Quinta-feira, 8 de Junho de 2017

Underground Lovers – Staring At You Staring At Me

Oriundos de Melbourne, na Austrália, os Underground Lovers são Philippa Nihill, Richard Andrew, Maurice Argiro, Glenn Bennie, Vincent Giarrusso e Emma Bortignon. Apostam no revivalismo do rock progressivo e psicadélico, com uma forte componente experimental, que começou a fazer escola nas décadas de sessenta e de setenta. Pouco conhecidos no resto do mundo, são acompanhados com particular devoção no país de origem e considerados como uma das mais inovadoras bandas australianas, pela forma como conjugam a tradicional tríade baixo, guitarra e bateria com a tecnologia e a eletrónica que hoje prolifera na música e que permite às bandas alargar o seu cardápio instrumental. Editado através da Rubber Records, habitual depositário do catálogo da banda, Staring At You Staring At Me é o trabalho mais recente dos Underground Lovers, um disco que celebra quase três décadas da carreria do grupo e que sucede a Wonderful Things (2011) e ao excelente Weekend (2014).

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A banda iniciou a sua carreria discográfica em mil novecentos e noventa e um com um homónimo e Staring At You Staring At Me é já o décimo segundo álbum da carreira dos Underground Lovers, um grupo que passou por algumas transformações, várias entradas e saídas de elementos e com um historial típico de uma banda com um elevado número de músicos com vidas díspares e conturbadas. 

Staring At You Staring At Me são nove canções que nos permitem aceder a uma outra dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, sem nunca descurar as mais básicas tentações pop e onde tudo soa utopicamente perfeito. Apesar da já extensa carreira, confesso-me cada vez mais impressionado pela beleza utópica das composições dos Underground Lovers, algo que não falta neste álbum, assim como as belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos mais agressivos. 

Staring At You Staring At Me denota esmero e paciência por parte de Vincent Giarrusso, o grande mentor e compositor da banda, principalmente na forma como acerta nos mínimos detalhes. Das guitarras que escorrem ao longo de todo o trabalho, passando pelos arranjos de cordas, pianos, efeitos e vozes, tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do que escutamos tivesse um motivo para se posicionar dessa forma. Ao mesmo tempo em que é possível absorver Staring At You Staring At Me como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o trabalho é outro resultado da mais pura satisfação, como se os Underground Lovers projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, assentes num misto de psicadelia, rock progressivo, soul e blues.

O som espacial, experimental, psicadélico e melódico que a banda criou ao longo da carreira, encontra aqui o conforto que necessita para se justificar e se cimentar ainda mais, com o disco a acrescentar à bagagem sonora dos Underground Lovers novas e belíssimas texturas, mais serenas, mas que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte do ADN do grupo. Assim, da luminosidade do efeito metálico da guitarra que conduz Seen It All, passando pela serenidade folk das cordas que abastecem It’s The Way It’s Marketed e Unbearable e pela elevadíssima dose de psicadelia em que assenta St. Kilda Regret, assim como pela majestosidade experimental e intensa de Glamnesia, um tema cantado com uma voz em eco entrelaçada com uma guitarra plena de distorção, dois detalhes que conferem à canção um enigmático e sedutor cariz vintage, são vários e convincentes os exemplos de rejuvenescimento de um projeto essencial para o rock alternativo australiano e não só.

Apesar da longevidade e da erosão que a instabilidade da formação provoca no seio de uma banda, os Underground Lovers parecem não ter perdido o brilho e não demonstram cansaço ou falta de inspiração. Staring At You Staring At Me tem tudo para ser mais um clássico de uma banda que mergulhada num universo sonoro um pouco mais intimista e reflexivo, continua a soar tão jovial e inventiva como soava há duas décadas. Espero que aprecies a sugestão...

Underground Lovers - Staring At You Staring At Me

01. St. Kilda Regret
02. You Let Sunshine Pass You By
03. The Conde Nast Trap
04. The Rerun
05. Seen It All
06. It’s The Way It’s Marketed
07. Glamnesia
08. Every Sign
09. Unbearable


autor stipe07 às 13:09
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Sábado, 6 de Maio de 2017

POND - The Weather

Depois do excelente Man It Feels Like Space Again (2015), os australianos POND de Nick Allbrook, baixista dos Tame Impala, estão de regresso aos discos em 2017 com The Weather, um álbum que viu a luz do dia através da Marathon Artists e idealizado por uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um projeto.

