01. Barriers
02. Snowblind
03. It Starts And Ends With You
04. Sabotage
05. For The Strangers
06. Hit Me
07. Sometimes I Feel I’ll Float Away
08. What Are You Not Telling Me?
09. Always
10. Faultlines
Os Suede estão de regresso aos discos com Bloodsports, o sexto álbum desta banda de rock alternativo britânica. Bloodsports foi editado no passado mês de março, sendo o primeiro trabalho da banda depois de um hiato de uma década, já que sucede a A New Morning, álbum de 2002. Nesse ano os Suede sairam de circulação na ressaca do movimento brit pop que liderou o rock alternativo na década de noventa e numa altura em que eram as bandas do lado de lá do atlântico, lideradas pelos The Strokes e pelos Interpol, que começavam a dar cartaz no universo musical alternativo.

Grupo que teve e tem como maiores referências os Smiths e os Commotions, os Suede andaram sempre à procura da direção certa e dos melhores cruzamentos sonoros dentro da esfera brit pop. Curiosamente, quando a banda se formou em 1989, num anúncio de jornal era pedido um baterista e o ex Smiths Mike Joyce candidatou-se ao cargo, mas logo desistiu quando percebeu que a sua anterior banda seria uma das bitolas dos Suede e que ele próprio poderia tornar-se num óbice dentro de um projeto que queria estabelecer uma identidade própria apesar de não renegar influências.
Ao longo da carreira, os Suede acabaram por conseguir estabelecer uma sonoridade muito peculiar e sua, graças não só à postura de Brett Anderson, o carismático líder, mas também devido aos detalhes sofisticados e aos arranjos únicos do guitarrista Richard Oakes. Não houve propriamente uma coesão em termos de sonoridade já que a discografia dos Suede não é particularmente homogénea; O primeiro álbum homónimo, editado em 1993, era um disco mais rock e Dog Man Star (1994) já mostrava uma faceta da banda mais obscura e de sonoridades sofisticadas. O terceiro, Coming Up (1996) mostrou um lado pop e melódico da banda, sendo até hoje o disco dos Suede mais bem sucedido comercialmente. Depois do experimentalismo em excesso com Head Music (1999) a banda lançou A New Morning (2002), trabalho cheio de arranjos acústicos e que apesar da qualidade não chamou muito a atenção do grande público.
Pouco mais de dez anos depois a banda regressa, curiosamente numa fase em que o retro e os anos noventa voltam a estar na moda e os Suede deixam para os fãs a possibilidade de eles próprios concluirem se o grupo foi capaz de lançar canções de qualidade e finalmente estabelecer a tal identidade que tanto procuraram toda a carreira. A própria banda deixa pistas já que em entrevistas recentes Brett Anderson disse que Bloodsports combina o lado mais lírico de Coming Up com os elementos obscuros de Dog Man Star.
Embora isso pareça estranho, não posso deixar de concordar que é esse o clima que permeia grande parte das canções deste novo álbum. Bloodsports está impregnado com os tais arranjos envolventes e sofisticados e transporta uma sensibilidade melódica muito aprazível. Há vários arranjos e riffs inspirados como em Snowblind e Starts And Ends With You e a melódica For The Strangers mostra um competente trabalho do guitarrista Richard Oakes e um clima que os Suede sempre exploraram de forma criativa. O primeiro tema do álbum, Barriers, talvez seja um dos pontos mais fracos do disco, mas gostaria de destacar a soturna Sometimes I Feel I'll Float Away, uma canção com uma toada inicial atmosférica, mas que depois cresce para um registo muito aditivo e linear. Gostei também da grandiosa Hit Me, tema que intercala uma excelente interpretação de Anderson com um trabalho habilidoso da restante banda. Já a fúnebre Always traz sons modulados e camadas sonoras que lhe dão um clima espectral.
Se no início de carreira os Suede não sabiam muito bem para onde iriam, após tantos discos lançados parece-me que ainda não terão chegado a um consenso sobre isso e talvez resida aí a sua maior virtude. Espero que aprecies a sugestão...
Quem esteve atento à luta fraticida pelo domínio da brit pop durante a década de noventa, recorda-se imediatamente da dupla Blur vs Oasis e depois acrescenta-lhe os Suede e os Pulp, os The Charlatans e talvez os Supergrass, sem dúvida o grupo britânico mais negligenciado nessa altura.
