Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Dirt Dress - Twelve Pictures

Dirt Dress - Twelve Pictures

Ativos desde 2007, ano em que se estrearam com o EP Theme Songs, os norte americanos Dirt Dress vêm de Los Angeles, na Califórnia e têm no punk rock a sua força motriz, uma sonoridade que não é inédita, mas que, neste caso, é feita com enorme originalidade, já que o grupo tem uma forma muito própria de conjugar a guitarra com os sintetizadores, como ficou particularmente explícito em Donde La Vida No Vale Nada, o último trabalho do trio, editado em novembro de 2012.

Twelve Pictures é o novo tema divulgado pelos Dirt Dress e fará parte de Revelations, o próximo EP do grupo, que verá a luz do dia a dezoito de novembro por intermédio da Future Gods. O breve interlúdio feito com um saxofone, as guitarras e a voz que se escuta em Twelve Pictures, levam-nos de volta aos primórdios do punk de cariz mais lo fi, em plena década de setenta e onde não falta aquele travo do surf pop psicadélico, numa canção que também comprova o elevado grau de emotividade e de impressionismo que o projeto coloca nas suas letras (I’ve cut myself so deep I’ve seen my muscles bleed). Confere...


autor stipe07 às 13:39
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Meatbodies - Meatbodies

Natural de Los Angeles, na Califórnia, o norte americano Chad Ubovich tem-se destacado como baixista e guitarrista na banda de Mikal Cronin e como baixista nos FUZZ, um dos projetos do inconfundível Ty Segall. No entanto, ele também tem a sua própria banda, juntamente com os músicos Cory Thomas Hanson e Riley Youngdahl; Chamam-se Meatbodies e no passado dia catorze de outubro editaram um longa duração homónimo, através da insuspeita In The Red, que Larry Hard, responsável dessa etiqueta, enviou em boa hora para a minha redação, já que me tem proporcionado a audição de um excelente álbum de indie rock.

Meatbodies: (left to right) Patrick Nolan, Chad Ubovich, Ryan Moutinho, Killian De Luke - PHOTO BY ALICE BAXLEY

A visceral sequência de abertura de Meatbodies, formada por Disorder, Mountain, HIM e, principalmente, o single Tremmors, mostra-nos logo ao que vem este projeto, que aposta em canções que explodem em cordas eletrificadas e que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que não nos deixa duvidar acerca do ADN do grupo, ao longo dos poucos mais de quarenta e cinco minutos que duram as doze canções do disco.

Quem arriscar a audição deste verdadeiro tratado sonoro a transbordar de fuzz e de distorção, deve preparar-se antecipadamente para embarcar numa viagem que leva-nos do noise, ao grunge (Gold), passando pelo punk, o rock psicadélico, o surf rock e o rock lo fi típico da década de noventa, à medida que se sucedem canções simples, mas verdadeiramente capazes de empolgar os ouvintes.

E Meatbodies não vive só de guitarras; Basta escutar-se o baixo na já referida Mountain e em Transparent World para se perceber a importância que este instrumento também tem para a exploração de um som alongado, além de ser um factor decisivo para o abraço constante que junta o punk com a psicadelia, de modo a criar uma atmosfera verdadeiramente nostálgica e hipnotizante. As próprias cordas de um violão em Plank e Dark Road fazem desses temas dois instante de audição obrigatória para quem quiser deixar-se absorver pela lisergia de um espaço sideral musical, que oscila, neste caso, entre o rock sinfónico e guitarras elétricas e acústicas experimentais, com travos de krautrock.

Se globalmente há uma forte tendência para a produção lo fi, este trabalho prova que os Meatbodies apreciam uma maior aproximação ao clima natural de quem não receia transitar entre o presente e o passado, através da definição de um som atento às tendências atuais, digitalmente cuidado, mas que também bebe da nostalgia instrumental firmada há três ou quatro décadas. Por exemplo, na sequência Wahoo e Two, e mesmo em Plank, a sonoridade ensolarada da década de sessenta e o rock de garagem dos anos setenta estão por todo o lado, em canções que não ferem os ouvidos mais incautos, mas que não deixam de nos espancar com uma extraordinária sequência de ruídos estrondosos, mas bastante assertivos e inspirados.

