Sábado, 18 de Abril de 2015

Afonso Pais - Terra Concreta

Afonso Pais, nascido em Lisboa em 1979, tem formação em piano e bateria, mas escolheu a guitarra, intensificando os estudos na escola de jazz do Hot Clube de Portugal e na New School University, nos Estados Unidos. Gravado em estúdios de gravação ao ar livre, em Parques Naturais nacionais e no Vale de Darnum, na ilha do Borneu, com a captação de instantes sonoros únicos e, por isso, irrepetíveis, Terra Concreta é a nova menina dos olhos deste músico, um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, nascido com o propósito firme de transportar o ouvinte para esses locais e de levar a música de regresso às suas origens, sendo a natureza fonte de inspiração e, simultaneamente, protagonista, dividindo esse papel com a viola e com as vozes de Albert Sanz, Luísa Sobral, Beatriz Nunes, Joana Espadinha, Rita Martins e João Firmino, além do próprio Afonso.

Capaz de colocar o ouvinte no meio da natureza, contemplando-a usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, Terra Concreta é, na minha opinião, um compêndio de música com cheiros e cores muito próprios. Ponto simultâneo de partida e chegada, sempre, mas nunca de passagem, o disco permite-nos contactar com instantes de manifestação musical espontâneos, que exalam a profunda delicadeza e sensibilidade do autor e o modo tremendamente eficaz como ele transporta essas duas facetas intrínsecas à sua capacidade criativa para a música que produz, com a felicidade de também nos mostrar, à sua maneira, locais naturais no seu estado mais puro, consciencializando-nos para a presrvação dos mesmos, quase sem darmos por isso.

A natureza acaba por se tornar grata a Afonso, já que se revela esplendorosa e bastante participativa ao longo do diso, revelando uma generosidade heróica através de instantes lindíssimos, não só audíveis no chilrear de algumas aves, mas também nos sons que o movimento do ar, feito vento, consegue criar e que o excelente trabalho de gravação e produção captou. São instantes sonoros naturais subtis, alguns audíveis de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, percebendo-se que a sonoridade geral de Terra Concreta exala uma sensação vincadamente experimental.

Escutar Terra Concreta é, sem dúvida, um exercício muito agradável e reconfortante, mas também intrigante e melancólico. Este é um documento que não tem apenas as cordas como protagonistas maiores do processo melódico, já que a própria natureza e o chilrear constante das aves são, realmente, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem.

Terra Concreta sucede a Onde mora o mundo, disco que Afonso Pais editou com JP Simões, em 2011. Da discografia do músico fazem parte ainda Terranova (2004), Subsequências (2008) e participações em álbuns de Paula Sousa, Joana Machado ou Paulo Bandeira. Confere abaixo a entrevista que gentilmente o autor concedeu ao blogue e espero que aprecies a sugestão...

Gravado em estúdios de gravação ao ar livre, em Parques Naturais nacionais e no Vale de Darnum, na ilha do Borneu, com a captação de instantes sonoros únicos e, por isso, irrepetíveis, Terra Concreta é um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, capaz de colocar o ouvinte no meio da natureza, contemplando-a usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião música com cheiros e cores muito próprios. Como surgiu a ideia de gravar um disco assim?

Surgiu da regularidade com que visito zonas naturais remotas, sempre acompanhado do meu instrumento musical, a guitarra. Em determinado momento quis experimentar registar o momento natural combinado com a inspiração que dele advém, ao tocar e criar trechos musicais associados ao meio envolvente. Adorei o resultado, e a forma como a música progride de forma diferente neste enquadramento.

De acordo com o press release do álbum, Terra Concreta foi feito sem geradores, só com instrumentos acústicos e com a textura irrepetível dos sons naturais como mote. O registo em disco representa cerca de um ano de incursões no campo, resultando na selecção de temas que melhor representa o momento espontâneo e consequente do meio-envolvente. Logisticamente como foi gravar um disco assim? Como se consegue levar um estúdio “lá para fora”?

