Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014

Damon Albarn And The Heavy Seas – Live At The De De De Der

O melancólico, mas sempre genial, brilhante, inventivo e criativo Damon Albarn, personagem central da pop britânica das últimas duas décadas, regressou este ano aos discos em nome próprio e em grande estilo com Everyday Robots, um trabalho que viu a luz do dia a vinte e oito de abril e um belíssimo compêndio de doze canções produzidas por Richard Russell e lançadas por intermédio da Parlophone, que entraram diretamente para o top dos melhores discos de 2014 para este blogue.

A quinze e dezasseis de novembro últimos, Damon Albarn deu dois excelentes espetáculos no mítico Royal Albert Hall, em Londres, com a particularidade de terem sido gravados pelos técnicos dos estúdios de Abbey Road e terem ficado imediatamente disponíveis para venda após cada um dos concertos. Além dos The Heavy Seas, a banda que acompanha Albarn em estúdio e ao vivo, os concertos contaram com as participações especiais de Brian Eno, De La soul, Kano e Graham Coxon, seu parceiro nos Blur.

Escutar estes dois concertos permite-nos fazer uma visita guiada sobre toda a herança sonora essencial que Damon Albarn nos deixou, principalmente nas duas últiams décadas, num alinhamento que contém temas dos Gorillaz, dos The Good The Bad And The Queen, dos Blur, Mali Music e, obviamente, do seu projeto a solo, com destaque para o mais recente e acima citado Everyday Robots.

Falar de Damon Albarn como artista a solo e não abordar as experiências musicais do artista em projetos tão significativos como os Blur, os Gorillaz ou os The Good The Bad and The Queen é algo impossível e Live At The De De De Der transpira a tudo aquilo que Albarn idealizou e criou nestes projetos, com canções que vale bem a pena escutar num formato mais cru e orgânico, umas mias despidas e outras notavelmente enriquecidas e que, desse modo, ganham uma outra personalidade.

Albarn é, por excelência, um minimalista viciado pelos detalhes, uma contradição apenas aparente e que se torna ainda mais audível no modo como, ao vivo, este artista viciado em tecnologia, mas também apaixonado pela natureza orgânica de um enorme espetro de instrumentos e permanentemente inquieto e numa pesquisa constante sobre o modo como os pode tocar, transborda modernidade, juntamente com uma extraordinária sensação de proximidade com o público, a que não será também alheio o facto de ter-se feito sempre acompanhar por outros músicos extraordinários, mesmo nunca tendo deixado de ser o protagonista maior de todas as bandas e projetos que criou.

Impecavelmente produzido e conseguindo transpirsar todas aquelas boas sensações que distinguem um espetéculo ao vivo das versões de estúdio, Live At The De De De Der é absolutamente fundamental para quem quiser rever o cardápio de um músico que é, antes de tudo, um homem comum, às vezes também solitário e moderno. Em palco o coração traiçoeiro de Albarn converte-se num portento de sensibilidade e optimismo, a transbordar de um amor que o liberta definitivamente de algumas das amarras que filtrou ao longo do seu percurso musical e, sem deixar completamente de lado a melancolia que, como ele tão bem mostra, tem também um lado bom, diante de um público entusiasta e que o venera, empenha-se em mostrar-nos que a existência humana e tudo o que existe em nosso redor, por mais que esteja amarrada à ditadura da tecnologia, pode ser um veículo para o encontro do bem e da felicidade coletivas. Espero que aprecies a sugestão...

