Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Zero 7 – Simple Science

Os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave e que já não davam sinais de vida há quatro anos, desde Yeah Ghost (2009), além de um sete polegadas com dois temas editado no final do ano passado, estão de volta com um EP com quatro canções intitulado Simple Science, cujo lançamento está previsto para dezoito de agosto via Make Records. O respetivo tema homónimo conta com a voz do cantor australiano Danny Pratt.

Nesta canção, Sam Hardaker e Henry Binns mantêm a inflexão na sua sonoridade, agora mais virada para a pop e para o house, certamente com as pistas de dança ainda mais na mira. Este tema é um registo muito quente e a apelar à soul. Confere...

 

Zero 7 - Simple Science (Radio Edit)


autor stipe07 às 10:54
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Tim Bowness – Abandoned Dancehall Dreams

Nascido e criado no noroeste de Englaterra, Tim Bowness começou a sua carreira nos anos noventa, tendo sido representado pelas etiquetas Probe Plus, One Little Indian e Sony/Epic 550, tendo começado por se destacar como vocalista e compositor dos No-Man, banda onde também tocava Steven Wilson, membro dos Porcupine Tree. Nesse projeto participou em seis discos e um documentário, mas ainda arranjou tempo para colaborar com a italiana Alice e com Robert Fripp, Hugh Hopper (Soft Machine), OSI e Phil Manzanera dos Roxy Music, entre outros, além de ter feito parte dos Henry Fool e dos Memories Of Machines.

Além disso, Tim ainda gravou o álbum Flame (1994) com Richard Barbieri (Porcupine Tree), coproduziu e compôs para o aclamado Talking With Strangers (2009), um álbum de Judy Dyble, antigo membro dos Fairport Convention e tem colaborado com Peter Chilvers, um músico que costuma acompanhar Brian Eno e Karl Hyde. Desde 2001 ele dirige a bem sucedida etiqueta e loja de música online Burning Shed, juntamente com o baixista Pete Morgan, seu antigo companheiro nos No-Man.
Agora, vinte e um anos após o disco de estreia dos No-Man e dez depois de My Hotel Year, o seu primeiro registo a solo, Tim Bowness está de regresso aos lançamentos discográficos com Abandoned Dancehall Dreams, o seu segundo álbum a solo, lançado pela etiqueta Inside Out.
Produzido pelo próprio Bowness e misturado por Steven Wilson, parceiro nos No-Man, Abandoned Dancehall Dreams conta com as participações especiais de Pat Mastelotto (King Crimson), Colin Edwin (Porcupine Tree), Anna Phoebe (Trans-Siberian Orchestra) e alguns músicos que costumam tocar, ao vivo, com os No-Man, nomeadamente Stephen Bennett, Michael Bearpark, Pete Morgan, o próprio Steven Wilson, Andrew Booker e Steve Bingham. O compositor clássico Andrew Keeling, famoso pelo seu trabalho com a The Hilliard Ensemble e Evelyn Glennie ajudaram nos arranjos e nas orquestrações formidáveis que se podem escutar nas oito canções deste disco.

Abandoned Dancehall Dreams combina alguns dos detalhes mais significativos do chamado art rock, com uma escrita verdadeiramente sublime. Há algo de cinematográfico nestas oito canções, com uma sonoridade ampla e impecavelmente produzida, um conteúdo sofisticado que eleva a música de Bowness a um patamar qualitativo que alcança horizontes de excelência quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e proporciona-nos algumas explosões que, com os coros finais, dão a alguns temas a cor e o brilho que nos fazem levitar. As cordas e a bateria de The Warm-Up Man Forever, o pendor acústico de Waterfoot, a combinação entre o baixo e o sintetizador em Dancing For You, o rock pulsante de Smiler At 50 e a guitarra pinkfloydiana e os violinos de I Fought Against The South, são alguns exemplos de canções capazes de nos fazer flutuar num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas e que demonstram que Tim é exímio a misturar ótimos arranjos clássicos, feitos com cordas, teclados e bateria, com uma voz que parece ser cantada junto ao nosso ouvido.

Em Abandoned Dancehall Dreams o grande mentor dos No-Man supera largamente o desafio que o segundo disco, neste caso a solo, geralmente provoca. Tendo trabalhado, ao longo da sua carreira, com uma série de nomes importantes do rock progressivo e do art rock britânicos, não surpreende a mestria com que explorou um espetro mais minimalista desse ramo do indie rock, sem deixar de ser sonoramente exuberante, profundo, delicado e soberbo. Espero que aprecies a sugestão...

Tim Bowness - Abandoned Dancehall Dreams

01. The Warm-Up Man Forever
02. Smiler At 50
03. Songs Of Distant Summers
04. Waterfoot
05. Dancing For You
06. Smiler At 52
07. I Fought Against The South
08. Beaten By Love


autor stipe07 às 22:55
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Sábado, 12 de Julho de 2014

Kasabian – 48:13

Lançado através do consórcio RCA/Columbia 48:13 é o tempo de duração exato e o nome do quinto álbum de estúdio dos Kasabian, o novo disco desta banda liderada por Tom Meighan e um trabalho produzido por Sergio Pizzorno, o guitarrista da banda.

48:13 é um álbum pesado, marcante, elétrico e explosivo e logo desde a primeira canção; Bumblebee traz consigo todo o esplendor festivo dos Beastie Boys e ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada e damos por nós a desejar que o resto do disco seja assim. A urgente e grandiosa Stevie não fica atrás e, após seres bombardeado com uma percurssão muito vincada e uma guitarra cheia de fuzz, quando te apercebes já estás a cantar o refrão, devendo esta canção de ser uma das escolhas para single, algo que, na minha opinião, seria bem recebido pela crítica.

O festim é interrompido um pouco por Mortis, um dos dois interlúdios do disco, juntamente com Levitation, mas logo de seguida Doomsday e Treat levam-nos de volta ao indie rock cru e direto, que não descura a presença de sinteitzadores cheio de efeitos, com a função, várias vezes simultânea, de conferirem alguns detalhes e uma energia diferente ao corpo das canções que não defruadam quem quer abanar a anca ao som de algo grandioso. Esta Treat, uma canção que explora a temática do groove sobre diferentes espetros e Glass, um tema que conta com a paticipações especial do rapper Suli Breaks, são duas das faixas mais interessantes de 48:13, já que há um sintetizador com um cariz fortemente experimental e límpido a guiar às cançôes e abrem-se algumas pistas interessantes acerca do futuro discográfico dos Kasabian, que poderá partir em busca de ambientes pop mais épicos e etéreos, o que não deixa de ser curioso já que foi o guitarrista a produzir este álbum.

O eletro rock bem vincado, pulsante e visceral de Clouds e o agitado e ritmado single Eez-eh é mais uma grande sequência do disco e, pouco depois, ele termina com a apoteótica S.P.S, uma típica canção de fim de festa, daquele nascer do sol que incomoda o olhar depois de termos perdido a noção do tempo.

A perceçao final que fica é que, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos sintetizados, pelos efeitos e pelas vozes, tudo se movimentou de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de 48:13 tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de eletrónica, psicadelia e rock progressivo.

Ao quinto álbum os Kasabian voltam a procurar atingir o pico na busca constante do verdadeiro caminho e da sua sonoridade e confirmam o estilo, o método e a obsessão típicas de quem quer abalar definitivamente o atual sistema musical, trazendo uma nova sonoridade ao rock alternativo e ansiando continuar a ser um marco no cenário musical indie. Espero que aprecies a sugestão...

Kasabian - 48-13

01. (Shiva)
02. Bumblebee
03. Stevie
04. (Mortis)
05. Doomsday
06. Treat
07. Glass
08. Explodes
09. (Levitation)
10. Clouds
11. Eez-eh
12. Bow
13. S.P.S.

