Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

The Blank Tapes - Ojos Rojos

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta, têm passado por esta publicação várias vezes e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles. Depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso desse ano, terem divulgado mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9 e de em janeiro de 2015 terem editado Geodesic Home Place, agora, já em 2016, oferecem-nos Ojos Rojos, mais catorze canções de intensidade festiva máxima e que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

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(pic by Sheva Kafai)

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte americanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemporâneas, basta ouvir-se Sexxy Skyype, um dos temas mais inebriantes e festivos de Ojos Rojos para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se na surf pop de Dance To Dance ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de La Baby ou Beach Party.

Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os The Blank Tapes querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Léon justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.

O disco prossegue e quer no rock n' roll tresmalhado de Spring Break ou no fuzz complacente de Biggest Blunt In Brazil e na cadência suave e profundamente veraneante de Let Me Hear You Rock, fica claro que Ojos Rojos balança entre uma contemporaneidade vintage e um glorioso suadosimo, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhe continua a dar margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros, que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.

Ojos Rojos é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:48
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2016

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Until The Hunter

Uma das parcerias mais interessantes que surgiu recentemente na penumbra do universo sonoro indie intitula-se Hope Sandoval And The Warm Inventions e junta Hope Sandoval, icónica vocalista dos Mazzy Star e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. Há já um disco de estreia, intitulado Until The Hunter, que viu a luz do dia a quatro de novembro, através da Tendril Tales, a editora de Hope Sandoval e nele esta dupla oferece-nos uma belíssima viagem lisérgica, patente na instrumentação que se deixa conduzir pelos trilhos sónicos de uma guitarra, elétrica ou acústica, e pela complacência de uma bateria charmosa, tudo embrulhado em letras de acordo com as propostas mais intimistas dos grupos de origem dos mentores deste projeto e onde Let Me Get There, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kurt Vile, se assume como momento maior de um enredo de particularmente atrativo e com um charme muito próprio.

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A folk de cariz mais etéreo e intimista, com aquele pendor feminino tão específico e sui generis, é o eixo principal de Until The Hunter, mas algumas das novas tendências da eletrónica mais ambiental, que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios, também tem papel de relevo e logo em Into The Trees, nove nebulosos minutos particularmente hipnóticos e submersivos. Quem se deixar levar por esse pendor inicial e achar que o restante alinhamento segue essa bitola, surpreender-se-á, logo de imediato, com a soul do efeito da guitarra que plana sobre as cordas e a voz incomensuravelmente doce de Sandoval em The Peasant, assim como com os resquícios da dita chamber folk presentes no dedilhar da viola de A Wonderful Seed e de The Hiking Song.

A partir daqui já não restam dúvidas que este é um disco de fervura lenta, para ser apreciado lentamente, de modo sossegado e intimista. Se a já referida Let Me Gett There e Day Disguise nos oferecem aquela pureza típica de uma primaveril manhã solarenga em que o único propósito que se apresenta diante de nós é um cadeirão de baloiço no alpendre em frente ao jardim lá de casa, já o efeito da guitarra de Treasure pede uma lareira quente, enquanto Salt Of The Sea e Liquid Lady nos colocam ao fundo de um balcão de um bar boémio e fumarento, em final de noite particularmente bem regada.

Until The Hunter sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, às vezes perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de canções com um travo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. É um alinhamento que marca um início de percurso nos discos imperdível e claramente inspirado de um projeto no panorama musical atual. Espero que aprecies a sugestão...

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Until The Hunter

01. Into The Trees
02. The Peasant
03. A Wonderful Seed
04. Let Me Get There
05. Day Disguise
06. Treasure
07. Salt Of The Sea
08. The Hiking Sea
08. Isn’t It True
10. I Took A Sip
11. Liquid Lady


autor stipe07 às 20:11
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Quarta-feira, 2 de Novembro de 2016

The Shins – Dead Alive

The Shins - Dead Alive

Sem dar sinais de vida desde a contribuição em 2004 para a banda sonora do filme So Now What, os The Shins de James Mercer estão de regresso com Dead Alive, uma canção lançada em pleno halloween e que prepara terreno para um novo registo de originais, que deverá ver a luz do dia em 2017.

Dead Alive serve-se de uma já forte referência do nosso quotidiano para construir o panorama lírico de uma canção que pende ora para a folk, ora para a indie pop mais adocicada e acessível, aspetos possibilitados por uma instrumentação radiante, com a possibilidade de constatarmos que Mercer continua a alcançar elevados parâmetros e patamares de qualidade na sua intepretação vocal. Confere...


autor stipe07 às 18:52
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Bruno Pernadas - Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, à boleia da Pataca Discos.

