Sexta-feira, 20 de Março de 2015

Hot Chip – Huarache Lights

Hot Chip - Huarache Lights

Primeiro single de Why Make Sense?, o sexto álbum dos britânicos Hot Chip, Huarache Lights é um regresso em pleno à eletrónica desta banda atualmente formada por Felix Martin, Al Doyle, Owen Clarke, Alexis Taylor e Joe Goddard e que desde 2004 tem estado em atividade permanente, publicando discos com uma cadência bastante interessante.

Três anos depois do excelente In Our Heads (2012) e com espaço aberto para trabalhos a solo por grande parte do coletivo, Why Make Sense? é aguardado com grande expetativa e esta primeira amostra das dez canções que compôem o alinhamento parece seguir uma abordagem diferente em relação ao último projeto da banda com a convivência harmoniosa entre uma toada disco e a eletrónica mais ambiental a ser uma permissa obrigatória, assim como a opção por  arranjos de cariz algo nostálgico.

Why Make Sense? vê a luz do dia a dezoito de maio pela mão da Domino Recordings e vai estar disponível numa edição especial que inclui um EP chamado Separate. Confere...

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autor stipe07 às 15:00
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Kodak To Graph - ISA

Depois de em agosto de 2013 Mikey Maleki ter andado a editar uma canção por mês, numa longa e bonita jornada que resultou na compilação 2013 Monthly Singles, disponivel para audição e download e que fui dando conta, por cá, durante esse ano, este músico e produtor norte americano de origens iranianas oriundo de Pensacola, na Flórida, atualmente a residir em Los Angeles e que assina a sua música como Kodak To Graph, começou 2015 a participar ativamente na gravação de Oldies, um trabalho também disponivel gratuitamente e que plasma eletrificantes experimentações sonoras. Agora, a dez de março, chegou, finalmente, o seu longa duração de estreia, um disco chamado ISA, também possivel de ser obtido gratuitamente e que é uma verdadeira jornada emotiva e emocional pelos pensamentos, experiências e momentos que se revelaram significativos para o autor nos últimos temps e que o transformaram no músico e pessoa que é hoje.

Maleki sempre gostou de gravar e depois reproduzir sinteticamente sons reais, que capta ao seu redor e que tanto podem ser relacionados com a natureza, nomeadamente o chilrear de aves ou os galhos que se quebram durante um passeio pela floresta, como sons mais citadinos e que reproduzem ruídos habituais num ambiente citadino. Desolation Wilderness é um bom tema para se perceber de que modo funciona esta imagem de marca de Kodak to Graph e igualmente bastante presente no restante alinhamento de ISA. O autor confessa cultivar esse gosto com método porque acha que a inserção desses arranjos nas melodias enriquece-as e funciona, de certa forma, como a componente lírica das suas canções, geralmente instrumentais, dando-lhes uma clara sensação de narrativa e ampliando o propósito que elas têm, que é o de contar histórias concretas e com vida, mesmo que não contenham letras e uma voz que as replique de modo entendível. Quando a voz surge nas canções de Maleki é quase sempre modificada e samplada, funcionando como mais um detalhe sonoro ou outro dos instrumentos que deambulam pelas composições. Los Angeles, tema de tributo à cidade que recentemente acolheu este músico, é um notável exemplo do modo como Maleki utiliza a voz como mero recurso sonoro, no meio de outros detalhes e sons que facilmente nos colocam no meio da movimentada South Vermont rumo a Beverly Hills.

A música de Kodak To Graph exala imenso uma sensação de convite frequente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e este produtor não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Belong, o tema de abertura, a surpreender desde logo pelo cariz pop claramente urbano, proporcionado por uma eletrónica manipulada com mestria, não só no modo como o cruza o trompete com a melodia, mas também pelo realce que alguns metais usufruem em determinados momentos da canção. Belong liga-se com Floating através de uma batida minimal que depois parece submergir num mundo aquático e, por isso, sonoramente mais denso e pastoso e se esta conexão entre canções acentua o tal espírito de narrativa sequencial que domina ISA, a opção por arranjos, detalhes, ruídos e métodos de manipulação sonora que se interligam com o título das canções, além de nos fazerem perceber as diversas variáveis que Mike introduz no sintetizador para transmitir uma sensação intrincada e fortemente espiritual. Na verdade, ISA transborda um ideal de leveza e cor constantes, como se o disco transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, apesar de, felizmente, serem agora menos frios e sombrios, permitindo-nos escutar uma música bastante sensorial, que parece ter textura, cheiro e flutuações térmicas condizentes com o ritmo, a batida ou o borbulhar de determinados detalhes, aquáticos ou terrenos que facilmente se identificam e que são passíveis de serem confrontados com aspetos reais e palpáveis do meio que nos rodeia. Se a sensibilidade emotiva, minimal e arrepiante de Glaciaa nos obriga a vestir um agasalho bem quente enquanto sobrevoamos os pólos, as já citadas Los Angeles e Belong retratam uma América multicultural e cosmopolita que acolheu e inspira Maleki.

