Quinta-feira, 27 de Agosto de 2015

Foals - What Went Down

Gravado em França e produzido pelo excelente James Ford, músico dos Simian Mobile Disco e uma mente inspirada que já colocou as mãos em obras primas de Jessie Were, Florence + The Machine ou os Arctic Monkeys, What Went Down é o quarto disco de estúdio dos britânicos Foals, um disco que vai ver a luz do dia amanhã, vinte e oito de agosto, através da Transgressive Records e que, de acordo com Yannis Philippakis, o líder da banda, é o trabalho mais pesado que o grupo já gravou.

Os Foals têm sido uma banda em constante mutação sonora. Da transposição das guitarras experimentais de Antidotes para o ambiente claustrofóbico de Total Life Forever, esse sempre difícil segundo disco, até ao clima mais animado e até dançável de Holy Fire, este quinteto natural de Oxford nunca se sentiu confortável com o ideal de continuidade e preferiu, disco após disco, romper de algum modo com as propostas anteriores e saciar uma vontade constante de inovação, transformação e desenvolvimento do referencial sonoro que carateriza a banda. What Went Down é um novo passo nesta caminhada triunfante e rumo a um território mais negro, sombrio e encorpado, com pistas que a banda já tinha deixado em alguns temas de discos anteriores, mas que é agora assumido e torna-se transversal ao alinhamento das dez canções de What Went Down, a começar, logo no início, com o tema homónimo, uma das canções mais cruas e selvagens com que os Foals nos brindaram na sua carreira e que dará ainda mais potência aos já lendários concertos da banda.

O papel de James Ford terá sido também decisivo para esta opção, quanto a mim feliz e que assenta em guitarras eloquentes e que aceleram a fundo. Elas não reprimem nenhum impulso na hora de puxar pelo red line, mas também sabem deliciar-nos com aqueles efeitos de inspiração oriental que ao longo do tempo foram tipificando a identidade sonora dos Foals. Mountain At My Gates e a exótica e quente Birch Tree são duas canções que contam com efeitos que justificam tal percepção, com a primeira a ter ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que a sustenta.

Chega-se a Give It All e a cândura deste tema cheio de efeitos borbulhantes e coloridos, torna-se no bálsamo retemperador perfeito para recuperarmos o fôlego de um início tão intenso, mas What Went Down volta a rugir nos nossos ouvidos, deixando-nos novamente à mercê do fogo incendiário que alimenta o disco, com o tribalismo percussivo e a rugosidade instrumental de Albatross, a epicidade frenética, crua e impulsiva de Snake Oil e a sensualidade lasciva de Night Swimmers, a melhor sequência do álbum. Estes temas agitam ainda mais a nossa mente e forçam-nos a um abanar de ancas intuitivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine.

Até ao ocaso de What Went Down, o sentimentalismo penetrante e profundo de London Thunder, a delicadeza cativante de Lonely Hunter e mais um exemplo da tal intensidade visceral e progressiva, plasmado em A Knife In The Ocean, cimentam este compêndio aventureiro, mas também comercial, na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Foals - What Went Down

01. What Went Down
02. Mountain At My Gates
03. Birch Tree
04. Give It All
05. Albatross
06. Snake Oil
07. Night Swimmers
08. London Thunder
09. Lonely Hunter
10. A Knife In The Ocean

 


autor stipe07 às 21:28
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015

The Maccabees – Marks To Prove It

Os britânicos The Maccabees de Orlando, Felix, Hugo, Rupert e Sam tiveram um início auspicioso em 2007 com Colour In It o disco de estreia, que além de ter vendido bem, conseguiu várias nomeações nas listas dos melhores álbuns daquele ano e inúmeras críticas positivas. Depois disso, trabalhos como Wall Of Arms(2009) ou Given To The Wild (2012) fizeram a banda firmar uma posição de relevo junto do universo indie e alternativo internacional, apoiados num cardápio sonoro sempre sofisticado, maduro e algo intrincado, carregado de detalhes sonoros que surpreenderam muitas vezes pela elegância, com a banda a mostrar-se sempre inovadora e a procurar sair, de disco para disco, da zona de conforto firmada pelo antecessor. Agora, três anos depois e à boleia da Universal Music, o quinteto londrino está de regresso com Marks To Prove It, onze canções que revelam uma nova inflexão na sonoridade do projeto, agora perto do indie rock de cariz mais experimental e progressivo.

