Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014

Damon Albarn And The Heavy Seas – Live At The De De De Der

O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn, personagem central da pop britânica das últimas duas décadas, regressou este ano aos discos em nome próprio e em grande estilo com Everyday Robots, um trabalho que viu a luz do dia a vinte e oito de abril e um belíssimo compêndio de doze canções produzidas por Richard Russell e lançadas por intermédio da Parlophone, que entraram diretamente para o top dos melhores discos de 2014 para este blogue.

A quinze e dezasseis de novembro últimos, Damon Albarn deu dois excelentes espetáculos no mítico Royal Albert Hall, em Londres, com a particularidade de terem sido gravados pelos técnicos dos estúdios de Abbey Road e terem ficado imediatamente disponíveis para venda após cada um dos concertos. Além dos The Heavy Seas, a banda que acompanha Albarn em estúdio e ao vivo, os concertos contaram com as participações especiais de Brian Eno, De La soul, Kano e Graham Coxon, seu parceiro nos Blur.

Escutar estes dois concertos permite-nos fazer uma visita guiada sobre toda a herança sonora essencial que Damon Albarn nos deixou, principalmente nas duas últiams décadas, num alinhamento que contém temas dos Gorillaz, dos The Good The Bad And The Queen, dos Blur, Mali Music e, obviamente, do seu projeto a solo, com destaque para o mais recente e acima citado Everyday Robots.

Falar de Damon Albarn como artista a solo e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou os The Good The Bad and The Queen é algo impossível e Live At The De De De Der transpira a tudo aquilo que Albarn idealizou e criou nestes projetos, com canções que vale bem a pena escutar num formato mais cru e orgânico, umas mias despidas e outras notavelmente enriquecidas e que, desse modo, ganham uma outra personalidade.

Albarn é, por excelência, um minimalista viciado pelos detalhes, uma contradição apenas aparente e que se torna ainda mais audível no modo como, ao vivo, este artista viciado em tecnologia, mas também apaixonado pela natureza orgânica de um enorme espetro de instrumentos e permanentemente inquieto e numa pesquisa constante sobre o modo como os pode tocar, transborda modernidade, juntamente com uma extraordinária sensação de proximidade com o público, a que não será também alheio o facto de ter-se feito sempre acompanhar por outros músicos extraordinários, mesmo nunca tendo deixado de ser o protagonista maior de todas as bandas e projetos que criou.

Impecavelmente produzido e conseguindo transpirsar todas aquelas boas sensações que distinguem um espetéculo ao vivo das versões de estúdio, Live At The De De De Der é absolutamente fundamental para quem quiser rever o cardápio de um músico que é, antes de tudo, um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Em palco o coração traiçoeiro de Albarn converte-se num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de um amor que o liberta definitivamente de algumas das amarras que filtrou ao longo do seu percurso musical e, sem deixar completamente de lado a melancolia que, como ele tão bem mostra, tem também um lado bom, diante de um público entusiasta e que o venera, empenha-se em mostrar-nos que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, por mais que esteja amarrada à ditadura da tecnologia, pode ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Damon Albarn And The Heavy Seas - Live At The De De De Der

CD 1
01. Spitting Out The Demons
02. Lonely Press Play
03. Everyday Robots
04. Tomorrow Comes Today
05. Slow Country
06. Kids With Guns
07. Three Changes
08. Bamako City
09. Sunset Coming On
10. Hostiles
11. Photographs (You Are Taking Now)
12. Kingdom Of Doom
13. You And Me
14. Hollow Ponds

CD 2
01. El Manana
02. Don’t Get Lost In Heaven
03. Out Of Time
04. All Your Life
05. End Of A Century
06. The Man Who Left Himself
07. Tender
08. Mr. Tembo
09. Feel Good
10. Clint Eastwood
11. Heavy Seas


autor stipe07 às 17:44
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 13 de Dezembro de 2014

Rocco DeLuca – Rocco DeLuca

Natural de Silver Lake, na Califórnia, Rocco DeLuca lançou no passado mês de agosto Rocco DeLuca, um disco homónimo e produzido por Daniel Lanois que, com um pomposo alinhamento de onze músicas, aposta numa pop e num indie rock que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo. Este é um trabalho diversificado, acessível, com melodias orelhudas e que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada.

