Domingo, 9 de Outubro de 2016

Helado Negro - Private Energy

Helado Negro é um projeto que me é muito querido, liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos, radicado nos Estados Unidos e que lançou há poucos dias Private Energy, o seu quinto longa duração, como é habitual através da Asthmatic Kitty. Falo de catorze belíssimas canções que são mais um momento marcante deste músico sedeado em Brooklyn, um disco onde Lange amplia as suas experimentações com samples e sons sintetizados de modo a replicar uma multiplicidade de referências sonoras. Uma das particularidades deste disco é contar, nas apresentações ao vivo de promoção deste registo, com o contributo visual e artístico do coletivo Tinsel Mammal, um grupo de dançarinos com vestes prateadas e que encarnam na perfeição o espírito muito particular e simbólico da música de Helado Negro.

Resultado de imagem para helado negro roberto carlos lange 2016

Sublime sapiência e uma incontida sensação de relaxamento e conforto apoderam-se imediatamente do ouvinte logo que os acordes de Calienta sussurram nos nossos ouvidos. Depois planamos com os samples dos sons tipicamente sul americanos que adornam os teclados e os sopros épicos de Tartamudo, com a batida sintética de Lengua Larga a alargar quer os nossos horizontes quer o diâmetro da nossa anca, possuída, sem dono e com vontade própria, não resistindo a acompanhar uma canção que fala muito de lábios e que sobe de intensidade e emoção, assim como a temperatura do nosso corpo.

É assim a música de Helado Negro, intensa, palpável e dominada por um pendor acústico e tipicamente latino, mas com a eletrónica em forma de dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos de hip hop, a ser cada vez mais um veículo privilegiado no processo de composição.

Disco fortemente conduzido por uma tendência urbana e contemporânea, mas onde também não falta, em Obra Dos, Tres, Cuatro e Cinco, aquele aspeto geográfico e ambiental tâo sul americano em que cidade e floresta tropical amiúde se fundem, em Private Energy Lange desabafa sobre experiências individuais que poderão indicar a presença de uma elevada vertente autobiográfica. Escuta-se o verso I Feel Invisible Without Your Wisdom em Transmission Listen, uma profunda canção sobre muitas das dicotomias subjacentes ao amor e no love can cut our knife in two em Runaround, o primeiro single divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade e percebe-se esta filosofia de alguém positivamente obcecado pela evocação de memórias passadas e, principalmente, pela concretização sonora de sensações, estímulos,reacções e vivências cujo fato serve a qualquer comum mortal.

Ao quinto disco, cada vez mais confiante, inspirado e multifacetado, Lange continua a aventurar-se corajosamente na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas canções contorna, mais uma vez, todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é, mais uma vez, sonoramente tão bem retratado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre si próprio, enquanto compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que Helado Negro sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Private Energy

01. Calienta
02. Tartamudo
03. Obra Dos
04. Lengua Larga
05. Runaround
06. Young, Latin And Proud
07. Obra Tres
08. Transmission Listen
09. Persona Facil
10. Mi Mano
11. Obra Cuatro
12. It’s My Brown Skin
13. We Don’t Have Time For That
14. Obra Cinco


autor stipe07 às 22:25
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Sábado, 15 de Agosto de 2015

The Vera Violets – Six

Jonathan Beadle, Neal McCamis e Bryan Thompson, são os The Vera Violets, um trio norte americano oriundo de Tampa, na Florida e que coloca todas as fichas no indie rock psicadélico, onde não faltam típicos detalhes do rock de garagem, replicados no fuzz das guitarras e no charme da produção, em alguns momentos com um sedutor pendor lo fi. Conforme o título indica, Six, um trabalho editado no passado dia sete, é o sexto álbum da carreira deste grupo, que se iniciou há já onze anos com Faintly Acquainted, o álbum de estreia dos The Vera Violets.