Rico e arrojado e apontando em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, ISA tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor eletrónica contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, oferecer música que se sente e que se vê, englobando diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, que podem passar pelo trip hop, a chillwave, o hip hop ou o R&B num pacote que conta histórias que as máquinas de Maleki sabem, melhor do que ninguém, como reporduzir e encaixar. Este é um álbum para ser escutado, visto e sentido, recheado de paisagens sonoras bastante diversificadas, mas de algum modo descomplicadas e acessíveis e que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 19:14
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Quarta-feira, 11 de Março de 2015

Tame Impala - Let It Happen

Tame Impala Share

Os australianos Tame Impala de Kevin Parker acabam de divulgar e disponibilizar gratuitamente Let It Happen, o primeiro avanço para o sucessor de Lonerism, um novo trabalho ainda sem nome e data de edição concreta, apesar de ser claro que o novo álbum deste coletivo de Perth vai ver a luz do dia ainda em 2015.

Let It Happen são oito minutos que confirmam uns Tame Impala menos dependentes das guitarras e a chamarem os sintetizadores para plano de maior destaque, mas sem deixarem de lado a sua típica groove viajante, mantendo-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Ao mesmo tempo que os Tame Impala disponibilizaram este tema, divulgaram o alinhamento de uma digressão norte americana e será possível também vê-los em Portugal este ano, pois já estão confirmados no Festival Vodafone Paredes de Coura. Confere...

 


autor stipe07 às 12:53
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Domingo, 8 de Março de 2015

Astari Nite - Anonymous

Depois de a vinte e três de janeiro de 2014 os Astari Nite terem editado Stereo Waltz, um trabalho produzido por Steve Thompson, esta banda norte americana de Miami, na Flórida, formada por Mychael Ghost (voz), Illia Tulloch (bateria), Michael Setton (guitarra) e M. Sallons (baixo), está de regresso com Anonymous, um EP de quatro canções, desta vez produzido por Josh Rohe e que assenta num som progressivo com tonalidades típicas do rock mais gótico, em detrimento de uma eletrónica cheia de tiques da darkwave, até hoje a atmosfera sonora mais habitual nos Astari Nite.

Os sintetizadores, as guitarras cheias de distorção, o baixo vigoroso e uma percussão vibrante, assim como a toada emotiva do registo vocal de Mychael conduzem os temas de Anonymous e dão-lhes aquela tonalidade retro que nos faz recuar até aos anos oitenta.

De tonalidades mais pop, expressas no single The Boy Who Tried até ao clima épico de Considered The Thought, ou o indie rock mais clássico de Epilogue e de Beautiful Vacancy, há uma constante sensação vintage, uma vibração que nos faz viajar entre o nostágico e o contemporâneo e que parece conseguir caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta.

Anonymous é um EP obrigatório para os apreciadores do rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico como, ao mesmo tempo, encontra raízes numa espécie de hardcore eletrónico e luminoso. Este trabalho demonstra igualmente a capacidade eclética dos Astari Nite em compôr boas letras e oferecer-lhes alguns dos melhores efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do indie punk vintage mais sombrio. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:13
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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

Public Service Broadcasting – The Race For Space

Fundados em Londres em 2009, os Public Service Broadcasting são a banda de J. Willgoose e Wrigglesworth, uma dupla com vários EPs no cardápio, dos quais se destacam War Room (2012)  e já com um extraordinário longa duração intitulado Inform – Educate – Entertain, o álbum de estreia, que chegou aos escaparates, por intermédio da Test Car Recordings, há cerca de dois anos e foi justamente considerado um dos trabalhos discográficos mais originais e peculiares desse ano, devido ao conceito único que albergava, o de cruzar narrações de filmes antigos de propaganda dos arquivos do BFI (British Film Institute) com música. A ideia era ensinar lições do passado com música do futuro, sendo esta, desde a estreia, a imagem de marca dos Public Service Broadcasting.

