Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Andrew Bird – Things Are Really Great Here, Sort Of…

Apelidado de mestre do assobio, multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird é um dos maiores cantautores da atualidade e coleciona já uma mão cheia de álbuns que são pedaços de música intemporais. Este músico americano nascido em Chicago tem vivido um período de composição bastante intenso; Em março de 2012 divulguei o excelente Break It Yourself, no final desse ano lançou Hands Of Glory, mais um álbum, em 2013 uma série de EPs e agora, no verão de 2014 presenteia-nos com mais uma coleção de canções, dez versões de temas dos Handsome Family, do casal Sparks, uma dupla de referência do cenário alt-country. Things Are Really Great Here, Sort Off... foi lançado pelo selo Mom + Pop Records e serve para complementar uma discografia já bastante rica, que assenta numa lógica de continuidade e onde a habitual simplicidade da sua música fica mais uma vez patente.

Things Are Really Great Here, Sort Of..., foi gravado com a ajuda dos Hands of Glory, um grupo de músicos que Andrew juntou quando gravou o disco com esse nome e que continuam a acompanhá-lo aso vivo e em estúdio. Os Handsome Family sempre foram uma referência para Bird que tocou no disco In The Air (2000) desse projeto e no Weather Symptoms (2003), um trabalho do seu cardápio, já tinha feito uma versão de Don't Be Scared, um dos temas mais importantes da carreira dos Handsome Family.

A essência dos temas dos Handsome Family recriados por Bird não é abalada nestas novas roupagens, mas há um cuidado nos arranjos, criados por um músico conhecido pela arte de tocar o violino, mas que sabe dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também gosta de incluir a sua própria voz. Esse registo vocal de um dos simbolos atuais da folk norte americana, capaz de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo, firma-se cada vez mais como uma das marcas identitárias da sua arte e em Things Are Really Great Here, Sort Of... há vários exemplos de canções que soam como novas e ganham uma maior personalidade e solidez devido ao rgisto vocal de Andrew. É como se, de algum modo e sem maldade, Bird se apropriasse dessas canções e com graciosidade, charme e estilo e fizesse de temas como Far From Any Road (Be My Hand) ou My Sister’s Tiny Hands momentos cuja audição se recomenda naqueles dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores.

A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, alem de ser mais um instante precioso na discografia de um músico notável e uma forma curiosa de nos sentirmos impelidos a conhecer melhor a discografia exemplar dos Hansome Family. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - Things Are Really Great Here, Sort Of...

01. Cathedral In The Dell
02. Tin Foiled
03. Giant Of Illinois
04. So Much Wine, Merry Christmas
05. My Sister’s Tiny Hands
06. The Sad Milkman
07. Don’t Be Scared
08. Frogs Singing
09. Drunk By Noon
10. Far From Any Road (Be My Hand)


autor stipe07 às 09:48
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Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Craft Spells - Nausea

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells estão de regresso aos discos Nausea, um trabalho que viu a luz do dia a dez de junho por intermédio da Captured Tracks e que sucede a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.


Os Craft Spells são mais um daqueles projetos que aposta numa indie pop com um cariz tipicamente lo fi e shoegaze, plasmada em composições recheadas com aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.  Os anos oitenta e a psicadelia de décadas anteriores preenchem o disco e ao longo da audição de Nausea percebemos que o álbum reforça a capacidade de Vallesteros e seus parceiros em promover novos conceitos dentro da mesma composição acolhedora da estreia, à medida que entregamos os ouvidos a um disco fresco e hipnótico e assente numa chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos.

Nausea é, portanto, um compêndio de onze canções construídas em redor de uma bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições, algumas delas verdadeiros tratados de dream pop, carregadas de detalhes deliciosos, principalmente na forma como as guitarras ocupam todas as lacunas do disco, um esforço que sobressai em alguns temas de maior duração, nomeadamente a apaixonante Komorebi e a lisérgica Changing Faces, mas com a luminosa e divertida Twirl ou mesmo a espiral sonora de Laughing for My Life a serem bons exemplos da mestria com que os Craft Spells tocam para criar uma obra equilibrada e assertiva.

Disponibilizado para download gratuito no soundcloud da editora, Breaking The Angle Against The Tide é o primeiro single divulgado de Nausea, um grandioso tratado musical de indie rock e outro destaque de um trabalho que teve uma difícil gestação e que ganhou vida depois de Vallesteros ter confessado estar a atravessar um período difícil em termos criativos, que fez com que o próprio se tivesse isolado do mundo, de modo a reencontrar-se, apenas acompanhado pela música de Haroumi Hosono e Yukihiro Takahashi, a dupla dos Yellow Magic Orchestra e que acabaram por ser uma influência decisiva em Nausea.

Liricamente mais direto e incisivo e menos inocente e idealista que o disco de estreia, Nausea fala sobre o amor e fá-lo já de forma madura e consciente e que nos conquista, por se servir de uma sonoridade envolvente e sedutora e mesmo nas instrumentais Instrumental e Still Fields (October 10, 1987) percebe-se que o amor está lá e que as melodias foram criadas tendo em conta esse sentimento único. No entanto, Komorebi é, talvez, a canção onde esta temática vibra de forma mais vincada e apaixonada, com o cruzamento entre uma melodia hipnótica e cativante com uma letra profunda e consistente, a ganhar contornos verdadeiramente únicos.

Ouvir Nausea é acompanhar os Craft Spells numa curiosa viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas e diretas, mas sentidas na forma como resgatam as confissões amorosas de Vallesteros e as nossas, caso partilhemos da mesma compreensão sentimental. Espero que aprecies a sugestão...

Craft Spells - Nausea

01. Nausea
02. Komorebi
03. Changing Faces
04. Instrumental
05. Dwindle
06. Twirl
07. Laughing For My Life
08. First Snow
09. If I Could
10. Breaking The Angle Against The Tide
11. Still Fields (October 10, 1987)

 


autor stipe07 às 21:44
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Field Report - Wings

Os norte americanos Field Report são de Milwaukee e liderados Chris Porterfield, a quem se junta Travis Whitty e Shane Leonard. O grupo não divulgava nenhuma canção desde 2012, mas vão regressar aos discos a 7 de outubro com Marigolden, através da Partisan Records.

Wings é o primeiro single divulgado do disco, um tema que fala de complicada relação de Chris com o álcool, além de refletir sobre a sua vida atribulada, muito por causa das constantes digressões a que um músico está sujeito. Confere...


autor stipe07 às 21:24
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Terça-feira, 8 de Julho de 2014

The Fresh And Onlys – House Of Spirits

Lançado através da Mexican Summer, House Of Spirits é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a  Long Slow Dance (2012) e ao EP Soothsayer (2013),  sendo já o quinto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco e formado por Tim Cohen, Shayde Sartin, Wymond Miles e Kyle Gibson.

House Of Spirits é mais uma firme coleção de dez canções que mantêm os The Fresh & Onlys fiéis a um fio condutor, que exploram até à exaustão e com particular sentido criativo. É um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Em relação a Long Slow Dance, o antecessor, House Of Spirits acaba por ter um elevado foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras e canções como Who Let The DevilAnimal of One e April Fools são as que mais se aproximam desse registo, principalmente pelas letras e pela voz de Tim Cohen, que várias vezes nos remete para a nostalgia sombria dos anos oitenta.

O sabor a novidade é algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada Home Is Where? e, logo a seguir, no single Who Let The Devil. No entanto, apesar da distorção e do cariz lo fi de vários arranjos, o controle e a harmonia estão sempre presentes, mesmo em Bells Of Paonia, o tema mais experimental do disco, uma balada que assenta num reverb de guitarra, conjugado com um teclado épico e com um registo bastante adoçicado na voz de Tim Cohen, um dos principais atributos desta banda. Esse cariz inventivo também é notório na envolvente Candy, uma canção com uma belíssima base melódica assente em belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado e arranjos de sopro e também em Madness, um tema que progride da eletrónica até distorções hipnotizantes e que impressionam quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

Durante a audição do álbum é notória uma certa leveza nas canções, uma enorme busca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras e, por isso, o resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável. House Of spirits é uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das referências noise, folk e psicadélicas, através de um som leve e cativante, com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - House Of Spirits

01. Home Is Where?
02. Who Let The Devil
03. Bells Of Paonia
04. Animal Of One
05. I’m Awake
06. Hummingbird
07. April Fools
08. Ballerina
09. Candy
10. Madness

 


autor stipe07 às 18:27
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

First Aid Kit – Stay Gold

A Suécia foi sempre berço de projetos graciosos e embalados por doces linhas instrumentais, letras mágicas e vocalistas dotados de vozes hipnoticamente suaves. Hoje regresso à dupla feminina First Aid Kit, formada pelas manas Johanna e Klara Söderberg e talvez uma das melhores personificações de toda esta subtileza e amenas sensações que percorrem a produção musical da fervilhante Estocolmo. Dois anos depois de terem editado, The Lion’s Roar, o sempre difícil segundo disco, elas estão de regresso com Stay Gold, o terceiro álbum lançado pela dupla, no passado dia dez de junho através da Columbia Records e que mantém a força da tal pop distinta, plasmada no título do álbum e em toda a estrutura sonora que o compõe.

Depois de terem começado a carreira em 2008 com uma cover dos Fleet Foxes e de se terem estreado esse ano nos lançamentos com The Big Black & The Blue, ao terceiro disco as First Aid Kit comprovam que estão no auge da sua maturidade e do crescimento musical, na forma como exploram uma sonoridade mais sóbria e adulta, criando um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia.

