Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

American Wrestlers - Give Up

American Wrestlers é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. Tendo crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou entretanto para o outro lado do Atlântico.

Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais underground acabando por implodir.

Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. O projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum e daí até ao disco de estreia, um homónimo editado na primavera do ano passado, foi um pequeno passo. American Wrestlers impressionou pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentavam grande parte das canções, onde não faltavam alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete, com um certo reverb que acentuava o charme rugoso da mesma.

Se essa estreia nos oferecia uma viagem que nos remetia para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo, o sucessor, um trabalho intitulado Goodbye Terrible Youth e que irá ver a luz do dia em meados de novembro, deverá cimentar essa filosofia vencedora, com Give Up, a primeira amostra divulgada, a impressionar pela melodia frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de American Wrestlers. Goodbye Terrible Youth será, de certeza, um dos grandes lançamentos do ocaso de 2016. Confere Give Up e o alinhamento do disco...

01 “Vote Thatcher”
02 “Give Up”
03 “So Long”
04 “Hello, Dear”
05 “Amazing Grace”
06 “Terrible Youth”
07 “Blind Kids”
08 “Someone Far Away”
09 “Real People”


autor stipe07 às 18:15
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Quinta-feira, 11 de Agosto de 2016

TOY - Fast Silver

Uma das bandas fundamentais de indie rock psicadélico são os londrinos TOY de Tom Dougall (voz e guitarras), Dominic O'Dair (guitarras), Maxim Barron (baixo e voz), Alejandra Diez (sintetizadores e modulação) e Charlie Salvidge (bateria e voz). Depois de um espetacular disco homónimo de estreia e de um sucessor intitulado Join The Dots, os TOY estão de regresso aos discos daqui a algumas semanas com Clear Shot, dez canções que chegam aos escaparates a vinte e oito de outubro por intermédio da Heavenly Recordings e produzidas por David Wrench.

Fast Silver é o primeiro avanço divulgado de Clear Shot, uma inebriante viagem psicadélica, onde também merece particular realce a voz de Tom Dougall que denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por um instrumental épico e marcante como este. Imperdível! Confere o tema e o alinhamento de Clear Shot...

01 “Clear Shot”
02 “Another Dimension”
03 “Fast Silver”
04 “I’m Still Believing”
05 “Clouds That Cover The Sun”
06 “Jungle Games”
07 “Dream Orchestrator”
08 “We Will Disperse”
09 “Spirits Don’t Lie”
10 “Cinema”


autor stipe07 às 14:41
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Sábado, 23 de Julho de 2016

Melt Yourself Down - Last Evenings On Earth

Depois de um homónimo lançado em 2013, os britânicos Melt Yourself Down de Kushal Gaya estão de regresso com mais uma incandescente e festiva dose de afrobeat, à boleia de Last Evenings On Earth, nove canções que viram a luz do dia em abril com a chancela da The Leaf Label e que se debruçam sobre o contínuo apocalipse que o mundo vive, principalmente desde o início do século passado, feito de guerras, doenças, uma desenfreada corrida às armas e, principalmente, um choque civilizacional que cava um fosso cada vez maior entre uma pequena casta de privilegiados e o resto da humanidade, muito nela ainda a viver de modo desumano e em absoluta pobreza.

Percorrer o sinuoso e labiríntico alinhamento de Last Evenings On Earth é nunca saber o que está um pouco mais à frente ou do outro lado da esquina, que se apresenta na forma melódica menos esperada. Batidas orgânicas são subitamente trespassadas por teclados, particularmente impressivos na monumentalidade de Jump The Fire e os sopros estão sempre presentes, com canções como The God Of You, a ébria Listen Out, ou o punk aparentemente descontrolado de Communication a criarem um falso clima de festa. É que, se por um lado o corpo é continuamente convidado à dança despreocupada e enérgica, também não há como ficar indiferente ao conteúdo incisivo da escrita destas canções onde a virulância da morte e das doenças e o sortilégio da guerra são áreas vocabulares continuamente presentes e transversais.

