Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Childhood – Lacuna

Formado por Ben Romans Hopcraft, Leo Dobsen, Daniel Salamons e Jonny Williams e oriundo de Londres, o coletivo britânico Childhood acaba de se estrear nos discos com Lacuna, um trabalho produzido por Dan Carey e que viu a luz do dia por intermédio da Marathon Artists.

Childhood é um daqueles projetos que aposta numa veia sonora algo instável e experimental, uma espécie de eletropsicadelismo assente numa pop de cariz eletrónico que, neste caso, parece viver mergulhada num mundo controlado por sintetizadores, que criam melodias que passeiam pelo mundo dos sonhos. As próprias letras que os Childhood escrevem dançam nos nossos ouvidos e a voz de Leo, um dos destaques do projeto, cresce, música após música, num misto de euforia, subtileza e entrega.

De cariz eminentemente nostálgico, mas que não coloca de lado um ambiente bastante animado e festivo, Lacuna é um disco com o qual criamos facilmente empatia, já que desperta sensações apelativas, relacionadas com eventos passados que nos marcaram, despertando em nós aquelas referências pessoais que nunca nos deixam. Tendo em conta esta constatação fantástica e até literal, o disco poderá acabar por parecer a banda sonora de um conto infantil que poderia ser ilustrado pela mesma capa de cores exageradas e pelo traço pueril que guarda a rodela. No entanto, uma audição atenta mostra-nos que este passeio por um universo feito de exaltações melancólicas nada mais é do que um retrato sombrio, mas sonoramente épico e luminoso, do tantas vezes estranho quotidiano que sustenta a vida adulta. Em onze canções onde há um certo clima circense e uma evidente psicadelia pop que lida com as orquestrações lo fi, o amor, mas também a solidão ou o abandono, servem como assunto, estes últimos conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade.

Uma das ideias que mais me absorveu durante a audição dos Lacuna foi uma certamente consciente vontade dos Childhood em soarem genuínos e apresentarem algo de inovador; Em alguns instantes desta obra, como nos ruídos sintéticos de You Could Be Different, nos ritmos das roqueiras Sweet Preacher e When You Rise, a última fortemente progressiva e na melancolia de As I Am ou do single épico Falls Away, a banda faz algo inovador e diferente, e Tides e Solemn Skies ampliam esta quase obsessiva vontade dos Childhood em se afastarem das habituais referências que suportam o edifício comercial do universo sonoro indie, para flutuarem entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto e melodias ascendentes e alegres. Esta fórmula faz de Lacuna uma obra prima fortemente sentimental e capaz de abarcar um cardápio instrumental bastante diversificado, que prova que os Childhood entraram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, seja eletrónico ou acústico e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas.

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, através dessa fórmula acima descrita feita com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no tal eletropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise


autor stipe07 às 19:21
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Dignan Porch – Observatory

Oriundos de Londres, os britânicos Dignan Porch estão de regresso aos discos com Observatory, um compêndio de doze canções que viu a luz do dia a vinte e seis de junho por intermédio da Faux Discx e disponível no bandcamp da editora. O conteúdo de Observatory não tem grandes segredos e esse acaba por ser um dos maiores elogios que se pode fazer a um disco que aposta numa sonoridade indie rock, próxima de uma pop ligeira e nostálgica e que foi objeto de um irrepreensível trabalho de produção cuidado e apurado.

O rock alternativo dos anos noventa é a grande bitola que orienta o som dos Dignan Porch e canções como Veil Of Hze, No Lies ou Between The Trees, comprovam que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola.

Com uma sonoridade firme, homogéna e convicta, Observatory é mais uma janela aberta para um espetro sonoro algo psicadélico, onde o cariz lo fi das guitarras distorcidas e os efeitos, quase sempre em eco, na voz, são recursos técnicos indispensáveis para que se possa apreciar um álbum sensível com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente.

Apesar desta fluidez intencional, Observatory pode ser dividido em duas partes; Numa delas encaixam instantes sonoros onde  domina um ambiente mais rugoso e expansivo, feito de canções canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia, com particular destaque para a já citada Between The Trees, Got To Fly e, principalmente, Harshed, um tema onde a distorção da guitarra a fazer recordar o clássico The Other Side Of The World dos Dishwalla é um dos instants do disco mais deliciosos, um pormenor fulminante na forma como transporta até nós o tal glorioso ambiente alternativo dos anos noventa. Por outro lado, canções como Dinner Tray, a melancólica Swing By, ou Wait & Wait & Wait assentam num formato eminentemente íntimo e onde existe uma maior escassez instrumental. No entanto, nesta outra faceta do disco também há muita beleza, registada em deliciosos detalhes sonoros, percetíveis se a audição for feita com recurso a headphones. Como estes dois universos algo distintos de Observatory não encontram uma sequencialidade óbivia no alinhamento, é interessante apreciar a sensação de ligação entre as canções, numa espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

Aparentemente sem grandes pretensões mas, na verdade, de forma claramente calculada, os Dignan Porch procuraram recriar em Observatory um som ligeiro, agradável e divertido, onde não faltam as guitarras cheias de distorção e melodicamente apuradas, a contrastar com uma postura vocal doce e delicada, apesar da tal profusão de efeitos que a envolve. É, em suma, um álbum perfeito para nos levar numa viagem que, do noise, ao grunge, passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, está cheio de canções simples, mas verdadeiramente capazes de nos empolgar, devido a uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado. Espero que aprecies a sugestão...

Dignan Porch - Observatory

01. Forever Unobscured
02. Deep Deep Problem
03. Veil Of Hze
04. No Lies
05. Between The Trees
06. Wait And Wait And Wait
07. Harshed
08. I plan To Come Back
09. Dinner Tray
10. Warm Welcome To Hell
11. Got To Fly
12. Swing By

band
[mp3 320kbps] tb ul ob zs


autor stipe07 às 22:14
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

You Walk Through Walls – You Walk Through Walls

Depois do aclamado EP Destroyed Places, editado em 2012, os londrinos You Walk Through Walls estreiam-se finalmente no formáto álbum com um espetacular homónimo, que contém dez canções e que viu a luz do dia por intermédio da etiqueta Club AC30. Os You Walk Through Walls são  Matt, James e Harry, um trio que renasceu das cinzas dos lendários Air Formation, de Matt e James.

O conteúdo sonoro que vive muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte, continua na ordem do dia e este disco é mais um exemplo feliz de uma mescla de diferentes estilos vintage, mas que congregam muitas das qualidades do indie rock atual, através de um espírito de composição algo volátil e envolvido por uma intensa dose de experimentalismo.

You Walk Through Walls demonstra cabalmente que uma sonoridade ruidosa não é inacessível para quem pretende ser simultaneamente melódico; O jogo potente que se desenvolve entre a bateria e as guitarras em Burning Inside, ou os efeitos de Revelations, têm particularidades intrínsecas à dream pop, com a psicadelia a ser, naturalmente, aquele detalhe firme e constante, que se apoia em alguns interessantíssimos momentos etéreos criados pelos efeitos particularmente melódicos que provêm da distorção da guitarra.

Como seria de esperar neste espetro sonoro, presente-se um certo clima sombrio ao longo da audição, como se os You Walk Through Walls canalizassem para a sua música um hipotético sofrimento que sobre eles se abateu, usando-o como um meio criativo e assim expressarem, através de uma tragédia, a sua visão poética da dor, de forma comovente e sincera, com Wrap Myself In Dreams a ser um exemplo bastante particular dessa indisfarçável necessidade de carpir algo através da música.

Em oposição a esse clima mais contido e etéreo, a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza de temas como Always Want to Know ou o single Gone In A Day, entre outros, são suavizados por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas, que procuram uma clara diversidade melódica e até instrumental e a demonstração de um cuidado controle das operações, mas sem deixar de ter o habitual universo cinzento e nublado, que, pelos vistos, cobre a mente criativa de Matt, o líder do projeto. Mesmo quando em Far Beyond há um perigosa aproximação ao rock mais negro e progressivo, os You Walk Through Walls não ultrapassam completamente essa fronteira e não embaraçam a fidelidade que demonstram relativamente à tendência geral do álbum, conseguindo ainda apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente.

