urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07 man on the moon music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta! stipe07 2016-02-08T16:56:46Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:763979 2016-02-08T16:46:00 White Noise Sound – Like A Pyramid Of Fire 2016-02-08T16:56:46Z 2016-02-08T16:56:46Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O <em>indie rock</em> psicadélico tem mais um nome relevante a acrescentar ao longo cardápio de bandas e projetos que se têm assumido no universo sonoro alternativo, rebocadas pelo sucesso atual de um espetro sonoro revivalista, mas com caraterísticas muito próprias que acabam por se entrelaçar com elevado grau de asserto com algumas das tendências mais contemporâneas do <em>rock</em>. Falo dos galeses <em><span style="color: #333399;">White Noise Sound</span></em>, uma banda que em 2015 lançou <span style="color: #333399;"><em>Like A Pyramid Of Fire</em></span>, um compêndio de oito canções que viram a luz do dia com a ajuda da editora <a style="color: #999999;" href="http://www.rocketgirl.co.uk/">Rocket Girl</a>, uma etiqueta cada vez mais rica e essencial para os apreciadores deste género sonoro e com nomes tão influentes como God Is An Astronaut ou Jon DeRosa na sua lista de projetos.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://img11.hostingpics.net/pics/403956WNS01.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Para o segundo disco da carreira, os <span style="color: #333399;">White Noise Sound</span> rodearam-se de nomes tão importantes como o produtor e DJ Phil Kieran e Cian Ciaran e o resultado foi um aglomerado hipnótico e intenso, mas bastante melódico de psicadelia, com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível. Como se percebe logo na majestosa <em><span style="color: #333399;">Heavy Echo</span></em>, é uma filosofia sonora conduzida por um sintetizador pleno de efeitos deslumbrantes, um baixo que marca o ritmo e a cadência com rigor, mas também flexibilidade e sentimento e onde abundam distorções de guitarra que criam um oásis denso, atmosférico e sujo de <em>riffs</em> imponentes e incisivos. Logo depois, no piano sensível e profundamente revivalista, claramente <em>pink floydiano</em>, de <span style="color: #333399;"><em>Bow</em></span>, não existem mais razões para duvidarmos do modo como este <em><span style="color: #333399;">Like A Pyramid Of Fire</span> </em>está carregado de melodias que projetam inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, sempre com enorme mestria e criatividade. O modo como em <em><span style="color: #333399;">All You Need</span></em>, primeiro a bateria e depois o sintetizador, fazem a composição atravessar terrenos experimentais e etéreos e com elevada fluidez e prazer, amplifica a certeza sobre o modo como estes <span style="color: #333399;">White Noise Sound</span> conseguem ser concisos e diretos e, ao mesmo tempo, separar bem os diferentes sons e mantê-los isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes <em>puzzles</em> que dão substância às canções. O próprio modo como o <em>punk</em> mais libidinoso e másculo exala de todos os poros das cordas das guitarras que sustentam <em><span style="color: #333399;">Red Light</span></em> e, em <em><span style="color: #333399;">Can't You Seet It</span></em>, a forma como a composição cresce em volume e grandiosidade enquanto se desembrulham nos nossos ouvidos diferentes detalhes sintéticos, orgânicos e percussivos, nos quais se incluem alguns<em> samples</em> vocais e batidas e a fluidez com que os instrumentos vão surgindo, são outros marcos impressivos nesta dinâmica que o disco contém, enquanto nos oferece uma viagem única que constitui um verdadeiro sopro de renovação de um género sonoro que tocado com tal mestria, torna-se verdadeiramente intemporal. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm6.staticflickr.com/5689/23631473736_28006c5375_o.jpg" alt="White Noise Sound - Like A Pyramid Of Fire" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #333399; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Heavy Echo</em></span><br /><span style="color: #333399; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Bow</em></span><br /><span style="color: #333399; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Can’t You See It</em></span><br /><span style="color: #333399; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Red Light</em></span><br /><span style="color: #333399; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. All You Need</em></span><br /><span style="color: #333399; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Step Into The Light</em></span><br /><span style="color: #333399; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Do It Again</em></span><br /><span style="color: #333399; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. Feel It</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/udVSVWOtAVE" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:763816 2016-02-06T21:45:00 Twin Cabins – Harmless Fantasies EP 2016-02-06T22:24:39Z 2016-02-06T22:24:39Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Viu a luz do dia a treze de novembro passado <em><span style="color: #ff99cc;">Harmless Fantasies</span></em>, o mais recente discográfico do projeto californiano <span style="color: #ff99cc;">Twin Cabins</span>, liderado por Nacho Cano e ao qual se juntam, atualmente, Jack Doutt, Dan Gonzalez Hdz, Cheyne Bush, Ben Levinson e Mona Maruyama. Refiro-me a um EP com oito canções, disponível na plataforma <a style="color: #999999;" href="https://twincabins.bandcamp.com/album/harmless-fantasies">bandcamp </a>gratuitamente ou com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo e que parece pretender abarcar num único e longo abraço toda a gama de mestres da melancolia <em>pop</em> norte americana.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://media.sdreader.com/img/bands/leadart/temptwin_t658.jpg?ff95ca2b4c25d2d6ff3bfb257febf11d604414e5" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Um súbito piscar de olhos torna-se involuntário e depois permanente enquanto o trompete de <em><span style="color: #ff99cc;">Made Me</span></em> vai espreitando por uma melodia fortemente percussiva e envolvente e a verdade é que este detalhe sonoro que compõe o primeiro tema do alinhamento de <em><span style="color: #ff99cc;">Harmless Fantasies</span></em> serve de base à maioria das canções. Logo depois, em <em><span style="color: #ff99cc;">Get Better</span></em>, teclados luminosos e marcados por um tom atmosférico, mas alegre, continuam a ser amparados por uma bateria sintetizada que depois recebe a companhia ilustre de alguns efeitos e uma voz que, apesar do registo e efeito em eco, nunca deixa de se mostrar dotada de uma enorme acessibilidade poética e lírica. Isso percebe-se também em <em><span style="color: #ff99cc;">Painfully Obvious</span></em>, canção permeada por versos deliciosos e uma instrumentação bastante harmónica, onde, claro está, a percussão, dominada por uma pandeireta, dita a sua lei e o tal trompete torna-se no seu principal aliado, numa dinâmica melosa e emotiva que parece querer denunciar uma necessidade confessional de resolução e redenção, exposta de modo delicado e emocionante, mas também um pouco triste. Esse trompete torna-se ainda mais convincente e vigoroso em <em><span style="color: #ff99cc;">You're Being Stupid</span></em>, sendo, de certa forma, apesar de instrumento de sopro, um aparato tecnológico mais amplo para toda esta expressão musical que <em><span style="color: #ff99cc;">Harmless Fantasies</span></em> contém, um EP que parece servir para a descoberta da mente de Nacho Cano, um homem cheio de particularidades e com uma enorme mente criativa, que se expressa intensamente mesmo quando o ambiente sinistro de <em><span style="color: #ff99cc;">(Fantasy)</span></em> nos quer sugar para o interior de um âmago que se esforça de forma inédita para explicitar alguns dos maiores aspetos da fragilidade humana.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Uma das grandes virtudes destes <span style="color: #ff99cc;">Twin Cabins</span> expressa-se no modo como abordam um convincente ineditismo, plasmado na honestidade derramada na sua música, transformando versos muitas vezes simples, num retrato sincero de sentimentos, mas também no modo como toda esta amálgama sintética e calculadamente minimalista que suporta este EP, nos traz luz... uma luz que de certa forma nos cega porque não é aquela que é transmitida por uma lâmpada ou pelo sol, mas pelo contacto e pela tomada de consciência (<em>fez-se luz</em>) de muito do que guardamos dentro de nós e tantas vezes nos recusamos a aceitar e passamos a vida inteira a renegar. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm6.staticflickr.com/5719/22983757003_760ff0a250_o.jpg" alt="Twin Cabins - Harmless Fantasies" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff99cc; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Made Me</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Get Better</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Painfully Obvious</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. You’re Being Stupid</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. (Fantasy)</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Angelina</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. With Pleasure</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. Still</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/sQQI7xoVcbc" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:777607 2016-02-03T21:04:00 Fine Points – Hover EP 2016-02-03T21:33:03Z 2016-02-03T21:54:44Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Editado no início do verão do ano passado, <em><span style="color: #ffcc99;">Hover</span></em> é o registo discográfico de estreia dos <span style="color: #ffcc99;">Fine Points</span>, uma projeto norte americano oriundo da costa oeste e formado por Evan Reiss e Matt Holliman, dois músicos dos míticos <a style="color: #999999;" href="https://www.facebook.com/SleepySun?ref=br_rs" target="_blank">Sleepy Sun</a>. Refiro-me a um EP com sete canções, que viu a luz do dia à boleia da Dine Alone Records e que contém uma<em> pop</em> psicadélica invulgar, mas bastante atrativa, gravada numa antiga igreja em New Telos, em Oakland e que captou eficazmente a energia revigorante das ondas do pacífico e a paz cristalina que emana das paisagens de uma porção da imensa América que sempre transmitiu um calor intenso e mágico a quem se foi deixando, desde a década de sessenta do século passado, absorver por este ambiente cristalino único e invulgar.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://thefirenote.com/wp-content/uploads/2015/07/fine-points-pic.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #ffcc99;">Hover</span></em> vale pelo modo como pisa um terreno fortemente experimental, banhado por uma <em>psicadelia pop</em> ampla e elaborada, onde um timbre cristalino debitado por guitarras inebriantes, uma percussão vigorosa e sedutora e uma panóplia de efeitos se cruzam de modo a fazer-nos ranger os dentes e elevar o queixo, guiados por um som luminoso, atrativo e imponente, mas que não descura aquela fragilidade e sensorialidade que, como se percebe logo em <em><span style="color: #ffcc99;">Astral Season</span></em>, encarna um registo ecoante e esvoaçante que coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com um som intenso, épico e esculpido à medida exata, <em><span style="color: #ffcc99;">Hover</span></em> arranca o máximo de cada componente do projeto. Se as guitarras ganham ênfase em efeitos e distorções hipnóticas, como sucede em <em><span style="color: #ffcc99;">The Painted Fox</span></em> ou <span style="color: #ffcc99;"><em>These Day</em></span> e se um baixo imponente se cruza com cordas e outros elementos típicos da <em>folk</em> em <em><span style="color: #ffcc99;">Just Like That</span></em>, já <em><span style="color: #ffcc99;">Future Hands</span></em> torna sonoramente bem audível um piscar de olhos insinuante a um <em>krautrock</em> que prova o minucioso e matemático planeamento instrumental de um EP que contém um acabamento límpido e minimalista, seguindo em ritmo ascendente, mas sempre controlado.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #ffcc99;">Hover</span></em> oferece-nos aquele sol da Califórnia que tantos de nós se habituaram a ver apenas nos filmes, replicado por uns <em><span style="color: #ffcc99;">Fine Points</span></em> divididos entre redutos intimistas e recortes tradicionais esculpidos de forma cíclica, enquanto escrevem versos que parecem dançar de acordo com harmonias magistrais, onde tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo deste <em><span style="color: #ffcc99;">Hover</span></em> um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo, se quisermos, uma sonoridade própria e transparente, onde foram usadas todas as ferramentas e fórmulas necessárias para a criação de algo verdadeiramente único e imponente. Este é um verdadeiro compêndio <em>pop</em>, no sentido mais restrito, que nos acolhe numa ilha mágica, cheia de sonhos e <em>cocktails</em> e onde podemos ser acariciados pela brisa do mar. E quem não acredita que a música pode fazer magia, não vai sentir-se tocado por este EP, que tem nas suas canções visões de cristal, muitos corações e estrelas cintilantes, tornando-se num espetáculo fascinante, capaz de encantar o maior dos cépticos. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><em><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1516/24704924185_5a362dde22_o.jpg" alt="Fine Points - Hover" width="400" height="400" /></span></em></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Astral Season</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Just Like That</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. The Painted Fox</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Amalia</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. Future Hands</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. These Days</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. In Lavender</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/RVtMsF6h_Ms" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:757577 2016-02-02T21:46:00 Kinsey – My Loneliest Debut 2016-02-02T21:47:39Z 2016-02-02T21:47:39Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Dezoito de setembro último foi o dia do lançamento de <span style="color: #ff0000;"><em>My Loneliest Debut</em></span>, o registo de estreia do baterista, produtor, compositor e multi instrumentista nova iorquino <a style="color: #999999;" href="http://nickkinsey.com/">Kinsey</a>, onze canções produzidas pelo próprio músico e misturadas por Chris Athens e que agregam alguns dos mais interessantes detalhes que definem a <em>indie pop</em> contemporânea norte americana, nomeadamente quando se mistura com pilares fundamentais do <em>rock</em> setentista de século passado, uma simbiose magistralmente interpretada aqui, em composições como<span style="color: #ff0000;"> <em>Wide Awake</em></span>, o esplendoroso tema de abertura de<span style="color: #ff0000;"> <em>My Loneliest Debut</em></span>.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://scontent.xx.fbcdn.net/hphotos-xta1/v/t1.0-9/12208519_912631795457328_8678141368598692269_n.jpg?oh=cab71c56f423b195682d6313aefb4346&amp;oe=572BAE06" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ff0000;"><em>Kinsey</em></span> oferece-nos, logo na estreia, um registo discográfico pleno de luz em forma de música, um disco cheio de brilho e cor em movimento, uma obra com um alinhamento alegre e festivo e que parece querer exaltar, acima de tudo, o lado bom da existência humana. Não é só o tema já referido que transborda alegria e majestosidade; A <em>folk</em> charmosa debitada pela viola de <span style="color: #ff0000;"><em>Dawn</em></span> e, de modo mais animado, pelo banjo de <span style="color: #ff0000;"><em>Whipping Boy</em></span>, as cordas reluzentes e o piano frenético da composição homónima, os tambores e novamente o piano, mas mais deambulante e soturno em <span style="color: #ff0000;"><em>Defender</em></span>, ou os efeitos da guitarra que adornam o <em>blues</em> empolgante de <span style="color: #ff0000;"><em>I'm Home</em></span> e o ruído envolvente de <span style="color: #ff0000;"><em>We Are Pipes</em></span>, são composições que abordando a <em>pop</em> sobre as diferentes perspetivas que comprovam o elevado ecletismo do autor, nos fazem desertar por uma espécie de universo paralelo, que nos proporciona um presente feito com aquela felicidade incontrolável e contagiante que todos nós procuramos e que, ao longo da audição deste <span style="color: #ff0000;"><em>My Loneliest Debut</em></span>, vão surgindo quer nas notas mais delicadas, quer quando as mesmas se mostram num modo particularmente explosivo, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Em <em><span style="color: #ff0000;">My Loneliest Debut</span> </em>vence aquela <em>pop</em> clássica e intemporal e que só ganha vida se houver quem se predisponha a entrar num estúdio de mente aberta e disposto a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar música, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos e assim dar origem a canções cheias de sons poderosos e tortuosos e sintetizadores flutuantes e vozes deslumbrantes. E<span style="color: #ff0000;"> Kinsey</span> parece dominar a fórmula correta para o fazer, como se percebe por este álbum <em>pop</em> poderoso, sem cantos escuros, orquestral e extremamente divertido, que sem deixar de evocar um certo experimentalismo típico de quem procura, através da música, fazer refletir aquela luz que não se dispersa, tem a capacidade de a usar como instrumento privilegiado para inundar os corações mais carentes daquela luminosidade que transmite energia e que nos permite aceder a uma dimensão musical com uma assumida pompa sinfónica e inconfundível, onde tudo soa utopicamente perfeito. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm1.staticflickr.com/585/22870711036_56fb1c73bd_o.jpg" alt="Kinsey - My Loneliest Debut" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Wide Awake</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Dawn</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. Get Lost</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Whipping Boy</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. Youth</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. My Loneliest Debut</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. Chateau Ludlow</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">08. Defender</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">09. I’m Home</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">10. We Are Pipes</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">11. Eat Your Heart Out</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/213671774&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:776597 2016-02-02T18:07:00 PJ Harvey - The Wheel 2016-02-02T18:07:47Z 2016-02-02T18:07:47Z <p><em><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://img.cache.vevo.com/Content/VevoImages/video/BB4A3000E1197D5CFC3C94303D502D2B.jpg" alt="" /></em></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Let England Shake</em> (2011), o último registo de originais da britânica <a style="color: #999999;" href="http://www.pjharvey.net/">PJ Harvey</a>, já tem, finalmente, sucessor. As onze canções que farão parte do alinhamento de <em><span style="color: #99ccff;">The Hope Six Demolition Project</span></em> irão ver a luz do dia a quinze de abril próximo e um dos temas já divulgado é <em><span style="color: #99ccff;">The Wheel</span></em>, canção que tem também já direito a um vídeo realizado pelo fotojornalista Seamus Murphy e que compila várias imagens da cantora, recolhidas entre 2011 e 2015 no Kosovo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #99ccff;">The Wheel</span></em> amplia as enormes expetativas já criadas em redor do conteúdo de <em><span style="color: #99ccff;">Six Demolition Project</span></em> e, pela amostra, parece claro que <span style="color: #99ccff;">PJ Harvey</span> irá regressar a territórios sonoros mais elétricos, crus e rugosos, um retorno que, quanto a mim, se saúda. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F7ReW0jJkag8%3Ffeature%3Doembed&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D7ReW0jJkag8&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F7ReW0jJkag8%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:776132 2016-02-01T23:09:00 Bloc Party – Hymns 2016-02-01T23:09:17Z 2016-02-01T23:09:17Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Foi no passado dia vinte e nove de janeiro que chegou aos escaparates <em><span style="color: #ffcc00;">Hymns</span></em>, o quinto registo de estúdio dos britânicos <span style="color: #ffcc00;">Bloc Party</span>, uma banda londrina liderada pelo carismático vocalista e guitarrista Kele Okereke e referência fundamental do <em>indie rock</em> alternativo do início deste século.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://s3.amazonaws.com/bit-photos/large/4480520.jpeg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Primeiro álbum dos <span style="color: #ffcc00;">Bloc Party</span> com o baixista e teclista Justin Harris e o baterista Louise Bartle, <em><span style="color: #ffcc00;">Hymns</span></em> foi produzido por Tim Bran e Roy Kerr e procura relançar a carreira de um projeto que já em 2012 tentou obter um novo fôlego à boleia do visceral Four, mas que tarda em regressar à boa forma dos primórdios. Com uma herança pesada nos ombros e com agulhas também direcionadas para uma carreira a solo, Kele Okereke tem tentado, em abono da verdade, manter os <span style="color: #ffcc00;">Bloc Party</span> à tona e só o simples fato de o grupo ter sobrevivido às querelas <em>pós lançamento</em> de <em>Four</em>, que resultaram no adeus do baterista Matt Tong e do multi instrumentista Gordon Moakes, é já um sinal positivo e que merece realce, no que concerne ao lançamento deste novo trabalho da banda.