Terça-feira, 4 de Março de 2014

Gardens & Villa - Dunes

Lançado no passado dia quatro de fevereiro através da Secretly Canadian, Dunes é o novo álbum dos Gardens & Villa, um quinteto norte americano de Santa Bárbara, na Califórnia, formado por Chris Lynch, Adam Rasmussen, Shane McKillop, Levi Hayden e Dustin Ineman. Dunes foi gravado com Tim Goldsworthy (Cut Copy, DFA Records, LCD Soundsystem) em Michigan.

Oriundos de uma Santa Barbara que funciona um pouco como uma espécie de subúrbio rico de uma Los Ageles cosmopolita, os Gardens & Villa destacaram-se logo em 2011 quando lançaram o disco de estreia, homónimo, que foi muito bem aceite pela crítica.

Algures entre o andrógeno e o poético, Chris Lynch usa a sua voz para dar cor a sequências melódicas, em dez temas onde as guitarras são o fio condutor de praticamente todas as músicas, mas há também outros instrumentos que remodelam musicalmente a banda, que parece flutuar entre a estrutura de composição típica dos Foals e a pop madura dos Phoenix. Sintetizadores, metais, vozes em coro e uma bateria mais crua, são detalhes e particularidades musicais que ampliam consideravelmente os horizontes dos Gardens & Villa.

Estamos na presença de um álbum pop bem sucedido, um tratado com um propósito comercial, bem patente no single Colony Glen. Dunes é um disco melódico e acessível a vários públicos, que busca uma abrangência, mas que não resvala para um universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica.

Dunes é um trabalho onde os Gardens & Villa fazem crescer em cada nota, verso ou vocalização, todos os ingredientes que definem as referências principais da pop e destacam-se porque a tudo isto acrescentam aspetos da música negra, brincam com a eletrónica de forma inédita e conduzem-nos para a audição de um disco doce e na mesma medida, pop. Melódicos e intencionalmente acessíveis na mesma medida, transformam cada uma das canções deste trabalho em criações duradouras, ricas em texturas e versos acolhedores que ultrapassam os limites do género. A pop mantém-se na moda e não há vergonha nenhuma em constatá-lo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Domino
02. Colony Glen
03. Bullet Train
04. Chrysanthemums
05. Echosassy
06. Purple Mesas
07. Avalanche
08. Minnesota
09. Thunder Glove
10. Love Theme


autor stipe07 às 20:41
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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

Coachella 2014 - Cartaz Oficial

Já é conhecido o cartaz do próximo Coachella, um dos melhores festivais do mundo de música alternativa e que se vai realizar de onze a dezoito de abril. Do pop rock ao punk, passando pelo indie rock e a eletrónica, nessa semana vão-se encontrar na Califórnia algumas das melhores bandas e projetos musicais do mundo.

É um cartaz impressionante, só ao alcance de uma organização com fundos quase ilimitados e difícil de igualar. são imensas as bandas que eu adorava ver se fosse possível marcar lá presença e já há várias bandas a pronunciar-se, quer através das redes sociais quer de comunicados para a imprensa a enorme excitação por estarem lá presentes. Sem dúvida, um evento único e uma viagem que sugiro para quem tiver a possibilidade!

Anunciado cartaz de Coachella: quais destas bandas gostava de ver por cá? -


autor stipe07 às 17:06
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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

Kiev – Falling Bough Wisdom Teeth

Os norte americanos Kiev são Andy Stavas (piano, teclas e saxofone), Brandon Corn (bateria, percurssão), Derek Poulsen (baixo), Alex Wright -(piano, teclas, guitarras) e Robert Brinkerhoff (guitarras, voz), uma banda sedeada em Orange County na Califórnia, que acaba de editar Falling Bough Wisdom Teeth, por intermédio da Suspended Sunrise Recordings. Falling Bough Wisdom Teeth foi produzido por Chris Shaw (Wilco, Super Furry Animals, Phish) e sucede a dois EPs fundamentais para aprimorar a sonoridade dos Kiev e firmar uma posição sólida que permitiu criar as bases necessárias para a edição deste longa duração. Aint No Scary Folks In On Around Here, o EP lançado pelos Kiev em 2010 foi muito bem recebido pela crítica, com o single Crooked Strings a ter um elevado airplay em várias rádios norte americanas e The Be Gone Dull Cage & Others, o EP lançado noano seguinte, co-produzido por Darrell Thorp (Beck, Air, Radiohead), catapultou os Kiev para a ribalta do meio alternativo local, tendo sido nomeados a Best Indie Band de 2011 e 2012 de Orange County.

Os Kiev encontram na arte contemporânea uma forte inspiração para a sua música e, de acordo com Brinkerhoff,o vocalista da banda, o aspeto instrumental é muito importante para o grupo, com a percurssão a ser o ponto fulcral do processo criativo e do pulsar da sua música, sempre forte e visceral. Os Kiev veneram um pioneiro da música minimal, que fez carreira nos anos sessenta, chamado Steve Reich e que Brinkerhoff viu tocar em criança e, de acordo com o mesmo músico, procuram instrumentalmente, puxar pelo lado mais primitivo do nosso cérebro, mas sem deixarem de se debruçar, nas letras das músicas, em assuntos socialmente relevantes e inteletualmente estimulantes (The instrumental aspect is super visceral, it all revolves around grooves that immediately appeal to us. Percussion is definitely the pulse of this band - we all love West African, gamelan, and orchestral percussion music. Kiev speaks to the reptilian part of our brains. We just want to move around like animals, and that often drives the foundation of our music. But then there's the cerebral part, the lyrics and compositions that speak to personal and social themes).

Falling Bough Wisdom Teeth impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Apesar de toda a importância que os Kiev procuram colocar na componente instrumental, uma das grandes virtudes deste grupo é o falsete intrigante de Brinkerhoff, capaz de ser agreste e autoritário, em simultâneo, seja numa canção mais pesada ou noutra com uma toada mais doce e etérea.

Os Kiev servem-se do jazz, do art rock e da música ambiental e clássica para partirem à descoberta de texturas sonoras, com a audição deste disco a merecer alguma dedicação e tempo já que as canções interagem umas com as outras, como se todo o trabalho fosse uma só imensa composição sonora homogénea. Aqui abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual.

O título deste disco divide-se em duas partes e o artwork do trabalho é inspirado numa pintura a tinta de água chamada Falling Bough, da autoria do pintor naturalista Walton Ford. Durante a concepção do disco esta pintura esteve sempre junto da banda em local bastante visível, tendo sido uma grande forte de inspiração. A canção com este mesmo nome é um dos grandes destaques do disco, um tema que se deixa escorrer através do baixo insistente de Derek Poulsen e um sintetizador repetitivo que conjugados criam uma toada épica, com um registo muito perto do chamado post rock.

Tendo na retaguarda dois EPs tão bem sucedidos, este álbum de estreia dos Kiev poderá acabar por cimentar esta banda num lugar de destaque do rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Kiev - Falling Bough Wisdom Teeth

01. Pulsing: Cough Focus
02. Ariah Being 3
03. Solving And Running
04. Falling Bough
05. Tube Orms
06. Pulsing: Tired Lungs
07. Drag Bones
08. Animals In Garden
09. Pulsing: Wisdom Teeth
10. Trees Are Trees
11. Be Gone Dull Cage
12. Pulsing: Home Now
13. 3rnd (Bonus Track) 


autor stipe07 às 16:10
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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013

The Soft Pack - Call It A Day

Acabado de disponibilizar gratuitamente pela Heavenly Recordings, Call It A Day é um dos singles retirados de Extinction, o disco de estreia dos The Soft Pack, uma banda de San Diego formada por Matt Lamkin, Matty McLoughlin, Dave Lantzman e Brian Hill e que começou por se chamar The Muslims.