Há já muitos anos que se fazem documentários de vida selvagem, como aqueles que vemos na televisão, onde parece que tudo acontece de forma fácil e coordenada, e o meio natural se revela exposto e solícito. Na verdade, esta ilusão de fluxo resulta de horas e horas, meses e meses de tentativas e erros… No contexto do "Terra Concreta", usei um gravador de alta fidelidade daqueles que registam sons nesses documentários mais celebrados, e gravei um ano de incursões musicais nas zonas mais remotas das nossas reservas naturais, das quais escolhi apenas o material que representa absolutamente a melhor combinação entre o meio-envolvente e a prestação musical.

Pessoalmente, penso que Terra Concreta tem tudo o que é necessário para, finalmente, o Afonso Pais ter o reconhecimento público que merece. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu novo fôlego no teu projeto a solo?

Não sinto que haja uma falta de reconhecimento, mas sim barreiras e obstáculos inventados por uma indústria musical permeável ao consensual e dependente das vendas quase imediatas, bastante alheada do propósito cultural que todos partilhamos; sem mesmo atender ao facto de que os movimentos culturais são cada vez mais gerados à sua margem (indústria e "mainstream" artístico), mas sim dinamizados por pequenas comunidades artísticas de tendências convergentes. Se algum projecto meu no qual acredito, como é o caso de "Terra Concreta", for exposto aos ouvintes, conto que a entrega e adesão se baseie só na simples premissa: gosto ou não gosto.

Ouvir Terra Concreta foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante, melancólico, é realmente um documento que não tem apenas as cordas como protagonistas maiores do processo melódico e a própria natureza e o chilrear constante das aves são, realmente, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem. Esta supremacia do natural corresponde ao que pretendeste transmitir sonoramente neste projeto?

A supremacia do natural a que se refere é também a supremacia do manancial humano de inspiração, no sentido de levar a cabo as suas tarefas de auto-superação, que nos trouxeram enquanto espécie à descoberta das leis da física, do lazer, da genética, e da confiança na infinitude da criatividade que caracteriza Hermeto Pascoal, Salvador Dali ou Fernando Pessoa, nas artes. Só espero não estagnar na minha procura, audácia à parte, no sentido de viabilizar tudo o que justifique uma procura por um elo inabalável com algo que nos sustenta: a natureza tem esse papel para mim, dia após dia, apenas lhe prestei a homenagem que esteve ao meu alcance, com a noção de que a qualidade supera o desejo de concretização.

Não só no conceito que pretendeu, pelos vistos, captar sons no momento e, por isso irrepetíveis, mas também na materialização, onde não faltam instantes sonoros naturais subtis, alguns audíveis de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, percebe-se que a sonoridade geral de Terra Concreta exala uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental. Houve, desde o início do processo de gravação, uma rigidez no que concerne às opções que estavam definidas, nomeadamente o tipo de sons a captar e a misturar com as cordas e as vozes, ou durante o processo houve abertura para modelar ideias à medida que o barro se foi moldando?

Um pouco dos dois. Por cada faixa escolhida para o disco houve talvez dez faixas gravadas, em média. Desejei que a qualidade final de execução, interpretação e improviso (quando aplicável) não fossem vitimas de uma escolha que pudesse por em causa o propósito do disco: fundir e homogeneizar a música e o meio natural. E assim aconteceu, houve para cada canção pelo menos um "take" que tornou possível a inclusão da canção correspondente no disco. 

Relativamente às vozes, Terra Concreta conta com as participações especiais de Albert Sanz, Luísa Sobral, Beatriz Nunes, Joana Espadinha, Rita Martins e João Firmino. Foram escolhas pessoais tuas desde o início e as primeiras, ou após teres a parte instrumental dos temas pronta, estudaste as melhores opções?

Houve um processo de selecção a três variáveis, no qual decidi combinando as três:

1 - O local adequado para a gravação.

2- A pessoa que quis convidar para esse lugar

3 - A canção que compus pensando na pessoa que quis convidar cantando no lugar designado.

