Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Little Arrow - Furious Finite

Formados por William Hughes, Dan Messore, Ben Sharpe, Callum Duggan e Rich Chitty, os galeses Little Arrow apresentaram ao mundo a sua folk de forte cariz etéreo e melancólico em 2011 com Mask and Poems, tendo o segundo disco, Wild Wishes, visto a luz do dias dois anos depois. Agora, quase no ocaso de 2014, regressam à carga com Furious Finite, mais uma coleção de canções que misturam o épico com o contemplativo e que parecem tão naturais e espontâneas como a enorme beleza da região de onde provêm e que os inspira, situada na extremidade noroeste das ilhas britânicas.

Conhecido há algumas semanas, o single Medicine Moon já apontava para o caminho certo de consolidação da sonoridade intrínseca desta banda. Essa canção é um exemplo feliz da capacidade dos Little Arrow em estabelecer uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, através de melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos clássicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, amiúde dominados pelos instrumentos de sopro, samples, teclados e uma percurssão, elementos que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Assim que o disco começa somos rapidamente absorvidos pelo mundo caleidoscópico dos Little Arrow, um universo cheio de cores e sons que nos causam espanto, devido à impressionante quantidade de detalhes que o quinteto coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco.

Após o single, a mais introspetiva e pastoral Pier Maountain é uma verdadeira tela sonora, com a textura barroca da harpa, a serenidade contemplativa da guitarra e a doce opulência do trompete a darem as mãos para mostrar um emaranhado de referências que têm como elemento agregador a busca de um clima sonoro com uma elevado cariz ambiental, mas que não deixa de ser acolhedor, animado e otimista. A percurssão de Loss Um, o sample inicial de Diamond Shy e a vila acústica que se segue, assim como  o conjunto de sons e incontáveis referências e detalhes que borbulham enquanto estes temas se desenvolve e crescem, são mais duas janelas que os Little Arrow nos abrem para contemplarmos canções recheadas de versos intrigantes, instigadores e particularmente melódicos. Depois, há ainda Ha Ha Happiness, uma canção com uma energia contagiante e diferente das restantes, com um espírito mais rock e que demonstra a tal versatilidade que os Little Arrow demonstram possuir e Flat Earth, War Drones e Holding & Knowing, três temas que plasmam a enorme capacidade que este coletivo possui para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas.

Domina Furious Finite um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, como ilustra a capa de um disco que sugere que encontremos no seu interior uma harmoniosa fonte de conhecimento e inspiração musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje. Ao encararmos o seu conteúdo com particular devoção, percebemos que essa suposição inicial terá alguma razão de ser já que o mesmo é a expressão prática de uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Espero que aprecies a sugestão...

 01. Government Bodies

02. Medicine Moon
03. Pier Mountain
04. Lossum
05. Diamond Shy
06. Flat Earth
07. War Drones
08. Holding & Knowing
09. Ha Ha Happiness
10. Spider
11. Hedgerow

 


autor stipe07 às 18:02
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Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy

Já chegou finalmente aos escaparates My Favourite Faded Fantasy, o novo disco do irlandês Damien Rice, um músico e compositor exemplar, natural de Dublin. My Favourite Faded Fantasy é o primeiro disco de Damien em oito anos, contém oito canções no alinhamento e viu a luz do dia no início de novembro por intermédio da Warner.

Produzido por Rick Rubin, My Favourite Faded Fantasy é o terceiro tomo da carreira discográfica de um autor que se estreou em 2002 com O e parece querer seguir o rumo que continuou a traçar aí e, depois, em 9 (2006), um caminho feito de ambientes claramente confesionais e tão nostálgicos e comtemplativos como a Islândia onde o músico se refugiou nos últimos anos, longe do mediatismo e dos palcos.

