Quinta-feira, 28 de Maio de 2015

Elbow – What Time Do You Call This?

Elbow - What Time Do You Call This

Depois de The Take Off And Landing Of Everything , o sexto álbum da carreira dos britânicos Elbow de Guy Garvey, um trabalho que viu a luz do dia há pouco mais de um ano através da Fiction, What Time Do You Call This é o novo sinal de vida do grupo, um tema que faz parte da banda sonora do filme Man Up, que conta nos principais papéis com Simon Pegg e Lake Bell.

A banda sonora de Man Up foi editada há poucos dias pelo mesmo selo dos Elbow, a etiqueta Fiction e, de acordo com o diretor Ben Palmer, What Time Do You Call This encaixa perfeitamente no enredo do filme. A canção bonita e delicada, tem uma sonoridade tipicamente Elbow, ou seja, tem algo de grandioso e encorpado, com todos os espaços da canção a serem exemplarmente preenchidos pelos instrumentos e pelas voz. Confere...


autor stipe07 às 21:44
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Domingo, 24 de Maio de 2015

LoneLady – Hinterland

Julie Campbell é LoneLady, uma magnífica voz impregnada com uma irrepreensível soul oriunda de Manchester e que se estreou nos discos em 2010 com o interessante Nerve Up. Cinco anos depois, Julie está de regresso com Hinterland e disposta a mostrar que continua a haver vida e capacidade de renovação para o bom e velho trip-hop e que a criatividade é uma mais valia para este género sonoro quando a abordagem sucede através da conjugação de diferentes referências sem deturpar a essência.

Denso, sussurrante e com o nervo à flor da pele, é assim Hinterland, um álbum luminoso e expansivo e que convida a dançar logo em Into The Cave, canção impregnada com um notável funk que só um baixo tão inspirado como aquele que conduz esta canção poderia proprocionar. A batida de Bunkerpop de mãos dadas com um ligeiro efeito reverberado na voz de LoneLady plasma a tal relação estreita entre diferentes conceitos, com aquela eletrónica tão industrial, cinzenta e melancólica como a cidade de onde a autora é oriunda a piscar o olho ao punk rock, originando uma atmosfera sonora que exala uma tremenda urbanidade e onde a herança de nomes como os Gang Of four, os Talking Heads, Tricky e os prórios Joy Division se junta com a contemporaneidade de uma Likke Li ou de Grimes. Mais adiante, no baixo minimal mas vincado e nos efeitos frenéticos, de origem sintética que ao intercalarem com a batida, clamam por um momento de êxtase que nunca chega, em (I Can See) Landscapes, e no transe melódico sempre controlado que mistura dance music com punk rock em Silvering e Red Scrap, fica carimbado o reforço desta espreitadela algo timida, mas curiosa e evidente, que LoneLady faz ao universo do indie rock mais rugoso e idílico. 

Hinterland avança com firmeza e se o tema homónimo assume-se como uma composição tipicamente pop, animada por um flash de uma guitarra exuberante, num espaço de delicioso diálogo desse efeito futurista com heranças e referências de outros tempos, já Groove It Out plasma claramente uma outra intrincada relação, desta vez entre a típica sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order, com o groove de uma guitarra que se vai deixando conduzir por típicos suspiros sensuais que só o baixo e as batidas da dub proporcionam. Quer este tema, quer a declarada essência vintage dos sons sintetizados de Flee! acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências que conjugam teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens mais comtemplativas, com a lindissima voz de LoneLady a ser mais um predicado na elevada dose de sensualidade e suavidade que exala da tonalidade de quase todas estas canções e que trazem as brisas mais aprazíveis ao ouvinte.

Hinterland não trai de forma alguma a herança do trip hop e lança mais preciosas achas para a fogueira que ilumina novas relações intimas entre eletónica, pop e punk rock. Nele, LoneLady junta o passado musical que a influencia com o presente e antevém assim o futuro próximo de parte da música eletrónica. De facto, Hinterland soou-me como algo refrescante e, ao mesmo tempo, incrivelmente retro, porque permitiu-me recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante, possibilitou-me também descobrir uma nova luz dentro do universo musical que esta autora hoje defende como poucos. Espero que aprecies a sugestão...