Além de ter apreciado a riqueza sonora natural, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

No efeito que algum lugar verdadeiramente natural exerce em nós e na nossa condição humana enquanto seres singulares, e no desejo de que a originalidade seja um desígnio a nós  predestinado, consequente da nossa proveniência natural, e passível de ser descoberto e potenciado pela nossa curiosidade. A profundidade com que nos relacionamos com as nossas origens não tem fundo.

Adoro a canção Desaire. O Afonso tem um tema preferido em Terra Concreta?

Obrigado. Tenho de dizer que a sucessão de temas e sons naturais presente na colecção de temas do disco perfaz a estória. Quis porém que cada pessoa ou potencial ouvinte pudesse entrar no universo de cada canção, de forma a nomear a sua favorita. Como foram gravadas em espaços diferentes, com instrumentações distintas e sons naturais tão distintos, coube a cada composição o seu lugar na minha estima, mas só a sua sucessão conta a viagem que pretendo apresentar.

Em relação ao futuro, após Terra Concreta, já está definido o próximo passo na tua carreira?

Gravei já outro repertório, de volta aos estúdios, mas quero dizer que "Terra Concreta" é um trabalho discográfico que não se esgota nas canções que o conduzem nem se revê na venda desenfreada de actuações e CD´s. "Terra Concreta" é um cartão de visita, uma forma de expor a música e criatividade a novas premissas, um registo "on-going", que vou querer continuar sob a forma de novas intervenções na natureza que disponibilizarei on-line ao longo de futuros trabalhos discográficos e do meu percurso, dos quais este CD é um primeiro marco e representação física de viabilidade e bom presságio.

Agradeço a entrevista, foi sem dúvida a mais desafiante de todas, e por isso agradeço.


autor stipe07 às 22:09
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Quinta-feira, 16 de Abril de 2015

Courtney Barnett - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit

Gravado em Melbourne durante o nosso verão de 2014, Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit é o feliz título do arrebatador disco de estreia de Courtney Barnett, onze canções que viram a luz do dia a vinte e três deste mês atraves da House Anxiety/Marathon Artists e sucessor dos EPs I've Got a Friend Called Emily Ferris (2011) e How to Carve a Carrot into a Rose (2013), editados depois conjuntamente em The Double EP: A Sea of Split Peas, em 2013.

Carregas no play e com o indie rock frenético de Elevator Operator e do single Pedestrian At Best levantas o queixo, franzes o sobrolho, ensaias o teu melhor sorriso eufórico enigmático e passas a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, enquanto uma voz doce, uma bateria intensa e uma guitarra que brilha daqui ao céu, num vaivém musculado e constante, te fazem abanar as ancas e partir em direção à festa mais próxima, nem que seja aquela que vais obrigatoriamente criar neste preciso instante e em que podes muito bem ser o único convidado. Mas isso pouco importa, porque respirar ao som deste disco é saborear automaticamente um clima festivo sem paralelo e, como referi logo no início, dar de caras com um compêndio sonoro que não poderia ter melhor nome, já que nele Courtney prende hermeticamente nos seus punhos e transmite depois para as letras e finalmente, para o modo como as canta, o turbilhão ruminante de uma qualquer mente quotidiana, criando um universo familair e cativante que facilmente nos enclausura.

Courtney é bastante hábil no modo como expôe aqueles pequenos detalhes da vida vomum e os trasnforma, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. Da exaltação do ócio criativo de Avant Gardenner até à apologia da rotina na já citada Elevator Operator, são vários os exemplos do modo como a autora exalta romanticamente e com um charme algo displiscente mas feliz, a postura que tem em relação à vida. O blues animado de An Illustration of Loneliness (Sleepless in NY), tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra e, em oposição, o clima mais boémio dos sete minutos experimentais e psicadélicos de Small Poppies, expressam, sintomaticamente, este constante plasmar de paradoxos, de uma constante tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, o rock e a folk, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético.

