Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

Black Rebel Motorcycle Club – Wrong Creatures

Quatro anos depois de Specter At The Feast, os norte americanos Black Rebel Motorcycle Club (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso, à boleia da Vagrant Records, com Wrong Creatures, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo. Wrong Creatures foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e oferece-nos uns Black Rebel Motorcycle Club cientes não só do mundo em que vivem e das várias transformações que foram sucedendo nos últimos vinte anos, mas também das alterações estilísticas e de formação que moldaram a sobrevivência e o próprio crescimento de um projeto que se abastece de um espetro sonoro muito específico e com caraterísticas bastante vincadas.

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Ao longo destes mais de quinze anos, os Black Rebel Motorcycle Club talvez não tenham salvado o rock, mas há que ser justo e admitir que se tornaram numa das bandas essenciais deste género musical. Nos primeiros dez anos de existência, mesmo após a estreia e o similar Take Them On, On Your Own, quando infletiram um pouco no rumo e em Howl e quando abraçaram também a country e a folk, não deixaram nunca de perder a sua identidade, que apenas foi um pouco abalada com Baby 81 e The Effects of 333, os dois únicos álbuns dos Black Rebel Motorcycle Club que não me seduzem e que considero terem sido verdadeiros tiros ao lado na valiosa trajetória musical do grupo. Portanto, na primeira década de existência, os Black Rebel Motorcycle Club nem sempre cumpriram a ótima expetativa criada na estreia mas, em 2009, Beat the Devil's Tattoo voltou a colocar o percurso do grupo nos eixos e pessoalmente devolveu-me uma esperança que se confirmou ser justificada em Specter At The Feast, um trabalho muito marcado pela morte do pai de Robert, que também era um grande suporte da banda, e que voltou a colocar o trio num caminho certo, que agora se endireita definitivamente neste Wrong Creatures. De facto, este oitavo registo do grupo contém um alinhamento de canções que se assumem como uma espécie de fecho de um ciclo e um círculo, já que fazem os Black Rebel Motorcycle Club regressar finalmente aquela que é a sua verdadeira essência, um projeto criador de canções assumidamente introspetivas, nebulosas e viscerais, que além de se debruçarem sobre o quotidiano, estilisticamente se preocupam em colocar o puro rock negro e pesado em plano de assumido destaque.

Escuta-se DFF, um típico tema introdutório, com um baixo firme e constante e uma percurssão com uma cadência crescente que vai recebendo um riff subtil e percebe-se desde logo que há algo de falsamente novo na típica atmosfera sonora mais recente do grupo. Logo depois, com a toada lasciva e provocante de Spook e o fuzz rugoso e cerrado de King Of Bones, clarifica-se, definitivamente, o tal regresso auspicioso à linha de partida, um retrocesso feliz que Little Thing Gone Wild, um tema com traços de post punk e blues e que também abraça o noise rock e onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah, reafirma, conferindo também um indispensável travo de diversidade e perspicácia melódica e instrumental ao disco, dentro dos limites bem definidos da filosofia sonora do mesmo. O clima delicado do hino retemperador Echo e, principalmente, a neblina de Haunt ajudam ainda mais a potenciar a heterogeneidade subtil do alinhamento, através de um blues tocado com mestria, um envolvente abraço do rock com a psicadelia etérea, feito com efeitos de guitarra melodicamente irrepreensíveis, sombrios e interessantes, um notável esforço para que haja novamente aquela luz que aqui brilha devido à interação brilhante entre a voz e a delicadeza da guitarra de Peter, mas também do modo como os Robert e Leah se dedicam de corpo e alma nos dois temas a utilizar o melhor da bateria e do baixo nas diferentes nuances sensitivas que ambos proporcionam.

