Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy

Damien Rice letras

Pouco depois de anunciar o lançamento de um novo álbum, Damien Rice divulgou a primeira música do trabalho. Intitulada My Favourite Faded Fantasy, o mesmo nome do disco, a canção de mais de seis minutos de duração tem um início bastante calmo e contemplativo, para depois evoluir para uma sonoridade vibrante, uma das marcas inconfundíveis do músico.
Com produção de Rick Rubin, o álbum My Favourite Faded Fantasy, o primeiro de Rice em oito anos, será composto por oito canções e tem lançamento marcado para o dia onze de novembro, através da Warner. Confere...

Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy


autor stipe07 às 17:17
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Ty Segall - Manipulator

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011 e do excelente Twins, (2012), Ty está de volta com mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se Manipulator e viu a luz no passado dia vinte e oito de agosto, por intermédio da Drag City.

O alinhamento deste novo disco de Ty Segall contém, imagine-se, dezassete canções e Susie Thumb é uma delas, o primeiro tema divulgado da rodela, um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem dos anos setenta, uma canção que surpreende pelas guitarras sujas e por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um disco que surprende não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em temas como The Singer e The Clock, assim como pelas já habituais linhas de baixo absolutamente incríveis que, em It’s Over, atingem um grau de maturidade que surpreende, mesmo quando falamos de um músico que já não tem muito a provar e que pode dar-se ao luxo de, com sete bons discos em carteira, poder apresentar um alinhamento que vá ao encontro daquilo que realmente considera significativo e o preenche.

Conhecido pelo acerto com que domina o indie rock mais garageiro e por não se mostrar particularmente reservado e piedoso quando pretende criar climas sonoros verdadeiramente psicadélicos, Ty surpreende neste Manipulator também pela forma como sugere canções ritmicamente bastante apetecíveis. Basta escutar Feel para se perceber que apesar de ter amainado um pouco a habitual toada visceral e rugosa que o acompanha, Ty consegue manter intocável o seu ADN feito com o habitual ambiente psicadélico de outrora e sem deixar mal a sua alma de guerreiro do noise rock. E depois, mesmo que instrumentalmente ele se torne um pouco mais ousado, seja na toada folk e blues das cordas acústicas e elétricas da tal The Singer ou no baixo de It's Over, apresenta sempre imensos argumentos para que nunca tenhamos a ousadia de duvidar da sua capacidade de estar sempre num patamar qualitativo superior, algo que impressiona os mais atentos que estão a par da regularidade impressionante com que este músico cria, como se a permanente prática e o teste de toda a pafernália que o indie rock certamente suscita em quem se apresta a usar a sua criatividade em prol da criação musical fosse, neste caso, a melhor forma de atingir a perfeição.

Em Manipulator, Ty excede, na realidade, tudo aquilo que já produziu, evolui imenso e atinge o topo, não só no que concerne à qualidade da produção, que consegue conciliar com mestria a caraterística crueza do fuzz e da personalidade sonora do autor, com uma limpidez que nunca se mostra exageradamente pop, mas que permite que praticamente todas as dezassete canções sejam acessíveis, mesmo a quem não aprecia particularmente o desconforto que é intrínseco, geralmente, ao noise rock psicadélico. Esta junção simbiótica eficaz de dois pólos geralmente opostos, faz com que Manipulator possa ser visto como um disco completo, com canções mais garageiras, típicas do legado de Segall (It's Over) e outras que apontam para a pop dos anos sessenta (The Faker), ao blues (Feel) e ainda outras em que, como já referi, o acústico e elétrico se complementam com notável precisão (The Clock e The Hand), havendo mesmo lugar para a aparição de violinos em The Singer e Stick Around. Há momentos mais abrasivos, assim como há os mais melódicos.

Manipulator é, por estas e muitas outras razões, o ponto alto da carreira de Ty Segall e já um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico, uma banda sonora perfeita para este final de verão e que deixa água na boca para o concerto que o músico vai dar a vinte e cinco de Outubro na galeria Zé dos Bois (ZBD) no Lux Frágil, em Lisboa. Espero que aprecies a sugestão...

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around


autor stipe07 às 22:23
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Astronauts – Hollow Ponds

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e Hollow Ponds o disco de estreia desta nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings.

Assim que se inicia a audição de Hollow Ponds percebemos que o nome desta banda faz todo o sentido, porque, apesar de serem bem reais e terrenas as cordas, as teclas e as baquetas que guardam no seu arsenal instrumental, eles só podem ter sido inspirados por um universo sonoro que não parece ser deste mundo, snedo igualmente fácil imaginá-los a tocar estas canções devidamente equipados com um fato hermético que lhes permita transmitir a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que Hollow Ponds transmite.

Se a folk etérea de Skydive é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Astronauts nos sentam, já o baixo encorpado e a percurssão hipnótica e pulsante de Everything’s A System, Everything’s A Sign, fazem deste disco, logo ao segundo tema, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Dan Carney entregou-se à introspeção, sentiu necessidade de desabafar connosco e refletiu sobre si e o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas. Quase pedindo-nos conselhos, Carney inicita à dança e à melancolia com texturas eletrónicas polvilhadas com um charme que atinge o auge no tema homónimo do disco, com um piano particularmente inspirado a receber um abraço sentido de uma guitarra que nos embala e paralisa, em sete minutos de suster verdadeiramente a respiração.

Num disco equilibrado, que vai da introspeção à psicadelia mais extrovertida, Hollow Ponds prima pela constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades. É um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - Hollow Ponds

01. Skydive

02. Everything’s A System, Everything’s A Sign
03. Vampires
04. Flame Exchange
05. Spanish Archer
06. Hollow Ponds
07. In My Direction
08. Try To Put It Out Of Your Mind
09. Openside
10. Slow Days


autor stipe07 às 21:46
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

U2 - Songs of Innocence

Disponível já para audição e download gratuíto na plataforma iTunes e com edição física prevista para o próximo dia treze de outubro, Songs of Innocence é o tão aguardado novo álbum dos irlandeses U2, o primeiro trabalho do grupo após um hiato de cinco anos, que teve início logo após o lançamento de No Lines On The Horizon.

Considerados por muitos como a maior banda do mundo em atividade, neste décimo terceiro disco da carreira, Bono, The Edge, Mullen e Adam resolvem dar vida a várias homenagens em forma de canções dedicadas a pessoas e artistas que foram relevantes no passado da banda e na vida pessoal dos seus integrantes. Assim, se The Miracle (of Joey Ramone) é uma homenagem sentida a Joey Ramone, o falecido vocalista dos Ramones, que nos deixou em 2001, Iris (Hold Me Close) é dedicada à mãe de Bono que, recordo, faleceu após ter sofrido um aneurisma cerebral durante o funeral do marido, pai de Bono. Já agora, outros temas dos U2, como I Will Follow ou Lemon, também se centram na morte da mãe de Bono. Assim, há neste disco um conteúdo lírico e emocional que, de algum modo, lida com a perca e a mortalidade, mas uma audição cuidada clarifica que é sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente é atribuido a esses dois conceitos.

Na verdade, Songs Of Innocence é, sobretudo, e de acordo com o texto de apresentação do disco, um tributo ao período que a banda passou no sol da Califórnia, numa fase inicial da carreira, uma estadia no outro lado do atlântico que, na altura, foi fundamental para a criação de alicerces musicais e sentimentais fortes entre estes quatro irlandeses, uma das explicações lógicas para uma carreira tão longa e bem sucedida. Aliás, California (There Is No End to Love), uma das melhores canções do alinhamento, é uma declaração sentida a esse estado norte americano que tanto diz aos U2.

