Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2016

De Rosa – Weem

Os escoceses De Rosa são mais um daqueles segredos bem guardados do nicho sonoro alternativo, que merece sair da penumbra e chegar a um público mais alargado, devido a uma filosofia sonora que privilegia uma simbiose feliz entre um indie rock lo fi e um charme melódico contemplativo capaz de abanar algumas convenções e de despertar no íntimo de ouvintes mais devotos algumas sensações que nem sempre são de simples análise e justificação.

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Oriundos de Lanarkshire, uma pequena cidade das Highlands e formados por Martin John Henry, Neil Woodside e James Woodside, já andam há algum tempo à procura do justo reconhecimento, com três discos em carteira, tendo o último, um trabalho intitulado Weem, sido lançado no passado dia vinte e dois à boleia da Rock Action Records. Já agora, os outros dois registos discográficos destes De Rosa intitulam-se Mend e Prevention e viram a luz do dia através da Chemikal Underground Records, uma conceituada editora de Glasgow.

Com onze canções alicerçadas em cordas que procuram sempre um timbre sensível e delicado, Weem é um oasis sereno e luminoso por onde deambulam canções que transportam um interessante grau de criatividade e inedetismo. Logo na abertura, os efeitos ecoantes de Spectre e o suspiro minimal dos metais, ao deixarem-se dominar pela majestosidade da bateria e das distorções da guitarra, mostram uma relação feliz entre uma pop experimental e um rock progressivo, um universo muito específico que percorre vias menos óbvias e não descura um intenso sentido melódico. Depois, no ambiente soturno, mas aconchegante de Lanes e na inquietante brisa que escapa da monumentalidade instrumental de Fausta, convencemo-nos que este é um disco que nos oferece tantos lugares diferentes, uma ambição salutar e diferentes texturas e possíveis leituras das mesmas. Em Scott Frank Juniper, por exemplo, apreciamos uma música que subsiste num agregado de guitarras melodiosas, uma percussão cheia de metais que pretendem vincar uma cândura muito própria, um efeito minimal mas omnipresente e outros arranjos de cordas, tudo de mãos dadas com uma voz capaz de converter uma arena inteira a uma causa impossível. Depois, no dedilhar sedutor da viola de Devils, canção com um clima acústico particularmente delicioso, na força e na altivez que emanam de The Sea Cup e no indisfarçável flirt com o rock progressivo em Chip On My Shoulder, estes De Rosa não se entregam nunca à monotonia e mostram ser sábios a criar temas que apesar de poderem ser fortemente emotivos e se debruçarem em sonhos por realizar, também servem para mostrar que é perfeitamente possível criar um disco que seja intrigante, sem deixar de ser acessível.

Disco com elevadas ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, Weem quer entrar pelos nossos ouvidos com propósitos firmes, de modo a afligir convenções, colocar em causa ideias pré concebidas e afrontar estruturas e sentimentos que julgamos ser inabaláveis, à medida que sacode os nossos sentidos com sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...

De Rosa - Weem

01. Spectres
02. Lanes
03. Chip On My Shoulder
04. Scott Fank Juniper
05. Falling Water
06. Fausta
07. Prelude To Entropic Doom
08. The Sea Cup
09. Devils
10. Lanes (Reprise)
11. The Mute


autor stipe07 às 21:25
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Tindersticks – The Waiting Room

Os Tindersticks de Stuart Staples, uma das melhores bandas que surgiu na Inglaterra nos anos noventa e que trouxe para o rock independente e alternativo uma elegância sombria inimitável, completam em 2016 vinte e quatro anos de uma carreira irrepreensível. E The Something Rain, o nono álbum deste grupo de Nottingham, lançado em 2012, tem, finalmente, sucessor. The Waiting Room, o novo e décimo álbum da carreira dos Tindersticks, viu a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da City Slang e trata-se de mais um disco conceptual, com um acompanhamento audiovisual e onde todas as canções servem de banda sonora para um leque de curtas-metragens, cada uma realizada por um realizador diferente.

