Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Faded Paper Figures – Relics

Oriundos de Los Angeles, na Califórnia, os Faded Paper Figures são R. John Williams, Kael Alden e Heather Alden, um trio que acaba de editar um delicioso disco chamado Relics e que viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto por intermédio da Shorthand Records. Relics é um álbum que deve ser escutado por todos aqueles que apreciam o cruzamento ímpar entre a pop que sobrevive de mãos dadas com alguns detalhes típicos da eletrónica e da folk e onde é feliz e verdadeiramente proveitosa a simbiose entre as cordas e o sintetizador.

Este trio surpreende, desde logo, pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente num dedilhar de cordas, um sintetizador cheio de vida e carregado de efeitos e uma voz frequentemente modificada. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza, num disco deslumbrante e tecnicamente impecável, que enche as medidas e comprova que os Faded Paper Figures sabem criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme e onde cada detalhe das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Basta ouvir os raios flamejantes que são debitados pelo sintetizador em Breathing ou o dedilhar de uma viola na folk de Fellaheen e Wake Up Dead, para se perceber a facilidade com que a banda navega entre pólos apenas aparentemente opostos, com notável perícia e absoluto conforto.

A abertura épica e visceral com a já citada Breathing abre-nos as portas para uma sequência de músicas divertidas e com minuciosos detalhes, que, mesmo nos moentos mais introspetivos, como Not The End Of The World ou Forked Paths, não deixam de transparecer sempre uma faceta algo dançante e espontânea, bastante próxima de um clima festivo e mais urbano. Depois, temas como Lost Stars ou Who Will Save Us Now, entre outros, aproximam o trio de uma linguagem sonora com aproximação a elementos quase futurísticos e de uma estética mais synthpop. no fundo, ao terminar a audição, ficou claro que as boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo fizeram com que Relics cresça e cada nova canção, dividem o álbum em vários momentos e evitam que os melhores se concentrem demasiado em vários dos momentos do disco. É, no fundo, um disco sem ondas, homogéneo e lineado por alto.

Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de John, um detalhe importante para o sucesso deste álbum intenso e hipnótico, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

 

Faded Paper Figures - Relics

01. Breathing

02. Wake Up Dead
03. Not The End Of The World (Even As We Know It)
04. Lost Stars
05. Fellaheen
06. On The Line
07. Spare Me
08. Who Will Save Us Now
09. Horizons Fall
10. Real Lies
11. What You See
12. Forked Paths

 


autor stipe07 às 21:32
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

The Raveonettes – Pe’ahi

Os dinamarqueses The Raveonettes de Sune Rose Wagner e Sharin Foo, estão de regresso aos lançamentos discográficos com o sétimo álbum da carreira da dupla. Pe’ahi sucede a Observator (2012), foi produzido por Justin Meldal-Johnsen e chegou às lojas no passado dia vinte e um de julho, através da Beat Dies Records.


Admiradores confessos de sonoridades esplendorosas e que os façam tocar a guitarra sempre completamente ligados à corrente, os The Raveonettes abrem este disco com a roqueira e dançante Endless Sleeper e percebe-se logo que há, simultaneamente, com a ajuda de uma bateria a recordar detalhes da bossa nova e um piano inspirado, uma tentativa de estabelecer pontes entre o indie rock, com alguns detalhes mais sensíveis da pop, bem estruturados e devidamente adocicados com arranjos bem conseguidos. Sisters, o primeiro single retirado do disco, e Wake Me Up, duas canções doces, mas com muita distorção e instantes bem noisy, ajudam a reforçar essa fusão que, nos quase quarenta minutos que duram este disco, é particularmente consistente e carregado de referências assertivas.

Pe'ahi é bastante inspirado na morte do pai de Sharin Fooe da mudança da artista para o sul da Califórnia, onde absorveu o clima veraneante das praias, particularmente audível nos arranjos de The Rains Of May. Aí idealizou fazer um álbum que fosse instrumental mais amplo e heterogéneo  que os antecessores, com novos instrumentos e diferentes efeitos, que a produção de Justin Meldal-Johnsen, um nome consagrado que já trabalhou com Beck e os Garbage, entre outros, ajudou, de forma preciosa, a salientar.

Assim, aparentemente presos a uma sonoridade vintage, que fez escola há umas três décadas, os The Raveonettes conseguiram dar vida ao que idealizaram, não abusando instrumentalmente, nem exagerando na forma como utilizaram o sintetizador e manipularam a própria voz, conseguindo assim um equilíbrio interessante entre a busca de uma toada lo fi expressiva e sintética e um som que não dispensa a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão. E a cereja no topo do bolo foi terem tido a capacidade de encontrar este ponto açucarado envolto numa pulsão rítmica, que nem as guitarras carregadas de fuzz e os teclados e as vozes processadas conseguem disfarçar e que os tiques de hip hop percetíveis nas batidas que constroem os alicerces de Kill e Killer In The Streets ajudam a realçar.

Este sétimo álbum da dupla pode significar uma mudança na direção sonora, uma abertura para um universo mais amplo ou, quem sabe, é apenas uma fotografia musical de um momento bem específico. É possível, porém, comprovar que os tempos recentes e difíceis experimentados por Sune e Sharin contribuíram para seu trabalho ganhar mais corpo e versatilidade. Pe'Ahi só não ultrapassa o teor adolescente pervertido da estreia, The Chain Gang Of Love, de 2003.

Apesar de os The Raveonettes nunca terem atingido uma performance de vendas espetacular, mantiveram-se fieis à sua bitola sonora, assente, quase sempre, numa vertente instrumental fortemente elétrica, densa mas melodiosa, uma percussão vincada e uma voz apaixonada, que nunca deixou de escrever letras fortemente reflexivas sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea. Pe'ahi pode fazer-nos acreditar na ilusão de que há aqui uma inflexão sonora com reflexos no futuro discográfico da dupla e que uma vertente experimental cada vez mais vincada e versátil fará parte do cardápio sonoro que vier a seguir a este álbum. Suposições à parte, o que importa reter é que Pe'ahi é mais um exemplo concreto de que os The Raveonettes são uma daquelas bandas em quem se pode confiar verdadeiramente e que nunca defraudam, já que sabem como juntar com talento todas as peças do indie rock para formar um tratado sonoro cheio de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas, com um inspirado clima espetral. Espero que aprecies a sugestão...

The Raveonettes - Pe'ahi

01. Endless Sleeper
02. Sisters
03. Killers In The Streets
04. Wake Me Up
05. Z-Boys
06. A Hell Below
07. The Rains Of May
08. Kill
09. When Night Is Almost Done
10. Summer Ends


autor stipe07 às 21:03
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Highlands – Dark Matter Traveler

Editado no passado dia quinze de julho, Dark Matter Traveler é o novo e segundo disco dos Highlands, um grupo de Long Beach, na Califórnia, formado por Scott, Chris, Stephen e Beau Balek. Dark Mark Traveler foi produzido pela banda e por Rollie Ulug e masterizado por J.P. Bendzinski. O artwork do disco é da autoria de Yan Burdzinski.


