Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Space Daze – Down On The Ground EP

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Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista e compositor dos consagrados Seapony e Down On The Ground o novo compêndio de canções do músico, cinco canções que encontram nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que impressionam, uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Down On The Ground é curto, mas incisivo no modo como replica uma dream pop luminosa, jovial e vibrante e que atira de modo certeiro ao puro experimentalismo, à medida que as cordas vão passeando por diferentes nuances sonoras, sempre com o denominador comum acima referido.

Se What Did You Say levita em redor de uma névoa lo fi com um ligeiro travo acústico à mistura, já Over e Go Wrong são duas peças sonoras eminentemente contemplativas, com quase dois pés na folk e que oferecem-nos uma espécie de monumentalidade comovente. Refiro-me a dois extraordinários tratados sonoros que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração, enquanto plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no EP, a capacidade que Danny possui para compôr peças sonoras melancólicas, com elevado sentido melódico e uma vincada estética pop. Depois, o esplendor de cor e delicadeza que exala das cordas de No Control, ou a distorção algo pueril da guitarra que conduz Brought Me Down, prendem-nos definitivamente a um projeto com um tempero muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atingem à boleia deste músico um estado superior de consciência e profundidade.

Down On The Ground é a recriação clara de um músico que prova ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, enquanto plasma uma capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:10
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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

Teenage Fanclub – Here

Vinte e seis anos depois do registo de estreia, os icónicos vereranos escoceses Teenage Fanclub quebram um hiato de seis anos e estão de regresso aos discos, mais efusivos e luminosos do que nunca, com Here, doze novas canções de um projeto simbolo do indie rock alternativo e que, de certa forma, ainda tem um lugar reservado, de pleno direito, no pedestal deste universo sonoro.

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Editado à boleia da Merge Records, Here mistura nostalgia e contemporaneidade, com afeto e melancolia, através de guitarras efusivas e com aquela dose equilibrada de eletrificação que permite alguns instantes de experimentalismo, sem colocar em causa o cariz fortemente radiofónico que sempre caracterizou os Teenage Fanclub. Aliás, I'm In Love e Thin Air são duas canções de airplay fácil e acessível e escolhidas a dedo para abrir o alinhamento de Here.

Depois desta abertura vibrante, as cordas de Hold On abrem a porta para uma sequência de vários temas em que é possível fazer uma pausa melancólica e introspetiva, sendo esta composição um convite direto à reflexão pessoal e ao desarme, mas nada triste e depressivo, já que a melodia é luminosa e implicitamente otimista. The Darkest Part Of The Night reforça esta sequência com um ambiente mais climático e quer esta canção quer I Have Nothing More to Say impressionam pela criatividade com que os diferentes arranjos vão surgindo à tona, evidenciando-se o cardápio de efeitos capazes de adornar o modo como no processo de composição dos Teenage Fanclub a guitarra é fulcral no modo como emociona e trai quem insiste em residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada.

Até ao ocaso de Here, na destreza entre o vigor e a delicadeza de The First Sight, a cândida leveza de Steady State e a sinceridade explicita de With You, somos confrontados com uns Teenage Funclub intocáveis no modo como preservam uma integridade sonora ímpar, com estes escoceses a oferecem-nos, em consciência, um meritório retorno, feito de melodias complexas e simples e letras românticas e densas, de uma banda que insiste em ser preponderante e firmar uma posição na classe daquelas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão.

Teenage Fanclub - Here

01. I’m In Love
02. Thin Air
03. Hold On
04. The Darkest Part Of The Night
05. I Have Nothing More To Say
06. I Was Beautiful When I Was Alive
07. The First Sight
08. Live In The Moment
09. Steady State
10. It’s A Sign
11. With You
12. Connected To Life


autor stipe07 às 21:48
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Quinta-feira, 8 de Setembro de 2016

Wilco - Schmilco

Pouco mais de um ano após Star Wars, os míticos Wilco de Jeff Tweedy, estão de regresso aos discos com Schmilco, mais uma notável coleção de canções oferecida por esta banda de Chicago, que com o passar dos anos não abranda, parece não ser atingida pelas normais crises de writer's block e parecendo, claramente, ser cada vez mais criativa e refinada no modo como alia o seu adn às tendências mais contemporâneas da folk e do rock alternativo.

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Se Star Wars continha canções impregnadas com um excelente rock alternativo, onde abundavam composições ligados à corrente, efeitos indutores e guitarras cheias de fuzz, oferecendo ao ouvinte um clima marcadamente progressivo e rugoso, alicerçado num garage rock, ruidoso e monumental, Schmilco vira um pouco as agulhas para o experimentalismo folk, num disco conduzido por cordas mais acústicas e um minimalismo lo fi, aspectos que também não são estranhos ao percurso discográfico do projeto, mas que estavam um pouco alheados da sonoridade dos Wilco nos mais recentes trabalhos discográficos.