O disco abre com o single homónimo, uma canção de mais de seis minutos de duração, com um início bastante calmo e contemplativo, para depois evoluir para uma sonoridade vibrante, uma uma das marcas inconfundíveis do músico. Logo nessa abertura de portas e na sombria It Takes A Lot To Know A Man, fica claro que o arsenal instrumental gira em redor do piano, do violino e da guitarra acústica, exalando, no entanto, uma apreciável veia experimentalista, com arranjos que fazem balançar os temas entre o indie luminoso e épico (I Don't Want to Change You) e aquela toada mais sensível e sombria, que as cordas e a voz única e inconfundível de Damien tão bem replicam, como, por exemplo, em Colour Me In. Esta voz carrega em todo o disco um lamento de fundo, uma espécie de nó na garganta fielmente ampliado e reproduzido e que comove, ainda por cima quando se dedica a dar vida a canções de amor e arrependimento cercadas de fragilidade nos ricos arranjos instrumentais e onde a raiva, o remorso, a tristeza e a descoberta de buscas incessantes aos recantos mais profundos da alma são a sua grande força motriz.

I Don't Want to Change You e The Greatest Bastard são outros singles já retirados de um trabalho que tresanda a uma tremenda honestidade que este músico irlandês parece querer muito preservar, como se a música fosse o seu veículo privilegiado para expôr tudo aquilo que emocionalmente lhe toca fundo e de algum modo preenche ou, de um ponto de vista menos otimista, o perturba. Em The Greatest Bastard, Damien parece sentir uma necessidade profunda de se entregar ao julgamento cruel de quem o censura e lhe virou as costas devido a erros do passado, fazendo-o com uma humildade tal que torna-se impossível não o perdoar de qualquer momento menos bom que tenha protagonizado e não hesitar a dar uma nova oportunidade a um homem que se apresenta perante as suas heranças completamente desarmado e disponível a aceitar qualquer suplício para ter da vida um novo rumo que lhe permita decobrir uma nova luz.

Para nós que gostamos de dar uma utilidade, nem quee seja fútil, a um compêndio sonoro que de algum modo nos toca e emociona, My Favourite Faded Fantasy tem instantes que tanto podem servir de banda sonora para a leitura de uma carta de amor verdadeiramente sentida que recebemos de alguém que desejamos ardentemente, como outros que poderão servir para potenciar a nossa dor caso a missiva, com o mesmo remetente, tenha um conteúdo completamente oposto, de anúncio de completa rejeição.

Cheio de pequenas historias românticas, algumas de proporções épicas, como comprovam os mais de nove minutos de It Takes A Lot To Know A Man, My Favourite Faded Fantasy é um regresso feliz às luzes da ribalta de um homem que vive no apogeu da maturidade que os seus quarenta anos lhe conferem e  que tem o enorme atributo de criar belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vida. Este é um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes, já que o alinhamento tanto está recheado de sensações positivas, plasmadas em canções expansivas e, ao mesmo tempo, imbuídas por um forte caráter intimista, como de canções como The Box, que parecem não querer nada mais a não ser obedecer ao nosso desejo de fuga de uma realidade que às vezes aprisiona e sufoca. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy

01. My Favourite Faded Fantasy
02. It Takes A Lot To Know A Man
03. The Greatest Bastard
04. I Don’t Want To Change You
05. Colour Me In
06. The Box
07. Trusty And True
08. Long Long Way


autor stipe07 às 21:59
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Pompeii – Loom

Os norte americanos Pompeii são Dean Stafford, Colin Butler, Rob Davidson e Erik Johnson, um grupo de Austin, no Texas, com já dez anos de carreira e uma reputação importante no cenário indie local. Lançado no passado dia através da Red Eye Transit, Loom é o novo compêndio sonoro dos Pompeii, um trabalho misturado por Erik Wofford (Explosions In The Sky, Okkervil River, My Morning Jacket) em Austin, masterizado por Jeff Lipton (Arcade Fire, Bon Iver, The Magnetic Fields) e que contou com a participação espeical do coletivo Tosca String Quartet em alguns instrumentais do disco.

