Quinta-feira, 9 de Novembro de 2017

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano no palco do CCB.

Bruno Pernadas e Ricardo Toscano são ambos músicos de jazz com formação académica na música clássica. Os dois estarão no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém no próximo dia 15 de Dezembro para encerrar o ciclo CCBeat 2017. O concerto preparado em exclusivo para a ocasião conta com um alinhamento maioritariamente inédito executado por um ensemble de luxo que reúne uma secção rítmica, secção de cordas e naipe de sopros e ainda dois cantores convidados.

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A abordagem tem como base diversos estilos tais como o jazz, o rock, a música exótica, cinematográfica e erudita, sendo o principal solista Ricardo Toscano no saxofone alto. Nas palavras de Bruno Pernadas, que acumula a direcção musical, na conjunção deste ensemble procura-se aquilo que se assume como identitário de cada instrumento, combinando as diferentes linguagens harmónicas, rítmicas, texturais nos vários momentos que integram o espectáculo.

 De acordo com o músico e compositor, a proposta a apresentar é marcada por uma abordagem dinâmica, forte e ambiciosa que traduz-se num concerto onde a composição e a improvisação ocupam um papel determinante no seu resultado final.

Dois excelentes músicos, o multi-instrumentista e compositor Bruno Pernadas e o saxofonista Ricardo Toscano num encontro singular que transforma esta ocasião em algo surpreendente e certamente memorável.

Bruno Pernadas - composição, guitarra e teclados

Ricardo Toscano - saxofone alto, solista

Afonso Cabral - voz (convidado)

Francisca Cortesão - voz (convidada)

Margarida Campelo - piano, teclados e voz

João Correia - bateria

Nuno Lucas - baixo eléctrico

Diogo Duque - trompete

João Capinha - saxofone

Raimundo Semedo - saxofone

Raquel Merrelho - violoncelo

João de Andrade – violino


autor stipe07 às 21:19
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Quarta-feira, 8 de Novembro de 2017

Dear Telephone - Cut

Inspirados pela curta metragem de Peter Greenway intitulada Dear Phone, realizada em 1976, os Dear Telephone vêem de Barcelos e formaram-se há pouco mais de meia década, tendo na sua formação gente que nos tem sempre mostrado, em todos os projectos em que se envolvem, uma inegável qualidade enquanto músicos e que provam que na música se pode fazer sempre algo de inovador e diferente daquilo que o mainstream habitualmente nos oferece. Falo de Graciela Coelho, André Simão, Pedro Oliveira e Ricardo Cibrão, os membros deste grupo obrigatório no panorama sonoro contemporâneo indie nacional. Em março de 2011 os Dear Telephone estrearam-se com o EP Birth Of A Robot, um conjunto de canções com uma abordagem sonora algo crua, intimista e minimalista e que foi muito bem recebido pela crítica e apresentado ao vivo em algumas das mais importantes salas de espetáculos do país. Mas também chegaram ecos desse EP ao estrangeiro, com os Dear Telephone a fornecerem um tema para a banda sonora do filme brasileiro Contramão de Fabio Menezes e a representarem Portugal em agosto desse ano no evento Music Alliance Pact. Dois anos depois, em 2013, estrearam-se no formato longa-duração com Taxi Ballad, um disco onde mergulharam sem concessões no assumido fascínio pelo quotidiano e suas contradições, no discurso directo e desconcertante das personagens que as vozes encarnam e numa instrumentação dura e sem artifícios. Agora, quase no ocaso de 2017, o grupo minhoto está de regresso aos discos com Cut, um compêndio com nove canções alicerçadas em diferentes linguagens e esferas de influência sonora, um disco que experimenta a pop e pisca o olho ao rock, sempre com mestria e com os ingredientes certos.

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No simultaneamente envolvente e enigmático clima cinematográfico do efeito da guitarra que sustenta Fur e no modo como em Slit é piscado o olho ao rock, num formato eminentemente blues, com mestria e com os ingredientes certos, dos quais se destacam essa tal guitarra que agora se entranha, de forma sofisticada, inteligente a até corajosa, banda e ouvinte entram logo em comunhão íntima, conduzidos por este dois trunfos jogados para cima da mesa pelos primeiros que obrigam, forçosamente, os segundos, naturalmente mais incautos, a conferir o disco até ao fim e, desse modo, a perceberem rapidamente que essa opção algo instintiva acabou por ser tremendamente recompensada.

