Sexta-feira, 17 de Abril de 2015

Only Real - Jerk At The End Of The Line

O projeto britânico Only Real estreou-se nos discos através da Virgin/EMI em final de março com Jerk At The End Of The Line e Pass The Pain e Cadillac Girl, um álbum produzido por Dan Carrey e Ben Allen e os dois avanços primeiros divulgados do trabalho, mostraram desde logo que Niall Gavin, o grande mentor deste projeto, é um fazedor nato de canções que mostram o indie rock como um trunfo explorado positivamente até à exaustão e um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que idealizou.

Na verdade, a antecipação dessas duas canções deixou logo avisada a crítica e os potenciais fãs para o furacão que estaria prestes a entrar pelos nossos ouvidos, em pleno início de primavera. E basta ouvir, logo após Intro (Twist It Up), o teclado planante, a percussão tropical e a voz grave que dominam Jerk para perceber que, realmente, essa exaltação inicial tinha sentido, já que Only Real comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de pop ácida e psicadélica, inspirada em alguns dos detalhes identitários da britpop mais genuína, com uma considerável vertente experimental associada e que ganha um realce ainda maior quando, logo de seguida, em Yesterday, as guitarras distorcidas e turvas têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Estando dado este mote logo nos intantes iniciais do disco, fica claro para o ouvinte que Jerk At The End Of The Line exalta cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema e com uma expressividade única e claramente intencional. Niall é fortemente irónico, sem ser sarcástico, tanto pisca o olho à energia juvenil de um Damon Albarn em início de carreira como aos The Streets auto-depreciativos, mas mantém sempre impecável o seu adn identitário e um charme que dispensa amarguras e abraça a lisergia, sem apelar, mesmo que implicitamente, a qualquer tipo de reforço psicotrópico para ser devidamente apreciado.

Only Real homenageia, no fundo, uma vasta miríade de nomes conterrâneos e mais ou menos contemporâneos, exaltando as virtudes da escola musical indie britânica, sendo possível conferir nuances típicas de projetos como os Gorillaz e de artistas como os já citados ou um Jamie T no seu cardápio. Todo o arsenal bélico instrumental e já acima referido na sua grande parte, com que ele nos sacode, traduz, na forma de música, a mente criativa que nele vive e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que Niall vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo, sendo os próprios tons neon da capa do disco, uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por Only Real, um talento prematuro que soube aproveitar o melhor da sua juventude e da sua criatividade nesta estreia verdadeiramente auspiciosa. Espero que aprecies a sugestão... 

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Only Real: Jerk At The End Of The Line (Signed)

1-Intro (Twist It Up)
2-Jerk
3-Yesterdays
4-Break It Off
5-Can't Get Happy
6-Blood Carpet
7-Petals
8-Cadillac Girl
9-Daisychained
10-Pass the Pain
11-Backseat Kissers
12-When This Begins


autor stipe07 às 22:01
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Sábado, 11 de Abril de 2015

Toro Y Moi - What For?

Toro Y Moy é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009, onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras. Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This, de 2010, compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado, ao lado de trabalhos como Life of Leisure dos Washed Out e Psychic Chasms de Neon Indian.

No ano seguinte, em 2011, surgiu Underneath The Pine, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início de 2013. Agora, dois anos depois, Toro Y Moi chega a What For?, o quarto tomo da sua carreira, lançado no passado dia sete de abril pela Carpark Records, amadurecido e a piscar o olho ao hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, fruto da recente relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, além de se aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins.

Os carros de corrida passam lá em baixo, no asfalto quente, enquanto dois pisos acima, junto a uma marina, plumas e biquinis confundem-se e ancas abanam sem pudor ao som do charme sofisticado do indie rock festivo de What You Want, canção que mistura cordas com efeitos flamejantes, numa receita que se estende, de modo mais sedutor a Buffalo e nos coloca na linha da frente de um universo particularmente radioso e onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado. É uma cúpula entre rock e eletrónica, quente e assertiva e que ao longo do alinhamento vai convocando para a orgia outros sub-géneros da pop, que vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, estendidos numa almofada junto à piscina, enquanto saboreiam mais um copo e apreciam um final de tarde glamouroso. Lá em baixo, no asfalto quente, a corrida aproxima-se da sua fase decisiva.

