Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Zero 7 – Simple Science

Os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave e que já não davam sinais de vida há quatro anos, desde Yeah Ghost (2009), além de um sete polegadas com dois temas editado no final do ano passado, estão de volta com um EP com quatro canções intitulado Simple Science, cujo lançamento está previsto para dezoito de agosto via Make Records. O respetivo tema homónimo conta com a voz do cantor australiano Danny Pratt.

Nesta canção, Sam Hardaker e Henry Binns mantêm a inflexão na sua sonoridade, agora mais virada para a pop e para o house, certamente com as pistas de dança ainda mais na mira. Este tema é um registo muito quente e a apelar à soul. Confere...

 

Zero 7 - Simple Science (Radio Edit)


autor stipe07 às 10:54
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Say Hi – Endless Wonder

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente é Endless Wonder, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de junho, por intermédio da Barsuk Records e já o oitavo da carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental, mas sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, onde não falta o rock setentista, o rock de garagem e o blues é a pedra de toque incial deste disco, já que Hurt In The Morning e Such A Drag, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e num baixo bastante encorpado, além de guitarras plenas de groove e distorção. Critters abranda um pouco o ritmo mas a receita mantém-se, agora numa toada mais nostálgica e torna-se claro que Eric merece obter um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Com uma década de carreira, o músico parece ter atingido o ponto mais alto de uma discografia com alguns momentos marcantes, apresentando agora novas nuances e um som mais experimental, que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem potencial para um elevado airplay.

Momentos como o groove que destila imensa soul de When I Think About You,  o baixo de Like Apples Like Pears, o efeito arrojado e a secção de metais de Figure It Out ou o sintetizador minimal que abre The Trouble With Youth e que depois desliza até ao krautrock, são outros quatro exemplos que mostram que Say Hi estará no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojado do que nunca, na sua viagem de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o ADN da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido à voz fantástica de Eric, que atinge o apogeu interpretativo em Figure It Out, mas que ao longo do trabalho preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. O que aqui temos é uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Endless Wonder

01. Hurt In The Morning
02. Such A Drag
03. Critters
04. When I Think About You
05. Like Apples Like Pears
06. Figure It Out
07. Clicks And Bangs
08. Sweat Like The Dew
09. Love Love Love
10. The Trouble With Youth


autor stipe07 às 21:15
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Moebius Story Leidecker - Snowghost Pieces

Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius são a força motriz de Moebius, que se agregou à dupla Tim Story e Jon Leidecker, para criar um projeto sonoro bastante curioso que editou recentemente Snowghost Pieces, gerado por uma miríade de artistas que conferiu ao disco uma visão sonora bastante heterogénea e abrangente da música eletrónica atual na sua faceta mais ambiental.

Snowghost Pieces são onze canções carregadas de detalhes e sons que, do mais comum ao mais bizarro, agregam-se e dão origem a peças sonoras bastante futuristas e que contrariam quem considera que a eletrónica ambiental é um estilo musical marcadamente minimal e pouco diversificado. De certo modo é como se  projeto quisesse reinventar o krautrock, dando-lhe uma toada mais ambiental e futurista, mas sem descurar o habitual rigor e rigidez que a junção de diferentes tiques criados pela faceta mais sintética da música exige, para queo resultado final seja coerente e audível de forma harmoniosa e comunicativa.  

À medida que as canções vão desfilando nos nossos ouvidos e se sente o seu enorme charme e a extrema capacidade de sedução que nos impele a ouvir o disco até ao final, vamos sendo presenteados com uma teia de sons eletrónicos e acústicos que nunca se abstraem da sua função essencial que é criar, dentro da amálgama concetual delineada, temas com uma forte componente melódica e que sejam diferentes partes de um todo, nada mais nada menos que sonoro harmonioso e construido com enorme mestria nos estúdios de Brett Allen, no estado de Montana.

A atmosfera intimista e até surreal do local onde gravaram, assim como todo o vasto arsenal tecnológico ao dispôr, terá tido certamente impacto no resultado final e na empatia que os músicos criaram entre si, a única explicação plausível para o entendimento do conteúdo tão intenso, firme e de elevada bitola qualitativa que é disponibilizado em Snowghost Pieces, um disco que, tendo em conta o espetro sonoro que abrange, só poderia ter sido lançado através da insuspeita Bureau B, uma das melhores etiquetas a nível mundial neste género musical.

1 Flathead (5:14)
2 Treadmill (4:27)
3 Cut Bank (5:27)
4 Fracture Fuss (7:34)
5 Yaak (5:19)
6 Olara (3:49)
7 Cliff Doze (4:20)
8 Whelmed (4:45)
9 Pinozeek (1;42)
10 Vex (10:37)
11 Defenestrate (5:00)


autor stipe07 às 13:33
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Perfume Genius - Queen

É já a vinte e dois de setembro que chega aos escaparates Too Bright, o terceiro álbum de Perfume Genius, um dos discos mais aguardados do ano e que verá a luz do dia através da Matador Records.

O primeiro avanço de Too Bright, o novo álbum deste alter ego de Mike Hadreas, é Queen, um tema dominado por um potente sintetizador, épico, intenso e fortemente autobiográfico, já que aborda algumas fobias relacionadas com a homossexualidade.

Too Bright foi gravado com Adrian Utley, dos Portishead e conta também com a colaboração de John Parish em alguns temas. Confere...


autor stipe07 às 21:25
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Sábado, 12 de Julho de 2014

Kasabian – 48:13

Lançado através do consórcio RCA/Columbia 48:13 é o tempo de duração exato e o nome do quinto álbum de estúdio dos Kasabian, o novo disco desta banda liderada por Tom Meighan e um trabalho produzido por Sergio Pizzorno, o guitarrista da banda.

48:13 é um álbum pesado, marcante, elétrico e explosivo e logo desde a primeira canção; Bumblebee traz consigo todo o esplendor festivo dos Beastie Boys e ao longo do tema sente-se a vibração a aumentar e diminuir de forma ritmada e damos por nós a desejar que o resto do disco seja assim. A urgente e grandiosa Stevie não fica atrás e, após seres bombardeado com uma percurssão muito vincada e uma guitarra cheia de fuzz, quando te apercebes já estás a cantar o refrão, devendo esta canção de ser uma das escolhas para single, algo que, na minha opinião, seria bem recebido pela crítica.

O festim é interrompido um pouco por Mortis, um dos dois interlúdios do disco, juntamente com Levitation, mas logo de seguida Doomsday e Treat levam-nos de volta ao indie rock cru e direto, que não descura a presença de sinteitzadores cheio de efeitos, com a função, várias vezes simultânea, de conferirem alguns detalhes e uma energia diferente ao corpo das canções que não defruadam quem quer abanar a anca ao som de algo grandioso. Esta Treat, uma canção que explora a temática do groove sobre diferentes espetros e Glass, um tema que conta com a paticipações especial do rapper Suli Breaks, são duas das faixas mais interessantes de 48:13, já que há um sintetizador com um cariz fortemente experimental e límpido a guiar às cançôes e abrem-se algumas pistas interessantes acerca do futuro discográfico dos Kasabian, que poderá partir em busca de ambientes pop mais épicos e etéreos, o que não deixa de ser curioso já que foi o guitarrista a produzir este álbum.

