Sexta-feira, 28 de Março de 2014

Noiserv - This is maybe the place where trains are going to sleep at night

David Santos, aka Noiserv, tem um novo vídeo para o seu delicioso disco Almost Visible Orchestra, um trabalho que tive o privilégio de divulgar neste blogue, num artigo que incluiu uma entrevista com o este fantástico músico e compositor nacional! A música de abertura do disco chama-se This is maybe the place where trains are going to sleep at night, é o meu tema escolhido do disco e foi a canção escolhida para terceiro single. O tal vídeo foi realizado pelo coletivo We Are Plastic Too e a direção de fotografia ficou a cargo do Leandro Ferrão.

Em simultâneo com o lançamento deste novo single é lançada também a segunda edição da caixinha de música de Noiserv com o tema original Once upon a time i thought about having a song in a music box escrito pelo músico lisboeta. Confere...


autor stipe07 às 19:24
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

A Jigsaw - Postcards From Hell

Os A Jigsaw preparam-se para entrar em estúdio para gravar o seu quarto álbum que será o sucessor de Drunken Sailors & Happy Pirates. E em jeito de despedida deste anterior trabalho, acompanham esta entrada em estúdio com a edição de mais um B-Side deste. Trata-se da canção Postcards From Hell, estreada pela primeira vez ao vivo na Antena 3 e que teve direito a um vídeo de animação da realizadora Maria Inês Afonso.

Estarei atento ao lançamento deste disco, que certamente será objeto de crítica e divulgação neste espaço. Para já, confere Postcards From Hell e um texto da Maria Inês sobre o vídeo.

 

"The Strangest Friend" foi o primeiro tema que ouvi e logo nesse momento imaginei todos aqueles ritmos e sons distintos traduzidos em cores e texturas animadas. Pessoalmente, o nosso encontro foi nos estúdios da Antena 1, no programa do Jorge Afonso. Como é hábito, trazia comigo o bloco de desenho. Achei o instrumento do Jorri fascinante e num instante dei-lhe forma no papel. No final do programa, em conversa à roda dos desenhos, partilhei-lhes que imaginava a sua música através da animação e, umas frases mais tarde, convidaram-me a criar um vídeo original para um dos seus temas ainda por estrear. Disse imediatamente que sim.

Uns dias depois, numa troca de emails, o João Rui enviou-me o "Postcards from Hell" e explicou-me que era uma mensagem para aqueles que os acompanharam e que os transformaram na identidade que é hoje a Jigsaw.

A partir daí ofereceram-me liberdade total para criar uma animação, sem deadlines ou quaisquer premissas estéticas.

Creio que o melhor que podia fazer era oferecer a minha criatividade e tornar visual as sensações que Postcards me provoca. Ela fala do conhecimento e de como este nos move e constrói a nossa identidade. A forma que encontrei de tornar visual este conhecimento foi quase imediata: representá-lo sob a imagem de fluxo de tintas aguadas, como se fosse um rio, uma corrente ao longo da canção. Nessa corrente viajam as suas memórias, relações, desilusões e aprendizagens. A figura do lobo, personagem principal, pretende ser uma representação da identidade a Jigsaw que, ao longo de todo o vídeo, vai velejando espaços que partilha com outros. Por vezes perde o seu navio, o seu rumo, desvia-se um pouco, mas chega sempre ao fim consciente e em sintonia com a sua identidade.

Agradeço muito esta oportunidade porque são trabalhos como este que nos permitem conhecer mais um bocadinho daquilo que somos. Penso que o enorme prazer e privilégio que senti ao criar esta pequena animação se pode traduzir pelo carácter experimental, curioso e multifacetado da sua estética. Também não seria possível de outra forma, se não falássemos de excelentes fazedores de música.

Aos a Jigsaw, um enorme obrigado!


autor stipe07 às 12:37
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Segunda-feira, 3 de Março de 2014

Beck – Morning Phase

Depois de seis anos de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, está de regresso em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia a vinte e cinco de fevereiro por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor com quase quarenta e quatro anos e que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço.

A introdução de Morning Phase, com os violinos de Cycle e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Morning e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Beck está, assim, de regresso a um universo que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este músico norte americano herdou de Neil Young e que sabe hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Morning Phase é uma benção caída do céu para todos aqueles que, como eu, têm alinhada na sua prateleira, cronologicamente, toda a vasta discografia de Beck e que acabam por, invariavelmente, ir desfolhar sempre aquele setor mais central, algures entre Mutations e, principalmente, Sea Change. No entanto, convém esclarecer os mais desatentos e menos familiarizados com o historial de Beck, que as semelhanças ficam por aqui; Apesar de Cycles iniciar com o mesmo acorde Mi da também introdutória Golden Age do disco de 2002, e se Morning mantém a toada, há doze anos Beck exorcizava os seus fantasmas após o final de um relacionamento com uma namorada de muitos anos, vendo-se assim refém de uma obra que representava o seu estado de profunda tristeza e melancolia, mas hoje Morning Phase é reflexo de uma fase muito mais feliz da sua vida, que tem aproveitado devidamente com a sua esposa, Marissa Ribisi e os dois filhos (Cosimo e Tuesday) e que os arranjos coloridos de Heart Is A Drum, um tema que ganha vida através de um blues da melhor qualidade, parecem claramente expressar. Esta canção cheia de efeitos na voz do músico que iluminam o ambiente e a música, é um dos meus destaques deste álbum.

Mas Morning Phase tem outros momentos cheios de esplendor e que importa realçar; Blackbird Chain é a banda sonora perfeita para uma declaração de amor sentida e Unforgiven salta ao ouvido por se afastar do formato mais acústico e servir-se dos sintetizadores e de uma orquestra de fundo para aguçar o nosso espírito. Já Wave impressiona pelas fantasticas linhas do mesmo violino que nos tinha deslumbrado na abertura; Os arranjos densos, orquestrados e quase góticos desta canção, dão-nos uma visão panorâmica de um Beck pequeno e isolado diante da imensidão ao seu redor, como se estivéssemos a contemplar uma figura distante, cada vez mais desfocada e misteriosa. De referir ainda o banjo ternurento de Say Goodbye, a inspiração romântica e a exuberância orquestral de Waking Light e a folk animada de Blue Moon, uma referência direta a Nick Drake, um dos grandes inspiradores deste músico nascido em 1970 em Los Angeles, filho de uma atriz e um compositor.

O Beck que antes brincava com o sexo (Sexx Laws) ou que gozava com o diabo (Devil's Haircut) faz agora uma espécie de ode à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e da country. A receita é extremamente assertiva e eficaz; Com as participações especiais de músicos tão conceituados como o baterista Joey Waronker (Atoms For Peace) e o baixista Justin Meldal-Johnsen, Morning Phase reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Fica claro em Morning Phase que Beck ainda caminha, sofre, ama, decepciona-se, e chora, mas que vive numa fase favorável e tranquila. Espero que aprecies a sugestão...

Beck - Morning Phase

01. Morning
02. Heart Is A Drum
03. Say Goodbye
04. Waking Light
05. Unforgiven
06. Wave
07. Don’t Let It Go
08. Blackbird Chain
09. Evil Things
10. Blue Moon
11. Turn Away
12. Country Down


autor stipe07 às 17:28
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Quarta-feira, 12 de Fevereiro de 2014

Filho da Mãe - Cabeça

Gravado e masterizado por Guilherme Gonçalves no Coro Alto do Convento da Saudação - O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, Cabeça é o novo álbum do projeto Filho da Mãe, o projeto musical que o guitarrista Rui Carvalho utiliza para exorcizar alguns fantasmas e que sucede ao EP Palácio, o trabalho de estreia de Filho da Mãe, datado de 2011 e disponível para download gratuito no seu bandcamp.

Rui Carvalho é Filho da Mãe, mas também a extensão física de um guitarra portuguesa, tal é a mestria simbiótica e única com que a dedilha. De acordo com o próprio, Cabeça é a Porra de sítio em que os monstros se encontram e discutem as imitações uns dos outros. Parecem contrafeitos e aborrecidos enquanto raspam os cornos nas paredes e se fingem incomodados com as razias dos insectos. Não se apercebem da enorme sombra que projectam em tudo, do monte gigante de lixo e dejectos que acumulam, do sopro constante a que obrigam os ouvidos. Mas, na minha opinião, Cabeça é, também, o local onde projetamos, artilhamos, desenvolvemos e controlamos as nossas maiores obsessões e aquela que mais absorve o Filho da Mãe é, sem dúvida, a música em todo o seu esplendor, sendo o nome artístico selecionado pelo músico, a nomenclatura perfeita para descrever a inquietação que todo o seu corpo lateja e expressa quando transfere todas as suas energias para as cordas de uma guitarra.

De acordo com a entrevista que Rui me concedeu e que está transcrita abaixo, o músico não vê como pode interagir com as pessoas fazendo música, se algo desse tipo não acontecer. Pensa primeiro no que a música o faz sentir a si, mas a verdade é que o exercício de audição de Cabeça é simultaneamente tão inquietante e tão belo e excitante como será interpretar e tocar todos os temas do seu alinhamento.

O diálogo intrigante que Filho da Mãe e a guitarra têm entre si, é perfeitamente entendível por todos nós. A linguagem é clara, mesmo que não saibamos identificar uma só nota ou acorde do que ele executa. E, o melhor, ambos convidam-nos a entrar nesse diálogo, a apropriarmo-nos desses sons que nos intrigam e usá-los para nosso próprio proveito e usufruto catártico. Mas não nos atrevemos... Eu, pelo menos, não consigo entrar nesse diálogo. A relação de intimidade entre ambos é tal que importa preservar, acima de tudo, a forma genuína como interagem e deixar, de alguma forma, as prováveis dores físicas desta conversação, apenas e só para o Filho da Mãe, que se atreve a extrair e a colocar a nú todas as virtudes e qualidades da guitarra, deixando-a completamente desprovida, desarmada e sem mais trunfos luminosos para apresentar.

