Sábado, 24 de Janeiro de 2015

Diagrams – Chromatics

Sam Genders é a mente pensante por trás dos Diagrams, uma banda londrina que se estreou nos discos no início de 2012 com Black Light. Agora, três anos depois, Sam está de regresso, novamente através da Full Time Hobby, com Chromatics, um trabalho produzido por Leo Abrahams (Wild Beasts, David Byrne, Brian Eno, Jon Hopkins, Ed Harcourt, Marianne Faithful ) e que mantém Sam num registo sonoro diferente dos Tunnga, um projeto do qual fez parte e cuja sonoridade era mais virada para a folk. Nos Diagrams, Genders mostra-se menos lo fi, embora a sua voz e as escolhas de arranjos confiram às músicas de Black Light um certo ar soturno.

Em três anos muito se alterou na vida de Sam; mudou-se de Londres para Sheffield, levando consigo uma nova esposa, fez novos amigos e vive uma dinâmica existencial diferente, estando estas temáticas bem presentes no conteúdo de Chromatics. Este é, então, um disco que, de acordo com o próprio o autor, debruça-se sobre  a dinâmica das relações e mostra que nunca devemos perder a fé em nós próprios, neste caminho que todos trilhamos chamado vida e que é feito de altos e baixos. (Relationships are a constant thread. In all their frustrating, exciting, mundane, beautiful, wonderful, sexy, scary glory. (...) And there’s lots of hope in the songs. They shouldn’t be taken too literally mind you… in my head Chromatics is life in Technicolor; with all its ups and downs).

Para a abordagem desta temática, Diagrams inspirou-se não só na sua experiência pessoal, mas também na escrita sobre o assunto, com ênfase particular para os escritores David Schnarch e Ester Perel e um livro intitulado Division Street, da autoria da poeta local Helen Mort. A rotina mais pacata de Sheffield, a permanência num novo local, fisicamente mais amplo e aberto, a natureza circundante, um estúdio em casa e a possibilidade de Sam compôr sem pressão e quando a inspiração chegasse, foram fundamentais para a génese sonora de Chromatics, uma coleção de onze canções que refletem toda esta conjuntura, bastante multifacetada e com vários exemplos de audição obrigatória.

Do indie rock angular de Desolation, à eletrónica com detalhes implícitos da folk de Serpent, a canção que melhor cruza a herança dos Tunng com a matriz Diagrams, passando pelo groove de Dirty Broken Bliss e a pop vintage de The Light And The Noise, Chromatics mistura e expôe as diferentes cores que observou pela janela do seu estúdio no jardim das traseiras, conseguindo ser simultaneamente experimental e acessível. Tão depressa deparamos com batidas eletrónicas minimalistas, usadas sempre como tónica e não regra, como escutamos sintetizadores e guitarras limpas, acompanhadas de toda uma gama de camadas de instrumentos inseridos meticulosamente, que surpreendem sem cansar, envolvidos por uma clara elegância vocal, resultando em algo excitante e ao mesmo tempo acolhedor.

Jovial e envolvente, Chromatics seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, enquanto estabelece pontes brilhantes entre momentos de maior intensidade com outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, outrora adormecidas, para depois nos serenar. Sem dúvida, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

Diagrams - Chromatics

01. Phantom Power
02. Gentle Morning Song
03. Desolation
04. Chromatics
05. You Can Talk To Me
06. Shapes
07. Dirty Broken Bliss
08. Serpent
09. The Light And The Noise
10. Brain
11. Just A Hair’s Breadth


autor stipe07 às 19:00
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Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2015

Shirley Said - Merry Go Round (video)

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Uma das novas apostas da etiqueta Lost In The Manor é a dupla italiana Shirley Said, natural de Latina, nos arredores de Roma e formada por Giulia Scarantino e Simone Bozzato. A eletrónica experimental, que chega a raiar a fronteira do techo minimal, é a pedra de toque destes Shirley Said, uma eletrónica sensual e algo abstrata, mas bastante sofisticada e de forte cariz ambiental.

