Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

Martin Carr - New Shapes Of Life

Já chegou aos escaparates New Shapes Of Life, o terceiro capítulo da exuberante obra discográfica do escocês Martin Carr e o segundo do artista editado pela Tapete Records. Este é um trabalho que sucede a The Breaks, um registo lançado em 2014 e onde o artista lidou com os sentimentos de separação do mundo que o rodeia mas, por algum motivo que não entende, ficou mais insatisfeito no final do disco do que quando o tinha começado a compôr e desta vez, quis ir mais fundo.

Martin_Carr_17__Credit_Mary_Wycherley_

Misturado por Greg Harver, um amigo de Martin também escocês mas residente na Nova Zelândia e de Clint Murphy, New Shapes Of Life é fortemente influenciado pela herança de David Bowie e tal sucede porque foi a morte desse ícone da cultura contemporânea que acabou por desencravar um período de crise criativa que Carr estava a viver no ano de 2015. O músico tinha-se refugiado no seu estúdio em Glasgow com o propósito de compôr novas canções, os resultados eram infrutíferos, mas a morte de Bowie despoletou em Carr o desejo de se embrenhar em toda a discografia do artista inglês, assim como em filmes e biografias sobre esse artista e tal experiência ensinou ao escocês a importância de se exprimir através dum determinado meio além de o ter feito refletir sobre a sua vida e nos anos que tinha desperdiçado a viver a vida dum artista mas a negligenciar a arte.

A lírica acabou por ser o ponto de partida das canções, ao contrário do habitual modus operandi de Carr e foi gasta bastante energia nessa componente essencial do processo de construção de uma canção, tendo o artista ido ao limite do seu próprio bem-estar mental, já que foi bastante auto-biográfico durante esse processo. Mas terá valido a pena todo o esforço dispendido já que poemas como o que conduz o tema homónimo ou Future Reflections são apenas dois bons exemplos da superior bitola qualitativa da escrita que se pode conferir neste disco. 

Quanto ao conteúdo sonoro, New Shapes Of Life projeta o autor para um universo sonoro bastante mais dinâmico e expansivo do que os trabalhos antecessores, onde melodias florescentes convivem lado a lado, com enorme frequência, com uma percussão imaculada e exuberante. O rock expansivo e dinâmico de Damocles ou a toda mais atmosférica e etérea de The Main Man acabam por condensar todo o espetro sonoro transversal a um alinhamento muito rico e intrincado instrumentalmente, inclusive ao nível da percussão, mas com os sintetizadores atmosféricos, amiúde um piano sedutor e até alguns sopros a fazerem parte do arquétipo sonoro que definitivamente retira Carr da sua zona de conforto sonora através de um verdadeiro concentrado de soluções melódicas e de arranjos programadas, onde tudo flui de maneira inventiva de modo exuberante e sentido.
Além dos temas já referidos, até ao final, canções como a divagante A Mess Of Everything e o rock épico e pulsante de Three Studies of The Mall Black afagam com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a doutrina deste autor, plasmada num folk rock muito ternurento, mesmo que às vezes pareça escondido no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação.

Há discos que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há instantes em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Álbum fortemente hermético porque que se fecha dentro de um campo muito próprio e por isso particularmente genuíno e emocionalmente pesado, New Shapes Of Life é um bom exemplo de como é possivel apresentar um trabalho artisticamente muito criativo, mesmo que assente a sua sonoridade numa amálgama aparentemente improvável que mistura folk, indie pop e indie rock, com post rock e alguns elementos eletrónicos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:46
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Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

Franz Ferdinand – Always Ascending

Franz Ferdinand - Always Ascending

Quatro anos depois de Right Thoughts, Right Words, Righ Action podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses Franz Ferdinand sabem como replicar está de volta com Always Ascending, lá para fevereiro próximo.

