Segunda-feira, 6 de Junho de 2016

Cass McCombs – Opposite House

Cass McCombs - Opposite House

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está prestes a regressar aos discos com Mangy Love, o oitavo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Será um alinhamento de doze canções, que verão a luz a vinte e seis de agosto e sucedem ao excelente Big Wheel And Others, sendo o primeiro álbum do músico depois de ter assinado pela ANTI- Records.

Opposite House é o primeiro avanço divulgado de Mangy Love, canção que conta com a participação especial de Angel Olsen nas vozes de fundo e que reforça a habitual sonoridade de McCombs, assente em banjos e violões carregados de amargura e de uma interessante dose de bom humor e ironia, uma sonoridade simplista, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas doses de uma folk ruidosa, num oceano de melancolia ilimitada. Confere...


autor stipe07 às 19:18
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

We Are Scientists – Helter Seltzer

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos com Helter Seltzer, o quinto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Logo no trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter fica expressa a habitual boa disposição de uma banda que muitas vezes parece pedir para não ser levada demasiado a sério, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

A banda sonora destes We Are Scientists e de Helter Seltzer firma-se, pois, no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que em canções como Buckle ou a rugosa Classic Love se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor às composições.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de canções que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar, por isso, aproveitem bem o spotify abaixo e se a festa estiver divertida e onde quer que se encontrem, desde que este disco esteja a tocar e a cerveja esteja fresquinha é só avisar-me que se estiver nas redondezas irei ter convosco. Fico à espera de um convite e espero que aprecies a sugestão...

We Are Scientists - Helter Seltzer

01. Buckle
02. In My Head
03. Too Late
04. Hold On
05. We Need A Word
06. Want For Nothing
07. Classic Love
08. Waiting For You
09. Headlights
10. Forgiveness

 


autor stipe07 às 18:23
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

The Moth And The Flame – Young And Unafraid

Os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett, Michael Goldman e Andrew Tolman são uma das melhores descobertas musicais que fiz nos últimos anos, um grupo que me ficou sempre na retina assim que tive a oportunidade de escutar o disco homónimo de estreia deste grupo norte americano natural de Provo, no Utah e atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia. Esse é um dos álbuns que mais saiu da estante cá de casa nos últimos anos e que até deu origem a um dos takes do blogue na Everything Is New TV. Os The Moth And The Flame lançaram esse disco homónimo de estreia a 11.11.11. e entretanto já chegou o sucessor, um álbum intitulado Young And Unafraid e que foi concebido pela banda juntamente com os aclamados produtores Peter Katis (Interpol, The National), Tony Hoffer (M83, Beck) e Nate Pyfer (Parlor Hawk, Fictionist).

Young And Unafraid foi precedido de um EP com mais quatro canções, editado em setembro último e cujo conteúdo nos ofereceu, desde logo, algumas luzes sobre o conteúdo sonoro deste sucessor de The Moth And The Flame, que viu a luz do dia através da Elektra Records. Já agora, recordo que há dois anos, em 2013, a banda tinha lançado um outro Ep intitulado simplesmente &, um conjunto de canções editado pela Hidden Records e produzido por Joey Waronker (Beck, Atoms For Peace, R.E.M.).

Neste Young and Unafraid mantém-se, felizmente, a sonoridade pop atmosférica da estreia, com canções que envolvem o ouvinte em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa, como se percebe logo na visceralidade de Red Flag e na imponência de Silvertongue. O indie rock mantém-se, assim, como elemento ativo de um arquétipo de onde também sobressai uma presença forte da sintetização, com instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para nos arrastar sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico, com caraterísticas muito próprias. Há, assim, canções extremamente simples e que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos, enquanto outras soam mais ricas e trabalhadas, que nos fazem descolar um pouco mais de uma zona de conforto sonora e arriscam ambientes épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada, bem explícita, por exemplo, na matriz sintética de Live While I Breathe.

Seja qual for a fórmula aplicada, os The Moth And The Flame pegam firmemente no seu som e usam-no como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que recorda imenso o Beck Hansen do período Sea Changes, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.

