01. Adam’s Needle
02. Outside Your Window
03. Ships At Sea
04. The Weight Of Your Love
05. Untitled (Waves)
Os canadianos Born Ruffians já têm sucessor para Say It (2010); O novo álbum da banda de Luke Lalonde, Mitch Derosier, Steven Hamelin e Andy Lloyd chama-se Birthmarks e viu a luz do dia a dezasseis de abril por intermédio das Paper Bag Records e Yep Roc Records.

Birthmarks é o álbum que atesta o amadurecimento dos Born Ruffians, a passagem para um outro estádio de maturidade musical, que será certamente reflexo do próprio crescimento pessoal dos músicos da banda, que deixaram já a adolescência e início da juventude que suportou os três primeiros discos do grupo, para agora, trocarem os temas adolescentes por outros mais condizentes com a idade, que também trouxe mais preocupações e responsabilidades.
Assim, liricamente, Birthmarks é um álbum adulto e volta a atestar a competência e o talento da escrita de Luke Lalonde, um rapaz que já merece maior destaque no cenário musical alternativo atual, apesar de ele nunca se ter importado muito com arranjos e formatações líricas e melódicas capazes de atingir a maior parte do público. Sonoramente, Birthmarks volta a assentar nas já habituais guitarras agudas e no baixo e bateria marcantes, mas foi composto de forma menos espontânea que os antecessores, devido também à presença em estúdio do metódico produtor Roger Leavens, que trouxe aos arranjos do álbum maior clareza, robustez e uma sonoridade claramente mais pop.
Não deixam de ser inevitáveis normais comparações com outros projetos de relevo do cenário musical atual; Needle, a canção de abertura e principal single e a lindíssima Never Age assemelham-se, em diversos momentos, com a sonoridade dos Fleet Foxes, With Her Shadow inspirou-se em composições dos Vampire Weekend e Ocean's Deep poderia ter sido uma canção idealizada por Luke Pritchard e assim fazer parte do alinhamento de um disco dos The Kooks. Noutra órbitra mais nostálgica, Permanent Hesitation remete-nos para a new wave dos Talking Heads, assim como Too Soaked To Break, canção cheia de referências da década de oitenta. Finalmente há que destacar So Slow, canção que tem um timbre R&B muito interessante e algo inédito nos Born Ruffians.
Birthmarks é o disco mais maduro da discografia desta banda canadiana, denota uma progressão lírica louvável e tem a vantagem de não colocar ainda os Born Ruffians numa zona de conforto, deixando tudo em aberto relativamente ao percurso sonoro que o quarteto ainda pode vir a desenhar no futuro. Espero que aprecies a sugestão...
01. Needle
02. 6-5000
03. Ocean’s Deep
04. Permanent Hesitation
05. Cold Pop
06. Golden Promises
07. Rage Flows
08. So Slow
09. With Her Shadow
10. Too Soaked To Break
11. Dancing On The Edge Of Our Graves
12. Never Age
Os Still Life Still são de Ontário, no Canadá e Burial Suit, tema produzido em Toronto por Alex Bonefant (Metz, Crystal Castles), é o primeiro avanço para o próximo álbum deste grupo, podendo ser feito o download do mesmo no sitio da publicação Rolling Stone.
De acordo com o vocalista Brendan Saarinen, Burial Suit was wrote it in the dead of winter after a year of demoing and scrapping a lot of songs. It’s about breaking rituals and routines; how love can take you to strange, sometimes messed up places. When we finished recording it, there was a weird vibe in the air, like we had started fresh but knew we’d always been there. Confere...
Ainda nas comemorações do The Record Store Day, os norte americanos The Brian Jonestown Massacre acabam de editar o single Fist Full Of Bees que tem como lado B Food For Clouds. Além destas duas canções o single incluia o tema escondido Everything Fades To White.
01. Fist Full Of Bees
02. Food For Clouds
03. Everything Fades To White
Depois de Nothings Changed, Tricky disponibilizou no seu facebook outra canção de False Idols, o próximo disco do músico britânico, que será lançado para as lojas a vinte e oito de maio. O novo tema disponibilizado chama-se Tribal Dreams e, tal como Nothings Changed, também conta com a participação especial de Francesca Belmonte na voz.
Os bracarenses Peixe : Avião estão de volta e no final deste verão, lá para setembro, chegará aos escaparates o sucessor de Madrugada, álbum de 2010. Nos últimos três anos os Peixe : Avião deram vários concertos e estiveram entretidos a procurar novas sonoridades e percursos musicais, que certamente estarão refletidos no novo álbum.
Avesso é o primeiro avanço para o que aí vem. De acordo com a press review, o tema é acompanhado por um vídeo assinado pelo Estúdio RGB/XYZ em colaboração com a fotógrafa Rita Lino, no qual a dureza do som é materializada visualmente de uma forma crua, monocromática e pouco convencional.
Ainda nas novidades nacionais e relacionadas com vídeos, quem também tem um filme musical novo são os Dear Telephone, outra banda de Braga e que no próximo dia sete de maio editará Taxi Ballad, via PAD, o seu disco de estreia. That violin lesson sucks é o primeiro duma série de vídeos que ilustram este álbum e a viagem que nele fazem os Dear Telephone.
Os vários vídeos pensados para os temas do álbum serão concebidos como narrativas que se entrelaçam, celebrando o encontro com o interior de um edifício em particular, em diálogo com a luz, a geometria, recantos improváveis. Como se este lugar fosse indissociável da história de todos os seus hóspedes e a banda fosse um veículo para as descodificar e colorir. Neste primeiro capítulo são os próprios Dear Telephone quem toma conta do espaço, carregando-o com personagens novas, presas na canção, ansiosas que a noite caia. Confere...
Taxi Ballad foi gravado nos Estúdios Sá da Bandeira por José Arantes e João Brandão e finalizado no Golden Mastering por JJ Golden.
Lançado pela Jagjaguwar no passado dia dois de abril, Until In Excess, Imperceptible UFO é o quarto disco da carreira dos The Besnard Lakes, uma banda de Montreal no Canadá formada pelo casal Jace Lasek e Olga Goreas e ainda Kevin Laing e Richard White. Until In Excess, Imperceptible UFO sucede a Are the Dark Horse e a Are the Roaring Night.

Os The Besnard Lakes são uma banda de indie rock psicadélico, com uma sonoridade descrita como uma espécie de space rock que se cruza com a típica dream pop. Com a participação especial de Spencer Krug e Mike Bigelow dos Moonface e da harpa de Sarah Page dos The Barr Brothers, Until In Excess, Imperceptible UFO é uma obra grandiosa que aproxima este quarteto do que propuseram Brian Wilson e Roger Waters em Pet Sounds e Dark Side Of The Moon, respetivamente. É um conjunto de oito canções, todas entre os cinco e os sete minutos, que ilustram bem essa descrição porque cada uma delas é uma peça de um enorme puzzle que juntas criam uma atmosfera sonhadora e plena de hipnotismo, muito por culpa também da voz única de Olga, que se destaca em particularmente em People Of The Sticks, o primeiro single retirado do álbum.
As músicas contêm momentos de pura inspiração lírica envolta em guitarras deambulantes e, como seria de esperar, movimentadas por uma percussão assente no rock. Este cocktail sonoro cria uma atmosfera às vezes difícil de catalogar, com momentos simultaneamente intimistas e explosivos e etéreos e bombásticos, algo plausível num grupo que sempre apresentou trabalhos conceptuais, relacionados com temas como a guerra e a espionagem.
O próprio título deste álbum indicia o seu conteúdo algo misterioso e neste quarto trabalho dos The Besnard Lakes houve uma expansão do que sempre propuseram, visando atingir o tal space rock, já que tanto as letras como a própria sonoridade pretendem levar o ouvinte até outras dimensões do chamado universo sci-fi, difíceis de catalogar, mas certamente pouco terrenas. Logo no início do tema At Midnight ouvimos Goreas a cantar What was that sound I heard that suddenly appeared? e em The Specter mantém-se este código lírico e bitola intrigante quando se escuta Can you hear me knocking from the other side?
Until In Excess, Imperceptible UFO é a banda sonora de uma viagem a um mundo superior, hipnótico e psicadélico, idealizado pela própria banda como se a sua música fosse uma extensão das dúvidas destes quatro músicos que parecem não duvidar da existência de outros mundos paralelos e servisse para responder a questões existenciais e fazer com que outras surjam durante a audição. Espero que aprecies a sugestão...