Este trio norte americano invoca os espíritos passados que fundaram e cimentaram as bases estruturais do indie rock, com firmeza, amplitude e uma rugosidade saudável. Na distorção das guitarras, na bateria musculada e nos gritos rebeldes de Distorted View, amaciados por uma delicadeza melódica impar e no andamento solarengo e sorridente de Wherever It Goes, estão impressos carateres sonoros sólidos que fazem destes The Vera Violets uma banda vanguardista e na linha da frente, mais um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI, de projetos que conseguem colocar o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, faznedo-o à sombra do melhor garage rock que surgiu nos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Além destes dois temas acima referidos, basta escutar-se com dedicação o frenesim intuitivo lo fi de Rock Song, os acordes sujos de Wild At Heart e o efeito musculado da guitarra cheia de groove que conduz To Be In para se perceber que este Six é a banda sonora perfeita para uma festa feita de cor, movimento e muita letargia, onde não falta mesmo a atmosfera mais introspetiva de Somewhere Else, uma forma muito luminosa e profunda de encerrar um disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos autores a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações, apesar do cardápio sonoro que já possuem.

Depois de onze anos a impressionar a crítica, estes californianos mantêm, em Six, a toada dos trabalhos antecessores e trazem o horizonte vasto de referências e as inspirações de sempre, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Levam-nos novamente numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente em guitarras vintage, sempre angulares, diversificadas ao nível dos efeitos e com um espírito shoegaze que se saúda e que Octupus Dream, por exemplo, ampara. Espero que aprecies a sugestão...

The Vera Violets - Six

01. Distorted View
02. To Be In
03. Wild At Heart
04. Wherever It Goes
05. Octopus Dream
06. Perfect Day
07. Rock Song
08. Everything
09. Come On Come On
10. Somewhere Else


autor stipe07 às 10:45
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Quarta-feira, 20 de Maio de 2015

Surfer Blood - 1000 Palms

Os Surfer Blood são uma banda de surf rock natural de West Palm Beach, na Flórida, formada por John Paul Pitts, Tyler Schwarz, Thom Fekete e Kevin Williams. Impressionaram esta publicação há cerca de dois anos com Pythons, o segundo longa duração do grupo. No passado dia doze chegou aos escaparates 1000 Palms, o sucessor de Pythons, uma nova coleção de canções destes Surfer Blood sedentos e claramente felizes no modo como piscam o olho a espetros sonoros tão variados como a surf music ou o rock alternativo dos anos noventa, fazendo-o com uma particular relevância comercial que tem aproximado o quarteto de um número cada vez maior de ouvintes. Na verdade, logo desde o início de 1000 Palms, da toada inicialmente sombria mas depois fortemente orquestral de Grand Inquisitor à nostalgia ensolarada de Island, passando, pouco depois, pelo piscar de olhos da distorção das guitarras ao rock mais progressivo em I Can't Explain, tudo parece ter sido pensado para soar bem nos nossos ouvidos, com naturalidade e sem exageros desnecessários.

Além desta ampla miríade de influências que fundamentam o seu cardápio sonoro, um dos grandes trunfos destes Surfer Blood é, sem sombra de dúvida, a voz de John Pitts, um importante factor para essa aproximação com o ouvinte já que, melodicamente, decide a maioria dos rumos sonoros que as diferentes canções têm, mesmo que abundem várias camadas de distorção nos alicerces das mesmas. Seja como for e apesar da tal importância da voz, as guitarras são um dos principais atributos de 1000 Palms e imprescindíveis para o seu dinamismo. Tocadas por Thom Fekete e pelo também vocalista John Paul Pitts, são extremamente criativas e dão-nos melodias únicas, com destaque para Sabre-Tooth And Bone e a já citada I Can't Explain; Se a primeira dissolve-se uniformemente em acordes muito precisos, mesmo que os efeitos alternem entre o rugoso e o luminoso, a segunda cresce num solo que nos leva, ainda que levemente, até à psicadelia, conferindo a tal toada progressiva referida. Já Covered Wagons conduz o registo das cordas para uma toada mais pop e os vários blocos de distorção de Dorian aproximam claramente o quarteto da essência de Slow Six, o primeiro disco e claramente o mais cru ate à data.