No final do disco, a pop mais branda da já citada Revelations e de How Can We Go On, poderá ser um bom indicativo de que o amanhã deste grupo londrino assentará também em bases sonoras mais ambientais, mas sempre ampliadas com o potencial psicadélico das guitarras e da voz flutuante de Matt, para que nunca se perca o charme que é intrínseco ao cardápio sonoro deste grupo. 

You Walk Through Walls é um álbum muito carregado emocionalmente e talvez pretenda refletir o estado psíquico de uma banda que personifica um novo ponto de partida para dois músicos muito marcados por transformações e dissabores, mas que nunca deixaram, ao longo da carreira, de tentar ser coerentes no desejo de deixar, disco após disco, novas pistas para a salvação do rock. O resultado final algumas vezes não foi o melhor, mas essa nobre intenção de recomeçar ganhou um novo vigor neste disco que, quanto a mim, faz destes You Walk Through Walls novos mestres na arte de dissecar uma já clássica relação estreita entre o rock de garagem e o punk psicadélico e exímios na forma como colocam na voz aquele cariz algo sombrio que tão bem carateriza este género de sonoridade. Espero que aprecies a sugestão...

You Walk Through Walls - You Walk Through Walls

01. Burning Inside

02. Gone In A Day
03. Miss So Much
04. The Light Is Fading
05. Wrap Myself In Dreams
06. Always Want To Know
07. Far Beyond
08. On My Way
09. How Can We Go On
10. Revelations

 


autor stipe07 às 19:31
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

My Autumn Empire – The Visitation

Natural do condado de Staffordshire, na Inglaterra, Benjamin Thomas Holton é a mente brilhante por trás do projeto My Autumn EmpireThe Visitation, um disco lançado no passado mês de abril, o seu mais recente trabalho, uma obra conceptual, inspirada em imagens televisivas, na complexidade das relações humanas e no imenso espaço sideral, tantas vezes o maior ponto de encontro de imensos dos nossos sonhos.

Cheio de harmonias vocais verdadeiramente sumptuosas, The Visitation é um belíssimo tratado de indie folk, um disco que transborda uma imensa sinceridade e onde Benjamim certamente compôs e criou aquilo que realmente quis. Pelo conteúdo lírico deste álbum percebe-se que My Autumn Empire deseja ardentemente espicaçar a mente de quem vive  permanentemente inquieto pela forma como tratamos este mundo, em dez letras que transbordam modernidade e uma sensação de quotidiano e normalidade, como se qualquer um de nós pudesse vestir a sua pele e viceversa, quando exalta o direito à individualidade de cada um, num mundo atual tão mecanizado e rotineiro.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Benjamim entregou-se então à introspeção e refletiu sobre o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Com momentos que apelam à folk pop melancólica mais negra e introspetiva, com ritmos e batidas feitos com detalhes da eletrónica e que mesmo acompanhados por uma variada secção de metais, não colocam em causa uma faceta algo acústica, que parece orientar o processo base da composição melódica do projeto, à medida que o disco escorre pelos nosso ouvidos, acabamos por conferir, acima de tudo, um misto de cordas impregnadas com uma altruísta beleza utópica, que se entrelaçam com algumas distorções e arranjos mais sintetizados. Assim, o que não falta mesmo neste álbum, são belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com relatos de um mundo tão perfeito como os nossos melhores sonhos, dez canções que parecem emergir de um sono profundo e que ao ganharem vida se convertem num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de amor, o mesmo amor sincero e às vezes sofrido, com que todos nós contatamos pelo menos uma vez na vida.

Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, em The Visitation tudo se movimenta de forma sempre estratégica e sumptuosa, como se cada mínima fração do disco tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. A constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão...  

My Autumn Empire - The Visitation

01. When You Crash Landed
02. Blue Coat
03. Where Has Everybody Gone
04. Summer Sound
05. Afternoon Transmission
06. It’s Around
07. Andrew
08. The People I Love
09. The Visitation
10. All In My Head

 


autor stipe07 às 22:26
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Cloud Boat – Model Of You

Naturais de Londres, os britânicos Cloud Boat são Sam Ricketts e Tom Clarke, uma dupla de indie pop que lançou no passado dia catorze de julho Model Of You, através da Apollo Records. Este novo álbum dos Cloud Boat sucede a Book Of Hours, o trabalho de estreia dos Cloud Boat.

Quando eram mais novos, Tom e Sam tocaram em bandas de metal e de post rock e só mais tarde, no meio universitário, descobriram a eletrónica e o gosto por esse género musical foi-se acentuando à medida que, juntos, começaram a compôr. Começaram por editar em 2010, e através da etiqueta R&S, Lions On The Beach, um single que causou impacto pela mistura entre o dubstep e a folk, algures entre os Burial e os Hood e no ano seguinte dedicaram-se às remisturas. Finalmente, em 2013, surgiu Book Of Hours, o primeiro longa duração e, devido ao sucesso desse lançamento, Model Of You era aguardado pela crítica especializada com alguma expetativa.

Um sintetizador cheio de loops e efeitos e uma voz com um registo grave, mas ardente, que procura dar alguma cor e alegria às letras depressivas e assim espalhar sensualidade e hipnotismo às canções, são alguns dos trunfos usados pelos Cloud Boat, manuseados com evidente inspiração e que originam um ambiente sonoro cheio de charme, onde também não faltam algumas variações e os efeitos metálicos, que incluem cordas e instrumentos de sopro. Assim, Model Of You impressiona pela exuberância dos arranjos, apesar de não haver uma orientação explícita para as pistas de dança; No entanto, temas como Thoughts In Mine a Aurelia poderão agradar a quem procura essa vertente na música destes dois produtores britânicos.

O que se procura criar neste trabalho é, acima de tudo, paisagens sonoras amenas, mas cheias de movimento e cor, uma eletrónica com momentos mais ambientais, audíveis, por exemplo, em The Glow ou Golden Lights e outros onde há um apelo direto à típica indie pop de cariz mais comercial, com o piano de Hideaway ou as cordas de Bricks Are For a cumprirem cabalmente essa missão, ao memso tempo que nos permitem sermos invadidos por uma doce sensação de ternura e de melancolia. Os efeitos inebriantes que sustentam a percussão de Portraits Of Eyes, acompanhados por um loop de guitarra algo frenético, são outros trunfos de um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Seja como for, o maior destaque deste disco será, talvez, Carmine, uma canção assente na tal voz grave, invasiva e visceral, a conferir um interessante colorido a um tema com uma toada eminentemente pop e com arranjos pensados para a criação de um ambiente épico e cheio de paisagens deslumbrantes.

groove e a luminosidade deste registo são dois aspetos suficientemente apelativos para que não se deixe passar em claro uma coleção de doze canções intensas e bastante inspiradas que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Model Of You é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Boat - Model Of You

01. Prelude
02. Hideaway
03. Carmine
04. Portraits Of Eyes
05. Bricks Are For
06. The Glow
07. Golden Lights
08. Aurelia
09. Thoughts In Mine
10. Told You
11. All Of My Years
12. Hallow


autor stipe07 às 22:08
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Gold Panda – Clarke’s Dream

Gold Panda - "Clarke's Dream"

O produtor britânico Gold Panda editou o ano passado Half Of Where You Live, o seu disco de estreia e já trabalha no sucessor, que ainda não tem nome e data de lançamento prevista.

