No passado dia dois de Dezembro a revista Nature publicou um estudo com uma das descobertas mais fantásticas dos últimos tempos e que tem passado despercebida; Pela primeira vez uma equipa de astrónomos analisou a atmosfera de um exoplaneta do tipo super-Terra, neste caso o planeta com o nome de código GJ 12114b, através de um telescópio instalado no Chile. Foi descoberto que o mesmo é formado por vapor de água que origina nuvens bastante densas e grossas. O GJ 12114b tem um diâmetro três vezes maior do que a Terra e uma massa 6,5 vezes maior, situa-se a 40 anos-luz e foi descoberto muito recentemente, em Novembro de 2009. Este planeta, segundo a ESO, demora 38 horas a executar uma volta ao redor da sua pequena estrela vermelha hospedeira, localizada a cerca de 40 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Ofiúco (ou Serpentário), orbitando a uma distância de apenas dois milhões de quilómetros, cerca de setenta vezes mais perto do que a órbita da Terra em torno do Sol.

De acordo com o autor do estudo, Jacob Dean, que trabalha no Centro de Astrofísica da Universidade de Harvard, uma super-Terra é o nome que se dá a um planeta de transição entre planetas com as características de astros rochosos como a Terra, Vénus e Marte e astros gasosos, gigantes e gelados, como Úrano e Neptuno. Este tipo de planetas era desconhecido antes de se observar outros fora do sistema solar.
A análise da atmosfera do planeta foi feita com o telescópio Chileno a verificar se determinados comprimentos de onda que no espectro da luz caem no infra-vermelho, ao atravessarem a atmosfera do GJ 12114b eram alterados, denunciando a sua composição. E as leituras do telescópio indicaram estar-se perante um planeta com uma atmosfera formada por vapor de água tão denso que fica compactado junto da superfície da super-Terra. Este é o resultado mais significativo do último ano sobre medições da atmosfera de um exoplaneta e um ano é muito tempo neste campo, afirmou em declarações à BBC News Drake Deming, do Laboratório de Sistemas Planetários da NASA, que também escreveu sobre este artigo. Entretanto Dean disse também que vai haver mais novidades sobre o GJ 12114b; Este é o exoplaneta mais interessante conhecido e há muitos cientistas focados nele.

Lá em cima anda outro telescópio à procura de super-Terras. Chama-se Kepler, foi colocado em órbitra em Março do ano passado e já descobriu cerca de 700 astros que poderão figurar na lista desse tipo de planetas, dos quais se destacam Corot-7b, Osíris HD209458b e o HD149026b.
O Kepler pesa mais de uma tonelada e está equipado com um fotómetro de 95 milhões de pixéis, a maior objectiva fotográfica lançada no espaço pela Nasa. É ultra-sensível às variações luminosas e vai fotografar durante pelo menos três anos mais de 100 mil estrelas parecidas com o Sol, na região do Cisne e da Lira da Via Láctea.
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Se muitas vezes guardamos dentro de nós a nossa resposta, ou as novas dúvidas que esta pergunta, que desde sempre acompanhou a humanidade, nos gera, cientificamente a solução está mais perto de ver a luz do dia! Com o avanço vertiginoso da ciência, surgem diariamente novas questões sobre a natureza das estrelas e das galáxias e a origem da própria vida, até chegarmos um dia à resposta final.
Assim, em 2010, a Semana Mundial do Espaço propõe que mundialmente seja feito um balanço do que já sabemos, do seu significado e dos mistérios do cosmos que ainda estão por desvendar.
Para mais informações, podes também consultar o site da Ciência Viva e conferir se perto de ti está prevista alguma actividade relacionada com este evento. Estão previstas 34 acções em todo o país; Construir foguetões, desenhar um fato espacial personalizado, ou criar uma ementa para astronautas, são algumas das actividades propostas, todas bastante pedagógicas e com uma forte componente lúdica associada!
Apaixonado que sempre fui pela astronomia, desde muito novo tive predilecção pelo céu e por observar a sua beleza natural. Na idade em que tudo parece possível e o sonho e a realidade confundem-se tantas vezes durante o processo de percepção e entendimento do mundo que nos rodeia, quis ser um astronauta só para poder ir lá acima, tocar nas estrelas e pisar a Lua. Uns anos depois, ao ler O Principezinho de Saint- Exupéry, senti o conforto dessa viagem, razão pela qual este é, sem dúvida, o livro da minha vida!