O eletro rock bem vincado, pulsante e visceral de Clouds e o agitado e ritmado single Eez-eh é mais uma grande sequência do disco e, pouco depois, ele termina com a apoteótica S.P.S, uma típica canção de fim de festa, daquele nascer do sol que incomoda o olhar depois de termos perdido a noção do tempo.

A perceçao final que fica é que, das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos sintetizados, pelos efeitos e pelas vozes, tudo se movimentou de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração de 48:13 tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se a banda projetasse inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de eletrónica, psicadelia e rock progressivo.

Ao quinto álbum os Kasabian voltam a procurar atingir o pico na busca constante do verdadeiro caminho e da sua sonoridade e confirmam o estilo, o método e a obsessão típicas de quem quer abalar definitivamente o atual sistema musical, trazendo uma nova sonoridade ao rock alternativo e ansiando continuar a ser um marco no cenário musical indie. Espero que aprecies a sugestão...

Kasabian - 48-13

01. (Shiva)
02. Bumblebee
03. Stevie
04. (Mortis)
05. Doomsday
06. Treat
07. Glass
08. Explodes
09. (Levitation)
10. Clouds
11. Eez-eh
12. Bow
13. S.P.S.

 


autor stipe07 às 17:01
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Glass Animals - Zaba

Depois de um EP homónimo lançado no passado dia dezasseis de Abril, os Glass Animals de Dave Bayley, Drew MacFarlane, Edmund Irwin-Singer e Joe Seaward estão de regresso aos discos com Zaba, o longa duração de estreia do grupo, editado no passado dia dez de junho pela Wolf Tone, a nova editora de Paul Epworth, um produtor responsável por alguns dos mais importantes lançamentos discográficos da pop britânica dos últimos anos (Adele, Bloc Party, Florence & The Machine) e já se rendeu aos encantos dos Glass Animals, sem dúvida, um dos projetos mais interessantes e inovadores que ouvi ultimamente.

Com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno, Black Mambo é o grande destaque deste disco, uma canção com uma atmosfera dançante, mas também muito introspetiva e sedutora. A audição deste single de Zaba acaba por ser um excelente tónico para a descoberta de onze magistrais canções onde encaixam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, detalhes sonoros reproduzidos quase sempre por sintetizadores inspirados e que parecem ter sempre uma função específica e que nos faz descobrir a complexidade do processo criativo dos Glass Animals à medida que vamos ouvindo este disco de forma viciante.

A forma como os Glass Animals conjugam este arsenal instrumental com harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pelas canções e que se deizam afagar livremente pleos manto sonoro que as sustenta, cria a impressão que que os temas nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente.

Além do destaque já referido, há outros temas de Zaba que também merecem uma audição atenta; Há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade de Gooey e Pools, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop. E depois, Wyrd e, principalmente, Walla Walla sobrevivem algures entre a soul e a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, explícitos na prestação vocal e a climática e psicadélica, enquanto que Intruxx deixa-nos a sonhar com um novo mundo dominado por guitarras memoráveis e uma percussão intensa, cheia de ritmos tribais.

Sem grandes alaridos ou aspirações, Zaba são pouco mais de quarenta minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que enriquece aquele que é um dos grandes discos do início deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - Zaba

01. Flip
02. Black Mambo
03. Pools
04. Gooey
05. Walla Walla
06. Intruxx
07. Hazey
08. Toes
09. Wyrd
10. Cocoa Hooves
11. Jdnt


autor stipe07 às 13:45
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Balue - Quiet Dreamer

O verão está quase a chegar e apesar deste breve interregno, algo molhado, no bom tempo, apetece ouvir canções alegres e luminosas que criem o ambiente perfeito para o usufruto pleno destes dias quentes de verão. Natural do Novo México, o norte americano Eli Thomas é a mente criativa que dá vida ao projeto Balue, mais uma proposta da etiqueta Fleeting Youth Records e Quiet Dreamer, o seu longa duração de estreia, um álbum que viu a luz do dia a vinte e quatro de junho e disponível no bandcamp do músico.

Fecha os olhos, desce as escadas até à cave da tua alma, respira fundo, carrega no play e prepara-te para entrar em alguns dos teus sonhos, através da música, a melhor psicotropia que existe. Esta é das melhores descrições que me ocorre para Quiet Dreamer, obra sonora de um artista multifacetado e bastante criativo. Quiet Dreamer balança entre a luminosidade de uma voz única, com um encanto relaxante e atmosférico e a toada melódica criada por uma bateria eletrónica e guitarras e sintetizadores com uma sonoridade às vezes retro e outras futurista, mas que dão o tempero ideal às composições. Seja como for, Balue parece ser um músico apaixonado, aicma de tudo, pela mistura lo fi e sintetizada que definia a magia da pop de há trinta anos e ele pretende não só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador ao mesmo tempo, de forma sóbria, coesa e acessível.
Charming Flow foi o primeiro single divulgado de Quiet Dreamer, uma canção com uma sonoridade tipicamente pop, assente numa voz um pouco lo fi e shoegaze, com aquele encanto retro, relaxante e atmosférico e uma intrumentalização assente numa bateria eletrónica e em guitarras e sintetizadores com o tempero ideal, ou seja, um fantástico aperitivo para um disco que acaba por replicar essa receita de forma particularmente feliz. Outros temas como Post Graduation, Grow Up e Trippin' At The Beach, seguem a fórmula, mas depois Balue ainda inflete por outros caminhos paralelos, durante a épica e melancólica God's Magic Circle e na climática Beaches Be Trippin, canção que mistura e herança fiel do surf rock com o melhor indie rock alternativo.
Quiet Dreamer é um daqueles discos que se ouve em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. As canções têm algo de fresco e hipnótico, uma chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:19
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

James – La Petite Mort

Depois de em 2008 terem surpreendido com o retorno aos lançamentos discográficos após um anunciado fim de carreira, com Hey Ma, os James de Tim Booth, Jim Glennie (baixo), Larry Gott (guitarra), Saul Davies (guitarra, violino), Mark Hunter (teclados), David Baynton-Power (bateria) e Andy Diagram (trompete), estão de regresso aos trabalhos de estúdio com La Petite Mort, o décimo terceiro longa duração deste coletivo britânico, natural de Manchester. La Petite Mort foi produzido por Max Dingel (The Killers, Muse, White Lies) e escrito em Manchester, Lisboa, Atenas e nas Highlands escocesas, tendo a morte da mãe de Tim Booth, uma referência importante da sua vida, servido de mote para o conteúdo lírico e emocional de dez canções que lidam com a mortalidade, mas sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente lhe é atribuido.

Conhecemos Tim Booth há três décadas, já o ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, mas é curioso começar a ouvir este disco e, logo em Walk Like You, escutarmos um Booth que declama com sentimento que ainda não o conhecemos verdadeiramente e que tem muito maisdentro de si para nos revelar. Percebe--se logo o cariz autobiográfico do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização de uma perca certamente traumática, mas que deve ser vivida, sustentada, acima de tudo, pelas boas memórias e recordações que o músico guarda dentro de si da mãe.

Nome maior da pop independente dos últimos 30 anos e detentores de mais de vinte singles que alcançaram o top britânico, os James testemunharam todos os movimentos musicais que foram aparecendo em Inglaterra e foram sempre uma alternativa credível, por exemplo, à britpop e seguem ainda firmes no seu caminho, iniciado quando na primeira metade da década de oitenta foram apontados como os candidatos maiores a dar sequência à herança inolvidável dos The Smiths.

