Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Public Service Broadcasting – Inform – Educate – Entertain

publicservicebroadcasting2

Fundados em Londres em 2009, os Public Service Broadcasting são a banda de J. Willgoose e Wrigglesworth, uma dupla com vários EPs, no cardápio dos quais se destacam War Room (2012)  e que acaba de lançar Inform – Educate – Entertain, o álbum de estreia, que chegou aos escaparates no passado dia seis de maio, por intermédio da Test Car Recordings. Inform-Educate-Entertain é já um dos trabalhos discográficos mais originais e peculiares de 2013, devido ao conceito único que alberga, o de cruzar narrações de filmes antigos de propaganda dos arquivos do BFI (British Film Institute) com música. A ideia, explicam, é ensinar lições do passado com música do futuro, sendo esta, desde a estreia, a imagem de marca dos Public Service Broadcasting.

O grande segredo de Inform – Educate – Entertain não é propriamente a sonoridade, ou seja, se fosse apenas um álbum instrumental, teria momentos extraordinários, mas nada que, por exemplo, os seus conterrâneos OMD no Genetic Engineering e no Dazzle Ships ou, na atualidade, com uma melhor qualidade de produção do som, os Spiritualized, os The Avalanches, ou até os British Sea Power, com uma pitada de Kraftwerk, já não tivessem proposto. No ítem melódico o que impressiona é ser apenas uma dupla a estar aos comandos de toda a miríade instrumental que é debitada ao longo do disco.

O grande segredo, ou melhor, o ovo de colombo, digamos assim, de Inform – Educate – Entertain é a voz que, nos onze temas, se materializa em samples e trechos das vozes que narraram antigos filmes britânicos de propaganda, nas décadas de trinta e quarenta. Assim, Inform – Educate – Entertain, será, de certeza, o único disco em 2013 a solicitar créditos à BBC por se servir de Marie Slocombe, uma secretaria desse canal de televisão que acidentalmente descobriu nos arquivos da estação alguns dos filmes usados no álbum e, principalmente, por usarem a voz de Thomas Woodrooffe, antigo tenente e comandante da Royal Navy, autor da obra Vantage at Sea: England's Emergence as An Oceanic Power e comentador nos Jogos Olímpicos de Berlim, que decorreram em 1936.

A peculiar e distinta receita de Inform – Educate – Entertain acaba por ser eficaz e logo no tema homónimo de abertura, quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras; As onze canções polidas do álbum assentam nos riffs de guitarra viscerais de Willgoose, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados para o krautrock. Há também lugar para a eletrónica retro de The Now Generation, vestígios de vocalizações hip-hop na inebriante Night Mail e um certo folk rock fornecido por um banjo que se destaca, por exemplo, em Theme From PSB e em ROYGBIV, com a particularidade de, nesta última, esse instrumento de cordas misturar-se com teclados atmosféricos e elementos típicos do disco sound. No entanto, a hipnótica, acelerada e pulsante Spitfire, Everest e a luminosa Signal 30 feita de um intenso rock progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques do disco, com Everest, por exemplo, a ser suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.

A audição de Inform – Educate – Entertain acaba por não ser apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco pop, mas uma experiência mais alargada, visual e sonora, já que o álbum poderia muito bem ser um documentário sobre um dos períodos mais difíceis da história de uma Inglaterra orgulhosa do seu passado, mas que ruma decidida para o futuro e que nunca foi tão posta à prova, interna e externamente, como em determinados períodos do século passado, revistos nestes filmes. Já agora, os próprios filmes já feitos dos singles retirados de Inform – Educate – Entertain, Spitfire (a bird that spits fire, a spitfire bird) e Everest, seguem esta fórmula porque se servem de excertos dos filmes antigos narrados durante a canção.

Com Inform – Educate – Entertain os Public Service Broadcasting tornam-se nos novos gurús do post rock experimental, através de um compêndio sonoro que nos leva numa jornada pelo passado e que cumpre com distinção a missão de cruzar história, música pop, educação e entretenimento. Espero que aprecies a sugestão...

01. Inform – Educate – Entertain
02. Spitfire
03. Theme from PSB
04. Signal 30
05. Night Mail
06. Qomolangma
07. ROYGBIV
08. The Now Generation
09. Lit Up
10. Everest
11. Late Night Final


autor stipe07 às 21:03
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Terça-feira, 14 de Maio de 2013

Junip - Junip

Lançado no passado dia vinte e três de abril pela Mute, Junip é o homónimo disco dos Junip, um porjeto sueco liderado por José Gonzaléz e que também incluí o baterista Elias Araya e Tobias Winterkorn nas teclas. Apesar de José González ser o grande líder e mentor deste projeto, ele próprio procura sacudir um pouco a água do pacote em relação à sua relevânvcia no processo criativo e conceptual dos Junip, afirmando que este álbum é disco de toda a banda; All the ups and downs were very ‘Junip, (...) so titling it with our name seemed appropriately iconic. It’s truly a band album. Line Of Fire e Your Life Your Call são os dois singles já conhecidos deste álbum e foram disponibilizados para download gratuito.

O folk rock e alguma psicadelia são as traves mestras de Junip, um conjunto de dez canções competentes na forma como abarcam diferentes universos dentro de um mesmo cosmos, que misturam harmoniosamente estes estilos com a voz suave de González, sendo este um álbum pop, em toda a sua elegância e sofisticação. Os arranjos são bem feitos e prendem a atenção, alternando entre climas calmos e agitados, conseguidos através da combinação da guitarra e da bateria com o órgão e com sons de um sintetizador analógico.

O tempo é um dos fatores determinantes para se entender este disco, um tempo que se revela na rapidez com que os dez temas passam e na maturidade que eles transpiram. A abertura com Line of Fire já deixa isso bem claro; Com uma interessante progressão, a música acumula timbres e camadas, que atingem um clímax nos versos With no one else around you, no one to understand you, no one to hear you calls, usados para contar que, em situações muito tensas, é natural que haja quem desista de lutar. É triste quando isso acontece, mas não é preciso fazer disso um drama. A já citada maturidade é destilada quando José González, na sua escrita, mantém uma postura mais observadora do que propriamente de protagonismo, devido a uma já interessante experiência de vida.

Suddenly plasma as mesmas melodias bonitas e a viola de González mantém-se fiel a esse mesmo espírito. Depois, vem So Clear, tema que injeta uma energia maior ao álbum, juntamente com Villain, a canção que encerra a primeira metade do disco. Entre as duas está a simpática Your Life Your Call com o refrão stand up or enjoy your fall, a ser mais um atestado de maturidade do autor.

A segunda metade de Junip começa com Walking Lightly, a canção mais longa do álbum; Com uma letra concisa mas densa, o tema tem uma cadência calorosa e envolvente e as canções seguintes continuam a misturar a realidade da vida com a beleza que ela pode ter, algo bem patente no refrão iluminado de Head First e na sonoridade peculiar do baixo de Baton. Por outro lado, Beginnings é a canção mais sombria de todo o disco, um tema que se arrasta por cinco minutos como uma ressaca melancólica, algo que se altera com After All Is Said And Done, a última música do álbum. Essa canção serena, doce e reconfortante, fala da tal questão do tempo, ouvindo-se mesmo pequenos sons de relógios fora do compasso da música, o que reproduz a tensão de quem vê o tempo correr e precisa lidar com isso da melhor forma que pode e sabe.

Enquanto muitas bandas se esforçam para denotarem maturidade de um disco para o outro, os Junip preocuparam-se mais em apresentar um disco que é uma espécie de sortido de diferentes sabores, uma coleção de canções seguras, sensíveis e que sirvam para comunicar com o ouvinte. É um álbum excelente para quem julga a beleza não é óbvia, mas algo que pode ser encontrado onde menos se espera e para quem raramente viva em pólos opostos e tem o descomplicador sempre ligado. Espero que aprecies a sugestão...

01. Line Of Fire
02. Suddenly
03. So Clear
04. Your Life, Your Call
05. Villian
06. Walking Lightly
07. Head First
08. Baton
09. Beginnings
10. After All Is Said And Done


autor stipe07 às 15:26
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Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

The Soft Hills – Chromatisms

Oriundos de Seattle e com uma rede de influências que vão da folk à psicadelia, os The Soft Hills são Garrett Hobba, Matt Brown, Randall Skrasek e Brett Massa, uma banda que estreou nos lançamentos discográficos em maio de 2010 com Noruz. Dois anos depois, no início de 2012, lançaram o segundo disco, um trabalho intitulado The Bird Is Coming Down To Earth e que os projetou para um leque mais alargado de seguidores devido à mistura que continha entre o rock clássico e a moderna indie folk.

Entretanto já chegou o terceiro álbum; Lançado no passado dia oito de fevereiro e disponível para audição no bandcamp da banda, Chromatisms é o novo disco dos The Soft Hills, um trabalho carregado de referências literárias e que incorpora referências a sonhos e visões que fazem da audição do mesmo uma experiência algo mística que nos leva até ambientes mitológicos, através de nuvens sonoras cheias de magia e melancolia.

Chromatisms foi produzido por Matthew Emerson Brown e aprofunda a sonoridade proposta pelo disco anterior. Contendo Riding High e Sweet Louise (o primeiro single retirado do disco), dois temas impregnados com a sujidade de um Neil Young, uma acidez lírica e com profundas raízes no rock, não deixam de abordar também os caraterísticos sons da folk, nomeadamente em Dear Mr. Moonlight e na soturna On The Beach, dois temas que devido às guitarras e à percurssão me soaram a um cruzamento feliz entre Fleet Foxes e Pink Floyd.

