Sexta-feira, 24 de Julho de 2015

The Mowgli’s – Summertime

The Mowgli's - Summertime

Sedeado em Los Angeles, o coletivo norte americano The Mowgli's segue o trilho da herança deixada por nomes como os Byrds, os Beach Boys, ou os mais contemporâneos Grouplove e Edward Shape & The Magnetic Zeros, através de uma indie folk vibrante e luminosa. Formados em 2010 pelo cantor e compositor Colin Dieden, os The Mowgli's são um grupo extenso, formado atualmente por David Applebaum, Spencer Trent, Matt Di Panni, Josh Hogan, Andy Warren e Katie Earl, além de Dieden.

A banda estreou-se em 2012 nos discos com Sound the Drum, juntamente com o EP Love's Not Dead. Regressaram rapidamente aos lançamentos um ano depois com Waiting for the Dawn e agora, em 2015, estão de regresso com Kids in Love, o terceiro álbum produzido por Captain Cuts e Matt Radosevich, sendo a aditiva e vibrante Summertime, a primeira canção divulgada do disco. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Kurt Vile – Pretty Pimpin

Kurt Vile - Pretty Pimpin

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011 e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile está de regresso com b’lieve i’m goin down…, álbum que vai ver a luz do dia a vinte e cinco de setembro por intermédio da Matador Records e já o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

b’lieve i’m goin down… será, de acordo com a editora, um disco que irá mostrar um Kurt Vile introspetivo, mas também auto-confiante e Pretty Pimpin, o primeiro single divulgado desse trabalho, parece querer realçar, principalmente, o segundo aspeto referido, já que a canção mostra um Vile embarcado numa viagem lisérgica, patente na instrumentação e numa letra que rompe com as propostas mais intimistas de discos antecessores, apresentando-o menos tímido e mais grandioso.

Kurt Vile estará em Lisboa a vinte e quatro de novembro, onde irá apresentar em nome próprio o novo álbum. A atuação está marcada para o Armazém F e a primeira parte está a cargo de Waxahatchee. Confere...


autor stipe07 às 18:32
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Paper Beat Scissors - Lawless

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que se prepara para lançar um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum vai ser editado no próximo dia catorze de agosto, através da Forward Music Group/Ferryhouse, depois do disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

Depois de ter sido divulgado Go On, o tema homónimo do segundo disco de Paper Beat Scissors, agora chegou a vez de ser dado a conhecer Lawless, mais um exemplo feliz desta visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso deste projeto, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.

Misturado por Graeme Campbell e masterizado por J. LaPointe, Lawless é mais uma compilação dramática de uma folk que nos tira o fôlego, com um falsete que nos deixa sem reação e toca profundamente no nosso coração e um cruzamento de teclados e violinos que depois recebe pequenos detalhes sonoros e que aqui fazem toda a diferença, demonstrando a abundância de talento de Crabtree, que se prepara, certamente, para nos deliciar com mais uma belíssima paleta de cores sonoras, com uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. Confere...

 


autor stipe07 às 12:42
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Domingo, 19 de Julho de 2015

Tashaki Miyaki – Under Cover Vol. II

A vocalista Lucy Miyaki e o guitarrista Tashaki formam o núcleo duro dos Tashaki Miyaki, uma banda oriunda de Los Angeles que navega nas águas turvas e profundas da dream pop de pendor psicadélico. Em digressão com os Allah-Las durante o outono de 2014, resolveram gravar algumas covers para a ocasião, na senda do que já tinham feito em 2012 com Under Cover, um lançamento que inclui versões de originais dos Roxette, INXS, Troggs e Bob Dylan, entre outros.

Neste segundo tomo de covers dos Tashaki Miyaki, a dupla resolveu revisitar com a ajuda do produtor Joel Jerome outros clássicos, sempre com a habitual atmosfera densa e particularmente sensual e hipnótica que colocam na sua música, com The Beautiful Ones, o original de Prince, a ser o exemplo claro do modo bastante original e assertivo como o fizeram.