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Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them oferece-nos um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que Pernadas polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo jazz contemporâneo, indie rock, pop, folk, eletrónica, ritmos latinos e até alguns lampejos da música dita mais clássica e erudita.

Assim, o exercício que se coloca perante o ouvinte que se predispõe a saborear convenientemente o universo criado por those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, deverá firmar-se, por exemplo, em Spaceway 70, na vontade de apreciar o modo como uma flauta ou um trompete cirandam em redor de um par de acordes da guitarra, como em Problem number 6 se equilibram com total desembaraço, flashes de samples, alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a samba por todos os poros, como na soul contemplativa de Valley in the ocean é dada total liberdade ao piano e às cordas para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor, o modo como o trompete, o sintetizador e um efeito de guitarra quase surreal produzem um intenso travo oriental e exótico em Anywhere in spacetime, o devaneio cavernoso lo fi das teclas de Because it’s hard to develop that capacity on your own, o ménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre trompete, piano e flauta em Galaxy, ou de perceber a teia intrincada de relações promíscuas que se estabelecem, constantemente, durante os mais de doze minutos de Ya ya breathe, entre as teclas do piano, as distorções da guitarra e os diferentes instrumentos percussivos que se escutam, enquanto o baixo, procura estabelecer alguma ordem e harmonizar um salutar caos, numa composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a heterogeneidade instrumental e melódica final e o (aparente) minimalismo inicial é geralmente indecifrável. Com esta atitude certa, constata-se, então, que those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.

Saboreando poemas escritos em inglês pelo autor do disco e por Rita Westwood, those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu, enquanto Pernadas disserta alegremente e claramente fascinado pelo lado mais luminoso, colorido e natural deste mundo, sobre uma heterogeneidade de sensações e aspetos físicos e naturais que o atraem e que, em contacto com a espécie humana, obriga todas as partes envolvidas a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência e que estas dez canções também, à sua maneira, plasmam. E durante este exercício antropológico, o autor aproveita para estabelecer paralelismos com o amor e a teia intrincada de relações, sensoriais e neurológicas que esse sentimento provoca, quer individualmente, quer durante a sua materialização com outro(s), com canções do calibre das já descritas Problem number 6 ou Valley in the ocean a fazerem-nos crer que se há sentimento mais belo e capaz de nos transformar e fazer-nos ver com exatidão o mundo que nos rodeia é a vivência plena do amor. Espero que aprecies a sugestão…

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01. Poem (1)
02. Spaceway 70
03. Problem Number 6
04. Valley In The Ocean
05. Anywhere In Spacetime
06. Poem (2)
07. Because It's Hard To Develop That Capacity On Your Own
08. Galaxy
09. Ya Ya Breathe
10. Lachrymose


autor stipe07 às 18:00
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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2016

You Can't Win, Charlie Brown - Marrow

Marrow é um vegetal parente da courgette, cultivado nas ilhas britânicas, na Holanda e na Nova Zelândia e agora também o título do novo registo de originais dos extraordinários You Can't Win, Charlie Brown de Afonso Cabral (voz, teclas, guitarra), Salvador Menezes (voz, guitarra, baixo), Tomás Sousa (bateria, voz), David Santos (teclas, voz), João Gil (teclas, baixo, guitarra, voz) e Luís Costa (guitarra). Gravado no HAUS, por Fábio Jevelim, Makoto Yagyu e Miguel Abelaira e misturado por Luís Nunes, também conhecido por Benjamim, colaborador de longa data dos You Can't Win, Charlie Brown, Marrow é um sentido conjunto de quadros sonoros pintados com belíssimos arranjos de cordas, sintetizadores capazes de fazer espevitar o espírito mais empedernido e imponentes doses eletrificadas de fuzz e distorção, que se saúdam amplamente, tudo adornado por uma secção vocal contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto e proximidade.

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Com tantas bandas e artistas a ditar cada vez mais novas tendências no indie rock, é refrescante encontrar por cá alguém que o faz de forma diferente e de modo profundo, intenso e poderosamente bem escrito, ainda por cima depois de os You Can't Win, Charlie Brown terem calcorreado territórios sonoros mais acústicos e introspetivos, em trabalhos anteriores. Assim, se a groove vibrante e profundamente orgânica de Above The Wall, o tema que abre Marrow, mal dá tempo para recuperar o fôlego, logo depois, canções como a solarenga e festiva Linger On, a rockeira e sumptuosa Pro Procrastinator e, num registo mais melancólico e introspetivo, a cadência lancinante de Mute, escancaram-nos um mundo inédito, cujos códigos e fechaduras só os You Can't Win, Charlie Brown conhecem, mas que anseiam por partilhar com todos nós. E tal só sucederá eficazmente se estivermos sedentos de sensações revigorantes e reflexivas, já que este coletivo socorre-se continuamente de imagens evocativas, que depois sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico cuja filosofia subjacente prova a sensibilidade dos You Can't Win, Charlie Brown para expressarem pura e metaforicamente a fragilidade humana.