Damon Albarn And The Heavy Seas - Live At The De De De Der

CD 1
01. Spitting Out The Demons
02. Lonely Press Play
03. Everyday Robots
04. Tomorrow Comes Today
05. Slow Country
06. Kids With Guns
07. Three Changes
08. Bamako City
09. Sunset Coming On
10. Hostiles
11. Photographs (You Are Taking Now)
12. Kingdom Of Doom
13. You And Me
14. Hollow Ponds

CD 2
01. El Manana
02. Don’t Get Lost In Heaven
03. Out Of Time
04. All Your Life
05. End Of A Century
06. The Man Who Left Himself
07. Tender
08. Mr. Tembo
09. Feel Good
10. Clint Eastwood
11. Heavy Seas


autor stipe07 às 17:44
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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Noel Gallagher’s High Flying Birds – In The Heat Of The Moment

Noel Gallagher's High Flying Birds - In The Heat Of The Moment

O britânico Noel Gallagher e os High Flying Birds regressam aos discos em março de 2015 com Chasing Yesterday, atráves da Sour Mage Records e In The Heat Of The Moment é o primeiro single divulgado do trabalho, uma edição que conta com Do The Damage como lado b e que também já teve direito a video.

Conforme documenta esta canção, o caloroso e pujante indie rock britânico é a biblia sagrada por onde se orienta Noel Gallagher, ele que terá escrito algumas das páginas mais significativas dessas escrituras, não só nos Oasis, como noutros projetos em que se envolveu também como produtor. Confere...


autor stipe07 às 17:34
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Sábado, 30 de Agosto de 2014

Eastern Hollows – Eastern Hollows

Lançado pela etiqueta Club AC30, Eastern Hollows é o homónimo disco de estreia dos norte americanos Eastern Hollows, mais uma banda oriunda de Brooklyn, um dos bairros mais efervescentes de Nova Iorque. Formados por Travis deVries (voz, guitarra, percurssão), Martin Glazier (voz, guitarra), Sean Gibbons (guitarra), Brian Brennan (baixo) e Jeremy Sampson (bateria, percurssão), os Eastern Hollows apontam sonoramente para as influências nostálgicas dos anos noventa e apresentam na estreia um álbum bem interessante, com dez canções de nível semelhante, que vão do rock progressivo ao fuzz, passando pela britpop.

Grandes admiradores dos The Stone Roses, este quinteto não esconde as suas influências e o próprio registo vocal de Travis DeVries recorda-nos Ian Brown. Logo em Space Spirits, o tema de abertura, percebe-se que há, na conjugação do baixo com a voz em eco e com a melodia da guitarra, um cariz lo fi profundamente nostálgico e que o conjunto criado assenta numa espécie de mistura da psicadelia típica dos anos sessenta com a britpop mais contemporânea. A percussão acelerada de The Way That You've Gone e uma guitarra adornada com leves pitadas de shoegaze e pós rock, dá vida a um turbilhão encorpado e calcado num som garageiro e psicadélico e que evoca grandes épocas do rock n’roll.

As guitarras são, portanto, o elemento catalizador e unificador das canções, mas não o único destaque; Temas como Days Ahead ou Summer's Dead também usam as tradicionais linhas de baixo para amplificar a sonoridade climática da obra. E noutros temas a fórmula replica-se e soma-se sempre às guitarras, ao baixo e aos sintetizadores, que debitam uma constante carga de ruídos pensados de forma cuidada, como um imenso curto circuito que passeia por Eastern Hollows.

De certa forma e à semelhança de outros projetos apresentados por cá ultimamente, os Eastern Hollows seguem pisadas vintage, mas buscam, em simultâneo e sem falsos pudores, uma sonoridade também comercial, mesmo quando mergulhada num oceano de ruídos, ou com um certo toque de psicadelia. Deste modo, acabam por atestar a vitalidade atual do lo fi e do reencontro com sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, através de uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop. Este é mais um disco em que tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver a obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação e asseguro-vos que em Eastern Hollows ainda é possível encontrar novidade dentro de um som já dissecado de inúmeras formas.

Considero já estes Eastern Hollows como uma das bandas americanas mais inglesas do momento, até porque além de terem conseguido encontrar um equilíbrio muito interessante entre os principais universos sonoros que os orientam, a audição do disco leva-nos a sentir desde logo um forte sentimento de nostalgia. Ao mesmo tempo que seguram com vigor as amarras do passado, a forma como abordam as influências, nomeadamente através das guitarras, faz-nos perceber que há aqui algo de genuíno e de forte cariz identitário, difícil de ouvir noutro projeto. Espero que aprecies a sugestão...

