Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Nick Nicely - Space Of A Second

Lançado no passado dia vinte e nove de setembro, através da Lo Recordings, Space Of Sound é o novo compêndio sonoro de Nick Nicely, uma verdadeira caldeirada de pop psicadélica concebida por um músico e produtor que é já um nome lendário da eletrónica britânica, desde que se estreou no início dos anos oitenta com DCT Dreams, um single que, de Neu aos Kraftwerk, olhava já nessa altura e com acerto para o período mais psicotrópico dos Beatles e dos Pink Floyd, quando era Syd Barrett quem ditava as regras.

O primeiro disco chegou apenas em 2004 quando a Tenth Planet Records resolveu compilar uma série de singles que este músico tinha editado de 1978 até esse ano, tendo nascido assim Psychotropia. Com esse longa duração, Nick Nicely aitngiu um maior número de ouvintes e aquilo que era até então um segredo bem guardado da eletrónica de Terras de Sua Majestade, tornou-se num fenómeno à escala global. Não tardaram a surgir colaborações com nomes tão importantes como Ariel Pink ou John Maus e, como a sonoridade que o músico replica está na ordem do dia, tornava-se urgente ele mostrar a sua visão desta tendência atual na pop que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

Space of a Second são então catorze canções que, muitas vezes, são dificeis de serem catalogadas como canções com identidade própria e que obdecem ao habitual formato das mesmas, já que que parecem funcionar como um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, a habitual onda expressiva de Nick relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico feito de guitarras experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal e de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros.

A canção que melhor se aproxima do habitual formato e de uma sonoridade indie mais acessível é Longwaytothebeach, um tema que inicia com sons de passos na areia e que depois encontra os alicerces num baixo encorpado, numa bateria cheia de groove e numa guitarra que dispara riffs em várias direções. Mas quer nesta música, quer nas restantes, a voz de Nick aparece sempre num registo modificado sinteticamente e funciona, geralmente, como mais um agregado sonoro que amplia um certo barroquismo lo fi que exala dos temas, do que propriamente com a função explícita de dar vida e som a um poema com uma mensagem clara e entendivel. Se em HeadwindAheadwind parece que o produtor enlouqueceu de vez, Hilly Road é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Wrottersley Road subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. A referida revisão eufórica que parece orientar o trabalho de Nick atinge o auge quando Space Of A Second desperta-nos para os tais Pink Floyd imaginários e futuristas ao som da sequência London South e Raw Euphoria, e principalmente de Rrainbow, o tema que melhor revive uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há quarenta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação.

Uma das virtudes e encantos de Nick Nicely terá sido sempre essa capacidade de criar tratados sonoros algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre embebidos num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Space Of A Second segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico e coloca o autor no olho do furacão de uma encruzilhada sonora, ao fazer uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos. Este é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante, garanto-vos. Espero que aprecies a sugestão...

1. HeadwindAheadwind
2. Rosemarys Eyes
3. Space Of A Second
4. Wrottersley Road
5. Whirlpool
6. London South
7. Raw Euphoria
8. Change In Charmaine
9. Rrainbow
10. Longwaytothebeach
11. Lobster Dobbs
12. Hilly Fields Acoustic


autor stipe07 às 19:17
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Engineers - Always Returning

Formados atualmente pelo multi-instrumentista Mark Peters, o aclamado músico e produtor alemão Ulrich Schnauss e pelo baterista londrino e compositor Matthew Linley, os Engineers têm criado belíssimas texturas sonoras na última decada e são já um nome de referência no universo da eletrónica de cariz mais ambiental e experimental. Estrearam-se em 2005 com um homónimo que lhes apontou logo imensos holofotes e quatro anos depois, com Three Fact Fader atingiram um estatuto enorme que, no ano seguinte, em 2010, com In Praise Of More, solidificaram definitivamente essa visão, com um enorme grau de brilhantismo. Esse foi o ano em que Ulrich Schnauss juntou-se aos Engineers e Always Returning é o novo passo na carreira de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros.

Com o tema Fight or Flight disponibilizado pela editora Kscope para download gratuíto, Always Returning oscila entre temas puramente instrumentais e outros que não dispensam a presença da voz,  em dez canções que consolidam a maturidade de um grupo que sabe estabelecer entre os seus membros um diálogo feliz e profícuo, em busca do melhor contraste entre as diferentes referências sonoras que orientam o grupo, acabando por as sublimar com mestria e fazer com que se destaque a emoção com que a música criada pelos Engineers consegue transportar bonitos sentimentos.

Always Returning é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Da guitarra picada de Bless The Painter, que busca uma psicadelia que se lança sobre o avanço lento mas infatigável de um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, depois, em Searched for Answers e Smoke & Mirrors, parece que se deixou envolver por uma bolha de hélio passada a lustro pelo rock alternativo dos anos oitenta, ao eco sintetizado e incrivelmente épico de Fight Or Flight, o disco é um manancial de diferentes géneros sonoros e faz uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos.

O auge desta revisão eufórica acontece quando Always Returning desperta-nos para uns Pink Floyd imaginários e futuristas ao som de It Rings So True  e Smiling Back, uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há trinta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação. O próprio rock melódico mais barroco, ou a típica folk pop melancólica aparecem em temas como Drive Your Car ou Innsbruck, uma sequência impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com alguma devoção e faz-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início dos dois temas. A melancolia das duas canções é comandada por um som de guitarra, que aliado a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo aos temas e, no caso de Drive Your Car, a voz de Mark consegue trazer a oscilação necessária para transparecer uma elevada veia sentimental.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto e apesar das diferentes origens musicais, nenhum estilo domina claramente e o efeito é o de várias abordagens sonoras, igualmente magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativa, que permite a concordância e a discordância, por sua vez. Do rock clássico, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, este alinhamento impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Always Returning é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Bless the Painter
Fight or Flight (Download)
It Rings So True
Drive Your Car
Innsbruck
Searched for Answers
Smiling Back
A Million Voices
Smoke and Mirrors
Always Returning

 


autor stipe07 às 21:31
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Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Niagara – Don’t Take It Personally

Sedeados em Turim, os italianos Niagara são David Tomat e Gabriele Ottino, dois extraordinários músicos e produtores, que também já foram membros da mítica banda de rock italiana N.A.M.B., além do coletivo Gemini Excerpt. Já agora, Tomat grava ainda em nome próprio e Ottino mantém outro projeto, acompanhado por Milena Lovesick. Editado no passado dia nove de setembro através da Monotreme Records, Don't Take it Personally é o extraordinário novo disco deste projeto que se estreou em 2012 com o não menos eloquente Otto e que, à semelhança desse primeiro trabalho, mergulha a pop eletrónica com nuances sonoras que ganham vida em densas e pastosas águas turvas, devido ao elevado pendor psicadélico, num expressivo balanço entre uma faceta experimental e um lado mais groove e dançável, de algum modo evocando o bom e velho trip hop que surgiu no início dos anos noventa noutro ponto da Europa.