01. 46 Satires
02. And Her Eyes Were Painted Gold
03. People Of The Sticks
04. The Spectre
05. At Midnight
06. Catalina
07. Colour Yr Lights In
08. Alamogordo

Liderados pelo simpático Tim Crabtree, os canadianos Paper Beat Scissors lançaram recentemente, por intermédio da Forward Music Group e relacionado com o evento Record Store Day, uma edição em vinil, limitada a trezentos exemplares, de Tendrils - Live At St. Matthew's Church. Produzido pelo próprio Tim Crabtree, o disco inclui apenas dois temas, Tendrils na lado A e Onwards no lado B e ambos foram gravados ao vivo na igreja de St. Matthews, em Halifax, na Nova Escócia, durante um festival de jazz que aí se realizou, no passado dia onze de julho e contaram com a participação especial dos Clogs, uma banda de Nova Iorque que costuma colaborar com os The National e com os My Brightest Diamond, nas vozes, em Tendrils.
Além do vinil com as duas canções, o 45RPM traz um postal com um lindíssimo artwork da autoria da artista Sydney Smith, que inclui im código que possibilita três vezes o download, no site da etiqueta Forward Music Group, dos sete temas que a banda tocou nesse concerto.
Agradeço ao Tim pelo envio do meu exemplar que já chegou e enriqueceu imenso a minha coleção discográfica e desejo-lhe o maior sucesso na digressão europeia que os Paper Beat Scissors estão a iniciar. Espero que aprecies a sugestão...
Tendrils
Onwards
Os Elephant Stone são Rishi Dhir, Gabriel Lambert, Stephen The Venk Venkatarangam e Miles Dupire, uma banda de Montreal, no Canadá, que se formou em 2009 pela iniciativa de Rishi Dhir, um baixista e um dos tocadores de cítara mais importantes do cenário musical psicadélico atual. Basta dizer que nos últimos anos gravou e andou em digressão com nomes tão importantes desse género musical como os The Black Angels, Brian Jonestown Massacre, ou os The Horrors.
Ainda nesse ano de 2009 os Elephant Stone editaram The Seven Seas, o disco de estreia. Nesse trabalho Dhir deu início à sua busca, quase obsessiva pela canção pop perfeita. O seu conteúdo acabou por chamar a atenção da crítica e o álbum foi nomeado pata os Polaris Music Prize desse ano. A seguir surgiu mais um EP, The Glass Box EP, num período em que o músico também andou na digressão de 2011, dos The Brian Jonestown Massacre. Agora, no início de 2013, chega o segundo álbum, um homónimo lançado pela Hidden Pony Records.

O uso da cítara por Dhir no The Seven Seas não foi uma novidade em trabalhos do universo indie e shoegaze, mas sucedeu com uma qualidade tão invulgar, que obrigou os habituais ouvintes deste género de sonoridade a ficarem atentos aos Elephant Stone. No entanto, o conteúdo do álbum ainda não estava devidamente balizado e a míriade de detalhes sonoros presentes, e que passavam também pela brit pop, não deixava que se formasse uma opinião rigorosa acerca do que, musicalmente, os Elephant Stone pretendem atingir. Assim, dar a este segundo disco o nome da prória banda, talvez seja uma forma de dar as cartas de novo, uma espécie de recomeço, finalmente um assumir mais preciso das verdadeiras motivações destes quatro músicos, onde Dhir é o cérebro dominante.
Neste segundo álbum a cítara ouve-se ainda mais e agora é também usada, nos arranjos, para fazer sobressair a tonalidade psicadélica das canções e não apenas para substituir a guitarra na primazia melódica. Além da cítara, também se escuta outro instrumento de cordas tradicional indiano, tocado com um arco, chamado dilruba.
Os cinco primeiros temas de Elephant Stone obedecem aos padrões habituais da indie pop de cariz mais psicadélico, onde além das cordas cativa o brilho e o pulsar intenso da bateria. A partir da segunda metade do disco a velocidade abranda, aumenta a complexidade e sobressai uma tonalidade quase espiritual em algumas canções, com especial ênfase para a instrumental Sally go Round The Sun. Ouve-se com maior regularidade os instrumentos tradicionais indianos já referidos, nomeadamente, como reforcei, no esplendor que conferem ao nível dos arranjos. A guitarra também ganha um pendor mais sinistro, efeito reforçado pela componente acústica da mesma e pela maior predominância da voz em reverb e eco.
Antes de teminar importa referir que Elephant Stone é inspirado na música dos Stone Roses com o mesmo nome e numa estátua do deus hindu Ganesh que o próprio Rishi Dhir possui e que o leva a referi que a sua banda tem uma sonoridade hindie rock. Espero que aprecies a sugestão...
01. Setting Sun
02. Heavy Moon
03. Masters Of War
04. Hold Onto Yr Soul
05. A Silent Moment
06. Looking Thru Baby Blue
07. Sally Go Round the Sun
08. Love The Sinner, Hate The Sin
09. The Sea Of Your Mind
10. The Sacred Sound
Doldrums é o projeto musical do produtor canadiano Airick Woodhead e Lesser Evil o disco de estreia, lançado no passado dia vinte e cinco de fevereiro pela Souterrain Transmissions.

Lesser Evil é um passeio por diversos estágios e épocas distintas da música experimental. Enquanto a aproximação com sons recentes se entranham no brilho pop da produção musical canadiana, os encaixes sintéticos e a busca pelo etéreo levam-nos para uma variedade de outros mundos, que passam de Björk aos conterrâneos Grimes, um cenário pouco exato, com projeções sonoras sintéticas e vozes que se derretem nos nossos ouvidos e onde o óbvio e o tradicional não cabem.
Este músico de Montreal aborda diferentes detalhes sonoros, com versatilidade, tendo sempre a eletrónica como pano de fundo, algo bem patetne logo no ínicio com She Is The Wave, tema que conta com a participação especial de Guy Dallas e pouco depois em Egypt, dois dos principais destaques deste disco.
Cada canção de Lesser Evil tem uma identidade própria, como se cada tema estivesse isolado dentro da grandiosidade de uma obra discográfica que pode ser, em simultâneo, nos seus diferentes momentos, estranha, sombria e ainda assim atrativa, visto ser imensa a capacidade do produtor em lidar com a suavidade e a constante acessibilidade das melodias.
Como nada aqui é convencional e a voz é quase sempre reproduzida num registo andrógeno, como se fosse mais um instrumento, cada instante sonoro de Lesser Evil parece que nos instiga. Seja como for, apesar de tanta disparidade, os onze temas da rodela podem ser agrupados em dois grandes grupos; Por um lado temas explosivos e que até convidam às pistas, como Anomaly, She Is The Wave e Sunrise e por outro canções com um cariz mais climático, atmosférico e introspetivo, nomeadamente Singularity Acid Face e Lost In Everyone, registos com menor uso da voz e que incorporam um maior cariz experimental.
Apesar das já citadas aproximações às mesmas experiências sonoras climáticas e dançantes que atualmente circulam no cenário musical canadiano e das quais se destacam, no seu universo sonoro, Grimes e Purity Ring, Doldrums é um projeto que mantém uma natureza própria, baseada na sobreposição de sons que hipnotizam e destabilizam em simultâneo e fazem da audição de Lesser Evil um tortuoso (elogio) e sinuoso (outro elogio) passeio sonoro assertivo e inventivo. Espero que aprecies a sugestão...
Os Old English são uma banda canadiana, sedeada em Toronto e formada por Matt Henderson, Daniel Halyburton, Thom MacFarlane, Matt Froese, Mark Underdown, Jessica Underdown, Ben Bowen e Matt Masters. Disponibilizaram a oito de janeiro no bandcamp da banda uma preview com três temas de Prose And Khans, o álbum de estreia deste grupo, lançado no passado dia cinco de fevereiro. Este disco é resultado de um aturado trabalho de três anos de gravação e produção, em seis cidades e três países diferentes e contou com a contribuição de mais de vinte músicos.

