Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Bruno Pernadas - Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, à boleia da Pataca Discos.

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Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them oferece-nos um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que Pernadas polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo jazz contemporâneo, indie rock, pop, folk, eletrónica, ritmos latinos e até alguns lampejos da música dita mais clássica e erudita.

Assim, o exercício que se coloca perante o ouvinte que se predispõe a saborear convenientemente o universo criado por those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, deverá firmar-se, por exemplo, em Spaceway 70, na vontade de apreciar o modo como uma flauta ou um trompete cirandam em redor de um par de acordes da guitarra, como em Problem number 6 se equilibram com total desembaraço, flashes de samples, alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a samba por todos os poros, como na soul contemplativa de Valley in the ocean é dada total liberdade ao piano e às cordas para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor, o modo como o trompete, o sintetizador e um efeito de guitarra quase surreal produzem um intenso travo oriental e exótico em Anywhere in spacetime, o devaneio cavernoso lo fi das teclas de Because it’s hard to develop that capacity on your own, o ménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre trompete, piano e flauta em Galaxy, ou de perceber a teia intrincada de relações promíscuas que se estabelecem, constantemente, durante os mais de doze minutos de Ya ya breathe, entre as teclas do piano, as distorções da guitarra e os diferentes instrumentos percussivos que se escutam, enquanto o baixo, procura estabelecer alguma ordem e harmonizar um salutar caos, numa composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a heterogeneidade instrumental e melódica final e o (aparente) minimalismo inicial é geralmente indecifrável. Com esta atitude certa, constata-se, então, que those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.

Saboreando poemas escritos em inglês pelo autor do disco e por Rita Westwood, those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu, enquanto Pernadas disserta alegremente e claramente fascinado pelo lado mais luminoso, colorido e natural deste mundo, sobre uma heterogeneidade de sensações e aspetos físicos e naturais que o atraem e que, em contacto com a espécie humana, obriga todas as partes envolvidas a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência e que estas dez canções também, à sua maneira, plasmam. E durante este exercício antropológico, o autor aproveita para estabelecer paralelismos com o amor e a teia intrincada de relações, sensoriais e neurológicas que esse sentimento provoca, quer individualmente, quer durante a sua materialização com outro(s), com canções do calibre das já descritas Problem number 6 ou Valley in the ocean a fazerem-nos crer que se há sentimento mais belo e capaz de nos transformar e fazer-nos ver com exatidão o mundo que nos rodeia é a vivência plena do amor. Espero que aprecies a sugestão…

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01. Poem (1)
02. Spaceway 70
03. Problem Number 6
04. Valley In The Ocean
05. Anywhere In Spacetime
06. Poem (2)
07. Because It's Hard To Develop That Capacity On Your Own
08. Galaxy
09. Ya Ya Breathe
10. Lachrymose


autor stipe07 às 18:00
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Field Music - Commontime

Lançado em fevereiro deste ano, Commontime é o sexto registo de originais dos britânicos Field Music, uma dupla oriunda de Sunderland e formada pelos irmãos Peter e David Brewis. Abrigados pelo insuspeito selo Memphis Industries, nestas catorze canções oferecem-nos um charmoso compêndio de pop hi-fi, colorido a neons fluorescentes e plumas de seda e repleto de influências orelhudas, que da eletrónica setentista ao rock da década seguinte, misturadas com alguns dos melhores detalhes da pop contemporânea, originam um disco amplo e luminoso e particularmente cativante, em termos melódicos e não só.

Sustentado por um ambiente musical polido e acessível, Commontime contém aquele som pop instantâneo, mas prodigioso no modo como se apresenta envolvido por um embrulho melódico animado por uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários e, por isso, passível de ser absorvido com detalhe e nitidez, sem colocar em causa aquela sensação de riqueza, esplendor e eleavada bitola qualitativa.

