Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Starwalker – Losers Can Win EP

Editado já a dezoito de março via Prototyp Recording & Bang ehf e disponivel para escutaLosers Can Win é o nome do EP de estreia dos Starwalker, uma dupla maravilha que junta dois ícones da pop dos nossos dias, nada mais nada menos que Jean-Benoit Dunckel (Air) e o compositor islandês Bardi Johannsson (Bang Gang, Lady & Bird).


Quando os Air vivem um hiato, Dunckel costuma aventurar-se, muitas vezes anonimamente, em outros projetos alternativos, que quase sempre se situam na zona de conforto sonora proposta pela banda a que pertence e que também incluem a composição de bandas sonoras. Um desses devaneios foi Darkel, o seu projeto a solo de 2006 que germinou o disco homónimo Darkel. E em 2013, surgiram os Tomorrow's World, cujo nome era inspirado numa antiga e famosa série televisiva britânica e onde ele deu as mãos à lindíssima Lou Hayter, dando origem a uma dupla cheia de charme e de onde só poderia vir algo muito requintado, como aquilo que foi apresentado nas onze canções do homónimo de estreia desse projeto.

Agora, em Losers Can Win, predominam as reminiscências da dupla de Versailles, nos arredores de Paris, com a eletrónica muito presente, essencialmente na versão mais calma, melódica e clássica, sendo Bad Weather um tema fortemente apelativo para quem aprecia o período mais recente da carreira dos Air e as cordas luxuriantes do tema homónimo, uma porta de entrada privilegiada para quem sente saudades do período inicial aúreo da dupla francesa. 

As cinco canções deste EP são construídas de forma particularmente inspirada no modo como unem a orgânica vocal de Dunckel com uma sintetização que, carregada de efeitos de piano, metais, bateria e outros elementos sonoros nem sempre claramente percetíveis e que funiconam como simples mas preciosos detalhes na manta sonora apresentada, facilmente nos tiram do chão em direção ao espaço. É uma música espacial e inventiva, equilibrada com a rigidez contemplativa kraftwerkiana,o pendor cinematográfico de um Brian Eno e a serenidade típica dos Air e mesmo que Dunckel tenha aqui deixado que Bardi fosse um parceiro ativo no processo de criação melódica, predomina muito do estilo eletrónico típico dos Air, com a bela voz de Dunckel a casar muito bem com as viagens climáticas e etéreas que a dupla compôs.

Seja quando, por exemplo em Losers Can Win, existe um apelo para o movimento new wave mais dançante, ou quando Moral Sex sobrevive com notável sobriedade à custa de lindíssimos efeitos plenos de influências bem vincadas do krautrock, Losers Can Win é uma excelente banda sonora para uma viagem noturna pelas ruas de uma cidade e este é, quanto a mim, um projeto que reúne dois músicos de talento e que, por isso, pode vingar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...

Starwalker - Losers Can Win

01. Losers Can Win
02. Bad Weather
03. Moral Sex
04. Losers Can Win (All That You’ve Got)
05. Bad Weather (Bloodgroup Remix)


autor stipe07 às 22:43
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Sábado, 20 de Setembro de 2014

Millionyoung – Materia EP

Lançado com o selo da insuspeita Old Flame Records e disponível para audição no bandcamp da etiqueta, Materia é o novo EP de Millionyoung, o projeto musical de Mike Diaz, um músico e produtor norte americano, natural de Miami, na Flórida e que contou, como é habitual, com a ajuda preciosa de Kristof Ryan.

Nestas novas cinco canções do seu cardápio sonoro, Mike mantêm a busca pela simbiose entre a eletrónica de cariz mais ambiental e o R&B. É uma receita que, no caso deste autor, raramente dispensa linhas de baixo com uma toada funk e sintetizadores retro, dois aspetos claramente audíveis, por exemplo, em VII, o momento instrumental por excelência do EP. A estes detalhes junta-se uma voz que pode ser manipulada com efeitos, geralmente em eco e reverb e obtem-se um resultado final repleto com o charme inconfundível e urbano que plasma o que de melhor se vai propondo atualmente no universo da chillwave.

O que Materia tem e facilmente nos fascina é, tendo em conta o universo sonoro descrito, uma coleção irrepreensível de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de batidas e ritmos que, tomando como exemplo o single homónimo, poderão facilmente fazer-nos abanar a anca sem percebermos muito bem como e porquê, devido aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhado por um sintetizador delicioso. Mas também destaco Tell Me, uma música que me levou até aos Memory Tapes e o album Seek Magic (2009), uma intrincada composição e que, no meio do EP, funciona como uma espécie de catarse sónica claramente agregadora do seu conteúdo e onde tudo o o que atrai e influencia Millionyoung é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto..

É, pois, muito agradável ouvir o EP na íntegra, até porque a transição entre os temas muitas vezes mal se percebe, já que é tudo muito melódico e bem estruturado. Mais do que para cantar ou dançar, Materia é uma coleção de canções perfeita para relaxar e descontrair, além de provar que a chillwave está longe de ser um género musical passageiro e secundário e que é um ótimo terreno para quem gosta de testar sonoridades e experimentações, sem recear ser apontado como uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

Millionyoung - Materia

01. Materia
02. Feeder Band
03. Tell Me
04. VII
05. Fade Away

 


autor stipe07 às 21:51
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Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Los Waves - Strange Kind Of Love

Depois do EP Got A Feeling, a dupla lusa Los Waves, formada por José Tornada e Jorge da Fonseca e que tem dado nas vistas devido à sonoridade única e até algo inovadora, tendo em conta o panorama musical nacional, está de regresso com um novo single intitulado Strange Kind Of Love, numa altura em que se preparam para lançar o tão aguardado primeiro longa duração This Is Los Waves So What? em Portugal, com distribuição pela Sony Music Portugal. Nos Estados Unidos e no Reino Unido a edição fica a cargo da Summer Filth Records.

Recordo que os Los Waves começaram a carreira em Londres, em 2011, onde deram os primeiros concertos em salas icónicas como o Old Blue Last, Cargo e Camden Barfly e nesse mesmo ano, lançaram os primeiros EP’s, Golden Maps e How Do I Know, que deram logo que falar na imprensa, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. Rapidamente atravessaram o Oceano Atlântico, onde conseguiram colocar músicas em vários canais de televisão, nomeadamente a a MTV, FOX, AXN e CBS, com destaque para a participação em bandas sonoras de séries como Gossip Girl (com Strange Kind Of Love, umamúsica até hoje nunca editada), Jersey Shore (com a música Golden Maps) ou Mentes Criminosas (com a música Got A Feeling).

Strange Kind Of Love tem a sonoridade eletrónica vintage típica das propostas anteriores dos Los Waves, com a particularidade de ser uma canção envolvidas por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial. É uma música que, de acordo com o press release do lançamento, fala daquele amor que faz o mundo girar, parte de uma história de amor não correspondido para nos falar de outros tipos de amor. O amor vem assim sob a forma de todas as coisas, da simplicidade que enche a alma de uma forma natural, como a luz que refracta no prisma, como os últimos raios de luz que enchem a íris numa tarde de verão, sob a influência e o calor das leis universais.