Há algo de particularmente tenso, narcótico, intenso e hipnótico no ambiente sonoro destes Highlands, que partilham connosco o seu gosto pelo cruzamento entre o punk mais sombrio e o rock clássico e noisy, carregado de reverb. A ideia é debitar melodias épicas, com um certo groove e um forte pendor psicadélico.

Dark Mark Traveler são, então, dez canções assentes numa pop com traços de shoegaze e num indie rock carregado de psicadelia. Os anos oitenta estão muito presentes e logo no início, em Show Me e Onto You, ao revisitarem a herança de nomes como os Pylon, os Felt, ou os próprios Jesus and Mary Chain, percebe-se que estes Highlands não têm receio de mostrar a capacidade intrínseca que possuem para replicar a psicadelia que se desenvolveu nas décadas de setenta e oitenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas.

O disco prossegue e, logo de seguida, se Beauty faz uma revisão dessa psicadelia, mas numa busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes desse espetro sonoro que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Com uma postura vocal algo arrastada mas assertiva, o reverb na voz acaba por ser uma consequência lógica desta opção que, na melancolia épica de Your Let Down, carrega toda a componente nostágica com que os Highlands pretendem impregnar o seu ADN. O vocalista, ao soprar na nossa mente e ao envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. Se abundam ecos e efeitos com um elevado teor revivalista, particularmente assertivos em Situations, os Highlands surpreendem igualmente com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove da guitarra que, em Go Down, procura ambientes de estádio, amplos e vincadamente etéreos, impulsionados também por uma bateria pulsante e variada que, alinhada com essas distorções agudas da guitarra, as principais pedras de toque do cenário melódico arquitetado. You Stay Up segue  essas pisadas, mas numa toada que privilegia a primazia da bateria, cheia de mudanças de ritmo, outro traço identitário do rock psicadélico, assim como alguns arranjos delicados feitos com metais quase impercetiveis.

If The Universe is Full Of Noise, então os Highlands terão uma importante palavra a dizer na banda sonora criada com o exclusivo propósito de demonstrar a uma qualquer entidade exterior do que os humanos são capazes de produzir de melhor no universo indie mais progressivo e psicadélico. Espero que aprecies a sugestão...

Highlands - Dark Matter Traveler

01. Show Me
02. Onto You
03. Beauty
04. Daylight Station
05. I Know
06. Connections
07. Situations
08. Your Let Down
09. Go Down
10. You Stay Up

 


autor stipe07 às 23:03
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Meatbodies - Tremmors

MeatBodies_CoverArt

Natural de Los Angeles, na Califórnia, o norte americano Chad Ubovich tem-se destacado como baixista e guitarrista na banda de Mikal Cronin e como baixista nos FUZZ, um dos projetos do inconfundível Ty Segall. No entanto, ele também tem a sua própria banda; Chamam-se Meatbodies e no próximo dia catorze de outubro vão lançar um longa duração homónimo, através da insuspeita In The Red.

Tremmors é o primeiro avanço divulgado desse disco que a editora já teve a amabilidade de enviar para a nossa redação, uma canção potente e visceral, que denota a capacidade inaudita que estes Meatbodies possuem para apresentar um indie rock progressivo, com um forte pendor shoegaze e psicadélico, uma verdadeira viagem lisérgica assente numa espécie de cruzamento feliz entre os Led Zeppelin e os The Flaming Lips. Confere...


autor stipe07 às 09:28
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Alex Feder - Moments Of Silence

Alex Feder - "Moments Of Silence"

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Alex Feder, antigo elemento dos XYZ Affair, também poderia ser Leonard Friend, um seu outro alter-ego, mais eletrónico. No próximo outono ele vai regressar em nome próprio com um EP e Moments Of Silence é o primeiro tema divulgado desse trabalho.

Algures entre LCD Soundsystem e Foster The People, Moments of Silence, contém um forte apelo pop, num tema grandioso, onde há que destacar a presença destacada dos sintetizadores, mas com as guitarras a estarem também num plano de evidência. A canção foi disponibilizada para download gratuíto. Confere...


autor stipe07 às 18:54
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

Ty Segall – Susie Thumb

Ty Segall

Ty Segall é o maior! Oriundo de São Francisco, na Califórnia, este norte americano é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos, cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano alcança o melhor desempenho.

O novo álbum do músico chama-se Manipulator e vê a luz do dia já a vinte e oito deste mês, por intermédio da Drag City. O alinhamento do disco contém, imagine-se, dezassete canções e Susie Thumb é uma delas, o primeiro tema divulgado da rodela, um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem dos anos setenta, uma canção que surpreende pelas guitarras sujas e por uma melodia verdadeiramente aditiva. Confere...


autor stipe07 às 19:44
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Quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Cold War Kids – All This Could Be Yours

Os norte americanos Cold War Kids acabam de divulgar All This Could Be Yours, um luminoso tratado de indie rock, feito com uma percussão imponente e uma melodia contagiante e que fará parte do alinhamento do próximo álbum do grupo, ainda sem título e data precisa de lançamento, apesar de outubro ser o mês apontado. Seja como for, esse disco irá, certamente, ver a luz do dia por intermédio do selo Downtown, em parceria com a Sony RED.

Esta banda de Silverlake, na Califórnia, tinha-se destacado com Dear Miss Lonelyhearts, o úlrimo registo discográfico dos Cold War Kids e o sucessor é aguardado com enorme expetativa. Confere...

Cold War Kids - All This Could Be Yours


autor stipe07 às 11:23
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Terça-feira, 8 de Julho de 2014

The Fresh And Onlys – House Of Spirits

Lançado através da Mexican Summer, House Of Spirits é o novo disco dos The Fresh & Onlys, um trabalho que sucede a  Long Slow Dance (2012) e ao EP Soothsayer (2013),  sendo já o quinto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco e formado por Tim Cohen, Shayde Sartin, Wymond Miles e Kyle Gibson.

House Of Spirits é mais uma firme coleção de dez canções que mantêm os The Fresh & Onlys fiéis a um fio condutor, que exploram até à exaustão e com particular sentido criativo. É um filão que abraça todos os detalhes que o indie rock, na sua vertente mais pura e noise, lado a lado com a folk com um elevado pendor psicadélico.