Mas Chromatisms não se baliza apenas por estas duas tendências sonoras; Há um momento épico em Mighty River e depois chega-nos o centro espiritual do disco com Payroll e a belíssima linha melódica de Un; Estes dois temas estão cheio de tensão lírica porque relatam acontecimentos trágicos, sendo essa mesma tensão conduzida pelo groove do baixo de Brett Massa e por tiques típicos da psicadelia, devido aos ecos e ao reverb das guitarras.

À imagem do que fazem os seus primos Fleet Foxes e My Morning Jacket, os The Soft Hills exploram até à exaustão o espiritualismo nativo norte americano, sendo Chromatisms um convite feito por Hobba e os seus companheiros para uma viagem sonora pelo interior desse país e das suas raízes, através de uma escrita que apela a tradições e eventos do passado, mas com uma forte tonalidade contemporânea. Espero que aprecies a sugestão...

01. Riding High
02. Sweet Louise
03. Marigolds
04. Dear Mr. Moonlight
05. Payroll
06. Un
07. Horse And Carriage
08. The Gifts You Hide
09. Mighty River
10. Desert Rose


autor stipe07 às 22:08
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Quarta-feira, 6 de Fevereiro de 2013

The Weatherman - Weatherman (review & entrevista)

The Weatherman é o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto pop rock versátil e multifacetado, que se estreou em 2006 com Cruisin’ Alaska, ao qual se sucedeu Jamboree Park at the Milky Way (2009). Agora, no início de 2013, mais concertamente no passado dia vinte e oito de janeiro, chegou Weatherman, a terceira rodela deste cantautor cujo universo pop e pisicadélico sonoros nos remetem para um mundo sonoro diversificado e versátil, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.

A primeira ideia implícita em Weatherman e que o autor não rejeita totalmente, apesar de considerar que não escreveu canções como se fossem propriamente um diário, ou com a intenção de se expor, nomeadamente na entrevista que me concedeu e transcrita abaixo, tem a ver com, em Weatherman, ter havido uma maior ousadia lírica, já que estas canções sabem ao próprio autor e poderão contar histórias da sua própria existência, através de letras pessoais e intimistas, em contraste aos registos anteriores.

Masterizado por Tim Debney (Thom York, Lilly Allen, Kasabian, Gorillazz, Super Furry Animals, entre outros) no Fluid Mastering em Londres e com uma produção impecável a cargo de João André, sonoramente o disco é homogéneo, tem canções muito alegres e que tanto dão para abanar a anca, como para apelar aos nossos sentimentos mais profundos. As mesmas estão cheias de sintetizadores, teclados e arranjos orquestrais que alternam entre a tal pop, o rock e a própria folk. Delas destaco o fantástico single Proper Goodbye, a belíssima Fab, a delicada I’ve Come Home e a divertida We All Jumped In.

Weatherman é uma sólida e consistente colecção de canções pop, onde o amor nas suas múltiplas vertentes e a procura de lugares reconfortantes como processo de auto conhecimento são a principal força motriz e confirma Alexandre Monteiro como um dos nomes mais promissores do panorama musical nacional. Espero que aprecies a sugestão... 

 

 

O press release do novo álbum do projeto The Weatherman refere que estamos na presença do registo mais pop e simultaneamente mais auto biográfico. As canções falam de amor e despedidas, das imperfeições, alegrias e tristezas inerentes à condição humana. Estamos em presença de uma coleção de canções que de algum modo retratam a vida de Alexandre Monteiro?

R.: Pode-se dizer que sim, embora seja dificil detectar-se isso de uma forma linear. Não escrevi canções como se fosse propriamente um diário. Esses retratos estão dispersos pelas várias canções, nem eu tive a intenção de mostrar de uma forma demasiado exposta.

 

Quanto à vertente pop... Da música eletrónica à folk, ouve-se de tudo um pouco neste homónimo. Quais são as principais diferenças sonoras relativamente aos dois álbuns anteriores e, em termos de bandas e/ou autores, o que é que andas a ouvir e, além dos óbvios The Beatles e Beach Boys, quais são as tuas maiores influências? 

R.: Em relação aos discos anteriores houve mais cuidado em termos de produção. Procuramos um som que deixasse as canções comunicarem de uma forma mais transparente. Nada aqui aparece escondido, é tudo assumido de uma forma clara. Houve também o objectivo de afirmar convictamente que eu não estou interessado em copiar coisas que foram feitas no passado. Eu sempre quis trazer algo de fresco ao panorama da música pop, em que sentes o peso da História e ao mesmo tempo sentes que faz sentido ouvir-se agora, e este disco penso que tira todas as dúvidas a esse respeito.

 

Porquê a escolha de Proper Goodbye para primeiro single?

R.: Numa fase mais atrasada do disco, decidimos escolher uma canção que naquela altura nos parecia mais radio-friendly, e esta enquadrava-se bem. Além disso tinha inenrente um certo feeling de final de Verão, o que se adequava à época em que seria lançada (finais de Agosto). Além disso eu confesso que gosto de baralhar as expectativas do público, e então a ideia de eu reaparecer em cena com uma música despedida pareceu-me perfeito!

 

Adoro o videoclip e identifiquei-me muito com ele. Partilhamos o desejo que a maioria das crianças tinham de ser astronautas quando fossem grandes?

R.: Obrigado! Sim, lembro-me que algures na minha infância e talvez pré-adolescência andei completamente fascinado por astronomia. Devorei tudo o que era livros sobre astronomia, incluindo livros de ficção científica, e lia tudo o que encontrava sobre OVNIS. Cheguei mesmo a dizer aos meus pais que provavelmente eu ir ser astrónomo, mas a música deitou isso por terra. Se calhar ainda vou a tempo... A ideia do vídeo foi mesmo pegar nesses desejos de infância e transpor isso como se se tratasse da despedida “ideal”. Sou ambicioso, e o que é certo é que pode-se dizer que consegui mesmo cumprir esse sonho de ser astronauta ao fazer este vídeo. Claro que quando soube que o Neil Armstrong morreu fiquei emocionado, e calhou logo na véspera do lançamento (do vídeo).

 

Já agora, tens uma canção preferida em Weatherman?!

R.:Tenho algumas preferidas, mas não me consigo decidir por apenas uma, francamente.

 

Como foi o processo de escrita e composição destas canções?

R.: Não foi nada de planeado. Eu tenho suficiente confiança em mim próprio como compositor, por isso sei que é escusado forçar. Foi um processo tão natural, que não me sei situar nem no tempo nem no espaço em relação à composição da maior parte dos temas. Assim que eu sentia que tinha algo a dizer através da minha música, sentava-me a compor, ora ao piano, ora à guitarra.

 

A estreia com Cruisin'Alaska, foi  um trabalho apenas composto e tocado por ti. Mas depois disso, em Jamboree Park at the Milky Way e neste Weatherman já há uma banda e convidados. A que se deveu essa inflexão?

R.: Penso que comecei a sentir saudades de trabalhar em banda, algures a meio do percurso. Aliás, sempre foi meu objectivo tocar com uma banda de apoio nos concertos. Penso que é esse o meu objectivo desde sempre e é assim que resulta melhor: eu compor as músicas, e já depois numa fase mais avançada, de escolher os arranjos, buscar outros músicos para colaborarem.

 

Como é que foi possível a escolha de joão andré para colocar as mãos na produção do disco?

R.: Ele propôs-me produzir este disco logo assim que nos conhecemos. Foi em 2009, na altura em que ele deu alguns concertos comigo, ainda de promoção do meu segundo disco. Penso que ele teve desde logo uma ideia daquilo que poderia ser o meu caminho num futuro disco em termos sonoros. Acabou por ser um processo muito longo, e mesmo ainda que nem sempre com as condições ideais, conseguimos fazer um bom trabalho, penso eu.

 

E os próximos espetáculos? Onde é que os leitores de Man On The Moon te podem ir ver e ouvir nos próximos tempos? Das actuações ao vivo, devem-se esperar performances a solo ou acompanhado?

R.: Vou fazer inúmeros showcases acústicos, munido apenas de voz e guitarra. Pelo meio, vou ter os concerto de apresentação oficial do disco, com banda completa, no Porto, no Passos Manuel no dia 22 Fevereiro, e em Lisboa, algures em Março.


autor stipe07 às 20:40
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Segunda-feira, 4 de Fevereiro de 2013

Villagers – {Awayland}

Produzido por Tommy McLaughin, {Awayland} é o disco mais recente dos irlandeses Villagers de Conor O'Brien, uma banda que se notabilizou há dois anos com Becoming a Jackal, o trabalho de estreia, rodela que valeu a nomeação da banda para um Mercury Prize. {Awayland} chegou às lojas no passado dia catorze de janeiro, por intermédio da Domino Records.

{Awayland} era aguardado no universo indie folk com uma certa expetativa, porque a estreia, criativa e carregada com o típico sotaque irlandês, tinha colocado os Villagers na linha da frente, num país com fortes raízes e tradições neste género musical.

Apesar do minimalismo de The Lighthouse, um tema simples feito quase só com a voz e a guitarra e que nos abre a porta do disco, ele não nos dá, desde logo, a exta noção do mesmo. Apenas a partir de Earthly Pleasure , o meu grande destaque deste álbum, é que se chega aos arranjos e a um trabalho de composição mais elaborado, um bom exemplo de consistência técnica, que estará na génese do restante alinhamento.

