Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

The Raveonettes – Pe’ahi

Os dinamarqueses The Raveonettes de Sune Rose Wagner e Sharin Foo, estão de regresso aos lançamentos discográficos com o sétimo álbum da carreira da dupla. Pe’ahi sucede a Observator (2012), foi produzido por Justin Meldal-Johnsen e chegou às lojas no passado dia vinte e um de julho, através da Beat Dies Records.


Admiradores confessos de sonoridades esplendorosas e que os façam tocar a guitarra sempre completamente ligados à corrente, os The Raveonettes abrem este disco com a roqueira e dançante Endless Sleeper e percebe-se logo que há, simultaneamente, com a ajuda de uma bateria a recordar detalhes da bossa nova e um piano inspirado, uma tentativa de estabelecer pontes entre o indie rock, com alguns detalhes mais sensíveis da pop, bem estruturados e devidamente adocicados com arranjos bem conseguidos. Sisters, o primeiro single retirado do disco, e Wake Me Up, duas canções doces, mas com muita distorção e instantes bem noisy, ajudam a reforçar essa fusão que, nos quase quarenta minutos que duram este disco, é particularmente consistente e carregado de referências assertivas.

Pe'ahi é bastante inspirado na morte do pai de Sharin Fooe da mudança da artista para o sul da Califórnia, onde absorveu o clima veraneante das praias, particularmente audível nos arranjos de The Rains Of May. Aí idealizou fazer um álbum que fosse instrumental mais amplo e heterogéneo  que os antecessores, com novos instrumentos e diferentes efeitos, que a produção de Justin Meldal-Johnsen, um nome consagrado que já trabalhou com Beck e os Garbage, entre outros, ajudou, de forma preciosa, a salientar.

Assim, aparentemente presos a uma sonoridade vintage, que fez escola há umas três décadas, os The Raveonettes conseguiram dar vida ao que idealizaram, não abusando instrumentalmente, nem exagerando na forma como utilizaram o sintetizador e manipularam a própria voz, conseguindo assim um equilíbrio interessante entre a busca de uma toada lo fi expressiva e sintética e um som que não dispensa a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão. E a cereja no topo do bolo foi terem tido a capacidade de encontrar este ponto açucarado envolto numa pulsão rítmica, que nem as guitarras carregadas de fuzz e os teclados e as vozes processadas conseguem disfarçar e que os tiques de hip hop percetíveis nas batidas que constroem os alicerces de Kill e Killer In The Streets ajudam a realçar.

Este sétimo álbum da dupla pode significar uma mudança na direção sonora, uma abertura para um universo mais amplo ou, quem sabe, é apenas uma fotografia musical de um momento bem específico. É possível, porém, comprovar que os tempos recentes e difíceis experimentados por Sune e Sharin contribuíram para seu trabalho ganhar mais corpo e versatilidade. Pe'Ahi só não ultrapassa o teor adolescente pervertido da estreia, The Chain Gang Of Love, de 2003.

Apesar de os The Raveonettes nunca terem atingido uma performance de vendas espetacular, mantiveram-se fieis à sua bitola sonora, assente, quase sempre, numa vertente instrumental fortemente elétrica, densa mas melodiosa, uma percussão vincada e uma voz apaixonada, que nunca deixou de escrever letras fortemente reflexivas sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea. Pe'ahi pode fazer-nos acreditar na ilusão de que há aqui uma inflexão sonora com reflexos no futuro discográfico da dupla e que uma vertente experimental cada vez mais vincada e versátil fará parte do cardápio sonoro que vier a seguir a este álbum. Suposições à parte, o que importa reter é que Pe'ahi é mais um exemplo concreto de que os The Raveonettes são uma daquelas bandas em quem se pode confiar verdadeiramente e que nunca defraudam, já que sabem como juntar com talento todas as peças do indie rock para formar um tratado sonoro cheio de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas, com um inspirado clima espetral. Espero que aprecies a sugestão...

The Raveonettes - Pe'ahi

01. Endless Sleeper
02. Sisters
03. Killers In The Streets
04. Wake Me Up
05. Z-Boys
06. A Hell Below
07. The Rains Of May
08. Kill
09. When Night Is Almost Done
10. Summer Ends


autor stipe07 às 21:03
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Quarta-feira, 25 de Junho de 2014

Sleep Party People – Floating

Os Sleep Party People são um projeto dinamarquês encabeçado e idealizado pelo músico, compositor e multi-instrumentista Brian Batz, natural de Copenhaga. Já tinha falado deste projeto há cerca de dois anos quando divulguei We Were Drifting On A Sad Song, o quarto EP do grupo, lançado a nove de abril de 2012. Agora, no passado dia dois de junho, chegou aos escaparates Floating, o terceiro longa duração dos Sleep Party People, uma banda que ao vivo, além de Brian Batz, conta com os contributos de Kaspar Kaae, Ask Bock, Rasmus Lindahl e Jacob Haubjerg.

Os Sleep Party People fazem uma dream pop de forte cariz eletrónico, mas onde não falta alguma diversidade, principalmente ao nível das orquestrações e do conteúdo melódico. Change In Time, a canção de abertura do álbum, In Another World e Floating Blood Of Mine, os três tremas que a voz de coelho entretanto divulgou, localizam-se entre o sono e o estado de consciência, ou seja, transportam-nos até aquele limbo matinal e intimista, mas Batz, um produtor cada vez mais maduro e assertivo, parece desta vez apostado em sair um pouco do seu casulo instrospetivo e da timidez que o enclausura e apostar num ambiente sonoro mais luminoso, colorido e expansivo, que as guitarras de I See The Moon também apontam, adornadas pela belíssima voz de Lisa Light, a vocalista dos The Lovemakers.

