01. Old Friend
02. In Nothing
03. Priscilla
04. Kasper
05. Blue Stockings
06. Saint Catherine St.
07. Changing Seasons
08. Dear Fellow Traveler
09. Miracle Cure
10. Whirlpool
Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Agora, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por Richard Swift e lançado no início deste ano pelo selo Jagjaguwar, traz o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz.

A audição de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, impressiona desde logo por em apenas nove músicas e pouco mais de trinta e seis minutos abarcar uma vasta rede de influências sonoras que, em comparação com a estreia, também abrangem agora a folk e o rock dos anos setenta, indo muito ao encontro do que atualmente faz um cruzamento dos compatriotas MGMT e The Black Keys com os australianos Tame Impala e os Unknown Mortal Orchestra. Houve um amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.
In The Darkness abre o álbum e recorda logo, em apenas dois minutos e com o piano e a percussão, os The Beatles da fase Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band e mostra também as características camaleónicas dos voz de Sam e os seus belos agudos, às vezes sintetizados. Em apenas dois minutos, a canção traz a sonoridade psicodélica sessentista que estará presente em grande parte do disco. Em seguida, No Destruction mantém a toada revivalista, com um travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Stones e fala do amor e de alguns absurdos que às vezes estão implícitos a esse sentimento.
On Blue Mountain é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração à The Black Keys, que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.
San Francisco tem o melhor refrão de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Bowling Trophies tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção.
O primeiro single retirado de We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic foi Shuggie, outra canção com várias nuances, um refrão soul e um início pouco usual feito à base de sintetizadores e com um timbre bem estranho. Oh Yeah é groove e funky e leva-nos de volta ao camaleão dos anos setenta e só no tema homónimo é que reaparece a toada lo fi que se ouviu no disco de estreia dos Foxygen, por sinal de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e novamente de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic termina com a hipnótica Oh No 2, canção com uma belíssima melodia que nos remete para os Pink Floyd.
We Are The 21st Century Ambassadors Of Peace & Magic é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen. É um impressionante passo em frente quando comparado com Take the Kids Off Broadway e um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...
In The Darkness
No Destruction
On Blue Mountain
San Francisco
Bowling Trophies
Shuggie
Oh Yeah
We Are the 21st Century Ambassadors of Peace & Magic
Oh No 2
Os The Growlers são uma banda norte americana da Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra). Hung At Heart é o terceiro álbum da discografia do grupo, foi gravado em Nashville, editado em novembro de 2012 através da Everloving Records e produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. A propósito desta interessante parceria com Auerbach, a Everloving, publicou recentemente, uma afirmação muito peculiar: Indie Iron Chef Dan Auerbach had initially tried his hand in the kitchen but when the dish ended up overcooked, the Growlers brought it back to the home kitchen, drank the juice and started over.

Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles terão pegado em tudo aquilo que Dan produziu e remexeram totalmente, acrescentando uma certa toada lo fi, mas que não apagou o caráter festivo e animado deste álbum.
Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e deve obedecer a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.
Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria. Logo no início, em Someday, Brooks goza com as habituais contradições do amor (when tall boys turn into champagne, when bologna turns into steak), mas a guitarra de Matt não deixa a canção resvalar para o facilitismo que a letra pode indiciar. Mais abaixo, Living In A Memory, é outra ode festiva, mas está lá um baixo para impôr algum respeito.
Embora grande parte da diversão musical patente em Hung At Heart pareça de fácil idealização, alguns ecos crescentes e explosões percurssivas plasmam uma notória mestria na arte de composição por parte dos The Growlers. Mesmo alguns laivos de psicadelia não parecem nada inocentes. Espero que aprecies a sugestão...
01. Someday
02. Naked Kids
03. Salt On A Slug
04. One Million Lovers
05. No Need For Eyes
06. Living In A Memory
07. Pet Shop Eyes
08. In Between
09. Burden Of The Captain
10. Row
11. It’s No Use
12. Use Me For Your Eggs
13. Derka Blues
14. Beach Rats
Os Kids Without Instruments são o sonho concretizado de uma dupla de Long Beach, na Califórnia, que se conheceu no Tumblr. Eles são FrankJavCee, um cantor, produtor e escritor de vinte anos e Marion A. Shootingstar, uma cantora de dezanove anos e juntos resolveram começar a fazer música em 2011. Kids Without Instruments é o EP de estreia deste projeto.
A dupla começou a compôr música em conjunto ainda antes de se conhecerem pessoalmente, apenas recorrendo à eletrónica e a sintetizadores de 8-bits. Uma interação mais intensa e pessoal começou quando os dois começaram a estudar juntos cinema na California State Long Beach.
Este EP chamou a atenção da indústria musical indie e recentemente assinaram pela Kobalt Music Publishing, etiqueta que alberga vários nomes de relevo, nomeadamente Skrillex, Bon Iver, Cut Copy, Gotye, Dada Life, Moby, Yeasayer, Kid Cudi, Band of Horses, LMFAO, Beck, Peaches, Tiesto, entre outros.
Um arrojado e curioso sonho que esta dupla alimenta é poderem um dia liderar um projeto de cariz solidário que possa oferecer a crianças de todo o mundo teclados alimentados a energia solar para que, de acordo com a dupla, as crianças descubram o poder da música eletrónica.
Na verdade, os Kids Without Instruments têm esse nome como banda exatamente porque fazem questão de raramente usar instrumentos convencionais, quer em estúdio quer em palco, servindo-se quase sempre de um computador portátil com um MIDI, ou seja, uma especificação para sintetizadores que assegura a reprodução de diferentes instrumentos. Espero que aprecies a sugestão...

Conheço os Local Natives desde que em 2010 apresentei Gorilla Manor (2009) e desde aí fiquei sempre muito atento a este quinteto de Los Angeles. Assim, era com justificada expetativa quer aguardava por Hummingbird, o disco mais recente de um grupo californiano, que faz da leveza instrumental, do sofrimento traduzido em versos e da formatação primorosa que brinca com a excelência das formas instrumentais, a sua imagem de marca. Humminbird foi produzido por Aaron Dessner, dos The National e chegou às lojas no passado dia vinte e nove de janeiro pela Frenchkiss.

