Sábado, 25 de Outubro de 2014

DRLNG - Icarus EP

Os Plumerai juntaram-se em 2011 para fazer música e assim nasceu uma banda em Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras), James Newman (baixo) e Mickey Vershbow (bateria). Agora, três anos depois, alguns dos integrantes dessa banda resolveram dar vida a um novo projeto paralelo intitulado DRLNG (darling), que se estreou no passado dia dezasseis de outubro com um EP intitulado Icarus, disponível numa edição limitada em vinil de 12" e no bandcamp e soundcloud do projeto.
Gravado por Alex Gracia-Rivera nos estudios Mystic Valey, um dos poucos estúdios americanos que usa ainda apenas e só equipamento analógico, este EP contém quatro excelentes canções que apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura e límpida de Eliza é um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas de Martin têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz de Eliza, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Icarus, o tema homónimo, permite-nos desde logo dissecar diferentes vias e infuências, já que, ao mesmo tempo que há uma paisagem sonora que transparece calma e serenidade, também existe na guitarra uma tensão constante, numa melodia amigável e algo psicadélica, que se arrasta até ao final num longo diálogo entre a distorção e o timbre do baixo. My Gipsy tem um formato intímo e marcadamente nostálgico e Playground Punk usa a bateria para brincar com os nossos sentidos, sempre à espera do momento certo para explodir. Para o ocaso ficou Seattle, um tema cantado em francês e onde o fio condutor parece incialmente ser o jazz e a folk, mas com o indie rock mais progressivo a ser o grande suporte de uma canção que mostra uns DRLNG que parecem também querer apostar, no futuro, em ambientes sonoros mais ruidosos.

Há uma enorme sensação de conforto durante a audição de Icarus, possibilitada por uma atmosfera rítmica e sonora claramente orientada para permitir aos autores expressarem-se de forma melancólica e, desse modo, exaltarem cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Este EP tem uma expressividade única e claramente intencional, que abrange, de forma reconfortante, o espaço onde é ouvido, como se fosse um manto que permanece sempre cativante, mas também feliz e carregado de esperança. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:14
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Allah-Las – Worship The Sun

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las são Miles, Pedrum, Spencer e Matt e têm um novo disco intitulado Worship The Sun, um trabalho lançado por intermédio da Innovative Leisure no último dia dezasseis de setembro e que sucede a um homónimo que foi o disco de estreia da banda, editado em 2012.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Depois de terem impressionado com o búzio de Allah-Las, estes californianos mantêm a toada no sucessor e trazem o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Levam-nos novamente numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar De Vida Voz e cá vamos nós a caminho da praia ao som dos Allah-Las e de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde a banda reside. E vamos com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos Allah-Las, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação não permitia grande rigor melódico, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos de No Werewolf e do groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre Artifact e Recurring, dois dos melhores temas do disco. Depois, o tema homónimo tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção. Had It All, o single já retirado do disco, obedece integralmente à toada revivalista, com um certo travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Jimmy Hendrix, numa sonoridade simultaneamente grandiosa e controlada. Já as cordas de Nothing To Hide e o efeito que as acompanham, assim como a percurssão groove do tema homónimo e os efeitos hipnóticos da guitarra, sustentam duas das mais belas melodias de um disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Better Than Mine

Uma das canções mais curiosas do álbum é 501-415, a peça mais psicadélica e sintética do disco e com um timbre pouco usual, estado aqui o momento mais experimental de um trabalho que mesmo nos momentos puramente instrumentais, como Ferus Gallery, Yemeni Jade e a já citada No Werewolf, não desilude.

Buffalo Nickel tem o melhor refrão de Worship The Sun, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Follow You Down tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo baixo e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção, uma atmosfera que se repeate no surf rock de Every Girl, uma forma muito luminosa e festiva de encerrar um disco que feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações.

Worship The Sun é, como de algum modo já referi, coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta e é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana. É um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Worship The Sun

01. De Vida Voz
02. Had It All
03. Artifact
04. Ferus Gallery
05. Recurring
06. Nothing To Hide
07. Buffalo Nickel
08. Follow You Down
09. 501-415
10. Yemeni Jade
11. Worship The Sun
12. Better Than Mine
13. No Werewolf
14. Every Girl


autor stipe07 às 22:15
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Blue Hawaii – Get Happy / Get Happier

Blue Hawaii – "Get Happy" / "Get Happier"

Os Blue Hawaii são um projeto canadiano formado pelo enigmático casal Agor e Raph (na verdade chamam-se Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston), uma dupla originária de Montreal e que se estreou nos discos em 2010 com Blooming Summer. O sucessor chamou-se Untogether e viu a luz do dia no início de 2013 por intermédio da Arbutus Records.

