Sábado, 2 de Maio de 2015

We Are The City – Violent

Oriundos de Vancouver, os canadianos We Are The City são Cayne McKenzie, David Menzel e Andrew Huculiak, um trio de regresso aos discos com Violent, um trabalho produzido por Tom Dobrzanski e os próprios We Are The City e que abraça a indie pop com o rock luxuriante, num ritmo e cadência certas, abraço esse que contém uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que compila um interessante leque de influências, com uma óbvia filosofia vintage.

A liberdade de expressão melódica e criativa é a pedra de toque de dez canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Logo na panóplia de efeitos e detalhes de Bottom Of The Lake percebe-se que este trio não está preso e limitado a uma fronteira sonora claramente definida, tateando diferentes espaços e espetros, plasmados em curiosos detalhes que, no caso de Legs Give Out, tanto podem ser um simples toque num teclado, como um grito que se repete, à medida que os sintetizadores debitam, sem nexo aparente, variados ruídos que a bateria e a guitarra ajudam a acomodar.

Genuínos, ecléticos e criativos, estes We Are The City não se intimidam na hora de compôr e deixam o arsenal insturmental que lhes foi colocado à disposição divagar livremente, compondo temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, numa parada de cor, festa e alegria, onde terá havido certamente um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a músicas que gostam.

Em King David e I Am, Are You? o trio aponta as agulhas para o rock mais acessível, mas mesmo nesses temas a irregularidade da percussão, alguns efeitos metálicos e as variações de ritmo e de intensidade, em que a guitarra é conduzida do acústico ao elétrico num ápice, abastecem esta filosofia sonora bastante aditiva e peculiar, que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Aparentemente minimal e despida de conteúdo, Friends Hurt, o single retirado deste álbum, é uma das canções que melhor condensa este casamento feliz entre dois mundos sonoros que nem sempre coexistem pacificamente, audível no modo como um simples dedilhar numa guitarra elétrica e um sintetizador deambulante se cruzam e dão as mãos para nos oferecer uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar.

O piano melancólico e o falsete sincero e incondicional que abrigam 20ft. Up e o sintetizador insinuante de Everything Changes são apenas mais dois compêndios de detalhes que colocam a nú o imenso ecletismo destes We Are The City, capazes de nos levar à boleia dos seus pensamentos mais inconfessáveis, enquanto falam emocionadamente sobre o amor, deixando-nos descobrir plenamente a sobriedade sentimental que marca a intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual que envolve o trio, já que nestas canções consegues sentir a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este projeto verdadeiramente único.

Ouvimos cada uma das dez músicas de Violent e conseguimos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que as esculpiram, com as guitarras a não se situarem sempre na primeira fila daquilo que se escuta, mas a serem o fio condutor que suporta aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Este é, portanto, um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada.

Violent é um exercício prático claramente bem conseguido de conjugação de diversas camadas de instrumentos, alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica, ao mesmo tempo que nos oferecem paisagens grandiosas e significativas, arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um indie rock sem fronteiras, desapegos ou concessões, servido em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico que contorna todas as amarras que prendem a nossa alma, apresentando, desse modo, a notável disponibilidade dos We Are The City para nos fazer pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Espero que aprecies a sugestão...

We Are The City - Violent

01. Bottom Of The Lake

02. Legs Give Out
03. King David
04. Passing Of The Peace
05. Friends Hurt
06. I Am, Are You?
07. 20 Ft. Up
08. Everything Changes
09. Baptism
10. Punch My Face


autor stipe07 às 17:50
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Sexta-feira, 1 de Maio de 2015

La Garçonne - I'm On Punch

La Garçonne é o projeto a solo de Ranya Dube uma cantora, compositora e produtora canadiana, natural de Whistler e que se irá estrear nos discos a vinte e seis de maio com As Days Go By. Este trabalho irá ver a luz dia em formato digital e cassete através da True Horror Music de Jason Sheppard.

Com um Macbook Pro debaixo do braço e uma mente particularmente inventiva e criativa, Ranya cria música em redor de um eletropop que se cruza com o post punk e a new wave, uma sonoridade predominantemente sintética, muito à imagem do que propôem atualmente nomes tão fundamentais no género, como os Chromatics, Glass Candy ou Zola Jesus.

