Domingo, 14 de Setembro de 2014

Tracer Flare – Sigh Of Relief EP

Chegou no passado dia três de setembro aos escaparates Sigh Of Relief, o novo EP dos canadianos Tracer Flare, uma banda de Montreal formada por Dan Stein, Marc Morin, Frank Roberts e Max Tremblay e que procura afincadamente o seu lugar de destaque no universo sonoro ocupado pelo revivalismo do post punk e do indie rock.

Logo na estreia, identificam-se em Sigh Of Relief algumas nuances que dão ao EP um cunho identitário muito próprio e que serão certamente matrizes identitárias da sonoridade futura dos Tracer Flare, nomeadamente a clareza e a segurança com que cruzam um sintetizador assertivo e cheio de efeitos vintage, com a distorção das guitarras, um baixo pulsante e uma bateria vigorosa e quente.

Em Sigh Of Relief não há uma aposta clara numa maior primazia dos sintetizadores e teclados com timbres variados, em detrimento das guitarras, ao contrário do que tantas vezes sucede em projetos similares, que partem, tantas vezes, com demasiada sofreguidão em busca de uma toada mais comercial e de um lado mais radiofónico e menos sombrio e melancólico. Os Tracer Flare parecem ter a noção dos momentos certos e, para começar, querem, acima de tudo, establecer uma identidade própria, para então depois partirem para outros voos. Um bom exemplo disso é This Is You, um tema que traz diversos timbres de sintetizador, mas que depois se tornam quase impercetíveis quando se entrelaçam com as guitarras e com uma bateria pulsante.

Se os Interpol ou os Editors parecem ser uma grande referência, nomes como os TV On The Radio ou os próprios Beach Fossils parecem ser também bastante escutados no refúgio dos Tracer Flare, algo que temas como Empty Vessel ou Stare denotam, notando-se uma clara abrangência no espetro sonoro que apreciam, com as virtudes e os perigos que isso significa. Mas o que ressalta nos Tracer Flare em relação a outros grupos é terem optado por ser realmente sonoramente, simultaneamente teatrais e genuínos, no fundo, mais dramáticos do que propriamente comerciais, o que potencia, para o bem e para o mal, o conteúdo deste EP de estreia.

Em suma, Sigh Of Relief dá ao mundo sete canções amplamente influenciadas por uma sonoridade já transversal a várias décadas e uma banda que sabe criar as suas próprias personagens que procura resgatar algo de novo no post punk. Cada um destes temas não tem receio em se desdobrar num permanente conflito entre o vintage e o contemporâneo e mesmo tão embrenhado num som que já se firmou há trinta anos, Sigh Of Relief tem um refinamento muito próprio e bastante atual. Espero que aprecies a sugestão...

Tracer Flare - Sigh Of Relief

01. Empty Vessel

02. Delete
03. This Is You
04. Walk On Water
05. Stare
06. Border
07. Black Box


autor stipe07 às 21:40
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Quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Stars - Turn It Up

No One Is Lost é o novo disco dos Stars, um coletivo canadiano oriundo de Montreal, no estado do Quebeque e formado por Torquil Campbell, Evan Cranley, Patrick McGee, Amy Millan e Chris Seligman. que aposta numa pop que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo.

Turn It Up é um novo avanço divulgado do disco, uma canção com uma luminosidade muito intensa, potenciada pela presença de um coro infantil, algo que dá à canção aquele ambiente nostálgico que tantas vezes se apodera de nos nesta altura do ano em que as portas das escolas se abrem de novo.

Disponível para download gratuíto pela etiqueta dos Stars e com um cardápio instrumental bastante rico, mas onde impera a componente sintética, Turn It Up é uma das canções do momento de um trabalho que será certamente dissecado por cá, logo depois de ver a luz do dia, lá para catorze de outubro, por intermédio da ATO Records. Confere...


autor stipe07 às 13:23
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Landfork - Trust

A viver atualmente em Calgary, no Canadá, Jon Gant é Landfork, uma espécie de alter-ego de um músico que tem na chamada synth pop uma grande paixão. Por isso, a sonoridade do projeto assenta num forte predomínio da eletrónica e dos sintetizadores e conta com a ajuda de Derek Wilson, nas teclas, nas atuações ao vivo. Descobri-o quando editou em agosto de 2013 Nights At The Kashmir Burlesk, um trabalho que sucedeu a Tiománaí, o disco de estreia do projeto, editado em outubro de 2011. Agora, no passado dia oito de julho, Landfork está de regresso com Trust, o seu terceiro álbum, onde consegue, de novo, chamar a atenção dos nossos ouvidos com a mistura lo fi e os sintetizadores que definiam a magia da pop há uns trinta anos atrás.

Com a pop sintetizada a servir de força motriz para a composição e com uma escrita bastante autobiográfica, Trust está carregado com elementos sonoros onde a herança de nomes como os Fischerspooner à cabeça e alguns ecos dos Joy Division e, naturalmente, dos New Order, são uma evidência, que se entende quando o próprio musico confessa que o disco começou a ser pensado depois de ter passado a ouvir música de dança no terraço de um hotel mexicano e, nesse instante, ter-se sentido invadido por uma avassaladora vontade de também compôr material sonoro para abanar a anca, mas que replicasse alguns dos traços identitários e melancólicos da música pop de cariz mais eletrónico. Dois dias depois dessa experiência curiosa, Landfork regressou ao Canadá, instalou-se durante duas semanas no The Banff Centre for the Arts e com um pequeno gravador portátil e alguns instrumentos começou a trabalhar no conteúdo de Trust.

Há excelentes momentos contemplativos e festivos em Trust e o disco vive um pouco da busca de equilibrio entre estes dois pólos previsivelmente opostos, com o núcleo duro do trabalho a ser um enorme oceano de sons e ecos que nos convidam à auto análise interior, mas que também não descuram a busca de sons de outras latitudes mais quentes. O processo de composição melódica acaba por se sustentar tendo os teclados como maiores protagonistas, em redor dos quais foram surgindo diferentes efeitos e arranjos, muitas vezes dominados por cordas e por uma percussão bastante inspirada.

