Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Foxes In Fiction - Ontario Gothic

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos, em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, um homónimo que é um verdadeiro tratado de dream pop, da autoria de um projeto que parece não encontrar fronteiras dentro da eletrónica que explora paisagens sonoras expressionistas mais calmas e ambientais.

Através das teclas do sintetizador, de samples de sons e ruídos variados e de uma percurssão sintética, as grandes referências instrumentais neste processo de justaposição de vários elementos sonoros, Warren criou sete canções que sublimam com mestria uma profunda emoção, já que transportam claramente bonitos sentimentos, dedicados integralmente a Cait, uma amiga muito próxima de Warren, que faleceu em 2010 e que ele conheceu depois de ter chegado em 2004 a Toronto com a sua família, vindos de uma zona rural no Ontario, onde viviam desde 2001. Apesar destas canções narrarem um dos períodos mais tumultuosos da existência do autor, em que acumulou muita ansiedade e tristeza, Warren preferiu abordar melodicamente essa conjuntura algo sombria da parte lírica das canções, de um modo suave e de algum modo luminoso, homenageando esta amizade que terá sido tão profunda, bonita e intensa como o ambiente sonoro de Ontario Gothic.

E no que concerne então a esse ambiente, destaco, desde logo, Into The Fields e Glow (v079), duas canções que constroem uma sequência onde a melancolia de ambas se junta numa única atmosfera sonora comandada por um sintetizador, que aliado a cordas e ao piano, origina um tom fortemente denso e contemplativo, com a voz de Warren a conferir a oscilação que depois é necessária para transparecer essa elevada veia sentimental. De seguida, em Shadow's Song, escuta-se um violino com arranjos que ficaram a cargo do consagrado Owen Pallett; Tal é a beleza dos mesmos, simultaneamente deslumbrantes e delicados e ampliados pela cândura da voz, que não há como evitar sermos levados para uma atmosfera muito própria, que transmite uma certa inocência romântica com uma estética sonora e visual inédita e onde a noção de retro terá sido um conceito claramente tido em conta. O clímax do alinhamento acaba por chegar com o tema homónimo, que ganha um tom fortemente frágil e uma atmosfera verdadeiramente sublime quando Warren entrega-se de corpo e alma à canção enquanto canta alguns dos versos mais intrincados e emocionais que pudemos escutar ultimamente.

Quando Warren decidiu deitar-se numa nuvem feita com a melhor dream pop operou um pequeno milagre sonoro e incubou um belíssimo álbum, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

Image of FOXES IN FICTION - ONTARIO GOTHIC 12" (Pre-sale)

1. March 2011
2. Into The Fields
3. Glow (v079)
4. Shadow's Song
5. Ontario Gothic
6. Amanda
7. Altars


autor stipe07 às 20:45
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2014

Majical Cloudz - Your Eyes

Majical Cloudz by Amber Davis

A dupla canadiana Majical Cloudz continua a divulgar algumas canções que ficaram de fora do extroardinário alinhamento de Impersonator e a disponibilizá-las gratuitamente no seu sitio oficial.

Escrita em 2011, Your Eyes foi reproduzida várias vezes pelo projeto nos concertos de promoção de Impersonator e, como é habitual, contém uma enorme aúrea doce e nostálgica, alicerçada no posicionamento assertivo da voz de Devon e na inclusão de preciosos detalhes finos. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

Foxes In Fiction – Ontario Gothic

Foxes In Fiction

Líder da insuspeita etiqueta Orchid Tapes, Warren Hildebrand também compôe música e fá-lo como Foxes In Fiction. Natural de Toronto, no Canadá, mas a residir atualmente nos Estados Unidos em Brooklyn, Nova Iorque, Warren editou no passado dia vinte e três de setembro, por intermédio da sua Orchid Tapes, Ontário Gothic, um verdadeiro tratado de dream pop e que será em breve dissecado por cá. Para já e como aperitivo, partilho Ontario Gothic, o single homónimo e primeiro tema retirado de Ontario Gothic nesse formato, assim como um texto do músico sobre o processo de composição do disco. Confere...

Musicially, “Ontario Gothic” begins where the previous song on the album, “Shadow’s Song” lets off. The the same melody – made from cutting up & copying and pasting singular guitar notes forms the melodic basis for the majority former. The instrumental elements of the middle / transition section make up the Foxes in Fiction song “Breathing In” found on the first Angeltown compilation. And like “Shadow’s Song” it features violin arrangements by Owen Pallett.

