Terça-feira, 22 de Novembro de 2016

The Blank Tapes - Ojos Rojos

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta, têm passado por esta publicação várias vezes e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles. Depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso desse ano, terem divulgado mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9 e de em janeiro de 2015 terem editado Geodesic Home Place, agora, já em 2016, oferecem-nos Ojos Rojos, mais catorze canções de intensidade festiva máxima e que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

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(pic by Sheva Kafai)

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte americanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemporâneas, basta ouvir-se Sexxy Skyype, um dos temas mais inebriantes e festivos de Ojos Rojos para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se na surf pop de Dance To Dance ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de La Baby ou Beach Party.

Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os The Blank Tapes querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Léon justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.

O disco prossegue e quer no rock n' roll tresmalhado de Spring Break ou no fuzz complacente de Biggest Blunt In Brazil e na cadência suave e profundamente veraneante de Let Me Hear You Rock, fica claro que Ojos Rojos balança entre uma contemporaneidade vintage e um glorioso suadosimo, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhe continua a dar margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros, que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.

Ojos Rojos é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:48
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Sábado, 29 de Outubro de 2016

Mall Walk - Funny Papers

Lançado ontem à boleia da Mount Saint Mountain, masterizado por John McBain e produzido e misturado por Monte Vallier nos estúdios Ruminator Audio em São Francisco, Funny Papers é o título do álbum de estreia dos MALL WALK. Refiro-me a um trio formado por Daniel Brown, Nicholas Clark e Rob I. Miller, oriunda da mesma São Francisco e com um cardápio sonoro impregnado com um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um indie rock feito com guitarras bastante inspiradas, algo que ficou já patente logo em outubro de 2014 com S/T, o EP da banda que de tempos em tempos ainda roda com insistência na redação deste blogue.

Os MALL WALK têm tudo aquilo que é preciso para serem uma banda importante do indie rock psicadélico atual. Têm no sol da Califórnia o refúgio perfeito para explorar um hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial, que carateriza a sua música e, de facto, as dez canções de Funny Papers impressionam pela amplitude do trabalho de produção e a procura de uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, dentro de um espetro sonoro onde aquela visceralidade algo sombria, típica do punk, costuma ditar cartas. Esta apenas aparente ambivalência está bem expressa na monumentalidade de Street Drugs and Cartoons, canção onde o próprio rock de cariz mais progressivo também está fortemente impresso, em especial na guitarra que conduz o refrão.

Na verdade, o habitual pendor algo lo fi que muitas vezes é percetivel na própria distorção das guitarras em bandas que apostam neste espetro sonoro relacionado com o indie rock mais cru e o punk rock é, neste trio, substituido por um elevado vigor do baixo e também pela chamada deste instrumento para a linha da frente na arquitetura sonora, que tem, frequentemente, as luzes da ribalta e um maior protagonismo, como se percebe, claramente, em Patches, mas também em Call AgainExhauster, três espetaculares tratados de punk rock aditivos, rugosos e viciantes. Mas a sensibilidade dos solos e riffs da guitarra que exibem linhas e timbres muito comuns no chamado garage rock, também não são descurados e em Sleeping In Shits, mas, principalmente, em Protection Spells acabam por ser aquele complemento perfeito que obriga a que seja justo afirmar que os MALL WALK são corajosos e abertos a um saudável experimentalismo. E essa busca de novos caminhos dentro do espetro sonoro que os baliza e que no caso de Sex Negative pisca o olho à psicadelia setentista, nunca inibe o trio de se manter conciso e direto na visceralidade controlada que quer exalar, enquanto prova elevada competência no modo como separa bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções.

Se as linhas de baixo sublimes referidas são exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes dos MALL WALK, é evidente nas distorções das guitarras um posicionamento melódico direcionado para a busca de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também acessíveis e do agrado de um público abrangente. Death In Small Increments é o exemplo maior deste passo em frente, uma catarse psicadélica, assente numa bateria inspirada que nos faz dançar em loopings divagantes, uma canção onde os MALL WALK apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, que é um verdadeiro compêndio de punk rock despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Funny Papers sabe a muito pouco, tal é a hipnose instrumental que nos oferece, pensada para nos levar numa road trip pelo deserto com o sol quente na cabeça, à boleia da santa tríade do rock, uma viagem lisérgica através do tempo em completo transe e hipnose. Da psicadelia, ao garage rock, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado punk rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos MALL WALK, que acabam de dar um passo bastante confiante, criativo e luminoso na sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:39
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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

Grandaddy – Way We Won’t & Clear Your History

 

Grandaddy - Way We Won't

Dez anos após o clássico Just Like The Fambly Cat, os californianos Grandaddy de Jason Lytle acabam de partilhar Way We Won't e Clear Your History, duas novas canções que antecipam a chegada de um novo álbum, ainda sem nome e data de lançamento, mas que terá a chancela da 30th Century Records de Danger Mouse.

