Quinta-feira, 26 de Março de 2015

Spray Paint - Polar Beer

Depois de terem surpreendido em 2014 com o espetacular Clean Blood Regular Acid, os norte americanos Spray Paint, de Cory Plump (guitarra e voz), George Dishner (guitarra e voz) e Chris Stephenson (bateria e voz), uma banda artpunk de Austin, no Texas, na senda de nomes tão importantes como os Thee Oh Sees, Parquet Courts ou Viet Cong, estão de regresso em 2015 com Punters On The Barge, o quarto trabalho da carreira do trio, um disco que vai ver a luz do dia a um de junho através da Homeless Vinyl.

Polar Beer, uma canção que tem a Islândia como cerne temático, é o primeiro avanço divulgado desse trabalho, um tema assente numa guitarra hipnótica, esquizofrénica e fortemente combativa, mas incrivelmente controlada, num resultado de proporções incirvelmente épicas, bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero, a quem se deixar enredar na armadilha emocionalmente desconcertante que os Spray Paint construiram neste tema. Confere...

 


autor stipe07 às 11:37
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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Sounds Like Sunset – We Could Leave Tonight

Os australianos Sounds Like Sunset  são David Challinor, Tobey Doctor e David Hobson e já andam nestas andanças desde 1997, tendo-se estreado nos registos discográficos em 2000 com Saturdays. Editaram no passado dia vinte e dois de julho de 2014, We Could Leave Tonight, o terceiro registo do grupo, disponível para audição na plataforma bandcamp.

Impressiona perceber que estes Sounds Like Sunset andam nestas andanças há quase duas dé cadas e são ainda uns perfeitos desconhecidos tendo em conta o conteúdo de We Could Leave Tonight, um irrepreensível compêndio de indie rock com nove magníficas canções com um espiríto que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana, num mundo feito de dúvidas, deceções e guerras, tantas vezes desnecessárias e incompreensiveis.

Há aqui um clima sonoro que nos leva numa viagem espiritual, convidando-nos a usufruir de instantes que não deixando de ser ruidosos, assentam num excelente registo introspetivo que mostra muito do código genético de um projeto que tem colado a si o indie rock de cariz mais alternativo, que fez escola na década de noventa, mas também apontando agulhas para os primórdios do punk rock e de sonoridades mais progressivas. O single Second Chance, a canção que abre o disco com notável vigor e convicção, mostra uns Sounds Like Sunset a fazer aquilo que o próprio nome da banda indica, ou seja, a inebrirar os nossos sentidos com melodias luminosas e aditivas, apesar de parecerem liricamente entalhados numa forte teia emocional amargurada,que a distorção das guitarras ajuda a ampliar, em canções como Open My Eyes ou Misunderstood.

Se o rock alternativo é, por natureza, nem sempre dançável, aqui não faltam exemplos de canções que muitas vezes crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora. Se a melancólica Maybe Eye é uma canção que seduz pelo baixo vigoroso e que nos faz ter vontade de pular e de querer desertar do universo paralelo onde muita vezes vivemos para um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos, já o fuzz de Sunshine e Fears, apontando rumo ao rock progressivo, ou o elevado cariz épico de Somebody Like You transportam consigo uma considerável carga emocional, à qual é difícil ficar indiferente. Outro destaque deste trabalho é, pela toada e pelo pendor acústico, cheio de arranjos lindíssimos, proporcionados por cordas deslumbrantes, a balada Undone, uma canção capaz de nos fazer acreditar que aquele desejo incontido que todos guardamos dentro de nós pode, um dia, concretizar-se.

Acaba por ser com a maior naturalidade que se confere em We Could Leave Tonight boas letras e belíssimos arranjos, assentes numa guitarra jovial, pulsante e disponível a criar diferentes efeitos, um baixo vigoroso e uma percussão diversificada e sempre pronta a dar o andamento certo ao clima e à mensagem que cada tema exala, em mais um projeto oriundo dos antípodas e que merece um reconhecimento superior. Espero que aprecies a sugestão...