Com uma escrita maravilhosa e impregnado com soberbos arranjos orquestrais, Loom são pouco mais de quarenta minutos de puro deleite sonoro. Da pop mística e graciosa com um forte cariz sentimental (Celtic Mist), ao indie rock que fez escola em finais do século passado (Frozen Planet), ao mais progresssivo (Blueprint), passando pela típica intimidade da folk americana (Frozen Reprise), escutam-se dez canções envolventes, festivas e grandiosas e que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Loom denota esmero e paciência por parte dos Pompeii, principalmente na forma como acertam nos mínimos detalhes. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, uma percurssão eminentemene orgânica e envolvida por ricos teclados e arranjos majestosos, até à poderosa voz de Dean, simultaneamente dolorosa e magistral, rica e envolvente, belíssima em Sleeper e quase sempre assente numa generosidade criativa, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

O som dos Pompeii é espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico e há alguns momentos neste disco que comprovam todas estas facetas por si só o que acrescenta à bagagem sonora dos Pompeii novas e belíssimas texturas, que não se desviam do cariz marcadamente experimental que faz parte do ADN do grupo. É fabuloso o modo como Sleeper cresce e se desenvolve, com uma percurssão que à medida que surge da penumbra, vinda de diferente fontes, vai chamando para junto de si um verdadeiro arsenal instrumental orgânico e sintético que explode num final sónico e verdadeiramente emocionante e grandioso. A bateria e o efeito da guitarra em Rescue também permitem esta absorção de diferentes sensações e o contato direto com uma multiplicidade de planos sonoros ganha neste tema uma dimensão superior. E outro instante que merece amplo destaque e audições repetidas devido à forma como plasma o cariz épico, melancólico e grandioso e o alargado leque sonoro destes Pompeii é a batida ácida e cadente de Ekspedition e as cordas em formato acústico de uma viola e um violino que se entrelaçam entre si e com uma linha de guitarra eletrificada, num tema cantado com uma voz em coro, diversos detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage

Não é preciso chegar ao final do disco para perceber que Loom gira em redor de um sentimento muito específico, mas a voz emocionalmente forte de Dean em Drift, acompanhada por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor, onde o orgânico dedilhar das cordas e das teclas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Esta canção encerra da melhor forma um disco que transporta uma beleza e uma complexidade que merecem ser apreciadas com particular devoção e faze-nos sentir vontade de carregar novamente no play e voltar ao inicio. Espero que aprecies a sugestão...

Pompeii - Loom

01. Loom
02. Celtic Mist
03. So Close
04. Frozen Planet
05. Frozen Reprise
06. Blueprint
07. Rescue
08. Ekspedition
09. Sleeper
10. Drift


autor stipe07 às 22:09
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Sábado, 1 de Novembro de 2014

Ana Cláudia - De Outono EP

Produzido, gravado e misturado por Ben Monteiro e com todos os instrumentos a terem sido tocados por Ana Cláudia e Ben, De Outono é o EP que coloca Ana Cláudia, uma licenciada em Jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa, na lista dos novos artistas e das magníficas vozes portuguesas a seguir atentamente por cá, num lançamento que é, sem sombra de dúvidas, um dos mais bonitos de 2014.

De Outono são cinco canções certinhas que são uma excelente banda sonora para fecharmos definitivamente a porta deste verão atípico e de olharmos em frente para os rigores climatéricos dos próximos meses com renovada esperança e alegria, porque agora também podemos contar com este lindo aconchego para nos dar luz, cor e algum calor nos dias mais cinzentos e frios que tivermos de enfrentar.

Com letras escritas pela própria Ana e outras da autoria de Liliana Baptista (Colher de Chá) e de Cícero Rosa Lins (João e o Pé de Feijão), De Outono é uma ode feliz a uma estação do ano que geralmente nos causa alguma repulsa por marcar a despedida dos prazeres do verão, mas que tem atributos tão belos como as cores e os cheiros de uma natureza que se prepara para queimar uma nova etapa no seu ciclo de renovação, enquanto nos oferece alguns dos seus frutos mais doces e etílicos que possui.

