Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Mew – + -

Sexto disco da carreira de uma banda que se estreou em 1997 com A Triumph For Man e que alcançou o estrelato em 2003 com o aclamado Frengers+ - (ou Plus Minus) é o novo registo de originais dos dinamarqueses Mew de Jonas Bjerre, que se encontravam em silêncio discográfico desde que em 2009 editaram o excelente No More Stories Are Told Today, mas tendo feito desde então algumas digressões, com a curiosidade de este + - ser o primeiro trabalho deste querteto de Hellerup, em que algumas canções foram escritas em plena época de estrada.

Satellites, o primeiro avanço divulgado de + -, abre o disco com esplendor textural, uma canção com uma belíssima melodia e alguns arranjos distorcidos que trazem de volta a habitual toada ambiental, épica e psicadélica do grupo. Este é um instante sonoro que confirma a boa forma dos Mew e que não defrauda quem estiver à espera, tendo em conta a herança identitária do projeto, de canções coloridas e envolventes. Mas a melhor canção para ilustrar todo este colorido sonoro que a capa tão bem ilustra, é Rows, um longo tema que que decalca com esplendor a cartilha sonora dos Mew, de modo quase sinestético. Mas até chegar a essa Rows podemos apreciar um alinhamento que contém uma série de canções positivas, alegres e bem construídas, alicerçadas em guitarras que, da maior delicadeza à mais implcável das distorções, deambulam por variados registos, de acordo com as emoções de cada tema. Além da guitarra, contamos com um baixo sempre vigoroso, tocado por Johan Wohlert e que em Clinging to a Bad Dream é mesmo o grande protagonista da condução melódica, além de diversas camadas de teclados sintetizados, sofisticados e tecnologicamente avançados. Estes são geralmente replicados com bom gosto e contêm o típico charme que resulta da mistura feita com requinte entre pop e rock progressivo e que os nórdicos propôem melhor que ninguém. Além de Satellites, a sublime melodia que sustenta Witness, o piscar de olhos sintetizado da pop à soul em Making Friends e o refrão irresistível de The Night Believer, um tema que conta com a participação especial vocal da neozelandesa Kimbra, justificam esta minha impressão inicial e o modo assertivo como os Mew, desta vez secundados pelo produtor norte americano Michael Beinhorn, entregam ao mundo canções irresistíveis e implacavelmente cativantes.

Além da já referida Kimbra, outra das participações especiais que encontramos na ficha técnica de + - é Russell Lissack, guitarrista dos Bloc Party, que emprestou os seus dotes interpretativos em My Complication, dando à canção, com a sua guitarra, uma toada roqueira que nos Mew não é tão comum quanto isso e que em Water Slides, principalmente na pujança do refrão, também se pode absorver, quer num caso quer noutro, sempre de forma controlada.

Impecavelmente produzido, vibrante, luminoso e com alguns momentos de absoluta catarse, + - é um regresso em excelente forma deste quarteto dinamarquês aos discos, à boleia de uma paleta de cores intensa e diversificada, que navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em dez canções cativantes e que se sustentam numa espantosa solidez estrutural, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Satellites
02. Witness
03. The Night Believer
04. Making Friends
05. Clinging To A Bad Dream
06. My Complications
07. Water Slides
08. Interview The Girls
09. Rows
10. Cross The River On Your Own


autor stipe07 às 14:57
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Darkness Falls – Dance And Cry

As Darkness Falls são uma das novas coqueluches do cenário indie do reino da Dinamarca, uma banda descoberta pelo visionário produtor Anders Trentemøller e formada pela dupla feminina Josephine Philip (teclados, voz) e Ina Lindgreen (guitarra, baixo e voz). Depois de em março em outubro de 2011 se terem estreado nos discos com Alive In Us, parece que já há finalmente sucessor. O novo álbum das Darkness Falls chama-se Dance And Cry, viu recentemente a luz do dia, novamente através da HFN Music  e The Answer foi o primeiro tema divulgado do trabalho, assim como o respetivo video.