A sonoridade dos Local Natives sempre se manteve dentro de uma atmosfera bem delineada e de uma constante proximidade lírica e musical, algo bem patente no Gorilla Manor, uma obra que alicerçou definitivamente o rumo sonoro do grupo. Hummingbird concretiza tudo aquilo que foi proposto há três anos e acrescenta uma maior componente épica, feita com texturas monumentais e arranjos que parecem aproximar o grupo das propostas de Robin Pecknold (Fleet Foxes) e Win Butler (Arcade Fire) e fazer uma espécie de simbiose das mesmas. Continua a ouvir-se os detalhes étnicos e conceptuais, mantendo-se uma relação estreita com as propostas mais recentes dos Vampire Weekend e a obra dos Talking Heads. Já agora, acrescento que Warning Sign, dos Talking Heads, foi alvo de uma versão pelos Local Natives.
Em Hummingbird há coerência no alinhamento e cada tema parece introduzir e impulsionar o seguinte, numa lógica de progressão, mas nunca perdendo de vista as melodias suaves e a dor, dois vectores essenciais do conceito sonoro dos Local Natives. Dessa forma, enquanto Heavy Feet cresce de maneira a soterrar-nos com emanações sumptuosas e encaixes musicais sublimes, Ceilings puxa o álbum para ambientes mais melancólicos e amenos. Existem ainda composições que lidam, em simultâneo, com esta duplicidade, caso de Breakers, um tema que nos transporta até altos e baixos instrumentais, que atacam diretamente os nossos sentimentos.
E são estes sentimentos que suportam cada mínima fração instrumental e poética de Hummingbird; Das confissões de You & I, à honestidade de Bowery, praticamente tudo aquilo que se ouve lida com aspectos dolorosos da vida a dois, algo que aproxima também os Local Natives dos lamentos adultos que abastecem a obra dos The National, algo a que não será alheia a já referida presença de Aaron Dessner na produção.
Hummingbird é também um deleite para os apreciadores de belas vozes; Os músicos da banda vão-se revezando na sobreposição de cantos e de maneira orquestral direcionam os rumos marcados pelos instrumentos. As vozes servem como estímulo para o começo, o meio e o fim das canções e não são apenas um instrumento extra, mas a linha que guia e amarra o álbum do princípio ao fim.
Embora tenha a concorrência de um universo musical saturado de propostas, Hummingbird consegue posicionar os Local Natives num lugar de destaque, porque traz na constante proximidade entre as vozes e as melodias instrumentais, imensa emoção e carateriza-se por ser um registro que involuntariamente chama a atenção pela beleza e que, por isso, deve ser apreciado com cuidado e real atenção. Espero que aprecies a sugestão...
01. You And I
02. Heavy Feet
03. Ceilings
04. Black Spot
05. Breakers
06. Three Months
07. Black Balloons
08. Wooly Mammoth
09. Mt. Washington
10. Columbia
11. Bowery
Os Earlimart são uma dupla de Los Angeles formada por Aaron Espinoza e Ariana Murray, elementos também dos Admiral Ralley, grupo encabeçado pelo ex Grandaddy, Jason Lytle. Já lançaram oito discos ao longo da carreira e System Preferences é o álbum mais recente deste grupo, tendo sido editado no passado dia dezoito de setembro, através da The Ship, o selo da própria banda.

Aaron Espinoza e Ariana Murray fazem um indie suave, intenso e introspetivo, um pouco diferente de sonoridades mais abertas e luminosas, que ultimamente estão muito em voga na costa oeste dos Estados Unidos, nomeadamente da Califórnia, estado de onde vêm. Em System Preferences, os arranjos elaborados, as batidas quase eletrónicas e a aura melancólica afastam a música dos Earlimart da pop na mesma medida em que as linhas vocais tornam as músicas mais adocicadas e fáceis de ouvir.
Os Grandaddy são uma referência óbvia, mas com os tais oito álbuns já no mercado, é indismentível dizer-se que os Earlimart já possuem um som próprio e característico, feito com detalhes interessantes e uma escrita impecável. Este System Preferences não é muito diferente dos álbuns anteriores, sendo um disco perfeito para se escutar sozinho, ou para servir de fundo para uma conversa amigável num dia isento de grandes chatices ou planos. Espero que aprecies a sugestão...

01. U&Me
02. Shame
03. 10 Years
04. A Goodbye
05. 97 Heart Attack
06. Lovely Mary Ann
07. Crestline, CA.
08. I’m a Safe Inside
09. Get Used To The Sound
10. Sweater Weather
11. Internet Summer
12. Over Andover
Citado Curtas... LIII, foi a trinta de outubro que a Captured Tracks lançou Zeros, o segundo álbum de estúdio do quinteto Soft Moons e que sucede ao álbum homónimo, editado em 2010. Esta banda natural de São Francisco, na California, tem uma sonoridade distante desse ambiente solarengo, já que fazem um pós punk sombrio, muito na linha de outros grupos, como os Crystal Stilts, Cold Cave ou A Place To Bury Strangers, todos oriundos de Nova Iorque, na outra costa dos Estados Unidos da América.

Em Zeros os Soft Moon partiram em busca de uma sonoridade menos comercial e mergulharam num oceano de ruídos, com um certo toque de psicodelia, atestando, mais uma vez, a vitalidade de um género que nasceu há quatro décadas, além de provarem que ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas. Zeros segue as pegadas e o rumo estabelecido em The Soft Moon, deixa ao ouvinte pouco tempo e espaço para respirar e da canção de abertura, It Ends, até a chegada da canção de encerramento ƨbnƎ tI, uma versão espelhada inclusive musicalmente da música inicial, o disco não abranda um instante.
Por mais óbvia que seja a associação, não é difícil lembrar imediatamente a herança deixada pelos Joy Division, principalmente o conteúdo do ainda hoje revolucionário Unknown Pleasures, de 1979. Da capa minimalista em preto e branco, passando pela inexistência de uma ordem correta no trabalho, Zeros tem tudo para ser uma versão reformulada do clássico, não de maneira plagiada, mas como uma homenagem e referência.
As guitarras são o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Se Insides remete-nos para uma certa onda dançante do Primary Colours, dos The Horrors, a canção seguinte, Remembering The Future usa as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. Soma-se às guitarras e ao baixo os sintetizadores que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Zeros.
Zeros soa, de certa forma, como uma versão mais aprimorada da estreia, um som mais enraivecido, intenso e incansável, ou seja, a banda, ao invés de infletir o seu rumo sonoro, amadureceu as suas opções e, ao mesmo tempo, sem romper ou superar os seus limites dentro de uma zona de acerto, experimentam em pequenas doses e apontam algumas dicas e bases para o que poderão vir a desenvolver futuramente.
Para quem aprecia e quer manter-se atualizado sobre o que o mercado oferece em termos de ruídos sombrios e massas volumosas de som obscuros, Zeros é um disco obrigatório. Espero que aprecies a sugestão...

01 – It Ends
02 – Machines
03 – Zeros
04 – Insides
05 – Remembering the Future
06 – Crush
07 – Die Life
08 – Lost Years
09 – Want
10 – ƨbnƎ tI
Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011, Ty está de volta com Twins, mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, o que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual.