Em La Petite Mort é procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível das guitarras que carimbam o ADN dos James com o indie rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. A presença de Max Dingel na produção é o tiro certeiro nessa demanda, apesar de não ser justo descurar a herança que nomes como Gil Norton ou Brian Eno, figuras ilustres que já produziram discos dos James, ainda têm na sonoridade do grupo.

Este encaixe de novas tendências proorcionado por Max fica plasmado logo na já referida Walk Like You, uma canção onde os efeitos e os pianos ajudam as guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Booth. Depois, Curse Curse está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a percurssão a conduzirem a canção. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de Moving OnGone Baby Gone exala U2 por todos os poros sonoros e Frozen Britain tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas.

Uma das sequências mais interessantes de La Petite Mort é constituida pela balada Bitter Virtue, uma canção introspetiva e melancólica onde a voz de Booth assenta na perfeição, à qual se segue All In My Mind, o clássico tema orquestral conduzido pelo piano, com alguns detalhes das cordas e do trompete a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente James. A sequência termina com o mesmo piano, mas agora a tocar numa espécie de looping crescente, em Quicken The Dead, uma canção que é depois adornada por lindíssimos coros, pela mesma secção de sopro e por cordas implícitas mas deslumbrantes.

La Petite Mort chega ao ocaso com a sentida e confessional All I'm Saying e com a herança dos The Smiths vincada em Whistleblowers e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os James ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico indie rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

James - La Petite Mort

01. Walk Like You
02. Curse Curse
03. Moving On
04. Gone Baby Gone
05. Frozen Britain
06. Interrogation
07. Bitter Virtue
08. All In My Mind
09. Quicken The Dead
10. All I’m Saying


autor stipe07 às 21:21
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Alt-j - Left Hand Free

Depois de o trio birtânico alt-J ter anunciado que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie, divulgou o primeiro avanço, uma canção bastante atmosférica e introspetiva, chamada Hunger Of The Pine.

Agora, algumas semanas depois, já se conhece o segundo avanço de This Is All Yours. O tema chama-se Left Hand Free e assenta num corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. O novo disco dos alt-J irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious. Confere...


autor stipe07 às 14:24
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Domingo, 6 de Julho de 2014

Cold Cave – Full Cold Moon

O projeto Cold Cave liderado por Wesley Eisold, com a colaboração de Amy Lee está de regresso aos discos com Full Cold Moon, um disco lançado em nome próprio e que foi antecedido pelo lançamentos de vários singles já desde meados de 2013. Essa contínua antecipação do conteúdo deste novo trabalho dos Cold Cave fez com que o mesmo fosse aguardado com alguma expetativa, uma avalanche de composições avulsas que mostraram um concentrado de experiências capaz de repetir a mesma formatação sombria dos discos Love Comes Close (2009) e Cherish the Light Years (2011).

Na verdade, não sendo um disco tão sombrio como algumas das anteriores propostas deste projeto, Full Cold Moon divide-se entre essa subtileza experimental e uma certa busca de algo mais comercial e, para o conseguir, Wesley não deixa de apostar nas batidas velozes e nos efeitos assertivos dos sintetizadores, com o tema A Little Death To Laugh a não ser uma escolha inocente para aberura do disco, já que faz uma súmula significativa do conteúdo do restante alinhamento. A rápida e efervescente Young Orisoner Dreams Of Romance tem uma toada mais lo fi, com a distorção da guitarra e um efeito sintetizado futurista e suportarem a voz manipulada de Eisold. Esta canção prova que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola. A instrumental Tristan Corbière já nos remete para um universo eletrónico mais experimental e depois Oceans With No End é rock sem complexos e complicações, concentrado com alguns detalhes típicos do indie rock alternativo dos anos noventa.

Com este início tão diversificado, acaba-se por perceber que os Cold Cave misturam a psicadelia, o rock e a eletrónica quase sempre numa toada lo fi e querem que degustemos uma belíssima caldeirada, feita com estas várias espécies sonoras. Seja como for, apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de todo o trabalho, quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá a Full Cold Moon uma atmosfera sombria e visceral.

É, em suma, uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Cave - Full Cold Moon

01. A Little Death To Laugh
02. Young Prisoner Dreams Of Romance
03. Tristan Corbiere
04. Oceans With No End
05. People Are Poison
06. Black Boots
07. Meaningful Life
08. God Made The World
09. Dandelion
10. Nausea, The Earth And Me
11. Don’t Blow Up The Moon
12. Beaten 1979

 


autor stipe07 às 23:35
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Sleep Party People – Floating

Os Sleep Party People são um projeto dinamarquês encabeçado e idealizado pelo músico, compositor e multi-instrumentista Brian Batz, natural de Copenhaga. Já tinha falado deste projeto há cerca de dois anos quando divulguei We Were Drifting On A Sad Song, o quarto EP do grupo, lançado a nove de abril de 2012. Agora, no passado dia dois de junho, chegou aos escaparates Floating, o terceiro longa duração dos Sleep Party People, uma banda que ao vivo, além de Brian Batz, conta com os contributos de Kaspar Kaae, Ask Bock, Rasmus Lindahl e Jacob Haubjerg.

Os Sleep Party People fazem uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Change In Time, a canção de abertura do álbum, In Another World e Floating Blood Of Mine, os três tremas que a voz de coelho entretanto divulgou, localizam-se entre o sono e o estado de consciência, ou seja, transportam-nos até aquele limbo matinal e intimista, mas Batz, um produtor cada vez mais maduro e assertivo, parece desta vez apostado em sair um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostar num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, que as guitarras de I See The Moon também apontam, adornadas pela belíssima voz de Lisa Light, a vocalista dos The Lovemakers.

Se estas quatro canções, por si só, já justificam uma audição dedicada de Floating, há outros temas que merecem destaque, nomeadamente I See The Sun, Harold, aquela em que Batz mais se afasta da sua habitual zona de conforto, em oposição a Only a Shadow, um momento em que os pianos caberiam exemplarmente no alinhamento de We Were Drifting On A Sad Song.

Ouvir Floating é, em suma, apreciar um conjunto de nove canções que transmite todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. A Stranger Among Us, a melhor música do álbum, vem descortinar isso mesmo. Estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, mais uma vez, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, mas agora com melodias que exploram uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente o invade. A melancolia continua nas notas do piano e do violino, mas a bateria e os sintetizadores deixam uma marca mais profunda em canções que parecem feitas para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Floating serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Floating

01. Change In Time
02. Floating Blood Of Mine
03. A Stranger Among Us
04. In Another World
05. Death Is The Future
06. I See The Sun, Harold
07. I See The Moon
08. Only A Shadow
09. Scattered Glass


autor stipe07 às 20:54
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Terça-feira, 24 de Junho de 2014

Zola Jesus - Dangerous Days

Zola Jesus

Desde que Zola Jesus publicou um trailer relacionado com Taiga, o seu novo álbum, era aguardada com expetativa a divulgação do primeiro avanço desse disco. Esse momento finalmente chegou com Dangerous Days, uma fantástica canção que podes obter gratuitamente no website de Zola Jesus em troca de um endereço de email. Taiga chega ao mercado a sete de outubro, através da Mute Records. Confere...


autor stipe07 às 12:02
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Music Go Music - Night After Night

Oriundos de Los Angeles, os norte americanos Music Go Music são um excitante trio formado Gala Bell, Kamer Maza e Torg, que vai lançar já em outubro Impressions, o novo trabalho da banda, através da Secretly Canadian.

