Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Panda Bear - Noah EP

Chega no dia doze de novembro às lojas Meets The Grim Reaper, o novo e quinto álbum da carreira de Panda Bear, um músico com fortes ligações a Portugal, adepto confesso de grande Sport Lisboa e Benfica e membro fundador dos Animal Collective.

Depois do cariz minimal em que alicerçou Tomboy, de acordo com a imprensa este novo trabalho de Panda Bear, gravado entre Lisboa e a planície texana com a colaboração de Pete Kember, leva o músico de regresso à estratégia em que é mestre, a junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Pela amostra, intitulada Mr Noah, um single lançado em formato EP, acompanhado por mais três canções que não farão parte do alinhamento de Meets The Grim Reaper, essa opção terá sido bem sucedida e o novo trabalho do músico será certamente um marco fundamental da sua carreira.

No EP encontramos uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações. Se Mr Noah prepara o terreno sendo o tema mais acessível do EP, a cândura pop e romântica de Faces In The Crowd levanta um pouco mais o véu sobre o futoro sonoro de Bear, o que será finalizado no toque de psicadelia que define Untying The Knot, um tema que leva Panda Bear para o clima hipnótico e lisérgico da década de setenta e que é bem capaz de ser o o novo território sonoro que o deixa atualmente algo siderado. Por fim, This Side of Paradise é um momento de pura experimentação, uma colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que incluem samples de vozes e arranjos em eco e sintetizados, nem sempre claramente percetíveis.

Confere o EP de lançamento do single Mr Noah, já disponível para download no itunes e a tracklist de Meets The Grim Reaper...

Album cover: Panda Bear - Mr Noah

Mr Noah
Faces In The Crowd
Untying The Knot
This Side Of Paradise

01.Sequential Circuits
02.Mr Noah
03.Davy Jones’ Locker
04.Crosswords
05.Butcher Baker Candlestick Maker
06.Boys Latin
07.Come To Your Senses
08.Tropic Of Cancer
09.Shadow Of The Colossus
10.Lonely Wanderer
11.Principe Real
12.Selfish Gene
13.Acid Wash


autor stipe07 às 21:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Swim Mountain - Swim Mountain EP

Oriundos de Londres, os britânicos Swim Mountain são Tom Skyrme, Joff Macey, Andrew Misuraca e Teej Marshall e no passado dia vinte e nove de setembro editaram o EP homónimo de estreia, através da londrina Hey Moon. Produzido pelo próprio Tom Skyrme, entre Londres e Los Angeles, Swim Mountain são pouco mais de vinte minutos que abarcam um vast leque de influências que vão da pop aditiva, ao indie rock psicadélico, tudo sustentado por uma arquitetura de versos e sons festivos, que comprova a capacidade deste coletivo para produzir composições puras, encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza.

Com vibrantes linhas de baixo e guitarras sintetizadas cheias de cor e brilho, os Swin Mountain mergulham num festim de sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica. O quarteto tanto abraça o cenário musical dos anos sessenta, criado por bandas como Argent & Blunsonte, Rundgren e os The Wilson Brothers, como se deixa contagiar pelo calor brasileiro de um Tom Jobim e um João Gilberto. No entanto, a influência principal é o universo musical dos antípodas proporcionado por nomes como os Tame Impala ou os Coloured Clocks. Influências à parte, importa reter que os Swim Mountain convidam-nos a embarcar numa pequena viagem onde sintetizadores, guitarras, batidas e uma escrita às vezes pouco óbvia e sem muito sentido, dançam num jogo colorido de referências.

A curiosa luminosidade das canções dos Swim Mountain espraia-se com todo o esplendor logo no single Yesterday, um tema com uma melodia verdadeiramente acessível e fácil de cantarolar e cheia de detalhes e arranjos samplados de cenas do quotidiano comum. Entra-se em Ornella e mal se percebe a mudança de faixa, apesar de uma distorção em eco dar uma toada algo psicadélica à canção, mas esse pormenor não coloca em causa a forte componente radiofónica e com arranjos que nos prendem até ao último acorde. Este revivalismo setentista acentua-se no teclado sintetizado de Dream It Real e surge-nos no imediato à memória o tal cenário dos antípodas. Já na sensibilidade perene de Everyday dá-se nova inflexão, agora rumo à pop e à eletrónica, com a batida ritmada a piscar o olho à pista de dança. Este ambiente mais eletrónico permanece durante a subtileza synth pop de Nothing Is Quite As It Seems e no final da viagem não duvidamos que escutamos um compêndio sonoro carregado de luz e vivacidade, uma coleção de belos acertos sonoros e canções memoráveis, que refletem uma já assinalável maturidade de um grupo particularmente criativo e dotado de um assinalável bom gosto.