Eastern Hollows - Eastern Hollows

01. Space Spirits
02. The Way That You’ve Gone
03. Days Ahead
04. Still Smile
05. Mickey Galaxy
06. Summer’s Dead
07. Northern Lad
08. I Have the Past
09. Somewhere In My World
10. One Less Heart

 


autor stipe07 às 14:36
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2014

Menace Beach - Tennis Court

Menace Beach

Oriunda de Leeds, a dupla britânica Menace Beach causou sensação no início deste ano com o lançamento de Lowtalker, um EP impregnado com um indie pop cheio de guitarras plenas de fuzz e com alguns dos tiques habituais da chamada britpop.

No próximo dia um de setembro vão lançar em formato single, o tema homónimo desse EP, com Tennis Court no lado b da edição em vinil, através da Memphis Industries. Confere...


autor stipe07 às 10:25
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Domingo, 1 de Junho de 2014

Customs – The Market

Oriundos da Bélgica, os Customs são uma banda de rock alternativo formada por Kristof Uittebroek, Joan Govaerts, Jelle Janse e Yannick De Clerck. The Market é o registo mais recente do grupo, um disco lançado no passado dia trinta e um de janeiro por intermédio da How Is Denmark Records / Warner Music Belgium.


A banda sonora criada pelos Customs encontra raízes no velhinho rock n'roll feito sem grandes segredos, carregado de decibéis e criado por um catálogo grandioso de guitarras distorcidas, mas onde não faltam alguns detalhes sintéticos e batidas com um groove insinuante, um cozinhado que sabe a algo condimentado com um cardápio de sons catalogados algures entre os Joy Division e os LCD Soundsystem.

Desse modo, os Customs parecem viver num momento em que a ânsia, a rispidez e a pura e simples crueza norteiam o produto final criado no sue seio, mas não deixam para um plano menor um interessante cuidado na produção e nos arranjos, principalmente nas cordas e por uma utilização geralmente assertiva do sintetizador. Temas como Hole in The Market e Are You With Me? plasmam um superior cuidado não só na procura de uma maior diversidade melódica e até instrumental, mas também na demonstração de um elevado controle das operações, estado sempre presente aquele habitual universo cinzento e nublado, que parece cobrir a mente criativa de Kristof Uittebroek, o principal cérebro dos Customs.

Essa Hole In The Market, um dos singles de The Market e disponivel para download, é um exemplo claro de uma tentativa feliz e bem sucedida deste coletivo belga em olhar para o outro lado do Canal da Mancha e procurar agarrar a herança do punk rock britânico e dar-lhe um cariz mais festivo e luminoso, mas também com forte pendor pop. The Market é marcante, elétrico e explosivo, uma coleção madura e consistente de canções que cairão no goto de todos aqueles que apreciam quer o género, quer o estilo. Espero que aprecies a sugestão...

Customs - The Market

01. Love To The Lens
02. Hole In The Market
03. The Hand
04. Dear Ann (Worthless On The Market)
05. Are You With Me?
06. Love, You Don’t Scare Me Any More
07. She Is My Mechanic
08. It’s Funny ’cause It’s True
09. Gimme Entertainment
10. A Sea Of Chablis


autor stipe07 às 22:58
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Segunda-feira, 20 de Janeiro de 2014

Damon Albarn - Everyday Robots

Damon Albarn anunciou ontem que será a vinte e oito de abril que chegará aos escaparates Everyday Robots, o seu tão aguardado disco a solo, que será produzido por Richard Russel, o dono da XL Recordings. Albarn e Russel já tinham trabalhado anteriormente juntos, por exemplo, no álbum de regresso de Bobby Womack, The Bravest Man in the Universe(2012), ou em Kinshasa One Two, que resultou de uma viagem ao Congo de vários músicos e produtores do Ocidente.