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A expressão rock cósmico talvez seja feliz para catalogar o caldeirão sonoro que os POND reservam para nós cada vez que entram em estúdio para compor. E o receituário habitual destes australianos inclui guitarras alimentadas por um combustível eletrificado que inflama raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro do ideário sonoro do grupo, feitas, geralmente, de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez e que desta vez estão mais acompanhadas do que nunca por sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias. Para compor o ramalhete não falta ainda uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade

The Weather inicia com 3000 Megatons, um vendaval de lisergia fortemente sintética apenas equiparável ao que realmente sucederia se o mundo sofresse as consequências da deflagração de tal quantidade de pólvora, mas o clima é logo amainado pela delicada sensibilidade das cordas que suportam a monumentalidade comovente de Sweep Me Off My Feet, canção que resgata e incendeia o mais frio e empedrenido coração que se atravesse. Depois, a leveza contagiante de Paint Me Silver, que proporciona-nos um instante de eletrofolk psicadélica, mais habitual na outra banda de Allbrook, o eletropunk blues enérgico e libertário de Colder Than Ice e, principalmente, a esmagadora monumentalidade da viagem esotérica setentista proporcionada pelas duas metades que compôem Edge Of The World, ampliam a sensação de euforia e de celebração de um alinhamento que tanto ecoa e paralisa, no meio de uma amálgama assente numa programação sintetizada de forte cariz experimental, como nos faz querer que se dançarmos sem pudor acabaremos por embarcar numa demanda triunfal de insanidade desconstrutiva e psicadélica, cientes de que ao som dos POND não há escapatória possível desta ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida.

Torna-se, pois, indispensável deixar que o nosso corpo absorva todas as sensações inebriantes que este disco oferece gratuitamente e, repetindo o exercício sensorial várias vezes, permitirmos que depois se liberte o imenso potencial de energia que estas composições recheadas de marcas sonoras rudes, suaves, pastosas, imponentes, divertidas e expressivas, às vezes relacionadas com vozes convertidas em sons e letras e que atuam de forma propositadamente instrumental proporcionam. Aqui tudo é dissolvido de forma tão aproximada e apaixonada, que The Weather está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Por exemplo, a fina ironia, quer melódica quer lírica, do ambiente cósmico de All I Want For Xmas (Is A Tascam 388), permite-nos diferentes interpretações acerca do verdadeiro sentido genuíno do Natal enquanto celebração da fraternidade ou um enorme pretexto puramente comercial. Depois, o frenesim descontrolado inicial de A/B, na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico, é algo enganador já que a canção é subitamente alvo de um intenso downgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, deixando-nos em suspense relativamente ao que resta ouvir da composição, embalados por um piano e uma voz distorcida que clamam por um anjo que nos agita a mente. Finalmente, o tema homónimo parece um simples devaneio sonoro minimalista, mas acaba por constituir-se num imenso instante de rock progressivo, onde os POND gastam todas as fichas e despejam os trunfos que alicerçam a sua estrutura sonora complexa, numa canção que sabe claramente a despedida, num cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto de efeitos maquinais e orgânicos que proporcionam sensações únicas.

Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os POND são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é The Weather, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os POND sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - The Weather

01. 30000 Megatons
02. Sweep Me Off My Feet
03. Paint Me Silver
04. Colder Than Ice
05. Edge Of The World, Pt. 1
06. A / B
07. Zen Automaton
08. All I Want For Xmas (Is A Tascam 388)
09. Edge Of The World, Pt. 2
10. The Weather

 


autor stipe07 às 13:44
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Quinta-feira, 9 de Março de 2017

