Terça-feira, 15 de Agosto de 2017

The Magnetic Fields - 50 Song Memoir

Cinco anos depois do consistente Love At The Bottom Of The Sea, os The Magnetic Fields de Stephen Merritt regressaram aos discos este ano com 50 Song Memoir, através da conceituada Nonesuch Records. Trata-se de mais um álbum conceptual, dividido em cinco discos, um por cada década, cerca de duas horas e meia de música idealizada por Merritt, que começou a escrever e a compor as cinquenta canções do registo em 2015, ano em que fez cinquenta anos de vida, com cada um dos temas a debruçar-se sobre cada um desses anos e a servir de crónica do mesmo. Merritt canta em todas as cinquenta canções do trabalho e tocou mais de cem instrumentos durante a sua gravação. Já agora, no final do século passado os The Magnetic Fields tinham editado o seu primeiro trabalho conceptual, um triplo álbum com sessenta e nove canções de amor e as suas diversas formas de se manifestar e a forma com a mente tremendamente irónica de Merritt olhava na altura para este sentimento.

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Naturais de Boston, no Massachusetts, os The Magnetic Fields são um dos segredos mais bem guardados da pop e neste disco produzido pelo próprio Merritt, secundado por Thomas Bartlett e Charles Newman, transformaram memórias longínquas e recentes do líder da banda para elaborarem uma curiosa biografia sonora, onde diferentes histórias e personagens, verdadeiras e fictícias, se entrelaçam e de modo cronológico.

Escutar 50 Song Memoir é como assistir ao crescimento quer biológico quer psicológico de Merritt e nele não faltam as habituais referências, geralmente amargas, quer a desilusões amorosas, exemplarmente retratadas em Lover's Lies, mas também aos típicos conflitos interiores que se produzem durante a juventude (I'm Sad!) ou a visão que o autor foi tendo do mundo que o rodeia e das transformações que nele foram acontecendo. Danceteria, Rock’n’Roll Will Ruin Your Life, Hustle 76’, How to Play the Synthesizer e Danceteria, plasmam o modo como o músico assistiu às transformações que a música sofreu durante as décadas de setenta e oitenta do século passado e como as mesmas ajudaram a alterar mentalidades, nomeadamente no que concerne a aspetos tão díspares como a liberdade sexual ou a igualdade entre géneros. Judy Garland é outro tema que se debruça sobre o exterior sociológico de Merritt ao versar sobre a morte da atriz norte-americana que dá nome à canção.

Disco onde predomina uma sonoridade eminentemente clássica e geralmente acústica e de forte pendor orgânico, como é apanágio nos The Magnetic Fields, 50 Song Memoir também não deixou de lado os sintetizadores que a partir da última década do século passado tornaram-se ativo importante no processo de criação sonora do grupo. Assim, se a gentileza e cândura luminosa das cordas de A Cat Called Dionysus ou os violinos de Ethan Frome garantem frescura e leveza ao disco, já os efeitos luminosos do teclado de How I Failed Ethic ou a rugosidade sintética de Foxx And I, oferecem ao registo instantes que provam essa busca de uma necessária contemporaneidade, com o rock lo-fi de The Blizzard of ’78 e de Weird Diseases e o experimetalismo lisérgico de Surfin’ a servirem de complemento e a equilibrarem um alinhamento que privilegia a heterogeneidade e a diversidade sonora e, ao fazê-lo com o típico humor e versatilidade instrumental de Merritt, acaba por contar uma outra história, aquela que descreve os vários territórios sonoros que fizeram escola no cenário indie norte-americano nas últimas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

The Magnetic Fields - 50 Song Memoir

CD 1
01. ’66: Wonder Where I’m From
02. ’67: Come Back As A Cockroach
03. ’68: A Cat Called Dionysus
04. ’69: Judy Garland
05. ’70: They’re Killing Children Over There
06. ’71: I Think I’ll Make Another World
07. ’72: Eye Contact
08. ’73: It Could Have Been Paradise
09. ’74: No
10. ’75: My Mama Ain’t