Com uma sonoridade cada vez mais sóbria e adulta, Lucy e Tashaki criaram mais um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia, que atinge o seu auge, na minha opinião, na pop luminosa e pueril de I Only Have Eyes For You. Mas logo em Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t’ve) e em Never My Love, a dupla apresenta uma instrumentação que tem como pano de fundo essencial a música folk e a herança da América do Norte, sendo audível a procura de uma sonoridade ainda mais intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo. Nos inconfundível dedilhar das notas de Take My Breath Away e na sobriedade dos arranjos sente-se uma superior carga emotiva e a voz adocicada de Lucy, que parece pairar numa frágil nuvem de algodão, faz juz à cândura de uma letra que transborda fragilidade em todas as sílabas e versos. Esta voz, quando em Life Line, dos Pink Floyd, replica um registo mais grave sem colocar em causa o elevado pendor lisérgico da cantora, é mais uma manifestação audível e concreta do jogo dual que os Tashaki Miyaki conseguem oferecer ao ouvinte, entre força e fragilidade, dois aspetos que nas vozes, na letra e na insturmentação, se equilibram de forma vincada e segura.

Disponível para download gratuito, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, Under Cover Vol. II é um compêndio sonoro que surpreende pelo bom gosto como apresenta de forma sombria e introspetiva, mas superiormente frágil e sedutora, a  visão dos Tashaki Miyaki sobre alguns temas que sempre tocaram a dupla, mas, principalmente, pela forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem as escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Tashaki Miyaki - Under Cover Vol. II

Ever Fallen In Love (With Someone You Shouldn’t’ve)
Take My Breath Away
Never My Love
Life Line
This Time Tomorrow
I Can’t Stand The Rain
I Only Have Eyes For You
The Beautiful Ones


autor stipe07 às 22:59
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2015

Wilco - Star Wars

Os míticos Wilco divulgaram ontem, sem aviso prévio, o sucessor de The Whole Love (2011), o último registo de originais desta banda de Chicago. O novo álbum do grupo de Jeff Tweedy chama-se Star Wars, contem onze canções impregnadas com um excelente rock alternativo e está disponivel, gratuitamente, na página oficial do grupo.

O clichet curioso que encarna o título do novo álbum dos Wilco não passa despercebido, até porque está na ordem do dia a estreia do sétimo episódio da mais famosa saga da indústira cinematográfica, lá para o final do ano, com o mesmo nome. Seja como for, Jeff Tweedy deve ter-se sentido invadido pelo lado bom da força para oferecer a todos os seus fãs, de um modo completamente inesperado, um trabalho que, como seria de esperar, fala de paixão e de amor, como os melhores psicoativos sentimentais que podemos usar, mas também de estrelas e até, se quisermos, de sabres de luz, viagens intergaláticas e planetas distantes habitados pelos mais estranhos seres, já que a musica dos Wilco sempre teve a capacidade de nos fazer divagar ao som de composições bastante sugestivas e esse espírito mantém-se intacto.

Claramente ligados à corrente logo desde o instrumental EKG, os efeitos indutores de More... e o fuzz das guitarras de Random Name Nenerator, os Wilco marcam, à partida, uma posição forte no que concerne à filosofia sonora de Star Wars, oferecendo ao ouvinte quase tudo aquilo que o espera, canções dominadas por guitarras a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental. Não é inédito neste grupo de Chicago tal opção por um som mais cru e ruidoso, que em Cold Slope também mostra todos os atributos, mas é curioso e nobre quererem, nesta fase da carreira, ampliar essa faceta roqueira de uma banda que também se costuma mover confortavelmente por territórios mais acústicos. Em Star Wars, a doce balada pop Taste The Ceiling e o esplendor minimalista de Where Do I Begin são exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo do grupo, mas o que realmente sobressai durante a audição integral do trabalho é a perceção clara que os Wilco optaram por ligar a sua faceta experimental a pleno gás, obtendo um balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, mas sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que costuma definir as suas composições.

Os quase quatro minutos da já citada Random Name Generator, canção que se sustenta num arranjo de cordas alto e um riff de guitarra bastante elétrico, a fazer lembrar alguns dos melhores instantes de A Ghost Is Born, são a expressão máxima, em Star Wars, da boa forma do grupo e da capacidade que os Wilco ainda têm de se mostrar altivos, joviais, vibrante e contemporâneos. E mesmo quando em The Joke Explained nos fazem recuar umas quatro décadas até aos primórdios do rock clássico, em Pickled Ginger nos abanam com a sensibilidade do efeito metálico abrasivo de uma guitarra que corta fino e rebarba, ou em You Satellite nos oferecem um clima mais negro e soturno, os Wilco deslumbram pelo à vontade com que também navegam nos meandros intrincados e sinuosos do indie rock mais progressivo e psicadélico..