Twins foi lançado pela Drag House e, inicialmente, não se identifica logo importantes diferenças realtivamente ao antecessor. No entanto, assim que começa e se ouve as guitarras de Thank God for Sinners, torna-se claro um ambiente mais grandioso, menos caseiro, mais festivos e com acordes e linhas melódicas mais acessíveis.
Uma menor tendência lo fi e uma maior aproximação ao clima natural de um Jack White ou de uns Guided By Voices, são duas evidências e Ty não receia transitar entre o presente e o passado, através da definição de um som atento às tendências atuais, mas que também bebe da nostalgia instrumental firmada há três ou quatro décadas. Por exemplo, a sonoridade ensolarada da década de sessenta e o rock de garagem dos anos setenta estão por todo o lado. Ao acrescentar guitarras sujas às melodias de vozes testadas por diversas bandas ao longo da década de sessenta, nomeadamente os The Beach Boys, o músico estabelece um trabalho recheado pelo contraste, algo bem audível no single The Hill, uma canção que nos espanca com a extraordinária sequência de ruídos estrondosos.
Em Twins, Ty Segall tenta, a todo o custo, parecer grande, nomeadamente quando abraça a psicadelia em Ghost e em There Is No Tomorrow, duas canções que deixam de lado os tais limites do rock caseiro e convertem-se em momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa.
Felizmente, por muito que legitimamente Ty Segall, procure abarcar novos horizontes sonoros e expandir o seu cardápio de influências, é fantástico perceber que a tal não identificação de importantes diferenças realtivamente aos discos anteriores, assenta em algo que nunca muda, o habitual nível de anarquia firmada na execução de todos os registos que precedem Twins e o mesmo desequilíbrio particular de outrora, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias. Espero que aprecies a sugestão...

01. Thank God For Sinners
02. You’re The Doctor
03. Inside Your Heart
04. The Hill
05. Would You Be My Love
06. Ghost
07. They Told Me Too
08. Love Fuzz
09. Handglams
10. Who Are You
11. Gold On The Shore
12. There Is No Tomorrow
Os Sea Wolf são uma banda folk da Califórnia liderada pelo cantor e compositor Alex Brown Church, ao qual se juntam, atualmente, Church, Lisa Fendelander (teclado), Theodore Liscinski (baixo), Joey Ficken (bateria), Nathan Anderson (guitarra) e Joyce Lee (violoncelo). Recentemente lançaram Old World Romance, o novo disco da banda e que sucede a White Water, White Bloom. Old World Romance foi produzido e gravado no próprio estúdio de Alex e misturado por Kennie Takahashi, que já trabalhou com os The Black Keys e os Broken Bells. Old Friend, o grande destaque deste trabalho, está disponível para download no sitio do grupo.

Old World Romance é sonoramente um álbum linear; Ouve-se de uma ponta à outra sem grandes sobressaltos. Seja como for, há algumas canções que se destacam, como a já citada Old Friend, Saint Catherine, a bem humorada Dear Fellow Traveler e Priscila, uma belíssima canção de amor. O romantismo é a grande pedra de toque dos Sea Wolf e isso é bem evidente na forma como as cordas e os acordes acústicos se destacam e na postura vocal de Alex. Dentro da ta linearidade não deixa de haver uma certa abundância de belos detalhes sonoros típicos da estrutura convencional das canções pop.
Alex Brown, o grande mentor dos Sea Wolf, deverá ser uma pessoa extremamente reservada e pouco expansiva. A movimentada e bulicosa cidade dos anjos não será certamente grande fonte de inspiração para uma sonoridade tão outonal e introspetiva, com uma produção tão precisa e discreta e que deverá encontrar raízes em alguém que gosta de vaguear até tarde, reencontrar amigos do passado e tentar ocupar o pensamento a aprofundar sentimentos e assim uma maior valorização pessoal. Old World Romance deve ser visto desta perspetiva de certa forma singular e ser aceite como um compêndio de melancolia optimista e intimista, perfeito para acompanhar com o On The Road de Jack Kerouac ou para se aventurar por estradas, mares, ou seja lá onde for. Espero que aprecies a sugestão...
01. Old Friend
02. In Nothing
03. Priscilla
04. Kasper
05. Blue Stockings
06. Saint Catherine St.
07. Changing Seasons
08. Dear Fellow Traveler
09. Miracle Cure
10. Whirlpool
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Os Beacon preparam-se para lançar um novo EP, intitulado For Now e a Ghostly International está a disponibilizar o primiero single. A canção chama-se Feeling's Gone, também traz um instrumental na bagagem e é um original dos londrinos Fort Romeau.

Os finlandeses Paperfangs, uma banda de indie pop muito conceituada nos meandros mais alternativos do cenário muscial europeu, acabam de oferecer aos mais atentos uma cover de Everyday, um original de Buddy Holly, um conceituado cantor norte americano, nascido em 1936 e falecido em 1959 e considerado como um dos pioneiros do rock e da folk. Aproveita...

Os Black Marble são uma dupla natural de Brooklyn e que se prepara para lançar, no próximo dia nove de outubro, A Different Arrangement, o disco de estreia, através daSub Pop. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.

O quarteto noise pop californiano Dum Dum Girls está de volta como um novo EP chamado End of Daze e que será editado, pela Sub Pop, amanhã, dia vinte e cinco de Setembro.
O EP será lançado, em princípio, apenas em vinil (com MP3 pra download); São cinco músicas, sobras do trabalho de estúdio que deu origem a Only In Dreams e todas produzidas por Sune Rose Wagner, dos Raveonettes.
Os canadianos The Wilderness of Manitoba, acabam de lançar Island Of Echoes, um álbum cuja sonoridade obedece à tipica sonoridade folk do grupo, mas que saúda também diferentes influências. O grupo não esconde a sua inspiração, que vai dos Fleetwood Mac à obra de Crosby, Stills, Nash e Young.
Tudo é feito com esmero, e se o disco começa com a cansativa Morning Sun, disponível para download gratuito, cresce a cada canção até atingir níveis etéreos dignos de um Bon Iver. Não é um álbum de rutura, mas de continuidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Balloon Lamp
02. Morning Sun
03. Echoes
04. The First Snowfall
05. The Aral Sea/Southern Winds
06. Chasing Horses
07. White Woods
08. Golden Thyme
09. A Year In Its Passing
10. Glory Days
11. The Island of the Day Before
12. The Escape
13. Northern Drives