I'm On Punch é o primeiro avanço divulgado de As Days Go By, mais de quatro minutos disponibilizados para download gratuíto e que plasmam o enorme charme e bom gosto deste diamante sonoro ainda em bruto, que viu o ano passado um tema seu inserido na banda sonora do aclamado filme independente de terror Starry Eyes e que foi já o principal motivo para a criação da True Horror Music. Confere...


autor stipe07 às 20:47
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Quarta-feira, 29 de Abril de 2015

Surfin' Mutants Pizza Party - Brain Avenue

Apesar de vir do frio Quebec canadiano, Julien Maltais, um jovem de apenas vinte e um anos, tem no sangue o calor do punk rock californiano. Ele é o líder e grande mentor do projeto Surfin' Mutants Pizza Party, que criou depois de ter liderado várias bandas de metal sem grande sucesso e ter decidido sozinho, no seu quarto, começar a criar música.

Julien vai-se estrear nos lançamentos discográficos a dezanove de maio com The Death of Cool, um trabalho que vai ver a luz do dia a dezanove de maio, em formato digital e cassete, através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Brain Avenue, um single disponivel para download gratuito, é o primeiro avanço divulgado de The Death Of Cool e pela amostra, percebe-se que do surf punk, ao skateboarding, passando pela banda desenhada e a ficção científica, são várias as fontes de inspiração de um músico que cria uma colorida estética sonora, onde o vintage e o contemporâneo se misturam com particular acerto. Confere...


autor stipe07 às 13:04
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Quarta-feira, 15 de Abril de 2015

Jon McKiel – Jon McKiel EP

Lançado no início do verão de 2014 através da Headless Howl Records e gravado por Jay Crocker, Jon McKiel é o EP homónimo de um músico e compositor oriundo de Halifax, na Nova Escócia, uma coleção de seis canções que se abastecem numa folk que possui um interessante requinte vintage, exposta num alinhamento instrumentalmente irrepreensível, sem atropelos ou agressividade desnecessária e que nos permite fazer uma pausa melancólica e introspetiva.

As canções de McKiel são um convite direto à reflexão pessoal e ao desarme, que não tem de ser necesssariamente triste e depressivo, já que as suas melodias são, por regra, luminosas e implicitamente otimistas. Se as cordas exuberantes e a percussão festiva de New Tracy abrem o EP com uma majestosidade exemplar, o efeito da guitarra desse tema e a bateria cheia de quebras de ritmos, acedem-nos a um ambiente climático que impressiona pela criatividade com que os diferentes arranjos vão surgindo à tona. Tal evidencia-se, igualmente, no modo como a guitarra complementa o refrão em Chop Through, canção que emociona e trai quem insiste em residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada.

pop folk, de travo blues de I Know e o rock clássico que transborda da sensual Accolades são mais duas provas do grau de maturidade de Jon Mckiel e do modo como é bem sucedido em fugir de uma possível queda na redundância convencional ou na repetição aborrecida.

Com o devaneio simples, delicado e feminino de Tropical Depression e a teia sonora convidativa, rica e trabalhada desse tema envolvente numa nuvem fumegante de emoção, aproxima-se o ocaso do EP e torna-se clara a tomada de consciência de que estas seis canções são um meritório retorno deste musico e cantautor aos lançamentos, através de melodias complexas e simples e letras românticas e densas e que o mesmo pretende ser legitimamente preponderante e firmar uma posição na classe daqueles artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...

Jon McKiel - Jon McKiel


autor stipe07 às 17:24
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Quarta-feira, 8 de Abril de 2015

Will Butler – Policy

Editado a dez de março por intermédio da Merge Records, Policy é o primeiro disco a solo do canadiano Will Butler, uma das peças fundamentais da engrenagem do rock chamada Arcade Fire e figura de relevo do universo sonoro indie, que confessa ter-se inspirado para esta estreia na tradição musical de nomes tão importantes como os Violent Femmes, The Breeders, The Modern Lovers, Bob Dylan, Smokey Robinson, The Magnetic Fields, Ghostface Killah e John Lennon.

