Sábado, 28 de Fevereiro de 2015

Highlands – Dark Matter Remnants EP

Editado no passado dia quinze de julho, Dark Matter Traveler foi o segundo disco dos Highlands, um grupo de Long Beach, na Califórnia, formado por Scott, Chris, Stephen e Beau Balek. Esse trabalho, produzido pela banda e por Rollie Ulug e masterizado por J.P. Bendzinski, era particularmente tenso, narcótico, intenso e hipnótico, já que o ambiente sonoro destes Highlands, que partilham connosco o seu gosto pelo cruzamento entre o punk mais sombrio e o rock clássico e noisy, carregado de reverb, debitava melodias épicas, com um certo groove e um forte pendor psicadélico.

Dark Mark Traveler continha dez canções mas, à época, os Highlands tiveram de fazer alguma seleção relativamente ao alinhamento já que dispunham de outros temas que acabaram por ficar de fora do conteudo desse disco. Dark Matter Remnants viu a luz do dia a vinte de novembro último e é uma súmula com cinco canções que ficaram de fora do segundo álbum do projeto, mas que poderiam muito bem ter feito parte desse disco, já que continuam a demonstrar que os Highlands não têm receio de mostrar a capacidade intrínseca que possuem para replicar a psicadelia que se desenvolveu nas décadas de setenta e oitenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas.
Logo em Red, o primeiro tema do EP, confere-se uma revisão dessa psicadelia e uma busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock alternativo que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.
Com uma postura vocal algo arrastada mas assertiva, o reverb na voz acaba por ser uma consequência lógica desta opção que, na melancolia épica de Delusion, carrega toda a componente nostágica com que os Highlands pretendem impregnar o seu ADN. O vocalista, ao soprar na nossa mente e ao envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, faz o nosso espírito facilmente levitar, algo que provoca um cocktail delicioso de boas sensações.
Dark Matter Remnants era o capítulo que faltava no percurso destes Highlands para poderem agora prosseguir em paz de espírito e sem remorsos por terem deixado de fora no seu último longa duração temas tão excelentes como os que compôem este EP e assim, olhando definitivamente em frente, continuarem a sua saga musical com o exclusivo propósito de demonstrar a uma qualquer entidade exterior o que os humanos são capazes de produzir de melhor no universo indie mais progressivo e psicadélico. Espero que aprecies a sugestão...
 

Highlands - Dark Matter Remnants

01. Red
02. Delusion
03. Never Look
04. The Only Things
05. Eternal Coast


autor stipe07 às 21:17
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

Father John Misty – I Love You, Honeybear

Father John Misty já foi visto como um reverendo barbudo e cabeludo, que vagueava pela noite americana a pregar o evangelho segundo Neil Young. Encharcado, pegava no violão e cantava sobre cenas bíblicas, Jesus e João Batista e a solidão. Hoje, Father John Misty não é só um artista, é uma personagem criada e interpretada por Josh Tillman, antigo baterista dos Fleet Foxes, que tinha uma vida bastante regrada e obscura, mas que hoje vive apaixonado e feliz com esse maravilhoso novo estado de alma.

Tillman já tinha lançado a partir de 2005 uma série de EPs e um álbum em 2010, entanto, só após a rescisão com os Fleet Foxes e uma assinatura com a Sub Pop, é que o seu projeto a solo ganhou pujança, tendo-se juntando, assim, todos os ingredientes para a chegada de Fear Fun, um álbum editado na primavera de 2012 com estrondo. Agora, quase três anos depois, Fear Fun já tem sucessor, uma coleção de onze canções intitulada I Love You, Honeybear, que documentam o seu novo status, mas que não deixam de condensar ainda um certo sarcasmo feroz e melancolia, com um resultado que se não é a reinvenção da roda contém uma saudável dose de letargia que garante sucessivas audições, por dias a fio.

Sedutor, cativante, profundamente engenhoso e com todos os atributos para ser um verdadeiro diabo vestido de anjo, Tillman serve-se das cordas para expressar sentimentos que se causam algum desconforto na mente dos mais desconfiados sobre as suas reais intenções, afaga com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a sua doutrina.

