Quinta-feira, 5 de Março de 2015

Tanlines - Slipping Away

Tanlines – “Slipping Away”

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Tanlines são Jesse Cohen e Eric Emm, uma dupla que se distinguiu em 2012 com Mixed Emotions, um extraordinário disco de estreia que já tem, finalmente, sucessor anunciado. Chega a dezanove de maio aos ecaparates, por intermédio da True Panther SoundsHighlights o novo trabalho de um projeto que impressiona pela pop experimental que sugere e que mistura sintetizadores e a eletrónica com uma base de percussão sempre vibrante, muitas vezes a piscar o olho ao chamado afrobeat, numa espécie de indietrónica, adornada com alguns dos habituais detalhes da chillwave e da música de dança.

Reza a lenda que quando a banda se sentou no estúdio para começar a produzir os temas deste novo disco o computador que guardava as demos explodiu, literalmente e que, por isso, as guitarras e a bateria acabaram por passar para a linha da frente da condução melódica dos novos temas da dupla, em deterimento de uma superior primazia dos sintetizadores na estreia e que teria continuidade nas intenções iniciais deste sucessor.

Slipping Away é o primeiro avanço divulgado de Highlights, um single disponivel para download na página oficial da dupla, sendo só necessário fornecer o endereço de email em troca e o indie rock vibrante e festivo será, então, também uma marca importante no disco, com os Tanlines a quererem alargar horizontes de forma ressonante e exótica, com elevação, reflexão, método e entusiasmo. Confere...


autor stipe07 às 12:58
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Terça-feira, 3 de Março de 2015

Dust Covered Carpet - Pale Noise

Formados por Volker e Armin Buchgraber, dois irmãos de Viena, os austríacos Dust Covered Carpet remontam as suas raízes a 2003, mas apenas em 2007 definiram definitivamente o seu alinhamento, formado atualmente por Volker e Julia Luiki. Os Dust Covered Carpet estrearam-se nos discos no ano seguinte com Rededust The Doubts I Trust, um trabalho com cinco canções que firmou desde logo a indie folk melódica e experimental que alicerça a sonoridade do projeto. Desde então os Dust Covered Carpet lançaram mais algumas edições especiais, singles e discos, com especial destaque para Pale Noise, uma coleção de dez canções escritas entre Tallin, na Estónia e Viena, produzidas pela própria banda e por  Paul Gallister, Alexandr Vatagin e Philipp Forthuber.

Pale Noise deambula entre a folk e o indie rock mais progressivo, com Grey Formations ou o single Linnahall a serem apenas dois bons exemplos desta mescla muito comum em bandas nórdicas e do centro da Europa. Mas também há aqui espaço para explorar a dream pop de forte cariz eletrónico, com a melancolia contínua de Polar Romantic, recriada nas notas do sintetizador e em alguns arranjos de metais, a deixarem uma marca profunda numa longa canção que parece feita para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Num disco onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico, estes austríacos parecem decididos em sair do seu casulo instrospetivo e da timidez que os enclausura, apesar da beleza de Meteor e dos riquíssimos detalhes da desarmante All Off You, para apostar num ambiente sonoro luminoso, colorido e expansivo, que o baixo e as guitarras de Distance firmam, mas o sintetizador e as distorções inebriantes de Leaning Duets também apontam, num disco que vive essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, que a mesma pode criar, mas que se define qualitativamente à custa da sua toada mais orgânica, ruidosa e visceral.

É deste cruzamento espectral e meditativo que Pale Noise vive, com dez canções algo complexas, mas bastante assertivas. Antenatal joga um pouco nos dois campos, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e as vozes se enquadram com a grave bateria e sons da natureza que nos afogam numa hipnótica nuvem de melancolia.

Pale Noise serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:20
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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

Computer Magic - Dreams Of Better Days EP

Danielle Johnson aka Danz, uma DJ e bloguer com especial apetência para espetros musicais que misturem as tendências mais atuais da eletrónica com uma pop de forte pendor vintage é a mente que controla, manipula e dá vida a Computer Magic, um projeto que acaba de divular um novo EP intitulado Dreams Of Better Days, seis canções que se deitam à sombra de cruas batidas, cheias de loops e efeitos que se conjugam com alguns elementos minimalistas, alguns deles particularmente bonitos e curiosos.