CD 2
01. ’76: Hustle 76
02. ’77: Life Ain’t All Bad
03. ’78: The Blizzard Of ’78
04. ’79: Rock’n’Roll Will Ruin Your Life
05. ’80: London by Jetpack
06. ’81: How To Play The Synthesizer
07. ’82: Happy Beeping
08. ’83: Foxx And I
09. ’84: Danceteria!
10. ’85: Why I Am Not A Teenager

CD 3
01. ’86: How I Failed Ethics
02. ’87: At The Pyramid
03. ’88: Ethan Frome
04. ’89: The 1989 Musical Marching Zoo
05. ’90: Dreaming In Tetris
06. ’91: The Day I Finally…
07. ’92: Weird Diseases
08. ’93: Me And Fred And Dave And Ted
09. ’94: Haven’t Got A Penny
10. ’95: A Serious Mistake

CD 4
01. ’96: I’m Sad!
02. ’97: Eurodisco Trio
03. ’98: Lovers’ Lies
04. ’99: Fathers In The Clouds
05. ’00: Ghosts Of The Marathon Dancers
06. ’01: Have You Seen It In The Snow?
07. ’02: Be True To Your Bar
08. ’03: The Ex And I
09. ’04: Cold-Blooded Man
10. ’05: Never Again

CD 5
01. ’06: “Quotes”
02. ’07: In The Snow White Cottages
03. ’08: Surfin’
04. ’09: Till You Come Back To Me
05. ’10: 20,000 Leagues Under The Sea
06. ’11: Stupid Tears
07. ’12: You Can Never Go Back To New York
08. ’13: Big Enough For Both Of Us
09. ’14: I Wish I Had Pictures
10. ’15: Somebody’s Fetish


autor stipe07 às 09:52
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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2017

DRLNG - Black Blue

Foto de Drlng Band.

Depois do extraordinário EP Icarus, editado em 2014, os DRLNG, uma banda de Boston formada por Eliza Brown (voz), Martin Newman (guitarras) e James Newman (baixo) das cinzas dos míticos Plumerai, têm lançado uma série de temas em formato single, sendo o mais recente Black Blue, uma canção que conta com as participações especiais de Danny Chavis nas guitarras e Hayato Nakao na programação, membros dos nova iorquinos The Veldt.
Black Blue são pouco mais de cinco minutos que apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura e límpida de Eliza é um trunfo explorado positivamente até à exaustão e que ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas de Martin têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz de Eliza, como também, no fundo, à própria mensagem da canção.
Nesta composição conseguimos dissecar diferentes vias e infuências, já que, ao mesmo tempo que há uma paisagem sonora que transparece calma e serenidade, também existe na guitarra uma tensão constante, numa melodia amigável e algo psicadélica, que se arrasta até ao final num longo diálogo entre o efeito metálico e diferentes dinâmicas percussivas.
Quer Black Blue, quer os dois singles já editados antes deste, See It All e Cobra, estão disponíveis para audição e download na plataforma bandcamp do projeto.Confere...


autor stipe07 às 02:16
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Sábado, 22 de Julho de 2017

R.E.M. Live At The Paradise Rock Club, WBCN, Boston, MA, 13/07/1983 (remastered)

Obscuro para muitos, praticamente desconhecido para imensos, mas considerado pela maioria dos fãs como o período aúreo da banda, o tempo em que os R.E.M. estiveram sobre a alçada da editora I.R.S., coincidiu com o lançamento dos cinco primeiros álbuns da banda, em plenos anos oitenta.

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No rescaldo dessa fase inicial do trajeto do grupo de Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck e, ainda na altura, Bill Berry, os R.E.M. foram unanimemente considerados pela crítica norte americana como a melhor banda de rock alternativo da década, acabando por assinar pela multinacional Warner, etiqueta que permitiu alcançarem de modo mais massivo outros mercados, numa relação iniciada com Green e que atingiu proporções inimagináveis com Out Of Time e Automatic For The People.

