Quinta-feira, 9 de Abril de 2015

Loose Tooth - Skinny Chewy

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época. Kian Sorouri, Larissa, Christian Bach e Kyle Laganella são os Loose Tooth, uma das novidades mas recentes dessa cidade norte americana e mais uma forte aposta da texana Fleeting Youth Records, de Ryan M., que se prepara para a estreia nos discos as vinte e um de abril, com Easy Easy East.

Depois de terem divulgado Pickwick Average, o primeiro avanço desse álbum, com edição prevista em formato digital e cassete, como é habitual nessa etiqueta, agora chegou a vez de podermos escutar Skinny Chewy, mais uma canção que não defrauda quem aprecia universos universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que estes Loose Tooth parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som e que a estreia será um marco no género em 2015. Confere...

 


autor stipe07 às 13:42
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Loose Tooth- Pickwick Average

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época. Kian Sorouri, Larissa, Christian Bach e Kyle Laganella são os Loose Tooth, uma das novidades mas recentes dessa cidade norte americana e mais uma forte aposta da texana Fleeting Yourh Records, de Ryan M., que se prepara para a estreia nos discos as vinte e um de abril, com Easy Easy East.

Pickwick Average é o primeiro avanço divulgado desse álbum com edição prevista em formato digital e cassete, como é habitual nessa etiqueta e a canção não defrauda quem aprecia universos universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que, tendo em conta o modo como a bateria alterna a cadência, com as guitarras a fazerem o acompanhamento melódico devido, Pickwick Average demonstra que estes Loose Tooth parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som e que a estreia será um marco no género em 2015. Confere...

 


autor stipe07 às 11:26
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Domingo, 1 de Março de 2015

CLIQUE​, ​LOOSE TOOTH​, ​GHOST GUM​, MUMBLR - CLIQUE​/​/​LOOSE TOOTH​/​/​GHOST GUM​/​/​MUMBLR SPLIT

CLIQUE//LOOSE TOOTH//GHOST GUM//MUMBLR SPLIT cover art

Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época.

Os Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, são um dos grandes destaques desse movimento, mas há outras bandas locais que parecem querer calcorrear um percurso semelhante e, unindo esforços, chegar a um número cada vez mais de ouvintes.

Com o alto patrocínio da Fleeting Yourh Records, de Ryan M., os Clique, os Loose Thoot e os Ghost Gum, deram as mãos aos já consagrados Mumblr e editaram um EP, em que cada banda contribuiu com um tema, disponível para download gratuíto e que pretende ser uma porta de entrada acessível para esta sonoridade rugosa e envolvente, feita de guitarras que apontam em diferentes direções, sempre acompanhadas pelo baixo que, frequentemente, não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico dos temas. Confere...

 


autor stipe07 às 14:48
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

Mumblr - Full of Snakes (vinyl edit)

Após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, finalmente  estrearam-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração dos Mumblr e chegou aos escaparates a dezasseis de setembro de 2014, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Inicialmente disponível em edição digital ou em cassete, com dezassete canções, algumas delas untitled, a grande novidade é que este trabalho acaba de ser lançado no formato vinil. Falo de uma edição limitada a trezentos exemplares, mas absolutamente imperdível, disponivel para encomenda no bandcamp da editora.
Para comemorar o lançamento desta edição em vinil, os Mumblr divulgaram também um video para Got It, o tema de abertura de Full Of Snakes, um disco cheio de hinos sonoros que plasmam diferentes manifestações de raiva adolescente, o ideário lírico privilegiado das canções desta banda norte-americana. Na verdade, eles debruçam-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas.
Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebeu qual seria a bitola sonora destes Mumblr e o alinhamento na verdade não defrauda os apreciadores do género, até porque Got It, este novo avanço divulgado de Full of Snakes, não foge muito a esta toada, apesar de ser um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva. Já agora, sobre esta canção, Nick Morrison referiu: It´s about being a strange, confused young man; feigning confidence and asking people to take him as he is.
Apesar de estar claramente balizado o espetro sonoro dos Mumblr, há que destacar a forma corajosa como, logo na estreia, não se coibem de tentar experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola. Canções como Black Ships, White Devil ou Greyhound Station, contêm momentos de pura improvisação, com guitarras que apontam em diferentes direções e o baixo dos dois singles acima citados não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico das mesmas. E estes dois importantes ítens não perturbam a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar desses momentos e da especificidade rugosa do som que carateriza os Mumblr.
Em Full Of Snakes os Mumblr estabelecem uma zona de conforto, mas não se coibem de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que eles parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de cerca de quarenta minutos intensos, rugosos e que não envergonharão o catálogo sonoro deste grupo de Filadélfia, seja qual for o restante conteúdo que o futuro lhes reserve. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 13:11
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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2015

