music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta!
O australiano Nick Cave está de volta aos discos. Lançado pela Mute, Push The Sky Away surge cinco anos após Dig, Lazarus, Dig!!!, mas não se pense que durante este período este artista esteve parado. Gravou discos com os Grinderman explorando sonoridades mais abrasivas, assinou bandas sonoras com Warren Ellis e trabalhou como escritor e autor de guiões para cinema. Assim, parece óbvio que Nick não gosta de apressar a produção de canções nos Nick Cave And The Bad Seeds e que o espaço criativo e emocional reservado para este projeto é sempre muito planeado.
Push The Sky Away é o trabalho do Cave mais próximo do maravilhoso tridente Murder Ballads,Boatman’s Call e No More Shall We Part. É um disco íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, ou seja, segue a habitual bitola ideológica de Nick Cave. Há uma dimensão algo atmosférica, sendo o tema homónimo que encerra o trabalho um exemplo perfeito desta descrição. À medida que o álbum corre pelos nossos ouvidos, somos presenteados com observações sobre o mundo e, algumas vezes, o próprio Nick coloca-se no centro da ação, nomeadamente em Jubilee Streete na esquizofrénica e caótica Higgs Boson Blues, um tema de sete minutos cheio de imagens, metáforas e mistério.
O álbum acaba por ter uma audição fluída e nesta viagem melancólica, há travos de gospel e das coordenadas de Leonard Cohen. Em suma, é música sem horas nem sono, sempre pronta, para alimentar romances ou melancolias, ou a afagar quem sofre de males de amor.
Instrumentalmente, as guitarras tocam devagar, e mantêm uma tensão acumulada que nunca se chega efectivamente a libertar, como sucede em Water’s Edge ouWe Real Cool. Tanto elas como os violinos e os violoncelos, tanto embalam como arranham. Os arranjos não existem só para decorar e cada efeito orquestrado ou contínuo riff de guitarra serve para endossar a complexidade das composições de Nick Cave.
Push the Sky Away expõe alguma decadência contida e tranquilamente claustrofóbica através de um músico com uma vitalidade imparável e uma carreira cada vez mais notável. A atmosfera criada não chega a sair do limiar dos sonhos e cria diferentes texturas sonoras para o que parece ser uma epifania sonora de Nick e dos seus Bad Seeds. Um turbilhão de emoções acaba por o resultado de uma perfeita sintonia entre voz e banda, o que faz deste álbum a banda sonora perfeita para íntimos momentos de reflexão. Espero que aprecies a sugestão...
01. We No Who U R 02. Wide Lovely Eyes 03. Waters Edge 04. Jubilee Street 05. Mermaids 06. We Real Cool 07. Finishing Jubilee Street 08. Higgs Boson Blues 09. Push The Sky Away
Os Birds Of Tokyo são uma banda de indie rock banda australiana, natural de Perth e March Fires, lançado pela etiqueta EMI, é o seu último disco, editado a um de março. March Firessucede a Day One (2007), Universes (2008) e ao homónimo Birds Of Tokyo, de 2010 e foi produzido por Dave Cooley (Silversun Pickups) e misturado por Tony Hoffer (M83, Beck, The Kooks, Belle & Sebastian).
This Fireé o grande destaque de March Fires, um tema que quando foi lançado em outubro passado como um single deu origem a um EP homónimo e que relançou a carreira da banda. Atualmente a banda conta na sua formação com Ian Kenny, Adam Spark, Adam Weston, Glenn Sarangapany e Ian Berney.
Os quarenta e cinco minutos da sonoridade de March Firesassentam num indie rock épico, feito com uma enorme míriade instrumental, texturas sonoras ricas, diversificadas e apoiadas por uma postura vocal carregada de emoção e entusiasmo. É um álbum sólido, com uma linguagem simbólica, bem patente no próprio título do disco e, do início ao fim, otimista e caloroso. De certa forma seguem a fórmula dos Coldplay, a primeira banda que me fizeram recordar, já que injetam a sua música com uma mistura saudável de teclados, sintetizadores e outras influências pop para, juntamente com as guitarras sempre muito interligadas e carregadas de distorção, apresentarem uma espécie de soft rock, cheio de energia e cor. Não é uma pop descartável, apesar de não ter grandes segredos, mas um conteúdo que merece realce porque as onze canções criam um pacote coeso, delicadamente pensado, trabalhado e produzido meticulosamente.
Ian Kenny tem uma voz mesmo no auge da rebeldia, capaz de persuadir qualquer um a render-se aos seus anseios mais melancólicos, já que é um mestre a criar refrões aditivos e que entram facilmente no ouvido. Ele e as melodias criadas pelas teclas de Sarangapany, são mesmo, na minha opinião, os dois trunfos maiores de March Fires; É quase impossível não sentir-se um pico de emoção durante a audição do disco e aquela aúrea épica é uma presença constante, principalmente em This Fire, Boy e Lanterns, uma canção capaz de nos levar a um lugar onde tudo parece possível. Este impacto emocional é uma agradável sensação já que a fórmula escolhida para o causar é simples e de fácil absorção, para quem, obviamente, aprecia a típica sonoridade rock deste universo sonoro. Espero que aprecies a sugestão...
01. Liquid Arms 02. This Fire 03. When The Night Falls Quiet 04. Motionless 05. Lanterns 06. The Others 07. White Leaves 08. Blume 09. Boy 10. Sirin 11. Hounds
Formados em março de 2011, os Coloured Clocks são James Wallace, Matthew Stott, Lachlan MacFarlane e Daniel Stott, uma banda australiana, natural de Melbourne. Estrearam-se nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final deste mesmo ano, mais concretamente no passado dia dezoito de dezembro, deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine. E, imaginem só, a banda disponibilizou toda esta discografia para download gratuíto no seu bandcamp.
