Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Radiator Hospital - Torch Song

Lançado no passado dia um de setembro via Salinas e disponível no bandcamp com possibilidade de doares um valor pelo mesmo, Torch Song é o novo trabalho dos Radiator Hospital, um quarteto norte americano sedeado em Filadélfia e liderado por Sam Cook-Parrott, um músico que começou este projeto a solo e com gravações caseiras. Depois de ter editado Something Wild, um disco que contou com a participação especial de Allison Crutchfield, Sam convidou novamente esta voz feminina, mas também a sua irmã, Katie Crutchfield dos Waxahatchee e Maryn Jones dos All Dogs, para fazerem parte do alinhamento que gravou este seu novo trabalho.

Ouvir Torch Song é acompanhar esta trupe norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa curiosa posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar de uma implícita e pouco assumida componente etérea, são simples, concisa, curtas e diretas. Num alinhamento de quinze temas que se esfumam em pouco mais de meia hora, domina aquela sonoridade ligeira e descomprometida feita com o rock ligeiro e extrovertido que nos recorda as cassetes antigas que temos lá em casa, empoeiradas, cheias de gravações caseiras e lo fi do que ouvíamos à cerca de vinte a vinte e cinco anos atrás. É pois, uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do tal cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

À medida que os temas escorrem e se sucedem com uma sofreguidão que, no entanto, não se torna nunca sufocante, estes quatro músicos apresentam-nos uma sucessão incrível de canções que são potenciais sucessos e singles, temas que parecem ter viajado no tempo e amadurecido até se tornarem naquilo que são. É, pois, um disco rápido, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e movimento das diferentes composições. Elas dominam o processo de composição melódica, mas não há uma lineariedade no som emanado pelas mesmas, que tanto se pode aproximar perigosamente do blues (Fireworks), do rock clássico (Just May Be The One), do chamado rock de garagem (Bedtime Story), como alinhar por outro espetro ainda mais alternativo e invadir terrenos típicos da surf pop algo clássica (Venus Of The Venue), daquele fuzz que faz uma revisão da psicadelia (181935, Honeymoon Phase), ou ainda ir ao encontro de terrenos assumidamente experimentais, com Sleeping House a ser a única canção que não tem a guitarra no topo do arsenal instrumental que a sustenta, mas a contar com ela para alguns dos arranjos decisivos. Seja qual for a abordagem, esse instrumento replica sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar a outros tempos e entregar-nos canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico e a pop mais psicadélica.

As vocalizações de Sam, afinadas mas com aquele charme aspero e lo fi, fundem-se frequentemente com a natural abordagem mais melódica e harmoniosa da dupla feminina, algo que The Eye plasma com clareza. Quando canta sozinho, o líder do projeto mistura sempre bem a sua voz com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza, com Fireworks (Reprise) a ser o clímax desta relação íntima entre as dimensões vocal e instrumental. Mesmo quando o red line de guitarras mais desenfreadas, ou com arranjos mais sujos, atinge um nível que possa colocar em causa o saudável encanto pop, vintage, relaxante e atmosférico que carateriza estes Radiator Hospital, Sam não permite que as mesmas coloquem em causa a harmoniosa sonoridade geral do conjunto, através de um trabalho de produção irreprensível e que manteve sempre intacto o cariz de acessibilidade tipicamente pop que parece caraterizar este projeto.

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, Torch Song rompe com várias propostas de outros registos similares, porque usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Radiator Hospital de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos, deliciá-los com o ruído que fielmente espelha alguns dos preciosos detalhes do melhor rock alternativo e assim,  espelhando com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais independente, proporcionarem uma audição leve e divertida. Espero que aprecies a sugestão...

1. Leather & Lace

2. Blue Gown
3. Cut Your Bangs
4. The Eye
5. 181935
6. Venus of The Avenue
7. Five & Dime
8. Fireworks
9. Bedtime Story
10. I'm All Right
11. Honeymoon Phase
12. Sleeping House
13. Just May Be The One
14. Fireworks (Reprise)
15. Midnight Nothin


autor stipe07 às 21:58
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Mumblr - Full of Snakes

Após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, finalmente  estrearam-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração dos Mumblr e chegou aos escaparates a dezasseis de setembro, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Num disco disponível em edição digital ou em cassete, com dezassete canções, algumas delas untitled, parece que os Mumblr estão apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das suas canções. Na verdade, eles debruçam-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas.
Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Logo aí se percebeu qual seria a bitola sonora destes Mumblr e o alinhamento na verdade não defrauda os apreciadores do género, até porque Got It, outro avanço divulgado de Full of Snakes, não foge muito a esta toada, apesar de ser um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva. Já agora, sobre esta canção, Nick Morrison referiu recentemente: It´s about being a strange, confused young man; feigning confidence and asking people to take him as he is.
Apesar de estar claramente balizado o espetro sonoro dos Mumblr, há que destacar a forma corajosa como, logo na estreia, não se coibem de tentar experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola. Canções como Black Ships, White Devil ou Greyhound Station, contêm momentos de pura improvisação, com guitarras que apontam em diferentes direções e o baixo dos dois singles acima citados não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico das mesmas. E estes dois importantes ítens não perturbam a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar desses momentos e da especificidade rugosa do som que carateriza os Mumblr.
Em Full Of Snakes os Mumblr estabelecem uma zona de conforto, mas não se coibem de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que eles parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de cerca de quarenta minutos intensos, rugosos e que não envergonharão o catálogo sonoro deste grupo de Filadélfia, seja qual for o restante conteúdo que o futuro lhes reserve. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:27
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Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Mumblr - Got It