Já completamente seduzidos por este Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit, em Depreston somos embalados por uma lindíssima balada que nos oferece a possibilidade de viajarmos rumo a um limbo existencial e meditativo ao mesmo tempo que aquelas ancas ainda abanam e depois, se o indie rock de Aqua Profunda! dá-nos coragem para agarrar pelos colarinhos uns quantos incautos que se atravessam no caminho para trazê-los para a nossa festa, a pop dançante de Dead Fox fá-los sentirem-se rapidamente integrados e promete-nos que não nos vai deixar sós durante alguns dias já que assenta num refrão tremendamente aditivo e imbatível, 

Com o ótimo solo de guitarra da punk Nobody Really Cares if You Don't Go to the Party, as certeiras baladas Debbie Downer e Boxing Day Blues e a densa, sombria e tensa Kim's Caravan, chega ao ocaso a audição de onze canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, uma verdadeira explosão de cores e ritmos, personificada num disco arrebatador e real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Elevator Operator
Pedestrian at Best
An Illustration of Loneliness (Sleepless in NY)
Small Poppies
Depreston
Aqua Profunda!
Dead Fox
Nobody Really Cares if You Don't Go to the Party
Debbie Downer
Kim's Caravan
Boxing Day Blues


autor stipe07 às 21:48
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Quarta-feira, 15 de Abril de 2015

Jon McKiel – Jon McKiel EP

Lançado no início do verão de 2014 através da Headless Howl Records e gravado por Jay Crocker, Jon McKiel é o EP homónimo de um músico e compositor oriundo de Halifax, na Nova Escócia, uma coleção de seis canções que se abastecem numa folk que possui um interessante requinte vintage, exposta num alinhamento instrumentalmente irrepreensível, sem atropelos ou agressividade desnecessária e que nos permite fazer uma pausa melancólica e introspetiva.

As canções de McKiel são um convite direto à reflexão pessoal e ao desarme, que não tem de ser necesssariamente triste e depressivo, já que as suas melodias são, por regra, luminosas e implicitamente otimistas. Se as cordas exuberantes e a percussão festiva de New Tracy abrem o EP com uma majestosidade exemplar, o efeito da guitarra desse tema e a bateria cheia de quebras de ritmos, acedem-nos a um ambiente climático que impressiona pela criatividade com que os diferentes arranjos vão surgindo à tona. Tal evidencia-se, igualmente, no modo como a guitarra complementa o refrão em Chop Through, canção que emociona e trai quem insiste em residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada.

pop folk, de travo blues de I Know e o rock clássico que transborda da sensual Accolades são mais duas provas do grau de maturidade de Jon Mckiel e do modo como é bem sucedido em fugir de uma possível queda na redundância convencional ou na repetição aborrecida.

Com o devaneio simples, delicado e feminino de Tropical Depression e a teia sonora convidativa, rica e trabalhada desse tema envolvente numa nuvem fumegante de emoção, aproxima-se o ocaso do EP e torna-se clara a tomada de consciência de que estas seis canções são um meritório retorno deste musico e cantautor aos lançamentos, através de melodias complexas e simples e letras românticas e densas e que o mesmo pretende ser legitimamente preponderante e firmar uma posição na classe daqueles artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...

Jon McKiel - Jon McKiel


autor stipe07 às 17:24
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Sexta-feira, 10 de Abril de 2015

Josh Rouse - The Embers Of Time

Josh Rouse, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso em 2015 com The Embers Of Time, disco lançado no passado dia sete de abril por intermédio da Yep Roc Records. O álbum foi produzido por Brad Jones, que já havia trabalhado com o cantor em 1972, em Nashville e no anterior The Happiness Waltz e foi gravado entre Valência, Espanha, no estúdio do artista, chamado Rio Bravo e Nashville, cidade norte americana natal do músico.

The Embers Of Time começa solarengo e festivo com Some Day’s I’m Golden All Night e com o esplendor das cordas e os arranjos típicos da folk sulista norte americana a darem as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Na verdade, The Embers Of Time é mais um trabalho repleto de letras pessoais e a harmónica de Too Many Things On My Mind, uma das melhores canções do disco, oferece-nos um Josh que não se envergonha de escrever sobre o modo como aprecia alguns dos melhores prazeres da vida, que tanto podem ser um bom filme, ou uma garrafa de um excelente vinho que o músico terá certamente aprendido a apreciar devidamente desde que assentou arraiais na vizinha Espanha e como os nossos dilemas existenciais também podem relacionar-se com algumas das melhores coisas da vida. No blues de JR Worried Blues, essa mesma harmónica volta a fazer das suas e a servir para dar cor a um ambiente igualmente descontraído e regado com um teor etílico ainda mais elevado e oriundo da Nashville que certamente o terá inspirado neste instante do alinhamento.