A música de Ana Cláudia é também um pouco assim, de difícil trato, mas que depois se saboreia e se entranha, remexendo no nosso íntimo sem pedir licença e trazendo à tona algumas das nossas memórias mais bem guardadas e que sabem bem num período de renovação avivar, para que nunca tenhamos a ousadia de deixarmos cair no esquecimento tudo aquilo que decalcou os traços mais genuínos e encantadores da nossa identidade.

O EP está disponível para download legal e gratuito. Espero que aprecies a sugestão...

Colher de Chá
Bailarina
João e o Pé de Feijão
Riso
Outro Caminho


autor stipe07 às 15:19
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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Astronauts - Four Songs EP

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney. um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain e que divulguei recentemente por causa de Hollow Ponds o extraordinário disco de estreia desta nova vida musical de um homem que guarda no seu universo sonoro teclas, cordas e baquetas mas, acima de tudo, um tremendo bom gosto e uma capacidade ímpar para compôr canções que só poderão ser devidamente apreciadas se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que elas possuem e transmitem.

Já a preparar o sucessor de Hollw Ponds, Four Songs EP acontece numa lógica de querer encerrar um capítulo extenso e intenso da vida de Carney, que se inspirou em algumas experiências traumáticas pessoais recentes para compôr esse álbum, nomeadamente uma fratura grave de uma perna que o fez sofrer bastante e o prendeu a uma cama de hospital durtante um longo período. As quatro canções deste EP são como que sobras dessa obra maior, mas não ficam a dever nada em termos qualitativos ao alinhamento do disco. Comprovam a efervescência com que Astronauts se serve do krautrock e da dream pop e ampliam ainda mais a sensação de bom gosto que experimentamos ao escutá-las, criadas por um compositor que, com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, tem o comportamento típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição.

Only Son, o tema que abre o EP, é um fantástico instante sonoro e o último tema divulgado pelo músico que aborda diretamente a fratura do pé que o apoquentou. simultaneamente claustrufóbica e épica e fortemente melódica, é uma música inspiradora e vibrante, com arranjos deslumbrantes e que não poupa na materialização dos melhores atributos que Carney guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas.

Lion Tamer é um pouco mais introspetiva e melancólica e conta com um dedilhar de guitarra que casa na perfeição com uns lindíssimos arranjos de metais, algo que confere à canção um clima particularmente charmoso e contemplativo. A voz em coro dá mais corpo à canção e à medida que a mesma cresce, com o aumento da distorção e do ritmo da percurssão, que replicam uma melodia repetitiva, parece que levantamos voo com ela sem qualquer receio de olhar para trás e de nos deixarmos levar pelo cariz fortemente hipnótico da mesma.

Os dois últimos temas do EP mostram um Carney ainda mais resguardado, mas a potenciar ao máximo a capacidade que possui de nos deslumbrar e, de modo algo inédito, a provar que também há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpreta. Se a planante e eterea Think On (2003) faz, um elogio sincro a Elliot Smith, um dos seus heróis, Death From The Stars é um pequeno instrumental onde acorda de uma viola se entrelaça com alguns efeitos edepois nos transporta numa viagem rumo ao revivalismo dos anos oitenta que nos traz brisas bastante aprazíveis.

Four Songs é um EP rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O trabalho tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Dan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:03
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Sábado, 25 de Outubro de 2014

DRLNG - Icarus EP

Os Plumerai juntaram-se em 2011 para fazer música e assim nasceu uma banda em Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras), James Newman (baixo) e Mickey Vershbow (bateria). Agora, três anos depois, alguns dos integrantes dessa banda resolveram dar vida a um novo projeto paralelo intitulado DRLNG (darling), que se estreou no passado dia dezasseis de outubro com um EP intitulado Icarus, disponível numa edição limitada em vinil de 12" e no bandcamp e soundcloud do projeto.
Gravado por Alex Gracia-Rivera nos estudios Mystic Valey, um dos poucos estúdios americanos que usa ainda apenas e só equipamento analógico, este EP contém quatro excelentes canções que apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura e límpida de Eliza é um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas de Martin têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz de Eliza, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Icarus, o tema homónimo, permite-nos desde logo dissecar diferentes vias e infuências, já que, ao mesmo tempo que há uma paisagem sonora que transparece calma e serenidade, também existe na guitarra uma tensão constante, numa melodia amigável e algo psicadélica, que se arrasta até ao final num longo diálogo entre a distorção e o timbre do baixo. My Gipsy tem um formato intímo e marcadamente nostálgico e Playground Punk usa a bateria para brincar com os nossos sentidos, sempre à espera do momento certo para explodir. Para o ocaso ficou Seattle, um tema cantado em francês e onde o fio condutor parece incialmente ser o jazz e a folk, mas com o indie rock mais progressivo a ser o grande suporte de uma canção que mostra uns DRLNG que parecem também querer apostar, no futuro, em ambientes sonoros mais ruidosos.

