Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Black Rebel Motorcycle Club – Wrong Creatures

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso, à boleia da Vagrant Records, com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo. Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e oferece-nos uns Black Rebel Motorcycle Club cientes não só do mundo em que vivem e das várias transformações que foram sucedendo nos últimos vinte anos, mas também das alterações estilísticas e de formação que moldaram a sobrevivência e o próprio crescimento de um projeto que se abastece de um espetro sonoro muito específico e com caraterísticas bastante vincadas.

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Ao longo destes mais de quinze anos, os Black Rebel Motorcycle Club talvez não tenham salvado o rock, mas há que ser justo e admitir que se tornaram numa das bandas essenciais deste género musical. Nos primeiros dez anos de existência, mesmo após a estreia e o similar Take Them On, On Your Own, quando infletiram um pouco no rumo e em Howl e quando abraçaram também a country e a folk, não deixaram nunca de perder a sua identidade, que apenas foi um pouco abalada com Baby 81 e The Effects of 333, os dois únicos álbuns dos Black Rebel Motorcycle Club que não me seduzem e que considero terem sido verdadeiros tiros ao lado na valiosa trajetória musical do grupo. Portanto, na primeira década de existência, os Black Rebel Motorcycle Club nem sempre cumpriram a ótima expetativa criada na estreia mas, em 2009, Beat the Devil's Tattoo voltou a colocar o percurso do grupo nos eixos e pessoalmente devolveu-me uma esperança que se confirmou ser justificada em Specter At The Feast, um trabalho muito marcado pela morte do pai de Robert, que também era um grande suporte da banda, e que voltou a colocar o trio num caminho certo, que agora se endireita definitivamente neste Wrong Creatures. De facto, este oitavo registo do grupo contém um alinhamento de canções que se assumem como uma espécie de fecho de um ciclo e um círculo, já que fazem os Black Rebel Motorcycle Club regressar finalmente aquela que é a sua verdadeira essência, um projeto criador de canções assumidamente introspetivas, nebulosas e viscerais, que além de se debruçarem sobre o quotidiano, estilisticamente se preocupam em colocar o puro rock negro e pesado em plano de assumido destaque.

Escuta-se DFF, um típico tema introdutório, com um baixo firme e constante e uma percurssão com uma cadência crescente que vai recebendo um riff subtil e percebe-se desde logo que há algo de falsamente novo na típica atmosfera sonora mais recente do grupo. Logo depois, com a toada lasciva e provocante de Spook e o fuzz rugoso e cerrado de King Of Bones, clarifica-se, definitivamente, o tal regresso auspicioso à linha de partida, um retrocesso feliz que Little Thing Gone Wild, um tema com traços de post punk e blues e que também abraça o noise rock e onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah, reafirma, conferindo também um indispensável travo de diversidade e perspicácia melódica e instrumental ao disco, dentro dos limites bem definidos da filosofia sonora do mesmo. O clima delicado do hino retemperador Echo e, principalmente, a neblina de Haunt ajudam ainda mais a potenciar a heterogeneidade subtil do alinhamento, através de um blues tocado com mestria, um envolvente abraço do rock com a psicadelia etérea, feito com efeitos de guitarra melodicamente irrepreensíveis, sombrios e interessantes, um notável esforço para que haja novamente aquela luz que aqui brilha devido à interação brilhante entre a voz e a delicadeza da guitarra de Peter, mas também do modo como os Robert e Leah se dedicam de corpo e alma nos dois temas a utilizar o melhor da bateria e do baixo nas diferentes nuances sensitivas que ambos proporcionam.