Holy Holy – Paint

A Austrália é o local de origem dos Holy Holy, uma dupla formada por Tim Carroll e o guitarrista e compositor Oscar Dawson, dois músicos oriundos de Brisbane e Melbourne, respetivamente e, em tempos, professores de inglês no sudoeste da Ásia. Ambos mudaram-se para a Europa em 2011, com Carroll a fixar-se em Estocolmo, na Suécia e Dawson em Berlim, na Alemanha. Depois, num reencontro de ambos na primeira cidade, resolveram fazer música juntos, tendo sido criadas aí as primeiras demos em conjunto, que foram, depois, aprimoradas na Austrália, dando origem a estes Holy Holy. Em 2015 o projeto, já com o baterista Ryan Strathie, estreou-se nos discos com o excelente When The Storms Would Come, que já tem finalmente sucessor. O sempre difícil segundo álbum dos Holy Holy chama-se Paint e nele deambulam dez canções que foram compostas com a dupla quase sempre, durante o processo de incubação, salutarmente incómoda, já que quiseram ir contra o seu próprio instinto e vontade, que costumava divagar em redor de sonoridades eminentemente folk, com o resultado a constituir-se, no seu todo, como algo de mais arriscado, mas também preciso e minimal, do que o disco de estreia.

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Em Paint os Holy Holy ampliam largamente o seu espetro sonoro, num disco onde alguns riscos foram tomados e nem sempre calculados, mas com o resultado final a ser bastante compensador. Acaba por haver uma espécie de osmose de vários detalhes típicos de sonoridades, que da eletrónica à já referida folk, passando pela pop mais radiofónica e o rock alternativo, dão ao disco e à banda este cariz eclético, tão bem plasmado, por exemplo, no funk do baixo e nas batidas de That Message, nos sons sintetizados vintage que abastecem True Lovers, na grandiosidade da guitarra que conduz Willow Tree e na amplitude e luminosidade de Gilded Age. O resultado final acaba por ser uma vista panorâmica para diversas interseções que, curiosamente, não têm nada de caótico, já que percebe-se que a seleção dos arranjos e do arsenal instrumental obedeceu à procura de uma conssonância com a componente lírica, além de ter resultado de um arrojado processo de filtragem fina do que de melhor cada subgénero sonoro teria para oferecer aos dez temas. 

Com artwork da autoria de James Drinkwater, um artista expressionista natural de Newcastle, Paint comprova o modo como estes Holy Holy são exímios em conseguir confundir-nos com um celebração indulgente e inspirada dos melhores sons do passado sem ousarem afastar-se do melhor clima indie do rock atual, além de impressionarem pela alegria e pelo modo poético, corajoso, denso e sofisticado com que controem canções com uma beleza ímpar e até certo ponto onírica. Espero que aprecies a sugestão...

Holy Holy - Paint

01. That Message
02. Willow Tree
03. Elevator
04. Shadow
05. Gilded Age
06. Darwinism
07. True Lovers
08. Amateurs
09. December
10. Send My Regards


autor stipe07 às 18:50
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Quarta-feira, 14 de Dezembro de 2016

The Ocean Party – Restless

Jordan Thompson, Liam Halliwell, Curtis Wakeling, Lachlan Denton, Zac Denton e Crowman, são os The Ocean Party, um projeto australiano de indie pop oriundo de Melbourne e que se move em pardacentas areias sonoras, onde pianos, batidas, sopros e cordas conjuram aventuras e demandas, rumo aquela luz que nunca esmorece e que além de nos aquecer a alma, pode também fazer oferecer sensações físicas que nem sempre conseguimos voluntariamente controlar.

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Restless, um belíssimo tomo de onze canções e que se abre perante nós através do delicioso buliço de um tema homónimo que nos mostra todos os ingredientes de que este projeto se serve, é o mais recente assomo de delicadeza, mas também de desafio, deste sexteto que não se importa nada de nos fazer recuar até aos gloriosos anos oitenta, quer nas asas do baixo e do sintetizador da majestosidade inebriante de Hunters, mas também da subtileza festiva que extravasa da incrível e frenética melodia que conduz Back Bar e, mais adiante, na elegância de West Koast.

