01. The Golden Age
02. Run Boy Run
03. The Great Escape
04. Boat Song
05. I Love You
06. The Shore
07. Ghost Lights
08. Shadows
09. Stabat Mater
10. Conquest Of Spaces
11. Falling
12. Where I Live
13. Iron
14. The Other Side
Editado a oito de abril através da Naïve, Tomorrow's World é o disco homónimo de estreia de um novo projeto francês, suportado numa dupla formada por Jean-Benoît Dunckel dos Air e Lou Hayter, dos New Young Pony Club.
Nos períodos em que os Air estão parados Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E agora, em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome é inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica. Desta vez, a outra face é feminina, neste caso a lindíssima Lou Hayter e desta dupla cheia de charme só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que é apresentado nas onze canções do homónimo de estreia.

Em Tomorrow's World ouve-se mais reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, do que dos New Young Pony Club, o que deverá significar que as rédeas ficaram nas mãos de Dunckel. A eletrónica está muito presente, mas na versão mais calma, melódica e clássica.
Um dos meus temas preferidos do disco é A Heart That Beats For Me, uma canção com uma certa doçura chic que me fez lembrar o saudoso Moon Safari (1998). Há igualmente uma escrita apurada, que resultou em notáveis momentos de poesia, com realce para as letras de Don’t Let Them Bring You Down (It’s not the time of year that brings me down/It’s not the rain that’s falling down, down/It’s all the people who are not around. e de Drive (Follow the moon through the night/ I feel the pull of the machine/The blood is rushing to my head/I’m driving closer to the edge).
Mesmo que Dunckel, por ter na mão as tais rédeas, não fuja aqui muito do estilo eletrónico típico dos Air, é importante ressaltar a bela voz de Lou Hayter que casa muito bem com as viagens climáticas e etéreas que o seu parceiro compôe, com a performance vocal da miúda a destacar-se em Think Of Me, uma canção que assenta numa melodia simples de um teclado e Insider, já para não falar do charme de Pleurer Et Chanter, acentuado por a música ser cantada em francês. Esta canção mistura também um baixo espacial, com um piano etéreo e uma batida que fazem dela uma espécie de trip ácida implícita. A já citada Drive, sonoramente remete-nos para os anos oitenta e o movimento new wave mais dançante, típico de uns Human League e, finalmente, So Long My Love, uma canção cheia de efeitos, tem influências bem vincadas do krautrock.
À imagem da capa do disco, Tomorrow's World acaba por ser uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...
01. A Heart That Beats For Me
02. Think Of Me
03. Drive
04. Pleurer Et Chanter
05. So Long My Love
06. Don’t Let Them Bring You Down
07. Metropolis
08. You Taste Sweeter
09. Catch Me
10. Life On Earth
11. Inside
Lançado a vinte e sete de março pelo selo Modern Love, casa de Andy Stott, Vatican Shadow e outros artistas que partilham o mesmo interesse sonoro, ou seja, que lidam com composições ambientais e sempre densas, Faint Hearted é o novo álbum de Miles, músico que também integra a dupla Demdike Stare. Faint Hearted é o primeiro disco que Miles lança através da Modern Love e sucede ao bem sucedido Luxury Problems, um dos discos mais aclamados do ano passado.

Faint Hearted contém oito temas inéditos, fragmentos e partículas sonoras que mergulham no uso de sobreposições complexas e ambientais, resultado que passeia tanto pelo dub sombrio como pela eletrónica climática dissolvida nos trabalhos de outros parceiros da Modern Love. Status Narcissism, um tema que apela às pistas de dança, foi a canção escolhida para apresentar a obra e, tal como as restantes canções, é um tema que se serve de várias camadas de sons, manuseadas com um implícito acabamento lo fi, atestando as diferentes linguagens que descrevem o cardápio sonoro de que Miles se foi servindo ao longo da carreira.
O produtor foi dando rédea solta aos sons do mundo eletrónico que se quiseram juntar ao conteúdo de Faint Hearted e da toada jungle de Lebensform, ao techno minimal de Irreligious, acabaram por surgir ambientes quentes e distantes, fabricados por vários sintetizadores que conhecem de cor os caminhos que devem seguir para atingir determinado propósito sonoro.
Faint Hearted não é um disco para as massas, está a anos luz das propostas mais radialistas, mas é rico e diversificado e transporta imagens oníricas, onde a música nos suga devido ao hipnotismo que carrega, muitas vezes apenas assente em encadeamentos repititivos, mas sempre desprendidos de fórmulas estanques.
Miles não teve receio de juntar tudo aquilo que o atrai e de deixar que a própria instrumentação lhe desse dicas sobre a melhor abordagem e a escolha do rumo que algumas canções de Faint Hearted quiseram seguir. Terá sido bastante compensador para ele o processo de composição e gravação, assim como é estimulante para nós perceber a riqueza de cada parcela do disco e ser constantemente presenteado pelo imprevisível ao longo da sua audição. Espero que aprecies a sugestão...

Depois do EP de estreia Iron, cujo tema homónimo foi usado por Quentin Tarantino em Django Unchained, já chegou aos escaparates, no passado dia dezanove de março, The Golden Age, o disco de estreia de Woodkid e que também tem essa canção no alinhamento. Woodkid é o nome de um projecto musical criado pelo fotógrafo e realizador francês Yoann Lemoine, um rapaz talentoso e pelos vistos multifacetado.

Apesar de ter demorado cerca de dois anos a ser editado, The Golden Age já causava furor o ano passado quando foram divulgados os temas Run Boy Run e I Love You. Desde o EP que aguardava com alguma expetativa este estreia e confesso ter saboreado com particular gosto o dinamismo e a grandeza deste trabalho.
The Golden Age confirma a estreita ligação entre os dois mundos, o musical e o cinematográfico, onde habita Yoann. Isso está bem evidente quando esta estreia segue as pisadas do primeiro EP e, dessa forma, navega na similar atmosfera ambiciosa e majestosa de Iron, feita com arranjos orquestrais que fazem lembrar a banda sonora de uma epopeia fantástica. Fica evidente que Woodkid aprecia heróis épicos e convive confortavelmente com a grandiosidade sonora que a composição sobre eles exige. E esses heróis poderão ser um simples rapaz que, na tal Run Boy Run, tema que lhe valeu a nomeação para um Grammy, luta pela sua sobrevivência e torna-se num homem cheio de batalhas para enfrentar. Logo a seguir, em The Great Escape, essa personagem encontra, como o título da canção indica, um sempre indispensável refúgio, alimentado com uma base instrumental alegre e repleta de trompetes.
Há uma evidente heterogeneidade entre as catorze canções do disco, onde se incluem dois interlúdios, com destaque para Shadows, uma belíssima ode sinfónica. Logo no início, à delicadeza e sensibilidade do tema homónimo, feitas com pianos e violinos, sucede a atmosfera mais caótica de Run Boy Run. E este dinamismo entre ambientes mais calmos e outros mais agitados vai sendo jogado com vários sons orquestrais e outros mais introspetivos, dos quais destaco, nos primeiros, Iron e Conquest Of Spaces e, nos segundos, Boat Song, Where I Live, uma canção onde Yoann confessa a sua resignação perante a inevitabilidade da morte e as angústias da vida (Where I'm born is where I'll die. Where I live is where I cry) e, principalmente, além do caos agitado, os coros e a voz de Yoann em Stabat Mater.
A audição de The Golden Age é uma viagem a um mundo imaginado por Yoann, com personagens que encarnam a pacatez do nosso quotidiano e que são elevadas a um ímpar patamar de grandeza e admiração porque lutam, diariamente, pela sobrevivência, nessa espécie de mundo, algo surreal, mas onde se refletem os nossos maiores medos, expetativas e interrogações. Como se pode escutar no final, em The Other Side, é intrínseca à natureza humana uma constante insatisfação e que, por isso mesmo, o homem, quer seja um soldado, um príncipe, um pequeno rapaz, ou um agricultor, estará sempre, enquanto existir, em permanente conflito interior, sendo as pequenas vitórias que vai conseguindo contra si mesmo que sustentam o seu crescimento pessoal e que definem as escolhas que vai fazendo ao longo da vida.
No sitio de Yoann poderás conferir algum do seu art work e de vídeos que realizou, nomeadamente os vídeos Born To Die, da Lana del Rey, Dreaming of Another World, dos Mistery Jets e vídeos de Kate Perry, Rhianna e os seus próprios, conhecidos por roçarem sempre o épico e por terem uma estética inconfundível. Espero que aprecies a sugestão...
Acaba de chegar ao mercado discográfico AMOK, um novo capítulo de uma das parcerias mais inventivas do universo musical, formada por Thom Yorke e Nigel Godrich e que começou nos clássicos do Radiohead, nomeadamente o OK Computer (1997) e o Kid A (2000). Esta colaboração estreita teve como último grande momento o In Rainbows (2007), a última obra prima da banda de Oxford e que reformulou a sonoridade do grupo inglês e influenciou decisivamente a própria industria musical. Agora, em AMOK, o álbum de estreia dos Atoms For Peace, uma banda que conta nas suas fileiras também com Flea, Joey Waronker e Mauro Refosco, Yorke e Godrich dão sequência às habituais experimentações eletrónicas que tanto gostam.

