Quarta-feira, 26 de Abril de 2017

Galo Cant’Às Duas - Os Anjos Também Cantam

Moita, no concelho de Castro Daire, é um ponto geográfico nevrálgico fulcral para o projeto Galo Cant’às Duas, uma dupla natural de Viseu, formada por Hugo Cardoso e Gonçalo Alegre e que tocou pela primeira vez nesse local, de modo espontâneo, durante um encontro de artistas. Nesse primeiro concerto, o improviso foi uma constante, com a bateria, percussões e o contrabaixo a serem os instrumentos escolhidos para uma exploração de sonoridades que, desde logo, firmaram uma enorme química entre os dois músicos.

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Inspirados por esse momento único, Hugo e Gonçalo arregaçaram as mangas e começaram a compor pouco tempo depois, ao mesmo tempo que procuravam dar concertos, sempre com a percussão e o contrabaixo na linha da frente do processo de construção sonora. A guitarra e o baixo elétrico acabam por ser dois ingredientes adicionados a uma receita que tem visado, desde este prometedor arranque, a criação de um elo de ligação firme entre duas mentes disponíveis a utilizar a música como um veículo privilegiado para a construção de histórias, mais do que a impressão de um rótulo objetivo relativamente a um género musical específico.

O desejo de gravar um disco de estreia acabou por ser um passo óbvio para os Galo Cant'às Duas e para isso refugiaram-se, com a ajuda de Miguel Abelaira, durante uma semana nos estúdios HAUS com Makoto Yagyu e Fábio Jevelim para gravar, produzir e misturar Os Anjos Também Cantam, nome desse trabalho lançado pela Blitz Records e distribuído pela prestigiada Sony Music Entertainment.

O disco arranca com Marcha dos que voam, a primeira amostra divulgada, uma canção que plasma a inegável ousadia e mestria instrumental da dupla, que pôe um olho no rock progressivo e outro num salutar experimentalismo psicadélico e depois chega Respira, uma composição que impressona pelo efeito inicial das cordas, livres e expansivas, parceiras ideais da bateria para uma viagem de descoberta de um leque variado de extruturas e emoções que se vão sobrepondo e antecipando diversas quebras e mudanças de ritmo e fulgor. Depois, num curioso efeito agudo, na distorção de uma flauta que amiúde corta e rebarba e no potente riff do baixo que marca o pendor de Processo Entre Viagens e, no ocaso, a aparição da voz que afirma apenas e só, mas de modo convincente, Seremos todos nada, para que te convenças, abraçada por uma melodia sintetizada frenética, em Aparição, encerram pouco mais de trinta minutos de um registo que é um dos mais desafiantes, sensoriais, inusitados e multifacetados do cenário musical indie e alternativo nacional de 2017. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 13:15
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Sexta-feira, 21 de Abril de 2017

Trêsporcento - Território Desconhecido

Quase cinco anos depois do excelente Quadro, os lisboetas Trêsporcento, deTiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista), parecem apostados em fazer de 2017 mais um ano memorável na já respeitável carreira de um dos projetos essenciais do universo indie sonoro nacional. Para isso contam com Território Desconhecido, o terceiro e novo álbum do grupo, que viu a luz do dia a sete de abril último.

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Gravado desde Junho passado até ao início deste ano, misturado por Carlos Jorge Vales e masterizado por Miguel Pinheiro Marques, Território Desconhecido conta com a participação especial de Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu e gravou o disco no Estúdio do Olival, à excepção das baterias que foram captadas por Manuel San Payo.

Logo em O Sonho, tema que abre o alinhamento de Território Desconhecido e a concretização de um desejo antigo da banda de compôr uma canção em que o refrão fosse um simples instrumental, fica vincada uma salutar ideia de maturidade, numa canção atual e que nos mostra uns Trêsporcento fiéis a si próprios e a trilharem de modo assertivo e criativo aquele percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop aberta e luminosa e sempre cantada em português.

