Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

The Dodos – Individ

Os norte americanos The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Carrier (2013). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Individ e viu a luz do dia ontem, através da Polyvinyl Records nos Estados Unidos, da Morr Music na Europa e a Dine Alone no Canada. Individ foi o disco mais escutado na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante o mês de janeiro e impressionou, seduziu e conquistou, tendo exigido repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições.

Os The Dodos têm uma carreira já bastante cimentada no universo alternativo e são respeitados,sendo notória a influência que já representam para muitos outros projetos. Com seis discos já editados desde 2005, são exemplo de fidelidade aos seus instintos primários, de não se reduzirem a uma simples brisa quando podem caminhar tornado dentro, a grande imagem conceptual deste Individ, de acordo com a própria banda.

Individ começou a ser idealizado logo em finais de 2013, após o lançamento de Carrier, o belíssimo antecessor, um álbum que gravitava em redor da necessidade de quebrar os hábitos e as rotinas que tornam a nossa vida num corropio infernal, com a capa a querer transmitir a ideia de alguém que quis fazer uma pausa e agora observa um tornado, que não é mais do que a sua própria vida. Individ é a aceitação daquilo que somos e, depois de um exercício de auto expiação e plenamente revigorados e renovados, uma reentrada nesse tornado, mas mais preparados e fortalecidos para enfrentar os dilemas da nossa existência.

Exímios no modo como conjugam as cordas com uma percussão vibrante e donos de uma distorção típica, imponente, contínua e com um efeito metálico muito caraterístico, os The Dodos mostram, logo na eloquente, ampla, vigorosa e visceral Precipitation o seu inconfundível truque que alia a típica sonoridade metálica das cordas com instrumentos percussivos do mesmo timbre, com o baixo a colocar o indispensável manto, tudo com uma inspirada melodia. É assim a música dos The Dodos, tão simples como a vontade de usar imensos adjetivos para elogiar este indie rock direto e incisivo, cheio de alma e caráter, sempre apresentado de forma assertiva e bem produzida.

O deambulante efeito da guitarra de Tide e o fuzz da mesma em Bubble e o modo como este instrumento aparece eletrificado sempre de mãos dadas com alguma dose de reverb sem perder um implícito travo acústico, indispensável para o tal efeito imagem de marca metálico, entrelaça-se, nestes dois registos, com uma bateria incessante, que ganha em mestria o modo como consegue exprimir uma calculada alternância de fulgor, criando assim com perfeição o clima melódico que os The Dodos procuram recriar, o indicado para um disco que, como já foi referido, pretende contar histórias muito concretas, relacionadas com a vida comum e os conflitos psicológicos que ela frequentemente provoca. Um pouco adiante, em Goodbyes and Endings, este casamento entre as cordas e a percussão, é mais um instante feliz de exploração de um som amplo, épico e alongado, sustentado no abraço constante que cria uma atmosfera verdadeiramente nostálgica, sedutora e hipnotizante.

Chega-se a Competition, a bateria continua a ter as rédeas e dançamos vigorosamente enquanto a canção é conduzida por uma melodia que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que o primeiro single retirado de Individ suscita e nos recorda que já não há possibilidade de regresso enquanto não se der o ocaso de um disco abrangente no modo como cruza a leveza onírica da dream pop, bem presente na balada Darkness, canção onde o esplendor da vertente acústica das cordas tem o seu momento alto e o cariz mais rugoso do rock alternativo, com outros espetros sonoros, mais progressivos e experimentais, que a imponente e bizarra Retrevier nos oferece em forma de roleta russa, numa dupla que não se deixa enlear por regras e imposições herméticas. Bom exemplo disso são também os mais de sete minutos de Pattern/Shadow, uma canção cheia de detalhes preciosos, com destaque para o dedilhar inicial do baixo e que parece funcionar como uma sobreposição contínua e simultânea de dois temas isolados e que, ao contar com a participação especial, na voz, de Brigid Dawson, dos Thee Oh Sees, cria uma manta sonora particularmente feliz para o encaixe do pendor mais orgânico e psicadélico que faz parte da positividade contagiante destes The Dodos, sempre fieis aos seus instintos mais primários, que exigem a constante quebra de estruturas e padrões e a fuga a categorizações que balizem em excesso o ADN do projeto.