Há uma enorme sensação de conforto durante a audição de Icarus, possibilitada por uma atmosfera rítmica e sonora claramente orientada para permitir aos autores expressarem-se de forma melancólica e, desse modo, exaltarem cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Este EP tem uma expressividade única e claramente intencional, que abrange, de forma reconfortante, o espaço onde é ouvido, como se fosse um manto que permanece sempre cativante, mas também feliz e carregado de esperança. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:14
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Brass Wires Orchestra - Cornerstone

Gravado nos Black Sheep Studios por Makoto Yagyu (PAUS) e Fábio Jevelim (PAUS) e masterizado nos Abbey Road Studios (Londres) por Frank Arkwright (responsável pela masterização também do álbum Neon Bible, dos Arcade Fire), Cornerstone é o novo disco dos Brass Wires Orchestra, um coletivo nacional formado por Miguel da Bernarda, Afonso Lagarto, Rui Gil, Luís Grade Ferreira, Zé Valério, Nuno Faria, António Fontes, Tiago Rosa, António Vasconcelos, nove músicos que formam uma verdadeira orquestra folk que aposta numa fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, tudo assente em melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, amiúde dominados pelos instrumentos de sopro, que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

A expetativa em redor de Cornerstone começou a fervilhar no universo indie nacional, na sequência de uma série de concertos que, tendo acontecido sem o objetivo de elevar a banda para um patamar profissional, revelaram, desde logo, alguns temas que acabariam por se tornar em hinos incontornáveis nos concertos da banda, como é o caso de Tears of Liberty ou Wash My Soul. Impulsionados certamente também por tal impacto, estes músicos decidiram, em boa hora, dar o passo seguinte e a verdade é que este disco é já um marco num ano que está a ser extraordinário e de definitiva afirmação para o cenário musical indie e alternativo português.

Cornerstone é uma belíssima coleção de dez originais feitos com melodias hipnotizantes que conseguem misturar os mais inusitados instrumentos com incrível mestria e com a secção de sopros a ser um elemento importante para criar a energia contagiante e a alegria que estes Brass Wires Orchestra transmitem nas suas canções. São composições sonoras carregadas de texturas, criadas através da justaposição de diferentes camadas de instrumentos e sons, uma conjugação com um elevado cariz contemporâneo e atual, apesar do forte revivalismo que este espetro sonoro sempre encerra. O resultado final é verdadeiramente vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece não querer olhar apenas para o universo tipicamente folk, mas também abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos, as facetas mais soul e blues do próprio indie rock.

Cornerstone tem vários momentos altos e deles não posso deixar passar em claro, por exemplo, os dois tremas já referidos, nomeadamente a sensibilidade de Wash My Soul, o tema de abertura e o ritmo frenético e as cordas inebriantes de Tears Of Liberty, uma canção que cabe na algibeira de todos aqueles que já viveram amores desencontrados e não correspondidos. Depois, ainda há People & Humans, uma canção com uma energia diferente das restantes e que demonstra a versatilidade que os Brass Wires Orchestra já demonstram possuir e Time, um tema que plasma a enorme capacidade que o coletivo possui para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas. No final, The Life I Chose é um dos temas mais curiosos do disco, um título feliz para uma música criada por uma banda que sabe bem qual o caminho sonoro que pretende decalcar e sobre o qual se debruça, assim como sobre outros aspetos importantes da banda e deste trabalho, numa entrevista que me concedeu e que aparece transcrita já a seguir. 