LoneLady - Hinterland

01. Into The Cave
02. Bunkerpop
03. Hinterland
04. Groove It Out
05. (I Can See) Landscapes
06. Silvering
07. Flee!
08. Red Scrap
09. Mortar Remembers You


autor stipe07 às 18:03
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Lilith Ai - Hang Tough

Oriunda de Londres e bastante talentosa no modo com reflete na sua música todos os sentimentos antagónicos e contrastantes que invadem uma mente que ainda se prepara para entrar na idade adulta mas que já atravessou sozinha o atlântico até Queens, Nova Iorque, com apenas setenta libras no bolso e a música como sonho maior, Lilith Ai é uma voz talentosa que se prepara para captar definitivamente a nossa atenção.

Hang Tough é o primeiro suspiro de Lilith Ai em forma de música, um tratado sonoro que mistura eletrónica, chillwave e r&b com um charme e uma delicadeza invulgares e exalando uma já notável maturidade. O lado b do single Yeah Yeah, amplifica os predicados instrumentais que irão certamente fazer parte do futuro discográfico deste belíssima cantora, onde o clássico e o contemporâneo se misturam com aquela delicadeza tipicamente feminina. confere... 


autor stipe07 às 17:36
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Domingo, 10 de Maio de 2015

Red Snapper - Wonky Bikes EP

O trio britânico Red Snapper é formado por Ali Friend (baixo), Richard Tahir (bateria) e David Ayers (guitarra), um projeto instrumental que, de vez em quando, se deixa seduzir por algumas vozes convidadas, de modo a replicar uma acid jazz bastante contemporâneo e genuíno, principalmente pelo modo como conjugam a instrumentação acústica com texturas e arranjos sintetizados.

Já me tinha debruçado sobre os Red Snapper em 2011 a propósito de EP Scale e Wonky Bikes é o sopro mais recente na carreira do projeto, um EP lançado pela Lo Recordings e que tem como tema principal tema uma versão renovada de Wonky Bikes, um dos grandes destaques de Hyena um álbum anteriormente lançado pelos Red Snapper e que tinha em África a sua grande inspiração, em particular um filme senegalês dos anos setenta intitulado Touki Bouki, realizado por Djbril Diop e posteriormente recuperado e restaurado por Martin Scorcese. 

Terceiro EP dos Red Snapper, Wonky Bikes reflete a sonoridade ao vivo e em palco deste trio, poderosa e bastante animada, com a remistura de Traffic, outro destaque do lançamento, a ser construida em redor do baixo fortemente eletrificado de Ali Friend, uma das imagens de marca do trio e uma bateria inebriante. O resultado final é um indie jazz bastante ácido e corrosivo, que abraça com força a eletrónica, mas cheio de groove e fortemente sedutor e apelativo, que colhe influências do dub, trip hop e do drum & bass. Confere...

Wonky site 


autor stipe07 às 21:07
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2015

Happyness – Weird Little Birthday

Oriundos de Londres, os britânicos Happyness são Ash Cooper, Benji Compston e Jonny Allan, um trio que após um aclamado EP homónimo editado em 2013, estreou-se nos lançamentos no verão passado com Weird Little Birthday, um trabalho que viu a luz do dia através da Weird Smiling, misturado por Adam Lasus e masterizado por Greg Calbi, dois nomes também essenciais no assumir das rédeas de uma obra sensível, com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente.

Weird Little Birhday é um trabalho que junta alguns dos melhores atributos do indie rock contemporâneo, onde a psicadelia e o lo fi se cruzam constantemente, havendo temas como It's On You ou Leave The Party, particularmente animados, luminosos e festivos e outros instantes que assentam num formato mais íntimo e silencioso, onde existe uma maior escassez instrumental e um registo vocal sussurrante, Nestas canções mais contemplativas, onde também destaco a belíssima balada Regan’s Lost Weekend (Porno Queen), ou o delicioso reverb vocal e as variações rítmicas e dos efeitos da guitarra em Lofts, também há imensa beleza, registada em deliciosos detalhes sonoros, com as cordas a assumir portagonismo óbvio, percetíveis se a audição for feita com recurso a headphones. A longa e introspetiva Weird Little Birthday Girl, canção sonoramente detalhada e tema homónimo do disco, que amarra, por si só, várias pontas do mesmo, acaba por ser o clímax de todo este ideário processual e timbra o som identitário dos Happyness, numa melodia amigável e algo psicadélica, feita com guitarras ligeiramente distorcidas, enquanto se arrasta até ao fim com um longo diálogo entre timbres.

O ambiente sonoro que este trio oferece exala um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assenta. Depois, alguns arranjos na percussão claramente jazzísticos e uma voz num registo grave e em reverb, acentuam o charme rugoso de um álbum que nos oferece uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por uma banda com um espírito aberto e criativo.