A eletrónica e os ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral é, pois, a pedra de toque deste cardápio, onde abunda um som esculpido e complexo audível logo nosefeitos sinteizados e na leve batida de K2 / Intro, mas onde se destaca, sem dúvida, o single Shipwrecking. Esta excelente canção, produzida por Abe Seiferth, borbulha de cor e intensidade, devido aos arranjos sintetizados que contém e à condução proporcionada por uma bateria cheia de charme, encapsulando-a num ambiente algo aquático e denso, mas extremamente sedutor.

Testemunhamos contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste EP quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb; Em My Love, por exemplo, a vertente sintética mostra-se apenas como uma das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que Danz plasma a sua íntima e estreita relação com a pop, udando também alguns dos artifícios obrigatórios do rock clássico, mas sem abandonar as suas origens mais eletrónicas e sombrias. Já agora, este último tema acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros, que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual, fazendo-o com um elevado índice de maturidade e firmeza, o que plasma o imenso bom gosto na forma como a autora aposta nesta relação simbiótica, enquanto parte à descoberta de texturas sonoras. Curiosamente, a gitarra poderia ser um fiel companheiro da artista e um instrumento que se aliaria com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge com um certo destaque e bastante implícito na homónima Dreams of Better Days (Don’t Pass Me By), por sinal um tema onde o protagonismo da voz é menos evidente e o registo algo modificado maquinalmente.

Dream Of Better Days é de uma subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Computer Magic. Espero que aprecies a sugestão...

K2 / Intro
Shipwrecking
My Love
Dreams of Better Days (Don’t Pass Me By)
Mindstate
Birds / Outro


autor stipe07 às 17:56
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Warpaint - No Way Out

Theresa Wayman, Emily Kokal, Jenny Lee Lindberg e Stella Mozgawa são as Warpaint, um título feliz para quatro intérpretes que compôem música que parece vir do interior da alma mais sincera e verdadeira que podemos imaginar e que o ano passado surpreenderam com um disco homónimo onde deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta negra e obscura, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com uma certa timidez que não era mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica

Agora, quase um ano depois, as Warpaint voltam a deixar-nos boquiabertos com No Way Out, uma nova canção que indicia a proximidade de um novo registo de originais e que promete ser mais um marco na carreira deste projeto californiano. O tema assenta em deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi. Confere...


autor stipe07 às 15:56
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Heavenly Beat – Eucharist

Heavenly Beat é o alter-ego de John Pena, baixista dos Beach Fossils e um nome bastante conhecido e respeitado no cenário musical independente e alternativo. Lançado no final do ano passado, Eucharist é já o terceiro tomo de uma discografia que foi integralmente dissecada por cá; O álbum de estreia do projeto, editado em Julho de 2012, chamava-se Talent e foi divulgado pouco depois, tendo sucedido o mesmo com Prominence, o sempre difícil segundo disco dos Heavenly Beat, lançado, como sempre, através da Captured Tracks, em outubro de 2013.

Acompanham Pena nos Heavenly Beat os músicos Andrew Mailliard e Chris Burke e ao terceiro disco, como a sonoridade do projeto se mantém inalterada, há pouco a acrescentar às análises anteriores. Seja como for, há que realçar que a música deste projeto, inicialmente se estranha, mas depois, com tempo, facilmente se entranha e provoca em nós sensações de prazer e bem estar. Isso acontece porque nos Heavenly Beat John Pena explora as intersecções entre a índie e a electrónica, numa mistura absolutamente tranquilizante, que assenta muito em batidas paradisíacas, que nos fazem ter sempre a sensação que estamos a escutar o disco num local belo e único. É uma música que acaba por funcionar como uma sonora escapadinha homeopática, sem nunca nos deixa esquecer quem somos e o que desejamos da vida, já que estas canções também nos dão tranquilidade e força para lidar com uma realidade em permanente convulsão.

Logo na introdutória Kin ficam plasmada a caritilha sonora do trio e o single Patience reforça a possibilidade de sermos invadidos por um som simultanamente fresco e hipnótico ao longo de doze canções de agulhas viradas para uma dream pop que assenta, com frequência, numa chillwave simples, bonita e dançável, construída em redor de uma bateria com a cadência e a vibração certas e guitarras e sintetizadores que se entrelaçam constantemente de modo a criar o tempero ideal às composições.