A cadência lo fi empoeirada e romântica da guitarra e do piano de The Flight  e de Ratcliff, com o fuzz da distorção particularmente assertivo a destacar-se na última e o ambiente cinematográfico que escorre do doce mel minimal a que sabem as teclas sintetizadas de Yeah Right, são outras amostras do requinte melancólico com que Toro Y Moi nos dá as mãos, para nos levar com ele rumo às profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, com elevada carga poética. Ao invés a luminosa e festiva Empty Nesters e a ode aos primórdios do discosound que escorre do efeito sintetizado sexy de Lilly não deixam vacilar o propósito claramente celebratório e fisicamente provocador que What For? procura replicar, com o groove do baixo, o descontrole apenas aparente da guitarra e o tom agudo da voz de Chazwick em Spell It Out a induzirem ainda mais na direçao ascendente o espetro climático do ambiente que rodeia tudo aquilo que a nossa imaginação quiser moldar e que será forçosamente algo excitante e com um certo teor libidinoso.

A toada descontraída e amena de Half Dome e Run Baby Run mostram-nos o pôr do sol, enquanto lá ao longe se celebra no pódio montado bem no centro da primeira reta do asfalto e aproximam-nos do ocaso de um disco onde cada música tem sempre algo de pessoal e tudo se sustenta de maneira adulta, como se o R&B de Frank Ocean e até detalhes de veteranos como Prince se derretessem no meio de sintetizadores e batidas irregulares. What For? comprova, uma vez mais, a força de Bundick, com fôlego renovado e a estabelecer uma multiplicidade de novos caminhos, testando sonoridades e experimentações sem recear ser apontado de ser uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um artista que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

1. What You Want
2. Buffalo
3. The Flight
4. Empty Nesters
5. Ratcliff
6. Lilly
7. Spell It Out
8. Half Dome
9. Run Baby Run
10. Yeah Right


autor stipe07 às 21:46
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Howling - Stole The Night

Howling - Stole The Night

RY X e Frank Wiedemann são os Howling, um projeto sedeado em Berlim e que aposta numa mistura entre o indie rock e a eletrónica ambiental, cheia de soul e sentimento e que se irá estrear nos discos com Sacred Ground, um trabalho que irá ver a luz do dia no início de maio.

O baixo mágico de Stole The Night é a surpreendente revelação mais recente de um álbum que tem a chancela da  Monkeytown Records e da autoria de uma dupla que tem surpreendido por essa Europa fora, com excelentes atuações em clubes de relevo, estando prevista uma passagem pelo Lux, em Lisboa, poucos dias depois da edição de Sacred Ground. Confere...


autor stipe07 às 14:28
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Terça-feira, 7 de Abril de 2015

Dan Deacon - Gliss Riffer

Dan Deacon é um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual. Além de colaborar com vários projetos, já lançou nove discos desde 2003 e agora, três anos depois do estupendo America, chegou finalmente aos escaparates Gliss Riffer, um trabalho editado através da Domino Records, que também abriga os Dirty Projectors, os Hot Chip e os Animal Collective, algumas das bandas concorrentes de Dan Deacon.

Dan Deacon é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Baltimore acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. 

Em Gliss Riffer Deacon assume uma postura distinta em relação às bandas que o acompanham na editora e que referi acima. Este disco impressiona pela grandiosidade, logo patente nos samples e nos teclados do single Feel The Lightning e nos sintetizadores inebriantes de Sheathed Wings, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Deacon é um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Deacon deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante de uma orquestra robótica e maquinal que o consome e dele se apropria, para que as canções que todas estas máquinas, que parecem ter vida própria, compôem possam ter uma alma e um elo de ligação com a humanidade, plasmada nas letras confessionais e sinceras e numa voz manipulada de modo a ser também, ela própria, mais um elementos sintético essencial e autónimo. No entanto, uma audição atenta deixa perceber, em certos momentos, aproximações ao cenário musical mais erudito e orgânico que todos reconhecemos quando são os músicos e produtores que dominam totalmente o arsenal instrumental que utilizam.

