Terça-feira, 28 de Março de 2017

Mark Kozelek – Night Talks EP

Mark Kozelek, o cérebro por trás do projeto Sun Kil Moon (referência a um boxeur coreano, morto aos vinte e três anos), é um verdadeiro workaholic, um artista que em duas décadas e meia de carreira já gravou mais de quarenta discos, se à banda atual juntarmos os seus trabalhos a solo e o papel fundamental que teve nos míticos Red House Painters. Este músico simplesmente não pára e entra em 2017 a explorar ao máximo algumas das melhores virtudes de Common as Light and Love Are Red Valleys of Bloodo seu último registo de originais. E fá-lo através de Night Talks, um novo ep de cinco canções.

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Este pequeno compêndio de canções conta no seu alinhamento com uma versão acústica de I Love Portugal, um dos pontos altos de Common as Light and Love Are Red Valleys of Blood, além de uma cover de Famous Blue Raincoat, um original de Bob Dylan, outra de Pretty Little Flowers, de Kath Bloom, um original homónimo e um curioso inédito intitulado Astronomy, em que Kozelek disserta sobre Trump e os novos traumas de uma América cada vez mais confusa e dividida (And as the adults talked about colonoscopies and stints and arteries and cholesterol medications, suddenly we looked around and we lost the children off to the rooms in their own little worlds doing whatever it is that children get into, while us old people talk about old boring people things like Trump banning flights into the United States, and we watch it on TV, series like Eugene Levy’s “Schitt’s Creek,” and my God, my dad snores pretty loud when he falls asleep).

Lançado através da Caldo Verde Records, etiqueta do próprio Mark KozelekNight Talks é um belíssimo tratado de folk acústica onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e canções como as já mencionadas Astronomy ou a versão acústica de I Love Portugal, são exemplos extraordinários de temas que transbordam uma majestosa e luminosa melancolia.

Se os Red House Painters eram uma instituição da expressão indie, a solo Mark Kozelek afirma-se como um compositor com uma sonoridade ainda mais frágil e cândida e neste Night Talks, à semelhança do que tem feito nos últimos registos, é a guitarra com cordas de nylon usada com mestria, que logo no tema homónimo consegue enriquecer as harmonias sem complicar, criando um ambiente sonoro descontraído e algo minimal, mas extremamente rico. E à medida que a sua voz se estende pelas melodias desta e das outras canções, sem pressas ou amarras, solidão, melancolia e inadaptação aos cânones sociais estabelecidos desfilam por letras que versam sobre estes e outros temas comuns, algo que até nem é de estranhar já que é normal encontrar Kozelek, a antítese de uma estrela rock, numa loja da esquina, a fazer a sua vida rotineira, como um cidadão comum.

Kozelek tem como virtude maior o facto de compor valendo-se, acima de tudo, das suas próprias experiências. É curioso, intenso e impressivo o modo como escreve assumindo-se como cobaia dos seus próprios pensamentos, além de servir-se da família, dos amigos, das namoradas, de figuras políticas de relevo e ícones da cultura pop também como testemunhas e referências do seu cardápio, quer lírico quer sonoro, sempre com um resultado final avassalador e tremendamente reflexivo. Espero que aprecies a sugestão...

Mark Kozelek - Night Talks

01. Night Talks
02. I Love Portugal (Acoustic Version)
03. Astronomy
04. Pretty Little Flowers (Feat. Kath Bloom)
05. Famous Blue Raincoat


autor stipe07 às 22:12
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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Real Estate - In Mind

Depois do excelente Atlas, editado em 2014, os norte americanos Real Estate de Martin Courtney, Alex Bleeker, Jackson Pollis e Matthew Kallman, acabam de regressar aos discos com In Mind, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de março através da Domino Records e que foi gravado em Los Angeles. São onze canções que tornam ainda mais impressa a personalidade e o som típico deste projeto oriundo de Rodgewood, nos arredores de Nova Jersey e que se assume cada vez mais como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual.

