Terça-feira, 1 de Setembro de 2015

Destroyer – Poison Season

O clássico Kaputt (2011) e o extraordinário EP Five Spanish Songs (2013), as duas últimas obras discográficas de Destroyer, já têm finalmente sucessor. O novo disco deste projeto que emana da mente criativa de Dan Bejar chama-se Poison Season e foi lançado a vinte e oito de agosto pelos selos Marge e Dead Oceans.

Bejar não gosta de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, preferindo que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido timing e com a pressa que merece. No entanto, Poison Season parece querer afirmar-se em sentido contrário a esse travo de espontaneidade, com Dream Lover, o tema escolhido para apresentar o disco um trimestre antes da sua audição, a viver à boleia do elevado sentido de urgência que exala no frenesim das guitarras, agora menos sedutoras e mais ríspidas, estabelecendo um caos inédito que os metais, os intensos trompetes, as batidas e a postura vocal de Destroyer, no caso desta música, ampliam.

Há aqui um desejo claro de mudança que se saúda, numa roupagem menos pop, mas sofisticada, como sempre e mais orgânica, com o rock vintage a afastar Dan Bejar da sua zona de conforto canadiana e de uma certa inércia artística em que se encontrava enclausurado. No entanto, não se julgue que Destroyer perdeu o seu charme inconfundível ou colocou de lado a sua mestria genética na hora de sobrepor não só diferentes camadas de instrumentos e arranjos, mas também variações rítmicas e, consequentemente, sentimentais, que muitas das suas composições exalam e Poison Season amplia. Basta escutar Solace’s Bride para se ter a certeza que Bejar permanece nutrido com a melhor bagagem que a pop lhe pode oferecer na hora de compor, sem nunca percer o norte nem a capacidade de nos emocionar mesmo que o arsenal instrumental seja diverso e potencialmente antagónico e difícil de articular.

Times Square, Poison Season I, o tema que abre o disco, oferece-nos um cenário biblíco imponente, com Bejar a apresentar-nos Jesus, Jacob, Judy e Jack, algumas personagens centrais que serão depois transversais à componente lírica do alinhamento, através de uma cortina sonora em que piano, xilofone e violinos subsistem numa fanfarra agridoce, bastante emotiva. Esta canção dá o mote para o ambiente claramente clássico, moderno e límpido do disco, que o desfile eletrificado e exuberante do tema seguinte, acima descrito, não coloca em causa, até porque traz para Poison Season um sol bastante luminoso e inspirado que depois vai guiar e iluminar, numa parada de cor e jovialidade, as restantes canções. Aliás, pouco depois, em Midnight Meet The Rain, numa toada mais groove e até tropical, Bejar volta a oferecer um som mais ruidoso, acelerado e épico, mas sem que isso deturpe a essência claramente contemplativa e relaxante de Poison Season.

Com a pop e o indie rock como referências máximas, Bejar tem demonstrado um instinto camaleónico para a mudança, com os seus registos a mostrarem sempre novas nuances naquele que é o referencial típico do seu som, mas conseguindo sempre manter a integridade do seu adn sonoro. Os violinos e as marimbas de Forces From Above dão as mãos com sucesso porque são guiados por esta mente fortemente criativa, única no modo como mescla o brilho literário que cria, com a destreza melódica e a agilidade estilística dos arranjos que inventa. Sun In The Sky, por exemplo, coloca em primeiro plano essa invulgar e enigmática capacidade de escrita, que o piano reforça, o saxofone emoldura e a flexibilidade ritmíca da guitarra impõe. Mas antes, em Archers On The Beach, esse mesmo arsenal sonoro, ao ter recebido a visita e o apoio de um baixo vigoroso, já nos tinha dado o privilégio de nos fazer perceber como não há Destroyer sem aquelas pinceladas de jazz contemporâneo que poucos igualam e replicam com a mesma profundidade, alegria e vivacidade.