A toada ritmada, enigmática e cheia de groove de Colors Of The Cold, o single já retirado do disco, faz-nos, de imediato, procurar perceber porque é que ao mesmo tempo que damos por nós a abanar as pernas ao ritmo da música e a tentar perceber porque é que uma pop tão orelhuda e exuberante tem de se apresentar perante nós com um grau de exigência particularmente elevado. De seguida, sentimos a necessidade de procurar uma clara perceção da mensagem que o tema nos transmite. A música de Rocco DeLuca é mesmo assim, comunica connosco implacavelmente, não permite qualquer sentimento de indiferença e consegue cativar com notória facilidade.

A percussão de Free e as cordas de Feather And Knife, dois verdadeiros opostos e a folk introspetiva de Everything Hurts e Thief And The Moon surpreendem apenas quem não estiver disposto a aceitar a essência de um disco que sobrevive na procura de diferentes caminhos, sem nunca resvalar numa perigosa monotonia, já que o grau qualitativo dos arranjos, que incluem alguns sopros e metais algo implícitos, é o grande suporte de uma sonoridade que nos coloca lado a lado com alguns dos melhores fundamentos daquilo que define o som caraterístico de uma América profunda, sempre sedenta de novos e diferentes espetros sonoros e, ao mesmo tempo, muito ciosa das suas raízes. Se o falsete de Rocco e a eletrificação da guitarra em Congregate são um excelente exemplo do modo como este músico e compositor consegue criar um claro clima nostálgico, sem descurar a criação de sons inteligentes e solidamente construídos, já a percussão e o dedilhar de The World (Part 1) emerge-nos no particular universo nativo em pleno mojave, que, curiosamente, apesar do pó que levanta, provoca um suor que exala um certo erotismo, que se sentem novamente quando em Through Fire a batida sincopada, muito bem acompanhada por uma linha melódica sintetizada deliciosa e uma guitarra encorpada, fazem dessa canção uma festa pop, psicadélica e sensual.

Este cruzamento assertivo entre um certo blues e a pop mantém-se até ao final do alinhamento, com o sintetizador a ter, finalmente, o protagonismo que merece em Two Bushes, outro exemplo que prova que este artista norte americano coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.

A música de Rocco DeLucca aposta nesta relação simbiótica, feita com o simples dedilhar da guitarra acomodada pelo baixo e por um sintetizador aveludado que se esconde atrás dos ritmos, para a criação de canções que procuram ser orelhudas, de assimilação imediata e fazer o ouvinte despertar as suas pretensões emotivas, porque é tudo conjugado de uma forma simples, mas eficaz.

Rocco DeLuca é um compêndio musical fresco e luminoso, com substância e onde cabem todos os sonhos, criado por um músico impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos fazer refletir. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, não há lugar para a amargura e o sofrimento e o que transborda das canções são mensagens positivas e sedutoras. Rocco DeLuca é exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável, com um otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. O disco impressiona não só pela produção musical, mas principalmente porque sustenta uma áurea de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que este Rocco DeLuca é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

Rocco DeLuca - Rocco DeLuca

01. Colors Of The Cold
02. Free
03. Feather And Knife
04. Congregate
05. Everything Hurts
06. The World (Part 1)
07. Through Fire
08. Thief And The Moon
09. Two Bushes
10. Will Strike
11. Simple Thing


autor stipe07 às 14:35
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Bored Nothing – Some Songs

Bored Nothing é um projeto de Melbourne, na Austrália, liderado por Fergus Miller. Depois de ter lançado diversas demos e EPs, disponíveis num dos mais interessantes e complexos bandcamps que já tive a oportunidade de espreitar, chegou em 2012 o disco de estreia, por sinal um homónimo, através da Spunk Records. Dois anos depois, a vinte e sete de outubro, viu a luz do dia Some Songs, o segundo disco.