A forma como AMOK está concebido oculta a presença de Flea, Joey Waronker e Mauro Refosco, figuras que talvez merecessem um maior destaque durante no processo de construção do álbum. AMOK tem pouco mais de quarenta e cinco minutos de texturas sonoras assentes na dita eletrónica e com pouco impacto ao nível dos instrumentos convencionais. Fica-se com a perceção que o disco serve especificamente para expandir o universo redundante cultivado por Thom Yorke desde o lançamento de The Eraser (2006) e que Godrich usa o disco para dar sequência às mesmas guitarras que carimbaram o trabalho da sua outra banda, os Ultraísta, projeto com um acabamento sonoro bastante similar e que se estreou em 2012.
Na audição de AMOK somos aprisionados por uma sequência enérgica de sintetizadores, batidas eletrónicas e guitarras sequenciais que naturalmente nos hipnotizam. Músicas como Dropped e Default, por exemplo, são capazes de tomar conta da mente, sem muitas dificuldades, de um qualquer ouvinte mais frágil e sensível, porque mergulham na fase a solo de Thom Yorke e percorrem as guitarras cíclicas do krautrock, uma das marcas das produções recentes de Godrich.
Com uma formatação essencialmente sintética e canções dotadas de forte proximidade rítmica, AMOK parece, muitas vezes, um álbum que saiu de uma fábrica escondida num laboratório caseiro de Godrich. Com um enquadramento musical adequado, o álbum engata numa sucessão de programações matemáticas que se interligam profundamente, com a voz de Thom Yorke a ser alvo de um tratamento acústico identificado logo na primeira música do trabalho, Before Your Very Eyes. Em diversos momentos fica a sensação de que a voz do britânico foi concebida graças ao auxílio constante de softwares ou programas específicos, um composto algo semelhante ao que foi feito em Kid A e similar ao que Kraftwerk e outros representantes do género já propuseram anteriormente.
Ainda que se revele como um verdadeiro concentrado de soluções programadas, em alguns momentos de AMOK, a percussão e as batidas dos demais colaboradores fluem de maneira inventiva e até se deslocam da linearidade que toma conta do disco. Como referi acima, infelizmente não chegam para dar outro destaque aos restantes membros dos Atoms For Peace, porque são instantes raros, sendo os melhores aqueles que se ouvem em Stuck Together Pieces, música em que Joey Waronker e o brasileiro Mauro Refosco mostram finalmente ao que vieram.
AMOK deve ser analisado de um ponto de vista completamente indissociado dos Radiohead já que, a mim parece-me ser apenas um projeto que serve de pretexto para que Thom Yorke e Nigel Godrich, com o beneplácito de mais três músicos, experimentem alguns devaneios sonoros eletrónicos. Quem quiser procurar aqui um trabalho similar às propostas mais sérias, profundas e inventivas que geralmente os Radiohead apresentam, será injusto com a filosofia subjacente a AMOK e a estes Atoms For Peace e estará, indevidamente, a pressentir o desmoronar da imensa capacidade criativa de uma das bandas mais influentes e decisivas do panorama alternativo nos últimos vinte anos. Espero que aprecies a sugestão...
Os K-X-P são um trio finlandês, sedeado em Helsinquia e formado por Timo Kaukolampi, Tuomo Puranen e Tomi Leppanen. No estúdio e, às vezes, ao vivo, acompanham-nos Anssi Nykänen. O grupo nasceu das cinzas dos Op:l Bastards e dos And The Lefthanded e começaram a carreira com Kaukolampi a declarar que K-X-P started after I wanted to stop playing in bands. It’s the antidote to normal bands. Its an anti-band. II foi lançado a onze de fevereiro pela Melodic Records e sucede ao disco de estreia, homónimo, editado em 2010.

O uso apurado dos sintetizadores, remetem para ambientes algo sombrios, mas as melodias são acessíveis o que provoca uma estranha, mas agradável sensação durante a audição. A canção Melody, logo a abrir, encarna este espírito e não será inocente o título já que o conteúdo perverte as redundâncias naturais do estilo em que está inserida e o mesmo é dançante, rápido e cresce numa mistura que percorre a eletrónica, o pós-punk e a música de dança.
É notório que todo o ambiente instrumental criado foi pensado para os concertos, como se II fosse, só por si, uma enorme jam session, soturna e imprevisível, que mergulha em túneis de ruídos, sintetizadores intransponíveis e o uso assertivo das reformulações musicais.
Mas II não vive só dos sintetizadores. Há sequências felizes de guitarras dançantes, vozes complementares e batidas que aproximam a banda dos alemães Neu!. Temas como Magnetic North e Flags & Crosses são capazes de olhar para o passado, ao mesmo tempo que mantêm firme uma relação com o presente. É quase uma quebra do que naturalmente direciona outros trabalhos do género, com o trio a mostrar ser capaz de manipular toda e qualquer referência de forma a produzir algo novo.
Curiosa é a inserção de pequenos complementos instrumentais que parecem feitos apenas para encher o disco, mínimas inclusões atmosféricas espalhadas por toda a obra, como se fossem uma introdução para outros temas, nomeadamente, Ydolem, RBJTEV, EKMVIV e Reel Ghosts, que têm uma dimensão sonora e temporal muito mais significativa.
Tudo isto somado resulta, como referi anteriormente, numa sequência instrumental hipnótica de oito temas que poderá deixar-nos em transe. A força musical que circula pelo álbum parece ampliar-se em cada nova audição e esse é um dos maiores elogios que se pode fazer a II e a estes K-X-P. Espero que aprecies a sugestão...

01. Ydolem
02. Melody
03. Staring At The Moon
04. RBJTEV
05. Magnetic North
06. EKMVIV
07. In The Valley
08. Tears (Extended Interlude)
09. Flags & Crosses
10. Reel Ghosts
11. Easy (Infinity Waits)
12. Dark Satellite
K-X-P "Magnetic North" directed by Kimmo Kuusniemi (2013) from K-X-P on Vimeo.
Os STRFKR (Starfucker) são uma banda norte americana de Portland, no Oregon, formada por Josh Hodges, Keil Corcoran, Shawn Glassford e Patrick Morris. Conforme anunciei no Curtas... LXXVI, Miracle Mile é o último disco da banda, lançado no passado dia dezanove de fevereiro pela Polyvinyl Records.

