Sexta-feira, 10 de Abril de 2015

R.E.M. Rarities Jukebox

Obscuro para muitos, praticamente desconhecido para imensos, mas considerado pela maioria dos fãs como o período aúreo da banda, o período em que os R.E.M. estiveram sobre a alçada da editora I.R.S., coincidiu com o lançamento dos cinco primeiros álbuns da banda, em plenos anos oitenta.

No rescaldo dessa fase inicial do trajeto do grupo de Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck e, ainda na altura, Bill Berry, os R.E.M. foram unanimemente considerados pela crítica norte americana como a melhor banda de rock alternativo da década, acabando por assinar pela multinacional Warner, etiqueta que permitiu alcançarem de modo mais massivo outros mercados, numa relação iniciada com Green e que atingiu proporções inimagináveis com Out Of Time e Automatic For The People.

Hoje mesmo, no dia em que escrevo estas linhas, nove de abril de 2015, passam trinta e um anos do lançamento de Reckoning, o segundo álbum da banda. Este período entre o EP Chronic Town, lançado a vinte e quatro de agosto de 1982 e o álbum Document, editado a vinte e um de março de 1987, foi um tempo em que a banda viveu permanentemente, sem pausas, a dividir-se entre o palco e o estúdio, tendo sido o seu espaço temporal mais profícuo e criativo, com centenas de concertos, algumas digressões europeias, cinco álbuns de estúdio, além desse EP de estreia e um catálogo imenso registado pelo grupo e pelos fãs que, muitos anos depois, ainda reserva algumas surpresas.

Em 2007 or R.E.M. passaram finalmente a fazer parte do Rock 'N' Roll Hall of Fame e a publicação Online Athens, na ocasião, produziu o documentário R.E.M. In The Hall, que inclui os melhores momentos dessa cerimónia e uma caixa digital intitulada R.E.M. Rarities Jukebox. São vinte e uma canções disponíveis para download gratuíto e quase todas captadas ao vivo. Delas destacam-se uma extraordinária versão de Radio Free Europe, o primeiro grande single da banda e algumas versões de clássicos da música norte americana como Ive Got you Babe, Steppin Stone ou Louie Louie, entre outros.

Este cardápio é aboslutamente imprescindível para qualquer fã ou apenas para quem quiser conhecer ainda melhor esta banda fundamental do universo sonoro alternativo. Confere...


autor stipe07 às 13:25
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Terça-feira, 31 de Março de 2015

Keith John Adams - Roughhousing

Editado no passado dia um de dezembro através da Functional Electric, Roughhousing é o novo disco de Keith John Adams, um trabalho que pretende ser um testamento claro de um estado de alma atual de um músico que foi espalhando o seu charme por alguns estúdios londrinos, muitas vezes em tudo semelhantes a cozinhas, salas de estar, ou simples quartos, levando consigo um simples microfone e aproveitando a bateria, o piano e o baixo disponiveis em cada local por onde foi passando para gravar um compêndio de canções em mono, onde imaginou que era o membro de uma banda que existe apenas e só na sua imaginação, mas que replica um indie rock bastante divertido, ligerio e peculiar, que vale bem a pena descobrir. A própria versão digital deste disco e em formato CD, utiliza um modo inédito de mistura, que procura preservar ao máximo a sonoridade original que foi captada nos locais onde os diferentes temas de Roughhousing foram gravados.