Os Swim Mountain são um projeto que deve ser levado muito a sério e este EP merece uma audição atenta e dedicada. Existe um elevado toque de modernidade nas suas canções, apesar da evidente agenda de revivalismo que pretendem seguir, ou seja, o toque e o perfume de outros tempos estão lá, mas estes quatro músicos replicam um som bastante atual, original e maduro. Espero que aprecies a sugestão...

Swim Mountain - EP, Swim Mountain

Ticket

Yesterday

Ornella

Dream It Real

Everyday

Nothing Is Quite As It Seems


autor stipe07 às 18:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Nick Nicely - Space Of A Second

Lançado no passado dia vinte e nove de setembro, através da Lo Recordings, Space Of Sound é o novo compêndio sonoro de Nick Nicely, uma verdadeira caldeirada de pop psicadélica concebida por um músico e produtor que é já um nome lendário da eletrónica britânica, desde que se estreou no início dos anos oitenta com DCT Dreams, um single que, de Neu aos Kraftwerk, olhava já nessa altura e com acerto para o período mais psicotrópico dos Beatles e dos Pink Floyd, quando era Syd Barrett quem ditava as regras.

O primeiro disco chegou apenas em 2004 quando a Tenth Planet Records resolveu compilar uma série de singles que este músico tinha editado de 1978 até esse ano, tendo nascido assim Psychotropia. Com esse longa duração, Nick Nicely aitngiu um maior número de ouvintes e aquilo que era até então um segredo bem guardado da eletrónica de Terras de Sua Majestade, tornou-se num fenómeno à escala global. Não tardaram a surgir colaborações com nomes tão importantes como Ariel Pink ou John Maus e, como a sonoridade que o músico replica está na ordem do dia, tornava-se urgente ele mostrar a sua visão desta tendência atual na pop que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

Space of a Second são então catorze canções que, muitas vezes, são dificeis de serem catalogadas como canções com identidade própria e que obdecem ao habitual formato das mesmas, já que que parecem funcionar como um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, a habitual onda expressiva de Nick relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico feito de guitarras experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal e de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros.

A canção que melhor se aproxima do habitual formato e de uma sonoridade indie mais acessível é Longwaytothebeach, um tema que inicia com sons de passos na areia e que depois encontra os alicerces num baixo encorpado, numa bateria cheia de groove e numa guitarra que dispara riffs em várias direções. Mas quer nesta música, quer nas restantes, a voz de Nick aparece sempre num registo modificado sinteticamente e funciona, geralmente, como mais um agregado sonoro que amplia um certo barroquismo lo fi que exala dos temas, do que propriamente com a função explícita de dar vida e som a um poema com uma mensagem clara e entendivel. Se em HeadwindAheadwind parece que o produtor enlouqueceu de vez, Hilly Road é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Wrottersley Road subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. A referida revisão eufórica que parece orientar o trabalho de Nick atinge o auge quando Space Of A Second desperta-nos para os tais Pink Floyd imaginários e futuristas ao som da sequência London South e Raw Euphoria, e principalmente de Rrainbow, o tema que melhor revive uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há quarenta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação.

Uma das virtudes e encantos de Nick Nicely terá sido sempre essa capacidade de criar tratados sonoros algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre embebidos num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Space Of A Second segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico e coloca o autor no olho do furacão de uma encruzilhada sonora, ao fazer uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos. Este é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante, garanto-vos. Espero que aprecies a sugestão...

1. HeadwindAheadwind
2. Rosemarys Eyes
3. Space Of A Second
4. Wrottersley Road
5. Whirlpool
6. London South
7. Raw Euphoria
8. Change In Charmaine
9. Rrainbow
10. Longwaytothebeach
11. Lobster Dobbs
12. Hilly Fields Acoustic


autor stipe07 às 19:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

Engineers - Always Returning

Formados atualmente pelo multi-instrumentista Mark Peters, o aclamado músico e produtor alemão Ulrich Schnauss e pelo baterista londrino e compositor Matthew Linley, os Engineers têm criado belíssimas texturas sonoras na última decada e são já um nome de referência no universo da eletrónica de cariz mais ambiental e experimental. Estrearam-se em 2005 com um homónimo que lhes apontou logo imensos holofotes e quatro anos depois, com Three Fact Fader atingiram um estatuto enorme que, no ano seguinte, em 2010, com In Praise Of More, solidificaram definitivamente essa visão, com um enorme grau de brilhantismo. Esse foi o ano em que Ulrich Schnauss juntou-se aos Engineers e Always Returning é o novo passo na carreira de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros.

