Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Thurston Moore – The Best Day

Editado no passado dia vinte e um de outubro por intermédio da Matador Records, The Best Day é o novo álbum do norte americano Thurston Moore, uma das peças mais importantes de uma das principais engrenagens da história do rock alternativo e independente, chamada Sonic Youth, que também contava com a sua ex Kim Gordon e com Lee Ranaldo no núcleo duro. Este trabalho sucede a Demolished Thoughts (2011) e contou com os contributos de James Sedwards (guitarras), Deb Googe, dos My Bloody Valentine (baixo) e Steve Shelley (bateria), os músicos que atualmente têm acompanhado Moore.

Ao ser dominado por guitarras, The Best Day não surpreende, já que esse é o instrumento de eleição de Moore, um dos guitarristas fundamentais das últimas décadas e influência importante para novas e anteriores gerações de músicos. Permaentemente ligado à corrente, Moore abre as hostilidades com a impressionante Speak To The Wild, um verdadeiro tratado de indie rock, cru e sem espinhas e com uma melodia extroardinária. Pela forma como esse tema nos agarra logo pelos colarinhos e nos impele a submergirmos nele sem olharmos para trás, percebemos que isso acontece com toda a naturalidade porque este é um disco dominado pela distorção típica dos Sonic Youth, sempre acomodada em diferentes camadas, como convém aos verdadeiros amantes desta fórmula única e genuína que praticamente só preenchia e impregnava o receituário do coletivo nova iorquino. O baixo e a bateria também são dois elementos preciosos neste quadro chamado The Best Day, já que lhes compete adicionar o ritmo e o corpo necessários para a obtenção do ambiente denso, mas de fácil e aditiva assimilação, por onde as melodias se estendem e se cruzam, ao longo de oito canções que merecem a mais atenta audição. Depois, há ainda a cereja no topo do bolo, a voz de Thurston, um registo predominantemente grave mas produzido com uma limpidez incrivel, que ora parece um pouco deslocado das melodias, ora parece declamar em vez de cantar, mas é exatamente neste modo peculiar de cantar que reside o charme de uma prestação, que em Forevermore atinge um cariz particularmente emotivo, quando, quase hipnoticamente e, amiúde, sem avisar, Moore canta um refrão particularmente emotivo e de modo embargado (That’s why I’ll love you forevermore, That’s why I want you forevermore).

Com oito músicas a estenderem-se por mais de cinquenta minutos, obivamente que este é um disco com um elevado cariz experimental, apesar de estar bem definido e vincado o som caraterístico que domina a obra, que apenas se distancia ligeiramente quando é dada absoluta primazia a um enorme e barroco arsenal de cordas, dedilhadas de modo acústico, mas convincente, em Tapes, uma canção que prescinde da percurssão e que acolhe as violas com o vigor de um baixo omnipresente.

O protagonismo da vertente acústica volta a mostrar predicados em Vocabularies, uma canção onde o baixo abre ainda mais os braços para acolher uma viola num abraço com um sabor psicadélico, acentuado com uma voz algo enraivecida que se debruça sobre a temática da igualdade sexual e do preconceito (Vocabularies of dominance now obsolete, Un-possessed by all men). Esta ousadia permanente também fica plasmada, em direção oposta, no punk de Detonation e na distorção contínua, abrasiva e hipnótica que se estende ao longo do instrumental progressivo Grace Lake, um desejo de tentar algo diferente que direcionou-se, nestes e noutros casos, não tanto para o arsenal instrumental, mas para o catálogo de arranjos proporcionados pelo mesmo e, principalmente, para o processo de construção melódica das canções. Por exemplo, a já citada Speak To The Wild são oito minutos cheios de guitarras que nunca esmorecem e de constantes mudanças de ritmo e de explosões sónicas devidamente controladas e Forevermore estende-se por onze, com o conceito de diversidade patente no modo como os vários instrumentos competem entre si à medida que dão asas ao voo picado de uma melodia orelhuda, uma estratégia que se repete no single homónimo, um verdadeiro deleite para quem é um fã incondicional dos Sonic Youth.