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Individ é mais um tiro certeiro na carreira desta dupla de São Francisco e talvez o melhor álbum dos The Dodos até ao momento, não só por causa das suas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional. Espero que aprecies a sugestão...

The Dodos - Individ

01 Precipitation
02 The Tide
03 Bubble
04 Competition
05 Darkness
06 Goodbyes And Endings
07 Retriever
08 Bastard
09 Pattern/Shadow


autor stipe07 às 17:13
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Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2015

The Babies - Got Old

The Babies - "Got Old"

Desde que em 2012 as The Babies de Kevin Morby dos Woods e de Cassie Ramone das Vivian Girls, editaram o seu fantástico álbum intitulado Our House on the Hill nunca mais deram notícias e o projeto ficou num manto de indefinição, temendo-se pelo futuro do mesmo. De então para cá, além do trabalho desenvolvido nas bandas de origem, Morby e Ramone lançaram discos a solo e o receio relativamente ao futuro dos The Babies aumentou ainda mais.

Felizmente a dupla voltou a dar sinais de vida com a edição de um single de sete polegadas, via Woodsist, com dois temas que são lados b de singles retirados de Our House on the Hill, as canções Got Old e All I Know. As duas foram gravadas na Califórnia em fevereiro de 2012 e produzidas por Rob Barbato e misturadas por Drew Fischer. Confere o primeiro tema deste sete polegadas e recorda o excelente Our House on the Hill...


autor stipe07 às 13:16
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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015

Ty Segall - Mr Face EP

tycrop

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. A primeira obra que Ty Segall nos oferece em 2015, e eu digo primeira porque me atrevo a considerar que vai haver mais novidades deste músico durante o ano, é Mr Face, um EP com quatro canções editado a treze de janeiro através da Famous Class Records. A edição em vinil do EP tem mais um ponto de enorme interesse, já que foi impressa em dois tomos, azul e vermelho, ambos translúcidos, permitindo que funcionem como um par de lentes através do qual se consegue visualizar o artwork, em 3D, de Mr Face.

O EP inicia com Mr Face, o tema homónimo e com ele e um dedilhar de guitarra rugoso, mas vigoroso e com uma forte toada blues, ampliada por um efeito da prima elétrica, que vai brincando com a voz, sentada lá ao fundo, damos por nós a sorrir ao som de um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem da década seguinte, uma canção que surpreende por essas guitarras sujas, pela bateria frenética, mas também por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um EP que merece audição dedicada não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis também nos restantes temas, como assim como pelas já habituais linhas de baixo a que Ty já nos habituou, absolutamente incríveis.

Ty Segall atingiu um grau de maturidade tal, graças a uma vasta e imaculada discografia, que já nem surpreende o inedetismo do luminoso instante surf psicadélico presente em Circles e o modo como cruza uma toada algo pop, com o fuzz típico do garage rock, fazendo com que este tema deixe de lado os habituais limites do rock caseiro e se converta num momento de pura exaltação, proposto por quem ainda busca um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa, mas que, quanto a mim, nada mais tem a provar para ter direito a uma posição de relevo nesse antro de perdição.

Com o hard rock setentista, de mãos dadas com rock de garagem e o blues de Drug Mugger e a toada hippie, vintage e acústico psicadélica de The Picture, Ty merece ser avaliado com uma ainda maior dose de charme e uma nova personalidade, devido a a alguns arranjos inéditos e uma guitarra cada vez mais perto da psicadelia.

 

É difícil prever o futuro sonoro de Ty Segall e se este EP serve de bitola para os seus próximos lançamentos. No entanto, em Mr Face o músico deixa definitivamente de lado um habitual nível de anarquia e desiquilibrio que frequentemente firma na execução dos seus registos e, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias, executa um ensaio de assimilação de heranças, com um sentido melódico irrepreensível, que exala um sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

01. Mr. Face
02. Circles
03. Drug Mugger
04. The Picture


autor stipe07 às 17:29
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Sábado, 10 de Janeiro de 2015

The Soft White Sixties – Get Right

Editado já em março deste ano, Get Right é o novo trabalho dos norte americanos The Soft White Sixties, uma banda que conquistou a crítica com South By Southwest, um trabalho que colocou este projeto debaixo dos holofotes.