Notavelmente contemporâneas, estas duas canções não defraudam a herança progressiva e experimental do indie rock que abastece o cardápio de uns Grandaddy que, como se percebe nas guitarras e na bateria da primeira e nos efeitos e no piano da segunda, ainda possuem capacidade criativa suficiente para explorar profundamente um género sonoro com caraterísticas muito próprias, mas que possibilitam inúmeras abordagens e explorações. Confere o primeiro dos dois temas...


autor stipe07 às 17:08
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Terça-feira, 13 de Setembro de 2016

Allah-Las - Calico Review

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las são Miles, Pedrum, Spencer e Matt e têm um novo disco intitulado Calico Review, um trabalho lançado por intermédio da Mexican Summer no último dia nove de setembro e que sucede ao excelente Worship The Sun (2014) e a um homónimo, que foi o disco de estreia da banda, editado em 2012. Calico Review foi gravado no Valentine Recording Studio, um estúdio famoso em Los Angeles que estava encerrado desde finais da década de setenta, com o equipamento utilizado a ser, de acordo com a banda, semelhante ao que foi usado pelos The Beach Boys em Pet Sounds.

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Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Depois de terem impressionado com o búzio de Allah-Las e a abrangência vintage de Worship The Sun, estes californianos trazem o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações dos antecessores, mas de forma ainda mais abrangente e eficaz, levando-nos numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguindo apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente.

No momento de compôr e de selecionar o cardápio instrumental das canções a receita dos Allah-Las é muito simples mas tremendamente eficaz e aditiva, mesmo no sentido psicotrópico do termo. A embalagem muito fresca e luminosa, apimentada por um manto de fundo lo fi empoeirado, e rugoso mas pleno de soul, é assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar Strange Heat e cá vamos nós a caminho da praia ao som dos Allah-Las e de volta à pop etérea e luminosa dos anos sessenta para, pouco depois, na percussão vibrante exemplarmente cruzada com as cordas de um violão em Satisfied e nos acordes sujos de Famous Phone Figure, assim como no groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre It Could Be You e Autumn Dawn, os dois dos melhores temas do disco,ficarmos completamente absortos por este experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem, num disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Terra Ignota.

Place In The Sun, o ocaso de Calico Review, é uma feliz homenagem ao final do verão, uma canção com sabor a despedida do sol e do calor, através de uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e uma forma muito assertiva de encerrar um disco feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações. Ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana, Calico Review conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Calico Review

01. Strange Heat
02. Satisfied
03. Could Be You
04. High And Dry
05. Mausoleum
06. Roadside Memorial
07. Autumn Dawn
08. Famous Phone Figure
09. 200 South La Brea
10. Warmed Kippers
11. Terra Ignota
12. Place In The Sun


autor stipe07 às 17:56
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Quinta-feira, 1 de Setembro de 2016

Cass McCombs - Mangy Love

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está de regresso aos discos com Mangy Love, o oitavo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Refiro-me a um alinhamento de doze canções, que viram a luz a vinte e seis de agosto e sucedem ao excelente Big Wheel And Others, sendo o primeiro álbum do músico depois de ter assinado pela ANTI- Records.

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Mangy Love traz-nos de volta o ambiente algo ambivalente a que McCombs nos tem habituado na sua já extensa discografia, feito de sonho e amargura, dois campos lexicais que parecem não se cruzar em nenhum instante nas nossas vidas, mas que na escrita deste músico californiano se entrelaçam insistentemente, nomeadamente, e com notável ênfase, no piano e nas cordas complacentes de Low Flyin’ Bird. Mas já Opposite House, o primeiro avanço divulgado de Mangy Love, tinha deixado logo quer essa certeza de continuidade, quer o inedetismo invulgar das criações sonoras de McCombs, numa canção que conta com a participação especial de Angel Olsen nas vozes de fundo e que reforça a habitual sonoridade do músico, assente em banjos e violões carregados de amargura, mas também uma interessante dose de bom humor e ironia, uma sonoridade simplista, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas doses de uma folk ruidosa, num oceano de melancolia ilimitada.