Murmur (1983), o longa duração que abriu essa odisseia extraordinária e sucessor do excelente EP Chronic Town (1982), é um álbum fundamental da história do rock alternativo da década, um disco que teve direito a uma extensa digressão por território norte-americano, com algumas atuações e concertos memoráveis, não só perante público, mas também em alguns estúdios de rádios.

Um desses espetáculos que foi gravado e recentemente revisto em edição remasterizada com a edição a ter o nome de R.E.M. Live At The Paradise Rock Club, WBCN, Boston, MA, 13/07/1983 (remastered), sucedeu em Boston, a treze de julho de mil novecentos e oitenta e três, no mítico Paradise Rock Club,  vinte e duas canções das quais se uma extraordinária versão de Radio Free Europe, o primeiro grande single da banda, mas também temas como Sitting Still, Catapult ou Pretty Persuasion e algumas versões de clássicos da música norte americana, nomeadamente uma adaptação  curiosa de California Dreamin' dos The Mamas & The Papas, entre outros. Este cardápio é absolutamente imprescindível para qualquer fã ou apenas para quem quiser conhecer ainda melhor esta banda fundamental do universo sonoro alternativo. Confere...


autor stipe07 às 11:20
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Quarta-feira, 12 de Outubro de 2016

Pixies – Head Carrier

Depois de em abril de 2014 ter chegado aos escaparates Indie Cindy, o primeiro disco dos Pixies de Black Francis em vinte e três anos, este projeto formado em 1986 e um nome fundamental para o desenvolvimento do indie rock alternativo, continua a alimentar este segundo fôlego na carreira, ainda sem Kim Deal e com uma nova baixista, Paz Lenchantin. E fá-lo, agora, com doze canções agregadas num novo trabalho, intitulado Head Carrier, que viu a luz do dia no ocaso de setembro último.

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Head Carrier é mais um passo em frente no propósito de Black Francis de apresentar ao público uns Pixies cada vez mais longe do som roqueiro e lo fi do passado, mas sem o renegar totalmente e alinhados com as tendências mais recentes do campo sonoro em que se movimentam, procurando, simultaneamente, aquela salutar contemporaneidade que todos os grupos de sucesso necessitam e precisam, independentemente da riqueza quantitativa e qualitativa da sua herança e também renovar a sua base de seguidores com um público mais jovem, sempre atento e ávido por boas novidades. 

Seja como for, e como de algum modo já referi, o adn dos Pixies não deixa de ser respeitado, mais que não seja pela filosofia melódica e instrumental subjacente ao arquétipo sonoro das canções, um respeito patente no rock cássico de Might As Well Be Gone, no punk de Be Esprit e no rockabilly de Plaster Of Paris . Portanto, não estando propriamente presente em Head Carrier a estética sonora novocentista em todo o seu esplendor, além dos exemplos já citados, canções do calibre da ruidosa Oona ou o riff de guitarra claramente radiofónico de Tenement Song, conseguem, salutarmente, estabelecer pontes e, de certo modo, oferecer novos desafios ao cardápio da banda ao mesmo tempo que não defraudam quem é mais devoto relativamente à história dos Pixies. Aliás, encontrar semelhanças e diferenças entre o clássico Where Is my Mind e All I Think About Now é um exercício particularmente curioso e recompensador.

Head Carrier pode ser, para muitos, apenas mais um sinal de vida de uma banda que insiste em esbracejar sem saber muito bem que rumo seguir e que duas décadas depois achou que poderia voltar a ser relevante já que, tendo em conta o estatuto que construiu, voltar a compôr não pode nunca aspirar a menos que isso, mas há aqui, ainda, acerto criativo, patente na generalidade das canções e que deve ser exaltado por encarnar a coragem do grupo para prosseguir, apesar de todo o historial recente. É um compêndio que demonstra que é capaz de haver ainda uma pequena réstia de esperança para os Pixies e que a opção por continuarem a respirar e a ecoar, se tiver sequência, poderá levá-los a ocupar novamente um lugar de relevo no universo do indie rock alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

