Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2017

Heat – Overnight

Montreal, em pleno Quebec, no Canadá, é o habitat natural dos Heat, um trio de post punk formado por Susil Sharma, Matthew Fiorentino e Raphaël Bussières e que acaba de editar Overnight, o longa duração de estreia do projeto, disponivel para audição e aquisição, em formato digital e fisicamente em vinil, na plataforma bandcamp.

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É algures entre uma certa luminosidade épica e um relativo negrume lo fi que estes Heat se sentem confortáveis a dar à luz canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, à medida que deixam as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta bastante saudosista, para criar um cenário musical tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, numa exibição consciente dequela sapiência melódica que fez escola no período aúreo do rock alternativo, em plenos anos oitenta do século passado.

Este desígnio é logo audível na imponência de City Limits e no frenesim vibrante de Sometimes, mas também no clima mais luxuriante e pomposo de Lush, composição de forte cariz orquestral, feita com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, que carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa, rematada por um curioso charme vocal. Este tema, escolhido para single do disco, acaba por ser um exemplo feliz do modo como nestes Heat é possível conferir leves pitadas de shoegaze e post rock, sem levar o tabuleiro onde as diferentes peças se movimentam para um território demasiado experimental.

Na verdade, todos os temas de Overnight têm esta toada eminentemente retro e que exala algo de grandioso e implicitamente sedutor. É um trabalho cheio de belos instantes sonoros pop, que atingem um elevado pico de magnificiência não só nos temas já referidos, mas também, por exemplo, no clássico rock anguloso que abastece Cold Hard Morning Light e na solidez estilística em que guitarra e bateria se envolvem em Long Time Coming.

Além de imprimir com uma áurea melancólica e mágica um projeto que não se envergonha de homenagear algumas referências óbvias de finais do século passado, Overnight tem a mira bem apontada ao nosso âmago, plasmando sonoramente sensações positivas, provocadas por um processo de criação sonora que, no caso deste grupo, deverá ter sido pleno de momentos reconfortantes de incubação melódica. Estes Heat merecem ser vistos, logo à partida, como uma banda extremamente criativa, atual, inspirada e inspiradora e que sabe como se posicionar em posição de destaque no espetro sonoro em que se movimenta. Espero que aprecies a sugestão...

Heat - Overnight

01. City Limits
02. Sometimes
03. Lush
04. The Unknown
05. Rose De Lima
06. Cold Hard Morning Light
07. Still, Soft
08. Long Time Coming
09. Chains


autor stipe07 às 09:11
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Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2017

Arcade Fire - I Give You Power

Arcade Fire - I Give You Power

Três anos depois do excelente Reflektor e de dois discos a solo de Will Butler, os canadianos Arcade Fire aproveitaram a tomada de posse de Donald Trump para apresentarem ao mundo aquele que é também um claro manifesto político e de protesto claro, parece-me, ao novo rumo tomado pelo país vizinho. A canção chama-se I Give You Power e conta com a participação especial vocal de Mavis Staples, importante diva do R&B e do gospel norte-americano.

Tema que deverá fazer parte do novo disco da banda, a editar ainda em 2017, I Give You Power segue um pouco a linha delineada já em Reflektor, ou seja, cada vez mais distantes do rock impetuoso dos primórdios, os Arcade Fire apostam agora na preponderância dos beats, com o formato eminemtemente pop a ser definitivamente relegado para primeiro plano e com o grupo a ter uma nova aúrea, completamente remodelada. Resta acrescentar que esta canção surge após o anúncio da edição do duplo DVD, The Reflektor Tapes + Live at Earls Court, que deverá ver a luz do dia já a vinte e sete de janeiro. Confere...


autor stipe07 às 21:26
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Sábado, 24 de Dezembro de 2016

Cœur De Pirate – Chansons Tristes Pour Noël EP

Cœur De Pirate - Chansons Tristes Pour Noël

Aproxima-se o natal e, como é hábito, algumas bandas aproveitam para gravar alguns temas ou conjuntos de temas relacionados com esta época tão especial, sejam versões de alguns clássicos ou originais. Chansons Tristes Pour Noël é um desses exemplos, um pequeno mas encantador EP de três canções, da autoria dos canadianos Cœur De Pirate de Béatrice Martin e Renaud Bastien.

