Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Zero 7 – Simple Science

Os britânicos Zero 7, um dos nomes fundamentais da eletrónica downtempo e da chillwave e que já não davam sinais de vida há quatro anos, desde Yeah Ghost (2009), além de um sete polegadas com dois temas editado no final do ano passado, estão de volta com um EP com quatro canções intitulado Simple Science, cujo lançamento está previsto para dezoito de agosto via Make Records. O respetivo tema homónimo conta com a voz do cantor australiano Danny Pratt.

Nesta canção, Sam Hardaker e Henry Binns mantêm a inflexão na sua sonoridade, agora mais virada para a pop e para o house, certamente com as pistas de dança ainda mais na mira. Este tema é um registo muito quente e a apelar à soul. Confere...

 

Zero 7 - Simple Science (Radio Edit)


autor stipe07 às 10:54
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Sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Say Hi – Endless Wonder

Say Hi é Eric Elbogen, um músico norte americano natural de Seattle e que faz música desde 2002. O seu disco mais recente é Endless Wonder, um trabalho que viu a luz do dia a dezassete de junho, por intermédio da Barsuk Records e já o oitavo da carreira de um artista que é capaz de, em poucos segundos, viajar do rock mais selvagem até à indie pop de cariz experimental, mas sempre com um ambiente sonoro certamente movido a muita testosterona.

Uma mescla de eletropop com sonoridades hard rock, onde não falta o rock setentista, o rock de garagem e o blues é a pedra de toque incial deste disco, já que Hurt In The Morning e Such A Drag, o single já retirado do disco, assentam num sintetizador melodicamente assertivo e num baixo bastante encorpado, além de guitarras plenas de groove e distorção. Critters abranda um pouco o ritmo mas a receita mantém-se, agora numa toada mais nostálgica e torna-se claro que Eric merece obter um reconhecimento verdadeiro e um estatuto forte no universo sonoro alternativo. Com uma década de carreira, o músico parece ter atingido o ponto mais alto de uma discografia com alguns momentos marcantes, apresentando agora novas nuances e um som mais experimental, que não parece ter sido planeado para as rádios e os estádios, mas que tem potencial para um elevado airplay.

Momentos como o groove que destila imensa soul de When I Think About You,  o baixo de Like Apples Like Pears, o efeito arrojado e a secção de metais de Figure It Out ou o sintetizador minimal que abre The Trouble With Youth e que depois desliza até ao krautrock, são outros quatro exemplos que mostram que Say Hi estará no apogeu do seu estado de maturidade e mais arrojado do que nunca, na sua viagem de fusão entre elementos particulares intrínsecos ao que de melhor ficou dos primórdios da pop, nos anos cinquenta, com o rock mais épico da década de oitenta e algumas das caraterísticas que definem o ADN da eletropop atual.

Indubitavelmente, Say Hi domina a fórmula correta, feita com guitarras energéticas, uma sintetizador indomável, efeitos subtis e melodias cativantes, para presentear quem o quiser ouvir com canções alegres, aditivas, profundas e luminosas. O disco também se torna viciante devido à voz fantástica de Eric, que atinge o apogeu interpretativo em Figure It Out, mas que ao longo do trabalho preenche verdadeiras pinturas sonoras que se colam facilmente aos nossos ouvidos e que nos obrigam a mover certas partes do nosso corpo. O que aqui temos é uma pop despretensiosa, que apenas pretende levar-nos a sorrir e a ficar leves e bem dispostos. Espero que aprecies a sugestão...

Say Hi - Endless Wonder

01. Hurt In The Morning
02. Such A Drag
03. Critters
04. When I Think About You
05. Like Apples Like Pears
06. Figure It Out
07. Clicks And Bangs
08. Sweat Like The Dew
09. Love Love Love
10. The Trouble With Youth


autor stipe07 às 21:15
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Quarta-feira, 16 de Julho de 2014

Moebius Story Leidecker - Snowghost Pieces

Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius são a força motriz de Moebius, que se agregou à dupla Tim Story e Jon Leidecker, para criar um projeto sonoro bastante curioso que editou recentemente Snowghost Pieces, gerado por uma miríade de artistas que conferiu ao disco uma visão sonora bastante heterogénea e abrangente da música eletrónica atual na sua faceta mais ambiental.

Snowghost Pieces são onze canções carregadas de detalhes e sons que, do mais comum ao mais bizarro, agregam-se e dão origem a peças sonoras bastante futuristas e que contrariam quem considera que a eletrónica ambiental é um estilo musical marcadamente minimal e pouco diversificado. De certo modo é como se  projeto quisesse reinventar o krautrock, dando-lhe uma toada mais ambiental e futurista, mas sem descurar o habitual rigor e rigidez que a junção de diferentes tiques criados pela faceta mais sintética da música exige, para queo resultado final seja coerente e audível de forma harmoniosa e comunicativa.  

À medida que as canções vão desfilando nos nossos ouvidos e se sente o seu enorme charme e a extrema capacidade de sedução que nos impele a ouvir o disco até ao final, vamos sendo presenteados com uma teia de sons eletrónicos e acústicos que nunca se abstraem da sua função essencial que é criar, dentro da amálgama concetual delineada, temas com uma forte componente melódica e que sejam diferentes partes de um todo, nada mais nada menos que sonoro harmonioso e construido com enorme mestria nos estúdios de Brett Allen, no estado de Montana.

A atmosfera intimista e até surreal do local onde gravaram, assim como todo o vasto arsenal tecnológico ao dispôr, terá tido certamente impacto no resultado final e na empatia que os músicos criaram entre si, a única explicação plausível para o entendimento do conteúdo tão intenso, firme e de elevada bitola qualitativa que é disponibilizado em Snowghost Pieces, um disco que, tendo em conta o espetro sonoro que abrange, só poderia ter sido lançado através da insuspeita Bureau B, uma das melhores etiquetas a nível mundial neste género musical.