Da complexidade de Cerca de Abelhas, à nobre delicadez do tema homónimo, passando pelas admiráveis variações de ritmo em Improviso De Naperon, ou a toada notavelmente orgânica e viva de Um Mali Provisório e Um Bipolar, Cabeça é um disco cheio de vida, uma parte concreta, palpável e bem definida de um corpo que se mexe, respira, fala, pensa e vive chamado Rui e, por isso, um dos trabalhos mais humanos, pessoais, genuínos e distintos da música portuguesa nos últimos anos. Convido-te a leres, como já referi, a entrevista que o autor do álbum me concedeu com o inestimável apoio da Let's Start A Fire e espero que aprecies a sugestão... 

Terra Feita

Não Te Mexas

Cerca De Abelhas

Caminho De Pregos

Um Bipolar

Um Bipolar Dois

Mali Provisório

Cabeça

Improviso de Naperon

Um Monge Às Costas

Quadro Branco

Sem Demónios

Chamas-te Rui Carvalho mas assinas com Filho da Mãe. Podes explicar aos leitores de Man On The Moon a razão da escolha deste pseudónimo ou alter-ego?

Não sei se pretende ser um alter-ego. Gostava de ter um nome tal e qual como uma banda e não assinar o meu nome mesmo. Não sei muito bem porque razão...não há muito mais a dissecar acerca da escolha do nome. Parece ter algo de provocante mas não o pretendo assim tanto. É algo que duma maneira ou outra parece ligar bem comigo, sinto-lhe algo mais amigável do que agressivo, mas também pode ter essa qualidade.

 

Depois de uma outra vida musical nos If Lucy Fell e noutros projetos nacionais, agora desligou-se a distorção e os teus dedos tocam uma guitarra clássica de seis cordas, que noutras vidas foi eléctrica. É como Filho Da Mãe que te sentes mais realizado?

É difícil de responder. Ultimamente é das coisas que me tem dado mais gozo sim...mas isso pode ser mais fruto do contexto do que de uma preferência. Não costumo hierarquizar bandas ou projectos de música, quando é feito com vontade e sai bom resultado tudo me faz sentir realizado.

 

Cabeça foi gravado dentro das paredes do Convento da Saudação, em Montemor-o-Novo. Como surgiu essa possibilidade?

Surgiu um bocado por acaso, não estava planeado à partida, mas assim que se pôs a possibilidade senti logo que ia ser um sítio perfeito para gravar (ou tentar gravar) o disco.

 

Falando um pouco do conteúdo do álbum, li algures que Cabeça são os ossos a mover-se ao som de uma música que, ao longo de um álbum, vence pelo poder catártico de provocar reações extremas. Pessoalmente confesso que Cabeça teve em mim um forte efeito persuasivo, que me fez sentir algo muito visceral e rugoso, mas simultaneamente aditivo. Achas que este teu disco e uma simples guitarra de seis cordas terão o poder de provocar reações nas pessoas, quer sejam físicas ou mentais?

Espero bem que sim. Sinceramente não vejo como posso interagir com as pessoas fazendo música, se algo desse tipo não acontecer. Mas penso primeiro no que a música me faz sentir a mim...e sinceramente não sei se penso muito, acho que vou sendo bem mais intuitivo do que racional. Depois só espero que essas sensações se reproduzam nas pessoas que o ouvem claro, mesmo que as interpretem de maneiras diferentes.

 

Descreve um pouco essa relação tão íntima, apaixonada e física que partilhas com a guitarra clássica. Funciona quase como uma extensão do teu próprio eu, parece-me… Concordas?

Creio que sim, concordo.

 

Depois da excelente estreia que foi Palácio, quais são as tuas expectativas para Cabeça? Queres que o disco te leve até onde?

Não acumulo muitas expectativas. Para já queria que as pessoas gostassem, pelo que tenho ouvido e lido, parece-me que sim, o que é óptimo. Não quero que o disco me leve a lado nenhum, mas gostava de o conseguir levar a muita gente em salas de concerto, neste país e noutros.

 

Adorei o artwork de Cabeça. A quem se devem os créditos da ilustração e que significa?

O artwork foi desenvolvido pela Cláudia Guerreiro e por muitas conversas que fomos tendo ao longo de um ano. Há muito dentro do Cabeça que está ligado a essas conversas não só o artwork. A música acaba por ser a expressão de tudo isso também. O artwork foi primeiro pensado para Vinyl e acabou por ser adaptado a CD. Trata-se de uma gravura feita pela Cláudia. A fotografia (tirada por Paulo Segadães) da chapa (matriz) constitui a capa e contra-capa. Uma cópia da gravura encontra-se no interior e foi feita uma tiragem limitada de gravuras que se podem adquirir separadamente. O Sérgio França encarregou-se do design. É difícil dizer o que significa. É uma Cabeça, uma expressão física do que se encontra lá dentro.

 

Estou viciado no tema Não Te Mexas que, por acaso, estás a oferecer no teu bandcamp. E o Rui, tem um tema preferido em Cabeça?

Não tenho preferidos. Há alguns que com tempo se vão perdendo, mas por enquanto ainda não. Neste momento tocar o Não Te Mexas e o Cerca de Abelhas dão-me muito gozo, mas ao vivo o Improviso tornou-se uma surpresa.

 

O que te move é apenas esta espécie de indie folk acústica e experimental, com raízes no próprio ideário tradicional musical português, ou gostarias no futuro de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico do Filho da Mãe?

Não faço ideia ainda. Nenhuma ideia. Podem-se esperar mais discos isso de certeza.

 

Tens andado em digressão a promover o álbum. Como tem corrido?

Tem sido óptimo poder tocar este disco ao vivo. Diferente do Palácio mas igualmente com uma boa reacção das pessoas. Ainda o estou a conhecer ao vivo...Disco e Concerto são dois bichos diferentes.

 

Apenas em jeito de curiosidade… Quais são as três bandas ou projetos atuais que mais admiras?

Nunca consigo responder a isso. Há bandas das quais me sinto muito próximo, mas colocar isso em três é para mim complicado.


autor stipe07 às 22:23
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014

The Migrant - Beads

Os The Migrant são liderados por Bjarke Bendtsen, um músico de Copenhaga, na Dinamarca. Falo de um projeto de indie pop, mas com imensos traços de folk e psicadelia e já com uma trajetória importante. Estrearam-se nos discos com Travels in Lowland, em 2010 e depois chegou Amerika, no ano seguinte. Beads é o terceiro trabalho deste coletivo que, juntamente com a restante discografia, está disponível para audição, via spotify.

A Dinamarca é um país com várias bandas a terem merecido já amplo destaque neste blogue, nomeadamente os Efterklang e os The Choir Of Young Believeres, pessoalmente duas referências obrigatórias desse país nórdico. E há sempre algo comum em relação aos projetos que daí chegam; Independentemente da riqueza eclética e heterogénea das propostas musicais dinamarquesas, é incontornável uma tendência clara de todas para o privilégio da riqueza instrumental, sendo também óbvia a facilidade que têm em balançar entre o orgânico e o eletrónico, muitas vezes com enorme subtileza, em especial no que concerne às cordas e à percurssão. Carriage e Through The Night são dois temas de Beads que sobressaiem do alinhamento deste trabalho dos The Migrant, exatamente devido a esta tendência de agregação que é tudo menos caótica.

Mas este trabalho merece destaque e uma audição atenta, também por causa da magia que parece existir na forma como alguns temas casam uma voz, tantas vezes num registo em falsete, com a acústica das cordas. E estas mesmas cordas podem ter diferentes origens; Muitas vezes ficamos na dúvida, se estamos a ouvir uma harpa, ou uma guitarra, aliados, quase sempre do piano, para criar melodias animadas, mas certamente com um intenso pendor introspetico. Lion e Kids são excelentes exemplos disso, canções sustentadas por uma espécie de space folk, também bastante audíve no tema homónimo.

É da folk que Bendtsen se abastece para criar música, aquela folk que nasceu no outro lado do atlântico, mas dando-lhe o tal cunho nórdico descrito acima, o que faz com que a música dos The Migrant seja muitas vezes descrita como uma jornada de meditação através de uma folk nordic americana, onde o brilho das cordas e a típica melancolia nórdica andam sempre de mãos dadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Migrant - Beads

01. The Lion
02. Beads
03. Ask The Current
04. Strangers
05. Through The Night
06. Days
07. Nuts
08. Amsterdam
09. The Pony
10. Carriage
11. Place To Rest
12. Kids

 


autor stipe07 às 22:54
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

Damien Jurado - Brothers and Sisters of the Eternal Son

A indie folk de Damien Jurado está de regresso, mais bela do que nunca, com Brothers and Sisters of the Eternal Son, o décimo primeiro disco do músico, lançado no passado dia vinte e um de janeiro por intermédio da Secretly Canadian. Brothers And Sisters of the Eternal Son foi produzido por Richard Swift (The Shins), que já tinha trabalhado com Jurado em Maraqopa, a obra prima que o músico lançou em 2012

 

Brothers And Sisters of the Eternal Son é, de acordo com o próprio Damien, baseado num sonho que o músico teve sobre alguém que desaparece e que sai de casa sem nada que o identifique, com o único e simples propósito de desaparecer sem deixar qualquer rasto. O disco é uma sequela de Maraqopa, um álbum que já abordava a temática da ideia de fuga, como a forma mais eficaz de cada um se reencontrar e captar com exatidão a sua essência, mas é, acima de tudo, o retrato de uma América que poucos conhecem, tornada personagem principal do disco no rufar dos tambores que nos levam numa longa viagem pelo interior mais profundo de um país que, por muito moderno que seja, no dia em que renegar a sua essência mitológica, feita de apaches e yankees, perderá todo o sentido. E essa essência ganha vida tanto na tundra a norte, como nas longas pradarias a oeste, ou nos vastos desertos a sul, num universo imenso de tribos, crenças e cores que, de Nova Iorque a Los Angeles, passando pela Seattle de Jurado, está cheia de espaços vazios e estranhas personagens que parecem fantasmas cinzentos.

