Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

PJ Harvey - The Hope Six Demolition Project

Let England Shake (2011), o último registo de originais da britânica PJ Harvey, já tem, finalmente, sucessor. As onze canções que fazem parte do alinhamento de The Hope Six Demolition Project viram a luz do dia a quinze de abril à boleia da Island Records e marcam o regresso de PJ Harvey a territórios sonoros mais elétricos, crus e rugosos, um retorno que, quanto a mim, se saúda.

Nono disco da carreira de Pj Harvey, The Hope Six Demolition Project não pode ser analisado autonomamente relativamente ao antecessor Let England Shake, apesar da inflexão sonora acima referida, mais que não seja pela abordagem política das novas canções desta autora e que se basearam em alguns factos atuais, mas também outros que sucederam há um século, na primeira guerra mundial. O produtor Flood e o realizador Seamus Murphy tiveram uma importante palavra a dizer neste aspecto, com o resultado final a ser um interessante e contemprâneo retrato de uma Inglaterra cada vez mais cosmopolita e que vive atualmente em aparente contradição, já que não renega orgulhosamente só as suas raízes e tradições, ao mesmo tempo que pretende ser um baluarte e referência na integração de diferentes culturas e povos na sua sociedade.

Viagens a acampamentos de refugiados e a destinos tão díspares como Afeganistão, Kosovo ou Wasghington, fizeram parte do cardápio que inspirou The Hope Six Demolition Project, um álbum que é, claramente, um documentário sobre uma realidade que está na ordem do dia e sobre o qual PJ Harvey se debruça com particular emoção lirica e um arrojo e uma crueza sonora que já faziam falta no catálogo mais recente da autora. Na verdade, logo na imponência de The Community Of Hope, percebemos qual é o edifício sonoro que vai sustentar o disco, um agregado de influências que vão do rock cinematográfico de A Line In The Sand ao blues mais cru, exemplarmente expresso na sombria e seca Chain Of Keys e no ritmo de Orange Monkey, passando por alguns tiques da folk ancestral, audíveis em River Anacostia e do próprio punk e que a bateria marcial de Ministry of Defense amplia.

Álbum claramente interventivo, declaradamente político e avassalador no modo como espelha o mundo atual e alguns dos seus maiores flagelos, The Hope Six Demolition Project é um documento obrigatório para todos aqueles que apreciam PJ Harvey, mas também para quem só agora se predispõe a explorar o seu catálogo, não só porque comprova a boa forma de uma artista relevante, mas também porque prova como ela sabe honrar e preservar o seu espólio e acrescentar-lhe novos acertos e estéticas, com uma bitola qualitativa elevadíssima. Espero que aprecies a sugestão...

PJ Harvey - The Hope Six Demolition Project

01. The Community Of Hope
02. The Ministry Of Defence
03. A Line In The Sand
04. Chain Of Keys
05. River Anacostia
06. Near The Memorials To Vietnam And Lincoln
07. The Orange Monkey
08. Medicinals
09. The Ministry Of Social Affairs
10. The Wheel
11. Dollar, Dollar


autor stipe07 às 23:02
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Sábado, 9 de Abril de 2016

Teleman – Brilliant Sanity

Nascidos das cinzas dos Pete & The Pirates, um quinteto de Reading que editou dois excelentes discos no final da década passada, os britânicos Teleman são o vocalista Tommy Sanders, o seu irmão Johnny (teclados), o baixista Peter Cattermoul e o baterista Hiro Amamiya. Depois de Breakfast, o fantástico disco de estreia desta banda que é já um dos grandes destaques do catálogo da insuspeita Moshi Moshi Records, o quarteto está de regresso com Brilliant Sanity, onze excelentes canções, gravadas em Londres com método e enorme profissionalismo, segundo rezam as crónicas e produzidas por Dan Carey.