Se estas quatro canções, por si só, já justificam uma audição dedicada de Floating, há outros temas que merecem destaque, nomeadamente I See The Sun, Harold, aquela em que Batz mais se afasta da sua habitual zona de conforto, em oposição a Only a Shadow, um momento em que os pianos caberiam exemplarmente no alinhamento de We Were Drifting On A Sad Song.

Ouvir Floating é, em suma, apreciar um conjunto de nove canções que transmite todas as sensações possíveis e improváveis de existir no pensamento do humano. A Stranger Among Us, a melhor música do álbum, vem descortinar isso mesmo. Estranhos no meio de nós mesmos, um, ninguém e cem mil. A voz de Batz olha, mais uma vez, para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, mas agora com melodias que exploram uma miríade mais alargada de instrumentos e sons e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico que compôe e onde a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente o invade. A melancolia continua nas notas do piano e do violino, mas a bateria e os sintetizadores deixam uma marca mais profunda em canções que parecem feitas para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

Floating serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo e com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Sleep Party People - Floating

01. Change In Time
02. Floating Blood Of Mine
03. A Stranger Among Us
04. In Another World
05. Death Is The Future
06. I See The Sun, Harold
07. I See The Moon
08. Only A Shadow
09. Scattered Glass


autor stipe07 às 20:54
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Terça-feira, 27 de Maio de 2014

The Great Dictators – Liars

Editado no passado dia vinte e quatro de fevereiro, Liars é o disco de estreia dos The Great Dictators, um coletivo dinamarquês natural de Copenhaga, formado por Dragut Lugalzagosi, Rans Martin, Jakob Lundorff, Kasper Husted, Kristoffer Albris, Mikkel Balle e Peter Tveskov. Liars sucede a When I Waltz, HorrorscopesSomeday, Nothing Will Happen, três EPs que o grupo lançou em 2012 e que anteciparam o lançamento deste longa duração.

Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir e donos de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação, os The Great Dictators estream-se nos álbuns com um trabalho que tem as suas raízes no norte da Europa, um ponto do globo artisticamente muito criativo. Assentam a sua sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock com  o punk e o post rock e sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, em canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, algo que o sintetizador e os efeitos de temas como Sleep ou Model In Freezerwrap claramente comprovam.

Walk Through The Walls, o tema de abertura de Liars e que encanta pelos belíssimos arranjos onde se incluem xilofone e um bandolim que aparece novamente em Many Ways To Burn, coloca de imediato a nú a zona de conforto sonora estabelecida e pregada pelos The Great Dictators e que reside num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, na qual se enredaram, lirica e sonoramente, tendo nomes como os The National e os Interpol como um farol do processo de criação. Com estas referências como pano de fundo é com naturalidade que se confere em Liars boas letras e belíssimos arranjos, assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante e com alguns efeitos e detalhes típicos do rock alternativo e do punk dos anos oitenta. 

Com o registo vocal de Dragut Lugalzagosi a soar a uma aproximação perfeita ao universo indie encorporado no registo grave de Matt Berninger, Liars carimba uma certa ideia de maturidade de um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrarando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo (Coming Back In Style) e verdadeiros hinos de estádio (Wine). 

Em Liars temos instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e prezam pelo minimalismo da combinação entre eles, como é audível em Dive ou na já referida Model In Freezerwrap e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande, de forma mais rica e trabalhada, como na já citada Wine ou em World Of Dogs. De uma forma ou de outra, o processo de composição melódica produra sempre dar vida a um conjunto volumoso de versos sofridos e sons acinzentados, como se fosse a banda sonora de um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para o tal ambiente sombrio e nostálgico da banda.

Se para os mais distraídos Liars soar ao que de mais depressivo e angustiante ouviram nos últimos tempos, uma audição atenta e dedicada, onde se inclua a análise da lírica, desfaz tal ideário e mostra que as dez cançõess deste disco são uma espécie de exercício de redenção, onde o sofrimento é olhado como uma inevitabilidade, mas de uma outra perspetiva, mais madura, assertiva e positiva.

Liars é uma rodela que exige tempo, que se revela a pouco e pouco e que só será devidamente entendida após várias e repetidas mas dedicadas audições. É um álbum muito bem produzido, sem lacunas, com elevada coerência e sequencialidade, mas é sobretudo um exercício de audição individual das canções. Com ele os The Great Dictators firmam a sua posição na classe dos artistas que merecem logo na estreia um crédito imenso. Espero que aprecies a sugestão...

The Great Dictators - Liars

01. Walk Through The Walls
02. Wine
03. Coming Back In Style
04. Bombs In Heaven
05. World Of Dogs
06. Dive
07. Sleep
08. Model In Freezerwrap
09. Many Ways To Burn
10. Great Liars


autor stipe07 às 21:25
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Sexta-feira, 21 de Março de 2014

Videos musicais Lego

Apesar de terem posto termo à sua carreira, os LCD Soundsystem continuam a ser recordados. Uma das formas de o fazer foi o vídeo feito pela Lego de All My Friends, a ganhar uma versão, não oficial, com bonecos de Lego. Vê e compara com o original e não percas o filme destas peças mágicas criadas no reino da Dinamarca!