A dupla acaba de divulgar o vídeo de Merry Go Round, um filme dirigido e produzido por Gabriel Beretta e com Yin Lee a ficar a cargo da maquilhagem espetacular de Giulia. Na canção tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são, sem dúvida, parte fundamental da funcionalidade e da beleza da obra da dupla, sendo impecável o modo como exploram essa unidade e as várias nuances sonoras que aplicam, de um modo que instiga, hipnotiza e emociona. Confere...


autor stipe07 às 21:13
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015

Archive – Restriction

Os Archive, um colectivo britânico formado em 1994 por Darius Keeler e Danny Griffiths, estão de regresso aos discos no início de 2015, através da PIAS Recordings, com Restriction, o sucessor de With Us Until You're Dead (2012) e Axiom (2014) e décimo álbum de estúdio de um projeto responsável por alguns dos mais marcantes discos do panorama alternativo dos últimos vinte anos, com destaque para o Londinium de 1996 e Noise de 2004.

Nestas duas décadas os Archive tornaram-se talvez no nome maior da vertente mais sombria e dramática do trip hop. Este Restriction foi produzido por Jerome Devoise, um colaborador de longa data da banda e se With Us Until You're Dead e Axiom trilhavam caminhos que iam da electrónica à soul, passando pela pop de câmara, agora os Archive colocaram as guitarras na linha da frente, ampliaram o volume das distorções e, mesmo sendo um disco que vive essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, que a mesma pode criar, foi acrescentada uma toada mais orgânica, ruidosa e visceral. É deste cruzamento espectral e meditativo que Restriction vive, com doze canções algo complexas, mas bastante assertivas.

Feel It, um dos singles do álbum e Restriction, o tema homónimo, abrem o disco e surpreendem pelo modo como as guitarras, o baixo e a bateria seguem a sua dinâmica natural, mesmo tendo a companhia sempre atenta do sintetizador, que não deixa de rivalizar com o conjunto, mas sem nunca ofuscar o protagonismo da tríade, que conduz os temas para uma faceta mais negra e obscura, tipicamente rock, esculpindo-os com cordas ligas à eletricidade, ao mesmo tempo que a banda exibe uma consciente e natural sapiência melódica.

Kid Corner, outro single já lançado do disco, segue a toada inicial, mas a replicar um certo travo industrial, que a belíssima voz de Holly Martin aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais. End Of Our Days vem quebrar esse ímpeto inicial, uma canção que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha, que se repete um pouco adiante, em Black And Blue, um registo quase à capella, onde esta mesma voz é acompanhada por um orgão e um efeito de uma guitarra que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia.

Esta lindíssima viagem às pastosas aguas turvas em que mergulha a eletrónica dos Archive ganha contornos de excelência em Third Quarter Storm, um mundo de paz e tranquilidade que nos embala e acolhe de modo reconfortante, proporcionando uma sensação de bem-estar e tranquilidade que nem um potente efeito sintetizado desfaz. O tema faz-nos descolar ao encontro da soul do piano de Half Built Houses, uma canção cheia de imagens evocativas sobre o mundo moderno e encarna o momento alto do trabalho de produção feito em Restriction e o já habitual modo como os Archive conseguem dar vida a belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

A escrita deste grupo britânico carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria, mas onde geralmente nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e a conjugação entre exuberância e minimalismo prova a sensibilidade dos Archive para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana.

Restriction avança, sem dó nem piedade, com as músicas quase sempre interligadas entre si e em Ride In Squares somos novamente confrontados com um excelente trip hop, de contornos algo sombrios e sinistros, mas bem vincados, feitos com camadas de efeitos sintéticos em cima de uma batida potente e certeira, numa espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, impregnadas com uma melodia bastante virtuosa e cheia de cor e arrumada com arranjos meticulosos e lúcidos.

Até final, se é o típico trip hop ácido e nebuloso que conduz Crushed, que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por teclados atiçados com efeitos metálicos e um subtil efeito de guitarra, já em Ladders Ruination é o rock progressivo feito com uma bateia e um baixo vibrantes e guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Greater Goodbye, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada.

