Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

YACHT - Where Does The Disco? EP

Compositores, escultores, filósofos, ativistas e músicos, os YACHT (Young Americans Challenging High Technology) são um projeto concetual sedeado em Los Angeles, mas consideram Marfa, no Texas, a sua casa espiritual. No entanto, o projeto nasceu em 2002, em Portland, sendo nesta espécie de utópico triângulo das Bermudas em pleno Oeste dos Estados Unidos da América que se move um grupo que começou por servir como um veículo para Jona Bechtolt, que escreve sobre ciência, cultura e tecnologia num blogue chamado Universe, divulgar o seu trabalho em diversas áreas, qe vão da pesquisa científica à música, obviamente. Em 2008 Claire L. Evans juntou-se a Jona e já foi juntos que gravaram e publicaram em 2009  o aclamado See The Mystery Lights, na tal localidade texana chamada Marfa, ao qual se seguiu, em 2011, Shangri-la, um disco sobre a utopia, a distopia e tudo o que fica no meio. Entretanto, Bobby Birdman e Jeffrey Brodsky, amigos de Jona e Claire, já se juntaram aos YACHT, compondo a banda nas atuações ao vivo.

Com cinco discos já lançados através de editoras tão proeminentes como a DFA Records, a Marriage Records, ou a States Rights Records, onde se estrearam, os YACHT são já considerados como uma das bandas norte americanas mais criativas, principalmente por causa dos concertos, tendo já tocado em lugares tão díspares como museus, galerias de arte, barcos, casas de banho e até numa zona rural da China e das remisturas inconfundíveis, tendo já desmantelado canções de Snoop Dogg, Kings of Leon, Phoenix, Neon Indian, Stereolab, RATATAT, Classixx e muitos outros.

Um Ep com quatro temas chamado Where Does The Disco? é a mais recente novidades dos YACHT, com a última canção do alinhamento a ser uma remistura da autoria de Jerome LOL do tema homónimo, que fala sobre o amor e os CDs (Compact Disc). Assente numa batida retro sintetizada, com efeitos que disparam em diferentes direções e com um timbre sintético na voz que lhe dá uma toada que tem tanto de sexy como de robótico, Where Does The Disco? parece ser a banda sonora perfeita para uma odisseia espacial, congeminada algures no início da década de oitenta e do período aúreo do disco sound. A viagem interestelar continua em Works Like Magic, que avança agora cerca de duas décadas, até aquele período em que no início deste século, em Nova Iorque, as guitarras e o baixo começaram a dar as mãos aos sintetizadores e à eletrónica e a invadir as pistas de dança do mundo inteiro. O tema fala do fascínio que a tecnologia e a realidade virtual provocam no ser humano e como existe uma ligação estreita entre  sexo e a tecnologia; We argue that sex and technology coexist in our present: we touch, we push buttons, we seek intimacy in screens. When we connect, it works like magic, afirmou recentemente Jona sobre o tema.

Terminal Beach é uma canção diferente das antecessoras. Mantêm-se os flashes de efeitos vários, mas aqui é o indie rock quem mais ordena, feito com guitarras acomodadas em diversas camadas, uma melodia orelhuda, uma bateria bem marcada e uma postura vocal a fazer recordar divas dos anos setenta como Blondie ou Debbie Harry. O resultado final é um verdadeiro e imenso hino indie rock.

Quanto à remistura do tema homónimo do disco da autoria de Jerome Lol, o autor confere um ambiente mais negro e místico ao tema, quando amplia a percussão, dando-lhe uma tonalidade algo grave, acentuada por alguns elementos novos como o som de xilofones e da bateria.

Neste EP os YACHT continuam a dar vida à fusão única que alimentam entre o talento musical que possuem e o mundo tecnológico, propondo mais um punhado de canções que exploram a eletrónica e o indie rock de modo a serem simultaneamente abrangentes, versáteis e acessíveis ao grande público, sempre com as pistas de dança debaixo de olho. Where Does The Disco? está disponivel atualmente apenas no formato digital, através da Downtown Records, mas haverá uma edição especial física, à venda durante a próxima digressão da banda que se irá chamar Where Does This Disco? Tour. Confere...