Os Coloured Clocks fazem um indie rock progressivo, com fortes reminiscências do rock da década de setenta e sem porem de lado o que de melhor se atualmente nesse universo musical. Portanto, se gostas de sonoridades cósmicas e psicadélicas tens de conhecer esta banda. Já agora, de toda a discografia, destaco Maze, o primeiro single retirado de Nectarine, um tema épico, com uma estrutura melódica tradicional e com um riff de guitarra luminoso, bem acompanhado pela bateria e com a voz de James a fazer recordar a do seu conterrâneo Brian Aubert, dos Silversun Pickups. Espero que aprecies a sugestão...
01. Nobody’s Watching 02. Fading Light 03. Uncovered Sun 04. Maze 05. Icecream 06. All The Time 07. Enormous Mushroom 08. Somewhere 09. Don’t You Believe 10. Orion
Se gostas daquelas simples canções pop, feitas com pouco mais de três minutos, então vais certamente apreciar os australianos Split Seconds, uma banda que começou por ser um projeto a solo de Sean Pollard, um músico natural de Perth, que viveu em Londres e que no início da década passada se destacou à frente dos já extintos New Rules For Boats. You'll Turn Into Me é o disco de estreia deste grupo cuja formação tem cerca de dois anos de existência. Recentemente, no país natal, andaram em digressão com os Panda Band e Bob Evans e a abrir concertos para Sufjan Stevens e os Final Fantasy.
Descobri os Split Seconds através da audição de Top Floor, um tema sobre um casal que se apaixona num típico autocarro londrino e She Makes Her Own Clothes, dois temas que me fizeram recordar a pop dos anos oitenta, nomeadamente aquela que era proposta pelos saudosos Prefab Sprout. Sendo assim, You'll Turn Into Meestá recheado com canções cheias de qualidade e muito bem tocadas, feitas com algum humor, muitas vezes até preverso, mas quase sempre a abordar temáticas familiares.
Logo na audição de Security Light, obténs a confortável sensação de ficares com a noção do que irá ser escutado no restante alinhamento. Pollard não é grande adepto do uso de uma enorme variedade instrumental, até porque tem a vantagem de poder contar com um imenso talento vocal, que lhe permite emparelhar rimas recheadas de humor com guitarras, às vezes embelezadas com palmas ou um apito ocasional. Maiden Name, o meu tema preferido do álbum e uma canção que fala sobre corações partidos e o envelhecimento e é um extraordinário exemplo da capacidade dos Split Seconds em fazer canções com um certo charme, que pintam quadros verídicos sobre a vida contemporânea e que são ao mesmo tempo leves e sedutoras. Espero que aprecies a sugestão...
01. Security Light 02. All You Gotta Do 03. Maiden Name 04. Top Floor 05. Oliver 06. Fill The Cannons 07. Amanda 08. She Makes Her Own Clothes 09. Some Of Us 10. You’ll Turn Into Me
Bored Nothing é um projeto de Melbourne, na Austrália, liderado por Fergus Miller. Depois de ter lançado diversas demos e Eps, disponíveis num dos mais interessantes e complexos bandcamps que já tive a oportunidade de espreitar, chegou finalmente um disco, por sinal homónimo, através da Spunk Records.
A sonoridade de Bored Nothing é uma mistura indie lo fi, feita com psicadelia, folk e punk e que se carateriza por uma percurssão acentuada, guitarras contidas e uma voz frequentemente sintetizada e em reverb. Um dos destaques deste Bored Nothing é Bliss, um tema com uma sonoridade também ligeiramente épica e com um vídeo muito original, onde o protagonista principal é o próprio Fergus e gravado por um amigo seu chamado Jared, em casa do músico.
Apesar do nome do projeto, o tédio e aquela frustração tantas vezes plasmadas pelo grunge dos ano noventa, não têm aqui lugar; Mas as guitarras são, como referi, mais contidas e geralmente procuram um ponto de equilíbrio, felizmente quase sempre instável, entre submissão e agressão.
Considero que esta demanda é um reflexo da vida de Miller, considerada um pouco obscura e, talvez, uma das melhores explicações para a postura algo dramática e ofegante da sua voz. Aliás, neste disco homónimo, ficou-me bem claro que estamos na presença de um conjunto de canções que personificam mais do que a história de um indivíduo que ainda anda à procura do melhor registo da sua voz, a história de alguém que busca, usando a música, o melhor da sua própria individualidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Shit For Brains 02. Popcorn 03. Just Another Maniac 04. Bliss 05. Darcy 06. I Wish You Were Dead 07. Echo Room 08. Get Out Of Here 09. Let Down 10. Snacks 11. Charlie’s Creek 12. Only Old 13. Build A Bridge (And Then How About You Get the Fuck Over It) 14. Dragville, TN
Depois de em fevereiro ter divulgado o EP Awkward, os San Cisco, uma banda natural de Perth, na Austrália e formada por Jordi James (guitarra, voz e teclados), Josh Biondillo (guitarra, voz), Nick Gardner (baixo) e Scarlett Stevens (bateria), acabam de editar o disco homónimo de estreia, através da Columbia Records.
Poucas bandas causam tanta curiosidade junto do público antes do lançamento do disco de estreia, como foi o caso dos San Cisco. Há alguns meses começou-se a ouvir falar destes jovens australianos devido a Awkward e agora chamaram definitivamente a atenção geral com este disco homónimo de estreia.
Os músicos não pouparam a esforços e lançaram um álbum cheio de inéditos e esta coleção de novos temas é ótima, cheia de canções dançantes e aditivas; De Beach até Wild Things passando por Fred Astaire e No Friends vale a pena ouvir o album todo. O disco apresenta temas construídos sobre linhas de guitarra e sintetizadores, quase sempre uma forte componente melódica e refrões bastante luminosos, com destaque para os refrões de Beache Girls Do Cry. Há no entanto, em alguns temas, uma certa sensação de dispersão.
Uma das maiores curiosidades desta banda é ter um elemento feminino na bateria, algo que, por si só, já chama bastante a atenção no cenário pop. Mas os San Cisco têm muito mais potencial do que aquele que é demonstrado pela belíssima Scarlett nas baquetas; A sonoridade de influências globais, uma espécie de pop inofensiva, com um leve tempero afro, faz com que sejam comparados a outros nomes consagrados do universo indie como os Vampire Weekend e os Clap Your Hands Say Yeah.