A instrumentação volta a ter como pano de fundo a música folk e a herança da América do Norte, mas as novidades que provam o referido elevado índice de maturidade são díspares. Antes de mais, é audível a procura de uma sonoridade ainda mais intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo; Logo na primeira canção, em My Silver Lining, sente-se um elevado teor emotivo, possibilitado não só pela letra, mas também pelo peso da componente instrumental. Esse é, aliás, o outro fator relevante que justifica o fato de Stay Gold ser um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo das duas irmãs, justificado pelo uso de alguns arranjos inéditos, dos quais se destacam uma flauta que, em The Bell, nos remete para influências da música celta.

Os coros do tema homónimo e, principalmente, a voz proeminente que domina Cedar Lane, em oposição à enorme cândura de uma letra que transborda fragilidade em todas as sílabas e versos (How could I break away from you?), são outras manifestações audíveis e concretas deste jogo dual em que Stay Gold encarreira, à medida que o alinhamento escorre pelos nossos ouvidos e esta mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e no insturmentação, se equilibra de forma vincada e segura.

E por falar no registo vocal, o jogo de vozes entre ambas as protagonistas é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai e a produção está melhor do que nunca, com a banda a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente, também na componente lírica e sem violar a essência das First Aid Kit, que adoram afogar-se em metáforas sobre o amor, a saudade, a dor e a mudança, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada. 

Stay Gold será sempre um marco importante na carreira das First Aid Kit independentemente da composição do seu catálogo sonoro definitivo, não só pela forma como apresentam de forma mais sombria e introspetiva a sua visão sobre os temas que sempre tocaram estas duas irmãs, mas, principalmente, pelo forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem as escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

First Aid Kit - Stay Gold

01. My Silver Lining

02. Master Pretender
03. Stay Gold
04. Cedar Lane
05. Shattered And Hollow
06. The Bell
07. Waitress Song
08. Fleeting One
09. Heaven Knows
10. A Long Time Ago

 


autor stipe07 às 22:41
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Hallelujah The Hills – Have You Ever Done Something Evil?

Os Hallelujah The Hills são uma banda indie de Boston, no Massachusetts, formada em 2005 e com Ryan Walsh, Joseph Marrett, Ryan Connelly, Briant Rutledge e Nicholas Ward na formação. Depois de Collective Psychsis Begone (2007) e Colonial Drones (2009), conheci-os em 2012 com No One Knows What Happens Next, um disco disponível para download gratuito no bandcamp da banda e agora, dois anos depois, regressaram aos lançamentos discográficos, no passado dia treze de maio, com Have You Ever Done Something Evil?, um álbum que contou com as participações especiais de Madeline Forster e Dave Drago, tendo sido gravado nos estúdios 1809 Studios, em Nova Iorque e produzido pela própria banda e Dave Drago.

Os Hallelujah The Hills são mais um daqueles bons exemplos de uma banda que aposta em discos que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta, álbuns que usam, quase sempre, artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período e que é hoje a génese daquilo a que chamamos indie rock alternativo. No fundo, baseiam-se numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.
Esta banda de Boston incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, mas também não descura o uso de arranjos que vão beber à herança radiante da folk. As cordas de Home Movies e de Pick Up An Old Phone, o primeiro single retirado do disco, a distorção subsequente nos dois temas e a secção de sopros do primeiro, transportam-nos para o âmago do cancioneiro norte americano e a aproximação a ambientes mais psicadélicos pressente-se em A Domestic Zone e em Do You Have Romantic Courage. O single é uma canção que deve a sua pujança à bateria e ao baixo, instrumentos com os quais a voz de Ryan encaixa na perfeição, algo sublimado com os coros que preenchem o refrão.
Mas o som dos Hallelujah The Hills também é capaz de ir à costa oeste, com o cariz lo fi mais típico da Califórnia a prevalecer em temas como We Are What We Say We Are, onde as guitarras aproximam-se particularmente do surf rock típico da década de sessenta.
Have You Ever Done Something Evil? é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, que se destaca particularmente em Destroy This Poem e em The Possible Nows, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.
Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Have You Ever Done Something Evil? usa letras simples e guitarras aditivas, sendo clara a capacidade deste quinteto norte-americano em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que tem-se repetido à medida que cresce o catálogo da banda, que vai compilando com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Ryan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Hallelujah The Hills - Have You Ever Done Something Evil

01. We Are What We Say We Are
02. Try This Instead
03. Destroy This Poem
04. Do You Have Romantic Courage?
05. I Stand Corrected
06. Home Movies
07. A Domestic Zone
08. Pick Up An Old Phone
09. The Possible Nows
10. MCMLIV (Continuity Error)
11. Phenomenonology
12. You Got Fooled

 


autor stipe07 às 22:00
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Joseph Arthur – Lou

Lançado no passado dia treze de maio por intermédio da Vanguard Records, Lou é o novo disco de Joseph Arthur, um álbum de tributo a Lou Reed e que conta com as participações especiais de Mike Mills e Peter Buck, dos R.E.M..

Génio da indie folk e multi-instrumentista de créditos firmados, Arthur era amigo de Lou Reed, um artista fundamental na história da música dos últimos quarenta anos e que, como certamente todos se recordam, faleceu o ano passado. Lou é uma homenagem a essa figura incontornável da história do rock e a coletânea inclui doze originais de Reed interpretados por Arthur, sem nenhum instrumento elétrico, apenas com a voz, o piano e a viola a sustentarem as canções.

Com especial destaque para a versão de Walk On The Wild Side, talvez o tema mais conhecido da carreira de Lou Reed, mas onde também se incluem belíssimas versões de temas como Heroin ou as menos conhecidas Magic and Loss ou Coney Island Baby, Lou faz uma bonita e emocional súmula da carreira desse artista, em forma de homenagem profundamente sincera, com as próprias opções instrumentais de Arthur a serem fundamentais para realçar o cariz intimista e singelo de canções cm arranjos e letras que falam por si, que conseguiram sobreviver irosamente à erosão dos anos e que neste nova roupagem soam mais ainda atuais e profundamente harmoniosas. São, no fundo, novas pinturas sonoras, carregadas de imagens evocativas de outros tempos, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de luz e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade de Arthur para expressar a sua profunda admiração por Reed.

Em Lou ecoam os clássicos com os quais Reed cresceu, cheios de letras assombrosas e camadas delicadas do sons e ritmos. Em termos de letras, aquela espécie de fantasmagoria típica de Reed impregna a poesia das canções e esta homenagem de Arthur é um compêndio extraordinário que nos recorda tempos idos, sonhos e um músico especial que não está mais aqui, mas que ainda existe na nossa memória e no coração de muitos de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Joseph Arthur - Lou

01. Walk On The Wild Side
02. Sword Of Damocles
03. Stephanie Says
04. Heroin
05. NYC Man
06. Satellite Of Love
07. Dirty Blvd.
08. Pale Blue Eyes
09. Magic And Loss
10. Men Of Good Fortune
11. Wild Child
12. Coney Island Baby

 


autor stipe07 às 16:53
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Terça-feira, 17 de Junho de 2014

Sharon Van Etten – Are We There

Sharon Van Etten é resistente e não desiste. Apaixonada, persistente e impulsiva, é uma mulher madura que não desiste de perseguir os seus sonhos mais verdadeiros e raramente se envergonha por amar e por usar a música como forma de exorcizar os seus fantasmas e dar vida aos seus maiores devaneios. Lançado no passado dia vinte e seis de maio pela insuspeita Jagjaguwar, Are We There é mais um capítulo desta sua saga pessoal, o quarto álbum da carreira de uma cantora e compositora que com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós.


Produzido pela propria SharonAre We There sucede ao aclamado Tramp, um trabalho que foi produzido por Aaron Dessner, dos The National e que, tendo sido tão elogiado, houve quem achasse que a bitola qualitativa do mesmo deveu-se, apenas e só, ao leque de convidados que Sharon agregou em seu redor nesse disco. Desta vez ela resolveu tomar as rédeas de todas as etapas do álbum e superou, na minha opinião tudo aquilo que já tinha conseguido apresentar no seu catálogo.

Escuta-se Are We There e o que mais impressiona é uma enorme sensação de sinceridade e o cariz fortemente genuíno das canções. A cantora construiu belíssimas melodias pop que se entrelaçaram com as letras e com a sua voz marcante com enorme mestria e, ao mesmo tempo, palpita uma notória sensação institntiva, como se ela tivesse deixado fluir livremente tudo aquilo que sente e assim potenciado a possibilidade de nos emocionarmos genuinamente com estas canções.

Sente-se que Sharon deu tudo, que não se escondeu nem se poupou, melodicamente e sentimentalmente e, por isso, todas as canções causam impacto e estão carregadas de sentimento. Ela foi simples e assertiva, sem deixar de nos tocar e de construir algo que podemos usar para explicar as nossas próprias angústias e dores. Ao repetir frases e expressões com a mesma melodia, mas onde uma única palavra é trocada ou adicionada, mudando todo o sentido da frase inicial, conseguiu transmitir uma sensação de continuidade de raciocínio, de passagem de tempo, com destaque, nesta estratégia, para o que propôs em Our Love.

Há uma fluidez nos arranjos que eleva para patamares de excelência essa importante vertente e do trompete de Tarifa ao piano descomunal de I Love You But I'm Lost ou I Know, passando pela percussão épca de You Know Me Well, tudo é equilibrado, faz sentido e ajuda a criar a imagem de uma Sharon com um coração quente mas com os pés bem firmes na terra, no Tennessee onde nasceu e para onde voltou recentemente, o local onde ela se sente mais confiante e sedutora, mas, nem por isso, menos densa.

