Sexta-feira, 2 de Junho de 2017

Sleep Party People - Lingering

Acaba de chegar aos escapares Lingering, novo registo de originais do projeto Sleep Party People do dinamarquês Brian Batz. São doze canções editadas à boleia da Joyful Noise Recordings e não receio arriscar que este poderá muito bem ser um dos melhores discos de 2017. O álbum conta com as participações especiais de Peter Silberman dos The Antlers e Beth Hirsch na suavidade tocante de We Are There Together, cantora que emprestou a sua voz a alguns dos temas mais emblemáticos de Moon Safari, a obra-prima dos franceses Air, entre outros.

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Este projeto Sleep Party People, tem-nos vindo a proporcionar, disco após disco, uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas cada vez mais rugosa e imponente, instrumentalmente mais arriscada e onde não falta imensa diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Num músico que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nú algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia, tal opção faz sentido, com este Lingering a ser o momento mais alto e afirmativo desta caminhada filosófica e estilística. Assim, o que temos aqui é um registo eminentemente experimental, que sobrevivendo também à custa de alguns dos detalhes fundamentais do indie rock atual, tem na eletrónica contemporânea e no cruzamento que esta efetua com campos tão díspares como o r&b ou paisagens mais eruditas e clássicas, a sua grande força motriz.

Se os cavernosos tambores de Figures e o efeito da sua guitarra planante encorajam-nos a partir estrada fora guiados por um espírito maior, em The Missing Steps somos como aquele passageiro que sai de um comboio num destino ao acaso hipnotizado pela gentileza das teclas e por um falsete que se eleva ao alto, exemplos do modo como metaforicamente, ou indo diretamente ao assunto, este incomparável poeta que é Brian Batz nos recorda como poderá ser drástico viver em permanentemente desafio com os nosso medos, sem ter em conta o seu verdadeiro lugar e posição, no seio do nosso âmago. A redenção e a bússola que nos indica o rumo certo chega logo depois em Fainting Spell, canção construída em redor de um muro sónico de sons sintetizados plenos de luz e harmonia, ao qual depois se junta uma guitarra pulsante, um tema que regenera e salva, precisamente pelo modo como nos faz sentir um pouco estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, portanto, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, impulsionado pela vontade que ele tem de nos orientar sobre o modo como devemos lutar contra a permanente angústia, mesmo nos instantes em que entre o sono e o estado de consciência, vivemos naquele limbo matinal e intimista. E assim, se essa canção mostra um Batz cada vez mais maduro e assertivo, também mostra que ele está apostado em servir de exemplo, saindo um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostando num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, algo que pouco depois os timbres metálicos e as sedutoras teclas da etérea Lingering Eyes também apontam e nos fazem contemplar.

Com a participação especial de Luster, Dissensions inicia mais outra sequência obrigatória de Lingering, nomeadamente pelo jogo que na canção se estabelece entre a percussão, o baixo e uma guitarra explosiva, um mescla sobreposta por camadas. Esta composição e a seguinte, Limitations, canção onde brilha a junção de um teclado sintetizado retro, um efeito vocal ecoante e uma guitarra abrasiva, noutro tema que aborda a propensão humana para a fragilidade, são novas preciosas achas para a fogueira que ilumina a abrangência estilística do adn sonoro atual de Sleep Party People. Depois, uma espécie de dicotomia entre um lado mais orgânico e outro mais sintético, expressa com luminosidade, frescura e cor nas cordas e nos efeitos borbulhantes de The Sound Of His Daughter e, logo a seguir, na espiral cósmica de teclas, sopros, metais, guitarras e de um baixo pleno de groove em The Sun Will Open Its Core, ficamos definitivamente pasmados com a segurança, o vigor e o modo criativamente superior como este projeto dinamarquês entra hoje em estúdio para compôr e criar um arquétipo sonoro que não tem qualquer paralelo no universo indie e alternativo atual.