Da cândura de Glory Hallelujah à imponência de Canvas Shoe, os Teleman fazem, no segundo disco do seu cardápio, mais uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou neste álbum um novo alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

O baixo de Düsseldorf, o primeiro single divulgado do disco, merece, por si só, a audição deste álbum, com um punhado de outras notáveis canções, que mostram um notável recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e animada de paisagens instrumentais e líricas. Delas destaco também a delicadeza de Superglue e o charme único do tema homónimo, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível de canções como Fall In Time, ou Tangerine, composições que intercalam uma excelente interpretação vocal de Tommy Sanders com um trabalho instrumental habilidoso da restante banda, repleto de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas que conferem à toada geral de Brilliant Sanity um clima espectral.

Ao segundo registo, os Teleman oferecem-nos mais um disco que consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que caem muito bem neste início de primavera que teima em manter-se um pouco na penumbra. Espero que aprecies a sugestão...

Teleman - Brilliant Sanity

01. Düsseldorf
02. Fall In Time
03. Glory Hallelujah
04. Brilliant Sanity
05. Superglue
06. Canvas Shoe
07. Tangerine
08. English Architecture
09. Melrose
10. Drop Out
11. Devil In My Shoe


autor stipe07 às 15:07
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

Astronauts - You Can Turn It Off

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e tem já, finalmente, sucessor.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir uma simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica. Tal ficou recentemente muito bem plasmado em Civil Engineer, o primeiro avanço para End Codes, o tal novo disco de Astronauts, que irá ver a luz do dia a seis de maio e a receita repete-se, felizmente, em You Can Turn It Off, o segundo tema retirado de End Codes e que terá edição no final desta semana, em formato single, composição que tem como lado b uma singular mistura da autoria do aclamado projeto Grasscut.

Canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre e mais reservada e contida do que o single anterior, You Can Turn It Off é mais uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta, já que o metálico efeito sibilante constante, as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia, e um registo vocal em falsete belissimamente acompanhado por coros envolventes, fazem deste tema uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Adivinha-se pois mais um disco em que Dan Carney se entregará à introspeção e além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, irá fazê-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Confere...


autor stipe07 às 17:25
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Quinta-feira, 31 de Março de 2016

Inca Gold – Rewilder

Existe mais uma banda a merecer a maior atenção possível de quem aprecia escutar canções que contenham uma abrangência pop bastante atual, que da eletrónica ao rock progressivo, impressione pela forma subtil como, ao criar um ambiente muito próprio e único através da forma como se sustenta instrumentalmente, albergue diferentes géneros sonoros. Chamam-se Inca Gold, têm Londres como o seu poiso natural e Rewilder é o nome do disco de estreia, um trabalho disponível na plataforma bandcamp do grupo, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, ou de o obteres gratuitamente.

Sendo, na sua essência, um álbum mutante, pelo modo como abarca um leque alargado de estilos, Rewilder cria um universo que até parece algo obscuro, mas essa é uma percepção que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Logo no início, os sintetizadores e o falsete impecável de Desert Rats, assim como o groove do baixo e da bateria e os efeitos radiososos e a melodia intensa, abrem-nos portas para um alinhamento de canções que não deixa ninguém indiferente. Logo de seguida, o ritmo e os efeitos da pulsante Dark Skies firmam a primeira impressão positiva e consubstanciam uma verdadeira entrada a matar num registo de forte pendor hipnótico, ora catártico devido à batida, ora em busca de uma psicadelia que, muitas vezes, só um baixo picado a lançar-se sobre o avanço infatigável de todo o corpo eletrónico que sustenta as canções e que também usa a voz como camada sonora, consegue proporcionar.

A partir daí, no groove sedutor da tonalidade étnica de Hollow Shade e Pillars e na linha rugosa mas surpreendentemente delicada da guitarra que conduz Flutar, assim como no experimentalismo algo jazzístico de Ascend, canção que nos arrasta para um oasis de melancolia fortemente contemplativo e sugestivo e no curioso torpor rítmico e solarengo da frenética e exuberante Hologram, assistimos, consumidos e absortos, a uma verdadeira revisão histórica da pop dos últimos vinte anos, uma revisão eufórica que, no geral, está envolvida por um toque de lustro livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor.