 


autor stipe07 às 17:01
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

James – La Petite Mort

Depois de em 2008 terem surpreendido com o retorno aos lançamentos discográficos após um anunciado fim de carreira, com Hey Ma, os James de Tim Booth, Jim Glennie (baixo), Larry Gott (guitarra), Saul Davies (guitarra, violino), Mark Hunter (teclados), David Baynton-Power (bateria) e Andy Diagram (trompete), estão de regresso aos trabalhos de estúdio com La Petite Mort, o décimo terceiro longa duração deste coletivo britânico, natural de Manchester. La Petite Mort foi produzido por Max Dingel (The Killers, Muse, White Lies) e escrito em Manchester, Lisboa, Atenas e nas Highlands escocesas, tendo a morte da mãe de Tim Booth, uma referência importante da sua vida, servido de mote para o conteúdo lírico e emocional de dez canções que lidam com a mortalidade, mas sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente lhe é atribuido.

Conhecemos Tim Booth há três décadas, já o ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, mas é curioso começar a ouvir este disco e, logo em Walk Like You, escutarmos um Booth que declama com sentimento que ainda não o conhecemos verdadeiramente e que tem muito maisdentro de si para nos revelar. Percebe--se logo o cariz autobiográfico do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização de uma perca certamente traumática, mas que deve ser vivida, sustentada, acima de tudo, pelas boas memórias e recordações que o músico guarda dentro de si da mãe.

Nome maior da pop independente dos últimos 30 anos e detentores de mais de vinte singles que alcançaram o top britânico, os James testemunharam todos os movimentos musicais que foram aparecendo em Inglaterra e foram sempre uma alternativa credível, por exemplo, à britpop e seguem ainda firmes no seu caminho, iniciado quando na primeira metade da década de oitenta foram apontados como os candidatos maiores a dar sequência à herança inolvidável dos The Smiths.

Em La Petite Mort é procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível das guitarras que carimbam o ADN dos James com o indie rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. A presença de Max Dingel na produção é o tiro certeiro nessa demanda, apesar de não ser justo descurar a herança que nomes como Gil Norton ou Brian Eno, figuras ilustres que já produziram discos dos James, ainda têm na sonoridade do grupo.

Este encaixe de novas tendências proorcionado por Max fica plasmado logo na já referida Walk Like You, uma canção onde os efeitos e os pianos ajudam as guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Booth. Depois, Curse Curse está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a percurssão a conduzirem a canção. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de Moving OnGone Baby Gone exala U2 por todos os poros sonoros e Frozen Britain tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas.

Uma das sequências mais interessantes de La Petite Mort é constituida pela balada Bitter Virtue, uma canção introspetiva e melancólica onde a voz de Booth assenta na perfeição, à qual se segue All In My Mind, o clássico tema orquestral conduzido pelo piano, com alguns detalhes das cordas e do trompete a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente James. A sequência termina com o mesmo piano, mas agora a tocar numa espécie de looping crescente, em Quicken The Dead, uma canção que é depois adornada por lindíssimos coros, pela mesma secção de sopro e por cordas implícitas mas deslumbrantes.

La Petite Mort chega ao ocaso com a sentida e confessional All I'm Saying e com a herança dos The Smiths vincada em Whistleblowers e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os James ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico indie rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

James - La Petite Mort

01. Walk Like You
02. Curse Curse
03. Moving On
04. Gone Baby Gone
05. Frozen Britain
06. Interrogation
07. Bitter Virtue
08. All In My Mind
09. Quicken The Dead
10. All I’m Saying


autor stipe07 às 21:21
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Alt-j - Left Hand Free

Depois de o trio birtânico alt-J ter anunciado que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie, divulgou o primeiro avanço, uma canção bastante atmosférica e introspetiva, chamada Hunger Of The Pine.

Agora, algumas semanas depois, já se conhece o segundo avanço de This Is All Yours. O tema chama-se Left Hand Free e assenta num corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. O novo disco dos alt-J irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious. Confere...


autor stipe07 às 14:24
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Domingo, 29 de Junho de 2014

Sleaford Mods - Divide And Exit

Lançado no passado dia vinte e oito de abril pela Harbinger Sound, Divide And Exit é o novo álbum dos Sleaford Mods de Andrew Fearn e Jason Williamson, uma dupla oriunda de Grantham, o local onde nasceu Margaret Thatcher e que aposta na herança punk que, na Inglaterra de onde são oriundos, floresceu, curiosamente, num período conturbado da história do reino, devido à contestação social ao governo dessa ex primeira ministra britânica, no início da década de oitenta.

O punk rock está de regresso e em força com os Sleaford Mods, uma verdadeira lufada de ar frasco que se sente em catorze canções que não encontram facilmente paralelo no cenário indie atual e que aposta num hardcore que tem na voz agressiva, no baixo e nas guitarras que vão beber ao punk dos anos oitenta, os traços identitários mais significativos. Na verdade, basta ouvir cinco segundos da primeira música do disco para se antecipar com elevado grau de certeza o restante conteúdo do álbum, feito com canções construídas em cima de uma batida quase sempre com o mesmo andamento.

Definido pela crítica britânica como o novo som do medo e do delírio em East Midlands, Divide and Exit é raiva e energia, algo que os Sleaford Mods têm de sobra e debitam através de um som barulhento e agressivo, cerca de quarenta minutos onde a dupla explora, com muito gosto e sucesso, as possibilidades infinitas da herança punk rock que nomes como ou os The Clash, The Chuddy Nuddies, os Sex Pistols e, já nos anos noventa, os The Streets foram fiéis depositários. O próprio registo vocal dos Sleaford Mods remete-nos claramente para o reportório de Mike Skinner.

Com uma linguagem explícita em quase todo o alinhamento e com várias referências aos problemas da assim como ao uso de substâncias psicotrópicas, incluindo as drogas duras (The Corgi), os Sleaford Mods tentam transformar em hinos sonoros as diferentes manifestações de raiva adolescente que costumam preencher o ideário juvenil típico dos subúrbios das grandes metrópoles britânicas e da diversidade social e cultural que aí existe, transportanto essa luta diaria pela sobrevivência para o cenário lírico das suas canções, encaixadas de forma a criar um alinhamento fluído e acessível, apesar da especificidade do som que os carateriza.

 

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, onde se destacam alguns arranjos sintetizados e samples de sons e ruídos, Divide And Exit merece toda a nossa atençao a partir do momento em que usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Sleaford Mods de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos e que façam com que a dupla tenha direito a agitar a bandeira de novos líderes sonoros de uma faixa etária sempre ávida de referências e de hinos que sirvam de banda sonora para os instantes de pura rebeldia e confronto com os cânones e o poder instalado.

Em suma, durante Divide and Exit os Sleaford Mods não fogem muito da sua habitual zona de conforto e procuram lutar com garra, criatividade e uma apurada dose de diversão contra os estereótipos da sociedade dominada por uma classe média alta alinhada quase sempre com um certo conservadorismo tépido, através de uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário musical britânico há mais de três décadas. Espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 23:21
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Mazes - Astigmatism

Mazes - "Astigmatism"

Os Mazes são Conan, Jack e Neil, um trio de indie rock britânico e acabam de anunciar o lançamento de Wooden Aquarium, o terceiro disco de originais da carreira da banda e que irá ver a luz do dia já a oito de setembro através da Fat Cat.

Os Mazes recrutaram Jonathan Schenle, habitual colaborador dos Parquet Courts, para produzir o álbum e Astigmatism, o primeiro single retirado do disco, já plasma essa influência ao incorporar uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e de movimento da composição.

