Quarta-feira, 19 de Julho de 2017

Coldplay – Kaleidoscope EP

Produzido por Rik Simpson, Bill Rahko, Markus Dravs, Brian Eno e Daniel Green e editado através da Parlophone Records, Kaleidoscope é o novo EP dos britânicos Coldplay, cinco canções que viram a luz do dia hà poucos dias e que servem como complemento ao sétimo álbum de estúdio do grupo, o registo A Head Full of Dreams, que viu a luz do dia em 2015. Aliás, o nome do EP, Kaleidoscope, é o mesmo de uma composição de interlúdio presente nesse longa-duração.

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Em Kaleidoscope, os Coldplay prosseguem a sua demanda recente que tem tido a intenção firme de criar alinhamentos cada vez mais luminosos e festivos e melodicamente amplos e épicos, com canções que celebrem o otimismo e a alegria e que, misturando rock e eletrónica, ajudados por uma máquina de produção irrepreensível, possam consolidar um virar de agulhas, que me parece ser definitivo, ao encontro de sonoridades eminentemente pop. No entanto, num apenas apresente contraponto com este filosofia estilística, o ep abre com All I Can Think About Is You, já que sendo uma canção com um início algo intimista, depois, à boleia do piano, desenvolve-se numa ode celebratória, empolgante e expansiva, que faz jus a alguns dos melhores instantes da carreira da banda.

E ep prossegue neste propósito eloquente e na colaboração com Big Sean em Miracles (Something Special), Chris Martin dá-nos outro exemplo impressivo deste novo paradigma sonoro dos Coldplay, numa composição onde a guitarra é protagonista, mas apenas a espaços, deixando mais uma vez as teclas no comando da condução melódica, tudo interligado por uma produção polida com o máximo de brilho que a tecnologia dos dias de hoje permite e que é depois ampliada com ALIENS, o melhor momento de Kaleidoscope, tema abrilhantado por uma percurssão sintética de superior calibre e pela prestação vocal de Martin, bastante intensa e apaixonada.

Até ao ocaso, na participação dos The Chainsmokers em Something Just Like This (Tokyo Remix), canção captada ao vivo e que transmite com exatidão o espírito vibrante e amplo de um concerto dos Coldplay na atualidade e na delicadeza gentil, dramática e cândida do piano e dos efeitos metálicos de Hypnotized, constatamos com clarividência a cada vez maior distância entre a sedutora e notavelmente bem conseguida timidez indie dos primórdios do grupo e o modo como atualmente se posicionam, numa posição cada vez mais oposta, na pele de detentores do título máximo de banda de massas da pop e da cultura musical dos dias de hoje. Independentemente das inflexões ao longo dessa caminhada de quase duas décadas, mantém-se um traço comum e transversal a toda a carreira dos Coldplay, o atributo de possuírem, desde sempre e de modo constante, canções que falam de sentimentos reais e geralmente felizes e que, por isso, pretendem colocar enormes sorrisos no nosso rosto durante a audição. Espero que aprecies a sugestão...

Coldplay - Kaleidoscope EP

01. All I Can Think About Is You
02. Miracles (Someone Special)
03. A L I E N S
04. Something Just Like This (Tokyo Remix)
05. Hypnotised (EP Mix)


autor stipe07 às 18:06
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017

Radiohead – OK Computer: OKNOTOK 1997-2017

Os Radiohead são os verdadeiros Fab Five das últimas três décadas, não só porque ainda estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, como foi evidente em Moon Shaped Pool há pouco mais de um ano, mas também porque, disco após disco, acabam por continuar a estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto de Oxford na linha da frente das suas maiores influências.