Trilhando caminhos que vão da electrónica à soul, passando pela pop de câmara e o próprio indie rock, com vários pontos de contacto com o trabalho de nomes como os Massive Attack, Radiohead, The Aloof, UNKLE e Pink Floyd, as Darkness Falls tornaram-se, ao segundo disco, ainda mais expansivas luminosas, sendo notória, durante a audição de Dance And Cry a fusão entre orquestra, electrónica e elementos progressivos, com pontes brilhantes entre momentos de maior intensidade com outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, outrora adormecidas.

A voz doce e resplandescente de Josephine e o sintetizador futurista da sónica Night Games, ou a percurssão tribal e o baixo vigoroso de The Answer são excelentes portas de entrada para a sonoridade geral do disco, onde existe uma tensão latente trasnversal ao alinhamento, apoiada num forte sentido melódico que busca o épico sem desmesurada e incontrolada grandiosidade, privilegiando antes o charme tipicamente feminino, equanto a dupla funde texturas pop tipicas das guitarras dos anos sessenta com a eletrónica, uma mistura harmoniosa e dinâmica de elementos, alicercados na típica melancolia pop que define variados projetos oriundos desta zona da Europa.

O negro sombrio, mas perigosamente sedutor de Liar's Kiss suga-nos para um ambiente intenso e profundamente emotivo, enquanto que as aproximações ao trip hop e à pop em Dance And Cry e à eletrónica retro em Golden Bells, mostram as novas linhas mais complexas com que a música das Darkness Falls agora se cose, porque abarca novos e variados estilos e tendências musicais, mas sem deixarem de soar lineares, porque não se desviam do ambiente sonoro geral e padronizado que as carateriza. O clima tremendamente cinematográfico e biográfico de Dance And Cry agarra-nos pelos colarinhos sem dó nem piedade e suga-nos para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha, que se repete um pouco adiante, em My Father Told Me (He Was Wrong), um registo onde esta mesma voz é acompanhada por um orgão e uma batida que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia e também nos leva de encontro à tal eletrónica de cariz mais vintage.

O disco chega ao ocaso com as Darkness Falls a mostrarem-se ainda mais arrojadas, já que Midsummer Wail e Thunder Roads transbordam a um certo travo industrial, que a belíssima voz de Josephine aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como os sintetizadores e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais.

Dance And Cry tem alma e paixão, é fruto de três anos de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Seja por causa de momentos em que a bateria é estranhamente dançante, pela majestosidade dos sintetizadores, ou pela elegância vocal, estamos na presença de um dos álbuns essenciais da pop de cariz mais eletrónico do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Darknes Falls - Dance And Cry

01. Night Games
02. The Answer
03. Liar’s Kiss
04. Dance And Cry
05. Golden Bells
06. Darkness Falls
07. Paradise Trilogy I
08. Hazy
09. My Father Told Me (He Was Wrong)
10. Midsummer Wail
11. Thunder Roads


autor stipe07 às 18:43
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2015

The Great Dictators – Killers

Depois de Liars, disco editado na primavera de 2014, os dinamarqueses The Great Dictators, um coletivo natural de Copenhaga formado por Dragut Lugalzagosi, Jakob Lundorff e Mikkel Balle e que também conta ao vivo com Asker Bjørk, Christoffer Hein e Christian Ki, estão de regresso um ano depois com Killers, disco editado a treze de abril pela Royal Toad Records e o segundo trabalho de uma banda sustentada pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir e dona de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação.

Killers prossegue a demanda sonora épica de Liars, com os The Great Dictators a manterem a firme aposta numa mistura de indie pop e indie rock com  o punk e o post rock e sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, em canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, algo que temas como a épica We Don't Have Sound, um apelo sentido aos nossos sentidos para que se mantenham sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos, ou Baby Skull Ring, uma lindíssima balada sobre os dois lados que possui o imenso poder do amor, claramente comprovam.