The Best Day é, pois, um álbum que transporta a carreira a solo do autor para o universo mais próximo da banda icónica que fez parte, já que se Demolished Thoughts tinha uma componente acústica inédita e que, por acaso, era qualitativamente bastante recomendável, tendo surpreeendido positivamente a crítica e os ouvintes, desta vez Thurston Moore procurou fugir um pouco do óbvio e mostrar o seu lado pessoal mais enraivecido, incansável, agridoce e rugoso e assim, comprovar o seu próprio ecletismo. Espero que aprecies a sugestão... 

Thurston Moore - The Best Day

01. Speak To The Wild
02. Forevermore
03. Tape
04. The Best Day
05. Detonation
06. Vocabularies
07. Grace Lake
08. Germs Burn


autor stipe07 às 21:34
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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Swim Mountain - Swim Mountain EP

Oriundos de Londres, os britânicos Swim Mountain são Tom Skyrme, Joff Macey, Andrew Misuraca e Teej Marshall e no passado dia vinte e nove de setembro editaram o EP homónimo de estreia, através da londrina Hey Moon. Produzido pelo próprio Tom Skyrme, entre Londres e Los Angeles, Swim Mountain são pouco mais de vinte minutos que abarcam um vast leque de influências que vão da pop aditiva, ao indie rock psicadélico, tudo sustentado por uma arquitetura de versos e sons festivos, que comprova a capacidade deste coletivo para produzir composições puras, encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza.

Com vibrantes linhas de baixo e guitarras sintetizadas cheias de cor e brilho, os Swin Mountain mergulham num festim de sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica. O quarteto tanto abraça o cenário musical dos anos sessenta, criado por bandas como Argent & Blunsonte, Rundgren e os The Wilson Brothers, como se deixa contagiar pelo calor brasileiro de um Tom Jobim e um João Gilberto. No entanto, a influência principal é o universo musical dos antípodas proporcionado por nomes como os Tame Impala ou os Coloured Clocks. Influências à parte, importa reter que os Swim Mountain convidam-nos a embarcar numa pequena viagem onde sintetizadores, guitarras, batidas e uma escrita às vezes pouco óbvia e sem muito sentido, dançam num jogo colorido de referências.

A curiosa luminosidade das canções dos Swim Mountain espraia-se com todo o esplendor logo no single Yesterday, um tema com uma melodia verdadeiramente acessível e fácil de cantarolar e cheia de detalhes e arranjos samplados de cenas do quotidiano comum. Entra-se em Ornella e mal se percebe a mudança de faixa, apesar de uma distorção em eco dar uma toada algo psicadélica à canção, mas esse pormenor não coloca em causa a forte componente radiofónica e com arranjos que nos prendem até ao último acorde. Este revivalismo setentista acentua-se no teclado sintetizado de Dream It Real e surge-nos no imediato à memória o tal cenário dos antípodas. Já na sensibilidade perene de Everyday dá-se nova inflexão, agora rumo à pop e à eletrónica, com a batida ritmada a piscar o olho à pista de dança. Este ambiente mais eletrónico permanece durante a subtileza synth pop de Nothing Is Quite As It Seems e no final da viagem não duvidamos que escutamos um compêndio sonoro carregado de luz e vivacidade, uma coleção de belos acertos sonoros e canções memoráveis, que refletem uma já assinalável maturidade de um grupo particularmente criativo e dotado de um assinalável bom gosto.

Os Swim Mountain são um projeto que deve ser levado muito a sério e este EP merece uma audição atenta e dedicada. Existe um elevado toque de modernidade nas suas canções, apesar da evidente agenda de revivalismo que pretendem seguir, ou seja, o toque e o perfume de outros tempos estão lá, mas estes quatro músicos replicam um som bastante atual, original e maduro. Espero que aprecies a sugestão...

Swim Mountain - EP, Swim Mountain

Ticket

Yesterday

Ornella

Dream It Real

Everyday

Nothing Is Quite As It Seems


autor stipe07 às 18:37
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Domingo, 19 de Outubro de 2014

Martin Carr - The Breaks

Martin Carr, também conhecido como vocalista dos The Boo Radleys, editou no passado dia vinte e nove de setembro The Breaks, o seu segundo disco solo, um músico e compositor que, de acordo com o press release que me chegou às mãos da Tapete Records, é um songwriter cujo trabalho é pop mas não necessariamente popular e cujo percurso revela uma relação ambivalente com as sensibilidades convencionais. Neste disco, a sua voz transforma-se num eco confessional de todas as nossas dúvidas. The Breaks conta com as participações especiais de Andy Fung, Corin Ashley e John Rae.