Disco muito desejado por todos os seguidores dos Sleep Party People e não só, Lingering é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Lingering

01. Figures
02. The Missing Steps
03. Fainting Spell
04. Salix And His Soil
05. Lingering Eyes
06. Dissensions (Feat. Luster)
07. Limitations
08. The Sound Of His Daughter
09. The Sun Will Open Its Core
10. We Are There Together (Feat. Beth Hirsch)
11. Odd Forms
12. Vivid Dream

 


autor stipe07 às 12:56
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Terça-feira, 23 de Maio de 2017

Sleep Party People – The Sun Will Open Its Core

Sleep Party People - The Sun Will Open Its Core

Lingering, o novo registo de originais dos projeto Sleep Party People do dinamarquês Brian Batz, chega aos escaparates a dois de junho, à boleia da Joyful Noise Recordings e não receio arriscar que poderá muito bem ser um dos melhores discos de 2017. O álbum contará com as participações especiais de Peter Silberman dos The Antlers e Beth Hirsch que emprestou a sua voz a alguns dos temas mais emblemáticos de Moon Safari, a obra-prima dos franceses Air.

Construída em redor de um muro sónico de batidas e sons sintetizados plenos de luz e harmonia, The Sun Will Open Its Core é o mais recente single divulgado de Lingering, canção onde mais uma vez Batz olha para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, impulsionado por uma filosofia sonora que explora uma miríade instrumental alargada e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico. Na canção a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente invade Batz. Confere...


autor stipe07 às 09:42
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Sábado, 13 de Maio de 2017

Sleep Party People – Fainting Spell

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Lingering, o novo registo de originais dos projeto Sleep Party People do dinamarquês Brian Btaz, chega aos escaparates a dois de junho, à boleia da Joyful Noise Recordings e não receio arriscar que poderá muito bem ser um dos melhores discos de 2017. O álbum contará com as participações especiais de Peter Silberman dos The Antlers e Beth Hirsch que emprestou a sua voz a alguns dos temas mais emblemáticos de Moon Safari, a obra-prima dos franceses Air.

Construída em redor de um muro sónico de sons sintetizados plenos de luz e harmonia, ao qual depois se junta uma guitarra pulsante, Fainting Spell é o primeiro single divulgado de Lingering, canção que nos faz sentir um pouco estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, mais uma vez, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, impulsionado por uma filosofia sonora que explora uma miríade instrumental alargada e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico. Na canção a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente invade Batz. Confere...

Sleep Party People - Fainting Spell


autor stipe07 às 00:18
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016

Efterklang And The Happy Hopeless Orchestra – Leaves: The Colour Of Falling

Foi através da Tambourhinoceros que os dinamarqueses Efterklang, formados por Casper Clausen, Mads Christian Brauer e Rasmus Stolberg, regressaram aos discos, fazendo-o com Leaves: The Colour Of Falling, um álbum de música clássica onde juntamente com a The Happy Hopeless Orchestra e alguns vocalistas conterrâneos de renome, nomeadamente a lendária Lisbeth Balslev (soprano), Morten Grove Frandsen (contratenor), Katinka Fogh Vindelev (soprano) e Nicolai Elsberg (baixo), dão vida a lindíssimos poemas da autoria de Ursula Andkjær Olsen.

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Exímios no modo como nos oferecem sons criados com forte inspiração em elementos paisagísticos, este trabalho tem uma sonoridade única e peculiar e surge na sequência de outros projetos que esta consagrada banda dinamarquesa tem vindo a levar a cabo ultimamente, dos quais se destacam a participação na banda sonora do filme An Island e a criação do ambiente sonoro do restaurante Noma, um dos mais famosos da Dinamarca.

Ao longo da carreira, o som deste grupo não foi sempre algo estanque e a opção por um alinhamento de contornos eminentemente eruditas acaba por ser um passo lógico depois de uma fase feliz que assentou na mistura de sonos típicos do rock mais progressivo com a eletrónica de cariz mais ambiental. Tem sido, portanto, um percurso cheio de períodos de transformação, que oscilaram entre momentos minimalistas e outros mais expansivos e este Leaves: The Colour Of Falling acaba por, à boleia de uma orquestra, fazer uma espécie de súmula de toda uma amálgama de elementos e referências sonoras, como se todo este arsenal instrumental servisse para, no momento certo para, assim como uma linha de costura, unir pedaços separados e que precisavam de ser agregados.

