Quinta-feira, 30 de Março de 2017

Alt-J (∆) – In Cold Blood

Alt-J (∆) - In Cold Blood

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, confirmou a excelente estreia com This Is All Yours, um álbum que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

Agora, três anos depois desse excelente registo, os Alt-J (∆) vão regressar aos álbuns com Relaxer, oito canções, das quais conheceu-se, em primeiro lugar 3WW, tema que abre o alinhamento e agora In Cold Blood, a canção seguinte, uma composição que alarga um vasto leque de referências e que da pop ambiental contemporânea ao art-rock clássico, passando pelo R&B, é uma epopeia onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses diversos universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual. Confere In Cold Blood e o artwork de Relaxer...


autor stipe07 às 15:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 17 de Março de 2017

Kasabian – You’re In Love With A Psycho

Kasabian - You're In Love With A Psycho

Os britânicos Kasabian regressam aos discos a vinte e oito de abril próximo e à boleia da Record Bird, com For Crying Out Loud, trabalho que vai suceder a 48:13, um registo pesado, marcante, elétrico e explosivo, que a banda lançou em 2014 e que firmou de modo ainda mais explícito, as várias intersecções que este coletivo de Leicester vinha a estabelecer entre rock e eletrónica nos últimos trabalhos.

You're In Love With a Psycho é o primeiro single divulgado de For Crying Out Loud, uma canção composta em apenas quinze minutos por Serge Pizzorno, o guitarrista da banda, e que traz consigo todo o esplendor festivo dos Kasabian, já que ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada, como é apanágio no cardápio do grupo, que, neste caso, teve osx anos oitenta em declarado ponto de mira. Confere...


autor stipe07 às 18:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 14 de Março de 2017

Vaarwell - Homebound 456

Foi no passado dia dez de março que os Vaarwell de Margarida Falcão, Ricardo Correia e Luis Monteiro, editaram Homebound 456, um lindíssimo trabalho, o longa duração de estreia de um projeto de indie pop nascido em Lisboa em finais de 2014 e que lançou, em Maio de 2015, Love and Forgiveness, o EP de estreia. É um alinhamento de doze canções gravadas por Joaquim Monte no Namouche Estúdio, misturadas e co-produzidas por Paulo Mouta Pereira e masterizadas por Miguel Pinheiro Marques (SDB Mastering). Para além dos Vaarwell, o disco conta ainda com a participação de Tomás Borralho (Anthony Left) e Diogo Teixeira de Abreu (Lotus Fever) nas baterias, Paulo Mouta Pereira (David Fonseca) no piano e Bernardo Afonso (Lotus Fever) nas teclas. O design foi da responsabilidade d​e​ Manuela Abreu Peixoto.

Imagem relacionada

Homebound 456 é um porto de abrigo acolhedor, cheio de virtudes e tentações, uma lufada aconchegante que nos protege e embala, tenhamos nós a disposição e o desejo de nos deixarmos contagiar por um compêndio de beleza melódica, lírica e instrumental incomum. A voz da Margarida é, por si só, capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, mas os arranjos e os instrumentos que sustentam as canções permitem também um suave levitar, tal é o rol de emoções que transmitem e a intensidade das mesmas. Se em Floater a distorção da guitarra calcorreia, sem receio, terrenos mais progressivos com forte sabor ao terreno e ao palpável, já nos metais que cirandam por American Dream a emoção instala-se, com 123 a recalcar toda a recatada introspeção, fortemente contemplativa, que Homebound 456 proporciona. Neste tema, o modo como a guitarra explode, não coloca em causa esta agradável sensação de letargia, servindo até como modo de nos fazer perceber que o que ouvimos é real, existe e foi composto por uma banda bastante assertiva, criativa e inspirada no momento de criar música.

Homebound 456 acaba por ser um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da filosofia dos Vaarwell e a maneira como exploram essa unidade e como selecionam as nuances sonoras que interligam as canções, contém um charme sedutor difícil de explicar. Aliás, se dúvidas ainda vão subsistindo, as variações ritmícas e o arsenal instrumental de Sheets, o tema que encerra o alinhamento, esclarecem definitivamente o mais céptico. No fundo, a receita é uma mescla efusivamente minimal de alguns detalhes implícitos do clássico rock experimental e lisérgico, com alguns dos principais atributos da eletrónica e da pop atual, com todos estes acertos a encontrarem o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de I Never Leave, I Never Go, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior um eco que faz parecer que existem dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. O assunto da canção pode não ter nada a ver com esta ideia, mas foi a isso que ela me soube.