Martin Carr aposta forte em composições certinhas feitas a partir de melodias pop e uma instrumentação bastante cuidada, que exala uma pop pura e descontraída por quase todos os poros. Neste trabalho ele apresenta em apenas dez canções toda a herança que os Red House Painters, os Fleetwood Mac ou os conterrâneos Prefab Sprout e os The Smiths deixaram na formação do músico, que parece ter utilizado referências do próprio quotidiano para construir o panorama lírico do disco, que pende para vários espetros sonoros, nomeradamente o indie rock, a própria folk (No Money In My Pocket) e a indie pop adocicada e acessível. Há desde logo aqui sucessos garantidos como The Santa Fe Skyway, St Peter In Chains e Senseless Apprentice, músicas que possibilitam não apenas o desenvolvimento de uma instrumentação radiante, como a possibilidade de constatar que Martin alcançou elevados parâmetros e patamares de qualidade, inclusive na sua intepretação vocal.

Ao longo do disco, umas vezes somos embalados e outras dançamos ao som de simples acordes, várias vezes dispostos em diversas camadas sonoras, com as cordas à cabeça. Estas podem escutar-se num registo acústico ou eletrificado e, muitas vezes, em ambos em simultâneo, onde também não falta uma secção de sopros imponente e um piano, que em Sometimes It Pours mal se nota e em Mainstream tem uma subtileza avassaladora enquanto sustenta uma viola. Acaba por ser um misto de cordas mas, seja em que registo for que se escutem, estão todas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, principalmente quando se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos. A bateria tem também uma presença sempre radiante, com a batida que marca o ritmo de Mountains e de Senseless Apprentice a serem os instantes do disco onde a percurssão mais se destaca.

Mesmo nos momentos mais melancólicos e sombrios, como Mainstream e No Money In My Pocket, dois belíssimos instantes acústicos e melódicos, há uma curiosa sensação de naturalidade e dinamismo em The Breaks, uma espécie de ligeireza cheia de charme e delicadeza, um ambiente sonoro descontraído que impressiona os mais incautos, à semelhança da naturalidade com que a voz de Martin e dos seus convidados que, quase sempre, são vozes de suporte, encaixam na melodia das canções. Percebe-se claramente que o músico é bastante inventivo, principalmente quando converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Disco imponente mas também delicado e repleto de bons arranjos, The Breaks é um refúgio bucólico bastante aprazível, um compêndio de sensibilidade e optimisto onde o autor entregou-se à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Espero que aprecies a sugestão...

1. Santa Fe Skyway
2. St. Peter In Chains
3. Mainstream
4. Mountains
5. Sometimes It Pours
6. Senseless Apprentice
7. No Money In My Pocket 
8. I Don't Think I'll Make It
9. Mandy Get Your Mello On
10. The Breaks


autor stipe07 às 21:04
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Sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

The Pineapple Thief – Magnolia

Bruce Soord, Steve Kitch, Jon Sykes e Dan Osborne são os The Pineapple Thief, uma banda britânica natural de Sommerset, que está de regresso aos discos com Magnolia, doze canções que viram a luz do dia a quinze de setembro por intermédio da Kscope. Este registo sucede a All The Wars, um álbum que o grupo lançou há cerca de dois anos e que divulguei na altura.