Com o tema Fight or Flight disponibilizado pela editora Kscope para download gratuíto, Always Returning oscila entre temas puramente instrumentais e outros que não dispensam a presença da voz,  em dez canções que consolidam a maturidade de um grupo que sabe estabelecer entre os seus membros um diálogo feliz e profícuo, em busca do melhor contraste entre as diferentes referências sonoras que orientam o grupo, acabando por as sublimar com mestria e fazer com que se destaque a emoção com que a música criada pelos Engineers consegue transportar bonitos sentimentos.

Always Returning é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Da guitarra picada de Bless The Painter, que busca uma psicadelia que se lança sobre o avanço lento mas infatigável de um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, depois, em Searched for Answers e Smoke & Mirrors, parece que se deixou envolver por uma bolha de hélio passada a lustro pelo rock alternativo dos anos oitenta, ao eco sintetizado e incrivelmente épico de Fight Or Flight, o disco é um manancial de diferentes géneros sonoros e faz uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos.

O auge desta revisão eufórica acontece quando Always Returning desperta-nos para uns Pink Floyd imaginários e futuristas ao som de It Rings So True  e Smiling Back, uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há trinta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação. O próprio rock melódico mais barroco, ou a típica folk pop melancólica aparecem em temas como Drive Your Car ou Innsbruck, uma sequência impregnada com uma beleza e uma complexidade tal que merece ser apreciada com alguma devoção e faz-nos sentir vontade, no fim, de carregar novamente no play e voltar ao início dos dois temas. A melancolia das duas canções é comandada por um som de guitarra, que aliado a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo aos temas e, no caso de Drive Your Car, a voz de Mark consegue trazer a oscilação necessária para transparecer uma elevada veia sentimental.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto e apesar das diferentes origens musicais, nenhum estilo domina claramente e o efeito é o de várias abordagens sonoras, igualmente magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativa, que permite a concordância e a discordância, por sua vez. Do rock clássico, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, este alinhamento impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Always Returning é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Bless the Painter
Fight or Flight (Download)
It Rings So True
Drive Your Car
Innsbruck
Searched for Answers
Smiling Back
A Million Voices
Smoke and Mirrors
Always Returning

 


autor stipe07 às 21:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Niagara – Don’t Take It Personally

Sedeados em Turim, os italianos Niagara são David Tomat e Gabriele Ottino, dois extraordinários músicos e produtores, que também já foram membros da mítica banda de rock italiana N.A.M.B., além do coletivo Gemini Excerpt. Já agora, Tomat grava ainda em nome próprio e Ottino mantém outro projeto, acompanhado por Milena Lovesick. Editado no passado dia nove de setembro através da Monotreme Records, Don't Take it Personally é o extraordinário novo disco deste projeto que se estreou em 2012 com o não menos eloquente Otto e que, à semelhança desse primeiro trabalho, mergulha a pop eletrónica com nuances sonoras que ganham vida em densas e pastosas águas turvas, devido ao elevado pendor psicadélico, num expressivo balanço entre uma faceta experimental e um lado mais groove e dançável, de algum modo evocando o bom e velho trip hop que surgiu no início dos anos noventa noutro ponto da Europa.

Don't Take It Personally parece querer falar-nos de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo, já que escuta-se como uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade dos Niagara para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana. 

