Sábado, 23 de Julho de 2016

Melt Yourself Down - Last Evenings On Earth

Depois de um homónimo lançado em 2013, os britânicos Melt Yourself Down de Kushal Gaya estão de regresso com mais uma incandescente e festiva dose de afrobeat, à boleia de Last Evenings On Earth, nove canções que viram a luz do dia em abril com a chancela da The Leaf Label e que se debruçam sobre o contínuo apocalipse que o mundo vive, principalmente desde o início do século passado, feito de guerras, doenças, uma desenfreada corrida às armas e, principalmente, um choque civilizacional que cava um fosso cada vez maior entre uma pequena casta de privilegiados e o resto da humanidade, muito nela ainda a viver de modo desumano e em absoluta pobreza.

Percorrer o sinuoso e labiríntico alinhamento de Last Evenings On Earth é nunca saber o que está um pouco mais à frente ou do outro lado da esquina, que se apresenta na forma melódica menos esperada. Batidas orgânicas são subitamente trespassadas por teclados, particularmente impressivos na monumentalidade de Jump The Fire e os sopros estão sempre presentes, com canções como The God Of You, a ébria Listen Out, ou o punk aparentemente descontrolado de Communication a criarem um falso clima de festa. É que, se por um lado o corpo é continuamente convidado à dança despreocupada e enérgica, também não há como ficar indiferente ao conteúdo incisivo da escrita destas canções onde a virulância da morte e das doenças e o sortilégio da guerra são áreas vocabulares continuamente presentes e transversais.

Melt Yourself Down é um compêndio muito próprio e sui generis, que numa mescla do referido afrobeat com alguns dos melhores detalhes do jazz atual, que comporta cada vez mais e sem aparente pudor alguns artifícios eletrónicos e do próprio indie rock, exemplarmente expresso no fuzz da guitarra de Bharat Mata, nos oferece um verdadeiro caldeirão sonoro nada ingénuo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:28
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

Graham Candy – Plan A

Graham Candy é um ator e compositor que nasceu nos antípodas, na Nova Zelândia, cresceu em Auckland, onde estudou música, dança e teatro, mas tem o seu quartel general atualmente montado na Alemanha, onde vive desde 2013. Começou por dar nas vistas ofercendo a sua voz a algumas composições do conceituado DJ alemão Allen Ferben, nomeadamente no tema She Moves, que ganhou projeção internacional, o que fez com que colaborasse também, e mais recentemente, com Parov Stelar e o DJ Robin Schulz. Depois de um EP editado o ano passado, Plan A é o seu disco de estreia, doze canções editadas no início de maio e que impressionam não só por causa do falsete adocicado de um timbre vocal único, mas também devido a uma feliz amálgama sonora que coloca em primeiro plano uma indie pop bastante acessível e intensa, onde pianos e sintetizadores ditam a sua lei.

As canções de Plan A são um passeio pelas influências de Graham e pela sua capacidade inventiva na hora de usar essas referências para criar. Espalhada pelo álbum há muito da energia que nomes como Gnarls Barkley ou, numa direção oposta, Sufjan Stevens e até Mika, nos foram deixando na primeira década deste século, com o piano de Home e a batida adornada de efeitos de Glowing In The Dark, a plasmarem essas heranças diretas da pop e das novas tendências de uma eletrónica cada vez mais abrangente e que tem sempre as pistas de dança na mira. Os próprios samples que introduzem o groove da batida plena de soul de 90 Degrees são uma excelente amostra desse piscar de olhos objetivo à bola de espelhos, uma filosofia sonora constante num alinhamento ruidoso, mas luminoso, cheio de ganchos, improvisos e colagens, que nasceram, certamente, num processo de gravação rápido e divertido e onde é evidente um processo de mistura e produção bastante inspirado e feliz, que tem como ponto alto a visceralidade e as pujança de Back Into It, uma daquelas canções que clama por punhos cerrados e uma elevada dose de testosterona, à medida que a batida nos aprisiona sem dó nem piedade. 

Claramente talentoso, com uma enorme soul na alma e comparável a alguns virtuosos clássicos da pop e do próprio R&B, exemplarmente homenageados em Kings And Queens, logo na estreia Graham Candy grita e afirma quer o seu lado mais clássico, quer a sua definitiva obsessão por uma superior e ímpar grandiosidade instrumental, onde não faltam saxofones e trompetes, além de uma percussão imponente, detalhes que dão a este excelente álbum uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais alegres e bem dispostos da mente deste excelente autor. Espero que aprecies a sugestão...