O compasso firme da bateria de Automatic e o modo como nesse tema essa habilidade percurssiva é acompanhada pela guitarra e por um efeito sintetizado inebriante, a luminosidade optimista e sorridente que transborda de todos os poros do single homónimo Cut e o pendor mais reflexivo e indutor, mas algo psicadélico, de Nighthawks, são outros três exemplos do modo sublime como este álbum nos proporciona uma mistura criativa de ritmos que ao início pode soar algo estranha, mas que com o tempo descobre um delicioso ponto de equilíbrio, com o prazer da audição deste registo a crescer e a entranhar-se sem exigir grande esforço.

Em Cut há uma aparente mas consciente indecisão estilística entre um lado mais pop e radiofónico e outro mais progressivo e lisérgico, um certo assumir de um risco que, por neste caso ter resultado, acaba por ser a maior mais valia de um álbum que finta alguns dos habituais cânones da pop nacional, sem deixar de apresentar temas com instantes melódicos particularmente soporíferos e aditivos e outros que poderão ter um invejável airplay no próprio inconsciente de cada um de nós, ou seja, este é um exemplo típico daquele tipo de discos que muitas vezes sentimos necessidade de ouvir sem motivo aparente, mas com acerteza que esse ato será objeto do maior usufruto. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:09
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Segunda-feira, 6 de Novembro de 2017

Martin Carr - New Shapes Of Life

Já chegou aos escaparates New Shapes Of Life, o terceiro capítulo da exuberante obra discográfica do escocês Martin Carr e o segundo do artista editado pela Tapete Records. Este é um trabalho que sucede a The Breaks, um registo lançado em 2014 e onde o artista lidou com os sentimentos de separação do mundo que o rodeia mas, por algum motivo que não entende, ficou mais insatisfeito no final do disco do que quando o tinha começado a compôr e desta vez, quis ir mais fundo.

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Misturado por Greg Harver, um amigo de Martin também escocês mas residente na Nova Zelândia e de Clint Murphy, New Shapes Of Life é fortemente influenciado pela herança de David Bowie e tal sucede porque foi a morte desse ícone da cultura contemporânea que acabou por desencravar um período de crise criativa que Carr estava a viver no ano de 2015. O músico tinha-se refugiado no seu estúdio em Glasgow com o propósito de compôr novas canções, os resultados eram infrutíferos, mas a morte de Bowie despoletou em Carr o desejo de se embrenhar em toda a discografia do artista inglês, assim como em filmes e biografias sobre esse artista e tal experiência ensinou ao escocês a importância de se exprimir através dum determinado meio além de o ter feito refletir sobre a sua vida e nos anos que tinha desperdiçado a viver a vida dum artista mas a negligenciar a arte.

A lírica acabou por ser o ponto de partida das canções, ao contrário do habitual modus operandi de Carr e foi gasta bastante energia nessa componente essencial do processo de construção de uma canção, tendo o artista ido ao limite do seu próprio bem-estar mental, já que foi bastante auto-biográfico durante esse processo. Mas terá valido a pena todo o esforço dispendido já que poemas como o que conduz o tema homónimo ou Future Reflections são apenas dois bons exemplos da superior bitola qualitativa da escrita que se pode conferir neste disco. 

Quanto ao conteúdo sonoro, New Shapes Of Life projeta o autor para um universo sonoro bastante mais dinâmico e expansivo do que os trabalhos antecessores, onde melodias florescentes convivem lado a lado, com enorme frequência, com uma percussão imaculada e exuberante. O rock expansivo e dinâmico de Damocles ou a toda mais atmosférica e etérea de The Main Man acabam por condensar todo o espetro sonoro transversal a um alinhamento muito rico e intrincado instrumentalmente, inclusive ao nível da percussão, mas com os sintetizadores atmosféricos, amiúde um piano sedutor e até alguns sopros a fazerem parte do arquétipo sonoro que definitivamente retira Carr da sua zona de conforto sonora através de um verdadeiro concentrado de soluções melódicas e de arranjos programadas, onde tudo flui de maneira inventiva de modo exuberante e sentido.
Além dos temas já referidos, até ao final, canções como a divagante A Mess Of Everything e o rock épico e pulsante de Three Studies of The Mall Black afagam com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a doutrina deste autor, plasmada num folk rock muito ternurento, mesmo que às vezes pareça escondido no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação.