1 Flathead (5:14)
2 Treadmill (4:27)
3 Cut Bank (5:27)
4 Fracture Fuss (7:34)
5 Yaak (5:19)
6 Olara (3:49)
7 Cliff Doze (4:20)
8 Whelmed (4:45)
9 Pinozeek (1;42)
10 Vex (10:37)
11 Defenestrate (5:00)


autor stipe07 às 13:33
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Terça-feira, 15 de Julho de 2014

Perfume Genius - Queen

É já a vinte e dois de setembro que chega aos escaparates Too Bright, o terceiro álbum de Perfume Genius, um dos discos mais aguardados do ano e que verá a luz do dia através da Matador Records.

O primeiro avanço de Too Bright, o novo álbum deste alter ego de Mike Hadreas, é Queen, um tema dominado por um potente sintetizador, épico, intenso e fortemente autobiográfico, já que aborda algumas fobias relacionadas com a homossexualidade.

Too Bright foi gravado com Adrian Utley, dos Portishead e conta também com a colaboração de John Parish em alguns temas. Confere...


autor stipe07 às 21:25
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Sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Glass Animals - Zaba

Depois de um EP homónimo lançado no passado dia dezasseis de Abril, os Glass Animals de Dave Bayley, Drew MacFarlane, Edmund Irwin-Singer e Joe Seaward estão de regresso aos discos com Zaba, o longa duração de estreia do grupo, editado no passado dia dez de junho pela Wolf Tone, a nova editora de Paul Epworth, um produtor responsável por alguns dos mais importantes lançamentos discográficos da pop britânica dos últimos anos (Adele, Bloc Party, Florence & The Machine) e já se rendeu aos encantos dos Glass Animals, sem dúvida, um dos projetos mais interessantes e inovadores que ouvi ultimamente.

Com uma sonoridade eletrónica algo minimal mas, ao mesmo tempo, rica em detalhes e com um groove muito genuíno, Black Mambo é o grande destaque deste disco, uma canção com uma atmosfera dançante, mas também muito introspetiva e sedutora. A audição deste single de Zaba acaba por ser um excelente tónico para a descoberta de onze magistrais canções onde encaixam indiefolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, detalhes sonoros reproduzidos quase sempre por sintetizadores inspirados e que parecem ter sempre uma função específica e que nos faz descobrir a complexidade do processo criativo dos Glass Animals à medida que vamos ouvindo este disco de forma viciante.

A forma como os Glass Animals conjugam este arsenal instrumental com harmonias vocais belíssimas, que se espraiam lentamente pelas canções e que se deizam afagar livremente pleos manto sonoro que as sustenta, cria a impressão que que os temas nasceram lentamente, como se tudo tivesse sido escrito e gravado ao longo de vários anos e artesanalmente.

Além do destaque já referido, há outros temas de Zaba que também merecem uma audição atenta; Há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade de Gooey e Pools, duas canções que abarcam os melhores detalhes da música eletrónica mais soturna e atmosférica e que, entre o insinuante e o sublime, nos fazem recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol e aos primórdios do trip-hop. E depois, Wyrd e, principalmente, Walla Walla sobrevivem algures entre a soul e a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, explícitos na prestação vocal e a climática e psicadélica, enquanto que Intruxx deixa-nos a sonhar com um novo mundo dominado por guitarras memoráveis e uma percussão intensa, cheia de ritmos tribais.

Sem grandes alaridos ou aspirações, Zaba são pouco mais de quarenta minutos assentes num ambiente sonoro intenso e emocionante, sem nunca deixar de lado a delicadeza, uma melancolia digital que enriquece aquele que é um dos grandes discos do início deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

Glass Animals - Zaba

01. Flip
02. Black Mambo
03. Pools
04. Gooey
05. Walla Walla
06. Intruxx
07. Hazey
08. Toes
09. Wyrd
10. Cocoa Hooves
11. Jdnt


autor stipe07 às 13:45
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Quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Balue - Quiet Dreamer

O verão está quase a chegar e apesar deste breve interregno, algo molhado, no bom tempo, apetece ouvir canções alegres e luminosas que criem o ambiente perfeito para o usufruto pleno destes dias quentes de verão. Natural do Novo México, o norte americano Eli Thomas é a mente criativa que dá vida ao projeto Balue, mais uma proposta da etiqueta Fleeting Youth Records e Quiet Dreamer, o seu longa duração de estreia, um álbum que viu a luz do dia a vinte e quatro de junho e disponível no bandcamp do músico.

Fecha os olhos, desce as escadas até à cave da tua alma, respira fundo, carrega no play e prepara-te para entrar em alguns dos teus sonhos, através da música, a melhor psicotropia que existe. Esta é das melhores descrições que me ocorre para Quiet Dreamer, obra sonora de um artista multifacetado e bastante criativo. Quiet Dreamer balança entre a luminosidade de uma voz única, com um encanto relaxante e atmosférico e a toada melódica criada por uma bateria eletrónica e guitarras e sintetizadores com uma sonoridade às vezes retro e outras futurista, mas que dão o tempero ideal às composições. Seja como for, Balue parece ser um músico apaixonado, aicma de tudo, pela mistura lo fi e sintetizada que definia a magia da pop de há trinta anos e ele pretende não só resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo atual, familiar e inovador ao mesmo tempo, de forma sóbria, coesa e acessível.
Charming Flow foi o primeiro single divulgado de Quiet Dreamer, uma canção com uma sonoridade tipicamente pop, assente numa voz um pouco lo fi e shoegaze, com aquele encanto retro, relaxante e atmosférico e uma intrumentalização assente numa bateria eletrónica e em guitarras e sintetizadores com o tempero ideal, ou seja, um fantástico aperitivo para um disco que acaba por replicar essa receita de forma particularmente feliz. Outros temas como Post Graduation, Grow Up e Trippin' At The Beach, seguem a fórmula, mas depois Balue ainda inflete por outros caminhos paralelos, durante a épica e melancólica God's Magic Circle e na climática Beaches Be Trippin, canção que mistura e herança fiel do surf rock com o melhor indie rock alternativo.
Quiet Dreamer é um daqueles discos que se ouve em frente à praia enquanto saboreamos uma esplanada virada para o pôr do sol. As canções têm algo de fresco e hipnótico, uma chillwave simples, bonita e dançável, nem que o façamos no nosso íntimo e para nós mesmos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:19
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Rauelsson - Vora (concerto de apresentação)

A Nariz Entupido, Associação Cultural, uma promotora de concertos sediada em Lisboa que pretende mostrar não só artistas de público fiel como também talentos emergentes, irá organizar, no próximo dia dezasseis de julho, o concerto de apresentação do álbum Vora de autoria de Rauelsson, de Raúl Pastor Medall, um projeto que se divide entre Portland, nos Estados Unidos e  Benicássim, na vizinha Espanha.