Graham Candy - Plan A

01. Home
02. Glowing In The Dark
03. 90 Degrees
04. Back Into It
05. My Wellington
06. Kings And Queens
07. Travellers Lovers
08. Heart Of Gold
09. Little Love
10. Paid A Nickel
11. Broken Heart
12. Memphis


autor stipe07 às 17:18
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Segunda-feira, 4 de Julho de 2016

Metronomy - Summer 08

Dois anos depois de Love Letters, os britânicos Metronomy de Joe Mount estão de regresso aos discos com Summer 08, um álbum que viu a luz do dia a um de julho à boleia de Because Music e que será, certamente, um dos acontecimentos musicais deste verão. Este é o quinto registo de originais de um coletivo que é já um dos nomes imprescindíveis da chamada indietrónica, um subgénero sonoro que mescla com mestria sintetizações e guitarras, sempre num clima festivo, com nomes como os Phoenix, os Hot Chip os os Holy Ghost! a serem outras referências obrigatórias neste espetro único.

Olhar para o âmago de Summer 08 e procurar dissecar o essencial do seu alinhamento, não é uma tarefa tão exaustiva como à primeira vista uma audição prévia destas dez canções poderá parecer que exige. Basta escutar com atenção Old Skool, canção que impressiona pelo clima retro proporcionado pelo funk da batida, um baixo bastante vigoroso e vários arranjos metálicos, para se ficar a par de tudo aquilo que orientou Joe Mount na concepção deste trabalho. Tais aspectos que conferem à referida canção uma curiosa mescla entre indie rock, eletrónica e hip-hop, numa espécie de fusão entre Daft Punk e Beastie Boys, impressão ampliada por um sintetizador que obedece a uma lógica sonora próxima do chamado discosound, particularmente efusiva e que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade, num ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança, é o eixo fundamental que atravessa todo o alinhamento, com as guitarras de Back Together a acentuarem ainda mais todo o clima nostálgico de um disco assumidamente retro, mas também contemporâneo e inovador.

As pistas de dança são já um alvo assumido dos Metronomy e cantar sobre toda a amálgama de sensações e, algumas vezes, complicações, que as relações amorosas suscitam, uma quase obsessão. Curiosamente, na minha opinião, são dois vetores que casam com acerto, já que em momentos da nossa existência em que nos sentimos mais sós e infelizes, são também aqueles instantes em que dançar acaba por ser um bom refúgio para afugentar certos fantasmas. Hang Me Up to Dry, tema que conta com a participação especial da sueca Robyn, é um excelente elíxir, um remédio para o nosso coração, enquanto os pés batem e as luzes piscam, sufocadas por uma melancolia que Mount sabe melhor que ninguém como narrar e que Night Owl exala por todos os poros.

Summer 08 chega no momento de melhor acerto da carreira deste grupo sedeado em Totnes. É um disco recheado de impressivas atmosferas musicais, que entre as pistas e o canto mais acolhedor do nosso refúgio preferido, nos impressiona pelo modo como arrebata o nosso coração e nos convida ao desabafo, através de mais um belo tratado de indie pop que enriquece imenso o cardápio sonoro dos Metronomy. Espero que aprecies a sugestão...

Metronomy - Summer 08

01. Back Together
02. Miami Logic
03. Old Skool
04. 16 Beat
05. Hang Me Out To Dry (With Robyn)
06. Mick Slow
07. My House
08. Night Owl
09. Love’s Not An Obstacle
10. Summer Jam


autor stipe07 às 22:00
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2016

The Invisible – Patience

A dez de Junho último e à boleia da Ninja Tune chegou aos escaparates Patience, o terceiro registo de estúdio do trio londrino The Invisible de Dave Okumu, nove canções sustentadas numa eletrónica apurada, construídas em redor de sintetizadores inspiradas na luxuosa pop dos anos oitenta, como se percebe logo no clima melancólico e simultaneamente sedutor de So Well, tema que conta com a participação especial da cantora Jessie Ware e onde quer ela quer Okumu dialogam, teatralizando uma complexa e inebriante relação amorosa.

Os anos oitenta foram marcantes para a história da música contemporânea e serão sempre alvo de inspiração e revisão, principalmente por ter sido o período em que os sintetizadores foram definitivamente chamados para a linha da frente no processo de composição melódica, por parte de bandas e projetos que afirmaram a pop às massas e colocaram o rock num espetro mais alternativo. Essa pop polida dos anos oitenta, feita com sintetizadores carregados de efeitos e com um ar sempre solene, acaba por definir a essência e o dramatismo deste projeto, que nos propôe uma coleção de canções assentes em teclados com a esperada pompa e circunstância aveludada que enfeita as melodias que debitam.