Assim, se em Imagery Of Perfection somos conduzidos para lugares calmos e distantes, algo místicos, já o single City Of Glass parece querer derrubar tratados e convenções rumo a uma reunificação universal onde tudo é transparente e faz realmente sentido, com a voz de Morten em Spider's Web e o som dos metais e dos coros em The Colour Not Of Love a terem aquela cor e brilho que nos fazem levitar, começando assim um disco cheio de sentimos, emocionalmente profundo e que quando termina deixa-nos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão... 

Efterklang And The Happy Hopeless Orchestra - Leaves The Colour Of Falling

01. Cities Of Glass
02. Imagery Of Perfection
03. Spider’s Web
04. The Colour Not Of Love
05. Leaves
06. Stillborn
07. Abyss
08. No Longer Me
09. Eye Of Growth
10. Wind


autor stipe07 às 18:29
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Sábado, 30 de Janeiro de 2016

The Raveonettes – This World Is Empty (Without You)

The Raveonettes - This World Is Empty (Without You)

Depois do estrondoso Pea'hi (2014), o sétimo álbum da carreira, os dinamarqueses The Raveonettes de Sune Rose Wagner e Sharin Foo resolveram fazer algo diferente em 2016 e estão de regresso aos lançamentos, divulgando mensalmente um tema, por sinal gratuitamente, num projeto que a dupla intitula de Rave-Sound-Of-The-Month e que pretende funcionar como uma espécie de anti-álbum. Será um compêndio de canções que irão nascer com uma identidade própria e de modo espontâneo e janeiro oferece-nos This World Is Empty (Without You), um tema que pisa o olho ao melhor rock alternativo dos anos oitenta e com um refrão bastante aditivo e desafiante, onde sobressai uma guitarra soturna, mas bastante aditiva. Confere...


autor stipe07 às 16:53
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

John Grant – Grey Tickles, Black Pressure

Dois anos e meio depois do fabuloso Pale Green Ghosts, o canadiano John Grant regressou aos discos perto do ocaso de 2015 com Grey Tickles, Black Pressure, o terceiro registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico, geralmente com uma forte componente autobiográfica, não faltando, desta vez, algumas alusões ao seu problema de saúde, conhecido do público em geral (John Grant é portador do vírus HIV).

Produzido por John Congleton, gravado em Dallas e lançado à boleia da insuspeita Bella Union, Grey Tickles, Black Pressure fala de amores não correspondidos e, acima de tudo, da dificuldade que este hoemm, que reside atualmente na Islândia e com quase meio século de vida, continua a sentir para se integrar num mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito sofrido por ser homossexual.

Se Grey Tickles é, então, uma alusão direta à questão da meia idade, na tradição islandesa e Black Pressure, refere-se a pesadelo, na linguagem turca, o título clarifica implacavelmente toda a temática acima referida, o cenário denso e intrincado que molda o palco onde Grant desfila a sua existência diária e que encontra paralelo em doze canções de um disco que abre e fecha com trechos bíblicos retirados da Carta de Paulo aos Coríntios, uma intensa ode de celebração do amor coletivo e fraterno e, no fundo, uma referência irónica vinda de um Grant que, como já referi, além de se sentir permanentemente desfocado da realidade concreta, não é propriamente hábil a demonstrar o seu afeto por alguém, apesar de ter um coração enorme e cheio de amor para dar.

Assim, Grey Tickles, Black Pressure está impregnado de lindíssimas baladas, conduzidas por belíssimos arranjos orquestrais e pela voz imponente de Grant. Excelentes exemplo são o tema homónimo, uma canção que fala da arte de envelhecer, ou Global Warming, o grande momento do disco, uma canção com um dramatismo incontrolável, que nos revela uma espécie de apocalipse. Mas também há que escutar atentamente No Morte Tangles, composição conduzida por batidas sintéticas algo incontroladas, que comprovam a mestria compositória do autor.