Será, de acordo com a promotora, uma noite que ficará gravada na memória dos amantes de música ambiental e que se estrutura em camadas oníricas de rara beleza. Vora é o novo registo que às matizes electrónicas acrescenta instrumento de eleição, o piano. Este trabalho tem recebido as críticas mais elogiosas da imprensa internacional da especialidade e está disponível abaixo para audição. Fica a sugestão....


autor stipe07 às 22:11
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Quarta-feira, 9 de Julho de 2014

Low Roar – 0

Low Roar é o projeto a solo de um músico chamado Ryan Karazija, que depois de alguns anos em São Francisco, na Califórnia, a tentar dar vida à banda Audrye Sessions, decidiu atravessar o Atlântico e instalar-se em Reiquiavique, capital da Islândia. Finalmente aí conseguiu o seu momento Cinderela, sendo o frio mas inspirador ambiente local o sapato onde a sua música conseguiu encaixar. Assim, a um de novembro de 2011, lançou o seu disco de estreia homónimo através da Tonequake Records e agora, dois anos e meio depois, já há sucessor; O, o sempre difícil segundo álbum de Low Roar, chegou aos escaparates no passado dia oito de julho, através da mesma etiqueta do primeiro.

Não sei se a culpa é do longo e rigoroso inverno, das paisagens rochosas, ou das águas das inúmeras nascentes que banham aquela ilha, mas há algo de incrível naquela atmosfera e que pelos vistos inspira decisivamente à criação musical. E depois de tantos anos de busca, parece que foi mesmo na Islândia que este artista introvertido mas cheio de talento, parece ter encontrado a sua redenção sonora.

0 utiliza os mesmos arranjos orquestrais e o clima místico de Low Roar, mas Ryan perdeu alguma da timidez inicial e agora surpreende-nos com um clima mais agressivo, aberto, ambiental e orquestral. Se Low Roar era um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orientava de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som, em 0 mantêm-se as harmonias magistrais e o disco pode ser também escutado com um único bloco de som, mas é dada uma maior liberdade e volume ao arsenal instrumental de que Low Roar se serve para recriar as treze canções de um disco invulgarmente longo, com canções intensas e que são certamente resultado de um período de intensa inspiração nas vida de Ryan.

Cada canção deste 0 é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina destas frias manhãs de inverno. A abertura do disco com Breathe In, coloca-nos imediatamente num universo místico ou imerso no mesmo plano gracioso que move um músico que gosta certamente de realizar um som totalmente bucólico, épico e melancólico, feito com a viola eo violino e que sirva de banda sonora para um mundo paralelo cheio de seres fantásticos e criaturas sobrenaturais, apesar dos diferentes ruídos que vão sendo adicionados parecerem ter sido extraídos do próprio subsolo desta ilha vulcânica o que projeta também na canção um som acizentado e urbano, mais terra a terra.

A guitarra liga-se à corrente em Easy Way Out e a melancolia instala-se em nosso redor, assim como o desejo profundo de contemplação dos nossos maiores medos, já que esta parece ser uma canão convidativa ao exercício de exorcização plena dos mesmos, principalmente quando a melodida se expande com a adição de instrumentos de sopro e uma bateria mais marcada que amplia o cariz épico do tema. Basta escutar-se a forma como ele conjuga a voz com os diferentes instrumentos de Nobody Loves Me Like You, o single do disco, para se ficar verdadiramente impressionado, não só com a musicalidade criada, mas também com a intemporalidade da mesma e a centelha criativa que a sustenta. Depois, I'll Keep Coming é comandada por um som sintetizado lúguebre e rugoso, que aliado às cordas e a uma percussão vincada, dá um tom fortemente eletrónico à canção e juntamente com os timbres de voz de Ryan, consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazendo dela mais um momento obrigatório de contemplar em 0. Esta fórmula algo minimalista mas extremamente eficaz, onde às cordas e à componente sintética vão sendo adicionados ruídos e pequenos sons num permanente crescendo, repete-se graciosamente em Please Don't Stop (Chapter I) e Please Don't Stop (Chapter II).

Esta sequência inicial acaba por ser o momento nevrálgico do álbum que, como se percebe, tem como um dos pontos fortes de Low Roar a  voz, que eleva-se ao máximo da beleza intemporal, num registo a fazer-me lembrar os melhores momentos de Thom Yorke em Numb ou Street Spirit (Fade Out) e a postura de Jónsi em Valtari, um dos trabalhos mais recentes dos Sigur Rós. Ryan é decididamente um especialista na criação de canções lacrimejantes e que transportam as nossas emoções para um estado emocional que pode parecer depressivo, à imagem dos conterrâneos islandeses, mas que acaba por ser libertador.

0 é um álbum com nuances variadas e harmonias magistrais, onde tudo se orienta de forma controlada, como se todos os instrumentos fossem agrupados num bloco único de som. Quando chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela, o que faz de 0 uma das grandes referências para os melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Low Roar - 0

01. Breathe In
02. Easy Way Out
03. Nobody Loves Me Like You
04. I’ll Keep Coming
05. Half Asleep
06. Please Don’t Stop (Chapter 1)
07. I’m Leaving
08. In The Morning
09. Phantoms
10. Anything You Need
11. Dreamer
12. Vampire On My Fridge
13. Please Don’t Stop (Chapter 2)


autor stipe07 às 22:06
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Circulatory System - Stars And Molecules

Circulatory System

2014 está a ser um ano excelente para os fãs dos Elephant Six. Além da digressão mundial com os Neutral Milk Hotel, Will Cullen Hart, o líder do grupo, prometeu que irá lançar novos trabalhos de outras duas bandas que integra, os Circulatory System e os Olivia Tremor Control.

