Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

The Rosebuds - Sand + Silence

Oriundos de Raleigh e com o nome da banda insiprado no filme Citizen Kane de Orson Wells, os norte americanos The Rosebuds de Ivan Howard e Kelly Crisp estão de regresso aos discos com Sand + Silence, um trabalho que viu a luz do dia a cinco de agosto, por intermédio da Western Vinyl. Sand + Silence foi gravado nos estúdios de Justin Vernon. Além de ter recebido os The Rosebuds, aceitou tocar teclas em alguns temas do disco, que também conta com a participação especial de Nick Sanborn dos Sylvan Esso. 


Justin Vernin é um figura ímpar do universo indie contemporâneo e a sua simples presença nos créditos de um disco acaba por ser um selo de qualidade importante do mesmo. Com uma carreira única firmada em projetos tão relevantes como Bon Iver, Volcano Choir ou The Shouting Matches, Justin não hesitou em colaborar decisivamente no conteúdo do novo trabalhos destes The Rosebuds, de um modo tal que pode ser mesmo considerado como mais um elemento da banda, mesmo que essa colaboração não dê mais frutos futuramente. A própria carreira dos The Rosebuds é sempre uma enorme incógnita, uma banda que não é conhecida pela regularidade, mas que quando produz música fá-lo sempre de forma assertiva e com uma elevada bitola qualitativa.

Sand + Silence não foge a esta ideia, um disco que aposta numa surf pop bastante atual e que remetendo-nos facilmente para as areias da nossa praia preferida, convida-nos a fazê-lo com uma toada eminentemente comtemplativa, apesar de o conteúdo geral das onze canções do álbum não deixar de incluir também um interessante pendor festivo e divertido.

Se o disco é, como acabei de referir, um tratado indie pop moderno, apesar dos traços de folk rock que se escutam em canções como Death Of An Old Bike e Tiny Bones, naturalmente tem um vincado pendor vintage, não só no que se refere aos areanjos selecionados, onde as cordas luminosas e as teclas inspiradas têm a primazia, mas também quando se analisa a estrutura melódica das canções. Looking For é um exempo feliz de uma canção que nos consegue trasnportar com classe para os primórdiso da pop nos anos sessenta e Wait A Minute para duas décadas depois e há muitas outras que também parecem ter sido pensadas para o airplay de algumas rádios de outrora, com especial destaque para a deliciosa In My Teeth. Ao mesmo tempo, há temas pwerfeitos para incluir em algumas playlists dos apreciadores atuais deste género de música, mesmo que não vislumbrem diariamente o mar no seu horizonte, com a romântica Give Me A Reason a ser a companhia perfeita para queles dias em que nos sentimos mais assaltados pela introspeção melancólica.

Com um padrão bem vincado na hora de compôr, numa carreira com mais de uma década e cheia de grandes momentos, os The Rosebuds revelam em Sand +Silence um som apurado, além de mostrarem uma flexibilidade bastante adulta para cruzar o rock alternativo com alguns detalhes eletrónicos e assim, com a ajuda preciosa de Vernon, chegar à tal indie pop veraneante e refinada, harmoniosa e requintada, cheia de charme e sedução e que facilmente nos cativa. Espero que aprecies a sugestão...

The Rosebuds - Sand + Silence

01. In My Teeth
02. Sand + Silence
03. Give Me A Reason
04. Blue Eyes
05. Mine Mine
06. Wait A Minute
07. Esse Quam Videri
08. Death Of An Old Bike
09. Looking For
10. Walking
11. Tiny Bones


autor stipe07 às 16:00
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Sábado, 23 de Agosto de 2014

Coast Jumper – The End Of Broad Slough EP

Gravado durante o ano de 2013 e apenas terminado devido a vários donativos, The End Of Broad Slough é o novo EP dos Coast Jumper, uma banda norte americana sedeada em Oakland e que no verão de 2012 estreou-se nos discos com Grand Opening, um trabalho produzido por Kevin Harper e que foi dissecado por cá. Editado no passado dia um de agosto e disponibilizado no bandcamp da banda, com a possibilidade de obteres uma edição limitada em vinil, The End Of Broad Slough contém cinco canções feitas com belíssimos arranjos acústicos, mas onde também se nota o esplendor das guitarras elétricas e de uma percurssão bastante vincada e com um apreciável pendor épico.

Os Coast Jumper fazem canções abertas e luminosas enquanto se movimentam dentro do rock experimental e progressivo, mas onde também não faltam alguns dos detalhes mais caraterísticos da típica folk norte americana. Pelos vistos acharam que conceitos como o ambienteagressão, harmonia e libertação, amores perdidos e o crescimento, são boas temáticas para as suas canções, assentes, quase sempre, numa melodiosa alquimia lisérgica, coberta de acordes quase tão hipnóticos como qualquer caleidoscópio ácido.

A canção de abertura do EP, Western Star, tem uma sonoridade grandiosa, seguida da beleza quase etérea de Anita (You're Mad); Esta canção parece que foi matematicamente pensada, com uma voz e acordes que destoam de uma sequência normal na maioria das músicas. As ditas vozes fazem vir à tona lembranças psicadélicas setentistas e as mudanças que o cantor vai efetuando no andamento, faz com que os nossos ouvidos sejam agarrados a cada acorde.

Depois da voz sintetizada e dos violinos que suportam a balada acústica Right On Track e da indie pop nostálgica e simultaneamente ligeira e descomprometida de King Phillip, já estás definitivamente agarrado ao EP a até ao fim será inevitável perceberes que estes Coast Jumper fazem canções profundas e com sentimento, tratados sonoros propostos com uma extrema e delicada sensibilidade e que possuem muito mais do que aquela simples pop chiclete nas suas artérias. Espero que aprecies a sugestão..

Coast Jumper - The End Of Broad Slough

01. Western Star
02. Anita (You’re Mad)
03. Right On Track
04. King Phillip
05. Blackout

 


autor stipe07 às 19:37
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Margo, Margo – Old Nights, New Days

Oriundos de Fredericton, os canadianos Margo, Margo são Jane Blanchard, Michael Leger, Keegan MC, Kieran Smyth, Matt Whipple e Jeff Wo. Disponível para download no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo e editado no passado dia vinte e quatro de junho, Old Nights, New Days é o segundo trabalho do grupo, depois de um homónimo editado em 2012.
O indie rock com elevada influência da folk é a pedra de toque do catálogo sonoro dos Margo, Margo, que dominam com apreciável bom gosto a fórmula correta para compôr com cuidado nos arranjos e as nove canções não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, à imagem do que propusrema recentmenete os Dark Arc em Saintseneca, mas onde não falta também aquele típico fuzz-folk às vezes caótico e saturado, às vezes ameno, que os Neutral Milk Hotel de Jeff Mangum tão bem recriaram há já quase duas décadas e que temas como Breath Wasted ou Mountain Beaches tão bem replicam.
A música destes Margo, Margo tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico. Eles sabem como dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também se inclui a voz; Os registos vocais de Michael e Kieran, uma das mais valias deste projeto, são capazes de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo e que se firmam como uma das marcas identitárias destes Margo, Margo, deixando o primeiro vincada toda a sua arte enquanto acompanha as cordas em On And Off ou em Alexander e a voz feminina quando vibra nos nossos ouvidos com gracosidade, charme e estilo na soberba Melodica.
Old Nights, New Days é um disco que se ouve sempre que queiramos, mas tem momentos cuja audição se recomenda naquelas dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores. A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, além de ser um instante precioso na discografia de um projeto notável e que merece maior destaque. Espero que aprecies a sugestão...

Margo, Margo - Old Nights, New Days

01. New Days

02. Breath Wasted
03. On And Off
04. Melodica
05. Mountain Beaches
06. Alexander
07. Cuckold
08. All Together Now
09. Beats

 


autor stipe07 às 21:09
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

My Autumn Empire – The Visitation

Natural do condado de Staffordshire, na Inglaterra, Benjamin Thomas Holton é a mente brilhante por trás do projeto My Autumn EmpireThe Visitation, um disco lançado no passado mês de abril, o seu mais recente trabalho, uma obra conceptual, inspirada em imagens televisivas, na complexidade das relações humanas e no imenso espaço sideral, tantas vezes o maior ponto de encontro de imensos dos nossos sonhos.