Some Songs é indie rock introspetivo de primeira água, plasmado em treze canções de fino recorte e uma superior sensibilidade, tão simples e descomprometidas como deveria ser a nossa própria existência, tantas vezes absorvida por instantes que obrigam o nosso superior interesse pessoal a lidar com dilemas, quimeras e frustrações, que certamente nos enriquecem, mas que não precisam de dar sinal de si em permanência. Simple Songs pretende oferecer-nos exatamente o oposto, uma sonoridade solta e etérea, assente no fino e delicado dedilhar das cordas, feito por guitarras vintage contidas e que geralmente procuram um ponto de equilíbrio, felizmente quase sempre instável, entre a submissão acústica e a aparente agressão de efeitos e distorções, que vão subindo de volume à medida que o alinhamento avança. Esta receita não deixa também de ser abastecida por alguns simples detalhes e arranjos sintetizados, com momentos em que domina uma toada lo fi, crua e pujante, cheia de quebras e mudanças de ritmos, com uma certa, e quanto a mim feliz, dose de improviso.

Assim, Some Songs, apesar da aúrea fortemente melancólica de alguns temas, tem o condão de nos presentear com um alinhamento caloroso e reconfortante, sendo  uma banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que descrevem este outono. Ao som dele podemos meditar e repousar embalados por histórias que conterão, certamente, um vincado cariz autobiográfico, de um músico com pouco mais de vinte anos que, ao segundo disco, continua a tentar entender melhor o seu âmago e a lidar com as vicissitudes normais da sempre difícil transição para a vida adulta, fazendo-o através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical.

O alinhamento de Some Songs começa com um simples instante acústico chamado Not e depois chega finalmente a bateria e o baixo em Ice-Cream Dreams, o primeiro single divulgado, sem dúvida um momento alto do disco, devido ao ritmo e ao modo cativante como Bored Nothing nos oferece a sua voz com uma certa dose de reverb que amplia a tonalidade doce e sussurrante da mesma, como se o cantor nos soprasse ao ouvido enquanto espalha o charme incofundível do seu registo vocal. Depois, ainda no período inicial, temas como Where Do I Begin e We Lied merecem também audição dedicada porque, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz mostra novamente uma sede incontrolável de protagonismo e se posiciona e se destaca. Pessoalmente, fui invariavelmente seduzido pelo teclado que, desde logo o inicio, toma conta de We Lied e o modo com o batida sintetizada passou a acompanhar essa melodia, pouco depois, numa dança com uma energia ímpar, cheia de outros sons que se atropelam durante o percurso da canção e que fazem dela, o meu momento prefeirdo do disco. Este exemplo é fundamental para o ouvinte mais dedicado perceber que a personalidade de cada tema do disco pode demorar um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas certamente será compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que as distingue e que, por acréscimo, sustenta o conteúdo.

Um outro instante acústico intitulado Ultra-lites marca a passagem para um novo capítulo do trabalho, mais elétrico, ritmado e luminoso, cheio de canções conduzidas por melodias assentes em guitarras distorcidas e um baixo e uma bateria sempre em sintonia, mas onde também não faltam detalhes sintetizados inspirados. Do quase punk lo fi de What You Want Always ao blues de Why You Were Dancing With All Those Guys, passando pela pop luminosa de Where Would I Begin, este é um novo periodo que reforça o cariz eclético de um músico inspirado e ajuda a fazer de Some Songs um disco feito na emoção e na intuição.

Até ao final, o rock experimental de Song for Jedder e de Ultra-lites II, os laivos de rock progressivo de Don't Go Sentimental e o groove de Artificial Flower, são o capítulo final de um compêndio de várias narrativas, onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência de um Fergus Miller sereno e bucólico. Com canções cheias de versos intimistas que fluem livremente, Bored Nothing procura através da música a sua individualidade, enquanto conta experiências e nos ajuda a perceber sobre aquilo que medita, as suas conclusões e as perceções pessoais do que observa, enquanto a sua vida vai-se desenrolando e ele procura não se perder demasiado na torrente de sonhos que guarda dentro de si e que nem sempre são atingíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Bored Nothing - Some Songs

01. Not
02. Ice-cream Dreams
03. The Rough
04. We Lied
05. Ultra-lites
06. Do What You Want Always
07. Why Were You Dancing With All Those Guys
08. Where Would I Begin
09. Come Back To
10. Song For Jedder
11. Don’t Go Sentimental
12. Artificial Flower
13. Ultra-lites II


autor stipe07 às 21:18
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Cairobi - Zoraide

Cairobi

Com músicos da Inglaterra, México, Itália e Áustria, mas baseados atualmente em Londres, os Cairobi são Giorgio Poti, Salvador Garza, Stefan Miksch, Alessandro Marrosu e Aurelien Bernard, um coletivo prestes a lançar-se nos lançamentos discográficos com Distante Fire, um EP que vai ver a luz do dia a dezasseis de fevereiro do próximo ano.