Daí para a frente, as cordas estão sempre muito presentes, como não podia deixar de ser, mas alguns detalhes da eletrónica, nomeadamente em Waves, aguçam sonoridades mais contemporâneas e alargam o panorama cénico e a ginástica linguística das canções para lá dos patamares folk em que se parecem desenhar as bases genéticas mais profundas da identidade dos protagonistas. Assim, {Awayland}, o sempre difícil segundo disco, dá um passo em frente e confirma que a folk, apesar da sua história, popularidade e raízes, que muitos puristas não gostam de ver quebradas, pode sempre atualizar-se e procurar novos caminhos, sem perder a sua génese.

Uma das particularidades dessa mesma folk é a constatação da forte relação de proximidade entre a melodia e as letras. Isso está patente, em {Awayland}, nos tais belos arranjos aliados a letras profundas, de forte teor sentimental, que nos remetem para Bob Dylan, Nick Drake e Grizzly Bear. Portanto, {Awayland} terá importância para ti dependendo do que considerares mais relevante no seu conteúdo e se procuras neste álbum folk a letra, a melodia, ou um feliz casamento entre ambos. Espero que aprecies a sugestão...

Villagers - {Awayland}

01. My Lighthouse
02. Earthly Pleasure
03. The Waves
04. Judgement Call
05. Nothing Arrived
06. The Bell
07. {Awayland}
08. Passing A Message
09. Grateful Song
10. In A Newfound Land You Are Free
11. Rhythm Composer


autor stipe07 às 14:44
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2013

Tilbury - Exorcise

Os Tilbury são uma banda islandesa de Reykjavík formada pelo baterista Þormóður Dagsson (Skakkamange, Jeff Who?, Hudson Wayne) no verão de 2010. Inicialmente foi pensado como um projeto a solo intitulado Formadur Dagsbrunar, mas rapidamente projetou-se para uma banda quando a Dagsson se juntaram Kristinn Evertsson (sintetizadores e teclados), Örn Eldjárn (guitarra e voz), Magnús Trygvason Eliassen (bateria) e Guðmundur Óskar Guðmundsson (baixo). O disco de estreia chegou em maio do último ano; Chama-se Exorcise, foi editado pela Record Records e está disponível para audição no portal Gogoyoko.


A estreia dos Tilbury era esperada com enorme expetativa no país natal já que é um grupo que engloba músicos consagrados, uma espécie de super grupo já que aglomera intérpretes quie fizeram uma carreira musical consistente noutros projetos importantes do panorama musical local. A audição de Exorcise remete-nos de imediato para os Belle And Sebastian, até porque os próprios Tilbury confessaram ser uma banda de folk pop. Mas é importante não cair na fácil tentação de avaliar o álbum segundo essa elevada bitola qualitativa, já que, neste Exorcise, escuta-se, com aguma insistência, vários detalhes sonoros que nos remetem para uma pop ainda mais etérea, sonhadora e gratificante, da qual os Mercury Rev, por exemplo, são um dos expoentes máximos.

O disco está cheio de verdadeiras pérolas sonoras! Desde o potente single de abertura, Tenderloin, até Filet Mignon, é a folk que tem preponderância, mas não deixa de haver também uma faceta um pouco rock em alguns temas, principalmente em Eclectic Boogaloo e no single Drama, uma canção cheia de groove e bastante dançável.

Exorcise explora diferentes géneros e novas avenidas musicais, sabe aqueles dias primaveris, feitos com um sol ainda algo tímido e que acorda após um longo inverno; É um álbum fascinante, oriundo de um país que, musicalmente, tem uma comunidade de artistas muito díspar, criativa e flexível, que raramente desilude e que merece toda a tua atenção. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tenderloin
02. Sunblinds
03. Slow Motion Fighter
04. Riot
05. Trembling
06. Drama
07. Picture
08. Eclectic Boogaloo
09. Filet Mignon


autor stipe07 às 11:56
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2012

Egyptian Hip Hop - Good Don't Sleep

Esclareço desde já que os Egyptian Hip Hop não são do Cairo nem fazem hip hop. Good Don't Sleep, lançado no passado dia vinte e dois de outubro pela R&S é o longa duração de estreia desta banda britânica que se formou em 2008 e desde logo teve tudo para se tornar em mais uma nova coqueluche dos media britânicos, devido ao EP de estreia editado em 2010 e que colocou em sentido várias publicações, entre elas a conceituada NME. No entanto, após esse registo, este quarteto natural de Manchester não deu mais sinais, até que, finalmente, chegou um álbum feito com sintetizadores, guitarras fragmentadas e outros detalhes sonoros nada óbvios e, por isso, merecedores de toda a atenção por parte deste blogue.

Tendo em conta esta introdução, é fácil para os leitores mais atentos cairem na tentação de se lembrarem logo da semelhança concetual que poderá haver entre estes Egyptian Hip Hop e outros projetos conterrâneos e contemporâneos, nomeadamente os Alt-J (∆) e os Django Django. No entanto, quem avançar além desta simples leitura e se debruçar no que realmente importa, o conteúdo de Good Don't Sleep, concluirá que Foals ou Wild Beasts são nomes mais de acordo com o rumo sonoro traçado por estes Egyptian Hip Hop.

Esta hiato de dois anos após o tal EP teve o lado positivo de permitir que o relativo esquecimento em que a banda mergulhou após a assimilação pela crítica do seu conteúdo, a possibilitasse desenvolver e gravar este Good Don't Sleep sem grandes pressões e responsabilidades. O disco mantém os realces sonoros do EP e melhora a identidade sonora do grupo, agora menos colorida e mais climática; Logo no início, em Tobago, todas as transformações em torno do trabalho do grupo se tornam visíveis. Antes essenciais, os sintetizadores agora ocupam um espaço muito mais suave e opaco. Este tonalidade mais sombria encontra eco na própria capa soturna do disco e reflete o tal natural amadurecimento da banda, não apenas em idade, mas principalmente em conceitos e experiência.

Ainda que não deixe de soar a imensas das propostas que nos chegam das ilhas britânicas, a forma como Good Don't Sleep se materializa puxa-nos também para cenários sonoramente distintos. Em Alalon fica muito clara essa predisposição, com a banda a ir aos confins subterrâneos do obscuro lo fi norte americano e em Yoro Diallo, ainda nesse país, mergulham na crua sujidade pop da década de oitenta e tocam ao de leve e de forma subtil num clima um pouco tropical.

Por mais que a sonoridade experimental de faixas como Strange Vale SYH pareçam ter o objetivo de afastar os Egyptian Hip Hop do público, no meu caso pessoal são canções com este recorte e realces sombrios que me fizeram espevitar a curiosidade relativamente a Good Don't Sleep e que atestam a capacidade criativa de uma banda. Por isso, mesmo sendo um confesso admirador do que os conterrâneos Alt-J (∆) desenvolveram em An Awesome Wave, reconheço nos Egyptian Hip Hop dotes para chegar à mesma meta através de percursos ainda mais sinuosos e, dfessa forma, passíveis de chocarem com uma miríade mais intensa de géneros e tiques sonoros.

Good Don't Sleep é um álbum distinto, curioso e com diversas pontas soltas que me deixaram com água na boca relativamente ao futuro dos Egyptian Hip Hop. Espero que aprecies a sugestão...

01 Tobago
02 The White Falls
03 Alalon
04 Yoro Diallo
05 Strange Vale
06 Snake Lane West
07 Pearl Sound
08 SYH
09 One Eyed King
10 Iltoise 


autor stipe07 às 13:03
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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012

The Wallflowers - Glad All Over

No passado dia dois de outubro assinalou-se o regresso dos The Wallflowers aos discos, sete anos depois de Rebel, Sweetheart, editado em 2005. O novo álbum da banda de Jakob Dylan, filho do Bob Dylan, chama-se Glad All Over, viu a luz do dia através da Columbia Records e o primeiro single extraído foi, conforme anunciei num  Curtas... de agosto, Reboot The Mission, uma canção que conta com a participação do guitarrista dos The Clash, Mick Jones e que está disponível para download gratuito no sitio da banda.

Glad All Over foi gravado em Nashville, no Easy Eye Sound Studio e juntou Jakob com os membros originais da banda, Greg Richling e Rami Jaffee, tendo sido produzido por Jay Joyce (Emmylou Harris, Cage the Elephant). A banda já tinha editado seis álbuns entre 1992 e 2005, sendo um deles uma coletânea, além de contarem com a presença em diversas bandas sonoras de filmes.


Desde que Bruce Springsteen se juntou em palco ao filho de Bob Dylan, em 1997, num concerto de promoção de Bringing Down The Horses, o primeiro disco dos The Wallflowers, esta banda nunca mais deixou de se redescobrir na sua capacidade de interpretar o rock, a sonoridade típica do Boss. Numa época em que vingavam as boysbands e começavam a aparecer algumas princesas da pop, Jakob teve sempre a capacidade e a frieza de conseguir, através do seu talento, fazer com que os The Wallflowers conquistassem o seu espaço e não à custa do seu apelido, que certamente lhe daria enormes dividendos, caso optasse por uma carreira a solo feita com sonoridades mais acessíveis e comerciais. Acompanho esta banda desde o início e admirei sempre esta capacidade dos The Wallflowers de se manterem numa certa penumbra, num espaço sonoro alternativo altamente confortável e qualitativamente impressionante.

A herança do caráter nostálgico, tipicamente norte americano, feito de tensões melódicas, uma intensa habilidade lírica e de um folk rock feito com guitarras aditivas,  construiu o cardápio sonoro deste grupo e mantem-se neste Glad All Over. No entanto, Reboot The Mission, não terá sido escolhido ao acaso para primeiro single; A presença de Mick Jones, que também participa em Misfits And Lovers, terá sido decisiva para agora os The Wallflowers, dentro da tal herança sonora que carregam, optarem por nuances com uma cariz menos aberta e comercial, para fazerem uma pequena inflexão e passarem a abarcar também sonoridades mais ouvidas na chamada brit rock, feitas à custa de linhas de baixo carregadas de groove e funky e uma bateria muito mais omnipresente, interpretada por Jack Irons, músico que já tocou com os Pearl Jam e os Red Hot Chili Peppers, entre outros.