Os mais atentos a este espaço já terão certamente reparado nos Mumblr e nos vários singles que tenho apresentado desta banda. Ora então, cá vai mais um...

Como já referi anteriormente, após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, preparam-se para, finalmente, estrrar-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração do grupo e chegará aos escaparates já a dezasseis de setembro, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Num disco que irá debruçar-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas, Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum e depois Roach. As duas canções apostavam numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, através de uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.
Got It, o terceiro avanço divulgado de Full of Snakes, não foge muito a esta toada, mas é um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva. Sobre esta canção, Nick Morrison refere: It´s about being a strange, confused young man; feigning confidence and asking people to take him as he is.
Os temas já divulgados de Full of Snakes estão disponíveis para download. Confere...


autor stipe07 às 17:26
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Mumblr - Roach

Após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, preparam-se para, finalmente, estrear-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração dos Mumblr e chegará aos escaparates a dezasseis de setembro, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas..

Full Of Snakes é um disco que irá debruçar-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas. Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, foi o primeiro avanço divulgado do álbum e agora chegou a vez de Roach, mais uma canção que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Tal como sucedeu com Philadelphia, Roach também está disponível para download. Confere...


autor stipe07 às 20:52
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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

Mumblr- Philadelphia

Após vários EPs, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, preparam-se para, finalmente, estrrar-se nos discos. Full of Snakes é o nome do primeiro longa duração dos Mumblr e chegará aos escaparates a dezasseis de setembro, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas..

Num disco que irá debruçar-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas, Philadelphia, o nome da cidade de onde os Mumblr são oriundos, é o primeiro avanço divulgado do álbum, uma canção que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Philadelphia está disponível para download. Confere...


autor stipe07 às 11:30
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Sábado, 28 de Junho de 2014

Strand of Oaks - Heal

Goshen, no estado de Indiana, é o porto de abrigo do norte americano Timothy Showalter, o grande mentor do projeto Strand Of Oaks que, com quinze anos, no sotão de sua casa, se sentiu alienado do resto do mundo e percebeu que a música seria a sua cura e a composição sonora a alquimia que lhe permitiria exorcizar todos os seus medos, problemas eangúsitas. Esta é a ideia que suporta Goshen '97, o tema de abertura de Heal (cura), um disco que acaba de surpreender o universo sonoro, um compêndio de dez belíssimas canções, editado no passado dia vinte e quatro por intermédio da Dead Oceans.

Década e meia depois dessa visão, Timothy é hoje uma espécie de reverendo barbudo e cabeludo, que vagueia pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young ou Devendra Banhart; Encharcado, pega no piano, na viola elétrica e em sintetizadores cheios de efeitos e canta sobre tudo aquilo que o impeliu para o mundo da música, mas também sobre viagens sem destino, o amor, o desapego às coisas terrenas e a solidão.

O aparecimento de Devendra Banhart no começo da década passada teve uma importância única para o resgate das influências hippies bem como o fortalecimento de um som de oposição ao que propunham as guitarras típicas da cena indie norte americana, principalmente o que era construído em Brooklyn, Nova Iorque. Strand Of Oaks é mais um novo nome que arrisca, com sucesso, a mergulhar fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, mas apoiado num som montado em cima de um imenso cardápio sonoro e musical que, de mãos dadas com uma produção irrepreensível, nos aproxima do que de melhor propõe a música independente americana contemporânea.

É curioso atravessar as pontes que Timothy construiu em Heal, tendo sempre como permissa a busca de uma súmula de referências noise, folk e psicadélicas. Ele consegue ir do caraterístico punk rock feito com um baixo proeminente e guitarras simultaneamente sombrias e carregadas de distorção, como se escuta em For Me ou na homónima Heal, até a uma toada mais pop que em Plymouth e Wait For Love, o tema que encerra de forma magnífica o disco, servem-se do mesmo baixo, mas agora acompanhado por um piano épico e sedutor, adornado por camadas sonoras ricas em detalhes implícitos, mas que nunca ofuscam o desejo de serem as cordas do baixo, na primeira, e as teclas do piano, na segunda, as pedras de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema.