Em Are We There, Sharon Van Etten torna claro que, às vezes, mais difícil do que murmurar sobre o amor é enfrentar o amor em si e aceitar o cariz frequentemente finito do mesmo, enquanto sentimento com contornos tantas vezes ambíguos e irracionais. O amor tem múltiplas facetas e este disco serve para nos nos ensinar como abrir o sotão onde guardamos as nossas dores e receios. Muitas vezes, vivemos uma vida inteira sem tocar nele com receio dos fantasmas que possamos despertar. Talvez seja mais fácil fazê-lo ao som deste disco. A única certeza do amor é mesmo ser sempre incerto. Espero que aprecies a sugestão...

Sharon Van Etten - Are We There

01. Afraid Of Nothing
02. Taking Chances
03. Your Love Is Killing Me
04. Our Love
05. Tarifa
06. I Love You But I’m Lost
07. You Know Me Well
08. Break Me
09. Nothing Will Change
10. I Know
11. Every Time The Sun Comes Up


autor stipe07 às 22:37
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2014

Papercuts – Life Among The Savages

Editado no passado dia doze de maio por intermédio da Easy Sound Recording Co., Life Among The Savages é o novo longa duração dos Papercuts, um projeto musical oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América, liderado por Jason Robert Quever e que só não é um típico projeto a solo porque conta com a ajuda constante dos músicos David Enos, Frankie Koeller e Graham Hill, entre outros.

Desde o já longínquo ano de 2000 que os Papercuts dão cartas no universo indie rock na sua vertente mais pura e na folk com um pendor algo psicadélico e, dentro destes dois pilares, sempre se mantiveram fiéis a um fio condutor que exploram, até à exaustão e com particular sentido criativo. Still Knocking At The Door abre Life Among The Savages e percebe-se, imediatamente, com o clima sonoro que se escuta, abrilhantado pelo faslete de Jason, que há aqui atributos suficientes para afirmar que os Papercuts serão uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual.

Mestres na construção de melodias, ao quinto disco os Papercuts aprimoram o habitual cruzamento feliz que costumam encetar entre elas e a voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Assim, em pouco mais de meia hora, as nove canções de Life Among The Savages juntam as típicas cordas da folk com riffs de guitarra cheios de distorção e alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

O tema homónimo é um bom exemplo de como na indie folk também cabem elementos menos clássicos e mais ruidosos, com o sintetizador a conferir à canção um sugestivo pendor pop e que melodicamente cola-se com enorme mestria ao nosso ouvido. No entanto, há outros momentos que merecem amplo destaque e um deles é, sem dúvida, o jogo de cruzamentos entre o baixo das cordas e da viola no início de Staring At The Bright Lights, uma canção que sobressai no alinhamento devido à sua duração e à toada lenta que hipnotiza pelo clima denso e sombrio, mas épico, potenciado pelo aumento progressivo do nível de distorção da guitarra.

Até ao final do disco, também não pode ser ignorado o grande momento folk do disco encarnado por Family Portrait, o piano jovial e vintage de Easter Morning, a dedicatória sentida e feliz, sustentada pelo dedilhar sóbrio, mas emocionado e cheio de luz de Psychic Friends e Afterlife Blues, um tema que nos remete para o universo dos The Smiths, em especial no que diz respeito aos arranjos das cordas e à secção rítmica. O disco encerra com Tourist, uma canção monumental e com um forte cariz orquestral que nos leva numa viagem a um passado algo distante, até aos meandros da mais radiante psicadelia que os Led Zeppelin nos deixaram como herança e onde a voz de Jason atinge o auge interpretativo

A receita de Life Among The Savages é extremamente assertiva e eficaz. Entre cordas, um baixo vibrante, o falsete de Jason, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Escutar este disco acaba por ser uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das tais referências noise, folk e psicadélicas. Espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Life Among The Savages

01. Still Knocking At The Door
02. New Body
03. Life Among The Savages
04. Staring At The Bright Lights
05. Family Portrait
06. Easter Morning
07. Psychic Friends
08. Afterlife Blues
09. Tourist

 


autor stipe07 às 18:15
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

The Pains Of Being Pure At Heart – Days Of Abandon

Depois do homónimo registo de estreia edtiado em 2009 e do aclamado sucessor, Belong, lançado dois anos depois, a mesma fórmula assertiva que propõe verdadeiros tratados de indie pop açucarada, épica e cheia de luz, é a pedra de toque que sustenta o alinhamento de Days Of Abandon, o novo disco do projeto The Pains Of Being Pure At Heart, de Kip Berman e que, segundo o próprio, é um disco alegre e cheio de luz, apesar de, em determinadas canções, abordar temas sombrios e menos otimistas, com o lado mais complicado do amor e as experiências típicas de jovens adultos a serem o pão que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos.

Oriundo de Nova Iorque, Berman consegue realmente ser um prodígio na criação de canções que estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, um pouco à imagem da dicotomia e deste contraste agridoce de uma cidade que nunca dorme, mas que, apesar dessa constante animação, também é conhecida por albergar histórias de vida trágicas e por nem sempre corresponder aos desejos de quem aí procura o sonho americano.

Com uma mão na indie pop e a outra no noise e no shoegaze vintage, reinventado com particular mestria há uns trinta anos, The Pains Of Being Pure At Heart debruça-se sobre a melancolia e a nostalgia com canções cheias de ritmo e de audição simples, daquelas que provocam um inevitável sorriso, mesmo em quem vive momentos de menor predisposição para apreciar música alegre, com ritmo e luz. Kelly, uma canção que carrega consigo a herança dos The Smiths e Eurydice são dois temas que nos fazem abanar a anca quase sem nos apercebermos e que nos arrancam um sorriso que será sempre espontâneo.

Impecavelmente produzido, Days Of Abandon impressiona pela limpidez e pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários. É uma espécie se som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes â mente que a possiblitem absorver com detalhe e nitidez um alinhamento de dez canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou nos dois discos anteriores e que são uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo, que temas como Simple and Sure ou A Teenager In love claramente demonstram.

Days Of Abandon começa e termina em poucos instantes, quase sem darmos por isso. E, pelo meio, passaram cerca de quarenta minutos cheios de boas melodias e de confissões (The Asp In My Chest), memórias que The Pains Of Being Pure At Heart foi armazenando num espaço familiar e doce, transformado em disco por um dos vocalistas e guitarristas mais interessantes e promissores do cenário indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão... 

The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon

01. Art Smock
02. Simple And Sure
03. Kelly
04. Beautiful You
05. Coral And Gold
06. Eurydice
07. Masokissed
08. Until The Sun Explodes
09. Life After Life
10. The Asp At My Chest

 


autor stipe07 às 17:51
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Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

And The Giraffe - Yellow Dog Blues

Naturais de Gainsville, na Flórida, Nick Roberts e Josh Morris são os grandes suportes do projeto And The Giraffe, cuja sonoridade se insere na indie folk e que me faz lembrar bandas como os The Postal Service e Belle & Sebastian. Ao vivo e nas sessões de gravação costumam fazer-se acompanhar por John Gentile e pelo baterista Bryan Tewell.

Enquanto não editam um novo registo de originais criaram uma cover para o clássico Yellow Dog Blues, um original de W.C. Handy. Esta versão foi criada para um evento patrocinado pelo Studio 360, produzida por Joshua Morris e está disponível para download. Confere...

Ever since Miss Susan Johnson lost her Jockey Lee
There has been so much excitement and more to be

You can hear her moanin, moanin night and morn
I wonder where my easy rider’s gone

Cablegrams come of sympathy, telegrams go of inquiry
Letters come from down in ‘Bam and everywhere that Uncle Sam
Is even the ruler of delivery

All day the phone rings, but it’s not for me
At last good tidings fill my heart with glee
This message comes, oh from Tennessee

Dear Sue, your easy rider struck this burg today
On a southbound rattler sidedoor Pullman car
I seen him here and he was on the hog

Easy rider’s gotta stay away
So he had to vamp it, but the hike ain’t far
He’s gone where the Southern cross the Yellow Dog


autor stipe07 às 13:11
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Gruff Rhys – American Interior

Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em 18 de julho de 1970, é um músico do País de Gales conhecido tanto pela sua carreira a solo como pela sua presença nos Super Furry Animals, banda que obteve relativo sucesso na década de noventa. Paralelo ao eficiente trabalho com os Super Furry Animals, Gruff Rhys também tem uma bem sucedida carreira a solo onde testa novas fórmulas, um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicodelia da banda.

A aventura a solo deste músico começou em 2005 com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreve como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destaca também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em 2011, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois o galês está de regresso com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys é também o ator principal e embarca numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século XVIII.

gruff rhys

John Evans partiu em 1792 em busca de uma tribo de índios americanos que julgava ser composta por seguidores de Madoc, o príncipe galês que a lenda diz ter embarcado para a América trezentos anos antes da viagem de Cristóvão Colombo. Gruff Rhys, acompanhado por Dylan Goch, que com ele assume a realização de American Interior (depois de já terem realizado juntos Separado!, em 2010), e pelo avatar do explorador com um metro de altura, partem para o interior da América e percorrem o caminho de Evans, tentando juntar as peças da vida misteriosa desta figura a quem se deve um dos primeiros mapas do Rio Missouri. Pelo caminho vão dando palestras e concertos, pesquisando os arquivos, a geografia e as gentes locais e compondo o álbum que resulta desta mesma viagem.