Quem se estreou no discos com um homónimo foram os The Rubens, uma banda australiana de indie rock, natural de Sidney e formada por Zaac Margin (guitarras), Elliott Margin (voz e teclados), Sam Margin (voz e guitarras) e Scott Baldwin (bateria). Em termos de sonoridade encontram raízes em bandas como os The Black Keys, The Doors e Cold War Kids. Confere...
01. The Best We Got
02. My Gun
03. Never Be The Same
04. Lay It Down
05. Be Gone
06. Elvis
07. The Day You Went Away
08. I’ll Surely Die
09. Look Good, Feel Good
10. Don’t Ever Want To Be Found
11. Paddy
Os Beachwood Sparks nasceram no final do século XX e são um sonho californiano oferecido ao mundo, liderado pelo cantor e guitarrista Christopher Gunst, onde também se inclui o baixista Brent Rademaker, o multi instrumentista Farmer Dave Scher e o baterista Aaron Sperske, aos quais se junta ocasionalmente o guitarrista Ben Knight dos The Tyde. Onze anos após Once We Were Trees e depois de em 2008 se terem voltado a reunir para comemorar o vigésimo aniversário da sua editora de sempre, a Sub Pop, regressaram aos discos com Tarnished Gold, editado no passado dia vinte e seis de junho.
Os Beachwood Sparks são uma banda com uma raíz tipicamente americana, que ouvindo os Grateful Death e os Flying Burritos Brothers descobriu a country dos anos sessenta que procurava estrelas sobre a poeira da ampla paisagem californiana. Hoje, sempre bastante discretos, gravitam entre dois mundos; Por um lado levam a country no coração, mas carregam um forte desejo de ir mais além e criar música sem tempo, envolvida pela psicadelia e pela ambição de criar um microcosmos sonhador onde a realidade ao redor ganha cores garridas ou um romantismo incurável.
Tarnished Gold transporta melodias gentis, cantadas quase sempre com a voz de Gunst num registo próximo do sussurro delicado e muitas vezes atravessadas por trechos de rock cósmico, que apenas nos sobressaltam um pouco antes do regresso à pureza original em que o disco assenta. Ouve-se uma harmónica ternurenta, aceleram o ritmo quando menos se espera e conjugam a folk e o rock convocando à celebração e até ao tal romantismo, algo bem audível em Leave That Light On, uma brisa suave num verão supostamente bastante quente.
A magia de Tarnished Gold está na capacidade que este álbum tem de nos rodear com uma realidade palpável e, ao mesmo tempo, efabulada, com canções que melhor que muita da literatura, cinema e outra música, nos trazem o melhor da Califórnia. Espero que aprecies a sugestão...
01. Forget the Song
02. Sparks Fly Again
03. Mollusk
04. Tarnished Gold
05. Water from the Well
06. Talk About Lonesome
07. Leave That Light On
08. Nature’s Light
09. No Queremos Oro
10. Earl Jean
11. Alone Together
12. The Orange Grass Special
13. Goodbye
The Beachwood Sparks, last convened in 2003, are back as if they never left, spinning trippy goodtime vibes, ethereal metaphysics and slacked out California pop.
Beachwood Sparks make music for and by Californians who love living in California, surfing, and hanging out among the redwoods, and for listeners who have no idea what that’s like but love the sound of soft harmonies and a tastefully placed slide guitar.
A.V. Club
The Tarnished Gold moves through space like a guided nature walk—never a hike—drawing upon breathy, summer sounds and endless harmony to craft the perfect soundtrack for its creators’ home state.
— Paste Magazine
Here, editado pela Vagrant / Rough Trade é o primeiro de dois álbuns que Edward Sharpe & The Magnetic Zeros liderados por Alex Ebert têm previsto editar em 2012 e foi lançado no mercado no passado dia vinte e nove de maio.

O aparecimento de Devendra Banhart no começo da década passada teve uma importância única para o resgate das influências hippies bem como o fortalecimento de um som de oposição ao que propunham as guitarras típicas da cena indie norte americana, principalmente o que era construído na região do Brooklyn, Nova Iorque.
Uma espécie de líder religioso-musical, Devendra Banhart, um artista texano estabelecido na Califórnia, serviu como base e influência maior para uma infinidade de projetos; Nomes como Joanna Newsom, Cocorosie, Vetiver e tantos outros partilham do mesmo sentimento e sonoridade assumidos abertamente por este cantor e Alex Ebert também já assumiu publicamente esta fonte de inspiração no que concerne à sonoridade dos Edward Shape and The Magnetic Zeros. Tal como o faz Devendra, este coletivo mergulha fundo na psicadelia folk que definiu a música dos anos sessenta, além de se apoiar num som montado em cima de um imenso coletivo musical, reproduzindo dessa forma toda a força neo hippie que preenche cada instante dos álbuns desta banda, inclusive este Here, o segundo álbum de estúdio.
Mais do que se aproximar de uma musicalidade calcada em antigas nostalgias, ao longo do disco a banda deixa-se consumir abertamente tanto pela música country como pela soul, referências que percorrem cada uma das nove canções e expandem os territórios deste grupo californiano. A simbiose entre os dois géneros possibilita que eles se encontrem, como em That’s What’s Up, canção que explora ambas as referências de igual forma e prova que há uma tentativa descarada de aproximação com o cancioneiro norte americano, estratégia já testada no álbum de estreia, Up From Below, de 2009, mas que se intensifica com o passar do presente disco.
Se a conexão com Devenda Banhart transborda no disco, os Edward Shape And The Magnetic Zeros tiveram também a capacidade de dilui-la e não a demonstrar de forma descarada; Canções como I Don’t Wanna Pray e Dear Believer provam esta capacidade subtil e se Banhart parece incorporar um sentimento universal e quase filosófico nas suas letras, Ebert assume uma postura mais religiosa, com muitas das suas canções a falar sobre fé e crenças, o que o aproxima e aos seus parceiros da música gospel.
Mas não há só o fantasma de Devendra a rondar Here; Este disco é mais bucólico e nostálgico que o álbum de estreia, num esforço que por vezes os aproxima do que foi feito pelos Fleet Foxes do primeiro disco ou de outros grandes representantes da cena folk atual. Até a subtileza vocal de Bon Iver parece rondar em várias canções, aproximação que esta enorme banda, no sentido literal do termo, deixa aparente logo na canção de abertura, Man On Fire, um doce retrato do que seria a música pop há umas cinco décadas. Esta calma acaba por definir a estrutura geral do disco, em apenas nove canções e menos de quarenta minutos de duração, um completo oposto da grandiosidade da estreia.
A enorme busca de delicadeza na sonoridade e algum excesso de controle e défice de espontaniedade, da banda ou do próprio Ebert, impedem que este disco cresça e tudo o que é feito no interior de Here, ao ser feito por um homem só, talvez não seja o que se espera de um projeto como este. Seja como for, para quem aprecia o género, este é, sem qualquer dúvida, um disco essencial. Espero que aprecies a sugestão...
01. Man On Fire
02. That’s What’s Up
03. I Don’t Wanna Pray
04. Mayla
05. Dear Believer
06. Child
07. One Love To Another
08. Fiya Wata
09. All Wash Out
Os Brian Jonestown Massacre surgiram em 1990, na Califórnia e são conhecidos pela mistura de psicadelia com o folk. Aufheben, lançado no passado dia um de maio, é o décimo terceiro álbum de estúdio desta banda de Anton Newcombe e sucede a Who Killed Sgt. Pepper?, de 2010. Este disco, gravado em Berlim nos estúdios de Anton e lançado pela A. Records, selo do próprio Newcombe, marca o regresso de Matt Hollywood à banda e conta com as contribuições de Will Carruthers (Spacemen 3, Spritualized), Constatine Karlis (Dimmer) e Thibault Pesenti (Rockcandys).