Heal tem uma atmosfera viciante e introspetiva, é um disco que se ouve de punhos cerrados com a convicção plena que tem conteúdo e que o mesmo, ao impelir-nos à reflexão interior, pode dar um pequeno contributo para que aconteça algo que faça o bem a nós próprios. É um disco que exala certeza e coerência nas opções sonoras que replica, um emaranhado de antigas nostalgias e novas tendências, que reproduzem toda a força neo hippie que preenche cada instante de um álbum tipicamente rock, mas que também se deixa consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem também algumas das dez canções e expandem os territórios deste artista verdadeiramente singular. A simbiose entre estes dois géneros possibilita que frequentemente se encontrem, como em Shut In, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma feliz aproximação com o cancioneiro norte americano, suportado na herança de Bruce Springsteen.

Heal é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Timothy sereno e bucólico, através de uma viagem cheia de versos intimistas que flutuam livremente, um compêndio de várias narrativas onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, o existencialismo e as perceções humanas, fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a habitual riqueza instrumental da folk não foi descurada, mas com a eletrónica a ser também uma das forças motrizes que dá vida aos cerca de quarenta minutos que este disco dura. Obrigado ao Ricardo Fernandes pela dica e pela presença constante neste espaço e espero que aprecies a nossa sugestão...

1. Goshen '97
2. HEAL
3. Same Emotions
4. Shut In
5. Woke Up To The Light
6. JM
7. Plymouth
8. Mirage Year
9. For Me
10. Wait For Love


autor stipe07 às 14:32
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Bleeding Rainbow - Interrupt

Os Bleeding Rainbow são de Filadélfia, um quarteto formado por Rob, Sarah, Al e Ashley, que acaba de surpreender todos aqueles que estão atentos ao universo sonoro indie e alternativo com um excelente disco intitulado Interrupt, que viu a luz do dia no passado dia vinte e cinco de fevereiro por intermédio da Kanine Records.


Podendo aparentemente ser vistos como uma novidade, a verdade é que desde 2009 que os Bleeding Rainbow andam por cá a lançar música e em grande atividade. Nesse ano estrearam-se nos discos com Mystical Participation, um trabalho que causou impato pela sonoridade indie rock, próxima de uma pop ligeira e nostálgica, muito à imagem dos contemporâneos e mais cnsagrados Cults ou The Pains of Being Pure At Heart.

Entretanto o tempo passou, a banda assinou pela major Kanine Records, alargou o seu leque de influências e o espetro sonoro e Interrupt, o registo desta banda norte americana, mostra uma produção mais cuidada e apurada e uma sonoridade mais firme, homogéna e convicta.

O rock alternativo dos anos noventa é agora a grande bitola que orienta o som dos Bleeding Rainbow e bandas como My Bloody Valentine, Nirvana ou Sonic Youth saltam-nos à mente assim que o disco se desenrola e canções como Tell Me, Dead Head ou So You know, comprovam que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola.

Aparentemente sem grandes pretensões mas, na verdade, de forma claramente calculada, os Bleeding Rainbow procuram criar um som ligeiro, agradável e divertido, onde não faltam as guitarras cheias de distorção e melodicamente apuradas, a contrastar com uma postura vocal doce e delicada. É, em suma, uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Bleeding Rainbow - Interrupt

01 – Time & Place
02 – Tell Me
03 – Start Again
04 – So You Know
05 – Dead Head
06 – Out of Line
07 – Images
08 – Monochrome
09 – Cut Up
10 – Phase


autor stipe07 às 22:09
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Segunda-feira, 31 de Março de 2014

Rasputin's Secret Police - Comfortable

Naturais de Drexel Hill, nos arredores de Filadélfia, os Rasputin's Secret Police são mais uma descoberta proporcionada pelo intercâmbio estabelecido com a Fleeting Youth Records, uma das mais interessantes etiquetas de indie rock alternativo norte americanas, sedeada em Austin, no Texas. Os Rasputin's Secret Police são uma dupla formada por Brandon Ayres (guitarra e voz) e Josh Phillips (bateria e voz), lançou no passado dia vinte e cinco de março Comfortable, um longa duração que viu a luz do dia no formato digital e cassete, através da City Hall Collective. Este novo trabalho dos Rasputin's Secret Police sucede a Dirty Thirty, um álbum editado em 2012 e disponível para download gratuíto no bandcamp da banda.

Zoe, Freaks e Kids With No Friends são os três avanços deste trabalho em formato single e estão disponiveis para download gratuitamente. Estes temas são o núcleo duro de Comfortable e plasmam uma nítida vontade dos Rasputin's Secret Police em marcar uma posição forte no universo sonoro alternativo através de um rock ruidoso, orgânico, irregular e visceral.

Assim, aviso desde já os mais incautos que Comfortable é, certamente, um disco assente num rock de cariz fortemente experimental, com a dupla a criar uma sonoridade portentosa, assente nos já habituais riffs da guitarra que vincam o ADN desta banda norte americana, numa percussão vincada e numa voz imponente.

