Terça-feira, 2 de Fevereiro de 2016

PJ Harvey - The Wheel

Let England Shake (2011), o último registo de originais da britânica PJ Harvey, já tem, finalmente, sucessor. As onze canções que farão parte do alinhamento de The Hope Six Demolition Project irão ver a luz do dia a quinze de abril próximo e um dos temas já divulgado é The Wheel, canção que tem também já direito a um vídeo realizado pelo fotojornalista Seamus Murphy e que compila várias imagens da cantora, recolhidas entre 2011 e 2015 no Kosovo.

The Wheel amplia as enormes expetativas já criadas em redor do conteúdo de Six Demolition Project e, pela amostra, parece claro que PJ Harvey irá regressar a territórios sonoros mais elétricos, crus e rugosos, um retorno que, quanto a mim, se saúda. Confere...


autor stipe07 às 18:07
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2016

Bloc Party – Hymns

Foi no passado dia vinte e nove de janeiro que chegou aos escaparates Hymns, o quinto registo de estúdio dos britânicos Bloc Party, uma banda londrina liderada pelo carismático vocalista e guitarrista Kele Okereke e referência fundamental do indie rock alternativo do início deste século.

Primeiro álbum dos Bloc Party com o baixista e teclista Justin Harris e o baterista Louise Bartle, Hymns foi produzido por Tim Bran e Roy Kerr e procura relançar a carreira de um projeto que já em 2012 tentou obter um novo fôlego à boleia do visceral Four, mas que tarda em regressar à boa forma dos primórdios. Com uma herança pesada nos ombros e com agulhas também direcionadas para uma carreira a solo, Kele Okereke tem tentado, em abono da verdade, manter os Bloc Party à tona e só o simples fato de o grupo ter sobrevivido às querelas pós lançamento de Four, que resultaram no adeus do baterista Matt Tong e do multi instrumentista Gordon Moakes, é já um sinal positivo e que merece realce, no que concerne ao lançamento deste novo trabalho da banda.

A primeira impressão que estas quinze canções no oferecem é de absoluto domínio por parte do líder dos Bloc Party relativamente à filosofia sonora subjacente, uma ideia que se amplia quando se tenta fazer uma intereseção entre o conteúdo de Hymns e o piscar de olhos ao house e à eletrónica que Okereke tem feito ultimamente, em nome próprio. Logo na sintetização de The Love Within e, pouco depois, nas batidas da ambiental My True Name, aqui numa abordagem oposta, mas no mesmo campo sintético, fica plasmado este ideário. E apesar de temas como a intensa Into The Heart, a animada The Good News ou a soul de Only He Can Heal Me, tentarem salvar a face do indie rock mais cru e punk que ainda poderia caraterizar o momento atual desta banda londrina, a verdade é que é aquele ambiente mais sintético e algo artificial que paira constantemente ao longo da audição eclipsando, assim, qualquer tentativa que Okereke tenha feito de fazer prevalecer o genuíno som que catapultou, há mais de uma década, os Bloc Party para um merecido estrelato. No meio do disco, Virtue acaba por ser aquele tema que faz uma espécie de ponte entre estes dois mundos, pelo modo inspirado como a orgânica das guitarras consegue uma junção simbiótica feliz com os teclados, sendo, infelizmente, caso isolado no alinhamento, algo que deixa um certo amargo de boca a quem percebe que aqui sim, houve acerto e criatividade na nova fórmula que conduz o presente dos Bloc Party.

Urgência, angústia, raiva e caos sempre foram temáticas muito presentes na música deste grupo, não só nas letras, mas também no modo como a crueza e a espontaneidade instrumental exalavam, fluidamente, estas ideias. Em Hymns há apenas resquícios de tudo isto e um notório abrandamento rítmico e mesmo em algumas letras que abordam uma certa espiritualidade e que se focam, quase de certeza, em experiências pessoais do líder da banda, além de ampliarem a tal sensação de dominância por parte do guitarrista e vocalista, transportam-nos para um universo algo complexo e filosófico, que tem pouco a ver com a energia e a genuinidade de antigamente.

Compete ao público em geral e aos fãs mais acérrimos dos Bloc Party decidirem se este Hymns é, ou não, mais um passo em falso na carreira deste grupo. A própria adesão aos concertos da digressão que aí vem e a química no seio da banda durante a mesma, poderão influenciar decisivamente o comportamento comercial deste registo. Seja como for, é impossível evitar o sentimento de uma certa desilusão, naturalmente originada por uma herança pesada e com a qual os Bloc Party ainda não lidam devidamente, mas também por um agregado sonoro demasiado experimental, artificial e etéreo e que não oferece solidez, vibração, consistência e criatividade, com as doses devidas, tendo em conta a assinatura impressa nos créditos de cada canção. Espero que aprecies a sugestão...