Em Weird Little Birthday é incrível a sensação de ligação entre as canções, mesmo havendo alguns segundos de quase absoluto silêncio entre elas. Assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável, sendo difícil ficar indiferente perante preciosidades como a enérgica e infecciosa, mas controlada Naked Patients, a sedutora Monkey In The City, o já citado tema homónimo ou o single Baby, Jesus (Jelly Boy). As distorções são sempre bem controladas, os ruídos minimalistas gravitam suavemente em redor do disco ampliando subtilemtne o seu espelndor lo fi, os arranjos das cordas estão dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e a subtileza na voz funciona na nossa mente como um verdadeiro psicoativo sentimental, guiada pela nostalgia e pelas emoções que Benji, o principal vocalista, pretende transmitir.

Com uma variedade de referências e encaixes sonoros que se aproximam do indie rock atual, Weird Little Birthday é um excelente disco de estreia e uma boa ferramenta para todos aqueles que queiram apresentar aos descendentes de idades mais precoces, de modo algo subtil e surpreendentemente apelativo, algumas das melhores caraterísticas do indie rock alternativo. Atravessado por um certo transe libidinoso que o cinismo de algumas letras apenas amplia, é aquele disco de rock que tanto pode ser escutado nos jardins de infância após o almoço, como além das paredes do nosso refúgio mais secreto, com a mesma exuberância e dedicação. Espero que aprecies a sugestão...

Happyness - Weird Little Birthday [Deluxe Edition]

01. Baby, Jesus (Jelly Boy)
02. Naked Patients
03. Great Minds Think Alike, All Brains Taste The Same
04. Orange Luz
05. Refrigerate Her
06. Pumpkin Noir
07. Anything I Do Is All Right
08. Weird Little Birthday Girl
09. It’s On You
10. Regan’s Lost Weekend (Porno Queen)
11. Leave The Party
12. Lofts
13. Monkey In The City
14. Montreal Rock Band Somewhere (Bonus Track)
15. Stop Whaling (Bonus Track)
16. You Come To Kill Me?! (Bonus Track)
17. A Whole New Shape (Bonus Track)

 


autor stipe07 às 21:42
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Terça-feira, 5 de Maio de 2015

Everything Everything - Regret

Depois de Man Alive (2010) e Arc (2013), os britânicos Everything Everything de Jonathan Higgs, Jeremy Pritchard, Alex Robertshaw e Michael Spearman estão de regresso aos discos com Get To Heaven, um álbum que vai ver a luz do dia a quinze de junho, um lançamento que será acompanhado por uma digressão local, que terminará em Manchester, cidade natal da banda.

O indie rock de Regret, feito com uma percussão vincada, um baixo pleno de groove, uma guitarra particularmente melódica e um registo vocal em falsete exemplarmente replicado por Higgs, é o mais recente avanço divulgado de Get To Heaven, uma canção marcante, cheia de personalidade e que antecipa um disco prometedor. Confere...

Everything Everything - Regret

 


autor stipe07 às 13:20
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Quinta-feira, 30 de Abril de 2015

Blur - The Magic Whip

Colocado à venda no ultimo dia vite e sete de abril, depois de um inesperado anúncio há algumas semanas, através de uma conferência conferência de imprensa transmitida em streaming a partir de um restaurante chinês em Londres, onde a banda aproveitou também para anunciar um grande concerto para o Hyde Park, na capital britânica, no dia 20 de Junho, The Magic Whip é o primeiro álbum dos britânicos Blur de Graham Coxon, Damon Albarn, Alex James e Dave Rowntree, desde o extraordinário Think Thank de 2003 e o tão badalado regresso à ribalta de uma banda fundamental da música ocidental das últimas três décadas, liderada pelo melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn, personagem central da cultura pop britânica contemporânea. O início embrionário deste disco materializou-se em quinze jams de vinte minutos, gravadas em 2013 em Hong-Kong, de modo quase casual, já que a banda tinha viajado para essa cidade para tocar no Festival Toky Tocks Music, um concerto à última da hora cancelado. Os quatro músicos vêem-se presos nessa cidade e resolvem usar os cinco dias programados para a estadia para entrar nos estúdios Avon e ensaiar, escrever e gravar, tendo nascido assim o bruto deste The Magic Whip. As letras são escritas por Albarn, um pouco mais tarde, depois do Natal desse ano, durante uma estadia de duas semanas na sua casa na Islândia.