Neste tempo em que abundam os downloads rápidos e as embalagens descartáveis é reconfortante ver uma banda tão interessada e orgulhosa da forma como apresenta a sua música, ainda mais quando o essencial (a música) é bastante recomendável! Uma bonita surpresa que regressa novamente e que espero que aprecies devidamente…

The Moth And The Flame - Young And Unafraid

01. Red Flag
02. Young And Unafraid
03. Empire And The Sun
04. Live While I Breathe
05. Wishing Well
06. Silvertongue
07. Run Anyway
08. Sorry
09. 10 Years Alone
10. Round
11. Life In The Doorway
12. We Are Not Only What We’ve Been Before


autor stipe07 às 20:16
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Sábado, 6 de Fevereiro de 2016

Twin Cabins – Harmless Fantasies EP

Viu a luz do dia a treze de novembro passado Harmless Fantasies, o mais recente discográfico do projeto californiano Twin Cabins, liderado por Nacho Cano e ao qual se juntam, atualmente, Jack Doutt, Dan Gonzalez Hdz, Cheyne Bush, Ben Levinson e Mona Maruyama. Refiro-me a um EP com oito canções, disponível na plataforma bandcamp gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo e que parece pretender abarcar num único e longo abraço toda a gama de mestres da melancolia pop norte americana.

Um súbito piscar de olhos torna-se involuntário e depois permanente enquanto o trompete de Made Me vai espreitando por uma melodia fortemente percussiva e envolvente e a verdade é que este detalhe sonoro que compõe o primeiro tema do alinhamento de Harmless Fantasies serve de base à maioria das canções. Logo depois, em Get Better, teclados luminosos e marcados por um tom atmosférico, mas alegre, continuam a ser amparados por uma bateria sintetizada que depois recebe a companhia ilustre de alguns efeitos e uma voz que, apesar do registo e efeito em eco, nunca deixa de se mostrar dotada de uma enorme acessibilidade poética e lírica. Isso percebe-se também em Painfully Obvious, canção permeada por versos deliciosos e uma instrumentação bastante harmónica, onde, claro está, a percussão, dominada por uma pandeireta, dita a sua lei e o tal trompete torna-se no seu principal aliado, numa dinâmica melosa e emotiva que parece querer denunciar uma necessidade confessional de resolução e redenção, exposta de modo delicado e emocionante, mas também um pouco triste. Esse trompete torna-se ainda mais convincente e vigoroso em You're Being Stupid, sendo, de certa forma, apesar de instrumento de sopro, um aparato tecnológico mais amplo para toda esta expressão musical que Harmless Fantasies contém, um EP que parece servir para a descoberta da mente de Nacho Cano, um homem cheio de particularidades e com uma enorme mente criativa, que se expressa intensamente mesmo quando o ambiente sinistro de (Fantasy) nos quer sugar para o interior de um âmago que se esforça de forma inédita para explicitar alguns dos maiores aspetos da fragilidade humana.

Uma das grandes virtudes destes Twin Cabins expressa-se no modo como abordam um convincente ineditismo, plasmado na honestidade derramada na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, mas também no modo como toda esta amálgama sintética e calculadamente minimalista que suporta este EP, nos traz luz... uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas pelo contacto e pela tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. Espero que aprecies a sugestão...

Twin Cabins - Harmless Fantasies

01. Made Me
02. Get Better
03. Painfully Obvious
04. You’re Being Stupid
05. (Fantasy)
06. Angelina
07. With Pleasure
08. Still


autor stipe07 às 21:45
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2016

Fine Points – Hover EP

Editado no início do verão do ano passado, Hover é o registo discográfico de estreia dos Fine Points, uma projeto norte americano oriundo da costa oeste e formado por Evan Reiss e Matt Holliman, dois músicos dos míticos Sleepy Sun. Refiro-me a um EP com sete canções, que viu a luz do dia à boleia da Dine Alone Records e que contém uma pop psicadélica invulgar, mas bastante atrativa, gravada numa antiga igreja em New Telos, em Oakland e que captou eficazmente a energia revigorante das ondas do pacífico e a paz cristalina que emana das paisagens de uma porção da imensa América que sempre transmitiu um calor intenso e mágico a quem se foi deixando, desde a década de sessenta do século passado, absorver por este ambiente cristalino único e invulgar.