No meio dessa gente que vagueia numa América traumatizada pelo Iraque e que ora agarrada à crença inabalável nos drones, ora com receio de contar os seus sonhos mais íntimos ao telefone, Jurado é uma sombra, uma tecla de um piano, uma folha de vento que voa ao som de um dedo que se aconchega na corda de uma guitarra, é um fantasma do nosso melhor amigo que nunca mais vimos, um cronista desse território tornado, através destas canções, assentes quase sempre numa lindíssima folk acústica, na materialização da sua própria alma.

Ao contar o que lhe invade a alma, quando se refugia no vazio ou no estúdio mais próximo e reflete sobre a sua América, Jurado segura com todas as forças na viola e transforma-a na sua arma de destruição maciça predileta. Devidamente artilhado, despeja as munições em pleno território amigo, sedento por poder ajudar os seus conterrâneos, que vivem em estados de espírito que oscilam entre o conformismo e a esperança sem sentido, a conseguirem vislumbrar uma centelha de luz, que poderá estar na lindíssima voz que escorre em Silver Joy, a canção mais longa do disco, com um groove algo caribenho e dançante, mas também em Silver Donna e Silver Katharine e que mesmo quando é sintetizada em Jericho Road, insiste em professar que nele está a luz, o caminho, a verdade e a vida.

Brothers and Sisters of the Eternal Son é um compêndio de pequenas polaroides em preto e branco, um disco que condensa, em pouco mais de meia hora, sarcasmo feroz e melancolia, em doze canções que criam atmosferas quase transcendentais, com pitadas de psicadelismo, arranjos barrocos e espirituais, e por isso resultam em algo que garante sucessivas audições, por dias a fio. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Jurado - Brothers And Sisters Of The Eternal Son

01. Magic Number
02. Silver Timothy
03. Return To Maraqopa
04. Metallic Cloud
05. Jericho Road
06. Silver Donna
07. Silver Malcolm
08. Silver Katherine
09. Silver Joy
10. Suns In Our Mind

 


autor stipe07 às 20:53
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Fanno Creek – Monuments

Os Fanno Creek são Quinn Mulligan, Evan Hailstone e Dane Brist, um trio de Portland, no Oregon, que aposta numa sonoridade ligeira e tipicamente folk. Monuments é o disco de estreia deste grupo norte americano, um trabalho que viu a luz do dia em dezembro de 2013 por intermédio da Sohitek Records.

Monuments é uma coleção de doze canções feitas com uma folk muito inspirada e liderada, quase sempre, pelo belíssimo jogo de vozes entre Quinn e Evan, sem dúvida uma das mais valias dos Fanno Creek. O single On My Way é um dos grandes destaques deste trabalho, um tema que nos remete para o universo de uns Fleet Foxes, uma canção com uma belíssima harmonia repleta de elementos pop, com palmas no momento certo e as cordas, a percurssão, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição.

Outro tema que também chama facilmente a nossa atenção é How Long, não só devido ao falsete da voz, mas também por causa da vibração da guitarra e de um baixo proeminente, que criam uma atmosfera sonora que nos remete para a década de sessenta. Mas a minha canção favorita é Trilithon, um tema que começa com uma simples guitarra e que depois se vai alicerçando numa bateria em contínuo crescimento e numa voz harmoniosa que, juntamente com o violino, confere à canção um ambiente muito nostálgico e emotivo, enquanto a banda canta I’ve seen death, and I’ve seen love, but all that I am thinking of, is dollar bills that I don’t have, it’s comfort in your clenching hands. Este é um bom exemplo de como as histórias contidas neste álbum fazem-nos sentir tudo aquilo que os Fanno Creek têm para nos contar, sobre o amor, a felicidade, o companheirismo ou simples desabafos.

Depois, ao longo do disco, além da instrumentação de base já referida, os trompetes, os metais, o violoncelo e o violino e alguns elementos sintetizados criam arranjos que enriquecem imenso Monuments e o fazem fluir para territórios que irão certamente unir todos aqueles que tanto apreciam uma folk, algures entre Neil Young e os Lumineers

É interessante ouvir Mountains e perceber que os Fanno Creek não tiveram receio de arriscar e buscaram uma simbiose de detalhes raramente ouvida nas propostas atuais. É uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e da eletrónica assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos que criam paisagens sonoras bastante peculiares. A banda impressiona pela simplicidade e rusticidade e demonstram que não é preciso ser demasiado extravagante e ousado para soar musicalmente bem. Têm um som honesto e despido de grandiosidade e é exatamente isso que faz deste Monuments um ótimo disco.

Uma das iniciativas mais peculiares que a banda para promover monuments foi a realização de uma espécie de caça ao tesouro; Espalharam em nove monumentos e locais emblemáticos de Portland um pacote com um exemplar de Monuments e outro material promocional, para que, quem quisesse, os procurasse, havendo algumas pistas no site oficial dos Fanno Creek. Espero que aprecies a sugestão...

Fanno Creek - Monuments

01. Overture
02. On My Way
03. Trilithon
04. How Long
05. Page
06. Bones
07. Body, Brain
08. Dead Wrong
09. Break In
10. Green Stones
11. Dream Song
12. What Am I Thinking

 


autor stipe07 às 14:02
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Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014

Solander - Monochromatic Memories

Naturais de Malmö, na Suécia, os Solander são Fredrik Karlsson e Anja Linna e Monochromatic Memories é o ,mais recente disco da dupla, editado este mês de janeiro por intermédio da A Tenderversion Recording. A banda estreou-se nos discos em 2009 com We Are Pigeons e depois de uma extensa digressão no ano seguinte, chegou, no inverno de 2011, Passing Mt. Satu, o segundo disco dos Solander, que projetou ainda mais este projeto, que tem na típica indie folk nórdica a sua pedra de toque.

Monochromatic Memories é pois, o terceiro disco de dois amigos da faculdade que resolveram fazer música juntos e que têm vindo progressivamente e de forma natural a tornar-se numa referência importante do cenário musical alternativo sueco. No início do processo de idealização de Monochromatic Memories a banda tinha em mente buscar inspiração em ambientes alegres e luminosos.No entanto, Fredrik e Anja viram-se envolvidos por um intenso sentimento de perca devido a um evento certamente relacionado com a partida de alguém querido para ambos e, por isso, não conseguindo abstrair-se dessa nova realidade, acabaram por compôr um trabalho intensamente nostálgico e que terá servido para carpir a mágoa.

All Opportunities, o segundo tema do alinhamento de Monochromatic Memories, será talvez a canção que melhor espelha toda esta ambiência à volta da gestação do disco. Gravado em Estocolmo com o produtor Christian Gabel, o tema alicerça-se num sintetizador e num violoncelo tocado por Anja, onde se deita a voz de Karlsson, sobre uma núvem espessa de dor e amoção. O mesmo sentimento é facilmente percetível em Preludium, desta vez com diversos arranjos de cordas a acentuarem a delicadeza do quase falsete de Karlsson.

Monday Afternoon e Black Rug são dois exemplos perfeitos do cariz mais folk deste trabalho e de uma clara aproximação à típica sonoridade dos conterrâneos Junip, algo a que não será alheio o facto de os Solander serem muito admirados por José González, tendo inclusivamente andado em digressão com a banda desse músico sueco.

Todas as canções de Monochromatic Memories que se destacam por uma preponderância da folk, assentam em arranjos bem feitos e que prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação do dedilhar da viola e da bateria com o órgão e com sons do tal violoncelo. Em Hey Wolf essa cumplicade entre teclas e cordas assume contornos de excelência e gera uma melodia que, com a voz incrivelmente bonita de Karlsson a pairar delicadamente sobre ela, cria uma canção pop simples e muito elegante.

Já na reta final do disco, não posso deixar de destacar o charme da viola que se escuta em London Marbles e na canção homónima, mais dois exemplos perfeitos de como restam poucas dúvidas que a música dos Solander, apesar das vicissitudes que rodearam o processo de criação de Monochromatic Memories, é fortemente influenciada pelas paisagens simultaneamente espetaculares e melancólicas de uma Suécia que viveu séculos de isolamento e dificuldades e onde reside uma população com traços peculiares de caráter, bem expressos na cândura orgânica e introspetiva das suas canções.

Em suma, a música dos Solander é feita de uma indie predominantemente acústica, com forte vínculo à folk moderna, mas onde também cabem detalhes e arranjos eletrónicos, que têm tanto de delicado e etéreo como de grandioso. Encontramos aqui dois músicos competentes na forma como abarcam diferentes universos dentro de um mesmo cosmos, que misturam harmoniosamente estilos, mas sendo este um álbum pop, em toda a sua elegância e sofisticação. 

Não custa imaginar estas músicas a serem compostas em dias curtos e longas e frias noites, onde terá sido intensa e constante a procura de harmonias o mais doces e transparentes possíveis. Com tantas bandas e artistas a fazer atualmente a dita indie folk, é refrescante encontrar alguém que o faz de forma diferente e com músicas profundas e poderosamente bem escritas. Espero que aprecies a sugestão...

1. The Woods Are Gone
2. All Opportunities
3. Monday Afternoon
4. Preludium
5. Black Rug
6. Hey Wolf
7. Social Scene
8. London Marbles
9. Monochromatic Memories
10. Lighthouse


autor stipe07 às 21:57
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

You Can't Win Charlie Brown - Diffraction / Refraction (inclui entrevista)

Depois do sucesso alcançado em 2011 com Chromatic, o disco de estreia e a recriação ao vivo dos Velvet Underground, no final de 2012, o coletivo You Can't Win Charlie Brown regressou hoje, dia vinte de janeiro, aos lançamentos discográficos com Diffraction / Refraction, o segundo disco desta banda formada por Tomás Sousa (bateria) Afonso Cabral (voz, piano e guitarras), Salvador Menezes (voz, guitarra acústica e baixo), David Santos (voz, teclados, metalofones), Luís Costa (guitarra eléctrica) e João Gil (guitarra acústica e teclados). Diffraction / Refraction foi gravado, à semelhança do disco de estreia, nos estúdios da Pataca Discos, produzido pelos próprios You Can't Win Charlie Brown, misturado por Luís Nunes (Walter Benjamim) e masterizado por Rafael Toral. Confere..