Em relação aos primeiros, o novo trabalho chama-se Mosaics Within Mosaics e Stars And Molecules, uma canção que começa com um sinal rádio estático, ao qual se juntam vários arranjos sintetizados, guitarras melódicas e uma percurssão curiosa, é o mais recente single divulgado do disco. Confere...

 


autor stipe07 às 12:09
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

James – La Petite Mort

Depois de em 2008 terem surpreendido com o retorno aos lançamentos discográficos após um anunciado fim de carreira, com Hey Ma, os James de Tim Booth, Jim Glennie (baixo), Larry Gott (guitarra), Saul Davies (guitarra, violino), Mark Hunter (teclados), David Baynton-Power (bateria) e Andy Diagram (trompete), estão de regresso aos trabalhos de estúdio com La Petite Mort, o décimo terceiro longa duração deste coletivo britânico, natural de Manchester. La Petite Mort foi produzido por Max Dingel (The Killers, Muse, White Lies) e escrito em Manchester, Lisboa, Atenas e nas Highlands escocesas, tendo a morte da mãe de Tim Booth, uma referência importante da sua vida, servido de mote para o conteúdo lírico e emocional de dez canções que lidam com a mortalidade, mas sem aquele cariz fatalista e sombrio que frequentemente lhe é atribuido.

Conhecemos Tim Booth há três décadas, já o ouvimos cantar sobre imensas temáticas e muitos de nós apropriaram-se de vários dos seus poemas e canções para expressar sentimentos e enviar mensagens a pessoas queridas, mas é curioso começar a ouvir este disco e, logo em Walk Like You, escutarmos um Booth que declama com sentimento que ainda não o conhecemos verdadeiramente e que tem muito maisdentro de si para nos revelar. Percebe--se logo o cariz autobiográfico do disco e fica claro que o mesmo é uma forma honesta e sentida de exorcização de uma perca certamente traumática, mas que deve ser vivida, sustentada, acima de tudo, pelas boas memórias e recordações que o músico guarda dentro de si da mãe.

Nome maior da pop independente dos últimos 30 anos e detentores de mais de vinte singles que alcançaram o top britânico, os James testemunharam todos os movimentos musicais que foram aparecendo em Inglaterra e foram sempre uma alternativa credível, por exemplo, à britpop e seguem ainda firmes no seu caminho, iniciado quando na primeira metade da década de oitenta foram apontados como os candidatos maiores a dar sequência à herança inolvidável dos The Smiths.

Em La Petite Mort é procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível das guitarras que carimbam o ADN dos James com o indie rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das guitarras, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. A presença de Max Dingel na produção é o tiro certeiro nessa demanda, apesar de não ser justo descurar a herança que nomes como Gil Norton ou Brian Eno, figuras ilustres que já produziram discos dos James, ainda têm na sonoridade do grupo.

Este encaixe de novas tendências proorcionado por Max fica plasmado logo na já referida Walk Like You, uma canção onde os efeitos e os pianos ajudam as guitarras a fazer brilhar a voz vintage, mas ainda em excelente forma de Booth. Depois, Curse Curse está pronta para fazer vibrar grandes plateias, com os sintetizadores e o baixo, juntamente com a percurssão a conduzirem a canção. O rock alternativo dos anos noventa é o fio condutor de Moving OnGone Baby Gone exala U2 por todos os poros sonoros e Frozen Britain tem alguns detalhes que nos convidam a uma pequena e discreta visita às pistas de dança mais alternativas.

Uma das sequências mais interessantes de La Petite Mort é constituida pela balada Bitter Virtue, uma canção introspetiva e melancólica onde a voz de Booth assenta na perfeição, à qual se segue All In My Mind, o clássico tema orquestral conduzido pelo piano, com alguns detalhes das cordas e do trompete a darem à canção um clima romântico e sensível único e tipicamente James. A sequência termina com o mesmo piano, mas agora a tocar numa espécie de looping crescente, em Quicken The Dead, uma canção que é depois adornada por lindíssimos coros, pela mesma secção de sopro e por cordas implícitas mas deslumbrantes.

La Petite Mort chega ao ocaso com a sentida e confessional All I'm Saying e com a herança dos The Smiths vincada em Whistleblowers e, no fim, percebemos que acabámos de escutar um disco feito com bonitas melodias e cheio de detalhes que mostram que os James ainda estão em plena forma e conhecem a fórmula correta para continuar a deslumbrar-nos com o clássico indie rock harmonioso, vigoroso e singelo a que sempre nos habituaram, fazendo-nos inspirar fundo e suspirar de alívio porque, felizmente, há bandas que, pura e simplesmente, não desistem. Espero que aprecies a sugestão...

James - La Petite Mort

01. Walk Like You
02. Curse Curse
03. Moving On
04. Gone Baby Gone
05. Frozen Britain
06. Interrogation
07. Bitter Virtue
08. All In My Mind
09. Quicken The Dead
10. All I’m Saying


autor stipe07 às 21:21
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Alt-j - Left Hand Free

Depois de o trio birtânico alt-J ter anunciado que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie, divulgou o primeiro avanço, uma canção bastante atmosférica e introspetiva, chamada Hunger Of The Pine.

Agora, algumas semanas depois, já se conhece o segundo avanço de This Is All Yours. O tema chama-se Left Hand Free e assenta num corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. O novo disco dos alt-J irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious. Confere...


autor stipe07 às 14:24
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Domingo, 6 de Julho de 2014

Cold Cave – Full Cold Moon

O projeto Cold Cave liderado por Wesley Eisold, com a colaboração de Amy Lee está de regresso aos discos com Full Cold Moon, um disco lançado em nome próprio e que foi antecedido pelo lançamentos de vários singles já desde meados de 2013. Essa contínua antecipação do conteúdo deste novo trabalho dos Cold Cave fez com que o mesmo fosse aguardado com alguma expetativa, uma avalanche de composições avulsas que mostraram um concentrado de experiências capaz de repetir a mesma formatação sombria dos discos Love Comes Close (2009) e Cherish the Light Years (2011).