Já veteranos nestas andanças, os irmãos Brewis contam-nos aqui como é o quotidianos de ambos, pais recentemente, com familias estuturadas formadas e que, por isso, têm vidas ditas normais e comuns a tantos de nós. Sendo assim, é relativamente fácil identificarmo-nos com estas canções e em algumas delas nem falta aquele típico humor negro britânico, todas escritas com uma inteligência lírica rara. Assim, sem darmos por isso, estas canções são cativantes e, ao mesmo tempo, carinhosas no modo como nos transportam para os nossos primórdios tal é o manancial vintage instrumental e melódico que carregam, o que resulta numa bela amostra da melhor pop anglo americana que se faz atualmente, que tanto pisca o olho ao funk setentista em Don't You Want To Know What's Wrong? e How Should I Know If You've Changed? como à pop dita mais progressiva dos anos setenta e oitenta, com os Sparks ou os Genesis como referência fundamental de The Noisy Days Are Over, o grandioso tema que abre o álbum e de outros instantes pop perfeitos, nomeadamente Disappointed, But Not For You e I'm Glad, bons exemplos da mestria compositória destes Field Music.

Banda sonora de uma passerelle onde desfilamos as nossas vidas de queixo levantado e olhar altivo, certos que vivemos num mundo onte tudo está no lugar certo e nada nos acontece por acaso, Commontime parece algo suspenso no tempo, oferecendo-nos uma apresentação irrepreensível de como a música popular e dita de massas por também ser bem tocada e parecer inteligente, harmoniosa e particularmente tocante. Espero que aprecies a sugestão...

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01 The Noisy Days Are Over
02 Disappointed
03 But Not For You
04 I'm Glad
05 Don’t You Want To Know What's Wrong?
06 How Should I Know If You've Changed?
07 Trouble At The Lights
08 They Want You To Remember
09 It's A Good Thing
10 The Morning Is Waiting
11 Indeed It Is
12 That's Close Enough For Now
13 Same Name
14 Stay Awake


autor stipe07 às 21:42
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Terça-feira, 18 de Outubro de 2016

Terrakota - Oxalá

Já chegou aos escaparates Oxalá, o novo registo de originais dos Terrakota, um coletivo sedeado na capital do antigo império, mas de setas apontadas para os quatro cantos de um planeta cada vez mais pequeno e global e culturalmente e etnicamente díspar. E se em pleno arranque do século XXI esta realidade apresenta-se como um facto incontornável, tal deve-se, sem sombra de dúvida, à coragem e à perseverança de um pequeno povo que há alguns séculos sulcou novos mares e descobriu outras culturas, saberes e tradições, que estes Terrakota plasmam, com notável vibração e autenticidade, neste Oxalá.

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Gravado nos estúdios dos próprios Terrakota e nos estúdios GroundZero e TooLate, Oxalá é uma edição completamente independente e conta com as participações de Vitorino, Mahesh Vinayakram, Selma Uamusse, Anastácia Carvalho e Florian Doucet entre outros. Este novo capítulo da discografia dos Terrakota tem como ponto de partida Lisboa, faz um pequeno e curioso desvio pelo coração do Alentejo na introdução do tema homónimo e depois, assume-se como ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.

Saboreando poemas escritos em português, inglês e francês, Oxalá coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu e disserta sobre o modo como diferentes territórios e porções de um planeta que foi beijado um dia pelo intrépido português, faculta uma heterogeneidade de sensações e obrigou aos nativos a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência.

Não é assim tão ousado afirmar que a música dos Terrakota é um exercício antropológico, com tudo aquilo que de interessante e revelador tem, forçosamente, um documento sonoro que permite tal desiderato. Sendo o artwork do disco, da autoria de Alexandre Louza, logo à partida, revelador das reais intenções deste coletivo, é no gira giro do mundo que a humanidade se desvenda, como se pode escutar no tema que abre Oxalá, mas também na distância que separa a vibração do violão da cadência das congas e do treme terra em Entre O Céu E A Terra. E se enquanto passamos dessa Gira Giro a Jah Flow viajamos, num ápice, da Índia à Jamaica, já em Mexe Mexe e Bankster é numa ruela lamacenta mas cheia de cor de Luanda ou da Praia que aterramos, mesmo no ventre daquela África que tanto nos ofereceu ao longo de seis séculos de intercâmbios e histórias nem sempre pacíficas, mas ainda hoje marcantes e impressas num povo que vivendo à beira mar plantado deve ao continente negro, como referi acima, uma elevada quota parte do seu adn atual.

