Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

The Acid - Liminal

Há algo de místico nos The Acid, um projeto musical formado por Ry X, Adam Freeland e Steve Nalepa, uma banda cujo nome também se pode escrever desta forma pictográfica, ∴ The ꓃ ᑄ ꒛ ᗌ ∴Depois de terem lançado no passado dia catorze de abril um EP homónimo, disponível para audição no soundcloud, agora estão de regresso com Liminal, um disco ditado no passado dia sete de julho por intermédio da insuspeita Infectious Music.

Há nos The Acid uma aparente aposta em estar longe das luzes da ribalta, numa espécie de penumbra que tem tanto de excitante como de aborrecido porque, quando se aprecia imenso uma escuta e uma descoberta e a ânsia de saber e ouvir mais cresce, é um pouco frustrante a escassez de fontes disponíveis. A própria música dos The Acid tem um pouco destes dois lados e transporta uma aparente ambiguidade fortemente experimental, onde não se percebe muito bem onde termina e começa uma fronteira entre a pop mais experimental e a pura eletrónica.

Assim, de Nicolas Jaar, a James Blake, passando pelos Atoms for Peace, é vasta a teia de influências que a audição deste disco nos suscita, um trabalho onde o australiano RY X assume o maior protagonismo. As suas canções parecem ter sido embaladas num casulo de seda e em coros de sereia, um novo trovador soul claramente inspirado pelo ideário de Chet Faker, a espiritualidade negra e o falsete de Bon Iver. Assim, não espanta Liminal estar repleto de melodias doces com um leve toque de acidez, mas que se escutam com invulgar fluidez.

Temas como Animal ou Trumbling Lights, a minha canção preferida de Liminal, espantam pelo minimalismo insturmental e pelo corpo imenso que a voz lhes confere, um registo que algures entre elegância e fragilidade, deixa-nos a suspirar no seio de uma calma cósmica e instrospetiva, que dá vida a canções com letras carregadas de drama e melancolia.

Já temas como Ghost ou Creeper, ou o dedilhar da viola acústica em Basic Instinct, apostam em outros detalhes, com sintetizadores mais luminosos e expressivos, mas mantém-se o mesmo fio condutor marcado pela simplicidade de processos e pela fórmula escolhida, altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, alguns teclados, a voz agora sintetizada e linhas poderosas de baixo.

Toda esta amálgama apenas aparente serve para criar ambientes intensos e emocionantes, que nunca deixam de lado a delicadeza e onde cada detalhe existe por uma razão específica e cumpre perfeitamente a sua função. O uso do silêncio e de ruídos que são quase táteis faz com que as pequenas variações durante cada tema sejam sentidas mais facilmente e como as canções assentam em batidas eletrónicas esparsas e efeitos sonoros ora hipnóticos, ora claustrufóbicos, o ouvinte pode sentir o desejo de ele próprio imaginar como preencheria esses mesmos espaços.

The Liminal é um triunfo em toda a escala e, sem grandes alaridos ou aspirações, mais um passo seguro na carreira deste grupo. E parece evidente que os The Acid não pretendem abrigar-se em zonas de conforto e que estão disponíveis para futuras experimentações subtis, que certamente irão fortalecer ainda mais o seu crescimento e fazer com que a música do projeto alcance um universo maior. Espero que aprecies a sugestão....

The Acid - Liminal

01. Animal
02. Veda
03. Creeper
04. Fame
05. RA
06. Tumbling Lights
07. Ghost
08. Basic Instinct
09. Red
10. Clear
11. Feed

 


autor stipe07 às 18:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 10 de Junho de 2014

Ball Park Music – Puddinghead

Oriundos de Brisbane, na Austrália, os Ball Park Music são Sam Cromack, Jennifer Boyce, Paul Furness, Daniel Hanson e Dean Hanson e Puddinghead é o mais recente registo de originais do grupo, um disco editado no passado dia quatro de abril pela Stop Start / Inertia e produzido pela própria banda.

Terceiro disco em dois anos, Puddinghead é mais um interessante compêndio de canções de uma banda que raramente está inativa e que passa imenso tempo em constantes digressões. Puddinghead começa com o single She Only Loves Me When I'm There e por momentos tens a sensação de estar a iniciar a audição de um disco dos Radiohead, até que a energia típica dos Ball Park Music aparece na forma de um riff de guitarra e o refrão (She only loves me when I'm there, ooh oooh) plasma a habitual cumplicidade e a perfeita simbiose entre a voz de Sam Cromack e a de Boyce, um dos aspetos fundamentais do sucesso deste coletivo.

Next Life Already já não impressiona tanto como a canção de abertura e a própria estrofe que sustenta a lírica da canção é algo redundante (I just want to float downstream, I just want to forget everything...). No entanto, a distorção da guitarra e a melodia salvam a canção e conferem-lhe o cariz sensível que a letra não consegue alcançar (I just want to get to the next life already...).

Em A Good Life is the Best Revenge o disco regressa à elevada bitola qualitativa que o tema de abertura demonstrava e esta terceira canção do alinhamento é, sem dúvida, uma das melhores de Puddinghead e isso fica claro não só na melodia funky que a guitarra sustenta e no solo do teclado, mas, principalmente, no registo vocal de Cromack, principlamente quando canta um dos versos mais verdadeiros e profundos que escutei nos últimos tempos e avassaladoramente real, principalmente para todos aqueles que ultimamente foram magoados por alguém (A good life is the best revenge).

Puddinghead não é exclusivamente um disco animado e cheio de ritmo; Também há momentos instrospetivos e sombrios e a balada Teenage Pie é importante para salientar este contraste, uma canção onde a guitarra se destaca mais uma vez e onde fica claro o excelente trabalho de produção que foi executado neste disco.

Outra canção que coloca a voz de Cromack num registo que merece imensos elogios é  Trippin' The Light Fantastic, um tema onde os arranjos e a combinação entre cordas, teclas, bateria e teclados e as mudanças de ritmo constantes impresionam verdadeiramente e fazem destes Ball Park Music um grupo que tem realmente no seu seio músicos extremamente competentes e criativos.

Até ao final do alinhamento de Puddinghead há outros momentos que merecem destaque e canções como Struggle Street ou Girls From High School são outros exemplos da enorme capacidade dos Ball Park Music em transformar letras que nem sempre transmitem mensagems positivas e luminosas em canções pop alegres e cheias de ritmo e cor. A melancolia é uma ideia muito subjcente ao contexto de composição lírica, mas ouvir os Ball Park Music não te deixa necessariamente melancólico ou triste, até porque outro atributo desta banda australiana é conseguir transpor para os álbuns a energia, a exuberância a luz e o talento que têm em palco, algo bastante reconhecido no país de onde vêm e que faz deles uma das bandas mais importantes do cenário musical indie australiano nos dias de hoje. Espero que aprecies a sugestão...

Ball Park Music - Puddinghead

01. She Only Loves Me When I’m There
02. Next Life Already
03. A Good Life Is The Best Revenge
04. Teenager Pie
05. Trippin’ The Light Fantastic
06. Cocaine Lion
07. Everything Is Shit Except My Friendship With You
08. Struggle Street
09. Error Playin’
10. Polly Screw My Head Back On
11. Girls From High School

 


autor stipe07 às 22:19
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 2 de Junho de 2014

Conheces os The Good Morrows?

The Good Morrows’s avatar

Oriundos de Melbourne, na Austrália, os The Good Morrows são Jarred Scopel, Andrew Plisi, Liam Skoblar, Steve Acott e Tim Bass e descritos como uma bandas de indie rock e que aposta principalmente no rock de garagem que debita elevadas doses de distorção através de guitarras que fazem sons que fluem livres de compromissos com uma estética própria, apenas com o louvável intuíto de nos fazerem regressar ao passado e entregar-nos o que queremos ouvir: canções caseiras e perfumadas pelo passado, a navegarem numa espécie de meio termos entre o rock clássico, o punk rock, o surf rock e a psicadelia.