Por isso, Glad All Over é agora o disco mais rock, blues e groove da discografia dos The Wallflowers e acrescenta ao seu cardápio todos estes tiques sonoros. E torna-se um prazer enorme, tantos anos após a estreia, perceber que o som da banda é solto e espontâneo, que tudo se encaixa, faz sentido e que estes tipos soam como um grupo de veteranos experientes já que sabem perfeitamente o que querem e o que vão criar quando entram num estúdio, algures em Nashville. Espero que aprecies a sugestão...

01. Hospital For Sinners
02. Misfits And Lovers (Feat. Mick Jones)
03. First One In The Car
04. Reboot The Mission (Feat. Mick Jones)
05. It’s A Dream
06. Love Is A Country
07. Have Mercy On Him Now
08. The Devil’s Waltz
09. Won’t Be Long (Till We’re Not Wrong Anymore)
10. Constellation Blues
11. One Set of Wings


autor stipe07 às 19:17
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Quarta-feira, 24 de Outubro de 2012

The Lighthouse And The Whaler – This Is An Adventure

 

Três anos após o disco de estreia, os The Lighthouse and The Whaler estão de regresso aos discos com This Is An Adventure, editado no passado mês de setembro. Para este novo álbum, a banda natural de Cleveland, no Ohio e formada por Michael LoPresti, Matthew LoPresti, Mark Porostosky e Steve Diaz, investiu numa instrumentação rica e em arranjos sofisticados que serviram para criar pouco menos de quarenta minutos de canções leves e ensolaradas e com um imenso potencial pop. São dez temas coesos e esforçados, com imensos detalhes sonoros, bem audíveis logo desde a abertura com o single Pioneers, que ao mesmo tempo que apresenta o xilofone, instrumentos de cordas e o sintetizador, dá o mote para o que vamos encontrar no resto do disco.

A canção seguinte, Chromatics, segue essa mesma linha e a partir daí já é possível fazermos um juízo de valor acerca da nossa adição, ou não, a este This Is An Adventure, porque mantém-se a postura upbeat e festiva com toques da folk e do pop até ao fim do álbum.

Venice, acaba por ser a melhor canção do álbum e destaca-se  já que, num disco onde todas as músicas parecem pisar no acelerador, ela diminui o ritmo e aposta em alguns elementos mais básicos. Com uma percussão forte e uma voz marcante, a canção cresce apoiada no violino, instrumento que neste tema encaixou muito bem e de uma forma orgânica.

Há outras canções um pouco mais dançáveis, como This Is An Adventure e Untitled, temas que sobressaiem um pouco da sonoridade geral, mas que nem por isso deixam de ser convincentes e apelativas.

É audível a preocupação com a produção e a instrumentação, o que faz deste This Is An Adventure um disco que soa de forma algo descomplexada e nos deixa com uma certa nostalgia em relação ao verão. Poucas músicas são memoráveis, mas todas elas são muito animadas e cheias de energia. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pioneers
02. Chromatic
03. Venice
04. The Adriatic
05. Little Vessels
06. Burst Apart
07. This Is an Adventure
08. Iron Doors
09. We’ve Got the Most
10. Untitled

The Lighthouse and The Whaler - Pioneers by freshnewtracks


autor stipe07 às 21:48
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2012

Aimee Mann - Charmer

Conforme anunciei em Curtas... XLII e Curtas... LII, Aimee Mann, cantora norte americana, natural de Richmond e ex-integrante da banda Til Tuesday, lançou recentemente o oitavo álbum de sua carreira. Charmer, que sucede @#%&*! Smilers de 2008, chegou às lojas no passado dia dezoito de setembro pela SuperEgo Records. Paul Bryan, o baixista de Aimee Mann, é o responsável pela produção do disco, que tem onze canções, com a particularidade de a canção Living a Lie ser um dueto com James Mercer, vocalista da banda The Shins.

Charmer é um álbum bastante interessante, mesmo com o uso de poucos instrumentos. Esta opção sucedeu porque, segundo a artista, a indústria musical encareceu imenso e não há disponibilidade financeira para contratar vários músicos, quer para gravar Charmer, quer para acompanhar Aimee na digressão de promoção.

Aimee Mann começou a carreira a solo a colecionar fãs devido à sua simpatia e delicadeza e aos poucos foi revelando uma habilidade literária na composição das canções, quase sempre baseadas em vivências pessoais, nas aparências, mas jamais confessionais. As canções falam de desilusões, ilusões, percursos de vida e revelações íntimas, no meio de epifanias poéticas que mais parecem uma longa sessão de terapia. A maneira como Aimee promove a alternância dos temas faz com que seja bastante percetível o encadeamento das canções, que seguem um padrão de serenidade muito interessante. Dá toda a sensação, que Aimee vive um momento muito especial na sua vida; Quem a conhece de vários romances anteriores, acaba por perceber como é usual isso refletir-se no tom das suas novas canções e as de Charmer não fogem a essa constante.

Charmer engana porque é muito mais profundo do que aparenta à primeira audição e é também muito menos leve do que a sua sonoridade indica.

Em jeito de curiosidade, o video de Charmer, o single homónimo, foi realizado por Tom Scharpling, uma metade da dupla cómica Scharpling & Wurster (com Jon Wurster, baterista dos Superchunk e dos Mountain Goats) e tem a participação de John Hodgman (apresentador do Daily Show e escritor) e Laura Linney (atriz em vários filmes e em The Big C). Mesmo que não se goste da canção, o vídeo é hilariante! Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Charmer
02. Disappeared
03. Labrador
04. Crazytown
05. Soon Enough
06. Living A Lie (Feat James Mercer Of The Shins)
07. Slip And Roll
08. Gumby
09. Gamma Ray
10. Barfly
11. Red Flag Diver


autor stipe07 às 22:08
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2012

Freelance Whales – Diluvia

Os Freelance Whales começaram por tocar nos metros e nas ruas de Nova Iorque em formato quinteto e foi desta forma que chegaram aos ouvidos das pessoas certas. O segundo disco deste grupo, produzido por Shane Stoneback, chama-se Diluvia, foi lançado no passado dia nove de outubro pelo selo Mom+Pop e sucede a Weathervanes, o disco de estreia e uma das pérolas mais bem guardadas de 2009. Esse álbum, graças à sua mistura de folk e elementos eletrónicos, conquistou fãs dos mais diversos géneros, devido ao rodopio de banjos, harmonias vocais, instrumentos de sopro e percussão variada, que conferem à banda aquele indie folk luminoso e melodicamente rico.

Com o novo lançamento da banda, Diluvia, os Freelance Whales parecem passar com facilidade no temido teste do segundo disco, já que é evidente um amadurecimento melódico e uma produção etérea, que começa com violões acústicos, misturados com sintetizadores banjos, pianos e trompetes. Tudo isto está patente em canções como Spitting Images e Dig Into Waves, dois dos singles já conhecidos de Diluvia. A primeira canção referida é o meu grande destaque do disco, devido à sonoridade ampla, pop e destemida, mas também por contar, pela primeira vez no grupo, com a voz da baixista Doris Cellar, em vez do vocalista principal da banda, Judah Dadone. Em vez do banjo, a canção assenta no sintetizador e conta com uma luxuosa e explosiva produção, com direito a sinos, harmonias vocais grandiosas semelhantes aos Arcade Fire e os tais sintetizadores furiosos que soam simultaneamente trágicos e felizes e que evocam uma aura nostálgica.

Se as canções do primeiro disco eram classificadas imediatamente como um pouco ingénuas e simples, Diluvia é mais épico, instrumentalmente rico e mostra uma promissora evolução ao expandir a sonoridade da banda, ao mesmo tempo que mantém o charme da estreia. Esta seria a banda sonora para um filme de cariz épico, numa toada feliz e esperançosa. Diluvia é inteligente, bonito e preenche até o dia mais cinzento. Ora ouçam e comprovem.

01. Aeolus
02. Land Features
03. Follow Through
04. Spitting Image
05. Locked Out
06. Dig Into Waves
07. Red Star
08. Winter Seeds
09. The Nothing
10. DNA Bank
11. Emergence Exit

Spitting Image by Freelance Whales


autor stipe07 às 20:35
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Sábado, 6 de Outubro de 2012

Mumford And Sons - Babel

Bandas como os My Morning Jacket, o próprio Bon Iver, os Band Of Horses e os Wilco, encontram as suas raízes no cancioneiro tradicional, mas conseguiram evoluir e optar por sonoridades que os fizeram aproximar-se e serem bem sucedidos junto do público alternativo. Os britânicos Munford And Sons são uma banda que optou por uma variável mais pop e comercial dessa proposta, optando por uma espécie de country alternativo. Babel, o disco mais recente deste grupo, lançado pela Island/Glassnote no passado dia vinte e cinco de setembro, procura recriar os tempos de glória da música country de raíz que surgiu desde os anos quarenta, assente numa instrumentação e produção impecável e vocalizações muito peculiares.

O disco Sigh No More, de 2009, foi muito aclamado e de forma quase imediata, quer pela crítica especializada, quer pelo público, principalmente porque conseguiram criar composições melancólicas, com um acabamento bucólico e, por isso, atrativo para quem procura sonoridades mais festivas e decomplicadas, digamos assim.