Newcombe considera que o regresso de Matt ao grupo foi decisivo para o conteúdo deste disco(He's a very creative person, even if he's playing a piano part or something. It's strange how we both understand each others' ideas, and also contribute unique things, i.e. since we taught each other to play music, we both have the same approach to writing and playing and at the same time and end up with totally different ideas to contribute. The best of both realms.)
Aufheben é um mergulho profundo no lado mais lisérgico da mente do seu criador. Em vez de distorções, encontramos cítaras, flautas e texturas sonoras que se aproximam do shoegaze, uma marca forte na discografia da banda.
Neste caldo psicadélico destacam-se as influências dos Stones Roses, mas também um pouco de Jefferson Airplane, sendo bom exemplo disso a viagem vocal de Eliza Karmasalo na doce Seven Kinds of Wonderful. Mas além deste travo setentista também se escuta krautrock, nomeadamente no single Viholliseni Maalla, outra canção onde a voz de Eliza é preponderante. Outros momentos trazem à memória os New Order, seja nas batidas, nos sintetizadores, na voz de Waking Up To Hand Grenades, ou simplesmente no trocadilho do título da canção Blue Order/New Monday.
Anton Newcombe é um dos poucos génios do rock atual. Reinventa a sua banda em cada novo álbum e deixa sempre claro que é irrepreensível na interpretação das suas influências, que constantemente se renovam e se alteram. Espero que aprecies a sugestão...
01. Panic In Babylon
02. Viholliseni Maalla
03. Gaz Hilarant
04. Illuminomi
05. I Wanna Hold Your Other Hand
06. Face Down On The Moon
07. The Clouds Are Lies
08. Stairway To The Best Party
09. Seven Kinds Of Wonderful
10. Waking Up To Hand Grenades
11. Blue Order / New Monday
Conforme referi em novembro passado, os californianos, naturais de Los Angeles, Silversun Pickups são um quarteto liderado por Brian Aubert e lançaram-se nos discos em julho de 2006 com Carnavas, álbum com belos apontamentos sonoros e um bom exemplo de que as referências ao som dos anos noventa não estavam enterradas. A banda exemplifica esta teoria através de belas guitarras, promovendo uma ode aos bons momentos dos Smashing Pumpkins ou, em menor escala, às experimentações dos Sonic Youth e ao ambiente criativo dos My Bloody Valentine.
A boa repercussão desse álbum de estreia criou enormes expetativas em relação ao som futuro a projetar pelo grupo, feito que a banda só promoveria três anos mais tarde com a chegada de Swoon. Este sempre difícil segundo disco revelou-se instável e não correspondeu ao esperado, apesar de ter boas canções como There’s No Secrets This Year ou a esquizofrénica Panic Switch. Por isso, distantes das expetativas que os cercavam no passado e mais maduros, lançaram no final de 2011 um novo EP intitulado Seasick e que serviu de prelúdio a Neck Of The Woods, disco lançado agora, a oito de maio via Dangerbird Records, produzido por Jacknife Lee, que já trabalhou com os U2 e os REM.

Neste álbum os Silversun Pickups mantêm uma sonoridade melódica, séria e apimentada com boas doses de distorção e guitarras ascendentes, bases saturadas de efeitos e a voz de Aubert num registo quase andrógeno. Neck of the Woods contém, por isso, canções de fortes inspirações noventistas e volta a provar que estes norte americanos são uma das grandes promessas do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...
01. Skin Graph
02. Make Believe
03. Bloody Mary (Never Endings)
04. Busy Bees
05. Here We Are (Chancer)
06. Mean Spirits
07. Simmer
08. The Pit
09. Dots And Dashes (Enought Already)
10. Gun-Shy Sunshine
11. Out Of Breath
Forrest Kline, Andrew Richards, Joseph Marro, Michael Nielsen e Travis Head são os nomes por detrás do projeto com o inusitado nome Hellogoodbye, inspirado na canção Hello Goodbye dos Beatles. São uma banda de punk rock da Califórina e que se estreou nos discos em 2006 com Zombies! Aliens! Vampires! Dinosaurs!, um álbum que vendeu cerca de meio milhão de exemplares e que continha Here (In Your Arms), uma canção que nessa época rodou insistentemente nos Estados Unidos. Would It Kill You? é o segundo disco da banda, foi lançado já em novembro de 2010 através da Wasted Summer Records e, para quem conhece o antecessor, ouvi-lo dá a sensação que estamos a contactar com uma outra banda que não os Hellogoodbye.

De facto, Would It Kill You? marca uma ruptura com o disco de estreia deste grupo. A sonoridade agora é muito menos elétrica e assumidamente mais acústica e com a voz desprovida de efeitos. Tudo isto fica logo comprovado quando se ouve When We First Met, o primeiro single do disco e uma canção assumidamente pop. Mas para mim o detalhe que mais me chamou a atenção em Would It Kill You? foi o uso de instrumentos de sopro, nomeadamente em Getting Old e Betrayed By Bones, que conta com uma versão alternativa, assinada por Ukelele. Coppertone é outro destaque, apesar de ser completamente diferente da maior parte do álbum, por ser uma canção um pouco mais lenta, mas muito bem orquestrada, com a voz a ganhar um protagonismo evidente no refrão e resguardada por uma guitarra quase acústica.
Would It Kill You? é a prova que esta banda progrediu musicalmente e liricamente e, por isso, valeu a pena a espera de quatro anos, depois da estreia. Vários meses depois da edição deste disco, acredito que ainda poderá ir a tempo de causar impacto. Espero que aprecies a sugestão...
01. Finding Something To Do
02. Getting Old
03. When We First Met
04. Betrayed By Bones
05. You Sleep Alone
06. When We First Kissed
07. The Thoughts That Give Me The Creeps
08. I Never Can Relax
09. Coppertone
10. Would It Kill You
11. Something You Misplaced
12. Not Ever Coming Home
13. When We First Met (Daytrotter Session)
14. Oh, It Is Love (Daytrotter Session)
15. Betrayed By Bones (Ukulele Version)
16. The Thoughts That Give Me The Creeps (Ukulele Version)
tUnE-yArDs é o insólito nome do projeto a solo de uma cantora norte americana chamada Merrill Garbus, oriunda de Oakland, na Califórnia e que em abril de 2011 lançou um álbum através da etiqueta 4AD, que só agora, graças a uma dica DuponD, descobri.