Depois da porta para esse Território Desconhecido se abrir de modo opulente e magnâmino, somos surpreendidos em Um Grande Passo pela exuberância contida mas firme de uma flauta transversal, que, aliando-se às cordas, recosta-nos para o fundo daquele fiel cadeirão onde bocejamos as nossas agruras amorosas. Mas pouco depois e logo a seguir à luminosidade incontida dos punhos fechados que conduzem Tempos Modernos, somos salvos pelo ambiente intimista de Stoner, canção que parecendo levitar num oásis de detalhes eletrónicos, contém um suave travo vintage, ao nível dos arranjos da guitarra e dos detalhes vocais, à herança da nossa música mais tradicional.

Até ao ocaso de Território Desconhecido nunca nos sentimos defraudados pela audição de todo este receituário inédito no panorama sonoro nacional atual e, à medida que o alinhamento prossegue, conseguimos, com indubitável clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que vão sendo adicionados e que esculpem as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da voz e alguns arranjos sintéticos a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que uma canção toma e nas sensações que transmite. Quer na arrebatadora simplicidade das cordas de Cabeça Ocupada, canção com um grau de emotividade extrovertida ímpar, ou no devaneio rock de A Ciência, assim como, numa faceta oposta, no posicionamento clássico do dedilhar da viola que constrói a melodia de Papa Figos, tema que homenageia o famoso vinho da Casa Ferreirinha, mesmo havendo várias abordagens díspares a um território sonoro impecavelmente delimitado, é possível irmos, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie rock pop folk feito por mestres impregnados com um intenso bom gosto e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa.

Escutar os Trêsporcento atualmente é um elixir revitalizador para o espírito, aconchega a alma e faz esquecer, nem que seja por breves instantes, aquelas atribulações que de algum modo nos afligem. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:36
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Terça-feira, 4 de Abril de 2017

oLUDO - Abraço

Estrearam-se em 2009 com Nascituro, disco que incluia o grande sucesso A Minha Grande Culpa, um dos temas mais rodados das rádios nesse ano e que foi escolhido para banda sonora dos separadores do canal Sic Radical. Dois anos depois regressaram aos lançamentos discográficos com Almirante e agora, três anos volvidos, estão de regresso com um álbum intitulado Abraço. Falo dos oLUDO, um coletivo algarvio formado por Davide Anjos, João Baptista, Nuno Campos, Paulo Ferreirim e Luis Leal.

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Álbum que, de acordo com os próprios, procura personificar uma espécie de encruzilhada entre o rock e o indie pop português, Abraço era aguardado por cá com enorme expetativa, ampliada depois de ter chegado à nossa redação o single homónimo. E as expetativas não sairam nada goradas porque ao longo das dez canções do alinhamento de Abraço é possível usufruir de uma verdadeira catarse sonora, porque apesar de transportar a gloriosa e profícua era musical portuguesa do final do século passado, tendo-a, continuamente, em ponto de mira, consegue também, de modo transversal, atingir e plasmar uma marca impressiva de contemporaneidade, fazendo-o com um bom gosto estilístico, quer lírico, quer instrumental, realmente incomum.

O disco arranca e no tema homónimo somos logo sugados para os traços indeléveis que caraterizam o adn pop destes oLUDO, embalados pelas guitarras e por uma postura vocal convincente, dois traços que transbordam ao tal período de exaltação que elevou o rock nacional ao seu período de ouro para, logo depois, na distorção da guitarra que embala o refrão de O Que Não Se Vê e no modo como ela se entrelaça com a percurssão em Sangue E Esperança, sermos confrontados com uma toada ainda mais elétrica e progressiva. Já o andamento profundamente hipnótico de Quero O Que Não Vejo exala uma salutar psicadelia que enriquece significativamente o manancial de estilos, tendências e géneros sonoros de um disco que chega a emocionar de modo profundo, e algo particular até, no dedilhar da viola que conduz aos píncaros a delicada nuvem de emoções que exala da lindíssima canção Alma Que Pensa, um momento sublime deste disco, juntamente com o piano que lacrimeja em Tango para a Ana, duas provas felizes de que a pop não precisa de ser demasiado complicada para ser audível com prazer e para ter a capacidade de fornecer tónicos suficientemente poderosos para mover todas aquelas montanhas que asfixiam o nosso âmago.

