Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

Mumblr - The Never Ending Get Down

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que viu a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. Por exemplo, o edifício melódico de Mud Mouth, carregado de variações rítmicas e a transpirar dores e anseios que, para desespero de tantos, insistem em não saltarem do irrealismo puro e Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirmam esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas.

Os Mumblr não desistem de segurar firme a bandeira de um estilo sonoro que do fuzz ao grunge, alinhado em redor de guitarras que explodem em elevadas doses de distorção, com raízes no rock alternativo da década de noventa, já foi várias vezes declarado extinto e fora de moda, muito por causa do cada vez maior uso da sintetização e de cuidados superlativos nos processos de arrumação e polimento do som, por parte das maiores bandas rock da atualidade. Este desejo, quase em jeito de desafio, por parte dos Mumblr, de se manterem íntegros a uma fórmula que dificilmente lhes renderá maiores dividendos do que uma pura e fiel devoção por parte de alguns seguidores e nos quais me incluo, saúda-se e, seguindo as pegadas firmemente impressas pelo excelente Full Of Snakes, The Never Ending Get Down revela um superior arrojo ao nível da construção arquitetónica das canções, agora mais heterógenas e menos diretas e incisivas, mas mais ricas, quer sonora, quer liricamente, como já expus acima. A feliz incostância da secção ritmíca e das guitarras em Three Leg Dog, uma canção onde Nick se expõe com invulgar avidez e os laivos de punk rock de cariz mais progressivo que palpitam em VHS, assim como, numa direção oposta, a forma como o baixo e os tambores de Push se entrelaçam cruamente com a guitarra, parecendo que os Mumblr tocam a canção no canto mais recôndito do nosso quarto, mesmo ali ao lado, são um claro exemplo de um vigor e de uma expressão estética que, olhando de frente para alguns ícones do rock alternativo dos anos noventa, com os Sonic Youth e os Nirvana à cabeça, estampa um olhar genuíno e único, sempre com uma sensação plena de controle, inclusive quando a própria temática das canções que, como já referi, exploram a dura realidade da nossa existência, até convidaria a um maior manifestação, através da sonoridade, de uma certa raiva ou descontrole emocional.

Quem espera encontrar nos Mumblr um ombro amigo para consolar as suas angústias e problemas, escuta Ugly Ugly, Tiny Tiny ou Last Stop e vai sentir-se defraudado e incompreendido porque eles estão cá para nos plasmar com alguns dos aspetos práticos do lado negro deste mundo e não para nos ensinar como lidar com ele. The Never Ending Get Down existe para nos mostrar a vida tal como ela realmente se apresenta diante de nós e para satisfazer uma raiva que, se muitas vezes transcende certos limites e resvala para uma obscuridade aparentemente imutável e definitiva, geralmente nunca perde aquela consciência que nos permite continuar a avançar e a fintar as adversidades, mesmo que existam nos dias de hoje, na sociedade ocidental, dita civilizada, alguns eventos politicos ou económicos, moralmente de difícil compreensão para o mais comum dos mortais. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 21:58
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Mumblr - Microwave

Depois da espetacular estreia nos discos em 2014 com Full Of Snakes, os norte americanos Mumblr de Nick Morrison, Ian Amidon, Sean Reilly e Scott Stitzer, estão de regresso com o sucessor, um trabalho intitulado The Never Ending Get Down e que irá ver a luz do dia a dez de junho através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Estes Mumblr mantêm-se apostados em criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, já que parece ser este o ideário lírico privilegiado das canções e da escrita de Nick Morrisson, que agora também se debruça na temática dos sonhos e das sensações que as recordações dos mesmos provocam. E Microwave, o primeiro single divulgado de The Never Ending Get Down, confirma esta direção, que numa simbiose entre garage rockpós punk e rock clássico, contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário lo fi inaugurado há mais de três décadas. Confere...


autor stipe07 às 22:03
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Domingo, 10 de Abril de 2016

Ghost King - Bones

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que viu a luz do dia a vinte e seis de março, podendo ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. Bones é a materialização bem sucedida de tal desiderato,um compêndio sonoro que logo no baixo vigoroso e na guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, oferece-nos uma excelente demonstração da cumplicidade que une os Ghost King e que, felizmente, foi utilizada como veículo de manifestação artística, nomeadamente a composição musical.

