Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Lush Purr - Cuckoo Waltz

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os escoceses Lush Purr dos irmãos Gavin Will e Rikki Will, aos quais se juntam Emma Smith e Andres Fazio, nasceram das cinzas dos míticos The Yawns e, à imagem desse consagrado projeto, seguem na senda de um indie punk rock psicadélico com um certo pendor lo fi e que tem em Cuckoo Waltz o trabalho de estreia. São treze notáveis canções incubadas em Glasgow, cidade escolhida pela banda para ponto de encontro de músicos que, entre Aberdeen e Santiago do Chile, se distribuem por diferentes proveniências, mas que nessa cidade em boa hora se conheceram e resolveram compôr juntos.

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O disco inicia com Wave e logo se percebe um fio condutor bem definido, assente na primazia das cordas, que vão deixando-se levar por um salutar experimentalismo, à medida que progridem e ampliam a tonalidade da canção. Depois, em Bananadine, um riff eletrificado e o modo como a bateria se encaixa na melodia, têm o propósito bem claro de captar definitivamente o lado mais radiofónico do ouvinte, sem colocar em causa uma certa ousadia experimental, à qual aludi acima e que acabará por ser transversal a todas as canções independentemente do rumo que as mesmas tomem.

Depois deste início prometedor e já completamente absorvidos pelo conteúdo de Cuckoo Waltz, Horses On Morphine, mantendo o estilo, acelera o ritmo até territórios de maior pendor punk, para, pouco depois, em Stuck In A Bog, sermos surpreendidos pela acutilância percurssiva de uma bateria cheia de personalidade e por mudanças de acordes bem delineadas e em (I Admit It) I’m A Gardener, por uma ainda maior rugosidade, quer percussiva, quer elétrica, uma espiral crescente de fulgor e emotividade que não deserma até ao fim. É uma forma de compôr e de manusear o arsenal instrumental escolhido que não deixa margem para dúvidas relativamente ao modo excitante e anguloso como os Lush Purr conseguem cirandar por diferentes espetros sonoros e parecendo que flutuam entre eles, conseguem criar sempre fios condutores que facultam uma homogeneidade bastante impressiva ao disco, sem que ele deixe de exalar uma superior maturidade e um ecletismo claramente indie.

Até ao ocaso, com o baixo de Mr. Maybe, que dita regras de modo ditadorial, mesmo que a guitarra procure imiscuir-se na liderança do ambiente do tema, com, em I, Bore, a opção por um travo algo vintage ou com o noise algo contemplativo da guitarra de Triple Squit, existe sempre a tal variedade de referências a palpitar e fica a certeza que estes Lush Purr são uma das novidades mais refrescantes deste verão indie e que o rock que seguram com unhas e dentes, feito de um certo experimentalismo alternativo novecentista, dificilmente encontra melhores interlocutores. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:05
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Quarta-feira, 1 de Março de 2017

Meursault - I Will Kill Again

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os Meursault de Neil Pennycook estão de regresso aos discos, quase cinco anos depois do antecessor, com I Will Kill Again, dez canções que refletem de modo preciso o título do trabalho, já que se debruçam naquela ideia de que todos nós temos um lado mais obscuro e que muitas vezes, nos nossos momentos de maior dilema, acabamos por criar duas personagens distintas no nosso eu, com cada uma a puxar-nos para o lado que mais lhe interessa Para tornar ainda mais realísticas estas canções, Neil criou para elas duas personagens, um escritor chamado William e uma fantasma, a Sarah.

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Os Meursault estiveram em suspenso durante um determinado período de tempo, em 2014, porque Neil sentiu algumas dificuldades em responder positivamente aos anseios e às exigências cada vez maiores quer de fãs quer da própria crítica, em relação à música da banda. No entanto, estas canções já vinham a ser incubadas há quatro anos e em boa hora foram gravadas já que, como facilmente perceberão, permitem-nos usufruir de lindíssimos instantes sonoros, quer instrumentais quer poéticos, conduzidos quase sempre por pianos e cordas, numa toada geral bastante charmosa e com uma curiosa contemporaneidade. É uma espécie de simbiose entre uma folk introspetiva, com a indie pop e a música de câmara e sonoridades mais clássicas, como se percebe logo no delicioso instante acústico Ellis Be Damned e na toada mais jazzística e algo boémia de Belle Amie, mas também na luminosidade dos efeitos que brotam da guitarra de The Mill e no abraço que as cordas da viola e as teclas do piano dão na toada pastoral de Ode To Gremlin e na turbulência algo sombria e engimática, mas contundente de Klopfgeist.

