Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Tame Impala – Currents B-Sides And Remixes EP

Dois anos depois de Currents, um disco onde os Tame Impala de Kevin Parker continuaram a explorar o universo muito pessoal e privado do grande mentor do projeto, mas de um modo mais pop, dançante e eletrónico que os discos antecessores, eis que voltamos a ter novidades deste projeto australiano, um ep intitulado Currents B-Sides And Remixes. São cinco canções, três inéditos e duas remisturas de dois temas fulcrais de Currents, uma da autoria de Gum para Reality In Motion e outra dos belgas Soulwax para Let It Happen.

A nostalgia e o modo como são apresentados com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, continua a ser uma pedra de toque importante na discografia dos Tame Impala, conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça. E o primeiro inédito deste ep, List Of People (To Try And Forget About) reflete de modo clarividente esse propósito de oferecer ao ouvinte uma visão muito particular do universo que os Tame Impala adoram recriar, sonoramente sustentado em constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se junta um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental vintage única. Depois, em Powerlines, a aposta acaba por recair em texturas mais sintéticas e experimentais, exemplarmente sintonizadas nas sobreposições e mudanças de ritmo do tema, com eletrónica e psicadelia a darem as mãos de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop. Finalmente, Taxis Here pisca um pouco o olho à soul do R&B e à eletrónica mais ambiental e à nostalgia deste genero, num ambiente sonoro que se aconchega nos nossos ouvidos e que se cola à pele com o amparo certo para que se expresse na canção a melíflua melancolia que Parker certamente quis que dela deslizasse. Quanto às remisturas, têm o natural objetivo de aproximar os Tame Impala ainda mais do circuito disco, com a aposta a recair naquele típico groove viajante lisérgico que tão bem recriam, sem que a identidade dos autores das novas versões seja colocada em causa, com destaque para a faixa revista pelos Soulwax e que contém todos os habituais tiques das remisturas feitas pelos belgas.

Acervo que merece toda a atenção por parte dos apreciadores deste género sonoro muito peculiar, Currents B-Sides And Remixes é um excelente complemento ao conteúdo de Currents, um naipe de canções com texturas e fôlegos diferentes e onde aquela sensação de experimentação caseira está presente, ampliando a áurea resplandecente e romântica de uns Tame Impala cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - Currents B-Sides And Remixes

01. List Of People (To Try And Forget About)
02. Powerlines
03. Taxi’s Here
04. Reality In Motion (Gum Remix)
05. Let It Happen (Soulwax Remix)


autor stipe07 às 21:33
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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Björk – Blissing Me

Björk - Blissing Me

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, prepara-se para ter sucessor já dentro de dias.

O novo disco da artista islandesa chamar-se-à Utopia, irá ver a luz do dia já dia vinte e quatro, via One Little Indian, e será, de acordo com a própria autora, uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam. Supostamente irá conter algumas ideias e sugestões para um mundo melhor, o que deverá ser mesmo uma realidade tendo em conta Blissing Me, o novo single divulgado do disco, cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. Falo de uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondcional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro. Confere...


autor stipe07 às 21:34
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Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

Walk The Moon – What If Nothing

Os norte americanos Walk The Moon de Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo cheio de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis e paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas, uma receita que está de regresso de modo ainda mais aprimorado e exuberante em What If Nothing, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati lançou a dez de novembro último.

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Produzido por Mike Crossey e Mike Elizondo, What If Nothing tem o selo da RCA Records e coloca este quarteto norte-americano no trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa, algumas vezes até com diversos tiques do r&b em ponto de mira, como é o caso de Press Restart, mas também a olhar de frente e com notória gula para o rock mais anguloso e expansivo. Assim, não faltam aqui canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores, outras a pedirem um punho firme e cerrado e ainda diversos instantes que convidam à introspeção e, no melhor pano, canções que fazem uma súmula de toda esta amálgama sonora certamente controlada em que os Walk The Moon se movem.

