Sábado, 27 de Junho de 2015

Howling - Sacred Ground

Escuta-se o piano suplicante, a batida minimal e o agudo de uma voz particularmente sedutora em Signs, o tema de abertura de Sacred Ground e fica logo claro na nossa mente que RY X e Frank Wiedemann, a dupla berlinense que assina a sua música como Howling, aposta numa mistura entre o indie rock e a eletrónica ambiental, cheia de soul e sentimento. Disco de estreia deste projeto, Sacred Ground é um emaranhado intenso e particularmente melódico de sons que nos elevam para um patamar elevado, principalmente quando deixam à vista todo aquele mel que nos remete para indie pop de há trinta anos atrás, quase sempre através de efeitos sintetizados futuristas que trazem consigo sons melancólicos de outras décadas, assim como todo o clima sentimental do passado e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso.

Mas não é só de eletrónica que se alimenta este álbum que tem a chancela da  Monkeytown Records. Stole The Night, o single de apresentação do disco, sustenta-se num baixo mágico e profundamente sedutor, em redor do qual se entrelaça uma teia imensa de sons que parecem planar e divagar enquanto nos hipnotizam.

Numa simbiose perfeita entre batida e efeito sintetizado, X Machina é uma bolha de hélio que nos provoca um saudável torpor, que de algum modo apenas é interrompido em Litmus, aquela canção que todos os grandes discos têm e que também serve para exaltar a qualidade dos mesmos, principalmente quando se agregam em seu redor o rumo sonoro geral do trabalho, que neste caso além dos aspetos sonoros já descritos, acumula, devido ao orgão, um charme melódico que impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Estas duas canções, o techno minimal de Short Line e Forest, dois temas com flashes de efeitos que disparam em diferentes direções e onde o jogo de vozes merece dedicada audição e os efeitos metálicos borbulhantes de Zürich, que parecem ter sido criados no meio de uma floresta suspensa no ceú por duas nuvens carregadas de poeira e que, tocando-se entre si, criam aquele som típico da agulha a ranger no vinil, definem a elevada bitola qualitativa destes Howling e o encontro feliz que proporcionam entre o minimalismo que se usufrui num relaxante sofá e a house music. Já a viagem orbitral, mas a uma altitude pouco espacial, numa espécie de limbo, que nos oferece o edifício ambiental declaradamente fresco e dançável da chillwave de Quartz, os detalhes acústicos das cordas de Howling e o entorpecimento inebriante de Lullaby, mostram que Sacred Ground é um álbum relaxante, de paisagens frias e tranquilas e que resultou de  percurso feito com uma electrónica de matriz mais paisagista que transcende a lógica da canção pop de formato mais clássico e que nunca deixa de lado aquela pulsão rítmica que cativa o corpo para a pista de dança.

Sacred Ground faz dos Howling novos mestres do espetro sonoro em que procuram impôr-se, já que cheios de charme, fortemente sedutores e com um elevado bom gosto, mesmo nos momentos mais soturnos e melancólicos, criam canções que apesar de poderem ser fortemente emotivas e terem a tendência de nos fazer debruçar em sonhos por realizar, acrescentam novas cores no nosso ouvido, usando como arma de arremesso uma eletrónica simples e intrigante, feita de intimismo romântico que integra uma espantosa solidez de estruturas, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

Howling - Sacred Ground

01. Signs
02. Stole The Night
03. Interlude I
04. X Machina
05. Litmus
06. Zürich
07. Short Line
08. Quartz
09. Interlude II
10. Forest
11. Howling
12. Lullaby


autor stipe07 às 22:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 23 de Junho de 2015

Numbers Are Futile - Sunlight On Black Horizon

Os Numbers Are Futile são Δ ☼ ❍ e Δ Π Δ, um português e um grego sedeados em Edimburgo, na Escócia e representados pela insuspeita Song By Toad, Records, de Matthew Young. Sunlight On Black Horizon é o disco de estreia deste projeto, um trabalho editado a dezoito de maio, disponivel em formato vinil e digital, com oito canções guiadas por uma percussão exemplar e samples únicos, que sobrevivem num universo subsónico e contrastante, com a voz a flutuar em redor, numa banda sonora que fala de sonhos, de liberdade e de redenção.