Em relação a Long Slow Dance, o antecessor, House Of Spirits acaba por ter um elevado foco no rock, devido a um maior protagonismo das guitarras e canções como Who Let The DevilAnimal of One e April Fools são as que mais se aproximam desse registo, principalmente pelas letras e pela voz de Tim Cohen, que várias vezes nos remete para a nostalgia sombria dos anos oitenta.

O sabor a novidade é algo bem audível logo na canção que abre o disco, a empoeirada Home Is Where? e, logo a seguir, no single Who Let The Devil. No entanto, apesar da distorção e do cariz lo fi de vários arranjos, o controle e a harmonia estão sempre presentes, mesmo em Bells Of Paonia, o tema mais experimental do disco, uma balada que assenta num reverb de guitarra, conjugado com um teclado épico e com um registo bastante adoçicado na voz de Tim Cohen, um dos principais atributos desta banda. Esse cariz inventivo também é notório na envolvente Candy, uma canção com uma belíssima base melódica assente em belos acordes de cordas que se entrelaçam com samples de teclado e arranjos de sopro e também em Madness, um tema que progride da eletrónica até distorções hipnotizantes e que impressionam quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.

Durante a audição do álbum é notória uma certa leveza nas canções, uma enorme busca do simples e do prático, o presentir que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e honestidade na escrita e inserção das letras e, por isso, o resultado final acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável. House Of spirits é uma viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula das referências noise, folk e psicadélicas, através de um som leve e cativante, com texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...

The Fresh And Onlys - House Of Spirits

01. Home Is Where?
02. Who Let The Devil
03. Bells Of Paonia
04. Animal Of One
05. I’m Awake
06. Hummingbird
07. April Fools
08. Ballerina
09. Candy
10. Madness

 


autor stipe07 às 18:27
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Quarta-feira, 11 de Junho de 2014

Yalls - United

Editado no passado dia seis de maio através da Gold Robot Records, United é o primeiro álbum do produtor Dan Casey, aka Yalls, um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Berkeley, na Califórnia, acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. 

Um dos melhores elogios que se pode começar por fazer a este disco é, após a audição, ter sido notória a perceção que Casey não tem uma especial preocupação por construir os temas com rigidez e com uma certa formatação, ou seja, o experimentalismo e a sensação de descartável não são envergonhados. Mas não é propriamente correto supor que o compositor não procura ser sério e minimamente coerente quando cria as suas canções, quase sempre carregadas de sentimentos melancólicos, até porque as criações deste produtor estão abrigadas por uma instrumentação sofisticada e simultaneamente com algo de retro e futurista, que nos colocam num ambiente que pode ir da pista de dança ao mais aconchegante sofá da divisão mais isolada e tranquila de nossa casa.

Logo na abertura, com a instrumental Safe Soundsz e, mais adiante, em Cooking e Butterfalls, percebe-se o forte cariz sintético da música de Yalls e mesmo quando a voz chega, em High Society, a mesma parece ser apenas mais um instrumento de que Casey se serve para alicerçar tudo aquilo que a sua imaginação lhe dita.

Sendo o disco dominado, na sua essência, por uma pop sintetizada de forte cariz eletrónico, é interessante perceber-se que há um piscar de olhos a outros espetros sonoros. Há uma certa tropicalidade em Warlords e no groove funky de DC, uma canção disponível para download na página do artista e músicas como Fresh Party ou Like a Foll são exemplos perfeitos para nos trasnportar aos dois mundos opostos citados acima e atestam, em conjunto, a enorme maturidade e confiança que parece definir a mente de Yalls, um músico que aprecia a combinação e a experimentação e fazer espraiar um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos, sem nunca se entregar ao exagero.

Algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada pop, com traços distintivos do R&B, do funk e até do hip hop, as músicas de United são construídas sobre camadas de efeitos e uma percussão cheia de variações e diferentes instrumentos, detalhes que provam que cada componente das treze músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. United é um álbum inovador, atual, o terreno onde Yalls testou sonoridades e experimentações, certamente sem ter tido o receio de ser apontado ou de o acharem uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

Safe Soundsz
Leak On
High Society
DC
Fresh Part
Terrain
Warlords
Cooking
Unite
Butterfalls
Like A Fool
Finalized
Psychic Retreat (Digital Only Bonus Track)


autor stipe07 às 21:40
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2014

Avi Buffalo - So What

Avi Buffalo - At Best Cuckold

Os norte americanos Avi Buffalo são de Long Beach, na California e estrearam-se em 2010 com um registo homónimo que conquistou a crítica. Depois disso mantiveram-se num silêncio que acaba, finalmente, de ser quebrado com o anúncio de At Best Cuckold, um novo disco do grupo, que irá ver a luz do dia a nove de setembro através da Sub Pop Records. At Best Cuckold foi produzido por Avi Zahner-Isenberg, o líder da banda e gravado em Los Angeles, São Francisco e Nova Iorque.

Um belíssimo instante indie pop lo fi chamado So What é o tema que abre o alinhamento de dez canções deste novo trabalho. Confere...


autor stipe07 às 17:27
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Terça-feira, 22 de Abril de 2014

Bootstraps – Bootstraps

Formados por Jordan Beckett (voz, guitarra, piano), Nathan Warkentin (bateria) e David Quon (guitarras, piano), os norte americanos Bootstraps são uma banda de indie rock natural de Los Angeles, que acaba de se estrear nos discos com um homónimo lançado por intermédio da Harvest Records e da Capitol Records.

Bootstraps foi gravado por Skip Saylor (Tom Petty, Wilco, Suicidal Tendencies) em Northridge, na Califórnia depois de o actor e realizador Sam Jaeger ter pedido a Beckett para escrever canções para o seu aclamado filme Take Me Home. A banda passou um dia em estúdio a gravar alguns temas e, ne sequência dessa sessão produtiva, os Bootstraps regressaram aos estúdio mais quatro sessões, onde gravaram os três últimos temas que completaram o disco, com a ajuda de Richard Dodd (Kings of Leon, The Raconteurs).

Bootstraps

A audição de Bootstraps entende-se claramente à luz da inclusão das sessões de gravação do álbum na criação de alguns temas para a banda sonora de um filme dramático, já que o conteúdo melódico do disco transporta-nos facilmente para um universo melancólico e dramático. As canções do álbum apoiam-se na voz intensa de Jordan, algures entre Bryan Adams e John Mellencamp, que combinada com o piano e a guitarra acústica originaram várias baladas verdadeiramente inspiradoras e direcionadas diretamente para todos aqueles que gostam de ouvir algo que toque, seja inspirador e que vá direto ao coração. 

