Quinta-feira, 23 de Maio de 2013

Sanders Bohlke – Ghost Boy

Sanders Bohlke é Natural de Oxford, no Massachussets, e Ghost Boy é o seu novo disco, editado no passado dia dezanove de fevereiro através da Communicating Vessels. Falo de um álbum escrito durante uma espécie de retiro que o músico fez num inverno recente nas frias montanhas da Virgínia e que espelha a evolução natural de um homem que começou por ser um simples cantor e escritor de canções, que tinha a guitarra acústica como principal amiga e confidente para, mantendo estes elementos, tornar-se num projeto a solo mais abrangente e imaginativo.

Ghost Boy abre com Pharaoh, uma canção que ao começar com um verso à capella que fala de crying eyes in the cemetery breeze, muito ao estilo de uns Fleet foxes, desde logo constrói uma soberba imagem de paz e tranquilidade dentro de nós. E esse tapete que se acomoda no nosso íntimo acaba por ser o poiso ideal para as vocalizações, a bateria, o baixo e a distorção elétrica da guitarra que Ghost Boy, o tema homónimo, contém, um tema que nos delicia com o piano e o baixo, que em conflito se abraçam numa melodia única, sendo sonoramente algo novo e refrescante no cardápio musical de Sanders. De seguida, em Lights Explode a viola e o piano criam uma atmosfera sonora contemplativa que fala da dor do arrependimento.

Mas o disco tem mais pérolas que vale a pena descobrir. The Loved Ones e Serious revisitam os momentos mais acústicos e ambientais da carreira de Sanders. Nesta toada menos elétrica sobressai a curiosa e religiosa An Unkindness of Ravens, um tema que usa uma bateria em crescendo e uma guitarra elétrica para falar da fúria de Deus e da forma emocional como ele range e chora quando lida com a a sua suposta criação e dela dispõe quando considera que não somos legítimos das maravilhas que Ele criou e vê-se forçado a fazer descer um manto de escuridão sobre a Terra. De seguida, em Across The Atlantic, o falsete de Sanders fala de uma viagem pelo oceano, na busca de paz e tranquilidade e pede ao mesmo Deus da canção anterior para que seja mais gentil, delicado e compreensivo.

Um outro tema que me marcou foi e também destaco é Atlas, uma canção que tem a particularidade de se sustentar em sintetizadores e teclados com efeito e que se prolongam em Serious. As cordas de Long Year falam da saudade de tempos passados, nomeadamente de quando o músico tinha dezoito anos e quer a letra quer a melodia tornam a música incrivelmente sombria e algo inquieta.

Ghost Boy termina com a descrição da mulher perfeita em My Baby, outro tema com belíssimos arranjos acústicos e com Death Is Like A Beating Drum, uma canção de amor que se destaca por incluir um banjo.

Ghost Boy requer tempo e merece uma audição atenta e dedicada já que é o resultado sonoro das experiências de vida de um compositor que tem lutado e ultrapassado vários obstáculos, até se tornar no músico experiente e maduro que este disco plasma, cheio de momentos complexos e etéreos e de exuberantes paisagens sonoras. Cada canção de Ghost Boy é uma espécie de extensão das memórias e das emoções de Bohlke. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pharaoh
02. Ghost Boy
03. Lights Explode
04. The Loved Ones
05. Atlas
06. Serious
07. An Unkindness Of Ravens
08. Across The Atlantic
09. Long Year
10. My Baby
11. Death Is Like A Beating Drum

 


autor stipe07 às 21:17
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Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Wild Belle - Isles

Os Wild Belle são Natalie Bergman e Elliot Bergman, dois irmãos de Chicago que têm no rock pasicadélico com travos folk, reggae e ska as suas principais influências. Isles, o disco de estreia, foi editado por intermédio da Columbia Records no passado dia onze de março.

Uma das particularidades de um disco que frequentemente me chama a atenção é a capa do mesmo. Tenho um interesse particular por perceber as escolhas das bandas e, antes de me debruçar naquilo que talvez mais interesse, que é o conteúdo, não resisto a divulgar a justificação do art work da capa de Isles. A pintura selecionada é um quadro que foi feito pela mãe dos músicos e uma homenagem à mesma, que faleceu recentemente.

Referências à tristeza e à dor que essa perca provocou nos Wild Belle seriam perfeitamente naturais e compreensíveis, tendo em conta essa perca física recente da figura maternal. No entanto, o clima proposto é exatamente o oposto. Isles é como que um arquipélago musical onde existem diferentes canções, sendo cada uma delas uma ilha particular, com um ambiente sonoro particular e onde a criatividade é transversal aos onze temas do disco.

Isles está estruturado no típico groove recheado de metais e ruma frequentemente até trilhos sonoros dominados pelo ska e outras influências que os dois irmãos agregam com mestria. A voz de Natalie carrega em si uma essência vocal que facilmente se associa a nomes como Lily Allen e Alex Winston e destaca-se particularmente em Keep You, It's Too Late e Backslider. Já Another Girl reacende um passado pelo qual Adele e Duffy poderiam fazer parte numa versão acústica.