Claramente ligados à corrente e com nomes como os Ramones, Bob Dylan e The Clash a serem influências declaradas, Songs Of Innocence tem uma sonoridade que não é particularmente compatível com os últimos registos da banda, apesar de ter o selo sonoro identitário único deste quarteto de Dublin. As guitarras mantêm-se como o grande suporte melódico da maioria das canções, mas há uma busca mais incisiva por ambientes mais brandos, sendo procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível dessas guitarras que carimbam o ADN dos U2 com o indie pop rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico.

Este encaixe de novas tendências é muito claro no piano e na espiral de efeitos que controlam a guitarra em Raised By Wolves, mas fica plasmado logo na já referida The Miracle (of Joey Ramone), uma canção onde os efeitos de voz e a percurssão ajudam a distorção das guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Bono. Depois, Every Breaking Wave está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a guitarra e a percurssão, a conduzirem uma canção, com variações de ritmo e paragens que farão as delícas de qualquer operador de luzes durante um concerto da banda. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de California (There Is No End to Love) e o baixo de Volcano uma das melhores surpresas do alinhamento. Já This Is Were You Can Reach Me exala o lado mais extrovertido dos U2 por todos os poros sonoros e  tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas, onde o discosound dos anos setenta ainda tem uma happy hour bem definida.

Uma das sequências mais interessantes de Songs Of Innocence é constituida pela balada Cedarwood Road, uma canção que oscila entre o rock mais progressivo e uma certa folk e onde a voz de Box assenta na perfeição, à qual se segue Sleep Like A Baby Tonight, o clássico tema orquestral conduzido pelo sintetizador, com alguns detalhes de um piano e outros efeitos a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente U2.

Quanto à voz de Bono, que fui fazendo referência e que já ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, é significativo perceber que ela continua a declamar com o habitual sentimento e que, pelos vistos, ainda não o conhecemos verdadeiramente e tem muito mais dentro de si para nos revelar. Em canções como Iris (Hold Me Close) ou Song For Someone percebe-se, como de algum modo já referi, um certo cariz autobiográfico, que se estende ao longo do resto do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização do acontecimento mais trágico na vida de Bono, mas que devem prevalecer, acima de tudo, as boas memórias e as recordações positivas que o músico ainda guarda dentro de si da mãe.

Songs Of innocence chega ao ocaso com a sentida e confessional The Troubles e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os U2 ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

The Miracle (of Joey Ramone)
Every Breaking Wave
California (There Is No End to Love)
Song for Someone
Iris (Hold Me Close)
Volcano
Raised by Wolves

Cedarwood Road

Sleep Like a Baby Tonight
This Is Where You Can Reach Me
The Troubles


autor stipe07 às 16:31
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Duplodeck - Verões

Os Duplodeck são uma banda indie brasileira que se formou numa localidade chamada Juiz de Fora, em Minas Gerais, no ano de 2001 e cujo ponto comum entre os seis membros era a admiração por Jorge Ben. Entre 2001 e 2005 a banda compôs um vasto reportório, mas apenas se estreou nos lançamentos discográficos em 2011, com um EP homónimo, que continha no alinhamento essas músicas que sofreram uma nova mistura e produção e novas guitarras. Agora, três anos depois, chega finalmente o longa duração de estreia; Verões são oito maravilhosas canções, que sabem, por inteiro, à estação do ano que dá título à rodela, um trabalho que viu a luz do dia a três de fevereiro por intermédio da Pug Records e disponível também na plataforma bandcamp, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo ou de o obteres gratuitamente.

Verões é folk, bossa nova, rock psicadélico, electrónica e ambient, um disco onde o público contacta com uma variedade imensa de instrumentos de cordas e metais e efeitos sintetizados, além da percurssão. Com as guitarras e o sintetizador a assumir as rédeas do processo de criação melódica, os Duplodeck presenteiam-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que fazem com que o álbum seja uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade.

É impressionante a quantidade de detalhes que os Duplodeck colocam a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco e ainda mais diversificado é o conjunto de ritmos, sons e incontáveis referências que borbulham enquanto se desenvolve o álbum. Sejam a pop agradável e nada descartável de Saint-Tropez e do tema homónimo, as pequenas transições pela psicadelia garageira em Brisa, ou o indie rock à The Strokes de Boemia e Hi-Fi, tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por várias épocas, estilos e preferências musicais.

Na verdade, assim que o disco começa, somos rapidamente absorvidos pelo mundo caleidoscópico de Verões, um universo cheio de cores e sons que nos causam tanto espanto como a ironia fina que sustenta o primeiro tema do alinhamento, uma canção que leva-nos do típico ambiente folk nórdico, ao blues de Nashville, feito com um subtil e enevoado acorde de uma guitarra elétrica que inflete num arco írís de cordas e arranjos luminosos muito típicos da melhor tropicália de além mar, a sul do Equador.

A voz é um importante trunfo em Verões, quer devido ao registo vocal clássico, que se destaca amplamente não só no tema de abertura, mas, principalmente no quase falsete de Uns Braços, uma canção que plasma claramente o jogo instrumental e alegre que se estabelece entre uma toada mais orgânica, facultada pela bateria e uma vertente sintética proporcionada por um efeito algo hipnótico, com a distorção da guitarra e a voz a serem os fiéis de uma balança que se mantém graciosamente estável, originando um clima sedutor simultaneamente épico e melancólico.

Em suma, Verões é uma coleção de excelentes canções que, entre a eletrónica e o indie rock dançável e orelhudo, procuram conciliar o velho fulgor anguloso e elétrico do rock’n’roll, com novos espetros sonoros e abordagens pop, havendo, pelo meio, a habitual pitada tropicália típica da maioria dos projetos brasileiros a funcionar como uma espécie de cereja no topo do bolo. É incrível a sensação de ligaçao entre as canções e ao longo do alinhamento assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

A música que se ouve aqui é uma harmoniosa chuva de conhecimento musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje e representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:05
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Faded Paper Figures – Relics

Oriundos de Los Angeles, na Califórnia, os Faded Paper Figures são R. John Williams, Kael Alden e Heather Alden, um trio que acaba de editar um delicioso disco chamado Relics e que viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto por intermédio da Shorthand Records. Relics é um álbum que deve ser escutado por todos aqueles que apreciam o cruzamento ímpar entre a pop que sobrevive de mãos dadas com alguns detalhes típicos da eletrónica e da folk e onde é feliz e verdadeiramente proveitosa a simbiose entre as cordas e o sintetizador.

Este trio surpreende, desde logo, pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente num dedilhar de cordas, um sintetizador cheio de vida e carregado de efeitos e uma voz frequentemente modificada. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza, num disco deslumbrante e tecnicamente impecável, que enche as medidas e comprova que os Faded Paper Figures sabem criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme e onde cada detalhe das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Basta ouvir os raios flamejantes que são debitados pelo sintetizador em Breathing ou o dedilhar de uma viola na folk de Fellaheen e Wake Up Dead, para se perceber a facilidade com que a banda navega entre pólos apenas aparentemente opostos, com notável perícia e absoluto conforto.

A abertura épica e visceral com a já citada Breathing abre-nos as portas para uma sequência de músicas divertidas e com minuciosos detalhes, que, mesmo nos moentos mais introspetivos, como Not The End Of The World ou Forked Paths, não deixam de transparecer sempre uma faceta algo dançante e espontânea, bastante próxima de um clima festivo e mais urbano. Depois, temas como Lost Stars ou Who Will Save Us Now, entre outros, aproximam o trio de uma linguagem sonora com aproximação a elementos quase futurísticos e de uma estética mais synthpop. no fundo, ao terminar a audição, ficou claro que as boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo fizeram com que Relics cresça e cada nova canção, dividem o álbum em vários momentos e evitam que os melhores se concentrem demasiado em vários dos momentos do disco. É, no fundo, um disco sem ondas, homogéneo e lineado por alto.

Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de John, um detalhe importante para o sucesso deste álbum intenso e hipnótico, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

 

Faded Paper Figures - Relics

01. Breathing

02. Wake Up Dead
03. Not The End Of The World (Even As We Know It)
04. Lost Stars
05. Fellaheen
06. On The Line
07. Spare Me
08. Who Will Save Us Now
09. Horizons Fall
10. Real Lies
11. What You See
12. Forked Paths

 


autor stipe07 às 21:32
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Real Estate – Had To Hear

Editado a quatro de março por intermédio da Domino Records, Atlas é o terceiro álbum dos Real Estate, uma banda norte americana formada por Martin Courtney, Matt Mondanile, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman. Agora, quase meio ano depois, editam em formato single, Had To Hear, o tema de abertura desse disco.

Had To Hear tem Paper Dolls como lado b e aposta num  indie-folk-surf-suburbano, feito, neste caso, por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação. Estes são alguns dos traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo que olha cada vez mais e com maior atenção, para o rock alternativo dos anos oitenta e que, servindo-se de uma mais vincada vertente sintética, mostram um cariz particularmente urbano e atual. Confere...

Real Estate - Had To Hear

Genre: Indie/Pop/Rock/Psychedelic
Country: USA

Tracklist

01. Had To Hear
02. Paper Dolls

Website
[mp3 V0] tb ul ob zs


autor stipe07 às 16:06
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Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

The Rosebuds - Sand + Silence

Oriundos de Raleigh e com o nome da banda insiprado no filme Citizen Kane de Orson Wells, os norte americanos The Rosebuds de Ivan Howard e Kelly Crisp estão de regresso aos discos com Sand + Silence, um trabalho que viu a luz do dia a cinco de agosto, por intermédio da Western Vinyl. Sand + Silence foi gravado nos estúdios de Justin Vernon. Além de ter recebido os The Rosebuds, aceitou tocar teclas em alguns temas do disco, que também conta com a participação especial de Nick Sanborn dos Sylvan Esso. 


Justin Vernin é um figura ímpar do universo indie contemporâneo e a sua simples presença nos créditos de um disco acaba por ser um selo de qualidade importante do mesmo. Com uma carreira única firmada em projetos tão relevantes como Bon Iver, Volcano Choir ou The Shouting Matches, Justin não hesitou em colaborar decisivamente no conteúdo do novo trabalhos destes The Rosebuds, de um modo tal que pode ser mesmo considerado como mais um elemento da banda, mesmo que essa colaboração não dê mais frutos futuramente. A própria carreira dos The Rosebuds é sempre uma enorme incógnita, uma banda que não é conhecida pela regularidade, mas que quando produz música fá-lo sempre de forma assertiva e com uma elevada bitola qualitativa.

Sand + Silence não foge a esta ideia, um disco que aposta numa surf pop bastante atual e que remetendo-nos facilmente para as areias da nossa praia preferida, convida-nos a fazê-lo com uma toada eminentemente comtemplativa, apesar de o conteúdo geral das onze canções do álbum não deixar de incluir também um interessante pendor festivo e divertido.

Se o disco é, como acabei de referir, um tratado indie pop moderno, apesar dos traços de folk rock que se escutam em canções como Death Of An Old Bike e Tiny Bones, naturalmente tem um vincado pendor vintage, não só no que se refere aos areanjos selecionados, onde as cordas luminosas e as teclas inspiradas têm a primazia, mas também quando se analisa a estrutura melódica das canções. Looking For é um exempo feliz de uma canção que nos consegue trasnportar com classe para os primórdiso da pop nos anos sessenta e Wait A Minute para duas décadas depois e há muitas outras que também parecem ter sido pensadas para o airplay de algumas rádios de outrora, com especial destaque para a deliciosa In My Teeth. Ao mesmo tempo, há temas pwerfeitos para incluir em algumas playlists dos apreciadores atuais deste género de música, mesmo que não vislumbrem diariamente o mar no seu horizonte, com a romântica Give Me A Reason a ser a companhia perfeita para queles dias em que nos sentimos mais assaltados pela introspeção melancólica.

Com um padrão bem vincado na hora de compôr, numa carreira com mais de uma década e cheia de grandes momentos, os The Rosebuds revelam em Sand +Silence um som apurado, além de mostrarem uma flexibilidade bastante adulta para cruzar o rock alternativo com alguns detalhes eletrónicos e assim, com a ajuda preciosa de Vernon, chegar à tal indie pop veraneante e refinada, harmoniosa e requintada, cheia de charme e sedução e que facilmente nos cativa. Espero que aprecies a sugestão...

The Rosebuds - Sand + Silence

01. In My Teeth
02. Sand + Silence
03. Give Me A Reason
04. Blue Eyes
05. Mine Mine
06. Wait A Minute
07. Esse Quam Videri
08. Death Of An Old Bike
09. Looking For
10. Walking
11. Tiny Bones


autor stipe07 às 16:00
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Sábado, 23 de Agosto de 2014

Coast Jumper – The End Of Broad Slough EP

Gravado durante o ano de 2013 e apenas terminado devido a vários donativos, The End Of Broad Slough é o novo EP dos Coast Jumper, uma banda norte americana sedeada em Oakland e que no verão de 2012 estreou-se nos discos com Grand Opening, um trabalho produzido por Kevin Harper e que foi dissecado por cá. Editado no passado dia um de agosto e disponibilizado no bandcamp da banda, com a possibilidade de obteres uma edição limitada em vinil, The End Of Broad Slough contém cinco canções feitas com belíssimos arranjos acústicos, mas onde também se nota o esplendor das guitarras elétricas e de uma percurssão bastante vincada e com um apreciável pendor épico.

Os Coast Jumper fazem canções abertas e luminosas enquanto se movimentam dentro do rock experimental e progressivo, mas onde também não faltam alguns dos detalhes mais caraterísticos da típica folk norte americana. Pelos vistos acharam que conceitos como o ambienteagressão, harmonia e libertação, amores perdidos e o crescimento, são boas temáticas para as suas canções, assentes, quase sempre, numa melodiosa alquimia lisérgica, coberta de acordes quase tão hipnóticos como qualquer caleidoscópio ácido.

A canção de abertura do EP, Western Star, tem uma sonoridade grandiosa, seguida da beleza quase etérea de Anita (You're Mad); Esta canção parece que foi matematicamente pensada, com uma voz e acordes que destoam de uma sequência normal na maioria das músicas. As ditas vozes fazem vir à tona lembranças psicadélicas setentistas e as mudanças que o cantor vai efetuando no andamento, faz com que os nossos ouvidos sejam agarrados a cada acorde.

Depois da voz sintetizada e dos violinos que suportam a balada acústica Right On Track e da indie pop nostálgica e simultaneamente ligeira e descomprometida de King Phillip, já estás definitivamente agarrado ao EP a até ao fim será inevitável perceberes que estes Coast Jumper fazem canções profundas e com sentimento, tratados sonoros propostos com uma extrema e delicada sensibilidade e que possuem muito mais do que aquela simples pop chiclete nas suas artérias. Espero que aprecies a sugestão..