Trust conta com as participações especiais de Jamie Fooks (Jane Vain and the Dark Matter, Shematomas) e de Ryan Sadler (Teledrome, Thee Thems) e está disponivel no bandcamp de Landfork, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:12
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Margo, Margo – Old Nights, New Days

Oriundos de Fredericton, os canadianos Margo, Margo são Jane Blanchard, Michael Leger, Keegan MC, Kieran Smyth, Matt Whipple e Jeff Wo. Disponível para download no bandcamp da banda, com possibilidade de doares um valor pelo mesmo e editado no passado dia vinte e quatro de junho, Old Nights, New Days é o segundo trabalho do grupo, depois de um homónimo editado em 2012.
O indie rock com elevada influência da folk é a pedra de toque do catálogo sonoro dos Margo, Margo, que dominam com apreciável bom gosto a fórmula correta para compôr com cuidado nos arranjos e as nove canções não defraudam quem aprecia composições algo minimalistas, mas com arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz, à imagem do que propusrema recentmenete os Dark Arc em Saintseneca, mas onde não falta também aquele típico fuzz-folk às vezes caótico e saturado, às vezes ameno, que os Neutral Milk Hotel de Jeff Mangum tão bem recriaram há já quase duas décadas e que temas como Breath Wasted ou Mountain Beaches tão bem replicam.
A música destes Margo, Margo tem a particularidade de soar simultaneamente familiar e única. A conjugação entre uma instrumentação eminentemente acústica e clássica, com a contemporaneidade do sintetizador e da guitarra elétrica, resulta em algo vibrante e com uma energia bastante particular, numa banda que parece querer deixar o universo tipicamente folk para abraçar, através de alguns traços sonoros caraterísticos do post punk, o indie rock mais épico. Eles sabem como dosear os vários instrumentos que fazem parte do seu arsenal particular e onde também se inclui a voz; Os registos vocais de Michael e Kieran, uma das mais valias deste projeto, são capazes de propôr diferentes registos e papéis com a mesma eficácia e brilhantismo e que se firmam como uma das marcas identitárias destes Margo, Margo, deixando o primeiro vincada toda a sua arte enquanto acompanha as cordas em On And Off ou em Alexander e a voz feminina quando vibra nos nossos ouvidos com gracosidade, charme e estilo na soberba Melodica.
Old Nights, New Days é um disco que se ouve sempre que queiramos, mas tem momentos cuja audição se recomenda naquelas dias primaveris em que o sol tímido começa a dar um ar da sua graça e, quase sem pedir licença, aquece o nosso coração e faz-nos acreditar em dias melhores. A folk sempre foi um estilo sonoro olhado com um certo preconceito, mas este disco é um excelente compêndio para todos aqueles que colocam reservas em relação a esta sonoridade, poderem alterar os conceitos menos positivos sobre a mesma, além de ser um instante precioso na discografia de um projeto notável e que merece maior destaque. Espero que aprecies a sugestão...

Margo, Margo - Old Nights, New Days

01. New Days

02. Breath Wasted
03. On And Off
04. Melodica
05. Mountain Beaches
06. Alexander
07. Cuckold
08. All Together Now
09. Beats

 


autor stipe07 às 21:09
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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

Best Wishes – Best Wishes EP

 

Os Best Wishes são o novo projeto musical do músico canadiano Scott Orr (Guitarra, bateria, voz, piano), ao qual se juntou Eric Fusilier (Baixo, voz) e Matt Henderson (Sintetizadores, guitarra, programação, voz), um trio oriundo de Hamilton, nos arredores de Ontário e o EP Best Wishes o primeiro registo do grupo, um trabalho que viu a luz do dia a treze de maio último e que foi produzido pelo próprio Scott Orr e por Matt Henderson. Este EP foi disponibilizado digitalmente pela Other Songs Music Co., uma etiqueta independente canadiana, com a possibilidade de o adquirires gratuitamente ou doares um valor pelo mesmo.


Best Wishes é uma coleção de seis canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e isso percebe-se rapidamente, pela forma assertiva como os Best Wishes misturam as cordas com as teclas e no modo como definem uma fronteira ténue entre o orgânico e o sintético, de forma a criar melodias que transmitam sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se reveja.

O trio domina uma fórmula muito própria, através da qual cria típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico. Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro do grupo que, neste EP, olha com particular atenção para o rock alternativo, ao mesmo tempo que, servindo-se de uma vincada vertente sintética, fortalece no seu ADN sonoro um cariz urbano e atual.

Com a guitarra ligada à corrente na primeira metado do EP, a sustentar melodias bastante virtuosas, cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, a partir de Riverwilde, um dos temas mais curiosos do EP, há uma inflexão e nas últimas três canções os Best Wishes dão um novo passo em frente em busca de um ambiente mais clássico e envolvente, não só por causa da majestosa inserção vocal no caldeirão de arranjos que suportam essas músicas, mas principalmente porque nelas aprimoram a elegância e o cunho sentimental, na forma como selecionam a míriade sonora de que se servem para compôr.

Cada canção de Best Wishes é uma tela brilhante, lentamente pintada com sons onde a música parece mover-se através de um ambiente carregado daquela típica neblina das frias manhãs de inverno, mas este EP também tem momentos coloridos e cheios de emoção e, ao mesmo tempo, instantes que se tornam profundamente pensativos, nostálgicos e melancólicos. E esta dupla sensação é um dos maiores trunfos de Best Wishes, já que cria uma impressionante sensação de beleza e de efeitos contrastantes dentro de nós. Falo seguramente de um trabalho carregado de contrastes, mas que não deixa de seguir uma linha condutora homogénea que se define pela deriva entre uma componente mais orquestral feita com elementos típicos da eletrónica e o lado mais oculto e sombrio do rock progressivo. Uma estreia em grande, portanto. Espero que aprecies a sugestão...

Best Wishes - Best Wishes EP01. Youth

02. Clouds
03. Frus
04. Riverwild
05. Wishes
06. Friendship


autor stipe07 às 17:20
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Terça-feira, 1 de Julho de 2014

Ought - More Than Any Other Day

Oriundos de Montreal, os canadianos Ought acabam de surpreender com More Than Any Other Day, o primeiro longa duração do grupo, lançado no passado dia vinte e nove de abril através da Constellation Records. More Than Another Day foi antecipado por New Calm, um EP editado em maio de 2012 e disponivel para download no bandcamp do grupo, com a possibilidade de o obteres gratuitamente, ou doares um valor pelo mesmo.

Os Ought são uma boa surpresa, uma banda que se apresenta ao mundo com um disco capaz de nos guiar até a um mundo paralelo. E fazem-no através de uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, aliam o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros que nomes como os Led Zeppelin, os Television e os Wire tão bem recriaram e reproduziram há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

Pode parecer um pouco ridícula esta equação ou termo de comparação, como lhe quiserem chamar, mas é como se algures Kurt Cobain e Jimmy Page se tivessem juntado, sob supervisão direta de Thurstoon Moore e assim criado algo que não é tão pesado e visceral como o grunge, mas que também não é apenas delírio e pura experimentação e que, como bónus, ainda tem a própria britpop, imagine-se, na mira. Os My Bloody Valentine também podem ser para aqui chamados, especialmente pela toada lo fi e toda esta aparente amálgama prova que os Ought estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos.

More Than Any Other Day são oito canções enérgicas, cerca de quarenta e cinco minutos onde somos invadidos por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Habit ou The Weather Song atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade estonteante, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim punk acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do punk e que em Clarity e Gemini se enche de luz, mas com o tema homónimo a ser talvez aquele que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Ought. Aliás, o vídeo já divulgado de More than Any Other Day, realizado por Adam Finchler, é feliz na forma como coleciona imagens aleatórias e cortes rápidos de uma cidade, acelerando e diminuindo conforme o ritmo da canção.