No fundo, influenciados por nomes tão fundamentais como os The Rolling Stones, 13th Floor Elevators, The Easybeats, The Kinks, The Beatles, The Stooges ou Black Lips, os The Good Morrows acabam por ser mais uma visão atual do que realmente foi o rock alternativo, as guitarras barulhentas e os sons melancólicos da segunda metade do século passado. Running Around é o mais recente single lançado pelos The Good Morrows e este e outros temas, estão disponíveis gratuitamente no soundcloud do grupo. Confere...


autor stipe07 às 16:46
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sábado, 10 de Maio de 2014

Coloured Clocks – All Is Round

Editado no passado dia treze de abril e disponível para download no bandcamp da banda, All Is Round é o novo trabalho dos Coloured Clocks, uma banda australiana que é já presença habitual neste espaço. Com as origens a remontar ao início de 2011, os Coloured Clocks são um projeto musical liderado por James Wallace, um músico australiano natural de Melbourne. Estrearam-se nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012, mais concretamente no passado dia dezoito de dezembro, deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine, disco que divulguei no início deste ano.

All Is Round é, de acordo com os Coloured Clocks, uma espécie de álbum interativo, para ser escutado na sequência que entendermos, já que o início pode ser o fim ou o meio, ou seja, as canções circulam livremente e isso só não é concreto por estarem presas à realidade lógica da indispensável seuquência numérica do disco.

Os Coloured Clocks fazem um indie progressivo, com fortes reminiscências do rock da década de setenta e sem porem de lado o que de melhor se propôe atualmente inspirado nesse universo musical. Num disco com vinte canções e que deve ser ouvido na íntegra atentamente, Tell Her About The Gig e Killing Time são os dois maiores destaques de All Is RoundAssim sendo, se gostas de sonoridades cósmicas e psicadélicas tens de conhecer esta banda e este disco verdadeiramente épico, com uma estrutura melódica tradicional e com riffs de guitarra luminosos, bem acompanhados pela bateria e por sintetizadores flutuantes e poderosos que nos conduzem a um universo lisérgico e tortuoso, mas cheio de cor, numa espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo.
O disco foi escrito, produzido, gravado e misturado pelo próprio James Wallace, que contou com a ajuda indispensável de Brendan Thompson, tendo a masterização ficado a cargo de Tommy Zoogarden. Já agora, o artwork é da autoria de Coloumb Collins. Espero que aprecies a sugestão...

Coloured Clocks - All Is Round

01. Irrational I
02. Point At The Door
03. Killing Time
04. Brick
05. Only Watching
06. Mr Green and The Telescope Console
07. Elevators
08. Round And Round
09. Tell Her About The Gig
10. As Much As I’d Like
11. It’s Getting So Close
12. Next Time
13. All Your Life
14. Watertight
15. Don’t Break The Spell
16. A Song For The Aeroplanes
17. All Coming Down
18. Dr. Williamsburg
19. Irrational II
20. Talking To The People


autor stipe07 às 21:00
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 7 de Maio de 2014

Total Control - Expensive Dog vs Flesh War

Typical System

Oriundo da Austrália, Mikey Young intervém em vários projetos musicais que alinham no punk rock, nomeadamente os UV Race, Eddy Current Suppression Ring, Lace Curtain e Ooga Boogas, mas Total Control é aquele onde tem maior visibilidade e sucesso. Em 2011 os Total Control lançaram Henge Beat e esse trabalho foi aclamado em diferentes partes do mundo, deixando a banda debaixo dos holofotes da crítica que aguarda com renovada expetativa o sucessor.

Typical System chega às lojas a vinte e quatro de junho através da Iron Lung e acabam de ser revelados dois temas do seu alinhamento, que podes conferir, na íntegra, abaixo. Os teclados, o baixo e as guitarras de Expensive Dog e Flesh War criaram dois temas épicos e musculados que nos remetem para a melhor herança do punk rock dos anos oitenta e fazem-me crer que Typical System será um disco a ter em conta neste verão. Confere...

01 “Glass”
02 “Expensive Dog”
03 “Flesh War”
04 “Systematic Fuck”
05 “Liberal Party”
06 “2 Less Jacks”
07 “Black Spring”
08 “The Ferryman”
09 “Hunter”
10 “Safety Net”


autor stipe07 às 12:42
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sábado, 19 de Abril de 2014

Tame Impala - Live Versions

Naturais de Perth e liderados pelo multi instrumentista Kevin Parker, os Tame Impala são um dos grandes destaques do dia de hoje, data em que se celebra a edição de 2014 do Record Store Day. No âmbito desta efeméride é hoje editado Live Versions, um novo EP dos Tame Impala, composto por gravações ao vivo.

Do alinhamento do EP constam nove temas captados num concerto do ano passado em Chicago e, segundo Kevin Parker, pretendem ilustrar o quanto ficam diferentes as canções ao vivo comparadas com as versões de estúdio. De acordo com o press release do alnçamento, o objectivo é dar aos fãs algo que ainda não possuam; algo que apenas tenham experienciado num concerto dos Tame Impala.

Tendo como principal trunfo a capacidade que demonstram em replicar a psicadelia que surgiu na década de sessenta e adicionar outras sonoridades atuais, mais coloridas e aprimoradas, os Tame Impala são uma das bandas fundamentais do universo sonoro alternativo atual e Innerspeaker e Lonerism os discos da banda australiana que forneceram a matéria-prima de Live Versions.

Este EP é um excelente aperitivo para a atuação que os Tame Impala têm prevista dia deassete de Julho no Meco, por ocasião do Super Bock Super Rock. Confere...

Tame Impala - Live Versions

01. Endors Toi
02. Why Won’t You Make Up Your Mind
03. Sestri Levante
04. Mind Mischief
05. Desire Be Desire Go
06. Half Full Glass
07. Be Above It
08. Feels Like We Only Go Backwards
09. Apocalypse Dreams

 


autor stipe07 às 18:30
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Underground Lovers – Weekend

Oriundos de Melbourne, na Austrália, os Underground Lovers são atualmente constituidos por Philippa Nihill, Richard Andrew, Maurice Argiro, Glenn Bennie, Vincent Giarrusso e Emma Bortignon. Apostam no revivalismo do rock progressivo e psicadélico, com uma forte componente experimental, que começou a fazer escola nas décadas de sessenta e de setenta. Pouco conhecidos no resto do mundo, são acompanhados com particular devoção no país de origem e considerados como uma das mais inovadoras bandas australianas, pela forma como conjugam a tradicional tríade baixo, guitarra e bateria com a tecnologia e a eletrónica que hoje prolifera na música e que permite às bandas alargar o seu cardápio instrumental.

Editado a treze de abril do último ano através da Rubber Records, Weekend é o trabalho mais recente dos Underground Lovers, um disco que celebra vinte e cinco anos da carreria do grupo e que sucede a Wonderful Things (2011).

A banda iniciou a sua carreria discográfica em mil novecentos e noventa e um com um homónimo e Weekend é já o décimo primeiro álbum da carreira dos Underground Lovers, um grupo que passou por algumas transformações, várias entradas e saídas de elementos e com um historial típico de uma banda com um elevado número de músicos com vidas díspares e conturbadas. 

Weekend são dez canções que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Apesar da já extensa carreira, não conhecia este grupo e confesso-me impressionado pela beleza utópica das composições dos Underground Lovers, algo que não falta neste álbum, assim como as belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos mais agressivos. 

Weekend denota esmero e paciência por parte de Vincent Giarrusso, o grande mentor e compositor da banda, principalmente na forma como acerta nos mínimos detalhes. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver Weekend como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Underground Lovers projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de psicadelia, rock progressivo, soul e blues.

O som espacial, experimental, psicodélico, barulhento e melódico que a banda criou ao longo da carreira, não se compara, de acordo com o que percebi de outras críticas que li do disco, com o conteúdo de Weekend, pelos vistos o trabalho mais intenso e marcante da carreira da banda. Weekend acrescenta à bagagem sonora dos Underground Lovers novas e belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte do ADN do grupo.

O meu grande destaque deste disco é a elevadíssima dose de psicadelia em que assenta Can For Now e, já agora, a recente edição desta música no formato single inclui no alinhamento uma fantástica versão do clássico I'll Be Your Mirror dos Velvet Underground, certamente uma influência importante do grupo. Outro tema que merece amplo destaque e audições repetidas é a batida ácida e o baixo de Au Pair, um tema cantado com uma voz em eco entrelaçada com uma guitarra plena de distorção, dois detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage.