Melt Yourself Down é um compêndio muito próprio e sui generis, que numa mescla do referido afrobeat com alguns dos melhores detalhes do jazz atual, que comporta cada vez mais e sem aparente pudor alguns artifícios eletrónicos e do próprio indie rock, exemplarmente expresso no fuzz da guitarra de Bharat Mata, nos oferece um verdadeiro caldeirão sonoro nada ingénuo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:28
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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

Bat For Lashes – The Bride

Foi já em fevereiro que com a ternurenta simplicidade de I Do, o primeiro tema divulgado por Natasha Khan de The Bride, o novo  e quarto registo de originais do projeto Bat For Lashes, percebemos, quase sem hesitação, o ideário estético da nova coleção de canções de um extraordinário projeto que esta artista, cantora e compositora britânica, oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há praticamente uma década.

Essa canção e um lindíssimo para de sapatos vermelho, publicado na página de Facebook da autora, juntamente com um convite de casamento, deram o mote e o conteúdo não defrauda quem aguardava com elevadas expetativas este The Bride. Co-produzido por Ben Christophers e Dan Carey, Simon Felice e Head, este disco conta, de acordo com o press release do lançamento, a história de uma mulher cujo noivo morreu num acidente a caminho da igreja no dia do seu casamento. A noiva foge e parte em lua de mel sozinha, resultando numa numa sombria meditação sobre amor, perda, sofrimento, e celebração, uma sucessão de eventos contada por uma das mais belas vozes da música atual, principalmente no modo como aborda e amplia a sentimentalidade que pode ser extraída, como é hábito, de cada nota e cada acorde destes Bat For Lashes.

Natasha é exímia a penetrar no nossso âmago e tem um talento imenso no modo como nos consegue colocar na linha da frente de toda a traam que gira em redor das suas canções, que narram eventos que podem suceder com naturalidade a quem se entrega ao amor com convicção e procura, nesse sentimento, viver uma jornada emocional única e que faça do dia a dia um constante tesouro. Tendo em conta o contexto de The Bride, pode achar-se que é cruel e pessismista a panóplia de acontecimentos  que estas canções narram, mas se escutarmos atentamente a doce melancolia de Never Forgive The Angels ou Close Encouters percebemos que a redenção também faz parte dentro do conceito de perca e que a ideia de recomeço deve nortear sempre quem é desafiado pelas circunstâncias menos felizes da vida. I Will Never Love Again contém essa aparente contradição e If I Knew ensina-nos que se o destino nem sempre está nas nossas mãos, aquilo que semeamos é sempre aquilo que acabamos por colher, aconteça o que acontecer.

A dor pesa, a cegueira total é uma possibilidade perante tão nefasta realidade como a que norteia a lírica destas canções, mas Natasha, aguçando-nos com esse vírus, sabe como ensinar-nos a sermos fortes, duros, imprevisíveis e implacáveis perante a dor. Este disco é recomendado a todos aqueles que vivem felizes, acham que são felizes, mesmo que isso signifique um auto engano permanente e a quem julga que bateu no fundo de um poço e não vislumbra qualquer luz no seu topo. Espero que aprecies a sugestão... 

Bat For Lashes - The Bride

01. I Do
02. Joe+s Dream
03. In God’s House
04. Honeymooning Alone
05. Sunday Love
06. Never Forgive The Angels
07. Close Encounters
08. Widow’s Peak
09. Land’s End
10. If I Knew
11. I Will Love Again
12. In Your Bed
13. Clouds


autor stipe07 às 11:10
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2016

Metronomy - Summer 08

Dois anos depois de Love Letters, os britânicos Metronomy de Joe Mount estão de regresso aos discos com Summer 08, um álbum que viu a luz do dia a um de julho à boleia de Because Music e que será, certamente, um dos acontecimentos musicais deste verão. Este é o quinto registo de originais de um coletivo que é já um dos nomes imprescindíveis da chamada indietrónica, um subgénero sonoro que mescla com mestria sintetizações e guitarras, sempre num clima festivo, com nomes como os Phoenix, os Hot Chip os os Holy Ghost! a serem outras referências obrigatórias neste espetro único.