Abrigados pela insuspeita Spunk Records!, morada de nomes tão consistentes como Nadia Reid, Ty Segall ou Emma Russack, os The Ocean Party gostam de passear e fazer-nos também passear entre a serenidade e a agitação sem darmos conta, sendo exímios a compôr temas que, frequentemente, contêm um clima simultaneamente misterioso e atraente, algo que Decent Living clarifica com particular bom gosto, balizados por uma indie pop apimentada com uma elevada dose de experimentalismo. Apesar de o clima destas canções ser antagónico ao habitual cinzentismo enigmático do rock de cariz mais sombrio, o baixo é, curiosamente, um instrumento essencial na condução das canções de Restless, com Teachers a ser um excelente exemplo do modo como se servem dele para solidificar o edifício que sustenta o tema e como depois afagam os restantes instrumentos em redor. Logo a seguir, em Better Off, há um timbre de guitarra que vai surgindo e servindo de chamariz para um entra e sai de cordas e sopros, mas o baixo está lá sempre, permanentemente, a guiar toda a trama e a não deixar que toda esta heterogeneidade rítmica e instrumental resvale. Já em Pressure é mesmo o baixo que sobe ao palco em primeiro lugar e o instrumento sobre o qual todos os holofotes se colocam à medida que a canção escorre em arrojo e emoção e transmite o seu ideário.

Em Restless fica clara a capacidade inata dos The Ocean Party em compôr entre a serenidade e a agitação sem perderem sapiência melódica, caraterística que lhes confere uma versatilidade difícil de encontrar na maioria das bandas da atualidade. As canções deste disco não são apenas um simples agregado de efeitos e batidas, entrelaçadas com acordes e sons de cordas, mas algo grandioso, transmitindo um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade melancólica e bastante contemplativa. Reach talvez seja aquela canção que melhor consegue resumir este excelente compêndio de canções que atesta a maturidade o alto nível de excelência, de uma banda que merece chegar ao público ávido de novidades e que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

The Ocean Party - Restless

01. Restless
02. Hunters
03. Back Bar
04. Decent Living
05. Teachers
06. Better Off
07. Pressure
08. Reach
09. Second Guess
10. West Koast
11. Locked Up


autor stipe07 às 18:03
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Sexta-feira, 18 de Novembro de 2016

Jagwar Ma - Every Now & Then

Os Jagwar Ma são Jono Ma, Jack Freeman e Gabriel Winterfield uma banda australiana apaixonada pelas sonoridades alternativas dos anos noventa e que procuram promover na sua música uma espécie de simbiose entre a neopsicadelia desenvolvida, por exemplo, pelos Primal Scream, a brit pop dos Blur no período Parklife e os próprios Stone Roses. Fazem canções cheias de colagens e sobreposições instrumentais, que em Howlin, o disco de estreia do projeto, encarnaram uma espécie de súmula de alguns dos mais interessantes detalhes sonoros dessa época.

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Quase no ocaso de 2016 os Jagwar Ma estão de regresso aos discos com Every Now & Then, o sucessor de Howlin, e através da insuspeita Mom+Pop/Marathon. São onze temas produzidos por Ewan Pearson e gravados aqui, na Europa, em dois locais; Na pitoresca ruralidade de França, numa quinta que tem um estúdio chamada La Brèche e no famoso Le Bunker, no norte de Londres.

Os Beastie Boys foram uma inspiração clara para os Jagwar Ma neste disco e O B 1, canção que conta com a participação especial de Stella Mozgawa das Warpaint e Give Me A Reason, os dois singles divulgados do trabalho, demonstram-no, quer no pendor nostálgico dos tais anos noventa, mas também na contemporaneidade de duas canções, que num misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do rock, exemplificam a massa sonora que sustenta o disco e que, como sabemos, caraterizam uma vasta coleção de propostas musicais que nos dias de hoje nos chegam dos quatro cantos do mundo. E esta simbiose entre uma faceta mais orgânica e outra eminentemente sintética baseou-se, desta vez, numa aproximação mais concerta a uma sonoridade que pudesse ser facilmente transposta para o palco, já que uma das lacunas apontadas ao antecessor era a dificuldade em transportar a riqueza e a heterogeneidade do seu conteúdo para o palco, com apenas três músicos. Assim, canções do calibre da efusiante High Rotations ou da hipnótica e contagiante Slipping, por exemplo, são excelentes temas para serem dançados por grandes multidões e passíveis de verem a sua vibração e entusiasmo serem facilmente reproduzidas ao vivo.