Acabado de divulgar e disponibilizado gratuitamente pelos Music Go Music, o single Nite After Nite é um avanço promissor relativamente ao conteúdo desse álbum, um tema predominantemente sintético, mas feito de alegria e com sabor a Verão, divertido, dançante e que resgata todo o espírito dos setentas e dos oitentas , com um certo travo à soul típica da motown, mas com corpo de século XXI. Confere...


autor stipe07 às 13:27
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Alt-j - Hunger of the Pine

Alt-J - "Hunger Of The Pine"

A semana passada o trio birtânico alt-J anunciou que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie. Agora acaba de ser divulgado o primeiro avanço deste novo disco dos alt-J, que irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious.

Hunger Of The Pine é uma canção bastante atmosférica e introspetiva, um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Um sample de I'm Female Rebel, de Miley Cyrus, é uma das surpresas desta canção que antecipa aquele que ainda virá a tempo de ser um dos discos do ano. Confere...


autor stipe07 às 13:09
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Kishi Bashi – Lighght

 

Lançado no passado dia treze de maio, Lighght é o novo disco de Kishi Bashi, um multi-intrumentista de Athens, na Georgia e colaborador de nomes tão conhecidos como Regina Spektor e os Of Montreal e que se aventurou a solo em 2012 pela mão da Joyful Noise, com 151a, disco que era um enorme e generoso festim de alegria e descomprometimento, tal como acontece com este sucessor que viu a luz do dia por intermédio da mesma etiqueta.

Kaoru Ishibashi é o verdadeiro nome de um artista de ascendência japonesa, que começou a chamar a atenção em 2011, com apresentações surpreendentes, onde cantava e tocava violino e acrescentava uma caixa de batidas e sintetizadores, agregando novos e diferentes elementos e fazendo incursões em diversas sonoridades. Conhecido pela sua profunda veia inventiva, Kishi Bashi aposta num micro género da pop, uma espécie de ramificação barroca ou orquestral desse género musical, uma variante que vive em função de violinos, de arranjos claramente pomposos e cheios de luz e de vozes cristalinas, com o falsete a ser uma opção óbvia e constante.

O violino é mesmo o fio condutor de Lighght e a introdutória Debut – Impromptu e o single Philosophize In It! Chemicalize With It!, abrem o disco de forma a que ninguém tenha a mínima dúvida acerca de qual é o instrumento predileto de Bashi. Mas não é só da folk orgânica que o violino propicia que este trabalho vive e as batidas de The Ballad Of Mr. Steak e a melodia épica e exuberante de Carry on Phenomenon, mostram um Bashi impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos pôr a dançar. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, como na dupla Hahaha e In Fantasia, não há lugar para a amargura e o sofrimento.

A música de Kishi Bashi tem muita da universalidade própria daquelas canções que aparecem em anúncios comerciais e que servem, por isso mesmo, para passar mensagens positivas e sedutoras e este músico acaba por ser exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável e também influenciado pela música árabe e oriental. Assim, Lighght contém belos momentos com vocalizações e dedilhados de instrumentos variados que preenchem o som impecavelmente. Mas o músico também experimenta gravações ao avesso e arranjos etéreos, com tiques de new age, dando a cada uma das onze músicas uma sonoridade diferente e onde coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.

A audição deste disco faz-nos sentir que estamos a degustar a própria música, como se cada garfada que damos na canção nos fizesse sentir todos os elementos de textura, cheiros e sabores da mesma. Salvo uma ou outra excepção, a pop barroca de Lighght transmite a sensação de que os dias bons estão aqui para durar e que nada de mal pode acontecer enquanto se escuta todo este otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Este álbum impressiona pela forma como foi concebido, com tanto cuidado e criatividade, sustenta uma aura de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que Kishi Bashi é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

Kishi Bashi - Lighght

01. Debut – Impromptu
02. Philosophize In It! Chemicalize With It!
03. The Ballad Of Mr. Steak
04. Carry on Phenomenon
05. Bittersweet Genesis For Him AND Her
06. Impromptu No 1
07. Q&A
08. Once Upon A Lucid Dream (In Afrikaans)
09. Hahaha Pt. 1
10. Hahaha Pt. 2
11. In Fantasia

 


autor stipe07 às 21:45
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Sábado, 14 de Junho de 2014

Elephant – Sky Swimming

Os Elephant são uma dupla oriunda de Londres e formada pela francesa Amelia Rivas e por Christian Pinchbeck. Conheceram-se em maio de 2010 e tiveram um 2011 bastante profícuo; Depois de em janeiro terem lançado o EP ants-wolf-cry e em julho allured-actors, em novembro deram a conhecer um terceiro EP, intitulado Assembly, sempre através da Memphis Industries. Agora, três anos depois, chegou aos escaparates Sky Swimming, o primeiro longa duração da dupla.

A sonoridade dos Elephant assenta numa pop etérea e lo-fi e são fortemente influenciados pelo hip-hop francês e pela eletrónica dos anos oitenta. Em qualquer um dos três EPs há uma batida que se vai arrastando um pouco atrás da voz de Rivas e camadas sintetizadas que vão sendo acrescentadas, o que cria um clima sombrio, melancólico e de certa forma até mágico. Fica-se muitas vezes com a sensação estranha que o silêncio é a força motriz das canções, o elemento propulsor das mesmas e que nelas se inclui e as sustenta e ao redor do qual os músicos vão acrescentando vários elementos sonoros, muitas vezes só perceptíveis numa posterior audição.

De Beach House a Mazzy Star e passando por Zola Jesus, os Elephant são requintados, minimalistas e cosmopolitas e combinam todo o encanto da Paris das passadeiras vermelhas com uma fragilidade cândida, futurista e atmosférica, feita com guitarras estridentes e um piano delicado. Estão no momento ideal para, com este disco de estreia, cimentar um lugar de relevo no cenário indie da actualidade. Os três EPs estão disponíveis para download gratuito no bandcamp dos Elephant. Espero que aprecies a sugestão...

Elephant - Sky Swimming

01. Assembly
02. Skyscraper
03. Allured
04. Ants
05. Elusive Youth
06. Shipwrecked
07. Torn Tongues
08. Come To Me
09. TV Dinner
10. Sky Swimming
11. Golden
12. Shapeshifter


autor stipe07 às 15:33
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2014

Fujiya And Miyagi – Artificial Sweeteners

Os britânicos Fujiya & Miyagi não editavam nenhum disco desde Ventriloquizzing, um trabalho que chegou às lojas em janeiro de 2011, mas finalmente, acabam de juntar em 2014 mais um longa duração ao seu cardápio sonoro, um registo chamado Artificial Sweeteners, que viu a luz do dia no início de maio, através do selo Yep Roc Records.

A apostarem numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, os Fujiya & Miyagi parecem, ao quinto disco, querer começar a apresentar uma estética sonora cada vez mais próxima do house e dos ritmos eletrónicos que abraçaram logo em 2003, quando Steve Lewis e David Best, os membros iniciais do projeto que integrava o conceito de Fujiya (uma marca de equipamentos de som) e Miyagi (o mentor de Daniel-San em Karate Kid), se estrearam nestas andanças.

