Sábado, 25 de Julho de 2015

Elbow – Lost Worker Bee EP

Depois de há pouco mais de um ano terem editado The Take Off And Landing Of Everything, o sexto álbum da carreira, os britânicos Elbow de Guy Garvey estão de regresso com Lost Worker Bee, um EP com quatro canções e que, de acordo com a banda, funciona como um marco intermédio entre o antecessor e o próximo longa duração, enquanto os músicos dos Elbow se vão dividindo por alguns lançamentos a solo e colaborações com outros artistas e projetos. 

Ramsbotton, a cidade natal do grupo formado atuamente por Craig Potter, Mark Potter, Pete Turner e Richard Jupp, além de Garvey, é a principal inspiração do conteúdo de Lost Worker Bee, um pequeno tesouro que em quase vinte minutos nos oferece aquele som épico, eloquente, emocionante e que exige dedicação, que os Elbow sabem fazer melhor que ninguém e que verbaliza sonoramente aquela necessidade quase biológica que todos temos de viver e digerir a ressaca emocional que as partidas e as chegadas de várias pessoas às nossas vidas provocam, para que nunca nos falte o indispensável equilíbrio emocional que todos precisamos para quea vida seja devidamente apreciada e aproveitada.

Na verdade, estes cinco músicos fazem sempre questão de serem profundos e  poéticos na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir. E estas canções bonitas e delicadas, que entre a ode ao amor de Lost Worker Bee, a sonoridade mais progressiva e rugosa de And It Snowed, a pop épica e angulosa de Roll Call e a cândura mágica de Usually Bright, mostram sempre algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços das canções a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pela voz, são eficazes no modo como nos fazem sorrir sem razão aparente e no modo como incitam a necessidade que todos nós temos de, regularmente, refletir um pouco sobre o momento atual e o que se pode alterar, procurar, ou lutar por, para se ser um pouco mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Lost Worker Bee EP

 

01. Lost Worker Bee
02. And It Snowed
03. Roll Call
04. Usually Bright


autor stipe07 às 14:16
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Doubting Thomas Cruise Control - Sof Focus

Bobby Cardos, Sean Kelly, Chris Sprindis e Joe McCarthy são os Doubting Thomas Cruise Control, um coletivo norte americano oirundo de Brooklyn, Nova Iorque e que orienta a sua sonoridade por um vasto espetro que vai do rock alternativo mais clássico até ao punk.

Remember Me John Lydon Forever será o próximo registo de originais da banda, um trabalho que irá ver a luz do dia a catorze de agosto através da Duckbill Records e a insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Soft Focus, o último single divulgado de Remember Me John Lydon Forever é um festim inebriante, feito com guitarras distorcidas, uma voz que ruge sem desafinar e que exala um espírito jovem e bastante beliçoso. Fica logo claro que os Doubting Thomas Cruise Control não caiem na tentação de complicar e não se deixam levar por experimentalismos e arranjos desnecessários, conseguindo partir em busca de alguns detalhes do rock sem descurar um salutar sentido mais brando ou melancólico, havendo uma componente melódica particularmente assertiva neste tema. Confere...

 

 


autor stipe07 às 13:54
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2015

DIV I DED - Born to Sleep

A vinte e um de julho último chegou aos escaparates Born To Sleep, o disco de estreia dos DIV I DED, um projeto checo criado pelo multi-instrumentista Filip Helštýn em 2013, juntamente com a vocalista Viktorie Marksová e que faz já parte da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inspirados pela pop melancólica simples e intrigante, feita com aquele intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação e adornada com arranjos sintetizados e orgânicos muito subtis mas capazes de amenizar a típica crueza das guitarras, os DIV I DED também piscam o olho ao punk rock, enquanto exigem ser encarados e apreciados sem reservas e serem alvo de uma análise detalhística, à boleia de todos os nossos sentidos, para que se torne compensadora a nossa audição e justas as alusões ao conteúdo de Born To Sleep.