Como nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e percebe-se que a dupla sabe melhor do que ninguém como conjugar exuberância com minimalismo, este é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. Se o típico trip hop ácido e nebuloso conduz John Barrett , que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por aquele som típico da agulha a ranger no vinil, assim como por teclados e um subtil efeito de guitarra em Currybox, já em Vanillacola é o rock progessivo feito com guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo folk pintado com belíssimos arranjos de cordas e uma voz contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Laes, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada e devido à forma como os arranjos e a voz ecoam numa melodia que nos proporciona uma assombrosa sensação de conforto e nos oferece o melhor momento do disco. Já a voz robótica e o cruzamento de vários ruídos sintéticos espaciais que parecem sair de um sintetizador analógico monofónico em Speak And Spell e, mais adiante, em Else (feel like a eletric machine), conduz-nos numa viagem rumo ao universo da pop eletrónica com um cariz vincadamente ambiental, denso, complexo e futurista, que ganha um fôlego ainda mais intenso em Popeye e China Eclipse, uma canção dividida em duas. Essa mesma voz aparece apenas na última e fica carregada de poeira e eco, adornada por subtis efeitos e ruídos etéreos e melancólicos que colocam-nos na rota certa de um álbum que impressiona pela tal atmosfera densa e pastosa, mas claramente libertadora e esotérica.

Em Don't Take It Personally, a produção é uma das mais valias já que, seja entre o processo dos primeiros arranjos, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo, num disco que é muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor e estes Niagara irão certamente e muito em breve, assumir justamente uma posição de relevo no espetro sonoro em que se inserem. Espero que aprecies a sugestão...

Niagara - Don't Take It Personally

01. John Barrett
02. Fat Kaoss
03. Vanillacola
04. Speak And Spell
05. Laes
06. Currybox
07. Popeye
08. China Eclipse
09. Else
10. Bloom


autor stipe07 às 21:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Thom Yorke – Tomorrow’s Modern Boxes

Vocalista da banda que ocupa o trono do indie rock alternativo há quase duas décadas e um dos criativos musicais fundamentais da história da música contemporânea, Thom Yorke está claramente apostado em deixar uma marca indelével na história da música e não apenas e só por causa do conteúdo do seu cardápio sonoro, mas também na forma inovadora como pretende revelar e disponibilizar o mesmo. Crítico assumido sobre a forma como a indústria fonográfica tem assumido as rédeas da distribuição, Yorke disponibilizou no passado dia vinte e seis de setembro Tomorrow's Modern Boxes, o seu segundo disco a solo, para download digital e também em vinil na página oficial, experimentando uma nova forma de edição e distribuição, através da tecnologia BitTorrent, criada por uma empresa norte-americana e que permite a cada consumidor partilhar e gerir ficheiros sem intermediários.

Num comunicado que assina com Nigel Godrich, o produtor do disco e divulgado no dia do lançamento, ambos explicavam que Tomorrow’s Modern Boxes é uma experiência e que, se correr bem, poderá ser o caminho para que os criadores artísticos voltem a ter controlo sobre o comércio na Internet. Seja como for, e independemente do sucesso desta nova abordagem comercial, importa é, desde já, debruçarmo-nos sobre aquilo que realmente importa, o conteúdo deste registo de um músico que promete, como já referi, deixar uma marca indelével na história da música, particularmente a eletrónica.

Uma batida crua, cheia de loops e efeitos em repetição constante e elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um baixo sintético com um volume crescente, quase sempre livres de constrangimentos estéticos e que nos provocam um saudável torpor, são já a imagem de marca da música de Thom Yorke, alguém que parece decididamente apostado em compôr música principalmente para si e, de forma subtil, criar um ambiente muito próprio e único através da forma como o sustenta instrumentalmente, ao privilegiar uma abordagem eminentemente sintética. Os oito temas do alinhamento de Tomorrow's Modern Boxes vivem, portanto, da eletrónica e dos ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral. É deste cruzamento espetral e meditativo que o disco vive, um registo que espelha a elevada maturidade do autor e espelha a natural propensão do mesmo para conseguir, com mestria e excelência, manusear a eletrónica digitalmente, através de batidas digitais bombeadas por sintetizadores e adicionar-lhe, muitas vezes de forma bastante implícita e quase inaudível o baixo e a bateria.

Analisar a música de Thom Yorke e não falar da sua voz é desprezar um elemento fulcral da sua criação artística; Ela é também em Tomorrow's Modern Boxes um fio condutor das canções, seja através do habitual falsete, amiúde manipulado em A Brain In A Bottle, o tema onde essa forma de cantar é mais explícita,ou através de um registo sussurrante, ou ainda de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais. E este último registo ganha contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste disco quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb em temas como Truth Ray ou There Is No Ice (For My Drink) e transforma-se numa das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Yorke está ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. Curiosamente, o piano costuma ser um fiel companheiro do músico e um instrumento que se alia com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge destacado em Pink Section, por sinal um tema onde o protagonismo da voz é ínfimo.

