Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

The XX - I See You

Terminou há poucos dias uma longa espera relativamente a novidades dos The XX, após o aclamado Coexist, um longa duração lançado pelo grupo, à boleia da Young Turks, já há quatro anos e que tem finalmente sucessor. O terceiro álbum do trio foi editado com o mesmo selo Young Turks e chama-se I See You. O disco tem um alinhamento de dez canções, gravadas entre Março de 2014 e Agosto de 2016 em vários sítios como New York, Texas, Reykjavique, Los Angeles e Londres e foi produzido por Jamie Smith e Rodaidh McDonald.

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Ao contrário de outros projetos que muitas vezes se dispersam caso haja um relativo hiato entre discos, o tempo é, sem dúvida, um aliado na curta e bem resolvida trajetória dos The XX. Ocorreram transformações na vida de cada um dos componentes da banda nos últimos anos e, apesar da espera entre cada trabalho, mantém-se o carinho e uma pressão positiva por parte do grande público. Assim, ao terceiro disco os The XX mostram a habitual boa forma, assente numa filosofia sonora muito própria e fortemente identitária e uma saudável disponibilidade para o alargamento do espetro sonoro em que se movimentam e que balança muitas vezes entre a pista de dança e a mais recatada introspeção, como se percebe logo nos dois primeiros temas do alinhamento de I See You. Logo em Dangerous, umas inéditas sirenes e a sedutora batida oferecem-nos maior audácia, relativamente ao anterior catálogo da dupla e depois, em Say Something Loving, aproveitando um sample de Alessi Brothers, a emoção instala-se facilmente em quem se deixar envolver pela beleza melódica do tema.

Percebe-se, pois, logo neste início auspicioso de I SeeYou, que este é mais um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes ainda são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra do trio britânico, mas a diferença, desta vez está na maneira como exploram essa unidade e nas nuances sonoras que interligam as canções. No fundo, a receita é exatamente a do costume, mas a sonoridade foi renovada, tendo cabido ao baterista e produtor Jamie Smith assumir a linha da frente nessa tarefa, nomeadamente quando acerta nas batidas hipnóticas que servem de base para as vozes de Romy e Oliver. Todos estes acertos encontram o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de On Hold, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior o diálogo entre Romy e Oliver, dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre.

No restante alinhamento de I See You, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira Performance e o incisivo espairecer que nos suscita Test Me, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado em I Dare You, por outro, insistem nesta já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que quer fazer juz a uma herança e apontar, em simultâneo, novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop atual e que ao terceiro disco continua a instigar, hipnotizar e emocionar. Espero que aprecies a sugestão...

The XX - On Hold

01. Dangerous
02. Say Something Loving
03. Lips
04. A Violent Noise
05. Performance
06. Replica
07. Brave For You
08. On Hold
09. I Dare You
10. Test Me


autor stipe07 às 15:37
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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Temples – Strange Or Be Forgotten

Temples - Strange Or Be Forgotten

Naturais de Kettering, no Reino Unido, os Temples são uma banda de rock psicadélico formada por James Edward Bagshaw (vocalista e guitarrista), Thomas Edison Warsmley (baixista), Sam Toms (baterista) e Adam Smith (teclista e guitarrista) e que se estreou nos discos em 2014 com o excelente Sun Structures, um trabalho que viu a luz do dia através da Fat Possum. Agora, três anos depois e abrigados pela mesma etiqueta, os Temples irão dar a conhecer ao mundo o seu sempre difícil segundo disco, um álbum intitulado Volcano e que chegará aos escaparates no início de março.

Strange Or Be Forgotten é o primeiro single conhecido de Volcano, pouco mais de quatro minutos de pura lisergia sonora, que numa espécie de cruzamento entre Tame Impala e MGMT, nos oferecem um desfile de electricidade e de fuzz, rematado pela belíssima voz etérea de James e uma secção rítmica assertiva, sendo a bateria uma das importantes mais valias deste tema. A canção tem tudo para se tornar num verdadeiro clássico que incorpora o melhor do rock psicadélico dos anos sessenta. Confere...


autor stipe07 às 12:16
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2016

American Wrestlers - Goodbye Terrible Youth

American Wrestlers é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. A ele juntam-se, atualmente, Ian Reitz (baixo), Josh Van Hoorebeke (bateria) e Bridgette Imperial (teclados). Tendo Gary crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou, entretanto, para o outro lado do Atlântico.