Restriction é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. É um tratado de fusão entre indie rock, electrónica e outros elementos progressivos, que piscam o olho ao jazz, ao hip-hop e à soul, com pontes brilhantes entre si e com momentos de maior intensidade e outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, de modo honesto e coerente. Os Archive sempre seguiram uma linha sonora complexa e nunca recearam abarcar variados estilos e tendências musicais, mantendo sempre uma certa integridade em relação ao ambiente sonoro geral que os carateriza. Restriction tem alma e paixão, é fruto de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...

Archive - Restriction

01. Feel It
02. Restriction
03. Kid Corner
04. End Of Our Days
05. Third Quarter Storm
06. Half Built Houses
07. Ride In Squares
08. Ruination
09. Crushed
10. Black And Blue
11. Greater Goodbye
12. Ladders


autor stipe07 às 22:16
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Toro Y Moi - Empty Nesters

Toro Y Moy é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009, onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras.

Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This, de 2010 e compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado. No ano seguinte, em 2011, surgiu Underneath The Pine, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início de 2013 pela Carpark Records.

Agora, dois anos depois, já há finalmente sucessor. What For? vai ver a luz do dia a quatro de abril, na sua editora de sempre e, pelo avanço já divulgado, pisca o olho à hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao disco sound dos anos oitenta, fruto da recente relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, além de se aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins.

Confere Empty Nesters, o primeiro avanço divulgado de What For? e a tracklist do álbum...

01 “What You Want”
02 “Buffalo”
03 “The Flight”
04 “Empty Nesters”
05 “Ratcliff”
06 “Lilly”
07 “Spell It Out”
08 “Half Dome”
09 “Run Baby Run”
10 “Yeah Right”


autor stipe07 às 13:59
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015

Germany Germany - Germany Germany

Germany Germany é uma banda de Victoria, que começou por ser um projeto a solo encabeçado por Drew Harris, um músico de quem já falei em 2011, apesar de na altura desconhecer a sua identidade, devido ao projeto Radioseven. Atualmente, os Germany Germany também contam com nathan willson, michael matier e graham keehn no alinhamento, além de Harris. O projeto estreou-se em 2010 com o EP Electrolove, disponível no bandcamp e que contava com Jessica Morgan na voz e no ano seguinte chegou Adventures, o longa duração de estreia, que contava com as participações especiais de Donne Tor em Natural, Tim Walters em Take Your Time, Emily Michiels em Transatlantic e Steffaloo em Just Go. Depois desse disco, Germany Germany editou outros trabalhos e este homónimo, editado no passado dia vinte e cinco de outubro, é o primeiro lançamento que foi gravado com o atual formato banda.

Sustentados por uma agradável melancolia e donos de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação, os Germany Germany oferecem-nos neste trabalho dez canções que vivem à sombra do indie rock e de uma pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador, uma percurssão orgânica, um baixo visceral e guitarras carregadas de efeitos futuristas e distorções vintage, claramente inspiradas nos grandes mestres desse instrumento e do rock clássico.

Assim, as canções de Germany Germany tanto podem suscitar um ambiente sonoro algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, como apresentar instantes com uma sonoridade mais ligeira, dançável e luminosa. As canções muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva e, sendo muitas delas apenas instrumentais, a ausência da voz permite que os instrumentos tenham todo o protagonismo que claramente anseiam, com especial destaque  para o verdadeiro festim orquestral que é Crystal City, com Eyes On The Ocean a ser outro instante de audição obrigatória.

