Segunda-feira, 2 de Outubro de 2017

Time For T - Hoping Something Anything

Gravado ao longo do ano de 2016 nos Spitfire Audio Studios em Londres, produzido pela própria banda e masterizado por JJ Golden (Rodrigo Amarante, Devendra Banhart, Vetiver) em Ventura, California, Hoping Something Anything é o novo registo de originais dos Time for T de Tiago Saga. Refiro-me a um projeto nacional mas com raízes em Inglaterra, mais concretamente em Brighton, por este jovem com genes britânicos, libaneses e espanhóis que cresceu no Algarve. Enquanto estudava composição contemporânea na Universidade de Sussex, Inglaterra, Tiago Saga foi criando a sua própria sonoridade assente na world music e na folk rock anglo-saxónica com outros músicos que foi conhecendo e com quem foi partilhando as mesmas inspirações, nomeadamente Joshua Taylor (baixo), Martyn Lillyman (bateria), Oliver Weder (teclas), os seus parceiros nestes Time For T. Andrew Stuart-Buttle (violino), Harry Haynes (guitarra eléctrica) e Louis Pavlo (teclas) foram outros convidados especiais de um disco que viu a luz do dia a quinze de Setembro último, à boleia da Last Train Records, editora que os Time For T têm em parceria com a banda amiga de Brighton, os Common Tongues.

Resultado de imagem para time for t

Banda eclética no modo como abraça diferentes influências e sonoridades, os Time For T tanto deambulam pela folk como pelo rock psicadélico e nesse balanço, lá pelo meio, tanto piscam o olho à tropicália, como é o caso das batidas e dos arranjos de Ronda, como ao próprio jazz, exuberante nos sopros e nas teclas de Back to School, indo também até ao blues experimental em India, aquele rock mais impulsivo e cru, audível em Rescue Plane e ao mais boémio que procura ser melodicamente acessível, sem deixar de exalar profundidade lírica, um ideário concetual que a divertida Wax plasma na perfeição.

Este é, portanto, um compêndio de catorze canções ecléticas, com metade delas compostas logo desde o lançamento do ep homónimo do grupo em janeiro de 2015 e a outra metade inspiradas pela viagem de Tiago Saga à India no início de 2016. Mas, independentemente deste balizar temporal, cada uma delas tem vincada a sua própria identidade, estando todas de certo modo livres daquelas amarras que uma produção demasiado cuidada e límpida muitas vezes causa. Como o disco foi produzido pelos próprios Time For T, os temas acabam por soar aquele charme genuíno que os registos mais orgânicos quase sempre possuem. Ao vivo as versões dos temas não deverão diferir muito, nomeadamente em termos de arranjos e esse é, claramente, outro grande atributo deste Hoping Something Anything, um disco para ser escutado e saboreado num final de tarde relaxante e, de preferência, solarengo, juntamente com um bom chá,quente ou frio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:29
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Sábado, 20 de Fevereiro de 2016

Bat For Lashes - I Do

 

A ternurenta simplicidade de I Do é o primeiro tema divulgado por Natasha Khan de Til Death Do Us Apart, o próximo registo de originais do projeto Bat For Lashes, que esta artista, cantora e compositora britânica, oriunda de Brighton, lidera, com notável bom gosto, há praticamente uma década.

Este novo álbum de Bat For Lashes deverá ver a luz do dia a um de julho e um lindíssimo para de sapatos vermelho, publicado na página de Facebook da autora, juntamente com um convite de casamento, deverá ser a capa de uma nova coleção de canções que já é aguardada por cá com enorme expetativa. Confere...

Bat For Lashes - I Do


autor stipe07 às 14:19
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Sábado, 4 de Julho de 2015

Grasscut - Everyone Was A Bird

​Oriundos de Brighton, os britânicos Grasscut são uma dupla formada por Andrew Phillips e Marcus O’Dair e estão de regresso aos discos com Everyone Was A Bird, o terceiro tomo da carreira do projeto, editado através da Lo Recordings. Se coube essencialmente a Phillips escrever, cantar, produzir e tocar piano, guitarra, baixo, sintetizador, Everyone Was A Bird acabou por ser o trabalho da dupla onde Marcus teve, até agora, um papel mais ativo, já que também toca piano e baixo na maior parte das canções.