Depois de três trabalhos que consolidaram uma evolução constante e progressiva e onde os The Maccabees se dispuseram a experimentar quase tudo aquilo que é possível replicar dentro do espetro sonoro em que se orientam, Marks to Prove It é uma espécie de disco de ressaca, um trabalho maduro, impecavelmente produzido e que não renegando as marcas e as cicatrizes profundas que o trajeto discográfico da banda já lhe conferiu, exala um maior realismo acerca do modo como estes artistas, já na casa dos trinta anos, vêm o mundo que os rodeia, deixando para trás todo aquele otimismo juvenil, para enveredarem por um indie rock mais sombrio e introspetivo, mas com um cariz bastante épico e eloquente.

Este disco é um bom exemplo de como o teor mais sofrido e direto de alguns poemas pode aliar-se eficazmente como melodias luminosas e sorridentes, até, num indie rock que acaba por funcionar, neste caso, como catarse de algumas desilusões que a banda viveu. Versos como Break it up and make it better, make it better (...) Swings a bottle to send him on his way down em Dawn Chorus, ou There’s one to wash it down, One to wash it out em Spit It Out e Drinking when you’re drunken, To chase down the evening (...) No-one says a word, because it breaks her heart, em Kamakura, demonstram este cariz biográfico e confessional. Na letra desta última canção fica claro que se a bebida era antes uma fonte de diversão para o grupo, agora funciona mais como um escape e um remédio para colocar de lado as situações mais adversas e oferecer um estado de alienação típico de quem parece viver sem outra saída ou escape. A própria melodia de Kamakura exala uma certa raiva, mas sempre controlada, com as guitarras a assumirem, naturalmente, a linha da frente na estrutura melódica da canção, mas permitindo que outros arranjos sintetizados ou percussivos também assumam a sua quota parte nas sensações que brotam do tema. Depois, River Song e Slow Sun são dois bons exemplos de como alguns efeitos que replicam instrumentos de sopro e as teclas do piano, em especial no segundo tema, encontram o seu próprio espaço de destaque, mesmo que as cordas e a bateria assumam, constantemente, a condução dos temas. Se, no final do alinhamento, Dawn Chorus oferece luz e cor no dedilhar da viola, mas também no charme do trompete, a já referida Spit It Out, já agora, mesmo sendo uma canção que vai crescendo progressivamente à medida que a guitarra amplia o riff e a bateria acelera a cadência, apenas subsiste como canção fortemente indutora de sentimentos fortes e intensos, porque o piano nunca se esconde e, num registo melodicamente feliz, acaba por ser a principal fonte sensitiva da canção.

Em suma, em Marks To Prove It o som dos The Maccabees mostra-se mais direto e imediato, algo que lhes confere uma crueza que não é tipicamente lo fi, mas que não deixa de conter um charme e uma aspereza que, de certo modo, personificam as marcas que a inexoravel passagem do tempo foi dexiando na pele destes músicos, mais gastos fisicamente, mas inteletualmente melhor preparados para enfrentar as agruras da vida e os desafios que a vivência no seio de uma banda reconhecida internacionalmente, com as rotinas e desafios constantes que isso exige, naturalmente provocam. Espero que aprecies a sugestão...

The Maccabees - Marks To Prove It

01. Marks To Prove It
02. Kamakura
03. Ribbon Road
04. Spit It Out
05. Silence
06. River Song
07. Slow Sun
08. Something Like Happiness
09. WW1 Portraits
10. Pioneering Systems
11. Dawn Chorus


autor stipe07 às 21:48
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2015

The KVB – Mirror Being

Nicholas Wood e Kat Day são o núcleo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Mirror Being é o mais recente registo de originais da dupla, um álbum com dez canções lançado há algumas semanas pela Invada Records e que sucede ao aclamado EP Out Of Body, editado o ano passado.

Escritos e gravados entre Londres e Berlim no ano passado, logo após as sessões de Out Of Body, os dez temas de Mirror Being são instrumentais e experimentações analógicas que foram sendo captadas pela dupla ao longo desta etapa inicial da carreira, iniciada em 2012 com Always Then, ao qual se seguiu os trabalhos Immaterial Visions e Minus One, antes do já referido EP. Já agora, a banda encontra-se a gravar em Bristol o próximo registo de originais que deverá ver a luz do dia lá para o final do ano. 