Em Abraço percebe-se que no processo de construção das canções houve uma guitarra inspirada que pautou a ordem das mesmas e depois foram surgindo os outros instrumentos e toda a avalanhce de arranjos e trechos melódicos que deram aos temas e à toada geral do registo a roupagem que ele necessitou para ter o brilho, a harmonia e a cor que estes músicos certamente procuraram tentar transmitir, num álbum que cativa e que apela a todos os nossos sentidos, ao mesmo tempo que firma estes oLUDO no lote restrito de projetos ímpares e merecedores de superior devoção no panorama sonoro nacional atual. Confere...


autor stipe07 às 21:55
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Joana Barra Vaz - Mergulho em Loba

Quando no início do passado mês de setembro foi divulgado o tema Tanto Faz, ficou logo bem patente a enorme emotividade, charme e bom gosto de Mergulho Em Loba, o novo disco de Joana Barra Vaz. Contando com a participação especial vocal de Selma Uamusse na voz, a meias com Joana, uma colaboração que surgiu de uma estreita afinidade entre ambas, essa canção foi, portanto, uma excelente porta de entrada para um alinhamento com mais sete temas e que é mais um capítulo da trilogia f l u m e iniciada com Passeio Pelo Trilho (Ed. Azáfama 2012).

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Na música de Joana Barra Voz tudo é cor, alegria e movimento. O modo como ela se comunica connosco corporalmente, não só através da voz mas também da expressividade com que se embrenha nas diferentes personagens que parecem levitar nas suas canções, fazem desta artista um caso sui generis no panorama musical nacional contemporâneo. Nela, como esse single nos mostra, há muito de uma África que imprimiu no nosso adn traços que nunca se extinguirão, mas basta ouvir as cordas que lacrimejam em Margem de Lá para também se entender como Joana transporta no seu âmago muito daquele melancólico virtuosismo lusitano, decalcado séculos a fios por uma ancestralidade escrita a granito e terra preta. Suite I, a curiosa agregação de composições que abre o disco, acaba por concretizar toda esta mistura que, no fundo, é a síntese identitária deste pequeno retângulo, tão rico em multiculturalidade, luz, alegria e esperança, mas também ainda tão impregnado de tudo aquilo que de bom e menos bom têm a bonomia, o cinzentismo, o desânimo fácil e aquela ideia de fatalismo irracional que tantas vezes nos diz presente.

Personificando um universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, Mergulho em Loba presenteia-nos com uma espécie de súmula de toda uma amálgama de elementos e referências sonoras, como se todo o arsenal instrumental que Joana Barra Vaz utilizou servisse para, no momento certo, assim como uma linha de costura, unir pedaços separados e que precisavam de ser agregados. São oito peças sonoras que nos embalam num casulo de seda, criadas por uma virtuosa que possui uma soul claramente envolvente e uma espiritualidade invulgarmente quente, mas também reflexiva.

Mergulho em Loba foi gravado por Bernardo Barata, que foi assistido por Diogo Rodrigues nos Estudios Iá, Luís Nunes e Joana Barra Vaz na SMUP e conta com a participação dos músicos David Pires (Bateria, Arranjos ritmo e sopros, coro), Ricardo Jacinto (Violoncelo), David Santos (Baixo eléctrico), Ana Nagy (Coros), Mário Amândio (Trombone) e Gabriel Correia (Trompa), tendo sido composto, arranjado, e produzido pela própria Joana Barra Vaz, co-produzido por Luís Nunes e misturado por Tiago Sousa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:20
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Sábado, 18 de Março de 2017

Cave Story - Trying Not To Try (vídeo)

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Os Cave Story de Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga (guitarra e voz) andam atualmente em digressão pela Europa e acabam de apresentar um belo vídeo para Trying Not To Try, tema que é um dos grandes destaques de West, disco que esta banda das Caldas da Rainha lançou no ocaso do ano passado.

