Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

The Rosebuds - Sand + Silence

Oriundos de Raleigh e com o nome da banda insiprado no filme Citizen Kane de Orson Wells, os norte americanos The Rosebuds de Ivan Howard e Kelly Crisp estão de regresso aos discos com Sand + Silence, um trabalho que viu a luz do dia a cinco de agosto, por intermédio da Western Vinyl. Sand + Silence foi gravado nos estúdios de Justin Vernon. Além de ter recebido os The Rosebuds, aceitou tocar teclas em alguns temas do disco, que também conta com a participação especial de Nick Sanborn dos Sylvan Esso. 


Justin Vernin é um figura ímpar do universo indie contemporâneo e a sua simples presença nos créditos de um disco acaba por ser um selo de qualidade importante do mesmo. Com uma carreira única firmada em projetos tão relevantes como Bon Iver, Volcano Choir ou The Shouting Matches, Justin não hesitou em colaborar decisivamente no conteúdo do novo trabalhos destes The Rosebuds, de um modo tal que pode ser mesmo considerado como mais um elemento da banda, mesmo que essa colaboração não dê mais frutos futuramente. A própria carreira dos The Rosebuds é sempre uma enorme incógnita, uma banda que não é conhecida pela regularidade, mas que quando produz música fá-lo sempre de forma assertiva e com uma elevada bitola qualitativa.

Sand + Silence não foge a esta ideia, um disco que aposta numa surf pop bastante atual e que remetendo-nos facilmente para as areias da nossa praia preferida, convida-nos a fazê-lo com uma toada eminentemente comtemplativa, apesar de o conteúdo geral das onze canções do álbum não deixar de incluir também um interessante pendor festivo e divertido.

Se o disco é, como acabei de referir, um tratado indie pop moderno, apesar dos traços de folk rock que se escutam em canções como Death Of An Old Bike e Tiny Bones, naturalmente tem um vincado pendor vintage, não só no que se refere aos areanjos selecionados, onde as cordas luminosas e as teclas inspiradas têm a primazia, mas também quando se analisa a estrutura melódica das canções. Looking For é um exempo feliz de uma canção que nos consegue trasnportar com classe para os primórdiso da pop nos anos sessenta e Wait A Minute para duas décadas depois e há muitas outras que também parecem ter sido pensadas para o airplay de algumas rádios de outrora, com especial destaque para a deliciosa In My Teeth. Ao mesmo tempo, há temas pwerfeitos para incluir em algumas playlists dos apreciadores atuais deste género de música, mesmo que não vislumbrem diariamente o mar no seu horizonte, com a romântica Give Me A Reason a ser a companhia perfeita para queles dias em que nos sentimos mais assaltados pela introspeção melancólica.

Com um padrão bem vincado na hora de compôr, numa carreira com mais de uma década e cheia de grandes momentos, os The Rosebuds revelam em Sand +Silence um som apurado, além de mostrarem uma flexibilidade bastante adulta para cruzar o rock alternativo com alguns detalhes eletrónicos e assim, com a ajuda preciosa de Vernon, chegar à tal indie pop veraneante e refinada, harmoniosa e requintada, cheia de charme e sedução e que facilmente nos cativa. Espero que aprecies a sugestão...

The Rosebuds - Sand + Silence

01. In My Teeth
02. Sand + Silence
03. Give Me A Reason
04. Blue Eyes
05. Mine Mine
06. Wait A Minute
07. Esse Quam Videri
08. Death Of An Old Bike
09. Looking For
10. Walking
11. Tiny Bones


autor stipe07 às 16:00
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Sábado, 23 de Agosto de 2014

Coast Jumper – The End Of Broad Slough EP

Gravado durante o ano de 2013 e apenas terminado devido a vários donativos, The End Of Broad Slough é o novo EP dos Coast Jumper, uma banda norte americana sedeada em Oakland e que no verão de 2012 estreou-se nos discos com Grand Opening, um trabalho produzido por Kevin Harper e que foi dissecado por cá. Editado no passado dia um de agosto e disponibilizado no bandcamp da banda, com a possibilidade de obteres uma edição limitada em vinil, The End Of Broad Slough contém cinco canções feitas com belíssimos arranjos acústicos, mas onde também se nota o esplendor das guitarras elétricas e de uma percurssão bastante vincada e com um apreciável pendor épico.

Os Coast Jumper fazem canções abertas e luminosas enquanto se movimentam dentro do rock experimental e progressivo, mas onde também não faltam alguns dos detalhes mais caraterísticos da típica folk norte americana. Pelos vistos acharam que conceitos como o ambienteagressão, harmonia e libertação, amores perdidos e o crescimento, são boas temáticas para as suas canções, assentes, quase sempre, numa melodiosa alquimia lisérgica, coberta de acordes quase tão hipnóticos como qualquer caleidoscópio ácido.

A canção de abertura do EP, Western Star, tem uma sonoridade grandiosa, seguida da beleza quase etérea de Anita (You're Mad); Esta canção parece que foi matematicamente pensada, com uma voz e acordes que destoam de uma sequência normal na maioria das músicas. As ditas vozes fazem vir à tona lembranças psicadélicas setentistas e as mudanças que o cantor vai efetuando no andamento, faz com que os nossos ouvidos sejam agarrados a cada acorde.

Depois da voz sintetizada e dos violinos que suportam a balada acústica Right On Track e da indie pop nostálgica e simultaneamente ligeira e descomprometida de King Phillip, já estás definitivamente agarrado ao EP a até ao fim será inevitável perceberes que estes Coast Jumper fazem canções profundas e com sentimento, tratados sonoros propostos com uma extrema e delicada sensibilidade e que possuem muito mais do que aquela simples pop chiclete nas suas artérias. Espero que aprecies a sugestão..

Coast Jumper - The End Of Broad Slough

01. Western Star
02. Anita (You’re Mad)
03. Right On Track
04. King Phillip
05. Blackout

 


autor stipe07 às 19:37
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Margo, Margo – Old Nights, New Days

Oriundos de Fredericton, os canadianos Margo, Margo são Jane Blanchard, Michael Leger, Keegan MC, Kieran Smyth, Matt Whipple e Jeff Wo. Disponível para download no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo e editado no passado dia vinte e quatro de junho, Old Nights, New Days é o segundo trabalho do grupo, depois de um homónimo editado em 2012.
O indie rock com elevada influência da folk é a pedra de toque do catálogo sonoro dos Margo, Margo, que dominam com apreciável bom gosto a fórmula correta para compôr com cuidado nos arranjos e as nove canções não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, à imagem do que propusrema recentmenete os Dark Arc em Saintseneca, mas onde não falta também aquele típico fuzz-folk às vezes caótico e saturado, às vezes ameno, que os Neutral Milk Hotel de Jeff Mangum tão bem recriaram há já quase duas décadas e que temas como Breath Wasted ou Mountain Beaches tão bem replicam.
A música destes Margo, Margo tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico. Eles sabem como dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também se inclui a voz; Os registos vocais de Michael e Kieran, uma das mais valias deste projeto, são capazes de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo e que se firmam como uma das marcas identitárias destes Margo, Margo, deixando o primeiro vincada toda a sua arte enquanto acompanha as cordas em On And Off ou em Alexander e a voz feminina quando vibra nos nossos ouvidos com gracosidade, charme e estilo na soberba Melodica.
Old Nights, New Days é um disco que se ouve sempre que queiramos, mas tem momentos cuja audição se recomenda naquelas dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores. A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, além de ser um instante precioso na discografia de um projeto notável e que merece maior destaque. Espero que aprecies a sugestão...

Margo, Margo - Old Nights, New Days

01. New Days

02. Breath Wasted
03. On And Off
04. Melodica
05. Mountain Beaches
06. Alexander
07. Cuckold
08. All Together Now
09. Beats

 


autor stipe07 às 21:09
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

My Autumn Empire – The Visitation

Natural do condado de Staffordshire, na Inglaterra, Benjamin Thomas Holton é a mente brilhante por trás do projeto My Autumn EmpireThe Visitation, um disco lançado no passado mês de abril, o seu mais recente trabalho, uma obra conceptual, inspirada em imagens televisivas, na complexidade das relações humanas e no imenso espaço sideral, tantas vezes o maior ponto de encontro de imensos dos nossos sonhos.

Cheio de harmonias vocais verdadeiramente sumptuosas, The Visitation é um belíssimo tratado de indie folk, um disco que transborda uma imensa sinceridade e onde Benjamim certamente compôs e criou aquilo que realmente quis. Pelo conteúdo lírico deste álbum percebe-se que My Autumn Empire deseja ardentemente espicaçar a mente de quem vive  permanentemente inquieto pela forma como tratamos este mundo, em dez letras que transbordam modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta o direito à individualidade de cada um, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Benjamim entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Com momentos que apelam à folk pop melancólica mais negra e introspetiva, com ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica e que mesmo acompanhados por uma variada secção de metais, não colocam em causa uma faceta algo acústica, que parece orientar o processo base da composição melódica do projeto, à medida que o disco escorre pelos nosso ouvidos, acabamos por conferir, acima de tudo, um misto de cordas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, que se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos, dez canções que parecem emergir de um sono profundo e que ao ganharem vida se convertem num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido, com que todos nós contatamos pelo menos uma vez na vida.

Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, em The Visitation tudo se movimenta de forma sempre estratégica e sumptuosa, como se cada mínima fração do disco tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. A constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...  

My Autumn Empire - The Visitation

01. When You Crash Landed
02. Blue Coat
03. Where Has Everybody Gone
04. Summer Sound
05. Afternoon Transmission
06. It’s Around
07. Andrew
08. The People I Love
09. The Visitation
10. All In My Head

 


autor stipe07 às 22:26
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Fusing Culture Experience 2014 - Entrevista a Noiserv

Como tenho revelado por cá, o Fusing Culture Experience é um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia e que decorre na Figueira da Foz, com a edição deste ano a acontecer já nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Com um cartaz que, no campo musical, abarca alguns nomes da música nacional absolutamente obrigatórios, resolvi entrevistar algumas das bandas e projetos presentes, para aferir das suas expetativas para esta iniciativa e se há, eventualmente, alguma surpresa preparada.

A primeira entrevista que partilho convosco é a de David Santos, aka Noiserv, a quem desde já agradeço, publicamente, a atenção e o carinho dispensados, assim como à Raquel Laíns, da Let's Start A Fire, por ter intermediado a minha solicitação... No final da entrevista poderás deliciar-te com a audição de Almost Visible Orchestra, o lindíssimo último álbum da carreira de Noiserv.

 

Parece-me evidente e justo considerar que Almost Visible Orchestra é já um marco importante na história da música nacional contemporânea mais recente. Como tem sido a aceitação deste trabalho pelo grande público?