Até ao ocaso de Marrow continua a desfilar um rol imenso de sensações, vivências, confissões, avisos, ordens e conselhos, um glossário abrigado sonoramente em influências que tendo o rock experimental como génese, abastecem-se da psicadelia setentista, audível na intrincada Joined By The Head e na majestosa Bones, mas também da eletrónica dos anos oitenta, exemplarmente documentada na alegoria pop extravagante e irresistivelmente dancável de If I Know You, Like You Know I Do e ainda, aqui e ali, nos primórdios da surf pop, do jazz e da querida folk, imponente nas cordas iniciais e nos coros de In The Light There Is no Sun, canção que vai do recanto escuro mais seguro do nosso aconchego à nuvem de algodão com melhor vista que adorna o céu onde cabem todos os nossos sonhos.

Marrow escuta-se num ápice e não deixa ninguém indiferente! Mexe, espicaça, suscita um levantar de poeira que depois não se resolve de modo a que no fim assente pedra sobre pedra e exala uma curiosa sensação de sofreguidão, porque se quer ouvir sempre mais e mais e ficar ali, preso neste mundo dos You Can't Win, Charlie Brown, consistentes e esplendororos no modo como, música após música, conceptual e criativamente nos confortam e desassossegam com melodias maravilhosamente irresistiveis e onde é muito ténue a linha que separa o positivamente irascível do enigmaticamente ternurento. Espero que aprecies a sugestão...

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1 – Above The Wall

2 – Linger On

3 – Pro Procrastinator

4 – Mute

5 – If I Know You, Like You Know I Do

6 – In The Light There Is No Sun

7 – Joined By The Head

8 – Frida (La Blonde)

9 - Bones

 


autor stipe07 às 17:17
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Quarta-feira, 5 de Outubro de 2016

Ultimate Painting – Dusk

Editado a trinta de setembro por intermédio da Trouble In Mind Records, Dusk é o terceiro disco da carreira dos Ultimate Painting, uma dupla inglesa formada por Jack Cooper e James Hoare, habituais colaboradores dos Mazes e de Veronica Falls e que contou com a participação especial de Melissa Rigby na bateria, na gravação de um compêndio que sucede a um registo homónimo de estreia e ao muito aclamado álbum Green Lanes, editado o ano transato.

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Os Ultimate Painting assumem-se claramente como uma banda que aposta nos traços mais caraterísticos da indie pop, algo que ficou muito claro logo na estreia com Ultimate Painting. Em Green Lanes aprimorou-se a mistura com as guitarras e soou ainda melhor esta vontade da dupla em ser exímia na criação de melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja. Assim, os Ultimate Paiting começam a distinguir-se pela qualidade que demonstram na criação de típicas canções de amor com um certo toque psicadélico, cobertas, neste caso, por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. E a verdade é que temas como o excelente single Bills, uma canção emotivamente forte, conduzida por um baixo vincado e uma guitarra cheia de soul, o piano ternurento de Lead The Way ou a luminosidade melódica algo inebriante de Skippool Creek permitem-nos, com uma certa clareza, refletir sobre tão nobre sentimento e tudo aquilo que de bom tem para nos oferecer, enquanto percebemos os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e esculpindo as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Em Dusk vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. Neste disco, os Ultimate Paiting avançam em passo acelerado em direção à maturidade, de um modo extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retratam sonoramente eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro. Espero que aprecies a sugestão...

Ultimate Painting - Dusk

01. Bills
02. Song For Brian Jones
03. A Portrait Of Jason
04. Lead The Way
05. Monday Morning, Somewhere Central
06. Who Is Your Next Target?
07. Skippool Creek
08. I’m Set Free
09. Silhouetted Shimmering
10. I Can’t Run Anymore


autor stipe07 às 19:25
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Terça-feira, 4 de Outubro de 2016

Warpaint - Heads Up

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa estão de regresso com Heads Up, um título feliz para batizar aquele que é o terceiro disco das Warpaint, sucessor de um homónimo, lançado em 2014. Produzido por Jacob Bercovici, Heads Up viu a luz do dia a vinte e três de setembro à boleia da Rough Trade Records e nele estas quatro miúdas deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta mais polida e luminosa que o antecessor, para criar um álbum tipicamente rock, etéreo q.b. e esculpido com cordas ligadas à eletricidade e com uma identidade muito particular.