Na verdade, não sendo um disco tão sombrio como algumas das anteriores propostas deste projeto, Full Cold Moon divide-se entre essa subtileza experimental e uma certa busca de algo mais comercial e, para o conseguir, Wesley não deixa de apostar nas batidas velozes e nos efeitos assertivos dos sintetizadores, com o tema A Little Death To Laugh a não ser uma escolha inocente para aberura do disco, já que faz uma súmula significativa do conteúdo do restante alinhamento. A rápida e efervescente Young Orisoner Dreams Of Romance tem uma toada mais lo fi, com a distorção da guitarra e um efeito sintetizado futurista e suportarem a voz manipulada de Eisold. Esta canção prova que as guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso, continuam, vinte anos depois, a fazer escola. A instrumental Tristan Corbière já nos remete para um universo eletrónico mais experimental e depois Oceans With No End é rock sem complexos e complicações, concentrado com alguns detalhes típicos do indie rock alternativo dos anos noventa.

Com este início tão diversificado, acaba-se por perceber que os Cold Cave misturam a psicadelia, o rock e a eletrónica quase sempre numa toada lo fi e querem que degustemos uma belíssima caldeirada, feita com estas várias espécies sonoras. Seja como for, apesar das guitarras e do baixo estarem sempre presentes, a eletrónica é o fio condutor de todo o trabalho, quase sempre envolvida numa embalagem frenética, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que dá a Full Cold Moon uma atmosfera sombria e visceral.

É, em suma, uma míriade de sons que fluem livres de compromissos e com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termo entre o rock clássico, a eletrónica, o shoegaze e a psicadelia. Espero que aprecies a sugestão...

Cold Cave - Full Cold Moon

01. A Little Death To Laugh
02. Young Prisoner Dreams Of Romance
03. Tristan Corbiere
04. Oceans With No End
05. People Are Poison
06. Black Boots
07. Meaningful Life
08. God Made The World
09. Dandelion
10. Nausea, The Earth And Me
11. Don’t Blow Up The Moon
12. Beaten 1979

 


autor stipe07 às 23:35
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Sexta-feira, 4 de Julho de 2014

Helado Negro - I Krill You

Helado Negro

Helado Negro é um projeto liderado por Roberto Carlos Lange, um filho de emigrantes equatorianos radicado nos Estados Unidos e que também encabeça o projeto Ombre. Depois de no início de 2013 ter lançado Invisible Life, Helado Negro dedicou-se depois à compilação com Island Universe Story, um conjunto de vários EPs que contêm momentos mais experimentais do músico, ajudado por alguns convidados especiais.

Agora, já a dois de setembro, vai chegar aos escaparates Double Youth, o novo longa duração do músico, como é habitual através da Asthmatic Kitty e I Krill You é o primeiro avanço divulgado do álbum, um tema com forte pendor temperamental e com um ambiente feito com cor, sonho e sensualidade. Confere...


autor stipe07 às 18:30
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Sleep Party People – Floating

Os Sleep Party People são um projeto dinamarquês encabeçado e idealizado pelo músico, compositor e multi-instrumentista Brian Batz, natural de Copenhaga. Já tinha falado deste projeto há cerca de dois anos quando divulguei We Were Drifting On A Sad Song, o quarto EP do grupo, lançado a nove de abril de 2012. Agora, no passado dia dois de junho, chegou aos escaparates Floating, o terceiro longa duração dos Sleep Party People, uma banda que ao vivo, além de Brian Batz, conta com os contributos de Kaspar Kaae, Ask Bock, Rasmus Lindahl e Jacob Haubjerg.

Os Sleep Party People fazem uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Change In Time, a canção de abertura do álbum, In Another World e Floating Blood Of Mine, os três tremas que a voz de coelho entretanto divulgou, localizam-se entre o sono e o estado de consciência, ou seja, transportam-nos até aquele limbo matinal e intimista, mas Batz, um produtor cada vez mais maduro e assertivo, parece desta vez apostado em sair um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostar num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, que as guitarras de I See The Moon também apontam, adornadas pela belíssima voz de Lisa Light, a vocalista dos The Lovemakers.

Se estas quatro canções, por si só, já justificam uma audição dedicada de Floating, há outros temas que merecem destaque, nomeadamente I See The Sun, Harold, aquela em que Batz mais se afasta da sua habitual zona de conforto, em oposição a Only a Shadow, um momento em que os pianos caberiam exemplarmente no alinhamento de We Were Drifting On A Sad Song.

Ouvir Floating é, em suma, apreciar um conjunto de nove canções que transmite todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. A Stranger Among Us, a melhor música do álbum, vem descortinar isso mesmo. Estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, mais uma vez, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, mas agora com melodias que exploram uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente o invade. A melancolia continua nas notas do piano e do violino, mas a bateria e os sintetizadores deixam uma marca mais profunda em canções que parecem feitas para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Floating serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Floating

01. Change In Time
02. Floating Blood Of Mine
03. A Stranger Among Us
04. In Another World
05. Death Is The Future
06. I See The Sun, Harold
07. I See The Moon
08. Only A Shadow
09. Scattered Glass


autor stipe07 às 20:54
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Philip Selway - Coming Up For Air

Weatherhouse

Weatherhouse, o novo disco de Philip Selway, o baterista dos Radiohead, chega às lojas a sete de outubro através da Bella Union, um disco que sucede a Familial, o disco de estreia do músico, lançado há cerca de três anos.

Coming Up For Air é o primeiro single conhecido de Weatherhouse, uma canção que poderia muito bem ter sido escrita por Thom Yorke e que impressiona pelo falsete e pela atmosfera criada por alguns efeitos hipnóticos e uma tensão rítmica contínua, aspetos que ajudam a cimentar a ideia de que as contribuições de Selway para os Radiohead deevriam ter uma maior efetividade na sonoridade da banda e nunca serem menosprezadas. Confere...