Se os dois temas já citados e When I Was Done Dying têm alguns arranjos e detalhes percurssivos que lhes dão o tempero acessível da pop, a partir do efeito agudo de Meme Generator, um tema que dá pistas sobre o que poderá ser o futuro do hip-hop e da buzina e da batida tribal de Mind On Fire, o rumo passa a ser outro e várias experiências curiosas apoderam-se das canções, nomeadamente no teclado hipnótico e minimal que conduz Take It to The Max e na desconcertante Learning to Relax, canção que torna claro que o território assumido por Deacon não deixa de unir, amiúde, elementos da música clássica com batidas esquizofénicas e samples ruidosos que tendem inevitavelmente a resultar num resultado de proporções épicas.

Gliss Riffer é, sem dúvida, mais um trabalho coeso, dinâmico e concetual na trajetória discográfica de um produtor que não receia entregar-se de corpo e alma ao mundo das máquinas e numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, ser aquele detalhe orgânico que dá alma a todas aquelas ligaçoes de fios e transistores que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Deacon. Espero que aprecies a sugestão...

01. Feel the Lightning
02. Sheathed Wings
03. When I Was Done Dying
04. Meme Generator
05. Mind On Fire
06. Learning to Relax
07. Take it to the Max
08. Steely Blues


autor stipe07 às 21:25
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2015

Steven Wilson – Hand. Cannot. Erase.

Lançado no final de fevereiro através da Kscope Records, Hand. Cannot. Erase. é o quarto álbum da carreira de Steven Wilson, um disco gravado durante o mês de setembro do último ano num estúdio em Londres, onde o artista se rodeou dos músicos que o têm acompanhado nos últimos anos e tendo sido produzido pelo próprio é um dos trabalhos que mistura rock progressivo e eletrónica mais exuberantes e bem conseguidos dos últimos tempos.

Músico já consagrado e com uma carreira distinta e ímpar, Wilson ganhou enorme notoriedade com The Raven That Refused To Sing (And Other Stories), o antecessor deste Hand. Cannot. Erase., um trabalho que contém uma pesada herança e que era aguardado com enorme expetativa, a qual, foi inteiramente correspondida, tal é a grandiosidade e o elevado nivel qualitativo deste novo compêndio de onze canções, que se estendem para lá da hora de duração.

Álbum conceptual, Hand. Cannot. Erase. fala sobre a história verídica de uma mulher que se quis isolar do mundo em Londres até ao dia da sua morte. Esteve três anos sozinha, a viver na capital de Inglaterra e ninguém deu pela sua falta, apesar de ter familiares e amigos, com Steven a criar a sua versão desta personagem autêntica, colocando sentimentos e emoçoes suas na mesma e, dessa forma, materializando uma homenagem muito pessoal e sentida a uma pessoa que teve finalmente um reconhecimento inesperado e que, deste modo, por muitos desconhecidos será dificilmente esquecida.

Stevem Wilson é exímio e convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidadde e não tem receio de arriscar e de misturar a eletrónica, com outras sonoridades, fazendo-o com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora. Logo, na intro First Regret, o piano eletrónico mostra que está pronto para assumir as rédeas de todo o disco e a riqueza melódica e a assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo em 3 Years Older, convencem-nos da elevada bitola qualitativa de um disco, mesmo que depois seja sucedido pela toada mais pop do tema homónimo, um dos momentos mais discretos do disco,  

Com a participação especial da israelita Ninet Tayeb, Perfect Life e Routine voltam a colocar o disco na rota exata, com o jogo de vozes entre os dois protagonistas dos temas a criar uma agradável atmosfera. Se a primeira canção, por variar imenso nas harmonias que contém, requer tempo e várias audições para se entranhar, numa receita que se repete, adiante, na épica, obscura e eletrónica Ancestral, canção com um longo e intrincado instrumental e que também conta com Ninet, já a sentimental, triste e densa Routine, conquista-nos no imediato pelo modo como materializa a vida rotineira da homenageada, atraves de uma letra forte e um aumento progressivo do ritmo e da cadência até um auge pesado e angustiante, sendo particularmente feliz o modo como a dupla expressa a gama complexa de emoções que a temática e a letra da canção exigem.