É impossível ouvir Destroyer sem se presentir, mesmo que à distância, uma certa melancolia triste, que Bangkok clarifica com arrojo e profundidade. Mas, mesmo nessa canção aparentemente amargurada, há uma luz que brilha e nos faz sorrir, sem percebermos muito bem de onde vem essa peredisposição. Talvez seja o piano de Poison Season que faz com que essa sensação aparentemente menos positiva fique camuflada e só se revele a espaços para que a euforia não nos faça perder a lucidez, pois essa é uma das principais ideias que este disco invulgar, fortemente contemporâneo e intenso nos permite disfrutar. Espero que aprecies a sugestão...

Destroyer - Poyson Season

01. Times Square, Poison Season
02. Dream Lover
03. Forces from Above
04. Hell
05. The River
06. Girl In A Sling
07. Times Square
08. Archer On The Beach
09. Midnight Meet The Rain
10. Solace’s Bride
11. Bangkok
12. Sun In The Sky
13. Times Square, Poison Season II


autor stipe07 às 17:40
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2015

Teen Daze - Morning World

Depois de em 2013 o canadiano Teen Daze ter lançado Glacier, o seu terceiro registo de originais, por intermédio da Lefse Records, um disco cheio de ambientes etéreos e texturas sonoras minimalistas, com um cariz um pouco gélido, uma espécie de álbum conceptual que pretendia ser a banda sonora de uma viagem a alguns dos locais mais inóspitos e selvagens do nosso planeta e de alguns meses depois ter editado um novo EP intitulado Paradiso, agora, em pleno verão de 2015, está de regresso com uma proposta completamente diferente intitulada Morning World, o novo álbum do músico, editado por estes dias à sombra da Paper Bag Records.

Produzido por John Vanderslice, percebe-se logo nos violinos e restantes cordas de Valley Of Gardens que este novo disco marca uma relativa inflexão do cariz sonoro de Daze, que embarca agora numa toada um pouco mais pop, heterogénea e luminosa, a cargo de um músico que sempre mostrou um enorme talento para a conceção de composições sonoras bem estruturadas. Esta conclusão torna-se ainda mais evidente quando a guitarra elétrica toma conta da melodia de Pink e já não deixa qualquer margem para dúvidas à passagem dos efeitos luxuriantes e da paisagem emotiva e resplandescente que o sintetizador e a bateria criam no tema homónimo. Já Along, uma composiçãoque nos embala não só com a voz doce e nostálgica e um efeito de guitarra envolvente, mas também com alguns efeitos sintetizados atmosféricos, que são a cereja no topo do bolo de uma canção perfeita para estes dias de verão mais relaxantes e reluzentes, além de ser mais uma acha para esta nova fogueira que aquece e ilumina a mente de Daze na hora de compôr, coloca a nú mais alguns dos seus atributos artistícos, principalmente no que diz respeito à capacidade que possui de nos oferecer canções capazes de serem aquela pausa melancólica e introspetiva, que todos precisamos frequentemente, num convite direto à reflexão pessoal e ao desarme, que não tem de ser necesssariamente triste e depressivo, já que esta é uma melodia luminosa e implicitamente otimista.

Disco recheado de versos confessionais, Morning World é uma espécie de tela em branco que o autor nos oferece ao acordar, para que a levemos nos ouvidos enquanto o sol sobe até ao seu zénite e à medida que contemplamos e usufruimos deste alinhamento de onze canções, pintemos no nosso âmago todas as emoções e sentimentos que as rotinas e as surpresas que surgem no nosso caminho, já que este é, nitidamente, um album que dá azo a múltiplas interpretações e que convida cada um de nós a olhar para ele da perspetiva que melhor nos souber. Tal sucede porque nele, e de acordo com o que se exige a uma coleção de canções eminentemente pop, sobressai um ambiente fortemente climático e que impressiona pela criatividade com que os diferentes arranjos vão surgindo à tona, evidencia-se, por exemplo, no modo como a guitarra complementa o refrão em Life In The Sea e na forma como a toada épica e altiva de Infinity emociona e trai quem insiste em residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada.

Cada vez mais orgânico e menos sintético e com um olhar mais lancinante para as guitarras, Teen Daze encontrou em Morning World um novo receituário, mais aberto, criativo e harmonioso, assumindo-se neste disco como um músico que criando melodias complexas ou simples, mas sempre adornadas por letras românticas e densas, pretende funcionar em algum momento das nossas vidas como uma espécie de rede de segurança, enquanto insiste também em ser preponderante na indie pop de cariz mais chillwave, com o claro intuíto de firmar uma posição na classe dos músicos e compositores que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...

