Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Twin Hidden – Join Hands

Twin Hidden

Divididos entre Londres e Manchester os Twin Hidden são Matthew Shribman e Sam Lea, dois amigos de infância que com dez anos já faziam música juntos, tendo-se estrado nos lançamentos em 2001 com um disco cujo rasto é desconhecido (This album is now where it belongs, at the bottom of the sea, where it will never be found).

A separação física de ambos deu-se com a entrada na universidade, quando Matthew foi estudar para Oxford e Sam para Manchester. Acabou por haver um breve hiato no grupo, mas os Twin Hidden parecem estar apostados em regressar novamente à ribalta, desde que no ano passado resolveram voltar a compôr juntos, tendo o piano como instrumento privilegiado destas novas experências sonoras conjuntas.

Join Hands, o novo single da dupla, será editado em dezembro, mas já chegou à redação de Man On The Moon, enviado pela própria banda. Pelos vistos, está a captar a atenção das pessoas certas, porque o tema está a fazer enorme furor junto da crítica especializada e basta escutar a canção para se perceber porquê. Join Hands é uma peça musical magistral, uma pop futurista com o ritmo e cadência certas, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como os falsetes da dupla se entrelaçam entre si, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, mais parece uma parada de cor, festa e alegria, onde todos comungam o privilégio de estarem juntos, do que propriamente um agregado de sons no formato canção. Ficarei muito atento a este projeto, nomeadamente ao possível lançamento de um disco. Confere...

 


autor stipe07 às 13:29
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Los Waves - This Is Los Waves So What?

Depois do EP Got A Feeling, a dupla lusa Los Waves, formada por José Tornada e Jorge da Fonseca e que tem dado nas vistas devido à sonoridade única e até algo inovadora, tendo em conta o panorama musical nacional, está de regresso com This Is Los Waves So What?, o longa duração de estreia da dupla, que foi produzido entre Londres (Gun Factory Studios) e Lisboa (Elephant Studios) por James Wiseman e conta com Bruno Santos no baixo. This Is Los Waves So What? tem sido escutado por cá com insistência, um trabalho sobre o qual Man On The Moon teve oportunidade de conversar com os Los Waves, como podes conferir adiante.

Recordo que os Los Waves começaram a carreira em Londres, em 2011, onde deram os primeiros concertos em salas icónicas como o Old Blue Last, Cargo e Camden Barfly e nesse mesmo ano, lançaram os primeiros EP’s Golden Maps e How Do I Know, que deram logo que falar na imprensa, tanto no Reino Unido como nos Estados Unidos. Rapidamente atravessaram o Oceano Atlântico, onde conseguiram colocar músicas em vários canais de televisão, nomeadamente a a MTV, FOX, AXN e CBS, com destaque para a participação em bandas sonoras de séries como Gossip GirlJersey Shore (com a música Golden Maps) ou Mentes Criminosas (com a música Got A Feeling).

Com distribuição por cá pela Sony Music Portugal e nos Estados Unidos e no Reino Unido a cargo da Summer Filth Records, This Is Los Waves So What? são onze canções dominadas pelo rock festivo e solarengo, mas onde a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem, quase sempre, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona pelo charme vintage .

Os riffs de guitarra harmoniosos e a percurssão vincada de Hyperflowers e Modern Velvet abrem-nos uma janela imensa de luz e cor e convidam-nos a espreitar para um mundo envolvido por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana, mística, mas igualmente descontraída e jovial, que vai estar sempre presente durante os quase quarenta minutos que dura o disco. As guitarras metálicas de Strange Kind Of Love, um dos singles já retirados de This Is Los Waves So What?, conduzem uma música que, de acordo com o press release do lançamento, fala daquele amor que faz o mundo girar, parte de uma história de amor não correspondido para nos falar de outros tipos de amor. O amor vem assim sob a forma de todas as coisas, da simplicidade que enche a alma de uma forma natural, como a luz que refracta no prisma, como os últimos raios de luz que enchem a íris numa tarde de verão, sob a influência e o calor das leis universais.