Clarke's Dream é o tema mais recente que Gold Panda disponibilizou mas, de acordo com informações recolhidas, não fará parte do alinhamento do novo disco do produtor. Este tema é um excelente instrumental, bastante funky, com um potencial enorme para ser alvo do encaixe por parte de uma voz do universo do hip-hop, por exemplo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:40
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Sábado, 2 de Agosto de 2014

Teleman - Breakfast

Nascidos das cinzas dos Pete & The Pirates, um quinteto de Reading que editou dois excelentes discos no final da década passada, os britânicos Teleman são o vocalista Tommy Sanders, o seu irmão Johnny (teclados), o baixista Peter Cattermoul e o baterista Hiro Amamiya. Breakfast é o fantástico disco de estreia desta banda que é já um dos grandes destaques do catálogo de 2014 de insuspeita Moshi Moshi Records, um álbum que viu a luz do dia no final do passado mês de maio e que foi produzido por Bernard Butler, guitarrista dos Suede.

Da cândura de Cristina à imponência de Travel Song, os Teleman fazem, no primeiro disco do seu cardápio, uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que parece vir a caraterizar a personalidade deste quarteto, que criou neste álbum um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

O baixo de Steam Train Girl, o primeiro single divulgado do disco, já em 2013, merecia, por si só, a audição deste álbum, com um punhado de outras notáveis canções, que mostram um notável recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e tranquila de paisagens instrumentais e líricas. Delas destaco também a delicadeza de Lady Low e o charme único do tema de abertura, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível de canções como 23 Floors Up, ou Skeleton Dance, que poderiam muito bem fazer parte do ideário sonoro da banda de onde é oriundo o produtor de Breakfast. Recomendo igualmente a audição cuidada da guitarra com um ligeiro travo ao blues do outro lado do atlântico de Mainline, da grandiosa Travel Song, canção que intercala uma excelente interpretação de Anderson com um trabalho habilidoso da restante banda e da divertida Monday Morning, um tratado sonoro que traz sons modulados e camadas sonoras sintetizadas  que lhe dão um clima espectral.

A fragilidade da voz refrescante e ternurenta de Tommy Sanders é mais um importante trunfo de um disco que consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que são uma das melhores surpresas de 2014 e que caiem muito bem neste verão que teima em manter-se um pouco na penumbra. Espero que aprecies a sugestão...

Teleman - Breakfast

01. Cristina
02. In Your Fur
03. Steam Train Girl
04. 23 Floors Up
05. Monday Morning
06. Skeleton Dance
07. Mainline
08. Lady Low
09. Redhead Saturday
10. Travel Song


autor stipe07 às 20:47
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Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Zero 7 – Simple Science

Os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave e que já não davam sinais de vida há quatro anos, desde Yeah Ghost (2009), além de um sete polegadas com dois temas editado no final do ano passado, estão de volta com um EP com quatro canções intitulado Simple Science, cujo lançamento está previsto para dezoito de agosto via Make Records. O respetivo tema homónimo conta com a voz do cantor australiano Danny Pratt.

Nesta canção, Sam Hardaker e Henry Binns mantêm a inflexão na sua sonoridade, agora mais virada para a pop e para o house, certamente com as pistas de dança ainda mais na mira. Este tema é um registo muito quente e a apelar à soul. Confere...

 

Zero 7 - Simple Science (Radio Edit)


autor stipe07 às 10:54
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Tim Bowness – Abandoned Dancehall Dreams

Nascido e criado no noroeste de Englaterra, Tim Bowness começou a sua carreira nos anos noventa, tendo sido representado pelas etiquetas Probe Plus, One Little Indian e Sony/Epic 550, tendo começado por se destacar como vocalista e compositor dos No-Man, banda onde também tocava Steven Wilson, membro dos Porcupine Tree. Nesse projeto participou em seis discos e um documentário, mas ainda arranjou tempo para colaborar com a italiana Alice e com Robert Fripp, Hugh Hopper (Soft Machine), OSI e Phil Manzanera dos Roxy Music, entre outros, além de ter feito parte dos Henry Fool e dos Memories Of Machines.

Além disso, Tim ainda gravou o álbum Flame (1994) com Richard Barbieri (Porcupine Tree), coproduziu e compôs para o aclamado Talking With Strangers (2009), um álbum de Judy Dyble, antigo membro dos Fairport Convention e tem colaborado com Peter Chilvers, um músico que costuma acompanhar Brian Eno e Karl Hyde. Desde 2001 ele dirige a bem sucedida etiqueta e loja de música online Burning Shed, juntamente com o baixista Pete Morgan, seu antigo companheiro nos No-Man.
Agora, vinte e um anos após o disco de estreia dos No-Man e dez depois de My Hotel Year, o seu primeiro registo a solo, Tim Bowness está de regresso aos lançamentos discográficos com Abandoned Dancehall Dreams, o seu segundo álbum a solo, lançado pela etiqueta Inside Out.
Produzido pelo próprio Bowness e misturado por Steven Wilson, parceiro nos No-Man, Abandoned Dancehall Dreams conta com as participações especiais de Pat Mastelotto (King Crimson), Colin Edwin (Porcupine Tree), Anna Phoebe (Trans-Siberian Orchestra) e alguns músicos que costumam tocar, ao vivo, com os No-Man, nomeadamente Stephen Bennett, Michael Bearpark, Pete Morgan, o próprio Steven Wilson, Andrew Booker e Steve Bingham. O compositor clássico Andrew Keeling, famoso pelo seu trabalho com a The Hilliard Ensemble e Evelyn Glennie ajudaram nos arranjos e nas orquestrações formidáveis que se podem escutar nas oito canções deste disco.

Abandoned Dancehall Dreams combina alguns dos detalhes mais significativos do chamado art rock, com uma escrita verdadeiramente sublime. Há algo de cinematográfico nestas oito canções, com uma sonoridade ampla e impecavelmente produzida, um conteúdo sofisticado que eleva a música de Bowness a um patamar qualitativo que alcança horizontes de excelência quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e proporciona-nos algumas explosões que, com os coros finais, dão a alguns temas a cor e o brilho que nos fazem levitar. As cordas e a bateria de The Warm-Up Man Forever, o pendor acústico de Waterfoot, a combinação entre o baixo e o sintetizador em Dancing For You, o rock pulsante de Smiler At 50 e a guitarra pinkfloydiana e os violinos de I Fought Against The South, são alguns exemplos de canções capazes de nos fazer flutuar num universo de composições etéreas e sentimentalmente atrativas e que demonstram que Tim é exímio a misturar ótimos arranjos clássicos, feitos com cordas, teclados e bateria, com uma voz que parece ser cantada junto ao nosso ouvido.

Em Abandoned Dancehall Dreams o grande mentor dos No-Man supera largamente o desafio que o segundo disco, neste caso a solo, geralmente provoca. Tendo trabalhado, ao longo da sua carreira, com uma série de nomes importantes do rock progressivo e do art rock britânicos, não surpreende a mestria com que explorou um espetro mais minimalista desse ramo do indie rock, sem deixar de ser sonoramente exuberante, profundo, delicado e soberbo. Espero que aprecies a sugestão...

Tim Bowness - Abandoned Dancehall Dreams

01. The Warm-Up Man Forever
02. Smiler At 50
03. Songs Of Distant Summers
04. Waterfoot
05. Dancing For You
06. Smiler At 52
07. I Fought Against The South
08. Beaten By Love


autor stipe07 às 22:55
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Sábado, 12 de Julho de 2014

Kasabian – 48:13

Lançado através do consórcio RCA/Columbia 48:13 é o tempo de duração exato e o nome do quinto álbum de estúdio dos Kasabian, o novo disco desta banda liderada por Tom Meighan e um trabalho produzido por Sergio Pizzorno, o guitarrista da banda.

48:13 é um álbum pesado, marcante, elétrico e explosivo e logo desde a primeira canção; Bumblebee traz consigo todo o esplendor festivo dos Beastie Boys e ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada e damos por nós a desejar que o resto do disco seja assim. A urgente e grandiosa Stevie não fica atrás e, após seres bombardeado com uma percurssão muito vincada e uma guitarra cheia de fuzz, quando te apercebes já estás a cantar o refrão, devendo esta canção de ser uma das escolhas para single, algo que, na minha opinião, seria bem recebido pela crítica.