Acordes de guitarra com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Take My Side, o tema que abre um disco gravado apenas numa semana na sala de estar de Jimi Hendrix, por cima dos conceituados Electric Lady Studios e com a participação de outros artistas, nomeadamente Jeremy Gara, que já tinha assumido a bateria em Reflektor, o último álbum dos Arcade Fire, voltando-o a fazer aqui e emprestando também a sua voz em alguns temas.

Depois dessa abertura eloquente, rugosa e inebriante, ao sermos invadidos pelos teclados sintetizados, a batida firme, o trompete indiscreto e o piano desmazelado que definem o arquétipo glam chic de Anna, ficamos imediatamente convencidos do elevado nivel qualitativo de Policy, um disco que funciona como uma ode mística, encantadora e clássica ao catálogo da história do rock nos últimos trinta anos, visitando a obra dos gigantes acima citados, mas também de Elvis Presley, Bruce Springsteen, David Bowie, todos veteranos do mesmo mosaico declarado de referências e até os contemporâneos Parquet Courts, uma banda que Will deve ter ouvido com particular atenção nos últimos tempos.

Se as guitarras são um dos pratos fortes de Policy e andam por ali, sempre debaixo do braço, geralmente eletrificadas, mas com excelentes momentos acústicos, como em Son Of God, o tema que juntamente com a batida de Anna, mais remete Policy para a herança dos Arcade Fire. Depois, o groove e a distorção da guitarra de Something's Coming seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso, mas sem ser necessário colocar a bola vermelha, asim como em What I Want, canção que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém a sonoridade crua, rápida e típica que resvala para um final épico e pleno de exaltação.

Neste disco as cordas acabam por não ter o protagonismo principal e já era expetável que Butler colocasse o piano no cardápio com a função de conduzir melodicamente a maioria das canções. A previsão concretizou-se e os teclados mostram-se particularmente delicados e brilhantemente ingénuos e sedutores em Sing To Me, com a balada Finish What I Started a oferecer-nos um Butler de smoking aprumado, íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, cheio de imagens, metáforas e mistério.

O disco termina com o  transe melódico explícito de Witness, uma atmosfera sonora que não chega a sair do limiar dos sonhos, mas que apresenta as diferentes texturas sonoras que carregam a epifania sonora de Butler, assente num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um músico com uma vitalidade imparável.

Em Policy, Will Butler estabelece-se comodamente numa zona de conforto onde se sente como peixe na água, mas não se coibe de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio blues. A verdade é que ele parece disposto a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de cerca de trinta minutos intensos, rugosos e que são, obviamente, um dos destaques discográficos de 2015. Espero que aprecies a sugestão...

Will Butler - Policy

01. Take My Side
02. Anna
03. Finish What I Started
04. Son Of God
05. Something’s Coming
06. What I Want
07. Sing To Me
08. Witness

Website
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autor stipe07 às 22:13
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015

Germany Germany - Germany Germany

Germany Germany é uma banda de Victoria, que começou por ser um projeto a solo encabeçado por Drew Harris, um músico de quem já falei em 2011, apesar de na altura desconhecer a sua identidade, devido ao projeto Radioseven. Atualmente, os Germany Germany também contam com nathan willson, michael matier e graham keehn no alinhamento, além de Harris. O projeto estreou-se em 2010 com o EP Electrolove, disponível no bandcamp e que contava com Jessica Morgan na voz e no ano seguinte chegou Adventures, o longa duração de estreia, que contava com as participações especiais de Donne Tor em Natural, Tim Walters em Take Your Time, Emily Michiels em Transatlantic e Steffaloo em Just Go. Depois desse disco, Germany Germany editou outros trabalhos e este homónimo, editado no passado dia vinte e cinco de outubro, é o primeiro lançamento que foi gravado com o atual formato banda.

Sustentados por uma agradável melancolia e donos de um som épico e eloquente, mas que exige dedicação, os Germany Germany oferecem-nos neste trabalho dez canções que vivem à sombra do indie rock e de uma pop eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas, através das teclas do sintetizador, uma percurssão orgânica, um baixo visceral e guitarras carregadas de efeitos futuristas e distorções vintage, claramente inspiradas nos grandes mestres desse instrumento e do rock clássico.