No sucessor, The Race For Space, o conceito mantém-se, com os Public Service Broadcasting a avançar entre uma a duas décadas até ao início da corrida ao espaço, nomeadamente no período de 1957 a 1972 e a vasculharem de novo nos arquivos do BFI para juntarem samples e trechos de vozes utilizadas pelas agências especiais russa e norte americana, nos projetos Soyuz e Apollo.

Com momentos instrumentais extraordinários, que assentam nos riffs de guitarra viscerais de Willgoose e em batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados para o krautrock, a peculiar e distinta receita de The Race for Space acaba por ser eficaz e logo no tema homónimo de abertura, quer a fórmula descrita acima, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras.

A partir daí, não há como ficar indiferente à batida sintética kraftwerkiana que sustenta a eletrónica retro de Sputnik, presente novamente, adiante, em The Other Side, aos vestígios de vocalizações hip-hop na inebriante Go! e também a um certo folk rock fornecido por uma linha de guitarra em Valentina - Smoke Fairies, com a particularidade de misturar-se com teclados atmosféricos que proporcionam um belo instante sonoro que propicia uma reentrada suave na atmosfera. No entanto, a hipnótica e pulsante Tomorrow e a luminosa Gagarinfeita com um intenso rock progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques do disco, com E.V.A., por exemplo, a ser suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.

A audição de The Race For Space acaba por não ser apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco pop, mas uma experiência mais alargada, visual e sonora, já que o álbum poderia muito bem ser um documentário sobre um dos períodos mais interessantes do pós guerra, no século passado e também um dos mais perigosos para a humanidade, que nunca foi tão posta à prova como em determinados períodos dessa competição desenfreada pela conquista dos céus, movida a energia nuclear. Já agora, os próprios videos já feitos dos singles retirados de The Race For Space seguem esta fórmula porque se servem de excertos dos filmes antigos narrados durante a canção.

Com The Race For Space os Public Service Broadcasting confirmam o seu papel de gurús do post rock experimental, através de um compêndio sonoro que nos leva numa jornada pelo passado e que cumpre com distinção a missão de cruzar história, música pop, educação e entretenimento. Espero que aprecies a sugestão...

Public Service Broadcasting - The Race For Space

01. The Race For Space
02. Sputnik
03. Gagarin
04. Fire In The Cockpit
05. E.V.A.
06. The Other Side
07. Valentina
08. Go!
09. Tomorrow


autor stipe07 às 21:24
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Quinta-feira, 5 de Março de 2015

Tanlines - Slipping Away

Tanlines – “Slipping Away”

Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os Tanlines são Jesse Cohen e Eric Emm, uma dupla que se distinguiu em 2012 com Mixed Emotions, um extraordinário disco de estreia que já tem, finalmente, sucessor anunciado. Chega a dezanove de maio aos ecaparates, por intermédio da True Panther SoundsHighlights o novo trabalho de um projeto que impressiona pela pop experimental que sugere e que mistura sintetizadores e a eletrónica com uma base de percussão sempre vibrante, muitas vezes a piscar o olho ao chamado afrobeat, numa espécie de indietrónica, adornada com alguns dos habituais detalhes da chillwave e da música de dança.

Reza a lenda que quando a banda se sentou no estúdio para começar a produzir os temas deste novo disco o computador que guardava as demos explodiu, literalmente e que, por isso, as guitarras e a bateria acabaram por passar para a linha da frente da condução melódica dos novos temas da dupla, em deterimento de uma superior primazia dos sintetizadores na estreia e que teria continuidade nas intenções iniciais deste sucessor.