Josh Rouse tem este lado muito humano que eu aprecio imenso e que já fez dele, em tempos, um dos meus maiores confidentes, quando Nashville, um dos momentos altos da sua carreira, liderou a banda sonora de um período menos feliz, mas muito importante da minha existência. Ele faz questão de se mostrar próximo de nós e de partilhar connosco as coisas boas e menos boas que a vida lhe vai proporcionando e, com essa abertura, faz-nos, quase sem darmos por isso, retribuir do mesmo modo. Começa-se a ouvir as vozes e o som ambiente que introduz You Walked Through The Door e torna-se obrigatório vislumbrar Rouse a entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Alías, é curioso constar-se que The Embers Of Time foi uma das formas de terapia que Josh Rouse encontrou para combater uma crise de confiança e um estado algo depressivo que se apoderou do músico nos últimos tempos vividos em Valência (It's my surreal expat therapy record), quando as dez canções do alinhamento podem ter em nós essa mesma função terapêutica e retemperadora. Escuta-se a melodia escorreita e preguiçosa de Time e torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente alguns dos nossos maiores dilemas enquanto descobrimos a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.

Esta superior capacidade que a música de Rouse tem de suscitar sensações concretas no nosso íntimo, tem um travo muito particular naquela harmónica quando chamou para junto de si o piano ao terceiro tema, numa canção chamada You Walked Through The Door, que sabe a um Paul Simon em grande forma, presente não só no sabor country da harmónica ma também no modo subtil como Josh conjuga a enorme sensibilidade melódica que lhe é intrínseca com a envolvència dos arranjos que seleciona, tocando-nos bem fundo. Essa mesma sensação reconfortante de proximidade e de fulgor repete-se adiante, nos arranjos feitos com violinos e no dueto com Jessie Baylin em Pheasant Feather. Aliás, Josh Rouse é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, seja qual for o instrumento de que elas se servem, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que tornam a sua música tão tocante e inspiradora.

Até ao ocaso de The Embers Of Time nunca se perde o elo de ligação entre músico e ouvinte já que é impossível ficarmos indiferentes aos lamentos sentidos e tremendamente confessionais que acompanham a viola em Ex-pat Blues e depois, já devidamente exorcizados, não deixarmos de olhar em frente, recompostos e prontos para olhar a vida de um modo mais otimista e positivo ao som de Crystal Falls, enquanto termina um alinhamento de dez canções que será, certamente, justamente considerado como um marco fundamental na carreira de um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico e de nos mostrar como é fina a fronteira que existe muitas vezes entre dor e redenção. Espero que aprecies a sugestão...

The Embers of Time was recorded between Spain and Nashville with Brad Jones who I've recorded with a lot. Part of it’s a band and part of it’s just me with some arrangements. A lot of the performances on there are live. We ran through each song maybe once or twice and [the band] just nailed it! They’re so good! As a result, it has something you just can’t get recording things one at a time. We were in the same room. Something happens. A sort of glue to everything.

Josh Rouse - The Embers Of Time

01. Some Days I’m Golden All Night
02. Too Many Things On My Mind
03. New Young
04. You Walked Through The Door
05. Time
06. Pheasant Feather (Feat. Jessie Baylin)
07. Coat For A Pillow
08. JR Worried Blues
09. Ex-Pat Blues
10. Crystal Falls

 


autor stipe07 às 23:35
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Quinta-feira, 9 de Abril de 2015

Sufjan Stevens – Carrie And Lowell

Depois de ter deambulado durante uma década  entre o caótico, o esquizofrénico e o genial em discos tão importantes como Illinoise ou The Age Of Adz, Sufjan Stevens está de regresso mais negro, sombrio e recatado com Carrie And Lowell, um disco que marca o retorno do músico à folk mais intimista, nostálgica e contemplativa e que viu a luz do dia a trinta e um de março através da Asthmatic Kitty.