Habituados a criar hinos sonoros inspirados nas diferentes manifestações que pode ter o amor e que costumam preencher o ideário lírico das suas canções, os The Pineapple Thief surgem em Magnolia mais maduros e controlados e ainda com novos truques na manga, nomeadamente alguns pequenos arranjos inéditos no seu percurso discográfico. Além da receita habitual, a introdução de Simple as That, os refrões pesados de Alone at Sea e de Breathe e as teclas de Coming Home mostram, desde logo, que os The Pineapple Thief continuam a apostar na típica sonoridade rock, mas também conseguem dar-nos instantes sonoros delicados, tudo isto graças à capacidade critiva da banda, mas também à presença, em algumas canções de uma vasta teia instrumental. O resultado final acaba por ser um excelente compêndio de rock alternativo, dominado por guitarras marcadas por compassos irregulares e distorções que se entrecuzam com uma vertente mais acústica, feita com delicados arranjos de cordas batidas do baixo, mas onde também não faltam nuances eletrónicas proporcionadas por sintetizadores e samplers, aspetos que nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Esta receita é abrilhantada e sustentada por uma voz sempre imponente, o principal fio condutor das doze canções e que muitas vezes contrasta com a natureza algo sombria de algumas melodias.

Os The Pineapple Thief encontram as suas raízes no rock progressivo, mas também conseguem oferecer propostas abrangentes e podem ser incluídos naquele rol de bandas que gostam de experimentar e direcionar a sua música por diferentes caminhos a cada novo disco, procurando conquistar o seu espaço entre os grandes nomes desse rock progressivo atual. Espero que aprecies a sugestão...

The Pineapple Thief - Magnolia

01. Simple As That
02. Alone At Sea
03. Don’t Tell Me
04. Magnolia
05. Seasons Past
06. Coming Home
07. The One You Left To Die
08. Breathe
09. From Me
10. Sense Of Fear
11. A Loneliness
12. Bond


autor stipe07 às 21:40
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Domingo, 12 de Outubro de 2014

Menace Beach - Come On Give Up

Menace Beach - Ratworld

Ryan Needlham e Liza Violet são os Menace Beach, uma dupla britânica oriunda de Leeds, que irá estrear-se nos discos a dezanove de janeiro do próximo ano com Ratworld, um trabalho com um dos artworks mais insólitos que vi ultimamente e que chegará aos escaparates através da Memphis Industries.

A navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a surf pop e a psicadelia lo fi, os Menace Beach acabam de divulgar Come On Give Up, o single que antecipa Ratworld. Este tema foi disponibilizado para download gratuito. Confere...

 


autor stipe07 às 15:31
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Nick Nicely - Space Of A Second

Lançado no passado dia vinte e nove de setembro, através da Lo Recordings, Space Of Sound é o novo compêndio sonoro de Nick Nicely, uma verdadeira caldeirada de pop psicadélica concebida por um músico e produtor que é já um nome lendário da eletrónica britânica, desde que se estreou no início dos anos oitenta com DCT Dreams, um single que, de Neu aos Kraftwerk, olhava já nessa altura e com acerto para o período mais psicotrópico dos Beatles e dos Pink Floyd, quando era Syd Barrett quem ditava as regras.

O primeiro disco chegou apenas em 2004 quando a Tenth Planet Records resolveu compilar uma série de singles que este músico tinha editado de 1978 até esse ano, tendo nascido assim Psychotropia. Com esse longa duração, Nick Nicely aitngiu um maior número de ouvintes e aquilo que era até então um segredo bem guardado da eletrónica de Terras de Sua Majestade, tornou-se num fenómeno à escala global. Não tardaram a surgir colaborações com nomes tão importantes como Ariel Pink ou John Maus e, como a sonoridade que o músico replica está na ordem do dia, tornava-se urgente ele mostrar a sua visão desta tendência atual na pop que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

Space of a Second são então catorze canções que, muitas vezes, são dificeis de serem catalogadas como canções com identidade própria e que obdecem ao habitual formato das mesmas, já que que parecem funcionar como um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, a habitual onda expressiva de Nick relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico feito de guitarras experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal e de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros.