Keith John Adams é um mestre a lidar com o piano e a juntá-lo às cordas para criar canções divertidas, animadas e melancolicamente divertidas. Emocional e certeiro no modo como transmite sentimentos e como consegue criar um contraste interessante entre as letras e as melodias, Keith John Adams já tocou com nomes tão importantes como os Of Montreal, Neutral Milk Hotel, Apples in Stereo, Deerhoof ou Mountain Goats, mas nem por isso deixa de fascinar pela sua maturidade e pelo modo como replica um registo muito próprio, à custa de emoções embrulhafas em temas simples, adornados com arranjos um pouco rugosos e com um claro pendor lo fi.
Se já em 2008, com Unclever, um disco gravado em Athens, Georgia, com o apoio de Casper and the Cookies (ex Of Montreal) como banda de suporte, Keith tinha conquistado uma base sólida de seguiodores devido à sonoridade assente em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima de um garage rock ligeiro, algo baladeiro e boémio, agora, nas doze canções de Roughhousing, quase sempre com a ajuda da guitarra acústica e do piano, o autor canta sobre a simplicidade e a natureza tantas vezes rotineira da nossa existência e de como o amor pode ser o tempero que tanto a pode adocicar como azedar, mas que nunca deixa ninguém indiferente ou intacto quando passa pela vida de cada um, independentemente da importância que lhe atribuimos e das mudanças que provoca.
Em temas como o single Music in My Feet ou Lulluby's Answer, melodias que têm por base uma bateria e cordas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado, Keith mostra-se exímio no modo como nos transporta para um universo sonoro essencialmente acústico, vincadamente experimental e dominado por cordas com uma forte toada blues, enquanto nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno, numa viagem rumo ao revivalismo de outras épocas gloriosaas do indie pop que o dedilhar deambulante do piano de No Room, os teclados em Change e a viola de Better aprofundam.
Na verdade, este cantautor bastante inspirado, é claramente assertivo no modo como nos permite sentir momentos que trazem brisas bastante aprazíveis, enquanto nos oferece uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que poderão facilmente fazer-nos acreditar que a música pode ser realmente um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas.
Roughhousing é um disco rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, onde se inclui o ainda não referido jazz, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O disco tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Keith, tipicamente british, sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Roughhousing é um álbum maduro e consciente e faz de Keith John Adams, enquanto criador musical, uma das novas bandas mais excitantes e influentes do cenário alternativo atual. Basta ouvir os arranjos metálicos introspetivos e melancólicos do lindissimo instrumental Sun Broken Sea e o trompete, assim como os sons de uma cidade em plena hora de ponta a adivinhar um infinito caos que afinal é dominado por um assobio que introduz a passsagem do metro que não se atrasa um único segundo, assim como os detalhes aquáticos de Wormhole Weekend para perceber porquê. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:15
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Segunda-feira, 30 de Março de 2015

Grand Vapids - Guarantees

Oriundos de Athens, na Georgia e formados por Austin Harris, McKendrick Bearden, Chris Goggans e Paul Stevens, os norte americanos Grand Vapids preparam-se para se tornar numa das novas coqueluches do universo musical indie devido a Guarantees, o disco de estreia do projeto, que viu a luz do dia a vinte de janeiro atravé da Mumblecore e que é produzido por Drew Vandenberg.

Guarantees começa em grande forma, com Secret Sin a mostrar em todo o esplendor guitarras cheias de fuzz e um efeito em eco muito curioso que combina de modo particular com os metais da percussão, num instante de indie rock particularmente assertivo e deslumbrante. Fica dado o pontapé de saída para um disco que também sabe piscar o olho a ambientes mais sombrios e enigmáticos, com o reverb da voz e o efetio rugoso da guitarra em Adequate tão bem demonstram. Logo de seguida, a toada abranda e o minimalismo acústico de No Memory tem o condão de nos acordar, convidando-nos a vasculhar naquele segundo pensamento mais reflexivo que ultimamente tem ocupado a nossa mente, dando-nos pistas sobre como ultrapassar alguns dilemas comuns sem defraudar aquelas que são as nossas maiores expetativas relativamente ao futuro. Mas mesmo nestes instantes em que parece haver um certo recolhimento e alguma timidez, isso não passa de um assomo de elegância contida, porque, melodicamente, os Grand Vapids conseguem ser durante todo o alinhamento bastante criativos, corajosos e empolgantes.

Um dos detalhes mais interessantes destes Grand Vapids é a fragilidade da voz refrescante e ternurenta do registo vocal, que consegue reproduzir uma delicadeza impar com notável recorte clássico e assim ampliar a paleta colorida, leve, fresca e tranquila de paisagens sonoras que o grupo propôe, além de reforçar o brilho das janelas instrumentais e líricas que se abrem ao ouvinte que se predispõe a saborear com o preguiçoso deleite o sumo que escorre dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível das cordas e da percurssão de canções como Losing ou Tuned, só para citar aquelas em que o tempero da voz melhor sobressai. Depois os sons modulados de Pale Hooves, um tema recheado de camadas sonoras que dão à canção um clima espectral, é mais outro momento alto deste trabalho, assim como Kilns, o primeiro avanço divulgado de Guarantees, a afirmação concreta de um estilo sonoro muito próprio, com um irresistivel charme lo fi, feito com uma pop primorosa, mas imprevisível, cheia de sons que se atropelam durante o percurso.