Impecavelmente produzido, Patience arremessa para os nossos ouvidos toda uma herança luxuosa, com vários destaques, ao nivel instrumental, que importa realçar; Além da beleza do tema de abertura já descrito, não posso deixar de destacar o groove efusiante de Save You, canção que contém um forte apelo às pistas de dança e, na sequência, Best Of Me, tema como alguns elementos percurssivos curiosos, entrelaçados com um rugoso teclado, com a voz de Okumu, num registo grave, a mostrar todos os seus atributos e abrangência e um lado humano peculiar, que se mostra como um trunfo maior neste alinhamento. Esta é uma voz impregnada com sensações imponentes e redentoras, como se percebe em Memories, um dos melhores instantes de Patience, canção onde o efeito vocal em eco cristaliza e amplia um fabuloso baixo, que passeia uma dose incontida de egocentrismo, de braço dado com teclados épicos.

Vocalmente, a cereja no topo do bolo de Patience acaba por ser o lote de participações especiais, escolhidas com acerto e de modo a potenciar o ideário sonoro e estilístico pretendido para o álbum. Além de Jessie Ware no tema já referido, em Different, Rosie Lowe é uma peça essencial para dar vida e cor a um refrão marcante, numa canção que é uma ode declarada ao melhor R&B contemporâneo, conduzido por guitarras plenas de groove, cordas dinâmicas e uma percussão bastante festiva, onde não faltam efeitos metálicos e de palmas. Este tema é um monumento de sensualidade, pensado para dançar num ambiente quente e charmoso e, logo depois, em Love Me Again, esse efeito amplia-se numa canção onde é novamente o R&B a ditar as regras e que conta com Anna Calvi. Mais uma vez, a presença dessa voz feminina, neste caso bastante intensa e até algo ternurenta, acaba por ser um extraordinário complemento ao propósito acolhedor e intencional de um alinhamento que quer brincar com a subtileza e o mistério que envolve as relações, daquela maneira alegre, mas também profunda e exótica  que se espera delas, sempre com um bom gosto e uma intensidade sentimental únicas. Espero que aprecies a sugestão...

The Invisible - Patience

01. So Well
02. Save You
03. Best Of Me
04. Life’s Dancers
05. Different (Feat. Rosie Lowe)
06. Love Me Again (Feat. Anna Calvi)
07. Memories
08. Believe In Yourself
09. K Town Sunset (Feat. Connan Mockasin)


autor stipe07 às 22:05
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Domingo, 12 de Junho de 2016

Anohni - Hopelessness

Anunciado com pompa e circunstância há alguns meses, nomeadamente através da divulgação do avanço 4 Degrees, ganhou finalmente vida o projeto Anohni liderado pelo cantor Antony Hegarty, que assina uma já notável carreira a solo sob a capa de Antony and the Johnsons. Hopelessness é o registo de estreia deste projeto, onze canções onde uma acentuada melancolia sustenta um verdadeiro exercício de catarse, uma espécie de análise psicanalítica, sustentada musicalmente por um autor e compositor que não se escusa a mostrar o seu lado mais íntimo e pessoal sempre que oferece ao público mais uma surpreendente coleção de composições sonoras.

A música eletrónica no seu estado mais puro e obedecendo às tendências mias atuais, que não se coibem de esclar alguns detalhes orgânicos e crus, é o principal suporte de Hopelessness, um disco exemplarmente produzido por Oneohtrix Point Never e Hudson Mohawke e que tem em canções como Drone Bomb MeDon't Love You ou Why Did You Seperate Me From the Earth os seus melhores instantes, canções que plasmam a profunda cumplicidade emocional entre a escrita do músico e o modo como o mesmo nos desafia, já que não é de imediata absorção toda a emotividade que ele consegue transbordar, na sua narrativa, quer lírica, quer sonora.

Ao contrário do que é usal sob a capa de Antony, não é só a voz e o piano que, em Hopelessness e no projeto Anohni, merecem plano de destaque. Imagine-se que o próprio ruído é aqui utilizado para potenciar os lamentos e as angústias do autor, que grita e afirma, quer o seu lado mais clássico, quer a sua definitiva obsessão por uma superior e ímpar grandiosidade instrumental, onde não faltam saxofones, trompetes e violinos, além de uma percussão imponente, que dão a este excelente álbum uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais obscuros da mente deste notável autor. Espero que aprecies a sugestão...