A canção que melhor se aproxima do habitual formato e de uma sonoridade indie mais acessível é Longwaytothebeach, um tema que inicia com sons de passos na areia e que depois encontra os alicerces num baixo encorpado, numa bateria cheia de groove e numa guitarra que dispara riffs em várias direções. Mas quer nesta música, quer nas restantes, a voz de Nick aparece sempre num registo modificado sinteticamente e funciona, geralmente, como mais um agregado sonoro que amplia um certo barroquismo lo fi que exala dos temas, do que propriamente com a função explícita de dar vida e som a um poema com uma mensagem clara e entendivel. Se em HeadwindAheadwind parece que o produtor enlouqueceu de vez, Hilly Road é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Wrottersley Road subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. A referida revisão eufórica que parece orientar o trabalho de Nick atinge o auge quando Space Of A Second desperta-nos para os tais Pink Floyd imaginários e futuristas ao som da sequência London South e Raw Euphoria, e principalmente de Rrainbow, o tema que melhor revive uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há quarenta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação.

Uma das virtudes e encantos de Nick Nicely terá sido sempre essa capacidade de criar tratados sonoros algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre embebidos num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Space Of A Second segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico e coloca o autor no olho do furacão de uma encruzilhada sonora, ao fazer uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos. Este é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante, garanto-vos. Espero que aprecies a sugestão...

1. HeadwindAheadwind
2. Rosemarys Eyes
3. Space Of A Second
4. Wrottersley Road
5. Whirlpool
6. London South
7. Raw Euphoria
8. Change In Charmaine
9. Rrainbow
10. Longwaytothebeach
11. Lobster Dobbs
12. Hilly Fields Acoustic


autor stipe07 às 19:17
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Engineers - Always Returning

Formados atualmente pelo multi-instrumentista Mark Peters, o aclamado músico e produtor alemão Ulrich Schnauss e pelo baterista londrino e compositor Matthew Linley, os Engineers têm criado belíssimas texturas sonoras na última decada e são já um nome de referência no universo da eletrónica de cariz mais ambiental e experimental. Estrearam-se em 2005 com um homónimo que lhes apontou logo imensos holofotes e quatro anos depois, com Three Fact Fader atingiram um estatuto enorme que, no ano seguinte, em 2010, com In Praise Of More, solidificaram definitivamente essa visão, com um enorme grau de brilhantismo. Esse foi o ano em que Ulrich Schnauss juntou-se aos Engineers e Always Returning é o novo passo na carreira de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros.

Com o tema Fight or Flight disponibilizado pela editora Kscope para download gratuíto, Always Returning oscila entre temas puramente instrumentais e outros que não dispensam a presença da voz,  em dez canções que consolidam a maturidade de um grupo que sabe estabelecer entre os seus membros um diálogo feliz e profícuo, em busca do melhor contraste entre as diferentes referências sonoras que orientam o grupo, acabando por as sublimar com mestria e fazer com que se destaque a emoção com que a música criada pelos Engineers consegue transportar bonitos sentimentos.

Always Returning é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Da guitarra picada de Bless The Painter, que busca uma psicadelia que se lança sobre o avanço lento mas infatigável de um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, depois, em Searched for Answers e Smoke & Mirrors, parece que se deixou envolver por uma bolha de hélio passada a lustro pelo rock alternativo dos anos oitenta, ao eco sintetizado e incrivelmente épico de Fight Or Flight, o disco é um manancial de diferentes géneros sonoros e faz uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos.

O auge desta revisão eufórica acontece quando Always Returning desperta-nos para uns Pink Floyd imaginários e futuristas ao som de It Rings So True  e Smiling Back, uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há trinta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação. O próprio rock melódico mais barroco, ou a típica folk pop melancólica aparecem em temas como Drive Your Car ou Innsbruck, uma sequência impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com alguma devoção e faz-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início dos dois temas. A melancolia das duas canções é comandada por um som de guitarra, que aliado a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo aos temas e, no caso de Drive Your Car, a voz de Mark consegue trazer a oscilação necessária para transparecer uma elevada veia sentimental.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto e apesar das diferentes origens musicais, nenhum estilo domina claramente e o efeito é o de várias abordagens sonoras, igualmente magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativa, que permite a concordância e a discordância, por sua vez. Do rock clássico, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, este alinhamento impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Always Returning é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Bless the Painter
Fight or Flight (Download)
It Rings So True
Drive Your Car
Innsbruck
Searched for Answers
Smiling Back
A Million Voices
Smoke and Mirrors
Always Returning

 


autor stipe07 às 21:31
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Joel Gion – Apple Bonkers