Apreciar Mangy Love é, incondicionalmente, ser transportado para um tradicional jogo de sons e versos que caracterizam alguma da melhor folk contemporânea, que ao invés de ser purista oferece-se de braços abertos ao indie rock e à própria eletrónica, o que, no caso de McCombs, atinge instantes de brilhantismo nas composições mais extensas, algo bem plasmado na visceralidade das guitarras e na voz sussurrante de Cry e no imenso oceano nostálgico que se espraia perante nós em I'm A Shoe. Depois, temas como Medusa's Outhouse, que segue esta linha autoral bem definida com rigidez, mostrando-nos um romântico inveterado, especialista em musicar lamentos e amores que não deram certo e o andamento rugoso e caribenho da fumarenta Run Sister Run, deixam-nos convencidos da excelência de um disco que mantém, em todo o alinhamento, uma fluidez agradável e inegavelmente marcante.

Mangy Love é, em suma, uma formidável sequência de composições bastante radiofónicas, onde tudo aquilo que atrai e influencia Cass McCombs, e que descrevi acima, é densamente compactado, com enorme mestria e um evidente bom gosto, num artista que longe de se abrigar apenas à sombra de canções melódicas convencionais, procura, disco após disco, reforçar o seu historial sonoro com um brilho raro que entronca, basicamente, na simplicidade com que se aventura na sua própria imaginação e numa indisfarcável devoção aos autores clássicos da América que o viu nascer e onde cabem, numa ténue fronteira, todos os sonhos, mas também diferentes angústias. Espero que aprecies a sugestão...

Resultado de imagem para Cass McCombs Mangy Love

01. Bum Bum Bum
02. Rancid Girl
03. Laughter Is The Best Medicine
04. Opposite House
05. Medusa’s Outhouse
06. Low Flyin’ Bird
07. Cry
08. Run Sister Run
09. In A Chinese Alley
10. It
11. Switch
12. I’m A Shoe


autor stipe07 às 22:09
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2016

Father John Misty – Real Love Baby

Father John Misty - Real Love Baby

Father John Misty já foi visto como um reverendo barbudo e cabeludo, que vagueava pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young. Encharcado, pegava no violão e cantava sobre cenas bíblicas, Jesus e João Batista e a solidão. Hoje, Father John Misty não é só um artista, é uma personagem criada e interpretada por Josh Tillman, antigo baterista dos Fleet Foxes, que tinha uma vida bastante regrada e obscura, mas que hoje vive apaixonado e feliz com esse maravilhoso novo estado de alma.

Intérprete de um dos melhores concertos da última edição do NOS Alive, Misty divulgou recentemente Real Love Baby, uma nova canção que teve a primeira versão gravada em maio e que foi agora alvo de revisão e cujo indulgente teor lo fi das suas cordas sessentistas afaga com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a sua doutrina, num registo clássico e fortemente emocional. Confere...


autor stipe07 às 14:23
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Segunda-feira, 6 de Junho de 2016

Cass McCombs – Opposite House

Cass McCombs - Opposite House

Natural de Los Angeles, na Califórnia, Cass Mccombs é um dos mais notáveis intérpretes do folk rock norte americano e está prestes a regressar aos discos com Mangy Love, o oitavo tomo discográfico da sua já extensa e notável carreira. Será um alinhamento de doze canções, que verão a luz a vinte e seis de agosto e sucedem ao excelente Big Wheel And Others, sendo o primeiro álbum do músico depois de ter assinado pela ANTI- Records.

Opposite House é o primeiro avanço divulgado de Mangy Love, canção que conta com a participação especial de Angel Olsen nas vozes de fundo e que reforça a habitual sonoridade de McCombs, assente em banjos e violões carregados de amargura e de uma interessante dose de bom humor e ironia, uma sonoridade simplista, porém inebriante, que pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas doses de uma folk ruidosa, num oceano de melancolia ilimitada. Confere...


autor stipe07 às 19:18
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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

We Are Scientists – Helter Seltzer

Os norte americanos We Are Scientists estão de regresso aos discos com Helter Seltzer, o quinto registo discográfico desta banda que teve as suas raízes na Califórnia, está atualmente sedeada em Nova Iorque e já leva dezassete anos de carreira, sendo formada atualmente por Keith Murray, Chris Cain e Scott Lamb e um dos nomes fundamentais do pós punk atual.