Assim, as canções de Germany Germany tanto podem suscitar um ambiente sonoro algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada, como apresentar instantes com uma sonoridade mais ligeira, dançável e luminosa. As canções muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva e, sendo muitas delas apenas instrumentais, a ausência da voz permite que os instrumentos tenham todo o protagonismo que claramente anseiam, com especial destaque  para o verdadeiro festim orquestral que é Crystal City, com Eyes On The Ocean a ser outro instante de audição obrigatória.

Departure abre o disco e o sintetizador e os efeitos do tema colocam a nú a zona de conforto sonora estabelecida e pregada pelos Germany Germany, que prima por uma composição melódica que procura dar vida a um conjunto volumoso de versos sofridos e sons acinzentados, como se fosse a banda sonora de um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico. Essa percepção acaba por se revelar novamente e curiosamente em Take Me Home, apesar da guitarra perto do red line que aí se escuta, como se esse ideal de melancolia fosse a baliza que orienta e abarca a sonoridade geral do disco. Depois, além das distorções da guitarra, a percurssão de Bright Lights, de River e, principalmente, de Substance e Reconnect, mostram-nos que estes Germany Germany também nos querem pôr a dançar. O efeito que ecoa da guitarra de Blank Mind Empty Heart e o baixo pulsante, colocam-nos novamente no chão e faz ressurgir um desejo incontido de refletir sobre os nossos maiores receios, enquanto o reverb da voz nos convida a tomarmos as rédeas da nossa própria consciência pessoal. Já o sintetizador futurista de Love and Science Fiction e a guitarra distorcida ampliam a perceção clara que os Germany Germany balançam entre dois pólos aparentemente opostos e carimba uma certa ideia de maturidade de um coletivo que parece caminhar confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais, com uma toada simultaneamente épica e aberta, fazendo-o demonstrando a capacidade eclética de compôr, em simultâneo, temas com algum teor introspetivo mas, acima de tudo, verdadeiros hinos de estádio.

Há uma forte dinâmica criativa no seio deste projeto que aposta em várias abordagens sonoras, mas sempre magistrais, numa conversa coerente que celebra a natureza dinâmica da combinação instrumental e explora um método de abordagem criativo num disco impregnado de inspiradas peças melódicas que passam tangentes assertivas a alguns dos parâmetros que definem um estilo sonoro que vem fazendo escola desde os primórdios dos anos oitenta, com um ritmo que transpira de maneira natural e particular muito do que sustenta o que de melhor se vem escutando atualmente no universo sonoro indie contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 20:57
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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2014

Shimmering Stars – Bedrooms Of The Nation

Oriundos de Vancouver, os canadianos Shimmering Stars são Rory McClure, Andrew Dergousoff, Brent Sasaki e Elisha May Rembold, uma banda que se estreou nos discos em 2011 com Violent Hearts e que editou no passado verão Bedrooms Of The Nation, o segundo trabalho da carreira, através da Shitty BIke Records no Canada e a Almost Musique na Europa. Já agora, no bandcamp poderás ouvir este trabalho e encontrar outros singles e EPs da autoria da banda.

Os Shimmering Stars são uma banda ainda há procura de um lugar de relevo no universo sonoro alternativo e Bedrooms Of Nation tem tudo para os catapultar para uma posição mais visível, devido ao modo assertivo e até exuberante, como propôem um rock cheio de sintetizações, efeitos e ruídos, mas com uma toada muito rica e sombria, já que estes quatro músicos deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta algo negra e obscura, para criar um álbum tipicamente rock, esculpido com cordas ligas à eletricidade e com um interessante cariz épico que não é mais do que um assomo de elegância incontida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Aguarda-nos também na audição de Bedrooms Of The Nation belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. A escrita carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria e, em alguns instantes, tipicamente lo-fi.

Esta receita fica logo bem patente logo na Intro do alinhamento e nas camadas de ruídos que sustentam AnomieDérèglement, duas canções que desde logo captam a nossa atenção e a curiosidade em relação ao resto do disco, que depois acaba por impressionar pelo bom gosto com que cruza vários estilos e dinâmicas sonoras, com o indie rock a servir de elemento aglutinador, numa toada que tem tanto de shoegaze como de progressivo e que até busca pontos de interseção com a pop mais experimental e algumas paisagens e sensibilidades que piscam o olho ao punk e ao blues. Se as sucessivas distorções que conduzem a melodia rugosa e visceral de If You Love Me Let Me Go não defraudam os amantes de sonoridades que esticam ao máximo a coluna dos décibeis, já a linha de guitarra de You Were There pisca o olho a um rock com uma toada mais blues e o frenesim que o baixo e a bateria impôem, num combate de notas agudas e graves em Role Confusion, é rock épico e luminoso, sem estribeiras e longe de qualquer tipo de concessão.