Atualmente já com Steve Lewis e Lee Adams no alinhamento do grupo, além de Lewis e Best, os Fujiya & Miyagi continuam a construir uma interessante discografia pop, animada por novas eletrónicas, mas num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos, algo que Flaws, o single de abertura de Artificial Sweeteners, plasma claramente ao remeter-nos para a sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order e Acid To My Alkalyne eleva, através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best e o groove de uma guitarra.

A instrumental Rayleigh Scattering já nos remete para a eletrónica alemã, assim como as vozes repetidas e algo robóticas do tema homónimo que, apesar de uma declarada essência vintage, acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências. Até ao final há ainda que destacar a elegância do groove e do ritmo de Little Stabs Of Happiness e os teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens comtemplativas no instrumental Tetrahydrofolic Acid. Esse é um excelente mote para escutarmos depois Daggers, o meu tema preferido do registo, devido ao jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas que suportam o ritmo da canção. Vagaries Of Fashion lembra novamente a herança dos Pet Shop Boys e depois o disco termina em beleza com a lindíssima voz que se escuta em A Sea Ringed With Visions, numa canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega.

Artificial Sweeteners é uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou mais um alinhamento consistente, carregado de referências assertivas e que consitui mais uma marco no percurso deste projeto essencial do panorama da eletrónica do séxculo XXI. Espero que aprecies a sugestão...

Fujiya And Miyagi - Artificial Sweeteners

01. Flaws
02. Acid To My Alkaline
03. Rayleigh Scattering
04. Artificial Sweeteners
05. Little Stabs At Happiness
06. Tetrahydrofolic Acid
07. Daggers
08. Vagaries Of Fashion


autor stipe07 às 21:31
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2014

Mando Diao - Aelita

Os Mando Diao são uma banda de rock alternativo formada em 2001 com origem em Borlänge, na Suécia e constituida por Björn Dixgård, Gustaf Norén, CJ Fogelklou e Mats Björke. O grupo ganhou fama após o lançamento do segundo álbum Hurricane Bar, mas só os conheci em 2009 quando, em Give Me Fire, se podia ouvir Gloria e Dance With Somebody, dois temas que me fizeram querer saber mais sobre eles e que os colocaram definitivamente no meu radar.

Depois da transformação sonora que operaram em 2011, quando se juntaram a Gustaf Frönding, poeta sueco, e trabalharam em poemas com música para criar Infruset, o primeiro álbum da banda cantado em sueco e um disco essencialmente acústico e muito introspetivo, os suecos Mando Diao regressam com Aelita, um novo trabalho lançado pela Universal no passado dia dois de maio.

Infruset teve tanto de surpreendente como de bem sucedido. Na altura em que foi lançado plasmou uma clara inflexão na habitual sonoridade dos Mando Diao e permitiu que o grupo conquistasse alguns prémios de relevo no país natal. No entanto, Infruset foi apenas uma espécie de desvio provisório na habitual sonoridade do grupo já que, logo no início deste ano, quando reveleram Black Saturday, a primeira amostra de Aelita, os Mando Diao mostraram que voltaram a ligar os amplificadores e os sintetizadores e a apostar na típica sonoridade que definia o glam rock que fez escola há há trinta anos atrás em muitas bandas nórdicas.

Aelita personifica uma escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock, cheio de adrenalina e com uma forte filosofia garageira, assente em linhas agressivas de guitarra e um baixo encorpado, detalhes bem audíveis ao longo de todo o disco, mas que não descuram a forte presença de plumas e lantejoulas movidas a sintetizadores e teclados que, juntamente com guitarras carregadas de distorção, são apenas uma pequena parte do arsenal bélico com que os Mando Diao nos sacode e que traduzem, na forma de música, a mente criativa de quatro músicos que pensam e sentem, nomeadamente quando questionam alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo.

Nas dez canções que constituem o alinhamento, estes suecos partem em busca de diferentes estímulos, de forma aparentemente arcaíca, mas todos os arranjos e detalhes terão sido certamente ponderados de forma muito cuidada, pois só assim se entende o audível aconchego da profusão de sons e de ruídos e poeiras sonoras que se encontram em Aelita. Todas as músicas são contagiantes, têm um ritmo eletrizante e a voz rouca e intensa de Gustaf Norén dá um toque de rebeldia insolente à toada geral do disco que casa na perfeição com o registo mais doce e romântico de Björn Dixgård.

Com momentos ruidosos, melancólicos, épicos e outros mais psicadélicos, mas, quase todos, consideravelmente melódicos, Aelita é um disco que deve ser valorizado pela originalidade vintage e por servir para provar, definitivamente uma identidade firme e coesa de uma banda que, ao sétimo disco, mostra que merece uma superior projeção. Espero que aprecies a sugestão...

Mando Diao - Aelita

01. Black Saturday
02. Rooftop
03. Money
04. Wet Dreams
05. If I Don’t Have You
06. Baby
07. Lonely Driver
08. Child
09. Romeo
10. Make You Mine

 


autor stipe07 às 22:00
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Moby - Rio

Moby - Rio

Acaba de ser disponibilizada, na íntegra, a versão do produtor nova iorquino Moby para o clássico Rio, o primeiro single de Making Patterns Rhyme, o álbum de tributo aos Duran Duran que irá ser editado já a dez de junho próximo, por intermédio da editora Modern Records.
Além de Moby, participam neste disco de tributos, nomes como os Liars, Little Dragon, Julliette Lewis e Warpaint, entre outros. Confere...


autor stipe07 às 12:42
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2014

Sequin - Penelope

Editado no passado dia vinte e um de Abril com o selo da Lovers & Lollypops e gravado nos Discotexas Studios, Penelope é o novo registo de originais de Sequin, segundo a própria apenas uma parte daquilo que Ana faz na música, a Ana Miró habitual cúmplice do projeto JIBÒIA e dona de uma das vozes mais bonitas do universo musical português. Penelope foi produzido por Moullinex e contém dez canções que refrescam imenso o universo eletropop nacional e que plasmam a enorme capacidade e o imenso talento de Sequin para compôr e cantar.

O projeto Sequin nasceu em 2012 e, de acordo com Ana, surgiu num momento de intenso marasmo criativo, em que ela sentiu necessidade de abordar novos territórios sonoros. A propósito, na entrevista que Sequin concedeu a Man On The Moon, abaixo transcrita, a autora confessa que Penelope é um trabalho muito pessoal. e que marca uma fase da sua vida onde se dá uma passagem de um momento mais negro de estagnação criativa e emocional para um momento mais luminoso de libertação e concretização pessoal. No alinhamento do disco há, de acordo com Sequin, duas músicas que colocam em evidência essa ponte, com Heart To Feed a dar conta do período inicial conturbado e Peony o outro lado da margem, onde encontrou a luz e o caminho criativo que pelos vistos a conduziu ao conteúdo de Penelope. 

E no que concerne então às canções deste álbum extraordinário e refrescante, asseguro que é um exercício muito agradável e reconfortante conferir o alinhamento que vai da intriga e da melancolia ao otimismo e à festa com uma simplicidade quase desarmante, com todas as músicas a plasmarem esse espectro de sensações com que facilmente nos identificamos. Há uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgem nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Penelope uma sensação, quanto a mim, também deliberadamente experimental.

