Domingo, 30 de Agosto de 2015

The Mowgli's - Kids in Love

Sedeado em Los Angeles, o coletivo norte americano The Mowgli's segue o trilho da herança deixada por nomes como os Byrds, os Beach Boys, ou os mais contemporâneos Grouplove e Edward Shape & The Magnetic Zeros, através de uma indie folk vibrante e luminosa. Formados em 2010 pelo cantor e compositor Colin Dieden, os The Mowgli's são um grupo extenso, formado atualmente por David Applebaum, Spencer Trent, Matt Di Panni, Josh Hogan, Andy Warren e Katie Earl, além de Dieden.

A banda estreou-se em 2012 nos discos com Sound the Drum, juntamente com o EP Love's Not Dead. Regressaram rapidamente aos lançamentos um ano depois com Waiting for the Dawn e agora, em 2015, estão de regresso com Kids in Love, o terceiro álbum, produzido por Captain Cuts e Matt Radosevich e que contém a típica vibração veraneante e iluminada de uma Califórnia cujo sol invulgar é capaz de inspirar, neste caso, um corpo de canções contagiante e com um elevado fulgor, naturalmente pop.

Logo no início do disco, a festiva You're Not In Love e o encorpado e grandioso single I'm Good colocam-nos de chinela no pé, no meio de um areal animado e cheio de gente bonita e bastante animada. O sunset está na moda, é simples imaginar o piano de Whatever Forever enterrado numa duna e estes The Mowgli's parecem inspirar-se nessa ideário para criar canções que possam servir para deixar uma turba imensa de adolescente em pleno êxtase, enquanto o sol desce no pscífico ou noutro oceano qalquer, descansado porque o amanhã não deixará de ser, na mesma latitude, igualmente lascivo, relaxado e contagiante.

Kids In Love é um catalizador energético sugerido por um coletivo que se conhece desde os tempos de escola e com um sentido de camaradagem contagiante. E isso reflete-se no modo harmonioso como estes músicos selecionam os efeitos da guitarra e os encadeiam com constantes variações percussivas e uma voz sempre nos píncaros da emoção, debitando frases simples, mas com uma certa profundidade, sobre os típicos problemas da adolescência e todas as dúvidas que a entrada na vida adulta sempre coloca nos dias de hoje. Mesmo quando em canções como Through The Dark, os The Mowgli's mostram-se um pouco mais fechados no seu casulo e instrumentalmente menos elétricos, não deixam de exalar um particular entusiasmo e uma energia salutar.

Disco alegre, colorido e intenso, Kids In Love merece referência por não ser, claramente, um disco com propósitos grandiosos, mas que consegue mostrar a união de um grupo de amigos que juntos fazem, com elevada bitola qualitativa, a musica que mais gostam e que os faz sentir verdadeiramente felizes. Não é esse um dos maiores propósitos da música? Espero que aprecies a sugestão...

Album cover: The Mowgli’s – Kids In Love

01. You’re Not Alone
02. I’m Good
03. Bad Dream
04. What’s Going On
05. Through The Dark
06. Whatever Forever
07. Make It Right
08. Love Me Anyway
09. Shake Me Up
10. Home To You
11. Kids In Love
12. Sunlight


autor stipe07 às 20:22
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Sábado, 22 de Agosto de 2015

Beirut - Gibraltar

Beirut - Gibraltar

Gravado em Nova Iorque, em pouco mais de um mês, durante um período do último inverno particularmente frio, No No No é o novo compêdio de canções dos Beirut de Zach Condon, ao qual se juntam Nick Petree, Paul Collins, Ben Lanz e Kyle Resnick, um trabalho que irá ver a luz do dia a onze de setembro através da etiqueta 4AD.

O primeiro tema divulgado de No No No foi o homónimo, uma canção evidencia a nova fase positiva da vida pessoal de Condon, que reencontrou novamente o amor e ultrapassou definitivamente o colapso físico e mental que o músico sofreu em 2013, na Austrália, devido aos seu processo de divórcio. Agora, algumas semanas depois, chegou a vez de nos deslumbrarmos com a pop clássica, charmosa e com uma pitada de tropicália de Gibraltar, um título feliz para uma canção que sabe ao nosso sol e irradia a típica luz mediterrânica. Para apresentar este novo trabalho, os Beirut vão estar em digressão pela América do Norte e pela Europa. Confere...


autor stipe07 às 21:20
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2015

Seapony – A Vision

Depois de Go With Me (2011) e Falling (2012), os Seapony de Danny Rowland, Jen Weidl e Ian Brewer estão de regresso aos discos com A Vision, um trabalho que conta com a participação especial do percussionista Aaron Voros. A Vision é o terceiro compêndio de originais desta banda de Seattle e chegou aos escaparates, como é hábito nos Seapony, pela mão da insuspeita da Hardly Art Records.