Quase dois anos depois os Blue Hawaii voltam a mostrar-se com a divulgação de uma nova canção intitulada Get Happy, gravada no início deste ano. E além desse tema, incluiram no single Get Happier, uma versão da canção principal, mais acelerada, criada no passado mês de agosto. A digressão de apresentação de Untogether foi marcante para os Blue Hawaii e Get Happy reflete esse estado de alma de um casal que teve de gerir novas realidades e conflitos.

 As the year progressed, we found our live show intensify but still had all these softer recordings which would never be released. Hence we present ’Get Happy’ / ’Get Happier’, where we explore both sides: the original demo and a fun, double-time edit made one day in August.

Os dois temas estão disponíveis para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 13:31
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Dirt Dress - Twelve Pictures

Dirt Dress - Twelve Pictures

Ativos desde 2007, ano em que se estrearam com o EP Theme Songs, os norte americanos Dirt Dress vêm de Los Angeles, na Califórnia e têm no punk rock a sua força motriz, uma sonoridade que não é inédita, mas que, neste caso, é feita com enorme originalidade, já que o grupo tem uma forma muito própria de conjugar a guitarra com os sintetizadores, como ficou particularmente explícito em Donde La Vida No Vale Nada, o último trabalho do trio, editado em novembro de 2012.

Twelve Pictures é o novo tema divulgado pelos Dirt Dress e fará parte de Revelations, o próximo EP do grupo, que verá a luz do dia a dezoito de novembro por intermédio da Future Gods. O breve interlúdio feito com um saxofone, as guitarras e a voz que se escuta em Twelve Pictures, levam-nos de volta aos primórdios do punk de cariz mais lo fi, em plena década de setenta e onde não falta aquele travo do surf pop psicadélico, numa canção que também comprova o elevado grau de emotividade e de impressionismo que o projeto coloca nas suas letras (I’ve cut myself so deep I’ve seen my muscles bleed). Confere...


autor stipe07 às 13:39
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Domingo, 19 de Outubro de 2014

Martin Carr - The Breaks

Martin Carr, também conhecido como vocalista dos The Boo Radleys, editou no passado dia vinte e nove de setembro The Breaks, o seu segundo disco solo, um músico e compositor que, de acordo com o press release que me chegou às mãos da Tapete Records, é um songwriter cujo trabalho é pop mas não necessariamente popular e cujo percurso revela uma relação ambivalente com as sensibilidades convencionais. Neste disco, a sua voz transforma-se num eco confessional de todas as nossas dúvidas. The Breaks conta com as participações especiais de Andy Fung, Corin Ashley e John Rae.

Martin Carr aposta forte em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exala uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Neste trabalho ele apresenta em apenas dez canções toda a herança que os Red House Painters, os Fleetwood Mac ou os conterrâneos Prefab Sprout e os The Smiths deixaram na formação do músico, que parece ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende para vários espetros sonoros, nomeradamente o indie rock, a própria folk (No Money In My Pocket) e a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos como The Santa Fe Skyway, St Peter In Chains e Senseless Apprentice, músicas que possibilitam não apenas o desenvolvimento de uma instrumentação radiante, como a possibilidade de constatar que Martin alcançou elevados parâmetros e patamares de qualidade, inclusive na sua intepretação vocal.

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em diversas camadas sonoras, com as cordas à cabeça. Estas podem escutar-se num registo acústico ou eletrificado e, muitas vezes, em ambos em simultâneo, onde também não falta uma secção de sopros imponente e um piano, que em Sometimes It Pours mal se nota e em Mainstream tem uma subtileza avassaladora enquanto sustenta uma viola. Acaba por ser um misto de cordas mas, seja em que registo for que se escutem, estão todas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, principalmente quando se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos. A bateria tem também uma presença sempre radiante, com a batida que marca o ritmo de Mountains e de Senseless Apprentice a serem os instantes do disco onde a percurssão mais se destaca.

