Segunda-feira, 18 de Maio de 2015

Sweet Baboo - Black Domino Box (H Hawkline Cover)

Sweet Baboo é Stephen Black, um músico e compositor natural de Cardiff, no País de Gales e que lançou em abril de 2013, por intermédio da Moshi Moshi Records, Ships, o seu segundo disco, um álbum conceptual sobre o mar. Agora, dois anos depois, enquanto não chega aos escaparates The Boombox Ballads, o sucessor, Sweet Baboo disponibilizou gratuitamente no seu bandcamp uma bonita versão de Black Domino Box, um original do seu amigo H.Hawkline.

A participação especial de Hawkline no concerto de apresentação de The Boombox Ballads que vai ocorrer quarta-feira, dia vinte e um de maio, em Londres, é o grande motivo da criação desta cover onde Sweet Baboo volta a ser irrepreensivel no modo multi-colorido como conjuga diversas influências, que vão da folk à synth pop e sempre num registo algo infantil e até despreocupado. The Boombox Ballads irá ver a luz do dia em agosto. Confere...


autor stipe07 às 19:30
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Terça-feira, 12 de Maio de 2015

Lilith Ai - Hang Tough

Oriunda de Londres e bastante talentosa no modo com reflete na sua música todos os sentimentos antagónicos e contrastantes que invadem uma mente que ainda se prepara para entrar na idade adulta mas que já atravessou sozinha o atlântico até Queens, Nova Iorque, com apenas setenta libras no bolso e a música como sonho maior, Lilith Ai é uma voz talentosa que se prepara para captar definitivamente a nossa atenção.

Hang Tough é o primeiro suspiro de Lilith Ai em forma de música, um tratado sonoro que mistura eletrónica, chillwave e r&b com um charme e uma delicadeza invulgares e exalando uma já notável maturidade. O lado b do single Yeah Yeah, amplifica os predicados instrumentais que irão certamente fazer parte do futuro discográfico deste belíssima cantora, onde o clássico e o contemporâneo se misturam com aquela delicadeza tipicamente feminina. confere... 


autor stipe07 às 17:36
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2015

Django Django - Born Under Saturn

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome a acompanhar com toda a atenção. Depois de se terem estreado nos discos em janeiro de 2012 com um trabalho homónimo muito bem aceite pela crítica e nomeado para um Mercury Prize nesse mesmo ano, a banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, está de regresso com Born Under Saturn, um álbum editado a quatro de maio último e feito com uma pop angulosa proosta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

O primeiro conceito que assalta o nosso pensamento depois de uma prévia audição de Born Under Saturn é o de continuidade, já que estas treze novas canções dos Django Django confirmam a estética sonora proposta na estreia, uma coerência que de certo modo se saúda, principalmente no seio de quem, como eu, considerou há três anos este quarteto inglês como uma verdadeira lufada de ar fresco no universo sonoro regido pela pop de cariz mais eletrónico.

Mas não é só de pop eletrónica que vive Born Under Saturn. Aliás, Django Django já era uma verdaderia amálgama e o caldeirão mantém-se bastante ativo como se percebe logo no início do alinhamento.  Giants, Shake and Tremble e Found You obedecem à nuance sonora comum e intrinseca ao grupo, com a epicidade da primeira, o piscar de olhos ao spaghetti rock da segunda e o elevado acerto melódico da última a embrenharem-nos disco adentro rumo ao seu núcloo central, o single First Light. Nesta canção os Django Django apostam todas as fichas e aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, acompanhada por guitarras que parecem ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas, numa mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento e que vicia o ouvinte, convidando-a a repetidas audições.