As guitarras pulsantes e os flashes elétricos que as suas cordas debitam, têm aqui algo de cósmico e especial enquanto Marsova canta sobre um futuro melhor que aguarda por todos nós nas estrelas, nomeadamente em Electric Age. Não sendo importante dissertar acerca da crença, ou não, dos DIV I DED numa outra existência física e material depois da nossa viagem terrena, importa sim esclarecer que esta dupla checa tem corpo, alma e substância, não sendo possível assimilar convenientemente a beleza poética e angelical dos riffs amplos de Star Rover II ou, num registo mais introspetivo e límpido, o groove do baixo de Between Us, se fizermos de Born to Sleep uma banda sonora casual de um instante rotineiro e normal da nossa existência.

Se Late Awakening, o primeiro single divulgado de Born To Sleep, era um tema que exalava um charme melódico que impressionava pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transportava, tendo sido agora desvendado o conteúdo global do álbum e tendo em conta os temas já descritos e outros que serão ainda citados à frente, percebe-se que nestes DIV I DED apelar ao nosso íntimo com monumentalidade instrumental e uma intensa sensibilidade melodica, são as faces de uma mesma moeda cunhada com sofisticação e que tem tudo para às vezes poder sensibilizar particularmente os mais incautos.

Há, portanto, outros exemplos no álbum do modo hermético e ambicioso como os DIV I DED se movimentam dentro do espetro sonoro com que se identificam; Os sons abrasivos de No Light e o modo implícito como a distorção da guitarra os molda, sem colocar em causa a grandiosidade da canção, assim como o luxuoso e luminoso andamento pop de Frozen evidenciam um notório e aprimorado sentido estético e a junção sónica e algo psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Já Machines, um momento de experimentação minimal e com um registo vocal que deve ser objeto do maior deleite e admiração, é outro extraordinário exemplo do paraíso de glória e esplendor que estes checos procuraram recriar logo na estreia e que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da sua audição nos apoquente.

Em Born To Sleep houve claramente uma enorme atenção aos detalhes, notando-se um relevante trabalho de produção e, dentro do lo fi e da predominãncia de efeitos em eco, a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos. Também por isso, este é um disco reflexivo e indutor de sensações intrincadas e profundas e nele os DIV I DED consagram-se como banda relevante no espetro do indie rock de cariz mais sombrio e progressivo e, mais importante que isso, dão-nos pistas preciosas sobre como permitir que o nosso íntimo sobreviva e se mantenha íntegro neste mundo tão estranho. Espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 18:05
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The Mowgli’s – Summertime

The Mowgli's - Summertime

Sedeado em Los Angeles, o coletivo norte americano The Mowgli's segue o trilho da herança deixada por nomes como os Byrds, os Beach Boys, ou os mais contemporâneos Grouplove e Edward Shape & The Magnetic Zeros, através de uma indie folk vibrante e luminosa. Formados em 2010 pelo cantor e compositor Colin Dieden, os The Mowgli's são um grupo extenso, formado atualmente por David Applebaum, Spencer Trent, Matt Di Panni, Josh Hogan, Andy Warren e Katie Earl, além de Dieden.

A banda estreou-se em 2012 nos discos com Sound the Drum, juntamente com o EP Love's Not Dead. Regressaram rapidamente aos lançamentos um ano depois com Waiting for the Dawn e agora, em 2015, estão de regresso com Kids in Love, o terceiro álbum produzido por Captain Cuts e Matt Radosevich, sendo a aditiva e vibrante Summertime, a primeira canção divulgada do disco. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

The Wombats – Glitterbug

A seis de abril os The Wombats de Matthew Murphy, Daniel Haggis e Tord Øverland-Knudsen, regressaram aos discos com Glitterbug, um trabalho porduzido pela própria banda e por Mark Crew, que recentemente participou na produção de Bad Blood, o disco de estreia dos Bastille. Glitterbug é o terceiro álbum desta banda de Liverpool que se notabilizou por oferecer canções cheias de guitarras aceleradas, inflamadas com letras divertidas, sempre com um audível elevado foco na componente mais new wave do indie rock.

 Com uma carreira ainda curta, mas já recheada de grandes momentos sonors, os The Wombats chegam ao terceiro disco a exalar uma indisfarçável vontade de mudança, não só no que diz respeito à sonoridade mas também ao próprio conceito temático das canções. Glitterbug debruça-se sobre a história de um relacionamento amoroso que é mantido apesar da distância que separa os conjuges e, apesar de contiunarem a existir trechos líricos carregados de humor (it’s tough to stay objective, baby, With your tongue abseiling down my neck - Emoticons ou Sometimes I like to go uptown, Where flashy people flash around, It's extortionate and I don't care, You can taste the pretence in the airYour Body Is A Weapon), o tom geral é declaradamente mais sério, em oposição aos relatos juvenis alegres e festivos que era possivel conferir em A Guide to Love Loss & Desperation (2007) e This Modern Glitch (2011).