Sounds Like Sunset - We Could Leave Tonight

01. Second Chance
02. Misunderstood
03. Open Up My Eyes
04. Maybe Eye
05. Sunshine
06. Fears
07. Somebody Like You
08. Undone
09. Find Your Way


autor stipe07 às 21:43
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Quarta-feira, 11 de Março de 2015

Tame Impala - Let It Happen

Tame Impala Share

Os australianos Tame Impala de Kevin Parker acabam de divulgar e disponibilizar gratuitamente Let It Happen, o primeiro avanço para o sucessor de Lonerism, um novo trabalho ainda sem nome e data de edição concreta, apesar de ser claro que o novo álbum deste coletivo de Perth vai ver a luz do dia ainda em 2015.

Let It Happen são oito minutos que confirmam uns Tame Impala menos dependentes das guitarras e a chamarem os sintetizadores para plano de maior destaque, mas sem deixarem de lado a sua típica groove viajante, mantendo-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Ao mesmo tempo que os Tame Impala disponibilizaram este tema, divulgaram o alinhamento de uma digressão norte americana e será possível também vê-los em Portugal este ano, pois já estão confirmados no Festival Vodafone Paredes de Coura. Confere...

 


autor stipe07 às 12:53
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Sábado, 7 de Março de 2015

Ride Into The Sun – Sky Flowers EP

Os australianos Ride Into The Sun começaram a fazer música em 2010 e ao longo destes cinco anos passaram por várias transformações na formação, o que não impediu de terem já um interessante cardápio sonoro, como poderás verificar no bandcamp da banda. Dessa coleção destaco o single New Sunday, tema disponível para download e extraído de Goodbye Hipster, Hello Reality, um EP editado por este grupo em dezoito de fevereiro de 2011, mas também um EP homónimo e, mais recentemente Sky Flowers, uma nova coleção de canções que replicam um excelente rock psicadélico.

Naturais de Adelaide, têm como ídolos os The Black Angels e rapidamente definiram uma posição de relevo no cenário musical shoegaze e alternativo local, profícuo em bandas que apreciam o universo sonoro underground produzido nos anos setenta e oitenta. Os Ride Into The Sun são atualmente formados por Ant, Yuk, Jordan e Sam e estas cinco novas canções do grupo têm no rock psicadélico vintage o grande pilar de uma sonoridade que nos mergulha num ambiente etéreo e espacial e que explora nitidamente um universo certamente construido com várias substâncias psicotrópicas consumidas em noites chuvosas.

A audição de Sky Flowers merece uma dedicação sequencial e uma obediência ao alinhamento oferecido, mas não posso deixar de começar por destacar Give Or Take, um magnífico hino sonoro, extasiante e sedutor, um notável marco na carreira deste grupo e um consciente ato de esplendor que mostra a verdaderia essência do genuíno rock n' roll, um tema que, por si só, já justifica o contato com estas canções. E tal fato carimba desde logo a génese concetual dos Ride Into The Sun, obrigando qualquer analista consciente e justo a conferir e este quarteto australiano enormes faculdades e atributos e não só por causa desse magnífico tema, inundado de guitarras carregadas nos loopings e nos efeitos, mas também, por exemplo, pelo modo como em Moon Child são mestres em nos oferecer um conjunto intrincado de emoções e sensações genuínas, através da simples conjugação de vários acordes, com alguns efeitos com um cariz fortemente místico e espiritual.

O veredito acerca da obrigatoriedade de uma audição dedicada deste EP torna-se definitivo e impossivel de rebater e não podia ser mais favorável e instigador quando chega o fuzz da guitarra e o baixo bem pronunciado de Outside, dois detalhes que ditam o ritmo carregado e denso de uma canção que impressiona também pelo modo com as quebras rítmicas que possui influenciam a enorme tensão emocional que exala, mostrando que a força do blues e da soul está bem presente neste coletivo que merece um reconhecimento superior, pelo modo como cria efeitos de guitarras sombrios mas que conduzem belas melodias e que brilham na interação assertiva que plasmam entre a voz e delicadeza de uma guitarra que procura novas pistas para a salvação do rock. Espero que aprecies a sugestão...