Festiva, melodiosa e solarenga, esta nova canção dos Los Waves é mais um exemplo sonoro que faz deste projeto, como já disse, algo único e distinto a nível nacional. Confere...


autor stipe07 às 16:54
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

The Radio Dept. – Death To Fascism

The Radio Dept. - "Death To Fascism"

Os suecos The Radio Dept. de Johan Duncanson, Martin Carlberg e Daniel Tjader já não davam notícias desde o extraordinário disco Clinging To A Scheme (2010), mas estão finalmente de regresso com Death To Fascism, uma nova canção que, obviamente, tem um teor marcadamente político, como é habitual suceder com este trio sueco. A canção é um verdadeiro tratado de dream pop eletrónica, embelezado por um delicioso piano sabiamente escolhido e onde se ouve repetidamente um sample vocal que diz Smrt fasizmu, sloboda narodu, uma expressão atribuída a um conhecido político da antiga Jugoslávia chamado Stjepan Filipović e que significa, Morte ao fascismo, liberdade para o povo. O tema foi disponibilizado gratuitamente pela Labrador Records. Confere...


autor stipe07 às 14:40
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Terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Duplodeck - Verões

Os Duplodeck são uma banda indie brasileira que se formou numa localidade chamada Juiz de Fora, em Minas Gerais, no ano de 2001 e cujo ponto comum entre os seis membros era a admiração por Jorge Ben. Entre 2001 e 2005 a banda compôs um vasto reportório, mas apenas se estreou nos lançamentos discográficos em 2011, com um EP homónimo, que continha no alinhamento essas músicas que sofreram uma nova mistura e produção e novas guitarras. Agora, três anos depois, chega finalmente o longa duração de estreia; Verões são oito maravilhosas canções, que sabem, por inteiro, à estação do ano que dá título à rodela, um trabalho que viu a luz do dia a três de fevereiro por intermédio da Pug Records e disponível também na plataforma bandcamp, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo ou de o obteres gratuitamente.

Verões é folk, bossa nova, rock psicadélico, electrónica e ambient, um disco onde o público contacta com uma variedade imensa de instrumentos de cordas e metais e efeitos sintetizados, além da percurssão. Com as guitarras e o sintetizador a assumir as rédeas do processo de criação melódica, os Duplodeck presenteiam-nos com um amplo panorama de descobertas sonoras que fazem com que o álbum seja uma espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade.

É impressionante a quantidade de detalhes que os Duplodeck colocam a cirandar quase livremente por trás de cada uma das canções que transbordam do disco e ainda mais diversificado é o conjunto de ritmos, sons e incontáveis referências que borbulham enquanto se desenvolve o álbum. Sejam a pop agradável e nada descartável de Saint-Tropez e do tema homónimo, as pequenas transições pela psicadelia garageira em Brisa, ou o indie rock à The Strokes de Boemia e Hi-Fi, tudo se ouve como se estivessemos a fazer um grande passeio por várias épocas, estilos e preferências musicais.

Na verdade, assim que o disco começa, somos rapidamente absorvidos pelo mundo caleidoscópico de Verões, um universo cheio de cores e sons que nos causam tanto espanto como a ironia fina que sustenta o primeiro tema do alinhamento, uma canção que leva-nos do típico ambiente folk nórdico, ao blues de Nashville, feito com um subtil e enevoado acorde de uma guitarra elétrica que inflete num arco írís de cordas e arranjos luminosos muito típicos da melhor tropicália de além mar, a sul do Equador.

A voz é um importante trunfo em Verões, quer devido ao registo vocal clássico, que se destaca amplamente não só no tema de abertura, mas, principalmente no quase falsete de Uns Braços, uma canção que plasma claramente o jogo instrumental e alegre que se estabelece entre uma toada mais orgânica, facultada pela bateria e uma vertente sintética proporcionada por um efeito algo hipnótico, com a distorção da guitarra e a voz a serem os fiéis de uma balança que se mantém graciosamente estável, originando um clima sedutor simultaneamente épico e melancólico.

Em suma, Verões é uma coleção de excelentes canções que, entre a eletrónica e o indie rock dançável e orelhudo, procuram conciliar o velho fulgor anguloso e elétrico do rock’n’roll, com novos espetros sonoros e abordagens pop, havendo, pelo meio, a habitual pitada tropicália típica da maioria dos projetos brasileiros a funcionar como uma espécie de cereja no topo do bolo. É incrível a sensação de ligaçao entre as canções e ao longo do alinhamento assiste-se a uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

A música que se ouve aqui é uma harmoniosa chuva de conhecimento musical e espiritual de toda a espécie, de todos os tempos ou apenas de hoje e representa uma explosão de criatividade que nunca se descontrola nem perde o rumo, numa receita pouco clara e nada óbvia, mas com um resultado incrível e único. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:05
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Sinkane - Mean Love

Quase dois anos após o magnífico Mars, Sinkane está de regresso aos discos com Mean Love, o seu novo registo a solo, novamente com a chancela da insuspeita DFA Records de James Murphy. Extraordinário músico e compositor, oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão, Sinkane desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político e cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, onde, antes de iniciar a carreira a solo, tocou com nomes tão importantes do universo indie como os Of Montreal, Yeasayer, ou Caribou e, nesta última década, tem-se debruçado a fundo sobre aquilo que vai escutando e acontecendo musicalmente ao redor, num bairro musicalmente tão efervescente como é Brooklyn, tendo já abordado espetros sonoros tão divergentes como o post rock ou a música de cariz mais erudito, mas nunca renegando as suas raízes africanas, sendo esse, muitas vezes, o elo de ligação privilegiado entre os diferentes géneros que remexe e onde se posiciona.


Se a sonoridade de Mars apontava, acima de tudo, para a sua origem nos povos sudaneses e as suas raízes músicais africanas, em Mean Love Sinkane olha com outra profundidade para aquilo que mais o seduz na música norte-americana e em especial na soul. Com a permanente parceria com os nomes de peso acima citados e, mais recentemente, tendo sido incumbido da direção musical de Atomic Bomb, de Willian Onyeabor, Sinkane acabou por se especializar num espetro sonoro que diz muito ao país que o acolheu. Desse modo, Mean Love é uma bela homenagem à soul que o adotou, mas onde não falta o R&B ou a bossa nova, por exemplo, para enriquecer ainda mais um quadro sonoro magnífico, feito de dez canções que merecem a nossa mais completa devoção. Sejamos, ou não, verdadeiros apreciadores deste universo musical, devemos olhar para Mean Love como uma jóia rara, já que seste disco é um paraíso soul em todos os sentidos e isso deve-se à sua sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave.

Ouve-se Mean Love com alguma descontração e somos atravessados por uma certa homogeneidade sonora, como se o alinhamento fosse um todo constituido pela soma de várias partes que pouco diferem entre si. No entanto, da pop luminosa e assente num jogo entre o orgânico, audível na percurssão das palmas e o sintético fornecido pelo efeito do teclado sintetizado em How We Be, ao afrobeat de New Name, passando pelo funk de Yacha, o meu tema preferido do disco, a pop melancólica de Hold Tight e de Son, a bossa nova que sustenta Moonstruck, o reggae que alimenta Young Trouble, o jazz e o blues de Mean Love, o tema homónimo, ou a implícita toada folk de Galley Boys, que se torna mais festiva devido ao efeito de sopros em Omdurman, Mean Love é uma verdadeira passerelle de uma diversidade incrivel de traços e tiques, uma mistura de sonoridades do passado com as ilimitadas possibilidades técnicas que o desenvolvimento tecnológico proporciona e disponibiliza aos produtores e compositores.

Como sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras, conseguindo soar, em simultâneo e de forma inteligente, sofisticado e descontraído, havendo no ambiente criado pelas canções um certo humor e boa disposição, numa atmosfera típica de um afável e acolhedor dia de verão.

