Sábado, 25 de Abril de 2015

The Kindling - By Morning

Guy Weir, Tomas Garcia e Ben Ramster são os The Kindling uma banda sedeada em Londres, que contou com as participações especiais dos violinos de Kelly Jakubowski e dos efeitos de Joe Leach para gravar um disco novo intitulado By Morning, um trabalho que aposta forte numa profunda melancolia proporcionada por canções que gravitam em redor de uma folk introspetiva e tipicamente nórdica, onde sobressaiem deliciosos arranjos de cordas e melodias que se arrastam sem pressa, mas com uma direção bem definida, aquela que segue diretamente e pelo caminho mais curto rumo aos nossos sentimentos mais profundos e delicados.

A apenas aparente rudeza da distorção de Television Static Dreams, o primeiro single retirado deste disco e seu maior destaque, transmite uma poderosa sensação introspetiva e sonhadora. Imersa em pequenos detalhes, dos quais sobressai a pandeireta e o tambor, que procuram conferir uma forte sensação crua e orgânica ao tema, são elementos que se repetem ao longo de um alinhamento que só poderá ser devidamente apreciado se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que estes The Kindling possuem e transmitem.

O falsete e a guitarra de Guy conduzem temas como Climb In, Unlucky e Long Distance e estes são apenas alguns dos vários exemplos que, em By Morning, exaltam uma tremenda serenidade e um natural excesso de tempo, conceitos que sobressaiem nestas canções com uma clareza incomum. Este é um acordar matinal musical proposto pelos The Kindling, uma alvorada tão diferente e proporcionalmente oposta às nossas rotinas diárias e à escravatura do relógio que roda incessantemente a partir do momento em que somos forçados a deixar o mundo dos sonhos para trás e viver um dia a dia nem sempre suficientemente recompensador.

As cordas e o jogo de vozes de Hunting Stars e Slow Down tocam profundamentem o coração. Como a maioria das canções, começam com o dedilhar de uma guitarra, neste caso a acústica, mas depois vão sendo adicionados novos instrumentos, que acrescentam pequenos detalhes sonoros, mas que fazem muitas vezes toda a diferença e demonstram a abundância de talento dos mentores deste projeto, já que pintam uma belíssima paleta de cores sonoras e criam uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada.

Alguma das nossas manhãs deviam ser assim, arrastadas por esta visão poética dos primeiros minutos dos nossos dias, em que a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, com as canções de By Morning a servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:15
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Sexta-feira, 24 de Abril de 2015

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Chasing Yesterday

O britânico Noel Gallagher e os High Flying Birds regressaram aos discos em março com Chasing Yesterday, atráves da Sour Mage Records, o segundo trabalho de uma banda liderada por um músico que  terá escrito algumas das páginas mais significativas do livro das escrituras da britpop, não só nos Oasis, como noutros projetos em que se envolveu também como produtor.

Responsável, portanto, por algumas das marcas identitárias do indie rock que povoa o nosso subconsciente e que forjaram parte importante da história da música dos finais do século passado, o mais velho dos irmãos Gallagher assina em Chasing Yesterday pouco mais de uma dezena de novas canções que transportam consigo muita dessa herança, mas com um espírito renovado e mais contemporâneo.

Claramente feliz com a liberdade musical ilimitada que uma carreira a solo lhe permite, já que a componente High Flying Birds do projeto é apenas um elemento acessório e que se rege cegamente pelas orientações do líder, Noel Gallagher expôe o habitual modelo de canção assente na primazia das cordas das guitarras, no que concerne ao processo de condução melódica, estando reservada à percussão um papel mais acessório e secundário. Logo nas cordas de Riverman e, mais adiante, em The Dying Of The Light, é fácil recordarmos o hino Wonderwall e In The Heat Of The Moment tem aquela toada épica e gloriosa que os Oasis tanto gostavam de explorar e que o efeito mais contemporâneo do baixo atualiza com notável precisão, ficando, nestes dois temas bastante diferentes, o cone sonoro por onde circulará o restante alinhamento, que, como se vê, tem impressa uma marca identitária única e facilmente identificável. 