Idealizado pelo próprio Gonçalo Formiga e realizado por João Pombeiro, o filme que ilustra Trying Not To Try continua a narrativa mais recente da banda, quer estética quer sonora, que aqui coabita com diferentes paisagens mais ou menos conhecidas enquanto nos mostra alguns dos seus melhores atributos sonoros, descritos dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre. Confere...


autor stipe07 às 17:32
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Terça-feira, 14 de Março de 2017

Vaarwell - Homebound 456

Foi no passado dia dez de março que os Vaarwell de Margarida Falcão, Ricardo Correia e Luis Monteiro, editaram Homebound 456, um lindíssimo trabalho, o longa duração de estreia de um projeto de indie pop nascido em Lisboa em finais de 2014 e que lançou, em Maio de 2015, Love and Forgiveness, o EP de estreia. É um alinhamento de doze canções gravadas por Joaquim Monte no Namouche Estúdio, misturadas e co-produzidas por Paulo Mouta Pereira e masterizadas por Miguel Pinheiro Marques (SDB Mastering). Para além dos Vaarwell, o disco conta ainda com a participação de Tomás Borralho (Anthony Left) e Diogo Teixeira de Abreu (Lotus Fever) nas baterias, Paulo Mouta Pereira (David Fonseca) no piano e Bernardo Afonso (Lotus Fever) nas teclas. O design foi da responsabilidade d​e​ Manuela Abreu Peixoto.

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Homebound 456 é um porto de abrigo acolhedor, cheio de virtudes e tentações, uma lufada aconchegante que nos protege e embala, tenhamos nós a disposição e o desejo de nos deixarmos contagiar por um compêndio de beleza melódica, lírica e instrumental incomum. A voz da Margarida é, por si só, capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, mas os arranjos e os instrumentos que sustentam as canções permitem também um suave levitar, tal é o rol de emoções que transmitem e a intensidade das mesmas. Se em Floater a distorção da guitarra calcorreia, sem receio, terrenos mais progressivos com forte sabor ao terreno e ao palpável, já nos metais que cirandam por American Dream a emoção instala-se, com 123 a recalcar toda a recatada introspeção, fortemente contemplativa, que Homebound 456 proporciona. Neste tema, o modo como a guitarra explode, não coloca em causa esta agradável sensação de letargia, servindo até como modo de nos fazer perceber que o que ouvimos é real, existe e foi composto por uma banda bastante assertiva, criativa e inspirada no momento de criar música.

Homebound 456 acaba por ser um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da filosofia dos Vaarwell e a maneira como exploram essa unidade e como selecionam as nuances sonoras que interligam as canções, contém um charme sedutor difícil de explicar. Aliás, se dúvidas ainda vão subsistindo, as variações ritmícas e o arsenal instrumental de Sheets, o tema que encerra o alinhamento, esclarecem definitivamente o mais céptico. No fundo, a receita é uma mescla efusivamente minimal de alguns detalhes implícitos do clássico rock experimental e lisérgico, com alguns dos principais atributos da eletrónica e da pop atual, com todos estes acertos a encontrarem o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de I Never Leave, I Never Go, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior um eco que faz parecer que existem dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. O assunto da canção pode não ter nada a ver com esta ideia, mas foi a isso que ela me soube.