A opção pelo nome da banda para o disco de estreia será, certamente, uma estratégia de reforço da identidade, uma forma de querer mostrar o que realmente são e de estabelecerem desde já, mesmo que seja percetível ainda alguma falta de maturidade apesar do já apreciável talento, um vínculo forte com o público.
Uma nota final; Awkward, o grande destaque do EP lançado no início do ano foi uma das dez músicas mais tocadas na Austrália em 2012 e o vídeo teve mais de dois milhões de visualizações no youtube. Espero que aprecies a sugestão...
CD 1 01. Beach 02. Fred Astaire 03. Hunter 04. Wild Things 05. No Friends 06. Lyall 07. Metaphors 08. Mission Failed 09. Stella 10. Toast 11. Nepal 12. (Hidden Track)
CD 2 01. Awkward 02. Golden Revolver 03. Rocket Ship 04. Girls Do Cry
Lançado no passado dia cinco de outubro pela Modular, Lonerism é o disco mais recente dos australianos Tame Impala e sucede a Innerspeaker, um álbum que há dois anos transformou este quarteto num dos novos talentos e ícones da cena alternativa e da música psicadélica. Os Tame Impala são de Perth, nos antípodas e liderados pelo multi instrumentista Kevin Parker.
Um dos segredos do sucesso dos Tame Impala está na capacidade que demonstram em replicar a tal psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas. Ainda dentro do tal universo psicadélico, aqui não há aquela sonoridade mais pop de uns MGMT, mas uma revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes do rock clássico que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Os Tame Impala homenageiam então bandas como os Pink Floyd ou os Cream e artistas mais recentes, como os The Flaming Lips e até os My Bloody Valentine.
Ao longo da audição de Lonerism vai-se ficando com a percepção que há aqui uma notável evolução do grupo que, além de replicar as já referidas influências, consegue construir uma sonoridade típica, só deles, ou seja, profundamente inventiva. E assim, fica desde logo evidente que existe um abismo gigantesco entre a sonoridade proposta pelos Tame Impala e o de outras bandas que nos últimos anos têm propagado e procurado abarcar o universo sonoro psicadélico.
Lonerism é um quadro sonoro pintado com guitarras melódicas que constroem cenários policromáticos nos nossos ouvidos. Comparado ao antecessor Innerspeaker, o novo disco é muito mais subtil e naturalmente atrativo. As guitarras são menos cruas e agora deixam-se envolver numa nuvem de distorções leves e acolhedoras. Mesmo que o enquadramento seja outro, é visível ao longo do álbum a construção de músicas que parecem uma continuação aprimorada do que fora testado no disco passado. Elephant e Apocalypse Dreams exemplificam bem essa passagem, como se a banda, ciente da necessidade de evoluir, mantivesse ainda uma forte ligação com o disco passado, sem descurar a óbvia evolução que Lonerism configura, como já referi.
Nas minhas pesquisas descobri que o uso e abuso de várias substâncias psicotrópicas são uma influência confessada pelos Tame Impala e que ajudaram a servir de base a grande parte do conteúdo de Lonerism; Seja como for, muito do que estimula o crescimento do álbum vem de referências maiores e curiosamente externas aos tradicionais apontamentos relacionados ao coletivo. Além das naturais confissões amorosas que se anunciam no decorrer de Why Won’t They Talk To Me? e She Just Won’t Believe Me, muito do que solidifica e amplia os horizontes do grupo advém da necessidade de criar um som pop acessível, já que o próprio Kevin Parker assumiu em entrevistas que, em Lonerism, Tame Impala soa à Britney Spears a cantar com os The Flaming Lips. Se não haviam outras provas mais evidentes, esta simples afirmação prova a tal influência e abuso de alucinogéneos.
A herança de Wayne Coyne e o cheiro constante da banda de Portland persiste nos constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, no almofadado conjunto de vozes em eco e nas guitarras mágicas que se manifestam ao longo da obra e na mestria instrumental de canções como Nothing That Has Happened So Far e Music To Walk Home By.
Em suma, Lonerism, divulgado em Curtas... XLIII, é um disco dotado de uma maturidade particular, com canções que pretendem hipnotizar, com a firme proposta de olhar para o som que foi produzido no passado e retratá-lo com novidade, com os pés bem fixos no presente. Criativo e coerente, Lonerism parece ser um disco que será melhor compreendido no futuro próximo e, enquanto tal não sucede, resta-nos viajar e delirar ao som das suas canções. Espero que aprecies a sugestão...
01. Be Above It 02. Endors Toi 03. Apocalypse Dreams 04. Mind Mischief 05. Music to Walk Home By 06. Why Won’t They Talk to Me? 07. Feels Like We Only Go Backwards 08. Keep On Lying 09. Elephant 10. She Just Won’t Believe Me 11. Nothing That Has Happened So Far 12. Sun’s Coming Up
Os Beacon preparam-se para lançar um novo EP, intitulado For Now e a Ghostly International está a disponibilizar o primiero single. A canção chama-se Feeling's Gone, também traz um instrumental na bagagem e é um original dos londrinos Fort Romeau.
Os finlandeses Paperfangs, uma banda de indie pop muito conceituada nos meandros mais alternativos do cenário muscial europeu, acabam de oferecer aos mais atentos uma cover de Everyday, um original de Buddy Holly, um conceituado cantor norte americano, nascido em 1936 e falecido em 1959 e considerado como um dos pioneiros do rock e da folk. Aproveita...
Os Black Marble são uma dupla natural de Brooklyn e que se prepara para lançar, no próximo dia nove de outubro, A Different Arrangement, o disco de estreia, através daSub Pop. Static é o segundo single já conhecido do disco, depois de, em julho, terem divulgado A Great Design.
O quarteto noise pop californiano Dum Dum Girls está de volta como um novo EP chamado End of Daze e que será editado, pela Sub Pop, amanhã, dia vinte e cinco de Setembro.