Agora a viver em Nova Orleães, depois de anos escaldado pelo sol californiano e, como referi, entretanto apaixonado, nomeadamente pela fotógrafa Emma Elizabeth Garr, hoje Emma Elizabeth Tillman, Tillman escreve neste disco sobre o amor, mas não de modo a documentar apenas e só este seu novo estado pessoal, preferindo falar sobre si próprio e o modo como a sua intimidade de certa forma se modificou devido ao amor, procurando fazer canções de amor bonitas, sentidas, repletas de orquestrações opulentas e com algumas baladas que, no caso de When You’re Smiling And Astride Me são conduzidas por um belíssimo piano num registo clássico e fortemente emocional.

Com um pé em Nashville (I Love You, Honeybear) e outro na mexicana Valladolid (Chateau Lobby #4 (In C For Two Virgins)), o músico aprofunda neste seu segundo trabalho o senso de humor e a sagacidade das suas letras, cada vez mais inteligentes e enigmáticas, com um elevado sentido críptico, até, não sendo óbvia a descodificação célere das suas reais intenções relativamente a todos aqueles que se deixam inebriar pelos seus sermões e fazer parte de um rebanho que se assanha sempre que o pastor investe no tema recorrente deste trabalho, o amor. E Tillman fá-lo por vias pouco convencionais (I just love the kind of woman who can walk over a man), mesmo quando também embarca no auto elogio direto, com temas como Bored in the USA ou The Ideal Husband, a mostrarem ter aquela estrela certeira chamada aúrea, capaz de conduzir todos os holofotes para que incidam sobre si.

As canções de Father John Misty possuem, inevitavelmente, uma característica narrativa, nostálgica e sempre com aquela aura fantasiosa de uma era longínqua do rádio e da indústria fonográfica. Sentimo-nos em casa e bastante acolhidos ao som de temas como Strange Encounter e Nothing Good Ever Happens at Goddam Thirsty Crow e preciosidades como a já citada When You’re Smiling and Astride Me e os sintetizadores de True Affection são geniais no modo como plasmam um folk rock muito ternurento que mesmo escondido no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação emocional têm tudo para fazer de Tillmam um verdadeiro sex symbol indie e estrela improvável, ainda por cima apaixonado como um bebé, carente de afetividade constante, como tão bem mostra a capa retratando-o como o pequeno Cristo barbudo no colo de Maria, rodeado por pequenas criaturas que poderão personificar todos aqueles demonios que o cercam, prontos a colocar em causa o seu novo mundo cor-de-rosa, à primeira oortunidade. Será que irão conseguir? Espero que aprecies a sugestão...

Father John Misty - I Love You, Honeybear

01. I Love You, Honeybear
02. Chateau Lobby #4 (In C For Two Virgins)
03. True Affection
04. The Night Josh Tillman Came To Our Apt.
05. When You’re Smiling And Astride Me
06. Nothing Good Ever Happens At The Goddamn Thirsty Crow
07. Strange Encounter
08. The Ideal Husband
09. Bored In The USA
10. Holy Shit
11. TI Went To The Store One Day


autor stipe07 às 22:20
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Domingo, 1 de Fevereiro de 2015

Lower Heaven - Home and Away EP

A paixão pela música e a ânsia constante de descoberta é um vício que guardo dentro de mim, fortemente impregnado e indissociável daquilo que sou enquanto ser humano que procura sentir-se plenamente realizado todos os dias. O contacto com novas bandas e projetos acaba por se tornar num excelente exercício de encontro e descoberta, documentado com fidelidade neste blogue. Conheci recentemente os norte americanos Lower Heaven por causa de Pulse, um extraordinário disco pleno de guitarras cheias daquele fuzz declaradamente vintage e com uma sonoridade algo lo fi, com a voz, muitas vezes distorcida e as escolhas de arranjos a conferir à música deles um ar ainda mais soturno. Posteriormente, tendo apresentado ao grupo a minha análise critica do álbum, recebi como resposta um extraordinário EP, intitulado Home and Away e que apesar de ter sido cronologicamente editado antes de Pulse, não pode deixar de ter um lugar de destaque neste espaço, principalmente por causa do seu fantástico conteúdo.