Call It A Day é um excelente tema, com uma sonoridade muito vintage e, por isso, na ordem do dia, já que são pouco mais de três minutos que vivem muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte, com a voz inebriante de Matt Lamkin, o líder carismático deste grupo, a assumir o controle das operações. Confere...


autor stipe07 às 18:33
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Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2013

Crystal Antlers - Nothing Is Real

Lançado a quinze de outubro pela Innovative Leisure, Nothing Is Real é o novo álbum dos Crystal Antlers, uma banda de Long Beach, na solarenga Califórnia, formada por Jonny Bell, Kevin Stuart e Andrew King. Nothing Is Real é o terceiro registo do trio e sucede a Two-Way Mirror, disco lançado em 2011.

Os Crystal Antlers continuam a apostar no punk rock ruidoso e acelerado, como principal premissa das suas criações sonoras, algo que já sucede desde o EP de estreia do grupo, editado em 2008. a partir daí a banda tem vindo a afundar-se numa massa anárquica de sons e vozes ruidosas, algo que os dois minutos frenéticos e que vão do pós-punk ao pós-hardcore, do single Licorice Pizza, tão bem nos mostra.


Saxofones instáveis, guitarras velozes e berros são ingredientes comuns na ementa que Nothing Is Real contém, transversais a quase todas as onze canções do álbum. Para fazer brotar as mesmas, rock e alto (loud) são duas palavras caras aos Crystal Antlers e o red line parece não ser problema, quer na fase de criação das distorções das guitarras, quer na mistura e produção da amálgama sonora que Johnny, Kevin e Andrew replicam com uma acidez que incomoda os ouvidos mais sensíveis e pouco disponíveis a ver além do óbvio e perceberem que há também aqui, no meio deste aparente caos, uma imensa capacidade criativa.

A voz de Bell é o complemento perfeito para este emaranhado sonoro, uma voz que parece resultar de uma espécie de rasgo das cordas vocais e que se destaca particularmente no refrão de Rattlesnake e em Persephone, um típico tema de rock de estádio e onde, ao ouvir-se a postura vocal de Bell é fácil imaginar que uma lágrima de dor escorre-lhe da garganta ao coração, tal é a emoção com que ele canta. Esta emoção também se sente perfeitamente em Prisoner Song quando Bell berra literalmente uma espécie de último suspiro (Lost my legs and my will to live). Estes são dois daqueles temas que elevam os Crystal Antlers a um outro patamar, na medida em que os distancia claramente de outras bandas do mesmo espetro sonoro.

Nothing Is Real é um título feliz para este disco, exatamente porque no seu conteúdo pouco ou quase nada do que parece, realmente é. Por trás da amálgama de ruídos que o disco contém existe um universo inteiro de detalhes, sobreposições e arranjos que vale a pensa descobrir e que faz dos Crystal Antlers um nome a reter no sempre intrincado universo sonor alternativo em que se situam. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pray 
02. Rattlesnake 
03. Licorice Pizza 
04. We All Gotta Die 
05. Paper Thin 
06. Persephone 
07. Anywhere But Here 
08. Don’t Think Of The Stone 
09. Wrong Side 
10. Better Things 
11. Prisoner Song


autor stipe07 às 21:01
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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

Mazzy Star - Seasons of Your Day

Em 2011, os Mazzy Star, uma banda icónica no universo dadream pop surpreenderam o grande público com Common Burn e Lay Myself Down, duas novas canções depois de um longo hiato, com mais de uma década. Logo aí especulou-se que poderia vir um novo álbum a caminho, o que acabou por se confirmar já no passado mês de setembro. Seasons Of Your Day é o novo trabalho discográfico dos Mazzy Star, inclui essas duas canções no seu alinhamento e sucede a Among My Swan, um álbum editado há quase dezassete anos. A gravação de Seasons Of Your Day contou com o alinhamento original deste projeto e com as participações especiais de Hope Sandoval na escrita e produção, um habitual colaborador dos Massive Attack e também com David Roback, Bert Jansch e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. O disco foi gravado na Noruega e na Califórnia e viu a luz do dia por intermédio da Rhymes Of An Hour Records.


No início dos ano noventa, a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e, nessa época, os Mazzy Star tornaram-se num projeto que todas as editoras queriam ter no seu cardápio. She Hangs Brightly (1990) e So Tonight That I Might See (1993) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global, uma espécie de segredo mal guardado, mas que não deixava de ser um segredo e que cimentou muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado.

Esta integridade foi sempre uma imagem de marca dos Mazzy Star e a dream pop ganhou imenso com isso, já que a dupla pode trabalhar essa sobnoridade quase até à perfeição, com o suposto epílogo a suceder em 1996, com o excelente Among My Swan. Mas dezassete anos depois, Sandoval e Roback voltam a encontrar-se, não só para evocar a nostalgia de outros tempos com uma disco sequencial e que consolida a tal integridade, mas possivelmente para criar, com este Seasons Of Your Day, a melhor obra da discografia dos Mazzy Star.

Portanto, em 2013 os Mazzy Star voltam a apostar em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem algo sombria pelo mundo tímido, cuja estética sonora nomes hoje tão influentes da dream pop, como os Beach House ou Lotus Plaza, têm procurado recriar.

Seasons Of Your Day requer tempo, mas é um disco acessivel e que não defrauda minimamente os verdadeiros apreciadores da dream pop letárgica e melancólica. Da leveza que se instala em In The Kingdom, na abertura do disco, ao florescer melancólico que passeia por Does Someone Have Your Baby Now e Common Burn, dois temas que caberiam muito bem nos registos dos Mazzy Star da década de noventa, escuta-se uma obra eminentemente acústica, com um resultado final compacto, nos arranjos, nas vozes e no som, sendo tudo feito essencialmente com acordes timidos de cordas e sinteitzadores cheios de charme, conforme é apanágio da habitual estética sonora deste casal único no universo sonoro alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Seasons Of Your Day

01. In The Kingdom
02. California
03. I’ve Gotta Stop
04. Does Someone Have Your Baby Now
05. Common Burn
06. Seasons Of Your Day
07. Flying Low
08. Sparrow
09. Spoon
10. Lay Myself Down


autor stipe07 às 21:42
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Terça-feira, 10 de Setembro de 2013

Ty Segall - Sleeper

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois de já ter um interessante cardápio sonoro anterior, este músico começou a destacar-se com o grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011, e depois com Twins, disco que lançou em 2012 e que divulguei na altura. Agora Ty está de volta com mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, o que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco chama-se Sleeper e viu a luz do dia a vinte de agosto por intermédio da Drag City Records.


Sleeper é já o oitavo álbum da carreira de Segall e um dos compêndios sonoros mais viscerais da sua carreira. Gravado durante alguns meses em vários locais da Califórnia, o álbum tem uma crueza bastante sombria que foi certamente influenciada pela morte do seu pai, a mudança do músico para Los Angeles e uma zanga recente com a sua mãe. Nele o músico esbanja toda a maturidade e classe musical que já possui e faz uma ligeira inflexão sonora, apostando agora mais em arranjos e vozes de cariz ainda mais experimental e menos fácil de catalogar.