Cheio de harmonias vocais verdadeiramente sumptuosas, The Visitation é um belíssimo tratado de indie folk, um disco que transborda uma imensa sinceridade e onde Benjamim certamente compôs e criou aquilo que realmente quis. Pelo conteúdo lírico deste álbum percebe-se que My Autumn Empire deseja ardentemente espicaçar a mente de quem vive  permanentemente inquieto pela forma como tratamos este mundo, em dez letras que transbordam modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta o direito à individualidade de cada um, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Benjamim entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Com momentos que apelam à folk pop melancólica mais negra e introspetiva, com ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica e que mesmo acompanhados por uma variada secção de metais, não colocam em causa uma faceta algo acústica, que parece orientar o processo base da composição melódica do projeto, à medida que o disco escorre pelos nosso ouvidos, acabamos por conferir, acima de tudo, um misto de cordas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, que se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos, dez canções que parecem emergir de um sono profundo e que ao ganharem vida se convertem num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido, com que todos nós contatamos pelo menos uma vez na vida.

Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, em The Visitation tudo se movimenta de forma sempre estratégica e sumptuosa, como se cada mínima fração do disco tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. A constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...  

My Autumn Empire - The Visitation

01. When You Crash Landed
02. Blue Coat
03. Where Has Everybody Gone
04. Summer Sound
05. Afternoon Transmission
06. It’s Around
07. Andrew
08. The People I Love
09. The Visitation
10. All In My Head

 


autor stipe07 às 22:26
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Cloud Boat – Model Of You

Naturais de Londres, os britânicos Cloud Boat são Sam Ricketts e Tom Clarke, uma dupla de indie pop que lançou no passado dia catorze de julho Model Of You, através da Apollo Records. Este novo álbum dos Cloud Boat sucede a Book Of Hours, o trabalho de estreia dos Cloud Boat.

Quando eram mais novos, Tom e Sam tocaram em bandas de metal e de post rock e só mais tarde, no meio universitário, descobriram a eletrónica e o gosto por esse género musical foi-se acentuando à medida que, juntos, começaram a compôr. Começaram por editar em 2010, e através da etiqueta R&S, Lions On The Beach, um single que causou impacto pela mistura entre o dubstep e a folk, algures entre os Burial e os Hood e no ano seguinte dedicaram-se às remisturas. Finalmente, em 2013, surgiu Book Of Hours, o primeiro longa duração e, devido ao sucesso desse lançamento, Model Of You era aguardado pela crítica especializada com alguma expetativa.

Um sintetizador cheio de loops e efeitos e uma voz com um registo grave, mas ardente, que procura dar alguma cor e alegria às letras depressivas e assim espalhar sensualidade e hipnotismo às canções, são alguns dos trunfos usados pelos Cloud Boat, manuseados com evidente inspiração e que originam um ambiente sonoro cheio de charme, onde também não faltam algumas variações e os efeitos metálicos, que incluem cordas e instrumentos de sopro. Assim, Model Of You impressiona pela exuberância dos arranjos, apesar de não haver uma orientação explícita para as pistas de dança; No entanto, temas como Thoughts In Mine a Aurelia poderão agradar a quem procura essa vertente na música destes dois produtores britânicos.

O que se procura criar neste trabalho é, acima de tudo, paisagens sonoras amenas, mas cheias de movimento e cor, uma eletrónica com momentos mais ambientais, audíveis, por exemplo, em The Glow ou Golden Lights e outros onde há um apelo direto à típica indie pop de cariz mais comercial, com o piano de Hideaway ou as cordas de Bricks Are For a cumprirem cabalmente essa missão, ao memso tempo que nos permitem sermos invadidos por uma doce sensação de ternura e de melancolia. Os efeitos inebriantes que sustentam a percussão de Portraits Of Eyes, acompanhados por um loop de guitarra algo frenético, são outros trunfos de um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Seja como for, o maior destaque deste disco será, talvez, Carmine, uma canção assente na tal voz grave, invasiva e visceral, a conferir um interessante colorido a um tema com uma toada eminentemente pop e com arranjos pensados para a criação de um ambiente épico e cheio de paisagens deslumbrantes.

groove e a luminosidade deste registo são dois aspetos suficientemente apelativos para que não se deixe passar em claro uma coleção de doze canções intensas e bastante inspiradas que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Model Of You é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Boat - Model Of You

01. Prelude
02. Hideaway
03. Carmine
04. Portraits Of Eyes
05. Bricks Are For
06. The Glow
07. Golden Lights
08. Aurelia
09. Thoughts In Mine
10. Told You
11. All Of My Years
12. Hallow


autor stipe07 às 22:08
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Quinta-feira, 7 de Agosto de 2014

Fusing Culture Experience 2014 - Entrevista a Noiserv

Como tenho revelado por cá, o Fusing Culture Experience é um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia e que decorre na Figueira da Foz, com a edição deste ano a acontecer já nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Com um cartaz que, no campo musical, abarca alguns nomes da música nacional absolutamente obrigatórios, resolvi entrevistar algumas das bandas e projetos presentes, para aferir das suas expetativas para esta iniciativa e se há, eventualmente, alguma surpresa preparada.

A primeira entrevista que partilho convosco é a de David Santos, aka Noiserv, a quem desde já agradeço, publicamente, a atenção e o carinho dispensados, assim como à Raquel Laíns, da Let's Start A Fire, por ter intermediado a minha solicitação... No final da entrevista poderás deliciar-te com a audição de Almost Visible Orchestra, o lindíssimo último álbum da carreira de Noiserv.

 

Parece-me evidente e justo considerar que Almost Visible Orchestra é já um marco importante na história da música nacional contemporânea mais recente. Como tem sido a aceitação deste trabalho pelo grande público?

Tem sido muito boa. Depois de todos os medos de um segundo disco, dos receios que as pessoas pudessem não gostar daquilo que a mim me fazia todo o sentido, acho que o feedback que tenho recebido justificou todo o trabalho que tive com o disco e deixa-me muito feliz.

 

O Noiserv prepara-se para participar na próxima edição do Fusing Culture Experience, um evento cultural conhecido por juntar Música, Arte, Desporto e Gastronomia, que decorre na Figueira da Foz nos dias 14, 15 e 16 de Agosto. Quais são as expetativas do David para este concerto, num evento que agrega alguns dos nomes fundamentais do universo musical indie nacional do momento?

Não gosto muito de criar expetativas antes das coisas acontecerem. Acima de tudo tentarei dar o meu melhor concerto e esperar que essa vontade chegue a quem estiver a ver.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição de Almost Visible Orchestra foi a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, enganadoramente, minimal. O ambiente sonoro que recriaste de forma exemplar em estúdio mantém-se nas versões ao vivo dos temas, ou gostas de adicionar novos elementos ou transformar os temas, até de acordo com o ambiente onde vais tocar? Uma mesma canção tem diferentes arranjos ao vivo se for tocada numa pequena sala ou no palco do Fusing Culture Experience para milhares de fãs?

Tento sempre acreditar que a minha música funciona bem numa sala pequena ou num palco grande ao ar livre. A forma de tocar as canções não muda de sitio para sitio, mas por vezes deixo algumas músicas de fora se sentir que não funcionam tão bem no local do concerto.

 

Já há canções novas que poderão ser ouvidas no concerto?

Apenas músicas 'relativamente' novas, as do Almost Visible Orchestra. :)

 

Qual te parece ser a importância para a música portuguesa este tipo de eventos como o Fusing Culture Experience?

São eventos de extrema importância. Festivais com esta exposição mediática, que apostam tanto na música portuguesa, acabam por ser fundamentais para cada músico, cada banda conseguir chegar a um público mais vasto.

 

Arriscarias participar noutras vertentes do evento, nomeadamente na gastronómica?

Claramente a gastronomia não é o meu forte, pelo que se acontecer poder participar, será para aprender e nunca para mostrar os dotes que não tenho :)!

 

Quais são os planos futuros para o projeto Noiserv? Há algum regresso já programado ao estúdio, ou o David vai continuar a dar concertos nos próximos tempos?

Por enquanto continuo focado em apresentar este disco ao vivo e conseguir que ele chegue ao máximo possível de pessoas.


autor stipe07 às 14:08
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Space Daze – Follow My Light Back Home

Space Daze é o projeto a solo de Danny Rowland, guitarrista ecompositor dos consagrados Seapony e Follow My Light Back Home o seu primeiro disco desta nova aventura musical de um músico oriundo de Seattle e que encontra nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão dos sentimentos e emoções que o impressionam. Com uma edição física limitada a cem cópias e no formato cassete, através da Pea Green Cassette, Follow My Light Back Home tem um belíssimo artwork da autoria de Jen Weidl e está também disponivel para download no bandcamp da Beautiful Strange, uma editora independente sedeada em Londres.