Isles pode facilmente vir a ser uma boa referência futura para uma ampliação ainda mais vasta do reggae, que tem aqui os seus traços identitários bem identificados e ao mesmo tempo diluídos numa pop leve e que caberia muito bem na banda sonora de uma festa de verão junto ao mar, com tiques sonoros mais contemporâneos e refrescantes. Sobram referências culturais direcionadas a lugares como África, Jamaica e Hawai, bem notadas em canções como Twisted, June e Love Like This, que se destacam pelos arranjos simples e pela sonoridade típica desses locais, onde o reggae tem uma forte implementação.

Se teoricamente cada canção de Isles conta diferentes histórias, melodicamente Wild Belle assenta num leque de influências sonoras, muito bem distribuídas em cada um dos temas, o que confere uma notável homogeneidade e identidade ao disco.  Se realmente será uma realidade a tal transformação de Isles numa referência futura para quem queira vir a apostar nesta fusão sonora, ainda é um pouco cedo para o dizer com absoluta certeza; Seja como for, encontrar os típicos ambientes do verão que se aproxima, é algo muito possível nesta estreia dos Wild Belle. Espero que aprecies a sugestão...

Wild Belle - Isles

01. Keep You
02. It’s Too Late
03. Shine
04. Twisted
05. Backslider
06. Happy Home
07. Another Girl
08. Love Like This
09. When It’s Over
10. June
11. Take Me Away


autor stipe07 às 22:47
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Villagers – {Awayland}

Produzido por Tommy McLaughin, {Awayland} é o disco mais recente dos irlandeses Villagers de Conor O'Brien, uma banda que se notabilizou há dois anos com Becoming a Jackal, o trabalho de estreia, rodela que valeu a nomeação da banda para um Mercury Prize. {Awayland} chegou às lojas no passado dia catorze de janeiro, por intermédio da Domino Records.

{Awayland} era aguardado no universo indie folk com uma certa expetativa, porque a estreia, criativa e carregada com o típico sotaque irlandês, tinha colocado os Villagers na linha da frente, num país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Apesar do minimalismo de The Lighthouse, um tema simples feito quase só com a voz e a guitarra e que nos abre a porta do disco, ele não nos dá, desde logo, a exta noção do mesmo. Apenas a partir de Earthly Pleasure , o meu grande destaque deste álbum, é que se chega aos arranjos e a um trabalho de composição mais elaborado, um bom exemplo de consistência técnica, que estará na génese do restante alinhamento.

Daí para a frente, as cordas estão sempre muito presentes, como não podia deixar de ser, mas alguns detalhes da eletrónica, nomeadamente em Waves, aguçam sonoridades mais contemporâneas e alargam o panorama cénico e a ginástica linguística das canções para lá dos patamares folk em que se parecem desenhar as bases genéticas mais profundas da identidade dos protagonistas. Assim, {Awayland}, o sempre difícil segundo disco, dá um passo em frente e confirma que a folk, apesar da sua história, popularidade e raízes, que muitos puristas não gostam de ver quebradas, pode sempre atualizar-se e procurar novos caminhos, sem perder a sua génese.

Uma das particularidades dessa mesma folk é a constatação da forte relação de proximidade entre a melodia e as letras. Isso está patente, em {Awayland}, nos tais belos arranjos aliados a letras profundas, de forte teor sentimental, que nos remetem para Bob Dylan, Nick Drake e Grizzly Bear. Portanto, {Awayland} terá importância para ti dependendo do que considerares mais relevante no seu conteúdo e se procuras neste álbum folk a letra, a melodia, ou um feliz casamento entre ambos. Espero que aprecies a sugestão...

Villagers - {Awayland}

01. My Lighthouse
02. Earthly Pleasure
03. The Waves
04. Judgement Call
05. Nothing Arrived
06. The Bell
07. {Awayland}
08. Passing A Message
09. Grateful Song
10. In A Newfound Land You Are Free
11. Rhythm Composer


autor stipe07 às 14:44
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Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012

Andrew Bird - Hands Of Glory

Apelidado de mestre do assobio, multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird é um dos maiores cantautores da atualidade e coleciona já uma mão cheia de álbuns que são pedaços de música intemporais. Este músico americano nascido em Chicago tem tido um 2012 bastante intenso; No início do ano, em meados de março, divulguei o excelente Break It Yourself, mas o ano não termina sem termos mais um álbum, Hands Of Glory, lançado no passado dia 30 de outubro pelo selo Mom + Pop Records e que serve para complementar o conteúdo desse primeiro trabalho do ano.

Hands Of Glory tem apenas oito canções e demora pouco mais de meia hora, temas e tempo suficientes para que Andrew destile muito do que de melhor escreveu e compôs até aos dias de hoje. 