Suburban Living – Suburban Living

Wesley Bunch, um músico de Filadélfia, é a mente criativa que dá vida a Suburban Living, um projeto de que acaba de se estrear no formato álbum com um homónimo preenchido com oito canções, editado através da etiqueta nova iorquina PaperCup Music, o abrigo perfeito para um trabalho que tem os seus pilares assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia.

Gravado nos estúdios EarthSound, em Virginia Beach, com o engenheiro de som Mark Padgett, Suburban Living traça linhas paralelas com a tradição sonora deixada por herança há umas três décadas por nomes como os My Bloody Valentine, os Pylon ou os Cure, claramente audíveis na forte vertente experimental nas guitarras pulsantes e numa certa soul na secção rítmica, dois aspetos essenciais do tratamento sonoro que Wesley resolveu dar à nostalgia que certamente sente relativamente a uma outra época, que marcou fortemente várias gerações de músicos e ainda hoje é um referencial bastante explorado. Assim, obscuro e melancólico, mas pleno de energia e focado numa enorme dedicação à causa, Suburban Living não complica na altura de exaltar o retro, mesmo que nos dias de hoje exista já alguma saturação relativamente ao vintage

Se durante a audição de Suburban Living somos confrontados com a aparente primazia da guitarra e do efeito peculiar que ela debita e que carimba e tipifica o som caraterístico que Wesley quer que seja marca identificativa do projeto, o que mais me agradou neste disco foi, no entanto, o baixo vigoroso e o modo como dá as mãos a uma bateria, numa relação progressiva que contém uma tonalidade muito vincada e que acaba por ser um excelente tónico para potenciar a capacidade do músico, num registo vocal geralmente em eco, mas também amiúde reverberado, em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando um cocktail delicioso de boas sensações.

Canções como a épica Faded Lover, mas também Wasted ou Dazed, além de conterem belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, são exemplares no modo como nelas Wesley deixou as guitarras, o baixo e a bateria seguir a sua dinâmica natural, fazendo com que os temas assumissem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico. Esta dinâmica ganha um fôlego ainda maior em New Strings, um dos singles de Suburban Living e um tema onde a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiro e incisivo o músico conseguiu ser na replicação do ambiente sonoro que escolheu.

Instrumentalmente Drowning é outro dos meus destaques deste trabalho, uma canção naturalmente conduzida pelo tal baixo vibrante, mas que sobressai pela distorção da guitarra e o efeito sintetizado que constrói a melodia, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia. No final do disco, Different Coast segue-lhe as pisadas, numa toada que privilegia a simbiose entre traços identitários do rock psicadélico, e da dream pop, o que justifica os elogios realtivamente ao modo como sendo este compêndio tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, também consegue mostrar canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora.

O clima geral lo fi, que não é mais do que um notório marco de libertação e de experimentação vintage, acaba por ser uma consequência lógica de todo o ideário sonoro e conceptual de Suburban Living. E este é um disco que nos agarra pelos colarinhos, sobretudo pelo modo como nos mostra a interpretação contemporânea do revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio, pelas mãos de um músico bastante inspirado e mestre a misturar e a explorar diferentes territórios sonoros, sugando-nos assim para um universo pop que impressiona pelo bom gosto com que se cruzam várias dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador de um imenso arsenal de arranjos e detalhes, que são um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

Suburban Living - Suburban Living

01. Faded Lover
02. New Strings
03. Wasted
04. Dazed
05. Drowning
06. No Fall
07. Hotel Unizo
08. Different Coast


autor stipe07 às 22:09
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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2015

Cave People - Older EP

Oriundos de Scranton, mas agora sedeados em Filadélfia, os norte americanos Cave People são liderados por David Tomaine e estrearam-se nos lançamentos discográficos com Older, um EP que viu a luz do dia a nove de dezembro último, por intermédio da Stereophonodon, onde poderás encomendar o lindíssimo exemplar do lançamento, em formato cassete.