Rewilder é um compêndio de canções que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Baseado no indie rock, mas misturado com tiques da eletrónica, hip hop, dubstep e reggae e o que mais apetecer a quem agora se dedica a esta mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores, acaba por ser um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Inca Gold - Rewilder

01. Desert Rats
02. Dark Skies
03. Hollow Shade
04. Flutar
05. Pillars
06. Ascend
07. Hologram
08. Energise
09. Farewell


autor stipe07 às 22:08
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Segunda-feira, 28 de Março de 2016

James – Girl At The End Of The World

Há bandas que resistem com firmeza ao definitivo ocaso e os britânicos James de Tim Booth, Jim Glennie (baixo), Larry Gott (guitarra), Saul Davies (guitarra, violino), Mark Hunter (teclados), David Baynton-Power (bateria) e Andy Diagram (trompete), são um excelente exemplo de um grupo que depois de um adeus anunciado com toda a pompa a circunstância, após uma carreira recheada de sucessos e uma popuplaridade enorme por cá, resolveu dar um novo fôlego ao projeto, uma segunda vida que se iniciou em 2008 com Hey Ma, e tem mais um novo capítulo no historial, pronto a ser apreciado por todos aqueles que, como é o meu caso, acompanham o grupo há mais de vinte anos.

james

Girl At The End Of The World, o décimo quarto longa duração dos James, sucede a La Petite Mort e foi produzido por Max Dingel (The Killers, Muse, White Lies), tendo sido escrito e gravado na Escócia e terminado nos estúdios Rak Studios, em St. John's Wood, Londres, contendo doze canções que lidam com o amor e toda a envolvência emocional que este sentimento provoca em quem procura vivênciá-lo com a maior plenitude possível.

Conhecemos Tim Booth há três décadas, já o ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, mas é curioso começar a ouvir este disco e perceber, logo em Bitch, que o músico ainda tem intata a capacidade de encarnar outras personagens, de forma bastante plausível, mesmo que sejam do sexo oposto. E neste tema fá-lo de modo bastante convincente,  à boleia de um baixo rugoso e encorpado, atravessado por flashes sintetizados particularmente inspirados, duas das imagens sonoras mais relevantes de Girl At The End Of The World, um disco que, como tem sido hábito nesta segunda vida dos James, procura um equilíbrio entre o charme inconfundível das guitarras que carimbam o ADN dos James com o indie rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. A presença de Max Dingel na produção é o tiro certeiro nessa demanda, apesar de não ser justo descurar a herança que nomes como Gil Norton ou Brian Eno, figuras ilustres que já produziram discos dos James, ainda têm na sonoridade do grupo.

Um clima bastante festivo é outra imagem impressiva deste alinhamento, que exala optimismo e luz em praticamente todos os temas. A pop feita alegoria em Waking e a dinâmica de To My Surprise, são dois claros exemplos disso, sendo a última uma canção onde os efeitos e as variações da bateria ajudam as guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Booth. Essa excelente forma vocal é ampliada pelo excelente acompanhamento que a mesma faz ao piano em Attention e ao sintetizador na contemplativa Dear John, um dos melhores momentos melódicos do disco, o clássico tema orquestral, com alguns detalhes a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente James. Depois, se no clima acústico de Feet Of Clay existem alguns pormenores que nos remetem para os primórdios do grupo, nomeadamente para certos instantes de Laid, já a manta sintética que abastece Surfer's Song e as guitarras de Catapult exalam U2 por todos os poros sonoros, com Move Down South e Alvin a conterem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas, nomeadamente o tal baixo pulsante e vigoroso.

Nomes maiores da pop independente das últimas décadas e detentores de mais de vinte singles que alcançaram o top britânico, os James testemunharam todos os movimentos musicais que foram aparecendo em Inglaterra e foram sempre uma alternativa credível, por exemplo, à britpop. E a verdade é que seguem ainda firmes no seu caminho, a reboque de mais um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os James ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico indie rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

James - Girl At The End Of The World

01. Bitch
02. To My Surprise
03. Nothing But Love
04. Attention
05. Dear John
06. Feet Of Clay
07. Surfer’s Song
08. Catapult
09. Move Down South
10. Alvin
11. Waking
12. Girl At The End Of The World


autor stipe07 às 11:19
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Sexta-feira, 18 de Março de 2016

