Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

The XX - I See You

Terminou há poucos dias uma longa espera relativamente a novidades dos The XX, após o aclamado Coexist, um longa duração lançado pelo grupo, à boleia da Young Turks, já há quatro anos e que tem finalmente sucessor. O terceiro álbum do trio foi editado com o mesmo selo Young Turks e chama-se I See You. O disco tem um alinhamento de dez canções, gravadas entre Março de 2014 e Agosto de 2016 em vários sítios como New York, Texas, Reykjavique, Los Angeles e Londres e foi produzido por Jamie Smith e Rodaidh McDonald.

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Ao contrário de outros projetos que muitas vezes se dispersam caso haja um relativo hiato entre discos, o tempo é, sem dúvida, um aliado na curta e bem resolvida trajetória dos The XX. Ocorreram transformações na vida de cada um dos componentes da banda nos últimos anos e, apesar da espera entre cada trabalho, mantém-se o carinho e uma pressão positiva por parte do grande público. Assim, ao terceiro disco os The XX mostram a habitual boa forma, assente numa filosofia sonora muito própria e fortemente identitária e uma saudável disponibilidade para o alargamento do espetro sonoro em que se movimentam e que balança muitas vezes entre a pista de dança e a mais recatada introspeção, como se percebe logo nos dois primeiros temas do alinhamento de I See You. Logo em Dangerous, umas inéditas sirenes e a sedutora batida oferecem-nos maior audácia, relativamente ao anterior catálogo da dupla e depois, em Say Something Loving, aproveitando um sample de Alessi Brothers, a emoção instala-se facilmente em quem se deixar envolver pela beleza melódica do tema.

Percebe-se, pois, logo neste início auspicioso de I SeeYou, que este é mais um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes ainda são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra do trio britânico, mas a diferença, desta vez está na maneira como exploram essa unidade e nas nuances sonoras que interligam as canções. No fundo, a receita é exatamente a do costume, mas a sonoridade foi renovada, tendo cabido ao baterista e produtor Jamie Smith assumir a linha da frente nessa tarefa, nomeadamente quando acerta nas batidas hipnóticas que servem de base para as vozes de Romy e Oliver. Todos estes acertos encontram o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de On Hold, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior o diálogo entre Romy e Oliver, dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre.

No restante alinhamento de I See You, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira Performance e o incisivo espairecer que nos suscita Test Me, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado em I Dare You, por outro, insistem nesta já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que quer fazer juz a uma herança e apontar, em simultâneo, novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop atual e que ao terceiro disco continua a instigar, hipnotizar e emocionar. Espero que aprecies a sugestão...

The XX - On Hold

01. Dangerous
02. Say Something Loving
03. Lips
04. A Violent Noise
05. Performance
06. Replica
07. Brave For You
08. On Hold
09. I Dare You
10. Test Me


autor stipe07 às 15:37
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017

The New Division – Precision EP

Os The New Division são uma banda de Riverside, nos arredores Los Angeles, formada em 2005 por John Kunkel, ao qual se juntam, ao vivo, Brock Woolsey, Michael Janz,Mark Michalski e Alex Gonzales. Falei deles em finais de 2011 por causa de Shadows, o disco de estreia e de Gemini, um trabalho editado há quase dois anos e que continha treze canções com alguma da melhor pop new wave que se pode escutar atualmente. Agora, no dealbar de 2017, este projeto está de volta com Precision, um ep que viu a luz do dia a sete de janeiro, através da Quapaw Music Publishing.

O revivalismo punk rock dos anos oitenta, combinado com a eletrónica mais influente dessa época, razão pela qual não será alheia a inserção das palavras New (Order) e (Joy) Division no nome, é a grande força motriz do processo de criação musical de Kunkel, um músico bastante interessando por esse período musical e que procura replicar, com uma contemporaneidade que se saúda, esse universo musical essencial na história musical e cultural de final do século passado. Tal permissa fica desde logo plasmada, por exemplo, no single Vicious, a principal amostra do ep, canção que impressiona pelo inedetismo de alguns efeitos sintetizados, piscando o olho a uma sonoridade pop, luminosa e expansiva, certamente em busca de um elevado sucesso comercial, de modo a ampliar a rede de ouvintes e seguidores do grupo, além dos habituais devotos que têm acompanhado o percurso da banda com particular devoção.