Todos os temas foram escritos por Matt Henderson e a melancolia introspectiva é a pedra de toque temática de onze canções assentes na guitarra acústica e nos sintetizadores. Nelas, os Old English abraçam uma míriade sonora que vai do shoegaze de Pop Shop, à folk de Old Things e Anchors, passando pela brit-rock em The Corrections.
As letras estão carregadas de metáforas cheias de significado, sendo a natureza do amor e os seus segredos intrincados a base temática (This can’t be what you meant, for our knees to bruise but barely leave a dent ou, Oh, these days it’s hard to know/a temporary spine from customary home). Cada canção vai dando pistas para desvendar uma espécie de puzzle complexo, uma novela que fala de sonhos falhados (Lotteries And Tents) e da beleza do primeiro amor e dos seus riscos e frustrações (Pop Shop). Outro tema curioso é My Dear Neighbours, cuja letra fala de alguém que tenta submergir atà á superfície da água num oceano de memórias que clamam por liberdade. Mas a luminosa celebração que se escuta em We’ve Been Here Before é, sem dúvidas, o maior destaque de um álbum, que também tem, curiosamente alguns momentos instrumenta
Em suma, este coletivo liderado por Henderson e que inicialmente se chamava Matt Henderson and the Mouth Breathers, por ser um projeto a solo, criou na estreia um poético mundo colorido mas onde também cabem os nossos medos e imperfeições. Espero que aprecies a sugestão...
01. Runner-Up
02. Anchors
03. We’ve Been Here Before
04. The Corrections
05. Lotteries And Tents
06. Older Things
07. We Can Never Have It All
08. Layaway
09. Farmer’s Tan
10. Pop Shop
11. My Dear Neighbours
Os Blue Hawaii são um projeto canadiano formado pelo enigmático casal Agor e Raph (na verdade chamam-se Alexander Cowan e Raphaelle Standell-Preston), uma dupla originária de Montreal e que se estreou nos discos em 2010 com Blooming Summer. O sucessor chama-se Untogether e viu a luz do dia na última semana por intermédio da Arbutus Records, a mesma etiqueta que deu a conhecer o excelente Visions, o segundo álbum dos Grimes e um dos discos fundamentais de 2012.

Visions foi um disco importante no panorama musical canadiano porque abriu uma espécie de caixa de pandora; Apesar de se fechar dentro de um universo próprio ao materializar musicalmente das estranhezas que habitam a mente de sua idealizadora, essa mistura entre o pop e a eletrónica abriu espaço para muitos outros artistas, como Blood Diamonds, Doldrums, Majical Cloudz, e outros amantes dos inventos eletrónicos, onde também se podem incluir os Blue Hawaii.
Estamos então na presença de uma dupla que usa sonoridades ambientais, onde a voz tem um papel preponderante, para inventar e criar canções pouco óbvias, que fogem à habitual formatação e que usam a eletrónica como principal estímulo. Untogether, o trabalho mais recente dos Blue Hawaii, está cheio de densas cargas de vozes, sendo um trabalho que prima essencialmente pelo minimalismo e estabelece um campo de atuação em que o detalhe e a sobreposição de elementos mínimos jamais abraçam o excesso.
Como a voz é o destaque maior deste álbum, Raphaelle (que também integra o projeto Braids) dança algo solitariamente enquanto o parceiro passeia em redor, a encaixar pequenas referências sintéticas de forma a adornar as suavizadas formas de som expressas pela artista. Acaba por haver uma homogeneidade ao longo do álbum e até à última música está fixado um encaminhamento de extrema proximidade entre os temas.
Apesar da primazia da voz, não se pode desprezar as referências instrumentais de que Alexander se serve para adornar os temas; A abertura, ao som de Follow, deixa fluir a estrutura abstrata da obra, Try To Be, apresentada logo em sequência, muda completamente essa proposta, transitando entre os Goldfrapp e Toro Y Moi. Até ao fim o casal ainda percorre as climatizações exóticas do trip-hop (Flammarion), a chamada ambient music (Reaction II) e até mesmo a eletrónica mais convencional, nomeadamente em In Two, o meu destaque deste trabalho. Depois, In Two II absorve de maneira particular as vozes e o ritmo próprio do R&B e Daisy e as batidas matemáticas que envolvem a composição, engrandecem o contibuto do músico e aproximam os Blue Hawaii da discografia dos Four Tet.
Obra que necessita de uma audição cuidada, Untogether abarca toda esta míriade de influências mas, como referi no início, raramente se desvia da proposta climática que tanto caracteriza o álbum. Não há variações bruscas ao longo da audição e encontra-se em cada nova composição assinada por Agor e Raph uma variedade rica de preferências sonoras que acomodam o disco num cenário algo distinto e dá continuidade a tudo o que de mais complexo, mas atrativo, tem sido editado recentemente. Espero que aprecies a sugestão...
01. Follow
02. Try To Be
03. In Two
04. In Two II
05. Sweet Tooth
06. Sierra Lift
07. Yours to Keep
08. Daisy
09. Flammarion
10. Reaction II
11. The Other Day
Depois de no final de 2011 terem editado Nevers, os Indoor Voices de Jonathan Relph, Owen Davies, Ryan Gassi, Craig Hopgood e Kate Rogers estão de regresso com S/T um EP com quatro canções, editado no passado dia vinte e dois de outubro. Esta banda de Toronto, no Canadá, contou com a ajuda de Jason Finkel na mistura e de Jeff Elliot na produção.

O conteúdo desta nova coleção de quatro canções do grupo é algo de épico e, ao mesmo tempo, lo fi. Logo no início, em Still, canção que conta com a participação de Catherine Debard dos Sally Paradise na voz, isso fica bem patente, devido à melodia inicial da guitarra e à forma como os vários instrumentos são depois adicionados, numa toada que se mantém ao longo da canção. A voz é quase impercetível, mas essa melodia leva-nos para bem longe.
No resto, há leves pitadas de shoegaze e post rock, mas nada de muito barulhento ou demasiado experimental. Todos os temas têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Como sucedia em Nevers, há uma uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e para mim os grandes momentos do disco, são os belos instantes sonoros pop onde a voz é colocada em camadas, bem como as guitarras, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa. Além da colaboração já referida em Still, S/T também conta com a participação especial de Casey Mecija, Sandra Vu e da francesa Anne Boutonnat.
Os Indoor Voices colocaram no seu bandcamp o EP a um preço bastante acessível e disponibilizaram-no para audição no soundcloud, com a possibilidade de download do tema So Smart. O EP também começou a ser distribuido pela Bleed Golding Records no passado dia cinco de novembro. Portanto, não faltam formas e motivos para descobrires estas quatro canções extraordinárias que deverão antecipar um grande álbum, algo que o próprio Jonathan já me confidenciou e a quem agradeço desde já, publicamente, o envio de um exemplar físico do extrordinário Nevers. Espero que aprecies a sugestão...

Still
So Smart
After
Hung Out
Os The Luyas são uma banda canadiana de Montreal liderada por Jessie Stein. Estrearam-se nos discos em 2007 com Faker Death, três anos depois lançaram Too Beautiful To Work e agora, em 2012, voltaram com Animator, disco lançado no passado dia dezasseis de outubro pela Dead Oceans. Animator foi gravado e produzido ns estúdios Treatment Room por Pietro Amato, um dos elementos da banda e misturado por Jace Lasek, dos Besnard Lakes, nos seus Breakglass Studios, em Montreal.