Disco feito demanda e oferenda de diferentes cheiros e emoções e, conforme se percebe em Entre o Céu E A Terra, um trabalho que também serve para nos explicitar como esta evolução tem um lado negro e nefasto, nele os Terrakota, como banda de intervenção que são, assumidamente, querem-nos fazer refletir nesse sofisma, algo audível, por exemplo, nesse tema quando se escuta Já Veio Expulso da Índia! Lá teve falha o seu plano. Depois de ir minar o Brasil, foi pegar o Jamaicano. Oxalá abre, por todas estas e tantas outras boas razões, um novo capítulo da vida de uns Terrakota renovados e com uma abrangência sonora ímpar no panorama musical nacional. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:57
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Sexta-feira, 2 de Setembro de 2016

O (duplo) regresso de Bruno Pernadas.

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Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso e em dose dupla com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them e Worst Summer Ever, à boleia da Pataca Discos.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo e que serão alvo de análise crítica neste espaço muito breve.

Já Worst Summer Ever contém oito temas onde Bruno Pernadas explora o jazz, uma das suas linguagens sonoras predilectas, um compêndio gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho e na Blackbox do CCB recorrendo a formações variáveis, do trio ao sexteto de jazz: Bruno Pernadas (guitarra), Francisco Brito / Pedro Pinto (contrabaixo), Joel Silva / David Pires (bateria), Sérgio Rodrigues (piano), João Mortágua (Saxofone Alto), Desidério Lázaro (Saxofone Tenor).

A treze e a vinte de setembro, Bruno Pernadas irá apresentar os dois discos no Teatro Maria Matos, estando os bilhetes já disponíveis para venda nos locais habituais. Para já, confere Anywhere In space Time, o primeiro single divulgado de Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them.


autor stipe07 às 17:12
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Sábado, 28 de Maio de 2016

Metronomy – Old Skool

Metronomy - Old Skool

Dois anos depois de Love Letters, os britânicos Metronomy de Joe Mount estão prestes a regressar aos discos com Summer 08, um álbum que irá ver a luz do dia já a um de julho e que será, certamente, um dos acontecimentos musicais do próximo verão.

Como o nome do tema indica, Old Skool, um dos avanços já divulgados de Summer 08, impressiona pelo clima retro proporcionado pelo funk da batida, um baixo bastante vigoroso e vários arranjos metálicos, aspectos que conferem à canção uma curiosa mescla entre indie rock, eletrónica e hip-hop, numa espécie de fusão entre Daft Punk e Beastie Boys, impressão ampliada por um sintetizador que obedece a uma lógica sonora próxima do chamado discosound, particularmente efusiva e que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade, num ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança. Confere...


autor stipe07 às 14:45
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Domingo, 3 de Janeiro de 2016

Will Butler - City On A Hill

Um pouco fora de tempo, divulgo uma novo tema do canadiano Will Butler, uma das peças fundamentais da engrenagem do rock chamada Arcade Fire e figura de relevo do universo sonoro indie. Disponível para download gratuito, City On A Hill é o nome dessa canção, uma peça sonora assente num piano particularmente delicado e brilhantemente ingénuo e sedutor, a oferecer-nos um Butler de smoking aprumado, íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, cheio de imagens, metáforas e mistério. Confere...


autor stipe07 às 18:02
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Domingo, 25 de Outubro de 2015

Reverend And The Makers – Mirrors

Formados por Jon McClure, Ed Cosens, Laura McClure, Joe Carnall e Ryan Jenkinson, os Reverend and The Makers são uma banda natural de Sheffield e começaram a carburar em 2007, considerado por alguma crítica como o ano de ouro do índie, com o disco The State Of Things. Depois veio A French Kiss In The Chaos em 2009, um homónimo em 2012, e agora, pouco mais de três anos, Mirrors, considerado pela crítica como um dos cenários essenciais da indie experimental britânica deste ano.