Como é já habitual numa banda que entende a música como uma forma de arte superior, inigualável e fortemente impressiva, The Waiting Room exige escuta dedicada e atenta, de preferência na posse de um estado de alma descontraído, que permita saborear a verdadeira essência de onza canções que, no seu todo, constituem uma obra discográfica de qualidade superior.

Este é um disco que preza a harmonia e o aconchego auditivo e a exuberância instrumental de Second Chance Man e a misteriosa elegância de Were We Once Lovers?, canção cujo video foi realizado por Pierre Vinour, do projeto La Blogothèque e que contém uma míriade instrumental densa e elaborada, rica em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos, evidenciam este charme muito próprio e com uma matriz identitária bastante vincada.

Na verdade, os Tindersticks sempre nos habituaram a arranjos sofisticados, que depois ainda obtêm uma maior notoriedade devido à consciente pose teatral e dramática que exalam, quase sempre personificada na voz do lider da banda, resultando numa sonoridade global do disco bastante jazzística e complexa. The Waiting Room não foge a este conjunto de permissas, com Help Yourself a aprofundar este olhar jazzístico e depois, em temas como Hey Lucinda, canção que conta com a participação vocal esplendorosa de Jehnny Beth das Savages, em dueto com Staples, ou na melancólica Planting Holes, pianos, metais e xilofone, fundamentais na construção deste ideário sonoro, são instrumentos muito presentes, sempre lado a lado com a guitarra, o baixo e a bateria. 

Com o ambiente noturno e contemplativo de We Are Dreamers!, outra canção que conta com a voz de Jehnny Beth e a sofisticação de Like Only Lovers Can, chega ao ocaso um disco que demonstra cabalmente o modo como poucas bandas igualam os Tindersticks na capacidade de envolver o ouvinte, já que The Waiting Room pinta um quadro sonoro muito concreto e que nos cerca de sensações tão reais como nós próprios e os nossos medos e euforias. Espero que aprecies a sugestão...

Tindersticks - The Waiting Room

01. Follow Me
02. Second Chance Man
03. Were We Once Lovers?
04. Help Youself
05. Hey Lucinda
06. This Fear Of Emptiness
07. How He Entered
08. The Waiting Room
09. Planting Holes
10. We Are Dreamers!
11. Like Only Lovers Can


autor stipe07 às 21:00
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016

Astronauts - Civil Engineer

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e parece ter já, finalmente, sucessor.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que, servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que transmite, por exemplo, Civil Engineer, o primeiro avanço para End Codes, o próximo disco de Astronauts.

Canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre, Civil Engineer é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta, já que o efeito sibilante constante, o baixo encorpado, a percurssão hipnótica e pulsante e as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia, fazem deste tema uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Adivinha-se pois mais um disco em que Dan Carney se entregará à introspeção e além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, irá fazê-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Confere...


autor stipe07 às 22:11
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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016

Sans Parade – Artefacts

Quase três anos após um extraordinário disco de estreia homónimo, os finlandeses Sans Parade regressaram aos álbuns na reta final de 2015 com Artefacts, sete canções que abrigadas pela insuspeita Solina Records nos oferecem um cardápio sem adjetivos suficientemente claros para que possamos definir com exatidão a sua qualidade sonora.

Formados em 2009 pelo músico, cantor e escritor Markus Perttula e pelo músico de house Jani Lehto, os Sans Parade rapidamente tornaram-se num trio quando o músico de jazz Pekka Tuppurainen se juntou à dupla. Hoje o grupo é ainda maior, com músicos que dominam diferentes géneros musicais e que, além dos já referidos, também tocam a folk. Assim, esta massiva junção de géneros e influências, naturalmente iria dar origem a um verdadeiro caldeirão sonoro, algo que se escuta em Artefacts, um disco impregnado com arranjos orquestrais lindíssimos e que começou a ser incubado quando a banda se encontrava a delinear o video de Coastal Town, um dos destaques do disco anterior. Fragmentos encontrados pela câmara de filmar de uma carta rasgada junto a uma ponte, provavelmente relacionada com o ocaso de uma relação amorosa e escrita por uma adolescente que terá sofrido a sua primeira desilusão amorosa, provocaram um click imediato na banda, tal era a profundidade e a autenticidade dos sentimentos plasmados no documento encontrado. 