Apesar da longevidade e da erosão que a instabilidade da formação provoca no seio de uma banda, os Underground Lovers parecem não ter perdido o brilho e não demonstram cansaço ou falta de inspiração. Weekend tem tudo para, daqui a alguns anos, ser o clássico da banda que todos aqueles que pretendem revisitar a carreira deste grupo australiano vão querer ouvir. Na verdade, mergulhados num universo sonoro recheado de novas experimentações e renovações, os Underground Lovers soam tão poderosos, joviais e inventivos como soavam há duas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

01. Spaces
02. Can For Now
03. Haunted (Acedia)
04. Dream To Me
05. Signs Of Weakness
06. Riding
07. St Germain
08. Au Pair
09. In Silhouette
10. The Lie That Sets You Free

 


autor stipe07 às 21:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 3 de Abril de 2014

Cut Copy - In These Arms Of Love

Em 2013 os Cut Copy editaram o álbum Free Your Mind e estão de regresso para publicar um single no âmbito do Record Store Day, a dezanove de abril próximo. O lado A da rodela chama-se In These Arms Of Love e o lado B Like Any Other Day. O primeiro tema acaba de ser partilhado pela banda, uma canção expansiva, que aposta num ambiente com uma elevada toada épica, cheia de reverb e sintetizadores. Confere...

The single is out 4/19, Record Store Day, on Modular.


autor stipe07 às 12:33
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

Gossling – Harvest Of Gold

Lançado a um de novembro pela Dew Process, Harvest Of Gold é o disco de estreia dos australianos Gossling, uma banda de Melbourne formada por Helen Croome (voz e teclas) Peter Marin (bateria), Josh Jones (baixo) e Ryan Meeking (guitarras). Um dos grandes destaques do álbum, o single That Feeling, foi disponibilizado gratuitamente pela própria banda.

Apesar de virem dos antípodas, em pleno hemisfério sul, os Gossling parecem ser fortemente influenciados pela indie pop nórdica, que apesar de vir de lugares remotos e gelados, é muitas vezes feita por músicos calorosos, divertidos e com uma facilidade singular para elaborar melodias deliciosas. Harvest Of Gold contém melodicamente o que de melhor tem sido feito ultimamente na synth pop europeia, um género musical várias vezes citado em Man On The Moon. Quem estiver atento certamente terá notado que ultimamente a nostagia desta década é uma forte aposta no cenário indie europeu, especialmente o escandinavo.

Logo desde o início os Gossling vincam um estilo que se mantém ao longo de Harvest Of GoldWild Love, um dos mais belos temas de Harvest Of Gold, remete-nos para o universo de Likke Li, uma canção repleta de elementos pop, com as cordas, os metais e o orgão sintetizado a assumirem a vanguarda na composição, não só nesta música como em todo o álbum. Um pouco adiante, Songs Of Summer é uma canção carregada de groove e Challenge destaca-se pela simplicidade da secção rítmica. Depois, Never Expire e Harvest Of Gold, o tema homónimo, são outros dois destaques deste disco, neste caso temas com uma sonoridade mais introspetiva, mas imensamente rica em detalhes e melodicamente muito aditivas. Qualquer uma destas canções tem uma natureza contagiante, muito por culpa também da magnífica voz de Helen Croome; São verdadeiras obras primas que revivem o que de melhor se podia escutar há uns bons trinta anos, década em que terá nascido aquela synth pop, que afundada num colchão de sons eletrónicos faz da audição de Harvest Of Gold um passeio divertido e, ao mesmo tempo, introspetivo e cheio de charme e bom gosto.

Costuma-se dizer que uma banda é tão boa quanto o seu trabalho de estreia. É nele que ela revela toda a sua alma, sem influências externas ou exigências do mercado. E se um grupo não consegue destaque no primeiro lançamento, dificilmente o fará nas obras seguintes. Os Gossling não têm que temer; Além de demonstrarem um talento invejável, revelam uma alma pura que tem muito a oferecer aqueles que, como eu, estão sempre sedentos por boa música. Espero que aprecies a sugestão...

01. Big Love
02. Harvest Of Gold
03. Never Expire
04. Songs Of Summer (Feat. Alexander Burnett)
05. Vanish
06. Challenge
07. Accolade
08. That Feeling
09. Pulse
10. A Lovers’ Spat


autor stipe07 às 21:52
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 3 de Janeiro de 2014

Coloured Clocks - Tell Her About The Gig

Com as origens a remontar ao início de 2011, os Coloured Clocks são um projeto musical liderado por James Wallace, um músico australiano natural de Melbourne. Estrearam-se nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012, mais concretamente no passado dia dezoito de dezembro, deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine, disco que divulguei no início deste ano.
Os Coloured Clocks fazem um indie rock progressivo, com fortes reminiscências do rock da década de setenta e sem porem de lado o que de melhor se atualmente nesse universo musical. Agora, acabam de divulgar uma nova canção; O tema chama-se Tell Her About The Gig e faz parte de All Is Round, o mais recente trabalho dos Coloured Clocks, de acordo com o que me confidenciou James Wallace por email, a quem desde já agradeço a amabilidade pelo envio do ficheiro com a canção.
Portanto, se gostas de sonoridades cósmicas e psicadélicas tens de conhecer esta banda e esta nova canção, um tema épico, com uma estrutura melódica tradicional e com um riff de guitarra luminoso, bem acompanhado pela bateria. Confere...


autor stipe07 às 14:07
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 8 de Dezembro de 2013

Cut Copy - Free Your Mind

Os australianos Cut Copy estão de regresso com Free Your Mind, o sucessor de Zonoscope (2011), um novo disco cujo nome não engana e que inspirou-se no que de mais festivo foi sendo feito no universo musical da música de dança das últimas décadas, algo bem patente na alegre batida afrobeat do tema homónimo. Free Your Mind foi produzido por Dave Fridmann, responsável por arranjos para nomes como Tame Impala ou MGMT e volta a consagra definitivamente os Cut Copy como um fenómeno à escala global.

No quarto disco de estúdio este quarteto de Melbourne faz um autêntico desfile de singles enquanto continua a sua saga pela busca da música de dança perfeita; Desta vez resolveram seguir uma tendência muito e voga e apostaram em arranjos e sonoridades vintage, com os anos setenta e oitenta à cabeça.

Há um certo toque kitsch nestas novas canções dos Cut Copy e uma abordagem heterogénea, com vários tiros em diferentes direções; Se We Are Explorers é uma excelente música de dança que nos remete para a típica pop dos anos setenta, mas também tem um toque atual, Take Me Higher é um choque certerio com o período mais auspicioso dos New Order e a canção dos Cut Copy em que Dan Whitford soa mais a Bernard Summer. Já os samples vocais de Above The City e Into the Desert, retirados de algum filme ou série e que funcionam como introdução para Footsteps e para o excelente saxofone de Meet Me In The House of Love, dão a Free Your Mind uma toada mais enigmática, mas que não deixa também de ser festiva. Para fechar, temos uma nova inflexão, para ambientes mais soturnos e introspetivos, com Dark Corners & Mountain Tops e Walking In The Sky, dois temas que oscilam entre o groove mais calmo da primeira e algo mais triste e até melancólico, na segunda.

Não é fácil tirar conclusões óbvias e definitivas sobre o sucesso da demanda a que os Cut Copy se propuseram e que em Free Your Mind vê plasmado mais um capítulo. No entanto, torna-se óbvio que Dan Whitford, Tim Hoey, Mitchell Scott e Benjamin Browning optaram definitivamente pela vertente mais luminosa da pop e que estão abertos a uma teia ainda mais abrangente de influências e disponíveis para pisar diferentes territórios, que poderão muito bem vir a ter na cultura acid house, raver e hedonista da Manchester dos anos oitenta, cujos efeitos se fizeram sentir na música de outras paragens, a principal base de suporte. As noites da Haçienda ou as edições da Factory Records, pilares do fenómeno Madchester, mas também, além dos já citados New order, outros nomes como os Primal Scream ou os Happy Mondays, são certamente os nomes mais consensuais no seio de um grupo que parece ter já atingido um elevado nível de maturidade e que soube usar as doses certas de ingredientes no caldeirão sonoro que é Free Your Mind. Espero que aprecies a sugestão...