O disco abre com a instrumental Road Noise que nos remete para o universo post rock que nomes como os Explosions in The Sky tão bem replicam, mas também há uma inegável toada indie pop, que bandas como os consagrados Coldplay terão certamente servido de forte inspiração. E isso sucede não só nesse tema, mas também, e principalmente, em Sleeping Giant, o single já retirado do disco e uma escolha certamente justificada pelo forte cariz radiofónico da canção. O terceiro tema do alinhamento de Bootstraps, OH CA, mantêm-se nesta tendência e consegue facilmente levar-nos até às paisagens mais deslumbrantes de uma Califórnia cheia de luz

Até ao final do disco, canções como Nothin On You Kid, Haywire, Highway Miles, Guiltfree e Revel, alteram um pouco esta atmosfera inicial e remetem-nos para ambientes mais introspetivos, através de uma maior preponderância da componente acústica, com os arranjos de cordas a serem um aspeto importante na seleção dos arranjos que suportam a arquitetura das canções.

Bootstraps são trinta e cinco minutos de entretenimento indie pop rock agradável, bem escrito, tocado e impecavelmente produzido. As canções são inspiradoras, exalam sentimentos fortes e intensos e este disco pode ser uma escolha acertada para quem pretenda dar um toque mais emocional à banda sonora da sua vida. Espero que aprecies a sugestão...

Bootstraps - Bootstraps01. Road Noise

02. Sleeping Giant
03. Oh CA
04. Nothing On You
05. FortyFive
06. Haywire
07. Highway Miles
08. Wild Moan
09. Guiltfree
10. Revel


autor stipe07 às 21:33
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Terça-feira, 4 de Março de 2014

Gardens & Villa - Dunes

Lançado no passado dia quatro de fevereiro através da Secretly Canadian, Dunes é o novo álbum dos Gardens & Villa, um quinteto norte americano de Santa Bárbara, na Califórnia, formado por Chris Lynch, Adam Rasmussen, Shane McKillop, Levi Hayden e Dustin Ineman. Dunes foi gravado com Tim Goldsworthy (Cut Copy, DFA Records, LCD Soundsystem) em Michigan.

Oriundos de uma Santa Barbara que funciona um pouco como uma espécie de subúrbio rico de uma Los Ageles cosmopolita, os Gardens & Villa destacaram-se logo em 2011 quando lançaram o disco de estreia, homónimo, que foi muito bem aceite pela crítica.

Algures entre o andrógeno e o poético, Chris Lynch usa a sua voz para dar cor a sequências melódicas, em dez temas onde as guitarras são o fio condutor de praticamente todas as músicas, mas há também outros instrumentos que remodelam musicalmente a banda, que parece flutuar entre a estrutura de composição típica dos Foals e a pop madura dos Phoenix. Sintetizadores, metais, vozes em coro e uma bateria mais crua, são detalhes e particularidades musicais que ampliam consideravelmente os horizontes dos Gardens & Villa.

Estamos na presença de um álbum pop bem sucedido, um tratado com um propósito comercial, bem patente no single Colony Glen. Dunes é um disco melódico e acessível a vários públicos, que busca uma abrangência, mas que não resvala para um universo de banalidades sonoras que, em verdade se diga, alimentam há anos a indústria fonográfica.

Dunes é um trabalho onde os Gardens & Villa fazem crescer em cada nota, verso ou vocalização, todos os ingredientes que definem as referências principais da pop e destacam-se porque a tudo isto acrescentam aspetos da música negra, brincam com a eletrónica de forma inédita e conduzem-nos para a audição de um disco doce e na mesma medida, pop. Melódicos e intencionalmente acessíveis na mesma medida, transformam cada uma das canções deste trabalho em criações duradouras, ricas em texturas e versos acolhedores que ultrapassam os limites do género. A pop mantém-se na moda e não há vergonha nenhuma em constatá-lo. Espero que aprecies a sugestão...

01. Domino
02. Colony Glen
03. Bullet Train
04. Chrysanthemums
05. Echosassy
06. Purple Mesas
07. Avalanche
08. Minnesota
09. Thunder Glove
10. Love Theme


autor stipe07 às 20:41
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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

Coachella 2014 - Cartaz Oficial

Já é conhecido o cartaz do próximo Coachella, um dos melhores festivais do mundo de música alternativa e que se vai realizar de onze a dezoito de abril. Do pop rock ao punk, passando pelo indie rock e a eletrónica, nessa semana vão-se encontrar na Califórnia algumas das melhores bandas e projetos musicais do mundo.

É um cartaz impressionante, só ao alcance de uma organização com fundos quase ilimitados e difícil de igualar. são imensas as bandas que eu adorava ver se fosse possível marcar lá presença e já há várias bandas a pronunciar-se, quer através das redes sociais quer de comunicados para a imprensa a enorme excitação por estarem lá presentes. Sem dúvida, um evento único e uma viagem que sugiro para quem tiver a possibilidade!

Anunciado cartaz de Coachella: quais destas bandas gostava de ver por cá? -


autor stipe07 às 17:06
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Sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

Kiev – Falling Bough Wisdom Teeth

Os norte americanos Kiev são Andy Stavas (piano, teclas e saxofone), Brandon Corn (bateria, percurssão), Derek Poulsen (baixo), Alex Wright -(piano, teclas, guitarras) e Robert Brinkerhoff (guitarras, voz), uma banda sedeada em Orange County na Califórnia, que acaba de editar Falling Bough Wisdom Teeth, por intermédio da Suspended Sunrise Recordings. Falling Bough Wisdom Teeth foi produzido por Chris Shaw (Wilco, Super Furry Animals, Phish) e sucede a dois EPs fundamentais para aprimorar a sonoridade dos Kiev e firmar uma posição sólida que permitiu criar as bases necessárias para a edição deste longa duração. Aint No Scary Folks In On Around Here, o EP lançado pelos Kiev em 2010 foi muito bem recebido pela crítica, com o single Crooked Strings a ter um elevado airplay em várias rádios norte americanas e The Be Gone Dull Cage & Others, o EP lançado noano seguinte, co-produzido por Darrell Thorp (Beck, Air, Radiohead), catapultou os Kiev para a ribalta do meio alternativo local, tendo sido nomeados a Best Indie Band de 2011 e 2012 de Orange County.

Os Kiev encontram na arte contemporânea uma forte inspiração para a sua música e, de acordo com Brinkerhoff,o vocalista da banda, o aspeto instrumental é muito importante para o grupo, com a percurssão a ser o ponto fulcral do processo criativo e do pulsar da sua música, sempre forte e visceral. Os Kiev veneram um pioneiro da música minimal, que fez carreira nos anos sessenta, chamado Steve Reich e que Brinkerhoff viu tocar em criança e, de acordo com o mesmo músico, procuram instrumentalmente, puxar pelo lado mais primitivo do nosso cérebro, mas sem deixarem de se debruçar, nas letras das músicas, em assuntos socialmente relevantes e inteletualmente estimulantes (The instrumental aspect is super visceral, it all revolves around grooves that immediately appeal to us. Percussion is definitely the pulse of this band - we all love West African, gamelan, and orchestral percussion music. Kiev speaks to the reptilian part of our brains. We just want to move around like animals, and that often drives the foundation of our music. But then there's the cerebral part, the lyrics and compositions that speak to personal and social themes).