O EP será lançado, em princípio, apenas em vinil (com MP3 pra download); São cinco músicas, sobras do trabalho de estúdio que deu origem a Only In Dreams e todas produzidas por Sune Rose Wagner, dos Raveonettes.
Os canadianos The Wilderness of Manitoba, acabam de lançar Island Of Echoes, um álbum cuja sonoridade obedece à tipica sonoridade folk do grupo, mas que saúda também diferentes influências. O grupo não esconde a sua inspiração, que vai dos Fleetwood Mac à obra de Crosby, Stills, Nash e Young.
Tudo é feito com esmero, e se o disco começa com a cansativa Morning Sun, disponível para download gratuito, cresce a cada canção até atingir níveis etéreos dignos de um Bon Iver. Não é um álbum de rutura, mas de continuidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Balloon Lamp 02. Morning Sun 03. Echoes 04. The First Snowfall 05. The Aral Sea/Southern Winds 06. Chasing Horses 07. White Woods 08. Golden Thyme 09. A Year In Its Passing 10. Glory Days 11. The Island of the Day Before 12. The Escape 13. Northern Drives
Quem se estreou no discos com um homónimo foram os The Rubens, uma banda australiana de indie rock, natural de Sidney e formada porZaac Margin (guitarras), Elliott Margin (voz e teclados), Sam Margin (voz e guitarras) e Scott Baldwin (bateria). Em termos de sonoridade encontram raízes em bandas como osThe Black Keys, The Doors e Cold War Kids. Confere...
01. The Best We Got 02. My Gun 03. Never Be The Same 04. Lay It Down 05. Be Gone 06. Elvis 07. The Day You Went Away 08. I’ll Surely Die 09. Look Good, Feel Good 10. Don’t Ever Want To Be Found 11. Paddy
Os australianos Dead Can Dance de Brendan Perry e Lisa Gerrard estão de regresso aos discos, dezasseis anos depois de Spiritchaser. O álbum chama-se Anastasis, chegou às prateleiras no inicio de agosto e torna-se no décimo da discografia de um grupo fundamental da história da indie folk dos últimos vinte anos
Anastasis é composto por oito músicas, num total de cinquenta e seis minutos, com o destaque maior para o single Amnesia, que a banda disponibilizou para download no seu sitio, assim como a audição integral do disco.
Um dos maiores trunfos deste conjunto de canções está na decisão da banda em ter abordado a míriade sonora que fez sempre parte do cardápio musical dos Dead Can Dance. Assim, em Anastasis, escuta-se world music, chillwave, dream pop, new age e outras sonoridades mais clássicas e experimentais. Acaba por ser viciante experimentar ouvir o disco várias vezes e ir catalogando mentalmente os universos sonoros abordados e estimulante perceber como eles se relacionam e se fundem nas canções. Este constante sobressalto e variedade sonora ficam ainda mais enriquecidos quando se constatam as diferenças na forma de cantar de Brendan e Lisa Gerrard e o encanto etéreo e celestial com que comunicam entre si.
Logo a abrir,Children of the Sun, começa com uns teclados que criam uma atmosfera envolvente e bastante quente. Depois da bateria, a voz de Perrytorna-se o primeiro pilar dessa música, uma voz grave, mas bastante acolhedora e calma. We are the children of the sun, there's room for everyone é uma das frases do refrão; Descreve a raça humana, as suas origens, e constata que, inevitavelmente, somos criações da natureza e a ela nos devemos manter ligados. O som que emanam nesta canção de abertura tem uma toada épica, que se mantém logo na seguinte; Anabasis, com uma percussão fenomenal e bastante diversificada, vai-se construindo aos poucos, através de uma sequência rítmica bastante moderna. Como é normal nos Dead Can Dance, os teclados são cruciais no que toca à criação de um ambiente confortável e familiar para o ouvinte. Em Anabasis é Lisa que canta, provavelmente em grego antigo, visto que é dessa língua e cultura que o título do álbum vem. Uma coisa é certa, os Dead Can Dance são mestres na instrumentação, na forma como tocam e como conjugam todos os instrumentos.
Em Agape dominam sonoridades mais orientais e a voz de Gerrard altera-se em relação à de Lisa emAnabasis, tornando-se mais grave. Ouve-se a canção e imagina-se um cenário tipicamente chinês. Não deixa de ser estimulante a sonoridade dos Dead Can Dance evocar ambientes seculares e, simultaneamente, soar de uma forma tão nova e tão refrescante.
Segue-se Amnesia, canção com um som mais negro, já que as notas que são tocadas evocam um ambiente um pouco mais obscuro, como se a canção ilustrasse um culto secreto, ou um ritual. O piano nesta música é sublime e desempenha um papel fulcral. Os sons ambiente são ao mesmo tempo revitalizantes e algo perturbadores, num sentido bastante agradável. É como se a cena fosse serena, mas em segundo plano estivesse a passar-se algo contrastante. A quinta música chama-se Kiko e é a mais comprida do álbum, com pouco mais de oito minutos. Domina nela, novamente, um som oriental com uma melodia no fundo a puxar para o obscuro; E assim passam rapidamente oito minutos maravilhosos. Rapidamente entra Opium em cena, criando um ambiente sonoro relaxante. A penúltima música chama-se Return of the She-King e começa com uma gaita de foles e um teclado do mais épico que se ouve emAnastasis. A voz de Lisa eleva-a a um patamar elevadíssimo, com uma melodia bastante bonita.
Em suma, ouvir Anastasis é como ouvir um monólogo de Zeus no seu próprio templo. Durante estas oito canções somos levados e elevados ao mesmo nível dos templos mais altos da mitologia grega. Espero que aprecies a sugestão...
01. Children Of The Sun 02. Anabasis 03. Agape 04. Amnesia 05. Kiko 06. Opium 07. Return Of The She-King 08. All In Good Time
Os The Laurels são uma banda de Sidney, na Austrália, formada por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo) e Kate Wilson (bateria). Plains é o disco de estreia do grupo, editado no passado mês de julho pela Rice Is Nice e foi produzido por Liam Judson, o mesmo que orientou o EP Mesozoic, primeiro registo oficial da banda, lançado em 2011.