Fortemente cinematográficos e imersivos, submergidos num mundo quase subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenharam, pelo menos na imaginação, para criar estas oito nove músicas que acresecentam ao seu já notável cardápio, os Grasscut impressionam pela orgânica e pelo forte cariz sensorial das suas canções. Os feitos que borbulham de Islander, canção inspirada numa zona chamada Jersey onde Phillips cresceu e o mapa conciso que o tema cria do espaço escuro e fundo onde este disco foi criado, subsistem à custa de uma mistura feliz entre a eletrónica mais introspetiva e minimal e alguns dos mais preciosos detalhes do post rock, onde não faltam belíssimos violinos, particulamrnte ativos também em Radar. Depois, as teclas do piano, um baixo sempre vibrante e lindísiimas letras, algumas delas inspiradas na obra de Robert Macfarlane, autor do clássico Landmarks, Mountains of the Mind, The Wild Places and The Old Ways, são outros elementos sonoros do álbum que o emblezam particularmente.

Everyone Was A Bird fala do passado dos antepassados desta dupla, é uma busca muito particular das origens e da identidade de ambos, enquanto procuram replicar sonoramente as paisagens naturais onde habitaram os seus antecessores; Escutam-se os sons naturais de Curlews, o piano vintage que conduz a melodia e o registo vocal em coro num assombroso registo em falsete, para pintarmos sem grande dificuldade na nossa mente a tela paisagistíca que inspirou os Grasscut, onde não faltam ribeiros cheios de vida, manhãs dominadas pelo nevoeiro e um frio intenso e revigorante e uma fauna muito particular, com a curiosidade de, num patamar inferior, suportando este quadro idílico, estar o tal universo submerso, escuro e entalhado qase no ventre da terra mãe, expirando por um buraco cravado no solo poeirento toda esta vida feita música, que tanto pode estar ainda em Jersey, como já no estuário de Mawddach, no País de Gales, região de origem da família de Philips e onde a maioria da mesma ainda reside, ou a própria Brighton, que inspirou o conteúdo particularmente profundo e emotivo da balada Snowdown, cantada por Elisabeth Nygård e da pensativa e reflexiva, mas também épica The Field.

O momento mais emocionante, extorvertido e grandioso de Everyone Was A Bird acaba por ser o final com Red Kite, tema onde os Grasscut parecem já querer projetar-se para uma dimensão superior,  numa canção cheia de detalhes e sons fortemente apelativos e luminosos, aprofundando a relação intensa que existe neste disco entre música e uma componente mais visual, ao que não será alheio o trabalho de Phillips como criador de bandas sonoras, sendo bom exemplo a sua participação, por intermédio de outro quarteto de que faz parte, no aclamado documentário Piper Alpha: Fire In The Night, que relata os trágicos acontecientos ocorridos no Mar do Norte em Julho de 1988, quando um incêndio numa plataforma petrolífera tirou a vida a cento e sessenta e sete trabalhadores e a elaboração de uma série de filmes de paisagens naturais, da autoria de Roger Hyams e do fotógrafo Pedr Browne, para acompanahrem cada um dos oito temas de Everyone Was A Bird, nomeadamente quando forem tocados ao vivo, sendo projetados durante os concertos dos Grasscut.

Com as participações especiais nas vozes da já referida Elisabeth Nygård, de Adrian Crowley e de Seamus Fogarty e de Aram Zarikian na bateria, Emma Smith e Vince Sipprell nas cordas, Everyone Was A Bird é uma arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande melodia linda e inquietante, que nos faz imaginar a beleza daquelas ilhas sem grande esforço e quem se deixar contagiar pela melancolia destes Grasscut será transportado rapidamente para o gélido norte das ilhas britânicas, talvez acompanhado por uma xícara bem quente de chá. Espero que aprecies a sugestão...