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E tudo isto começou quando os Radiohead se tornaram, um pouco inconscientemente, no início dos frenéticos anos noventa, a melhor resposta britânica a um período aúreo do rock norte-americano, mesmo com os Blur e os Oasis, no seu país, na fase mais cintilante da carreira e com interessante aceitação nos Estados Unidos. Logo em Pablo Honey (1993), catapultados em grande medida pelo single Creep, colocaram em sentido milhões de olhares pelo mundo fora, em especial desse outro lado do atlântico, num território onde bandas como os R.E.M., os Nirvana, os Metallica, os Smashing Pumpkins, Red Hot Chili Peppers e Guns N'Roses, eram veneradas e ditavam tendências. E dois anos depois, com o excelente The Bends, os Radiohead afirmaram-se numa certeza; Embarcam numa digressão norte-americana bem sucedida e ficam em posição privilegiada de colocar as cartas na mesa junto da editora que os abriga, onde exigindo liberdade criativa, um estúdio só para si com um caderno de encargos por eles definido e a presença de Nigel Goldrich lá dentro, começam a incubar aquele que será para muitos o melhor álbum da história do rock alternativo, o majestoso e sublime OK Computer.

Vinte anos depois, aquele que viria a ser o terceiro disco do grupo acaba de ser reeditado em dose dupla, com o alinhamento integral da edição original e um segundo compêndio de canções onde constam oito lados b e três músicas inéditas; I Promise, Lift e Man Of War. Desse modo, todas as gravações originais de estúdio de OK Computer, nunca antes lançadas, são remasterizadas das fitas analógicas originais e vêem finalmente a luz do dia com uma edição intitulada OK Computer: OKNOTOK 1997-2017.

Disco com uma dimensão sonora particularmente épica e orquestral, guiado por um cardápio instrumental vasto e onde o orgânico e o sintético se cruzam constantemente, não faltando pianos carregados de cândura e cordas acústicas mas também bastante abrasivas, OK Computer destaca-se pelo típico ambiente algo alienígena, soturno e reflexivo que a banda tão bem soube recriar, uma filosofia que fica impressa logo na distorção da guitarra e na clemência da voz de Thom Yorke, em Airbag. Se esta canção impressiona pelo devaneio melódico e pela miríade de detalhes e efeitos sintetizados que contém, a emoção sensorial amplia-se majestosamente em Paranoid Android, a Bohemian Rapsody dos Radiohead, uma colagem sublime de duas canções distintas, com todos os ingredientes e clichés que estruturam o protótipo de uma canção rock perfeita e que liricamente se situa num terreno muito confortável para Thom Yorke, que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nu algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia.

A sociedade contemporânea e, principalmente, a evolução tecnológica que nem sempre respeita o ritmo biológico de um planeta que tem dificuldade em assimilar e adaptar-se ao modo como apenas uma espécie, possuindo o dom único da inteligência, coloca em causa todo um equilíbrio natural, foi, então, já nessa época, um manancial para a escrita de Yorke, na projeção de OK Computer. Assim, além dos temas já referidos, na declamação  do que é uma verdadeira ditadura das massas em Fitter Happier, na nave espacial que se despenha entre os efeitos inebriantes e a guitarra que se insinua em Subterranean Homesick Alien, na soul arrepiante da voz que encoraja um homem perdido nos seus medos e entorpecido na sua dor a partir estrada fora guiado por um espírito maior em Exit Music (For A Film), mas também na distorção bendiana da inquietante guitarra de Lucky ou no passageiro que sai de um comboio num destino ao acaso hipnotizado pela rudeza do piano e pela cândura das cordas que depois se elevam ao alto, à boleia do baixo, em Karma Police, escutamos mais vários exemplos do modo como em OK Computer, metaforicamente, ou indo diretamente ao assunto, este incomparável poeta nos recorda como poderá ser drástico viver em permanentemente desafio com a natureza, sem ter em conta o nosso verdadeiro lugar e posição, no seio da mesma.

Mas o amor é também território fértil para os Radiohead expressarem quer agruras quer instantes de puro deleite e em OK Computer há pelo menos três canções que são particularmente intensas e representativas da beleza desse sentimento máximo. Se no ambiente rugoso e vincadamente corajoso e lutador de Electioneeering transpira um lado mais selvagem do amor e a inevitabilidade do mesmo conseguir sobreviver a todos os desafios se for vivido como a expressão única e definitiva da nossa consciência, já o clima borbulhante e positivamente visceral de Let Down dá ânimo para que finalmente aquele gesto que todos sonhamos um dia conseguir fazer, mas que a timidez ou a insegurança não permitem que se concretize, possa finalmente materializar-se. Depois, No Surprises, mesmo versando metaforicamente sobre o assunto, é aquela canção de amor que tanto embala como derrete o coração mais empedernido e fá-lo sem lágrima gratuita ou qualquer ponta de lamechice.