Tomorrow's Modern Boxes é de um subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Thom Yorke.

Nigel Goodrich já tinha produzido The Eraser, o primeiro registo a solo de Yorke e também foi ele que OkComputorizou os Radiohead, pelo que este novo manifesto de eletrónica experimental é também certamente responsabilidade sua, assim como a opção pela ausência total das guitarras e pela primazia do trabalho de computador, da construção de samples, no fundo, da incubação de uma arquitetura sonora que sobrevive num domínio muito próprio e que dificilmente encontra paralelo no cenário musical atual.

Mais apontado para satisfazer o seu umbigo do que propriamente saciar a fome de excelência de quem o venera e exulta a cada suspiro ruidoso que o autor exala, Tomorrow's Modern Boxes é um despertar maquinal, onde a pureza da voz contrasta com a agressividade de uma modernidade plasmada em letras que mostram o mesmo Thom Yorke de sempre, irreverente, meio perdido, entre o compreensível e o mundo dele, estando, no meio, a sua luta constante com a sociedade e a sua vertente intervencionista politica, ambiental e social. Espero que aprecies a sugestão... 

Thom Yorke - Tomorrow's Modern Boxes

01. A Brain In A Bottle
02. Guess Again!
03. Interference
04. The Mother Lode
05. Truth Ray
06. There Is No Ice (For My Drink)
07. Pink Section
08. Nose Grows Some


autor stipe07 às 22:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Peace - Lost On Me

Peace - Lost On Me

Oriundo de Birmingham, o quarteto inglês Peace continua a revelar novos detalhes do seu segundo disco de originais. Lost On Me é o novo single retirado do álbum e já tem direito a vídeo oficial, por sinal bastante engraçado e criativo. Nele, a banda fica presa num loop infinito de passos de dança que os levam a arriscar as suas vidas e, ao que parece, a morrer ao final. Confere...


autor stipe07 às 13:17
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 27 de Setembro de 2014

Perfume Genius - Too Bright

Editado no passado dia vinte e três de setembro por intermédio da Matador Records, Too Bright é o novo álbum de Perfume Genius, aka Mike Hadreas, um músico natural de Seattle e cujo trabalho de estreia, Learning, lançado em 2010, fez dele um dos nomes mais excitantes do cenário alternativo. Dois anos depois, Put Your Back N 2 It ofereceu-nos momentos sonoros soturnos e abertamente sofridos e agora, em Too Bright, Hadreas amplia as suas virtudes como cantor e criador de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são profundamente autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais do artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam  connosco com elevada empatia.

Gravado com Adrian Utley dos Portishead e com a participação especial de John Parish em vários temas, Too Bright é um disco inteiramente dominado por uma voz que se faz acompanhar de um ilustre piano, enquanto relata eventos de uma vida com alguns detalhes que nem sempre são particularmente agradáveis. Mike teve grandes dificuldades em lidar com a homofobia que sempre sentiu em redor devido à sua condição sexual e ao processo de recuperação que teve de encetar devido a uma dependência do álcool e das drogas, algo que a atmosfera lo-fi dos seus álbuns ilustra como uma necessidade confessional de resolução e redenção. Como o próprio Hadreas, os seus discos são delicados, emocionantes, e inerentemente tristes.

Too Bright não é uma inflexão radical em relação à toada dos trabalhos anteriores, mas há aqui algo mais intenso, também por causa das suas mudanças na vida pessoal e que, ao escutarmos a sua música, sentimos enorme curiosidade em conhecer. A forma contundente como Mike abre-nos o seu coração, impele-nos ao desejo de conhecer melhor o homem por detrás do piano e dos sintetizadores, os dois grandes pilares instrumentais de Too Bright e que, no caso dos últimos, alargaram exponencialmente o leque de possibilidades melódicas e de tomada de decisões ao nível dos arranjos.

Sendo então um artista que já confessou que não consegue fazer música se ela não falar sobre si próprio e que aproveitou, ainda, para referir que continua a guardar muitos segredos dentro de si, em Too Bright os timbres distorcidos de Queen, a dinâmica melosa e emotiva de Fool e a pop vintage de Grid, são exemplos nítidos sobre a forma como Mike criou neste trabalho, através de um aparato tecnológico mais amplo, caminhos de expressão musical inéditos na sua discografia e, simultaneamente, novas formas de se revelar a quem quiser conhecer a sua personalidade.