Um dos maiores trunfos deste conjunto de canções está na decisão da dupla em abordar a míriade sonora que fez sempre parte dos gostos músicais de ambos e do universo cultural em que cresceram, com pontos de encontro óbvios e onde as herançashelénica e românica são referências óbvias. The Great Chimera é um oásis de cor e luz que entre as sete colinas de Lisboa e o Pártenon nos oferece algumas das caraterísticas fundamentais world music, chillwave, dream pop, new age e de outras sonoridades mais clássicas e experimentais, que se multiplicam ao longo do alinhamento de Sunlight On Black Horizon.

Acaba por ser viciante experimentar ouvir o disco várias vezes e ir catalogando mentalmente os universos sonoros abordados e estimulante perceber como eles se relacionam e se fundem nas canções. Este constante sobressalto e variedade sonora ficam ainda mais enriquecidos quando se constatam as diferenças na forma de cantar de Δ ☼ ❍ e o encanto etéreo e celestial com que os dois músicos comunicam entre si.

Logo a abrir, a já citada The Great Chimera sustenta-se nuns teclados que criam uma atmosfera envolvente e bastante quente e depois We Float parece querer remeter a raça humana para as suas origens aquáticas, com os tambores a explicarem que, inevitavelmente, somos criações da natureza e a ela nos devemos manter ligados. O som que emanam nesta canção tem uma toada épica, que se mantém em Monster, ampliada aqui por instrumentos de sopro, mais uma exemplo da percussão fenomenal e bastante diversificada que estes Numbers Are Futile debitam e que, neste caso, vai-se construindo aos poucos, através de uma sequência rítmica bastante moderna.
Como seria de esperar, os teclados são cruciais no amenizar da gravidade dos tambores e das batidas e têm um papel fundamental no que toca à criação de um ambiente confortável e familiar para o ouvinte. Em Oblivion Days, um dedilhar hipnótico de duas ou três teclas e a inserção dos tambores de modo paticularmente pujante e grandioso, quase a meio do tema, provam como estes Numbers Are Futile são mestres na instrumentação, na forma como tocam e como conjugam todos os instrumentos, não deixando de ser estimulante conferir esta sonoridade única e que evoca ambientes seculares enquanto que, simultaneamente, soa de uma forma tão nova e tão refrescante.
Até ao ocaso, não há como não nos sentirmos tocados pelos inéditos samples vocais de In The Fields que, juntamente com as notas que são tocadas, evocam um ambiente um pouco mais obscuro, como se a canção ilustrasse um culto secreto, ou um ritual. Depois, se o orgão de Doomsday Blues parece conter a chave que abre a porta do paraíso, já os teclados hipnóticos de The Threat puxam-nos, mais uma vez, para uma cavernosa obscuridade orgânica, assim como o ópio percurssivo que alimenta Vice > Reason. Estes temas constroem a sequência mais emotiva e ruidosa do disco que, quando termina, faz-nos sentr que a escuta de Sunlight On Black Horizon é, fundamentalmente, uma experiência semelhante à audição de um monólogo de Zeus no seu próprio templo, em oito canções onde somos levados e elevados ao mesmo nível dos templos mais altos da mitologia grega. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:49
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

La Garçonne - As Days Go By

La Garçonne é o projeto a solo de Ranya Dube uma cantora, compositora e produtora canadiana, natural de Whistler e que se estreou nos discos a vinte e seis de maio com As Days Go By. Este trabalho viu a luz dia em formato digital e cassete através da True Horror Music de Jason Sheppard.