O baixo vigoroso e a voz empolgante de Strange Ways, o primeiro single retirado de Killers e animado por um curioso video onde surge Vladimir Putin e Dragut, o cantor e lider dos The Great Dictators, são já imagens de marca deste projeto, mas o banjo, a harpa, o bandolim o acordeão, o trompete e, principalmente, o piano, são outros instrumentos com várias aparições ao longo do alinhamento e que contribuem decisivamente para a sonoridade geral que estabelece firmemente uma zona de conforto que reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada. O protagonismo do piano é mesmo um dos mais bonitos e interessantes trunfos de Killers, sendo mesmo o condutor melódico por excelência de algumas canções, nomeadamente Rockets, In The Name Of The Father e We Will Survive, esta última um hino à vida e à necessidade de sermos felizes junto de alguém, chegando até a ser comovente o modo como nestas canções as teclas brancas e pretas se abraçam com o trompete para nos arrastar sem dó nem piedade para o profundo universo emocional que conforta estes The Great Dictators.

Tendo como pano de fundo, como já referi, o rock alternativo e o punk mais sombrio dos anos oitenta, verdadeiros faróis do processo de criação e duas bitolas na quais estes dinamarqueses se enredaram, lirica e sonoramente, é com naturalidade que se confere em Killers boas letras e belíssimos arranjos, assentes no tal baixo vibrante, na voz grave de Dragut e adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes que carimbam uma certa ideia de maturidade de um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo (In The Name Of The Father) e verdadeiros hinos de estádio (Strange Ways).

Para ser devidamente apreciada e entendida, a música destes The Great Dictators exige pulso firme e dedicação extrema, sem sacrifício e com disponibilidade total para se aceitar fazer concessões de modo a deixar que o poderoso edifício sentimental que a sustenta nos possa cobrir de fé e crença num amanhã melhor e diferente. Se houver essa abertura de espírito, eles fazem o resto porque será involuntário o erguer do queixo e o esboçar do nosso melhor sorriso no final da audição do disco. O amor, sempre o amor, está lá e a teia simultaneamente amargurada e esperançosa com que ele nos envolve todos os dias em que a chama se mantém acesa, claramente explícita em letras que tanto falam dos nossos maiores receios e fantasmas (We Will Survive), como nos ensinam a usufruir na plenitude do melhor sentimento que podemos albergar no nosso coração (Heathens).

Mesmo com cantos escuros e alguns buracos negros, que apenas servem para indicar o melhor caminho e fazer-nos perceber que só se pode olhar em frente quando não há nada bem resolvido que tenha ficado para trás a atormentar-nos continuamente, Killers, no seu todo e como documento sonoro único é um hino à felicidade, uma porta escancarada que nos ensina a darmos a devida importância aos problemas, ao sofrimento e à dor, que estarão sempre connosco, mesmo quando a maior constância de eventos felizes seja uma realidade concreta na nossa vida. Há, no seu seio, como que uma tomada de consciência de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Espero que aprecies a sugestão...

The Great Dictators - Killers

01. Holy Creatures
02. Strange Ways
03. Heathens
04. We Don’t Have Sound
05. Baby Skull Ring
06. In The Name Of The Father
07. Shame
08. Vote For Me
09. We Will Survive
10. Rockets
11. Killers


autor stipe07 às 18:51
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2015

The Migrant – Flood

Os The Migrant são liderados por Bjarke Bendtsen, um músico de Copenhaga, na Dinamarca, ao qual se juntam Mads Hartmann, Jakob Lademann, Kristian Lademann e Aske Fuglsang. Falo de um projeto de indie pop mas com imensos traços de folk e psicadelia e já com uma trajetória importante. Estrearam-se nos discos com Travels in Lowland, em 2010 e depois chegou Amerika, no ano seguinte. Beads, no início de 2014, foi o terceiro trabalho deste coletivo que está de regresso com Flood, mais dez canções produzidas e misturadas pelos próprios Mads Hartmann e Bjarke Bendtsen, dois membros do grupo e que viram a luz do dia a dezasseis de janeiro último.