Este disco, lançado no passado dia cinco de maio na etiqueta Turnstile, é um projeto multimédia que prevê também a publicação de um livro e um filme, ambos com o mesmo nome do disco, para que, através da fusão de diferentes plataformas seja possível criar uma experiência multi-sensorial que conte a incrível história real de John Evans.

As treze canções de American Interior são o resultado esperado quando um relato histórico de viagens de exploração de território se une a um universo de sons psicadélicos. Há diversos instrumentais e logo em American Exterior, com os sintetizadores, é dado o mote que depois com o piano, a voz sintetizada e a percussão de American Interior. A típica soul e a folk norte americana invade os nossos ouvidos em 100 Unread Message, uma música que, por si só, é já uma verdadeira viagem pela América, com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A partir daí mergulhamos fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, com American Interior a aproximar-se frequentemente de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, num disco que se deixa consumir abertamente tanto pela música country como pela soulnuma simbiose entre a pop e o indie rock com estes dois géneros, num processo que possibilita que eles se encontrem, como em The Wheter (Or Not) e The Last Conquistador, canções onde a folk, na primeira e a soul na segunda, são referências exploradas de igual forma, o que prova que há uma tentativa descarada, mas feliz, de aproximação com o cancioneiro norte americano

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em várias camadas sonoras, com uma naturalidade que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz do Rhys encaixa na melodia das canções. Percebe-se com naturalidade que o músico mantém-se inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

America Interior é, sem dúvida, um trabalho coeso, dinâmico e concetual e um marco na trajetória deste músico. O melhor exemplo dessa aproximação com um resultado temático está na condução pop do single homónimo, mas tão grande quanto o território que carrega no título, America Interior transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys. Espero que aprecies a sugestão...

Gruff Rhys - American Interior

01. American Exterior
02. American Interior
03. 100 Unread Messages
04. The Whether (Or Not)
05. The Last Conquistador
06. Lost Tribes
07. Liberty (Is Where We’ll Be)
08. Allweddellau Allweddol
09. The Swamp
10. lolo
11. Walk Into the Wilderness
12. Year Of The Dog
13. Tiger’s Tale

 


autor stipe07 às 19:01
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Terça-feira, 27 de Maio de 2014

Cervelet - Janeiro

Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet de Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, são uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade! Ou não... Canções de Passagem é o disco de estreia dos Cervelet, um trabalho disponivel para download gratuito na página oficial da banda e que divulguei por cá há algumas semanas.

Regresso aos Cervelet para divulgar que a banda acaba de lançar o video de Janeiro, um dos destaques de Canções de Passagem. Escrita por Tiko Previato, a canção dá vida a um poema lindíssimo e assenta numa instrumentação radiante que pende ora para a folk, ora para a indie pop adocicada e acessível.

O video de Janeiro foi dirigido por Deivide Leme em parceria com Priscila Pina e o tema está disponível para download no soundcloud dos Cervelet. Confere...

Quando o Sol bateu e trouxe, enfim
A luz que faltava pra ver
Todo caminho é uma canção
Livre e sublime como o ar
Estávamos presos em outra dimensão
Tínhamos vendas pra calar
Nossas verdades são nossas manhãs
Simples e calmas pra enxergar além


autor stipe07 às 12:44
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Sábado, 24 de Maio de 2014

Birch House – The Thaw EP

Birch House é o  projeto musical de Greg Bothwell, um músico norte americano oriundo de Windsor, no Connecticut e The Thaw o seu mais recente trabalho, um EP com sete canções disponível no bandcamp de Birch House, gratuitamente, mas com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.

Influenciado por nomes tão distintos como Bon Iver ou os prórios The National, Birch House aposta  numa indie folk quase sempre com um cariz clássico, introspetivo e acústico, típica de uma América profunda. Mais do que outros músicos, bandas ou projetos, Greg parece ser influenciado pelas paisagens simultaneamente espetaculares e melancólicas de uma América cosmopolita, mas com locais onde ainda se vive séculos de isolamento e dificuldades e onde reside uma população, com traços peculiares de caráter, bem expressos na cândura orgânica e introspetiva das suas canções.

Nest, uma canção que evoca John Cale, Where Books Grow Old, ou o piano guiado pelo acorde minimal de guitarra de A Thousand Miles Into The Sea, são os três temas do EP que, com uma toada fortemente acústica, melhor retratam esta imagem pictórica que a música de Birch House nos sugere, mas há outros temas mais transparentes e cheios de cor.

O EP abre com o single I Retreat!, uma canção aberta e expansiva, assente em cordas alegres e luminosas e num sintetizador, que é detalhe único num EP eminentemente orgânico. Esta maior abertura mantém-se em Sleeping In Silk e aprimora-se ainda mais na já citada Nest.

A música de Birch House é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade de Greg para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que ele combina com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Espero que aprecies a sugestão...

Birch House - The Thaw

01. Retreat!
02. Sleeping In Silk
03. Past, Present, Future
04. Nest
05. Where Books Grow Old
06. A Thousand Miles Into The Sea
07. I Was Here


autor stipe07 às 21:44
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Terça-feira, 20 de Maio de 2014

Coves – Soft Friday

Formados pela dupla Beck Wood, a vocalista e John Ridgard, o guitarrista, os britânicos Coves são uma das novas sensações do cenário indie de terras de Sua Majestade, devido a Soft Friday, o disco de estreia, editado no passado dia trinta e um de março por intermédio da Nettwerk Music Group.

No início dos ano noventa a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e os Coves parecem apostados em tentar uma simbiose sonora que tenha uma forte componente nostálgica e que agregue ruídos, tiques e melodias de várias décadas. Da música pop dos anos sessenta e oitenta e do rock lo fi da década de noventa, passando pelo experimentalismo pop da primeira década do novo século, tudo funciona como um grande pano de fundo do trabalho dos Coves.

Soft Friday está impecavelmente produzido e envolto numa aúrea de mistério muito sedutora, através da feliz mistura entre guitarras e sintetizadores, que têm na componente melódica, eminentemente romântica e introspetiva, uma correspondência clara com letras sombrias e pouco otimistas, com a própria voz de Beck a acentuar todo este cenário algo sofrido.

A dupla personalidade também é característica do projeto, inscrita num estado sentimental indeciso, ora leve, ora devastado e bastante evidente, nomeadamente quando misturam o som sessentista com a dream pop da atualidade e o som progressivo algo que, por exemplo, Beatings claramente demonstra ao congregar inicialmente uma vasta riqueza instrumental com a produção retro e alguns arranjos tipicamente folk e depois, na reta final, ao deixar a distorção das guitarras tomar conta da canção.

O reforço desta abordagem heterogénea também se sente em Wake Up, canção assente numa eletrónica de cariz eminentemente rock, muitas vezes misturada com detalhes caraterísticos da pop, ou seja, feita com sons sintetizados, ressuscitados muitas vezes nos anos oitenta ou no trip-hop da década seguinte, misturados com guitarras com um apreciável nível de distorção e batidas e elementos da percussão que dão um certo travo obscuro ao clima geral.

O ponto alto do álbum chega com Cast A Shadow, uma bela melodia, com arranjos que dão à canção uma densidade particularmente rica e detalhada e, no fim, ficamos com a sensação que escutámos uma banda que tem uma capacidade impar para nos afundar num colchão de sons que satirizam a eletrónica retro e, simultaneamente, mostrar-nos algumas pistas em relação ao futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...  

Coves - Soft Friday

01. Fall Out Of Love
02. Honeybee
03. Beatings
04. Last Desire
05. Let The Sun Go
06. No Ladder
07. Cast A Shadow
08. Fool For You
09. Bad Kick To The Heart
10. Wake Up

 


autor stipe07 às 21:56
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

Woods – With Light And With Love

Editado no passado dia quinze de abril através da Woodsist, etiqueta da própria banda, With Light And With Love é o sétimo tomo da carreira discográfica dos Woods, uma banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada por Jeremy Earl.

A carreira dos Woods impressiona pelas aparentes inflexões sonoras que vão propondo à medida que publicam um novo alinhamento de canções mas, na verdade, eles sempre se mantiveram fiéis a um fio condutor, mas do qual exploram, até à exaustão e com particular sentido criativo, todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e, na verdade, estando presentes com elevada qualidade em With Light And With Love, servem para comprovar que estes Woods são, talvez, uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual.

As dez canções de With Light And With Love juntam então as típicas cordas da folk com riffs de guitarra cheios de distorção e alguns arranjos sintéticos com uma forte componente lo fi e ruidosa, que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

Gravado em casa do líder da banda, este álbum terá certamente obrigado a algum investimento de material já que, quem conhece a discografia dos Woods, percebe que ao longo do tempo tem melhorado a qualidade do som do grupo, que soa cada vez mais limpo e atrativo, mas sem perder aquele charme noise que é tão caraterístico dos Woods.

O disco começa num clima ameno e relaxante com Shepherd e depois Shinning e, mais adiante, Leaves Like Glass serão as duas canções que mais facilmente chegarão às massas, exemplares sonoros com arranjos deliciosos, com um sugestivo pendor pop e que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido. No entanto, há outros momentos que merecem amplo destaque e um deles é, sem dúvida, o tema homónimo que, além de sobressair do alinhamento devido àc sua longa duração, contém solos de guitarra com riffs marcantes, num clima denso e sombrio, mas épico. Acaba por ser uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das tais referências noise, folk e psicadélicas. Também não pode ser ignorado o grande momento folk do disco encarnado por Twin Steps, Full Moon e Moving to The Left, o tema que, além do homónimo, nos remete para o universo dos The Flaming Lips, em especial no que diz respeito ao baixo e à secção rítmica.