Pixies - Head Carrier

01. Head Carrier
02. Classic Masher
03. Baal’s Back
04. Might As Well Be Gone
05. Oona
06. Talent
07. Tenement Song
08. Bel Esprit
09. All I Think About Now
10. Um Chagga Lagga
11. Plaster Of Paris
12. All The Saints


autor stipe07 às 20:58
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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2016

The Deltahorse - Transatlantic

Não é tarefa fácil escrever sobre um disco quando se faz parte dos créditos do mesmo e da lista de agradecimentos relativamente a todos aqueles que, de acordo com os autores, tornaram possível que o tomo de canções em questão ganhasse vida. Tal demanda é ainda mais complicada quando o álbum é um excelente tratado de indie rock e, dizendo-o com toda a naturalidade e sinceridade, o leitor não achar que tais elogios se devem apenas à referida menção. Mas a verdade é que Transatlantic, o disco de estreia dos The Deltahorse, editado à boleia da Slower Faster Music, é a prova audível de que estamos na presença de um novo grupo que se apresenta ao universo musical indie, como um projeto que prima pelo detalhe e pelo bom gosto e que merece garantidamente uma audição atenta.

Formados pelo cantor e compositor Vadim Zeberg, por Dana Colley, um saxofonista de Boston, nos Estados Unidos, que chegou a tocar esse instrumento com os Morphine e pelo berlinense Sash, os The Deltahorse têm no seu núcleo duro três músicos de diferentes proveniências e que, por incrível que pareça, nunca estiveram juntos no mesmo local, pelo menos até à data da edição de Transatlantic. A internet foi um veículo essencial no processo de composição melódica e na definição da arquitetura de dez canções perfeitas para uma noite diferente, plena de aventura e diversão, na melhor companhia possível ou, em alternativa, com disponibilidade para encontrar alguém diferente e especial, tal é o charme, a luxúria e a sofisticação do ambiente que as mesmas recriam.

Canções como a sedutora Street Walking, que aborda o modo infalível como uma bela mulher caminha na rua, a intimista Balcony TV que descreve um programa a dois bastante curioso ou Call It A Day, composição que nos oferece algumas sugestões credíveis para tornar um dia normal num marco nas nossas vidas, tenhamos nós coragem para nos deixarmos conduzir pelo lado mais obscuro da nossa mente, acentua uma espécie de concetualidade relacionada com uma viagem para um outro mundo onde não somos nós a espécie dominante e protagonista, mas antes observadores do modo como, se formos corajosos, podemos ter uma vida muito mais preenchida caso deixemos que os nossos maiores sonhos se materializem em concretos eventos e intensas emoções.A verdade é que a música dos The Deltahorse pode-nos salvar nesse mundo e fazer com que não nos sintamos isolados e perdidos, mas antes plenamente realizados e absortos por uma sensação de prazer única e intemporal.

Da eletrónica ao rock mais experimental, o som dos The Deltahorse oscila entre o sintético e o orgânico, enquanto choca com a energia da bateria e os arranjos fantásticos de um trompete convicto, podendo-se assistir a um salutar combate entre percussão, sopros, teclas e cordas, sempre a crescer de intensidade, como se estivessemos a descolar para uma viagem rumo ao tal mundo criado pela banda e definitivamente na rota certa para uma vida muito mais realizada e feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Transatlantic

Call It A Day

Happy Heart (Can Go For Miles)

Easy Life

Summer Mode

These Are Your Friends

Broadcast

Balcony TV

Street Walking

Tonight

Cinematic


autor stipe07 às 22:17
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Sexta-feira, 11 de Março de 2016

Kid Mountain – Trinkles

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os norte americanos Kid Mountain de Cole Wuilleumier, Derek Goulet, Tyler Rosenholm, Tim Bruce Patterson e Tyler Chauncey, estão de regresso aos discos com Trinkles, onze canções misturadas por Tim Bruce Patterson e masterizadas por Keith Sweaty Milgaten e que viram a luz do dia a oito de março, disponíveis na plataforma bandcamp, com a possibilidade de doares um valor pelas mesmas.