Os vícios, o ócio e a ligeireza típicas da adolescência e da juventude parecem, então, ter deixado de ser uma aventura e uma inspiração para os The Wombats; Basta escutar-se e ler-se o poema de This Is Not A Party para se perceber isso. O próprio video de Greek Tragedy, o primeiro single divulgado de Glitterbug, dirigido por Finn Keenan, ao mostrar uma fã que tem uma devoção doentia pela banda, perseguindo os seus membros constantemente e invadindo as suas próprias casas e carros, numa obsessão nada bem aceite pelo grupo e que causa uma reação radical na admiradora, mostra esta maior cautela e menor ingenuidade, como se o trio tivesse saído de um estado ébrio comum, para um novo acordar mais sério e sóbrio e que os faz ver a vida de um modo mais sombrio e realista.

Esta visão mais turva e rezingona do mundo que rodeia os The Wombats acaba por ter consequências óbvias na sonoridade do grupo, que se torna mais cautelosa e distante do estilo a que nos habituaram. Assim, apesar de não renunciarem ao indie rock e ao post punk dançável baseado em guitarras rápidas e distorcidas, que fazem parte do seu adn, aprofundam agora uma relação próxima com a pop, servindo-se de modo mais pronunciado dos sintetizadores, como se percebe logo em Emoticons, uma canção que alterna entre momentos calmos e um refrão intenso, com a voz de Matthew Murphy a exaltar uma comoção séria, que deve pouco a conceitos como prazer ou diversão. Esses sintetizadores colocam-nos de novo a dançar em Give Me A Try e Headspace e em Your Body Is A Weapon, uma típica música sobre um amor quase obsessivo, capaz de magoar o outro por não ser recíproco e fazem-no à boleia de um excelente riff de guitarras e um coro de vozes surpreendentemente assertivo, que um belíssimo piano ajuda a realçar. Mesmo nos temas que sustentam de modo mais eficaz a herança do grupo e onde o rock domina, como The English Summer ou Pink Lemonade, também se fazem ouvir com elevado relevo, apesar da omnipresença das guitarras, do baixo e da bateria.

Em suma, Glitterbug é uma fuga em frente por parte de uns The Wombats que querem mostrar-se mais adultos e abrangentes em todas as suas dimensões, lírica e sonora, através de treze canções bem estruturadas e instrumentalmente sonantes e com poemas que retratam com acerto situações e sentimentos que podem ser adotados e adaptadaos ao quotidiano de uma vida adulta. Os The Wombats cresceram e amadureceram e não se deram nada mal com essa mudança. Espero que aprecies a sugestão...

The Wombats - Glitterbug [Deluxe Edition]

01. Emoticons
02. Give Me A Try
03. Greek Tragedy
04. Be Your Shadow
05. Headspace
06. This Is Not A Party
07. Isabel
08. Your Body Is A Weapon
09. The English Summer
10. Pink Lemonade
11. Curveballs
12. Sex And Question Marks
13. Flowerball


autor stipe07 às 22:36
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Wavves - Way Too Much

Poucas semanas após o lançamento de No Life For Me, um disco que resultou de uma parceria com os Cloud Nothings de Dylan Baldi, Nathan Williams está de regresso com o seu projeto WavvesAfraid of Heights (2013), o último registo de originais da banda, tem finalmente sucessor, um trabalho intitulado V e que será o quinto deste grupo californiano.