Teen Daze - Morning World

01. Valley Of Gardens
02. Pink
03. Morning World
04. It Starts At The Water
05. Post Storm
06. Life In The Sea
07. You Said
08. Garden Grove
09. Along
10. Infinity
11. Good Night

 


autor stipe07 às 17:00
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2015

Paper Beat Scissors - Go On

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que lançou no passado dia catorze um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum foi editado através da Forward Music Group/Ferryhouse e sucede ao disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

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Logo em Enough, o tema que abre o alinhamento de Go On, percebe-se a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor. Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar com canções que carregam quase sempre uma indisfarçável emoção e uma saudável dose de melancolia, onde não falta, como se percebe em Lawless, uma dose de epicidade que faz todo o sentido quando o universo sonoro replicado procura replicar sentimentos fortes que exigem uma implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.

As cordas e os sintetizadores, presentes neste disco com mais força, são os instrumentos que este músico canadiano utiliza para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, orgânicas e sintéticas, muitas vezes em várias camadas de sons. When You Still é exímio no modo como nos oferece esse mosaico, num fundo dominado por uma bateria sintetizada hipnótica, que segura uma miríade de samples e sons, alguns deles particularmente rugosos, mas que não colocam em causa a estética delicada do projeto, graças também ao tal registo vocal doce e profundo.

Até ao final de Go On, se a folk etérea do tema homónimo é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Paper Beat Scissors nos sentam, já o piano de Enfazed e a percurssão hipnótica e pulsante de Wouldn't fazem deste disco uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Com um pé na folk e outro na pop e com a mente também a convergir para um certo experimentalismo, típico de quem não acredita em qualquer regra na busca pela perfeição, Tim Crabtree entregou-se à introspeção, sentiu necessidade de desabafar connosco e refletiu sobre si e o mundo moderno, não poupando na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos cúmplices das suas angústias e incertezas. Quase pedindo-nos conselhos, o autor deste disco único inicita à dança e à melancolia com texturas eletrónicas polvilhadas com um charme incomum e que nos embala e paralisa, em quase quarenta minutos de suster verdadeiramente a respiração.

Num disco equilibrado, que vai da introspeção à psicadelia mais extrovertida, Go On prima pela constante sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, que criaram uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades. É um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual e que tem também como trunfo maior uma escrita maravilhosa. Quando o disco chega ao fim ficamos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento perante a obra, da autoria de projeto que vive da visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso destes Paper Beat Scissors, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções do grupo servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos. Espero que aprecies a sugestão...

1. Enough
2. Lawless
3. When You Still
4. Wouldn't
5. Enfazed
6. Onwards
7. Altona
8. A Reprieve
9. Bundled
10. Go On

 


autor stipe07 às 22:21
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2015

Teen Daze - Along

Teen Daze - Along

Depois de em 2013 o canadiano Teen Daze ter lançado Glacier, o seu terceiro registo de originais, por intermédio da Lefse Records, um disco cheio de ambientes etéreos e texturas sonoras minimalistas, com um cariz um pouco gélido, uma espécie de álbum conceptual que pretendia ser a banda sonora de uma viagem a alguns dos locais mais inóspitos e selvagens do nosso planeta e de alguns meses depois ter editado um novo EP intitulado Paradiso, agora está de regresso com uma proposta completamente diferente intitulada Morning World, o próximo álbum do músico, que vai ser editado por estes dias à sombra da Paper Bag Records.

Produzido por John Vanderslice, este novo disco promete, portanto, uma inflexão do cariz sonoro de Daze para uma toada um pouco mais pop, heterogénea e luminosa, uma conclusão baseada não só no single homónimo divulgado há algumas semanas, mas também por causa de Along, o mais recente avanço disponibilizado e que nos embala não só com a voz doce e nostálgica e um efeito de guitarra envolvente, mas também com alguns efeitos sintetizados atmosféricos a serem a cereja no topo do bolo de uma canção perfeita para estes dias de verão mais relaxantes e reluzentes. Confere...


autor stipe07 às 09:54
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2015

The Bats Pajamas - No Hello

Oriundos de Toronto, os The Bats Pajamas mais uma forte aposta da texana Fleeting Youth Records, de Ryan M. e estrearam-se nos discos a vinte e seis de maio com Hello, um trabalho gravado em poucos dias no quarto de um elemento da banda e editado em formato cassete e digital.