Departure abre o disco e o sintetizador e os efeitos do tema colocam a nú a zona de conforto sonora estabelecida e pregada pelos Germany Germany, que prima por uma composição melódica que procura dar vida a um conjunto volumoso de versos sofridos e sons acinzentados, como se fosse a banda sonora de um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico. Essa percepção acaba por se revelar novamente e curiosamente em Take Me Home, apesar da guitarra perto do red line que aí se escuta, como se esse ideal de melancolia fosse a baliza que orienta e abarca a sonoridade geral do disco. Depois, além das distorções da guitarra, a percurssão de Bright Lights, de River e, principalmente, de Substance e Reconnect, mostram-nos que estes Germany Germany também nos querem pôr a dançar. O efeito que ecoa da guitarra de Blank Mind Empty Heart e o baixo pulsante, colocam-nos novamente no chão e faz ressurgir um desejo incontido de refletir sobre os nossos maiores receios, enquanto o reverb da voz nos convida a tomarmos as rédeas da nossa própria consciência pessoal. Já o sintetizador futurista de Love and Science Fiction e a guitarra distorcida ampliam a perceção clara que os Germany Germany balançam entre dois pólos aparentemente opostos e carimba uma certa ideia de maturidade de um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com algum teor introspetivo mas, acima de tudo, verdadeiros hinos de estádio.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto que aposta em várias abordagens sonoras, mas sempre magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativo num disco impregnado de inspiradas peças melódicas que passam tangentes assertivas a alguns dos parâmetros que definem um estilo sonoro que vem fazendo escola desde os primórdios dos anos oitenta, com um ritmo que transpira de maneira natural e particular muito do que sustenta o que de melhor se vem escutando atualmente no universo sonoro indie contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:57
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Django Django - First Light

Django Django

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome que acompanho com toda a atenção desde que há cerca de dois anos lançaram um espectacular homónimo de estreia.

A banda, formada então por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, vai regressar aos discos este ano. Ainda não se conhece a data de lançamento precisa desse novo trabalho, algures na primavera, mas já há avanço; First Light é o primeiro tema conhecido e nele os Django Django aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, sempre acompanhada por guitarras que parecem ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Basicamente, uma mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento. Confere...


autor stipe07 às 17:26
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Domingo, 11 de Janeiro de 2015

Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper

Quem acompanha cuidadosamente e com particular devoção a carreira a solo de Panda Bear, um músico natural de Baltimore, no Maryland e a residir atualmente em Lisboa, compreende a necessidade que ele sente de propôr em cada novo disco algo que supere os limites da edição anterior. É como se, independente da pluralidade de acertos que caracterizavam a antecessor, o novo compêndio de canções que oferece tenha que transpôr barreiras e como se tudo o que fora antes construído se encaminhasse de alguma forma para o que ainda há-de vir, já que é frequente perceber que, entre tantas mudanças bruscas e nuances, é normal perceber que para Bear o que em outras épocas fora acústico, transformou-se depois em eletrónico, o ruidoso tornou-se melodioso e o que antes era experimental estranhamente aproximou-se da pop.

Panda Bear Meets The Grim Reaper, sucessor do aclamado Tomboy e quinto álbum da carreira deste músico norte americano que reside em Lisboa há oito anos, sabe a essa necessidade de superação e de evolução a cada disco. Nos mais de cinquenta minutos que dura, encontramos uma sequência de primorosas e ainda mais atrativas experimentações, com o nível de desordem sonora a mostrar-se sempre acessível ao ouvinte e o disco a fluir dentro de limites bem definidos. As canções sucedem-se articuladas entre si e de forma homogénea, com cada uma, sem exceção, a contribuir para a criação de um bloco denso e criativo, cheio de marcas sonoras relacionadas com vozes convertidas em sons e letras que praticamente atuam de forma instrumental e onde tudo é dissolvido de forma homogénea, o que faz com que Panda Bear Meets The Grim Reaper esteja longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição.

Impecavelmente produzido por Peter Kember e pelo próprio Panda Bear e editado através da Domino Recordings, Panda Bear Meets The Grim Reaper começou a ser idealizado na mente criativa do músico durante as gravações de Centipede Hz, o último registo dos Animal Collective. Declaradamente influenciado pelo movimento hip-hop que floresceu na última década do século passado com nomes como Dust Brothers, Q-Tip, A Tribe Called Quest, Pete Rock, DJ Premier, 9th Wonder, e J Dilla, a serem influências assumidas, o álbum plasma essas referências do passado tingidas com novidade, algo que confere a este disco um resultado ao mesmo tempo nostálgico e inovador, com o indie rock, a folk, esse hip-hop e a electrónica, a cruzarem-se constantemente entre si, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a sua complexidade à medida que o vamos ouvindo de forma viciante.