Don't Take It Personally parece querer falar-nos de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo, já que escuta-se como uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos Niagara para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. 

Como nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e percebe-se que a dupla sabe melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, este é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. Se o típico trip hop ácido e nebuloso conduz John Barrett , que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como por teclados e um subtil efeito de guitarra em Currybox, já em Vanillacola é o rock progessivo feito com guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo folk pintado com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Laes, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada e devido à forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que nos proporciona uma assombrosa sensação de conforto e nos oferece o melhor momento do disco. Já a voz robótica e o cruzamento de vários ruídos sintéticos espaciais que parecem sair de um sintetizador analógico monofónico em Speak And Spell e, mais adiante, em Else (feel like a eletric machine), conduz-nos numa viagem rumo ao universo da pop eletrónica com um cariz vincadamente ambiental, denso, complexo e futurista, que ganha um fôlego ainda mais intenso em Popeye e China Eclipse, uma canção dividida em duas. Essa mesma voz aparece apenas na última e fica carregada de poeira e eco, adornada por subtis efeitos e ruídos etéreos e melancólicos que colocam-nos na rota certa de um álbum que impressiona pela tal atmosfera densa e pastosa, mas claramente libertadora e esotérica.

Em Don't Take It Personally, a produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo, num disco que é muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor e estes Niagara irão certamente e muito em breve, assumir justamente uma posição de relevo no espetro sonoro em que se inserem. Espero que aprecies a sugestão...

Niagara - Don't Take It Personally

01. John Barrett
02. Fat Kaoss
03. Vanillacola
04. Speak And Spell
05. Laes
06. Currybox
07. Popeye
08. China Eclipse
09. Else
10. Bloom


autor stipe07 às 21:28
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Thom Yorke – Tomorrow’s Modern Boxes

Vocalista da banda que ocupa o trono do indie rock alternativo há quase duas décadas e um dos criativos musicais fundamentais da história da música contemporânea, Thom Yorke está claramente apostado em deixar uma marca indelével na história da música e não apenas e só por causa do conteúdo do seu cardápio sonoro, mas também na forma inovadora como pretende revelar e disponibilizar o mesmo. Crítico assumido sobre a forma como a indústria fonográfica tem assumido as rédeas da distribuição, Yorke disponibilizou no passado dia vinte e seis de setembro Tomorrow's Modern Boxes, o seu segundo disco a solo, para download digital e também em vinil na página oficial, experimentando uma nova forma de edição e distribuição, através da tecnologia BitTorrent, criada por uma empresa norte-americana e que permite a cada consumidor partilhar e gerir ficheiros sem intermediários.

Num comunicado que assina com Nigel Godrich, o produtor do disco e divulgado no dia do lançamento, ambos explicavam que Tomorrow’s Modern Boxes é uma experiência e que, se correr bem, poderá ser o caminho para que os criadores artísticos voltem a ter controlo sobre o comércio na Internet. Seja como for, e independemente do sucesso desta nova abordagem comercial, importa é, desde já, debruçarmo-nos sobre aquilo que realmente importa, o conteúdo deste registo de um músico que promete, como já referi, deixar uma marca indelével na história da música, particularmente a eletrónica.

Uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante e elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um baixo sintético com um volume crescente, quase sempre livres de constrangimentos estéticos e que nos provocam um saudável torpor, são já a imagem de marca da música de Thom Yorke, alguém que parece decididamente apostado em compôr música principalmente para si e, de forma subtil, criar um ambiente muito próprio e único através da forma como o sustenta instrumentalmente, ao privilegiar uma abordagem eminentemente sintética. Os oito temas do alinhamento de Tomorrow's Modern Boxes vivem, portanto, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral. É deste cruzamento espetral e meditativo que o disco vive, um registo que espelha a elevada maturidade do autor e espelha a natural propensão do mesmo para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe, muitas vezes de forma bastante implícita e quase inaudível o baixo e a bateria.

Analisar a música de Thom Yorke e não falar da sua voz é desprezar um elemento fulcral da sua criação artística; Ela é também em Tomorrow's Modern Boxes um fio condutor das canções, seja através do habitual falsete, amiúde manipulado em A Brain In A Bottle, o tema onde essa forma de cantar é mais explícita,ou através de um registo sussurrante, ou ainda de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais. E este último registo ganha contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste disco quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb em temas como Truth Ray ou There Is No Ice (For My Drink) e transforma-se numa das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Yorke está ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. Curiosamente, o piano costuma ser um fiel companheiro do músico e um instrumento que se alia com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge destacado em Pink Section, por sinal um tema onde o protagonismo da voz é ínfimo.

Tomorrow's Modern Boxes é de um subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Thom Yorke.

Nigel Goodrich já tinha produzido The Eraser, o primeiro registo a solo de Yorke e também foi ele que OkComputorizou os Radiohead, pelo que este novo manifesto de eletrónica experimental é também certamente responsabilidade sua, assim como a opção pela ausência total das guitarras e pela primazia do trabalho de computador, da construção de samples, no fundo, da incubação de uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual.

Mais apontado para satisfazer o seu umbigo do que propriamente saciar a fome de excelência de quem o venera e exulta a cada suspiro ruidoso que o autor exala, Tomorrow's Modern Boxes é um despertar maquinal, onde a pureza da voz contrasta com a agressividade de uma modernidade plasmada em letras que mostram o mesmo Thom Yorke de sempre, irreverente, meio perdido, entre o compreensível e o mundo dele, estando, no meio, a sua luta constante com a sociedade e a sua vertente intervencionista politica, ambiental e social. Espero que aprecies a sugestão... 

Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes

01. A Brain In A Bottle
02. Guess Again!
03. Interference
04. The Mother Lode
05. Truth Ray
06. There Is No Ice (For My Drink)
07. Pink Section
08. Nose Grows Some


autor stipe07 às 22:46
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Peace - Lost On Me

Peace - Lost On Me

Oriundo de Birmingham, o quarteto inglês Peace continua a revelar novos detalhes do seu segundo disco de originais. Lost On Me é o novo single retirado do álbum e já tem direito a vídeo oficial, por sinal bastante engraçado e criativo. Nele, a banda fica presa num loop infinito de passos de dança que os levam a arriscar as suas vidas e, ao que parece, a morrer ao final. Confere...


autor stipe07 às 13:17
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Sábado, 27 de Setembro de 2014

Perfume Genius - Too Bright

Editado no passado dia vinte e três de setembro por intermédio da Matador Records, Too Bright é o novo álbum de Perfume Genius, aka Mike Hadreas, um músico natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos nomes mais excitantes do cenário alternativo. Dois anos depois, Put Your Back N 2 It ofereceu-nos momentos sonoros soturnos e abertamente sofridos e agora, em Too Bright, Hadreas amplia as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam  connosco com elevada empatia.