Quatro anos depois do excelente Happies, este quarteto volta à carga abrigado num som que tem tanto de eclético, por abraçar com notável mestria detalhes que nos remetem para as origens da pop experimental, a surf pop dos anos sessenta e a pop alternativa dos anos oitenta, como de charmoso, já que abunda, quer na instrumentação, quer na voz, uma toada fortemente etérea e ligeiramente melancólica.

Unindo todos estes elementos com vincada sapiência melódica, extrema sensibilidade e uma interessante dose de criatividade, os Kid Mountain exploram intensamente em Trinkles a forma e a estrutura do formato canção, com temas como o caloroso single Walk Around, a pop deslumbrante de Muddy Cloud ou o cariz incisivo da percussão de Curtains, a provarem um ecletismo que se ouve de uma assentada, enquanto somos convidados a dançar ao som de uma coleção de canções bastante aditiva e peculiar, quase sempre conduzidas pela guitarra elétrica, mas onde também há uma forte presença da sua congénere acústica.

Se as canções de Happies deslumbravam por causa de uma inocência cheia de acne e quase que imploravam para não serem levadas demasiado a sério, Trinkles prova o profundo amadurecimento de um projeto que amplia o elevado nível da estreia e que começa a ter todas as condições para ocupar um lugar de destaque no panorama alternativo norte americano, principalmente no modo como incorpora doses indiscretas de uma pop suja e nostálgica e as confronta de modo amigavel com uma toada particularmente luminosa e com um travo muito peculiar. Espero que aprecies a sugestão...

Kid Mountain - Trinkles

01. Cold Glass
02. Walk Around
03. Mindless
04. Curtains
05. Muddy Cloud
06. Spirit Mama
07. Purity Bone
08. Doublevision Television
09. Sugar
10. Two Smooth Stones
11. Bohemiac


autor stipe07 às 21:41
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2016

Animal Flag – Animal Flag EP 2

Boston, Massachussets, é o poiso do projeto norte americano Animal Flag de Matthew Politoski, de regresso aos lançamentos discográficos com Animal Flag EP 2, cinco canções que viram a luz do dia no ocaso de 2015, à boleia da 1997 Recordings e disponíveis para audição e possibilidade de doação de um valor pelas mesmas na plataforma bandcamp.

(Pic by Nick DiNatale)

O indie rock que pisca o olho a ambientes particularmente progressivos e com um pendor melódico algo contemplativo e reflexivo é a pedra de toque deste pequeno cardápio de temas, uma descrição algo generalista, até porque são temas que merecem audição atenta e que palsma diversas nuances, mas que Jealous Lovers, a primeira canção, claramente exemplifica. Se Angels não foge a esta bitola, uma maior amplitude na distorção da guitarra, um rugoso timbre do baixo e algumas variações rítmicas, conferem a esta canção um ambiente ainda mais épico e impulsivo, que faz de Animal Flag, um projeto particularmente íntimo de uma monumentalidade muito vincada.

À medida que avançamos na audição do EP, vai-se tornando evidente que Matthew e a vasta miríade de convidados que agregou à sua volta para gravar estes temas, não recearam, em nenhum instante, convocar alguns detalhes clássicos que alimentaram os primordios do rock alternativo, sem descurar o compromisso com uma estética muito própria e que, no fundo, não deixando de conter a contemporaneidade e o ideal de inovação, conseguem uma mistura feliz entre estes dois opostos. O piscar de olhos aos Placebo em Wayside e ao clássico Swallowed dos Bush em Cathedrals atingem o louvável intuíto de nos fazer regressar ao passado, enquanto nos entregam sensações auditivas perfumadas por uma herança que nos diz muito.

Se o prazer de escutar estes Animal Flag faz-nos sentir fiéis a um outro tempo que, pelos vistos, não conhece fronteiras temporais, é também a indisfarçável modernidade deste projeto que faz com que esta coleção de canções de fortes inspirações noventistas,  possam e devam ser apreciadas com a relevância e o valor que, por direito, merecem. Para ampliar este espírito ainda mais suadosista, este Ep teve direito a uma lindíssima edição em formato cassete, através da Broken World. Espero que aprecies a sugestão...