No restante alinhamento de Homebound 456, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira You e o incisivo espairecer que nos suscita a guitarra de Waiting Game, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado na simplicidade do tema homónimo, por outro, insistem na já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que consegue apontar novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop nacional atual e que logo ao primeiro disco instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:38
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Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Luis Severo - Luis Severo

Apresentado pela Cuca Monga, Luis Severo é o novo álbum de Luís Severo, um homónimo que sucede ao excelente trabalho Cara d’Anjo. Gravado e produzido em Alvalade com a ajuda de Diogo Rodrigues e de Manuel Palha e masterizado por Eduardo Vinhas no Golden Pony, Luis Severo está disponível no bandcamp desde sexta-feira, dia dez de Março e conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Teresa Castro, Bia Diniz e Primeira Dama nos coros, Tomás Wallenstein nos violinos, Violeta Azevedo nas flautas e Salvador Seabra na percussão. As fotografias do artwork do disco são da autoria de Francisco Aguiar e Raquel Rodrigues.

Registo bastante tocante e emotivo, contendo uma salutar contemporaneidade lírica e instrumental, proporcionada por um dos nomes maiores da nova música nacional, Luis Severo confirma e potencia uma das certezas maiores do panorama musical luso, que foi em tempos apelidado de Messi do nacional-cançonetismo, por causa de Cara d'Anjo, um trabalho de estreia que plasmou todos os excelentes atributos artísticos deste ex-O Cão da Morte. Assim, em oito canções, muitas delas resultantes de melodias que o músico já guardava no seu âmago, aguardando materialização, há alguns anos, Luis Severo configura uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco. A superior complacência romântica que transborda dos violinos de Amor E Verdade, as reminiscências da melhor pop oitocentista que contemplamos na luminosidade de A Escola, o swing buliçoso das cordas de Planície (tudo igual), ou o frenesim charmoso da guitarra que conduz Boa Companhia, podem muuto bem servir de inspiração para os filmes que na nossa mente podemos produzir com estas canções, sendo este realismo impressivo talvez o atributo maior de um trabalho bastante colorido e diversificado, não só porque é sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, mas também porque, numa outra perspetiva, pode também mostrar-se absolutamente minimal, incrivelmente simples e estupendamente crú, tal é o modo aberto e desafiante como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida.

É curioso constatar o acerto temporal em que Luis Severo chega aos escaparates, fazendo-o em pleno inverno tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós na próxima primavera, já que este é um alinhamento perfeito para saborear buliçosamente todos os odores, sensações, cores e flirts que a aproximação regular e anual do sol ao nosso hemisfério sempre suscita. E o verão está também logo ali, em O Olho de Lince. Se ouvirem o tema, vão perceber porquê. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:12
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Quarta-feira, 1 de Março de 2017

Meursault - I Will Kill Again

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os Meursault de Neil Pennycook estão de regresso aos discos, quase cinco anos depois do antecessor, com I Will Kill Again, dez canções que refletem de modo preciso o título do trabalho, já que se debruçam naquela ideia de que todos nós temos um lado mais obscuro e que muitas vezes, nos nossos momentos de maior dilema, acabamos por criar duas personagens distintas no nosso eu, com cada uma a puxar-nos para o lado que mais lhe interessa Para tornar ainda mais realísticas estas canções, Neil criou para elas duas personagens, um escritor chamado William e uma fantasma, a Sarah.

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Os Meursault estiveram em suspenso durante um determinado período de tempo, em 2014, porque Neil sentiu algumas dificuldades em responder positivamente aos anseios e às exigências cada vez maiores quer de fãs quer da própria crítica, em relação à música da banda. No entanto, estas canções já vinham a ser incubadas há quatro anos e em boa hora foram gravadas já que, como facilmente perceberão, permitem-nos usufruir de lindíssimos instantes sonoros, quer instrumentais quer poéticos, conduzidos quase sempre por pianos e cordas, numa toada geral bastante charmosa e com uma curiosa contemporaneidade. É uma espécie de simbiose entre uma folk introspetiva, com a indie pop e a música de câmara e sonoridades mais clássicas, como se percebe logo no delicioso instante acústico Ellis Be Damned e na toada mais jazzística e algo boémia de Belle Amie, mas também na luminosidade dos efeitos que brotam da guitarra de The Mill e no abraço que as cordas da viola e as teclas do piano dão na toada pastoral de Ode To Gremlin e na turbulência algo sombria e engimática, mas contundente de Klopfgeist.