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Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais underground acabando por implodir.

Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. O projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum e daí até ao disco de estreia, um homónimo editado na primavera do ano passado, foi um pequeno passo. American Wrestlers impressionou pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentavam grande parte das canções, onde não faltavam alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete, com um certo reverb que acentuava o charme rugoso da mesma.

Se essa estreia, já na prateleira lá de casa, nos oferecia uma viagem que nos remetia para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo, o sucessor, um trabalho intitulado Goodbye Terrible Youth e que viu a luz do dia em meados de novembro, cimenta essa filosofia vencedora. Mas no modo como, logo em Vote Tatcher, o sintetizador se relaciona com o fuzz da guitarra, esclarece-nos que à segunda rodada Gary libertou-se de uma certa timidez introspetiva, para se apresentar mais luminoso e expressivo. Aliás, isso também percebe-se em Give Up, a primeira amostra divulgada, canção que impressiona pela melodia frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de American Wrestlers, mas com superior abrangência e cor.

Na verdade, o quarto onde McClure compôs o registo de estreia transformou-se num grande palco, sem colocar em causa aquele clima algo misterioso que define este projeto American Wrestlers, mas oferecendo ao ouvinte uma maior multiplicidade de detalhes e caraterísticas dos vários espetros sonoros que definem o indie rock alternativo. O grunge que exala de So Long, o crescente frenesim psicadélico que nos envolve em Hello, Dear, o fuzz inebriante do baixo de Someone Far Away e o modo como o riff da guitarra ácido e extremamente melódico rebarba de alto a baixo a secção rítmica de Terrible Youth, permitem-nos contemplar todo este charme rugoso que os American Wrestlers replicam hoje melhor que ninguém e dão-nos o mote para um álbum curioso e desafiante, que impressiona pela forma livre e espontânea como os vários instrumentos, mas em especial as guitarras, se expressam, guiadas pela nostalgia e pelas emoções que Gary pretende transmitir. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:15
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016

Tim Burgess And Peter Gordon – Same Language, Different Worlds

Foi já a dois de setembro e à boleia da O Genesis que chegou aos escaparates Same Language, Different Worlds, um tomo de nove canções que resulta de uma colaboração profícua entre Tim Burgess, vocalista dos The Charlatans e o mítico Peter Gordon, que já na casa dos sessenta anos, continua a ser um mestre do rock experimental, tendo feito parte dos créditos de discos dos The Love of Life Orchestra, Laurie Anderson e The Flying Lizards, entre outros. Os dois músicos conheceram-se em Nova Iorque, no já longínquo ano de 2012 e desde então começaram a incubar e a gravar estas canções que contam com a participação especial de Ernie Books (participou com Arthur Russel no primeiro álbum dos Modern Lovers), Peter Zummo (trombone), Mustafa Ahmed (congas) e Nik Voyd (DFA) e são inspiradas no trabalho que em tempos Gordon desenvolveu com os já referidos The Love Of Life Orchestra, um dos nomes mais relevantes do catálogo da DFA de Peter Murphy.

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Quem estiver à espera de encontrar nestas novas canções a típica sonoridade dos The Charlatans, banda que na década de noventa misturou o rock clássico com sonoridades mais experimentais, encabeçando um verdadeiro motim sonoro, para regozijo da agitada juventude britânica, sempre sedenta de novas experiências e daquela efervescência que o clima local não proporciona e que acaba por ser a música, muitas vezes, a ter esse papel agitador e impulsivo, desengane-se, porque o que temos neste Same Language, Different Worlds é uma exploração de paisagens sonoras que, obedecendo também a um conceito estilístico eminentemente experimental, procuram recriar um ambiente futurista algo glam, mas sem deixar de acomodar-nos temporalmente nas mais recentes tendências. O single Begin não terá sido escolhido de modo inocente para abrir o alinhamento, já que a forte sintetização do teclado, entrelaçada com o timbre soturno da voz de Burgess e o estrilho agudo de uma guitarra planante, plasmam essa convivência entre aqueles que são hoje alguns dos traços mais vincados da pop eletrónica e os novos horizontes que se vão colocando ao próprio rock