Animator é uma catarse sofisticada, uma coleção de canções melodicamente competentes, artisticamente ricas e cheias de texturas, um disco intuitivo e sedutor. As canções captam facilmente a nossa atenção e existe um efeito quase hipnótico nessa adição do ouvinte ao conteúdo, algo que também acontece com a belíssima imagem de Loïe Fuller, que ilustra a capa do álbum.
A combinação entre os arranjos de cordas e alguns instrumentos de sopro fazem com que os temas flutuem de forma frágil e fugaz, com uma subtileza de difícil descrição. Há fluídos sonoros estranhos a pontuar o horizonte enquanto o nosso olhar se deixa perder, enfeitiçado pela sonoridade do disco que nos deixa quase em transe.
Uma das maiores curiosidades que descobri relativamente a Animator e que dá imensas pistas sobre uma certa ideia de conceito por detrás da sonoridade do disco prende-se com a base instrumental de Crime Machine; De acordo com os créditos, a melodia foi criada por um fantasma (The ghost wrote this one) e tal apropriação poderia estender-se ao resto do álbum, até porque parece que a morte de um amigo da banda serviu de inspiração para a composição de Animator. O álbum é, no bom sentido, difuso, profundo, sinuoso e repleto de dor e assombrações e engloba uma espécie de tensão sombria que está sempre latente e que nos permite o tal flutuar enigmático e involuntário.
Animator é um tratado espiritual que nos fala da natureza efémera da vida e da crueldade da morte, mas também transporta uma ideia de epifania, que se obtém na imaterialidade das melodias e nos prazeres transitórios que elas nos provocam. Espero que aprecies a sugestão...

01. Montuno
02. Fifty/Fifty
03. The Quiet Way
04. Face
05. Your Name’s Mostly Water
06. Earth Turner
07. Talking Mountains
08. Traces
09. Crime Machine
10. Channeling
Natural de Toronto, Jason Collet é um compositor e cantor que além de fazer parte dos Broken Social Scene também enveredou por uma carreira a solo. Assim, no passado dia vinte e cinco de setembro, chegou às lojas Reckon, o seu último disco, através da Arts & Crafts. Este novo registo inclui uma rodela bónus, intitulada Essential Cuts, composta por onze canções selecionadas pelo próprio Collett e serve de retrospetiva a uma carreira de dez anos.Um dos grandes destaques de Reckon é, sem dúvida, I Wanna Rob A Bank, tema com direito a um excelnte vídeo da autoria de Corey Ogilvie.

Muitas vezes conotado, ao longo da sua carreira, como um músico que gosta de escrever letras com um forte cariz politico e social, a propósito da escrita de Reckon, Collett afirmou: I just did my best to avoid the shrill rhetoric that makes most political songwriting unlistenable. Assim, desta vez o compositor canadiano teve a preocupação de tentar desembaraçar-se dessa fama que, independentemente das nobres intenções que procure abraçar, acaba sempre por deixar marcas na carreira de um músico e fazer com que muitas vezes o que realmente importa (a música), passe para segundo plano.
Agora, a maior parte das personagens criadas em Reckon falam também de sentimentos, sendo bom exemplo Pacific Blue, logo a primeira canção, que relata a viagem de alguém que sofreu mudanças na sua vida devido à atual crise financeira e Talk Radio, um tema onde o narrador, na primeira pessoa, relata o seu sofrimento económico (What is happening to me? I have done all the right things, I am a Christian, God-fearing, I work hard, I work hard for my family).
A vertente mais virada para o coração confere a este novo trabalho uma maior moderação lírica, talvez a força maior do álbum. Por isso, temos uma coleção de canções contemplativas, onde ganha primazia o sofrimento humano em vez da procura de respostas económicas para o estado atual do mundo ocidental, sendo o tal single I Wanna Rob A Bank, a metáfora perfeita desta decisão de Jason em misturar a sua habitual temática de intervenção com aquilo que de mais profundo move a natureza humana.
Em Reckon, Jason esquivou-se finalmente das armadilhas que habitualmente a música de cariz mais político coloca aos seua autores, mas não deixa de, subtilmente, espalhar a sua mensagem social. Espero que aprecies a sugestão...

Reckon
01. Pacific Blue
02. Jasper Johns’ Flag
03. King James Rag
04. Sailor Boy
05. Ask No Questions
06. You’re Not The One And Only Lonely One
07. Miss Canada
08. Talk Radio
09. I Wanna Rob A Bank
10. Where Things Go Wrong
11. Song Of The Silver Haired Hippie
12. Black Diamond Girl
13. My Daddy Was A RocknRoller
14. Don’t Let The Truth Get To You
15. When The War Came Home
Essential Cuts (Bonus Disc)
01. Bitter Beauty
02. Blue Sky
03. We All Lose One Another?
04. Hangover Days?
05. I’ll Bring The Sun?
06. No Redemption Song?
07. Charlyn, Angel Of Kensington?
08. Brother
09. Long May You Love?
10. Love Is A Dirty Word?
11. Every Night

Sufjan Stevens está a preparar mais um álbum de Natal, com edição prevista a treze de novembro. O disco chama-se Silver & Gold: Songs for Christmas, Volumes 6-10 e já são conhecidos alguns temas, como a cover do clássico Angels We Have Heard On High.
No entanto, o meu destaque é Mr. Frosty Man, cujo vídeo mostra uma versão violenta do Natal em bonecos de plasticina, que inclui zombies a comer cérebros e um boneco de neve que salva o natal destruindo-os com uma motoserra e com uma espingarda.
CD 1 (Vol. 6 – Gloria)
01. Silent Night
02. Lumberjack Christmas/No One Can Save You From Christmases Past
03. Coventry Carol
04. The Midnight Clear
05. Carol Of St. Benjamin The Bearded One
06. Go Nightly Cares
07. Barcarola (You Must Be A Christmas Tree)
08. Auld Lang Syne
CD 2 (Vol. 7 – I Am Santa’s Helper!)
01. Christ The Lord Is Born
02. Christmas Woman
03. Break Forth O Beauteous Heavenly Light
04. Happy Family Christmas
05. Jingle Bells
06. Mysteries Of The Christmas Mist
07. Lift Up Your Heads Ye Mighty Gates
08. We Wish You A Merry Christmas
09. Ah Holy Jesus
10. Behold The Birth Of Man, The Face Of Glory
11. Ding – A
12. How Shall I Fitly Meet Thee?
13. Mr. Frosty Man
14. Make Haste To See The Baby
15. Ah Holy Jesus (With Reed organ)
16. Hark! The Herald Angels Sing
17. Morning (Sacred Harp)
18. Idumea (Sacred Harp)
19. Eternal Happiness Or Woe
20. Ah Holy Jesus (A capella)
21. I Am Santa’s Helper
22. Maoz Tzur (Rock Of Ages)
23. Even The Earth will Perish And The Universe Give Way
CD 3 (Vol. 8 – Christmas Infinity Voyage)
01. Angels We Have Heard On High
02. Do You Hear What I Hear?
03. Christmas In The Room
04. It Came Upon A Midnight Clear
05. Good King Wenceslas
06. Alphabet St.
07. Particle Physics
08. Joy To The World
09. The Child With The Star On His Head
CD 4 (Vol. 9 – Let It Snow!)
01. I’ll Be Home For Christmas
02. Santa Claus Is Coming To Town
03. The Sleigh In the Moon
04. Sleigh Ride
05. Ave Maria (Featuring Cat Martino)
06. X – Mas Spirit Catcher
07. Let It Snow! Let It Snow! Let It Snow!
08. Holly Jolly Christmas
09. Christmas Face
CD 5 (Vol. 10 – Christmas Unicorn)
01. Have Yourself A Merry Little Christmas
02. It Came upon A Midnight Clear
03. Up On The Housetop
04. Angels We have Heard On High
05. We Need A Little Christmas
06. Happy Karma Christmas
07. We Three Kings
08. Justice Delivers Its Death
09. Christmas Unicorn

Os canadianos HUDDLE, uma banda que divulguei por cá, no final de 2011, por causa do disco All These Fires, têm duas novas canções, de acordo com o sitio oficial da banda, onde estão disponíveis para audição. A banda esteve em estúdio com Jeff McMurrich (Fucked Up/Constantines/Sandro Perri) e deverá haver um novo disco em 2013.