  
 
Anteriormente, já tinha sido dada a conhecer uma versão de Transmission, dos Joy Division, nos mesmos moldes...
 
E existem outros vídeos do género, alguns de músicas bastante conhecidas...
Circle Circle Dot Dot - Jamie Kennedy and Stu Stone
 

 P.O.D. - Youth Of The Nation

 
Radiohead - Street Spirit
 
Black Eyed Peas - Pump It
 
Queen - We Will Rock You
 
The Offspring - Gone Away
 
The Orange Strips - Kissed A Girl (It Wasn't You)

autor stipe07 às 19:44
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Segunda-feira, 3 de Fevereiro de 2014

The Migrant - Beads

Os The Migrant são liderados por Bjarke Bendtsen, um músico de Copenhaga, na Dinamarca. Falo de um projeto de indie pop, mas com imensos traços de folk e psicadelia e já com uma trajetória importante. Estrearam-se nos discos com Travels in Lowland, em 2010 e depois chegou Amerika, no ano seguinte. Beads é o terceiro trabalho deste coletivo que, juntamente com a restante discografia, está disponível para audição, via spotify.

A Dinamarca é um país com várias bandas a terem merecido já amplo destaque neste blogue, nomeadamente os Efterklang e os The Choir Of Young Believeres, pessoalmente duas referências obrigatórias desse país nórdico. E há sempre algo comum em relação aos projetos que daí chegam; Independentemente da riqueza eclética e heterogénea das propostas musicais dinamarquesas, é incontornável uma tendência clara de todas para o privilégio da riqueza instrumental, sendo também óbvia a facilidade que têm em balançar entre o orgânico e o eletrónico, muitas vezes com enorme subtileza, em especial no que concerne às cordas e à percurssão. Carriage e Through The Night são dois temas de Beads que sobressaiem do alinhamento deste trabalho dos The Migrant, exatamente devido a esta tendência de agregação que é tudo menos caótica.

Mas este trabalho merece destaque e uma audição atenta, também por causa da magia que parece existir na forma como alguns temas casam uma voz, tantas vezes num registo em falsete, com a acústica das cordas. E estas mesmas cordas podem ter diferentes origens; Muitas vezes ficamos na dúvida, se estamos a ouvir uma harpa, ou uma guitarra, aliados, quase sempre do piano, para criar melodias animadas, mas certamente com um intenso pendor introspetico. Lion e Kids são excelentes exemplos disso, canções sustentadas por uma espécie de space folk, também bastante audíve no tema homónimo.

É da folk que Bendtsen se abastece para criar música, aquela folk que nasceu no outro lado do atlântico, mas dando-lhe o tal cunho nórdico descrito acima, o que faz com que a música dos The Migrant seja muitas vezes descrita como uma jornada de meditação através de uma folk nordic americana, onde o brilho das cordas e a típica melancolia nórdica andam sempre de mãos dadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Migrant - Beads

01. The Lion
02. Beads
03. Ask The Current
04. Strangers
05. Through The Night
06. Days
07. Nuts
08. Amsterdam
09. The Pony
10. Carriage
11. Place To Rest
12. Kids

 


autor stipe07 às 22:54
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Segunda-feira, 4 de Novembro de 2013

Men Among Animals - Buried Handsome

Lançado pela Tapete Records no passado dia vinte e três de agosto, Buried Handsome é o terceiro e novo disco dos Men Among Animals, uma banda dinamarquesa que se estreou em 2008 com Bad Times, All Gone, tendo sido Run Ego o título do difícil segundo disco, publicado em 2010. Buried Handsome é uma espécie de renascimento deste grupo, depois de um período conturbado que levou a uma pausa de três anos, durante a qual os Men Among Animals deixaram de ser um quinteto, para se tornarem no trio que gravou este novo trabalho.

 

Às vezes há discos curiosos, que são descobertos ali, que parece que se insinuam, inseguros e tímidos, receosos da opinião de quem os escuta, perdidos no meio do nada e que parecem estar em pousio, bem perto de nós, até que chegue o momento certo de se revelarem, para que sejam entendidos em toda a sua plenitude.

No canto dos álbuns pendentes há cerca de três meses, Buried Handsome chamou a minha atenção há poucos dias num simples exercício de prospeção e, sem grande aparato e nenhuma expetativa, deixou-se introduzir no leitor do meu carro que testemunha diariamente a azáfama em que se transformaram os meus dias e que escuta tantas vezes as lamúrias, os planos, os anseios e as tarefas de mais um dia, feito de manhãs, tardes e às vezes noites, de tarefas rotineiras mas que são indissociáveis de uma existência humana em pleno.

Assim que começou a tocar The Place You Counted On, confesso que não prestei muita atenção, mantive o meu foco na estrada e nos meus pensamentos e apenas comentei com os meus botões que estaria, a partir de então, na presença de mais um banda que cultiva uma devoção intensa pela herança dos Joy Division, o que, por si, só, como amante confesso dos Interpol que sou, me faria certamente ficar um pouco atento ao restante alinhamento.