Com Babel, anunciado em Curtas... XLV, os Munford And Sons repetem as mesmas estruturas instrumentais e poéticas, numa espécie de meio termo entre o rock alternativo da década de noventa e a country tradicional, firmada mesmo antes da existência de outros estilos musicais. E talvez essa acabe por ser a maior limitação de Babel, já que não consegue esconder os limites deste quarteto, que revela logo na primeira audição a mesma base de versos e sons que há três anos fizeram deles os salvadores da country alternativa.

Durante as canções, tudo se resume a três elementos; Temos o banjo quase infantil que enfeita as canções, as tais vozes peculiares sobrepostas de forma encantadora e as letras bastante melancólicas, quase sempre sobre as mesmas temáticas.

Acaba por ser extremamente interessante, apesar da notória dose de monotonia, destrinçar como os Mumford And Sons tentam apropriar-se de ritmos nada britânicos, mas antes os que são explorados em solo norte-americano, mas como se essa sonoridade fosse parte de uma rica e regular projeção que há décadas circula na música feita em terras de Sua Majestade. E assim, nada mais justo do que darem a este disco o nome Babel, quando, no fundo, o que eles pretendem é algo tão grandioso como quererem apropriar-se, infelizmente sem grande criatividade, de um género musical com profundas raízes na terra do Tio Sam. No entanto, para os apreciadores do género, estamos na presença de um dos discos essenciais de 2012. Espero que aprecies a sugestão... 

Mumford And Sons - Babel

01. Babel
02. Whispers In The Dark
03. I Will Wait
04. Holland Road
05. Ghosts That We Knew
06. Lover Of The Light
07. Lovers’ Eyes
08. Reminder
09. Hopeless Wanderer
10. Broken Crown
11. Below My Feet
12. Not With Haste
13. For Those Below
14. The Boxer
15. Where Are You Now


autor stipe07 às 18:13
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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Jens Lekman – I Know What Love Isn’t

Um ano após o lançamento do EP An Argument With Myself, que divulguei oportunamente, e após um hiato de quase cinco anos no que diz respeito a álbuns, o músico e compositor sueco Jens Lekman está de volta aos discos com I Know What Love Isn't, disco que sucede ao excelente Night Falls Over Kortedala, lançado em 2007 e que chegará aos escaparates no próximo dia quatro de setembro, através da Secretly Canadian.

 

Jens Lekman parece ser dono de um método particular para transformar sentimentos e percepções complexas em composições de acabamento simples e linguagem universal. O amor, as paixões e até em certa dose o erotismo são as principais ferramentas de trabalho de que Lekman se serve para idealizar os seus discos e agora chega ao terceiro registo de estúdio a esbanjar toda essa habilidade como um apaixonado poeta. Este músico é hábil a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e fá-lo de forma peculiar, convertendo simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional.

Cinco anos depois de ter lançado a sua bora prima, Night Falls Over Kortedala, Lekman não faz deste I know What Love Isn't uma espécie de parte dois desse álbum anterior, tendo optado por aprimorar a delicadeza das canções, arrastando-nos para um cenário novo e renovado onde a paixão dá lugar à saudade, o beijo converte-se em despedida e o que era grandioso serve agora para nos confortar.

Assim, neste I Know What Love Isn't, Lekman dá-nos algo mais intimista, sem a monumental orquestra de 2007, com tudo a soar agora mais controlado, mas igualmente encantador. Devido a essa menor exaltação instrumental, acaba por ser mais evidente a sonoridade rock de Lekman; Por exemplo, em canções como Become Someone Else’s Some Dandruff on Your Shoulder a aproximação do sueco com Morissey é evidente. 

Mas o que importa realmente reter deste novo disco de Jens Lekman é a capacidade que este músico tem de transformar a sua honestidade poética e versos bastante confessionais num mecanismo eficaz de diálogo direto com quem se predispõe a ouvi-lo. Ele consegue traduzir com simplicidade tudo aquilo que gostaríamos de expressar em momentos de maior dor e melancolia. Espero que aprecies a sugestão...

01. Every Little Hair Knows Your Name
02. Erica America
03. Become Someone Else’s
04. Some Dandruff On Your Shoulder
05. She Just Don’t Want To Be With You Anymore
06. I Want A Pair Of Cowboy Boots
07. The World Moves On
08. The End Of The World Is Bigger Than Love
09. I Know What Love Isn’t
10. Every Little Hair Knows Your Name


autor stipe07 às 13:12
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

Dead Can Dance – Anastasis

Os australianos  Dead Can Dance  de Brendan Perry e Lisa Gerrard estão de regresso aos discos, dezasseis anos depois de Spiritchaser. O álbum chama-se Anastasis, chegou às prateleiras no inicio de agosto e torna-se no décimo da discografia de um grupo fundamental da história da indie folk dos últimos vinte anos

Anastasis é composto por oito músicas, num total de cinquenta e seis minutos, com o destaque maior para o single Amnesia, que a banda disponibilizou para download no seu sitio, assim como a audição integral do disco.

Um dos maiores trunfos deste conjunto de canções está na decisão da banda em ter abordado a míriade sonora que fez sempre parte do cardápio musical dos Dead Can Dance. Assim, em Anastasis, escuta-se world music, chillwave, dream pop, new age e outras sonoridades mais clássicas e experimentais. Acaba por ser viciante experimentar ouvir o disco várias vezes e ir catalogando mentalmente os universos sonoros abordados e estimulante perceber como eles se relacionam e se fundem nas canções. Este constante sobressalto e variedade sonora ficam ainda mais enriquecidos quando se constatam as diferenças na forma de cantar de Brendan e Lisa Gerrard e o encanto etéreo e celestial com que comunicam entre si.
Logo a abrir, Children of the Sun, começa com uns teclados que criam uma atmosfera envolvente e bastante quente. Depois da bateria, a voz de Perry torna-se o primeiro pilar dessa música, uma voz grave, mas bastante acolhedora e calma. We are the children of the sun, there's room for everyone é uma das frases do refrão; Descreve a raça humana, as suas origens, e constata que, inevitavelmente, somos criações da natureza e a ela nos devemos manter ligados. O som que emanam nesta canção de abertura tem uma toada épica, que se mantém logo na seguinte; Anabasis, com uma percussão fenomenal e bastante diversificada, vai-se construindo aos poucos, através de uma sequência rítmica bastante moderna. Como é normal nos Dead Can Dance, os teclados são cruciais no que toca à criação de um ambiente confortável e familiar para o ouvinte. Em Anabasis é Lisa que canta, provavelmente em grego antigo, visto que é dessa língua e cultura que o título do álbum vem. Uma coisa é certa, os Dead Can Dance são mestres na instrumentação, na forma como tocam e como conjugam todos os instrumentos.
Em Agape dominam sonoridades mais orientais e a voz de Gerrard altera-se em relação à de Lisa em Anabasis, tornando-se mais grave. Ouve-se a canção e imagina-se um cenário tipicamente chinês. Não deixa de ser estimulante a sonoridade dos Dead Can Dance evocar ambientes seculares e, simultaneamente, soar de uma forma tão nova e tão refrescante.
Segue-se Amnesia, canção com um som mais negro, já que as notas que são tocadas evocam um ambiente um pouco mais obscuro, como se a canção ilustrasse um culto secreto, ou um ritual. O piano nesta música é sublime e desempenha um papel fulcral. Os sons ambiente são ao mesmo tempo revitalizantes e algo perturbadores, num sentido bastante agradável. É como se a cena fosse serena, mas em segundo plano estivesse a passar-se algo contrastante. A quinta música chama-se Kiko e é a mais comprida do álbum, com pouco mais de oito minutos. Domina nela, novamente, um som oriental com uma melodia no fundo a puxar para o obscuro; E assim passam rapidamente oito minutos maravilhosos. Rapidamente entra Opium em cena, criando um ambiente sonoro relaxante. A penúltima música chama-se Return of the She-King e começa com uma gaita de foles e um teclado do mais épico que se ouve em Anastasis. A voz de Lisa eleva-a a um patamar elevadíssimo, com uma melodia bastante bonita.
Em suma, ouvir Anastasis é como ouvir um monólogo de Zeus no seu próprio templo. Durante estas oito canções somos levados e elevados ao mesmo nível dos templos mais altos da mitologia grega. Espero que aprecies a sugestão...

01. Children Of The Sun
02. Anabasis
03. Agape
04. Amnesia
05. Kiko
06. Opium
07. Return Of The She-King
08. All In Good Time


autor stipe07 às 21:25
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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2012

Cat Power – Sun

Lançado através da Matador Records, Sun é o apelativo nome da nova rodela de Chan Marshall, conhecida no universo musical como Cat Power, uma artista norte americana com quase vinte anos de carreira e que já abordou inúmeras facetas líricas e instrumentais durante este período.

Este nono disco é o primeiro em seis anos e serviu para esta cantora natural de Atlanta, na Geórgia, em onze canções deixar de lado a personagem que sempre projetou, assente numa vertente mais acústica e que destilava setimentos amargurados e soturnos, para conceber agora algo mais ousado, com a ajuda de sintetizadores e um arsenal de novas referências eletrónicas. O fim da relação de longa data com o ator Giovanni Ribisi poderá ter algo a ver com esta mudança; A própria Chan mudou de visual e agora surge com um aspeto mais radioso, de cabelo curto, a substituir as cordas da guitarra por batidas e o sofrimento pelo humor e pela ironia.

Sun abandona então a amargura hermética que definiu obras como You Are Free (2003), The Greatest (2006) e Moon Pix (1998) para se envolver  em algo mais abrangente e experimental, desconcertante e luminoso, como o título do disco exige; Um álbum que brilha e parece inteiramente aquecido pelo Sol.