Bloc Party - Hymns

01. The Love Within
02. Only He Can Heal Me
03. So Real
04. The Good News
05. Fortress
06. Different Drugs
07. Into The Earth
08. My True Name
09. Virtue
10. Exes
11. Living Lux
12. Eden
13. Paraíso
14. New Blood
15. Evening Song


autor stipe07 às 23:09
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

Massive Attack - Ritual Spirit EP

Primeiro lançamento dos Massive Attack desde o fabuloso Heligoland (2010), Ritual Spirit é o novo compêndio de canções da dupla Robert Del Naja e Grant Marshall. São quatro temas divulgados inicialmente através de uma aplicação intitulada Fantom, mas agora também já disponiveis no circuito comercial habitual e que marcam um regresso em grande forma destes pesos pesados da eletrónica, do trip hop e da pop experimental.

Com as participações especiais de nomes tão significativos como Tricky, Roots Manuva, Azekel ou os Young Fathers, Ritual Spirit é um oásis sonoro intenso e implacavelmente sombrio, criado pelos génios superlativos da manipulação dos típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam. Num compêndio homogéneo, mas onde é possível destrinçar dois rumos algo distintos, se a composição homónima ou Take It There juntam, de algum modo, o passado musical da dupla de Bristol, com algumas tendências sintéticas do presente, antevendo assim, devido ao referencial que representam, bastante sobre o futuro próximo de toda a música eletrónica mais soturna e atmosférica, já em Dead Editors ou Voodoo In My Blood, os Massive Attack aproveitam as presenças de Roots Manuva e dos Young Fathers, respetivamente, para tentarem fugir um pouco de si próprios e do seu som inigualável. Continuando a ser os mesmos mestres de sempre, nestes dois casos na arte de manipular os traços caraterísticos e identitários da trip hop, conseguem assim retocar um pouco o seu adn, sem descurar a já habitual e espantosa dose de sensualidade e suavidade que é sempre possível conferir na tonalidade das canções que interpretam, trazendo assim, mesmo no seio daquela névoa que faz parte do charme da dupla, brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.

Contemporâneo, futurista e, ao mesmo tempo, deliciosamente retro, porque os Massive Attack nunca deixam de nos oferecer gratuitamente aquela sensação quase física de conseguirmos, através deles, recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol, Ritual Spirit balança entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante que nos possibilita descobrir uma nova luz e pistas concretas para outros rumos que poderão vir a sustentar o universo musical que Del Naja e Marshall ajudaram a criar e ainda hoje renovam e defendem como ninguém. Espero que aprecies a sugestão...

Massive Attack - Ritual Spirit

01. Dead Editors (Feat. Roots Manuva)
02. Ritual Spirit (Feat. Azekel)
03. Voodoo In My Blood (Feat. Young Fathers)
04. Take It There (Feat. Tricky And 3D)


autor stipe07 às 16:12
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Tindersticks – The Waiting Room

Os Tindersticks de Stuart Staples, uma das melhores bandas que surgiu na Inglaterra nos anos noventa e que trouxe para o rock independente e alternativo uma elegância sombria inimitável, completam em 2016 vinte e quatro anos de uma carreira irrepreensível. E The Something Rain, o nono álbum deste grupo de Nottingham, lançado em 2012, tem, finalmente, sucessor. The Waiting Room, o novo e décimo álbum da carreira dos Tindersticks, viu a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da City Slang e trata-se de mais um disco conceptual, com um acompanhamento audiovisual e onde todas as canções servem de banda sonora para um leque de curtas-metragens, cada uma realizada por um realizador diferente.

Como é já habitual numa banda que entende a música como uma forma de arte superior, inigualável e fortemente impressiva, The Waiting Room exige escuta dedicada e atenta, de preferência na posse de um estado de alma descontraído, que permita saborear a verdadeira essência de onza canções que, no seu todo, constituem uma obra discográfica de qualidade superior.

Este é um disco que preza a harmonia e o aconchego auditivo e a exuberância instrumental de Second Chance Man e a misteriosa elegância de Were We Once Lovers?, canção cujo video foi realizado por Pierre Vinour, do projeto La Blogothèque e que contém uma míriade instrumental densa e elaborada, rica em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos, evidenciam este charme muito próprio e com uma matriz identitária bastante vincada.