Hover vale pelo modo como pisa um terreno fortemente experimental, banhado por uma psicadelia pop ampla e elaborada, onde um timbre cristalino debitado por guitarras inebriantes, uma percussão vigorosa e sedutora e uma panóplia de efeitos se cruzam de modo a fazer-nos ranger os dentes e elevar o queixo, guiados por um som luminoso, atrativo e imponente, mas que não descura aquela fragilidade e sensorialidade que, como se percebe logo em Astral Season, encarna um registo ecoante e esvoaçante que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.

Com um som intenso, épico e esculpido à medida exata, Hover arranca o máximo de cada componente do projeto. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas, como sucede em The Painted Fox ou These Day e se um baixo imponente se cruza com cordas e outros elementos típicos da folk em Just Like That, já Future Hands torna sonoramente bem audível um piscar de olhos insinuante a um krautrock que prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um EP que contém um acabamento límpido e minimalista, seguindo em ritmo ascendente, mas sempre controlado.

Hover oferece-nos aquele sol da Califórnia que tantos de nós se habituaram a ver apenas nos filmes, replicado por uns Fine Points divididos entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica, enquanto escrevem versos que parecem dançar de acordo com harmonias magistrais, onde tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo deste Hover um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, onde foram usadas todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente. Este é um verdadeiro compêndio pop, no sentido mais restrito, que nos acolhe numa ilha mágica, cheia de sonhos e cocktails e onde podemos ser acariciados pela brisa do mar. E quem não acredita que a música pode fazer magia, não vai sentir-se tocado por este EP, que tem nas suas canções visões de cristal, muitos corações e estrelas cintilantes, tornando-se num espetáculo fascinante, capaz de encantar o maior dos cépticos. Espero que aprecies a sugestão...

Fine Points - Hover

01. Astral Season
02. Just Like That
03. The Painted Fox
04. Amalia
05. Future Hands
06. These Days
07. In Lavender


autor stipe07 às 21:04
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2015

The Moth And The Flame – Young And Unafraid EP

Os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett, Michael Goldman e Andrew Tolman são uma das melhores descobertas musicais que fiz nos últimos anos, um grupo que me ficou sempre na retina assim que tive a oportunidade de escutar o disco homónimo de estreia deste grupo norte americano natural de Provo, no Utah e atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia. Esse é um dos álbuns que mais saiu da estante cá de casa nos últimos anos e que até deu origem a um dos takes do blogue na Everything Is New TV. Os The Moth And The Flame lançaram esse disco homónimo de estreia a 11.11.11. e já se encontram em estúdio a preparar o sucessor, juntamente com o produtor Peter Katis (Interpol, The National), Tony Hoffer (M83, Beck) e Nate Pyfer (Parlor Hawk, Fictionist).

Em maio deste ano viu a luz do dia Young & Unafraid, o primeiro single deste que será o segundo registo de originais e que, entretanto, deu origem a um EP com mais quatro canções, editado em setembro último e cujo conteúdo nos oferece algumas luzes sobre o conteúdo sonoro do sucessor de The Moth And The Flame, que verá a luz do dia através da Elektra Records. Já agora, recordo que há dois anos, em 2013, a banda tinha lançado um outro Ep intitulado simplesmente &, um conjunto de canções editado pela Hidden Records e produzido por Joey Waronker (Beck, Atoms For Peace, R.E.M.).

Neste EP Young and Unafraid mantém-se, felizmente, a sonoridade pop atmosférica da estreia, com canções que envolvem o ouvinte em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa e com o indie rock a ser elemento ativo de um arquétipo com instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para nos arrastar sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico, com caraterísticas muito próprias. Há, assim, canções extremamente simples e que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos, enquanto outras soam mais ricas e trabalhadas, que nos fazem descolar um pouco mais de uma zona de conforto sonora e arriscam ambientes épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada.

Seja qual for a fórmula aplicada, os The Moth And The Flame pegam firmemente no seu som e usam-no como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que recorda imenso o Beck Hansen do período Sea Changes, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.