Tem sido muito boa. Depois de todos os medos de um segundo disco, dos receios que as pessoas pudessem não gostar daquilo que a mim me fazia todo o sentido, acho que o feedback que tenho recebido justificou todo o trabalho que tive com o disco e deixa-me muito feliz.

 

O Noiserv prepara-se para participar na próxima edição do Fusing Culture Experience, um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia, que decorre na Figueira da Foz nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Quais são as expetativas do David para este concerto, num evento que agrega alguns dos nomes fundamentais do universo musical indie nacional do momento?

Não gosto muito de criar expetativas antes das coisas acontecerem. Acima de tudo tentarei dar o meu melhor concerto e esperar que essa vontade chegue a quem estiver a ver.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição de Almost Visible Orchestra foi a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. O ambiente sonoro que recriaste de forma exemplar em estúdio mantém-se nas versões ao vivo dos temas, ou gostas de adicionar novos elementos ou transformar os temas, até de acordo com o ambiente onde vais tocar? Uma mesma canção tem diferentes arranjos ao vivo se for tocada numa pequena sala ou no palco do Fusing Culture Experience para milhares de fãs?

Tento sempre acreditar que a minha música funciona bem numa sala pequena ou num palco grande ao ar livre. A forma de tocar as canções não muda de sitio para sitio, mas por vezes deixo algumas músicas de fora se sentir que não funcionam tão bem no local do concerto.

 

Já há canções novas que poderão ser ouvidas no concerto?

Apenas músicas 'relativamente' novas, as do Almost Visible Orchestra. :)

 

Qual te parece ser a importância para a música portuguesa este tipo de eventos como o Fusing Culture Experience?

São eventos de extrema importância. Festivais com esta exposição mediática, que apostam tanto na música portuguesa, acabam por ser fundamentais para cada músico, cada banda conseguir chegar a um público mais vasto.

 

Arriscarias participar noutras vertentes do evento, nomeadamente na gastronómica?

Claramente a gastronomia não é o meu forte, pelo que se acontecer poder participar, será para aprender e nunca para mostrar os dotes que não tenho :)!

 

Quais são os planos futuros para o projeto Noiserv? Há algum regresso já programado ao estúdio, ou o David vai continuar a dar concertos nos próximos tempos?

Por enquanto continuo focado em apresentar este disco ao vivo e conseguir que ele chegue ao máximo possível de pessoas.


autor stipe07 às 14:08
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Space Daze – Follow My Light Back Home

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista ecompositor dos consagrados Seapony e Follow My Light Back Home o seu primeiro disco desta nova aventura musical de um músico oriundo de Seattle e que encontra nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que o impressionam. Com uma edição física limitada a cem cópias e no formato cassete, através da Pea Green Cassette, Follow My Light Back Home tem um belíssimo artwork da autoria de Jen Weidl e está também disponivel para download no bandcamp da Beautiful Strange, uma editora independente sedeada em Londres.

Follow My Light Back Home são doze canções em pouco mais de vinte e seis minutos, um disco curto mas incisivo e onde Danny não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da escrita e composição que costuma sugerir nos Seapony, já que estamos na presença de um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da forma como o músico sente o mundo que o rodeia, com canções como The Voices of StrangersIts Getting Lighter Earlier, ou o tratado folk I'll Know Tomorrow, a mostrarem a fina fronteira que existe muitas vezes entre a dor e a redenção.

Instrumentalmente, Space Daze é um projeto fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. E letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados. Assim, durante esta meia hora que o disco dura somos constantemente inundados por belíssimos arranjos de cordas que dão vida a improvisações melódicas com aquela forte componente etérea que nos deixa a levitar e que criam paisagens etéreas e melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias, mas onde também não deixa de brilhar, amiúde, uma bateria inspirada e guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições. Kill Me é um lindíssimo exemplo da conjugação de todos estes ingredientes, com um resultado final verdadeiramente  jovial, vibrante e luminoso.

Space Daze é a afirmação clara de um músico que consegue provar definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Danny tem a capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, que acaba por se tornar na banda sonora perfeita para um fim de tarde quente e prolongado, enquanto se prepara mais um churrasco e salta a tampa das primeiras garrafas daquela caixa de cerveja que vai animar mais um feliz serão entre aqueles amigos de ontem, de hoje e de sempre. Espero que aprecies a sugestão...

Space Daze - Follow My Light Back Home

01. Woke Up In The Summer

02. The Voices Of Strangers
03. Line Up On The Solstice
04. It’s Getting Lighter Earlier
05. It Becomes Silent
06. Going Out
07. I’ll Know Tomorrow
08. Having A Bad Time
09. Follow My Light Back Home
10. Kill Me
11. Close The Curtains
12. The Fireflies Are Gone

 


autor stipe07 às 23:25
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Andrew Bird – Things Are Really Great Here, Sort Of…

Apelidado de mestre do assobio, multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird é um dos maiores cantautores da atualidade e coleciona já uma mão cheia de álbuns que são pedaços de música intemporais. Este músico americano nascido em Chicago tem vivido um período de composição bastante intenso; Em março de 2012 divulguei o excelente Break It Yourself, no final desse ano lançou Hands Of Glory, mais um álbum, em 2013 uma série de EPs e agora, no verão de 2014 presenteia-nos com mais uma coleção de canções, dez versões de temas dos Handsome Family, do casal Sparks, uma dupla de referência do cenário alt-country. Things Are Really Great Here, Sort Off... foi lançado pelo selo Mom + Pop Records e serve para complementar uma discografia já bastante rica, que assenta numa lógica de continuidade e onde a habitual simplicidade da sua música fica mais uma vez patente.

Things Are Really Great Here, Sort Of..., foi gravado com a ajuda dos Hands of Glory, um grupo de músicos que Andrew juntou quando gravou o disco com esse nome e que continuam a acompanhá-lo aso vivo e em estúdio. Os Handsome Family sempre foram uma referência para Bird que tocou no disco In The Air (2000) desse projeto e no Weather Symptoms (2003), um trabalho do seu cardápio, já tinha feito uma versão de Don't Be Scared, um dos temas mais importantes da carreira dos Handsome Family.

A essência dos temas dos Handsome Family recriados por Bird não é abalada nestas novas roupagens, mas há um cuidado nos arranjos, criados por um músico conhecido pela arte de tocar o violino, mas que sabe dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também gosta de incluir a sua própria voz. Esse registo vocal de um dos simbolos atuais da folk norte americana, capaz de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo, firma-se cada vez mais como uma das marcas identitárias da sua arte e em Things Are Really Great Here, Sort Of... há vários exemplos de canções que soam como novas e ganham uma maior personalidade e solidez devido ao rgisto vocal de Andrew. É como se, de algum modo e sem maldade, Bird se apropriasse dessas canções e com graciosidade, charme e estilo e fizesse de temas como Far From Any Road (Be My Hand) ou My Sister’s Tiny Hands momentos cuja audição se recomenda naqueles dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores.

A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, alem de ser mais um instante precioso na discografia de um músico notável e uma forma curiosa de nos sentirmos impelidos a conhecer melhor a discografia exemplar dos Hansome Family. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - Things Are Really Great Here, Sort Of...

01. Cathedral In The Dell
02. Tin Foiled
03. Giant Of Illinois
04. So Much Wine, Merry Christmas
05. My Sister’s Tiny Hands
06. The Sad Milkman
07. Don’t Be Scared
08. Frogs Singing
09. Drunk By Noon
10. Far From Any Road (Be My Hand)


autor stipe07 às 09:48
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Joseph Arthur – Lou

Lançado no passado dia treze de maio por intermédio da Vanguard Records, Lou é o novo disco de Joseph Arthur, um álbum de tributo a Lou Reed e que conta com as participações especiais de Mike Mills e Peter Buck, dos R.E.M..

Génio da indie folk e multi-instrumentista de créditos firmados, Arthur era amigo de Lou Reed, um artista fundamental na história da música dos últimos quarenta anos e que, como certamente todos se recordam, faleceu o ano passado. Lou é uma homenagem a essa figura incontornável da história do rock e a coletânea inclui doze originais de Reed interpretados por Arthur, sem nenhum instrumento elétrico, apenas com a voz, o piano e a viola a sustentarem as canções.

Com especial destaque para a versão de Walk On The Wild Side, talvez o tema mais conhecido da carreira de Lou Reed, mas onde também se incluem belíssimas versões de temas como Heroin ou as menos conhecidas Magic and Loss ou Coney Island Baby, Lou faz uma bonita e emocional súmula da carreira desse artista, em forma de homenagem profundamente sincera, com as próprias opções instrumentais de Arthur a serem fundamentais para realçar o cariz intimista e singelo de canções cm arranjos e letras que falam por si, que conseguiram sobreviver irosamente à erosão dos anos e que neste nova roupagem soam mais ainda atuais e profundamente harmoniosas. São, no fundo, novas pinturas sonoras, carregadas de imagens evocativas de outros tempos, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de luz e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade de Arthur para expressar a sua profunda admiração por Reed.

Em Lou ecoam os clássicos com os quais Reed cresceu, cheios de letras assombrosas e camadas delicadas do sons e ritmos. Em termos de letras, aquela espécie de fantasmagoria típica de Reed impregna a poesia das canções e esta homenagem de Arthur é um compêndio extraordinário que nos recorda tempos idos, sonhos e um músico especial que não está mais aqui, mas que ainda existe na nossa memória e no coração de muitos de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Joseph Arthur - Lou

01. Walk On The Wild Side
02. Sword Of Damocles
03. Stephanie Says
04. Heroin
05. NYC Man
06. Satellite Of Love
07. Dirty Blvd.
08. Pale Blue Eyes
09. Magic And Loss
10. Men Of Good Fortune
11. Wild Child
12. Coney Island Baby

 


autor stipe07 às 16:53
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Terça-feira, 27 de Maio de 2014

Cervelet - Janeiro

Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet de Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, são uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade! Ou não... Canções de Passagem é o disco de estreia dos Cervelet, um trabalho disponivel para download gratuito na página oficial da banda e que divulguei por cá há algumas semanas.

Regresso aos Cervelet para divulgar que a banda acaba de lançar o video de Janeiro, um dos destaques de Canções de Passagem. Escrita por Tiko Previato, a canção dá vida a um poema lindíssimo e assenta numa instrumentação radiante que pende ora para a folk, ora para a indie pop adocicada e acessível.

O video de Janeiro foi dirigido por Deivide Leme em parceria com Priscila Pina e o tema está disponível para download no soundcloud dos Cervelet. Confere...

Quando o Sol bateu e trouxe, enfim
A luz que faltava pra ver
Todo caminho é uma canção
Livre e sublime como o ar
Estávamos presos em outra dimensão
Tínhamos vendas pra calar
Nossas verdades são nossas manhãs
Simples e calmas pra enxergar além


autor stipe07 às 12:44
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Sábado, 24 de Maio de 2014

Birch House – The Thaw EP

Birch House é o  projeto musical de Greg Bothwell, um músico norte americano oriundo de Windsor, no Connecticut e The Thaw o seu mais recente trabalho, um EP com sete canções disponível no bandcamp de Birch House, gratuitamente, mas com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.