Ride Into The Sun - Sky Flowers

01. Lost Horse Valley
02. Johnny Blossom
03. Give Or Take
04. Outside
05. Moon Child


autor stipe07 às 21:58
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

Pond – Man It Feels Like Space Again

São Francisco, na Califórnia e Perth na Austrália, são os dois grande polos atuais do indie rock piscadélico e, oriundos do último, os Pond de Nick Allbrook, Jay Watson, Joseph Ryan, Jamie Terry, um verdadeiro projeto paralelo dos Tame Impala, um dos nomes maiores do género e uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Produzido por Kevin Parker, Man It Feels Like Space Again é o sexto álbum dos Pond, um trabalho lançado no passado dia vinte e três de janeiro por intermédio da Modular e que tem no fuzz rock a sua pedra de toque, talvez a expressão mais feliz para caraterizar o caldeirão sonoro que os Pond reservam para nós e que logo na imponência de Waiting Around For Grace e no festim grandioso de Elvi´s Flaming Star, fica claramente plasmado.

As guitarras são, como seria de esperar, o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Pond, feitas de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Mas a receita também se compôe com sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias, uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, que é várias vezes literalmente cortada a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade que, por exemplo, Hobo Rocket, o antecessor, não continha tanto, apesar da excelência do seu conteúdo. A delicada sensibilidade das cordas que suporta a cândida melodia do belíssimo instante de folk psicadélica chamado Holding Out For You e a monumentalidade comovente de Sitting Up On Our Crane são dois extraordinários tratados sonors que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração que se atravesse e plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no disco, a capacidade que estes Pond também têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop

A energia contagiante do eletropunk blues enérgico e libertário, que escorre por todos os poros de Zond, o mais recente single retirado de Man It Feels Like Space Again, um tema que assenta numa voz viciante e numa espiral de sons sintetizados, fortemente lisérgicos e aditivos é, em sentido oposto, outro exemplo claro de toda a amálgama cuidadosamente concebida pelos Pond, ampliada pelo video que é mais uma viagem alucinante filmada por Johnny Mackay, que criou um cenário de artifícios caseiros e adereços imperfeitos, colagens de fundos pintados à mão e um guarda-roupa, no mínimo, original. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual da sua música, algo que a banda desenhada do artwork do disco também exemplifica.

O álbum avança e depois de em Heroic Shart sermos invadidos por um efeito vocal reverberado que ecoa e paralisa, no meio de uma amálgama assente numa programação sintetizada de forte cariz experimental, Man It Feels Like Space Again prossegue a sua demanda triunfal na insanidade desconstrutiva e psicadélica em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Outside Is The Right Side, canção extremamente dançavel, já que mistura R&B, pop, hip-hopelectrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito. Neste instante, quando damos por nós, já completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou esse tema, percebemos que não há escapatória possível desta ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida.

É impossível escutar este trabalho e ficarmos imóveis no recanto mais aconchegante que geralmente nos abriga; Torna-se indispensável deixar que o nosso corpo absorva todas as sensações inebriantes que este disco oferece gratuitamente e, repetindo o exercício sensorial várias vezes, permitirmos que depois se liberte o imenso potencial de energia que estas composições recheadas de marcas sonoras rudes, suaves, pastosas, imponentes, divertidas e expressivas, às vezes relacionadas com vozes convertidas em sons e letras e que atuam de forma propositadamente instrumental proporcionam. Aqui tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea, que Man It Feels Like Space Again está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Por exemplo, o ritmo lento e claramente acústico inicial de Medicine Hat é algo enganador porque a canção é subitamente alvo de um intenso upgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, deixando-nos em suspense relativamente ao que resta ouvir da composição e que acaba por ser uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico. O tema homónimo, um imenso instante de rock progressivo, onde os Pond gastam todas as fichas e despejam os trunfos que alicerçam a sua estrutura sonora complexa, é uma canção que sabe claramente a despedida, num cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto de efeitos maquinais que proporcionam sensações únicas.

Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os Pond são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é Man It Feels Like Space Again, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os Pond sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Man It Feels Like Space Again

01. Waiting Around For Grace
02. Elvis’ Flaming Star
03. Holding Out For You
04. Zond
05. Heroic Shart
06. Sitting Up On Our Crane
07. Outside Is The Right Side
08. Medicine Hat
09. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 21:11
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Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2015

Twerps - Range Anxiety

Marty Frawley, Jules McFarlane, Alex Macfarlane e Gus Lord são os Twerps, uma banda australiana oriunda de Melbourne e uma das coqueluches da conceituada Merge Records. Editado no passado dia vinte e três de janeiro, Range Anxiety é o segundo trabalho do coletivo, um disco gravado por Jack Farley nos Head Gap Studios e misturado por Matt Voigt. Além da Merge Records, este álbum também faz parte do cardápio da Chapter Music, sendo o sucessor de um homónimo editado em 2009.