Is Tropical – Black Anything

Três anos depois do espantoso I'm Leaving, os londrinos Is Tropical, um quarteto constituido por ☮ ☯ † e ∞, estão de regresso aos discos com Black Anything, um álbum que viu a luz do dia a onze de março e que foi sendo revelado através do lançamento de alguns temas em formato vinil e digital, disponíveis na Axis Mundi Records. São essas edições prévias que também fazem de Black Antyhing um disco conceptual, já que foi captado na estrada durante a digressão de I'm Leaving e esses temas representam cada um dos cinco continentes onde foram gravadas e por onde o grupo passou.

Modular e ambicioso e produzido por Luke Smith (Foals, Depeche Mode), Black Anything liga-nos logo à corrente com os sintetizadores, as batidas irregulares alimentadas pela eletrónica e as vocalizações robotizadas aceleradas de Lights On e com uma guitarra abrasiva que vai trespassando a bateria sintética que suporta a languidez indisfarçável de Crawl. Já Cruise Control mantém o ênfase numa sintetização bastante vincada e numa percussão que abraça as tendências mais atuais da pop, prosseguindo o desfilar de sons, melodias e ritmos, criados por uns Is Tropical cada vez mais abertos e  ecléticos, mas também acessíveis e definitivamente longe do desconforto lo fi dos primórdios do projeto.

A primeira impressão que trespassa de Black Anything é mesmo esta ideia de renovação, assente em arranjos mais luminosos e que clamam a todo o instante por uma explosão sonora, mesmo em composições como Follow The Sun e Now Stop, que gozam de uma riqueza estilística ímpar. Se a primeira abriga-se num ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada, prosseguindo, durante quase três minutos, numa demanda triunfal rumo a uma salutar insanidade desconstrutiva e psicadélica, já Now Stop contém um groove intenso e um inconfundível perfume jazzístico, bastante aditivo e que termina num arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou o tema. E, quanto a mim, é na sequência destas duas composições que se confere o âmago de Black Anything, tornando-o verdadeiramente fiável na garantia da expansão do número de fãs e admiradores do grupo.

Além das composições já referidas, a imponência vocal dos coros de Fall, mas, acima de tudo, as inesperadas cordas que conduzem a cândura pop de Say e o groove magnético que conduz a batida eletroclash de Believe, denotando criatividade e capacidade destes Is Tropical em criar melodias capazes de fugir do óbvio, comprovam que este é um registo cheio de boas canções, quase todas muito bem estruturadas e que abrirá certamente novas portas, em termos de opções sonoras, um trunfo imparável para o amadurecimento e sucesso musical futuro do grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Is Tropical - Black Anything

01. Lights On
02. Crawl
03. Cruise Control
04. Fall
05. On My Way
06. Follow the Sun
07. Non Stop
08. Say
09. Believe
10. What You Want


autor stipe07 às 21:04
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Terça-feira, 15 de Março de 2016

The 1975 – I like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It

Depois do sucesso de The 1975, o disco homónimo de estreia dos The 1975 de Matt Healy, um trabalho editado em 2013, já está nos escaparates I Like It When You Sleep For You Are So Beautiful Yet So Unaware of It, dezassete canções que viram a luz de fevereiro à boleia da Polydor Records.

O mar, um estranho som de estúdio, um eco que aumenta e termina repentinamente, um teclado vulcanizado, um coro distorcido e metais quase impercetíveis, escancaram-nos as portas, no tema homónimo, para um disco colorido e multifacetado de uns The 1975 que, como se percebe logo na deslumbrante e divertida Love Me, parecem apostados em deixar para trás o ambiente mais sintético e sombrio do disco homónimo de estreia, privilegiando canções feitas em redor de refrões aditivos e melodias de fácil assimilação, com a vertente comercial a ser um fator importante do processo de composição e assim conseguir chegar já às massas depois de um processo de maturação que lhes foi particularmente favorável, tendo em conta o sucesso de The 1975.