Com tantas bandas e artistas a fazer atualmente lá fora a dita indie folk, é refrescante encontrar por cá alguém que o faz de forma diferente e com músicas profundas e poderosamente bem escritas. Diffraction / Refraction é um disco que logo, desde o início, não dá tempo para recuperar o fôlego. E tal não sucede por ser demasiado frenético; Até há momentos de pausa, contemplação, de sossego e de melancolia, esta muitas vezes quase absurda. Tal sofreguidão deve-se antes à consistência com que, música após música, somos confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas.

A belíssima canção que abre o trabalho chama-se After December e é já um dos singles retirados do álbum; Já reconhecida por cá como uma das canções maiores do ano, é feita de infecciosas harmonias vocais e uma melodia magistral. Fall For You segue noutra direção devido ao piano e à batida sintetizada e a forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que os Air adoravam ter incluido em Moon Safari, proporcionando ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto.

Pouco depois somos confrontados com o sentido quadro sonoro, feito de quatro minutos pintados com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que é Be My World (recomendo vivamente o video desta canção, realizado pelo baterista, Tomas Sousa, que, de acordo com o grupo serve para antecipar as múltiplas atmosferas que poderemos vislumbrar em Diffraction / Refraction) e ficamos então com a certeza que os You Can't Win Charlie Brown atingiram a excelência com este disco, onde nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e que sabem melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, como fica bem evidente no crescendo da canção, algo plasmado com igual evidência em Shout, uma canção um pouco sombria, mas simultâneamente festiva e com a voz incrivelmente bonita de Afonso a pairar delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante. Já agora, neste disco todos os elementos da banda cantam, mas é a voz do Afonso a que mais se escuta. Pelo meio, I Wanna Be Your Fog poderia ser usada como música padrão para definir a indie acústica bem feita. Mais para o fim, também fiquei impressionado com a percurssão de Natural Habitatpor ter uma sonoridade que contrasta, algo inesperada e com uma letra que, de acordo com a minha interpretação pessoal, fala de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo.

Diffraction / Refraction é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos You Can't Win Charlie Brown para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que eles combinam com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. No que diz respeito à escrita, uma espécie de fantasmagoria impregna a poesia das canções, por isso Diffraction / Refraction recordou-me também tempos idos, sonhos e aquelas pessoas especiais que não estão mais entre nós, mas que ficaram fotografadas por uma máquina em tudo semelhante à da capa na nossa memória.

Pessoalmente, os You Can't Win Charlie Brown, provocaram em mim um efeito devastador e senti este álbum como uma espécie de disco híbrido perfeito. Convido-te a conferires a entrevista que a banda me concedeu e espero que, tal como eu, também aprecies esta sugestão...

1 - After December
2 - Fall For You
3 - Post Summer Silence
4 - Be My World
5 - I Wanna Be Your Fog
6 - Shout
7 - Natural Habitat
8 - Heart
9 - From Her Soothing Mouth
10 - Under
11 - Won’t Be Harmed

Depois do sucesso alcançado em 2011 com Chromatic, o disco de estreia e a recriação ao vivo dos Velvet Underground, no final de 2012, regressam aos lançamentos com Diffraction / Refraction. Começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para este novo trabalho?

Luís Costa: Bom, as expectativas são mais ou menos sempre as mesmas… que as pessoas gostem e se identifiquem com as músicas, e idealmente que reconheçam alguma evolução em relação ao álbum anterior.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral de Diffraction / Refraction uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido, ainda mais quando parece que houve da vossa parte, pelo que já li, uma tentativa de soarem um pouco mais simples e diretos do que em Chromatic. No fundo, em termos de ambiente sonoro, que idealizaram para o álbum inicialmente? E o resultado final correspondeu ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

L.C. Houve uma tentativa consciente de tentar não “sufocar” as músicas com demasiados arranjos e deixá-las respirar, mas essa preocupação na verdade só surgiu mais perto do final do processo. Talvez o que tenha contribuído mais para os arranjos parecerem mais controlados em relação ao Chromatic, foi o facto de que já nos conhecemos melhor agora, sabemos qual o espaço que cada um ocupa musicalmente e por consequência as músicas já foram compostas e construídas com isso em mente. No 1º álbum ainda havia aquela urgência de querermos mostrar o que conseguíamos fazer, todos queríamos tocar tudo. Neste houve uma maturidade diferente e penso que isso se reflectiu numa melhor arrumação dos arranjos em cada tema.

 

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, quer orgânica, quer eletrónica, e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos e depois existe um processo de agregação?

L.C. O nosso processo de composição parte sempre de uma ideia base de alguém, a única coisa que varia é o grau de desenvolvimento dessa ideia quando é apresentada ao resto da banda. Nalguns casos podem ser só uns riffs que são depois trabalhados por todos, noutros a ideia já vem perfeitamente consolidada e os restantes só adicionam pormenores. No passado trabalhámos muito via internet, cada um gravava as suas partes em casa e depois enviava para os outros, mas neste álbum o processo foi muito mais presencial, o que na minha opinião também contribuiu para uma maior consistência das músicas.

Acho que até hoje ainda nunca compusemos uma música todos juntos no ensaio, mas já falámos que no próximo álbum gostaríamos de tentar isso, a ver vamos.

 

De acordo com vocês, o vídeo de Be My World serve para antecipar as múltiplas atmosferas que poderemos vislumbrar em Diffraction / Refraction, que foram concebidas, desenhadas e realizadas pelo baterista da banda, Tomás Sousa. Há aqui, neste novo trabalho, algo mais pensado do que apenas a simples composição musical, nomeadamente a ideia de editar algum tipo de animação em conjunto com a música, quer noutros singles deste trabalho, quer no futuro discográfico do grupo?

L.C. Não, não pensámos tão longe. O Tomás trabalha na área de design e quando estávamos a trocar ideias sobre o que poderia ser o vídeo, ele ofereceu-se para experimentar fazer o vídeo com animação em 3D. Acho que no fundo foi um desafio que ele se quis auto-impôr, e que felizmente para nós resultou muito bem com a música.

 

A apresentação de Diffraction / Refraction irá ocorrer no Centro Cultural de Belém a dezoito de janeiro. Há surpresas prensadas e preparadas? E o alinhamento do concerto vai também passear por Chromatic?

L.C. Acho que a surpresa é não haver grandes surpresas! Vamos simplesmente tentar os 6 recriar as músicas do Diffraction o melhor que conseguirmos, e também iremos revisitar algumas do Chromatic e do nosso primeiro EP.

 

Diffraction / Refraction foi produzido pela própria banda. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?

L.C. Surgiu com alguma naturalidade, porque quando partimos para estúdio já tínhamos uma ideia muito definida do que pretendíamos. A melhor maneira de conseguirmos isso era assumir as rédeas, não fazia sentido delegar essa tarefa.

 

Depois de ter apreciado imenso a extravagante capa de Chromatic, confesso que fiquei particularmente surpreso com a simplicidade do artwork de Diffraction / Refraction. Como surgiu a ideia e que câmara fotográfica é aquela?

L.C. O artwork é um trabalho conjunto de muita gente. Falámos com o Pedro Gaspar, que já tinha feito a capa do Chromatic, e demos-lhe bastante liberdade. Em conversa com o João Paulo Feliciano, eles lembraram-se de usar obras do Rui Toscano (artista que também partilha o espaço onde gravámos o disco).  O universo dele encaixava naquilo que nós sentiamos quando ouviamos o disco (e neste nós incluem-se o Pedro e o João Paulo). Fez nos tanto sentido que até foi a capa que inspirou o nome do disco.

 

Adoro a canção I Wanna Be Your Fog. Os You Can’t Win Charlie Brown têm um tema preferido em Diffraction / Refraction?

L.C. Acho que cada membro tem um tema preferido diferente, e mesmo esse provavelmente varia consoante os dias. A beleza deste álbum para mim é que tem uma variedade de ambientes bastante grande, portanto há uma música para cada estado de espírito. Neste momento a minha preferida é a Won’t be harmed, mas amanhã já pode ser uma diferente.

 

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

L.C. O Afonso viveu muito tempo no estrangeiro, portanto o Inglês é quase tão natural para ele quanto o Português. Penso que isso, aliado ao facto da maioria das suas influências serem bandas anglo-saxónicas, fez com que naturalmente escrevesse em Inglês. Foi algo que nunca sequer discutimos entre nós, pessoalmente é-me um bocadinho irrelevante a língua em que se canta, o que me interessa é o sentimento com que se canta. Por isso é que me consigo identificar com as músicas dos Sigur Rós, por exemplo, apesar de não fazer ideia do que estão a dizer.

 

Atualmente a Pataca Discos do João Paulo Feliciano é a casa de alguns dos nomes fundamentais do universo sonoro musical nacional. É importante para vocês pertencer a esta família que vai do jazz, ao fado, passando pela pop e pela eletrónica, ainda mais quando se prepara para abrir uma loja digital e estabelecer uma parceira com a PIAS?

L.C.: A Pataca tem sido a nossa casa desde praticamente o início, inevitavelmente acaba quase por se tornar como uma família, sim. Ainda por cima a maior parte dos artistas ligados à Pataca já conhecíamos de uma forma ou de outra, portanto fica tudo entre amigos.

O mais importante de pertencer à Pataca tem sido o termos acesso a condições de gravação excepcionais que noutras circunstâncias seria perfeitamente impossível, e acima de tudo termos a  liberdade de fazermos o que queremos musicalmente sem condicionantes, temos de agradecer ao João Paulo Feliciano pela confiança que sempre depositou em nós.

 

 

O que vos move é apenas o rock, a folk e a indie pop experimental ou gostariam ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos You Can’t Win Charlie Brown?

L.C. É bastante difícil de prever uma coisa dessas, porque todos ouvimos coisas muito diferentes e os gostos estão sempre a mudar. Arrisco dizer que não será um álbum de kuduro-progressivo, mas nunca se sabe… ;)

 

Quais são as três bandas atuais que mais admiram?

L.C.: Só 3? impossível! :) Mas posso-te dizer as últimas descobertas que fiz e que mais me impressionaram: os Torto, Three Trapped Tigers e a Chelsea Wolfe.