 01 (Intro)
02 Free Your Mind
03 We Are Explorers
04 Let Me Show You Love
05 (into the desert)
06 Footsteps
07 In Memory Capsule
08 (above the city)
09 Dark Corners & Mountain Tops
10 Meet Me in a House of Love
11 Take Me Higher
12 (the waves)
13 Walking in the Sky
14 Mantra


autor stipe07 às 21:24
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sábado, 16 de Novembro de 2013

Big Scary – Twin Rivers EP


Os Big Scary são uma dupla australiana sedeada em Melbourne que se estreou em 2010 com o EP The Big Scary Four Seasons, ao qual se seguiu, no ano seguinte, o longa duração Vacation. Da folk à eletrónica, passando pelo pop rock, a sonoridade dos Big Scary assenta no falsete de Tom Iansek (guitarra, voz e piano) e na percurssão minimal de Jo Syme (bateria e voz), algures entre os Fleet Foxes, Bon Iver, James Blake, The Antlers e os próprios Menomena, estes dois últimos, grupos que participam com remisturas neste EP dos Big Scary que hoje sugiro.

Twin Rivers, o tema que dá nome ao EP, será, certamente, o grande trunfo que esta dupla quer apresentar com este EP, já que, além da versão original, escuta-se neste alinhamento de seis canções, duas remisturas da canção,dos The Antlers e de Dan The Automator. No entanto, o meu destaque pessoal vai para a atmosfera lenta e subtil de Slumming It in Paradise, um tema que conta com a participação especial de Jonti e disponível para download no soundcloud dos Big Scary.

Seja como for, quer uma canção quer a outra apresentam com clareza a habitual sonoridade dos Big Scary, assente em sons aquáticos e claustrofóbicos, com um elevado caráter relaxante, num grupo que muitas vezes chega próximo do post rock, do grunge e de outras preferências mais etéreas, que passam também pelo jazz e pela música experimental.

É bastante percetível uma simplicidade de processos na fórmula escolhida e altamente eficaz, assente em batidas do dubstep, pianos, a voz sintetizada e linhas poderosas de baixo. Tudo isto cria ambientes intensos e emocionantes, sem nunca deixar de lado a delicadeza. Temas como o sofrimento e a solidão e o medo do abandono envolvem o registo e as letras estão carregadas de drama e melancolia, dois aspetos ampliados pela elegância e pela fragilidade característica da voz de Iansek.

Com participações verdadeiramente ilustres e que souberam dar um cunho pessoal às respetivas remisturas sem defraudar a essência dos Big Scary, Twin Rivers é um EP que forma verdadeiras ondas de melancolia digital. Espero que aprecies a sugestão... 

twinrivers_cover v2

01. Twin Rivers
02. Slumming It in Paradise (Feat. Jonti)
03. Invest
04. Twin Rivers (The Antlers Remix)
05. Luck Now (Menomena Remix)
06. Twin Rivers (Dan The Automator Remix)


autor stipe07 às 21:04
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 7 de Novembro de 2013

The Deltahorse feat TJ Eckleberg - Hey Yuri

The Deltahorse

Os The Deltahorse são uma multinacional do indie rock, já que são formados por TJ Eckleberg, um cantor e compositor natural de Sidney, na Austrália, ao qual se juntaram o berlinense Sash e Dana Colley, uma saxofonista de Boston, nos Estados Unidos, que chegou a tocar esse instrumento com os Morphine.

A sonoridade dos Deltahorse assenta, por isso, num baixo vibrante, numa guitarra luminosa e num saxofone cheio de groove, tudo muito bem temperado com a voz peculiar de TJ. Eles próprios afirmam que a sua música inspira-se naqueles ambientes de final de noite de um bar, onde quem resta lá dentro é o dono, o barman e aqueles clientes que não têm mais para onde ir.

Hey Yuri é o primeiro single retirado de The Deltahorse EP, o trabalho de estreia destes The Deltahorse e que será editado já a dezanove de novembro. A canção assenta numa linha de baixo bem acompanhada pela voz de TJ, com os arranjos do saxofone de Colley a criarem um ambiente sombrio e sensual, muito à imagem do tipo de atmosfera que o grupo pretende criar.

Assim, algures entre Bowie, Beck e os Morphine, Hey Yuri é uma canção que apresenta ao universo musical indie mais um projeto que prima pelo detalhe e pelo bom gosto e que merece, no mínimo, uma audição atenta. O tema foi disponibilizado para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 20:49
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of Man On The Moon...
|
Sábado, 2 de Novembro de 2013

The Flaming Lips And Tame Impala – Peace And Paranoia Tour 2013 EP

Quando uma das melhores bandas psicadélicas de sempre do universo indie rock se junta com a melhor banda psicadélica da atualidade, o resultado só pode ser curioso, extravagante, ácido e altamente lisérgico. Falo dos The Flaming Lips e dos Tame Impala, duas bandas que resolveram dar vida à forte admiração mútua que sentem e tocar e gravar juntos, numa digressão chamada Peace and Paranoia.

Depois da banda australiana ter participado em Heady Fwends, disco de colaborações que os The Flaming Lips editaram em 2012, andam atualmente em digressão conjunta, com três concertos previstos para a costa oeste dos Estados Unidos, estes dias. Entretanto também estiveram em estúdio, como divulguei há poucos dias, a gravar um EP conjunto; O trabalho chama-se Peace And Paranoia Tour 2013, uma coleção de quatro covers de uma banda a tocar temas da outra.

Assim, além de uma fantástica versão de Elephant, um original, como todos sabemos, dos Tame Impalaby The Flaming Lips, a banda de Oklahoma também apresenta a sua versão de Runway, Houses, City, Louds. Quanto aos australianos, gravaram os temas Are You A Hipnotist? e Silver Trembling Hands, ambos soberbamente interpretado pelos Tame Impala.

Os quatro temas deste EP comprovam a excelência do estranho universo que se esconde dentro das cabeças de Wayne Coyne e Kevin Parker, um mundo de ruídos estranhos e caseiros, mas extremamente aditivos. Espero que aprecies a sugestão... 

The Flaming Lips And Tame Impala - Peace And Paranoia Tour 2013

01. Runway, Houses, City, Clouds
02. Elephant
03. Are You a Hypnotist?
04. Silver Trembling Hands


autor stipe07 às 23:02
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 5 de Setembro de 2013

Pond – Hobo Rocket

Citados há algumas semanas em Curtas... CXXII, os Pond são mais uma novidade oriunda de Perth, na Austrália, país de onde continuam a chegar belíssimas surpresas relacionadas com o indie rock shoegaze e psicadélico. Os Pond são um sério aviso aos Tame Impala e o fuzz rock a pedra de toque de Hobo Rocket, o álbum mais recente da banda e já o quinto da carreira, um trabalho que foi lançado no passado dia seis de agosto por intermédio da Modular e que sucede a Beards, Wives And Denim.


Os Pond sempre foram vistos como uma espécie de projeto paralelo dos Tame Impala até porque a sua formação é liderada pelo baixista Nick Allbrook, um antigo membro dos Tame Impala e também inclui dois músicos, Jay Watson e Cam Avery, que fazem parte da formação atual da banda liderada por Kevin Parker. Já agora, este quinteto fica completo com Joseph Ryan e Jamie Terry.

Tal como acontece com os Tame Impala, da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Pond, de certa forma mais experimentais e livres de alguns condicionalismos editoriais que já influenciam o processo criativo dos Tame Impala.

Hobo Rocket dura apenas trinta e cinco minutos, mas as suas sete canções demonstram que os Pond desta vez apostaram mais nas guitarras com acordes rápidos. E a primeira, Whatever Happened To The Million Head Collide?, impressiona desde logo pela secção rítmica feita com uma baixo bastante pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico; Quando essa secção rítmica é literalmente cortada a meio por um riff de guitarra que nos remete para grandes momentos de acidez dos Zeppelin, percebemos imediatamente quem são os Pond atualmente e como deverá ser fantástico descobrir e escutar o resto do álbum.