Animal Flag - Animal Flag EP 2

01. Jealous Lover
02. Angels
03. Wayside
04. Cathedrals
05. Prone

 


autor stipe07 às 18:12
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2015

Funeral Advantage – Body Is Dead

Boston, no Massachussets, é o poiso vital dos Funeral Advantage e Body Is Dead o disco de estreia de mais uma banda que aposta num ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, para criar um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com canções cheias de uma fragilidade incrivelmente sedutora e alicerçadas numa certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Escritas e gravadas por Tyler Kershaw e misturadas por Ian Van Opijnen, as dez canções de Body Is Dead contaram ainda com a voz de Chelsea Figuerido em alguns dos temas e a receita da arquitetura melódica de todas elas é bastante homogénea e transversal a todo o alinhamento. Trata-se de um indie rock pulsante e insinuante, mas com um charme lo fi único, alicerçado num registo vocal quase sempre sussurrante e até, em alguns casos, pouco perceptível, mas bastante encantador, além de guitarras com efeitos e distorções intrigantes e enleantes e uma percussão bastante vincada, sem ter uma tonalidade exageradamente grave. É, no fundo, um rock sujo e lo fi, uma espécie de surf rock com um pé no post punk e onde também abundam boas letras que nos oferecem uma atmosfera sonora épica, positiva, sorridente e bastante dançável.

Body Is Dead começa a todo o gás com a sorridente e otimista Equine e o frenesim encantador de Sisters a mostrarem, com esplendor e intensidade, uma atitude descontraída e jovial que contraria, de certo modo, o nome algo sombrio da banda. Depois, Should Have Just é um convite direto e preciso ao acto de encarar estes últimos dias de verão com esperança, enquanto ficamos envoltos numa intensa aúrea vincadamente orgânica e, por isso, fortemente sensual, que nos despe de todo aquele mistério, tantas vezes artificial, onde frequentemente nos refugiamos, para que não tenhamos receio de mostrar, com ousadia, a verdadeira personalidade do agregado sentimental que nos carateriza, enquanto não chega aquele inverno que nos leva tantas vezes à reclusão.

Até ao ocaso de Body Is Dead, a viagem deslumbrante que nos oferece a guitarra de Gardensong, o experimentalismo soturno de That's That e o esplendor sentimental que exala de todos os acordes da oitocentista Then I'll Look, são outros instantes obrigatórios deste alinhamento, exemplos que mostram que, logo no disco que estreia, os Funeral Advantage sabem a fórmula exata para temporizar, adicionar e revolver o seu arsenal instrumental, como se as canções fossem um puzzle e assim originarem, a partir de uma aparente amálgama de vários sons, peças sonoras sólidas e que comunicam com o nosso íntimo com particular beleza e superior preciosismo. Espero que aprecies a sugestão....

Funeral Advantage - Body Is Dead

01. Equine
02. Sisters
03. Should Have Just
04. Gardensong
05. Back To Sleep
06. That’s That
07. Cemetery Kiss
08. Then I’ll Look
09. You Sat Alone
10. Body Is Dead


autor stipe07 às 18:49
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Domingo, 29 de Março de 2015

KRILL - A Distant Fist Unclenching

Jonah Furman (baixo, voz), Aaron Ratoff (guitarra) e Ian Becker (bateria) são os Krill, uma banda oriunda de Boston, na costa leste dos Estados Unidos, já com meia década de existência e que a dezassete de fevereiro último lançou A Distant Fist Unclenching, o terceiro álbum da carreira do trio, nove excelentes canções gravadas por Justin Pizzoferrato, em julho e agosto de 2014, nos estúdios Sonelab em Easthampton, Massachusetts e masterizadas por Carl Saff. Editado pela insuspeita Exploding in Sound Records em parceria com a Double Double Whammy e a Steak Club Records, A Distant Fist Unclenching está disponivel em formato digital e em vinil.