No restante alinhamento do disco, não pode passar em claro a soul negra de Say, o luminoso e aquático single Ocean Terminus, o groove pop que sobrevive da fusão entre saxofone e batidas em Around e Being Unguarded, com esse mesmo saxofone a transmitir uma alma incrível à irónica Tracks Of My Past e o tributo ao rock dos anos quarenta deste século feito em com Temperature High, tema onde a vasta miríade de arranjos orgânicos impressiona, assim como alguns instrumentos de percussão algo inéditos,com destaque para o bongo. Quer estas quer as restantes canções são uma resoluta declaração de sobrevivência misturada com a reflexão que esta dupla certamente faz sobre o seu som e o modo como o viveram nos mais variados projetos em que se envolveram e em como ele pode sobreviver imaculado à passagem do tempo e deixar marcas impressivas para o futuro próximo. Same Language, Different Worlds é, em suma, um excelente trabalho de rock mutante, que dá vida a letras impressivas e inspiradas, num disco atemporal e revivalista, porque é de hoje, mas pode vir a ser novamente editado lá para 2040. Espero que aprecies a sugestão...

Tim Burgess And Peter Gordon - Same Language, Different Worlds

01. Begin
02. Say
03. Around
04. Being Unguarded
05. Ocean Terminus
06. Temperature High
07. Like I Already Do
08. Tracks Of My Past
09. Oh Men


autor stipe07 às 18:23
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Sábado, 26 de Novembro de 2016

TOY – Clear Shot

Uma das bandas fundamentais de indie rock psicadélico são os londrinos TOY de Tom Dougall (voz e guitarras), Dominic O'Dair (guitarras), Maxim Barron (baixo e voz), Max Oscarnold (sintetizadores e modulação) e Charlie Salvidge (bateria e voz). Depois de um espetacular disco homónimo de estreia e de um sucessor intitulado Join The Dots, os TOY estão de regresso aos discos com Clear Shot, dez canções que chegaram aos escaparates a vinte e oito de outubro por intermédio da Heavenly Recordings e produzidas por David Wrench.

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Claramente o disco mais arriscado e eclético da carreira dos já consagrados TOY, Clear Shot é um grandioso passo em frente na carreira de uma das bandas mais menosprezadas do cenário psicadélico atual e que são tantas vezes injustamente considerados como uma cópia dos The Horrors quando, na verdade, apesar da amizade que une os dois coletivos, têm tão pouco em comum, pelo menos no aspeto sonoro. Aqui, ao longo de dez canções assiste-se a uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o fuzz lisérgico que costuma caraterizar o ambiente sónica deste quinteto que, logo no tema homónimo, cerra os punhos e embrenha-nos numa viagem inebriante por décadas passadas, principalmente o krautrock dos anos setenta.

Mas, como o tal ecletismo acima referido é a pedra basilar de Clear Shot, depois de aberto o alinhamento, começa o desfile eloquente de um leque alargado de sonoridades que incluem também o punk, o psicadelismo e o post rock. Canções do calibre de Fast Silver, uma inebriante viagem psicadélica, onde merece particular realce a voz de Tom Dougall que denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por um instrumental épico e marcante, ou as variações rítmicas e de tempo que encarreiram a majestosidade de Another Dimension, assim como o dramatismo sensual e bastante revelador de Cinema e o cenário tenebroso fortemente hipnótico dos acordes progressivos de Jungle Games, uma canção capaz de revirar e repôr no sítio mentes inquietas por não terem um rumo, são alguns dos momentos maiores de um trabalho com a dupla capacidade de plasmar, como sempre, algo único e distinto e que, por isso, consegue agradar aos fiéis seguidores e, eventualmente, alargar o leque de ouvidos que procuram aprimorar-se e deliciar-se junto deste estilo musical tão peculiar.