Editado em agosto 2014, Home and Away tem uma história e um conceito que não se ligam com Pulse, um disco que, apesar de editado depois deste EP, foi gravado em 2012 e 2013. Entretanto, estas quatro canções surgiram quase espontaneamente após a gravação dos temas de Pulse e os Lower Heaven gostaram tanto delas que quiseram  partilhá-las o mais rápido possível, até porque Pulse estava em pleno processo de mistura e produção. 

Os dois trabalhos acabaram por ser editados em separado, nunca se tendo colocado a hipótese de adicionar estas canções a Pulse, não só para não ficar um álbum demasiado extenso mas, principalmente, porque, como já referi, há uma dinâmica particular e mesmo uma sonoridade bastante distinta. Se Pulse era dominado pelo tal fuzz declaradamente vintage e com uma sonoridade algo lo fi, Home And Away tem um ambiente sonoro mais amplo, límpido e luminoso, mantendo-se o efeito na voz, num registo em eco, como o principal ponto de encontro entre os dois registos. Esta postura vocal acaba por revelar um curioso efeito na música deste Lower Heaven já que, é aquele toque que lhes confere a implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica, apesar da amplitude etérea deste EP. Logo em Holding Back acedemos à dimensão superior onde os Lower Heaven nos sentam e o baixo encorpado, o efeito da guitarra, o arranjo sintetizado e a percurssão hipnótica e pulsante de Through The Seasons, fazem deste EP, logo ao segundo tema, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.

Os Lower Heaven sabem muito bem como assumir uma faceta fortemente etérea e melancólica e como criar canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica. A surf pop ensolarada e descontraída de Swimmers e o rock com enormes resquícios do glam dos anos oitenta de All Becomes Alive, um tema que convida, simultaneamente, à dança e à melancolia, por causa das suas texturas eletrónicas polvilhadas com elevado charme, surpreendem de um modo excitante e ao mesmo tempo acolhedor.

Home And Away é um verdadeiro refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual, um enorme raio de luz que nos envolve num imenso arsenal de arranjos e detalhes, sendo para os Lower Heaven mais um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro. A banda está atualmente em estúdio a preparar já o sucessor de Pulse, de acordo com o que me confidenciou Marcos, um dos membros da banda. Espero que aprecies a sugestão...

A mostrar HOME AND AWAY FINAL.jpg

1. Holding Back
 
2. Through The Seasons
 
3. Swimmers
 
4. All Becomes Alive


autor stipe07 às 21:10
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

The Dodos – Individ

Os norte americanos The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Carrier (2013). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Individ e viu a luz do dia ontem, através da Polyvinyl Records nos Estados Unidos, da Morr Music na Europa e a Dine Alone no Canada. Individ foi o disco mais escutado na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante o mês de janeiro e impressionou, seduziu e conquistou, tendo exigido repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições.

Os The Dodos têm uma carreira já bastante cimentada no universo alternativo e são respeitados,sendo notória a influência que já representam para muitos outros projetos. Com seis discos já editados desde 2005, são exemplo de fidelidade aos seus instintos primários, de não se reduzirem a uma simples brisa quando podem caminhar tornado dentro, a grande imagem conceptual deste Individ, de acordo com a própria banda.

Individ começou a ser idealizado logo em finais de 2013, após o lançamento de Carrier, o belíssimo antecessor, um álbum que gravitava em redor da necessidade de quebrar os hábitos e as rotinas que tornam a nossa vida num corropio infernal, com a capa a querer transmitir a ideia de alguém que quis fazer uma pausa e agora observa um tornado, que não é mais do que a sua própria vida. Individ é a aceitação daquilo que somos e, depois de um exercício de auto expiação e plenamente revigorados e renovados, uma reentrada nesse tornado, mas mais preparados e fortalecidos para enfrentar os dilemas da nossa existência.