Falling Bough Wisdom Teeth impressiona pelo seu teor altamente climático e soturno mas simultaneamente épico, algo só possível devido à acertada escolha do arsenal instrumental que sustenta as canções. Uma verdadeira orquestra de violinos, pianos, coros de vozes e instumentos de sopro vários, reproduzem batidas e alguns componentes tribais, mas sempre com controle e suavidade. Apesar de toda a importância que os Kiev procuram colocar na componente instrumental, uma das grandes virtudes deste grupo é o falsete intrigante de Brinkerhoff, capaz de ser agreste e autoritário, em simultâneo, seja numa canção mais pesada ou noutra com uma toada mais doce e etérea.

Os Kiev servem-se do jazz, do art rock e da música ambiental e clássica para partirem à descoberta de texturas sonoras, com a audição deste disco a merecer alguma dedicação e tempo já que as canções interagem umas com as outras, como se todo o trabalho fosse uma só imensa composição sonora homogénea. Aqui abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual.

O título deste disco divide-se em duas partes e o artwork do trabalho é inspirado numa pintura a tinta de água chamada Falling Bough, da autoria do pintor naturalista Walton Ford. Durante a concepção do disco esta pintura esteve sempre junto da banda em local bastante visível, tendo sido uma grande forte de inspiração. A canção com este mesmo nome é um dos grandes destaques do disco, um tema que se deixa escorrer através do baixo insistente de Derek Poulsen e um sintetizador repetitivo que conjugados criam uma toada épica, com um registo muito perto do chamado post rock.

Tendo na retaguarda dois EPs tão bem sucedidos, este álbum de estreia dos Kiev poderá acabar por cimentar esta banda num lugar de destaque do rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Kiev - Falling Bough Wisdom Teeth

01. Pulsing: Cough Focus
02. Ariah Being 3
03. Solving And Running
04. Falling Bough
05. Tube Orms
06. Pulsing: Tired Lungs
07. Drag Bones
08. Animals In Garden
09. Pulsing: Wisdom Teeth
10. Trees Are Trees
11. Be Gone Dull Cage
12. Pulsing: Home Now
13. 3rnd (Bonus Track) 


autor stipe07 às 16:10
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Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013

The Soft Pack - Call It A Day

Acabado de disponibilizar gratuitamente pela Heavenly Recordings, Call It A Day é um dos singles retirados de Extinction, o disco de estreia dos The Soft Pack, uma banda de San Diego formada por Matt Lamkin, Matty McLoughlin, Dave Lantzman e Brian Hill e que começou por se chamar The Muslims.

Call It A Day é um excelente tema, com uma sonoridade muito vintage e, por isso, na ordem do dia, já que são pouco mais de três minutos que vivem muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte, com a voz inebriante de Matt Lamkin, o líder carismático deste grupo, a assumir o controle das operações. Confere...


autor stipe07 às 18:33
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Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2013

Crystal Antlers - Nothing Is Real

Lançado a quinze de outubro pela Innovative Leisure, Nothing Is Real é o novo álbum dos Crystal Antlers, uma banda de Long Beach, na solarenga Califórnia, formada por Jonny Bell, Kevin Stuart e Andrew King. Nothing Is Real é o terceiro registo do trio e sucede a Two-Way Mirror, disco lançado em 2011.

Os Crystal Antlers continuam a apostar no punk rock ruidoso e acelerado, como principal premissa das suas criações sonoras, algo que já sucede desde o EP de estreia do grupo, editado em 2008. a partir daí a banda tem vindo a afundar-se numa massa anárquica de sons e vozes ruidosas, algo que os dois minutos frenéticos e que vão do pós-punk ao pós-hardcore, do single Licorice Pizza, tão bem nos mostra.


Saxofones instáveis, guitarras velozes e berros são ingredientes comuns na ementa que Nothing Is Real contém, transversais a quase todas as onze canções do álbum. Para fazer brotar as mesmas, rock e alto (loud) são duas palavras caras aos Crystal Antlers e o red line parece não ser problema, quer na fase de criação das distorções das guitarras, quer na mistura e produção da amálgama sonora que Johnny, Kevin e Andrew replicam com uma acidez que incomoda os ouvidos mais sensíveis e pouco disponíveis a ver além do óbvio e perceberem que há também aqui, no meio deste aparente caos, uma imensa capacidade criativa.

A voz de Bell é o complemento perfeito para este emaranhado sonoro, uma voz que parece resultar de uma espécie de rasgo das cordas vocais e que se destaca particularmente no refrão de Rattlesnake e em Persephone, um típico tema de rock de estádio e onde, ao ouvir-se a postura vocal de Bell é fácil imaginar que uma lágrima de dor escorre-lhe da garganta ao coração, tal é a emoção com que ele canta. Esta emoção também se sente perfeitamente em Prisoner Song quando Bell berra literalmente uma espécie de último suspiro (Lost my legs and my will to live). Estes são dois daqueles temas que elevam os Crystal Antlers a um outro patamar, na medida em que os distancia claramente de outras bandas do mesmo espetro sonoro.

Nothing Is Real é um título feliz para este disco, exatamente porque no seu conteúdo pouco ou quase nada do que parece, realmente é. Por trás da amálgama de ruídos que o disco contém existe um universo inteiro de detalhes, sobreposições e arranjos que vale a pensa descobrir e que faz dos Crystal Antlers um nome a reter no sempre intrincado universo sonor alternativo em que se situam. Espero que aprecies a sugestão...

01. Pray 
02. Rattlesnake 
03. Licorice Pizza 
04. We All Gotta Die 
05. Paper Thin 
06. Persephone 
07. Anywhere But Here 
08. Don’t Think Of The Stone 
09. Wrong Side 
10. Better Things 
11. Prisoner Song


autor stipe07 às 21:01
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Quinta-feira, 31 de Outubro de 2013

Mazzy Star - Seasons of Your Day

Em 2011, os Mazzy Star, uma banda icónica no universo dadream pop surpreenderam o grande público com Common Burn e Lay Myself Down, duas novas canções depois de um longo hiato, com mais de uma década. Logo aí especulou-se que poderia vir um novo álbum a caminho, o que acabou por se confirmar já no passado mês de setembro. Seasons Of Your Day é o novo trabalho discográfico dos Mazzy Star, inclui essas duas canções no seu alinhamento e sucede a Among My Swan, um álbum editado há quase dezassete anos. A gravação de Seasons Of Your Day contou com o alinhamento original deste projeto e com as participações especiais de Hope Sandoval na escrita e produção, um habitual colaborador dos Massive Attack e também com David Roback, Bert Jansch e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. O disco foi gravado na Noruega e na Califórnia e viu a luz do dia por intermédio da Rhymes Of An Hour Records.


