Terça-feira, 30 de Junho de 2015

Muse – Drones

Os britânicos Muse de Matthew Bellamy, Dominic Howard e Rich Costey estão de regresso aos discos com Drones, o sétimo trabalho da banda e que teve o pontapé de saída em Vancouver, no início de 2014. De acordo com o líder da banda, Drones é uma metáfora moderna sobre o que é perder a empatia através da tecnologia moderna representada pelos drones, acresecentando que é possível na verdade fazer coisas horríveis com controle remoto, a grandes distâncias, sem sentir nenhuma consequência, ou até não se sentir responsável de qualquer modo.

Produzido por John Lange, Drones obedece à essência que tornou os Muse uma das maiores bandas de rock alternativo da atualidade, assente numa mescla de ficção e surrealismo, à boleia dos peculiares falsetes de Bellamy e um som poderoso e épico, feito de guitarras com arranjos carregados de distorção e que têm em Psycho um dos melhores momentos da carreira do grupo, um baixo rugoso e uma percussão vigorosa e amiúde um piano elétrico que, no caso deste disco, tem um protagonismo interessante na balada Mercy. No entanto, Drones é um regresso dos trio às origens e a um espetro mais sombrio e orgânico depois do piscar de olhos à eletrónica no antecessor The 2nd Law

Com dez músicas e dois outros momentos sonoros, uma de um sargento exasperado com alguns cadetes, bem ao estilo do The Wall, do Pink Floyd e o outro um trecho de um discurso do presidente Kennedy, Drones é, também nestes detalhes, uma revisão nostálgica, mas feliz, do passado mais gloroiso dos Muse, mas é, acima de tudo, um passo em frente dos autores rumo à alegoria do amor pela música como um agregado de guitarras melodiosas de mãos dadas com uma voz capaz de converter uma arena inteira a uma causa que, neste caso, pretende alertar, como já foi referido, para os perigos escondidos pelos mais recentes desenvolvimentos tecnológicos e o modo como são utilizados na guerra moderna, utilizando o amor como uma metáfora gloriosa, num mundo cada vez mais familiarizado com a violência e, desse modo, mais perto e intímo da sua própria ruína.

Nos Muse a música é a materialização sonora de uma postura intervencionista, quase sempre encabeçada por Bellamy, que frequentemente dá a cara em algumas campanhas sociais. O longo épico cheio de climas e mudanças de direção, ruídos e silêncio, chamado The Globalist, é uma materialização contundente deste vigoroso olhar sobre o mundo global, mas a frenética Reapers, os efeitos e as sirenes de Revolt e a cinematográfica e sombria Aftermath também desempenham com notável precisão essa visão musical habilidosa que mistura estéticas de períodos temporais diferentes, tornando-as atuais e inovadoras, ao mesmo tempo que cimentam o som padrão do trio. Espero que aprecies a sugestão...

Muse - Drones

01. Dead Inside
02. [Drill Sergeant]
03. Psycho
04. Mercy
05. Reapers
06. The Handler
07. [JFK]
08. Defector
09. Revolt
10. Aftermath
11. The Globalist
12. Drones


autor stipe07 às 16:14
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

Gengahr – A Dream Outside

Oriundos de Londres, os britânicos Gengahr são Felix, Danny, John, e Hugh e causaram sensação no meio alternativo local quando em outubro último divulgaram Powder, por intermédio da Transgressive Records, uma canção que os posicionou, desde logo, no universo da indie pop de pendor mais psicadélico, com nomes tão importantes como os MGMT, Tame Impala ou os Unknown Mortal Orchestra a servirem como referências óbvias.

Alguns meses depois, os Gengahr desvendaram mais um belíssimo segredo intitulado She's A Witch, através da mesma Transgressive, uma peça musical magistral, assente numa pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como o falsete da voz de Felix se entrelaçava com a melodia nessa canção, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilavam orgulhosas e altivas, mais parecia uma parada de cor, festa e alegria, onde todos os intervenientes comungam mais o privilégio de estarem juntos, do que propriamente celebrarem um agregado de sons no formato canção. E esse é, em suma, o travo geral de A Dream Outside, um titulo feliz e apropriado para a estreia de um quarteto que escreve e canta sobre bruxas, fantasmas e criaturas marinhas que povoam o nosso imaginário na forma de criaturas horripilantes e desprezíveis, mas que retratadas pelos Gengahr quase que poderiam ser o nosso animal de estimação predilecto, numa ode ao fantástico particularmente colorida e deslumbrante.