Where Does This Disco

Works Like Magic

Terminal Beach

Where Does This Disco (Jerome LOL Remix)


autor stipe07 às 22:06
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Domingo, 23 de Novembro de 2014

heklAa - My Name Is John Murdoch

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso que adora post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, tem um novo álbum intitulado My Name Is John Murdoch, um trabalho inspirado em Dark City, um dos filmes preferidos de Sébastien, mas com referências a outras fitas, nomeadamente o Batman de Tim Burton.

O autor do disco nega que My Name Is John Murdoch seja uma banda sonora alternativa de Dark City mas, na verdade, tendo o filme na mente e escutado estas canções, é possivel fazer um paralelismo entre as duas obras, até porque o alinhamento de nove canções procura recriar o filme, com cada tema a servir como banda sonora de um capítulo da trama, descrita abaixo pelo próprio autor do disco.

heklAa começou a trabalhar no álbum há cerca de dois anos e ideias e sentimentos como a nostalgia, o fim precoce da inocência e a auto-descoberta estão muito presentes nas canções que trespassam esses conceitos para algumas personagens do filme, à medida que a história se desenrola.

Com uma forte componente instrumental e com a voz a servir esencialmente como suporte narrativo, My Name Is John Murdoch tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. No entanto, é nos instantes em que o autor pretende recriar uma aúrea mais sombria e dramática que sobressai a sua capacidade de composição e a grandiosidade instrumental que não descura praticamente nenhuma secção ou classe de instrumentos. Das cordas, acústicas e eletrificadas, à percussão, passando pelos instrumentos de sopro, arranjos com metais e efeitos sintetizados que replicam sons de diversas proveniências, Sébastien conseguiu atingir o pleno orquestral e com isso fazer com que My Name Is john Murdoch criasse uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós, além da possibilidade de podermos visualizar a trama.

Claramente apaixonado pela música erudita, heklAa foi corajoso na ideia e no modo como a colocou em prática, apropriando-se de uma forma de experimentação sonora e musical algo inédita, o que atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, em nove canções avassaladoras e marcantes, claramente à altura do enredo que procuram musicar. Espero que aprecies a sugestão...

The Story.
The movie tells the story of John Murdoch, a music journalist, expert of Miles Davis’ work. After years, he comes back in sirenZ, the big city where he grew up, to cover a set of jazz concerts. As he is walking along the main street, he has the strange feeling that nothing is like it used to be. Did the city change so much? Did he change so much? Did time just go by?

(Episode 1: The Dark City of sirenZ) A whole series of events is going to intensify his conviction that something is wrong: that beautiful woman he meets in the “Hopper’s bar”; he does not know any Selina Kyle, but he could swear that he knows that woman, like a reminiscence from yesteryears, he knows that he had dinner once with her, that they have spent the night after that together, too. (Episode 2: L’Inconnue ) There is also this original recording of Miles Davis’ soundtrack for “Elevator of the Gallows” that he finds in an old music store; as an expert, he knows full well that this milestone in jazz was celebrated in 1958. “Générique”, the perfection of music according to John, this permanent catchy tune in his head could not be just a creation of his own mind. But, the calendar in the store still indicates that John is living in the year 1946… Last but not least, in place of Miles Davis’ music, John discovers a recording made by a Louis Malville who introduces himself as a French movie director. Louis reveals that sirenZ is a shameless lie, a Dark City like many others, where nothing is real. (Générique)

Nothing? What about Shell Beach, this sunny happy place of his childhood, where he used to fly a kite or go sailing and fishing with his father? So many memories of brighter times… (Episode 5: Remembering Shell Beach)
After days of investigating, at last, John finds out the truth, as he is walking by a souvenir shop. Behind the window, a glass snow ball representing sirenZ. He understands, terrified, that this is not just a trinket for tourists, but reality: The city is lying in the depths of the sea, under a giant bell. (Episode 3: The Dome) Shell Beach does exist, but only in his head, nothing more than pretty pictures in a photo album. Why? When? How? John will never get the answer. (Episode 4: Dance with the Shadows)
John’s world has collapsed. (Ep 7: Say hurray! ‘cause it’s the End of the World!). Now that he knows the whole truth, what comes next? Should he tell everything and run the risk of becoming a curse, an incurable decease for everyone in the city? Should he just live a normal, quiet life by the woman he loves? No, he will not be a tragic hero. He knows who he is. (Episode 6: My name is John Murdoch). Selina is waiting for him. (Epilogue).