Guarantees tanto vagueia pela pop de pendor mais comercial, como por outras vertentes mais experimentais do indie rock que não renegam o próprio blues e o jazz, num disco cheio de canções bem estruturadas, comandadas pela guitarra mas devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida não só pelas cordas mas também pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que parece vir a caraterizar a personalidade deste projeto, que criou neste álbum um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas. Espero que aprecies a sugestão... 

Grand Vapids - GuaranteesSecret Sin

Adequate

No Memory

Losing

Tuned

Pale Hooves

Worth Fearing

Aubade

Kiln

Guarantees


autor stipe07 às 23:40
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2014

Grand Vapids - Aubade

Grand Vapids - "Aubade"

Oriundos de Athens, na Georgia, localidade onde nasceram os incomparáveis R.E.M. e formados por Austin Harris, McKendrick Bearden, Chris Goggans e Paul Stevens, os norte americanos Grand Vapids preparam-se para se tornar numa das novas coqueluches do universo musical indie devido a Guarantees, o disco de estreia do projeto, que vai ver a luz do dia a vinte de janeiro atravé da Mumblecore e que é produzido por Drew Vandenberg.

Disponivel para download gratuito, Kilns, foi o primeiro avanço divulgado de Guarantees, e agora, uma semana depois, já podemos escutar Aubade, mais um tema que configura a afirmação concreta de um estilo sonoro muito próprio, com um irresistivel charme lo fi, feito com uma pop primorosa e um indie rock luxuriante, mas imprevisível,  uma canção cheia de sons que se atropelam durante o seu percurso. Confere...


autor stipe07 às 13:16
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Warehouse - Omission

Warehouse - "Omission"

No passado mês de julho os Warehouse, uma banda indie de Atlanta, na Georgia, editaram, em nome próprio, Tesseract, o seu registo de estreia, que recordo ter feito parte da minha banda sonora de um determinado período do último verão. Entretanto, Dustin Payseur, dos Beach Fossils e Katie Garcia da Captured Tracks, anunciaram o lançamento de uma nova etiqueta chamada Bayonet Records e que Tesseract, dos Warehouse, será um dos primeiros álbuns do seu cardápio, estando previsto o próximo mês de março como data de novo lançamento do disco, mas agora com o novo selo. Já agora, os Red Sea e os Frankie Cosmos são outros dois projetos já confirmados na nova editora.

Omission é o primeiro single que será retirado deste novo lançamento de Tesseract, uma canção surpreedente, sustentada por várias camadas de ruídos, enquanto a voz rouca de Elaine Edenfield, vocalista dos Warehouse, grita e passeia livremente por uma melodia enérgica, rugosa e incisiva. Confere...


autor stipe07 às 13:28
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Grand Vapids - Kilns

Grand Vapids - Guarantees

Oriundos de Athens, na Georgia, localidade onde nasceram os incomparáveis R.E.M. e formados por Austin Harris, McKendrick Bearden, Chris Goggans e Paul Stevens, os norte americanos Grand Vapids preparam-se para se tornar numa das novas coqueluches do universo musical indie devido a Guarantees, o disco de estreia do projeto, que vai ver a luz do dia a vinte de janeiro atravé da Mumblecore e que é produzido por Drew Vandenberg.

Disponivel para download gratuito, Kilns, o primeiro avanço divulgado de Guarantees, é a afirmação concreta de um estilo sonoro muito próprio, com um irresistivel charme lo fi, feito com uma pop primorosa, mas imprevisível, cheia de sons que se atropelam durante o percurso. Confere...


autor stipe07 às 14:04
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2014

The Coathangers - Sex Beat (The Gun Club Cover)

The Coathangers

Crook Kid Coathanger, Minnie Coathanger e Rusty Coathanger são as The Coathangers, um trio de Atlanta que aposta no punk rock de garagem, fazendo-o de uma modo bastante genuíno, o que lhes valeu terem já conseguido cimentar um som com um cunho muito próprio e de cariz fortemente identitário.