Neste tempo em que abundam os downloads rápidos e as embalagens descartáveis é reconfortante ver uma banda tão interessada e orgulhosa da forma como apresenta a sua música, ainda mais quando o essencial (a música) é bastante recomendável! Uma bonita surpresa que regressa novamente e que espero que aprecies devidamente…

The Moth And The Flame - Young And Unafraid EP

01. Live While I Breathe
02. Run Anyway
03. Young And Unafraid
04. 10 Years Alone
05. Wishing Well


autor stipe07 às 15:56
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Domingo, 15 de Novembro de 2015

The Brian Jonestown Massacre – Mini Album Thingy Wingy

Os The Brian Jonestown Massacre surgiram em 1990, na Califórnia e são conhecidos pela mistura de psicadelia com o folk. Com um enorme cardápio discográfico já no historial da banda, do qual se destaca, por exemplo, Aufheben, um disco lançado na primavera de 2012 e décimo terceiro álbum de estúdio desta banda de Anton Newcombe, esta é um grupo que coloca em sentido todos os admiradores deste espetro sonoro e sobre o qual se lançam todos os holofotes sempre que dão sinal de vida e ampliam o seu catálogo.

Grvado em Berlim, nos estúdios de Anton e lançado pela A. Records, selo do próprio Newcombe, Mini Album Thingy Wingy é mais um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador, o grande líder de uma banda sempre em constante mutação e que conta atualmente no seu alinhamento com os guitarristas Jeff Davies and Peter Hayes, entre outros. Pish, o tema que abre o disco, clarifica o caldo psicadélico em que estes The Brian Jonestown Massacre se movimentam, onde além de guitarras plenas de fuzz e distorções planantes e lisérgicas, também encontramos pandeiretas, uma bateria encorpada e um baixo pleno de personalidade, instrumentos que nos oferecem texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na sonoridade desta banda.

Além do elevado pendor eletrificado das cordas dos The Brian Jonestown Massacre, há uma faceta acústica melodicamente intensa e propositadamente contemplativa na sua música. A viola de Prší Prší e Dust e os instrumentos de sopro que a acompanham, assim como os efeitos do teclado, oferecem-nos um forte travo setentista que nos permitem aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Mas é em Get Some, o destaque maior de Mini Album Thingy Wingy, que fica claramente plasmado o estilo, o método e a obsessão típicas de Newcombe, um dos poucos génios do rock atual e que apenas subsiste num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, sem nunca deixar de soar tão poderoso, jovial e inventivo como já o fazia há duas décadas. Na verdade, ele reinventa a sua banda em cada novo álbum e deixa sempre claro que é irrepreensível na interpretação das suas influências, que constantemente se renovam e se alteram. Espero que aprecies a sugestão...

The Brian Jonestown Massacre - Mini Album Thingy Wingy

01. Pish
02. Prší Prší
03. Get Some
04. Dust
05. Leave It Alone
06. Mandrake Handshake
07. Here Comes The Waiting For The Sun


autor stipe07 às 19:04
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Kisses – Rest In Paradise

Editado a nove de outubro último, Rest In Paradise é o novo registo discográfico dos Kisses, o terceiro de uma dupla norte americana oriunda de Los Angeles e que que usa a eletrónica como principal ferramenta na construção das suas canções, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade.

Num disco carregado de temas com airplay fácil e com tudo para darem a volta ao mundo, Jesse Kivel e Zinzi Edmundson, agora já casados e pais de um bebé, oferecem-nos, em quarenta e cinco minutos, um alinhamento com uma elevada componente sintética, mas onde também não faltam guitarras e outros detalhes mais orgânicos, sejam  acústicos ou eletrificadas, mas sempre com a exeriência pessoal do casal como centro nevrálgico da temática das canções, agora liricamente mais maduras, em oposição ao romantismo algo pueril que brotava de Funny Heartbeat, o registo anterior e que lançou estes Kisses para as luzes da ribalta.

Rest In Paradise tem vários momentos particularmente deslumbrantes e efusivos e outros mais contemplativos, mas igualmente intensos. Se o extraordinário single Groove devia ser já uma presença obrigatória em qualquer pista de dança, não só pelo ambiente dançante efusivo que cria, mas também pelo travo vintage psicadélico que contém, já as cançãoseguinte, Sun, mantendo a mesma fórmula instrumental mas reduzindo na cadência das batidas, expôe uma atmosfera diferente, mas bastante melódica e orgânica, algo nua e carregada de sentimento.  Já Control leva-nos de novo para debaixo da bola de cristal, mas agora num registo mais insinuante e com uma linguagem sonora mais marcada por detalhes percussivos que conferem ao tema uma intimidade groove e um desejo de abanar as ancas sem sair do sítio, bastante carregados. É uma abordagem um pouco diferente à dança e onde impera um charme e uma sofisticação muito próprios que os samples de instrumentos de sopro ajudam a ampliar.