Mas à segunda música sou surpreendido porque a bateria, as maracas e a viola acústica de Kathy viram completamente a agulha para os Beach Boys e para a pop luminosa dos anos sessenta, levando-me para uma praia algures no Haway, longe do Atlântico Norte, ali, em plena Jutlândia, território natal dos Men Among Animals. Essa paisagem luminosa volta a surgir e a ser sentida um pouco adiante ao som de The Rise That Gave Us Away.

Failures Flaws Regret e They Build A Colony provocam mais uma mudança brusca na realidade musical que se entranhou em nós, com a terceira canção do alinhamento deste disco a conduzir-nos ao ambiente cósmico, ácido e psicadélico de Oklahoma, ou seja, dos The Flaming Lips de Wayne Coyne. E não há grandes segredos para esta bem sucedida viagem até ao outro lado do Atlântico; Basta o dedilhar de uma guitarra e alguns efeitos hipnóticos e fortememente sintetizados para que o desejado efeito se crie. É por esta altura que ficamos totalmente convencidos e se percebe a real capacidade eclética dos Men Among Animals e a qualidade musical dos mesmos, quer ao nível da composição, quer no que diz respeito ao processo de escrita e criação melódica.

Há ainda outros destaques num disco que vale pela heterogeneidade do seu todo; Common In A Special Way poderia muito bem ter sido cantada por Brian Molko e os Seus Placebo, mas na fase aúrea de Without You I'm Nothing e depois, no fim, em Breathe When You're Dead, há o esplendor do rock experimental proposto pelos Sigur Rós.

Um dos grandes trunfos deste trabalho absolutamente fantástico e delicioso é que, por ser tão complexo e convergente, agrada facilmente quer a gregos quer a troianos; Cada um de nós escutará certamente algo que considera belo e que mexe consigo e poderá selecionar o tema preferido e com o qual melhor se identifica. No meu caso, a voz metalizada e o crescimento sequencial da batida hipnótica de Neighborhood são o clímax de um disco que é um verdadeiro caldeirão sonoro, uma sagaz miscelânia de efeitos que personificam o que de melhor tem surgido no universo indie rock dos últimos vinte anos.

Reza a lenda que os Men Among Animals são uma banda que decidiu juntar-se depois de estarem em frente de uma garrafa de vinho quase vazia porque, além de partilharem um enorme gosto pela música, achavam estranho todos os humanos que conhecem confessarem gostar de animais e, por isso, talvez fosse altura de, a--través da música, desmascarar alguns deles (humanos, entenda-se). Em boa hora resolveram pôr mãos a essa empreitada. Espero que aprecies a sugestão...

01.The Place You Counted On
02. Kathy
03. Failures Flaws Regret...
04. They Build A Colony
05. Common In A Special Way
06. The Rise That Gave Us Away
07. Old Mr Carson
08. Neighborhood
09. When You Smile
10. Breathe When You're Dead


autor stipe07 às 18:09
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Terça-feira, 19 de Março de 2013

Iceage - You're Nothing

Depois de terem editado em 2011 New Brigade, o disco de estreia, os dinamarqueses Iceage de Dan Kjær Nielsen, Elias Bender Rønnenfelt, Johan Wieth e Jakob Tvilling Pless, estão de regresso com You're Nothing, álbum gravado e produzido pela banda em Copenhaga e que viu a luz do dia a dezanove de fevereiro pela Matador Records.

Quando os Iceage se estrearam nos discos a média de idades da banda rondava os dezassete anos. Dois anos depois, o grupo amadureceu, atingiu a maioridade e o seu som teve repecurssões, já que a sucessão de choques entre voz, guitarra e bateria é agora mais agressiva, intensa e visceral, mas sem deixar de lado a saudável acutilância que os define. Bom exmeplo disso é a curta duração do álbum, doze canções tocadas em apenas vinte e oito minutos e compostas por todos os membros do grupo. A atitude e a energia do punk continuam bem patentes e a voz do vocalista Elias, monocórdica, gasta e esforçada, ajuda em muito à criação da atmosfera negra por cima do pano de fundo punk, principalmente quando surge entrelaçada com pianos e guitarras distorcidas.

Durante a audição de You're Nothing não deves esperar por ouvir canções de amor embaladas por guitarras sujas. O disco apresenta-se como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido. Esta estratégia agressiva está desprovida de qualquer proximidade com o comercial e a sujidade que impregna o álbum aprisiona-nos numa espécie de relação de amor ódio com os Iceage.

You're Nothing começa de uma forma algo introspetiva e melancólica com Ecstasy, um tema que une agressão com delicadeza, toada que se mantém em Wounded Hearts ou Everything Drifts. Mas o registo não é sempre este e o ponto alto de You're Nothing será mesmo o equilíbrio musical conseguido em Morals, um tema sobre ilusões amorosas, que pisca o olho ao shoegaze e em que tudo bate certo, desde o ritmo da bateria e baixo, sobre o qual a voz e a guitarra de Rønnenfelt se soltam numa aliança sonora quase inseparável, um tema que poderia muito bem ser a banda sonora de um desfile militar. Gostaria também de realçar Burning Hand, uma canção onde uma guitarra explosiva se junta a batidas fortes de bateria e acordes descontruídos sobre uma voz que pede, insistentemente, para ser ouvida (Do you hear me?)