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Compêndio de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, In Mind contém ,como seria expectável, os traços identitários que têm construído o cardápio sonoro de um grupo que, disco após disco, olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo de final do século passado e, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fá-lo quase sempre com um cariz algo urbano e sempre atual. Logo nos acordes iniciais da guitarra de Matthew que conduz a solarenga Darling, mas também no baixo de Bleeker e na bateria de Jackson, fica patente todo este receituário inédito no panorama sonoro atual e depois, à medida que o alinhamento prossegue, conseguimos, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz de Martin e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite.

Na verdade, mesmo que haja abordagens díspares a alguns territórios sonoros mais dispersos, nomeadamente a country em Diamond Eyes, um piscar de olhos ao rock psicadélico em Time, ou ao mais clássico em Two Arrows, canções do calibre da já citada Darling ou a agridoce e radiofónica White Light levam-nos, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso bom gosto e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa.

Escutar os Real Estate é um elixir revitalizador para o espírito, aconchega a alma e faz esquecer, nem que seja por breves instantes, aquelas atribulações que de algum modo nos afligem, tal é a afabilidade e suavidade desta espécie de nostalgia melodiosa e açucarada, impressa num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Darling
02. Serve the Song
03. Stained Glass
04. After the Moon
05. Two Arrows
06. White Light
07. Holding Pattern
08. Time
09. Diamond Eyes
10. Same Sun
11. Saturday

 


autor stipe07 às 20:52
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

The Shins – Heartworms

Editado no passado dia dez de março pela Columbia Records, Heartworms é o quinto e novo registo discográfico dos norte-americanos The Shins de James Mercer, onze canções que servem-se de fortes referências ao nosso quotidiano para construir o panorama lírico de um alinhamento que pende não só para a folk e para a indie pop mais adocicada e acessível, mas também para alguns laivos de experimentalismo e psicadelia, abordagens possibilitadas por uma instrumentação sempre radiante e com o bónus de constatarmos que Mercer continua a alcançar elevados parâmetros e patamares de qualidade na sua intepretação vocal.

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Os The Shins são um caso peculiar e bastante interessante no universo musical índie porque apesar da longevidade ainda vão só no quinto registo da sua carreira. Para eles parece não haver regras ou imposições temporais e esta espécie de ligeireza e despreocupação, como se a banda fosse para os seus membros uma espécie de passatempo que está ali para quando lhes apetecer, mas que quando passa para primeiro plano é abordada com frenesim, acaba por se refletir, indubitavelmente, no conteúdo sonoro dos vários alinhamentos que vão apresentando aos seus ávidos fãs.

Certamente reflexo de mais uma salutar dose de mistura entre uma visão irónica do mundo atual e das experiências pessoais mais recentes de James Mercer, Heartworms é, sonoramente, reflexo desta intrincada relação, ou seja, não contém uma única canção que possa ser encaixada facilmente num determinado perfil, mas sim um conjunto de temas que quer isoladamente quer no seu todo refletem toda a amálgama que inspira este coletivo norte-americano e que, salvo raras exceções, são sempre frenéticos, rápidos e incisivos e claros e diretos na mensagem que transmitem, mesmo que esteja subentendida numa qualquer espécie de piada ou jogo de palavras. Excepção e este perfil em Heartworms, observa-se na cândura de Mildenhall e na solenidade de The Fear.

Assim, se Name For You, o tema de abertura, é um desfile sónico de pop acessível e radiante e se existe uma new wave de forte intensidade e com um misto de nostalgia e contemporaneidade a balizar Painting A Hole, já a forte cadência das cordas eletrificadas que conduzem Rubber Ballz e a epicidade de Dead Alive servem para ampliar a paleta sonora disponível, como se a rede que capta os diferentes espetros sonoros do grupo desse uma volta de trezentos e sessenta graus sobre si própria. Analisando numa outra perspetiva, se há quem prefira um determinado psicoativo específico em determinados instantes da vida, para Mercer uma embriaguez sonora apanha-se com toda a pafernália que houver à disposição e que o arsenal instrumental presente possa proporcionar.