A música dos Gengahr tem esse poder de nos descolar da realidade, oferecendo-nos, de modo sonhador, aventureiro e alucinogénico, um quadro sonoro de onze canções fluído, homogéneo e aparentemente ingénuo, que nos emerge num mundo fantástico e que, de certo modo, nos ajuda a resgatar algumas daquelas histórias que preencheram a nossa infância. À boleia de guitarras plenas de reverb, falsetes sedutores e uma percussão animada e luminosa, canções frenéticas como Embers ou Heroine, outras mais contemplativas como Bathed In Light e Dark Star e ainda outras com abordagens certeiras a um clima pop mais comercial, nos dois temas acima descritos, She's a Witch e Powder, A Dream Outside foi incubado com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita para demonstrar uma formatação já adulta nestes Gengahr, assertivos no modo como reinventaram, reformularam ou simplesmente replicaram o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que se inserem e que fazem da simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia e carregadas de ácidos, o seu cavalo de batalha, recortando, picotando e colando o que de melhor existe no chamado electropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Gengahr - A Dream Outside

01. Dizzy Ghosts
02. She’s A Witch
03. Heroine
04. Bathed In Light
05. Where I Lie
06. Dark Star
07. Embers
08. Powder
09. Fill My Gums With Blood
10. Loney As A Shark
11. Trampoline


autor stipe07 às 22:43
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2015

Kid Wave – Wonderlust

Harry Deacon Lea Emmery Serra Petale Mattias Bhatt são os Kid Wave, uma banda feita de musicos suecos mas oriunda de Londres e que se estreou recentemente nos discos com Wonderlust, um trabalho que viu a luz do dia um de junho, através da Heavenly Recordings.

Escuta-se Wonderlust e não se adivinha que estas onze canções foram gravados no auge dos rigores do mais recente inverno londrino, tal é a luminosidade e a cor com que exploram alguns dos melhores detalhes da dream pop, do shoegaze e do rock alternativo dos anos noventa. Quer a distorção das guitarras e o ritmo frenético, quer a toada épica e vibrante de All I Want, são apenas dois exemplos de rumos e ritmos diferentes explorados em Wonderlust, mas que convergem para a mesma espiral de grandiosidade e vibração que conduz toda obra.

Em Honey, com a percussão e os arranjos metálicos a explorarem vertentes mais progressivas, de mãos dadas com uma distorção de guitarra magnânima, os Kid Wave condensam, com enorme mestria, a sua receita sonora e, quer nesse tema, quer em Best Friend, servem-se da melancolia para ampliarem a expressividade que colocam nas suas letras, que exprimem, geralmente, as típicas dores e dilemas do início da vida adulta. Desse modo familiar de escrever e cantar sobre assuntos que nos são caros já que tocam em alguns dos nossos dilemas existenciais, os Kid Wave conseguem captar definitivamente toda a nossa atenção, enquanto sonoramente explodem, quase sempre, em elevadas doses de distorção. Mesmo quando em Walk On Fire, o quarteto avança por territórios mais contemplativos e etéreos, não abranda na firmeza e na profundidade do sentimento que a sua música transporta, balizando firmemente a abrangência da sua orientação sonora. Esta roça quase sempre a genialidade a nível instrumental, seja qual for o poder e a robustez dos timbres da guitarra e a ênfase dada aos vários arranjos, lindíssimos na mais folk Freeride; Escuta-se o fuzz experimental, sombrio e progressivo de Baby Tiger e o arranque rugoso e explosivo de Gloom, que se repete no refrão e depois o andamento açucarado da guitarra desta última e, quer num caso quer noutro, é plena a sensação de controle, inclusive quando a própria temática das canções até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma superior raiva ou descontrole emocional.

Há algo de profundamente nostálgico e acolhedor no som destes Kid Wave, principalmente para quem, como eu, cresceu escutando a par e passo e com particular devoção, o desenvolvimento do indie rock alternativo na última década do século passado. De certo modo, o que eles propôem em Wonderlust é um verão que dura o ano inteiro e, se for necessário, estão dispostos a funcionar na nossa mente como um verdadeiro psicoativo sentimental, guiado pela nostalgia e pelas emoções que pretendem transmitir, de modo algo subtil e surpreendentemente apelativo, oferecendo-nos um certo transe libidinoso num disco de rock que tanto pode ser escutado nos jardins de infância após o almoço, como além das paredes do nosso refúgio mais secreto, com a mesma exuberância e dedicação. Espero que aprecies a sugestão...