Simbolos maiores da britpop e protagonistas de um mano a mano curioso com os Oasis dos irmãos Gallagher, os Blur tiveram uma década de noventa e uma entrada no novo milénio verdadeiramente estonteantes com sete discos que abraçaram diferentes subgéneros sonoros, mas sempre com a pop como referência primordial de um som muito caraterístico, que de Bowie aos Kins, passando por Syd Barrett ou os míticos XTC, era criado geralmente à sombra da genialidade da guitarra ríspida e simples de Coxon e do modo como Albarn escrevia e cantava sobre uma Inglaterra pós Tatcher, fortemente industrializada, mas também com uma pacatez rural muito típica, rica e sobranceira, fazendo-o transbordando modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade ímpares. De facto, era fácil para qualquer britânico sentir-se identificado com as canções dos Blur, como se qualquer um pudesse vestir a pele daqueles músicos, que satirizavam constantemente um mundo tão mecanizado e rotineiro e que, como hoje ainda sucede, tantas vezes, atrofia, de algum modo, a predominância dos desejos e necessidades de cada um de nós, em detrimento do bem e da vontade comuns.

Tanto frenesim, principalmente após The Great Escape, acabou por mostrar no horizonte um esgotamento da fórmula até então bem sucedida, com o outro lado do atlântico a surgir como uma terra de novas oportunidades para o grupo, sendo o homónimo Blur (1997) a seta lançada para uma América a viver a ressaca do movimento grunge e particularmente curiosa em relação a este quarteto. Este trabalho acaba por ser decisivo no historial da banda já que, se por um lado marca uma ruptura no som típico dos Blur, ampliado agora com uma maior sujidade e uma aúrea mais sombria e experimental, reforçada com uma superior importância da eletrónica dois anos depois em 13 e a procura de influências de outras latitudes, causadas por um Albarn curioso, estudioso e particularmente apaixonado pelos sons nativos da costa ocidental africana em Think Tank, por outro houve uma deterioração das relações pessoais no seio da banda e, em particular, os seus dois maiores egos, com Coxon a não ter já intervenção decisiva no conteúdo deste último trabalho.

Mas a que se deve a necessidade de referir, ainda que de modo sucinto, a história e a cronologia dos Blur, quando o que está em causa neste artigo é uma análise crítica, por parte do autor deste texto, ao conteúdo de The Magic Whip? Na verdade, e na minha modesta opinião, penso que uma abordagem honesta às doze canções deste trabalho só fica completa com esta contextualização anterior porque, pessoalmente, considero que este é, ao mesmo tempo, um disco de síntese de uma carreira e um trabalho de recomeço, onde os Blur plasmam, de certo modo, todo o tal referencial sonoro identitário que os influenciou, quer na fase inicial, quer no período mais conturbado, na passagem para o século XXI e que originou este hiato de doze anos, além de lançarem algumas sementes interessantes para um futuro discográfico que espero que se concretize.

De facto, se a guitarra inebriante e o baixo vigoroso de Lonesome Street e a postura vocal de praticamente toda a banda nesse tema parecem ter viajado diretamente das profundezas mais inspiradas de Modern Life Is Rubbish (1993), já o piano esquecido e a voz em overdub de New World Towers ou a máquina de ritmos, a viola e o riff eletrónico vintage de Ice Cream Man oferecem-nos esta aúrea de novidade, certamente projetada pelo Albarn construtor de Everyday Robots, que com um pé na folk e outro na pop e com a mente a sempre a convergir para a soul, entrega-se à introspeção e reflete sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, confirmando, mais uma vez, o seu forte cariz eclético e heterogéneo e a capacidade de liderança suficiente para juntar em seu redor os restantes músicos.

O disco prossegue com mais um salto na reta numérica que define a cronologia discográfica dos Blur, para espreitarmos agora o tal período mais sombrio e experimental, à boleia do swing anguloso da guitarra porosa e distorcida de Go Out e do reverb alienígena de Thought I Was A Spaceman, que só se clarifica e vê a luz plena com a entrada da bateria já na segunda metade do tema. Entretanto, My Terracota Heart traz a lume o tempero africano que tanto seduz Albarn e a imponência orquestral de There Are Too Many Of Us remete-nos, uma vez mais, para o seu trabalho a solo, desta vez no que diz respeito a algumas bandas sonoras em que se envolveu.