Gravado com Adrian Utley dos Portishead e com a participação especial de John Parish em vários temas, Too Bright é um disco inteiramente dominado por uma voz que se faz acompanhar de um ilustre piano, enquanto relata eventos de uma vida com alguns detalhes que nem sempre são particularmente agradáveis. Mike teve grandes dificuldades em lidar com a homofobia que sempre sentiu em redor devido à sua condição sexual e ao processo de recuperação que teve de encetar devido a uma dependência do álcool e das drogas, algo que a atmosfera lo-fi dos seus álbuns ilustra como uma necessidade confessional de resolução e redenção. Como o próprio Hadreas, os seus discos são delicados, emocionantes, e inerentemente tristes.

Too Bright não é uma inflexão radical em relação à toada dos trabalhos anteriores, mas há aqui algo mais intenso, também por causa das suas mudanças na vida pessoal e que, ao escutarmos a sua música, sentimos enorme curiosidade em conhecer. A forma contundente como Mike abre-nos o seu coração, impele-nos ao desejo de conhecer melhor o homem por detrás do piano e dos sintetizadores, os dois grandes pilares instrumentais de Too Bright e que, no caso dos últimos, alargaram exponencialmente o leque de possibilidades melódicas e de tomada de decisões ao nível dos arranjos.

Sendo então um artista que já confessou que não consegue fazer música se ela não falar sobre si próprio e que aproveitou, ainda, para referir que continua a guardar muitos segredos dentro de si, em Too Bright os timbres distorcidos de Queen, a dinâmica melosa e emotiva de Fool e a pop vintage de Grid, são exemplos nítidos sobre a forma como Mike criou neste trabalho, através de um aparato tecnológico mais amplo, caminhos de expressão musical inéditos na sua discografia e, simultaneamente, novas formas de se revelar a quem quiser conhecer a sua personalidade.

Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial para a mente criativa do músico, tendo em conta as especificidades da sua realidade que já referi, apenas genericamente. A voz grave e algo enraivecida e ferida que se escuta em I'm A Mother e que se distorce ainda mais em My Body, à medida que a componente instrumental sintética cria, nesta última, um ambiente sinistro e nos suga para o interior do âmago de Hadreas, provoca em nós um sentimento de repulsa, porque sentimos vontade de lutar contra essa evidência mas, por outro lado, causa uma atração intensa, como se não quisessemos deixar tão cedo de escutar este momento de verdadeiro delírio.

Perfume Genius é, como vemos, mestre na forma como utiliza a dor para transformar a sua intimidade em algo universal e na maneira como aborda de forma inédita as relações e a fragilidade humana. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada por ele na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída.

Too Bright faz justiça ao nome porque traz-nos luz... Não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas o contacto e a tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. É uma luz suplicante, que luta contra os nossos desejos, ou que quer apenas ser a materialização deles, emanada de um disco sombrio e, por isso, muito forte, enquanto plasma uma nova faceta do percurso discográfico do autor. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - Too Bright

01. I Decline
02. Queen
03. Fool
04. No Good
05. My Body
06. Don’t Let Them In
07. Grid
08. Longpig
09. I’m A Mother
10. Too Bright
11. All Along

 


autor stipe07 às 13:59
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Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Alt-J (∆) – This Is All Yours

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, está de regresso aos lançamentos com This Is All Yours, através da Infectious, um álbum que, além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a eleva para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

As treze canções de An Awesome Wave encaixavam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito; Eram canções que nos faziam descobrir a sua complexidade à medida que se escutava o alinhamento de forma viciante. A atmosfera dançante de Brezeblocks e de Fitzpleasure, misturava-se com músicas mais calmas e relaxantes como Something Good e Taro e, na verdade, talvez ainda estejamos todos demasiado conetados com essa doce recordação para aceitarmos com facilidade a nova vida deste (agora) trio que aposta num som mais esculpido e complexo, algo que nos obriga a um exercício maior na primeira percepção das novas composições, mas que eu recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

Mais uma vez, os Alt-J (∆) têm como base insturmental o uso de sintetizadores e continuam a ser exímios na replicação de harmonias vocais belíssimas, mantendo-se aquela impressão de que as canções nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente. Mas, o grande motivo de verdadeira celebração relativamente ao conteúdo do sempre difícil segundo disco deste projeto de Leeds, certamente um dos mais excitantes do cenário indie atual, é a forma particularmente viva e espontânea com que celebram os ideais de charme e delicadeza; Eles ficam explícitos durante a viagem que o alinhamento de This Is All Yours nos permite fazer entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, uma epopeia de treze canções onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de ofrma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual.

Ao longo deste álbum abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Escuta-se a forte comoção latente de Hunger Of The Pine, o punk blues enérgico e libertário de Left Hand Free, o momento de maior excelência deste disco, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a The Gospel of John Hurt e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar na sequência final feita com Bloodfood Pt. II Leaving Nara, para se conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que o grupo foi convocar a esses dois universos sonoros que o rodeia e com os quais se identifica, com um elevado índice de maturidade e firmeza, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam nesta relação simbiótica, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras.

Se An Awesome Wave tinha momentos que, como já referi, convidavam ao abanar de ancas explícito e propositado, este sucessor impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno, mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Além do já referido sintetizador, uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instrumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Ao confrontar-se com a saída de Gwil, para muitos o líder do projeto, o trio que manteve o barco à tona teve de arregaçar as mangas e, talvez liberto de uma certa formatação criativa bem balizada que esse músico impunha, dedicar-se de forma mais democrática à expansão do seu cardápio sonoro, com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas bem sucedida, feita de imensos detalhes e uma elevada subtileza.

Em equipa que ganha às vezes também se mexe e o som complexo e profundo dos Alt-J (∆) resistiu com solidez e de modo exemplar à mudança, já que This Is All Yours comprova que um dos predicados que poderemos, pelos vistos, esperar sempre deste coletivo britânico prende-se com a capacidade que tem em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico que apresenta. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Alt-J (∆) e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - This Is All Yours

01. Intro
02. Arrival In Nara
03. Nara
04. Every Other Freckle
05. Left Hand Free
06. Garden Of England
07. Choice Kingdom
08. Hunger Of The Pine
09. Warm Foothills
10. The Gospel Of John Hurt
11. Pusher
12. Bloodflood Pt. II
13. Leaving Nara


autor stipe07 às 21:33
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Starwalker – Losers Can Win EP

Editado já a dezoito de março via Prototyp Recording & Bang ehf e disponivel para escutaLosers Can Win é o nome do EP de estreia dos Starwalker, uma dupla maravilha que junta dois ícones da pop dos nossos dias, nada mais nada menos que Jean-Benoit Dunckel (Air) e o compositor islandês Bardi Johannsson (Bang Gang, Lady & Bird).