Oriundos de uma cidade onde a água é um dos elementos predominantes da paisagem, a sensação de expansão, grandiosidade e de vida que tal evidência provoca, como sabem todos aqueles que residem em locais banhados por este liquido, influencia certamente a música destes Seapony. A Vision, o novo disco do grupo, é um verdadeiro oceano de indie pop melancólica, fabricada por um sintetizador vintage, linhas de guitarra com efeitos deslumbrantes, um baixo insinuante e uma percussão quase sempre acelerada e cheia de vigor.

A luminosidade dançante e aconchegante de Saw The Light, além de nos confortar com a cândura da voz de Weidl, mostra-nos todos aqueles tiques etéreos, nos quais os Seapony são mestres e depois, à boleia de temas como Bad Dream, assente numa guitarra nostálgica, ou das cordas acústicas de Everyday All Done, New Circle e, principalmente, Go Nowhere, planamos em redor de um surf indie pop, lo fi e, que desta vez olha com uma perspetiva mais cuidada para aquele ambiente acústico, impregnado de cândura e que lembra a melancolia do final do verão, como se esta estação quisesse prolongar-se pelo outono fora.

Os Seapony vivem, acima de tudo, desta relação intima e sedutora entre a voz doce de Weidl e as cordas de Rowland, dois músicos que contrastam e complementam-se de modo intuitivo espontâneo, enquanto se debruçam sobre temas comuns como o amor, memórias, promessas quebradas, sonhos e anseios. Na verdade, a abordagem poética e contemplativa que este grupo tem da existência humana, dos dias e das noites, exala sempre um enorme romantismo, seja qual for o ponto de observação e o quadrante abordado, mostrando-nos o sabor doce e amargo da vida tal como a conhecemos, com a mesma intensidade e emoção, à boleia de melodias simples, mas fortemente aditivas. São composições eficazes no modo como nos fazem navegar num mar de sensações e enquanto as escutamos e elas escorrem pelos nossos ouvidos, quase se pode sentir o sal que delas palpita e que vai servir depois para temperar os nossos dias, confortados agora por estas canções com um cariz sonoro e instrumental melódico e que às vezes sendo um pouco lo fi e shoegaze, dá-lhes aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico. Espero que aprecies a sugestão...

Seapony - A Vision

01. Saw The Light
02. Bad Dream
03. Couldn’t Be
04. Everyday All Alone
05. Hollow Moon
06. Let Go
07. A Place We Can Go
08. Go Nowhere
09. In Heaven
10. New Circle
11. A Vision


autor stipe07 às 22:01
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

Paper Beat Scissors - Go On

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que lançou no passado dia catorze um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum foi editado através da Forward Music Group/Ferryhouse e sucede ao disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

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Logo em Enough, o tema que abre o alinhamento de Go On, percebe-se a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor. Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar com canções que carregam quase sempre uma indisfarçável emoção e uma saudável dose de melancolia, onde não falta, como se percebe em Lawless, uma dose de epicidade que faz todo o sentido quando o universo sonoro replicado procura replicar sentimentos fortes que exigem uma implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.

As cordas e os sintetizadores, presentes neste disco com mais força, são os instrumentos que este músico canadiano utiliza para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, orgânicas e sintéticas, muitas vezes em várias camadas de sons. When You Still é exímio no modo como nos oferece esse mosaico, num fundo dominado por uma bateria sintetizada hipnótica, que segura uma miríade de samples e sons, alguns deles particularmente rugosos, mas que não colocam em causa a estética delicada do projeto, graças também ao tal registo vocal doce e profundo.

