Segunda-feira, 5 de Junho de 2017

Washed Out – Get Lost

Washed Out - Get Lost

Desde o psicadélico e inebriante álbum Paracosm (2013) que o projeto Washed Out, do multi-instrumentista norte-americano natural da Georgia, Ernest Greene, um dos nomes fundamentais, a par de Neon Indian ou Toro Y Moi, da nova chillwave, não dava sinais de vida. No entanto, esse hiato já chegou ao fim com a divulgação de Get Lost, uma canção que surge isoladamente, sem atrelar a edição prevista de um álbum.

Em Get Lost a batida dançante, os detalhes percussivos orgânicos e os flashes irradiantes sintetizados transportam-nos de imediato para o universo sonoro típico de Washed Out e já nem queremos olhar para trás porque entramos em contado direto com uma praia ensolarada à beira de uma floresta tropical, à boleia de uma pop sonhadora, excelente para nos hipnotizar e que acaba por funcionar como aquele eficaz soporífero que nos leva para longe de uma realidade tantas vezes pouco agradável. Confere...


autor stipe07 às 13:10
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

Bruno Pernadas - Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, à boleia da Pataca Discos.

Resultado de imagem para Bruno Pernadas Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them oferece-nos um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que Pernadas polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo jazz contemporâneo, indie rock, pop, folk, eletrónica, ritmos latinos e até alguns lampejos da música dita mais clássica e erudita.

Assim, o exercício que se coloca perante o ouvinte que se predispõe a saborear convenientemente o universo criado por those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them, deverá firmar-se, por exemplo, em Spaceway 70, na vontade de apreciar o modo como uma flauta ou um trompete cirandam em redor de um par de acordes da guitarra, como em Problem number 6 se equilibram com total desembaraço, flashes de samples, alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a samba por todos os poros, como na soul contemplativa de Valley in the ocean é dada total liberdade ao piano e às cordas para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor, o modo como o trompete, o sintetizador e um efeito de guitarra quase surreal produzem um intenso travo oriental e exótico em Anywhere in spacetime, o devaneio cavernoso lo fi das teclas de Because it’s hard to develop that capacity on your own, o ménage a trois desavergonhado e feito cópula, à vez, entre trompete, piano e flauta em Galaxy, ou de perceber a teia intrincada de relações promíscuas que se estabelecem, constantemente, durante os mais de doze minutos de Ya ya breathe, entre as teclas do piano, as distorções da guitarra e os diferentes instrumentos percussivos que se escutam, enquanto o baixo, procura estabelecer alguma ordem e harmonizar um salutar caos, numa composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a heterogeneidade instrumental e melódica final e o (aparente) minimalismo inicial é geralmente indecifrável. Com esta atitude certa, constata-se, então, que those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.

Saboreando poemas escritos em inglês pelo autor do disco e por Rita Westwood, those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu, enquanto Pernadas disserta alegremente e claramente fascinado pelo lado mais luminoso, colorido e natural deste mundo, sobre uma heterogeneidade de sensações e aspetos físicos e naturais que o atraem e que, em contacto com a espécie humana, obriga todas as partes envolvidas a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência e que estas dez canções também, à sua maneira, plasmam. E durante este exercício antropológico, o autor aproveita para estabelecer paralelismos com o amor e a teia intrincada de relações, sensoriais e neurológicas que esse sentimento provoca, quer individualmente, quer durante a sua materialização com outro(s), com canções do calibre das já descritas Problem number 6 ou Valley in the ocean a fazerem-nos crer que se há sentimento mais belo e capaz de nos transformar e fazer-nos ver com exatidão o mundo que nos rodeia é a vivência plena do amor. Espero que aprecies a sugestão…

bp_crocodiles_sq1600-72dpi

01. Poem (1)
02. Spaceway 70
03. Problem Number 6
04. Valley In The Ocean
05. Anywhere In Spacetime
06. Poem (2)
07. Because It's Hard To Develop That Capacity On Your Own
08. Galaxy
09. Ya Ya Breathe
10. Lachrymose


autor stipe07 às 18:00
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Sexta-feira, 2 de Setembro de 2016

O (duplo) regresso de Bruno Pernadas.

