Quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

Painted Palms – Forever

Depois de me ter debruçado em 2011 no EP Canopy, regresso aos Painted Palms, por causa de Forever, o mais recente trabalho desta banda norte americana, natural de São Francisco, formada pelos primos Chris Prudhomme e Reese Donohue, editado no passado dia catorze de janeiro pela Polyvinyl Records.

O chamado rock psicadélico continua a ser um manancial para muitas bandas que dão início à sua carreira discográfica e esta dupla é mais um bom exemplo de como este estilo sonoro é hoje, talvez, aquele que mais inspira e mais vontade dá de replicar. Disco interessante e entendível num contexto muito particular, Forever flutua entre os Beach Boys e os Primal Scream, passando pelos Animal Collective e Toro Y Moi, com o timbre calmo e algo infantil de Chris a acentuar ambientes típicos de uma praia ensolarada, onde do tempo ao estado do mar, passando pelos frequentadores do espaço, tudo se conjuga para uma boa tarde de verão, simples e quente, animada e sem sobressaltos de maior. No entanto, há algo na música destes Painted Palms que nos deixa num constante sobreaviso, uma espécie de eminência de perigo, um pessimismo incontrolável mas, ao mesmo tempo e como se isso fosse possível, de alguma forma sedutor.

Durante os quase quarenta minutos em que nos deixamos envolver pelos Painted Palms acabamos por recear constantemente aquele instante em que o disco pode colapsar para um descalabro ruinoso, tão clara é a insegurança demonstrada em relação ao som replicado. A dupla não parece confiar plenamente no seu instinto criativo, mas transborda uma vontade quase obsessiva de atingir a perfeição, para provar a ela própria que o caminho que escolheu é o adequado para que aquela praia nunca seja consumida por uma maré de dúvidas e hesitações sonoras implacáveis. Assim, onde Soft Hammer Carousel partilham o gosto e a textura pop de referências universais, Not Really There procura dar a mâo ao rock, mas não demasiado para que o rock não se torne a referência e quando Sleepwalking nos traz aquela psicadelia nostálgica e sonhadora Hypnotic acorda-nos e leva-nos numa espiral boémia de alegria, cor e divertimento. Finalmente, Spinning Signs faz-nos ter a certeza que por muito traumatizante que possa ser o brusco acordar que constantemente se promete, vale a pena aguardar até ao fim deste festim psicadélico, algures na Califórnia, na Riviera Francesa, na costa alentejana ou na Normandia e em plenos anos sessenta.

Em suma, em Forever os Painted Palms praticam o exercício de buscar referências de décadas passadas e procurar acrescentar os seus próprios elementos para compor uma obra musical que, no cômputo geral, carrega um enorme charme na forma como se equilibra entre o tal perigo de uma derrocada e a capacidade particularmente vincada de conjugar eletrónica e psicadelia, com um certo relevo e singularidade. Espero que aprecies a sugestão...

Painted Palms - Forever

01. Too High

02. Here It Comes
03. Hypnotic
04. Forever
05. Soft Hammer
06. Carousel
07. Not Really There
08. Hope That You See It Now
09. Spinning Signs
10. Sleepwalking
11. Empty Gun
12. Angels 


autor stipe07 às 20:55
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