Sábado, 25 de Outubro de 2014

DRLNG - Icarus EP

Os Plumerai juntaram-se em 2011 para fazer música e assim nasceu uma banda em Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras), James Newman (baixo) e Mickey Vershbow (bateria). Agora, três anos depois, alguns dos integrantes dessa banda resolveram dar vida a um novo projeto paralelo intitulado DRLNG (darling), que se estreou no passado dia dezasseis de outubro com um EP intitulado Icarus, disponível numa edição limitada em vinil de 12" e no bandcamp e soundcloud do projeto.
Gravado por Alex Gracia-Rivera nos estudios Mystic Valey, um dos poucos estúdios americanos que usa ainda apenas e só equipamento analógico, este EP contém quatro excelentes canções que apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura e límpida de Eliza é um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas de Martin têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz de Eliza, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Icarus, o tema homónimo, permite-nos desde logo dissecar diferentes vias e infuências, já que, ao mesmo tempo que há uma paisagem sonora que transparece calma e serenidade, também existe na guitarra uma tensão constante, numa melodia amigável e algo psicadélica, que se arrasta até ao final num longo diálogo entre a distorção e o timbre do baixo. My Gipsy tem um formato intímo e marcadamente nostálgico e Playground Punk usa a bateria para brincar com os nossos sentidos, sempre à espera do momento certo para explodir. Para o ocaso ficou Seattle, um tema cantado em francês e onde o fio condutor parece incialmente ser o jazz e a folk, mas com o indie rock mais progressivo a ser o grande suporte de uma canção que mostra uns DRLNG que parecem também querer apostar, no futuro, em ambientes sonoros mais ruidosos.

Há uma enorme sensação de conforto durante a audição de Icarus, possibilitada por uma atmosfera rítmica e sonora claramente orientada para permitir aos autores expressarem-se de forma melancólica e, desse modo, exaltarem cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Este EP tem uma expressividade única e claramente intencional, que abrange, de forma reconfortante, o espaço onde é ouvido, como se fosse um manto que permanece sempre cativante, mas também feliz e carregado de esperança. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:14
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Sábado, 11 de Outubro de 2014

Bike Thief – Stuck In A Dream

Oriundos de Portland, no Oregon, os Bike Thief são Febian Perez, Greg Allen, Patrick White, Steve Skolnik e Thomas Paluck, uma daquelas típicas bandas indie que gostam de se mover por vários terrenos sonoros, fazendo-o com um equilibrio tal que evitam ao máximo decalcar apenas um espetro sonoro, para que a monotonia não se instale e um desses territórios não acabe por se tornar movediço, sugando a banda para um marasmo de onde dificilmente se encontra a saída. Assim, eles percorrem de forma inteligente estilos musicais tão variados como a indie pop, o rock progressivo e até a folk. Além da guitarra, da bateria e do baixo, também usam sintetizadores e instrumentos peculiares como o xilofone e o violino, ou seja, apostam numa conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, o que resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, em canções carregadas de letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, escritas por Febian Perez, dono de uma magnífica voz e aparentemente o lider da trupe.

Stuck In A Dream é um disco recheado de intensidade e de boas canções, com Ghosts Of Providence e Kiss The Light a serem bons exemplos da exuberância e do ritmo forte e alegre que os Bike Thief gostam de imprimir à sua música, sem que isso descure uma atmosfera bastante sentimental e até algo dramática. Se a folk parece querer dominar incialmente temas como We Once Knew Ya, a já referida Kiss The Light ou The Burning Past, neles o violino é rapidamente acompanhado por outros arranjos sintetizados e distorções que engrandecem essas canções e dão-lhes o tal clima de diversidade que os Bike Thief tanto apreciam. Mesmo em Violet Waves e Shimmer, duas canções que abordam essencialmente o indie rock, os Bike Thief fazem-no de formas distintas, com a primeira a ser objeto de um modo luminoso e ligeiro e a segunda a chamar a si um ambiente mais punk e sombrio, com uma abordagem ao rock de um modo mais progressivo e até psicadélico. Esta atmosfera acaba por se alastrar ate ao final, sendo a grande força motriz da magnificiência que percorre os mais de dez minutos do tema homónimo do disco, uma espécie de climax de todo o alinhamento, a bohemian rapsody dos Bike Thief que funciona como se fosse o olho de um furacão para onde convergem todos os temas escutados anteriormente.