Follow My Light Back Home são doze canções em pouco mais de vinte e seis minutos, um disco curto mas incisivo e onde Danny não perdeu o espírito nostálgico e sentimental da escrita e composição que costuma sugerir nos Seapony, já que estamos na presença de um trabalho cheio de letras pessoais, que falam da forma como o músico sente o mundo que o rodeia, com canções como The Voices of StrangersIts Getting Lighter Earlier, ou o tratado folk I'll Know Tomorrow, a mostrarem a fina fronteira que existe muitas vezes entre a dor e a redenção.

Instrumentalmente, Space Daze é um projeto fortemente influenciado pela pop britânica dos anos oitenta, feita por nomes tão consagrados como Echo And The Bunnymen e os The Smiths. E letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados. Assim, durante esta meia hora que o disco dura somos constantemente inundados por belíssimos arranjos de cordas que dão vida a improvisações melódicas com aquela forte componente etérea que nos deixa a levitar e que criam paisagens etéreas e melancólicas que nos ajudam a emergir às profundezas das nossas memórias, mas onde também não deixa de brilhar, amiúde, uma bateria inspirada e guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições. Kill Me é um lindíssimo exemplo da conjugação de todos estes ingredientes, com um resultado final verdadeiramente  jovial, vibrante e luminoso.

Space Daze é a afirmação clara de um músico que consegue provar definitivamente ser um compositor pop de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Danny tem a capacidade inata de conseguir fazer-nos sorrir sem razão aparente, com isenção de excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, que acaba por se tornar na banda sonora perfeita para um fim de tarde quente e prolongado, enquanto se prepara mais um churrasco e salta a tampa das primeiras garrafas daquela caixa de cerveja que vai animar mais um feliz serão entre aqueles amigos de ontem, de hoje e de sempre. Espero que aprecies a sugestão...

Space Daze - Follow My Light Back Home

01. Woke Up In The Summer

02. The Voices Of Strangers
03. Line Up On The Solstice
04. It’s Getting Lighter Earlier
05. It Becomes Silent
06. Going Out
07. I’ll Know Tomorrow
08. Having A Bad Time
09. Follow My Light Back Home
10. Kill Me
11. Close The Curtains
12. The Fireflies Are Gone

 


autor stipe07 às 23:25
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Andrew Bird – Things Are Really Great Here, Sort Of…

Apelidado de mestre do assobio, multi-instrumentista e cantor, Andrew Bird é um dos maiores cantautores da atualidade e coleciona já uma mão cheia de álbuns que são pedaços de música intemporais. Este músico americano nascido em Chicago tem vivido um período de composição bastante intenso; Em março de 2012 divulguei o excelente Break It Yourself, no final desse ano lançou Hands Of Glory, mais um álbum, em 2013 uma série de EPs e agora, no verão de 2014 presenteia-nos com mais uma coleção de canções, dez versões de temas dos Handsome Family, do casal Sparks, uma dupla de referência do cenário alt-country. Things Are Really Great Here, Sort Off... foi lançado pelo selo Mom + Pop Records e serve para complementar uma discografia já bastante rica, que assenta numa lógica de continuidade e onde a habitual simplicidade da sua música fica mais uma vez patente.

Things Are Really Great Here, Sort Of..., foi gravado com a ajuda dos Hands of Glory, um grupo de músicos que Andrew juntou quando gravou o disco com esse nome e que continuam a acompanhá-lo aso vivo e em estúdio. Os Handsome Family sempre foram uma referência para Bird que tocou no disco In The Air (2000) desse projeto e no Weather Symptoms (2003), um trabalho do seu cardápio, já tinha feito uma versão de Don't Be Scared, um dos temas mais importantes da carreira dos Handsome Family.

A essência dos temas dos Handsome Family recriados por Bird não é abalada nestas novas roupagens, mas há um cuidado nos arranjos, criados por um músico conhecido pela arte de tocar o violino, mas que sabe dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também gosta de incluir a sua própria voz. Esse registo vocal de um dos simbolos atuais da folk norte americana, capaz de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo, firma-se cada vez mais como uma das marcas identitárias da sua arte e em Things Are Really Great Here, Sort Of... há vários exemplos de canções que soam como novas e ganham uma maior personalidade e solidez devido ao rgisto vocal de Andrew. É como se, de algum modo e sem maldade, Bird se apropriasse dessas canções e com graciosidade, charme e estilo e fizesse de temas como Far From Any Road (Be My Hand) ou My Sister’s Tiny Hands momentos cuja audição se recomenda naqueles dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores.

A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, alem de ser mais um instante precioso na discografia de um músico notável e uma forma curiosa de nos sentirmos impelidos a conhecer melhor a discografia exemplar dos Hansome Family. Espero que aprecies a sugestão...

Andrew Bird - Things Are Really Great Here, Sort Of...

01. Cathedral In The Dell
02. Tin Foiled
03. Giant Of Illinois
04. So Much Wine, Merry Christmas
05. My Sister’s Tiny Hands
06. The Sad Milkman
07. Don’t Be Scared
08. Frogs Singing
09. Drunk By Noon
10. Far From Any Road (Be My Hand)


autor stipe07 às 09:48
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Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Craft Spells - Nausea

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells estão de regresso aos discos Nausea, um trabalho que viu a luz do dia a dez de junho por intermédio da Captured Tracks e que sucede a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.


Os Craft Spells são mais um daqueles projetos que aposta numa indie pop com um cariz tipicamente lo fi e shoegaze, plasmada em composições recheadas com aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.  Os anos oitenta e a psicadelia de décadas anteriores preenchem o disco e ao longo da audição de Nausea percebemos que o álbum reforça a capacidade de Vallesteros e seus parceiros em promover novos conceitos dentro da mesma composição acolhedora da estreia, à medida que entregamos os ouvidos a um disco fresco e hipnótico e assente numa chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos.

Nausea é, portanto, um compêndio de onze canções construídas em redor de uma bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições, algumas delas verdadeiros tratados de dream pop, carregadas de detalhes deliciosos, principalmente na forma como as guitarras ocupam todas as lacunas do disco, um esforço que sobressai em alguns temas de maior duração, nomeadamente a apaixonante Komorebi e a lisérgica Changing Faces, mas com a luminosa e divertida Twirl ou mesmo a espiral sonora de Laughing for My Life a serem bons exemplos da mestria com que os Craft Spells tocam para criar uma obra equilibrada e assertiva.

Disponibilizado para download gratuito no soundcloud da editora, Breaking The Angle Against The Tide é o primeiro single divulgado de Nausea, um grandioso tratado musical de indie rock e outro destaque de um trabalho que teve uma difícil gestação e que ganhou vida depois de Vallesteros ter confessado estar a atravessar um período difícil em termos criativos, que fez com que o próprio se tivesse isolado do mundo, de modo a reencontrar-se, apenas acompanhado pela música de Haroumi Hosono e Yukihiro Takahashi, a dupla dos Yellow Magic Orchestra e que acabaram por ser uma influência decisiva em Nausea.

Liricamente mais direto e incisivo e menos inocente e idealista que o disco de estreia, Nausea fala sobre o amor e fá-lo já de forma madura e consciente e que nos conquista, por se servir de uma sonoridade envolvente e sedutora e mesmo nas instrumentais Instrumental e Still Fields (October 10, 1987) percebe-se que o amor está lá e que as melodias foram criadas tendo em conta esse sentimento único. No entanto, Komorebi é, talvez, a canção onde esta temática vibra de forma mais vincada e apaixonada, com o cruzamento entre uma melodia hipnótica e cativante com uma letra profunda e consistente, a ganhar contornos verdadeiramente únicos.

Ouvir Nausea é acompanhar os Craft Spells numa curiosa viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas e diretas, mas sentidas na forma como resgatam as confissões amorosas de Vallesteros e as nossas, caso partilhemos da mesma compreensão sentimental. Espero que aprecies a sugestão...