Estes Meatbodies querem parecer grandes, nomeadamente quando abraçam a psicadelia e buscam momentos de pura exaltação, em busca de um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa. Meatbodies é um verdadeiro delírio para os apreciadores deste espetro sonoro, um trabalho onde este grupo californiano arremessa e agita a sua insana cartilha, que até inclui detalhes de garage folk e rock blues, fazendo-o com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deles é uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de bad trip musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de loopings bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão...

Album-Art-for-Meatbodies-Meatbodies

01. The Archer
02. Disorder
03. Mountain
04. HIM
05. Tremmors
06. Plank
07. Gold
08. Wahoo
09. Two
10. Off
11. Dark Road
12. The Master

 


autor stipe07 às 19:15
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Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Avi Buffalo – At Best Cuckold

Os norte americanos Avi Buffalo são de Long Beach, na California e estrearam-se em 2010 com um registo homónimo que conquistou a crítica. Depois disso mantiveram-se num silêncio que acaba, finalmente, de ser quebrado com o anúncio de At Best Cuckold, um novo disco do grupo, que viu a luz do dia a nove de setembro através da Sub Pop RecordsAt Best Cuckold foi produzido por Avi Zahner-Isenberg, o líder da banda e gravado em Los Angeles, São Francisco e Nova Iorque.

Banda responsável por uma das melhores estreias de 2010, os Avi Buffalo estão de volta e a querer resgatar o verdadeiro espírito dos anos sessenta em diante com dez canções bastante fiáveis e que nos remetem, com notável mestria, para as origens da pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta. E já percebi que tudo isto é certamente influenciado por nomes tão importantes como os Talking Heads, Fleetwood Mac, The Microphones e os The Beach Boys.

At Best Cuckold tem pouco mais de trinta minutos e, por isso, ouve-se de uma assentada. Aliás, entende-se que há uma interligação latente entre os temas e que não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. Um belíssimo instante indie pop lo fi chamado So What é o aperitivo que abre o alinhamento e depois vamos sendo constantemente convidados a dançar ao som de uma pop bastante aditiva e peculiar.

As canções são quase sempre conduzidas pela guitarra elétrica, mas também há uma forte presença da sua congénere acústica e do baixo. Até o piano faz a sua aparição e logo no segundo tema e em She Is Seventeen. Memories Of You é um memorável instante épico, impregnado de cor e luz graças às teclas que graciosamente deambulam em redor das cordas eletrificadas, dando origem a um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante; Já She Is Seventeen é uma música perfeita para se ouvir num dia de sol, ali, no exato momento em que começa o nosso fim de semana e ao conduzirmos para casa começamos a sonhar. As notas parecem sinónimos de tranquilidade, guiam os efeitos ao fundo da música e acompanham o piano sem pressa.

De vez em quando também se escutam arranjos e melodias sintetizadas, mas as cordas, o baixo e a bateria são aqui mais do que suficientes para o grupo atingir os seus propósitos. E voltando às cordas, a sequência feita com Two Cherished Understandings e Overwhelmed With Pride é um daqueles instantes retro, relaxante e atmosférico, duas canções verdadeiramente imperdíveis, enquanto que em Found Blind já temos cordas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, como no entusiasmo lírico.

Os Avi Buffalo têm um encanto muito particular na postura vocal na forma como aconchegam a voz e ausam para dar corpo às canções, quase sempre colocada numa postura um pouco lo fi, o que dá ao conjunto uma tonalidade fortemente etérea e ligeiramente melancólica, num disco onde o trato sobre o amor não é leve e sublime, preferindo antes debruçar-se sobre a paixão e as suas travessuras, uma temática bastante usual nos álbuns dos Avi Buffalo.