Stuck In A Dream é, no fundo, um compêndio de art rock, um disco eloquente, cheio de vida e inspirador para quem gosta daquele rock feito de ambientes sonoros preenchidos e particularmente exóticos. Como podes verfificar abaixo, o disco está disponível no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente. Espero que aprecies a sugestão...

Bike Thief - Stuck In A Dream

01. A Breath
02. Ghosts Of Providence
03. Kiss The Light
04. We Once Knew Ya
05. Somewhere New
06. The Burning Past
07. Violet Waves
08. Tide Of Reason
09. Shimmer
10. Stuck In A Dream



autor stipe07 às 15:24
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

So Cow - The Long Con

Oriundos de Galway, os irlandeses So Cow são Peter O'Shea, Jonny White e Brian Kelly, um trio que aposta na receita simples mas aditiva que suporta o indie rock de garagem, fazendo-o com um interessante grau de diversão, boa disposição, humor e empatia. Produzido por Greg Saunier, dos Deerhoof, The Long Con é o novo disco do trio, um trabalho que chegou aos escaparates a dezasseis de setembro por intermédio da Goner.

Os So Cow são mais uma daquelas bandas que procura ser simples e assertiva na fórmula enquanto revivem o espírito instaurado nas composições e nos registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta e que usam artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período, numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.

The Long Con começa com a intrépida Get Down Off That Thing e a partir daí o pé raramente alivia o acelerador, quer da bateria quer da distorção das guitarras. Logo depois chega Science Fiction, um dos singles já retirados do disco e um dos momentos altos de The Long Con. Esta canção tem no punk e no rock de garagem feito com guitarras cheias de distorção, mas melodicamente muito ricas, as suas traves mestras e nela, mas também, por exemplo, em Vigilanti Cura, percebe-se que os So Cow sabem como pegar na sonoridade que escolheram com elevada mestria e também com uma forte componente experimental.

Sugar Factory é um dos temas mais curiosos do disco; Não foge à sonoridade geral do mesmo, mas há o delicioso detalhe de um instrumento de sopro típico da Irlanda que dá à canção uma toada folk muito interessante, sem deixar de ser concentrada no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento desta e das diferentes composições do alinhamento. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, nomeadamente em I Want Out que consegue aproximar-se de uma sonoridade que mistura momentos mais luminosos de uns Clash ou Ramones, com uma faceta algo adolescente dos Sonic Youth.

A aproximação à psicadelia não fica por aqui e em Say Hello o baixo volta a dar um ar da sua graça enquanto as guitarras aproximam-se do surf rock típico da década de sessenta e a canção consegue fazer-nos visualizar enormes pranchas de surf em plena pradaria irlandesa.

The Long Con incorpora a sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Em pouco mais de meia hora estes quatro músicos apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, The Long Con usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos So Cow de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, sujá-los com ruídos intermináveis e assim, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

01 – Get Down off That Thing
02 – Science Fiction
03 – Sugar Factory
04 – Operating at a Loss
05 – I Want Out
06 – Vigilanti Cura
07 – Say Hello
08 – Turning into You
09 – To Be Confirmed
10 – Guess Who’s Dead
11 – The Other One
12 – Second Last Line of the National Anthem
13 – Barry Richardson


autor stipe07 às 21:05
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Domingo, 28 de Setembro de 2014

Roadkill Ghost Choir – In Tongues

Oriundos de Deland, na Flórida, os norte americanos Roadkill Ghost Choir de Andrew Shepard, Zach Shepard, Maxx Shepard, Stephen Garza e Kiffy Myers, estrearam-se no passado dia vinte e cinco de agosto nos discos com In Tongues, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Greatest Hiss Records e que foi gravado com a ajuda do produtor Dough Boehm (Girls, Dr. Dog), em Athens, na Georgia e no estúdio da banda localizado na sua terra natal.

Com concertos recentes em festivais tão emblemáticos como Bonnaroo e Lollapalooza, estes Roadkill Ghost Choir começam a ganhar um lugar de relevo no panorama indie norte americano, muito por causa do conteúdo deste In Tongues que, pelos vistos, também se inspirou bastante na vida de uma banda na estrada, em plena digressão e do sentimento de solidão e de distanciamento do mundo real que os músicos tantas vezes sentem, quando estão fora de casa e do seu habitat natural por um longo período de tempo.