Depois de destruirem esses fragmentos da carta através de um ritual verdadeiramente catártico, os Sans Parade arregaçaram as mangas e puseram mãos à obra, começando por olhar com particular atenção, para excertos da opera Einstein On The Beach, de Philip Glass, além da carta acima referida, que inspirou porfundamente, por exemplo, Letter Fragments Found On The Halinen Bridge, o tema que encerra Artefacts. Outros excertos de escrita utilizados nas canções foram frases incrustadas em mesas de madeira de restaurantes, inscrições em casas antigas, provérbios chineses e até linhas de programação informática. Todos estes fragmentos inspiraram a banda e deram um sentido a alguns eventos anteriores da mesma, nomeadamente em Chinese Wisdoms on the Road to Jiuzhaighou, que relata uma viagem do grupo à região chinesa de Sichuan, no outono de 2011, ou The Premises Of A Life That Could Have Been Yours, canção que se debruça nas memórias de infância relacionadas com o percurso escolar de alguns elementos do grupo. Já Hyperborea vê o ideário sa sua exuberância instrumental ser sustentado e inspirado pelo conteúdo de Kalevala, a epopeia nacional da Finlândia, escrita e compilada por Elias Lönnrot.

Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir, já que este grupo tem, como referi, as suas raízes num ponto do globo artisticamente muito criativo e assenta a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock, com post rock e alguns elementos eletrónicos, os Sans Parade deixam aqui bem claro que fizeram mais um disco perfeito para quem tem necessidade de se afundar em sonoridades etéreas para ganhar um novo ânimo e assim deixar para trás as adversidades. O conteúdo orquestral de Chinese Wisdoms on the Road to Jiuzhaighou, um tema que expande os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e origina uma explosão que nos faz levitar, é um excelente exemplo desta receita que exige que não deixemos escapar nenhum dos imensos detalhes sonoros, enquanto nos deixamos engolir pela voz cândida de Perttula, que soa, quase sempre, a uma perfeição avassaladora e onde custa identificar um momento menos inspirado.

Artefacts é uma espécie de súmula da amálgama de elementos e referências sonoras que inspiram os Sans Parade, o que confere ao disco uma ímpar catalogação, ao mesmo tempo que o seu conteúdo nos conduz para lugares calmos e distantes, que depois nos deixam marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão...

Sans Parade - Artefacts

01. Fenland Tenebrae
02. Hyperborea
03. Chinese Wisdom On The Road To Jiuzhaigou
04. The Premises Of A Life That Could Have Been Yours
05. Farmer’s Tale For A Prepared Piano
06. Of November And Programming
07. Letter Fragments Found On The Halinen Bridge


autor stipe07 às 20:36
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Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016

Villagers – Where Have You Been All My Life?

Os irlandeses Villagers são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo indie folk europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical. Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, acabaram por resolver agregar alguns dos temas mais significativos de Becoming a Jackal (2010), {Awayland} (2013) e Darling Arithmetic (2015), dando assim origem a Where Have You Been All My Life?, um álbum editado a oito de janeiro último, através da Domino Records e que nos oferece não apenas uma simples compilação de sucessos, mas uma narrativa muito pessoal e autobiográfica de um cantor e compositor extraordinário, que se debruça frequentemente sobre a temática da sexualidade e os desafios emocionais que a questão da sua homossexualidade lhe tem colocado nos anos mais recentes.

Com o apoio inestimável de Richard Woodcraft, um dos elementos fundamentais da retaguarda dos Radiohead e do engenheiro de som Ber Quinn, os Villagers assentaram arraiais nos estúdios RAK, em Londres e regravaram os doze temas do alinhamento de Where Have You Been All My Life?, adaptando os novos arranjos de modo a que fluissem como uma narrativa homogénea e linear, a exata sensação que a audição do álbum nos oferece.