Para quem procura aquela pop algo inocente, está aqui uma proposta que certamente irá encher as medidas. Estas canções estão cheias daquela inocência regada com acne, mas já imploram para serem levadas muito a sério, até porque foram criadas por um grupo que é já uma referência obrigatória no universo sonoro em que se situa, enquanto espelham com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da pop de cariz mais alternativo e independente.. Espero que aprecies a sugestão...

Avi Buffalo - At Best Cuckold

01. So What
02. Memories Of You
03. Can’t Be Too Responsible
04. Two Cherished Understandings
05. Overwhelmed With Pride
06. Found Blind
07. She Is Seventeen
08. Think It’s Gonna Happen Again
09. Oxygen Tank
10. Won’t Be Around No More

 


autor stipe07 às 23:18
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Cherry Glazerr – Had Ten Dollaz

Cherry Glazerr

Vindos diretamente de Los Angeles, os norte americanos Cherry Glazerr começaram quando a guitarrista, compositora e vocalista Clementine Creevy começou a gravar umas demos caseiras a solo com o pseudónimo Clembutt. Encorajada por Lucy Miyaki, da banda conterrânea Tashaki Miyaki e já a gravar com o engenheiro de som Joel Jerome, Clementine passou a contar com a companhia do baixista Sean Redman e da baterista Hannah Uribe e assim nasceram estes Cherry Glazerr.

Had Ten Dollaz é o novo tema do trio e vai ser editado em formato single a vinte e oito de outubro, através da Suicide Squeeze e terá como lado b a canção Nurse Ratched. Had Ten Dollaz é um precioso instante de indie rock de garagem sem concessões e artifícios desnecessários, uma canção que foi escolhida por Yves Saint-Laurent para fazer parte dos seus desfiles, no início deste ano e que poderá fazer com que finalmente os holofotes olhem com um pouco mais de atenção para este novo projeto, quanto a mim merecedor de maior projeção. Confere...

 


autor stipe07 às 17:55
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Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Creepers - Stuck

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Creepers é um novo projeto norte americano, oriundo de São Francisco, na Califórnia e uma espécie de banda b dos Deafheaven, já que conta com Dan Tracy e Shiv Mehra no alinhamento, além de Varun Mehra e Christopher Natividad. O disco de estreia dos Creepers chega aos escaparates a vinte e oito de outubro e chama-se Lush, um cardápio de sete canções e do qual já se conhece Stuck, o fantástico tema de abertura e que impressiona pelo clima shoegaze e pelo ambiente criado pela bateria.

Lush foi gravado e produzido por Andrew Oswald e terá o selo da All Black Recording Company, a etiqueta do líder dos Deafheaven, George Clarke. Stuck está disponível para download via stereogum. Confere...


autor stipe07 às 13:32
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Sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Ty Segall - Manipulator

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. Assim, depois do grandioso e amplamente elogiado Goodbye Bread, de 2011 e do excelente Twins, (2012), Ty está de volta com mais um conjunto de canções assentes em riffs assimétricos, ruídos pop e todo o assertivo clima do garage rock, algo que faz dele um dos artistas de maior relevância no panorama atual. O novo disco do artista chama-se Manipulator e viu a luz no passado dia vinte e oito de agosto, por intermédio da Drag City.

O alinhamento deste novo disco de Ty Segall contém, imagine-se, dezassete canções e Susie Thumb é uma delas, o primeiro tema divulgado da rodela, um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem dos anos setenta, uma canção que surpreende pelas guitarras sujas e por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um disco que surprende não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis em temas como The Singer e The Clock, assim como pelas já habituais linhas de baixo absolutamente incríveis que, em It’s Over, atingem um grau de maturidade que surpreende, mesmo quando falamos de um músico que já não tem muito a provar e que pode dar-se ao luxo de, com sete bons discos em carteira, poder apresentar um alinhamento que vá ao encontro daquilo que realmente considera significativo e o preenche.