A banda prepara-se para lançar um single a meias com os These Arms Are Snakes, seus colegas na Suicide Squeeze, contribuindo com a cover que fizeram para o rockabilly de Sex Beat, um original dos californianos Gun Club, uma versão alegre e divertida e que aposta numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico. Confere...

 


autor stipe07 às 17:18
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Domingo, 31 de Agosto de 2014

Suno Deko - Throw Color EP

Suno-Deko

Lançado no passado dia vinte e dois de julho através da conceituada Stratosfear, Throw Color é o novo EP de Suno Deko, aka David Courtright, um músico de Atlanta, na Georgia, que aposta numa pop experimental.

Com este EP, Courtright oferece-nos uma perspetiva bastante criativa e única de como o indie rock actual pode abarcar várias influências e diferentes estilos, desde que a conjugação entre as cordas e a percussão com os sintetizadores abriu uma verdadeira caixa de pandora.

Jovial, hiperativo e barulhento na dose certa, Throw Color tem uma toada lo fi, crua e pujante. Está cheio de quebras e mudanças de ritmos, com uma certa e, quanto a mim, feliz dose de improviso, em quatro canções com uma energia ímpar que debita ao longo de seus mais de quinze minutos de duração, sons que se atropelam durante o percurso e que sustentam temas cheios de personalidade, alegria e cor.

Será certamente compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que distingue os vários e que, por acréscimo, sustenta o conteúdo de Throw Color. Mas o jogo que se estabelece entre as cordas e a bateria em Bluets, uma canção sóbria, calma, limpa e tranquila, é o meu tema preferido do EP, um viciante momento de pop melosa e introspetiva. No entanto, Deliver também tem algo de especial e fortemente emotivo, proporcionado por uma melodia sintetizada fortemente nostálgica e uma letra bastante emotiva, capaz de despedaçar qualquer coração menos habituado e disponível a deixar-se confundir por sentimentos particularmente profundos (I would tear the stars down for your love).

Throw Color foi idealizado e composto com base na emoção e na intuição de um artista que sabe que territórios deve pisar e esta liberdade é algo que nem todos conseguem com semelhante qualidade. Masterizado por Warren Hildebrand dos Foxes In Fiction, provoca um forte impacto lisérgico em quem se predispõe a ouvir atentamente o seu conteúdo e destaca-se pelo manancial de de detalhes e nuances instrumentais, excelentes para explorar e descobrir uma perspetiva diferente e peculiar do que pode ser proposto no cenário indie atual, enquanto se flutua num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 22:50
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Kishi Bashi – Lighght

 

Lançado no passado dia treze de maio, Lighght é o novo disco de Kishi Bashi, um multi-intrumentista de Athens, na Georgia e colaborador de nomes tão conhecidos como Regina Spektor e os Of Montreal e que se aventurou a solo em 2012 pela mão da Joyful Noise, com 151a, disco que era um enorme e generoso festim de alegria e descomprometimento, tal como acontece com este sucessor que viu a luz do dia por intermédio da mesma etiqueta.

Kaoru Ishibashi é o verdadeiro nome de um artista de ascendência japonesa, que começou a chamar a atenção em 2011, com apresentações surpreendentes, onde cantava e tocava violino e acrescentava uma caixa de batidas e sintetizadores, agregando novos e diferentes elementos e fazendo incursões em diversas sonoridades. Conhecido pela sua profunda veia inventiva, Kishi Bashi aposta num micro género da pop, uma espécie de ramificação barroca ou orquestral desse género musical, uma variante que vive em função de violinos, de arranjos claramente pomposos e cheios de luz e de vozes cristalinas, com o falsete a ser uma opção óbvia e constante.

O violino é mesmo o fio condutor de Lighght e a introdutória Debut – Impromptu e o single Philosophize In It! Chemicalize With It!, abrem o disco de forma a que ninguém tenha a mínima dúvida acerca de qual é o instrumento predileto de Bashi. Mas não é só da folk orgânica que o violino propicia que este trabalho vive e as batidas de The Ballad Of Mr. Steak e a melodia épica e exuberante de Carry on Phenomenon, mostram um Bashi impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos pôr a dançar. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, como na dupla Hahaha e In Fantasia, não há lugar para a amargura e o sofrimento.