Kid Wave - Wonderlust

01. Wonderlust
02. Gloom
03. Honey
04. Best Friend
05. Walk On Fire
06. Baby Tiger
07. All I Want
08. Sway
09. Freeride
10. I’m Trying To Break Your Heart
11. Dreaming On


autor stipe07 às 15:48
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2015

Dutch Uncles - O Shudder

Lançado no passado dia vinte e três de fevereiro através da insuspeita Memphis Industries, O Shudder é o mais recente trabalho dos Dutch Uncles, uma banda de indie pop britânica, sedeada em Marple e atualmente formada por Duncan Wallis, Andy Proudfoot, Robin Richards e Peter Broadhead. O Shudder é já o quatro álbum da carreira de um projeto que deu o ponto de partida em 2009 com um homónimo editado pela Tapete Records, mas foi com Cadenza e Out Of Touch In The Wild, já na Memphis Industries, que os Dutch Uncles começaram a ser olhados pela crítica com particular devoção, apesar de ainda serem um dos melhores segredos od universo sonoro indie e alternativo.

O Shudder não defrauda quem estava à espera de uma proposta sonora ambiciosa e sofisticada, como já é paanágio deste quarteto, que conhece os melhores atalhos para aprimorar uma queda acentuada para a vertente experimental, mas sem decurar a oferta de canções acessíveis à maioria dos ouvidos, como comprova Babymaking, o primeiro tema do alinhamento deste trabalho e o já apreciável catálogo de singles retirados do disco. Logo nos violinos, no sintetizador e na toada épica desse tema, ficams esclarecidos quanto à toada geral amena das canções, com a vertente instrumental a centrar-se primordialmente no campo sintético. Em Upsilon, apesar da distorção das guitarras ser esplendorosa, a batida abriga-se claramente na herança da synthpop típica dos anos oitenta, mas de forma equilibrada e não demasiado vintage, sucedendo algo similar no piscar de olhos ao discosound na animada Decided Knowledge e com o piano de I Should Have Read a acertar um pouco as contas e a ser decisivo para o equilíbrio final.

Essa década de oitenta está, como se percebe, fortemente representada na vertente instrumental, com In N Out a prová-lo também em relação à percussão, mas não se sobrepõe à habitual estética dos Dutch Uncles que têm abraçado a pop contemporânea e ajudado imenso ao seu enriquecimento, pelo modo inédito como olham para o passado sem se deixarem seduzir demasiado por ele.

Given Thing é, talvez, o melhor exemplo de O Shudder deste balanço temporal equilibrado, uma canção que apresenta uma mescla de referências que ganham vida de mãos dadas com a ponte entre o presente e o passado, quer pelo modo curioso como a voz é reproduzida, mas também pela disposição das cordas na melodia e o uso do reverb. No entanto, Don’t Sit Back (Frankie Said) e a hipnótica e belíssima Tidal Weight, são também claros exemplos que ampliam o cardápio de referências e a herança inspiradora que serve de base ao quarteto.

Com imensas canções que abrem de par em par uma enorme janela de luz chamada O Shudder, espreita-se para dentro e torna-se firme a evidência da firmeza sonora identitária dos Dutch Uncles, que apreciam abordar a pop indo um pouco além dos padrões comuns. Assim, exuberância e cor são sensações transversais ao ambiente de toda a obra, impecavelmente produzida, rica em detalhes curiosos e a exalar um charme que deve também imenso ao registo vocal em falsete de Duncan, que ajuda à aproximação entre a banda e o ouvinte, ao mesmo tempo que confere a densidade correta às letras, ajudando a que o conjunto final de muitas canções tenha vida e um pulsar que não nos passa despercebido. Espero que aprecies a sugestão...