Em Wrong Creatures há um claro entusiasmo no modo como as guitarras são tocadas e uma menor dose de experimentalismo é substituída pelo ruído direto e conciso, sem deixar de haver instantes de arrebatadora sedução que não ficam nada a dever a projetos que procuram tocar emocionalmente quem se predispõe a deixar-se envolver por canções pensadas para tocar no âmago de cada um de nós. É um disco que acaba por refletir um estado psíquico mais positivo de uma banda muito marcada por transformações e dissabores, mas que nunca deixou, ao longo da carreira, de tentar ser coerente no desejo de deixar, disco após disco, novas pistas para a salvação do rock. O resultado final algumas vezes não foi o melhor, mas essa nobre intenção sempre esteve presente na discografia dos Black Rebel Motorcycle Club e ganhou um novo vigor neste disco. Espero que aprecies a sugestão...

Black Rebel Motorcycle Club - Wrong Creatures

01. DFF
02. Spook
03. King Of Bones
04. Haunt
05. Echo
06. Ninth Configuration
07. Question Of Faith
08. Calling Them All Away
09. Little Thing Gone Wild
10. Circus Bazooko
11. Carried From The Start
12. All Rise


autor stipe07 às 18:40
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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2018

Máquina Del Amor - Disco

É em Braga e numa feliz simbiose entre elementos dos peixe:avião e dos Smix Smox Smux que se encontra a génese dos Máquina Del Amor, um quarteto que já carrega nos braços um fabuloso tomo de canções intitulado Disco. São oito temas impregnados com um rock cru, intenso e maquinal, um rock feito sem limites pré-definidos ou concessões a estreótipos de géneros e estilos e do qual exala uma salutar sensação intuitiva. Nela, improviso instrumental e sensibilidade melódica entrelaçam-se constantemente, sem cânones ou fronteiras rígidas e com uma ímpar homogeneidade, um coito desprovido de qualquer tipo de pudor entre o orgânico e o sintético, que acabou por resultar num registo desconcertante e inigualável no panorama sonoro nacional atual.

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Logo no modo lascivo e de certo modo corrosivo como Karate aborda e conjuga efeitos etéreos, distorções rugosas e uma batida bastante proeminente percebe-se que este álbum não é para ser escutado por quem é adepto de ambientes sonoros mais amenos e delicados. Esta sonoridade algo psicótica não é propriamente confortável para o ouvido, mas esse acaba por ser, curiosamente, um dos maiores atributos destes Máquina Del Amor que, mesmo com essa permissa sempre presente, conseguem oferecer ao ouvinte instantes melódicos atrativos e que vagueiam pela nossa mente sem atropelo, alguns de um modo até tremendamente hipnótico, como é o caso de Mau ou o falso minimalismo coercivo de Carta de Amor e, de um modo ainda mais progressivo, Nova Antiga, composição onde a delicadeza emotiva nunca deixa de fazer mossa, mesmo que à medida que o tema se desenvolve, longos loopings sintetizados e riffs de guitarra alucinogénicos, façam a sua aparição sem qualquer tipo de mácula ou entrave.

Disco é rock puro e duro e que corta e rebarba de alto a baixo. Frenético, labiríntico, sufocante e cerebral, é capaz de nos levar do subsolo aos confins do universo num ápice, sendo proposto por um projeto que estará totalmente alheado, de forma consciente, do que são hoje os os habituais patamares de rugosidade instrumental e estilística de um campo sonoro que permite uma multiplicidade infinita de abordagens, mas que nem sempre aceita de bom grado a busca de atmosferas mais opressivas e desoladoras que o habitual, mesmo que isso seja apenas uma primeira impressão que pode até nem corresponder à real génese do trabalho. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:58
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Quinta-feira, 28 de Dezembro de 2017

Gonçalo - Boavista

Figura de proa dos míticos Long Way To Alasca, Gonçalo Alvarez acaba de estrear o seu projeto a solo no formato disco com Boavista, nove cançoes que sucedem a QUIM, o EP que este músico bracarense lançou em 2014 pela Lovers & Lollypops, a mesma etiqueta que abriga este registo. Este disco chega após uma recente participação com Castello Branco, num projeto com o nome de Mar Nenhum, colaboração proposta e promovida pela webzine Bodyspace e que contou com a participação de vários músicos lusófonos.