Em Mean Love, Sinkane deitou-se numa nuvem feita com a melhor pop atual e operou mais um milagre sonoro; Tornou-se expansivo e luminoso, encheu essa nuvem com uma sonoridade eminentemente introspetiva, mas que não deixa de ser alegre, floral e perfumada e fê-lo sem grandes excessos e com um belíssimo acabamento açucarado, duas das permissas que justificam coerência e acerto na estratégia musical escolhida. Mean Love é um belíssimo disco, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão... 

01. How We Be
02. New Name
03. Yacha
04. Young Trouble
05. Moonstruck
06. Mean Love
07. Hold Tight
08. Galley Boys
09. Son
10. Omdurman


autor stipe07 às 22:25
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Domingo, 7 de Setembro de 2014

Yalls - EDDM EP

Dan Casey, aka Yalls, é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Berkeley, na Califórnia, acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. A sua estreia nos discos ocorreu na última primavera com United e agora, poucos meses depois, surpreende com EDDM, um EP com quatro canções, disponível no bandcamp, gratuitamente ou com a possiblidade de doares um valor pelo mesmo.

As quatro canções de EDDM são puros momentos experimentais, onde apenas se escuta uma voz e samplada em Voices. Os temas estão impregnados com uma eletrónica carregada de distorções e pesadas batidas que chocam com efeitos carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas que possas imaginar, com Deadlocks como grande destaque dessa abordagem sonora plasmada no EP. No entanto, por exemplo na já referida Voices, ele também pôe mãos no movimento chillwave atual, onde flutua num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras, tornando-se ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens, que subsistem algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada com traços distintivos do R&B, do funk e até do hip hop.

Excelente complemento para se perceber para onde caminha Dan musicalmente, EDDM foi construído sobre camadas de efeitos, cheios de variações e diferentes instrumentos, detalhes que provam que estamos na presença de um músico inovador, que aprecia testar sonoridades e experimentações, sem ter o receio de ser apontado ou de o acharem uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:55
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Sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

heklAa - Songs In F.

Alsaciano de nascimento, mas inspirado sonoramente por latitudes mais a norte, Sébastien Touraton é um francês apaixonado pela islândia, além de um músico talentoso aapixonado pelo post rock. Líder do projeto heklAa, o nome de um vulcão islandês, ele fez chegar à nossa redação Songs In F., um EP com quatro canções que o músico idealizou e compôs inspiradas na viagem que fez à Islândia em 2010, onde esteve retido devido à famosa erupção vulcânica do vulcão Eyjafjallajökull. Por exemplobAck to jokulsArlon, a canção de abertura do EP, é uma verdadeira visita guiada sonora às maravilhas naturais da localidade que dá nome à canção.

Tanto essa como as outras três canções que compôem Songs In F. impressionam pelo charme e pela limpidez exata com que transparecem o ambiente típico da ilha mais a norte do nosso continente, quase trinta minutos em que podemos facilmente imaginar os espaços, as cores e os cheiros que inspiraram Touraton e que se aprimoram numa elegância altiva, potenciada pelo cunho sentimental com que o compositor abraça a míriade sonora de que se serviu para compôr.

Com uma forte componente insturmental e uma ausência algo sentida da voz, este EP disponível no bandcamp, tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Songs In F., já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um EP carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define por uma deriva entre a componente orquestral, quase sempre assente em simples pianos assombrados por prodigiosos arranjos de cordas, que se fundem com novos e antigos estilos sonoros e elementos típicos da eletrónica.

Em Songs In F. e em particular na magnífica thousAnds of comets Are fAlling down on eArth, o meu tema preferido do EP, Sebastién aproxima-se com vigor da chamada música erudita, usando-a com o mesmo à vontade com que tantos outros se apropriam de quaisquer outras formas de experimentação sonora e atesta a sua enorme capacidade para pintar verdadeiras telas sonoras cheias de vida e cor, utilizando uma fórmula básica que serve de combustível a nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todoâ os instrumentos que ele utiliza fossem agrupados num bloco único de som chamado Islândia, um país que afinal também pode ser além de um pedaço de território vulcÂnico onde vive um povo resistente e milenar, quatro canções avassaladoras e marcantes e com uma sonoridade única e peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

  • bAck to jokulsArlon
  • thousAnds of comets Are fAlling down on eArth
  • oceAns
  • being steindor Andersen


autor stipe07 às 21:50
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Helado Negro – Double Youth

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos radicado nos Estados Unidos e que também encabeça o projeto Ombre. Depois de no início de 2013 ter lançado Invisible LifeHelado Negro dedicou-se depois à compilação com Island Universe Story, um conjunto de vários EPs que contêm momentos mais experimentais do músico, ajudado por alguns convidados especiais. Agora, no passado dia dois de setembro, chegou aos escaparates Double Youth, o novo longa duração do músico, como é habitual através da Asthmatic Kitty.


Em mais um tomo da sua já apreciável e bastante recomendável discografia, Roberto Carlos continua a sua demanda pela busca da canção perfeita, em mais um trabalho onde predomina uma sonoridade acústica e tipicamente latina, liderada pelas cordas e com as letras quase sempre em castelhano. Num disco fortemente conduzido por uma tendência urbana e contemporânea, alicerçada na eletrónica e numa dream pop de cariz lo fi e etéreo e que incluí também travos de hip hop, Lange desabafa sobre experiências individuais que, de acordo com o título do disco, poderão indicar a presença de uma elevada vertente autobiográfica. Além de este disco, o quarto da carreira, ter sido gravado no seu estúdio caseiro, apenas com um computador e a sua voz, pelos vistos o terceiro elemento decisivo do trabalho é o poster que ilustra a capa, uma fotografia que ele encontrou na casa onde cresceu durante a sua infância e que, de repente, fez com que ele sentisse necessidade de evocar algumas das suas memórias passadas, plasmando-as nestas suas novas canções.

Em mais um álbum com um forte pendor temperamental, como não podia deixar de ser, e carregado de ambientes feitos com cor, sonho e sensualidade, Double Youth é mais um disco que transpira uma enorme sensação de dinamismo e coerência, na forma como consegue, em simultâneo, abraçar uma forte veia contemplativa e incluir igualmente temas que podem servir como uma espécie de banda sonora de uma festa pop, psicadélica e sensual, sem que se percam importantes elos de ligação e de correspondência sonora, instrumental e até melódica entre os mesmos. Canções como I Krill You, Triangulate ou Queriendo, aparentemente díspares, se escutadas com atenção facilmente se percebe que entroncam num mesmo ramo sonoro feito com aquele charme típico do vagaroso e caliente ritmo latino, muito bem acompanhado por um sintetizador delicioso e uma viola com cordas cheias de luz e esplendor.

Algures entre Toro Y Moi e Caetano Veloso, Lange aventura-se na sua própria imaginação, construída entre o caribe que o viu nascer e a América de todos os sonhos. Nestas suas novas dez canções contorna todas as referências culturais que poderiam limitar o seu processo criativo para, isento de tais formalismos, não recear misturar tudo aquilo que ouviu, aprendeu e assimilou e que é sonoramente tão bem retratado,por exemplo, em That Shit Makes Me Sad, uma canção onde tudo o que o atrai e influencia é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, ao mesmo tempo que reflete com indisfarçável temperamento sobre um acontecimento significativo da sua infância.

Nos Helado Negro este músico equatoriano transforma-se numa espécie de fantasma latino-americano e faz mais do que música eletrónica, cantada, normalmente, em castelhano; Aqui, ele compila com música, história, cultura, saberes e tradições, num pacote sonoro cheio de groove e de paisagens sonoras que contam histórias que transitam entre dois mundos que Roberto sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Espero que aprecies a sugestão...