Além destas virtudes no campo instrumental e do casamento assertivo entre o dedilhar das cordas e uma matriz sintética na dose certa, um dos maiores segredos destes Heavenly Beat parece-me ser o arranjo melódico que sustenta os temas e a postura vocal, às vezes um pouco lo fi e shoegaze, mas que dá às composições aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.

O fluxo das canções é muito agradável relaxado e mesmo sensual e se um dos grandes destaques de Eucharist é o já citado single Patience, a energia sexual bastante latente na percurssão e no efeito que deambula por Manna e em Covet. Mas o dedilhar das cordas em Head e o modo como a batida é adicionada, acaba por ter também um inegável charme, festivo e viciante, assim como a forma como cresce o sintetizador de Legacy, nomeadamente durante o minuto incial, quando recebe uma batida que funciona impecavelmente em modo palmas de fundo. Também não há como resistir ao esplendor da viola e das castanholas do solarengo e inebriante tema homónimo.

Se Pena vive atualmente numa espécie de encruzilhada relativamente ao melhor rumo a dar a este projeto, anseio que ele se mantenha neste modus operandi indefinidamente, em vez de procurar calcorrear outros terrenos menos luminosos e que possam colocar em causa a integridade que os Heavenly Beat têm vindo a construir a pulso, com uma cadência praticamente anual e que tem já como enorme atributo espelhar com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Heavenly Beat - Eucharist

01. Kin
02. Patience
03. Manna
04. Faults
05. Head
06. Legacy
07. Covet
08. Eucharist
09. Relevance
10. Beyond
11. Effort
12. Relentless


autor stipe07 às 22:03
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Shirley Said - Salvation (video)

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Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

Depois de terem divulgado o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia, agora chegou a vez de ser conhecido o filme de Salvation, o lado a de um single que vai ser editado, apenas em formato digital, a vinte e três de março.

Nesta canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Quanto ao video, a junção de paisagens amplas e naturais, com elementos abstratos, funciona como uma metáfora interessante da sonoridade dos Shirley Said que, fazendo juz à descrição deste single acima plasmada, gravita na fusão de dois universos sonoros ambivalentes, onde o sintético e o orgânico se fundem. Confere...


autor stipe07 às 17:55
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

Pond – Man It Feels Like Space Again

São Francisco, na Califórnia e Perth na Austrália, são os dois grande polos atuais do indie rock piscadélico e, oriundos do último, os Pond de Nick Allbrook, Jay Watson, Joseph Ryan, Jamie Terry, um verdadeiro projeto paralelo dos Tame Impala, um dos nomes maiores do género e uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Produzido por Kevin Parker, Man It Feels Like Space Again é o sexto álbum dos Pond, um trabalho lançado no passado dia vinte e três de janeiro por intermédio da Modular e que tem no fuzz rock a sua pedra de toque, talvez a expressão mais feliz para caraterizar o caldeirão sonoro que os Pond reservam para nós e que logo na imponência de Waiting Around For Grace e no festim grandioso de Elvi´s Flaming Star, fica claramente plasmado.

As guitarras são, como seria de esperar, o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Pond, feitas de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Mas a receita também se compôe com sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias, uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, que é várias vezes literalmente cortada a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade que, por exemplo, Hobo Rocket, o antecessor, não continha tanto, apesar da excelência do seu conteúdo. A delicada sensibilidade das cordas que suporta a cândida melodia do belíssimo instante de folk psicadélica chamado Holding Out For You e a monumentalidade comovente de Sitting Up On Our Crane são dois extraordinários tratados sonors que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração que se atravesse e plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no disco, a capacidade que estes Pond também têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop

A energia contagiante do eletropunk blues enérgico e libertário, que escorre por todos os poros de Zond, o mais recente single retirado de Man It Feels Like Space Again, um tema que assenta numa voz viciante e numa espiral de sons sintetizados, fortemente lisérgicos e aditivos é, em sentido oposto, outro exemplo claro de toda a amálgama cuidadosamente concebida pelos Pond, ampliada pelo video que é mais uma viagem alucinante filmada por Johnny Mackay, que criou um cenário de artifícios caseiros e adereços imperfeitos, colagens de fundos pintados à mão e um guarda-roupa, no mínimo, original. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual da sua música, algo que a banda desenhada do artwork do disco também exemplifica.