Na verdade, os Tindersticks sempre nos habituaram a arranjos sofisticados, que depois ainda obtêm uma maior notoriedade devido à consciente pose teatral e dramática que exalam, quase sempre personificada na voz do lider da banda, resultando numa sonoridade global do disco bastante jazzística e complexa. The Waiting Room não foge a este conjunto de permissas, com Help Yourself a aprofundar este olhar jazzístico e depois, em temas como Hey Lucinda, canção que conta com a participação vocal esplendorosa de Jehnny Beth das Savages, em dueto com Staples, ou na melancólica Planting Holes, pianos, metais e xilofone, fundamentais na construção deste ideário sonoro, são instrumentos muito presentes, sempre lado a lado com a guitarra, o baixo e a bateria. 

Com o ambiente noturno e contemplativo de We Are Dreamers!, outra canção que conta com a voz de Jehnny Beth e a sofisticação de Like Only Lovers Can, chega ao ocaso um disco que demonstra cabalmente o modo como poucas bandas igualam os Tindersticks na capacidade de envolver o ouvinte, já que The Waiting Room pinta um quadro sonoro muito concreto e que nos cerca de sensações tão reais como nós próprios e os nossos medos e euforias. Espero que aprecies a sugestão...

Tindersticks - The Waiting Room

01. Follow Me
02. Second Chance Man
03. Were We Once Lovers?
04. Help Youself
05. Hey Lucinda
06. This Fear Of Emptiness
07. How He Entered
08. The Waiting Room
09. Planting Holes
10. We Are Dreamers!
11. Like Only Lovers Can


autor stipe07 às 21:00
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2016

Astronauts - Civil Engineer

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e parece ter já, finalmente, sucessor.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que, servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que transmite, por exemplo, Civil Engineer, o primeiro avanço para End Codes, o próximo disco de Astronauts.

Canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre, Civil Engineer é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta, já que o efeito sibilante constante, o baixo encorpado, a percurssão hipnótica e pulsante e as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia, fazem deste tema uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Adivinha-se pois mais um disco em que Dan Carney se entregará à introspeção e além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, irá fazê-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Confere...


autor stipe07 às 22:11
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Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2016

Savages - Adore Life

Quase dois anos depois do estrondoso Silence Yourself, o registo de estreia, editado em maio de 2013 através da Matador Records, as londrinas Savages de Ayşe Hassan, Fay Milton, Gemma Thompson e Jehnny Beth, estão de regresso aos discos à boleia da mesma etiqueta e de punhos cerrados com Adore Life, dez canções escritas pela vocalista Jehnny Beth e que, na sequência do que foi possível apreciar no antecessor, continuam a debruçar-se sobre a intimidade sentimental de Beth, mas de modo a que qualquer comum dos mortais se possa apropriar das suas mágoas e prazeres, transportando-as para o seu próprio ideário sentimental.

Num universo pessoal em constante mutação e que encontra paralelismo nas próprias dinâmicas sociais e no frenesim dos dias de hoje, Adore Life submete-nos a um caos sonoro imponente e ruidoso, mas profundamente nostálgico e reflexivo, principalmente pelo modo como aborda o conceito de mudança e o poder que o amor tem para nos fazer evoluir e até, em casos mais extremos, modificar totalmente o nosso âmago.

O amor tem diferentes armas, com diversos calibres e várias escalas de destruição, mas também o potencial para, se for utilizado com mestria e sinceridade, fazer-nos ver com nitidez aquilo que de melhor guardamos dentro de nós e que podemos oferecer, para que possamos receber em troca semelhante manifestação de entrega. Aqui reside muitas vezes o busílis das relações a dois, na discrepância entre aquilo que se tem para oferecer e realmente se coloca à disposição e depois o grau de expetativa que se coloca do outro lado, não só em relação aos efeitos de tal atitude, mas também, e principalmente, aquilo que se espera em troca. E as Savages exploram até à exaustão e com enorme nitidez e capacidade reflexiva, este ideário, propondo a busca de um difícil mas recompensador equilíbrio, como a fórmula que poderá melhor balançar uma coexistência partilhada.

O verdadeiro amor é, pois então, a solução para a grande parte dos problemas do mundo e de cada um e logo em The Answer, o tema de abertura, essa verdade insofismável fica gravada de modo forte e dinâmico, montada numa variedade de texturas sonoras que entroncam no post punk e em outras sonoridades típicas dos anos oitenta. É um rock progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia, conjugada com guitarras carregadas de distorção, que oferecem à canção uma toada psicadélica extraordinária. Depois, enquanto em I Need Something New abordam a necessidade natural de deixar para trás vivências que nos aprosionam, ou em Sad Person exploram os tais conflitos emocionais e, quase no ocaso, em T.I.W.Y.G. (This is what you get when you mess with love), reforçam os aspetos menos coloridos do amor, as Savages arrastam-nos continuamente para um turbilhão de sensações fisicas e emocionais que nem a mais contida Adore, por exemplo, abranda, com aquela contínua sensação de eminente caos e descontrole a nunca deixar de ser uma presença constante e bastante vincada.