Numa época em que o punk anda arredado das rádios e tem pouco airplay, é sempre salutar confirmar que há grupos que procuram combater este cenário e que a rebeldia do bom e velho punk rock continua bem viva. Os Iceage relembram-nos que a herança de bandas como os Ramones ou os Black Flag está bem viva e que as reverbações caóticas e as paredes de ruídos sintetizados em avalanches constantes de distorção, às vezes com camadas extra de sons claustrufóbicos, fazem sentido quando atingem o nível de inspiração que estes quatro rapazes dinamarqueses denotam. Espero que aprecies a sugestão...

1.Ecstasy
2.Coalition
3.Interlude
4.Burning Hand
5.In Haze
6.Morals
7.Everything Drifts
8.Wounded Hearts
9. It Might Hit First
10.Rodfæstet
11.Awake
12.You're Nothing


autor stipe07 às 19:50
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2013

Indians – Somewhere Else

Indians é o projeto a solo do dinamarquês Søren Løkke Juul, um novo nome do cenário musical indie que nos chega das frias terras escandinavas, mas disposto a dar um pouco mais de cor e alegria sonora aos nossos dias. Somewhere Else é o disco de estreia deste projeto, lançado hoje, dia vinte e oito de janeiro, pela conceituada 4AD, uma das minhas etiquetas de referência.

Em Somehwere Else o músico oferece-nos uma mistura harmoniosa e branda que irá agradar os ouvidos de fãs de sons mais delicados e carregados de sentimentos, nomeadamente aqueles que apreciam nomes tão conceituados como Bon Iver ou mesmo os The Shins.

O músico manuseia detalhes sonoros típicos da folk e também de sonoridades mais clássicas, usando como principais instrumentos a viola acústica e o piano, sempre adornados, como não podia deixar de ser por estas paragens, pela eletrónica. Apesar das várias referências musicais que o influenciam, Indians consegue fazer transições suaves entre elas, o que faz de Somewhere Else um disco fluído, harmonioso e bem construído e organizado.

Um dos singles do álbum já apresentado é Cakelakers, um tema que mostra o lado mais enérgico e folk, sendo um dos pontos mais altos e animados de todo o álbum. Na vertente mais intimista, destaco Bird e o seu belo piano, New, a canção que abre o disco e Reality Sublime devido à sobreposição de ecos e reverbs, algo que confere a tal tónica etérea e eletrónica à obra. Para fechar, a canção homónima que dá nome ao disco, destaca-se pela subtileza com que varia de ritmo e tonalidade, sendo sublime a forma como varia de ritmos e a execução da explosão sonora.

A dar os primeiros passos com Somewhere Else, Indians mostra que está no caminho correto, e, mesmo ainda distante de grandes nomes, apresenta um som interessante, principalmente ao mostrar um trabalho bem feito ao lidar com diferentes referências musicais. Espero que aprecies a sugestão...

01. New
02. Bird
03. I Am Haunted
04. Magic Kids
05. Lips, Lips, Lips
06. Reality Sublime
07. Cakelakers
08. La Femme
09. Melt
10. Somewhere Else


autor stipe07 às 19:16
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Sábado, 26 de Janeiro de 2013

Gliss – Langsom Dans

Os Gliss são um trio sediado em Los Angeles, formado por músicos dinamarqueses e norte americanos, nomeadamente Victoria Cecilia, Martin Klingman e David Reiss. Langson Dams é o terceiro disco do grupo e foi lançado no passado dia vinte e dois de janeiro pela Modern Outsider. Refiro-me a um intenso compêndio de pop suave e etérea e que confirma anteriores comparações da banda a nomes como os Beach House, Crystal Castles e Lower Dens, entre outros, aos quais ouso juntar The XX, Portishead, Joy Formidable, Purity Ring e Depeche Mode.

A sonoridade pop tipicamente escandinava, feita de paisagens sonoras atmosféricas assentes no sintetizador e de vocalizações intensas e cheias de efeito, aqui asseguradas pela belíssima voz de Victoria Cecilia, é o fio condutor da tapeçaria sonora que compõe Langsom Dans. Nota-se que houve um cuidado extremo ao nível dos arranjos e que tudo o que se ouve foi pensado com detalhe. Guitarras cheias de eco e teclados murmurantes e que fazem lembrar os anos oitenta ajudam a aprimorar uma certa subtileza, algo sombria e até sinistra, uma espécie de pop obscura, mas sem ser gótica. Tudo isto confere aos Gliss um indisfarçavel encanto e atração, uma aúrea que faz deles mais um nome a ter em conta no universo pop alternativo.

Weight Of Love é o primeiro single retirado de Langsom Dans, um tema que já tem um vídeo, realizado por Paul Boyd, num clima surreal e quase psicadélico.

Ouvir os Gliss faz-nos sentir uma enorme nostalgia porque eles sabem como dar vida à sonoridade pop, com influências retro e vintage, tão em voga nos dias de hoje. Espero que aprecies a sugestão...