Logo de seguida enfrentamos a energia contagiante de Xanman, o primeiro single retirado de Hobo Rocket, um tema que assenta numa voz viciante e numa espiral de sons sintetizados, fortemente lisérgicos e aditivos. Já agora, convém referir que o vigor com que Nick canta ao longo de Hobo Rocket chega a impressionar, como se usasse estas canções para espantar alguns dos seus demónios. Pouco depois, o ritmo acelerado de Giant Tortoise é algo enganador porque a canção é subitamente interrompida, deixando-nos em suspense relativamente ao que resta ouvir da composição e que acaba por ser uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico.

Hobo Rocket é uma excelente viagem lisérgica, cheia de feeling e que não deixa também de ter os seus instantes mais introspetivos, nomeadamente na pop suave de O Dharma. Os instantes em que as músicas infletem de direção assm como a míriade instrumental utilizada fazem deste álbum mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico dos anos setenta e faz com que os Pond mereçam definitivamente sair da esfera de influência dos Tame Impala e que deixem de ser analisados tendo em conta apenas eventuais comparações com essa banda. Este disco faz com que os Pond conquistem o seu próprio território dentro do universo sonoro em que se apresentam e dá-lhes a possibilidade de terem um cardápio sonoro que lhes permite, na minha opinião, combater com as mesmas armas, não só com os Tame Impala, mas também com outras bandas do género, por exemplo os Jagwar Ma ou os MGMT e os próprios Unknown Mortal Orchestra, pela primazia no cenário musical indie, shoegaze e psicadélico atual. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Hobo Rocket

01. Whatever Happened To The Million Head Collide
02. Xanman
03. O Dharma
04. Aloneaflameaflower
05. Giant Tortoise
06. Hobo Rocket
07. Midnight Mass (At The Market Street Payphone)


autor stipe07 às 20:36
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 30 de Agosto de 2013

Whitley – Even The Stars Are A Mess

Oriundos de Melbourne, na Austrália e famosos por ver música sua utilizada em séries de televisão, filmes e jogos de computador, os Whitley são Lawrence Greenwood, Colin Leadbetter, Esther Holt, Christopher Marlow Bolton e Tom Milek, mas é Lawrence, músico entretanto radicado em Londres, o grande mentor e figura principal deste projeto. Even The Stars Are A Mess é o terceiro trabalho dos Whitley, sucede a The Submarine (2007) e Go Forth, Find Mammoth (2010) e foi editado por intermédio da Dew Process, em parceria com a Universal Records.

Os Whitley cruzam algumas das melhores características da folk com a chillwave e isso, por si só, é um facto de relevo, já que são poucos os projectos musicais que misturam estas duas tendências. Acaba por ser comum ouvir o dedilhar de uma viola misturada com efeitos sintetizados, que criam melodias etéreas, com um firme propósito de nos fazer levitar de uma forma que só este Lawrence Greenwood e a sua doce voz sabem fazer.

It is not a mean world. It’s beautiful… Estes são os primeiros versos de Even The Stars Are A Mess e acabam por resumir o conteúdo do disco, praticamente antes do termos escutado. As guitarras e o ambiente sonoro que elas criam abrem-nos a porta para um mundo do qual já não consegues sair enquanto não se esgotarem os nove temas do trabalho e conferires o progresso e a maior maturidade que Lawrence demonstra neste seu novo álbum, o mais sombrio e elaborado da sua carreira, depois de uma ausência de quatro anos. A este crescimento do músico enquanto compositor e exímio transmissor do que de mais belo há nos nossos sentimentos não terá sido alheia a passagem por diferentes países (México, Inglaterra, Perú, Italia e Austrália) durante a mais recente fase da vida de Lawrence.

O single My Heart Is Not A Machine é um bom exemplo dessa expansão do habitual cardápio sonoro do músico, muito mais generoso com as cordas, mas também mais meticuloso e habilidoso na forma como aborda o teclado, algo também evidente no orgão de Roadside, que me remeteu para os Arcade Fire, principalmente pela forma como as teclas se entrelaçam com a melodia da guitarra. Toda esta maior capacidade de construir belíssimas melodias e de caracterizar com maior nitidez o universo sonoro onde Lawrence habita, atinge o auge em Final Words, uma canção onde a batida distante que parece sincronizar-se com o nosso batimento cardíaco e as cordas que se escutam de forma quase imperceptível, fazem desta composição talvez o melhor tema que Lawrence compôs até hoje. A própria aparente ambinguidade da letra faz-nos refletir e transmite uma estranha sensação de esperança (but I’m still hard on myself. But its not a dream, its just a dream, its not as it seems.)

Sendo a voz de Lawrence e o seu quase surreal talento para a escrita os maiores trunfos deste projetco, escutar o núcleo duro de Even The Stars Are A Mess, ou seja, a sequência de My Heart Is Not A Machine a OK, pode provocar efeitos corporais secundários visíveis, mas que têm apenas como última sequência potenciarem a nossa capacidade de nos sentirmos deslumbrados por alguns dos mais belos aspectos da natureza humana e das boas sensações que a música nos provoca. Espero que aprecies a sugestão...

01. The Ballad Of Terence McKenna
02. TV
03. My Heart Is Not A Machine
04. Final Words
05. Roadside
06. OK
07. Alone Never Alone
08. Pride
09. I Am Not A Rock

face
[mp3 320kbps] cz ul zs


autor stipe07 às 23:10
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 27 de Agosto de 2013

I’lls – A Warm Reception EP

Os I'lls (pronuncia-se Isles) são Dan Rutman (guitarra), Hamish Mitchell (teclados) e Simon Lam (bateria e voz), um trio que chega da Austrália e que se dá a conhecer ao mundo através da insuspeita Yes Please Records, com um EP intitulado A Warm Reception.

Logo nos primeiros segundos de audição de A Warm Reception, os Radiohead saiem da penumbra, já que as últimas experimentações desse grupo de Oxford no campo da eletrónica parecem ser uma das principais influências declaradas dos I'lls. O começo do EP faz prometer muito e leva-nos logo para um outro universo, onde flutuamos e somos convidados a deixar um pouco de lado as nossas maiores preocupações e receios.

Se Speak Low, com as suas constantes variações rítmicas, serve esse propósito etéreo de nos apresentar convenientemente os I'lls, Plans Only Drawn já convida a um ligeiro abanar de ancas, mesmo que desconexo, o suficiente para percebermos que embarcámos numa viagem que tem tanto de psicadélica como de inebriante e melancólica.

Esta toada mantém-se e até as guitarras têm direito ao seu instante de fama em praticamente todas as canções, mas com especial ênfase em To: All The Blurred. Apesar da pop psicadélica e da belíssima eletrónica que conduzem o EP, também é possível perceber algumas influências do dub e do hip hop.

O EP está disponível para download no bandcamp da Yes Please Records, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo. Já agora, no mesmo bandcamp, encontras uma interessante quantidade de álbuns e EPs de bandas emergentes australianas que se inserem no mesmo universo sonoro destes I´lls e com a possibilidade de download nos mesmos termos deste EP que hoje vos sugiro. Os Guerre e os Cosmos Midnight são dois projetos que recomendo vivamente. Espero que aprecies a sugestão...

I'lls - A Warm Reception

01. Speak Low
02. Plans Only Drawn
03. Outright
04. Sharing
05. To: All The Blurred
06. Mine’s Here Or My End’s Here Or Nineteen

Soundcloud: https://soundcloud.com/illsmusic
Bandcamp: http://illsmusic.bandcamp.com/
YouTube: http://www.youtube.com/user/Illsmusic


autor stipe07 às 22:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 15 de Agosto de 2013

Scott & Charlene's Wedding - Any Port In A Storm

Editado no passado dia vinte e dois de julho na conceituada Fire Records, Any Port In A Storm é o sucessor de Para Vista Social Club (2011) e segundo trabalho dos australianos Scott & Charlene's Wedding, um projeto liderado por Craig Dermody, um músico natural de Melbourne e que se mudou recentemente para os Estados Unidos e Nova Iorque. O curioso nome desta banda é baseado no programa preferido de televisão que a mãe de Craig acompanhava durante a infância do músico e, dessa forma, uma espécie de homenagem não só à sua mãe como a esses tempos em que ele viveu nos subúrbios de Melbourne.