Gaz Coombes, antigo líder desta banda britânica, acaba de estrear-se numa carreira a solo e em boa hora o fez; Here Come The Bombs, editado no passado dia vinte e um de maio pela Hot Fruit Recordings, produzido por Sam Williams e gravado no estúdio caseiro de Gaz em Oxford, é um disco extraordinário e para já, pelo menos para mim, um dos lançamentos essenciais em 2012.

Pessoalmente acho deprimente constatar que a brit pop morreu na medida em que ninguém mais lhe pegou com a mesma originalidade e grau de pureza com que várias bandas o fizeram na década de noventa. Mesmo quando sonoridades mais eletrónicas invadiram o espaço antes reservado às guitarras nesse cenário alternativo britânico, alguns souberam adaptar-se e, apresentando o caso concreto dos Blur, 13 e Think Tank foram a prova concreta, assim como o próprio projeto a solo de Graham Coxon. Radiohead, Spiritualized, Primal Scream e os próprios cometas The Verve, assumiram desde a sua génese um estilo particular que deixou e ainda sustenta marcas profundas na música popular britânica das últimas duas décadas e se os últimos discos de Graham e do projeto de Jason Pierce provam tal vitalidade, Here Come The Bombs, demonstra que se os Supergrass não sobreviveram à evolução e não se adaptaram, pelo menos Gaz Coombes não virou a cara à luta, absorveu as novas pinceladas mais eletrónicas e desprovido da responsabilidade coletiva que é fazer parte de uma banda onde há o dever de partilha artística, escreveu excelentes canções pintadas com um experimentalismo pop que merece toda a nossa atenção.
Here Come The Bombs é uma bomba e esta palavra quando é usada para adjetivar (neste caso um disco) e não para enumerar um objeto letal, pode qualificar um sucesso ou um fracasso. Dizer-se que determinado disco é uma bomba e ficar-se por aí, pode deixar o ouvinte na dúvida, sem perceber se é um conjunto de canções revolucionárias, únicas e que farão parte da história da música, ou uma súmula de várias canções que irão definitivamente cicatrizar a carreira de uma banda ou de um músico. Por isso, esclareço desde já que, quanto a mim, esta bomba com onze canções, está cheia de energia positiva e cativante e configura, coom já disse, um dos melhores lançamentos deste ano.
Here Come The Bombs tem momentos assombrosos que, por acaso já podiam ter sido detetados em Road To Rouen, umas primeira tentativa a solo de Gaz romper com a herança dos Supergrass mas que vendeu mal. Logo no início, Hot Fruit, um dos singles de Here Come The Bombs, é um hino épico, mas com um funk sexy que assentaria que nem uma luva em Hail To The Thief dos Radiohead. Universal Cinema e Sub-Divider são movidas por uma linha de baixo nervosa, enquanto White Noise é triste, bela e contemplativa. Todos estes temas não são canções pop de guitarra convencionais e cada canção parece ter uma surpresa diferente, fazendo com que o disco seja intrigante, sem deixar de ser acessível.
Here Come The Bombs é uma oferta compensadora e substancial, a banda sonora inicial de um artista cheio de criatividade, que teve a capacidade de se reinventar e voltar à boa forma e puxar-nos para o lado mais divertido do rock n'roll. Espero que aprecies a sugestão...
01. Bombs
02. Hot Fruit
03. Whore
04. Sub-Divider
05. Universal Cinema
06. Simulator
07. White Noise
08. Fanfare
09. Break The Silence
10. Daydream On A Street Corner
11. Sleeping Giant
Os Animal Kingdom são uma banda de indie rock de Londres formada por Richard Sauberlich (voz, guitarra e piano), Hamish Crombie (baixo) e Geoff Lea (bateria). Estes músicos juntaram-se em 2008 e estrearam-se nos discos no ano seguinte com Signs and Wonders, gravado em Seattle com o aclamado produtor Phil Ek (Fleet Foxes,The Shins). Chalk Stars e Tin Man, singles retirados desse disco colheram inúmeros elogios da crítica e fizeram com que a banda recebesse várias nomeações para prémios.