Logo no início, no tema homónimo, os ecos de um assobio e os acordes de uma viola acompanhados pela sua voz etérea provam que há algo de novo e mais íntimo, em oposição á habitual distorção psicadélica e rugosa que é já uma espécie de imagem de marca deste músico norte americano. Fica-se com a estranha sensação que ele está mesmo aqui, ao nosso lado, enquanto toca e canta, ou então que fomos nós que tivemos acesso direto ao seu recanto mais pessoal e não a um qualquer estúdio impessoal e frio.

Um dos poucos temas que ainda remete para a tal psicadelia rugosa é 6th Street, porque o restante alinhamento é mais bem sucedido a levar-nos até à década de sessenta e ao território obscuro de uns Velvet Underground, por exemplo bem patentes em Cary e She Don't Care. Assim, um dos maiores elogios que se pode fazer a Sleeper é que realmente não terá havido, aparentemente, qualquer tipo de preocupação comercial, já que não é fácil catalogar a criativa míriade sonora que sustenta o disco e que Ty se deixou levar pelo próprio clima que as canção foram criando nele, conforme se pode comprovar na pouco habitual extensão de alguns temas, relativamente a este músico.

Felizmente, por muito que legitimamente Ty Segall, procure abarcar novos horizontes sonoros e expandir o seu cardápio de influências, é fantástico perceber que a tal não identificação de importantes diferenças realtivamente aos discos anteriores, assenta  em algo que nunca muda, o habitual nível de anarquia firmada na execução de todos os seus registos e o mesmo desequilíbrio particular de outrora, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias. Espero que aprecies a sugestão...

Large

01. Sleeper
02. The Keepers
03. Crazy
04. The Man Man
05. She Don’t Care
06. Come Outside
07. 6th Street
08. Sweet C.C.
09. Queen Lullabye
10. The West


autor stipe07 às 21:34
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Terça-feira, 6 de Agosto de 2013

Edward Shape And The Magnetic Zeros – Edward Shape And The Magnetic Zeros

Depois de Vagrant, um álbum que divulguei o ano passado e de Here, outro trabalho também editado no ano transato, o coletivo Edward Shape & The Magnetic Zerosliderado por Alex Ebert, está de regresso e em boa forma com um homónimo que firma definitivamente a sonoridade própria desta banda norte americana.

Os Edward Shape And The Magnetic Zeros sempre cultivaram uma certa religiosidade nos seus trabalhos e esta postura é cada vez mais uma imagem de marca do coletivo, presente logo na estreia, em 2009 com Up From Below. As vozes e os sons que se escutam neste homónimo firmam um ambiente peculiar onde já não cabe apenas a folk tradicional conjugada com a psicadelia. Simplificar tornou-se quase um imperativo já que a multiplicidade instrumental dos antecessores agora é mais contida e uma conjugação mais direta das cordas e da percurssão tornou-se na pedra de toque na conceção deste disco.

Edward Shape and The Magnetic Zeros também serve para provar que a tal religiosidade torna-se visível quando a mensagem que este grupo transmite nas suas músicas é, para ele próprio, mais relevante que os sons que se escutam. Partindo dessa premissa, o grupo organiza tematicamente o presente álbum como uma espécie de continuação imediata do disco anterior, sendo este o principal fio condutor com o passado musical dos Edward Shape And the Magnetic Zeros. Assim, a maioria das doze canções deste trabalho são composições marcadas por versos de apelo filosófico e com um forte sintoma de empatia, já que falam muito da relação entre os povos e, claro, da presença de Deus como principal componente no universo temático do grupo. Dentro desse esforço, Let’s Get High, If I Were Free e In The Lion, são três temas que o demonstram.

Claro que a busca por um trabalho com um objetivo lírico claro e específico não invalida que haja também um certo cuidado na componente sonora que, como já disse, foi um pouco simplificada mas mantém o bom gosto intrínseco aos Edward Shape And The Magnetic Zeros. Neste campo acrescento que há um certo encanto na forma diria que quase artesanal e caseira como os instrumentos se interligam para criar as melodias que alimentam a obra. É como se todo o álbum fosse parte de um material raro e recém-descoberto e por isso com um charme nunca escutado antes.

Edward Shape and The Magnetic Zeros não tem singles orelhudos com tinham os antecessores, mas é uma sólida coleção de temas que se assumem como uma espécie de catálogo das típicas colagens auditivas que sustentam o o universo sonoro proposto por este grupo californiano e fazem dele uma referência obrigatória do universo sonoro indie norte americano. Espero que aprecies a sugestão...

Edward Sharpre And The Magnetic Zeros - Edward Sharpre And The Magnetic Zeros

01. Better Days
02. Let’s Get High
03. Two
04. Please!
05. Country Calling
06. Life Is Hard
07. If I Were Free
08. In The Lion
09. They Were Wrong
10. In The Summer
11. Remember Remember
12. This Life


autor stipe07 às 21:29
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Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

The Blank Tapes – Vacation

A banda que sugiro hoje é liderada por Matt Adams, que se faz acompanhar por Pearl Charles e DA Humphrey. Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records no passado dia catorze de maio. Chamam-se The Blank Tapes e Vacation é o seu mais recente disco, gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland. Matt é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Ele toca todos os instrumentos neste projeto e lançou o primeiro disco, Home Away From Home, em 2010. O sucesso foi tanto que os The Blank Tapes andaram pelo Brasil, pelo Japão e pela Europa, com os Thee Oh Sees. De regresso a casa foram para o estúdio e compuseram este Vacation, sendo Don't Ever Get Old, o primeiro tema retirado do álbum.

Uh-Oh, cá vamos nós a caminho da praia ao som dos The Blank Tapes, um projeto californiano que, como já disse, nos leva de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde a banda reside. E vamos com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos The Blank Tapes, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove da guitarra e da voz sintetizada de Tamarind Seeds.

 Brazilia é mesmo isso, uma canção com fortes reminiscências no nosso país irmão, um tema com influências da própria bossa nova e alguns tiques e lampejos típicos da eletrónica. Parece-me bastante plausível que os The Blank Tapes tenham ouvido alguns ícones da música brasileira quando andaram lá em digressão, assim como os Beatles na sua fase mais psicadélica, como fica bem claro em Don't ever Get Old e em Coast To Coast. Vacation, o tema homónimo, tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção. Earring mantém a toada revivalista, com um certo travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Jimmy Hendrix, numa sonoridade grandiosa e controlada, ao mesmo tempo.

Até ao epílogo escuta-se um trabalho de referências bem estabelecidas, uma arquitetura musical que garante ao grupo a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite-lhes terem margem de manobra para futuras experimentações. Vacation é coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta e é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Uh Oh
02. Coast To Coast
03. Tamarind Seeds
04. Pearl
05. Double Rainbow
06. Brazilia
07. Don’t Ever Get Old
08. Vacation
09. Earring
10. Holy Roller
11. Workin


autor stipe07 às 14:12
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Foxygen - We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por  Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.

A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.

In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.

On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophies tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.

O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic termina com a hipnótica Oh No 2canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.

We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado.  Espero que aprecies a sugestão...