Impregnado com letras de forte cariz irónico, que abordam, neste caso, uma atmosfera de ideias relacionadas com a terra e, consequentemente, uma abordagem impressionista à morte, parece-me, Heartworms tem um resultado final intrincado e buliçoso e que atesta esse ecletismo algo incomum e de forte cariz identitário dos The Shins. Espero que aprecies a sugestão…

The Shins - Heartworms

01. Name For You
02. Painting A Hole
03. Cherry Hearts
04. Fantasy Island
05. Mildenhall
06. Rubber Ballz
07. Half A Million
08. Dead Alive
09. Heartworms
10. So Now What
11. The Fear

 

 


autor stipe07 às 10:26
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Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Luis Severo - Luis Severo

Apresentado pela Cuca Monga, Luis Severo é o novo álbum de Luís Severo, um homónimo que sucede ao excelente trabalho Cara d’Anjo. Gravado e produzido em Alvalade com a ajuda de Diogo Rodrigues e de Manuel Palha e masterizado por Eduardo Vinhas no Golden Pony, Luis Severo está disponível no bandcamp desde sexta-feira, dia dez de Março e conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Teresa Castro, Bia Diniz e Primeira Dama nos coros, Tomás Wallenstein nos violinos, Violeta Azevedo nas flautas e Salvador Seabra na percussão. As fotografias do artwork do disco são da autoria de Francisco Aguiar e Raquel Rodrigues.

Registo bastante tocante e emotivo, contendo uma salutar contemporaneidade lírica e instrumental, proporcionada por um dos nomes maiores da nova música nacional, Luis Severo confirma e potencia uma das certezas maiores do panorama musical luso, que foi em tempos apelidado de Messi do nacional-cançonetismo, por causa de Cara d'Anjo, um trabalho de estreia que plasmou todos os excelentes atributos artísticos deste ex-O Cão da Morte. Assim, em oito canções, muitas delas resultantes de melodias que o músico já guardava no seu âmago, aguardando materialização, há alguns anos, Luis Severo configura uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco. A superior complacência romântica que transborda dos violinos de Amor E Verdade, as reminiscências da melhor pop oitocentista que contemplamos na luminosidade de A Escola, o swing buliçoso das cordas de Planície (tudo igual), ou o frenesim charmoso da guitarra que conduz Boa Companhia, podem muuto bem servir de inspiração para os filmes que na nossa mente podemos produzir com estas canções, sendo este realismo impressivo talvez o atributo maior de um trabalho bastante colorido e diversificado, não só porque é sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, mas também porque, numa outra perspetiva, pode também mostrar-se absolutamente minimal, incrivelmente simples e estupendamente crú, tal é o modo aberto e desafiante como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida.

É curioso constatar o acerto temporal em que Luis Severo chega aos escaparates, fazendo-o em pleno inverno tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós na próxima primavera, já que este é um alinhamento perfeito para saborear buliçosamente todos os odores, sensações, cores e flirts que a aproximação regular e anual do sol ao nosso hemisfério sempre suscita. E o verão está também logo ali, em O Olho de Lince. Se ouvirem o tema, vão perceber porquê. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:12
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Quinta-feira, 9 de Março de 2017

Holy Holy – Paint

A Austrália é o local de origem dos Holy Holy, uma dupla formada por Tim Carroll e o guitarrista e compositor Oscar Dawson, dois músicos oriundos de Brisbane e Melbourne, respetivamente e, em tempos, professores de inglês no sudoeste da Ásia. Ambos mudaram-se para a Europa em 2011, com Carroll a fixar-se em Estocolmo, na Suécia e Dawson em Berlim, na Alemanha. Depois, num reencontro de ambos na primeira cidade, resolveram fazer música juntos, tendo sido criadas aí as primeiras demos em conjunto, que foram, depois, aprimoradas na Austrália, dando origem a estes Holy Holy. Em 2015 o projeto, já com o baterista Ryan Strathie, estreou-se nos discos com o excelente When The Storms Would Come, que já tem finalmente sucessor. O sempre difícil segundo álbum dos Holy Holy chama-se Paint e nele deambulam dez canções que foram compostas com a dupla quase sempre, durante o processo de incubação, salutarmente incómoda, já que quiseram ir contra o seu próprio instinto e vontade, que costumava divagar em redor de sonoridades eminentemente folk, com o resultado a constituir-se, no seu todo, como algo de mais arriscado, mas também preciso e minimal, do que o disco de estreia.