É impressionante a riqueza instrumental que se escuta no disco e o bom gosto que sustenta o cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito, inspirado nas vivências de Sequin, músicas que são um aglomerado de metáforas imagéticas e literárias.

O dominio da eletrónica é uma constatação óbvia em Penelope, assim como a primazia do sintético em relação ao orgânico mas isso não evita ou comprime a exalação de sentimentos profundos e a criação de uma atmosfera algo sensual e sedutora. Penelope é um inspirado catálogo pop, cheio de momentos que nos hipnotizam subtilmente, por causa de melodias que não largam a nossa mente e que nos levam por um caminho onde não falta o mistério e o apelo ao movimento, num clima fortemente etéreo e sonhador. Espero que aprecies a sugestão...

Quando e como nasceu o projeto Sequin e a que se deve a tua dedicação à música? Terá já nascido contigo ou as tuas experiências da infância e o meio em que cresceste tiveram uma palavra a dizer, ou aconteceu tudo mais tarde?

O projecto nasceu em 2012, numa altura em que estava num marasmo criativo, e foi como uma necessidade, uma solução para sair desse marasmo. A minha dedicação à música surgiu desde muito pequena, aprendi a tocar piano, tive algumas bandas na adolescência, e descobri que também gostava de cantar. Não sei se nasceu comigo, sempre tive uma predisposição para gostar de música e de fazer música, mas acho que foi um gosto que foi crescendo comigo.

 

Uma tradução direta de Sequin remete-nos para “lantejoulas”. Procuras, na tua música, abordar um lado eminentemente feminino e reluzente e, dessa forma, tentar chegar a um público alvo específico, algo cosmopolita e sofisticado?

Nunca pensei muito nisso. O nome em si não está no plural, é apenas uma lantejoula, não faz parte de um conjunto, mas não deixa de brilhar por si só. Acho que a minha intenção em usar esse nome foi mais uma questão de ilustrar um projecto no singular. Em termos de público alvo, não é uma coisa que eu pense, faço música por uma questão de gosto e é a minha forma de catarse.

 

Ana Miró e Sequin confundem-se ou há aqui um alter-ego bem definido?

Ana Miró é a autora, Sequin a intérprete, isto porque Sequin é apenas uma parte daquilo que a Ana faz dentro da música.

 

Pessoalmente, penso que Penelope tem tudo o que é necessário para teres o reconhecimento público que mereces. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu projeto a solo? Como está a ser recebido o disco?

O disco penso que está a ser bem recebido, quanto a expetativas tento não criá-las. Nunca pensei que tivesse tanto público e tão variado. A única coisa que quero é poder continuar a tocar e a criar.

 

De acordo com o press release, Penelope é um disco cosmopolita, no qual as barreiras tecnológicas se quebram para dar lugar ao movimento humano, à multiculturalidade, ao passo apressado do dia-a-dia e, sobretudo, ao abanar cinético para espantar demónios. Penelope é sobre ti? Faço também esta questão porque as letras deixam essa sensação, com particular relevo para Heart To Feed, Naive e Peony, entre outras.

O disco é sem duvida muito pessoal. Marca uma fase da minha vida, uma passagem de um momento mais negro de estagnação criativa e emocional para um momento mais luminoso de libertação e concretização pessoal. Heart to feed ilustra o primeiro momento, por exemplo e a Peony o segundo.

 

A que se deve a decisão de fazer de Beijing o single de avanço de Penelope, apesar de, na minha opinião, não ser a canção com um potencial de airplay mais elevado?A Beijing não foi o single de avanço do álbum. Quando a Beijing foi lançada, foi a música de apresentação do projecto, quando ainda não havia sequer planos para gravar e editar o que quer que fosse. Só está incluída no disco porque fazia sentido no conjunto de todas as musicas que o integram. (O single de avanço foi a Naive.)

 

Penelope contou com a produção de Moullinex e são evidentes as influências no resultado final. A que se deve esta opção? Acabou por surgir com naturalidade ou foi algo imposto?

Foi fruto do acaso. O Luis ouviu a Beijing e entrou em contacto comigo para experimentarmos gravar algumas musicas. Correu muito bem, e como eu tinha material suficiente para um disco, acabou por se tornar uma colaboração mais séria. Foi um trabalho muito natural e equilibrado, temos bastantes gostos em comum e foi fácil trabalhar com ele.

 

E já agora, como é pertencer à família da Lovers & Lollipops?

É óptimo! São uma editora pequena, mas muito trabalhadora e inovadora. Ca esta, é quase como que uma família e isso faz me sentir muito  à vontade.

 

Ouvir Penelope foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante, melancólico, às vezes mesmo algo sombrio mas, simultaneamente, optimista, festivo e alegre, foi aquilo que achei, do conteúdo geral do disco. As minhas sensações correspondem ao que pretendeste transmitir sonoramente?

Claro que sim. Esse é espectro de sensações que rodeiam todas as musicas. Acho que como todas as musicas são muito pessoais e emotivas é fácil cada pessoa identificar-se.

 

Confesso que o que mais me agradou na audição do álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, conferindo à sonoridade geral de Penelope uma sensação, quanto a mim, também experimental. Consideras-te uma artista rígida que não dispensa os sintetizadores em nenhum momento, ou existe abertura para ires modelando as tuas ideias à medida que o barro se vai moldando?

Acho que tudo o que faço é bastante intuitivo, nada forçado, nada rígido. Gosto da simplicidade, e acho que é uma característica bem demarcada em todas as musicas.

 

Além de ter apreciado a riqueza instrumental, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?

Normalmente as melodias surgem de imagens que tenho, inspiradas nas minhas vivências. As minhas musicas são um aglomerado de metáforas imagéticas e literárias.

 

Adoro a canção Origami Boy. A Ana tem um tema preferido em Penelope?

Não consigo ter um tema favorito, há alturas em que gosto mais de uma música do que das outras. Mas não consigo escolher um tema como favorito.

 

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantares em inglês e a opção será para se manter?

Acho que a música que faço se expressa melhor em inglês. Penso que para escrever e cantar em português é preciso ser se muito bom a fazê-lo, e acho que não tenho essa capacidade, ou pelo menos não gosto tanto de cantar as coisas que escrevo em português como gosto das que escrevo em inglês. É uma opção para se manter, sem duvida.

 

O que te move é a amálgama de géneros e estilos que Penelope plasma, feita com uma sonoridade rica a nível da instrumentalização dominada pela eletrónica, com a primazia do sintético em relação ao orgânico, ou pretendes debruçar-te sobre uma vertente sonora diferente? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico de Sequin?

Não sei bem o que farei daqui para a frente. Já estou a compor musicas novas desde o início deste ano e posso dizer que continuam numa linha parecida, se bem que quero ter espaço para poder criar o que quiser, e daí o facto das musicas do Penelope serem pouco homogeneas em termos sonoros e estilísticos.

 

Quais são as três bandas atuais que mais admiras?

De momento estou muito apaixonada por 3 artistas individuais: Jessy Lanza, Kelela e Todd Terje. 


autor stipe07 às 22:58
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Terça-feira, 20 de Maio de 2014

Coves – Soft Friday

Formados pela dupla Beck Wood, a vocalista e John Ridgard, o guitarrista, os britânicos Coves são uma das novas sensações do cenário indie de terras de Sua Majestade, devido a Soft Friday, o disco de estreia, editado no passado dia trinta e um de março por intermédio da Nettwerk Music Group.