Grasscut - Everyone Was A Bird

01. Islander
02. Radar
03. Curlews
04. Fallswater
05. Halflife
06. Snowdown
07. The Field
08. Red Kite


autor stipe07 às 18:35
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Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2015

Archive – Restriction

Os Archive, um colectivo britânico formado em 1994 por Darius Keeler e Danny Griffiths, estão de regresso aos discos no início de 2015, através da PIAS Recordings, com Restriction, o sucessor de With Us Until You're Dead (2012) e Axiom (2014) e décimo álbum de estúdio de um projeto responsável por alguns dos mais marcantes discos do panorama alternativo dos últimos vinte anos, com destaque para o Londinium de 1996 e Noise de 2004.

Nestas duas décadas os Archive tornaram-se talvez no nome maior da vertente mais sombria e dramática do trip hop. Este Restriction foi produzido por Jerome Devoise, um colaborador de longa data da banda e se With Us Until You're Dead e Axiom trilhavam caminhos que iam da electrónica à soul, passando pela pop de câmara, agora os Archive colocaram as guitarras na linha da frente, ampliaram o volume das distorções e, mesmo sendo um disco que vive essencialmente da eletrónica e dos ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, que a mesma pode criar, foi acrescentada uma toada mais orgânica, ruidosa e visceral. É deste cruzamento espectral e meditativo que Restriction vive, com doze canções algo complexas, mas bastante assertivas.

Feel It, um dos singles do álbum e Restriction, o tema homónimo, abrem o disco e surpreendem pelo modo como as guitarras, o baixo e a bateria seguem a sua dinâmica natural, mesmo tendo a companhia sempre atenta do sintetizador, que não deixa de rivalizar com o conjunto, mas sem nunca ofuscar o protagonismo da tríade, que conduz os temas para uma faceta mais negra e obscura, tipicamente rock, esculpindo-os com cordas ligas à eletricidade, ao mesmo tempo que a banda exibe uma consciente e natural sapiência melódica.

Kid Corner, outro single já lançado do disco, segue a toada inicial, mas a replicar um certo travo industrial, que a belíssima voz de Holly Martin aprofunda, com uma carga ambiental assinalável, bem patente no modo como as guitarras e a voz se enquadram com a grave batida sintética e repleta de efeitos maquinais. End Of Our Days vem quebrar esse ímpeto inicial, uma canção que nos agarra pelos colarinhos sem dó nem piedade e que nos suga para um universo pop feito com uma sonoridade preciosa, bela, silenciosa e estranha, que se repete um pouco adiante, em Black And Blue, um registo quase à capella, onde esta mesma voz é acompanhada por um orgão e um efeito de uma guitarra que nos afoga numa hipnótica nuvem de melancolia.

Esta lindíssima viagem às pastosas aguas turvas em que mergulha a eletrónica dos Archive ganha contornos de excelência em Third Quarter Storm, um mundo de paz e tranquilidade que nos embala e acolhe de modo reconfortante, proporcionando uma sensação de bem-estar e tranquilidade que nem um potente efeito sintetizado desfaz. O tema faz-nos descolar ao encontro da soul do piano de Half Built Houses, uma canção cheia de imagens evocativas sobre o mundo moderno e encarna o momento alto do trabalho de produção feito em Restriction e o já habitual modo como os Archive conseguem dar vida a belíssimas letras entrelaçadas com deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos.

A escrita deste grupo britânico carrega uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria, mas onde geralmente nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais e a conjugação entre exuberância e minimalismo prova a sensibilidade dos Archive para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana.

Restriction avança, sem dó nem piedade, com as músicas quase sempre interligadas entre si e em Ride In Squares somos novamente confrontados com um excelente trip hop, de contornos algo sombrios e sinistros, mas bem vincados, feitos com camadas de efeitos sintéticos em cima de uma batida potente e certeira, numa espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas, impregnadas com uma melodia bastante virtuosa e cheia de cor e arrumada com arranjos meticulosos e lúcidos.