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Em Paint os Holy Holy ampliam largamente o seu espetro sonoro, num disco onde alguns riscos foram tomados e nem sempre calculados, mas com o resultado final a ser bastante compensador. Acaba por haver uma espécie de osmose de vários detalhes típicos de sonoridades, que da eletrónica à já referida folk, passando pela pop mais radiofónica e o rock alternativo, dão ao disco e à banda este cariz eclético, tão bem plasmado, por exemplo, no funk do baixo e nas batidas de That Message, nos sons sintetizados vintage que abastecem True Lovers, na grandiosidade da guitarra que conduz Willow Tree e na amplitude e luminosidade de Gilded Age. O resultado final acaba por ser uma vista panorâmica para diversas interseções que, curiosamente, não têm nada de caótico, já que percebe-se que a seleção dos arranjos e do arsenal instrumental obedeceu à procura de uma conssonância com a componente lírica, além de ter resultado de um arrojado processo de filtragem fina do que de melhor cada subgénero sonoro teria para oferecer aos dez temas. 

Com artwork da autoria de James Drinkwater, um artista expressionista natural de Newcastle, Paint comprova o modo como estes Holy Holy são exímios em conseguir confundir-nos com um celebração indulgente e inspirada dos melhores sons do passado sem ousarem afastar-se do melhor clima indie do rock atual, além de impressionarem pela alegria e pelo modo poético, corajoso, denso e sofisticado com que controem canções com uma beleza ímpar e até certo ponto onírica. Espero que aprecies a sugestão...

Holy Holy - Paint

01. That Message
02. Willow Tree
03. Elevator
04. Shadow
05. Gilded Age
06. Darwinism
07. True Lovers
08. Amateurs
09. December
10. Send My Regards


autor stipe07 às 18:50
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Fleet Foxes – Third Of May / Ōdaigahara

Fleet Foxes - Third Of May - Ōdaigahara

Seis anos depois de Helplessness Blues, o último registo de originais, os norte americanos Fleet Foxes regressam em 2017 aos discos com Crack-Up, título inspirado num ensaio do aclamado escritor F. Scott Fitzgerald. Este novo trabalho da banda atualmente formada por Robin Pecknold, Skyler Skjelset, Casey Wescott, Christian Wargo e Morgan Henderson, irá ver a luz do dia a dezasseis de junho à boleia da Nonesuch Records e foi produzido por Robin e Skyler, membros do grupo, misturado por Phil Ek e masterizado por Greg Calbi.

De Crack-Up, cuja capa do disco é uma lindíssima foto da autoria de  Hiroshi Hamaya, já há um single para apreciar. Chama-se Third of May / Ōdaigahara e são quase nove minutos de música verdadeiramente inspiradores e tocantes, que antecipam calorosamente aquele que será, de certeza, um dos trabalhos discográficos de maior relevo do ano. Confere o tema, o artwork de Crack-Up e o seu alinhamento...

 

fleet-foxes-crack-up

01. I Am All That I Need / Arroyo Seco / Thumbprint Scar
02. Cassius, –
03. – Naiads, Cassadies
04. Kept Woman
05. Third of May / Ōdaigahara
06. If You Need To, Keep Time on Me
07. Mearcstapa
08. On Another Ocean (January / June)
09. Fool’s Errand
10. I Should See Memphis
11. Crack-Up


autor stipe07 às 09:21
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Terça-feira, 7 de Março de 2017

Alt-J (∆) – 3WW

Alt-J (∆) - 3WW

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, confirmou a excelente estreia com This Is All Yours, um álbum que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

Agora, três anos depois desse excelente registo, os Alt-J (∆) vão regressar aos álbuns com Relaxer, oito canções, das quais já se conhece a que abre o alinhamento. A canção chama-se 3WW e entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, é uma epopeia onde em quase cinco minutos se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual. Confere 3WW e o artwork de Relaxer...