O disco começa com o baixo pulsante de Three White Horses, uma grande canção que poderia ter muito bem feito parte do alinhamento de Break It Yourself. A seguir senti aquele clima típico do velho oeste em When That Helicopter Comes e a deliciosa Spirograph, faz-nos viajar também no tempo, através das cordas que sustentam a música, sempre na medida certa, sem grandes exageros, como é habitual devido à mestria interpretativa de Andrew, um músico eminentemente folk, conhecido pela arte de tocar o violino, mas que sabe dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também gosta de incluir a sua própria voz. Essa voz firma-se cada vez mais como uma das marcas identitárias da sua arte. Ela sabe tocar no mais fundo de nós, como em Railroad Bill, mas também partilhar o destaque com outros executantes, como em If I Needed You, ou ainda ser introspetiva, sem recorrer ao sussurro, como na belíssima Something Biblical, uma das mais bonitas e sinceras canções de Hands Of Glory.

Mas o meu grande destaqe deste disco ficou quase para o fim; A penúltima canção, Orpheo, é uma versão alternativa da Orpheo Looks Back de Break It Yourself e se a original encontrava a sua beleza nos diversos momentos entre coro e cordas, esta nova música surge como um suspiro íntimo e pessoal que encontra o desabafo na figura mitológica do orfeu para expressar otimismo durante uma fase infernal da vida de alguém.

Em suma, a impressão que dá é que Break It Yourself foi preparado meticulosamente pela mente, enquanto Hands of Glory foi pensado com o coração. Mesmo o final com a longa e instrumental Beyond the Valley of the Three White Horses, é algo de muito emocional e sensível. Hands Of Glory não é uma súmula de oito canções que ficaram de fora de Break It Yourself, mas a melhor expressão da metade direita do cérebro de Andrew, agora plasmada na sua já notável discografia. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Three White Horses
02. When That Helicopter Comes
03. Spirograph
04. Railroad Bill
05. Something Biblical
06. If I Needed You
07. Orpheo
08. Beyond The Valley Of The Three White Horses


autor stipe07 às 13:10
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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

Curtas... LIV

Os irlandeses Snow Patrol, liderados por Gary Lightbody, acabam de editar uma compilação simplesmente intitulada Snow Patrol. O álbum inclui canções retiradas dos dois primeiros álbuns da banda (Songs for Polarbears - 1998 e When It's All Over We Still Have to Clear Up - 2001) e foi lançado pela Jeepster Recordings Ltd, etiqueta que abrigou a banda no início da sua carreira.

Além disso, também consta do alinhamento duas gravações inéditas de 1998, a bela Santa Maria e Even Touching Dundee, que capta a opinião da banda sobre o atentado terrorista perpretado pelo IRA em Omagh, cidade da Irlanda do Norte, nesse ano. Confere...

Snow Patrol - Snow Patrol

01. An Olive Grove Facing The Sea
02. On/Off
03. Santa Maria
04. Mahogany
05. Velocity Girl
06. Limited Edition

07. One Night Is Not Enough
08. Even Touching Dundee
09. When It’s All Over We Still Have To Clear Up
10. Fifteen Minutes Old
11. The Last Shot Ringing In My Ears
12. Chased By…I Don’t Know What

 
 

Patrick Wolf anunciou no seu site oficial o sexto álbum de estúdio, Sundark & Riverlight. O registo contém novas versões, gravações e remisturas de  versões acústicas de alguns dos primeiros temas do músico.

Segundo o próprio Wolf, este projecto começou quando percebi que tinha chegado ao jubileu de dez anos como artista, já que o meu primeiro EP saiu quando tinha dezanove anos e neste tempo a minha voz cresceu comigo. Comecei a tocar só com um instrumento e a cantar sem microfones em clubes de folk, nas ruas e galerias, acrescenta Patrick sobre os primeiros tempos.

O álbum foi gravado nos estúdios Real World, de Peter Gabriel. Sobre o facto de se concentrar em versões acústicas, o músico declara que quis apresentar uma biografia musical no seu décimo aniversário.

Wolf também aponta como inspiração para o álbum o facto de ter decidido voltar a tocar harpa céltica, que o fez reviver o seu gosto por música medieval, minimalista e renascentista clássica. Confere...

Patrick Wolf - Sundark And Riverlight

CD 1
01. Wind In The Wires
02. Oblivion
03. The Libertine
04. Vulture
05. Hard Times
06. Bitten
07. Overture
08. Paris

CD 2
01. Together
02. The Magic Position
03. Bermondsey Street
04. Bluebells
05. Teignmouth
06. London
07. House
08. Wolf Song

MySpace
[mp3 256kbps] rg tb dm

 

Depois de no Curtas... LII ter divulgado a melancólica Marilyn das Bat for Lashes, eis que agora foi dada a conhecer All Your Gold, mais uma canção que fará parte de The Haunted Man, o terceiro trabalho do projeto comandado pela vocalista Natasha Khan e que será lançado no dia quinze de outubro. Confere...