Este compêndio algo abstrato deve ser escutado e entendido como apenas uma aparente junção de vários sons dispersos que os The KVB foram criando ao longo do tempo e que fizeram-nos o favor de não deixarem que se perdessem. E ao apreciar este alinhamento percebe-se que a dupla esmera-se na construção de canções volumosas e que se deixam conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes instrumentalmente, Dys-Appearance e, principalmente, Obsession, são os momentos altos deste agregado, canções conduzidas pelos sintetizadores, mas onde não falta um baixo vibrante e que recorda-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal. Pouco depois, Fields inflete um pouco as pisadas deixadas pelos temas anteriormente referidos, já que além de conter uma guitarra carregada de fuzz e distorção, insinua os nosso ouvidos com alguns samples vocais impercetíveis mas que conferem ao tema uma toada orgânica inédita em Mirror Being, além da abundância de arranjos delicados feitos com metais minimalistas.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, atirando-nos para ambientes eletrónicos onde os teclados têm o maior destaque, construindo diversas camadas sonoras, quase sempre entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. Também por isso, Mirror Being é um excelente documento sonoro como ponte da primeira etapa da carreira da dupla e com algumas dicas que nos permitem teorizar com alguma exatidão o que aí vem já nos próximos meses. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Mirror Being

01. Atlas
02. A Tenuous Grasp
03. Dys-Appearance
04. Obsession
05. As They Must
06. Fields
07. Poetics Of Space
08. Chapter
09. Mirror Being
10. Descent


autor stipe07 às 22:17
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

Kitty Finer - No-One Needs To Know

Filha de Jem Finer dos The Pogues e com quem já teve a banda The Good, The Bad And The Ugly, juntamente com uma irmã, Ella Finer, Kitty Finer está a apostar definitivamente na sua carreira a solo com o lançamento de No-One Needs To Know, um single que a cantora escreveu e produziu juntamente com Noah Kelly e que se debruça sobre as atribulações e as dificuldades que as figuras públicas têm, nos idas de hoje, de passar despercebidas, já que basta serem identificadas para, à boleia das redes sociais, haver a possibilidade de nesse exato momento tornar-se massiva a informação do seu paradeiro e localização.

Baterista de formação, Kitty Finer aposta na soul de uma guitarra e na sua voz sedutora para propôr uma canção animada e bastante emotiva, que está disponível para download gratuito e que poderá antecipar um disco de estreia, já que a compositora encontra-se em estúdio a gravar. Confere...    

 

 


autor stipe07 às 22:03
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Sábado, 15 de Agosto de 2015

Hurts - Lights

Hurts - Lights

A dupla britânica Hurts regressa aos discos a seis de outubro com Surrender, o terceiro trabalho do projeto e que foi produzido por Stuart Price e Ariel Rechstaid. Lights é o single mais recente divulgado do álbum, canção sedutora, com uma firme impressão da pop eletrónica dos anos oitenta, assente num refrão marcante, em guitarras plenas de groove, cordas dinâmicas e uma percussão onde não faltam efeitos de palmas. Monumento de sensualidade, este tema antecipa um disco que deverá ter sido pensado para dançar no escuro, de preferência com a pessoa amada. Confere...


autor stipe07 às 10:35
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2015

New Order - Restless

New Order - Restless

Após um hiato de quase uma década os New Order estão de regresso aos lançamentos discográficos com Music Complete, um álbum que chegará às lojas a vinte e cinco de setembro, à boleia da Mute Records. Primeiro disco desta banda fundamental e pioneira na mistura de indie rock com a eletrónica sem o baixista Peter Hook, em compensação Music Complete contou com a teclista Gillian Gilbert, esposa do baterista Stephen Morris, de regresso à banda, de onde tinha saído em 2001 para cuidar dos filhos do casal.