 


autor stipe07 às 19:07
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Sequin - Flamingo

Editado no passado mês de abril, Penelope é o mais recente registo de originais de Sequin, segundo a própria apenas uma parte daquilo que Ana faz na música, a Ana Miró habitual cúmplice do projeto JIBÒIA e dona de uma das vozes mais bonitas do universo musical português. Penelope foi produzido por Moullinex e contém dez canções que refrescam imenso o universo eletropop nacional e que plasmam a enorme capacidade e o imenso talento de Sequin para compôr e cantar.

Na entrevista que Sequin concedeu a Man On The Moon, na altura do lançamento do disco, a autora confessou que Penelope é um trabalho muito pessoal e que marca uma fase da sua vida onde se dá uma passagem de um momento mais negro de estagnação criativa e emocional para um momento mais luminoso de libertação e concretização pessoal. Flamingo, o novo single retirado de Penelope, retrata fielmente esta transição, com o próprio press release do lançamento do tema a ser feliz quando constata que as canções de Sequin são verdadeiras bolas de espelho, bem a condizer com o ambiente nocturno e dançável dos seus temas.

Flamingo é já o terceiro single extraído de Penelope e o vídeo foi realizado por Pedro Pinto e co-produzido pelo próprio e por Ana Miró. já agora, Sequin vai estar este fim-de-semana em concertos, amanhã no Cellos Rock, em Barcelos e sábado noTexas Bar, em Leiria. Confere...


autor stipe07 às 13:22
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Thieving Irons - Magic

Depois de há poucos dias ter divulgado o EP Phenomena, estou de regresso ao projeto Thieving Irons de Nate Martinez, para partilhar uma nova canção chamada Magic. Escrito, gravado e produzido pelo próprio Nate no seu novo estúdio situado na Brooklyn onde reside, o tema resultou de um desafio que foi colocado ao músico nova iorquino pela revista de culinária Gather Journal, que pretendia uma canção que servisse de banda sonora a um dos novos desafios que costuma lançar aos leitores da publicação.

Disponível para download na página oficial do músico, Magic contém o habitual clima melódico que Nate procura sempre recriar, feito cada vez mais pelo cruzamento entre a leveza onírica da dream pop e o um indie rock que procura dar as mãos à eletrónica, num resultado que nos transporta para um universo muito próprio de Thieving Irons, sempre sustentado por um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas. Confere...


autor stipe07 às 13:05
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Sábado, 15 de Novembro de 2014

Stars - No One Is Lost

No One Is Lost é o novo disco dos Stars, um trabalho editado no passado dia catorze de outubro, por intermédio da ATO Records. Os Stars são um coletivo canadiano oriundo de Montreal, no estado do Quebeque e formado por Torquil Campbell, Evan Cranley, Patrick McGee, Amy Millan e Chris Seligman. Começaram a carreira em 2000 e já contam no seu historial com oito discos de originais e alguns EPs, um cardápio que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo.

Set Yourself On Fire  Band Photos

A ideia de festa e de alegria está sempre subjacente à música dos Stars, que aposta numa componente essencialmente sintética, feita com batidas que se destacam em todos os temas e guitarras acomodadas por um sintetizador aveludado que se esconde atrás dos ritmos, para a criação de canções que, mesmo parecendo algo previsiveis, procuram ser orelhudas, de assimilação imediata e fazer o ouvinte dançar, quase sem se aperceber e sem grandes pretensões emotivas, porque é tudo conjugado de uma forma simples, mas eficaz. 

No One Is Lost acaba por ser uma homenagem ao perído aúreo que a pop eletrónica viveu há três décadas e os Stars procuram resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo actual, familiar e inovador ao mesmo tempo.

Todo o álbum parece então ter saído da banda sonora de um filme dos anos oitenta e as vozes de Torquil Campbell e de Amy Millan são também um excelente veículo para nos trasnportar até à agitação inebriante do discosound. É um trabalho divertido e directo, feito de alegria e com sabor a Verão e as canções prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás e algumas vezes dei por mim a abanar as pernas ao ritmo da música e só me apercebi depois, embaraçado. 

Turn It Up foi o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção com uma luminosidade muito intensa, potenciada pela presença de um coro infantil, algo que dá à canção aquele ambiente nostálgico que tantas vezes se apodera de nós nesta altura do ano. Outro dos destaques do trabalho é o tema homónimo que, apesar de ser bastante animado e um dos temas mais extrovertidos do alinhamento, fala sobre um diagnóstico de cancro terminal, de que foi alvo um amigo próximo dos Stars.