O segundo disco desta reedição de OK Computer é fundamental para a perceção clara de todo o contexto em que o álbum inicial foi incubado e, pegando nos três temas originais, logo na ternura acústica e contemplativa de I Promise se percebe o potencial das canções que acabaram por ficar de fora do alinhamento inicial do disco, sobras que para outros projetos seriam claramente trunfos maiores. E um dos principais atributos deste segundo alinhamento, é não ter despudor em apresentar uns Radiohead conceptualmente situados, nessa fase da carreira, numa espécie de encruzilhada, devido ao clima tendencialmente orgânico de The Bends e a necessidade da banda em fazer da eletrónica uma realidade cada vez mais presente, sem colocar as cordas e a bateria de lado. Depois, se no piano e no riff de Man Of War, tema que aponta todas as fichas à herança de Pablo Honey, à semelhança, mais adiante, do instintivo rock do lado b Polyethylene (Parts 1 And 2), sentimo-nos mais felizes por podermos contemplar o bucolismo típico radioheadiano, em Lift somos forçados a enfrentar o lado mais melancólico, etéreo e introspetivo dos Radiohead, conduzidos por um faustoso instante sonoro, onde sintetizadores e cordas se cruzam, numa melodia cheia de humanidade e emoção.

No que concerne aos lados b, além da composição já referida, Lull usa de armas muito parecidas com as de Let Down, obtendo um efeito soporífero direito ao âmago muito semelhante e Meeting In The Aisle acaba por ter a curiosidade de, no modo como ritma a batida e abusa de alguns efeitos abrasivos, enquanto é adicionada uma linha de guitarra ligeiramente aguda e uma bateria que parece rodar sobre si própria, mostrar uma outra faceta da apenas aparente dúvida existencial em que viviam à época os Radiohead. O próprio jogo que se estabelece em Melatonin entre a bateria, um teclado sintetizado retro e a voz planante de Yorke, assim como o modo como A Reminder, outro tema que aborda a propensão humana para a perca, cresce de intensidade e mostra-se outra preciosa acha para a fogueira que ilumina a abrangência estilística do adn sonoro dos Radiohead, ampliam esta espécie de dicotomia entre um lado mais orgânico e outro mais sintético, também expressa, com luminosidade, frescura e cor na guitarra e nos efeitos borbulhantes de Palo Alto e, antes, em Pearly, na espiral instrumental quase incontrolada que deste tema se apodera e que acaba por atestar a segurança, o vigor e o modo ponderado e criativamente superior como este grupo britânico entrava há duas décadas em estúdio para compôr e criar um arquétipo sonoro que ainda não tem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual.

Reedição muito desejada por todos os seguidores e não só, OK Computer: OKNOTOK 1997-2017 é um lugar mágico onde pudemos, há vinte anos atrás, no apogeu da nossa juventude, canalizar muitos dos nossos maiores dilemas. E, de facto, o registo ainda se mantém atual no modo como nos faz esse convite, mas agora de modo ainda mais libertador e esotérico. À época foi um compêndio de canções que nos alertou para a urgência de observarmos como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções e hoje, trazendo à tona tantas memórias, pode muito bem ser aquele impulso que nos faltava para percebermos que ainda vamos a tempo de colocar em prática algumas das mais belas fantasias que há tantas décadas guardamos na nossa caixa dos desejos e que, vindo a ser revistas e moldadas pela inevitável força do nosso maior vigor e maturidade, ainda mantêm, no fundo, toda aquela inocência genuína que lhes dá a beleza e cor que só cada um de nós conhece. Espero que aprecies a sugestão...