Cheio de puzzles e dilemas nem sempre fáceis de destrinçar e visceral no modo como pretende questionar os alicerces da nossa individualidade, Adore Life flagela constantemente o ouvinte com verdades nem sempre fáceis de enfrentar e nada melhor que um som ruidoso, mas fortememente melódico e que se move em diferentes velocidades e ritmos de forma convincente, para reforçar essa mensagem forte e turbulenta. É um trabalho que se apresenta perante quem se presdispõe a deixar-se aprisionar por ele, como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido, uma estratégia agressiva desprovida de qualquer proximidade com o comercial e com uma sujidade que aprisiona, numa espécie de relação de amor ódio com as Savage. Espero que aprecies a sugestão...

1. The Answer
2. Evil
3. Sad Person
4. Adore
5. I Need Something New
6. Slowing Down The World
7. When In Love
8. Surrender
9. T.I.W.Y.G.
10. Mechanics


autor stipe07 às 21:20
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Domingo, 17 de Janeiro de 2016

Yuck – Hearts In Motion

Yuck - Hearts In Motion

Em 2016 os britânicos Yuck estão de regresso aos discos com Stranger Things, um álbum que será lançado a vinte e seis de fevereiro através da Mamé. Este será o terceiro disco dos Yuck do guitarrista Max Bloom, acompanhado por Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes e Hearts In Motion é o primeiro avanço divulgado, tema abastecido por aquele rock alternativo dominado pelas guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. Confere...


autor stipe07 às 16:15
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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2016

Tindersticks – Were We Once Lovers?

Tindersticks - Were We Once Lovers

Os Tindersticks, uma das melhores bandas que surgiu na Inglaterra nos anos noventa e que trouxe para o rock independente e alternativo uma elegância sombria inimitável, completam em 2016 vinte e quatro anos de uma carreira irrepreensível. E The Something Rain, o nono álbum deste grupo de Nottingham, lançado em 2012, parece ter finalmente sucessor.

The Waiting Room, o novo e décimo álbum da carreira dos Tindersticks, vai ver a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da City Slang e Were We Once Lovers? é o mais recente single divulgado de um disco conceptual, com um acompanhamento audiovisual e onde todas as canções servem de banda sonora para um leque de curtas-metragens, cada uma realizada por um realizador diferente.

O video de Were We Once Lovers? foi realizado por Pierre Vinour, do projeto La Blogothèque e a canção contém uma míriade instrumental densa e elaborada, rica em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos. Confere...


autor stipe07 às 20:21
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Segunda-feira, 11 de Janeiro de 2016

David Bowie – Blackstar

Quase três anos depois de The Next Day, o camaleão nascido em Brixton, em 1947 e com sessenta e nove anos completados há apenas dois dias, está de regresso aos álbuns com Blackstar, sete canções editadas nesse preciso dia do seu aniversário e que nos oferecem um David Bowie a calcorrear novamente territórios sonoros de forte cariz experimental e, no fundo, aqueles onde sempre se sentiu mais confortável, em cinquenta anos de carreira onde nem sempre foi pacífica a sua relação com o lado mais comercial da indústria fonográfica, apesar do enorme reconhecimento e reputação que hoje justamente goza, como um dos génios criativos mais influentes e recomendáveis do cenário musical e cultural contemporâneo.

Logo na audição do tema homónimo, a voz distorcida de Bowie esclarece-nos que os próximos quarenta minutos serão verdadeiramente desafiantes e que até para o mais fiel seguidor e conhecedor da trajetória discográfica do músico, Blackstar será um corropio imenso e intenso de códigos estéticos de complexa descodificação, criado por um músico que, ainda por cima, se revela extremamente confidente e próximo do ouvinte. A referência ao clássico cinematográfico Clockwork Orange (1971) de Stanley Kubrick, em Girl Loves Me ou as interseções com o jazz, género sonoro de culto para Bowie, em Tis A Pity She Was a Whore, canção onde se destacam os instrumentos de sopro e uma letra angustiada, assim como as variações ritmícas da bateria e a distorção da guitarra de Sue (Or In A Season of Crime), são apenas alguns exemplos da aúrea de mistério e do apenas aparente caos com que o autor pretende impressionar o ouvinte, ao mesmo tempo que comunica (algumas vezes canta, quase como se falasse) e se oferece, utilizando, neste caso, vários poemas com um cariz algo sombrio e sem aparente controle de tudo aquilo que sonoramente a sua veia criativa o instiga a produzir.