Influenciado por nomes tão distintos como Bon Iver ou os prórios The National, Birch House aposta  numa indie folk quase sempre com um cariz clássico, introspetivo e acústico, típica de uma América profunda. Mais do que outros músicos, bandas ou projetos, Greg parece ser influenciado pelas paisagens simultaneamente espetaculares e melancólicas de uma América cosmopolita, mas com locais onde ainda se vive séculos de isolamento e dificuldades e onde reside uma população, com traços peculiares de caráter, bem expressos na cândura orgânica e introspetiva das suas canções.

Nest, uma canção que evoca John Cale, Where Books Grow Old, ou o piano guiado pelo acorde minimal de guitarra de A Thousand Miles Into The Sea, são os três temas do EP que, com uma toada fortemente acústica, melhor retratam esta imagem pictórica que a música de Birch House nos sugere, mas há outros temas mais transparentes e cheios de cor.

O EP abre com o single I Retreat!, uma canção aberta e expansiva, assente em cordas alegres e luminosas e num sintetizador, que é detalhe único num EP eminentemente orgânico. Esta maior abertura mantém-se em Sleeping In Silk e aprimora-se ainda mais na já citada Nest.

A música de Birch House é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade de Greg para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que ele combina com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Espero que aprecies a sugestão...

Birch House - The Thaw

01. Retreat!
02. Sleeping In Silk
03. Past, Present, Future
04. Nest
05. Where Books Grow Old
06. A Thousand Miles Into The Sea
07. I Was Here


autor stipe07 às 21:44
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Sábado, 17 de Maio de 2014

Saintseneca – Dark Arc

Lançado no passado dia um de abril pela ANTI-Dark Arc é o segundo álbum de estúdio dos norte americanos Saintseneca, uma banda natural de Columbus, no Ohio e formada por Zac Little, Maryn Jones, Steve Ciolek e Jon Maedor. Dark Arc era um dos discos mais aguardados da primeira metade do ano no cenário indie folk e as catorze canções do seu alinhamento não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A expetativa em redor de Dark Arc começou a fervilhar no universo indie quando foi divulgado o video de Happy Alone, o primeiro single retirado do álbum e disponível para download. As imagens deslumbrantes, feitas com uma linda e mágica paleta de cores, com uma edição inspirada e delicada, na qual a narrativa apresenta a cabeça do membro da banda Zac dentro de uma bolha gigante, enquanto deambula pelas tarefas diárias do quotidiano comum, deixaram logo a sensação que Dark Arc seria um marco na careeira discográfica dos Saintseneca.

De Violent Femmes aos Neutral Milk hotel, são vários os grupos que os Saintseneca parecem conter no seu cardápio de referências e, na verdade, a música que fazem tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico.

Com a participação especial de Maryn Jones dos All Dogs, Dark Arc impressiona pela produção impecável e Blood Path, o tema de abertura, levanta logo o véu sobre a temática lírica latente em todo o disco, que não tem qualquer segredo especial e que se relaciona com a solidão, os desgostos amorosos e a procura do verdadeiro sentido da vida. A própria estrutura desta canção encontra eco em muitas outras do alinhamento, feita com uma melodia lenta conduzida por cordas acústicas com forte cariz melancólico e pontuada pela voz nasalada de Little, comparada várias vezes ao conceituado cantor folk norte americano Conor Oberst; quando os restantes membros da banda se juntam ao vocalista, em coro, ampliam imenso o volume da canção e o seu cariz épico e expansivo, algo que se repete mais vezes ao longo de Dark Arc, nomeadamente em Only The Young Die Good. Os sintetizadores futuristas e a linha de baixo deste tema deixam-te com um breve nó na garganta, que o refrão ajuda ainda mais a apertar (If only the good ones die young, I pray your corruption comes).

Outra das canções que merece audição atenta é Falling Off, um tema que plasma esta enorme capacidade que os Saintseneca têm para escrever canões que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas (A laceration sufficiently deep/, My body still wears a scar in the knee, So when you live off every scrap of your self, Take solace in knowing as somebody else). Mas um dos temas mais curiosos de Dark Arc é Takmit, uma canção com uma energia diferente das restantes e que demonstra a versatilidade que os Saintseneca já demonstram possuir.

Há definitivamente algo de especial nestes Saintseneca e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de uma frescura que tem tanta vitalidade como o nevoeiro matinal criado pelo ar da montanha do Ohio que os inspira. Espero que aprecies a sugestão... 

Saintseneca - Dark Arc

01. Blood Bath
02. Daendors
03. Happy Alone
04. Fed Up With Hunger
05. ::
06. Falling Off
07. Only The Young Die Good
08. Takmit
09. So Longer
10. Uppercutter
11. :::
12. Visions
13. Dark Arc
14. We Are All Beads On The Same String

 


autor stipe07 às 22:08
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2014

EELS – The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos discos com The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, um trabalho com treze temas e inteiramente gravado nos estúdios do músico em Los Feliz, nos arredores de Los Angeles. Este é já o décimo primeiro registo de originais desta banda norte americana e sucede a Wonderful, Glorious, um álbum que os Eels editaram o ano passado. Curiosamente, The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett começou a ser idealizado e gravado antes das sessões de Wonderful, Glorious, mas, na altura, a banda não se sentia confortável com os resultados alcançados e decidiram virar agulhas para o conteúdo de Wonderful, Glorious. Após a edição deste álbum e de uma extensa digressão mundial, decidiram regressar a essas canções e ao que tinham já feito, desta vez, com maior espontaneidade e menos pressão.

Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o seu início, Agatha Chang, o primeiro tema conhecido de The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett não surpreendeu quem já está habituado a constantes e felizes quebras na conduta sonora deste grupo norte americano. Após a introspeção latente em End Times, a liberdade sonora que patentearam no anterior Wonderful, Glorious e a transformação sonora que no virar do século operaram de Daisies Of The Galaxy (2000) para Souljacker (2001), este novo trabalho dos Eels marca um regresso à sonoridade que ficou plasmada em End Times.

Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo. E, peloa vistos, por muito que se atreva a prescutar teritórios mais agressivos, é mesmo no campo da pop e da indie folk que E se sente mais confortável e que consegue, com particular mestria, criar momentos de sincera e sentida emoção sonora.

Este disco tem vários destaques e Agatha Chang Mistakes Of My Youth, os dois singles já retirados de The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, são, sem dúvida, dois temas que comprovam o feliz regresso dos Eels a uma sonoridade folk eminentemente acustica, melancólica e introspetiva. Estas canções são lindíssimas baladas nostálgicas, com notáveis arranjos de cordas, onde se incluem violinos e uma percussão bastante aditiva, mas não são as únicas do registo que espelham com notável acerto estas caraterísticas sonoras.

Tematicamente, E regressa ao amor, um campo lexical e uma área vocabular onde sempre se sentiu inspirado, principalmente quando confessa o desconforto e a desilusão que esse sentimento tantas vezes causou na sua vida, estando numa fase em que sente necessidade de olhar para o seu percurso pessoal e perceber as falhas e os instantes em que algo correu mal e as pontas que ainda estão por fixar. É explícita uma espécie de narrativa que, de Where I'm At, Where I'm From até Where I'm Going, vai servindo para E confessar dores e arrependimentos e desejar que ainda haja um futuro risonho à sua espera, fazendo-o nas duas últimas cançoes do alinhamento.

Cheio de melodias orelhudas e que nos embalam e fazem partilhar algumas das angústias e desejos plasmados, The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett é um disco que transborda uma profunda sinceridade confessional por todos os acordes e torna-se fácil simpatizar automaticamente com a história de vida desta personalidade fundamental para a descrição de alguns dos mais bonitos momentos sonoros do universo indie das duas últimas décadas e que ainda procura, com uma ansiedade controlada e natural, a verdadeira felicidade. Espero que aprecies a sugestão...

 

"I thought I'd have some answers by now"
Answers

EELS - The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett

01. Where I’m At
02. Parallels
03. Lockdown Hurricane
04. Agatha Chang
05. A Swallow In The Sun
06. Where I’m From
07. Series Of Misunderstandings
08. Kindred Spirit
09. Gentlemen’s Choice
10. Dead Reckoning
11. Answers
12. Mistakes Of My Youth
13. Where I’m Going

 


autor stipe07 às 22:08
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Jess Williamson - Snake Song

Jess Williamson - "Snake Song"

Oriunda de Austin, no Texas, a cantora e compositora Jess Williamson editou o seu disco de estreia o ano passado, um trabalho chamado Native State que impressionou a crítica pela folk inspirada que preenche o disco.

No próximo dia dezassete de junho, Jess vai lançar um single de 7'' com RF Shannon e a acústica, vibrante e épica Snake Song é a canção com que contribui para o single, já disponível para download via stereogum. Confere...


autor stipe07 às 12:42
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014

Chad VanGaalen – Shrink Dust

Editado no passado dia vinte e nove de abril, por intermédio da Sub Pop Records, Shrink Dust é o novo trabalho de Chad Van Gaalen, um canadiano natural de Calgary e um músico, autor e compositor de quem já sentia saudades, nomeadamente dos seus devaneios cósmicos. Desaparecido depois de em 2010 ter editado o excelente Diaper Islandandou, pelos vistos, a aprender a usar o pedal steel, além de ter trabalhado na banda desenhada de ficção científica Translated Log Of Inhabitants.

Antes de tecer algum tipo de comentário sobre o conteúdo do alinhamento de Shrink Dust é importante contextualizar o autor desta magnífica obra musical e esclarecer que Chad é, acima de tudo, um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que ele idealizou. E basta ouvir Shrink Dust para perceber que, realmente, Chad comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada. Esta matriz sonora mais aventureira começou a ganhar forma no antecessor de Shrink Dust, o tal Diaper Island, já que antes disso, em Infiniheart (2004) e Soft Airplane (2008), apostou numa sonoridade folk eminentemente acústica e orgânica.