Babymaking
Upsilon
Drips
Decided Knowledge
I Should Have Read
In n Out
Given Thing
Don’t Sit Back (Frankie Said)
Accelerate 
Tidal Weight
Be Right Back


autor stipe07 às 21:43
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

Foals – What Went Down

Foals - What Went Down

Já há sucessor anunciado para Holy Fire, o aclamado último disco dos britânicos Foals. What Went Down, o single homónimo do quarto álbum da banda, é o primeiro avanço de um trabalho que chega aos escaparates no final de agosto, tendo sido gravado em França com a colaboração do produtor James Ford, que já trabalhou com artistas como Arctic Monkeys, Florence and the Machine ou Jessie Ware. Confere...


autor stipe07 às 14:04
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2015

Palma Violets – Danger In The Club

Considerados por muitos como os novos pontas de lança do indie rock britânico mais genuíno, os Palma Violets estão de regresso aos discos com Danger In The Club,  o sucessor do aclamado disco de estreia 180, um trabalho editado há dois anos e que além de os catapultar para o estrelato, fez deles um dos novos nomes sonantes da sempre exigente Rough Trade Records.

Ao segundo disco já deixa de ser prematuro questionar-se se o indie rock mais fervoroso e festivo, orinudo de Terras de Sua Majestade, está bem entregue nas mãos destes Palma Violets, acompanhados nos últimos tempos com particular frenesim por uma imprensa local musical sempre ávida de novidades e que muitas vezes coloca em determinadas bandas expetativas que as mesmas depois não conseguem acompanhar. Seja como for, quer no rock vibrante e festivo de Hollywood (I Got It), quer no piscar de olhos a uma centelha mais punk e eighties em Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach, percebe-se que pelos menos este quarteto está disposto a fazer-nos dançar sem grandes complicações e até com um certo estardalhaço que, neste caso concreto, até é louvável. Mesmo quando a guitarra e a bateria procuram entrelaçar-se de um modo mais insinuante nessa Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach, não faltam motivos para duvidar da capacidade dos Palma Violets em utilizar a típica ironia britânica que os Blur, por exemplo, exploraram até à exaustão com elevada mestria na primeira metade dos anos noventa, fazendo-o de modo assertivo e sem deturpar a essência da banda, mesmo se procuram, como acontece em The Jacket Song, encetar por uma sonoridade mais acústica e pop.

Seja como for, a grande força motriz deste Danger In The Club alimenta-se de riffs de guitarra vigorosos e da pujança de uma percussão que cresce à sombra do punk dançante, com Secrets Of America a balizar-se dentro destas permissas e a ser mais um exempo  do modus operandi diversificado, acessível e orelhudo destes Palma Violets, num disco que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e que alargou bastante o espetro sonoro e a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se manter no seio das grandes bandas que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico. Já agora, aquela toada épica e grandiosa que o indie rock local quase exige em determinados instantes, como se cada banda tivesse que compor um hino glorioso à Rainha e ao Império para conquistar os corações mais inflamados do proletariado que tantas vezes gosta de se sentir orgulhosamente só, também está devidamente salvaguardado nas guitarras de Coming Over To My Place.

Com uma bateria e um baixo algo sombrios, mas com o travo do funk nas guitarras em Matador e com um baixo arrebator e impulsivo em Gout! Gang! Go!, uma canção feitar para dançar até à exaustão no baile da esquina quando as torneiras estão quse secas e os niveis de destilação corporal no limite, chega ao ocaso um disco onde os Palma Violets expandiram a sua paleta sonora, diversificaram o clima e abriram os olhos para um novo mundo que parece diverti-los imenso e onde, pelos vistos, se sentem igualmente confortáveis. Espero que aprecies a sugestão...

Palma Violets - Danger In The Club

01. Sweet Violets
02. Hollywood (I Got It)
03. Girl, You Couldn’t Do Much Better On The Beach
04. Danger In The Club
05. Coming Over To My Place
06. Secrets Of America
07. The Jacket Song
08. Matador
09. Gout! Gang! Go!
10. Walking Home
11. Peter And The Gun
12. No Money Honey
13. English Tongue


autor stipe07 às 21:58
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Dead Seem Old - This Mess Won't Make Itself

Dead Seem Old é um projeto de indie pop sedeado em Londres e da autoria do músico e compositor Thom Wicks. Interessado pela experimentação sonora, Wicks costuma andar sempre com uma guitarra de flamengo e um gravador de quatro pistas para gravar as suas demos.
Depois de They Won't Find Us, o seu single de estreia, um tema escrito e composto num quarto de hotel, durante uma viagem do mesmo à Indonésia, Thom está de regresso com um novo tema intitulado This Mess Won't Make Itself, um canção escritas pelo próprio Thom Wicks e por Javier Weyler, que também a produziu e misturou. O resultado é uma peça de indie pop contemporâneo absolutamente memorável, que dos coros aos arranjos das cordas, irradia uma luz incomum e que merece uma audição dedicada. Confere...