A big apple onde Craig vive agora acaba por ser a grande fonte de inspiração e a base temática de Any Port In A Storm. As onze canções do disco têm um elevado cariz autobiográfico, já que além de abordarem as consequências de uma vida dedicada à música, também falam de separações amorosas (Spring St) e de quem nunca coloca de lado as suas maiores aspriações (Wild Heart), numa cidade cheia de perigos, mas também capz de proporcionar um universo imenso de novas oportunidades, em especial para quem nunca renega o que de melhor tem a essência humana(Fakin NYC).

Sonoramente Any Port In A Storm não é aquele disco que vai salvar quer o rock quer uma indie pop atualmente um pouco orfã de propostas realmente criativas e que se distingam pela inovação, mas é um trabalho brilhante na forma como faz uma espécie de súmula da melhor indie pop dos últimos trinta anos, aquela indie pop que em vez de ser impecavelmente polida, é algo suja e direta e sem grandes artifícios ao nível da produção. Sabemos que infelizmente muitas vezes esse rigor de estúdio ao moldar demasiado as canções extrai o melhor da sua essência, que normalmente se baseia numa certa fragilidade e rugosidade que transmitem a real identidade e mística das mesmas.

Assim sendo, o dedilhar da guitarra acústica e uma percurssão vincada são as traves mestras do processo de composição melódica dos Scott & Charlene's Wedding e depois o baixo e a distorção os principais detalhes, num trabalho onde a postura vocal a fazer recordar um Lou Reed na sua melhor forma, ajuda ainda mais a transportar-nos até ao que de melhor o rock alternativo nos ofereceu nas últimas décadas.

Se quisermos ser simples e diretos como as canções deste álbum, sem deixar de lado a importância do que foi dito acima, o que importa realmente reter é que ao incluir no seu alinhamento temas como Junk Shop, Fakin NYC e Gammy Leg, Any Port In A Storm acaba por ser um disco essencial para o que ainda resta deste verão. Espero que aprecies a sugestão...

Scott & Charlene’s Wedding : Any Port In A Storm

1. Junk Shop
2. Lesbian Wife 
3. 1993 
4. Fakin' NYC 
5. Clock Out And Leave 
6. Jackie Boy
7. Downtown 
8. Spring St 
9. Gammy Leg 
10. Charlie's In The Gutter
11. Wild Heart


autor stipe07 às 22:03
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 11 de Agosto de 2013

Ride Into The Sun – Ride Into The Sun EP

Os australianos Ride Into The Sun começaram a fazer música em 2010 e ao longo destes três anos passaram por várias transformações na formação, o que não impediu de terem já um interessante cardápio sonoro, como poderás verificar no bandcamp da banda. Dessa coleção qual destaco o single New Sunday, tema disponível abaixo para download e extraído de Goodbye Hipster, Hello Reality, um EP editado por este grupo em dezoito de fevereiro de 2011. Naturais de Adelaide, têm como ídolos os The Black Angels e, naturalmente, replicam um excelente rock psicadélico. Rapidamente definiram uma posição de relevo no cenário musical shoegaze e alternativo local, profícuo em bandas que apreciam o universo sonoro underground produzido nos anos setenta e oitenta. Os Ride Into The Sun são atualmente formados por Jess, Adam, Todd, Dan e Ant e um EP homónimo é o trabalho mais recente deste coletivo, um conjunto de seis canções que viram a luz do dia no início do passado mês de julho, por intermédio da Pilot Records.

 

Ride Into The Sun foi gravado em apenas três dias nos Toyland Studios, em Melbourne, o que desde logo denota que os Ride Into The Sun são, por um lado, extremamente competentes e, por outro, defensores de uma sonoridade o mais crua e direta possível, dentro do género musical que os define. O processo de gravação deste EP contou com as participações especiais de elementos preponderantes dos The Black Angels, a tal banda de eleição dos Ride Into The Sun, nomeadamente Alex Maas o vocalista e compositor dos The Black Angels e foi produzido por Brett Orrison, também produtor desse grupo.

Como referi acima, é o rock psicadélico dos anos setenta o grande pilar do som do grupo. Assim, este EP mergulha o ouvinte num ambiente etéreo e espacial, carregado de psicadelia e explora nitidamente um universo certamente construido com várias substâncias psicotrópicas consumidas em noites chuvosas. As seis canções do EP são comandadas pela voz de Adam, num registo muito à Jim Morrison e por guitarras carregadas nos loopings e nos efeitos. O baixo bem pronunciado ajuda ainda mais a ditar esse ritmo carregado e denso. Mas há também aqui a força do blues e da soul, numa mistura bem doseada de Doors, Spacemen 3, Pink Floyd e até Black Rebel Motorcycle Club.

Este EP é uma espécie de ponto de partida do grupo para uma extensa digressão dos Ride Into The Sun que passa pela Austrália, Estados Unidos e Europa, à qual se seguirá, já em 2014, a gravação de um longa duração que deverá também contar com a participação dos dois membros referidos dos The Black Angels. Espero que aprecies a sugestão...

Ride Into The Sun - Ride Into The Sun

01. Hunt Like Wolves
02. Lost At Sea (A Love Song)
03. These Are The Ones That Shoot
04. Gun Song
05. Hero
06. Too Cold

 


autor stipe07 às 23:58
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sexta-feira, 9 de Agosto de 2013

The Map Room – The Map Room

Os The Map Room são Brendon Morrow e Simon Gooding uma dupla de amigos que se conheceu e tornaram-se colegas de quarto enquanto estudantes de engenharia de som na Austrália e que, depois de voltarem a Auckland, a sua terra natal, na Nova Zelândia, resolveram começar a fazer música juntos. O primeiro passo, fundalmental para a carreira dos The Map Room, foi uma viagem que ambos fizeram à América do Sul; Da Colômbia à Argentina, ambos viajaram durante catorze meses por aquele continente, com um par de guitarras e um gravador, a dar pequenos espetáculos e a compôr música, tendo sido Paracas, uma pequena localidade na costa do Perú e Buenos Aires, na Argentina, os locais de eleição para a criação de alguns dos fragmentos sonoros que sustentaram vários temas de The Map Room, o disco homónimo de estreia do projeto, lançado no passado dia vinte e oito de junho.

The Map Room é uma coleção de dez belíssimas canções que assentam numa indie pop muito simples e  eminentemente acústica, com um forte pendor espacial e atmosférico. O dedilhar da guitarra acústica (extraordinário, por exemplo, em City) guia as canções e variadíssimas vezes é tocada por ambos, em simultâneo, numa demonstração de forte dinamismo e excelente interação entre os dois amigos. A esse instrumento juntam-se, com enorme bom gosto, o piano, o sintetizador e uma percurssão suave, mas bem vincada, bem audível em All You'll Ever Find, sem dúvida, para mim, o grande destaque deste álbum. A voz é também um importante veículo no transporte de emoções e de uma melancolia muito própria; Também há uma forte interação entre ambos no ato de cantar e Pilot é aquele tema que exemplifica novamente a forte amizade que une Brendon e Simon. Nesta canção há uma exemplar simbiose entre os dois e a simples audição da mesma é suficiente para percebermos que há um sentimento muito forte de cumplicidade no seio dos The Map Room. Já agora, nos recentes espetáculos de promoção do álbum, os The Map Room têm contado com as colaborações de Andy Keegan na bateria e Jared Kahi no baixo e vozes. Este último foi também responsável pelo artwork do disco.

A viagem referida terá certamente marcado decisivamente a escrita dos poemas que alimentam os temas, já que falam imenso de movimento, da quebra das habituais rotinas do dia-a-dia, de estranhos encontros e de uma natureza muitas  vezes algo transcendental para quem se habituou, desde sempre, ao conforto de um estilo de vida mais urbano. 