01. Blood On My Hands
02. A To B
03. Into The Water
04. Weight Of Love
05. Blur
06. Hunting
07. Waves
08. The Sea Tonight
09. Through The Mist
10. In Heaven
11. Black Is Blue
12. Kite In The Sky


autor stipe07 às 15:17
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Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

Reptile Youth - Reptile Youth

Os Reptile Youth são uma dupla dinamarquesa, de Copenhaga, formada em 2009 por Mads Damsgaard Kristiansen (voz) e Esben Valløe (baixo), mas podia muito bem ser uma banda de Brooklyn, em Nova Iorque, já que, tendo em conta o disco homónimo de estreia, editado no passado dia vinte e um de setembro pela Hfn Music, apostam num post punk que traça uma tangente a nomes tão consagrados como os The Rapture ou os Radio 4. Não surpreende esta referência geográfica já que Reptile Youth começou a ser gravado por Mark Ralph, um nome que ainda recentemente produziu os Hot Chip; Esse trabalho inicial teve depois sequência com Dave M. Allen, conhecido pelo seu desempenho com nomes como os The Cure, Sisters of Mercy e os Human League.

Este disco que hoje divulgo surpreendeu-me logo nos primeiros segundos de audição e imediatamente percebi que havia ali algo que me faz continuar a acreditar na música deste tempo. O disco tem dois meses, mas o que a crítica mais tem apreciado nestes Reptile Youth são os extraordinários concertos que dão, que pelos vistos conseguem incendirar plateias, sendo ainda escassas as referências ao conteúdo do álbum. Seja como for, só pelos fantásticos singles Speeddance e Black Swan Born White, já vale a pena ouvir todo o álbum, que combina a energia punk com sons eletrónicos. O último já foi alvo de várias remisturas por nomes tão consagrados como os Terranova, Keep Shelly In Athens e S.C.U.M., entre outros.  O teledisco da remistura dos Keep Shelly In Athens foi filmado entre o Porto e Barcelona e realizado pela modelo Rita Lino.

Será na fusão da potência vocal de Kristiansen, algures entre Bono e Matt Bellamy, e os graves vincados do baixo de Esben Valløe que está a génese sonora original e única que os Reptile Youth pretendem assumir para a sua carreira. A dupla parece muito confortável com o que propôe neste Reptile Youth e o próprio baixista afirmou recentemente que o seu desejo é to always be as in love with this band as I am right now. Com um sentimento tão vincado e uma estreia tão sólida é de esperar que nos próximos anos se possa contar com esta dupla dinamarquesa para incendiar salas de concertos e pistas de dança um pouco por todo o mundo. Espero que aprecies a sugestão...  

Reptile Youth - Reptile Youth

01. Black Swan Born White
02. Morning Sun
03. Dead End
04. Speeddance
05. By My Yoko Ono
06. A Flash In The Forest
07. Shooting Up Sunshine
08. It’s Easy to Lose Yourself
09. Heart Blood Beat
10. Fear


autor stipe07 às 19:18
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Domingo, 21 de Outubro de 2012

Efterklang - Piramida

Os dinamarqueses Efterklang, formados por Casper Clausen, Mads Christian Brauer e Rasmus Stolberg, editaram no passado dias vinte e quatro de setembro Piramida, o seu último álbum, através da 4AD. Para se inspirar, o trio assentou arraiais durante numa cidade abandonada de mineiros na vila de Pyramiden, num dos arquipélagos noruegueses do Ártico. Andaram por lá a explorar e a gravar sons criados com os elementos paisagísticos (muito à imagem dos Sigur Rós, que também andaram a fazer isso pelas montanhas islandesas) e no fim dessa tarefa tinham mais de mil gravações, que depois foram selecionadas, adaptadas e transformadas no esqueleto das canções deste Piramida. O produto final acabou por ser um disco com uma sonoridade única e peculiar.

Um dos primeiros versos que permanecem no subconsciente quando se escuta pela primeira vez Piramida é And I wonder, I wonder, I wonder what I am? It’s destructible. E realmente, tentar explicar o que o quarto disco da banda procura ser é uma tarefa um tanto obsessiva e destrutiva. O grupo tem as suas raízes num ponto do globo artisticamente muito criativo e assenta a sonoridade numa mistura de indie pop e indie rock,  com post rock e alguns elementos eletrónicos, o que dá origem a algo singular e característico.

No entanto, o som do grupo não foi sempre algo estanque; Os Efterklang passaram por períodos de transformação que oscilaram entre momentos minimalistas e outros mais expansivos. E o som deste Piramida é, de algum modo, uma espécie de súmula de toda esta amálgama de elementos e referências sonoras que sustentaram a anterior discografia da banda, o que confere ao disco uma sensação um pouco dúbia, de difícil catalogação, portanto, e assim deveras interessante tentar deslindar.

Em Piramida mantem-se a fórmula que regeu a produção dos álbuns anteriores dos Efterklang; Participam diversos músicos e podemos notá-los em várias canções. Logo a abrir, Hollow Mountain tem um violino que funciona quase como um refrão e que contrapõe o pedido de ajuda do vocalista Casper Clausen, quando este instrumento surge logo após o verso Help me, I am falling down. Sedna é o instante minimalista mais bonito do disco. É uma canção cuja cadência é marcada por um baixo e uma bateria quase inaudíveis, com o simples propósito de serem uma almofada para a voz de Casper. A guitarra aparece no momento certo para, assim como uma linha de costura, unir os pedaços separados.