No início dos ano noventa a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e os Coves parecem apostados em tentar uma simbiose sonora que tenha uma forte componente nostálgica e que agregue ruídos, tiques e melodias de várias décadas. Da música pop dos anos sessenta e oitenta e do rock lo fi da década de noventa, passando pelo experimentalismo pop da primeira década do novo século, tudo funciona como um grande pano de fundo do trabalho dos Coves.

Soft Friday está impecavelmente produzido e envolto numa aúrea de mistério muito sedutora, através da feliz mistura entre guitarras e sintetizadores, que têm na componente melódica, eminentemente romântica e introspetiva, uma correspondência clara com letras sombrias e pouco otimistas, com a própria voz de Beck a acentuar todo este cenário algo sofrido.

A dupla personalidade também é característica do projeto, inscrita num estado sentimental indeciso, ora leve, ora devastado e bastante evidente, nomeadamente quando misturam o som sessentista com a dream pop da atualidade e o som progressivo algo que, por exemplo, Beatings claramente demonstra ao congregar inicialmente uma vasta riqueza instrumental com a produção retro e alguns arranjos tipicamente folk e depois, na reta final, ao deixar a distorção das guitarras tomar conta da canção.

O reforço desta abordagem heterogénea também se sente em Wake Up, canção assente numa eletrónica de cariz eminentemente rock, muitas vezes misturada com detalhes caraterísticos da pop, ou seja, feita com sons sintetizados, ressuscitados muitas vezes nos anos oitenta ou no trip-hop da década seguinte, misturados com guitarras com um apreciável nível de distorção e batidas e elementos da percussão que dão um certo travo obscuro ao clima geral.

O ponto alto do álbum chega com Cast A Shadow, uma bela melodia, com arranjos que dão à canção uma densidade particularmente rica e detalhada e, no fim, ficamos com a sensação que escutámos uma banda que tem uma capacidade impar para nos afundar num colchão de sons que satirizam a eletrónica retro e, simultaneamente, mostrar-nos algumas pistas em relação ao futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...  

Coves - Soft Friday

01. Fall Out Of Love
02. Honeybee
03. Beatings
04. Last Desire
05. Let The Sun Go
06. No Ladder
07. Cast A Shadow
08. Fool For You
09. Bad Kick To The Heart
10. Wake Up

 


autor stipe07 às 21:56
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Terça-feira, 6 de Maio de 2014

Los Waves - Darling

Os Los Waves são uma dupla formada por José Tornada e Jorge da Fonseca e que tem dado nas vistas devido à sonoridade única e até algo inovadora, tendo em conta o panorama musical nacional. Começaram a carreira em Londres, em 2011, onde deram os primeiros concertos em salas icónicas como o Old Blue Last, Cargo e Camden Barfly e nesse mesmo ano, lançaram os primeiros EP’s, Golden Maps e How Do I Know, que deram logo que falar na imprensa, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. Rapidamente atravessaram o Oceano Atlântico para os EUA onde conseguiram colocar músicas em vários canais de televisão, nomeadamente a a MTV, FOX, AXN e CBS, com destaque para a participação em bandas sonoras de séries como Gossip Girl (com Strange Kind Of Love, uma música até hoje nunca editada), Jersey Shore (com a música Golden Maps) ou Mentes Criminosas (com a música Got A Feeling).

Apresentaram-se por cá em 2012 sob o nome League e rapidamente ganharam notoriedade, marcando presença em alguns festivais importantes no panorama nacional, como o EDP Paredes de Coura e o Milhões de Festa. Ainda em 2012, o EP Golden Maps é lançado em edição física no Japão pela Rimeout Recordings e, no ano seguinte, chegou aos escaparates Got A Feeling, um EP com três canções envolvidas por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial.

Agora, em 2014, chegou finalmente a altura de editar um longa duração e Darling é o primeiro single de estreia do álbum This Is Los Waves So What, um registo que tem data de lançamento prevista para Setembro, via Sony Music Portugal. Já agora, o No Budget Video desta música é, segundo a banda, uma afirmação contra a imposição do poder económico como ferramenta obrigatória de afirmação no mercado musical. Confere...


autor stipe07 às 16:39
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2014

Thievery Corporation – Saudade

Lançado no passado dia um de abril por intermédio da própria etiqueta da banda, a ESL Music Label, Saudade é o novo álbum dos Thievery Corporation, o sétimo registo de originais da carreira desta dupla formada por Eric Hilton e Rob Garza. Saudade está disponível para audição no soundcloud dos Thievery Corporation, um dos projetos essenciais do cenário da eletróinica e da dance music contemporânea e que, em Saudade, resolve prestar um tributo à música brasileira, uma influência que foi sempre bastante explícita no percurso musical dos Thievery Corporation.

É comum dizer-se que Saudade é uma palavra exclusiva da língua portuguesa e que não tem tradução em nenhuma outra. E esta palavra, assim como o sentido que nós lhe damos, foi a inspiração para o título deste disco, como explicam os próprios Thievery Corporation, (Saudade borrows its title from a Portuguese word meaning a longing for something or someone that is lost, a contented melancholy, or, simply, the presence of absence).

Saudade impressiona, desde logo, pelo alargado espetro de convidados, que ultrapassam a dezena. Assim, durante o disco podemos deliciar-nos com cinco extraordinárias vozes femininas (LouLou Ghelichkhani, Elin Melgarejo, Karina Zeviani das Nouvelle Vague, Natalia Clavier do projeto Argentine e Shana Halligan dos Bitter:Sweet) e, nos instrumentos, com Michael Lowery, baterista dos U.N.K.L.E,  Federico Aubele, também dos Argentine e o percussionista brasileiro Roberto Santos, entre outros.

Com uma míriade de influências que vão dos clássicos brasileiros Antonio Carlos Jobim, Gal Costa e Luis Bonfá, aos europeus Serge Gainsbourg, e Ennio Morricone, Saudade também tem uma forte componente típica do samba eletro, do qual, por exemplo, Isabelle Antena é hoje um dos nomes mais consensuais.

Não é preciso ser um exímio conhecedor dos universo sonoro abarcado por toda esta amálgama de influências e convidados especiais para adivinhar, prreviamente, que Saudade fará, no seu conteúdo sonoro, uma súmula entre a banda sonora de um dia solarengo na praia de Ipanema com o típico ambiente sonoro que ilustra a Riviera Francesa na época alta. A Europa mediterrânica e o atlântico um pouco a sul do Equador dão as mãos neste disco onde o jazz e a bossa nova dizem olá ao samba e todos juntos, de mãos dadas com a eletrónica, apresentam um verdadeiro festim sonoro para os nossos ouvidos sempre sedentos de paisagens sonoras relaxantes e elegantes.

Saudade sabe à banda sonora de um filme europeu francês ou italiano, onde um gigolo ou um sobredotado da cosa nostra dão o golpe e resolvem refugiar-se algures, no Rio, rodeados dos melhores prazeres que esta vida tem para oferecer. A dupla Eric Hilton e Rob Garza teve certamente em mente esta imagem  elegante que povoou tantas vezes o imaginário a preto e branco de quem, do lado de cá do atlântico, olha tantas vezes para os trópicos como o éden só ao alcance dos predestinados e dos espertos.