A letra imediata e a melodia aditiva de Way Too Much, o primeiro single divulgado de V, balança algures entre os The Replacements, os Green Day a até os Blink-182, mas não deixa de ser uma típica canção dos Wavves, pelo modo como aborda a surf music e o punk rock, juntando-se ainda a essência pop de Williams. Confere...


autor stipe07 às 11:03
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Outfit – Slowness

Lançado a dezasseis de junho pela Memphis Industries e composto enquanto a banda se encontrava disseminada por dois paises e três cidades, Slowness é o segundo álbum dos Outfit, um quinteto britânico oriundo de Liverpool e formado por Thomas Gorton, Nicholas Hunt, Christopher Hutchinson, David Berger e Andrew Hunt. Slowness sucede a Performance, o disco de estreia dos Outfit, editado em 2013 e, com um olhar angular mas bastante contemporâneo sobre a pop dos anos oitenta, oferece-nos uns Outfit revigorados e iluminados por um som amplo, adulto e bastante atmosférico, algo que se pode conferir logo no piano e nos efeitos de New Air. Esta é  uma fórmula criativa, onde as teclas têm evidente destaque, mas assente, substancialmente, na primazia das guitarras e onde algumas texturas downtempo misturam-se com vozes inebriantes, cheias de alma e da típica e envolvente soul britânica.

A música dos Outfit tem corpo, alma e substância. É para ser encarada e apreciada sem reservas e exige uma análise detalhística, à boleia de todos os nossos sentidos, para que se torne compensadora a sua audição. Não é possível assimilar convenientemente a beleza poética e angelical de Happy Birthday ou o ritmo frenético e a conjugação feliz entre distorções e piano em Smart Thing se Slowness servir, apenas e só, como banda sonora casual de um instante normal e rotineiro da nossa existência. E o que se percepciona, procurando uma análise mais alargada deste cardápio, é que o conteúdo profundo destes dois temas e, por exemplo, os efeitos sintetizados de Boy, não são nada mais nada menos do que duas faces praticamente opostas de uma mesma moeda cunhada com sofisticação e que tem tudo para às vezes poder sensibilizar particularmente os mais incautos.

Mas há outros exemplos do modo hermético e ambicioso como os Outfit se movimentam dentro do espetro sonoro com que se identificam; Os sons abrasivos e os detalhes de alguns samples de Cold Light Home e o modo implícito como o piano os moldam, sem colocar em causa a grandiosidade dessa canção, assim como o luxuoso e luminoso andamento pop de On The Water On The Way evidenciam um notório e aprimorado sentido estético e a junção sónica e algo psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Já Genderless, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso, deve ser objeto do maior deleite e admiração, é outro extraordinário exemplo do paraíso de glória e esplendor que os Outfit procuraram recriar no seu segundo disco e que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da sua audição nos apoquente.

Em Slowness houve claramente uma enorme atenção aos detalhes, notando-se um relevante trabalho de produção e a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos. Também por isso, este é um disco reflexivo e indutor de sensações intrincadas e profundas e nele os Outfit consagram-se como banda relevante no espetro da indie pop de cariz mais eletrónico e, mais importante que isso, dão-nos pistas preciosas sobre como permitir que o nosso íntimo sobreviva e se mantenha íntegro neste mundo tão estranho. Espero que aprecies a sugestão...

Outfit - Slowness

01. New Air
02. Slowness
03. Smart Thing
04. Boy
05. Happy Birthday
06. Wind Or Vertigo
07. Genderless
08. Framed
09. On The Water, On The Way
10. Cold Light Home
11. Swam Out


autor stipe07 às 22:24
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Kurt Vile – Pretty Pimpin

Kurt Vile - Pretty Pimpin

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011 e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile está de regresso com b’lieve i’m goin down…, álbum que vai ver a luz do dia a vinte e cinco de setembro por intermédio da Matador Records e já o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

b’lieve i’m goin down… será, de acordo com a editora, um disco que irá mostrar um Kurt Vile introspetivo, mas também auto-confiante e Pretty Pimpin, o primeiro single divulgado desse trabalho, parece querer realçar, principalmente, o segundo aspeto referido, já que a canção mostra um Vile embarcado numa viagem lisérgica, patente na instrumentação e numa letra que rompe com as propostas mais intimistas de discos antecessores, apresentando-o menos tímido e mais grandioso.

Kurt Vile estará em Lisboa a vinte e quatro de novembro, onde irá apresentar em nome próprio o novo álbum. A atuação está marcada para o Armazém F e a primeira parte está a cargo de Waxahatchee. Confere...


autor stipe07 às 18:32
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Paper Beat Scissors - Lawless

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que se prepara para lançar um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum vai ser editado no próximo dia catorze de agosto, através da Forward Music Group/Ferryhouse, depois do disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

Depois de ter sido divulgado Go On, o tema homónimo do segundo disco de Paper Beat Scissors, agora chegou a vez de ser dado a conhecer Lawless, mais um exemplo feliz desta visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso deste projeto, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.