Projeto que exala uma sonoridade com uma forte componente elétrica, mas sem renunciar às origens indie pop da banda, como se percebe em Makin' Babies ou na mais acústica The Beach And The Sea e muitas vezes encarnadas na voz firme de Jon McClure, líder e vocalista, estes Reverend And The Makers são uma daquelas bandas que caem no goto de quem procura a banda sonora ideal para um estilo de vida regado de excessos e decadência, mas apenas nos seus desejos mais recônditos. Na verdade, canções como Amsterdam ou a animada e festiva Blue transpiram hedonismo e percebe-se que McClure terá controlado, além do microfone, cada centímetro quadrado de um mundo em miniatura onde existe ao centro uma húmida pista que ele pretende personificar e que, à boleia de canções quase sempre curtas e diretas, se torna no palco por excelência de uma espécie de comemoração solitária, mas que exige constantemente que nos juntemos à festa. No entanto, o conteúdo geral de Mirrors não é propriamente interdito a menores, ou algo que se pareça.

Assim, além dos exemplos já referidos, instantes como El Cabrera ou a funky Mr Glassalfempty, canção conduzida por um baixo simplesmente fabuloso, são momentos preciosos onde este cantor assume o papel de reverendo e de forma sagaz, incisiva e eloquente, dita o destino de alguns dos seus demónios que poderão também ser nossos, já que coloca sentimentos próprios de alguém que vive guiado pela voz do coração no papel central das emoções ditadas pelas composições. Todo este altruísmo tem sido injustamente ignorado, mas talvez seja desta vez que Jon McClure se vai tornar, de pleno direito, num porta voz de uma geração que continua a ignorar a sua existência. Espero que aprecies a sugestão...

Reverend And The Makers - Mirrors

01. Amsterdam
02. Black Widow
03. Makin’ Babies
04. Stuck On You
05. The Beach And The Sea
06. The Trip
07. El Cabrera
08. Blue
09. Something To Remember
10. Mr Glassalfempty
11. The Gun
12. My Mirror
13. Last To Know
14. Lay Me Down
15. Mr Glassalfempty (Radio Edit)
16. The Trip (Radio Edit)
17. Makin’ Babies (Radio Edit)
18. Mirrors (Overproof Dub)


autor stipe07 às 21:26
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Segunda-feira, 5 de Outubro de 2015

Kubalove - This Foolish Love

Algures entre os Goldfrapp e os M83 situam-se os Kubalove um projeto de eletropop sedeado em Londres e que faz já parte do cardápio da Lost In The Manor.

O pop funk sintetizado melódico e com um forte apelo às pistas de dança de This Foolish Love, single que vai ver a luz do dia já a dezasseis deste mês, é a proposta sonora mais recente deste projeto liderado por uma cantora que a coberto da sua sensualidade nos inebria com particular mestria. This Foolish Love são quase três minutos de intensa energia, um íman sedutor que atrai sem apelo nem agravo as nossas sensações mais inebriantes e que nos aprisiona, deixando-nos completamente à mercê de uma pop incisiva, charmosa e desarmante. O próprio video do tema, que conta com a participação especial da modelo Peliroja, amplia o cariz luxuriante e sensorial da composição. Confere...


autor stipe07 às 17:08
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015

Amber Leaves - Love Song

Oriundos de Londres, os britânicos Amber Leaves são Chesney Jefferson, Sebastian Drayton, Jay Morrod, Jake Miliburn e Josh Pontin, um coletivo que me impressionou novamente, desta vez com Love Song, o segundo de uma sequência de três temas que o coletivo pretende lançar este ano, à boleia da Lost In The Manor e que irá ver a luz do dia a dezasseis de outubro.