Assim que Panda Bear começa a preparar o terreno com Sequential Circuits e somos invadidos pelo esplendor do efeito vocal que ecoa nos nossos ouvidos, percebemos que estamos prestes a escutar algo grandioso, plasmado logo no épico festim que parece implodir a qualquer instante em Mr Noah, e no eletropunk blues, enérgico e libertário, que escorre por todos os poros desta canção. Já completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou esse tema, desaceleramos e mudamos de direção, como se tivessemos transposto quase instantaneamente uma espécie de portal, para um universo de pendor mais psicadélico, embalados pelo intro Davy Jones’ Locker, que estende graciosamente a passadeira vermelha ao belíssimo instante de folk psicadélica que é Crosswords, uma das canções mais melancólicas e acessíveis da carreira deste músico. O ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada, prossegue a sua demanda triunfal na insanidade desconstrutiva e psicadélica em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Butcher Baker Candlestick Maker, na incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos que nos fazem levitar em Latin Boy e no poderio eloquente do ruído de fundo da monumental Come To Your Senses, um bom tema para desesperar mentes ressacadas.

Mesmo no doce romantismo da trompete e da harpa de Tropic Of Cancer e do piano de Lonely Wanderer, dois lindíssimos instantes pop, que entre o experimental e o atmosférico, seduzem e emocionam, abundam sons que tão depressa surgem como se desvanecem e deixam-nos sempre na dúvida sobre uma possível alteração repentina do rumo dos acontecimentos, exigindo ao ouvinte estar permanentemente alerta e focado no que escuta. 

Até ao final, se Principe Real impressiona pela sintetização da voz omnipresente, em contraste com a batida grave e o baixo pulsante entregue a um espírito desolado e que nos remete para os sons de fundo de uma típica cidade do mundo moderno, que poderá ser a Lisboa que também é de Bear e onde há um jardim com o nome da canção que pode ser um local aprazível para a escuta de Panda Bear Meets The Grim Reaper, já a hipnótica Selfish Gene subjuga momentaneamente qualquer atribulação que nesse instante nos apoquente, enquanto sentados num banco desse espaço verde, isolados por um par de auscultadores de última geração, abosrvemos egoisticamente todo o cruzamento espectral e meditativo de que o disco vive.

O ocaso chega mais depressa do que gostaríamos com Acid Wash, canção que sabe claramente a despedida e onde as batidas sintéticas e repletas de efeitos maquinais, nunca se sobrepôem em demasiado ao restante conteúdo sonoro, assente em elementos minimalistas que vão sendo adicionados a um efeito aquático sintético com um volume crescente.

Panda Bear Meets The Grim Reaper é um álbum extraordinário porque além de não renegar a identidade sonora distinta de Panda Bear, ainda a eleva para um novo patamar de diferentes cenários e experiências instrumentais através de canções que nos fazem querer descobrir a sua complexidade à medida que se escuta o alinhamento de forma viciante. Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário deste autor e este novo trabalho, naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, ao ser desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental, plasma mais uma completa reestruturação no seu som, firmada por uma poesia sempre metafórica, o que faz com que Panda Bear se mostre ao mesmo tempo próximo e distante da nossa realidade e capaz de atrair quem se predispõe a tentar entendê-lo para cenários complexos, mas repletos de sensações únicas e que só ele consegue transmitir. Espero que aprecies a sugestão...

Panda Bear - Panda Bear Meets The Grim Reaper

01. Sequential Circuits
02. Mr Noah
03. Davy Jones’ Locker
04. Crosswords
05. Butcher Baker Candlestick Maker
06. Boys Latin
07. Come To Your Senses
08. Tropic Of Cancer
09. Shadow Of The Colossus
10. Lonely Wanderer
11. Príncipe Real
12. Selfish Gene
13. Acid Wash


autor stipe07 às 18:25
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014

Astari Night - The Boy Who Tried

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Os Astari Nite são uma banda norte americana de Miami, na Flórida, formada por Mychael Ghost (voz), Illia Tulloch (bateria), Michael Setton (guitarra) e M. Sallons (baixo). Depois de no início deste ano ter revelado Stereo Waltz, o último longa duração do grupo, agora, no ocaso de 2014, divulgo The Boy Who Tried, o primeiro avanço para Eponymous, um EP que a banda irá lançar muito em breve.