Com uma notável capacidade para nos colocar a dançar, mesmo que haja uma relutância em relação ao constante apelo, nem que seja para um quase implícito abanar de ancas, os Django Django aventuram-se numa deriva sonora que parece muitas vezes algo incongruente e até superficial, mas é óbvio o fio condutor, assente em vozes estilizadas e efeitos sonoros espaciais, que fazem com que a banda cumpra cabalmente essa função lúdica de apelo ao lado mais físico do ouvinte, mesmo num tempo em que parece existir uma clara obsessão em encontrar paralelismos e pontos de encontro no universo sonoro alternativo, entre a eletrónica mais progressiva e a comercial, para que um projeto mereça sentar-se  mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Temas como este single First Light, mas também Reflections ou 4000 Years catapultam os Django Django para uma posição relevante no espetro mais animado do cenário musical alternativo, à boleia de traços sonoros intrépidos e ecléticos sem paralelismo conceptual, propostos por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual. Depois, o sintetizador minimal e contemplativo de High Moon, a viola folk que sustenta a melodia de Beginning To Fade, o sintetizador retro e a percussão tribal de Shot Down, o efeito hipnótico da guitarra e os metais de Break The Glass e o baixo de Life We Know são a confirmação plena da forma particularmente viva e espontânea como os Django Django celebram de modo eclético o seu elevado índice de maturidade e firmeza criativa, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam na relação simbiótica de tudo aquilo que os influencia, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras, onde conceitos como charme e delicadeza facilmente se misturam e nos hipnotizam.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Django Django e Born Under Saturn é um disco naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, um trabalho desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental e plasma uma feliz renovação no som já firmado na premissa original desta banda escocesa. Espero que aprecies a sugestão...

Django Django - Born Under Saturn

01. Giant
02. Shake And Tremble
03. Found You
04. First Light
05. Pause Repeat
06. Reflections
07. Vibrations
08. Shot Down
09. High Moon
10. Beginning To Fade
11. 4000 Years
12. Breaking The Glass
13. Life We Know

 


autor stipe07 às 22:22
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Terça-feira, 5 de Maio de 2015

Everything Everything - Regret

Depois de Man Alive (2010) e Arc (2013), os britânicos Everything Everything de Jonathan Higgs, Jeremy Pritchard, Alex Robertshaw e Michael Spearman estão de regresso aos discos com Get To Heaven, um álbum que vai ver a luz do dia a quinze de junho, um lançamento que será acompanhado por uma digressão local, que terminará em Manchester, cidade natal da banda.

O indie rock de Regret, feito com uma percussão vincada, um baixo pleno de groove, uma guitarra particularmente melódica e um registo vocal em falsete exemplarmente replicado por Higgs, é o mais recente avanço divulgado de Get To Heaven, uma canção marcante, cheia de personalidade e que antecipa um disco prometedor. Confere...

Everything Everything - Regret

 


autor stipe07 às 13:20
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Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

La Garçonne - I'm On Punch

La Garçonne é o projeto a solo de Ranya Dube uma cantora, compositora e produtora canadiana, natural de Whistler e que se irá estrear nos discos a vinte e seis de maio com As Days Go By. Este trabalho irá ver a luz dia em formato digital e cassete através da True Horror Music de Jason Sheppard.

Com um Macbook Pro debaixo do braço e uma mente particularmente inventiva e criativa, Ranya cria música em redor de um eletropop que se cruza com o post punk e a new wave, uma sonoridade predominantemente sintética, muito à imagem do que propôem atualmente nomes tão fundamentais no género, como os Chromatics, Glass Candy ou Zola Jesus.

I'm On Punch é o primeiro avanço divulgado de As Days Go By, mais de quatro minutos disponibilizados para download gratuíto e que plasmam o enorme charme e bom gosto deste diamante sonoro ainda em bruto, que viu o ano passado um tema seu inserido na banda sonora do aclamado filme independente de terror Starry Eyes e que foi já o principal motivo para a criação da True Horror Music. Confere...


autor stipe07 às 20:47
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2015

Only Real - Jerk At The End Of The Line

O projeto britânico Only Real estreou-se nos discos através da Virgin/EMI em final de março com Jerk At The End Of The Line e Pass The Pain e Cadillac Girl, um álbum produzido por Dan Carrey e Ben Allen e os dois avanços primeiros divulgados do trabalho, mostraram desde logo que Niall Gavin, o grande mentor deste projeto, é um fazedor nato de canções que mostram o indie rock como um trunfo explorado positivamente até à exaustão e um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que idealizou.