Pessoalmente nunca incomoda nem aborrece este jeito inato que os músicos nórdicos têm para exaltar a melancolia, fazendo-o à boleia de melodias capazes de vergar o coração mais empedernido e às quais é impossível resistir. Talvez seja do clima, desse frio polar que obriga a que mentes que viajam constantemente entre a ressaca e um estado mais ébrio, tenham de se aquecer de qualquer forma, fazendo também com a música, sem dúvida uma excelente porta de entrada para um mundo mais confortável e acolhedor.

A música dos The Migrant tem a capacidade inebriante de nos convidar a darmos as mãos e fazermos uma roda em seu redor, enquanto dançamos ao som de canções que brilham no modo como palpitam, guiadas por cordas que parecem ter vida própria e que em determinados instantes até nem receiam ousar e tomando como exemplo a notável Silence, piscarem o olho a um certo travo psicadélico. Belly Of A Man ou Water são outros dois momentos que se destacam em Flood, impressionando pelo modo harmonioso como mostram que os The Migrant conseguem eletrificar a guitarra e, num clima mais rock, abraçando esse salutar experimentalismo ainda com maior convicção, não resvalarem nunca para exageros desnecessários, conseguindo assim manter intato um precioso charme genuíno e provando que estamos na presença de uma banda criadora de belos instantes sonoros, que se estendem pelos nossos ouvidos sem a mínima sensação de desconforto.

O que não falta neste disco são canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica com a voz, dando expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana. Mesmo quando alternam e passam de climas agitados a instantes mais calmos, conseguidos através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, os The Migrant nunca roubam às cordas o merecido protagonismo e temas como The Flood são um claro exemplo desta vontade de nos fazer refletir, com o romantismo e a cândura da maravilhosa Silence a confrontar-nos com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Otimista por natureza, com canções como Climbers ou The Fixer que nos fazem querer saltar enquanto acreditamos que nada é impossível, este quinteto mostra-se maduro e consciente do mundo que o rodeia e num estágio superior de sapiência que lhe permite utilizar o seu habitual espírito acústico para colocar-se à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar histórias que materializam os The Migrant na forma de conselheiros espirituais sinceros e firmes e que têm a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

The Migrant - Flood

01. Climbers
02. The Fixer
03. Flood
04. Belly Of A Man
05. Silence
06. Water
07. Give Up
08. Haunted
09. Tiger
10. Row Row


autor stipe07 às 22:08
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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015

Mew - Satellites

Mew - '+' -

Em silêncio desde que em 2009 editaram o aclamado No More Stories Are Told Today, I’m Sorry They Washed Away, os dinamarqueses Mew estão de regresso aos discos com  + - (pronuncia-se plus minus), o sexto álbum da carreira deste coletivo liderado por Jonas Bjerre e que se estreou em 1997 com A Triumph for Man.

Satellites é o primeiro avanço divulgado de + -, uma canção com uma excelente melodia e alguns arranjos distorcidos que trazem de volta a habitual toada ambiental, épica e psicadélica do grupo, um instante sonoro que confirma a boa forma deste quarteto oriundo de Hellerup. Confere o single e a tracklist do novo álbum dos Mew.

 

01. “Satellites”
02. “Witness”
03. “The Night Believer”
04. “Making Friends”
05. “Clinging To A Bad Dream”
06. “My Complications”
07. “Water Slides”
08. “Interview The Girls”
09. “Rows”
10. “Cross The River On Your Own”


autor stipe07 às 17:11
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Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Scarlet Chives - This Is Protection

Oriundos de Copenhaga e formados por Maria Mortensen, Brian Batz, Peter Esben, Rasmus Lindahl e Daniel Kolind, os dinamarqueses Scarlet Chives regressaram este ano aos discos com This Is Protection, um trabalho que viu a luz do dia a dez de setembro, através da Riot Factory e que sobrevive graças ao típico indie pop nórdico, assente em melodias alimentadas por texturas eletrónicas sintetizadas com um elevado pendor shoegaze, que dão vida a letras geralmente sombrias e com elevado cariz introspetivo, que conseguem ser para os Scarlet Chives um veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente os invade, até porque falam muito da necessidade que todos temos de nos proteger dos outros e, principalmente, dos nossos próprios medos.