Até ao final de um disco assombroso, pré-fabricado, como já referi, em cinco dias na tal Hong-Kong situada na Ásia que frequentemente chama por Albarn, como se percebe, por exemplo, nos Gorillaz, não podemos deixar de nos deslumbrar com a pop soalheira e plena de soul de Ghost Ship e, principalmente, à boleia desse apelo oriental, com Pyongyang, o meu tema preferido de The Magic Whip. Em 2013 foi concedida a Albarn licença para visitar a Coreia do Norte, onde permaneceu durante algumas semanas, tendo visitado a capital, que dá nome a este tema e outras zonas remotas do país. A lindíssima e majestosa melodia de Pyongyang é um reflexo dessa visita, o retrato de um povo que, de acordo com o músico, está cheio de pessoas boas, inteligentes, corajosas, sensíveis e sonhadoras, como qualquer comum ocidental, só que parece viver numa espécie de mundo enfeitiçado, num local mágico, que foi em tempos coberto por um manto invisível que transformou as fronteiras do país numa prisão gigante e com um poderoso efeito narcótico sobre a população.

Impecavelmente produzido por Stephen Street, The Magic Whip é, portanto, uma esplendorosa amálgama de todo o referencial identitário de um quarteto, que da britpop, ao experimentalismo ruidoso, passando pela eletrónica e pelo fascínio do lo-fi, criou canções que fazem parte do imaginário sonoro da civilização ocidental contemporânea. Em 2015 os Blur oferecem-nos uma ode nostálgica a toda a sua herança, mas também mostram estar familiarizados com as tendências mais atuais, sugerindo uma visão muito prória e claramente identificada com o adn identitário do quarteto, da pop e do indie rock atuais. Em suma, apresentam-se fortemente criativos, generosos e com vontade de continuarem a serem considerados uma referência obrigatória. Espero que aprecies a sugestão...

Blur - The Magic Whip

01. Lonesome Street
02. New World Towers
03. Go Out
04. Ice Cream Man
05. Thought I Was A Spaceman
06. I Broadcast
07. My Terracotta Heart
08. There Are Too Many Of Us
09. Ghost Ship
10. Pyongyang
11. Ong Ong
12. Mirrorball


autor stipe07 às 19:13
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Terça-feira, 28 de Abril de 2015

The Vaccines - Minimal Affection

Os londrinos The Vaccines de Justin Young, Arni Arnason, Freddie Cowan (irmão de Tom Cowan dos The Horrors) e Pete Robertson, estão a cerca de um mês de editar English Graffiti, o terceiro disco de originais da banda e depois de Handsome e Dream Lover deram a conhecer mais um single do disco.

Produzida por Cole M. Greif-Neil, a canção intitula-se Minimal Affection e encarna um indie rock exuberante e irresistível que assenta em batidas sintéticas que se escutam em sintonia com riffs de guitarra melódicos e uma voz poderosa. O tema também impressiona pela imagética criada para o ilustrar, com cenas de uma aventura espacial com uma estética retro, numa temática que gira em torno da dificuldade que as gerações mais novas têm de se relacionar pessoalmente por estarem tão dependentes das novas tecnologias. Confere...


autor stipe07 às 17:28
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Sábado, 25 de Abril de 2015

The Kindling - By Morning

Guy Weir, Tomas Garcia e Ben Ramster são os The Kindling uma banda sedeada em Londres, que contou com as participações especiais dos violinos de Kelly Jakubowski e dos efeitos de Joe Leach para gravar um disco novo intitulado By Morning, um trabalho que aposta forte numa profunda melancolia proporcionada por canções que gravitam em redor de uma folk introspetiva e tipicamente nórdica, onde sobressaiem deliciosos arranjos de cordas e melodias que se arrastam sem pressa, mas com uma direção bem definida, aquela que segue diretamente e pelo caminho mais curto rumo aos nossos sentimentos mais profundos e delicados.

A apenas aparente rudeza da distorção de Television Static Dreams, o primeiro single retirado deste disco e seu maior destaque, transmite uma poderosa sensação introspetiva e sonhadora. Imersa em pequenos detalhes, dos quais sobressai a pandeireta e o tambor, que procuram conferir uma forte sensação crua e orgânica ao tema, são elementos que se repetem ao longo de um alinhamento que só poderá ser devidamente apreciado se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que estes The Kindling possuem e transmitem.