Exímios no modo como conjugam as cordas com uma percussão vibrante e donos de uma distorção típica, imponente, contínua e com um efeito metálico muito caraterístico, os The Dodos mostram, logo na eloquente, ampla, vigorosa e visceral Precipitation o seu inconfundível truque que alia a típica sonoridade metálica das cordas com instrumentos percussivos do mesmo timbre, com o baixo a colocar o indispensável manto, tudo com uma inspirada melodia. É assim a música dos The Dodos, tão simples como a vontade de usar imensos adjetivos para elogiar este indie rock direto e incisivo, cheio de alma e caráter, sempre apresentado de forma assertiva e bem produzida.

O deambulante efeito da guitarra de Tide e o fuzz da mesma em Bubble e o modo como este instrumento aparece eletrificado sempre de mãos dadas com alguma dose de reverb sem perder um implícito travo acústico, indispensável para o tal efeito imagem de marca metálico, entrelaça-se, nestes dois registos, com uma bateria incessante, que ganha em mestria o modo como consegue exprimir uma calculada alternância de fulgor, criando assim com perfeição o clima melódico que os The Dodos procuram recriar, o indicado para um disco que, como já foi referido, pretende contar histórias muito concretas, relacionadas com a vida comum e os conflitos psicológicos que ela frequentemente provoca. Um pouco adiante, em Goodbyes and Endings, este casamento entre as cordas e a percussão, é mais um instante feliz de exploração de um som amplo, épico e alongado, sustentado no abraço constante que cria uma atmosfera verdadeiramente nostálgica, sedutora e hipnotizante.

Chega-se a Competition, a bateria continua a ter as rédeas e dançamos vigorosamente enquanto a canção é conduzida por uma melodia que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que o primeiro single retirado de Individ suscita e nos recorda que já não há possibilidade de regresso enquanto não se der o ocaso de um disco abrangente no modo como cruza a leveza onírica da dream pop, bem presente na balada Darkness, canção onde o esplendor da vertente acústica das cordas tem o seu momento alto e o cariz mais rugoso do rock alternativo, com outros espetros sonoros, mais progressivos e experimentais, que a imponente e bizarra Retrevier nos oferece em forma de roleta russa, numa dupla que não se deixa enlear por regras e imposições herméticas. Bom exemplo disso são também os mais de sete minutos de Pattern/Shadow, uma canção cheia de detalhes preciosos, com destaque para o dedilhar inicial do baixo e que parece funcionar como uma sobreposição contínua e simultânea de dois temas isolados e que, ao contar com a participação especial, na voz, de Brigid Dawson, dos Thee Oh Sees, cria uma manta sonora particularmente feliz para o encaixe do pendor mais orgânico e psicadélico que faz parte da positividade contagiante destes The Dodos, sempre fieis aos seus instintos mais primários, que exigem a constante quebra de estruturas e padrões e a fuga a categorizações que balizem em excesso o ADN do projeto.

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Individ é mais um tiro certeiro na carreira desta dupla de São Francisco e talvez o melhor álbum dos The Dodos até ao momento, não só por causa das suas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional. Espero que aprecies a sugestão...

The Dodos - Individ

01 Precipitation
02 The Tide
03 Bubble
04 Competition
05 Darkness
06 Goodbyes And Endings
07 Retriever
08 Bastard
09 Pattern/Shadow


autor stipe07 às 17:13
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

The Babies - Got Old

The Babies - "Got Old"

Desde que em 2012 as The Babies de Kevin Morby dos Woods e de Cassie Ramone das Vivian Girls, editaram o seu fantástico álbum intitulado Our House on the Hill nunca mais deram notícias e o projeto ficou num manto de indefinição, temendo-se pelo futuro do mesmo. De então para cá, além do trabalho desenvolvido nas bandas de origem, Morby e Ramone lançaram discos a solo e o receio relativamente ao futuro dos The Babies aumentou ainda mais.