In The Darkness

No Destruction

On Blue Mountain

San Francisco

Bowling Trophies

Shuggie

Oh Yeah

We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Oh No 2 

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autor stipe07 às 18:08
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Quarta-feira, 20 de Março de 2013

The Growlers – Hung At Heart

Os The Growlers são uma banda norte americana da Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra). Hung At Heart é o terceiro álbum da discografia do grupo, foi gravado em Nashville, editado em novembro de 2012 através da Everloving Records e produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. A propósito desta interessante parceria com Auerbach, a Everloving, publicou recentemente, uma afirmação muito peculiar: Indie Iron Chef Dan Auerbach had initially tried his hand in the kitchen but when the dish ended up overcooked, the Growlers brought it back to the home kitchen, drank the juice and started over.

Cosmic_Hi_Five.jpeg

Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles terão pegado em tudo aquilo que Dan produziu e remexeram totalmente, acrescentando uma certa toada lo fi, mas que não apagou o caráter festivo e animado deste álbum.

Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e deve obedecer a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria. Logo no início, em Someday, Brooks goza com as habituais contradições do amor (when tall boys turn into champagne, when bologna turns into steak), mas a guitarra de Matt não deixa a canção resvalar para o facilitismo que a letra pode indiciar. Mais abaixo, Living In A Memory, é outra ode festiva, mas está lá um baixo para impôr algum respeito.

Embora grande parte da diversão musical patente em Hung At Heart pareça de fácil idealização, alguns ecos crescentes e explosões percurssivas plasmam uma notória mestria na arte de composição por parte dos The Growlers. Mesmo alguns laivos de psicadelia não parecem nada inocentes. Espero que aprecies a sugestão...

01. Someday
02. Naked Kids
03. Salt On A Slug
04. One Million Lovers
05. No Need For Eyes
06. Living In A Memory
07. Pet Shop Eyes
08. In Between
09. Burden Of The Captain
10. Row
11. It’s No Use
12. Use Me For Your Eggs
13. Derka Blues
14. Beach Rats


autor stipe07 às 23:30
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Kids Without Instruments - Kids Without Instruments EP

Os Kids Without Instruments são o sonho concretizado de uma dupla de Long Beach, na Califórnia, que se conheceu no Tumblr. Eles são FrankJavCee, um cantor, produtor e escritor de vinte anos e Marion A. Shootingstar, uma cantora de dezanove anos e juntos resolveram começar a fazer música em 2011. Kids Without Instruments é o EP de estreia deste projeto.

A dupla começou a compôr música em conjunto ainda antes de se conhecerem pessoalmente, apenas recorrendo à eletrónica e a sintetizadores de 8-bits. Uma interação mais intensa e pessoal começou quando os dois começaram a estudar juntos cinema na California State Long Beach.

Este EP chamou a atenção da indústria musical indie e recentemente assinaram pela Kobalt Music Publishing, etiqueta que alberga vários nomes de relevo, nomeadamente Skrillex, Bon Iver, Cut Copy, Gotye, Dada Life, Moby, Yeasayer, Kid Cudi, Band of Horses, LMFAO, Beck, Peaches, Tiesto, entre outros.

Um arrojado e curioso sonho que esta dupla alimenta é poderem um dia liderar um projeto de cariz solidário que possa oferecer a crianças de todo o mundo teclados alimentados a energia solar para que, de acordo com a dupla, as crianças descubram o poder da música eletrónica.

Na verdade, os Kids Without Instruments têm esse nome como banda exatamente porque fazem questão de raramente usar instrumentos convencionais, quer em estúdio quer em palco, servindo-se quase sempre de um computador portátil com um MIDI, ou seja, uma especificação para sintetizadores que assegura a reprodução de diferentes instrumentos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:39
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

Local Natives – Hummingbird

Conheço os Local Natives desde que em 2010 apresentei Gorilla Manor (2009) e desde aí fiquei sempre muito atento a este quinteto de Los Angeles. Assim, era com justificada expetativa quer aguardava por Hummingbird, o disco mais recente de um grupo californiano, que faz da leveza instrumental, do sofrimento traduzido em versos e da formatação primorosa que brinca com a excelência das formas instrumentais, a sua imagem de marca. Humminbird foi produzido por Aaron Dessner, dos The National e chegou às lojas no passado dia vinte e nove de janeiro pela Frenchkiss.

A sonoridade dos Local Natives sempre se manteve dentro de uma atmosfera bem delineada e de uma constante proximidade lírica e musical, algo bem patente no Gorilla Manor, uma obra que alicerçou definitivamente o rumo sonoro do grupo. Hummingbird concretiza tudo aquilo que foi proposto há três anos e acrescenta uma maior componente épica, feita com texturas monumentais e arranjos que parecem aproximar o grupo das propostas de Robin Pecknold (Fleet Foxes) e Win Butler (Arcade Fire) e fazer uma espécie de simbiose das mesmas. Continua a ouvir-se os detalhes étnicos e conceptuais, mantendo-se uma relação estreita com as propostas mais recentes dos Vampire Weekend e a obra dos Talking Heads. Já agora, acrescento que Warning Sign, dos Talking Heads, foi alvo de uma versão pelos Local Natives.

Em Hummingbird há coerência no alinhamento e cada tema parece introduzir e impulsionar o seguinte, numa lógica de progressão, mas nunca perdendo de vista as melodias suaves e a dor, dois vectores essenciais do conceito sonoro dos Local Natives. Dessa forma, enquanto Heavy Feet cresce de maneira a soterrar-nos com emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, Ceilings puxa o álbum para ambientes mais melancólicos e amenos. Existem ainda composições que lidam, em simultâneo, com esta duplicidade, caso de Breakers, um tema que nos transporta até altos e baixos instrumentais, que atacam diretamente os nossos sentimentos.

E são estes sentimentos que suportam cada mínima fração instrumental e poética de Hummingbird; Das confissões de You & I, à honestidade de Bowery, praticamente tudo aquilo que se ouve lida com aspectos dolorosos da vida a dois, algo que aproxima também os Local Natives dos lamentos adultos que abastecem a obra dos The National, algo a que não será alheia a já referida presença de Aaron Dessner na produção.

Hummingbird é também um deleite para os apreciadores de belas vozes; Os músicos da banda vão-se revezando na sobreposição de cantos e de maneira orquestral direcionam os rumos marcados pelos instrumentos. As vozes servem como estímulo para o começo, o meio e o fim das canções e não são apenas um instrumento extra, mas a linha que guia e amarra o álbum do princípio ao fim.

Embora tenha a concorrência de um universo musical saturado de propostas, Hummingbird consegue posicionar os Local Natives num lugar de destaque, porque traz na constante proximidade entre as vozes e as melodias instrumentais, imensa emoção e carateriza-se por ser um registro que involuntariamente chama a atenção pela beleza e que, por isso, deve ser apreciado com cuidado e real atenção. Espero que aprecies a sugestão...

01. You And I
02. Heavy Feet
03. Ceilings
04. Black Spot
05. Breakers
06. Three Months
07. Black Balloons
08. Wooly Mammoth
09. Mt. Washington
10. Columbia
11. Bowery


autor stipe07 às 18:55
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

Earlimart – System Preferences

Os Earlimart são uma dupla de Los Angeles formada por Aaron Espinoza e Ariana Murray, elementos também dos Admiral Ralley, grupo encabeçado pelo ex Grandaddy, Jason Lytle. Já lançaram oito discos ao longo da carreira e System Preferences é o álbum mais recente deste grupo, tendo sido editado no passado dia dezoito de setembro, através da The Ship, o selo da própria banda.

