Sábado, 6 de Fevereiro de 2016

Twin Cabins – Harmless Fantasies EP

Viu a luz do dia a treze de novembro passado Harmless Fantasies, o mais recente discográfico do projeto californiano Twin Cabins, liderado por Nacho Cano e ao qual se juntam, atualmente, Jack Doutt, Dan Gonzalez Hdz, Cheyne Bush, Ben Levinson e Mona Maruyama. Refiro-me a um EP com oito canções, disponível na plataforma bandcamp gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo e que parece pretender abarcar num único e longo abraço toda a gama de mestres da melancolia pop norte americana.

Um súbito piscar de olhos torna-se involuntário e depois permanente enquanto o trompete de Made Me vai espreitando por uma melodia fortemente percussiva e envolvente e a verdade é que este detalhe sonoro que compõe o primeiro tema do alinhamento de Harmless Fantasies serve de base à maioria das canções. Logo depois, em Get Better, teclados luminosos e marcados por um tom atmosférico, mas alegre, continuam a ser amparados por uma bateria sintetizada que depois recebe a companhia ilustre de alguns efeitos e uma voz que, apesar do registo e efeito em eco, nunca deixa de se mostrar dotada de uma enorme acessibilidade poética e lírica. Isso percebe-se também em Painfully Obvious, canção permeada por versos deliciosos e uma instrumentação bastante harmónica, onde, claro está, a percussão, dominada por uma pandeireta, dita a sua lei e o tal trompete torna-se no seu principal aliado, numa dinâmica melosa e emotiva que parece querer denunciar uma necessidade confessional de resolução e redenção, exposta de modo delicado e emocionante, mas também um pouco triste. Esse trompete torna-se ainda mais convincente e vigoroso em You're Being Stupid, sendo, de certa forma, apesar de instrumento de sopro, um aparato tecnológico mais amplo para toda esta expressão musical que Harmless Fantasies contém, um EP que parece servir para a descoberta da mente de Nacho Cano, um homem cheio de particularidades e com uma enorme mente criativa, que se expressa intensamente mesmo quando o ambiente sinistro de (Fantasy) nos quer sugar para o interior de um âmago que se esforça de forma inédita para explicitar alguns dos maiores aspetos da fragilidade humana.

Uma das grandes virtudes destes Twin Cabins expressa-se no modo como abordam um convincente ineditismo, plasmado na honestidade derramada na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, mas também no modo como toda esta amálgama sintética e calculadamente minimalista que suporta este EP, nos traz luz... uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas pelo contacto e pela tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. Espero que aprecies a sugestão...

Twin Cabins - Harmless Fantasies

01. Made Me
02. Get Better
03. Painfully Obvious
04. You’re Being Stupid
05. (Fantasy)
06. Angelina
07. With Pleasure
08. Still


autor stipe07 às 21:45
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Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

Massive Attack - Ritual Spirit EP

Primeiro lançamento dos Massive Attack desde o fabuloso Heligoland (2010), Ritual Spirit é o novo compêndio de canções da dupla Robert Del Naja e Grant Marshall. São quatro temas divulgados inicialmente através de uma aplicação intitulada Fantom, mas agora também já disponiveis no circuito comercial habitual e que marcam um regresso em grande forma destes pesos pesados da eletrónica, do trip hop e da pop experimental.

Com as participações especiais de nomes tão significativos como Tricky, Roots Manuva, Azekel ou os Young Fathers, Ritual Spirit é um oásis sonoro intenso e implacavelmente sombrio, criado pelos génios superlativos da manipulação dos típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da dub proporcionam. Num compêndio homogéneo, mas onde é possível destrinçar dois rumos algo distintos, se a composição homónima ou Take It There juntam, de algum modo, o passado musical da dupla de Bristol, com algumas tendências sintéticas do presente, antevendo assim, devido ao referencial que representam, bastante sobre o futuro próximo de toda a música eletrónica mais soturna e atmosférica, já em Dead Editors ou Voodoo In My Blood, os Massive Attack aproveitam as presenças de Roots Manuva e dos Young Fathers, respetivamente, para tentarem fugir um pouco de si próprios e do seu som inigualável. Continuando a ser os mesmos mestres de sempre, nestes dois casos na arte de manipular os traços caraterísticos e identitários da trip hop, conseguem assim retocar um pouco o seu adn, sem descurar a já habitual e espantosa dose de sensualidade e suavidade que é sempre possível conferir na tonalidade das canções que interpretam, trazendo assim, mesmo no seio daquela névoa que faz parte do charme da dupla, brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.