O clima de Bones não se cinge, naturalmente, aquilo que nos é dado a contemplar na canção que abre este alinhamento de onze composições. A trip deambulante, com intenso travo surf pop, que exala de Ghost In Love e, numa abordagem oposta, o clima mais contemplativo e acústico de Below The Sun e Winter's Air, assim como a visceralidade efusiva e imponente de Skeleton Dance e toda a miríade de tiques e detalhes do melhor rock alternativo de finais do século passado que transbordam das guitarras e da bateria da camposição homónima, dividida em dois capítulos que não sobrevivem isoladamente, são instantes de Bones que carecem de audição dedicada e que comprovam a elevada mestria e bom gosto dos autores.

Imponente, repleto de instantes sonoros ricos em nuances variadas que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, Bones reflete, numa curiosa amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:23
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Quinta-feira, 10 de Março de 2016

Ghost King - When The Sky Turns Blue

A insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas, está de regresso às edições, em formato digital e cassete, como é habitual, com os Ghost King de Carter McNeil (voz e guitarra), Lee Hayden (baixo) e Tom D'agustino (bateria), um trio oriundo do Bronx, em Nova Iorque e que se prepara para a estreia nos lançamentos discográficos com Bones, um compêndio de onze canções, gravado em três dias e que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de março, podendo, desde já, ser encomendado a um preço bastante acessível.

Colegas de escola, os Ghost King tocam desde os oito anos de idade e apesar das participações em outros projetos, nunca deixaram de acreditar que seria possível um dia editar música juntos. O baixo vigoroso e a guitarra efusiva de When The Sky Turns Blue, a primeira amostra divulgada de Bones e disponível para download, é uma excelente demonstração desta cumplicidade que une os Ghost King, em quase três minutos que do rock de garagem, à psicadelia, passando pelo grunge, misturam solidão, alienação e escuridão, com luz, alegria e conforto, refletindo, nesta amálgama de sensações, uma visão muito própria e saudavelmente impulsiva e, por isso, necessariamente genuína, do melhor indie rock contemporâneo. Confere...

 


autor stipe07 às 12:48
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016

Cross Record – Wabi-Sabi

Emily Cross e Dan Duszynski são o casal de esposos que estende o manto em redor de Cross Record, um projeto que gravou o seu disco de estreia, intitulado Wabi-Sabi, num rancho de dezoito hectares, chamado Moon Phase, arrendado por ambos, perto de uma reserva de aves, em Dripping Springs, a trinta minutos de Austin, em pleno Texas, para onde se mudaram da metrópole Chicago. E a verdade é que este álbum soa a um disco incubado, concebido e gravado num rancho, tal é a força e a dimensão de um alinhamento de canções que plasma, com particular minúcia, uma simbiose feliz entre a naturalidade e a pureza que se observa no contraste do cinza e do laranja que dominou os céus durante a sua gravação, porque sucedeu, quase sempre, nas fases iniciais e finais dos dias e o ruído e o rigor estrutural de uma grande cidade. Steady Waves, o grandioso single já retirado de Wabi-Sabi, demonstra esta junção na simplicidade das cordas da viola e a imponência da distorção da guitarra de High Rise amplifica-a, só para citar dois exemplos que sustentam o universo fortemente cinematográfico e imersivo destes Cross Record, exímios a dar asas às emoções que exalam desde as profundezas do refúgio bucólico onde agora residem e que, pelos vistos, os inspira de modo particularmente sensorial.

Tendo visto a luz do dia abrigado pela sempre recomendável Ba Da Bing Records, Wabi-Sabi impressiona, portanto, pela dinâmica fortemente ambiental, como se percebe dede logo nas várias camadas de efeitos e sopros sintetizados de The Curtains Part, canção que lança o disco numa espiral emotiva e onde tudo é quase sempre filtrado de modo bastante orgânico, amplo e rugoso.