Se temas como Set The Tigers Free ou Everything I Am Is Yours não defraudam a implacável herança folk que foi tipificando o som do Villagers, já o dedilhar de cordas de Darling Aritmethic e de The Souls Serene ou o baixo impulsivo de Memoir oferecem-nos um olhar mais vincado sobre o modo como Conor consegue entrelaçar letras e melodias e adicionar ainda belos arranjos, de forte teor sentimental, caraterísticas que fazem deste coletivo irlandês não só uma referência essencial e obrigatória no género, mas também um bom aconchego para alguns dos nossos instantes mais introspetivos e fisicamente intimistas.

Seja como for, o meu grande destaque deste trabalho acaba por ser, sem dúvida, até pela temática, Hot Scary Summer, uma canção onde o autor canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (all the pretty young homophobes looking out for a fight); É nesta canção que Conor amplifica inteligentemente o modo como em Villagers fala de si e das suas experiências e esse ênfase, ampliado pela cândura do seu falsete, acaba por fazer com que se dispa totalmente, exalando uma vincada veia erótica.

Terminando com uma lindíssima versão de Wichita Lineman, um original de 1968 da autoria de Glen Campbell, já revisto por nomes importantes como os R.E.M., Where Have You Been All My Life? contém instantes sonoros de superior magnificiência, em que é possível sentirmos que estamos abraçados ao líder desta banda, a partilhar o mesmo espaço físico da mesma, completamente desprovidos de qualquer defesa, enquanto testemunhamos o modo como Conor se entrega a uma aritmética amorosa, onde está em causa não só o modo como gere a sua relação com o amor, mas também consigo mesmo e os seus próprios conflitos emocionais. Espero que aprecies a sugestão...

Villagers - Where Have You Been All My Life

01. Set The Tigers Free
02. Everything I Am Is Yours
03. My Lighthouse
04. Courage
05. That Day
06. The Soul Serene
07. Memoir
08. Hot Scary Summer
09. The Waves
10. Darling Arithmetic
11. So Nave
12. Wichita Lineman


autor stipe07 às 20:51
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2016

Tindersticks – Were We Once Lovers?

Tindersticks - Were We Once Lovers

Os Tindersticks, uma das melhores bandas que surgiu na Inglaterra nos anos noventa e que trouxe para o rock independente e alternativo uma elegância sombria inimitável, completam em 2016 vinte e quatro anos de uma carreira irrepreensível. E The Something Rain, o nono álbum deste grupo de Nottingham, lançado em 2012, parece ter finalmente sucessor.

The Waiting Room, o novo e décimo álbum da carreira dos Tindersticks, vai ver a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da City Slang e Were We Once Lovers? é o mais recente single divulgado de um disco conceptual, com um acompanhamento audiovisual e onde todas as canções servem de banda sonora para um leque de curtas-metragens, cada uma realizada por um realizador diferente.

O video de Were We Once Lovers? foi realizado por Pierre Vinour, do projeto La Blogothèque e a canção contém uma míriade instrumental densa e elaborada, rica em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos. Confere...


autor stipe07 às 20:21
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2015

My Autumn Empire – Dreams Of Death And Other Favourites

Natural do condado de Staffordshire, na Inglaterra, Benjamin Thomas Holton é a mente brilhante por trás do projeto My Autumn Empire e Dreams Of Death And Other Favourites o seu novo registo discográfico, um álbum lançado no início do passado mês de novembro e mais uma obra conceptual de um autor que gosta de se debruçar sobre uma determinada temática e torná-la transversal a cada novo alinhamento de canções que apresenta. Se The Visitation, o disco anterior, era inspirado em imagens televisivas, na complexidade das relações humanas e no imenso espaço sideral, tantas vezes o maior ponto de encontro de imensos dos nossos sonhos, este Dreams Of Death And Other Favourites mantém o contexto espiritual, virando agulhas para a temática mais densa da morte, não como o ocaso infalivel ao qual ninguém escapa, mas fazendo parte do percurso que cada um de nós trilha neste universo, em determinado hiato espacial e temporal, cujo fim ninguém conhece ou alguma vez testemunhou com clareza.