Em suma, a receita de With Light And With Love é extremamente assertiva e eficaz. Entre cordas, um baixo vibrante, o tal falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Woods - With Light And With Love

01. Shepherd
02. Shining
03. With Light And With Love
04. Moving To The Left
05. New Light
06. Leaves Like Glass
07. Twin Steps
08. Full Moon
09. Only The Lonely
10. Feather Man

 


autor stipe07 às 23:15
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Sábado, 17 de Maio de 2014

Saintseneca – Dark Arc

Lançado no passado dia um de abril pela ANTI-Dark Arc é o segundo álbum de estúdio dos norte americanos Saintseneca, uma banda natural de Columbus, no Ohio e formada por Zac Little, Maryn Jones, Steve Ciolek e Jon Maedor. Dark Arc era um dos discos mais aguardados da primeira metade do ano no cenário indie folk e as catorze canções do seu alinhamento não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A expetativa em redor de Dark Arc começou a fervilhar no universo indie quando foi divulgado o video de Happy Alone, o primeiro single retirado do álbum e disponível para download. As imagens deslumbrantes, feitas com uma linda e mágica paleta de cores, com uma edição inspirada e delicada, na qual a narrativa apresenta a cabeça do membro da banda Zac dentro de uma bolha gigante, enquanto deambula pelas tarefas diárias do quotidiano comum, deixaram logo a sensação que Dark Arc seria um marco na careeira discográfica dos Saintseneca.

De Violent Femmes aos Neutral Milk hotel, são vários os grupos que os Saintseneca parecem conter no seu cardápio de referências e, na verdade, a música que fazem tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico.

Com a participação especial de Maryn Jones dos All Dogs, Dark Arc impressiona pela produção impecável e Blood Path, o tema de abertura, levanta logo o véu sobre a temática lírica latente em todo o disco, que não tem qualquer segredo especial e que se relaciona com a solidão, os desgostos amorosos e a procura do verdadeiro sentido da vida. A própria estrutura desta canção encontra eco em muitas outras do alinhamento, feita com uma melodia lenta conduzida por cordas acústicas com forte cariz melancólico e pontuada pela voz nasalada de Little, comparada várias vezes ao conceituado cantor folk norte americano Conor Oberst; quando os restantes membros da banda se juntam ao vocalista, em coro, ampliam imenso o volume da canção e o seu cariz épico e expansivo, algo que se repete mais vezes ao longo de Dark Arc, nomeadamente em Only The Young Die Good. Os sintetizadores futuristas e a linha de baixo deste tema deixam-te com um breve nó na garganta, que o refrão ajuda ainda mais a apertar (If only the good ones die young, I pray your corruption comes).

Outra das canções que merece audição atenta é Falling Off, um tema que plasma esta enorme capacidade que os Saintseneca têm para escrever canões que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas (A laceration sufficiently deep/, My body still wears a scar in the knee, So when you live off every scrap of your self, Take solace in knowing as somebody else). Mas um dos temas mais curiosos de Dark Arc é Takmit, uma canção com uma energia diferente das restantes e que demonstra a versatilidade que os Saintseneca já demonstram possuir.

Há definitivamente algo de especial nestes Saintseneca e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de uma frescura que tem tanta vitalidade como o nevoeiro matinal criado pelo ar da montanha do Ohio que os inspira. Espero que aprecies a sugestão... 

Saintseneca - Dark Arc

01. Blood Bath
02. Daendors
03. Happy Alone
04. Fed Up With Hunger
05. ::
06. Falling Off
07. Only The Young Die Good
08. Takmit
09. So Longer
10. Uppercutter
11. :::
12. Visions
13. Dark Arc
14. We Are All Beads On The Same String

 


autor stipe07 às 22:08
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2014

EELS – The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett

Os Eels de Mark Oliver Everett, aka Mr. E, uma das minhas bandas preferidas, estão de regresso aos discos com The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, um trabalho com treze temas e inteiramente gravado nos estúdios do músico em Los Feliz, nos arredores de Los Angeles. Este é já o décimo primeiro registo de originais desta banda norte americana e sucede a Wonderful, Glorious, um álbum que os Eels editaram o ano passado. Curiosamente, The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett começou a ser idealizado e gravado antes das sessões de Wonderful, Glorious, mas, na altura, a banda não se sentia confortável com os resultados alcançados e decidiram virar agulhas para o conteúdo de Wonderful, Glorious. Após a edição deste álbum e de uma extensa digressão mundial, decidiram regressar a essas canções e ao que tinham já feito, desta vez, com maior espontaneidade e menos pressão.

Para quem, como eu, acompanha com atenção a carreira dos Eels praticamente desde o seu início, Agatha Chang, o primeiro tema conhecido de The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett não surpreendeu quem já está habituado a constantes e felizes quebras na conduta sonora deste grupo norte americano. Após a introspeção latente em End Times, a liberdade sonora que patentearam no anterior Wonderful, Glorious e a transformação sonora que no virar do século operaram de Daisies Of The Galaxy (2000) para Souljacker (2001), este novo trabalho dos Eels marca um regresso à sonoridade que ficou plasmada em End Times.

Oliver Everett gosta de surpreender e sobrevive no universo indie rock devido à forma como tem sabido adaptar os Eels às transformações musicais que vão surgindo no universo alternativo sem que haja uma perca de identidade na conduta sonora do grupo. E, peloa vistos, por muito que se atreva a prescutar teritórios mais agressivos, é mesmo no campo da pop e da indie folk que E se sente mais confortável e que consegue, com particular mestria, criar momentos de sincera e sentida emoção sonora.

Este disco tem vários destaques e Agatha Chang Mistakes Of My Youth, os dois singles já retirados de The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett, são, sem dúvida, dois temas que comprovam o feliz regresso dos Eels a uma sonoridade folk eminentemente acustica, melancólica e introspetiva. Estas canções são lindíssimas baladas nostálgicas, com notáveis arranjos de cordas, onde se incluem violinos e uma percussão bastante aditiva, mas não são as únicas do registo que espelham com notável acerto estas caraterísticas sonoras.

Tematicamente, E regressa ao amor, um campo lexical e uma área vocabular onde sempre se sentiu inspirado, principalmente quando confessa o desconforto e a desilusão que esse sentimento tantas vezes causou na sua vida, estando numa fase em que sente necessidade de olhar para o seu percurso pessoal e perceber as falhas e os instantes em que algo correu mal e as pontas que ainda estão por fixar. É explícita uma espécie de narrativa que, de Where I'm At, Where I'm From até Where I'm Going, vai servindo para E confessar dores e arrependimentos e desejar que ainda haja um futuro risonho à sua espera, fazendo-o nas duas últimas cançoes do alinhamento.

Cheio de melodias orelhudas e que nos embalam e fazem partilhar algumas das angústias e desejos plasmados, The Cautionary Tales Of Mark Oliver Everett é um disco que transborda uma profunda sinceridade confessional por todos os acordes e torna-se fácil simpatizar automaticamente com a história de vida desta personalidade fundamental para a descrição de alguns dos mais bonitos momentos sonoros do universo indie das duas últimas décadas e que ainda procura, com uma ansiedade controlada e natural, a verdadeira felicidade. Espero que aprecies a sugestão...

 

"I thought I'd have some answers by now"
Answers

EELS - The Cautionary Tales of Mark Oliver Everett

01. Where I’m At
02. Parallels
03. Lockdown Hurricane
04. Agatha Chang
05. A Swallow In The Sun
06. Where I’m From
07. Series Of Misunderstandings
08. Kindred Spirit
09. Gentlemen’s Choice
10. Dead Reckoning
11. Answers
12. Mistakes Of My Youth
13. Where I’m Going

 


autor stipe07 às 22:08
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Jess Williamson - Snake Song

Jess Williamson - "Snake Song"

Oriunda de Austin, no Texas, a cantora e compositora Jess Williamson editou o seu disco de estreia o ano passado, um trabalho chamado Native State que impressionou a crítica pela folk inspirada que preenche o disco.

No próximo dia dezassete de junho, Jess vai lançar um single de 7'' com RF Shannon e a acústica, vibrante e épica Snake Song é a canção com que contribui para o single, já disponível para download via stereogum. Confere...


autor stipe07 às 12:42
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2014

King Of Prussia – Zonian Girls… And The Echoes That Surround Us All

Formados por Brandon Hanick, Nathan Troutman, Vasco Batista, Simon Mille, os King Of Prussia dividem a sua carreira entre Athens, na Georgia, Estados Unidos e Barcelona. Editaram no passado dia oito de abril, através da etiqueta Soft Magic, Kindercore, um curioso disco intitulado Zonian Girls… And The Echoes That Surround Us All, que conta com as participações especiais de Christine Kelly e Patrick Burke, entre muitos outros, como vamos já conferir adiante.

Os King Of Prussia são resultado, acima de tudo, da mente criativa do músico e compositor Brandon Hanick que, após três anos em Barcelona, regressou a Athens uma nova pessoa, segundo o próprio. Revitalizado por essa experiência e pela presença aqui ao lado, na soalheira Catalunha, e a falar espanhol fluentemente, Brandon começou a compôr na cidade de Gaudi e a dar vida às vinte canções que fazem parte do alinhamento deste Zonian Girls… And The Echoes That Surround Us All.