Ao longo do alinhamento, se os teclados retro de The Girl With X-Ray Eyes e o seu refrão apoteótico piscam o olho a uma certa lisergia pop, acontecendo o mesmo com os metais de The Right Stuff, já o rock psicadélico sujo e empoeirado de The Mexican, a espiral emotiva da grandiosa Lock All The Doors e a batida sintética e o jogo de guitarras de Ballad Of The Mighty I, trilham a paleta de cores caraterística do percurso do autor, com While The Song Remains The Same a ser um outro bom exemplo dessa fórmula, mas com as tais roupagens mais atuais e que piscam o olho a um público mais jovem. O próprio efeito inicial da guitarra que depois se transforma, quase por magia, num riff assombroso e inebriante em You Know We Can't Go Back mostra como Gallagher tem a noção que os seus ouvintes esperam de si música que possa ser cantada sem complicações desnecessárias e que ao vivo deve surpreender e encher espaços amplos e abertos.

Chasing Yesterday é um disco elegante, impecavelmente produzido e pronto para ser cantado por multidões que irão decorar estas letras até à exaustão, pensado, idealizado e tocado, quase na íntegra, por um dos melhores compositores, cantores e guitarristas das últimas duas décadas e ao qual o indie rock britânico tanto deve. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Chasing Yesterday

01. Riverman
02. In The Heat Of The Moment
03. The Girl With X-Ray Eyes
04. Lock All The Doors
05. The Dying Of The Light
06. The Right Stuff
07. While The Song Remains The Same
08. The Mexican
09. You Know We Can’t Go Back
10. Ballad Of The Mighty I
11. Do The Damage
12. Revolution Song
13. Freaky Teeth
14. In The Heat Of The Moment (Remix)
15. Leave My Guitar Alone


autor stipe07 às 15:45
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Terça-feira, 21 de Abril de 2015

American Wrestlers - American Wrestlers

American Wrestlers é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. Tendo crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou entretanto para o outro lado do Atlântico.

Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais underground acabando por implodir.

Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. Recentemente o projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum. Esta etiqueta editou já o single I Can Do No Wrong, uma peça sonora magnífica, principalmente por ser difícil de descrever. O ambiente sonoro que cria tem um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assenta. Depois, alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete com um certo reverb, acentuam o charme rugoso da mesma. E com esta descrição de um tema magnífico está dado o mote para um álbum que nos oferece uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, porporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo.

Inspirada numa noticía que Gary leu sobre um doente mental que foi espancado até à morte e pelo respetivo video que circulou com imagens do acontecimento, Kelly, um dos outros destaques de American Wrestlers, é uma belissima ode por parte de Gary a todos os Kellys deste mundo que são vitimas de abusos e de atitudes incompreensiveis, feita com uma melodia frenética que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra e oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformar a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de American Wrestlers.

Mas se este disco não sobrevive sem estas duas canções, o restante alinhamento não merece ser descurado e exige também audição dedicada. A exploração de uma ligação estreita entre a psicadelia e o rock progressivo, através de um sentido épico pouco comum e com resultados práticos extraordinários em There's No One Crying Over Me Either, assim como o festim sonoro acelerado e difícil de travar de Holy, à boleia de um efeito de guitarra ácido e extremamente melódico, exemplarmente acompanhado pelo piano, pelo baixo e pela bateria e o devaneio folk bastante sentimental de Wild Wonder abrem um disco curioso e desafiante, que impressiona pela forma livre e espontânea como os vários instrumentos, mas em espcial as guitarras, se expressam, guiadas pela nostalgia e pelas emoções que Gary pretende transmitir. Depois, o transe libidinoso que nos oferece a festiva The Rest Of You e a folk psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada, que domina Cheapshot, são mais dois exemplos felizes do arsenal bélico com que American Wrestlers nos sacode e traduzem, na forma de música, a mente criativa de Gary e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que ele vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo.