Coast Jumper - The End Of Broad Slough

01. Western Star
02. Anita (You’re Mad)
03. Right On Track
04. King Phillip
05. Blackout

 


autor stipe07 às 19:37
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Margo, Margo – Old Nights, New Days

Oriundos de Fredericton, os canadianos Margo, Margo são Jane Blanchard, Michael Leger, Keegan MC, Kieran Smyth, Matt Whipple e Jeff Wo. Disponível para download no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo e editado no passado dia vinte e quatro de junho, Old Nights, New Days é o segundo trabalho do grupo, depois de um homónimo editado em 2012.
O indie rock com elevada influência da folk é a pedra de toque do catálogo sonoro dos Margo, Margo, que dominam com apreciável bom gosto a fórmula correta para compôr com cuidado nos arranjos e as nove canções não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, à imagem do que propusrema recentmenete os Dark Arc em Saintseneca, mas onde não falta também aquele típico fuzz-folk às vezes caótico e saturado, às vezes ameno, que os Neutral Milk Hotel de Jeff Mangum tão bem recriaram há já quase duas décadas e que temas como Breath Wasted ou Mountain Beaches tão bem replicam.
A música destes Margo, Margo tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico. Eles sabem como dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também se inclui a voz; Os registos vocais de Michael e Kieran, uma das mais valias deste projeto, são capazes de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo e que se firmam como uma das marcas identitárias destes Margo, Margo, deixando o primeiro vincada toda a sua arte enquanto acompanha as cordas em On And Off ou em Alexander e a voz feminina quando vibra nos nossos ouvidos com gracosidade, charme e estilo na soberba Melodica.
Old Nights, New Days é um disco que se ouve sempre que queiramos, mas tem momentos cuja audição se recomenda naquelas dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores. A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, além de ser um instante precioso na discografia de um projeto notável e que merece maior destaque. Espero que aprecies a sugestão...

Margo, Margo - Old Nights, New Days

01. New Days

02. Breath Wasted
03. On And Off
04. Melodica
05. Mountain Beaches
06. Alexander
07. Cuckold
08. All Together Now
09. Beats

 


autor stipe07 às 21:09
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

My Autumn Empire – The Visitation

Natural do condado de Staffordshire, na Inglaterra, Benjamin Thomas Holton é a mente brilhante por trás do projeto My Autumn EmpireThe Visitation, um disco lançado no passado mês de abril, o seu mais recente trabalho, uma obra conceptual, inspirada em imagens televisivas, na complexidade das relações humanas e no imenso espaço sideral, tantas vezes o maior ponto de encontro de imensos dos nossos sonhos.

Cheio de harmonias vocais verdadeiramente sumptuosas, The Visitation é um belíssimo tratado de indie folk, um disco que transborda uma imensa sinceridade e onde Benjamim certamente compôs e criou aquilo que realmente quis. Pelo conteúdo lírico deste álbum percebe-se que My Autumn Empire deseja ardentemente espicaçar a mente de quem vive  permanentemente inquieto pela forma como tratamos este mundo, em dez letras que transbordam modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta o direito à individualidade de cada um, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Benjamim entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Com momentos que apelam à folk pop melancólica mais negra e introspetiva, com ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica e que mesmo acompanhados por uma variada secção de metais, não colocam em causa uma faceta algo acústica, que parece orientar o processo base da composição melódica do projeto, à medida que o disco escorre pelos nosso ouvidos, acabamos por conferir, acima de tudo, um misto de cordas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, que se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos, dez canções que parecem emergir de um sono profundo e que ao ganharem vida se convertem num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido, com que todos nós contatamos pelo menos uma vez na vida.

Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, em The Visitation tudo se movimenta de forma sempre estratégica e sumptuosa, como se cada mínima fração do disco tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. A constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...  

My Autumn Empire - The Visitation

01. When You Crash Landed
02. Blue Coat
03. Where Has Everybody Gone
04. Summer Sound
05. Afternoon Transmission
06. It’s Around
07. Andrew
08. The People I Love
09. The Visitation
10. All In My Head

 


autor stipe07 às 22:26
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Cloud Boat – Model Of You

Naturais de Londres, os britânicos Cloud Boat são Sam Ricketts e Tom Clarke, uma dupla de indie pop que lançou no passado dia catorze de julho Model Of You, através da Apollo Records. Este novo álbum dos Cloud Boat sucede a Book Of Hours, o trabalho de estreia dos Cloud Boat.

Quando eram mais novos, Tom e Sam tocaram em bandas de metal e de post rock e só mais tarde, no meio universitário, descobriram a eletrónica e o gosto por esse género musical foi-se acentuando à medida que, juntos, começaram a compôr. Começaram por editar em 2010, e através da etiqueta R&S, Lions On The Beach, um single que causou impacto pela mistura entre o dubstep e a folk, algures entre os Burial e os Hood e no ano seguinte dedicaram-se às remisturas. Finalmente, em 2013, surgiu Book Of Hours, o primeiro longa duração e, devido ao sucesso desse lançamento, Model Of You era aguardado pela crítica especializada com alguma expetativa.

Um sintetizador cheio de loops e efeitos e uma voz com um registo grave, mas ardente, que procura dar alguma cor e alegria às letras depressivas e assim espalhar sensualidade e hipnotismo às canções, são alguns dos trunfos usados pelos Cloud Boat, manuseados com evidente inspiração e que originam um ambiente sonoro cheio de charme, onde também não faltam algumas variações e os efeitos metálicos, que incluem cordas e instrumentos de sopro. Assim, Model Of You impressiona pela exuberância dos arranjos, apesar de não haver uma orientação explícita para as pistas de dança; No entanto, temas como Thoughts In Mine a Aurelia poderão agradar a quem procura essa vertente na música destes dois produtores britânicos.

O que se procura criar neste trabalho é, acima de tudo, paisagens sonoras amenas, mas cheias de movimento e cor, uma eletrónica com momentos mais ambientais, audíveis, por exemplo, em The Glow ou Golden Lights e outros onde há um apelo direto à típica indie pop de cariz mais comercial, com o piano de Hideaway ou as cordas de Bricks Are For a cumprirem cabalmente essa missão, ao memso tempo que nos permitem sermos invadidos por uma doce sensação de ternura e de melancolia. Os efeitos inebriantes que sustentam a percussão de Portraits Of Eyes, acompanhados por um loop de guitarra algo frenético, são outros trunfos de um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Seja como for, o maior destaque deste disco será, talvez, Carmine, uma canção assente na tal voz grave, invasiva e visceral, a conferir um interessante colorido a um tema com uma toada eminentemente pop e com arranjos pensados para a criação de um ambiente épico e cheio de paisagens deslumbrantes.

groove e a luminosidade deste registo são dois aspetos suficientemente apelativos para que não se deixe passar em claro uma coleção de doze canções intensas e bastante inspiradas que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Model Of You é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Boat - Model Of You

01. Prelude
02. Hideaway
03. Carmine
04. Portraits Of Eyes
05. Bricks Are For
06. The Glow
07. Golden Lights
08. Aurelia
09. Thoughts In Mine
10. Told You
11. All Of My Years
12. Hallow


autor stipe07 às 22:08
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Fusing Culture Experience 2014 - Entrevista a Noiserv

Como tenho revelado por cá, o Fusing Culture Experience é um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia e que decorre na Figueira da Foz, com a edição deste ano a acontecer já nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Com um cartaz que, no campo musical, abarca alguns nomes da música nacional absolutamente obrigatórios, resolvi entrevistar algumas das bandas e projetos presentes, para aferir das suas expetativas para esta iniciativa e se há, eventualmente, alguma surpresa preparada.

A primeira entrevista que partilho convosco é a de David Santos, aka Noiserv, a quem desde já agradeço, publicamente, a atenção e o carinho dispensados, assim como à Raquel Laíns, da Let's Start A Fire, por ter intermediado a minha solicitação... No final da entrevista poderás deliciar-te com a audição de Almost Visible Orchestra, o lindíssimo último álbum da carreira de Noiserv.

 

Parece-me evidente e justo considerar que Almost Visible Orchestra é já um marco importante na história da música nacional contemporânea mais recente. Como tem sido a aceitação deste trabalho pelo grande público?