Precision impressiona, desde logo, pela qualidade da produção e pela aposta firme na criação de um som límpido e que entre o revivalismo e algumas intenções futuristas, agrada e seduz, até pelo forte apelo às pistas de dança. Estamos na presença de um conjunto de canções cuidadosamente trabalhado, onde as influências são bem claras e canções como a já referida Vicious, a pulsante Rewind, que conta com a participação especial vocal de Missing Words, a retro Vices ou a mais orgânica e épica Precision, foram certamente pensadas para o airplay, baseando-se numa pop épica e conduzida por teclados sintéticos que dão vida a refrões orelhudos e melodias que se colam ao ouvido com particular ênfase.

Precision confirma que as guitarras dominam cada vez menos o processo de criação melódica dos The New Division e neste ep os sintetizadores e os efeitos da bateria eletrónica assumem os comandos, olhando de frente para aquela pop nórdica fortemente sentimental que, por exemplo, os A-Ha recriaram com mestria no tal período temporal que entusiasma Kunkel.

Não é novidade nenhuma dizer-se que a música enquanto forma de arte é um fenómeno onde quem inova sonoramente pode encontrar aí o caminho para o sucesso. No entanto, penso que esta manifestação artística também é um fenómeno cíclico e que as bandas e artistas que buscam elementos retro de outras décadas para recriar um estilo próprio também poderão encontrar a chave para o sucesso. Exemplos que procuram seguir esta doutrina são bem comuns nos dias de hoje são bem comuns e já não restam dúvidas que os The New Division escolheram a inesquecível década da ascensão da música eletrónica para sustentar a sua carreira discográfica. Espero que aprecies a sugestão...

The New Division - Precision

01. Vicious
02. Rewind (Feat. Missing Words)
03. Vices
04. Precision
05. Pressure (In Decay)
06. Walk


autor stipe07 às 11:18
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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2017

Doombird – Past Lives

Com raízes em Sacramento, na Califórnia, os norte-americanos Doombird são Ben Edrington, Joe Davancens, Cory Phillips, Kris Anaya e Fernando Oliva, um quinteto que editou em pleno ocaso de 2016 Past Lives, um compêndio de dez canções impregnadas com uma indie pop psicadélica de superior calibre, alicerçadas com intensidade e condimentadas por arranjos e melodias selecionadas com um bom gosto particularmente incomuns.

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Segundo disco deste projeto, Past Lives oferece-nos um manancial de oportunidades de abordagens, tal é a diversidade sonora estilística que contém. E não é preciso ir muito longe na audição do registo para se perceber tal heterogeneidade, que é, nidiscutivelmente, uma súmula de géneros e estilos, mas nada caótica e minuciosamente calculada e pensada.

Logo em Sheers percebe-se o modo assertivo como estes Doombird divagam pela nobre herança da pop oitocentista, conduzidos pela exuberância melódica de um inebriante e épico sintetizador, em redor do qual, quer nesse tema inicial, quer, por exemplo, em The Salt, se entrelaçam as guitarras e uma percussão pulsante. Mas tal efeito vibrante também se mostra impressivo no modo como o baixo e a batida de Fog Rolls In se cruzam com um riff e um flash sintetizado ou, numa outra perspetiva, na alegoria pop oitocentista feita de imponência e de uma elevada dose de sentimentalismo em Dihedral, canção com uma cadência ímpar e que nos leva numa vertiginosa escalada instrumental, rumo a um acolhedor universo, luminoso e melancólico, algures entre a pastosidade dos Radiohead e a fogosidade eletrónica dos Depeche Mode. Numa abordagem um pouco mais introspetiva e intimista, não deve também passar em claro Curtis Park, uma enternecedora balada, capaz de arrebatar o coração mais escondido, lá no canto mais aconchegante do seu quarto.

Compêndio sonoro contundente e feliz no modo como interpreta uma visão muito própria e tremendamente contemporânea do modo como a pop de hoje olha para a sua herança e consegue extraír, de quando em vez, alguns dos seus pilares mais sedutores e firmemente impressivos, Past Lives cria as suas próprias personagens, que passeiam e se desdobram num permanente conflito entre o vintage e o contemporâneo, dando passos seguros ao longo do arquétipo dos temas, quase sempre com um refinamento muito próprio e uma sapiência óbvia. Espero que aprecies a sugestão...