Há discos que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há instantes em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Álbum fortemente hermético porque que se fecha dentro de um campo muito próprio e por isso particularmente genuíno e emocionalmente pesado, New Shapes Of Life é um bom exemplo de como é possivel apresentar um trabalho artisticamente muito criativo, mesmo que assente a sua sonoridade numa amálgama aparentemente improvável que mistura folk, indie pop e indie rock, com post rock e alguns elementos eletrónicos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:46
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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

Mano a Mano - Mano a Mano Vol. 2

Os mais atentos ao jazz que se vai fazendo por cá consideram os irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro na atualidade. E são eles que dão a face pelo projeto Mano a Mano, que se estreou em 2014 nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de crowdfunding e que agora já tem sucessor. Mano a Mano Vol. 2 viu a luz do dia recentemente, onze canções que, de acordo com o press release do lançamento, centram-se num duelo dinâmico de guitarras, um disco cheio de momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato.

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Disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e orgânico e com uma forte toada bluesMano a Mano Vol. 2 vive do violão e das guitarras, como referi, mas também conta com o Braguinha/Machete, um instrumento tradicional da Madeira parecido com o cavaquinho, que faz a sua aparição em alguns temas. Como um todo, assenta numa filosofia sonora com uma especificidade muito própria e estreitamente balizada, mas não deixa, por isso, de nos oferecer um alinhamento sinuoso e cativante e que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão e até à dança, imagine-se. Dinah é um bom exemplo desta aparente ambivalência, numa canção que não pode deixar de ser ouvida sem ser acompanhada por um sorridente bater de pés ou um efusivo abanar de ancas, mas que também não deixa de exalar, na onda dos vários dedilhares que se cruzam entre si, a uma ode sobre o mundo moderno, sendo este tema a opção mais certa para percebermos, à partida, o modo como esta dupla é ímpar a materializar os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Depois, através da exploração de várias formas de diversificar os arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros), nomeadamente no tema antecessor, o single Super Mario, mas também no espraiar solarengo de A Cadeira, O Baloiço e a Rosa, no frenesim desafiador de Without a Song, na sumptuosa delicadeza que exala das constantes variações de tom em Vignette e no jazzístico arrojo pop a que sabe Nem tudo é o que parece, ficamos esclarecidos acerca de constante inquietação que lateja do diálogo que estes dois músicos estabelecem entre si, sempre a suplicar por um patamar de serenidade que felizmente nunca surge, porque este não é um disco para cativar sem primeiro espicaçar, até porque, mesmo sem letras, não deixa de ser, no seu todo, um exímio e lúcido contador de histórias que servem a qualquer comum dos mortais, deixemo-nos nós absorver por tudo aquilo que as cordas nos sussurram ao ouvido com indesmentível clareza.

Em suma, Mano a Mano Vol. 2 está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que mesmo este género de música tão específico e sui generis pode ser também um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer individual quer coletiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 20:50
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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

Grandfather's House - Diving

Braga é o poiso natural do projeto Grandfather’s House, banda que surigu há cerca de meia década pelas mãos do guitarrista Tiago Sampaio, ao qual se juntou, entretanto, a irmã Rita Sampaio na voz, dupla que lançou, em 2014, o seu primeiro registo, o EP Skeleton. Entretanto, João Vitor Costeira juntou-se e pegou na bateria e já na forma de trio editaram o ano passado Slow Move, o disco de estreia. Agora, cerca de um ano depois e já com Nuno Gonçalves nas teclas, irá viu a luz do dia Diving, o segundo lançamento do projeto em formato longa duração, um trabalho gravado e produzido na Mobydick Records (Braga) por Budda Guedes e os próprios Grandfather’s House e misturado e masterizado no HAUS (Lisboa) por Makoto Yagyu.

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Nah Nah Nah começa e enquanto não chega a voz enleante e subversiva de Adolfo Luxúria Canibal, os Grandfather's House parecem tocar submergidos num mundo subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco da melodia. Depois, já com o vocalista dos Mão Morta na linha da frente da síncope do tema, guitarras distorcidas e um baixo proeminente dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde se embrenharam e insistem em manter-se em Drunken Tears, desta vez com a guitarra a assumir um cariz mais ambiental, sustentada por várias camadas de sopros sintetizados, uma espiral pop onde não falta um marcante estilo percurssivo.