O falsete e a guitarra de Guy conduzem temas como Climb In, Unlucky e Long Distance e estes são apenas alguns dos vários exemplos que, em By Morning, exaltam uma tremenda serenidade e um natural excesso de tempo, conceitos que sobressaiem nestas canções com uma clareza incomum. Este é um acordar matinal musical proposto pelos The Kindling, uma alvorada tão diferente e proporcionalmente oposta às nossas rotinas diárias e à escravatura do relógio que roda incessantemente a partir do momento em que somos forçados a deixar o mundo dos sonhos para trás e viver um dia a dia nem sempre suficientemente recompensador.

As cordas e o jogo de vozes de Hunting Stars e Slow Down tocam profundamentem o coração. Como a maioria das canções, começam com o dedilhar de uma guitarra, neste caso a acústica, mas depois vão sendo adicionados novos instrumentos, que acrescentam pequenos detalhes sonoros, mas que fazem muitas vezes toda a diferença e demonstram a abundância de talento dos mentores deste projeto, já que pintam uma belíssima paleta de cores sonoras e criam uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada.

Alguma das nossas manhãs deviam ser assim, arrastadas por esta visão poética dos primeiros minutos dos nossos dias, em que a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, com as canções de By Morning a servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:15
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Chasing Yesterday

O britânico Noel Gallagher e os High Flying Birds regressaram aos discos em março com Chasing Yesterday, atráves da Sour Mage Records, o segundo trabalho de uma banda liderada por um músico que  terá escrito algumas das páginas mais significativas do livro das escrituras da britpop, não só nos Oasis, como noutros projetos em que se envolveu também como produtor.

Responsável, portanto, por algumas das marcas identitárias do indie rock que povoa o nosso subconsciente e que forjaram parte importante da história da música dos finais do século passado, o mais velho dos irmãos Gallagher assina em Chasing Yesterday pouco mais de uma dezena de novas canções que transportam consigo muita dessa herança, mas com um espírito renovado e mais contemporâneo.

Claramente feliz com a liberdade musical ilimitada que uma carreira a solo lhe permite, já que a componente High Flying Birds do projeto é apenas um elemento acessório e que se rege cegamente pelas orientações do líder, Noel Gallagher expôe o habitual modelo de canção assente na primazia das cordas das guitarras, no que concerne ao processo de condução melódica, estando reservada à percussão um papel mais acessório e secundário. Logo nas cordas de Riverman e, mais adiante, em The Dying Of The Light, é fácil recordarmos o hino Wonderwall e In The Heat Of The Moment tem aquela toada épica e gloriosa que os Oasis tanto gostavam de explorar e que o efeito mais contemporâneo do baixo atualiza com notável precisão, ficando, nestes dois temas bastante diferentes, o cone sonoro por onde circulará o restante alinhamento, que, como se vê, tem impressa uma marca identitária única e facilmente identificável. 

Ao longo do alinhamento, se os teclados retro de The Girl With X-Ray Eyes e o seu refrão apoteótico piscam o olho a uma certa lisergia pop, acontecendo o mesmo com os metais de The Right Stuff, já o rock psicadélico sujo e empoeirado de The Mexican, a espiral emotiva da grandiosa Lock All The Doors e a batida sintética e o jogo de guitarras de Ballad Of The Mighty I, trilham a paleta de cores caraterística do percurso do autor, com While The Song Remains The Same a ser um outro bom exemplo dessa fórmula, mas com as tais roupagens mais atuais e que piscam o olho a um público mais jovem. O próprio efeito inicial da guitarra que depois se transforma, quase por magia, num riff assombroso e inebriante em You Know We Can't Go Back mostra como Gallagher tem a noção que os seus ouvintes esperam de si música que possa ser cantada sem complicações desnecessárias e que ao vivo deve surpreender e encher espaços amplos e abertos.

Chasing Yesterday é um disco elegante, impecavelmente produzido e pronto para ser cantado por multidões que irão decorar estas letras até à exaustão, pensado, idealizado e tocado, quase na íntegra, por um dos melhores compositores, cantores e guitarristas das últimas duas décadas e ao qual o indie rock britânico tanto deve. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Chasing Yesterday

01. Riverman
02. In The Heat Of The Moment
03. The Girl With X-Ray Eyes
04. Lock All The Doors
05. The Dying Of The Light
06. The Right Stuff
07. While The Song Remains The Same
08. The Mexican
09. You Know We Can’t Go Back
10. Ballad Of The Mighty I
11. Do The Damage
12. Revolution Song
13. Freaky Teeth
14. In The Heat Of The Moment (Remix)
15. Leave My Guitar Alone


autor stipe07 às 15:45
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