A leveza contínua, o entusiasmo lírico, a atmosfera amável, apesar do fuzz constante e o clima geral luminoso, enérgico e algo frenético de Star Wars, são os principais indicadores de um disco que flui bem, não só porque tem um conjunto de belíssimas canções, que nos oferecem camadas sofisticadas de arranjos criativos e bonitos, mas também porque é um álbum que mantém firme o traço de honestidade de uma banda que quer continuar a ser protagonista no universo sonoro em que se move, trazendo de volta os Wilco arrebatadores, que The Whole Love tinha, de algum modo, silenciado. Espero que aprecies a sugestão...

wilco-star-wars-cover-900x506.jpg

01. EKG
02. More…
03. Random Name Generator
04. The Joke Explained
05. You Satellite
06. Taste The Ceiling
07. Pickled Ginger
08. Where Do I Begin
09. Cold Slope
10. King Of You
11. Magnetized

 


autor stipe07 às 11:50
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Domingo, 12 de Julho de 2015

The Fleas - Telling Tales EP

Telling Tales é o novo EP dos The Fleas um quarteto britânico de Reading, formado por Piers, Bernadette, Mannie, Woody e Chris, que vive à sombra de uma sonoridade que gravita algures entre Pixies ou os The Kinks, mas também a piscar o olho à folk americana, levando-nos de regresso aos tempos aúreos do rock alternativo mais vibrante e luminoso.

Sonoramente animados e expansivos, como uma boa banda pop indie deve ser, os The Fleas percorrem estilos musicais tão variados como o rock progressivo e a folk, à boleia de cordas acústicas e eletrificadas, um andamento ritmado e frenético, sendo Telling Tales um EP recheado de intensidade e com a típica coutry-folk a ser a principal zona de conforto, como se percebe logo em Free.

Born To Run, o segundo tema do EP, inspirado no livro Born to Run: The Hidden Tribe, the Ultra-Runners, and the Greatest Race the World Has Never Seen da autoria de Christopher McDougall. muda um pouco a agulha para o baixo e a paercussão, em derterimento das cordas, mas mantém-se o frenesim ritmado e alegre de um quinteto inspirado no modo como se serve da música como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções! Finalmente, os arranjos das cordas de No More Tears, impregnam este EP com um sabor ainda mais americano, sendo este EP, para quem aprecia o género, verdadeiramente obrigatório. Confere...


autor stipe07 às 18:39
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Sábado, 11 de Julho de 2015

Giant Sand - Heartbreak Pass

editado no passado dia quatro de maio por intermédio da New West Records, Heartbreak Pass é o novo registo discográfico dos míticos Giant Sand, um coletivo norte americano oriundo de Tucson, no Arizona e liderado por Howe Gelb, um dos nomes mais importantes do cenário indie folk contemporâneo na América do Norte. Heartbreak Pass marca mesmo o trigésimo aniversário deste projeto, à boleia de quinze canções que contêm a impressão sonora típica dos Giant Sand, um álbum produzido por John Parish e que não defrauda, nem por sombras, a herança de um grupo influente e decisivo e com uma genética sonora bastante vincada e inédita.

Giant Sand – Heartbreak Pass

Os Giant Sand são, sobretudo, uma espécie de projeto a solo de Howe Gelb, um músico que nos últimos trinta anos soube sempre rodear-se das pessoas certas para dar vida a um cardápio sonoro muito próprio e com uma impressão sonora fantástica e única. A América enquanto continente e país, com uma multipliciadade de raças e culturas, mas com uma folk que, na sua génese, contém caraterísticas bastante vincadas e inéditas, é a força motriz destes Giant Sand e a sua maior inspiração lírica e instrumental. Mas neste novo trabalho, e como vamos perceber em seguida, os Giant Sand também extravasam por outras outras fronteiras geodésicas, inclusivé no lado de cá do atlântico, com a ajuda de Grant-Lee Phillips, Jason Lytle dos Grandaddy, Steve Shelley dos Sonic Youth, a croata Lovely Quinces e o baterista Winston Watson, as participações especiais deste disco.