Changing the Timelineé o primeiro single retirado de Plains e mostra o estilo que já fez desta banda um dos grandes expoentes do shoegaze e do cenário psicodélico dos antípodas em 2012. Já agora, a editora disponibilizou para downloadTidel Wave, a canção de abertura do álbum.
Os The Laurels são mais uma banda, como tantas outras que têm passado por cá, a seguir a tendência de redescobrir e reutilizar sonoridades do passado. Algumas fazem-no de forma descaradamente objetiva, copiando estilos e até melodias de forma exaustiva. Outros conseguem utilizar o som de ontem de outra forma, procurando reinventar, fundir referências e, sobretudo, dar personalidade e um cunho identitário próprio (da banda ou artista) ao som.
Considero que os The Laurels encaixam-se na segunda opção. Plains é um misto de várias sonoridades do passado que, por se combinarem, não ficam datadas. Assim, estamos na presença de um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soem necessariamente presos a esses géneros.
Ouvir este disco é como dar um passeio pela história do pop e da psicadelia e também por outros teritórios.Tidal Wavetraz-nos as guitarras potentes e empoeiradas do shoegaze, também presentes noutras canções eChanging The Timelinecontém uma dose de distorção que lembra os Sonic Youth. No entanto, a música que mais se aproxima do rock psicadélico dos anos setenta é This City Is Coming Down.
Em suma, estamos na presença de um típico disco de estreia, onde há uma banda que procura, desde logo, assumir uma determinada postura sonora, quase até à exaustão. Espero que aprecies a sugestão...
01. Tidal Wave 02. Changing The Timeline 03. Traversing The Universe 04. This City Is Coming Down 05. Glacier 06. Manic Saturday 07. Mesozoic 08. One Step Forward (Two Steps Back) 09. Sway Me Down Gently 10. A Rival
Os The Medics são uma banda australiana, que se formou em 2007 e que tem nas suas fileiras Jhindu Lawrie, Charles Thomas, Kahl Wallace e Emma Andrews, quatro jovens com pouco mais de vinte anos de idade. Depois dos EPs The Medics (2008) e This Boat We Call Love (2010), no passado dia dezoito de maio surgiu nos escaparates Foundations, o primeiro longa duração deste grupo.
O single Griffin é o grande destaque de um grupo hoje considerado uma das bandas mais promissoras do país dos cangurus. Rezam as crónicas que ao vivo são uma banda poderosa, cheia de intensidade, emoção e energia. As canções de Foundations, disco produzido por Yanto Browning, ajudam a perceber esta descrição, porque são envolventes, emotivas e frenéticas, com uma percurssão musculada e guitarras distorcidas a conduzir as mesmas.
Os fãs dos The Temper Trap poderão encontrar alguns pontos de encontro entre as duas bandas, especialmente no que diz respeito à componente melódica e à voz sussurrada, acompanhada por coros que ajudam a ampliar o poder das músicas, a dar a algumas proporções verdadeiramente épicas e assim potenciar a experiência do ouvinte.
Com este disco os The Medics prometem bastante e se optarem por elaborar um som exclusivo sem se deixarem contagiar demasiado por sonoridades potencialmente mais comerciais, serão muito em breve um grupo muito conhecido em todo o mundo, aposto. Espero que aprecies a sugestão...
01. Beggars 02. Rust 03. Griffin 04. Ocean Eyes 05. Joseph 06. Deadman 07. Slow Burn 08. 50 Years 09. Never Gone 10. Finegan 11. Golden Bear
Os australianos The Temper Trap, banda formada em 2005, liderada por Dougy Mandagi e conhecida pelo som atmosférico, com guitarras e um grande conjunto de ritmos pulsantes, só viram o sucesso em 2009 quando Sweet Disposition, extraído do seu álbum de estreia Conditions, se tornou num verdadeiro fenómenos à escala mundial. Agora, em maio de 2012, regressaram aos lançamentos com um disco homónimo lançado através da Infectious Records.
Os The Temper Trap são aquela típica banda que lança um primeiro álbum que conquista milhares de fãs e que acabam por criar uma tremenda expectativa para o segundo álbum e que muitas vezes sai um pouco defraudada.
O disco abre com a épica Need Your Love, uma canção carregada de metáforas, mas logo a seguir vem uma das canções mais curiosas deste The Temper Trap e que denota uma enorme vontade de deixar, desde logo, a sonoridade de Conditions para trás; Falo de London’s Burning, uma canção onde o grupo canta sobre os distúrbios que ocorreram na capital britânica o ano passado, sendo de referir que a banda reside nessa cidade desde 2009, com o firme propósito de fabricar o sucessor de Conditions e replicar o sucesso da estreia. Naturalmente, vivendo o fenómeno de perto, deixaram-se inspirar pelo mesmo, o que não implica necessariamente que os The Temper Trap queiram assumir que são um grupo com fortes convicções políticas e sociais.
Ao longo dos disco a voz de Mandagi assemelha-se algumas vezes ao registo de um Jeff Buckley e é uma voz que é feita com doloridas expressões faciais. A mesma serve para dar vida a canções assentes numa guitarra carregada de efeitos e em sintetizadores. Essa busca quase obsessiva por uma nova identidade sonora e pela ruptura com a estreia, fá-los, neste homónimo, aproximarem-se demasiado de uma sonoridade dos anos oitenta que tanto oscila entre o rock de estádio de uns Scorpions, como a pop baladeira e melancólica dos Spandau Ballet. Mesmo quando em MiracleMandagi volta ao seu reconhecível falsete e a uma sonoridade mais familiar, ele parece que está a recriar algo que já existe em vez de desbravar novos caminhos.
Em suma, neste homónimo os The Temper Trap assumem a louvável vontade deexperimentar,mas acabam por ter o handicap de não produzir nada tão acessível como Sweet Dispositions ou Fader. Espero que aprecies a sugestão...