Joel Gion, conhecido por ser o homem da percurssão e do tamborim nos Brian Jonestown Massacre, acaba de iniciar uma carreira discográfica em nome próprio com Apple Bonkers, uma coleção de dez canções que viu a luz do dia a dezoito de agosto. A propósito do desejo de se estrear numa carreira a solo e numa fase de relativo pousio dos Brian Jonestown Massacre, Joel revela na sua página oficial:

With all the BJM members now living  so spread out across the world, I found myself increasingly missing the album making process. This feeling of disconnect is what kick started me into exploring my own song writing process and turned out to be a hugely important piece of self discovery. No more time for my beloved laziness. So I made my own music with a with bunch of friends in the studio coming and going and having a great time creating. I think a lot of people are going to be surprised by this album

Como se depreende desta declaração, se, por um lado o processo de idealização e criação de Apple Bonkers foi muito espontâneo e partiu, essencialmente, das saudades que o músico já sentia de estar em estúdio, por outro, também se deve ao desejo de Joel em trabalhar com outros músicos seus amigos, com esta sua estreia a contar com as participações especiais de membros dos Dandy Warhols, dos próprios BJM, dos Dead Skeletons, dos Sprindrift e dos The Warlocks.

Com o single Yes a abrir as hostilidades e a assumir-se como grande destaque de Apple Bunkers, o disco é um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador. Em vez das esperadas distorções e de um som algo ríspido, encontramos texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na discografia de bandas como os Tame Impala, assim como os TOY, The Horrors, POND, ou os próprios MGMT, grupos que têm aberto uma espécie de caixa de pandora e onde a estética sonora que reinventaram serve de inspiração para novos projetos, como é o caso de Joel Gion, mas onde também podemos arriscar incluir os norte americanos Moon Duo ou os os Wooden Shjips, além dos conterrâneos Black Market Karma.

Neste caldo psicadélico destacam-se os excelentes arranjos de cordas, sendo bom exemplo disso não só o single já citado, mas também Smile, uma canção que mantém a toada anterior. Já Flowers apela a um travo mais ponderado e luminoso, um tema clássico no que diz respeito à conexão feliz entre o fuzz de uma guitarra e a secção rítmica vitaminada que encorpora o rock psicadélico dos anos sessenta. O mesmo sucede com Dart e Sun Structures, canções onde a intimidade centra-se no baixo e na guitarra, feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência daquele rock muito britânico. Mas também há uma viola completamente desligada da corrente, uma outra forma válida para a criação de ambientes psicadélicos, neste caso em Change My Mind, uma das canções mais calmas e bonitas do disco. Já Mirage, com arranjos e efeitos épicos e uma voz etérea conjugada com uma secção rítmica assertiva, é outra canção de audição obrigatória, assim como Radio Silence, um tema que nos remete para o período aúreo do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta e aquele que talvez melhor indique que a bateria é também uma das importantes mais valias deste trabalho, como não podia deixar de ser em Joel. Aliás, quer Radio Silence, quer depois Two Daisies e Sail On são os temas mais volumosos do cardápio de Apple Bonkers e aqueles que viabilizam a condução de um som mais denso, atmosférico e sujo, podendo, quem sabe, apontar caminhos para, no futuro, Joel demandar em busca de diferentes viagens a vários universos sonoros, tendo talvez amanhã o sintetizador como veículo privilegiado dessa demanda por distintos territórios auditivos. 

Apple Bonkers faz-nos, com grande eficácia, um convite para uma viagem no tempo, do passado ao presente, no disco de estreia de um artista que aposta em melodias contagiantes e que parece ser mais experiente do que o tempo de existência do seu projeto a solo, tal é o grau de maturidade que já demonstra neste trabalho. A experiência dos amigos músicos que aparecem no alinhamento também terá sido importante para a materialização desta evidência. Espero que aprecies a sugestão...