Assim, hoje a eletrónica é o terreno onde musicalmente VanGaalen se move com maior conforto e utiliza-a mesmo para reproduzir os sons mais orgânicos que podemos escutar no seu cardápio. Sintetizadores e teclados, são apenas uma pequena parte do arsenal bélico com que ele nos sacode e traduz, na forma de música, a mente criativa que nele vive e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que ele vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo, sendo a criatura mutante que estampa a capa do disco, uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por VanGaalen ao longo da sua carreira e que parece ser alvo de uma espécie de súmula em Shrink Dust

É naturalmente possível fazer uma paralelismo entre o seu trabalho como músico e como ilustrador de banda-desenhada; ambos são indissociáveis e Shrink Dust contém alguns temas que poderão fazer parte da banda sonora da versão animada da obra que ilustrou recentemente. O álbum inicia com uma toada calma, mas Cut Off My Hands coloca já a nú alguns detalhes que justificam o cariz psicadélico e aventureiro que anima Chad, com as guitarras de Where Are You, apresentadas logo a seguir, a reforçar o novo enquadramento da obra, cheia de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos e vozes com forte pendor lo fi, carregadas de eco e manipuladas digitalmente. Chad parte em busca de diferentes estímulos, de forma aparentemente arcaíca, mas todos os arranjos e detalhes terão sido certamente ponderados de forma muito cuidada, pois só assim se entende o audível aconchego da profusão de sons e de ruídos e poeiras sonoras, muitas sem sentido de ordem aparente, que se encontram em Shrink Dust. Mesmo em instantes com uma toada folk mais country, minimal e contemplativa, como na já referida Cut Off My Hands e em Lila e Weighted Sin, tudo encaixa devidamente e percebe-se diferentes colagens e sobreposições de sons.

Outra sequência algo inesperada, mas que só atesta a genialidade de Chad, é Leaning On Bells e All Will Combine, duas extraordinárias canções onde o artista pisca o olho ao rock psicadélico, com as guitarras a deixarem-se envolver numa nuvem de distorções leves e acolhedoras, enquanto a lisergia sintetizada em que se acomodam cria paisagens sonoras verdadeiramente alucinogénicas.

Shrink Dust é, portanto, um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos. Um passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da mortalidade, mas que até convida às pistas de dança, sem nunca se entregar ao exagero, até porque é explícita a toada experimental que ocupa este compêndio folk de enorme beleza espacial. Espero que aprecies a sugestão...

Chad VanGaalen - Shrink Dust

01. Cut Off My Hands
02. Where Are You?
03. Frozen Paradise
04. Lila
05. Weighed Sin
06. Monster
07. Evil
08. Leaning On Bells
09. All Will Combine
10. Weird Love
11. Hangman’s Son
12. Cosmic Destroyer


autor stipe07 às 21:47
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Domingo, 11 de Maio de 2014

Damon Albarn – Everyday Robots

O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn, personagem central da pop britãnica das últimas duas décadas, está de regresso aos discos em nome próprio com Everyday Robots, um dos álbuns mais aguardados do ano e que viu a luz do dia a vinte e oito de abril, um belíssimo compêndio de doze canções produzidas por Richard Russell e lançadas por intermédio da Parlophone.

Falar de Damon Albarn como artista a solo e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou os The Good The Bad and The Queen é algo impossível, já que Everyday Robots transpira a tudo aquilo que Albarn idealizou e criou nestes projetos. As canções de Everyday Robots não caberiam facilmente em qualquer alinhamento típico dos grupos citados, mas há algo em todas elas, mesmo que muito implícito, que nos remete para a excelência das propostas que foram surgindo desta mente brilhante nos últimos vinte anos que, tendo-se feito acompanhar por outros músicos extraordinários, nunca deixou de ser o protagonista maior de todas estas bandas.

Sendo assim, Everyday Robots transborda uma imensa sinceridade, sendo o disco onde Albarn compôs e criou aquilo que realmente quis e com o bónus de não ter tido receio de expôr a sua maturidade de adulto cheio de experiências de vida significativas, quase a chegar ao meio século de existência. É um disco onde um Albarn eletrónico e minimalista e viciado em tecnologia, mas apaixonado pela natureza e permanentemente inquieto pela forma como a tratamos, transborda modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta a sua individualidade e apela à consciência de individualidade de cada um de nós, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um de nós, em deterimento do bem e da vontade comuns.

Não há outra forma de entrar no alinhamento de Everyday Robots e não começar por Hollow Ponds, um tema que nos remete para o universo sonoro que Albarn desenvolveu com Paul Simonon e Tony Allen em The Good, The Bad and the Queen; Esta é a canção matriz do disco, já que a decisão de avançar na gravação do trabalho apenas sucedeu depois de Richard Russell ter escutado o tema e ter desafiado Albarn a continuar.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente a sempre a convergir para a soul, Albarn entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, havendo, no disco, vários exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo da mesma. Por isso, há que conferir grande destaque à folk animada de Mr. Tembo, uma música dedicada a um elefante bebé que Damon conheceu na casa de uns amigos numa reserva na Tanzânia e que conta com a participação do coro gospel da igreja Mission City, de Leytonstone, sendo, o tema do disco que mais se aproxima das aproximações já feitas por Albarn no projeto Gorillaz. Depois, há algo de profundamente enigmático no dedilhar deambulante do piano de The Selfish Giant e naquela voz rouca, acabada de emergir de um sono profundo certamente marcado pela batida hipnótica que sustenta a canção e que, no refrão, quando Albarn relata o mundo perfeito com que acabou de sonhar, é acompanhada por detalhes e arranjos tão doces e delicados. A esta sonoridade do tema não será alheio o facto de ser sobre uma noite que Albarn passou em 1995, durante uma digressão caseira dos Blur, num local chamado Dunoon, na costa oeste da Escócia, onde existiam muitos submarinos nucleares americanos, por causa da guerra fria e a canção imagina alguém dentro de um deles, nas profundezas do oceano, apenas à espera que algo aconteça, tendo como única companhia uma simples televisão.

Uma canção fundamental para perceber a essência de Everyday Robots é também You & Me, que são, na verdade, duas canções unidas numa só, sobre a vida de um casal e sobre o carnaval de Nothing Hill, bairro onde Albarn mora há vários anos com a atriz Suzy Winstanley e uma filha adolescente, sendo, talvez, o tema mais autobiográfico do disco. A canção leva-nos de volta ao mundo dos sonhos e ao típico som da viola acústica que Albarn tanto aprecia, feito com  o ruído das mãos que tocam num instrumento que obedece cegamente a um músico que sabe a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se a canção fosse um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida. Na lindíssima Lonely Press Play, no meio de leves batidas e de um piano que vai dividindo o protagonismo com uma guitarra que nos faz emergir da solidão, a voz calma e humana de Albarn mostra-nos que, por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno.

Everyday Robots termina com o extase índie pop Heavy Seas Of Love onde, a meias com Brian Eno, o coração traiçoeiro de Albarn converte-se num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de um amor que o liberta definitivamente de algumas das amarras que filtrou ao longo do disco e, sem deixar completamente de lado a melancolia que, como ele tão bem mostra, tem também um lado bom, empenha-se em mostrar-nos que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, por mais que esteja amarrado à ditadura da tecnologia, pode ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Damon Albarn - Everyday Robots

01. Everyday Robots
02. Hostiles
03. Lonely Press Play
04. Mr Tembo
05. Parakeet
06. The Selfish Giant
07. You And Me
08. Hollow Ponds
09. Seven High
10. Photographs (You Are Taking Now)
11. The History Of A Cheating Heart
12. Heavy Seas Of Love


autor stipe07 às 15:48
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

Cervelet - Canções de Passagem

Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet são Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade! Ou não... Canções de Passagem é o disco de estreia dos Cervelet, um trabalho disponivel para download gratuito na página oficial da banda.

Os Cervelet são, certamente, uma das bandas mais curiosas que conheci do nosso país irmão e essa impressão ficou patente não só no contato que mantive com o grupo e que está plasmado numa entrevista que podes conferir abaixo, mas também no próprio conteúdo de Canções de Passagem, que tem um dos alinhamentos mais originais que já vi; São doze canções batizadas com os doze meses do ano, uma espécie de jornada sentimental que este quarteto nos propôe, e que, de acordo com a banda, partindo da estética do rock, com forte influência de folk, a Cervelet carrega a síntese de falar sobre relacionamentos a partir de diferentes ouvidos: pode ser otimista e inocente em Março; densa e misteriosa em Junho; e venturosa, como se percebe em Agosto, mas sem ser um álbum conceptual. Portanto, esta jornada sentimental é assente em canções acústicas que têm como base o violão e que progridem de forma interessante, à medida que vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte.

Num disco gravado em casa e que busca uma amplitude no horizonte sem deixar de sentir o cheiro familiar da sua casa, a escrita das canções é bastante pessoal, algo que exige, naturalmente, os tais arranjos delicados e cuidados, com os quais a banda se identifique e, nessa demanda pela canção pop perfeita, há que enfatizar as paisagens sonoroas criadas em Fevereiro e Maio, duas canções que, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz se posiciona e se destaca.

Os Cervelet parecem ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende ora para a folk, ora para a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos, músicas que resultam do desenvolvimento de uma instrumentação radiante, havendo a possibilidade de constatar que todos os integrantes da banda têm um papel fulcral no processo de composição e interpretação vocal, numa banda que, durante a gravação de Canções de Passagem, lalcançou novos parâmetros e patamares de qualidade interpretativa vocal e instrumental.

Na verdade, Canções de Passagem é um compêndio de várias narrativas, feita por um coletivo de compositores, onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência dos Cervelet e a perceber sobre aquilo que meditam, as suas conclusões e as percepções pessoais daquilo que observam , regadas a cerveja, enquanto a vida de todos eles vai-se desenrolando e procuram não se perder demasiado na torrente de sonhos que guardam dentro de si e que nem sempre são atingíveis.

Neste disco que os Cervelet gostavam muito que nós, os portugueses, escutássemos no carro enquanto vamos para o Bairro Alto, ou quem sabe a caminho da casa da namorada descendo na estação de Carcavelos, é possível escutar um punhado de canções marcantes que podem levar estes quatro amigos mais além. Estou convencido que merecem elogios de um público maior do que aquele que o conhece e espero que alcancem a fama e o reconhecimento público que tanto reclamam em Canções de Passagem, porque bem o merecem.

Os Cervelet também disponibilizaram recentemente o vídeo de Maio, dirigido por Deivide Leme, da Sunrise Films, e estão quase a revelar o filme de Janeiro, dirigido pelo mesmo Deivide em parceria com Priscila Pina. Espero que aprecies a sugestão...

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

Os Cervelet são de Jaboticabal, no Estado de São Paulo, suponho. Há tantos portugueses que visitam o vosso país; O que podem descobrir em Jaboticabal, além da vossa música?

Jaboticabal é uma cidade muito boa para viver. Morei 10 anos na loucura de São Paulo, e hoje admiro a calma e o sossego. Aqui é um lugar para ir conhecendo aos poucos, seu charme está na sua rotina mais pacata. Na conversa na praça, no comerciante que te conhece pelo nome, numa caminhada ao fim da tarde. É uma cidade pequena mas com ares de cidade grande, afinal tem 5 universidades e apenas 70 mil habitantes, atraindo muitas pessoas de outras cidades e até estados para estudar aqui. Fundada por portugueses, com forte imigração japonesa, italiana, africana e indígena, é genuinamente brasileira. Portanto, se um português quisesse conhecer um pouco da mistura que é o Brasil, poderia descobrir isso em Jaboticabal, ou como gostamos de dizer, Jabuca.