O álbum avança e depois de em Heroic Shart sermos invadidos por um efeito vocal reverberado que ecoa e paralisa, no meio de uma amálgama assente numa programação sintetizada de forte cariz experimental, Man It Feels Like Space Again prossegue a sua demanda triunfal na insanidade desconstrutiva e psicadélica em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Outside Is The Right Side, canção extremamente dançavel, já que mistura R&B, pop, hip-hopelectrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito. Neste instante, quando damos por nós, já completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou esse tema, percebemos que não há escapatória possível desta ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida.

É impossível escutar este trabalho e ficarmos imóveis no recanto mais aconchegante que geralmente nos abriga; Torna-se indispensável deixar que o nosso corpo absorva todas as sensações inebriantes que este disco oferece gratuitamente e, repetindo o exercício sensorial várias vezes, permitirmos que depois se liberte o imenso potencial de energia que estas composições recheadas de marcas sonoras rudes, suaves, pastosas, imponentes, divertidas e expressivas, às vezes relacionadas com vozes convertidas em sons e letras e que atuam de forma propositadamente instrumental proporcionam. Aqui tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea, que Man It Feels Like Space Again está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Por exemplo, o ritmo lento e claramente acústico inicial de Medicine Hat é algo enganador porque a canção é subitamente alvo de um intenso upgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, deixando-nos em suspense relativamente ao que resta ouvir da composição e que acaba por ser uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico. O tema homónimo, um imenso instante de rock progressivo, onde os Pond gastam todas as fichas e despejam os trunfos que alicerçam a sua estrutura sonora complexa, é uma canção que sabe claramente a despedida, num cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto de efeitos maquinais que proporcionam sensações únicas.

Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os Pond são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é Man It Feels Like Space Again, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os Pond sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Man It Feels Like Space Again

01. Waiting Around For Grace
02. Elvis’ Flaming Star
03. Holding Out For You
04. Zond
05. Heroic Shart
06. Sitting Up On Our Crane
07. Outside Is The Right Side
08. Medicine Hat
09. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 21:11
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2015

Tiny Victories – Haunts

Oriundos de Brooklyn, em Nova Iorque, os norte americanos Tiny Victories são uma dupla formada por Greg Walters e Cason Kelly, uma banda que se estreou recentemente nos discos com Haunts, um álbum com onze canções que sucede ao EP Those Of Us Still Alive, editado em 2012.

Haunts encarna um desejo claro por parte dos Tiny Victories de criar um forte impacto, explorando uma amálgama de referências dentro do universo sonoro que aposta na fusão de rock, com a pop, a soul e o funk, fazendo-o de uma forma direta e com elevado apelo comercial, mas também sem descurar uma vertente mais densa e sombria e marcadamente experimental. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar um sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades, uma receita levada à prática com o firme propósito de criar ambientes sonoros amplos, luminosos e onde a banda projeta inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção.

Oriundos de um universo sonoro bastante peculiar e com os TV On The Radio a serem, certamente, referência fundamental, os Tiny Victories empacotam as sua canções com melodias impregnadas com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Do indie rock clássico de Drinking With Your Ghost, ao clima épico, expansivo e luminoso de System e This Revolution, passando pela pop sintetizada de Let It Burn, uma canção dominada por um sintetizador repescado no período aúreo do eletropop dos anos oitenta, não faltam em Haunts instantes que deambulam pela pop mais requintada e pelo rock progressivo cheio de distorções inebriantes, feitas com pedais carregados de reverb e arranjos captados das mais diversas fontes orgânicas e sintéticas.