Esta intensidade experimental acaba por ganhar um lado ainda mais humano e sentimental devido à performance de Tim Beeler, o vocalista e líder dos Ought, dono de um registo vocal desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, sendo o grande suporte do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

More Than Any Other Day é um compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente que reinou na transição entre as últimas décadas do século passado, um indie punk space rock sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Ought são assim, um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

1. Pleasant Heart 
2. Today, More Than Any Other Day 
3. Habit 
4. The Weather Song 
5. Forgiveness 
6. Around Again 
7. Clarity! 
8. Gemini


autor stipe07 às 17:02
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Segunda-feira, 23 de Junho de 2014

Fucked Up - Glass Boys

Editado pela Matador Records, chegou no passado dia três de junho às lojas Glass Boys, o quarto álbum da carreira dos canadianos Fucked Up, um dos nomes mais importantes do cenário punk rock atual e que aposta num hardcore que tem na voz agressiva de Damian Abraham e nas guitarras de Mike Haliechuk, que vão beber ao punk dos anos oitenta, dois dos traços identitários mais significativos.

Glass Boys marca mais uma etapa deste coletivo na replicação de um som barulhento e agressivo, depois da timidez de Hidden World (2006), de buscas melodiosas em The Chemistry of Common Life (2008) e da história de amor que foi David Comes To Life, o antecessor, editado em 2011, um álbum de mais de setenta minutos de duração e que mostrava a banda a explorar, com muito gosto e sucesso, as possibilidades infinitas do punk rock mais pesado. 

Habituados a transformar em hinos sonoros as diferentes manifestações de raiva adolescente que costumavam preencher o ideário lírico das suas canções, Glass Boys, mostra-nos uns Fucked Up mais maduros e controlados e ainda com novos truques na manga, nomeadamente alguns pequenos arranjos pop. Além da receita habitual, a introdução de Warm Change e o refrão pesado de Led By Hand mostram que os Fucked Up tentaram experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola, algo que a viola que introduz o tema homónimo também pode comprovar, uma canção que fala sobre o passado que há em cada um de nós e a influência que as experiências anteriores têm na definição daquilo que cada um de nós é hoje. As mudanças de andamento entre o refrão e os versos de The Great Divide também impressionam pela novidade e depois, além disso, será sempre obrigatório escutar DET e Paper The House para quem aprecia verdadeiramente o ADN específico destes Fucked UP que sabem encaixar as canções de forma a criar um alinhamento fluído e acessível, apesar da especificidade do som que os carateriza.

Em suma, neste Glass Boys os Fucked Up não fogem muito da sua habitual zona de conforto, mas continuam a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de quarenta e dois minutos intensos, rugosos e que não envergonham o catálogo sonoro deste grupo de Toronto. Espero que aprecies a sugestão...

01 Echo Boomer
02 Touch Stone
03 Sun Glass
04 The Art Of Patrons
05 Warm Change
06 Paper The House
07 DET
08 Led By Hand
09 The Great Divide
10 Glass Boys


autor stipe07 às 17:51
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Terça-feira, 13 de Maio de 2014

Chad VanGaalen – Shrink Dust

Editado no passado dia vinte e nove de abril, por intermédio da Sub Pop Records, Shrink Dust é o novo trabalho de Chad Van Gaalen, um canadiano natural de Calgary e um músico, autor e compositor de quem já sentia saudades, nomeadamente dos seus devaneios cósmicos. Desaparecido depois de em 2010 ter editado o excelente Diaper Islandandou, pelos vistos, a aprender a usar o pedal steel, além de ter trabalhado na banda desenhada de ficção científica Translated Log Of Inhabitants.

Antes de tecer algum tipo de comentário sobre o conteúdo do alinhamento de Shrink Dust é importante contextualizar o autor desta magnífica obra musical e esclarecer que Chad é, acima de tudo, um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que ele idealizou. E basta ouvir Shrink Dust para perceber que, realmente, Chad comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de folk psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada. Esta matriz sonora mais aventureira começou a ganhar forma no antecessor de Shrink Dust, o tal Diaper Island, já que antes disso, em Infiniheart (2004) e Soft Airplane (2008), apostou numa sonoridade folk eminentemente acústica e orgânica.

Assim, hoje a eletrónica é o terreno onde musicalmente VanGaalen se move com maior conforto e utiliza-a mesmo para reproduzir os sons mais orgânicos que podemos escutar no seu cardápio. Sintetizadores e teclados, são apenas uma pequena parte do arsenal bélico com que ele nos sacode e traduz, na forma de música, a mente criativa que nele vive e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que ele vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo, sendo a criatura mutante que estampa a capa do disco, uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por VanGaalen ao longo da sua carreira e que parece ser alvo de uma espécie de súmula em Shrink Dust

É naturalmente possível fazer uma paralelismo entre o seu trabalho como músico e como ilustrador de banda-desenhada; ambos são indissociáveis e Shrink Dust contém alguns temas que poderão fazer parte da banda sonora da versão animada da obra que ilustrou recentemente. O álbum inicia com uma toada calma, mas Cut Off My Hands coloca já a nú alguns detalhes que justificam o cariz psicadélico e aventureiro que anima Chad, com as guitarras de Where Are You, apresentadas logo a seguir, a reforçar o novo enquadramento da obra, cheia de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos e vozes com forte pendor lo fi, carregadas de eco e manipuladas digitalmente. Chad parte em busca de diferentes estímulos, de forma aparentemente arcaíca, mas todos os arranjos e detalhes terão sido certamente ponderados de forma muito cuidada, pois só assim se entende o audível aconchego da profusão de sons e de ruídos e poeiras sonoras, muitas sem sentido de ordem aparente, que se encontram em Shrink Dust. Mesmo em instantes com uma toada folk mais country, minimal e contemplativa, como na já referida Cut Off My Hands e em Lila e Weighted Sin, tudo encaixa devidamente e percebe-se diferentes colagens e sobreposições de sons.

Outra sequência algo inesperada, mas que só atesta a genialidade de Chad, é Leaning On Bells e All Will Combine, duas extraordinárias canções onde o artista pisca o olho ao rock psicadélico, com as guitarras a deixarem-se envolver numa nuvem de distorções leves e acolhedoras, enquanto a lisergia sintetizada em que se acomodam cria paisagens sonoras verdadeiramente alucinogénicas.

Shrink Dust é, portanto, um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos. Um passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da mortalidade, mas que até convida às pistas de dança, sem nunca se entregar ao exagero, até porque é explícita a toada experimental que ocupa este compêndio folk de enorme beleza espacial. Espero que aprecies a sugestão...