 

Não posso terminar esta entrevista sem vos questionar sobre outro assunto. Com que marcas ficou a banda da recriação do álbum clássico Velvet Underground & Nico? Como foi trabalhar para aquelas músicas e se de algum modo esse trabalho influenciou o conteúdo de Diffraction / Refraction?

L.C. Musicalmente não podemos dizer que nos tenha influenciado directamente, mas provavelmente acabou por influenciar no método de composição. Foi nas sessões de preparação para os Velvet que começámos a juntarmo-nos presencialmente para trabalhar numa ideia base que alguém trazia, e depois cada um ia inventando e gravando as suas partes na hora. Essa maneira de compor acabou por se transpôr para as sessões de pré-produção do Diffraction.


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

Tilbury – Northern Comfort

Os Tilbury são uma banda islandesa de Reykjavík formada pelo baterista Þormóður Dagsson (Skakkamange, Jeff Who?, Hudson Wayne) no verão de 2010. Inicialmente foi pensado como um projeto a solo intitulado Formadur Dagsbrunar, mas rapidamente projetou-se para uma banda quando a Dagsson se juntaram Kristinn Evertsson (sintetizadores e teclados), Örn Eldjárn (guitarra e voz), Magnús Trygvason Eliassen (bateria) e Guðmundur Óskar Guðmundsson (baixo). O disco de estreia chegou em maio de 2012; Chamava-se Exorcise, foi editado pela Record Records e divulgado por cá. Entretanto já há sucessor; O novo trabalho dos Tilbury intitula-se Modern Comfort e também viu a luz do dia por intermédio da Record Records.

Os Tilbury são uma espécie de super grupo já que aglomera intérpretes que fizeram uma carreira musical consistente noutros projetos importantes do panorama musical local. Um belo exemplo da típica simpatia nórdica, fizeram questão de me enviar o disco de estreia quando souberam da divulgação do mesmo no blogue e por isso havia uma elevada expetativa da minha parte em relação ao novo trabalho desta banda islandesa. De facto, a audição de Northern Comfort remete-nos de imediato para nomes tão fundamentais como, por exemplo, os Belle And Sebastian, até porque os próprios Tilbury confessaram ser uma banda de folk pop. Mas é importante não cair na fácil tentação de avaliar o álbum apenas através dessa bitola, já que  neste Northern Comfort, escuta-se, com alguma insistência, vários detalhes sonoros que nos remetem para uma pop ainda mais etérea, sonhadora e gratificante, da qual os Mercury Rev, por exemplo, são um dos expoentes máximos, mas onde também não faltam arranjos que plasmam uma faceta mais rock, o que faz com que este disco esteja cheio de verdadeiras pérolas sonoras!

À semelhança do disco de estreia, Northern Comfort explora diferentes géneros e novas avenidas musicais, sabe aqueles dias primaveris, feitos com um sol ainda algo tímido e que acorda após um longo inverno; É um álbum fascinante, oriundo de um país que, musicalmente, tem uma comunidade de artistas muito díspar, criativa e flexível, que raramente desilude e que merece toda a tua atenção. Espero que aprecies a sugestão...

Tilbury - Northern Comfort

01. Deliverance
02. Frozen
03. Hollow
04. Turbulence
05. Cool Confrontation
06. Northern Comfort
07. Animals
08. Shook Up
09. Great Expectations
10. Transmission

 


autor stipe07 às 19:09
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Quarta-feira, 8 de Janeiro de 2014

You Can't Win, Charlie Brown - After December

Já falta pouco para chegar às lojas aquele que é já, para mim, o melhor disco nacional de 2014. Da autoria dos lisboetas You Can't Win, Charlie Brown, chama-se Diffraction / Refraction, a data prevista de lançamento é a vinte de janeiro e tem sido escutado por cá, em casa e no carro, com uma insistência verdadeiramente viciante. Enquanto aguardo pela entrevista que enviei à banda através da Let's Start A Fire, acalmo por mais uns dias o meu enorme desejo de partilhar este disco com todos vocês, anunciando que do mesmo acaba de ser retirado um novo single.

O tema que abre Diffraction / Refraction intitula-se After December e chega-nos a poucos dias do lançamento deste segundo disco dos You Can't Win, Charlie Brown, com apresentação marcada para o Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, a 18 de janeiro. 

De acordo com o press release do lançamento, o vídeo, com argumento de Pedro Gonçalves e realização de We Are Plastic Too, ilustra a dicotomia presente na música do sexteto: entre o calmo e o frenético, o apaixonado e o amargurado, o novo e o velho, o acústico e o elétrico, o analógico e o digital.

Confere este lindíssimo tema dos You Can't Win, Charlie Brown e fica atento(a) a este extraordinário álbum.

Call up her number let her go and you'll know

Get your car, let her find you in another year or so

And if she crawls out of her heart, says "It couldn't be so"

Say "Love dies and my love is almost out of hope"


autor stipe07 às 19:45
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Sábado, 23 de Novembro de 2013

The Leg - Oozing a Crepuscular Light

Editado no passado dia onze de novembro pela escocesa Song, by Toad RecordsOozing a Crepuscular Light é o novo álbum dos The Leg, um disco com oito canções condensadas em pouco mais de vinte e três minutos, onde é-nos dada a oportunidade de recriar um verdadeiro ambiente festivo, algures entre o caos e uma pop delirante. Este é mais um trabalho que comprova que a Song, by Toad Records é uma das mais interessantes editoras independentes do cenário alternativo e com um cardápio disponível que vale bem a pena pesquisar.

Logo no início deste disco, em Dam Uncle Hit, ficamos com a perceção clara do que nos aguarda daí para a frente e Lion Licker aprofunda a evidência clara de que Oozing A Crepuscular Light é um registo sonoro curioso, assente num leque instrumental bastante diversificado, percetível na míriade de instrumentos que se escutam. Um piano algo desafinado e uma viola parecem ser o fio condutor central das canções, mas a componente instrumental não se cinge às variantes que estes dois brinquedos podem proporcionar, já que metais e sopros também são frequentemente audíveis e são imensos os detalhes sonoros que enriquecem o fluído desenrolar das canções.

Um dos temas mais curiosos deste disco é 25 hats, um inebriante devaneio feito com apenas com a distorção de uma guitarra e uma voz. Logo de seguida somos transportados para um saloon em pleno farwest com Chicken Slippers, um dos avanços deste álbum com direito ao formato single; A música é um pequeno delírio sonoro folk conduzido por um piano alucinante e aparentemente desafinado, uma bateria a condizer e uma voz com um forte sotaque, detalhes que dão à canção uma toada muito ligeira e divertida. O disco acaba por encerrar com Celebrating Love, uma espécie de medley que do punk, ao pop e à folk, congrega toda a pafernália que sustenta a música dos The Leg.

Desde potes e panelas a chocalharruídos de pássaros, arrulhos e trombones, ouve-se de tudo um pouco e recordei-me imediatamente das baladas empoeiradas com letras oblíquas dos Neutral Milk Hotel e do carnaval sonoro habitual nos Misophone. No entanto, o fio condutor parece-me ser o jazz e a folk tradicional inglesa. Oozing a Crepuscular Light oscila entre a introspecção lírica e algum sarcasmo petulante, mas, em última análise, o que mais conta é a intemporalidade das canções e a dificuldade em balizá-las num estilo. Espero que aprecies a sugestão...

 

“terrific, unhinged chamber-punk” – The Herald

“coruscating … refreshingly raucous” – The Skinny
“Wilfully obscure” “eternally brilliant” – The List
“leaves you wondering quite what just happened” – CMU
“sonic alchemists with pop magic dancing from their fingertips”– NME
“open your mind to the grandly calamitous” – Julian Cope
“[An Eagle to Saturn is] a staggeringly brilliant album” – The Scotsman

 

Side A
01. Dam Uncle Hit
02. Lionlicker
03. Don’t Bite a Dog
04. Oozing a Crepuscular Light
Side B
01. 25 Hats
02. Chicken Slippers
03. Quantum Suicide
04. Celebrating Love



autor stipe07 às 21:07
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Sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

Little Friend - We Will Destroy Each Other

Little Friend é um projecto que nasceu da mente de John Almeida, músico e escritor nascido em Londres, filho de pais portugueses. Durante algum tempo escreveu músicas que dariam origem aos Little Friend, uma espécie de alter ego e, simultaneamente, possível entidade colectiva, que abraçaria estas novas composições.
A partir de uma amizade com André Tentugal (We Trust) foi desenvolvida uma relação musical que acabaria por levar à gravação do disco de estreia de Little Friend, também com a ajuda de Alexandre Monteiro (The Weatherman). 
Esse álbum de estreia intitula-se We Will Destroy Each Other e nele podemos encontrar várias influências, desde a folk até ao pop. As melodias simples e subtis são complementadas por letras introspectivas, por vezes sombrias, e isto tudo resulta num ambiente intimista e intenso.
One Day, um dos singles retirados do disco, mostra que os Litle Friends também se aventuram por territórios que não têm a guitarra como fio condutor, e onde um surpreendente orgão cósmico dialoga com um baixo melancólico até chegar a uma paisagem que, sem fugir à sua melancolia habitual, se revela extremamente original.
André Tentúgal, cúmplice dos Little Friend desde os primeiros passos do grupo, assina uma curiosa colagem de imagens de arquivo, com uma invulgar cadência narrativa, realizando assim o excelente vídeo de One Day.
We  Will Destroy Each Other está disponível para download legal e gratuito na Optimus discos. Espero que aprecies a sugestão...
Black Sheep
Blood On My Hands
Eloise
One Day
Prince Of Wales Road
Sunken Low
Sedation
Fickled And Troubled
Hell To Pay

autor stipe07 às 16:26
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Sexta-feira, 8 de Novembro de 2013

Fossil Collective - Do You Realize (The Flaming Lips cover)

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Uma das grandes covers do momento é da autoria da dupla britânica Fossil Collective, a viver a euforia do lançamento do mais recente EP do projeto, intitulado The Water EP. Admiradores confessos dos norte americanos The Flaming Lips, em jeito de celebração resolveram oferecer gratuitamente a sua versão de Do You Realize?, um dos temas mais belos e intensos da banda de Wayne Coyne, que valeu aos The Flaming Lips um Grammy Award em 2000.