Depois dos dois temas acima referidos, ficamos logo esclarecidos que, partindo do princípio que aceitamos uma audição atenta e dedicada deste disco, somos naturalmente convocados para uma viagem que nos conduz a diferentes universos sonoros, sempre na óptica da tal relação simbiótica bastante sedutora e que, sonoramente, se firma entre indie rock, punk e post rock, por um lado e folk e dream pop, por outro. E logo a seguir, a indisfarçável toada folk de de Something Unseen Touches A Flower To My Fore, que nem o pedal de uma guitarra e os tambores disfarçam, proporciona-nos um momento de rara frescura e pureza sonora, com o charme lo fi dos ruídos de fundo por baixo das cordas de The Depths, pouco depois, a fazerem-nos levitar rumo a uma nuvem repleta de sensações fortemente nostálgicas e contemplativas, enquanto atestam o feliz encontro entre sonoridades que surgiram há décadas e se foram aperfeiçoando ao longo do tempo e ditando regras que hoje consagram algumas tendências sonoras mais atuais, onde muitas vezes o minimalismo se confunde com aquilo que é esculpido e complexo, sendo ténue a fronteira entre ambos e real um claro encadeamento entre dois pólos aparentemente opostos e que nos obrigam a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.

Até ao final deste trabalho absolutamente maravilhoso, em Basket ouve-se estranheza, ouve-se escuridão. Mas também se ouve harmonias de vozes de outro planeta. E logo depois, em Wasp In A Jar, há sensualidade em jeito de lamúria ou desabafo e a certeza que ouvir Wabi-Sabi é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções que transbordam uma aúrea algo mística e espiritual, reproduzidas por um grupo que sabe como o fazer de forma direta, pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Cross Record - Wabi Sabi

01. The Curtains Part
02. Two Rings
03. Steady Waves
04. High Rise
05. Something Unseen Touches A Flower To My Forehead
06. The Depths
07. Basket
08. Wasp In A Jar
09. Lemon


autor stipe07 às 20:40
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Domingo, 24 de Janeiro de 2016

Shearwater – Jet Plane And Oxbow

Lançado pela Sub Pop Records no passado dia vinte e dois, Jet Plane And Oxbow é o novo álbum dos Shearwater, o nono deste projeto norte americano oriundo de Austin, no Texas e liderado por Jonathan Meiburg, um ornitólogo com uma voz profunda, que passeia várias vezes entre a serenidade e a agitação sem nos darmos conta e exímio em compôr temas que, frequentemente, contêm um clima simultaneamente misterioso e atraente, balizados por uma indie pop com fortes raízes na folk norte americana e apimentada com uma elevada dose de experimentalismo, como se percebe logo em Prime, o exuberante tema que inaugura este alinhamento de onze canções.

Jet Plane And Oxbow esconde no seu seio mais uma pancada seca e certeira numa pop paciente e charmosa, nas asas de uma fidelidade quase canónica à sapiência melódica, ao charme da guitarra e à capacidade que a junção da mesma com efeitos sintetizados radiosos, como se percebe em Quiet Americans, tem de colocar em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. Mas o indie rock de cariz mais progressivo e épico também faz a sua aparição na visceral Long Time Away e assim, logo nos instantes iniciais do disco, fica clara capacidade inata de Meiburg em compôr entre a serenidade e a agitação sem perder sapiência melódica, caraterística que lhe confere uma versatilidade difícil de encontrar nos líderes da maioria das bandas da atualidade.

Disco que exige audição dedicada e que dificilmente agrada a todos os estados de alma e obra de um projeto onde luz e positivismo não encontram muitas vezes forma de se mostrar, Jet Plane And Oxbow desfila emoções e jorra sentimentos por todos os seus acordes, podendo-se mesmo falar em poros, porque esta é uma música que transmite sensações físicas tácteis, nem sempre passíveis de apurado controle pelo nosso lado mais racional. Não é apenas um simples agregado de efeitos e batidas, entrelaçadas com acordes e sons de cordas, mas algo grandioso e, um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia em Backchannels, misticismo e argúcia em Glass Bones e com uma serenidade melancólica e bastante contemplativa em Pale Kings e no baixo empolgante de Radio Silence.