No Hello começou a ser desembrulhado ao som de Wrong House, o primeiro avanço do disco e depois, com Witch Way, mais uma canção conduzida por guitarras plenas de distorção e que firmam o indie rock rugoso, cru, intenso e vibrante que faz parte do adn destes The Bats Pajamas, onde também sobressai uma voz que pula em poucos segundos de uma postura grave e acessível, para um registo ruidoso e particularmente enraivecido, ampliado por um curioso efeito em eco, confirmou-se que este projeto canadiano explora uma abordagem ruidosa ao rock, de modo progressivo, industrial e experimental, tudo apimentado com uma elevada toada shoegaze. Aliás, basta ouvir Feel Like Shit para se perceber a exuberância e a monumentalidade do arquétipo sonoro destes The Bats Pajamas, um pouco em oposição à tendência atual em que a caraterística sujidade das guitarras e do baixo, tem sido substituida por sintetizadores, cordas mais leves e por baterias eletrónicas.

O que mais cativa nestes The Bats Pajamas é, então, perceber que são mestres em trazer-nos de volta tudo aquilo que há vinte atrás era considerado marginal e corrosivo e que, ao ser agora replicado por eles, soa intemporal, influente e obrigatório. Escuta-se o baixo e a batida de T.V. Sheets, o efeito abrasivo da guitarra de Fibres, acompanhado pela percussão inebriante do grunge de This Aint No e chocamos de frente com o acentuado cariz identitário próprio de um noise rock rugoso, sujo e poeirento, mas que também procura uma textura sonora atrativamente melódica, sem colocar em causa o indispensável pendor lo fi e a forte veia experimentalista que este tipo de som exige.

Com um registo vocal quase sempre manipulado e que pode distorcer a nossa mente, os The Bats Pajamas trazem, portanto, o ruído e a distorção para o centro do processo criativo e se o segredo para a sua potência sonora reside na tríade instrumental, o atributo maior é juntarem, num enorme pacote, que tendo tanto de caótico como de hermético, é coerente nas abordagens que faz, mesmo quando a psicadelia dá um ar da sua graça em Sky Hooker e o punk mais sombrio toma conta do cenário em Yr Porno.

Apesar de as nove canções do alinhamento se escoarem em menos de uma hora, No Hello é uma obra grandiosa e eloquente, um disco pleno de ruido, espasmos de guitarra funk, ruído, contaminação cruzada de microfones e odes ao imprevisto. No Hello encontra-se disponível para download gratuito no bandcamp da banda. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 23:21
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Paper Beat Scissors - Lawless

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que se prepara para lançar um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum vai ser editado no próximo dia catorze de agosto, através da Forward Music Group/Ferryhouse, depois do disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

Depois de ter sido divulgado Go On, o tema homónimo do segundo disco de Paper Beat Scissors, agora chegou a vez de ser dado a conhecer Lawless, mais um exemplo feliz desta visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso deste projeto, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.

Misturado por Graeme Campbell e masterizado por J. LaPointe, Lawless é mais uma compilação dramática de uma folk que nos tira o fôlego, com um falsete que nos deixa sem reação e toca profundamente no nosso coração e um cruzamento de teclados e violinos que depois recebe pequenos detalhes sonoros e que aqui fazem toda a diferença, demonstrando a abundância de talento de Crabtree, que se prepara, certamente, para nos deliciar com mais uma belíssima paleta de cores sonoras, com uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. Confere...

 


autor stipe07 às 12:42
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2015

Paper Beat Scissors - Go On

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que se prepara para lançar um novo registo de originais intitulado Go On. Esse álbum vai ser editado no próximo dia catorze de agosto, através da Forward Music Group/Ferryhouse, depois do disco de estreia, um homónimo lançado em 2012, que foi dissecado por cá.

