Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2016

Coloured Clocks – Particle

Editado hoje mesmo, dia oito de janeiro, e disponível para download no bandcamp da banda, Particle é o novo trabalho dos Coloured Clocks, uma banda australiana que é já presença habitual neste espaço. Com as origens a remontar ao início de 2011, os Coloured Clocks são um projeto musical liderado por James Wallace, um músico australiano natural de Melbourne. Estrearam-se nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012 deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine e logo depois, em 2014, All Is Round, uma espécie de álbum interativo, que pedia para ser escutado na sequência que entendessemos, já que o início pode ser o fim ou o meio, ou seja, as canções circulavam livremente e isso só não era concreto porque estavam presas à realidade lógica da indispensável sequência numérica do disco.

Particle contém doze canções que se por um lado não defraudam a herança identitária do ideário sonoro que instiga Wallace a compôr, por outro, mostram um autor e um projeto no auge de uma carreira sustentada por um indie progressivo e psicadélico, com fortes reminiscências do rock da década de setenta e sem por de lado o que de melhor se propôe atualmente inspirado nesse universo musical.

Este é um trabalho que deve ser ouvido na íntegra atentamente e apreciado como um todo, apesar de saltar ao ouvido composições como a contemplativa e cósmica The Craziest Street That There Has Ever Been, ou a sedutora Waiting On You, canção que se aconchega nos nossos ouvidos e cola-se à pele com o amparo certo para que se expresse a melíflua melancolia que Wallace certamente quis que deslizasse dela, já que o mistério é, também, um elemento estruturante da filosofia sonora dos Coloured Clocks. Green Lights também merece audição dedicada, devido ao modo como um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas se manifestam com uma mestria instrumental vintage única, mas apostando, também, em mudanças de ritmo e sobreposições com elementos sintéticos, sendo um dos temas onde eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop.

Assim sendo, se gostas de sonoridades cósmicas e psicadélicas tens de reviver esta banda e este disco verdadeiramente épico, com uma estrutura melódica tradicional e com riffs de guitarra luminosos, bem acompanhados pela bateria e por sintetizadores flutuantes e poderosos que nos conduzem a um universo lisérgico e tortuoso, mas cheio de cor, numa espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo. Escrito, produzido, gravado e misturado pelo próprio James Wallace e masterizado por Steve Smart, Particle contém uma aúrea resplandescente e romântica invulgares e espelha uma feliz revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Craziest Street That There Has Ever Been
02. Fly The Bi-Plane
03. Butterflies
04. Green Lights
05. Racing Down The Road
06. Why Weren’t You There?
07. Waiting On You
08. Life Is So Defined
09. Coming Back To You
10. Pop Songs
11. 27
12. The Pattern Particle Set


autor stipe07 às 21:03
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Domingo, 22 de Novembro de 2015

City Calm Down - In A Restless House

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que estreou nos lançamentos discográficos com A Restless House, um álbum que viu a luz do dia a seis de novembro, através da etiqueta I OH YOU.

Confessor particular regozijo cada vez que dou de caras com uma nova banda que se apresenta ao mundo à boleia de um post rock, com uma elevada toada punk e shoegaze. no caso destes City Calm Down, o deleite aumenta porpeceber que a essa fórmula sempre sedenta de novas renovações, adicionaram eficazmente o chamado krautrock que foi fazendo escola no universo sonoro alternativo desde a década de setenta. Temas como o efusivo, inebriante e inconsolávelmente emotivo Border In Control e a imponente Rabbit Run, o primeiro single de A Restless House, assentam os seus pilares instrumentais e melódicos em algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo de cariz mais sombrio, que fez escola em finais da década de setenta do século passado e que tem atualmente nos nova iorquinos The National um dos expoentes máximos. Mas há que haver algum rigor nesta comparação, já que se a voz dos City Calm Down nos recorda claramente a postura de Matt Berninger, os instrumentos clamam por uma simplicidade incrivelmente sedutora. Seja como for, à medida que a teia sonora se diversifica e se expande, somos confrontados com um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente épico e nostálgico que se recomenda, mesmo quando em Your Fix os City Calm Down procuram, com uma dança incisiva entre baixo e sintetizador, recriar com inesperada luminosidade aquela pop punk rock sintética e exultante que causou algum caos capilar na penúltima década do século passado.