Oriundo de Detroit, no Michigan e atualmente a residir em Brooklyn, Nova Iorque, Sufjan Stevens começou a dar nas vistas no início da carreira na pele de um trovador acompanhado apenas pelas cordas de uma viola, estreando-se em 2000 com A Sun Came e a cantar sobre as agruras e as encruzilhadas de quem acaba de entrar na vida adulta. O entusiasmo, a inspiração e a apurada veia criativa trouxeram consigo um enorme entusiasmo e uma vontade de trabalhar fora do vulgar, com a exploração de outras possibilidades sonoras mais abrangentes, mas sempre com a folk na mira, a incubarem da mente incansável de um músico que chegou a prometer editar anualmente um disco dedicado a um estado norte americano, demanda que, tendo em conta os mais de cinquenta estados do país, lhe ocupariam mais de meio século de existência.

Carrie & Lowell são os sobrenomes da sua mãe e do seu padrasto e intitulam este seu sétimo disco, aquele que, como já referi, marca o regresso do músico à casa de partida, ficando para trás o experimentalismo avan-garde de The Age Of Adz, para agora voltar o puro sentimentalismo, embalado por uma folk madura e nostálgica, que se debruça sobre o falecimento da sua mãe, occorrido em 2012 após uma vida de excessos, abusos e um dignóstico de esquizofrenia, notícia essa que deixou o músico devastado.

De modo a exorcizar e lamber as feridas e a faxer o seu luto terapêutico de uma dor incontida e profunda, além da viola Sufjan Stevens recebeu também a companhia das teclas de um cândido sintetizador, que serve apenas para encaixar e dar um certo charme e brilho à moldura sonora estética de onze canções que são verdadeiras jóias, em todos os sentidos.

Das lembranças sentimentais que transbordam em Fourth Of July, aos lindíssimos arranjos medievais de All of Me Wants All of You, passando pelos arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos de No Shade In The Shadow Of The Cross, todo o ideário sonoro e lírico de Carrie And Lowell serve para o músico fazer a sua homenagem póstuma à progenitora e recordar tempos idos, procurando a conexão possivel com tempos passados que ainda vageuiam pela sua memória de modo nostálgico e que são impossiveis de recuperar. O objetivo não é trazer até ao ouvinte o fantasma da mãe de Sufjan, mas fazer dele um veículo privilegiado de boas sensações que Sufjan, um homem de fé, convicto e assumido, quer que nós sintamos, para que, por muito amargurada que seja a nossa vida, permanentemente, ou em determinados momentos, ela possa sempre contar com aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade.

Carrie and Lowell é alma e emoção traduzidas à voz e à guitarra, como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem sempre que nos apetecer. Basta deixamo-nos levar pelos sussurros do tema homónimo, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante que, pouco depois, ambientada pelo falsete de Sufjan e pelos sons percurssivos e rústicos de John My Beloved, transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Sufjan Stevens - Carrie And Lowell

01. Death With Dignity
02. Should Have Known Better
03. All Of Me Wants All Of You
04. Drawn To The Blood
05. Fourth Of July
06. The Only Thing
07. Carrie And Lowell
08. Eugene
09. John My Beloved
10. No Shade In The Shadow Of The Cross
11. Blue Bucket Of Gold


autor stipe07 às 21:31
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Segunda-feira, 6 de Abril de 2015

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso do último ano, divulgarem mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9, agora, a vinte e três de janeiro último, regressaram aos lançamentos discográficos com Geodesic Home Place, treze novas canções que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte amricanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemprâneas, basta ouvir-se Slippin' slide, um dos emas mais inebriantes e festivos de Geodesic Dome Piece para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Buff ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de Magic Leaves.

Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os The Blank Tapes querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do baixo de So High e dos teclados de Oh My Muzak, assim como do experimentalismo instrumental de For Breakfast, que se aproxima do blues marcado pela guitarra em 4:20, além da percussão orgânica e de alguns ruídos e vozes de fundo que assentam muito bem na canção. A campestre Brown Chicken Brown Cow e a baladeira e sentimental Do You Wanna Get High? mantêm a toada revivalista, com um certo travo surf, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.

Geodesic Dome Piece é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

01. Way Too Stoned
02. Oh My My
03. Buff
04. Magic Leaves
05. For Breakfast
06. So High
07. Oh My Muzak
08. Slippin’ Slide
09. 4:20
10. Brown Chicken Brown Cow
11. Do You Wanna Get High?
12. To Your Dome Piece
13. Do You Wanna Get High (Acoustic Demo)


autor stipe07 às 15:15
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Sábado, 4 de Abril de 2015

Loose Fruit Museum - In The Room

Oriundos de Londres, os LFM, aka Loose Fruit Museum, são Conal (voz e guitarra), Ali (guitarra), Phil (teclados), Ev (baixo) and Tony (bateria), um quinteto que aposta forte numa sonoridade hard, que do rock setentista, ao rock de garagem e passando pelo blues, sobrevive à custa de guitarras cheias de ruído e distorção, um teclado que não receia colocar-se em bicos de pés quando procura protagonismo e uma secção ritmíca vibrante e poderosa.

Foi no passado dia vinte e três de março que viu a luz do dia The Room, o novo álbum dos LFM, um trabalho editado através da Ciao Ketchup Records e logo na guitarra efervescente e na voz grave de Conal se percebe que este é um disco que tem colado a si o indie rock de cariz mais alternativo, com os Loose Fruit Museum a não terem reservas em apostar no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio e visceral.

Do espetro mais comercial replicado no vibrante e anguloso single Summersaults, passando pelo curioso mas eficaz efeito da guitarra de Country Punk, ou a percussão ritmada da efusiva Lungs, mais uma canção que também vive à sombra de um indie rock épico e expressivo, onde se destaca, mais uma vez, a impressiva voz de Conal, que dá vida a uma letra que fala sobre a solidão e as expetativas que muitas vezes criamos sobre uma sociedade que nem sempre consegue responder aos nossos anseios, são vários os exemplos claros que nos prendem a um alinhamento impecavelmente produzido e eficiente no modo como nos seduz e nos conquista.

O ocaso do disco acaba por servir decontraponto ao restante alinhamento, já que quer o instante folk de My Mates Dad ou a nostalgia esperançosa de Crossroads, além de comprovarem que estes Loose Fruit Museum também sabem como explorar o lado mais acústico das cordas e extrair emoções e sentimentos que não defraudam quem procura sonoridades introspetivas, profundas e envolventes, mostram que estamos na presença de um quinteto capaz de aproveitar o grau de maturidade de todos os seus membros, para criar um disco fantástico e que merece uma maior projeção. Talvez seja com In The Room que os Loose Fruit Museum conseguem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns  projetos que procuraram replicar apenas, ao longo da carreira, zonas de conforto, mesmo que o façam com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

 

autor stipe07 às 21:54
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Peter Broderick – X Luzern

É já a vinte e sete de abril que chega aos escaparates Colours Of The Nighto novo trabalho discográfico de Peter Broderick, um disco que vai ver a luz do dia através da Bella Union e que contém dez canções que certamente irão ser mais uma colecção intimista de experiências vocais e líricas e que confirmarão o ambiente sonoro predileto de Peter, etéreo e feito com candura e suavidade, permitindo-nos usufruir de um silêncio sonoro, nem sempre disponível na imensidão de propostas que nos chegam aos ouvidos diariamente.

Em jeito de antecipação, Broderick acaba de divulgar um single com duas canções intitulado X Luzern e que resulta de um projeto desenvolvido pela cidade suiça citada no título, que uma vez por mês divulga gravações de bandas e artistas que atuam no local. Os dois temas incluidos no lançamento, Rainy Day e A Peace I Aim to Make, mergulham-nos num universo acústico folk particularmente emotivo e profundo, muito do agrado deste músico norte americano natural de Portland. Confere...