Uma das cançoes mais curiosas deste disco é, sem dúvida, Defective Heart – Dreams, uma composição que começa e termina com uma sucessão imprecisa de ruidos que confundem e iludem, mas que entretanto surpreende e nos conquista com uma melodia particularmente deslumbrante apesar de se manter sempre a sintetização da voz. 

Msturado por Colin Stewart, um mítico engenheiro de som de Vancouver e masterizado por Dan Emery em Nashville, nos Estados Undos, Bedrooms of The Nation é um disco de difícil trato, que virou completamente as costas a um apelo comercial que certamente se entendia numa banda que pretende uma outra projeção, mas que merece o maior relevo pelo modo como plasma um feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando as regras que hoje consagram as tendências mais atuais em que assenta o rock alternativo com um cariz fortemente nostálgico e contemplativo, mas também feito com elevada dose de ruído e distorção.

Os Shimmering Stars têm no seu ADN bem vincada a vontade de experimentar e Bedrooms Of The Nation respira por todos os poros uma enorme faceta laboratorial, com melodias que se parecem incomodar, na verdade, devidamente compreendidas, poderão fazer levitar quem se deixar envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica do seu conteúdo. Ouvir este disco é uma experiência diferente e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer, de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Shimmering Stars - Bedrooms Of The Nation

01. Intro
02. Anomie
03. Dérèglement
04. You Were There
05. If You Love Me Let Me Go
06. Defective Heart – Dreams
07. Shadow Visions
08. Role Confusion
09. Fangs
10. First Time I Saw You
11. Ego Identity
12. I Found Love


autor stipe07 às 18:51
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Sábado, 6 de Dezembro de 2014

HIGHS - HIGHS EP

Os Highs são Doug Haynes (voz e guitarra), Karrie Douglas (voz e teclados), Joel Harrower (voz e guitarra) e Kevin Ledlow (bateria), uma banda de Toronto, no Canadá que se estreou já no verão de 2013 com um EP homónimo que, infelizmente, só agora chegou ao conhecimento de Man On The Moon, mas que merece ser divulgado, já que está ainda muito longe de esgotar o seu prazo de validade.

Produzido por Steve Major e pelos próprios Highs e gravado nos estúdios Verge Music Lab em Toronto, Highs são seis canções comandadas por aquele indie pop radiante e luminoso que poderá servir para nos avivar a memória e inundar-nos com a nostalgia de um verão que terminou sem sequer ter começado, não havendo um certo exagero nesta constação, vinda de quem ama dias mais quentes e não concebe um julho que não seja absolutamente tórrido.
A linha de guitarra que abre o EP, em Summer Dress, aconchega-nos imediatamente o coração e coloca no nosso peito aquela sensação ardente de conforto, ao mesmo tempo que imaginamos como será o vestido de verão perfeito, aquele que mais nos inebria, numa canção que faz qualquer um de nós, independentemente do sexo com que nasceu, imaginar a sensação delicada e intensa de experimentar o ato de desfilar, numa festa de praia ou numa escaldante calçada de uma grande cidade onde somos perfeitos desconhecidos, com o mais fino tecido e aquele recorte ousado que preenche a nossa mente, nem que seja uma vez só, na vida inteira.

Se Harvest impressiona pelo modo como cresce até atingir o esperado climax, já Fleshy Bones são cinco minutos de riffs animados constantes e onde ressoa uma letra que merece todo o crédito pela simplicidade com que transmite sentimentos e ideias que às vezes temos uma dificuldade enorme em comunicar, por não encontrarmos o modo certo para as expressar de forma entendível (And we’ll wait until the day, when they come to take our flesh and bones away). A encerrar, Cannibal Coast é aquele tipo de canção de final de alinhamento perfeita e que todas as bandas sonham certamente conseguir compôr e replicar para o ocaso do seu disco.