No início dos ano noventa, a expansão do rock alternativo e o surgimento do grunge levaram o fenómeno cultural musical a um novo patamar de desenvolvimento e, nessa época, os Mazzy Star tornaram-se num projeto que todas as editoras queriam ter no seu cardápio. She Hangs Brightly (1990) e So Tonight That I Might See (1993) cimentaram a posição dos Mazzy Star no universo mainstream, mas sem fazer deles um fenómeno à escala global, uma espécie de segredo mal guardado, mas que não deixava de ser um segredo e que cimentou muito do que hoje se escuta no campo da dream pop. O próprio fenómeno trip hop, que começava à época a dar cartas, por intermédio, principalmente, dos Massive Attack, foi mais uma distração que o grande público e os media tiveram e que os Mazzy Star aproveitaram, um pouco à imagem do que fariam uns Portishead anos depois, para criarem o seu nicho devoto de seguidores e conseguirem manter a sua identidade musical intacta sem terem de ceder e de se sujeitar às orientações da editora e às regras do mercado.

Esta integridade foi sempre uma imagem de marca dos Mazzy Star e a dream pop ganhou imenso com isso, já que a dupla pode trabalhar essa sobnoridade quase até à perfeição, com o suposto epílogo a suceder em 1996, com o excelente Among My Swan. Mas dezassete anos depois, Sandoval e Roback voltam a encontrar-se, não só para evocar a nostalgia de outros tempos com uma disco sequencial e que consolida a tal integridade, mas possivelmente para criar, com este Seasons Of Your Day, a melhor obra da discografia dos Mazzy Star.

Portanto, em 2013 os Mazzy Star voltam a apostar em letras carregadas de nostalgia e melancolia e em detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem algo sombria pelo mundo tímido, cuja estética sonora nomes hoje tão influentes da dream pop, como os Beach House ou Lotus Plaza, têm procurado recriar.

Seasons Of Your Day requer tempo, mas é um disco acessivel e que não defrauda minimamente os verdadeiros apreciadores da dream pop letárgica e melancólica. Da leveza que se instala em In The Kingdom, na abertura do disco, ao florescer melancólico que passeia por Does Someone Have Your Baby Now e Common Burn, dois temas que caberiam muito bem nos registos dos Mazzy Star da década de noventa, escuta-se uma obra eminentemente acústica, com um resultado final compacto, nos arranjos, nas vozes e no som, sendo tudo feito essencialmente com acordes timidos de cordas e sinteitzadores cheios de charme, conforme é apanágio da habitual estética sonora deste casal único no universo sonoro alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Mazzy Star - Seasons Of Your Day

01. In The Kingdom
02. California
03. I’ve Gotta Stop
04. Does Someone Have Your Baby Now
05. Common Burn
06. Seasons Of Your Day
07. Flying Low
08. Sparrow
09. Spoon
10. Lay Myself Down


autor stipe07 às 21:42
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Terça-feira, 10 de Setembro de 2013

Ty Segall - Sleeper

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois de já ter um interessante cardápio sonoro anterior, este músico começou a destacar-se com o grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011, e depois com Twins, disco que lançou em 2012 e que divulguei na altura. Agora Ty está de volta com mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, o que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco chama-se Sleeper e viu a luz do dia a vinte de agosto por intermédio da Drag City Records.


Sleeper é já o oitavo álbum da carreira de Segall e um dos compêndios sonoros mais viscerais da sua carreira. Gravado durante alguns meses em vários locais da Califórnia, o álbum tem uma crueza bastante sombria que foi certamente influenciada pela morte do seu pai, a mudança do músico para Los Angeles e uma zanga recente com a sua mãe. Nele o músico esbanja toda a maturidade e classe musical que já possui e faz uma ligeira inflexão sonora, apostando agora mais em arranjos e vozes de cariz ainda mais experimental e menos fácil de catalogar.

Logo no início, no tema homónimo, os ecos de um assobio e os acordes de uma viola acompanhados pela sua voz etérea provam que há algo de novo e mais íntimo, em oposição á habitual distorção psicadélica e rugosa que é já uma espécie de imagem de marca deste músico norte americano. Fica-se com a estranha sensação que ele está mesmo aqui, ao nosso lado, enquanto toca e canta, ou então que fomos nós que tivemos acesso direto ao seu recanto mais pessoal e não a um qualquer estúdio impessoal e frio.

Um dos poucos temas que ainda remete para a tal psicadelia rugosa é 6th Street, porque o restante alinhamento é mais bem sucedido a levar-nos até à década de sessenta e ao território obscuro de uns Velvet Underground, por exemplo bem patentes em Cary e She Don't Care. Assim, um dos maiores elogios que se pode fazer a Sleeper é que realmente não terá havido, aparentemente, qualquer tipo de preocupação comercial, já que não é fácil catalogar a criativa míriade sonora que sustenta o disco e que Ty se deixou levar pelo próprio clima que as canção foram criando nele, conforme se pode comprovar na pouco habitual extensão de alguns temas, relativamente a este músico.

Felizmente, por muito que legitimamente Ty Segall, procure abarcar novos horizontes sonoros e expandir o seu cardápio de influências, é fantástico perceber que a tal não identificação de importantes diferenças realtivamente aos discos anteriores, assenta  em algo que nunca muda, o habitual nível de anarquia firmada na execução de todos os seus registos e o mesmo desequilíbrio particular de outrora, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias. Espero que aprecies a sugestão...

Large

01. Sleeper
02. The Keepers
03. Crazy
04. The Man Man
05. She Don’t Care
06. Come Outside
07. 6th Street
08. Sweet C.C.
09. Queen Lullabye
10. The West


autor stipe07 às 21:34
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Terça-feira, 6 de Agosto de 2013

Edward Shape And The Magnetic Zeros – Edward Shape And The Magnetic Zeros

Depois de Vagrant, um álbum que divulguei o ano passado e de Here, outro trabalho também editado no ano transato, o coletivo Edward Shape & The Magnetic Zerosliderado por Alex Ebert, está de regresso e em boa forma com um homónimo que firma definitivamente a sonoridade própria desta banda norte americana.

Os Edward Shape And The Magnetic Zeros sempre cultivaram uma certa religiosidade nos seus trabalhos e esta postura é cada vez mais uma imagem de marca do coletivo, presente logo na estreia, em 2009 com Up From Below. As vozes e os sons que se escutam neste homónimo firmam um ambiente peculiar onde já não cabe apenas a folk tradicional conjugada com a psicadelia. Simplificar tornou-se quase um imperativo já que a multiplicidade instrumental dos antecessores agora é mais contida e uma conjugação mais direta das cordas e da percurssão tornou-se na pedra de toque na conceção deste disco.