autor stipe07 às 21:07
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Quarta-feira, 1 de Março de 2017

Meursault - I Will Kill Again

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os Meursault de Neil Pennycook estão de regresso aos discos, quase cinco anos depois do antecessor, com I Will Kill Again, dez canções que refletem de modo preciso o título do trabalho, já que se debruçam naquela ideia de que todos nós temos um lado mais obscuro e que muitas vezes, nos nossos momentos de maior dilema, acabamos por criar duas personagens distintas no nosso eu, com cada uma a puxar-nos para o lado que mais lhe interessa Para tornar ainda mais realísticas estas canções, Neil criou para elas duas personagens, um escritor chamado William e uma fantasma, a Sarah.

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Os Meursault estiveram em suspenso durante um determinado período de tempo, em 2014, porque Neil sentiu algumas dificuldades em responder positivamente aos anseios e às exigências cada vez maiores quer de fãs quer da própria crítica, em relação à música da banda. No entanto, estas canções já vinham a ser incubadas há quatro anos e em boa hora foram gravadas já que, como facilmente perceberão, permitem-nos usufruir de lindíssimos instantes sonoros, quer instrumentais quer poéticos, conduzidos quase sempre por pianos e cordas, numa toada geral bastante charmosa e com uma curiosa contemporaneidade. É uma espécie de simbiose entre uma folk introspetiva, com a indie pop e a música de câmara e sonoridades mais clássicas, como se percebe logo no delicioso instante acústico Ellis Be Damned e na toada mais jazzística e algo boémia de Belle Amie, mas também na luminosidade dos efeitos que brotam da guitarra de The Mill e no abraço que as cordas da viola e as teclas do piano dão na toada pastoral de Ode To Gremlin e na turbulência algo sombria e engimática, mas contundente de Klopfgeist.

I Will Kill Again é um refúgio bucólico pensado para nos fazer amainar um pouco em instantes de dúvida e de tempestade. Pode ajudar-nos a clarificar a a assentar ideias e a refletir sobre as melhores saídas para algumas decisões, até porque não hesita em mostrar-nos as duas faces da mesma moeda que personifica a construção da nossa identidade enquanto ser pensante, mas também emotivo. Para que tal suceda de modo fluído e espontâneo, existe uma tranquilidade acústica ao longo do álbum e os temas são guiados por uma profunda gentileza sonora, que acaba por funcionar como uma espécie de recomendação subtil, que fica a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. Espero que aprecies a sugestão...

Meursault - I Will Kill Again

01. …
02. Ellis Be Damned
03. The Mill
04. Ode To Gremlin
05. Klopfgeist
06. Oh, Sarah
07. Belle Amie
08. Gone, Etc…
09. I Will Kill Again
10. A Walk In The Park


autor stipe07 às 15:56
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Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2017

Jens Lekman - Life Will See You Now

Depois de em 2015 o músico e compositor sueco Jens Lekman ter voltado às luzes da ribalta com um assumido compromisso de todas as semanas compor e gravar um novo tema, através do seu projeto Smalltalk, do quel resultou o EP Ghostwriting, uma espécie de complemento dessa hercúlea tarefa onde o autor e a banda que o tem acompanhado transformaram as suas histórias pessoais em canções, assentes numa folk acústica intensa, próxima  e subtilmente encantadora, agora, no dealbar de 2017, este artista que desde 2000 tem revelado o seu charme melancólico e romântico com inegável bom gosto, está de regresso ao formato longa duração, com Life Will See You Now, o quarto álbum da sua carreira, editado a dezassete de fevereiro através da Secretly Canadian.

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Hábil poeta e permanentemente focado e apaixonado pelo processo de escrita e composição, Jens Lekman é exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sensações em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Neste trabalho, o modo como a sua voz e o piano se apresentam logo na abertura do tema homónimo, causando espanto, faz-nos também entender, com clareza, aquilo que nos espera, em dez canções onde o autor se particularmente intimista e reflexivo, sobrepondo as palavras dos seus poemas com uma evidente exaltação instrumental, necessária e preciosa para a materialização da clara honestidade poética e melódica que sempre o guiou. E essa permissa transforma-se, neste artista, num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo.