Kill For Love dos Chromatics, é considerado por muitos como um dos melhores discos do ano, devido à sonoridade obscura do trabalho, e por usarem com mestria algumas referências sonoras dos anos oitenta. Algum do material que ficou de fora deste disco, deu origem a um outro álbum, intitulado Running For The Sun, disponibilizado em modo É Fartar, Vilanagem...
CHROMATICS / RUNNING FROM THE SUN / FULL ALBUM by JOHNNY JEWEL


Grande aposta da música britânica para o ano de 2013, os Fear Of Men conseguem transformar melodias sobre sentimentos amargurados em composições honestas e grandiosas. Uma delas é Mosaic, uma música já conhecida desde o início de setembro. O vídeo, recentemente divulgado, apresenta uma sucessão de imagens a preto e branco e diversos elementos metafóricos, sendo excelente para quem ainda desconhece o trabalho desta banda. A direção do vídeo é de Williams & Tardo em parceria com alguns membros do próprio grupo.
Os Villagers impressionaram na estreia com Becoming a Jackal, um disco impregnado com uma folk suave e acústica, muito semelhante à sonoridade dos Bright Eyes. Com uma eletrónica chill out cuidadosa, a estranhíssima The Waves é o novo single desta banda irlandesa e foi lançado no passado dia vinte e dois de outubro através da Domino Records.
The Waves é sublime nos seus vários momentos, não só na instrumentação eletrónica, como no ritmo verbal de Conor, o vocalista, rápido e balbuciado. O próprio video da canção é completamente lisérgico, já que mistura psicadelia com monitores cardíacos. O novo álbum deve ver a luz do dia lá para o final do ano, ou até mesmo só no inicio de 2013. Mas esta musica é simplesmente fabulosa!
Os canadianos The Darcys, uma das mais extraordinárias bandas de indie rock experimental desse país, resolveram fazer uma cover de um álbum completo, nomeadamente o Aja, um disco de 1977, da autoria de Steely Dan. E o melhor é que estão a oferecer o disco gratuitamente no sitio da banda.
Mas as novidades dos The Darcys não se ficam por aqui... O produtor Rey Pila fez uma remistura para o tema I Got The News, que também pode ser obtido gratuitamente. É fartar...
Com o fim dos Girls, Christopher Owens, vocalista e guitarrista dessa banda californiana, anunciou uma carreira a solo e assim deu asas para que os antigos integrantes e músicos de apoio do grupo apresentassem os seus próprios trabalhos.
Assim, os PAPA, são a nova banda de Darren Weiss, o antigo baterista dos Girls e tem uma sonoridade totalmente diferente em relação ao que desenvolvia há pouco mais de um ano na sua antiga banda. Nos PAPA, as canções têm uma toada mais pop, épica e luminosa, como comprova o single Put Me To Work. Confere...
John Talabot e Pional já se tinham encontrado no decorrer do álbum Fin, o disco de estreia do produtor espanhol, lançado há poucos meses. Na ocasião o dupla criou a dançante e aditiva Destiny, uma das canções mais poderosas do registo.
Braves é a mais recente criação da dupla e neste tema somos novamente imersos no mesmo universo climático que costura o álbum de estreia de Talabot, com melodias lânguidas, que são atravessadas por batidas agitadas e cativantes.
John Talabot & Pional - 'Braves' by FACT magazine
Em 2012, Montag, um produtor natural de Montreal, no Canadá, tomou em mãos um projeto intitulado Phases, através do qual tem lançado um single todos os meses. O mais recente e que me fez descobrir esta epopeia sonora, chama-se Memori, um tema lindíssimo, numa toada synth pop e que conta com a participação especial de Erika Spring, cantora das Au Revoir Simone.

Os Free Energy são um dos projetos mais interessantes e divertidos que surgiram em 2010. Com um disco tão aditivo como a pastilha elástica que ilustrava a capa do primeiro álbum, Stuck On Nothing, a banda norte-americana está de volta para lançar mais um álbum, intitulado Lovesign. Prevista para o dia quinze de janeiro de 2013, a rodela deverá apostar na mesma sonoridade da estreia, algo que o rock clássico e melancólico do single Dance All Night evidencia. Com versos simples e atrativos, a canção enche as medidas de quem busca um som fácil e livre dos exageros e redundâncias de outros discos do género.
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Para assinalar a entrada na Soliti Music, os finlandeses Black Lizard acabam de divulgar uma nova canção intitulada Dead Light e disponível para download gratuito. Os Black Lizard assentam a sua sonoridade no rock piscadélico e hipnótico, com raízes nos anos setenta, na senda de outras bandas atuais, nomeadamente os Brian Jonestown Massacre, Spacemen 3 ou os B.R.M.C., entre outros.

Russ Manning (aka Rush Midnight), ex-baixista dos Twin Shadow, prepara o seu EP +1- inspirado nas viagens que o músico fez pela Europa, Brasil e Austrália. O EP chega a trinta de outubro pelo selo Cascine. The Night Was Young Enough é o primeiro single extraído do trabalho, uma canção pop cujo vídeo, carregado de sensualidade e dirigido por Sam Ellison e Claudia LaBianca, acompanha um grupo de dançarinas num estúdio cheio de luzes vermelhas.

Naturais de Ontario, no Canadá, os New Hands de Spence Newell, Ben Munoz, Pat O'Brien, Evan Bond e Gordy Bond, estão de regresso às canções e disponibilizaram para download, no bandcamp da banda, Wichever Way You'll Have It, um extraordinário tema, bastante dançável, dominado pelo baixo e pelas guitarras e que nos faz regressar ao que melodica e instrumentalmente de melhor se ouvia nos anos oitenta.

Anthony Ferraro estudava música em Berkeley, numka vertente eminentemente clássica, quando decidiu criar um projeto eletrónico que produz uma dream pop doce, íntima e melancólica, bem produzida e sonoramente lo-fi, mas agradável. O artista diz-se influenciado por bandas como os The XX, Beach House e os The Antlers, principalmente no que concerne à voz.
No passado dia oito de setembro editou o EP Supermelodic Pulp, que tem como grande single o tema Mystery Colors.
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Os Beacon preparam-se para lançar um novo EP, intitulado For Now e a Ghostly International está a disponibilizar o primiero single. A canção chama-se Feeling's Gone, também traz um instrumental na bagagem e é um original dos londrinos Fort Romeau.

Os finlandeses Paperfangs, uma banda de indie pop muito conceituada nos meandros mais alternativos do cenário muscial europeu, acabam de oferecer aos mais atentos uma cover de Everyday, um original de Buddy Holly, um conceituado cantor norte americano, nascido em 1936 e falecido em 1959 e considerado como um dos pioneiros do rock e da folk. Aproveita...

Os Black Marble são uma dupla natural de Brooklyn e que se prepara para lançar, no próximo dia nove de outubro, A Different Arrangement, o disco de estreia, através daSub Pop. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.