A música de Kishi Bashi tem muita da universalidade própria daquelas canções que aparecem em anúncios comerciais e que servem, por isso mesmo, para passar mensagens positivas e sedutoras e este músico acaba por ser exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável e também influenciado pela música árabe e oriental. Assim, Lighght contém belos momentos com vocalizações e dedilhados de instrumentos variados que preenchem o som impecavelmente. Mas o músico também experimenta gravações ao avesso e arranjos etéreos, com tiques de new age, dando a cada uma das onze músicas uma sonoridade diferente e onde coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.

A audição deste disco faz-nos sentir que estamos a degustar a própria música, como se cada garfada que damos na canção nos fizesse sentir todos os elementos de textura, cheiros e sabores da mesma. Salvo uma ou outra excepção, a pop barroca de Lighght transmite a sensação de que os dias bons estão aqui para durar e que nada de mal pode acontecer enquanto se escuta todo este otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Este álbum impressiona pela forma como foi concebido, com tanto cuidado e criatividade, sustenta uma aura de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que Kishi Bashi é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

Kishi Bashi - Lighght

01. Debut – Impromptu
02. Philosophize In It! Chemicalize With It!
03. The Ballad Of Mr. Steak
04. Carry on Phenomenon
05. Bittersweet Genesis For Him AND Her
06. Impromptu No 1
07. Q&A
08. Once Upon A Lucid Dream (In Afrikaans)
09. Hahaha Pt. 1
10. Hahaha Pt. 2
11. In Fantasia

 


autor stipe07 às 21:45
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Sábado, 26 de Abril de 2014

R.E.M. – Unplugged: The Complete 1991 And 2001 Sessions

Em setembro de 2011, num dia que recordo perfeitamente, os R.E.M. colocavam um comunicado no seu site em que diziam: As R.E.M., and as lifelong friends and co-conspirators, we have decided to call it a day as a band. We walk away with a great sense of gratitude, of finality, and of astonishment at all we have accomplished. To anyone who ever felt touched by our music, our deepest thanks for listening. Nesse dia terminava a carreira de uma das bandas mais importantes do rock alternativo das últimas três décadas, um nome fundamental e imprescindível para percebermos as principais caraterísticas que regem o indie rock da atualidade, uma banda marcante para a minha geração e que tantas vezes não teve o merecido reconhecimento.

Dois anos e meio depois do fim da carreira, os R.E.M. ainda têm surpresas para revelar; No passado dia dezanove de abril, no último Record Store Day, foi editado R.E.M. Unplugged 1991 2001 – The Complete Sessions, uma caixa com quatro discos de vinyl e que contém todas as músicas gravadas para as performances do grupo nos MTV Unplugged que a banda tocou em 1991 e 2001, incluindo onze temas que não foram para o ar. Já agora, os R.E.M. são, até hoje, a única banda a gravar dois MTV Unplugged.

No alinhamento desta caixa, que terá edição no formato CD em maio, é possível encontrar os principais sucessos de toda a carreira do grupo, com músicas do álbum Murmur, de 1983, até ao álbum Reveal, de 2001, além de várias covers, com destaque para Love Is All Around, um original dos Troggs.

No Record Store Day, o baixista Mike Mills esteve a autografar exemplares desta caixa no Bull Moose, uma loja de discos em Scarborough, no Maine. Espero que aprecies a sugestão...

R.E.M. - Unplugged The Complete 1991 And 2001 Sessions

01. Half A World Away
02. Disturbance At The Heron House
03. Radio Song
04. Low
05. Perfect Circle
06. Fall On Me
07. Belong
08. Love Is All Around
09. It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)
10. Losing My Religion
11. Pop Song 89
12. Endgame
13. Fretless
14. Swan Swan H
15. Rotary 11
16. Get Up
17. World Leader Pretend
18. All The Way To Reno (You’re Gonna Be A Star)
19. Electrolite
20. At My Most Beautiful
21. Daysleeper
22. So. Central Rain (I’m Sorry)
23. Losing My Relion
24. Country Feedback
25. Cuyahoga
26. Imitation Of Life
27. Find The River
28. The One I LOve
29. Disappear
30. Beat A Drum
31. I’ve Been High
32. I’ll Take The Rain
33. Sad Professor 

Get More: R.E.M., I've Been High (Unplugged), Music, More Music Videos

 


autor stipe07 às 21:22
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