É claramente recompensador perceber o modo como canções como a intrincada Son ou a mais intimista Wandering crescem em emoção, arrojo e amplitude sonora, sempre de forma progressiva, entoando um apelo sentido aos nossos sentidos para que se mantenham sempre atentos aquilo que a vida e a natureza têm para nos oferecer diariamente e que a pressa, o medo ou o simples desconforto, não deixam que ouçamos. E este alinhamento de In A Restless House é vigoroso no modo como incita o nosso lado mais humano e profundo a clamar por um óbvio sentido de urgência que nos deixe no final nos limites da nossa capacidade de sofreguidão, enquanto nos desafia a dançar ao som de canções quase sempre assentes num baixo vibrante adornado por uma guitarra jovial e pulsante, um sintetizador inspirado e uma bateria que nunca se faz rogada no momento de abanar com o nosso âmago.

Para ser devidamente apreciada e entendida, a música destes City Calm Down exige pulso firme e dedicação extrema, sem sacrifício e com disponibilidade total para se aceitar fazer concessões de modo a deixar que o poderoso edifício sentimental que a sustenta nos possa cobrir de fé e crença num amanhã melhor e diferente. Espero que aprecies a sugestão...

City Calm Down - In A Restless House

01. Intro
02. Border On Control
03. Son
04. Rabbit Run
05. Wandering
06. Your Fix
07. Nowhere To Start
08. If There’s A Light On
09. Falling
10. Until I Get By
11. In A Restless House


autor stipe07 às 19:23
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2015

City Calm Down – Rabbit Run

City Calm Down - Rabbit Run

Jack Bourke, Sam Mullaly, Jeremy Sonnenberg e Lee Armstrong são os City Calm Down, um quarteto australiano oriundo de Melbourne e que se prepara para a estreia nos lançamentos discográficos com A Restless House, um álbum que vai ver a luz do dia a seis de novembro, através da etiqueta I OH YOU.

Rabbit Run é o primeiro avanço divulgado de A Restless House, uma canão que assenta os seus pilares instrumentais e melódicos em algumas das caraterísticas fundamentais do indie rock alternativo de cariz mais sombrio, que fez escola em finais da década de setenta do século passado e que tem atualmente nos nova iorquinos The National um dos expoentes máximos. Se a voz dos City Calm Down nos recorda claramente a postura de Matt Berninger, já os instrumentos clamam pela simplicidade, mas à medida que a teia sonora se diversifica e se expande, dão vida a um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e um desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para um ambiente épico e nostálgico que se recomenda. Confere...


autor stipe07 às 14:53
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2015

Holy Holy – When The Storms Would Come

A Austrália é o poiso dos Holy Holy, uma dupla formada por Tim Carroll e o guitarrista e compositor Oscar Dawson, dois músicos oriundos de Brisbane e Melbourne, respetivamente e, em tempos, professores de inglês no sudoeste da Ásia. Ambos mudaram-se para a Europa em 2011, com Carroll a fixar-se em Estocolmo, na Suécia e Dawson em Berlim, na Alemanha. Depois, num reencontro de ambos na primeira cidade, resolveram fazer música juntos, tendo sido criadas aí as primeiras demos em conjunto, depois aprimoradas já na Austrália e que deram origem a estes Holy Holy. Em 2014 o baterista Ryan Strathie juntou-se ao projeto assim como o baixista Graham Richie e o convidado especial Matt Redlich, um produtor conceituado com uma fixação única pelos primórdios do rock alternativo do século passado.

Os Holy Holy situam-se então, sonoramente, algures entre Neil Young, Crosby, Stills & Nash, Bruce Springsteen, Pink Floyd e Dire Straits, assim com outros projetos e bandas mais contemporâneoas, como os Midlake, Band Of Horses ou Grizzly Bear e esta miríade de influências está na base de When The Storms Would Come, o novo disco da banda, um conjunto de canções que misturam uma escrita clássica com o indie rock contemporâneo, em dez canções produzidas com um certo instinto, com particular crueza e cheias de melodias sublimes no modo como agregam guitarras poderosas e uma voz imponente com uma percussão densa e ritmada, com uma crueza distinta.