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Abastecidos pelos antecessores e com o conteúdo de ambos ainda a fazer mossa no nosso subconsciente, basta escutar o baixo e a bateria de Whiteout para se perceber que em Heads Up existe uma nova envolvência e um clima mais refinado e cuidado, sem que isso coloque em causa a habitual orgânica e aquele pulsar que faz destas Warpaint um dos melhores projetos sonoros indie contemporâneos.

Piscando também o olho ao funk e ao R&B em By Your Side e, num outro pólo, ao rock oitocentista revestido a neon e plumas em So Good e à eletrónica mais melancólica e ambiental em The Stall, torna-se claro que foi bem sucedida a incessante busca por algo diferente e inovador, com as Warpaint a chegarem ao terceiro álbum dando mais um passo em frente num projeto que nunca se acomodou a uma abordagem estilística estanque, apesar de manterem no seu epicentro sonoro uma intensa aúrea sexual, que as despe de um mistério tantas vezes artificial, mostrando, sem rodeios e mais uma vez, com ousadia, a verdadeira personalidade de um coletivo cada vez mais maduro e confiante.

Charme, luxúria e a sofisticação são adjetivos que descrevem na perfeição um alinhamento de onze canções intenso, experimental e com vida própria e independente, com Heads Up a agarrar-nos pelos colarinhos sem dó nem piedade e a sugar-nos para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa e bela, como as autoras da mesma. Espero que aprecies a sugestão...

Warpaint - Heads Up

01. Whiteout
02. By Your Side
03. New Song
04. The Stall
05. So Good
06. Don’t Wanna
07. Don’t Let Go
08. Dre
09. Heads Up
10. Above Control
11. Today Dear


autor stipe07 às 23:03
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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2016

Bon Iver - A Million

Cinco anos após um excelente homónimo, já chegou aos escaparates e à boleia da Jagjaguwar, A Million, o novo compêndio de canções de Justin Vernon aka Bon Iver. São dez canções que resultam da necessidade instintiva deste extraordinário músico de criar e inovar, simultaneamente, sem ter a pressão de recuperar tempo perdido e assim apresentar ao mundo uma coleção de canções que apenas pecam por esta longa espera e por terem estado tanto tempo escondidas no âmago do seu autor.

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22 (OVER S∞∞N) e 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠ são dois temas que impressionam pelo ambiente introspetivo e reflexivo que encerram e transportam uma aparente ambiguidade sonora fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a folk e a pop mais experimental e a pura eletrónica, duas canções que não terão sido escolhidas ao acaso para abrirem o alinhamento de A Million, já que marcam uma nova rota estilística inédita no cardápio de Bon Iver, parecendo ter sido embaladas num casulo de seda, da autoria de um verdadeiro trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker e aquela espiritualidade negra que se escuta com invulgar fluidez.

Se os dois temas anteriormente referidos impressionam os seguidores e admiradores mais puristas deste músico, escuta-se o excelente trabalho vocal de 715 – CR∑∑KS e o modo como cresce a miríade de efeitos que replicam sons naturais na contemplativa 33 “GOD” e percebe-se que este não é um disco comum, mas um acontecimento cuja audição deveria estar ao alcance do mais comum dos mortais e fazer parte das suas obrigações diárias, como receita eficaz para a preservação da sua integridade sentimental e espiritual, duas das facetas que, conjugadas com a inteligência, nos distinguem a nós humanos, dos outros animais. Estas duas canções iniciais e a folk benevolente de 29 #Strafford APTS são também um excelente contributo para analisar a música de Bon Iver do ponto de vista da sua voz, um elemento fulcral da sua criação artística; Ela é em A Million um fio condutor das canções, seja através do seu habitual falsete, ou através de um registo sussurrante, ou ainda de uma performancevocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes, casando com as cordas, contrasta com a natural frieza das batidas digitais, porque expondo-se à boleia de uma folk intimista e sedutora, esta não sobrevive isolada e ganha, ao terceiro álbum, uma dimensão superior ao abrigar-se num arsenal de sintetizadores que incorporam a densidade e a névoa sombria que a sua música agora exige e que em 8 (circle) ganha contornos superiores de magnificiência e majestosidade.