Doombird - Past Lives

01. Sheer
02. Fog Rolls In
03. The Salt
04. Curtis Park
05. Lemma
06. Overflowing
07. Dihedral
08. Commonplace
09. Everything Is Anything
10. Shadow Somber


autor stipe07 às 17:22
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

Andrew Belle – Back For Christmas

Andrew Belle - Back For Christmas

O compositor e músico californiano Andrew Belle compôs e editou um tema de natal para este ano. A canção intitula-se Back For Christmas e está incluída no alinhamento de A Very RELEVANT Christmas, Vol 6, uma edição da publicação Relevant e na qual se incluem, também com composições alusivas a esta quadra festiva, outros nomes imprescindíveis como Kyle Cox, Sleeping At Last, Hoyle e Branches, entre outros.

Esta canção já existe em formato demo desde 2010, mas só agora, no ocaso de 2016, Andrew Belle viu a oportunidade certa para lhe dar os arranjos finais. Ela tem um historial bastante interessante de junção de fragmentos, conforme referiu Belle no release de lançamento: The demo of this song was actually created back in 2010 and I wrote each of the verses at different times over the last six years,” shares Belle. “In the first verse I’m talking about the existence of God, the second is about discovering who he is, and the third verse says, ‘I only got what I can give away,” which is something I’m learning, slowly, as I get older.

Com o ambiente sonoro multicolorido e espetral a ser influenciado pela paisagem multi cultural de Los Angeles, cidade onde Andrew vive atualmente e com um forte cunho impressivo por parte do produtor Chad Copelin (Ben Rector, Sufjan Stevens, Ivan & Alyosha), Back For Christmas explora algumas das mais contemporâneas interseções entre pop e eletrónica enquanto nos oferece um excelente instante sonoro para esta consoada.Confere...


autor stipe07 às 21:09
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Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016

Dub Inc - So What

Saint-Étienne é o poiso natural dos Dub Inc, um coletivo formado por Hakim Meridja Bouchkour, Aurélien Zohou Komlan, Jérémie Gregeois, Grégory Mavridorakis Zigo, Frédéric Peyron, Idir Derdiche, Moritz Von Korff e Benjamin Jouve e um dos nomes fundamentais do cenário reggae europeu. A banda já lançou seis álbuns de estúdio. Os três primeiros, Diversité (2003), Dans le décor (2005) e Afrikya (2008), ainda com o nome Dub Incorporation. Os seguintes álbuns, Hors contrôle (2010), Paraíso (2013) e o último, So What (2016), já foram creditados com o nome Dub Inc.

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Foi a vinte e três de setembro que chegou aos escaparates esse So What, o muito aguardado novo álbum deste coletivo francês e nas suas catorze canções assiste-se a um verdadeiro festim de world music, que tendo o reggae como eixo principal, também pisca o olho a outros estilos sonoros, transversais ao rock e à pop. Tiken Jah Fakoly, David Hinds ou Tarrus Riley são influências declaradas do coletivo e as suas atuações ao vivo já lendárias, verdadeiros festins de reggae e world music com uma inergia inesgotável e contagiante. É uma miscelânea de estilos, que dão vida a letras escritas em inglês, kabil e francês e que nos oferecem mensagens positivas, alegres e festivas, como é apanágio deste tipo de som e que, como o press release do lançamento tão bem narra, é inspirado por uma verdadeira ética humana. 

Triste Époque foi a primeira música divulgada do trabalho, uma composição vibrante, intensa e que juntando ao reggae teclados sintetizados e algumas linhas de guitarra, atesta a miscelânea estilística e sonora de uns Dub Inc que se projetam musicalmente, mas composições do calibre da sensual Evil, tema que se espraia por uma deliciosa batida afro e Love Is The Meaning, canção capaz de fazer dançar qualquer resistente, merecem também dedicada audição num regresso fraterno e feliz do nome talvez maior do reggae europeu atual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:05
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Domingo, 20 de Novembro de 2016

Pavo Pavo – Young Narrator In The Breakers

Eliza Bagg, Oliver Hil, Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer vêm de Brooklyn, Nova Iorque e renascidos das cinzas dos Plume Giant e com ligações estreitas a nomes tão importantes como os San Fermim ou os Here We Go Magic formam os Pavo Pavo e fazem aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação retro de um futuro utópico e imaginário, como prova Young Narrator In The Breakers, disco editado por este quinteto a onze de novembro último à boleia da Bella Union. Trabalho produzido pela dupla Danny Molad (Lucius) e Sam Cohen (Yellowbirds, Apollo Sunshine), contém doze canções com uma elegância ímpar, sustentada em guitarras plenas de charme, harmonias particularmente cativantes e sintetizadores com uma luminosidade intensa e sedutora que serviram para criar uma banda sonora feliz no modo como descreve toda aquela magia intrínseca à entrada na vida adulta, mas também os medos, as turbulências e as dúvidas e hesitações que tal passo provoca.