Aaron Espinoza e Ariana Murray fazem um indie suave, intenso e introspetivo, um pouco diferente de sonoridades mais abertas e luminosas, que ultimamente estão muito em voga na costa oeste dos Estados Unidos, nomeadamente da Califórnia, estado de onde vêm. Em System Preferences, os arranjos elaborados, as batidas quase eletrónicas e a aura melancólica afastam a música dos Earlimart da pop na mesma medida em que as linhas vocais tornam as músicas mais adocicadas e fáceis de ouvir.

Os Grandaddy são uma referência óbvia, mas com os tais oito álbuns já no mercado, é indismentível dizer-se que os Earlimart já possuem um som próprio e característico, feito com detalhes interessantes e uma escrita impecável. Este System Preferences não é muito diferente dos álbuns anteriores, sendo um disco perfeito para se escutar sozinho, ou para servir de fundo para uma conversa amigável num dia isento de grandes chatices ou planos. Espero que aprecies a sugestão...

01. U&Me
02. Shame
03. 10 Years
04. A Goodbye
05. 97 Heart Attack
06. Lovely Mary Ann
07. Crestline, CA.
08. I’m a Safe Inside
09. Get Used To The Sound
10. Sweater Weather
11. Internet Summer
12. Over Andover

 


autor stipe07 às 23:22
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012

The Soft Moon - Zeros

Citado Curtas... LIII, foi a trinta de outubro que a Captured Tracks lançou Zeros, o segundo álbum de estúdio do quinteto Soft Moons e que sucede ao álbum homónimo, editado em 2010. Esta banda natural de São Francisco, na California, tem uma sonoridade distante desse ambiente solarengo, já que fazem um pós punk sombrio, muito na linha de outros grupos, como os Crystal Stilts, Cold Cave ou A Place To Bury Strangers, todos oriundos de Nova Iorque, na outra costa dos Estados Unidos da América.

Em Zeros os Soft Moon partiram em busca de uma sonoridade menos comercial e mergulharam num oceano de ruídos, com um certo toque de psicodelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas. Zeros segue as pegadas e o rumo estabelecido em The Soft Moon, deixa ao ouvinte pouco tempo e espaço para respirar e da canção de abertura, It Ends, até a chegada da canção de encerramento ƨbnƎ tI, uma versão espelhada inclusive musicalmente da música inicial, o disco não abranda um instante.

Por mais óbvia que seja a associação, não é difícil lembrar imediatamente a herança deixada pelos Joy Division, principalmente o conteúdo do ainda hoje revolucionário Unknown Pleasures, de 1979. Da capa minimalista em preto e branco, passando pela inexistência de uma ordem correta no trabalho, Zeros tem tudo para ser uma versão reformulada do clássico, não de maneira plagiada, mas como uma homenagem e referência.

As guitarras são o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se Insides remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Remembering The Future usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. Soma-se às guitarras e ao baixo os sintetizadores que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Zeros.

Zeros soa, de certa forma, como uma versão mais aprimorada da estreia, um som mais enraivecido, intenso e incansável, ou seja, a banda, ao invés de infletir o seu rumo sonoro, amadureceu as suas opções e, ao mesmo tempo, sem romper ou superar os seus limites dentro de uma zona de acerto, experimentam em pequenas doses e apontam algumas dicas e bases para o que poderão vir a desenvolver futuramente.

Para quem aprecia e quer manter-se atualizado sobre o que o mercado oferece em termos de ruídos sombrios e massas volumosas de som obscuros, Zeros é um disco obrigatório. Espero que aprecies a sugestão...

01 – It Ends
02 – Machines
03 – Zeros
04 – Insides
05 – Remembering the Future
06 – Crush
07 – Die Life
08 – Lost Years
09 – Want
10 – ƨbnƎ tI


autor stipe07 às 13:02
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2012

Ty Segall - Twins

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011, Ty está de volta com Twins, mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, o que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual.

Twins foi lançado pela Drag House e, inicialmente, não se identifica logo importantes diferenças realtivamente ao antecessor. No entanto, assim que começa e se ouve as guitarras de Thank God for Sinners, torna-se claro um ambiente mais grandioso, menos caseiro, mais festivos e com acordes e linhas melódicas mais acessíveis.

Uma menor tendência lo fi e uma maior aproximação ao clima natural de um Jack White ou de uns Guided By Voices, são duas evidências e Ty não receia transitar entre o presente e o passado, através da definição de um som atento às tendências atuais, mas que também bebe da nostalgia instrumental firmada há três ou quatro décadas. Por exemplo, a sonoridade ensolarada da década de sessenta e o rock de garagem dos anos setenta estão por todo o lado. Ao acrescentar guitarras sujas às melodias de vozes testadas por diversas bandas ao longo da década de sessenta, nomeadamente os The Beach Boys, o músico estabelece um trabalho recheado pelo contraste, algo bem audível no single The Hill, uma canção que nos espanca com a extraordinária sequência de ruídos estrondosos.

Em Twins, Ty Segall tenta, a todo o custo, parecer grande, nomeadamente quando abraça a psicadelia em  Ghost e em There Is No Tomorrow, duas canções que deixam de lado os tais limites do rock caseiro e convertem-se em momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa.

Felizmente, por muito que legitimamente Ty Segall, procure abarcar novos horizontes sonoros e expandir o seu cardápio de influências, é fantástico perceber que a tal não identificação de importantes diferenças realtivamente aos discos anteriores, assenta  em algo que nunca muda, o habitual nível de anarquia firmada na execução de todos os registos que precedem Twins e o mesmo desequilíbrio particular de outrora, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias. Espero que aprecies a sugestão...

01. Thank God For Sinners
02. You’re The Doctor
03. Inside Your Heart
04. The Hill
05. Would You Be My Love
06. Ghost
07. They Told Me Too
08. Love Fuzz
09. Handglams
10. Who Are You
11. Gold On The Shore
12. There Is No Tomorrow

Ty Segall - (Twins) ablum by manic_tone


autor stipe07 às 21:43
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Quarta-feira, 14 de Novembro de 2012

Sea Wolf – Old World Romance

Os Sea Wolf são uma banda folk da Califórnia liderada pelo cantor e compositor Alex Brown Church, ao qual se juntam, atualmente,  Church, Lisa Fendelander (teclado), Theodore Liscinski (baixo), Joey Ficken (bateria), Nathan Anderson (guitarra) e Joyce Lee (violoncelo). Recentemente lançaram Old World Romance, o novo disco da banda e que sucede a White Water, White Bloom. Old World Romance foi produzido e gravado no próprio estúdio de Alex e misturado por Kennie Takahashi, que já trabalhou com os The Black Keys e os Broken Bells. Old Friend, o grande destaque deste trabalho, está disponível para download no sitio do grupo.

Old World Romance é sonoramente um álbum linear; Ouve-se de uma ponta à outra sem grandes sobressaltos. Seja como for, há algumas canções que se destacam, como a já citada Old Friend, Saint Catherine, a bem humorada Dear Fellow Traveler e Priscila, uma belíssima canção de amor. O romantismo é a grande pedra de toque dos Sea Wolf e isso é bem evidente na forma como as cordas e os acordes acústicos se destacam e na postura vocal de Alex. Dentro da ta linearidade não deixa de haver uma certa abundância de belos detalhes sonoros típicos da estrutura convencional das canções pop.