Em Wrong Creatures há um claro entusiasmo no modo como as guitarras são tocadas e uma menor dose de experimentalismo é substituída pelo ruído direto e conciso, sem deixar de haver instantes de arrebatadora sedução que não ficam nada a dever a projetos que procuram tocar emocionalmente quem se predispõe a deixar-se envolver por canções pensadas para tocar no âmago de cada um de nós. É um disco que acaba por refletir um estado psíquico mais positivo de uma banda muito marcada por transformações e dissabores, mas que nunca deixou, ao longo da carreira, de tentar ser coerente no desejo de deixar, disco após disco, novas pistas para a salvação do rock. O resultado final algumas vezes não foi o melhor, mas essa nobre intenção sempre esteve presente na discografia dos Black Rebel Motorcycle Club e ganhou um novo vigor neste disco. Espero que aprecies a sugestão...

Black Rebel Motorcycle Club - Wrong Creatures

01. DFF
02. Spook
03. King Of Bones
04. Haunt
05. Echo
06. Ninth Configuration
07. Question Of Faith
08. Calling Them All Away
09. Little Thing Gone Wild
10. Circus Bazooko
11. Carried From The Start
12. All Rise


autor stipe07 às 18:40
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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Panda Bear – A Day With The Homies EP

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Noah Lennox, aka Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e com residência em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam o antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que, para Bear, o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental, estranhamente aproximou-se da pop. Agora, quase três anos depois do aclamado Panda Bear Meets The Grim Reaper, Lennox dá um novo significado a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco no conteúdo de A Day With The Homes, um EP de cinco canções onde encontramos uma sequência de primorosas e ainda atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos.

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Neste A Day With The Homies as canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea. É a materialização de um universo muito próprio e algo peculiar e até colorido, uma impressão obtida logo noinício com a batida animada de Flight a surpreender pelo seu nível de humor e de acessibilidade.

O EP avança e quer no clima kraut algo subversivo de Parth Of The Math ou nos flashes e ruídos que correm impecavelmente atrás de uma percussão orgânica e bem vincada que, em Shepard Tone, nos faz transpor quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, escutamos dois temas com uma filosofia diferente e menos imediata do que a da canção incial e que nos deixam a impressão que Lennox quis, desta vez, trazer à tona sons, efeitos e melodias que estavam guardadas e à espera do momento certo para ganharem vida, porque o autor considerava que antes não se encaixavam no perfil sonoro dos seus alinhamentos, ou porque ainda não tinham sido objeto do trabalho de produção merecido. 

O ocaso do EP chega mais depressa do que gostaríamos com o clima etéreo de Noad To The Folks, canção onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático com um volume crescente e com um piscar de olhos sintético a sonoridades mais negras em Sunset, mais duas canções que justificam o modo como A Day With The Homies pode ser descrito como extraordinário. Naturalmente corajoso, complexo e encantador, além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais, onde exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário sonoro desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, mas repleta de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - A Day With The Homies

01. Flight
02. Part Of The Math
03. Shepard Tone
04. Nod To The Folks
05. Sunset


autor stipe07 às 16:44
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2018

Franz Ferdinand – Feel The Love Go

Franz Ferdinand - Feel The Love Go

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, lá para o próximo mês de fevereiro.

Depois de termos escutado o single homónimo desse novo registo de originais dos Franz Ferdinand, em outono, agora chegou a vez de conferir Love To Go, mais um tema desse Always Ascending, uma nova espiral rugosa e dançante em que crescem guitarras e bateria e o pendor exaltante dos sintetizadores, num frenesim de dance post punk rock que irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que se insere. Confere...


autor stipe07 às 17:27
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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

Máquina Del Amor - Disco

É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.

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Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.

Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:58
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2018

Soft Serve – Trap Door EP

Os canadianos Soft Serve formaram-se em 2013, mas só em 2016 conseguiram alguma projeção quando Kyle Thiessen, líder do projeto, mudou-se para Toronto, mesmo que Thomas James, o seu parceiro, que também assina o projeto Milk, tenha permanecido em Vancouver. Já agora, nesta cidade abriram uma espécie de estúdio de gravação comunitário, os Luna Studios, que hoje é um porto de abrigo de muitos grupos locais que, não tendo um espaço próprio para gravar, socorrem-se dele. Trap Door é o novo EP destes Soft Serve que têm um pé no passado e o outro firmemente plantado no presente, algo comum a um elevado número de grupos que enquanto revivem influências de alguns dos melhores catálogos sonoros das últimas cinco décadas, procuram também dar um cunho algo pessoal, genuíno e identitário a essa permissa revivalista, de forte cariz sentimental.

