Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

The Growlers – Chinese Fountain

Os The Growlers são uma banda norte americana de Costa Mesa, na Califórnia, formada por Brooks Nielsen (voz), Matt Taylor (guitarra), Scott Montoya (bateria), Anthony Braun Perry (baixo) e Kyle Straka (teclas e guitarra) e que descobri já em 2012 por causa de Hung At Heart, o terceiro álbum da discografia do grupo, um disco gravado em Nashville, editado em novembro desse ano através da Everloving Records e que foi produzido por Dan Auerbach dos The Black Keys. Um ano após esse registo, disponibilizaram Guilded Pleasures e agora, novamente com uma cadência quase anual, os The Growlers regressam às edições com Chinese Fountain, um trabalho editado no passado dia três de setembro e disponivel na plataforma bandcamp.

Os The Growlers têm uma sonoridade fortemente influenciada pela psicadelia dos anos sessenta, sendo óbvias referências os The Doors, Country Joe e os Beach Boys da era Pet Sounds. São frequentemente catalogados com uma banda de surf rock, mas a sua sonoridade vai muito além dessa simples bitola. Na verdade, eles focam-se no rock de garagem e no blues como pedras de toque e adicionam uma toada lo fi, que lhes dá um certo charme e uma personalidade ímpar, devido a alguns arranjos inéditos e uma guitarra que, não raras vezes, se aproxima perigosamente da psicadelia.

Esta aparente simplicidade e descomprometimento não será obra do acaso e obedece claramente a um desejo de criação de uma imagem própria, inerente ao conceito de rebeldia, mas sem descurar um apreço pela qualidade comercial e pela criação de canções que agradem às massas.

Os The Growlers têm toda a aparência de conviverem pacificamente com esta dicotomia, mas escapam do eventual efeito preverso da mesma e com mestria, até porque há uma elevada sensação de espontaneidade na maioria deste alinhamento de onze canções, onde não faltam ecos crescentes e explosões percurssivas, como se tivesse sido composto para ser escutado por amigos. Espero que aprecies a sugestão..

The Growlers - Chinese Fountain

01. Big Toe
02. Black Memories
03. Chinese Fountain
04. Dull Boy
05. Good Advice
06. Going Gets Tuff
07. Magnificent Sadness
08. Love Test
09. Not The Man
10. Rare Hearts
11. Purgatory Drive


autor stipe07 às 19:14
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Terça-feira, 11 de Novembro de 2014

Foxygen - ...And Star Power

Sam France e Jonathan Rado são a dupla por trás dos Foxygen, um projeto californiano, natural de Weslake Village, nos arredores de Los Angeles, apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos cinquenta a sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão. Na estreia, com Take the Kids Off Broadway, (disco criado em 2011, mas apenas editado no ano seguinte) os Foxygen procuraram a simbiose de sonoridades que devem muito a nomes tão fundamentais como David Bowie, The Kinks, Velvet Underground, The Beatles e Rolling Stones. Dois anos depois, com uma melhor produção e maior coesão, o sucessor, We Are The 21st Century Ambassadors of Peace & Magic, disco produzido por Richard Swift, trazia o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Agora, ao terceiro trabalho e na Jagjaguwar que desde sempre os abriga, os Foxygen alargam ainda mais os horizontes, libertam-se de qualquer amarra que ainda os poderia limitar e deixam a criatividade evidenciar-se nas mais diversas formas.

No meio de ruídos e alguns diálogos desconexos, mas com vários momentos onde conseguem sintonizar-se no ambiente certo, os Foxygen apresentam um projeto megalómano, uma hora e vinte de música que atesta o amadurecimento natural da dupla, que aprendeu subtilmente a mudar o seu som sem ferir as naturais susceptibilidades dos gostos musicais que cada um dos dois guarda dentro de si e que foram, desde sempre, o grande fator motivacional dos Foxygen, já que não são gostos propriamente convergentes.

...And Star Power é um verdadeiro tratado sonoro carregado de emoção, cor e alegria, uma verdadeira viagem no tempo, mas também um disco intemporal na forma como plasma com elevada dose de criatividade o que de melhor recria atualmente o vintage, ao mesmo tempo que aponta caminhos para o futuro não só da dupla, como de todo um género musical que não se deve esgotar apenas na recriação de algumas das referências fundamentais do passado, mas também subsistir numa demanda constante por algo genuíno e que depois sirva de modelo e de referencial sonoro. O modo como os Foxygen recriam a música de outrora, faz já deles um modelo a seguir para outros projetos que queiram trilhar este caminho sinuoso e claramente aditivo, principalmente pelo modo como, não só no disco, mas mesmo em cada música, conseguem ser transversais e estabelecer pontes entre o passado e o futuro.