Edward Shape and The Magnetic Zeros também serve para provar que a tal religiosidade torna-se visível quando a mensagem que este grupo transmite nas suas músicas é, para ele próprio, mais relevante que os sons que se escutam. Partindo dessa premissa, o grupo organiza tematicamente o presente álbum como uma espécie de continuação imediata do disco anterior, sendo este o principal fio condutor com o passado musical dos Edward Shape And the Magnetic Zeros. Assim, a maioria das doze canções deste trabalho são composições marcadas por versos de apelo filosófico e com um forte sintoma de empatia, já que falam muito da relação entre os povos e, claro, da presença de Deus como principal componente no universo temático do grupo. Dentro desse esforço, Let’s Get High, If I Were Free e In The Lion, são três temas que o demonstram.

Claro que a busca por um trabalho com um objetivo lírico claro e específico não invalida que haja também um certo cuidado na componente sonora que, como já disse, foi um pouco simplificada mas mantém o bom gosto intrínseco aos Edward Shape And The Magnetic Zeros. Neste campo acrescento que há um certo encanto na forma diria que quase artesanal e caseira como os instrumentos se interligam para criar as melodias que alimentam a obra. É como se todo o álbum fosse parte de um material raro e recém-descoberto e por isso com um charme nunca escutado antes.

Edward Shape and The Magnetic Zeros não tem singles orelhudos com tinham os antecessores, mas é uma sólida coleção de temas que se assumem como uma espécie de catálogo das típicas colagens auditivas que sustentam o o universo sonoro proposto por este grupo californiano e fazem dele uma referência obrigatória do universo sonoro indie norte americano. Espero que aprecies a sugestão...

Edward Sharpre And The Magnetic Zeros - Edward Sharpre And The Magnetic Zeros

01. Better Days
02. Let’s Get High
03. Two
04. Please!
05. Country Calling
06. Life Is Hard
07. If I Were Free
08. In The Lion
09. They Were Wrong
10. In The Summer
11. Remember Remember
12. This Life


autor stipe07 às 21:29
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Quarta-feira, 10 de Julho de 2013

The Blank Tapes – Vacation

A banda que sugiro hoje é liderada por Matt Adams, que se faz acompanhar por Pearl Charles e DA Humphrey. Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records no passado dia catorze de maio. Chamam-se The Blank Tapes e Vacation é o seu mais recente disco, gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland. Matt é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Ele toca todos os instrumentos neste projeto e lançou o primeiro disco, Home Away From Home, em 2010. O sucesso foi tanto que os The Blank Tapes andaram pelo Brasil, pelo Japão e pela Europa, com os Thee Oh Sees. De regresso a casa foram para o estúdio e compuseram este Vacation, sendo Don't Ever Get Old, o primeiro tema retirado do álbum.

Uh-Oh, cá vamos nós a caminho da praia ao som dos The Blank Tapes, um projeto californiano que, como já disse, nos leva de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde a banda reside. E vamos com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos The Blank Tapes, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove da guitarra e da voz sintetizada de Tamarind Seeds.

 Brazilia é mesmo isso, uma canção com fortes reminiscências no nosso país irmão, um tema com influências da própria bossa nova e alguns tiques e lampejos típicos da eletrónica. Parece-me bastante plausível que os The Blank Tapes tenham ouvido alguns ícones da música brasileira quando andaram lá em digressão, assim como os Beatles na sua fase mais psicadélica, como fica bem claro em Don't ever Get Old e em Coast To Coast. Vacation, o tema homónimo, tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção. Earring mantém a toada revivalista, com um certo travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Jimmy Hendrix, numa sonoridade grandiosa e controlada, ao mesmo tempo.

Até ao epílogo escuta-se um trabalho de referências bem estabelecidas, uma arquitetura musical que garante ao grupo a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite-lhes terem margem de manobra para futuras experimentações. Vacation é coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta e é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. Uh Oh
02. Coast To Coast
03. Tamarind Seeds
04. Pearl
05. Double Rainbow
06. Brazilia
07. Don’t Ever Get Old
08. Vacation
09. Earring
10. Holy Roller
11. Workin


autor stipe07 às 14:12
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Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Foxygen - We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por  Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.

A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.

In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.

On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophies tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.

O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic termina com a hipnótica Oh No 2canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.

We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado.  Espero que aprecies a sugestão...

In The Darkness

No Destruction

On Blue Mountain

San Francisco

Bowling Trophies

Shuggie

Oh Yeah

We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic

Oh No 2 

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autor stipe07 às 18:08
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Quarta-feira, 20 de Março de 2013

The Growlers – Hung At Heart

Os The Growlers são uma banda norte americana da Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra). Hung At Heart é o terceiro álbum da discografia do grupo, foi gravado em Nashville, editado em novembro de 2012 através da Everloving Records e produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. A propósito desta interessante parceria com Auerbach, a Everloving, publicou recentemente, uma afirmação muito peculiar: Indie Iron Chef Dan Auerbach had initially tried his hand in the kitchen but when the dish ended up overcooked, the Growlers brought it back to the home kitchen, drank the juice and started over.

Cosmic_Hi_Five.jpeg

Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles terão pegado em tudo aquilo que Dan produziu e remexeram totalmente, acrescentando uma certa toada lo fi, mas que não apagou o caráter festivo e animado deste álbum.

Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e deve obedecer a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria. Logo no início, em Someday, Brooks goza com as habituais contradições do amor (when tall boys turn into champagne, when bologna turns into steak), mas a guitarra de Matt não deixa a canção resvalar para o facilitismo que a letra pode indiciar. Mais abaixo, Living In A Memory, é outra ode festiva, mas está lá um baixo para impôr algum respeito.

Embora grande parte da diversão musical patente em Hung At Heart pareça de fácil idealização, alguns ecos crescentes e explosões percurssivas plasmam uma notória mestria na arte de composição por parte dos The Growlers. Mesmo alguns laivos de psicadelia não parecem nada inocentes. Espero que aprecies a sugestão...

01. Someday
02. Naked Kids
03. Salt On A Slug
04. One Million Lovers
05. No Need For Eyes
06. Living In A Memory
07. Pet Shop Eyes
08. In Between
09. Burden Of The Captain
10. Row
11. It’s No Use
12. Use Me For Your Eggs
13. Derka Blues
14. Beach Rats


autor stipe07 às 23:30
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Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Kids Without Instruments - Kids Without Instruments EP

Os Kids Without Instruments são o sonho concretizado de uma dupla de Long Beach, na Califórnia, que se conheceu no Tumblr. Eles são FrankJavCee, um cantor, produtor e escritor de vinte anos e Marion A. Shootingstar, uma cantora de dezanove anos e juntos resolveram começar a fazer música em 2011. Kids Without Instruments é o EP de estreia deste projeto.