No One Is Lost tem como grande mérito celebrar a vida como ela realmente deveria de ser, simples, descomplicada e efusiva, apesar de ser também feita de episódios sombrios e de problemas às vezes de difícil resolução. Espero que aprecies a sugestão...

01. From The Night
02. This Is The Last Time
03. You Keep Coming Up
04. Turn It Up
05. No Better Place
06. What Is To Be Done?
07. Trap Door
08. Are You OK?
09. The Stranger
10. Look Away
11. No One Is Lost

Spotify


autor stipe07 às 21:16
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Sábado, 8 de Novembro de 2014

Stereossauro - Bombas em Bombos

Disponível para download legal e gratuito através da NOS Discos, Bombas em Bombos é o disco de estreia de Stereossauro, um licenciado em design, interessado por artes plásticas mas, acima de tudo, um apaixonado pelo sintetizador e pelo gira-discos, a quem já se exigia há muito um disco a solo e que alterna a sua carreira musical entre a produção e as cabines de som. Nome regular na programação de clubes e festivais, sagrou-se campeão do mundo de scratch, em 2011, com os Beatbombers, projecto que partilha com DJ Ride.
Produzido por Razat e os Beatbombers, que também se encarregaram dos momentos de scratch do disco, Bombas em Bombos é apresentado pela NOS Discos como uma metáfora que representa a pesquisa de samples de naturezas diferentes, o método inerente à “escola” de produção de hip-hop e que define o percurso de Stereossauro. A vontade de pegar nesses “bombos”, e transformá-los em algo novo e personalizado, reflecte a procura e a necessidade de encontrar a eterna “batida perfeita
Na verdade, este é um disco instrumentalmente rico e diversificado, resultado da fusão de diferentes sonoridades, umas tradicionais, com particular destaque para o bombo e outras mais modernas e com uma elevada componente sintética. Para essa elevada profusão de diferentes tipos de instrumentos e fontes sonoras, foi fundamental a ajuda de Gonçalo Santos, que possui um estúdio que é um verdadeiro el dorado de instrumentos, mas também de Ricardo Gordo e mr. Koochibass.
As participações especiais em Bombas em Bombos também se fizeram sentir ao nivel da vozes, com Dealema, Xeg, Skillaz e Helena Veludo, a darem vida a algumas das letras do disco. Esta última canta em Hold on (to Love), o single já retirado do trabalho e um dos detaques do mesmo, um tema impregnado pela típica soul que se forjou no movimento motown e com uma fantástica linha de baixo.
Uma aparente disparidade entre diferentes atores poderá ser uma ilação retirada à priori da leitura da tracklist de Bombas em Bombos. No entanto, quando carregamos no play, observamos que não é escutada de forma caótica, havendo uma clara sequencialidade e ausência de preconceito no alinhamento do disco e uma escolha feliz nos talentos que dão vida às emoções que Stereossauro quis partilhar com os ouvintes.
Assim, num disco bastante elétrico e com um forte apelo ao movimento, principalmente em Rasga e Cosmonauts, canções que espelha fielmente a simbiose perfeita entre Stereossauro e DJ Ride, dois amigos de longa data, Bombas em Bombos está cheio de excelentes batidas, mas também impressiona pelo hip hop que subsiste apoiada numa escrita corrosiva que ganha um ênfase muito particular em Serrotes e Guilhotinas e por detalhes tão improváveis como o dedilhar das cordas de uma guitarra portuguesa que Ricardo Gordo leva a cabo em Dia Um e Gobi dub.
Exótico, provocador, com uma sonoridade muito particular e que resulta da agregação clara de diversos estilos, sendo, desse modo, um espelho fiel dos interesses musicais de um músico importante do panorama nacional, Bombas em Bombos é um trabalho amplo, que exala um cheiro intenso a liberdade e que coloca Stereossauro definitvamente na órbitra dos radares mais incautos. Espero que aprecies a sugestão...
Bombas em Bombos - feat. Dealema e Razat
Rasga
Hold on (to Love) - feat. Helena Veludo
Dia um - feat. Ricardo Gordo
Sheik - feat. Skillaz
Big Butts
Cool thang - feat. mr. KoochiBass e Dj Ride
Tijuana
Serrotes e Guilhotinas - feat. Xeg
Gobi dub - feat. Ricardo Gordo
Cosmonauts - feat. Dj Ride
Lovely Mongol remix (Loopooloo)


autor stipe07 às 22:02
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Quarta-feira, 5 de Novembro de 2014

Orange Cassettes - Go In The Light

Orange Cassettes - "Go In The Light" (Stereogum Premiere)

Anton Harmony dos Radio 4 e Mod, dos Elefant são a dupla que dá vida aos Orange Cassettes, um projeto que se move com particular mestria na herança do indie rock que fez escola no início deste século quando, em Nova Iorque, as guitarras e o baixo começaram a dar as mãos aos sintetizadores e à eletrónica e a invadir as pistas de dança do mundo inteiro.