Gary confessou recentemente que apesar de toda a atenção e mediatismo que tem tido com este seu trabalho e que estado umbilicalmente ligado a uma etiqueta tão insuspeita como a Fat Possum, continua a ter dificuldades em pagar as contas vivendo apenas e só da música e que, além da carriera artística, trabalha diariamente, quase de sol a sol, numas docas. Se American Wrestlers não consegue viver apenas e só da música que compôe, algo de muito errado se passa no universo sonoro discográfico e este artista merece claramente uma maior notoriedade e recompensa pelo seu génio criativo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:48
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Domingo, 19 de Abril de 2015

Zero 7 – EP3

Depois do EP Simple Science, editado a dezoito de agosto do ano passado por intermédio da Make Records, os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave, estão de regresso com um novo EP intitulado EP3, que dá continuidade à filosofia que orientou EP1 (1999) e EP2 (2000), dois trabalhos lançados quando a dupla ainda estava vinculada a etiquetas menores.

Com a participações especiais de nomes como José González, Only Girl e o australiano Danny Pratt, EP3 contém quatro originais e uma remistura, composições que, de acordo com os Zero 7, foram sendo compostas ao longo do ano anterior e como não se incluiam no arquétipo sonoro de Simple Science, acabaram por ficar na gaveta à espera do melhor momento para verem a luz do dia. Como a banda achou que a sonoridade de 400 Blows tinha um certo paralelismo com uma cover que fizeram de The Colour Of Spring, um original de Mark Hollis, então estava encontrado o mote para este EP3.

E que sonoridade é esta que se interliga entre os diferentes temas deste novo capítulo discográfico dos Zero 7? Uma eletrónica sofisticada e ambiental, com um cariz quase minimal e cheia de detalhes preciosos, que dão às canções uma toada densa, mas bastante agradável. Das passagens de piano do primeiro tema, aos sons da natureza que se escutam em The Colour Of Spring, passando pela excelência das vozes de Pratt e de Only Girl e no modo como encaixam de modo fluente no conceito sonoro dos Zero 7, são vários os pontos de contacto entre as várias músicas. E depois há José González e a sua participação especial na enigmática e sombria Last Light, que oferece à dupla britânica uma performance vocal irreprensível numa canção de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à soul.

EP3 encerra com um belíssimo instrumental eletrónico, que se destaca pela percurssão orgânica ritmada, com as pistas de dança na mira, acoplada a detalhes sintéticos absolutamente deliciosos e que exalam aquele charme típico dos Zero 7, que dão à dupla aquele ambiente fashion que sempre os caraterizou.

Disponível no formato físico vinil e em formato digital, EP3 é um extraordinário momento de puro relaxamento e de contemplação sonora que nos permite embarcar numa curta mas profunda viagem ao universo musical típico dos Zero 7 e do seu cardápio sonoro. Em EP3 tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e conseguido, alicderçado em criações sonoras versáteis e que resultam de uma fórmula legítima e louvável de uma dupla que está sempre aberta a encontrar um sopro de renovação. Espero que aprecies a sugestão...

Zero 7 - EP3

01. 400 Blows
02. The Colour Of Spring
03. Last Light (Feat. José Gonzalez)
04. Crush Tape
05. 400 Blows (John Wizards Remix)


autor stipe07 às 18:14
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Sábado, 18 de Abril de 2015

Wild Beasts – Woebegone Wanderers II

O quarteto britânico Wild Beasts regressou em 2014 aos discos com o excelente Present Tense e, quase no ocaso desse ano, revelou um single com dois temas, que resultaram de uma parceria com um ilustrador francês, natural de Paris, chamado Mattis Dovier. Juntos criaram uma história interativa, da qual faziam parte os dois lados do single, Soft Future, o primeiro tema instrumental do cardápio sonoro da banda e Blood Knowledge.

