Domingo, 13 de Agosto de 2017

Vagabon - Infinite Worlds

Camaronesa de nascimento e a viver em Nova Iorque, Laetitia Tamko é, desde 2014, Vagabon, uma autora, cantora, multi-instrumentista e compositora que escreve canções que parecem servir para ilustrar uma multiplicidade de mundos e emoções com uma filosofia muito própria e que se amplia após sucessivas audições, tal é o vício que ela provoca em quem se deixa imbuir pela sua cartilha sonora e aceita abstarir-se de tudo aquilo que o rodeia enquanto a ouve, nomeadamente as oito canções de Infinite Worlds, o seu registo de estreia, editado já este ano à boleia da Father/Daughter Records.

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Amante da música tradicional camaronesa, mas também atualizada quanto às novas tendências indie, em Infinite Worlds Laetitia revela-nos, com enorme fluidez e expressividade, a singluridade do seu registo vocal e a sua luminosidade e clarividência instrumental e melódica, em canções que começaram a ver o seu arquétipo desenhado desde 2014, ano em que começou a fazer circular algumas demos, de modo físico e digital, por editoras independentes. Uma cassete intitulada Persian Garden viu mesmo a luz do dia nesse mesmo ano, via Miscreant Records, um compêndio lo-fi onde a autora plasmou, à boleia da guitarra e da voz, os fundamentos básicos da sua filosofia sonora, que agora, três anos depois, também chama a si o sintetizador e a bateria.

Assim, dentro de um indie rock pulsante e onde não falta uma curiosa toada punk, explicíta e gloriosamente inspirada em 100 Years, o que temos em Infinite Worlds são composições com uma energia muito própria e que acabam por exalar também, em determinados momentos, a herança identitária africana de Tamko, já que se debruçam sobre a mudança da família da autora dos Camarões para os Estados Unidos e o choque cultural e as dificuldades de adaptação de toda a prole à nova realidade civilizacional e, mais especificamente, da autora ao sistema escolar norte-americano. São temas repletos de colagens eletrónicas com elevada dose de hipnotismo, que são depois adornados por uma bateria intensa e riffs de guitarra rugosos, contrabalançados pela doçura e inocência da sua voz, como fica explícito logo no single Embers, mas que também mudam bruscamente de direção, para uma toada mais acústica e contemplativa como é o caso do piscar de olhos simultâneo ao R&B e ao rock progressivo em Fear & Force e que acabam também por conseguir, através de várias nuances interpretativas, oscilar entre estes dois universos. O mesmo sucede, numa outra abordagem, em Minneapolis, canção repleta de alterações de tonalidade e euforia, ao nível da eletrificação das cordas, mas também rítmicas.

De modo sujo e empoeirado e pleno de memórias de um passado marcante e feito de mudanças, notavelmente autoral na crueza sentimental e orgânica de Cleaning House, em Infinite WorldsVagabon acaba por fazer uma espécie de reciclagem tecnológica e estética de tudo aquilo que sonoramente a inspira, fazendo-o de modo intimista e natural e de modo a refletir não só uma vontade expressa de experimentar, mas principalmente de estabelecer a sua própria identidade, que também tem um lado solidário no modo como tenta ser uma voz de incentivo e de guia para todos aqueles que hoje precisam de sair do seu habitat natural para sobreviver ou realizar sonhos e acabam, com frequência, por se deparar com uma realidade que coloca mais obstáculos do que portas a uma vivência plena e realizada. As raparigas incomuns, que não são celebradas e as mulheres de cor, são, como referiu recentemente à Pitchfork, os seus principais alvos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:30
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