Tem sido muito boa. Depois de todos os medos de um segundo disco, dos receios que as pessoas pudessem não gostar daquilo que a mim me fazia todo o sentido, acho que o feedback que tenho recebido justificou todo o trabalho que tive com o disco e deixa-me muito feliz.

 

O Noiserv prepara-se para participar na próxima edição do Fusing Culture Experience, um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia, que decorre na Figueira da Foz nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Quais são as expetativas do David para este concerto, num evento que agrega alguns dos nomes fundamentais do universo musical indie nacional do momento?

Não gosto muito de criar expetativas antes das coisas acontecerem. Acima de tudo tentarei dar o meu melhor concerto e esperar que essa vontade chegue a quem estiver a ver.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição de Almost Visible Orchestra foi a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. O ambiente sonoro que recriaste de forma exemplar em estúdio mantém-se nas versões ao vivo dos temas, ou gostas de adicionar novos elementos ou transformar os temas, até de acordo com o ambiente onde vais tocar? Uma mesma canção tem diferentes arranjos ao vivo se for tocada numa pequena sala ou no palco do Fusing Culture Experience para milhares de fãs?

Tento sempre acreditar que a minha música funciona bem numa sala pequena ou num palco grande ao ar livre. A forma de tocar as canções não muda de sitio para sitio, mas por vezes deixo algumas músicas de fora se sentir que não funcionam tão bem no local do concerto.

 

Já há canções novas que poderão ser ouvidas no concerto?

Apenas músicas 'relativamente' novas, as do Almost Visible Orchestra. :)

 

Qual te parece ser a importância para a música portuguesa este tipo de eventos como o Fusing Culture Experience?

São eventos de extrema importância. Festivais com esta exposição mediática, que apostam tanto na música portuguesa, acabam por ser fundamentais para cada músico, cada banda conseguir chegar a um público mais vasto.

 

Arriscarias participar noutras vertentes do evento, nomeadamente na gastronómica?

Claramente a gastronomia não é o meu forte, pelo que se acontecer poder participar, será para aprender e nunca para mostrar os dotes que não tenho :)!

 

Quais são os planos futuros para o projeto Noiserv? Há algum regresso já programado ao estúdio, ou o David vai continuar a dar concertos nos próximos tempos?

Por enquanto continuo focado em apresentar este disco ao vivo e conseguir que ele chegue ao máximo possível de pessoas.


autor stipe07 às 14:08
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Space Daze – Follow My Light Back Home

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista ecompositor dos consagrados Seapony e Follow My Light Back Home o seu primeiro disco desta nova aventura musical de um músico oriundo de Seattle e que encontra nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que o impressionam. Com uma edição física limitada a cem cópias e no formato cassete, através da Pea Green Cassette, Follow My Light Back Home tem um belíssimo artwork da autoria de Jen Weidl e está também disponivel para download no bandcamp da Beautiful Strange, uma editora independente sedeada em Londres.

Follow My Light Back Home são doze canções em pouco mais de vinte e seis minutos, um disco curto mas incisivo e onde Danny não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da escrita e composição que costuma sugerir nos Seapony, já que estamos na presença de um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da forma como o músico sente o mundo que o rodeia, com canções como The Voices of StrangersIts Getting Lighter Earlier, ou o tratado folk I'll Know Tomorrow, a mostrarem a fina fronteira que existe muitas vezes entre a dor e a redenção.

Instrumentalmente, Space Daze é um projeto fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. E letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados. Assim, durante esta meia hora que o disco dura somos constantemente inundados por belíssimos arranjos de cordas que dão vida a improvisações melódicas com aquela forte componente etérea que nos deixa a levitar e que criam paisagens etéreas e melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias, mas onde também não deixa de brilhar, amiúde, uma bateria inspirada e guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições. Kill Me é um lindíssimo exemplo da conjugação de todos estes ingredientes, com um resultado final verdadeiramente  jovial, vibrante e luminoso.

Space Daze é a afirmação clara de um músico que consegue provar definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Danny tem a capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, que acaba por se tornar na banda sonora perfeita para um fim de tarde quente e prolongado, enquanto se prepara mais um churrasco e salta a tampa das primeiras garrafas daquela caixa de cerveja que vai animar mais um feliz serão entre aqueles amigos de ontem, de hoje e de sempre. Espero que aprecies a sugestão...

Space Daze - Follow My Light Back Home

01. Woke Up In The Summer

02. The Voices Of Strangers
03. Line Up On The Solstice
04. It’s Getting Lighter Earlier
05. It Becomes Silent
06. Going Out
07. I’ll Know Tomorrow
08. Having A Bad Time
09. Follow My Light Back Home
10. Kill Me
11. Close The Curtains
12. The Fireflies Are Gone

 


autor stipe07 às 23:25
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Andrew Bird – Things Are Really Great Here, Sort Of…

Apelidado de mestre do assobio, multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird é um dos maiores cantautores da atualidade e coleciona já uma mão cheia de álbuns que são pedaços de música intemporais. Este músico americano nascido em Chicago tem vivido um período de composição bastante intenso; Em março de 2012 divulguei o excelente Break It Yourself, no final desse ano lançou Hands Of Glory, mais um álbum, em 2013 uma série de EPs e agora, no verão de 2014 presenteia-nos com mais uma coleção de canções, dez versões de temas dos Handsome Family, do casal Sparks, uma dupla de referência do cenário alt-country. Things Are Really Great Here, Sort Off... foi lançado pelo selo Mom + Pop Records e serve para complementar uma discografia já bastante rica, que assenta numa lógica de continuidade e onde a habitual simplicidade da sua música fica mais uma vez patente.

Things Are Really Great Here, Sort Of..., foi gravado com a ajuda dos Hands of Glory, um grupo de músicos que Andrew juntou quando gravou o disco com esse nome e que continuam a acompanhá-lo aso vivo e em estúdio. Os Handsome Family sempre foram uma referência para Bird que tocou no disco In The Air (2000) desse projeto e no Weather Symptoms (2003), um trabalho do seu cardápio, já tinha feito uma versão de Don't Be Scared, um dos temas mais importantes da carreira dos Handsome Family.

A essência dos temas dos Handsome Family recriados por Bird não é abalada nestas novas roupagens, mas há um cuidado nos arranjos, criados por um músico conhecido pela arte de tocar o violino, mas que sabe dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também gosta de incluir a sua própria voz. Esse registo vocal de um dos simbolos atuais da folk norte americana, capaz de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo, firma-se cada vez mais como uma das marcas identitárias da sua arte e em Things Are Really Great Here, Sort Of... há vários exemplos de canções que soam como novas e ganham uma maior personalidade e solidez devido ao rgisto vocal de Andrew. É como se, de algum modo e sem maldade, Bird se apropriasse dessas canções e com graciosidade, charme e estilo e fizesse de temas como Far From Any Road (Be My Hand) ou My Sister’s Tiny Hands momentos cuja audição se recomenda naqueles dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores.

A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, alem de ser mais um instante precioso na discografia de um músico notável e uma forma curiosa de nos sentirmos impelidos a conhecer melhor a discografia exemplar dos Hansome Family. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - Things Are Really Great Here, Sort Of...

01. Cathedral In The Dell
02. Tin Foiled
03. Giant Of Illinois
04. So Much Wine, Merry Christmas
05. My Sister’s Tiny Hands
06. The Sad Milkman
07. Don’t Be Scared
08. Frogs Singing
09. Drunk By Noon
10. Far From Any Road (Be My Hand)


autor stipe07 às 09:48
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Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Craft Spells - Nausea

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells estão de regresso aos discos Nausea, um trabalho que viu a luz do dia a dez de junho por intermédio da Captured Tracks e que sucede a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.