Cave People by Gabrielle Elizabeth Photography

Depois de terem divulgado Cluster, o tema que abre o EP, estes Cave People ficaram logo na retina desta publicação, por causa dos sons inéditos que sustentam o tema, com a guitarra a ter a primazia no processo de construção melódica, particularmente virada para o clássico rock norte americano, mas também a explorar com algum ênfase aquela pop que contém referências mais etéreas e que passam também um pouco pela música experimental.

Brace, a terceira canção do alinhamento de Older, é outro dos seus destaques e comprova que estes Cave People, além de escreverem letras que apontam diretamente ao âmago e nos conquistam com a sua profunda sensibilidade e delicadeza (Hope you don’t see me when no one sees me because that’s the person I try to hide), sonoramente também conseguem alargar o seu leque de influências, já que neste caso apostam no lado mais sentimental do punk, apontado também ao rock alternativo dos anos oitenta, dominado por guitarras joviais, uma bateria crua e potente e um baixo vibrante.

Em suma e como também está registado em Lather, uma canção lenta mas cheia de detalhes preciosos, ao longo do alinhamento de Older acaba por existir um cruzamento entre a leveza onírica da dream pop e o cariz mais rugoso que carateriza do rock alternativo, mas sem descurar a presença de outros espetros sonoros. Falo de canções que crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, com uma toada épica e aberta, mas que não deixam de conter igualmente um particular teor nostálgico. Confere...


autor stipe07 às 23:06
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Sábado, 6 de Dezembro de 2014

Work Drugs - Nicholas

Work Drugs - Nicholas

Os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia formada por Louisiana Benjamim e Thomas Crystal, divulgaram recentemente Nicholas, o tema de Natal que o grupo compôs para esta data festiva.

Tema com uma toada um  pouco lo fi e shoegaze e impregnada daquele encanto vintage, relaxante e atmosférico que carateriza a sonoridade dos Work Drugs, além de conter os típicos arranjos e detalhes que uma canção de Natal geralmente contém, Nicholas é uma canção obrigatória em qualquer noite de consoada, uma boa banda sonora à altura do momento. O tema está disponivel para download. Confere...

 


autor stipe07 às 14:43
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2014

Cave People - Brace

Cave People - Older EP

Oriundos de Scranton, mas agora sedeados em Filadélfia, os norte americanos Cave People são liderados por David Tomaine e preparam-se para a estreia nos lançamentos discográficos com Older, um EP que irá ver a luz do dia já a nove deste mês, por intermédio da Stereophonodon, onde poderás já encomendar o lindíssimo exemplar do lançamento, em formato cassete.

Depois de terem divulgado Cluster, o tema que abre o EP, nos últimos dias deram a conhecer Brace, a terceira canção do alinhamento de Older e que comprova que estes Cave People, além de escreverem letras que apontam diretamente ao âmago e nos conquistam com a sua profunda sensibilidade e delicadeza (Hope you don’t see me when no one sees me because that’s the person I try to hide), sonoramente apostam no lado mais sentimental do punk, apontado também ao rock alternativo dos anos oitenta, dominado por guitarras joviais, uma bateria crua e potente e um baixo vibrante. Falo de canções que crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, com uma toada épica e aberta, mas que não deixa de conter igualmente um particular teor nostálgico. Confere...


autor stipe07 às 13:33
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

Whirr / Nothing – Whirr / Nothing

Whirr Nothing 2014

Mestres do shoegaze, os Whirr e os Nothing são duas bandas norte americanas oriundas de Filadélfia e partilham um músico entre si, Nick Bassett. Agora, esta espécie de parceria foi ainda mais longe com a edição em conjunto de um single em vinil com dois temas de cada banda, intitulado Whirr / Nothing.