Nile acaba por ser, na minha opinião, o grande momento de Rest In Paradise, um portentoso e contemporâneo convite à dança sem restrições e de peito aberto até que o cansaço nos faça sucumbir, um tema que impressiona pela grandiosidade e pelo modo como os efeitos exalam um saudável espontaneidade, alinhados por uma batida quente e um andamento melódico único e fortemente inebriante. Essa canção atesta a tremenda fluidez que estes dois músicos partilham entre si, enquanto casal e intérpretes de uma forma de arte universal e capaz de comungar connosco, como é a música. Ouvir estes Kisses acaba por ser uma sensação algo sedutora, com um efeito narcótico que provoca o nosso íntimo e num abraço profundo, nos acompanha pista fora sem destino previamente traçado e com trechos sonoros em que convém ir buscar as plumas para viajar convenientemente até aos anos oitenta.

Em suma, ao som do ambiente leve, épico e envolvente que marca os alicerces de Rest In Paradise, esta é uma cúpula incisiva entre rock e eletrónica, uma relação quente e assertiva, baseada num alinhamento que nos convoca para uma verdadeira orgia entre sub-géneros da pop, que ao longo das dez canções vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, enquanto saboremos mais um copo e apreciamos um final de tarde glamouroso. Espero que aprecies a sugestão...

Kisses - Rest In Paradise

01. Paradise Waiting Room

02. A Groove
03. Sun
04. Control
05. The Nile
06. Fred Roses
07. Sunset Ltd.
08. Jam
09. Eternal
10. Rest In Paradise


autor stipe07 às 19:55
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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015

Animal Liberation Orchestra – Tangle Of Time

Zach Gill, Steve Adams, Dan Lebo Lebowitz e Dave Brogan são os Animal Liberation Orchestra, uma banda californiana de regresso aos discos com Tangle Of Time, o quarto tomo da carreira de um projeto que não defrauda quem aprecia composições exuberantes e luminosas, mas onde também não faltam arranjos acústicos particularmente deslumbrantes e cheios de luz.

Tangle Of Time é um compêndio de indie rock inebriante com pitadas de folk bem impressas nas crodas de There Was a Time, no acordeão de Sugar On Your Tongue, mas também na riqueza detalhística do efeito da guitarra em Push e nos areanjos que compôem a bem disposta e divertida No Old Yet, assim como no agregado sonoro impressivo sintetizado do single The Ticket e na ode à pop oitocentista da dupla Coast To Coast e Undertow. Na verdade, o modo como as cordas vão surgindo nas várias canções e o diferente modelo de projeção das mesmas, acustica ou eletricamente, plasmam uma maturidade já bastante vincada, com os coros dos refrões a serem também uma imagem de marca que reforça uma calorosa ideia deste coletivo. Mesmo em cenarios melódicos mais contidos, como sucede em Simple Times, nunca é colocada em causa esta noção de luz e cor, uma sensação permanentemente orgânica de vitalidade e inspiração, que sabe como deixar o ouvinte a pensar, mesmo sabendo que está a ser diretamente convidado para se deixar absorver por um clima particularmente festivo. Depois, o modo convincente da interpretação vocal e o arrojo com que os restantes membros da banda se juntam ao vocalista, como sucede na já referida balada Simple Times, amplia imenso a boa impressão de um disco quente, efusivo e sonoramente rico e arrojado.

Com um forte travo à América profunda e ao típico ideário sonoro que não se faz rogado no momento de utilizar diversas fórmulas e variados estilos, Tangle Of Time é um fundamental marco no presente anuário, oferecido por uns Animal Liberation Orchestra que pretendem algo tão grandioso como quererem apropriar-se, com competência, alegria e criatividade, de um género musical com profundas raízes na terra do Tio Sam. Espero que aprecies a sugestão...