A sensação de escutar os Rasputin's Secret Police é incomum e quem não estiver familiarizado com a banda pode pensar que há algo de errado com a aparelhagem ou o computador; Mas esta amálgama sonora, que inicialmente se estranha, entranha-se rapidamente e Comfortable sobrevive muito bem a audições repetidas, incita várias reações físicas e prende o nosso ouvido a algo incomum mas visceralmente sedutor. Espero que aprecies a sugestão...

 
Kids with No Friends
Dunwoody
Zoe
Raspberry Tea and honey
Me and Zoe
Freaks
Honey Chamomile
Welcome Home
Slit
Comfortable is considered RSP's magnum opus. It's the answer to the question of "What album do I start with if I'm going to listen to RSP." Despite it being their most DIY release, it's their most focused and accessible. Recorded on a Tascam 8-track digital recorder above a fishing and hunting retailer in Drexel Hill, PA, the album captures RSP's raw intensity as Ayres' fervid, semi-disturbed croons ride his equally ardent guitar scrapes while Phillips' impassioned drumming forces sweat beads to roll off your own head. The lo-fi, DIY quality of the recordings were left untouched, but it adds something extra to the sound they found during these sessions.


autor stipe07 às 18:41
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Terça-feira, 25 de Março de 2014

Kite Party - Halflife

Naturais de Filadélfia, os norte americanos Kite Party de Andre, Tim, Pat, Russell e Justin, preparam-se para regressar aos discos com Come On Wandering, um trabalho que verá a luz do dia a seis de maio por intermédio da Animal Style Reords, uma conceituada editora indie de Annaheim.

Come on Wandering sucede a Baseball Season (2011), o disco de estreia do grupo e, de acordo com Halflife, o primeiro single revelado, será um disco que irá explorar novas direções sonoras, com uma toada certamente mais pop e comercial. Confere...


autor stipe07 às 17:51
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Segunda-feira, 11 de Novembro de 2013

Work Drugs - Chemical Burns

Naturais de Filadélfia, os Work Drugs são uma das máquinas mais produtivas de fazer música do universo indie e alternativo atual. Conheci-os em 2012 com o álbum Absolute Bearing e já no início deste verão de 2013 maravilharam-me com Mavericks, mais uma coleção de canções que nos levam numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções dos Work Drugs, apesar da forte componente etérea, são simples, concisa, curtas e diretas.

Além dos discos, amiúde Louisiana Benjamim e Thomas Crystal regressam com novas canções e sempre com uma interessante dose de generosidade pelo meio, já que disponibilizam quase sempre os temas para download. Basta uma viagem ao soundcloud do grupo para escutarmos e selecionarmos uma mão cheia de canções que certamente nos farão recordar a nostalgia do verão, agora que os dias menos quentes e solarengos se aproximam, apesar deste autêntico verão de São Martinho.

Ainda em setembro eles tinham disponibilizado Bellport Bay e hoje mesmo disponibilizaram mais uma; A canção chama-se Chemical Burns e irá fazer parte de Insurgents, o próximo longa duração da banda.

Chemical Burns assenta numa bateria eletrónica e em guitarras e sintetizadores que dão o tempero ideal à composição, assim como a voz um pouco lo fi e shoegaze, que também confere aquele encanto retro, relaxante e atmosférico. Além do tema, os Work Drugs também publicaram hoje o animado e festivo video da canção. Confere...


autor stipe07 às 18:15
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Quarta-feira, 3 de Julho de 2013

Work Drugs - Mavericks

Depois de Absolute Bearing os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia formada por Louisiana Benjamim e Thomas Crystal, estão de regresso com Mavericks, álbum que viu a luz do dia a dezoito de junho. Além deste Mavericks e de Absolute Bearing, a discografia dos Work Drugs já inclui no cardápio Summer Blood (2010) e Aurora Lies (2011).

Mavericks é um daqueles discos que se ouve em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. Aliás, o próprio video do single homónimo, é claro relativamente a essa possibilidade, reforçada pelo conteúdo do disco, fresco e hipnótico e assente numa chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. São dez canções construídas em redor de uma bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores às vezes pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições.

Apesar destas virtudes no campo instrumental, um dos maiores segredos destes Work Drugs parece-me ser a postura vocal, às vezes um pouco lo fi e shoegaze, mas que dá às composições aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.

Ouvir Mavericks é acompanhar esta dupla norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de posição limbo, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisa, curtas e diretas. Às vezes pressente-se que os Work Drugs não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar naquela pop típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes Work  Drugs, uma dupla que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.

Quando se torna difícil inventar algo novo, a melhor opção poderá passar por baralhar e voltar a dar, de preferência com as cartas muito bem misturadas e os trunfos divididos, talvez num cenário de gravidade zero. No soundcloud da banda podes fazer o download gratuito de algumas canções dos Work Drugs, nomeadamente o single homónimo deste disco. Espero que aprecies a sugestão...