No restante alinhamento de Homebound 456, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira You e o incisivo espairecer que nos suscita a guitarra de Waiting Game, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado na simplicidade do tema homónimo, por outro, insistem na já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que consegue apontar novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop nacional atual e que logo ao primeiro disco instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:38
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 7 de Março de 2017

Alt-J (∆) – 3WW

Alt-J (∆) - 3WW

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, confirmou a excelente estreia com This Is All Yours, um álbum que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

Agora, três anos depois desse excelente registo, os Alt-J (∆) vão regressar aos álbuns com Relaxer, oito canções, das quais já se conhece a que abre o alinhamento. A canção chama-se 3WW e entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, é uma epopeia onde em quase cinco minutos se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual. Confere 3WW e o artwork de Relaxer...


autor stipe07 às 21:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 2 de Março de 2017

Coldplay - Hypnotised

Imagem relacionada

No dia em que o britânico Chris Martin, nascido em Exeter, no Devon, a dois de março de mil novecentos e setenta e sete, celebra os seus quarenta anos, os Coldplay resolveram presentear os seus fãs com uma excelente notícia. Será em junho próximo que irá ver a luz do dia Kaleidoscope, um EP com cinco canções, das quais já se conhece Hypnotised, o tema que encerra o seu alinhamento.

Hypnotised é um excelente aperitivo para o que aí vem, uma canção que na linha dfas últimas propostas sonoras dos Coldplay, nomeadamente o conteúdo de A Head Full Of Dreams, o sétimo disco da carreira do grupo, contém a intenção firme de criar peças sonoras luminosas e festivas, mas também melodicamente amplas e épicas, que façam refletir mas também celebrem o otimismo e a alegria. Confere o alinhamento de Kaleidoscope e o seu primeiro single...

1. All I Can Think About Is You

2. Something Just Like This

3. Miracles 2

4. A L I E N S

5. Hypnotised 


autor stipe07 às 09:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Thievery Corporation – The Temple Of I And I

Sem um daqueles sucessos radiofónicos que catapultam um projeto para o éden durante um longo período de tempo, sem uma portentosa máquina de marketing por trás, vídeos com milhões de visualizações ou uma editora internacional nos seus créditos, os Thievery Corporation continuam, quase duas décadas após a estreia, a ser um dos nomes mais consensuais e influentes da chamada música de fusão, tendo uma base de seguidores fiel e numerosa em todo o mundo, a sua própria editora, a ESL Music Label, assento destacado em cartazes de alguns dos mais relevantes festivais de música e, mais importante que tudo isso, uma carreira recheada de extraordinários momentos sonoros. Assim, em 2017 os Thievery Corporation chegam ao seu oitavo disco de originais e embarcam em mais uma digressão que passa hoje por Portugal e que será certamente recheada de excelentes concertos, assentes não só neste novo disco, mas num extenso e eclético catálogo capaz de agradar a todos aqueles que se predisponham a dançar ao som desta dupla de Washington, formada por Rob Garza e Eric Hilton.

Resultado de imagem para thievery corporation 2017

Se em 2014 os Thievery Corporation olharam profundamente para o Brasil no disco Saudade, agora em The Temple Of I And I, é a Jamaica que os seduz, com as quinze canções do registo a captarem muita da essência mítica e do poder da música deste arquipélago caribenho, resultado de uma prolongada estadia da dupla em 2015 numa das suas principais cidades, Port Antonio. Repleto de participações especiais das quais se destacam, por exemplo, os rappers Zee e Notch ou a norte americana Lou Lou Ghelichkhani, acaba por ser à boleia da jamaicana Raquel Jones, quer na contagiante Letter To The Editor, quer na interventiva Road Block, que melhor é absorvida e explanada toda a influência e exotismo deste pedaço de mundo onde nasceu, como todos sabemos, o reggae.