Disco moldado então pelo espírito do rock clássico, When The Storms Come Home inicia com Sentimental and Monday, canção inspirada num diálogo virtual entre Carroll e a sua namorada sueca e que fala daquilo que muitas vezes deixamos para trás quando tomamos opções de vida importantes. Depois, com a guitarra acústica e o piano que conduzem Outside Of The Heart Of It ficamos plenamente convencidos da energia nostálgica e algo vintage deste Holy Holy de olhos e ouvidos afiados e direcionados para aquele período setentista do século passado que hoje, claramente, orienta e está presente em alguns dos melhores trabalhos discográficos que juntam guitarras vibrantes com uma toada psicadélica indisfarçável. Aliás, a incrível mistura de influências que se confere no single You Cannot Call For Love Like A Dog, canção que soa com uma contemporaneidade única, mas que nas suas fundações contém algum do referencial sonoro criado há umas quatro décadas, em especial no que diz respeito ao modo como as guitarras e a bateria ampliam o cariz algo dramático da canção, comprova o modo como estes Holy Holy são exímios em conseguir confundir-nos com um celebração indulgente e inspirada dos melhores sons do passado sem ousar afastar-se do melhor clima indie do rock atual.

Depois de ter contactado inicialmente com estes três temas é que me dediquei, posteriormente, à audição integral do disco e a verdade é que durante a audição do mesmo aquilo que melhor transpareceu foi a leveza onírica das canções e uma clara busca do simples e do prático, assim como a precepção clara de que terá existido uma elevada fluidez no processo de construção melódica e uma inestimável honestidade na escrita e inserção das letras. Quer a crueza da guitarrra de History, a simplicidade pop apenas aparente da rica e intrincada Wanderer, uma canção sobre a beleza que está sempre adjacente a qualquer relação amorosa, o intrincado jogo que se estabelece entre um piano acústico e duas guitarras elétricas em Pretty Strays For Hopeless Lovers e a esponteneidade indisfarçável de The Crowd ampliam e atestam um resultado final que acaba, na minha opinião, por ser bastante assertivo e agradável.

É fácil concluir no final da audição de When The Storms Would Come que passou pelos nossos ouvidos um alinhamento de canções com um fôlego ímpar, tipificado por canções marcantes, que impressionam pela alegria e pelo modo poético, corajoso, denso e sofisticado com que os Holy Holy se deram a conhecer ao mundo logo na  estreia. Espero que aprecies a sugestão...

Holy Holy - When The Storms Would Come

01. Sentimental And Monday
02. Outside Of The Heart Of It
03. A Heroine
04. History
05. If I Were You
06. You Cannot Call For Love Like A Dog
07. Wanderer
08. Holy Gin
09. Pretty Strays For Hopeless Lovers
10. The Crowd


autor stipe07 às 20:53
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Sábado, 22 de Agosto de 2015

Beirut - Gibraltar

Beirut - Gibraltar

Gravado em Nova Iorque, em pouco mais de um mês, durante um período do último inverno particularmente frio, No No No é o novo compêdio de canções dos Beirut de Zach Condon, ao qual se juntam Nick Petree, Paul Collins, Ben Lanz e Kyle Resnick, um trabalho que irá ver a luz do dia a onze de setembro através da etiqueta 4AD.

O primeiro tema divulgado de No No No foi o homónimo, uma canção evidencia a nova fase positiva da vida pessoal de Condon, que reencontrou novamente o amor e ultrapassou definitivamente o colapso físico e mental que o músico sofreu em 2013, na Austrália, devido aos seu processo de divórcio. Agora, algumas semanas depois, chegou a vez de nos deslumbrarmos com a pop clássica, charmosa e com uma pitada de tropicália de Gibraltar, um título feliz para uma canção que sabe ao nosso sol e irradia a típica luz mediterrânica. Para apresentar este novo trabalho, os Beirut vão estar em digressão pela América do Norte e pela Europa. Confere...


autor stipe07 às 21:20
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

The Jungle Giants – Speakerzoid

Oriundos de Brisbane e formados por Sam Hales, Cesira Aitken, Andrew Dooris e Keelan Bijker, os The Jungle Giants já têm finalmente nos escaparates o sucessor de Learn To Exist, o trabalho de estreia do projeto, editado há dois anos e que sucedeu a um ep homnónimo editado no ano anterior. Speakerzoid é o novo álbum deste quarteto australiano, um trabalho que viu a luz do dia a sete de agosto e que irá certamente catapultar o grupo para o merecido estrelato.