Com dois temas cantados em francês e uma cover do clássico dos Wham Last Christmas, Chansons Tristes Pour Noël é um pequeno mas aconchegante instante natalício, perfeito para tocar na noite de consoada, naquela pausa entre o levantar das espinhas do bacalhau da mesa e a ascensão do leite creme ao primeiro plano da mesma, com uma elevada toada nostálgica e uma luminosidade muito peculiar. São canções que sobrevivem à custa de arranjos de cordas exuberantes, num cosmos natalício onde se mistura harmoniosamente a exuberância acústica da voz, conseguida através da combinação da guitarra com outros sons e detalhes.

Optimistas por natureza, estes dois músicos mostram-se maduros e conscientes, compondo num estágio superior de sapiência que lhes permite utilizar o habitual espírito acústico para se colocarem à boleia de arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos e contar histórias que os materializam na forma de conselheiros espirituais sinceros e firmes e que têm a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade. Espero que aprecies a sugestão...

01. Noël Sous Les Tropiques

02. Last Christmas

03. Pour La Première Fois, Noël Sera Gris


autor stipe07 às 15:08
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Segunda-feira, 25 de Julho de 2016

Weaves - Weaves

Jasmyn Burke (voz), Morgan Waters (guitarra), Zach Bines (baixo) e Spencer Cole (bateria), são os Weaves, um quarteto canadiano natural de Toronto, que depois de um excelente ep lançado há dois anos acaba de se estrear nos discos, de modo bastante promissor, com Weaves, onze canções abrigadas pela Kanine Records e que em pouco mais de meia hora cruzam os fundamentos do indie rock com alguns dos aspetos mais contemporâneos desse género sonoro, num resultado final que tem tanto de acessível como de inédito, criativo e agradavelmente refrescante e único.

No fuzz e no curioso efeito abrasivo da guitarra de Tick e, nesse mesmo tema, no baixo que marca a cadência das mudanças de ritmo de uma bateria frenética e numa voz que balança entre o lamento e vigoroso impulso, fica desde logo percetível que estes Weaves são audaciosos e vanguardistas, mas também não descuram uma vertente mais comercial, que melodicamente seja atrativa e possa fazê-los atingir uma apreciável franja de público mais jovem e que goste de sonoridades efusivas, viscerais e festivas. Se Birds & Bees e Candy contêm esse apelo pretensioso de conseguir usar o ruído como algo aditivo e dançável, já Shithole, por exemplo, tem um cariz mais sério e maduro, sem deixar de soar de modo refrescante e simultaneamente vintage, com os Pixies a serem uma referência marcante e óbvia, algo que a mais intimista e subtil Eagle também demonstra, assim como, na mesma toada, o clima mais sensual e desconcertante de Two Oceans.

Estes Weaves são assim, imprevisíveis, salutarmente impulsivos e animados e algo pervertidos até, sem deixarem de exalar uma atraente inocência e até um inusitado experimentalismo, expresso no arrojo de Coo Coo e Sentence e particularente reflexivo em Stress. Conduzidos por guitarras inspiradas, uma sapiência melódica invulgar e um irresistível travo festivo, apresentam-se humildemente ao grande público sem um denecessário glamour ou uma insípida limpidez sonora, mas antes com toda a honestidade que é possível existir no seio de uma banda de indie rock que quer apenas e só, como claramente se percebe, servir-se da música para celebrar um presente colorido, como se não houvesse amanhã. Espero que aprecies a sugestão...

01. Tick
02. Birds & Bees
03. Candy
04. Shithole
05. Eagle
06. Two Oceans
07. Human
08. Coo Coo
09. Sentence
10. One More
11. Stress


autor stipe07 às 12:03
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

Suuns – Hold/Still

Num momento de enorme e justificada histeria coletiva devido ao novo álbum dos Radiohead, prestes a ver a luz do dia não se sabe bem quando, vindo de onde, como e com o quê, não deve passar em claro e despercebido aquele que poderia ser, para mim, o melhor lançamento discográfico desse grupo de Oxford depois de Kid A. Refiro-me a Hold/Still, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian e assinado pelo excelente projeto Suuns, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá. Os Suuns apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em 2010 com Zeroes QC, três anos depois chegou o extraordinário Images Du Futur, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, trendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa, sendo este Hold/Still, o terceiro disco, a confirmação de estarmos na presença de um grupo especial e distinto no panorama indie e alternativo atual.