Alex Brown, o grande mentor dos Sea Wolf, deverá ser uma pessoa extremamente reservada e pouco expansiva. A movimentada e bulicosa cidade dos anjos não será certamente grande fonte de inspiração para uma sonoridade tão outonal e introspetiva, com uma produção tão precisa e discreta e que deverá encontrar raízes em alguém que gosta de vaguear até tarde, reencontrar amigos do passado e tentar ocupar o pensamento a aprofundar sentimentos e assim uma maior valorização pessoal. Old World Romance deve ser visto desta perspetiva de certa forma singular e ser aceite como um compêndio de melancolia optimista e intimista, perfeito para acompanhar com o On The Road de Jack Kerouac ou para se aventurar por estradas, mares, ou seja lá onde for. Espero que aprecies a sugestão...

01. Old Friend
02. In Nothing
03. Priscilla
04. Kasper
05. Blue Stockings
06. Saint Catherine St.
07. Changing Seasons
08. Dear Fellow Traveler
09. Miracle Cure
10. Whirlpool


autor stipe07 às 21:49
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Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Curtas... LV

Os Beacon preparam-se para lançar um novo EP, intitulado For Now e a Ghostly International está a disponibilizar o primiero single. A canção chama-se Feeling's Gone, também traz um instrumental na bagagem e é um original dos londrinos Fort Romeau.

 

Os finlandeses Paperfangs, uma banda de indie pop muito conceituada nos meandros mais alternativos do cenário muscial europeu, acabam de oferecer aos mais atentos uma cover de Everyday, um original de Buddy Holly, um conceituado cantor  norte americano, nascido em 1936 e falecido em 1959 e considerado como um dos pioneiros do rock e da folk. Aproveita...


Os Black Marble são uma dupla natural de Brooklyn e que se prepara para lançar, no próximo dia nove de outubro, A Different Arrangement, o disco de estreia, através daSub Pop. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.


O quarteto noise pop californiano Dum Dum Girls está de volta como um novo EP chamado End of Daze e que será editado, pela Sub Pop, amanhã, dia vinte e cinco de Setembro.

O EP será lançado, em princípio, apenas em vinil (com MP3 pra download); São cinco músicas, sobras do trabalho de estúdio que deu origem a Only In Dreams e todas produzidas por Sune Rose Wagner, dos Raveonettes.


 

Os canadianos The Wilderness of Manitoba, acabam de lançar Island Of Echoes, um álbum cuja sonoridade obedece à tipica sonoridade folk do grupo, mas que saúda também diferentes influências. O grupo não esconde a sua inspiração, que vai dos Fleetwood Mac à obra de Crosby, Stills, Nash e Young.

Tudo é feito com esmero, e se o disco começa com a cansativa Morning Sun, disponível para download gratuito, cresce a cada canção até atingir níveis etéreos dignos de um Bon Iver. Não é um álbum de rutura, mas de continuidade. Espero que aprecies a sugestão...

The Wilderness Of Manitoba - Island Of Echoes

01. Balloon Lamp
02. Morning Sun
03. Echoes
04. The First Snowfall
05. The Aral Sea/Southern Winds
06. Chasing Horses
07. White Woods
08. Golden Thyme
09. A Year In Its Passing
10. Glory Days
11. The Island of the Day Before
12. The Escape
13. Northern Drives

 

 

Quem se estreou no discos com um homónimo foram os The Rubens, uma banda australiana de indie rock, natural de Sidney e formada por Zaac Margin (guitarras), Elliott Margin (voz e teclados), Sam Margin (voz e guitarras) e Scott Baldwin (bateria). Em termos de sonoridade encontram raízes em bandas como os The Black Keys, The Doors e Cold War Kids. Confere...The Rubens - The Rubens

01. The Best We Got
02. My Gun
03. Never Be The Same
04. Lay It Down
05. Be Gone
06. Elvis
07. The Day You Went Away
08. I’ll Surely Die
09. Look Good, Feel Good
10. Don’t Ever Want To Be Found
11. Paddy


autor stipe07 às 19:04
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

Beachwood Sparks - Tarnished Gold

Os Beachwood Sparks nasceram no final do século XX e são um sonho californiano oferecido ao mundo, liderado pelo cantor e guitarrista Christopher Gunst, onde também se inclui o baixista Brent Rademaker, o multi instrumentista Farmer Dave Scher e o baterista Aaron Sperske, aos quais se junta ocasionalmente o guitarrista Ben Knight dos The Tyde. Onze anos após Once We Were Trees e depois de em 2008 se terem voltado a reunir para comemorar o vigésimo aniversário da sua editora de sempre, a Sub Pop, regressaram aos discos com Tarnished Gold, editado no passado dia vinte e seis de junho.

 

Os Beachwood Sparks são uma banda com uma raíz tipicamente americana, que ouvindo os Grateful Death e os Flying Burritos Brothers descobriu a country dos anos sessenta que procurava estrelas sobre a poeira da ampla paisagem californiana. Hoje, sempre bastante discretos, gravitam entre dois mundos; Por um lado levam a country no coração, mas carregam um forte desejo de ir mais além e criar música sem tempo, envolvida pela psicadelia e pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.

Tarnished Gold transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de Gunst num registo próximo do sussurro delicado e muitas vezes atravessadas por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta. Ouve-se uma harmónica ternurenta, aceleram o ritmo quando menos se espera e conjugam a folk e o rock convocando à celebração e até ao tal romantismo, algo bem audível em Leave That Light On, uma brisa suave num verão supostamente bastante quente.

A magia de Tarnished Gold está na capacidade que este álbum tem de nos rodear com uma realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que melhor que muita da literatura, cinema e outra música, nos trazem o melhor da Califórnia. Espero que aprecies a sugestão...

The Tarnished Gold cover art

01. Forget the Song
02. Sparks Fly Again
03. Mollusk
04. Tarnished Gold
05. Water from the Well
06. Talk About Lonesome
07. Leave That Light On
08. Nature’s Light
09. No Queremos Oro
10. Earl Jean
11. Alone Together
12. The Orange Grass Special
13. Goodbye


The Beachwood Sparks, last convened in 2003, are back as if they never left, spinning trippy goodtime vibes, ethereal metaphysics and slacked out California pop.

Blurt Magazine

 

Beachwood Sparks make music for and by Californians who love living in California, surfing, and hanging out among the redwoods, and for listeners who have no idea what that’s like but love the sound of soft harmonies and a tastefully placed slide guitar.
A.V. Club

 

The Tarnished Gold moves through space like a guided nature walk—never a hike—drawing upon breathy, summer sounds and endless harmony to craft the perfect soundtrack for its creators’ home state.
— Paste Magazine


autor stipe07 às 22:18
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Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

Edward Sharpe And The Magnetic Zeros – Here

Here, editado pela Vagrant / Rough Trade é o primeiro de dois álbuns que Edward Sharpe & The Magnetic Zeros liderados por Alex Ebert têm previsto editar em 2012 e foi lançado no mercado no passado dia vinte e nove de maio.

O aparecimento de Devendra Banhart no começo da década passada teve uma importância única para o resgate das influências hippies bem como o fortalecimento de um som de oposição ao que propunham as guitarras típicas da cena indie norte americana, principalmente o que era construído na região do Brooklyn, Nova Iorque.