Bat For Lashes - All Your Gold by Bat for Lashes

 

 

Sem perder um profunfo e vincado caráter pop, Mac DeMarco é um músico que faz da sonoridade caseira uma das suas imagens de marca. Exemplo nítido está em Freaking Out the Neighborhood, o mais recente single do artista canadiano e disponível para download gratuito. A canção destila acordes e solos de guitarra que remetem para os anos oitenta e prepara a chegada de um novo álbum do músico, com data prevista para dezasseis de outubro e que deverá manter a tonalidade festiva que ele constrói há imenso tempo.

Mac DeMarco // "Freaking Out The Neighborhood" by capturedtracks

 

Sam Ray apresenta-se como Ricky Eat Acid no contexto ambient. Por outro lado, Arrange é o nome de palco de Malcom Lacey, que já deu que falar em 2012 com New Memory e em 2011 com Plantation, dois discos que divulguei oportunamente.

Estes dois jovens americanos juntaram-se para gravar um álbum completo, que passou por algumas dificuldades de produção (leia-se avaria do computador de Sam), até que ambos decidiram lançar via bandcamp as quatro músicas que conseguiram efectivamente terminar, num EP intitulado Sketches.

Tanto as vozes como parte dos instrumentos e dos sintetizadores ficaram a cargo de Malcom. Sam contribuiu com o restante, nomeadamente guitarra, piano, bateria e também fotografia. A produção foi um esforço conjunto.

Estas quatro músicas convidam à reflexão, quer por causa da voz fantasmagórica de Sam, quer devido à percussão acutilante de Malcom. São perturbadoras, mas invocam também uma beleza etérea, bem retratada no artwork arte do álbum. Ponham os auscultadores e cliquem play, porque não se vão arrepender.

01. Champagne Life
02. P. S. L. W.
03. Brand New
04. Alumni 

ricky eat acid + arrange: sketches by arrange


autor stipe07 às 13:58
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

Battleme - Battleme

Battleme é o novo projeto de Matt Drenick, vocalista dos Lions e um músico de Austin, no Texas, com uma história de vida bastante peculiar; Diagnosticado com uveíte (uma doença dos olhos decorrente de uma inflamação da úvea), transformou essa contrariedade em música e em 2009, sob a alcunha de Battleme, resolveu compôr canções que agora compilou num disco homónimo produzido por Thomas Yurner (músico da dupla Ghostland Observatory) e lançado no final do passado mês de abril através da Trashy Moped Recordings.

Este músico começou a fazer furor quando algumas das suas canções apareceram na terceira temporada de uma série de televisão norte americana chamada Sons Of Anarchy, com destaque para uma cover de Hey Hey, My My (Into The Black) de Neil Young.

Battleme foi gravado num estúdio caseiro em Portland, no Oregon, para onde Matt se mudou em 2010 com o único propósito de fazer este disco. Depois de ter cerca de quarenta demos, fez alguma seleção e no fim ficou com um álbum de dez canções onde abundam sentimentos e facilmente se entende que serviram para exorcizar alguns dos demónios que há muito apoquentavam o autor.

Logo no início do disco apela à ação e a um efetivo cerrar de punhos, nomeadamente em Closer (It’s do or die and everybody knows it), uma canção onde um imperial falsete e uma bateria bem marcada constroem um verdadeiro e imenso hino indie rock. E além de pretender elevar a nossa auto estima, o músico também parece ter o desejo de apregoar a quem estiver disposto a ouvi-lo que somos os únicos donos do nosso destino e que ao irmos ao seu encontro, se o podermos fazer ao som do rock (Touch, Wait For Me), com pitadas de blues e até de uma folk acústica um pouco lo fi (Killer High e Trouble), então a caminhada será potencialmente ainda mais épica e intensa!

Battleme deverá, naqueles momentos em que estamos um pouco mais reticentes, servir como uma espécie de lembrete, para que possamos acreditar que, além de uma família, da saúde, do dinheiro e de uma carreira, a música também nos pode salvar ou, pelo menos, dar-nos vontade de descarregar alguma adrenalina e saltar até ao recinto de jogos ou ao ginásio mais próximo! Espero que aprecies a sugestão...

01. Touch
02. Closer
03. Wire
04. Killer High
05. Shoot The Noise Man
06. Woman I’m A Lost Cause
07. Tears In My Pile
08. Doin Time In My Head
09. Wait For Me
10. Trouble
11. Pocket Full Of Flies


autor stipe07 às 17:29
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Sábado, 4 de Agosto de 2012

Lawrence Arabia – The Sparrow

Lawrence Arabia é o pseudónimo de James Milne, um músico neozelandês que, não sendo conhecido mundialmente, tem colaborado com projetos e nomes tão distintos como Okkervil River e Feist. No que diz respeito ao seu projeto a solo, estreou-se em 2006 com um homónimo, ao que se seguiu, em 2009, Chant Darling. Agora, já em 2012, no passado dia dezasseis de julho, editou o terceiro disco, initulado The Sparrow, através da Bella Union.