Helado Negro - Double Youth

01. Are I Here
02. I Krill You
03. It’s Our Game
04. Myself On 2 U
05. Friendly Arguments
06. Triangulate
07. Ojos Que No Ven
08. Queriendo
09. Invisible Heartbeat
10. That Shit Makes Me Sad


autor stipe07 às 21:39
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Hooray For Earth – Racy

Oriundos de Broolyn, Nova Iorque, os Hooray For Earth são um projeto emanado do génio de Noel Heroux, um músico que começou a carreira a criar música de forma caseira e que se estreou em 2011 com True Loves. Rapidamente percebeu que para conseguir misturar com coerência e maior esplendor a pop com o rock alternativo deveria criar uma banda e assim surgiram os Hooray For Earth, um grupo que aposta num indie rock com uma forte componente sintética. Desde Never, um single que lançaram em 2012, que os Hooray For Earth não davam notícias, mas a vinte e nove de julho, voltaram aos escaparates com Racy, por intermédio da Dovecote Records.

Produzido pelo próprio Noel Heroux e por Chris Coady (TV On The Radio, Yeah, Yeah, Yeahs), Racy é um conjunto de nove canções assentes em riffs assimétricos, conjugados com uma panóplia considerável de ruídos sintetizados com uma apreciável toada pop e que além de serem um bom exemplo do que de melhor vai surgindo atualmente que revive todo o assertivo clima do garage rock, também apostam na replicação de um ambiente sonoro grandioso e não necessariamente caseiro e lo fi, mostrando uns Hooray For Earth festivos e em busca de grandes multidões, artilhados com acordes e linhas melódicas particularmente acessíveis.

Depois da introdução com Hey, um tema que pretende prender a nossa atenção para o que aí vem, o primeiro grande momento do disco chega com a sonoridade épica e intensa de Keys, uma canção que ao acrescentar guitarras sujas a um sintetizador cheio de loopings e detalhes cósmicos e a uma melodia vocal pulsante e inspirada, espanca-nos com uma extraordinária sequência de ruídos estrondosos.

O punk rock dos anos oitenta, concertado com a pop eletrónica da mesma época chega com Say Enough e um baixo particularmente esplendoroso e completamente ligado à corrente, acaba por ser um belo aperitivo para outro momento alto de Racy, a rápida e efervescente Somewhere Else; Esta canção tem uma toada algo lo fi, com a distorção de uma guitarra particularmente melódica, mas eleva-se para um patamar elevado quando mostra todo aquele mel que nos remete para indie pop nórdica de há trinta anos atrás, através de um efeito sintetizado futurista a suportar uma voz refinada, vigorosa, intensa e intrincada. Esta canção, o tema homónimo e o excelente momento experimental plasmado na balada Last, First, provam que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos de outras décadas, assim como todo o clima sentimental do passado e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte ou trinta anos depois, a fazer escola.

Apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de Racy, uma eletrónica quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá ao disco uma atmosfera sombria e visceral. No fundo, há uma apenas aparente amálgama de caraterísticas sonoras que tanto se encaixam no indie rock progressivo, que aponta baterias aos estádios, como na pop eletrónica vintage e marcadamente experimental e nostálgica, que uma produção cuidada e límpida potenciou e que deixa para o futuro algumas pistas interessantes que os Hooray For Earth poderão aproveitar para conseguirem ser ainda mais grandiosos, sem descurarem uma sempre recomendável componente psicadélica. Espero que aprecies a sugestão...

Hooray For Earth - Racy

01. Hey
02. Keys
03. Say Enough
04. Somewhere Else
05. Racy
06. Last, First
07. Airs
08. Happening
09. Pass


autor stipe07 às 15:35
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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Bear In Heaven – Time Is Over One Day Old

Os Bear In Heaven, um grupo norte americano natural de Brooklyn, na big apple e encabeçado por Jon Philpot desde a sua fundação, em 2003, lançaram há pouco mais de dois anos I Love You, It’s Cool, o sucessor de Beast Rest Forth Mouth, um trabalho lançado em 2009. Este trio tem alcançado um distinto resultado, depois de uma série de experiências e um variado jogo de referências acumuladas, que se esperava ter sequência em Time Is Over One Day Old, o novo trabalho do grupo, editado no passado dia cinco de agosto, através da Dead Oceans.


Time Between, o primeiro avanço do álbum, plasmou logo as mais diversificadas escolas musicais formadas ao longo das últimas décadas, que têm inspirado os Bear In Heaven, numa canção com referências diretas ao movimento krautrock, doses imoderadas de psicadelia e um acerto com a música eletrônica que suporta toda uma estrutura melódica. E, na verdade, em Time Is Over One Day Old, este grupo continua a transpirar o género criado na década de sessenta e que composições estruturalmente similares como esse single, Autumn ou The Sun And The Moon And The Stars, ajudam a comprovar.

É interessante escutar este disco e, conhecendo o trabalho anterior do grupo, perceber que o cenário sonoro retratado não é propriamente genuíno, mas acaba por soar como sendo verdadeiramente próprio desta banda, que tem uma forma muito própria de combinar o rock psicadélico com elementos eletrónicos, de modo a crair algo simultaneamente épico e intenso. You Don't Need The World e They Dream são duas canções intensas, exposivas e que nos deixam na dúvida se poderão ser devidamente assimiladas quando escutadas num raro momento de lucidez ou como banda sonora de alguns dos nossos melhores sonhoe e devaneios.

Esse aparente incómodo sobre qual o melhor estado de espírito para a absorção devida do conteúdo de Time Is Over One Day Old, obtém-se precocemente já que, assim que carregamos no play, em poucos minutos, os teclados mágicos, as guitarras que se derretem e os versos fáceis prendem-nos a atenção e convidam-nos, sem retorno possível, para uma sucessão de experimentações complexas que nos vão surpreendendo, numa viagem a bordo de um krautrock psicadélico, particularmente lisérgico e até algo lunático. Basta escutar a guitarra da já citada The Sun And The Moon And The Stars, para se perceber que os Bear In Heaven têm a capacidade de nos levar com eles para lugares distantes e grandiosos, onde o som se propaga de forma crscente e onde também cabe a melancolia (Present Tense) e a sensualidade (If I Were To Lie), num cocktail contagiante, detalhado e complexo de um disco que carece de tempo e da tal predisposição adequada, para ser compreendido como um todo, já que revela também lentamente toda a sua natureza.

Time Is Over One Day Old é um disco ambientado no mesmo cenário do registo de estreia do grupo, uma sucessão de dez canções onde a psicadelia pretende hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Simultaneamente criativos e coerentes, os Bear In Heaven mostram-se particularmente experimentais na forma como deram vida a um trabalho tipicamente rock, onde persiste uma vincada relação entre o vintage e o contemporâneo, mas que será melhor compreendido no futuro próximo, à medida que for mais dissecado. Enquanto tal não sucede, resta-nos começar viajar e a delirar, quanto antes, ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão... 

Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

01. Autumn

02. Time Between
03. If I Were To Lie
04. They Dream
05. The Sun and The Moon And The Stars
06. Memory Heart
07. Demon
08. Way Off
09. Dissolve The Walls
10. You Don’t Need The World

 


autor stipe07 às 20:55
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Domingo, 24 de Agosto de 2014

Sin Cos Tan – Blown Away

Os Sin Cos Tan são um projeto comandado pela dupla Jori Hulkkonen, um importante músico e produtor do cenário eletrónico e Juho Paalosmaa, um músico que faz parte da dupla finlandesa Villa Nah. Os Sin Cos Tan tinham-se estreado em 2012 com um homónimo que foi muito bem aceite pela crítica e que fez incidir sobre eles o olhar da mesma e o sempre difícil segundo disco dos Sin Cos Tan chegou no ano seguinte, um trabalho chamado Afterlife e chamou-me a atenção devido à participação de Casey Spooner em Avant Garde, um dos temas do álbum, um músico que é a metade mais influente dos nova iorquinos Fischerspooner, uma das minhas bandas preferidas, ao qual se junta Warren Fischer. Agora, no passado dia um de agosto, a dupla regressou aos lançamentos com Blown Away, uma coleção de dez canções que viu a luz do dia por intermédio da Solina Records.

Quando dois nomes importantes e talentosos da música se juntam para algum projeto, o resultado geralmente costuma ser satisfatório. Em Blown Away os Sin Cos Tan vão de Brian Ferry aos Pet Shop Boys e os A-Ha e seguem a cartilha sonora na qual a dupla se especializou e que assenta numa eletrónica que navega por várias épocas e influências, mas que se concentra, essencialmente, na pop nórdica dos anos setenta e oitenta.

Os anos setenta e, principalmente, oitenta foram marcantes no mundo da música, assim como no universo cinematográfico. Todos os adultos de hoje cresceram naquele ambiente de euforia e recordam-no com saudade. Em Blown Away, os Sin Cos Tan não querem só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador, ao mesmo tempo. Realizado por Sakke Soini, o próprio vídeo de Love Sees No Colour, o single já retirado de Blown Away, é claramente inspirado nessa época.

As canções desta dupla nórdica prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás, ditam as regras no processo de criação melódica e de seleção dos arranjos. Mesmo em momentos mais soturnos e melancólicos, os Sin Cos Tan não se entregam por completo à tristeza e também criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e se debruçar em sonhos por realizar também servem para dançar.

Blown Away navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em dez canções onde a eletrónica é um elemento preponderante e a presença de outros instrumentos serve apenas para ampliar o contraste e acrescentar novas cores a estes temas, que são, quase todos, muito cativantes. É uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

Sin Cos Tan - Blown Away

01. Divorcee
02. Love Sees No Colour
03. A New World
04. Colombia
05. Lifestyle
06. Traffic
07. Addiction
08. Cocaine
09. Blown Away
10. Heart Of America


autor stipe07 às 20:25
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Phoenix – Bankrupt! (Gesaffelstein Remix)

Phoenix remixes

A imagem de cima mostra a quantidade de remisturas de que já foi alvo o material de Bankrupt!, o novo trabalho dos Phoenix. A mais recente está disponível para download e é da autoria do produtor francês Gesaffelstein, que remisturou o tema homónimo do disco. Há quem considere que esta amostra é uma pista credível sobre a sonoridade do próximo disco dos Phoenix. Confere...


autor stipe07 às 11:21
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Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Childhood – Lacuna

Formado por Ben Romans Hopcraft, Leo Dobsen, Daniel Salamons e Jonny Williams e oriundo de Londres, o coletivo britânico Childhood acaba de se estrear nos discos com Lacuna, um trabalho produzido por Dan Carey e que viu a luz do dia por intermédio da Marathon Artists.

Childhood é um daqueles projetos que aposta numa veia sonora algo instável e experimental, uma espécie de eletropsicadelismo assente numa pop de cariz eletrónico que, neste caso, parece viver mergulhada num mundo controlado por sintetizadores, que criam melodias que passeiam pelo mundo dos sonhos. As próprias letras que os Childhood escrevem dançam nos nossos ouvidos e a voz de Leo, um dos destaques do projeto, cresce, música após música, num misto de euforia, subtileza e entrega.

De cariz eminentemente nostálgico, mas que não coloca de lado um ambiente bastante animado e festivo, Lacuna é um disco com o qual criamos facilmente empatia, já que desperta sensações apelativas, relacionadas com eventos passados que nos marcaram, despertando em nós aquelas referências pessoais que nunca nos deixam. Tendo em conta esta constatação fantástica e até literal, o disco poderá acabar por parecer a banda sonora de um conto infantil que poderia ser ilustrado pela mesma capa de cores exageradas e pelo traço pueril que guarda a rodela. No entanto, uma audição atenta mostra-nos que este passeio por um universo feito de exaltações melancólicas nada mais é do que um retrato sombrio, mas sonoramente épico e luminoso, do tantas vezes estranho quotidiano que sustenta a vida adulta. Em onze canções onde há um certo clima circense e uma evidente psicadelia pop que lida com as orquestrações lo fi, o amor, mas também a solidão ou o abandono, servem como assunto, estes últimos conceitos que pouco têm a ver com o universo das histórias infantis, mas antes com a crueza da realidade.

Uma das ideias que mais me absorveu durante a audição dos Lacuna foi uma certamente consciente vontade dos Childhood em soarem genuínos e apresentarem algo de inovador; Em alguns instantes desta obra, como nos ruídos sintéticos de You Could Be Different, nos ritmos das roqueiras Sweet Preacher e When You Rise, a última fortemente progressiva e na melancolia de As I Am ou do single épico Falls Away, a banda faz algo inovador e diferente, e Tides e Solemn Skies ampliam esta quase obsessiva vontade dos Childhood em se afastarem das habituais referências que suportam o edifício comercial do universo sonoro indie, para flutuarem entre a metáfora e a realidade, através de letras corroídas pelo medo de encarar o quotidiano adulto e melodias ascendentes e alegres. Esta fórmula faz de Lacuna uma obra prima fortemente sentimental e capaz de abarcar um cardápio instrumental bastante diversificado, que prova que os Childhood entraram no estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, seja eletrónico ou acústico e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas.

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, através dessa fórmula acima descrita feita com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no tal eletropsicadelismo. Espero que aprecies a sugestão...

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise


autor stipe07 às 19:21
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Stardeath And White Dwarfs – Wastoid

Os Stardeath and White Dwarfs de Dennis Coyne, Matt Duckworth, Casey Joseph e Ford Chastain estão de regresso aos discos com Wastoid, um trabalho que tem o selo da insuspeita Federal Prism e que sucede ao aclamado Playing Hide and Seek With the Ghosts of Dawn (2012). Oriundos de Oklahoma e liderados por Dennis Coyne, sobrinho de Wayne Coyne, o lider dos The Flaming Lips, os Stardeath and White Dwarfs seguem, neste Wastoid, o terceiro disco do grupo, por caminhos tão experimentais quanto os trabalhos antecessores do grupo.


Com a participação especial dos próprios The Flaming Lips em Screaming e dos New Fumes e Chrome Pony em várias canções, Wastoid amplia ainda mais o clima lisérgico de uma banda que além de possuir um dos nomes mais intrigantes e originais do universo indie, aborda como muitas poucas o rock alternativo e a eletrónica, através de uma amálgama sonora com um forte pendor experimental.