Craft Spells - Nausea

01. Nausea
02. Komorebi
03. Changing Faces
04. Instrumental
05. Dwindle
06. Twirl
07. Laughing For My Life
08. First Snow
09. If I Could
10. Breaking The Angle Against The Tide
11. Still Fields (October 10, 1987)

 


autor stipe07 às 21:44
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Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Field Report - Wings

Os norte americanos Field Report são de Milwaukee e liderados Chris Porterfield, a quem se junta Travis Whitty e Shane Leonard. O grupo não divulgava nenhuma canção desde 2012, mas vão regressar aos discos a 7 de outubro com Marigolden, através da Partisan Records.

Wings é o primeiro single divulgado do disco, um tema que fala de complicada relação de Chris com o álcool, além de refletir sobre a sua vida atribulada, muito por causa das constantes digressões a que um músico está sujeito. Confere...


autor stipe07 às 21:24
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Terça-feira, 8 de Julho de 2014

The Fresh And Onlys – House Of Spirits

Lançado através da Mexican Summer, House Of Spirits é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a  Long Slow Dance (2012) e ao EP Soothsayer (2013),  sendo já o quinto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco e formado por Tim Cohen, Shayde Sartin, Wymond Miles e Kyle Gibson.

House Of Spirits é mais uma firme coleção de dez canções que mantêm os The Fresh & Onlys fiéis a um fio condutor, que exploram até à exaustão e com particular sentido criativo. É um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Em relação a Long Slow Dance, o antecessor, House Of Spirits acaba por ter um elevado foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras e canções como Who Let The DevilAnimal of One e April Fools são as que mais se aproximam desse registo, principalmente pelas letras e pela voz de Tim Cohen, que várias vezes nos remete para a nostalgia sombria dos anos oitenta.

O sabor a novidade é algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada Home Is Where? e, logo a seguir, no single Who Let The Devil. No entanto, apesar da distorção e do cariz lo fi de vários arranjos, o controle e a harmonia estão sempre presentes, mesmo em Bells Of Paonia, o tema mais experimental do disco, uma balada que assenta num reverb de guitarra, conjugado com um teclado épico e com um registo bastante adoçicado na voz de Tim Cohen, um dos principais atributos desta banda. Esse cariz inventivo também é notório na envolvente Candy, uma canção com uma belíssima base melódica assente em belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado e arranjos de sopro e também em Madness, um tema que progride da eletrónica até distorções hipnotizantes e que impressionam quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

Durante a audição do álbum é notória uma certa leveza nas canções, uma enorme busca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras e, por isso, o resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável. House Of spirits é uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das referências noise, folk e psicadélicas, através de um som leve e cativante, com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - House Of Spirits

01. Home Is Where?
02. Who Let The Devil
03. Bells Of Paonia
04. Animal Of One
05. I’m Awake
06. Hummingbird
07. April Fools
08. Ballerina
09. Candy
10. Madness

 


autor stipe07 às 18:27
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Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

First Aid Kit – Stay Gold

A Suécia foi sempre berço de projetos graciosos e embalados por doces linhas instrumentais, letras mágicas e vocalistas dotados de vozes hipnoticamente suaves. Hoje regresso à dupla feminina First Aid Kit, formada pelas manas Johanna e Klara Söderberg e talvez uma das melhores personificações de toda esta subtileza e amenas sensações que percorrem a produção musical da fervilhante Estocolmo. Dois anos depois de terem editado, The Lion’s Roar, o sempre difícil segundo disco, elas estão de regresso com Stay Gold, o terceiro álbum lançado pela dupla, no passado dia dez de junho através da Columbia Records e que mantém a força da tal pop distinta, plasmada no título do álbum e em toda a estrutura sonora que o compõe.

Depois de terem começado a carreira em 2008 com uma cover dos Fleet Foxes e de se terem estreado esse ano nos lançamentos com The Big Black & The Blue, ao terceiro disco as First Aid Kit comprovam que estão no auge da sua maturidade e do crescimento musical, na forma como exploram uma sonoridade mais sóbria e adulta, criando um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia.

A instrumentação volta a ter como pano de fundo a música folk e a herança da América do Norte, mas as novidades que provam o referido elevado índice de maturidade são díspares. Antes de mais, é audível a procura de uma sonoridade ainda mais intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo; Logo na primeira canção, em My Silver Lining, sente-se um elevado teor emotivo, possibilitado não só pela letra, mas também pelo peso da componente instrumental. Esse é, aliás, o outro fator relevante que justifica o fato de Stay Gold ser um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo das duas irmãs, justificado pelo uso de alguns arranjos inéditos, dos quais se destacam uma flauta que, em The Bell, nos remete para influências da música celta.

Os coros do tema homónimo e, principalmente, a voz proeminente que domina Cedar Lane, em oposição à enorme cândura de uma letra que transborda fragilidade em todas as sílabas e versos (How could I break away from you?), são outras manifestações audíveis e concretas deste jogo dual em que Stay Gold encarreira, à medida que o alinhamento escorre pelos nossos ouvidos e esta mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e no insturmentação, se equilibra de forma vincada e segura.

E por falar no registo vocal, o jogo de vozes entre ambas as protagonistas é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai e a produção está melhor do que nunca, com a banda a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente, também na componente lírica e sem violar a essência das First Aid Kit, que adoram afogar-se em metáforas sobre o amor, a saudade, a dor e a mudança, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada. 

Stay Gold será sempre um marco importante na carreira das First Aid Kit independentemente da composição do seu catálogo sonoro definitivo, não só pela forma como apresentam de forma mais sombria e introspetiva a sua visão sobre os temas que sempre tocaram estas duas irmãs, mas, principalmente, pelo forma madura e sincera como tentam conquistar o coração de quem as escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

First Aid Kit - Stay Gold

01. My Silver Lining

02. Master Pretender
03. Stay Gold
04. Cedar Lane
05. Shattered And Hollow
06. The Bell
07. Waitress Song
08. Fleeting One
09. Heaven Knows
10. A Long Time Ago

 


autor stipe07 às 22:41
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Quinta-feira, 26 de Junho de 2014

Hallelujah The Hills – Have You Ever Done Something Evil?

Os Hallelujah The Hills são uma banda indie de Boston, no Massachusetts, formada em 2005 e com Ryan Walsh, Joseph Marrett, Ryan Connelly, Briant Rutledge e Nicholas Ward na formação. Depois de Collective Psychsis Begone (2007) e Colonial Drones (2009), conheci-os em 2012 com No One Knows What Happens Next, um disco disponível para download gratuito no bandcamp da banda e agora, dois anos depois, regressaram aos lançamentos discográficos, no passado dia treze de maio, com Have You Ever Done Something Evil?, um álbum que contou com as participações especiais de Madeline Forster e Dave Drago, tendo sido gravado nos estúdios 1809 Studios, em Nova Iorque e produzido pela própria banda e Dave Drago.

Os Hallelujah The Hills são mais um daqueles bons exemplos de uma banda que aposta em discos que procuram reviver o espírito instaurado nas composições e registos memoráveis lançados entre as décadas de setenta e oitenta, álbuns que usam, quase sempre, artifícios caseiros de gravação, métricas instrumentais similares e até mesmo temáticas bem relacionadas com o que definiu esse período e que é hoje a génese daquilo a que chamamos indie rock alternativo. No fundo, baseiam-se numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico.
Esta banda de Boston incorpora uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, mas também não descura o uso de arranjos que vão beber à herança radiante da folk. As cordas de Home Movies e de Pick Up An Old Phone, o primeiro single retirado do disco, a distorção subsequente nos dois temas e a secção de sopros do primeiro, transportam-nos para o âmago do cancioneiro norte americano e a aproximação a ambientes mais psicadélicos pressente-se em A Domestic Zone e em Do You Have Romantic Courage. O single é uma canção que deve a sua pujança à bateria e ao baixo, instrumentos com os quais a voz de Ryan encaixa na perfeição, algo sublimado com os coros que preenchem o refrão.
Mas o som dos Hallelujah The Hills também é capaz de ir à costa oeste, com o cariz lo fi mais típico da Califórnia a prevalecer em temas como We Are What We Say We Are, onde as guitarras aproximam-se particularmente do surf rock típico da década de sessenta.
Have You Ever Done Something Evil? é um disco concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Essas guitarras têm o acompanhamento exemplar do baixo, que se destaca particularmente em Destroy This Poem e em The Possible Nows, canções que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são.
Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Have You Ever Done Something Evil? usa letras simples e guitarras aditivas, sendo clara a capacidade deste quinteto norte-americano em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que tem-se repetido à medida que cresce o catálogo da banda, que vai compilando com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Ryan sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Hallelujah The Hills - Have You Ever Done Something Evil

01. We Are What We Say We Are
02. Try This Instead
03. Destroy This Poem
04. Do You Have Romantic Courage?
05. I Stand Corrected
06. Home Movies
07. A Domestic Zone
08. Pick Up An Old Phone
09. The Possible Nows
10. MCMLIV (Continuity Error)
11. Phenomenonology
12. You Got Fooled

 


autor stipe07 às 22:00
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2014

Mimicking Birds – Eons

Nate Lacy, Aaron Hanson, Adam Trachsel são o trio que constitui os Mimicking Birds, uma banda norte americana de Portland, no Oregon, que acaba de surpreender com Eons, um traablho editado no passado da treze de maio através da Glacial Pace Records, estando o single Bloodlines disponivel para download gratuíto.