Na verdade, a antecipação dessas duas canções deixou logo avisada a crítica e os potenciais fãs para o furacão que estaria prestes a entrar pelos nossos ouvidos, em pleno início de primavera. E basta ouvir, logo após Intro (Twist It Up), o teclado planante, a percussão tropical e a voz grave que dominam Jerk para perceber que, realmente, essa exaltação inicial tinha sentido, já que Only Real comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de pop ácida e psicadélica, inspirada em alguns dos detalhes identitários da britpop mais genuína, com uma considerável vertente experimental associada e que ganha um realce ainda maior quando, logo de seguida, em Yesterday, as guitarras distorcidas e turvas têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Estando dado este mote logo nos intantes iniciais do disco, fica claro para o ouvinte que Jerk At The End Of The Line exalta cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema e com uma expressividade única e claramente intencional. Niall é fortemente irónico, sem ser sarcástico, tanto pisca o olho à energia juvenil de um Damon Albarn em início de carreira como aos The Streets auto-depreciativos, mas mantém sempre impecável o seu adn identitário e um charme que dispensa amarguras e abraça a lisergia, sem apelar, mesmo que implicitamente, a qualquer tipo de reforço psicotrópico para ser devidamente apreciado.

Only Real homenageia, no fundo, uma vasta miríade de nomes conterrâneos e mais ou menos contemporâneos, exaltando as virtudes da escola musical indie britânica, sendo possível conferir nuances típicas de projetos como os Gorillaz e de artistas como os já citados ou um Jamie T no seu cardápio. Todo o arsenal bélico instrumental e já acima referido na sua grande parte, com que ele nos sacode, traduz, na forma de música, a mente criativa que nele vive e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que Niall vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo, sendo os próprios tons neon da capa do disco, uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por Only Real, um talento prematuro que soube aproveitar o melhor da sua juventude e da sua criatividade nesta estreia verdadeiramente auspiciosa. Espero que aprecies a sugestão... 

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Only Real: Jerk At The End Of The Line (Signed)

1-Intro (Twist It Up)
2-Jerk
3-Yesterdays
4-Break It Off
5-Can't Get Happy
6-Blood Carpet
7-Petals
8-Cadillac Girl
9-Daisychained
10-Pass the Pain
11-Backseat Kissers
12-When This Begins


autor stipe07 às 22:01
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Sábado, 11 de Abril de 2015

Toro Y Moi - What For?

Toro Y Moy é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009, onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras. Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This, de 2010, compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado, ao lado de trabalhos como Life of Leisure dos Washed Out e Psychic Chasms de Neon Indian.

No ano seguinte, em 2011, surgiu Underneath The Pine, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início de 2013. Agora, dois anos depois, Toro Y Moi chega a What For?, o quarto tomo da sua carreira, lançado no passado dia sete de abril pela Carpark Records, amadurecido e a piscar o olho ao hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, fruto da recente relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, além de se aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins.

Os carros de corrida passam lá em baixo, no asfalto quente, enquanto dois pisos acima, junto a uma marina, plumas e biquinis confundem-se e ancas abanam sem pudor ao som do charme sofisticado do indie rock festivo de What You Want, canção que mistura cordas com efeitos flamejantes, numa receita que se estende, de modo mais sedutor a Buffalo e nos coloca na linha da frente de um universo particularmente radioso e onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado. É uma cúpula entre rock e eletrónica, quente e assertiva e que ao longo do alinhamento vai convocando para a orgia outros sub-géneros da pop, que vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, estendidos numa almofada junto à piscina, enquanto saboreiam mais um copo e apreciam um final de tarde glamouroso. Lá em baixo, no asfalto quente, a corrida aproxima-se da sua fase decisiva.

A cadência lo fi empoeirada e romântica da guitarra e do piano de The Flight  e de Ratcliff, com o fuzz da distorção particularmente assertivo a destacar-se na última e o ambiente cinematográfico que escorre do doce mel minimal a que sabem as teclas sintetizadas de Yeah Right, são outras amostras do requinte melancólico com que Toro Y Moi nos dá as mãos, para nos levar com ele rumo às profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, com elevada carga poética. Ao invés a luminosa e festiva Empty Nesters e a ode aos primórdios do discosound que escorre do efeito sintetizado sexy de Lilly não deixam vacilar o propósito claramente celebratório e fisicamente provocador que What For? procura replicar, com o groove do baixo, o descontrole apenas aparente da guitarra e o tom agudo da voz de Chazwick em Spell It Out a induzirem ainda mais na direçao ascendente o espetro climático do ambiente que rodeia tudo aquilo que a nossa imaginação quiser moldar e que será forçosamente algo excitante e com um certo teor libidinoso.