Restless é o primeiro avanço divulgado deste novo álbum dos New Order, que conta com colaborações e participações especiais de nomes tão importantes como Elly Jackson dos La Roux, Brandon Flowers e Iggy Pop. Confere...


autor stipe07 às 14:11
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Sábado, 25 de Julho de 2015

Elbow – Lost Worker Bee EP

Depois de há pouco mais de um ano terem editado The Take Off And Landing Of Everything, o sexto álbum da carreira, os britânicos Elbow de Guy Garvey estão de regresso com Lost Worker Bee, um EP com quatro canções e que, de acordo com a banda, funciona como um marco intermédio entre o antecessor e o próximo longa duração, enquanto os músicos dos Elbow se vão dividindo por alguns lançamentos a solo e colaborações com outros artistas e projetos. 

Ramsbotton, a cidade natal do grupo formado atuamente por Craig Potter, Mark Potter, Pete Turner e Richard Jupp, além de Garvey, é a principal inspiração do conteúdo de Lost Worker Bee, um pequeno tesouro que em quase vinte minutos nos oferece aquele som épico, eloquente, emocionante e que exige dedicação, que os Elbow sabem fazer melhor que ninguém e que verbaliza sonoramente aquela necessidade quase biológica que todos temos de viver e digerir a ressaca emocional que as partidas e as chegadas de várias pessoas às nossas vidas provocam, para que nunca nos falte o indispensável equilíbrio emocional que todos precisamos para quea vida seja devidamente apreciada e aproveitada.

Na verdade, estes cinco músicos fazem sempre questão de serem profundos e  poéticos na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir. E estas canções bonitas e delicadas, que entre a ode ao amor de Lost Worker Bee, a sonoridade mais progressiva e rugosa de And It Snowed, a pop épica e angulosa de Roll Call e a cândura mágica de Usually Bright, mostram sempre algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços das canções a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pela voz, são eficazes no modo como nos fazem sorrir sem razão aparente e no modo como incitam a necessidade que todos nós temos de, regularmente, refletir um pouco sobre o momento atual e o que se pode alterar, procurar, ou lutar por, para se ser um pouco mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - Lost Worker Bee EP

 

01. Lost Worker Bee
02. And It Snowed
03. Roll Call
04. Usually Bright


autor stipe07 às 14:16
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

The Wombats – Glitterbug

A seis de abril os The Wombats de Matthew Murphy, Daniel Haggis e Tord Øverland-Knudsen, regressaram aos discos com Glitterbug, um trabalho porduzido pela própria banda e por Mark Crew, que recentemente participou na produção de Bad Blood, o disco de estreia dos Bastille. Glitterbug é o terceiro álbum desta banda de Liverpool que se notabilizou por oferecer canções cheias de guitarras aceleradas, inflamadas com letras divertidas, sempre com um audível elevado foco na componente mais new wave do indie rock.

 Com uma carreira ainda curta, mas já recheada de grandes momentos sonors, os The Wombats chegam ao terceiro disco a exalar uma indisfarçável vontade de mudança, não só no que diz respeito à sonoridade mas também ao próprio conceito temático das canções. Glitterbug debruça-se sobre a história de um relacionamento amoroso que é mantido apesar da distância que separa os conjuges e, apesar de contiunarem a existir trechos líricos carregados de humor (it’s tough to stay objective, baby, With your tongue abseiling down my neck - Emoticons ou Sometimes I like to go uptown, Where flashy people flash around, It's extortionate and I don't care, You can taste the pretence in the airYour Body Is A Weapon), o tom geral é declaradamente mais sério, em oposição aos relatos juvenis alegres e festivos que era possivel conferir em A Guide to Love Loss & Desperation (2007) e This Modern Glitch (2011).

Os vícios, o ócio e a ligeireza típicas da adolescência e da juventude parecem, então, ter deixado de ser uma aventura e uma inspiração para os The Wombats; Basta escutar-se e ler-se o poema de This Is Not A Party para se perceber isso. O próprio video de Greek Tragedy, o primeiro single divulgado de Glitterbug, dirigido por Finn Keenan, ao mostrar uma fã que tem uma devoção doentia pela banda, perseguindo os seus membros constantemente e invadindo as suas próprias casas e carros, numa obsessão nada bem aceite pelo grupo e que causa uma reação radical na admiradora, mostra esta maior cautela e menor ingenuidade, como se o trio tivesse saído de um estado ébrio comum, para um novo acordar mais sério e sóbrio e que os faz ver a vida de um modo mais sombrio e realista.