Com um ambiente sonoro geralmente empolgante e ritmado e um som de fundo orquestralmente rico, Haunts plasma uma saudável incerteza, ironicamente reconfortante, relativamente ao que poderá reservar o futuro deste grupo nova iorquino, mas é natural a sensação de prazer que qualquer conhecedor profundo do espetro sonoro onde eles se situam sente ao escutar este trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

Tiny Victories - Haunts

01. Drinking With Your Ghost
02. Scott And Zelda
03. Systems
04. Let It Burn
05. This Revolution
06. Austin, TX
07. Proton Pagoda
08. Life Is Boring
09. Our Lady Of Route 80
10. Justine
11. You’re Gone


autor stipe07 às 19:03
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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2015

Subplots - Autumning

Oriundos de Dublin, na Irlanda, os Subplots são uma dupla formada por Phil Boughton e Daryl Chaney (autor do belíssimo artwork deste disco), que ao vivo conta ainda com o baterista Ross Chaney. Estrearam-se nos discos em 2009 com Nightcycles e finalmente já há sucessor. O novo álbum dos Subplots chama-se Autumning e viu a luz do dia a trinta de janeiro por intermédio da Cableattack!!, podendo ser ainda feita a encomenda da edição limitada em vinil no Bandcamp da banda.

É sabido que a dupla funcionalidade da almofada faz dela um objecto perfeito e versátil. Ainda que convenha à madrugada televisiva impingir a todos os que sofrem de insónias as vantagens de uma oitava maravilha ortopédica, anatómica e à prova de ácaros, as qualidades essenciais são as duas comuns a todas as almofadas: dispor de uma face que se possa encharcar de lágrimas e, caso necessário, de um reverso propício a um sono descansado. O próprio acto amoroso geralmente envolve o ajustamento da nuca a uma almofada, que, a bem do conforto, não deve estar húmida. Isto para esclarecer que este novo trabalho dos Subplots, cumpre impecavelmente o aconchego de uma almofada, mas sem existir uma relação direta entre o seu conteúdo e os sentimentos de desgosto e depressão que, frequentemente clamam pela sua presença. Autumning é adequado a servir os nossos propósitos da auto-medicação, mas também em instantes em que é essencial colocar um travão na euforia e satisfaz, com igual mérito, as nossas necessidades de sermos como a avestruz que enterra a cabeça no chão e as do nostálgico que está sempre disposto a exagerar na celebração quando é abençoado pela bondade alheia ou revive as mais queridas memórias de outrora.

Numa perspectiva ainda mais intimista, a música dos Subplots é associável ao sentimento que se vive durante o impasse entre o aperto de mão e a consumação horizontal. Serve, nesses casos, os propósitos fantasiosos de quem passa a noite de gin na mão a observar a mais decotada das manequins que dançam na pista da discoteca da moda. No pior dos casos, e arrisco aqui um freudismo muito caseiro, a repetição mecanizada dos loops básicos que os Subplots extraem das cordas e das teclas pode até satisfazer uma qualquer necessidade física comum a ambos os sexos, mas mais afeta ao masculino. Ficam a cabo do leitor as restantes ilações.

Autumning oferece-nos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para dar vida a um conjunto volumoso de versos sinceros, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente que oscila entre a amplitude luminosa da crença e o cariz nostálgico da dúvida e do receio, em canções que tanto podem ser extremamente simples e prezar pelo minimalismo da combinação instrumental que as sustenta, como Wave Collapse, Colourbars ou a percurssão de Escherich, ou soarem mais ricas e trabalhadas, sendo 9/8 ou a esplendorosa Epilogue raros exemplos atuais da tomada de consciência de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Aliás, Future Tense, o primeiro avanço divulgado de Autumning, uma obra de arte que balança entre a dream pop e o rock progressivo, delicada e envolvente e que emociona facilmente os mais incautos e de lágrima fácil, já que é alicerçada num piano adulto e jovial, à volta do qual gravita uma voz deslumbrante e uma guitarra que adivinha um clímax sónico com forte sentido de urgência, deixou logo fortes indicações acerca do modo como esta dupla se serve principalmente de guitarras, que parecem amiúde estar assombradas, para criar melodias que circulam ao nosso redor, criando uma atmosfera no mínimo encantadora

Autumning é a página do nosso diário pessoal onde contabilizámos o número de parceiros sexuais, ao elaborar uma lista em que incluimos apenas as iniciais dos seus nomes. Descobrir uma resolução concreta para o seu conteúdo é como tentar diferenciar a cor do céu aquando do anoitecer da tonalidade que este assume pela aurora, sendo a prova irrevogável de que, para compreender o estado atual do que melhor propôe o universo sonoro alternativo é obrigatória a passagem pelo universo Subplots. Espero que aprecies a sugestão...