Quando os Air vivem um hiato, Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome era inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica e onde ele deu as mãos à lindíssima Lou Hayter, dando origem a uma dupla cheia de charme e de onde só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que foi apresentado nas onze canções do homónimo de estreia desse projeto.

Agora, em Losers Can Win, predominam as reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, com a eletrónica muito presente, essencialmente na versão mais calma, melódica e clássica, sendo Bad Weather um tema fortemente apelativo para quem aprecia o período mais recente da carreira dos Air e as cordas luxuriantes do tema homónimo, uma porta de entrada privilegiada para quem sente saudades do período inicial aúreo da dupla francesa. 

As cinco canções deste EP são construídas de forma particularmente inspirada no modo como unem a orgânica vocal de Dunckel com uma sintetização que, carregada de efeitos de piano, metais, bateria e outros elementos sonoros nem sempre claramente percetíveis e que funiconam como simples mas preciosos detalhes na manta sonora apresentada, facilmente nos tiram do chão em direção ao espaço. É uma música espacial e inventiva, equilibrada com a rigidez contemplativa kraftwerkiana,o pendor cinematográfico de um Brian Eno e a serenidade típica dos Air e mesmo que Dunckel tenha aqui deixado que Bardi fosse um parceiro ativo no processo de criação melódica, predomina muito do estilo eletrónico típico dos Air, com a bela voz de Dunckel a casar muito bem com as viagens climáticas e etéreas que a dupla compôs.

Seja quando, por exemplo em Losers Can Win, existe um apelo para o movimento new wave mais dançante, ou quando Moral Sex sobrevive com notável sobriedade à custa de lindíssimos efeitos plenos de influências bem vincadas do krautrock, Losers Can Win é uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Starwalker - Losers Can Win

01. Losers Can Win
02. Bad Weather
03. Moral Sex
04. Losers Can Win (All That You’ve Got)
05. Bad Weather (Bloodgroup Remix)


autor stipe07 às 22:43
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Sábado, 20 de Setembro de 2014

Millionyoung – Materia EP

Lançado com o selo da insuspeita Old Flame Records e disponível para audição no bandcamp da etiqueta, Materia é o novo EP de Millionyoung, o projeto musical de Mike Diaz, um músico e produtor norte americano, natural de Miami, na Flórida e que contou, como é habitual, com a ajuda preciosa de Kristof Ryan.

Nestas novas cinco canções do seu cardápio sonoro, Mike mantêm a busca pela simbiose entre a eletrónica de cariz mais ambiental e o R&B. É uma receita que, no caso deste autor, raramente dispensa linhas de baixo com uma toada funk e sintetizadores retro, dois aspetos claramente audíveis, por exemplo, em VII, o momento instrumental por excelência do EP. A estes detalhes junta-se uma voz que pode ser manipulada com efeitos, geralmente em eco e reverb e obtem-se um resultado final repleto com o charme inconfundível e urbano que plasma o que de melhor se vai propondo atualmente no universo da chillwave.

O que Materia tem e facilmente nos fascina é, tendo em conta o universo sonoro descrito, uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo o single homónimo, poderão facilmente fazer-nos abanar a anca sem percebermos muito bem como e porquê, devido aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhado por um sintetizador delicioso. Mas também destaco Tell Me, uma música que me levou até aos Memory Tapes e o album Seek Magic (2009), uma intrincada composição e que, no meio do EP, funciona como uma espécie de catarse sónica claramente agregadora do seu conteúdo e onde tudo o o que atrai e influencia Millionyoung é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto..

É, pois, muito agradável ouvir o EP na íntegra, até porque a transição entre os temas muitas vezes mal se percebe, já que é tudo muito melódico e bem estruturado. Mais do que para cantar ou dançar, Materia é uma coleção de canções perfeita para relaxar e descontrair, além de provar que a chillwave está longe de ser um género musical passageiro e secundário e que é um ótimo terreno para quem gosta de testar sonoridades e experimentações, sem recear ser apontado como uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

Millionyoung - Materia

01. Materia
02. Feeder Band
03. Tell Me
04. VII
05. Fade Away

 


autor stipe07 às 21:51
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Los Waves - Strange Kind Of Love

Depois do EP Got A Feeling, a dupla lusa Los Waves, formada por José Tornada e Jorge da Fonseca e que tem dado nas vistas devido à sonoridade única e até algo inovadora, tendo em conta o panorama musical nacional, está de regresso com um novo single intitulado Strange Kind Of Love, numa altura em que se preparam para lançar o tão aguardado primeiro longa duração This Is Los Waves So What? em Portugal, com distribuição pela Sony Music Portugal. Nos Estados Unidos e no Reino Unido a edição fica a cargo da Summer Filth Records.

Recordo que os Los Waves começaram a carreira em Londres, em 2011, onde deram os primeiros concertos em salas icónicas como o Old Blue Last, Cargo e Camden Barfly e nesse mesmo ano, lançaram os primeiros EP’s, Golden Maps e How Do I Know, que deram logo que falar na imprensa, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. Rapidamente atravessaram o Oceano Atlântico, onde conseguiram colocar músicas em vários canais de televisão, nomeadamente a a MTV, FOX, AXN e CBS, com destaque para a participação em bandas sonoras de séries como Gossip Girl (com Strange Kind Of Love, umamúsica até hoje nunca editada), Jersey Shore (com a música Golden Maps) ou Mentes Criminosas (com a música Got A Feeling).

Strange Kind Of Love tem a sonoridade eletrónica vintage típica das propostas anteriores dos Los Waves, com a particularidade de ser uma canção envolvidas por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial. É uma música que, de acordo com o press release do lançamento, fala daquele amor que faz o mundo girar, parte de uma história de amor não correspondido para nos falar de outros tipos de amor. O amor vem assim sob a forma de todas as coisas, da simplicidade que enche a alma de uma forma natural, como a luz que refracta no prisma, como os últimos raios de luz que enchem a íris numa tarde de verão, sob a influência e o calor das leis universais.