Em treze canções os Twerps seduzem pela indie pop calorosa, vibrante e de enorme beleza melódica que propôem. Contemplativos, profundos e particularmente inspirados no modo como criam canções que transmitem sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano se revê, logo na confessional I Don't Mind, além de plasmarem com fulgor o som retro e vintage onde se revêem, parecem querer dizer-nos que nada mais lhes importa a não ser ficarem um dia famosos por comporem típicas canções de amor, feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.

Estes são os traços identitários que abundam no cardápio sonoro deste grupo, que agora, em Range Anxiety, olha cada vez mais e com maior atenção para o rock alternativo dos anos oitenta e  provam definitivamente serem compositores pop de topo, capazes de soar leves e arejados, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico. Se o esplendor acústico das cordas irradia nas festivas e solarengas Back To You e Cheap Education e no rock clássico de New Moves, já temas como Stranger, Shoulders ou Simple Feelings, mostram que os Twerps também sabem distorcer as guitarras e usar a bateria com diferentes cadências, dando assim um cunho ritmico que procura a diversidade, sem que isso coloque em causa o propósito claro de criar um álbum sensível e com canções cheias de personalidade e interligadas numa sequência que flui naturalmente. Esta Simple Feelings e Adrenaline acabam por encarnar uma das melhores sequências de Range Anxiety, já que, de certo modo, representam dois polos totalmente opostos, para um fim comum; Se na primeira escuta-se a voz grave e imponente de Jules, numa melodia amigável, mas algo psicadélica, feita com guitarras distorcidas, a seguinte arrasta-se até ao fim num longo mas sereno diálogo entre a voz doce de Marty e diferentes timbres das cordas e da percussão, que vão crescendo de emoção e intensidade, há medida que a voz feminina vai deixando o protagonismo para os instrumentos. Jules acaba por não querer ficar atrás e em Fem Murdereres adoçica também a sua voz, enquanto a distorce ligeiramente, oferecendo-nos, com a ajuda do baixo e das guitarras, uma espécie de narrativa leve e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável.

Ouvimos cada uma das músicas deste trabalho e conseguimos, com uma certa clareza, perceber os diferentes elementos sonoros que foram sendo adicionados e que esculpiram as canções, com as guitarras, melodicamente sempre muito próximas da postura vocal e os arranjos dedilhados a sobressairem, não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada lo fi, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite.

Num disco que não deixa de ser variado quanto às temáticas que aborda, vai-se, num abrir e fechar de olhos, do nostálgico ao glorioso, numa espécie de indie-folk-surf-suburbano, feito por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme e que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este disco representa. As distorções são sempre bem controladas, os ruídos minimalistas e os arranjos das cordas estão dissolvidos em doses atmosféricas, mas expressivas e muito assertivas e a subtileza na voz e o modo como Jules e Marty se alternam, denota uma longa aprendizagem e a pecceção do melhor espaço que cada um pode ocupar na busca por uma musicalidade amena, coberta por uma aúrea de sensibilidade e fragilidade romântica indisfarçáveis. Range Anxiety está imbuído de uma enorme beleza melódica, escuta-se com enorme fluidez, há um encadeamento claro entre os vários temas, uma noção de sequencialidade e uma relação clara entre as diferentes composições, mesmo aquelas que, como é o caso de Love At First Sight, parecem instrumentalmente opostos no conceito e na ideia que procuram aflorar.

Em Range Anxiety os Twerps avançam em passo acelerado em direção à maturidade, num disco extraordinariamente jovial, que seduz pela forma genuína e simples como retrata eventos e relacionamentos de um quotidiano rotineiro, um trabalho fantástico para ser escutado num dia de sol acolhedor. Espero que aprecies a sugestão...