Radiohead - OK Computer OKNOTOK 1997-2017

CD 1
01. Airbag
02. Paranoid Android
03. Subterranean Homesick Alien
04. Exit Music (For A Film)
05. Let Down
06. Karma Police
07. Fitter Happier
08. Fitter Happier
09. Climbing Up The Walls
10. No Surprises
11. Lucky
12. The Tourist

CD 2
01. I Promise
02. Man Of War
03. Lift
04. Lull
05. Meeting In The Aisle
06. Melatonin
07. A Reminder
08. Polyethylene (Parts 1 And 2)
09. Pearly*
10. Palo Alto
11. How I Made My Millions


autor stipe07 às 00:02
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Quinta-feira, 22 de Junho de 2017

Gorillaz – Sleeping Powder

Gorillaz - Sleeping Powder

As sessões de gravação de Humanz, o último registo discográfico dos Gorillaz de 2-D, Murdoc, Noodle e Russel, terão deixado um legado interessantíssimo de canções ou trechos sonoros que acabaram por não constar do alinhamento de um disco com vinte e seis canções, na versão mais completa. Esse trabalho produzido pelo próprio Damon Albarn e primeiro da banda desde The Fall (2011), acaba por ser um monumental e sólido passo dos Gorillaz rumo a uma zona de conforto sonora cada vez mais afastada das experimentações iniciais do projeto que, tendo sempre a eletrónica, o hip-hop e o R&B em ponto de mira, num universo eminentemente pop, também chegou a olhar para o rock com uma certa gula.

Sleeping Powder é um dos temas que acabou por ficar de fora do vasto alinhamento de Humanz, uma canção que tendo como referência fundamental todo o espetro pop contemporâneo, entronca numa filosofia de experimentação contínua, livre de constrangimentos e com um alvo bem definido, o hip-hop . Nesta composição e, no fundo, em todo o conteúdo de Humanz, foi o parceiro privilegiado da eletrónica, com a voz de Albarn a constituir-se, na música, como um inconfundível e delicioso apontamento de charme, seneridade e harmonia. Confere...


autor stipe07 às 00:37
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Quarta-feira, 21 de Junho de 2017

Everything Everything – Can’t Do

Everything Everything - Can't Do

A Fever Dream verá a luz do dia a dezoito de agosto e será o nome do próximo disco dos britânicos Everything Everything, o quarto registo de originais desta banda oriunda de Manchester e que sucederá ao aclamado Get to Heaven, o álbum que o quarteto lançou há cerca de dois anos. Depois de terem trabalhado em Get To Heaven com o consagrado Stuart Price (Kylie Minogue, The Killers e Scissor Sisters), neste A Fever Dream contaram, na gravação e produção, com a ajuda de James Ford, habitual colaborador de bandas como os  Arctic Monkeys, Depeche Mode ou os Foals.

A Fever Dream tem em Can't Do o single de apresentação, uma canção que piscando o olho a um vasto leque de influências que vão da dream pop ao rock progressivo, passando pela eletrónica e o indie rock contemporâneo, plasma um refinado e cuidadoso processo de corte e costura de todo o espetro musical que seduz o grupo. Tematicamente, é um tema que, de acordo com Jonathan Higgs, o líder dos Everything Everything, pretende alertar as consciência para a noção de normalidade, porque, de acordo com ele, esse é um conceito que ninguém sabe definir com exatidão e, por isso, nenhuma entidade ou indíviduo se pode apropriar do mesmo e apresentar-se como tal. Confere...


autor stipe07 às 06:26
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Quarta-feira, 14 de Junho de 2017

Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly And James McAlister – Planetarium

Um dos registos discográficos que era aguardado com maior expetativa nas últimas semanas intitula-se Planetarium, um álbum conceptual sobre o sistema solar, que viu a luz do dia a nove de junho através da 4AD, com a assinatura dos músicos norte americanos Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister. Com dezassete temas, o disco vinha a ser trabalhado pelo quarteto desde 2013, depois de uma performance no Brooklyn Academy Of Music, em Nova Iorque, mas já em 2011 Sufjan Stevens tinha sido convidado pelo compositor Nico Muhly a participar num projeto na galeria holandesa de arte e teatro Muziekgebouw, em Eindhoven.