A ideia de criar uma espécie de projeto intercontinetal surgiu quando Brandon conheceu em Barcelona o guitarrista, baixista e teclista, Vasco Batista e o baterista Simon Mille. Começaram a ensair juntos durante bastante tempo, a química foi aumentando e a presença de uma máquina de venda de Estrella Damm sempre por perto ajudou ao ambiente e à boa disposição nessas sessões.

O trabalho de produção e gravação continuou em Athens, na casa de Smith, no passado mês de dezembro, já com a presença do cantor e multi-instrumentista Brian Smith, wque se juntou com o seu banjo ao grupo. Durante as sessões convidaram vários amigos dessa localidade nos arredores de Atlanta e alguns deles acabaram por fazer parte dos créditos do disco, com a voz ou à frente de guitarras, harmónicas, teclados e outros instrumentos enquanto Cory, a esposa de Smith, ajudava no processo e acrescentava alguns efeitos.

Além de amigos, algumas bandas e projetos musicais de Athens também se envolveram, com os King of Prussia a terem no seu curriculum uma interessante lista de anteriores colaborações desde Save The Scene, o disco de estreia da banda, editado em 2008. Este Zonian Girls… And The Echoes That Surround Us All não foge à regra e conta com a colboração do músico de Chicago Patrick Burke e algumas bandas de relevo do cenário indie e alternativo de Athens, nomeadamente os B-52 e os Elf Power. Além disso, algumas partes do disco também foram gravadas no piano de Mike Mills (baixista dos R.E.M.), em sua própria casa.

Quanto ao conteúdo, Zonian Girls… And The Echoes That Surround Us All é uma espécie de álbum conceptual; Metade das canções representam e cantam sobre o lado mais luminoso e positivo da existência humana e cada uma dessas concções tem uma outra que funciona como uma espécie de lado negro, percebendo-se a formação das parelhas pela aproximação melódica e de arranjos entre elas. Do alinhamento destaco Your Work Is Magic e Every Girl, lindíssimos temas com uma elevada toada pop, alegre e luminosa e as mais contemplativas From the Vine e The Sun Will Never Rise, duas das melhores canções no que diz respeito à escrita de Hanick.

Nas vinte canções de Zonian Girls… And The Echoes That Surround Us All há imenso para descobrir num disco sobre o presente, o existencialismo, a viagem que nos conduz por este mundo e as perceções humanas, positivas e negativas, sobre a mesma. Espero que aprecies a sugestão...

King Of Prussia - Zonian Girls... And The Echoes That Surround Us All

01. Actuary
02. The Dean And The Photographer
03. Your Work Is Magic
04. Anna Nordeen
05. 1,000 Leagues
06. Every Girl
07. I’ll Dance With You
08. Carolina, Carolina
09. Another Whitewashed Afternoon
10. Old Masks
11. From The Vine
12. A Parting, A Loss
13. Your Condition
14. Holy Coast
15. Never Young
16. Divorce
17. Storming The Beach
18. I Won’t Cry
19. The Sun Will Never Rise
20. Chain Smokin’ Woman

 


autor stipe07 às 22:02
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Bill Pritchard - A Trip To The Coast

Inglês e já com cerca de três décadas de carreira, Bill Pritchard é um dos cantautores que em terras de Sua Majestade começou a fazer carreira nos anos oitenta e que foi construindo a sua carreira com alguma intermitência, mas sempre com elevada bitola qualitativa. Nessa década destaca-se o disco Three Months, Three Weeks & Two Days (de 1989), um trabalho produzido por Etienne Daho, ao qual sucedeu, já nos anos noventa, Jolie (1991), um disco que contou com a presença de Ian Broudie (Lightning Seeds) e que foi, até hoje, o trabalho de maior projeção de Bill Pritchard.

Após estes dois trabalhos, a meio da década de noventa, o músico aventurou-se numa banda, que deu disco em 1998, mas tem sido a solo que tem sido mais consistente e apresentado as melhores propostas sonoras que, por sinal, têm recebido maior recetividade fora das ilhas britânicas do que propriamente no país natal.

Seja em momentos de maior luminosidade e efervescência rítmica e instrumental, como no single Trentham ou em Yeay Yeah Girl, ou em instantes como Truly Blue, uma lindíssima balada onde a voz de Bill se faz acompanhar apenas pelo piano e por violinos, ou ainda em momentos mais rock, onde a guitarra se distorce (In June), Pritchard usa uma linguagem sonora que cria canções pop feitas com melodias simples, típicas de um verdadeiro cantautor, que não se deixa seduzir pelas referências deste tempo e que se mantém fiel a uma linha condutora onde se sente confortável e realizado, enquanto músico e compositor.

Cantado em francês, Toute Seule é um dos meus temas favoritos do disco, uma canção com uma beleza bucólica arrepiante, onde o sotaque de Pritchard e os arranjos nos fazem derreter com toda a atmosfera criada na música. Estes são alguns exemplos de canções que destacam, além da voz, a parte instrumental de A Trip At the Coast, que é capaz, por si só, de transmitir as mais diversas emoções, seja melancolia e alegria, ou a urgência de soltarmos algo cá para fora.

A Trip At The Coast é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Bill Pritchard sereno e bucólico, através de uma viagem ao universo típico de um Lloyd Cole, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre o existencialismo, a viagem que nos conduz por este mundo e as perceções humanas sobre a mesma. Espero que aprecies a sugestão...

01 Trentham
02 Yeah Yeah Girl
03 Posters
04 Toute Seule
05 Truly Blue
06 Almerend Road
07 In June
08 Paname
09 Polly
10 A Trip To The Coast


autor stipe07 às 18:36
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Pakita Pouco - Gentil EP

Foto: Nuno Canhão

Os Pakita Pouco são uma banda formada pela cantora espanhola Irene Trascasa e pelos músicos portugueses Rui Neves e Filipe Simões e estão de regresso com Gentil, um EP disponível a partir de hoje, dia 12 de Maio. Nana é o primeiro single e já pode ser escutado no soundcloud do projeto, assim como o restante EP.

De acordo com o press release do lançamento, Gentil reúne sete temas inéditos em disco, ligados pelo fio condutor da guitarra eléctrica, assumidamente contrastante com a voz doce e ao melhor jeito indie folk da cantora. A percussão e as sonoridades peculiares do xilofone e de um piano amarelo de brincar contribuem para a originalidade da proposta da banda.

Com letras em castelhano e em português, todas da autoria de Irene Trascasa, o EP percorre novas paisagens musicais, desde a melodia serena do tema que dá nome ao disco, Gentil, até ao andamento frenético de Nana. Sem encaixar em géneros ou estilos, o som dos Pakita Pouco faz-se também da cumplicidade entre os três músicos que, ao vivo, criam um ambiente espontâneo e intimista.

Gravado e misturado ao longo de cinco meses, o disco é editado de forma independente pela banda, com o apoio da DestakAzul. Em suporte físico será disponibilizado nos concertos e em passatempos promovidos pelo grupo. Nas plataformas digitais Gentil ficará igualmente disponível para audição nas respectivas páginas do Bandcamp e Soundcloud.

Criada em 2010 pela cantora espanhola Irene Trascasa e os músicos portugueses Rui Neves (guitarra eléctrica) e Filipe Simões (percussões e botões piânicos), a banda editou o seu primeiro EP Pakita Pouco em 2011, na sequência de uma série de apresentações ao vivo em Lisboa e também em Madrid.

Após um interregno para abraçarem outros projectos pessoais e profissionais, os Pakita Pouco regressam agora com um novo trabalho que prossegue a linha experimental e de fusão sonora já abordada anteriormente. Confere...

Pakita Pouco | Contactos

Website | Bandcamp | Soundcloud | Youtube | Facebook | Press kit

pakitapouco@gmail.com


autor stipe07 às 12:57
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Domingo, 11 de Maio de 2014

Damon Albarn – Everyday Robots

O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn, personagem central da pop britãnica das últimas duas décadas, está de regresso aos discos em nome próprio com Everyday Robots, um dos álbuns mais aguardados do ano e que viu a luz do dia a vinte e oito de abril, um belíssimo compêndio de doze canções produzidas por Richard Russell e lançadas por intermédio da Parlophone.

Falar de Damon Albarn como artista a solo e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou os The Good The Bad and The Queen é algo impossível, já que Everyday Robots transpira a tudo aquilo que Albarn idealizou e criou nestes projetos. As canções de Everyday Robots não caberiam facilmente em qualquer alinhamento típico dos grupos citados, mas há algo em todas elas, mesmo que muito implícito, que nos remete para a excelência das propostas que foram surgindo desta mente brilhante nos últimos vinte anos que, tendo-se feito acompanhar por outros músicos extraordinários, nunca deixou de ser o protagonista maior de todas estas bandas.

Sendo assim, Everyday Robots transborda uma imensa sinceridade, sendo o disco onde Albarn compôs e criou aquilo que realmente quis e com o bónus de não ter tido receio de expôr a sua maturidade de adulto cheio de experiências de vida significativas, quase a chegar ao meio século de existência. É um disco onde um Albarn eletrónico e minimalista e viciado em tecnologia, mas apaixonado pela natureza e permanentemente inquieto pela forma como a tratamos, transborda modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta a sua individualidade e apela à consciência de individualidade de cada um de nós, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um de nós, em deterimento do bem e da vontade comuns.