ANOHNI - Hopelessness

01. Drone Bomb Me
02. 4 Degrees
03. Watch Me
04. Execution
05. I Don’t Love You Anymore
06. Obama
07. Violent Men
08. Why Did You Separate Me From The Earth?
09. Crisis
10. Hopelessness
11. Marrow


autor stipe07 às 22:00
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2016

Beck - Wow

Beck - Wow

Depois de mais de meia de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de stormtrooper e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de Mellow Gold e Odelay, passando pela melancolia de Sea Change e a psicadelia de Modern Guilt, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com dois discos, um deles chamado Morning Phase, o décimo segundo da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de Beck Hansen, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, com a divulgação de um novo single intitulado Wow, se prepara, com um novo fôlego na sua carreira, para mais um recomeço, depois de no verão passado ter igualmente surpreendido com outro single intitulado Dreams.

Entre o hip-hop e o R&B, Wow deverá fazer parte do alinhamento do próximo disco de Beck e, de acordo com o músico, o sucessor de Morning Phase será um trabalho completamente diferente e misturará garage rock com dance music. Assim, além de ter sido uma enorme surpresa, esta canção merece destaque porque nela Beck colaborou com vários ilustradores, designers gráficos e artistas, nomeadamente o português Bráulio Amado. Este designer gráfico vive em Brooklyn, Nova Iorque e foi, juntamente com o realizador Jimmy Turrell, co-responsável pela direcção de arte do tema. Confere...


autor stipe07 às 23:59
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Quarta-feira, 1 de Junho de 2016

Porches – Pool

Foi em fevereiro que regressou aos lançamentos discográficos um dos projetos mais interessantes da pop alternativa nova iorquino da última meia década. Refiro-me aos Porches de Aaron Maine, grupo já com seis discos em carteira, sendo o último Pool, doze canções efusiantes e impregnadas com um entusiasmo ímpar, que da pop mais clássica ao jazz, passando pelo R&B, a eletrónica e o rock mais rugoso, abarca um alargado leque de influências e detalhes, que merecem atenção e audição dedicadas.

O sintetizador abafado de Underwater faz-nos submergir, de imediato, para um mundo em que, como o título do álbum sugere, festa e água se confundem, numa teia que nos enrola e nos pode deixar completamente inertos e submissos. Aliás, o charme inebriante da batida de Braid e, mais adiante, das teclas do introspetivo R&B que alimenta o tema homónimo, dão-nos as mãos e conduzem-nos para um canto onde somos completamente seduzidos e dominados por um mundo onde estamos rodeados de biquinos curvilíneos e troncos delineados, um cenáro idílico para quem tem aquilo a que usualmente e duvidosamente chamam bom gosto e glamour.

Pool prossegue, quase sem darmos por isso e a cândura retro de Glow e a exuberância e majestosidade de Be Apart, conferida pelo modo como a guitarra e os sintetizadores se cruzam nesse tema, não permitem que vacilemos na demanda por um cruzar de olhares que será certamente fatal, mesmo que, logo depois e em oposição, o trompete descarado, a bateria empolgante e o piano com uma tonalidade mais nostálgica, reflexiva e introvertida de Shaver, nos faça acordar um pouco enquanto nos oferece esta eficaz oscilação e simbiose entre os dois mundos sonoros onde estes Porches se movem, com elevada  mestria, criatividade, heterogeneidade e confiança.

Não é possível deixar para trás Pool sem referir e enfatizar o modo como a voz de Maine dá relevo a tons mais agudos e a emoção que transborda, intensae efusiva em Shape, por exemplo, em pouco mais de trinta minutos que plasmam uns Porches a procurar um cada vez maior ecletismo e a tentar estabelecer um óbvio progresso relativamente à receita instrumental de outrora. Mais do que carisma e a explosão de sons, cores e versos marcantes, impressiona neste alinhamento o modo como os Porches exploram territórios menos imediatos e emotivamente mais intrincados e abrangentes e estes nova iorquinos parecem perceber que as grandes bandas atingem elevados patamares quando se reinventam-se permanentemente e exploram diferentes campos musicais. Espero que aprecies a sugestão...

Porches. - Pool

01. Underwater
02. Braid
03. Be Apart
04. Mood
05. Hour
06. Even The Shadow
07. Pool
08. Glow
09. Car
10. Shaver
11. Shape
12. Security


autor stipe07 às 21:31
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Sábado, 28 de Maio de 2016

Metronomy – Old Skool

Metronomy - Old Skool

Dois anos depois de Love Letters, os britânicos Metronomy de Joe Mount estão prestes a regressar aos discos com Summer 08, um álbum que irá ver a luz do dia já a um de julho e que será, certamente, um dos acontecimentos musicais do próximo verão.