Cada nova canção ou disco destes Stardeath and White Dwarfs alimenta, inevitavelmente, comparações entre essas novas propostas e o que os The Flaming Lips têm apresentado. Wayne Coyne tem estado bastante ativo e ultimamente, tanto no seu projeto alternativo Electric Würms, onde dá as mãos a Stephen Drodz e nos Lips, que atualmente estão a desenvolver um disco de tributo ao clássico Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos The Beatles, à semelhança do que fizeram há agum tempo, com a ajuda dos próprios Stardeath and White Dwarfs, com o Dark Side Of The Moon dos Pink Floyd (The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon), mantém-se no trilho aventureiro de um experimentalismo ousado e que parece não conhecer tabús ou fronteiras. Wastoid acompanha essa bitola, o sobrinho calcorreira o mesmo percurso do tio e este caminho paralelo tem um estilo bem definido, com o reverb e as distorções a serem a regra fundamental de todo o processo de composição melódica.

Conscientes das transformações que abastecem a musica psicadélica atual, os Stardeath And White Dwarfs são exímios na forma como criam composições que, apesar da rugusidade dos arranjos e do tom sombrio das cordas e dos efeitos, não deixam de ter um elevado cariz atmosférico, muitas vezes com marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental, sendo depois tudo dissolvido de forma tão aproximada e homogénea que Wastoid está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.

Ao tentar separar-se um pouco o trigo do joio, percebe-se que a mistura entre o rock alternativo e a eletrónica faz-se num caldeirão onde cabem vários subgéneros do rock e da pop, com o blues e a folk à cabeça; Se canções como Luminous Veil, assentam num folk rock desacelerado, a canção homónimoa do disco cheira a blues por todos os poros e depois temas como Birds of War e a tal The Screaming, que conta com a ajuda dos The Flaming Lips, contêm alguns dos mais elementares detalhes da pop, onde também não falta a habitual onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o rock sinfónico e guitarras experimentais, com travos de krautrock, sendo Frequency um tema exemplar para a perceção desta apenas aparente ambivalência.

Uma das virtudes e encantos deste grupo de Oklahoma parece ser a capacidade de criarem canções algo desfasadas do tempo real, quase sempre relacionadas com um tempo futuro. Escutar Wastoid leva-nos a imaginar cenários e universos paralelos, através de uma permissa temporal algo esotérica, mas este parece ser também um trabalho muito terreno, porque fala imenso do amor, do abandono e dos problemas existencias típicos no seio de uma família vulgar de quem está prestes a entrar na vida adulta. A poesia dos Stardeath And White Dwarfs é algo metafórica, o que faz deles um grupo ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade, capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-los para cenários complexos.

Com tanto a unir os parentes Coyne, o único ponto de divergência é que se ao décimo terceiro disco, em The Terror, o último registo de originais dos The Flaming Lips, eles viviam no olho do furacão de uma encruzilhada sonora que, diga-se, superaram, na minha opinião, com distinção, estes Stardeath and White Dwarfs parecem ainda muito longe de querer apontar agulhas para outros caminhos, o que, tendo em conta o conteúdo de Wastoid, naturalmente se saúda. Espero que aprecies a sugestão...

Stardeath And White Dwarfs - Wastoid

01. The Chrome Children
02. Frequency
03. Hate Me Tomorrow
04. Wastoid
05. Birds Of War
06. All Your Friends
07. The Screaming
08. Luminous Veil
09. Guess I’ll Be Okay
10. Sleeping Pills And Ginger Ale
11. Surprised


autor stipe07 às 21:44
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Sinkane - New Name

Mean Love

Ahmed Gallab é Sinkane, um compositor oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão e que desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político. Cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, já tocou com os Of Montreal, Yeasayer, Caribou e lançou a vinte e três de outubro de 2012, por intermédio da DFA de James Murphy, Mars, um dos álbuns desse ano.

Dois anos depois, vai chegar no início de setembro aos escaparates o sucessor, também por intermédio da DFA nos Estados Unidos e da City Slang na Europa. O novo trabalho de Sinkane chama-se Mean Love e depois de Hold Tight,e How We Be, agora chegou a vez de podermos escutar New Name, mais um paraíso soul em todos os sentidos, uma canção com uma sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave. Como acontece sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras. Confere...


autor stipe07 às 13:53
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

You Walk Through Walls – You Walk Through Walls

Depois do aclamado EP Destroyed Places, editado em 2012, os londrinos You Walk Through Walls estreiam-se finalmente no formáto álbum com um espetacular homónimo, que contém dez canções e que viu a luz do dia por intermédio da etiqueta Club AC30. Os You Walk Through Walls são  Matt, James e Harry, um trio que renasceu das cinzas dos lendários Air Formation, de Matt e James.

O conteúdo sonoro que vive muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte, continua na ordem do dia e este disco é mais um exemplo feliz de uma mescla de diferentes estilos vintage, mas que congregam muitas das qualidades do indie rock atual, através de um espírito de composição algo volátil e envolvido por uma intensa dose de experimentalismo.

You Walk Through Walls demonstra cabalmente que uma sonoridade ruidosa não é inacessível para quem pretende ser simultaneamente melódico; O jogo potente que se desenvolve entre a bateria e as guitarras em Burning Inside, ou os efeitos de Revelations, têm particularidades intrínsecas à dream pop, com a psicadelia a ser, naturalmente, aquele detalhe firme e constante, que se apoia em alguns interessantíssimos momentos etéreos criados pelos efeitos particularmente melódicos que provêm da distorção da guitarra.

Como seria de esperar neste espetro sonoro, presente-se um certo clima sombrio ao longo da audição, como se os You Walk Through Walls canalizassem para a sua música um hipotético sofrimento que sobre eles se abateu, usando-o como um meio criativo e assim expressarem, através de uma tragédia, a sua visão poética da dor, de forma comovente e sincera, com Wrap Myself In Dreams a ser um exemplo bastante particular dessa indisfarçável necessidade de carpir algo através da música.

Em oposição a esse clima mais contido e etéreo, a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza de temas como Always Want to Know ou o single Gone In A Day, entre outros, são suavizados por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas, que procuram uma clara diversidade melódica e até instrumental e a demonstração de um cuidado controle das operações, mas sem deixar de ter o habitual universo cinzento e nublado, que, pelos vistos, cobre a mente criativa de Matt, o líder do projeto. Mesmo quando em Far Beyond há um perigosa aproximação ao rock mais negro e progressivo, os You Walk Through Walls não ultrapassam completamente essa fronteira e não embaraçam a fidelidade que demonstram relativamente à tendência geral do álbum, conseguindo ainda apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente.

No final do disco, a pop mais branda da já citada Revelations e de How Can We Go On, poderá ser um bom indicativo de que o amanhã deste grupo londrino assentará também em bases sonoras mais ambientais, mas sempre ampliadas com o potencial psicadélico das guitarras e da voz flutuante de Matt, para que nunca se perca o charme que é intrínseco ao cardápio sonoro deste grupo. 

You Walk Through Walls é um álbum muito carregado emocionalmente e talvez pretenda refletir o estado psíquico de uma banda que personifica um novo ponto de partida para dois músicos muito marcados por transformações e dissabores, mas que nunca deixaram, ao longo da carreira, de tentar ser coerentes no desejo de deixar, disco após disco, novas pistas para a salvação do rock. O resultado final algumas vezes não foi o melhor, mas essa nobre intenção de recomeçar ganhou um novo vigor neste disco que, quanto a mim, faz destes You Walk Through Walls novos mestres na arte de dissecar uma já clássica relação estreita entre o rock de garagem e o punk psicadélico e exímios na forma como colocam na voz aquele cariz algo sombrio que tão bem carateriza este género de sonoridade. Espero que aprecies a sugestão...