Misturado por Graeme Campbell e masterizado por J. LaPointe, Lawless é mais uma compilação dramática de uma folk que nos tira o fôlego, com um falsete que nos deixa sem reação e toca profundamente no nosso coração e um cruzamento de teclados e violinos que depois recebe pequenos detalhes sonoros e que aqui fazem toda a diferença, demonstrando a abundância de talento de Crabtree, que se prepara, certamente, para nos deliciar com mais uma belíssima paleta de cores sonoras, com uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. Confere...

 


autor stipe07 às 12:42
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Terça-feira, 21 de Julho de 2015

Jaill – Brain Cream

Lançado a trinta de junho pela Burguer Records, a etiqueta que já os tinha abraçado em 2009, com There’s No Sky (Oh My My), o aclamado disco de estreia, Brain Cream é o novo lançamento discografico dos Jaill, uma banda norte americana oriunda de Milwaukee e formada por Vincent Kircher, Austin Dutmer e Andrew Harris, de regresso à casa de partida depois de dois trabalhos editados pela insuspeita Sub Pop.

Basta um olhar atento à capa de Brain Cream para se perceber que a indie pop psicadélica é a grande força motriz deste trio. Aliás, as vozes aditivas, a ligeira distorção da guitarra e os acordes coloridos, enérgicos e joviais de Got an F, o primeiro single divulgado do disco, transportam-nos até ao auge dos anos setenta e ao universo místico hoje muito em voga e que alguns projetos atuais tão bem replicam.

Quando no início da última década algumas bandas alicercadas na pop, mas com orquestrações alternativas, começaram a receber bastante atenção dos média especializados, fazer e ouvir música recheada de nuances detalhadas e sons coloridos parecia ser uma excelente proposta para a música naquele momento. A mim, um entusiasta de novas sonoridades e do experimentalismo, confesso que me seduziu! Assim que naquela altura ouvi algumas bandas que trilhavam este caminho, rapidamente senti-me atraído por esta sonoridade, à boleia de uns Architecture In Helsinki, por exemplo e, mais recentemente, rendido aos Unknown Mortal Orchestra ou aos Tame impala. e na verdade, estes Jaill parecem ser fortes candidatos a fazer parte desta cartilha, suportados numa base eminentemente pop, bastante coerente e dinâmica e estruturalmente cheia de preciosos detalhes.

Além do tema já referido e que, sucintamente, agrega  a estirpe sonora destes Jaill, nos dois pólos do disco, temas como a frenética e intuitiva Sweet Tooth Lovers, ou a solarenga Just A lovely Day são dois exemplos inebriantes e festivos de um trabalho que se espraia por treze canções que fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Look At You, ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso do fuzz de Draggin' ou na intensa e ampla Chocolate Poison Time.

Brain Cream é uma verdadeira sequência de músicas divertidas e com minuciosos detalhes. Tanto Change Reaction como Slides And Slips aproximam o trio de uma linguagem sonora com aproximação a elementos folk e as boas sequências de arranjos de guitarras, elétricos e acústicos, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo fazem com que o trabalho cresça e cada nova canção, dividem o álbum em vários momentos e evitam que os melhores se concentrem quer na abertura, quer no término do disco. Falo de um disco sem ondas, homogéneo e lineado por alto, com a banda a orientar-se de uma forma bastante dançante e espontânea, próxima de um clima festivo, relaxante e solarengo.

Brain Cream é a consolidação definitiva de um projeto que andava tremido pelo desgaste do tempo e necessitava urgentemente deste ponto alto, feito através de um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Jaill. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as visões de uma pop caleidoscópia, cheia de sentido de liberdade e prazer juvenil . Espero que aprecies a sugestão...

Jaill - Brain Cream

01. Just A Lovely Day
02. Getaway
03. Got An F
04. Slides And Slips
05. Symptoms
06. Change Reaction
07. Picking My Bones
08. Little Messages
09. Draggin
10. Pointy Fingers
11. Chocolate Poison Time
12. Look At You

13. Sweet Tooth Lovers (bonus track)


autor stipe07 às 22:14
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