Se nos apraz partir nesta viagem de descoberta da mente de um homem cheio de particularidades, devemos estar também imbuídos da consciência de que temos, com igual respeito e apreço, de conhecer o lado mais obscuro da sua personalidade, um verdadeiro manancial para a mente criativa do músico, tendo em conta as especificidades da sua realidade que já referi, apenas genericamente. A voz grave e algo enraivecida e ferida que se escuta em I'm A Mother e que se distorce ainda mais em My Body, à medida que a componente instrumental sintética cria, nesta última, um ambiente sinistro e nos suga para o interior do âmago de Hadreas, provoca em nós um sentimento de repulsa, porque sentimos vontade de lutar contra essa evidência mas, por outro lado, causa uma atração intensa, como se não quisessemos deixar tão cedo de escutar este momento de verdadeiro delírio.

Perfume Genius é, como vemos, mestre na forma como utiliza a dor para transformar a sua intimidade em algo universal e na maneira como aborda de forma inédita as relações e a fragilidade humana. E esse caráter de ineditismo está plasmado na honestidade derramada por ele na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, que poderia bem fazer parte de um manual de auto ajuda para quem procure forças para superar os percalços de uma vida que possa estar emocionalmente destruída.

Too Bright faz justiça ao nome porque traz-nos luz... Não só sobre Mike, mas também sobre nós próprios, uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas o contacto e a tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. É uma luz suplicante, que luta contra os nossos desejos, ou que quer apenas ser a materialização deles, emanada de um disco sombrio e, por isso, muito forte, enquanto plasma uma nova faceta do percurso discográfico do autor. Espero que aprecies a sugestão...

Perfume Genius - Too Bright

01. I Decline
02. Queen
03. Fool
04. No Good
05. My Body
06. Don’t Let Them In
07. Grid
08. Longpig
09. I’m A Mother
10. Too Bright
11. All Along

 


autor stipe07 às 13:59
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Alt-J (∆) – This Is All Yours

Gwil Sainsbury, Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green conheceram-se na Universidade de Leeds em 2007. Gus estudava literatura inglesa e os outros três belas artes. No segundo ano de estudos, Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, está de regresso aos lançamentos com This Is All Yours, através da Infectious, um álbum que, além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a eleva para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

As treze canções de An Awesome Wave encaixavam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito; Eram canções que nos faziam descobrir a sua complexidade à medida que se escutava o alinhamento de forma viciante. A atmosfera dançante de Brezeblocks e de Fitzpleasure, misturava-se com músicas mais calmas e relaxantes como Something Good e Taro e, na verdade, talvez ainda estejamos todos demasiado conetados com essa doce recordação para aceitarmos com facilidade a nova vida deste (agora) trio que aposta num som mais esculpido e complexo, algo que nos obriga a um exercício maior na primeira percepção das novas composições, mas que eu recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

Mais uma vez, os Alt-J (∆) têm como base insturmental o uso de sintetizadores e continuam a ser exímios na replicação de harmonias vocais belíssimas, mantendo-se aquela impressão de que as canções nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente. Mas, o grande motivo de verdadeira celebração relativamente ao conteúdo do sempre difícil segundo disco deste projeto de Leeds, certamente um dos mais excitantes do cenário indie atual, é a forma particularmente viva e espontânea com que celebram os ideais de charme e delicadeza; Eles ficam explícitos durante a viagem que o alinhamento de This Is All Yours nos permite fazer entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, uma epopeia de treze canções onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de ofrma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual.

Ao longo deste álbum abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Escuta-se a forte comoção latente de Hunger Of The Pine, o punk blues enérgico e libertário de Left Hand Free, o momento de maior excelência deste disco, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a The Gospel of John Hurt e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar na sequência final feita com Bloodfood Pt. II Leaving Nara, para se conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que o grupo foi convocar a esses dois universos sonoros que o rodeia e com os quais se identifica, com um elevado índice de maturidade e firmeza, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam nesta relação simbiótica, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras.