O vosso soundcloud refere que misturam cerveja, com música, poesia e liberdade. Qual é a vossa história? Quem são os Cervelet?

Bom, meu nome é Guto Cornaccioni, tenho 31 anos e moro em Jaboticabal, onde também mora o Vitor Marini, guitarrista da banda e um dos compositores. Em julho de 2013 ele entrou no último semestre do curso de Administração de empresas na Unesp de Jaboticabal. E na sua turma da faculdade estavam Tiko Previato e Iuri Nogueira. Eu já conhecia o Vitor de sua banda anterior, a Zé Amais, e ele sabia que eu já havia lançado um disco independente, e que produzia algumas coisas minhas no meu home studio. Ele recomendou ao Tiko e ao Iuri que fossem gravar na minha casa algumas músicas que eles vinham pensando. Aí um dia eles foram lá.

Mostrei umas coisas que eu vinha fazendo também e pedi que eles me mostrassem uns sons deles. O Tiko disse que tinha umas 5 músicas em construção, pegou o violão e começou um dedilhado. Na hora aquele som me deu um tapa na cara, e não precisei ouvir nem 1/3 da música para dizer: "Para cara, nem precisa mostrar mais as outras. É essa aí que a gente vai gravar". Acho que eles perceberam isso também pois concordaram imediatamente. Gravamos em Maio, em mais ou menos três horas. Nunca haviamos tocado a música juntos. Na verdade nunca tinhamos sequer ensaiado. Foram quatro compositores que reservaram 3 horas de uma quarta feira a noite e disseram; "Vamos gravar. Gravar o que? A gente descobre gravando". Foi criação espontânea porém sem a banda estar tocando. Um exercício que nos demos de produção musical, usando o que adquirimos de experiência em palco e em estúdio. Basicamente a Cervelet é o resumo de todos os anos de vivência musical que tivemos até hoje, sem os quais não seríamos capazes de fazer o que fazemos. Ah, esqueci da falar da cerveja. É que sempre tem cerveja por perto quando a banda se reúne, então ela faz parte do processo.

Canções de Passagem é o vosso disco de estreia. Era um filho muito desejado?

Acho que mais do que o disco, estar numa banda como essa era algo muito desejado por todos nós. Não é possível falar do disco sem falar da banda pois foi dele que ela surgiu.

De acordo com o press release do lançamento, de janeiro a dezembro, estamos diante de uma jornada sentimental. O que vos inspirou e como surgiu a ideia de criar um alinhamento com os doze meses do ano?

Pode parecer piada, mas o que é mais previsível do que junho vir depois de maio? Demos risada, mas no fundo sabíamos que tinha sentido por trás da piada. É um disco sobre a vida, e a vida é sempre um contraste. Num mês estamos bem, no seguinte talvez algo aconteça e o clima mude ao meu redor. Um ano é uma medida de tempo e o tempo é apenas o ser humano se enganando achando que tem controle sobre algo. Enquanto íamos gravando, também íamos sentindo o clima da música. Era um processo esquisito de intuição coletiva que rolava e baseado nisso dizíamos: "Ah, essa tem cara de dezembro. Nem fazemos ideia do por que. Talvez Junho não seria melancólica se fosse composta em agosto.

Pessoalmente, penso que Canções de Passagem tem tudo o que é necessário para terem, deste lado do Atlântico, o reconhecimento público que merecem. Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para este disco? Há planos de uma edição física e posterior distribuição, interna e externa, apesar da disponibilização gratuita do disco, nomeadamente na vossa página oficial?

Acreditamos que este seja um disco capaz de agradar pessoas que gostem de música, independente de rótulos. É um disco para ouvidos dispostos, mas não exige muito sacrifício, é um som que te deixa a vontade para ouvir, ao mesmo tempo rico em arranjos e pensamentos musicais em toda sua produção. Esperamos que ele seja um dos nossos cartões de visita. O outro cartão de visitas é a banda no palco. Nossa expectativa é fazermos bem a nossa parte e defender o nosso trabalho. Espero, e torço muito, para que o público português coloque nosso som em seus fones de ouvido, ou no carro enquanto vai pro Bairro Alto, ou quem sabe a caminho da casa da namorada descendo na estação Carcavelos. Disco físico? Será necessário em um determinado momento, mas agora estamos concentrando nossos esforços na divulgação digital e nos shows.

E, já agora, que se deve a decisão de disponibilizar o download gratuito do disco?

Vivemos o momento mais interessante da história da música em todos os tempos e eu falo isso sem medo de errar. Nunca na história tanta música foi produzida. Nunca foi tão fácil ter uma banda mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil. Fácil, pois hoje com um mínimo de recursos você consegue produzir uma gravação de qualidade se tiver conhecimento para isso. Ao mesmo tempo, você tem um espaço onde depositar o que você produziu e apresentar para as pessoas, o papel de youtube, facebook, soundcloud e outros. Agora, enquanto eu respondo essa entrevista provavelmente milhares de pessoas estão publicando ou compartilhando suas novas produções nas redes sociais. O desafio para o músico de hoje não é apenas de produção mas sim de comunicação.

Com tanta música por circulando por aí, e com tantos estímulos roubando sua atenção, como eu faço para convencer você a parar o que estiver fazendo e prestar atenção em mim por 3 ou 4 minutos? É uma tarefa monstruosa se você pensar a respeito, pois estamos flutuando num oceano de estímulos e informação circulando sem parar. É como se a Cervelet estivesse tocando num pequeno palco de 5 por 7 metros com outras 14 bandas ao mesmo tempo e tivesse que fazer uma pessoa lá no fundo do público ouvir apenas ela. Esse é o desafio hoje. Então todo músico que tem como meta ser um autor e se tornar conhecido de um público, seja esse público pequeno, médio ou grande, tem que saber fazer o marketing de si mesmo. E não há pecado nisso. São ossos o ofício. Acredito que quem não disponibiliza sua música gratuitamente na internet em 2014 está pegando uma luta que já é difícil e a tornando algo impossível de ser vencido. Não julgo se é justo ou não, mas as coisas são assim. Em 10 meses a Cervelet cresceu muito, fomos ouvidos em vários países, e em praticamente todos os estados do Brasil. Não importa quanto, nem como. Se uma pessoa nos ouve no Rio Grande do Sul hoje, talvez amanhã eu consiga que mais 4 ouçam. Cabe a gente criar o nosso público e alimentar seu interesse.

Ouvir Canções de Passagem foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante e melancólico mas, simultaneamente, optimista e alegre, o conteúdo geral do disco reside nesta feliz ambivalência. As minhas sensações correspondem ao que pretenderam transmitir sonoramente?

Canções de Passagem é um disco sobre estar vivo. E justamente por falar sobre estar vivo, ele precisou ser vivido antes de existir. Intrigante, melancólico, otimista, alegre. Se você pensar em emoções como cores, a vida oferece uma paleta de emoções gigantesca.  Todos nós temos esses matizes de cores no nosso quotidiano e ao falar sobre a vida, falamos de um espectro amplo de emoções. Essa banda surgiu num momento de grande transição na vida das 5 pessoas que a formam. E se você catalizar algumas coisas que acontecem ao teu redor, observá-las, e traze-las para o mundo de uma forma diferente, você fez arte. Nós não sabíamos, a bem da verdade, exatamente o que estávamos fazendo. Começamos com Maio, uma canção que consegue ser feliz e melancólica ao mesmo tempo. Músicas assim não são planejadas, e a partir dela fomos construíndo não só o disco como a banda. As sensações que essas músicas transmitem não foram calculadas, foram criadas intuitivamente na produção dos arranjos. Quando terminávamos, ouvíamos o que tínhamos feito. Foi também um disco gravado em casa, portanto é algo que busca uma amplitude no horizonte sem deixar de sentir o cheiro familiar da sua casa.

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Canções de Passagem uma sensação, quanto a mim, também experimental, apesar do forte cariz pop folk e até radiofónico da vossa música. Consideram-se músicos rígidos, no que concerne às opções que definem para a vossa música ou, durante o processo criativo, estão abertos a irem modelando as vossas ideias à medida que o barro se vai moldando?

Todos trazemos uma bagagem musical. Eu sempre ouvi folk, blues, samba, rock progressivo, grunge, um pouco de jazz. Sempre gostei de artistas que ao vivo nunca terminam uma música duas vezes do mesmo jeito. Gosto da sensação do mergulho no improviso que acontece ao vivo se você está numa banda que sabe se conduzir nesse caminho. Nossa única regra durante a produção do disco era: vamos ouvir o que a música está pedindo e não os nossos egos. Pois na banda todos cantam, todos compõem, todos tocam muitos instrumentos, então se não houver um acordo entre todos de que estamos trabalhando em conjunto para atingir um objetivo único, uma hora ou outra os egos começam a agir.  Isso é normal e acontece em toda e qualquer relação humana. Na hora de produzir, se o Tiko criou uma linha de baixo mais interessante que a minha e se a música ficar melhor assim, excelente. O importante é a música e não a gente. Temos essa consciência e essa sinceridade uns com os outros a ponto de ficarmos felizes com as idéias de cada um pois sabemos que fazemos parte de uma unidade onde o sucesso de um é o sucesso de todos.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias?

Provavelmente as músicas que escutamos muitas vezes ao longo da vida deixaram sua marca na maneira em que criamos melodias. Além disso, com a prática cada um vai descobrindo e desenvolvendo sua melodia. Meu caminho melódico quando crio é um. O Tiko tem outro, assim como o Vitor e o Iuri. O desafio é encontrar uma voz única da banda, independente de quem cria ou canta. É fazer da banda uma pessoa, com personalidade própria. Uma melodia é uma forma de dizer sem palavras. E há muita coisa pra se dizer.

Adoro a canção Maio, curiosamente o mês atual e em que faço anos. Os Cervelet têm um tema preferido em Canções de Passagem?

Sou apaixonado por todas essas músicas, mas Maio tem um lugar especial, afinal foi onde tudo começou além de ter sido lançada no exato dia em que descobri que minha mulher estava grávida da nossa primeira filha.

Não sou um purista e acho que as bandas brasileiras valorizam-se imenso por cá por se expressarem em português, mas há também, desse lado do Atlântico, uma forte predisposição no cenário indie e alternativo para os grupos brasileiros cantarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em português e a opção será para se manter?

Simplesmente nos sentimos mais a vontade compondo na nossa lingua, apesar de também sabermos compor em inglês. Foi uma escolha natural, mas também pensamos ser mais fácil nos comunicar com o público assim, ou seja houve um certo raciocínio estratégico em algum momento. Se uma música é boa e me cativa, eu não me importo em que língua ela é cantada. Pode ser até em Klingon. Esse público é o que mais me interessa, que não só ouve, mas sente a música. Isso é comunicação.