Mas este disco não é feito só de momentos particularmente sentidos e melancólicos; Os ruídos vintage de Guess How I Know, a voz apelativa e sensual de Amanda Palmer, dos Dresden Dolls, em You And Him, a misteriosa Down Hill, a climática e híbrida Magma Arrives e o minimalismo sintético de Voodoo Doll e Disappointing, tema que conta com a participação vocal de Tracey Horn, são canções que merecem audição dedicada e comprovam a mestria de quem usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências trágicas que têm assolado a sua existência.

Em Grey Tickles, Black Pressure, John Grant expôe alguns dos detalhes mais delicados da sua vida, enquanto se aproxima de nós sem pedir compaixão, apenas com o intuito honesto de partilhar vivências e tentar curar as suas feridas internas. E também, quem sabe, fazer com que as suas músicas ajudem alguns de nós que se possam identificar com aquilo que ele já passou e que tem para nos dizer. Espero que aprecies a sugestão...

John Grant - Grey Tickles, Black Pressure

01. Intro
02. Grey Tickles, Black Pressure
03. Snug Slacks
04. Guess How I Know
05. You And Him (Feat. Amanda Palmer)
06. Down Here
07. Voodoo Doll
08. Global Warming
09. Magma Arrives
10. Black Blizzard
11. Disappointing (Feat. Tracey Thorn)
12. No More Tangles
13. Geraldine
14. Outro


autor stipe07 às 21:33
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Mew – + -

Sexto disco da carreira de uma banda que se estreou em 1997 com A Triumph For Man e que alcançou o estrelato em 2003 com o aclamado Frengers+ - (ou Plus Minus) é o novo registo de originais dos dinamarqueses Mew de Jonas Bjerre, que se encontravam em silêncio discográfico desde que em 2009 editaram o excelente No More Stories Are Told Today, mas tendo feito desde então algumas digressões, com a curiosidade de este + - ser o primeiro trabalho deste querteto de Hellerup, em que algumas canções foram escritas em plena época de estrada.

Satellites, o primeiro avanço divulgado de + -, abre o disco com esplendor textural, uma canção com uma belíssima melodia e alguns arranjos distorcidos que trazem de volta a habitual toada ambiental, épica e psicadélica do grupo. Este é um instante sonoro que confirma a boa forma dos Mew e que não defrauda quem estiver à espera, tendo em conta a herança identitária do projeto, de canções coloridas e envolventes. Mas a melhor canção para ilustrar todo este colorido sonoro que a capa tão bem ilustra, é Rows, um longo tema que que decalca com esplendor a cartilha sonora dos Mew, de modo quase sinestético. Mas até chegar a essa Rows podemos apreciar um alinhamento que contém uma série de canções positivas, alegres e bem construídas, alicerçadas em guitarras que, da maior delicadeza à mais implcável das distorções, deambulam por variados registos, de acordo com as emoções de cada tema. Além da guitarra, contamos com um baixo sempre vigoroso, tocado por Johan Wohlert e que em Clinging to a Bad Dream é mesmo o grande protagonista da condução melódica, além de diversas camadas de teclados sintetizados, sofisticados e tecnologicamente avançados. Estes são geralmente replicados com bom gosto e contêm o típico charme que resulta da mistura feita com requinte entre pop e rock progressivo e que os nórdicos propôem melhor que ninguém. Além de Satellites, a sublime melodia que sustenta Witness, o piscar de olhos sintetizado da pop à soul em Making Friends e o refrão irresistível de The Night Believer, um tema que conta com a participação especial vocal da neozelandesa Kimbra, justificam esta minha impressão inicial e o modo assertivo como os Mew, desta vez secundados pelo produtor norte americano Michael Beinhorn, entregam ao mundo canções irresistíveis e implacavelmente cativantes.

Além da já referida Kimbra, outra das participações especiais que encontramos na ficha técnica de + - é Russell Lissack, guitarrista dos Bloc Party, que emprestou os seus dotes interpretativos em My Complication, dando à canção, com a sua guitarra, uma toada roqueira que nos Mew não é tão comum quanto isso e que em Water Slides, principalmente na pujança do refrão, também se pode absorver, quer num caso quer noutro, sempre de forma controlada.