Lyrically, “Ontario Gothic” is written about a close friend name Cait who died in 2010 and to whom the album is dedicated. Cait was one of the closest friends that I had for many years when I was a bit younger. She and I became really close after I had moved back to my hometown in the suburbs of Toronto, away from a farm in rural Ontario that my family lived on from 2001 until 2004. I was coming away from what was the worst and most emotionally tumultuous period of my life at that point and I carried a lot of fucked up anxiety and deep sadness about my life and myself as a person. But more than anything else, getting to know, open up to and spend time with Cait during those first years helped open me up to kinds of happiness and a love for life that I didn’t think was within the realm of possibility at that point in my life.

She was one of the most remarkable, open and truly good people I’ve ever known, really. The song “Flashing Lights Have Ended Now” was also written about her just a point where we’re drifting apart; a year later she was gone. I wrote this song to crystallize the better parts of our friendship and to remember the healing effect that she had on me as a person which without I would not be the same person or have the same acceptance for life that I do now. I miss her enormously and I feel her influence and presence constantly.

 


autor stipe07 às 13:10
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Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

The New Pornographers – Brill Bruisers

Chegou no passado dia vinte e seis de agosto aos escaparates, através da Matador Records e da Last Gang, Brill Bruisers, o sexto álbum de estúdio dos canadianos The New Pornographers e o primeiro em quatro anos. Os The New Pornographers são um super grupo natural de Vancouver e formado por Dan Bejar, Kathryn Calder, Neko Case, John Collins, Kurt Dahle, Todd Fancey, Carl Newman e Blaine Thurier, sendo alguns destes nomes, nomeadamente Bejar (Destroyer), Neko Case e Newman, verdadeiramente fundamentais para a indie contemporânea. Newman descreve este Bill Bruisers como um álbum de celebração. Depois de períodos complicados estou num ponto da minha vida em que nada me puxa para baixo e a música reflecte isso, acrescenta o músico. O curioso artwork do disco é da autoria dos artistas Steven Wilson e Thomas Burden e, já agora, a palavra Brill do título alude ao Brill Building, um edifício em Nova Iorque onde o som da pop e do rock dos anos sessenta foi definido pelos compositores e etiquetas que tinham escritórios ali.

A primeira coisa que me apraz dizer depois de ter escutado este disco é que Brill Bruisers é luz em forma de música, um disco cheio de brilho e cor em movimento, uma obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana, apesar de, por exemplo, War On The East Coast, o single já extraído, ser sobre o lado mais negro de um mundo feito de dúvidas, deceções e guerras, tantas vezes desnecessárias e incompreensiveis. Seja como for, mesmo nessa canção, não se deixa de ter vontade de pular e de querer desertar desse universo paralelo para um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos e que, nestas treze canções, podem surgir nas notas mais delicadas, até quando elas estão num modo particularmente explosivo, ou então, e principalmente, nas vozes, que se alternam e se sobrepôem em camadas, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que Newman chama de som de banda.

Em Brill Bruisers quem vence é aquela pop clássica e intemporal que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes deslumbrantes. E não é preciso ser demasiado complicado e criar sons e melodias intrincadas. Consegui-lo é ser agraciado pelo dom de se fazer a música que se quer e ser-se ouvido com particular devoção e os The New Pornographers sujeitam-se seriamente a obterem tal distinção, já que usaram a fórmula correcta, feita com uma quase pueril simplicidade, a melhor receita que muitas vezes existe no universo musical para demonstrar uma formatação adulta e a capacidade de se reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor têm alguns projetos bem sucedidos na área sonora em que uma banda se insere.

No fundo, Brill Bruisers é um álbum pop poderoso, orquestral e extremamente divertido, sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, mas antes se refrata para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia, num disco sem cantos escuros, já que nele nem uma balada se escuta, mesmo em momentos mais lentos como Champions Of Red Wine.

Brill Bruisers é um trabalho que faz uma espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo, temperado com variadas referênciasque nos permitem aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, onde tudo soa utopicamente perfeito. É uma espécie de caldeirão sonoro feito por um elenco de extraordinários músicos e artistas, que sabem melhor do que ninguém como recortar, picotar e colar o que de melhor existe neste universo sonoro ao qual dão vida e que deve estar sempre pronto para projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte, assentes num misto de power pop psicadélica e rock progressivo. Espero que aprecies a sugestão...