Em ...And Star PowerCosmic Vibrations é a canção que melhor mostra as diversas mudanças que o grupo consegue criar dentro da mesma composição. A introdução de quase um minuto tem um tom sexy, acompanhado de um órgão e uma percussão muito subtil. Quando o baixo pulsante entra, a canção começa a tomar um rumo mais rock e sensual, atingindo o auge numa aceleração que é novamente interrompida pela toada anterior, uma espécie de coito interrompido mas que não impede o regresso aos preliminares.

Outros destaques deste disco são, certamente, a balada I Don't Have Anything/The Gate, que tem o melhor refrão de ...And Star Power e You & I, outro instante melancólico que obedece à sonoridade glam dos anos setenta, abastecida pelo período aúreo de Bowie. A quadra Star Power tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo piano e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na sequência de canções, que vão acelerando e aumentando o nível de ruído e de distorção à medida que a sequência avança. A secção de sopros e as vozes, ao terceiro tomo (What Are We Good For), acabam por fazer deste tema um dos grandes destaques do disco, com a toada groove e funky que passeia de mãos dadas com o momento mais rock do álbum, feito de imensas guitarras e de vários instantes sonoros diferentes sobrepostos. Esta sequência, que termina com Ooh Ooh, soa à banda sonora ideal para uma noite bem regada, com alguma agitação e boa música, onde os acontecimentos parecem sair um pouco fora de controle, mas na madruga, tudo acaba bem.

Outro momento que retive foi a sequência feita com percurssão e as teclas em Mattress Warehouse e o lado mais lisérgico e desconexo dos Foxygen plasmado em 666 e Wally's Farm e na sedutora Cannibal Holocaust, uma música que embarca num clima enganadoramente doce e, por isso, potencialmente lisérgico. Até ao final, parece haver um aumento no volume de acidez que abastece a dupla e, quer em Hot Summer, quer em Cold Winter/Freedom aumenta a frequência de vozes perturbadoras e sons desconexos, com a última a ser uma viagem hipnótica de seis minutos obscura, áspera e aterradora, um clima que apenas diminui lentamente em Can’t Contextualize My Mind e Brooklyn Police Station. O alinhamento encerra com Everyone Needs Love e Hang, dois temas que nos ajudam a aterrar em segurança, de forma amena, doce e otimista, mas sempre de mãos dadas, como não podia deixar de ser, com o soft rock e a psicadelia.

Deliciosamente arrojado e mal acabado, ...And Star Power é um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento de vinte e quatro canções nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os Foxygen, uma banda com uma identidade muito própria e um sentido melódico irrepreensível. Numa dupla que primeiro se estranha, mas depois se entranha, é um impressionante passo em frente quando comparado com os registos anteriores, num disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

I: The Hits & Star Power Suite
Star Power Airlines
How Can You Really
Coulda Been My Love
Cosmic Vibrations
You & I
Star Power I: Overture
Star Power II: Star Power Nite
Star Power III: What Are We Good For
Star Power IV: Ooh Ooh
II: The Paranoid Side
I Don’t Have Anything / The Gate
Mattress Warehouse
666
Flowers
Wally’s Farm
Cannibal Holocaust
Hot Summer
III: Scream: A Journey Through Hell
Cold Winter / Freedom
Can’t Contextualize My Mindi
Brooklyn Police Station
The Game
Freedom II
Talk
IV: Hang On To Love
Everyone Needs Love
Hang


autor stipe07 às 20:21
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

The Airborne Toxic Event – Wrong

Depois de Such Hot Blood, os norte americanos The Airborne Toxic Event, uma de uma banda de Los Angeles formada por Mikel Jollett (voz, guitarra, teclas), Steven Chen (guitarra, teclas), Noah Harmon (baixo, voz), Daren Taylor (bateria) e Anna Bulbrook (viola, teclas, tamborim, voz), estão de regresso aos discos com Dope Machines, o quarto trabalho da carreira do coletivo, ainda sem data de lançamento anunciada.

Wrong é o primeiro avanço divulgado de Dope Machines e, pelo sintetizador qe passeia livremente pela canção, ditando o rumo dos acontecimentos, a eletrónica terá um papel ainda mais preponderante no futuro deste coletivo. Confere...