Confere Astigmatism e depois recorda Ores & Minerals, o último disco dos Mazes, que abre com a fantástica e hipnótica Bodies, uma das canções do último ano...


autor stipe07 às 18:22
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Philip Selway - Coming Up For Air

Weatherhouse

Weatherhouse, o novo disco de Philip Selway, o baterista dos Radiohead, chega às lojas a sete de outubro através da Bella Union, um disco que sucede a Familial, o disco de estreia do músico, lançado há cerca de três anos.

Coming Up For Air é o primeiro single conhecido de Weatherhouse, uma canção que poderia muito bem ter sido escrita por Thom Yorke e que impressiona pelo falsete e pela atmosfera criada por alguns efeitos hipnóticos e uma tensão rítmica contínua, aspetos que ajudam a cimentar a ideia de que as contribuições de Selway para os Radiohead deevriam ter uma maior efetividade na sonoridade da banda e nunca serem menosprezadas. Confere...

 


autor stipe07 às 16:55
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Sábado, 21 de Junho de 2014

Echo And The Bunnymen – Meteorites

O Liverpool não ganhou, por uma unha negra e para grande desgosto meu, a última edição da Barclay's Premier League, mas deu-me o prémio de consolação de haver uma das bandas mais importantes do indie rock britânico natural dessa cidade ter regressado aos discos. Falo, naturalmente, dos Echo And The Bunnymen de  Ian McCulloch e Will Sergeant, a metade que resta da formação original de um grupo com trinta e seis anos de carreira já que Pete de Freitas morreu em 1989 e, depois de se terem reunido de novo em finais dos anos noventa, Les Pattinson participou apenas no primeiro álbum após essa reunião, saindo de cena em 1998.

Lançado no passado dia vinte e seis de maio, Meteorites cessa um hiato de cinco anos nos discos, sendo já o décimo segundo trabalho do grupo e o sexto neste segundo fôlego e que coincide com os trinta anos de Ocean Rain, a obra-prima dos Echo And The Bunnymen e um dos álbuns fundamentais dos anos oitenta.

Banda de referência do pós punk de Terras de Sua Majestade, os Echo And The Bunnymen mantêm neste novo trabalho a firme aposta no universo indie feito com as guitarras que tanto vão beber às referências pop dos anos sessenta como ao conteúdo mais indie rock dos anos oitenta. À frente das cordas, Will Sergeant não complica, mas mostra-se bastante inventivo, melódico e hipnótico, protagonizando, assim, os melhores momentos instrumentais do disco.

Meteorites encontra a dupla a olhar nostalgicamente para si mesma e a para a carreira do grupo, em busca de uma espécie de súmula dos melhores momentos, sendo perfeitamente audíveis ecos de alguns dos melhores instantes não só do já citado Ocean Rain, mas também do antecessor Porcupine, dois trabalhos lançados logo no início da década de oitenta. Mas não se pense que Meteorites vai apenas beber à herança dos próprios Echo and The Bunnymen; temas como o single Lovers On The Run, Holy Moses ou Grapes Upon The Vine assentam numa contemporaneidade que arrisca em usar as referências vintage e dar-lhe o toque sintético de modernidade, de forma a que tudo brilhe e encaixe.

Apesar da voz de Ian McCulloch acusar nitidamente anos e anos de abuso do álcool e do tabaco, os arranjos que foram escolhidos para a suportar são bastante criativos, algo que compensa uma menor projeção e faz com que o disco tenha uma áurea pop bastante cantarolável.

Liricamente, Meteorites pode ser lido um pouco como a inevitabilidade de um dia o nosso planeta receber a visita de um corpo celeste fora de rota. McCulloch é sincero e escreve muito sobre si próprio e os momentos em que ele próprio se desviou do seu caminho e criou um passado cheio de erros e alguns arrependimentos. Mostrando-se fortemente contemplativo, percebe que há instantes que poderiam ter sido diferentes e que não vê grande esperança no seu futuro, ao mesmo tempo que assume o destino e que o fim está cada vez mais próximo. Se em Holy Moses Ian questiona a sua espiritualidade, em This Is A Breakdown esta abertura aos ouvintes fortemente confessional, que plasma o receio do colapso final. atinge o auge melancólico e auto reflexivo.

Se há quem ainda persista em olhar para os Echo And The Bunnymen como uma dupla de dinossauros que não soube quando parar e que vive do circuito da nostalgia, eles insistem em desmentir esses arautos da desgraça mostrando uma incrível capacidade para ainda criar alguns momentos de puro brilhantismo dentro de toda a adversidade que tem pautado a carreira do grupo. Meteorites é um dos melhores disco da nova vida dos Echo And The Bunnymen e apesar das letras sombrias e cheias de fatalidade negativa e do evidente desgaste dos músicos, há aqui algumas canções e melodias que conquistam e que não envergonham o enorme legado do grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Echo And The Bunnymen - Meteorites

01. Meteorites
02. Holy Moses
03. Constantinople
04. Is This A Breakdown?
05. Grapes Upon The Vine
06. Lovers On The Run
07. Burn It Down
08. Explosions
09. Market Town
10. New Horizons

 


autor stipe07 às 22:05
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Alt-j - Hunger of the Pine

Alt-J - "Hunger Of The Pine"

A semana passada o trio birtânico alt-J anunciou que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie. Agora acaba de ser divulgado o primeiro avanço deste novo disco dos alt-J, que irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious.

Hunger Of The Pine é uma canção bastante atmosférica e introspetiva, um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Um sample de I'm Female Rebel, de Miley Cyrus, é uma das surpresas desta canção que antecipa aquele que ainda virá a tempo de ser um dos discos do ano. Confere...


autor stipe07 às 13:09
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2014

Fujiya And Miyagi – Artificial Sweeteners

Os britânicos Fujiya & Miyagi não editavam nenhum disco desde Ventriloquizzing, um trabalho que chegou às lojas em janeiro de 2011, mas finalmente, acabam de juntar em 2014 mais um longa duração ao seu cardápio sonoro, um registo chamado Artificial Sweeteners, que viu a luz do dia no início de maio, através do selo Yep Roc Records.

A apostarem numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, os Fujiya & Miyagi parecem, ao quinto disco, querer começar a apresentar uma estética sonora cada vez mais próxima do house e dos ritmos eletrónicos que abraçaram logo em 2003, quando Steve Lewis e David Best, os membros iniciais do projeto que integrava o conceito de Fujiya (uma marca de equipamentos de som) e Miyagi (o mentor de Daniel-San em Karate Kid), se estrearam nestas andanças.

Atualmente já com Steve Lewis e Lee Adams no alinhamento do grupo, além de Lewis e Best, os Fujiya & Miyagi continuam a construir uma interessante discografia pop, animada por novas eletrónicas, mas num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos, algo que Flaws, o single de abertura de Artificial Sweeteners, plasma claramente ao remeter-nos para a sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order e Acid To My Alkalyne eleva, através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best e o groove de uma guitarra.

A instrumental Rayleigh Scattering já nos remete para a eletrónica alemã, assim como as vozes repetidas e algo robóticas do tema homónimo que, apesar de uma declarada essência vintage, acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências. Até ao final há ainda que destacar a elegância do groove e do ritmo de Little Stabs Of Happiness e os teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens comtemplativas no instrumental Tetrahydrofolic Acid. Esse é um excelente mote para escutarmos depois Daggers, o meu tema preferido do registo, devido ao jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas que suportam o ritmo da canção. Vagaries Of Fashion lembra novamente a herança dos Pet Shop Boys e depois o disco termina em beleza com a lindíssima voz que se escuta em A Sea Ringed With Visions, numa canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega.

Artificial Sweeteners é uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou mais um alinhamento consistente, carregado de referências assertivas e que consitui mais uma marco no percurso deste projeto essencial do panorama da eletrónica do séxculo XXI. Espero que aprecies a sugestão...