A contemplativa e sedutora Done, uma das canções mais bonitas de Heartbreak Pass, foi gravada em Bruxelas, Creta e Otawa e a composição Heaventually começou a ser germinada em Itália, tendo depois também sofrido ajustes em Inglaterra e, já de regresso ao continente americano, no Tennessee e no Arizona. E estes temas são apenas dois exemplos da fórmula transfronteiriça e intercontinental, rica e imaginativa que regeu o processo de criação musical de Howe Gelb neste álbum, um cardápio fortemente emotivo, como seria de esperar e com uma riqueza instrumental vincada. Da inebriante, eletrónica e experimental Transponder e dos riffs épicos de Texting Feist, até à simplicidade melancólica de Home Sweat Home, uma canção que fala das rotinas de um artista em digressão e que conta com um dueto entre Gelb e a sua irmã mais nova, passando pelo pendor boémio e acústico de Heaventually, há, ao longo deste alinhamento de quinze canções, um forte sabor e cheiro à aridez texana que, em Hurtin' Habit ganha um crueza rock bastante máscula e assexuada, como se as hipóteses de sobrevivência no mais áspero dos ambientes exigissem a inserção dos Giant Sand no compêndio sonoro essencial, até como fôlego extra e dose vitamínica essencial, um ficheiro que não pode faltar em qualquer kit de sobrevivência regular.

Howe Gelb tem, como se percebe, um modo muito peculiar de comunicar connosco e utiliza um registo vocal declamativo que nos enclausura e desarma sem hipótese de retrocesso. Mas, desta vez, também soube convidar excelentes vozes femininas para dar vida ao universo sonoro muito próprio que idealizou. Assim, se a viola de Song So Wrong e o seu registo vocal grave contêm todos os genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio, já o piano de Pen to Paper e o dueto que Gelb mantém com Love Quinces nessa canção, transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprovando que as capacidades inatas do líder dos Giant Sand para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que é detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar. O modo como em Man On A String Gelb consegue manter o equilíbrio entre a emotividade da sua voz e as oscilações rítmicas do tema, plasmam a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva.

Obra ambiciosa, grandiosa e, de algum modo, um exercício de síntese de tudo aquilo que os Giant Sand já nos ofereceram na sua longa carreira, Heartbreak Pass é um festim para os nossos ouvidos, um disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, onde Gelb explora até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

Giant Sand - Heartbreak Pass

01. Heaventually
02. Texting Feist
03. Hurtin’ Habit
04. Transponder
05. Song So Wrong
06. Every Now And Then
07. Man On A String
08. Home Sweat Home
09. Eye Opening
10. Pen To Paper
11. Bitter Suite
12. House In Order
13. Gypsy Candle
14. Done
15. Forever And Always


autor stipe07 às 22:13
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Domingo, 5 de Julho de 2015

The Soft Hills – Cle Elum

Depois de Chromatisms e Departure, os norte americanos The Soft Hills de Garrett Hobba estão de regresso com Cle Elum, um novo tomo de canções, que viram a luz do dia a doze de maio por intermédio da Tapete Records.

Um dos projetos mais profícuos dos últimos anos na costa oeste dos Estados Unidos, os The Soft Hills têm em Garrett Hobba a sua grande força motriz e sendo este disco escrito na íntegra e produzido pelo próprio, acaba por ser, naturalmente, um reflexo muito pessoal de um músico sensível e emotivo e dono de uma voz que vinca, com particular ênfase, essas caraterísticas, projetando tudo aquilo que mexe consigo e preenche o seu coração. O orgão minimal e o modo suplicante como Hobba se expressa em Temple of Heavan e, em oposição, a luminosidade da flauta, da viola acústica e das vozes de San Pablo Bay, apresentam-nos, logo na abertua de Cle Elum, a capacidade contrastante que este compositor tem de nos oferecer o sol, as harmonias e o calor da Califórnia, mas também o escuro, a falta de cor e a chuva de uma Seattle que já foi também poiso do músco .