The Airborne Toxic Event - Wrong


autor stipe07 às 13:11
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Allah-Las – Worship The Sun

Naturais de Los Angeles, os norte americanos Allah-Las são Miles, Pedrum, Spencer e Matt e têm um novo disco intitulado Worship The Sun, um trabalho lançado por intermédio da Innovative Leisure no último dia dezasseis de setembro e que sucede a um homónimo que foi o disco de estreia da banda, editado em 2012.

Os Allah-Las estão atrasados ou adiantados quase meio século, depende da perspetiva que cada um possa ter acerca do conteúdo sonoro que replicam. Se na década de sessenta seriam certamente considerados como uma banda vanguardista e na linha da frente e um exemplo a seguir, na segunda década do século XXI conseguem exatamente os mesmos pressupostos porque, estando novamente o indie rock lo fi e de cariz mais psicotrópico na ordem do dia, são, na minha modesta opinião, um dos projetos que melhor replica o garage rock dos anos sessenta e a psicadelia da década seguinte.

Depois de terem impressionado com o búzio de Allah-Las, estes californianos mantêm a toada no sucessor e trazem o mesmo horizonte vasto de referências e as inspirações da estreia, mas trabalhadas de forma ainda mais abrangente e eficaz. Levam-nos novamente numa viagem que espelha fielmente o gosto que demonstram relativamente aos primórdios do rock e conseguem apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente, através de uma sonoridade muito fresca e luminosa, assente numa guitarra vintage, que de Creedance Clearwater Revival a Velvet Underground, passando pelos Lynyrd Skynyrd, faz ainda alguns desvios pelo blues dos primórdios da carreira dos The Rolling Stones e pela irremediável crueza dos The Kinks.

Começa-se a escutar De Vida Voz e cá vamos nós a caminho da praia ao som dos Allah-Las e de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde a banda reside. E vamos com eles enquanto nos cruzamos com os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole. A praia dos Allah-Las, na costa oeste, começa com o pôr do sol e uma fogueira e continua noite dentro até o vidrão ficar cheio e a areia se confundir com as beatas que proliferam, numa festa feita de cor, movimento e muita letargia.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação não permitia grande rigor melódico, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos de No Werewolf e do groove da guitarra e de uma voz que parece planar sobre Artifact e Recurring, dois dos melhores temas do disco. Depois, o tema homónimo tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pela guitarra acústica, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção. Had It All, o single já retirado do disco, obedece integralmente à toada revivalista, com um certo travo folk, numa canção que funde Bob Dylan e Jimmy Hendrix, numa sonoridade simultaneamente grandiosa e controlada. Já as cordas de Nothing To Hide e o efeito que as acompanham, assim como a percurssão groove do tema homónimo e os efeitos hipnóticos da guitarra, sustentam duas das mais belas melodias de um disco que até abraça a folk e o country sulista americano em Better Than Mine

Uma das canções mais curiosas do álbum é 501-415, a peça mais psicadélica e sintética do disco e com um timbre pouco usual, estado aqui o momento mais experimental de um trabalho que mesmo nos momentos puramente instrumentais, como Ferus Gallery, Yemeni Jade e a já citada No Werewolf, não desilude.

Buffalo Nickel tem o melhor refrão de Worship The Sun, uma balada que obedece à sonoridade pop dos anos sessenta e Follow You Down tem um experimentalismo instrumental que se aproxima do blues marcado pelo baixo e pelas guitarras, além dos metais e de alguns ruídos que assentam muito bem na canção, uma atmosfera que se repeate no surf rock de Every Girl, uma forma muito luminosa e festiva de encerrar um disco que feito de referências bem estabelecidas e com uma arquitetura musical que garante aos Allah-Las a impressão firme da sua sonoridade típica e ainda permite terem margem de manobra para futuras experimentações.

Worship The Sun é, como de algum modo já referi, coerente com vários discos que têm revivido os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta e é uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda californiana. É um disco vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...

Allah-Las - Worship The Sun

01. De Vida Voz
02. Had It All
03. Artifact
04. Ferus Gallery
05. Recurring
06. Nothing To Hide
07. Buffalo Nickel
08. Follow You Down
09. 501-415
10. Yemeni Jade
11. Worship The Sun
12. Better Than Mine
13. No Werewolf
14. Every Girl


autor stipe07 às 22:15
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Dirt Dress - Twelve Pictures

Dirt Dress - Twelve Pictures

Ativos desde 2007, ano em que se estrearam com o EP Theme Songs, os norte americanos Dirt Dress vêm de Los Angeles, na Califórnia e têm no punk rock a sua força motriz, uma sonoridade que não é inédita, mas que, neste caso, é feita com enorme originalidade, já que o grupo tem uma forma muito própria de conjugar a guitarra com os sintetizadores, como ficou particularmente explícito em Donde La Vida No Vale Nada, o último trabalho do trio, editado em novembro de 2012.