É este o arranque prometedor de um álbum que nos agarra pelos colarinhos e nos embrenha numa orgânica particularmente minimal, mas profunda e crua, um universo fortemente cinematográfico e imersivo, que instiga e provoca sem pedir licença, com aquela arrogância tipíca de quem sabe o que tem para oferecer e não se faz rogado na hora de colocar em cima da mesa todos os trunfos aos dispôr para ser bem sucedido, neste caso numa demanda sonora que pretende desafiar o lado mais reflexivo e introspetivo do ouvinte, mas também, em determinados momentos, a sua faceta mais libidinosa e misteriosa, eloquente e desafiante na guitarra inquietante que sustenta Sorrow. Alías, impregnado com uma densidade peculiar no modo como hipnotiza e seduz e alicercado naquele falso minimalismo que o compasso de umas palmas, efeitos sintetizados encobertos por uma cosmicidade algo nebulosa e o efeito divagante de uma guitarra proporcionam, You Got Nothing Lose, o primeiro single divulgado deste Diving, é um excelente exemplo desta espécie de duplicidade transversal a todo o alinhamento que, de acordo com o press release do mesmo, vai desde o despertar de memórias que pareciam adormecidas pelo tempo, crescendo uma raiva, quase um estado depressivo, transformando-se na sua aceitação e num estado de paz de espírito.

Diving avança e no piscar de olhos que é feito aquela pop vintage e charmosa, carregada de mistério em She's Looking Good e no som esculpido e complexo, onde é forte a dinâmica entre um enorme manancial de efeitos e samples de sons que parecem ser debitados pela própria natureza em In My Black Book, assim como na grandiosa cândura de Nick's Fault, damos de caras com mais um encadeamento de canções que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.

O ocaso de Diving acontece em grande estilo ao som do frenesim da guitarra e de uma bateria inebriante adornada por diversos efeitos cósmicos, em I Hope I Won't Die Tomorrow, o epílogo de um álbum onde não existiram regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos, um cenário idílico para os amantes de uma pop que olha de frente para a eletrónica e a dispersa em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico, mas também para aqueles apreciadores do rock progressivo mais experimental e por isso tendencialmente mais enérgico e libertário. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:46
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Quinta-feira, 19 de Outubro de 2017

Noiserv - Dezoito e edição de 00:00:00:00 em vinil.

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Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra,adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's Therehavendo, desde o outono de 2016 mais um compêndio de canções para juntar a esta lista, um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas um registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

Para comemorar um ano de existência, um dos destaques de 00:00:00:00, o tema DEZOITO, que encerra o alinhamento do álbum, acaba de ser editado em single. É uma canção que nos convida à introspeção e a meditar nas consequências dos nosos atos. Nas próprias palavras do músico, serve para se assumir que tudo tem um fim querendo tornar-se eterno e que tudo se reconstrói na inevitabilidade de terminar um dia. O videoclipe que acompanha este edição de DEZOITO em formato single teve realização partilhada com André Tentugal e o apoio da Câmara Municipal do Porto.

Ainda nas comemorações de um ano de existência, 00:00:00:00 acaba ctambém de ser editado em vinil. Num disco que já se conhecia transparente, muitas são emoções que nos transmite agora em doze polegadas girando a quarenta e cinco rotações por minuto.

Noiserv revelou ainda as datas de concertos até final do ano: de Leiria a Braga, passando pela Covilhã, Silves e St. Brieuc em França, terminando já perto do Natal no bonito Teatro Ibérico em Lisboa.

SEX. 27 OUTUBRO - Teatro José Lúcio | Leiria (Portugal)

SEX. 17 NOVEMBRO - Festival Para Gente Sentada | Theatro Circo, Braga (Portugal)

QUI. 23 NOVEMBRO - Festival Y#13 | Teatro das Beiras, Covilhã (Portugal)

SÁB. 25 NOVEMBRO – Teatro Mascarenhas Gregório, Silves (Portugal)

SEX. 01 DEZEMBRO - La Citrouille, St. Brieuc (França)

SEX. 22 DEZEMBRO - Teatro Ibérico, Lisboa (Portugal)

 


autor stipe07 às 13:19
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Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

Time For T - Hoping Something Anything

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o novo registo de originais dos Time for T de Tiago Saga. Refiro-me a um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, por este jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues.