A primeira vez que ouvi W h o K i l l, achei ao incio que o vocalista era um homem. Mas depois, com maior atenção, acabei por encontrar algumas semelhanças entre merrill e nina simone, nomeadamente no timbre. Merrill é uma compositora aberta a experimentalismos, com um pé em África, outro na Jamaica e outro na América Latina. As canções carregadas de melodias oscilantes, batidas angulosas e um baixo bastante marcado, remetem para a sonoridade dos Dirty Projectors e a banda usa e abusa de loopings e efeitos de pedal para dar um clima positivamente estranho às composições, o que resulta num som harmonioso e extremamente pop, repleto de bizarrices folk, experimentalismos eletrónicos, batidas fora de ritmo, inserções de afrobeat e uma espécie de descontrole controlado, no fundo uma pérola repleta de esquisitices pop, fruto da mente insana da cantora e compositora.
Se é necessário rotular o disco dentro de algum género, que seja o experimental. Para o justificar basta ouvir Gangsta, uma canção que começa com sirenes de um carro de bombeiros, seguidas de batidas feitas com percussão, a voz a imitar as mesmas sirenes, um ruído pesado que resulta da soma de diversos instrumentos, um teclado competente e Merrill a soltar despretensiosamente a voz. Se ainda achas pouca excentricidade a tudo isto, então avança para Bizness, uma canção assente num som sofisticado e doce, repleto de sonoridades estranhas, ruídos incoerentes e batidas quentes, um caldeirão sonoro que faz perceber uma visível aproximação à pop. A californiana segue o mesmo exemplo de bandas como os já citados Dirty Projectors e os Animal Collective, por embarcar num universo de experimentações, mas sempre resolvidas de forma fácil e contagiante, com o som a fluir facilmente nos nossos ouvidos, permitindo que cada pequeno acorde seja bem aproveitado.
Lançado, como já referi, através do selo 4AD (etiqueta de artistas como Frank Black, Deerhunter e os Beirut) W h o K i l l figurou merecidamente em várias listas dos melhores lançamentos de 2011 e do início ao fim do álbum Merrill Garbus não nos dececiona, mantendo firme a excentricidade sonora do disco, restando-me apenas penitenciar-me por não o ter ouvido antes. Espero que aprecies os tUnE-yArDs e esta sugestão...

1. My Country
2. Es So
3. Gangsta
4. Powa
5. Riotriot
6. Bizness
7. Doorstep
8. You Yes You
9. Wolly Wolly Gong
10. Killa
Os californianos, naturais de Los Angeles, Silversun Pickups são um quarteto liderado por Brian Aubert e lançaram-se nos discos em julho de 2006 com Carnavas, disco com belos apontamentos sonoros e um belo exemplo de que as referências ao som dos anos noventa não estavam enterradas. A banda exemplificava esta teoria através das belas guitarras que borbulhavam ao longo do disco, promovendo uma ode aos bons momentos dos Smashing Pumpkins ou, em menor escala, às experimentações dos Sonic Youth e ao ambiente criativo dos My Bloody Valentine.
A boa repercussão desse álbum criou enromes expetativas em relação ao som futuro a projetar pelo grupo, feito que a banda só promoveria três anos mais tarde com a chegada de Swoon. Obviamente cercado pelas expectativas e esperanças lançadas através do primeiro álbum, este sempre difícil segundo disco revelou-se instável e não correspondendo ao esperado, apesar de ter boas canções como There’s No Secrets This Year ou a esquizofrénica Panic Switch. Agora, distantes das expetativas que os cercavam no passado e mais maduros, acabam de lançar mais um novo EP intitulado Seasick.

Este EP com apenas três canções e pouco mais de treze minutos de duração transparece a imagem de um conjunto de músicos maduros, mas com o mesmo entusiasmo da estreia há cinco anos atrás. Seasick deverá ser um prelúdio do que a banda possivelmente irá compôr em 2012, data prevista para a chegada de Full Length, o terceiro álbum destes Silversun Pickups. E o que se ouve nestas três músicas é um som bastante melódico, sério e apimentado com boas doses de distorção. A canção que intitula o EP assenta em mais de seis minutos de guitarras ascendentes, bases saturadas de efeitos e a voz de Aubert num registo quase andrógeno. No entanto o grande destaque vai para a dançante Broken Bottles, canção que sustenta as tais fortes expectativas em relação ao próximo álbum. Finalmente, os lamentos sublimes esvoaçados pela também vocalista Nikki Monninger em Ribbons & Detours abrem diversas possibilidades para a obra futura dos californianos, estabelecendo uma clara conexão com os tais My Bloody Valentine e provando que esta banda deve ser vista como uma das grandes promessas do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...
01. Seasick
02. Broken Bottles
03. Ribbons And Detours
Os Vanapastra são uma banda natural de Silverlake, na Califórnia, formada por Collin Desha (voz e guitarra), Steven Wilkin (teclados), Taylor Brown (baixo, guitarra, vozes), Cameron Dmytryk (guitarra, efeitos) e Ben Smiley (bateria). Depois de terem feito furor com um EP e com memoráveis atuações ao vivo, acabam de lançar Healthy Geometry, o disco de estreia e que tem sido muito elogiado pela crítica.