Com um Macbook Pro debaixo do braço e uma mente particularmente inventiva e criativa, Ranya cria música em redor de um eletropop que se cruza com o post punk e a new wave, uma sonoridade predominantemente sintética, muito à imagem do que propôem atualmente nomes tão fundamentais no género, como os Chromatics, Glass Candy ou Zola Jesus.

I'm On Punch foi o primeiro avanço divulgado de As Days Go By, mais de quatro minutos disponibilizados para download gratuíto e que plasmavam o enorme charme e bom gosto deste diamante sonoro ainda em bruto, que viu o ano passado um tema seu inserido na banda sonora do aclamado filme independente de terror Starry Eyes e que foi já o principal motivo para a criação da True Horror Music. Mas, da climática e envolvente Zebra Kids, tema com uma batida grave bastante aditiva, à etérea e contemplativa Social Misfits, canção com um baixo implícito a conduzir a melodia, passando pela amplitude luminosa particularmente sedutora de Crimson Bolt, são vários os instantes sonoros deste trabalho que contém uma natureza contagiante e que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, propostos por uma autora bastante criativa e vocalmente inspirada.

Em suma, As Days Go By vive afundado num colchão de sons eletrónicos que satirizam uma eletrónica retro, feita com VHS. Escutar o seu alinhamento é participar num passeio divertido e, ao mesmo tempo, introspetivo, cheio de charme e bom gosto, por um percurso sonoro que replica o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo, servindo também para mostrar o futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...

1. Intro
2. I'm On Punch
3. Geeks After Dark
4. Crimson Bolt
5. Social Misfits view
6. Super Hero view
7. Zebra Kids
8. Vestibule
9. As Days Go By
10. As Days Go By (Alternate Mix) (bonus)



autor stipe07 às 23:08
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 15 de Junho de 2015

Beck - Dreams

Beck - Dreams

Depois de seis anos de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, com a divulgação de um novo single intitulado Dreams, se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço.

O lançamento de Dreams, canção que fará parte do alinhamento do próximo disco de Beck, coincide com o regresso do cantor aos palcos, com o próximo espetáculo a ser já na próxima quinta-feira, dia dezoito, em Londres, com os The Strokes. De acordo com Beck, o sucessor de Morning Phase será um trabalho completamente diferente e misturará garage rock com dance music. Confere...


autor stipe07 às 19:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Domingo, 14 de Junho de 2015

Barbarossa – Imager

Oriundo de Londres, o britânico James Mathé assina a sua música como Barbarossa e editou a onze de maio, através da Memphis industries, Imager, o terceiro disco de um músico com uma carreira já interessante no domínio da pop que coloca a eletrónica na linha da frente do processo de criação sonora, sempre tingida com melancolia e um humanismo particularmente sedutor.

Nestas dez canções, este músico e também reputado produtor que colocou as mãos em trabalhos dos Metronomy ou dos Summer Camp, oferece-nos uma visão relaxante e intimista do modo como vê a eletrónica de cariz mais ambiental, num trabalho que firma, definitivamente, um posicionamento do mesmo num campo sonoro mais sintético, ele que começou por chamr a atenção da crítica pelas baladas folk que criou no início da carreira e que fizeram com que fosse comparado a nomes tão fundamentais como Jose Gonzalez que, curiosamente, ou talvez não, participa em Home, o single já retirado de Imager. Há alguns anos atrás, Barbarossa, como intérprete folk, chegou a abrir alguns dos concertos do músico sueco que agora oferece a sua voz a esta canção.

Se o tema homónimo do disco mostra-nos, claramente, o novo arquétipo sonoro de Barbarossa, através de uma abordagem algo inclinada para as pistas de dança, com um claro piscar de olhos a uma faceta mais techno, a tal Home, tranquila e redentora, coloca todas as fichas numa visão mais emotiva e contemplativa, com o efeito do teclado a convidar-nos a conferir um hino eletrónico elegíaco, com um imediatismo simples, mas pungente.