Everyday Robots irá contar com as participações especiais dos também britânicos Brian Eno e de Natasha Khan (Bat For Lashes). Na página oficial do Facebook, o músico revelou que este é um disco profundamente auto biográfico e que procura explorar a relação entre a natureza e a tecnologia, algo muito evidente no video entretanto revelado do single homónimo. Confere... 


autor stipe07 às 20:37
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Quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

The Flaming Lips And Friends – The Time Has Come To Shoot You Down… What A Sound

E começamos 2014 conforme terminámos 2013, ou seja, com os The Flaming Lips, que realmente não param de nos surpreender. Conforme referi ontem, há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo lançamento reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto.

Revisitar e transformar alguns álbuns de bandas que eles admiram faz também parte do processo de criação sonora deste grupo de Oklahoma, conforme fizeram em dezembro de 2009 com o projeto The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches Doing The Dark Side of the Moon, na altura o décimo terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana e que revisitou a totalidade do alinhamento do clássico dos Pink Floyd, acompanhados dos Stardeath and White Dwarfs e também por Henry Rollins e as Peaches.

Agora lançaram-se aos Stone Roses, novamente acompanhados pelos Stardeath and White Dwarfs e também pelos HOTT MT, os New Fumes And Def Rain, os Peaking Lights e Jonathan Rado, entre outros, para darem um novo colorido às canções do disco de estreia da banda de Manchester, liderada pelo inimitável Ian Brown, editado em 1989. The Time Has Come To Shoot You Down... What A Sound teve uma edição limitada a quinhentos exemplares em vinil, lançada no passado dia 30 dezembro e, à semelhança do que sucedeu com o EP Peace Sword, é uma edição especial da Record Store Day - Black Friday, via Warner Brothers. Confere...

The Flaming Lips And Friends - The Time Has Come To Shoot You Down… What A Sound

01. I Wanna Be Adored (HOTT MT And Stardeath And White Dwarfs)
02. She Bangs The Drums (The Flaming Lips, Poliça And New Fumes)
03. Waterfall (Blobs Descending From Heaven, HOTT MT And Stardeath And White Dwarfs)
04. Don’t Stop (Stardeath And White Dwarfs)
05. Bye Bye Badman (New Fumes And Def Rain)
06. Elizabeth My Dear (The Flaming Lips And New Fumes)
07. (Song For My) Sugar Spun Sister (HOTT MT)
08. Made Of Stone (Stardeath And White Dwarfs And The Flaming Lips)
09. Shoot You Down (Peaking Lights)
10. This Is The One (Depth And Current, Jonathan Rado And The Flaming Lips)
11. I Am The Resurrection (New Fumes)
12. Fools Gold (Spaceface)

 


autor stipe07 às 21:46
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Quarta-feira, 30 de Outubro de 2013

Cosmo - Cosmo EP

Lançado no passado dia vinte e cinco de setembro, Cosmo é o EP homónimo de estreia do projeto a solo de Felix White com o mesmo nome, guitarrista dos The Maccabees. Este EP conta com algumas participações especiais, nomeadamente Florence Welch, Hugo White, irmão de Felix, Adam Day dos Lyrebirds, Jassie Ware e Jack Peñate! O EP foi gravado no estúdio dos Maccabees no sul de Londres e os videos das canções podem ser vistos no site do projeto.

O EP tem sete canções, com especial destaque para Midnight, a canção que conta com Florence Welsh na voz, um tema algo confuso ao início mas que depois evolui em múltiplas sobreposições de sons e arranjos variados. A música é, no mínimo, diferente das habituais propostas indie rock britânicas. Mas Yalla também merece uma audição atenta, um tema que teve direito a um excelente video. A propósito da conceção deste EP, de como ele surgiu e da forma como todo o processo de desenrolou, declarou Felix ao NME:

I sent some stuff to Jack as he was interested in hearing it, and then he phoned me on the bus and said 'I think I have got a song for one of them', came round and it just happened in half an hour. That’s when it started becoming… music, rather than just random bits. Just after that happened, we went on tour with Florence. I had 'Yalla' and we were all hanging out and she said 'Oh, I like that one, I've got a song for that as well'. All the music was finished and then the vocals were done after with the people who wrote them. I co-wrote some of them, but it ended up being a total collaboration.
Espero que aprecies a sugestão...

