Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Dum Dum Girls - Only In Dreams

As californianas Dum Dum Girls, lideradas pela vocalista  Kirstin ‘Dee Dee’ Gundred, lançaram no passado dia vinte e sete de setembro, Only In Dreams, o seu segundo longa duração, através da Sub Pop. Já em meados de fevereiro estas moças tinham dado sinais de vida, quando lançaram o EP He Gets Me High, um pequeno conjunto de canções que incluíam até uma inusitada mas excelente cover de There Is A Light That Never Goes Out dos The Smiths.

Os últimos tempos não têm sido fáceis para Kirstin; depois do lançamento de I Will Be, o álbum de estreia da banda, lançado em 2010 e este Only In Dreams, com o  já citado EP pelo meio, ela perdeu a mãe e separou-se do marido. A provável dor resultante dessas perdas parece-me ter sido refletida neste mais recente trabalho da banda.

Não seria de se estranhar que logo após o lançamento do talI Will Be, as californianas Dum Dum Girls regressassem com um trabalho redundante ou que não fosse capaz de superar as mesmas boas composições lançadas na estreia. E esta expetativa intensificou-se quando foi divulgada há algumas semanas a canção Coming Down, uma composição épica onde este quarteto formado por Dee-Dee (voz e guitarra), Jules (voz e guitarra), Bambi (voz e baixo) e Sandy (bateria e vocal) passeia por uma sonoridade suja, uma letra dolorosa e uma construção instrumental que mesmo renovada ainda remete para o primeiro trabalho da banda, elevando assim todas as esperanças em relação a um segundo bom disco do grupo de Los Angeles.

De fato, o resto do álbum não segue a mesma sonoridade sombria deste primeiro single, mas não há como contestar a eficiência, profissionalismo e capacidade criativa das Dum Dum Girls; É que por mais que o cenário alternativo já esteja saturado de bandas que misturam o surf-rock da década de 60 com influências do rock de garagem, a sonoridade proposta por quarteto feminino chega-nos de forma tecnicamente renovada e longe de se perder em composições sonolentas que investem demais em experimentações sujas e pouco comerciais.

Durante Only In Dreams o grupo busca constantemente fazer canções que colem facilmente nos ouvidos, tanto pela instrumentação, como pela escrita, fazendo uso de versos com forte impacto e sonoridade. Os meus destaques são, além da já comentada Coming DownAlways Looking, a bonita música de abertura que cimenta a sua sonoridade numa guitarra estrondosa a meias com uma batida vincada. Já Bedroom Eyes, outro single do disco, tal como a vintage Hold Your Hand, assenta numa sonoridade rock tipica dos anos sessenta, cantada com versos amorosos e levemente sofridos que transformam a composição numa das faixas mais empolgantes e belas do disco.

A grande diferença entre estas dez canções e o anterior I Will Be acaba por ser um maior acerto nas guitarras e a busca por um som mais polido, que aproxime definitivamente as Dum Dum Girls de uma tonalidade pop e obviamente mais comercial.

Se outros grupos similares como as Vivian Girls, procuraram no segundo disco novas sonoridades e distintas experimentações, as Dum Dum Girls reviram e consolidaram a sua própria sonoridade, tentando neste Only In Dreams proporcionar ao público um verdadeiro catálogo de singles orelhudos capazes de agradar o ouvinte, mesmo aqueles que já estejam saturado de tantas composições fundamentadas nesta sonoridade marítima e costeira, digamos assim. Espero que aprecies a sugestão...

Always Looking
Bedroom Eyes
Just a Creep
In My Head
Heartbeat
Caught in One
Coming Down
Wasted Away
Teardrops on My Pillow
Hold Your Hand

Dum Dum Girls - Only in Dreams by subpop

 


autor stipe07 às 14:05
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Sábado, 1 de Outubro de 2011

Twin Sister - In Heaven

Os Twin Sister são uma banda composta por Gabe D’Amico, Eric Cardona, Andrea Estella, Dev Gupta e Bryan Ujueta e nasceram em 2008 em Long Island, perto de Nova Iorque. Fizeram as primeiras canções logo nesse ano, que deram origem ao EP Colour Your Life, trabalho que, de acordo com a crítica, posicionou a banda  como mais um dos potenciais expoentes do futuro da chamada chillwave.

No passado dia 26 de setembro lançaram finalmente In Heaven, o seu disco de estreia, através da londrina Domino Records. De acordo com o site desta editora, neste novo disco iremos encontrar os Twin Sister sem limitações, caminhando nus na corda bamba enquanto mantêm um controlo total e completo. A Domino acrescenta que as canções em ‘In Heaven’ irradiam uma luz própria, são como um espectáculo de fogo de artifício contra uma ampla tela negra, ecoando com a exuberância da juventude. Ouvido na sua totalidade, ‘In Heaven’ demonstra ser o documento de uma preparação sem fim e de uma execução com entusiasmo, a promessa cumprida da felicidade. Talvez todos estes elogios sejam um pouco exagerados e enetendem-se numa estratégia clara de promoção do álbum. No entanto, há algum fundo de verdade nesta descrição, algo que tenho comprovado nos últimos dias com a audição do disco.