À medida que o alinhamento de Imager avança, pressente-se um certo sentimento de inquietude, que o registo vocal de Solid Soul ou o sintetizador inebriante de Settle, uma canção que se debruça sobre a solidão que quem vive numa grande cidade frequentemente sente, não disfarçam, como se houvesse um fluxo emocional que conduz as canções que nos oferecem momentos redentores com o intuíto de agitar primeiro e confortar depois, o âmago da nossa alma. O refrão de Silent Island é, talvez, o melhor exemplo desta melancolia que quer descobrir o equilibrio perfeito entre hinos de dança contidos e uma intimidade orgânica singular, uma refrega intensa que coloca em campo de batalha aberto e sem reservas emoção e racionalidade.

Imager é Barbarossa a sair da sombra e a colocar um passo firme debaixo das luzes da ribalta à boleia de um talento para a composição e produção musical inato, que parece ter perdido a timidez e que exige ser reconhecido enquanto membro de pleno direito, do clube dos principais arquitetos da eletrónica contemporânea de terras de Sua Majestade. Neste álbum o autor oferece-nos, com a sua escrita intensa, mas direta e incisiva, algumas respostas que são incontornáveis tendo em conta o cariz afetivo e reflexivo das melodias a que dá vida.  Enquanto se escuta Dark Hopes e se acompanha com atençaõ o poema inspirador que abraça a melodia, percebemos o imenso fôlego libertador e esotérico que Imager transporta. Espero que aprecies a sugestão...

Barbarossa - Imager

01. Imager
02. Home
03. Solid Soul
04. Settle
05. Nevada
06. Dark Hopes
07. Silent Island
08. Muted
09. Human Feel
10. The Wall


autor stipe07 às 21:25
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 13 de Junho de 2015

Passion Pit – Kindred

Lançado a vinte e um de abril pela Columbia Records, Kindred é o terceiro álbum dos Passion Pit de Michael Angelakos, uma banda norte americana oriunda de Cambridge, no Massachusetts e da qual também fazem parte Chris Hartz, Aaron Harrison Folb, Giuliano Pizzulo, Pete Cafarella e Ray Suen.

Novamente produzido por Chris Zane, ahbitual colaborados dos Passion Pit, Kindred é mais um disco que cimenta um projeto pop num género nem sempre fácil de rotular. Geralmente um álbum pop bem sucedido é um tratado com um propósito comercial, melódico e acessível a vários públicos, o que faz com que a busca de tal abrangência resvale para rodelas perdidas num universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica. Neste caso e como se entende logo na audição da épica e luminosa Lifted Up (1985) ou do single Until We Can’t (Let’s Go), a banda faz crescer em cada nota, verso ou vocalização, à boleia do sintetizador, todos os ingredientes que definem as referências principais dessa pop, acrescentando ainda, em determinados instantes, aspetos da música negra, brincando, assim, com a eletrónica de forma inédita, enquanto nos conduzem para a audição de mais um disco doce e, na mesma medida, pop.

Disco mais curto dos Passion Pit, Kindred é, talvez, o trabalho mais introspetivo do projeto, apesar de não deixar de ser comovente, conter versos e refrões sedutores e de fácil assimilação e de estar cheio de armadilhas sonoras que nos podem atrair para um universo bastante festivo, mas enganador, não só nas batidas da já citada Lifted Up (1985), como nas de My Brother Taught Me How To Swim. Seja como for, a nostalgia continua a ser uma marca transversal a quase todo o alinhamento, algo que os efeitos e a percussão de Whole Life Story tão bem transparecem, em canções que se debruçam sobre a adolescência conturbada de Angelakos (Dancing On The Grave, Whole Life Story), a saudade (All I Want) ou outros eventos que podem fazer parte da vida de qualquer um de nós, mas que deixam sempre marcas profundas (My Brother Taught Me How to Swim).