As canções dos Scarlet Chives localizam-se, muitas vezes, entre o sono e o estado de consciência, não só por causa do esplendor instrumental, mas, principalmente, por serem adornadas pela belíssima voz de Maria Mortensen, que num registo em tudo semelhante a uma diva chamada Kate Bush, consegue facilmente transmitir-nos praticamente todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. Maria consegue olhar para o interior da nossa alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, ajudada por melodias que exploram uma miríade alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe.

A melancolia é um conceito vital e preponderante para os Scarlet Chives e está claramente plasmada não só nessa voz inconfundível, mas também nas nas notas do piano e do sintetizador, nos efeitos e numa percussão que, sendo muitas vezes vigorosa, não prejudica a perceção clara daquele momento em que se dorme, mas se está também acordado. Mesmo na sequência proposta por Sohn e Others Are The Force, em que o grupo pisca o olho ao rock progressivo e embala para uma espiral ruidosa que parece querer fugir, a qualquer instante, do mais absoluto controle, há um evidente equilíbrio sonoro, que permite as sensações típicas de um sono calmo coabitar com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser.

Canções como a sensual Hunting, a claustrufóbica The Rooms Are Too Small, o inquietante single Timber Will Fall, a sedutora Bigger Than The Tall, e a melancólica Some Days Stay, comprovam que estamos perante um coletivo maduro e assertivo, que parece apostado em sair um pouco do casulo instrospetivo e da timidez que tantas vezes enclausura os projetos provenientes do norte da Europa, já que consegue recriar um ambiente sonoro luminoso, colorido e expansivo, mas que não descura a essência enigmática e sombria que alicerça o seu ADN. Espero que aprecies a sugestão...

Scarlet Chives - This is Protection (2013)

01 Hunting 5:08
02 The Rooms Are Too Small 4:22
03 Timber Will Fall 4:43
04 Bigger Than The Tall 3:38
05 Sohn 6:22
06 Others Are The Force 2:58
07 Show The Rest 4:24
08 Some Days Stay 5:34
09 Lift 4:29
10 Eyes Go Dim 6:27


autor stipe07 às 18:52
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Domingo, 7 de Dezembro de 2014

Iceage - Plowing Into The Field Of Love

Depois de terem editado em 2011 New Brigade, o disco de estreia, os dinamarqueses Iceage de Dan Kjær Nielsen, Elias Bender Rønnenfelt, Johan Wieth e Jakob Tvilling Pless, sairam-se bem do teste que o sempre difícil segundo disco coloca às estreias auspiciosas quando, o ano transato, surpreenderam novamente com You're Nothing, um álbum gravado e produzido pela banda em Copenhaga e que, além de ter mostrado uns Iceage mais maduros, fez com que o seu som tivesse repecurssões várias e nem sempre pelos melhores motivos, já que viram-se confrontados frequentemente com a acusação de serem porta estandartes de ideologias apologistas da extrema direita e de serem admiradores do nacional socialismo, havendo mesmo vídeos de concertos onde algum público ergue o braço fazendo a saudação nazi. Independentemente disso, nesse segundo trabalho a sucessão de choques entre voz, guitarra e bateria tornou-se mais agressiva, intensa e visceral, mas sem deixar de lado a saudável acutilância que os define, pelo que Plowing Into The Field Of love, o novo trabalho do grupo, editado recentemente pela Escho e distribuido pela Matador Records, era aguardado com enorme expetativa.

Importa antes de mais realçar que em Plowing Into The field Of love, a atitude e a energia do punk continua bem patente e a voz do vocalista Elias, muito semelhante ao registo de Nick Cave, monocórdica, gasta e esforçada, ajuda em muito à criação da atmosfera negra por cima do pano de fundo punk, principalmente quando surge entrelaçada com pianos e guitarras distorcidas. Against The Moon é um dos grandes destaques do trabalho, não só por conter um piano partiucalrmente inspirado a marcar a cadência do tema, mas principalmente porque, na canção, a voz teatral de Elias carrega um clima particularmente sofrido que ajuda imenso a conferir ao tema um forte e certamente desejado clima emotivo.