Chega-se a Home Invasion e finalmente as guitarras encontram o seu instante de protagonismo, não só no modo como dão corpo e rugosidade à`canção, mas também através de uma articulação feliz com os teclados, que se repete no instrumental Regret # 9, uma canção que encaixa na perfeição no momento do disco e com uma melodia que nos conta mais do que mil poemas sobre esta mulher só e esquecida.

Até ao final, a atmosférica Ascendan Here On e a emotiva Happy Returns, encerram de modo otimista e esperançoso um álbum que não deve ser visto de modo redutor, ou seja, apreciado apenas pelo conteúdo sonoro, mas que deve servir como alerta e consciência para milhares de outras mulheres e homens, de várias idades e de todos os estratos sociais, que vivem absorvidas por uma solidão que pode tomar várias formas e expressar-se de diferentes modos, com Steve Wilson a provar em cada canção, de modo distinto, criativo e envolvente, ser atualmente um nome fundamental e incontornável do universo sonoro em que se insere. Espero que aprecies a sugestão...

Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase.

01. First Regret
02. 3 Years Older
03. Hand Cannot Erase
04. Perfect Life
05. Routine
06. Home Invasion
07. Regret #9
08. Transience
09. Ancestral
10. Happy Returns
11. Ascendant Here On…


autor stipe07 às 22:27
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Domingo, 22 de Março de 2015

Django Django - Reflections

Django Django - Reflections

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome que acompanho com toda a atenção desde que há cerca de dois anos lançaram um espectacular homónimo de estreia.

A banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, vai regressar aos discos este ano, mais propriamente a cinco de maio por intermédio da Ribbon Music. O álbum chama-se Born Under Saturn e já há dois avanços conhecidos; Depois de em janeiro termos conhecido First Light, agora chegou a vez de ser divulgado Reflections, mais um tema onde os Django Django aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, sempre acompanhada por guitarras e um teclado que, neste caso, parece ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Basicamente, uma mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento. Confere...


autor stipe07 às 15:12
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Sexta-feira, 20 de Março de 2015

Hot Chip – Huarache Lights

Hot Chip - Huarache Lights

Primeiro single de Why Make Sense?, o sexto álbum dos britânicos Hot Chip, Huarache Lights é um regresso em pleno à eletrónica desta banda atualmente formada por Felix Martin, Al Doyle, Owen Clarke, Alexis Taylor e Joe Goddard e que desde 2004 tem estado em atividade permanente, publicando discos com uma cadência bastante interessante.

Três anos depois do excelente In Our Heads (2012) e com espaço aberto para trabalhos a solo por grande parte do coletivo, Why Make Sense? é aguardado com grande expetativa e esta primeira amostra das dez canções que compôem o alinhamento parece seguir uma abordagem diferente em relação ao último projeto da banda com a convivência harmoniosa entre uma toada disco e a eletrónica mais ambiental a ser uma permissa obrigatória, assim como a opção por  arranjos de cariz algo nostálgico.

Why Make Sense? vê a luz do dia a dezoito de maio pela mão da Domino Recordings e vai estar disponível numa edição especial que inclui um EP chamado Separate. Confere...

Website
[aac 256kbps] ul ob zs uc


autor stipe07 às 15:00
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Kodak To Graph - ISA

Depois de em agosto de 2013 Mikey Maleki ter andado a editar uma canção por mês, numa longa e bonita jornada que resultou na compilação 2013 Monthly Singles, disponivel para audição e download e que fui dando conta, por cá, durante esse ano, este músico e produtor norte americano de origens iranianas oriundo de Pensacola, na Flórida, atualmente a residir em Los Angeles e que assina a sua música como Kodak To Graph, começou 2015 a participar ativamente na gravação de Oldies, um trabalho também disponivel gratuitamente e que plasma eletrificantes experimentações sonoras. Agora, a dez de março, chegou, finalmente, o seu longa duração de estreia, um disco chamado ISA, também possivel de ser obtido gratuitamente e que é uma verdadeira jornada emotiva e emocional pelos pensamentos, experiências e momentos que se revelaram significativos para o autor nos últimos temps e que o transformaram no músico e pessoa que é hoje.