Mais calmo e acústico que os antecessores, Cle Elum é uma ode explícita à tipica folk norte-americana, com origens e uma matriz singular e um dedilhar de guitarra muito próprio. O modo como alguns efeitos nublosos se misturam com as cordas em My Lucky Pal, por exemplo, contém todos esses genes da folk do outro lado do atlântico, que nos envolve num universo algo melancólico, uma espécie de euforia triste e de beleza num mundo sombrio. E depois, na simplicidade melódica de temas como Feathers que, com uma simples harmonia e algumas teclas transmite uma intensa e quase sufocante sensação de introspeção e reflexão interiores, comprova-se que as capacidades inatas de Garrett Hobba para a composição não se deterioraram com o tempo, ele que, ainda por cima, é, como já referi, detentor de uma voz única e incomparável e possui uma expressão melancólica acústica que terá herdado de um Neil Young e que sabe, melhor que ninguém, como interpretar.

Em suma, num disco eclético e variado, recheado de momentos épicos e instantes cheios de tensão lírica, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, num trabalho com evidentes influências em espetros sonoros de outros tempos, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft Hills - Cle Elum

01. Temple Of Heavan
02. San Pablo Bay
03. Gold Leaves
04. My Lucky Pal
05. The Mess You’re In
06. Into The Lately
07. Skeleton Key (Return To The Earth)
08. Feathers
09. Singing A Song Nobody Knows
10. In The Cool Breath Of Morning
11. It’s A Perfect Day
12. Transient Hotels


autor stipe07 às 17:54
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Sábado, 4 de Julho de 2015

Grasscut - Everyone Was A Bird

​Oriundos de Brighton, os britânicos Grasscut são uma dupla formada por Andrew Phillips e Marcus O’Dair e estão de regresso aos discos com Everyone Was A Bird, o terceiro tomo da carreira do projeto, editado através da Lo Recordings. Se coube essencialmente a Phillips escrever, cantar, produzir e tocar piano, guitarra, baixo, sintetizador, Everyone Was A Bird acabou por ser o trabalho da dupla onde Marcus teve, até agora, um papel mais ativo, já que também toca piano e baixo na maior parte das canções.

Fortemente cinematográficos e imersivos, submergidos num mundo quase subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar estas oito nove músicas que acresecentam ao seu já notável cardápio, os Grasscut impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial das suas canções. Os feitos que borbulham de Islander, canção inspirada numa zona chamada Jersey onde Phillips cresceu e o mapa conciso que o tema cria do espaço escuro e fundo onde este disco foi criado, subsistem à custa de uma mistura feliz entre a eletrónica mais introspetiva e minimal e alguns dos mais preciosos detalhes do post rock, onde não faltam belíssimos violinos, particulamrnte ativos também em Radar. Depois, as teclas do piano, um baixo sempre vibrante e lindísiimas letras, algumas delas inspiradas na obra de Robert Macfarlane, autor do clássico Landmarks, Mountains of the Mind, The Wild Places and The Old Ways, são outros elementos sonoros do álbum que o emblezam particularmente.

Everyone Was A Bird fala do passado dos antepassados desta dupla, é uma busca muito particular das origens e da identidade de ambos, enquanto procuram replicar sonoramente as paisagens naturais onde habitaram os seus antecessores; Escutam-se os sons naturais de Curlews, o piano vintage que conduz a melodia e o registo vocal em coro num assombroso registo em falsete, para pintarmos sem grande dificuldade na nossa mente a tela paisagistíca que inspirou os Grasscut, onde não faltam ribeiros cheios de vida, manhãs dominadas pelo nevoeiro e um frio intenso e revigorante e uma fauna muito particular, com a curiosidade de, num patamar inferior, suportando este quadro idílico, estar o tal universo submerso, escuro e entalhado qase no ventre da terra mãe, expirando por um buraco cravado no solo poeirento toda esta vida feita música, que tanto pode estar ainda em Jersey, como já no estuário de Mawddach, no País de Gales, região de origem da família de Philips e onde a maioria da mesma ainda reside, ou a própria Brighton, que inspirou o conteúdo particularmente profundo e emotivo da balada Snowdown, cantada por Elisabeth Nygård e da pensativa e reflexiva, mas também épica The Field.