Com uma já apreciável reputação no país de origem e digressões com os Deerhoof, os conterrâneos Speedy Ortiz, Big Ups ou The Thermals, os Krill preparam-se para dar o salto para a Europa este ano, trazendo na bagagem estas nove novas canções que encarnam uma verdadeira jornada sentimental, auto-depreciativa e filosófica pelos meandros de uma américa cada vez mais cosmopolita e absorvida pelas suas próprias encruzilhadas, uma odisseia heterogénea e multicultural oferecida por um projeto visionário que explora habituais referências dentro de um universo sonoro muito peculiar e que aposta na fusão do rock, com outras vertentes sonoras, nomeadamente o post punk e o hardcore, de uma forma direta, mas também densa, sombria, progressiva e marcadamente experimental. Esta é uma fórmula que me agrada particularmente e onde, no seio da esfera indie rock, se alia o grunge e o punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock que, sem grande esforço, nos leva até territórios sonoros tão bem recriados e reproduzidos há umas quatro décadas e que depois se cruzam com o típico rock alternativo da última década do século passado.

A Distant Fist Unclenching são, portanto, nove canções enérgicas, invadidas por vairações melódicas e ritmícas constantes, uma percurssão cheia de groove que em temas como Phantom ou Torturer atinge uma elevada bitola qualitativa e que não deixa o disco viajar a uma velocidade descontrolada, apesar de nesses temas ficarmos com a sensação que somos sugados para uma espiral sonora alimentada por um festim sonoro acelerado e difícil de travar. Depois, a versatilidade instrumental e o bom gosto com que as várias influências se cruzam, elevam algumas canções a uma atmosfera superior, esculpida pelas raízes primordiais do rock, com a já referida Torturer a ser talvez aquele tema que melhor condensa todo o universo sonoro referencial para os Krill. Esta Torturer é um excelente exemplo da exploração de uma ligação estreita entre a psicadelia e o rock progressivo, através de um sentido épico pouco comum e com resultados práticos extraordinários, mas em instantes sonoros do calibre de Mom ou Squirrels a estreita relação entre guitarras carregadas de fuzz e um baixo vigoroso, amplia a intensidade experimental dos Krill e dá-lhes um lado ainda mais humano, orgânico e sentimental. A própria performance de Furman, dono de um registo vocal curioso e desafiante, que impressiona pela forma como se expressa e atinge diferentes intensidades e tonalidades, consoante o conteúdo lírico que canta, é também um dos grandes suportes do alinhamento, apesar do maralhal sónico que o disco contém e onde sobressai, como já dei a entender, a forma livre e espontânea como as guitarras se expressam, guiadas pela nostalgia do grunge e do punk rock.

Com o charme de uma recomendável toada lo fi como pano de fundo de toda esta apenas aparente amálgama, A Distant Fist Unclenching prova que os Krill estão bem documentados e têm gostos musicais muito ecléticos, como mostra este compêndio feito de pura adrenalina sonora, uma viagem que nos remete para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os Krill são um novo nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

Phantom

Foot

Fly

Torturer

Tiger

Mom

Squirrels

Brain Problem

It Ends

 


autor stipe07 às 22:31
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Sábado, 17 de Janeiro de 2015

Krill - Foot

Krill - "Foot"

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Krill são um trio liderado por Jonah Furman e que tem vindo a construir uma sólida reputação no universo alternativo local, principalmente devido a Steve Hears Pile In Malden And Bursts Into Tears, um EP que viu a luz do dia no início do ano que agora terminou.

A dezassete de fevereiro vai chegar aos escaparates A Distant Fist Unclenching, o novo longa duração dos Krill, através da Double Double Whammy/Exploding In Sound e Torturer foi o primeiro avanço divulgado do trabalho. Agora chegou a vez de Foot, o segundo tema do alinhamento de A Distant Fist Unclenching e com ele mais uma demonstração cabal da capacidade dos Krill para criar um indie rock com uma rispidez visceral que contém algo de extremamente sedutor e apelativo. Confere...


autor stipe07 às 16:55
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