Uma espécie de líder religioso-musical, Devendra Banhart, um artista texano estabelecido na Califórnia, serviu como base e influência maior para uma infinidade de projetos; Nomes como Joanna Newsom, Cocorosie, Vetiver e tantos outros partilham do mesmo sentimento e sonoridade assumidos abertamente por este cantor e Alex Ebert também já assumiu publicamente esta fonte de inspiração no que concerne à sonoridade dos Edward Shape and The Magnetic Zeros. Tal como o faz Devendra, este coletivo mergulha fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, além de se apoiar num som montado em cima de um imenso coletivo musical, reproduzindo dessa forma toda a força neo hippie que preenche cada instante dos álbuns desta banda, inclusive este Here, o segundo álbum de estúdio.

Mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, ao longo do disco a banda deixa-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem cada uma das nove canções e expandem os territórios deste grupo californiano. A simbiose entre os dois géneros possibilita que eles se encontrem, como em That’s What’s Up, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia já testada no álbum de estreia, Up From Below, de 2009, mas que se intensifica com o passar do presente disco.

Se a conexão com Devenda Banhart transborda no disco, os Edward Shape And The Magnetic Zeros tiveram também a capacidade de dilui-la e não a demonstrar de forma descarada; Canções como I Don’t Wanna Pray e Dear Believer provam esta capacidade subtil e se Banhart parece incorporar um sentimento universal e quase filosófico nas suas letras, Ebert assume uma postura mais religiosa, com muitas das suas canções a falar sobre fé e crenças, o que o aproxima e aos seus parceiros da música gospel.

Mas não há só o fantasma de Devendra a rondar Here; Este disco é mais bucólico e nostálgico que o álbum de estreia, num esforço que por vezes os aproxima do que foi feito pelos Fleet Foxes do primeiro disco ou de outros grandes representantes da cena folk atual. Até a subtileza vocal de Bon Iver parece rondar em várias canções, aproximação que esta enorme banda, no sentido literal do termo, deixa aparente logo na canção de abertura, Man On Fire, um doce retrato do que seria a música pop há umas cinco décadas. Esta calma acaba por definir a estrutura geral do disco, em apenas nove canções e menos de quarenta minutos de duração, um completo oposto da grandiosidade da estreia.

A enorme busca de delicadeza na sonoridade e algum excesso de controle e défice de espontaniedade, da banda ou do próprio Ebert, impedem que este disco cresça e tudo o que é feito no interior de Here, ao ser feito por um homem só, talvez não seja o que se espera de um projeto como este. Seja como for, para quem aprecia o género, este é, sem qualquer dúvida, um disco essencial. Espero que aprecies a sugestão...

Edward Sharpe And The Magnetic Zeros - Here

01. Man On Fire
02. That’s What’s Up
03. I Don’t Wanna Pray
04. Mayla
05. Dear Believer
06. Child
07. One Love To Another
08. Fiya Wata
09. All Wash Out


autor stipe07 às 13:30
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Terça-feira, 22 de Maio de 2012

The Brian Jonestown Massacre – Aufheben

Os Brian Jonestown Massacre surgiram em 1990, na Califórnia e são conhecidos pela mistura de psicadelia com o folk. Aufheben, lançado no passado dia um de maio, é o décimo terceiro álbum de estúdio desta banda de Anton Newcombe e sucede a Who Killed Sgt. Pepper?, de 2010. Este disco, gravado em Berlim nos estúdios de Anton e lançado pela A. Records, selo do próprio Newcombe, marca o regresso de Matt Hollywood à banda e conta com as contribuições de Will Carruthers (Spacemen 3, Spritualized), Constatine Karlis (Dimmer) e Thibault Pesenti (Rockcandys).

 

Newcombe considera que o regresso de Matt ao grupo foi decisivo para o conteúdo deste disco(He's a very creative person, even if he's playing a piano part or something. It's strange how we both understand each others' ideas, and also contribute unique things, i.e. since we taught each other to play music, we both have the same approach to writing and playing and at the same time and end up with totally different ideas to contribute. The best of both realms.)

Aufheben é um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador. Em vez de distorções, encontramos cítaras, flautas e texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na discografia da banda.

Neste caldo psicadélico destacam-se as influências dos Stones Roses, mas também um pouco de Jefferson Airplane, sendo bom exemplo disso a viagem vocal de Eliza Karmasalo na doce Seven Kinds of Wonderful. Mas além deste travo setentista também se escuta krautrock, nomeadamente no single Viholliseni Maalla, outra canção onde a voz de Eliza é preponderante. Outros momentos trazem à memória os New Order, seja nas batidas, nos sintetizadores, na voz de Waking Up To Hand Grenades, ou simplesmente no trocadilho do título da canção Blue Order/New Monday.

Anton Newcombe é um dos poucos génios do rock atual. Reinventa a sua banda em cada novo álbum e deixa sempre claro que é irrepreensível na interpretação das suas influências, que constantemente se renovam e se alteram. Espero que aprecies a sugestão...

01. Panic In Babylon
02. Viholliseni Maalla
03. Gaz Hilarant
04. Illuminomi
05. I Wanna Hold Your Other Hand
06. Face Down On The Moon
07. The Clouds Are Lies
08. Stairway To The Best Party
09. Seven Kinds Of Wonderful
10. Waking Up To Hand Grenades
11. Blue Order / New Monday

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autor stipe07 às 13:21
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Quarta-feira, 9 de Maio de 2012

Silversun Pickups – Neck Of The Woods

Conforme referi em novembro passado, os californianos, naturais de Los Angeles, Silversun Pickups são um quarteto liderado por Brian Aubert e lançaram-se nos discos em julho de 2006 com Carnavas, álbum com belos apontamentos sonoros e um bom exemplo de que as referências ao som dos anos noventa não estavam enterradas. A banda exemplifica esta teoria através de belas guitarras, promovendo uma ode aos bons momentos dos Smashing Pumpkins ou, em menor escala, às experimentações dos Sonic Youth e ao ambiente criativo dos My Bloody Valentine.

A boa repercussão desse álbum de estreia criou enormes expetativas em relação ao som futuro a projetar pelo grupo, feito que a banda só promoveria três anos mais tarde com a chegada de Swoon. Este sempre difícil segundo disco revelou-se instável e não correspondeu ao esperado, apesar de ter boas canções como There’s No Secrets This Year ou a esquizofrénica Panic Switch. Por isso, distantes das expetativas que os cercavam no passado e mais maduros, lançaram no final de 2011 um novo EP intitulado Seasick e que serviu de prelúdio a Neck Of The Woods, disco lançado agora, a oito de maio via Dangerbird Records, produzido por Jacknife Lee, que já trabalhou com os U2 e os REM. 

Neste álbum os Silversun Pickups mantêm uma sonoridade melódica, séria e apimentada com boas doses de distorção e guitarras ascendentes, bases saturadas de efeitos e a voz de Aubert num registo quase andrógeno. Neck of the Woods contém, por isso, canções de fortes inspirações noventistas e volta a provar que estes norte americanos são uma das grandes promessas do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

01. Skin Graph
02. Make Believe
03. Bloody Mary (Never Endings)
04. Busy Bees
05. Here We Are (Chancer)
06. Mean Spirits
07. Simmer
08. The Pit
09. Dots And Dashes (Enought Already)
10. Gun-Shy Sunshine
11. Out Of Breath

Latest tracks by Silversun Pickups


autor stipe07 às 13:45
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Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Hellogoodbye - Would It Kill You?