O curioso nome deste disco dá o mote para o seu início e a resposta à questão pertinente sobre o signficado do vocábulo está na música que contém, sendo os acordes iniciais de Every Kind Of Way a resposta dada pelos The Jungle Giants à questão. Com um registo vocal de Sam Hales eminentemente declamativo, um baixo encorpado e pleno de groove, algumas teclas insinuantes, uma guitarra impregnada com aquele fuzz psicadélico hoje tanto em voga e alguns efeitos futuristas, esta canção é uma ode festiva e inebriante que nos submerge num disco que vale todos os minutos gastos na sua audição.

Na sequência, o indie rock rugoso mas festivo de Devil's Play e o clima folk divertido de Kooky Eyes e de Mexico, assim como a exuberância acústica de Creepy Cool e o blues da guitarra de Lemon Myrtle acentuam ainda mais o cariz infeccioso e contemporâneo de um disco que parece um verdadeiro motim de acordes, arranjos e samples vocais, que de Beck a Tame Impala, abraça uma quantidade ilimitada de texturas onde sintetizadores e guitarras contagiantes estouram alegria e sedução, como se fossem um par de amantes em permanente troca lasciva de olhares e argumentos.

Em Speakerzoid nem faltam abordagens a um espetro mais punk e musculado, não só porque o baixo está sempre presente na conduão melodica das canções, mas também porque assume, em alguns casos, um protagonismo singular. It Gets Better, uma canção futurista, repleta de samples curiosos e de efeitos e detalhes bastante criativos, ou Not Bad, não tendo, na essência, aquela toada sombria do punk rock, sobrevivem devido ao colchão grave em que se acomodam, tricotado por um baixo dinâmico e fascinante, que baliza e se entrelaça com as variações de ritmo da bateria com uma articulação e um charme incomuns.

Gravado durante o ano de 2014 e produzido por Magoo, Speakerzoid é, pois, um inventido e luxuriante compêndio de canções que entre o indie rock, o hip hop e a pop psicadélica, nos oferece uma sonoridade geral heterógenea e uma groove viajante com uma estética mais próxima de uma certa pop negra avançada, fazendo-o com uma vibração excitante, numa revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto por alguns gigantes que se têm entregue ao flutuar sonoro da lisergia e de cuja listagem os The Jungle Giants também querem fazer parte.

Em suma, cheio de espaço, com texturas e fôlegos diferentes e onde é transversal uma sensação de experimentação caseira, Speakerzoid clarifica as novas coordenadas que se apoderaram do departamente de inspiração deste quarteto, sendo o resultado da ambição do mesmo em se rodear com uma aúrea resplandescente e inventiva e de mostrar uns The Jungle Giants cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

The Jungle Giants - Speakerzoid

01. Every Kind Of Way
02. Devil’s Play
03. Kooky Eyes
04. Lemon Myrtle
05. What Do You Think
06. Mexico
07. Creepy Cool
08. Not Bad
09. It Gets Better
10. Together We Can Work Together
11. Tambourine
12. Work It Out (Bonus Track)


autor stipe07 às 21:24
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2015

Tame Impala - Currents

Três anos após Lonerism, o disco que levou os Tame Impala de Kevin Parker ao estrelato e a um reconhecimento superior que Innerspeaker, o disco de estreia, não tinha proporcionado, chegou finalmente aos escaparates o tão aguardado sucessor desses dois trabalhos que refletiram a exploração de um universo muito pessoal e privado do grande mentos do projeto. O novo álbum deste quinteto australiano intitula-se Currents, está novamente abrigado pela chancela da Modular e da Interscope Records e, sendo mais pop, dançante e eletrónico que os antecessores, não deixa de conter essa vertente pessoal fortemente impregnada. Eventually, por exemplo, uma balada tranquilamente pop e um dos singles retirados do disco, poderá muito bem refletir a separação recente de Kevin Parker de Melody Prochet, vocalista do projeto francês Melody's Echo Chamber.