 


autor stipe07 às 16:55
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Terça-feira, 24 de Junho de 2014

Zola Jesus - Dangerous Days

Zola Jesus

Desde que Zola Jesus publicou um trailer relacionado com Taiga, o seu novo álbum, era aguardada com expetativa a divulgação do primeiro avanço desse disco. Esse momento finalmente chegou com Dangerous Days, uma fantástica canção que podes obter gratuitamente no website de Zola Jesus em troca de um endereço de email. Taiga chega ao mercado a sete de outubro, através da Mute Records. Confere...


autor stipe07 às 12:02
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Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Music Go Music - Night After Night

Oriundos de Los Angeles, os norte americanos Music Go Music são um excitante trio formado Gala Bell, Kamer Maza e Torg, que vai lançar já em outubro Impressions, o novo trabalho da banda, através da Secretly Canadian.

Acabado de divulgar e disponibilizado gratuitamente pelos Music Go Music, o single Nite After Nite é um avanço promissor relativamente ao conteúdo desse álbum, um tema predominantemente sintético, mas feito de alegria e com sabor a Verão, divertido, dançante e que resgata todo o espírito dos setentas e dos oitentas , com um certo travo à soul típica da motown, mas com corpo de século XXI. Confere...


autor stipe07 às 13:27
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Alt-j - Hunger of the Pine

Alt-J - "Hunger Of The Pine"

A semana passada o trio birtânico alt-J anunciou que This Is All Yours será o sucessor de muito aclamado An Awesome Wave, o disco que lançou este projeto para as luzes da ribalta do cenário musical indie. Agora acaba de ser divulgado o primeiro avanço deste novo disco dos alt-J, que irá ver a luz do dia a vinte e três de setembro, através da Canvasback/Infectious.

Hunger Of The Pine é uma canção bastante atmosférica e introspetiva, um corpo eletrónico que também usa a voz como camada sonora e que, passando pela chillwave e a eletrónica ambiental, impressiona pela atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica que transporta. Um sample de I'm Female Rebel, de Miley Cyrus, é uma das surpresas desta canção que antecipa aquele que ainda virá a tempo de ser um dos discos do ano. Confere...


autor stipe07 às 13:09
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2014

Kishi Bashi – Lighght

 

Lançado no passado dia treze de maio, Lighght é o novo disco de Kishi Bashi, um multi-intrumentista de Athens, na Georgia e colaborador de nomes tão conhecidos como Regina Spektor e os Of Montreal e que se aventurou a solo em 2012 pela mão da Joyful Noise, com 151a, disco que era um enorme e generoso festim de alegria e descomprometimento, tal como acontece com este sucessor que viu a luz do dia por intermédio da mesma etiqueta.

Kaoru Ishibashi é o verdadeiro nome de um artista de ascendência japonesa, que começou a chamar a atenção em 2011, com apresentações surpreendentes, onde cantava e tocava violino e acrescentava uma caixa de batidas e sintetizadores, agregando novos e diferentes elementos e fazendo incursões em diversas sonoridades. Conhecido pela sua profunda veia inventiva, Kishi Bashi aposta num micro género da pop, uma espécie de ramificação barroca ou orquestral desse género musical, uma variante que vive em função de violinos, de arranjos claramente pomposos e cheios de luz e de vozes cristalinas, com o falsete a ser uma opção óbvia e constante.

O violino é mesmo o fio condutor de Lighght e a introdutória Debut – Impromptu e o single Philosophize In It! Chemicalize With It!, abrem o disco de forma a que ninguém tenha a mínima dúvida acerca de qual é o instrumento predileto de Bashi. Mas não é só da folk orgânica que o violino propicia que este trabalho vive e as batidas de The Ballad Of Mr. Steak e a melodia épica e exuberante de Carry on Phenomenon, mostram um Bashi impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos pôr a dançar. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, como na dupla Hahaha e In Fantasia, não há lugar para a amargura e o sofrimento.

A música de Kishi Bashi tem muita da universalidade própria daquelas canções que aparecem em anúncios comerciais e que servem, por isso mesmo, para passar mensagens positivas e sedutoras e este músico acaba por ser exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável e também influenciado pela música árabe e oriental. Assim, Lighght contém belos momentos com vocalizações e dedilhados de instrumentos variados que preenchem o som impecavelmente. Mas o músico também experimenta gravações ao avesso e arranjos etéreos, com tiques de new age, dando a cada uma das onze músicas uma sonoridade diferente e onde coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.

A audição deste disco faz-nos sentir que estamos a degustar a própria música, como se cada garfada que damos na canção nos fizesse sentir todos os elementos de textura, cheiros e sabores da mesma. Salvo uma ou outra excepção, a pop barroca de Lighght transmite a sensação de que os dias bons estão aqui para durar e que nada de mal pode acontecer enquanto se escuta todo este otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. Este álbum impressiona pela forma como foi concebido, com tanto cuidado e criatividade, sustenta uma aura de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que Kishi Bashi é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

Kishi Bashi - Lighght

01. Debut – Impromptu
02. Philosophize In It! Chemicalize With It!
03. The Ballad Of Mr. Steak
04. Carry on Phenomenon
05. Bittersweet Genesis For Him AND Her
06. Impromptu No 1
07. Q&A
08. Once Upon A Lucid Dream (In Afrikaans)
09. Hahaha Pt. 1
10. Hahaha Pt. 2
11. In Fantasia

 


autor stipe07 às 21:45
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Sábado, 14 de Junho de 2014

Elephant – Sky Swimming

Os Elephant são uma dupla oriunda de Londres e formada pela francesa Amelia Rivas e por Christian Pinchbeck. Conheceram-se em maio de 2010 e tiveram um 2011 bastante profícuo; Depois de em janeiro terem lançado o EP ants-wolf-cry e em julho allured-actors, em novembro deram a conhecer um terceiro EP, intitulado Assembly, sempre através da Memphis Industries. Agora, três anos depois, chegou aos escaparates Sky Swimming, o primeiro longa duração da dupla.