A aparente dicotomia concetual e sonora de Kindred faz do álbum um trabalho criativo e versátil, repleto de expressividade, sempre com a eletrónica como pano de fundo e um indisfarçável charme e delicadeza a reforçar o cariz intimista de mais um retato sonoro da existência de Angelakos, expresso em dez canções estimulantes e maduras. Espero que aprecies a sugestão...

Passion Pit - Kindred

01. Lifted Up (1985)
02. Whole Life Story
03. Where The Sky Hangs
04. All I Want
05. Five Foot Ten (I)
06. Dancing On The Grave
07. Until We Can’t (Let’s Go)
08. Looks Like Rain
09. My Brother Taught Me How To Swim
10. Ten Feet Tall (II)


autor stipe07 às 14:40
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 10 de Junho de 2015

The Vaccines – English Graffiti

Lançado a vinte cinco de maior por intermédio da Columbia Records, English Graffiti é o terceiro álbum dos londrinos The Vaccines, de Justin Hayward-Young, Freddie Cowan, Árni Árnason e Pete Robertson. Disco produzido por Dave Fridmann e Cole M. Greif-Neill, English Graffiti sucede aos aclamados álbuns What Did You Expect from the Vaccines? (2011) and Come of Age (2012), que consolidaram uma estética sonora que numa esfera indie rock nunca deixou de olhar quer para alguns detalhes do punk, como para certos tiques e arranjos que sobrevivem à sombra da eletrónica.

Vistos por alguma crítica como a resposta britânica ao nova iorquinos The Strokes, quer na postura, quer na sonoridade rock frenética, livre de constrangimentos e adornos desnecessários e certeiros no modo como adoptam uma estética sonora retro à boleia de riffs de guitarra potentes e uma voz poderosa, os The Vaccines chegam ao terceiro tomo do seu percurso discográfico seguros do som que pretendem apresentar que, com um pé na new wave e outro no pós punk, procura atingir uma maior luminosidade e amplitude melódica. As festivas e frescas Handsome e 20 / 20 e o som da guitarra de Dream Lover e um efeito quase indecifrável de um teclado que deambula pela canção, assim como o andamento vigoroso da bateria marcam uma chancela rugosa e acendem uma chama intensa que, com a preciosa ajuda de Dave Fridmann, que já colocou as mãos em discos dos MGMT ou dos Flaming Lips, coloca o som do quarteto exatamente no ponto pretendido. Depois, a fina fronteira que separa o baixo do sintetizador em Denial, um dos meus temas preferidos de English Graffiti e, numa abordagem mais groove, o indie rock exuberante e irresistível de Give Me a Sign e Minimal Affection, canção que assenta em batidas sintéticas que se escutam em sintonia com riffs de guitarra melódicos e uma voz poderosa, mostram a outra face de uma mesma moeda que os The Vaccines cunharam neste disco e que os fará render milhões, se for bem explorada. Esta última canção, já agora, impressiona pela imagética criada para a ilustrar, com cenas de uma aventura espacial com uma estética retro, numa temática que gira em torno da dificuldade que as gerações mais novas têm de se relacionar pessoalmente por estarem tão dependentes das novas tecnologias.

Até ao ocaso, se os efeitos do teclado, a guitarra viciante e a condução melódica a cargo do piano fazem de (All Afternoon) In Love um dos grandes momentos nostálgicos do disco, já o frenético pop surf punk de Radio Bikini e, em oposição, a tensão emocional e o minimalismo eletrónico que o fuzz da guitarra disfarça em Maybe I Could Hold You, são outros instantes obrigatórios de um álbum que além de ter como trunfo importante a temática reflexiva das canções, impressiona pelo modo como os The Vaccines abordam diferentes espetros sonoros, com o declarado objetivo de alargarem a lista de caraterísticas essenciais do seu som, fazendo-o com enorme qualidade, jovialidade e bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