Go On, o tema homónimo do segundo disco de Paper Beat Scissors e primeiro avanço divulgado do trabalho, disponível para download gratuíto, é mais um exemplo feliz desta visão poética em que as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado mas, no caso deste projeto, a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.

Go On é uma compilação dramática de uma folk que nos tira o fôlego, com um falsete que nos deixa sem reação e toca profundamente no nosso coração e um dedilhar de uma guitarra acústica, que depois recebe pequenos detalhes sonoros e que aqui fazem toda a diferença, demonstrando a abundância de talento de Crabtree, que se prepara, certamente, para nos deliciar com mais uma belíssima paleta de cores sonoras, com uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. Confere...


autor stipe07 às 21:29
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Quinta-feira, 25 de Junho de 2015

Kathryn Calder – Kathryn Calder

Pianista dos New Pornographers e já uma veterana da indústria musical, a canadiana Kathryn Calder também tem uma respeitável carreira a solo, iniciada com os Immaculate Machines, a sua primeira banda e já com dez álbuns lançados na última década, o que dá uma incrível média de um disco por ano. A juntar a essa pujança discográfica, há que salientar várias digressões, que solidificaram uma carreira iniciada com Are You My Mother, um disco baseado na luta inglória que a mãe de Kathryn travou contra a ALS e que a artista assistiu de perto. Esta relação entre tragédia e sucesso, marcou o início do percurso discográfico de Calder e deu-lhe imenso material sobre o qual pode escrever, o que justifica, de certo modo, esta pujança editorial.

Passando longos períodos na estrada, Kathryn gosta de sentir que tem um ponto seguro e Bright And Vivid foi outro ponto importante no seu percurso discográfico, já que nesse trabalho refletiu, essencialmente, sobre si mesma e tudo aquilo que tinha mudado em si, após um início tão fulgurante de carreira, de mãos dadas com a perca referida, num álbum cheio de canções autênticas e pessoais.

Agora, em 2015, Kathryn encontrou nos sintetizadores um manancial sonoro que a artista sentia que ainda não tinha explorado devidamente e refugiada num estúdio em Vancouver Island com o seu marido e produtor Colin Stewart, deu à luz estas dez novas canções que têm em comum essa artmosfera sintética que é agora o grande ponto de partida da sua música em deterimento da orgânica sentimental e emotiva que sempre guiou o seu processo de produção musical. 

Kathryn Calder é, portanto, um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia. A delicadeza de canções como Song and Cm e Arm and Arm atestam esse vínculo forte com um ambiente sedutor, particularmente feminino e intenso. A instrumentação tem como pano de fundo a pop mais nostálgica, sendo audível a procura de uma sonoridade intimista e reservada, com um suspiro algo abafado e menos expansivo; Logo na primeira canção, em Slow Burning, sente-se um elevado teor emotivo, possibilitado não só pela letra, mas também pelo peso da componente instrumental. Esse é um fator relevante que justifica o fato de Kathryn Calder ser um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo da artista, justificado pela tal primazia da sintetização e pelo uso de alguns arranjos inéditos; My Armour, por exemplo, é conduzida por uma batida hipnótica envolvente, mas os arranjos de sopros e cordas que flutuam pela canção, juntamente com a voz, dão ao tema uma cândura que transborda fragilidade em todas as notas, mas também nas sílabas e nos versos. Já o single Take A Little Time, com uma toada mais rock, com as guitarras a serem acompanhadas por uma melodia sintetizada vintage e um baixo cheio de efeitos, são outras manifestações audíveis e concretas deste jogo dual em que o disco encarreira, à medida que o alinhamento escorre pelos nossos ouvidos e uma mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibra de forma vincada e segura.

Como costuma suceder nos discos desta cantora canadiana, a voz é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai e a produção está melhor do que nunca, com Calder a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente, também na componente lírica e sem violar a essência de quem adora afogar-se em metáforas sobre o amor, a saudade, a dor e a mudança, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada. Dan Mangan, Jill Barber e Hannah Georgas são outras vozes que tambem se escutam neste trabalho e que lhe conferem uma dimensão sonora ainda mais abrangente e apelativa, dentro do cenário pop idealizado.