É indubitável a capacidades destes Walk The Moon em olharem para o lado estético daquela pop algo negra e belicosa, feita de batidas algo minimais e sintetizadores impregnados de efeitos repletos de charme, mas eles também são exímios a navegar em águas banhadas por cordas exemplarmente eletrificadas e carregadas de fuzz e distorção. E, na sequência deste modus operandi, não terá sido inocente a escolha dos dois primeiros singles a retirar do álbum. Assim, se em Kamikaze temos um feliz exemplar do primeiro género de canções cuja bitola é, pouco depois, reforçada pelo arsenal sintético que sustenta a exuberância de All Night, já Headphones não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo red line e, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura sua melódica. Depois, canções como a épica e efervescente All I Want ou Tiger Teeth, uma lindíssima balada onde sobressai um piano sintetizado que acompanha com mestria aquele efeito agridoce com que Petricca costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, acabam por nos proporcionar a tal junção estética que tem como grande e constante motor o reviver de marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta e, simultaneamente, o ressuscitar de referências mais clássicas, consentâneas com a própria pop psicadélica, sendo indisfarçável, ao longo das treze canções do registo, a busca constante de melodias agradáveis e marcantes, mas também ricas em detalhes e texturas.

São vários os territórios sonoros onde os Walk The Moon se sentem como peixe na água, estabelecendo definitivamente neste trabalho o vasto leque de influências que sempre moldaram uma carreira livre de constrangimentos ou de obediência direta a uma determinada bitola sonora mais específica, até porque em What If Nothing aquilo que não falta é um som intrincado mas cativante e pleno de texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegra e nos conduz à diversão, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Walk The Moon - What If Nothing

01. Press Restart
02. Headphones
03. One Foot
04. Surrender
05. All I Want
06. All Night
07. Kamikaze
08. Tiger Teeth
09. Sound Of Awakening
10. Feels Good To Be High
11. Can’t Sleep (Wolves)
12. In My Mind
13. Lost In The Wild


autor stipe07 às 20:36
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Sábado, 11 de Novembro de 2017

Plastic Flowers – Absent Forever

Juntam-se guitarras impregnadas de efeitos com uma forte toada shoegaze e um ambiente melódico particularmente lisérgico e contemplativo e estão lançados os dados para a chegada às luzes da ribalta de mais um projeto indie dentro do espectro sonoro que nos oferece uma versão algo ruidosa da dream pop mais ambiental e que também revive, em grande parte, épocas gloriosas de um rock alternativo que fez escola na reta final do século passado em Terras de Sua Majestade. Refiro-me a Plastic Flowers, o alter-ego sonoro do grego, sedeado em Londres, George Samaras, um projeto que nasceu na zona de Tessalónica, na Grécia, há pouco mais de meia década. Plastic Flowers vai já no terceiro lançamento discográfico, sendo o mais recente Absent Forever, dez canções que acabam de ver a luz do dia à boleia da The Native Sound.

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Com algumas canções já arquitetadas desde 2013 e gravado em apenas três meses, em diferentes espaços de Londres e num pequeno estúdio da casa de um amigo de Samaras em Hampstead, arredores da capital britânica, Absent Forever é um disco de contrastes. Se contém instantes tremendamente ruidosos e com uma forte complexidade instrumental, também deve muito da sua bitola qualitativa superior a outros intensamente calmos e reflexivos, sendo inteligente o modo como se vão revezando entre si, muitas vezes dentro dos próprios temas, numa demanda sonora onde a ideia de experimentalismo é elevada à forma de arte, neste caso sonora, com charme, bom gosto e uma invulgar sapiência.

Um dos truques que explica o som inédito e bastante identitário deste álbum é o modo como no processo criativo foram capturados alguns dos instrumentos através da antiga e analógica tecnologia da fita magnética. Depois, a participação de um quarteto de cordas também ajudou a ampliar ainda mais o clima rugoso e orgânico de um alinhamento que possui o habitual cariz melancólico em que Plastic Flowers gosta de nos imergir. No single How Can In, o modo como um imparável riff eletrificado se sobrepõe e um trecho de guitarra ternurento que se repete ininterruptamente, plasma esta sensação agridoce que acaba por se estender à meia hora que o disco dura, até porque essa sensação se repete logo a seguir em Seventeen, canção que inicia com uma guitarra fortemente etérea e luminosa que pouco depois é trespassada por uma bateria imponente, com o resultado final a ser uma composição de forte cariz orquestral, com deliciosos acordes e melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, algo que à partida não era fácil de adivinhar assim que o tema começou. Depois, a sobriedade sentimental esplendorosa de Falling Off, o modo quase espiritual como em Half Life somos confrontados com um edifício sonoro com uma epicidade incomum e algo intrigante e a feliz nostalgia oitocentista que exala do post rock que define So Long, uma daquelas canções cujas diversas camadas de sons impelem ao cerrar de punho, são outros exemplos felizes do modo como neste Absent Forever é possível apreciar ruído e rugosidade, sem deixar de estar à tona uma toada eminentemente tranquila e sedutora, mesmo que, durante a audição, o frenesim na percussão e o ruído das guitarras, principalmente nos refrões, sejam nuances que parecem apontar numa outra direção, até algo oposta.