Chad VanGaalen - Shrink Dust

01. Cut Off My Hands
02. Where Are You?
03. Frozen Paradise
04. Lila
05. Weighed Sin
06. Monster
07. Evil
08. Leaning On Bells
09. All Will Combine
10. Weird Love
11. Hangman’s Son
12. Cosmic Destroyer


autor stipe07 às 21:47
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2014

The Wet Secrets – Free Candy

Naturais de Edmonton, no estado de Alberta, os canadianos The Wet Secrets são Lyle Bell (baixo e voz), Trevor Anderson (bateria e voz), Kim Rackel (trompete, tuba e voz), Emma Frazier (trombone e voz) e Paul Arnusch (teclados, conga e voz) e Free Candy é o segundo disco da banda, um álbum gravado e misturado por Nik Kozub e publicado no passado dia quatro de fevereiro. Misturado por Joao Carvalho, Free Candy sucede a Rock Fantasy, um trabalho editado já no longínquo ano de 2007.

Há sonhos que muitas vezes humedecem e segredos que quando se revelam também nos deixam algo extasiados e em polvorosa. Estes The Wet Secrets são capazes de provocar essa reação física a todos aqueles que, como eu, gostam de guitarras carregadas de groove e distorção, aliadas uma percussão visceral e a vozes enrouquecidas. Portanto, a receita desta banda canadiana assenta num rock cheio de sintetização, comma particularidade de consegurem combinar com particular mestria as típicas caraterísticas desse género sonoro com alguns instrumentos de sopro, algo que, neste caso concreto, resulta muito bem.

O meu grande destaque de Free Candy vai para Nightlife, um dos singles de avanço do dico e que teve direito a um EP homónimo, publicado em janeiro e disponível gratuitamente no bandcamp do grupo e partilhado abaixo. A cândura do orgão que sustenta Sunshine é também algo que merce audição atenta, assim como a intensa emoção melódica que transborda de What’s the Fucking Point (Zenko’s Theme), uma canção que foi baptizada depois de um amigo da banda ter morrido de cancro.

Bell canta muitas vezes sobre aspetos menos felizes da nossa existência, nomeadamente a morte e a tristeza, aliadas ao desapontamento por nunca nos sentirmos plenamente realizados nesta existência física que, tantas vezes, nos enclausura. Maybe We Make A Plan, o tema de abertura do disco, tem um andamento vigoroso, luminoso e alegre mas, na verdade, relata uma espécie de pacto de suicídio, no entanto, Kill My Love é a canção do disco onde a escrita dos The Wet Secrets revela, com maior profundidade, um lado obscuro que deverá ter, certamente, uma elevada componente satírica. 

Free Candy é um daqueles discos que deve imenso à capacidade que os seus intérpretes têm de conjugar e misturar, cm incrível mestria, os mais inusitados instrumentos; O baixo comanda o processo de composição melódica, a percussão sustenta e dá corpo às canções e depois, os arranjos feitos com alguns elementos eletrónicos, guitarras e, principalmente, os instrumentos de sopro, assumem uma alegria contagiante e que transborda facilmente para quem ouve.

Neste disco os The Wet Secrets oferecem-nos uma mistura entre o épico e o contemplativo e Free Candy relembra-nos a alegria que é estar vivo e serve para demonstrar que este quinteto canadiano acaba de dar mais um pequeno passo em frente no campo da excelência, onde residem e com todo o mérito. Espero que aprecies a sugestão...

The Wet Secrets - Free Candy

01. Maybe We’ll Make A Plan
02. Sunshine
03. Kill My Love
04. Nightlife
05. Get Your Shit Together
06. Floating In The Sky
07. Animals In Disguise
08. I Don’t Think So
09. Chains
10. Death Of The Party
11. What’s the Fucking Point? (Zenko’s Theme)


autor stipe07 às 21:24
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

Alvvays - Archie, Marry Me

Alvvays

Naturais de Toronto, no Canadá, os Alvvays preparam-se para se estrear nos discos já neste verão com Alvvays, um homónimo que será editado pela Polyvinyl Records. Tendo em conta o tema Archie, Marry Me, a primeira amostra revelada do disco, este quinteto aposta numa dream pop romântica e luminosa, feita com uma voz muito feminina, a exuberância das guitarras e um baixo vincado, certamente uma sonoridade propícia para os dias mais quentes e solarengos que se aproximam. Confere...


autor stipe07 às 14:50
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Chad Vangaalen – I Want You Back EP

O canadiano Chad Vangaalen prepara-se para regressar aos discos com Shrink Dust, o novo trabalho de estúdio do músico, com data de lançamento anunciada para vinte e nove de Abril, através da Sub Pop Records. No entanto, como sucedeu o Record Store Day, Chad não quis deixar passar e efméride em claro e, no âmbito do evento, divulgou um EP com quatro canções intitulado I Want You Back e também editado por intermédio da Sub Pop Records.

As quatro canções do EP são curtas e com uma sonoridade muito crua, com destaque para o rock visceral do tema homónimo, que conta com a participação especial do coletivo Xiu Xiu. Após o instante acústico intitulado Candle chega It Must Be Alright, um breve passeio pela essência do melhor rock psicadélico. O EP termina com She Calls For Me, mais uma canção onde fica explícita a habitual toada experimental e fortemente sintetizada, mas que nunca se entrega ao exagero, que Chad habitualmente propôe. Confere...

Chad Vangaalen - I Want You Back

01. I Want You Back
02. Candle
03. It Must Be Alright
04. She Calls For Me


autor stipe07 às 22:03
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Sexta-feira, 28 de Março de 2014

Kevin Drew – Darlings

Outrora líder dos canadianos Broken Social Scene, Kevin Drew não editava nenhum trabalho a solo desde Spirit If..., o seu disco de estreia, que viu a luz do dia no já longínquo ano de 2007. No entanto, já chegou, finalmente, o sucessor desse álbum; O novo registo de originais de Kevin Drew intitula-se Darlings e viu a luz do dia a dezoito de março através do selo Arts & Crafts. Este novo álbum de Drew conta com as participações especiais de Charles Spearin e Ohad Benchetrit, seus antigos parceiros nos Broken Social Scene, de Dean Stone dos Apostle Of Hustle e Dave Hamelin, dos Stills.


Good Sex tem sido o grande cabeça de cartaz deste disco e, na verdade, é uma excelente canção para nos introduzir na temática geral de Darlings, um trabalho que, de acordo, com Kevin, aborda, muitas vezes de forma autobiográfica, as questões do sexo e do amor e a importância das mesmas nas nossas vidas (the album is about the rise and fall of love and sex, in my own life and in today’s society).

De Body Butter até And That's All I Know somos constantemente provocados na líbido, não só no prazer que tal nos suscita mas, principalmente, na reflexão pessoal que tal temática invariavelmente nos suscita, nas suas diferentes dimensões, que vão do simples prazer erótico à troca sincera de sentimentos e de promessas entre duas pessoas que verdadeiramente se amam e que têm no sexo apenas mais uma das várias dimensões do amor que as unem

Kevin Drew parece seguir de perto uma fórmula própria que o acompanha há bastante tempo e que assenta em melodias orelhudas acompanhadas por vozes de fácil digestão e arranjos selecionados com particular cuidado, muito à imagem do que a banda que Kevin liderou nos habituou durante mais de uma década. Do rock (Bullshit Ballad) ao R&B, passando pelo mesmo rock mas numa toada mais pop (It's Cool), não há aqui grandes floreados e exageros e Kevin procutra ir sempre direto ao assunto, quer através das guitarras compactas que se escutam em It's Cool, ou de alguns detalhes típicos de uma eletrónica ambiental que My God tão bem evidencia.