Não há outra forma de entrar no alinhamento de Everyday Robots e não começar por Hollow Ponds, um tema que nos remete para o universo sonoro que Albarn desenvolveu com Paul Simonon e Tony Allen em The Good, The Bad and the Queen; Esta é a canção matriz do disco, já que a decisão de avançar na gravação do trabalho apenas sucedeu depois de Richard Russell ter escutado o tema e ter desafiado Albarn a continuar.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente a sempre a convergir para a soul, Albarn entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, havendo, no disco, vários exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo da mesma. Por isso, há que conferir grande destaque à folk animada de Mr. Tembo, uma música dedicada a um elefante bebé que Damon conheceu na casa de uns amigos numa reserva na Tanzânia e que conta com a participação do coro gospel da igreja Mission City, de Leytonstone, sendo, o tema do disco que mais se aproxima das aproximações já feitas por Albarn no projeto Gorillaz. Depois, há algo de profundamente enigmático no dedilhar deambulante do piano de The Selfish Giant e naquela voz rouca, acabada de emergir de um sono profundo certamente marcado pela batida hipnótica que sustenta a canção e que, no refrão, quando Albarn relata o mundo perfeito com que acabou de sonhar, é acompanhada por detalhes e arranjos tão doces e delicados. A esta sonoridade do tema não será alheio o facto de ser sobre uma noite que Albarn passou em 1995, durante uma digressão caseira dos Blur, num local chamado Dunoon, na costa oeste da Escócia, onde existiam muitos submarinos nucleares americanos, por causa da guerra fria e a canção imagina alguém dentro de um deles, nas profundezas do oceano, apenas à espera que algo aconteça, tendo como única companhia uma simples televisão.

Uma canção fundamental para perceber a essência de Everyday Robots é também You & Me, que são, na verdade, duas canções unidas numa só, sobre a vida de um casal e sobre o carnaval de Nothing Hill, bairro onde Albarn mora há vários anos com a atriz Suzy Winstanley e uma filha adolescente, sendo, talvez, o tema mais autobiográfico do disco. A canção leva-nos de volta ao mundo dos sonhos e ao típico som da viola acústica que Albarn tanto aprecia, feito com  o ruído das mãos que tocam num instrumento que obedece cegamente a um músico que sabe a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se a canção fosse um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida. Na lindíssima Lonely Press Play, no meio de leves batidas e de um piano que vai dividindo o protagonismo com uma guitarra que nos faz emergir da solidão, a voz calma e humana de Albarn mostra-nos que, por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno.

Everyday Robots termina com o extase índie pop Heavy Seas Of Love onde, a meias com Brian Eno, o coração traiçoeiro de Albarn converte-se num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de um amor que o liberta definitivamente de algumas das amarras que filtrou ao longo do disco e, sem deixar completamente de lado a melancolia que, como ele tão bem mostra, tem também um lado bom, empenha-se em mostrar-nos que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, por mais que esteja amarrado à ditadura da tecnologia, pode ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Damon Albarn - Everyday Robots

01. Everyday Robots
02. Hostiles
03. Lonely Press Play
04. Mr Tembo
05. Parakeet
06. The Selfish Giant
07. You And Me
08. Hollow Ponds
09. Seven High
10. Photographs (You Are Taking Now)
11. The History Of A Cheating Heart
12. Heavy Seas Of Love


autor stipe07 às 15:48
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

Cervelet - Canções de Passagem

Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet são Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade! Ou não... Canções de Passagem é o disco de estreia dos Cervelet, um trabalho disponivel para download gratuito na página oficial da banda.

Os Cervelet são, certamente, uma das bandas mais curiosas que conheci do nosso país irmão e essa impressão ficou patente não só no contato que mantive com o grupo e que está plasmado numa entrevista que podes conferir abaixo, mas também no próprio conteúdo de Canções de Passagem, que tem um dos alinhamentos mais originais que já vi; São doze canções batizadas com os doze meses do ano, uma espécie de jornada sentimental que este quarteto nos propôe, e que, de acordo com a banda, partindo da estética do rock, com forte influência de folk, a Cervelet carrega a síntese de falar sobre relacionamentos a partir de diferentes ouvidos: pode ser otimista e inocente em Março; densa e misteriosa em Junho; e venturosa, como se percebe em Agosto, mas sem ser um álbum conceptual. Portanto, esta jornada sentimental é assente em canções acústicas que têm como base o violão e que progridem de forma interessante, à medida que vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte.

Num disco gravado em casa e que busca uma amplitude no horizonte sem deixar de sentir o cheiro familiar da sua casa, a escrita das canções é bastante pessoal, algo que exige, naturalmente, os tais arranjos delicados e cuidados, com os quais a banda se identifique e, nessa demanda pela canção pop perfeita, há que enfatizar as paisagens sonoroas criadas em Fevereiro e Maio, duas canções que, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz se posiciona e se destaca.

Os Cervelet parecem ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende ora para a folk, ora para a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos, músicas que resultam do desenvolvimento de uma instrumentação radiante, havendo a possibilidade de constatar que todos os integrantes da banda têm um papel fulcral no processo de composição e interpretação vocal, numa banda que, durante a gravação de Canções de Passagem, lalcançou novos parâmetros e patamares de qualidade interpretativa vocal e instrumental.

Na verdade, Canções de Passagem é um compêndio de várias narrativas, feita por um coletivo de compositores, onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência dos Cervelet e a perceber sobre aquilo que meditam, as suas conclusões e as percepções pessoais daquilo que observam , regadas a cerveja, enquanto a vida de todos eles vai-se desenrolando e procuram não se perder demasiado na torrente de sonhos que guardam dentro de si e que nem sempre são atingíveis.

Neste disco que os Cervelet gostavam muito que nós, os portugueses, escutássemos no carro enquanto vamos para o Bairro Alto, ou quem sabe a caminho da casa da namorada descendo na estação de Carcavelos, é possível escutar um punhado de canções marcantes que podem levar estes quatro amigos mais além. Estou convencido que merecem elogios de um público maior do que aquele que o conhece e espero que alcancem a fama e o reconhecimento público que tanto reclamam em Canções de Passagem, porque bem o merecem.

Os Cervelet também disponibilizaram recentemente o vídeo de Maio, dirigido por Deivide Leme, da Sunrise Films, e estão quase a revelar o filme de Janeiro, dirigido pelo mesmo Deivide em parceria com Priscila Pina. Espero que aprecies a sugestão...

Janeiro

Fevereiro

Março

Abril

Maio

Junho

Julho

Agosto

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

Os Cervelet são de Jaboticabal, no Estado de São Paulo, suponho. Há tantos portugueses que visitam o vosso país; O que podem descobrir em Jaboticabal, além da vossa música?

Jaboticabal é uma cidade muito boa para viver. Morei 10 anos na loucura de São Paulo, e hoje admiro a calma e o sossego. Aqui é um lugar para ir conhecendo aos poucos, seu charme está na sua rotina mais pacata. Na conversa na praça, no comerciante que te conhece pelo nome, numa caminhada ao fim da tarde. É uma cidade pequena mas com ares de cidade grande, afinal tem 5 universidades e apenas 70 mil habitantes, atraindo muitas pessoas de outras cidades e até estados para estudar aqui. Fundada por portugueses, com forte imigração japonesa, italiana, africana e indígena, é genuinamente brasileira. Portanto, se um português quisesse conhecer um pouco da mistura que é o Brasil, poderia descobrir isso em Jaboticabal, ou como gostamos de dizer, Jabuca.

O vosso soundcloud refere que misturam cerveja, com música, poesia e liberdade. Qual é a vossa história? Quem são os Cervelet?

Bom, meu nome é Guto Cornaccioni, tenho 31 anos e moro em Jaboticabal, onde também mora o Vitor Marini, guitarrista da banda e um dos compositores. Em julho de 2013 ele entrou no último semestre do curso de Administração de empresas na Unesp de Jaboticabal. E na sua turma da faculdade estavam Tiko Previato e Iuri Nogueira. Eu já conhecia o Vitor de sua banda anterior, a Zé Amais, e ele sabia que eu já havia lançado um disco independente, e que produzia algumas coisas minhas no meu home studio. Ele recomendou ao Tiko e ao Iuri que fossem gravar na minha casa algumas músicas que eles vinham pensando. Aí um dia eles foram lá.

Mostrei umas coisas que eu vinha fazendo também e pedi que eles me mostrassem uns sons deles. O Tiko disse que tinha umas 5 músicas em construção, pegou o violão e começou um dedilhado. Na hora aquele som me deu um tapa na cara, e não precisei ouvir nem 1/3 da música para dizer: "Para cara, nem precisa mostrar mais as outras. É essa aí que a gente vai gravar". Acho que eles perceberam isso também pois concordaram imediatamente. Gravamos em Maio, em mais ou menos três horas. Nunca haviamos tocado a música juntos. Na verdade nunca tinhamos sequer ensaiado. Foram quatro compositores que reservaram 3 horas de uma quarta feira a noite e disseram; "Vamos gravar. Gravar o que? A gente descobre gravando". Foi criação espontânea porém sem a banda estar tocando. Um exercício que nos demos de produção musical, usando o que adquirimos de experiência em palco e em estúdio. Basicamente a Cervelet é o resumo de todos os anos de vivência musical que tivemos até hoje, sem os quais não seríamos capazes de fazer o que fazemos. Ah, esqueci da falar da cerveja. É que sempre tem cerveja por perto quando a banda se reúne, então ela faz parte do processo.

Canções de Passagem é o vosso disco de estreia. Era um filho muito desejado?

Acho que mais do que o disco, estar numa banda como essa era algo muito desejado por todos nós. Não é possível falar do disco sem falar da banda pois foi dele que ela surgiu.