Resultado de imagem para bruno pernadas 2016

Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso e em dose dupla com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them e Worst Summer Ever, à boleia da Pataca Discos.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo e que serão alvo de análise crítica neste espaço muito breve.

Já Worst Summer Ever contém oito temas onde Bruno Pernadas explora o jazz, uma das suas linguagens sonoras predilectas, um compêndio gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho e na Blackbox do CCB recorrendo a formações variáveis, do trio ao sexteto de jazz: Bruno Pernadas (guitarra), Francisco Brito / Pedro Pinto (contrabaixo), Joel Silva / David Pires (bateria), Sérgio Rodrigues (piano), João Mortágua (Saxofone Alto), Desidério Lázaro (Saxofone Tenor).

A treze e a vinte de setembro, Bruno Pernadas irá apresentar os dois discos no Teatro Maria Matos, estando os bilhetes já disponíveis para venda nos locais habituais. Para já, confere Anywhere In space Time, o primeiro single divulgado de Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them.


autor stipe07 às 17:12
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Domingo, 12 de Junho de 2016

Anohni - Hopelessness

Anunciado com pompa e circunstância há alguns meses, nomeadamente através da divulgação do avanço 4 Degrees, ganhou finalmente vida o projeto Anohni liderado pelo cantor Antony Hegarty, que assina uma já notável carreira a solo sob a capa de Antony and the Johnsons. Hopelessness é o registo de estreia deste projeto, onze canções onde uma acentuada melancolia sustenta um verdadeiro exercício de catarse, uma espécie de análise psicanalítica, sustentada musicalmente por um autor e compositor que não se escusa a mostrar o seu lado mais íntimo e pessoal sempre que oferece ao público mais uma surpreendente coleção de composições sonoras.

A música eletrónica no seu estado mais puro e obedecendo às tendências mias atuais, que não se coibem de esclar alguns detalhes orgânicos e crus, é o principal suporte de Hopelessness, um disco exemplarmente produzido por Oneohtrix Point Never e Hudson Mohawke e que tem em canções como Drone Bomb MeDon't Love You ou Why Did You Seperate Me From the Earth os seus melhores instantes, canções que plasmam a profunda cumplicidade emocional entre a escrita do músico e o modo como o mesmo nos desafia, já que não é de imediata absorção toda a emotividade que ele consegue transbordar, na sua narrativa, quer lírica, quer sonora.

Ao contrário do que é usal sob a capa de Antony, não é só a voz e o piano que, em Hopelessness e no projeto Anohni, merecem plano de destaque. Imagine-se que o próprio ruído é aqui utilizado para potenciar os lamentos e as angústias do autor, que grita e afirma, quer o seu lado mais clássico, quer a sua definitiva obsessão por uma superior e ímpar grandiosidade instrumental, onde não faltam saxofones, trompetes e violinos, além de uma percussão imponente, que dão a este excelente álbum uma toada sentimental indisfarçável. É uma espécie de eletropop épico e barroco e mais uma maravilhosa viagem pelos cantos mais obscuros da mente deste notável autor. Espero que aprecies a sugestão...

ANOHNI - Hopelessness

01. Drone Bomb Me
02. 4 Degrees
03. Watch Me
04. Execution
05. I Don’t Love You Anymore
06. Obama
07. Violent Men
08. Why Did You Separate Me From The Earth?
09. Crisis
10. Hopelessness
11. Marrow


autor stipe07 às 22:00
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Domingo, 8 de Maio de 2016

Astronauts - End Cods

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a essas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e tem já, finalmente, sucessor. End Cods é o título do novo registo de originais de Astronauts, onze fabulosas canções que viram a luz do dia a seis de maio último, também à boleia da Lo Recordings e que nos oferecem uma filosofia sonora muito própria, onde intensidade sentimental e sobriedade instrumental se juntam, para permitir que, ao longo da sua audição, nos possamos sentir profundamente tocados por uma nobreza única, que arrebata e salpica com suores quentes todos os poros do nosso ser.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir uma simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.