O que podemos esperar do futuro discográfico dos Cervelet?

Para o curto prazo planeamos começar a produzir um novo disco provavelmente no fim do ano. Para o longo prazo, só Deus sabe quanto essa história vai durar, então seguiremos fazendo música enquanto houver música para ser feita.

Quais são as três bandas atuais que mais admiram?

Essa vou responder só por mim, pois não sei se algum outro integrante da banda descobriu um novo som nas profundezas da internet e está viciado nisso.

Atualmente tenho voltado a escutar muito blues, Freedie King, Albert King, Sonny Boy, Muddy Watters, Willie Dixon, essa turma toda das antigas. Sou amante do blues desde a adolescência e é a casa para onde volto. Mas acho que as três bandas ou artistas que até hoje mais admiro como compositores e interpretes ao vivo são Pearl Jam, Dave Matthews Band e John Mayer.

 


autor stipe07 às 21:19
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Sábado, 26 de Abril de 2014

R.E.M. – Unplugged: The Complete 1991 And 2001 Sessions

Em setembro de 2011, num dia que recordo perfeitamente, os R.E.M. colocavam um comunicado no seu site em que diziam: As R.E.M., and as lifelong friends and co-conspirators, we have decided to call it a day as a band. We walk away with a great sense of gratitude, of finality, and of astonishment at all we have accomplished. To anyone who ever felt touched by our music, our deepest thanks for listening. Nesse dia terminava a carreira de uma das bandas mais importantes do rock alternativo das últimas três décadas, um nome fundamental e imprescindível para percebermos as principais caraterísticas que regem o indie rock da atualidade, uma banda marcante para a minha geração e que tantas vezes não teve o merecido reconhecimento.

Dois anos e meio depois do fim da carreira, os R.E.M. ainda têm surpresas para revelar; No passado dia dezanove de abril, no último Record Store Day, foi editado R.E.M. Unplugged 1991 2001 – The Complete Sessions, uma caixa com quatro discos de vinyl e que contém todas as músicas gravadas para as performances do grupo nos MTV Unplugged que a banda tocou em 1991 e 2001, incluindo onze temas que não foram para o ar. Já agora, os R.E.M. são, até hoje, a única banda a gravar dois MTV Unplugged.

No alinhamento desta caixa, que terá edição no formato CD em maio, é possível encontrar os principais sucessos de toda a carreira do grupo, com músicas do álbum Murmur, de 1983, até ao álbum Reveal, de 2001, além de várias covers, com destaque para Love Is All Around, um original dos Troggs.

No Record Store Day, o baixista Mike Mills esteve a autografar exemplares desta caixa no Bull Moose, uma loja de discos em Scarborough, no Maine. Espero que aprecies a sugestão...

R.E.M. - Unplugged The Complete 1991 And 2001 Sessions

01. Half A World Away
02. Disturbance At The Heron House
03. Radio Song
04. Low
05. Perfect Circle
06. Fall On Me
07. Belong
08. Love Is All Around
09. It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)
10. Losing My Religion
11. Pop Song 89
12. Endgame
13. Fretless
14. Swan Swan H
15. Rotary 11
16. Get Up
17. World Leader Pretend
18. All The Way To Reno (You’re Gonna Be A Star)
19. Electrolite
20. At My Most Beautiful
21. Daysleeper
22. So. Central Rain (I’m Sorry)
23. Losing My Relion
24. Country Feedback
25. Cuyahoga
26. Imitation Of Life
27. Find The River
28. The One I LOve
29. Disappear
30. Beat A Drum
31. I’ve Been High
32. I’ll Take The Rain
33. Sad Professor 

Get More: R.E.M., I've Been High (Unplugged), Music, More Music Videos

 


autor stipe07 às 21:22
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Bruno Pernadas - How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge?

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? é o seu disco de estreia a solo. Composto e produzido pelo próprio, conta com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense).

O sitio da Pataca Discos esclarece os mais incautos que How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? é Folk, Jazz, Space Age-Pop, Exótica, Afro-beat, Rock Psicadélico, Electrónica e Ambient e, realmente, em How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? o público contacta com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarra e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteia-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que faz com que o álbum seja uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade.

É impressionante a quantidade de detalhes que Bruno coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco e ainda mais diversificado é o conjunto de ritmos, sons e incontáveis referências que borbulham enquanto se desenvolve o álbum. Sejam a pop agradável e nada descartável de Première, as pequenas transições pelo jazz e pela bossa nova em Huzoor, o samba e a blues em Ahhhhh, ou mesmo todo o clima caliente de Guitarras, tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por diferentes épocas, estilos e preferências musicais.

Assim que o disco começa somos rapidamente absorvido pelo mundo caleidoscópico de Pernadas, um universo cheio de cores e sons que nos causam tanto espanto como a interjeição que intitula o primeiro tema do alinhamento. Em Ahhhhh parece-me que Bruno procura mostrar como abre a sua boca para absorver todos os sons que o rodeiam e que, depois de serem devidamente processados no seu âmago, são novamente expelidos em música, como se a mesma fosse para si tão importante como o ar que respira e que Ahhhhh também pode claramente querer exemplificar. A canção leva-nos do típico ambiente folk nórdico, ao blues de Nashville feito com um subtil e enevoado acorde de uma guitarra elétrica que, adiante, inflete num arco írís de cordas e arranjos luminosos muito típicos da melhor tropicália de além mar, a sul do Equador.

A voz é um importante trunfo em How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowdlege?, quer devido ao registo vocal clássico, que se destaca amplamente não só no Ahhhhh do tema de abertura, mas, principalmente em Première, assim cono na enorme quantidade de samples que Bruno utiliza nas canções sendo, em algumas, o único registo vocal existente.

Após Guitarras, uma canção cujo nome define claramente o jogo instrumental e alegre desse instrumento, ao qual se junta uma espécie de solo de improvisação de xilofone, o ambiente criado em Pink Ponies Don't Fly on Jupiter e as batidas eletrónicas que se escutam, antecipam o que a melancólica dose dupla intitulada How Would It Be propôe-nos, no fundo uma segunda metade do disco em que domina um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, que aterrarão um dia, algures em L.A., ao som do último tema do alinhamento.

Em suma, How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? é uma coleção de excelentes canções, com uma toada ora tímida ora experimental, pontuadas por uma verdadeira mescla de influências que fazem deste trabalho um verdadeiro e feliz caldeirão sonoro. Se Bruno quis abarcar todo o conhecimento deste mundo no cosmos que é este seu How Can We Be Joyful In A World Full Of knowledge?, o que ele realmente conseguiu foi estabelecer um convívio saudável entre tudo o que é a música hoje como forma de arte, sem se especializar conscientemente em nenhum género e sem deixar que qualquer um deles se sobreponha verdadeiramente.

A música que se ouve aqui é uma harmoniosa chuva de conhecimento musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje e representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único.

Agradeço à Raquel Laíns e à Let's Start A Fire pelo envio do exemplar físico do disco que possibilitou a publicação deste crítica e espero que aprecies a sugestão...

01. Ahhhhh
02. Indian Interlude
03. Huzoor
04. Première
05. Guitarras
06. Pink Ponies Don’t Fly on Jupiter
07. How Would It Be 1
08. How Would it Be 2
09. L.A.


autor stipe07 às 21:37
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Sexta-feira, 28 de Março de 2014

Noiserv - This is maybe the place where trains are going to sleep at night

David Santos, aka Noiserv, tem um novo vídeo para o seu delicioso disco Almost Visible Orchestra, um trabalho que tive o privilégio de divulgar neste blogue, num artigo que incluiu uma entrevista com o este fantástico músico e compositor nacional! A música de abertura do disco chama-se This is maybe the place where trains are going to sleep at night, é o meu tema escolhido do disco e foi a canção escolhida para terceiro single. O tal vídeo foi realizado pelo coletivo We Are Plastic Too e a direção de fotografia ficou a cargo do Leandro Ferrão.

Em simultâneo com o lançamento deste novo single é lançada também a segunda edição da caixinha de música de Noiserv com o tema original Once upon a time i thought about having a song in a music box escrito pelo músico lisboeta. Confere...


autor stipe07 às 19:24
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

A Jigsaw - Postcards From Hell

Os A Jigsaw preparam-se para entrar em estúdio para gravar o seu quarto álbum que será o sucessor de Drunken Sailors & Happy Pirates. E em jeito de despedida deste anterior trabalho, acompanham esta entrada em estúdio com a edição de mais um B-Side deste. Trata-se da canção Postcards From Hell, estreada pela primeira vez ao vivo na Antena 3 e que teve direito a um vídeo de animação da realizadora Maria Inês Afonso.

Estarei atento ao lançamento deste disco, que certamente será objeto de crítica e divulgação neste espaço. Para já, confere Postcards From Hell e um texto da Maria Inês sobre o vídeo.

 

"The Strangest Friend" foi o primeiro tema que ouvi e logo nesse momento imaginei todos aqueles ritmos e sons distintos traduzidos em cores e texturas animadas. Pessoalmente, o nosso encontro foi nos estúdios da Antena 1, no programa do Jorge Afonso. Como é hábito, trazia comigo o bloco de desenho. Achei o instrumento do Jorri fascinante e num instante dei-lhe forma no papel. No final do programa, em conversa à roda dos desenhos, partilhei-lhes que imaginava a sua música através da animação e, umas frases mais tarde, convidaram-me a criar um vídeo original para um dos seus temas ainda por estrear. Disse imediatamente que sim.

Uns dias depois, numa troca de emails, o João Rui enviou-me o "Postcards from Hell" e explicou-me que era uma mensagem para aqueles que os acompanharam e que os transformaram na identidade que é hoje a Jigsaw.

A partir daí ofereceram-me liberdade total para criar uma animação, sem deadlines ou quaisquer premissas estéticas.

Creio que o melhor que podia fazer era oferecer a minha criatividade e tornar visual as sensações que Postcards me provoca. Ela fala do conhecimento e de como este nos move e constrói a nossa identidade. A forma que encontrei de tornar visual este conhecimento foi quase imediata: representá-lo sob a imagem de fluxo de tintas aguadas, como se fosse um rio, uma corrente ao longo da canção. Nessa corrente viajam as suas memórias, relações, desilusões e aprendizagens. A figura do lobo, personagem principal, pretende ser uma representação da identidade a Jigsaw que, ao longo de todo o vídeo, vai velejando espaços que partilha com outros. Por vezes perde o seu navio, o seu rumo, desvia-se um pouco, mas chega sempre ao fim consciente e em sintonia com a sua identidade.