Assim que comecei a ouvir o álbum veio desde logo à memória a tipica sonoridade índie dos anos noventa. Algumas músicas do disco são poderosas e com uma sonoridade apaixonada e dinâmica. Existe com frequência mudanças de ritmo, sempre orientadas pelos riffs da guitarra e por uma voz que lembra bastante Jeff Buckley em alguns momentos e uma estranha mistura de Lenny Kravitz e Caleb Followill noutros. Esta espécie de vaivém no ritmo das canções e na sonoridade, que oscila entre o calmo e o barulhento, lembra muitas vezes o refluxo das ondas. A própria voz, umas vezes alegre e outras revoltada, deixa-nos na incerteza e faz-nos desejar recorrer à letra para percebermos se a intenção do escritor é bater ou beijar alguém... Ou as duas coisas em simultâneo.
Não é pois fácil catalogar estes Vanapastra mas vejo-os com um batido que resultou da colocação no milkshake de uma pitada do período The Bends dos Radiohead, uma colher de sopa de The Killers, um pouco de Kings of Leon, mas mais refinados e The Verve para o toque final.
O disco leva algum tempo para pegar de estaca no nosso subconsciente, mas acaba por dar-se aquele momento mágico em que no nosso cérebro tudo faz sentido. Vamos esperar para ver se Vanaprasta vai explodir em todas as direções e se depois, no difícil segundo disco, haverá progressão do que é uma grande estreia. Espero que aprecies a sugestão...
01. Nine Equals Nine
02. Minnesota
03. Self Indulgent Feeling
04. Supernumerary
05. Healthy Geometry
06. G-
07. Don’t Go Home
08. Come On
09. Crushing Ants
Os Debate Team são uma banda indie americana oriunda de Los Angeles, na Califórnia e que funciona como uma espécie de projeto paralelo de alguns músicos. Assim, além de ser formada pelo vocalista Ryan McNeill e o teclista Adam James, também inclui o baterista Dan Konopka dos OK Go, o guitarrista Drew Brown dos OneRepublic e o baixista Bob Morris dos The Hush Sound. O EP de estreia, Wins Again, foi editado no início deste ano e sonoramente é um cocktail bastante intrincado de tiques sonoros que vão de Elvis Costello aos Flaming Lips, passando pelos Queen.
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Os Debate Team acabaram por se tornar numa saída criativa para os seus membros, permitindo-lhes explorar a música que podia não fazer sentido nas suas bandas. Aliás, reza a lenda que antes de entrarem em estúdio para gravar, os membros da banda nunca tinham ensaiado, o que prova desde logo as capacidades e o talento de cada um deles.
A maior parte das canções de Wins Again estão repletas de melodias infeciosas, que vão sinuosamente da indie ao pop e ao rock, através da mistura de guitarras, teclas e sons de bateria, com a voz a fazer todo o enquadramento necessário para que o conjunto final faça sentido. Assim, destaco Curious Pair, a bastante rockeira (e aposto que profundamente inspirada nos Architecture in Helsinki) Leave e a peculiar Please Don't Sell Me Out, canções que me fazem desejar que nem que seja à custa dos seus projetos principais, estes músicos continuem a juntar-se no futuro para fazer mais música, desde que seja tão boa como a que se pode ouvir neste EP. Espero que aprecies a sugestão...
01. I’ll Try
02. Curious Pair
03. My Expertise
04. Nobody Learned This Song
05. Corporal’s Son
06. Leave
07. Please Don’t Sell Me Out
08. Leave (Reprise)
Há muito tempo atrás (em 2006) um homem apaixonou-se profundamente por uma mulher e vice versa. Com o passar dos anos esses dois seres criaram um espaço, um mundo e uma vida próprias e resolveram gravá-la. Psychic Dancehall é o nome do projeto, oriundo de São Diego, na Califórnia e que resulta dessa relação amorosa heterossexual que, pelos vistos, descambou do quarto para o estúdio. Charles Rowell é membro dos Crocodiles e Hollie Cook da banda de post punk The Slits. Hollie também atingiu notoriedade com as suas colaborações vocais com Ian Brown e Jamie T, além de ser filha de Paul Cook dos Sex Pistols. Após dois anos de cambalhotas em pleno estúdio, deram à luz Dreamers, o disco de estreia, lançado pela Art Fag Recordings e que já tem como singles A Love That Kills e White City.

A sonoridade de Dreamers, é um pouco suja e vincadamente lo fi. No entanto, o que falta na fidelidade é compensado com charme, nomeadamente no já citado A Love That Kills, na dub pop de Long Lost Lover, na estranha He Hit Me And It Felt Like A Kiss e na pop sessentista de Skyway.
Dreamers acaba por ser um olhar sobre a vida de duas pessoas que compartilham e fazem elas próprias o sentido do mundo escuro e decadente em que habitam, através de uma honestidade sonora e emotiva que só pode ser expressa através de letras sussurradas, batidas lentas e suaves e teclados pulsantes que parecem acompanhar o ritmo das idas e vindas de um homem que satisfaz uma mulher apaixonada. A música destes Psychic Dancehall é intemporal, emocional e poderia ter vindo de qualquer época, ano ou década. Espero que aprecies a sugestão...
01. White City
02. A Love That Kills
03. Long Lost Lover
04. Sylvia Of The Flowers
05. He Hit Me And It Felt Like A Kiss
06. Where Boys Fear To Cruise
07. Out Of The Vale, Into The Void
08. No One Ever Tells You
09. Pretty Dream
10. Skyway
Os The Union Line são uma banda originária de San Juan Capistrano, na Califórnia, formada em 2008 e que enquanto preparam a sua estreia nos discos lançaram no passado dia vinte e dois de novembro o EP Cernido Sonidos, um conjunto de canções já conhecidas desde o ano de formação do grupo.

O grupo é lide Richard Thiesen, um compositor que começou a escrever canções muito precocemente, desde os tempos de liceu, mas que só decidiu formar uma banda quando conheceu o teclista Johnny Wilson e depois os irmãos Adam Sabolick no baixo, Jordan Sabolick na guitarra e o baterista Tony Tancredi.Quando estes novos amigos de Richard perceberam que as sua letras eram demasiado boas para serem desperdiçadas puseram mãos à obra e logo persuadiram-no a passar do seu quarto para um estúdio de gravação, onde estiveram nos últimos nove meses a preparar o disco de estreia.
Os The Union Line parecem-me ter um talento especial para aquele rock feito de receitas melódicas simples mas eficazes e assentes numa bateria bastante ritmada, uma guitarra carregada de personalidade e harmonias envolventes. As famosas letras oscilam entre o amor e a liberdade individual, num curioso antagonismo que parece desprovido de carga emocional negativa nas canções destes The Union Line. Para eles uma coisa pode muito bem sobreviver juntamente com a outra.
De referir em jeito de curiosidade que estes The Union Line são amigos dos já conceituados Local Natives, tendo aberto os concertos da digressão deles nos Estados Unidos em 2009 e ao lançamento de um single entre as duas bandas no final desse ano.
Enquanto o aguardado disco de estreia não chega, além deste EP podes ouvir a performance da banda nas Daytrotter Sessions, evento de que já dei conta Aqui. Espero que aprecies a sugestão...
01. Pearls
02. On The Run / California
03. Dirty Water
04. Goldmine
05. Strangers
Depois de no inicio do ano ter lançado Wit's End, Cass Mccombs, um músico norte americano natural da Califórnia, acaba de lançar Humor Risk, o
Cass McCombs deve ser um enorme romântico, além de ser o equivalente moderno aos andarilhos que durante a década de sessenta deambulavam pelas estradas norte americanas, vivendo em carros, roulotes e afins. De acordo com a critica consultada, o clássico Catacombs de 2009 era uma disco carregado de melancolia, que antecederam as exaltações sofridas do recente Wit’s End. E digo que ele é um romântico inveterado porque este Humor Risk é um verdadeiro compêndio de lamentos musicados e amores que não deram certo. São oito canções que reforçam pelos vistos uma boa fase do compositor em temros de inspiração e carregadas de amargura e uma sonoridade simplista, porém inebriante.
Apesar de ter tão poucas canções, o álbum não é sonoramente linear; McCombs não compôs Humor Risk dentro de uma fórmula única e imutável, porque aos poucos o disco revela um jogo de composições que se manifestam como uma grande colagem musical e que devem fazer uma espécie de súmula das influências sonoras de toda a discografia do músico, iniciada com A em 2003. Assim, ele pula entre suaves exaltações ao rock alternativo e sorumbáticas e doses de uma música folk ruidosa, criando uma rara coleção de versos sinceros, mesmo carregados de pesar e lamentações.
Logo no inicio, Love Thine Enemy remeteu-me para os Wilco devido às guitarras ensolaradas, mas também me pareceu notória a influência dos Velvet Underground nos timbres dessa guitarra, nos riffs simples e repetitivos e na voz monótona de Cass. Já a canção seguinte, The Living Word, puxa o ouviente para o tradicional jogo de sons e versos que caracterizam a carreira do músico. No entanto, acho que os melhores momentos são as composições mais extensas, porque possibilitam o explorar de uma sonoridade mais diluída, assim como uma maior projeção dos versos carregados de dor e beleza. Exemplo disso é Mystery Mail, fortemente influenciada pelas linhas melódicas caraterísitcas de um Bruce Springsteen, embora a fina camada instrumental também aproxime a canção do rock alternativo dos anos 90. O single The Same Thing e o meu grande destaque do álbum, explora a tonalidade acústica e quase intimista do músico e em To Every Man His Chimera somos afundados num oceano de melancolia ilimitada, algo que se mantém na faixa seguinte, Robin Egg Blue.
Em suma, o disco mantém uma fluidez agradável e uma formidável sequência de composições, além de ser bastante radiofónico, o que poderá fazer com que este Humor Risk abra as portas para que mais público se aproxime do trabalho deste músico californiano. Espero que aprecies a sugestão...
01. Love Thine Enemy
02. The Living Word
03. The Same Thing
04. To Every Man His Chimera
05. Robin Egg Blue
06. Mystery Mail
07. Meet Me At the Mannequin Gallery
08. Mariah
O produtor Doctor Rosen Rosen, natural de Los Angeles e famoso por ter remisturado nomes como Britney Spears, Lady Gaga, Kanye West, La Roux, M.I.A. e os Phoenix (download remixes), resoveu também compor originais e lançou no passado mês de agosto o EP Girls Vol. 1, o primeiro de uma série de quatro EPs que ele pretende lançar no espaço de um ano e resultantes de colaborações com vozes femininas.
Sendo assim, este Girls Vol. 1 tem a participação especial de Jessie & The Toy Boys, Meg Myers, Kay e Anjulie. O próprio Doctor Rosen Rosen descreve assim cada uma das faixas;
Five O'Clock (feat. Jessie & The Boy Toys) is a rollicking kiss-off track that starts with the tic-toc of a clock and, at times, sounds like a modern version of "Rock Lobster" from the B-52's. In Poison (feat. Meg Myers) i drew inspiration from Cure's Lullaby. Pesssoalmente soa-me mais a uma infusão da sonoridade eighties dos Sioux And The Banshees com com uma parceria M.I.A./Basement Jaxx e o Kurt Cobain a tocar guitarra por trás. Hot (feat. Kay) is a slowed-down ragga-infused deep-bass party track. Sex-Ed (feat. Anjulie) is just pure NYC summer fun in 1985.
este EP que funde vários estilos desde o hip hop ao R&B, passando pela pop e o dub, está disponível para download gratuito. Espero que aprecies a sugestão...