Fujiya And Miyagi - Artificial Sweeteners

01. Flaws
02. Acid To My Alkaline
03. Rayleigh Scattering
04. Artificial Sweeteners
05. Little Stabs At Happiness
06. Tetrahydrofolic Acid
07. Daggers
08. Vagaries Of Fashion


autor stipe07 às 21:31
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014

The Horrors - Luminous

Três anos depois do grandioso e extraordinário Skying, já ganhou vida Luminous, o novo disco dos The Horrors, de de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon, um trabalho que foi lançado às feras no último dia cinco de maio através da XL Recordings.

Já no quarto tomo de uma discografia, este quinteto de rapazes com o típico ar punk de há quaretna anos atrás têm mostrado que não pretendem apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta, mas indivíduos donos de uma sonoridade própria e de um som adulto e jovial. E, com efeito, disco após disco, eles têm-se revelado como uma das mais importantes do cenário indie britânico.

Faris, o vocalista, já confessou que este é um álbum que deu imenso gozo à banda compôr e que, de todos os discos lançados até hoje pelos The Horrors, Luminous é aquele em que coloca maiores expetativas, principalmente porque ampliaram o cardápio sonoro do grupo com mais sintetizadores e criaram um som mais amplo e elaborado.

Escuta-se o disco e percebe-se desde logo, que estão presentes os habituais ingredientes desta banda britânica, mas que existe, realmente, uma maior primazia da vertente sintética em relação à orgânica das guitarras, apesar de muita da orientação sonora do alinhamento encontrar o seu principal sustento nas guitarras de Joshua e na bateria de Joseph, instrumentos que se entrelaçam na construção de algumas das melhores canções de um disco que mostra uma faceta mais pop, mas criado por uma banda que faz questão de viver permanenetemente de braço dado com o experimentalismo em simbiose com a psicadelia.

Se Luminous é, como já referi, o disco dos The Horrors que contém uma toada mais pop, não defrauda, no entanto, quem está habituado a ouvir os álbuns deste grupo e a deparar-se com diferentes viagens a vários universos sonoros, tendo sempre o sintetizador como veículo privilegiado dessa demanda por distintos territórios auditivos. Do indie rock de Falling Star, ao delírio indie pop de First Day Of Spring ou ao rock sintético proposto pelo teclado de I See You, há sempre esse elemento comum, um instrumento que é inerente ao status dos The Horrors e com o qual exploram as meldias e as harmonias que nos conquistam e, quase sem darmos por ela, têm em nós um efeito normalmente aditivo e fortemente viciante.

Num disco que transborda coerência do nome à capa, passando pelo ideário festivo, positivo e de esperança das letras, Luminous acaba por ser um nome feliz para um disco que apesar de ter ainda muito presente a guitarra de Joshua  a dançar em altos e baixos divagantes que formam a tal química interessante com a secção rítmica, aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos que criam um álbum simultaneamente denso e dançável, um compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

The Horrors - Luminous

01. Chasing Shadows
02. First Day Of Spring
03. So Now You Know
04. In And Out Of Sight
05. Jealous Sun
06. Falling Star
07. I See You
08. Change Your Mind
09. Mine And Yours
10. Sleepwalk

 


autor stipe07 às 21:08
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Coldplay - Ghost Stories

Os Coldplay de Chris Martin regressaram aos discos nos passado dia dezanove de maio e, como sempre, por intermédio da Parlophone. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica chama-se Ghost Stories e foi produzido por Tim Bergling, Paul Epworth, Daniel Green, Jon Hopkins, Rik Simpson, Avicii e os próprios Coldplay.


Ghost Stories é um título feliz para um disco que gira muito em redor da ideia de algo cuja presença já não é concreta e física e que com a partida, que não tem de ser necessariamente a morte, deixou um vazio em redor e um fator de perturbação que, neste caso concreto, pode muito bem ser o fim do casamento de dez anos de Chris Martin com Gwineth Paltrow. Mesmo tendo sido uma separação amigável, se tomarmos como verdadeira a suposição que Ghost Stories é um disco concetual sobre este evento pessoal na vida de Chris e que serve, de algum modo, para o exorcizar, parece-me que esse processo não será simples e que há uma cicatriz na alma do líder dos Coldplay difícil de curar. A letra de True LoveSo tell me you love me. And if you don’t then lie, lie to me, emocionalmente forte e cantada por gritos abafados, acompanhados por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor.

Mas esta transposição do conteúdo de Ghost Stories para a intimidade de quem o canta, também pode alargar o seu espetro para a própria realidade banda. A sonoridade das nove canções que compôem este alinhamento expôe alguns fantasmas estéticos que sempre acompanharam a carreira discográfica dos Coldplay, que tantas vezes procurou um equilíbrio nem sempre fácil entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes quatro músicos em experimentar novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Desta vez os quatro terão dado um forte e vigoroso murro na mesa e feito tudo para criarem libertos desses constrangimentos editoriais, deixando de lado os enfeites e os excessos estilísticos de Viva La Vida (2008) e Mylo Xyloto (2011), para apostarem na simplicidade e em camadas sonoras mais ricas em detalhes implícitos, algo que, em termos estratégicos, só encontra paralelo em Parachutes, o primeiro disco da banda e, para mim, ainda a obra prima do quarteto. Se nesse disco editado em 2000 o orgânico dedilhar acústico das cordas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema, agora chegou a vez de apostar em canções que também nos contam histórias na mesma medida, mas fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a riqueza instrumental não foi descurada e até talvez exista uma maior diversidade ao nível dos sons que se escutam, mas com a eletrónica a ser a força motriz que dá vida aos quarenta minutos que este disco dura.

A primeira audição de Ghost Stories poderá chocar os fãs mais puristas, mas os atentos e conscientes da realidade musical e identitária dos Coldplay, ao escutarem a discografia da banda cronologicamente, acabarão por perceber que este é, de certa forma, um passo lógico e que o próprio percurso anterior já tinha deixado algumas pistas sobre a vontade do grupo em apostar na primazia dos sintetizadores, consequência da tal demanda constante por novos e diferentes caminhos, que a escrita deste trabalho também comprova. Os Coldplay sempre provaram ser uma banda inquieta e que não repete a rigor a última rota que percorreu.

Com a narrativa do disco a viver muito da tal circuntância pessoal atual de Chris, o principal letrista da banda, estar atento às letras destas novas canções é tomar contacto com diferentes humores naturais de alguém que sofreu uma perda e agora lida com essa espécie de assombração na vida. Da introspecção (Always in my Head) à euforia (Sky Full of Stars), passando pela melancolia (Oceans), a alegria contagiante (Ink) e até o silêncio (Midnight), há aqui canções com poemas que servem de banda sonora para os diversos estados de alma que tantas vezes nos invadem, sempre cantados e expostos em composições ricas e simultaneamente acessíveis. Another’s Arm é  talvez, a par da já referida True Love, a canção do disco mais abrangente, que melhor exemplifica a excelência de processos e que chama a atenção pelas estrofes simples, mas sentidas e pensadas de forma a dar espaço à valorização das batidas eletrónicas, sem colocar de lado a habitual delicadez da guitarra de Johnny Buckland.

Em Ghost Stories não falta o o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay, mas como me confidenciou a fã Ana Lopes, é um álbum mais experimental, não como os outros em que as músicas continuam a tocar e  ter airplay até hoje. É um disco menos comercial e que dificilmente irá resultar em grandes palcos ao vivo, mas tem o enorme atributo de ter belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vidaPessoalmente concordo e confesso que o disco soa cada vez melhor a cada audição. Não é um trabalho nem melhor nem pior que os outros. É diferente e talvez se deva, antes de mais, aplaudir essa inflexão sonora e o desbravar de outras sonoridades.