Além destes temas com fronteiras minimamente definidas, Kevin também mostra algum gosto pelo risco quando puxa os galões à produção e apresenta uma original sobreposição de vozes, quer na tal Good Sex, mas também  em You Got Caught, ou quando procura misturar os diferentes géneros que mais aprecia, como em You in Your Were e You Gotta Feel It, mas sem perder um nítido controle e uma sóbria estabilidade. Desse modo, o álbum avança numa atmosfera próxima do ouvinte e confortável para o mesmo.

O labirinto sonoro de Drew é de simples resolução e torna-se agradável perceber os vários contornos que o definem e os pontos de localização que orientam a cartografia sonora de Darlings. Espero que aprecies a sugestão... 

Kevin Drew - Darlings

01. Body Butter
02. Good Sex
03. It’s Cool
04. Mexican Aftershow Party
05. You Gotta Feel It
06. First In Line
07. Bullshit Ballad
08. My God
09. You In Your Were
10. You Got Caught
11. And That’s All I Know


autor stipe07 às 21:16
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Quinta-feira, 20 de Março de 2014

Fucked Up - Paper The House

Depois de há três anos os Fucked Up terem editado David Comes To Life, uma espécie de ópera rock que se centrava na temática do amor, ou melhor, na falta dele, finalmente estão de regresso com Glass Boys, o quarto disco deste coletivo canadiano.

Paper The House é o primeiro avanço divulgado de Glass Boys, uma canção traçada com a típica crueza típica da banda e que prova que, no seu seio, o hardcore continua bem vivo e renovado nos gritos ásperos do vocalista Damian Abraham e nas melodias versáteis que comandam a estética sonora dos Fucked Up.

Glass Boys terá um alinhamento preenchido com dez canções e chega aos escaparates a três de junho por intermédio da Matador Records. Paper The House está disponível para download gratuito, via stereogum. Confere... 


autor stipe07 às 12:35
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Quarta-feira, 12 de Março de 2014

Teen Daze - Tokyo Winter

Teen Daze

O canadiano Teen Daze lançou a um de outubro de 2013 Glacier, o seu terceiro registo de originais, por intermédio da Lefse Records, um disco cheio de ambientes etéreos e texturas sonoras minimalistas, com um cariz um pouco gélido, uma espécie de álbum conceptual que pretendia ser a banda sonora de uma viagem a alguns dos locais mais inóspitos e selvagens do nosso planeta. Agora ele está de regresso com mais novidades, neste caso um novo EP intitulado Paradiso.

Tokyo Winter, o tema que encerra o EP, é o primeiro avanço de Paradiso, um instrumental psicadélico e hipnótico, feito com sintetizadores carregados de reverb e loopings, uma guitarra a tocar fora de tempo, vários samples de vozes e de sons orgânicos e uma bateria eletrónica irregular, na senda do conteúdo sonoro de Glacier. Os oito minutos de Tokyo Winter estão disponiveis por poucos dias para download gratuito no site de Teen Daze e Paradiso ficará disponivel do mesmo modo, nesse local, a partir de vinte e cinco de março. Apressa-te e confere...


autor stipe07 às 12:40
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Terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014

Mode Moderne - Occult Delight

Oriundos de Vancouver, no Canadá, os Mode Moderne são um trio formado por Felix, Clint e Phillip e Occult Delight é o terceiro trabalho do grupo. Reza a lenda que para os Mode Moderne tudo começou quando, no inverno de 2008, se fecharam num pequeno estúdio de gravação a beber chá e a experimentar várias substâncias psicotrópicas ao som de New Order, Jesus and Mary Chain e OMD. Daí resultaram nove canções que deram origem ao primeiro trabalho dos Mode Moderne, Ghosts Emerging EP.

Agora, em 2014, ganha vida uma verdadeira prova de fogo para os Mount Moderne. No passado dia vinte e um de janeiro foi editado este Occult Delight e se há algo aqui não é minimamente oculto é a noção de delicadeza, transversal a todo um álbum que tem na suavidade melódica, mas falsamente ingénua, uma permissa essencial para a compreensão de todo o ideário sonoro e lírico do trabalho.

Lançado pela insuspeita Light Organ Records, Occult Delight é um verdadeiro festim para um post punk que faz escola há trinta anos, mas que, neste caso concreto, se define por uma maior abrangência e um leque mais aberto de oportunidades de escolha, ao nível instrumental e de arranjos, em suma, sustentado numa disponiblidade clara para a abertura a vários rumos sonoros. No entanto, ele não deixa de chamar todo o protagonismo para si, de forma insuspeita e sem deixar margem a dúvidas, em temas como Grudges Crossed e She, Untamed, canções onde o cariz lo fi da voz de Philip acentua ainda mais o cardápio objetivo de referências em que o post punk se firma.

O preto e o cinza são, como não podia deixar de ser, cores que se formam a partir dos nossos ouvidos, mas tem de haver do lado de cá uma mente predisposta a assimilar o conteúdo deste álbum, onde há, como já terão percebido, um tempero pop que não permite que as mesmas cores que definem dois pólos opostos assumam um estatuto predominante; Logo a abrir, em Strangle The Shadows, os Cure são ressuscitados uma vez mais do nosso ideário assim como em Baby Bunny, mas há também um esforço relevante em dar as mãos a nomes como os Interpol e os Wild Nothing em temas como Severed Heads e o homónimo, para que a simples penumbra não se instale na defesa de um género musical que lançou a sua sombra sobre o cenário musical alternativo contemporâneo quando aquela Inglaterra operária de finais de anos setenta incubou um Ian Curtis desadaptado e a remar sozinho contra a maré proletária de Manchester.

Este equilibrio cuidado que os Mode Moderne produzem e cozinharam em Occult Delight é feito com justificado propósito usando a distorção das guitarras, os arranjos e detalhes sintetizados e a voz lo fi como veículo para a catarse de vários conflitos emocionais e conotações filosóficas, a fórmula que faz deste álbum um conjunto coeso de canções com uma estrutura muito bem construída, que não vão dececionar quem aprecia o rock alternativo dos anos oitenta, firmado num estilo sonoro que tanto tem um sabor algo amargo e gótico como, ao mesmo tempo, encontra raízes numa pop mais luminosa. Espero que parecies a sugestão...