Esta visão mais turva e rezingona do mundo que rodeia os The Wombats acaba por ter consequências óbvias na sonoridade do grupo, que se torna mais cautelosa e distante do estilo a que nos habituaram. Assim, apesar de não renunciarem ao indie rock e ao post punk dançável baseado em guitarras rápidas e distorcidas, que fazem parte do seu adn, aprofundam agora uma relação próxima com a pop, servindo-se de modo mais pronunciado dos sintetizadores, como se percebe logo em Emoticons, uma canção que alterna entre momentos calmos e um refrão intenso, com a voz de Matthew Murphy a exaltar uma comoção séria, que deve pouco a conceitos como prazer ou diversão. Esses sintetizadores colocam-nos de novo a dançar em Give Me A Try e Headspace e em Your Body Is A Weapon, uma típica música sobre um amor quase obsessivo, capaz de magoar o outro por não ser recíproco e fazem-no à boleia de um excelente riff de guitarras e um coro de vozes surpreendentemente assertivo, que um belíssimo piano ajuda a realçar. Mesmo nos temas que sustentam de modo mais eficaz a herança do grupo e onde o rock domina, como The English Summer ou Pink Lemonade, também se fazem ouvir com elevado relevo, apesar da omnipresença das guitarras, do baixo e da bateria.

Em suma, Glitterbug é uma fuga em frente por parte de uns The Wombats que querem mostrar-se mais adultos e abrangentes em todas as suas dimensões, lírica e sonora, através de treze canções bem estruturadas e instrumentalmente sonantes e com poemas que retratam com acerto situações e sentimentos que podem ser adotados e adaptadaos ao quotidiano de uma vida adulta. Os The Wombats cresceram e amadureceram e não se deram nada mal com essa mudança. Espero que aprecies a sugestão...

The Wombats - Glitterbug [Deluxe Edition]

01. Emoticons
02. Give Me A Try
03. Greek Tragedy
04. Be Your Shadow
05. Headspace
06. This Is Not A Party
07. Isabel
08. Your Body Is A Weapon
09. The English Summer
10. Pink Lemonade
11. Curveballs
12. Sex And Question Marks
13. Flowerball


autor stipe07 às 22:36
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Outfit – Slowness

Lançado a dezasseis de junho pela Memphis Industries e composto enquanto a banda se encontrava disseminada por dois paises e três cidades, Slowness é o segundo álbum dos Outfit, um quinteto britânico oriundo de Liverpool e formado por Thomas Gorton, Nicholas Hunt, Christopher Hutchinson, David Berger e Andrew Hunt. Slowness sucede a Performance, o disco de estreia dos Outfit, editado em 2013 e, com um olhar angular mas bastante contemporâneo sobre a pop dos anos oitenta, oferece-nos uns Outfit revigorados e iluminados por um som amplo, adulto e bastante atmosférico, algo que se pode conferir logo no piano e nos efeitos de New Air. Esta é  uma fórmula criativa, onde as teclas têm evidente destaque, mas assente, substancialmente, na primazia das guitarras e onde algumas texturas downtempo misturam-se com vozes inebriantes, cheias de alma e da típica e envolvente soul britânica.

A música dos Outfit tem corpo, alma e substância. É para ser encarada e apreciada sem reservas e exige uma análise detalhística, à boleia de todos os nossos sentidos, para que se torne compensadora a sua audição. Não é possível assimilar convenientemente a beleza poética e angelical de Happy Birthday ou o ritmo frenético e a conjugação feliz entre distorções e piano em Smart Thing se Slowness servir, apenas e só, como banda sonora casual de um instante normal e rotineiro da nossa existência. E o que se percepciona, procurando uma análise mais alargada deste cardápio, é que o conteúdo profundo destes dois temas e, por exemplo, os efeitos sintetizados de Boy, não são nada mais nada menos do que duas faces praticamente opostas de uma mesma moeda cunhada com sofisticação e que tem tudo para às vezes poder sensibilizar particularmente os mais incautos.