A letra intensa e verdadeiramente esclarecedora desta canção não resultará certamente, em termos de efeito hipnótico, se não for cantada por uma voz que realmente a sinta e que não vibre com os altos e maravilhosos sentimentos que ela transmite. Assim, além da vertente instrumental, onde a natureza rock psicotrópica da banda de Oklahoma foi substituida pelo habitual clima folk dos britânicos, pens que o grande mérito desta cover está exatamente na mesma capacidade que tem de tocar e de emocionar, num efeito quase tão amplo e profundo como consegue plasmar o original. E isso deve-se, sem dúvida, à belíssima voz de David Fendick, uma das melhores dentro do género.

Fica esta sugestão, mesmo a calhar para o fim de semana cinzento e outunal que se aproxima. Espero que a aprecies...

Do You Realize – that you have the most beautiful face?
Do You Realize – we’re floating in space?
Do You Realize – that happiness makes you cry?
Do You Realize – that everyone you know someday will die?


autor stipe07 às 12:40
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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013

Minta & The Brook Trout - Out Of Washington State EP


Foi editado na passada segunda feira, dia vinte e três de setembro, Out Õf Washington State, o novo EP do projeto Minta & The Brook Trout e que serve para comemorar o primeiro aniversário da edição de Olympia, o registo desta banda editado no final de verão de 2012 e que, por sinal, também marcou o início da parceria deste blogue com a Let's Start A Fire.

Out Of Washington State surgiu quando Francisca Cortesão e a Mariana Ricardo tocaram algumas das músicas de Olympia e outras músicas que inspiraram esse disco na sala do Pedro Magalhães (nas Maga Sessions), tendo assim nascido este EP.

Além dos tais temas de Olympia, revestidos com um formato ainda mais acústico, este pequena coleção de canções conta com versões de Mount Eerie, Mirah, Kimya Dawson e Beck, entre outros. De acordo com o press release promocional do EP que chegou à minha redação, Mais que um EP ou mini-álbum, Out Of Washington State é uma estação de serviço. Uma pausa para esticar as pernas a meio de um percurso ascendente, álbum após álbum.

A simplicidade e o bom gosto são dois bons adjetivos para caraterizar Out Of Washington State, já que à cândura original dos temas escolhidos, juntaram-se melodias e arranjos feitos apenas com as vozes, a guitarra e um ukelele. Francisca Cortesão e Mariana Ricardo atiraram-se a canções construídas no estado norte-americano cuja capital (Olympia) baptizou o disco de 2012.

Em suma, este EP é resultado de vários momentos criativos cheios de espontaneidade e posteriormente reaproveitados e sabe a uma certa inocência romântica, daquela boa porque consegue mexer com os nossos sentimentos mais profundos e sinceros. Espero que aprecies a sugestão...

Ficha Técnica 

1. you swan, go on. phil elverum. lost wisdom : mount eerie, julie doiron, fred squire

2. clever knot. brett lunsford. yeti no. 500 : d+

3. from the ground. francisca cortesão. olympia : minta & the brook trout

4. forcefield. beck. one foot in the grave : beck

5. person person. mirah yom tov zeitlyn. you think it's like this but really it's like this: mirah 

6. i like giants. kimya dawson. remember that i love you : kymia dawson 

7. and a one. mariana ricardo. across the way going : mariana ricardo 

Mariana Ricardo : voz, ukulele, guitarra

Francisca Cortesão : voz, guitarra, ukulele


autor stipe07 às 23:30
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Segunda-feira, 10 de Junho de 2013

The Baptist Generals - Jackleg Devotional to the Heart

Depois de em 2003 os The Baptist Generals terem editado No Silver/No Gold, o disco de estreia, pela Sub Pop, esta banda natural de Denton, no Texas, está de regresso com Jackleg Devotional to the Heart, álbum lançado no passado dia vinte e oito de maio, também por intermédio da Sub Pop Records e produzido por Stuart Sikes (Loretta Lynn, Cat Power, The Walkmen, Modest Mouse, The White Stripes) e Jason Reimer, membro da banda. Para quem aguardou estes dez anos pelo regresso dos The Baptist Generals este novo álbum é um grande acontecimento e que tem inclusivamente direito a audição gratuita no soundcloud da editora. Entretanto a banda vai entrar em digressão com os The Mountain Goats, tendo o vocalista desse grupo, John Darnielle, feito já elogios públicos ao conteúdo de Jackleg Devotional to the Heart.

E indo desde já ao que interessa, exatamente esse tal conteúdo do álbum, estamos na presença de uma coleção de doze canções que replicam algumas das sonridades mais típicas do indie rock norte americano. são canções feitas com o ímpeto, nem sempre controlado, das guitarras acústicas, um cardápio instrumental muito dominado pelas cordas. Da festiva Dog That Bit You, passando pela soturna Snow On The FM, é a pop e uma espécie de folk claustrufóbica e progressiva quem ditam as regras, sendo também de destacar a psicadélica Floating e os violinos que conduzem a belíssima Balada My O My.

A voz única e arrastada de Chris Flemmons, como se estivesse constantemente influenciado pelo deus baco, é uma das imagens de marca da sonoridade de Jackleg Devotional to the Heart e a sua escrita, geralmente relacionada com a temática do amor, prova que o autor vive um raro momento de inspiração já que as letras que apresenta são bastante poéticas, sensíveis e profundas. No entanto, há que realçar que Chris não escreve de forma convencional sobre o amor, nomeadamente, na visão que aparenta ter acerca do mesmo já que, quando a maioria gosta de cantar sobre o lado mais negro desse sentimento, ou seja, do sofrimento que muitas vezes amar acarreta, os The Baptist Generals optaram por musicar uma veia mais otimista e falar do amor como um verdadeiro estado de espírito, uma predisposição natural que nós temos dentro de nós, como organismos vivos que somos.

Esta vertente algo etérea, devocional e espiritual é um aspeto preponderante e significativo da música dos The Baptist Generals, como seria de esperar num grupo que encontra as suas raízes na América profunda e que muitas vezes tem dificuldade em se organizar como coletivo já que é Chris quem dita as regras do jogo, deixando pouca margem de manobra aos restantes elementos do grupo. Este domínio do vocalista e compositor acentuou-se desde que em 2007 o baterista Steven Hill, outro dos fundadores do projeto, abandonou o grupo. Espero que aprecies a sugestão...

01 Machine En Prolepsis
02 Dog That Bit You
03 Clitorpus Christi
04 Turnunders and Overpasses
05 Oblivion
06 3 Bromides
07 Broken Glass
08 Snow on the FM
09 Floating
10 My O My
11 Morning of My Life
12 Oblivion Overture


autor stipe07 às 22:10
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Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Sanders Bohlke – Ghost Boy

Sanders Bohlke é Natural de Oxford, no Massachussets, e Ghost Boy é o seu novo disco, editado no passado dia dezanove de fevereiro através da Communicating Vessels. Falo de um álbum escrito durante uma espécie de retiro que o músico fez num inverno recente nas frias montanhas da Virgínia e que espelha a evolução natural de um homem que começou por ser um simples cantor e escritor de canções, que tinha a guitarra acústica como principal amiga e confidente para, mantendo estes elementos, tornar-se num projeto a solo mais abrangente e imaginativo.

Ghost Boy abre com Pharaoh, uma canção que ao começar com um verso à capella que fala de crying eyes in the cemetery breeze, muito ao estilo de uns Fleet foxes, desde logo constrói uma soberba imagem de paz e tranquilidade dentro de nós. E esse tapete que se acomoda no nosso íntimo acaba por ser o poiso ideal para as vocalizações, a bateria, o baixo e a distorção elétrica da guitarra que Ghost Boy, o tema homónimo, contém, um tema que nos delicia com o piano e o baixo, que em conflito se abraçam numa melodia única, sendo sonoramente algo novo e refrescante no cardápio musical de Sanders. De seguida, em Lights Explode a viola e o piano criam uma atmosfera sonora contemplativa que fala da dor do arrependimento.

Mas o disco tem mais pérolas que vale a pena descobrir. The Loved Ones e Serious revisitam os momentos mais acústicos e ambientais da carreira de Sanders. Nesta toada menos elétrica sobressai a curiosa e religiosa An Unkindness of Ravens, um tema que usa uma bateria em crescendo e uma guitarra elétrica para falar da fúria de Deus e da forma emocional como ele range e chora quando lida com a a sua suposta criação e dela dispõe quando considera que não somos legítimos das maravilhas que Ele criou e vê-se forçado a fazer descer um manto de escuridão sobre a Terra. De seguida, em Across The Atlantic, o falsete de Sanders fala de uma viagem pelo oceano, na busca de paz e tranquilidade e pede ao mesmo Deus da canção anterior para que seja mais gentil, delicado e compreensivo.

Um outro tema que me marcou foi e também destaco é Atlas, uma canção que tem a particularidade de se sustentar em sintetizadores e teclados com efeito e que se prolongam em Serious. As cordas de Long Year falam da saudade de tempos passados, nomeadamente de quando o músico tinha dezoito anos e quer a letra quer a melodia tornam a música incrivelmente sombria e algo inquieta.

Ghost Boy termina com a descrição da mulher perfeita em My Baby, outro tema com belíssimos arranjos acústicos e com Death Is Like A Beating Drum, uma canção de amor que se destaca por incluir um banjo.

Ghost Boy requer tempo e merece uma audição atenta e dedicada já que é o resultado sonoro das experiências de vida de um compositor que tem lutado e ultrapassado vários obstáculos, até se tornar no músico experiente e maduro que este disco plasma, cheio de momentos complexos e etéreos e de exuberantes paisagens sonoras. Cada canção de Ghost Boy é uma espécie de extensão das memórias e das emoções de Bohlke. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pharaoh
02. Ghost Boy
03. Lights Explode
04. The Loved Ones
05. Atlas
06. Serious
07. An Unkindness Of Ravens
08. Across The Atlantic
09. Long Year
10. My Baby
11. Death Is Like A Beating Drum

 


autor stipe07 às 21:17
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Wild Belle - Isles

Os Wild Belle são Natalie Bergman e Elliot Bergman, dois irmãos de Chicago que têm no rock pasicadélico com travos folk, reggae e ska as suas principais influências. Isles, o disco de estreia, foi editado por intermédio da Columbia Records no passado dia onze de março.