The Vaccines - English Graffiti

01. Handsome
02. Dream Lover
03. Minimal Affection
04. 20 / 20
05. (All Afternoon) In Love
06. Denial
07. Want You So Bad
08. Radio Bikini
09. Maybe I Could Hold You
10. Give Me A Sign
11. Undercover
12. English Graffiti
13. Stranger
14. Miracle
15. Handsome Reimagined (Dave Fridmann Edit)
16. Dream Lover Reimagined (Malcolm Zillion Edit)
17. 20/20 Reimagined (Dave Fridmann Edit)
18. Give Me A Sign Reimagined (Co Co T Edit)


autor stipe07 às 18:16
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 2 de Junho de 2015

Love Nor Money - Shake Me

Sedeada em Londres, a etiqueta britânica Lost In The Manor vai-se se estrear nos lançamentos discográficos com Shake Me, o primeiro single retirado do EP de estreia dos Love Nor Money, uma banda também da capital de Terras de sua Majestade. Shake Me vai ver a luz do dia a seis de julho, numa edição em vinil limitada e em formato digital, mas já pode ser escutado por cá, uma canção da autoria de um projeto feminino formado por Bess Cavendish, Anna Tosh, Jayna Cavendish e às quais se junta o produtor Dan Clarke.

Um verdadeiro cocktail digital que mistura batidas com efeitos de guitarra volumosos, Shake Me impressiona pela grandiosidade, patente nos samples, nos teclados e nos sintetizadores inebriantes, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Este é mais um bom exemplo de uma banda capaz de ser genuína no modo como manipula o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Confere...

 


autor stipe07 às 20:24
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

Twin Hidden - A Berry Bursts

Divididos entre Londres e Manchester os Twin Hidden são Matthew Shribman e Sam Lea, dois amigos de infância que com dez anos já faziam música juntos, tendo-se estrado nos lançamentos em 2001 com um disco cujo rasto é desconhecido (This album is now where it belongs, at the bottom of the sea, where it will never be found).

A separação física de ambos deu-se com a entrada na universidade, quando Matthew foi estudar para Oxford e Sam para Manchester. Acabou por haver um breve hiato no grupo, mas os Twin Hidden parecem estar apostados em regressar novamente à ribalta, desde que no ano passado resolveram voltar a compôr juntos, tendo o piano como instrumento privilegiado destas novas experências sonoras conjuntas.

Depois de em dezembro de 2014 a dupla ter enviado para a redação de Man On The Moon Join Hands, o primeiro single deste novo sopro de vida da dupla, agora chegou a vez de os Twin Hidden nos deslumbrarem com a pop épica de A Berry Bursts, mais uma peça musical magistral e grandiosa, conduzida por teclas inebriantes e arranjos sintetizados verdadeiramente genuínos e criativos, capazes de nos enredar numa teia de emoções que nos prende e desarma sem apelo nem agravo. A forma como os falsetes da dupla se entrelaçam entre si, enquanto metais, bombos, cordas e teclas desfilam orgulhosas e altivas, mais parece uma parada de cor, festa e alegria, onde todos comungam o privilégio de estarem juntos, do que propriamente um agregado de sons no formato canção. Ficarei muito atento a este projeto que está a captar a atenção das pessoas certas, nomeadamente ao possível lançamento de um disco. Confere...

 


autor stipe07 às 16:28
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Darkness Falls – Dance And Cry

As Darkness Falls são uma das novas coqueluches do cenário indie do reino da Dinamarca, uma banda descoberta pelo visionário produtor Anders Trentemøller e formada pela dupla feminina Josephine Philip (teclados, voz) e Ina Lindgreen (guitarra, baixo e voz). Depois de em março em outubro de 2011 se terem estreado nos discos com Alive In Us, parece que já há finalmente sucessor. O novo álbum das Darkness Falls chama-se Dance And Cry, viu recentemente a luz do dia, novamente através da HFN Music  e The Answer foi o primeiro tema divulgado do trabalho, assim como o respetivo video.