Twelve Pictures é o novo tema divulgado pelos Dirt Dress e fará parte de Revelations, o próximo EP do grupo, que verá a luz do dia a dezoito de novembro por intermédio da Future Gods. O breve interlúdio feito com um saxofone, as guitarras e a voz que se escuta em Twelve Pictures, levam-nos de volta aos primórdios do punk de cariz mais lo fi, em plena década de setenta e onde não falta aquele travo do surf pop psicadélico, numa canção que também comprova o elevado grau de emotividade e de impressionismo que o projeto coloca nas suas letras (I’ve cut myself so deep I’ve seen my muscles bleed). Confere...


autor stipe07 às 13:39
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Meatbodies - Meatbodies

Natural de Los Angeles, na Califórnia, o norte americano Chad Ubovich tem-se destacado como baixista e guitarrista na banda de Mikal Cronin e como baixista nos FUZZ, um dos projetos do inconfundível Ty Segall. No entanto, ele também tem a sua própria banda, juntamente com os músicos Cory Thomas Hanson e Riley Youngdahl; Chamam-se Meatbodies e no passado dia catorze de outubro editaram um longa duração homónimo, através da insuspeita In The Red, que Larry Hard, responsável dessa etiqueta, enviou em boa hora para a minha redação, já que me tem proporcionado a audição de um excelente álbum de indie rock.

Meatbodies: (left to right) Patrick Nolan, Chad Ubovich, Ryan Moutinho, Killian De Luke - PHOTO BY ALICE BAXLEY

A visceral sequência de abertura de Meatbodies, formada por Disorder, Mountain, HIM e, principalmente, o single Tremmors, mostra-nos logo ao que vem este projeto, que aposta em canções que explodem em cordas eletrificadas e que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca do ADN do grupo, ao longo dos poucos mais de quarenta e cinco minutos que duram as doze canções do disco.

Quem arriscar a audição deste verdadeiro tratado sonoro a transbordar de fuzz e de distorção, deve preparar-se antecipadamente para embarcar numa viagem que leva-nos do noise, ao grunge (Gold), passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, à medida que se sucedem canções simples, mas verdadeiramente capazes de empolgar os ouvintes.

E Meatbodies não vive só de guitarras; Basta escutar-se o baixo na já referida Mountain e em Transparent World para se perceber a importância que este instrumento também tem para a exploração de um som alongado, além de ser um factor decisivo para o abraço constante que junta o punk com a psicadelia, de modo a criar uma atmosfera verdadeiramente nostálgica e hipnotizante. As próprias cordas de um violão em Plank e Dark Road fazem desses temas dois instante de audição obrigatória para quem quiser deixar-se absorver pela lisergia de um espaço sideral musical, que oscila, neste caso, entre o rock sinfónico e guitarras elétricas e acústicas experimentais, com travos de krautrock.

Se globalmente há uma forte tendência para a produção lo fi, este trabalho prova que os Meatbodies apreciam uma maior aproximação ao clima natural de quem não receia transitar entre o presente e o passado, através da definição de um som atento às tendências atuais, digitalmente cuidado, mas que também bebe da nostalgia instrumental firmada há três ou quatro décadas. Por exemplo, na sequência Wahoo e Two, e mesmo em Plank, a sonoridade ensolarada da década de sessenta e o rock de garagem dos anos setenta estão por todo o lado, em canções que não ferem os ouvidos mais incautos, mas que não deixam de nos espancar com uma extraordinária sequência de ruídos estrondosos, mas bastante assertivos e inspirados.

Estes Meatbodies querem parecer grandes, nomeadamente quando abraçam a psicadelia e buscam momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa. Meatbodies é um verdadeiro delírio para os apreciadores deste espetro sonoro, um trabalho onde este grupo californiano arremessa e agita a sua insana cartilha, que até inclui detalhes de garage folk e rock blues, fazendo-o com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deles é uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão...