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Planetarium assume em todas as suas notas uma gloriosa e cósmica viagem sonora pelos recantos do nosso sistema planetário, à boleia de um conjunto de canções inspiradas em diferentes planetas e corpos celestes, entre eles a nossa estrela, o Sol. É uma jornada que do rock progressivo à pop construída em redor de pianos melancólicos, aglutina também no seu âmago uma forte veia eletroacústica algo suave e adocicada, como se percebe, por exemplo, em Mercury, um dos grandes instantes do registo, já com direito a um vídeo a preto e branco, assinado por Deborah Johnson.

Ao longo destas jornada somos convidados a escutar uma espécie de ópera cósmica, com as diferentes canções a não viverem isoladamente, mas agregadas num todo sustentado por uma míriade instrumental extensa, que entre o orgânico e o sintético, o acústico e o elétrico,  balançam-se entre si e formam um alinhamento harmonioso por onde palpitam letras de forte cariz metafórico, que tanto são cantadas por vozes modificadas e replicadas roboticamente, mas também num registo o mais cru e humano possível.

Jupiter será talvez o tema que melhor condensa a filosofia sonora subjacente a Planetarium, mas quer a teia intrincada de efeitos e arranjos, principalmente os de sopro, em Uranus e o clima enérgico, futurista e monumentalmente percurssivo de Mars, são também composições que nos colocam eficazmente bem no centro deste recanto da nossa galáxia, sem necessidade de escafandro ou de uma veículo mais rápido que a velocidade da luz. Por outro lado, Sun ou Black Energy proporcionam instantes mais serenos e intimistas, bem à medida da imensidão e do silêncio que caraterizam o vazio cósmico.

Planetarium é uma odisseia sonora por onde confluem vários sons da mais diversa estirpe e de diferentes proveniências, mas todos cheios de vida e a criarem verdadeiras telas sonoras de um sistema solar idealizado por Stevens, Dessner, Muhly e McAlister. Apesar da dimensão universal, estes mais de setenta minutos de música foram entalhados no ventre da terra mãe e dela brotaram para se tornarem na banda sonora perfeita de um território tremendamente sensorial, assente numa arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande obra linda e inquietante. Espero que aprecies a sugestão...

Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly And James McAlister - Planetarium

01. Neptune
02. Jupiter
03. Halley’s Comet
04. Venus
05. Uranus
06. Mars
07. Black Energy
08. Sun
09. Tides
10. Moon
11. Pluto
12. Kuiper Belt
13. Black Hole
14. Saturn
15. In The Beginning
16. Earth
17. Mercury


autor stipe07 às 15:06
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Segunda-feira, 12 de Junho de 2017

Alt-J (∆) – Relaxer

Joe Newman, Gus Unger-Hamilton e Thom Green são três amigos que se conheceram na Universidade de Leeds em 2007 e juntamente com Gwil Sainsbury, entretanto retirado, formaram os  Alt-J (∆), banda que está de regresso aos lançamentos discográficos com Relaxer, sete originais e uma excelente cover do clássico House Of Rising Sun, dos The Animals. Recordo que este projeto começou a criar raízes quando Joe tocou para Gwil várias canções que criou, com a ajuda da guitarra do pai e de alguns alucinogéneos; Gwil apreciou aquilo que ouviu e a dupla gravou de forma rudimentar várias canções, nascendo assim esta banda com um nome bastante peculiar. Alt-J (∆) pronuncia-se alt jay e o símbolo do delta é criado quando carregas e seguras a tecla alt do teu teclado e clicas J em seguida, num computador Mac. O símbolo é usado em equações matemáticas para representar mudanças e assenta que nem uma luva à banda que se estreou em junho de 2012 nos discos com An Awesome Wave, e que, pouco mais de dois anos depois e já sem o contributo de Gwil Sainsbury, confirmou a excelente estreia com This Is All Yours, um álbum que além de não renegar a identidade sonora distinta da banda, ainda a elevou para um novo patamar de novos cenários e experiências instrumentais.