Gonçalo (Long Way to Alaska) - Boavista

Gravado e produzido por Gonçalo e João Moreira e com várias participações de relevo, nomeadamente André Simão (La La La Ressonance), Filipe Azevedo (Sensible Soccers), João Moreira, João Pereira (Guilty Ones), Jorge Queijo (Torto), Pedro Oliveira (peixe : avião)  e Sérgio Alves (Marta Ren), Boavista é um raio de luz e de cor que flameja com vigor no inverno cinzento e fusco que tem caraterizado os dias mais recentes. Feito com uma instrumentação diversificada que, numa mesma canção, é capaz de ir do simples dedilhar de um par de cordas até à inserção de uma miríade heterogénea de efeitos sintetizados, cruzados por sopros e percurssão de várias proveniências, Boavista é um caldeirão sonoro vivo e tremendamente comunicativo. Carrosséis, com exuberância e Lorosae, de modo mais contido, mas também contundente, mostram-nos, logo a abrir, o esplendor deste receituário estilístico, uma pop refinada, plena de charme e impressiva porque se deixa enlear quase de modo intuitivo pelas memórias que Gonçalo pretende transmitir a quem se predispuser a ser seu confidente íntimo.

O piano é também figura de proa deste sentido quadro, o rei de vários temas, como é o caso de Pianda, uma espécie de divagar soturno por aquele céu onde os sonhos ganham uma leveza irreal, mas também de Bonanza, canção onde a bateria contrasta, parecendo martelar em visões que desvendam algo misterioso e que não é deste mundo, para depois nos aconchegar em Bravo!, uma canção a conter uma acusticidade inicial um pouco sombria, mas simultaneamente festiva e onde uma viola paira delicadamente enquanto debita uma melodia pop simples e muito elegante, para depois se eletrificar sem pudor, proporcionando-nos uma assombrosa sensação de conforto. Mas é na graciosidade algo pueril de Champagna que ficamos definitivamente ofuscados pelo brilho incomensurável de um registo ímpar que não permite entrelinhas ou hesitações.

Boavista é, em suma, uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, pintadas com melodias bastante virtuosas e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade do autor para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Gonçalo combina aqui, com uma perfeição raramente ouvida, a música pop com sonoridades mais progressivas e experimentais, provocando um efeito devastador e que torna este álbum numa espécie de disco híbrido perfeito. Espero que aprecies esta sugestão...

 


autor stipe07 às 15:58
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Sexta-feira, 22 de Dezembro de 2017

Elbow – The Best Of

Uma das bandas fundamentais do cenário indie das duas últimas décadas são, com toda a justiça, os britânicos Elbow de Guy Garvey, uma banda natural de uma pequena localidade inglesa chamada Salford e de regresso aos discos com um Best Of, uma excleente súmula de todo o trabalho discográfico de um grupo honesto, coeso e com uma fleuma muito própria e sua, que tarda em obter no panorama internacional o mesmo reconhecimento que já tem, como projeto de topo, em terras de sua majestade.

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Donos de um som épico, eloquente e que exige dedicação, os Elbow têm em quase duas décadas de carreira verbalizado sonoramente uma necessidade quase biológica de nos elucidar como enfrentar a habitual ressaca emocional que os normais eventos de uma vida em sociedade provocam no equilíbrio emocional de qualquer mortal, razão pela qual são um daqueles grupos com os quais tanta gente acaba por se identificar, principalmente quem, de modo mais ou menos devoto, vai procurando destrinçar a escrita apurada de Garvey.

Mostrando-se, de álbum para álbum, cada vez mais maduros e sempre a fazerem questão de serem profundos e poéticos na hora de cantar a vida, mesmo que ela tenha menos altos que baixos, como quem precisa de viver um período menos positivo e de quebrar para voltar a unir, este quinteto manteve sempre uma sonoridade elaborada que terá tido talvez o momento mais alto da carreira no maravilhoso The Seldom Seen Kid (2008), apesar do extraordinário conteúdo do último compêndio de originais, o Little Fictions, editado a dois de fevereiro deste ano.