Até final, se é o típico trip hop ácido e nebuloso que conduz Crushed, que, já agora, é manietado por efeitos robóticos carregados de poeira e por teclados atiçados com efeitos metálicos e um subtil efeito de guitarra, já em Ladders Ruination é o rock progressivo feito com uma bateia e um baixo vibrantes e guitarras carregadas de distorção que domina, em oposição ao minimalismo contagiante que paira delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante, em Greater Goodbye, uma canção que depois evolui de forma magistral devido ao piano e à batida sintetizada.

Restriction é um álbum tão rico que permite várias abordagens, sendo complexo definir uma faceta sonora dominante, tal é a míriade de estilos e géneros que suscita. É um tratado de fusão entre indie rock, electrónica e outros elementos progressivos, que piscam o olho ao jazz, ao hip-hop e à soul, com pontes brilhantes entre si e com momentos de maior intensidade e outros mais intimistas, levando-nos, dessa forma, ao encontro de emoções fortes e explosivas, de modo honesto e coerente. Os Archive sempre seguiram uma linha sonora complexa e nunca recearam abarcar variados estilos e tendências musicais, mantendo sempre uma certa integridade em relação ao ambiente sonoro geral que os carateriza. Restriction tem alma e paixão, é fruto de intenso trabalho e consegue ter canções perfeitas, com vozes carregadas de intriga e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...

Archive - Restriction

01. Feel It
02. Restriction
03. Kid Corner
04. End Of Our Days
05. Third Quarter Storm
06. Half Built Houses
07. Ride In Squares
08. Ruination
09. Crushed
10. Black And Blue
11. Greater Goodbye
12. Ladders


autor stipe07 às 22:16
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2015

The Go! Team - The Scene Between

 

The Go! Team - The Scene Between

Os britânicos The Go! Team acabam de anunciar o lançamento de um novo disco, o sucessor de Rolling Blackouts (2011), já para próximo o mês de março, através do selo Memphis Industries.

A primeira amostra do registo é The Scene Between, o tema homónimo, um instante de pop lo-fi colorido, repleto de influências orelhudas e suficientemente cativante, em termos melódicos, para nos deixar ansiosos pela audição do restante conteúdo.

Ian Parton, o líder da banda, assumiu as rédeas do processo de composição e produção de The Scene Between e parece querer trazer os The Go! Team de volta aos bons velhos tempos. Confere...


autor stipe07 às 18:38
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Quarta-feira, 12 de Novembro de 2014

Michael A Grammar - Michael A Grammar

Inicialmente formados por Frankie Mockett e Joel Sayers, uma dupla de amigos de infância que cresceu a ouvir discos dos Radiohead e dos Joy Division, os Michael A Grammar aumentaram o número de elementos da banda e Clémentine Blue e John Davies passaram, entretanto, também a fazer parte do alinhamento do projeto. Este grupo britânico de Brighton, surpreendeu no início do ano com o EP Random Vision e agora chegou finalmente o primeiro longa duração, um espetacular trabalho homónimo, editado através da Melodic Records.

Com algumas histórias estranhas e acontecimentos bizarros a marcar a atualidade da banda, já que um dos membros esteve quase a ser deportado para o país africano de origem e o disco tinha sido dado como perdido quando desapareceu o computador onde estava alojado, os Michael A Grammar lá conseguiram fazer com que estas canções vissem a luz do dia e com elas cerca de uma hora de música magnífica, distribuída por doze temas que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical, com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito.

Gravado em Manchester e produzido pela própria banda, com Frank a tratar do processo de mistura e Joel, Daniel e John a opinarem frequentemente, Michael A Grammar é um trabalho subtil e melodicamente atrativo, já que aposta num som espacial, experimental, psicadélico, barulhento e melódico, que deambula pela pop mais requintada e o rock progressivo cheio de distorções inebriantes, feitas com pedais carregados de reverb e arranjos captados com microfones que foram espalhados pelo estúdio e gravaram alguns sons estranhos, que temas com The Way You Move claramente mostram. Existiu, sem dúvida, um aturado trabalho de produção, nenhum detalhe foi deixado ao acaso e houve sempre a intenção de dar um sentido épico e grandioso às canções, arriscando-se o máximo até à fronteira entre o indie mais comercial e o teste de outras sonoridades, uma receita levada à prática com o firme propósito de criar ambientes sonoros amplos, luminosos e onde a banda projeta inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção.