Há definitivamente algo de especial nestes Brass Wires Orchestra e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de frescura e vitalidade, mas onde também há espaço para composições melancólicas, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e descomplicadas. Espero que aprecies a sugestão...

Depois do sucesso alcançado em vários concertos e que revelaram alguns temas vossos que são já hinos incontornáveis, começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para Cornerstone?

Não temos grandes expectativas, queremos apenas a possibilidade de andar por aí a divulgar o nosso trabalho.

Brass Wires Orchestra é um coletivo de nove músicos, certamente de diferentes escolas musicais e origens e com gostos diversificados. Como se consegue colocar ordem na casa e colocar todos a remar no mesmo sentido?

É mais fácil do que se possa pensar. Nós adoptámos linhas estéticas que nos permitem comunicar e compor sempre para o mesmo sentido. 

Como surgiu a possibilidade de gravar o disco nos Black Sheep Studios, com Makoto Yagyu e Fábio Jevelim?

Nós sempre ensaiámos nos BlackSheep Studios, foi um passo natural gravarmos lá com o Makoto e com o Fábio.

Cornerstone foi masterizado nos míticos Abbey Road Studio, em Londres, pelo inigualável Frank Arkwright, que já colocou as mãos em álbuns de nomes tão importantes como os Arcade Fire. Que peso teve este produtor no resultado final?

É sempre de peso ter o selo de qualidade do Frank e dos Abbey Road Studios.

Olhando agora para o conteúdo de Cornerstone, confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de uma frescura e que tem tanta vitalidade . No fundo, em termos de ambiente sonoro, que idealizaram para o álbum inicialmente? E o resultado final correspondeu ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

A nossa visão manteve-se sempre a mesma durante o processo. Com o tempo fomos limando alguns arranjos e escolhas melódicas.

Mesmo nos temas novos já se nota alguma maturidade no que toca a subtileza de arranjos. É uma preocupação nossa.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental e também a criatividade com que selecionaram os arranjos, gostei particularmente do cenário melódico destas vossas novas canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou as melodias são criadas individualmente, ou quase nota a nota, todos juntos e depois existe um processo de agregação?

O processo inicia-se com trabalho de casa. Depois sim, no estúdio de ensaio, trabalhos a base já existente.

Cada elemento é responsável pela sua melodia e surgem de forma muito natural e espontânea. 

Até que ponto é correto dizer que a secção de sopros da banda é o elemento fulcral e decisivo de toda esta trama?

Não seria muito acertado, porque apesar de estarem presentes em todos os temas, são tão importantes como qualquer outro instrumento, são é mais barulhentos.

Confesso que fiquei particularmente surpreso e agradado com o bom gosto do artwork de Cornerstone. Há algo de conceptual e alguma relação direta com o conteúdo lírico e sonoro?

O artwork foi pensado com cuidado, o seu imaginário remete para uma estética com a qual nos identificamos. O responsável foi o Tiago Albuquerque.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em inglês e a opção será para se manter?

O inglês é para se manter. Todas as nossas referências cantam em inglês e o compositor das músicas, o Miguel, estudou numa escola inglesa e portanto é-lhe mais natural escrever em inglês do que em português.

O que vos move é apenas esta folk feita de composições melancólicas, com um acabamento bucólico, mas também alegre e descomplicado ou gostariam ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico dos Brass Wires Orchestra?

Exploramos cada vez mais sonoridades diferentes. Elementos eletrónicos, pedais de efeitos, etc.