Até ao final de Go On, se a folk etérea do tema homónimo é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Paper Beat Scissors nos sentam, já o piano de Enfazed e a percurssão hipnótica e pulsante de Wouldn't fazem deste disco uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Tim Crabtree entregou-se à introspeção, sentiu necessidade de desabafar connosco e refletiu sobre si e o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas. Quase pedindo-nos conselhos, o autor deste disco único inicita à dança e à melancolia com texturas eletrónicas polvilhadas com um charme incomum e que nos embala e paralisa, em quase quarenta minutos de suster verdadeiramente a respiração.

Num disco equilibrado, que vai da introspeção à psicadelia mais extrovertida, Go On prima pela constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades. É um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra, da autoria de projeto que vive da visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso destes Paper Beat Scissors, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções do grupo servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos. Espero que aprecies a sugestão...

1. Enough
2. Lawless
3. When You Still
4. Wouldn't
5. Enfazed
6. Onwards
7. Altona
8. A Reprieve
9. Bundled
10. Go On

 


autor stipe07 às 22:21
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

The Jungle Giants – Speakerzoid

Oriundos de Brisbane e formados por Sam Hales, Cesira Aitken, Andrew Dooris e Keelan Bijker, os The Jungle Giants já têm finalmente nos escaparates o sucessor de Learn To Exist, o trabalho de estreia do projeto, editado há dois anos e que sucedeu a um ep homnónimo editado no ano anterior. Speakerzoid é o novo álbum deste quarteto australiano, um trabalho que viu a luz do dia a sete de agosto e que irá certamente catapultar o grupo para o merecido estrelato.

O curioso nome deste disco dá o mote para o seu início e a resposta à questão pertinente sobre o signficado do vocábulo está na música que contém, sendo os acordes iniciais de Every Kind Of Way a resposta dada pelos The Jungle Giants à questão. Com um registo vocal de Sam Hales eminentemente declamativo, um baixo encorpado e pleno de groove, algumas teclas insinuantes, uma guitarra impregnada com aquele fuzz psicadélico hoje tanto em voga e alguns efeitos futuristas, esta canção é uma ode festiva e inebriante que nos submerge num disco que vale todos os minutos gastos na sua audição.

Na sequência, o indie rock rugoso mas festivo de Devil's Play e o clima folk divertido de Kooky Eyes e de Mexico, assim como a exuberância acústica de Creepy Cool e o blues da guitarra de Lemon Myrtle acentuam ainda mais o cariz infeccioso e contemporâneo de um disco que parece um verdadeiro motim de acordes, arranjos e samples vocais, que de Beck a Tame Impala, abraça uma quantidade ilimitada de texturas onde sintetizadores e guitarras contagiantes estouram alegria e sedução, como se fossem um par de amantes em permanente troca lasciva de olhares e argumentos.

Em Speakerzoid nem faltam abordagens a um espetro mais punk e musculado, não só porque o baixo está sempre presente na conduão melodica das canções, mas também porque assume, em alguns casos, um protagonismo singular. It Gets Better, uma canção futurista, repleta de samples curiosos e de efeitos e detalhes bastante criativos, ou Not Bad, não tendo, na essência, aquela toada sombria do punk rock, sobrevivem devido ao colchão grave em que se acomodam, tricotado por um baixo dinâmico e fascinante, que baliza e se entrelaça com as variações de ritmo da bateria com uma articulação e um charme incomuns.

Gravado durante o ano de 2014 e produzido por Magoo, Speakerzoid é, pois, um inventido e luxuriante compêndio de canções que entre o indie rock, o hip hop e a pop psicadélica, nos oferece uma sonoridade geral heterógenea e uma groove viajante com uma estética mais próxima de uma certa pop negra avançada, fazendo-o com uma vibração excitante, numa revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto por alguns gigantes que se têm entregue ao flutuar sonoro da lisergia e de cuja listagem os The Jungle Giants também querem fazer parte.