Conhecido pelo acerto com que domina o indie rock mais garageiro e por não se mostrar particularmente reservado e piedoso quando pretende criar climas sonoros verdadeiramente psicadélicos, Ty surpreende neste Manipulator também pela forma como sugere canções ritmicamente bastante apetecíveis. Basta escutar Feel para se perceber que apesar de ter amainado um pouco a habitual toada visceral e rugosa que o acompanha, Ty consegue manter intocável o seu ADN feito com o habitual ambiente psicadélico de outrora e sem deixar mal a sua alma de guerreiro do noise rock. E depois, mesmo que instrumentalmente ele se torne um pouco mais ousado, seja na toada folk e blues das cordas acústicas e elétricas da tal The Singer ou no baixo de It's Over, apresenta sempre imensos argumentos para que nunca tenhamos a ousadia de duvidar da sua capacidade de estar sempre num patamar qualitativo superior, algo que impressiona os mais atentos que estão a par da regularidade impressionante com que este músico cria, como se a permanente prática e o teste de toda a pafernália que o indie rock certamente suscita em quem se apresta a usar a sua criatividade em prol da criação musical fosse, neste caso, a melhor forma de atingir a perfeição.

Em Manipulator, Ty excede, na realidade, tudo aquilo que já produziu, evolui imenso e atinge o topo, não só no que concerne à qualidade da produção, que consegue conciliar com mestria a caraterística crueza do fuzz e da personalidade sonora do autor, com uma limpidez que nunca se mostra exageradamente pop, mas que permite que praticamente todas as dezassete canções sejam acessíveis, mesmo a quem não aprecia particularmente o desconforto que é intrínseco, geralmente, ao noise rock psicadélico. Esta junção simbiótica eficaz de dois pólos geralmente opostos, faz com que Manipulator possa ser visto como um disco completo, com canções mais garageiras, típicas do legado de Segall (It's Over) e outras que apontam para a pop dos anos sessenta (The Faker), ao blues (Feel) e ainda outras em que, como já referi, o acústico e elétrico se complementam com notável precisão (The Clock e The Hand), havendo mesmo lugar para a aparição de violinos em The Singer e Stick Around. Há momentos mais abrasivos, assim como há os mais melódicos.

Manipulator é, por estas e muitas outras razões, o ponto alto da carreira de Ty Segall e já um dos álbuns de referência deste ano. Não é apenas um disco de indie rock de garagem, é um compêndio de fusão de várias nuances que definem o que de melhor se pode escutar no indie rock com um cariz mais psicadélico, uma banda sonora perfeita para este final de verão e que deixa água na boca para o concerto que o músico vai dar a vinte e cinco de Outubro na galeria Zé dos Bois (ZBD) no Lux Frágil, em Lisboa. Espero que aprecies a sugestão...

01 Manipulator
02 Tall Man, Skinny Lady
03 The Singer
04 It's Over
05 Feel
06 The Faker
07 The Clock
08 Green Belly
09 Connection Man
10 Mister Main
11 The Hand
12 Susie Thumb
13 Don't You Want To Know? (Sue)
14 The Crawler
15 Who's Producing You?
16 The Feels
17 Stick Around


autor stipe07 às 22:23
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Domingo, 7 de Setembro de 2014

Yalls - EDDM EP

Dan Casey, aka Yalls, é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Berkeley, na Califórnia, acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. A sua estreia nos discos ocorreu na última primavera com United e agora, poucos meses depois, surpreende com EDDM, um EP com quatro canções, disponível no bandcamp, gratuitamente ou com a possiblidade de doares um valor pelo mesmo.