The New Pornographers - Brill Bruisers

01. Brill Bruisers
02. Champions Of Red Wine
03. Fantasy Fools
04. War On The East Coast
05. Backstairs
06. Marching Orders
07. Another Drug Deal Of The Heart
08. Born With A Sound
09. Wide Eyes
10. Dancehall Domine
11. Spidyr
12. Hi-Rise
13. You Tell Me Where

 


autor stipe07 às 21:16
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Domingo, 14 de Setembro de 2014

Tracer Flare – Sigh Of Relief EP

Chegou no passado dia três de setembro aos escaparates Sigh Of Relief, o novo EP dos canadianos Tracer Flare, uma banda de Montreal formada por Dan Stein, Marc Morin, Frank Roberts e Max Tremblay e que procura afincadamente o seu lugar de destaque no universo sonoro ocupado pelo revivalismo do post punk e do indie rock.

Logo na estreia, identificam-se em Sigh Of Relief algumas nuances que dão ao EP um cunho identitário muito próprio e que serão certamente matrizes identitárias da sonoridade futura dos Tracer Flare, nomeadamente a clareza e a segurança com que cruzam um sintetizador assertivo e cheio de efeitos vintage, com a distorção das guitarras, um baixo pulsante e uma bateria vigorosa e quente.

Em Sigh Of Relief não há uma aposta clara numa maior primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em detrimento das guitarras, ao contrário do que tantas vezes sucede em projetos similares, que partem, tantas vezes, com demasiada sofreguidão em busca de uma toada mais comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. Os Tracer Flare parecem ter a noção dos momentos certos e, para começar, querem, acima de tudo, establecer uma identidade própria, para então depois partirem para outros voos. Um bom exemplo disso é This Is You, um tema que traz diversos timbres de sintetizador, mas que depois se tornam quase impercetíveis quando se entrelaçam com as guitarras e com uma bateria pulsante.

Se os Interpol ou os Editors parecem ser uma grande referência, nomes como os TV On The Radio ou os próprios Beach Fossils parecem ser também bastante escutados no refúgio dos Tracer Flare, algo que temas como Empty Vessel ou Stare denotam, notando-se uma clara abrangência no espetro sonoro que apreciam, com as virtudes e os perigos que isso significa. Mas o que ressalta nos Tracer Flare em relação a outros grupos é terem optado por ser realmente sonoramente, simultaneamente teatrais e genuínos, no fundo, mais dramáticos do que propriamente comerciais, o que potencia, para o bem e para o mal, o conteúdo deste EP de estreia.

Em suma, Sigh Of Relief dá ao mundo sete canções amplamente influenciadas por uma sonoridade já transversal a várias décadas e uma banda que sabe criar as suas próprias personagens que procura resgatar algo de novo no post punk. Cada um destes temas não tem receio em se desdobrar num permanente conflito entre o vintage e o contemporâneo e mesmo tão embrenhado num som que já se firmou há trinta anos, Sigh Of Relief tem um refinamento muito próprio e bastante atual. Espero que aprecies a sugestão...

Tracer Flare - Sigh Of Relief

01. Empty Vessel

02. Delete
03. This Is You
04. Walk On Water
05. Stare
06. Border
07. Black Box


autor stipe07 às 21:40
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Stars - Turn It Up

No One Is Lost é o novo disco dos Stars, um coletivo canadiano oriundo de Montreal, no estado do Quebeque e formado por Torquil Campbell, Evan Cranley, Patrick McGee, Amy Millan e Chris Seligman. que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo.

Turn It Up é um novo avanço divulgado do disco, uma canção com uma luminosidade muito intensa, potenciada pela presença de um coro infantil, algo que dá à canção aquele ambiente nostálgico que tantas vezes se apodera de nos nesta altura do ano em que as portas das escolas se abrem de novo.