You Walk Through Walls - You Walk Through Walls

01. Burning Inside

02. Gone In A Day
03. Miss So Much
04. The Light Is Fading
05. Wrap Myself In Dreams
06. Always Want To Know
07. Far Beyond
08. On My Way
09. How Can We Go On
10. Revelations

 


autor stipe07 às 19:31
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Landfork - Trust

A viver atualmente em Calgary, no Canadá, Jon Gant é Landfork, uma espécie de alter-ego de um músico que tem na chamada synth pop uma grande paixão. Por isso, a sonoridade do projeto assenta num forte predomínio da eletrónica e dos sintetizadores e conta com a ajuda de Derek Wilson, nas teclas, nas atuações ao vivo. Descobri-o quando editou em agosto de 2013 Nights At The Kashmir Burlesk, um trabalho que sucedeu a Tiománaí, o disco de estreia do projeto, editado em outubro de 2011. Agora, no passado dia oito de julho, Landfork está de regresso com Trust, o seu terceiro álbum, onde consegue, de novo, chamar a atenção dos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop há uns trinta anos atrás.

Com a pop sintetizada a servir de força motriz para a composição e com uma escrita bastante autobiográfica, Trust está carregado com elementos sonoros onde a herança de nomes como os Fischerspooner à cabeça e alguns ecos dos Joy Division e, naturalmente, dos New Order, são uma evidência, que se entende quando o próprio musico confessa que o disco começou a ser pensado depois de ter passado a ouvir música de dança no terraço de um hotel mexicano e, nesse instante, ter-se sentido invadido por uma avassaladora vontade de também compôr material sonoro para abanar a anca, mas que replicasse alguns dos traços identitários e melancólicos da música pop de cariz mais eletrónico. Dois dias depois dessa experiência curiosa, Landfork regressou ao Canadá, instalou-se durante duas semanas no The Banff Centre for the Arts e com um pequeno gravador portátil e alguns instrumentos começou a trabalhar no conteúdo de Trust.

Há excelentes momentos contemplativos e festivos em Trust e o disco vive um pouco da busca de equilibrio entre estes dois pólos previsivelmente opostos, com o núcleo duro do trabalho a ser um enorme oceano de sons e ecos que nos convidam à auto análise interior, mas que também não descuram a busca de sons de outras latitudes mais quentes. O processo de composição melódica acaba por se sustentar tendo os teclados como maiores protagonistas, em redor dos quais foram surgindo diferentes efeitos e arranjos, muitas vezes dominados por cordas e por uma percussão bastante inspirada.

Trust conta com as participações especiais de Jamie Fooks (Jane Vain and the Dark Matter, Shematomas) e de Ryan Sadler (Teledrome, Thee Thems) e está disponivel no bandcamp de Landfork, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:12
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Miracles Of Modern Science - Swipe (feat. Kristin Slipp)

Os Miracles Of Modern Science são Evan, Josh, Geoff, Kieran e Serge, um quinteto com raízes na Universidade de Princeton e oriundo de Brooklyn, Nova Iorque. Depois do EP MEEMS, editado em 2013, estão de regresso com uma nova canção chamada Swipe, gravada e misturada por Evan Younger, o líder da banda e masterizada por Joe Lambert. O artwork da canção é também da autoria de Evan Younger e conta com a participação especial de Kristin Slipp dos Cuddle Magic, na voz.

Swipe é uma canção cheia de cor e boa disposição, com uma limpeza purificadora que pole cada pormenor e, desta forma, retira o melhor de cada um dos instrumentos, com uma extrema sensibilidade pop. O single está disponível no bandcamp, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou de doares um valor pelo mesmo. Confere...


autor stipe07 às 14:10
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Cloud Boat – Model Of You

Naturais de Londres, os britânicos Cloud Boat são Sam Ricketts e Tom Clarke, uma dupla de indie pop que lançou no passado dia catorze de julho Model Of You, através da Apollo Records. Este novo álbum dos Cloud Boat sucede a Book Of Hours, o trabalho de estreia dos Cloud Boat.

Quando eram mais novos, Tom e Sam tocaram em bandas de metal e de post rock e só mais tarde, no meio universitário, descobriram a eletrónica e o gosto por esse género musical foi-se acentuando à medida que, juntos, começaram a compôr. Começaram por editar em 2010, e através da etiqueta R&S, Lions On The Beach, um single que causou impacto pela mistura entre o dubstep e a folk, algures entre os Burial e os Hood e no ano seguinte dedicaram-se às remisturas. Finalmente, em 2013, surgiu Book Of Hours, o primeiro longa duração e, devido ao sucesso desse lançamento, Model Of You era aguardado pela crítica especializada com alguma expetativa.

Um sintetizador cheio de loops e efeitos e uma voz com um registo grave, mas ardente, que procura dar alguma cor e alegria às letras depressivas e assim espalhar sensualidade e hipnotismo às canções, são alguns dos trunfos usados pelos Cloud Boat, manuseados com evidente inspiração e que originam um ambiente sonoro cheio de charme, onde também não faltam algumas variações e os efeitos metálicos, que incluem cordas e instrumentos de sopro. Assim, Model Of You impressiona pela exuberância dos arranjos, apesar de não haver uma orientação explícita para as pistas de dança; No entanto, temas como Thoughts In Mine a Aurelia poderão agradar a quem procura essa vertente na música destes dois produtores britânicos.

O que se procura criar neste trabalho é, acima de tudo, paisagens sonoras amenas, mas cheias de movimento e cor, uma eletrónica com momentos mais ambientais, audíveis, por exemplo, em The Glow ou Golden Lights e outros onde há um apelo direto à típica indie pop de cariz mais comercial, com o piano de Hideaway ou as cordas de Bricks Are For a cumprirem cabalmente essa missão, ao memso tempo que nos permitem sermos invadidos por uma doce sensação de ternura e de melancolia. Os efeitos inebriantes que sustentam a percussão de Portraits Of Eyes, acompanhados por um loop de guitarra algo frenético, são outros trunfos de um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante. Seja como for, o maior destaque deste disco será, talvez, Carmine, uma canção assente na tal voz grave, invasiva e visceral, a conferir um interessante colorido a um tema com uma toada eminentemente pop e com arranjos pensados para a criação de um ambiente épico e cheio de paisagens deslumbrantes.

groove e a luminosidade deste registo são dois aspetos suficientemente apelativos para que não se deixe passar em claro uma coleção de doze canções intensas e bastante inspiradas que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressionam pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Model Of You é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

Cloud Boat - Model Of You

01. Prelude
02. Hideaway
03. Carmine
04. Portraits Of Eyes
05. Bricks Are For
06. The Glow
07. Golden Lights
08. Aurelia
09. Thoughts In Mine
10. Told You
11. All Of My Years
12. Hallow


autor stipe07 às 22:08
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Gold Panda – Clarke’s Dream

Gold Panda - "Clarke's Dream"

O produtor britânico Gold Panda editou o ano passado Half Of Where You Live, o seu disco de estreia e já trabalha no sucessor, que ainda não tem nome e data de lançamento prevista.

Clarke's Dream é o tema mais recente que Gold Panda disponibilizou mas, de acordo com informações recolhidas, não fará parte do alinhamento do novo disco do produtor. Este tema é um excelente instrumental, bastante funky, com um potencial enorme para ser alvo do encaixe por parte de uma voz do universo do hip-hop, por exemplo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:40
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Sexta-feira, 8 de Agosto de 2014

Blurred City Lights - Anamorphic


Lançado no passado dia oito de junho apenas em formato digital disponível no bandcamp, Anamorphic é o primeiro longa duração dos Blurred City Lights, um grupo formado por Jarek Leskiewicz (Naked On My Own, NOMODD) e Dean Garcia (Curve, SPC ECO), mas que também conta com as participações especiais de Rose Berlin, Russell Keeble e Perry Pelonero. A banda já tinha lançado em março de 2013 Neon Glow, um EP com seis canções.