A introdução de Eons, com o efeito da guitarra e a batida de Memorabilia e uma melodia cinematográfica, prepara-nos para a entrada num universo muito peculiar, que ganha uma vida intensa e fica logo colocado a nú, sem truques, no dedilhar da viola de Acting Your Age e nos efeitos sintetizados borbulhantes e coloridos que a acompanham. Os Mimicking Birds apostam num universo feito por um indie rock que se cruza com detalhes típicos da folk e que só faz sentido se pulsar em torno de uma expressão melancólica acústica que este trio norte americano sabe muto bem interpretar, na senda de nomes como os Phosphorescent, os Wilco, os The War On Drugs ou os Lambchop, bandas que sabem hoje, na minha opinião, melhor que ninguém, como interpretar.

Eons é um trabalho que cresce quanto mais nos habituamos a ele; Há uma dinâmica entre sintetizadores e guitarras que o sustenta, mas a componente instrumental conhece poucos entraves e expande-se com interessante fluídez. A voz também se cruza elegantemente com os instrumentos e elementos como a lua, o sol, animais e cenários campestres apoderam-se da obra com extrema delicadeza. O disco é uma bela exposição sonora de sons e emoções, um trabalho bem mais expansivo e épico que o antecessor homónimo, que tinha uma elevada componente lo fi.

Um dos aspetos mais interessantes de Eons é a complexidade instrumental que suporta cada uma das canções, com alguns sons a serem quase impercetíveis, mas essenciais para a cadência e a vibração, com o baixo e a percussão a serem, talvez, o elemento estruturalmente dominante da esmagadora maioria das canções. Muitas vezes o dedilhar da viola é aquele detalhe que acaba por ser a cereja no topo do bolo de várias composições, cada uma delas com algo distinto.

Do excelente trabalho de guitarra que se escuta em Night Light e no rock de Spent Winter à abordagem mais eletrónica de Water Under Burned Bridges, ou da mais ambiental Seeing Eye Dog, Eons está cheio de exaltações melancólicas, cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema. É impossível ouvir o single Bloodlines e não nos sentirmos profundamente tocados pela delicadeza e pela fragilidade que a canção transmite

O disco termina com a belissima e catártica Moving On e nesse epílogo percebemos que escutámos uma ode à América profunda e à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da pop, da folk e do rock. A receita é extremamente assertiva e eficaz e o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas delicadas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Mimicking Birds - Eons

01. Memorabilia
02. Acting Your Age
03. Owl Hoots
04. Spent Winter
05. Bloodlines
06. Night Light
07. Water Under Burned Bridges
08. Wormholes
09. Seeing Eye Dog
10. Moving On

 


autor stipe07 às 22:09
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2014

Joseph Arthur – Lou

Lançado no passado dia treze de maio por intermédio da Vanguard Records, Lou é o novo disco de Joseph Arthur, um álbum de tributo a Lou Reed e que conta com as participações especiais de Mike Mills e Peter Buck, dos R.E.M..

Génio da indie folk e multi-instrumentista de créditos firmados, Arthur era amigo de Lou Reed, um artista fundamental na história da música dos últimos quarenta anos e que, como certamente todos se recordam, faleceu o ano passado. Lou é uma homenagem a essa figura incontornável da história do rock e a coletânea inclui doze originais de Reed interpretados por Arthur, sem nenhum instrumento elétrico, apenas com a voz, o piano e a viola a sustentarem as canções.

Com especial destaque para a versão de Walk On The Wild Side, talvez o tema mais conhecido da carreira de Lou Reed, mas onde também se incluem belíssimas versões de temas como Heroin ou as menos conhecidas Magic and Loss ou Coney Island Baby, Lou faz uma bonita e emocional súmula da carreira desse artista, em forma de homenagem profundamente sincera, com as próprias opções instrumentais de Arthur a serem fundamentais para realçar o cariz intimista e singelo de canções cm arranjos e letras que falam por si, que conseguiram sobreviver irosamente à erosão dos anos e que neste nova roupagem soam mais ainda atuais e profundamente harmoniosas. São, no fundo, novas pinturas sonoras, carregadas de imagens evocativas de outros tempos, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de luz e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade de Arthur para expressar a sua profunda admiração por Reed.

Em Lou ecoam os clássicos com os quais Reed cresceu, cheios de letras assombrosas e camadas delicadas do sons e ritmos. Em termos de letras, aquela espécie de fantasmagoria típica de Reed impregna a poesia das canções e esta homenagem de Arthur é um compêndio extraordinário que nos recorda tempos idos, sonhos e um músico especial que não está mais aqui, mas que ainda existe na nossa memória e no coração de muitos de nós. Espero que aprecies a sugestão...

Joseph Arthur - Lou

01. Walk On The Wild Side
02. Sword Of Damocles
03. Stephanie Says
04. Heroin
05. NYC Man
06. Satellite Of Love
07. Dirty Blvd.
08. Pale Blue Eyes
09. Magic And Loss
10. Men Of Good Fortune
11. Wild Child
12. Coney Island Baby

 


autor stipe07 às 16:53
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Terça-feira, 17 de Junho de 2014

Sharon Van Etten – Are We There

Sharon Van Etten é resistente e não desiste. Apaixonada, persistente e impulsiva, é uma mulher madura que não desiste de perseguir os seus sonhos mais verdadeiros e raramente se envergonha por amar e por usar a música como forma de exorcizar os seus fantasmas e dar vida aos seus maiores devaneios. Lançado no passado dia vinte e seis de maio pela insuspeita Jagjaguwar, Are We There é mais um capítulo desta sua saga pessoal, o quarto álbum da carreira de uma cantora e compositora que com uma mão na indie folk e a outra no rock alternativo, letra após letra, verso após verso, abre-se connosco enquanto discute consigo mesma e coloca-nos na primeira fila de uma vida, a sua, que acontece mesmo ali, diante de nós.


Produzido pela propria SharonAre We There sucede ao aclamado Tramp, um trabalho que foi produzido por Aaron Dessner, dos The National e que, tendo sido tão elogiado, houve quem achasse que a bitola qualitativa do mesmo deveu-se, apenas e só, ao leque de convidados que Sharon agregou em seu redor nesse disco. Desta vez ela resolveu tomar as rédeas de todas as etapas do álbum e superou, na minha opinião tudo aquilo que já tinha conseguido apresentar no seu catálogo.

Escuta-se Are We There e o que mais impressiona é uma enorme sensação de sinceridade e o cariz fortemente genuíno das canções. A cantora construiu belíssimas melodias pop que se entrelaçaram com as letras e com a sua voz marcante com enorme mestria e, ao mesmo tempo, palpita uma notória sensação institntiva, como se ela tivesse deixado fluir livremente tudo aquilo que sente e assim potenciado a possibilidade de nos emocionarmos genuinamente com estas canções.

Sente-se que Sharon deu tudo, que não se escondeu nem se poupou, melodicamente e sentimentalmente e, por isso, todas as canções causam impacto e estão carregadas de sentimento. Ela foi simples e assertiva, sem deixar de nos tocar e de construir algo que podemos usar para explicar as nossas próprias angústias e dores. Ao repetir frases e expressões com a mesma melodia, mas onde uma única palavra é trocada ou adicionada, mudando todo o sentido da frase inicial, conseguiu transmitir uma sensação de continuidade de raciocínio, de passagem de tempo, com destaque, nesta estratégia, para o que propôs em Our Love.