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Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso das batidas e dos arranjos de Ronda, como ao próprio jazz, exuberante nos sopros e nas teclas de Back to School, indo também até ao blues experimental em India, aquele rock mais impulsivo e cru, audível em Rescue Plane e ao mais boémio que procura ser melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que a divertida Wax plasma na perfeição.

Este é, portanto, um compêndio de catorze canções ecléticas, com metade delas compostas logo desde o lançamento do ep homónimo do grupo em janeiro de 2015 e a outra metade inspiradas pela viagem de Tiago Saga à India no início de 2016. Mas, independentemente deste balizar temporal, cada uma delas tem vincada a sua própria identidade, estando todas de certo modo livres daquelas amarras que uma produção demasiado cuidada e límpida muitas vezes causa. Como o disco foi produzido pelos próprios Time For T, os temas acabam por soar aquele charme genuíno que os registos mais orgânicos quase sempre possuem. Ao vivo as versões dos temas não deverão diferir muito, nomeadamente em termos de arranjos e esse é, claramente, outro grande atributo deste Hoping Something Anything, um disco para ser escutado e saboreado num final de tarde relaxante e, de preferência, solarengo, juntamente com um bom chá,quente ou frio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:29
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Terça-feira, 26 de Setembro de 2017

Tomara - Favourite Ghost

Já chegou aos escaparates Favourite Ghost, o disco de estreia do projeto Tomara da autoria de Filipe Monteiro, um músico que começou por estudar Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes e que trabalhou em vídeos e na parte visual de concertos de nomes como os já extintos Da Weasel, mas também com Paulo Furtado, David Fonseca, Rita Redshoes, António Zambujo e Márcia. São oito canções plenas daquela nostalgia que provoca encantamento e torpor, temas que enquanto suavemente entram pelos nossos ouvidos, inapelavelmente nos arrebatam e conquistam e em definitivo.

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Logo nas cordas de Hollow Filipe Monteiro convida-nos ao exercício de contemplar o mundo que nos rodeia e, emsimultâneo, a acompanhar o modo como ele também observa o mesmo espaço exterior, mas com uma assertividade incomum, referindo que o mesmo se constrói de exercícios filosóficos que se transformam em tratados lançados para o barulho dos nossos dias e que é importante, vestirmo-nos, se de sapiência formos ricos, do que vale a pena. Este convite inicial e a posterior citação do autor acabam por ser o mote para um álbum que faz uma reflexão crítica bastante pessoal de uma contemporaneidade comum a todos nós, mas que pode ser observada e analisada com diferentes olhares e através de diversos ângulos, sendo o de Filipe claramente aquele que privilegia a componente visual e a musicalidade dessa mesma abordagem.

O disco prossegue e o balanço suave das teclas, as guitarras efusivas e a bateria marcante de Coffee And Toast, a primeira amostra divulgada de Favourite Ghost, remete-nos exatamente para esse universo impressivo, em que a música possibilita a formulação de um ideário e uma trama passíveis de desfilar pela nossa mente, neste caso explicada, novamente pelo próprio autor, como uma canção que narra de forma bela e redentora dias em que a felicidade foi, circunstancialmente, mergulhada num qualquer nevoeiro desordenado e difícil, quase penumbroso, mas com a música a voltar a colocar tudo nos eixos, já que devido a ela o amor emerge ressoante.

Daí em diante, qual soberano dos afetos, Filipe tanto nos faz sorrir sem medo do amanhã defronte da luz que exala da folk intuitiva que reina na acusticidade do tema homónimo, como faz balançar suavemente todo aquele caldo de sentimentos e ressentimentos que o nosso coração guarda sem rancor ao som da guitarra eletrificada que sustenta For No Reason, conseguindo também a proeza de, na pop caleidoscópica algo intrincada de Hope for The Beast, nos fazer acreditar piamente que por detrás dos nossos maiores monstros poderá estar aquele às de trunfo que precisamos de levar a jogo para que tudo volte a fazer sentido.

Favourite Ghost é um manual delicioso de exorcização e crença, com o bónus de carregar nos ombros além do rico manancial lírico que permite tal desiderato, conter ainda deliciosas canções adornadas por uma tranquilidade acústica, uma filosofia estilística que impressiona e fica exemplarmente descrita, guiada quase sempre por guitarras, ora límpidas, ora plenas de efeitos eletrificados algo insinuantes, mas sempre com uma profunda gentileza sonora. Muitas vezes, como é o caso de Land At The Bottom Of The Sea, a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e depois, canções como a cândida e intimista The Road ou o minimalismo suave delicioso de House, são outros exemplos extraordinários de temas que transbordam uma majestosa e luminosa melancolia.