Os STRFKR (Starfucker), antigos Pyramids, sempre foram uma banda de grandes melodias, letras aditivas e uma sonoridade impecável. Isso é bem evidente ao longo de toda a discografia deste coletivo, disponível para audição gratuita e integral no sitio da editora e com um conteúdo assente em sintetizadores e numa voz peculiar e bem enquadrada. Tem sido assim desde o surgimento do grupo, em 2007, marca que se repete no homónimo lançado em 2008 e no Reptilians de 2011. Após meia dúzia de anos, este era o momento certo para o grupo arriscar um pouco mais, o que aconteceu neste Miracle Mile, o álbum mais coerente e com melhor estratégia musical do grupo.
Em canções como Julius, Florida e mesmo na versão do clássico Girls Just Want To Have Fun de Cyndi Lauper, o novo álbum deixa os teclados fluírem de forma suave e muito encantadora. De mãos dadas com a pop durante toda a audição, este novo disco deixa de lado uma aúrea algo cinzenta que pairava nos outros discos e, tal como a capa colorida de Miracle Mile, os STRFKR operam um pequeno milagre sonoro e tornam-se mais expansivos e luminosos, com uma sonoridade alegre, floral e perfumada pelo clima ameno da primavera que está quase a chegar. E o mais interessante é que conseguem fazê-lo sem grande excesso e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam a tal coerência e acerto na estratégia musical.
Em Miracle Mile há menos pressa e menos sofreguidão na forma como as guitarras e o sintetizador se cruzam musicalmente entre si e as aproximações com a eletrónica, que sempre fizeram parte do ADN dos STRFKR, agora abrem espaço para uma simbiose entre a indie pop da década passada e a folk confortável da década de noventa. Basta contactarmos com o cenário mágico de Say To You ou o clima nostálgico de Fortune’s Fool para ficarmos plenamente convencidos que Miracle Mile é um belíssimo álbum, com um desempenho formidável, ao nível instrumental e da voz e que apesar de faltarem mais canções com um cariz tão comercial como a primeira, não é difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo.
De Toro Y Moi a Foster The People, passando pela synthpop de Leave It All Behind, um tema que passeia pela década de oitenta sem colocar de lado a música pop mais recente, nomeadamente os Passion Pit do álbum Gossamer ou os Ra Ra Riot no recente Beta Love, estamos na presença de uma obra com um conteúdo grandioso e experimentações que interagem com a pop convencional. Em suma, um tratado musical leve e cuidado e que encanta. Espero que aprecies a sugestão...
01. While I’m Alive
02. Sazed
03. Malmö
04. Beach Monster
05. Isea
06. YA YA YA
07. Fortune’s Fool
08. Kahlil Gibran
09. Say to You
10. Atlantis
11. Leave It All Behind
12. I Don’t Want to See
13. Last Words
14. Golden Light
15. Nite Rite
Os Kids Without Instruments são o sonho concretizado de uma dupla de Long Beach, na Califórnia, que se conheceu no Tumblr. Eles são FrankJavCee, um cantor, produtor e escritor de vinte anos e Marion A. Shootingstar, uma cantora de dezanove anos e juntos resolveram começar a fazer música em 2011. Kids Without Instruments é o EP de estreia deste projeto.
A dupla começou a compôr música em conjunto ainda antes de se conhecerem pessoalmente, apenas recorrendo à eletrónica e a sintetizadores de 8-bits. Uma interação mais intensa e pessoal começou quando os dois começaram a estudar juntos cinema na California State Long Beach.
Este EP chamou a atenção da indústria musical indie e recentemente assinaram pela Kobalt Music Publishing, etiqueta que alberga vários nomes de relevo, nomeadamente Skrillex, Bon Iver, Cut Copy, Gotye, Dada Life, Moby, Yeasayer, Kid Cudi, Band of Horses, LMFAO, Beck, Peaches, Tiesto, entre outros.
Um arrojado e curioso sonho que esta dupla alimenta é poderem um dia liderar um projeto de cariz solidário que possa oferecer a crianças de todo o mundo teclados alimentados a energia solar para que, de acordo com a dupla, as crianças descubram o poder da música eletrónica.
Na verdade, os Kids Without Instruments têm esse nome como banda exatamente porque fazem questão de raramente usar instrumentos convencionais, quer em estúdio quer em palco, servindo-se quase sempre de um computador portátil com um MIDI, ou seja, uma especificação para sintetizadores que assegura a reprodução de diferentes instrumentos. Espero que aprecies a sugestão...

Indians é o projeto a solo do dinamarquês Søren Løkke Juul, um novo nome do cenário musical indie que nos chega das frias terras escandinavas, mas disposto a dar um pouco mais de cor e alegria sonora aos nossos dias. Somewhere Else é o disco de estreia deste projeto, lançado hoje, dia vinte e oito de janeiro, pela conceituada 4AD, uma das minhas etiquetas de referência.

Em Somehwere Else o músico oferece-nos uma mistura harmoniosa e branda que irá agradar os ouvidos de fãs de sons mais delicados e carregados de sentimentos, nomeadamente aqueles que apreciam nomes tão conceituados como Bon Iver ou mesmo os The Shins.
O músico manuseia detalhes sonoros típicos da folk e também de sonoridades mais clássicas, usando como principais instrumentos a viola acústica e o piano, sempre adornados, como não podia deixar de ser por estas paragens, pela eletrónica. Apesar das várias referências musicais que o influenciam, Indians consegue fazer transições suaves entre elas, o que faz de Somewhere Else um disco fluído, harmonioso e bem construído e organizado.
Um dos singles do álbum já apresentado é Cakelakers, um tema que mostra o lado mais enérgico e folk, sendo um dos pontos mais altos e animados de todo o álbum. Na vertente mais intimista, destaco Bird e o seu belo piano, New, a canção que abre o disco e Reality Sublime devido à sobreposição de ecos e reverbs, algo que confere a tal tónica etérea e eletrónica à obra. Para fechar, a canção homónima que dá nome ao disco, destaca-se pela subtileza com que varia de ritmo e tonalidade, sendo sublime a forma como varia de ritmos e a execução da explosão sonora.
A dar os primeiros passos com Somewhere Else, Indians mostra que está no caminho correto, e, mesmo ainda distante de grandes nomes, apresenta um som interessante, principalmente ao mostrar um trabalho bem feito ao lidar com diferentes referências musicais. Espero que aprecies a sugestão...
Robots Don't Sleep é uma colaboração entre um produtor berlinense chamado Robert Kotch (mentor do projeto Jahcoozi) e o cantor norte americano John LaMonica. Esta parceria acaba de dar origem a um EP homónimo, focado na fusão das duas vertentes vindas de cada uma das partes do duo. Assim, Robot's Don't Sleep foi editado no início de dezembro de 2012 pela Four Music/Sony Music Germany. A parceria não é exatamente nova; Ambos já haviam trabalhado juntos em 2011 em The Other Side, disco do alemão que contou com a voz sensual do amigo norte-americano. Trabalhar com colaborações bem sucedidas é o que movimenta o trabalho de Koch, mas desta vez ele ganha um maior destaque com esta colaboração.