Foto de Soft Serve.

Do post punk oitocentista, ao indie rock da década seguinte, passando pelo lo-fi setentista, Trap Door é uma excitante viagem temporal por um arquétipo sonoro que soa familiar a quem se habituou a crescer ao som de alguns dos melhores projetos deste universo sonoro. Da vibe melancólica e contemplativa de Whisper In The Wind, ao timbre corrosivo e encorpado que escorre de Phantasm, passando pela luminosidade sedutora e inebriante de Pat's Pun Open Blues Jam, as suas cinco canções foram um alinhamento primoroso e bastante audível. Não faltam nele leves pitadas de shoegaze, com as guitarras plenas de efeitos metálicos e timbres luminosos e uma bateria com a cadência adequada ao sentimentalismo das canções, a serem os grandes trunfos de um compêndio que colocará estes Soft Serve na mira de um número cada vez maior de entusiastas de um rock descomplicado e que se saboreia por nunca deixar de soar de modo refrescante e simultaneamente vintage. Trap Door tem tanto de acessível como de inédito, criativo e agradavelmente refrescante e único. Espero que aprecies a sugestão...

Soft Serve - Trap Door EP

01. Whisper In The Wind
02. Pat’s Pub Open Blues Jam
03. Phantasm
04. Camera Phone
05. Soft Soap


autor stipe07 às 17:46
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2017

James Blake - Vincent

James Blake - Vincent

Enquanto não edita um novo disco, o londrino James Blake resolveu oferecer como prenda de natal aos seus fãs, uma lindíssima versão de Vincent, um clássico da autoria do cantor norte-americano Don McLean, originalmente gravada há quarenta e seis anos anos, como homenagem ao pintor Vincent Van Gogh.

Com o original presente na banda sonora do filme Loving Vincent, lançado recentemente, esta versão de Blake teve já também direito a um vídeo, gravado em Los Angeles e dirigido por Andrew Douglas, sendo uma lindíssima canção tocada ecantada ao piano, uma reinterpretação que criou um ambiente algo intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Confere...


autor stipe07 às 15:25
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017

Gonçalo - Boavista

Figura de proa dos míticos Long Way To Alasca, Gonçalo Alvarez acaba de estrear o seu projeto a solo no formato disco com Boavista, nove cançoes que sucedem a QUIM, o EP que este músico bracarense lançou em 2014 pela Lovers & Lollypops, a mesma etiqueta que abriga este registo. Este disco chega após uma recente participação com Castello Branco, num projeto com o nome de Mar Nenhum, colaboração proposta e promovida pela webzine Bodyspace e que contou com a participação de vários músicos lusófonos.

Gonçalo (Long Way to Alaska) - Boavista

Gravado e produzido por Gonçalo e João Moreira e com várias participações de relevo, nomeadamente André Simão (La La La Ressonance), Filipe Azevedo (Sensible Soccers), João Moreira, João Pereira (Guilty Ones), Jorge Queijo (Torto), Pedro Oliveira (peixe : avião)  e Sérgio Alves (Marta Ren), Boavista é um raio de luz e de cor que flameja com vigor no inverno cinzento e fusco que tem caraterizado os dias mais recentes. Feito com uma instrumentação diversificada que, numa mesma canção, é capaz de ir do simples dedilhar de um par de cordas até à inserção de uma miríade heterogénea de efeitos sintetizados, cruzados por sopros e percurssão de várias proveniências, Boavista é um caldeirão sonoro vivo e tremendamente comunicativo. Carrosséis, com exuberância e Lorosae, de modo mais contido, mas também contundente, mostram-nos, logo a abrir, o esplendor deste receituário estilístico, uma pop refinada, plena de charme e impressiva porque se deixa enlear quase de modo intuitivo pelas memórias que Gonçalo pretende transmitir a quem se predispuser a ser seu confidente íntimo.