Em suma, cheio de espaço, com texturas e fôlegos diferentes e onde é transversal uma sensação de experimentação caseira, Speakerzoid clarifica as novas coordenadas que se apoderaram do departamente de inspiração deste quarteto, sendo o resultado da ambição do mesmo em se rodear com uma aúrea resplandescente e inventiva e de mostrar uns The Jungle Giants cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

The Jungle Giants - Speakerzoid

01. Every Kind Of Way
02. Devil’s Play
03. Kooky Eyes
04. Lemon Myrtle
05. What Do You Think
06. Mexico
07. Creepy Cool
08. Not Bad
09. It Gets Better
10. Together We Can Work Together
11. Tambourine
12. Work It Out (Bonus Track)


autor stipe07 às 21:24
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2015

A Nero - Hysterical Fiction

Foi no inverno de 2011 que os músicos e compositores Annie Nero e Josh Kaufman deram as mãos e embarcaram numa viagem até Parsonsfield, no Maine, com o firme propósito de gravarem música no reuptado estúdio local Great North Sound Society, tendo levado consigo Brian Kantor, Jim Smith, Nate Martinez e Kara Smith, antigos e habituais colaboradores da dupla noutros projetos. Nasceram assim os A Nero, um grupo sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que editou a trinta de maio Hysterical Fiction, um disco que incubou durante cinco dias nesse estúdio, mas que nos últimos três anos foi sendo constantemente aperfeiçoado, graças a intensivas sessões de produção e gravação, com algumas das canções a serem já versões alteradas e aperfeiçoadas das demos iniciais.

Longos invernos, curtos verões e o lado mais espiritual do amor são, de certo modo, as três grandes ideias que gravitam, de acordo com os A Nero, em redor de Hysterical Fiction, com a belíssima voz de Annie a ser o complemento perfeito de um clima melódico fortemente etéreo e que resulta do cruzamento entre a leveza onírica da dream pop e um indie rock que procura dar as mãos à eletrónica, num resultado que nos transporta para um universo muito próprio dos A Nero, sustentado por um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas.

O fuzz da guitarra e o sintetizador de Sleeptalker e a luminosidade muito própria das teclas, do baixo e da percussão de Gold Canopy, por um lado, e as cordas acústicas que sustentam o universo folk de Watch Over Us são duas faces de uma mesma moeda que procura abarcar diferentes espetros sonoros, possibilitados não só pela presença de alguns detalhes feitos com teclas, mas também com diversos metais, sempre conduzidos por guitarras que não se deixam enlear por regras e imposições herméticas. Bom exemplo disso é também Paper Man, uma canção com uma cândura muito própria e cheia de detalhes preciosos, dos quais se destaca o baixo, talvez o exemplo mais feliz do álbum que retrata o universo particularmente melódico, sensível e confessional destes A Nero. Já Out Of My Mind ou The Coin Coss estão imbuídas de um forte caráter intimista, mas que não absorve o cariz expansivo da música dos A Nero, sempre assertiva no modo como encarna diferentes personagens e navega em variados campos de exploração sonora, com a imprevisibilidade a ter, em Hysterical Fiction, um elevado valor artístico.

Logo na estreia os A Nero respiram por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 22:16
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Domingo, 2 de Agosto de 2015

Summer Fiction – Himalaya

Depois de um homónimo lançado em 2011, o nova iorquino Bill Ricchini, aka Summer Fiction, está de regresso aos discos com Himalaya, um compêndio de dez canções e três temas bónus, disponíveis para audição no bandcamp do projeto e que foram misturadas por Geoff Sanoff e masterizadas por Joe Lamber.

Bill Ricchini é um confesso admirador da herança deixada pelos Beach Boys e audaz não só no modo como emula os seus ídolos, mas também como os elogia, logo na exuberância das cordas de On And On ou no tamborim de Lauren Lorraine, mas também na acústica folk de By My Side, no lindíssimo piano que orienta Manchester e no orgão celestial de Cathedral.

Mas, na verdade, mais importante do que fazer apenas um exercício lato e comparativo com referências óbvias, importa abordar a génese criativa deste músico norte americano que domina o modus operandi capaz de nos oferecer uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a pop nos últimos trinta anos. E fá-lo atráves de canções bem estruturadas, comandadas pela guitarra mas devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida não só pelas cordas mas também pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que parece caraterizar a personalidade deste projeto, que criou neste álbum um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

Em Himalaya o esplendor das cordas é transversal e recorrente, mas tanto pode ocorrer de modo eletrificado, mas também acústico. O andamento luminoso adornado por efeitos empolgantes em Perfume Paper ou o dedilhar caliente da viola que conduz Genevieve comprovam-no e, na mesma medida, contribuem de modo notável para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste cantautor que possui um espírito nostálgico e sentimental apurado e que carateriza igualmente a sua escrita e composição.