O quarteto noise pop californiano Dum Dum Girls está de volta como um novo EP chamado End of Daze e que será editado, pela Sub Pop, amanhã, dia vinte e cinco de Setembro.
O EP será lançado, em princípio, apenas em vinil (com MP3 pra download); São cinco músicas, sobras do trabalho de estúdio que deu origem a Only In Dreams e todas produzidas por Sune Rose Wagner, dos Raveonettes.
Os canadianos The Wilderness of Manitoba, acabam de lançar Island Of Echoes, um álbum cuja sonoridade obedece à tipica sonoridade folk do grupo, mas que saúda também diferentes influências. O grupo não esconde a sua inspiração, que vai dos Fleetwood Mac à obra de Crosby, Stills, Nash e Young.
Tudo é feito com esmero, e se o disco começa com a cansativa Morning Sun, disponível para download gratuito, cresce a cada canção até atingir níveis etéreos dignos de um Bon Iver. Não é um álbum de rutura, mas de continuidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Balloon Lamp
02. Morning Sun
03. Echoes
04. The First Snowfall
05. The Aral Sea/Southern Winds
06. Chasing Horses
07. White Woods
08. Golden Thyme
09. A Year In Its Passing
10. Glory Days
11. The Island of the Day Before
12. The Escape
13. Northern Drives

Quem se estreou no discos com um homónimo foram os The Rubens, uma banda australiana de indie rock, natural de Sidney e formada por Zaac Margin (guitarras), Elliott Margin (voz e teclados), Sam Margin (voz e guitarras) e Scott Baldwin (bateria). Em termos de sonoridade encontram raízes em bandas como os The Black Keys, The Doors e Cold War Kids. Confere...
01. The Best We Got
02. My Gun
03. Never Be The Same
04. Lay It Down
05. Be Gone
06. Elvis
07. The Day You Went Away
08. I’ll Surely Die
09. Look Good, Feel Good
10. Don’t Ever Want To Be Found
11. Paddy
O canadiano Dan Deacon é um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual. Além de colaborar com vários projetos (neste momento anda às voltas com a banda sonora de Twixt, o novo filme de Francis Ford Coppola), já lançou oito discos desde 2003 e no passado dia vinte e oito de agosto, de acordo com o enunciado em Curtas... XXXVIII, chegou America, o seu álbum mais recente, pela primeira vez através da Domino Records, que também abriga os Dirty Projectors, os Hot Chip e os Animal Collective, algumas das bandas concorrentes de Dan Deacon.

Dan Deacon é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Nova Iorque acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual.
Em America, Deacon assume uma postura distinta em relação às bandas que o acompanham na editora e que referi acima. America tem uma sonoridade ainda mais grandiosa que os seus discos anteriores; Mantém-se inventivo e converte o que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.
Não estamos na presença de um disco propriamente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que faço ao disco; No entanto, uma audição atenta deixa perceber, em certos momentos, aproximações ao tal cenário musical erudito que todos reconhecemos. A primeira metade do disco ecoa de forma natural e tem o tempero acessível da pop; Mas a partir de Crash Jam, sexta canção do álbum, o rumo passa a ser outro e várias experiências apoderam-se das canções, nomeadamente desconcertante Guilford Avenue Bridge, canção que torna claro que o território assumido por Deacon será completamente outro. Mesmo que o produtor até sugira inicialmente singles em potência (True Thrush), Is A Monster, The Great American Desert, Rail e Manifest unem elementos da música clássica com batidas esquizofénicas e samples ruidosos que tendem inevitavelmente a resultar num resultado de proporções épicas.
America é, sem dúvida, o trabalho mais coeso, dinâmico e concetual de toda a trajetória do produtor. Melhor exemplo dessa aproximação com um resultado temático está na extensa condução de USA, canção divida em quatro atos e inevitavelmente a maior (em muitos aspectos) criação do artista até aqui.
Tão grande quanto o território que carrega no título, America transporta um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Deacon. Espero que aprecies a sugestão...

01. Guilford Avenue Bridge
02. True Thrush
03. Lots
04. Prettyboy
05. Crash Jam
06. USA I: Is a Monster
07. USA II: The Great American Desert
08. USA III: Rail
09. USA IV: Manifest
Os Gdansk são um projeto musical encabeçado pelo músico e multi instrumentista canadiano e natural do Ontario Timothy Mann, ao qual se juntaram os músicos Ian Kennedy, Jamie Ball e Tom Lang. Confessam que são influenciados pelos Radiohead, Arcade Fire, Johnny Cash, Wilco, David Bowie, The Antlers e Brian Eno e lançaram recentemente um EP homónimo de estreia. No entanto, a banda confessa que já está a trabalhar em novo material para um longa duração.