Logo no trocadilho entre uma conhecida marca de águas internacional e o clássico dos The Beatles Helter Skelter fica expressa a habitual boa disposição de uma banda que muitas vezes parece pedir para não ser levada demasiado a sério, apesar de já amealhar na sua herança alguns pergaminhos sonoros que apesar de inapelavelmente fazerem alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos e as t-shirts coloridas e convidarem a que se ponha o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque é hora de festa, também são verdadeiros marcos sonoros, já que temas como Nobody Move, Nobody Get Hurt ou The Great Escape e Impatience, são hinos não só de uma geração mas de todos aqueles que acompanham com particular devoção o universo sonoro dominado pelo rock alternativo.

A banda sonora destes We Are Scientists e de Helter Seltzer firma-se, pois, no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, um rock algo inofensivo e que em canções como Buckle ou a rugosa Classic Love se materializa através da habitual simplicidade melódica do projeto e de um trabalho de produção e mistura que não descura quer as noções de grandiosidade, quer de ruído, além de alguns efeitos imponentes que acabam por adornar e dar mais brilho e cor às composições.

Cada uma destas novas dez músicas que os We Are Scientists propôem reflete, portanto, um sustentado crescimento da banda, ao mesmo tempo que fornecem mais uma coleção de canções que vão cair facilmente no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o grupo. O grande segredo dos We Are Scientists reside exatamente na capacidade que demonstram de se renovarem e exerimentarem coisas novas e, ao mesmo tempo, não quererem complicar, por isso, aproveitem bem o spotify abaixo e se a festa estiver divertida e onde quer que se encontrem, desde que este disco esteja a tocar e a cerveja esteja fresquinha é só avisar-me que se estiver nas redondezas irei ter convosco. Fico à espera de um convite e espero que aprecies a sugestão...

We Are Scientists - Helter Seltzer

01. Buckle
02. In My Head
03. Too Late
04. Hold On
05. We Need A Word
06. Want For Nothing
07. Classic Love
08. Waiting For You
09. Headlights
10. Forgiveness

 


autor stipe07 às 18:23
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2016

The Moth And The Flame – Young And Unafraid

Os The Moth & The Flame de Brandon Robbins, Mark Garbett, Michael Goldman e Andrew Tolman são uma das melhores descobertas musicais que fiz nos últimos anos, um grupo que me ficou sempre na retina assim que tive a oportunidade de escutar o disco homónimo de estreia deste grupo norte americano natural de Provo, no Utah e atualmente sedeado em Los Angeles, na Califórnia. Esse é um dos álbuns que mais saiu da estante cá de casa nos últimos anos e que até deu origem a um dos takes do blogue na Everything Is New TV. Os The Moth And The Flame lançaram esse disco homónimo de estreia a 11.11.11. e entretanto já chegou o sucessor, um álbum intitulado Young And Unafraid e que foi concebido pela banda juntamente com os aclamados produtores Peter Katis (Interpol, The National), Tony Hoffer (M83, Beck) e Nate Pyfer (Parlor Hawk, Fictionist).

Young And Unafraid foi precedido de um EP com mais quatro canções, editado em setembro último e cujo conteúdo nos ofereceu, desde logo, algumas luzes sobre o conteúdo sonoro deste sucessor de The Moth And The Flame, que viu a luz do dia através da Elektra Records. Já agora, recordo que há dois anos, em 2013, a banda tinha lançado um outro Ep intitulado simplesmente &, um conjunto de canções editado pela Hidden Records e produzido por Joey Waronker (Beck, Atoms For Peace, R.E.M.).

Neste Young and Unafraid mantém-se, felizmente, a sonoridade pop atmosférica da estreia, com canções que envolvem o ouvinte em ambientes etéreos, mas com uma sonoridade mais direta e rugosa, como se percebe logo na visceralidade de Red Flag e na imponência de Silvertongue. O indie rock mantém-se, assim, como elemento ativo de um arquétipo de onde também sobressai uma presença forte da sintetização, com instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade e outros em que a teia sonora se diversifica e se expande para nos arrastar sem dó nem piedade para um ambiente sombrio e nostálgico, com caraterísticas muito próprias. Há, assim, canções extremamente simples e que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos, enquanto outras soam mais ricas e trabalhadas, que nos fazem descolar um pouco mais de uma zona de conforto sonora e arriscam ambientes épicos e com uma instrumentalização ainda mais diversificada, bem explícita, por exemplo, na matriz sintética de Live While I Breathe.