Mas This Is Los Waves So What? não fica por aqui e tem outros destaques interessantíssimos. Se em Golden Maps os Los Waves nivelam com elevada bitola qualitativa as suas experiências eletrónicas, em Still Kind Of Strange How Days Won’t Go By, o jogo de sedução que se estabelece inicialmente entre o orgão e a bateria, acaba por chamar a atenção da guitarra, que pouco depois junta-se e todos mostram como as belas orquestrações podem viver e respirar lado a lado e harmoniosamente com distorções e arranjos mais agressivos.

A busca de diferentes ambientes e a capacidade dos Los Waves em abarcar um leque aprofundado de referências fica plasmada em Your World e Jupiter Blues, dois temas do disco que merecem audição cuidada. No primeiro, os Los Waves piscam o olho descaradamente ao indie rock dançável e anguloso nova iorquino e à energia do punk que se alia com alguns laivos de eletrónica que, neste caso, casaram impecavelmente com a voz, que, já agora, ao longo do disco evidencia uma elevada elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um significativo plano de destaque. Quanto a Jupiter Blues, atravessa o atlântico para o lado de cá, mas até à assumida pompa sinfónica e inconfundível e que nunca descurava as mais básicas tentações pop e que fez escola no  cenário indie britânico na década de noventa, com Oasis, Spiritualized e Primal Scream a serem aqui referências óbvias. Pelo meio, os xilofones e a percurssão tribal de Got A Feeling, dão ao conjunto final mais um toque de luminosidade e cor, a canção que acabou há cerca de um ano atrás por colocar os Los Waves num merecido plano de destaque do panorama indie musical.

Em onze canções com uma sonoridade impar, em This Is Los Waves So What? é possível absorver a obra como um todo, mas entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Los Waves quisessem projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção do alinhamento. Conforme me confessaram na entrevista que podes conferir abaixo, o grupo não consegue única e simplesmente ficar por um estilo, houve uma preocupação em não fazer algo que fosse normal e tentaram que as musicas tivessem algo de diferente que fique retido pelas boas razões. Missão cumprida! Espero que aprecies a sugestão...

Hyperflowers

Modern Velvet

Strange Kind Of Love

Golden Maps

Darling

Still Kind Of Strange How Days Won’t Go By

Your World

Got A Feeling

Jupiter Blues

How Do I Know

Belong (Sister)

Depois de vos ter entrevistado há já quase um ano devido ao EP Got A Feeling, o que mudou nos Los Waves? Ainda têm tempo para fazer skate e surfar ou a música ocupa totalmente os vossos dias?

Por acaso não fazemos surf nem andamos de skate há algum tempo, se bem que seja dito que nunca fomos nenhuns prós na coisa, este ano andámos um pouco em sines no verão, temos uns cruisers e dão para descontraír. Este processo todo do album e dos videoclips também nos tirou bastante tempo livre. O surf e o skate foram de alguma forma trocado por futebol nestes meses.

This Is Los Waves so What? parece-me um título fantástico para um disco de estreia e bastante apelativo. Sabe a uma espécie de grito de revolta, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto. É isso que vocês pretendem com o vosso trabalho de estreia? Causar um forte impacto? Como esperam que seja recebida a vossa música?

Por acaso o nome foi pensado no sentido de assumir uma atitude despreocupada, o facto de o album ter tantas músicas diferentes seria um problema para a maior parte das bandas e ainda o é na industria em geral, é dificil vender um produto disperso, mas para nós não faz sentido de outra forma, não conseguimos simplesmente ficar por um estilo. E sim o título também foi pensado no sentido de causar impacto, há sempre uma preocupação em não fazer algo que fosse normal ou apenas mais uma coisa, de certa forma achamos que apesar de serem "orelhudas", tentámos que as musicas tivessem algo de diferente que fique retido pelas boas razões