Agradeço muito esta oportunidade porque são trabalhos como este que nos permitem conhecer mais um bocadinho daquilo que somos. Penso que o enorme prazer e privilégio que senti ao criar esta pequena animação se pode traduzir pelo carácter experimental, curioso e multifacetado da sua estética. Também não seria possível de outra forma, se não falássemos de excelentes fazedores de música.

Aos a Jigsaw, um enorme obrigado!


autor stipe07 às 12:37
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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Beck – Morning Phase

Depois de seis anos de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, está de regresso em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia a vinte e cinco de fevereiro por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor com quase quarenta e quatro anos e que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço.

A introdução de Morning Phase, com os violinos de Cycle e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Morning e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Beck está, assim, de regresso a um universo que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este músico norte americano herdou de Neil Young e que sabe hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Morning Phase é uma benção caída do céu para todos aqueles que, como eu, têm alinhada na sua prateleira, cronologicamente, toda a vasta discografia de Beck e que acabam por, invariavelmente, ir desfolhar sempre aquele setor mais central, algures entre Mutations e, principalmente, Sea Change. No entanto, convém esclarecer os mais desatentos e menos familiarizados com o historial de Beck, que as semelhanças ficam por aqui; Apesar de Cycles iniciar com o mesmo acorde Mi da também introdutória Golden Age do disco de 2002, e se Morning mantém a toada, há doze anos Beck exorcizava os seus fantasmas após o final de um relacionamento com uma namorada de muitos anos, vendo-se assim refém de uma obra que representava o seu estado de profunda tristeza e melancolia, mas hoje Morning Phase é reflexo de uma fase muito mais feliz da sua vida, que tem aproveitado devidamente com a sua esposa, Marissa Ribisi e os dois filhos (Cosimo e Tuesday) e que os arranjos coloridos de Heart Is A Drum, um tema que ganha vida através de um blues da melhor qualidade, parecem claramente expressar. Esta canção cheia de efeitos na voz do músico que iluminam o ambiente e a música, é um dos meus destaques deste álbum.

Mas Morning Phase tem outros momentos cheios de esplendor e que importa realçar; Blackbird Chain é a banda sonora perfeita para uma declaração de amor sentida e Unforgiven salta ao ouvido por se afastar do formato mais acústico e servir-se dos sintetizadores e de uma orquestra de fundo para aguçar o nosso espírito. Já Wave impressiona pelas fantasticas linhas do mesmo violino que nos tinha deslumbrado na abertura; Os arranjos densos, orquestrados e quase góticos desta canção, dão-nos uma visão panorâmica de um Beck pequeno e isolado diante da imensidão ao seu redor, como se estivéssemos a contemplar uma figura distante, cada vez mais desfocada e misteriosa. De referir ainda o banjo ternurento de Say Goodbye, a inspiração romântica e a exuberância orquestral de Waking Light e a folk animada de Blue Moon, uma referência direta a Nick Drake, um dos grandes inspiradores deste músico nascido em 1970 em Los Angeles, filho de uma atriz e um compositor.

O Beck que antes brincava com o sexo (Sexx Laws) ou que gozava com o diabo (Devil's Haircut) faz agora uma espécie de ode à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e da country. A receita é extremamente assertiva e eficaz; Com as participações especiais de músicos tão conceituados como o baterista Joey Waronker (Atoms For Peace) e o baixista Justin Meldal-Johnsen, Morning Phase reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Fica claro em Morning Phase que Beck ainda caminha, sofre, ama, decepciona-se, e chora, mas que vive numa fase favorável e tranquila. Espero que aprecies a sugestão...

Beck - Morning Phase

01. Morning
02. Heart Is A Drum
03. Say Goodbye
04. Waking Light
05. Unforgiven
06. Wave
07. Don’t Let It Go
08. Blackbird Chain
09. Evil Things
10. Blue Moon
11. Turn Away
12. Country Down


autor stipe07 às 17:28
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

Filho da Mãe - Cabeça

Gravado e masterizado por Guilherme Gonçalves no Coro Alto do Convento da Saudação - O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, Cabeça é o novo álbum do projeto Filho da Mãe, o projeto musical que o guitarrista Rui Carvalho utiliza para exorcizar alguns fantasmas e que sucede ao EP Palácio, o trabalho de estreia de Filho da Mãe, datado de 2011 e disponível para download gratuito no seu bandcamp.

Rui Carvalho é Filho da Mãe, mas também a extensão física de um guitarra portuguesa, tal é a mestria simbiótica e única com que a dedilha. De acordo com o próprio, Cabeça é a Porra de sítio em que os monstros se encontram e discutem as imitações uns dos outros. Parecem contrafeitos e aborrecidos enquanto raspam os cornos nas paredes e se fingem incomodados com as razias dos insectos. Não se apercebem da enorme sombra que projectam em tudo, do monte gigante de lixo e dejectos que acumulam, do sopro constante a que obrigam os ouvidos. Mas, na minha opinião, Cabeça é, também, o local onde projetamos, artilhamos, desenvolvemos e controlamos as nossas maiores obsessões e aquela que mais absorve o Filho da Mãe é, sem dúvida, a música em todo o seu esplendor, sendo o nome artístico selecionado pelo músico, a nomenclatura perfeita para descrever a inquietação que todo o seu corpo lateja e expressa quando transfere todas as suas energias para as cordas de uma guitarra.

De acordo com a entrevista que Rui me concedeu e que está transcrita abaixo, o músico não vê como pode interagir com as pessoas fazendo música, se algo desse tipo não acontecer. Pensa primeiro no que a música o faz sentir a si, mas a verdade é que o exercício de audição de Cabeça é simultaneamente tão inquietante e tão belo e excitante como será interpretar e tocar todos os temas do seu alinhamento.

O diálogo intrigante que Filho da Mãe e a guitarra têm entre si, é perfeitamente entendível por todos nós. A linguagem é clara, mesmo que não saibamos identificar uma só nota ou acorde do que ele executa. E, o melhor, ambos convidam-nos a entrar nesse diálogo, a apropriarmo-nos desses sons que nos intrigam e usá-los para nosso próprio proveito e usufruto catártico. Mas não nos atrevemos... Eu, pelo menos, não consigo entrar nesse diálogo. A relação de intimidade entre ambos é tal que importa preservar, acima de tudo, a forma genuína como interagem e deixar, de alguma forma, as prováveis dores físicas desta conversação, apenas e só para o Filho da Mãe, que se atreve a extrair e a colocar a nú todas as virtudes e qualidades da guitarra, deixando-a completamente desprovida, desarmada e sem mais trunfos luminosos para apresentar.

Da complexidade de Cerca de Abelhas, à nobre delicadez do tema homónimo, passando pelas admiráveis variações de ritmo em Improviso De Naperon, ou a toada notavelmente orgânica e viva de Um Mali Provisório e Um Bipolar, Cabeça é um disco cheio de vida, uma parte concreta, palpável e bem definida de um corpo que se mexe, respira, fala, pensa e vive chamado Rui e, por isso, um dos trabalhos mais humanos, pessoais, genuínos e distintos da música portuguesa nos últimos anos. Convido-te a leres, como já referi, a entrevista que o autor do álbum me concedeu com o inestimável apoio da Let's Start A Fire e espero que aprecies a sugestão... 

Terra Feita

Não Te Mexas

Cerca De Abelhas

Caminho De Pregos

Um Bipolar

Um Bipolar Dois

Mali Provisório

Cabeça

Improviso de Naperon

Um Monge Às Costas

Quadro Branco

Sem Demónios

Chamas-te Rui Carvalho mas assinas com Filho da Mãe. Podes explicar aos leitores de Man On The Moon a razão da escolha deste pseudónimo ou alter-ego?

Não sei se pretende ser um alter-ego. Gostava de ter um nome tal e qual como uma banda e não assinar o meu nome mesmo. Não sei muito bem porque razão...não há muito mais a dissecar acerca da escolha do nome. Parece ter algo de provocante mas não o pretendo assim tanto. É algo que duma maneira ou outra parece ligar bem comigo, sinto-lhe algo mais amigável do que agressivo, mas também pode ter essa qualidade.

 

Depois de uma outra vida musical nos If Lucy Fell e noutros projetos nacionais, agora desligou-se a distorção e os teus dedos tocam uma guitarra clássica de seis cordas, que noutras vidas foi eléctrica. É como Filho Da Mãe que te sentes mais realizado?

É difícil de responder. Ultimamente é das coisas que me tem dado mais gozo sim...mas isso pode ser mais fruto do contexto do que de uma preferência. Não costumo hierarquizar bandas ou projectos de música, quando é feito com vontade e sai bom resultado tudo me faz sentir realizado.

 

Cabeça foi gravado dentro das paredes do Convento da Saudação, em Montemor-o-Novo. Como surgiu essa possibilidade?

Surgiu um bocado por acaso, não estava planeado à partida, mas assim que se pôs a possibilidade senti logo que ia ser um sítio perfeito para gravar (ou tentar gravar) o disco.

 

Falando um pouco do conteúdo do álbum, li algures que Cabeça são os ossos a mover-se ao som de uma música que, ao longo de um álbum, vence pelo poder catártico de provocar reações extremas. Pessoalmente confesso que Cabeça teve em mim um forte efeito persuasivo, que me fez sentir algo muito visceral e rugoso, mas simultaneamente aditivo. Achas que este teu disco e uma simples guitarra de seis cordas terão o poder de provocar reações nas pessoas, quer sejam físicas ou mentais?

Espero bem que sim. Sinceramente não vejo como posso interagir com as pessoas fazendo música, se algo desse tipo não acontecer. Mas penso primeiro no que a música me faz sentir a mim...e sinceramente não sei se penso muito, acho que vou sendo bem mais intuitivo do que racional. Depois só espero que essas sensações se reproduzam nas pessoas que o ouvem claro, mesmo que as interpretem de maneiras diferentes.

 

Descreve um pouco essa relação tão íntima, apaixonada e física que partilhas com a guitarra clássica. Funciona quase como uma extensão do teu próprio eu, parece-me… Concordas?

Creio que sim, concordo.

 

Depois da excelente estreia que foi Palácio, quais são as tuas expectativas para Cabeça? Queres que o disco te leve até onde?

Não acumulo muitas expectativas. Para já queria que as pessoas gostassem, pelo que tenho ouvido e lido, parece-me que sim, o que é óptimo. Não quero que o disco me leve a lado nenhum, mas gostava de o conseguir levar a muita gente em salas de concerto, neste país e noutros.

 

Adorei o artwork de Cabeça. A quem se devem os créditos da ilustração e que significa?