Já é conhecido o single homónimo desse novo registo de originais dos Franz Ferdinand, uma espiral instrumental em que crescem guitarras e bateria e o pendor exaltante dos sintetizadores, num frenesim de dance post punk rock que irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro indie em que se insere. Confere...


autor stipe07 às 22:01
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Segunda-feira, 16 de Outubro de 2017

Django Django – Tic Tac Toe

Django Django - Tic Tac Toe

 

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome que este blogue tem acompanhado com toda a atenção na última meia década. Depois de se terem estreado nos discos em janeiro de 2012 com um trabalho homónimo muito bem aceite pela crítica e nomeado para um Mercury Prize nesse mesmo ano, a banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, regressou em 2015 com o excelente Born Under Saturn, e agora, no início de 2018, a vinte e seis de janeiro, via Ribbon Music, irá regressar aos lançamentos discográficos com Marble Skies, um alinhamento de dez canções certamente feitas com uma pop angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

Tic Tac Toe é o primeiro single extraído de Marble Skies, uma canção assente numa percussão tribal, acompanhada por uma guitarra com um delicioso efeito hipnótico da guitarra e um baixo vigoroso e já com direito a um curioso vídeo realizado por John Maclean, membro dos carismáticos The Beta Band. É um filme que aprentemente podia debruçar-se sobre a era dos jogos de arcada, sobre um tempo que parece nunca chegar para nada, sobre o ódio e o amor, o horror ea felicidade, mas que é simplesmente sobre um homem que precisa de comprar algum leite para fazer juntar à sua chávena de chá. Confere...


autor stipe07 às 15:12
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Segunda-feira, 7 de Agosto de 2017

Belle And Sebastian – We Were Beautiful

Belle And Sebastian - We Were Beautiful

Os escoceses Belle & Sebastian parecem já ter sucessor para o aclamado álbum Girls In Peacetime Want To Dance, um disco editado pela banda no início de 2015 e que tendo sido produzido pelo aclamado  Ben H. Allen (Animal Collective, Washed Out), estava recheado de versos confessionais que falam da infância do vocalista e da necessidade que muitas vezes sentimos de regressar às origens para dar um novo impulso à nossa existência.

Gravado em Glasgow, cidade-natal da banda, e produzido pela própria juntamente com Brian McNeill, We Were Beautiful é o novo tema divulgado pelo quarteto, uma canção que conduz-nos de volta ao indie pop mais orelhudo, com aquele requinte vintage que revive os gloriosos anos oitenta e que, por isso, é uma excelente porta de entrada para um futuro alinhamento que será, certamente, instrumentalmente irrepreensível. Confere...


autor stipe07 às 14:33
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Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Lush Purr - Cuckoo Waltz

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os escoceses Lush Purr dos irmãos Gavin Will e Rikki Will, aos quais se juntam Emma Smith e Andres Fazio, nasceram das cinzas dos míticos The Yawns e, à imagem desse consagrado projeto, seguem na senda de um indie punk rock psicadélico com um certo pendor lo fi e que tem em Cuckoo Waltz o trabalho de estreia. São treze notáveis canções incubadas em Glasgow, cidade escolhida pela banda para ponto de encontro de músicos que, entre Aberdeen e Santiago do Chile, se distribuem por diferentes proveniências, mas que nessa cidade em boa hora se conheceram e resolveram compôr juntos.

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O disco inicia com Wave e logo se percebe um fio condutor bem definido, assente na primazia das cordas, que vão deixando-se levar por um salutar experimentalismo, à medida que progridem e ampliam a tonalidade da canção. Depois, em Bananadine, um riff eletrificado e o modo como a bateria se encaixa na melodia, têm o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa uma certa ousadia experimental, à qual aludi acima e que acabará por ser transversal a todas as canções independentemente do rumo que as mesmas tomem.

Depois deste início prometedor e já completamente absorvidos pelo conteúdo de Cuckoo Waltz, Horses On Morphine, mantendo o estilo, acelera o ritmo até territórios de maior pendor punk, para, pouco depois, em Stuck In A Bog, sermos surpreendidos pela acutilância percurssiva de uma bateria cheia de personalidade e por mudanças de acordes bem delineadas e em (I Admit It) I’m A Gardener, por uma ainda maior rugosidade, quer percussiva, quer elétrica, uma espiral crescente de fulgor e emotividade que não deserma até ao fim. É uma forma de compôr e de manusear o arsenal instrumental escolhido que não deixa margem para dúvidas relativamente ao modo excitante e anguloso como os Lush Purr conseguem cirandar por diferentes espetros sonoros e parecendo que flutuam entre eles, conseguem criar sempre fios condutores que facultam uma homogeneidade bastante impressiva ao disco, sem que ele deixe de exalar uma superior maturidade e um ecletismo claramente indie.