1. House Keys
2. I Don't Mind
3. Back to You
4. Stranger
5. New Moves
6. White as Snow
7. Shoulders
8. Simple Feelings
9. Adrenaline
10. Fern Murderers
11. Cheap Education
12. Love at First Sight
13. Empty Road

 


autor stipe07 às 19:04
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Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

ScotDrakula - Burner & Break Me Up EP

Os ScotDrakula são Matt Neumann (guitarra, voz), Evianne Camille (bateria, voz) e Dove Bailey (baixo, voz), três jovens músicos australianos, oriundos de Melbourne, que gostam de misturar cerveja com o rock de garagem e darem assim asas à devoção que sentem pela música e pela cultura punk. No passado dia dezasseis foi disponibilizado fisicamente, em formato cassete e num único exemplar, Burner, o novo disco do grupo, no lado a, assim como um EP intitulado Break Me Up, no lado b, com a edição a poder ser encomendada através da insuspeita e espetacular Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Para ouvir e apreciar os ScotDrakula é necessário ter fé, sentir a luz do alto e ter a mente aberta e livre de qualquer ideia pré concebida relativamente a um hipotético encontro imediato com canções detentoras de artifícios sonoros intrincados e alicerçados numa receita demasiado complexa. Percebe-se, logo que inicia a audição, que da percussão vibrante de Ain't Scared ao baixo de Burner!, passando pela distorção que orienta Little Jesus, um tema clássico no que diz respeito à conexão feliz entre o fuzz de uma guitarra e a secção rítmica vitaminada que encorpora o rock psicadélico dos anos sessenta, estes nove temas são, apenas e só, mais uma excelente porta de entrada para um universo sonoro feito com guitarras carregadas de fuzz, uma percussão vibrante e ritmada e uma postura vocal jovial e com um encanto lo fi que inicialmente se estranha, mas que depois, rapidamente se entranha.

A maior parte destas canções vive da intimidade psicadélica que se estabelece no baixo e na guitarra, uma conexão algumas vezes com uma toada visceral algo sensual, como se percebe na crueza vintage de Doors & Fours e de Dynopsykism, mas feita e vivida com extremo charme e classe, muito à moda de um estilo alinhado, que dá alma à essência de um rock que nos convida para uma viagem no tempo, do passado ao presente, através de uma banda contagiante e que parece ser mais experiente do que o seu tempo de existência, tal é o grau de maturidade que já demonstra. O hipnotismo desenfrado que se pode conferir em CrazyGoNuts é uma autêntica ode à revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock clássico que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Burner & Break Me Up tem uma forte ligação com o passado e se tivermos a capacidade de confiar nestes ScotDrakula e deixarmos que eles nos mostrem que são também o caminho, a verdade e a vida, conseguimos facilmente viajar e delirar ao som das suas canções. Apreciar o verdadeiro rock clássico é também uma questão de fé e este trio australiano sabe o caminho certo para nos guiar até uma feliz, renovada e efetiva conversão. Espero que aprecies a sugestão.


autor stipe07 às 18:28
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

ScotDrakula- Break Me Up

Os ScotDrakula são Matt Neumann (guitarra, voz), Evianne Camille (bateria, voz) e Dove Bailey (baixo, voz), três jovens músicos australianos, oriundos de Melbourne, que gostam de misturar cerveja com o rock de garagem e darem assim asas à devoção que sentem pela música e pela cultura punk.

Já a dezasseis de dezembro será disponibilizado fisicamente, em formato cassete, Burner, o novo disco do grupo, assim como um EP intitulado Break Me Up, com ambas as edições a serem alvo de revisão muito em breve neste blogue e a poderem ser já encomendadas através da insuspeita e espetacular Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Depois de Stupid Everything, o primeiro avanço que o grupo disponibilizou do disco gratuitamente, agora chegou a vez de os ScotDrakula facultarem o tema homónimo do EP, outra excelente porta de entrada para um universo sonoro feito com guitarras carregadas de fuzz, uma percussão vibrante e ritmada e uma postura vocal jovial e com um encanto lo fi que inicialmente se estranha, mas que depois, rapidamente se entranha. Confere...


autor stipe07 às 17:30
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Bored Nothing – Some Songs

Bored Nothing é um projeto de Melbourne, na Austrália, liderado por Fergus Miller. Depois de ter lançado diversas demos e EPs, disponíveis num dos mais interessantes e complexos bandcamps que já tive a oportunidade de espreitar, chegou em 2012 o disco de estreia, por sinal um homónimo, através da Spunk Records. Dois anos depois, a vinte e sete de outubro, viu a luz do dia Some Songs, o segundo disco.