Jet Planes And Oxbow é tudo menos um disco igual a tantos outros ou um compêndio sonoro comum. Nele viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa pop com traços de shoegaze e embrulhada numa elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que muitas vezes confunde e dispersa enquanto nos dá as mãos para calcorrearmos um caminho que nunca sabemos muito bem para onde nos leva, mas no qual confiamos sem hesitar e sem olhar para trás. Os Shearwater abrem este novo ano com um excelente compêndio de canções que atesta a maturidade e a capacidade que possuem de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência, conseguindo também mutar-se, disco após disco, e adaptar-se a um público ávido de novidades, que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...

Shearwater - Jet Plane And Oxbow

01. Prime
02. Quiet Americans
03. A Long Time Away
04. Backchannels
05. Filaments
06. Pale Kings
07. Only Child
08. Glass Bones
09. Wildlife In America
10. Radio Silence
11. Stray Light At Clouds Hill

 uc


autor stipe07 às 20:38
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2015

Le Rug - 1779

Natural de Brooklyn, Nova Iorque, o guitarrista e cantor Ray Weiss é um dos destaques da Fleeting Youth Records e um nome importante do cenário indie punk local, já que em integrou projetos tão importantes como os Butter the Children, Red Dwarf ou Medics. A banda Le Rug foi a sua última aposta e dei-a a conhecer há pouco mais de um ano devido a Press Start (The Collection), uma coleção de canções que Weiss apresentou ao mundo por intermédio dessa etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Quase no ocaso de 2015 este projeto Le Rug está de regresso, e para se despedir, com Game Over, uma espécie de balanço de toda a carreira artística do seu grande mentor, que se orgulha de nos últimos dois anos ter editado dez discos e composto mais de trezentas e cinquenta canções, algumas delas incubadas durante um breve período da sua vida passado em Bangecoque, na Tailândia.

Do alinhamento de setenta e uma canções de Game Over, há várias que merecem audição dedicada e 1779, é, certamente, uma delas, um tema que conta com a participação especial de Tim Rusterholtz e é mais uma clara demonstração da capacidade poética de Weiss, especialmente quando a perca, o sentimento de derrota e frustração são o assunto dominante. Confere...


autor stipe07 às 19:40
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2015

Company of Selves - Butterfly Handlers & Memory Travelers

Os norte americanos Company Of Selves de Christopher Hoffman, Christina Courtin, Ryan Ccott, Frank Locrasto, Jake Silver, Bill Campbell, Ian Hoffman e Robin Macmillan, estrearam-se nos discos recentemente com Butterfly Handlers & Memory Travelers, um trabalho que viu a luz do dia em formato cassete e digital através da insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma etiqueta essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Sedeado em Nova Iorque e tendo no núcleo duro o cantor e multi-instrumentista Christopher Hoffman e a cantora Christina Courtin, este coletivo fundamenta a sua sonoridade em cenários e experiências instrumentais que encontram a sua génese num rock clássico, quase sempre esculpido e complexo e que nos convida a um exercício maior na percepção das suas composições, mas que recomendo vivamente e que asseguro ser altamente compensador.

O encaixe entre as cordas que ecorrem melancolia por todos os acordes e a percussão em Stand Or Disappear, depois cortado pelo fuzz inebriante das guitarras, a bateria sintética que cria uma espécie de marcha fúnebre em Roman Candles, a guitarra abrasiva que rebarba e corta a direito em Pyramid Schemes ou a história de uma mulher que acorda para a realidade depois de um longo período de tempo aprisionada num universo paralelo, na graciosa Presidential Model, explicitam com clareza uma espécie de epopeia experimental, onde a sobreposição de texturas, sopros  e trechos melódicos contemplativos, com sons mais rugosos e agrestes, nos permite visualizar uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico que entre a razão e harmoniosas lamentações e a loucura e o caos, se situa dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. 

Butterfly Handlers & Memory Travelers é uma ode intensa, crua e incisiva à celebração daquela faceta da nossa vida que também é capaz de abarcar um lado mais paranóico e senil, que muitas vezes serve de escape às nossas angústias e frustrações ou nos oferece o local exato para deixarmos escorrer pela nossa mente aquele romancismo frequentemente paranóico e obsessivo, tantas vezes oculto em dissertações filosóficas acerca do momento exato onde a emoção se sobrepõe à razão. A insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a I Won't Go e a incontestável beleza e coerência dos detalhes orgânicos, em especial da bateria, que nos fazem levitar em Off World, permitem-nos conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que o grupo foi convocar aos diversos universos sonoros que o rodeia e com os quais se identifica, com um elevado índice de maturidade e firmeza, mostrando imenso bom gosto no modo como estes Company of Selves apostam numa relação simbiótica de estilos e géneros, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras amplamente majestosas e particularmente progressivas. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:35
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Quinta-feira, 8 de Outubro de 2015