Festiva, melodiosa e solarenga, esta nova canção dos Los Waves é mais um exemplo sonoro que faz deste projeto, como já disse, algo único e distinto a nível nacional. Confere...


autor stipe07 às 16:54
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

The Radio Dept. – Death To Fascism

The Radio Dept. - "Death To Fascism"

Os suecos The Radio Dept. de Johan Duncanson, Martin Carlberg e Daniel Tjader já não davam notícias desde o extraordinário disco Clinging To A Scheme (2010), mas estão finalmente de regresso com Death To Fascism, uma nova canção que, obviamente, tem um teor marcadamente político, como é habitual suceder com este trio sueco. A canção é um verdadeiro tratado de dream pop eletrónica, embelezado por um delicioso piano sabiamente escolhido e onde se ouve repetidamente um sample vocal que diz Smrt fasizmu, sloboda narodu, uma expressão atribuída a um conhecido político da antiga Jugoslávia chamado Stjepan Filipović e que significa, Morte ao fascismo, liberdade para o povo. O tema foi disponibilizado gratuitamente pela Labrador Records. Confere...


autor stipe07 às 14:40
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Sinkane - Mean Love

Quase dois anos após o magnífico Mars, Sinkane está de regresso aos discos com Mean Love, o seu novo registo a solo, novamente com a chancela da insuspeita DFA Records de James Murphy. Extraordinário músico e compositor, oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão, Sinkane desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político e cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, onde, antes de iniciar a carreira a solo, tocou com nomes tão importantes do universo indie como os Of Montreal, Yeasayer, ou Caribou e, nesta última década, tem-se debruçado a fundo sobre aquilo que vai escutando e acontecendo musicalmente ao redor, num bairro musicalmente tão efervescente como é Brooklyn, tendo já abordado espetros sonoros tão divergentes como o post rock ou a música de cariz mais erudito, mas nunca renegando as suas raízes africanas, sendo esse, muitas vezes, o elo de ligação privilegiado entre os diferentes géneros que remexe e onde se posiciona.


Se a sonoridade de Mars apontava, acima de tudo, para a sua origem nos povos sudaneses e as suas raízes músicais africanas, em Mean Love Sinkane olha com outra profundidade para aquilo que mais o seduz na música norte-americana e em especial na soul. Com a permanente parceria com os nomes de peso acima citados e, mais recentemente, tendo sido incumbido da direção musical de Atomic Bomb, de Willian Onyeabor, Sinkane acabou por se especializar num espetro sonoro que diz muito ao país que o acolheu. Desse modo, Mean Love é uma bela homenagem à soul que o adotou, mas onde não falta o R&B ou a bossa nova, por exemplo, para enriquecer ainda mais um quadro sonoro magnífico, feito de dez canções que merecem a nossa mais completa devoção. Sejamos, ou não, verdadeiros apreciadores deste universo musical, devemos olhar para Mean Love como uma jóia rara, já que seste disco é um paraíso soul em todos os sentidos e isso deve-se à sua sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave.

Ouve-se Mean Love com alguma descontração e somos atravessados por uma certa homogeneidade sonora, como se o alinhamento fosse um todo constituido pela soma de várias partes que pouco diferem entre si. No entanto, da pop luminosa e assente num jogo entre o orgânico, audível na percurssão das palmas e o sintético fornecido pelo efeito do teclado sintetizado em How We Be, ao afrobeat de New Name, passando pelo funk de Yacha, o meu tema preferido do disco, a pop melancólica de Hold Tight e de Son, a bossa nova que sustenta Moonstruck, o reggae que alimenta Young Trouble, o jazz e o blues de Mean Love, o tema homónimo, ou a implícita toada folk de Galley Boys, que se torna mais festiva devido ao efeito de sopros em Omdurman, Mean Love é uma verdadeira passerelle de uma diversidade incrivel de traços e tiques, uma mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores.

Como sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras, conseguindo soar, em simultâneo e de forma inteligente, sofisticado e descontraído, havendo no ambiente criado pelas canções um certo humor e boa disposição, numa atmosfera típica de um afável e acolhedor dia de verão.

Em Mean Love, Sinkane deitou-se numa nuvem feita com a melhor pop atual e operou mais um milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade eminentemente introspetiva, mas que não deixa de ser alegre, floral e perfumada e fê-lo sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Mean Love é um belíssimo disco, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 

01. How We Be
02. New Name
03. Yacha
04. Young Trouble
05. Moonstruck
06. Mean Love
07. Hold Tight
08. Galley Boys
09. Son
10. Omdurman


autor stipe07 às 22:25
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Stars - Turn It Up

No One Is Lost é o novo disco dos Stars, um coletivo canadiano oriundo de Montreal, no estado do Quebeque e formado por Torquil Campbell, Evan Cranley, Patrick McGee, Amy Millan e Chris Seligman. que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo.

Turn It Up é um novo avanço divulgado do disco, uma canção com uma luminosidade muito intensa, potenciada pela presença de um coro infantil, algo que dá à canção aquele ambiente nostálgico que tantas vezes se apodera de nos nesta altura do ano em que as portas das escolas se abrem de novo.

Disponível para download gratuíto pela etiqueta dos Stars e com um cardápio instrumental bastante rico, mas onde impera a componente sintética, Turn It Up é uma das canções do momento de um trabalho que será certamente dissecado por cá, logo depois de ver a luz do dia, lá para catorze de outubro, por intermédio da ATO Records. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Bear In Heaven – Time Is Over One Day Old

Os Bear In Heaven, um grupo norte americano natural de Brooklyn, na big apple e encabeçado por Jon Philpot desde a sua fundação, em 2003, lançaram há pouco mais de dois anos I Love You, It’s Cool, o sucessor de Beast Rest Forth Mouth, um trabalho lançado em 2009. Este trio tem alcançado um distinto resultado, depois de uma série de experiências e um variado jogo de referências acumuladas, que se esperava ter sequência em Time Is Over One Day Old, o novo trabalho do grupo, editado no passado dia cinco de agosto, através da Dead Oceans.


Time Between, o primeiro avanço do álbum, plasmou logo as mais diversificadas escolas musicais formadas ao longo das últimas décadas, que têm inspirado os Bear In Heaven, numa canção com referências diretas ao movimento krautrock, doses imoderadas de psicadelia e um acerto com a música eletrônica que suporta toda uma estrutura melódica. E, na verdade, em Time Is Over One Day Old, este grupo continua a transpirar o género criado na década de sessenta e que composições estruturalmente similares como esse single, Autumn ou The Sun And The Moon And The Stars, ajudam a comprovar.

É interessante escutar este disco e, conhecendo o trabalho anterior do grupo, perceber que o cenário sonoro retratado não é propriamente genuíno, mas acaba por soar como sendo verdadeiramente próprio desta banda, que tem uma forma muito própria de combinar o rock psicadélico com elementos eletrónicos, de modo a crair algo simultaneamente épico e intenso. You Don't Need The World e They Dream são duas canções intensas, exposivas e que nos deixam na dúvida se poderão ser devidamente assimiladas quando escutadas num raro momento de lucidez ou como banda sonora de alguns dos nossos melhores sonhoe e devaneios.