Pavo Pavo

No início de um percurso sonoro que se prevê auspicioso, os Pavo Pavo logo em Ran Ran Run, o tema que abre o disco, balizam com exatidão as suas coordenadas, que servem para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um rock e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Se a audição de Young Narrator in The Breakers nos oferece, no seu todo, vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, que será aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso. Tal acontece, logo no início, nos teclados, nos metais e nos coros de Annie Hall e depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor que, do território mais negro e encorpado do instrumental A Quiet Time With Spaceman Sputz, até ao jogo lascivo que se estabelece entre o baixo e o bandolim em 2020, We’ll Have Nothing Going On, passando pela nuvem de plumas que sustenta Somewhere In Iowa, tema que disserta sobre a inocência daqueles dias de verão onde tudo parece possível e a exuberância rítmica de Belle Of The Ball, ou o ambiente mais punk e até dançável do notável baixo de No Mind, mostra-nos sempre um percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.

Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, Young Narrator In The Breakers ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuítivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral pop onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante dos efeitos dos violinos em que se sustenta John (A Little Time), mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Com nuances variadas e harmonias magistrais, em Young Narrator In The Breakers tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um groove e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do indie rock contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...

Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers

01. Ran Ran Run
02. Annie Hall
03. Ruby (Let’s Buy The Bike)
04. Wiserway
05. A Quiet Time With Spaceman Sputz
06. Somewhere In Iowa
07. Belle Of The Ball
08. The Aquarium
09. No Mind
10. John (A Little Time)
11. Young Narrator In The Breakers
12. 2020, We’ll Have Nothing Going On


autor stipe07 às 14:56
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2016

Two Door Cinema Club – Gameshow

Os irlandeses Two Door Cinema Club, de Alex Trimble, Kevin Baird e Sam Halliday, estão de regresso aos discos com Gameshow, dez canções que quebram um hiato de quatro anos do projeto, fazendo-o à boleia da Parlophone Records. Este é o terceiro disco da banda, sucedendo ao muito aclamado Beacon (2012) e a Tourist History (2010), o disco de estreia.

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Produzido por Jacknife Lee, um profissional procurado por nomes tão conceituados como R.E.M., Snow Patrol e U2 e exímio em recriar sonoridades amplas, mas que não coloquem em causa a rugosidade típica do rock, no sentido mais puro do termo, Gameshow é um glossário de diversas estéticas sonoras onde, mais uma vez e como tem sido norma em projetos contemporâneos que procuram assumir uma posição relevante no universo sonoro em que subsistem, se procura uma simbiose entre algumas das mais recentes tendências da eletrónica, constantemente a piscar o olho aos gloriosos anos oitenta e o rock de cariz mais progressivo, que começou a surgir em força, principalmente do outro lado do atlântico, a partir da segunda metade do século passado. Em canções como o single Are We Ready? (Wreck), o primeiro avanço divulgado de Gameshow e nos sintetizadores de Ordinary, é possível perceber esta fórmula simbiótica, com o primeiro tema a mostrar-nos que está de regresso aquele fluxo planante das guitarras, típico de um trio onde tudo flui para impressionar e levar os ouvintes a entregarem-se aos encantos e à dança involuntária que conseguem imprimir ao ideário sonoro das suas canções e com o segundo a mostrar como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes Two Door Cinema Club. Depois, há aqui canções que oscilam, declaradamente, para um dos dois lados da barricada; Assim, se o tema homónimo é um tratado de indie rock assumidamente cru e minimal e o jogo de cordas de Fever segue na mesma linha, já Je Vivens De La, deixa os estádios de lado e procura entricheirar-se com altivez nos PAs dos clubes mais inn do momento.