Cheio de cordas exuberantes, acordes magistrais e uma extrema sensibilidade melódica que The Following, o tema de abertura, desde logo demonstra, caraterísticas que se aliam a um Hotlon vocalmente sumptuoso e delicado, Dreams Of Death And Other Favourites é um belíssimo tratado de indie folk, um disco que transborda uma imensa sinceridade e onde o autor compôs não só de modo a espicaçar a nossa mente para a temática da morte, do que está para além dela e da vida como algo curto e passageiro e que, por isso, merece ser apreciado e aproveitado ao máximo, mas também escrevendo um conjunto de letras e versos que transbordam modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, onde não faltam as angústias do amor não correspondido, intensamente óbvias no telefone que não toca em Death Song ou nas sensações etéreas descritas por uma espécie de fantasma que se confessa na formosa e delicada The Beautiful Golden.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Benjamim entregou-se então à introspeção e refletiu sobre a inevitável perca do outro, que pode ser não só o adeus físico mas também a ausência espiritual de quem ainda respira junto de nós mas já não vive afetivamente connosco, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora.

Com momentos que apelam à folk pop melancólica mais negra e introspetiva, também não faltam ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica, presentes não só na já referida The Beautiful Golden, mas também nos ecos e nos efeitos que planam em redor da viola que conduz Garden Echoes. Seja como for, tal opção por uma produção crua e algo rugosa, impregnada com ruídos constantes e uma névoa sonora incontida, nunca coloca em causa a faceta eminentemente acústica de um disco que à medida que escorre pelos nosso ouvidos, nos oferece uma altruísta beleza utópica, feita de belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de sentimentos e dores comns a qualquer mortal que preza essa sua caraterística e, por causa dela, procura tirar o maior proveito possível da sua existência, podendo fazê-lo embalado por estas oito canções que parecem emergir de um sono profundo e que ao ganharem vida se convertem num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido, com que todos nós contatamos pelo menos uma vez na vida.

Da viola que se deixa dominar e permite ser dedilhada sem contemplações ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, em Dream Of Death And Other Favourites tudo se movimenta de forma sempre estratégica e sumptuosa, como se cada mínima fração do disco tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. A constante sobreposição de texturas e sopros criam um sepulcro imenso e ilimitado de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando este disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...

My Autumn Empire - Dreams Of Death And Other Favourites

01. The Following
02. Death Song
03. Forcefield
04. Black Shape
05. The Beautiful Golden
06. Garden Echoes
07. Murrain
08. Willows In The Close

Website
[mp3 320kbps] ul ob zs uc


autor stipe07 às 21:03
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Sábado, 28 de Novembro de 2015

Guy Garvey – Courting The Squall

Vocalista dos britânicos Elbow, Guy Garvey acaba de se estrear nos registos a solo com Courting The Squall, um trabalho que viu a luz do dia no final do passado mês de outubro e imbuído com um som épico e eloquente, mas particularmente intimista e luminoso e que exige profunda dedicação. Com as participações especiais de Nathan Sudders (The Whip), Pete Jobson (I Am Kloot), Ben Christophers e Alex Reeves, Courting The Squall foi, de acordo com algumas crónicas, etilicamente bem regado durante o período de gravação e a verdade é que o seu conteúdo verbaliza sonoramente uma necessidade quase biológica de se viver a ressaca emocional que as partidas e as chegadas de várias pessoas ao núcleo da nossa existência provocam no equilíbrio emocional de cada um, da autoria de um músico, compositor e enorme poeta que faz questão de ser profundo e conciso na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir.