Acordes de um baixo com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com hip-hop e o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Love Song, canção efervescente e refrescante, que seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso. Estes Amber Leaves personificam num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um projeto com uma vitalidade imparável e que vale a pena escutar com dedicação. Confere...


autor stipe07 às 18:53
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Terça-feira, 22 de Setembro de 2015

Brave Baby – Electric Friends

Christian Chidester, Jordan Hicks, Keon Masters, Steven Walker, Wolfgang Zimmerman são os Brave Baby, um coletivo norte americano oriundo de Charleston, que se estreou nos lançamentos discográficos em 2012 com Forty Bells, um disco que viu a luz do dia à boleia da etiqueta local Hearts and Plugs e que foi produzido pelo próprio Zimmerman, o baterista da banda. Agora, três anos depois, chegou finalmente o sucessor, abrigado pela mesma editora, um trabalho intitulado Electric Friends e que em onze canções nos oferece um indie rock caleidoscópico, atravessado por um feixe multicolorido de sensações e sabores sonoros, uma verdadeira odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que encarna e explora habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão de rock, com a pop, a psicadelia e um certo funk algo jazzistico, de uma forma direta, mas também marcadamente experimental.

É evidente a sensação de prazer que qualquer apreciador profundo de um espetro musical mais lisérgico sente ao escutar os loopings e espirais que adornam Daisy Child, as guitarras que debitam distorções intensas e inebriantes, um baixo eloquente e uma voz dose que extravasa uma intensa sensação de empatia e simpatia connosco e ainda mais recompensador se torna depois, perceber que estas são permissas essenciais que identificam e tipificam o som específico destes Brave Baby. Em Find You Out está lá, de novo, o esplendor das cordas, com o baixo ainda mais imponente, mas agora firmado por sopros e por outros recursos sonoros de cariz geralmente sintético, que exprimem um modo curioso e bastante criativo averca de como a banda olha para as tendências atuais e faz uma mescla com o período aúreo do rock experimental, de plena década de setenta do século passado, de modo a conseguir um resultado final bem aceite pelo público. Mesmo quando em Ancients o clima épico e ancestral da canção é sustentado por uma camada instrumental rugosa e uma bateria frenética ou em Atlantean Dreams, a opção inicial passa pelo hipnotismo sintético do efeito fabuloso que introduz um tema que depois inflete para uma exuberância jazzística, algo clássica até, onde não faltam efeitos percussivos de metais e teclas de piano flamejantes, existe sempre a busca consciente e bem sucedida de apresentar detalhes que encarnem uma ligação estreita entre a psicadelia e o rock progressivo, através de um sentido épico pouco comum e com resultados práticos que, como se percebe, são realmente ricos e extraordinários.

Mas são outros mais e imensos os exemplos do modo como os Brave Baby em vez de se fecharem no seu próprio casulo, parecem estar muito atentos à realidade atual, enquanto se mostram particularmente inspirados e num elevado nível qualitativo na visão caleidoscópica que plasmam em Electric Friends do indie rock atual. O som de fundo orquestralmente rico que dá vida à alegoria funk pop Larry On The Weekend, um tema que não receia abusar dos detalhes eletrónicos e dos detalhes metálicos é outro sinal claro desse avanço, que a riqueza dos arranjos sombrios das cordas vintage de Be Alright, ou o clima descontraído da viola que deambula por Hare Krishna evidenciam.

Num álbum heterógeneo onde se cruzam diversos espetros sonoros com impressionante bom gosto e onde um certo caos, sempre controlado e claramente ponderado, rico, exuberante e impecavelmente produzido, os Brave Baby oferecem-nos onze canções que explodem num forte sinal de esperança e de renascimento, sementes que vão provavelmente conquistar para o grupo novos públicos. Espero que aprecies a sugestão...

Brave Baby - Electric Friends

01. Daisy Child
02. Find You Out
03. Plastic Skateboard
04. Octopus J
05. Atlantean Dreams
06. Be Alright
07. Electric Friends
08. Ancients
09. Larry On The Weekend
10. Hare Krishna
11. Call It


autor stipe07 às 14:29
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