Disponível para download gratuíto pela etiqueta dos Stars e com um cardápio instrumental bastante rico, mas onde impera a componente sintética, Turn It Up é uma das canções do momento de um trabalho que será certamente dissecado por cá, logo depois de ver a luz do dia, lá para catorze de outubro, por intermédio da ATO Records. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Landfork - Trust

A viver atualmente em Calgary, no Canadá, Jon Gant é Landfork, uma espécie de alter-ego de um músico que tem na chamada synth pop uma grande paixão. Por isso, a sonoridade do projeto assenta num forte predomínio da eletrónica e dos sintetizadores e conta com a ajuda de Derek Wilson, nas teclas, nas atuações ao vivo. Descobri-o quando editou em agosto de 2013 Nights At The Kashmir Burlesk, um trabalho que sucedeu a Tiománaí, o disco de estreia do projeto, editado em outubro de 2011. Agora, no passado dia oito de julho, Landfork está de regresso com Trust, o seu terceiro álbum, onde consegue, de novo, chamar a atenção dos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop há uns trinta anos atrás.

Com a pop sintetizada a servir de força motriz para a composição e com uma escrita bastante autobiográfica, Trust está carregado com elementos sonoros onde a herança de nomes como os Fischerspooner à cabeça e alguns ecos dos Joy Division e, naturalmente, dos New Order, são uma evidência, que se entende quando o próprio musico confessa que o disco começou a ser pensado depois de ter passado a ouvir música de dança no terraço de um hotel mexicano e, nesse instante, ter-se sentido invadido por uma avassaladora vontade de também compôr material sonoro para abanar a anca, mas que replicasse alguns dos traços identitários e melancólicos da música pop de cariz mais eletrónico. Dois dias depois dessa experiência curiosa, Landfork regressou ao Canadá, instalou-se durante duas semanas no The Banff Centre for the Arts e com um pequeno gravador portátil e alguns instrumentos começou a trabalhar no conteúdo de Trust.

Há excelentes momentos contemplativos e festivos em Trust e o disco vive um pouco da busca de equilibrio entre estes dois pólos previsivelmente opostos, com o núcleo duro do trabalho a ser um enorme oceano de sons e ecos que nos convidam à auto análise interior, mas que também não descuram a busca de sons de outras latitudes mais quentes. O processo de composição melódica acaba por se sustentar tendo os teclados como maiores protagonistas, em redor dos quais foram surgindo diferentes efeitos e arranjos, muitas vezes dominados por cordas e por uma percussão bastante inspirada.

Trust conta com as participações especiais de Jamie Fooks (Jane Vain and the Dark Matter, Shematomas) e de Ryan Sadler (Teledrome, Thee Thems) e está disponivel no bandcamp de Landfork, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:12
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Margo, Margo – Old Nights, New Days

Oriundos de Fredericton, os canadianos Margo, Margo são Jane Blanchard, Michael Leger, Keegan MC, Kieran Smyth, Matt Whipple e Jeff Wo. Disponível para download no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo e editado no passado dia vinte e quatro de junho, Old Nights, New Days é o segundo trabalho do grupo, depois de um homónimo editado em 2012.
O indie rock com elevada influência da folk é a pedra de toque do catálogo sonoro dos Margo, Margo, que dominam com apreciável bom gosto a fórmula correta para compôr com cuidado nos arranjos e as nove canções não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, à imagem do que propusrema recentmenete os Dark Arc em Saintseneca, mas onde não falta também aquele típico fuzz-folk às vezes caótico e saturado, às vezes ameno, que os Neutral Milk Hotel de Jeff Mangum tão bem recriaram há já quase duas décadas e que temas como Breath Wasted ou Mountain Beaches tão bem replicam.
A música destes Margo, Margo tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico. Eles sabem como dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também se inclui a voz; Os registos vocais de Michael e Kieran, uma das mais valias deste projeto, são capazes de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo e que se firmam como uma das marcas identitárias destes Margo, Margo, deixando o primeiro vincada toda a sua arte enquanto acompanha as cordas em On And Off ou em Alexander e a voz feminina quando vibra nos nossos ouvidos com gracosidade, charme e estilo na soberba Melodica.
Old Nights, New Days é um disco que se ouve sempre que queiramos, mas tem momentos cuja audição se recomenda naquelas dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores. A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, além de ser um instante precioso na discografia de um projeto notável e que merece maior destaque. Espero que aprecies a sugestão...