Os Craft Spells são mais um daqueles projetos que aposta numa indie pop com um cariz tipicamente lo fi e shoegaze, plasmada em composições recheadas com aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.  Os anos oitenta e a psicadelia de décadas anteriores preenchem o disco e ao longo da audição de Nausea percebemos que o álbum reforça a capacidade de Vallesteros e seus parceiros em promover novos conceitos dentro da mesma composição acolhedora da estreia, à medida que entregamos os ouvidos a um disco fresco e hipnótico e assente numa chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos.

Nausea é, portanto, um compêndio de onze canções construídas em redor de uma bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições, algumas delas verdadeiros tratados de dream pop, carregadas de detalhes deliciosos, principalmente na forma como as guitarras ocupam todas as lacunas do disco, um esforço que sobressai em alguns temas de maior duração, nomeadamente a apaixonante Komorebi e a lisérgica Changing Faces, mas com a luminosa e divertida Twirl ou mesmo a espiral sonora de Laughing for My Life a serem bons exemplos da mestria com que os Craft Spells tocam para criar uma obra equilibrada e assertiva.

Disponibilizado para download gratuito no soundcloud da editora, Breaking The Angle Against The Tide é o primeiro single divulgado de Nausea, um grandioso tratado musical de indie rock e outro destaque de um trabalho que teve uma difícil gestação e que ganhou vida depois de Vallesteros ter confessado estar a atravessar um período difícil em termos criativos, que fez com que o próprio se tivesse isolado do mundo, de modo a reencontrar-se, apenas acompanhado pela música de Haroumi Hosono e Yukihiro Takahashi, a dupla dos Yellow Magic Orchestra e que acabaram por ser uma influência decisiva em Nausea.

Liricamente mais direto e incisivo e menos inocente e idealista que o disco de estreia, Nausea fala sobre o amor e fá-lo já de forma madura e consciente e que nos conquista, por se servir de uma sonoridade envolvente e sedutora e mesmo nas instrumentais Instrumental e Still Fields (October 10, 1987) percebe-se que o amor está lá e que as melodias foram criadas tendo em conta esse sentimento único. No entanto, Komorebi é, talvez, a canção onde esta temática vibra de forma mais vincada e apaixonada, com o cruzamento entre uma melodia hipnótica e cativante com uma letra profunda e consistente, a ganhar contornos verdadeiramente únicos.

Ouvir Nausea é acompanhar os Craft Spells numa curiosa viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas e diretas, mas sentidas na forma como resgatam as confissões amorosas de Vallesteros e as nossas, caso partilhemos da mesma compreensão sentimental. Espero que aprecies a sugestão...

Craft Spells - Nausea

01. Nausea
02. Komorebi
03. Changing Faces
04. Instrumental
05. Dwindle
06. Twirl
07. Laughing For My Life
08. First Snow
09. If I Could
10. Breaking The Angle Against The Tide
11. Still Fields (October 10, 1987)

 


autor stipe07 às 21:44
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Field Report - Wings

Os norte americanos Field Report são de Milwaukee e liderados Chris Porterfield, a quem se junta Travis Whitty e Shane Leonard. O grupo não divulgava nenhuma canção desde 2012, mas vão regressar aos discos a 7 de outubro com Marigolden, através da Partisan Records.

Wings é o primeiro single divulgado do disco, um tema que fala de complicada relação de Chris com o álcool, além de refletir sobre a sua vida atribulada, muito por causa das constantes digressões a que um músico está sujeito. Confere...


autor stipe07 às 21:24
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Terça-feira, 8 de Julho de 2014

The Fresh And Onlys – House Of Spirits

Lançado através da Mexican Summer, House Of Spirits é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a  Long Slow Dance (2012) e ao EP Soothsayer (2013),  sendo já o quinto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco e formado por Tim Cohen, Shayde Sartin, Wymond Miles e Kyle Gibson.

House Of Spirits é mais uma firme coleção de dez canções que mantêm os The Fresh & Onlys fiéis a um fio condutor, que exploram até à exaustão e com particular sentido criativo. É um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Em relação a Long Slow Dance, o antecessor, House Of Spirits acaba por ter um elevado foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras e canções como Who Let The DevilAnimal of One e April Fools são as que mais se aproximam desse registo, principalmente pelas letras e pela voz de Tim Cohen, que várias vezes nos remete para a nostalgia sombria dos anos oitenta.

O sabor a novidade é algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada Home Is Where? e, logo a seguir, no single Who Let The Devil. No entanto, apesar da distorção e do cariz lo fi de vários arranjos, o controle e a harmonia estão sempre presentes, mesmo em Bells Of Paonia, o tema mais experimental do disco, uma balada que assenta num reverb de guitarra, conjugado com um teclado épico e com um registo bastante adoçicado na voz de Tim Cohen, um dos principais atributos desta banda. Esse cariz inventivo também é notório na envolvente Candy, uma canção com uma belíssima base melódica assente em belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado e arranjos de sopro e também em Madness, um tema que progride da eletrónica até distorções hipnotizantes e que impressionam quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

Durante a audição do álbum é notória uma certa leveza nas canções, uma enorme busca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras e, por isso, o resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável. House Of spirits é uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das referências noise, folk e psicadélicas, através de um som leve e cativante, com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - House Of Spirits

01. Home Is Where?
02. Who Let The Devil
03. Bells Of Paonia
04. Animal Of One
05. I’m Awake
06. Hummingbird
07. April Fools
08. Ballerina
09. Candy
10. Madness

 


autor stipe07 às 18:27
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

First Aid Kit – Stay Gold

A Suécia foi sempre berço de projetos graciosos e embalados por doces linhas instrumentais, letras mágicas e vocalistas dotados de vozes hipnoticamente suaves. Hoje regresso à dupla feminina First Aid Kit, formada pelas manas Johanna e Klara Söderberg e talvez uma das melhores personificações de toda esta subtileza e amenas sensações que percorrem a produção musical da fervilhante Estocolmo. Dois anos depois de terem editado, The Lion’s Roar, o sempre difícil segundo disco, elas estão de regresso com Stay Gold, o terceiro álbum lançado pela dupla, no passado dia dez de junho através da Columbia Records e que mantém a força da tal pop distinta, plasmada no título do álbum e em toda a estrutura sonora que o compõe.

Depois de terem começado a carreira em 2008 com uma cover dos Fleet Foxes e de se terem estreado esse ano nos lançamentos com The Big Black & The Blue, ao terceiro disco as First Aid Kit comprovam que estão no auge da sua maturidade e do crescimento musical, na forma como exploram uma sonoridade mais sóbria e adulta, criando um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia.

A instrumentação volta a ter como pano de fundo a música folk e a herança da América do Norte, mas as novidades que provam o referido elevado índice de maturidade são díspares. Antes de mais, é audível a procura de uma sonoridade ainda mais intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo; Logo na primeira canção, em My Silver Lining, sente-se um elevado teor emotivo, possibilitado não só pela letra, mas também pelo peso da componente instrumental. Esse é, aliás, o outro fator relevante que justifica o fato de Stay Gold ser um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo das duas irmãs, justificado pelo uso de alguns arranjos inéditos, dos quais se destacam uma flauta que, em The Bell, nos remete para influências da música celta.

Os coros do tema homónimo e, principalmente, a voz proeminente que domina Cedar Lane, em oposição à enorme cândura de uma letra que transborda fragilidade em todas as sílabas e versos (How could I break away from you?), são outras manifestações audíveis e concretas deste jogo dual em que Stay Gold encarreira, à medida que o alinhamento escorre pelos nossos ouvidos e esta mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e no insturmentação, se equilibra de forma vincada e segura.