Impecavelmente produzido, vibrante, luminoso e com alguns momentos de absoluta catarse, + - é um regresso em excelente forma deste quarteto dinamarquês aos discos, à boleia de uma paleta de cores intensa e diversificada, que navega entre a luz e a escuridão e o sintético e o orgânico, em dez canções cativantes e que se sustentam numa espantosa solidez estrutural, num misto de euforia e contemplação. Espero que aprecies a sugestão... 

01. Satellites
02. Witness
03. The Night Believer
04. Making Friends
05. Clinging To A Bad Dream
06. My Complications
07. Water Slides
08. Interview The Girls
09. Rows
10. Cross The River On Your Own


autor stipe07 às 14:57
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2015

Darkness Falls – Dance And Cry

As Darkness Falls são uma das novas coqueluches do cenário indie do reino da Dinamarca, uma banda descoberta pelo visionário produtor Anders Trentemøller e formada pela dupla feminina Josephine Philip (teclados, voz) e Ina Lindgreen (guitarra, baixo e voz). Depois de em março em outubro de 2011 se terem estreado nos discos com Alive In Us, parece que já há finalmente sucessor. O novo álbum das Darkness Falls chama-se Dance And Cry, viu recentemente a luz do dia, novamente através da HFN Music  e The Answer foi o primeiro tema divulgado do trabalho, assim como o respetivo video.

Trilhando caminhos que vão da electrónica à soul, passando pela pop de câmara e o próprio indie rock, com vários pontos de contacto com o trabalho de nomes como os Massive Attack, Radiohead, The Aloof, UNKLE e Pink Floyd, as Darkness Falls tornaram-se, ao segundo disco, ainda mais expansivas luminosas, sendo notória, durante a audição de Dance And Cry a fusão entre orquestra, electrónica e elementos progressivos, com pontes brilhantes entre momentos de maior intensidade com outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, outrora adormecidas.

A voz doce e resplandescente de Josephine e o sintetizador futurista da sónica Night Games, ou a percurssão tribal e o baixo vigoroso de The Answer são excelentes portas de entrada para a sonoridade geral do disco, onde existe uma tensão latente trasnversal ao alinhamento, apoiada num forte sentido melódico que busca o épico sem desmesurada e incontrolada grandiosidade, privilegiando antes o charme tipicamente feminino, equanto a dupla funde texturas pop tipicas das guitarras dos anos sessenta com a eletrónica, uma mistura harmoniosa e dinâmica de elementos, alicercados na típica melancolia pop que define variados projetos oriundos desta zona da Europa.

O negro sombrio, mas perigosamente sedutor de Liar's Kiss suga-nos para um ambiente intenso e profundamente emotivo, enquanto que as aproximações ao trip hop e à pop em Dance And Cry e à eletrónica retro em Golden Bells, mostram as novas linhas mais complexas com que a música das Darkness Falls agora se cose, porque abarca novos e variados estilos e tendências musicais, mas sem deixarem de soar lineares, porque não se desviam do ambiente sonoro geral e padronizado que as carateriza. O clima tremendamente cinematográfico e biográfico de Dance And Cry agarra-nos pelos colarinhos sem dó nem piedade e suga-nos para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha, que se repete um pouco adiante, em My Father Told Me (He Was Wrong), um registo onde esta mesma voz é acompanhada por um orgão e uma batida que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia e também nos leva de encontro à tal eletrónica de cariz mais vintage.

O disco chega ao ocaso com as Darkness Falls a mostrarem-se ainda mais arrojadas, já que Midsummer Wail e Thunder Roads transbordam a um certo travo industrial, que a belíssima voz de Josephine aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como os sintetizadores e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais.

Dance And Cry tem alma e paixão, é fruto de três anos de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Seja por causa de momentos em que a bateria é estranhamente dançante, pela majestosidade dos sintetizadores, ou pela elegância vocal, estamos na presença de um dos álbuns essenciais da pop de cariz mais eletrónico do ano. Espero que aprecies a sugestão...