I Will Kill Again é um refúgio bucólico pensado para nos fazer amainar um pouco em instantes de dúvida e de tempestade. Pode ajudar-nos a clarificar a a assentar ideias e a refletir sobre as melhores saídas para algumas decisões, até porque não hesita em mostrar-nos as duas faces da mesma moeda que personifica a construção da nossa identidade enquanto ser pensante, mas também emotivo. Para que tal suceda de modo fluído e espontâneo, existe uma tranquilidade acústica ao longo do álbum e os temas são guiados por uma profunda gentileza sonora, que acaba por funcionar como uma espécie de recomendação subtil, que fica a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. Espero que aprecies a sugestão...

Meursault - I Will Kill Again

01. …
02. Ellis Be Damned
03. The Mill
04. Ode To Gremlin
05. Klopfgeist
06. Oh, Sarah
07. Belle Amie
08. Gone, Etc…
09. I Will Kill Again
10. A Walk In The Park


autor stipe07 às 15:56
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Quinta-feira, 2 de Junho de 2016

DTHPDL - The Future

Cmeçou por ser um projeto a solo de Alastair J Chivers, mas é hoje um dos coletivos mais interessantes do cenário alternativo escocês. Falo dos DTHPDL (Deathpodal), um coletivo formado pelo músico mencionado, ao qual se juntaram DMacz, HumdrumJetset e Ross Taylor e que acaba de se estrear nos lançamentos dicográficos, em formato digital e cassete, com um EP intitulado The Future e que contém cinco canções com a chancela de qualidade da insuspeita Song By Toad Records.

The Future, o tema homónimo e que abre o alinhamento deste EP, coloca-nos bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações típicas do melhor rock alternativo lo fi dos anos oitenta, um edifício sonoro ruidoso e que não dispensa uma forte presença dos sintetizadores e teclados, que agregados a guitarras plenas de distorção e a uma batida vigorosa, acaba, neste caso, por conferir uma explícita dose de um pop punk dance que mescla orgânico e sintético com propósitos bem definidos.

Na verdade, para estes DTHPDL, mesmo que a receita procure um som encorpado e amplo, como se percebe, logo de seguida, em Captain Average, é igualmente propositada a criação de uma proposta de som também voltada para um resultado atmosférico, definição que se amplia com evidência em Good vs Eevil, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um alinhamento de significativo pendor hipnótico, intenso e efervescente e onde uma rugosidade intensa e algo caótica, acaba por reforçar tal impressão com racionalidade objetiva,  em vez de a colocar em causa.

The Future é feliz no modo como exprime um agregado sonoro com um intenso teor ambiental denso e complexo, que vai revelando, ao longo das cinco canções, uma variedade de texturas e transformações que encarnam uma espécie de  psicadelia suja, que além da pafernália de sons sintetizados que contém, é banhada, ora por guitarras suaves, ora por loopings de distorção, numa união com uma certa tonalidade minimalista, que costura todas as canções do EP, evitando excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada e sem exageros desnecessários. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:39
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

Man Of Moon - The Road

Oriundo de Edimburgo, na Escócia, o duo Man Of Moon anda a impressionar a crítica com The Road, um single editado digitalmente a dezassete de Julho e com edição física brevemente, num single de sete polegadas, à boleia da insuspeita Melodic de Andy Moss. Falo de quase quatro minutos vibrantes e hipnóticos, que assentam num indie rock rugoso mas épico, intenso e visceral, melodicamente bastante sedutor, um psicotrópico mental verdadeiramente eficaz e aditivo.

Uma guitarra cheia de fuzz, diversos efeitos metálicos, um baixo vigoroso e que sustenta exemplarmente uma arquitetura sonora deslumbrante e lisérgica são os ingredientes deste The Road, um dos melhores temas deste época mais quente do ano e cujo suor merece dedicada audição. Confere...