01. There Was A Time
02. Push
03. Not Old Yet
04. The Ticket
05. Simple Times
06. Keep On
07. Coast To Coast
08. Sugar
09. Undertow
10. A Fire I Kept
11. Strange Days


autor stipe07 às 22:09
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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2015

Silversun Pickups – Better Nature

Os californianos Silversun Pickups de Brian Aubert, Nikki Monninger, Christopher Guanlao e Joe Lester estão de regresso aos discos com Better Nature, um trabalho que irá ver a luz do dia no final do mês de setembro, através da New Machine Records, a própria editora da banda.

O esplendor do indie rock está de regresso com estes californianos Silversun Pickups, que ao quarto disco se mostram mais adultos, seguros do som que pretendem replicar e particularmente íntimos de uma monumentalidade que Cradle (Better Nature) anuncia sem reservas logo na abertura e as guitarras pesadas de Connection e as distorções de Pins And Needles reforçam. É um alinhamento de dez canções que procuram abordar o conceito de humanidade, explícito na temática de temas como Latchkey Kids e Friendly Fires e o melhor modo de se encaixar as vozes andrógenas de Aubert e Nikki Monninger com um arsenal instrumental que mistura, de modo assertivo, uma certa crueza e simplicidade com uma dose equilibrada de experimentalismo, patente não só nos efeitos selecionados para as guitarras, mas também com a inserção de alguns detalhes sintetizados, exemplarmente emparelhados, por exemplo, entre a percussão na soturna Friendly Fires, mas também nos tambores e no agregado de vozes e guitarras que sustetam o poderoso edifício sonoro que alimenta Tapedeck e qyue em determinado momento parece ter tudo para se desmoronar.

O baixo de Nikki e, acima de tudo, a presença da sua voz, por exemplo, no tema anteriormente referido, é também cada vez mais uma peça chave na condução melódica de temas que não receiam, em nenhum instante, apelar à memória daquela fita magnética mais bem cuidada e onde guardámos os nossos clássicos preferidos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação que os Silversun Pickups merecem, procura, essencialmente, o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado e entregar-nos canções caseiras e perfumadas por uma herança que nos diz muito, enquanto navegam numa espécie de meio termo entre o rock clássico, o shoegaze e a psicadelia.

Um dos grandes trundos de Better Nature e que amplia esse piscar de olhos fiel a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, devido à modernidade deste projeto californiano é o modo como Aubert mistura a sua voz com as letras e os arranjos das melodias, o que faz com que o próprio som da banda ganhe em harmonia e delicadeza o que a distorção pode afetar, apesar de, felizmente, o red line das guitarras fazer cada vez mais parte do cardápio sonoro dos Silversun PickupsNightlight, o primeiro avanço divulgado do álbum, é um tema onde o habitual shoegaze dos Silversun Pickups é dominado por uma guitarra com efeitos que criam uma sonoridade vigorosa e visceral particularmente épica, mas também se destaca pelo modo como aa voz e os coros acompanham as variações de ritmo e intenisdade da canção. E em Circadian Rhythm (Last Dance), a voz, neste caso a de Monninger, é outro trunfo declarado, uma canção com uma toada mais pop, onde não falta a predominância das cordas eletrificadas, com os teclados e a própria bateria, com as suas variações de ritmo, cadência e andamento, a contribuirem decisivamente para o cariz contemplativo e contemporâneo do tema

Neste álbum, os Silversun Pickups mantêm uma sonoridade melódica, séria e apimentada com boas doses de distorção e guitarras ascendentes, bases saturadas de efeitos e as vozes dos dois protagonistas maiores do projeto cada vez melhor encaixadas. É uma coleção de canções de fortes inspirações noventistas, como já foi referido, mas que prova que estes norte americanos já deixaram de ser um promessa e são hoje uma das grandes certeza do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Silversun Pickups - Better Nature

01. Cradle (Better Nature)
02. Connection
03. Pins And Needles
04. Friendly Fires
05. Nightlight
06. Circadian Rhythm (Last Dance)
07. Tapedeck
08. Latchkey Kids
09. Ragamuffin
10. The Wild Kind


autor stipe07 às 18:05
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