Schmilco contém uma atmosfera bucólica e encantatória, mas intrigante, sendo um álbum que à primeira audição poderá parecer algo uniforme e homogéneo, mas que, devidamente desconstruído, é diversificado, sem perder coerência e unidade. Assim, se Normal American Kids abre o alinhamento num universo mais recatado, através de uma folk intimista, nostálgica e contemplativa e que tem nas cordas da viola a principal arma de arremesso, mas onde também não falta um feito de fundo eletrificado indispensável para o clima sedutor e soturno do tema, já a bateria e o baixo da preguiçosa Lose e da intrigante Someone To Lose, aproximam os Wilco de uma psicadelia blues de superior filigrana, que se escuta com aquela intensidade que fisicamente não deixa a anca indiferente. Depois, temas como a encantadora If I Ever Was A Child ou a radiofónica We Aren't The World (Safety Girl) piscam o olho aquela pop sessentista luminosa e colorida, tipicamente Beach Boys, com o fuzz cru de Locator e a confessional Cry All Day a exalarem um balanço delicado entre o quase pop e o ruidoso, mas sem nunca descurarem aquela particularidade fortemente melódica que costuma definir as composições do grupo.

Disco que se destaca pelo habitual entusiasmo lírico e por um prolífero e desafiante incómodo contínuo, que neste caso se saúda com inegável deleite, Schmilco mantém firme o traço de honestidade de uma banda que quer continuar a ser protagonista no universo sonoro em que se move. É um trabalho que desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas, no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito, nem sempre devidamente realista e racional. Com a temática das canções a expôr as habituais angústias da sociedade de hoje profundamente tecnológica e a dependência da contínua revolução que vivemos, Jeff Tweedy avisa-nos que não se pode deixar de vivenciar sentimentos e emoções reais, de preferência com a crueza e a profundidade simultaneamente vigorosas e profundas que merecem. Espero que aprecies a sugestão...

Wilco - Schmilco

01. Normal American Kids
02. If I Ever Was A Child
03. Cry All Day
04. Common Sense
05. Nope
06. Someone To Lose
07. Happiness
08. Quarters
09. Locator
10. Shrug And Destroy
11. We Aren’t The World (Safety Girl)
12. Just Say Goodbye


autor stipe07 às 12:37
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Sexta-feira, 2 de Setembro de 2016

O (duplo) regresso de Bruno Pernadas.

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Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso e em dose dupla com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them e Worst Summer Ever, à boleia da Pataca Discos.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo e que serão alvo de análise crítica neste espaço muito breve.

Já Worst Summer Ever contém oito temas onde Bruno Pernadas explora o jazz, uma das suas linguagens sonoras predilectas, um compêndio gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho e na Blackbox do CCB recorrendo a formações variáveis, do trio ao sexteto de jazz: Bruno Pernadas (guitarra), Francisco Brito / Pedro Pinto (contrabaixo), Joel Silva / David Pires (bateria), Sérgio Rodrigues (piano), João Mortágua (Saxofone Alto), Desidério Lázaro (Saxofone Tenor).

A treze e a vinte de setembro, Bruno Pernadas irá apresentar os dois discos no Teatro Maria Matos, estando os bilhetes já disponíveis para venda nos locais habituais. Para já, confere Anywhere In space Time, o primeiro single divulgado de Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them.


autor stipe07 às 17:12
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016

Cass McCombs - Mangy Love

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está de regresso aos discos com Mangy Love, o oitavo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Refiro-me a um alinhamento de doze canções, que viram a luz a vinte e seis de agosto e sucedem ao excelente Big Wheel And Others, sendo o primeiro álbum do músico depois de ter assinado pela ANTI- Records.

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Mangy Love traz-nos de volta o ambiente algo ambivalente a que McCombs nos tem habituado na sua já extensa discografia, feito de sonho e amargura, dois campos lexicais que parecem não se cruzar em nenhum instante nas nossas vidas, mas que na escrita deste músico californiano se entrelaçam insistentemente, nomeadamente, e com notável ênfase, no piano e nas cordas complacentes de Low Flyin’ Bird. Mas já Opposite House, o primeiro avanço divulgado de Mangy Love, tinha deixado logo quer essa certeza de continuidade, quer o inedetismo invulgar das criações sonoras de McCombs, numa canção que conta com a participação especial de Angel Olsen nas vozes de fundo e que reforça a habitual sonoridade do músico, assente em banjos e violões carregados de amargura, mas também uma interessante dose de bom humor e ironia, uma sonoridade simplista, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas doses de uma folk ruidosa, num oceano de melancolia ilimitada.