Work Drugs - Mavericks

01. Young Lungs
02. West Coast Slide
03. Sunset On High Street
04. A Measure Of Life
05. Last Flight
06. Payola (Numbers Game)
07. For James
08. Trifecta
09. Tigerbeats
10. Mavericks


autor stipe07 às 18:54
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Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Kurt Vile - Wakin On A Pretty Daze

Depois de ter lançado Smoke Ring For My Halo, no início de 2011, Kurt Vile está de regresso com Wakin On A Pretty Daze, álbum lançado no passado dia nove de abril por intermédio da Matador Records. Never Run Away é o primeiro single já conhecido deste disco proposto por um músico que descende da melhor escola indie rock norte americana, quer através da forma como canta, quer nos trilhos sónicos da guitarra elétrica.

Kurt Vile parece ter encontrado um ponto de equilíbrio dentro das composições e dos sons que propôe há já uma década. Ancorado em músicas cada vez mais confortáveis, o compositor vem desde 2008, com Constant Hitmaker, trilhando caminhos sonoros feitos de guitarras simples e uma voz emocionada e romântica, sem nunca pôr de lado uma certa toada psicadélica. Wakin on a Pretty Daze acaba por ser uma sequência do que já tinha proposto há dois anos, mas agora ele procura posicionar-se no universo indie num lugar cada vez mais amplo, já que não se limita apenas às confissões românticas e caseiras, mas também busca, através de pequenas viagens lisérgicas tratadas na instrumentação ou no uso de letras que rompem com a proposta intimista do trabalho passado, ser menos tímido e mais grandioso.

Em Wakin On A Pretty Daze mantêm-se as viagens ao rock psicadélico da década de setenta, mas Vile abre a porta para que as suas músicas se derramem em versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos que costuma abordar, mas com a diferença de que agora eles olham para o mundo e não apenas para uma exposição das suas emoções intrínsecas. É como se o músico deixasse o seu ambiente para caminhar pelo mundo real, algo audível nas imensas passagens instrumentais que pintam aqueles que poderiam ser os tais possíveis pontos de silêncio da obra. Músicas enormes como Goldtone, Too Hard e Was All Talk, todas na casa dos oito minutos, manifestam instrumentalmente as reformulações plasmadas neste novo disco.

Pela forma como os arranjos se acomodam, não é difícil encontrar uma aproximação ao que Neil Young produziu no começo da sua carreira, deixando para os instantes mais comportados uma forte relação com a obra de Nick Drake, nomeadamente quando propôe melodias mais convencionais (Girl Called Alex) ou na forma como, por exemplo em Too Hard, derrama os versos da canção com um certo pendor bucólico. Nos temas mais rápidos do álbum, Vile acaba por deixar-se levar pelo que de mais comercial e coerente existe na música atual, principalmente na folk de Snowflakes Are Dancing ou no rock leve de Never Run Away, o tal single já divulgado e a canção mais pop do disco.

Kurt Vile jamais se perde no caminho, mesmo quando inova com as tais passagens instrumentais extensas que discutem amor, saudade ou meras futilidades diárias, como se o músico apenas observasse o tempo passar e fosse capaz de descrever cada mínimo aspecto sobre ele. Wakin On A Pretty Daze é, por isso, uma obra que exige tempo, mas que garante acrescentar algo ao ouvinte no final. Espero que aprecies a sugestão...

01. Wakin On A Pretty Day
02. KV Crimes
03. Was All Talk
04. Girl Called Alex
05. Never Run Away
06. Pure Pain
07. Too Hard
08. Shame Chamber
09. Snowflakes Are Dancing
10. Air Bud
11. Goldtone


autor stipe07 às 22:40
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Domingo, 27 de Janeiro de 2013

Nightlands – Oak Island

Nightlands é um projeto musical de Dave Hartley, baixista dos The War On Drugs, tendo-se estreado nesta aventura a solo em 2010 com Forget The Mantra. No passado dia vinte e dois de janeiro chegou aos escaparates Oak Island, o sucessor, através da Secretly Canadian.

Oak Island começa com um convite de Dave... I'd like to invite you, For just for a little while, To a place I used to go, When I was only 17. Time And Place, o tema de abertura, serve para isso mesmo, introduzir a sonoridade nostalgica e intimista deste álbum, idealizado por um baixista e multi-instrumentista que se sente muito confortável a transmitir emoções pessoais e as qualidades e fraquezas intrínsecas à natureza humana.

Apesar de já ter cinquenta e dois anos, Dave transborda de juventude e de inocência, plasmados na forma divertida e amorosa como nos apresenta, em trinta e cinco minutos, dez temas que abarcam algum do melhor soft rock que ouvi ultimamente.

Esta sonoridade é intencionalmente algo andrógena, já que, se por um lado a tal inocência também se revê em alguns detalhes acústicos e na crueza de determinados arranjos, por outro, são inúmeros os detalhes sintéticos que não deixam de estar muito presentes. Tudo se resume à arte de conseguir uma perfeita simbiose entre estes dois mundos, certamente o maior desafio em que assenta o leme de Nightlands. So Far So Long e Other Peoples Pockets são dois temas que utilizam sons de guitarra processados digitalmente, mas também outros arranjos de cordas acústicos, asim como uma percussão eletrónica, que ganha uma cadência claramente afrobeat em Rolling Down The Hill.