Agora, alguns meses depois, o produtor John Hopkins divulgou na rádio inglesa BBC uma nova canção intitulada Woebegone Wanderers II. Este II no título implica que será uma sequência da canção com o mesmo nome lançada no disco Limbo, Panto, de 2008 e continua a mostrar uns Wild Beasts apostados em mergulhar num universo que abrange alguns elementos específicos das novas propostas que vão surgindo no campo da dream pop. Confere...

Wild Beasts - Woebegone Wanderers II


autor stipe07 às 21:34
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2015

Only Real - Jerk At The End Of The Line

O projeto britânico Only Real estreou-se nos discos através da Virgin/EMI em final de março com Jerk At The End Of The Line e Pass The Pain e Cadillac Girl, um álbum produzido por Dan Carrey e Ben Allen e os dois avanços primeiros divulgados do trabalho, mostraram desde logo que Niall Gavin, o grande mentor deste projeto, é um fazedor nato de canções que mostram o indie rock como um trunfo explorado positivamente até à exaustão e um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que idealizou.

Na verdade, a antecipação dessas duas canções deixou logo avisada a crítica e os potenciais fãs para o furacão que estaria prestes a entrar pelos nossos ouvidos, em pleno início de primavera. E basta ouvir, logo após Intro (Twist It Up), o teclado planante, a percussão tropical e a voz grave que dominam Jerk para perceber que, realmente, essa exaltação inicial tinha sentido, já que Only Real comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de pop ácida e psicadélica, inspirada em alguns dos detalhes identitários da britpop mais genuína, com uma considerável vertente experimental associada e que ganha um realce ainda maior quando, logo de seguida, em Yesterday, as guitarras distorcidas e turvas têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Estando dado este mote logo nos intantes iniciais do disco, fica claro para o ouvinte que Jerk At The End Of The Line exalta cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema e com uma expressividade única e claramente intencional. Niall é fortemente irónico, sem ser sarcástico, tanto pisca o olho à energia juvenil de um Damon Albarn em início de carreira como aos The Streets auto-depreciativos, mas mantém sempre impecável o seu adn identitário e um charme que dispensa amarguras e abraça a lisergia, sem apelar, mesmo que implicitamente, a qualquer tipo de reforço psicotrópico para ser devidamente apreciado.

Only Real homenageia, no fundo, uma vasta miríade de nomes conterrâneos e mais ou menos contemporâneos, exaltando as virtudes da escola musical indie britânica, sendo possível conferir nuances típicas de projetos como os Gorillaz e de artistas como os já citados ou um Jamie T no seu cardápio. Todo o arsenal bélico instrumental e já acima referido na sua grande parte, com que ele nos sacode, traduz, na forma de música, a mente criativa que nele vive e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que Niall vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo, sendo os próprios tons neon da capa do disco, uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por Only Real, um talento prematuro que soube aproveitar o melhor da sua juventude e da sua criatividade nesta estreia verdadeiramente auspiciosa. Espero que aprecies a sugestão... 

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Only Real: Jerk At The End Of The Line (Signed)

1-Intro (Twist It Up)
2-Jerk
3-Yesterdays
4-Break It Off
5-Can't Get Happy
6-Blood Carpet
7-Petals
8-Cadillac Girl
9-Daisychained
10-Pass the Pain
11-Backseat Kissers
12-When This Begins


autor stipe07 às 22:01
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Editors - No Harm

Os Editors de Tom Smith estarão de regresso aos discos ainda este ano e No Harm, uma canção encontrada por um fã numa compilação da PIAS Recordings, a editora do grupo, é o primeiro avanço divulgado pela banda britânica que volta a mostrar a pretensão de se assumir definitivamente como uma banda de massas e deixar de vez o universo mainstream para fazer parte da primeira liga do campeonato mundial do indie rock. Confere...

 


autor stipe07 às 13:10
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Terça-feira, 14 de Abril de 2015

The Vultures - The Weakest Storm

Sedeados em Inglaterra e com músicos oriundos de cinco países de três continentes diferentes, os The Vultures servem-se das cordas de violas, violoncelos, guitarras, baixo e violinos, da bateria e de sintetizadores para criar canções que contêm uma paleta sonora com uma deliberada componente gótica, mas que não se resume a esse espetro, já que o indie rocke o punk são também bitolas importantes para a caraterização da música do projeto.