Produzido por Josh Rohe, The Boy Who Tried assenta num som progressivo com tonalidades típicas do rock mais gótico e da eletrónica cheia de tiques da darkwave, sendo esta a habitual atmosfera sonora dos Astari Night. O rema está disponível gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Confere...


autor stipe07 às 12:03
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Domingo, 28 de Dezembro de 2014

Thom Yorke – Youwouldn’tlikemewhenI’mangry

Thom Yorke - Youwouldn'tlikemewhenI'mangry

Depois de em setembro último Thom Yorke ter-nos surpreendido, praticamente sem avisar, com o lançamento de Tomorrow’s Modern Boxes, agora, quase no ocaso de 2014, o músico britânico voltou a repetir a experiência com o lançamento de um novo single intitulado Youwouldn’tlikemewhenI’mangry.

Nesta canção, dominada por um sintetizador hipnótico e planante, Thom mostra-se com a habitual melancolia que tantas vezes suporta a sua música, com um registo vocal sussurrante e uma batida que convida à introspeção profunda, remetendo-nos de imediato para a herança da eletrónica orgânica que os Radiohead propuseram em Kid A ou The King Of Limbs e também no projeto paralelo Atoms For Peace.

Recordo que Tomorrow’s Modern Boxes foi lançado através do formato BitTorrent Bundle, onde cada um de nós podia fazer o download do álbum por cinco euros e o download do single gratuitamente. E esta experiência resultou já que o álbum foi descarregado mais de dois milhões de vezes logo após o lanamento e, de acordo com Yorke, Youwouldn’tlikemewhenI’mangry serve para continuar a testar novos formatos de lançamento.

Assim sendo, Youwouldn’tlikemewhenI’mangry foi lançado no Bandcamp e o download pode ser feito pelo preço que quiseres. Confere...


autor stipe07 às 19:42
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014

Os melhores discos de 2014 (20-11)

20 - Chad Van Gaalen - Shrink Dust

Shrink Dust é um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos. Um passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da mortalidade, mas que até convida às pistas de dança, sem nunca se entregar ao exagero, até porque é explícita a toada experimental que ocupa este compêndio folk de enorme beleza espacial.

Chad VanGaalen - Shrink Dust

01. Cut Off My Hands
02. Where Are You?
03. Frozen Paradise
04. Lila
05. Weighed Sin
06. Monster
07. Evil
08. Leaning On Bells
09. All Will Combine
10. Weird Love
11. Hangman’s Son
12. Cosmic Destroyer

19 - Coldplay - Ghost Stories

Ghost Stories é um álbum real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes.

Coldplay - Ghost Stories

01. Always In My Head
02. Magic
03. Ink
04. True Love
05. Midnight
06. Another’s Arms
07. Oceans
08. A Sky Full of Stars
09. O
10. All Your Friends
11. Ghost Story
12. O (Part 2/Reprise)

18 - The Horrors - Luminous

Luminous é um nome feliz para um disco que apesar de ter ainda muito presente a guitarra de Joshua a dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante com a secção rítmica, aposta todas as fichas numa explosão de cores e ritmos que criam um álbum simultaneamente denso e dançável, um compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários e apoteótico.

The Horrors - Luminous

01. Chasing Shadows
02. First Day Of Spring
03. So Now You Know
04. In And Out Of Sight
05. Jealous Sun
06. Falling Star
07. I See You
08. Change Your Mind
09. Mine And Yours
10. Sleepwalk

17 - She Sir - Go Guitars

Go Guitars é um excelente disco e um dos seus maiores atributos é ser ainda apenas a base de algo ainda maior que esta banda irá desenvolver. É que se há projetos que atestam a sua maturidade pela capacidade que têm em encontrar a sua sonoridade típica e manter um alto nível de excelência, os She Sir provam já a sua maturidade na capacidade que demonstram em mutar a sua música e adaptá-la a um público ávido de novidades, que tenham algo de novo e refrescante e que as faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o seu gosto pela música alternativa.