Album-Art-for-Meatbodies-Meatbodies

01. The Archer
02. Disorder
03. Mountain
04. HIM
05. Tremmors
06. Plank
07. Gold
08. Wahoo
09. Two
10. Off
11. Dark Road
12. The Master

 


autor stipe07 às 19:15
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Avi Buffalo – At Best Cuckold

Os norte americanos Avi Buffalo são de Long Beach, na California e estrearam-se em 2010 com um registo homónimo que conquistou a crítica. Depois disso mantiveram-se num silêncio que acaba, finalmente, de ser quebrado com o anúncio de At Best Cuckold, um novo disco do grupo, que viu a luz do dia a nove de setembro através da Sub Pop RecordsAt Best Cuckold foi produzido por Avi Zahner-Isenberg, o líder da banda e gravado em Los Angeles, São Francisco e Nova Iorque.

Banda responsável por uma das melhores estreias de 2010, os Avi Buffalo estão de volta e a querer resgatar o verdadeiro espírito dos anos sessenta em diante com dez canções bastante fiáveis e que nos remetem, com notável mestria, para as origens da pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. E já percebi que tudo isto é certamente influenciado por nomes tão importantes como os Talking Heads, Fleetwood Mac, The Microphones e os The Beach Boys.

At Best Cuckold tem pouco mais de trinta minutos e, por isso, ouve-se de uma assentada. Aliás, entende-se que há uma interligação latente entre os temas e que não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. Um belíssimo instante indie pop lo fi chamado So What é o aperitivo que abre o alinhamento e depois vamos sendo constantemente convidados a dançar ao som de uma pop bastante aditiva e peculiar.

As canções são quase sempre conduzidas pela guitarra elétrica, mas também há uma forte presença da sua congénere acústica e do baixo. Até o piano faz a sua aparição e logo no segundo tema e em She Is Seventeen. Memories Of You é um memorável instante épico, impregnado de cor e luz graças às teclas que graciosamente deambulam em redor das cordas eletrificadas, dando origem a um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante; Já She Is Seventeen é uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. As notas parecem sinónimos de tranquilidade, guiam os efeitos ao fundo da música e acompanham o piano sem pressa.

De vez em quando também se escutam arranjos e melodias sintetizadas, mas as cordas, o baixo e a bateria são aqui mais do que suficientes para o grupo atingir os seus propósitos. E voltando às cordas, a sequência feita com Two Cherished Understandings e Overwhelmed With Pride é um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico, duas canções verdadeiramente imperdíveis, enquanto que em Found Blind já temos cordas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, como no entusiasmo lírico.

Os Avi Buffalo têm um encanto muito particular na postura vocal na forma como aconchegam a voz e ausam para dar corpo às canções, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que dá ao conjunto uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica, num disco onde o trato sobre o amor não é leve e sublime, preferindo antes debruçar-se sobre a paixão e as suas travessuras, uma temática bastante usual nos álbuns dos Avi Buffalo.

Para quem procura aquela pop algo inocente, está aqui uma proposta que certamente irá encher as medidas. Estas canções estão cheias daquela inocência regada com acne, mas já imploram para serem levadas muito a sério, até porque foram criadas por um grupo que é já uma referência obrigatória no universo sonoro em que se situa, enquanto espelham com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.. Espero que aprecies a sugestão...

Avi Buffalo - At Best Cuckold

01. So What
02. Memories Of You
03. Can’t Be Too Responsible
04. Two Cherished Understandings
05. Overwhelmed With Pride
06. Found Blind
07. She Is Seventeen
08. Think It’s Gonna Happen Again
09. Oxygen Tank
10. Won’t Be Around No More

 


autor stipe07 às 23:18
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Cherry Glazerr – Had Ten Dollaz

Cherry Glazerr

Vindos diretamente de Los Angeles, os norte americanos Cherry Glazerr começaram quando a guitarrista, compositora e vocalista Clementine Creevy começou a gravar umas demos caseiras a solo com o pseudónimo Clembutt. Encorajada por Lucy Miyaki, da banda conterrânea Tashaki Miyaki e já a gravar com o engenheiro de som Joel Jerome, Clementine passou a contar com a companhia do baixista Sean Redman e da baterista Hannah Uribe e assim nasceram estes Cherry Glazerr.

Had Ten Dollaz é o novo tema do trio e vai ser editado em formato single a vinte e oito de outubro, através da Suicide Squeeze e terá como lado b a canção Nurse Ratched. Had Ten Dollaz é um precioso instante de indie rock de garagem sem concessões e artifícios desnecessários, uma canção que foi escolhida por Yves Saint-Laurent para fazer parte dos seus desfiles, no início deste ano e que poderá fazer com que finalmente os holofotes olhem com um pouco mais de atenção para este novo projeto, quanto a mim merecedor de maior projeção. Confere...