Contemporâneo, futurista e, ao mesmo tempo, deliciosamente retro, porque os Massive Attack nunca deixam de nos oferecer gratuitamente aquela sensação quase física de conseguirmos, através deles, recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol, Ritual Spirit balança entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante que nos possibilita descobrir uma nova luz e pistas concretas para outros rumos que poderão vir a sustentar o universo musical que Del Naja e Marshall ajudaram a criar e ainda hoje renovam e defendem como ninguém. Espero que aprecies a sugestão...

Massive Attack - Ritual Spirit

01. Dead Editors (Feat. Roots Manuva)
02. Ritual Spirit (Feat. Azekel)
03. Voodoo In My Blood (Feat. Young Fathers)
04. Take It There (Feat. Tricky And 3D)


autor stipe07 às 16:12
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

John Grant – Grey Tickles, Black Pressure

Dois anos e meio depois do fabuloso Pale Green Ghosts, o canadiano John Grant regressou aos discos perto do ocaso de 2015 com Grey Tickles, Black Pressure, o terceiro registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico, geralmente com uma forte componente autobiográfica, não faltando, desta vez, algumas alusões ao seu problema de saúde, conhecido do público em geral (John Grant é portador do vírus HIV).

Produzido por John Congleton, gravado em Dallas e lançado à boleia da insuspeita Bella Union, Grey Tickles, Black Pressure fala de amores não correspondidos e, acima de tudo, da dificuldade que este hoemm, que reside atualmente na Islândia e com quase meio século de vida, continua a sentir para se integrar num mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito sofrido por ser homossexual.

Se Grey Tickles é, então, uma alusão direta à questão da meia idade, na tradição islandesa e Black Pressure, refere-se a pesadelo, na linguagem turca, o título clarifica implacavelmente toda a temática acima referida, o cenário denso e intrincado que molda o palco onde Grant desfila a sua existência diária e que encontra paralelo em doze canções de um disco que abre e fecha com trechos bíblicos retirados da Carta de Paulo aos Coríntios, uma intensa ode de celebração do amor coletivo e fraterno e, no fundo, uma referência irónica vinda de um Grant que, como já referi, além de se sentir permanentemente desfocado da realidade concreta, não é propriamente hábil a demonstrar o seu afeto por alguém, apesar de ter um coração enorme e cheio de amor para dar.

Assim, Grey Tickles, Black Pressure está impregnado de lindíssimas baladas, conduzidas por belíssimos arranjos orquestrais e pela voz imponente de Grant. Excelentes exemplo são o tema homónimo, uma canção que fala da arte de envelhecer, ou Global Warming, o grande momento do disco, uma canção com um dramatismo incontrolável, que nos revela uma espécie de apocalipse. Mas também há que escutar atentamente No Morte Tangles, composição conduzida por batidas sintéticas algo incontroladas, que comprovam a mestria compositória do autor.

Mas este disco não é feito só de momentos particularmente sentidos e melancólicos; Os ruídos vintage de Guess How I Know, a voz apelativa e sensual de Amanda Palmer, dos Dresden Dolls, em You And Him, a misteriosa Down Hill, a climática e híbrida Magma Arrives e o minimalismo sintético de Voodoo Doll e Disappointing, tema que conta com a participação vocal de Tracey Horn, são canções que merecem audição dedicada e comprovam a mestria de quem usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências trágicas que têm assolado a sua existência.