A sonoridade hard rock, do rock setentista, do rock de garagem e do blues é a pedra de toque desta banda de São Francisco, que tem a voz mais parecida com a de Rod Stewart que conheço. Do single City Lights ao refrão efusivo de Up to The Light ou à toada festiva de Lemon Squeezer, Get Right começa por incubar um antro de cor e diversão, com cada uma das canções a ser preenchida com refrões carregados de vozes felizes, um alinhamento instrumental preciso e um completo desapego relativamente a tudo o que possa obstruir a capacidade que as guitarras sempre têm de participar ativamente no suporte de canções com luminosidade pop simples e direta, mesmo que tenham o índice de fuzz e distorção elevado, o que demonstra, desde logo, a capacidade destes The Soft White Sixties para misturar diferentes géneros e tendências, com elevado grau de criatividade e bom gosto.

O piano de Rubber Band e de Treat Me e, principalmente, o intimismo que enche de charme a toada blues da guitarra de Roll Away marca uma ligeira inflexão na toada do disco, com este último tema a conter um vagaroso mas caliente ritmo latino, muito bem suportado por uma percussão deliciosa, que faz da canção um instante sonoro bastante sensual.

A postura da voz que, como já referi, nos remete imediatamente para um famoso escocês, é um trunfo declarado destes The Soft White Sixties, que sabem como recriar um ambiente onde se dança, mas também se trocam olhares, havendo uma clara sensação de espontaneidade, como se Get Right tivesse sido composto para ser escutado por amigos e não para a massa homónima que uma banda que já agrega multidões em seu redor e agora suscita enorme expetativa sempre que respira, geralmente coleciona no seu cardápio de seguidores.

Até ao final, com o fuzz e as variações de ritmo de I Ain't Your Mother e You Are Gold, regressa aquele rock clássico tipicamente americano que nunca se refrata para inundar os corações mais carentes de uma luminosidade que transmite energia, faznedo-o de um modo particularmente explosivo, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que tantas vezes se chama o som de banda.

Longe de se abrigarem apenas à sombra de canções melódicas convencionais, estes The Soft White Sixties conseguem com estas dez canções reforçar o brilho raro que, pelos vistos, tem acompanhado a sua carreira artística. Get Right comprova a entrada em grande estilo dos mesmos na primeira divisão do campeonato indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft White Sixties - Get Right.

01. City Lights

02. Up To The Light
03. Lemon Squeezer
04. Don’t Lie To Me
05. Rubber Band
06. Roll Away
07. Treat Me
08. I Ain’t Your Mother
09. You Are Gold
10. Tilt-A-Whirl
11. Knock It Loose (Bonus Track)
12. It’s You (Bonus Track)


autor stipe07 às 15:20
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Terça-feira, 6 de Janeiro de 2015

Lower Heaven – Pulse

Oriundos de Silverlake, nos arredores de Los Angeles e com o nome retirado da letra de uma canção dos Echo And The Bunnymen, os Lower Heaven são já um nome consensual e com uma base de seguidores bastante consolidada no universo alternativo local. Confessam ser influenciados por nomes fundamentais como os My Bloody Valentine, Hawkwind, ou os The Jesus and Mary Chain e, na verdade, escutando Pulse, o mais recente trabalho deste quarteto, percebe-se que baseiam o seu som em guitarras cheias daquele fuzz declaradamente vintage e com uma sonoridade algo lo fi, com a voz, muitas vezes distorcida e as escolhas de arranjos a conferir à música dos Lower Heaven um ar ainda mais soturno.