Em In Heaven somos embriagados com uma boa soma de composições genuinamente pop e radiofónicas, que vão muito além da tal atmosfera chillwave patente no EP de estreia. O que temos aqui são dez músicas dolorosamente românticas e açucaradas, capazes de encantar o ouvinte de imediato. Ouve-se o disco e imagina-se um passeio deste cinco músicos pelas reverberações da década de oitenta, até porque é um trabalho que se adorna de elementos e conceitos bem elaborados, através de uma sonoridade simples mas bastante encantadora.

A voz de D’Amico é deliciosa e quase sempre acompanhada por uma instrumentação que dá um ritmo colorido às músicas. Esta musicalidade, se for analisada com atenção após algumas audições, dá ao ouvinte a impressão que o álbum se divide em dois mundos instrumentais distintos; Algumas músicas têm uma sonoridade direcionada para um lado mais eletrónico através de sintetizadores soturnos e pequenas batidas sintéticas projetadas de forma controlada, sendo disso bons exemplos a balada pop oitentista Luna’s Theme ou a quase dançante Space Babe. Outras, e quanto a mim as melhores, são as músicas direcionadas para uma instrumentação mais orgânica, algo evidente nas guitarras coloridas de Saturday Sunday, nos ritmos marítimos de Gene Ciampi e na cadência nostálgica e quase inocente de Bad Street, o primeiro single do álbum e meu grande destaque do mesmo. Resumindo, são duas frentes musicais tecnicamente distintas, mas que durante o disco, ao cruzarem-se, proporcionam um álbum doce, despretensioso, com dez composições que encantam com naturalidade e transformam o disco  numa espécie de fuga da realidade, um pequeno abrigo pop descontraído do qual dificilmente queremos sair.

Seja ao falar de amor, ou cercando-se pela saudade, o disco transborda honestidade e beleza. In Heaven foi composto por cinco excelentes músicos, se quiserem com um enorme futuro musical pela frente e que não acompanharam os anos oitenta de perto, mas que encontraram nesse período a sua grande inspiração musical e poética. Estes Twin Sister são, definitivamente, um dos meus grandes destaques de setembro e uma das melhores descobertas do ano! Espero que aprecies a sugestão...

01   Daniel
02   Stop
03   Bad Street
04   Space Babe
05   Kimmi In a Rice Field
06   Luna’s Theme
07   Spain
08   Gene Ciampi
09   Saturday Sunday
10  Eastern Green


autor stipe07 às 12:03
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

Wild Flag - Wild Flag

Saiu no passado dia 13 de Setembro o homónimo álbum de estreia das Wild Flag, uma banda natural de Portland, EUA, formada por Carrie Brownstein (voz e guitarra), Mary Timony (voz e guitarra), Rebecca Cole (teclados) e Janet Weiss (bateria). Brownstein, além da sua recente carreira como actriz, e Weiss são sobejamente conhecidas por terem sido membros das Sleater-Kinney, Rebecca Cole foi membro dos The Minders e Mary Timony  teve grande parte da sua vida ligada aos Helium. São as mais recentes meninas bonitas da cena indie norte americana e têm conquistado imenso público graças aos seus concertos explosivos.

Com dez músicas, Wild Flag foi editado pelo histórico selo Merge Records, casa dos Arcade Fire, She & Him, Crooked Fingers, Stephen Merritt, Superchunk, Archers Of Loaf e Dinosaur Jr, entre outros. Tenho andado a ouvi-lo com particular entusiasmo, até porque a sonoridade vai de encontro ao indie rock da década de noventa, passa pelo punk, tem doses de hardcore, vai até as bandas femininas dos anos 60/70 e por fim, nos arranjos, pinta-se de psicodelia, afastando-se do visual e da temática surf rock lo fi presente na maior parte das bandas femininas que surgiram no periodo mais recente. Aqui não há espaço para grande conversa ou acrobacias sonoras; O trio mágico guitarra, baixo e bateria dita as regras e não permite qualquer intromissão.

Tem-se popularizado a ideia de que as bandas de miúdas devem fazer música com uma sonoridade eminentemente pop, inundada por uma espécie de maresia lo fi e versos romanticamente construídos, transformando as suas intérpretes em criaturas frágeis, delicadas e ingénuas. Definitivamente, e ainda bem, este não é o caminho escolhido pelas Wild Flag, que têm neste seu primeiro álbum um registo cru e dominado, como já disse, pelas guitarras repletas de atitude. Portanto, neste Wild Flag esqueçam qualquer semelhança com o trabalho de bandas como as Dum Dum Girls, Best Coast ou Vivian Girls e mesmo outros grupos com influências mais eletrónicas como as CSS.

Alavancadas pelo estrondoso single Romance, o quarteto mantém a energia do álbum sempre no mais alto nível, no melhor estilo Pavement, The Kills ou outros grandes projetos que definiram os rumos do rock alternativo nos últimos anos. Todas as faixas presentes no álbum são potenciais hits e conseguem arrancar o ouvinte do chão em poucos segundos. Mesmo que pareça voltado para o público feminino, a maneira como as Wild Flag tocam, de forma sólida e bastante agressiva em boa parte das canções, acaba por resultar num projeto acessível a todos os públicos, sendo capaz de fazer com que qualquer roqueiro machão se curve perante elas. Espero que aprecies a sugestão...

01 – Romance
02 – Something Came Over Me
03 – Boom
04 – Glass Tambourine
05 – Endless Talk
06 – Short Version
07 – Electric Band
08 – Future Crimes
09 – Racehorse
10 – Black Tiles

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autor stipe07 às 19:10
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