Em Grey Tickles, Black Pressure, John Grant expôe alguns dos detalhes mais delicados da sua vida, enquanto se aproxima de nós sem pedir compaixão, apenas com o intuito honesto de partilhar vivências e tentar curar as suas feridas internas. E também, quem sabe, fazer com que as suas músicas ajudem alguns de nós que se possam identificar com aquilo que ele já passou e que tem para nos dizer. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Grey Tickles, Black Pressure

01. Intro
02. Grey Tickles, Black Pressure
03. Snug Slacks
04. Guess How I Know
05. You And Him (Feat. Amanda Palmer)
06. Down Here
07. Voodoo Doll
08. Global Warming
09. Magma Arrives
10. Black Blizzard
11. Disappointing (Feat. Tracey Thorn)
12. No More Tangles
13. Geraldine
14. Outro


autor stipe07 às 21:33
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Zaflon - 7 Stalkers (feat. Gilan)

Dan Clarke é Zaflon, um produtor londrino que se assume como uma das mais recentes apostas da etiqueta local Lost In The Manor e que se prepara para editar um EP, já nas próximas semanas.

Este músico começou a ganhar alguma notoriedade graças a parceiras proveitosas com nomes tão importantes da chillwave como Jamie Woon e Royce Wood Junior e essa será uma das explicações para o modo como cria uma sonoridade invulgar, que mescla detalhes tipicamente urbanos com outros mais exóticos e inesperados.

Depois de há algumas semanas Zaflon ter divulgado Blink, uma canção que contava com a participação especial de Mina Fedora, agora chegou a vez de nos oferecer 7 Stalkers, composição que conta com a voz de Gilan e que plasma uma eletrónica inspirada e de forte pendor psicadélico, que irá certamente encher as medidas de quem aprecia algo de verdadeiramente invulgar e inovador. Confere...


autor stipe07 às 18:22
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Sábado, 9 de Janeiro de 2016

Yeasayer – I Am Chemistry

Yeasayer - I Am Chemistry

Desde o notável Fragrant World, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos Yeasayer se mantinham num silêncio que já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas parece que essa compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como Henrietta ou Longevity, já tem finalmente sucessor.

Amen & Goodbye, o novo disco dos Yeasayer, será editado a um de abril através da insuspeita Mute e I Am Chemistry é o primeiro single divulgado das treze composições que irão constar no seu alinhamento. O romantismo lisérgico do tema consolida a veia instável e experimental de um projeto cada vez mais assente numa pop de cariz eletrónico e bastante recomendável. Confere...


autor stipe07 às 15:54
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015

Anohni – 4 Degrees

Anohni - 4 Degrees

Anunciado já desde fevereiro, começa finalmente a ganhar vida o projeto Anohni liderado pelo cantor Antony Hegarty, que assina uma já notável carreira a solo sob a capa de Antony and the Johnsons.

Previsto para o outono do próximo ano, Hopelessness será o primeiro registo de originais destes Anohni e 4 Degrees é o primeiro avanço divulgado desse longa duração, uma canção produzida pela dupla Daniel Lopatin (Oneohtrix Point Never) e Hudson Mohawke e que nos apresenta uma sonoridade algo díspar ao que Hegarty nos costuma oferecer como Antony and the Johnsons. Esta canção tem um cariz mais encorpado e eletrónico, com a melodia a ser guiada por uma grandiosidade instrumental ímpar, onde não faltam saxofones, trompetes e violinos, além de uma percussão imponente, detalhes que dão a 4 Degrees uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais obscuros da mente deste notável autor. Confere...


autor stipe07 às 18:35
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Sábado, 5 de Dezembro de 2015

Coldplay - A Head Full Of Dreams

Os Coldplay de Chris Martin estão de regresso aos discos com A Head Full Of Dreams, um álbum que, como sempre, viu a luz do dia por intermédio da Parlophone. O sétimo álbum de estúdio desta banda britânica foi produzido pela dupla norueguesa Stargate e nos seus créditos extensos pode-se conferir convidados especiais do calibre da norte americana Beyoncé, mas também Noel Gallagher, Tove Lo e Merry Clayton.