Há uma fluidez nos arranjos que eleva para patamares de excelência essa importante vertente e do trompete de Tarifa ao piano descomunal de I Love You But I'm Lost ou I Know, passando pela percussão épca de You Know Me Well, tudo é equilibrado, faz sentido e ajuda a criar a imagem de uma Sharon com um coração quente mas com os pés bem firmes na terra, no Tennessee onde nasceu e para onde voltou recentemente, o local onde ela se sente mais confiante e sedutora, mas, nem por isso, menos densa.

Em Are We There, Sharon Van Etten torna claro que, às vezes, mais difícil do que murmurar sobre o amor é enfrentar o amor em si e aceitar o cariz frequentemente finito do mesmo, enquanto sentimento com contornos tantas vezes ambíguos e irracionais. O amor tem múltiplas facetas e este disco serve para nos nos ensinar como abrir o sotão onde guardamos as nossas dores e receios. Muitas vezes, vivemos uma vida inteira sem tocar nele com receio dos fantasmas que possamos despertar. Talvez seja mais fácil fazê-lo ao som deste disco. A única certeza do amor é mesmo ser sempre incerto. Espero que aprecies a sugestão...

Sharon Van Etten - Are We There

01. Afraid Of Nothing
02. Taking Chances
03. Your Love Is Killing Me
04. Our Love
05. Tarifa
06. I Love You But I’m Lost
07. You Know Me Well
08. Break Me
09. Nothing Will Change
10. I Know
11. Every Time The Sun Comes Up


autor stipe07 às 22:37
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2014

Papercuts – Life Among The Savages

Editado no passado dia doze de maio por intermédio da Easy Sound Recording Co., Life Among The Savages é o novo longa duração dos Papercuts, um projeto musical oriundo de São Francisco, na costa oeste dos Estados Unidos da América, liderado por Jason Robert Quever e que só não é um típico projeto a solo porque conta com a ajuda constante dos músicos David Enos, Frankie Koeller e Graham Hill, entre outros.

Desde o já longínquo ano de 2000 que os Papercuts dão cartas no universo indie rock na sua vertente mais pura e na folk com um pendor algo psicadélico e, dentro destes dois pilares, sempre se mantiveram fiéis a um fio condutor que exploram, até à exaustão e com particular sentido criativo. Still Knocking At The Door abre Life Among The Savages e percebe-se, imediatamente, com o clima sonoro que se escuta, abrilhantado pelo faslete de Jason, que há aqui atributos suficientes para afirmar que os Papercuts serão uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual.

Mestres na construção de melodias, ao quinto disco os Papercuts aprimoram o habitual cruzamento feliz que costumam encetar entre elas e a voz, com a escolha assertiva dos arranjos a nunca ofuscar o brilho que as cordas sempre tiveram no catálogo dos Papercuts. Assim, em pouco mais de meia hora, as nove canções de Life Among The Savages juntam as típicas cordas da folk com riffs de guitarra cheios de distorção e alguns arranjos sintéticos, onde não falta uma componente lo fi e ruidosa, detalhes preciosos que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

O tema homónimo é um bom exemplo de como na indie folk também cabem elementos menos clássicos e mais ruidosos, com o sintetizador a conferir à canção um sugestivo pendor pop e que melodicamente cola-se com enorme mestria ao nosso ouvido. No entanto, há outros momentos que merecem amplo destaque e um deles é, sem dúvida, o jogo de cruzamentos entre o baixo das cordas e da viola no início de Staring At The Bright Lights, uma canção que sobressai no alinhamento devido à sua duração e à toada lenta que hipnotiza pelo clima denso e sombrio, mas épico, potenciado pelo aumento progressivo do nível de distorção da guitarra.

Até ao final do disco, também não pode ser ignorado o grande momento folk do disco encarnado por Family Portrait, o piano jovial e vintage de Easter Morning, a dedicatória sentida e feliz, sustentada pelo dedilhar sóbrio, mas emocionado e cheio de luz de Psychic Friends e Afterlife Blues, um tema que nos remete para o universo dos The Smiths, em especial no que diz respeito aos arranjos das cordas e à secção rítmica. O disco encerra com Tourist, uma canção monumental e com um forte cariz orquestral que nos leva numa viagem a um passado algo distante, até aos meandros da mais radiante psicadelia que os Led Zeppelin nos deixaram como herança e onde a voz de Jason atinge o auge interpretativo

A receita de Life Among The Savages é extremamente assertiva e eficaz. Entre cordas, um baixo vibrante, o falsete de Jason, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Escutar este disco acaba por ser uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das tais referências noise, folk e psicadélicas. Espero que aprecies a sugestão...

Papercuts - Life Among The Savages

01. Still Knocking At The Door
02. New Body
03. Life Among The Savages
04. Staring At The Bright Lights
05. Family Portrait
06. Easter Morning
07. Psychic Friends
08. Afterlife Blues
09. Tourist

 


autor stipe07 às 18:15
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

The Pains Of Being Pure At Heart – Days Of Abandon

Depois do homónimo registo de estreia edtiado em 2009 e do aclamado sucessor, Belong, lançado dois anos depois, a mesma fórmula assertiva que propõe verdadeiros tratados de indie pop açucarada, épica e cheia de luz, é a pedra de toque que sustenta o alinhamento de Days Of Abandon, o novo disco do projeto The Pains Of Being Pure At Heart, de Kip Berman e que, segundo o próprio, é um disco alegre e cheio de luz, apesar de, em determinadas canções, abordar temas sombrios e menos otimistas, com o lado mais complicado do amor e as experiências típicas de jovens adultos a serem o pão que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos.

Oriundo de Nova Iorque, Berman consegue realmente ser um prodígio na criação de canções que estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, um pouco à imagem da dicotomia e deste contraste agridoce de uma cidade que nunca dorme, mas que, apesar dessa constante animação, também é conhecida por albergar histórias de vida trágicas e por nem sempre corresponder aos desejos de quem aí procura o sonho americano.

Com uma mão na indie pop e a outra no noise e no shoegaze vintage, reinventado com particular mestria há uns trinta anos, The Pains Of Being Pure At Heart debruça-se sobre a melancolia e a nostalgia com canções cheias de ritmo e de audição simples, daquelas que provocam um inevitável sorriso, mesmo em quem vive momentos de menor predisposição para apreciar música alegre, com ritmo e luz. Kelly, uma canção que carrega consigo a herança dos The Smiths e Eurydice são dois temas que nos fazem abanar a anca quase sem nos apercebermos e que nos arrancam um sorriso que será sempre espontâneo.

Impecavelmente produzido, Days Of Abandon impressiona pela limpidez e pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários. É uma espécie se som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes â mente que a possiblitem absorver com detalhe e nitidez um alinhamento de dez canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou nos dois discos anteriores e que são uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo, que temas como Simple and Sure ou A Teenager In love claramente demonstram.

Days Of Abandon começa e termina em poucos instantes, quase sem darmos por isso. E, pelo meio, passaram cerca de quarenta minutos cheios de boas melodias e de confissões (The Asp In My Chest), memórias que The Pains Of Being Pure At Heart foi armazenando num espaço familiar e doce, transformado em disco por um dos vocalistas e guitarristas mais interessantes e promissores do cenário indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão... 

The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon

01. Art Smock
02. Simple And Sure
03. Kelly
04. Beautiful You
05. Coral And Gold
06. Eurydice
07. Masokissed
08. Until The Sun Explodes
09. Life After Life
10. The Asp At My Chest

 


autor stipe07 às 17:51
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Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

And The Giraffe - Yellow Dog Blues

Naturais de Gainsville, na Flórida, Nick Roberts e Josh Morris são os grandes suportes do projeto And The Giraffe, cuja sonoridade se insere na indie folk e que me faz lembrar bandas como os The Postal Service e Belle & Sebastian. Ao vivo e nas sessões de gravação costumam fazer-se acompanhar por John Gentile e pelo baterista Bryan Tewell.

Enquanto não editam um novo registo de originais criaram uma cover para o clássico Yellow Dog Blues, um original de W.C. Handy. Esta versão foi criada para um evento patrocinado pelo Studio 360, produzida por Joshua Morris e está disponível para download. Confere...