As quatro canções de EDDM são puros momentos experimentais, onde apenas se escuta uma voz e samplada em Voices. Os temas estão impregnados com uma eletrónica carregada de distorções e pesadas batidas que chocam com efeitos carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas que possas imaginar, com Deadlocks como grande destaque dessa abordagem sonora plasmada no EP. No entanto, por exemplo na já referida Voices, ele também pôe mãos no movimento chillwave atual, onde flutua num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras, tornando-se ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens, que subsistem algures entre a eletrónica mais ambiental e minimal e uma certa toada com traços distintivos do R&B, do funk e até do hip hop.

Excelente complemento para se perceber para onde caminha Dan musicalmente, EDDM foi construído sobre camadas de efeitos, cheios de variações e diferentes instrumentos, detalhes que provam que estamos na presença de um músico inovador, que aprecia testar sonoridades e experimentações, sem ter o receio de ser apontado ou de o acharem uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um género que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 22:55
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Quarta-feira, 3 de Setembro de 2014

The Young – Chrome Cactus

Lançado por intermédio da influente Matador Records no passado dia vinte e seis de agosto, Chrome Cactus é o novo trabalho dos The Young, uma banda norte americana, oriunda de Austin, no Texas profundo, formada pelo baterista Ryan Maloney, o baixista Lucas Wedon e pelos guitarristas Hans Zimmerman e Kyle Edwards. Chrome Cactus sucede a Dub Egg, o disco de estreia da banda, editado em maio de 2012.

Produzido por Tim Green (Nation of Ulysses, The Fucking Champs, Thee Evolution Revolution) e gravado nos estúdios Louder, localizados nos cumes da Sierra Nevada, em Grass Valley, na Califórnia, Chrome Cactus são pouco mais de trinta e oito minutos de um indie rock cheio de guitarras estridentes, um verdadeiro deleite para quem aprecia o revivalismo do rock progressivo e psicadélico, com uma forte componente experimental, que começou a fazer escola nas décadas de sessenta e de setenta.

Considerados já como uma das mais inovadoras bandas da Matador, pela forma como conjugam a tradicional tríade baixo, guitarra e bateria com a tecnologia e a eletrónica que hoje prolifera na música e que permite às bandas alargar o seu cardápio instrumental, os The Young presenteiam-nos com dez canções feitas de country, garage rock, blues e psicadelia. Neste segundo disco do grupo eles provam que sabem como dar vida a um som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico e permitem-nos aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível. Chrome Cactus é um verdadeiro reafirmar de uma identidade sonora que apesar de, a espaços soar algo sombria e até sinistra, até pelo conteúdo lírico de algumas canções, consegue também ressoar uma pujança melódica a espaços assombrosa e capaz de encher de coragem e vigor os espíritos mais retraídos e pessimistas, algo que a voz segura e vibrante de Zimmerman amplia de forma notável.

O meu grande destaque deste disco é a elevadíssima dose de psicadelia em que assenta Metal Flake, o tema de abertura de Chrome Cactus, mas outros exemplos que merecem amplo destaque e audições repetidas são o blues de Mercy e a batida ácida e as guitarras de Apaches Throat, um tema cantado com uma voz em eco entrelaçada com uma guitarra plena de distorção, dois detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage. Já Ramona Cruz impressiona por inaugurar a sequência mais ruidosa do disco, uma canção que tem traços de post punk e blues, algo que Dressed In Black amplia, uma canção onde essa fúria se mantém, mas que agora abraça o noise rock, o rock alternativo e a psicadelia etérea que tomam também conta de Slow Death devido ao riff de guitarra esplendoroso que nela se escuta.