Até ao ocaso, com o baixo de Mr. Maybe, que dita regras de modo ditadorial, mesmo que a guitarra procure imiscuir-se na liderança do ambiente do tema, com, em I, Bore, a opção por um travo algo vintage ou com o noise algo contemplativo da guitarra de Triple Squit, existe sempre a tal variedade de referências a palpitar e fica a certeza que estes Lush Purr são uma das novidades mais refrescantes deste verão indie e que o rock que seguram com unhas e dentes, feito de um certo experimentalismo alternativo novecentista, dificilmente encontra melhores interlocutores. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:05
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Sexta-feira, 24 de Março de 2017

The Jesus And Mary Chain - Damage And Joy

Banda icónica do punk rock alternativo de final do século passado, os escoceses The Jesus And Mary Chain acabam de lançar o seu primeiro registo de originais do século XXI. O sucessor de Munki (1998) chama-se Damage And Joy, viu a luz do dia hoje à boleia da ADA/Warner Music e concretiza o regresso às luzes da ribalta de um projeto essencial para o relato da hitória do rock das últimas décadas e que, à semelhança do que acontece no seio de tantas outras bandas, é feito de desavenças, nomeadamente entre os irmãos Jim e William, dois egos que sempre pareceram demasiado grandes para coabitarem pacificamente, mas cujos desencontros, nomeadamente os conceptuais e estilísticos, acabaram por ser a grande força motriz dos The Jesus And Mary Chain.

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Em Damage And Joy desfilam catorze canções de forte índole nostálgica, como se o hiato temporal que separa este registo do antecessor quase não tivesse sucedido. E esta fidelidade aos cânones essenciais do adn da banda, se por um lado plasma a sua integridade e a opção válida por apostar numa forma estilística eminentemente vencedora, poderá ser vista pelos retratores como uma espécie de mais do mesmo ou, pior do que isso, uma ausência de coragem ou inabilidade para colocar nas canções alguns dos detalhes que definem o rock alternativo atual. Pessoalmente considero que os The Jesus And Mary Chain optaram corretamente por não enveredar numa arriscada inflexão sonora e, defeito meu talvez, ainda sou daqueles que apoia a pureza e a firme opção por uma identidade própria, independentemente da longevidade da banda. Assim, este é um trabalho feito com músicos já perto dos sessenta anos mas ainda longe de poderem estar acabados, ou seja, para mim they are not a rock n'roll amputation.

Ao longo do alinhamento de Damage And Joy encontramos excelentes canções, que merecem figurar na listagem futura dos melhores clássicos deste grupo escocês. Logo no fuzz da guitarra de Amputation é evidente o espírito jovial, mas também firme e arrebatador do grupo, em particular de Jim e depois nos efeitos que piscam o olho a territórios mais psicadélicos em War On Peace, na percussão coesa e bastante ritmada de Always Sad, no ambiente mais sombrio, progressivo e sussurrante de Mood Rider, nas exuberância das cordas que elevam aos píncaros Black And Blues, um tema que conta com a participação especial vocal de Sky Ferreira, até aos efeitos siderais que enfeitam a toada mais pop de Get On Home, desfila um esqueleto instrumental e lírico eminentemente melancólico, mas também realista e fortemente impressivo, fazendo com que neste último tema a frase I've got a pistol in my pocket, fique a ecoar dentro de nós com tal ênfase só possível de replicar por quem reside num universo emotivo e, amiúde, fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, como poderá atestar quem conhece minimamente o percurso atribulado destes irmãos Reid.

Banda consensual e única no panorama indie punk das últimas três décadas, os The Jesus And Mary Chain saíram-se bem neste regresso às luzes da ribalta, ancorados por um disco que além de comprovar o facto de estarem no apogeu da carreira e num grau de maturidade superior, acabam por atestar aquela ideia comum a vários projetos que procuram inteligentemente replicar ao longo da carreira zonas de conforto, porque tal sucede sempre com elevada bitola qualitativa. E a verdade é que com este Damage And Joy os The Jesus And Mary Chain firmam a sua posição na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Com o grupo escocês a encerrar este alinhamento à boleia do manifesto Can’t Stop The Rockestou certo que com regressos destes acho que isso será impossível.Espero que aprecies a sugestão...