Ever since Miss Susan Johnson lost her Jockey Lee
There has been so much excitement and more to be

You can hear her moanin, moanin night and morn
I wonder where my easy rider’s gone

Cablegrams come of sympathy, telegrams go of inquiry
Letters come from down in ‘Bam and everywhere that Uncle Sam
Is even the ruler of delivery

All day the phone rings, but it’s not for me
At last good tidings fill my heart with glee
This message comes, oh from Tennessee

Dear Sue, your easy rider struck this burg today
On a southbound rattler sidedoor Pullman car
I seen him here and he was on the hog

Easy rider’s gotta stay away
So he had to vamp it, but the hike ain’t far
He’s gone where the Southern cross the Yellow Dog


autor stipe07 às 13:11
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Gruff Rhys – American Interior

Gruffydd Maredudd Bowen Rhys, nascido em 18 de julho de 1970, é um músico do País de Gales conhecido tanto pela sua carreira a solo como pela sua presença nos Super Furry Animals, banda que obteve relativo sucesso na década de noventa. Paralelo ao eficiente trabalho com os Super Furry Animals, Gruff Rhys também tem uma bem sucedida carreira a solo onde testa novas fórmulas, um pouco diferentes do rock alternativo com toques de psicodelia da banda.

A aventura a solo deste músico começou em 2005 com Yr Atal Genhedlaeth, um disco divertido e cantado inteiramente no idioma galês. Dois anos depois, com Candylion, o músico atinge ainda maior notoriedade com esse projeto que a crítica descreve como delicado e repleto de bons arranjos e onde se destaca também a participação especial do grupo de post rock Explosions in The Sky, além da produção impecável de Mario Caldato Jr, que já trabalhou com os Beastie Boys e os Planet Hemp, entre outros. Em 2011, com Hotel Shampoo, Gruff apostou em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exalava uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Três anos depois o galês está de regresso com American Interior, a banda sonora de um filme onde Rhys é também o ator principal e embarca numa viagem musical pela América repetindo a aventura do explorador e seu antepassado, John Evans, no século XVIII.

gruff rhys

John Evans partiu em 1792 em busca de uma tribo de índios americanos que julgava ser composta por seguidores de Madoc, o príncipe galês que a lenda diz ter embarcado para a América trezentos anos antes da viagem de Cristóvão Colombo. Gruff Rhys, acompanhado por Dylan Goch, que com ele assume a realização de American Interior (depois de já terem realizado juntos Separado!, em 2010), e pelo avatar do explorador com um metro de altura, partem para o interior da América e percorrem o caminho de Evans, tentando juntar as peças da vida misteriosa desta figura a quem se deve um dos primeiros mapas do Rio Missouri. Pelo caminho vão dando palestras e concertos, pesquisando os arquivos, a geografia e as gentes locais e compondo o álbum que resulta desta mesma viagem.

Este disco, lançado no passado dia cinco de maio na etiqueta Turnstile, é um projeto multimédia que prevê também a publicação de um livro e um filme, ambos com o mesmo nome do disco, para que, através da fusão de diferentes plataformas seja possível criar uma experiência multi-sensorial que conte a incrível história real de John Evans.

As treze canções de American Interior são o resultado esperado quando um relato histórico de viagens de exploração de território se une a um universo de sons psicadélicos. Há diversos instrumentais e logo em American Exterior, com os sintetizadores, é dado o mote que depois com o piano, a voz sintetizada e a percussão de American Interior. A típica soul e a folk norte americana invade os nossos ouvidos em 100 Unread Message, uma música que, por si só, é já uma verdadeira viagem pela América, com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A partir daí mergulhamos fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, com American Interior a aproximar-se frequentemente de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, num disco que se deixa consumir abertamente tanto pela música country como pela soulnuma simbiose entre a pop e o indie rock com estes dois géneros, num processo que possibilita que eles se encontrem, como em The Wheter (Or Not) e The Last Conquistador, canções onde a folk, na primeira e a soul na segunda, são referências exploradas de igual forma, o que prova que há uma tentativa descarada, mas feliz, de aproximação com o cancioneiro norte americano

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em várias camadas sonoras, com uma naturalidade que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz do Rhys encaixa na melodia das canções. Percebe-se com naturalidade que o músico mantém-se inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

America Interior é, sem dúvida, um trabalho coeso, dinâmico e concetual e um marco na trajetória deste músico. O melhor exemplo dessa aproximação com um resultado temático está na condução pop do single homónimo, mas tão grande quanto o território que carrega no título, America Interior transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Rhys. Espero que aprecies a sugestão...

Gruff Rhys - American Interior

01. American Exterior
02. American Interior
03. 100 Unread Messages
04. The Whether (Or Not)
05. The Last Conquistador
06. Lost Tribes
07. Liberty (Is Where We’ll Be)
08. Allweddellau Allweddol
09. The Swamp
10. lolo
11. Walk Into the Wilderness
12. Year Of The Dog
13. Tiger’s Tale

 


autor stipe07 às 19:01
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Terça-feira, 27 de Maio de 2014

Cervelet - Janeiro

Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros Cervelet de Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, são uma banda que diz misturar cerveja com música, poesia e liberdade e que, por isso, se considera a banda mais estranha da cidade! Ou não... Canções de Passagem é o disco de estreia dos Cervelet, um trabalho disponivel para download gratuito na página oficial da banda e que divulguei por cá há algumas semanas.

Regresso aos Cervelet para divulgar que a banda acaba de lançar o video de Janeiro, um dos destaques de Canções de Passagem. Escrita por Tiko Previato, a canção dá vida a um poema lindíssimo e assenta numa instrumentação radiante que pende ora para a folk, ora para a indie pop adocicada e acessível.

O video de Janeiro foi dirigido por Deivide Leme em parceria com Priscila Pina e o tema está disponível para download no soundcloud dos Cervelet. Confere...

Quando o Sol bateu e trouxe, enfim
A luz que faltava pra ver
Todo caminho é uma canção
Livre e sublime como o ar
Estávamos presos em outra dimensão
Tínhamos vendas pra calar
Nossas verdades são nossas manhãs
Simples e calmas pra enxergar além


autor stipe07 às 12:44
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Sábado, 24 de Maio de 2014

Birch House – The Thaw EP

Birch House é o  projeto musical de Greg Bothwell, um músico norte americano oriundo de Windsor, no Connecticut e The Thaw o seu mais recente trabalho, um EP com sete canções disponível no bandcamp de Birch House, gratuitamente, mas com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo.

Influenciado por nomes tão distintos como Bon Iver ou os prórios The National, Birch House aposta  numa indie folk quase sempre com um cariz clássico, introspetivo e acústico, típica de uma América profunda. Mais do que outros músicos, bandas ou projetos, Greg parece ser influenciado pelas paisagens simultaneamente espetaculares e melancólicas de uma América cosmopolita, mas com locais onde ainda se vive séculos de isolamento e dificuldades e onde reside uma população, com traços peculiares de caráter, bem expressos na cândura orgânica e introspetiva das suas canções.

Nest, uma canção que evoca John Cale, Where Books Grow Old, ou o piano guiado pelo acorde minimal de guitarra de A Thousand Miles Into The Sea, são os três temas do EP que, com uma toada fortemente acústica, melhor retratam esta imagem pictórica que a música de Birch House nos sugere, mas há outros temas mais transparentes e cheios de cor.

O EP abre com o single I Retreat!, uma canção aberta e expansiva, assente em cordas alegres e luminosas e num sintetizador, que é detalhe único num EP eminentemente orgânico. Esta maior abertura mantém-se em Sleeping In Silk e aprimora-se ainda mais na já citada Nest.

A música de Birch House é uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade de Greg para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que ele combina com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Espero que aprecies a sugestão...

Birch House - The Thaw

01. Retreat!
02. Sleeping In Silk
03. Past, Present, Future
04. Nest
05. Where Books Grow Old
06. A Thousand Miles Into The Sea
07. I Was Here


autor stipe07 às 21:44
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Terça-feira, 20 de Maio de 2014

Coves – Soft Friday

Formados pela dupla Beck Wood, a vocalista e John Ridgard, o guitarrista, os britânicos Coves são uma das novas sensações do cenário indie de terras de Sua Majestade, devido a Soft Friday, o disco de estreia, editado no passado dia trinta e um de março por intermédio da Nettwerk Music Group.

No início dos ano noventa a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e os Coves parecem apostados em tentar uma simbiose sonora que tenha uma forte componente nostálgica e que agregue ruídos, tiques e melodias de várias décadas. Da música pop dos anos sessenta e oitenta e do rock lo fi da década de noventa, passando pelo experimentalismo pop da primeira década do novo século, tudo funciona como um grande pano de fundo do trabalho dos Coves.