Até a quinta música, The Living Prayer, somos conduzidos para lugares calmos e distantes, os quais conseguem ser alcançados muito por influência de uma voz que parece conversar connosco. Na segunda metade do disco, começa a aumentar o volume das canções e a bateria ganha uma maior relevância. Black Summer talvez seja o melhor exemplo disso; Começa com instrumentos de sopro que vão sendo aumentados aos poucos na introdução, junto a uma bateria bem marcada, que baixa o tom logo de seguida e volta ao registo da primeira parte de Piramida. Entretanto, em oposição a outras canções, Black Summer expande os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e temos a explosão que, com os coros finais, dá a cor e brilho que nos fazem levitar.

Quase no fim, Between The Walls é comandada por sintetizadores, que aliados a cordas, dão um tom fortemente eletrónico à canção e juntamente com os os timbres de voz de Casper, que consegue trazer a oscilação necessária para transparecer mais sentimentos, fazem dela mais um momento obrigatório de contemplar em Piramida.

Quando chega ao fim Piramida ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Algumas canções soam a uma perfeição avassaladora e custa identificar um momento menos inspirado nesta rodela, o que faz de Piramida uma das grandes referências para os melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão... 

Efterklang - Piramida

01. Hollow Mountain
02. Apples
03. Sedna
04. Told To Be Fine
05. The Living Layer
06. The Ghost
07. Black Summer
08. Dreams Today
09. Between The Walls
10. Monument



autor stipe07 às 20:52
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Sleep Party People – We Were Drifting On A Sad Song

Os Sleep Party People são um projeto dinamarquês encabeçado e idealizado pelo músico, compositor e multi-instrumentista Brian Batz, natural de Copenhaga. We Were Drifting On A Sad Song é o quarto EP do grupo e foi lançado no passado dia nove de abril.

Os Sleep Party People fazem uma dream pop de forte cariz eletrónico a que não será alheio o facto de terem andado ultimamente em digressão com os The Antlers e os Efterklang. No entanto, existe alguma diversidade, até porque as orquestrações e  o conteúdo melódico fazem lembrar muito os canadianos Arcade Fire. Chin, a canção de abertura do álbum e o seu maior destaque, localiza-se entre o sono e o estado de consciência, ou seja, transporta-nos até aquele limbo matinal (ou não), sendo já uma das canções mais ouvidas na blogosfera.

A voz de Batz olha para o interior da alma, incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, com melodias arrastadas e densas e onde a letra é secundária, como um complemento da angústia. A melancolia continua nas notas do piano, mas o violino, a bateria e os sintetizadores também deixam a sua marca, em canções que parecem feitas para aquele momento em que se dorme e se está acordado.

We Were Drifting On A Sad Song serve como uma revolução extremista. Equilibra os sons com as sensações típicas de um sono calmo com a natural euforia subjacente ao caos, muitas vezes apenas visível numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

01. A Dark God Heart
02. Chin
03. We Were Drifting On A Sad Song
04. Melancholic Fog
05. Heavy Burden
06. Gazing At The Moon
07. Heaven Is Above Us
08. Things Will Disappear Like Tears In The Rain
09. The City Light Died

MySpace


autor stipe07 às 13:21
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

Choir Of Young Believers – Rhine Gold

Os dinamarqueses Choir Of Young Believers de Jannis Noya Makrigiannis lançaram um novo disco no passado dia dezanove de março, intitulado Rhine Gold, através da Ghostly International. Em 2009 os Choir Of Young Believers capturaram a atenção da crítica com o disco de estreia This Is For The White In Your Eyes; Por isso este segundo álbum era aguardado com enorme expetativa, para ver se mantinham os soberbos arranjos orquestrais e a escrita maravilhosa que serviu de suporte à estreia.

De fato, este sucessor além de manter a fórmula parece ir um pouco mais além e a dinâmica entre os diferentes membros do grupo parece ter-se aprimorado. A intimidade habitual da clássica folk americana sobressai em quase todas as canções e a poderosa voz de Makrigiannis soa ao mesmo tempo dolorosa e magistral, rica e envolvente e quase sempre assente numa generosidade criativa.

Patricia's Thirst, o primeiro single retirado de Rhine Gold, é um perfeito momento pop, a transbordar de sintetizadores extraídos do melhor que os Depeche Mode fizeram na década de oitenta e Sedated leva-nos ainda mais para trás, até à sonoridade dos anos setenta, com um subtil piano que quase se estende até Paralyze, uma balada melancólica com um ambiente cósmico e um interlúdio acústico muito bonito. Pouco depois, Paint New Horrors oferece-nos novas paisagens sonoras, por ser dominada pelo baixo e pelo violoncelo. As cordas, o piano e alguns efeitos digitais fazem com que a homónima Rhine Gold encerre da melhor forma o disco, com uma beleza e uma complexidade que merecem ser apreciadas com alguma devoção e fazem-nos sentir vontade de carregar novamente no play e voltar ao inicio. E não é isso que se pretende de um bom álbum? Que no final da sua audição se queira repetir a dose? Espero que aprecies a sugestão...