Favourite Ghost conta com algumas participações especiais, nomeadamente Márcia na voz, no tema House e depois o quarteto de cordas de Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Ana Claúdia Serrão, que já gravaram, por exemplo, com Old Jerusalem e João Cabrita, João Marques e Jorge Teixeira nos sopros. Confere, já a seguir, a entrevista que o Filipe Monteiro gentilmente me concedeu e espero que aprecies a sugestão...

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Hallow

Coffe And Toast

Favourite Ghost

For No Reason

Hope For The Best

The Road

House (feat. Marcia)

Land At The Bottom Of The Sea

Olá Filipe. Obrigado pelo tempo que disponibilizas para responder ao meu blogue. É um gosto ouvir o teu disco de estreia, que me encantou imenso, confesso. Estudaste Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes e trabalhaste em vídeos e na parte visual de concertos de nomes importantes do nosso panorama musical. Como surgiu a ideia de te tornares também um músico?

Na verdade sempre fui músico ainda antes de ser tudo aquilo que mencionaste. O percurso que fui traçando na área do vídeo e da realização foi sendo construído sempre em paralelo com a musica. Após a “extinção” dos Atomic Bees, banda da qual fiz parte em finais dos 90’s, continuei a tocar com a Rita Redshoes (vocalista dos Atomic) e acompanhei-a em estúdio e no palco durante os dois primeiros discos. E agora toco com a Márcia desde 2011 e produzi o Casulo de 2013. A musica sempre esteve nos meus dias, antes de tudo o resto.

Favourite Ghost é, então, o título do teu álbum de estreia. Um título muito curioso que sustenta, na minha opinião, oito canções ambiciosas, impecavelmente produzidas e com um brilho raro e inédito no panorama nacional. Começo com uma questão cliché… Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este novo trabalho e como surgiu o título?

A minha grande expectativa, até agora, era terminar o disco porque foi um processo muito longo. Comecei a trabalhar nele em 2011 e só agora é que vai ver a luz do dia. Agora que está prestes a ser editado acho que o máximo que posso desejar é que ele consiga chegar aos ouvidos de quem por ele se afeiçoe. Não muito mais que isso, e já não é pouca coisa nos dias que correm.

O titulo vem de uma das canções que o compõem. Foi uma canção que escrevi para a minha filha que tem agora 5 anos e meio. É uma canção muito especial para mim e sintetiza muito do que é abordado no disco; fala de um amor incondicional, mas também do medo, da esperança e do Futuro. Os favourite ghosts são os medos essenciais que nos podem vir a definir, para o bem e para o mal, se não aprendermos a lidar com eles. Todo o disco é um reconhecimento desses medos ou fantasmas; uma tentativa de os olhar nos olhos e aprender a conviver com eles. E se não são ultrapassáveis, pelo menos para já, então que os mantenhamos à vista e por perto. Aprender a conviver com isso.

Quando é que este álbum começou a nascer na tua mente?

É uma vontade que vem desde sempre, mas que arrumei numa caixa, longe da vista, durante muitos anos. Mas a ideia concreta de fazer o disco, de assumir isso para mim próprio começou algures em 2011. Daí até hoje foi todo um processo demorado, com muitas interrupções pelo caminho. Se o disco hoje existe devo-o à Márcia que me “empurrou” para o fazer. E me amparou durante todo o processo.

Como é o teu processo de composição? Em que te inspiras para criar estas melodias que me pareceram tão próximas e que cativam com tanta intensidade? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea, ou são criadas individualmente, ou quase nota a nota e depois existe um processo de agregação?

Não tenho uma regra. E neste disco isso acontece. Há canções que nasceram da forma mais irreflectida que se possa imaginar. E a maioria talvez tenha surgido assim. Depois nos arranjos é que talvez as coisas difiram muito de caso para caso. A Coffee and Toast e a Favourite Ghost, por exemplo, são canções que levaram algum tempo até encontrarem a sua forma final. Mas quando encontro o “sitio” certo para uma canção é-me muito fácil reconhecê-lo. A For no Reason ou a House são canções cujo arranjo eu encontrei muito instintivamente, tal como os temas instrumentais.