Soft Friday está impecavelmente produzido e envolto numa aúrea de mistério muito sedutora, através da feliz mistura entre guitarras e sintetizadores, que têm na componente melódica, eminentemente romântica e introspetiva, uma correspondência clara com letras sombrias e pouco otimistas, com a própria voz de Beck a acentuar todo este cenário algo sofrido.

A dupla personalidade também é característica do projeto, inscrita num estado sentimental indeciso, ora leve, ora devastado e bastante evidente, nomeadamente quando misturam o som sessentista com a dream pop da atualidade e o som progressivo algo que, por exemplo, Beatings claramente demonstra ao congregar inicialmente uma vasta riqueza instrumental com a produção retro e alguns arranjos tipicamente folk e depois, na reta final, ao deixar a distorção das guitarras tomar conta da canção.

O reforço desta abordagem heterogénea também se sente em Wake Up, canção assente numa eletrónica de cariz eminentemente rock, muitas vezes misturada com detalhes caraterísticos da pop, ou seja, feita com sons sintetizados, ressuscitados muitas vezes nos anos oitenta ou no trip-hop da década seguinte, misturados com guitarras com um apreciável nível de distorção e batidas e elementos da percussão que dão um certo travo obscuro ao clima geral.

O ponto alto do álbum chega com Cast A Shadow, uma bela melodia, com arranjos que dão à canção uma densidade particularmente rica e detalhada e, no fim, ficamos com a sensação que escutámos uma banda que tem uma capacidade impar para nos afundar num colchão de sons que satirizam a eletrónica retro e, simultaneamente, mostrar-nos algumas pistas em relação ao futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...  

Coves - Soft Friday

01. Fall Out Of Love
02. Honeybee
03. Beatings
04. Last Desire
05. Let The Sun Go
06. No Ladder
07. Cast A Shadow
08. Fool For You
09. Bad Kick To The Heart
10. Wake Up

 


autor stipe07 às 21:56
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

Woods – With Light And With Love

Editado no passado dia quinze de abril através da Woodsist, etiqueta da própria banda, With Light And With Love é o sétimo tomo da carreira discográfica dos Woods, uma banda norte americana oriunda do efervescente bairro de Brooklyn, bem no epicentro da cidade que nunca dorme e liderada por Jeremy Earl.

A carreira dos Woods impressiona pelas aparentes inflexões sonoras que vão propondo à medida que publicam um novo alinhamento de canções mas, na verdade, eles sempre se mantiveram fiéis a um fio condutor, mas do qual exploram, até à exaustão e com particular sentido criativo, todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise e a folk com um elevado pendor psicadélico permitem. Estes são os grandes pilares que, juntamente com o típico falsete de Jeremy, orientam o som dos Woods e, na verdade, estando presentes com elevada qualidade em With Light And With Love, servem para comprovar que estes Woods são, talvez, uma das bandas mais menosprezadas do cenário indie atual.

As dez canções de With Light And With Love juntam então as típicas cordas da folk com riffs de guitarra cheios de distorção e alguns arranjos sintéticos com uma forte componente lo fi e ruidosa, que ajudam a conferir uma tonalidade psicadélica a um disco cheio de personalidade, com uma produção cuidada e que nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

Gravado em casa do líder da banda, este álbum terá certamente obrigado a algum investimento de material já que, quem conhece a discografia dos Woods, percebe que ao longo do tempo tem melhorado a qualidade do som do grupo, que soa cada vez mais limpo e atrativo, mas sem perder aquele charme noise que é tão caraterístico dos Woods.

O disco começa num clima ameno e relaxante com Shepherd e depois Shinning e, mais adiante, Leaves Like Glass serão as duas canções que mais facilmente chegarão às massas, exemplares sonoros com arranjos deliciosos, com um sugestivo pendor pop e que melodicamente colam-se com enorme mestria ao nosso ouvido. No entanto, há outros momentos que merecem amplo destaque e um deles é, sem dúvida, o tema homónimo que, além de sobressair do alinhamento devido àc sua longa duração, contém solos de guitarra com riffs marcantes, num clima denso e sombrio, mas épico. Acaba por ser uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das tais referências noise, folk e psicadélicas. Também não pode ser ignorado o grande momento folk do disco encarnado por Twin Steps, Full Moon e Moving to The Left, o tema que, além do homónimo, nos remete para o universo dos The Flaming Lips, em especial no que diz respeito ao baixo e à secção rítmica.

Em suma, a receita de With Light And With Love é extremamente assertiva e eficaz. Entre cordas, um baixo vibrante, o tal falsete, uma bateria pujante, arranjos luminosos e simultaneamente lo fi e guitarras experimentais, o disco reluz porque assenta num som leve e cativante e contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Woods - With Light And With Love

01. Shepherd
02. Shining
03. With Light And With Love
04. Moving To The Left
05. New Light
06. Leaves Like Glass
07. Twin Steps
08. Full Moon
09. Only The Lonely
10. Feather Man

 


autor stipe07 às 23:15
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Sábado, 17 de Maio de 2014

Saintseneca – Dark Arc

Lançado no passado dia um de abril pela ANTI-Dark Arc é o segundo álbum de estúdio dos norte americanos Saintseneca, uma banda natural de Columbus, no Ohio e formada por Zac Little, Maryn Jones, Steve Ciolek e Jon Maedor. Dark Arc era um dos discos mais aguardados da primeira metade do ano no cenário indie folk e as catorze canções do seu alinhamento não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

A expetativa em redor de Dark Arc começou a fervilhar no universo indie quando foi divulgado o video de Happy Alone, o primeiro single retirado do álbum e disponível para download. As imagens deslumbrantes, feitas com uma linda e mágica paleta de cores, com uma edição inspirada e delicada, na qual a narrativa apresenta a cabeça do membro da banda Zac dentro de uma bolha gigante, enquanto deambula pelas tarefas diárias do quotidiano comum, deixaram logo a sensação que Dark Arc seria um marco na careeira discográfica dos Saintseneca.

De Violent Femmes aos Neutral Milk hotel, são vários os grupos que os Saintseneca parecem conter no seu cardápio de referências e, na verdade, a música que fazem tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia batante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico.

Com a participação especial de Maryn Jones dos All Dogs, Dark Arc impressiona pela produção impecável e Blood Path, o tema de abertura, levanta logo o véu sobre a temática lírica latente em todo o disco, que não tem qualquer segredo especial e que se relaciona com a solidão, os desgostos amorosos e a procura do verdadeiro sentido da vida. A própria estrutura desta canção encontra eco em muitas outras do alinhamento, feita com uma melodia lenta conduzida por cordas acústicas com forte cariz melancólico e pontuada pela voz nasalada de Little, comparada várias vezes ao conceituado cantor folk norte americano Conor Oberst; quando os restantes membros da banda se juntam ao vocalista, em coro, ampliam imenso o volume da canção e o seu cariz épico e expansivo, algo que se repete mais vezes ao longo de Dark Arc, nomeadamente em Only The Young Die Good. Os sintetizadores futuristas e a linha de baixo deste tema deixam-te com um breve nó na garganta, que o refrão ajuda ainda mais a apertar (If only the good ones die young, I pray your corruption comes).

Outra das canções que merece audição atenta é Falling Off, um tema que plasma esta enorme capacidade que os Saintseneca têm para escrever canões que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas (A laceration sufficiently deep/, My body still wears a scar in the knee, So when you live off every scrap of your self, Take solace in knowing as somebody else). Mas um dos temas mais curiosos de Dark Arc é Takmit, uma canção com uma energia diferente das restantes e que demonstra a versatilidade que os Saintseneca já demonstram possuir.

Há definitivamente algo de especial nestes Saintseneca e na originalidade com que usam aspetos clássicos da folk para criar um som cheio de uma frescura que tem tanta vitalidade como o nevoeiro matinal criado pelo ar da montanha do Ohio que os inspira. Espero que aprecies a sugestão... 

Saintseneca - Dark Arc

01. Blood Bath
02. Daendors
03. Happy Alone
04. Fed Up With Hunger
05. ::
06. Falling Off
07. Only The Young Die Good
08. Takmit
09. So Longer
10. Uppercutter
11. :::
12. Visions
13. Dark Arc
14. We Are All Beads On The Same String

 


autor stipe07 às 22:08
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