Dos antípodas chegam-nos frequentemente várias propostas musicais que atravessam os mais variados géneros; Dos AC/DC à pop electrónica de uns Presets ou Cut Copy, ou do psicadelismo tribal de uns Ruby Suns às referências históricas que são Nick Cave ou os Dead Can Dance e Crowded House, ouve-se um pouco de tudo. No que diz respeito a este projeto de James Milne, ele encontra as suas raízes numa pop acústica com alguns laivos de folk, de índole mais clássica, ou seja, falamos de canções montadas a partir de uma guitarra acústica e com arranjos de cordas, onde se incluem majestosos violinos, que refletem uma sonoridade elaborada e bastante melódica.

Basta escutar canções como Lick Your Wounds ou o single Travelling Shoes para reconhecer esta pompa acústica e ao memso tempo carregada de luz, assim como uma preocupação bem latente de contar histórias, com se cada uma das nove músicas do disco fosse o reflexo de uma realidade musical vivenciada pelo músico.

Confesso não conhecer a discografia anterior do músico e por isso não posso comparar este álbum com os anteriores; No entanto, a audição de The Sparrow deixou-me bem clara a ideia que Lawrence Arabia ainda anda a ensaiar passos e a experimentar ideias, já que temos canções com tons mais noturnos e despojados e outras mais eufóricas e ritmicamente bastante marcadas.

The Sparrow é um disco que chama a atenção para um nome que pode valer a pena acompanhar de perto. Espero que aprecies a sugestão...

Lawrence Arabia - The Sparrow

01. Travelling Shoes
02. Lick Your Wounds
03. The Listening Ties
04. Bicycle Riding
05. The 03
06. Early Kneecappings
07. The Bisexual
08. Dessau Rag
09. Legends


autor stipe07 às 18:00
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2012

Nathan Westwood – Piano Bed

 Nathan Westwood

Nathan Westwood é o nome artístico de Eric Rottmayer, um músico natural de Columbus, nos Estados Unidos. Já em 2012 lançou Piano Bed, o seu segundo álbum de originais, disponível para download gratuíto no bandcamp do músico.

Sit In My Skin é o single de apresentação deste disco gravado num estúdio caseiro, produzido pelo próprio autor e que contém, em trinta minutos, alguma da melhor pop folk acústica que ouvi recentemente. Espero que aprecies a sugestão...

Nathan Westwood - Piano Bed

01. Piano Bed
02. Sit In My Skin
03. This Time
04. Brand New
05. Ship Vs. Sea
06. Homecoming King
07. It’s Your Time, Now
08. It Doesn’t Matter At All
09. Beautiful Dream
10. The Lung

Sit In My Skin by Nathan Westwood


autor stipe07 às 20:40
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012

Glen Hansard – Rhythm And Repose

O irlandês Glen Hansard é um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá, devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde faz parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar. Depois desse sucesso, a mesma entrou em pousio e cada um trilhou o seu caminho a solo; Marketá lançou Anar e agora foi a vez de Glen fazer o mesmo, um álbum intitulado Rhythm And Repose.

Glen e Marketá sempre se serviram da melancolia na dupla Swell Season, mas uma audição atenta percebia que a personalidade de ambos, um pouco distinta, ficava plasmada na forma como colocavam a voz; Enquanto Marketá era contida, Glen mostrava-se sempre mais expansivo, algo bem patente neste disco a solo, onde a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras permanece bem audível. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country e o apoio de outros instrumentos, criam um disco intimista onde se ouve um emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.

Às vezes sente-se falta da voz de Marketá e talvez Glen pudesse também ter seguido um pouco mais em frente e não se conformar apenas ao ambiente sonoro dos The Swell Season, como principal fonte de inspiração deste Rhythm And Repose. No entanto, estamos perante um disco obrigatório para quem é fã do músico e da sua obra. Espero que aprecies a sugestão...

01. You Will Become
02. Maybe Not Tonight
03. Talking With The Wolves
04. High Hope
05. Bird Of Sorrow
06. The Storm, It’s Coming
07. Love Don’t Leave Me Waiting
08. What Are We Gonna Do
09. Races
10. Philander
11. Song Of Good Hope


autor stipe07 às 13:21
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Sábado, 2 de Junho de 2012

Sun Kil Moon – Among The Leaves

Sun Kil Moon é o projeto atual de cantor e compositor Mark Kozelek, que ficou conhecido por ter sido o líder dos carismáticos Red House Painters. Sun Kil Moon encontra então Kozelek ao volante de uma banda que também inclui no alinhamento Tim Mooney, Anthony Koutsos (outro ex-membro dos RHP) na bateria e Geoff Stanfield no baixo. O álbum de estreia deste grupo chamou-se Ghosts of the Great Highway, foi escrito na íntegra por Kozelek e editado pela Jetset Records em 2003. Agora, a vinte e nove de maio, os Sun Kil Moon lançaram Among The Leaves, através da Caldo Verde Records.