Little White Lies, o tema de abertura do EP, já teve direito a um vídeo oficial, dirigido por Pol Ponsarnau e Lukasz Polowczyk e o tema Don't Wake Me foi recentemente disponibilizado para download pela Spinner. Sobre o conteúdo e concepção do EP, John LaMonica, o vocalista, afirmou:
I think it was the first warm day of the spring and there was this awesome energy buzzing around Berlin. I remember it was hard to spend too much time in the studio because you really wanted to get out there and soak up the sun. Dena, who co-wrote and also sang on the track, had shared these images by the artist Ignacio Torres with us earlier in the week and the impact of these cosmic-looking visual loops helped to kick off a lyrical narrative about straddling both the dreamed and waking worlds. We had a really good time to be sure ... one of those unique studio moments where you feel like the song is creating itself, it felt almost effortless.
Entretanto os Robots Don't Sleep estão prestes a lançar um EP com remisturas das canções Little While Lies e So Bad. Alguns nomes que estarão neste lançamento são CREEP e Sun Glitters. Espero que aprecies a sugestão...
1. Little White Lies
2. So Bad
3. Don't Wake Me
4. Bending Time

Son Lux é o projeto de Ryan Lott, um músico de Nova Iorque e que descobri porque a Noisetrade está a disponibilizar para download gratuíto At War With Walls And Mazes, o seu disco de estreia, editado em 2008 pela Anticon e que lhe valeu na altura o título de Best New Artist, pela conceituada publicação NPR. At War With Walls And Mazes é considerado uma espécie de concerto de pop eletrónica e ambiental, onde existe um maestro e depois uma míriade imensa de instrumentos, com Ryan a tomar conta das rédeas nos dois lados da barricada. A sua música, simples e intrigante, feita de intimismo romântico e linhas agrestes de trip hop, tocada por uma fúria experimental que integra uma espantosa solidez de estruturas, é um continente que se desbrava num misto de euforia e contemplação.
Em 2011 seguiu-se o sucessor; O álbum viu a luz do dia em abril de 2011, também por intermédio da Anticon e chamou-se We Are Rising, descrito pela crítica como uma negra simbiose entre Owen Pallett e o período mais recente dos Radiohead. We Are Rising foi a resposta a um desafio lançado pela NPR que pedia que, do nada, um álbum inteiro fosse criado no espaço de apenas 28 dias. Assim nasceu este álbum que levou bem mais adiante as visões que o próprio antes experimentara no álbum de estreia At War with Walls and Mazes . O disco é uma aventura que transcende as noções de género e fronteira, experimentando cenografias elaboradas e linhas complexas sem contudo perder de vista a ideia da canção. As electrónicas são aqui um elemento estruturalmente marcante, a presença de outros instrumentos amplifica os contrastes e acrescenta cores a uma música que cativa e desafia. We Are Rising é daqueles raros discos que, chegados ao fim, nos compelem a regressar ao início e uma experiência rica em acontecimentos sonoros. Atualmente Ryan está a trabalhar no terceiro álbum.
Durante estes quatro anos e inclusivé nestes dois álbuns, o músico já estabeleceu parcerias e colaborações como nomes tão distintos como Sufjan Stevens, Peter Silberman (The Antlers), These New Puritans, My Brightest Diamond, Nico Muhly, Richard Perry (Arcade Fire) e Judd Greenstein, entre outros. Espero que aprecies a sugestão...
01 Flickers
02 All the Right Things
03 Rising
04 Leave the Riches
05 Flowers
06 Chase
07 Claws
08 Let Go
09 Rebuild

Rhye é uma dupla oriunda de Los Angeles, na Califórnia e que resulta da combinação do canadiano Milosh com Robin Hannibal dos dinamarqueses Quadron, uma banda com uma sonoridade eletrosoul.
The Fall é o nome do novo disco desta dupla, uma das grandes apostas para 2013. As dez canções são uma trama de versos confessionais, apaixonados e levemente dançantes, uma sonoridade sublime, feita com muitas teclas de piano que constroem detalhes sonoros adoráveis, algo que vai de encontro ao que há de mais sublime na pop. Há uma toada soul com algumas semelhanças com o que é proposto pelos britânicos The XX.
Para entender com clareza do que se trata este The Fall basta uma rápida audição da canção que dá título ao registo, um tema com uma tonalidade algo implícita e muito sedutora, que parece desmanchar-se suavemente nos nossos ouvidos. É possível descarregarem o tema gratuitamente através do sítio oficial do projecto californiano. Espero que aprecies a sugestão...
01. Open
02. The Fall
03. Last Dance
04. Verse
05. Shed Some Blood
06. 3 Days
07. One Of Those Summer Days
08. Major Minor Love
09. Hunger
10. Woman

Alexandrina é o EP de estreia dos Orae, um projeto musical que surgiu em Berlim em outubro do ano passado, formado por Geordie Little, Sam Rogers, Scott Van Manen e Jian Kellett Liew. O EP foi lançado ontem, dia dezassete de janeiro, através da Bad Panda Records e disponibilizado gratuitamente por esta editora que já nos habituou a estar na linha da frente na revelação de novos talentos no universo indie e de sonoridades inovadoras e que só são surpreendentes para quem ainda não se habituou a estar atento, por exemplo, ao soundcloud da etiqueta.
Alexandrina tem quatro canções, baseadas numa eletrónica de cariz eminentemente acústico, o que resulta numa sonoridade muito etérea. O chill out acaba por ser o género musical que melhor carateriza o EP, que me lembra, em vários momentos, nomeadamente em Green & Fog, uma espécie de simbiose entre os The XX e os Massive Attack.
Há cruzamentos interessantes e precisos entre a eletrónica e a guitarra acústica, nomeadamente no instrumental Lesson Of Thought, uma canção que me fez recuar mais de uma década, porque me remeteu para o Simple Things dos Zero 7. A presença das cordas e do piano, entrecruzados com os beeps maquinais, batidas sintetizadas e mesmo sons do ambiente (a água é um dos instrumentos usados em Lesson Of Thought) criam em cada tema um estado de espírito muito próprio e provam que estes Orae tiveram uma estreia em cheio e são ecléticos com enorme bom gosto, além de exímios a misturar e combinar emocionalmente estilos novos e antigos. Espero que aprecies a sugestão...

Agendado para o dia 28 de janeiro através da X.L. Recordings, AMOK, o primeiro álbum do projeto paralelo de Thom Yorke Atoms For Peace, é um dos lançamentos mais aguardados este ano, nomeadamente para quem, como eu, ficou cheio de água na boca depois de ter ouvido The Eraser há alguns anos atrás. Apesar de Atoms For Peace não ser propriamente um projeto a solo, não é segredo para ninguém que Thom terá a primazia quase total na composição. Judge Jury and Executioner, um dos singles conhecidos de AMOK, não se afasta muito do que Yorke já desenvolveu, um tema que se divide do princípio ao fim entre as batidas eletrónicas da tal carreira a solo do artista e os inventos testados no álbum The King Of Limbs, de 2011, dos Radiohead.
Continuam os preparativos para o mais novo álbum dos suecos Shout Ou Louds. Depois de ter sido conhecido o single Blue Ice através de um curioso vinil em gelo, chega a vez do tema Walking In Your Footsteps. Musicalmente distinto em relação aos últimos lançamentos da banda e capaz de se relacionar com Our Ill Wills, o segundo registo em estúdio do grupo, lançado em 2007, o tema mostra mais uma face do novo disco, Optica, que será apresentado oficialmente no dia 26 de fevereiro. Quarto registo da banda, o novo álbum irá tentar superar o fracasso que foi o disco Work, de 2010.
Jens Lekman continua a surpreender. Durante a passagem do furacão Sandy em Nova Iorque, Jonas, o pianista do compositor sueco, ficou preso na cidade e, com todos os serviços de transporte cancelados, não conseguiria chegar a um concerto que Lekman iria dar em Boston. Lekman perguntou no Facebook quem poderia ajudar a levar o parceiro de banda até ao local do concerto e oferecia como pagamento pouco dinheiro e uma canção. Para surpresa do artista centenas de pessoas prontificaram-se e foram duas miúdas, Olivia e Maddy, que levaram o pianista até Boston. O pagamento apareceu agora com a canção inteiramente dedicada às raparigas que salvaram a digressão de Lekman.
Depois de um disco interessante em 2011, a banda norte-americana de indie rock Telekinesis anuncia para abril a chegada de Dormarion, o terceiro álbum do projeto comandado por Michael Benjamin Lerner. Sem afastar-se da proposta incorporada no anterior 12 Desperate Straight Lines, o mais recente single da banda, Ghosts And Creatures, coleciona uma sequência de experiências delicadas, lembrando muito os primeiros trabalhos dos Death Cab For Cutie. Talvez a maior diferença em relação aos trabalhos passados seja a incorporação maior de sintetizadores e uma postura diferente da voz, o que poderá fazer de Dormarion o melhor disco da carreira dos Telekinesis.
Ed Harcourt está de regresso aos discos com Back Into The Woods e o músico está a oferecer The Man That Time Forgot, o belíssimo tema que encerra o álbum. Confere...
01. The Cusp And The Wane
02. Hey Little Bruiser
03. Wandering Eye
04. Murmur In My Heart
05. Back Into The Woods
06. Brothers And Sisters
07. The Pretty Girls
08. Last Will And Testament
09. The Man That Time Forgot
Nos últimos dias, não sei se por influência deste tempo escuro e chuvoso ou das constantes sonecas que o meu filho disfruta ao meu lado enquanto, nesse tempo livre que ele me concede, ouço nova música, tenho dado por mim a sentir uma especial atração por sonoridades mais etéreas, melancólicas e com uma forte componente eletrónica, algo notório nas minhas últimas publicações neste blogue. E uma das minhas recentes descobertas vem de Los Angeles. Falo de Alek Fin, um produtor e compositor de música eletrónica que está a fazer furor devido a um EP que lançou no passado dia um de dezembro de 2012. O trabalho intitula-se Mull e contém quatro temas que plasmam sonoridades típicas de nomes como os Captions, Death Rabbit, DJ 501, Jon Hopkins, Radiohead, Vex Mohan, James Blake, Robot Koch, Flying Lotus e Atlas Sound, influências declaradas do músico.