Felizmente a dupla voltou a dar sinais de vida com a edição de um single de sete polegadas, via Woodsist, com dois temas que são lados b de singles retirados de Our House on the Hill, as canções Got Old e All I Know. As duas foram gravadas na Califórnia em fevereiro de 2012 e produzidas por Rob Barbato e misturadas por Drew Fischer. Confere o primeiro tema deste sete polegadas e recorda o excelente Our House on the Hill...


autor stipe07 às 13:16
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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015

Ty Segall - Mr Face EP

tycrop

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. A primeira obra que Ty Segall nos oferece em 2015, e eu digo primeira porque me atrevo a considerar que vai haver mais novidades deste músico durante o ano, é Mr Face, um EP com quatro canções editado a treze de janeiro através da Famous Class Records. A edição em vinil do EP tem mais um ponto de enorme interesse, já que foi impressa em dois tomos, azul e vermelho, ambos translúcidos, permitindo que funcionem como um par de lentes através do qual se consegue visualizar o artwork, em 3D, de Mr Face.

O EP inicia com Mr Face, o tema homónimo e com ele e um dedilhar de guitarra rugoso, mas vigoroso e com uma forte toada blues, ampliada por um efeito da prima elétrica, que vai brincando com a voz, sentada lá ao fundo, damos por nós a sorrir ao som de um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem da década seguinte, uma canção que surpreende por essas guitarras sujas, pela bateria frenética, mas também por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um EP que merece audição dedicada não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis também nos restantes temas, como assim como pelas já habituais linhas de baixo a que Ty já nos habituou, absolutamente incríveis.

Ty Segall atingiu um grau de maturidade tal, graças a uma vasta e imaculada discografia, que já nem surpreende o inedetismo do luminoso instante surf psicadélico presente em Circles e o modo como cruza uma toada algo pop, com o fuzz típico do garage rock, fazendo com que este tema deixe de lado os habituais limites do rock caseiro e se converta num momento de pura exaltação, proposto por quem ainda busca um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa, mas que, quanto a mim, nada mais tem a provar para ter direito a uma posição de relevo nesse antro de perdição.

Com o hard rock setentista, de mãos dadas com rock de garagem e o blues de Drug Mugger e a toada hippie, vintage e acústico psicadélica de The Picture, Ty merece ser avaliado com uma ainda maior dose de charme e uma nova personalidade, devido a a alguns arranjos inéditos e uma guitarra cada vez mais perto da psicadelia.

 

É difícil prever o futuro sonoro de Ty Segall e se este EP serve de bitola para os seus próximos lançamentos. No entanto, em Mr Face o músico deixa definitivamente de lado um habitual nível de anarquia e desiquilibrio que frequentemente firma na execução dos seus registos e, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias, executa um ensaio de assimilação de heranças, com um sentido melódico irrepreensível, que exala um sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

01. Mr. Face
02. Circles
03. Drug Mugger
04. The Picture


autor stipe07 às 17:29
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Sábado, 10 de Janeiro de 2015

The Soft White Sixties – Get Right

Editado já em março deste ano, Get Right é o novo trabalho dos norte americanos The Soft White Sixties, uma banda que conquistou a crítica com South By Southwest, um trabalho que colocou este projeto debaixo dos holofotes.

A sonoridade hard rock, do rock setentista, do rock de garagem e do blues é a pedra de toque desta banda de São Francisco, que tem a voz mais parecida com a de Rod Stewart que conheço. Do single City Lights ao refrão efusivo de Up to The Light ou à toada festiva de Lemon Squeezer, Get Right começa por incubar um antro de cor e diversão, com cada uma das canções a ser preenchida com refrões carregados de vozes felizes, um alinhamento instrumental preciso e um completo desapego relativamente a tudo o que possa obstruir a capacidade que as guitarras sempre têm de participar ativamente no suporte de canções com luminosidade pop simples e direta, mesmo que tenham o índice de fuzz e distorção elevado, o que demonstra, desde logo, a capacidade destes The Soft White Sixties para misturar diferentes géneros e tendências, com elevado grau de criatividade e bom gosto.