Esse aparente incómodo sobre qual o melhor estado de espírito para a absorção devida do conteúdo de Time Is Over One Day Old, obtém-se precocemente já que, assim que carregamos no play, em poucos minutos, os teclados mágicos, as guitarras que se derretem e os versos fáceis prendem-nos a atenção e convidam-nos, sem retorno possível, para uma sucessão de experimentações complexas que nos vão surpreendendo, numa viagem a bordo de um krautrock psicadélico, particularmente lisérgico e até algo lunático. Basta escutar a guitarra da já citada The Sun And The Moon And The Stars, para se perceber que os Bear In Heaven têm a capacidade de nos levar com eles para lugares distantes e grandiosos, onde o som se propaga de forma crscente e onde também cabe a melancolia (Present Tense) e a sensualidade (If I Were To Lie), num cocktail contagiante, detalhado e complexo de um disco que carece de tempo e da tal predisposição adequada, para ser compreendido como um todo, já que revela também lentamente toda a sua natureza.

Time Is Over One Day Old é um disco ambientado no mesmo cenário do registo de estreia do grupo, uma sucessão de dez canções onde a psicadelia pretende hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Simultaneamente criativos e coerentes, os Bear In Heaven mostram-se particularmente experimentais na forma como deram vida a um trabalho tipicamente rock, onde persiste uma vincada relação entre o vintage e o contemporâneo, mas que será melhor compreendido no futuro próximo, à medida que for mais dissecado. Enquanto tal não sucede, resta-nos começar viajar e a delirar, quanto antes, ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão... 

Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

01. Autumn

02. Time Between
03. If I Were To Lie
04. They Dream
05. The Sun and The Moon And The Stars
06. Memory Heart
07. Demon
08. Way Off
09. Dissolve The Walls
10. You Don’t Need The World

 


autor stipe07 às 20:55
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Domingo, 24 de Agosto de 2014

Sin Cos Tan – Blown Away

Os Sin Cos Tan são um projeto comandado pela dupla Jori Hulkkonen, um importante músico e produtor do cenário eletrónico e Juho Paalosmaa, um músico que faz parte da dupla finlandesa Villa Nah. Os Sin Cos Tan tinham-se estreado em 2012 com um homónimo que foi muito bem aceite pela crítica e que fez incidir sobre eles o olhar da mesma e o sempre difícil segundo disco dos Sin Cos Tan chegou no ano seguinte, um trabalho chamado Afterlife e chamou-me a atenção devido à participação de Casey Spooner em Avant Garde, um dos temas do álbum, um músico que é a metade mais influente dos nova iorquinos Fischerspooner, uma das minhas bandas preferidas, ao qual se junta Warren Fischer. Agora, no passado dia um de agosto, a dupla regressou aos lançamentos com Blown Away, uma coleção de dez canções que viu a luz do dia por intermédio da Solina Records.

Quando dois nomes importantes e talentosos da música se juntam para algum projeto, o resultado geralmente costuma ser satisfatório. Em Blown Away os Sin Cos Tan vão de Brian Ferry aos Pet Shop Boys e os A-Ha e seguem a cartilha sonora na qual a dupla se especializou e que assenta numa eletrónica que navega por várias épocas e influências, mas que se concentra, essencialmente, na pop nórdica dos anos setenta e oitenta.

Os anos setenta e, principalmente, oitenta foram marcantes no mundo da música, assim como no universo cinematográfico. Todos os adultos de hoje cresceram naquele ambiente de euforia e recordam-no com saudade. Em Blown Away, os Sin Cos Tan não querem só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador, ao mesmo tempo. Realizado por Sakke Soini, o próprio vídeo de Love Sees No Colour, o single já retirado de Blown Away, é claramente inspirado nessa época.

As canções desta dupla nórdica prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás, ditam as regras no processo de criação melódica e de seleção dos arranjos. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, os Sin Cos Tan não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçar em sonhos por realizar também servem para dançar.

Blown Away navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em dez canções onde a eletrónica é um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. É uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

Sin Cos Tan - Blown Away

01. Divorcee
02. Love Sees No Colour
03. A New World
04. Colombia
05. Lifestyle
06. Traffic
07. Addiction
08. Cocaine
09. Blown Away
10. Heart Of America


autor stipe07 às 20:25
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Phoenix – Bankrupt! (Gesaffelstein Remix)

Phoenix remixes

A imagem de cima mostra a quantidade de remisturas de que já foi alvo o material de Bankrupt!, o novo trabalho dos Phoenix. A mais recente está disponível para download e é da autoria do produtor francês Gesaffelstein, que remisturou o tema homónimo do disco. Há quem considere que esta amostra é uma pista credível sobre a sonoridade do próximo disco dos Phoenix. Confere...


autor stipe07 às 11:21
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Childhood – Lacuna

Formado por Ben Romans Hopcraft, Leo Dobsen, Daniel Salamons e Jonny Williams e oriundo de Londres, o coletivo britânico Childhood acaba de se estrear nos discos com Lacuna, um trabalho produzido por Dan Carey e que viu a luz do dia por intermédio da Marathon Artists.

Childhood é um daqueles projetos que aposta numa veia sonora algo instável e experimental, uma espécie de eletropsicadelismo assente numa pop de cariz eletrónico que, neste caso, parece viver mergulhada num mundo controlado por sintetizadores, que criam melodias que passeiam pelo mundo dos sonhos. As próprias letras que os Childhood escrevem dançam nos nossos ouvidos e a voz de Leo, um dos destaques do projeto, cresce, música após música, num misto de euforia, subtileza e entrega.

De cariz eminentemente nostálgico, mas que não coloca de lado um ambiente bastante animado e festivo, Lacuna é um disco com o qual criamos facilmente empatia, já que desperta sensações apelativas, relacionadas com eventos passados que nos marcaram, despertando em nós aquelas referências pessoais que nunca nos deixam. Tendo em conta esta constatação fantástica e até literal, o disco poderá acabar por parecer a banda sonora de um conto infantil que poderia ser ilustrado pela mesma capa de cores exageradas e pelo traço pueril que guarda a rodela. No entanto, uma audição atenta mostra-nos que este passeio por um universo feito de exaltações melancólicas nada mais é do que um retrato sombrio, mas sonoramente épico e luminoso, do tantas vezes estranho quotidiano que sustenta a vida adulta. Em onze canções onde há um certo clima circense e uma evidente psicadelia pop que lida com as orquestrações lo fi, o amor, mas também a solidão ou o abandono, servem como assunto, estes últimos conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade.