Cosmo - Cosmo

01. Neon Citied Sea
02. Yalla
03. Interlude
04. Swarm
05. Midnight
06. Measurement Of Moving On
07. Neon Citied Sea (Outro)


autor stipe07 às 22:44
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Quinta-feira, 17 de Outubro de 2013

Exit Calm - The Future Isn't What It Used To Be

Depois de um disco de estreia que passou um pouco despercebido, editado em 2010 e que lançou algumas nuvens sombrias sobre a banda e uma enorme indefinição quanto ao futuro da mesma, parece que os britânicos Exit Calm, liderados por Nicky Smith, querem finalmente conquistar o seu lugar ao sol no cenário indie rock alternativo e psicadélico com The Future Isn't What It Used To Be, o segundo disco, que chegou às lojas a vinte e três de setembro, por intermédio da Club AC30. The Rapture e Fiction, dois dos singles já divulgados, provam que os Exit Calm irão certamente querer preencher uma importante lacuna no cenário indie britânico surgida após o fim dos The Verve e o ocaso dos Manic Street Preachers e que será justo conseguirem finalmente a visibilidade que tanto ambicionam.

Naturais do Yorkshire, os Exit Calm são um quarteto que muito cedo, após algumas demos apenas, captaram a atenção de nomes tão importantes como Liam Gallagher ou Nick McCabe (The Verve). Vitimas da circunstância de estarem no sítio certo (Inglaterra), mas no momento errado (no período de ocaso do indie rock no país de sua majestade), deram a conhecer um disco de estreia que não preencheu as elevadas expetativas de quem já tinha tomado a devida atenção a este grupo que tanto prometia e pouco provou nesse trabalho. No entanto, a banda não desistiu e, três anos depois, com outra mentalidade e frescura e já um pouco esquecidos por uma media sempre ávida de encontrar a the next big thing, apresentam The Future Isn't What It Used To Be, um grito de revolta, bem mais maduro, sofisticado e agradável que o trabalho homónimo de estreia.

Ouve-se The Rapture e rapidamente somos conquistados pela altivez melódica e pelo forte cariz etéreo e orquestral de uma canção muito bem produzida por Rob McVey, com uma guitarra tocada impecavelmente por Rob Marshall e apontada para ambientes de estádio, talvez o mais perto que os Oasis conseguiriam chegar dos U2, caso tivessem alguma vez essa pretensão. E dessa forma está dado o mote para o restante conteúdo de um conjunto de nove canções, cantadas por um Nicky que às vezes faz recordar a postura vocal de Ian Brown (Stone Roses)), temas que evocam quer o indie rock psicadélico norte americano de cariz mais sombrio dos últimos vinte anos, quer a britrock dos anos noventa.

Albion é uma canção que faz essa ponte entre os dos continentes e outro destaque do álbum é When They Rise, um tema melodicamente bastante épico e onde o baixo e a voz se destacam, algures entre Placebo e Interpol. Essa canção e Holy War constituem o núcelo duro de The Future Isn't What It Used To Be e fazem com que o disco tenha a componente comercial que, pelos vistos, os Exit Calm querem resgatar para a sua banda, ainda não satisfeitos por serem já considerados, atualmente, um dos melhores grupos ao vivo do seu país natal.

Em suma, The Future Isn't What It Used To Be junta uma interessante elegância melódica e instrumental com as bases fundamentais da pop e do indie rock que agrada às massas, com o firme propósito de colocar os Exit Calm no olho do furacão do cenário indie comercial internacional. É um disco pensado ao detalhe, feito para atrair multidões e talvez uma cartada decisiva para uma banda que não se contenta com pouco e que ou será rapidamente esquecida, ou ficará por cá vários anos a vender milhares de álbuns e a encher estádios e arenas, um pouco por esse mundo fora. Espero que aprecies a sugestão...