Olhar para o âmago de Summer 08 e procurar dissecar o essencial do seu alinhamento, não é uma tarefa tão exaustiva como à primeira vista uma audição prévia destas dez canções poderá parecer que exige. Basta escutar com atenção Old Skool, canção que impressiona pelo clima retro proporcionado pelo funk da batida, um baixo bastante vigoroso e vários arranjos metálicos, para se ficar a par de tudo aquilo que orientou Joe Mount na concepção deste trabalho. Tais aspectos que conferem à referida canção uma curiosa mescla entre indie rock, eletrónica e hip-hop, numa espécie de fusão entre Daft Punk e Beastie Boys, impressão ampliada por um sintetizador que obedece a uma lógica sonora próxima do chamado discosound, particularmente efusiva e que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade, num ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança, é o eixo fundamental que atravessa todo o alinhamento, com as guitarras de Back Together a acentuarem ainda mais todo o clima nostálgico de um disco assumidamente retro, mas também contemporâneo e inovador.

As pistas de dança são já um alvo assumido dos Metronomy e cantar sobre toda a amálgama de sensações e, algumas vezes, complicações, que as relações amorosas suscitam, uma quase obsessão. Curiosamente, na minha opinião, são dois vetores que casam com acerto, já que em momentos da nossa existência em que nos sentimos mais sós e infelizes, são também aqueles instantes em que dançar acaba por ser um bom refúgio para afugentar certos fantasmas. Hang Me Up to Dry, tema que conta com a participação especial da sueca Robyn, é um excelente elíxir, um remédio para o nosso coração, enquanto os pés batem e as luzes piscam, sufocadas por uma melancolia que Mount sabe melhor que ninguém como narrar e que Night Owl exala por todos os poros.

Summer 08 chega no momento de melhor acerto da carreira deste grupo sedeado em Totnes. É um disco recheado de impressivas atmosferas musicais, que entre as pistas e o canto mais acolhedor do nosso refúgio preferido, nos impressiona pelo modo como arrebata o nosso coração e nos convida ao desabafo, através de mais um belo tratado de indie pop que enriquece imenso o cardápio sonoro dos Metronomy. Espero que aprecies a sugestão...

Metronomy - Summer 08

01. Back Together
02. Miami Logic
03. Old Skool
04. 16 Beat
05. Hang Me Out To Dry (With Robyn)
06. Mick Slow
07. My House
08. Night Owl
09. Love’s Not An Obstacle
10. Summer Jam


autor stipe07 às 22:00
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

White Lies – Take It Out On Me

White Lies - Take It Out On Me

Tema que, de acordo com o baixista Charles Cave, é inspirado em comentários com trechos bíblicos colocados por um indivíduo no instagram, Take It Out On Me é o primeiro avanço divulgado pelos britânicos White Lies para Friends, o novo registo de originais do trio, que irá ver a luz do dia a sete de outubro.

Além de Charles Cave, fazem parte dos White Lies Harry McVeigh e Jack Lawrence-Brown e esta nova canção é o primeiro sinal de vida deste grupo inglês de rock alternativo desde 2013, quando apresentaram Big TV, um álbum conceptual que, através de um suposto ecrã mágico, teorizava sobre a nova vida de um casal que se mudava para uma grande cidade. Ess trabalho sucedeu a Ritual, álbum de 2011, tendo a estreia dos White Lies ocorrido em 2009 com o aclamado To Lose My Life.

Take It Out On Me impressiona pela exuberância melódica e por um vigor que traz diversos timbres de sintetizador que depois se entrelaçam com as guitarras e com uma bateria pulsante, antecipando um excelente disco que foi gravado no estúdio de Bryan Ferry, em Londres. Confere...


autor stipe07 às 14:10
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Domingo, 26 de Junho de 2016

Kaiser Chiefs – Parachute

Kaiser Chiefs - Parachute

Depois de há pouco mais de dois anos os britânicos Kaiser Chiefs terem editado Education, Education, Education & War, o quinto álbum da carreira, a banda liderada pelo carismático Ricky Wilson e que conta atualmente na sua formação também com Andrew White e Simon Rix Nick Baines e Vijay Mistry, estará de regresso, em 2016, com Stay Together, um novo registo de originais que verá a luz do dia a sete de outubro próximo.