Zoraide é a canção que abre o alinhamento de Distante Fire, uma junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso e por ser extremamente dançável, deverá ser objeto do maior deleite e admiração. Esta é, acreditem, uma canção que desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. Confere...


autor stipe07 às 18:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

Sondre Lerche – Please

Sondre Lerche é um músico, cantor e compositor norueguês que vive em Brooklyn, Nova Iorque e que também se tem notabilizado pela composição de bandas sonoras, além do seu trabalho a solo. Please é o seu mais recente registo de originais, um trabalho que viu a luz do dia recentemente, por intermédio da Mona Records e que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo. Ao longo de dez músicas, Please oferece-nos um trabalho diversificado, acessível, com melodias orelhudas e que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada.

When crimes are passionate, can love be separate?, questiona-nos Sondre Lerche no meio da toada ritmada e cheia de groove de Bad Law, ao mesmo tempo que damos por nós a abanar as pernas ao ritmo da música e a tentar perceber porque é que uma pop tão orelhuda e exuberante tem de se apresentar perante nós com um grau de exigência particularmente elevado, no que diz respeito à perceção que devemos ter da mensagem que o tema nos transmite. Depois, as cordas e a percussão de Crickets e o looping contínuo da guitarra em Legends, surpreendem pela toada mais rock, mas que não pode ser acusada de deturpar a essência do disco, já que essa procura de outros caminhos não resvala, como às vezes sucede, para algo qualitativamente menor. Apesar de Bad Law ser o single já extraído de Please, essas duas canções que se seguem não lhe ficam a dever em termos de notoriedade e potencial de airplay.

Quando, em At Times We Live Alone, Sondre abranda instrumentalmente, apesar da secção de sopros e dos metais que aqui se escutam, mantém-se num nível elevado porque aprimora o seu registo vocal, inaugurando um grave à Sinatra, em oposição clara à exuberância do falsete que nos prendeu em Bad Law e que acabava por ser, na minha opinião, mais um detalhe a juntar à homenagem que o artista pretendeu fazer com esse tema ao período aúreo que a pop eletrónica viveu há três décadas.

Após a distorção de uma guitarra tomar conta do já esperado clima nostálgico de Sentimentalist, o ambiente de festa regressa em Lucifer e com ele os sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem num universo carregado de batidas e ritmos que não deixam de exalar um certo erotismo, que se sentem novamente quando em After The Exorcism a bateria sincopada e com uma batida tribal, muito bem acompanhada por uma linha melodica de guitarra deliciosa, faz dessa canção uma festa pop, psicadélica e sensual.

Este cruzamento assertivo entre o rock e a pop mantém-se até ao final do alinhamento, com o baixo a ter, finalmente, o protagonismo que merece em At A Loss for Words e o sintetizador a tomar conta de Logging Off, outros exemplos que provam que este artista norueguês coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.

A música de Sondre Lerche aposta nesta relação simbiótica, feita com batidas e guitarras acomodadas pelo baixo e por um sintetizador aveludado que se esconde atrás dos ritmos, para a criação de canções que procuram ser orelhudas, de assimilação imediata e fazer o ouvinte dançar, quase sem se aperceber, apesar de não descurar as suas pretensões emotivas, porque é tudo conjugado de uma forma simples, mas eficaz.