A dupla começou a compôr música em conjunto ainda antes de se conhecerem pessoalmente, apenas recorrendo à eletrónica e a sintetizadores de 8-bits. Uma interação mais intensa e pessoal começou quando os dois começaram a estudar juntos cinema na California State Long Beach.

Este EP chamou a atenção da indústria musical indie e recentemente assinaram pela Kobalt Music Publishing, etiqueta que alberga vários nomes de relevo, nomeadamente Skrillex, Bon Iver, Cut Copy, Gotye, Dada Life, Moby, Yeasayer, Kid Cudi, Band of Horses, LMFAO, Beck, Peaches, Tiesto, entre outros.

Um arrojado e curioso sonho que esta dupla alimenta é poderem um dia liderar um projeto de cariz solidário que possa oferecer a crianças de todo o mundo teclados alimentados a energia solar para que, de acordo com a dupla, as crianças descubram o poder da música eletrónica.

Na verdade, os Kids Without Instruments têm esse nome como banda exatamente porque fazem questão de raramente usar instrumentos convencionais, quer em estúdio quer em palco, servindo-se quase sempre de um computador portátil com um MIDI, ou seja, uma especificação para sintetizadores que assegura a reprodução de diferentes instrumentos. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:39
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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013

Local Natives – Hummingbird

Conheço os Local Natives desde que em 2010 apresentei Gorilla Manor (2009) e desde aí fiquei sempre muito atento a este quinteto de Los Angeles. Assim, era com justificada expetativa quer aguardava por Hummingbird, o disco mais recente de um grupo californiano, que faz da leveza instrumental, do sofrimento traduzido em versos e da formatação primorosa que brinca com a excelência das formas instrumentais, a sua imagem de marca. Humminbird foi produzido por Aaron Dessner, dos The National e chegou às lojas no passado dia vinte e nove de janeiro pela Frenchkiss.

A sonoridade dos Local Natives sempre se manteve dentro de uma atmosfera bem delineada e de uma constante proximidade lírica e musical, algo bem patente no Gorilla Manor, uma obra que alicerçou definitivamente o rumo sonoro do grupo. Hummingbird concretiza tudo aquilo que foi proposto há três anos e acrescenta uma maior componente épica, feita com texturas monumentais e arranjos que parecem aproximar o grupo das propostas de Robin Pecknold (Fleet Foxes) e Win Butler (Arcade Fire) e fazer uma espécie de simbiose das mesmas. Continua a ouvir-se os detalhes étnicos e conceptuais, mantendo-se uma relação estreita com as propostas mais recentes dos Vampire Weekend e a obra dos Talking Heads. Já agora, acrescento que Warning Sign, dos Talking Heads, foi alvo de uma versão pelos Local Natives.

Em Hummingbird há coerência no alinhamento e cada tema parece introduzir e impulsionar o seguinte, numa lógica de progressão, mas nunca perdendo de vista as melodias suaves e a dor, dois vectores essenciais do conceito sonoro dos Local Natives. Dessa forma, enquanto Heavy Feet cresce de maneira a soterrar-nos com emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, Ceilings puxa o álbum para ambientes mais melancólicos e amenos. Existem ainda composições que lidam, em simultâneo, com esta duplicidade, caso de Breakers, um tema que nos transporta até altos e baixos instrumentais, que atacam diretamente os nossos sentimentos.

E são estes sentimentos que suportam cada mínima fração instrumental e poética de Hummingbird; Das confissões de You & I, à honestidade de Bowery, praticamente tudo aquilo que se ouve lida com aspectos dolorosos da vida a dois, algo que aproxima também os Local Natives dos lamentos adultos que abastecem a obra dos The National, algo a que não será alheia a já referida presença de Aaron Dessner na produção.

Hummingbird é também um deleite para os apreciadores de belas vozes; Os músicos da banda vão-se revezando na sobreposição de cantos e de maneira orquestral direcionam os rumos marcados pelos instrumentos. As vozes servem como estímulo para o começo, o meio e o fim das canções e não são apenas um instrumento extra, mas a linha que guia e amarra o álbum do princípio ao fim.

Embora tenha a concorrência de um universo musical saturado de propostas, Hummingbird consegue posicionar os Local Natives num lugar de destaque, porque traz na constante proximidade entre as vozes e as melodias instrumentais, imensa emoção e carateriza-se por ser um registro que involuntariamente chama a atenção pela beleza e que, por isso, deve ser apreciado com cuidado e real atenção. Espero que aprecies a sugestão...

01. You And I
02. Heavy Feet
03. Ceilings
04. Black Spot
05. Breakers
06. Three Months
07. Black Balloons
08. Wooly Mammoth
09. Mt. Washington
10. Columbia
11. Bowery


autor stipe07 às 18:55
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2012

Earlimart – System Preferences

Os Earlimart são uma dupla de Los Angeles formada por Aaron Espinoza e Ariana Murray, elementos também dos Admiral Ralley, grupo encabeçado pelo ex Grandaddy, Jason Lytle. Já lançaram oito discos ao longo da carreira e System Preferences é o álbum mais recente deste grupo, tendo sido editado no passado dia dezoito de setembro, através da The Ship, o selo da própria banda.

Aaron Espinoza e Ariana Murray fazem um indie suave, intenso e introspetivo, um pouco diferente de sonoridades mais abertas e luminosas, que ultimamente estão muito em voga na costa oeste dos Estados Unidos, nomeadamente da Califórnia, estado de onde vêm. Em System Preferences, os arranjos elaborados, as batidas quase eletrónicas e a aura melancólica afastam a música dos Earlimart da pop na mesma medida em que as linhas vocais tornam as músicas mais adocicadas e fáceis de ouvir.

Os Grandaddy são uma referência óbvia, mas com os tais oito álbuns já no mercado, é indismentível dizer-se que os Earlimart já possuem um som próprio e característico, feito com detalhes interessantes e uma escrita impecável. Este System Preferences não é muito diferente dos álbuns anteriores, sendo um disco perfeito para se escutar sozinho, ou para servir de fundo para uma conversa amigável num dia isento de grandes chatices ou planos. Espero que aprecies a sugestão...

01. U&Me
02. Shame
03. 10 Years
04. A Goodbye
05. 97 Heart Attack
06. Lovely Mary Ann
07. Crestline, CA.
08. I’m a Safe Inside
09. Get Used To The Sound
10. Sweater Weather
11. Internet Summer
12. Over Andover

 


autor stipe07 às 23:22
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