Todas as pessoas grandes começaram por ser crianças, embora poucas se lembrem disso. (...) Os olhos são cegos. É preciso procurar com o coração.
O mês de Agosto é, no hemisfério norte, o melhor mês do ano para observar o céu, desde que as condições atmosféricas o permitam! E este ano, Agosto tem tido noites excepcionais, anormalmente límpidas e que têm permitido avistar fenómenos espectaculares. Saliento a fantástica Lua Cheia que tem sido possível visualizar há algumas noites. Estou sempre particularmente atento ao período da Lua Cheia; É o período do mês em que gosto mais de observar esta minha confidente e asseguro que não guardo na memória uma fase tão deslumbrante como a desta semana.
Entretanto, e mais uma vez guiado pela música, neste caso dos Sigur Rós, descobri outro fenómeno astronómico anual e que assumiu proporções espectaculares em 2010; Refiro-me à chuva de meteoritos de Perseides, observável anualmente no hemisfério norte.
A chuva de meteoritos de Perseides está associada ao cometa Swift Tuttle. Consiste em partículas e poeiras deixadas por esse cometa, cuja viagem sucede numa órbita de 130 anos. O fenómeno foi baptizado assim porque é visível junto à constelação de Perseus, em plena via láctea. A chuva de meteoritos começa a ser visível a partir de meados de Julho, mas o pico da actividade acontece sempre na segunda semana de Agosto, atraindo a atenção de astrónomos e simples curiosos... como eu!
Este ano, alguém observou o fenómeno nos Estados Unidos, entre os dias 12 e 15 de Agosto, no famoso parque nacional Joshua Tree e fez um vídeo, com banda sonora dos Sigur Rós. Vale a pena espreitar...
Fez na última noite cem anos que o mundo ficou em suspenso perante a aproximação do cometa Halley à órbita terrestre.

Numa época em que a ciência já tinha dado passos importantes, mas as crenças do senso comum continuavam a impôr a sua lei, nomeadamente em Portugal, um país à época com um grau de analfabetismo na ordem dos 80%, por cá, muitos acreditavam que com o Halley viria o fim do mundo! Ainda por cima, a poucos meses do 5 de Outubro de 1910, este acontecimento foi aproveitado pelos próprios republicanos, que acusaram o clero do interior rural de espalhar que o cometa era enviado por Deus e vinha envolvido por gases venenosos que iriam matar todos os seres vivos, ao invés de informar as pessoas sobre a veracidade científica do fenómeno.
Assim, naquela época, o Halley esteve presente em várias dimensões da vida do país. No humor foi utilizado para associar os políticos aos escândalos da época, na publicidade ajudou a vender os mais variados artigos e até deu o nome a uma peça de teatro de revista intitulada O cometa.
Às vezes a RTP também consegue provar que faz realmente serviço público. Nessa medida, o canal público de televisão resolveu recuperar os acontecimentos de 18 de Maio de 1910 em duas produções; Um documentário que estreia hoje, às 21 horas, na Dois, intitulado O Cometa da República e uma série de ficção, A noite do fim do Mundo, prevista para o final do ano. Ambos os formatos foram produzidos pela Hoop Filmes e partem da investigação feita pelo historiador Joaquim Fernandes e da qual também resultou um livro.
Segundo o historiador, A investigação baseia-se na imprensa da altura. O documentário vai viver muito das leituras dos jornais da época. (...) De início especulou-se muito com a possibilidade do envenenamento da atmosfera terrestre. As pessoas reagiam em função das notícias, que reflectiam o ambiente social e cultural da época.
Celebrando-se em 2010 o Centenário da instauração da República em Portugal, decorre também um século sobre o maior evento de medo colectivo vivido pela população portuguesa no decurso da sua História.
São expostos os nexos e fortuitas relações - acasos e coincidências inscritos na história da Astronomia - entre ambos os acontecimentos ocorridos nesse mesmo ano: cerca de cinco meses depois da sua passagem próxima da Terra, em Maio, o cometa de Halley viria a ser lembrado como uma espécie de mensageiro, anunciador da primeira mudança de regime político em Portugal desde a fundação da nacionalidade.
Por tal motivo, o mais popular cometa da História humana pode ser etiquetado pelo inconsciente colectivo nacional como "o cometa da República".
Muitos dos temas que emergiram na sociedade portuguesa, a pretexto da aproximação do tão temido cometa, foram usados como arma ideológica pelos republicanos contra os suportes sociais, mentais e religiosos da Monarquia.
As fragilidades mentais do Portugal profundo, inseguro e supersticioso, vieram ao de cima, em todo o seu esplendor trágico e cómico. Como nos grandes dramas clássicos ou da antecipação científica, a sociedade portuguesa viveu, de facto, o transe de uma noite de "fim do mundo" !
O cometa Halley foi baptizado por Edmund Halley, o astrónomo que pela primeira vez calculou a sua órbita e determinou que os cometas vistos em 1531 e 1607 eram o mesmo objecto que cumpria uma órbita de 76 anos. Infelizmente, Halley morreu em 1742, não chegando a viver o suficiente para conseguir ver a sua predição tornar-se realidade, quando o cometa regressou na Véspera de Natal de 1758. Já é conhecido desde pelo menos 240 a.C. e possivelmente desde 1059 a.C. A sua aparição mais famosa foi em 1066 d.C. quando foi visto pouco antes da Batalha de Hastings.
As aparições mais famosas do cometa Halley foram em 1835 e 1910 e a última em 1986. Para observar de perto este corpo celeste, em 1984 e 1985, a URSS, o Japão e a Agência Espacial Europeia lançaram sondas para se encontrarem com o astro.
Alguns dados acerca do cometa Halley;
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