A toada descontraída e amena de Half Dome e Run Baby Run mostram-nos o pôr do sol, enquanto lá ao longe se celebra no pódio montado bem no centro da primeira reta do asfalto e aproximam-nos do ocaso de um disco onde cada música tem sempre algo de pessoal e tudo se sustenta de maneira adulta, como se o R&B de Frank Ocean e até detalhes de veteranos como Prince se derretessem no meio de sintetizadores e batidas irregulares. What For? comprova, uma vez mais, a força de Bundick, com fôlego renovado e a estabelecer uma multiplicidade de novos caminhos, testando sonoridades e experimentações sem recear ser apontado de ser uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um artista que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

1. What You Want
2. Buffalo
3. The Flight
4. Empty Nesters
5. Ratcliff
6. Lilly
7. Spell It Out
8. Half Dome
9. Run Baby Run
10. Yeah Right


autor stipe07 às 21:46
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Howling - Stole The Night

Howling - Stole The Night

RY X e Frank Wiedemann são os Howling, um projeto sedeado em Berlim e que aposta numa mistura entre o indie rock e a eletrónica ambiental, cheia de soul e sentimento e que se irá estrear nos discos com Sacred Ground, um trabalho que irá ver a luz do dia no início de maio.

O baixo mágico de Stole The Night é a surpreendente revelação mais recente de um álbum que tem a chancela da  Monkeytown Records e da autoria de uma dupla que tem surpreendido por essa Europa fora, com excelentes atuações em clubes de relevo, estando prevista uma passagem pelo Lux, em Lisboa, poucos dias depois da edição de Sacred Ground. Confere...


autor stipe07 às 14:28
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Terça-feira, 7 de Abril de 2015

Dan Deacon - Gliss Riffer

Dan Deacon é um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual. Além de colaborar com vários projetos, já lançou nove discos desde 2003 e agora, três anos depois do estupendo America, chegou finalmente aos escaparates Gliss Riffer, um trabalho editado através da Domino Records, que também abriga os Dirty Projectors, os Hot Chip e os Animal Collective, algumas das bandas concorrentes de Dan Deacon.

Dan Deacon é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Baltimore acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. 

Em Gliss Riffer Deacon assume uma postura distinta em relação às bandas que o acompanham na editora e que referi acima. Este disco impressiona pela grandiosidade, logo patente nos samples e nos teclados do single Feel The Lightning e nos sintetizadores inebriantes de Sheathed Wings, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Deacon é um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Deacon deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante de uma orquestra robótica e maquinal que o consome e dele se apropria, para que as canções que todas estas máquinas, que parecem ter vida própria, compôem possam ter uma alma e um elo de ligação com a humanidade, plasmada nas letras confessionais e sinceras e numa voz manipulada de modo a ser também, ela própria, mais um elementos sintético essencial e autónimo. No entanto, uma audição atenta deixa perceber, em certos momentos, aproximações ao cenário musical mais erudito e orgânico que todos reconhecemos quando são os músicos e produtores que dominam totalmente o arsenal instrumental que utilizam.

Se os dois temas já citados e When I Was Done Dying têm alguns arranjos e detalhes percurssivos que lhes dão o tempero acessível da pop, a partir do efeito agudo de Meme Generator, um tema que dá pistas sobre o que poderá ser o futuro do hip-hop e da buzina e da batida tribal de Mind On Fire, o rumo passa a ser outro e várias experiências curiosas apoderam-se das canções, nomeadamente no teclado hipnótico e minimal que conduz Take It to The Max e na desconcertante Learning to Relax, canção que torna claro que o território assumido por Deacon não deixa de unir, amiúde, elementos da música clássica com batidas esquizofénicas e samples ruidosos que tendem inevitavelmente a resultar num resultado de proporções épicas.

Gliss Riffer é, sem dúvida, mais um trabalho coeso, dinâmico e concetual na trajetória discográfica de um produtor que não receia entregar-se de corpo e alma ao mundo das máquinas e numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, ser aquele detalhe orgânico que dá alma a todas aquelas ligaçoes de fios e transistores que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Deacon. Espero que aprecies a sugestão...

01. Feel the Lightning
02. Sheathed Wings
03. When I Was Done Dying
04. Meme Generator
05. Mind On Fire
06. Learning to Relax
07. Take it to the Max
08. Steely Blues


autor stipe07 às 21:25
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Sexta-feira, 3 de Abril de 2015

Steven Wilson – Hand. Cannot. Erase.