O piano é também figura de proa deste sentido quadro, o rei de vários temas, como é o caso de Pianda, uma espécie de divagar soturno por aquele céu onde os sonhos ganham uma leveza irreal, mas também de Bonanza, canção onde a bateria contrasta, parecendo martelar em visões que desvendam algo misterioso e que não é deste mundo, para depois nos aconchegar em Bravo!, uma canção a conter uma acusticidade inicial um pouco sombria, mas simultaneamente festiva e onde uma viola paira delicadamente enquanto debita uma melodia pop simples e muito elegante, para depois se eletrificar sem pudor, proporcionando-nos uma assombrosa sensação de conforto. Mas é na graciosidade algo pueril de Champagna que ficamos definitivamente ofuscados pelo brilho incomensurável de um registo ímpar que não permite entrelinhas ou hesitações.

Boavista é, em suma, uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade do autor para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Gonçalo combina aqui, com uma perfeição raramente ouvida, a música pop com sonoridades mais progressivas e experimentais, provocando um efeito devastador e que torna este álbum numa espécie de disco híbrido perfeito. Espero que aprecies esta sugestão...

 


autor stipe07 às 15:58
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017

Zed Penguim - Wandering

Foto de ZED PENGUIN.

Matthew Winter, James Metcalfe, Casey Miller e Atzi são os Zed Penguin, banda preparada para se apresentar ao mundo com A Ghost, A Beast, um trabalho que irá ver a luz do dia lá para fevereiro, à boleia da escocesa Song, By Toad Records de Matthew Young.

Wandering é o primeiro single divulgado de A Ghost, A Beast, uma ode acústica e tremendamente sentimental à melancolia, feita à base de cordas com um grau de refinamento classicista incomensuravelmente belo. Escrita por Winter há já alguns anos, após ter sofrido graves ferimentos durante um assalto ao hospital psiquiátrico onde trabalhava, é uma canção que expressa a ideia de isolamento de quem tem dificuldade em encontrar o seu lugar neste mundo e que quando o encontra não resiste a regressar ao casulo anterior. Confere...


autor stipe07 às 17:58
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Björk – Utopia

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, já tem sucessor. O novo disco da artista islandesa chama-se Utopia, viu a luz do dia a vinte e quatro último, via One Little Indian Records, e constitui uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam, depois do antecessor ter sido um disco intimista e algo depressivo, que se focou muito no termino da relação amorosa da autora com Matthew Barney, um reputado artista plástico americano.

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De facto, o que não falta em Utopia são ideias e sugestões para um mundo melhor e o venezuelano Arca, produtor deste disco, é um elemento preponderante para o deslumbre que se sente com toda a pafernália de sons, detalhes e efeitos que vão cirandando em redor da voz de uma Björk que parece ter encontrado de novo motivos para olhar com optimismo para o mundo que a rodeia. Se The Gate, o terceiro tema do disco é, de acordo com a própria autora, a canção que melhor retrata as diferenças entre Vulnicura e Utopia, muito por causa do modo como Björk posiciona o seu registo vocal no meio de uma vasta miríade de luxuriantes efeitos e detalhes eminentemente sintéticos e com um poderoso potencial impressivo, logo na luxuriante secção de metais que vai sobressaindo em Arisen My Senses percebe-se que a compositora islandesa sente-se mais sorridente e disponível para a celebração. Logo depois, em Blissing Me, somos confrontados com uma canção cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. É uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondicional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro e que vinca, definitivamente, aquela que será a filosofia sonora do restante alinhamento de Utopia.