Disco que não nos deixa aterrar de imediato e, pelo contrário, eleva-nos ainda mais alto e ao encontro do típico universo flutuante e inebriante em que assenta a psicadelia, Clear Shot levanta o queixo e empina o nariz, mas também denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, demonstrando que os TOY tricotam as agulhas certas num rumo discográfico enleante, que tem trilhado percursos sonoros interessantes, mas sempre pintados por uma psicadelia que escorre, principalmente, nas guitarras, cimentando o cliché que diz que gostar de TOY continua a ser, cada vez mais, uma simples questão de bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

TOY - Clear Shot

01. Clear Shot
02. Another Dimension
03. Fast Silver
04. I’m Still Believing
05. Clouds That Cover The Sun
06. Jungle Games
07. Dream Orchestrator
08. We Will Disperse
09. Spirits Don’t Lie
10. Cinema


autor stipe07 às 15:44
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Domingo, 13 de Novembro de 2016

The XX – On Hold

The XX - On Hold

Terminou há poucos dias uma longa espera relativamente a novidades dos The XX, após o aclamado Coexist, um longa duração lançado pelo grupo, à boleia da Young Turks, já há quatro anos e que tem finalmente sucessor. O terceiro álbum do trio será editado a treze de Janeiro de 2017 com o mesmo selo Young Turks e chamar-se-á I See You. O disco terá um alinhamento de dez canções, gravadas entre Março de 2014 e Agosto de 2016 em vários sítios como New York, Texas, Reykjavique, Los Angeles e Londres e foi produzido pot Jamie Smith e Rodaidh McDonald.

On Hold é o mais recente tema divulgado desse novo disco de Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith (a baixista Baria Qureshi deixou o grupo ainda em 2009) uma lindíssima composição, certamente das melhores que este projeto já criou e que faz jus à imagem de marca dos The XX. É uma canção de amor que tem como atributo maior o diálogo entre Romy e Oliver, dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. Confere...


autor stipe07 às 19:24
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

Two Door Cinema Club – Gameshow

Os irlandeses Two Door Cinema Club, de Alex Trimble, Kevin Baird e Sam Halliday, estão de regresso aos discos com Gameshow, dez canções que quebram um hiato de quatro anos do projeto, fazendo-o à boleia da Parlophone Records. Este é o terceiro disco da banda, sucedendo ao muito aclamado Beacon (2012) e a Tourist History (2010), o disco de estreia.

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Produzido por Jacknife Lee, um profissional procurado por nomes tão conceituados como R.E.M., Snow Patrol e U2 e exímio em recriar sonoridades amplas, mas que não coloquem em causa a rugosidade típica do rock, no sentido mais puro do termo, Gameshow é um glossário de diversas estéticas sonoras onde, mais uma vez e como tem sido norma em projetos contemporâneos que procuram assumir uma posição relevante no universo sonoro em que subsistem, se procura uma simbiose entre algumas das mais recentes tendências da eletrónica, constantemente a piscar o olho aos gloriosos anos oitenta e o rock de cariz mais progressivo, que começou a surgir em força, principalmente do outro lado do atlântico, a partir da segunda metade do século passado. Em canções como o single Are We Ready? (Wreck), o primeiro avanço divulgado de Gameshow e nos sintetizadores de Ordinary, é possível perceber esta fórmula simbiótica, com o primeiro tema a mostrar-nos que está de regresso aquele fluxo planante das guitarras, típico de um trio onde tudo flui para impressionar e levar os ouvintes a entregarem-se aos encantos e à dança involuntária que conseguem imprimir ao ideário sonoro das suas canções e com o segundo a mostrar como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes Two Door Cinema Club. Depois, há aqui canções que oscilam, declaradamente, para um dos dois lados da barricada; Assim, se o tema homónimo é um tratado de indie rock assumidamente cru e minimal e o jogo de cordas de Fever segue na mesma linha, já Je Vivens De La, deixa os estádios de lado e procura entricheirar-se com altivez nos PAs dos clubes mais inn do momento.

Gameshow não é o disco que vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...