Achamos que o próximo trabalho vai surpreender muita gente pela positiva.


autor stipe07 às 18:09
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

Bike Thief – Stuck In A Dream

Oriundos de Portland, no Oregon, os Bike Thief são Febian Perez, Greg Allen, Patrick White, Steve Skolnik e Thomas Paluck, uma daquelas típicas bandas indie que gostam de se mover por vários terrenos sonoros, fazendo-o com um equilibrio tal que evitam ao máximo decalcar apenas um espetro sonoro, para que a monotonia não se instale e um desses territórios não acabe por se tornar movediço, sugando a banda para um marasmo de onde dificilmente se encontra a saída. Assim, eles percorrem de forma inteligente estilos musicais tão variados como a indie pop, o rock progressivo e até a folk. Além da guitarra, da bateria e do baixo, também usam sintetizadores e instrumentos peculiares como o xilofone e o violino, ou seja, apostam numa conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, o que resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, em canções carregadas de letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, escritas por Febian Perez, dono de uma magnífica voz e aparentemente o lider da trupe.

Stuck In A Dream é um disco recheado de intensidade e de boas canções, com Ghosts Of Providence e Kiss The Light a serem bons exemplos da exuberância e do ritmo forte e alegre que os Bike Thief gostam de imprimir à sua música, sem que isso descure uma atmosfera bastante sentimental e até algo dramática. Se a folk parece querer dominar incialmente temas como We Once Knew Ya, a já referida Kiss The Light ou The Burning Past, neles o violino é rapidamente acompanhado por outros arranjos sintetizados e distorções que engrandecem essas canções e dão-lhes o tal clima de diversidade que os Bike Thief tanto apreciam. Mesmo em Violet Waves e Shimmer, duas canções que abordam essencialmente o indie rock, os Bike Thief fazem-no de formas distintas, com a primeira a ser objeto de um modo luminoso e ligeiro e a segunda a chamar a si um ambiente mais punk e sombrio, com uma abordagem ao rock de um modo mais progressivo e até psicadélico. Esta atmosfera acaba por se alastrar ate ao final, sendo a grande força motriz da magnificiência que percorre os mais de dez minutos do tema homónimo do disco, uma espécie de climax de todo o alinhamento, a bohemian rapsody dos Bike Thief que funciona como se fosse o olho de um furacão para onde convergem todos os temas escutados anteriormente.

Stuck In A Dream é, no fundo, um compêndio de art rock, um disco eloquente, cheio de vida e inspirador para quem gosta daquele rock feito de ambientes sonoros preenchidos e particularmente exóticos. Como podes verfificar abaixo, o disco está disponível no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente. Espero que aprecies a sugestão...

Bike Thief - Stuck In A Dream

01. A Breath
02. Ghosts Of Providence
03. Kiss The Light
04. We Once Knew Ya
05. Somewhere New
06. The Burning Past
07. Violet Waves
08. Tide Of Reason
09. Shimmer
10. Stuck In A Dream



autor stipe07 às 15:24
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Sábado, 4 de Outubro de 2014

Cloud Castle Lake - Dandelion EP

Para quem aprecia aquela simbiose já clássica entre o post rock amiúde visceral e quase sempre etéreo dos islandeses Sigur Rós, com o indie rock progressivo dos Radiohead, irá certamente apreciar Dandelion, o novo EP dos Cloud Castle Lake, uma banda irlandesa, natural de Dublin e formada por Brendan William Jenkinson, Rory O'Connor e Daniel McAuley. Dandelion chegou aos escaparates a dezanove de setembro, por intermédio da Happy Valley.

Sync, o tema de abertura deste EP e single do mesmo é uma excelente porta de entrada para uma curta mas intensa viagem sonora, proporcionada por quatro canções vibrantes e pulsantes, que sabem a triunfalismo e celebração. Este tema, com os instrumentos de sopro de mãos dadas com o piano e um belíssimo falsete a construirem a primeira camada do seu edifício sonoro, que depois recebe uma percurssão orgânica suave que vai ser, adiante, comprimida pelas cordas do baixo, à boa maneira da sonoridade típica dos Radiohead no período In Rainbows,deixa dentro de nós uma incrível sensação de euforia, mas controlada, proporcionada pela forma poética como se sente que a delicadeza e a candura procuram equilibrar-se com a agressividade e a rispidez, enquanto se assiste a um combate fraticida entre estes dois opostos.