Na verdade, os Elbow acertaram sempre, trabalho após trabalho e conseguiram neste Best Of um alinhamento bonito e emotivo, cheio de sentimentos que refletem não só os ditos desabafos de Garvey, mas também a forma como ele entende o mundo hoje e as rápidas mudanças que sucedem, onde parece não haver tempo para cada um de nós parar e refletir um pouco sobre o seu momento e o que pode alterar, procurar, ou lutar por, para ser um pouco mais feliz. Canções como a optimista e orquestral Magnificient (She Says), a luminosidade intimista e charmosa de Mirrorball, a cândura arrebatadora que transborda da emotiva My Sad Captains ou a sedutora reflexão acerca de uma infância que nunca termina, plasmada em Lippy Kidsconstituem a banda sonora ideal para essa paragem momentânea, que para todos nós deveria ser obrigatória e que pode muito bem servir-se deste Best Of, deixando-o ali a tocar, a meio volume e em pano de fundo.

Sempre encantadores, aditivos e simultaneamente amplos e grandiosos e detalhados e impressivos no modo como falam e cantam sobre o amor, no fundo a grande força motriz de toda a pafernália de sensações e acontecimentos que fui descrevendo até aqui, os Elbow provam nesta súmula da sua maravilhosa carreira que possuem uma elevada e excitante veia criativa intacta e genuína a expôr-nos e a desarmar-nos. São, claramente, uma daquelas bandas capazes de criar momentos que, sendo devidamente absorvidos, não deixam de nos provocar aquelas reações físicas que muitas vezes tentamos refrear, porque há quem considere que a cena dos sentimentalismos, do sorriso sem razão aparente e das lágrimas felizes ou infelizes (e aqui há as duas possibilidades) são só para os fracos de coração e de espírito. Quanto a mim, o verdadeiro e o mais recompensador é exatamente o contrário e aqueles que se expôem assim, é que são os fortes... E a música dos Elbow, disco após disco, tem-me ajudado a perceber nas últimas duas décadas como cimentar e vivenciar esta minha certeza, da qual não me envergonho minimamente. Espero que aprecies a sugestão...

Elbow - The Best Of Deluxe Edition

CD 1
01. Grounds For Divorce
02. Magnificent (She Says)
03. Lippy Kids
04. One Day Like This
05. The Bones Of You
06. My Sad Captains
07. Leaders Of The Free World
08. Mirrorball
09. Fugitive Motel
10. New York Morning
11. Great Expectations
12. The Birds
13. Scattered Black And Whites
14. Golden Slumbers

CD 2
01. Any Day Now
02. Fly Boy Blue / Lunette
03. Weather To Fly
04. Station Approach
05. Switching Off
06. Little Fictions
07. This Blue World
08. Kindling (Fickle Flame) (Feat. John Grant)
09. Newborn
10. The Night Will Always Win
11. Starlings
12. Puncture Repair
13. The Loneliness Of A Tower Crane Driver
14. Dear Friends


autor stipe07 às 00:05
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Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

Tom Chaplin – Twelve Tales Of Christmas

Com o aproximar do Natal é usual haverem alguns lançamentos discográficos alusivos à época e Tom Chaplin, vocalista dos Keane, acabou por aderir a esta tendência com Twelve Tales Of Christmas, um alinhamento de doze canções, oito temas originais e quatro versões, os clássicos Walking In The Air de Howard Blake e River de Joni Mitchell e ainda uma versão para 2000 Miles dos The Pretenders e Stay Another Day dos East 17. Produzido por David Kosten e gravado nos míticos Abbey Road e ainda em Muttley Ranch e nos Snap Studios, este disco sucede ao seu aclamado registo de estreia, um trabalho intitulado The Wave, que viu a luz do dia há pouco mais de um ano, com enorme sucesso, em particular no Reino Unido.