Sun é um tratado de visíveis contrastes. Enquanto as letras de Real Life, Ruin e Human Being reforçam toda a melancolia alguma dose de rancor, algo que poderá ter a ver com os recentes problemas que circundaram a vida pessoal da cantora, a voz e a sonoridade que percorre essas canções e todo o disco levam Cat Power para outra direção. Assim, em alguns momentos, Sun parece confuso para quem conhece a discografia anterior da banda, mas também não demora muito tempo a prender o ouvinte.

Mesmo que esta inflexão sonora dã cantora pareça fascinante e inusitada, não há como negar que esta aventura pelo campo da música mais eletrónica e experimental, deixa sempre algmu desconforto, mesmo que se reconheça mérito e qualidade no que se escuta. Como a própria Cat optou por ser ela própria a comandar as máquinas e produzir os sons que utilizou, alguns são um pouco arcaicos e causam uma reacção um pouco adversa em certos momentos. E essa execução básica de algumas composições faz com que Sun acabe por não atingir um nível elevado de excelência. Mas, não há como negar a mestria de  Real Life, 3,6,9 e da extensa Nothin But Time, canções que carimbam e atestam a qualidade de topo desta compositora de eleição.

Sun é um trabalho que exige tempo. Quanto mais nos aventuramos no disco, melhor percebemos o quanto Cat Power evoluiu como cantora, compositora e até como produtora. Por mais que demore a entrar, quando desvendado Sun tece no ouvinte uma teia sonora e poética que toca e emociona, mesmo que algumas nuvens tentem bloquear essa sensação. Espero que aprecies a sugestão...

01. Cherokee
02. Sun
03. Ruin
04. 3,6,9
05. Always On My Own
06. Real Life
07. Human Being
08. Manhattan
09. Silent Machine
10. Nothin But Time
11. Peace And Love


autor stipe07 às 22:51
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2012

Curtas... L

Naturais de Filadélfia, na profunda Pensilvânia, os House Of Fire são uma banda formada por Isaac Betesh (voz, guitarra), Michael Vallone (voz, guitarra), Marc-Andre Basile (baixo), Noel Babineau (bateria) e Lucy Betesh (teclados). A banda tinha-se estreado nos discos em 2008 com um álbum homónimo e que obteve críticas muito favoráveis e agora, em fevereiro de 2012, regressaram com um EP intitulado The Morning Light, lançado na Candy Colored Dragon.

As seis canções do disco são uma competente fornada de pop psicadélica com raíz nos anos sessenta, com influências que vão de Syd Barrett a Pink Floyd,  passando pelos The Bryds e os Rain Parade. A canção homónima do EP é para mim o grande destaque deste pequeno disco e deverá ser o principal fio condutor para o próximo álbum, cuja gravação já decorre.

01. Ship Of The Dead
02. Crystal Gazing
03. The Morning Light
04. King’s English
05. The Mirror
06. Down Stream

 

Produzido por Julian Tardo & Jaime Regan, Winterborn é o disco mais recente do britânico Jaime Regan, músico folk natural de Brighton. Este novo disco contou com as participações especiais de Jools Owen na bateria, Robin Coward no piano e viu a luz no passado dia vinte e sete de agosto.

Winterborn está disponível no bandcamp do artista pelo preço que quiseres e é um dos melhores discos do género que ouvi recentemente. Confere...

01. The Last Words You Wrote
02. House Keys
03. Rain-Stripped Rose
04. There’s A Voice In The Well
05. All Thumbs
06. To The River
07. Second Sun
08. B/W
09. Take This Darkness
10. Hollow Stones

 

Para promover e divulgar Fragrant World, o último disco dos norte americanos Yeasayer, divulgado em Man On The Moon no início de agosto, a banda tem lançado vários vídeos experimentais. A tática tem sido espalhá-los pela internet, nos mais variados locais virtuais, como se estivessem a promover uma espécie de caça ao tesouro para os fãs do grupo.

O último filme a ser divulgado foi o que promove o single Longevity, uma das melhores canções do disco. Nas imagens é captado um ensaio do grupo numa igreja; À medida que a música e o vídeo avançam os Yeasayer vão lentamente envelhecendo e no final...

 ComScore 
Brincar com o experimental parece ser uma premissa básica da norte-americana Maria Minerva. Dona do complexo Cabaret Cixous (2011), a artista anuncia para o dia quatro de setembro o lançamento de Will Happiness Find Me, o novo disco da sua ainda curta carreira. Ao que tudo indica ele vai incorporar os mesmos elementos místicos e a sonoridade etérea do trabalho anterior, ou pelo menos é isso que está plasmado em Fire, primeiro single do novo trabalho.

 

Chris Baio, um dos membros dos Vampire Weekend, tem uma carreira a solo, na qual explora sonoridades de cariz mais experimental. Recentemente divulgou e disponibilizou para download mais duas canções que revelam um artista consciente do terreno sonoro que pisa. Lançadas pelo selo Greco-Roman, The Silent e New You revelam uma veia dançante e um sabor tropical voltado para as pistas de dança. Ouve com o protetor solar nas mãos.

 

Nigel Godrich, o eterno produtor dos Radiohead, segue com os preparativos para apresentar uma nova banda, a experimental e eletrónica Ultraísta. Com um disco agendado para o dia dois de outubro, aos poucos o produtor tem disponibilizado uma seleção de canções inéditas que serão agrupadas no interior desse trabalho. Em Bad Insect é possível ter uma boa noção sobre o que será esse disco, que parece assumir a mesma sonoridade explorada pelos Radiohead no In Rainbows. Confere...


autor stipe07 às 13:24
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

Beachwood Sparks - Tarnished Gold

Os Beachwood Sparks nasceram no final do século XX e são um sonho californiano oferecido ao mundo, liderado pelo cantor e guitarrista Christopher Gunst, onde também se inclui o baixista Brent Rademaker, o multi instrumentista Farmer Dave Scher e o baterista Aaron Sperske, aos quais se junta ocasionalmente o guitarrista Ben Knight dos The Tyde. Onze anos após Once We Were Trees e depois de em 2008 se terem voltado a reunir para comemorar o vigésimo aniversário da sua editora de sempre, a Sub Pop, regressaram aos discos com Tarnished Gold, editado no passado dia vinte e seis de junho.

 

Os Beachwood Sparks são uma banda com uma raíz tipicamente americana, que ouvindo os Grateful Death e os Flying Burritos Brothers descobriu a country dos anos sessenta que procurava estrelas sobre a poeira da ampla paisagem californiana. Hoje, sempre bastante discretos, gravitam entre dois mundos; Por um lado levam a country no coração, mas carregam um forte desejo de ir mais além e criar música sem tempo, envolvida pela psicadelia e pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.

Tarnished Gold transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de Gunst num registo próximo do sussurro delicado e muitas vezes atravessadas por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta. Ouve-se uma harmónica ternurenta, aceleram o ritmo quando menos se espera e conjugam a folk e o rock convocando à celebração e até ao tal romantismo, algo bem audível em Leave That Light On, uma brisa suave num verão supostamente bastante quente.

A magia de Tarnished Gold está na capacidade que este álbum tem de nos rodear com uma realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que melhor que muita da literatura, cinema e outra música, nos trazem o melhor da Califórnia. Espero que aprecies a sugestão...

The Tarnished Gold cover art

01. Forget the Song
02. Sparks Fly Again
03. Mollusk
04. Tarnished Gold
05. Water from the Well
06. Talk About Lonesome
07. Leave That Light On
08. Nature’s Light
09. No Queremos Oro
10. Earl Jean
11. Alone Together
12. The Orange Grass Special
13. Goodbye


The Beachwood Sparks, last convened in 2003, are back as if they never left, spinning trippy goodtime vibes, ethereal metaphysics and slacked out California pop.

Blurt Magazine

 

Beachwood Sparks make music for and by Californians who love living in California, surfing, and hanging out among the redwoods, and for listeners who have no idea what that’s like but love the sound of soft harmonies and a tastefully placed slide guitar.
A.V. Club

 

The Tarnished Gold moves through space like a guided nature walk—never a hike—drawing upon breathy, summer sounds and endless harmony to craft the perfect soundtrack for its creators’ home state.
— Paste Magazine


autor stipe07 às 22:18
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012

Message To Bears – Folding Leaves

Message To Bears é o nome do projeto a solo do cantor, compositor e multi-instrumentista inglêJerome Alexander. Esta banda de um homem só estreou-se em 2007 com um EP que chamou a atenção pelo conteúdo um pouco confuso, com algumas distorções tímidas, violinos, ecos e susurros. Message To Bears encontrou um rumo mais definido no álbum seguinte, The Soul's Release, com uma sonoridade que passava pela pop atmosférica, a folk e o post rock, com destaque para as canções Joy LeavesCathing Fireflies e principalmente Where the Trees are Painted White. A esta promissora estreia nos álbuns sucedeu, em 2009, Departures, um disco ainda mais sólido, com melhor definição sonora e bastante hipnótico. Agora, em 2012, Jerome brinda-nos com Folding Leaves, um álbum surpreendente, rústico e orgânico, lançado pela Dead Pilot Records.


Neste Folding Leaves, o autor teve a notória preocupação de criar algo que causasse impacto no ouvinte, por ser complexo e detalhado, mas também (e isso é possível) graciosamente simples. Ele combinou em várias canções diversas camadas de cordas, com melodias vocais únicas e criou assim um ambiente aconchegante, difícil de definir, um som que se constrói ao longo de cada canção e em todo o álbum. Cada uma das músicas vai crescendo, sempre comandada pelas cordas, como já referi, e a adição dos outros instrumentos é quase sempre feliz. As canções criam um efeito geral que faz deste Message To Bears, um disco onde estão plasmados detalhes e emoções sem soar de forma demasiado pretensiosa. Espero que aprecies a sugestão...