Quando conversámos há um ano atrás, confessaram-me que, neste disco, pretendiam, além da indie pop com influências da new wave e do psicadelismo, explorar sonoridades mais existências e mais calmas. À medida que iam gerando This Is Los Waves So What?, preocuparam-se em experimentar e compor de acordo com as vossas preferências, ou também tiveram o foco permanentemente ligado na vertente mais comercial? No fundo, em termos de ambiente sonoro, o que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

Fomos sempre idealizando coisas muito muito diferentes ao longo do processo, o facto de sermos ouvintes recreativos de outras bandas faz com que em muitos momentos no empolguemos e digamos alto "EIA ..epa que cena temos que ter um ambiente assim", mas claro que até chegar lá existe todo um processo de sound design que pode correr muito mal ou muito bem e normalmente nunca se consegue o que se quer, mas é durante esse processo que nascem novas coisas que acabam por ser utilizadas, penso que isso aconteceu imenso ao longo do álbum.

Temas como Hyperflowers e Strange Kind Of Love também apontam a um universo mais próximo do indie rock, o que me parece, de algum modo, inédito nos Los Waves, tendo em conta, principalmente, o conteúdo do EP Got A Feeling. Concordam com esta minha perceção?

Sim é verdade, lá está, nós ouvimos tantas coisas tão diferentes em termos de género que é normal tocar nesses pontos, neste momento sinceramente já não sabemos nós proprios onde nos inserimos, isso é mau e bom ao mesmo tempo, talvez no  segundo album façamos algo muito mais inesperado mas que para nós seja a única coisa que faça sentido.

Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é numa dupla como a vossa? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?

Nunca fizemos uma única jam session na nossa vida. Os temas são compostos por mim (Jorge) e pelo Zé, em casa, muitas vezes separadamente. Eu faço as letras e normalmente apareço com melodias de voz e sketches de acordes e a partir daí construímos a música.

Liricamente, este disco deverá ser ainda muito fruto das longas viagens que fizeram em tempos pela América do Sul e pelo Índico, presumo… No que diz respeito à escrita das letras, o que mais vos inspira? E, já agora, qual é a dinâmica da dupla nesse aspeto?

As letras aparecem de forma estranha, nunca percebi muito bem como, mas de certa forma é sempre algo que é quase inconsciente e no fim acabam por bater demasiado certo, parece coincidência. De facto todos os processos de criação artistica são estranhos neste ponto, parece que já tudo existe num mar de informação universal que está noutra dimensão e nós através de processos de semi-abstração mental conseguimos chegar a esses lugares. Mas claro que serão também fruto de experiências. Nunca escrevi sobre nada em concreto de forma consciente, ou sobre temas que nao têm directamente a ver comigo, e noto que ao longo do álbum a letras foram passando de uma temática mais holistica para algo mais relacional, emocional, urbano. Este processo acompanhou naturalmente uma viragem mais rock que fizémos a certo ponto.

This Is Los Waves So What? foi produzido por James Wiseman. Como surgiu a possibilidade de trabalhar com uma verdadeira referência? Que peso teve no produto final?

De facto é uma ajuda enorme e uma mudança desde os primeiros EP's que foram gravados num laptop em condições miseráveis, ter acesso a um estúdio e a fazer as coisas como toda a gente faz. Foi um privilégio para nós. Conhemos o James em Londres, ele faz colaborações constantes com artistas portugueses mais na onda do jazz e fado - embora ele só ouça Black Keys!

Como estão a decorrer os concertos de apresentação do disco? E onde podemos ver os Los Waves a tocar num futuro próximo?

Vamos apresentar o disco no dia 13 de Novembro no Sabotage em Lisboa , 14 de Novembro no Maus Hábitos no Porto e 15 no Texas Bar em Leiria!

 

Para terminar, outra curiosidade… Quais são as três bandas atuais que mais admiram?