Estando, portanto, toda a herança sonora da Jamaica em ponto de mira para os Thievery Corporation neste The Temple Of I And I, esse mesmo reggae firma-se, naturalmente, como o grande suporte estilístico da sonoridade do seu alinhamento, com o dubb, o jazz, o rap e a eletrónica e fornecerem a base para arranjos, batidas, efeitos e até trechos melódicos, destacando-se, como grandes instantes do disco, o excelente baixo que conduz Strike The Root e True Sons Of Zion, a cadência algo inebriante e hipnótica do instrumental Let The Chalize Blaze e também do tema homónimo e as batidas de Babylon Falling. O objetivo primordial é que se mantém o de sempre; Fazer o ouvinte dançar mas também refletir sobre vários aspetos da vida contemporânea. nomeadamente os de cariz eminentemente político.

Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso ir ao génese de alguns dos movimentos musicais essenciais da dita música do mundo, num disco onde, de acordo com os próprios, os Thievery Corporation dão vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência do reggae e completam um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica e, no exato momento anterior a este registo, pela bossa nova, viajaram agora para algo ainda eminentemente orgânico, construindo mais um tronco do túnel do tempo musical que é a sua discografia, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

Thievery Corporation - The Temple Of I And I

01. Thief Rockers (Feat. Zee)
02. Letter To The Editor (Feat. Racquel Jones)
03. Strike The Root (Feat. Notch)
04. Ghetto Matrix (Feat. Mr. Lif)
05. True Sons of Zion (Feat. Notch)
06. The Temple of I And I
07. Time + Space (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
08. Love Has No Heart (Feat. Shana Halligan)
09. Lose To Find (Feat. Elin Melgarejo)
10. Let The Chalice Blaze
11. Weapons Of Distraction (Feat. Notch)
12. Road Block (Feat. Raquel Jones)
13. Fight To Survive (Feat. Mr. Lif)
14. Babylon Falling (Feat. Puma)
15. Drop Your Guns (Feat. Notch)


autor stipe07 às 21:09
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

Generationals – Keep It Low

Generationals - Keep It Low

Aproximadamente dois anos após o excelente álbum Alix, a dupla norte americana Generationals, de Louisiana, está de regresso com uma nova canção intitulada Keep It Low, um tratado de indie rock repleto de fuzz e incisivo e feliz no modo como nos faz dançar e despertar em nós aquela alegria e boa disposição que muitas vezes buscamos na música e raramente encontramos com este acerto criativo. Desconhece-se, para já, se esta composição irá fazer parte de um novo registo de originais do projeto. Confere...


autor stipe07 às 18:32
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017

STRFKR – Being No One, Going Nowhere

Depois do fabuloso Miracle Mile (2013), os norte americanos STRFKR regressaram aos discos no ocaso de 2016, novamente à boleia da Polyvinyl Records, com Being No One, Going Nowhere, o quarto e novo compêndio de canções deste magnífico grupo oriundo de Portland, no Oregon e formado por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris.

Resultado de imagem para strfkr 2016

Com Interspace a dividir o alinhamento do disco em dois momentos distintos, Being No One, Going Nowhere foi produzido pelo próprio Josh hodges, o carismático líder do grupo e configura numa espécie de álbum concetual que, lirica e sentimentalmente, se debruça sobre os dois aspetos temáticos que trilham o seu título. Assim, se as primeiras cinco canções se debruçam, basicamente, sobre a perca e a deriva quando se vive uma vida inócua e sem objetivos, a partir de In The End os STRFKR procuram dar pistas e traçar um roteiro para uma vida mais feliz, apontando algumas consequências nefastas no eu de cada ouvinte caso a teimosia ou a cobardia continuem a vencer os conflitos interiores. Esta In The End é mesmo uma canção essencial para o entendimento cabal deste ideário, porque nela Hodges expôe com brilhantismo tudo aquilo que sentiu quando se isolou para compôr o disco (Stranger light; on the highway; golden; hours; hover and retreat. She said I want someone I can grow into).

A pop sintética dos anos oitenta do século passado e alguns dos detalhes mais relevantes da eletrónica de igual período, marcam musicalmente este disco coeso, com instantes mais animados e divertidos e outros onde a melancolia impera. Impregnado, como é natural tendo em conta a filosofia do seu alinhamento, com letras de forte cariz introspetivo, tem um resultado final algo hipnótico, muito também por causa do realismo da atmosfera que se cria, apesar dos filmes de ficção e o espaço aparecerem, constantemente, no perfil estilístico do trabalho, começando, desde logo, pelo artwork do mesmo. Assim, de Being No One, Going Nowhere importa apreciar cuidadosamente a forte cadência do baixo que conduz Satellite, o cariz acessível, pop e radiante do single Never Ever, um tema que fica marcado na mente com enorme fluidez e a new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade baliza Something Ain't Right, uma das melhores canções do disco.