O festim é interrompido um pouco por Mortis, um dos dois interlúdios do disco, juntamente com Levitation, mas logo de seguida Doomsday e Treat levam-nos de volta ao indie rock cru e direto, que não descura a presença de sinteitzadores cheio de efeitos, com a função, várias vezes simultânea, de conferirem alguns detalhes e uma energia diferente ao corpo das canções que não defruadam quem quer abanar a anca ao som de algo grandioso. Esta Treat, uma canção que explora a temática do groove sobre diferentes espetros e Glass, um tema que conta com a paticipações especial do rapper Suli Breaks, são duas das faixas mais interessantes de 48:13, já que há um sintetizador com um cariz fortemente experimental e límpido a guiar às cançôes e abrem-se algumas pistas interessantes acerca do futuro discográfico dos Kasabian, que poderá partir em busca de ambientes pop mais épicos e etéreos, o que não deixa de ser curioso já que foi o guitarrista a produzir este álbum.

O eletro rock bem vincado, pulsante e visceral de Clouds e o agitado e ritmado single Eez-eh é mais uma grande sequência do disco e, pouco depois, ele termina com a apoteótica S.P.S, uma típica canção de fim de festa, daquele nascer do sol que incomoda o olhar depois de termos perdido a noção do tempo.

A perceçao final que fica é que, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos sintetizados, pelos efeitos e pelas vozes, tudo se movimentou de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de 48:13 tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de eletrónica, psicadelia e rock progressivo.

Ao quinto álbum os Kasabian voltam a procurar atingir o pico na busca constante do verdadeiro caminho e da sua sonoridade e confirmam o estilo, o método e a obsessão típicas de quem quer abalar definitivamente o atual sistema musical, trazendo uma nova sonoridade ao rock alternativo e ansiando continuar a ser um marco no cenário musical indie. Espero que aprecies a sugestão...

Kasabian - 48-13

01. (Shiva)
02. Bumblebee
03. Stevie
04. (Mortis)
05. Doomsday
06. Treat
07. Glass
08. Explodes
09. (Levitation)
10. Clouds
11. Eez-eh
12. Bow
13. S.P.S.

 


autor stipe07 às 17:01
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

James – La Petite Mort

Depois de em 2008 terem surpreendido com o retorno aos lançamentos discográficos após um anunciado fim de carreira, com Hey Ma, os James de Tim Booth, Jim Glennie (baixo), Larry Gott (guitarra), Saul Davies (guitarra, violino), Mark Hunter (teclados), David Baynton-Power (bateria) e Andy Diagram (trompete), estão de regresso aos trabalhos de estúdio com La Petite Mort, o décimo terceiro longa duração deste coletivo britânico, natural de Manchester. La Petite Mort foi produzido por Max Dingel (The Killers, Muse, White Lies) e escrito em Manchester, Lisboa, Atenas e nas Highlands escocesas, tendo a morte da mãe de Tim Booth, uma referência importante da sua vida, servido de mote para o conteúdo lírico e emocional de dez canções que lidam com a mortalidade, mas sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente lhe é atribuido.

Conhecemos Tim Booth há três décadas, já o ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, mas é curioso começar a ouvir este disco e, logo em Walk Like You, escutarmos um Booth que declama com sentimento que ainda não o conhecemos verdadeiramente e que tem muito maisdentro de si para nos revelar. Percebe--se logo o cariz autobiográfico do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização de uma perca certamente traumática, mas que deve ser vivida, sustentada, acima de tudo, pelas boas memórias e recordações que o músico guarda dentro de si da mãe.

Nome maior da pop independente dos últimos 30 anos e detentores de mais de vinte singles que alcançaram o top britânico, os James testemunharam todos os movimentos musicais que foram aparecendo em Inglaterra e foram sempre uma alternativa credível, por exemplo, à britpop e seguem ainda firmes no seu caminho, iniciado quando na primeira metade da década de oitenta foram apontados como os candidatos maiores a dar sequência à herança inolvidável dos The Smiths.

Em La Petite Mort é procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível das guitarras que carimbam o ADN dos James com o indie rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. A presença de Max Dingel na produção é o tiro certeiro nessa demanda, apesar de não ser justo descurar a herança que nomes como Gil Norton ou Brian Eno, figuras ilustres que já produziram discos dos James, ainda têm na sonoridade do grupo.

Este encaixe de novas tendências proorcionado por Max fica plasmado logo na já referida Walk Like You, uma canção onde os efeitos e os pianos ajudam as guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Booth. Depois, Curse Curse está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a percurssão a conduzirem a canção. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de Moving OnGone Baby Gone exala U2 por todos os poros sonoros e Frozen Britain tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas.

Uma das sequências mais interessantes de La Petite Mort é constituida pela balada Bitter Virtue, uma canção introspetiva e melancólica onde a voz de Booth assenta na perfeição, à qual se segue All In My Mind, o clássico tema orquestral conduzido pelo piano, com alguns detalhes das cordas e do trompete a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente James. A sequência termina com o mesmo piano, mas agora a tocar numa espécie de looping crescente, em Quicken The Dead, uma canção que é depois adornada por lindíssimos coros, pela mesma secção de sopro e por cordas implícitas mas deslumbrantes.

La Petite Mort chega ao ocaso com a sentida e confessional All I'm Saying e com a herança dos The Smiths vincada em Whistleblowers e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os James ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico indie rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

James - La Petite Mort

01. Walk Like You
02. Curse Curse
03. Moving On
04. Gone Baby Gone
05. Frozen Britain
06. Interrogation
07. Bitter Virtue
08. All In My Mind
09. Quicken The Dead
10. All I’m Saying


autor stipe07 às 21:21
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Alt-j - Left Hand Free

Depois de o trio birtânico alt-J ter anunciado que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie, divulgou o primeiro avanço, uma canção bastante atmosférica e introspetiva, chamada Hunger Of The Pine.

Agora, algumas semanas depois, já se conhece o segundo avanço de This Is All Yours. O tema chama-se Left Hand Free e assenta num corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. O novo disco dos alt-J irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious. Confere...


autor stipe07 às 14:24
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Domingo, 29 de Junho de 2014

Sleaford Mods - Divide And Exit

Lançado no passado dia vinte e oito de abril pela Harbinger Sound, Divide And Exit é o novo álbum dos Sleaford Mods de Andrew Fearn e Jason Williamson, uma dupla oriunda de Grantham, o local onde nasceu Margaret Thatcher e que aposta na herança punk que, na Inglaterra de onde são oriundos, floresceu, curiosamente, num período conturbado da história do reino, devido à contestação social ao governo dessa ex primeira ministra britânica, no início da década de oitenta.

O punk rock está de regresso e em força com os Sleaford Mods, uma verdadeira lufada de ar frasco que se sente em catorze canções que não encontram facilmente paralelo no cenário indie atual e que aposta num hardcore que tem na voz agressiva, no baixo e nas guitarras que vão beber ao punk dos anos oitenta, os traços identitários mais significativos. Na verdade, basta ouvir cinco segundos da primeira música do disco para se antecipar com elevado grau de certeza o restante conteúdo do álbum, feito com canções construídas em cima de uma batida quase sempre com o mesmo andamento.

Definido pela crítica britânica como o novo som do medo e do delírio em East Midlands, Divide and Exit é raiva e energia, algo que os Sleaford Mods têm de sobra e debitam através de um som barulhento e agressivo, cerca de quarenta minutos onde a dupla explora, com muito gosto e sucesso, as possibilidades infinitas da herança punk rock que nomes como ou os The Clash, The Chuddy Nuddies, os Sex Pistols e, já nos anos noventa, os The Streets foram fiéis depositários. O próprio registo vocal dos Sleaford Mods remete-nos claramente para o reportório de Mike Skinner.