Ice Age, Mando Diao, Devendra Banhart.


autor stipe07 às 21:22
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Domingo, 26 de Outubro de 2014

Caged Animals – The Overnight Coroner EP

Depois de Eat Their Own, um disco que divulguei há pouco mais de dois anos e, já em 2013, do sucessor, The Land Of Giants, os nova iorquinos Caged Animals, uma banda psych pop indie de Brooklyn liderada por Vincent Cacchione, lançaram nos primeiros dias do último mês de março, um EP concetual, com quatro canções que relatam instantes da vida de uma personagem chamada Ryan, um homem de vinte e três anos natural de Nova Jersey e que trabalha como guarda noturno numa morgue. A última faixa do EP é a narração da história por parte do músico.

A música de Cacchione é perfeita para funcionar como estímulo para que acreditemos sempre nos nossos desejos e na capacidade de speraão intrínseca ao ser humano, já que, com mestria, propôe-nos uma eletrónica cintilante com uma voz que única e que parece, a qualquer momento, poder vir a explodir emocionalmente, mesmo quando se refere a um ser comum, com uma profissão que não é propriamente inspiradora para a criação de odes alegóricas e luminosas, mas que permite abrir imensas portas sobre aquilo que poderá pensar e querer do mndo que o rodeia, uma mente habituada a liderar diariamente com a morte e com tudo aquilo que ela tem de triste e sombrio.

Sabendo, de antemão, a temática do EP, não é complicado deixarmo-nos envolver pela teia emocional que dele transborda, proporcionada por uma sonoridade pop com forte pendor eletrónico, alicerçada em sons sintetizados e cheios de detalhes deslumbrantes, que incubaram de um intrincado conjunto de gostos eclécticos, retro e futuristas e que vão do experimentalismo lo-fi às insinuações folk new-wave, passando pelo rock e a soporífera chillwave. É um caldeirão sonoro que no permite sentir toda a fantasia e a magia que a música de Vincent quer transmitir, mesmo que alicerçada numa estranha narrativa, profunda e carregada de psicadelia. Em suma, The Overnight Coroner é um trabalho cheio de palavras esperançosas, embrulhadas com tiques sonotos peculiares, que misturam de tudo um pouco com uma exuberância caleidoscópica, para nos dar a conhecer um mundo dos adultos através de uma retórica sonora que não eixa de se imbuir de uma ingenuidade e uma melacolia quase infantis, uma sensação dicotómica que a capa do EP tão bem ilustra. Espero que aprecies a sugestão...

Caged Animals - The Overnight Coroner

01. The Overnight Coroner Attends A Party
02. Working On The Downfall
03. The Turnaround
04. The Last One At The Party
05. The Overnight Coroner Finds What He Is Looking For


autor stipe07 às 22:43
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Gut und Irmler - 500M

Gravado no estúdio Faust em Scheer no Outono de 2013, 500M é o novo disco da dupla Gut und Irmler, formada por Jochen Irmler, um mestre do krautrock e um explorador sonoro nato e por Gudrun Gut, uma produtora berlinense experimentada e disciplinada. 500M foi editado no passado dia oito de setembro por intermédio da Bureau B.

Membro fundador dos Malaria!, dos Mania D e dos Einsturzende Neubauten, Gut é exímia na forma como manipula um verdadeiro arsenal de equipamento sonoro que replica uma vasta teia de instrumentos e sons e depois no modo como os transforma a seu belo prazer, mas sempre com corência e com aquela típica sobriedade alemã. Simultaneamente analógico e digital, envolto num manto de referências que nos remetem para o glorioso passado do krautrock, mas também para um presente feito com melodias elípticas e beats lineares que definem as novas tendências do cenário eletrónico berlinense que insiste em manter-se na vanguarda há várias décadas, 500M é um tratado sonoro com nove capítulos que se complementam duma maneira cósmica!