A alteração dos tons cinza da capa do primeiro trabalho para um rosa vincado, sendo um detalhe estético, também realça com intensidade esta inflexão sonora dos The 1975 que, neste sempre difícil segundo disco, abastecem-se de algumas das referências pop dos anos oitenta com forte tendência radiofónica e colocam explicitamente as pistas de dança na mira. Além da riqueza de géneros e estilos bem patente no instrumental Lostmyhead e na sofisticação do agregado sonoro que define Somebody Else, o saboroso piscar de olhos ao melhor R&B norte americano na eletrónica futurista de Loving Someone e nos sopros e na batida da insinuante If I Believe You, o groove indisfarçável que alimenta a percussão de UGH!, uma canção que aborda a dependência da cocaína de Healy e que não deixa a nossa anca despercebida e a exuberância eletropop das cordas, além da cadência da bateria de She's American, são outros exemplos que firmam com notável exatidão este novo farol dos The 1975, em canções que abordam temáticas relacionadas com o sexo, dinheiro e as questões fundamentais da adolescência, ideias transversais a todo o alinhamento de I like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It e que reforçam a superior capacidade inventiva e uma imagem de ecletismo e personalidade que estes The 1975 claramente já possuem. Aliás, a componente lírica é mesmo um dos grandes destaques deste disco, principalmente pelo modo como, além dos tópicos acima referidos, a banda procura elucidar todos aqueles que aspiram a um mundo de fama e glamour, mas que nem sempre corresponde às melhores expetativas criadas, com a religão a ser também um foco de atenção de Healy, nomeadamente em If I Believe You Nana e a complexidade do pensamento humano a merecer igualmente abordagem, tão bem expressa nas teclas, na voz emotiva e nos efeitos enleantes de The Ballad of Me and My Brain.

Sólido, vibrante, eclético e efusivo, I like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It é um disco que nos reaviva as memórias relativamente a uma época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo, mas também nos serve para fornecer pistas muito concretas sobre as tendências mais atuais de um rock alternativo cada vez mais disposto a alargar fronteiras e a misturar, sem receio, estilos, géneros e tiques, de modo a criar uma sonoridade pop cada vez mais futurista e que prime pela diferença. Espero que aprecies a sugestão...

The 1975 - UGH!

01. The 1975
02. Love Me
03. UGH!
04. A Change Of Heart
05. She’s American
06. If I Believe You
07. Please Be Naked
08. Lostmyhead
09. The Ballad Of Me And My Brain
10. Somebody Else
11. Loving Someone
12. I like It When You Sleep, For You Are So Beautiful Yet So Unaware Of It
13. The Sound
14. This Must Be My Dream
15. Paris
16. Nana
17. She Lays Down


autor stipe07 às 20:36
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Segunda-feira, 14 de Março de 2016

The KVB – Of Desire

Nicholas Wood e Kat Day são o núcleo duro dos londrinos The KVB, mais uma banda a apostar na herança do krautrock e do garage rock, aliados com o pós punk britânico dos anos oitenta. Of Desire é o mais recente registo de originais da dupla, um álbum com doze canções com a chancela da Invada Records e que sucede ao aclamado Mirror Being, uma coleção de vários instrumentais e experimentações analógicas que foram sendo captadas pela dupla ao longo da etapa inicial da carreira.

Gravado em Bristol, nos arredores de Londres, Of Desire é um extraordinário registo sonoro em cuja concepção a dupla esmerou-se na construção de composições volumosas e que acabaram por se deixar conduzir por um som denso, atmosférico e sujo, que encontra o seu principal sustento nas guitarras, na bateria e nos sintetizadores, instrumentos que se entrelaçam na construção de canções que espreitam perigosamente uma sonoridade muito próxima da pura psicadelia.