As duas excelentes canções fornecidas por cada banda para o lançamento foram produzidas por Will Yip. Os dois temas dos Whirr vivem do rock progressivo, mas têm uma sonoridade eminentemente pop, em especial a celestial Ease, canção onde o grupo mostra ímpar capacidade de controle instrumental e imprime uma toada atmosférica muito própria, sem descurar a típica intensidade que os distingue.

Os Nothing apresentam duas canções um pouco mais sombrias, deambulando entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral. Chloroform e July The Fourth têm um som harmonioso, cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line.

Whirr/Nothing foi lançado através da Run For Cover Records, uma editora independente de Boston e pode ser aqduirido aqui. Confere...

Whirr - Nothing - Whirr - Nothing

01. Ease (Whirr)
02. Lean (Whirr)
03. Chloroform (Nothing)
04. July The Fourth (Nothing)


autor stipe07 às 17:31
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Nothing – Guilty Of Everything

Editado a quatro de março pela Relapse Records, uma editora importante para várias bandas que ainda procuram chegar a um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e já com um catálogo bastante interessante, Guilty of Everything é o trabalho de estreia dos Nothing, uma banda de Filadélfia, que logo em Hymn To The Pillory, o primeiro tema deste disco, clarifica que deambula entre a dream pop nostálgica e o rock progressivo amplo e visceral.

Guilty Of Everything é o culminar de dois anos de intensa atividade do coletivo, que durante este período andou em digressão pela América do Norte, impressionando audiências com um som cativante e explosivo, sempre com fuzz nas guitarras e o nível de distorção no red line. Produzido por Jeff Zeigler, um profissional de nomeada que já trabalhou com Kurt Vile e os War On Drugs, entre outros, Guilty Of Everything traz até nós o melhor da herança do rock alternativo de finais do século passado, suportada por nomes tão fundamentais como os My Bloody Valentine ou os Smashing Pumpkins, só para citar algumas das influências mais declaradas do grupo.

Instrumentalmente muito rico, apesar da primazia das guitarras, este disco também conta com algumas sintetizações que conferem ao som dos Nothing uma toada muito rica e luminosa e um travo pop que ajuda a amenizar o cariz mais sombrio do rock que replicam e que em Bent Nail pisca o olho ao grunge e em Dig chega ao metal.

A voz é um dos detalhes mais assertivos do disco; Ela sopra na nossa mente e envolve-nos com uma toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar, provocando, apesar do ruido sombrio das guitarras, um cocktail delicioso de boas sensações. Geralmente em reverb, numa postura claramente lo fi, ela é uma consequência lógica das opções sonoras do grupo e um elemento importante para criar o ambiente soturno e melancólico pretendido. Na já citada Dig acaba por carregar toda a compoente nostálgica com que os Nothing pretendem impregnar o seu ADN e no restante alinhamento nunca deixa de ser um fator decisivo para que se instale um certo charme vintage que busca o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o indie rock com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com os punhos cerrados e a apelar ao nosso lado mais selvagem e cru. Em Get Well a voz atinge o auge açucarado qualitativo, uma canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Nothing conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram. Esta canção, conduzida por um baixo vibrante e uma guitarra carregada de fuzz e distorção, é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia.

Percebe-se que os Nothing têm no tal ADN bem vincada a vontade de experimentar e Guilty Of Everything, apesar da escuridão introspetiva que contém, respira por todos os poros uma enorme vitalidade, com melodias que fazem levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Canções como Sumersault ou Beat Around The Bush transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como nos forçar ao isolamento de forma direta, pura e bastante original. Este disco não é para ser escutado com um grupo de amigos num momento de diversão, mas solitariamente e num momento de recolhimento pessoal.

Logo na estreia os Nothing parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical. Guilty Of Everything é um trabalho que de algum modo impressiona pelo bom gosto com que se cruzam vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador, de cerca de quarenta minutos de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as duas últimas décadas do século passado, um rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Nothing são, por isso, um nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Nothing - Guilty Of Everything

01. Hymn To The Pillory
02. Dig
03. Bent Nail
04. Endlessly
05. Somersault
06. Get Well
07. Beat Around The Bush
08. B&E
09. Guilty Of Everything


autor stipe07 às 21:37
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