Mode Moderne - Occult Delight

01. Strangle The Shadows
02. Grudges Crossed
03. Thieving Baby’s Breath
04. Severed Heads
05. She, Untamed
06. Occult Delight
07. Time’s Up
08. Unburden Yourself
09. Dirty Dream #3
10. Baby Bunny
11. Come Sunrise
12. Running Scared


autor stipe07 às 19:02
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Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

Majical Cloudz - Love Soul

Escrita durante o período em que Majical Cloudz compôs Impersonator e tema tocado várias vezes em concertos do músico de promoção desse disco, Love Soul é a canção que este projeto canadiano oferece hoje, gratuitamente, juntamente com um vídeo interativo verdadeiramente espetacular e cuja experiência recomendo vivamente. Love Soul é uma canção que carrega com uma enorme aúrea doce e nostálgica, o espírito deste dia, alicerçada no posicionamento assertivo da voz de Devon e na inclusão de preciosos detalhes finos. Confere...


autor stipe07 às 19:06
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Quinta-feira, 6 de Fevereiro de 2014

Chad Van Gaalen - Where Are You?

Já tinha saudades dos devaneios cósmicos do canadiano Chad Van Gaalen, desaparecido depois de em 2010 ter editado o excelente Diaper Island. Pelos vistos andou a aprender a usar o pedal steel, além de ter trabalhado na banda desenhada de ficção científica Translated Log Of Inhabitants. 

Where Are You? é o primeiro novo sinal de vida de Chad, uma música que se espalha como um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos. Um passeio pela essência da música psicadélica, que até convida às pistas de dança, mas que nunca se entrega ao exagero, até porque é explícita a habitual toada experimental que ocupa as habituais propostas da psicadelia atual.

Esta foi a canção escolhida para apresentar Shrink Dust, o novo trabalho de estúdio do músico, com data de lançamento anunciada para vinte e nove de Abril, através da Sub Pop Records. Confere...


autor stipe07 às 12:31
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Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Trips And Falls - The Inevitable Consequences Of Your Stupid Behaviour

Os Trips And Falls são mais uma banda que nasceu no flurescente mercado musical de Montreal, no Canadá. Depois de em 2010 terem lançado o disco de estreia He Was Such a Quiet Boy, descobri-os no início de 2012 quando divulguei People Have To Be Told, o segundo álbum do grupo. No final de 2013 regressaram aos lançamentos com The Inevitable Consequences Of Your Stupid Behaviour, o mais recente disco dos Trips and Falls, um trabalho editado já no passado mês de outubro por intermédio da Song, By Toad Records.

Static Is A Serious Issue é o primeiro tema do alinhamento deste álbum e o seu maior destaque, uma canção feita daquela indie pop sem grandes tropeções e cavalgadas, eminentemente acústica, mas que não soa demasiado folk. Assim, ouve-se este trabalho e não há propriamente aquelas canções que ficam logo no ouvido, porque aqui a música, enquanto melodia, é apenas outro veículo, além da voz, utilizado para contar histórias que façam sentido e que sejam facilmente identificadas como passíveis de acontecer a qualquer um de nós.

Além desta canção, também está disponível no soundcloud da Song, By Toad Records, Destruction Is Always More Exciting, outro tema do alinhamento deste novo álbum dos Trips And Falls, cujo artwork é da autoria de Chris dos Brothers Grimm. Espero que aprecies a sugestão...

 

“superb debut He Was Such a Quiet Boy was woefully underappreciated, and People Have to Be Told manages to better it” - The Skinny
“a simple construct of a clean, ringing guitars, single-note synth melodies and … a decent hook.” – The Line of Best Fit
“flits between hope to despair like rays of sun poking through a stormy skyline” - The List
“these songs are like a swimmer doing his laps diligently in their swim lane and the suddenly a whole army of people start to belly flop into the water.” - Americana UK 

SbTR-A-027 Outer Sleeve EX

Side A
01. Static is a Serious Issue
02. The Freedom of Homogeneity
03. Destruction is Always More Exciting
04. Happy People Scare Me
05. Tragically Unhip
Side B
06. No More Limbo, Yay!
07. The Rest is the Same as Above
08. So, You’re Like Monumentally Busy?
09. Snosberry Beret
10. It’s General in a Very Specific Way


autor stipe07 às 21:01
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Kevin Drew - Good Sex

Outrora líder dos canadianos Broken Social Scene, Kevin Drew, não edita nenhum trabalho a solo desde Spirit If..., o seu disco de estreia, que viu a luz do dia no já longínquo ano de 2007. No entanto, daqui a algumas semanas irá chegar, finalmente, o sucessor desse álbum; O novo registo de originais de Kevin Drew intitula-se Darlings e verá a luz do dia a dezoito de março através do selo Arts & Crafts. Este novo álbum de Drew conta com as participações especiais de Charles Spearin e Ohad Benchetrit, seus antigos parceiros nos Broken Social Scene, de Dean Stone dos Apostle Of Hustle e Dave Hamelin, dos Stills.

Good Sex é uma excelente canção para nos introduzir na temática geral de Darlings, um disco que, de acordo, com Kevin, aborda, muitas vezes de forma autobiográfica, as questões do sexo e do amor e a importância das mesmas nas nossas vidas (the album is about the rise and fall of love and sex, in my own life and in today’s society). Confere...


autor stipe07 às 13:06
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Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2013

Doldrums - Dive Deep Pt. 1


Lançado no início deste, Lesser Evil, o álbum de estreia do Doldrums e que divulguei em março, acabou por passar um pouco despercebido neste ano felizmente farto em lançamentos discográficos de elevada qualidade, no que diz respeito à pop mais etérea e experimental. Liderado pelo canadiano Airick Woodhead, este projeto que aposta no uso de vozes mergulhadas em ruídos e experimentações usando um importante arsenal instrumental, acaba de divulgar Dive Deep Pt.1, uma canção que aposta nas habituais referências sensoriais e minimalistas tão bem plasmadas em Lesser Evil.

Doldrums mantém-se assim como um refúgio de experiências sonoras climáticas e dançantes, com uma natureza muito própria, baseada na sobreposição de sons que hipnotizam e destabilizam em simultâneo e fazem da audição de Dive Deep Pt. 1 mais um tortuoso (elogio) e sinuoso (outro elogio) passeio sonoro assertivo e inventivo. Confere...


autor stipe07 às 19:27
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Quarta-feira, 4 de Dezembro de 2013

Destroyer – Five Spanish Songs EP


Os Destroyer de Dan Bejar não deram mais notícias após o lançamento do excelente Kaputt em 2011, pelo que o novo EP do grupo, que chegou aos escaparates a vinte e nove de novembro, por intermédio da Merge Records, é, por si só, um grande acontecimento. Esse trabalho chama-se Five Spanish Songs e, de acordo com o próprio título, consta de cinco canções, todas cantadas na língua castelhana.

De acordo com Bejar, a língua inglesa, sua língua nativa, está já um pouco gasta e ultrapassada e ele próprio diz não ter, de momento, inspiração para escrever em inglês. Assim, o líder dos Destroyer pediu ajuda ao músico e compositor espanhol Antonio Luque, seu amigo e líder dos Sr. Chinarro e gravou com ele algumas versões de temas dos Sr. Chinarro, revestidas com uma nova roupagem mais pop e sofisticada.

Five Spanish Songs é a antítese de Kaputt, um disco criado à base de guitarras estridentes, muitos timbres acústicos e uma percussão simples. Este EP é mais intimista, leve e orgânico, como se Dan entoasse estas canções numa noite de céu limpo, em pleno areal de uma praia embelezada pelo som de fundo das ondas e o leve crepitar de uma fogueira.