No final de janeiro os The Vultures editaram Three Mothers Part1, o disco de estreia, através da Ciao Ketchup Recordings, um compêndio de oito canções que segue uma bitola sonora assente em orquestrações com tanto de amplo e monumental como de sombrio, o tal indie rock com um certo cariz gótico, já definido por alguma crítica como um altpop neogótico, uma adaptação contemporânea e atual do som que fez escola na década de oitenta, no cenário indie britânico e que estes The Vultures pretendem resgatar.

Um dos grandes destaques deste disco é Weakest Storm, um tema que será editado a quatro de maio no formato single 7” em vinil e download digital e que tendo em conta a percurssão coesa e bastante ritmada e o vasto arsenal de cordas, amplia uma sensação de mistura de mistério com luxúria e que transborda da coesão e da amplitude de um som encorpado, que está plasmado, em Three Mothers Part 1. Confere...


autor stipe07 às 17:52
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Sábado, 4 de Abril de 2015

Loose Fruit Museum - In The Room

Oriundos de Londres, os LFM, aka Loose Fruit Museum, são Conal (voz e guitarra), Ali (guitarra), Phil (teclados), Ev (baixo) and Tony (bateria), um quinteto que aposta forte numa sonoridade hard, que do rock setentista, ao rock de garagem e passando pelo blues, sobrevive à custa de guitarras cheias de ruído e distorção, um teclado que não receia colocar-se em bicos de pés quando procura protagonismo e uma secção ritmíca vibrante e poderosa.

Foi no passado dia vinte e três de março que viu a luz do dia The Room, o novo álbum dos LFM, um trabalho editado através da Ciao Ketchup Records e logo na guitarra efervescente e na voz grave de Conal se percebe que este é um disco que tem colado a si o indie rock de cariz mais alternativo, com os Loose Fruit Museum a não terem reservas em apostar no revivalismo de outras épocas, nomeadamente os primórdios do punk rock mais sombrio e visceral.

Do espetro mais comercial replicado no vibrante e anguloso single Summersaults, passando pelo curioso mas eficaz efeito da guitarra de Country Punk, ou a percussão ritmada da efusiva Lungs, mais uma canção que também vive à sombra de um indie rock épico e expressivo, onde se destaca, mais uma vez, a impressiva voz de Conal, que dá vida a uma letra que fala sobre a solidão e as expetativas que muitas vezes criamos sobre uma sociedade que nem sempre consegue responder aos nossos anseios, são vários os exemplos claros que nos prendem a um alinhamento impecavelmente produzido e eficiente no modo como nos seduz e nos conquista.

O ocaso do disco acaba por servir decontraponto ao restante alinhamento, já que quer o instante folk de My Mates Dad ou a nostalgia esperançosa de Crossroads, além de comprovarem que estes Loose Fruit Museum também sabem como explorar o lado mais acústico das cordas e extrair emoções e sentimentos que não defraudam quem procura sonoridades introspetivas, profundas e envolventes, mostram que estamos na presença de um quinteto capaz de aproveitar o grau de maturidade de todos os seus membros, para criar um disco fantástico e que merece uma maior projeção. Talvez seja com In The Room que os Loose Fruit Museum conseguem quebrar o enguiço de quem insiste em querer catalogar com injusto menosprezo alguns  projetos que procuraram replicar apenas, ao longo da carreira, zonas de conforto, mesmo que o façam com elevada bitola qualitativa. Espero que aprecies a sugestão...

 

autor stipe07 às 21:54
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2015

Steven Wilson – Hand. Cannot. Erase.