Se os Red House Painters eram uma instituição da expressão indie, Mark Kozelek, com a máscara de Sun Kil Moon, afirma-se como um compositor com uma sonoridade ainda mais frágil e cândida. Este Among the Leaves é um belíssimo tratado de folk acústica onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e canções como Young Love e Red Poison, exemplos extraordinários de temas que transbordam uma majestosa e luminosa melancolia.

A guitarra com cordas de nylon usada com mestria por Mark consegue enriquecer as harmonias sem complicar, num ambiente sonoro descontraído, bem patente em canções como  Sunshine in Chicago (Sunshine in Chicago makes me feel pretty sad, My band played here a lot in the ’90s when we had, Lots of female fans and, fuck, they all were cute, Now I just sign posters for guys in tennis shoes) e Track Number 8. As próprias letras evidenciam essa forma descontraída, já que observações sobre gatos e um determinado tique de um vizinho, assim como relatos de experiências de viagens e acontecimentos que só acontecem a quem anda na estrada em digressão, como se pode ler na letra de Sunshine in Chicago, são algumas das temáticas percetiveis no imediato. Curiosa é a também a letra de Song for Richard Collopy, que Mark dedica de forma simpática e emotiva ao artesão que lhe fabricava as guitarras.

Há no disco títulos tão fantásticos como The Moderately Talented Yet Attractive Young Woman vs. The Exceptionally Talented Yet Not So Attractive Middle Aged Man ou Not Much Rhymes With Everything’s Awesome At All Times. Li algures que Among The Leaves é aquele disco que saiu da mente genial de Mark, quando comparado com toda a discografia que debitou ao longo de quase três décadas. E a justificação para tal zénite tem a ver com o simples fato de este ter sido o primeiro disco em que, à priori, Mark decidiu que iria compor livremente, sem qualquer tipo de restrições e sem querer saber minimamente de qualquer conselho ou tentativa exterior de o influenciar durante o processo de composição.

Tal grau de pureza e objetividade em relação às suas convicções e desejos acabou por colocar a nú muita da emocionalidade pessoal de Mark (o autor já confessou publicamente que em The Moderately Talented Yet Attractive Young Woman vs. The Exceptionally Talented Yet Not So Attractive Middle Aged Man, ele é o Middle Aged Man), um risco que valeu a pena quando se percebe que isso também fez eclodir o melhor das suas capacidades musicais. Espero que aprecies a sugestão...

01. I Know It’s Pathetic But That Was The Greatest Night Of My Life
02. Sunshine In Chicago
03. The Moderately Talented Yet Attractive Young Woman Vs. The Exceptionally Talented Yet Not So Attractive Middle Aged Man
04. That Bird Has A Broken Wing
05. Elaine
06. The Winery
07. Young Love
08. Song For Richard Collopy
09. Among The Leaves
10. Red Poison
11. Track Number 8
12. Not Much Rhymes With Everything’s Awesome At All Times
13. King Fish
14. Lonely Mountain
15. UK Blues
16. UK Blues 2
17. Black Kite

Bonus Disc
01. Among The Leaves (Alt Version)
02. The Moderately Talented Young Woman (Alt Version)
03. That Bird Has A Broken Wing (Live)
04. UK Blues (Live)
05. Black Kite (Live)

 


autor stipe07 às 16:45
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Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Neutral Milk Hotel - In The Aeroplane Over The Sea

Esta manhã, ao conduzir para o trabalho, coloquei no leitor um disco que já foi editado há catorze anos, mas que poderia perfeitamente vir a sê-lo... em 2026. É um álbum a que regresso com alguma frequência no meio das novidades que descubro diariamente, sempre com a mesma sensação que estou a ouvir algo que se assemelha à génese e principal fonte de inspiração de quase tudo o que se faz hoje no cenário índie e alternativo e de grande parte dessas tais novidades mais folk e lo-fi.

A história deste disco é amplamente conhecida. Era uma vez um grupo de amigos com bandas lo-fi de estéticas relativamente parecidas, em que um tocava na banda do outro e todos estavam sob a mesma casa, a etiqueta Elephant Six. Os The Apples In Stereo, Of Montreal, Olivia Tremor Control, Essex Green eram alguns dos nomes. O músico mais inventivo e genial de todos eles era Jeff Mangum, o génio que criou os Neutral Milk Hotel e fez um disco aclamado pela crítica e pelo público e que influenciou, conforme referi no início, muito boa gente.
In The Aeroplane Over The Sea é daqueles álbuns que só fazem sentido se for ouvido de ponta a ponta. Mangum canta as letras como se falasse com um amigo, acompanhado de um instrumental fuzz-folk às vezes caótico e saturado, às vezes ameno. A sua voz nasalada enumera contos de amor, morte e surrealismo. And one day we will die, and our ashes will fly from the aeroplane over the sea, but for now we are young, let us lay in the sun, and count every beautiful thing we can see
Estão a fazer catorze anos que In The Aeroplane Over The Sea parou o mundo e ouvir este trabalho hoje, em perspectiva, mostra que todo o cenário folk dos anos 2000 em diante (Coco Rosie, Devendra Banhart e Vetiver, Animal Collective, Akron/Family, Panda Bear) coloca Mangum no mesmo altar de Bob Dylan e Vashti Bunyan, caracterizando-o ainda como o trovador moderno por excelência. Espero que aprecies a sugestão...