É fácil imaginar estes Iceage a tocar em ambientes obscuros e apertados, com uma forte neblina interior, onde mal se distinguem os rostos, os cheiros e os estados de alma de quem os escuta e de quem acompanha o cariz fortemente inspirado, mas claramente enraivecido da sua música. Esta perceção é potenciada pelo negrume das letras, com destaque não só para a já referida Against The Moon, mas também para Glassy Eyed, Dormant And Veiled, uma canção que fala sobre o abuso parental, mas também pela postura dramática da banda e a aúrea depressiva que os envolve. Há detalhes como o rock vintage de The lorde's Favorite, os trompetes de Forever ou a percussão de Let It Vanish, que servem esse firme propósito de adensar um disco que acaba por funcionar como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido. Esta estratégia agressiva está desprovida de qualquer proximidade com o comercial, mas é certamente nada inocente e a sujidade que impregna o álbum aprisiona-nos numa espécie de relação de amor ódio com os Iceage.

Numa época em que o punk anda arredado das rádios e tem pouco airplay, é sempre salutar confirmar que há grupos que procuram combater este cenário e que a rebeldia do bom e velho punk rock continua bem viva. Os Iceage relembram-nos que as reverbações caóticas e as paredes de ruídos sintetizados em avalanches constantes de distorção, às vezes com camadas extra de sons claustrufóbicos, fazem sentido quando atingem o nível de inspiração que estes quatro rapazes dinamarqueses denotam. Espero que aprecies a sugestão...
1. On My Fingers
2. The Lord’s Favorite
3. How Many
4. Glassy Eyed, Dormant and Veiled
5. Stay
6. Let It Vanish
7. Abundant Living
8. Forever
9. Cimmerian Shade
10. Against The Moon
11. Simony
12. Plowing Into The Field Of Love


autor stipe07 às 23:09
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

The Raveonettes – Pe’ahi

Os dinamarqueses The Raveonettes de Sune Rose Wagner e Sharin Foo, estão de regresso aos lançamentos discográficos com o sétimo álbum da carreira da dupla. Pe’ahi sucede a Observator (2012), foi produzido por Justin Meldal-Johnsen e chegou às lojas no passado dia vinte e um de julho, através da Beat Dies Records.


Admiradores confessos de sonoridades esplendorosas e que os façam tocar a guitarra sempre completamente ligados à corrente, os The Raveonettes abrem este disco com a roqueira e dançante Endless Sleeper e percebe-se logo que há, simultaneamente, com a ajuda de uma bateria a recordar detalhes da bossa nova e um piano inspirado, uma tentativa de estabelecer pontes entre o indie rock, com alguns detalhes mais sensíveis da pop, bem estruturados e devidamente adocicados com arranjos bem conseguidos. Sisters, o primeiro single retirado do disco, e Wake Me Up, duas canções doces, mas com muita distorção e instantes bem noisy, ajudam a reforçar essa fusão que, nos quase quarenta minutos que duram este disco, é particularmente consistente e carregado de referências assertivas.

Pe'ahi é bastante inspirado na morte do pai de Sharin Fooe da mudança da artista para o sul da Califórnia, onde absorveu o clima veraneante das praias, particularmente audível nos arranjos de The Rains Of May. Aí idealizou fazer um álbum que fosse instrumental mais amplo e heterogéneo  que os antecessores, com novos instrumentos e diferentes efeitos, que a produção de Justin Meldal-Johnsen, um nome consagrado que já trabalhou com Beck e os Garbage, entre outros, ajudou, de forma preciosa, a salientar.