Quando um dia a discografia dos Coldplay ficar completa, este disco será valorizado de uma outra forma porque, apesar de não ser um álbum feliz, é um álbum real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes. Conforme refere a Luísa Marques, outra admiradora profunda deste quarteto britânico, tendo em conta o que os Coldplay já fizeram, não preocupa muito que façam um álbum um pouco diferente e que custe mais a entrar no ouvido. Já provaram que são um grupo fenomenal com um talento invejável e eu completo a ideia dizendo que Ghost Stories serve para confirmar com enorme ênfase esta constatação clara, óbvia e inteiramente justa. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Ghost Stories

01. Always In My Head
02. Magic
03. Ink
04. True Love
05. Midnight
06. Another’s Arms
07. Oceans
08. A Sky Full of Stars
09. O
10. All Your Friends
11. Ghost Story
12. O (Part 2/Reprise)

 


autor stipe07 às 18:27
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014

Oliver Wilde - Red Tide Opal In The Loose End Womb

Natural de Bristol e funcionário numa loja de discos, o cantor, produtor e compositor Oliver Wilde captou a atenção da imprensa musical especializada britânica quando lançou o ano passado A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, o seu disco de estreia, rotulado como um verdadeiro tratado de pop psicadélica e que lhe valeu comparações com nomes tão relevantes como Mark Linkous ou Bradford Cox. Cerca de um ano depois Oliver está de regresso com um novo disco intitulado Red Tide Opal In The Loose End Womb, um trabalho que viu a luz do dia a cinco de maio através da Howling Owl Records


A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, provocou um impacto intenso numa vasta legião de críticos musicais e ficou nas listas dos melhores de muitos deles, curiosamente como uma espécie de segredo bem guardado, que poucos quiseram revelar, o que fez com que Oliver Wilde se mantivesse internacionalmente na penumbra, como um tesouro escondido, mas que agora, com Red Tide Opal In The Loose End Womb, já não é possível mais ocultar.

As doze canções deste seu novo álbum mantêm a elevada bitola qualitativa do disco de estreia e estão cheias de melodias únicas, onde vagueiam e pairam letras sofisticadas, que criam imagens oníricas e sensíveis, às quais Oliver dá vida e reproduz impecavelmente com a sua voz única e sussurrada, mas que tem algo de profundo e celestial. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, servem-lhe como assunto e, sendo conceitos relacionados com a crueza da realidade, falam do universo de um jovem adulto, fazendo-o de forma a deixar-nos com um enorme sorriso nos lábios quando somos confrontados com a beleza melódica de que este artista se serve para atingir tal desiderato. 

On This Morning foi o primeiro avanço divulgado do disco e depois chegou a vez de Play & Be Saved. Destaques maiores do disco juntamente com a épica e animada Stomach Full Of Cats, são exemplos exuberantes, cheios de arranjos que, juntamente com a voz de Wilde, dão um cariz efervescente, melancólico e onírico a três temas cheios do brilho e da cor transversais a todo o alinhamento de Red Tide Opal In The Loose End Womb. Essa atmosfera única e vibrante é construída por Oliver tendo por base as cordas, às quais vai adicionando mantos de sons eletrónicos e samplers, de forma a que na sua música palpite uma evidente psicadelia pop que ressuscita com elevado charme com as típicas orquestrações do universo sonoro lo fi .

Ouvir a música de Wilde é passear por um universo feito de exaltações melancólicas, ao som de uma receita que recorta e sobrepõe uma sujidade sonora apenas aparente, para criar melodias únicas e coloridas, detalhes que oferecem ao estilo de Oliver wilde o tal cariz pop lo fi, fortemente emocional e, longe de óbvio, à medida que cruza a folk eletrónica com a pop lo fi, de forma particularmente sofisticada e emotiva. Red Tide Opal In The Loose End Womb é uma da melhores surpresas da primeira metade de 2014. Espero que aprecies a sugestão...


1. On This Morning
2. Stomach Full of Cats
3. St. Elmo's Fire
4. Say Yes To Ewans
5. Plume
6. Smiler
7. Play & Be Saved
8. Pull
9. Rest Less
10. Balance Out 
11. Night In Time Lapse (Somewhere Safe)
12. Vessel


autor stipe07 às 22:12
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014

Douga - The Silent Well

Naturais de Manchester e liderados pelo multi-instrumentista Johnny Winbolt-Lewis, aos quais se junta John Waddington (baixo e teclas) e o violinista e guitarrista convidado DBH, os Douga são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia com alguns dos melhores detalhes do rock experimental contemporâneo. Editaram no passado dia dezanove de maio, através da Do Make Merge Records, The Silent Well, o disco de estreia do grupo, gravado nos estúdios BlueSCI, em Trafford, com a ajuda de Raúl Carreño. 

A peculiar e distinta receita de The Silent Well acaba por ser eficaz e quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras, desde o início. As nove canções polidas do álbum assentam nos riffs de guitarra viscerais de Johnny, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e em sintetizadores muito direcionados para o krautrock, mas também há cordas que convidam ao recolhimento e à reflexão profunda.

Kids Of Tomorrow, o single que está a lançar esta banda para a ribalta, tem uma atmosfera única e pode ser caraterizado como um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos. Esta canção está disponível para download gratuito e deixou-me a salivar de há dois meses para cá por este disco de estreia dos Douga, que não defraudou as expetativas. Logo a seguir, Still Waters aponta para caminhos ainda mais experimentais e simultaneamente etéreos, com a primazia das cordas  e da acústica a mostrar uns Douga fortemente ecléticos e inspirados na criação de melodias que se entranham com invulgar mestria nos nossos ouvidos, mesmo quando, um pouco à frente, a guitarra elétrica distorce-as dando-lhes um teor ainda mais grandioso e épico. Há um segredo muito bem guardado em Chains, uma canção que começa com o dedilhar de uma viola e que depois sobre, de degrau em degrau, até uma espécie de climax, enquanto recebe vários efeitos sintetizados e a bateria aumenta a batida.

Por falar em bateria, não é possível deixar passar em claro o som peculiar da bateria eletrónica que se escuta em Blue Is Nothing, uma das canções mais profundas de The Silent Well e onde nos podemos deitar numa nuvem de sons sintéticos que criam uma melodia hipnotica, porque é repetitiva, mas muito bonita, irresistivel e reconfortante. É delicioso escutar esta música e perceber, detalhadamente, o arsenal de efeitos e sons que vão sendo acrescentados ao longo de quase sete minutos que são uma verdadeira espiral sonora que nos prende até ao final.

Em The Silent Well é possível aceder a canções oriundas de uma outra dimensão musical, com uma assumida e inconfundível pompa sinfónica, típica das propostas indie de terras de Sua Majestade e sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Há uma beleza enigmática nas composições dos Douga feita com belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Durante a audição sente-se todo o esmero e a paciência dos Douga em acertar os mínimos detalhes de um disco onde, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração audível tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Douga projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop, psicadelia, rock progressivo e soul. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:49
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The Acid - The Acid EP

Lançado no passado dia catorze de abril e disponível para audição no soundcloud, The Acid é o Ep homónimo de um projeto que anuncia e antecipa desta forma o lançamento de um disco chamado Liminal, que vai chegar a sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há algo de místico nestes The Acid, formados por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴. Esta aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, mas antes numa espécie de penumbra, tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descobetrta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustreante a escassez de fontes disponíveis.

A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste EP nos suscita e que, tendo no tema Basic Instinct o destaque maior, deixa certamente água na boca em relação aquele que poderá ser um dos discos mais interessantes do próximo verão. Confere...

The Acid - The Acid

01. Animal
02. Basic Instinct
03. Fame
04. Tumbling Lights


autor stipe07 às 18:15
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Terça-feira, 20 de Maio de 2014

Coves – Soft Friday

Formados pela dupla Beck Wood, a vocalista e John Ridgard, o guitarrista, os britânicos Coves são uma das novas sensações do cenário indie de terras de Sua Majestade, devido a Soft Friday, o disco de estreia, editado no passado dia trinta e um de março por intermédio da Nettwerk Music Group.