Uma das particularidades de um disco que frequentemente me chama a atenção é a capa do mesmo. Tenho um interesse particular por perceber as escolhas das bandas e, antes de me debruçar naquilo que talvez mais interesse, que é o conteúdo, não resisto a divulgar a justificação do art work da capa de Isles. A pintura selecionada é um quadro que foi feito pela mãe dos músicos e uma homenagem à mesma, que faleceu recentemente.

Referências à tristeza e à dor que essa perca provocou nos Wild Belle seriam perfeitamente naturais e compreensíveis, tendo em conta essa perca física recente da figura maternal. No entanto, o clima proposto é exatamente o oposto. Isles é como que um arquipélago musical onde existem diferentes canções, sendo cada uma delas uma ilha particular, com um ambiente sonoro particular e onde a criatividade é transversal aos onze temas do disco.

Isles está estruturado no típico groove recheado de metais e ruma frequentemente até trilhos sonoros dominados pelo ska e outras influências que os dois irmãos agregam com mestria. A voz de Natalie carrega em si uma essência vocal que facilmente se associa a nomes como Lily Allen e Alex Winston e destaca-se particularmente em Keep You, It's Too Late e Backslider. Já Another Girl reacende um passado pelo qual Adele e Duffy poderiam fazer parte numa versão acústica.

Isles pode facilmente vir a ser uma boa referência futura para uma ampliação ainda mais vasta do reggae, que tem aqui os seus traços identitários bem identificados e ao mesmo tempo diluídos numa pop leve e que caberia muito bem na banda sonora de uma festa de verão junto ao mar, com tiques sonoros mais contemporâneos e refrescantes. Sobram referências culturais direcionadas a lugares como África, Jamaica e Hawai, bem notadas em canções como Twisted, June e Love Like This, que se destacam pelos arranjos simples e pela sonoridade típica desses locais, onde o reggae tem uma forte implementação.

Se teoricamente cada canção de Isles conta diferentes histórias, melodicamente Wild Belle assenta num leque de influências sonoras, muito bem distribuídas em cada um dos temas, o que confere uma notável homogeneidade e identidade ao disco.  Se realmente será uma realidade a tal transformação de Isles numa referência futura para quem queira vir a apostar nesta fusão sonora, ainda é um pouco cedo para o dizer com absoluta certeza; Seja como for, encontrar os típicos ambientes do verão que se aproxima, é algo muito possível nesta estreia dos Wild Belle. Espero que aprecies a sugestão...

Wild Belle - Isles

01. Keep You
02. It’s Too Late
03. Shine
04. Twisted
05. Backslider
06. Happy Home
07. Another Girl
08. Love Like This
09. When It’s Over
10. June
11. Take Me Away


autor stipe07 às 22:47
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Villagers – {Awayland}

Produzido por Tommy McLaughin, {Awayland} é o disco mais recente dos irlandeses Villagers de Conor O'Brien, uma banda que se notabilizou há dois anos com Becoming a Jackal, o trabalho de estreia, rodela que valeu a nomeação da banda para um Mercury Prize. {Awayland} chegou às lojas no passado dia catorze de janeiro, por intermédio da Domino Records.

{Awayland} era aguardado no universo indie folk com uma certa expetativa, porque a estreia, criativa e carregada com o típico sotaque irlandês, tinha colocado os Villagers na linha da frente, num país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Apesar do minimalismo de The Lighthouse, um tema simples feito quase só com a voz e a guitarra e que nos abre a porta do disco, ele não nos dá, desde logo, a exta noção do mesmo. Apenas a partir de Earthly Pleasure , o meu grande destaque deste álbum, é que se chega aos arranjos e a um trabalho de composição mais elaborado, um bom exemplo de consistência técnica, que estará na génese do restante alinhamento.

Daí para a frente, as cordas estão sempre muito presentes, como não podia deixar de ser, mas alguns detalhes da eletrónica, nomeadamente em Waves, aguçam sonoridades mais contemporâneas e alargam o panorama cénico e a ginástica linguística das canções para lá dos patamares folk em que se parecem desenhar as bases genéticas mais profundas da identidade dos protagonistas. Assim, {Awayland}, o sempre difícil segundo disco, dá um passo em frente e confirma que a folk, apesar da sua história, popularidade e raízes, que muitos puristas não gostam de ver quebradas, pode sempre atualizar-se e procurar novos caminhos, sem perder a sua génese.

Uma das particularidades dessa mesma folk é a constatação da forte relação de proximidade entre a melodia e as letras. Isso está patente, em {Awayland}, nos tais belos arranjos aliados a letras profundas, de forte teor sentimental, que nos remetem para Bob Dylan, Nick Drake e Grizzly Bear. Portanto, {Awayland} terá importância para ti dependendo do que considerares mais relevante no seu conteúdo e se procuras neste álbum folk a letra, a melodia, ou um feliz casamento entre ambos. Espero que aprecies a sugestão...

Villagers - {Awayland}

01. My Lighthouse
02. Earthly Pleasure
03. The Waves
04. Judgement Call
05. Nothing Arrived
06. The Bell
07. {Awayland}
08. Passing A Message
09. Grateful Song
10. In A Newfound Land You Are Free
11. Rhythm Composer


autor stipe07 às 14:44
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012

Andrew Bird - Hands Of Glory

Apelidado de mestre do assobio, multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird é um dos maiores cantautores da atualidade e coleciona já uma mão cheia de álbuns que são pedaços de música intemporais. Este músico americano nascido em Chicago tem tido um 2012 bastante intenso; No início do ano, em meados de março, divulguei o excelente Break It Yourself, mas o ano não termina sem termos mais um álbum, Hands Of Glory, lançado no passado dia 30 de outubro pelo selo Mom + Pop Records e que serve para complementar o conteúdo desse primeiro trabalho do ano.

Hands Of Glory tem apenas oito canções e demora pouco mais de meia hora, temas e tempo suficientes para que Andrew destile muito do que de melhor escreveu e compôs até aos dias de hoje. 

O disco começa com o baixo pulsante de Three White Horses, uma grande canção que poderia ter muito bem feito parte do alinhamento de Break It Yourself. A seguir senti aquele clima típico do velho oeste em When That Helicopter Comes e a deliciosa Spirograph, faz-nos viajar também no tempo, através das cordas que sustentam a música, sempre na medida certa, sem grandes exageros, como é habitual devido à mestria interpretativa de Andrew, um músico eminentemente folk, conhecido pela arte de tocar o violino, mas que sabe dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também gosta de incluir a sua própria voz. Essa voz firma-se cada vez mais como uma das marcas identitárias da sua arte. Ela sabe tocar no mais fundo de nós, como em Railroad Bill, mas também partilhar o destaque com outros executantes, como em If I Needed You, ou ainda ser introspetiva, sem recorrer ao sussurro, como na belíssima Something Biblical, uma das mais bonitas e sinceras canções de Hands Of Glory.

Mas o meu grande destaqe deste disco ficou quase para o fim; A penúltima canção, Orpheo, é uma versão alternativa da Orpheo Looks Back de Break It Yourself e se a original encontrava a sua beleza nos diversos momentos entre coro e cordas, esta nova música surge como um suspiro íntimo e pessoal que encontra o desabafo na figura mitológica do orfeu para expressar otimismo durante uma fase infernal da vida de alguém.

Em suma, a impressão que dá é que Break It Yourself foi preparado meticulosamente pela mente, enquanto Hands of Glory foi pensado com o coração. Mesmo o final com a longa e instrumental Beyond the Valley of the Three White Horses, é algo de muito emocional e sensível. Hands Of Glory não é uma súmula de oito canções que ficaram de fora de Break It Yourself, mas a melhor expressão da metade direita do cérebro de Andrew, agora plasmada na sua já notável discografia. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Three White Horses
02. When That Helicopter Comes
03. Spirograph
04. Railroad Bill
05. Something Biblical
06. If I Needed You
07. Orpheo
08. Beyond The Valley Of The Three White Horses


autor stipe07 às 13:10
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

Curtas... LIV

Os irlandeses Snow Patrol, liderados por Gary Lightbody, acabam de editar uma compilação simplesmente intitulada Snow Patrol. O álbum inclui canções retiradas dos dois primeiros álbuns da banda (Songs for Polarbears - 1998 e When It's All Over We Still Have to Clear Up - 2001) e foi lançado pela Jeepster Recordings Ltd, etiqueta que abrigou a banda no início da sua carreira.

Além disso, também consta do alinhamento duas gravações inéditas de 1998, a bela Santa Maria e Even Touching Dundee, que capta a opinião da banda sobre o atentado terrorista perpretado pelo IRA em Omagh, cidade da Irlanda do Norte, nesse ano. Confere...

Snow Patrol - Snow Patrol

01. An Olive Grove Facing The Sea
02. On/Off
03. Santa Maria
04. Mahogany
05. Velocity Girl
06. Limited Edition

07. One Night Is Not Enough
08. Even Touching Dundee
09. When It’s All Over We Still Have To Clear Up
10. Fifteen Minutes Old
11. The Last Shot Ringing In My Ears
12. Chased By…I Don’t Know What

 
 

Patrick Wolf anunciou no seu site oficial o sexto álbum de estúdio, Sundark & Riverlight. O registo contém novas versões, gravações e remisturas de  versões acústicas de alguns dos primeiros temas do músico.

Segundo o próprio Wolf, este projecto começou quando percebi que tinha chegado ao jubileu de dez anos como artista, já que o meu primeiro EP saiu quando tinha dezanove anos e neste tempo a minha voz cresceu comigo. Comecei a tocar só com um instrumento e a cantar sem microfones em clubes de folk, nas ruas e galerias, acrescenta Patrick sobre os primeiros tempos.

O álbum foi gravado nos estúdios Real World, de Peter Gabriel. Sobre o facto de se concentrar em versões acústicas, o músico declara que quis apresentar uma biografia musical no seu décimo aniversário.