Novamente afastados de grandes editoras e de regresso ao circuito comercial independente depois de terem editado Pythons à sombra da Warner Bros. e, talvez por isso, libertos de algumas amarras editoriais, os Surfer Blood continuam na sua louvável cruzada de busca incessante do melhor estilo sonoro, num percurso cheio de energia criativa, marcada por uma angústia quase inofensiva, onde não faltam momentos altos e, como mostra, por exemplo, Other Desert Cities, instantes de notável esplendor e júbilo. Espero que aprecies a sugestão... 

Surfer Blood - 1000 Palms

01. Grand Inquisitor
02. Island
03. I Can’t Explain
04. Feast/Famine
05. Point Of No Return
06. Sabre-Tooth And Bone
07. Covered Wagons
08. Dorian
09. Into Catacombs
10. Other Desert Cities
11. NW Passage


autor stipe07 às 21:45
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Kodak To Graph - ISA

Depois de em agosto de 2013 Mikey Maleki ter andado a editar uma canção por mês, numa longa e bonita jornada que resultou na compilação 2013 Monthly Singles, disponivel para audição e download e que fui dando conta, por cá, durante esse ano, este músico e produtor norte americano de origens iranianas oriundo de Pensacola, na Flórida, atualmente a residir em Los Angeles e que assina a sua música como Kodak To Graph, começou 2015 a participar ativamente na gravação de Oldies, um trabalho também disponivel gratuitamente e que plasma eletrificantes experimentações sonoras. Agora, a dez de março, chegou, finalmente, o seu longa duração de estreia, um disco chamado ISA, também possivel de ser obtido gratuitamente e que é uma verdadeira jornada emotiva e emocional pelos pensamentos, experiências e momentos que se revelaram significativos para o autor nos últimos temps e que o transformaram no músico e pessoa que é hoje.

Maleki sempre gostou de gravar e depois reproduzir sinteticamente sons reais, que capta ao seu redor e que tanto podem ser relacionados com a natureza, nomeadamente o chilrear de aves ou os galhos que se quebram durante um passeio pela floresta, como sons mais citadinos e que reproduzem ruídos habituais num ambiente citadino. Desolation Wilderness é um bom tema para se perceber de que modo funciona esta imagem de marca de Kodak to Graph e igualmente bastante presente no restante alinhamento de ISA. O autor confessa cultivar esse gosto com método porque acha que a inserção desses arranjos nas melodias enriquece-as e funciona, de certa forma, como a componente lírica das suas canções, geralmente instrumentais, dando-lhes uma clara sensação de narrativa e ampliando o propósito que elas têm, que é o de contar histórias concretas e com vida, mesmo que não contenham letras e uma voz que as replique de modo entendível. Quando a voz surge nas canções de Maleki é quase sempre modificada e samplada, funcionando como mais um detalhe sonoro ou outro dos instrumentos que deambulam pelas composições. Los Angeles, tema de tributo à cidade que recentemente acolheu este músico, é um notável exemplo do modo como Maleki utiliza a voz como mero recurso sonoro, no meio de outros detalhes e sons que facilmente nos colocam no meio da movimentada South Vermont rumo a Beverly Hills.

A música de Kodak To Graph exala imenso uma sensação de convite frequente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e este produtor não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Belong, o tema de abertura, a surpreender desde logo pelo cariz pop claramente urbano, proporcionado por uma eletrónica manipulada com mestria, não só no modo como o cruza o trompete com a melodia, mas também pelo realce que alguns metais usufruem em determinados momentos da canção. Belong liga-se com Floating através de uma batida minimal que depois parece submergir num mundo aquático e, por isso, sonoramente mais denso e pastoso e se esta conexão entre canções acentua o tal espírito de narrativa sequencial que domina ISA, a opção por arranjos, detalhes, ruídos e métodos de manipulação sonora que se interligam com o título das canções, além de nos fazerem perceber as diversas variáveis que Mike introduz no sintetizador para transmitir uma sensação intrincada e fortemente espiritual. Na verdade, ISA transborda um ideal de leveza e cor constantes, como se o disco transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, apesar de, felizmente, serem agora menos frios e sombrios, permitindo-nos escutar uma música bastante sensorial, que parece ter textura, cheiro e flutuações térmicas condizentes com o ritmo, a batida ou o borbulhar de determinados detalhes, aquáticos ou terrenos que facilmente se identificam e que são passíveis de serem confrontados com aspetos reais e palpáveis do meio que nos rodeia. Se a sensibilidade emotiva, minimal e arrepiante de Glaciaa nos obriga a vestir um agasalho bem quente enquanto sobrevoamos os pólos, as já citadas Los Angeles e Belong retratam uma América multicultural e cosmopolita que acolheu e inspira Maleki.