No início dos ano noventa a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e os Coves parecem apostados em tentar uma simbiose sonora que tenha uma forte componente nostálgica e que agregue ruídos, tiques e melodias de várias décadas. Da música pop dos anos sessenta e oitenta e do rock lo fi da década de noventa, passando pelo experimentalismo pop da primeira década do novo século, tudo funciona como um grande pano de fundo do trabalho dos Coves.

Soft Friday está impecavelmente produzido e envolto numa aúrea de mistério muito sedutora, através da feliz mistura entre guitarras e sintetizadores, que têm na componente melódica, eminentemente romântica e introspetiva, uma correspondência clara com letras sombrias e pouco otimistas, com a própria voz de Beck a acentuar todo este cenário algo sofrido.

A dupla personalidade também é característica do projeto, inscrita num estado sentimental indeciso, ora leve, ora devastado e bastante evidente, nomeadamente quando misturam o som sessentista com a dream pop da atualidade e o som progressivo algo que, por exemplo, Beatings claramente demonstra ao congregar inicialmente uma vasta riqueza instrumental com a produção retro e alguns arranjos tipicamente folk e depois, na reta final, ao deixar a distorção das guitarras tomar conta da canção.

O reforço desta abordagem heterogénea também se sente em Wake Up, canção assente numa eletrónica de cariz eminentemente rock, muitas vezes misturada com detalhes caraterísticos da pop, ou seja, feita com sons sintetizados, ressuscitados muitas vezes nos anos oitenta ou no trip-hop da década seguinte, misturados com guitarras com um apreciável nível de distorção e batidas e elementos da percussão que dão um certo travo obscuro ao clima geral.

O ponto alto do álbum chega com Cast A Shadow, uma bela melodia, com arranjos que dão à canção uma densidade particularmente rica e detalhada e, no fim, ficamos com a sensação que escutámos uma banda que tem uma capacidade impar para nos afundar num colchão de sons que satirizam a eletrónica retro e, simultaneamente, mostrar-nos algumas pistas em relação ao futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...  

Coves - Soft Friday

01. Fall Out Of Love
02. Honeybee
03. Beatings
04. Last Desire
05. Let The Sun Go
06. No Ladder
07. Cast A Shadow
08. Fool For You
09. Bad Kick To The Heart
10. Wake Up

 


autor stipe07 às 21:56
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Bill Pritchard - A Trip To The Coast

Inglês e já com cerca de três décadas de carreira, Bill Pritchard é um dos cantautores que em terras de Sua Majestade começou a fazer carreira nos anos oitenta e que foi construindo a sua carreira com alguma intermitência, mas sempre com elevada bitola qualitativa. Nessa década destaca-se o disco Three Months, Three Weeks & Two Days (de 1989), um trabalho produzido por Etienne Daho, ao qual sucedeu, já nos anos noventa, Jolie (1991), um disco que contou com a presença de Ian Broudie (Lightning Seeds) e que foi, até hoje, o trabalho de maior projeção de Bill Pritchard.

Após estes dois trabalhos, a meio da década de noventa, o músico aventurou-se numa banda, que deu disco em 1998, mas tem sido a solo que tem sido mais consistente e apresentado as melhores propostas sonoras que, por sinal, têm recebido maior recetividade fora das ilhas britânicas do que propriamente no país natal.

Seja em momentos de maior luminosidade e efervescência rítmica e instrumental, como no single Trentham ou em Yeay Yeah Girl, ou em instantes como Truly Blue, uma lindíssima balada onde a voz de Bill se faz acompanhar apenas pelo piano e por violinos, ou ainda em momentos mais rock, onde a guitarra se distorce (In June), Pritchard usa uma linguagem sonora que cria canções pop feitas com melodias simples, típicas de um verdadeiro cantautor, que não se deixa seduzir pelas referências deste tempo e que se mantém fiel a uma linha condutora onde se sente confortável e realizado, enquanto músico e compositor.

Cantado em francês, Toute Seule é um dos meus temas favoritos do disco, uma canção com uma beleza bucólica arrepiante, onde o sotaque de Pritchard e os arranjos nos fazem derreter com toda a atmosfera criada na música. Estes são alguns exemplos de canções que destacam, além da voz, a parte instrumental de A Trip At the Coast, que é capaz, por si só, de transmitir as mais diversas emoções, seja melancolia e alegria, ou a urgência de soltarmos algo cá para fora.

A Trip At The Coast é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Bill Pritchard sereno e bucólico, através de uma viagem ao universo típico de um Lloyd Cole, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre o existencialismo, a viagem que nos conduz por este mundo e as perceções humanas sobre a mesma. Espero que aprecies a sugestão...

01 Trentham
02 Yeah Yeah Girl
03 Posters
04 Toute Seule
05 Truly Blue
06 Almerend Road
07 In June
08 Paname
09 Polly
10 A Trip To The Coast


autor stipe07 às 18:36
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Domingo, 11 de Maio de 2014

Damon Albarn – Everyday Robots

O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn, personagem central da pop britãnica das últimas duas décadas, está de regresso aos discos em nome próprio com Everyday Robots, um dos álbuns mais aguardados do ano e que viu a luz do dia a vinte e oito de abril, um belíssimo compêndio de doze canções produzidas por Richard Russell e lançadas por intermédio da Parlophone.

Falar de Damon Albarn como artista a solo e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou os The Good The Bad and The Queen é algo impossível, já que Everyday Robots transpira a tudo aquilo que Albarn idealizou e criou nestes projetos. As canções de Everyday Robots não caberiam facilmente em qualquer alinhamento típico dos grupos citados, mas há algo em todas elas, mesmo que muito implícito, que nos remete para a excelência das propostas que foram surgindo desta mente brilhante nos últimos vinte anos que, tendo-se feito acompanhar por outros músicos extraordinários, nunca deixou de ser o protagonista maior de todas estas bandas.

Sendo assim, Everyday Robots transborda uma imensa sinceridade, sendo o disco onde Albarn compôs e criou aquilo que realmente quis e com o bónus de não ter tido receio de expôr a sua maturidade de adulto cheio de experiências de vida significativas, quase a chegar ao meio século de existência. É um disco onde um Albarn eletrónico e minimalista e viciado em tecnologia, mas apaixonado pela natureza e permanentemente inquieto pela forma como a tratamos, transborda modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta a sua individualidade e apela à consciência de individualidade de cada um de nós, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro e que, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância das vontades e necessidades de cada um de nós, em deterimento do bem e da vontade comuns.

Não há outra forma de entrar no alinhamento de Everyday Robots e não começar por Hollow Ponds, um tema que nos remete para o universo sonoro que Albarn desenvolveu com Paul Simonon e Tony Allen em The Good, The Bad and the Queen; Esta é a canção matriz do disco, já que a decisão de avançar na gravação do trabalho apenas sucedeu depois de Richard Russell ter escutado o tema e ter desafiado Albarn a continuar.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente a sempre a convergir para a soul, Albarn entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, havendo, no disco, vários exemplos do forte cariz eclético e heterogéneo da mesma. Por isso, há que conferir grande destaque à folk animada de Mr. Tembo, uma música dedicada a um elefante bebé que Damon conheceu na casa de uns amigos numa reserva na Tanzânia e que conta com a participação do coro gospel da igreja Mission City, de Leytonstone, sendo, o tema do disco que mais se aproxima das aproximações já feitas por Albarn no projeto Gorillaz. Depois, há algo de profundamente enigmático no dedilhar deambulante do piano de The Selfish Giant e naquela voz rouca, acabada de emergir de um sono profundo certamente marcado pela batida hipnótica que sustenta a canção e que, no refrão, quando Albarn relata o mundo perfeito com que acabou de sonhar, é acompanhada por detalhes e arranjos tão doces e delicados. A esta sonoridade do tema não será alheio o facto de ser sobre uma noite que Albarn passou em 1995, durante uma digressão caseira dos Blur, num local chamado Dunoon, na costa oeste da Escócia, onde existiam muitos submarinos nucleares americanos, por causa da guerra fria e a canção imagina alguém dentro de um deles, nas profundezas do oceano, apenas à espera que algo aconteça, tendo como única companhia uma simples televisão.