As cordas que conduzem a magnificiência melódica de Recondition e o clima intenso, implacável e imersivo de Civil Engineer, são uma solarenga porta entreaberta para este End Codes, que prossegue, penetrando pelos ouvidos e flutuando por todas as células do nosso corpo, encarnando uma simbiose única entre ouvinte e interlocutor, caso o primeiro tenha um coração limpo e aberto a deixar-se envolver por aquela causa maior que é o amor, o eixo principal da temática lírica destes temas abolutamente inebriantes.

A indulgente percussão que abraça uma rugosa melancolia em Dead Snare, os efeitos metálicos sibilantes, as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia e um registo vocal em falsete belissimamente acompanhado por coros envolventes, de You Can Turn It Off, canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre, reservada e contida na medida certa, mas inultrapassável no caudal de emoções que arrasta à sua passagem, são mais duas excelentes rampas de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta e dois pilares na sensação qusse carnal de que este disco é, claramente, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

End Codes é já um marco discográfico neste ano, concebido, idealizado e suspirado por um músico que merece, com inatacável evidência, que a pureza e altivez de sentimentos que reflete nas suas canções, tão doce e meiga na despedida que todos experimentamos uma vez na vida e que recordamos sem esforço em When It's Gone, sejam absorvidos, contemplados e experimentados fisicamente pelo maior número possível de ouvintes.

Dan Carney é um mestre da introspeção que todos precisamos de fazer periodicamente, aquela que resulta porque vai direita ao âmago, de punhos cerrados, com garra e fibra, sem falsos atalhos e cansativos clichês. Além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, Astronauts fá-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...

Astronauts - End Codes

01. Recondition
02. Civil Engineer
03. Dead Snare
04. You Can Turn It Off
05. A Break In The Code, A Cork In The Stream
06. When It’s Gone
07. Split Screen
08. Hider
09. Breakout
10. Newest Line
11. Skeleton


autor stipe07 às 14:23
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2016

Astronauts - You Can Turn It Off

Astronauts é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com Hollow Ponds, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo Dead Legs & Alibis e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. Hollow Ponds viu a luz do dia por intermédio da Lo Recordings e tem já, finalmente, sucessor.

Astronauts é um nome feliz para um projeto que servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir uma simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica. Tal ficou recentemente muito bem plasmado em Civil Engineer, o primeiro avanço para End Codes, o tal novo disco de Astronauts, que irá ver a luz do dia a seis de maio e a receita repete-se, felizmente, em You Can Turn It Off, o segundo tema retirado de End Codes e que terá edição no final desta semana, em formato single, composição que tem como lado b uma singular mistura da autoria do aclamado projeto Grasscut.

Canção que se abriga à sombra de uma folk etérea de superior calibre e mais reservada e contida do que o single anterior, You Can Turn It Off é mais uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde Astronauts nos senta, já que o metálico efeito sibilante constante, as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia, e um registo vocal em falsete belissimamente acompanhado por coros envolventes, fazem deste tema uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Adivinha-se pois mais um disco em que Dan Carney se entregará à introspeção e além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, irá fazê-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Confere...


autor stipe07 às 17:25
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2016

Zaflon - 7 Stalkers (feat. Gilan)

Dan Clarke é Zaflon, um produtor londrino que se assume como uma das mais recentes apostas da etiqueta local Lost In The Manor e que se prepara para editar um EP, já nas próximas semanas.