Mesmo nos momentos mais melancólicos e sombrios, como Mainstream e No Money In My Pocket, dois belíssimos instantes acústicos e melódicos, há uma curiosa sensação de naturalidade e dinamismo em The Breaks, uma espécie de ligeireza cheia de charme e delicadeza, um ambiente sonoro descontraído que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz de Martin e dos seus convidados que, quase sempre, são vozes de suporte, encaixam na melodia das canções. Percebe-se claramente que o músico é bastante inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Disco imponente mas também delicado e repleto de bons arranjos, The Breaks é um refúgio bucólico bastante aprazível, um compêndio de sensibilidade e optimisto onde o autor entregou-se à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

1. Santa Fe Skyway
2. St. Peter In Chains
3. Mainstream
4. Mountains
5. Sometimes It Pours
6. Senseless Apprentice
7. No Money In My Pocket 
8. I Don't Think I'll Make It
9. Mandy Get Your Mello On
10. The Breaks


autor stipe07 às 21:04
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Sábado, 18 de Outubro de 2014

LA Font - Bright Red Flame

Bright Red Flame é uma canção alegre e divertida e que aposta numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico e, além do frenesim das guitarras e do vigor do baixo, a voz de Danny Bobbe é um trunfo claro deste projeto,ao qual regressarei em breve para falar deste duplo lançamento simultâneo. Bright Red Flame está disponível para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 17:55
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

We Were Promised Jetpacks - Unravelling

Três anos de In The Pit Of The Stomach e após um trabalho ao vivo chamado E Rey (Live In Philadelphia), lançado em fevereiro deste ano, os escoceses We Were Promised Jetpacks estão de regresso com Unravelling, o terceiro disco de originais, lançado no passado dia seis de outubro por intermédio da Fatcat Records. Unravelling foi gravado em Glasgow, no país natal, nos Chem19 Studios, tendo sido produzido por Paul Savage, um nome que conta no currículo com outros escoceses de nomeada, como os Camera Obscura, Teenage Fanclub, The Twilight Sad, Franz Ferdinand e Mogwai. Os We Were Promised Jetpacks tornaram-se entretanto num quinteto com a entrada do multi-instrumentista Stuart McGachan, que une-se a Adam Thompson (vozes e guitarra), Darren Lackie (bateria), Sean Smith (baixo) e Michael Palmer (guitarra).

Este projeto começou a sua carreira em 2003 num concurso de bandas de escola e o primeiro disco, These Four Walls, deveu muito do sucesso às músicas que colocou em várias séries de televisão e filmes. Não os alçou à fama no imediato, mas deixou-os debaixo do olho clinico de muita gente que, como eu, se interessa pela sonoridade tipica do grupo. Tendo em conta In The Pit Of The Stomach, o trabalho que os consagrou definitivamente e este Unravelling, o som dos We Were Promised Jetpacks é assumidamente um rock indie que plana entre a experimentação e o psicadelismo. Ao longo deste disco liderado pelas guitarras, ouve-se canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, com variações, ruídos e efeitos variados. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar algum sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades.

Logo no início, com o single Safety In Numbers, percebe-se que o red line nas guitarras será uma constante ao longo do disco e que essa opção alinhada com uma percurssão vibrante, é nada mais nada menos que uma demanda pelo verdadeiro som épico, luminoso e expansivo que só o indie rock de cariz mais progressivo consegue replicar. Peaks and Troughs amplifica essa opção que fica definitivamente firmada em I Keep It Composed, um verdadeiro hino de estádio que precisa de espaço e tempo para manifestar todo o seu esplendor. Mesmo em temas menos amplos como Disconnecting ou Bright Minds, há sempre um cariz épico e vincadamente emotivo, razão pela qual não é exagero afirmar que Unravelling denota esmero e paciência na forma como a banda acertou nos mínimos detalhes, já que, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Os We Were Promised Jetpacks parecem dispostos a seguir em frente, rumo ao estrelato e a procurar ombrear com os Muse num pódio que nem tem sido muito cobiçado, com um clima sonoro bem delimitado e que não se altera, mesmo com a entrada da voz, que apesar de revolver um pouco a estrutura pop de algumas canções, é mais um trunfo para lhes facultar uma maior grandiosidade. O próprio piano de Peace Sign é apenas mais um elemento que em vez se apontar para uma direção oposta serve para cimentar com maior ênfase esta busca pela construção de hinos de estádio à boa maneira do rock britânico, assim com o baixo de Night Terror, o maior protagonista de uma canção majestosa e ceia de vigor e onde se exala um enorme travo punk. Este é o meu grande destaque do disco, até por ser uma canção cheia de energia e dominada por um descarado sentimento de urgência, aquela que poderá mostrar a luz a este grupo de rapazes, caso tenham a pretensão de se tornarem em verdadeiros músicos de barba rija e ascenderem num futuro próximo à premier league rockeira no arquipélago de Sua Majestade.