Exit Calm - The Future Isn't What It Used To Be

01. The Rapture
02. Albion
03. Fiction
04. When They Rise
05. Higher Bound
06. Holy War
07. Promise
08. Glass Houses
09. Open Your Sky


autor stipe07 às 22:17
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Sábado, 27 de Julho de 2013

Hills Like Elephants – Feral Flocks

Lançado a vinte e três de março, Feral Flocks é o novo disco dos Hills Like Elephants e o sucessor de The Endless Charade, de 2012. Naturais de São Diego, os Hills Like Elephants são Sean Davenport (voz e teclas), Daniel Gallo (baixo), Andrew Armerding (guitarra), Juan Carlos Ortiz (bateria) e Greg Theilmann Key (teclas e guitarra). Feral Flocks foi produzido por Christopher Hoffee nos estúdios Chaos Recorders.


Da Califórnia continuam a surgir vários projetos que refrescam sonoridades antigas, com arranjos contemporâneos e uma visão mais atual do que de melhor se vai escutando no universo indie e alternativo. Os Hills Like Elephants são mais uma daquelas bandas fortemente influenciadas pelo sol da costa oeste, mas que, tendo em conta essa aposta vintage de cara lavada, em vez de virarem agulhas para sonoridades mais perto da surf music, vão antes bater  porta das pistas de dança, neste caso do glam rock misturado com a indie rock e a pop eletrónica, que teve em David Bowie um dos expoentes máximos e nos LCD Soundsystem de James Murphy fiéis seguidores. Estas são algumas das influências bastante presentes nesta banda e Feral Flocks, de acordo com alguma crítica que li, é um passo em frente relativamente à estreia, uma espécie de Motown with Drum machines, nas palavras de Sean Davenport, o líder do projeto.

Não é fácil levar a sério um grupo que tem em Ninjavitus como título do single de apresentação de um disco, mas a verdade é que este tema de abertura de Feral Flocks acaba por ser o grande destaque do disco e uma excelente apresentação do seu conteúdo sonoro. Para o mesmo efeito juntaria também Origami Lions, outra canção que sobressai. As dez canções do trabalho são animadas e constroem uma sequência sonora divertida, ligeira e agradável de ouvir, que cai sempre bem nestes dias mais quentes e solarengos. O próprio Sean Davenport afirmou recentemente que houve um declarado propósito na concepção de Feral Flocks de fazer um disco simples e directo (I’m not trying to be profound. If I wouldn’t say it to you at a bar, I won’t say it lyrically).

A audição do disco não renega as influncias que já referi e Feral Flocks acaba por ser um quadro sonoro pintado com as ideias atitudes e estilos dos anos setenta e oitenta, mas com a tal contemporaneidade instrumental. As melodias aditivas e as letras orelhudas, cantadas por uma voz várias vezes em falsete e modulada, que facilmente acompanhamos e que quase nos convidam a isso, juntamente com os samples, as batidas típicas de um disco sound lo fi, fazem deste álbum um bom exemplo de como frequentemente, na música, as fórmulas mais simples são as que melhores resultados criam.

Não haverá nos Estados Unidos muitas bandas com uma sonoridade parecida com estes Hills Like Elephants e que misturem com tamanha habilidade certos aspetos da brit pop mais antiga com detalhes eletrónicos e a soul, universos sonoros à partida pouco permeáveis. Mas a verdade é que este coletivo faz essa simbiose com uma apreciável mestria. Espero que aprecies a sugestão...

01. Ninjavitus
02. Splendor
03. Foreign Films
04. Mystifying Oracle
05. Luxury
06. Start A War
07. Origami Lions
08. Conversation Piece
09. Empty Auditoriums
10. Haunting Press


autor stipe07 às 10:52
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