A sonoridade dos Elephant assenta numa pop etérea e lo-fi e são fortemente influenciados pelo hip-hop francês e pela eletrónica dos anos oitenta. Em qualquer um dos três EPs há uma batida que se vai arrastando um pouco atrás da voz de Rivas e camadas sintetizadas que vão sendo acrescentadas, o que cria um clima sombrio, melancólico e de certa forma até mágico. Fica-se muitas vezes com a sensação estranha que o silêncio é a força motriz das canções, o elemento propulsor das mesmas e que nelas se inclui e as sustenta e ao redor do qual os músicos vão acrescentando vários elementos sonoros, muitas vezes só perceptíveis numa posterior audição.

De Beach House a Mazzy Star e passando por Zola Jesus, os Elephant são requintados, minimalistas e cosmopolitas e combinam todo o encanto da Paris das passadeiras vermelhas com uma fragilidade cândida, futurista e atmosférica, feita com guitarras estridentes e um piano delicado. Estão no momento ideal para, com este disco de estreia, cimentar um lugar de relevo no cenário indie da actualidade. Os três EPs estão disponíveis para download gratuito no bandcamp dos Elephant. Espero que aprecies a sugestão...

Elephant - Sky Swimming

01. Assembly
02. Skyscraper
03. Allured
04. Ants
05. Elusive Youth
06. Shipwrecked
07. Torn Tongues
08. Come To Me
09. TV Dinner
10. Sky Swimming
11. Golden
12. Shapeshifter


autor stipe07 às 15:33
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

The Pains Of Being Pure At Heart – Days Of Abandon

Depois do homónimo registo de estreia edtiado em 2009 e do aclamado sucessor, Belong, lançado dois anos depois, a mesma fórmula assertiva que propõe verdadeiros tratados de indie pop açucarada, épica e cheia de luz, é a pedra de toque que sustenta o alinhamento de Days Of Abandon, o novo disco do projeto The Pains Of Being Pure At Heart, de Kip Berman e que, segundo o próprio, é um disco alegre e cheio de luz, apesar de, em determinadas canções, abordar temas sombrios e menos otimistas, com o lado mais complicado do amor e as experiências típicas de jovens adultos a serem o pão que sustenta versos confessionais que crescem em cima de massas acolhedoras de ruídos.

Oriundo de Nova Iorque, Berman consegue realmente ser um prodígio na criação de canções que estando envolvidas por um embrulho melódico animado, debruçam-se sobre sentimentos plasmados em letras às vezes amarguradas, um pouco à imagem da dicotomia e deste contraste agridoce de uma cidade que nunca dorme, mas que, apesar dessa constante animação, também é conhecida por albergar histórias de vida trágicas e por nem sempre corresponder aos desejos de quem aí procura o sonho americano.

Com uma mão na indie pop e a outra no noise e no shoegaze vintage, reinventado com particular mestria há uns trinta anos, The Pains Of Being Pure At Heart debruça-se sobre a melancolia e a nostalgia com canções cheias de ritmo e de audição simples, daquelas que provocam um inevitável sorriso, mesmo em quem vive momentos de menor predisposição para apreciar música alegre, com ritmo e luz. Kelly, uma canção que carrega consigo a herança dos The Smiths e Eurydice são dois temas que nos fazem abanar a anca quase sem nos apercebermos e que nos arrancam um sorriso que será sempre espontâneo.

Impecavelmente produzido, Days Of Abandon impressiona pela limpidez e pela forma divertida como Berman apresenta um novo conjunto de referências e propôe uma estética sonora livre de complicações e arranjos desnecessários. É uma espécie se som pop instantâneo, daquele que se coloca no leitor e basta clicar play, sem adicionar mais ingredientes â mente que a possiblitem absorver com detalhe e nitidez um alinhamento de dez canções que não distorcem em nada a herança que o projeto deixou nos dois discos anteriores e que são uma doce exaltação da dream pop que caminha de mãos dadas com a psicadelia e até com um certo experimentalismo, que temas como Simple and Sure ou A Teenager In love claramente demonstram.

Days Of Abandon começa e termina em poucos instantes, quase sem darmos por isso. E, pelo meio, passaram cerca de quarenta minutos cheios de boas melodias e de confissões (The Asp In My Chest), memórias que The Pains Of Being Pure At Heart foi armazenando num espaço familiar e doce, transformado em disco por um dos vocalistas e guitarristas mais interessantes e promissores do cenário indie e alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão... 

The Pains Of Being Pure At Heart - Days Of Abandon

01. Art Smock
02. Simple And Sure
03. Kelly
04. Beautiful You
05. Coral And Gold
06. Eurydice
07. Masokissed
08. Until The Sun Explodes
09. Life After Life
10. The Asp At My Chest

 


autor stipe07 às 17:51
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Yalls - United

Editado no passado dia seis de maio através da Gold Robot Records, United é o primeiro álbum do produtor Dan Casey, aka Yalls, um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Berkeley, na Califórnia, acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. 

Um dos melhores elogios que se pode começar por fazer a este disco é, após a audição, ter sido notória a perceção que Casey não tem uma especial preocupação por construir os temas com rigidez e com uma certa formatação, ou seja, o experimentalismo e a sensação de descartável não são envergonhados. Mas não é propriamente correto supor que o compositor não procura ser sério e minimamente coerente quando cria as suas canções, quase sempre carregadas de sentimentos melancólicos, até porque as criações deste produtor estão abrigadas por uma instrumentação sofisticada e simultaneamente com algo de retro e futurista, que nos colocam num ambiente que pode ir da pista de dança ao mais aconchegante sofá da divisão mais isolada e tranquila de nossa casa.

Logo na abertura, com a instrumental Safe Soundsz e, mais adiante, em Cooking e Butterfalls, percebe-se o forte cariz sintético da música de Yalls e mesmo quando a voz chega, em High Society, a mesma parece ser apenas mais um instrumento de que Casey se serve para alicerçar tudo aquilo que a sua imaginação lhe dita.