Num disco perfeito para ser escutado num dia sem compromissos e em que sentimos necessidade de pensar em nós mesmos e no que nos rodeia, Guy Garvey mostra-se cada vez mais seguro na sua prestação vocal e fora do casulo sonoro que tipifica o adn sonoro dos Elbow, arrisca novos registos, mais expostos e enaltecidos. Apesar da recente dolorosa separação de Guy da escritora Emma Jane Unsworth, ainda é no amor e nas emoções fortes que esse sentimento exala, embrulhadas em temas simples, adornados com enorme versatilidade e um elevado pendor pop, que este autor sustenta um cosmos sonoro que o distingue dos demais. E isso encontra-se plasmado quer no ambiente clássico e charmoso do irrepreensível tema homónimo, assim como no esplendor da preciosa e inocente Harder Edges e na intensidade das cordas e do acordeão de Juggernaut. Mas é, no entanto, na crueza do blues e do jazz, exemplarmente replicada na graciosa Angelas's Eyes e de modo mais intimista e até algo boémio e lo fi, no dueto sensual que partilha com Jolie Holland na calorosa e aconchegante Electricity, canção que transforma o nosso leitor digital num antigo transistor de bobines, que Garvey se transforma num apurado artista, disposto a sair do nicho indie e alternativo para procurar atingir um universo mais abrangente e onde vão reinando várias referências obrigatórias da história da música da segunda metade do século passado, algures entre Paul Simon, Randy Newman e Sinatra. Seja como for, é no cinzento quase erótico que transpira do baixo de Unwind que, na minha opinião, se confere o momento maior de Courting The Squall, canção onde o minimalismo é apenas sinónimo de aparência, desfilando nela e perante os nossos sentidos uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, enquanto Garvey nos sussurra ao ouvido tanto daquilo que carateriza a passagem de qualquer comum mortal por este mundo e, acima de tudo, a celebração da vida como uma dádiva que, tantas vezes com uma linha ínfima a separar o gozo supremo da perca mais dolorosa, deve ser aproveitada ao máximo.

Em dez canções onde abunda uma virtuosa complexidade no processo de composição e nos arranjos que as sustentam, Guy Garvey transforma as suas histórias pessoais em canções, numa cruzada sonora intensa, próxima e subtilmente encantadora e que faz deste músico britânico um poeta exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas, que sabe, de forma bastante peculiar e única, como converter simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Espero que aprecies a sugestão...

Guy Garvey - Courting the Squall

01. Angela’s Eyes

02. Courting The Squall
03. Harder Edges
04. Unwind
05. Juggernaut
06. Yesterday
07. Electricity
08. Belly Of The Whale
09. Broken Bottles And Chandeliers
10. Three Bells


autor stipe07 às 14:50
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2015

We Are The City – Above Club

Oriundos de Vancouver, os canadianos We Are The City são Cayne McKenzie, David Menzel e Andrew Huculiak, um trio de regresso aos discos com Above Club, depois de já no início deste ano nos ter surpreendido com Violent, um trabalho produzido por Tom Dobrzanski e os próprios We Are The City e que abraçava a indie pop com o rock luxuriante, num ritmo e cadência certas, abraço esse que continha uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que compilava um interessante leque de influências, com uma óbvia filosofia vintage.

Above Club mantém a receita de Violent e neste disco conferimos uma dialética sonora assente numa liberdade de expressão melódica e criativa, que é a pedra de toque de oito canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Logo na panóplia de efeitos e detalhes de Take Your Picture With Me While You Still Can percebe-se que este trio não está preso e limitado a uma fronteira sonora claramente definida, tateando diferentes espaços e espetros, plasmados em curiosos detalhes que, no caso de Keep On Dancing, tanto podem ser um simples toque num teclado, como uma batida compassada num tambor, à medida que os sintetizadores debitam, sem nexo aparente, variados ruídos que a voz e a guitarra ajudam a acomodar.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes We Are The City não se intimidam na hora de compôr e deixam o arsenal instrumental que lhes foi colocado à disposição divagar livremente, compondo temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada de cor, festa e alegria, onde terá havido certamente um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a músicas que gostam.

Em Heavy As A Brick o trio aponta as agulhas para uma eletrónica algo minimalista, mas acessível, mas mesmo nesse tema a irregularidade da percussão, alguns efeitos metálicos e as variações de ritmo e de intensidade, abastecem uma filosofia sonora bastante aditiva e peculiar, que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Aparentemente crua e despida de conteúdo, Cheque Room é uma das canções que melhor condensa este casamento feliz entre dois mundos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, audível no modo como um simples efeito de uma guitarra elétrica, uma percussão estridente e um sintetizador deambulante se cruzam e dão as mãos para nos oferecer uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. Mas a amplitude dramática que exala de Kiss Me, Honey também consegue este efeito intenso e algo inebriante.

