Quinta-feira, 24 de Agosto de 2017

The Veldt - The Shocking Fuzz of Your Electric Fur: The Drake Equation

Formados em Raleigh pelos irmãos gémeos Daniel e Danny Chavis, aos quais se juntaram, entretanto, o baterista Marvin Levi e o baixista David Burris, os The Veldt foram, no ocaso do século passado, um dos novos nomes mais interessantes do cenário indie da Carolina do Norte, território onde incubaram grupos do calibre de uns Superchunk, Archers of Loaf, The Connells, Dillon Fence, The dBs, Squirrel Nut Zippers e Ryan Adams, entre outros. Estrearam-se nos registos discográficos em 1992 com Marigold, abrigados já pelo consórcio Stardog/Mercury e o sucesso desse arranque valeu-lhes um lucrativo contrato com a Polygram Records. Com essa bagagem financeira fizeram as malas e foram até Londres onde gravaram Afrodisiac, o segundo álbum do projeto, produzido pelo conceituado Ray Shulman (The Sugarcubes,The Sundays).

Resultado de imagem para the veldt band The Shocking Fuzz of Your Electric Fur: The Drake Equation

De repente, os The Veldt viram-se a partilhar o palco com nomes tão distintos como os Oasis, The Cocteau Twins, The Pixies, Fishbone e Corrosion Of Conformity, bandas seminais e preponderantes, um sucesso que acabou por colocar o grupo numa espécie de impasse relativamente ao rumo a seguir, mas que não os impediu de gravar ainda mais dois registos, os discos Universe Boat, através da Yesha Recordings e Love At First Hate, à boleia da etiqueta que a própria banda entretanto tinha criado, a End Of The World Technologies.

Após estes quatro álbuns, Danny e Burris abandonam os The Veldt, o último dedica-se ao cinema, sendo atualmente produtor da aclamada série Survivor, da CBS e o grupo acaba por encerrar as hostilidades em 1998. De regresso a Nova Iorque, os gémeos Danny e Daniel concentram as suas atenções num novo projeto intitulado Apollo Heights, mais focado em sonoridades relacionadas como o trip-hop e a eletrónica, dos quais resulta um disco que foi bastante aclamado pela crítica, intitulado White Music For Black People, que contou com as participações especiais de Mos Def e Lady Miss Kier e que incluiu nos créditos David Sitek dos TV On The Radio na produção.

Agora, quase duas décadas depois da interrupção, os gémeos Chavis voltam a ressuscitar os The Veldt  e fazem-no acompanhados por Hayato Nakao e Marvin Levi e à boleia de um EP intitulado The Shocking Fuzz of Your Electric Fur: The Drake Equation, cinco canções que não envergonham a herança identitária que o grupo guarda. É um alinhamento assente em guitarras plenas de distorção, geralmente conjugadas com batidas sintetizadas e efeitos de índole eminentemente etérea, numa espécie de punk rock futurista, um shoegaze cibernético que replica atmosferas sonoras bastante hipnóticas e contemplativas, como é se percebe logo em Sanctified, o tema que abre o alinhamento do EP. É um som com uma componente elétrica muito intensa e onde o enigmático e marcante falsete vocal de Daniel é também um elemento importante, principalmente no modo como confere um certo travo nostálgico, algo exultante a cantar os delicados versos de In A Quiet Room e mais orgânico e intituivo a conduzir o clima profusamente sintético e rugoso de A Token, canção onde os atributos de Nakao como programador são levados ao extremo.

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que integrou, de pleno direito, a lista de algumas referências óbvias de finais do século passado, The Shocking Fuzz of Your Electric Fur: The Drake Equation exala o contínuo processo de transformação de uns The Veldt que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 14:06
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Sexta-feira, 8 de Fevereiro de 2013

Airstrip - Willing

Os Airstrip são uma banda norte americana liderada por Matthew Park, dos extintos Veelee, ao qual se juntaram Tre Acklen dos Gross Ghost e John Crouch e Nick Petersen, dos Horseback. Após terem andado em digressão durante o último ano e a abrir concertos dos Godspeed You Black Emperor, foram até aos estúdios Track And field, em Carrboro, na Carolina do Norte, estado natal, onde gravaram Willing, o disco de estreia, lançado no passado dia cinco de fevereiro pela Holidays for Quince Records.