O piano de Rubber Band e de Treat Me e, principalmente, o intimismo que enche de charme a toada blues da guitarra de Roll Away marca uma ligeira inflexão na toada do disco, com este último tema a conter um vagaroso mas caliente ritmo latino, muito bem suportado por uma percussão deliciosa, que faz da canção um instante sonoro bastante sensual.

A postura da voz que, como já referi, nos remete imediatamente para um famoso escocês, é um trunfo declarado destes The Soft White Sixties, que sabem como recriar um ambiente onde se dança, mas também se trocam olhares, havendo uma clara sensação de espontaneidade, como se Get Right tivesse sido composto para ser escutado por amigos e não para a massa homónima que uma banda que já agrega multidões em seu redor e agora suscita enorme expetativa sempre que respira, geralmente coleciona no seu cardápio de seguidores.

Até ao final, com o fuzz e as variações de ritmo de I Ain't Your Mother e You Are Gold, regressa aquele rock clássico tipicamente americano que nunca se refrata para inundar os corações mais carentes de uma luminosidade que transmite energia, faznedo-o de um modo particularmente explosivo, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que tantas vezes se chama o som de banda.

Longe de se abrigarem apenas à sombra de canções melódicas convencionais, estes The Soft White Sixties conseguem com estas dez canções reforçar o brilho raro que, pelos vistos, tem acompanhado a sua carreira artística. Get Right comprova a entrada em grande estilo dos mesmos na primeira divisão do campeonato indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft White Sixties - Get Right.

01. City Lights

02. Up To The Light
03. Lemon Squeezer
04. Don’t Lie To Me
05. Rubber Band
06. Roll Away
07. Treat Me
08. I Ain’t Your Mother
09. You Are Gold
10. Tilt-A-Whirl
11. Knock It Loose (Bonus Track)
12. It’s You (Bonus Track)


autor stipe07 às 15:20
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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2015

Lower Heaven – Pulse

Oriundos de Silverlake, nos arredores de Los Angeles e com o nome retirado da letra de uma canção dos Echo And The Bunnymen, os Lower Heaven são já um nome consensual e com uma base de seguidores bastante consolidada no universo alternativo local. Confessam ser influenciados por nomes fundamentais como os My Bloody Valentine, Hawkwind, ou os The Jesus and Mary Chain e, na verdade, escutando Pulse, o mais recente trabalho deste quarteto, percebe-se que baseiam o seu som em guitarras cheias daquele fuzz declaradamente vintage e com uma sonoridade algo lo fi, com a voz, muitas vezes distorcida e as escolhas de arranjos a conferir à música dos Lower Heaven um ar ainda mais soturno.

Os acordes iniciais de Availae são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Lower Heaven deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, para criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Se Beyond All Living Things e a sua longa introdução pulsante e contemplativa mergulha o ouvinte num ambiente carregado de psicadelia e explora nitidamente um universo certamente construido com várias substâncias psicotrópicas consumidas em noites chuvosas, já o rock progressivo de In The Open e, principalmente, de A Day Without Yesterday, impressiona pelo modo como em cima de um sintetizador minimalista mas aditivo começa por ser adicionada uma guitarra limpa e depois toda a gama de instrumentos inseridos meticulosamente, que surpreendem sem cansar, resultando em algo excitante e ao mesmo tempo acolhedor.

Estes Lower Heaven deixam-se envolver por uma intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual e isso confere-lhes em todo aquele mistério, que protege, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este grupo, já que as canções de Pulse parecem ter sido propositadamente pensadas para levantar apenas ligeiramente o manto e deixar-nos numa espécie de limbo de elevada densidade sobre a verdadeira mensagem que querem passar para o grande público com este trabalho. Basta escutar-se o clima INXS da guitarra, da bateria vibrante e do registo vocal em Entropy, ou o baixo arrastado e o efeito vocal de Nectar, para darmos de caras com dois excelentes exemplos do clima sussurrante e hipnótico que domina Pulse e o instante em que a última canção cresce e depois se deixa envolver num imenso arsenal de arranjos e detalhes, é um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro.

Pulse é um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido apenas um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a vastidão imensa e simultaneamente diversificada da paisagem e de um mundo completamente diferente do nosso, de onde estes Lower Heaven são originários. Espero que aprecies a sugestão...