Apreciar Mangy Love é, incondicionalmente, ser transportado para um tradicional jogo de sons e versos que caracterizam alguma da melhor folk contemporânea, que ao invés de ser purista oferece-se de braços abertos ao indie rock e à própria eletrónica, o que, no caso de McCombs, atinge instantes de brilhantismo nas composições mais extensas, algo bem plasmado na visceralidade das guitarras e na voz sussurrante de Cry e no imenso oceano nostálgico que se espraia perante nós em I'm A Shoe. Depois, temas como Medusa's Outhouse, que segue esta linha autoral bem definida com rigidez, mostrando-nos um romântico inveterado, especialista em musicar lamentos e amores que não deram certo e o andamento rugoso e caribenho da fumarenta Run Sister Run, deixam-nos convencidos da excelência de um disco que mantém, em todo o alinhamento, uma fluidez agradável e inegavelmente marcante.

Mangy Love é, em suma, uma formidável sequência de composições bastante radiofónicas, onde tudo aquilo que atrai e influencia Cass McCombs, e que descrevi acima, é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, num artista que longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais, procura, disco após disco, reforçar o seu historial sonoro com um brilho raro que entronca, basicamente, na simplicidade com que se aventura na sua própria imaginação e numa indisfarcável devoção aos autores clássicos da América que o viu nascer e onde cabem, numa ténue fronteira, todos os sonhos, mas também diferentes angústias. Espero que aprecies a sugestão...

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01. Bum Bum Bum
02. Rancid Girl
03. Laughter Is The Best Medicine
04. Opposite House
05. Medusa’s Outhouse
06. Low Flyin’ Bird
07. Cry
08. Run Sister Run
09. In A Chinese Alley
10. It
11. Switch
12. I’m A Shoe


autor stipe07 às 22:09
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Segunda-feira, 29 de Agosto de 2016

Noiserv - Sete

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Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, além dos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless e Almost Visible Orchestra, havendo também a destacar o DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's There. Esta é já uma já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Hoje mesmo Noiserv deu a conhecer ao mundo Sete, o meu número preferido, um doce e tocante instrumental, com um imenso travo a melancolia, perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de um lindíssimo piano. O de Sete é acompanhado por alguns metais e conduz-nos por um universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, exemplarmente retratado num espetacular vídeo com argumento de Tiago Ribeiro, produzido por Andreia Lucas e realizado por Gustavo Sá e Sílvio Rocha, sendo as maquetes da Autoria de Pedro Alves da Gare.

Adivinha-se um regresso aos discos imperdível e claramente inspirado de um músico, intérprete e compositor único no nosso panorama musical. Confere...


autor stipe07 às 11:22
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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2016

Lisa Hannigan – At Swim

A irlandesa Lisa Hannigan está de regresso aos discos com At Swim, a nova coleção de canções de uma das intérpretes e compositoras do cenário musical atual mais relevantes e que depois de ter feito parte da banda de Damien Rice abriu as hostilidades já há quase uma década com Sea Sew (2008), um álbum encantador que deixou logo a crítica especializada rendida. Três anos depois, em 2011, chegou Passenger, o segundo trabalho, que manteve a bitola qualitativa inicial e onde se destacava um dueto com Ray LaMontagne no tema O Sleep.

At Swin interrompe um hiato de cinco anos e permite-nos contemplar uma Lisa Hannigan em pleno estado de maturidade e mais incisiva e criativa do que nunca no modo como é capaz de nos enternecer com simples canções, um trabalho que também foi alavancado por Aaron Dessner, dos The National, admirador do percurso de Lisa e que desde o início das gravações se disponibilizou para oferecer toda a ajuda que a cantora precisasse, desencandeando uma troca de correspondência transatlântica, de trechos sonoros e lirícos, que sustentam muito do cardápio disponível em At Swim.

Gravado então junto ao rio Hudson, em Nova Iorque e produzido por Dessner, At Swim gira muito em redor da doce gravidade da voz única de Lisa, exímia a penetrar no nossso âmago e com um talento imenso no modo como nos consegue colocar na linha da frente de toda a trama que gira em redor das suas canções, que narram eventos que podem suceder com naturalidade a quem se entrega ao amor com convicção e procura, nesse sentimento, viver uma jornada emocional única e que faça do dia a dia um constante tesouro. É vasta a panóplia de acontecimentos que estas canções narram, com Fall a expôr as sensações de isolamento e solidão que a saída de casa causou na autora e a luminosidade acolhedora de Lo a levantar a nossa mente para um voo estratosférico com uma quase impercetível serenidade. Depois, se escutarmos atentamente a doce melancolia debitada pela guitarra de Prayer For The Dying percebemos que esta é uma daquelas canções capaz de elevar o espírito daquele nosso amigo que está a atravessar um momento amoroso menos positivo. Entretanto, se o dedilhar do banjo de Snow esclarece-nos que a redenção também faz parte dentro do conceito de perca e que a ideia de recomeço deve nortear sempre quem é desafiado pelas circunstâncias menos felizes da vida, o piano de We, The Drowned ensina-nos que se o destino nem sempre está nas nossas mãos e que aquilo que semeamos é sempre aquilo que acabamos por colher, inevitavelmente.