Gameshow não é o disco que vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes Two Door Cinema Club em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...

Two Door Cinema Club - Gameshow

01. Are We Ready? (Wreck)
02. Bad Decisions
03. Ordinary
04. Gameshow
05. Lavender
06. Fever
07. Invincible
08. Good Morning
09. Surgery
10. Je Viens De La


autor stipe07 às 20:52
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2016

Fujiya And Miyagi – EP1 & EP2

Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, cinco discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os Fujiya And Miyagi resolveram deixar um pouco de lado o habitual formato álbum para se dedicarem à edição de três EPs, espaçados quase por um ano, com o conteúdo dos dois primeiros já conhecido e a merecerem, desde já, cuidada análise.

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Assim, se EP1 viu a luz do dia em finais de maio último e o EP2 ontem mesmo, já o EP3 chegará aos escaparates no início de 2017. E pelo conteúdo dos dois primeiros alinhamentos, fica claro que este quarteto está cada vez mais apostado numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação. É uma estética sonora abraçada logo em 2003, quando Steve Lewis e David Best, os membros iniciais do projeto que integrava o conceito de Fujiya (uma marca de equipamentos de som) e Miyagi (o mentor de Daniel-San em Karate Kid), se estrearam e que contém cada vez maior bitola qualitativa, assente num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos, algo que Outstripping (The Speed Of Light), o single de abertura de EP2, plasma claramente ao remeter-nos para a sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order e Swoon eleva, através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best e o groove de um teclado.

Olhando para o restante conteúdo dos dois Eps e continuando a fazê-lo num todo, sem os separar, importa referir ainda que se Serotonin Rushes nos remete para a eletrónica alemã, com o baixo e as guitarras a não esbaterem uma declarada essência vintage, mas a acabarem por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências, também há que destacar a elegância do groove e do ritmo dos teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens cotemplativas em Extended Dance Mix. Este tema é um excelente mote para percebermos o atual estado criativo do grupo e o porquê de serem já uma referência devido ao jogo que estabelecem entre o baixo e as guitarras no meio das batidas, com o charme de Freudian Slips, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega, a desfazer ainda mais todas as dúvidas em relação a essa constatação.

Estamos perante uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou mais um conjunto de alinhamentos consistente, carregados de referências assertivas e que constituem um novo marco no percurso deste projeto essencial do panorama da eletrónica do séxculo XXI. Espero que aprecies a sugestão...

Fujiya And Miyagi - EP1

01. Serotonin Rushes
02. To The Last Beat Of My Heart
03. Freudian Slips
04. Magnesium Flares

Fujiya And Miyagi - EP2

01. Outstripping (The Speed Of Light)
02. R.S.I.
03. Swoon
04. Extended Dance Mix


autor stipe07 às 17:44
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Bruno Pernadas - Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, à boleia da Pataca Discos.

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Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them oferece-nos um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que Pernadas polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo jazz contemporâneo, indie rock, pop, folk, eletrónica, ritmos latinos e até alguns lampejos da música dita mais clássica e erudita.

Assim, o exercício que se coloca perante o ouvinte que se predispõe a saborear convenientemente o universo criado por those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, deverá firmar-se, por exemplo, em Spaceway 70, na vontade de apreciar o modo como uma flauta ou um trompete cirandam em redor de um par de acordes da guitarra, como em Problem number 6 se equilibram com total desembaraço, flashes de samples, alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a samba por todos os poros, como na soul contemplativa de Valley in the ocean é dada total liberdade ao piano e às cordas para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor, o modo como o trompete, o sintetizador e um efeito de guitarra quase surreal produzem um intenso travo oriental e exótico em Anywhere in spacetime, o devaneio cavernoso lo fi das teclas de Because it’s hard to develop that capacity on your own, o ménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre trompete, piano e flauta em Galaxy, ou de perceber a teia intrincada de relações promíscuas que se estabelecem, constantemente, durante os mais de doze minutos de Ya ya breathe, entre as teclas do piano, as distorções da guitarra e os diferentes instrumentos percussivos que se escutam, enquanto o baixo, procura estabelecer alguma ordem e harmonizar um salutar caos, numa composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a heterogeneidade instrumental e melódica final e o (aparente) minimalismo inicial é geralmente indecifrável. Com esta atitude certa, constata-se, então, que those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.