Assim, aparentemente presos a uma sonoridade vintage, que fez escola há umas três décadas, os The Raveonettes conseguiram dar vida ao que idealizaram, não abusando instrumentalmente, nem exagerando na forma como utilizaram o sintetizador e manipularam a própria voz, conseguindo assim um equilíbrio interessante entre a busca de uma toada lo fi expressiva e sintética e um som que não dispensa a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão. E a cereja no topo do bolo foi terem tido a capacidade de encontrar este ponto açucarado envolto numa pulsão rítmica, que nem as guitarras carregadas de fuzz e os teclados e as vozes processadas conseguem disfarçar e que os tiques de hip hop percetíveis nas batidas que constroem os alicerces de Kill e Killer In The Streets ajudam a realçar.

Este sétimo álbum da dupla pode significar uma mudança na direção sonora, uma abertura para um universo mais amplo ou, quem sabe, é apenas uma fotografia musical de um momento bem específico. É possível, porém, comprovar que os tempos recentes e difíceis experimentados por Sune e Sharin contribuíram para seu trabalho ganhar mais corpo e versatilidade. Pe'Ahi só não ultrapassa o teor adolescente pervertido da estreia, The Chain Gang Of Love, de 2003.

Apesar de os The Raveonettes nunca terem atingido uma performance de vendas espetacular, mantiveram-se fieis à sua bitola sonora, assente, quase sempre, numa vertente instrumental fortemente elétrica, densa mas melodiosa, uma percussão vincada e uma voz apaixonada, que nunca deixou de escrever letras fortemente reflexivas sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea. Pe'ahi pode fazer-nos acreditar na ilusão de que há aqui uma inflexão sonora com reflexos no futuro discográfico da dupla e que uma vertente experimental cada vez mais vincada e versátil fará parte do cardápio sonoro que vier a seguir a este álbum. Suposições à parte, o que importa reter é que Pe'ahi é mais um exemplo concreto de que os The Raveonettes são uma daquelas bandas em quem se pode confiar verdadeiramente e que nunca defraudam, já que sabem como juntar com talento todas as peças do indie rock para formar um tratado sonoro cheio de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas, com um inspirado clima espetral. Espero que aprecies a sugestão...

The Raveonettes - Pe'ahi

01. Endless Sleeper
02. Sisters
03. Killers In The Streets
04. Wake Me Up
05. Z-Boys
06. A Hell Below
07. The Rains Of May
08. Kill
09. When Night Is Almost Done
10. Summer Ends


autor stipe07 às 21:03
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Sleep Party People – Floating

Os Sleep Party People são um projeto dinamarquês encabeçado e idealizado pelo músico, compositor e multi-instrumentista Brian Batz, natural de Copenhaga. Já tinha falado deste projeto há cerca de dois anos quando divulguei We Were Drifting On A Sad Song, o quarto EP do grupo, lançado a nove de abril de 2012. Agora, no passado dia dois de junho, chegou aos escaparates Floating, o terceiro longa duração dos Sleep Party People, uma banda que ao vivo, além de Brian Batz, conta com os contributos de Kaspar Kaae, Ask Bock, Rasmus Lindahl e Jacob Haubjerg.

Os Sleep Party People fazem uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Change In Time, a canção de abertura do álbum, In Another World e Floating Blood Of Mine, os três tremas que a voz de coelho entretanto divulgou, localizam-se entre o sono e o estado de consciência, ou seja, transportam-nos até aquele limbo matinal e intimista, mas Batz, um produtor cada vez mais maduro e assertivo, parece desta vez apostado em sair um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostar num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, que as guitarras de I See The Moon também apontam, adornadas pela belíssima voz de Lisa Light, a vocalista dos The Lovemakers.

Se estas quatro canções, por si só, já justificam uma audição dedicada de Floating, há outros temas que merecem destaque, nomeadamente I See The Sun, Harold, aquela em que Batz mais se afasta da sua habitual zona de conforto, em oposição a Only a Shadow, um momento em que os pianos caberiam exemplarmente no alinhamento de We Were Drifting On A Sad Song.