Disco com uma tremenda sensibilidade pop, algures entre Tampe Impala e Animal Collective e com uma epicidade incomum e um fulgor que instiga e faz mover quase de modo instintivo, Every Now & Then assume-se como uma ode ao melhor revivalismo neopsicadélico. É um alinhamento coeso e incisivo, que carrega consigo sobreposições eletrónicas vintage e uma pop algo aventureira, sem descurar, num aparente exercício sonoro experimental, a construção de uma identidade própria que permite aos Jagwar Ma criarem raízes no grande público e, ao mesmo tempo, fazerem-no dançar quase como se não houvesse amanhã. Espero que aprecies a sugestão...

Jagwar Ma - Every Now And Then

01. Falling
02. Say What You Feel
03. Loose Ends
04. Give Me A Reason
05. Ordinary
06. Batter Up
07. O B 1
08. Slipping
09. High Rotations
10. Don’t Make It Right
11. Colours Of Paradise


autor stipe07 às 17:40
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2016

The Laurels – Sonicology

Os The Laurels são uma banda de Sidney, na Austrália, formada por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo)  e Kate Wilson (bateria). Depois de Plains, o disco de estreia do grupo, editado no passado mês de julho pela Rice Is Nice Records e produzido por  Liam Judson, o mesmo que orientou o EP Mesozoic, primeiro registo oficial da banda, lançado em 2011, o coletivo está de regresso com Sonicology, onze canções que confirmam este projeto como um dos grandes expoentes do shoegaze e do cenário psicadélico dos antípodas.

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Os The Laurels são mais uma banda, como tantas outras que têm passado por cá, a seguir a tendência de redescobrir e reutilizar sonoridades do passado. Algumas fazem-no de forma descaradamente objetiva, copiando estilos e até melodias de forma exaustiva. Outros conseguem utilizar o som de ontem de outra forma, procurando reinventar, fundir referências e, sobretudo, dar personalidade e um cunho identitário próprio (da banda ou artista) ao som.

Considero que os The Laurels encaixam na segunda opção. Sonicology é um misto de várias sonoridades do passado que, por se combinarem, não ficam datadas. Assim, se Reentry apela aquele espírito majestoso da época faustosa da britpop, algures entre o Screamadelica dos Primal Scream, o Definitely Maybe dos Oasis e o Modern Life Is Rubbish dos Blur, já Sonicology, o single homónimo, calcorreia territórios mais relacionados com o punk rock de fino recorte, enquanto Some Other Time, por exemplo, pisca o olho aquela vibe mais etérea e psicadélica setentista, tão do agrado de outros projetos conterrâneos e que são hoje verdadeiros ícones do indie rock de cariz mais lisérgico. E bastam estes três exemplos para percebermos o ambiente geral de um trabalho que nos oferece um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soem necessariamente presos a esses géneros.

Ouvir este disco é, em suma, como dar um passeio pela história do pop e da psicadelia e também por outros territórios. Acabo por não resistir a finalizar sem deixar de referir que Frequensator traz-nos as guitarras potentes e empoeiradas do shoegaze, também presentes noutras canções e que o baixo de Mecca e a guitarra que sobre ele flutua, contém uma dose de distorção que lembra os Pixies no período aúreo, apesar dos restantes arranjos da composição apelarem para o clima do típico rock psicadélico dos anos setenta, onde também encaixa o edifício sonoro que sustenta Aerodrome.

Em suma, estamos na presença de um típico disco simbiótico, cheio de nuances sónicas que vale a pena descobrir, destrinçar e escutar com particular minúcia, oferecidos por uns The Laurels, conhecidos como uma das melhores bandas ao vivo australianas da atualidade e que continuam a conseguem ultrapassar o sempre difícil teste do segundo disco, com uma postura sonora muito genuína e que exploram positivamente, quase até à exaustão. Espero que aprecies a sugestão...