Os acordes iniciais de Availae são perfeitos para percebermos o que nos espera nos próximos cerca de quarenta minutos. Aguarda-nos belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos. Os Lower Heaven deixaram as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem aquela faceta algo negra e obscura que carateriza um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, para criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Se Beyond All Living Things e a sua longa introdução pulsante e contemplativa mergulha o ouvinte num ambiente carregado de psicadelia e explora nitidamente um universo certamente construido com várias substâncias psicotrópicas consumidas em noites chuvosas, já o rock progressivo de In The Open e, principalmente, de A Day Without Yesterday, impressiona pelo modo como em cima de um sintetizador minimalista mas aditivo começa por ser adicionada uma guitarra limpa e depois toda a gama de instrumentos inseridos meticulosamente, que surpreendem sem cansar, resultando em algo excitante e ao mesmo tempo acolhedor.

Estes Lower Heaven deixam-se envolver por uma intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual e isso confere-lhes em todo aquele mistério, que protege, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que carateriza este grupo, já que as canções de Pulse parecem ter sido propositadamente pensadas para levantar apenas ligeiramente o manto e deixar-nos numa espécie de limbo de elevada densidade sobre a verdadeira mensagem que querem passar para o grande público com este trabalho. Basta escutar-se o clima INXS da guitarra, da bateria vibrante e do registo vocal em Entropy, ou o baixo arrastado e o efeito vocal de Nectar, para darmos de caras com dois excelentes exemplos do clima sussurrante e hipnótico que domina Pulse e o instante em que a última canção cresce e depois se deixa envolver num imenso arsenal de arranjos e detalhes, é um atestado de qualidade ao alcance de poucos projetos que pretendem deixar uma marca indelével neste universo sonoro.

Pulse é um notório marco de libertação e de experimentação onde não terá havido apenas um anseio por cumprir um caderno de encargos alheio, o que deu origem a um disco que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade tão preciosa, bela, silenciosa e estranha como a vastidão imensa e simultaneamente diversificada da paisagem e de um mundo completamente diferente do nosso, de onde estes Lower Heaven são originários. Espero que aprecies a sugestão...

Lower Heaven - Pulse

01. Avialae
02. Beyond All Living Things
03. A Day Without Yesterday
04. Nectar
05. In the Open
06. Entropy
07. Cosmic Ray
08. God


autor stipe07 às 21:10
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2015

The Blank Tapes – Hwy. 9

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland, agora, pouco antes do ocaso do último ano, divulgaram mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9.

Matt, o líder do grupo, que é, basicamente, um projeto a solo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Ele toca todos os instrumentos neste projeto e lançou o primeiro disco, Home Away From Home, em 2010. O sucesso foi tanto que os The Blank Tapes andaram pelo Brasil, pelo Japão e pela Europa, com os Thee Oh Sees. De regresso a casa foram para o estúdio e compuseram Vacation, e, pelos vistos, não esgotaram aí a sua veia criativa, já que este novo trabalho, apesar de conter algumas demos e temas ao vivo, é constituído, quase integralmente, por novos originais que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

E vamos com ele enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos The Blank Tapes, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do banjo folk e da harmónica de Long The Way, My Ladybug e Hallelujah, ou do experimentalismo instrumental de Rabbit Hole, que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica em Kazoo Song, além da percussão orgânica e de alguns ruídos, vozes e metais que assentam muito bem na canção. Makebelievin’ e Trinocular mantêm a toada revivalista, com um certo travo folk, em canções que fundem Lou Reed e Jimmy Hendrix, numa sonoridade grandiosa e controlada, ao mesmo tempo.

Até ao epílogo escuta-se um trabalho de referências bem estabelecidas, uma arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta.

Hwy. 9 é, portanto, uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Seis canções deste disco tiveram direito a um vídeo oficial e podes conferi-los a todos já a seguir, além de poderes escutar Hwy. 9 na íntegra. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Hwy. 9