Como o nome do tema indica, Old Skool, um dos avanços já divulgados de Summer 08, impressiona pelo clima retro proporcionado pelo funk da batida, um baixo bastante vigoroso e vários arranjos metálicos, aspectos que conferem à canção uma curiosa mescla entre indie rock, eletrónica e hip-hop, numa espécie de fusão entre Daft Punk e Beastie Boys, impressão ampliada por um sintetizador que obedece a uma lógica sonora próxima do chamado discosound, particularmente efusiva e que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade, num ambiente algo psicadélico e que apela claramente às pistas de dança. Confere...


autor stipe07 às 14:45
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

Mira, Un Lobo! - Heart Beats Slow

Esplendor, exuberância e sentimento, são adjetivos que me assaltaram com insistência o pensamento durante as várias audições de Heart Beats Slow, o refúgio sonoro lançado recentemente pela Tapete Records e criado pelo lisboeta Luís F. de Sousa, que assina a sua música como Mira, Un Lobo!. É um disco com dez canções que apostam as fichas todas na voz eclética do autor, conjugada com arranjos bastante melódicos, refrões simples e versos contundentes, uma estrutura inicial depois suportada por uma invulgar criatividade no manuseamento dos sintetizadores e que está explícita, por exemplo, na intensidade do trip hop de Newborn Killers, mas também por algumas cordas, elétricas e acústicas. É um compêndio sonoro de forte cariz fortemente ambiental, uma verdadeira espiral pop onde não falta também um marcante estilo percurssivo.

Sustentado por uma propensão certamente inata para a feliz sobreposição de várias camadas de sopros sintetizados, mas também inspirado no modo como é capaz de utilizar o simples dedilhar de uma viola para instigar Sliced Guitar, uma das melhores canções deste disco, em Heart Beats Slow Mira, Un Lobo! filtra tudo de modo bastante orgânico, amplo e rugoso, numa linha vincadamente experimental. São canções que se sustentam numa receita particularmente minimal, mas profunda e crua, que cria um universo fortemente cinematográfico e imersivo. A verdade é que parece haver momentos em que o autor toca submergido num mundo subterrâneo, de onde debita sons através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exala desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenhou. A tecla do piano que introduz Like Punching Glass é, por si só, um marco impressivo desta fórmula, mas Tramadol ou Serotonin também demonstram-no, dois temas que parecem ter vida própria, com os seus efeitos a parecer que foram esculpidos e debitados pela própria natureza. E logo depois, assistir ao modo como progride o edifício instrumental que anima Suffocation, obriga a um exercício exigente de percepção, mas que além de ser fortemente revelador é claramente recompensador.

A mesma receita, mas de modo ainda mais grandioso e hipnótico, repete-se em We're Not Far, canção que impressiona pela cândura inicial dos efeitos que manipulam a voz, que funciona e sussurra também como membro pleno do arsenal instrumental, mas que depois se desenvolve e simultaneamente nos envolve, numa espiral de sentimento e grandiosidade, patente também no no frenesim do sintetizador e numa bateria inebriante, não havendo, como se percebe, regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos.

De facto, este Mira, Un Lobo! é mais um bom exemplo de um músico capaz de ser genuíno no modo como manipula o sintético, de modo a dar-lhe vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos ou linhas melódicas dispersas em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Os constantes flashes metálicos projetados pelas teclas em várias direções criam um cenário idílico, não faltando, inclusive, no tema homónimo, uma deliciosa pitada psicadélica a escorrer por todos os seus poros, potenciando a incontestável beleza e coerência de um álbum que nos catapulta rumo a um universo invulgarmente empolgante e sensorial, que da eletrónica, à pop, passando pelo rock progressivo cria uma relação simbiótica bastante sedutora, um disco entalhado no ventre da terra mãe e de onde brotou para se tornar na banda sonora perfeita de um território tremendamente sensorial, assente numa arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande obra linda e inquietante. Espero que aprecies a sugestão...

1. Tramadol
2. Newborn Killers
3. Serotonin
4. Suffocation
5. Sliced Guitar
6. We're Not Far
7. Like Punching Glass
8. Spaceman
9. Heart Beats Slow
10. Introduction


autor stipe07 às 23:05
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Domingo, 22 de Maio de 2016

Glass Animals – Life Itself

Glass Animals - Life Itself

Depois de Zaba (2014), o disco de estreia, os britânicos Glass Animals vão regressar brevemente aos discos com How To Be A Human Being e Life Itself é o primeiro avanço divulgado do álbum. Esta canção é rica em detalhes e contém um groove muito genuíno, com uma atmosfera dançante, onde encaixa indie popfolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante. Confere...


autor stipe07 às 19:22
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