Please é um compêndio musical fresco e luminoso, com substância e onde cabem todos os sonhos, criado por um músico impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos pôr a dançar. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, não há lugar para a amargura e o sofrimento e o que transborda das canções são mensagens positivas e sedutoras. Sondre Lorche é exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável, com um otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Please impressiona não só pela produção musical, mas principalmente porque sustenta uma áurea de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que este norueguês é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

Sondre Lerche - Please

01. Bad Law
02. Crickets
03. Legends
04. At Times We Live Alone
05. Sentimentalist
06. Lucifer
07. After The Exorcism
08. At A Loss For Words
09. Lucky Guy
10. Logging off


autor stipe07 às 19:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Little Arrow - Furious Finite

Formados por William Hughes, Dan Messore, Ben Sharpe, Callum Duggan e Rich Chitty, os galeses Little Arrow apresentaram ao mundo a sua folk de forte cariz etéreo e melancólico em 2011 com Mask and Poems, tendo o segundo disco, Wild Wishes, visto a luz do dias dois anos depois. Agora, quase no ocaso de 2014, regressam à carga com Furious Finite, mais uma coleção de canções que misturam o épico com o contemplativo e que parecem tão naturais e espontâneas como a enorme beleza da região de onde provêm e que os inspira, situada na extremidade noroeste das ilhas britânicas.

Conhecido há algumas semanas, o single Medicine Moon já apontava para o caminho certo de consolidação da sonoridade intrínseca desta banda. Essa canção é um exemplo feliz da capacidade dos Little Arrow em estabelecer uma fusão de elementos da indie, da pop, da folk e até da eletrónica, através de melodias luminosas feitas com linhas de guitarra delicadas e arranjos clássicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, amiúde dominados pelos instrumentos de sopro, samples, teclados e uma percurssão, elementos que criam paisagens sonoras bastante peculiares.

Assim que o disco começa somos rapidamente absorvidos pelo mundo caleidoscópico dos Little Arrow, um universo cheio de cores e sons que nos causam espanto, devido à impressionante quantidade de detalhes que o quinteto coloca a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco.

Após o single, a mais introspetiva e pastoral Pier Maountain é uma verdadeira tela sonora, com a textura barroca da harpa, a serenidade contemplativa da guitarra e a doce opulência do trompete a darem as mãos para mostrar um emaranhado de referências que têm como elemento agregador a busca de um clima sonoro com uma elevado cariz ambiental, mas que não deixa de ser acolhedor, animado e otimista. A percurssão de Loss Um, o sample inicial de Diamond Shy e a vila acústica que se segue, assim como  o conjunto de sons e incontáveis referências e detalhes que borbulham enquanto estes temas se desenvolve e crescem, são mais duas janelas que os Little Arrow nos abrem para contemplarmos canções recheadas de versos intrigantes, instigadores e particularmente melódicos. Depois, há ainda Ha Ha Happiness, uma canção com uma energia contagiante e diferente das restantes, com um espírito mais rock e que demonstra a tal versatilidade que os Little Arrow demonstram possuir e Flat Earth, War Drones e Holding & Knowing, três temas que plasmam a enorme capacidade que este coletivo possui para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas.

Domina Furious Finite um som essencialmente bucólico, épico e melancólico, que pode servir de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, como ilustra a capa de um disco que sugere que encontremos no seu interior uma harmoniosa fonte de conhecimento e inspiração musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje. Ao encararmos o seu conteúdo com particular devoção, percebemos que essa suposição inicial terá alguma razão de ser já que o mesmo é a expressão prática de uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Espero que aprecies a sugestão...

 01. Government Bodies

02. Medicine Moon
03. Pier Mountain
04. Lossum
05. Diamond Shy
06. Flat Earth
07. War Drones
08. Holding & Knowing
09. Ha Ha Happiness
10. Spider
11. Hedgerow

 


autor stipe07 às 18:02
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Damien Rice – My Favourite Faded Fantasy

Já chegou finalmente aos escaparates My Favourite Faded Fantasy, o novo disco do irlandês Damien Rice, um músico e compositor exemplar, natural de Dublin. My Favourite Faded Fantasy é o primeiro disco de Damien em oito anos, contém oito canções no alinhamento e viu a luz do dia no início de novembro por intermédio da Warner.

Produzido por Rick Rubin, My Favourite Faded Fantasy é o terceiro tomo da carreira discográfica de um autor que se estreou em 2002 com O e parece querer seguir o rumo que continuou a traçar aí e, depois, em 9 (2006), um caminho feito de ambientes claramente confesionais e tão nostálgicos e comtemplativos como a Islândia onde o músico se refugiou nos últimos anos, longe do mediatismo e dos palcos.