Todo este charme radiante que exala de um EP impregnado com um groove feito com solos de guitarra fulgurantes, uma percurssão ritmada e vibrante e um jogo de vozes que ecoa hipnoticamente nos nosssos ouvidos, é o caminho certo para nos enjaular num universo muito próprio, onde quereres passar o resto da tua vida aconhegado pelo sol no rosto, que aqui nunca se esconde e está sempre disponível para satisfazer os nossos desejos mais secretos. O EP está disponível para download no soundcloud dos Highs. Espero que aprecies a sugestão...

HIGHS - HIGHS

01. Summer Dress
02. Nomads
03. Harvest
04. Fleshy Bones
05. Cannibal Coast
06. Mango


autor stipe07 às 21:12
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Sábado, 15 de Novembro de 2014

Stars - No One Is Lost

No One Is Lost é o novo disco dos Stars, um trabalho editado no passado dia catorze de outubro, por intermédio da ATO Records. Os Stars são um coletivo canadiano oriundo de Montreal, no estado do Quebeque e formado por Torquil Campbell, Evan Cranley, Patrick McGee, Amy Millan e Chris Seligman. Começaram a carreira em 2000 e já contam no seu historial com oito discos de originais e alguns EPs, um cardápio que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo.

Set Yourself On Fire  Band Photos

A ideia de festa e de alegria está sempre subjacente à música dos Stars, que aposta numa componente essencialmente sintética, feita com batidas que se destacam em todos os temas e guitarras acomodadas por um sintetizador aveludado que se esconde atrás dos ritmos, para a criação de canções que, mesmo parecendo algo previsiveis, procuram ser orelhudas, de assimilação imediata e fazer o ouvinte dançar, quase sem se aperceber e sem grandes pretensões emotivas, porque é tudo conjugado de uma forma simples, mas eficaz. 

No One Is Lost acaba por ser uma homenagem ao perído aúreo que a pop eletrónica viveu há três décadas e os Stars procuram resgatar esses sentimentos dos anos oitenta mas também converter a sonoridade dessa época para algo actual, familiar e inovador ao mesmo tempo.

Todo o álbum parece então ter saído da banda sonora de um filme dos anos oitenta e as vozes de Torquil Campbell e de Amy Millan são também um excelente veículo para nos trasnportar até à agitação inebriante do discosound. É um trabalho divertido e directo, feito de alegria e com sabor a Verão e as canções prendem-se aos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop de há trinta anos atrás e algumas vezes dei por mim a abanar as pernas ao ritmo da música e só me apercebi depois, embaraçado. 

Turn It Up foi o primeiro avanço divulgado do disco, uma canção com uma luminosidade muito intensa, potenciada pela presença de um coro infantil, algo que dá à canção aquele ambiente nostálgico que tantas vezes se apodera de nós nesta altura do ano. Outro dos destaques do trabalho é o tema homónimo que, apesar de ser bastante animado e um dos temas mais extrovertidos do alinhamento, fala sobre um diagnóstico de cancro terminal, de que foi alvo um amigo próximo dos Stars.

No One Is Lost tem como grande mérito celebrar a vida como ela realmente deveria de ser, simples, descomplicada e efusiva, apesar de ser também feita de episódios sombrios e de problemas às vezes de difícil resolução. Espero que aprecies a sugestão...

01. From The Night
02. This Is The Last Time
03. You Keep Coming Up
04. Turn It Up
05. No Better Place
06. What Is To Be Done?
07. Trap Door
08. Are You OK?
09. The Stranger
10. Look Away
11. No One Is Lost

Spotify


autor stipe07 às 21:16
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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2014

In-Flight Safety – Conversationalist

Oriundos de Halifax, na Nova Escócia, os canadianos In-Flight Safety foram fundados por John Mullane e Glen Nicholson e já andam há vários anos a orbitrar em redor do indie rock de cariz mais melódico. De anúncios televisivos a alguns prémios da indústria musical, é já assinalável o reconhecimento acumulado por um grupo que se estreou em 2006 com The Coast Is Clear e que até 2009, ano em que editaram We Are An Empire, My Dear, viveram o período mais aúreo de uma carreira que pretendem agora relançar com Conversationalist, o novo trabalho da carreira dos  In-Flight Safety e que viu a luz do dia no final de setembro.