Mull ouve-se do início ao fim sem grandes sobressaltos. E apesar de só ter quatro canções, são suficientes para conseguirmos descolar para um outro ambiente calmo e soturno, feito com fantasmagóricas nuvens que nos catapultam para paisagens sonoras espaciais, uma atmosfera introspetiva mas que inclui algumas pequenas surpresas, conferidas por subtis detalhes sonoros. Os temas estão carregados de graves e compactas batidas cósmicas feitas com bateria e sintetizadores e a voz em eco, envolvida quase sempre por uma espécie de fragilidade cristalina, nomeadamente no single homónimo, ajuda a agudizar essa sensação de evitação para uma outra dimensão física. Se aprecias o universo mais recente friado por Thom Yorke nos Atoms For Peace ou em King Of Limbs, o último disco dos Radiohead, então garanto-te que vais ficar plenamente convencido e adorar escutar este EP, principamente o single Waiting Like A Wolf, disponibilizado para download pelo músico, como podes conferir abaixo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Mull
02. Rocks In Paper
03. Waiting Like A Wolf
04. Gone

Já há algum tempo que não havia novidades dos Flashing Red Lights, um projeto californiano, oriundo de Los Angeles, liderado por Mack Slevin. O último lançamento tinha sido o EP Faster Horses, mas já tem sucessor. No passado dia vinte e sete de novembro foi divulgado Prestige, mais um EP de um músico que continua a progredir no desenvolvimento de uma pop eletrónica, assente numa sonoridade límpida e etérea e com a voz e as letras de Slevin a assumirem o destaque.
O título Prestige foi inspirado no nome de um supermercado de Los Angeles. A audição das quatro canções do EP é quase uma espécie de monólogo que o autor tem connosco, tal é a profundidade e o domínio da sua voz, muito parecida com a de Moby. A gravação terá sido pouco dispendiosa e feita com aparente simplicidade, socorrendo-se de algum software de sintetização, que serviu para compôr batidas extraordinárias, das quais destaco nao só o single If I Had The Time, mas também a dançável You're Not Smart. Além desse software, assume um papel preponderante nos temas, a utilização de samples variados; Um exemplo disso foi o recurso a gravações de vozes através do seu telefone, em bares, festas e casas de amigos, simples elementos do quotidiano comum de Mack, vivências que todos nós testemunhamos e que são o grande suporte da música dos Flashing Red Lights. Espero que aprecies a sugestão...

If I Had The Time
Pipes 2
You're Not Smart
Generation
Asaf Avidan é um cantor, músico e compositor nascido em Israel, filho de diplomatas israelitas e que, por isso, passou parte da infância na Jamaica. Após o serviço militar obrigatório em Israel, Avidan estudou animação na Academia de Artes e Design de Jerusálem e fez uma curta metragem que venceu o Festival de Cinema de Haifa. Depois de concluir os estudos, mudou-se para Tel Aviv onde trabalhou como animador, até que o final de uma relação amorosa o fez voltar para Jerusalém e virar-se definitivamente para a música.
Assim, além de ter uma banda, os Asaf Avidan & The Mojos, com Roei Peled (guitarra), Yoni Sheleg (bateria), Ran Nir (baixo) e Hadas Kleinman (violoncelo) e com a qual editou três álbuns que lhe grangearam enorme sucesso em França, Alemanha e Estados Unidos, Asaf também tem um projeto a solo e estreou-se com o EP Now That You’re Leaving lançado de forma independente em 2006 e aclamado pela crítica. Agora, em 2012, editou Different Pulses, através da Telmavar Records, um álbum que chegará ao mercado internacional no início de 2013.
A sonoridade deste Different Pulses é eminentemente rock mas também abraça a eletrónica, a folk e o blues. Alguns temas são bastante hipnóticos, conduzidos por linhas de guitarra criadas pelo próprio Asaf, nomeadamente o single homónimo e, para mim, grande destaque do álbum, Setting Scalpels Free e Love It Or Leave It. A voz é muitas vezes comparada a Janis Joplin e a Robert Plant, músico com quem Asaf Avidan partilhou o palco numa digressão em 2011. No projeto a solo Avidan conta com o apoio de Karnii Postal, nas teclas e violoncelo, Tom Daron, nas teclas, Michal Bashiri na percurssão e Hagai Frishtman na bateria. Espero que aprecies a sugestão...
01. Different Pulses
02. Setting Scalpels Free
03. Love It Or Leave It
04. Cyclamen
05. 613 shades Of Sad
06. Thumbtacks In My Marrow
07. Conspiratory Visions Of Gomorrah
08. A Choice And A Gun
09. Turn
10. The Disciple
11. Is This It
Os Reptile Youth são uma dupla dinamarquesa, de Copenhaga, formada em 2009 por Mads Damsgaard Kristiansen (voz) e Esben Valløe (baixo), mas podia muito bem ser uma banda de Brooklyn, em Nova Iorque, já que, tendo em conta o disco homónimo de estreia, editado no passado dia vinte e um de setembro pela Hfn Music, apostam num post punk que traça uma tangente a nomes tão consagrados como os The Rapture ou os Radio 4. Não surpreende esta referência geográfica já que Reptile Youth começou a ser gravado por Mark Ralph, um nome que ainda recentemente produziu os Hot Chip; Esse trabalho inicial teve depois sequência com Dave M. Allen, conhecido pelo seu desempenho com nomes como os The Cure, Sisters of Mercy e os Human League.