Os tambores e a bateria de A Wolf Howling ampliam esta compilação dramática e, de repente, somos subjugados para um conto fantástico, cheio de criaturas sobrenaturais que se degladiam entre si enquanto replicam algumas das melhores nuances do indie rock progressivo, ao mesmo tempo que, com o seu estilo único, Daniel McAuley tira-nos o fôlego com o seu falsete fortemente emotivo, que deixa-nos muitas vezes sem reação e toca profundamente o coração.

A toada abranda um pouco, mas mantém-se aquele ar sombrio e algo misterioso em Mothcloud, à medida que o dedilhar de uma guitarra acústica e o falsete de Daniel recebem uma secção inteira de instrumentos de sopro e a distorção de uma guitarra que poderia ser tocada pelo arco de violoncelo de Jón Þór Birgisson. Este cenário melódico pinta uma belíssima paleta de cores sonoras e cria uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada que se prolonga em Dandelion, canção onde as cordas sobressaiem e que, por isso, tem uma toada um pouco mais folk que as restantes. É um instante perfeito para nos resgatar, lentamente, do mundo mágico para onde fomos sugados, para voltarmos sãos e salvos a uma realidade que é, tantas vezes, tão melancólica e sombria, mas igualmente graciosa como estas quatro canções, depois de cerca de vinte minutos de incontrolada euforia, que, se formos justos, mereceram a nossa mais sincera devoção.. Espero que aprecies a sugestão...

Sync

A Wolf Howling

Mothcloud

Dandelion


autor stipe07 às 20:57
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

So Cow - The Long Con

Oriundos de Galway, os irlandeses So Cow são Peter O'Shea, Jonny White e Brian Kelly, um trio que aposta na receita simples mas aditiva que suporta o indie rock de garagem, fazendo-o com um interessante grau de diversão, boa disposição, humor e empatia. Produzido por Greg Saunier, dos Deerhoof, The Long Con é o novo disco do trio, um trabalho que chegou aos escaparates a dezasseis de setembro por intermédio da Goner.

Os So Cow são mais uma daquelas bandas que procura ser simples e assertiva na fórmula enquanto revivem o espírito instaurado nas composições e nos registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta e que usam artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período, numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.

The Long Con começa com a intrépida Get Down Off That Thing e a partir daí o pé raramente alivia o acelerador, quer da bateria quer da distorção das guitarras. Logo depois chega Science Fiction, um dos singles já retirados do disco e um dos momentos altos de The Long Con. Esta canção tem no punk e no rock de garagem feito com guitarras cheias de distorção, mas melodicamente muito ricas, as suas traves mestras e nela, mas também, por exemplo, em Vigilanti Cura, percebe-se que os So Cow sabem como pegar na sonoridade que escolheram com elevada mestria e também com uma forte componente experimental.

Sugar Factory é um dos temas mais curiosos do disco; Não foge à sonoridade geral do mesmo, mas há o delicioso detalhe de um instrumento de sopro típico da Irlanda que dá à canção uma toada folk muito interessante, sem deixar de ser concentrada no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento desta e das diferentes composições do alinhamento. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, nomeadamente em I Want Out que consegue aproximar-se de uma sonoridade que mistura momentos mais luminosos de uns Clash ou Ramones, com uma faceta algo adolescente dos Sonic Youth.

A aproximação à psicadelia não fica por aqui e em Say Hello o baixo volta a dar um ar da sua graça enquanto as guitarras aproximam-se do surf rock típico da década de sessenta e a canção consegue fazer-nos visualizar enormes pranchas de surf em plena pradaria irlandesa.

The Long Con incorpora a sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Em pouco mais de meia hora estes quatro músicos apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, The Long Con usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos So Cow de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

01 – Get Down off That Thing
02 – Science Fiction
03 – Sugar Factory
04 – Operating at a Loss
05 – I Want Out
06 – Vigilanti Cura
07 – Say Hello
08 – Turning into You
09 – To Be Confirmed
10 – Guess Who’s Dead
11 – The Other One
12 – Second Last Line of the National Anthem
13 – Barry Richardson


autor stipe07 às 21:05
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