Uma canção fundamental para perceber a essência de Everyday Robots é também You & Me, que são, na verdade, duas canções unidas numa só, sobre a vida de um casal e sobre o carnaval de Nothing Hill, bairro onde Albarn mora há vários anos com a atriz Suzy Winstanley e uma filha adolescente, sendo, talvez, o tema mais autobiográfico do disco. A canção leva-nos de volta ao mundo dos sonhos e ao típico som da viola acústica que Albarn tanto aprecia, feito com  o ruído das mãos que tocam num instrumento que obedece cegamente a um músico que sabe a fórmula exata para temporizar, adicionar e remover pequenos sons e, como se a canção fosse um puzzle, construir, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, uma peça sonora sólida. Na lindíssima Lonely Press Play, no meio de leves batidas e de um piano que vai dividindo o protagonismo com uma guitarra que nos faz emergir da solidão, a voz calma e humana de Albarn mostra-nos que, por trás de um músico que tinha tudo para viver uma existência ímpar e plena de excessos, existe antes um homem comum, às vezes também solitário e moderno.

Everyday Robots termina com o extase índie pop Heavy Seas Of Love onde, a meias com Brian Eno, o coração traiçoeiro de Albarn converte-se num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de um amor que o liberta definitivamente de algumas das amarras que filtrou ao longo do disco e, sem deixar completamente de lado a melancolia que, como ele tão bem mostra, tem também um lado bom, empenha-se em mostrar-nos que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, por mais que esteja amarrado à ditadura da tecnologia, pode ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Damon Albarn - Everyday Robots

01. Everyday Robots
02. Hostiles
03. Lonely Press Play
04. Mr Tembo
05. Parakeet
06. The Selfish Giant
07. You And Me
08. Hollow Ponds
09. Seven High
10. Photographs (You Are Taking Now)
11. The History Of A Cheating Heart
12. Heavy Seas Of Love


autor stipe07 às 15:48
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Sábado, 10 de Maio de 2014

Tricky - 54U

Depois de na primavera do ano passado Tricky ter regressado aos discos com False Idols, um álbum lançado por intermédio do selo próprio !K7, depois de um fim de uma relação de quase vinte anos com a Domino Records, o músico divulgou que já está a trabalhar no sucessor daquele que foi o décimo disco da carreira de um dos fundadores dos Massive Attack e um mergulho de Tricky nas mesmas águas turvas que o levaram às viagens sombrias dos seus primeiros trabalhos.

Mas, enquanto não chega o décimo primeiro disco deste músico britânico, resolveu disponibilizar gratuitamente na sua página um EP com cinco canções que resultaram de sessões de gravação feitas nos últimos meses e outras que Tricky não incluiu no alinhamento de False Idols. Tricky resolveu oferecer estes temas para que, seugundo o próprio, não se percam e do canto sevilhano de Emel, onde não faltam a guitarra e as cordas, ao trip hop hipnotico de Black Coffee, passando pelos típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam em ESP, há vários motivos de sobra para descarregares cinco pinturas sonoras que Tricky nos dá Just because I can, and it’s just for love. Confere...

‘Black Coffee’ – featuring Martina Topley-Bird
‘A Song for Yukiko’ - featuring John Suzuki and Yukiko Takahasi
‘Strange Fruit’ (Tricky Remix) – Billie Holiday
‘ESP’ - featuring Liz Densmore
‘Emel’ - featuring Emel


autor stipe07 às 14:14
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Terça-feira, 6 de Maio de 2014

Kaiser Chiefs – Education, Education, Education & War

Editado no passado dia trinta e um de março, Education, Education, Education & War é o quinto álbum dos britânicos Kaiser Chiefs, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White e Simon Rix Nick Baines e Vijay Mistry. Education, Education, Education & War foi produzido por Ben H. Allen III, gravado nos estúdios The Maze Studio, em Atlanta, no outro lado do Atlântico e é o primeiro disco do grupo gravado com o baterista Vijay Mistry, que substitui Nick Hodgson, aquele que foi sempre o principal compositor da banda e que deixou, com a sua saída, um buraco difícil de preencher.


Um pouco à boleia do sucesso de bandas como os Franz Ferdinand ou os Futureheads, os Kaiser Chiefs apresentaram-se ao mundo, em 2005, com Employment, até hoje ainda o melhor álbum desta banda de Leeds. À semelhança dos grupos citados, procuraram agarrar a heranção do punk rock britânico e dar-lhe um cariz mais festivo e luminoso mas, no caso dos Kaiser Chiefs, com forte pendor pop.

Na verdade, este quinteto acusou sempre um pouco o súbito estrelato e nunca conseguiu a mesma afirmação sonora que a excelência do alinhamento de Employment transportava e agora, quase uma década depois, começam a perceber que talvez seja altura de virar um pouco a agulha para outra sonoridade que também os satisfaça, além de ter novamente o tal efeito de novidade que permite revitalizar a imagem do grupo e o sucesso do mesmo.

Em Education, Education, Education & War os Kaiser Chiefs mostram-se mais pesados e corpulentos e do glam disco à Franz Ferdinand de Misery Company, passando pelo hard rock de The Factory Gates e a guitarra à Cure de Coming Home, são várias as portas que se abrem, mas não parece ainda certo qual o verdadeiro trilho sonoro que terá um cariz mais assertivo e eficaz para um percurso futuro bem sucedido na carreira dos Kaiser Chiefs. Espero que aprecies a sugestão...

Kaiser Chiefs - Education, Education, Education And War

01. The Factory Gates
02. Coming Home
03. Misery Company
04. Ruffians On Parade
05. Meanwhile Up In Heaven
06. One More Last Song
07. My Life
08. Bows And Arrows
09. Cannons
10. Roses


autor stipe07 às 18:31
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Quinta-feira, 1 de Maio de 2014

Elbow - The Take Off and Landing of Everything

Gravado nos Blueprint Studios, em Salford, moradas habitual dos britânicos Elbow, The Take Off And Landing Of Everything é o sexto álbum da carreira desta banda liderada por Guy Garvey, um trabalho que viu a luz do dia a dez de março através da Fiction e que, de acordo com o vocalista, fala dos normais eventos da vida dos músicos da banda; Alguns chegaram aos quarenta anos, houve quem tivesse tido filhos e houve separações e novos relacionamentos (Guy separou-se recentemente da escritora Emma Jane Unsworth e ele desabafa sobre isso logo no tema de abertura, This Blue World), ou seja, tudo aquilo que carateriza a passagem de qualquer comum mortal por este mundo e, acima de tudo, a celebração da vida como uma dádiva que, tantas vezes com uma linha ínfima a separar o gozo supremo da perca mais dolorosa, deve ser aproveitada ao máximo.

Donos de um som épico, eloquente e que exige dedicação, os Elbow chegam ao sexto disco a verbalizar sonoramente uma necessidade quase biológica de viverem a ressaca emocional que as partidas e as chegadas de várias pessoas ao núcleo da banda provocaram no equilíbrio emocional de cinco músicos que fazem questão de serem profundos e  poéticos na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir.