Com uma linguagem explícita em quase todo o alinhamento e com várias referências aos problemas da assim como ao uso de substâncias psicotrópicas, incluindo as drogas duras (The Corgi), os Sleaford Mods tentam transformar em hinos sonoros as diferentes manifestações de raiva adolescente que costumam preencher o ideário juvenil típico dos subúrbios das grandes metrópoles britânicas e da diversidade social e cultural que aí existe, transportanto essa luta diaria pela sobrevivência para o cenário lírico das suas canções, encaixadas de forma a criar um alinhamento fluído e acessível, apesar da especificidade do som que os carateriza.

 

Nostálgico e ao mesmo tempo carregado de referências recentes, onde se destacam alguns arranjos sintetizados e samples de sons e ruídos, Divide And Exit merece toda a nossa atençao a partir do momento em que usa letras simples e guitarras aditivas, sendo claro o compromisso assumido dos Sleaford Mods de não produzirem algo demasiado sério, acertado e maduro, mas canções que querem brincar com os nossos ouvidos e que façam com que a dupla tenha direito a agitar a bandeira de novos líderes sonoros de uma faixa etária sempre ávida de referências e de hinos que sirvam de banda sonora para os instantes de pura rebeldia e confronto com os cânones e o poder instalado.

Em suma, durante Divide and Exit os Sleaford Mods não fogem muito da sua habitual zona de conforto e procuram lutar com garra, criatividade e uma apurada dose de diversão contra os estereótipos da sociedade dominada por uma classe média alta alinhada quase sempre com um certo conservadorismo tépido, através de uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário musical britânico há mais de três décadas. Espero que aprecies a sugestão..


autor stipe07 às 23:21
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Mazes - Astigmatism

Mazes - "Astigmatism"

Os Mazes são Conan, Jack e Neil, um trio de indie rock britânico e acabam de anunciar o lançamento de Wooden Aquarium, o terceiro disco de originais da carreira da banda e que irá ver a luz do dia já a oito de setembro através da Fat Cat.

Os Mazes recrutaram Jonathan Schenle, habitual colaborador dos Parquet Courts, para produzir o álbum e Astigmatism, o primeiro single retirado do disco, já plasma essa influência ao incorporar uma sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, concentrado no uso das guitarras, o grande ponto de acerto e de movimento da composição.

Confere Astigmatism e depois recorda Ores & Minerals, o último disco dos Mazes, que abre com a fantástica e hipnótica Bodies, uma das canções do último ano...


autor stipe07 às 18:22
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Philip Selway - Coming Up For Air

Weatherhouse

Weatherhouse, o novo disco de Philip Selway, o baterista dos Radiohead, chega às lojas a sete de outubro através da Bella Union, um disco que sucede a Familial, o disco de estreia do músico, lançado há cerca de três anos.

Coming Up For Air é o primeiro single conhecido de Weatherhouse, uma canção que poderia muito bem ter sido escrita por Thom Yorke e que impressiona pelo falsete e pela atmosfera criada por alguns efeitos hipnóticos e uma tensão rítmica contínua, aspetos que ajudam a cimentar a ideia de que as contribuições de Selway para os Radiohead deevriam ter uma maior efetividade na sonoridade da banda e nunca serem menosprezadas. Confere...

 


autor stipe07 às 16:55
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Sábado, 21 de Junho de 2014

Echo And The Bunnymen – Meteorites

O Liverpool não ganhou, por uma unha negra e para grande desgosto meu, a última edição da Barclay's Premier League, mas deu-me o prémio de consolação de haver uma das bandas mais importantes do indie rock britânico natural dessa cidade ter regressado aos discos. Falo, naturalmente, dos Echo And The Bunnymen de  Ian McCulloch e Will Sergeant, a metade que resta da formação original de um grupo com trinta e seis anos de carreira já que Pete de Freitas morreu em 1989 e, depois de se terem reunido de novo em finais dos anos noventa, Les Pattinson participou apenas no primeiro álbum após essa reunião, saindo de cena em 1998.

Lançado no passado dia vinte e seis de maio, Meteorites cessa um hiato de cinco anos nos discos, sendo já o décimo segundo trabalho do grupo e o sexto neste segundo fôlego e que coincide com os trinta anos de Ocean Rain, a obra-prima dos Echo And The Bunnymen e um dos álbuns fundamentais dos anos oitenta.

Banda de referência do pós punk de Terras de Sua Majestade, os Echo And The Bunnymen mantêm neste novo trabalho a firme aposta no universo indie feito com as guitarras que tanto vão beber às referências pop dos anos sessenta como ao conteúdo mais indie rock dos anos oitenta. À frente das cordas, Will Sergeant não complica, mas mostra-se bastante inventivo, melódico e hipnótico, protagonizando, assim, os melhores momentos instrumentais do disco.

Meteorites encontra a dupla a olhar nostalgicamente para si mesma e a para a carreira do grupo, em busca de uma espécie de súmula dos melhores momentos, sendo perfeitamente audíveis ecos de alguns dos melhores instantes não só do já citado Ocean Rain, mas também do antecessor Porcupine, dois trabalhos lançados logo no início da década de oitenta. Mas não se pense que Meteorites vai apenas beber à herança dos próprios Echo and The Bunnymen; temas como o single Lovers On The Run, Holy Moses ou Grapes Upon The Vine assentam numa contemporaneidade que arrisca em usar as referências vintage e dar-lhe o toque sintético de modernidade, de forma a que tudo brilhe e encaixe.

Apesar da voz de Ian McCulloch acusar nitidamente anos e anos de abuso do álcool e do tabaco, os arranjos que foram escolhidos para a suportar são bastante criativos, algo que compensa uma menor projeção e faz com que o disco tenha uma áurea pop bastante cantarolável.

Liricamente, Meteorites pode ser lido um pouco como a inevitabilidade de um dia o nosso planeta receber a visita de um corpo celeste fora de rota. McCulloch é sincero e escreve muito sobre si próprio e os momentos em que ele próprio se desviou do seu caminho e criou um passado cheio de erros e alguns arrependimentos. Mostrando-se fortemente contemplativo, percebe que há instantes que poderiam ter sido diferentes e que não vê grande esperança no seu futuro, ao mesmo tempo que assume o destino e que o fim está cada vez mais próximo. Se em Holy Moses Ian questiona a sua espiritualidade, em This Is A Breakdown esta abertura aos ouvintes fortemente confessional, que plasma o receio do colapso final. atinge o auge melancólico e auto reflexivo.

Se há quem ainda persista em olhar para os Echo And The Bunnymen como uma dupla de dinossauros que não soube quando parar e que vive do circuito da nostalgia, eles insistem em desmentir esses arautos da desgraça mostrando uma incrível capacidade para ainda criar alguns momentos de puro brilhantismo dentro de toda a adversidade que tem pautado a carreira do grupo. Meteorites é um dos melhores disco da nova vida dos Echo And The Bunnymen e apesar das letras sombrias e cheias de fatalidade negativa e do evidente desgaste dos músicos, há aqui algumas canções e melodias que conquistam e que não envergonham o enorme legado do grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Echo And The Bunnymen - Meteorites

01. Meteorites
02. Holy Moses
03. Constantinople
04. Is This A Breakdown?
05. Grapes Upon The Vine
06. Lovers On The Run
07. Burn It Down
08. Explosions
09. Market Town
10. New Horizons

 


autor stipe07 às 22:05
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Alt-j - Hunger of the Pine

Alt-J - "Hunger Of The Pine"

A semana passada o trio birtânico alt-J anunciou que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie. Agora acaba de ser divulgado o primeiro avanço deste novo disco dos alt-J, que irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious.