Saboreando poemas escritos em inglês pelo autor do disco e por Rita Westwood, those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu, enquanto Pernadas disserta alegremente e claramente fascinado pelo lado mais luminoso, colorido e natural deste mundo, sobre uma heterogeneidade de sensações e aspetos físicos e naturais que o atraem e que, em contacto com a espécie humana, obriga todas as partes envolvidas a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência e que estas dez canções também, à sua maneira, plasmam. E durante este exercício antropológico, o autor aproveita para estabelecer paralelismos com o amor e a teia intrincada de relações, sensoriais e neurológicas que esse sentimento provoca, quer individualmente, quer durante a sua materialização com outro(s), com canções do calibre das já descritas Problem number 6 ou Valley in the ocean a fazerem-nos crer que se há sentimento mais belo e capaz de nos transformar e fazer-nos ver com exatidão o mundo que nos rodeia é a vivência plena do amor. Espero que aprecies a sugestão…

bp_crocodiles_sq1600-72dpi

01. Poem (1)
02. Spaceway 70
03. Problem Number 6
04. Valley In The Ocean
05. Anywhere In Spacetime
06. Poem (2)
07. Because It's Hard To Develop That Capacity On Your Own
08. Galaxy
09. Ya Ya Breathe
10. Lachrymose


autor stipe07 às 18:00
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Field Music - Commontime

Lançado em fevereiro deste ano, Commontime é o sexto registo de originais dos britânicos Field Music, uma dupla oriunda de Sunderland e formada pelos irmãos Peter e David Brewis. Abrigados pelo insuspeito selo Memphis Industries, nestas catorze canções oferecem-nos um charmoso compêndio de pop hi-fi, colorido a neons fluorescentes e plumas de seda e repleto de influências orelhudas, que da eletrónica setentista ao rock da década seguinte, misturadas com alguns dos melhores detalhes da pop contemporânea, originam um disco amplo e luminoso e particularmente cativante, em termos melódicos e não só.

Sustentado por um ambiente musical polido e acessível, Commontime contém aquele som pop instantâneo, mas prodigioso no modo como se apresenta envolvido por um embrulho melódico animado por uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários e, por isso, passível de ser absorvido com detalhe e nitidez, sem colocar em causa aquela sensação de riqueza, esplendor e eleavada bitola qualitativa.

Já veteranos nestas andanças, os irmãos Brewis contam-nos aqui como é o quotidianos de ambos, pais recentemente, com familias estuturadas formadas e que, por isso, têm vidas ditas normais e comuns a tantos de nós. Sendo assim, é relativamente fácil identificarmo-nos com estas canções e em algumas delas nem falta aquele típico humor negro britânico, todas escritas com uma inteligência lírica rara. Assim, sem darmos por isso, estas canções são cativantes e, ao mesmo tempo, carinhosas no modo como nos transportam para os nossos primórdios tal é o manancial vintage instrumental e melódico que carregam, o que resulta numa bela amostra da melhor pop anglo americana que se faz atualmente, que tanto pisca o olho ao funk setentista em Don't You Want To Know What's Wrong? e How Should I Know If You've Changed? como à pop dita mais progressiva dos anos setenta e oitenta, com os Sparks ou os Genesis como referência fundamental de The Noisy Days Are Over, o grandioso tema que abre o álbum e de outros instantes pop perfeitos, nomeadamente Disappointed, But Not For You e I'm Glad, bons exemplos da mestria compositória destes Field Music.

Banda sonora de uma passerelle onde desfilamos as nossas vidas de queixo levantado e olhar altivo, certos que vivemos num mundo onte tudo está no lugar certo e nada nos acontece por acaso, Commontime parece algo suspenso no tempo, oferecendo-nos uma apresentação irrepreensível de como a música popular e dita de massas por também ser bem tocada e parecer inteligente, harmoniosa e particularmente tocante. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para Field Music Commontime

01 The Noisy Days Are Over
02 Disappointed
03 But Not For You
04 I'm Glad
05 Don’t You Want To Know What's Wrong?
06 How Should I Know If You've Changed?
07 Trouble At The Lights
08 They Want You To Remember
09 It's A Good Thing
10 The Morning Is Waiting
11 Indeed It Is
12 That's Close Enough For Now
13 Same Name
14 Stay Awake


autor stipe07 às 21:42
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