Rico e arrojado e apontando em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, ISA tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor eletrónica contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, oferecer música que se sente e que se vê, englobando diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, que podem passar pelo trip hop, a chillwave, o hip hop ou o R&B num pacote que conta histórias que as máquinas de Maleki sabem, melhor do que ninguém, como reporduzir e encaixar. Este é um álbum para ser escutado, visto e sentido, recheado de paisagens sonoras bastante diversificadas, mas de algum modo descomplicadas e acessíveis e que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 19:14
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Sábado, 14 de Março de 2015

Surfer Blood – I Can’t Explain / Death And The Maiden

1000 Palms I Can't Explain Premiere

Depois de Pythons, os Surfer Blood de John Paul Pitts, uma banda de surf rock natural de West Palm Beach, na Flórida, têm novidades. I Can't Explain e Death And The Maiden antecipam a chegada de in 1000 Palms, o terceiro disco do quarteto, que irá ver a luz do dia a doze de maio através da Joyful Noise.

A letra de I Can't Explain foi escrita por Kevin Williams e conta a história de um encontro romântico numa passagem de ano, com a melodia a ter surgido durante uma jam session bem sucedida e de onde sobressai o modo como a canção cresce à medida que a guitarra vai impondo o ritmo e a cadência e aumentando o volume da distorção. Death And The Maiden é uma excelente e animada versão de um original dos The Verlaines, composto em finais dos anos oitenta. Confere...

Surfer Blood - I Can't Explain - Death And The Maiden

01. I Can’t Explain
02. Death And The Maiden

 


autor stipe07 às 14:19
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Domingo, 8 de Março de 2015

Astari Nite - Anonymous

Depois de a vinte e três de janeiro de 2014 os Astari Nite terem editado Stereo Waltz, um trabalho produzido por Steve Thompson, esta banda norte americana de Miami, na Flórida, formada por Mychael Ghost (voz), Illia Tulloch (bateria), Michael Setton (guitarra) e M. Sallons (baixo), está de regresso com Anonymous, um EP de quatro canções, desta vez produzido por Josh Rohe e que assenta num som progressivo com tonalidades típicas do rock mais gótico, em detrimento de uma eletrónica cheia de tiques da darkwave, até hoje a atmosfera sonora mais habitual nos Astari Nite.

Os sintetizadores, as guitarras cheias de distorção, o baixo vigoroso e uma percussão vibrante, assim como a toada emotiva do registo vocal de Mychael conduzem os temas de Anonymous e dão-lhes aquela tonalidade retro que nos faz recuar até aos anos oitenta.

De tonalidades mais pop, expressas no single The Boy Who Tried até ao clima épico de Considered The Thought, ou o indie rock mais clássico de Epilogue e de Beautiful Vacancy, há uma constante sensação vintage, uma vibração que nos faz viajar entre o nostágico e o contemporâneo e que parece conseguir caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta.