Doubting Thomas Cruise Control - Remember Me John Lydon Forever

Bobby Cardos, Sean Kelly, Chris Sprindis e Joe McCarthy são os Doubting Thomas Cruise Control, um coletivo norte americano oirundo de Brooklyn, Nova Iorque e que orienta a sua sonoridade por um vasto espetro que vai do rock alternativo mais clássico até ao punkRemember Me John Lydon Forever é o mais recente registo de originais da banda, um trabalho que viu a luz do dia a catorze de agosto através da Duckbill Records, a própria etiqueta da banda e a insuspeita e espetacular editora, Fleeting Youth Records, uma editora essencial para os amantes do rock e do punk, sedeada em Austin, no Texas.

Remember Me John Lydon Forever é um portento de autenticidade no modo como explora os fundamentos básicos do típico rock alternativo, que encontra a sua essência em distorções oferecidas por guitarras que buscam sempre um ponto de equilíbrio muitas vezes ténue entre o rugoso e o melódico e que, no caso destes Doubting Thomas Cruise Control, consegue ir num só tema, como é o caso de Nice Guy, do punk ao grunge, passando também por sonoridades mais progressivas. Depois, além das guitarras, o baixo e a bateria precisam igualmente de fazer notar a sua presença e neste trabalho são outros dois instrumentos essenciais na construção do edifício instrumental de grande parte das canções.

Este é um álbum em que, paralelamente a esta filosofia sonora, está presente um forte sabor a juventude e jovialidade, evidência que amplia claramente a excelente impressão que este compêndio de nove canções causa ao ouvinte e crítico experimentado, também, já agora, pelo modo impecável como o disco está produzido e pelos instantes mais melancólicos que contém, como Shed ou Lazlo's, 3A.M. e que nunca colocam em causa a crueza identitária dos seu conteúdo. O próprio tema Soft Focus, o último single divulgado de Remember Me John Lydon Forever, é um festim inebriante, feito com guitarras distorcidas, uma voz que ruge sem desafinar e exala esse espírito jovem e bastante beliçoso.

Num trabalho de elevado teor qualitativo e com uma matriz identitária vincada que evoca alguma da melhor herança que o grunge e o punk rock nos deixaram nos instantes finais do século passado, os Doubting Thomas Cruise Control não caem na tentação de complicar e não se deixam levar por experimentalismos e arranjos desnecessários, conseguindo partir em busca de alguns detalhes do rock sem descurar um salutar sentido mais brando ou melancólico e sempre com uma componente melódica particularmente assertiva. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 21:17
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Sábado, 5 de Setembro de 2015

Fleeting Youth Records Vol. 3

Uma das etiquetas mais interessantes do cenário indie norte americano é a Fleeting Youth Records, editora que é já uma presença habitual neste espaço de crítica e divulgação musical, fruto de uma relação profícua para ambas as partes. Liderada por Ryan Fyr, a etiqueta lançou no início do verão, no seu bandcamp, a terceira compilação do seu cardápio, intitulada Fleeting Youth Records Vol. 3.

Disponível com a possibilidade de doares um valor pela mesma, ou de a obteres gratuitamente, a compilação contém vinte e duas canções e inclui no alinhamento nomes tão interessantes como os Passenger Peru, Van Dale, Kissing Party, Scot Drakula, Loose Tooth, Robot Princess, Van Dale ou Surfin' Mutants Pizza Party, entre outros, bandas e projetos que lançaram trabalhos discográficos nos últimos meses e que foram todos divulgados e analisados neste blogue.
Fleeting Youth Records Vol. 3 está repleto com algum do melhor punk rock, pleno de fuzz, distorção e experimentalismo que se vai fazendo no cenário mais alternativo do outro lado do atlântico, sendo um documento obrigatório para os apreciadores do género e não só. Confere...


autor stipe07 às 14:31
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