De Grizzly Bear, a Spoon, The National e Phoenix,  passando pela produção límpida e algo minimalista de uns Metronomy, os The Map Room transportam-nos até uma vasta e notável cartilha de influências que terão tido uma importância elevada no processo de criação melódico de The Map Room. Na audição deste disco fica-se algumas vezes com a fantástica sensação que os dois músicos que nos oferecem estes temas estão a pairar algures sobre nós enquanto os interpretam, tal é o ambiente de candura e a enorme beleza que conseguem criar e replicar com a sua música. Espero que aprecies a sugestão...

The Map Room - The Map Room

01. All You’ll Ever Find
02. Pilot
03. There’s A Fire
04. Stick Around
05. City
06. Lay Down Here
07. Memory
08. Elastic Tongue
09. List Of Things
10. Visitors


autor stipe07 às 21:48
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Quinta-feira, 18 de Julho de 2013

Bored Nothing – Thanks For The Mammaries EP

Depois de terem lançado em 2012 um homónimo, os Bored Nothing, um projeto de Melbourne, na Austrália, liderado por Fergus Miller, estão de regresso com um novo EP intitulado Thanks For The Mammaries, disponível no bandcamp do grupo para download gratuito. A sonoridade de Bored Nothing é uma mistura indie lo fi, feita com psicadelia, folk e punk e que se carateriza por uma percurssão acentuada, guitarras contidas e uma voz frequentemente sintetizada e em reverb. No entanto, este é um EP com um forte conteúdo acústico, assente em quatro canções curtas mas extremamente melancólicas, guiadas quase única e exclusivamente pelo dedilhar da viola.

O EP começa com Slipped Between The Seams, uma canção que tem como maior curiosidade o facto de usar um sample de Zontar - The Thing From Venus, um filme de ficção científica de 1966. Just Because já foi escrita há quatro anos e fala de uma rapariga com quem Fergus saiu no liceu que era giríssima mas muito pouco interessante. A canção destaca-se um pouco mais por ter uma percurssão suave, mas ligeiramente mais vincada e que combina muito bem com as cordas. Em Dial Tone Blues a viola foi amplificada e ganha uma distorção que juntamente com a voz sintetizada e a caixa de ritmos nos remete para a tal sonoridade típica de um surf rock lo fi, muito em voga atualmente. Esta canção é uma espécie de tributo dos Bored Nothing aos Go-Betweens e fala sobre banais conversas ao telefone. No final, Stuck, uma canção que aborda a frustração, um tema recorrente neste projeto, acalma um pouco a toada dos temas anteriores.

A música dos Bored Nothing sempre foi uma espécie de reflexo da vida de Miller, considerada um pouco obscura e, talvez, uma das melhores explicações para a postura algo dramática e ofegante da sua voz. Assim, estamos na presença de mais quatro canções que personificam mais do que a história de um indivíduo, a história de alguém que busca, usando a música, o melhor da sua própria individualidade. Espero que aprecies a sugestão...

01. Slipped Between The Seams
02. Just Because
03. Dial Tone Blues
04. Stuck  


autor stipe07 às 21:05
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Terça-feira, 25 de Junho de 2013

Jagwar Ma – Howlin

Os Jagwar Ma são Jono Ma e Gabriel Winterfield uma dupla australiana apaixonada pelas sonoridades alternativas dos anos noventa e que procuram promover na sua música uma espécie de simbiose entre a neopsicadelia desenvolvida, por exemplo, pelos Primal Scream a a brit pop dos Blur no período Parklife e os próprios Stone Roses. Fazem canções cheias de colagens e sobreposições instrumentais, que em Howlin, o disco de estreia do projeto, encarnam uma espécie de súmula de alguns dos mais interessantes detalhes sonoros dessa época.


Numa espécie de electrónica dançante, Howlin é um disco que convida à dança em onze brilhantes temas que se ouvem com imensa facilidade, quer pela sua fluidez, quer pela base melódica das próprias canções. Desde que era conhecido o single The Throw havia uma enorme expetativa em redor de Howlin e destes Jagwar Ma e o alinhamento do disco não defrauda quem ansiava pela mesma receita proposta por essa canção. Com o tal pendor nostálgico dos anos noventa, a contemporaneidade é também uma caraterística intrínseca a Howlin já que um misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do rock são a massa sonora que sustenta o disco e, como sabemos, caraterísticas de uma vasta coleção de propostas musicais que nos dias de hoje nos chegam dos quatro cantos do mundo.

Esta variação quase ilimitada de sons e colagens que os Jagwar Ma criam merece destaque ainda maior porque, mesmo com este elevado fator alternativo, digamos assim, conseguem apresentar canções com um interessante teor comercial e de acessibilidade às massas. Por exemplo, nos seus cerca de sete minutos Four carrega consigo sobreposições eletrónicas vintage e uma pop algo aventureira, sem descurar, num aparente exercício sonoro experimental, a construção de uma identidade própria que permite aos Jagwar Ma criarem raízes no grande público e, ao mesmo tempo, como é um tema que se situa a meio do alinhamento do disco, preparar o ouvinte para uma segunda metade de Howlin mais climática e menos sintética, com um dinamismo mais intenso e um maior ênfase nas guitarras e na própria voz. Nesse bloco, Man I Need e a romântica Did You Have To são duas canções deste trabalho que mais se afastam do pendor psicadélico e lisérgico de Howlin.

No que diz repseito à fase inicial do disco, enquanto logo no segundo tema Uncertainty tem versos e sons algo próximos da herança dos Happy Mondays no clássico Pills ‘n’ Thrills and Bellyaches (1990), um pouco depois Come Save Me remete-nos para as viagens lisérgicas impostas pelo Spiritualized, numa estrutura naturalmente pop. Estes são apenas dois exemplos de interpretações particulares de tudo o que foi construído há duas décadas, sem que haja um distanciamento do que percorre a música alternativa atual. Uma mistura equilibrada, sóbria e bem sucedida entre o passado e o presente.

Em Howlin parece-me clara uma intenção dos Jagwar Ma em vincar um estilo próprio, firmar referências e tendências, mas também deixar algumas pontas soltas numa coleção de onze excelentes canções que fazem desta dupla, mais um nome a fixar e a deixar debaixo dos nossos radares. Espero que aprecies a sugestão...

01. What Love
02. Uncertainty
03. The Throw
04. That Loneliness
05. Come Save Me
06. Four
07. Let Her Go
08. Man I Need
09. Exercise
10. Did You Have To
11. Backwards Berlin


autor stipe07 às 19:37
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Sábado, 8 de Junho de 2013

Beaches – She Beats

Ali McCann, Alison Bolger, Antonia Sellbach, Karla Way, Gill Tucker são as Beaches, uma banda de Melbourne, na Austrália e She Beats é o registo mais recente do grupo, lançado no passado dia seis de maio por intermédio da insuspeita Chapter Music. Produzido por Jack Farley dos Scott & Charlene's Wedding, She Beats sucede ao álbum de estreia, editado em 2008, que curiosamente não tinha título, mas que esteve nomeado para um Mercury Prize australiano. Antes de fazerem parte das Beaches, a guitarrista Antonia Sellbach era de um grupo chamado Love of Diagrams, a outra guitarrista, Alison Bolger, era dos Panel of Judges e a baixista Gill Tucker era dos Spider Vomit.

Este quinteto que conta então com três guitarristas e tem uma sonoridade muito influenciada por nomes como os My Bloody Valentine, entre outros do género, está orientado para replicar um indie rock psicadélico, com traços de dream pop, shoegazelo-fi. Além de usarem os instrumentos normais de uma banda rock, também surpreendem com o uso de trompete e de violinos em alguns temas. 

Depois do tal álbum de estreia de 2008, fizeram uma digressão que incluiu passagens pelos Estados Unidos. Em 2010 regressaram ao estúdio para gravar o sempre difícil segundo álbum, este She Beats, um disco com onze canções que plasmam um indie rock psicadélico fantástico, hipnótico e assertivo. Um dos destaques de She Beats é o single Distance que conta com a participação especial de Michael Rother, guitarrista da banda lendária alemã Neu!, um dos expoentes do movimento krautrock.