Kynan é Joel Williams, um músico de San Diego, Califórnia e lançou no passado dia 27 de setembro Garbage Beach, através da Absent Fever, um EP com cinco canções cuja sonoridade se insere na pop eletrónica.

As canções do disco, apesar de curtas, criam um ambiente de algum modo etéreo que, se permitirmos, poderá levar-nos em curtas viagens para uma praia imaginada por Joel e onde muito continua a acontecer, mesmo após o final do verão.
Acredito que seja uma praia onde certamente se poderá tomar um chá sentado numa pilha de sucata enferrujada da qual saem imensas faíscas que salpicam a areia e criam pequenos redomoinhos mesmo ali, onde a água salgada e a areia se fundem e a nossa mente desliga. Espero que aprecies a sugestão...

Happy When I'm High
Sun Go Away
I'm so Tired
Living Dreams
Everyone Talks Too Much
Os The New Division são uma banda da Califórnia, formada em 2005 por John Kunkel, ao qual se juntou mais tarde Michael Janz, Mark Michalski e Brock Woolsey e que anda a ser sondada pelo meu radar sonoro desde maio, data em que deram a conhecer as músicas Walk in the Dark e Starfield, presentes num EP chamado Devotion. Agora, no passado dia 27 de setembro e através da Division 87, lançaram Shadows, o álbum de estreia que tenho andado a ouvir e que mostra do melhor que tem andado a ser feito dentro da onda sonora retro que procura ressuscitar a eletrónica dos anos oitenta e cruzá-la com sonoridades mais rock. Imagine-se um caldeirão onde se mistura Cure, Joy Divison, New Order, Chameleons e Orchestral Manoeuvres in the Dark; Os The New Division sabem a essa mistura aditiva que já foi batizada de new wave pós punk e ainda por cima com a curiosidade de terem no seu nome as palavras New (New Order) e Division (Joy Division).

Opium, a canção de abertura, dá desde logo o mote ao disco e convida-te a dançar. Shallow Play é fantástica, devido à sua guitarra vibrante e uma voz balizada por uma batida estonteante, a fazer relembrar os melhores momentos dos Chameleons, apenas com uma produção melhorada. Camouflage soa a Depeche Mode por todos os poros, ujma música onde praticamente todos os instrumentos têm os seus momentos de destaque e somente a voz de John e a bateria mantêm-se constantes e Sense é uma música perfeita para as pistas de dança e acredito que poderá dar fantásticas remisturas.
Violent tem uma sonoridade bastante atmosférica que te envolve e poderá contribuir para que atingas um certo estado de alienação, mas dançável, algo que muito poucas canções conseguem fazer. Munich é uma grande canção que pouco fica a dever à homónima dos The Editors e True Lies, o primeiro single retirado do álbum, é explosiva, com os teclados e a bateria a fazerem lembrar a sonoridade assertiva do pêndulo de um relógio.
LA Noire é outro pequeno momento experimental soturno e que introduz o núcleo final do disco, constituido por quatro grandes canções e que formam uma sequência perfeita; Special, Memento, Shadows II e a aditiva Saturday Night que sintetiza na perfeição o espírito deste disco, com músicas atmosféricas, outras mais dançantes e o ponto nevrálgico nos anos oitenta.
Não é novidade nenhuma dizer-se que a música enquanto forma de arte é um fenómeno onde quem inova sonoramente pode encontrar aí o caminho para o sucesso. No entanto, penso que esta manifestação artística também é um fenómeno cíclico e que as bandas e artistas que buscam elementos retro de outras décadas para recriar um estilo próprio também poderão encontrar a chave para o sucesso. são bem comuns nos dias de hoje. Os The New Division escolheram a inesquecível década da ascensão da música eletrónica e parece-me, por esta estreia, capazes de o fazer como poucos. Espero que apreciem a sugestão...
1. Opium
2. Shallow Play
3. Sense
4. Shadows
5. Violent
6. Soft
7. Munich
8. True Lies
9. LA Noire
10. Hearts for Sale
11. Special
12. Memento
13. Shadows II
14. Saturday Night
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My Town
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