Himalaya é uma prova bastante audível de uma notável fusão entre um intenso recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e tranquila de paisagens sonoras, que não só encontram a sua riqueza no registo vocal, mas também nas janelas instrumentais e líricas que se abrem ao ouvinte que se predispõe a saborear com o preguiçoso deleite o sumo que canções como a já citada Manchester ou o tema homónimo claramente exigem. Mas não posso também deixar de destacar a delicadeza da já referida By My Side e o charme único de Dirty Blonde, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível das cordas e da percurssão de Religions Of Mine, num disco que será, certamente, justamente considerado como um marco fundamental na carreira de um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado. Espero que aprecies a sugestão...

Summer Fiction - Himalaya

01. On And On
02. Dirty Blonde
03. Perfume Paper
04. Himalaya
05. Lauren Lorraine
06. Genevieve
07. Religion Of Mine
08. Manchester
09. By My Side
10. Cathedral
11. Perfume Paper Demo (Bonus)
12. Dirty Blonde Demo (Bonus)
13. Lauren Lorraine Instrumental (Bonus)


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2015

The Mowgli’s – Summertime

The Mowgli's - Summertime

Sedeado em Los Angeles, o coletivo norte americano The Mowgli's segue o trilho da herança deixada por nomes como os Byrds, os Beach Boys, ou os mais contemporâneos Grouplove e Edward Shape & The Magnetic Zeros, através de uma indie folk vibrante e luminosa. Formados em 2010 pelo cantor e compositor Colin Dieden, os The Mowgli's são um grupo extenso, formado atualmente por David Applebaum, Spencer Trent, Matt Di Panni, Josh Hogan, Andy Warren e Katie Earl, além de Dieden.

A banda estreou-se em 2012 nos discos com Sound the Drum, juntamente com o EP Love's Not Dead. Regressaram rapidamente aos lançamentos um ano depois com Waiting for the Dawn e agora, em 2015, estão de regresso com Kids in Love, o terceiro álbum produzido por Captain Cuts e Matt Radosevich, sendo a aditiva e vibrante Summertime, a primeira canção divulgada do disco. Confere...


autor stipe07 às 17:06
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Kurt Vile – Pretty Pimpin

Kurt Vile - Pretty Pimpin

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011 e Wakin On A Pretty Daze dois anos depois, Kurt Vile está de regresso com b’lieve i’m goin down…, álbum que vai ver a luz do dia a vinte e cinco de setembro por intermédio da Matador Records e já o sexto da carreira deste músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

b’lieve i’m goin down… será, de acordo com a editora, um disco que irá mostrar um Kurt Vile introspetivo, mas também auto-confiante e Pretty Pimpin, o primeiro single divulgado desse trabalho, parece querer realçar, principalmente, o segundo aspeto referido, já que a canção mostra um Vile embarcado numa viagem lisérgica, patente na instrumentação e numa letra que rompe com as propostas mais intimistas de discos antecessores, apresentando-o menos tímido e mais grandioso.

Kurt Vile estará em Lisboa a vinte e quatro de novembro, onde irá apresentar em nome próprio o novo álbum. A atuação está marcada para o Armazém F e a primeira parte está a cargo de Waxahatchee. Confere...


autor stipe07 às 18:32
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Paper Beat Scissors - Lawless

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que se prepara para lançar um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum vai ser editado no próximo dia catorze de agosto, através da Forward Music Group/Ferryhouse, depois do disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

Depois de ter sido divulgado Go On, o tema homónimo do segundo disco de Paper Beat Scissors, agora chegou a vez de ser dado a conhecer Lawless, mais um exemplo feliz desta visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso deste projeto, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.

Misturado por Graeme Campbell e masterizado por J. LaPointe, Lawless é mais uma compilação dramática de uma folk que nos tira o fôlego, com um falsete que nos deixa sem reação e toca profundamente no nosso coração e um cruzamento de teclados e violinos que depois recebe pequenos detalhes sonoros e que aqui fazem toda a diferença, demonstrando a abundância de talento de Crabtree, que se prepara, certamente, para nos deliciar com mais uma belíssima paleta de cores sonoras, com uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. Confere...

 


autor stipe07 às 12:42
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