Willing é um quadro sonoro pintado com guitarras melódicas que constroem cenários policromáticos nos nossos ouvidos. Descrito pelo vocalista como uma súmula de nightmare pop, este disco de estreia dos Airstrip começa desde logo com uma declaração da guitarra: Let’s prevent your face from sagging. Pick them up, your feet are dragging, canta Matthew Park, com um tom algo sarcástico mas que avisa, desde logo, para o que aí vem; Nove canções hipnotizantes e intensas, dominadas por essas guitarras algo cruas e que se deixam envolver numa nuvem de distorções leves e acolhedoras.

Mas o baixo de Nick Petersen é também um instrumento essencial em Willing; Basta ouvir So-So e Pleasure's Center para perceber uma certa toada psicadélica e a componente hipnótica e que de algum modo justifica a tal definição que Matthew confere à sua música e ao conteúdo deste disco.

Os Airstrip replicam influências, mas já apresentam uma sonoridade distinta. Fazem uma revisão da psicadelia, buscam pontos de encontro com o rock mais clássico e são outra banda que contraria quem anunciou já a morte do rock, porque dominam a fórmula correta para adicionar à canção, no momento certo, diferentes ritmos e andamentos e conhecem as complexas texturas sonoras que são essenciais para criar a sonoridade visceral e psicadélica que tão bem nos apresentam nesta estreia.

Estão disponível no bandcamp da banda, para download gratuito, três dos temas de Willing; Middle Of Night, Magician's Assistant e So-So. Espero que aprecies a sugestão...

Pleasure Center

Middle Of the Night

Bitching Hour

Sleepy

Happenstance

I Hit A Wall

So-So

Angry Bed

Magician's Assistant



autor stipe07 às 21:47
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Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Lost In The Trees – A Church That Fits Our Needs

Os Lost In The Trees são um coletivo liderado por Ari Picker, um músico natural de Chapel Hill, North Carolina. No passado dia vinte de março lançaram A Church That Fits Our Needs (ouvir), um disco misturado pelo lendário Rob Schnapf (Elliott Smith, Beck), através da Anti-Records. Esta banda mistura elementos clássicos e sinfónicos com a pop moderna e folk criando uma ambiente sonoro intimista e, ao mesmo tempo, épico e ambicioso.

No verão de 2009 Ari perdeu a sua mãe e resolveu prestar um tributo à memória dela (I wanted to give her a space, in the music, to be, and to become all the things she didn’t get a chance to be when she was alive), começando com esse firme propósito a escrever e a compor canções, sempre inspirado numa fotografia da mãe, colocada junto à cabeceira da sua cama e que serve de capa no artwork deste A Church That Fits Our Needs.

Este sentimento real de perda acaba por ser obviamente o grande tema dos disco, cujas canções, como é natural, abordam temas que habitam no nosso lado emocional mais profundo. Essa percepção do que é profundo e do que é superficial, pode mudar de pessoa para pessoa. Mas a inspiração deste novo disco dos Lost in the Trees, é uma forma de Ari abraçar a sua vida triste, que também envolve a morte de duas irmãs gémeas, sob um manto criativo e dar-lhe assim alguma cor e luminosidade, como se o conteúdo do álbum servisse para Ari exorcizar todos os seus demónios, prestar o devido tributo e encontrar consolação sabendo que está a perpetuar a memória de entes queridos. 

Acompanhado por uma banda com formação académica em violino, viola, tuba, piano, violão, baixo, percussão e cheia de vozes etéreas, o disco empreende um universo amplo de belezas musicais trabalhadas com melodias profundamente emocionais, canções doces construídas sobre a melancolia e a tristeza, mostrando o poder da música como algo que cura e transforma. Espero que aprecies a sugestão...

01. Moment One
02. Neither Here Nor There
03. Red
04. Golden Eyelids
05. Icy River
06. Tall Ceilings
07. Moment Two
08. This Dead Bird Is Beautiful
09. Garden
10. Villain (I’ll Stick Around)
11. An Artist’s Song
12. Vines

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autor stipe07 às 13:11
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