O disco abre com o single homónimo, uma canção de mais de seis minutos de duração, com um início bastante calmo e contemplativo, para depois evoluir para uma sonoridade vibrante, uma uma das marcas inconfundíveis do músico. Logo nessa abertura de portas e na sombria It Takes A Lot To Know A Man, fica claro que o arsenal instrumental gira em redor do piano, do violino e da guitarra acústica, exalando, no entanto, uma apreciável veia experimentalista, com arranjos que fazem balançar os temas entre o indie luminoso e épico (I Don't Want to Change You) e aquela toada mais sensível e sombria, que as cordas e a voz única e inconfundível de Damien tão bem replicam, como, por exemplo, em Colour Me In. Esta voz carrega em todo o disco um lamento de fundo, uma espécie de nó na garganta fielmente ampliado e reproduzido e que comove, ainda por cima quando se dedica a dar vida a canções de amor e arrependimento cercadas de fragilidade nos ricos arranjos instrumentais e onde a raiva, o remorso, a tristeza e a descoberta de buscas incessantes aos recantos mais profundos da alma são a sua grande força motriz.

I Don't Want to Change You e The Greatest Bastard são outros singles já retirados de um trabalho que tresanda a uma tremenda honestidade que este músico irlandês parece querer muito preservar, como se a música fosse o seu veículo privilegiado para expôr tudo aquilo que emocionalmente lhe toca fundo e de algum modo preenche ou, de um ponto de vista menos otimista, o perturba. Em The Greatest Bastard, Damien parece sentir uma necessidade profunda de se entregar ao julgamento cruel de quem o censura e lhe virou as costas devido a erros do passado, fazendo-o com uma humildade tal que torna-se impossível não o perdoar de qualquer momento menos bom que tenha protagonizado e não hesitar a dar uma nova oportunidade a um homem que se apresenta perante as suas heranças completamente desarmado e disponível a aceitar qualquer suplício para ter da vida um novo rumo que lhe permita decobrir uma nova luz.

Para nós que gostamos de dar uma utilidade, nem quee seja fútil, a um compêndio sonoro que de algum modo nos toca e emociona, My Favourite Faded Fantasy tem instantes que tanto podem servir de banda sonora para a leitura de uma carta de amor verdadeiramente sentida que recebemos de alguém que desejamos ardentemente, como outros que poderão servir para potenciar a nossa dor caso a missiva, com o mesmo remetente, tenha um conteúdo completamente oposto, de anúncio de completa rejeição.

Cheio de pequenas historias românticas, algumas de proporções épicas, como comprovam os mais de nove minutos de It Takes A Lot To Know A Man, My Favourite Faded Fantasy é um regresso feliz às luzes da ribalta de um homem que vive no apogeu da maturidade que os seus quarenta anos lhe conferem e  que tem o enorme atributo de criar belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vida. Este é um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes, já que o alinhamento tanto está recheado de sensações positivas, plasmadas em canções expansivas e, ao mesmo tempo, imbuídas por um forte caráter intimista, como de canções como The Box, que parecem não querer nada mais a não ser obedecer ao nosso desejo de fuga de uma realidade que às vezes aprisiona e sufoca. Espero que aprecies a sugestão...

Damien Rice - My Favourite Faded Fantasy

01. My Favourite Faded Fantasy
02. It Takes A Lot To Know A Man
03. The Greatest Bastard
04. I Don’t Want To Change You
05. Colour Me In
06. The Box
07. Trusty And True
08. Long Long Way


autor stipe07 às 21:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Pompeii – Loom

Os norte americanos Pompeii são Dean Stafford, Colin Butler, Rob Davidson e Erik Johnson, um grupo de Austin, no Texas, com já dez anos de carreira e uma reputação importante no cenário indie local. Lançado no passado dia através da Red Eye Transit, Loom é o novo compêndio sonoro dos Pompeii, um trabalho misturado por Erik Wofford (Explosions In The Sky, Okkervil River, My Morning Jacket) em Austin, masterizado por Jeff Lipton (Arcade Fire, Bon Iver, The Magnetic Fields) e que contou com a participação espeical do coletivo Tosca String Quartet em alguns instrumentais do disco.