Peace Of Mind é o âmago de um disco que projeta inúmeras possibilidades sonoras por parte de uma banda que vive no complicado equilibrio de querer ao mesmo tempo que escreve de uma forma bastante pessoal e intima, não se envergonhar de pretender um dia esgotar a lotação de um Wembley ou, pelo menos, as bancadas do Cardiff Stadium, servindo-se de um universo sonoro recheado de várias experimentações e renovações, mas que pretende, acima de tudo, soar poderoso, jovial e inventivo, desde que o indie rock de cariz mais sinfónico e potente nunca deixe de fazer parte da sua cartilha. Espero que aprecies a sugestão....

We Were Promised Jetpacks - Unravelling

01. Safety In Numbers
02. Peaks And Troughs
03. I Keep It Composed
04. Peace Sign
05. Night Terror
06. Disconnecting
07. Bright Minds
08. A Part Of It
09. Moral Compass
10. Peace Of Mind
11. Ricochet

 


autor stipe07 às 21:47
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Shy Boys - Shy Boys

Oriundos do estado do Kansas, os norte americanos Shy Boys são Collin Rausch, Kyle Rausch e Konnor Ervin, um trio que surpreendeu em 2013 com Peachy, o disco de estreia. Pouco mais de um ano depois, estão de regresso aos lançamentos discográficos com um trabalho homónimo que viu a luz do dia por intermédio da High Dive Records.

Os Shy Boys servem-se daquela cartilha vintage que alicerça o processo de composição melódica nos primórdios da pop e do surf rock dos anos sessenta, mas que depois vai também beber alguns detalhes e arranjos ao rock alternativo de finais do século passado. É uma receita muito em voga nos dias de hoje e onde, neste caso, também cabe o punk de cariz mais lo fi e a chamada psicadelia. Uma percurssão sóbria e inspirada, teclados, guitarras, baixo e voz, são o arsenal particular destes Shy Boys, onde reina a simplicidade estrutural, algo bem evidente logo na abertura, em Is This What You Are, um dos grandes destaques do disco, um tema que nos remete, no imediato, para essa teia intrincada de influências, incluindo a tal psicadelia.

Se esse arranque é perfeito para balizar a nossa bússola no ideário sonoro que nos espera, todos os contrastes que, de algum modo, descrevem o ideário sonoro deste Shy Boys, encontram-se bem audíveis ao longo do alinhamento; Se Notion entra no nosso ouvido do mesmo modo bizarro que o som de um búzio que resgata para nós o barulho das ondas de uma praia havaina frequentada há meio século pelos The Birds ou os Beach Boys, já um pouco adiante, a banda sonora ideial para um instante cinéfilo western spaghetty é proposto em And I Am Nervous, enquanto Heart Is Mine e Fireworks trazem de volta tudo aquilo que de icónico, sensual e apelativo tem o universo criado em tempos pelos míticos The Velvet Underground. No entanto, um dos temas mais curiosos do disco e que aponta num sentido distinto do restante cardápio é Submarine, um título feliz para uma canção em que, ajudados por um baixo monocórdico, os Shy Boys submergem-nos numa atmosfera nosdisctálgica, hipnotizante e algo claustrufóbica.

As vocalizações de Collin são únicas e particularmente originais. Produzido com o vintage eco lo fi tão em voga atualmente e conduzido por uma percurssão acelerada e distorções de guitarra que vão beber ao cruzamento da surf music com a psicadelia, é um falsete melódico e harmonioso, que se mistura com mestria com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia, delicadeza e melancolia o que perde em alguma distorção, apesar de, felizmente, o red line das guitarras não deixar de fazer parte do cardápio sonoro dos Shy Boys.