Sendo o disco dominado, na sua essência, por uma pop sintetizada de forte cariz eletrónico, é interessante perceber-se que há um piscar de olhos a outros espetros sonoros. Há uma certa tropicalidade em Warlords e no groove funky de DC, uma canção disponível para download na página do artista e músicas como Fresh Party ou Like a Foll são exemplos perfeitos para nos trasnportar aos dois mundos opostos citados acima e atestam, em conjunto, a enorme maturidade e confiança que parece definir a mente de Yalls, um músico que aprecia a combinação e a experimentação e fazer espraiar um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos, sem nunca se entregar ao exagero.

Algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, do funk e até do hip hop, as músicas de United são construídas sobre camadas de efeitos e uma percussão cheia de variações e diferentes instrumentos, detalhes que provam que cada componente das treze músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. United é um álbum inovador, atual, o terreno onde Yalls testou sonoridades e experimentações, certamente sem ter tido o receio de ser apontado ou de o acharem uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

Safe Soundsz
Leak On
High Society
DC
Fresh Part
Terrain
Warlords
Cooking
Unite
Butterfalls
Like A Fool
Finalized
Psychic Retreat (Digital Only Bonus Track)


autor stipe07 às 21:40
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Sinkane - Hold Tight

Mean Love

 

Ahmed Gallab é Sinkane, um compositor oriundo de uma família de professores universitários e músicos do Sudão e que desembarcou nos Estados Unidos da América em 1989 como refugiado político. Cresceu no Ohio a ouvir punkreggae, música eletronica e sons típicos da sua terra natal. Entretanto mudou-se para Brooklyn, em Nova Iorque, já tocou com os Of Montreal, Yeasayer, Caribou e lançou a vinte e três de outubro de 2012, por intermédio da DFA de James Murphy, Mars, um dos álbuns desse ano.

Dois anos depois, vai chegar no início de setembro aos escaparates o sucessor, também por intermédio da DFA nos Estados Unidos e da City Slang na Europa. O novo trabalho de Sinkane chama-se Mean Love e Hold Tight, o primeiro avanço, é um paraíso soul em todos os sentidos, uma canção com uma sonoridade universal, dançante e, ao mesmo tempo, íntima e suave e que aproxima o sudanês do R&B. Como acontece sempre, Gallab toca quase todos os instrumentos e não se fez rogado no uso de efeitos, quer nas batidas, quer nas guitarras. Confere...


autor stipe07 às 19:46
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Terça-feira, 10 de Junho de 2014

Bear In Heaven - Time Between

Os Bear In Heaven, um grupo norte americano natural de Brooklyn, na big apple e encabeçado por Jon Philpot desde a sua fundação, em 2003, lançaram há pouco mais de dois anos I Love You, It’s Cool, o sucessor de Beast Rest Forth Mouth, um trabalho lançado em 2009.

Este trio tem alcançado o distinto resultado que apresenta hoje, depois de uma série de experiências e um variado jogo de referências acumuladas. Por isso, no regresso aos discos daqui a algumas semanas com Time Is Over One Day Old, eles transpiram em Time Between, o primeiro avanço do álbum, as mais diversificadas escolas musicais formadas ao longo das últimas décadas, numa canção com referências diretas ao movimento krautrock, doses imoderadas de psicadelia e um acerto com a música eletrônica que suporta toda uma estrutura melódica que faz com que esta canção augure a chegada de um grande disco, a cinco de agosto, através da Dead Oceans.

 


autor stipe07 às 14:03
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2014

Fujiya And Miyagi – Artificial Sweeteners

Os britânicos Fujiya & Miyagi não editavam nenhum disco desde Ventriloquizzing, um trabalho que chegou às lojas em janeiro de 2011, mas finalmente, acabam de juntar em 2014 mais um longa duração ao seu cardápio sonoro, um registo chamado Artificial Sweeteners, que viu a luz do dia no início de maio, através do selo Yep Roc Records.

A apostarem numa relação estreita entre o krautrock inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da pop movida a sintetizadores, os Fujiya & Miyagi parecem, ao quinto disco, querer começar a apresentar uma estética sonora cada vez mais próxima do house e dos ritmos eletrónicos que abraçaram logo em 2003, quando Steve Lewis e David Best, os membros iniciais do projeto que integrava o conceito de Fujiya (uma marca de equipamentos de som) e Miyagi (o mentor de Daniel-San em Karate Kid), se estrearam nestas andanças.

Atualmente já com Steve Lewis e Lee Adams no alinhamento do grupo, além de Lewis e Best, os Fujiya & Miyagi continuam a construir uma interessante discografia pop, animada por novas eletrónicas, mas num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos, algo que Flaws, o single de abertura de Artificial Sweeteners, plasma claramente ao remeter-nos para a sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order e Acid To My Alkalyne eleva, através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best e o groove de uma guitarra.

A instrumental Rayleigh Scattering já nos remete para a eletrónica alemã, assim como as vozes repetidas e algo robóticas do tema homónimo que, apesar de uma declarada essência vintage, acabam por encontrar eco em muitas propostas indie atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências. Até ao final há ainda que destacar a elegância do groove e do ritmo de Little Stabs Of Happiness e os teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens comtemplativas no instrumental Tetrahydrofolic Acid. Esse é um excelente mote para escutarmos depois Daggers, o meu tema preferido do registo, devido ao jogo que se estabelece entre o baixo e as guitarras no meio das batidas que suportam o ritmo da canção. Vagaries Of Fashion lembra novamente a herança dos Pet Shop Boys e depois o disco termina em beleza com a lindíssima voz que se escuta em A Sea Ringed With Visions, numa canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega.

Artificial Sweeteners é uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções pop bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou mais um alinhamento consistente, carregado de referências assertivas e que consitui mais uma marco no percurso deste projeto essencial do panorama da eletrónica do séxculo XXI. Espero que aprecies a sugestão...

Fujiya And Miyagi - Artificial Sweeteners

01. Flaws
02. Acid To My Alkaline
03. Rayleigh Scattering
04. Artificial Sweeteners
05. Little Stabs At Happiness
06. Tetrahydrofolic Acid
07. Daggers
08. Vagaries Of Fashion


autor stipe07 às 21:31
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