Hunger Of The Pine é uma canção bastante atmosférica e introspetiva, um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Um sample de I'm Female Rebel, de Miley Cyrus, é uma das surpresas desta canção que antecipa aquele que ainda virá a tempo de ser um dos discos do ano. Confere...


autor stipe07 às 13:09
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2014

Fujiya And Miyagi – Artificial Sweeteners

Os britânicos Fujiya & Miyagi não editavam nenhum disco desde Ventriloquizzing, um trabalho que chegou às lojas em janeiro de 2011, mas finalmente, acabam de juntar em 2014 mais um longa duração ao seu cardápio sonoro, um registo chamado Artificial Sweeteners, que viu a luz do dia no início de maio, através do selo Yep Roc Records.

A apostarem numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, os Fujiya & Miyagi parecem, ao quinto disco, querer começar a apresentar uma estética sonora cada vez mais próxima do house e dos ritmos eletrónicos que abraçaram logo em 2003, quando Steve Lewis e David Best, os membros iniciais do projeto que integrava o conceito de Fujiya (uma marca de equipamentos de som) e Miyagi (o mentor de Daniel-San em Karate Kid), se estrearam nestas andanças.

Atualmente já com Steve Lewis e Lee Adams no alinhamento do grupo, além de Lewis e Best, os Fujiya & Miyagi continuam a construir uma interessante discografia pop, animada por novas eletrónicas, mas num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos, algo que Flaws, o single de abertura de Artificial Sweeteners, plasma claramente ao remeter-nos para a sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order e Acid To My Alkalyne eleva, através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best e o groove de uma guitarra.

A instrumental Rayleigh Scattering já nos remete para a eletrónica alemã, assim como as vozes repetidas e algo robóticas do tema homónimo que, apesar de uma declarada essência vintage, acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências. Até ao final há ainda que destacar a elegância do groove e do ritmo de Little Stabs Of Happiness e os teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens comtemplativas no instrumental Tetrahydrofolic Acid. Esse é um excelente mote para escutarmos depois Daggers, o meu tema preferido do registo, devido ao jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas que suportam o ritmo da canção. Vagaries Of Fashion lembra novamente a herança dos Pet Shop Boys e depois o disco termina em beleza com a lindíssima voz que se escuta em A Sea Ringed With Visions, numa canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega.

Artificial Sweeteners é uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou mais um alinhamento consistente, carregado de referências assertivas e que consitui mais uma marco no percurso deste projeto essencial do panorama da eletrónica do séxculo XXI. Espero que aprecies a sugestão...

Fujiya And Miyagi - Artificial Sweeteners

01. Flaws
02. Acid To My Alkaline
03. Rayleigh Scattering
04. Artificial Sweeteners
05. Little Stabs At Happiness
06. Tetrahydrofolic Acid
07. Daggers
08. Vagaries Of Fashion


autor stipe07 às 21:31
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014

The Horrors - Luminous

Três anos depois do grandioso e extraordinário Skying, já ganhou vida Luminous, o novo disco dos The Horrors, de de Faris Badwan, Joshua Hayward, Tom Cowan, Rhys Webb e Joseph Spurgeon, um trabalho que foi lançado às feras no último dia cinco de maio através da XL Recordings.

Já no quarto tomo de uma discografia, este quinteto de rapazes com o típico ar punk de há quaretna anos atrás têm mostrado que não pretendem apenas ser mais uma banda propagadora do garage rock ou do pós-punk britânico dos anos oitenta, mas indivíduos donos de uma sonoridade própria e de um som adulto e jovial. E, com efeito, disco após disco, eles têm-se revelado como uma das mais importantes do cenário indie britânico.

Faris, o vocalista, já confessou que este é um álbum que deu imenso gozo à banda compôr e que, de todos os discos lançados até hoje pelos The Horrors, Luminous é aquele em que coloca maiores expetativas, principalmente porque ampliaram o cardápio sonoro do grupo com mais sintetizadores e criaram um som mais amplo e elaborado.

Escuta-se o disco e percebe-se desde logo, que estão presentes os habituais ingredientes desta banda britânica, mas que existe, realmente, uma maior primazia da vertente sintética em relação à orgânica das guitarras, apesar de muita da orientação sonora do alinhamento encontrar o seu principal sustento nas guitarras de Joshua e na bateria de Joseph, instrumentos que se entrelaçam na construção de algumas das melhores canções de um disco que mostra uma faceta mais pop, mas criado por uma banda que faz questão de viver permanenetemente de braço dado com o experimentalismo em simbiose com a psicadelia.

Se Luminous é, como já referi, o disco dos The Horrors que contém uma toada mais pop, não defrauda, no entanto, quem está habituado a ouvir os álbuns deste grupo e a deparar-se com diferentes viagens a vários universos sonoros, tendo sempre o sintetizador como veículo privilegiado dessa demanda por distintos territórios auditivos. Do indie rock de Falling Star, ao delírio indie pop de First Day Of Spring ou ao rock sintético proposto pelo teclado de I See You, há sempre esse elemento comum, um instrumento que é inerente ao status dos The Horrors e com o qual exploram as meldias e as harmonias que nos conquistam e, quase sem darmos por ela, têm em nós um efeito normalmente aditivo e fortemente viciante.

Num disco que transborda coerência do nome à capa, passando pelo ideário festivo, positivo e de esperança das letras, Luminous acaba por ser um nome feliz para um disco que apesar de ter ainda muito presente a guitarra de Joshua  a dançar em altos e baixos divagantes que formam a tal química interessante com a secção rítmica, aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos que criam um álbum simultaneamente denso e dançável, um compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

The Horrors - Luminous

01. Chasing Shadows
02. First Day Of Spring
03. So Now You Know
04. In And Out Of Sight
05. Jealous Sun
06. Falling Star
07. I See You
08. Change Your Mind
09. Mine And Yours
10. Sleepwalk

 


autor stipe07 às 21:08
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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Coldplay - Ghost Stories

Os Coldplay de Chris Martin regressaram aos discos nos passado dia dezanove de maio e, como sempre, por intermédio da Parlophone. O sexto álbum de estúdio desta banda britânica chama-se Ghost Stories e foi produzido por Tim Bergling, Paul Epworth, Daniel Green, Jon Hopkins, Rik Simpson, Avicii e os próprios Coldplay.


Ghost Stories é um título feliz para um disco que gira muito em redor da ideia de algo cuja presença já não é concreta e física e que com a partida, que não tem de ser necessariamente a morte, deixou um vazio em redor e um fator de perturbação que, neste caso concreto, pode muito bem ser o fim do casamento de dez anos de Chris Martin com Gwineth Paltrow. Mesmo tendo sido uma separação amigável, se tomarmos como verdadeira a suposição que Ghost Stories é um disco concetual sobre este evento pessoal na vida de Chris e que serve, de algum modo, para o exorcizar, parece-me que esse processo não será simples e que há uma cicatriz na alma do líder dos Coldplay difícil de curar. A letra de True LoveSo tell me you love me. And if you don’t then lie, lie to me, emocionalmente forte e cantada por gritos abafados, acompanhados por uma guitarra algo dolorosa, é o melhor exemplo que comprova que este é, acima de tudo, um disco de e sobre o amor.

Mas esta transposição do conteúdo de Ghost Stories para a intimidade de quem o canta, também pode alargar o seu espetro para a própria realidade banda. A sonoridade das nove canções que compôem este alinhamento expôe alguns fantasmas estéticos que sempre acompanharam a carreira discográfica dos Coldplay, que tantas vezes procurou um equilíbrio nem sempre fácil entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade destes quatro músicos em experimentar novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Desta vez os quatro terão dado um forte e vigoroso murro na mesa e feito tudo para criarem libertos desses constrangimentos editoriais, deixando de lado os enfeites e os excessos estilísticos de Viva La Vida (2008) e Mylo Xyloto (2011), para apostarem na simplicidade e em camadas sonoras mais ricas em detalhes implícitos, algo que, em termos estratégicos, só encontra paralelo em Parachutes, o primeiro disco da banda e, para mim, ainda a obra prima do quarteto. Se nesse disco editado em 2000 o orgânico dedilhar acústico das cordas foi a pedra de toque para expor sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema, agora chegou a vez de apostar em canções que também nos contam histórias na mesma medida, mas fecundadas numa espécie de penumbra sintética, onde a riqueza instrumental não foi descurada e até talvez exista uma maior diversidade ao nível dos sons que se escutam, mas com a eletrónica a ser a força motriz que dá vida aos quarenta minutos que este disco dura.