01. Need Your Love 02. London’s Burning 03. Trembling Hands 04. The Sea Is Calling 05. Miracle 06. This Isn’t Happiness 07. Where Do We Go From Here 08. Never Again 09. Dreams 10. Rabbit Hole 11. I’m Gonna Wait 12. Leaving Heartbreak Hotel 13. Want (Bonus) 14. The Trouble With Pain (Bonus) 15. Everybody Leaves In The End (Bonus)
Depois de em Curtas... XXIX ter divulgado Capricornia, canção que conta com o B sideWhen You Were Mine, já chegou ao mercado o segundo disco dos Allo Darlin'. O álbum chama-se Europe e foi lançado através da Slumberland Records e da Fortuna POP.
Na estreia, em 2010, os Allo Darlin' já tinham chamado a atenção e este Europe irá encher de contentamento quem se tornou fã desta banda na estreia. Elizabeth Morris, australiana de nascença, canta letras intimistas feitas com frases inteligentes, entoadas em harmonias vocais e acordes cheios de vida, criando um mundo sonoro particular e sui generis.
O resto da banda também empenhou-se em embrenhar-se nas dez canções; O baterista, Michael Callins, é bastante preciso e o baixo de Bill Botting parece que tem vida própria, o que aliado à guitarra de Paul Rains faz com que a sonoridade de Europe esteja bastante amadurecida e consistente.
E com este Europe, os Allo Darlin', muito timidamente e sem levantar grandes ondas fazem alguma da melhor pop folk que se ouve atualmente e criam verdadeiras e refrescantes pérolas sonoras. Espero que aprecies a sugestão...
01. Neil Armstrong 02. Capricornia 03. Europe 04. Some People Say 05. Northern Lights 06. Wonderland 07. Tallulah 08. The Letter 09. Still Young 10. My Sweet Friend
No meio da interminável vaga de novos artistas que surgem todos os dias, alguns acabam por me ficar na retina e o mais recente é Matt Corby, músico australiano cujo primeiro single, Brother, soou pra mim como um daqueles singles revelação e que me fez querer descobrir toda a obra anterior deste artista. Acabei por descobrir que Corby coemçoo a carreira no Ídolos do país natal, onde participou quando tinha apenas dezasseis anos, em 2007. De lá para cá, em vez de seguir muitas vezes o caminho mais fácil, permaneceu fiel a si próprio e compôs algumas canções folk intimistas, tocou em bares pequenos, até que no ano passado surgiu Into The Flame, este visceral EP de quatro canções e que mudou a sua vida por completo.
O EP mistura blues, soul e folk. A própria Brother reflete com mestria as melhores características do disco; É uma canção esquizofrénica e mutante, com uma estrutura inusitada e onde é difícil descobrir o que é refrão ou o que é verso. O início é abrasivo e dominado pelo baixo, sequência que se repete algumas vezes ao longo da canção. Depois seguem-se delicados versos chegados ao folk, que poderão lembrar Bon Iver, cantados por uma voz angelical e em falsete, que de repente enfurece-se e explode.
As restantes canções do EP seguem esta sonoridade e auguram um futuro bastante risonho para este músico, do qual se aguarda o longa duração de estreia ainda este ano. Espero que aprecies a sugestão...
01. Brother 02. Souls A’Fire 03. Untitled 04. Big Eyes
Sia Kate Isobelle Furler (18 de dezembro de 1975), conhecida como Sia, é uma cantora pop australiana, dotada de uma criatividade notável e que ganhou uma enorme reputação ao colaborar com os britânicos Zero 7. No entanto, também editou cinco cinco álbuns a solo, sempre bem sucedidos e dos quais destaquei várias vezes, inclusivamente em Man On The Moon, a canção Breathe Me. Sia nasceu em Adelaide, começou por fazer parte da formação independente de acid jazz Crisp e lançou dois álbuns com esse grupo. Em 1997 estreou-se a solo e lançou o seu primeiro álbum solo, Onlysee, mas só ganhou notoriedade quando se mudou para o Reino Unido e seguiu de vez com a carreira a solo. Durante os anos seguintes, Sia lançou mais quatro álbuns: Healing Is Difficult (2000), Colour The Small One (2004/2006), Some People Have Real Problems (2008) e We Are Born (2010). Agora, em 2012, Sia achou que estava na altura de fazer uma espécie de balanço e resolveu editar Best Of..., o disco que junta aquelas que ela acha serem as suas melhores canções, servindo como súmula da sua já apreciável carreira. Espero que aprecies a sugestão...
01. Clap Your Hands 02. The Girl You Lost To Cocaine 03. Destiny (Feat. Sia) 04. Butttons 05. Day Too Soon 06. Numb 07. Where I Belong 08. Breathe Me 09. Sweet Potato 10. Bring Night 11. My Love 12. Titanium (Feat. Sia) 13. You’ve Changed 14. I Got To Sleep 15. The Fight 16. Soon We’ll Be Found 17. Taken For Granted 18. Buttons (CSS Mix)
Os Deep Sea Arcade formaram-se em 2008 quando aos amigos de longa data Nic Mckenzie e Nick Weaver recrutaram Carlos Adura, Simon Relf e Tim Chamberlain para a sua causa. Desde que chegou aos escaparates o EP de estreia Don’t Be Sorry, em 2009, muito bem aceite pela crítica, a banda cimentou uma reputação na Austrália e não só, já que, além de ter andado em digressão com Noel Gallagher e os Modest Mouse, tocaram no Festival Primavera, na vizinha Espanha e no The Great Escape em Inglaterra..
Outlands é, de acordo com a banda, o culminar de uma aventura musical de descoberta de uma míriade de géneros musicais e que acabaram por influenciar a esência das canções que integram o disco. O primeiro single extraído de Outlands foi Girls; É uma clássica canção com todos os ingredientes essenciais nua fórmula indie e tem passado com alguma insistência em várias rádios de relevo, nomeadamente a BBC1. together tem uma melodia bastante retro, a fazer-me lembrar imenso os Beatles e é uma das canções mais luminosas do álbum, assim como Steam o single que se segue. Mas um dos maiores destaques acaba por ser Lonely In your Arms, uma música com uma sonoridade bastante surf pop, um baixo extraordinário que comanda toda a canção e a voz de Mckenzie num registo bastante envolvente e similar a Peter Moren dos Peter, Bjorn and John.