In Tongues contém dez canções que combinam elementos clássicos da pop e do rock americano, de forma a criar um som com melodias apelativas, através de uma mistura de diferentes personalidades, todas com enorme talento e capazes de criar excelentes canções. Os músicos, vários deles irmãos, que compôem esta banda fizeram um excelente trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre os instrumentos de sopro, a percurssão e as guitarras que o sustenta e, na verdade, a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. O trompete acaba por ser um significativo detalhe para a envolvência do disco, um instrumento que em Hwy define mesmo o processo de construção melódica, mas é o banjo o protagonista maior de um cardápio instrumental que não renega a replicação de vários subgéneros da pop que se misturam com o clássico rock e que fazem deste trabalho uma verdadeira súmula de algumas das melhores caraterísticas do ideário sonoro de terras do Tio Sam.

A particularidade que estes Roadkill Ghost Choir parecem ter de conseguirem soar simultaneamente familiares e únicos é um aspeto que brota do conteúdo geral de um disco que, conseguindo passear entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica (I Could See Everything), onde se inclui um baixo amiúde esplendoroso (A Blow To The Head), com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica (Down & Out), origina algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece não ter nunca qualquer receio em deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do próprio post punk, o indie rock mais épico. Apesar de as canções serem conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz de Andrew se posiciona e se destaca à medida que canta sobre o presente, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas.

Há definitivamente algo de especial nestes Roadkill Ghost Choir e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk e do rock norte americano contemporâneo para criar um som cheio de frescura e vitalidade, apresentando em In Tongues um pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Andrew Shepard sabe muito bem como encaixar. Espero que aprecies a sugestão... 

Roadkill Ghost Choir - In Tongues

01. Slow Knife
02. HWY
03. Down And Out
04. A Blow To The Head
05. I Could See Everything
06. No Enemy
07. Womb
08. Lazarus, You’ve Been Dreaming
09. Dead Friend
10. See You Soon


autor stipe07 às 21:10
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Alt-J (∆) – This Is All Yours

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, está de regresso aos lançamentos com This Is All Yours, através da Infectious, um álbum que, além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a eleva para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

As treze canções de An Awesome Wave encaixavam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito; Eram canções que nos faziam descobrir a sua complexidade à medida que se escutava o alinhamento de forma viciante. A atmosfera dançante de Brezeblocks e de Fitzpleasure, misturava-se com músicas mais calmas e relaxantes como Something Good e Taro e, na verdade, talvez ainda estejamos todos demasiado conetados com essa doce recordação para aceitarmos com facilidade a nova vida deste (agora) trio que aposta num som mais esculpido e complexo, algo que nos obriga a um exercício maior na primeira percepção das novas composições, mas que eu recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

Mais uma vez, os Alt-J (∆) têm como base insturmental o uso de sintetizadores e continuam a ser exímios na replicação de harmonias vocais belíssimas, mantendo-se aquela impressão de que as canções nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente. Mas, o grande motivo de verdadeira celebração relativamente ao conteúdo do sempre difícil segundo disco deste projeto de Leeds, certamente um dos mais excitantes do cenário indie atual, é a forma particularmente viva e espontânea com que celebram os ideais de charme e delicadeza; Eles ficam explícitos durante a viagem que o alinhamento de This Is All Yours nos permite fazer entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, uma epopeia de treze canções onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de ofrma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual.

Ao longo deste álbum abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Escuta-se a forte comoção latente de Hunger Of The Pine, o punk blues enérgico e libertário de Left Hand Free, o momento de maior excelência deste disco, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a The Gospel of John Hurt e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar na sequência final feita com Bloodfood Pt. II Leaving Nara, para se conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que o grupo foi convocar a esses dois universos sonoros que o rodeia e com os quais se identifica, com um elevado índice de maturidade e firmeza, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam nesta relação simbiótica, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras.

Se An Awesome Wave tinha momentos que, como já referi, convidavam ao abanar de ancas explícito e propositado, este sucessor impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno, mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Além do já referido sintetizador, uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instrumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Ao confrontar-se com a saída de Gwil, para muitos o líder do projeto, o trio que manteve o barco à tona teve de arregaçar as mangas e, talvez liberto de uma certa formatação criativa bem balizada que esse músico impunha, dedicar-se de forma mais democrática à expansão do seu cardápio sonoro, com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas bem sucedida, feita de imensos detalhes e uma elevada subtileza.