 


autor stipe07 às 12:32
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

The Valkarys – (Just Like) Flying With God

Scott Dunlop, Sarah Ross, Craig Birrell, Colin Brennan e Wayne Hoy são os The Valkarys, um quinteto de indie rock oriundo de Edimburgo, na Escócia, mas com um olhar lancinante sobre o sol da Califórnia e aquele garage rock com uma forte toada psicadélica que desde a década de sessenta tem feito escola na costa oeste do outro lado do Atlântico. Editado a vinte e cinco de abril último, (Just Like) Flying With God é o ultimo disco de originais do grupo, o primeiro longa duração depois de The Average Can Blind You To The Excellent, o trabalho de estreia, lançado em 2010 e de Chloroform (2011) e Psychodelica (2013), dois EPs que se seguiram neste intervalo.

Logo na guitarra incandescente, na bateria vibrante e na harmónica esplendorosa de Meraki fica claro o receituário sonoro destes The Valkarys, inteligentes no modo como misturam influências que, dos Beatles aos The La's, nos fazem recuar com nostalgia e um enorme sorriso no rosto aos primórdios do indie rock e da pop psicadélica dos anos sessenta. Contendo a impressão firme da sonoridade típica da banda, Meraki catapulta este disco para uma bitola qualitativa elevada, mas engane-se quem acha que o restante alinhamento de (Just Like) Flying With God, se orienta apenas por aquela pop tão solarenga como o estado norte americano que tanto nos faz recordar essa canção. O clima western de Waves, por exemplo, o clima épico e contemplativo de For You, ou a guitarra algo suja e lo fi, com um pé no post punk, de We Are The World, assim como o devaneio inebriante da guitarra de (Lover) Dont' Go transportam este grupo ainda para uma estética mais abrangente, que além de reviver marcas típicas do rock vintage, explora outras paisagens sonoras, igualmente emocionais e compensadoras, mas mais consentâneas com uma contemporaneidade onde abunda o saudosismo e a apetência pelo retro.

Na verdade, o timbre das guitarras nestes The Valkarys, o arrojo da bateria no modo como se impõe ritmicamente em todo o disco e o charme dos arranjos e efeitos que adornam as dez melodias que compôem o seu alinhamento, são provas abundantes das pontes que se estabelecem entre épocas verdadeiramente intemporais e uma atualidade onde a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza de outrora vão sendo substituidas por um maior cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas, tudo confortado por uma utilização assertiva da guitarra acústica, quando a mesma é chamada à linha da frente, conforme se percebe, por exemplo, em Xylophobia.

(Just Like) Flying In God é outro bom exemplo desta apetência óbvia para a exaltação de bases sonoras que nos dias de hoje mostram-se cada vez mais ambientais, mas sempre ampliadas com o potencial psicadélico das guitarras. Depois, as boas letras que estes The Valkarys nos oferecem e a tal clássica relação estreita entre o rock de garagem e a pop psicadélica, ao resultar em canções viscerais e cheias de estilo, tão enevoadas como a penumbra que rodeia o próprio grupo, mas também tão luminosas como só as bandas que sabem ser eficazes à sombra das suas próprias regras conseguem ser, faz de (Just Like) Flying With God um disco obrigatório para os amantes deste espetro sonoro particularmente atrativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Valkarys - (Just Like) Flying With God

01. Meraki
02. Honey Hill
03. Xylophobia
04. Early Verve
05. Waves
06. We Are The World
07. For You
08. Fistfull Of Dollars (Revisited)
09. (Lover) Don’t Go
10. Starfish

 


autor stipe07 às 21:46
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Rob St. John & Woodpigeon - Young Sun / Trouble Comes

5

Disponível em formato digital e vinil através da etiqueta escocesa Song By Toad, Records, de Matthew Young, Young Sun / Trouble Comes é um lindíssimo compêndio de cinco canções lançado no passado dia vinte de abril e resulta de uma colaboração entre Rob St. John e os Woodpigeon, materializada em algumas sessões de gravação realizadas no último ano e com o artwork fabuloso da autoria do artista escocês, natural de Edimburgo, Jake Bee.

Lançamento de pequenas dimensões, mas particularmente bonito, este split de cinco canções agrega uma indie folk com um certo pendor rugoso e psicadélico, abrindo com When You Look For Trouble, Trouble Comes, canção da autoria dos Woodpigeon, com direito a um video editado pelo próprio Rob St. John, com imagens produzidas pela instituição Moody Institute of Science, no longínquo ano de 1951. Aliás, as três primeiras canções do lançamento, inspiradas pela neve e com os Arcade Fire no rolo de influências declaradas, são da autoria dos Woodpigeon de Mark Andrew Hamilton, Graham Lessar e Jonah Fortune e foram todas gravadas numa fria noite de inverno no hotel Hotel2Tango, em Montreal, no Canadá, tendo sido misturadas por Howard Bilerman (The Arcade Fire, Vic Chesnutt, Godspeed You! Black Emperor). Bread Crumbs impressiona pelo som de um telefone antigo e pela harmónica, tocada por Catriona Sturton, uma participação especial neste trabalho.