Mas há outros exemplos do modo hermético e ambicioso como os Outfit se movimentam dentro do espetro sonoro com que se identificam; Os sons abrasivos e os detalhes de alguns samples de Cold Light Home e o modo implícito como o piano os moldam, sem colocar em causa a grandiosidade dessa canção, assim como o luxuoso e luminoso andamento pop de On The Water On The Way evidenciam um notório e aprimorado sentido estético e a junção sónica e algo psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Já Genderless, um momento de pura experimentação, assente numa colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que, por isso, deve ser objeto do maior deleite e admiração, é outro extraordinário exemplo do paraíso de glória e esplendor que os Outfit procuraram recriar no seu segundo disco e que subjuga momentaneamente qualquer atribulação que no instante da sua audição nos apoquente.

Em Slowness houve claramente uma enorme atenção aos detalhes, notando-se um relevante trabalho de produção e a busca por uma cosmética cuidada e precisa na escolha dos melhores arranjos. Também por isso, este é um disco reflexivo e indutor de sensações intrincadas e profundas e nele os Outfit consagram-se como banda relevante no espetro da indie pop de cariz mais eletrónico e, mais importante que isso, dão-nos pistas preciosas sobre como permitir que o nosso íntimo sobreviva e se mantenha íntegro neste mundo tão estranho. Espero que aprecies a sugestão...

Outfit - Slowness

01. New Air
02. Slowness
03. Smart Thing
04. Boy
05. Happy Birthday
06. Wind Or Vertigo
07. Genderless
08. Framed
09. On The Water, On The Way
10. Cold Light Home
11. Swam Out


autor stipe07 às 22:24
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2015

The Go! Team - The Scene Between

Os britânicos The Go! Team de Ian Parton editaram no passdo mês de março o tão ansiado sucessor do aclamado Rolling Blackouts (2011). Esse novo trabalho chama-se The Scene Between, viu a luz do dia através do selo Memphis Industries e, no seu todo, é um compêndio de pop lo-fi colorido, repleto de influências orelhudas, amplo e luminoso e suficientemente cativante, em termos melódicos.

Composto quase na íntegra e produzido pelo próprio Ian Parton, um músico que faz praticamente tudo no projeto exceto cantar, The Scene Between explora diversos territórios sonoros de modo expansivo, com uma sonoridade muito própria e particularmente abrasiva, plasmada logo na épica What D'You Say?, com a produção a refrear claramente tonalidades graves em benefício da típica agudez adocicada tão cara a alguns dos requisitos essenciais da dream pop.

Conhecidos pela mestria com que aglomeram sons anárquicos, distintos e, à primeira vista, incompatíveis, sem deturparem o tradicional formato canção, desta vez os The Go! Team procuraram, sem renegar raízes, romper um pouco com o estilo habitual e, alargando os horizontes até um presente que, no universo do rock alternativo, aposta cada vez mais na eletrónica, colocaram todas as fichas em guitarras angulares, intensas e frenéticas em temas como Waking The Jetstream e feitas de distorções e aberturas distintas, claramente audíveis em Her Last Wave e num baixo com o impacto apenas necessário, com a bateria a colar todos estes elementos, com uma coerência exemplar, fazendo-o de modo extraordinário em Catch Me on the Rebound. Uma multiplicidade de arranjos sintetizados particularmente inspirados e refrescantes, que em Blowtorch definem mesmo o arquétipo sonoro do tema, também destacam-se no trabalho, onde se encaixam letras orelhudas e que causam impacto a quem se dedicar à sua assimilação.

Disco para ser disfrutado no momento e que vale, principalmente, pelo seu imediatismo, monumentalidade e jovialidade The Scene Between são, portanto, doze canções dominadas pelo rock festivo e solarengo e pelo toque delicioso da dream pop, mas onde a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que, apesar do papel fundamental da guitarra na arquitetura sonora dos temas, os sintetizadores conduzem também o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona pelo equilíbrio perfeito entre a contemporaneidade e um certo charme vintage. Espero que aprecies a sugestão...

 

01 What D'You Say?
02 The Scene Between
03 Waking the Jetstream
04 Rolodex the Seasons
05 Blowtorch
06 Did You Know?
07 Gaffa Tape Bikini
08 Catch Me on the Rebound
09 The Floating Felt Tip
10 Her Last Wave
11 The Art of Getting By (Song For Heaven's Gate)
12 Reason Left to Destroy

 


autor stipe07 às 10:31
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