Em equipa que ganha às vezes também se mexe e o som complexo e profundo dos Alt-J (∆) resistiu com solidez e de modo exemplar à mudança, já que This Is All Yours comprova que um dos predicados que poderemos, pelos vistos, esperar sempre deste coletivo britânico prende-se com a capacidade que tem em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico que apresenta. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Alt-J (∆) e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - This Is All Yours

01. Intro
02. Arrival In Nara
03. Nara
04. Every Other Freckle
05. Left Hand Free
06. Garden Of England
07. Choice Kingdom
08. Hunger Of The Pine
09. Warm Foothills
10. The Gospel Of John Hurt
11. Pusher
12. Bloodflood Pt. II
13. Leaving Nara


autor stipe07 às 21:33
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Pedro Lucas - A Porta do Amor

Pedro Lucas nasceu em Lisboa em 1987. Toca com os Velhos desde os 19 anos. Entre 2009 e 2013 colaborou também, ao vivo ou em estúdio, com os Salto e com o Manuel Fúria, entre outros. Em 2011 lançou pela Optimus Discos Não há crianças em Las Vegas, um EP onde era vocalista, compositor e produtor, assinando como Lucas Bora-Bora.

Agora, depois de quinze pequenos concertos de apresentação, chegou o momento de Pedro Lucas divulgar A Porta do Amor, o seu mais recente single. Este tema antecede Águas Livres, o longa duração de estreia do músico, um disco gravado durante o ano de 2013 e produzido por Walter Benjamim e gravado entre Londres e Alvito, no Alentejo, num processo que, segundo o press release do lançamento deste tema, foi apelidado pelo Pedro de carinhosamente vagaroso e que, também por isso, será uma edição limitada,  em formato livro, numerada e datada, toda desenhada e encadernada pelo próprio autor.

Ainda de acordo com a nota de imprensa, o disco reúne as melhores dez canções que Pedro Lucas foi compondo paralelamente à sua actividade com os Velhos (a sua banda), Nuno Lucas e outros amigos. No registo encontra-se uma ligação clara à herança da canção de língua portuguesa, tratada com um certo vagar brasileiro, narrativo por vezes, e com um espírito clássico: dos arranjos, do álbum completo, da balada sincera, das histórias de amor.

O vídeo desta canção foi realizado por Tomás Magalhães. Acompanhado por uma banda de amigos, Pedro Lucas apresentará o novo disco ao vivo na Casa Independente a 24 de Outubro, no Porto no Cinema Passos Manuel a 31 de Outubro e em Guimarães no Centro Cultural de Vila Flor a 1 de Novembro. O álbum estará à venda nos concertos estando também disponível nas plataformas digitais e para download na página oficial do músico. Confere...


autor stipe07 às 13:33
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy

Damien Rice letras

Pouco depois de anunciar o lançamento de um novo álbum, Damien Rice divulgou a primeira música do trabalho. Intitulada My Favourite Faded Fantasy, o mesmo nome do disco, a canção de mais de seis minutos de duração tem um início bastante calmo e contemplativo, para depois evoluir para uma sonoridade vibrante, uma das marcas inconfundíveis do músico.
Com produção de Rick Rubin, o álbum My Favourite Faded Fantasy, o primeiro de Rice em oito anos, será composto por oito canções e tem lançamento marcado para o dia onze de novembro, através da Warner. Confere...

Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy


autor stipe07 às 17:17
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Ty Segall - Manipulator

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011 e do excelente Twins, (2012), Ty está de volta com mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se Manipulator e viu a luz no passado dia vinte e oito de agosto, por intermédio da Drag City.

O alinhamento deste novo disco de Ty Segall contém, imagine-se, dezassete canções e Susie Thumb é uma delas, o primeiro tema divulgado da rodela, um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem dos anos setenta, uma canção que surpreende pelas guitarras sujas e por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um disco que surprende não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em temas como The Singer e The Clock, assim como pelas já habituais linhas de baixo absolutamente incríveis que, em It’s Over, atingem um grau de maturidade que surpreende, mesmo quando falamos de um músico que já não tem muito a provar e que pode dar-se ao luxo de, com sete bons discos em carteira, poder apresentar um alinhamento que vá ao encontro daquilo que realmente considera significativo e o preenche.