The Laurels - Sonicology

01. Reentry
02. Sonicology
03. Clear Eyes
04. Some Other Time
05. Trip Sitter
06. Frequensator
07. Aerodrome
08. Hit And Miss
09. Central Premonition Registry
10. Mecca
11. Zodiac K


autor stipe07 às 21:14
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Sábado, 22 de Outubro de 2016

Coloured Clocks – Test Flight

Uma das bandas mais profícuas e fundamentais do universo sonoro indie e alternativo australiano são os Coloured Clocks de James Wallace, um projeto oriundo de Melbourne, com já meia década de existência e seis lançamentos no cardápio e curioso pelo modo como disponibiliza a sua música, sempre com o formato digital disponível gratuitamente no bandcamp da banda. Mas estes Coloured Clocks merecem destaque principalmente pelo modo inteligente e eficaz como compôem canções. Falo de composições sonoras que, se por um lado não defraudam a herança identitária do ideário sonoro que instiga Wallace a compôr, por outro, mostram um autor e um projeto no auge de uma carreira sustentada por um indie progressivo e psicadélico, com fortes reminiscências do rock da década de setenta, mas sem pôr de lado o que de melhor se propôe atualmente, inspirado nesse universo musical.

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Já depois de no início deste ano terem chamado a atenção com Particle, estão de regresso ainda antes do ocaso de 2016, com Test Flight, mais doze excelentes temas, inseridos no espetro sonoro acima descrito, da autoria de uns Coloured Clocks que se estrearam nos lançamentos com o EP Where To Go, em julho de 2011, ao qual se seguiu Zoo, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012 deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado Nectarine e logo depois, em 2014, All Is Round, uma espécie de álbum interativo, que pedia para ser escutado na sequência que entendessemos, já que o início pode ser o fim ou o meio, ou seja, as canções circulavam livremente e isso só não era concreto porque estavam presas à realidade lógica da indispensável sequência numérica do disco.

Test Flight deve ser ouvido na íntegra atentamente e apreciado como um todo, apesar de saltar ao ouvido composições como a contemplativa e cósmica Everything's Right, a inebriante e divertida Lose That Girl, ou a sedutora Building A Star, canção que se aconchega nos nossos ouvidos e cola-se à pele com o amparo certo para que se expresse a melíflua melancolia que Wallace certamente quis que deslizasse dela, já que o mistério é, também, um elemento estruturante da filosofia sonora dos Coloured Clocks. A heterogeneidade rítmica de One Tomorrow Away também merece audição dedicada, devido ao modo almofadado como uma bateria em constante vaivém, a voz ecoante e um agregado de guitarras mágicas se manifestam com uma mestria instrumental vintage única. Depois Never Young também aposta em mudanças de ritmo e sobreposições com elementos sintéticos, numa toada mais diversificada, sendo um dos temas onde eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop.

Feito à medida de quem gosta de sonoridades cósmicas e psicadélicas mais ligeiras e sempre com um fundo de epicidade e emoção à flor da pele, Test Flight aposta numa receita simples mas tremendamente efica, onde reina uma estrutura melódica tradicional, riffs de guitarra luminosos, bem acompanhados pela bateria e por sintetizadores flutuantes e poderosos que nos conduzem a um universo lisérgico e tortuoso, mas cheio de cor, numa espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo. Escrito, produzido, gravado e misturado pelo próprio James Wallace, Test Flight contém uma aúrea resplandescente e romântica invulgares e espelha uma feliz revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Coloured Clocks - Test Flight