1. Wave Collapse
2. The Sunken Wild
3. Escherich
4. Colourbars
5. 9/8
6. Future Tense
7. End of Print
8. Follower
9. Epilogue

 


autor stipe07 às 21:14
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Sábado, 7 de Fevereiro de 2015

The Charlatans – Modern Nature

Um dos fenómenos mais consistentes, duradouros e bem sucedidos da britpop são os The Charlatans, de Tim Burgess, ao qual se juntam atualmente o guitarrista Mark Collins, o baixista Martin Blunt e o teclista Tony Rogers. Nascidos no final da década de oitenta e com a estreia nos discos no primeiro ano da seguinte com o clássico Some Friendly, somam já doze álbuns no seu cardápio e um percurso imaculado assente num indie rock anguloso, aditivo e com uma particular veia experimental.

Gravado no estúdio da própria banda, chamado Big Mushroom e lançado no passado dia vinte e seis de janeiro, Modern Nature é o novo trabalho dos The Charlatans e um marco importante para um grupo que foi recentemente colocado há prova, há semelhança do que já tinha sucedido há mais de duas décadas. Quando em 1996 Rob Collins, o primeio teclista da banda, faleceu num acidente de carro, os The Charlatans criaram a sua obra de arte no ano seguinte, intitulada Tellin' Stories; Agora, dois anos após a morte do baterista Jon Brookes devido a doença prolongada, que ainda não tem substituto oficial, a banda decidiu seguir com os planos e recrutou Gabriel Gurnsey dos Factory Floor, Stephen Morris dos New Order e Pete Salisbury dosThe Verve, para a gravação deste novo álbum, três nomes de peso e que contribuiram decisivamente para que chegasse aos escaparates um trabalho com um conteúdo também de elevada qualidade e que plasma os principais atributos do grupo, acima referidos.

A mistura do rock clássico com sonoridades mais experimentais fez escola em finais de década de noventa em terras de Sua Majestade, com os Stone Roses, Primal Scream e estes The Charlatans, entre outros, a encabeçarem um verdaeiro motim, para regozijo da agitada juventude birtãnica, sempre sedenta de novas experiências e daquela efervescência que o clima local não proporciona e que acaba por ser a música, muitas vezes, a ter esse papel agitador e impulsivo.

Modern Nature é o trabalho que atualmente melhor revitaliza e faz o ponto da situação desse movimento, baptizado de Madchester, com onze excelentes exemplares de rock mutante, que dão vida a letras impressivas e inspiradas, num disco atemporal e revivalista, porque é de hoje, mas podia ter sido editado há vinte e cinco anos. Canções como a soul negra de Keep Enough, o luminoso e aquático single So Oh, o groove pop que sobrevive da fusão entre teclado e guitarra em Let The Good Times Be Never Ending, o tributo ao rock dos anos sessenta feito em dose dupla com Keep Enough e Emily, dois temas onde as cordas impressionam, assim como alguns instrumentos de percussão algo inéditos,com destaque para o bongo, são uma resoluta declaração de sobrevivência misturada com a reflexão que os The Charlatans certamente fazem sobre o seu som e como ele pode sobreviver imaculado à passagem do tempo. Por outro lado, as batidas sintéticas de Talking Tones e Trouble Understanding e o piano elétrico e o baixo sinuoso de Come Home Baby dão ao grupo o indispensável cunho atual e moderno e acomodam-nos temporalmente nas mais recentes tendências.

Simultaneamente modernos e revivalistas e naturalmente genuínos, os The Charlatans conseguem dar à carreira um enorme fôlego com este Modern Nature e reúnem os ingredientes necessários para manter a saua base fiel de seguidores e angariar para a causa os mais entusiastas seguidores das novas tendências do indie rock alternativo, superando com distinção mais uma enorme prova de fogo. Espero que aprecies a sugestão... 

The Charlatans - Modern Nature

01. Talking In Tones
02. So Oh
03. Come Home Baby
04. Keep Enough
05. In The Tall Grass
06. Emilie
07. Let The Good Times Be Never Ending
08. I Need You To Know
09. Lean In
10. Trouble Understanding
11. Lot To Say


autor stipe07 às 21:51
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