Misturado por Gus Van Go, em Brooklyn, Nova Iorque, Conversationalist é resultado de um período longo de reflexão acerca do futuro de um projeto que após o segundo álbum sentiu viver numa espécie de beco sem saída e num vazio criativo, também por causa de algumas transformações pessoais na vida dos elementos da banda e de algumas saídas. O núcelo duro manteve-se, constituido pela dupla acima referida, que após ponderar individualmente, decidiu manter o projeto mas procurar novas direções sonoras e criar um disco que fosse genuíno  no que concerne ao ADN dos In-Flight Safety, mas também mais aventureiro e aberto. Assim, o alinhamento de dez canções tresanda à tal honestidade que estes canadianos quiseram tanto preservar e isso sente-se mesmo que não se conheça profundamente o cardápio sonoro restante. Mas o disco também exala uma apreciável veia experimentalista, com arranjos que fazem balançar os temas entre o indie rock luminoso e épico e aquela toada mais sensível e sombria, que o rock alternativo dos anos oitenta ajudou a disseminar e que as guitarras e a percurssão do baixo e da bateria de Stockholm ou Fight Night tão bem replicam.

De certo modo, parece que este disco tem instantes que tanto poderiam servir de banda sonora para a leitura de uma carta de amor verdadeiramente sentida que recebemos de alguém que desejamos ardentemente, como outros que serveriam para potenciar a nossa dor caso a missiva, com o mesmo remetente, tivesse um conteúdo completamente oposto, de anúncio de completa rejeição. Este exercicio de transposição do conteúdo de Conversationalist para a intimidade de quem o canta, também pode alargar o seu espetro para a própria realidade banda. A sonoridade das dez canções que compôem este alinhamento expôe alguns fantasmas estéticos que deverão ter acompanhado a carreira discográfica dos In-Flight Safety, que tantas vezes procuraram um equilíbrio nem sempre fácil entre o apelo comercial da indústria musical e a vontade de experimentar novos arranjos, técnicas e sonoridades.

Já agora, no que concerne a essa componente mais técnica, escuta-se as canções e percebe-se que houve um enorme cuidado com os detalhes, nomeadamente a forma como as diferentes camadas de instrumentos se foram acumulando em cada parcela do disco. Os arranjos incluem além de um abrangente arsenal de efeitos de cordas, algumas teclas e metais sintetizados quase sempre implícitos; Temas como Animals ou Destroy assentam em linhas de guitarra que se prendem facilmente ao nosso ouvido e nos convidam a dançar e a sorrir, mas há ali, em determinados efeitos que parecem planar ao longo dessas melódias, um certo sentimento nostálgico que nos remete para a reflexão pessoal, que, naturalmente, também é perdeitamente audível nos dois temas referidos que herdam alguns dos melhores detalhes do indie rock de há três décadas. O disco termina com um abraço sentido dos In-Flight Safety ao rock mais expansivo e até progressivo, em Firestarters, um tema que cresce à medida que se desenrola, um pouco à imagem do disco, como se fosse o climax, aquele momento em que, durante um concerto, a banda dá tudo o que tem no final e quando a última canção da noite termina as luzes desligam-se para o grupo nunca mais voltar.

Disco já com direito a um documentárioConversionalist conversa connosco porque tem o enorme atributo de ter belas músicas para ouvir enquanto se pensa na vida. É um disco sobre o amor e uma boa arma para fazer qualquer um entender que, definitivamente, uma história de amor não é feita só de momentos felizes, apesar de estar recheado de sensações positivas, plasmadas em canções expansivas e, ao mesmo tempo, imbuídas por um forte caráter intimista, como se quisessem obedecer ao nosso desejo de fuga, mas sem deixarmos de ter ao nosso lado uma cerveja bem fria e todos aqueles que mais amamos. Espero que aprecies a sugestão...

In-Flight Safety - Conversationalist

01. Before We Were Animals
02. Animals
03. Blue Flares
04. Stockholm
05. Destroy
06. Caution Horses
07. Tie A String
08. Crowd
09. Fight Night
10. Firestarters

 


autor stipe07 às 13:29
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