01. A Little A Lot Of The Time
02. You Tube
03. Along The Way
04. Rabbit Hole
05. Shmaltz Waltz
06. Hwy. 9
07. Rabid Rabbi
08. Hallelujah
09. Mad Scientist
10. Cheese
11. Kazoo Song
12. Indian Hwy.
13. Enipucrop
14. Little One
15. Makebelievin’
16. Ivy Hill
17. My Ladybug
18. Glass Cloud
19. Sperman
20. Trinocular
21. Milky Way
22. Potato Pancake
23. Blood And Brains
24. Renaissance Seance
25. Humming Bird
26. End Of The Road
27. The Giving Gift
28. Chill Pill
29. Ommmmm
30. O, Distractions
31. Starry Skies
32. Mini Van
33. Down To The Wire
34. The Only One
35. Woodshedding
36. Descending Ending
37. June Gloom
38. Smokey Road
39. Hwy. 9 (Revisited)
40. Frontal Robotomy
41. Sperman [Demo]
42. PTC
43. Hallelujah [Demo]
44. Untitled Comedy Podcast Theme Song (Live In Memphis, TN)

 

autor stipe07 às 18:40
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Domingo, 4 de Janeiro de 2015

Twin Oaks – Animal & Clarity

Sedeado em Los Angeles, na Califórnia, Twin Oaks é um projeto de dream pop formado pela dupla Lauren Brown e Aaron Christopher, dois amigos do liceu que resolveram formar uma banda que retrata e expõe sentimentos fortes e genuínos com uma atitude sonora que privilegia o minimalismo instrumental e o bom gosto no modo como criam melodias que nos transportam para um universo doce e  contemplativo envolvido por uma voz terrivelmente delicada e sedutora.

Animal e Clarity é o mais recente lançamento da dupla, um single com dois temas feitos com letras carregadas de nostalgia e melancolia e com detalhes sonoros delicados e introspetivos que nos levam numa viagem algo sombria pelo mundo tímido destes Twin Oaks, cuja estética sonora não defrauda minimamente os verdadeiros apreciadores da dream pop mais letárgica e melancólica. Confere...

Twin Oaks - Animal - Clarity

01. Animal
02. Clarity


autor stipe07 às 15:37
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Domingo, 14 de Dezembro de 2014

Dirt Dress - Revelations EP

Ativos desde 2007, ano em que se estrearam com o EP Theme Songs, os norte americanos Dirt Dress vêm de Los Angeles, na Califórnia e têm no indie rock a sua força motriz, uma sonoridade que não é inédita, mas que, neste caso, é feita com enorme originalidade, já que o grupo tem uma forma muito própria de conjugar a guitarra com os sintetizadores, como ficou particularmente explícito em Donde La Vida No Vale Nada, o último trabalho do trio, editado em novembro de 2012. Agora, estão de regresso com mais quatro canções, ensacadas num EP intitulado Revelations, que viu a luz do dia a dezoito de novembro, por intermédio da Future Gods.

Twelve Pictures foi o primeiro tema do EP divulgado pelos Dirt Dress e logo aí percebeu-se que vivem muito de referências do passado, nomeadamente o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte. O breve interlúdio feito com um saxofone, as guitarras e a voz, levam-nos de volta aos primórdios do punk de cariz mais lo fi, em plena década de setenta e onde não falta aquele travo do surf pop psicadélico, numa canção que também comprova o elevado grau de emotividade e de impressionismo que o projeto coloca nas suas letras (I’ve cut myself so deep I’ve seen my muscles bleed).

O clássico rock sombrio e visceral, misturado com o punk e o surf rock mais obscuro, são, portanto, o grande referencial sonoro do grupo, mas também a pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. Assim, a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza, são amenizadas por um grande cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas e por uma utilização assertiva do sintetizador.

Além de Twelve Pictures, temas como Skin Diving e, principalmente, Silk Flowers, plasmam um superior cuidado não só na procura de uma diversidade melódica e até instrumental, mas também na demonstração de controle das operações, mas sem deixar que isso ofusque o charme exalado pelo universo cinzento e nublado que cobre a mente criativa do coletivo. Isso também é conseguido no modo como as canções aconchegam a voz, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que lhe dá uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica.