01. Daylight Goodbye
02. Wake Me
03. Mountains
04. Birds Tail
05. Farewell Stars
06. Undone
07. At A Glance
08. Everything Was Covered In Snow
09. Unleft


autor stipe07 às 23:15
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Terça-feira, 14 de Agosto de 2012

Battleme - Battleme

Battleme é o novo projeto de Matt Drenick, vocalista dos Lions e um músico de Austin, no Texas, com uma história de vida bastante peculiar; Diagnosticado com uveíte (uma doença dos olhos decorrente de uma inflamação da úvea), transformou essa contrariedade em música e em 2009, sob a alcunha de Battleme, resolveu compôr canções que agora compilou num disco homónimo produzido por Thomas Yurner (músico da dupla Ghostland Observatory) e lançado no final do passado mês de abril através da Trashy Moped Recordings.

Este músico começou a fazer furor quando algumas das suas canções apareceram na terceira temporada de uma série de televisão norte americana chamada Sons Of Anarchy, com destaque para uma cover de Hey Hey, My My (Into The Black) de Neil Young.

Battleme foi gravado num estúdio caseiro em Portland, no Oregon, para onde Matt se mudou em 2010 com o único propósito de fazer este disco. Depois de ter cerca de quarenta demos, fez alguma seleção e no fim ficou com um álbum de dez canções onde abundam sentimentos e facilmente se entende que serviram para exorcizar alguns dos demónios que há muito apoquentavam o autor.

Logo no início do disco apela à ação e a um efetivo cerrar de punhos, nomeadamente em Closer (It’s do or die and everybody knows it), uma canção onde um imperial falsete e uma bateria bem marcada constroem um verdadeiro e imenso hino indie rock. E além de pretender elevar a nossa auto estima, o músico também parece ter o desejo de apregoar a quem estiver disposto a ouvi-lo que somos os únicos donos do nosso destino e que ao irmos ao seu encontro, se o podermos fazer ao som do rock (Touch, Wait For Me), com pitadas de blues e até de uma folk acústica um pouco lo fi (Killer High e Trouble), então a caminhada será potencialmente ainda mais épica e intensa!

Battleme deverá, naqueles momentos em que estamos um pouco mais reticentes, servir como uma espécie de lembrete, para que possamos acreditar que, além de uma família, da saúde, do dinheiro e de uma carreira, a música também nos pode salvar ou, pelo menos, dar-nos vontade de descarregar alguma adrenalina e saltar até ao recinto de jogos ou ao ginásio mais próximo! Espero que aprecies a sugestão...

01. Touch
02. Closer
03. Wire
04. Killer High
05. Shoot The Noise Man
06. Woman I’m A Lost Cause
07. Tears In My Pile
08. Doin Time In My Head
09. Wait For Me
10. Trouble
11. Pocket Full Of Flies


autor stipe07 às 17:29
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Sábado, 4 de Agosto de 2012

Lawrence Arabia – The Sparrow

Lawrence Arabia é o pseudónimo de James Milne, um músico neozelandês que, não sendo conhecido mundialmente, tem colaborado com projetos e nomes tão distintos como Okkervil River e Feist. No que diz respeito ao seu projeto a solo, estreou-se em 2006 com um homónimo, ao que se seguiu, em 2009, Chant Darling. Agora, já em 2012, no passado dia dezasseis de julho, editou o terceiro disco, initulado The Sparrow, através da Bella Union.

Dos antípodas chegam-nos frequentemente várias propostas musicais que atravessam os mais variados géneros; Dos AC/DC à pop electrónica de uns Presets ou Cut Copy, ou do psicadelismo tribal de uns Ruby Suns às referências históricas que são Nick Cave ou os Dead Can Dance e Crowded House, ouve-se um pouco de tudo. No que diz respeito a este projeto de James Milne, ele encontra as suas raízes numa pop acústica com alguns laivos de folk, de índole mais clássica, ou seja, falamos de canções montadas a partir de uma guitarra acústica e com arranjos de cordas, onde se incluem majestosos violinos, que refletem uma sonoridade elaborada e bastante melódica.

Basta escutar canções como Lick Your Wounds ou o single Travelling Shoes para reconhecer esta pompa acústica e ao memso tempo carregada de luz, assim como uma preocupação bem latente de contar histórias, com se cada uma das nove músicas do disco fosse o reflexo de uma realidade musical vivenciada pelo músico.

Confesso não conhecer a discografia anterior do músico e por isso não posso comparar este álbum com os anteriores; No entanto, a audição de The Sparrow deixou-me bem clara a ideia que Lawrence Arabia ainda anda a ensaiar passos e a experimentar ideias, já que temos canções com tons mais noturnos e despojados e outras mais eufóricas e ritmicamente bastante marcadas.

The Sparrow é um disco que chama a atenção para um nome que pode valer a pena acompanhar de perto. Espero que aprecies a sugestão...

Lawrence Arabia - The Sparrow

01. Travelling Shoes
02. Lick Your Wounds
03. The Listening Ties
04. Bicycle Riding
05. The 03
06. Early Kneecappings
07. The Bisexual
08. Dessau Rag
09. Legends


autor stipe07 às 18:00
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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2012

Nathan Westwood – Piano Bed

 Nathan Westwood

Nathan Westwood é o nome artístico de Eric Rottmayer, um músico natural de Columbus, nos Estados Unidos. Já em 2012 lançou Piano Bed, o seu segundo álbum de originais, disponível para download gratuíto no bandcamp do músico.

Sit In My Skin é o single de apresentação deste disco gravado num estúdio caseiro, produzido pelo próprio autor e que contém, em trinta minutos, alguma da melhor pop folk acústica que ouvi recentemente. Espero que aprecies a sugestão...

Nathan Westwood - Piano Bed

01. Piano Bed
02. Sit In My Skin
03. This Time
04. Brand New
05. Ship Vs. Sea
06. Homecoming King
07. It’s Your Time, Now
08. It Doesn’t Matter At All
09. Beautiful Dream
10. The Lung

Sit In My Skin by Nathan Westwood


autor stipe07 às 20:40
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Quarta-feira, 1 de Agosto de 2012

Walter Benjamin – The Imaginary Life Of Rosemary And Me

Luis Nunes é português, vive em Londres e é também Walter Benjamim, nome de um filósofo alemão do início do século passado e o alibi perfeito para Luis escrever sobre o que intencionalmente quiser e poder assim, como já li algures, criar um mundo imaginário onde tudo é perfeito, o amor não dói e o coração não se parte. Rosemary é a sua companheira perfeita, cuja existência Luís deixa à nossa especulação, porque além de ter encarnado na mente prodigiosa de Walter, adquiriu as caraterísticas perfeitas para ser a figura principal de The Imaginary Life Of Rosemary And Me, um disco gravado entre Lisboa e Londres, editado pela Pataca Discos no passado dia dezasseis de abril e onde o amor, o enamoramento e aquele aperto desiludido no coração que nos diz tanto, são o eixo motriz da esmagadora maioria das canções.

The Imaginary Life Of Rosemary And Me é um belíssimo compêndio folk, assente numa sonoridade melancólica e que nunca azeda, mesmo que a tristeza trespasse algumas canções. Walter refere que o disco deve ser ouvido do princípio ao fim como se fosse um livro e faz questão de vincar o cariz ficcional do mesmo, mas poucos são aqueles que podem negar que há aqui muita banda sonora disponível para alguns dos momentos mais significativos da existência particular de cada um de nós.

As referências musicais de Walter são variadíssimas e abarcam a folk norte americana de Bob Dylan e Neil Young, o funk brasileiro de Jobim e Chico Buarque, a percussão africana da motown e alguns tiques da eletrónica contemporânea. Este caldeirão sonoro e a colaboração de vários nomes de relevo dão às oito canções um leve travo tropical mas que não apaga a matriz folk clássica, ancorada na tradicional pop psicadélica feita pela guitarra acústica e pelo piano, muito à imagem de uns Wilco ou de uns Red House Painters.

Mais importante do que realmente esclarecer um possível teor auto biográfico em torno de The Imaginary Life Of Rosemary And Me, importa valorizar o seu conteúdo e, sobretudo, a capacidade de Walter em levar a bom porto este disco, porque só poderá ter saído da mente de alguém que preza o amor como o mais nobre dos sentimentos e que, por isso, merece todo o destaque e toda a atenção que quem ouve as suas canções e, como eu, se sente tocado por elas, lhe possa proporcionar.

Agradeço à Let's Start A Fire, na pessoa da Raquel Lains, pelo exemplar digital do disco, que me possibilitou escutá-lo inúmeras vezes e assim escrever estas breves notas e dessa forma divulgá-lo. Mas também lhe agradeço por ter intermediado o meu contato com Walter Benjamim, de forma a que ele me respondesse a algumas questões sobre o disco, uma entrevista transcrita abaixo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Our Imaginary House
02. High Speed Love
03. Under Your Dress
04. Twenty Four
05. This Ain’t Our Last Dance
06. Airports And Broken Hearts
07. Mary
08. Your House

 

- Walter Benjamim é um filósofo alemão do início do século XX. Porquê a escolha do nome desta personalidade para nome artístico?

 

Porque gostei do nome, por causa da sua história trágica que está relacionada com Portugal, porque achei piada a roubar nome a uma personalidade desta forma tão descarada e, por fim, porque pode ser o nome de qualquer pessoa. É um nome especial mas comum ao mesmo tempo, é só ligar Walter e Benjamin.