As duas canções que encerram o split, da autoria de Rob St. John e inspiradas na noções de natureza, lar e família, foram gravadas em Edimburgo, na Escócia, em setembro do ano passado, constando do arsenal instrumental de ambas um orgâo de tubos, uma guitarra com cordas de nylon, um sintetizador analógico e, nas vozes, com as participações especiais de Tom Western, Mark Andrew Hamilton and Ian Humberstone. Confere...

Woodpigeon

When You Look For Trouble, Trouble Comes

The Coldest Winter On Record

Bread Crumbs

 

Rob St. John

Young Sun

Folly


autor stipe07 às 18:30
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Quinta-feira, 7 de Maio de 2015

Django Django - Born Under Saturn

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome a acompanhar com toda a atenção. Depois de se terem estreado nos discos em janeiro de 2012 com um trabalho homónimo muito bem aceite pela crítica e nomeado para um Mercury Prize nesse mesmo ano, a banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, está de regresso com Born Under Saturn, um álbum editado a quatro de maio último e feito com uma pop angulosa proosta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.

O primeiro conceito que assalta o nosso pensamento depois de uma prévia audição de Born Under Saturn é o de continuidade, já que estas treze novas canções dos Django Django confirmam a estética sonora proposta na estreia, uma coerência que de certo modo se saúda, principalmente no seio de quem, como eu, considerou há três anos este quarteto inglês como uma verdadeira lufada de ar fresco no universo sonoro regido pela pop de cariz mais eletrónico.

Mas não é só de pop eletrónica que vive Born Under Saturn. Aliás, Django Django já era uma verdaderia amálgama e o caldeirão mantém-se bastante ativo como se percebe logo no início do alinhamento.  Giants, Shake and Tremble e Found You obedecem à nuance sonora comum e intrinseca ao grupo, com a epicidade da primeira, o piscar de olhos ao spaghetti rock da segunda e o elevado acerto melódico da última a embrenharem-nos disco adentro rumo ao seu núcloo central, o single First Light. Nesta canção os Django Django apostam todas as fichas e aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, acompanhada por guitarras que parecem ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas, numa mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento e que vicia o ouvinte, convidando-a a repetidas audições.

Com uma notável capacidade para nos colocar a dançar, mesmo que haja uma relutância em relação ao constante apelo, nem que seja para um quase implícito abanar de ancas, os Django Django aventuram-se numa deriva sonora que parece muitas vezes algo incongruente e até superficial, mas é óbvio o fio condutor, assente em vozes estilizadas e efeitos sonoros espaciais, que fazem com que a banda cumpra cabalmente essa função lúdica de apelo ao lado mais físico do ouvinte, mesmo num tempo em que parece existir uma clara obsessão em encontrar paralelismos e pontos de encontro no universo sonoro alternativo, entre a eletrónica mais progressiva e a comercial, para que um projeto mereça sentar-se  mesa dos nomes fundamentais da música de dança atual. Temas como este single First Light, mas também Reflections ou 4000 Years catapultam os Django Django para uma posição relevante no espetro mais animado do cenário musical alternativo, à boleia de traços sonoros intrépidos e ecléticos sem paralelismo conceptual, propostos por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual. Depois, o sintetizador minimal e contemplativo de High Moon, a viola folk que sustenta a melodia de Beginning To Fade, o sintetizador retro e a percussão tribal de Shot Down, o efeito hipnótico da guitarra e os metais de Break The Glass e o baixo de Life We Know são a confirmação plena da forma particularmente viva e espontânea como os Django Django celebram de modo eclético o seu elevado índice de maturidade e firmeza criativa, mostrando imenso bom gosto na forma como apostam na relação simbiótica de tudo aquilo que os influencia, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras, onde conceitos como charme e delicadeza facilmente se misturam e nos hipnotizam.

Exatidão e previsibilidade não são palavras que constem do dicionário dos Django Django e Born Under Saturn é um disco naturalmente corajoso e muito complexo e encantador, um trabalho desenvolvido dentro de uma ambientação essencialmente experimental e plasma uma feliz renovação no som já firmado na premissa original desta banda escocesa. Espero que aprecies a sugestão...