Interessantes no modo como dissecam uma já clássica relação estreita entre o rock de garagem, a pop lo fi e o punk psicadélico e exímios na forma como colocam na voz o tal cariz algo sombrio que tão bem os carateriza, em Revelations os Dirt Dress apresentam-nos quatro canções cheias de estilo, tão enevoadas como a penumbra que rodeia o próprio grupo, mas também tão luminosas como só as bandas que sabem ser eficazes à sombra das suas próprias regras conseguem ser. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:07
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Sábado, 13 de Dezembro de 2014

Rocco DeLuca – Rocco DeLuca

Natural de Silver Lake, na Califórnia, Rocco DeLuca lançou no passado mês de agosto Rocco DeLuca, um disco homónimo e produzido por Daniel Lanois que, com um pomposo alinhamento de onze músicas, aposta numa pop e num indie rock que entre o nostálgico e o esplendoroso, tem algo de profundamente dramático e atrativo. Este é um trabalho diversificado, acessível, com melodias orelhudas e que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada.

A toada ritmada, enigmática e cheia de groove de Colors Of The Cold, o single já retirado do disco, faz-nos, de imediato, procurar perceber porque é que ao mesmo tempo que damos por nós a abanar as pernas ao ritmo da música e a tentar perceber porque é que uma pop tão orelhuda e exuberante tem de se apresentar perante nós com um grau de exigência particularmente elevado. De seguida, sentimos a necessidade de procurar uma clara perceção da mensagem que o tema nos transmite. A música de Rocco DeLuca é mesmo assim, comunica connosco implacavelmente, não permite qualquer sentimento de indiferença e consegue cativar com notória facilidade.

A percussão de Free e as cordas de Feather And Knife, dois verdadeiros opostos e a folk introspetiva de Everything Hurts e Thief And The Moon surpreendem apenas quem não estiver disposto a aceitar a essência de um disco que sobrevive na procura de diferentes caminhos, sem nunca resvalar numa perigosa monotonia, já que o grau qualitativo dos arranjos, que incluem alguns sopros e metais algo implícitos, é o grande suporte de uma sonoridade que nos coloca lado a lado com alguns dos melhores fundamentos daquilo que define o som caraterístico de uma América profunda, sempre sedenta de novos e diferentes espetros sonoros e, ao mesmo tempo, muito ciosa das suas raízes. Se o falsete de Rocco e a eletrificação da guitarra em Congregate são um excelente exemplo do modo como este músico e compositor consegue criar um claro clima nostálgico, sem descurar a criação de sons inteligentes e solidamente construídos, já a percussão e o dedilhar de The World (Part 1) emerge-nos no particular universo nativo em pleno mojave, que, curiosamente, apesar do pó que levanta, provoca um suor que exala um certo erotismo, que se sentem novamente quando em Through Fire a batida sincopada, muito bem acompanhada por uma linha melódica sintetizada deliciosa e uma guitarra encorpada, fazem dessa canção uma festa pop, psicadélica e sensual.

Este cruzamento assertivo entre um certo blues e a pop mantém-se até ao final do alinhamento, com o sintetizador a ter, finalmente, o protagonismo que merece em Two Bushes, outro exemplo que prova que este artista norte americano coloca, com particular mestria, elementos orgânicos lado a lado com pormenores eletrónicos deliciosos.

A música de Rocco DeLucca aposta nesta relação simbiótica, feita com o simples dedilhar da guitarra acomodada pelo baixo e por um sintetizador aveludado que se esconde atrás dos ritmos, para a criação de canções que procuram ser orelhudas, de assimilação imediata e fazer o ouvinte despertar as suas pretensões emotivas, porque é tudo conjugado de uma forma simples, mas eficaz.

Rocco DeLuca é um compêndio musical fresco e luminoso, com substância e onde cabem todos os sonhos, criado por um músico impulsivo e direto, mas emotivo e cheio de vontade de nos fazer refletir. Mesmo nos instantes mais melancólicos e introspetivos, não há lugar para a amargura e o sofrimento e o que transborda das canções são mensagens positivas e sedutoras. Rocco DeLuca é exímio na forma como se apodera da música pop para pintar nela as suas cores prediletas de forma memorável, com um otimismo algo ingénuo e definitivamente extravagante, onde cabe o luxo, a grandiosidade e uma intemporal sensação de imunidade a tudo o que possa ser sombrio e perturbador. O disco impressiona não só pela produção musical, mas principalmente porque sustenta uma áurea de felicidade, mesmo nos momentos mais contidos e prova que este Rocco DeLuca é um músico inventivo, de rara sensibilidade e que não tem medo de fazer as coisas da forma que acredita. Espero que aprecies a sugestão...