01. Everything’s Right
02. You Belong There
03. Never Be
04. Lose That Girl
05. Building A Star
06. What Has Happened
07. One Tomorrow Away
08. Never Young
09. If You’ve Lived Your Life
10. The Special Man
11. Saturday
12. Dreaming At Luna Park


autor stipe07 às 14:31
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2016

Nick Cave And The Bad Seeds – Skeleton Tree

Décimo sexto registo de originais da carreira de Nick Cave, sempre acompanhado pelos fiéis The Bad Seeds, Skeleton Tree é um impressionante e comovente testemunho de um músico, a oferenda desinteressada de uma pessoa igual a todas as outras, mas que viveu recentemente a maior dor física e emocional que um ser humano pode vivenciar, a perca perda de um filho. No documentário One More Time With Feeling, que estreou há alguns dias em Veneza, Cave já se tinha debruçado sobre esse evento e sobre um luto que o tem obrigado a questionar-se ininterruptamente e sobre tudo, utilizando esse filme para fazer uma espécie de exorcização da dor, que agora continua em Skeleton Tree, chamando, no filme, de tempo elástico ao período da sua existência temporal após esse evento e toda a assimilação que é possível fazer do mesmo. Recordo que em julho de 2015 Arthur Cave, filho de Nick Cave, com quinze anos, morreu na sequência de uma queda acidental de um penhasco de dezoito metros, em Brighton, na Inglaterra.

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Apesar de este alinhamento já ter começado a ser alinhavado antes dessa tragédia, incluindo o esboço de alguns dos poemas, foi inapelável para o âmago de Cave o apelo para que adaptasse esse conteúdo inicial às novas circunstâncias. Assim, num registo que sonoramente acabou por apresentar tonalidades mais atmosféricas, com as cordas e o piano a assumirem o processo de composição melódica, sempre acompanhadas por uma bateria plena de soul, logo em Jesus Alone este autor que não gosta de holofotes e que abordem a sua vida pessoal, mas que neste último ano e meio, compreensivelmente, ofereceu-nos até mais do que o esperado dessas dimensões e sobre o modo como está a lidar com o acontecimento, talvez até para evitar abordagens inconvenientes da imprensa e esclarecê-la desde logo sobre aquilo que sente, expôe a revolta que sente com Deus e, de certo modo, também responsabiliza o divino pela dor, pelo trauma e pelo eco que ainda ressoa na sua existência e que, inevitavelmente, acompanhará o resto da sua vida.

Não é inédita na discografia de Nick Cave a menção a Deus e ao divino, assim como à própria morte. Em Skeleton Treen, não só no tema que abre o disco, mas também, por exemplo, em I Need You e Distant Sky, tema que conta com a participação especial de Else Trop, essa espiritualidade atinge uma dimensão inédita e uma profundidade que comove, instiga, questiona, e quase esclarece, porque contamina e alastra-se,tornando-se quase compreensível por todos aqueles que, felizmente, nunca sentiram tal dor. No entanto, a angustiante nuvem onde flutua Girl In Amber e Magneto, também incorporam todo um sentimento de amargura e mesmo de algum desprezo, mas numa perspetiva mais orgânica, terrena e até racional, sendo aquelas canções que, de algum modo, nos esclarecem que Cave está disposto a olhar em frente e a manter-se fiel à crença no amor como sentimento maior, mesmo sabendo que é inapagável, como já referi, o ideário que abastece Skeleton Tree.

É impossível escutar Skeleton Tree e não comungar as sensações que conduziram a estas oito canções, ampliadas por subtilezas instrumentais de raro requinte e intensidade e pela voz de Cave, mais grave e nasalada do que nunca e que parece não suspirar mas respirar ao nosso ouvido, com cruel nitidez e assombro. É como se ele não quisesse passar por tudo isto sozinho e fosse irresistível em si a necessidade de ter toda uma legião de ouvintes e seguidores não atrás de si, mas de mão dada consigo a ajudá-lo a apaziguar o inapaziguável. Espero que aprecies a sugestão...

Nick Cave And The Bad Seeds - Skeleton Tree

01. Jesus Alone
02. Rings Of Saturn
03. Girl In Amber
04. Magneto
05. Anthrocene
06. I Need You
07. Distant Sky
08. Skeleton Tree


autor stipe07 às 17:41
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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016

Jagwar Ma - O B 1 & Give Me A Reason

Os Jagwar Ma são Jono Ma, Jack Freeman e Gabriel Winterfield uma banda australiana apaixonada pelas sonoridades alternativas dos anos noventa e que procuram promover na sua música uma espécie de simbiose entre a neopsicadelia desenvolvida, por exemplo, pelos Primal Scream a a brit pop dos Blur no período Parklife e os próprios Stone Roses. Fazem canções cheias de colagens e sobreposições instrumentais, que em Howlin, o disco de estreia do projeto, encarnaram uma espécie de súmula de alguns dos mais interessantes detalhes sonoros dessa época.