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Agora, três anos depois desse excelente registo, neste Relaxer o trio de Leeds continua a oferecer-nos canções que só mostram a sua verdadeira identidade e complexidade quando são escutadas forma viciante, com o habitual pendor orgânico de cariz eminentemente acúsatico a revelar-se de modo ainda mais esculpido e complexo, algo que nos obriga a um exercício maior na primeira percepção das novas composições, mas que eu recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

O alinhamento de Relaxer abre com 3WW, um tema que entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, é uma epopeia onde em quase cinco minutos se acumula à volta de um ré constante um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual, também muito por causa da performance vocal de Ellie Roswell, vocalista dos Wolf Alice, que também pode ser escutada em Deadcrush, um trecho movido a sintetizador, rasgado por uma melodia profundamente sintética e digital. E depois, no virtuosismo da guitarra que trespassa o funk de Hit Me Like That Snare, no modo como em Pleader os Alt-J selecionaram os riquíssimos arranjos do diverso arsenal instrumental que foi monumental e cuidadosamente executado pela Orquestra Metropolitana de Londres, no trip-hop acústico de Adeline e na leveza tocante e singela de Last Year, rematada pelo modo como a voz de Marika Hackman transborda de melancolia, fica expresso um arregaçar de mangas cada vez mais liberto de uma certa formatação criativa bem balizada, com o trio a mostrar que se tem dedicado de forma mais democrática à expansão do seu cardápio sonoro, sempre com uma dose algo arriscada de experimentalismo, mas bem sucedida, já que é feita de imensos detalhes e com uma elevada subtileza.

O som complexo e profundo dos Alt-J (∆) continua a resistir com solidez e de modo exemplar ao tempo e ao sucesso. Relaxer comprova que um dos predicados que poderemos, pelos vistos, esperar sempre deste coletivo britânico, prende-se com a capacidade em inovar e ser imprevisível em cada novo registo discográfico apresentado. E este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no que parecia ser o som já firmado na premissa original da banda. Espero que aprecies a sugestão...

Alt-J (∆) - Relaxer

01. 3WW
02. In Cold Blood
03. House Of The Rising Sun
04. Hit Me Like That Snare
05. Deadcrush
06. Adeline
07. Last Year
08. Pleader


autor stipe07 às 18:46
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Segunda-feira, 5 de Junho de 2017

Washed Out – Get Lost

Washed Out - Get Lost

Desde o psicadélico e inebriante álbum Paracosm (2013) que o projeto Washed Out, do multi-instrumentista norte-americano natural da Georgia, Ernest Greene, um dos nomes fundamentais, a par de Neon Indian ou Toro Y Moi, da nova chillwave, não dava sinais de vida. No entanto, esse hiato já chegou ao fim com a divulgação de Get Lost, uma canção que surge isoladamente, sem atrelar a edição prevista de um álbum.

Em Get Lost a batida dançante, os detalhes percussivos orgânicos e os flashes irradiantes sintetizados transportam-nos de imediato para o universo sonoro típico de Washed Out e já nem queremos olhar para trás porque entramos em contado direto com uma praia ensolarada à beira de uma floresta tropical, à boleia de uma pop sonhadora, excelente para nos hipnotizar e que acaba por funcionar como aquele eficaz soporífero que nos leva para longe de uma realidade tantas vezes pouco agradável. Confere...


autor stipe07 às 13:10
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Sexta-feira, 2 de Junho de 2017

Sleep Party People - Lingering

Acaba de chegar aos escapares Lingering, novo registo de originais do projeto Sleep Party People do dinamarquês Brian Batz. São doze canções editadas à boleia da Joyful Noise Recordings e não receio arriscar que este poderá muito bem ser um dos melhores discos de 2017. O álbum conta com as participações especiais de Peter Silberman dos The Antlers e Beth Hirsch na suavidade tocante de We Are There Together, cantora que emprestou a sua voz a alguns dos temas mais emblemáticos de Moon Safari, a obra-prima dos franceses Air, entre outros.

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Este projeto Sleep Party People, tem-nos vindo a proporcionar, disco após disco, uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas cada vez mais rugosa e imponente, instrumentalmente mais arriscada e onde não falta imensa diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Num músico que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nú algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia, tal opção faz sentido, com este Lingering a ser o momento mais alto e afirmativo desta caminhada filosófica e estilística. Assim, o que temos aqui é um registo eminentemente experimental, que sobrevivendo também à custa de alguns dos detalhes fundamentais do indie rock atual, tem na eletrónica contemporânea e no cruzamento que esta efetua com campos tão díspares como o r&b ou paisagens mais eruditas e clássicas, a sua grande força motriz.