A sirene estridente, o piano melancólico e o registo vocal sincero e incondicional que abrigam Lovers In All Things e o efeito abrasivo de Sign My Name Like QUEEN são apenas mais dois compêndios de detalhes que colocam a nú o imenso ecletismo destes We Are The City, capazes de nos levar à boleia dos seus pensamentos mais inconfessáveis, enquanto falam emocionadamente sobre o amor, deixando-nos descobrir plenamente a sobriedade sentimental que marca a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve o trio, já que nestas canções consegues sentir a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este projeto verdadeiramente único.

Ouvimos cada uma das oito músicas de Above Club e conseguimos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que as esculpiram, com as guitarras a não se situarem sempre na primeira fila daquilo que se escuta, mas a serem o fio condutor que suporta aqueles simples detalhes que fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Este é um exercício prático claramente bem conseguido de conjugação de diversas camadas de instrumentos, que nos oferecem paisagens grandiosas e significativas, arrebatadores banquetes de sedução, servidas em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico que contorna todas as amarras que prendem a nossa alma, apresentando, desse modo, a notável disponibilidade dos We Are The City para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

We Are The City - Above Club

01. Take Your Picture With Me While You Still Can
02. Heavy As A Brick
03. Keep on Dancing
04. Sign My Name Like QUEEN
05. Club Music
06. Cheque Room
07. Lovers In All Things
08. Kiss Me, Honey


autor stipe07 às 20:56
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2015

Bússola - Bússola

Conhecido por algumas deambulações pelo rock e pela eletrónica e que chegaram a incluir a composição de temas para jogos de computador, o leiriense Pedro Santo regressou á sua cidade natal em 2013, também cheio de vontade de criar uma banda, tendo assim nascido a Bússola, um quinteto que se serve da voz, guitarras, acordeão, contrabaixo e bateria para criar canções que vivem num certo cruzamento espetral e meditativo, que pode também ser uma receita eficaz para a preservação da integridade sentimental e espiritual de cada um de nós, duas das facetas que, conjugadas com a inteligência, nos distinguem a nós humanos, dos outros animais.

A Pedro Santo juntam-se neste projeto José Carlos Duarte (bateria), Adelino Oliveira (contrabaixo) e Tiago Ferreira (acordeão) e Nuno Rancho (voz e guitarra). Tudo começou com uma simples demo, que foi sendo trabalhada no verão desse ano de 2013, até se chegar ao produto final que é este Bússola, um EP com cinco canções editadas pela Omnichord Records e que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da folk, nomeadamente uma voz sentida, um dedilhar de cordas vibrante, arranjos de acordeão sublimes e a bateria, o contrabaixo e a guitarra elétrica a darem substância e cor às melodias.

Primeiro passo concreto para um longa duração que deverá chegar aos escaparates no próximo ano, Bússola é, na minha opinião, uma estreia particularmente inspirada, já que assenta numa certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgem nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do alinhamento uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. Na verdade, o arsenal instrumental da contemplativa Come Home, que inclui um contrabaixo e as teclas de um acordeão, e o modo como se misturam com as cordas de uma viola, assim como a extrema sensibilidade que escorre do lindissimo registo vocal de Nuno, são sintomáticos da enorme fragilidade sedutora que este EP transpira por todos os poros.

Analisar a música destes Bússola e não salientar a voz de Rancho é desprezar um elemento fulcral da sua criação artística, já que ela torna-se num fio condutor das canções, seja através de um registo sussurrante, ou de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes, casando com as cordas, contrasta com a natural frieza das teclas e da percussão, porque expondo-se à boleia de uma folk intimista e sedutora, esta não sobrevive isolada e ganha uma dimensão superior ao abrigar-se num arsenal de cordas que incorporam a densidade e a névoa sombria que esta música exige e que em The End Of time, o momento alto deste EP, ganha contornos superiores de magnificiência e majestosidade.