Verdadeiro tratado de indie pop sinfónica, com traços de um rock progressivo que não descura alguns detalhes eletrónicos, The Take Off And Landing Off Everything merce uma audição atenta, algo que certamente proporcionará momentos belos e tocantes a quem se predispôr a abrir os ouvidos e a mente a um disco tipicamente Elbow, ou seja, bonito e delicado e, desta vez, menos contido e hermético que trabalhos anteriores.

Num disco perfeito para ser escutado num dia sem compromissos e em que sentimos necessidade de pensar em nós mesmos e no que nos rodeia, Guy Garvey está cada vez mais seguro na sua prestação vocal e arrisca novos registos, mais expostos e enaltecidos. Como seria de esperar, há uma virtuosa complexidade no processo de composição das dez canções e nos arranjos que as sustentam, quer na percurssão que, mesmo minimalista em alguns temas, é sempre encantadora e aditiva, quer no uso das guitarras distorcidas, que em Fly Boy/Lunette atingem o seu momento mais grandioso do trabalho e um dos mais interessantes na carreira dos Elbow.  Já agora, as cordas de Charge e os metais de My Sad Captains são outros momentos altos deste álbum que, até nas canções mais contidas, como Real Life (Angel), acabam por mostrar algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços da canção a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pelas voz.

Mais maduros e a fazerem questão de manter a sonoridade elaborada que, obviamente, não agradará a todos, mas que certamente preenche aqueles que, como eu, apreciam o estilo, os Elbow acertaram novamente e criaram mais um disco bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os desabafos de Garvey em relação ao que mudou na sua vida e na dos seus colegas, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. The Take Off And Landing Of Everything é a banda sonora ideal para essa paragem momentânea que, para tantos, deveria ser obrigatória. Espero que aprecies a sugestão... 

Elbow - The Take Off And Landing Of Everything

01. This Blue World

02. Charge
03. Fly Boy Blue / Lunette
04. New York Morning
05. Real Life (Angel)
06. Honey Sun
07. My Sad Captains
08. Colour Fields
09. The Take Off And Landing Of Everything
10. The Blanket Of Night

 


autor stipe07 às 22:10
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Quarta-feira, 30 de Abril de 2014

Coldplay - A Sky Full Of Stars

Os britânicos Coldplay de Chris Martin estão quase a regressar aos discos com Ghost Stories, o sexto álbum da carreira e, depois de Magic e Midnight, A Sky Full Of Stars é o mais recente avanço divulgado deste disco que será editado, via Parlophone, no próximo mês de maio.

Sonoramente, A Sky Full Of Stars destoa dos outros temas divulgados; Sendo um tema menos eletrónico, é o mais revivalista porque caminha em direção à atmosfera mais pop de Viva La Vida e Milo Xyloto, devido à primazia do piano e das cordas, mantendo, como é habitual, o cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay. Confere...


autor stipe07 às 21:28
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Segunda-feira, 28 de Abril de 2014

Metronomy - Love Letters

Editado no passado dia dez de março por intermédio da Because Music, Love Letters é o novo álbum dos britânicos Metronomy, um trabalho produzido por Joseph Mount, o líder do grupo e que sucede a The English Riviera, o terceiro disco desta banda, formada também por Oscar Cash, Gbenga Adelekan e Anna Prior e que, tendo sido editado em 2012, lançou definitivamente os Metronomy para a ribalta.


The English Riviera era uma colorida coleção de canções, que usavam a eletrónica como principal ferramenta na construção das mesmas, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade. Disco carregado de temas com airplay fácil e que deram a volta ao mundo, levando os Metronomy a atingir um estrelato que talvez não tivesse sido imaginado na mente mais optimista de Mounth, The English Riviera tornou-se numa obra prima que, naturalmente, aumentou as responsabilidades dos Metronomy relativamente ao conteúdo do sucessor.

Em Love Letters os Metronomy resolveram infletir um pouco na fórmula bem sucedida do antecessor e optaram por propôr um alinhamento com um cariz sonoro mais introspetivo e orgânico, apesar de temas como o instrumental Boy Racers ou Reservoir terem ainda uma elevada componente sintética. Com menos sintetizadores e mais guitarras, Love Letters está cheio de excelentes momentos proporcionados pelas cordas acústicas e eletrificadas, que criam um ambiente menos dançante e mais psicadélico do que o proposto em The English Riviera.

Logo no tema de aberturta, em The Upsetter, somos claramente enredados no típico ambiente pop dominado pela viola acústica e, a partir daí, já não há como votlar atrás e não nos deixarmos seduzir pela atmosfera inundada de amor e paixão que o título do disco tão bem mostra e a capa cor de rosa, com uma imagem certamente influenciada pelo ambiente psicotrópico nascido do movimento flower power, tão bem reforça.

O single Love Letters, o tema homónimo do disco e já editado em formato single, acaba por ser a canção que melhor ilustra a demanda dos Metronomy por este ambiente de ressaca do que ficou para trás e de abertura a um novo universo musical e lírico, agora centrado nos relacionamentos amorosos e nos conflitos que tantas vezes provocam, além do sentimentos de deceção que invade cada um de nós quando o desfecho não é, tantas vezes, o mais esperado.

I’m Aquarius é outro single já editado de Love Letters, uma canção onde a banda esclarece os mais incautos que realmente não sente qualquer remorso por optar por novas atmosferas musicais em vez de seguir a fórmula bem sucedida do disco anterior (but I never paid attention to my charts. I can love it, I can leave it, cause I am aquarius, I’m not gonna say, I’m not gonna do). Este tema é essencial para perceber a identidade sonora do álbum já que, além dessa alusão à trajetória anterior dos Metronomy, também fala do final de uma relação que parecia certa e indestrutível, ou seja, é um tema que coloca e define o ideário global de Love Letters.

Outras canções que merecem audição atenta são Call Me ou The Most Immaculate Haircut, belas músicas, adornadas com leves detalhes psicadélicos e, por isso, bastante letárgicas, ou a ensolarada Month of Sundays o tema onde mais se destaca a belíssima voz da baterista Anna Prior. Até ao fim, a já referida The Reservoir surpreende pela divertida aúrea Lo-fi dançante, enquanto Joe canta e versa, mais uma vez, sobre o final de um relacionamento (You wish you never said that we drifted far, you wish we take a trip to the reservoir). Love Letters encerra com Never Wanted, uma canção bastante melódica e orgânica, nua e carregada de sentimento.

Love Letters não é certamente o disco com que sonharam todos os fãs que a banda angariou com The English Riviera e que desejavam uma repetição dessa fórmula bem sucedida. Neste trabalho optaram por produzir algo mais carregado de sentimento e melancolia, através de várias cartas de amor que, mais do que quererem impressionar-nos e arrebatar o nosso coração, pretendem desabafar connosco. Calmo e sereno, Love Letters é um belo tratado de indie pop que enriquece imenso o cardápio sonoro dos Metronomy. Espero que aprecies a sugestão...

Metronomy - Love Letters

01. The Upsetter
02. I’m Aquarius
03. Monstrous
04. Love Letters
05. Month Of Sundays
06. Boy Racers
07. Call Me
08. The Most Immaculate Haircut
09. Reservoir
10. Never Wanted

 


autor stipe07 às 18:34
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Cloud Boat - Carmine

Cloud Boat - "Carmine" video

Naturais de Londres, os britânicos Cloud Boat são Sam e Tom, uma dupla de indie pop que se prepara para lançar Model Of You, no próximo verão, através da Apollo Records.

Carmine, o avanço divulgado de Model Of You, é uma canção assente numa voz grave, invasiva e visceral, a conferir um interessante colorido a um tema com uma toada eminentemente pop e com arranjos pensados para a criação de um ambiente épico e cheio de paisagens deslumbrantes.

Carmine está disponivel em tempo limitado na página oficial dos Cloud Boat. Confere...

Cloud Boat - Carmine

 

 


autor stipe07 às 12:41
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