Two Door Cinema Club - Gameshow

01. Are We Ready? (Wreck)
02. Bad Decisions
03. Ordinary
04. Gameshow
05. Lavender
06. Fever
07. Invincible
08. Good Morning
09. Surgery
10. Je Viens De La


autor stipe07 às 20:52
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2016

Fujiya And Miyagi – EP1 & EP2

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, cinco discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram deixar um pouco de lado o habitual formato álbum para se dedicarem à edição de três EPs, espaçados quase por um ano, com o conteúdo dos dois primeiros já conhecido e a merecerem, desde já, cuidada análise.

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Assim, se EP1 viu a luz do dia em finais de maio último e o EP2 ontem mesmo, já o EP3 chegará aos escaparates no início de 2017. E pelo conteúdo dos dois primeiros alinhamentos, fica claro que este quarteto está cada vez mais apostado numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação. É uma estética sonora abraçada logo em 2003, quando Steve Lewis e David Best, os membros iniciais do projeto que integrava o conceito de Fujiya (uma marca de equipamentos de som) e Miyagi (o mentor de Daniel-San em Karate Kid), se estrearam e que contém cada vez maior bitola qualitativa, assente num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos, algo que Outstripping (The Speed Of Light), o single de abertura de EP2, plasma claramente ao remeter-nos para a sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order e Swoon eleva, através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best e o groove de um teclado.

Olhando para o restante conteúdo dos dois Eps e continuando a fazê-lo num todo, sem os separar, importa referir ainda que se Serotonin Rushes nos remete para a eletrónica alemã, com o baixo e as guitarras a não esbaterem uma declarada essência vintage, mas a acabarem por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências, também há que destacar a elegância do groove e do ritmo dos teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens cotemplativas em Extended Dance Mix. Este tema é um excelente mote para percebermos o atual estado criativo do grupo e o porquê de serem já uma referência devido ao jogo que estabelecem entre o baixo e as guitarras no meio das batidas, com o charme de Freudian Slips, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega, a desfazer ainda mais todas as dúvidas em relação a essa constatação.

Estamos perante uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou mais um conjunto de alinhamentos consistente, carregados de referências assertivas e que constituem um novo marco no percurso deste projeto essencial do panorama da eletrónica do séxculo XXI. Espero que aprecies a sugestão...

Fujiya And Miyagi - EP1

01. Serotonin Rushes
02. To The Last Beat Of My Heart
03. Freudian Slips
04. Magnesium Flares

Fujiya And Miyagi - EP2

01. Outstripping (The Speed Of Light)
02. R.S.I.
03. Swoon
04. Extended Dance Mix


autor stipe07 às 17:44
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Field Music - Commontime

Lançado em fevereiro deste ano, Commontime é o sexto registo de originais dos britânicos Field Music, uma dupla oriunda de Sunderland e formada pelos irmãos Peter e David Brewis. Abrigados pelo insuspeito selo Memphis Industries, nestas catorze canções oferecem-nos um charmoso compêndio de pop hi-fi, colorido a neons fluorescentes e plumas de seda e repleto de influências orelhudas, que da eletrónica setentista ao rock da década seguinte, misturadas com alguns dos melhores detalhes da pop contemporânea, originam um disco amplo e luminoso e particularmente cativante, em termos melódicos e não só.

Sustentado por um ambiente musical polido e acessível, Commontime contém aquele som pop instantâneo, mas prodigioso no modo como se apresenta envolvido por um embrulho melódico animado por uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários e, por isso, passível de ser absorvido com detalhe e nitidez, sem colocar em causa aquela sensação de riqueza, esplendor e eleavada bitola qualitativa.

Já veteranos nestas andanças, os irmãos Brewis contam-nos aqui como é o quotidianos de ambos, pais recentemente, com familias estuturadas formadas e que, por isso, têm vidas ditas normais e comuns a tantos de nós. Sendo assim, é relativamente fácil identificarmo-nos com estas canções e em algumas delas nem falta aquele típico humor negro britânico, todas escritas com uma inteligência lírica rara. Assim, sem darmos por isso, estas canções são cativantes e, ao mesmo tempo, carinhosas no modo como nos transportam para os nossos primórdios tal é o manancial vintage instrumental e melódico que carregam, o que resulta numa bela amostra da melhor pop anglo americana que se faz atualmente, que tanto pisca o olho ao funk setentista em Don't You Want To Know What's Wrong? e How Should I Know If You've Changed? como à pop dita mais progressiva dos anos setenta e oitenta, com os Sparks ou os Genesis como referência fundamental de The Noisy Days Are Over, o grandioso tema que abre o álbum e de outros instantes pop perfeitos, nomeadamente Disappointed, But Not For You e I'm Glad, bons exemplos da mestria compositória destes Field Music.