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O Natal é a época do ano preferida de Chaplin que guarda memórias frutuosas da sua infância relativamente a esta efeméride. O músico confessa que nos anos mais recentes foi perdendo alguma da magia do natal, também por causa dos problemas pessoais por que passou na última década, mas que o simples facto de poder estar com a família nesta altura sempre o ajudou a despertar algumas das melhores memórias que guarda dentro de si relativamente ao Natal. E este Twelve Tales Of Christmas acaba por refeletir um pouco isso, já que é um daqueles registos de Natal ideais para serem escutados em família ou num grupo de amigos, servindo de banda-sonora da noite mais especial do ano.
Canções como Under A Million Lights ou Midnight Mass ou a magnificiência da versão dos The Pretenders contêm essa virtude do apelo à união e à cantoria em uníssono e captam na perfeição a essência de uma época que se pretende que seja alegre e festiva. E a voz de Chaplin, quando acompanhada por efeitos etéreos e arranjos delicados, acaba por criar sempre uma atmosfera muito bonita e envolvente.

Twelve Tales Of Christmas é um aconchegante compêndio sonoro, perfeito para tocar naquela pausa entre o levantar das espinhas do bacalhau da mesa e a ascensão do leite creme ao primeiro plano da mesma, com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar. Contém canções por natureza otimistas, compostas por um intérprete num estágio superior de sapiência que se coloca à boleia de arranjos tensos, dramáticos e melódicos e assim nos conta histórias sobre uma época única, de união e partilha, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

Tom Chaplin - Twelve Tales Of Christmas

01. Walking In The Air
02. Midnight Mass
03. 2000 Miles
04. Under A Million Lights
05. River
06. London Lights
07. We Remember You This Christmas
08. Stay Another Day
09. For The Lost
10. Another Lonely Christmas
11. Follow My Heart
12. Say Goodbye


autor stipe07 às 18:09
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Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

Nick Garrie - The Moon And The Village

Com mais de meio século de carreira e um fantástico clássico editado nos nos sessenta intitulado The Nightmare of J. B. Stanislas, Nick Garrie ainda anda por aí a compôr músicas pop românticas e melodiosas e a influenciar nomes tão essenciais como os Teenage Fanclub, Wilco, Camera Obscura, The Trembling Bells, Ladybug Transistor e BMX Bandits, entre outros. Em 2009, Nick Garrie editou um novo disco, 49 Arlington Gardens e o mundo constatou que nenhum dos seus talentos tinha desaparecido após estes anos todos e agora, quase no ocaso de 2017, há um novo alinhamento do músico, por sinal de grande e rara beleza. Intitula-se The Moon And The Village e mostra um Nick Garrie mais introspectivo e em clara reflexão.

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Tendo por base instrumental a viola e as teclas, assim como outros instrumentos de forte pendor orgânico, nomeadamente o piano e o violino, as onze canções de The Moon And The Village transmitem sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas. Os arranjos que sustentam o trabalho primam por um salutar minimalismo que tem sempre a folk na mira, incubando da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar com um simples dedilhar de cordas aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente.

Canções como a contemplativa Lois' Diary ou a mais impressiva homónima são bons exemplos do modo como Garrie é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, mas a inebriante e àspera Boy Soldier ou a delicada Music From A Broken Violin também desafiam o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas, algo que é ampliado no convite que o músico nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em Bacardi Samuel e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional Got You On My Mind.

The Moon And The Village é alma e emoção, um documento sonoro que nos ajuda a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos sussurros do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:19
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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017

U2 - Songs Of Experience

Songs Of Experience é o tão aguardado novo álbum dos irlandeses U2, o primeiro trabalho do grupo após um hiato de três anos, mas um disco de continuidade em relação ao antecessor Songs Of Innocence, editado em 2014. De facto, este novo alinhamento da banda de Dublin formada por Bono, The Edge, Mullen e Adam e considerada por muitos como a maior do mundo em atividade, explora alguns aspetos mais íntimos das vivências pessoais do quarteto numa fase mais adulta da existência de cada um, com algumas cartas escritas por Bono a pessoas próximas do seu círculo pessoal a serem um dos motes do registo. Recordo que o conteúdo lírico e emocional do anterior Songs Of Innocence, além de lidar com a perca e a mortalidade, com canções dedicadas aos primogénitos falecidos de Bono e a Joey Ramone, também se debruçava sobre a adolescência do quarteto na conturbada Irlanda dos anos setenta.