 


autor stipe07 às 17:55
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Creepers - Stuck

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Creepers é um novo projeto norte americano, oriundo de São Francisco, na Califórnia e uma espécie de banda b dos Deafheaven, já que conta com Dan Tracy e Shiv Mehra no alinhamento, além de Varun Mehra e Christopher Natividad. O disco de estreia dos Creepers chega aos escaparates a vinte e oito de outubro e chama-se Lush, um cardápio de sete canções e do qual já se conhece Stuck, o fantástico tema de abertura e que impressiona pelo clima shoegaze e pelo ambiente criado pela bateria.

Lush foi gravado e produzido por Andrew Oswald e terá o selo da All Black Recording Company, a etiqueta do líder dos Deafheaven, George Clarke. Stuck está disponível para download via stereogum. Confere...


autor stipe07 às 13:32
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Ty Segall - Manipulator

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011 e do excelente Twins, (2012), Ty está de volta com mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se Manipulator e viu a luz no passado dia vinte e oito de agosto, por intermédio da Drag City.

O alinhamento deste novo disco de Ty Segall contém, imagine-se, dezassete canções e Susie Thumb é uma delas, o primeiro tema divulgado da rodela, um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem dos anos setenta, uma canção que surpreende pelas guitarras sujas e por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um disco que surprende não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em temas como The Singer e The Clock, assim como pelas já habituais linhas de baixo absolutamente incríveis que, em It’s Over, atingem um grau de maturidade que surpreende, mesmo quando falamos de um músico que já não tem muito a provar e que pode dar-se ao luxo de, com sete bons discos em carteira, poder apresentar um alinhamento que vá ao encontro daquilo que realmente considera significativo e o preenche.

Conhecido pelo acerto com que domina o indie rock mais garageiro e por não se mostrar particularmente reservado e piedoso quando pretende criar climas sonoros verdadeiramente psicadélicos, Ty surpreende neste Manipulator também pela forma como sugere canções ritmicamente bastante apetecíveis. Basta escutar Feel para se perceber que apesar de ter amainado um pouco a habitual toada visceral e rugosa que o acompanha, Ty consegue manter intocável o seu ADN feito com o habitual ambiente psicadélico de outrora e sem deixar mal a sua alma de guerreiro do noise rock. E depois, mesmo que instrumentalmente ele se torne um pouco mais ousado, seja na toada folk e blues das cordas acústicas e elétricas da tal The Singer ou no baixo de It's Over, apresenta sempre imensos argumentos para que nunca tenhamos a ousadia de duvidar da sua capacidade de estar sempre num patamar qualitativo superior, algo que impressiona os mais atentos que estão a par da regularidade impressionante com que este músico cria, como se a permanente prática e o teste de toda a pafernália que o indie rock certamente suscita em quem se apresta a usar a sua criatividade em prol da criação musical fosse, neste caso, a melhor forma de atingir a perfeição.

Em Manipulator, Ty excede, na realidade, tudo aquilo que já produziu, evolui imenso e atinge o topo, não só no que concerne à qualidade da produção, que consegue conciliar com mestria a caraterística crueza do fuzz e da personalidade sonora do autor, com uma limpidez que nunca se mostra exageradamente pop, mas que permite que praticamente todas as dezassete canções sejam acessíveis, mesmo a quem não aprecia particularmente o desconforto que é intrínseco, geralmente, ao noise rock psicadélico. Esta junção simbiótica eficaz de dois pólos geralmente opostos, faz com que Manipulator possa ser visto como um disco completo, com canções mais garageiras, típicas do legado de Segall (It's Over) e outras que apontam para a pop dos anos sessenta (The Faker), ao blues (Feel) e ainda outras em que, como já referi, o acústico e elétrico se complementam com notável precisão (The Clock e The Hand), havendo mesmo lugar para a aparição de violinos em The Singer e Stick Around. Há momentos mais abrasivos, assim como há os mais melódicos.

Manipulator é, por estas e muitas outras razões, o ponto alto da carreira de Ty Segall e já um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico, uma banda sonora perfeita para este final de verão e que deixa água na boca para o concerto que o músico vai dar a vinte e cinco de Outubro na galeria Zé dos Bois (ZBD) no Lux Frágil, em Lisboa. Espero que aprecies a sugestão...

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around


autor stipe07 às 22:23
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