De acordo com o press release do lançamento, de janeiro a dezembro, estamos diante de uma jornada sentimental. O que vos inspirou e como surgiu a ideia de criar um alinhamento com os doze meses do ano?

Pode parecer piada, mas o que é mais previsível do que junho vir depois de maio? Demos risada, mas no fundo sabíamos que tinha sentido por trás da piada. É um disco sobre a vida, e a vida é sempre um contraste. Num mês estamos bem, no seguinte talvez algo aconteça e o clima mude ao meu redor. Um ano é uma medida de tempo e o tempo é apenas o ser humano se enganando achando que tem controle sobre algo. Enquanto íamos gravando, também íamos sentindo o clima da música. Era um processo esquisito de intuição coletiva que rolava e baseado nisso dizíamos: "Ah, essa tem cara de dezembro. Nem fazemos ideia do por que. Talvez Junho não seria melancólica se fosse composta em agosto.

Pessoalmente, penso que Canções de Passagem tem tudo o que é necessário para terem, deste lado do Atlântico, o reconhecimento público que merecem. Quais são, antes de mais, as vossas expetativas para este disco? Há planos de uma edição física e posterior distribuição, interna e externa, apesar da disponibilização gratuita do disco, nomeadamente na vossa página oficial?

Acreditamos que este seja um disco capaz de agradar pessoas que gostem de música, independente de rótulos. É um disco para ouvidos dispostos, mas não exige muito sacrifício, é um som que te deixa a vontade para ouvir, ao mesmo tempo rico em arranjos e pensamentos musicais em toda sua produção. Esperamos que ele seja um dos nossos cartões de visita. O outro cartão de visitas é a banda no palco. Nossa expectativa é fazermos bem a nossa parte e defender o nosso trabalho. Espero, e torço muito, para que o público português coloque nosso som em seus fones de ouvido, ou no carro enquanto vai pro Bairro Alto, ou quem sabe a caminho da casa da namorada descendo na estação Carcavelos. Disco físico? Será necessário em um determinado momento, mas agora estamos concentrando nossos esforços na divulgação digital e nos shows.

E, já agora, que se deve a decisão de disponibilizar o download gratuito do disco?

Vivemos o momento mais interessante da história da música em todos os tempos e eu falo isso sem medo de errar. Nunca na história tanta música foi produzida. Nunca foi tão fácil ter uma banda mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil. Fácil, pois hoje com um mínimo de recursos você consegue produzir uma gravação de qualidade se tiver conhecimento para isso. Ao mesmo tempo, você tem um espaço onde depositar o que você produziu e apresentar para as pessoas, o papel de youtube, facebook, soundcloud e outros. Agora, enquanto eu respondo essa entrevista provavelmente milhares de pessoas estão publicando ou compartilhando suas novas produções nas redes sociais. O desafio para o músico de hoje não é apenas de produção mas sim de comunicação.

Com tanta música por circulando por aí, e com tantos estímulos roubando sua atenção, como eu faço para convencer você a parar o que estiver fazendo e prestar atenção em mim por 3 ou 4 minutos? É uma tarefa monstruosa se você pensar a respeito, pois estamos flutuando num oceano de estímulos e informação circulando sem parar. É como se a Cervelet estivesse tocando num pequeno palco de 5 por 7 metros com outras 14 bandas ao mesmo tempo e tivesse que fazer uma pessoa lá no fundo do público ouvir apenas ela. Esse é o desafio hoje. Então todo músico que tem como meta ser um autor e se tornar conhecido de um público, seja esse público pequeno, médio ou grande, tem que saber fazer o marketing de si mesmo. E não há pecado nisso. São ossos o ofício. Acredito que quem não disponibiliza sua música gratuitamente na internet em 2014 está pegando uma luta que já é difícil e a tornando algo impossível de ser vencido. Não julgo se é justo ou não, mas as coisas são assim. Em 10 meses a Cervelet cresceu muito, fomos ouvidos em vários países, e em praticamente todos os estados do Brasil. Não importa quanto, nem como. Se uma pessoa nos ouve no Rio Grande do Sul hoje, talvez amanhã eu consiga que mais 4 ouçam. Cabe a gente criar o nosso público e alimentar seu interesse.

Ouvir Canções de Passagem foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante e melancólico mas, simultaneamente, optimista e alegre, o conteúdo geral do disco reside nesta feliz ambivalência. As minhas sensações correspondem ao que pretenderam transmitir sonoramente?

Canções de Passagem é um disco sobre estar vivo. E justamente por falar sobre estar vivo, ele precisou ser vivido antes de existir. Intrigante, melancólico, otimista, alegre. Se você pensar em emoções como cores, a vida oferece uma paleta de emoções gigantesca.  Todos nós temos esses matizes de cores no nosso quotidiano e ao falar sobre a vida, falamos de um espectro amplo de emoções. Essa banda surgiu num momento de grande transição na vida das 5 pessoas que a formam. E se você catalizar algumas coisas que acontecem ao teu redor, observá-las, e traze-las para o mundo de uma forma diferente, você fez arte. Nós não sabíamos, a bem da verdade, exatamente o que estávamos fazendo. Começamos com Maio, uma canção que consegue ser feliz e melancólica ao mesmo tempo. Músicas assim não são planejadas, e a partir dela fomos construíndo não só o disco como a banda. As sensações que essas músicas transmitem não foram calculadas, foram criadas intuitivamente na produção dos arranjos. Quando terminávamos, ouvíamos o que tínhamos feito. Foi também um disco gravado em casa, portanto é algo que busca uma amplitude no horizonte sem deixar de sentir o cheiro familiar da sua casa.

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Canções de Passagem uma sensação, quanto a mim, também experimental, apesar do forte cariz pop folk e até radiofónico da vossa música. Consideram-se músicos rígidos, no que concerne às opções que definem para a vossa música ou, durante o processo criativo, estão abertos a irem modelando as vossas ideias à medida que o barro se vai moldando?

Todos trazemos uma bagagem musical. Eu sempre ouvi folk, blues, samba, rock progressivo, grunge, um pouco de jazz. Sempre gostei de artistas que ao vivo nunca terminam uma música duas vezes do mesmo jeito. Gosto da sensação do mergulho no improviso que acontece ao vivo se você está numa banda que sabe se conduzir nesse caminho. Nossa única regra durante a produção do disco era: vamos ouvir o que a música está pedindo e não os nossos egos. Pois na banda todos cantam, todos compõem, todos tocam muitos instrumentos, então se não houver um acordo entre todos de que estamos trabalhando em conjunto para atingir um objetivo único, uma hora ou outra os egos começam a agir.  Isso é normal e acontece em toda e qualquer relação humana. Na hora de produzir, se o Tiko criou uma linha de baixo mais interessante que a minha e se a música ficar melhor assim, excelente. O importante é a música e não a gente. Temos essa consciência e essa sinceridade uns com os outros a ponto de ficarmos felizes com as idéias de cada um pois sabemos que fazemos parte de uma unidade onde o sucesso de um é o sucesso de todos.

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que se inspiram para criar as melodias?

Provavelmente as músicas que escutamos muitas vezes ao longo da vida deixaram sua marca na maneira em que criamos melodias. Além disso, com a prática cada um vai descobrindo e desenvolvendo sua melodia. Meu caminho melódico quando crio é um. O Tiko tem outro, assim como o Vitor e o Iuri. O desafio é encontrar uma voz única da banda, independente de quem cria ou canta. É fazer da banda uma pessoa, com personalidade própria. Uma melodia é uma forma de dizer sem palavras. E há muita coisa pra se dizer.

Adoro a canção Maio, curiosamente o mês atual e em que faço anos. Os Cervelet têm um tema preferido em Canções de Passagem?

Sou apaixonado por todas essas músicas, mas Maio tem um lugar especial, afinal foi onde tudo começou além de ter sido lançada no exato dia em que descobri que minha mulher estava grávida da nossa primeira filha.

Não sou um purista e acho que as bandas brasileiras valorizam-se imenso por cá por se expressarem em português, mas há também, desse lado do Atlântico, uma forte predisposição no cenário indie e alternativo para os grupos brasileiros cantarem em inglês. Há alguma razão especial para cantarem em português e a opção será para se manter?

Simplesmente nos sentimos mais a vontade compondo na nossa lingua, apesar de também sabermos compor em inglês. Foi uma escolha natural, mas também pensamos ser mais fácil nos comunicar com o público assim, ou seja houve um certo raciocínio estratégico em algum momento. Se uma música é boa e me cativa, eu não me importo em que língua ela é cantada. Pode ser até em Klingon. Esse público é o que mais me interessa, que não só ouve, mas sente a música. Isso é comunicação.

O que podemos esperar do futuro discográfico dos Cervelet?

Para o curto prazo planeamos começar a produzir um novo disco provavelmente no fim do ano. Para o longo prazo, só Deus sabe quanto essa história vai durar, então seguiremos fazendo música enquanto houver música para ser feita.

Quais são as três bandas atuais que mais admiram?

Essa vou responder só por mim, pois não sei se algum outro integrante da banda descobriu um novo som nas profundezas da internet e está viciado nisso.

Atualmente tenho voltado a escutar muito blues, Freedie King, Albert King, Sonny Boy, Muddy Watters, Willie Dixon, essa turma toda das antigas. Sou amante do blues desde a adolescência e é a casa para onde volto. Mas acho que as três bandas ou artistas que até hoje mais admiro como compositores e interpretes ao vivo são Pearl Jam, Dave Matthews Band e John Mayer.

 


autor stipe07 às 21:19
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