Este disco que hoje divulgo surpreendeu-me logo nos primeiros segundos de audição e imediatamente percebi que havia ali algo que me faz continuar a acreditar na música deste tempo. O disco tem dois meses, mas o que a crítica mais tem apreciado nestes Reptile Youth são os extraordinários concertos que dão, que pelos vistos conseguem incendirar plateias, sendo ainda escassas as referências ao conteúdo do álbum. Seja como for, só pelos fantásticos singles Speeddance e Black Swan Born White, já vale a pena ouvir todo o álbum, que combina a energia punk com sons eletrónicos. O último já foi alvo de várias remisturas por nomes tão consagrados como os Terranova, Keep Shelly In Athens e S.C.U.M., entre outros. O teledisco da remistura dos Keep Shelly In Athens foi filmado entre o Porto e Barcelona e realizado pela modelo Rita Lino.
Será na fusão da potência vocal de Kristiansen, algures entre Bono e Matt Bellamy, e os graves vincados do baixo de Esben Valløe que está a génese sonora original e única que os Reptile Youth pretendem assumir para a sua carreira. A dupla parece muito confortável com o que propôe neste Reptile Youth e o próprio baixista afirmou recentemente que o seu desejo é to always be as in love with this band as I am right now. Com um sentimento tão vincado e uma estreia tão sólida é de esperar que nos próximos anos se possa contar com esta dupla dinamarquesa para incendiar salas de concertos e pistas de dança um pouco por todo o mundo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Black Swan Born White
02. Morning Sun
03. Dead End
04. Speeddance
05. By My Yoko Ono
06. A Flash In The Forest
07. Shooting Up Sunshine
08. It’s Easy to Lose Yourself
09. Heart Blood Beat
10. Fear
Como já vem sendo habitual, a publicação Noise Trade acaba de disponibilizar, gratuitamente, o seu álbum de natal, uma compilação de vários temas cedidos por bandas e artistas do panorama índie e alternativo, relacionados com esta quadra festiva. A coleção deste ano conta com canções de Sufjan Stevens, Great Lake Swimmers, Hey Rosetta!, John Roderick e Jonathan Coulton entre outros. Fica esta dica de banda sonora para a ceia de natal. Confere e usufrui...
Os Interpol de Paul Banks estão a comemorar o décimo aniversário do lançamento de Turn On The Bright Lights, o álbum que os catapultou para a linha da frente do cenário musical internacional, com todo o mérito e um dos melhores discos da década passada. Fica a reedição especial comemorativa, que contém, além do alinhamento principal remasterizado, um disco bónus com várias demos, inéditos e raridades.
CD 1 (The Original Album, Remastered)
01. Untitled
02. Obstacle 1
03. NYC
04. PDA
05. Say Hello To The Angels
06. Hands Away
07. Obstacle 2
08. Stella Was A Diver And She Was Always Down
09. Roland
10. The New
11. Leif Erikson
CD 2 (The Bonus Material)
01. Interlude (iTunes single)
02. Specialist (Interpol EP)
03. PDA (First Demo, 1998)
04. Roland (First Demo, 1998)
05. Get The Girls (Song 5) (First Demo, 1998)
06. Precipitate (2nd Demo, 1999)
07. Song Seven (Original Version) (2nd Demo, 1999)
08. A Time To Be So Small (Orig Version) (2nd Demo,1999)
09. Untitled (Third Demo, 2001)
10. Stella (Third Demo, 2001)
11. NYC (Third Demo, 2001)
12. Leif Erikson (Third Demo, 2001)
13. Gavilan (Cubed) (Third Demo, 2001)
14. Obstacle 2 (Peel Session, 2001)
15. Hands Away (Peel Session, 2001)
16. The New (Peel Session, 2001)
17. NYC (Peel Session, 2001)
A paixão pela década de oitenta nunca foi um segredo muito guardado pelos Chromatics, que agora levaram ainda mais longe essa fixação ao aventurarem-se numa versão de Ceremony, um clássico dos New Order.
Ceremony foi lançada em 1981, poucos meses após a morte de Ian Curtis e já mereceu versões dos Radiohead e dos Galaxie 500, entre muitos outros. Esta versão dos Chromatics distingue-se pela delicadeza melódica e pela nuvem de letargia feita com sintetizadores que a cobre, fazendo com que o tema soe ainda mais obscuro que o original.
Donos de um disco de estreia bastante apreciado pela crítica e de um ótimo EP lançado em 2011, intitulado What A Pleasure, os Beach Fossils estão de regresso aos discos com Clash The Truth, trabalho que será editado em meados de fevereiro. Já é conhecido o tema Careless, o primeiro single retirado desse novo álbum, uma canção que prova que este grupo de Brooklyn, Nova iorque, está de regresso à boa forma, já que misturam, com coerência, as habituais guitarras típicas do rock de garagem com a leveza da surf music.
Dan Deacon tem tido um ano de 2012 bastante produtivo. Depois de ter lançado America, um dos melhores álbuns de 2012 para Man On The Moon, tem-se dedicado ultimamente a fazer remisturas e mashups, que compilou em Wish Book Volume 1, . Nesta primeira compilação de mixtapes do produtor canadiano ouve-se Grimes, Beach House e PSY, entre outros, em cerca de quarenta minutos de uma sequência de sobreposições curiosas e que unem rap, com hip hop, experimentalismo, eletrónica e toda uma variedade de colagens bastante divertidas.
Os Villagers impressionaram na estreia com Becoming a Jackal, um disco impregnado com uma folk suave e acústica, muito semelhante à sonoridade dos Bright Eyes. Com uma eletrónica chill out cuidadosa, a estranhíssima The Waves é o novo single desta banda irlandesa e foi lançado no passado dia vinte e dois de outubro através da Domino Records.
The Waves é sublime nos seus vários momentos, não só na instrumentação eletrónica, como no ritmo verbal de Conor, o vocalista, rápido e balbuciado. O próprio video da canção é completamente lisérgico, já que mistura psicadelia com monitores cardíacos. O novo álbum deve ver a luz do dia lá para o final do ano, ou até mesmo só no inicio de 2013. Mas esta musica é simplesmente fabulosa!
Os canadianos The Darcys, uma das mais extraordinárias bandas de indie rock experimental desse país, resolveram fazer uma cover de um álbum completo, nomeadamente o Aja, um disco de 1977, da autoria de Steely Dan. E o melhor é que estão a oferecer o disco gratuitamente no sitio da banda.
Mas as novidades dos The Darcys não se ficam por aqui... O produtor Rey Pila fez uma remistura para o tema I Got The News, que também pode ser obtido gratuitamente. É fartar...
Com o fim dos Girls, Christopher Owens, vocalista e guitarrista dessa banda californiana, anunciou uma carreira a solo e assim deu asas para que os antigos integrantes e músicos de apoio do grupo apresentassem os seus próprios trabalhos.
Assim, os PAPA, são a nova banda de Darren Weiss, o antigo baterista dos Girls e tem uma sonoridade totalmente diferente em relação ao que desenvolvia há pouco mais de um ano na sua antiga banda. Nos PAPA, as canções têm uma toada mais pop, épica e luminosa, como comprova o single Put Me To Work. Confere...
John Talabot e Pional já se tinham encontrado no decorrer do álbum Fin, o disco de estreia do produtor espanhol, lançado há poucos meses. Na ocasião o dupla criou a dançante e aditiva Destiny, uma das canções mais poderosas do registo.
Braves é a mais recente criação da dupla e neste tema somos novamente imersos no mesmo universo climático que costura o álbum de estreia de Talabot, com melodias lânguidas, que são atravessadas por batidas agitadas e cativantes.
John Talabot & Pional - 'Braves' by FACT magazine
Em 2012, Montag, um produtor natural de Montreal, no Canadá, tomou em mãos um projeto intitulado Phases, através do qual tem lançado um single todos os meses. O mais recente e que me fez descobrir esta epopeia sonora, chama-se Memori, um tema lindíssimo, numa toada synth pop e que conta com a participação especial de Erika Spring, cantora das Au Revoir Simone.

Os Suburban Living são o projeto de Wesley Bunch, um músico de Norfolk, na Virgina, com uma sonoridade dream pop, feita de guitarras e sintetizadores e com reminiscências dos anos oitenta. Depois do single Give Up (outubro de 2011), editaram há algumas semanas o EP Cooper's Dream. Confere...
01. I Don’t Fit In
02. Give Up
03. Prom
04. Float In Clouds
05. Cooper’s Dream
Suburban Living - I Don't Fit In by KLUBB ACE

Quem também tem novo disco são os Cold Showers. O álbum chama-se Love And Regret e baseia-se num post rock eletrónico, como se os New Order tivessem Nick Cave na voz. BC é o primeiro single já conhecido de Love And Regret e viu a luz do dia a nove de outubro.
01. Alight
02. I Don’t Mind
03. Violent Cries
04. So I Can Grow
05. BC
06. In Terms Of Pleasure
07. New Dawn
08. Seminary

O músico Simon Bonney ressuscitou há alguns dias, para gravarem a primeira canção e álbum em vinte e dois anos, os Crime And The City, uma banda que deu cartas nos anos oitenta e que inclui membros dos The Birthday Party, Swell Maps e Einstürzende Neubauten. O tema chama-se My Love Takes Me There, foi disponibilizado para download gratuíto pela Mute e fará parte de American Twilight, álbum que terá, inclusivé, direito a digressão.