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Produzido por Jacknife Lee, Ryan Tedder, Steve Lillywhite, Andy Barlow e Jolyon Thomas, Songs Of Experience viu a luz do dia nas primeiras horas deste mês e oferece-nos uns U2 ligados à corrente e com nomes como os Ramones, Bob Dylan e The Clash a serem influências declaradas, mas sem deixar de ter o selo sonoro identitário único deste quarteto irlandês. As guitarras mantêm-se como o grande suporte melódico da maioria das canções, mas há uma busca incisiva por ambientes mais brandos, sendo procurado um equilíbrio entre o charme inconfundível dessas guitarras que carimbam o ADN dos U2 com o indie pop rock que agrada às gerações mais recentes e onde abunda uma primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em deterimento das cordas, talvez em busca de uma toada comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico.

Não é surpresa nenhuma para ninguém que este é também um disco com uma forte índole política. Junta-se a realidade social agitada da Irlanda de há quarenta anos atrás com a América onde um Bono acérrimo crítico de Trump passa largas temporadas para tal ser uma evidência. Temas como American Soul, canção que conta com uma introdução de Kendrick Lamar, inimigo declarado de Trump ou Red Flag Day plasmam com clareza essa teoria, até porque grande parte deste disco foi fermentado em Nova Iorque, em 2014, durante o longo processo de recuperação de um acidente que Bono sofreu em Central Park, nessa cidade que nunca dorme. Nela, durante um passeio matinal, caiu de bicicleta e sofreu múltpiplas faturas nos membros superiores e inferiores que chegaram a colocar em risco a sua capacidade de voltar a tocar guitarra.

Songs Of Experience mostra que os U2 ainda conseguem desafiar a sua capacidade inventiva e que falar-se em zonas de conforto é algo que não faz propriamente parte do vocabulário conceptual de quem quer ser justo na análise crítica aos álbuns do grupo. Assim, se canções como a luminosa e vintage The Showman (Little More Better), uma composição aconchegante e melancólica, a incisiva balada Love Is Bigger Than Anything In Its Way e o primeiro single retirado do disco, a emocionante You’re The Best Thing About Me, mostram aquele lado dos U2 que costuma apelar diretamente ao nosso lado mais emocional e sensível, a mais rugosa American Soul e o groove tropical de Summer Of Love, assim como o baixo corrosivo de The Blackout conferem ao alinhamento do disco aquela componente eclética e heterogénea que justifica que os autores do mesmo recebam mais uma vez o clássico e justo selo de excelência. Espero que aprecies a sugestão...

U2 - Songs Of Experience

01. Love Is All We Have Left
02. Lights Of Home
03. You’re The Best Thing About Me
04. Get Out Of Your Own Way
05. American Soul
06. Summer Of Love
07. Red Flag Day
08. The Showman (Little More Better)
09. The Little Things That Give You Away
10. Landlady
11. The Blackout
12. Love Is Bigger Than Anything In Its Way
13. 13 (There Is A Light)


autor stipe07 às 20:35
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Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Björk – Utopia

Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa Björk é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, Björk, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, Vulnicura, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, já tem sucessor. O novo disco da artista islandesa chama-se Utopia, viu a luz do dia a vinte e quatro último, via One Little Indian Records, e constitui uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam, depois do antecessor ter sido um disco intimista e algo depressivo, que se focou muito no termino da relação amorosa da autora com Matthew Barney, um reputado artista plástico americano.

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De facto, o que não falta em Utopia são ideias e sugestões para um mundo melhor e o venezuelano Arca, produtor deste disco, é um elemento preponderante para o deslumbre que se sente com toda a pafernália de sons, detalhes e efeitos que vão cirandando em redor da voz de uma Björk que parece ter encontrado de novo motivos para olhar com optimismo para o mundo que a rodeia. Se The Gate, o terceiro tema do disco é, de acordo com a própria autora, a canção que melhor retrata as diferenças entre Vulnicura e Utopia, muito por causa do modo como Björk posiciona o seu registo vocal no meio de uma vasta miríade de luxuriantes efeitos e detalhes eminentemente sintéticos e com um poderoso potencial impressivo, logo na luxuriante secção de metais que vai sobressaindo em Arisen My Senses percebe-se que a compositora islandesa sente-se mais sorridente e disponível para a celebração. Logo depois, em Blissing Me, somos confrontados com uma canção cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. É uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondicional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro e que vinca, definitivamente, aquela que será a filosofia sonora do restante alinhamento de Utopia.