A nostalgia e o modo como são apresentados com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, continua a ser uma pedra de toque importante na discografia dos Tame Impala, conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça. E Currents não foge à regra deste modus operandi, mas num rumo diferente dos antecessores, com temas como I Less Know The Better ou Disciples a persistirem nos constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica e juntando um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental vintage única, mas apostando, fundamentalmente, em texturas mais sintéticas, exemplarmente sintonizadas nas sobreposições e mudanças de ritmo de Really In Motion, um dos temas onde eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop. Aliás, Currents está cheio de exemplos em que se passa, num ápice, do hip-hop para o R&B, com a nostalgia deste genero, esplendorosa em Cause I'm A Man e a fazer recordar um R. Kelly na fase mais fulgurante da carreira, a dominar o ambiente sonoro do disco e com Love/Paranoia a aconchegar-se nos nossos ouvidos e a colar-se à pele com o amparo certo para que se expresse a melíflua melancolia que Parket certamente quis que deslizasse das suas canções, já que o mistério é, também, um elemento estruturante da sua filosofia sonora.

Assim, e olhando para Currents como um todo, se logo em Let It Happen, o longo tema de abertura, ficou explícito que os Tame Impala estão menos dependentes das guitarras e que resolveram chamar os sintetizadores para um plano de maior destaque, que em The Moment revelam-se particularmente esplendorosos e eficazes nessa tal busca de efeitos genuínos e futuristas, a verdade é que, pouco depois, sem deixarem de lado a sua típica groove viajante, plasmam em Yes I'm Changing a tal estética mais próxima de uma certa pop negra avançada, fazendo-o com uma vibração excitante, onde não faltam alguns samples de sons urbanos, espelhando essa opção por uma toada mais R&B, mas mantendo-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia.

Em suma, cheio de espaço, minimal e carregado de sintetizadores impregnados de efeitos, com texturas e fôlegos diferentes e onde aquela sensação de experimentação caseira ainda bem presente, além de letras simples e até algo vagas, Currents clarifica as novas coordenadas que se apoderaram do departamente de inspiração de Parker, sendo o resultado da sua nova ambição em se rodear com uma aúrea resplandescente e romântica e de mostrar uns Tame Impala renovados e cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Além de encontrarmos Currents nas lojas em breve, será possível também ver os Tame Impala em Portugal este ano, pois já estão confirmados no Festival Vodafone Paredes de Coura. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - Currents

01. Let It Happen
02. Nangs
03. The Moment
04. Yes I’m Changing
05. Eventually
06. Gossip
07. The Less I Know The Better
08. Past Life
09. Disciples
10. Cause I’m A Man
11. Reality In Motion
12. Love/Paranoia
13. New Person, Same Old Mistakes


autor stipe07 às 22:01
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2015

Beirut - No No No

Gravado em Nova Iorque, em pouco mais de um mês, durante um período do último inverno particularmente frio, No No No é o novo compêdio de canções dos Beirut de Zach Condon, ao qual se juntam Nick Petree, Paul Collins, Ben Lanz e Kyle Resnick, um trabalho que irá ver a luz do dia a onze de setembro através da etiqueta 4AD.

O primeiro tema divulgado de No No No é o homónimo, uma canção evidencia a nova fase positiva da vida pessoal de Condon, que reencontrou novamente o amor e ultrapassou definitivamente o colapso físico e mental que o músico sofreu em 2013, na Austrália, devido aos seu processo de divórcio.

Para apresentar este novo trabalho, os Beirut vão estar em digressão pela América do Norte e pela Europa. Confere...


autor stipe07 às 14:07
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Sexta-feira, 8 de Maio de 2015

Tame Impala – Eventually

Tame Impala - Eventually

Os australianos Tame Impala de Kevin Parker continuam a divulgar a um ritmo frenético mais avanços para Currents, o sucessor de Lonerism, um novo trabalho que vai ver a luz do dia ainda em 2015.