Anamorphic é um disco rock com um travo aquele espírito industrial, mas com uma carga ambiental assinalável, bem patente, por exemplo, nos temas Try e Chained, mas essas batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem, em demasiado, ao restante conteúdo sonoro. Smalls Fears Magnified, uma excelente amostra de rock industrial e progressivo prova esta minha teoria quando a voz de Jarek e uma certa toada psicadélica fazem do tema dos momentos mais atraentes e diferentes do disco. No entanto, os elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um teclado sintético e a uma percussão orgânica com um volume crescente, em OP4, fazem deste instrumental um dos grandes momentos sonoros do ano.

Outro dos maiores destaques de Anamorphic acaba por ser também o single Inside, uma feliz escolha para amostra, já que, de certa forma, compila toda a arrojada e diversificada míriade sonora do álbum, incluindo o acerto de uma voz, que se assume também como um importante fio condutor das onze canções, seja através de um registo sussurrante, ou através de uma performance vocal mais aberta e luminosa e que muitas vezes contrasta com a natural frieza das batidas digitais e dos devaneios muitas vezes algo inconclusivos e misteriosos das guitarras.

Este extraordinário álbum de estreia de um projeto que merece toda a atenção destaca-se pela intensidade ambiental que nos atira para paisagens eletrónicas de outrora, com os teclados e as guitarras a terem o maior destaque, a construirem diversas camadas sonoras e onde há uma voz omnipresente entregue a um espírito desolado e que nos remete, devido ao baixo constante, para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno. É um disco com uma acentuada componente experimental e aconselha-se audições repetidas para que se tenha a perceção clara do seu conteúdo e dos mínimos detalhes. O sucesso da estreia dos Blurred City Lights depende da predisposição do ouvinte e do cenário que cada um de nós cria tendo em conta a atmosfera sonora proposta. São quase sessenta minutos cheios de momentos brilhantes, com diferentes graus de intensidade e que precisa de um tempo que objetivamente merece. Espero que aprecies a sugestão... 


autor stipe07 às 21:36
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Sábado, 2 de Agosto de 2014

Teleman - Breakfast

Nascidos das cinzas dos Pete & The Pirates, um quinteto de Reading que editou dois excelentes discos no final da década passada, os britânicos Teleman são o vocalista Tommy Sanders, o seu irmão Johnny (teclados), o baixista Peter Cattermoul e o baterista Hiro Amamiya. Breakfast é o fantástico disco de estreia desta banda que é já um dos grandes destaques do catálogo de 2014 de insuspeita Moshi Moshi Records, um álbum que viu a luz do dia no final do passado mês de maio e que foi produzido por Bernard Butler, guitarrista dos Suede.

Da cândura de Cristina à imponência de Travel Song, os Teleman fazem, no primeiro disco do seu cardápio, uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com uma pulsão rítmica que parece vir a caraterizar a personalidade deste quarteto, que criou neste álbum um alinhamento consistente e carregado de referências assertivas.

O baixo de Steam Train Girl, o primeiro single divulgado do disco, já em 2013, merecia, por si só, a audição deste álbum, com um punhado de outras notáveis canções, que mostram um notável recorte clássico e uma paleta colorida, leve, fresca e tranquila de paisagens instrumentais e líricas. Delas destaco também a delicadeza de Lady Low e o charme único do tema de abertura, além dos arranjos envolventes e sofisticados e da sensibilidade melódica muito aprazível de canções como 23 Floors Up, ou Skeleton Dance, que poderiam muito bem fazer parte do ideário sonoro da banda de onde é oriundo o produtor de Breakfast. Recomendo igualmente a audição cuidada da guitarra com um ligeiro travo ao blues do outro lado do atlântico de Mainline, da grandiosa Travel Song, canção que intercala uma excelente interpretação de Anderson com um trabalho habilidoso da restante banda e da divertida Monday Morning, um tratado sonoro que traz sons modulados e camadas sonoras sintetizadas  que lhe dão um clima espectral.

A fragilidade da voz refrescante e ternurenta de Tommy Sanders é mais um importante trunfo de um disco que consegue transmitir, com uma precisão notável, sentimentos que frequentemente são um exclusivo dos cantos mais recônditos da nossa alma, através de uma fresca coleção de canções pop que são uma das melhores surpresas de 2014 e que caiem muito bem neste verão que teima em manter-se um pouco na penumbra. Espero que aprecies a sugestão...

Teleman - Breakfast

01. Cristina
02. In Your Fur
03. Steam Train Girl
04. 23 Floors Up
05. Monday Morning
06. Skeleton Dance
07. Mainline
08. Lady Low
09. Redhead Saturday
10. Travel Song


autor stipe07 às 20:47
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

The Acid - Liminal

Há algo de místico nos The Acid, um projeto musical formado por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴Depois de terem lançado no passado dia catorze de abril um EP homónimo, disponível para audição no soundcloud, agora estão de regresso com Liminal, um disco ditado no passado dia sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há nos The Acid uma aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, numa espécie de penumbra que tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descoberta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustrante a escassez de fontes disponíveis. A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste disco nos suscita, um trabalho onde o australiano RY X assume o maior protagonismo. As suas canções parecem ter sido embaladas num casulo de seda e em coros de sereia, um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver. Assim, não espanta Liminal estar repleto de melodias doces com um leve toque de acidez, mas que se escutam com invulgar fluidez.

Temas como Animal ou Trumbling Lights, a minha canção preferida de Liminal, espantam pelo minimalismo insturmental e pelo corpo imenso que a voz lhes confere, um registo que algures entre elegância e fragilidade, deixa-nos a suspirar no seio de uma calma cósmica e instrospetiva, que dá vida a canções com letras carregadas de drama e melancolia.

Já temas como Ghost ou Creeper, ou o dedilhar da viola acústica em Basic Instinct, apostam em outros detalhes, com sintetizadores mais luminosos e expressivos, mas mantém-se o mesmo fio condutor marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, alguns teclados, a voz agora sintetizada e linhas poderosas de baixo.

Toda esta amálgama apenas aparente serve para criar ambientes intensos e emocionantes, que nunca deixam de lado a delicadeza e onde cada detalhe existe por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços.

The Liminal é um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste grupo. E parece evidente que os The Acid não pretendem abrigar-se em zonas de conforto e que estão disponíveis para futuras experimentações subtis, que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a música do projeto alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....

The Acid - Liminal

01. Animal
02. Veda
03. Creeper
04. Fame
05. RA
06. Tumbling Lights
07. Ghost
08. Basic Instinct
09. Red
10. Clear
11. Feed

 


autor stipe07 às 18:31
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Music Go Music - Inferno

Music Go Music

Oriundos de Los Angeles, os norte americanos Music Go Music são um excitante trio formado Gala Bell, Kamer Maza e Torg, que vai lançar já em outubro Impressions, o novo trabalho da banda, através da Secretly Canadian.

Acabado de divulgar e disponibilizado gratuitamente pelos Music Go Music, o single Inferno é mais um avanço promissor relativamente ao conteúdo desse álbum, um tema predominantemente sintético, mas feito de alegria e com sabor a Verão, divertido, dançante, um groove que resgata todo o espírito dos setentas e dos oitentas, com um certo travo à soul típica da motown, mas com corpo de século XXI. Confere...


autor stipe07 às 11:37
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