Conhecido pelo acerto com que domina o indie rock mais garageiro e por não se mostrar particularmente reservado e piedoso quando pretende criar climas sonoros verdadeiramente psicadélicos, Ty surpreende neste Manipulator também pela forma como sugere canções ritmicamente bastante apetecíveis. Basta escutar Feel para se perceber que apesar de ter amainado um pouco a habitual toada visceral e rugosa que o acompanha, Ty consegue manter intocável o seu ADN feito com o habitual ambiente psicadélico de outrora e sem deixar mal a sua alma de guerreiro do noise rock. E depois, mesmo que instrumentalmente ele se torne um pouco mais ousado, seja na toada folk e blues das cordas acústicas e elétricas da tal The Singer ou no baixo de It's Over, apresenta sempre imensos argumentos para que nunca tenhamos a ousadia de duvidar da sua capacidade de estar sempre num patamar qualitativo superior, algo que impressiona os mais atentos que estão a par da regularidade impressionante com que este músico cria, como se a permanente prática e o teste de toda a pafernália que o indie rock certamente suscita em quem se apresta a usar a sua criatividade em prol da criação musical fosse, neste caso, a melhor forma de atingir a perfeição.

Em Manipulator, Ty excede, na realidade, tudo aquilo que já produziu, evolui imenso e atinge o topo, não só no que concerne à qualidade da produção, que consegue conciliar com mestria a caraterística crueza do fuzz e da personalidade sonora do autor, com uma limpidez que nunca se mostra exageradamente pop, mas que permite que praticamente todas as dezassete canções sejam acessíveis, mesmo a quem não aprecia particularmente o desconforto que é intrínseco, geralmente, ao noise rock psicadélico. Esta junção simbiótica eficaz de dois pólos geralmente opostos, faz com que Manipulator possa ser visto como um disco completo, com canções mais garageiras, típicas do legado de Segall (It's Over) e outras que apontam para a pop dos anos sessenta (The Faker), ao blues (Feel) e ainda outras em que, como já referi, o acústico e elétrico se complementam com notável precisão (The Clock e The Hand), havendo mesmo lugar para a aparição de violinos em The Singer e Stick Around. Há momentos mais abrasivos, assim como há os mais melódicos.

Manipulator é, por estas e muitas outras razões, o ponto alto da carreira de Ty Segall e já um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico, uma banda sonora perfeita para este final de verão e que deixa água na boca para o concerto que o músico vai dar a vinte e cinco de Outubro na galeria Zé dos Bois (ZBD) no Lux Frágil, em Lisboa. Espero que aprecies a sugestão...

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around


autor stipe07 às 22:23
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Quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Astronauts – Hollow Ponds

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e Hollow Ponds o disco de estreia desta nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings.

Assim que se inicia a audição de Hollow Ponds percebemos que o nome desta banda faz todo o sentido, porque, apesar de serem bem reais e terrenas as cordas, as teclas e as baquetas que guardam no seu arsenal instrumental, eles só podem ter sido inspirados por um universo sonoro que não parece ser deste mundo, snedo igualmente fácil imaginá-los a tocar estas canções devidamente equipados com um fato hermético que lhes permita transmitir a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que Hollow Ponds transmite.

Se a folk etérea de Skydive é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Astronauts nos sentam, já o baixo encorpado e a percurssão hipnótica e pulsante de Everything’s A System, Everything’s A Sign, fazem deste disco, logo ao segundo tema, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Dan Carney entregou-se à introspeção, sentiu necessidade de desabafar connosco e refletiu sobre si e o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas. Quase pedindo-nos conselhos, Carney inicita à dança e à melancolia com texturas eletrónicas polvilhadas com um charme que atinge o auge no tema homónimo do disco, com um piano particularmente inspirado a receber um abraço sentido de uma guitarra que nos embala e paralisa, em sete minutos de suster verdadeiramente a respiração.

Num disco equilibrado, que vai da introspeção à psicadelia mais extrovertida, Hollow Ponds prima pela constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades. É um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - Hollow Ponds

01. Skydive

02. Everything’s A System, Everything’s A Sign
03. Vampires
04. Flame Exchange
05. Spanish Archer
06. Hollow Ponds
07. In My Direction
08. Try To Put It Out Of Your Mind
09. Openside
10. Slow Days


autor stipe07 às 21:46
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

U2 - Songs of Innocence

Disponível já para audição e download gratuíto na plataforma iTunes e com edição física prevista para o próximo dia treze de outubro, Songs of Innocence é o tão aguardado novo álbum dos irlandeses U2, o primeiro trabalho do grupo após um hiato de cinco anos, que teve início logo após o lançamento de No Lines On The Horizon.