Até ao ocaso deste trabalho, quer na extensa e espiritual Body Memory, uma canção que conta com a extraordinária participação especial de seis dezenas de vozes feminimas, quer na complexidade orquestral de temas tão envolventes como Tabula Rasa, uma composição que eriça com contundência o nosso lado mais sensível, ou de Losss, um oásis de cândura e suavidade, assim como de Claimstaker, uma ode ao amor tremendamente retemperadora, somos absorvidos sem apelo nem agravo por um álbum que representa, claramente, uma espécie de renascimento e de virar de página para um universo mais eloquente e transcendental por parte de uma das intérpretes mais inspiradas e influentes do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão....


autor stipe07 às 20:42
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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?

O ideário sonoro dos gloriosos anos noventa está ainda bem presente entre nós após duas décadas desse período aúreo de movimentos musicais incríveis como a britpop que, do lado de cá do atlântico, fez na altura frente ao grunge e ao indie rock norte americano, num período temporal que massificou definitivamente o acesso global à música. E os Oasis foram um dos nomes fundamentais da arte musical em terras de Sua Majestade nessa época, liderados pelos irmãos Gallagher que continuam a fazer questão de alimentar uma relação lendariamente conturbada. E agora fazem-no através das suas carreiras a solo, com ambos a editarem discos em nome próprio no ocaso de 2017. O primeiro foi Liam, o mais novo, com o seu registo de estreia As You Were e agora chega a vez de Noel, juntamente com os seus High Flying Birds, através de um trabalho intitulado Who Built the Moon?, que viu a luz do dia já neste mês de novembro.

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Produzido por David Holmes, Who Built The Moon? deve grande parte dos méritos do seu conteúdo ao trabalho deste produtor algo desconhecido do universo índie e que se esforçou ao máximo por conseguir domar, com aparente sucesso, o natural ímpeto de Noel para compôr de acordo com o seu adn e, consequentemente, o adn dos Oasis. E esse é um dos maiores méritos que este álbum tem, o facto de mostrar um Noel a ser impelido para fora da sua zona de conforto criativa, com as distorções, a heterogeneidade instrumental e a vasta miríade de efeitos da vibe psicadélica Fort Knox, o tema inicial do disco, a fintarem quem estava a contar com a habitual receita da banda que esteve no trono da britpop durante cerca de uma década.

 A partir daí, esse distanciamento torna-se ainda mais assertivo ao som de Holy Mountain, o primeiro single divulgado deste Who Built The Moon?, uma canção impetuosa e com uma vasta miríade de influências, que vão da britpop, ao rock mais ácido e experimental setentista, passando pelo rock alternativo da década seguinte e aquela toada pop algo sintética do mesmo período, com um espírito bastante festivo e dançante, mas também à boleia do sedutor experimentalismo de It's A Beautiful World e do instrumental Wednesday, da grandiosa secção de sopros que abastece o ritmo vibrante de Keep On Reaching e do rock sujo e empoeirado presente no tema homónimo.

Who Built The Moon? assenta grande parte da sua filosofia numa ideia de espontaneidade e liberdade, uma estratégia que pressupõe desde logo um aumento do fator risco relativamente à herança sonora do autor. Mas este é, sem dúvida, um risco calculado, um desafio que incubou canções com o indispensável apelo radiofónico e aquele som de estádio que Noel precisa para sustentar com firmeza a promoção ao vivo do registo, mas também composições com uma elevada bitola qualitativa no que concerne à demonstração da capacidade intuitiva do Gallagher mais velho de criar trechos melódicos quer apelativos quer criativos, mesmo que pareçam conceptualmente distantes. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Who Built The Moon

01. Fort Knox
02. Holy Mountain
03. Keep On Reaching
04. It’s A Beautiful World
05. She Taught Me How To Fly
06. Be Careful What You Wish For
07. Black And White Sunshine
08. Interlude
09. If Love Is A Low
10. The Man Who Built The Moon
11. End Credits (Wednesday Part 2)
12. Dead In The Water (Live At RTE 2FM Studios, Dublin)
13. God Help Us All


autor stipe07 às 20:51
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