Até ao ocaso deste trabalho, quer na extensa e espiritual Body Memory, uma canção que conta com a extraordinária participação especial de seis dezenas de vozes feminimas, quer na complexidade orquestral de temas tão envolventes como Tabula Rasa, uma composição que eriça com contundência o nosso lado mais sensível, ou de Losss, um oásis de cândura e suavidade, assim como de Claimstaker, uma ode ao amor tremendamente retemperadora, somos absorvidos sem apelo nem agravo por um álbum que representa, claramente, uma espécie de renascimento e de virar de página para um universo mais eloquente e transcendental por parte de uma das intérpretes mais inspiradas e influentes do cenário musical contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão....


autor stipe07 às 20:42
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Segunda-feira, 27 de Novembro de 2017

Noel Gallagher’s High Flying Birds – Who Built The Moon?

O ideário sonoro dos gloriosos anos noventa está ainda bem presente entre nós após duas décadas desse período aúreo de movimentos musicais incríveis como a britpop que, do lado de cá do atlântico, fez na altura frente ao grunge e ao indie rock norte americano, num período temporal que massificou definitivamente o acesso global à música. E os Oasis foram um dos nomes fundamentais da arte musical em terras de Sua Majestade nessa época, liderados pelos irmãos Gallagher que continuam a fazer questão de alimentar uma relação lendariamente conturbada. E agora fazem-no através das suas carreiras a solo, com ambos a editarem discos em nome próprio no ocaso de 2017. O primeiro foi Liam, o mais novo, com o seu registo de estreia As You Were e agora chega a vez de Noel, juntamente com os seus High Flying Birds, através de um trabalho intitulado Who Built the Moon?, que viu a luz do dia já neste mês de novembro.

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Produzido por David Holmes, Who Built The Moon? deve grande parte dos méritos do seu conteúdo ao trabalho deste produtor algo desconhecido do universo índie e que se esforçou ao máximo por conseguir domar, com aparente sucesso, o natural ímpeto de Noel para compôr de acordo com o seu adn e, consequentemente, o adn dos Oasis. E esse é um dos maiores méritos que este álbum tem, o facto de mostrar um Noel a ser impelido para fora da sua zona de conforto criativa, com as distorções, a heterogeneidade instrumental e a vasta miríade de efeitos da vibe psicadélica Fort Knox, o tema inicial do disco, a fintarem quem estava a contar com a habitual receita da banda que esteve no trono da britpop durante cerca de uma década.

 A partir daí, esse distanciamento torna-se ainda mais assertivo ao som de Holy Mountain, o primeiro single divulgado deste Who Built The Moon?, uma canção impetuosa e com uma vasta miríade de influências, que vão da britpop, ao rock mais ácido e experimental setentista, passando pelo rock alternativo da década seguinte e aquela toada pop algo sintética do mesmo período, com um espírito bastante festivo e dançante, mas também à boleia do sedutor experimentalismo de It's A Beautiful World e do instrumental Wednesday, da grandiosa secção de sopros que abastece o ritmo vibrante de Keep On Reaching e do rock sujo e empoeirado presente no tema homónimo.

Who Built The Moon? assenta grande parte da sua filosofia numa ideia de espontaneidade e liberdade, uma estratégia que pressupõe desde logo um aumento do fator risco relativamente à herança sonora do autor. Mas este é, sem dúvida, um risco calculado, um desafio que incubou canções com o indispensável apelo radiofónico e aquele som de estádio que Noel precisa para sustentar com firmeza a promoção ao vivo do registo, mas também composições com uma elevada bitola qualitativa no que concerne à demonstração da capacidade intuitiva do Gallagher mais velho de criar trechos melódicos quer apelativos quer criativos, mesmo que pareçam conceptualmente distantes. Espero que aprecies a sugestão...