Um dos momentos mais significativos e curiosos de At Swim é a interpretação à capella de Anahorish, um poema maravilhoso de Seamus Heaney e que nos prende hermeticamente bem longe do turbilhão ruminante de uma qualquer existência quotidiana, criando um universo familiar e cativante que facilmente nos enclausura. A partir daí, a percussão jazzística absolutamente irrepreensível e carregada de soul de Tender e o piano minimalista de Barton expressam, sintomaticamente, um constante plasmar de paradoxos, de uma constante tensão oscilante entre a celebração e a ansiedade, a pop e a folk, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético.

At Swim esconde no seu seio uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de Lisa Hannigan, uma cantautora que jurou uma fidelidade quase canónica à lentidão melódica, à boleia do charme das cordas e à capacidade que o uso assertivo dos graves, agudos e falsetes da sua voz têm de colocar em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Lisa Hannigan - At Swim

01. Fall
02. Prayer For The Dying
03. Snow
04. Lo
05. Undertow
06. Ora
07. We, The Drowned
08. Anahorish
09. Tender
10. Funeral Suit
11. Barton


autor stipe07 às 10:36
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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

Bon Iver – 22 (OVER S∞∞N) & 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠

Cinco anos após um excelente homónimo, será no final do próximo mês de setembro e a boleia da Jagjaguwar que Justin Vernon aka Bon Iver irá regressar aos lançamentos discográficos. A Million é o título daquele que será o seu terceiro registo de originais e que sucede, assim, a Bon Iver, lançado em 2011.

22 (OVER S∞∞N) e 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠ são os primeiros avanços divulgados do disco, dois temas que impressionam pelo ambiente introspetivo e reflexivo que encerram e transportam uma aparente ambiguidade sonora fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a folk e a pop mais experimental e a pura eletrónica, duas canções que parecem ter sido embaladas num casulo de seda, da autoria de um verdadeiro trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker e a espiritualidade negra e que se escutam com invulgar fluidez. Confere os dois temas e o alinhamento de A Million...

01. 22(OVER S∞∞N)
02. 10 d E A T h b R E a s T ⊠ ⊠
03. 715 – CRΣΣKS
04. 33 “GOD”
05. 29 #Strafford APTS
06. 666 ʇ
07. 21 M♢♢N WATER
08. 8(circle)
09. ____45____
10. 00000 Million


autor stipe07 às 21:28
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

American Wrestlers - Give Up

American Wrestlers é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. Tendo crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou entretanto para o outro lado do Atlântico.

Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais underground acabando por implodir.

Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. O projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum e daí até ao disco de estreia, um homónimo editado na primavera do ano passado, foi um pequeno passo. American Wrestlers impressionou pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentavam grande parte das canções, onde não faltavam alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete, com um certo reverb que acentuava o charme rugoso da mesma.

Se essa estreia nos oferecia uma viagem que nos remetia para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo, o sucessor, um trabalho intitulado Goodbye Terrible Youth e que irá ver a luz do dia em meados de novembro, deverá cimentar essa filosofia vencedora, com Give Up, a primeira amostra divulgada, a impressionar pela melodia frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de American Wrestlers. Goodbye Terrible Youth será, de certeza, um dos grandes lançamentos do ocaso de 2016. Confere Give Up e o alinhamento do disco...

01 “Vote Thatcher”
02 “Give Up”
03 “So Long”
04 “Hello, Dear”
05 “Amazing Grace”
06 “Terrible Youth”
07 “Blind Kids”
08 “Someone Far Away”
09 “Real People”


autor stipe07 às 18:15
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

Father John Misty – Real Love Baby

Father John Misty - Real Love Baby

Father John Misty já foi visto como um reverendo barbudo e cabeludo, que vagueava pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young. Encharcado, pegava no violão e cantava sobre cenas bíblicas, Jesus e João Batista e a solidão. Hoje, Father John Misty não é só um artista, é uma personagem criada e interpretada por Josh Tillman, antigo baterista dos Fleet Foxes, que tinha uma vida bastante regrada e obscura, mas que hoje vive apaixonado e feliz com esse maravilhoso novo estado de alma.

Intérprete de um dos melhores concertos da última edição do NOS Alive, Misty divulgou recentemente Real Love Baby, uma nova canção que teve a primeira versão gravada em maio e que foi agora alvo de revisão e cujo indulgente teor lo fi das suas cordas sessentistas afaga com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a sua doutrina, num registo clássico e fortemente emocional. Confere...


autor stipe07 às 14:23
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