Se An Awesome Wave tinha momentos que, como já referi, convidavam ao abanar de ancas explícito e propositado, este sucessor impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno, mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Além do já referido sintetizador, uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instrumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Ao confrontar-se com a saída de Gwil, para muitos o líder do projeto, o trio que manteve o barco à tona teve de arregaçar as mangas e, talvez liberto de uma certa formatação criativa bem balizada que esse músico impunha, dedicar-se de forma mais democrática à expansão do seu cardápio sonoro, com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas bem sucedida, feita de imensos detalhes e uma elevada subtileza.

Em equipa que ganha às vezes também se mexe e o som complexo e profundo dos Alt-J (∆) resistiu com solidez e de modo exemplar à mudança, já que This Is All Yours comprova que um dos predicados que poderemos, pelos vistos, esperar sempre deste coletivo britânico prende-se com a capacidade que tem em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico que apresenta. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Alt-J (∆) e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - This Is All Yours

01. Intro
02. Arrival In Nara
03. Nara
04. Every Other Freckle
05. Left Hand Free
06. Garden Of England
07. Choice Kingdom
08. Hunger Of The Pine
09. Warm Foothills
10. The Gospel Of John Hurt
11. Pusher
12. Bloodflood Pt. II
13. Leaving Nara


autor stipe07 às 21:33
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Starwalker – Losers Can Win EP

Editado já a dezoito de março via Prototyp Recording & Bang ehf e disponivel para escutaLosers Can Win é o nome do EP de estreia dos Starwalker, uma dupla maravilha que junta dois ícones da pop dos nossos dias, nada mais nada menos que Jean-Benoit Dunckel (Air) e o compositor islandês Bardi Johannsson (Bang Gang, Lady & Bird).


Quando os Air vivem um hiato, Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome era inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica e onde ele deu as mãos à lindíssima Lou Hayter, dando origem a uma dupla cheia de charme e de onde só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que foi apresentado nas onze canções do homónimo de estreia desse projeto.

Agora, em Losers Can Win, predominam as reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, com a eletrónica muito presente, essencialmente na versão mais calma, melódica e clássica, sendo Bad Weather um tema fortemente apelativo para quem aprecia o período mais recente da carreira dos Air e as cordas luxuriantes do tema homónimo, uma porta de entrada privilegiada para quem sente saudades do período inicial aúreo da dupla francesa. 

As cinco canções deste EP são construídas de forma particularmente inspirada no modo como unem a orgânica vocal de Dunckel com uma sintetização que, carregada de efeitos de piano, metais, bateria e outros elementos sonoros nem sempre claramente percetíveis e que funiconam como simples mas preciosos detalhes na manta sonora apresentada, facilmente nos tiram do chão em direção ao espaço. É uma música espacial e inventiva, equilibrada com a rigidez contemplativa kraftwerkiana,o pendor cinematográfico de um Brian Eno e a serenidade típica dos Air e mesmo que Dunckel tenha aqui deixado que Bardi fosse um parceiro ativo no processo de criação melódica, predomina muito do estilo eletrónico típico dos Air, com a bela voz de Dunckel a casar muito bem com as viagens climáticas e etéreas que a dupla compôs.

Seja quando, por exemplo em Losers Can Win, existe um apelo para o movimento new wave mais dançante, ou quando Moral Sex sobrevive com notável sobriedade à custa de lindíssimos efeitos plenos de influências bem vincadas do krautrock, Losers Can Win é uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Starwalker - Losers Can Win

01. Losers Can Win
02. Bad Weather
03. Moral Sex
04. Losers Can Win (All That You’ve Got)
05. Bad Weather (Bloodgroup Remix)


autor stipe07 às 22:43
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Em escuta...

Facebook

Twitter

Twitter

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Outubro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9



26
27
28
29
30
31


posts recentes

Panda Bear - Noah EP

Swim Mountain - Swim Moun...

Nick Nicely - Space Of A ...

Engineers - Always Return...

Niagara – Don’t Take It P...

Thom Yorke – Tomorrow’s M...

Peace - Lost On Me

Perfume Genius - Too Brig...

Alt-J (∆) – This Is All Y...

Starwalker – Losers Can W...

Millionyoung – Materia EP

Los Waves - Strange Kind ...

The Radio Dept. – Death T...

Sinkane - Mean Love

Stars - Turn It Up

Bear In Heaven – Time Is ...

Sin Cos Tan – Blown Away

Phoenix – Bankrupt! (Gesa...

Childhood – Lacuna

Sinkane - New Name

X-Files

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

Procura...

 

Visitors (since 31.05.12)

blogs SAPO

subscrever feeds