Anonymous é um EP obrigatório para os apreciadores do rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico como, ao mesmo tempo, encontra raízes numa espécie de hardcore eletrónico e luminoso. Este trabalho demonstra igualmente a capacidade eclética dos Astari Nite em compôr boas letras e oferecer-lhes alguns dos melhores efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do indie punk vintage mais sombrio. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2015

Kyle Cox - The Plan, The Mess

Natural de Orlando, na Flórida, o norte americano Kyle Cox é um músico que gosta de enfatizar a importância de uma interligação clara e objetiva entre a componente melódica e a escrita das letras das canções, considerando que deve haver uma correspondência entre a luminosidade das canções e o grau de positividade da mensagem que pretendem transmitir. Um pouco na linha identitária de nomes como Bob Dylan ou o  Bruce "Boss" Springsteen, Cox vai beber à indie folk e ao típico indie rock clássico nativo, alternando gitarras acústicas e elétricas com um baixo encorpado, uma bateria com um registo predominantemente ritmado e grave e, adornando o pacote com arranjos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

Editado no início do outono de 2014 e gravado com as participações especiais do produtor e baterista Mike Marsh (Avett Brothers, Dashboard Confessional), The Plan, The Mess é o seu mais recente registo, um trabalho disponível para audição no bandcamp do autor e que plasma a sua dedicação efetiva a um género sonoro que diz muito aos seus conterrâneos e onde o foco é colocado, de modo enfático, no cariz acessivel e das canções. Na sequência feita com o rock clássico alegre e incisivo de You Got That Something ou na balada folk Never Looking Back, um tema que transborda uma luminosa e majestosa melancolia, num belíssimo tratado de folk acústica onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave que deslumbra e corrói, mesmo os corações mais empenedridos e também no suave e encantador instante pop chamado I Found Love, encontramos três temas que sintetizam com exatidão o modo de pensar a música por Cox, abundam neste disco as imagens deslumbrantes, feitas com uma linda e mágica paleta sonora de cores, com uma edição inspirada e delicada.

Em instantes como I Ain't Been Lonely, Until I Meet You ou Old City Train, o contraste que o artista consegue propôr e que resulta, principalmente, da conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade da guitarra elétrica, num resultado final sempre vibrante e com uma energia bastante particular, que o pormenor da harmónica, um instrumento que serve, frequentemente, de ponto de encontro entre diferentes canções amplia, demonstra que estamos na presença de um artista inspirado capaz de empolgar uma pequena multidão que o escuta numa sala de estar, ou uma grande e efusiva audiência num amplo espaço aberto, sempre com o mesmo graude emoção e dedicação.

O efeito na voz em Honey, Let's Run Away e o modo como a pandeireta acompanha a viola, são um dos instantes mais curiosos de um disco obrigatório para os apreciadores deste tipo de sonoridade, criado por um artista que demonstra enorme capacidade para escrever canções que tocam fundo e que transmitem mensagens profundas e particularmente bonitas, com uma energia intensa e uma versatilidade imensa.

Kyle Cox gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e esta realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever, enquanto embala os nossos ouvidos com simples acordes, várias vezes dispostos em várias camadas sonoras, é mostrada com uma naturalidade que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a nossa realidade encaixa na melodia destas canções. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:19
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014

Astari Night - The Boy Who Tried

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Os Astari Nite são uma banda norte americana de Miami, na Flórida, formada por Mychael Ghost (voz), Illia Tulloch (bateria), Michael Setton (guitarra) e M. Sallons (baixo). Depois de no início deste ano ter revelado Stereo Waltz, o último longa duração do grupo, agora, no ocaso de 2014, divulgo The Boy Who Tried, o primeiro avanço para Eponymous, um EP que a banda irá lançar muito em breve.

Produzido por Josh Rohe, The Boy Who Tried assenta num som progressivo com tonalidades típicas do rock mais gótico e da eletrónica cheia de tiques da darkwave, sendo esta a habitual atmosfera sonora dos Astari Night. O rema está disponível gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Confere...


autor stipe07 às 12:03
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Domingo, 14 de Dezembro de 2014

Sunbears! - Wonderful Christmas Time

 

Oriundos de Jacksonville, na Flórida e formados por Jonathan Berlin, Jared Bowser, Walter Hill e Jordan Allen Davis, os norte americanos Sunbears! apostam no indie rock psicadélico, amplo, luminoso e orquestral.