Não me parece ser habitual haver uma banda nos antípodas que tenha os anos sessenta no rol das suas principais influências sonoras e que exemplos como os The Doors, The Zombies, The Monkees e os já citados Beatles sejam particularmente ouvidos e tidos em conta no momento de compor e gravar; Mas estes Deep Sea Arcade quebraram essa tendência.
Outlands acaba por ser um título apropriado para este disco de estreia dos Deep Sea Arcade, porque todas as canções têm, como já disse, uma sonoridade retro e, ao mesmo tempo, intrigante, não havendo uma preocupação latente em obedecer a um estilo, mas bastante potencial para, no futuro, nos brindarem com algo ainda melhor. Espero que aprecies a sugestão...
01. Outlands 02. Seen No Right 03. Girls 04. Granite City 05. Steam 06. Together 07. Lonely In Your Arms 08. All The Kids 09. Ride 10. The Devil Won’t Take You 11. Don’t Be Sorry 12. Airbulance
Os San Cisco são uma dupla natural de Perth, na Austrália e formada por Jordi James (guitarra, voz e teclados), Josh Biondillo (guitarra, voz), Nick Gardner (baixo) e Scarlett Stevens (bateria). Admitem que são influenciados por bandas como os MGMT, Vampire Weekend, e Flaming Lips e acabam de lançar Awnkward, o segundo EP da banda, através da Independent/MGM, gravado em Melbourne e produzido por Steven Schram. O EP de estreia chamava-se Golden Revolver e recebeu críticas bastante favoráveis, quer na Australia, quer a nível internacional, nomeadamente nos Estados Unidos, onde o single Golden Revolver tocou com frequência em muitas estações de rádio. Além disso, foi na cidade de Nova Iorque que gravaram o vídeo de Girls Do Cry, o segundo single desse primeiro EP.
O primeiro single deste EP é a homónima Awkward, canção que foi escrita em pleno estúdio, apenas numa tarde, sendo interpretada pelo baterista Scarlett, a meias com Jordi. Também apreciei muito Rocket Ship, uma canção mais calma e comandada por um piano, ao qual se acrescentam alguns tamborese a voz deDavieson, conduzida por um tecladobrilhante. Outro destaque do EP é 505, uma cover dos Arctic Monkeys, mais densa e atmosférica que o original.
Os San Cisco tiveram um ano de 2011 bastante ocupado; Tocaram no FUSE Festival de Adelaide e no BIGSOUND de Brisbane, além de terem servido de banda de suporte em digressões dos Architecture in Helsinki, dos The Grates e dos Jebediah & Kimbra. Espero que aprecies a sugestão...
Os Snakadaktal são uma banda de adolescentes australianos, amigos de escola e que se juntaram em 2010 para fazer música. No passado mês de novembro lançaram este EP homónimo de estreia que fez logo enorme sucesso no país natal e fez deles uma das principais revelações musicais do ano nos antípodas.
OEPcomeça logo com a promissoraWakeUp, canção nde se destacam as vozes que se cruzam commelodias relativamente sintetizadas. As letras não deixam de ser um poucorepetitivas, mas da forma como a canção está estruturada, apenas serve para dar ainda maior enfase à mensagem.O sonho é uma temática que se vai repetindo ao longo do EP, como emCarnival(MonsterLobster),Air e Quimera. Esta insistência numa temática abstrata, mas que é, sem sombra de dúvida, o leit motiv da nossa espécie (quando o homem sonha, a obra nasce), deverá ser, acima de tudo, uma forma honesta destes Snakadaktal quererem dizer ao mundo inteiro que um dia irão ser maiores e deixar uma marca através das canções.
As já citadas Quimera eAirsão as canções quese destacame se forneceremum vislumbre do quea bandapode ser capaz num futuro próximo, então o sonho dos Snakadaktal tornar-se-á realidade. Espero que aprecies a sugestão...
01. Wake Up 02. Chimera 03. Air 04. Carnival (Lobster Monster) 05. Skin 06. Boy
Os Clockwork Monkey são um projeto australiano liderado pelo cantor e compositorBrendan Bonsack, músico natural deMelbourne e com uma enorme pujança em temros de edição discográfica. Depois de a onze de novembro do ano passado se terem estreado nos discos com The Sky Groundwardse apenas um mês depois terem editado o aclamado You Are Here, no passado dia catorze de março lançaram Of Burning Things, um disco que ouvi recentemente e para cuja sonoridade foram fundamentais as presenças de Chrissy Misso na voz e Josh Wadell no baixo. Este álbum é uma crónica sentida de um evento que marcou profundamente a memóriade uma cidadepequena australiana e a suadestruição por umincêndio florestal. A sonoridade global do disco acena na direção da folk típica da américa profunda e da popalternativa através dosinstrumentostradicionaisdo rock, servindo tudo isto para, de uma forma algomaliciosa, contar histórias de pessoas simples e vulneráveis. É a própria banda quem se auto define como construtora de canções para serem ouvidas por novos primatas, todos nós que construimos um dia e agora vivemos neste mundo tão confuso e exposto ao desastre. Espero que aprecies a sugestão...
01. Ash 02. Calling 03. Night Of The Horses 04. First Rains 05. Someone Is Always To Blame 06. Crow 07. Man o’ Beige 08. Rear Vision Mirror 09. The Appointment 10. House Of Rebecca
Os Jinja Safari são mais uma descoberta oriunda dos antípodas, neste caso a Austrália e cuja sonoridade é catalogada por muitos como forest indie pop. São uma ideia concebida pelo guitarrista e cantor Marcus Azon e por Cameron Night, dois músicos locais que se conheceram em Sidney há derca de dois anos. Ao vivo juntam-se a estes dois músicos Joe Citizen, no baixo e na voz, Alister Stral Roach, na percussão e voz e Jacob Borg na bateria. Em 2010 lançaram um EP homónimo de estreia e agora, neste mês, editaram Locked By Land, o disco de estreia que tenho andado a ouvir.