Rocco DeLuca - Rocco DeLuca

01. Colors Of The Cold
02. Free
03. Feather And Knife
04. Congregate
05. Everything Hurts
06. The World (Part 1)
07. Through Fire
08. Thief And The Moon
09. Two Bushes
10. Will Strike
11. Simple Thing


autor stipe07 às 14:35
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

Deerhoof - La Isla Bonita

Os Deerhoof são uma banda rock de São Francisco, formada por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier e estão de regresso aos discos com mais dez canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hopriffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela chama-se La Isla Bonita e viu  luz do dia a três de novembro através da Polyvinyl Records.

Impressionado pelos Deerhoof quando escutei, há uns dois anos Breakup Song, aguardava com confessada expetativa um novo trabalho deste coletivo norte americano que, em abono da verdade, não defraudou as minhas expetativas mais otimistas. Nos Deerhoof, quanto maior for a sensação de caos e confusão nos nossos ouvidos, maior é a vontade que se tem de elogiar a sua música e em La Isla Bonita aquele lixo sonoro, completamente metefórico, que achei sublime em Breakup Song, mantém os seus altíssimos padrões qualitativos, com a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de energia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres, a ser, ainda por cima, aquele detalhe que não nos faz hesitar em qualquer instante relativamente ao desejo de escutar este trabalho com frequência e de o balizar com natural louvor.

Em La Isla Bonita há rumba e synthpop, rock e hip hop, guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas e xilofones, uma praga de instrumentos que nos consomem e Matsuzaki ao megafone em Big House Waltz, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção e dela se liberte uma energia que nos impele ao movimento indiscriminado. Apesar de o disco conter também belos momentos melódicos, com especial destraque para Mirror Monster, a estrutura caótica, barulhenta e tematicamente reinvindicativa de Paradise Girl é um excelente exemplo do poder de diversão que a música pode ter e, numa banda que, imagine-se, vai já no décimo terceiro trabalho da carreira e conseuge sempre ser, em simultâneo, familiar e surpreendeente, esta vitalidade no modo como se vai constantemente reinventando, ficando tão bem plasmada logo na abetrura de um alinhamento e, já agora, em Exit Only, o primeiro tema ecolhido para single do disco, comprova que dificilmente os Deerhoof têm concorrência á altura no modo como se servem das guitarras distorcidas de Ed Rodriguez e John Dieterich, do baixo sincopado e da constante alternância entre as células rítmicas da bateria de Greg Saunier, particularmente assertiva na já referida Big House waltz, para instaurar um clima caótico que, tendo pontos de encontro com diferentes estilos, é no punk experimental que encontra o porto seguro para quem quiser defini-los de modo mais balizado. Paradise Girls é também uma  boa canção para se perceber o modo como os Deerhoof conseguem manter intacta a sua ideologia e, simultaneamente, abraçarem o inedetismo, mas Last Fad e Doom também cumprem essa dupla função com grande relevância.

Em La Isla Bonita, os Deerhoof mostram-se mais roqueiros e pesados, mas mantêm, a vitalidade habitual, expressa naquela capacidade de experimentar e de compor sem alienar o ouvinte, assim como o espírito que os fez avançar no universo sonoro alternativo, sempre numa posição de merecido destaque, tanto para quem aprecia sonoridades mais comerciais, como para aqueles que procuram algo diferente e profundamente intrincado, psicadélico e até nebuloso. O póprio título do disco, que nos remete, como já terão todos percebido, para o maior sucesso da rainha da pop, é apenas e só um exemplo claro e feliz desta apenas aparente contradição e deste posicionamento a meio caminho entre dois extremos, a verdadeira zona de conforto deste coletivo californiano. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhoof - La Isla Bonita01 Paradise Girls
02 Mirror Monster
03 Doom
04 Last Fad
05 Tiny Bubbles
06 Exit Only
07 Big House Waltz
08 God 2
09 Black Pitch
10 Oh Bummer


autor stipe07 às 21:57
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