Fall, o primeiro tema do alinhamento de Hold/Still, coloca-nos bem no centro de um noise rock que não deixa de nos fazer recordar experimentações semelhantes ao que foi testado pelos Sonic Youth do início de carreira e logo depois, em Instrument, existe uma implícita dose de punk dance que enquanto nos aproxima de uma sonoridade algo amena e introspetiva, mostra-nos a abrangência destes Suuns e o modo quase impercetível como mesclam orgânico e sintético com propósitos bem definidos.

Na verdade, o que parece ser inicialmente apenas ruído, distorção e gritos desordenados, passa a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que se amplia com evidência em UN-NO, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um disco colossal, do melhor que já ouvi este ano! E o pendor hipnótico, intenso e efervescente de Resistance e de Translate, assim como a rugosidade intensa e algo caótica de Brainwash, reforçam tal impressão com racionalidade objetiva, sobre um conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, uma proposta ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. 

Com uma estrutura inicialmente lenta no decorrer das primeiras audições, o disco aos poucos revela uma variedade de texturas e transformações que parecem filtradas pelos atmosféricos ensinamentos da banda. É uma espécie de  psicadelia suja, que além da pafernália de sons sintetizados que contém, é banhada, ora por guitarras suaves, ora por loopings de distorção, numa união com uma certa tonalidade minimalista, que costura todas as canções do álbum, evitando excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada, com acordes minuciosos e com a voz reduzida ao essencial, com todas as canções a soarem encadeadas, como se todo o disco fosse apenas uma única e extensa canção.

Assertivos e capazes de romper limites, os Suuns oferecem-nos, em Hold/Still, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um disco bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero a quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Suuns - Hold-Still

01. Fall
02. Instrument
03. UN-NO
04. Resistance
05. Mortise And Tenon
06. Translate
07. Brainwash
08. Careful
09. Paralyzer
10. Nobody Can Save Me Now
11. Infinity


autor stipe07 às 20:56
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Terça-feira, 5 de Abril de 2016

Scott Orr - Everything

Natural de Hamilton, no Ontário, o canadiano Scott Orr regressou em março último aos lançamentos discográficos com Everything, o quinto registo de originais da sua carreira e, mais uma vez, com a chancela da editora independente Other Songs Music Co.. Gravado num sotão no último meio ano, Everything marca o regresso do autor ao seu universo pessoal, através da habitual folk intimista, nostálgica e contemplativa que carateriza o seu catálogo, já que debruça-se sobre o final de um relacionamento que manteve durante dezasseis anos e, de algum modo, exorciza vários fantasmas que assolaram a sua vida pessoal mais recente.

O modo virtuoso como Orr consegue expôr-se e colocar-nos na primeira fila do exemplar exercício de catarse que é Everything, fica logo plasmado em By The Way, canção agridoce que abre com cândura, inspiração e apurada veia criativa um disco que explora a fundo as diversas possibilidades sonoras das cordas, acústicas e delicadamente eletrificadas, fazendo-o com uma tonalidade única e uma capacidade incomum, possível porque este músico é exímio no seu manuseamento e no modo como dele se serve para transmitir sentimentos e emoções com uma crueza e uma profundidade simultaneamente vigorosas e profundas.

Sempre com a folk na mira, como referi anteriormente, mas com um inconfundível travo pop a incubar da mente incansável de um músico maduro e capaz de nos fazer despertar aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade, ou, no sentido oposto, de angústia e depressão e a necessitarem de urgente exercicío de exorcização para que consigamos seguir em frente, Orr é capaz de nos colocar a olhar o sol de frente com um enorme sorriso nos lábios, com a àspera Kids ou a delicada Soulmating, mas também desafia o nosso lado mais sombrio e os nossos maiores fantasmas no convite que nos endereça à consciência do estado atual do nosso lado mais carnal em Always Everything e no desarme total que torna inerte o lado mais humano do nosso peito na realista e racional Try to Be Good. Mesmo quando Scott Orr comete o pecado da gula e se liga um pouco mais à corrente em The Devil, fá-lo com um açúcar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento, não deixando assim, em nenhum instante de Everything, de ser eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atinge um estado superior de consciência e profundidade nos acordes únicos e lindíssimos da confessional Hundred Thousand Times.