Joel Gion - Apple Bonkers

01. Yes
02. Smile
03. Hairy Flowers
04. Dart
05. Change My Mind
06. Mirage
07. Radio Silence
08. Two Daisies
09. Sail On
10. S Bring You Down


autor stipe07 às 22:24
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

Escapists – Only Bodies

Lançado no passado dia quatro de agosto, Only Bodies é o registo de estreia dos Escapists, um coletivo britânico oriundo de Londres e formado por Simon Glancy, Oli Court, Max Perryment e Andy Walsh. Apesar de colocarem no seu grupo de influências nomes tão significativos como TV On The Radio, The National, The Shins, Modest Mouse ou Broken Social Scene, entre muitos outros, ao ter escutado este Only Bodies ocorreu-me que um dos primeiros elogios que se pode fazer a estes Escapists é que parecem ser capazes de cimentar uma sonoridade muito própria e inédita, naturalmente abrangida pelo indie rock alternativo, feito de melodias épicas e luminosas, criadas com guitarras carregadas de efeito e distorção, um baixo vigoroso e uma percurssão potente.

Apesar de estar claramente balizado o espetro sonoro dos Escapists, há que clarificar que a experimentação sonora parece fazer parte do ADN do grupo e com Only Bodies o projeto estabelece essa permissa no primeiro capítulo de um cardápio que realmente promete. Entre uma saudável crueza algo lo fi e um clima que não renega momentos mais soturnos e sombrios, nomeadamente a belíssima Eyes e a inspiradora e levitante Wild Sea e climas mais animados e até dançáveis como Love ou Faraday Cage, este registo está impregnado de inspiradas peças melódicas que passam tangentes assertivas a alguns dos parâmetros que definem um estilo sonoro que vem fazendo escola desde os primórdios dos anos oitenta e um pouco por todo o alinhamento, com um ritmo que transpira de maneira natural e particular muito do que vem sendo produzido por alguns grupos citados e que sustentam o que de melhor se vem escutando no universo sonoro indie contemporâneo.

Assim, os dez temas de Only Bodies, consolidam um projeto que serve-se das guitarras, mas que também utiliza alguma sintetização para fugir ao óbvio de forma madura e cativante, olhando delicadamente para os anos setenta e estabelecendo uma conexão com as pistas de dança do passado e do presente. Tudo isto está claramente plasmado na explosiva e jovial Blood, talvez a canção que melhor carateriza o rumo sonoro dos Escapists, com uma toada algo dance punk e com uma natureza instrumental que se divide entre a aceleração dos Gang Of Four e as experimentações de uns Foals.

Only Bodies é um disco leve e aventureiro e acaba por ser um excelente exemplo daquele género de trabalhos que não querendo residir num universo demasiado alternativo, não deixam de se confrontar abertamente com as imposições comerciais de maneira individual, sem qualquer pensamento ou amarra sonora que parta de um conceito maior ou que ligue todas as canções. É um álbum que produz efeito com o tempo, extremamente agradável, que escorre com ligeireza e faz sorrir, mas também é, sem dúvida, mais um daqueles discos que exigem várias e ponderadas audições, porque cada canção esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências acústicas que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Escapists - Only Bodies

01. Faraday Cage

02. Breaking It Up
03. Love
04. Eyes
05. Blood
06. Ocean Of Noise
07. Wild Sea
08. Phantom Limb
09. Only Bodies
10. Bones


autor stipe07 às 21:05
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Sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Dead Seem Old - They Won't Find Us

Dead Seem Old é um projeto de indie pop sedeado em Londres e da autoria do músico e compositor Thom Wicks. Interessado pela experimentação sonora, Wicks costuma andar sempre com uma guitarra de flamengo e um gravador de quatro pistas para gravar as suas demos.

They Won't Find Us, o seu single de estreia, foi escrito e composto num quarto de hotel, durante uma viagem do mesmo à Indonésia. Para a gravação do tema contou com a preciosa ajuda do baterista e produtor Javier Weyler (Phil Manzanera/Stereophonics), tendo sido acordado que os contos de Grimm a a surf music dos anos sessenta teriam que ser referências fundamentais do tema, já que são duas influências importantes para Wicks.
O resultado é uma peça de indie pop contemporâneo absolutamente memorável, que dos coros aos arranjos das cordas, irradia uma luz incomum e que merece uma audição dedicada, assim como We Used To See Faces, o lado b do single. Confere...

 


autor stipe07 às 13:39
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