Os nova iorquinos Lazyeyes gostam de se descrever como intérpretes de uma sonoridade surfgaze, ou seja, uma espécie de mistura entre a surf pop e o shoegaze. A partir do momento me que carregamos no play e começamos a escutar as composições deste projeto, percebemos imediatamente o quanto foram felizes na invenção desta terminologia sonora; Nostalgia, tema que os Lazyeyes disponibilizaram para donwload no Bandcamp da banda, é uma canção que soa exatamente a algo feito propositadamente para aquele período de transição entre o verão e o inverno.

Depois de em Curtas... LX ter divulgado que Trent Reznor ressuscitou os How to Destroy Angels e que esta banda edita no próximo dia treze de novembro, através da Columbia Records, o EP An Omen, trabalho que deve manter as mesmos experimentações e sonoridades eletrónicas da estreia em 2010, agora, no soundcloud dos How To Destroy Angels, foi divulgada uma remistura de Dave Sitek, do primeiro single do EP, Keep it Together, disponível para download gratuíto. Confere...

Lonerism, de longe um dos grandes registos de 2012, continua a produzir dividendos aos Tame Impala, nomeadamente na forma de remisturas de alguns dos seus temas mais quentes. E um deles é, sem dúvida Elephant, canção capaz de passear por uma sonoridade densa e que o projeto Canyons Wooly Mammoth pouco profanou, aproveitando-se apenas das expressivas guitarras que passeiam pela canção para gerar um composto ainda mais grandioso, experimental e assim próximo das pistas de dança.

Sem tempo para descanso, o norte americano Chaz Bundick, grande mentor dos Toro Y Moy, anunciou para o começo de 2013, mais precisamente a vinte e três de janeiro, a chegada do terceiro álbum do projeto. Denominado Anything In Return, o sucessor do ótimo Underneath The Pine deve manter a mesma premissa dos lançamentos anteriores do músico, que cada vez mais se afasta das experimentações lo fi de outrora para brincar à sua maneira com a música pop. Repleta de ecos, batidas eletrónicas e os tradicionais sintetizadores, So Many Details foi a escolhida como primeiro single de Anything In Return.

Seguidores confessos dos Daft Punk, a proposta musical da dupla nova-iorquina Holy Ghost! é fazer o ouvinte dançar, ao mesmo tempo que também caminham por vias próximas das que definem o trabalho de bandas como Cut Copy, Alex Frankel e Nicholas Millhiser.
It Gets Dark é o novo tema divulgado pelo grupo e continua na linha do que foi explorado o ano passado no disco homónimo de estreia e abre as portas para os próximos inventos da dupla, que em breve deve chegar com um novo disco.

Os Frankie & The Heartstrings acabam de divulgar um novo single intitulado I Still Follow You, o primeiro a ser retirado daquele que será o segundo álbum desta banda, gravado no último verão e produzido por Bernard Butler, guitarrista dos Suede. O novo disco deverá ver a luz do dia em 2013 e este single está disponível para download no sitio da banda.

A DFA disponibilizou recentemente para download gratuíto no soundcloud da editora Runnin, o primeiro single de Mars, disco do coletivo sudanês Sinkane, sedeado em Brooklyn, Nova Iorque. Mars sairá para as lojas em novembro através da DFA (EUA) e da City Slang(Europa)!
Os Sinkane são formados por Ahmed City, Jaytram, Mikey Freedom Hart e Mike Montgomery e esta amostra obriga-me a estar bem atento ao disco que aí vem..
Os ingleses ∆ (alt-J) estão a disponibilizar para download gratuito uma versão acústica de Tessellate, um tema, que faz parte do muito aclamado disco An Awesome Wave, editado este ano pela banda e que divulguei no passado mês de junho. A versão foi gravada nos estúdios SARM em Julho passado e, está agora disponível para todos ouvirmos, através do soundcloud do grupo.
Os Black Keys lançaram no passado dia nove um EP de seis músicas gravadas ao vivo, em dezembro de 2011, quando a banda ensaiava para a digressão do então novíssimo El Camino.
Quatro das canções inseridas no EP The Tour Rehearsal Tapes, são de El Camino, nomeadamente Dead And Gone, Gold On The Ceiling, Lonely Boy e Run Right Back. As outras duas canções fazem parte do Brothers, de 2010: Next Girl e Toghten Up. Confere o EP...
01. Dead And Gone
02. Gold On The Ceiling
03. Lonely Boy
04. Next Girl
05. Run Right Back
06. Tighten Up
Os californianos Letting Up Despite Great Faults editaram no passado dia nove de outubro Untogether, no próximo dia 9 de outubro de 2012, via New Words. O disco chega três anos após a promissora estreia homónima, de 2009, que rendeu belas canções, como In Steps, boas críticas e boas expectativas.
De Untogether, já foram retirados os singles Visions e Bulletproof Girl, que certamente vai soar um pouco estranho para quem esperava a mesma dream pop do disco e EPs anteriores.
01. Visions
02. Scratch
03. Take My Jacket, Pauline
04. Postcard
05. Bulletproof Girl
06. Details Of My World
07. Breaking
08. The Best Part
09. Numbered Days
10. On Your Mark
Casa de alguns nomes importantes da cena independente atual, como, por exemplo, os Chromatics, o selo Italians Do It Better acaba de relançar uma de suas melhores coletâneas, a After Dark. O registo contém temas de nomes como Professor Genius, Glass Candy, Mirage, além da mencionada banda acima e está disponível para download na própria página do selo, que ainda disponibiliza uma variedade de outros materiais (físicos e virtuais) dos mesmos artistas.
Glass Candy / Rolling Down The Hills (3:32)
Chromatics / Hands In The Dark (4:48)
Mirage / Last Nite A Dj Saved My Life (6:42)
Mirage / Lady Operator (5:37)
Glass Candy / Computer Love (5:37)
Professor Genius / La Grotta (6:33)
Chromatics / Killing Spree (1:19)
Farah / Law Of Life (7:28)
Chromatics / In The City (7:09)
Glass Candy / Miss Broadway (6:46)
Featuring Nat Walker / Saxophone & Eyvind Kang / Strings
Mirage / Lake Of Dreams (9:26)
Farah / Dancing Girls (5:36)
Glass Candy / The Chameleon (4:55)
Professor Genius / Pegaso (2:44)
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Apesar de possuirem uma sonoridade sombria e algo amargurada, os nova iorquinos Cold Cave sempre souberam como nos fazer dançar. Nos seus trabalhos Wesley Eisold manteve sempre atrativo o limite entre os sintetizadores da década de oitenta e o ritmo ascendente das composições que definem parte da música deste início de século. Com A Little Death to Laugh, o mais novo single da banda temos então mais uma criação que se sustenta em cima de versos sombrios, enquanto uma miríade de reverberações instrumentais cresce de e nos atrai para a pista de dança. Viciante, a música antecipa o que devemos encontrar no próximo disco dos Cold Cave, ainda sem data de lançamento, mas provavelmente agendado para 2013.

Os Coves são uma nova dupla britânica que já chamaram a atenção de Zane Lowe, Huw Stephens, Don Letts and Lauren Laverne, alguns dos críticos musicais mais emblemáticos de terras de sua majestade, nomeadamente devido ao EP de estreia Cast A Shadow, editado no passado mês de maio e disponível para audição no Soundcloud.
A sonoridade dos Coves encontra as suas raízes nos anos sessenta, sendo uma índie rock com alguns tiques habituais da psicadelia.
Uma das canções do EP, Ladder, teve direito a uma remistura pelos conterrâneos TOY, que será lançada no próximo dia oito de outubro pela Cross Key Records, além de terem divulgado uma versão de Wicked Game, um original de Chris Isaac.