Esta abordagem mais maquinal e sintetizada de Bon Iver relativamente à música que cria é obra de alguém decididamente apostado em compôr música com bom gosto e diversidade e, de forma subtil, criar um ambiente muito próprio e único através da forma como o sustenta instrumentalmente, ao privilegiar também, no universo da folk, uma abordagem inédita. à luz desta nova concepção melódica e instrumental A Million vive de um certo cruzamento espetral e meditativo, um registo que espelha a elevada maturidade dos autor e a natural propensão do mesmo para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, enquanto replica alguns dos melhores detalhes da folk contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Bon Iver - 22, A Million

01. 22 (OVER S∞∞N)
02. 10 d E A T h b R E a s T ⚄ ⚄
03. 715 – CR∑∑KS
04. 33 “GOD”
95. 29 #Strafford APTS
06. 666 ʇ
07. 21 M◊◊N WATER
08. 8 (circle)
09. ____45_____
10. 00000 Million


autor stipe07 às 23:07
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Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

Kishi Bashi – Sonderlust

Lançado no passado dia dezasseis, Sonderlust é o novo disco de Kishi Bashi, um multi-intrumentista de Athens, na Georgia e colaborador de nomes tão conhecidos como Regina Spektor e os Of Montreal e que se aventurou a solo em 2012 pela mão da Joyful Noise, com 151a, disco que era um enorme e generoso festim de alegria e descomprometimento, tal como acontece com este novo registo que viu a luz do dia por intermédio da mesma etiqueta.

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Kaoru Ishibashi é o verdadeiro nome de um artista de ascendência japonesa, que começou a chamar a atenção em 2011, com apresentações surpreendentes, onde cantava e tocava violino e acrescentava uma caixa de batidas e sintetizadores, agregando novos e diferentes elementos e fazendo incursões em diversas sonoridades. Conhecido pela sua profunda veia inventiva, Kishi Bashi aposta num micro género da pop, uma espécie de ramificação barroca ou orquestral desse género musical, uma variante que vive em função de violinos, de arranjos claramente pomposos e cheios de luz e de vozes cristalinas, com o falsete a ser uma opção óbvia e constante.

A folk orgânica do violino é mesmo o fio condutor principal das canções de Sonderlust e o grande suporte da luminosidade da um alinhamento delicioso no modo como agrega alguns dos pilares fundamentais da pop, com a explosão sónica que o arsenal instrumental eletrónico proporciona, principalmente quando a versatilidade e o bom gosto são elementos fundamentais e muito presentes. No entanto, além das cordas, os sopros, nomeadamente a flauta, também se chegam à frente, numa plataforma de sons e melodias exemplarmente elaboradas e artisticamente positivas e sedutoras. Canções como a épica e exuberante Hey Big Star, Statues In A Gallery ou Say Yeah são belos exemplos do modo exímio como Bashi pinta neles as suas cores prediletas de forma memorável e também influenciado pela música árabe e oriental.

Disco onde não faltam arranjos etéreos, gravações viradas do avesso e tiques de new age, Sonderlust irradia uma universalidade muito própria e tem momentos que fazem-nos sentir que estamos a degustar a própria música, como se cada garfada que damos numa determinada canção nos fizesse sentir todos os elementos de textura, cheiros e sabores da mesma. Apreciar estas dez composições oferece-nos a sensação de que os dias bons estão aqui para durar e que nada de mal pode acontecer enquanto se escuta todo este otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Espero que aprecies a sugestão...

Kishi Bashi - Sonderlust

01. m’lover
02. Hey Big Star
03. Say Yeah
04. Can’t Let Go, Juno
05. Ode To My Next Life
06. Who’d You Kill
07. Statues In A Gallery
08. Why Don’t You Answer Me
09. Flame On Flame (A Slow Dirge)
10. Honeybody


autor stipe07 às 22:33
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Domingo, 25 de Setembro de 2016

Hope Sandoval And The Warm Inventions – Let Me Get There

Hope Sandoval And The Warm Inventions - Let Me Get There

Uma das parcerias mais interessantes que começa a surgir na penumbra do universo sonoro indie intitula-se Hope Sandoval And The Warm Inventions e junta Hope Sandoval, icónica vocalista dos Mazzy Star e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. Há já um disco de estreia programado para este projeto, a ver a luz do dia lá para novembro e intitulado Until The Hunter e Let Me Get There é o mais recente single divulgado desse registo, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kurt Vile e que nos oferece uma belíssima viagem lisérgica, patente na instrumentação que se deixa conduzir pelos trilhos sónicos de uma guitarra elétrica e pela complacência de uma bateria charmosa, tudo embrulhado numa letra de acordo com as propostas mais intimistas dos grupos de origem dos mentores deste projeto.

Until The Hunter irá ver a luz do dia a quatro de novembro, através da Tendril Tales, a editora de Hope Sandoval. Confere...


autor stipe07 às 23:29
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