Peter Broderick - X Luzern

01. Rainy Day
02. A Peace I Aim To Make


autor stipe07 às 14:54
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Vetiver – Complete Strangers

Sexto álbum da discografia de Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, Complete Strangers é, conforme o título indica, uma compilação sentida e honesta da partilha de sensações e eventos que o autor experimentou recentemente em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida. Diário de bordo de um autor que tem tido diferentes músicos a colaborar consigo ao longa da carreira, mas que teve sempre em Thom Monahan, o engenheiro de som e produtor deste disco, o seu parceiro mais fiel, Complete Strangers foi gravado em Los Angeles, com a companhia dos músicos Bart Davenport, Gabe Noel e Josh Adams e quer a batida luminosa de Stranger Still, quer a viola que conduz From No On e, principalmente, Current Carry, além de, logo no início, situarem o ouvinte na heterogeneidade muito própria deste projeto, mostram-nos o efeito que o sol da costa oeste tem na música de Andy e como é bom ele ter-se deixado levar pelos insipradores raios flamejantes que esse astro atirou para as janeas do estúdio onde se instalou, para dar vida a uma folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, que deambulando entre o acústico e o sintético e psicando amiúde o olho a um certo travo psicadélico, criou canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos, que pode muito bem ser a mundialmente famosa indie pop.

Vetiver é mestre a misturar harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz grave, mas suave e confessional, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido, além de arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação. Que melhor exemplo do que o jogo de sedução que se estabelece entre o efeito da guitarra, as cordas de uma viola e um insinuante baixo em Confiding, uma canção sobre as vulnerabilidades próprias do amor, para plasmar o enorme charme da música de Vetiver? Que melhor instante do que aquele em que, em Backwards Slowly, variados efeitos percussivos e um sintetizado se cruzam com essa mesma guitarra e a cândura da voz de Andy, para nos levar fazer querer ir até à praia mais próxima e enfrentar esse mesmo sol bem de frente para sermos ilmunados pela mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções? Que melhor ritmo, do que aquele que sustenta Loose Ends ou a bossa nova de Time Flies By para nos fazer colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal e conseguirmos, finalmente, traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar?

A música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterra-nos num mundo paralelo onde só cabem as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que entre a luz e a melancolia tornam-se verdadeiras e realizam-se, provando que Andy sabe como contar histórias que o materializam na forma de um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade.

Complete Strangers é um daqueles discos que nos vão soar sempre a algo familiar; Escutá-lo pela primeira vez é experimentar aquela sensação que estamos a rever alguém que já se cruzou na nossa vida em tempos e que nos causou sensações boas e partilhou conosco belos momentos quando tal sucedeu. E essa impressão sente-se porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza, ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Os lindíssimos acordes que nos vão surpreendendo ao longo do álbum dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante de calcorrear a vida real, desde que haja portos de abrigo como este durante o percurso, trabalhos discográficos que nos dão as pistas certas para uma vivência existencial plena e verdadeiramente feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Complete Strangers

01. Stranger Still
02. From Now On
03. Current Carry
04. Confiding
05. Backwards Slowly
06. Loose Ends
07. Shadows Lane
08. Time Flies By
09. Edgar
10. Last Hurrah


autor stipe07 às 21:10
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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Of Monsters And Men – Crystals

Of Monsters And Men - Crystals

Três anos após My Head Is An Animal, o excelente disco de estreia que catapultou os islandeses Of Monsters And Men de Nanna Bryndís Hilmarsdóttir, Ragnar þórhallsson, Brynjar Leifsson e Arnar Rósenkranz Hilmarsson para o estrelato e lhes proporcionou longas e bem sucedidas digressões, estão de regresso com um novo álbum intitulado Beneath The Skyn.

Crystals é o primeiro avanço desse disco e para ilustrar a mensagem positiva da composição, assente num pop rock apoteótico, com uma percussão vibrante e pleno de guitarras, o ator Siggi Sigurjóns surge no video a entoar cada verso da canção com sentimento e emoção. A direção é de Addi Atlondres e Freyr Arnason. Confere...


autor stipe07 às 21:40
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