Li algures que Favourite Ghost debruça-se sobre a capacidade de fazermos escolhas e filtramos o que mais nos interessa e nos faz feliz neste barulho dos nossos dias. É mesmo esta, no fundo, a grande mensagem que queres transmitir neste disco?

Essa citação é do Ricardo Mariano que escreveu o press release para o disco. Eu acho que estou demasiado próximo para conseguir ter a necessária lucidez. Mas fiquei muito feliz quando li essa frase por perceber que do disco ele teria retirado essa ideia. E gosto de acreditar que o disco transmite isso. Uma ideia de necessidade de auto-preservação daquilo que é mais importante para cada um. Não é fácil manter o tino nos dias que correm.

Favourite Ghost conta com algumas participações especiais, nomeadamente Márcia na voz, no tema House e depois o quarteto de cordas de Ana Pereira, Ana Filipa Serrão, Joana Cipriano e Ana Claúdia Serrão, que já gravaram, por exemplo, com Old Jerusalem e João Cabrita, João Marques e Jorge Teixeira nos sopros. Como foi selecionar e agregar nomes tão ilustres à tua volta? Eram pessoas com quem quiseste desde logo, à partida, trabalhar neste disco, ou foram surgindo e sendo convidadas à medida que as canções iam tomando forma no teu âmago?

A Márcia foi uma escolha óbvia. Além de ser a minha grande companheira de Vida foi a pessoa que me levou a assumir que queria fazer um disco, e que tinha de o fazer. Devo-lhe isso e muito mais. E a canção que cantamos só poderia ser cantada por nós, a dois.

As cordas e os metais surgiram já na recta final de produção do disco. Algumas canções pediam para crescer mais um pouco. E procurei, entre amigos, as pessoas certas para me ajudarem a concretizar isso.

Confesso que o que mais me agradou na audição deste álbum foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muitos de forma quase imperceptível, conferindo à sonoridade geral de Favourite Ghost uma clara sensação de riqueza e bom gosto. Em termos de ambiente sonoro, o que idealizaste para o álbum inicialmente correspondeu ao resultado final ou houve alterações de fundo ao longo do processo?

Alterações de fundo não. As canções foram crescendo lentamente. Como o processo foi tão demorado fui tendo tempo e distância para as imaginar com muita calma. Por isso não houve nenhum volte face em nenhuma canção. Simplesmente umas estiveram mais tempo em gestação.

Durante a feitura do disco, houve outros que tivesses ouvido muito e te tenham influenciado?

Nem por isso. Ou pelo menos não directamente ou conscientemente. Aquilo que ouço e me cativa não me faz necessariamente querer estar próximo artisticamente. Um dos discos que mais ouvi nestes últimos tempos foi o do Benjamin Clementine. O disco inspira-me imenso mas se calhar a outros níveis, não propriamente na musica que faço. Acho que só consigo fazer aquilo que sou. E eu não sou o Benjamin Clementine. Mas sinto as influências muitas vezes quando componho. E não fujo delas. São referências que fui acumulando ao longo dos anos e algumas nem são propriamente de artistas que tenha ouvido assim com tanta intensidade. Mas estão próximos do meu DNA.

O teu single Coffee and Toast, teve, na minha opinião, uma excelente e justa aceitação, quer por parte do público, quer por parte da crítica. Surpreendeste-te com a popularidade de uma canção que até não vai muito de encontro aos géneros populares do momento e tal facto também te fez aumentar as expectativas relativamente a este pontapé de saída do projeto Tomara?

Fiquei muito feliz com a recepção ao Coffee and Toast. Tenho perfeita consciência que a minha musica não é talhada para um mainstream e daí as minhas expectativas centrarem-se apenas na vontade de que a musica chegue aos ouvidos de quem dela possa gostar. E sei que esse público existe. Acho que foi um primeiro passo bonito.

Não sou um purista e acho que há imensos projetos nacionais que se valorizam imenso por se expressarem em inglês. Há alguma razão especial para cantares em inglês e a opção será para se manter?

Não existe nenhuma razão especial excepto o facto de me sentir bem a cantar e escrever em inglês. Foi e é uma ambição minha para este projecto ter canções em português porque acho que não há forma mais intensa de comunicar do que na nossa própria língua. Mas neste disco isso acabou por não fazer sentido porque as canções nasceram desta forma e nesta língua. Tentar forçar isso pareceu-me um exercício contra-natura, que iria retirar muita da honestidade que reconheço no disco. No futuro sim, espero conseguir fazer isso e inclusive ter outras vozes a cantar com a minha. Pode parecer estranho dizer isto de um projecto em que gravo os instrumentos todos e canto as canções sozinho, mas a minha ambição para TOMARA é que se torne cada vez mais um projecto colaborativo e não solitário. Este foi apenas o primeiro passo e teve de ser dado desta forma.