Eventually é o novo tema divulgado, uma canção que sonoramente confirma uns Tame Impala menos dependentes das guitarras e a chamarem os sintetizadores para plano de maior destaque, mas sem deixarem de lado a sua típica groove viajante, mantendo-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Desta vez fazem-no com uma toada mais épica, experimental e progressiva, numa canção dominada por um sintetizador imponente, um registo vocal em eco e um orquestral bastante encorpado, mas cheio de pequenos detalhes deliciosos.

Além de encontrarmos Currents nas lojas em breve, será possível também ver os Tame Impala em Portugal este ano, pois já estão confirmados no Festival Vodafone Paredes de Coura. Confere...

Website
[mp3 320kbps] ul ob zs uc


autor stipe07 às 17:26
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Segunda-feira, 4 de Maio de 2015

San Cisco – Gracetown

Os San Cisco são uma banda natural de Perth, na Austrália e formada por Jordi James (guitarra, voz e teclados), Josh Biondillo (guitarra, voz), Nick Gardner (baixo) e Scarlett Stevens (bateria). Depois do homónimo de estreia, editado em 2012, estão de regresso com Gracetown, um disco que viu a luz do dia a dezassete de março através da Island City Records. Este é o novo trabalho de uma banda com uma sonoridade de influências globais, que toca uma espécie de pop inofensiva, com um leve tempero afro, que faz com que sejam comparados a outros nomes consagrados do universo indie como os Vampire Weekend e os Clap Your Hands Say Yeah.

Run é um tema construído sobre linhas de guitarra e um sintetizador inspirado, com uma forte componente melódica e um refrão bastante luminoso e, abrindo o alinhamento de Gracetown, coloca-nos diante de um mosaico declarado de referências que vão da cultura grega ao colorido neon dos anos oitenta, em doze canções festivas, onde a presença destacada dos sintetizadores é transversal ao disco, mas com as guitarras a estarem também num plano de grande evidência, como fica logo plasmado em Too Much Time Together.

Se os dois temas acima referidos abrem o disco com uma toada marcadamente comercial, já o groove que pisca o olho ao R&B em Magic ou Jealousy e o eletropop festivo de Snow, são exemplos da abertura, de forma experimental e criativa, por parte dos San Cisco aos mais variados espetros da pop, que tanto apela ao grande público, como não deixam de piscar o olho ao universo mais underground. O prório blues descontraído de Wash It All Away ou o efeito vocal de Mistakes faz-nos recordar as emanações sonoras de Brian Wilson, na senda de temas como Bitter Winter ou a melancólica Super Slow, instantes menos comerciais e que incluem algumas experimentações, essenciais para comprovar a ampliação do cardápio sonoro dos San Cisco. Acaba por ser um disco que se divide constantemente entre a simplicidade e a grandeza dos detalhes, um exercício assertivo onde abundam diferentes efeitos de percussão e teclados sintetizados, juntamente com letras únicas centradas nos relacionamentos amorosos e nos conflitos que tantas vezes provocam, além do sentimentos de deceção que invade cada um de nós quando o desfecho não é, tantas vezes, o mais esperado. Estes são os principais sustentos desta nova obra dos San Cisco, que também incluem outros pequenos detalhes, que usam a eletrónica como principal ferramenta, mas onde há até um ligeiro psicar de olho à folk em Skool, numa lógica sonora que tem feito escola desde a alvorada dos oitentas, mas com um elevado toque de modernidade. 

Sereno e festivo, Gracetown é um excelente disco para uma novo impulso na carreira dos San Cisco que parecem disponíveis para abarcar outras fronteiras sonoras, num trabalho que comprova que este projeto australiano está disposto a usar todas as armas ao dispor para encontrar o seu lugar de relevo, diferencial e distinto no cenário musical alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

San Cisco - Gracetown

01. Run
02. Too Much Time Together
03. Magic
04. Snow
05. Wash It All Away
06. Bitter Winter
07. Jealousy
08. Super Slow
09. Mistakes
10. About You
11. Skool
12. Just For A Minute


autor stipe07 às 19:13
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