Com uma escrita maravilhosa e impregnado com soberbos arranjos orquestrais, Loom são pouco mais de quarenta minutos de puro deleite sonoro. Da pop mística e graciosa com um forte cariz sentimental (Celtic Mist), ao indie rock que fez escola em finais do século passado (Frozen Planet), ao mais progresssivo (Blueprint), passando pela típica intimidade da folk americana (Frozen Reprise), escutam-se dez canções envolventes, festivas e grandiosas e que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Loom denota esmero e paciência por parte dos Pompeii, principalmente na forma como acertam nos mínimos detalhes. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, uma percurssão eminentemene orgânica e envolvida por ricos teclados e arranjos majestosos, até à poderosa voz de Dean, simultaneamente dolorosa e magistral, rica e envolvente, belíssima em Sleeper e quase sempre assente numa generosidade criativa, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

O som dos Pompeii é espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico e há alguns momentos neste disco que comprovam todas estas facetas por si só o que acrescenta à bagagem sonora dos Pompeii novas e belíssimas texturas, que não se desviam do cariz marcadamente experimental que faz parte do ADN do grupo. É fabuloso o modo como Sleeper cresce e se desenvolve, com uma percurssão que à medida que surge da penumbra, vinda de diferente fontes, vai chamando para junto de si um verdadeiro arsenal instrumental orgânico e sintético que explode num final sónico e verdadeiramente emocionante e grandioso. A bateria e o efeito da guitarra em Rescue também permitem esta absorção de diferentes sensações e o contato direto com uma multiplicidade de planos sonoros ganha neste tema uma dimensão superior. E outro instante que merece amplo destaque e audições repetidas devido à forma como plasma o cariz épico, melancólico e grandioso e o alargado leque sonoro destes Pompeii é a batida ácida e cadente de Ekspedition e as cordas em formato acústico de uma viola e um violino que se entrelaçam entre si e com uma linha de guitarra eletrificada, num tema cantado com uma voz em coro, diversos detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage

Não é preciso chegar ao final do disco para perceber que Loom gira em redor de um sentimento muito específico, mas a voz emocionalmente forte de Dean em Drift, acompanhada por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor, onde o orgânico dedilhar das cordas e das teclas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. Esta canção encerra da melhor forma um disco que transporta uma beleza e uma complexidade que merecem ser apreciadas com particular devoção e faze-nos sentir vontade de carregar novamente no play e voltar ao inicio. Espero que aprecies a sugestão...

Pompeii - Loom

01. Loom
02. Celtic Mist
03. So Close
04. Frozen Planet
05. Frozen Reprise
06. Blueprint
07. Rescue
08. Ekspedition
09. Sleeper
10. Drift


autor stipe07 às 22:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 1 de Novembro de 2014

Ana Cláudia - De Outono EP

Produzido, gravado e misturado por Ben Monteiro e com todos os instrumentos a terem sido tocados por Ana Cláudia e Ben, De Outono é o EP que coloca Ana Cláudia, uma licenciada em Jazz pela Escola Superior de Música de Lisboa, na lista dos novos artistas e das magníficas vozes portuguesas a seguir atentamente por cá, num lançamento que é, sem sombra de dúvidas, um dos mais bonitos de 2014.

De Outono são cinco canções certinhas que são uma excelente banda sonora para fecharmos definitivamente a porta deste verão atípico e de olharmos em frente para os rigores climatéricos dos próximos meses com renovada esperança e alegria, porque agora também podemos contar com este lindo aconchego para nos dar luz, cor e algum calor nos dias mais cinzentos e frios que tivermos de enfrentar.

Com letras escritas pela própria Ana e outras da autoria de Liliana Baptista (Colher de Chá) e de Cícero Rosa Lins (João e o Pé de Feijão), De Outono é uma ode feliz a uma estação do ano que geralmente nos causa alguma repulsa por marcar a despedida dos prazeres do verão, mas que tem atributos tão belos como as cores e os cheiros de uma natureza que se prepara para queimar uma nova etapa no seu ciclo de renovação, enquanto nos oferece alguns dos seus frutos mais doces e etílicos que possui.