Olhando para o alinhamento de Michael A Grammar, ouve-se canções fáceis e ao mesmo tempo complexas, mas existiu sempre um enquandramento sequencial como se o disco funcionasse como um todo, já que há uma constância dinâmica relativamente ao som que preenche o trabalho. No entanto, isso não impede que existam pontos divergentes entre algumas canções; Se a bateria, o baixo e a voz sintetizada de Suzanna dão à canção um groove peculiar e depois de receber a distorção da guiatrra ela ganha aquela toada que procura uma revisão da psicadelia quando busca pontos de encontro com o rock clássico, já em Upstairs Downstairs percebe-se que o red line nas guitarras é um detalhe importante e que essa opção alinhada com uma percurssão vibrante, é decisiva na demanda pelo verdadeiro som épico, luminoso e expansivo que só o indie rock de cariz mais progressivo consegue replicar e que o longo festim sonoro que é The Way You Move claramente reforça. Se Nature's Child e You Make Me são exemplos clássicos de como o indie rock clássico pode ser hoje animado e dançável e se All Night Afloat e Mondays têm uma especificidade ainda maior quando piscam o olho ao punk rock nova iorquino, já a persistência nos constantes encaixes instrumentais durante a construção melódica, no almofadado conjunto de vozes em eco e nas guitarras mágicas que se manifestam em Upside Down e The Day I Come Alive, olham deliberadamente para o som que foi produzido há umas três décadas e procuram retratá-lo com novidade, mas com os pés bem fixos no presente.

Para o ocaso de Michael A Grammar estava guardado um dos melhores momentos do disco; Na verdade, Don't Wake Me é uma imensa exaltação que talvez de forma inconsciente homenageia os grandes mestres do cenário indie britânico da década de noventa; Os Oasis, os Blur, os Spritualized, os Supergrass, The Verve, The Stones Roses ou os Primal Scream que, entre tantos outros, marcaram uma geração e deixaram uma herança que os Michael A Grammar não descuraram e souberam sabiamente aproveitar, cabem todos no ambiente deste tema.

Michael A Grammar é um portento de grandiosidade, um álbum imenso no modo como se abre para o ouvinte e o presenteia com uma manancial de cores que projetam inúmeras possibilidades sonoras. Incubado por um quarteto que servindo-se de um universo sonoro recheado de várias experimentações e renovações, pretende, acima de tudo, soar poderoso, jovial e inventivo, este disco prova que o indie rock de cariz mais sinfónico e potente ainda tem razão de ser e um elevado potencial criativo ainda por explorar, desde que se torne na pedra de toque primordial da cartilha sonora de quem o pretender replicar e aprofundar. Os Michael A Grammar fizeram-no de um modo tão assertivo que arriscam-se a ter conseguido criar um dos discos essenciais de 2014. Espero que aprecies a sugestão....

Michael A Grammar - Michael A Grammar

01. Upside Down
02. All Night, Afloat
03. Light Of A Darkness
04. King And Barnes
05. The Day I Come Alive
06. Suzanna
07. Upstairs Downstairs
08. The Way You Move
09. Mondays
10. You Make Me
11. Nature’s Child
12. Don’t Wake Me

 


autor stipe07 às 19:56
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Domingo, 21 de Setembro de 2014

The Kooks - Listen

Depois de Junk Of the Heart (2011), os britânicos The Kooks estão de regresso aos discos com Listen, um novo álbum que chegou aos escaparates através do consórcio EMI/Virgin e que contou com a participação especial do produtor de hip hop Inflo e ainda com as presenças na produção de Luke Pritchard e Frasier T. Smith e de um novo baterista chamado Alexis Nunez.

Oriundos de Brighton, uma cidade inglesa com uma vida cultural bastante animada, os The Kooks são uma das bandas mais incomprendidas do cenário indie britânico e nunca forma levados demasiado a sério. Com tenra idade começaram a dar nas vistas, havendo mesmo quem os tivesse catalogado de boys band, um grupo de rapazes com um rosto particularmente laroca e que tendo uma boa máquina de produção para trás, tinham apenas que cantar, tocar e... encantar.