Uma das ideias que mais me absorveu durante a audição dos Lacuna foi uma certamente consciente vontade dos Childhood em soarem genuínos e apresentarem algo de inovador; Em alguns instantes desta obra, como nos ruídos sintéticos de You Could Be Different, nos ritmos das roqueiras Sweet Preacher e When You Rise, a última fortemente progressiva e na melancolia de As I Am ou do single épico Falls Away, a banda faz algo inovador e diferente, e Tides e Solemn Skies ampliam esta quase obsessiva vontade dos Childhood em se afastarem das habituais referências que suportam o edifício comercial do universo sonoro indie, para flutuarem entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto e melodias ascendentes e alegres. Esta fórmula faz de Lacuna uma obra prima fortemente sentimental e capaz de abarcar um cardápio instrumental bastante diversificado, que prova que os Childhood entraram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, seja eletrónico ou acústico e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas.

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, através dessa fórmula acima descrita feita com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no tal eletropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise


autor stipe07 às 19:21
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Sinkane - New Name

Mean Love

Ahmed Gallab é Sinkane, um compositor oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão e que desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político. Cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, já tocou com os Of Montreal, Yeasayer, Caribou e lançou a vinte e três de outubro de 2012, por intermédio da DFA de James Murphy, Mars, um dos álbuns desse ano.

Dois anos depois, vai chegar no início de setembro aos escaparates o sucessor, também por intermédio da DFA nos Estados Unidos e da City Slang na Europa. O novo trabalho de Sinkane chama-se Mean Love e depois de Hold Tight,e How We Be, agora chegou a vez de podermos escutar New Name, mais um paraíso soul em todos os sentidos, uma canção com uma sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave. Como acontece sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras. Confere...


autor stipe07 às 13:53
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Landfork - Trust

A viver atualmente em Calgary, no Canadá, Jon Gant é Landfork, uma espécie de alter-ego de um músico que tem na chamada synth pop uma grande paixão. Por isso, a sonoridade do projeto assenta num forte predomínio da eletrónica e dos sintetizadores e conta com a ajuda de Derek Wilson, nas teclas, nas atuações ao vivo. Descobri-o quando editou em agosto de 2013 Nights At The Kashmir Burlesk, um trabalho que sucedeu a Tiománaí, o disco de estreia do projeto, editado em outubro de 2011. Agora, no passado dia oito de julho, Landfork está de regresso com Trust, o seu terceiro álbum, onde consegue, de novo, chamar a atenção dos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop há uns trinta anos atrás.

Com a pop sintetizada a servir de força motriz para a composição e com uma escrita bastante autobiográfica, Trust está carregado com elementos sonoros onde a herança de nomes como os Fischerspooner à cabeça e alguns ecos dos Joy Division e, naturalmente, dos New Order, são uma evidência, que se entende quando o próprio musico confessa que o disco começou a ser pensado depois de ter passado a ouvir música de dança no terraço de um hotel mexicano e, nesse instante, ter-se sentido invadido por uma avassaladora vontade de também compôr material sonoro para abanar a anca, mas que replicasse alguns dos traços identitários e melancólicos da música pop de cariz mais eletrónico. Dois dias depois dessa experiência curiosa, Landfork regressou ao Canadá, instalou-se durante duas semanas no The Banff Centre for the Arts e com um pequeno gravador portátil e alguns instrumentos começou a trabalhar no conteúdo de Trust.

Há excelentes momentos contemplativos e festivos em Trust e o disco vive um pouco da busca de equilibrio entre estes dois pólos previsivelmente opostos, com o núcleo duro do trabalho a ser um enorme oceano de sons e ecos que nos convidam à auto análise interior, mas que também não descuram a busca de sons de outras latitudes mais quentes. O processo de composição melódica acaba por se sustentar tendo os teclados como maiores protagonistas, em redor dos quais foram surgindo diferentes efeitos e arranjos, muitas vezes dominados por cordas e por uma percussão bastante inspirada.

Trust conta com as participações especiais de Jamie Fooks (Jane Vain and the Dark Matter, Shematomas) e de Ryan Sadler (Teledrome, Thee Thems) e está disponivel no bandcamp de Landfork, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:12
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Miracles Of Modern Science - Swipe (feat. Kristin Slipp)

Os Miracles Of Modern Science são Evan, Josh, Geoff, Kieran e Serge, um quinteto com raízes na Universidade de Princeton e oriundo de Brooklyn, Nova Iorque. Depois do EP MEEMS, editado em 2013, estão de regresso com uma nova canção chamada Swipe, gravada e misturada por Evan Younger, o líder da banda e masterizada por Joe Lambert. O artwork da canção é também da autoria de Evan Younger e conta com a participação especial de Kristin Slipp dos Cuddle Magic, na voz.

Swipe é uma canção cheia de cor e boa disposição, com uma limpeza purificadora que pole cada pormenor e, desta forma, retira o melhor de cada um dos instrumentos, com uma extrema sensibilidade pop. O single está disponível no bandcamp, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou de doares um valor pelo mesmo. Confere...


autor stipe07 às 14:10
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Alex Feder - Moments Of Silence

Alex Feder - "Moments Of Silence"

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Alex Feder, antigo elemento dos XYZ Affair, também poderia ser Leonard Friend, um seu outro alter-ego, mais eletrónico. No próximo outono ele vai regressar em nome próprio com um EP e Moments Of Silence é o primeiro tema divulgado desse trabalho.

Algures entre LCD Soundsystem e Foster The People, Moments of Silence, contém um forte apelo pop, num tema grandioso, onde há que destacar a presença destacada dos sintetizadores, mas com as guitarras a estarem também num plano de evidência. A canção foi disponibilizada para download gratuíto. Confere...


autor stipe07 às 18:54
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Cloud Boat – Model Of You

Naturais de Londres, os britânicos Cloud Boat são Sam Ricketts e Tom Clarke, uma dupla de indie pop que lançou no passado dia catorze de julho Model Of You, através da Apollo Records. Este novo álbum dos Cloud Boat sucede a Book Of Hours, o trabalho de estreia dos Cloud Boat.

Quando eram mais novos, Tom e Sam tocaram em bandas de metal e de post rock e só mais tarde, no meio universitário, descobriram a eletrónica e o gosto por esse género musical foi-se acentuando à medida que, juntos, começaram a compôr. Começaram por editar em 2010, e através da etiqueta R&S, Lions On The Beach, um single que causou impacto pela mistura entre o dubstep e a folk, algures entre os Burial e os Hood e no ano seguinte dedicaram-se às remisturas. Finalmente, em 2013, surgiu Book Of Hours, o primeiro longa duração e, devido ao sucesso desse lançamento, Model Of You era aguardado pela crítica especializada com alguma expetativa.