A primeira audição de Ghost Stories poderá chocar os fãs mais puristas, mas os atentos e conscientes da realidade musical e identitária dos Coldplay, ao escutarem a discografia da banda cronologicamente, acabarão por perceber que este é, de certa forma, um passo lógico e que o próprio percurso anterior já tinha deixado algumas pistas sobre a vontade do grupo em apostar na primazia dos sintetizadores, consequência da tal demanda constante por novos e diferentes caminhos, que a escrita deste trabalho também comprova. Os Coldplay sempre provaram ser uma banda inquieta e que não repete a rigor a última rota que percorreu.

Com a narrativa do disco a viver muito da tal circuntância pessoal atual de Chris, o principal letrista da banda, estar atento às letras destas novas canções é tomar contacto com diferentes humores naturais de alguém que sofreu uma perda e agora lida com essa espécie de assombração na vida. Da introspecção (Always in my Head) à euforia (Sky Full of Stars), passando pela melancolia (Oceans), a alegria contagiante (Ink) e até o silêncio (Midnight), há aqui canções com poemas que servem de banda sonora para os diversos estados de alma que tantas vezes nos invadem, sempre cantados e expostos em composições ricas e simultaneamente acessíveis. Another’s Arm é  talvez, a par da já referida True Love, a canção do disco mais abrangente, que melhor exemplifica a excelência de processos e que chama a atenção pelas estrofes simples, mas sentidas e pensadas de forma a dar espaço à valorização das batidas eletrónicas, sem colocar de lado a habitual delicadez da guitarra de Johnny Buckland.

Em Ghost Stories não falta o o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay, mas como me confidenciou a fã Ana Lopes, é um álbum mais experimental, não como os outros em que as músicas continuam a tocar e  ter airplay até hoje. É um disco menos comercial e que dificilmente irá resultar em grandes palcos ao vivo, mas tem o enorme atributo de ter belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vidaPessoalmente concordo e confesso que o disco soa cada vez melhor a cada audição. Não é um trabalho nem melhor nem pior que os outros. É diferente e talvez se deva, antes de mais, aplaudir essa inflexão sonora e o desbravar de outras sonoridades.

Quando um dia a discografia dos Coldplay ficar completa, este disco será valorizado de uma outra forma porque, apesar de não ser um álbum feliz, é um álbum real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes. Conforme refere a Luísa Marques, outra admiradora profunda deste quarteto britânico, tendo em conta o que os Coldplay já fizeram, não preocupa muito que façam um álbum um pouco diferente e que custe mais a entrar no ouvido. Já provaram que são um grupo fenomenal com um talento invejável e eu completo a ideia dizendo que Ghost Stories serve para confirmar com enorme ênfase esta constatação clara, óbvia e inteiramente justa. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Ghost Stories

01. Always In My Head
02. Magic
03. Ink
04. True Love
05. Midnight
06. Another’s Arms
07. Oceans
08. A Sky Full of Stars
09. O
10. All Your Friends
11. Ghost Story
12. O (Part 2/Reprise)

 


autor stipe07 às 18:27
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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014

Oliver Wilde - Red Tide Opal In The Loose End Womb

Natural de Bristol e funcionário numa loja de discos, o cantor, produtor e compositor Oliver Wilde captou a atenção da imprensa musical especializada britânica quando lançou o ano passado A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, o seu disco de estreia, rotulado como um verdadeiro tratado de pop psicadélica e que lhe valeu comparações com nomes tão relevantes como Mark Linkous ou Bradford Cox. Cerca de um ano depois Oliver está de regresso com um novo disco intitulado Red Tide Opal In The Loose End Womb, um trabalho que viu a luz do dia a cinco de maio através da Howling Owl Records


A Brief Introduction To Unnatural Lightyears, provocou um impacto intenso numa vasta legião de críticos musicais e ficou nas listas dos melhores de muitos deles, curiosamente como uma espécie de segredo bem guardado, que poucos quiseram revelar, o que fez com que Oliver Wilde se mantivesse internacionalmente na penumbra, como um tesouro escondido, mas que agora, com Red Tide Opal In The Loose End Womb, já não é possível mais ocultar.

As doze canções deste seu novo álbum mantêm a elevada bitola qualitativa do disco de estreia e estão cheias de melodias únicas, onde vagueiam e pairam letras sofisticadas, que criam imagens oníricas e sensíveis, às quais Oliver dá vida e reproduz impecavelmente com a sua voz única e sussurrada, mas que tem algo de profundo e celestial. O amor, a solidão, o abandono, a vida e a morte, servem-lhe como assunto e, sendo conceitos relacionados com a crueza da realidade, falam do universo de um jovem adulto, fazendo-o de forma a deixar-nos com um enorme sorriso nos lábios quando somos confrontados com a beleza melódica de que este artista se serve para atingir tal desiderato. 

On This Morning foi o primeiro avanço divulgado do disco e depois chegou a vez de Play & Be Saved. Destaques maiores do disco juntamente com a épica e animada Stomach Full Of Cats, são exemplos exuberantes, cheios de arranjos que, juntamente com a voz de Wilde, dão um cariz efervescente, melancólico e onírico a três temas cheios do brilho e da cor transversais a todo o alinhamento de Red Tide Opal In The Loose End Womb. Essa atmosfera única e vibrante é construída por Oliver tendo por base as cordas, às quais vai adicionando mantos de sons eletrónicos e samplers, de forma a que na sua música palpite uma evidente psicadelia pop que ressuscita com elevado charme com as típicas orquestrações do universo sonoro lo fi .

Ouvir a música de Wilde é passear por um universo feito de exaltações melancólicas, ao som de uma receita que recorta e sobrepõe uma sujidade sonora apenas aparente, para criar melodias únicas e coloridas, detalhes que oferecem ao estilo de Oliver wilde o tal cariz pop lo fi, fortemente emocional e, longe de óbvio, à medida que cruza a folk eletrónica com a pop lo fi, de forma particularmente sofisticada e emotiva. Red Tide Opal In The Loose End Womb é uma da melhores surpresas da primeira metade de 2014. Espero que aprecies a sugestão...


1. On This Morning
2. Stomach Full of Cats
3. St. Elmo's Fire
4. Say Yes To Ewans
5. Plume
6. Smiler
7. Play & Be Saved
8. Pull
9. Rest Less
10. Balance Out 
11. Night In Time Lapse (Somewhere Safe)
12. Vessel


autor stipe07 às 22:12
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Quinta-feira, 22 de Maio de 2014

Douga - The Silent Well

Naturais de Manchester e liderados pelo multi-instrumentista Johnny Winbolt-Lewis, aos quais se junta John Waddington (baixo e teclas) e o violinista e guitarrista convidado DBH, os Douga são uma banda de indie rock que mistura a psicadelia com alguns dos melhores detalhes do rock experimental contemporâneo. Editaram no passado dia dezanove de maio, através da Do Make Merge Records, The Silent Well, o disco de estreia do grupo, gravado nos estúdios BlueSCI, em Trafford, com a ajuda de Raúl Carreño. 

A peculiar e distinta receita de The Silent Well acaba por ser eficaz e quer a fórmula, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras, desde o início. As nove canções polidas do álbum assentam nos riffs de guitarra viscerais de Johnny, nas batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e em sintetizadores muito direcionados para o krautrock, mas também há cordas que convidam ao recolhimento e à reflexão profunda.