Darknes Falls - Dance And Cry

01. Night Games
02. The Answer
03. Liar’s Kiss
04. Dance And Cry
05. Golden Bells
06. Darkness Falls
07. Paradise Trilogy I
08. Hazy
09. My Father Told Me (He Was Wrong)
10. Midsummer Wail
11. Thunder Roads


autor stipe07 às 18:43
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Segunda-feira, 27 de Abril de 2015

The Great Dictators – Killers

Depois de Liars, disco editado na primavera de 2014, os dinamarqueses The Great Dictators, um coletivo natural de Copenhaga formado por Dragut Lugalzagosi, Jakob Lundorff e Mikkel Balle e que também conta ao vivo com Asker Bjørk, Christoffer Hein e Christian Ki, estão de regresso um ano depois com Killers, disco editado a treze de abril pela Royal Toad Records e o segundo trabalho de uma banda sustentada pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir e dona de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação.

Killers prossegue a demanda sonora épica de Liars, com os The Great Dictators a manterem a firme aposta numa mistura de indie pop e indie rock com  o punk e o post rock e sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, em canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, algo que temas como a épica We Don't Have Sound, um apelo sentido aos nossos sentidos para que se mantenham sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos, ou Baby Skull Ring, uma lindíssima balada sobre os dois lados que possui o imenso poder do amor, claramente comprovam.

O baixo vigoroso e a voz empolgante de Strange Ways, o primeiro single retirado de Killers e animado por um curioso video onde surge Vladimir Putin e Dragut, o cantor e lider dos The Great Dictators, são já imagens de marca deste projeto, mas o banjo, a harpa, o bandolim o acordeão, o trompete e, principalmente, o piano, são outros instrumentos com várias aparições ao longo do alinhamento e que contribuem decisivamente para a sonoridade geral que estabelece firmemente uma zona de conforto que reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada. O protagonismo do piano é mesmo um dos mais bonitos e interessantes trunfos de Killers, sendo mesmo o condutor melódico por excelência de algumas canções, nomeadamente Rockets, In The Name Of The Father e We Will Survive, esta última um hino à vida e à necessidade de sermos felizes junto de alguém, chegando até a ser comovente o modo como nestas canções as teclas brancas e pretas se abraçam com o trompete para nos arrastar sem dó nem piedade para o profundo universo emocional que conforta estes The Great Dictators.

Tendo como pano de fundo, como já referi, o rock alternativo e o punk mais sombrio dos anos oitenta, verdadeiros faróis do processo de criação e duas bitolas na quais estes dinamarqueses se enredaram, lirica e sonoramente, é com naturalidade que se confere em Killers boas letras e belíssimos arranjos, assentes no tal baixo vibrante, na voz grave de Dragut e adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes que carimbam uma certa ideia de maturidade de um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo (In The Name Of The Father) e verdadeiros hinos de estádio (Strange Ways).

Para ser devidamente apreciada e entendida, a música destes The Great Dictators exige pulso firme e dedicação extrema, sem sacrifício e com disponibilidade total para se aceitar fazer concessões de modo a deixar que o poderoso edifício sentimental que a sustenta nos possa cobrir de fé e crença num amanhã melhor e diferente. Se houver essa abertura de espírito, eles fazem o resto porque será involuntário o erguer do queixo e o esboçar do nosso melhor sorriso no final da audição do disco. O amor, sempre o amor, está lá e a teia simultaneamente amargurada e esperançosa com que ele nos envolve todos os dias em que a chama se mantém acesa, claramente explícita em letras que tanto falam dos nossos maiores receios e fantasmas (We Will Survive), como nos ensinam a usufruir na plenitude do melhor sentimento que podemos albergar no nosso coração (Heathens).