Tratado musical leve e cuidado e que encanta, ao mesmo tempo que abarca um conteúdo grandioso e repleto de experimentações que interagem com a pop convencional, Being no One, Going Nowhere transporta-nos para uma dimensão paralela, onde realidade e ficção em vez de se confundirem estabelecem pontos de contacto e justificam-se mutuamente, no fundo, tal como acontece com alguns dos clássicos cinematográficos de ficção científica que são profundamente impressivos no modo como plasmam, metaforicamente, eventos e situações que inundam o nosso quotidiano. Espero que aprecies a sugestão...

STRFKR - Being No One, Going Nowhere

01. Tape Machine
02. Satellite
03. Never Ever
04. Something Ain’t Right
05. Open Your Eyes
06. Interspace
07. In The End
08. Maps
09. When I’m With You
10. Dark Days
11. Being No One, Going Nowhere


autor stipe07 às 17:50
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Porcelain Raft – Microclimate

Depois de Strange Weekend (2012) e Permanent Signal (2013), Remiddi, um italiano nascido em 1972 e a viver em Nova Iorque, está de regresso com o seu projeto Porcelain Raft, fazendo-o à boleia de Microclimate, doze canções gravadas pelo músico em los Angeles, cidade californiana onde também foram misturadas por Chris Coady, tendo sido masterizadas já na costa leste por Heba Kaby.

Resultado de imagem para porcelain raft remiddi 2017

Remiddi é, claramente, um caso especial no universo sonoro indie e alternativo, pois pertence a uma geração que sempre se colou a uma sonoridade mais rock ou, pelo menos, algo distante do som típico deste projeto que batizou de Porcelain Raft. Depois do inebriante EP de estreia, Curve, de 2010, e principalmente do EP seguinte, Gone Blind, de 2011, este projeto foi ganhando respeito no seio da crítica devido às colagens eletrónicas, as vozes enigmáticas e o clima soturno das suas composições, com os dois discos anteriores a este Microclimate não só a confirmarem as enormes expetativas de elevada bitola qualitativa do projeto, mas também a alargarem a amplitude e a abrangência sonora do mesmo.

Assim, e porque o cardápio sonoro de Porcelain Raft é cada vez mais heterógeneo e abrangente convém, antes de colocar um olhar e um ouvido clínicos em Microclimate, fazer uma espécie de exercício de auto contextualização e definir sobre que prisma queremos interpretar estas doze canções. Perceber a forma como cada um de nós observa a música pode ser um exercício interessante. Para alguns apenas importa a sonoridade, para outros o importante são as letras e ainda há aqueles que deliram com pequenos pormenores instrumentais. Há ainda quem procure a expressão de sentimentos, se a música te faz deprimir, rir, saltar ou dançar. Se juntarmos a isso o que está na moda, aquilo que são as tendências, tudo se baralha ainda mais. Depende de tudo, como é óbvio. Porcelain Raft está também condicionado, como não podia deixar de ser, por esta visão caleidoscópica da música e acaba por nos contagiar também com tal abrangência.

Portanto, em Microclimate, a primeira pedra do edifício que Porcelain Raft escolheu para sustentar a sua música é aquela dream pop muito colorida e reluzente, ora mais tímida ora mais extrovertida, com as batidas e o clima de Kookaburra e Distant Shore, por exemplo, a colocarem os anos oitenta em ponto de mira e com Rising a perpetuar este olhar de um modo mais introvertido e sentimental. E depois, porque esse também é um aspeto primordial da sua filosofia melódica e interpretativa, deu elevado relevo à sua voz andrógena, que ajuda imenso a que tudo soe mágico e intenso em temros de nitidez no modo com expressa as sensações que a sua escrita pretende transmitir. Em Big Sur, canção inspirada numa localidade com o mesmo nome da Califórnia que Remiddi visitou e que o inspirou para este disco, é exemplar o modo como ele implora a uma terceira pessoa que regresse do casulo onde vive e o acompanhe vida fora e no mundo real, porque tudo irá ficar bem de novo (before you know it, all the answers are on the way).