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, Absent Forever exala o contínuo processo de transformação de Plastic Flowers que procura mostrar, ao terceiro registo, com a marca do indie shoegaze, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Plastic Flowers - Absent Forever

01. Absent Forever
02. How Can I
03. Seventeen
04. Falling Off
05. Dalliance
06. Half Life
07. So Long
08. Where Are You
09. January 2017
10. NN


autor stipe07 às 22:50
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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano no palco do CCB.

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano são ambos músicos de jazz com formação académica na música clássica. Os dois estarão no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém no próximo dia 15 de Dezembro para encerrar o ciclo CCBeat 2017. O concerto preparado em exclusivo para a ocasião conta com um alinhamento maioritariamente inédito executado por um ensemble de luxo que reúne uma secção rítmica, secção de cordas e naipe de sopros e ainda dois cantores convidados.

Imagem intercalada 1

A abordagem tem como base diversos estilos tais como o jazz, o rock, a música exótica, cinematográfica e erudita, sendo o principal solista Ricardo Toscano no saxofone alto. Nas palavras de Bruno Pernadas, que acumula a direcção musical, na conjunção deste ensemble procura-se aquilo que se assume como identitário de cada instrumento, combinando as diferentes linguagens harmónicas, rítmicas, texturais nos vários momentos que integram o espectáculo.

 De acordo com o músico e compositor, a proposta a apresentar é marcada por uma abordagem dinâmica, forte e ambiciosa que traduz-se num concerto onde a composição e a improvisação ocupam um papel determinante no seu resultado final.

Dois excelentes músicos, o multi-instrumentista e compositor Bruno Pernadas e o saxofonista Ricardo Toscano num encontro singular que transforma esta ocasião em algo surpreendente e certamente memorável.

Bruno Pernadas - composição, guitarra e teclados

Ricardo Toscano - saxofone alto, solista

Afonso Cabral - voz (convidado)

Francisca Cortesão - voz (convidada)

Margarida Campelo - piano, teclados e voz

João Correia - bateria

Nuno Lucas - baixo eléctrico

Diogo Duque - trompete

João Capinha - saxofone

Raimundo Semedo - saxofone

Raquel Merrelho - violoncelo

João de Andrade – violino


autor stipe07 às 21:19
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Sábado, 4 de Novembro de 2017

Grooms – Exit Index

Quase três anos depois do extraordinário Comb The Feelings Through You Hair, os Grooms de Emily Ambruso, Jim Sykes e o texano Travis Johnson, o grande mentor do projeto, estão de regresso com mais dez canções incluídas em Exit Index, o quinto registo de originais deste coletivo sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que encontra as suas origens nos míticos Muggabears. Esta é uma banda que combina com tremenda lucidez criativa os cânones mais elementares daquele indie rock assente na tríade guitarra, baixo e bateria, à qual adicionam alguns elementos e efeitos sintetizados, com um resultado final que é uma verdadeira parada de cor, festa e alegria, onde existe um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a música que gostam.

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A indie pop e o rock luxuriante, com o ritmo e a cadência certas e uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que abraça um interessante e algo inédito leque de influências, sempre com uma filosofia vintage, é a pedra de toque destas dez canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes Grooms compõem temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, como é o caso do tremendamente inquietante pulsar de The Directory ou o exacerbado romantismo que expira de Turn Your Body, mas também conseguem ser mais imediatos no modo como entretêm o ouvinte com canções que se escutam sem ser necessário estabelecer uma intrincada teoria para as perceber e saborear. Quer a rugosidade progressiva de Magistrate Seeks Romance, quer a sobriedade melancólica que é sustentada pelo magistral baixo que conduz Dietrich possibilitam-nos esta sensação feliz que é conseguirmos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que esculpiram as canções e, em simultâneo, absorvermos, sem truques ou códigos, a mensagem que transmitem.

Um dos principais atributos de Exit Index é o modo como as guitarras se situam melodicamente sempre próximas da postura vocal e depois, quando alguns arranjos sintéticos sobressaiem, como é o caso do efeito agudo que sai do teclado no rock angular e rugoso de Some Fantasy, tal sucede não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Outro bom exemplo desta altivez orquestral é They Can Tell, um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico que nos desarma, sem dúvida um dos pontos altos e imperdiveis de Exit Index, até porque é uma canção que nos agracia com aquela estirpe de cordas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, quer no entusiasmo lírico. Num final em grande estilo, os Grooms oferecem-nos em Thimble uns loopings que introduzem eficazmente uma linha de guitarra inebriantel num memorável instante épico, impregnado de cor e luz, sem dúvida o melhor modo de encerrar um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante.