Ter musas lindas, elegantes e tão femininas e com vozes tão sensuais como as de Shana Halligan, Lou Lou Gleichkhani, Karina Zeviani, Elin Melgarejo e Natalia Clavier a cantar em Saudade, só ajuda a aguçar ainda mais o nosso imaginário relativamente ao universo sedutor e enigmático que os Thievery Corporation criaram em Saudade, um disco cantado em cinco línguas que falam do amor e da tal saudade, em cima de instrumentais luxuriantes dominados pelas cordas, por uma percurssão vibrante e por arranjos sintetizados que tanto nos colocam na loja mais in de Nice como a comer um sorvete nos areais de Ipanema.

Cada canção deste disco é um tratado sobre como se deve conjugar as cordas de uma viola, com a melhor percurssão brasileira; Das mais climáticas Nós Dois e a instrumental canção homónima, passando pelo samba genuíno de Para Sempre e pelas preguiçosas Claridad e Meu Nêgo, até à hipnotizante e sedutora Sola in La Cittá, ou o português ingenúo e quase genuíno de Quem Me Leva, Saudade é um sonho lounge, simultaneamente eletrónico e orgânico, que alimenta um verdadeiro manancial de referências nostálgicas. A própria capa do disco parece ter sido feita dos anos sessenta, tal é a psicadelia melancólica que ela suscita.

Já não restam dúvidas que Garza e Hilton apreciam imenso a música brasileira, num disco onde, de acordo com os próprios, os Thievery Corporation dão vida à vocalização melancólica, quente e cheia de alma que faz parte da essência da bossa nova e completam um círculo onde, depois de deambularem pela música eletrónica, viajaram para algo mais orgânico e construiram um túnel do tempo musical, antes de passarem ao próximo capítulo. Espero que aprecies a sugestão...

Thievery Corporation - Saudade

01. Décollage (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
02. Meu Négo (Feat. Karina Zaviani)
03. Quem Me Leva (Feat. Elin Melgarejo)
04. Firelight (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
05. Sola In Citta (Feat. Elin Melgarejo)
06. No More Disguise (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
07. Saudade
08. Claridad (Feat. Natalia Clavier)
09. Nós Dois (Feat. Karina Zaviani)
10. Le Coeur (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
11. Para Sempre (Feat. Elin Melgarejo)
12. Bateau Rouge (Feat. Lou Lou Ghelichkhani)
13. Depth Of My Soul (Feat. Shana Halligan)

 


autor stipe07 às 18:40
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Sábado, 3 de Maio de 2014

Glass Animals - Glass Animals EP

Lançado no passado dia dezasseis de Abril, Glass Animals é o EP homónimo dos norte americanos Glass Animals de Dave Bayley, uma coleção de quatro canções que antecipa o disco de estreia da banda, um trabalho chamado Zaba e que chegará às lojas já a nove de junho.

A Wolf Tone é a nova editora de Paul Epworth, um produtor responsável por alguns dos mais importantes lançamentos discográficos da pop britânica dos últimos anos (Adele, Bloc Party, Florence & TheMachine) e já se rendeu aos encantos dos Glass Animals, sem dúvida, um dos projetos mais interessantes e inovadores que ouvi ultimamente.

Com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno, Psylla é o grande destaque deste EP, uma canção com uma atmosfera dançante, mas também muito introspetiva e sedutora. Nela encaixam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante.

Mas os outros três temas de Glass Animals também merecem uma audição atenta; Há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade de Black Mambo e Exxus, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop.

Encerra o EP Woozy, um tema que conta com a participação especial de Jean Deux. e que, algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, contém traços distintivos do R&B, explícitos na prestação vocal da convidada.

Sem grandes alaridos ou aspirações, Glass Animals são pouco mais de quinze minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que antecipa aquele que poderá vir a ser um dos grandes discos do início deste verão e que será certamente divulgado por cá. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - Glass Animals

01. Psylla

02. Black Mambo
03. Exxus
04. Woozy (Feat. Jean Deaux)

 

 


autor stipe07 às 21:46
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Terça-feira, 29 de Abril de 2014

AUTOMAT - AUTOMAT

Uma pesquisa rápida pela internet mostra-nos que Automat foi um álbum de música eletrónica instrumental, cuja autoria e produção foi de dois músicos italianos, chamados Romano Musumarra e Claudio Gizzi. Esse disco foi gravado entre novembro e dezembro de 1977 e lançado no ano seguinte, pela EMI italiana e sob o selo da Harvest Records. Essa pesquisa mostra-nos também que os temas de Automat foram executados com o MCS70, um sintetizador analógico monofónico, desenhado, construído e programado pelo engenheiro italiano Mario Maggi e que Luciano Toroni foi o engenheiro de som  do disco.

A análise ao álbum Automat que partilho com os leitores do meu blogue não se refere a este disco que, pelos vistos, foi um marco do cenário eletrónico que começava a florescer na década de setenta, mas antes de um trabalho editado no início de abril último, por um trio alemão com o mesmo nome. No entanto, aludi a esse disco feito na Itália há quase quarenta anos porque parece-me óbvio que Arbeit, Färber e Zeitblom, os Automat alemães, terão ouvido já esse disco e que o mesmo fará parte do cardápio sonoro que influenciou este trabalho.

Oriundos de Berlim, os Automat começaram este projeto em 2011 mas, só agora, três anos depois, chegou o disco de estreia, um homónimo lançado através da Bureau B e que conta com as colaborações especiais de Lydia Lunch, Genesis Breyer P-Orridge & Blixa Bargeld, nas vozes.

Começar a ouvir AUTOMAT é abraçar uma forte predisposição para encetar uma viagem única e de algum modo hipnótica por um universo sonoro que agrada profundamente a este trio e que é, certamente, dominado pela eletrónica. Ficamos, de certa forma, positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio eminentemente sintético, mas que não deixa de piscar o olho a alguns detalhes mais orgânicos.

Uma aparente ambivalência, mas que neste disco e neste trio soa como um todo complexo, mas coerente, fica logo patente em THF, o instrumental de abertura, quando um baixo encorpado e uma batida marcada e hipnótica se aliam a um conjunto de ritmos e sons que borbulham ao longo da canção e a pontuam, como se Berlim quisesse fugir da aparente rigidez maquinal que a batida pode suscitar, para procurar nos trópicos, um local caliente e soalheiro que a presença das congas ajuda a sobressair.

SXF já aponta numa outra direção, onde domina um teor ambiental denso e complexo, com um resultado atmosférico, mas que não deixa a canção cair numa perigosa letargia, já que há aqui sinais bem audíveis que apontam baterias também à punk dance. The Streets, Mount Tamalpais e AM Schlachtense mantêm esta embalagem feita com sintetizadores, num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido e que cria uma atmosfera sombria e visceral, mas agora com o aliciante das vozes engrandecerem o clima dos temas, que procura, a miúde, encostar-se um pouco ao reggae.

AUTOMAT é, em suma, a soma de várias partes, num disco com ecos bem audíveis de post punksynthpop e dance punk dos anos oitenta. A produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e que, de algum modo, ajuda a colocar de novo a dança de música da famosa escola alemã na linha da frente das referências fundamentais no género. Espero que aprecies a sugestão...

THF

SXF

THE STREETS (feat. Lydia Lunch)

MOUNT TAMALPAIS (feat. genesis breyer p-orridge)

TXF

AM SCHLACHTENSEE

GWW

 

 


autor stipe07 às 21:40
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