Se os cavernosos tambores de Figures e o efeito da sua guitarra planante encorajam-nos a partir estrada fora guiados por um espírito maior, em The Missing Steps somos como aquele passageiro que sai de um comboio num destino ao acaso hipnotizado pela gentileza das teclas e por um falsete que se eleva ao alto, exemplos do modo como metaforicamente, ou indo diretamente ao assunto, este incomparável poeta que é Brian Batz nos recorda como poderá ser drástico viver em permanentemente desafio com os nosso medos, sem ter em conta o seu verdadeiro lugar e posição, no seio do nosso âmago. A redenção e a bússola que nos indica o rumo certo chega logo depois em Fainting Spell, canção construída em redor de um muro sónico de sons sintetizados plenos de luz e harmonia, ao qual depois se junta uma guitarra pulsante, um tema que regenera e salva, precisamente pelo modo como nos faz sentir um pouco estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, portanto, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, impulsionado pela vontade que ele tem de nos orientar sobre o modo como devemos lutar contra a permanente angústia, mesmo nos instantes em que entre o sono e o estado de consciência, vivemos naquele limbo matinal e intimista. E assim, se essa canção mostra um Batz cada vez mais maduro e assertivo, também mostra que ele está apostado em servir de exemplo, saindo um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostando num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, algo que pouco depois os timbres metálicos e as sedutoras teclas da etérea Lingering Eyes também apontam e nos fazem contemplar.

Com a participação especial de Luster, Dissensions inicia mais outra sequência obrigatória de Lingering, nomeadamente pelo jogo que na canção se estabelece entre a percussão, o baixo e uma guitarra explosiva, um mescla sobreposta por camadas. Esta composição e a seguinte, Limitations, canção onde brilha a junção de um teclado sintetizado retro, um efeito vocal ecoante e uma guitarra abrasiva, noutro tema que aborda a propensão humana para a fragilidade, são novas preciosas achas para a fogueira que ilumina a abrangência estilística do adn sonoro atual de Sleep Party People. Depois, uma espécie de dicotomia entre um lado mais orgânico e outro mais sintético, expressa com luminosidade, frescura e cor nas cordas e nos efeitos borbulhantes de The Sound Of His Daughter e, logo a seguir, na espiral cósmica de teclas, sopros, metais, guitarras e de um baixo pleno de groove em The Sun Will Open Its Core, ficamos definitivamente pasmados com a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este projeto dinamarquês entra hoje em estúdio para compôr e criar um arquétipo sonoro que não tem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual.

Disco muito desejado por todos os seguidores dos Sleep Party People e não só, Lingering é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Lingering

01. Figures
02. The Missing Steps
03. Fainting Spell
04. Salix And His Soil
05. Lingering Eyes
06. Dissensions (Feat. Luster)
07. Limitations
08. The Sound Of His Daughter
09. The Sun Will Open Its Core
10. We Are There Together (Feat. Beth Hirsch)
11. Odd Forms
12. Vivid Dream

 


autor stipe07 às 12:56
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Terça-feira, 30 de Maio de 2017

Paper Beat Scissors - All We Know EP

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que lançou no passado dia vinte e sete de maio um EP intitulado All We Know, o primeiro sinal de vida criativa deste músico desde o excelente álbum Go On, editado em 2014 através da Forward Music Group/Ferryhouse. All We Know contém seis canções misturadas por Sandro Perri e para a gravação das mesmas Tim contou com a colaboração de Pietro Amato e Sebastian Chow, seus colaboradores de longa data, mas também de Marshall Bureau, Michael Feuerstack, JJ Ipsen, Andy Magoffin e Pemi Paull.

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Com cerca de uma década de carreira e uma fantástica aceitação dos dois lados do atlântico, o projeto Paper Beat Scissors atinge com este EP, gravado na zona rural de Ontario com a ajuda do engenheiro de som Andy Magoffin (longtime engineer for Great Lake Swimmers) e Richard Reed Parry (habitual colaborador dos Arcade Fire), o ponto mais alto de um percurso meritório e que merece ser escutado com alguma devoção.