Ao longo do álbum encontram-se nas melodias aqueles detalhes açucarados que só uma banda de elementos femininos consegue plasmar, com as canções a serem como que alicerçadas na simplicidade típica de uns Ramones e depois adornadas com os elementos caraterísticos do krautrock e da psicadelia. Não é difícil ficares deliciado com as diferentes texturas e com a luminosidade que elas criam com as guitarras elétricas e a sequência de She Beats impressiona e demonstra que as Beaches são uma banda confiante na forma como criam riffs de guitarra aditivos e uma banda inspirada na criação e programação dos ritmos das diferentes canções. O resultado é aquilo que se pretende numa sonoridade deste género, ou seja, algo visceral, rugoso, hipnótico e preciso, estando o auge, na minha opinião, logo na abertura em Out Of Mind, para mim, juntamente com Weather, os melhores temas do disco. A típica pop dos anos sessenta está muito presente não só nas guitarras, mas principalmente nas vocalizações, sendo Thurston Moore uma influência certamente declarada das cinco, já que todas cantam.

Oriundas de Melbourne, uma cidade onde nos últimos anos tem havido um intenso movimento musical retro que procura replicar as sonoridades rock que recordam o cenário alternativo das décadas de sessenta e setenta, estas Beaches têm algo que nos faz mover, um efeito magnético que nos faz querer explorar ainda mais os meandros do rock n'roll progressivo e psicadélico, com o aliciante de invocarem com mestria a nostalgia de tempos passados e regressarem mais audaciosas e inovadoras do que aquilo que demonstraram em 2008. Espero que aprecies a sugestão...

01. Out Of Mind
02. Keep On Breaking Through
03. Dune
04. Send Them Away
05. The Good Comet Returns
06. Distance
07. Weather
08. Granite Snake
09. Tanzanite
10. Veda
11. Runaway


autor stipe07 às 11:27
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Domingo, 17 de Março de 2013

Nick Cave And The Bad Seeds – Push The Sky Away

O australiano Nick Cave está de volta aos discos. Lançado pela Mute, Push The Sky Away surge cinco anos após Dig, Lazarus, Dig!!!, mas não se pense que durante este período este artista esteve parado. Gravou discos com os Grinderman explorando sonoridades mais abrasivas, assinou bandas sonoras com Warren Ellis e trabalhou como escritor e autor de guiões para cinema. Assim, parece óbvio que Nick não gosta de apressar a produção de canções nos Nick Cave And The Bad Seeds e que o espaço criativo e emocional reservado para este projeto é sempre muito planeado.


Push The Sky Away é o trabalho do Cave mais próximo do maravilhoso tridente Murder Ballads, Boatman’s Call No More Shall We Part. É um disco íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, ou seja, segue a habitual bitola ideológica de Nick Cave. Há uma dimensão algo atmosférica, sendo o tema homónimo que encerra o trabalho um exemplo perfeito desta descrição. À medida que o álbum corre pelos nossos ouvidos, somos presenteados com observações sobre o mundo e, algumas vezes, o próprio Nick coloca-se no centro da ação, nomeadamente em Jubilee Street e na esquizofrénica e caótica Higgs Boson Blues, um tema de sete minutos cheio de imagens, metáforas e mistério.

O álbum acaba por ter uma audição fluída e nesta viagem melancólica, há travos de gospel e das coordenadas de Leonard Cohen. Em suma, é música sem horas nem sono, sempre pronta, para alimentar romances ou melancolias, ou a afagar quem sofre de males de amor.

Instrumentalmente, as guitarras tocam devagar, e mantêm uma tensão acumulada que nunca se chega efectivamente a libertar, como sucede em Water’s Edge ou We Real Cool. Tanto elas como os violinos e os violoncelos, tanto embalam como arranham. Os arranjos não existem só para decorar e cada efeito orquestrado ou contínuo riff de guitarra serve para endossar a complexidade das composições de Nick Cave.

Push the Sky Away expõe alguma decadência contida e tranquilamente claustrofóbica através de um músico com uma vitalidade imparável e uma carreira cada vez mais notável. A atmosfera criada não chega a sair do limiar dos sonhos e cria diferentes texturas sonoras para o que parece ser uma epifania sonora de Nick e dos seus Bad Seeds. Um turbilhão de emoções acaba por o resultado de uma perfeita sintonia entre voz e banda, o que faz deste álbum a banda sonora perfeita para íntimos momentos de reflexão. Espero que aprecies a sugestão...

 

01. We No Who U R
02. Wide Lovely Eyes
03. Waters Edge
04. Jubilee Street
05. Mermaids
06. We Real Cool
07. Finishing Jubilee Street
08. Higgs Boson Blues
09. Push The Sky Away


autor stipe07 às 18:12
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 11 de Março de 2013

Birds Of Tokyo – March Fires

Os Birds Of Tokyo são uma banda de indie rock banda australiana, natural de Perth e March Fires, lançado pela etiqueta EMI, é o seu último disco, editado a um de março. March Fires sucede a  Day One (2007), Universes (2008) e ao homónimo Birds Of Tokyo, de 2010 e foi produzido por Dave Cooley (Silversun Pickups) e misturado por Tony Hoffer (M83, Beck, The Kooks, Belle & Sebastian).

This Fire é o grande destaque de March Fires, um tema que quando foi lançado em outubro passado como um single deu origem a um EP homónimo e que relançou a carreira da banda. Atualmente a banda conta na sua formação com Ian Kenny, Adam Spark, Adam Weston, Glenn Sarangapany e Ian Berney.

Os quarenta e cinco minutos da sonoridade de March Fires assentam num indie rock épico, feito com uma enorme míriade instrumental, texturas sonoras ricas, diversificadas e apoiadas por uma postura vocal carregada de emoção e entusiasmo. É um álbum sólido, com uma linguagem simbólica, bem patente no próprio título do disco e, do início ao fim, otimista e caloroso. De certa forma seguem a fórmula dos Coldplay, a primeira banda que me fizeram recordar, já que injetam a sua música com uma mistura saudável de teclados, sintetizadores e outras influências pop para, juntamente com as guitarras sempre muito interligadas e carregadas de distorção, apresentarem uma espécie de soft rock, cheio de energia e cor. Não é uma pop descartável, apesar de não ter grandes segredos, mas um conteúdo que merece realce porque as onze canções criam um pacote coeso, delicadamente pensado, trabalhado e produzido meticulosamente.

Ian Kenny tem uma voz mesmo no auge da rebeldia, capaz de persuadir qualquer um a render-se aos seus anseios mais melancólicos, já que é um mestre a criar refrões aditivos e que entram facilmente no ouvido. Ele e as melodias criadas pelas teclas de Sarangapany, são mesmo, na minha opinião, os dois trunfos maiores de March Fires; É quase impossível não sentir-se um pico de emoção durante a audição do disco e aquela aúrea épica é uma presença constante, principalmente em This Fire, Boy e Lanterns, uma canção capaz de nos levar a um lugar onde tudo parece possível. Este impacto emocional é uma agradável sensação já que a fórmula escolhida para o causar é simples e de fácil absorção, para quem, obviamente, aprecia a típica sonoridade rock deste universo sonoro. Espero que aprecies a sugestão...

01. Liquid Arms
02. This Fire
03. When The Night Falls Quiet
04. Motionless
05. Lanterns
06. The Others
07. White Leaves
08. Blume
09. Boy
10. Sirin
11. Hounds


autor stipe07 às 22:39
link do post | comenta / bad talk | The Best Of Man On The Moon...
|

eu...

Powered by...

stipe07

Em escuta...

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Agosto 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
15
16

21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


posts recentes

The Acid - Liminal

Ball Park Music – Pudding...

Conheces os The Good Morr...

Coloured Clocks – All Is ...

Total Control - Expensive...

Tame Impala - Live Versio...

Underground Lovers – Week...

Cut Copy - In These Arms ...

Gossling – Harvest Of Gol...

Coloured Clocks - Tell He...

Cut Copy - Free Your Mind

Big Scary – Twin Rivers E...

The Deltahorse feat TJ Ec...

The Flaming Lips And Tame...

Pond – Hobo Rocket

X-Files

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

Procura...

 

Visitors (since 31.05.12)

blogs SAPO

subscrever feeds