Django Django - Born Under Saturn

01. Giant
02. Shake And Tremble
03. Found You
04. First Light
05. Pause Repeat
06. Reflections
07. Vibrations
08. Shot Down
09. High Moon
10. Beginning To Fade
11. 4000 Years
12. Breaking The Glass
13. Life We Know

 


autor stipe07 às 22:22
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Quarta-feira, 15 de Abril de 2015

Garden Of Elks - A Distorted Sigh

Espalhados pela Escócia, os Garden Of Elks são um trio formado por Niall Strachan, de Inverness, o baixista Ryan Drever, de Glasgow e a baterista Paul Bannon, de Edimburgo. A Distorted Sigh, o trabalho de estreia dos Garden Of Elks, chegará lá para abril, em formato digital, vinil e cassete, mas entretanto foram sendo divulgados alguns avanços desse disco de uma banda que assume possuir uma sonoridade que intitulam de trash pop e que confirmaram este álbum como uma das grandes surpresas desta primavera discográfica.

Em oito anos de escrita dedicada neste blogue e umas duas décadas de audição diária, ávida, atenta e apaixonada de novidades sonoras, chega-se a um ponto em que torna-se difícil sentirmo-nos realmente impressionados e espontaneamente rendidos, de modo imediato, a uma determinada banda ou projeto que entra pela primeira vez nos nossos ouvidos. Consigo-me recordar com algum à vontade dos nomes que tiveram esse efeito instantâneo e estes escoceses Garden Of Elks passarão a fazer parte dessa lista já apreciável, mas restrita, de bandas pelas quais me apaixonei à primeira audição. O baixo imponente que introduz o punk rock shoegaze de This Morning We Are Astronauts e a voz de Niall com um sotaque intenso e pronunciado e num tom que sustenta o seu charme, não só nesses dois detalhes mas também e princialmente, na incoerente tonalidade em relação à melodia, são aqueles fantásticos atributos que me prenderam irremdiavelmente a esta estreia absolutamente fabulosa. O indie rock de garagem, puro, vibrante, feito sem amarras e concessões, sujo e ditorcido e carregado de sentimento e emoção latente, continua bem vivo e é na fria Escócia, imagine-se, que se encontram algumas das melhores razões para percebermos, sentirmos e contactarmos com uma das provas evidentes que nos permitem saber que estamos certos por acreditar nessa permissa. Basta ouvirmos os quase dois minutos de Smile para percebermos que, apesar de ter sido necessário esperar dezassete anos, finalmente o clássico Song 2 dos Blur tem sequência à altura e os DJs já não precisam de desesperar para encontrar aquele tema que pode passar a seguir, sem falhas no arrojo, na amplitude sonora, no ritmo e na inspiração.

Swap, uma canção sobre a amizade, foi escrita por Niall como reação a um evento da vida de um amigo próximo, como forma de tributo à verdadeira amizade e de crítica a todos aqueles que apenas vêm a amizade como um modo de obterem proveito, descurando sempre a presença quando os outros realmente mais precisam. O punk rock orelhudo, feito com um baixo rugoso e vibrante e uma guitarra que inflama distorções verdadeiramente inebriantes é a pedra de toque deste tema e aprofunda ainda mais o exuberante sentimento de exclamação inicial, que nunca mais abandona o ouvinte dedicado, porque essa energia vai ser uma constante em A Distorted Sigh, até ao ocaso do alinhamento.

Contented Contender e I Hid Inside aproximam os Garden Of Elks de um universo progressivo e experimental que coloca a nú algumas das principais virtudes instrumentais da banda, enfatizadas nos efeitos das cordas eletrificadas e no modo como se encadeiam com as mudanças de ritmo e como as letras e as rimas se colam às melodias, ganhando vida e flutuando com notável precisão pelo limbo sentimental que transborda das canções. A própria voz de Niall, além de manter as caraterísticas acima descritas com enorme vigor até ao final, consegue sempre variar o volume de acordo com a componente instrumental, nunca havendo uma sobreposição pouco recomendável de qualquer uma das partes ao longo das canções, como se exige em alinhamentos onde predominam temas curtos, crus, sujos e diretos, mas vigorosos, emocionados e sentidos, como é o caso.