Wolf também aponta como inspiração para o álbum o facto de ter decidido voltar a tocar harpa céltica, que o fez reviver o seu gosto por música medieval, minimalista e renascentista clássica. Confere...

Patrick Wolf - Sundark And Riverlight

CD 1
01. Wind In The Wires
02. Oblivion
03. The Libertine
04. Vulture
05. Hard Times
06. Bitten
07. Overture
08. Paris

CD 2
01. Together
02. The Magic Position
03. Bermondsey Street
04. Bluebells
05. Teignmouth
06. London
07. House
08. Wolf Song

MySpace
[mp3 256kbps] rg tb dm

 

Depois de no Curtas... LII ter divulgado a melancólica Marilyn das Bat for Lashes, eis que agora foi dada a conhecer All Your Gold, mais uma canção que fará parte de The Haunted Man, o terceiro trabalho do projeto comandado pela vocalista Natasha Khan e que será lançado no dia quinze de outubro. Confere...

Bat For Lashes - All Your Gold by Bat for Lashes

 

 

Sem perder um profunfo e vincado caráter pop, Mac DeMarco é um músico que faz da sonoridade caseira uma das suas imagens de marca. Exemplo nítido está em Freaking Out the Neighborhood, o mais recente single do artista canadiano e disponível para download gratuito. A canção destila acordes e solos de guitarra que remetem para os anos oitenta e prepara a chegada de um novo álbum do músico, com data prevista para dezasseis de outubro e que deverá manter a tonalidade festiva que ele constrói há imenso tempo.

Mac DeMarco // "Freaking Out The Neighborhood" by capturedtracks

 

Sam Ray apresenta-se como Ricky Eat Acid no contexto ambient. Por outro lado, Arrange é o nome de palco de Malcom Lacey, que já deu que falar em 2012 com New Memory e em 2011 com Plantation, dois discos que divulguei oportunamente.

Estes dois jovens americanos juntaram-se para gravar um álbum completo, que passou por algumas dificuldades de produção (leia-se avaria do computador de Sam), até que ambos decidiram lançar via bandcamp as quatro músicas que conseguiram efectivamente terminar, num EP intitulado Sketches.

Tanto as vozes como parte dos instrumentos e dos sintetizadores ficaram a cargo de Malcom. Sam contribuiu com o restante, nomeadamente guitarra, piano, bateria e também fotografia. A produção foi um esforço conjunto.

Estas quatro músicas convidam à reflexão, quer por causa da voz fantasmagórica de Sam, quer devido à percussão acutilante de Malcom. São perturbadoras, mas invocam também uma beleza etérea, bem retratada no artwork arte do álbum. Ponham os auscultadores e cliquem play, porque não se vão arrepender.

01. Champagne Life
02. P. S. L. W.
03. Brand New
04. Alumni 

ricky eat acid + arrange: sketches by arrange


autor stipe07 às 13:58
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

Battleme - Battleme

Battleme é o novo projeto de Matt Drenick, vocalista dos Lions e um músico de Austin, no Texas, com uma história de vida bastante peculiar; Diagnosticado com uveíte (uma doença dos olhos decorrente de uma inflamação da úvea), transformou essa contrariedade em música e em 2009, sob a alcunha de Battleme, resolveu compôr canções que agora compilou num disco homónimo produzido por Thomas Yurner (músico da dupla Ghostland Observatory) e lançado no final do passado mês de abril através da Trashy Moped Recordings.

Este músico começou a fazer furor quando algumas das suas canções apareceram na terceira temporada de uma série de televisão norte americana chamada Sons Of Anarchy, com destaque para uma cover de Hey Hey, My My (Into The Black) de Neil Young.

Battleme foi gravado num estúdio caseiro em Portland, no Oregon, para onde Matt se mudou em 2010 com o único propósito de fazer este disco. Depois de ter cerca de quarenta demos, fez alguma seleção e no fim ficou com um álbum de dez canções onde abundam sentimentos e facilmente se entende que serviram para exorcizar alguns dos demónios que há muito apoquentavam o autor.

Logo no início do disco apela à ação e a um efetivo cerrar de punhos, nomeadamente em Closer (It’s do or die and everybody knows it), uma canção onde um imperial falsete e uma bateria bem marcada constroem um verdadeiro e imenso hino indie rock. E além de pretender elevar a nossa auto estima, o músico também parece ter o desejo de apregoar a quem estiver disposto a ouvi-lo que somos os únicos donos do nosso destino e que ao irmos ao seu encontro, se o podermos fazer ao som do rock (Touch, Wait For Me), com pitadas de blues e até de uma folk acústica um pouco lo fi (Killer High e Trouble), então a caminhada será potencialmente ainda mais épica e intensa!

Battleme deverá, naqueles momentos em que estamos um pouco mais reticentes, servir como uma espécie de lembrete, para que possamos acreditar que, além de uma família, da saúde, do dinheiro e de uma carreira, a música também nos pode salvar ou, pelo menos, dar-nos vontade de descarregar alguma adrenalina e saltar até ao recinto de jogos ou ao ginásio mais próximo! Espero que aprecies a sugestão...

01. Touch
02. Closer
03. Wire
04. Killer High
05. Shoot The Noise Man
06. Woman I’m A Lost Cause
07. Tears In My Pile
08. Doin Time In My Head
09. Wait For Me
10. Trouble
11. Pocket Full Of Flies


autor stipe07 às 17:29
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Sábado, 4 de Agosto de 2012

Lawrence Arabia – The Sparrow

Lawrence Arabia é o pseudónimo de James Milne, um músico neozelandês que, não sendo conhecido mundialmente, tem colaborado com projetos e nomes tão distintos como Okkervil River e Feist. No que diz respeito ao seu projeto a solo, estreou-se em 2006 com um homónimo, ao que se seguiu, em 2009, Chant Darling. Agora, já em 2012, no passado dia dezasseis de julho, editou o terceiro disco, initulado The Sparrow, através da Bella Union.

Dos antípodas chegam-nos frequentemente várias propostas musicais que atravessam os mais variados géneros; Dos AC/DC à pop electrónica de uns Presets ou Cut Copy, ou do psicadelismo tribal de uns Ruby Suns às referências históricas que são Nick Cave ou os Dead Can Dance e Crowded House, ouve-se um pouco de tudo. No que diz respeito a este projeto de James Milne, ele encontra as suas raízes numa pop acústica com alguns laivos de folk, de índole mais clássica, ou seja, falamos de canções montadas a partir de uma guitarra acústica e com arranjos de cordas, onde se incluem majestosos violinos, que refletem uma sonoridade elaborada e bastante melódica.

Basta escutar canções como Lick Your Wounds ou o single Travelling Shoes para reconhecer esta pompa acústica e ao memso tempo carregada de luz, assim como uma preocupação bem latente de contar histórias, com se cada uma das nove músicas do disco fosse o reflexo de uma realidade musical vivenciada pelo músico.

Confesso não conhecer a discografia anterior do músico e por isso não posso comparar este álbum com os anteriores; No entanto, a audição de The Sparrow deixou-me bem clara a ideia que Lawrence Arabia ainda anda a ensaiar passos e a experimentar ideias, já que temos canções com tons mais noturnos e despojados e outras mais eufóricas e ritmicamente bastante marcadas.

The Sparrow é um disco que chama a atenção para um nome que pode valer a pena acompanhar de perto. Espero que aprecies a sugestão...

Lawrence Arabia - The Sparrow

01. Travelling Shoes
02. Lick Your Wounds
03. The Listening Ties
04. Bicycle Riding
05. The 03
06. Early Kneecappings
07. The Bisexual
08. Dessau Rag
09. Legends


autor stipe07 às 18:00
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2012

Nathan Westwood – Piano Bed

 Nathan Westwood

Nathan Westwood é o nome artístico de Eric Rottmayer, um músico natural de Columbus, nos Estados Unidos. Já em 2012 lançou Piano Bed, o seu segundo álbum de originais, disponível para download gratuíto no bandcamp do músico.

Sit In My Skin é o single de apresentação deste disco gravado num estúdio caseiro, produzido pelo próprio autor e que contém, em trinta minutos, alguma da melhor pop folk acústica que ouvi recentemente. Espero que aprecies a sugestão...

Nathan Westwood - Piano Bed

01. Piano Bed
02. Sit In My Skin
03. This Time
04. Brand New
05. Ship Vs. Sea
06. Homecoming King
07. It’s Your Time, Now
08. It Doesn’t Matter At All
09. Beautiful Dream
10. The Lung

Sit In My Skin by Nathan Westwood


autor stipe07 às 20:40
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012

Glen Hansard – Rhythm And Repose

O irlandês Glen Hansard é um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá, devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde faz parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar. Depois desse sucesso, a mesma entrou em pousio e cada um trilhou o seu caminho a solo; Marketá lançou Anar e agora foi a vez de Glen fazer o mesmo, um álbum intitulado Rhythm And Repose.

Glen e Marketá sempre se serviram da melancolia na dupla Swell Season, mas uma audição atenta percebia que a personalidade de ambos, um pouco distinta, ficava plasmada na forma como colocavam a voz; Enquanto Marketá era contida, Glen mostrava-se sempre mais expansivo, algo bem patente neste disco a solo, onde a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras permanece bem audível. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country e o apoio de outros instrumentos, criam um disco intimista onde se ouve um emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.

Às vezes sente-se falta da voz de Marketá e talvez Glen pudesse também ter seguido um pouco mais em frente e não se conformar apenas ao ambiente sonoro dos The Swell Season, como principal fonte de inspiração deste Rhythm And Repose. No entanto, estamos perante um disco obrigatório para quem é fã do músico e da sua obra. Espero que aprecies a sugestão...

01. You Will Become
02. Maybe Not Tonight
03. Talking With The Wolves
04. High Hope
05. Bird Of Sorrow
06. The Storm, It’s Coming
07. Love Don’t Leave Me Waiting
08. What Are We Gonna Do
09. Races
10. Philander
11. Song Of Good Hope


autor stipe07 às 13:21
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