Nome lendário e reputado, Irmler também teve uma importante palavra a dizer no conteúdo deste disco, nomeadamente no modo como a dupla explorou um cruzamento assertivo entre o aspeto mais maquinal e carregado das batidas, com o caldeirão algo psicadélico de onde brotaram alguns dos arranjos e detalhes que foram sendo sobrepostos à percurssão, de um modo particularmente intuitivo e expressivo. O teclado e o detalhe sonoro metálico que vagueia por Fruh, o orgão de Mandarine ou uma voz samplada em Traum e em Auf Und Ab são apenas três exemplos do modo particularmente esmerado e criativo com que estes Gut und Irmler conseguem sobrepôr sobre uma base sonora maquinal aparentemente fria e desprovida de vida, vários elementos e fragmentos que acabam por originar edifícios sonoros expressivos, frequentemente hipnóticos e, quase sempre, dotados de um certo charme que nem o ambiente mais psicotrópico que se escuta nos ritmos programados para criar Parfum consegue disfarçar.

500M é um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do que partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, asssiste-se a um desfile de alguns dos pilares fundamentais da eletrónica, nas suas mais diversas vertentes e sub géneros, feito de acertos e instantes sonoros experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal que se pode imaginar, mas também de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros. Este é um disco claramente embebido num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionado com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Espero que aprecies a sugestão...

Fruh
Chlor
Mandarine
Traum
Noah
Auf und Ab
Parfum
Brucke
500m

autor stipe07 às 22:15
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Panda Bear - Noah EP

Chega no dia doze de novembro às lojas Meets The Grim Reaper, o novo e quinto álbum da carreira de Panda Bear, um músico com fortes ligações a Portugal, adepto confesso de grande Sport Lisboa e Benfica e membro fundador dos Animal Collective.

Depois do cariz minimal em que alicerçou Tomboy, de acordo com a imprensa este novo trabalho de Panda Bear, gravado entre Lisboa e a planície texana com a colaboração de Pete Kember, leva o músico de regresso à estratégia em que é mestre, a junção sónica e psicadélica de um verdadeiro caldeirão instrumental e melódico. Pela amostra, intitulada Mr Noah, um single lançado em formato EP, acompanhado por mais três canções que não farão parte do alinhamento de Meets The Grim Reaper, essa opção terá sido bem sucedida e o novo trabalho do músico será certamente um marco fundamental da sua carreira.

No EP encontramos uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações. Se Mr Noah prepara o terreno sendo o tema mais acessível do EP, a cândura pop e romântica de Faces In The Crowd levanta um pouco mais o véu sobre o futoro sonoro de Bear, o que será finalizado no toque de psicadelia que define Untying The Knot, um tema que leva Panda Bear para o clima hipnótico e lisérgico da década de setenta e que é bem capaz de ser o o novo território sonoro que o deixa atualmente algo siderado. Por fim, This Side of Paradise é um momento de pura experimentação, uma colagem de várias mantas de retalhos que nem sempre se preocupam com a coerência melódica e que incluem samples de vozes e arranjos em eco e sintetizados, nem sempre claramente percetíveis.

Confere o EP de lançamento do single Mr Noah, já disponível para download no itunes e a tracklist de Meets The Grim Reaper...

Album cover: Panda Bear - Mr Noah

Mr Noah
Faces In The Crowd
Untying The Knot
This Side Of Paradise

01.Sequential Circuits
02.Mr Noah
03.Davy Jones’ Locker
04.Crosswords
05.Butcher Baker Candlestick Maker
06.Boys Latin
07.Come To Your Senses
08.Tropic Of Cancer
09.Shadow Of The Colossus
10.Lonely Wanderer
11.Principe Real
12.Selfish Gene
13.Acid Wash


autor stipe07 às 21:05
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Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Foxes In Fiction - Ontario Gothic

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos, em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, um homónimo que é um verdadeiro tratado de dream pop, da autoria de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro da eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas mais calmas e ambientais.