 

- Li algures que a melhor definição que tens para The Imaginary Life Of Rosemary And Me é ser um álbum de canções que pode ser ouvido do principio ao fim como um livro. Sendo assim, estamos em presença de um álbum conceptual?

 

Sim, é um álbum conceptual. O termo faz-me sempre lembrar as bandas de rock progressivo e os conceitos eram sempre coisas mais espectaculares como The Dark Side of The Moon. O meu disco é só um conjunto de canções que estão ligadas pela mesma história, mais próxima da minha realidade.

 

- Confesso que já ouvi The Imaginary Life Of Rosemary And Me algumas vezes e por acompanhar com algum interesse o universo musical folk da américa do norte (Estados unidos e Canadá), sinto um paralelismo imenso com o que se vai fazendo de melhor naquela zona do globo. Pode-se dizer que é essa a tua maior influência, independentemente da míriade sonora presente em The Imaginary Life Of Rosemary And Me?

 

Sem dúvida que este disco tem ligações fortes à folk mais americana, cresci com o Dylan, os Crosby, Stills, Nash & Young, o Cohen, etc. Mas também há um lado bastante europeu neste disco e um bocado do Brasil na Airports and broken hearts. Eu, no fundo, vou buscar coisas a todo o lado.

 

- Este disco foi gravado entre Lisboa e Londres onde reside atualmente. As caraterísticas culturais e musicais destas duas cidades tiveram algum peso no conteúdo do álbum, nomeadamente na sua diversidade sonora, ou seja, achas que se tudo tivesse sido feito só numa delas, The Imaginary Life Of Rosemary and Me teria uma sonoridade diferente e mais homogénea?

 

Este disco tem a impressão sónica das duas cidades, abre com os sons do Regent's Canal em Londres e passa pelos sinos de Lisboa e comboios da CP, escondidos por detrás de uma data de coisas. Este disco nunca poderia existir se não tivesse sido feito entre as duas cidades, os lugares estão inscritos nestas canções.

 

- Tens uma canção preferida neste álbum?

 

Já tive várias, vai variando. Acho que agora já não consigo escolher nenhuma de forma convicta, talvez Airports and broken hearts.

 

- Como têm corrido os concertos de promoção ao disco? Quais são os próximos?

 

Têm corrido muito bem, as reacções do público têm sido muito boas e isso deixa-me muito feliz. Os meus próximos concertos são todos aqui em Inglaterra, vou tocar agora na passagem da chama Olímpica por Londres e no festival Standon Calling. Em breve haverá mais novidades, espero voltar a tocar em Portugal em breve!

 

- O disco conta com algumas participações especiais, nomeadamente de Márcia, Francisca Cortesão (Minta) e AnaMary Bilbao nas vozes, Nick Mills e Duncan Brown nos metais, João Paulo Feliciano no Hammond, Bruno Pernadas na guitarra eléctrica e de B Fachada. Existe algum critério musical nestas escolhas ou são apenas os teus amigos e pessoas que querias muito ao teu lado neste disco?

 

Eles não são uns amigos quaisquer, são todos excelentes músicos e eu quis fazer este disco com eles. Isso em si já é um critério musical, porque o lado emocional da música não pode ser posto de parte. A música tem de ser feita com prazer, há um elemento de magia no processo que tem de ser alimentado. É uma viagem e ainda bem que a fiz com estas pessoas, nunca teria sido o mesmo sem elas.

 

- O que podemos esperar do futuro do Walter Benjamim? Será paralelo ao do Luis Nunes, como músico e compositor, ou a sua aventura termina aqui?

O Walter Benjamin é uma personagem que vive uma vida diferente da do Luís, ele consegue beber mais whisky. A sua aventura continua até alguém se fartar, estou a gravar coisas para o próximo disco e cheio de vontade para tocar mais e mais.


autor stipe07 às 22:24
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012

Glen Hansard – Rhythm And Repose

O irlandês Glen Hansard é um já velho conhecido do universo musical e com algumas citações por cá, devido ao seu envolvimento no projeto The Swell Season, onde faz parceria com Marketá Irglova e de cuja discografia destaco a banda sonora de Once, que lhes valeu um óscar. Depois desse sucesso, a mesma entrou em pousio e cada um trilhou o seu caminho a solo; Marketá lançou Anar e agora foi a vez de Glen fazer o mesmo, um álbum intitulado Rhythm And Repose.

Glen e Marketá sempre se serviram da melancolia na dupla Swell Season, mas uma audição atenta percebia que a personalidade de ambos, um pouco distinta, ficava plasmada na forma como colocavam a voz; Enquanto Marketá era contida, Glen mostrava-se sempre mais expansivo, algo bem patente neste disco a solo, onde a temática do amor não correspondido e das paixões arrebatadoras permanece bem audível. A viola acústica, às vezes mais folk, outras eminentemente country e o apoio de outros instrumentos, criam um disco intimista onde se ouve um emaranhado de canções que nos transportam para bem longe, ao mesmo tempo que, havendo predisposição para isso, tocam fundo bem aqui, no nosso coração.

Às vezes sente-se falta da voz de Marketá e talvez Glen pudesse também ter seguido um pouco mais em frente e não se conformar apenas ao ambiente sonoro dos The Swell Season, como principal fonte de inspiração deste Rhythm And Repose. No entanto, estamos perante um disco obrigatório para quem é fã do músico e da sua obra. Espero que aprecies a sugestão...

01. You Will Become
02. Maybe Not Tonight
03. Talking With The Wolves
04. High Hope
05. Bird Of Sorrow
06. The Storm, It’s Coming
07. Love Don’t Leave Me Waiting
08. What Are We Gonna Do
09. Races
10. Philander
11. Song Of Good Hope


autor stipe07 às 13:21
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2012

Admiral Fallow – Tree Bursts In Snow

Os Admiral Fallow são uma banda escocesa que viu a luz do dia em 2007 graças ao músico e compositor Louis Abbott, natural de Glasgow. Estrearam-se nos discos com Boots Met My Face, um compêndio de folk pop lançado em 2011. Agora, um ano depois, já têm sucessor, um álbum chamado Tree Bursts In Snow, editado no passado dia vinte e um de maio.

Tree Bursts In Snow destaca-se desde logo pelo single The Paper Trench e, tal como esta canção, o restante alinhamento aborda temas tão díspares como a religião, a guerra e o papel dos jovens nos dias de hoje, num trabalho que consolida o som destes escoceses no cenário musical europeu.

Nestes quase cinco anos de existência os Admiral Fallow já passaram por períodos de mutação a nível sonoro, tendo a determinada altura sido influenciados por sonoridades mais cruas e até punk. No entanto, hoje é a tal folk pop encharcada de melancolia e romance o farol que os guia.

Além da guitarra, quase sempre tocada por Abbott e uma voz deste músico a fazer lembrar bastante Guy Harvey, dos Elbow, é possível ouvir-se, por exemplo, delicadas flautas que ajudam a criar um ambiente ainda mais intimista e poético no álbum.

De todas as bandas escocesas da atualidade, além dos Frightened Rabbit, estes Admiral Fallow são uma banda que não se deve perder de vista. Espero que aprecies a sugestão...01. Tree Bursts
02. The Paper Trench
03. Guest Of The Government
04. Beetle In The Box
05. Old Fools
06. Isn’t This World Enough??
07. Brother
08. The Way You Were Raised
09. Burn
10. Oh, Oscar

MySpace


autor stipe07 às 12:08
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

The Mynabirds – Generals

Os The Mynabirds são um coletivo indie pop encabeçado pela cantora e compositora Laura Burhenn. Generals, lançado no passado dia cinco de junho através da Saddle Creek Records, foi produzido por Richard Swift e sucede ao aclamado disco de estreia, What We Lose in the Fire, We Gain in the Flood, editado em 2010.

Soube da existência desta banda através de Generals e confesso ainda não ter tido a oportunidade de escutar o antecessor, do qual apenas conheço What We Gained In The Fire, uma canção deslumbrante e cheia de serenidade, uma balada arrepiante que fala da vida e do que nela aprendemos e vamos deixando para trás, à medida que crescemos.

 

Já percebi que estes The Mynabirds são um tesouro escondido, pouco divulgado e com várias canções muito pouco ouvidas. O trabalho que é desenvolvido pelos músicos que Laura encabeça, é rico, belo e merece ser muito mais incensado e espalhado. Ela formou este grupo em 2009, depois de ter saído da sua antiga banda, os Georgie James. Nestes The Mynabirds juntou músicos com habilidades distintas e, conforme referi no início, lançou o disco de estreia, What We Lose In The Fire, We Gain In The Flood, no ano seguinte que, de acordo com a crítica, além de mostrar o talento dos membros da banda, tem um reportório que transita entre o pop, a folk e o rock vintage.

Esses géneros voltam a estar sonoramente plasmados e no seu melhor, com uma aprofundada polidez e presença em Generals, um álbum cheio de energia (ouça-se Disarm ou Body Of Work), mas também com uma atmosfera etérea e misteriosa que Mightier Than The Sword e Karma Debt exemplificam muito bem.

É possível que os The Mynabirds continuem a ser uma banda restrita a um nicho de ouvintes, mas considero que as suas criações musicais são demasiado boas para passarem tão despercebidas. Espero contribuir para que a sua legião de seguidores se alargue um pouco mais porque acho que merecem. E espero que aprecies  a sugestão...

01. Karma Debt
02. Wolf Mother
03. Generals
04. Radiator Sister
05. Disaster
06. Mightier Than The Sword
07. Body Of Work
08. Disarm
09. Buffalo Flower
10. Greatest Revenge



autor stipe07 às 13:31
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