Ouvir Floating é, em suma, apreciar um conjunto de nove canções que transmite todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. A Stranger Among Us, a melhor música do álbum, vem descortinar isso mesmo. Estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, mais uma vez, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, mas agora com melodias que exploram uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente o invade. A melancolia continua nas notas do piano e do violino, mas a bateria e os sintetizadores deixam uma marca mais profunda em canções que parecem feitas para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Floating serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Floating

01. Change In Time
02. Floating Blood Of Mine
03. A Stranger Among Us
04. In Another World
05. Death Is The Future
06. I See The Sun, Harold
07. I See The Moon
08. Only A Shadow
09. Scattered Glass


autor stipe07 às 20:54
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Terça-feira, 27 de Maio de 2014

The Great Dictators – Liars

Editado no passado dia vinte e quatro de fevereiro, Liars é o disco de estreia dos The Great Dictators, um coletivo dinamarquês natural de Copenhaga, formado por Dragut Lugalzagosi, Rans Martin, Jakob Lundorff, Kasper Husted, Kristoffer Albris, Mikkel Balle e Peter Tveskov. Liars sucede a When I Waltz, HorrorscopesSomeday, Nothing Will Happen, três EPs que o grupo lançou em 2012 e que anteciparam o lançamento deste longa duração.

Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir e donos de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação, os The Great Dictators estream-se nos álbuns com um trabalho que tem as suas raízes no norte da Europa, um ponto do globo artisticamente muito criativo. Assentam a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock com  o punk e o post rock e sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, em canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, algo que o sintetizador e os efeitos de temas como Sleep ou Model In Freezerwrap claramente comprovam.

Walk Through The Walls, o tema de abertura de Liars e que encanta pelos belíssimos arranjos onde se incluem xilofone e um bandolim que aparece novamente em Many Ways To Burn, coloca de imediato a nú a zona de conforto sonora estabelecida e pregada pelos The Great Dictators e que reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, na qual se enredaram, lirica e sonoramente, tendo nomes como os The National e os Interpol como um farol do processo de criação. Com estas referências como pano de fundo é com naturalidade que se confere em Liars boas letras e belíssimos arranjos, assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do punk dos anos oitenta. 

Com o registo vocal de Dragut Lugalzagosi a soar a uma aproximação perfeita ao universo indie encorporado no registo grave de Matt Berninger, Liars carimba uma certa ideia de maturidade de um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrarando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo (Coming Back In Style) e verdadeiros hinos de estádio (Wine). 

Em Liars temos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e prezam pelo minimalismo da combinação entre eles, como é audível em Dive ou na já referida Model In Freezerwrap e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande, de forma mais rica e trabalhada, como na já citada Wine ou em World Of Dogs. De uma forma ou de outra, o processo de composição melódica produra sempre dar vida a um conjunto volumoso de versos sofridos e sons acinzentados, como se fosse a banda sonora de um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para o tal ambiente sombrio e nostálgico da banda.

Se para os mais distraídos Liars soar ao que de mais depressivo e angustiante ouviram nos últimos tempos, uma audição atenta e dedicada, onde se inclua a análise da lírica, desfaz tal ideário e mostra que as dez cançõess deste disco são uma espécie de exercício de redenção, onde o sofrimento é olhado como uma inevitabilidade, mas de uma outra perspetiva, mais madura, assertiva e positiva.

Liars é uma rodela que exige tempo, que se revela a pouco e pouco e que só será devidamente entendida após várias e repetidas mas dedicadas audições. É um álbum muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade, mas é sobretudo um exercício de audição individual das canções. Com ele os The Great Dictators firmam a sua posição na classe dos artistas que merecem logo na estreia um crédito imenso. Espero que aprecies a sugestão...

The Great Dictators - Liars

01. Walk Through The Walls
02. Wine
03. Coming Back In Style
04. Bombs In Heaven
05. World Of Dogs
06. Dive
07. Sleep
08. Model In Freezerwrap
09. Many Ways To Burn
10. Great Liars


autor stipe07 às 21:25
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