Maleki sempre gostou de gravar e depois reproduzir sinteticamente sons reais, que capta ao seu redor e que tanto podem ser relacionados com a natureza, nomeadamente o chilrear de aves ou os galhos que se quebram durante um passeio pela floresta, como sons mais citadinos e que reproduzem ruídos habituais num ambiente citadino. Desolation Wilderness é um bom tema para se perceber de que modo funciona esta imagem de marca de Kodak to Graph e igualmente bastante presente no restante alinhamento de ISA. O autor confessa cultivar esse gosto com método porque acha que a inserção desses arranjos nas melodias enriquece-as e funciona, de certa forma, como a componente lírica das suas canções, geralmente instrumentais, dando-lhes uma clara sensação de narrativa e ampliando o propósito que elas têm, que é o de contar histórias concretas e com vida, mesmo que não contenham letras e uma voz que as replique de modo entendível. Quando a voz surge nas canções de Maleki é quase sempre modificada e samplada, funcionando como mais um detalhe sonoro ou outro dos instrumentos que deambulam pelas composições. Los Angeles, tema de tributo à cidade que recentemente acolheu este músico, é um notável exemplo do modo como Maleki utiliza a voz como mero recurso sonoro, no meio de outros detalhes e sons que facilmente nos colocam no meio da movimentada South Vermont rumo a Beverly Hills.

A música de Kodak To Graph exala imenso uma sensação de convite frequente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e este produtor não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Belong, o tema de abertura, a surpreender desde logo pelo cariz pop claramente urbano, proporcionado por uma eletrónica manipulada com mestria, não só no modo como o cruza o trompete com a melodia, mas também pelo realce que alguns metais usufruem em determinados momentos da canção. Belong liga-se com Floating através de uma batida minimal que depois parece submergir num mundo aquático e, por isso, sonoramente mais denso e pastoso e se esta conexão entre canções acentua o tal espírito de narrativa sequencial que domina ISA, a opção por arranjos, detalhes, ruídos e métodos de manipulação sonora que se interligam com o título das canções, além de nos fazerem perceber as diversas variáveis que Mike introduz no sintetizador para transmitir uma sensação intrincada e fortemente espiritual. Na verdade, ISA transborda um ideal de leveza e cor constantes, como se o disco transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, apesar de, felizmente, serem agora menos frios e sombrios, permitindo-nos escutar uma música bastante sensorial, que parece ter textura, cheiro e flutuações térmicas condizentes com o ritmo, a batida ou o borbulhar de determinados detalhes, aquáticos ou terrenos que facilmente se identificam e que são passíveis de serem confrontados com aspetos reais e palpáveis do meio que nos rodeia. Se a sensibilidade emotiva, minimal e arrepiante de Glaciaa nos obriga a vestir um agasalho bem quente enquanto sobrevoamos os pólos, as já citadas Los Angeles e Belong retratam uma América multicultural e cosmopolita que acolheu e inspira Maleki.

Rico e arrojado e apontando em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, ISA tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor eletrónica contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, oferecer música que se sente e que se vê, englobando diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, que podem passar pelo trip hop, a chillwave, o hip hop ou o R&B num pacote que conta histórias que as máquinas de Maleki sabem, melhor do que ninguém, como reporduzir e encaixar. Este é um álbum para ser escutado, visto e sentido, recheado de paisagens sonoras bastante diversificadas, mas de algum modo descomplicadas e acessíveis e que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

email


autor stipe07 às 19:14
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Domingo, 8 de Março de 2015

Astari Nite - Anonymous

Depois de a vinte e três de janeiro de 2014 os Astari Nite terem editado Stereo Waltz, um trabalho produzido por Steve Thompson, esta banda norte americana de Miami, na Flórida, formada por Mychael Ghost (voz), Illia Tulloch (bateria), Michael Setton (guitarra) e M. Sallons (baixo), está de regresso com Anonymous, um EP de quatro canções, desta vez produzido por Josh Rohe e que assenta num som progressivo com tonalidades típicas do rock mais gótico, em detrimento de uma eletrónica cheia de tiques da darkwave, até hoje a atmosfera sonora mais habitual nos Astari Nite.