Lançado no final de fevereiro através da Kscope Records, Hand. Cannot. Erase. é o quarto álbum da carreira de Steven Wilson, um disco gravado durante o mês de setembro do último ano num estúdio em Londres, onde o artista se rodeou dos músicos que o têm acompanhado nos últimos anos e tendo sido produzido pelo próprio é um dos trabalhos que mistura rock progressivo e eletrónica mais exuberantes e bem conseguidos dos últimos tempos.

Músico já consagrado e com uma carreira distinta e ímpar, Wilson ganhou enorme notoriedade com The Raven That Refused To Sing (And Other Stories), o antecessor deste Hand. Cannot. Erase., um trabalho que contém uma pesada herança e que era aguardado com enorme expetativa, a qual, foi inteiramente correspondida, tal é a grandiosidade e o elevado nivel qualitativo deste novo compêndio de onze canções, que se estendem para lá da hora de duração.

Álbum conceptual, Hand. Cannot. Erase. fala sobre a história verídica de uma mulher que se quis isolar do mundo em Londres até ao dia da sua morte. Esteve três anos sozinha, a viver na capital de Inglaterra e ninguém deu pela sua falta, apesar de ter familiares e amigos, com Steven a criar a sua versão desta personagem autêntica, colocando sentimentos e emoçoes suas na mesma e, dessa forma, materializando uma homenagem muito pessoal e sentida a uma pessoa que teve finalmente um reconhecimento inesperado e que, deste modo, por muitos desconhecidos será dificilmente esquecida.

Stevem Wilson é exímio e convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidadde e não tem receio de arriscar e de misturar a eletrónica, com outras sonoridades, fazendo-o com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora. Logo, na intro First Regret, o piano eletrónico mostra que está pronto para assumir as rédeas de todo o disco e a riqueza melódica e a assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo em 3 Years Older, convencem-nos da elevada bitola qualitativa de um disco, mesmo que depois seja sucedido pela toada mais pop do tema homónimo, um dos momentos mais discretos do disco,  

Com a participação especial da israelita Ninet Tayeb, Perfect Life e Routine voltam a colocar o disco na rota exata, com o jogo de vozes entre os dois protagonistas dos temas a criar uma agradável atmosfera. Se a primeira canção, por variar imenso nas harmonias que contém, requer tempo e várias audições para se entranhar, numa receita que se repete, adiante, na épica, obscura e eletrónica Ancestral, canção com um longo e intrincado instrumental e que também conta com Ninet, já a sentimental, triste e densa Routine, conquista-nos no imediato pelo modo como materializa a vida rotineira da homenageada, atraves de uma letra forte e um aumento progressivo do ritmo e da cadência até um auge pesado e angustiante, sendo particularmente feliz o modo como a dupla expressa a gama complexa de emoções que a temática e a letra da canção exigem.

Chega-se a Home Invasion e finalmente as guitarras encontram o seu instante de protagonismo, não só no modo como dão corpo e rugosidade à`canção, mas também através de uma articulação feliz com os teclados, que se repete no instrumental Regret # 9, uma canção que encaixa na perfeição no momento do disco e com uma melodia que nos conta mais do que mil poemas sobre esta mulher só e esquecida.

Até ao final, a atmosférica Ascendan Here On e a emotiva Happy Returns, encerram de modo otimista e esperançoso um álbum que não deve ser visto de modo redutor, ou seja, apreciado apenas pelo conteúdo sonoro, mas que deve servir como alerta e consciência para milhares de outras mulheres e homens, de várias idades e de todos os estratos sociais, que vivem absorvidas por uma solidão que pode tomar várias formas e expressar-se de diferentes modos, com Steve Wilson a provar em cada canção, de modo distinto, criativo e envolvente, ser atualmente um nome fundamental e incontornável do universo sonoro em que se insere. Espero que aprecies a sugestão...

Steven Wilson - Hand. Cannot. Erase.

01. First Regret
02. 3 Years Older
03. Hand Cannot Erase
04. Perfect Life
05. Routine
06. Home Invasion
07. Regret #9
08. Transience
09. Ancestral
10. Happy Returns
11. Ascendant Here On…


autor stipe07 às 22:27
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