Através das teclas do sintetizador, de samples de sons e ruídos variados e de uma percurssão sintética, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros, Warren criou sete canções que sublimam com mestria uma profunda emoção, já que transportam claramente bonitos sentimentos, dedicados integralmente a Cait, uma amiga muito próxima de Warren, que faleceu em 2010 e que ele conheceu depois de ter chegado em 2004 a Toronto com a sua família, vindos de uma zona rural no Ontario, onde viviam desde 2001. Apesar destas canções narrarem um dos períodos mais tumultuosos da existência do autor, em que acumulou muita ansiedade e tristeza, Warren preferiu abordar melodicamente essa conjuntura algo sombria da parte lírica das canções, de um modo suave e de algum modo luminoso, homenageando esta amizade que terá sido tão profunda, bonita e intensa como o ambiente sonoro de Ontario Gothic.

E no que concerne então a esse ambiente, destaco, desde logo, Into The Fields e Glow (v079), duas canções que constroem uma sequência onde a melancolia de ambas se junta numa única atmosfera sonora comandada por um sintetizador, que aliado a cordas e ao piano, origina um tom fortemente denso e contemplativo, com a voz de Warren a conferir a oscilação que depois é necessária para transparecer essa elevada veia sentimental. De seguida, em Shadow's Song, escuta-se um violino com arranjos que ficaram a cargo do consagrado Owen Pallett; Tal é a beleza dos mesmos, simultaneamente deslumbrantes e delicados e ampliados pela cândura da voz, que não há como evitar sermos levados para uma atmosfera muito própria, que transmite uma certa inocência romântica com uma estética sonora e visual inédita e onde a noção de retro terá sido um conceito claramente tido em conta. O clímax do alinhamento acaba por chegar com o tema homónimo, que ganha um tom fortemente frágil e uma atmosfera verdadeiramente sublime quando Warren entrega-se de corpo e alma à canção enquanto canta alguns dos versos mais intrincados e emocionais que pudemos escutar ultimamente.

Quando Warren decidiu deitar-se numa nuvem feita com a melhor dream pop operou um pequeno milagre sonoro e incubou um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

Image of FOXES IN FICTION - ONTARIO GOTHIC 12" (Pre-sale)

1. March 2011
2. Into The Fields
3. Glow (v079)
4. Shadow's Song
5. Ontario Gothic
6. Amanda
7. Altars


autor stipe07 às 20:45
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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

Swim Mountain - Swim Mountain EP

Oriundos de Londres, os britânicos Swim Mountain são Tom Skyrme, Joff Macey, Andrew Misuraca e Teej Marshall e no passado dia vinte e nove de setembro editaram o EP homónimo de estreia, através da londrina Hey Moon. Produzido pelo próprio Tom Skyrme, entre Londres e Los Angeles, Swim Mountain são pouco mais de vinte minutos que abarcam um vast leque de influências que vão da pop aditiva, ao indie rock psicadélico, tudo sustentado por uma arquitetura de versos e sons festivos, que comprova a capacidade deste coletivo para produzir composições puras, encantadoras e delicadas e cuja sonoridade vai do épico ao melancólico, mas sempre com uma vincada e profunda delicadeza.

Com vibrantes linhas de baixo e guitarras sintetizadas cheias de cor e brilho, os Swin Mountain mergulham num festim de sons adocicados e guiados por uma elevada instrumentalidade melancólica. O quarteto tanto abraça o cenário musical dos anos sessenta, criado por bandas como Argent & Blunsonte, Rundgren e os The Wilson Brothers, como se deixa contagiar pelo calor brasileiro de um Tom Jobim e um João Gilberto. No entanto, a influência principal é o universo musical dos antípodas proporcionado por nomes como os Tame Impala ou os Coloured Clocks. Influências à parte, importa reter que os Swim Mountain convidam-nos a embarcar numa pequena viagem onde sintetizadores, guitarras, batidas e uma escrita às vezes pouco óbvia e sem muito sentido, dançam num jogo colorido de referências.