 


autor stipe07 às 21:52
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2015

The Vaccines – English Graffiti

Lançado a vinte cinco de maior por intermédio da Columbia Records, English Graffiti é o terceiro álbum dos londrinos The Vaccines, de Justin Hayward-Young, Freddie Cowan, Árni Árnason e Pete Robertson. Disco produzido por Dave Fridmann e Cole M. Greif-Neill, English Graffiti sucede aos aclamados álbuns What Did You Expect from the Vaccines? (2011) and Come of Age (2012), que consolidaram uma estética sonora que numa esfera indie rock nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes do punk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Vistos por alguma crítica como a resposta britânica ao nova iorquinos The Strokes, quer na postura, quer na sonoridade rock frenética, livre de constrangimentos e adornos desnecessários e certeiros no modo como adoptam uma estética sonora retro à boleia de riffs de guitarra potentes e uma voz poderosa, os The Vaccines chegam ao terceiro tomo do seu percurso discográfico seguros do som que pretendem apresentar que, com um pé na new wave e outro no pós punk, procura atingir uma maior luminosidade e amplitude melódica. As festivas e frescas Handsome e 20 / 20 e o som da guitarra de Dream Lover e um efeito quase indecifrável de um teclado que deambula pela canção, assim como o andamento vigoroso da bateria marcam uma chancela rugosa e acendem uma chama intensa que, com a preciosa ajuda de Dave Fridmann, que já colocou as mãos em discos dos MGMT ou dos Flaming Lips, coloca o som do quarteto exatamente no ponto pretendido. Depois, a fina fronteira que separa o baixo do sintetizador em Denial, um dos meus temas preferidos de English Graffiti e, numa abordagem mais groove, o indie rock exuberante e irresistível de Give Me a Sign e Minimal Affection, canção que assenta em batidas sintéticas que se escutam em sintonia com riffs de guitarra melódicos e uma voz poderosa, mostram a outra face de uma mesma moeda que os The Vaccines cunharam neste disco e que os fará render milhões, se for bem explorada. Esta última canção, já agora, impressiona pela imagética criada para a ilustrar, com cenas de uma aventura espacial com uma estética retro, numa temática que gira em torno da dificuldade que as gerações mais novas têm de se relacionar pessoalmente por estarem tão dependentes das novas tecnologias.

Até ao ocaso, se os efeitos do teclado, a guitarra viciante e a condução melódica a cargo do piano fazem de (All Afternoon) In Love um dos grandes momentos nostálgicos do disco, já o frenético pop surf punk de Radio Bikini e, em oposição, a tensão emocional e o minimalismo eletrónico que o fuzz da guitarra disfarça em Maybe I Could Hold You, são outros instantes obrigatórios de um álbum que além de ter como trunfo importante a temática reflexiva das canções, impressiona pelo modo como os The Vaccines abordam diferentes espetros sonoros, com o declarado objetivo de alargarem a lista de caraterísticas essenciais do seu som, fazendo-o com enorme qualidade, jovialidade e bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

The Vaccines - English Graffiti

01. Handsome
02. Dream Lover
03. Minimal Affection
04. 20 / 20
05. (All Afternoon) In Love
06. Denial
07. Want You So Bad
08. Radio Bikini
09. Maybe I Could Hold You
10. Give Me A Sign
11. Undercover
12. English Graffiti
13. Stranger
14. Miracle
15. Handsome Reimagined (Dave Fridmann Edit)
16. Dream Lover Reimagined (Malcolm Zillion Edit)
17. 20/20 Reimagined (Dave Fridmann Edit)
18. Give Me A Sign Reimagined (Co Co T Edit)


autor stipe07 às 18:16
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Terça-feira, 9 de Junho de 2015

Citizens! – European Soul

Lançado pela Kitsuné no passado mês de abril e produzido por Laurent d’Herbecourt (colaborador no álbum Bankrupt! do Phoenix), European Soul é o segundo disco dos londrinos Citizens!, uma banda formada por Tom Burke, Thom Rhoades, Martyn Richmond, Lawrence Diamond e Mike Evans e que aposta naquela indie pop nostálgica, mas festiva e que fez escola há umas três décadas, tendo marcado todos aqueles que, como eu, deixaram para trás a infância nesses gloriosos anos oitenta.