Considerados por muitos como a maior banda do mundo em atividade, neste décimo terceiro disco da carreira, Bono, The Edge, Mullen e Adam resolvem dar vida a várias homenagens em forma de canções dedicadas a pessoas e artistas que foram relevantes no passado da banda e na vida pessoal dos seus integrantes. Assim, se The Miracle (of Joey Ramone) é uma homenagem sentida a Joey Ramone, o falecido vocalista dos Ramones, que nos deixou em 2001, Iris (Hold Me Close) é dedicada à mãe de Bono que, recordo, faleceu após ter sofrido um aneurisma cerebral durante o funeral do marido, pai de Bono. Já agora, outros temas dos U2, como I Will Follow ou Lemon, também se centram na morte da mãe de Bono. Assim, há neste disco um conteúdo lírico e emocional que, de algum modo, lida com a perca e a mortalidade, mas uma audição cuidada clarifica que é sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente é atribuido a esses dois conceitos.

Na verdade, Songs Of Innocence é, sobretudo, e de acordo com o texto de apresentação do disco, um tributo ao período que a banda passou no sol da Califórnia, numa fase inicial da carreira, uma estadia no outro lado do atlântico que, na altura, foi fundamental para a criação de alicerces musicais e sentimentais fortes entre estes quatro irlandeses, uma das explicações lógicas para uma carreira tão longa e bem sucedida. Aliás, California (There Is No End to Love), uma das melhores canções do alinhamento, é uma declaração sentida a esse estado norte americano que tanto diz aos U2.

Claramente ligados à corrente e com nomes como os Ramones, Bob Dylan e The Clash a serem influências declaradas, Songs Of Innocence tem uma sonoridade que não é particularmente compatível com os últimos registos da banda, apesar de ter o selo sonoro identitário único deste quarteto de Dublin. As guitarras mantêm-se como o grande suporte melódico da maioria das canções, mas há uma busca mais incisiva por ambientes mais brandos, sendo procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível dessas guitarras que carimbam o ADN dos U2 com o indie pop rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico.

Este encaixe de novas tendências é muito claro no piano e na espiral de efeitos que controlam a guitarra em Raised By Wolves, mas fica plasmado logo na já referida The Miracle (of Joey Ramone), uma canção onde os efeitos de voz e a percurssão ajudam a distorção das guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Bono. Depois, Every Breaking Wave está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a guitarra e a percurssão, a conduzirem uma canção, com variações de ritmo e paragens que farão as delícas de qualquer operador de luzes durante um concerto da banda. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de California (There Is No End to Love) e o baixo de Volcano uma das melhores surpresas do alinhamento. Já This Is Were You Can Reach Me exala o lado mais extrovertido dos U2 por todos os poros sonoros e  tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas, onde o discosound dos anos setenta ainda tem uma happy hour bem definida.

Uma das sequências mais interessantes de Songs Of Innocence é constituida pela balada Cedarwood Road, uma canção que oscila entre o rock mais progressivo e uma certa folk e onde a voz de Box assenta na perfeição, à qual se segue Sleep Like A Baby Tonight, o clássico tema orquestral conduzido pelo sintetizador, com alguns detalhes de um piano e outros efeitos a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente U2.

Quanto à voz de Bono, que fui fazendo referência e que já ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, é significativo perceber que ela continua a declamar com o habitual sentimento e que, pelos vistos, ainda não o conhecemos verdadeiramente e tem muito mais dentro de si para nos revelar. Em canções como Iris (Hold Me Close) ou Song For Someone percebe-se, como de algum modo já referi, um certo cariz autobiográfico, que se estende ao longo do resto do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização do acontecimento mais trágico na vida de Bono, mas que devem prevalecer, acima de tudo, as boas memórias e as recordações positivas que o músico ainda guarda dentro de si da mãe.

Songs Of innocence chega ao ocaso com a sentida e confessional The Troubles e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os U2 ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

The Miracle (of Joey Ramone)
Every Breaking Wave
California (There Is No End to Love)
Song for Someone
Iris (Hold Me Close)
Volcano
Raised by Wolves

Cedarwood Road

Sleep Like a Baby Tonight
This Is Where You Can Reach Me
The Troubles


autor stipe07 às 16:31
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