Forrest Kline, Andrew Richards, Joseph Marro, Michael Nielsen e Travis Head  são os nomes por detrás do projeto com o inusitado nome  Hellogoodbye, inspirado na canção Hello Goodbye dos Beatles. São uma banda de punk rock da Califórina e que se estreou nos discos em 2006 com Zombies! Aliens! Vampires! Dinosaurs!, um álbum que vendeu cerca de meio milhão de exemplares e que continha Here (In Your Arms), uma canção que nessa época rodou insistentemente nos Estados Unidos. Would It Kill You? é o segundo disco da banda, foi lançado já em novembro de 2010 através da Wasted Summer Records e, para quem conhece o antecessor, ouvi-lo dá a sensação que estamos a contactar com uma outra banda que não os Hellogoodbye.

De facto, Would It Kill You? marca uma ruptura com o disco de estreia deste grupo. A sonoridade agora é muito menos elétrica e assumidamente mais acústica e com a voz desprovida de efeitos. Tudo isto fica logo comprovado quando se ouve When We First Met, o primeiro single do disco e uma canção assumidamente pop. Mas para mim o detalhe que mais me chamou a atenção em Would It Kill You? foi o uso de instrumentos de sopro, nomeadamente em  Getting Old e Betrayed By Bones, que conta com uma versão alternativa, assinada por Ukelele. Coppertone é outro destaque, apesar de ser completamente diferente da maior parte do álbum, por ser uma canção um pouco mais lenta, mas muito bem orquestrada,  com a voz a ganhar um protagonismo evidente no refrão e resguardada por uma guitarra quase acústica.

Would It Kill You? é a prova que esta banda progrediu musicalmente e liricamente e, por isso, valeu a pena a espera de quatro anos, depois da estreia. Vários meses depois da edição deste disco, acredito que ainda poderá ir a tempo de causar impacto. Espero que aprecies a sugestão...

01. Finding Something To Do
02. Getting Old
03. When We First Met
04. Betrayed By Bones
05. You Sleep Alone
06. When We First Kissed
07. The Thoughts That Give Me The Creeps
08. I Never Can Relax
09. Coppertone
10. Would It Kill You
11. Something You Misplaced
12. Not Ever Coming Home
13. When We First Met (Daytrotter Session)
14. Oh, It Is Love (Daytrotter Session)
15. Betrayed By Bones (Ukulele Version)
16. The Thoughts That Give Me The Creeps (Ukulele Version) 


autor stipe07 às 22:34
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Terça-feira, 6 de Março de 2012

tUnE-yArDs - W h o K i l l

tUnE-yArDs é o insólito nome do projeto a solo de uma cantora norte americana chamada Merrill Garbus, oriunda de Oakland, na Califórnia e que em abril de 2011 lançou um álbum através da etiqueta 4AD, que só agora, graças a uma dica DuponD, descobri.

A primeira vez que ouvi W h o K i l l, achei ao incio que o vocalista era um homem. Mas depois, com maior atenção, acabei por encontrar algumas semelhanças entre merrill e nina simone, nomeadamente no timbre. Merrill é uma compositora aberta a experimentalismos, com um pé em África, outro na Jamaica e outro na América Latina. As canções carregadas de melodias oscilantes, batidas angulosas e um baixo bastante marcado, remetem para a sonoridade dos Dirty Projectors e a banda usa e abusa de loopings e efeitos de pedal para dar um clima positivamente estranho às composições, o que resulta num som harmonioso e extremamente pop, repleto de bizarrices folk, experimentalismos eletrónicos, batidas fora de ritmo, inserções de afrobeat e uma espécie de descontrole controlado, no fundo uma pérola repleta de esquisitices pop, fruto da mente insana da cantora e compositora.

Se é necessário rotular o disco dentro de algum género, que seja o experimental. Para o justificar basta ouvir Gangsta, uma canção que começa com sirenes de um carro de bombeiros, seguidas de batidas feitas com percussão, a voz a imitar as mesmas sirenes, um ruído pesado que resulta da soma de diversos instrumentos, um teclado competente e Merrill a soltar despretensiosamente a voz. Se ainda achas pouca excentricidade a tudo isto, então avança para Bizness, uma canção assente num som sofisticado e doce, repleto de sonoridades estranhas, ruídos incoerentes e batidas quentes, um caldeirão sonoro que faz perceber uma visível aproximação à pop. A californiana segue o mesmo exemplo de bandas como os já citados Dirty Projectors e os Animal Collective, por embarcar num universo de experimentações, mas sempre resolvidas de forma fácil e contagiante, com o som a fluir facilmente nos nossos ouvidos, permitindo que cada pequeno acorde seja bem aproveitado.

Lançado, como já referi, através do selo 4AD (etiqueta de artistas como Frank Black, Deerhunter e os Beirut) W h o K i l l figurou merecidamente em várias listas dos melhores lançamentos de 2011 e do início ao fim do álbum Merrill Garbus não nos dececiona, mantendo firme a excentricidade sonora do disco, restando-me apenas penitenciar-me por não o ter ouvido antes. Espero que aprecies os tUnE-yArDs e esta sugestão...

1. My Country
2. Es So
3. Gangsta
4. Powa
5. Riotriot
6. Bizness
7. Doorstep
8. You Yes You
9. Wolly Wolly Gong
10. Killa

 


autor stipe07 às 13:13
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Sábado, 17 de Dezembro de 2011

Silversun Pickups – Seasick EP

Os californianos, naturais de Los Angeles, Silversun Pickups são um quarteto liderado por Brian Aubert e lançaram-se nos discos em julho de 2006 com Carnavas, disco com belos apontamentos sonoros e um belo exemplo de que as referências ao som dos anos noventa não estavam enterradas. A banda exemplificava esta teoria através das belas guitarras que borbulhavam ao longo do disco, promovendo uma ode aos bons momentos dos Smashing Pumpkins ou, em menor escala, às experimentações dos Sonic Youth e ao ambiente criativo dos My Bloody Valentine.

A boa repercussão desse álbum criou enromes expetativas em relação ao som futuro a projetar pelo grupo, feito que a banda só promoveria três anos mais tarde com a chegada de Swoon. Obviamente cercado pelas expectativas e esperanças lançadas através do primeiro álbum, este sempre difícil segundo disco revelou-se instável e não correspondendo ao esperado, apesar de ter boas canções como There’s No Secrets This Year ou a esquizofrénica Panic Switch. Agora, distantes das expetativas que os cercavam no passado e mais maduros, acabam de lançar mais um novo EP intitulado Seasick.

Este EP com apenas três canções e pouco mais de treze minutos de duração transparece a imagem de um conjunto de músicos maduros, mas com o mesmo entusiasmo da estreia há cinco anos atrás. Seasick deverá ser um prelúdio do que a banda possivelmente irá compôr em 2012, data prevista para a chegada de Full Length, o terceiro álbum destes Silversun Pickups. E o que se ouve nestas três músicas é um som bastante melódico, sério e apimentado com boas doses de distorção. A canção que intitula o EP assenta em mais de seis minutos de guitarras ascendentes, bases saturadas de efeitos e a voz de Aubert num registo quase andrógeno. No entanto  o grande destaque vai para a dançante Broken Bottles, canção que sustenta as tais fortes expectativas em relação ao próximo álbum. Finalmente, os lamentos sublimes esvoaçados pela também vocalista Nikki Monninger em Ribbons & Detours abrem diversas possibilidades para a obra futura dos californianos, estabelecendo uma clara conexão com os tais My Bloody Valentine e provando que esta banda deve ser vista como uma das grandes promessas do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

01. Seasick
02. Broken Bottles
03. Ribbons And Detours

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autor stipe07 às 16:30
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