Há alguns dias divulguei a minha crítica a Future Sounds, o mais recente trabalho dos Sunbears!, por sinal um disco que vai direitinho e com todo o mérito, para o top ten daqueles que eu considero serem os melhores álbuns de 2014 e, pelos vistos, como modo de agradecerem tão ilustre nomeação por parte de uma publicação tão presitigada mundialmente como é Man On The Moon, resolveram compôr um tema de Natal e oferecer a todos os seus fãs.

Wonderful Christmas Time é, portanto, a canção de Natal dos Sunbears! e, com seria de esperar, tem um conteúdo sonoro embutido numa aúrea psicadélica vintage, luxuriante e orquestral, com forte sentido melódico e um experimentalismo que se saúda sempre, principalmente quando se tenta gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, como é claramente o caso destes Sunbears!, pelos vistos capazes de compôr um tratado sonoro tão autêntico e intenso como o Natal que se aproxima. Confere...


autor stipe07 às 17:02
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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2014

Sunbears! – Future Sounds

Oriundos de Jacksonville, na Flórida e formados por Jonathan Berlin, Jared Bowser, Walter Hill e Jordan Allen Davis, os norte americanos Sunbears! estão de regresso aos discos com Future Sounds, um trabalho editado no passado dia onze de novembro através da New Granada Records e o segundo da carreira de um coletivo que aposta no indie rock psicadélico, amplo, luminoso e orquestral.

Future Sounds faz juz ao nome, com o seu conteúdo sonoro embutido numa aúrea psicadélica vintage, luxuriante e orquestral, com um forte sentido melódico e um experimentalismo que se saúda sempre, principalmente quando se tenta gravitar em torno de difrents conceitos sonoros e esferas musicais, como é claramente o caso destes Sunbears!, pelos vistos capazes de compôr um tratado sonoro tão autêntico e intenso como How Do You Go Forward??, uma das canções mais excitantes do disco.

Escrevendo com uma certa dose de surrealismo, como se pede a projetos que se situam neste espetro sonoro (I dreamed a dream that I dreamt you) e colocando o epicentro emocional das letras nas dúvidas existenciais que muitas vezes assolam a nossa existência e que a psicotropia frequentemente é a principal fonte de resposta para as mesmas (How can we explain the trouble we cause?), os Sunbears! tanto abraçam a herança pop mais nostálgica e com um elevado pendor sinfónico (Don't Take Many Things), como navegam nas águas turvas do rock progressivo (I'm Feelin' Low), fazendo-o com semelhante ligeireza e sempre com uma onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que não dispensa em alguns momentos alguns travos de krautrock.

Se as guitarras e o reverb da voz em Overspiritualized servem na perfeição para despertar mentes ressacadas, a hipnótica Laughing Girl!, o single retirado de Future Sounds, desperta-nos para um paraíso de glória e esplendor e subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. E estes são apenas dois exemplos de um alinhamento que plasma nestes Sunbears! a capacidade que têm de atrair, quem se predispõe a tentar entendê-los, para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que eles conseguem muito bem transmitir.

Servindo-se das cordas acústicas, exemplarmente replicadas em A Sad Case of Hypersomnia e de um vasto arsenal de efeitos quando as mesmas são eletrificadas, de arranjos e detalhes sintetizados quase sempre a apontar baterias na direção do espaço sideral, Future Sounds contém um cardápio instrumental bastante diversificado e prova que os Sunbears! entram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispor para criar música. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção e estes norte americanos conseguem-no com uma quase pueril simplicidade, ao mesmo tempo que mostram capacidade para reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje para nos oferecer. Assim, Future Sounds é um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, um caldeirão sonoro feito por um coletivo que sabe melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Sunbears! - Future Sounds

01. Future Sounds

02. He’s a Lie! He’s Not Real!
03. I’m Feelin’ Low
04. Don’t Take Too Many Things
05. Overspiritualized
06. How Do You Go Forward??
07. Now You’re Gone
08. I Dreamed a Dream (That I Dreamt You)
09. Laughing Girl!
10. A Sad Case of Hypersomnia
11. Love (Breaks All Sadness)


autor stipe07 às 22:12
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