The King of Carrot Flowers Pt 1

The King of Carrot Flowers Pts 2 & 3

In the Aeroplane Over the Sea

Two-Headed Boy

The Fool

Holland, 1945

Communist Daughter

Oh Comely

Ghost

Untitled

Two-Headed Boy Pt. 2


autor stipe07 às 13:45
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Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Gravenhurst – The Ghost In Daylight

Gravenhurst é uma banda, mas também um projeto idealizado pelo músico e compositor Nick Talbot, natural de Bristol, Inglaterra e o veículo que ele utiliza para transportar as suas ideias e sentimentos. Afirma ser um estudioso da obra dos Smiths e dos My Bloody Valentine, apesar do som que elabora ter uma sonoridade um pouco mais folk e clássica, com uma belíssima simplicidade, diga-se.

Os Gravenhurst estrearam-se nos discos em 2004 com Flashlight Seasons, lançaram The Western Lands em 2007 e depois deste hiato de cinco anos regressaram agora em 2012 com The Ghost in Daylight, lançado no passado mês de abril através da Warp Records e um trabalho que nos absorve se estivermos predispostos a receber de braços abertos a visita intimista de dez canções que pedem tempo, atenção e dedicação e de onde destaco Fitzrovia, Carousel, Islands, The Ghost Of Saint Paul e a fabulosa The Prize.

Estas canções apresentadas por Nick Talbot e a sua banda seguem um caminho sereno, pautado, como disse, na folk rock e com as guitarras praticamente desligadas, sendo a já citada The Prize e a sua explosão de guitarra nos instantes finais uma das poucas exceções.

Fitzrovia, The Foundry e Three Fires valorizam muito a voz de Talbot, o acústico, a percussão tímida e as letras melancólicas e contêm efeitos que apenas um bom par de headphones pode captar. É mais um disco que nos vai fornecendo novos detalhes sonoros ao longo de várias audições, apesar de parecer simples e de fácil assimilação.

A escrita de Talbot celebra a capacidade inventiva humana e há uma alquimia delicada nestas preciosas canções porque enquadram com uma intensidade tórrida uma multiplicidade de cores de forma particularmente emocionante, com dramatismo, sem soar demasiado piegas e sentimental, mas graciosamente triunfante.

Por toda a beleza suave e melancólica deste conjunto de canções, onde trasborda em simultâneo uma peculiar atmosfera um pouco compulsiva e transcendente, não custa nada afirmar que Talbot será atualmente um dos segredos mais bem guardados da música contemporânea. 

01. Circadian
02. The Prize
03. Fitzrovia
04. In Miniature
05. Carousel
06. Islands
07. The Foundry
08. Peacock
09. The Ghost Of Saint Paul
10. Three Fires


autor stipe07 às 13:51
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Domingo, 29 de Abril de 2012

Engineers – Engineers

Banda natural de Portland, os Engineers (não confundir com estes homónimos ingleses) lançaram no passado dia vinte e quatro de março o disco homónimo, pelos vistos de estreia, já que é muito escassa a informação disponível sobre o grupo.
Engineers está disponível para download no bandcamp  da banda e assenta na típica sonoridade pop folk feita no outro lado do atlântico.

01. Magic Mtn.
02. Black And White
03. Bachman Park
04. Ruby Dead
05. Four Mile Beach
06. Down And Out
07. For Sure
08. Break A Leg
09. We’ll Be Back Soon

Engineers by engineers.music

 


autor stipe07 às 13:43
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Sexta-feira, 30 de Março de 2012

Poor Moon - Illusion EP

Poor Moon é um projeto alternativo de Seattle, já pensado desde 2008, do baixista Christian Wargo e do teclista Casey Wescott, uma dupla eminente e que faz parte do núcleo duro dos Fleet Foxes e à qual se juntaram os irmãos Ian e Peter Murray, membros dos The Christmas Cards. O nome Poor Moon advém do título da canção preferida de Christian Wargo dos Canned Heat, sendo ele quem, neste projeto, assume a liderança, nomeadamente na escrita e composição das canções. Illusion é o EP de estreia e foi lançado no passado dia vinte e sete de março pela Bella Union.