Disco com direito a uma digressão mundial e que poderá muito bem vir a ser o último da carreira do grupo de Chris Martin, A Head Full Of Dreams é substancialmente diferente do antecessor, Ghost Stories, um trabalho mais denso e intimista e que se debruçava imenso sobre a separação de Martin e a atriz Gwynet Paltrow, com quem o músico lider da banda esteve casado vários anos. Logo no tema homónimo fica impressa esta intenção firme de criar um alinhamento mais luminoso e festivo, mas também melodicamente mais amplo e épico, com canções que celebrem o otimismo e a alegria e que possam funcionar ao vivo na próxima digressão dos Coldplay. Aliás, Adventure Of A Lifetime, o primeiro single retirado de A Head Full Of Dreams, foi uma escolha óbvia como tema de apresentação do disco, já que é o expoente máximo desta ode celebratória, assente num riff de guitarra empolgante e numa sonoridade rock expansiva e que faz jus a alguns dos melhores instantes da carreira da banda. E, mantendo-se em Hymn For The Weekend essa amplitude otimista, há, no entanto, na génese dessa canção, o início de um virar de agulhas que me parece ser definitivo, indo ao encontro de uma sonoridade pop, com fortes raízes no R&B e que, na verdade, os Coldplay já exploram com alguma minúcia desde Mylo Xyloto. Nesse dueto entre Martin e Beyoncé, o grupo britânico despe definitivamente todas as máscaras que ainda o poderiam ligar ao indie rock, para se assumir, já sem possibilidade de retorno, como uma banda que não quer mais ser objeto de culto de um nicho de ouvintes que os veneraram à custa de Parachutes e A Rush Of Blood To The Head, mas antes detentores do título máxmo de banda de massas da pop e da cultura musical dos dias de hje. Já agora, curiosamente, um último grande suspiro da anterior herança identitária e que definiu as origens dos Coldplay, pode ser escutada em Up&Up, canção que apesar de contar com alguns detalhes eletrónicos, deve grande parte da sua alma à guitarra de Noel Gallagher e à soul proporcionada não só pela voz crua de Martin, mas também por coros que engrandecem e ampliam a intensidade da canção para um patamar incomum.

As batidas eletrónicas da balada Army Of Me, a açucarada Fun, canção que conta com a voz da sueca Tove Lo, entrelaçada com a de Martin, são mais dois exemplos concretos deste frontal casamento dos Coldplay com o R&B mais contemporâneo, mas o piano lindíssimo de Everglow, quanto a mim o melhor momento melódico do álbum e que conta com a voz de Paltrow nos coros e a sua presença na escrita do poema, o groove da guitarra e do baixo e, principalmente, os sussurros de Martin em Birds, são também exemplos impressivos deste novo paradigma sonoro dos Coldplay, composições que contam com uma produção polida com o máximo de brilho que a tecnologia dos dias de hoje permite e que até é ampliada em dois temas que funcionam como interludios, Kaleidoscope e Colour Spectrum. Nesta última é particlarmente impressivo o contraste entre os sons de pássaros e sinos, com as vozes de fundo de Beyoncé e Barack Obama, num discurso que é também possível ser escutado na primeira canção.

Em suma, A Head Full Of Dreams contém o habitual cariz pop, épico e melancólico dos Coldplay e não deixa de ter como grande atributo possuir canções que falam de sentimentos reais e geralmente felizes e que, por isso, pretendem colocar enormes sorrisos no nosso rosto durante a audição. Mas para quem, como eu, não se sentiu nunca particulamrente confortável e preenchido com as mais recentes obsessões sonoras e conceptuais deste quarteto britânico, este acaba por ser o trabalho que deita por terra, definitivamente, todas as expetativas que ainda poderiam subsistir sobre a possibilidade de um retorno às origens. Por muito que se possam esforçar por referir publicamente o contrário, a verdade é que os Coldplay querem ser uma banda de massas, mas não à custa do indie rock. O trono que pretendem ocupar é o de reis da pop, entrando num mano a mano com os nomes maiores da cultura musical popular que vivem da eletrónica ao R&B, levando as cordas do baixo e das guitarras consigo, mas adaptando-as aos cânones essenciais desses estilos sonoros. Espero que aprecies a sugestão... 