Lançado no final de fevereiro através da Kscope Records, Hand. Cannot. Erase. é o quarto álbum da carreira de Steven Wilson, um disco gravado durante o mês de setembro do último ano num estúdio em Londres, onde o artista se rodeou dos músicos que o têm acompanhado nos últimos anos e tendo sido produzido pelo próprio é um dos trabalhos que mistura rock progressivo e eletrónica mais exuberantes e bem conseguidos dos últimos tempos.

Músico já consagrado e com uma carreira distinta e ímpar, Wilson ganhou enorme notoriedade com The Raven That Refused To Sing (And Other Stories), o antecessor deste Hand. Cannot. Erase., um trabalho que contém uma pesada herança e que era aguardado com enorme expetativa, a qual, foi inteiramente correspondida, tal é a grandiosidade e o elevado nivel qualitativo deste novo compêndio de onze canções, que se estendem para lá da hora de duração.

Álbum conceptual, Hand. Cannot. Erase. fala sobre a história verídica de uma mulher que se quis isolar do mundo em Londres até ao dia da sua morte. Esteve três anos sozinha, a viver na capital de Inglaterra e ninguém deu pela sua falta, apesar de ter familiares e amigos, com Steven a criar a sua versão desta personagem autêntica, colocando sentimentos e emoçoes suas na mesma e, dessa forma, materializando uma homenagem muito pessoal e sentida a uma pessoa que teve finalmente um reconhecimento inesperado e que, deste modo, por muitos desconhecidos será dificilmente esquecida.

Stevem Wilson é exímio e convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidadde e não tem receio de arriscar e de misturar a eletrónica, com outras sonoridades, fazendo-o com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora. Logo, na intro First Regret, o piano eletrónico mostra que está pronto para assumir as rédeas de todo o disco e a riqueza melódica e a assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo em 3 Years Older, convencem-nos da elevada bitola qualitativa de um disco, mesmo que depois seja sucedido pela toada mais pop do tema homónimo, um dos momentos mais discretos do disco,  

Com a participação especial da israelita Ninet Tayeb, Perfect Life e Routine voltam a colocar o disco na rota exata, com o jogo de vozes entre os dois protagonistas dos temas a criar uma agradável atmosfera. Se a primeira canção, por variar imenso nas harmonias que contém, requer tempo e várias audições para se entranhar, numa receita que se repete, adiante, na épica, obscura e eletrónica Ancestral, canção com um longo e intrincado instrumental e que também conta com Ninet, já a sentimental, triste e densa Routine, conquista-nos no imediato pelo modo como materializa a vida rotineira da homenageada, atraves de uma letra forte e um aumento progressivo do ritmo e da cadência até um auge pesado e angustiante, sendo particularmente feliz o modo como a dupla expressa a gama complexa de emoções que a temática e a letra da canção exigem.

Chega-se a Home Invasion e finalmente as guitarras encontram o seu instante de protagonismo, não só no modo como dão corpo e rugosidade à`canção, mas também através de uma articulação feliz com os teclados, que se repete no instrumental Regret # 9, uma canção que encaixa na perfeição no momento do disco e com uma melodia que nos conta mais do que mil poemas sobre esta mulher só e esquecida.

Até ao final, a atmosférica Ascendan Here On e a emotiva Happy Returns, encerram de modo otimista e esperançoso um álbum que não deve ser visto de modo redutor, ou seja, apreciado apenas pelo conteúdo sonoro, mas que deve servir como alerta e consciência para milhares de outras mulheres e homens, de várias idades e de todos os estratos sociais, que vivem absorvidas por uma solidão que pode tomar várias formas e expressar-se de diferentes modos, com Steve Wilson a provar em cada canção, de modo distinto, criativo e envolvente, ser atualmente um nome fundamental e incontornável do universo sonoro em que se insere. Espero que aprecies a sugestão...

Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase.

01. First Regret
02. 3 Years Older
03. Hand Cannot Erase
04. Perfect Life
05. Routine
06. Home Invasion
07. Regret #9
08. Transience
09. Ancestral
10. Happy Returns
11. Ascendant Here On…


autor stipe07 às 22:27
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