Invisible People Are Their Own Reflections In The Water é mais um exemplo que plasma com precisão as virtudes técnicas que os Garden Of Elks possuem e a forma direta e natural como conseguem abarcar as componentes mais clássicas e experimentais do rock e comprimi-las em algo genuíno e com uma identidade muito própria transpiram uma naturalidade e espontaneidade únicas. Mas estes contínuos agregados sonoros mantêm-se até ao fim e Se Mountain Dew e Wing fazem a simbiose entre garage rockpós punk através da sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas, já as aproximações ao puro grunge em Yoop provam, mais uma vez, que estes Garden Of Elks sabem como harmonizar e tornar agradável aos nossos ouvidos sons aparentemente ofensivos e pouco melódicos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que a dupla nos oferece nas reverberações ultra sónicas destes temas, com os riffs da guitarra a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente rugoso, ruidoso e monumental, comprime tudo aquilo que sonoramente seduz este trio escocês em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Para o final ainda faltava mais uma grande surpresa e algumas nuances inéditas no alinhamento; Tomorrow exala um transe hipnótico e apoteótico que mostra uma faceta um pouco diferente destes Garden Of Elks e poderá servir de indicador para o futuro sonoro próximo da banda. O agregado instrumental clássico que sutenta a canção, exuberante mas despido de exageros desnecessários, é a demonstração cabal do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um salutar experimentalismo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética.

Em suma, toda esta cuidada sujidade ruidosa que os Garden Of Elks produzem, feita com justificado propósito, cimenta a minha ideia inicial que justifica, por um lado, a minha admiração imediata por esta banda e, por outro, a certeza que o indie rock alternativo cheio de sentimento e emoção, mesmo algo escondido na Escócia, está vivo e recomenda-se, porque é feito usando o baixo encorpado e vigoroso e a distorção das guitarras como veículo para uma verdadeira catarse sonora, que constrói com o ouvinte uma química interessante e o transporta para um ambiento denso, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico! Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:54
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Domingo, 22 de Março de 2015

Django Django - Reflections

Django Django - Reflections

Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se Django Django e são um nome que acompanho com toda a atenção desde que há cerca de dois anos lançaram um espectacular homónimo de estreia.

A banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, vai regressar aos discos este ano, mais propriamente a cinco de maio por intermédio da Ribbon Music. O álbum chama-se Born Under Saturn e já há dois avanços conhecidos; Depois de em janeiro termos conhecido First Light, agora chegou a vez de ser divulgado Reflections, mais um tema onde os Django Django aprimoram a sua cartilha sonora feita com uma dose divertida de experimentalismo e psicadelismo, que muitos rotulam como art pop, art rock ou ainda beat pop, sempre acompanhada por guitarras e um teclado que, neste caso, parece ter saído do farwest antigo e por efeitos sonoros futuristas. Basicamente, uma mistura perfeita de géneros que, de acordo com o grupo, serve para encontrar praias enterradas debaixo de edifícios de cimento. Confere...


autor stipe07 às 15:12
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Segunda-feira, 16 de Março de 2015

Garden Of Elks - Swap

Espalhados pela Escócia, os Garden Of Elks são um trio formado por Niall Strachan, de Inverness, o baixista Ryan Drever, de Glasgow e o baterista Paul Bannon, de Edimburgo. A Distorted Sigh, o trabalho de estreia dos Garden Of Elks, chegará lá para abril, em formato digital, vinil e cassete e entretanto vão sendo divulgados alguns avanços desse disco de uma banda que assume possuir uma sonoridade que intitulam de trash pop.

Depois de o punk rock shoegaze de This Morning We Are Astronauts ter feito parte do alinhamento de Magic Beanz!, uma coletânea que a etiqueta Song By toad, Records editou recentemente com algumas das suas maiores apostas para 2015, agora chegou a vez de ser divulgada Swap, uma canção sobre a amizade .

Swap foi escrita por Niall como reação a um evento da vida de um amigo próximo, como forma de tributo à verdadeira amizade e de crítica a todos aqueles que apenas vêm a amizade como um modo de obterem proveito, descurando sempre a presença quando os outros realmente mais precisam. O punk rock orelhudo, feito com um baixo rugoso e vibrante e uma guitarra que inflama ditorções verdadeiramente inebriantes é a pedra de toque deste tema e esse energia será certamente uma constante no trabalho de estreia destes escoceses que vale bem a pena seguir de perto. Confere...

 


autor stipe07 às 13:04
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