Hartley é um dos executantes mais consistentes e ativos do cenário alternativo de Filadélfia e quem esperava que o baixista dos The War On Drugs fosse algo simplista nesta sua abordagem a solo, irá certamente ficar surpreendido com a extraordinária visão, alcance e ousadia musical que demonstra no segundo capítulo da saga Nightlands. Espero que aprecies a sugestão...

01. Time And Peace
02. So Far So Long
03. You’re My Baby
04. Nico
05. So It Goes
06. Born To Love
07. I Fell In Love With A Feeling
08. Rolling Down the Hill
09. Other Peoples Pockets
10. Looking For Rain


autor stipe07 às 20:02
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

Work Drugs - Delta

Depois de no passado mês de julho terem lançado Absolute Bearing, os Work Drugs, uma dupla de Filadélfia formada por Louisiana Benjamim e Thomas Crystal eestão de regresso aos lançamentos discográficos com Delta, editado pela Bobby Cahn Records no passado dia quatro de dezembro. Delta sucede ao já citado Absolute Bearing e a Summer Blood (2010) e Aurora Lies (2011).

Os Work Drugs fazem um lo fi em forma de sedativo, que nos leva para junto do mar, numa espécie de moldura vintage. Dizem que fazem música especificamente para dançar, navegar, andar à vela, mandar mensagens sexuais e para viver. É fácil ouvir estas canções e deixar que a nossa imaginação nos transporte a bordo de um barco que navega em águas calmas, num dia de muito sol, apenas com uma leve brisa a fazê-lo mover. A prória sonoridade relaxante e cristalina da voz, apesar da produção lo fi, ajuda a acentuar esta perceção. Um belo exemplo disto é Pluto, o primeiro single retirado de Delta, uma pequena obra prima, onde a voz feminina é registada numa harmonia perfeita com a instrumentação e a melodia. E depois há Cursive Ground, uma canção muito nostálgica e melancólica, mas também bastante dançante, algo que resulta numa ótima combinação que perdura no nosso ouvido.

Este Delta, que teve a particularidade de também ser lançado numa edição especial em vinil, de apenas duzentos e cinquenta exemplares, representa um grande passo para uma banda que antes limitou-se a editar em plataformas digitais, nomeadamente o bandcamp. O álbum não deixa de ter a caraterística pop suave dos anos oitenta, mas atualizada com detalhes da eletrónica, um paralelismo com o próprio conceito de imagem da banda, que socorre-se habitualmente de imagens vintage, com recurso ao instagram.

Entretanto a dupla também lançou Misfits, um trabalho com oito canções que não são mais que covers e remisturas da autoria do grupo, de algumas das suas referências. Espero que aprecies as duas sugestões...

01. Third Wave
02. Rad Racer
03. Pluto
04. Ice Wharf
05. Blue Steel
06. Cursive Ground
07. Dirty Dreams
08. License Io Drive
09. Art Of Progress
10. Boogie Lights
11. Delta

Work Drugs - Misfits

01. Rolling In The Deep (Adele cover)
02. Against All Odds (Phil Collins cover)
03. Rad Racer (Summer Heart Remix)
04. Rad Racer (Marseilles Remix)
05. Third Wave (Summer Heart’s Cover)
06. Ice Wharf (Selebrities Remix)
07. Ice Wharf (Southern Shores Remix)
08. License To Drive (Oiva Remix)


autor stipe07 às 22:38
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Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012

Work Drugs – Absolute Bearing

Conforme referi em Curtas... XXIX, os Work Drugs são uma dupla de Filadélfia formada por Louisiana Benjamim e Thomas Crystal e lançaram no passado dia dez de julho Absolute Bearing,  o terceiro disco de originais da banda; Sucede a Summer Blood (2010) e a Aurora Lies (2011) e foi editado pela Bobby Cahn Records.


Absolute Bearing é um daqueles discos que se ouve em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. As canções têm algo de fresco e hipnótico, uma chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. São quase todas assentes numa bateria eletrónica, guitarras e sintetizadores pouco percetíveis mas que dão o tempero ideal às composições. No entanto o grande segredo destes Work Drugs parace-me ser a voz um pouco lo fi e shoegaze, que dá aquele encanto retro, relaxante e atmosférico.

Ouvir Absolute Bearing é acompanhar esta dupla norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude pouco espacial, numa espécie de limbo; Às vezes dá a sensação que eles não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar na pop dos anos oitenta. É certamente nesta incerteza que reside o maior trunfo destes Work  Drugs que espelham com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.