A musicalidade das canções deste EP confere com as influências declaradas; as canções forma escritas e são cantadas por Timothy e a sonoridade tem particularidades eletrónicas assentes numa base rock. O resultado é brilhante e parece-me claro que estamos na presença de um novo projeto que chegará certamente longe.
A propóstio deste EP e do projeto, Timothy declarou: We try to deal with things with as much honesty as possible. (...) What we experience, the views we espouse to, justhow we see things. If the lyrics are heavy, then thats just us being honest and i hopepeople can relate. But through all that, I think we try to offer people as much hope aspossible. We desire to make music that matters. Music that speaks to something waybeyond itself. I think thats what good art does.
O EP encontra-se disponível para audição e download gratuito no site e no soundcloud da banda. Espero que aprecies a sugestão...
01. Adam’s Needle
02. Outside Your Window
03. Ships At Sea
04. The Weight Of Your Love
05. Untitled (Waves)
Gdansk Official Gdansk on Soundcloud Gdansk on Bandcamp Gdansk on Facebook Gdansk on Twitter Gdansk on Vimeo
Os Gypsy & The Cat são uma dupla de Melbourne, na Austrália, formada por Xavier Bacash e Lionel Towers. Juntaram-se para fazer música em 2011 e ainda nesse ano produziram o álbum de estreia, Gilgamesh, num estúdio caseiro e depois levaram o registo para Londres, que foi misturado por David Fridmann (baixista dos Mercury Rev e produtor dos MGMT, Flaming Lips e Clap Your Hands Say Yeah) e Rich Costey (trabalhos com Muse, Franz Ferdinand e Glasvegas no currículo). Star é o single mais recente da banda.
Aos quinze anos de carreira, os Elbow, uma das bandas mais importantes do cenário alternativo deste novo século, acabam de lançar uma coletânea de lados B de singles. O álbum chama-se Dead in the Boot e viu a luz do dia no passado dia vinte e sete de agosto. O título alude ao nome do primeiro álbum da banda de indie rock, Asleep in the Back (2001).
Estes lados B são sobras dos álbuns do quinteto inglês e estão longe de serem restos pouco criativos e temas postos de lado do alinhamento final. De acordo com Guy Garvey, estas canções são os reflexos condicionados e temas espontâneos que surgem na pós-produção de um álbum, geralmente quando os níveis de criatividade atingem o seu pique. Ocupam um espaço diferente. Não que sejam inferiores, geralmente são as que mais gostamos. Mas como surgem sempre depois de um álbum, acabam sempre por ficar guardadas. Sem dúvida, uma das edições do ano. Imperdível!
01. Whisper Grass (From Fallen Angel)
02. Lucky With Disease (From Newborn)
03. Lay Down Your Cross (From Not A Job)
04. The Long War Shuffle (From Leaders Of The Free World)
05. Every Bit The Little Girl (From One Day Like This)
06. Love Blown Down (From Fugitive Motel)
07. None One (From The Newborn EP)
08. Lullaby (From One Day Like This)
09. McGreggor (From Forget Myself)
10. Buffalo Ghosts (From Open Arms)
11. Waving From Windows (From Grace Under Pressure/Switching Off)
12. Snowball (From Help!: A Day In The Life)
13. Gentle As (From Leaders Of The Free World)
Depois de em março ter divulgado em Man On The Moon a canção Just For Fun, os suecos Alpaca Sports, baseados em Gotemburgo, estão de volta com um novo single. A canção chama-se I Was Running e é editada precisamente hoje através da Dufflecoat Records. Confere...
01. I Was Running
02. Let’s Go Somewhere
A banda canadiana de indie rock Stars regressa aos discos no próximo dia quatro de setembro com North, o primeiro ábum desde 2010. The Theory of Relativity é o primeiro single e foi disponibilizado para download gratuito. No entanto, podes conferir aqui o todo o álbum.
01. The Theory Of Relativity
02. Backlines
03. The North
04. Hold On When You Get Love And Let Go When You Give It
05. Through The Mines
06. Do You Want To Die Together?
07. Lights Changing Colour
08. The Loose Ends Will Make Knots
09. A Song Is A Weapon
10. Progress
11. The 400
12. Walls
The Theory of Relativity by Stars
Conforme tenho amplamente divulgado, os Sigur Rós criaram o projeto Valtari Mystery Film Experiment. Através de vídeos dirigidos por diferentes nomes, o grupo lançou uma série de filmes onde abunda a beleza das imagens, todos relacionados com o mais recente lançamento da banda, Valtari. O filme de Dauðalogn é mais um belo registo visual e que explora alguns elementos básicos da natureza, algo muito comum nesta banda islandesa que eu tanto aprecio.
Os Bravestation são Devin Wilson (voz e baixo), Derek Wilson (guitarra), Andrew Heppner (teclados e sintetizadores) e Jeremy Rossetti (bateria e percurssão), quatro rapazes de Toronto, no Canadá. Combinam guitarras com uma percussão que faz deles uma banda de pop tribal. Começaram por lançar um EP, andaram em digressão com os Tanlines, os Yacht e os Young Galaxy e agora estrearam-se nos discos com Giant Dreamers, editado no passado dia dez de julho e disponível para audição no bandcamp da banda, assim como o download dos três primeiros singles.
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Quando ouvi pela primeira vez o single Signs Of The Civilized senti-me imediatamente absorvido pelo clima descontraído e tropical da canção, a contrastar um pouco com as origens destes Bravestation. Esta sensação quente e lânguida acaba por manter-se em todo o disco, que acaba apenas por pecar por alguma falta de diversidade, algo que considero perfeitamente compreensível numa banda que acaba de se expôr ao mundo e à crítica.
Além do single já citado, Amaranthine e Kaleidoscope, destacam-se não só pela sonoridade tendencialmente pop, mas também pela groove das canções e pelo ligeiro abanar de ancas que proporcionam. Os anos oitenta estão bastante presentes, quer nos efeitos hipnóticos colocados na voz, como nos sintetizadores, que recriam a sonoridade típica dessa década. E, à semelhança do que acontece com outros projetos similares contemporâneos, é possível sentir aqui que a abordagem a esses gloriosos anos da pop soa, ao mesmo tempo, como um retrocesso temporal, mas também algo sonoramente futurista. Há muitos artistas que estão a iniciar o seu percurso musical ao som dessa década e a procurar acrescentar detalhes sonoros que servem não só para dar um cunho pessoal mas também para reinventar a própria pop feita de guitarras e sintetizadores. Giants Dreamer é uma lufada de ar fresco e um álbum que se ouve com uma indisfarçável satisfação. Espero que aprecies a sugestão...
Olivier Jarda nasceu em Otava, no Canadá, cresce numa cidade chamada Moncton, viveu em tempos nos Estados Unidos e agora estabeleceu-se em Halifax. Good Luck Cartel é o seu último disco, lançado no passado dia dez de abril, com uma sonoridade folk e Piece of Fiction, uma canção guiada pelo piano, cheia de profundidade e luz, o primeiro single e grande destaque do álbum. Good Luck Cartel, foi lançado pela The Company House, sucede a Diagrams (2007) e ao EP Ghost Fees (2008) e conta com as participações especiais de Peter Gorman e Jesse Griffith, parceiros de Olivier no projeto Turnstiles.
Olivier tem uma história de vida bastante curiosa, até porque, antes de se dedicar às canções, começou por trabalhar como analista politico em Washington, algo que explica a enorme quantidade de comentários sobre os politicos e a politica dos Estados Unidos nas suas letras.
Além de Piece of Fiction, gostaria de destacar a habilidade e a subtileza com que os músicos usam o piano e a percussão em Tendencies e Into The Lake. Em suma, Good Luck Cartel é um conjunto de canções pop sofisticadas e inteligentes, com uma sonoridade polida, nada pretensiosa, ou seja, belas canções que evitam armadilhas de conceitos, temas ou exercícios repetitivos e que, por isso, merecem toda a atenção. Espero que aprecies a sugestão...
01. Speed Of Light
02. Diving Bell
03. Ship Of Fools
04. Skinny Grass
05. Fiddle
06. Tendencies
07. Uncle
08. Piece Of Fiction
09. We Broke Before The Hail
10. Into The Lake
11. Burning Valley
Para satisfação de muitos, os Metric estão de volta e cheios de pujança! Este grupo canadiano, liderado pela carismática Emily Haines, acaba de lançar no passado dia doze Synthetica, o quarto álbum de originais da banda, através da Mom + Pop.
Por mais variado e abrangente que seja o cenário musical alternativo e independente canadiano, um dos países mais citados por cá, e inúmeros sejam os projetos que por lá surgiram apenas na última década, poucos são capazes de igualar a mesma mestria e sentimento de união esbanjado pelo coletivo Broken Social Scene, o grupo desse país que talvez mais influencia outros projetos. Seja por intermédio das melodias de Feist, as canções monumentais dos Stars ou mesmo os projetos solo de diversos membros da banda, como uma imensa árvore, este coletivo estende as suas raízes por uma variedade de terrenos sonoros.
Sempre orientados por uma proposta mais dançante e comercial, os Metric são uma dessas inúmeras variações dos Broken Social Scene, até porque Emily Haines e James Shaw, antes de se entregarem aos teclados e às vozes plásticas com que sustentam estes Metric, revezaram-se na produção e construção de algum do cardápio dos Broken Social Scene. Só no final da década de noventa é que este casal e dois novos companheiros passaram a investir ativamente nos Metric e na criação de Old World Underground, Where Are You Now? (2003), o primeiro disco da nova banda, que hoje, passada mais de uma década, atinge a maturidade com este Synthetica, um disco que, conforme o título aponta, é inteiramente delimitado pelos sintetizadores.
Logo no início, em Artificial Nocturne percebemos que são as camadas de harmonias robóticas no fundo da composição que a sustentam. No meio do disco, enquanto Dreams So Real e Lost Kitten saltam ao ouvido pela sonoridade mais comercial e aberta, são os sintetizadores que mais uma vez chamam as atenções. E no final do trabalho, quando Nothing But Time chega para aprimorar o álbum, são os mesmos sintetizadores amenos da canção que garantem um encerramento digno ao disco. Portanto, ao contrário dos álbuns anteriores, em Synthetica os teclados não são apenas um complemento, eles definem o álbum em si.
Por mais que esta proposta sonora já fosse visível nos lançamentos anteriores, onde a busca por uma proposta instrumental levava o quarteto para diferentes focos da música pop, do indie e por vezes da eletrónica, hoje os sintetizadores parecem definir de vez a marca registada dos Metric, algo que encontra paralelo, apenas a título pessoal de exemplo, no salto evolutivo dado pelos Yeah Yeah Yeahs em It’s Blitz!.
Mais do que um disco de música pop dançante, Synthetica permite que os Metric se aproximem de uma sonoridade mais planeada e conceptual. Mesmo quando a banda se torna mais comercial, como no single Youth Without Youth, o tratamento não convencional permite que o grupo consiga ir além de uma certa vulgaridade anterior, assente na nostalgia dos oitenta, e mostrem uma synthpop mais contemporânea, afastada do que foi proposto por vários nomes há mais de três décadas.
Synthetica ainda está distante de assegurar para os Metric um resultado tão grandioso quanto o proposto pela antiga banda de Emily Haines, mas isso não impede que a banda não garanta momentos empolgados, composições bem produzidas e uma seleção de músicas prontas para se colarem nos nossos ouvidos. Espero que aprecies a sugestão...
Father John Misty é um reverendo barbado e cabeludo, que vagueia pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young. Encharcado, pega no violão e canta sobre cenas bíblicas, Jesus e João Batista e a solidão. Father John Misty não é só um artista, é uma personagem criada e interpretada por Josh Tillman, antigo baterista dos Fleet Foxes, que tinha uma vida bastante regrada e obscura antes destas aventuras musicais.
Tillman já tinha lançado a partir de 2005 uma ssérie de EPs e um álbum em 2010, entanto, só após a rescisão com os Fleet Foxes e uma assinatura com a Sub Pop, é que este projeto a solo ganhou pujança e juntaram-se todos os ingredientes para que Fear Fun, fosse editado de forma a causar o mínimo de estrondo, algo que sucedeu no passado dia um de maio.