Na verdade, os The Kooks são trabalhadores árduos, sério, responsáveis e criativos. Se as três primeiras constações não podem merecer qualquer objeção de quem procurar inteirar-se sobre a carreira e o modus operandi da banda e for sério, já a questão da criatividade fica sempre, naturalmente, ao critério de cada um e da impressão que, neste caso, o cardápio sonoro do grupo lhe suscita. Mas, também aqui, há que ser coerente e sério e desbravar, sem concessões, uma já apreciável discografia, que, com este Listen, atinge o quarto tomo e que começou em grande, em 2006, com o excelente Inside In/Inside Out.

Muitas bandas rock são acusadas de deturpar a sua essência quando procuram encetar por uma sonoridade mais pop, mas essa procura de outros caminhos não tem sempre que resvalar para algo qualitativamente menor. A possibilidade de livre escolha por parte das bandas deve ser uma permissa obrigatória e, como sabemos, muitas vezes são as etiquetas que impôem os rumos a seguir, sejam convergentes ou divergentes com o percurso habitual. No caso de Listen, quem conhece o estilo desta banda, rapidamente irá notar que Luke Pritchard, o líder e principal criativo do grupo, procurou uma inflexão que deixa um pouco de lado as guitarras, para apostar em batucadas, palmas e na própria voz como mais um instrumento da banda, algo muito semelhante ao que, por exemplo, tUnE-yArDs costuma propôr, na verdade a primeira influência que me ocorreu assim que me debruçei na audição do disco, por muito absurda que ela possa ser ou parecer.

Assim, partindo desta permissa, aviso os mais incautos que ainda não escutaram estas onze canções, que Listen não contém riffs de guitarra vigorosos ou aquele punk dançante que costuma escutar-se nesta banda, mas é um trabalho diversificado, acessível, com melodias orelhudas e que foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e que alargou bastante o espetro sonoro dos The Kooks, sem trair a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se manter no seio das grandes bandas que atualmente mantêm vivo o indie rock alternativo britânico.

Basta escutar. logo na abertura, o coro gospel sintetizado de Around Town, a bateria marcante e a guitarra psicadélica, para tomarmos contacto com a ampla expressão de géneros e estilos que, numa bitola mais pop, os The Kooks pretendem abraçar, com uma louvável veia experimental. A seguir, o funk branco de Forgive & Forget leva-nos às pistas de dança dos anos oitenta, uma canção sobre uma discussão entre um casal dentro de um bar de londres e que poderia muito bem ter sido causada por uma cena de ciúmes provocada pelos olhares de desejo que um dos dois suscitou na plateia, enquanto abanva a anca ao som desta empolgante canção. Os teclados em cascata de Westside, o piano de See Me Now, os ruídos urbanos que introduzem It Was London, outra canção assente numa bateria claramente dançante e em guitarras a saber a funk, são outros momentos altos de um disco que vai surpreendendo à medida que escorre pelos nossos ouvidos e nos convida a abanar a anca, muitas vezes sem percebermos muito bem como ou porquê.

Para o final, a acústica e ensolarada Dreams, embelezada por arranjos que incluem ruídos do oceano e teclados que parecem de outro mundo, as palmas e o clima algo latino a pedir uma Tequilla (de) Sunrise e o momento pop por excelência do disco personificado na grandiosa Are We Electric, encerram um disco onde os The Kooks expandiram a sua paleta sonora, diversificaram o clima e abriram os olhos para um novo mundo que parece diverti-los imenso e onde, pelos vistos, se sentem igualmente confortáveis. Será um pouco injusto se este Listen não figurar em algumas listas dos melhores álbuns do ano. Espero que aprecies a sugestão...

The Kooks - Listen

01. Around Town

02. Forgive And Forget
03. Westside
04. See Me Now
05. It Was London
06. Bad Habit
07. Down
08. Dreams
09. Are We Electric
10. Sunrise
11. Sweet Emotion

 


autor stipe07 às 21:48
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