Quando se torna difícil inventar algo novo, a melhor opção poderá passar por baralhar e voltar a dar, de preferência com as cartas muito bem misturadas e os trunfos divididos, talvez num cenário de gravidade zero. No soundcloud da banda podes fazer o download gratuito de algumas canções dos Work Drugs. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Perfect Storm
02. License To Drive
03. Pluto
04. Boogie Lights
05. Absolute Bearing
06. Council Bluffs
07. Coral Gables
08. Lisbon Teeth
09. The Art Of Progress
10. Tourist Heart
11. Pluto (12 Mix)

 

autor stipe07 às 21:17
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2012

Arc In Round – Arc In Round

Oriundos de Filadélfia, os Arc in Round são Mikele Edwards, Jeff Zeigler, Matt Ricchini e Josh Meakim. Depois de em janeiro e julho de 2011 terem lançado os EPs Diagonal Fields e II, estrearam-se nos discos com Arc In Round, um álbum homónimo lançado no passado dia vinte e seis de junho através da La Société Expéditionnaire.


Arc In Round é um disco que encaixa perfeitamente no campo da pura psicadelia, feita com camadas hipnóticas de ruído que nas canções funcionam como tijolos que se vão encaixando e que vão sendo revestidos com melodias fortes e criativas.

A energia desta banda é da responsabilidade de Jeff Ziegler, um produtor com créditos firmados dentro do género e que ajudou a impulsionar as carreiras de Kurt Vile e dos War On Drugs. A cantora Mikele tem uma voz que assenta muito bem num género quase sempre reservado a vozes masculinas onde, como referi, os sons surgem e dissolvem-se em placas tectónicas musicais épicas e etéreas e camadas de barreiras sonoras sofisticadas.

No fundo, estamos na presença de um disco genuinamente pop; Embora pareça sonoramente denso e pesado, abundam as explosões vibrantes e luminosas e uma espécie de musicalidade atmosférica e bastante temperamental. Estes Arc In Round são um prazer desconhecido que vale bem a pena descobrir. Espero que aprecies a sugestão...

01. II
02. One-Sided
03. <<>>
04. Said Astray
05. Volume Sets All the Time
06. Hallowed
07. Spirit
08. Time Spent
09. Sounder
10. Omni
11. For Concern
12. Weight Of The World


autor stipe07 às 21:33
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Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Good Old War – Come Back As Rain

No passado dia seis de março o trio de indie folk pop trio, natural de Filadélfia, Good Old War, formado por Keith Goodwin, Arnold Tim e Schwartz Daniel, lançou o seu terceiro álbum, Come Back As Rain, através da Sargent House. Calling Me Names é o primeiro single extraído do disco, duma banda que se estreou nos álbuns em 2010 com o homónimo Good Old War.

É enorme a sensação de simplicidade que se obtém durante e após a audição de Come Back As Rain e que resulta da musicalidade destes Good Old War. A banda constrói as canções numa base eminentemente acústica, feita com guitarras com linhas harmónicas lindíssimas e uma percussão quase minimal. A canção de abertura do disco, Over And Over, demonstra-nos, desde logo, um exemplo perfeito desta sonoridade; é uma música que apesar de falar de um relacionamento falhado, assenta numa harmonia otimista e cativante, com um fantástico tamborilar na percussão. Mas destaco também Calling Me Names, o tal primeiro single e It Hurts Every Time, duas das melhores canções pop folk que ouvi ultimamente, assim como o coro de Touch The Clouds (Taste The Ground), capaz de derreter o mais frio dos corações dos críticos.
Em suma, feito por um grupo que tem sido comparado a nomes tão distintos como Simon and Garfunkel e Still, Nash and Young, mas ao qual eu gostaria de juntar a este rol de influências os Fleet Foxes e os Civil Wars, Come Back As Rain é um disco com vários momentos brilhantes e feito de belas e convidativas canções, sobre o quotidiano e a ternura do amor. Espero que aprecies a sugestão...

01. Over And Over
02. Calling Me Names
03. Amazing Eyes
04. Better Weather
05. Can’t Go Home
06. Not Quite Happiness
07. Touch The Clouds (Taste The Ground)
08. It Hurts Every Time
09. After The Party
10. Loud Love
11. Present For The End Of The World


autor stipe07 às 14:07
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Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

The War On Drugs - Slave Ambient

Antes deterem aparecido todas aquelas bandas carregadas com uma sonoridade suavemente suja e lo fi dos anos noventa e da psicadelia dos anos sessenta, já um senhor chamado Adam Granduciel antecipava tais futuras tendências através de trabalhos caseiros construídos na primeira metade da década passada. Este músico norte americano e a sua sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos foi aos poucos transformando-se numa referência para vários artistas em início de carreira, atingindo o apogeu quando lançou Wagonwheel Blues, o primeiro álbum através dos The War On Drugs, através da Secretly Canadian, a editora de sempre da banda. Granduciel já transitava pelas texturas sonoras desse disco, feitas também com algum surf rock, desde 2005, através de uma sequência de EPs. Em 2010, ao lançar Future Weather EP, o músico original de Filadélfia, Pensilvânia, deixava algumas pistas daquilo que encontraríamos nos futuros lançamentos, propondo agora uma sonoridade muito mais abafada e suja, mas ainda assim solta e etérea. Nesse EP já se podia ouvir Baby Missles e Brothers, dois dos grandes destaques de Slave Ambient, o álbum que consolida definitivamente a carreira deste músico no panorama musical e dos seus The War On Drugs,  banda que fica completa com Dave Hartley, no baixo e nas guitarras e Mike Zanghi, na bateria e outros instrumentos de percussão.