A androgenia e a dualidade provocativa entre os géneros masculino e feminino foram sempre a força motriz da música do cantor e compositor norte-americano Mike Hadreas. Responsável pelo projeto Perfume Genius, o músico causou polémica há alguns meses quando, para promover o lançamento de Put Your Back N 2 It apresentou o vídeo de Hood, onde contracenava com um ator de filmes pronográficos. Agora, no vídeo da triste e melancólica Take Me Home, Hadreas volta a brincar com a própria sexualidade, ao passear numa rua de vestido, ligas e salto alto.

Os DIIV são uma das grandes novidades do cenário musical independente nova iorquino em 2012. Formados por alguns membros dos Beach Fossils, têm no garage rock, que dialoga com a recente tendência surf rock que ocupa boa parte do panorama alternativo norte americano e doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica, envolta por um clima lo fi, a base para a criação de um dos melhores trabalhos de 2012, Oshin.
Das grandes canções desse, Follow é uma das mais autênticas e cativantes, algo que o produtor Dayve Hawk, dos Memory Tapes, conseguiu conservar na remistura que criou para este tema da banda liderada por Zachary Cole Smith.

Mesmo que oculto por uma camada densa e quase intransponível de ruídos, o hip hop esteve sempre presente na sonoridade da dupla nova iorquina Sleigh Bells. Fosse no clima sufocante de Treats (2010) ou nas construções essencialmente sintéticas do recente Reign Of Terror, o que não faltam são passagens particulares e quase sempre instrumentais por esse género.
É exatamente a valorizar essa particularidade dos Sleigh Bells que o produtor Araabmuzik, talvez aproveitando o fato de andar em digressão com esta dupla, acaba de divulgar uma remistura do tema Never Say Die, um dos destaques de Reign Of Terror.
O norte-americano Matthew Dear é um daqueles produtores musicais que tem sabido, ao longo do tempo, adaptar o seu cardápio sonoro às circunstâncias e apresentar sempre algo de novo, grandioso, expressivo e diferente nos seus lançamentos musicais.

Pode-se dizer que as propostas musicais que nos foi dando na última década, um pouco minimalistas e assentes na eletrónica de finais dos anos oitenta, abriram caminho para a chegada de Beams, lançado recentemente pela Ghostly International e quinto disco deste artista texano. Ainda pop, mas mais complexo que os álbuns anteriores, além de romper com fórmulas passadas, posiciona Matthew Dear num grupo restrito de artistas que, com construções sonoras volumosas, arrastam-nos imediatamente para as pistas.
Em Beams pouco sobrevive do techo minimal que se ouvia no início da carreira de Matthew. Não resisto a chamar para o rol de influências que transpiram de Beams uma fusão daquilo que James Murphy construiu em termos de vozes e batidas no decorrer da sua trajetória nos LCD Soundsystem e os detalhes, a textura e a subtileza da obra de Brian Eno na década de setenta.
Ao mesmo tempo que recheia este álbum com melodias cativantes e batidas bastante intensas e quentes, Dear aproveita para viajar entre vários mundos. A abrir, Her Fantasy, uma das melhores canções deste novo disco e do ano é feita com construções musicais grandiosas que absorvem uma atmosfera épica, quase monumental e dialogam abertamente com o pop e outras frações musicais menos reclusas e mais abrangentes, portanto. Logo na segunda canção vamos até ao rock com Earthforms, onde podemos ouvir uma linha de baixo bastante intensa. Em Headcage temos de volta os acertos minimalistas que definiram os registos iniciais do produtor, em Ahead Of Myself algo eminentemente melancólico e em Fighting Is Futile uma proposta estritamente dançante e simples.
Há algo de grandioso em Beams e a manifestação sonora de um álbum de proporções monumentais, que atrai pela infinidade de tiques e géneros presentes nas composições e mantém firme uma certa linearidade pop. Espero que aprecies a sugestão...

1 Her Fantasy
2 Earthforms
3 Headcage
4 Fighting Is Futile
5 Up & Out
6 Overtime
7 Get The Rhyme Right
8 Ahead of Myself
9 Do the Right Thing
10 Shake Me
11 Temptation

No próximo dia catorze de Janeiro de 2013 chegará às lojas Weatherman o novo disco do projeto nacional The Weatherman, de Alexandre Monteiro. Proper Goodbye é a canção escolhida como single de antecipação deste novo álbum e tem a participação de Rui Maia (X-Wife/ Mirror People), Nuno Sarafa (X-Wife, Best Youth) na bateria, e João André (André Indiana, Mónica Ferraz) no baixo e na produção juntamente com o próprio Alexandre. O video foi realizado por Vasco Mendes.
No álbum de estreia, Cruisin’ Alaska, de 2006, Alexandre Monteiro tocava todos os instrumentos. O álbum foi muito bem recebido e recebeu boas críticas. Todos se recordarão, certamente, de People Get Lazy, o single retirado desse álbum e que obteve presença regular nas playlists de diversas rádios nacionais, assim como If You Ony Have One Wish e About Harmony.
Já agora, sobre Proper Goodbye, Alexandre referiu recentemente:
Se tivessem a oportunidade de escolher a forma de se despedirem em grande estilo de que forma o fariam? Esta canção nasceu da ideia de que as despedidas raramente são as mais apropriadas. Pegando na ideia base da letra da canção e no próprio imaginário que se associa a este músico, apresentamos aquela que poderia ser a despedida ideal para The Weatherman: despedir-se dos amigos partindo para o espaço a bordo de um foguetão...
Este será certamente um dos discos que divulgarei no início do próximo ano.

A dupla canadiana Crystal Castles terá um novo disco em breve; A rodela irá chamar-se III e, naturalmente, devemos esperar mais uma sucessão de composições sujas e dançantes. Depois da crueza eletrónica que tomou conta de Crystal Castles, o homónimo lançado em 2010 e um dos melhores álbuns desse ano, o projeto formado por Ethan Kath e Alice Glass deve, no próximo disco, elevar ainda mais o mesmo resultado sombrio e experimental das suas canções, algo que o single Plaque, apresentado recentemente e agora Wrath of God pronunciam.

A banda britânica Fear Of Men é de longe uma das grandes novidades dos últimos tempos. Com referências que vão do rock alternativo da década de noventa à dream pop e o lo fi, estes londrinos, depois de terem divulgado Mosaic, têm na novíssima canção Your Side mais um belo exemplar da sua ainda curta carreira. Com uma voz atrativa atrativos e uma letra que parece montada para ser decorada logo desde os primeiros instantes, a canção já anuncia o que vamos encontrar no próximo ano, quando o primeiro disco oficial do grupo for apresentado. Até lá temos motivos de sobra para acreditar numa carreira promissora para estes Fear Of Men.

Lançada oficialmente em 1977 como parte do álbum de estreia da banda Television, Marquee Moon (um dos discos mais importantes da história), Guiding Light teve recentemente direito a uma excelente versão pelas mãos do grupo Tennis. Completamente reformulada, a música surge imersa numa sonoridade doce, algo típico na sonoridade do casal Patrick Riley e Alaina Moore. Obviamente delicada, a canção mantém a mesma estrutura incorporada pela dupla no decorrer do ainda recente Young And Old, disco lançado no começo deste ano e mais um competente exemplo das produções da banda. Sem previsão de ser apresentada em formato físico, a canção é um presente para quem sempre acompanhou o casal desde o lançamento de Cape Dory, o disco de estreia da dupla, que viu a luz do dia em 2011.

Depois de um disco que não foi lá muito bem recebido pela crítica, os britânicos Still Corners parecem estar a querer dar a volta por cima. Fireflies, o mais recente single do grupo inglês traz de volta toda a nostalgia e os sintetizadores que marcaram a década de oitenta. A canção explora com beleza a mesma estrutura conceitual que marca a obra dos Chromatics e as composições mais suaves dos Grimes. Confere...
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