Para quem procura aquela sonoridade indie mais inocente e etérea, que nos recorda aquelas cassetes antigas que temos lá em casa, empoeiradas, cheias de gravações caseiras e lo fi, mas onde não falta uma dose equilibrada de ruído, está aqui uma proposta que certamente irá encher as medidas e que traz-nos à memória aquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primórdios do rock alternativo. Estas dez canções bastante fiáveis estão cheias dessa inocência regada com acne, mas também imploram para serem levadas muito a sério, até porque foram criadas por um grupo que quer muito ser uma referência obrigatória no universo sonoro em que se situa, enquanto espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais experimental, alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Is This Who You Are
Keeps Me On My Toes
Notion
Bully Fight
And I Am Nervous
Heart Is Mine
Postcard
Submarine
Fireworks
Trim


autor stipe07 às 18:16
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The Flaming Lips – Lucy In the Sky With Diamonds (Feat. Miley Cyrus & Moby) (The Beatles Cover)

The Flaming Lips - "Lucy In the Sky With Diamonds" (Feat. Miley Cyrus & Moby) (The Beatles Cover)

Já é conhecido o alinhamento e a lista completa de artistas convidados de With A Little Help From My Fwends, o álbum de tributo dos norte americanos The Flaming Lips ao clássico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, um dos discos fundamentais da carreira dos Beatles.

With A Little Help From My Fwends irá chegar aos escaparates já a vinte e oito de outubro, via Warner Brothers, e um dos destaques é, sem dúvida, a versão da intemporal Lucy In The Sky With Diamonds, que conta com as participações de Moby e Miley Cyrus. O tema pode ser escutado aqui, assim como ser feita a aquisição do álbum.

Confere abaixo a tracklist de With A Little Help From My Fwends e a contribuição dos Electric Würms, outro projeto de Wayne Coyne, a meias com Steven Drozd, para Fixing A Hole.

 

Tracklist de With A Little Help From My Fwends:
01 “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” (Feat. My Morning Jacket, Fever the Ghost & J Mascis)
02 “With A Little Help From My Friends” (Feat. Black Pus & Autumn Defense)
03 “Lucy In The Sky With Diamonds” (Feat. Miley Cyrus & Moby)
04 “Getting Better” (Feat. Dr. Dog, Chuck Inglish & Morgan Delt)
05 “Fixing A Hole
06 “She’s Leaving Home” (Feat. Phantogram, Julianna Barwick & Spaceface)
07 “Being For The Benefit Of Mr. Kite!” (Feat. Maynard James Keenan, Puscifer & Sunbears!)
08 “Within You Without You” (Feat. Birdflower & Morgan Delt)
09 “When I’m Sixty-Four” (Feat. Def Rain & Pitchwafuzz)
10 “Lovely Rita” (Feat. Tegan and Sara & Stardeath and White Dwarfs)
11 “Good Morning Good Morning” (Feat. Zorch, Grace Potter & Treasure Mammal)
12 “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Reprise)” (Feat. Foxygen & Ben Goldwasser)
13 “A Day In The Life” (Feat. Miley Cyrus & New Fumes)

 


autor stipe07 às 14:11
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Foxes In Fiction – Ontario Gothic

Foxes In Fiction

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, Ontário Gothic, um verdadeiro tratado de dream pop e que será em breve dissecado por cá. Para já e como aperitivo, partilho Ontario Gothic, o single homónimo e primeiro tema retirado de Ontario Gothic nesse formato, assim como um texto do músico sobre o processo de composição do disco. Confere...

Musicially, “Ontario Gothic” begins where the previous song on the album, “Shadow’s Song” lets off. The the same melody – made from cutting up & copying and pasting singular guitar notes forms the melodic basis for the majority former. The instrumental elements of the middle / transition section make up the Foxes in Fiction song “Breathing In” found on the first Angeltown compilation. And like “Shadow’s Song” it features violin arrangements by Owen Pallett.

Lyrically, “Ontario Gothic” is written about a close friend name Cait who died in 2010 and to whom the album is dedicated. Cait was one of the closest friends that I had for many years when I was a bit younger. She and I became really close after I had moved back to my hometown in the suburbs of Toronto, away from a farm in rural Ontario that my family lived on from 2001 until 2004. I was coming away from what was the worst and most emotionally tumultuous period of my life at that point and I carried a lot of fucked up anxiety and deep sadness about my life and myself as a person. But more than anything else, getting to know, open up to and spend time with Cait during those first years helped open me up to kinds of happiness and a love for life that I didn’t think was within the realm of possibility at that point in my life.

She was one of the most remarkable, open and truly good people I’ve ever known, really. The song “Flashing Lights Have Ended Now” was also written about her just a point where we’re drifting apart; a year later she was gone. I wrote this song to crystallize the better parts of our friendship and to remember the healing effect that she had on me as a person which without I would not be the same person or have the same acceptance for life that I do now. I miss her enormously and I feel her influence and presence constantly.

 


autor stipe07 às 13:10
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