Slipping Away é o primeiro avanço divulgado de Highlights, um single disponivel para download na página oficial da dupla, sendo só necessário fornecer o endereço de email em troca e o indie rock vibrante e festivo será, então, também uma marca importante no disco, com os Tanlines a quererem alargar horizontes de forma ressonante e exótica, com elevação, reflexão, método e entusiasmo. Confere...


autor stipe07 às 12:58
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Terça-feira, 3 de Março de 2015

Dust Covered Carpet - Pale Noise

Formados por Volker e Armin Buchgraber, dois irmãos de Viena, os austríacos Dust Covered Carpet remontam as suas raízes a 2003, mas apenas em 2007 definiram definitivamente o seu alinhamento, formado atualmente por Volker e Julia Luiki. Os Dust Covered Carpet estrearam-se nos discos no ano seguinte com Rededust The Doubts I Trust, um trabalho com cinco canções que firmou desde logo a indie folk melódica e experimental que alicerça a sonoridade do projeto. Desde então os Dust Covered Carpet lançaram mais algumas edições especiais, singles e discos, com especial destaque para Pale Noise, uma coleção de dez canções escritas entre Tallin, na Estónia e Viena, produzidas pela própria banda e por  Paul Gallister, Alexandr Vatagin e Philipp Forthuber.

Pale Noise deambula entre a folk e o indie rock mais progressivo, com Grey Formations ou o single Linnahall a serem apenas dois bons exemplos desta mescla muito comum em bandas nórdicas e do centro da Europa. Mas também há aqui espaço para explorar a dream pop de forte cariz eletrónico, com a melancolia contínua de Polar Romantic, recriada nas notas do sintetizador e em alguns arranjos de metais, a deixarem uma marca profunda numa longa canção que parece feita para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Num disco onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico, estes austríacos parecem decididos em sair do seu casulo instrospetivo e da timidez que os enclausura, apesar da beleza de Meteor e dos riquíssimos detalhes da desarmante All Off You, para apostar num ambiente sonoro luminoso, colorido e expansivo, que o baixo e as guitarras de Distance firmam, mas o sintetizador e as distorções inebriantes de Leaning Duets também apontam, num disco que vive essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, que a mesma pode criar, mas que se define qualitativamente à custa da sua toada mais orgânica, ruidosa e visceral.

É deste cruzamento espectral e meditativo que Pale Noise vive, com dez canções algo complexas, mas bastante assertivas. Antenatal joga um pouco nos dois campos, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e as vozes se enquadram com a grave bateria e sons da natureza que nos afogam numa hipnótica nuvem de melancolia.

Pale Noise serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:20
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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

Computer Magic - Dreams Of Better Days EP

Danielle Johnson aka Danz, uma DJ e bloguer com especial apetência para espetros musicais que misturem as tendências mais atuais da eletrónica com uma pop de forte pendor vintage é a mente que controla, manipula e dá vida a Computer Magic, um projeto que acaba de divular um novo EP intitulado Dreams Of Better Days, seis canções que se deitam à sombra de cruas batidas, cheias de loops e efeitos que se conjugam com alguns elementos minimalistas, alguns deles particularmente bonitos e curiosos.

A eletrónica e os ambientes intimistas que a mesma pode criar sempre que lhe é acrescentada uma toada algo acústica, mesmo que haja um constante ruído de fundo orgânico e visceral é, pois, a pedra de toque deste cardápio, onde abunda um som esculpido e complexo audível logo nosefeitos sinteizados e na leve batida de K2 / Intro, mas onde se destaca, sem dúvida, o single Shipwrecking. Esta excelente canção, produzida por Abe Seiferth, borbulha de cor e intensidade, devido aos arranjos sintetizados que contém e à condução proporcionada por uma bateria cheia de charme, encapsulando-a num ambiente algo aquático e denso, mas extremamente sedutor.

Testemunhamos contornos de uma certa magnificiência e inedetismo neste EP quando é manipulado com ecos e efeitos em reverb; Em My Love, por exemplo, a vertente sintética mostra-se apenas como uma das diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que Danz plasma a sua íntima e estreita relação com a pop, udando também alguns dos artifícios obrigatórios do rock clássico, mas sem abandonar as suas origens mais eletrónicas e sombrias. Já agora, este último tema acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros, que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual, fazendo-o com um elevado índice de maturidade e firmeza, o que plasma o imenso bom gosto na forma como a autora aposta nesta relação simbiótica, enquanto parte à descoberta de texturas sonoras. Curiosamente, a gitarra poderia ser um fiel companheiro da artista e um instrumento que se aliaria com notável mestria ao seu registo vocal mas, neste trabalho, apenas surge com um certo destaque e bastante implícito na homónima Dreams of Better Days (Don’t Pass Me By), por sinal um tema onde o protagonismo da voz é menos evidente e o registo algo modificado maquinalmente.