Uma análise justa a este Bússola só fica completa se não for colocada de parte a componente lírica destas cinco composições. De acordo com a banda, na entrevista que concedeu a este blogue e que podes conferir abaixo, as músicas espelham estados de espirito. Se por um lado estas músicas comprometem e se tornam algo incómodas quando temos de falar sobre elas, por outro são honestas e a verdade é que na escrita das canções, parece ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica de escrever sobre aquilo que existe em redor, em vez de serem inventadas, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais a banda nunca teria à partida de se comprometer

Bússola é de uma subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que são já um referencial obrigatório de alguns dos melhores momentos musicais nacionais deste ano e que personificam uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual. Espero que aprecies a sugestão...

Bússola

Come Home
Looking For You
Uneasy
One Way Ride
The End Of Time

Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de Bússola, o vosso primeiro registo discográfico, começo com uma questão clichê… Como é que nasceu este projeto?

Bússola nasce no verão de 2013 aquando o meu (Pedro) regresso à cidade de Leiria. Trazia comigo um conjunto de canções na guitarra que achei que faziam sentido trabalhar como banda. Assim, gravei uma pequena demo e convidei a malta para montar este projecto. 

Com cinco canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da folk, nomeadamente uma voz sentida, um dedilhar de cordas vibrante, arranjos de acordeão sublimes e a bateria, o contrabaixo e a guitarra elétrica a darem substância e cor às melodias, Bússola é, na minha opinião, uma estreia particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram, no vosso seio, para este primeiro passo de um percurso que espero que venha a ser longo?

Este é o nosso primeiro trabalho discográfico. Embora seja um EP, depositámos neste disco bastante trabalho. Temos esperança que este disco seja a ponte entre a nossa música e o público, e que seja um teaser para o LP que contamos lançar em 2016.

Olhando um pouco para a escrita das canções, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica de escreverem sobre aquilo que vos rodeia, em vez de inventarem, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais nunca teriam à partida de se comprometer? Acertei na mouche ou o meu tiro foi completamente ao lado?

Sim, acertaste na mouche. Conteúdo, acaba por não ser bem uma opção de escrita mas mais um reflexo expontâneo de momentos de reflexão sobre o passado. É raro haver uma ideia para um tema pre-concebida na composição e estas músicas espelham estados de espirito. Se por um lado estas músicas comprometem e se tornam algo incómodas quando temos de falar sobre elas, por outro são honestas, e não fariam sentido doutra forma. 

Confesso que o que mais me agradou na audição de Bússola foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?

A maioria dos temas neste disco nasce de canções na guitarra que são na sua essência  simples. No entanto existe muito trabalho nos arranjos. O processo de compor e trabalhar os arranjos raramente foi  linear ou simples, e houve na grande maioria dos temas deste EP bastante debate e experimentação, inúmeros avanços e recuos. Esta procura e experimentação na sala de ensaios acaba por definir a sonoridade que temos como banda. Se por um lado existe um cunho grande de folk na nossa música, considero que a nossa música não se apresenta de uma forma tão linear, e julgo que esse aspecto nos dá uma sonoridade algo singular.  

Adoro a canção The End Of Time. E o grupo, tem um tema preferido em Bússola?

Sim, também temos uma canção favorita. É o The End Of Time também. :)

Bússola foi produzido por um dos integrantes da banda, nomeadamente o Pedro Santo. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?

Confrontados com os custos e compromissos que evolvem gravar em estúdios acabamos  por optar por tomar essa decisão logo de início. Mais tarde e devido a alguns atrasos recorremos à ajuda da Suse Ribeiro dos estúdios Valentim de Carvalho que, para além da masterização do album, também misturou o tema Uneasy.

A Omnichord Records é a casa de alguns dos nomes fundamentais do universo sonoro musical nacional. É importante para vocês pertencer a essa família que parece apostar convictamente no vosso trabalho?

Estamos muito gratos em pertencer a esta família. A Omnichord têm sido incansável nos seus esforços para promover inúmeras bandas e o seu trabalho.  É com muito orgulho que vemos o nosso disco agora fazer parte do espólio da editora.


autor stipe07 às 22:55
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