Everything é alma e emoção e como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem, sempre que nos apetecer. Basta deixarmo-nos levar pelos ecos vigorosos do falsete do autor, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...

Scott Orr - Everything

01. By The Way
02. I’ll Do Anything
03. Soulmating
04. Undeniable
05. Still Waiting
06. Kids
07. The Devil
08. Try To Be Good
09. Hundred Thousand Times
10. Always Everything


autor stipe07 às 22:12
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Quarta-feira, 16 de Março de 2016

Elephant Stone - Where I'm Going

Elephant Stone - Where I'm Going

Os canadianos Elephant Stone de Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, são uma banda de Montreal, no Canadá, liderada pelo primeiro, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Andam por cá desde 2009 e logo nesse ano editaram The Seven Seas, o disco de estreia e, logo aí, deram início à busca, quase obsessiva, pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que Dhir também andou na digressão de 2011 dos The Brian Jonestown Massacre. Depois, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records e agora, quase três anos depois, é anunciado Ship Of Fools, o próximo registo de originais deste grupo que se destaca por uma tonalidade psicadélica única e pouco vulgar no modo como se cruza com alguns dos melhores detalhes do indie rock.

Where I'm Going é o mais recente avanço divulgado de Ship Of Fools, uma extraordinária canção com um ritmo vibrante, assente em faustosas guitarras que criam uma melodia incisiva, com um elevado grau de epicidade e esplendor. O próximo álbum dos Elephant Stone deverá ser, de acordo com esta amostra, mais luminoso, elétrico e amplo que tudo aquilo que a banda apresentou até hoje e, certamente, um dos destaques discográficos do ano. Confere...


autor stipe07 às 20:59
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Quinta-feira, 3 de Março de 2016

Living Hour – Living Hour

O bucolismo de Winnipeg é o poiso dos Living Hour, um projeto sonoro canadiano que acaba de se estrear nos discos com um homónimo, editado a dezanove de fevereiro último através da conceituada Lefse Records e que em oito canções nos oferece uma revisão bastante contemporânea de toda a herança que o indie rock de cariz mais melancólico, ambiental e lo fi nos deixou até hoje, com fundamentos que remontam à psicadelia que começou a fazer escola na década de sessenta do século passado.

Atraídos por um passado que é hoje alvo de revisão constante por um grande número de bandas oriundas da América do Norte, estes Living Hour têm uma visão bastante atmosférica e contemplativa do rock alternativo dominado por guitarras plenas de distorção, mas particularmente melódicas. Juntando a isso um registo vocal ecoante e uma panóplia infinita de efeitos sintetizados, que dão vida a um clima bastante sentimental, ampliado por letras consistentes, que confortam e destroiem o coração num mesmo verso, está apresentado o contexto geral que norteia este alinhamento.

O lugar onde tocam estes Living Hour é assumidamente retro, com canções do calibre da efusiva Seagull ou da mais resguardada This Is The Place, os dois maiores destaques de Living Hour, a exalarem uma mansidão folk rock psicadélica incomum e capaz de nos envolver num torpor intenso. É uma sonoridade que parece estar presa num qualquer transítor há várias décadas, finalmente libertada com o aconchego que a evolução tecnológica destes dias permite, tendo ficado disponível algures numa solarenga praia, com vista para um vasto oceano de questões existenciais, que entre o arrojado e o denso, oferece-nos uma estadia de magia e delicadeza invulgares.

Contemplar este disco de estreia dos Living Hour exige a absorção plena e dedicada de uma assumida grandiosidade celestial, onde o ruído se confunde com charme, uma simbiose à qual é impossível ficar indiferente, imbuída de uma salutar complexidade que coloca os autores rumo à típica pop que se situa num patamar superior de abrangência. Espero que aprecies a sugestão...