Hot Chip, Cut Copy, !!! (chk chk chk), Radio 4, Fischerspooner e LCD Soundsystem são apenas alguns dos nomes mais importantes desse espetro sonoro que tanto sucesso teve há cerca de uma década e que ultimamente vive um pouco na penumbra. No entanto, estes Orange Cassettes parecem dispostos a levar o garage rock novamente nessa direção com assinalável mestria e a dançável e psicadélica Go In The Light é a primeira canção que apresentam com esse firme propósito. Com o lado b intitulado Kids Start To Move, o single é editado hoje através da Ring The Alarm. Confere...

 


autor stipe07 às 13:27
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Terça-feira, 4 de Novembro de 2014

North Atlantic Oscillation – The Third Day

Os North Atlantic Oscillation são uma banda natural de Edimburgo, na Escócia e que se move entre o post rock, o rock progressivo e a eletrónica. Um dos segredos mais bem guardados da Kscope, estrearam-se nos discos em 2010 com Grappling Hooks e dois anos depois voltaram a surpreender com Fog Electric, um excelente sucessor. Agora, no final de outubro, chegou aos escaparates The Third Day, o terceiro álbum de uma banda atualmente formada por Sam Healy, Ben Martin e Chris Howard.

Não é tarefa simples catalogar estes North Atlantic Oscillation já que do rock progressivo à pop atmosférica, passando pela eletrónica, é vasta a teia sonora que abarcam, havendo apenas em comum, à medida que vão variando pelas paisagens que sustentam as suas canções, um forte e saudável cariz psicadélico. Em Third Day, este exercício de demanda por diferentes territórios é uma realidade insofismável e ao longo do seu alinhamento escuta-se uma hora de música magnífica, distribuída por dez canções que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Procurando fazer uma espécie de paralelismo entre as origens do grupo e a temática que mais os inspira, escutar The Third Day é um pouco como embarcar numa viagem por um oceano multicolorido que parece não encontrar fronteiras dentro daquela pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador e de uma percurssão orgânica, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros. A verdade é que não falta uma certa acidez psicotrópica dotada por este arsenal instrumental diferenciado e por uma clareza melódica épica, aspetos que servem para engrandecer e ampliar o cariz emotivo da maior parte das canções do disco, tão vasto como o oceno onde este trio navega, feito das tenebrosas águas frias que abastecem o Mar do Norte.

Há no disco temas puramente instrumentais e outros que não dispensam a presença da voz e canções que se estendem de tal modo que as duas vertentes são abastecidas por um referencial distinto, como se houvesse quase duas canões na mesma. August ou When To Stop são dois instantes onde o grupo consegue definir o melhor contraste entre as diferentes referências sonoras que o orientam, acabando por as sublimar com mestria e fazer com que se destaque a emoção, sempre que a voz surge e corta com o caráter mais sombrio e dramático da componente instrumental.

Elsewhere acaba por ser a canção que faz a melhor súmula deste modus operandi que faz jus à fama que estes North Atlantic Oscillation possuem. A canção mostra um equilibrio perfeito entre as componentes instrumentais orgânica e sintética, além de sustentar-se numa melodia particularmente assertiva; As guitarras distorcidas, a voz pulsante e os efeitos de teclado deliciosos, originaram uma estrutura musical onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do tema tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

A grandiosidade dos North Atlantic Oscillation também fica plasmada no modo como colocam a nú aquela melancolia que é tão caraterística de ambientes mais frios e rudes. Em A Little Nice Place, a tensão vocal e os efeitos por detrás inauguram o notável desfile do lado mais introspetivo do grupo, que se repete em Wires e Pines of Eden, outras duas canções onde a melancolia é comandada, no caso da primeira por uma bateria tremendamente jazzística e na segunda por sons de guitarra, que aliados a outras cordas e ao piano, dão um tom fortemente denso e contemplativo ao tema, com a voz a trazer a oscilação necessária para transparecer uma elevada veia sentimental.