Logo na soul da guitarra do tema homónimo percebe-se a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor. Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar com canções que carregam quase sempre uma indisfarçável emoção e uma saudável dose de melancolia, onde não falta, como se percebe na guitarra rugosa de Better, uma dose de epicidade que faz todo o sentido quando o universo sonoro replicado procura replicar sentimentos fortes que exigem uma implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.

Até ao ocaso de All We Know EP, na indulgente percussão e no doce algodão a que sabe a voz de Tim quando nos embala em Gone And Forgotten, ou no contemplativo dedilhar das cordas e no efeito que ciranda por elas em What Am I Going To Do With Everything I Know (The Weather Station), deliciamo-nos com o modo exímio como este músico canadiano utiliza toda uma orgânica instrumental e vocal para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, muitas vezes em várias camadas de sons. Mesmo quando opta por  arriscar em instantes mais eletrificados, alguns deles particularmente rugosos, o autor não coloca em causa a estética delicada do projeto, graças também ao tal registo vocal doce e profundo.

All We Know EP é mais uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Paper Beat Scissors nos sentam, através de uma coleção de canções que constituem uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:50
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

!!! - Shake The Shudder

Lançado no passado dia dezanove através da Warp Records, Shake The Shudder é o novo tomo discográfico dos norte-americanos !!! (Chk Chk Chk), um coletivo liderado por Nick Offer, ao qual se juntam atualmente Mario Andreoni, Dan Gorman, Paul Quattrone e Rafael Cohen. Este é o sétimo disco da carreira de um dos nomes fundamentais do punk rock do novo milénio e talvez um dos melhores trabalhos da carreira deste grupo já com duas décadas de vida, formado em 1995 das cinzas dos míticos  Black Liquorice e dos Popesmashers.

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Salvo algumas excepções de nomeada, nomeadamente nomes como os LCD Soundsystem, The Juan Maclean, os The Rapture ou os próprios Thee Oh Sees, o espetro sonoro em que os !!! (Chk Chk Chk) se movimentam ganhou um fôlego enorme no início deste século, mas tem vindo a perder terreno no seio do rock alternativo. É um receituário que serve-se, geralmente, de linhas de baixo encorpadas, riffs de guitarra pulsantes e batidas muitas vezes sintetizadas com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Hoje em dia, além do anunciado regresso da banda de James Murphy aos discos e da manutenção da pujança do coletivo liderado por John Dwyer, os !!! (Chk Chk Chk) serão talvez o projeto que ainda se consegue manter nas luzes da ribalta e assumir um protagonismo na defesa dos interesses de uma sonoridade que, sendo bem burilada é, sem dúvida, uma das mais atrativas no universo do rock.

A miscelânea assertiva entre rock e eletrónica que os !!! (Chk Chk Chk) nos oferecem neste Shake The Shudder, fica plasmada logo desde o início. Se o ligeiro travo R&B de The One2 é uma daquelas típicas canções de início de festa, com o falsete vocal e a batida seca a puxarem-nos sedutoramente para debaixo da bola de espelhos, depois o domínio do rock faz-se sentir em Dancing Is The Best Revenge, tema onde sobressai um aditivo refrão e que é conduzido por uma simples linha de baixo, acompanhada por uma bateria enleante e guitarras insinuantes, com a eletrónica a tomar as rédeas de NRGQ, canção adornada por guitarras de inspiração oitocentista e onde a voz de Lea Lea aprimora o travo vintage de um tema onde cabedal e lantejoulas se misturam sem pudor. E, logo nesse arranque ficam desfeitas todas as dúvidas sobre a boa forma dos !!! (Chk Chk Chk) e o modo como ainda nos fazem dançar e vibrar com ímpeto, quase até à exaustão, além de serem canções que plasmam o enorme talento de Nick Offer, quer como escritor quer como compositor e, principalmente, como agitador.

A partir daí, no sintético groove negro de Things Get Hard, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som dos !!! (Chk Chk Chk) no pós punk de Throw Yourself In The River e no modo inédito como o trombone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta R Rated Pictures, espraia-se nos nossos ouvidos e vibra de alto a baixo um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco mais ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:40
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