E por falar no registo vocal, o jogo de vozes entre ambas as protagonistas é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai e a produção está melhor do que nunca, com a banda a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente, também na componente lírica e sem violar a essência das First Aid Kit, que adoram afogar-se em metáforas sobre o amor, a saudade, a dor e a mudança, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada. 

Stay Gold será sempre um marco importante na carreira das First Aid Kit independentemente da composição do seu catálogo sonoro definitivo, não só pela forma como apresentam de forma mais sombria e introspetiva a sua visão sobre os temas que sempre tocaram estas duas irmãs, mas, principalmente, pelo forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem as escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

First Aid Kit - Stay Gold

01. My Silver Lining

02. Master Pretender
03. Stay Gold
04. Cedar Lane
05. Shattered And Hollow
06. The Bell
07. Waitress Song
08. Fleeting One
09. Heaven Knows
10. A Long Time Ago

 


autor stipe07 às 22:41
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Hallelujah The Hills – Have You Ever Done Something Evil?

Os Hallelujah The Hills são uma banda indie de Boston, no Massachusetts, formada em 2005 e com Ryan Walsh, Joseph Marrett, Ryan Connelly, Briant Rutledge e Nicholas Ward na formação. Depois de Collective Psychsis Begone (2007) e Colonial Drones (2009), conheci-os em 2012 com No One Knows What Happens Next, um disco disponível para download gratuito no bandcamp da banda e agora, dois anos depois, regressaram aos lançamentos discográficos, no passado dia treze de maio, com Have You Ever Done Something Evil?, um álbum que contou com as participações especiais de Madeline Forster e Dave Drago, tendo sido gravado nos estúdios 1809 Studios, em Nova Iorque e produzido pela própria banda e Dave Drago.

Os Hallelujah The Hills são mais um daqueles bons exemplos de uma banda que aposta em discos que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta, álbuns que usam, quase sempre, artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período e que é hoje a génese daquilo a que chamamos indie rock alternativo. No fundo, baseiam-se numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.
Esta banda de Boston incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, mas também não descura o uso de arranjos que vão beber à herança radiante da folk. As cordas de Home Movies e de Pick Up An Old Phone, o primeiro single retirado do disco, a distorção subsequente nos dois temas e a secção de sopros do primeiro, transportam-nos para o âmago do cancioneiro norte americano e a aproximação a ambientes mais psicadélicos pressente-se em A Domestic Zone e em Do You Have Romantic Courage. O single é uma canção que deve a sua pujança à bateria e ao baixo, instrumentos com os quais a voz de Ryan encaixa na perfeição, algo sublimado com os coros que preenchem o refrão.
Mas o som dos Hallelujah The Hills também é capaz de ir à costa oeste, com o cariz lo fi mais típico da Califórnia a prevalecer em temas como We Are What We Say We Are, onde as guitarras aproximam-se particularmente do surf rock típico da década de sessenta.
Have You Ever Done Something Evil? é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, que se destaca particularmente em Destroy This Poem e em The Possible Nows, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.
Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Have You Ever Done Something Evil? usa letras simples e guitarras aditivas, sendo clara a capacidade deste quinteto norte-americano em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que tem-se repetido à medida que cresce o catálogo da banda, que vai compilando com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Ryan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Hallelujah The Hills - Have You Ever Done Something Evil

01. We Are What We Say We Are
02. Try This Instead
03. Destroy This Poem
04. Do You Have Romantic Courage?
05. I Stand Corrected
06. Home Movies
07. A Domestic Zone
08. Pick Up An Old Phone
09. The Possible Nows
10. MCMLIV (Continuity Error)
11. Phenomenonology
12. You Got Fooled

 


autor stipe07 às 22:00
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Joseph Arthur – Lou

Lançado no passado dia treze de maio por intermédio da Vanguard Records, Lou é o novo disco de Joseph Arthur, um álbum de tributo a Lou Reed e que conta com as participações especiais de Mike Mills e Peter Buck, dos R.E.M..

Génio da indie folk e multi-instrumentista de créditos firmados, Arthur era amigo de Lou Reed, um artista fundamental na história da música dos últimos quarenta anos e que, como certamente todos se recordam, faleceu o ano passado. Lou é uma homenagem a essa figura incontornável da história do rock e a coletânea inclui doze originais de Reed interpretados por Arthur, sem nenhum instrumento elétrico, apenas com a voz, o piano e a viola a sustentarem as canções.

Com especial destaque para a versão de Walk On The Wild Side, talvez o tema mais conhecido da carreira de Lou Reed, mas onde também se incluem belíssimas versões de temas como Heroin ou as menos conhecidas Magic and Loss ou Coney Island Baby, Lou faz uma bonita e emocional súmula da carreira desse artista, em forma de homenagem profundamente sincera, com as próprias opções instrumentais de Arthur a serem fundamentais para realçar o cariz intimista e singelo de canções cm arranjos e letras que falam por si, que conseguiram sobreviver irosamente à erosão dos anos e que neste nova roupagem soam mais ainda atuais e profundamente harmoniosas. São, no fundo, novas pinturas sonoras, carregadas de imagens evocativas de outros tempos, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de luz e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade de Arthur para expressar a sua profunda admiração por Reed.

Em Lou ecoam os clássicos com os quais Reed cresceu, cheios de letras assombrosas e camadas delicadas do sons e ritmos. Em termos de letras, aquela espécie de fantasmagoria típica de Reed impregna a poesia das canções e esta homenagem de Arthur é um compêndio extraordinário que nos recorda tempos idos, sonhos e um músico especial que não está mais aqui, mas que ainda existe na nossa memória e no coração de muitos de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Joseph Arthur - Lou

01. Walk On The Wild Side
02. Sword Of Damocles
03. Stephanie Says
04. Heroin
05. NYC Man
06. Satellite Of Love
07. Dirty Blvd.
08. Pale Blue Eyes
09. Magic And Loss
10. Men Of Good Fortune
11. Wild Child
12. Coney Island Baby

 


autor stipe07 às 16:53
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Terça-feira, 17 de Junho de 2014

Sharon Van Etten – Are We There

Sharon Van Etten é resistente e não desiste. Apaixonada, persistente e impulsiva, é uma mulher madura que não desiste de perseguir os seus sonhos mais verdadeiros e raramente se envergonha por amar e por usar a música como forma de exorcizar os seus fantasmas e dar vida aos seus maiores devaneios. Lançado no passado dia vinte e seis de maio pela insuspeita Jagjaguwar, Are We There é mais um capítulo desta sua saga pessoal, o quarto álbum da carreira de uma cantora e compositora que com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós.


Produzido pela propria SharonAre We There sucede ao aclamado Tramp, um trabalho que foi produzido por Aaron Dessner, dos The National e que, tendo sido tão elogiado, houve quem achasse que a bitola qualitativa do mesmo deveu-se, apenas e só, ao leque de convidados que Sharon agregou em seu redor nesse disco. Desta vez ela resolveu tomar as rédeas de todas as etapas do álbum e superou, na minha opinião tudo aquilo que já tinha conseguido apresentar no seu catálogo.

Escuta-se Are We There e o que mais impressiona é uma enorme sensação de sinceridade e o cariz fortemente genuíno das canções. A cantora construiu belíssimas melodias pop que se entrelaçaram com as letras e com a sua voz marcante com enorme mestria e, ao mesmo tempo, palpita uma notória sensação institntiva, como se ela tivesse deixado fluir livremente tudo aquilo que sente e assim potenciado a possibilidade de nos emocionarmos genuinamente com estas canções.