Mesmo com cantos escuros e alguns buracos negros, que apenas servem para indicar o melhor caminho e fazer-nos perceber que só se pode olhar em frente quando não há nada bem resolvido que tenha ficado para trás a atormentar-nos continuamente, Killers, no seu todo e como documento sonoro único é um hino à felicidade, uma porta escancarada que nos ensina a darmos a devida importância aos problemas, ao sofrimento e à dor, que estarão sempre connosco, mesmo quando a maior constância de eventos felizes seja uma realidade concreta na nossa vida. Há, no seu seio, como que uma tomada de consciência de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Espero que aprecies a sugestão...

The Great Dictators - Killers

01. Holy Creatures
02. Strange Ways
03. Heathens
04. We Don’t Have Sound
05. Baby Skull Ring
06. In The Name Of The Father
07. Shame
08. Vote For Me
09. We Will Survive
10. Rockets
11. Killers


autor stipe07 às 18:51
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Quarta-feira, 1 de Abril de 2015

The Migrant – Flood

Os The Migrant são liderados por Bjarke Bendtsen, um músico de Copenhaga, na Dinamarca, ao qual se juntam Mads Hartmann, Jakob Lademann, Kristian Lademann e Aske Fuglsang. Falo de um projeto de indie pop mas com imensos traços de folk e psicadelia e já com uma trajetória importante. Estrearam-se nos discos com Travels in Lowland, em 2010 e depois chegou Amerika, no ano seguinte. Beads, no início de 2014, foi o terceiro trabalho deste coletivo que está de regresso com Flood, mais dez canções produzidas e misturadas pelos próprios Mads Hartmann e Bjarke Bendtsen, dois membros do grupo e que viram a luz do dia a dezasseis de janeiro último.

Pessoalmente nunca incomoda nem aborrece este jeito inato que os músicos nórdicos têm para exaltar a melancolia, fazendo-o à boleia de melodias capazes de vergar o coração mais empedernido e às quais é impossível resistir. Talvez seja do clima, desse frio polar que obriga a que mentes que viajam constantemente entre a ressaca e um estado mais ébrio, tenham de se aquecer de qualquer forma, fazendo também com a música, sem dúvida uma excelente porta de entrada para um mundo mais confortável e acolhedor.

A música dos The Migrant tem a capacidade inebriante de nos convidar a darmos as mãos e fazermos uma roda em seu redor, enquanto dançamos ao som de canções que brilham no modo como palpitam, guiadas por cordas que parecem ter vida própria e que em determinados instantes até nem receiam ousar e tomando como exemplo a notável Silence, piscarem o olho a um certo travo psicadélico. Belly Of A Man ou Water são outros dois momentos que se destacam em Flood, impressionando pelo modo harmonioso como mostram que os The Migrant conseguem eletrificar a guitarra e, num clima mais rock, abraçando esse salutar experimentalismo ainda com maior convicção, não resvalarem nunca para exageros desnecessários, conseguindo assim manter intato um precioso charme genuíno e provando que estamos na presença de uma banda criadora de belos instantes sonoros, que se estendem pelos nossos ouvidos sem a mínima sensação de desconforto.

O que não falta neste disco são canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos e que misturam harmoniosamente a exuberância acústica com a voz, dando expressão a letras que exaltam o lado mais festivo da existência humana. Mesmo quando alternam e passam de climas agitados a instantes mais calmos, conseguidos através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes, quase sempre precurssivos, os The Migrant nunca roubam às cordas o merecido protagonismo e temas como The Flood são um claro exemplo desta vontade de nos fazer refletir, com o romantismo e a cândura da maravilhosa Silence a confrontar-nos com a nossa natureza, uma sensação curiosa e reconfortante que transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia.

Otimista por natureza, com canções como Climbers ou The Fixer que nos fazem querer saltar enquanto acreditamos que nada é impossível, este quinteto mostra-se maduro e consciente do mundo que o rodeia e num estágio superior de sapiência que lhe permite utilizar o seu habitual espírito acústico para colocar-se à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar histórias que materializam os The Migrant na forma de conselheiros espirituais sinceros e firmes e que têm a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

The Migrant - Flood

01. Climbers
02. The Fixer
03. Flood
04. Belly Of A Man
05. Silence
06. Water
07. Give Up
08. Haunted
09. Tiger
10. Row Row


autor stipe07 às 22:08
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