De acordo com Parachute, a mais recente amostra divulgada do álbum, Stay Together deverá marcar uma inflexão sonora da banda, já que o tema calcorreia territórios sonoros mais próximos da pop, em deterimento do indie rock que popularizou este projeto. Confere... 


autor stipe07 às 19:27
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2016

The Invisible – Patience

A dez de Junho último e à boleia da Ninja Tune chegou aos escaparates Patience, o terceiro registo de estúdio do trio londrino The Invisible de Dave Okumu, nove canções sustentadas numa eletrónica apurada, construídas em redor de sintetizadores inspiradas na luxuosa pop dos anos oitenta, como se percebe logo no clima melancólico e simultaneamente sedutor de So Well, tema que conta com a participação especial da cantora Jessie Ware e onde quer ela quer Okumu dialogam, teatralizando uma complexa e inebriante relação amorosa.

Os anos oitenta foram marcantes para a história da música contemporânea e serão sempre alvo de inspiração e revisão, principalmente por ter sido o período em que os sintetizadores foram definitivamente chamados para a linha da frente no processo de composição melódica, por parte de bandas e projetos que afirmaram a pop às massas e colocaram o rock num espetro mais alternativo. Essa pop polida dos anos oitenta, feita com sintetizadores carregados de efeitos e com um ar sempre solene, acaba por definir a essência e o dramatismo deste projeto, que nos propôe uma coleção de canções assentes em teclados com a esperada pompa e circunstância aveludada que enfeita as melodias que debitam.

Impecavelmente produzido, Patience arremessa para os nossos ouvidos toda uma herança luxuosa, com vários destaques, ao nivel instrumental, que importa realçar; Além da beleza do tema de abertura já descrito, não posso deixar de destacar o groove efusiante de Save You, canção que contém um forte apelo às pistas de dança e, na sequência, Best Of Me, tema como alguns elementos percurssivos curiosos, entrelaçados com um rugoso teclado, com a voz de Okumu, num registo grave, a mostrar todos os seus atributos e abrangência e um lado humano peculiar, que se mostra como um trunfo maior neste alinhamento. Esta é uma voz impregnada com sensações imponentes e redentoras, como se percebe em Memories, um dos melhores instantes de Patience, canção onde o efeito vocal em eco cristaliza e amplia um fabuloso baixo, que passeia uma dose incontida de egocentrismo, de braço dado com teclados épicos.

Vocalmente, a cereja no topo do bolo de Patience acaba por ser o lote de participações especiais, escolhidas com acerto e de modo a potenciar o ideário sonoro e estilístico pretendido para o álbum. Além de Jessie Ware no tema já referido, em Different, Rosie Lowe é uma peça essencial para dar vida e cor a um refrão marcante, numa canção que é uma ode declarada ao melhor R&B contemporâneo, conduzido por guitarras plenas de groove, cordas dinâmicas e uma percussão bastante festiva, onde não faltam efeitos metálicos e de palmas. Este tema é um monumento de sensualidade, pensado para dançar num ambiente quente e charmoso e, logo depois, em Love Me Again, esse efeito amplia-se numa canção onde é novamente o R&B a ditar as regras e que conta com Anna Calvi. Mais uma vez, a presença dessa voz feminina, neste caso bastante intensa e até algo ternurenta, acaba por ser um extraordinário complemento ao propósito acolhedor e intencional de um alinhamento que quer brincar com a subtileza e o mistério que envolve as relações, daquela maneira alegre, mas também profunda e exótica  que se espera delas, sempre com um bom gosto e uma intensidade sentimental únicas. Espero que aprecies a sugestão...