Em Chrome Cactus somos convidados a cerrar os punhos antes de sermos transportados para uma outra galáxia, que terá muito de etéreo, mas também uma imensa aúrea cinzenta, crua e visceral. Na verdade, ao escutarmos este trabalho verdadeiramente rugoso, mas também com algo de encantador e intemporal, mergulhamos num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, ao mesmo tempo que percebemos que os The Young dominam a receita mais fiável que se pode encontrar no universo indie rock atual de cariz mais experimental e progressivo para, apostando numa sonoridade algo vintage e até bastante explorada nos dias de hoje, soarem tão poderosos, joviais e inventivos como soavam os percurssores deste género sonoro há três ou quatro décadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Young - Chrome Cactus

01. Metal Flake
02. Cry Of Tin
03. Chrome Jamb
04. Moondog First Quarter
05. Apaches Throat
06. Mercy
07. Ramona Cruz
08. Dressed In Black
09. Slow Death
10. Blow The Scum Away

 


autor stipe07 às 21:24
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Faded Paper Figures – Relics

Oriundos de Los Angeles, na Califórnia, os Faded Paper Figures são R. John Williams, Kael Alden e Heather Alden, um trio que acaba de editar um delicioso disco chamado Relics e que viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto por intermédio da Shorthand Records. Relics é um álbum que deve ser escutado por todos aqueles que apreciam o cruzamento ímpar entre a pop que sobrevive de mãos dadas com alguns detalhes típicos da eletrónica e da folk e onde é feliz e verdadeiramente proveitosa a simbiose entre as cordas e o sintetizador.

Este trio surpreende, desde logo, pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, mas altamente eficaz, assente num dedilhar de cordas, um sintetizador cheio de vida e carregado de efeitos e uma voz frequentemente modificada. Tudo isto serviu para criar ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza, num disco deslumbrante e tecnicamente impecável, que enche as medidas e comprova que os Faded Paper Figures sabem criar composições que, mesmo mantendo uma bitola processual algo oblíqua e simplista, estão cheias de charme e onde cada detalhe das dez músicas está ali por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. Basta ouvir os raios flamejantes que são debitados pelo sintetizador em Breathing ou o dedilhar de uma viola na folk de Fellaheen e Wake Up Dead, para se perceber a facilidade com que a banda navega entre pólos apenas aparentemente opostos, com notável perícia e absoluto conforto.

A abertura épica e visceral com a já citada Breathing abre-nos as portas para uma sequência de músicas divertidas e com minuciosos detalhes, que, mesmo nos moentos mais introspetivos, como Not The End Of The World ou Forked Paths, não deixam de transparecer sempre uma faceta algo dançante e espontânea, bastante próxima de um clima festivo e mais urbano. Depois, temas como Lost Stars ou Who Will Save Us Now, entre outros, aproximam o trio de uma linguagem sonora com aproximação a elementos quase futurísticos e de uma estética mais synthpop. no fundo, ao terminar a audição, ficou claro que as boas sequências de sintetizadores, a tematização alegre e alguns leves toques de psicadelismo fizeram com que Relics cresça e cada nova canção, dividem o álbum em vários momentos e evitam que os melhores se concentrem demasiado em vários dos momentos do disco. É, no fundo, um disco sem ondas, homogéneo e lineado por alto.

Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem todo o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de John, um detalhe importante para o sucesso deste álbum intenso e hipnótico, com um conteúdo grandioso e um desempenho formidável ao nível instrumental e da voz, um tratado musical leve, cuidado e que encanta, não sendo difícil ficarmos rendidos ao seu conteúdo. Espero que aprecies a sugestão...

 

Faded Paper Figures - Relics

01. Breathing

02. Wake Up Dead
03. Not The End Of The World (Even As We Know It)
04. Lost Stars
05. Fellaheen
06. On The Line
07. Spare Me
08. Who Will Save Us Now
09. Horizons Fall
10. Real Lies
11. What You See
12. Forked Paths

 


autor stipe07 às 21:32
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Quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

The Raveonettes – Pe’ahi

Os dinamarqueses The Raveonettes de Sune Rose Wagner e Sharin Foo, estão de regresso aos lançamentos discográficos com o sétimo álbum da carreira da dupla. Pe’ahi sucede a Observator (2012), foi produzido por Justin Meldal-Johnsen e chegou às lojas no passado dia vinte e um de julho, através da Beat Dies Records.