Coldplay - A Head Full Of Dreams

01. A Head Full Of Dreams
02. Bird
03. Hymn For The Weekend
04. Everglow
05. Adventure Of A Lifetime
06. Fun (Feat. Tove Lo)
07. Kaleidoscope
08. Army Of One
09. Amazing Day
10. Colour Spectrum
11. Up&Up
12. Miracles

 

 


autor stipe07 às 21:14
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Sábado, 14 de Novembro de 2015

Sufjan Stevens – Exploding Whale

Sufjan Stevens - Exploding Whale

Sem estar ainda refeito do forte impacto que Carrie And Lowell, o último registo de originais do norte americano Sufjan Stevens teve por este lado, acaba de chegar à redação deste blogue Exploding Whale, um tema inédito do autor, editado este ano em formato single de sete polegadas e que amplia o retorno do músico a sonoridades mais intimistas, nostálgicas e contemplativas, mas agora com a eletrónica em pano de fundo, numa canção dominada por sintetizadores e outros detalhes sintéticos que, pelo modo como se encaixam na melodia e em alguns dedilhares de cordas, dão um certo charme e brilho à moldura sonora estética de uma composição que é uma verdadeira jóia, em todos os sentidos. Confere...


autor stipe07 às 21:44
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Skylar Spence - Prom King

Viu a luz do dia no final do último verão Prom King, o disco de estreia do projeto Skylar Spence, encabeçado por Ryan DeRobertis, um músico norte americano que começou por assinar a sua música como Saint Pepsi, mas que resolveu infletir para uma pop efusiva, em oposição a atmosferas mais etéreas e experimentais em que se baseava no seu anterior projeto. Sendo assim, estamos na prsença de um disco que apela sem desvios ou truques desnecessários a uma visita demorada e dedicada a uma pista de dança, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade.

Num disco carregado de temas com airplay fácil e com tudo para darem a volta ao mundo, Skylar Spence oferece-nos, em quarenta e cinco minutos, um alinhamento com uma elevada componente sintética, impregnado de batidas aceleradas e plenas de groove, com temas como Can't You See, tema cantado pelo próprio Ryan, mas também Ridiculous! e Bounce Is Back a concretizarem um piscar de olho indiscreto ao house mais comercial, mas onde não faltam guitarras e outros detalhes mais orgânicos, sejam acústicos ou eletrificados. I Can't Be Your Superman é uma canção extraordinária para o testemunho desta simbiose com uma guitarra com um efeito vintage fortemente narcótico e uma batida bem vincada, a marcarem um andamento de um tema com uma personalidade muito forte e festiva.

Este é um alinhamento de canções que, de acordo com o próprio autor, refletem eventos que marcaram a sua vida pessoal, nomeadamente o facto de ter testemunhado espirais de descontrole emocional protagonizadas por alguns dos seus melhores amigos e a impotência que o assaltou nesses instantes, mas também a sua experiência na estrada como músico e todo o tipo de tentações que esse estilo de vida contém. O tema homónimo deste disco versa diretamente sobre este ideário, contendo alguns samples que refletem essa experiência pessoal e o modo marcante como a mesma moldou a personalidade deste autor.

Prom King tem diversos momentos particularmente deslumbrantes e efusivos e outros mais contemplativos, nomeadamente All I Want, mas que não deixam de ser igualmente intensos. Canções como Bounce Is Back e as já citadas Ridiculous! e Can't You See deviam ser uma presença obrigatória em qualquer pista de dança, não só pelo ambiente dançante efusivo que criam, mas também pelo travo vintage psicadélico que contêm, num alinhamento que é para ser escutado, quase na íntegra, debaixo da bola de cristal, com uma atitude insinuante, um charme e uma sofisticação muito próprios, sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir. espero que aprecies a sugestão...