Fear Fun é um disco que condensa sarcasmo feroz e melancolia em doze canções, obtendo um resultado que se não é a reinvenção da roda contém uma saudável dose de estranheza que garante sucessivas audições, por dias a fio. A base musical é naturalmente a folk, mas agora despida da seriedade poética do antecessor Singing Ax, o disco de 2010, que foi gravado em três noites só com Tillman à viola. Em Fear Fun, temos um som maior e melhor, numa embalagem surreal que abarca influências que vão de James Taylor aos Velvet Underground.
Outro grande avanço em relação aos discos anteriores é o senso de humor sagaz das letras. Não me refiro à piada óbvia e ao calão, mas sim a algo mais inteligente e enigmático, críptico até. Até me arrisco a comentar que Fear Fun é o equivalente musical de alguma da melhor stand-up comedy de Andy Kaufman; Put me another drink, And punch me in the face, You can call me Nancy, canta Tillman na abertura de Nancy From Now On, uma canção que, se entendi bem, é sobre a maior borracheira de alguém. Em I’m Writing a Novel, Tillman satira com os inteletuais de baixa categoria (I’m writing a novel, ‘Cause it’s never been done before) e mesmo quando investe no tema recorrente da canção de amor, fá-lo por vias pouco convencionais. Em Tee-Pee`s 1-12, alguém esforça-se tanto para ganhar a aprovação da pretendente, que até aceita participar num culto pagão. Mas é na animada Everyman Needs a Companion que vem o melhor e mais sincero gracejo do disco; Nesta canção excessivamente romântica e de clara inspiração gospel Tillman canta que todos precisamos de companhia, mas logo depois entrega a receita da própria solidão: Joseph Campbell and the Rolling Stones, Couldn’t give me a myth, So I had to write my own.
Pode ser que daqui a um tempo Tillman se canse deste alter ego Father John Misty e volte a assinar discos com o seu próprio nome. Que seja. Se este reverendo desaparecer sem deixar rasto, deixará pelo menos como legado um belo álbum. Espero que aprecies a sugestão...
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01. Funtimes In Babylon
02. Nancy From Now On
03. Hollywood Forever Cemetery Sings
04. I’m Writing A Novel
05. O I Long To Feel Your Arms Around Me
06. Misty’s Nightmares 1 And 2
07. Only Son Of The Ladiesman
08. This Is Sally Hatchet
09. Well, You Can Do It Without Me
10. Now I’m Learning To Love The War
11. Tee Pees 1-12
12. Everyman Needs A Companion
Desde que Marc Morrissette, músico que assina como Octoberman lançou Fortresses, passou por várias mudanças importantes na sua vida; Deixou de viver em Vancouver e assentou arraiais em Toronto, encontrou novos elementos para a banda (Marshall Bureau, bateria e Tavo Diez de Bonilla, baixo) e gravou um novo disco, o quarto da carreira, intitulado Waiting in the Well, lançado no passado dia seis de março.
O disco foi gravado em Londres, produzido por Jim Guthrie (Islands, Human Highway) e Andy Magoffin (Constantines, Great Lake Swimmers) e misturado por Howie Beck (Feist, Jason Collett). Waiting In The Well também contou com as contribuições adicionais de Cuff the Duke, FemBots e do trompetista Shaun Brodie.

Waiting In The Well é um disco curto e direto, com dez canções que soam a algo entre Tom Petty e os Wilco. A bateria dá um ritmo constante e os solos de guitarra, assim como a secção de matais, ajudam ao caráter folk pop do conteúdo. Waiting For Christine e Hoppin Pool, são duas canções que personificam este estilo, que apenas se desvia um pouco da bitola pré definida em Dressed Up, uma canção com uma tonalidade pop mais sintética, tipicamente anos oitenta.
Ao nível melódico, a instrumentação procura interpretar sempre uma sonoridade melancólica, com algumas letras tristes, quase sempre cheias de referências a aves e com um tom amargo, que os violinos compôem na perfeição.
Em suma, neste quarto disco de Morrissette como Octoberman, o músico não complica, é competente e a folk que propõe acabará certamente por satisfazer mais umas vez os seus fãs de sempre e os amantes deste género musical sempre ávidos por bons lançamentos. Espero que aprecies a sugestão...
01. Waiting For Christine
02. Pool Hoppin’
03. Burning Sun
04. Dressed Up
05. Thank You Mr V
06. Actress
07. Falcon Song
08. The Bystander
09. Wind Up Bird
10. Ceiling Floor
11. 10 Eddie And Rita
Adventures In Your Own Backyard, lançado pela Domino Records, é o disco mais recente de Patrick Watson, mas poderia ser os Patrick Watson, porque falamos de uma banda que adoptou o nome do músico principal e grande mentor do projeto. Já agora, o guitarrista Simon Angell, o percurssionista Robbie Kuster e o baixista Mishka Stein são os outros elementos da banda.
Watson é um dos músicos canadianos mais conceituados da atualidade e que ganhou notoriedade com o álbum Close To Paradise, de 2006 (vencedor do Polaris Music Prize em 2007), servindo para muitos de cartão de visita para a sua música deste lado do Atlântico. Recordo que o Canadá, a partir deste milénio, passou a ser uma das principais referências do cenário indie, devido ao impacto dos Arcade Fire, ao qual se juntaram nomes como os de Owen Pallett, The Hidden Cameras ou Broken Social Scene e que se vieram juntar a artistas de renome, dos quais destaco Neil Young, Rufus Wainwright ou Leonard Cohen.
Depois desse já citado Close To Paradise, Patrick editou em 2009 Wooden Arms, o seu terceiro disco e que acabou por dar a estocada final em quem ainda poderia duvidar da sua capacidade em atingir o sucesso absoluto no universo da folk pop.

Este Adventures In Your Backyard, o quarto álbum do músico, mantém firme as marcas identitárias da sua discografia. Foi gravado no Quebeque, perto do local onde reside e é um disco de plácidas visões feitas de canções com um interesse na exploração orquestral dos arranjos, onde a sua voz, frequentemente em falsetto, é o elemento protagonista numa sucessão de quadros sonoros feitos de horizontes abertos, luminosos, tranquilos e algo melancólicos, mas sem sinais de dor maior. É um disco familiar tanto na capacidade de sugerir um espaço de intimidade pessoal como nas trovas de um quotidiano vivencial. As melodias calmas e bem trabalhadas que exploram o instrumentalismo fazem do álbum um exercício de audição porque parece exaltar o silêncio e a calmaria, enquanto paradoxalmente utiliza o som. Espero que aprecies a sugestão...

O nome deste projeto liderado por Crabtree parece desde logo ter sido bastante ponderado e com a finalidade de contrariar a lógica do senso comum. Geralmente é a tesoura quem leva a melhor sobre o papel, mas também pode haver aqui uma tentativa de abordagem mais poética, onde as tesouras representam a agressão e o papel algo suave e delicado. E garanto não ser difícil chegar a esta visão poética, em que a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, se as canções de Paper Beat Scissors servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos.
No disco há uma tendência para as canções se submeterem a uma compilação dramática. Com o seu estilo único de cantar Crabtree tira-nos o fôlego e os seus falsetes deixam-nos muitas vezes sem reação e tocam profundamente o coração. A maioria das canções começam com o dedilhar de uma guitarra acústica, mas depois recebem novos instrumentos, que acrescentam pequenos detalhes sonoros, mas que fazem muitas vezes toda a diferença e demonstram a abundância de talento dos mentores deste projeto, já que pintam uma belíssima paleta de cores sonoras e criam uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada. A própria voz também serve várias vezes apenas para esse efeito específico. Ouve e delicia-te! Espero que aprecies a sugestão...
01. Ends In Themselves
02. Season’s Rest
03. Folds
04. Rest Your Bones
05. Forgotten
06. Once
07. Be Patient
08. Keening
09. Tendrils
10. Watch Me Go
11. Let Me In
Recentemente, em Halifaz, na nova escócia (Canadá) os Paper Beat Scissors deram um concerto intimista de apresentção do álbum. Mike Feuerstack (Snailhouse) tocou guitarra, Gina Burgess (Gypsophilia) tocou violino, Kyle Cunjack (Olympic Symphonium) encarregou-se do baixo e Ryan Brown (Glory Glory) tocou bateria. Confere...
as minhas bandas
The Good The Bad And The Queen
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