Kathryn Calder será sempre um marco importante na carreira da sua autora, independentemente da composição do seu catálogo sonoro definitivo, não só pela forma como apresenta de forma mais luminosa e extrovertida a sua visão sobre os temas que sempre lhe tocaram, mas, principalmente, pelo modo maduro e sincero como tenta conquistar o coração de quem a escuta com melodias doces e que despertam sentimentos que muitas vezes são apenas visíveis numa cavidade anteriormente desabitada e irrevogavelmente desconhecida do nosso ser. Espero que aprecies a sugestão...

Kathryn Calder - Kathryn Calder

01. Slow Burning
02. Take A Little Time
03. Worth RemeMbering
04. Blue Skies
05. When You See My Blood
06. Only Armour
07. Song In Cm
08. By Pride Or By Design
09. Arm In Arm
10. Beach


autor stipe07 às 21:32
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Terça-feira, 23 de Junho de 2015

Teen Daze – Morning World

Teen Daze - Morning World

Depois de em 2013 o canadiano Teen Daze ter lançado Glacier, o seu terceiro registo de originais, por intermédio da Lefse Records, um disco cheio de ambientes etéreos e texturas sonoras minimalistas, com um cariz um pouco gélido, uma espécie de álbum conceptual que pretendia ser a banda sonora de uma viagem a alguns dos locais mais inóspitos e selvagens do nosso planeta e de alguns meses depois ter editado um novo EP intitulado Paradiso, agora está de regresso com uma proposta completamente diferente intitulada Morning World, o primeiro single do músico à sombra da Paper Bag Records e produzido por John Vanderslice.

Em pouco mais de quatro minutos, Morning World embala-nos com sintetizadores carregados de reverb e loopings, uma bateria a tocar fora de tempo, uma voz doce e nostálgica e um efeito de guitarra envolvente, com o violino no final a ser a cereja no topo do bolo de uma canção perfeita para estes dias de verão mais relaxantes e reluzentes. Confere...


autor stipe07 às 14:40
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Quarta-feira, 17 de Junho de 2015

La Garçonne - As Days Go By

La Garçonne é o projeto a solo de Ranya Dube uma cantora, compositora e produtora canadiana, natural de Whistler e que se estreou nos discos a vinte e seis de maio com As Days Go By. Este trabalho viu a luz dia em formato digital e cassete através da True Horror Music de Jason Sheppard.

Com um Macbook Pro debaixo do braço e uma mente particularmente inventiva e criativa, Ranya cria música em redor de um eletropop que se cruza com o post punk e a new wave, uma sonoridade predominantemente sintética, muito à imagem do que propôem atualmente nomes tão fundamentais no género, como os Chromatics, Glass Candy ou Zola Jesus.

I'm On Punch foi o primeiro avanço divulgado de As Days Go By, mais de quatro minutos disponibilizados para download gratuíto e que plasmavam o enorme charme e bom gosto deste diamante sonoro ainda em bruto, que viu o ano passado um tema seu inserido na banda sonora do aclamado filme independente de terror Starry Eyes e que foi já o principal motivo para a criação da True Horror Music. Mas, da climática e envolvente Zebra Kids, tema com uma batida grave bastante aditiva, à etérea e contemplativa Social Misfits, canção com um baixo implícito a conduzir a melodia, passando pela amplitude luminosa particularmente sedutora de Crimson Bolt, são vários os instantes sonoros deste trabalho que contém uma natureza contagiante e que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, propostos por uma autora bastante criativa e vocalmente inspirada.

Em suma, As Days Go By vive afundado num colchão de sons eletrónicos que satirizam uma eletrónica retro, feita com VHS. Escutar o seu alinhamento é participar num passeio divertido e, ao mesmo tempo, introspetivo, cheio de charme e bom gosto, por um percurso sonoro que replica o que de melhor foi feito numa época em que era proporcional o abuso da cópula entre os sintetizadores e o spray para o cabelo, servindo também para mostrar o futuro próximo de parte da eletrónica. Espero que aprecies a sugestão...

1. Intro
2. I'm On Punch
3. Geeks After Dark
4. Crimson Bolt
5. Social Misfits view
6. Super Hero view
7. Zebra Kids
8. Vestibule
9. As Days Go By
10. As Days Go By (Alternate Mix) (bonus)



autor stipe07 às 23:08
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