Living Hour - Living Hour

01. Summer Smog
02. Seagull
03. This Is The Place
04. Steady Glazed Eyes
05. There Is No Substance Between
06. Mind Goodbyes
07. Miss Emerald Green
08. Feel Shy


autor stipe07 às 17:10
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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2016

Scott Orr - Undeniable

Scott Orr - UndeniableNatural de Hamilton, no Ontário, o canadiano Scott Orr está prestes a regressar aos lançamentos discográficos com Everything, aquele que será o quinto registo de originais da sua carreira. Uma lindíssima canção de amor intitulada Undeniable, sobre o final de um relacionamento de dezasseis anos, à semelhança da temática das restantes canções de Everything, é o primeiro avanço divulgado de um disco bastante pessoal, gravado num sotão no último meio ano e que, de algum modo, exorciza vários fantasmas que assolaram a vida pessoal mais recente deste músico.

Undeniable contém uma exuberância folk muito particular e contagiante, em três minutos onde a viola e a guitarra se entrelaçam com o charme inconfundível da voz do autor, um lançamento disponível gratuitamente na página oficial de Scott Orr e que tem a chancela da editora independente Other Songs Music Co.. Confere...


autor stipe07 às 22:20
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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

Tiger Waves – Tippy Beach

Lançado no passado dia dezoito de janeiro e disponível para download no bandcamp da banda, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, Tippy Beach é o novo compêndio de canções dos Tiger Waves, um projeto oriundo de Austin, no Texas, formado por James Marshall, cientista da NASA no Departamento de Física Teórica Cósmica, natural dessa cidade texana e Reid Comstock, estudante de filosofia oriental nascido em Chicago, ao qual se juntam, atualmente, Tyler Wharen e Joshua Kerl. Ainda sem se conhecerem pessoalmente,  os dois primeiros começaram por trocar música pela internet, depois passaram a sons, maquetas de ruídos, até resolverem juntar-se e compor juntos. Dessa parceria, na primavera de 2011 nasceram oficialmente os Tiger Waves, que se estrearam nos discos pouco depois com Only Good Bands Have Animal Names, álbum lançado em junho desse ano e que deu o pontapé de saída para um percurso discográfico já com alguns momentos relevantes e sonoramente reconfortantes.

As treze canções de Tippy Beach escutam-se com interessante deleite, já que parecem, antes de mais, resultado de um curioso empilhamento de camadas sonoras que começaram por ser pedaços isolados de música e, devido à mestria instrumental de James e Reid, foram sendo acomodadas como um puzzle onde tudo faz de repente o maior sentido quando agregado devidamente, ficando, assim, a parecer, cada vez mais, canções prontas, até atingirem um resultado final que da pop, ao surf rock, passando por alguma psicadelia, cruza a típica sonoridade de uns Beach Boys, apimentada por uma confessada obsessão por mestres do calibre de Phil Spector ou Syd Barrett, duas referências obrigatórias dos Tiger Waves.

A leveza melódica de canções como In Your Head ou o single homónimo e a vibração luminosa das cordas de Salida , o groove veraneante de Spectacle Of You e a cândura dos metais de Look Away, tema que parece ter sido composto propositadamente para um conto de fadas urbano contemporâneo, contrastam com o cariz mais sombrio da intrigante Down The Middle ou da contemplativa Third Term, mas o resultado global soa de modo bastante homogéneo, com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Em suma, Tippy Beach sabe a uma indisfarçável urbanidade que nos oferece histórias banais que se cruzam numa esquina qualquer de uma cidade onde todos correm sem se perceber muito bem para onde, como ou porquê, apesar de haver um propósito bem definido no meio desse aparente caos, como demosntra a toada eminentemente tranquila e algo épica e sedutora deste alinhamento. Havendo belos instantes sonoros pop onde a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, a atmosfera criada é bastante calma e contemplativa, bem à medida de um projeto que se aproxima claramente de algumas referências óbvias de finais do século passado. É um disco que comprova a rara capacidade destes Tiger Waves para manipularem instrumentalmente o sintético, sem descurar o orgânico, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, de modo a oferecer-nos texturas e atmosferas sonoras que, se deixarmos, inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Tiger Waves - Tippy Beach

01. Down The Middle
02. In Your Head
03. Spectacle Of You
04. Turns To Sky
05. Stay Inside
06. Salida
07. Sounds (Pt. 1)
08. In Retrograde
09. Look Away
10. Tippy Beach
11. I’m Not That Type Of Man
12. Third Term
13. Take Me Home


autor stipe07 às 21:36
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