Sente-se que Sharon deu tudo, que não se escondeu nem se poupou, melodicamente e sentimentalmente e, por isso, todas as canções causam impacto e estão carregadas de sentimento. Ela foi simples e assertiva, sem deixar de nos tocar e de construir algo que podemos usar para explicar as nossas próprias angústias e dores. Ao repetir frases e expressões com a mesma melodia, mas onde uma única palavra é trocada ou adicionada, mudando todo o sentido da frase inicial, conseguiu transmitir uma sensação de continuidade de raciocínio, de passagem de tempo, com destaque, nesta estratégia, para o que propôs em Our Love.

Há uma fluidez nos arranjos que eleva para patamares de excelência essa importante vertente e do trompete de Tarifa ao piano descomunal de I Love You But I'm Lost ou I Know, passando pela percussão épca de You Know Me Well, tudo é equilibrado, faz sentido e ajuda a criar a imagem de uma Sharon com um coração quente mas com os pés bem firmes na terra, no Tennessee onde nasceu e para onde voltou recentemente, o local onde ela se sente mais confiante e sedutora, mas, nem por isso, menos densa.

Em Are We There, Sharon Van Etten torna claro que, às vezes, mais difícil do que murmurar sobre o amor é enfrentar o amor em si e aceitar o cariz frequentemente finito do mesmo, enquanto sentimento com contornos tantas vezes ambíguos e irracionais. O amor tem múltiplas facetas e este disco serve para nos nos ensinar como abrir o sotão onde guardamos as nossas dores e receios. Muitas vezes, vivemos uma vida inteira sem tocar nele com receio dos fantasmas que possamos despertar. Talvez seja mais fácil fazê-lo ao som deste disco. A única certeza do amor é mesmo ser sempre incerto. Espero que aprecies a sugestão...

Sharon Van Etten - Are We There

01. Afraid Of Nothing
02. Taking Chances
03. Your Love Is Killing Me
04. Our Love
05. Tarifa
06. I Love You But I’m Lost
07. You Know Me Well
08. Break Me
09. Nothing Will Change
10. I Know
11. Every Time The Sun Comes Up


autor stipe07 às 22:37
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2014

Papercuts – Life Among The Savages

Editado no passado dia doze de maio por intermédio da Easy Sound Recording Co., Life Among The Savages é o novo longa duração dos Papercuts, um projeto musical oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América, liderado por Jason Robert Quever e que só não é um típico projeto a solo porque conta com a ajuda constante dos músicos David Enos, Frankie Koeller e Graham Hill, entre outros.

Desde o já longínquo ano de 2000 que os Papercuts dão cartas no universo indie rock na sua vertente mais pura e na folk com um pendor algo psicadélico e, dentro destes dois pilares, sempre se mantiveram fiéis a um fio condutor que exploram, até à exaustão e com particular sentido criativo. Still Knocking At The Door abre Life Among The Savages e percebe-se, imediatamente, com o clima sonoro que se escuta, abrilhantado pelo faslete de Jason, que há aqui atributos suficientes para afirmar que os Papercuts serão uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual.

Mestres na construção de melodias, ao quinto disco os Papercuts aprimoram o habitual cruzamento feliz que costumam encetar entre elas e a voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Assim, em pouco mais de meia hora, as nove canções de Life Among The Savages juntam as típicas cordas da folk com riffs de guitarra cheios de distorção e alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

O tema homónimo é um bom exemplo de como na indie folk também cabem elementos menos clássicos e mais ruidosos, com o sintetizador a conferir à canção um sugestivo pendor pop e que melodicamente cola-se com enorme mestria ao nosso ouvido. No entanto, há outros momentos que merecem amplo destaque e um deles é, sem dúvida, o jogo de cruzamentos entre o baixo das cordas e da viola no início de Staring At The Bright Lights, uma canção que sobressai no alinhamento devido à sua duração e à toada lenta que hipnotiza pelo clima denso e sombrio, mas épico, potenciado pelo aumento progressivo do nível de distorção da guitarra.

Até ao final do disco, também não pode ser ignorado o grande momento folk do disco encarnado por Family Portrait, o piano jovial e vintage de Easter Morning, a dedicatória sentida e feliz, sustentada pelo dedilhar sóbrio, mas emocionado e cheio de luz de Psychic Friends e Afterlife Blues, um tema que nos remete para o universo dos The Smiths, em especial no que diz respeito aos arranjos das cordas e à secção rítmica. O disco encerra com Tourist, uma canção monumental e com um forte cariz orquestral que nos leva numa viagem a um passado algo distante, até aos meandros da mais radiante psicadelia que os Led Zeppelin nos deixaram como herança e onde a voz de Jason atinge o auge interpretativo

A receita de Life Among The Savages é extremamente assertiva e eficaz. Entre cordas, um baixo vibrante, o falsete de Jason, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Escutar este disco acaba por ser uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das tais referências noise, folk e psicadélicas. Espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Life Among The Savages

01. Still Knocking At The Door
02. New Body
03. Life Among The Savages
04. Staring At The Bright Lights
05. Family Portrait
06. Easter Morning
07. Psychic Friends
08. Afterlife Blues
09. Tourist

 


autor stipe07 às 18:15
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

The Pains Of Being Pure At Heart – Days Of Abandon

Depois do homónimo registo de estreia edtiado em 2009 e do aclamado sucessor, Belong, lançado dois anos depois, a mesma fórmula assertiva que propõe verdadeiros tratados de indie pop açucarada, épica e cheia de luz, é a pedra de toque que sustenta o alinhamento de Days Of Abandon, o novo disco do projeto The Pains Of Being Pure At Heart, de Kip Berman e que, segundo o próprio, é um disco alegre e cheio de luz, apesar de, em determinadas canções, abordar temas sombrios e menos otimistas, com o lado mais complicado do amor e as experiências típicas de jovens adultos a serem o pão que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos.

Oriundo de Nova Iorque, Berman consegue realmente ser um prodígio na criação de canções que estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, um pouco à imagem da dicotomia e deste contraste agridoce de uma cidade que nunca dorme, mas que, apesar dessa constante animação, também é conhecida por albergar histórias de vida trágicas e por nem sempre corresponder aos desejos de quem aí procura o sonho americano.

Com uma mão na indie pop e a outra no noise e no shoegaze vintage, reinventado com particular mestria há uns trinta anos, The Pains Of Being Pure At Heart debruça-se sobre a melancolia e a nostalgia com canções cheias de ritmo e de audição simples, daquelas que provocam um inevitável sorriso, mesmo em quem vive momentos de menor predisposição para apreciar música alegre, com ritmo e luz. Kelly, uma canção que carrega consigo a herança dos The Smiths e Eurydice são dois temas que nos fazem abanar a anca quase sem nos apercebermos e que nos arrancam um sorriso que será sempre espontâneo.

Impecavelmente produzido, Days Of Abandon impressiona pela limpidez e pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários. É uma espécie se som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes â mente que a possiblitem absorver com detalhe e nitidez um alinhamento de dez canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou nos dois discos anteriores e que são uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo, que temas como Simple and Sure ou A Teenager In love claramente demonstram.

Days Of Abandon começa e termina em poucos instantes, quase sem darmos por isso. E, pelo meio, passaram cerca de quarenta minutos cheios de boas melodias e de confissões (The Asp In My Chest), memórias que The Pains Of Being Pure At Heart foi armazenando num espaço familiar e doce, transformado em disco por um dos vocalistas e guitarristas mais interessantes e promissores do cenário indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão... 

The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon

01. Art Smock
02. Simple And Sure
03. Kelly
04. Beautiful You
05. Coral And Gold
06. Eurydice
07. Masokissed
08. Until The Sun Explodes
09. Life After Life
10. The Asp At My Chest

 


autor stipe07 às 17:51
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