Na verdade, Lekman é único e universal a traduzir com simplicidade musical tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia, mas também de euforia e exaltação.  What’s That Perfume That You Wear?, tema que inclui um sample do tema The Path de Ralph MacDonald, que data do ano 1978 e que é uma das músicas favoritas do sueco, é um notável exemplo do modo como Lekman retrata o tenebroso final de uma relação amorosa, mas de modo a fazer desse evento uma espécie de desabrochar e a possibilidade de um novo recomeço. E essa capacidade que Lekman tem de nos mostrar sempre o lado positivo e radioso de um qualquer evento, por muito catastrófico que possa parecer, é um dos seus maiores atributos sonoros, audível na exuberância não só das teclas, mas também das cordas e dos metais que tanto se escutam nas suas canções, que nunca descuram a busca de ritmos dançantes e de uma curiosa tropicalidade, também sublime na leveza divertida e primaveril de Wedding In Finistére. Outro bom exemplo dessa estranha dicotomia entre tragédia e celebração está plasmada em Evening Prayer, instante pop também bastante dançante e que se debruça sobre alguém que descobriu que tem cancro e que decide fazer uma cópia do tumor entretanto retirado do próprio corpo numa impressora 3-D. Outra notável canção deste trabalho é, sem dúvida, Our First Fight, composição onde o autor aprimora a sua habitual delicadeza e na pele de um contemporâneo trovador, arrasta-nos, através de soberbos arranjos, para um cenário bucólico bastante impressivo, onde a paixão dá lugar à saudade, o beijo converte-se em despedida e o que é aparentemente grandioso serve agora para nos confortar.

Produzido por Ewan Pearson (M83, Goldfrapp, Chemical Brothers), Life Will See You Now é um festim para os nossos ouvidos e uma boa dose de humor, um verdadeiro caleidoscópio de sensações realisticamente agradáveis, mas também profundamente reflexivas, em que cada uma das suas canções tem tudo para transformar-se num memorável clássico do indie pop, um disco que recheia o curriculum deste sueco com um atestado superior de magnificiência sonora, assente também versos pegajosos e um tipo de atmosfera quase mágica que apenas ele parece capaz de desenvolver. Espero que aprecies a sugestão...

Jens Lekman - Life Will See You Now

01. To Know Your Mission
02. Evening Prayer
03. Hotwire The Ferris Wheel
04. What’s That Perfume That You Wear?
05. Our First Fight
06. Wedding In Finistére
07. How We Met, The Long Version
08. How Can I Tell Him
09. Postcard #17
10. Dandelion Seed


autor stipe07 às 17:32
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2017

Mariano Marovatto - Lá Cima Ao Castelo.

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Brasileiro de nascimento, tendo isso sucedido a um de abril de 1982, no Rio de Janeiro, mas a residir atualmente em Lisboa, o escritor, cantor e compositor luso-brasileiro Mariano Marovatto começa a ganhar notoriedade devido ao seu trabalho artístico e nos dois lados do atlântico. E a música é, sem dúvida, a sua forma de expressão artística predileta, tendo como mais recente materialização um álbum intitulado Selvagem, que chegou aos escaparates há poucos dias e que encontra muita da sua génese na aldeia de Monsanto, como se percebe em Lá Cima Ao Castelo, o single já retirado do alinhamento.

Originalmente título de uma moda cantada durante a Festa do Castelo que ocorre anualmente na primeira semana de maio em Monsanto, aldeia de Castelo Branco, Lá Cima Ao Castelo, sobre o olhar de Marovatto, é uma lindíssima canção que coloca a nú todo o esplendor, bom gosto e criatividade de um músico ímpar no modo como entrelaça instrumentos e melodia e lhes dá um cunho bastante misterioso e sensorial. A canção já tem também direito a um vídeo, da autoria da cineasta russa Anastasia Lukovnikova e usa a aldeia como pano de fundo, complementando, na perfeição, o cariz fortemente impressivo da composição. Confere...


autor stipe07 às 18:53
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