Lighten Up, o primeiro avanço do sucessor de Here We Are (2012), o disco de estreia do grupo, carrega o charme contagiante do quarteto num piano pulsante em loop e com a voz sedutora de Burke a infiltrar-se numa sonoridade eletrónica plena de groove e bastante dançável, apesar de uma certa aúrea melancólica em redor da canção. Esta é, sinteticamente, a receita assertiva que os Citizens! espraiam em European Soul com canções, como Waiting For Your Lover ou Brick Wall, sustentadas por clássicos pianos vintage, guitarras com efeitos exuberantes, mas livres de constrangimentos e adornos desnecessários e arranjos selecionados meticulosamente de modo a oferecer uma estética sonora retro que, pondo um pé na indie pop clássica, taõ bem plasmada no groove do sintetizador de European Girl e outro na eletrónica new wave, procura atingir uma superior luminosidade e amplitude melódica.

Com o objetivo assumido de criarem hinos radiofónicos e canções orelhudas, os Citizens! debruçam-se, tematicamente, sobre aquilo que classificam como a angústica social e económica em que está mergulhada a sociedade ocidental dos nossos dias e querem funcionar como um escape dançavel e cativante para essa prblemática. Se My kind Of Girl não é suficiente para convencer os maiores credores das economias falidas do sul da Europa a aliviarem o esforço daqueles que viveram anos a fio numa fuga em frente mais ou menos declarada, pelo menos é uma canção com todo o potencial para deixar ao rubro as imensas pistas de dança que brotam nos resorts solarengos junto ao mediterrâneo, nesses países devedores e onde os conterrâneos dos Citizens! gostam de ocasionalmente afogar e regar as mágoas. Depois, mais adiante, enquanto em Are You Ready? apreciam a fina fronteira que separa um baixo pulsante e uma percussão imaculada de um sintetizador exuberante e irresístivel e um falsete arrebatador, já na frenética pop de All I Want Is You, os últimos resistentes clamam por rendição, exaustos e incapazes de acompanhar o ritmo e o andamento que estes Citizens! impuseram num alinhamento refrescante e cintilante, cheio de soul, romântico, até algo kitch e muito contagiante.

Consistente e cheio de potenciais singles, European Soul consegue arrumar ideias e mostrar como velhas genéticas próximas do filão pop quase levado à exaustão que é a década de oitenta, ainda têm ainda capacidade para comunicar com o presente, desde que essa tarefa de enriquecimento do cenário musical atual e contemporâneo, aconteça de modo criativo, algo que os Citizens! superam, principalmente quando nos seduzem com cançoes guiadas por sintetizadores deliciosos, pianos animados, guitarras que exalam charme por todas as cordas e uma voz cheia de estilo e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

Citizens! - European Soul

01. Lighten Up
02. Waiting For Your Lover
03. European Girl
04. My Kind Of Girl
05. Only Mine
06. Brick Wall
07. Trouble
08. I Remember
09. Have I Met You?
10. Xmas Japan
11. Are You Ready?
12. All I Want Is You
13. Mercy
14. Idiots
15. Lighten Up (Cesare Remix)


autor stipe07 às 22:20
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Quinta-feira, 28 de Maio de 2015

Elbow – What Time Do You Call This?

Elbow - What Time Do You Call This

Depois de The Take Off And Landing Of Everything , o sexto álbum da carreira dos britânicos Elbow de Guy Garvey, um trabalho que viu a luz do dia há pouco mais de um ano através da Fiction, What Time Do You Call This é o novo sinal de vida do grupo, um tema que faz parte da banda sonora do filme Man Up, que conta nos principais papéis com Simon Pegg e Lake Bell.

A banda sonora de Man Up foi editada há poucos dias pelo mesmo selo dos Elbow, a etiqueta Fiction e, de acordo com o diretor Ben Palmer, What Time Do You Call This encaixa perfeitamente no enredo do filme. A canção bonita e delicada, tem uma sonoridade tipicamente Elbow, ou seja, tem algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços da canção a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pelas voz. Confere...


autor stipe07 às 21:44
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