O que vai mover Tomara será sempre esta pop folk simultaneamente vibrante e contemplativa, com pitadas de jazz e blues, ou gostarias ainda de experimentar outras sonoridades? Em suma, o que podemos esperar do futuro discográfico deste projeto?

Não tenho fronteiras estilísticas para além do meu próprio DNA musical. O processo criativo leva-te sempre (se estiveres aberto a isso) a alargar as tuas próprias fronteiras e acho que isso irá acontecer naturalmente. As minhas “raízes” Folk talvez se mantenham perenes no caminho mas abrem espaços para deixar entrar outras cores. E isso é um processo orgânico e contínuo. Nunca farei um “esforço” para chegar a determinada sonoridade porque isso seria travestir-me artisticamente e não acredito nisso. Pelo menos não para mim.

Obrigado! Um abraço ☺

Obrigado eu pelas perguntas atentas e generosas.


autor stipe07 às 21:52
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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

TIPO - Jugoslávia

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Quando em 2015 Salvador Menezes, consagrado membro fundador dos You Can't Win, Charlie Brown, decidiu tirar uns dias de descanso, nunca imaginaria que iria nesse breve interregno incubar um dos mais curiosos projetos a solo do panorama musical nacional atual. Servindo-se de um casio com mais de três décadas do tio, de uma guitarra com três cordas dos anos noventa da irmã, da bateria do irmão e do seu baixo, computador e voz, criou quatro temas, nascendo, assim, TIPO.

Agora, dois anos depois, com um novo emprego, a viver numa outra casa, com três discos dos You Can't Win, Charlie Brown em carteira e já com a paternidade a fazer parte da sua existência, TIPO tem já temas suficientes para se aventurar no formato longa-duração, sendo Jugoslávia o mais recente single divulgado desse que será o seu álbum de estreia, que foi co-produzido por Afonso Cabral, Luís Nunes e Salvador Menezes e terá o selo da Pataca discos e o apoio da Vodafone FM e da GDA, contando também com alguns convidados, nomeadamente Tomás Sousa, quer no single Acção-Reacção, quer nesta Jugoslávia. Esta canção mostra uma faceta pop bastante exuberante e luminosa deste projeto TIPO, através de uma infecciosa harmonia vocal e uma melodia magistral bastante virtuosa e cheia de cor, arrumada com arranjos meticulosos e lúcidos. Confere...


autor stipe07 às 22:27
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Domingo, 10 de Setembro de 2017

Noiserv - Caixa de música ONZE

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Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como Noiserv. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs 56010-92 e A Day in the Day of the Days, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns One Hundred Miles from Thoughtless Almost Visible Orchestra,adocicados pelo DVD Everything Should Be Perfect Even if no One's Therehavendo, desde o outono de 2016 mais um compêndio de canções para juntar a esta lista, um trabalho intitulado 00:00:00:00, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas um registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.

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A dois meses de comemorar um ano de existência, um dos destaques de 00:00:00:00, o tema ONZE, foi transportado para uma bonita caixinha de música, com as teclas do piano a serem replicadas por aquela sonoridade algo metálica, tipicamente infantil, que costuma caraterizar estes objetos que fazem parte do imaginário de todos nós. Compete-nos agora seguir o conselho do David e tornar a música nossa, tocando-a à nossa velocidade.

Num ano cheio de concertos um pouco por todo o lado, dentro e fora do nosso país, Noiserv considera esta uma boa forma de comemorar a boa receptividade que o disco tem tido junto do público e realmente parece-me uma excelente ideia e que terá certamente grande aceitação. Confere um excerto do tema e o aspecto da caixa e os próximos concertos de Noiserv.

Próximos concertos:

QUA. 13 SETEMBRO- Festival Le Chainon, Laval (França)

SÁB. 16 SETEMBRO - Cineteatro João verde, Monção (Portugal)

DOM. 17 SETEMBRO - Festival Iminente, Oeiras (Portugal)

SEX. 22 SETEMBRO - Teatro Baltazar Dias, Funchal (Portugal)


autor stipe07 às 16:53
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