Com um forte cariz urbano e atual, Exit Index é um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. É um disco que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Todos os temas são arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos Grooms para nos fazerem pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Há neste alinhamento quase uma pueril simplicidade, que plasma uma notável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o indie rock psicadélico nos dias de hoje, oferecendo-nos, enquanto se vai num abrir e fechar de olhos do nostálgico ao glorioso, uma caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme. Espero que aprecies a sugestão...

Grooms - Exit Index

01. The Directory
02. Horoscopes
03. Turn Your Body
04. Magistrate Seeks Romance
05. End
06. Dietrich
07. Softer Now
08. Some Fantasy
09. They Can Tell
10. Thimble


autor stipe07 às 21:06
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Quinta-feira, 2 de Novembro de 2017

Destroyer – Ken

Produzido pelo carismático Josh Wells, baterista dos Destroyer desde 2012 e abrigado pela insuspeita Merge Records, Ken é o novo registo discográfico dos Destroyer de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.

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Muito inspirado no clássico The Wild Ones dos Suede, cuja demo se chamava Ken, este é um disco algo intrincado e bastante sedutor no modo como apresenta construções melódicas e instrumentais que ora parecem ríspidas ora profundamente acolhedoras, estabelecendo no seu seio, amiúde, uma espécie de caos inédito que metais, teclas, guitarras, intensos trompetes, batidas e uma postura vocal sui generis ampliam. Logo em Sky's Grey fica bem patente toda esta trama que parece lançar sobre nós, à primeira vista, pensamentos algo depressivos mas que, no fundo, estão imbuídos de uma elevada componente irónica, numa espécie de humor negro que o efeito das guitarras e os sintetizadores imponentes da rugosa In The Morning tão bem personificam.

À medida que o disco avança Bejar parece estar continuamente a soltar alguns dos seus demónios ao mesmo tempo que parece gozar não só do facto de eles terem permanecido algum tempo dentro de si, mas também do destino que preparou para os mesmos. Quer no balanço vintage da pop eletrónica oitocentista que abastece Tinseltown Swimming In Blood ou no imediatismo intuitivo do rock que carrega Cover From The Sun, assim como na luminosidade da toada acústica de Saw You At The Hospital e nos arranjos lindíssimos que sobressaem das cordas e do curioso saxofone de Rome transparece quer essa impressão filosófica quer o clima eminentemente sofisticado e claramente clássico e moderno de um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.

Em Ken Dan Bejar aperfeiçoa o charme inconfundível deste projeto Destroyer e coloca em cima da mesa mais uma vez a sua mestria genética na hora de sobrepor não só diferentes camadas de instrumentos e arranjos, mas também variações rítmicas e, consequentemente, sentimentais, que a sua música ao longo da carreira tem sempre exalado. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Ken

01. Sky’s Grey
02. In The Morning
03. Tinseltown Swimming In Blood
04. Cover From The Sun
05. Saw You At The Hospital
06. A Light Travels Down The Catwalk
07. Rome
08. Sometimes In The World
09. Ivory Coast
10. Stay Lost
11. La Regle Du Jeu


autor stipe07 às 20:21
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Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

Franz Ferdinand – Always Ascending

Franz Ferdinand - Always Ascending

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, lá para fevereiro próximo.

Já é conhecido o single homónimo desse novo registo de originais dos Franz Ferdinand, uma espiral instrumental em que crescem guitarras e bateria e o pendor exaltante dos sintetizadores, num frenesim de dance post punk rock que irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que se insere. Confere...


autor stipe07 às 22:01
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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

Mano a Mano - Mano a Mano Vol. 2

Os mais atentos ao jazz que se vai fazendo por cá consideram os irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro na atualidade. E são eles que dão a face pelo projeto Mano a Mano, que se estreou em 2014 nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que agora já tem sucessor. Mano a Mano Vol. 2 viu a luz do dia recentemente, onze canções que, de acordo com o press release do lançamento, centram-se num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato.