Banda sonora de uma passerelle onde desfilamos as nossas vidas de queixo levantado e olhar altivo, certos que vivemos num mundo onte tudo está no lugar certo e nada nos acontece por acaso, Commontime parece algo suspenso no tempo, oferecendo-nos uma apresentação irrepreensível de como a música popular e dita de massas por também ser bem tocada e parecer inteligente, harmoniosa e particularmente tocante. Espero que aprecies a sugestão...

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01 The Noisy Days Are Over
02 Disappointed
03 But Not For You
04 I'm Glad
05 Don’t You Want To Know What's Wrong?
06 How Should I Know If You've Changed?
07 Trouble At The Lights
08 They Want You To Remember
09 It's A Good Thing
10 The Morning Is Waiting
11 Indeed It Is
12 That's Close Enough For Now
13 Same Name
14 Stay Awake


autor stipe07 às 21:42
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Quinta-feira, 13 de Outubro de 2016

Kaiser Chiefs - Stay Together

Depois de há pouco mais de dois anos os britânicos Kaiser Chiefs terem editado Education, Education, Education & War, o quinto álbum da carreira, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White, Simon Rix, Nick Baines e Vijay Mistry, está de regresso, em 2016, com Stay Together, um novo registo de originais que viu a luz do dia a sete de outubro último, através da Caroline Records e que foi produzido por Brian Higgins (Girls Aloud, Pet Shop Boys, New Order) e misturado por Serban Ghenea (Rihanna, Beck, Taylor Swift, Justin Timberlake).

kaiser-chiefs

Depois da politica e do belicismo terem feito parte do ideário lírico de Education, Education, Education & War, o amor é o tema central na escrita e nas emoções que transbordam das onze canções de Stay Together. Mas há também, em 2016, uma inflexão sonora nos Kaiser Chiefs, que agora calcorreiam territórios sonoros mais próximos da pop, em deterimento do indie rock que popularizou este projeto, como se percebeu já há alguns meses quando foi divulgada Parachute, a primeira amostra conhecida do álbum. Assim, a pop sintetizada, assente numa mesca de teclados e guitarras com a habitual tonalidade grave e imponente da secção ritmíca deste quarteto e uma composição eminentemente polida e luminosa, é a grande força motriz de composições com o habitual acerto melódico e, por isso, contagiante e radiofónico, do grupo.

Canções do calibre de We Stay Together, uma canção onde o etéreo e o majestoso se confundem insistentemente nos efeitos, na batida e num esporádico falsete de Ricky Wilson, também em destaque na divertida High Society, a dançável Hole In My Soul, que contém alguns curiosos violinos que conferem à composição um indisfarçável charme, a caliente e sorridente Good Clean Fun, ou o já citado single Parachutes, assim como a belíssima e tocante balada Indoor Firework e a melodicamente feliz e inspirada alegoria rock oitocentista Why Do You Do It to Me?, são marcas impressivas deste novo ajuste conceptual dos Kaiser Chiefs e o modo interessante como conseguiram abrir novas portas, sem colocarem em causa o nível qualitativo da sua herança. Depois, a  batida de Press Rewind e a grandiosidade de Happen In A Heartbeat conseguirão, certamente, oferecer à banda e aos fãs excelentes momentos ao vivo, principalmente quando tal se verifique em grandes multidões.

Com o superior sentimentalismo de Still Waiting termina um alinhamento feliz porque além de ter aquele efeito de novidade que permite revitalizar a imagem do grupo e o sucesso do mesmo, abre aos Kaiser Chiefs, como já referi, novas portas que mesmo que não definam ao certo qual o trilho sonoro do futuro do grupo, servirão, pelo menos, para engrandecer e diversificar um histórico discográfico cada vez mais eficaz para que o percurso da banda seja sempre considerado bem sucedido. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 17:32
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