Noel Gallagher's High Flying Birds - Who Built The Moon

01. Fort Knox
02. Holy Mountain
03. Keep On Reaching
04. It’s A Beautiful World
05. She Taught Me How To Fly
06. Be Careful What You Wish For
07. Black And White Sunshine
08. Interlude
09. If Love Is A Low
10. The Man Who Built The Moon
11. End Credits (Wednesday Part 2)
12. Dead In The Water (Live At RTE 2FM Studios, Dublin)
13. God Help Us All


autor stipe07 às 20:51
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Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017

Viva Brother – II

Depois do prometedor disco de estreia editado em 2011, um trabalho intitulado Famous First Words que colocou desde logo a crítica mais atenta em sentido, os britânicos Viva Brother quebraram finalmente um hiato de meia década, que incluiu uma falsa declaração de separação pelo meio, com II, o segundo registo originais deste projeto oriundo de Slough e formado por Leonard Newell, Frank Colucci, Samuel Jackson e Josh Ward.

Resultado de imagem para viva brother slough band

Com a herança da melhor britpop na mira, mas sem descurarem alguns detalhes que lhes conferem o desejável cariz inédito, nomeadamente um elevado arrojo melódico e um acerto no modo como conjugam cordas com sintetizadores, os Viva Brother acabam neste II por se diferenciar de outros grupos ingleses do género, como os We Are Scientists, The Pigeon Detectives, The Rascals ou British Sea Power, que surpreenderam o mundo com os álbuns de estreia e depois afundaram-se no sempre difícil segundo disco, já que conseguem ampliar a boa impressão que deixaram no primeiro trabalho. De facto, os Viva Brother conseguem dar aqui um novo impulso à carreira, sendo audível que o fazem a tentar encontrar um equilíbrio entre os trunfos que apresentaram há mais de meia década e os novos rumos que tentam dar à sua carreira e que visam ir ao encontro de uma toada mais épica, destemida e grandiosa. Em suma, há aqui um paralelismo com o próprio futuro da música rock indie e alternativa e os desafios que atualmente se colocam a este género, com bandas a optarem por uma toada mais rugosa e direta e outras por uma maior aposta nos arranjos e na heterogeneidade instrumental. Que fazer com as guitarras? Usar acordes essencialmente eletrónicos, ou abusar de solos parecidos com as bandas de hard rock dos anos 70?

É esta a dicotomia que movimenta II, evidente em canções contagiantes como Rose, tema com um refrão que é digno da melhor escola britânica, mas também no esplendor e no groove das cordas de A Little Soul, uma daquelas canções para serem cantadas bem alto e principalmente Bastardo, single já extraído de II e que coloca logo as batidas eletrónicas lado a lado com as guitarras, numa dança que nunca desafina até ao final. E depois há Womankind, aquela canção que acaba por desafiar mais o ouvinte no modo como lhe possibilita apreciar todo o vasto leque de influências e estilos que os Viva Brother pretendem abraçar no disco.

Um dos aspetos que também merece ser referido na análise deste alinhamento é o modo como a instrumentação é organizada, quase sempre, de forma crescente, com os refrões a serem geralmente enérgicos e esplendorosos. Depois, a boa voz de Newell acaba por potenciar no disco a tal aura britpop. Em suma, se o grupo continuar assim e optar por trilhar este percurso de equilíbrio é certo que ainda teremos mais bons discos dos Viva Brother daqui em diante; Amadurecer é necessário e estes britânicos fazem-no com perspicácia. Espero que aprecies a sugestão...

Viva Brother - II

01. Rose
02. A Little Soul
03. Womankind
04. Bastardo
05. I Don’t Wanna Be Loved
06. The Black Pig
07. Silver Silk
08. Bad Blood
09. Alive And Unwell
10. A Day In The Life Of You
11. Brainchild


autor stipe07 às 18:31
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