Um sintetizador cheio de loops e efeitos e uma voz com um registo grave, mas ardente, que procura dar alguma cor e alegria às letras depressivas e assim espalhar sensualidade e hipnotismo às canções, são alguns dos trunfos usados pelos Cloud Boat, manuseados com evidente inspiração e que originam um ambiente sonoro cheio de charme, onde também não faltam algumas variações e os efeitos metálicos, que incluem cordas e instrumentos de sopro. Assim, Model Of You impressiona pela exuberância dos arranjos, apesar de não haver uma orientação explícita para as pistas de dança; No entanto, temas como Thoughts In Mine a Aurelia poderão agradar a quem procura essa vertente na música destes dois produtores britânicos.

O que se procura criar neste trabalho é, acima de tudo, paisagens sonoras amenas, mas cheias de movimento e cor, uma eletrónica com momentos mais ambientais, audíveis, por exemplo, em The Glow ou Golden Lights e outros onde há um apelo direto à típica indie pop de cariz mais comercial, com o piano de Hideaway ou as cordas de Bricks Are For a cumprirem cabalmente essa missão, ao memso tempo que nos permitem sermos invadidos por uma doce sensação de ternura e de melancolia. Os efeitos inebriantes que sustentam a percussão de Portraits Of Eyes, acompanhados por um loop de guitarra algo frenético, são outros trunfos de um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Seja como for, o maior destaque deste disco será, talvez, Carmine, uma canção assente na tal voz grave, invasiva e visceral, a conferir um interessante colorido a um tema com uma toada eminentemente pop e com arranjos pensados para a criação de um ambiente épico e cheio de paisagens deslumbrantes.

groove e a luminosidade deste registo são dois aspetos suficientemente apelativos para que não se deixe passar em claro uma coleção de doze canções intensas e bastante inspiradas que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Model Of You é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Boat - Model Of You

01. Prelude
02. Hideaway
03. Carmine
04. Portraits Of Eyes
05. Bricks Are For
06. The Glow
07. Golden Lights
08. Aurelia
09. Thoughts In Mine
10. Told You
11. All Of My Years
12. Hallow


autor stipe07 às 22:08
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Gold Panda – Clarke’s Dream

Gold Panda - "Clarke's Dream"

O produtor britânico Gold Panda editou o ano passado Half Of Where You Live, o seu disco de estreia e já trabalha no sucessor, que ainda não tem nome e data de lançamento prevista.

Clarke's Dream é o tema mais recente que Gold Panda disponibilizou mas, de acordo com informações recolhidas, não fará parte do alinhamento do novo disco do produtor. Este tema é um excelente instrumental, bastante funky, com um potencial enorme para ser alvo do encaixe por parte de uma voz do universo do hip-hop, por exemplo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:40
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Blurred City Lights - Anamorphic


Lançado no passado dia oito de junho apenas em formato digital disponível no bandcamp, Anamorphic é o primeiro longa duração dos Blurred City Lights, um grupo formado por Jarek Leskiewicz (Naked On My Own, NOMODD) e Dean Garcia (Curve, SPC ECO), mas que também conta com as participações especiais de Rose Berlin, Russell Keeble e Perry Pelonero. A banda já tinha lançado em março de 2013 Neon Glow, um EP com seis canções.

Anamorphic é um disco rock com um travo aquele espírito industrial, mas com uma carga ambiental assinalável, bem patente, por exemplo, nos temas Try e Chained, mas essas batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Smalls Fears Magnified, uma excelente amostra de rock industrial e progressivo prova esta minha teoria quando a voz de Jarek e uma certa toada psicadélica fazem do tema dos momentos mais atraentes e diferentes do disco. No entanto, os elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um teclado sintético e a uma percussão orgânica com um volume crescente, em OP4, fazem deste instrumental um dos grandes momentos sonoros do ano.

Outro dos maiores destaques de Anamorphic acaba por ser também o single Inside, uma feliz escolha para amostra, já que, de certa forma, compila toda a arrojada e diversificada míriade sonora do álbum, incluindo o acerto de uma voz, que se assume também como um importante fio condutor das onze canções, seja através de um registo sussurrante, ou através de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais e dos devaneios muitas vezes algo inconclusivos e misteriosos das guitarras.

Este extraordinário álbum de estreia de um projeto que merece toda a atenção destaca-se pela intensidade ambiental que nos atira para paisagens eletrónicas de outrora, com os teclados e as guitarras a terem o maior destaque, a construirem diversas camadas sonoras e onde há uma voz omnipresente entregue a um espírito desolado e que nos remete, devido ao baixo constante, para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. É um disco com uma acentuada componente experimental e aconselha-se audições repetidas para que se tenha a perceção clara do seu conteúdo e dos mínimos detalhes. O sucesso da estreia dos Blurred City Lights depende da predisposição do ouvinte e do cenário que cada um de nós cria tendo em conta a atmosfera sonora proposta. São quase sessenta minutos cheios de momentos brilhantes, com diferentes graus de intensidade e que precisa de um tempo que objetivamente merece. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 21:36
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

The Acid - Liminal

Há algo de místico nos The Acid, um projeto musical formado por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴Depois de terem lançado no passado dia catorze de abril um EP homónimo, disponível para audição no soundcloud, agora estão de regresso com Liminal, um disco ditado no passado dia sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há nos The Acid uma aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, numa espécie de penumbra que tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descoberta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustrante a escassez de fontes disponíveis. A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste disco nos suscita, um trabalho onde o australiano RY X assume o maior protagonismo. As suas canções parecem ter sido embaladas num casulo de seda e em coros de sereia, um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver. Assim, não espanta Liminal estar repleto de melodias doces com um leve toque de acidez, mas que se escutam com invulgar fluidez.

Temas como Animal ou Trumbling Lights, a minha canção preferida de Liminal, espantam pelo minimalismo insturmental e pelo corpo imenso que a voz lhes confere, um registo que algures entre elegância e fragilidade, deixa-nos a suspirar no seio de uma calma cósmica e instrospetiva, que dá vida a canções com letras carregadas de drama e melancolia.

Já temas como Ghost ou Creeper, ou o dedilhar da viola acústica em Basic Instinct, apostam em outros detalhes, com sintetizadores mais luminosos e expressivos, mas mantém-se o mesmo fio condutor marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, alguns teclados, a voz agora sintetizada e linhas poderosas de baixo.

Toda esta amálgama apenas aparente serve para criar ambientes intensos e emocionantes, que nunca deixam de lado a delicadeza e onde cada detalhe existe por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços.

The Liminal é um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste grupo. E parece evidente que os The Acid não pretendem abrigar-se em zonas de conforto e que estão disponíveis para futuras experimentações subtis, que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a música do projeto alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....

The Acid - Liminal

01. Animal
02. Veda
03. Creeper
04. Fame
05. RA
06. Tumbling Lights
07. Ghost
08. Basic Instinct
09. Red
10. Clear
11. Feed

 


autor stipe07 às 18:31
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