A música de Ana Cláudia é também um pouco assim, de difícil trato, mas que depois se saboreia e se entranha, remexendo no nosso íntimo sem pedir licença e trazendo à tona algumas das nossas memórias mais bem guardadas e que sabem bem num período de renovação avivar, para que nunca tenhamos a ousadia de deixarmos cair no esquecimento tudo aquilo que decalcou os traços mais genuínos e encantadores da nossa identidade.

O EP está disponível para download legal e gratuito. Espero que aprecies a sugestão...

Colher de Chá
Bailarina
João e o Pé de Feijão
Riso
Outro Caminho


autor stipe07 às 15:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Astronauts - Four Songs EP

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney. um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain e que divulguei recentemente por causa de Hollow Ponds o extraordinário disco de estreia desta nova vida musical de um homem que guarda no seu universo sonoro teclas, cordas e baquetas mas, acima de tudo, um tremendo bom gosto e uma capacidade ímpar para compôr canções que só poderão ser devidamente apreciadas se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que elas possuem e transmitem.

Já a preparar o sucessor de Hollw Ponds, Four Songs EP acontece numa lógica de querer encerrar um capítulo extenso e intenso da vida de Carney, que se inspirou em algumas experiências traumáticas pessoais recentes para compôr esse álbum, nomeadamente uma fratura grave de uma perna que o fez sofrer bastante e o prendeu a uma cama de hospital durtante um longo período. As quatro canções deste EP são como que sobras dessa obra maior, mas não ficam a dever nada em termos qualitativos ao alinhamento do disco. Comprovam a efervescência com que Astronauts se serve do krautrock e da dream pop e ampliam ainda mais a sensação de bom gosto que experimentamos ao escutá-las, criadas por um compositor que, com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, tem o comportamento típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição.

Only Son, o tema que abre o EP, é um fantástico instante sonoro e o último tema divulgado pelo músico que aborda diretamente a fratura do pé que o apoquentou. simultaneamente claustrufóbica e épica e fortemente melódica, é uma música inspiradora e vibrante, com arranjos deslumbrantes e que não poupa na materialização dos melhores atributos que Carney guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas.

Lion Tamer é um pouco mais introspetiva e melancólica e conta com um dedilhar de guitarra que casa na perfeição com uns lindíssimos arranjos de metais, algo que confere à canção um clima particularmente charmoso e contemplativo. A voz em coro dá mais corpo à canção e à medida que a mesma cresce, com o aumento da distorção e do ritmo da percurssão, que replicam uma melodia repetitiva, parece que levantamos voo com ela sem qualquer receio de olhar para trás e de nos deixarmos levar pelo cariz fortemente hipnótico da mesma.

Os dois últimos temas do EP mostram um Carney ainda mais resguardado, mas a potenciar ao máximo a capacidade que possui de nos deslumbrar e, de modo algo inédito, a provar que também há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpreta. Se a planante e eterea Think On (2003) faz, um elogio sincro a Elliot Smith, um dos seus heróis, Death From The Stars é um pequeno instrumental onde acorda de uma viola se entrelaça com alguns efeitos edepois nos transporta numa viagem rumo ao revivalismo dos anos oitenta que nos traz brisas bastante aprazíveis.

Four Songs é um EP rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O trabalho tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Dan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Em escuta...

Facebook

Twitter

Twitter

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Dezembro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9

20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


posts recentes

Damon Albarn And The Heav...

Rocco DeLuca – Rocco DeLu...

Bored Nothing – Some Song...

Cairobi - Zoraide

Sondre Lerche – Please

Little Arrow - Furious Fi...

Damien Rice – My Favourit...

Pompeii – Loom

Ana Cláudia - De Outono E...

Astronauts - Four Songs E...

DRLNG - Icarus EP

Brass Wires Orchestra - C...

Bike Thief – Stuck In A D...

Cloud Castle Lake - Dande...

So Cow - The Long Con

Roadkill Ghost Choir – In...

Alt-J (∆) – This Is All Y...

Pedro Lucas - A Porta do ...

Damien Rice – My Favourit...

Ty Segall - Manipulator

X-Files

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

Procura...

 

Visitors (since 31.05.12)

blogs SAPO

subscrever feeds