Habituado a ser elogiado por tudo aquilo que faz, Bowie não deixa de ser humano e, por isso, está também sujeito a erros e falhas. Seja como for, Blackstar é, notoriamente, um exercício honesto e sincero de dádiva e mesmo em canções como Can't Give Everything Away ou Lazarus, que apelam de modo mais evidente ao comercial, existe uma marca inesperada, seja através de um instrumento de sopro ou um som sintetizado, que provoca o tal estímulo intelectual que a audição deste disco exige. Esta Lazarus acaba também por impressionar e comover, pelo modo como exala um clima intensamente cinematográfico e perturbador. Curiosamente, Dollar Days, uma balada que contém um dos melhores momentos vocais da carreira de Bowie e uma viola e um piano intensos em sentimento e arrojo e que, por isso, teria tudo para nos obrigar a um enorme esforço de perceção da mensagem que carrega, acaba por ser a canção mais direta e incisiva do disco, aquela que não suscita qualquer dúvida sobre o ideário sentimental que pretende transmitir.

Disco marcante e que obriga a uma imersão por parte do ouvinte num universo muito próprio, Blackstar não pode ser dissociado da carreira de David Bowie e deve ser compreendido na exata medida daquilo que o autor pretendeu que o seu cardápio transmitisse. Com uma carreira cheia de momentos marcantes e que dificilmente serão esquecidos, este é um dos trabalhos em que este músico britânico melhor transformou as suas histórias pessoais em canções, numa cruzada sonora intensa, próxima e subtilmente encantadora, idealizada por um poeta exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e que sabe, de forma bastante peculiar e única, como converter simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Espero que aprecies a sugestão...

(N.D.R.) - A crítica a este disco foi escrita poucas horas antes do início da derradeira viagem de David Bowie. Considero que a melhor homenagem que lhe poderia prestar, era não alterar uma única vírgula da análise, devido a esse facto.

David Bowie - Blackstar

01. Blackstar
02. Tis A Pity She Was A Whore
03. Lazarus
04. Sue (Or In A Season Of Crime)
05. Girl Loves Me
06. Dollar Days
07. I Can’t Give Everything Away


autor stipe07 às 17:52
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

Black Market Karma – The Sixth Time Around

Depois de em 2012 terem editado ComatoseCoccon, e Easy Listening, três álbuns amplamente divulgados em Man On The Moon, os londrinos Black Market Karma, uma banda de rock psicadélico natural de Londres, formada por Stan Belton, Mike Sutton, Sam Thompon Garido, Mat Salerno, Louisa Pili e Tom Parker, voltaram aos discos em janeiro de 2014 com Upside Out Inside Down, mantendo-se assim na rota de um indie rock que aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, de modo simultaneamente denso e dançável, oferecendo-nos consecutivos compêndios de um acid rock psicadélico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

The Sixth Time Around é a nova etapa desta demanda que parece não ter fim, o sexto capítulo de uma saga sonora abrigada à sombra de guitarras distorcidas e carregadas de alucinógeneos, com temas como Jokerjam ou Coming Down And About a revelarem duas faces de uma mesma moeda onde nomes tão consensuais como os vintage The Velvet Underground, Jesus And Mary Chain e Rolling Stones e outros mais contemporâneos, nomeadamente Black Rebel Motorcycle Club, The Horrors e os Brian Jonestown Massacre são eixos sonoros que balizam com precisão um caldeiraã psicadélico que condensa o melhor que há no shoegaze e no rock alternativo, com travos de folk e blues. Letárgico e com as habituais vozes etéreas, linhas de baixo bem vincadas, guitarras salpicadas com camadas de efeitos e distorções planantes e uma bateria cativante, The Sixth Time Around é um compêndio sonoro pleno de personalidade, onde não falta aquela aúrea melodicamente intensa e propositadamente contemplativa que tantas vezes carateriza o trajeto destes Black Market Karma, atraídos por um forte travo setentista que nos permite aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...

Black Market Karma - The Sixth Time Around

01. The First Time Around
02. Timed Response
03. Coming Down And About
04. The Second Time Around
05. Jokerjam
06. When The Sound Comes Slow
07. The Third Time Around
08. Shakey Greetings
09. Mule Kick
10. The Fourth Time Around
11. Wherever You’d Like
12. At Either End (The Twin)
13. The Fifth Time Around
14. Always Everywhere
15. The Noise in Your Head
16. The Sixth Time Around


autor stipe07 às 19:15
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