Os sintetizadores, as guitarras cheias de distorção, o baixo vigoroso e uma percussão vibrante, assim como a toada emotiva do registo vocal de Mychael conduzem os temas de Anonymous e dão-lhes aquela tonalidade retro que nos faz recuar até aos anos oitenta.

De tonalidades mais pop, expressas no single The Boy Who Tried até ao clima épico de Considered The Thought, ou o indie rock mais clássico de Epilogue e de Beautiful Vacancy, há uma constante sensação vintage, uma vibração que nos faz viajar entre o nostágico e o contemporâneo e que parece conseguir caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta.

Anonymous é um EP obrigatório para os apreciadores do rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico como, ao mesmo tempo, encontra raízes numa espécie de hardcore eletrónico e luminoso. Este trabalho demonstra igualmente a capacidade eclética dos Astari Nite em compôr boas letras e oferecer-lhes alguns dos melhores efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do indie punk vintage mais sombrio. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

Public Service Broadcasting – The Race For Space

Fundados em Londres em 2009, os Public Service Broadcasting são a banda de J. Willgoose e Wrigglesworth, uma dupla com vários EPs no cardápio, dos quais se destacam War Room (2012)  e já com um extraordinário longa duração intitulado Inform – Educate – Entertain, o álbum de estreia, que chegou aos escaparates, por intermédio da Test Car Recordings, há cerca de dois anos e foi justamente considerado um dos trabalhos discográficos mais originais e peculiares desse ano, devido ao conceito único que albergava, o de cruzar narrações de filmes antigos de propaganda dos arquivos do BFI (British Film Institute) com música. A ideia era ensinar lições do passado com música do futuro, sendo esta, desde a estreia, a imagem de marca dos Public Service Broadcasting.

No sucessor, The Race For Space, o conceito mantém-se, com os Public Service Broadcasting a avançar entre uma a duas décadas até ao início da corrida ao espaço, nomeadamente no período de 1957 a 1972 e a vasculharem de novo nos arquivos do BFI para juntarem samples e trechos de vozes utilizadas pelas agências especiais russa e norte americana, nos projetos Soyuz e Apollo.

Com momentos instrumentais extraordinários, que assentam nos riffs de guitarra viscerais de Willgoose e em batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados para o krautrock, a peculiar e distinta receita de The Race for Space acaba por ser eficaz e logo no tema homónimo de abertura, quer a fórmula descrita acima, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras.

A partir daí, não há como ficar indiferente à batida sintética kraftwerkiana que sustenta a eletrónica retro de Sputnik, presente novamente, adiante, em The Other Side, aos vestígios de vocalizações hip-hop na inebriante Go! e também a um certo folk rock fornecido por uma linha de guitarra em Valentina - Smoke Fairies, com a particularidade de misturar-se com teclados atmosféricos que proporcionam um belo instante sonoro que propicia uma reentrada suave na atmosfera. No entanto, a hipnótica e pulsante Tomorrow e a luminosa Gagarinfeita com um intenso rock progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques do disco, com E.V.A., por exemplo, a ser suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.

A audição de The Race For Space acaba por não ser apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco pop, mas uma experiência mais alargada, visual e sonora, já que o álbum poderia muito bem ser um documentário sobre um dos períodos mais interessantes do pós guerra, no século passado e também um dos mais perigosos para a humanidade, que nunca foi tão posta à prova como em determinados períodos dessa competição desenfreada pela conquista dos céus, movida a energia nuclear. Já agora, os próprios videos já feitos dos singles retirados de The Race For Space seguem esta fórmula porque se servem de excertos dos filmes antigos narrados durante a canção.

Com The Race For Space os Public Service Broadcasting confirmam o seu papel de gurús do post rock experimental, através de um compêndio sonoro que nos leva numa jornada pelo passado e que cumpre com distinção a missão de cruzar história, música pop, educação e entretenimento. Espero que aprecies a sugestão...

Public Service Broadcasting - The Race For Space

01. The Race For Space
02. Sputnik
03. Gagarin
04. Fire In The Cockpit
05. E.V.A.
06. The Other Side
07. Valentina
08. Go!
09. Tomorrow


autor stipe07 às 21:24
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