Some Songs é indie rock introspetivo de primeira água, plasmado em treze canções de fino recorte e uma superior sensibilidade, tão simples e descomprometidas como deveria ser a nossa própria existência, tantas vezes absorvida por instantes que obrigam o nosso superior interesse pessoal a lidar com dilemas, quimeras e frustrações, que certamente nos enriquecem, mas que não precisam de dar sinal de si em permanência. Simple Songs pretende oferecer-nos exatamente o oposto, uma sonoridade solta e etérea, assente no fino e delicado dedilhar das cordas, feito por guitarras vintage contidas e que geralmente procuram um ponto de equilíbrio, felizmente quase sempre instável, entre a submissão acústica e a aparente agressão de efeitos e distorções, que vão subindo de volume à medida que o alinhamento avança. Esta receita não deixa também de ser abastecida por alguns simples detalhes e arranjos sintetizados, com momentos em que domina uma toada lo fi, crua e pujante, cheia de quebras e mudanças de ritmos, com uma certa, e quanto a mim feliz, dose de improviso.

Assim, Some Songs, apesar da aúrea fortemente melancólica de alguns temas, tem o condão de nos presentear com um alinhamento caloroso e reconfortante, sendo  uma banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que descrevem este outono. Ao som dele podemos meditar e repousar embalados por histórias que conterão, certamente, um vincado cariz autobiográfico, de um músico com pouco mais de vinte anos que, ao segundo disco, continua a tentar entender melhor o seu âmago e a lidar com as vicissitudes normais da sempre difícil transição para a vida adulta, fazendo-o através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical.

O alinhamento de Some Songs começa com um simples instante acústico chamado Not e depois chega finalmente a bateria e o baixo em Ice-Cream Dreams, o primeiro single divulgado, sem dúvida um momento alto do disco, devido ao ritmo e ao modo cativante como Bored Nothing nos oferece a sua voz com uma certa dose de reverb que amplia a tonalidade doce e sussurrante da mesma, como se o cantor nos soprasse ao ouvido enquanto espalha o charme incofundível do seu registo vocal. Depois, ainda no período inicial, temas como Where Do I Begin e We Lied merecem também audição dedicada porque, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz mostra novamente uma sede incontrolável de protagonismo e se posiciona e se destaca. Pessoalmente, fui invariavelmente seduzido pelo teclado que, desde logo o inicio, toma conta de We Lied e o modo com o batida sintetizada passou a acompanhar essa melodia, pouco depois, numa dança com uma energia ímpar, cheia de outros sons que se atropelam durante o percurso da canção e que fazem dela, o meu momento prefeirdo do disco. Este exemplo é fundamental para o ouvinte mais dedicado perceber que a personalidade de cada tema do disco pode demorar um pouco a revelar-se nos nossos ouvidos, mas certamente será compensador experimentar sucessivas audições para destrinçar os detalhes precisos e a produção impecável e intrincada que as distingue e que, por acréscimo, sustenta o conteúdo.

Um outro instante acústico intitulado Ultra-lites marca a passagem para um novo capítulo do trabalho, mais elétrico, ritmado e luminoso, cheio de canções conduzidas por melodias assentes em guitarras distorcidas e um baixo e uma bateria sempre em sintonia, mas onde também não faltam detalhes sintetizados inspirados. Do quase punk lo fi de What You Want Always ao blues de Why You Were Dancing With All Those Guys, passando pela pop luminosa de Where Would I Begin, este é um novo periodo que reforça o cariz eclético de um músico inspirado e ajuda a fazer de Some Songs um disco feito na emoção e na intuição.

Até ao final, o rock experimental de Song for Jedder e de Ultra-lites II, os laivos de rock progressivo de Don't Go Sentimental e o groove de Artificial Flower, são o capítulo final de um compêndio de várias narrativas, onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência de um Fergus Miller sereno e bucólico. Com canções cheias de versos intimistas que fluem livremente, Bored Nothing procura através da música a sua individualidade, enquanto conta experiências e nos ajuda a perceber sobre aquilo que medita, as suas conclusões e as perceções pessoais do que observa, enquanto a sua vida vai-se desenrolando e ele procura não se perder demasiado na torrente de sonhos que guarda dentro de si e que nem sempre são atingíveis. Espero que aprecies a sugestão...