Com vários instantes sonoros relevantes instrumentalmente, nomeadamente o compositório eletrónico que sustenta White Walls, o clima hipnótico do ecos e do som repetitivo das teclas de Silent Wave e a melodia enleante de Never Enough, são apenas três dos vários momentos altos deste agregado, canções onde os sintetizadores também se posicionam numa posição cimeira, apesar da tal primazia das guitarras e onde não falta também um baixo vibrante e que recorda-nos a importância que este instrumento tem para o punk rock mais sombrio, com a diferença que os The KVB conseguem aliar às cordas desse instrumento, cuja gravidade exala ânsia, rispidez e crueza, uma produção cuidada, arranjos subtis e uma utilização bastante assertiva da componente maquinal. In Deep acaba por infletir um pouco as pisadas deixadas pelos temas anteriormente referidos, já que além de conter uma guitarra carregada de fuzz e distorção, insinua os nosso ouvidos com alguns samples impercetíveis mas que conferem ao tema uma toada orgânica inédita, além da abundância de arranjos delicados feitos com metais minimalistas.

Enquanto muitas bandas procuram a inovação na adição de uma vasta miríade de influências e tiques sonoros, que muitas vezes os confundem e dispersam enquanto calcorreiam um caminho que ainda não sabem muito bem para onde os leva, os The KVB parecem ter balizado com notável exatidão o farol que querem para o seu percurso musical, atirando-nos para ambientes eletrónicos onde os teclados têm o maior destaque, construindo diversas camadas sonoras, quase sempre entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. Espero que aprecies a sugestão...

The KVB - Of Desire

01. White Walls
02. Night Games
03. Lower Depths
04. Silent Wave
05. Primer
06. Never Enough
07. In Deep
08. Awake
09. V11393
10. Unknown
11. Mirrors
12. Second Encounter


autor stipe07 às 18:49
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Sábado, 5 de Março de 2016

The Kills - Doing It To Death

The Kills - Doing It To Death

Os britânicos The Kills de Jamie Hine e Alison Mosshart parecem finalmente decididos a quebrar um hiato discográfico de praticamente meia década, já que o excelente Blood Pressures foi o último disco que a dupla lançou já no longínquo ano de 2011.

Gravado no outro lado do atlântico, em Los Angeles e nos estúdios Electric Lady, em Nova Iorque, Ash & Ice é o nome do novo álbum dos The Kills, um trabalho produzido pelo guitarrista Jamie Hince, com a preciosa ajuda do conceituado John O’Mahoney.

Doing It To Death é a primeira amostra divulgada de Ash & Ice e este tema mostra que o rugoso, crú e visceral punk rock dos The Kills mantém-se intocável, assim como o charme inconfundível de uma dupla única e sem paralelo no universo alternativo atual. Confere...


autor stipe07 às 15:57
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Terça-feira, 1 de Março de 2016

Storm The Palace - La Lido vs Cadillacs and Carousels

Oriundos de Londres, os Storm The Palace são um extenso coletivo formado por Sophie Dodds, Reuben Taylor, Gordon Webster, Pippa Murdie e Sam Wilkinson, que lançou no passado dia dezoito de maio de 2015 In Ruins, um Ep com cinco canções e que tinha a chancela da Abandoned Love Records. Agora, quase um ano depois, o grupo está de regresso e abrigado pela mesma etiqueta, com um lançamento em formato single de dois temas, La Lido e Cadillacs and Carousels.

Estes Storm The Palace oferecem-nos um rock clássico cheio de nuances que vão da música celta à folk tipicamente irlandesa, sempre com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar, que sobrevive à custa de arranjos de cordas exuberantes, onde não faltam violinos e bandolins. E, de facto, estas duas canções são competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos, misturando harmoniosamente uma exuberância acústica com a belíssima voz de Sophie, ímpar a dar expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana e ampliada pela combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre percussivos.

Há um aspeto único na música destes Storm The Palace e esse detalhe expressa-se no modo como nunca roubam às cordas o merecido protagonismo, sem descurarem outras nuances e instrumentos, uma fórmula que se repete mais uma vez, com duas novas cançõres que renovam a vontade de nos fazer refletir, com um romantismo e uma cândura que cheiram a maresia e nos confrontam com a nossa natureza. Quer La Lido quer Cadillacs and Carousels, permitem, em suma, vivermos uma sensação curiosa e reconfortante, numa audição que transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

La Lido / Cadillacs and Carousels cover art

La Lido

Cadillacs and Caroussels

 


autor stipe07 às 19:11
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