O momento mais emocionante, extorvertido e grandioso de Everyone Was A Bird acaba por ser o final com Red Kite, tema onde os Grasscut parecem já querer projetar-se para uma dimensão superior,  numa canção cheia de detalhes e sons fortemente apelativos e luminosos, aprofundando a relação intensa que existe neste disco entre música e uma componente mais visual, ao que não será alheio o trabalho de Phillips como criador de bandas sonoras, sendo bom exemplo a sua participação, por intermédio de outro quarteto de que faz parte, no aclamado documentário Piper Alpha: Fire In The Night, que relata os trágicos acontecientos ocorridos no Mar do Norte em Julho de 1988, quando um incêndio numa plataforma petrolífera tirou a vida a cento e sessenta e sete trabalhadores e a elaboração de uma série de filmes de paisagens naturais, da autoria de Roger Hyams e do fotógrafo Pedr Browne, para acompanahrem cada um dos oito temas de Everyone Was A Bird, nomeadamente quando forem tocados ao vivo, sendo projetados durante os concertos dos Grasscut.

Com as participações especiais nas vozes da já referida Elisabeth Nygård, de Adrian Crowley e de Seamus Fogarty e de Aram Zarikian na bateria, Emma Smith e Vince Sipprell nas cordas, Everyone Was A Bird é uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante, que nos faz imaginar a beleza daquelas ilhas sem grande esforço e quem se deixar contagiar pela melancolia destes Grasscut será transportado rapidamente para o gélido norte das ilhas britânicas, talvez acompanhado por uma xícara bem quente de chá. Espero que aprecies a sugestão...

Grasscut - Everyone Was A Bird

01. Islander
02. Radar
03. Curlews
04. Fallswater
05. Halflife
06. Snowdown
07. The Field
08. Red Kite


autor stipe07 às 18:35
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Quinta-feira, 2 de Julho de 2015

Cold Weather Company – Somewhere New

Brian Curry, Jeff Petescia e Steve Shimchick são os Cold Weather Company, um trio norte americano oriundo de New Brunswick, em Nova Jersey, que se estreou nos discos no início deste ano com Somewhere New, treze canções que viram a luz do dia logo em janeiro e que foram captadas em quartos, caves e até numa cabine, gravadas e misturadas por Ralph Nicastro dos Boxed Wine.

É a mais genuína herança sonora da América profunda que preenche o código genético destes Cold Weather Company, abastecido por cordas, que servem como um veículo privilegiado de expressão da criatividade e de manifestação de sentimentos e emoções. Este coletivo mergulha fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, este trio deixa-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem cada uma destas treze canções e expandem os territórios deste grupo da costa leste. A simbiose entre os dois géneros possibilita que eles se encontrem, como em Steer, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia que o ambiente acústico de Fellow In The North, o piano de Unlocked, a luminosidade do dedilhar de Jasmine ou a pronúncia grave das notas de Fall Low denunciam de forma declarada.

Há em Somewhere New uma capacidade subtil de incorporar um sentimento universal e quase filosófico de crença em algo novo, diferente e, por isso, conforme indica o título, substancialmente melhor. Nas letras os Cold Weather Company assumem uma postura quase religiosa, com muitas das canções a refletirem sobre fé e crenças, num disco bucólico e nostálgico que o aproxima de outros grandes representantes da cena folk atual, com os Fleet Foxes, ou os The Decemberists a serem, cdertamente, referências óbvias. A própria subtileza vocal de Brian Curry parece rondar em várias canções Colin Meloy, uma aproximação que, por exemplo, em Horizon Fire, resulta num doce retrato do que seria a música pop há umas cinco décadas. Esta calma acaba por definir a estrutura geral de Somewhere New, com a busca de delicadeza e um altivo controle da espontaniedade a serem, para já, uma imagem de marca destes Cold Weather Company.

Na estreia, este trio norte americano utiliza a santa triologia da pop, da folk e da country de forma extremamente assertiva e eficaz, num resultado final que reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que simultanemente nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Weather Company - Somewhere New

01. Horizon Fire
02. Fellow In The North
03. Steer
04. Inside Your Eyes
05. Someone Else
06. Hey Bodham Dae / What Do I Do
07. Garden
08. Unlocked
09. Jasmine
10. Tumbling
11. Recollection
12. Fall Low
13. Seafarer


autor stipe07 às 22:00
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