O oposto é audível, por exemplo, em Penrose, um tema que mostra como eles conseguem ser luminosos e transmitir uma mensagem forte, mesmo que a voz esteja ausente. Já o intervalo de ruídos e de atmosferas que se escutam em Do Something Useful é claramente inspirada nos Pink Floyd, como se estivessem eles a navegar numa viagem oscilante por um mar alucinogénico, que busca uma psicadelia que se lança sobre o avanço lento mas infatigável de um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e When To Stop é uma forma bastante colorida e doce de terminar um alinhamento de um disco difícil de ouvir para quem não tem por hábito apreciar estruturas sonoras mais ambientais e psicadélicas, mas que é um portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de um amor que definitivamente nos liberta.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto que aposta em várias abordagens sonoras, mas sempre magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativa, que permite a concordância e a discordância, por sua vez, num alinhamento que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. The Third Day é um disco muito experimentalista, mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

North Atlantic Oscillation - The Third Day

01. Great Plains II
02. Elsewhere
03. August
04. A Nice Little Place
05. Penrose
06. Do Something Useful
07. Wires
08. Pines Of Eden
09. Dust
10. When To Stop

 


autor stipe07 às 21:42
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Domingo, 2 de Novembro de 2014

Deckard - Noble Gases EP

O italiano Beppe Massara faz música como Deckard e fez-me chegar à redação Noble Gases, um curioso EP de seis canções, desde logo pelo conceito que as envolve, explícito no título das mesmas. Editado já a trinta de maio pela etiqueta T.a. Rock Records, Noble Gases sucede ao disco Bit Bullets (2010) e foi trabalhado integralmente por Beppe Massara, já que foi ele quem também cuidou dos arranjos, gravação e produção dos temas. Nele escutam-se as participações especiais de Alberto Fiori e Francesco Guerri, em alguns detalhes instrumentais e da argentina Carolina Pintos, com a voz.

Helium, Neon, Argon, Krypton, Xenon e Radon são os seis gases nobres da natureza, elementos quimícos que existem naturalmente, têm caraterísticas comuns e que além de serem incolores e inodores e de possuirem baixa radioactividade, fazem parte do mesmo grupo da Tabela Periódica dos Elementos, nomeadamente o 18.

Compostas no início deste ano, as canções revivem o período aúreo da eletrónica europeia das últimas três décadas do século passado e, seguindo uma mesma inspiração, têm algumas nuances que as distinguem, um pouco à imagem do que sucede com os elementos quimicos que recriam. Dominadas por sintetizadores e com alguns arranjos que incluem samples de vozes, teclas de pianos e cordas de viola, são canções que recriam uma atmosfera sonora intimista, mas também algo cibernética e futurista. 

Da chillwave melancólica de Helium e da mais acessivel Neon, ao techno minimal de Krypton, passando pelo space pop de Xenon, o alinhamento cheio de efeitos robóticos carregados de poeira, parece funcionar como uma justaposição de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções, já que é fluída a interligação entre os vários gases, como se estivessemos diante de uma obra única com a duração de pouco mais de trinta minutos.

Deckard é um dos segredos mais bem guardados da eletrónica europeia e neste EP mostra a sua visão desta tendência atual que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

 

1.Helium

2.Neon

3.Argon

4.Krypton

5.Xenon

6.Radon

 


autor stipe07 às 21:38
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

The Airborne Toxic Event – Wrong

Depois de Such Hot Blood, os norte americanos The Airborne Toxic Event, uma de uma banda de Los Angeles formada por Mikel Jollett (voz, guitarra, teclas), Steven Chen (guitarra, teclas), Noah Harmon (baixo, voz), Daren Taylor (bateria) e Anna Bulbrook (viola, teclas, tamborim, voz), estão de regresso aos discos com Dope Machines, o quarto trabalho da carreira do coletivo, ainda sem data de lançamento anunciada.

Wrong é o primeiro avanço divulgado de Dope Machines e, pelo sintetizador qe passeia livremente pela canção, ditando o rumo dos acontecimentos, a eletrónica terá um papel ainda mais preponderante no futuro deste coletivo. Confere...

The Airborne Toxic Event - Wrong


autor stipe07 às 13:11
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