Agora, em 2012, estão de volta aos discos com The Looking Away, lançado oficialmente no dia oito de maio pelo selo Boombox/Mom+Pop, o sempre difícil segundo álbum, produzido por David Kosten, que já trabalhou com os Everything Everything e Bat for Lashes.

Não será por acaso que Arcade Fire, Coldplay, Radiohead, Grizzly Bear e Beck são as grandes influências declaradas dos Animal Kingdom e este cardápio se for bem espremido poderá resultar numa fornada do melhor que há no cenário indie e alternativo atual. Strange Attrractor, o primeiro single extraído de The Looking Away, consegue isso e ainda abranger alguns tiques da melhor brit pop, nomeadamente devido ao riff de guitarra e o refrão grandioso e viciante (It only comes in wave and then it goes away. Well it must be chemical, chemica, chemical).
O resto do disco está cheio de melodias cristalinas e refrões radiofónicos feitos com sintetizadores que adicionam elementos oitentistas e dançantes. Há pequenos hinos perdidos, como The Wave, Get Way With It e o tal single Strange Attractor. As duas canções que encerram The Looking Away, provam que este é um álbum bem pensado, em que cada letra dialoga entre si e cada melodia dá continuidade para a paisagem criada pela canção anterior.
Mas ainda faltava um diferencial que tire os Animal Kingdom da obscuridade e os destaque neste universo musical tão competitivo. The Looking Away ainda não é o disco definitivo da banda, mas cumpre bem o seu papel. Espero que aprecies a sugestão...
Os britânicos The Maccabees tiveram uma estreia auspiciosa em 2007 com Colour In It o disco de estreia, que além de ter vendido bem, conseguiu várias nomeações nas listas dos melhores álbuns daquele ano e com inúmeras críticas positivas. E depois de quase dois anos de hiato, chegou em 2009 a hora de prestar novamente contas perante a crítica e, principalmente perante os fãs, através do sempre difícil segundo álbum. Para que nada falhasse, apostaram em grande na produção e convidaram Markus Dravs, responsável pelo Neon Bible do Arcade Fire e o Homogenic da Björk e deram a conhecer nesse ano ao mundo Wall Of Arms. Esse disco era mais complexo e sombrio que o anterior, mas também conquistou a crítica e fez dos The Maccabees um dos grandes nomes da british rock da atualidade. Agora, no início de 2012, chegou finalmente o aguardado terceiro disco, intitulado Given To The Wild.

Given To The Wild é mais um passo na consolidação da maturidade dos The Maccabees, visto ser algo diferente dos dois trabalhos anteriores, que já tinham alguns pontos de divergência entre si. Given To The Wild é sofisticado, maduro e algo intrincado, mas no bom sentido, ou seja, carregado de detalhes sonoros até então desconhecidos na banda e que a balizam definitivamente no terreno nem sempre firme da dream pop. O disco acaba por surpreender pela elegância e carece de tempo para ser digerido e apreciado devidamente, até porque há algumas canções que não são imediatas. Portanto, se a banda saiu da sua habitual zona de conforto, compete também ao ouvinte estar predisposto a efetuar o mesmo percurso, já que a última coisa que o disco transparece é previsibilidade.
Este disco é muito mais do que um combinado de boas músicas; Há aqui sentimento, emoção, veracidade, beleza e nostalgia, experiência e firmeza, dentro daquilo que os The Maccabees definiram como o seu estilo sonoro. E tal firmeza suscita que se questione se não quiseram com este Given To The Wild exprimir o desejo de dar uma nova cara ao indie rock britânico.
O álbum é um trabalho com muitas dimensões e momentos marcantes e nele os The Maccabees deram um passo gigantesco na direção da originalidade e da busca pela singularidade. Devido a essa expansão musical e por dosearem na perfeição as suas canções, terão certamente direito a figurar, mais uma vez, em muitas listas dos melhores do ano. Espero que aprecies a sugestão...
01. Given To The Wild (Intro)
02. Child
03. Feel To Follow
04. Ayla
05. Glimmer
06. Forever I’ve Known
07. Heave
08. Pelican
09. Went Away
10. Go
11. Unknow
12. Slowly One
13. Grew Up At Midnight
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