Bored Nothing - Some Songs

01. Not
02. Ice-cream Dreams
03. The Rough
04. We Lied
05. Ultra-lites
06. Do What You Want Always
07. Why Were You Dancing With All Those Guys
08. Where Would I Begin
09. Come Back To
10. Song For Jedder
11. Don’t Go Sentimental
12. Artificial Flower
13. Ultra-lites II


autor stipe07 às 21:18
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Mink Mussel Creek – Mink Mussel Manticore

Oriundos de Perth, na austrália, os Mink Mussel Creek são atualmente Nick Allbrook (voz), Shiny Joe Ryan (guitarra), Steve Summerlin (baixo), Richard Ingham (sintetizadores) e Kevin Parker (bateria), uma banda de rock psicadélico formada por um grupo de amigos que há quase dez anos começou a fazer música e que começou por se distinguir por causa dos concertos, tendo, por exemplo, em 2007, dado mais de cem espetáculos ao vivo. Com várias alterações na formação desde o início e vivendo desde sempre à sombra do sucesso dos Pond e dos Tame Impala, viram sempre adiado o lançamento do disco de estreia, um trabalho chamado Mink Mussel Manticore que viu finalmente a luz do dia este ano por intermédio da Spinning Top Records.

Mink Mussel Manticore é uma obra que conta um pouco da história do já famoso cenário psicadélico australiano, com os já citados Pond e Tame Impala a liderarem o pelotão das bandas mais influentes desse universo sonoro e alguns membros destes dois projetos a aparecerem no plantel destes Mink Mussel Creek. Kevin Parker, o líder do Tame Impala, toma aqui conta da bateria, Nick Allbrook, antigo membro dos Tame Impala e vocalista do Pond, assume a voz e Joe Ryan, dos Pond, toca guitarra.

A história de Mink Mussel Manticore começa 2007, o tal ano em que deram imensos concertos e quando gravaram grande parte destas sete canções, que foram novamente trabalhadas em estúdio em 2011 e só agora viram a luz do dia. Disco mais áspero e robusto que os trabalhos dos Pond e dos Tame Impala, nos cinquenta minutos que estas sete canções duram, Mink Mussel Manticore é uma colcha de retalhos de sons psicadélicos, que tanto abraçam uma toada mais blues, como o garage rock, através de inéditos timbres de guitarra, ritmos pouco usuais e um imenso arsenal de efeitos com pedais que nos levam numa viagem verdadeiramente lisérgica e hipnótica.

Logo no início, They Dated Steadily é uma verdadeira jam session que ultrapassa os treze minutos de duração e abraça todos os universos sonoros acima citados, com a banda a delirar livremente durante a parte instrumental e a não ter receio de bater à porta da ténue fronteira que separa a psicadelia do rock progressivo. Daí em diante, o resto do disco serve-se da mesma receita, variando apenas a dose. Promising Quintet Rise To Power (Macho Peachu) impressiona pelo groove, Makeout Party Girls tem um tom declaradamente explosivo e ruidoso e consente o predominio do garage rock californiano, típico de nomes tão infleuntes como Ty Segal ou os Thee Oh Sees e Doesn't The Moon Look Good Tonight traz consigo aquele teor mais experimental típico dos Pond.

Tão inusitado e abrangente quanto o ser mitológico que dá nome ao álbum, já que a manticora é uma espécie de junção entre leão, tubarão, dragão e homem, Mink Mussel Manticore é um belíssimo disco de estreia de uma banda que, pelos vistos, existe apenas como um passatempo de outras duas consideradas já fundamentais, mas que tem todas as condições para coexistir com as mesmas, além de ter como grande vantagem possiblitar aos seus músicos experimentar e explorar diferentes sonoroidades que as exigências comerciais a que os Pond e os Tame Impala já estão sujeitos dificilmente permitem. Espero que aprecies a sugestão...

Mink Mussel Creek - Mink Mussel Manticore

01. They Dated Steadily

02. Meeting Waterboy
03. Cat Love Power
04. Promising Quintet Rise To Power (Macho Peachu)
05. Makeout Party Girls
06. Hands Off the Mannequin, Charlie
07. Doesn’t the Moon Look Good Tonight


autor stipe07 às 21:21
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