A curiosa luminosidade das canções dos Swim Mountain espraia-se com todo o esplendor logo no single Yesterday, um tema com uma melodia verdadeiramente acessível e fácil de cantarolar e cheia de detalhes e arranjos samplados de cenas do quotidiano comum. Entra-se em Ornella e mal se percebe a mudança de faixa, apesar de uma distorção em eco dar uma toada algo psicadélica à canção, mas esse pormenor não coloca em causa a forte componente radiofónica e com arranjos que nos prendem até ao último acorde. Este revivalismo setentista acentua-se no teclado sintetizado de Dream It Real e surge-nos no imediato à memória o tal cenário dos antípodas. Já na sensibilidade perene de Everyday dá-se nova inflexão, agora rumo à pop e à eletrónica, com a batida ritmada a piscar o olho à pista de dança. Este ambiente mais eletrónico permanece durante a subtileza synth pop de Nothing Is Quite As It Seems e no final da viagem não duvidamos que escutamos um compêndio sonoro carregado de luz e vivacidade, uma coleção de belos acertos sonoros e canções memoráveis, que refletem uma já assinalável maturidade de um grupo particularmente criativo e dotado de um assinalável bom gosto.

Os Swim Mountain são um projeto que deve ser levado muito a sério e este EP merece uma audição atenta e dedicada. Existe um elevado toque de modernidade nas suas canções, apesar da evidente agenda de revivalismo que pretendem seguir, ou seja, o toque e o perfume de outros tempos estão lá, mas estes quatro músicos replicam um som bastante atual, original e maduro. Espero que aprecies a sugestão...

Swim Mountain - EP, Swim Mountain

Ticket

Yesterday

Ornella

Dream It Real

Everyday

Nothing Is Quite As It Seems


autor stipe07 às 18:37
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Domingo, 19 de Outubro de 2014

Subplots – Future Tense

Subplots - Autumning

Oriundos de Dublin, na Irlanda, os Subplots são uma dupla formada por Phil boughton e Daryl Chaney, que ao vivo conta ainda com o baterista Ross Chaney. Estrearam-se nos discos em 2009 com Nightcycles e finalmente já há novidades quanto a um sucessor.

O novo álbum dos Subplots irá chamar-se Autumning e verá a luz do dia a trinta de janeiro próximo por intermédio da Cableattack!!, podendo ser já feita a encomenda da edição limitada em vinil no Bandcamp da banda.

Future Tense é o mais recente avanço divulgado de Autumning, uma obra de arte que balança entre a dream pop e o rock progressivo, uma melodia delicada e envolvente, que emociona facilmente os mais incautos e de lágrima fácil, alicerçada num piano adulto e jovial, à volta do qual gravita uma voz deslumbrante e uma guitarra que adivinha um clímax sónico com forte sentido de urgência. Confere...


autor stipe07 às 19:52
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Majical Cloudz - Your Eyes

Majical Cloudz by Amber Davis

A dupla canadiana Majical Cloudz continua a divulgar algumas canções que ficaram de fora do extroardinário alinhamento de Impersonator e a disponibilizá-las gratuitamente no seu sitio oficial.

Escrita em 2011, Your Eyes foi reproduzida várias vezes pelo projeto nos concertos de promoção de Impersonator e, como é habitual, contém uma enorme aúrea doce e nostálgica, alicerçada no posicionamento assertivo da voz de Devon e na inclusão de preciosos detalhes finos. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Nick Nicely - Space Of A Second

Lançado no passado dia vinte e nove de setembro, através da Lo Recordings, Space Of Sound é o novo compêndio sonoro de Nick Nicely, uma verdadeira caldeirada de pop psicadélica concebida por um músico e produtor que é já um nome lendário da eletrónica britânica, desde que se estreou no início dos anos oitenta com DCT Dreams, um single que, de Neu aos Kraftwerk, olhava já nessa altura e com acerto para o período mais psicotrópico dos Beatles e dos Pink Floyd, quando era Syd Barrett quem ditava as regras.