Trilhando caminhos que vão da electrónica à soul, passando pela pop de câmara e o próprio indie rock, com vários pontos de contacto com o trabalho de nomes como os Massive Attack, Radiohead, The Aloof, UNKLE e Pink Floyd, as Darkness Falls tornaram-se, ao segundo disco, ainda mais expansivas luminosas, sendo notória, durante a audição de Dance And Cry a fusão entre orquestra, electrónica e elementos progressivos, com pontes brilhantes entre momentos de maior intensidade com outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, outrora adormecidas.

A voz doce e resplandescente de Josephine e o sintetizador futurista da sónica Night Games, ou a percurssão tribal e o baixo vigoroso de The Answer são excelentes portas de entrada para a sonoridade geral do disco, onde existe uma tensão latente trasnversal ao alinhamento, apoiada num forte sentido melódico que busca o épico sem desmesurada e incontrolada grandiosidade, privilegiando antes o charme tipicamente feminino, equanto a dupla funde texturas pop tipicas das guitarras dos anos sessenta com a eletrónica, uma mistura harmoniosa e dinâmica de elementos, alicercados na típica melancolia pop que define variados projetos oriundos desta zona da Europa.

O negro sombrio, mas perigosamente sedutor de Liar's Kiss suga-nos para um ambiente intenso e profundamente emotivo, enquanto que as aproximações ao trip hop e à pop em Dance And Cry e à eletrónica retro em Golden Bells, mostram as novas linhas mais complexas com que a música das Darkness Falls agora se cose, porque abarca novos e variados estilos e tendências musicais, mas sem deixarem de soar lineares, porque não se desviam do ambiente sonoro geral e padronizado que as carateriza. O clima tremendamente cinematográfico e biográfico de Dance And Cry agarra-nos pelos colarinhos sem dó nem piedade e suga-nos para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha, que se repete um pouco adiante, em My Father Told Me (He Was Wrong), um registo onde esta mesma voz é acompanhada por um orgão e uma batida que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia e também nos leva de encontro à tal eletrónica de cariz mais vintage.

O disco chega ao ocaso com as Darkness Falls a mostrarem-se ainda mais arrojadas, já que Midsummer Wail e Thunder Roads transbordam a um certo travo industrial, que a belíssima voz de Josephine aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como os sintetizadores e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais.

Dance And Cry tem alma e paixão, é fruto de três anos de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Seja por causa de momentos em que a bateria é estranhamente dançante, pela majestosidade dos sintetizadores, ou pela elegância vocal, estamos na presença de um dos álbuns essenciais da pop de cariz mais eletrónico do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Darknes Falls - Dance And Cry

01. Night Games
02. The Answer
03. Liar’s Kiss
04. Dance And Cry
05. Golden Bells
06. Darkness Falls
07. Paradise Trilogy I
08. Hazy
09. My Father Told Me (He Was Wrong)
10. Midsummer Wail
11. Thunder Roads


autor stipe07 às 18:43
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Em escuta...

Facebook

Twitter

Twitter

Bloglovin

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Julho 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

Howling - Sacred Ground

Numbers Are Futile - Sunl...

La Garçonne - As Days Go ...

Beck - Dreams

Barbarossa – Imager

Passion Pit – Kindred

The Vaccines – English Gr...

Love Nor Money - Shake Me

Twin Hidden - A Berry Bur...

Darkness Falls – Dance An...

Tanlines - Highlights

Hot Chip - Why Make Sense...

Pfarmers – Gunnera

Landfork - Koreatown Stat...

LoneLady – Hinterland

Lilith Ai - Hang Tough

Django Django - Born Unde...

Everything Everything - R...

digitalanalogue - Be Embr...

La Garçonne - I'm On Punc...

X-Files

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

Procura...

 

Visitors (since 31.05.12)

blogs SAPO

subscrever feeds