She Sir - Go Guitars

01. Portese

02. Kissing Can Wait
03. Bitter Bazaar
04. Warmwimming
05. Mania Mantle
06. Winter Skirt
07. Snakedom
08. He’s Not A Lawyer, It’s Not A Company
09. Condensedindents
10. Continually Meeting On The Sidewalk Of My Door

16 - Elbow - The Take Off And Landing Of Everything

Os Elbow acertaram novamente e criaram mais um disco bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os desabafos de Garvey em relação ao que mudou na sua vida e na dos seus colegas, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. The Take Off And Landing Of Everything é a banda sonora ideal para essa paragem momentânea que, para tantos, deveria ser obrigatória.

Elbow - The Take Off And Landing Of Everything

01. This Blue World

02. Charge
03. Fly Boy Blue / Lunette
04. New York Morning
05. Real Life (Angel)
06. Honey Sun
07. My Sad Captains
08. Colour Fields
09. The Take Off And Landing Of Everything
10. The Blanket Of Night

15 - Temples - Sun Structures

Os Temples são mestres a criar canções onde a intimidade centra-se no baixo e na guitarra, feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência do rock muito britânico. Há aqui uma clara aposta em melodias contagiantes e esta banda parece ser mais experiente do que o seu tempo de existência, tal é o grau de maturidade que já demonstram na estreia. Também por causa deles, o indie rock psicadélico, no reino que o viu nascer, está vivo e recomenda-se.

Temples - Sun Structures

01. Shelter Song
02. Sun Structures
03. The Golden Throne
04. Keep In The Dark
05. Mesmerise
06. Move With The Season
07. Colours To Life
08. A Question Isn’t Answered
09. The Guesser
10. Test Of Time
11. Sand Dance
12. Fragment’s Light

14 - Childhood - Lacuna

Com canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, Lacuna torna percetivel a evidente capacidade que os Childhood possuem, logo na estreia, de criar algo único e genuíno, com uma quase pueril simplicidade, num trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referências típicas do shoegaze e da psicadelia, uma espécie de caldeirão sonoro feito por uma banda que parece saber como recortar, picotar e colar o que de melhor existe no eletropsicadelismo.

Childhood - Lacuna

01. Blue Velvet
02. You Could Be Different
03. As I Am
04. Right Beneath Me
05. Falls Away
06. Sweeter Preacher
07. Tides
08. Solemn Skies
09. Chiliad
10. Pay For Cool
11. When You Rise

13 - Warpaint - Warpaint

Warpaint é para as Warpaint um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a paisagem que as rodeou durante o período de gestação.

Warpaint - Warpaint

01. Intro
02. Keep It Healthy
03. Love Is To Die
04. Hi
05. Biggy
06. Teese
07. Disco//Very
08. Go In
09. Feeling Right
10. CC
11. Drive
12. Son

12 - Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

Time Is Over One Day Old é uma sucessão de dez canções onde a psicadelia pretende hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Simultaneamente criativos e coerentes, os Bear In Heaven mostram-se particularmente experimentais na forma como deram vida a um trabalho tipicamente rock, onde persiste uma vincada relação entre o vintage e o contemporâneo, mas que será melhor compreendido no futuro próximo, à medida que for mais dissecado. Enquanto tal não sucede, resta-nos começar viajar e a delirar, quanto antes, ao som das suas canções.

Bear In Heaven - Time Is Over One Day Old

01. Autumn

02. Time Between
03. If I Were To Lie
04. They Dream
05. The Sun and The Moon And The Stars
06. Memory Heart
07. Demon
08. Way Off
09. Dissolve The Walls
10. You Don’t Need The World

11 - Fink - Hard Believer

Hard Believer é um trabalho rico e arrojado, que aponta em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado. O disco tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor indie pop contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, englobar diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, num pacote cheio de paisagens sonoras que contam histórias que a voz de Fin sabe, melhor do que ninguém, como encaixar.

Fink - Hard Believer

01. Hard Believer

02. Green And The Blue
03. White Flag
04. Pilgrim
05. Two Days Later
06. Shakespeare
07. Truth Begins
08. Looking Too Closely
09. Too Late
10. Keep Falling

 


autor stipe07 às 18:42
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