Ainda em 2016 os Jagwar Ma vão regressar aos discos com Every Now & Then, o sucessor de Howlin, mais concretamente a catorze de outubro e através da insuspeita Mom+Pop/Marathon. Serão onze temas produzidos por Ewan Pearson e gravados aqui, na Europa, em dois locais; Na pitoresca ruralidade de França, numa quinta que tem um estúdio, chamada La Brèche e no famoso Le Bunker, no norte de Londres.

Os Beastie Boys foram uma inspiração clara para os Jagwar Ma neste disco e O B 1, canção que conta com a participação especial de Stella Mozgawa das Warpaint e Give Me A Reason, os dois singles já divulgados do trabalho, demonstram-no, quer no pendor nostálgico dos tais anos noventa, mas também na contemporaneidade de duas canções, que num misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do rock, exemplificam a massa sonora que sustentará o disco e que, como sabemos, caraterizam uma vasta coleção de propostas musicais que nos dias de hoje nos chegam dos quatro cantos do mundo. Confere...

Jagwar Ma - O B 1

 

 

Jagwar Ma - Give Me A Reason

01. Give Me A Reason
02. Give Me A Reason (Radio Edit)


autor stipe07 às 19:12
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Terça-feira, 14 de Junho de 2016

The Temper Trap -Thick As Thieves

Os australianos The Temper Trap, banda formada em 2005, liderada por Dougy Mandagi e conhecida pelo som atmosférico, adornado com guitarras e um grande conjunto de ritmos pulsantes, viram o sucesso em 2009 quando Sweet Disposition, extraído do seu álbum de estreia Conditions, se tornou num verdadeiro fenómeno à escala mundial. Em maio de 2012 regressaram aos lançamentos com um disco homónimo lançado através da Infectious Records, que resultou numa vasta digressão mundial, com presença em vários festivais importantes e elogios de bandas como os Rolling Stones ou os Coldplay.

Agora, quatro anos depois desse registo, os The Temper Trap estão de regresso com Thick As Thieves, disco lançado a dez de junho e com vários momentos interessantes, dos quais destaco Fall Together, canção que resulta de uma parceria com Justin Parker, habitual produtor de Lana Del Rey.

Além de Justin Parker, nos créditos de Thick As Thieves podemos encontrar também os nomes de Ben Allen e Pascal Gabriel, mas é a voz de Mandagi, que assemelha-se algumas vezes ao registo de um Jeff Buckley e que é feita, constantemente, com doloridas expressões faciais, que continua a ser o trunfo maior de uma banda exímia a dar vida a canções com uma forte toada sentimental, assentes quase sempre numa guitarra empolgante e carregada de efeitos, de mãos dadas com sintetizadores estratosféricos, que procuram desbravar novos caminhos e uma indisfarçável ode celebratória.

De disco para disco tem havido uma busca quase obsessiva dos The Temper Trap por uma nova identidade sonora e, sendo já algo longínqua a estreia, aproximam-se cada vez mais da sonoridade dos anos oitenta que tanto pode oscilar entre o rock de estádio de uns Scorpions, como a pop baladeira e melancólica dos Spandau Ballet. E este Thick As Thieves acaba por deambular entre estes dois pólos, tendo como atributo maior falar de sentimentos reais e geralmente felizes e que, por isso, pretendem e de slgum modo conseguem colocar enormes sorrisos no nosso rosto durante a audição. Espero que aprecies a sugestão...

The Temper Trap -Thick As Thieves

01. Thick as Thieves
02. So Much Sky
03. Burn
04. Lost
05. Fall Together
06. Alive
07. Riverina
08. Summer’s Almost Gone
09. Tombstone
10. What If I’m Wrong
11. Ordinary World


autor stipe07 às 21:46
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