Seja qual for a fórmula aplicada, os The Moth And The Flame pegam firmemente no seu som e usam-no como se fosse um pincel para criar obras sonoras carregadas de pequenos mas preciosos detalhes intrigantes, interessantes e exuberantes. Muitas vezes um simples detalhe fornecido por uma corda, uma tecla ou uma batida aguda dão logo uma cor imensa às canções e a própria voz, que recorda imenso o Beck Hansen do período Sea Changes, serve, frequentemente, para transmitir essa ideia de exuberância e sentimento.

Neste tempo em que abundam os downloads rápidos e as embalagens descartáveis é reconfortante ver uma banda tão interessada e orgulhosa da forma como apresenta a sua música, ainda mais quando o essencial (a música) é bastante recomendável! Uma bonita surpresa que regressa novamente e que espero que aprecies devidamente…

The Moth And The Flame - Young And Unafraid

01. Red Flag
02. Young And Unafraid
03. Empire And The Sun
04. Live While I Breathe
05. Wishing Well
06. Silvertongue
07. Run Anyway
08. Sorry
09. 10 Years Alone
10. Round
11. Life In The Doorway
12. We Are Not Only What We’ve Been Before


autor stipe07 às 20:16
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Sábado, 6 de Fevereiro de 2016

Twin Cabins – Harmless Fantasies EP

Viu a luz do dia a treze de novembro passado Harmless Fantasies, o mais recente discográfico do projeto californiano Twin Cabins, liderado por Nacho Cano e ao qual se juntam, atualmente, Jack Doutt, Dan Gonzalez Hdz, Cheyne Bush, Ben Levinson e Mona Maruyama. Refiro-me a um EP com oito canções, disponível na plataforma bandcamp gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo e que parece pretender abarcar num único e longo abraço toda a gama de mestres da melancolia pop norte americana.

Um súbito piscar de olhos torna-se involuntário e depois permanente enquanto o trompete de Made Me vai espreitando por uma melodia fortemente percussiva e envolvente e a verdade é que este detalhe sonoro que compõe o primeiro tema do alinhamento de Harmless Fantasies serve de base à maioria das canções. Logo depois, em Get Better, teclados luminosos e marcados por um tom atmosférico, mas alegre, continuam a ser amparados por uma bateria sintetizada que depois recebe a companhia ilustre de alguns efeitos e uma voz que, apesar do registo e efeito em eco, nunca deixa de se mostrar dotada de uma enorme acessibilidade poética e lírica. Isso percebe-se também em Painfully Obvious, canção permeada por versos deliciosos e uma instrumentação bastante harmónica, onde, claro está, a percussão, dominada por uma pandeireta, dita a sua lei e o tal trompete torna-se no seu principal aliado, numa dinâmica melosa e emotiva que parece querer denunciar uma necessidade confessional de resolução e redenção, exposta de modo delicado e emocionante, mas também um pouco triste. Esse trompete torna-se ainda mais convincente e vigoroso em You're Being Stupid, sendo, de certa forma, apesar de instrumento de sopro, um aparato tecnológico mais amplo para toda esta expressão musical que Harmless Fantasies contém, um EP que parece servir para a descoberta da mente de Nacho Cano, um homem cheio de particularidades e com uma enorme mente criativa, que se expressa intensamente mesmo quando o ambiente sinistro de (Fantasy) nos quer sugar para o interior de um âmago que se esforça de forma inédita para explicitar alguns dos maiores aspetos da fragilidade humana.

Uma das grandes virtudes destes Twin Cabins expressa-se no modo como abordam um convincente ineditismo, plasmado na honestidade derramada na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, mas também no modo como toda esta amálgama sintética e calculadamente minimalista que suporta este EP, nos traz luz... uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas pelo contacto e pela tomada de consciência (fez-se luz) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. Espero que aprecies a sugestão...

Twin Cabins - Harmless Fantasies

01. Made Me
02. Get Better
03. Painfully Obvious
04. You’re Being Stupid
05. (Fantasy)
06. Angelina
07. With Pleasure
08. Still


autor stipe07 às 21:45
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