01. The Third Time
02. Patricia’s Thirts
03. Sedated
04. Paralyze
05. Have I Ever Truly Been Here
06. Nye Nummer Et
07. Paint New Horrors
08. The Wind Is Blowing Needles
09. Rhine Gold


autor stipe07 às 10:51
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

Kashmir – Katalogue 1991-2011

Os dinamarqueses Kashmir são um quarteto de rock alternativo e indie rock natural da Dinamarca e muito comparados pela crítica aos Radiohead. São formados pelo vocalista e guitarrista Kasper Eistrup, o baixista Mads Tunebjerg, o teclista e guitarrista Henrik Lindstrand e o baterista Asger Techau. Uma das maiores curiosidades deste grupo tem a ver com o seu próprio nome; Na primavera de 1991, Eistrup, Tunebjerg e Techau formaram uma banda de heavy blues chamada Nirvana. Pouco tempo depois, quando os congéneres americanos começaram a ter sucesso, mudaram o nome para Kashmir, como a canção dos Led Zeppelin. Agora, no final de 2011, após seis discos de originais e cinco EPs lançaram Katalogue 1991-2011, uma compilação com os seus maiores sucessos e duas novas canções, Electrified Love e Evermore.

Estes Kashmir são venerados no país natal, considerados génios e bastante elogiados por alguma critica que li. Assim, custa-me um pouco a perceber, tendo em conta tal pesquisa, como não são mais conhecidos. Alguns discos têem pontuações altíssimas e lê-se muitas vezes nos artigos referências aos já citados Radiohead e aos Coldplay. Os músicos são bastante elogiados pela competência e criatividade, mas talvez a explicação para esta aparente falta de reconhecimento dos Kashmir assente no outro lado da crítica. Assim, são apontados por apostarem pouco na internacionalização e por, nos discos, não exporem coletivamente toda a criatividade e qualidade que é apontada aos músicos.

Para finalizar importa também referir que o último álbum de originais da banda, o aclamado No Balance Palace (2005), teve como participações especiais Lou Reed em Black Building e David Bowie, que canta num dueto com Eistrup em The Cynic. Esse álbum foi produzido pelo consagrado Tony Visconti.

CD 1
01. Electrified Love
02. Still Boy
03. Mouthful Of Wasps
04. Bewildered In The City
05. Pursuit Of Misery
06. Break Of The Avalanche
07. Splittet Til Atomer
08. The Cynic (Feat. David Bowie)
09. Kalifornia
10. The Curse Of Being A Girl
11. She’s Made Of Chalk
12. Supergirl
13. Rocket Brothers
14. The Aftermath
15. Cellophane (Live 2004)

CD 2
01. Surfing The Warm Industry
02. In The Sand
03. Evermore
04. Graceland
05. Make It Grand
06. Miss You
07. Mom In Love, Daddy In Space
08. Lampshade
09. Little And The Vast
10. Vote 4 Dick Taid
11. Bring Back Superman
12. Gloom
13. Leather Crane
14. Rose
15. The Story Of Jamie Fame Flame
16. Art Of Me
17. Child Of A Distant Cult (Live 1993)


autor stipe07 às 19:13
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Domingo, 23 de Outubro de 2011

Darkness Falls - Alive In Us

As Darkness Falls são a nova coqueluche do cenário indie do reino da Dinamarca, uma banda descoberta pelo visionário produtor Anders Trentemøller e formada pela dupla feminina Josephine Philip (teclados, voz) e Ina Lindgreen (guitarra, baixo e voz). Depois de em março terem lançado o EP homónimo de estreia, amanhã, dia 24 de outubro, editam Alive In Us, através da HFN Music / Fake Diamond Records.

O EP de estreia causou logo em março algum burburinho entre os fãs do universo indie por fundir texturas pop tipicas das guitarras dos anos sessenta com a eletrónica que carateriza a produção de Trentemøller. E este Alive In Us é, em primeiro lugar, uma mistura harmoniosa dos elementos acima mencionados, abarcados por uma dinâmica de melancolia pop.
Após a barulhenta intro de quinze segundos, o álbum começa a ser servido aos nossos ouvidos a soar como uma espécie de versão feminina dos MGMT, feita com a tal pop brilhante dos anos sessenta e às vezes abstecida com doses massivas de shoegaze indie. Noise On The Line, a segunda música e que já constou do EP de estreia, é um pedaço do sonho pop downtempo, enquanto que The Void é feita de guitarras bem aceleradas e uma bateria dançante e que parece assombrada. É, no fundo, a dita pop cruzada com a eletrónica que volta a aparecer em Alive In Us e Paradise Trilogy II, assentes em camadas sonoras sintetizadas a fazer lembrar os Depeche Mode. Esta descrição pode fazer parecer que estamos perante um álbum feito de contrastes sonoros mas, na minha opinião, a banda consegue ser sonoramente credível e original mesmo nos momentos mais misteriosos e psicadélicos do disco.

Resumindo, Alive In Us é recomendado para os fãs da pop obscura com referências ao som rock dos anos sessenta e início dos anos setenta. Não é um álbum fácil, mas para quem aprecia este género de cruzamentos e tem avidez por novidades que sejam mais valias, torna-se obrigatório acompanhar a carreira destas Darkness Falls e tomar contato com este disco de estreia.

01. Noise On The Line
02. Hey!
03. Strangers Coming
04. Paradise Trilogy II
05. Hey! (Kasper Bjoerke Reanimation – bonus track

Darkness Falls – Alive In Us (2011) [MP3]

01. Intro
02. Noise On The Line
03. 100 Meter Mind Dash
04. The Void
05. Night Will Be Dawn
06. Josephine
07. Alive In Us
08. Paradise Trilogy II
09. Timeline
10. Before The Light Takes Us
11. Hey!
12. Paradise Trilogy III


autor stipe07 às 12:04
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