The Jesus And Mary Chain - Damage And Joy

01. Amputation
02. War On Peace
03. All Things Pass
04. Always Sad
05. Songs For A Secret
06. The Two Of Us
07. Los Feliz (Blues And Greens)
08. Mood Rider
09. Presidici (Et Chapaquiditch)
10. Get On Home
11. Facing Up To The Facts
12. Simian Split
13. Black And Blues
14. Can’t Stop The Rock


autor stipe07 às 18:33
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Quarta-feira, 1 de Março de 2017

Meursault - I Will Kill Again

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os Meursault de Neil Pennycook estão de regresso aos discos, quase cinco anos depois do antecessor, com I Will Kill Again, dez canções que refletem de modo preciso o título do trabalho, já que se debruçam naquela ideia de que todos nós temos um lado mais obscuro e que muitas vezes, nos nossos momentos de maior dilema, acabamos por criar duas personagens distintas no nosso eu, com cada uma a puxar-nos para o lado que mais lhe interessa Para tornar ainda mais realísticas estas canções, Neil criou para elas duas personagens, um escritor chamado William e uma fantasma, a Sarah.

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Os Meursault estiveram em suspenso durante um determinado período de tempo, em 2014, porque Neil sentiu algumas dificuldades em responder positivamente aos anseios e às exigências cada vez maiores quer de fãs quer da própria crítica, em relação à música da banda. No entanto, estas canções já vinham a ser incubadas há quatro anos e em boa hora foram gravadas já que, como facilmente perceberão, permitem-nos usufruir de lindíssimos instantes sonoros, quer instrumentais quer poéticos, conduzidos quase sempre por pianos e cordas, numa toada geral bastante charmosa e com uma curiosa contemporaneidade. É uma espécie de simbiose entre uma folk introspetiva, com a indie pop e a música de câmara e sonoridades mais clássicas, como se percebe logo no delicioso instante acústico Ellis Be Damned e na toada mais jazzística e algo boémia de Belle Amie, mas também na luminosidade dos efeitos que brotam da guitarra de The Mill e no abraço que as cordas da viola e as teclas do piano dão na toada pastoral de Ode To Gremlin e na turbulência algo sombria e engimática, mas contundente de Klopfgeist.

I Will Kill Again é um refúgio bucólico pensado para nos fazer amainar um pouco em instantes de dúvida e de tempestade. Pode ajudar-nos a clarificar a a assentar ideias e a refletir sobre as melhores saídas para algumas decisões, até porque não hesita em mostrar-nos as duas faces da mesma moeda que personifica a construção da nossa identidade enquanto ser pensante, mas também emotivo. Para que tal suceda de modo fluído e espontâneo, existe uma tranquilidade acústica ao longo do álbum e os temas são guiados por uma profunda gentileza sonora, que acaba por funcionar como uma espécie de recomendação subtil, que fica a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. Espero que aprecies a sugestão...

Meursault - I Will Kill Again

01. …
02. Ellis Be Damned
03. The Mill
04. Ode To Gremlin
05. Klopfgeist
06. Oh, Sarah
07. Belle Amie
08. Gone, Etc…
09. I Will Kill Again
10. A Walk In The Park


autor stipe07 às 15:56
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

American Wrestlers - Goodbye Terrible Youth

American Wrestlers é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. A ele juntam-se, atualmente, Ian Reitz (baixo), Josh Van Hoorebeke (bateria) e Bridgette Imperial (teclados). Tendo Gary crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou, entretanto, para o outro lado do Atlântico.

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Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais underground acabando por implodir.

Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. O projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum e daí até ao disco de estreia, um homónimo editado na primavera do ano passado, foi um pequeno passo. American Wrestlers impressionou pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentavam grande parte das canções, onde não faltavam alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete, com um certo reverb que acentuava o charme rugoso da mesma.

Se essa estreia, já na prateleira lá de casa, nos oferecia uma viagem que nos remetia para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo, o sucessor, um trabalho intitulado Goodbye Terrible Youth e que viu a luz do dia em meados de novembro, cimenta essa filosofia vencedora. Mas no modo como, logo em Vote Tatcher, o sintetizador se relaciona com o fuzz da guitarra, esclarece-nos que à segunda rodada Gary libertou-se de uma certa timidez introspetiva, para se apresentar mais luminoso e expressivo. Aliás, isso também percebe-se em Give Up, a primeira amostra divulgada, canção que impressiona pela melodia frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de American Wrestlers, mas com superior abrangência e cor.