Na bela abertura, Maria De Las Nieves, o ouvinte entra nesse ambiente emostra logo nao só o timbre único da sua voz como a ticamíriade instrumrntal que irá arquitetar estas cinco canções. Del Monton explora ainda mais esse clima leve e veraneante e ao abusar dos timbres acústicos e do piano, o músico cria belas e quentes melodias.

El Rito aproxima-se do que Dan faz nos The New Pornographers e Babieca será o tema que menos se distancia de Kaputt, sendo Bye Bye aquela típica canção de despedida da noite de folia e de anúncio de um amanhecer nublado e triste, algo potenciado pelo intenso ambiente acústico da canção, assente apenas na voz e na viola.

Five Spanish Songs é um EP simples e ligeiro e que serve para tirar Dan Bejar da sua zona de conforto canadiana e de uma certa inércia artística em que se sentia. Este projecto passa ao vivo pelo Musicbox no próximo dia seis de Dezembro. Confere...

Destroyer - El Rito

01. Maria De Las Nieves
02. Del Monton
03. El Rito
04. Babieca
05. Bye Bye


autor stipe07 às 23:10
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Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013

Ocean City Defender - The Young Person's Guide to Modern Fashion & Etiquette

Depois de The Golden Hour, um EP que divulguei no início de 2012, o projeto Ocean City Defender está de regresso com mais uma coleção de canções, outro EP chamado The Young Person's Guide to Modern Fashion & Etiquette, lançado no passado dia vinte e um de setembro. Ocean City Defender é o projeto a solo de K. Preston Merkley, um músico canadiano natural de Ontário e The Young Person's Guide to Modern Fashion & Etiquette está disponível no bandcamp do músico, com a possiblidade de doares um valor pelo EP.

Os Tears for Fears, New Order, Echo & The Bunnymen, M83 e os Phoenix são referidos como as principais influências destes Ocean City Defender, que apresentam neste EP canções que combinam a melodia e o imediatismo inerente à pop dos anos sessentacom a profundidade e a atmosfera dos anos oitenta. A sua sonoridade é peculiar e um pouco mais nostálgica que a maioria das propostas que vêem deste país relacionadas com o género sonoro que procuram replicar.

Ao contrário do que sucedia em The Golden Hour, neste segundo EP do projeto o som é menos cru e muito mais detalhado. Além do já habitual reverb nas guitarras, há uma maior variedade de instrumentos de percurssão e o sintetizador ganhou uma importância superior. E, quanto a mim, ainda bem que houve esta opção sonoramente mais orgânica. Espero que aprecies a sugestão...

 01. The Nature Of Things
02. Unlimited Evenings And Weekends
03. Star Tropics
04. Some Local Heights And Failures


autor stipe07 às 22:01
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Quinta-feira, 7 de Novembro de 2013

Arcade Fire - Reflektor

Editado pela Merge Records no passado dia vinte e nove de outubro, Reflektor é o quarto álbum dos canadianos Arcade Fire, um trabalho que resultou de um aturado processo de gravações, que levou a banda até à Jamaica em 2012. Na altura o Haiti era a primeira opção mas, devido ao terramoto, não havia estúdios no país que pudessem servir de porto de abrigo aos Arcade Fire. Na Jamaica a banda arrendou uma espécie de castelo, construido nods final da década de setenta por uma alemã excêntrica e aí esculpiu um dos melhores discos editados em 2013.


Reflektor contou com a produção de Markus Dravs, que também já produziu Neon Bible e Suburbs e com James Murphy, o dono da DFA e líder dos extintos LCD Soundsystem, talvez, a par destes Arcade Fire, a banda mais influente da primeira década deste século. O ilídio entre Murphy e os Arcade Fire é antigo, com Butler e Murphy a já terem trocado publicamente alguns piropos, além de nunca terem escondido uma forte admiração mútua.

Partindo para a minha humilde análise do conteúdo do álbum, convém antes de mais dizer que Reflektor são dois discos totalmente distintos no mesmo trabalho e o cunho de Murphy nota-se mais na primeira noite do disco e os ambientes sonoros de Dravs na segunda noite.

Reflektor é um trabalho mais acessível e direto que os antecessores, mas consegue também manter o habitual encanto algo misterioso e místico que sempre marcou os discos desta banda canadiana. Desta vez os Arcade Fire estão longe de funerais, da poesia barroca e de histórias de subúrbios, para se definirem pela vontade de fazer algo diferente e pôr-nos a dançar. Mas essa mudança de ambiente sonoro não alterou a tonalidade da escrita de Butler e Chassagne; Se nos identificarmos com o conteúdo deste disco, obrigatoriamente dançamos, mas estamos sempre naquele limbo onde, há mínima escorregadela, podemos cair para um lado mais obscuro e depressivo. 

As novas canções dos Arcade Fire ficaram mais longas e também ganharam em beats, com o formato eminemtemente pop a ser definitivamente relegado para segundo plano e com a banda a ter uma nova aúrea, completamente remodelada. Reflektor é uma espécie de catálogo da história do rock nos últimos trinta anos, já que visita a obra de gigantes como os Talking Heads, David Bowie, U2 e demais veteranos do mesmo cenário, mas através de um mosaico declarado de referências que vão da cultura grega ao colorido neon dos anos oitenta, especialmente em We Exist (Será que sou só eu que ouço a linha de baixo de Billie Jean, de Michael Jackson nesta canção?). No entanto, o toque de distinção é dado pela percussão, já que este disco tem mais bateria e espaço para improvisar, certamente por influência de James Murphy, ele também um baterista de eleição. Já agora, rezam as crónicas que durante a gravação de Reflektor, nas pausas, Murphy mantinha longas conversas com Jeremy Gara, o baterista da banda. O próprio Butler revelou que Murphy foi preponderante na questão do ritmo que marca Reflektor.

Em todas as canções de Reflektor há um groove e uma ligeireza que pouco têm a ver com o a sociedade cosmopolita ocidental. O single homónimo talvez seja uma exceção a esta permissa já que, além de ser um dos temas mais potentes e viscerais que o grupo já produziu, conta com a paticipação de David Bowie um esplendoroso britânico que também está muito presente no rock de arena de Normal Person. As canções que mais se destacam nesta aproximação evidente a ambientes mais nativos são, na minha opinião, o tratado de world music chamado Flashbull Eyes e The Night Time, com a primeira a ir beber aos ares do caribe e a segunda a destacar-se pela fantásticas percussão e pelos ritmos africanos.