Microclimate é o termo científico utilizado para designar uma área relativamente pequena cujas condições atmosféricas diferem da zona exterior e que surgem porque há barreiras geomorfológicas ou elementos naturais que confinam tal espaço. Remiddi terá escolhido este título para o seu terceiro álbum porque quer que cada uma das canções do seu alinhamento tenha uma identidade própria e única e que cada uma delas nos transporte para um universo psicossomático diferente e inédito. Missão cumprida. Espero que aprecies a sugestão...

Porcelain Raft - Microclimate

01. The Earth Before Us
02. Distant Shore
03. Big Sur
04. Rolling Over
05. Rising
06. Kookaburra
07. The Greatest View
08. Bring Me To The River
09. Accelerating Curve
10. The Poets Were Right
11. Zero Frame Per Second
12. Inside The White Whale


autor stipe07 às 18:16
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

The XX - I See You

Terminou há poucos dias uma longa espera relativamente a novidades dos The XX, após o aclamado Coexist, um longa duração lançado pelo grupo, à boleia da Young Turks, já há quatro anos e que tem finalmente sucessor. O terceiro álbum do trio foi editado com o mesmo selo Young Turks e chama-se I See You. O disco tem um alinhamento de dez canções, gravadas entre Março de 2014 e Agosto de 2016 em vários sítios como New York, Texas, Reykjavique, Los Angeles e Londres e foi produzido por Jamie Smith e Rodaidh McDonald.

Resultado de imagem para The XX I See You

Ao contrário de outros projetos que muitas vezes se dispersam caso haja um relativo hiato entre discos, o tempo é, sem dúvida, um aliado na curta e bem resolvida trajetória dos The XX. Ocorreram transformações na vida de cada um dos componentes da banda nos últimos anos e, apesar da espera entre cada trabalho, mantém-se o carinho e uma pressão positiva por parte do grande público. Assim, ao terceiro disco os The XX mostram a habitual boa forma, assente numa filosofia sonora muito própria e fortemente identitária e uma saudável disponibilidade para o alargamento do espetro sonoro em que se movimentam e que balança muitas vezes entre a pista de dança e a mais recatada introspeção, como se percebe logo nos dois primeiros temas do alinhamento de I See You. Logo em Dangerous, umas inéditas sirenes e a sedutora batida oferecem-nos maior audácia, relativamente ao anterior catálogo da dupla e depois, em Say Something Loving, aproveitando um sample de Alessi Brothers, a emoção instala-se facilmente em quem se deixar envolver pela beleza melódica do tema.

Percebe-se, pois, logo neste início auspicioso de I SeeYou, que este é mais um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes ainda são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra do trio britânico, mas a diferença, desta vez está na maneira como exploram essa unidade e nas nuances sonoras que interligam as canções. No fundo, a receita é exatamente a do costume, mas a sonoridade foi renovada, tendo cabido ao baterista e produtor Jamie Smith assumir a linha da frente nessa tarefa, nomeadamente quando acerta nas batidas hipnóticas que servem de base para as vozes de Romy e Oliver. Todos estes acertos encontram o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de On Hold, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior o diálogo entre Romy e Oliver, dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre.

No restante alinhamento de I See You, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira Performance e o incisivo espairecer que nos suscita Test Me, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado em I Dare You, por outro, insistem nesta já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que quer fazer juz a uma herança e apontar, em simultâneo, novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop atual e que ao terceiro disco continua a instigar, hipnotizar e emocionar. Espero que aprecies a sugestão...

The XX - On Hold

01. Dangerous
02. Say Something Loving
03. Lips
04. A Violent Noise
05. Performance
06. Replica
07. Brave For You
08. On Hold
09. I Dare You
10. Test Me


autor stipe07 às 15:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Março 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
15
16

19
21
25

26
31


posts recentes

Alt-J (∆) – In Cold Blood

Kasabian – You’re In Love...

Vaarwell - Homebound 456

Alt-J (∆) – 3WW

Coldplay - Hypnotised

Thievery Corporation – Th...

Generationals – Keep It L...

STRFKR – Being No One, Go...

Porcelain Raft – Microcli...

The XX - I See You

The New Division – Precis...

Doombird – Past Lives

Andrew Belle – Back For C...

Dub Inc - So What

Pavo Pavo – Young Narrato...

Two Door Cinema Club – Ga...

Fujiya And Miyagi – EP1 &...

Bruno Pernadas - Those wh...

Field Music - Commontime

Terrakota - Oxalá

X-Files

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

blogs SAPO

subscrever feeds