Admiradores confessos de sonoridades esplendorosas e que os façam tocar a guitarra sempre completamente ligados à corrente, os The Raveonettes abrem este disco com a roqueira e dançante Endless Sleeper e percebe-se logo que há, simultaneamente, com a ajuda de uma bateria a recordar detalhes da bossa nova e um piano inspirado, uma tentativa de estabelecer pontes entre o indie rock, com alguns detalhes mais sensíveis da pop, bem estruturados e devidamente adocicados com arranjos bem conseguidos. Sisters, o primeiro single retirado do disco, e Wake Me Up, duas canções doces, mas com muita distorção e instantes bem noisy, ajudam a reforçar essa fusão que, nos quase quarenta minutos que duram este disco, é particularmente consistente e carregado de referências assertivas.

Pe'ahi é bastante inspirado na morte do pai de Sharin Fooe da mudança da artista para o sul da Califórnia, onde absorveu o clima veraneante das praias, particularmente audível nos arranjos de The Rains Of May. Aí idealizou fazer um álbum que fosse instrumental mais amplo e heterogéneo  que os antecessores, com novos instrumentos e diferentes efeitos, que a produção de Justin Meldal-Johnsen, um nome consagrado que já trabalhou com Beck e os Garbage, entre outros, ajudou, de forma preciosa, a salientar.

Assim, aparentemente presos a uma sonoridade vintage, que fez escola há umas três décadas, os The Raveonettes conseguiram dar vida ao que idealizaram, não abusando instrumentalmente, nem exagerando na forma como utilizaram o sintetizador e manipularam a própria voz, conseguindo assim um equilíbrio interessante entre a busca de uma toada lo fi expressiva e sintética e um som que não dispensa a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão. E a cereja no topo do bolo foi terem tido a capacidade de encontrar este ponto açucarado envolto numa pulsão rítmica, que nem as guitarras carregadas de fuzz e os teclados e as vozes processadas conseguem disfarçar e que os tiques de hip hop percetíveis nas batidas que constroem os alicerces de Kill e Killer In The Streets ajudam a realçar.

Este sétimo álbum da dupla pode significar uma mudança na direção sonora, uma abertura para um universo mais amplo ou, quem sabe, é apenas uma fotografia musical de um momento bem específico. É possível, porém, comprovar que os tempos recentes e difíceis experimentados por Sune e Sharin contribuíram para seu trabalho ganhar mais corpo e versatilidade. Pe'Ahi só não ultrapassa o teor adolescente pervertido da estreia, The Chain Gang Of Love, de 2003.

Apesar de os The Raveonettes nunca terem atingido uma performance de vendas espetacular, mantiveram-se fieis à sua bitola sonora, assente, quase sempre, numa vertente instrumental fortemente elétrica, densa mas melodiosa, uma percussão vincada e uma voz apaixonada, que nunca deixou de escrever letras fortemente reflexivas sobre algumas questões importantes da sociedade ociental contemporânea. Pe'ahi pode fazer-nos acreditar na ilusão de que há aqui uma inflexão sonora com reflexos no futuro discográfico da dupla e que uma vertente experimental cada vez mais vincada e versátil fará parte do cardápio sonoro que vier a seguir a este álbum. Suposições à parte, o que importa reter é que Pe'ahi é mais um exemplo concreto de que os The Raveonettes são uma daquelas bandas em quem se pode confiar verdadeiramente e que nunca defraudam, já que sabem como juntar com talento todas as peças do indie rock para formar um tratado sonoro cheio de sons modulados e camadas sonoras sintetizadas, com um inspirado clima espetral. Espero que aprecies a sugestão...

The Raveonettes - Pe'ahi

01. Endless Sleeper
02. Sisters
03. Killers In The Streets
04. Wake Me Up
05. Z-Boys
06. A Hell Below
07. The Rains Of May
08. Kill
09. When Night Is Almost Done
10. Summer Ends


autor stipe07 às 21:03
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