A segunda metade do disco é a sequência musical mais arriscada da carreira dos Arcade Fire, já que não encontra quase paralelo nos trabalhos anteriores, excepto no tal ambiente quae religioso que a escrita das canções cria. Heres Comes The Night Time II acalma de imediato as hostes, Porno seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso, mas sem ser necessário colocar a bola vermelha e Supersymmetry é o reflexo de Reflektor; Tal como o disco onde surge alinhada, a canção divide-se num período introspetivo e depois resvala para um final épico e pleno de exaltação. A anterior Afterlife, o meu tema preferido do álbum, é uma composição que vai dos cultos de vodu às pistas de dança  num transe melódico explícito, sendo, por isso, o tema que faz melhor a ponte entre os dois tomos, já que também se serve de uma percussão típica de climas tropicais. No fundo, as séries de ritmos afro-caribenhos são mais evidentes na primeira noite do disco e na segunda são mais implícitos, mas o espírito das antilhas prevalece também nesse tomo

Reflektor é um disco altamente preciso e controlado, pensado ao mínimo detalhe e que vai ao encontro das enormes expetativas que sobre ele recaiam, ainda por cima num ano em que a concorrência mais direta lançou discos, alguns deles com uma elevada bitola qualitativa. É um salto qualitativo em frente na carreira dos Arcade Fire por ter colocado um enorme ponto de interrogação nos fãs e apreciadores da banda relativamente ao futuro sonoro do grupo. Espero que aprecies a sugestão...

Arcade Fire - Reflektor

CD 1
00. Hidden Track
01. Reflektor
02. We Exist
03. Flashbulb Eyes
04. Here Comes The Night Time
05. Normal Person
06. You Already Know
07. Joan Of Arc

CD 2
01. Here Comes The Night Time II
02. Awful Sound (Oh Eurydice)
03. It’s Never Over (Oh Orpheus)
04. Porno
05. Afterlife
06. Supersymmetry


autor stipe07 às 21:50
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Segunda-feira, 14 de Outubro de 2013

Teen Daze - Glacier

O canadiano Teen Daze lançou a um de outubro Glacier, o seu terceiro registo de originais, por intermédio da Lefse Records. Ice On The Windowsill é o primeiro single desse disco e o tema foi disponibilizado gratuitamente pelo músico de Vancouver. A canção e o disco mantêm a habitual sonoridade pop, chillwave, etérea e ambiental, que já se escutava em All Of Us, Together e The Inner Mansions, os antecessores de Glacier, editados ambos em 2012.


Teen Daze não larga a sua predileção por ambientes etéreos e texturas sonoras minimalistas, agora com um cariz um pouco mais gélido, já que Glacier é uma espécie de álbum conceptual que pretende ser a banda sonora de uma viagem a alguns dos locais mais inóspitos e selvagens do nosso planeta. Este é um daqueles discos em que o título, a capa e respetivo artwork fazem-nos adivinhar o conteúdo sonoro de um trabalho que começa com Alaska, uma canção de ambiente aberto, como um grande planalto branco e que reproduz através de pequenos detalhes um vento que parece atravessar o ouvinte. Calma e reflexiva, é o ínicio de um disco que sempre tentará através da chillwave e da dream pop, levar-nos para o extreno norte do mundo em que vivemos.

No disco, dos arranjos à instrumentação e aos detalhes, tudo remete para o ecossistema gélido. A Tundra é o ecossistema vegetativo que fica junto aos pólos e a canção com esse nome é aquela que tem uma maior heterogeneidade em Glacier, talvez o grande momento psicadélico e hipnótico de toda obra, devido aos sintetizadores carregados de reverb e loopings, uma guitarra a tocar fora de tempo e uma bateria eletrónica irregular. Flora é outra canção instrumental, mas mais concisa e direta.

Alaska e o tal single Ice on the Windowsill, são dois temas que ficam bastante enriquecidos com a presença da voz de Daze, que amplia o cariz etéreo e sonhador das canções. Facilmente damos por nós a apreciar a grandeza de paisagens que só conhecemos pela televisão e até poderemos ser capazes de subir mais além e observar paisagens lunares, marcianas e jupiterianas, sem a necessidade de uma viagem espacial, o que muitas vezes pode causar um nó na cabeça a quem nunca conseguiu, través da música, imaginar tamanha beleza natural.

Glacier permite-te explorar paisagens terrestres em troca de uma viagem sonora que pode muito bem também transportar-te para outro planeta. É um disco onde Teen Daze propõe temas ambientais que nos permitem experimentar a sensação de estar sob o ar rarefeito, condição extrema que o ser humano pode enfrentar e muito propícia para alucinações.

Como se fosse uma espécie de documentário filmado do ar e que capta toda a natureza fria das regiões polares, Glacier consegue fazer-nos visualizar esse mundo único e inóspito, com uma beleza que não podemos ver mas somente sentir através dos estímulos que as oito canções deste álbum transportam consigo. Espero que aprecies a sugestão...


1. Alaska 
2. Autumnal 
3. Ice on the WIndowsill 
4. Tundra 
5. Flora 
6. Listen 
7. Forest At Dawn 
8. Walk


autor stipe07 às 17:59
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Quarta-feira, 9 de Outubro de 2013

RLMDL – Before Then Was Now

RLMDL pronuncia-se role model e é um projeto musical de Toronto, no Canadá, liderado por Jordan Allen, que tem em Before Then Was Now o seu mais recente trabalho, escrito e gravado entre junho de 2012 e março deste ano, em vários locais de Toronto e Ontário. Apesar de Jordan ser de Toronto, no centro do Canadá, a sua música tem um forte sabor a sal e a maresia e ao relaxante pôr do sol na linha do horizonte de um mar calmo, azul e profundo.


Before Then Was Won começa com a batida etérea, mas sincopada de Young Rebels e fica logo dado o mote para o que resta do disco; Uma pop, chillwave e algo lo fi, revivalista da eletrónica minimal dos anos setenta e da pop carregada de lantejoulas da década seguinte, com alguns detalhes de sintetização muito interessantes na voz e laivos de distorção subtis e austeros mas que conferem aos temas um charme muito próprio e vincado. O próprio artwork do disco é muito apropriado, porque o seu conteúdo tem uma sensualidade muito própria e feminina, feita quase sempre na penumbra de alguns detalhes sonoros moldados no sintetizador e que, funcionando como um psicotrópico benéfico para a nossa mente, exalam, tal como as mulheres, algo forte, mas bom e inebriante.

Cada canção do disco tem uma vibração única mas, em comum, comungam da capacidade de nos levar até um universo muito peculiar, criado por Jordan e que pode ser numa praia defronte do tal mar a que este trabalho sabe. Todos os temas têm uma natureza contagiante, por isso, se Before Then Was Now foi pensado para ser uma mulher personificada numa brisa marítima intensa num húmido final de tarde em Toronto, por cá, junto ao mediterrâneo, poderá ser a companhia perfeita para tomarmos banhos de sol mas, com o verão prestes a terminar, também será a banda sonora perfeita para algumas tardes de estudo e de trabalho a dois. Espero que aprecies a sugestão... 

RLMDL - Before Then Was Now

01. Young Rebels
02. Bilingual
03. Private Island
04. Local Celebrity
05. Polaroid
06. Trans Canada Misery
07. Cover Girl
08. Trouble With You
09. Pretender


autor stipe07 às 21:46
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