Na verdade, o quarto onde McClure compôs o registo de estreia transformou-se num grande palco, sem colocar em causa aquele clima algo misterioso que define este projeto American Wrestlers, mas oferecendo ao ouvinte uma maior multiplicidade de detalhes e caraterísticas dos vários espetros sonoros que definem o indie rock alternativo. O grunge que exala de So Long, o crescente frenesim psicadélico que nos envolve em Hello, Dear, o fuzz inebriante do baixo de Someone Far Away e o modo como o riff da guitarra ácido e extremamente melódico rebarba de alto a baixo a secção rítmica de Terrible Youth, permitem-nos contemplar todo este charme rugoso que os American Wrestlers replicam hoje melhor que ninguém e dão-nos o mote para um álbum curioso e desafiante, que impressiona pela forma livre e espontânea como os vários instrumentos, mas em especial as guitarras, se expressam, guiadas pela nostalgia e pelas emoções que Gary pretende transmitir. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:15
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The Jesus And Mary Chain – Amputation

The Jesus And Mary Chain - Amputation

Banda icónica do punk rock alternativo de final do século passado, os escoceses The Jesus And Mary Chain acabam de anunciar o seu primeiro registo de originais do século XXI. O sucessor de Munki (1998) chama-se Damage And Joyirá ver a luz do dia a vinte e quatro de março de 2017 à boleia da ADA/Warner Music e já se conhece Amputation, o tema que abre o alinhamento do álbum.

A canção estreou na BBC na passada quinta-feira e, pela amostra, parece claro que o grupo, sem deixar de estar agregado ao estigma inerente à sua sonoridade típica, procurarará evoluir em Damage And Joy para outras sonoridades e para a exploração de diferentes territórios sonoros. O fuzz da guitarra que conduz Amputation, abriga-se numa zona de conforto mas, ao mesmo tempo, procura romper um pouco com a mesma. Confere o single e a tracklist de Damage And Joy...

01. Amputation
02. War On Peace
03. All Things Pass
04. Always Sad
05. Song For A Secret
06. The Two Of Us
07. Los Feliz (Blues and Greens)
08. Mood Rider
09. Presidici (Et Chapaquiditch)
10. Get On Home
11. Facing Up To The Facts
12. Simian Split
13. Black And Blues
14. Can’t Stop The Rock


autor stipe07 às 14:08
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Quarta-feira, 14 de Setembro de 2016

Teenage Fanclub – Here

Vinte e seis anos depois do registo de estreia, os icónicos vereranos escoceses Teenage Fanclub quebram um hiato de seis anos e estão de regresso aos discos, mais efusivos e luminosos do que nunca, com Here, doze novas canções de um projeto simbolo do indie rock alternativo e que, de certa forma, ainda tem um lugar reservado, de pleno direito, no pedestal deste universo sonoro.

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Editado à boleia da Merge Records, Here mistura nostalgia e contemporaneidade, com afeto e melancolia, através de guitarras efusivas e com aquela dose equilibrada de eletrificação que permite alguns instantes de experimentalismo, sem colocar em causa o cariz fortemente radiofónico que sempre caracterizou os Teenage Fanclub. Aliás, I'm In Love e Thin Air são duas canções de airplay fácil e acessível e escolhidas a dedo para abrir o alinhamento de Here.

Depois desta abertura vibrante, as cordas de Hold On abrem a porta para uma sequência de vários temas em que é possível fazer uma pausa melancólica e introspetiva, sendo esta composição um convite direto à reflexão pessoal e ao desarme, mas nada triste e depressivo, já que a melodia é luminosa e implicitamente otimista. The Darkest Part Of The Night reforça esta sequência com um ambiente mais climático e quer esta canção quer I Have Nothing More to Say impressionam pela criatividade com que os diferentes arranjos vão surgindo à tona, evidenciando-se o cardápio de efeitos capazes de adornar o modo como no processo de composição dos Teenage Fanclub a guitarra é fulcral no modo como emociona e trai quem insiste em residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada.

Até ao ocaso de Here, na destreza entre o vigor e a delicadeza de The First Sight, a cândida leveza de Steady State e a sinceridade explicita de With You, somos confrontados com uns Teenage Funclub intocáveis no modo como preservam uma integridade sonora ímpar, com estes escoceses a oferecem-nos, em consciência, um meritório retorno, feito de melodias complexas e simples e letras românticas e densas, de uma banda que insiste em ser preponderante e firmar uma posição na classe daquelas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão.

Teenage Fanclub - Here

01. I’m In Love
02. Thin Air
03. Hold On
04. The Darkest Part Of The Night
05. I Have Nothing More To Say
06. I Was Beautiful When I Was Alive
07. The First Sight
08. Live In The Moment
09. Steady State
10. It’s A Sign
11. With You
12. Connected To Life


autor stipe07 às 21:48
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