O artwork foi desenvolvido pela Cláudia Guerreiro e por muitas conversas que fomos tendo ao longo de um ano. Há muito dentro do Cabeça que está ligado a essas conversas não só o artwork. A música acaba por ser a expressão de tudo isso também. O artwork foi primeiro pensado para Vinyl e acabou por ser adaptado a CD. Trata-se de uma gravura feita pela Cláudia. A fotografia (tirada por Paulo Segadães) da chapa (matriz) constitui a capa e contra-capa. Uma cópia da gravura encontra-se no interior e foi feita uma tiragem limitada de gravuras que se podem adquirir separadamente. O Sérgio França encarregou-se do design. É difícil dizer o que significa. É uma Cabeça, uma expressão física do que se encontra lá dentro.

 

Estou viciado no tema Não Te Mexas que, por acaso, estás a oferecer no teu bandcamp. E o Rui, tem um tema preferido em Cabeça?

Não tenho preferidos. Há alguns que com tempo se vão perdendo, mas por enquanto ainda não. Neste momento tocar o Não Te Mexas e o Cerca de Abelhas dão-me muito gozo, mas ao vivo o Improviso tornou-se uma surpresa.

 

O que te move é apenas esta espécie de indie folk acústica e experimental, com raízes no próprio ideário tradicional musical português, ou gostarias no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico do Filho da Mãe?

Não faço ideia ainda. Nenhuma ideia. Podem-se esperar mais discos isso de certeza.

 

Tens andado em digressão a promover o álbum. Como tem corrido?

Tem sido óptimo poder tocar este disco ao vivo. Diferente do Palácio mas igualmente com uma boa reacção das pessoas. Ainda o estou a conhecer ao vivo...Disco e Concerto são dois bichos diferentes.

 

Apenas em jeito de curiosidade… Quais são as três bandas ou projetos atuais que mais admiras?

Nunca consigo responder a isso. Há bandas das quais me sinto muito próximo, mas colocar isso em três é para mim complicado.


autor stipe07 às 22:23
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014

The Migrant - Beads

Os The Migrant são liderados por Bjarke Bendtsen, um músico de Copenhaga, na Dinamarca. Falo de um projeto de indie pop, mas com imensos traços de folk e psicadelia e já com uma trajetória importante. Estrearam-se nos discos com Travels in Lowland, em 2010 e depois chegou Amerika, no ano seguinte. Beads é o terceiro trabalho deste coletivo que, juntamente com a restante discografia, está disponível para audição, via spotify.

A Dinamarca é um país com várias bandas a terem merecido já amplo destaque neste blogue, nomeadamente os Efterklang e os The Choir Of Young Believeres, pessoalmente duas referências obrigatórias desse país nórdico. E há sempre algo comum em relação aos projetos que daí chegam; Independentemente da riqueza eclética e heterogénea das propostas musicais dinamarquesas, é incontornável uma tendência clara de todas para o privilégio da riqueza instrumental, sendo também óbvia a facilidade que têm em balançar entre o orgânico e o eletrónico, muitas vezes com enorme subtileza, em especial no que concerne às cordas e à percurssão. Carriage e Through The Night são dois temas de Beads que sobressaiem do alinhamento deste trabalho dos The Migrant, exatamente devido a esta tendência de agregação que é tudo menos caótica.

Mas este trabalho merece destaque e uma audição atenta, também por causa da magia que parece existir na forma como alguns temas casam uma voz, tantas vezes num registo em falsete, com a acústica das cordas. E estas mesmas cordas podem ter diferentes origens; Muitas vezes ficamos na dúvida, se estamos a ouvir uma harpa, ou uma guitarra, aliados, quase sempre do piano, para criar melodias animadas, mas certamente com um intenso pendor introspetico. Lion e Kids são excelentes exemplos disso, canções sustentadas por uma espécie de space folk, também bastante audíve no tema homónimo.

É da folk que Bendtsen se abastece para criar música, aquela folk que nasceu no outro lado do atlântico, mas dando-lhe o tal cunho nórdico descrito acima, o que faz com que a música dos The Migrant seja muitas vezes descrita como uma jornada de meditação através de uma folk nordic americana, onde o brilho das cordas e a típica melancolia nórdica andam sempre de mãos dadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Migrant - Beads

01. The Lion
02. Beads
03. Ask The Current
04. Strangers
05. Through The Night
06. Days
07. Nuts
08. Amsterdam
09. The Pony
10. Carriage
11. Place To Rest
12. Kids

 


autor stipe07 às 22:54
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Damien Jurado - Brothers and Sisters of the Eternal Son

A indie folk de Damien Jurado está de regresso, mais bela do que nunca, com Brothers and Sisters of the Eternal Son, o décimo primeiro disco do músico, lançado no passado dia vinte e um de janeiro por intermédio da Secretly Canadian. Brothers And Sisters of the Eternal Son foi produzido por Richard Swift (The Shins), que já tinha trabalhado com Jurado em Maraqopa, a obra prima que o músico lançou em 2012

 

Brothers And Sisters of the Eternal Son é, de acordo com o próprio Damien, baseado num sonho que o músico teve sobre alguém que desaparece e que sai de casa sem nada que o identifique, com o único e simples propósito de desaparecer sem deixar qualquer rasto. O disco é uma sequela de Maraqopa, um álbum que já abordava a temática da ideia de fuga, como a forma mais eficaz de cada um se reencontrar e captar com exatidão a sua essência, mas é, acima de tudo, o retrato de uma América que poucos conhecem, tornada personagem principal do disco no rufar dos tambores que nos levam numa longa viagem pelo interior mais profundo de um país que, por muito moderno que seja, no dia em que renegar a sua essência mitológica, feita de apaches e yankees, perderá todo o sentido. E essa essência ganha vida tanto na tundra a norte, como nas longas pradarias a oeste, ou nos vastos desertos a sul, num universo imenso de tribos, crenças e cores que, de Nova Iorque a Los Angeles, passando pela Seattle de Jurado, está cheia de espaços vazios e estranhas personagens que parecem fantasmas cinzentos.

No meio dessa gente que vagueia numa América traumatizada pelo Iraque e que ora agarrada à crença inabalável nos drones, ora com receio de contar os seus sonhos mais íntimos ao telefone, Jurado é uma sombra, uma tecla de um piano, uma folha de vento que voa ao som de um dedo que se aconchega na corda de uma guitarra, é um fantasma do nosso melhor amigo que nunca mais vimos, um cronista desse território tornado, através destas canções, assentes quase sempre numa lindíssima folk acústica, na materialização da sua própria alma.

Ao contar o que lhe invade a alma, quando se refugia no vazio ou no estúdio mais próximo e reflete sobre a sua América, Jurado segura com todas as forças na viola e transforma-a na sua arma de destruição maciça predileta. Devidamente artilhado, despeja as munições em pleno território amigo, sedento por poder ajudar os seus conterrâneos, que vivem em estados de espírito que oscilam entre o conformismo e a esperança sem sentido, a conseguirem vislumbrar uma centelha de luz, que poderá estar na lindíssima voz que escorre em Silver Joy, a canção mais longa do disco, com um groove algo caribenho e dançante, mas também em Silver Donna e Silver Katharine e que mesmo quando é sintetizada em Jericho Road, insiste em professar que nele está a luz, o caminho, a verdade e a vida.

Brothers and Sisters of the Eternal Son é um compêndio de pequenas polaroides em preto e branco, um disco que condensa, em pouco mais de meia hora, sarcasmo feroz e melancolia, em doze canções que criam atmosferas quase transcendentais, com pitadas de psicadelismo, arranjos barrocos e espirituais, e por isso resultam em algo que garante sucessivas audições, por dias a fio. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Brothers And Sisters Of The Eternal Son

01. Magic Number
02. Silver Timothy
03. Return To Maraqopa
04. Metallic Cloud
05. Jericho Road
06. Silver Donna
07. Silver Malcolm
08. Silver Katherine
09. Silver Joy
10. Suns In Our Mind

 


autor stipe07 às 20:53
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Fanno Creek – Monuments

Os Fanno Creek são Quinn Mulligan, Evan Hailstone e Dane Brist, um trio de Portland, no Oregon, que aposta numa sonoridade ligeira e tipicamente folk. Monuments é o disco de estreia deste grupo norte americano, um trabalho que viu a luz do dia em dezembro de 2013 por intermédio da Sohitek Records.

Monuments é uma coleção de doze canções feitas com uma folk muito inspirada e liderada, quase sempre, pelo belíssimo jogo de vozes entre Quinn e Evan, sem dúvida uma das mais valias dos Fanno Creek. O single On My Way é um dos grandes destaques deste trabalho, um tema que nos remete para o universo de uns Fleet Foxes, uma canção com uma belíssima harmonia repleta de elementos pop, com palmas no momento certo e as cordas, a percurssão, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição.

Outro tema que também chama facilmente a nossa atenção é How Long, não só devido ao falsete da voz, mas também por causa da vibração da guitarra e de um baixo proeminente, que criam uma atmosfera sonora que nos remete para a década de sessenta. Mas a minha canção favorita é Trilithon, um tema que começa com uma simples guitarra e que depois se vai alicerçando numa bateria em contínuo crescimento e numa voz harmoniosa que, juntamente com o violino, confere à canção um ambiente muito nostálgico e emotivo, enquanto a banda canta I’ve seen death, and I’ve seen love, but all that I am thinking of, is dollar bills that I don’t have, it’s comfort in your clenching hands. Este é um bom exemplo de como as histórias contidas neste álbum fazem-nos sentir tudo aquilo que os Fanno Creek têm para nos contar, sobre o amor, a felicidade, o companheirismo ou simples desabafos.

Depois, ao longo do disco, além da instrumentação de base já referida, os trompetes, os metais, o violoncelo e o violino e alguns elementos sintetizados criam arranjos que enriquecem imenso Monuments e o fazem fluir para territórios que irão certamente unir todos aqueles que tanto apreciam uma folk, algures entre Neil Young e os Lumineers

É interessante ouvir Mountains e perceber que os Fanno Creek não tiveram receio de arriscar e buscaram uma simbiose de detalhes raramente ouvida nas propostas atuais. É uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e da eletrónica assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares. A banda impressiona pela simplicidade e rusticidade e demonstram que não é preciso ser demasiado extravagante e ousado para soar musicalmente bem. Têm um som honesto e despido de grandiosidade e é exatamente isso que faz deste Monuments um ótimo disco.

Uma das iniciativas mais peculiares que a banda para promover monuments foi a realização de uma espécie de caça ao tesouro; Espalharam em nove monumentos e locais emblemáticos de Portland um pacote com um exemplar de Monuments e outro material promocional, para que, quem quisesse, os procurasse, havendo algumas pistas no site oficial dos Fanno Creek. Espero que aprecies a sugestão...

Fanno Creek - Monuments

01. Overture
02. On My Way
03. Trilithon
04. How Long
05. Page
06. Bones
07. Body, Brain
08. Dead Wrong
09. Break In
10. Green Stones
11. Dream Song
12. What Am I Thinking

 


autor stipe07 às 14:02
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