1. Intro

2. Can't You See
3. Prom King
4. I Can't Be Your Superman
5. Ridiculous!
6. Fall Harder
7. Bounce is Back
8. Affairs
9. All I Want
10. Cash Wednesday
11. Fiona Coyne


autor stipe07 às 20:47
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Kisses – Rest In Paradise

Editado a nove de outubro último, Rest In Paradise é o novo registo discográfico dos Kisses, o terceiro de uma dupla norte americana oriunda de Los Angeles e que que usa a eletrónica como principal ferramenta na construção das suas canções, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade.

Num disco carregado de temas com airplay fácil e com tudo para darem a volta ao mundo, Jesse Kivel e Zinzi Edmundson, agora já casados e pais de um bebé, oferecem-nos, em quarenta e cinco minutos, um alinhamento com uma elevada componente sintética, mas onde também não faltam guitarras e outros detalhes mais orgânicos, sejam  acústicos ou eletrificadas, mas sempre com a exeriência pessoal do casal como centro nevrálgico da temática das canções, agora liricamente mais maduras, em oposição ao romantismo algo pueril que brotava de Funny Heartbeat, o registo anterior e que lançou estes Kisses para as luzes da ribalta.

Rest In Paradise tem vários momentos particularmente deslumbrantes e efusivos e outros mais contemplativos, mas igualmente intensos. Se o extraordinário single Groove devia ser já uma presença obrigatória em qualquer pista de dança, não só pelo ambiente dançante efusivo que cria, mas também pelo travo vintage psicadélico que contém, já as cançãoseguinte, Sun, mantendo a mesma fórmula instrumental mas reduzindo na cadência das batidas, expôe uma atmosfera diferente, mas bastante melódica e orgânica, algo nua e carregada de sentimento.  Já Control leva-nos de novo para debaixo da bola de cristal, mas agora num registo mais insinuante e com uma linguagem sonora mais marcada por detalhes percussivos que conferem ao tema uma intimidade groove e um desejo de abanar as ancas sem sair do sítio, bastante carregados. É uma abordagem um pouco diferente à dança e onde impera um charme e uma sofisticação muito próprios que os samples de instrumentos de sopro ajudam a ampliar.

Nile acaba por ser, na minha opinião, o grande momento de Rest In Paradise, um portentoso e contemporâneo convite à dança sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir, um tema que impressiona pela grandiosidade e pelo modo como os efeitos exalam um saudável espontaneidade, alinhados por uma batida quente e um andamento melódico único e fortemente inebriante. Essa canção atesta a tremenda fluidez que estes dois músicos partilham entre si, enquanto casal e intérpretes de uma forma de arte universal e capaz de comungar connosco, como é a música. Ouvir estes Kisses acaba por ser uma sensação algo sedutora, com um efeito narcótico que provoca o nosso íntimo e num abraço profundo, nos acompanha pista fora sem destino previamente traçado e com trechos sonoros em que convém ir buscar as plumas para viajar convenientemente até aos anos oitenta.

Em suma, ao som do ambiente leve, épico e envolvente que marca os alicerces de Rest In Paradise, esta é uma cúpula incisiva entre rock e eletrónica, uma relação quente e assertiva, baseada num alinhamento que nos convoca para uma verdadeira orgia entre sub-géneros da pop, que ao longo das dez canções vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, enquanto saboremos mais um copo e apreciamos um final de tarde glamouroso. Espero que aprecies a sugestão...

Kisses - Rest In Paradise

01. Paradise Waiting Room

02. A Groove
03. Sun
04. Control
05. The Nile
06. Fred Roses
07. Sunset Ltd.
08. Jam
09. Eternal
10. Rest In Paradise


autor stipe07 às 19:55
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