your Heart
Peng Peng
Kill Your Darlings
At Least Show That You Care


autor stipe07 às 18:55
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Em escuta...

Facebook

Twitter

Twitter

Bloglovin

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Maio 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

16


29
30

31


posts recentes

Hot Chip - Why Make Sense...

Elbow – What Time Do You ...

Pfarmers – Gunnera

Destroyer – Dream Lover

Landfork - Koreatown Stat...

Thee Oh Sees - Mutilator ...

The Happy Hollows - Astri...

LoneLady – Hinterland

EELS – Royal Albert Hall

Slug - Ripe

They Might Be Giants – Gl...

Surfer Blood - 1000 Palms

The Bats Pajamas - Witch ...

Balthazar – Thin Walls

Stereophonics – C’est La ...

Tape Junk - Tape Junk

Sweet Baboo - Black Domin...

Other Lives - Rituals

Loose Tooth - Easy Easy E...

Passenger Peru - Break My...

X-Files

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

Procura...

 

Visitors (since 31.05.12)

blogs SAPO

subscrever feeds