Dream Of Better Days é de uma subtileza experimental incomum e, mesmo que à primeira audição isso não transpareça claramente, os temas estão carregados de sentimentos melancólicos; Cada música tem sempre algo de pessoal e há agregados sonoros que tanto podem vir a fazer furor em algumas pistas de dança como acabarem por ser um referencial de alguns dos melhores momentos ambientais e com uma toada chillwave da carreira de Computer Magic. Espero que aprecies a sugestão...

K2 / Intro
Shipwrecking
My Love
Dreams of Better Days (Don’t Pass Me By)
Mindstate
Birds / Outro


autor stipe07 às 17:56
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

In Tall Buildings - Driver

Já foi finalmente editado Driver, um dos trabalhos mais aguardados por cá no início de 2015 e que viu a luz do dia a dezassete de fevereiro através da Western Vinyl. Este disco é da autoria de Erik Hall, um músico e compositor de Pilsen, nos arredores de Chicago, por detrás do projeto In Tall Buildings, que, de acordo com o próprio, compõe inspirado por duas dicas filosóficas, uma de Allen Ginsburg (First thought, best thought) e a outra da autoria de Kurt Vonnegut (Edit yourself, mercilessly). Se a teoria de Ginsburg apela à primazia do instintivo e da naturalidade e da crueza, acima de tudo, já as palavras de Vonnegut parecem instar à constante insatisfação e à busca permanente da perfeição, considerando-se cada criação como algo inacabado e que pode ser alvo de melhorias e alterações. Driver foi produzido entre a casa de Hall e uma quinta em Leelanau County, no Michigan.

A música de Erik Hall vive um pouco desta aparente dicotomia, já que quando assina In Tall Buildings propôe e cria paisagens sonoras simples e amenas, de algum modo descomplicadas e acessíveis, mas que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto na forma como constrói as melodias, deixando sempre margem de manobra para que nos possamos apropriar das suas canções e dar-lhes o nosso próprio sentido. Aquela folk acústica, que em determinados instantes pisca o olho a um certo travo psicadélico, é, portanto, a trave mestra de Driver, competente na forma como abarca diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e como mistura harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a voz grave, mas suave e confessional de Hall, sendo este um álbum ameno, íntimo, cuidadosamente produzido e arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação.

Ficamos logo agarrados ao disco com Bawl Cry Wal, o tema de abertura, feito de uma melodia que tem por base a bateria e umas cordas impregnadas de soul, às quais vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo o som de um teclado. Este tema inicial é perfeito para nos transportar para um disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e dominado por cordas com uma forte toada blues. Logo depois, All You Pine, apesar de menos ritmada, segue a mesma dinâmica que sustenta um alinhamento sinuoso e cativante, que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e onde Hall não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Unmistakable, o segundo single, a surpreender pouco depois, não só pelo título da canção, sem dúvida uma opção feliz para mais um registo sonoro de dificil catalogação, mas também pela sonoridade pop claramente urbana, mais eletrónica,perfeita no modo como o baixo e a batida se cruzam com o sintetizador. 

Pouco depois, ao sermos presenteados com I'll Be Up Soon, percebemos que In Tall Buildings também manipula com mestria os típicos suspiros sensuais que a subtil eletrificação da guitarra e uma batida lenta e marcada proporcionam e que há uma elevada dose de sensualidade e suavidade na tonalidade das canções que interpretam. Por exemplo, em When You See Me Fall um efeito em espiral e melodicamente hipnótico e o modo com a voz com ele se entrelaça e o dedilhar deambulante de Aloft são outros dois momentos que trazem brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.

O auge do disco chega com a atmosfera simultaneamente íntima e vibrante do single Flare Gun, um tema que está já na minha lista das melhores do ano e isso deve-se à forma particular como as cordas deambulam alegremente pela melodia e dão à canção uma sensação intrincada e fortemente espiritual, um ideal de leveza e cor constantes, como se ela transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nosso dias, agora algo frios e sombrios.

Rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, Driver tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Hall sabe, melhor do que ninguém, como encaixar. Este é um álbum essencial, recheado de paisagens sonoras simples e amenas, de algum modo descomplicadas e acessíveis, mas que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

Bawl Cry Wail

All You Pine

Exiled

Unmistakable

Aloft

Flare Gun

I'll Be Up Soon

Cedarspeak

When You See Me Fall

Pouring Out


autor stipe07 às 19:24
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Heavenly Beat – Eucharist

Heavenly Beat é o alter-ego de John Pena, baixista dos Beach Fossils e um nome bastante conhecido e respeitado no cenário musical independente e alternativo. Lançado no final do ano passado, Eucharist é já o terceiro tomo de uma discografia que foi integralmente dissecada por cá; O álbum de estreia do projeto, editado em Julho de 2012, chamava-se Talent e foi divulgado pouco depois, tendo sucedido o mesmo com Prominence, o sempre difícil segundo disco dos Heavenly Beat, lançado, como sempre, através da Captured Tracks, em outubro de 2013.

Acompanham Pena nos Heavenly Beat os músicos Andrew Mailliard e Chris Burke e ao terceiro disco, como a sonoridade do projeto se mantém inalterada, há pouco a acrescentar às análises anteriores. Seja como for, há que realçar que a música deste projeto, inicialmente se estranha, mas depois, com tempo, facilmente se entranha e provoca em nós sensações de prazer e bem estar. Isso acontece porque nos Heavenly Beat John Pena explora as intersecções entre a índie e a electrónica, numa mistura absolutamente tranquilizante, que assenta muito em batidas paradisíacas, que nos fazem ter sempre a sensação que estamos a escutar o disco num local belo e único. É uma música que acaba por funcionar como uma sonora escapadinha homeopática, sem nunca nos deixa esquecer quem somos e o que desejamos da vida, já que estas canções também nos dão tranquilidade e força para lidar com uma realidade em permanente convulsão.

Logo na introdutória Kin ficam plasmada a caritilha sonora do trio e o single Patience reforça a possibilidade de sermos invadidos por um som simultanamente fresco e hipnótico ao longo de doze canções de agulhas viradas para uma dream pop que assenta, com frequência, numa chillwave simples, bonita e dançável, construída em redor de uma bateria com a cadência e a vibração certas e guitarras e sintetizadores que se entrelaçam constantemente de modo a criar o tempero ideal às composições.

Além destas virtudes no campo instrumental e do casamento assertivo entre o dedilhar das cordas e uma matriz sintética na dose certa, um dos maiores segredos destes Heavenly Beat parece-me ser o arranjo melódico que sustenta os temas e a postura vocal, às vezes um pouco lo fi e shoegaze, mas que dá às composições aquele encanto vintage, relaxante e atmosférico.

O fluxo das canções é muito agradável relaxado e mesmo sensual e se um dos grandes destaques de Eucharist é o já citado single Patience, a energia sexual bastante latente na percurssão e no efeito que deambula por Manna e em Covet. Mas o dedilhar das cordas em Head e o modo como a batida é adicionada, acaba por ter também um inegável charme, festivo e viciante, assim como a forma como cresce o sintetizador de Legacy, nomeadamente durante o minuto incial, quando recebe uma batida que funciona impecavelmente em modo palmas de fundo. Também não há como resistir ao esplendor da viola e das castanholas do solarengo e inebriante tema homónimo.

Se Pena vive atualmente numa espécie de encruzilhada relativamente ao melhor rumo a dar a este projeto, anseio que ele se mantenha neste modus operandi indefinidamente, em vez de procurar calcorrear outros terrenos menos luminosos e que possam colocar em causa a integridade que os Heavenly Beat têm vindo a construir a pulso, com uma cadência praticamente anual e que tem já como enorme atributo espelhar com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente. Espero que aprecies a sugestão...

Heavenly Beat - Eucharist

01. Kin
02. Patience
03. Manna
04. Faults
05. Head
06. Legacy
07. Covet
08. Eucharist
09. Relevance
10. Beyond
11. Effort
12. Relentless


autor stipe07 às 22:03
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