O primeiro disco chegou apenas em 2004 quando a Tenth Planet Records resolveu compilar uma série de singles que este músico tinha editado de 1978 até esse ano, tendo nascido assim Psychotropia. Com esse longa duração, Nick Nicely aitngiu um maior número de ouvintes e aquilo que era até então um segredo bem guardado da eletrónica de Terras de Sua Majestade, tornou-se num fenómeno à escala global. Não tardaram a surgir colaborações com nomes tão importantes como Ariel Pink ou John Maus e, como a sonoridade que o músico replica está na ordem do dia, tornava-se urgente ele mostrar a sua visão desta tendência atual na pop que é olhar para o passado e misturar várias influências, artistas e legados que há várias décadas gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e reinventar tudo isso com uma visão mais contemporânea. 

Space of a Second são então catorze canções que, muitas vezes, são dificeis de serem catalogadas como canções com identidade própria e que obdecem ao habitual formato das mesmas, já que que parecem funcionar como um alinhamento de vários blocos de som sintetizado e de experiências livres de qualquer formalismo ou regra e que só se justificam numa espécie de tratado de natureza hermética, onde esse bloco de composições não é mais do partes de uma só canção de enormes proporções. Sonoramente, a habitual onda expressiva de Nick relacionada com o espaço sideral, oscila, desta vez, entre o rock sinfónico feito de guitarras experimentais, com travos do krautrock mais rígido e maquinal e de uma psicadelia feita com uma autêntica salada de sons sintetizados, mudanças bruscas de ritmos e volume, ruídos impercetíveis e samples vocais e instrumentais bizarros.

A canção que melhor se aproxima do habitual formato e de uma sonoridade indie mais acessível é Longwaytothebeach, um tema que inicia com sons de passos na areia e que depois encontra os alicerces num baixo encorpado, numa bateria cheia de groove e numa guitarra que dispara riffs em várias direções. Mas quer nesta música, quer nas restantes, a voz de Nick aparece sempre num registo modificado sinteticamente e funciona, geralmente, como mais um agregado sonoro que amplia um certo barroquismo lo fi que exala dos temas, do que propriamente com a função explícita de dar vida e som a um poema com uma mensagem clara e entendivel. Se em HeadwindAheadwind parece que o produtor enlouqueceu de vez, Hilly Road é um bom tema para desesperar mentes ressacadas, enquanto que a hipnótica Wrottersley Road subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente. A referida revisão eufórica que parece orientar o trabalho de Nick atinge o auge quando Space Of A Second desperta-nos para os tais Pink Floyd imaginários e futuristas ao som da sequência London South e Raw Euphoria, e principalmente de Rrainbow, o tema que melhor revive uns Pink Floyd que certamente não se importariam de ter sido manipulados digitalmente há quarenta anos atrás se fosse este o resultado final dessa apropriação.

Uma das virtudes e encantos de Nick Nicely terá sido sempre essa capacidade de criar tratados sonoros algo desfasados do tempo real em que foram lançados, quase sempre embebidos num conteúdo vintage heterogéneo, mas relacionados com um tempo futuro, cenários imaginados e universos paralelos. Space Of A Second segue esta permissa temporal, agora num futuro pós apocalítico e coloca o autor no olho do furacão de uma encruzilhada sonora, ao fazer uma espécie de súmula da história da música dos últimos quarenta anos. Este é um disco mutante, que cria um universo quase obscuro em torno de si e que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante, garanto-vos. Espero que aprecies a sugestão...

1. HeadwindAheadwind
2. Rosemarys Eyes
3. Space Of A Second
4. Wrottersley Road
5. Whirlpool
6. London South
7. Raw Euphoria
8. Change In Charmaine
9. Rrainbow
10. Longwaytothebeach
11. Lobster Dobbs
12. Hilly Fields Acoustic


autor stipe07 às 19:17
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