Como seria naturalmente de esperar, a sonoridade deste EP não difere muito da folk acústica e etérea dos Fleet Foxes. Existe uma tranquilidade acústica ao longo do disco e as canções são guiadas por guitarras límpidas e uma profunda gentileza sonora. É mesmo no meio do EP, em People In Her Mind, que está o grande destaque do EP; O tema é cantado com um toque de Ray Davies e quer a guitarra quer uma batida subtil ficam a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. 

Este EP termina muito bem com a belíssima Widow. Para quem aprecia o trabalho dos Fleet Foxes, vale bem a pena descobrir este EP e deixar-se contagiar por estas cinco belas canções folk. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Illusion
02. Anyplace
03. People In Her Mind
04. Once Before
05. Widow


autor stipe07 às 22:29
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Sábado, 10 de Março de 2012

Luik - Owls

Se os sons da cidade já estão abafados pelo ambiente aconchegante do teu lar e a mesma já está suficientemente tranquila, então está montado o cenário ideal para ouvires Owls, o disco de estreia dos Luik, um projeto liderado pelo músico holandês Lucas Dikker e que no passado dia treze de janeiro foi apresentado ao mundo através da Snowstar Records.

Owls é uma espécie de tartaruga que caminha num tapete de folk acústica, num universo indie onde os novos projetos abundam e comportam-se como lebres, apressadas em obter protagonismo. Por isso, é um álbum que deve ser ouvido, como sugeri, num ambiente de profunda tranquilidade, até porque tem uma sonoridade muito chillwave e lo fi. Não há aqui guitarras distorcidas ou uma eletrónica fumegante, apenas canções indulgentes e conduzidas por guitarras delicadamente dedilhadas e que acompanham uma voz que muitas vezes sussurra e nos desarma.

Owls não é um disco difícil e acaba por ser indicado especialmente para quem quer compreender a beleza das coisas, tendo já alguma experiência de vida nem que seja apenas a suficiente para apreciar uma noite sem o barulho das crianças e os ruídos da rua. Espero que aprecies a sugestão...
 

01. All Of My World
02. Brown Feathers
03. We’re Both Exterminated
04. Owls
05. A Fool
06. The Windows
07. Spleen
08. These Men May Grow
09. By And By


autor stipe07 às 20:27
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Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

Perfume Genius – Put Your Back N 2 It

Perfume Genius é o nome do projeto do cantor Mike Hadreas,  natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos músicos mais excitantes do cenário alternativo local. Put Your Back N 2 It, o sempre difícil segundo disco, é lançado hoje, dia 21 de fevereiro, através da Matador Records e foi gravado na Seattle natal e em Inglaterra com os produtores Andrew Morgan e John Goodmanson.

Mike Hadreas é um verdadeiro aprendiz. Vindo de Seattle, o jovem músico passou a última década a ouvir o habilidoso Sufjan Stevens e toda a gama de mestres da melancolia norte americana. Depois converteu todo esse acumulado de experiências nas bases para o Learning, de 2010,  o seu disco de estreia. Com este Put Your Back N 2 It, Hadreas abandonou definitivamente a faceta de aprendiz para se transformar também ele num mentor.

Em cada canto de Put Your Back N 2 It, ouve-se um disco bem estruturado, soturno e abertamente sofrido e com um forte conteúdo homossexual, que transita por cada uma das doze canções, pelos vistos porque Hadreas teve recentemente um relacionamento que não deu certo. A própria capa do disco evoca levemente a temática gay do álbum, mas as canções são acessíveis e devem ser escutadas e apreciadas pelo mais diverso público.

Um belíssimo aspecto sonoro do disco é a voz leve de Hadreas, que passeia pelo álbum quase sempre acompanhada por um um piano choroso, que serve de base à maioria das canções, quer através de teclados obscuros e marcados por um tom atmosférico, quer por teclados um pouco mais alegres, que depois recebem a companhia ilustre da viola e alguns instrumentos de percussão, uma novidade na obra dos Perfume Genius.

Put Your Back N 2 It faz então uso de uma sonoridade mais ampla e o músico consegue até ser um pouco mais comercial; É o caso do primeiro single, Hood (com a marcante estrofe You never call me baby, If you knew true, All that I waited so long, For you love, I will fight baby not to do) e de outras canções dotadas da mesma acessibilidade poética e lírica, tal como Take Me Home e Dark Parts, ambas permeadas por versos deliciosos e uma instrumentação bastante harmónica.

Utilizando a dor como principal ferramenta para o alcance da maturidade no disco, Mike Hadreas impressiona não apenas por transformar a sua intimidade em algo universal, mas pela maneira como aborda de forma inédita o fim das relações. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada pelo músico durante todo o álbum, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída. Espero que aprecies a sugestão...

Ouvir

01. Awol Marine
02. Normal Song
03. No Tear
04. 17
05. Take Me Home
06. Dirge
07. Dark Parts
08. All Waters
09. Hood
10. Put Your Back N 2 It
11. Floating Spit
12. Sister Song


autor stipe07 às 20:39
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