Margo, Margo - Old Nights, New Days

01. New Days

02. Breath Wasted
03. On And Off
04. Melodica
05. Mountain Beaches
06. Alexander
07. Cuckold
08. All Together Now
09. Beats

 


autor stipe07 às 21:09
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Best Wishes – Best Wishes EP

 

Os Best Wishes são o novo projeto musical do músico canadiano Scott Orr (Guitarra, bateria, voz, piano), ao qual se juntou Eric Fusilier (Baixo, voz) e Matt Henderson (Sintetizadores, guitarra, programação, voz), um trio oriundo de Hamilton, nos arredores de Ontário e o EP Best Wishes o primeiro registo do grupo, um trabalho que viu a luz do dia a treze de maio último e que foi produzido pelo próprio Scott Orr e por Matt Henderson. Este EP foi disponibilizado digitalmente pela Other Songs Music Co., uma etiqueta independente canadiana, com a possibilidade de o adquirires gratuitamente ou doares um valor pelo mesmo.


Best Wishes é uma coleção de seis canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e isso percebe-se rapidamente, pela forma assertiva como os Best Wishes misturam as cordas com as teclas e no modo como definem uma fronteira ténue entre o orgânico e o sintético, de forma a criar melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

O trio domina uma fórmula muito própria, através da qual cria típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro do grupo que, neste EP, olha com particular atenção para o rock alternativo, ao mesmo tempo que, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fortalece no seu ADN sonoro um cariz urbano e atual.

Com a guitarra ligada à corrente na primeira metado do EP, a sustentar melodias bastante virtuosas, cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, a partir de Riverwilde, um dos temas mais curiosos do EP, há uma inflexão e nas últimas três canções os Best Wishes dão um novo passo em frente em busca de um ambiente mais clássico e envolvente, não só por causa da majestosa inserção vocal no caldeirão de arranjos que suportam essas músicas, mas principalmente porque nelas aprimoram a elegância e o cunho sentimental, na forma como selecionam a míriade sonora de que se servem para compôr.

Cada canção de Best Wishes é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina das frias manhãs de inverno, mas este EP também tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Best Wishes, já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um trabalho carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define pela deriva entre uma componente mais orquestral feita com elementos típicos da eletrónica e o lado mais oculto e sombrio do rock progressivo. Uma estreia em grande, portanto. Espero que aprecies a sugestão...

Best Wishes - Best Wishes EP01. Youth

02. Clouds
03. Frus
04. Riverwild
05. Wishes
06. Friendship


autor stipe07 às 17:20
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Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Ought - More Than Any Other Day

Oriundos de Montreal, os canadianos Ought acabam de surpreender com More Than Any Other Day, o primeiro longa duração do grupo, lançado no passado dia vinte e nove de abril através da Constellation Records. More Than Another Day foi antecipado por New Calm, um EP editado em maio de 2012 e disponivel para download no bandcamp do grupo, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou doares um valor pelo mesmo.

Os Ought são uma boa surpresa, uma banda que se apresenta ao mundo com um disco capaz de nos guiar até a um mundo paralelo. E fazem-no através de uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, aliam o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros que nomes como os Led Zeppelin, os Television e os Wire tão bem recriaram e reproduziram há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

Pode parecer um pouco ridícula esta equação ou termo de comparação, como lhe quiserem chamar, mas é como se algures Kurt Cobain e Jimmy Page se tivessem juntado, sob supervisão direta de Thurstoon Moore e assim criado algo que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria britpop, imagine-se, na mira. Os My Bloody Valentine também podem ser para aqui chamados, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama prova que os Ought estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

More Than Any Other Day são oito canções enérgicas, cerca de quarenta e cinco minutos onde somos invadidos por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Habit ou The Weather Song atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade estonteante, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim punk acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do punk e que em Clarity e Gemini se enche de luz, mas com o tema homónimo a ser talvez aquele que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Ought. Aliás, o vídeo já divulgado de More than Any Other Day, realizado por Adam Finchler, é feliz na forma como coleciona imagens aleatórias e cortes rápidos de uma cidade, acelerando e diminuindo conforme o ritmo da canção.

Esta intensidade experimental acaba por ganhar um lado ainda mais humano e sentimental devido à performance de Tim Beeler, o vocalista e líder dos Ought, dono de um registo vocal desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, sendo o grande suporte do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

More Than Any Other Day é um compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as últimas décadas do século passado, um indie punk space rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Ought são assim, um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

1. Pleasant Heart 
2. Today, More Than Any Other Day 
3. Habit 
4. The Weather Song 
5. Forgiveness 
6. Around Again 
7. Clarity! 
8. Gemini


autor stipe07 às 17:02
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