I Will Kill Again é um refúgio bucólico pensado para nos fazer amainar um pouco em instantes de dúvida e de tempestade. Pode ajudar-nos a clarificar a a assentar ideias e a refletir sobre as melhores saídas para algumas decisões, até porque não hesita em mostrar-nos as duas faces da mesma moeda que personifica a construção da nossa identidade enquanto ser pensante, mas também emotivo. Para que tal suceda de modo fluído e espontâneo, existe uma tranquilidade acústica ao longo do álbum e os temas são guiados por uma profunda gentileza sonora, que acaba por funcionar como uma espécie de recomendação subtil, que fica a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. Espero que aprecies a sugestão...

Meursault - I Will Kill Again

01. …
02. Ellis Be Damned
03. The Mill
04. Ode To Gremlin
05. Klopfgeist
06. Oh, Sarah
07. Belle Amie
08. Gone, Etc…
09. I Will Kill Again
10. A Walk In The Park


autor stipe07 às 15:56
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Trêsporcento - O Sonho

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Quase cinco anos depois do excelente Quadro, os lisboetas Trêsporcento, deTiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista), parecem apostados em fazer de 2017 mais um ano memorável na já respeitável carreira de um dos projetos essenciais do universo indie sonoro nacional. Para isso contam com Território Desconhecido, o próximo álbum do grupo, que irá ver a luz do dia a sete de abril próximo.

Gravado desde Junho passado até há poucas semanas, misturado por Carlos Jorge Vales e masterizado por Miguel Pinheiro Marques, Território Desconhecido conta com a participação especial de Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu e gravou o disco no Estúdio do Olival, à excepção das baterias que foram captadas por Manuel San Payo. 

O Sonho é o primeiro single retirado de Território Desconhecido e nele a ideia de maturidade é a que salta mais à vista quando apreciamos a atualidade de uma canção que nos mostra os Trêsporcento fiéis a si próprios e a trilharem de modo cada vez mais assertivo e criativo o percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop aberta e luminosa e sempre cantada em português. Confere...

 


autor stipe07 às 09:52
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2017

Mariano Marovatto - Lá Cima Ao Castelo.

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Brasileiro de nascimento, tendo isso sucedido a um de abril de 1982, no Rio de Janeiro, mas a residir atualmente em Lisboa, o escritor, cantor e compositor luso-brasileiro Mariano Marovatto começa a ganhar notoriedade devido ao seu trabalho artístico e nos dois lados do atlântico. E a música é, sem dúvida, a sua forma de expressão artística predileta, tendo como mais recente materialização um álbum intitulado Selvagem, que chegou aos escaparates há poucos dias e que encontra muita da sua génese na aldeia de Monsanto, como se percebe em Lá Cima Ao Castelo, o single já retirado do alinhamento.

Originalmente título de uma moda cantada durante a Festa do Castelo que ocorre anualmente na primeira semana de maio em Monsanto, aldeia de Castelo Branco, Lá Cima Ao Castelo, sobre o olhar de Marovatto, é uma lindíssima canção que coloca a nú todo o esplendor, bom gosto e criatividade de um músico ímpar no modo como entrelaça instrumentos e melodia e lhes dá um cunho bastante misterioso e sensorial. A canção já tem também direito a um vídeo, da autoria da cineasta russa Anastasia Lukovnikova e usa a aldeia como pano de fundo, complementando, na perfeição, o cariz fortemente impressivo da composição. Confere...


autor stipe07 às 18:53
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