Kids Of Tomorrow, o single que está a lançar esta banda para a ribalta, tem uma atmosfera única e pode ser caraterizado como um instante de indie rock psicadélico verdadeiramente extraordinário, assente numa melodia grandiosa e espacial, envolvida em camadas de guitarras distorcidas e sintetizadores incisivos e luminosos. Esta canção está disponível para download gratuito e deixou-me a salivar de há dois meses para cá por este disco de estreia dos Douga, que não defraudou as expetativas. Logo a seguir, Still Waters aponta para caminhos ainda mais experimentais e simultaneamente etéreos, com a primazia das cordas  e da acústica a mostrar uns Douga fortemente ecléticos e inspirados na criação de melodias que se entranham com invulgar mestria nos nossos ouvidos, mesmo quando, um pouco à frente, a guitarra elétrica distorce-as dando-lhes um teor ainda mais grandioso e épico. Há um segredo muito bem guardado em Chains, uma canção que começa com o dedilhar de uma viola e que depois sobre, de degrau em degrau, até uma espécie de climax, enquanto recebe vários efeitos sintetizados e a bateria aumenta a batida.

Por falar em bateria, não é possível deixar passar em claro o som peculiar da bateria eletrónica que se escuta em Blue Is Nothing, uma das canções mais profundas de The Silent Well e onde nos podemos deitar numa nuvem de sons sintéticos que criam uma melodia hipnotica, porque é repetitiva, mas muito bonita, irresistivel e reconfortante. É delicioso escutar esta música e perceber, detalhadamente, o arsenal de efeitos e sons que vão sendo acrescentados ao longo de quase sete minutos que são uma verdadeira espiral sonora que nos prende até ao final.

Em The Silent Well é possível aceder a canções oriundas de uma outra dimensão musical, com uma assumida e inconfundível pompa sinfónica, típica das propostas indie de terras de Sua Majestade e sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Há uma beleza enigmática nas composições dos Douga feita com belas orquestrações que vivem e respiram lado a lado com as distorções e arranjos mais agressivos. Durante a audição sente-se todo o esmero e a paciência dos Douga em acertar os mínimos detalhes de um disco onde, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração audível tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Douga projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de pop, psicadelia, rock progressivo e soul. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:49
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The Acid - The Acid EP

Lançado no passado dia catorze de abril e disponível para audição no soundcloud, The Acid é o Ep homónimo de um projeto que anuncia e antecipa desta forma o lançamento de um disco chamado Liminal, que vai chegar a sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há algo de místico nestes The Acid, formados por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴. Esta aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, mas antes numa espécie de penumbra, tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descobetrta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustreante a escassez de fontes disponíveis.

A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste EP nos suscita e que, tendo no tema Basic Instinct o destaque maior, deixa certamente água na boca em relação aquele que poderá ser um dos discos mais interessantes do próximo verão. Confere...

The Acid - The Acid

01. Animal
02. Basic Instinct
03. Fame
04. Tumbling Lights


autor stipe07 às 18:15
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Terça-feira, 20 de Maio de 2014

Coves – Soft Friday

Formados pela dupla Beck Wood, a vocalista e John Ridgard, o guitarrista, os britânicos Coves são uma das novas sensações do cenário indie de terras de Sua Majestade, devido a Soft Friday, o disco de estreia, editado no passado dia trinta e um de março por intermédio da Nettwerk Music Group.

No início dos ano noventa a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e os Coves parecem apostados em tentar uma simbiose sonora que tenha uma forte componente nostálgica e que agregue ruídos, tiques e melodias de várias décadas. Da música pop dos anos sessenta e oitenta e do rock lo fi da década de noventa, passando pelo experimentalismo pop da primeira década do novo século, tudo funciona como um grande pano de fundo do trabalho dos Coves.

Soft Friday está impecavelmente produzido e envolto numa aúrea de mistério muito sedutora, através da feliz mistura entre guitarras e sintetizadores, que têm na componente melódica, eminentemente romântica e introspetiva, uma correspondência clara com letras sombrias e pouco otimistas, com a própria voz de Beck a acentuar todo este cenário algo sofrido.

A dupla personalidade também é característica do projeto, inscrita num estado sentimental indeciso, ora leve, ora devastado e bastante evidente, nomeadamente quando misturam o som sessentista com a dream pop da atualidade e o som progressivo algo que, por exemplo, Beatings claramente demonstra ao congregar inicialmente uma vasta riqueza instrumental com a produção retro e alguns arranjos tipicamente folk e depois, na reta final, ao deixar a distorção das guitarras tomar conta da canção.

O reforço desta abordagem heterogénea também se sente em Wake Up, canção assente numa eletrónica de cariz eminentemente rock, muitas vezes misturada com detalhes caraterísticos da pop, ou seja, feita com sons sintetizados, ressuscitados muitas vezes nos anos oitenta ou no trip-hop da década seguinte, misturados com guitarras com um apreciável nível de distorção e batidas e elementos da percussão que dão um certo travo obscuro ao clima geral.

O ponto alto do álbum chega com Cast A Shadow, uma bela melodia, com arranjos que dão à canção uma densidade particularmente rica e detalhada e, no fim, ficamos com a sensação que escutámos uma banda que tem uma capacidade impar para nos afundar num colchão de sons que satirizam a eletrónica retro e, simultaneamente, mostrar-nos algumas pistas em relação ao futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...  

Coves - Soft Friday

01. Fall Out Of Love
02. Honeybee
03. Beatings
04. Last Desire
05. Let The Sun Go
06. No Ladder
07. Cast A Shadow
08. Fool For You
09. Bad Kick To The Heart
10. Wake Up

 


autor stipe07 às 21:56
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2014

Bill Pritchard - A Trip To The Coast

Inglês e já com cerca de três décadas de carreira, Bill Pritchard é um dos cantautores que em terras de Sua Majestade começou a fazer carreira nos anos oitenta e que foi construindo a sua carreira com alguma intermitência, mas sempre com elevada bitola qualitativa. Nessa década destaca-se o disco Three Months, Three Weeks & Two Days (de 1989), um trabalho produzido por Etienne Daho, ao qual sucedeu, já nos anos noventa, Jolie (1991), um disco que contou com a presença de Ian Broudie (Lightning Seeds) e que foi, até hoje, o trabalho de maior projeção de Bill Pritchard.

Após estes dois trabalhos, a meio da década de noventa, o músico aventurou-se numa banda, que deu disco em 1998, mas tem sido a solo que tem sido mais consistente e apresentado as melhores propostas sonoras que, por sinal, têm recebido maior recetividade fora das ilhas britânicas do que propriamente no país natal.

Seja em momentos de maior luminosidade e efervescência rítmica e instrumental, como no single Trentham ou em Yeay Yeah Girl, ou em instantes como Truly Blue, uma lindíssima balada onde a voz de Bill se faz acompanhar apenas pelo piano e por violinos, ou ainda em momentos mais rock, onde a guitarra se distorce (In June), Pritchard usa uma linguagem sonora que cria canções pop feitas com melodias simples, típicas de um verdadeiro cantautor, que não se deixa seduzir pelas referências deste tempo e que se mantém fiel a uma linha condutora onde se sente confortável e realizado, enquanto músico e compositor.

Cantado em francês, Toute Seule é um dos meus temas favoritos do disco, uma canção com uma beleza bucólica arrepiante, onde o sotaque de Pritchard e os arranjos nos fazem derreter com toda a atmosfera criada na música. Estes são alguns exemplos de canções que destacam, além da voz, a parte instrumental de A Trip At the Coast, que é capaz, por si só, de transmitir as mais diversas emoções, seja melancolia e alegria, ou a urgência de soltarmos algo cá para fora.

A Trip At The Coast é um trabalho que, do vintage ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Bill Pritchard sereno e bucólico, através de uma viagem ao universo típico de um Lloyd Cole, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre o existencialismo, a viagem que nos conduz por este mundo e as perceções humanas sobre a mesma. Espero que aprecies a sugestão...

01 Trentham
02 Yeah Yeah Girl
03 Posters
04 Toute Seule
05 Truly Blue
06 Almerend Road
07 In June
08 Paname
09 Polly
10 A Trip To The Coast


autor stipe07 às 18:36
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