Este músico começou a ganhar alguma notoriedade graças a parceiras proveitosas com nomes tão importantes da chillwave como Jamie Woon e Royce Wood Junior e essa será uma das explicações para o modo como cria uma sonoridade invulgar, que mescla detalhes tipicamente urbanos com outros mais exóticos e inesperados.

Depois de há algumas semanas Zaflon ter divulgado Blink, uma canção que contava com a participação especial de Mina Fedora, agora chegou a vez de nos oferecer 7 Stalkers, composição que conta com a voz de Gilan e que plasma uma eletrónica inspirada e de forte pendor psicadélico, que irá certamente encher as medidas de quem aprecia algo de verdadeiramente invulgar e inovador. Confere...


autor stipe07 às 18:22
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Quinta-feira, 7 de Janeiro de 2016

Craft Spells – Our Park By Night

Craft Spells - Our Park By Night

Oriundos de São Francisco, na Califórnia e formados por Justin Paul Vallesteros, Jack Doyle Smith, Javier Suarez e Andy Lum, os norte americanos Craft Spells lançaram em 2014 um espetacular disco intitulado Nausea, um trabalho que viu a luz por intermédio da Captured Tracks e que sucedeu a Idle Labor, o disco de estreia dos Craft Spells, lançado em 2011 e ao EP Gallery, editado no ano seguinte.

No último ano, este grupo norte americano regressou aos lançamentos com a divulgação em formato single de Our Park By Night, canção que chegou finalmente à nossa redação e cujo groove descontraído e solarengo confirma o modo exímio como Vallesteros, o líder e principal compositor dos Craft Spells, sabe como nos presentear com uma chillwave pop simples e cativante, onde não falta uma letra profunda e consistente. Esta é, também instrumentalmente, uma canção com contornos verdadeiramente únicos, onde além do genial efeito da guitarra, também dita leis um baixo que nos conquista automaticamente e de modo envolvente e sedutor. Confere...


autor stipe07 às 13:37
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2015

Tom Furse - Child Of A Shooting Star EP

Membro dos britânicos The Horrors, Tom Furse também tem um projeto a solo, onde aposta em sonoridades mais etéreas e contemplativas. À boleia da Lo Recordings, o músico editou no ocaso do último verão Child Of A Shooting Star, um compêndio de quatro temas onde a eletrónica downtempo e a chillwave ditam regras, uma eletrónica sofisticada e ambiental, com um cariz quase minimal e cheia de detalhes preciosos, que dão às canções uma toada densa, mas bastante agradável.

Complexo, surpreendente e algo enigmático, Child Of A Shooting Star é um passeio inebriante por um universo alternativo que nos deixa em permanente suspense, tal é a profusão de sons e efeitos, uns facilmente identificáveis e outros mais indecifráveis. Por exemplo, Let your Body Go, um belíssimo instrumental eletrónico, destaca-se pela imensidão de detalhes sintéticos absolutamente deliciosos, mas o tempero tropical de Trans-Universal Express. Para o final ficou reservado o melhor momento do compêndio, com as cordas de Cloud Mountain a serem permanentemente rodeadas de flashes e loopings sintéticos vigorosos, mas que nunca colocam em causa a cândura e o embalo que o tema nos proporciona

Disponível no formato físico vinil e em formato digital, Child Of A Shooting Star é música para ser não só vivida, mas também experienciada, já que desafia o nosso estado psiquíco e nos convida a aceder a uma dimensão superior de letargia. É, no fundo, um extraordinário momento de puro relaxamento e de contemplação sonora que nos permite embarcar numa curta mas profunda viagem a um universo musical que se pode definir como uma espécie de funk cósmico, alicerçado em criações sonoras versáteis e exóticas e que resultam de uma fórmula legítima e louvável de um músico que parece estar particularmente aberto e disponível a encontrar um sopro de renovação. Espero que aprecies a sugestão...