Confesso ter ficado muito bem impressionado com este disco que inclui as músicas do tal EP de estreia e outros originais. A música destes Jinja Safari é uma combinação inspirada de barulhos estranhos, de cítaras, sinos e outros sons que derivam da eletrónica. Tudo conjugado resulta numa pop exuberante e cheia de vigor. Não é fácil encontrar bandas semelhantes, mas arrisco a dizer que eles fazem uma mistura de tudo aquilo que os Sigur Rós, Animal Collective e Sufjan Stevens têm de melhor. Peter Pan, o primeiro single retirado de Locked By Land é um exemplo perfeito dos seus pontos fortes; É uma canção muito animada e divertida, construída em redor de uma cítara memorável, um rufar de tambores e constantes dinâmicas e variações na intensidade sonora. Depois, desde a magia rodopiante de Sunken House à simples e infantil Mermaid, o álbum todo é pura brincadeira e diversão. Hiccups destaca-se pela linha de sintetizador, Scarecrow pela voz ternurenta e Moonchild pelas maracas que dão uma sonoridade muito veraneante à canção. Os sons que vão surgindo ao longo do disco são na maioria surpreendentes e nunca parecem desfasados ou exagerados. A consistência do álbum também pode ser atribuída à composição e à voz, fundamentando ainda mais a sua riqueza de sons. Locked By Land também tem alguns momentos de menor fulgor e criatividade, mas não há que negar que é enorme a grande diversidade de sons. Estes Jinja Safari são mais uma demonstração plena do vigor que existe no hemisfério sul oriental em termos musicais e como essa zona está a tornar-se num território cada vez mais importante no mapa musical alternativo. Espero que aprecies a sugestão...
01. Sunken House 02. Mud 03. Hiccups 04. Peter Pan 05. Moonchild 06. Families 07. Stepping Stones 08. Scarecrow 09. Vagabond 10. Head In A Blender 11. Forest Eyes 12. Errol Flynn 13. Mermaids 14. Peter Pan (Fishing Sandy Pant Remix) 15. Hiccups (Butcher Blades Icecream Nightmare Remix)
Nos últimos dias tem andado a tocar com uma certa insistência no meu carro Forever So, o novo álbum dos australianos Husky, lançado no mercado no passado dia vinte e um de outubro pela Liberation Music. Os Husky são naturais de Melbourne e formados por Husky Gawenda (voz, guitarra), Gideon Preiss (teclados), Evan Tweedie (baixo) e Lucas Collins (bateria). Apesar de terem diferentes formações musicais, une-os o amor pela pop clássica celebrizada por nomes tão influentes como Leonard Cohen, Paul Simon, The Doors e os Beach Boys.
Este Forever So foi gravado num estúdio que a banda construiu num quintal da casa de verão de Gawenda e misturado em Los Angeles no House of Blues Studio por Noah Georgeson, um produtor que já trabalhou com nomes como Joanna Newsom, Devendra Banhart e os The Strokes. E 2011 parece ser o ano dos Husky porque depois de vencerem o prémio Triple J Unearthed, estão a esgotar concertos no país natal durante a promoção deste disco.
Forever So tem-me deixado absolutamento deslumbrado! É uma coleção rica e carregada de belas canções, todas escritas por Gawenda e compostas pela banda em dias longos e noites quentes, onde terá sido intensa e constante a procura de harmonias o mais doces e transparentes possível. Digo isto porque, de acordo com Gawenda e ao citar George Orwell, a escrita deve ser um exercício transparente, assim como a música; You shouldn't notice the music or the art of it; you're just transported to another place. O resultado é uma coleção exuberante de canções que ecoam os clássicos com os quais a banda cresceu, cheio de letras assombrosas e camadas delicadas do sons e ritmos. Em termos de letras, uma espécie de fantasmagoria impregna a poesia das canções, por isso Forever So recordou-me tempos idos, sonhos e aquelas pessoas especiais que não estão mais entre nós, mas ainda existem na memória.
Com tantas bandas e artistas a fazer atualmente a dita indie folk, é refrescante encontrar alguém que o faz de forma diferente e com músicas profundas e poderosamente bem escritas. A belíssima balada folk History's Door é o primeiro single retirado deste álbum; Já reconhecida como uma das baladas maiores do ano, é feita de infecciosas harmonias vocais e uma melodia magistral. Fake Moustache segue noutra direção devido à sua batida e a forma como a guitarra e a voz ecoam na melodia, proporcionando ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto. Mas o meu grande destaque do disco é, indubitavelmente, Dark Sea, o segundo single, uma canção um pouco sombria, mas com a voz incrivelmente bonita de Gawenda a pairar delicadamente sobre uma melodia pop simples e muito elegante. Mais para o fim, também fiquei impressionado com How Do You Feel, por ter uma sonoridade que contrasta, algo inesperada e com uma letra que fala de visões e do desvendar de algo misterioso e que não é deste mundo.
Forever Só é pois uma espécie de pintura sonora carregada de imagens evocativas de outro tempo, como já referi, pintadas com melodias acústicas bastante virtuosas e cheias de cor e arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos, que provam a sensibilidade desta banda para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. E não restam dúvidas que estes Husky combinam com uma perfeição raramente ouvida a música pop com sonoridades mais clássicas. Pessoalmente, criaram em mim, através deste Forever So, um efeito devastador e senti o álbum como uma espécie de disco híbrido perfeito.Espero que, tal como eu, também aprecies esta sugestão...
01. Tidal Wave 02. Fake Moustache 03. History’s Door 04. The Woods 05. Hunter 06. Dark Sea 07. Forever So 08. Animals And Freaks 09. Instrumental 10. Hundred Dollar Suit 11. How Do You Feel 12. Don’t Tell your Mother 13. Farewell (In 3 Parts)
Esta novidade vem da Austrália, o EP data de 15 de fevereiro e a sonoridade insere-se na eletrónica e na folk experimental. Espero que aprecies a sugestão...