The Invisible - Patience

01. So Well
02. Save You
03. Best Of Me
04. Life’s Dancers
05. Different (Feat. Rosie Lowe)
06. Love Me Again (Feat. Anna Calvi)
07. Memories
08. Believe In Yourself
09. K Town Sunset (Feat. Connan Mockasin)


autor stipe07 às 22:05
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Two Door Cinema Club – Are We Ready? (Wreck)

Two Door Cinema Club - Are We Ready (Wreck)

Os irlandeses Two Door Cinema Club, de Alex Trimble, Kevin Baird e Sam Halliday, vão regressar aos discos a catorze de outubro próximo com Gameshow, dez canções que vão quebrar um hiato de quatro anos do projeto. Este será o terceiro disco da banda, sucedendo ao muito aclamado Beacon (2012) e a Tourist History (2010), o disco de estreia.

Há poucos dias a banda apresentou em primeira mão, no programa de Annie Mac, na BBC Radio 1, Are We Ready? (Wreck), o primeiro avanço de Gameshow e, pela amostra, está de regresso aquele fluxo planante das guitarras, típico de um trio onde tudo flui para impressionar e levar os ouvintes a entregarem-se aos encantos e à dança involuntária que conseguem imprimir ao ideário sonoro das suas canções. Confere...


autor stipe07 às 22:01
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Quarta-feira, 8 de Junho de 2016

The Kills - Ash & Ice

Os britânicos The Kills de Jamie Hince e Alison Mosshart acabaram finalmente um hiato discográfico de praticamente meia década, já que o excelente Blood Pressures tinha sido o último disco que a dupla lançou já no longínquo ano de 2011. Gravado no outro lado do atlântico, em Los Angeles e nos estúdios Electric Lady, em Nova Iorque, Ash & Ice é o nome do novo álbum dos The Kills, um trabalho produzido pelo guitarrista Jamie Hince, com a preciosa ajuda do conceituado John O’Mahoney e lançado pela Domino Records.

Uma das primeiras impressões que sobressai de Ash & Ice é a manutenção da química intensa entre a dupla, uma das conexões mais sólidas e bem sucedidas do espetro sonoro em que estes The Kills se movimentam. A guitarra fluída de Hince em Heart Of A Dog, o modo como o som sintetizado que baliza a melodia em Doing To The Death, sem beliscar o fuzz das cordas eletrificadas e a emotividade e pujança vocal de Alison, em ambos os temas, esclarece, desde logo, os mais pessimistas e sossega os fãs acérrimos de um projeto que tem uma significativa e fiel prole de seguidores por cá.

Mas as constatações e as revelações em Ash & Ice não ficam por aqui. Tendo em conta estes temas iniciais, o trabalho não defrauda a herança da dupla, mas chega-se à imponência percussiva de Bitter Fruit e ao rigor e pendor orgânico da batida de Siberian Nights, duas canções feitas de punhos cerrados e queixo levantado, como o velhinho e anguloso indie rock exige, para se concluir que, além do aspeto identitário anteriormente referido, estes The Kills também continuam capazes de, sem dó nem piedade, proporcionarem um ambiente ora sombrio e nostálgico, ora aquele onde cabem os jeans coçados escondidos no guarda fatos, as t-shirts coloridas e um congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa.

Se a cereja no topo do bolo de Ash & Ice é, quanto a mim, Impossible Tracks, canção com uma vibração ímpar e que emerge com toques de grandiosidade em estradas difíceis de percorrer, é no refrão da mais soturna e exigente Days Of Why and How, no ardor intimista de That Love e no sentimentalismo minimalista de Hum For Your Buzz, que se entende que este alinhamento também amplia o som de uns The Kills notoriamente na fase mais madura da carreira e abertos e prontos para novas sonoridades e descobertas, apesar de confessarem sentirem-se mais confortáveis a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora. No fundo, o rugoso, crú e visceral punk rock dos The Kills mantém-se intocável, assim como o charme inconfundível de uma dupla única e sem paralelo no universo alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

The Kills - Ash And Ice

01. Doing It To Death
02. Heart Of A Dog
03. Hard Habit To Break
04. Bitter Fruit
05. Days Of Why And How
06. Let It Drop
07. Hum For Your Buzz
08. Siberian Nights
09. That Love
10. Impossible Tracks
11. Black Tar
12. Echo Home
13. Whirling Eye


autor stipe07 às 23:11
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