1. Trans-Universal Express
2. The Ocean Is Teacher
3. Let Your Body Go
4. Cloud Mountain


autor stipe07 às 20:22
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2015

Teen Daze - Morning World

Depois de em 2013 o canadiano Teen Daze ter lançado Glacier, o seu terceiro registo de originais, por intermédio da Lefse Records, um disco cheio de ambientes etéreos e texturas sonoras minimalistas, com um cariz um pouco gélido, uma espécie de álbum conceptual que pretendia ser a banda sonora de uma viagem a alguns dos locais mais inóspitos e selvagens do nosso planeta e de alguns meses depois ter editado um novo EP intitulado Paradiso, agora, em pleno verão de 2015, está de regresso com uma proposta completamente diferente intitulada Morning World, o novo álbum do músico, editado por estes dias à sombra da Paper Bag Records.

Produzido por John Vanderslice, percebe-se logo nos violinos e restantes cordas de Valley Of Gardens que este novo disco marca uma relativa inflexão do cariz sonoro de Daze, que embarca agora numa toada um pouco mais pop, heterogénea e luminosa, a cargo de um músico que sempre mostrou um enorme talento para a conceção de composições sonoras bem estruturadas. Esta conclusão torna-se ainda mais evidente quando a guitarra elétrica toma conta da melodia de Pink e já não deixa qualquer margem para dúvidas à passagem dos efeitos luxuriantes e da paisagem emotiva e resplandescente que o sintetizador e a bateria criam no tema homónimo. Já Along, uma composiçãoque nos embala não só com a voz doce e nostálgica e um efeito de guitarra envolvente, mas também com alguns efeitos sintetizados atmosféricos, que são a cereja no topo do bolo de uma canção perfeita para estes dias de verão mais relaxantes e reluzentes, além de ser mais uma acha para esta nova fogueira que aquece e ilumina a mente de Daze na hora de compôr, coloca a nú mais alguns dos seus atributos artistícos, principalmente no que diz respeito à capacidade que possui de nos oferecer canções capazes de serem aquela pausa melancólica e introspetiva, que todos precisamos frequentemente, num convite direto à reflexão pessoal e ao desarme, que não tem de ser necesssariamente triste e depressivo, já que esta é uma melodia luminosa e implicitamente otimista.

Disco recheado de versos confessionais, Morning World é uma espécie de tela em branco que o autor nos oferece ao acordar, para que a levemos nos ouvidos enquanto o sol sobe até ao seu zénite e à medida que contemplamos e usufruimos deste alinhamento de onze canções, pintemos no nosso âmago todas as emoções e sentimentos que as rotinas e as surpresas que surgem no nosso caminho, já que este é, nitidamente, um album que dá azo a múltiplas interpretações e que convida cada um de nós a olhar para ele da perspetiva que melhor nos souber. Tal sucede porque nele, e de acordo com o que se exige a uma coleção de canções eminentemente pop, sobressai um ambiente fortemente climático e que impressiona pela criatividade com que os diferentes arranjos vão surgindo à tona, evidencia-se, por exemplo, no modo como a guitarra complementa o refrão em Life In The Sea e na forma como a toada épica e altiva de Infinity emociona e trai quem insiste em residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada.

Cada vez mais orgânico e menos sintético e com um olhar mais lancinante para as guitarras, Teen Daze encontrou em Morning World um novo receituário, mais aberto, criativo e harmonioso, assumindo-se neste disco como um músico que criando melodias complexas ou simples, mas sempre adornadas por letras românticas e densas, pretende funcionar em algum momento das nossas vidas como uma espécie de rede de segurança, enquanto insiste também em ser preponderante na indie pop de cariz mais chillwave, com o claro intuíto de firmar uma posição na classe dos músicos e compositores que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...

Teen Daze - Morning World

01. Valley Of Gardens
02. Pink
03. Morning World
04. It Starts At The Water
05. Post Storm
06. Life In The Sea
07. You Said
08. Garden Grove
09. Along
10. Infinity
11. Good Night

 


autor stipe07 às 17:00
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