Lower Heaven - Pulse

01. Avialae
02. Beyond All Living Things
03. A Day Without Yesterday
04. Nectar
05. In the Open
06. Entropy
07. Cosmic Ray
08. God


autor stipe07 às 21:10
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015

The Blank Tapes – Hwy. 9

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland, agora, pouco antes do ocaso do último ano, divulgaram mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9.

Matt, o líder do grupo, que é, basicamente, um projeto a solo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Ele toca todos os instrumentos neste projeto e lançou o primeiro disco, Home Away From Home, em 2010. O sucesso foi tanto que os The Blank Tapes andaram pelo Brasil, pelo Japão e pela Europa, com os Thee Oh Sees. De regresso a casa foram para o estúdio e compuseram Vacation, e, pelos vistos, não esgotaram aí a sua veia criativa, já que este novo trabalho, apesar de conter algumas demos e temas ao vivo, é constituído, quase integralmente, por novos originais que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

E vamos com ele enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos The Blank Tapes, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do banjo folk e da harmónica de Long The Way, My Ladybug e Hallelujah, ou do experimentalismo instrumental de Rabbit Hole, que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica em Kazoo Song, além da percussão orgânica e de alguns ruídos, vozes e metais que assentam muito bem na canção. Makebelievin’ e Trinocular mantêm a toada revivalista, com um certo travo folk, em canções que fundem Lou Reed e Jimmy Hendrix, numa sonoridade grandiosa e controlada, ao mesmo tempo.

Até ao epílogo escuta-se um trabalho de referências bem estabelecidas, uma arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta.

Hwy. 9 é, portanto, uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Seis canções deste disco tiveram direito a um vídeo oficial e podes conferi-los a todos já a seguir, além de poderes escutar Hwy. 9 na íntegra. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Hwy. 9

01. A Little A Lot Of The Time
02. You Tube
03. Along The Way
04. Rabbit Hole
05. Shmaltz Waltz
06. Hwy. 9
07. Rabid Rabbi
08. Hallelujah
09. Mad Scientist
10. Cheese
11. Kazoo Song
12. Indian Hwy.
13. Enipucrop
14. Little One
15. Makebelievin’
16. Ivy Hill
17. My Ladybug
18. Glass Cloud
19. Sperman
20. Trinocular
21. Milky Way
22. Potato Pancake
23. Blood And Brains
24. Renaissance Seance
25. Humming Bird
26. End Of The Road
27. The Giving Gift
28. Chill Pill
29. Ommmmm
30. O, Distractions
31. Starry Skies
32. Mini Van
33. Down To The Wire
34. The Only One
35. Woodshedding
36. Descending Ending
37. June Gloom
38. Smokey Road
39. Hwy. 9 (Revisited)
40. Frontal Robotomy
41. Sperman [Demo]
42. PTC
43. Hallelujah [Demo]
44. Untitled Comedy Podcast Theme Song (Live In Memphis, TN)

 

autor stipe07 às 18:40
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Domingo, 4 de Janeiro de 2015

Twin Oaks – Animal & Clarity

Sedeado em Los Angeles, na Califórnia, Twin Oaks é um projeto de dream pop formado pela dupla Lauren Brown e Aaron Christopher, dois amigos do liceu que resolveram formar uma banda que retrata e expõe sentimentos fortes e genuínos com uma atitude sonora que privilegia o minimalismo instrumental e o bom gosto no modo como criam melodias que nos transportam para um universo doce e  contemplativo envolvido por uma voz terrivelmente delicada e sedutora.

Animal e Clarity é o mais recente lançamento da dupla, um single com dois temas feitos com letras carregadas de nostalgia e melancolia e com detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem algo sombria pelo mundo tímido destes Twin Oaks, cuja estética sonora não defrauda minimamente os verdadeiros apreciadores da dream pop mais letárgica e melancólica. Confere...

Twin Oaks - Animal - Clarity

01. Animal
02. Clarity


autor stipe07 às 15:37
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