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Disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e orgânico e com uma forte toada bluesMano a Mano Vol. 2 vive do violão e das guitarras, como referi, mas também conta com o Braguinha/Machete, um instrumento tradicional da Madeira parecido com o cavaquinho, que faz a sua aparição em alguns temas. Como um todo, assenta numa filosofia sonora com uma especificidade muito própria e estreitamente balizada, mas não deixa, por isso, de nos oferecer um alinhamento sinuoso e cativante e que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão e até à dança, imagine-se. Dinah é um bom exemplo desta aparente ambivalência, numa canção que não pode deixar de ser ouvida sem ser acompanhada por um sorridente bater de pés ou um efusivo abanar de ancas, mas que também não deixa de exalar, na onda dos vários dedilhares que se cruzam entre si, a uma ode sobre o mundo moderno, sendo este tema a opção mais certa para percebermos, à partida, o modo como esta dupla é ímpar a materializar os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Depois, através da exploração de várias formas de diversificar os arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros), nomeadamente no tema antecessor, o single Super Mario, mas também no espraiar solarengo de A Cadeira, O Baloiço e a Rosa, no frenesim desafiador de Without a Song, na sumptuosa delicadeza que exala das constantes variações de tom em Vignette e no jazzístico arrojo pop a que sabe Nem tudo é o que parece, ficamos esclarecidos acerca de constante inquietação que lateja do diálogo que estes dois músicos estabelecem entre si, sempre a suplicar por um patamar de serenidade que felizmente nunca surge, porque este não é um disco para cativar sem primeiro espicaçar, até porque, mesmo sem letras, não deixa de ser, no seu todo, um exímio e lúcido contador de histórias que servem a qualquer comum dos mortais, deixemo-nos nós absorver por tudo aquilo que as cordas nos sussurram ao ouvido com indesmentível clareza.

Em suma, Mano a Mano Vol. 2 está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que mesmo este género de música tão específico e sui generis pode ser também um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer individual quer coletiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:50
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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2017

St. Vincent - Masseduction

Foi no passado dia treze, através da Loma Vista Recordings, que chegou aos escaparates Masseduction, o quinto e mais arrojado álbum de St.Vincent, o alter ego sonoro de Annie Clark, uma compositora que nasceu em Tulsa, no Oklahoma, há trinta e cinco anos e que depois de começar a sua carreira musical nos míticos The Polyphonic Spree, enveredou por uma bem sucedida carreira a solo que amplia continuamente, disco após disco, as suas virtudes como cantora e criadora de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são muitas vezes autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais da artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam connosco com elevada empatia.

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Com uma década de carreira, Annie Clark já cirandou quer pela pop mais ambiental quer pelo rock mais explosivo e orgânico e este Masseduction acaba, de certo modo, por fazer uma espécie de súmula de todas estas abordagens anteriores. Logo a abrir Masseduction deparamo-nos com esta abrangência porque se Hang On Me nos oferece um instante sonoro particularmente emotivo e climático, já Pills tem uma abordagem mais crua e rugosa, ficando assim audível esta intenção, logo á partida, de agregar tudo aquilo que a autora foi testando nos quatro álbuns anteriores, não faltando inclusivé, um pouco adiante,  um flirt consciente ao melhor r&b no tema Savior., um dos momentos altos do álbum.

Sendo assim, o conhecedor profundo da carreira de St. Vincent perceciona com nitidez que este é um disco de súmula, um alinhamento que fazendo juz ao melhor glam rock setentista ou à herança que uma Madonna nos deixou nas duas últimas décadas do século passado, algo que o tema homónimo tão bem plasma, alicerça os seus cânones sonoros quase sempre numa pop orquestralmente rica e que tendo o sexo, as drogas e a depressão no foco lírico, pretende mostrar-nos os diferentes significados da palavra sedução, as suas diversas vertentes, positivas ou nem tanto e o heterogéneo campo semântico que o vocábulo abarca.

Produzido quase na íntegra por Jack Antonoff e contando com as participações especiais de Cara Delevingne, antiga namorada de Annie e de Kamasi Washington, entre outros, Masseduction é, em suma, o retrato vivo de uma intrincada teia relacional que a autora estabelece com um mundo nem sempre disposto a aceitar abertamente a diferença e a busca de caminhos menos habituais para o encontro da felicidade plena. Ela sempre teve o firme propósito de utilizar a música não apenas como um veículo de manifestação artística, mas, principalmente, como um refúgio explícito para uma narrativa que, sendo feita quase sempre na primeira pessoa, materializa o desejo de alguém que já confessou não conseguir fazer música se ela não falar sobre si próprio e que amiúde admite guardar ainda muitos segredos dentro de si.  E neste trabalho ela fá-lo com tremenda nitidez, expondo-se através de um aparato tecnológico mais ou menos amplo que busca sempre e em primeira instância, respeitar a intimidade mais genuína da autora. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:12
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