Este Slave Ambient apresenta várias novidades relativamente a Wagonwheel Blues, inclusivamente dentro da instrumentação do álbum, com uma musicalidade menos restrita ao formato acústico. A prova disso está em Your Love Is Calling My Name, a canção mais extensa do disco e que inova por apresentar uma sonoridade acelerada, assente no uso de guitarras e dona de uma propriedade musical completamente oposta ao retratado no anterior disco. Esta canção é um verdadeiro postal de portentosas guitarras e de respiração acelerada e a voz de Granduciel soa a algo como um cruzeiro a alta velocidade, abastecido por sintetizadores enérgicos e dançáveis.

Contudo, mesmo apresentando momentos de pura renovação, o álbum decalca também o que já havia de mais tradicional e folk dentro da banda. Músicas levemente sombrias, como It’s Your Destiny e Best Night, captam o ouvinte e sugam-no para dentro da fluidez vagarosa do álbum e também se pode escutar devaneios post punk, nomeadamente em Come To The City e psicadelismos étereos, carregados de reverb, nomeadamente na já citada It's Your Destiny. Tudo isto é possível porque, numa espécie de casamento sem direito a divisão de bens, a electrónica sofisticada une-se ao cariz sonhador denso, parindo uma intensidade languida e preguiçosa, cheia de groove e as cores da pop juntam-se à fórmula clássica do rock para criar um disco bem ao estilo dos cantautores e trovadores vindos da terra do Tim Sam, nomeadamente Bruce Springsteen e Tom Petty, duas referências evidentes dos The War On Drugs.

Slave Ambient não vai mudar as nossas vidas, mas promete relaxar. Acaba por ser um disco que parece ter sido gerado num cenário verdejante e apesar do nome da banda ser, por si só, um prenúncio virulento para o que se pode ouvir, é uma bela banda sonora para encarar a vida com uma leveza imediata e soalheira e para dar um daqueles mergulhos de mar, num final da tarde em pleno verão.

Não finalizo sem destacar a já citada Secretly Canadian, etiqueta responsável pela edição deste Slave Ambient e por Porcelain Raft, o último disco do projeto Strange Weekend e que analisei há alguns dias. Esta editora merece já um lugar de destaque no universo alternativo e os seus lançamentos irão continuar a merecer a minha atenção. Espero que aprecies a sugestão...

1 Best Night
2 Brothers
3 I Was There
4 Your Love Is Calling My Name
5 The Animator
6 Come to the City
7 Come For It
8 It's Your Destiny
9 City Reprise #12
10 Baby Missiles
11 Original Slave
12 Black Water Falls


autor stipe07 às 15:28
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Quarta-feira, 4 de Janeiro de 2012

Kurt Vile - So Outta Reach EP

Depois de Smoke Ring for My Halo, disco que ouvi e sobre o qual escrevi, o músico natural de filadélfia Kurt Vile, guitarrista, vocalista e novo herói indie descoberto pelo selo Matador, lançou um novo EP, intitulado So Outta Reach, no passado dia sete de Novembro.

O disco é composto por cinco canções que ficaram de fora de Smoke Vile For My Halo e a cover de Downbound Train, um original de Bruce Springsteen.

Depois de editado o belo Smoke Ring For My Halo, um bom exemplo que o rock alternativo não tem sempre o peso das pedras e também se pode mexer nas nossas mãos como cotão, deve ser colocada na mesma expetativa a audição deste So Outta Reach porque, sem grandes pretensiosismos,aquilo que se vai ouvir é uma guitarra despreocupada numa merecida road trip, em direcção ao pôr do sol, de forma a que ele mais dure. Neste So Outta Reach, o guitarrista prova mais uma vez que o sol que nasceu para os rockeiros dos anos 70, a que Hendrix tanto se referia, ainda pode estar merecidamente vivo entre quem sabe estar na música com a despreocupação profetizada em It’s Alright e The Creature.  

Novamente acompanhado do lendário John Agnello (que já trabalhou com Sonic Youth e Dinosaur Jr), o jovem Kurt destila uma sequência de trinta minutos de canções bem desenvoltas, faixas que mais uma vez solidificam a figura do músico como um dos grandes poetas da atual geração. Espero que aprecies a sugestão... 

The Creature

It's Alright
Life's A Beach
Laughing Stock
Downbound Train
(so outta reach)

autor stipe07 às 19:50
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