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A primeira impressão que estas quinze canções no oferecem é de absoluto domínio por parte do líder dos <span style="color: #ffcc00;">Bloc Party</span> relativamente à filosofia sonora subjacente, uma ideia que se amplia quando se tenta fazer uma intereseção entre o conteúdo de <em><span style="color: #ffcc00;">Hymns</span></em> e o piscar de olhos ao <em>house</em> e à eletrónica que Okereke tem feito ultimamente, em nome próprio. Logo na sintetização de <em><span style="color: #ffcc00;">The Love Within</span></em> e, pouco depois, nas batidas da ambiental <em><span style="color: #ffcc00;">My True Name</span></em>, aqui numa abordagem oposta, mas no mesmo campo sintético, fica plasmado este ideário. E apesar de temas como a intensa <em><span style="color: #ffcc00;">Into The Heart</span></em>, a animada <span style="color: #ffcc00;"><em>The Good News</em></span> ou a <em>soul</em> de <em><span style="color: #ffcc00;">Only He Can Heal Me</span></em>, tentarem salvar a face do <em>indie rock</em> mais cru e <em>punk</em> que ainda poderia caraterizar o momento atual desta banda londrina, a verdade é que é aquele ambiente mais sintético e algo artificial que paira constantemente ao longo da audição eclipsando, assim, qualquer tentativa que Okereke tenha feito de fazer prevalecer o genuíno som que catapultou, há mais de uma década, os <span style="color: #ffcc00;">Bloc Party</span> para um merecido estrelato. No meio do disco, <span style="color: #ffcc00;"><em>Virtue</em></span> acaba por ser aquele tema que faz uma espécie de ponte entre estes dois mundos, pelo modo inspirado como a orgânica das guitarras consegue uma junção simbiótica feliz com os teclados, sendo, infelizmente, caso isolado no alinhamento, algo que deixa um certo amargo de boca a quem percebe que aqui sim, houve acerto e criatividade na nova fórmula que conduz o presente dos <span style="color: #ffcc00;">Bloc Party</span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Urgência, angústia, raiva e caos sempre foram temáticas muito presentes na música deste grupo, não só nas letras, mas também no modo como a crueza e a espontaneidade instrumental exalavam, fluidamente, estas ideias. Em <em><span style="color: #ffcc00;">Hymns</span></em> há apenas resquícios de tudo isto e um notório abrandamento rítmico e mesmo em algumas letras que abordam uma certa espiritualidade e que se focam, quase de certeza, em experiências pessoais do líder da banda, além de ampliarem a tal sensação de dominância por parte do guitarrista e vocalista, transportam-nos para um universo algo complexo e filosófico, que tem pouco a ver com a energia e a genuinidade de antigamente.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Compete ao público em geral e aos fãs mais acérrimos dos <span style="color: #ffcc00;">Bloc Party</span> decidirem se este <em><span style="color: #ffcc00;">Hymns</span></em> é, ou não, mais um passo em falso na carreira deste grupo. A própria adesão aos concertos da digressão que aí vem e a química no seio da banda durante a mesma, poderão influenciar decisivamente o comportamento comercial deste registo. Seja como for, é impossível evitar o sentimento de uma certa desilusão, naturalmente originada por uma herança pesada e com a qual os <span style="color: #ffcc00;">Bloc Party</span> ainda não lidam devidamente, mas também por um agregado sonoro demasiado experimental, artificial e etéreo e que não oferece solidez, vibração, consistência e criatividade, com as doses devidas, tendo em conta a assinatura impressa nos créditos de cada canção. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1540/24023806493_93c6a5a5fe_o.jpg" alt="Bloc Party - Hymns" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. The Love Within</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Only He Can Heal Me</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. So Real</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. The Good News</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Fortress</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Different Drugs</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Into The Earth</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. My True Name</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. Virtue</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Exes</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11. Living Lux</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>12. Eden</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>13. Paraíso</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>14. New Blood</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>15. Evening Song</em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Ta2g5AcA4aU" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:776303 2016-01-30T16:53:00 The Raveonettes – This World Is Empty (Without You) 2016-01-30T16:55:03Z 2016-01-30T16:59:54Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1460/24067223853_840878123d_o.jpg" alt="The Raveonettes - This World Is Empty (Without You)" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois do estrondoso <em>Pea'hi</em> (2014), o sétimo álbum da carreira, os dinamarqueses <a style="color: #999999;" href="http://www.theraveonettes.com/">The Raveonettes</a> de Sune Rose Wagner e Sharin Foo resolveram fazer algo diferente em 2016 e estão de regresso aos lançamentos, divulgando mensalmente um tema, por sinal gratuitamente, num projeto que a dupla intitula de <a style="color: #999999;" href="http://www.theraveonettes.com/">Rave-Sound-Of-The-Month</a> e que pretende funcionar como uma espécie de <em>anti-álbum</em>. Será um compêndio de canções que irão nascer com uma identidade própria e de modo espontâneo e janeiro oferece-nos <span style="color: #99ccff;"><em>This World Is Empty (Without You)</em></span>, um tema que pisa o olho ao melhor <em>rock</em> alternativo dos anos oitenta e com um refrão bastante aditivo e desafiante, onde sobressai uma guitarra soturna, mas bastante aditiva. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/biUwEToWVQw" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:774873 2016-01-29T21:25:00 De Rosa – Weem 2016-01-29T21:29:40Z 2016-02-02T12:13:36Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os escoceses <a style="color: #999999;" href="http://www.derosaband.com/">De Rosa</a> são mais um daqueles segredos bem guardados do nicho sonoro alternativo, que merece sair da penumbra e chegar a um público mais alargado, devido a uma filosofia sonora que privilegia uma simbiose feliz entre um<em> indie rock lo fi</em> e um charme melódico contemplativo capaz de abanar algumas convenções e de despertar no íntimo de ouvintes mais devotos algumas sensações que nem sempre são de simples análise e justificação.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://static1.squarespace.com/static/542010c0e4b0394ddbf65222/t/564b0317e4b0fa7d0bc3c60f/1447756757653/30.png?format=750w" alt="30.png" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Oriundos de Lanarkshire, uma pequena cidade das <em>Highlands</em> e formados por Martin John Henry, Neil Woodside e James Woodside, já andam há algum tempo à procura do justo reconhecimento, com três discos em carteira, tendo o último, um trabalho intitulado <em><span style="color: #ffcc99;">Weem</span></em>, sido lançado no passado dia vinte e dois à boleia da Rock Action Records. Já agora, os outros dois registos discográficos destes <span style="color: #ffcc99;">De Rosa</span> intitulam-se <span style="color: #ffcc99;"><em>Mend</em></span> e <span style="color: #ffcc99;"><em>Prevention</em></span> e viram a luz do dia através da Chemikal Underground Records, uma conceituada editora de Glasgow.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com onze canções alicerçadas em cordas que procuram sempre um timbre sensível e delicado, <em><span style="color: #ffcc99;">Weem</span></em> é um oasis sereno e luminoso por onde deambulam canções que transportam um interessante grau de criatividade e inedetismo. Logo na abertura, os efeitos ecoantes de <span style="color: #ffcc99;"><em>Spectre</em></span> e o suspiro minimal dos metais, ao deixarem-se dominar pela majestosidade da bateria e das distorções da guitarra, mostram uma relação feliz entre uma <em>pop</em> experimental e um <em>rock</em> progressivo, um universo muito específico que percorre vias menos óbvias e não descura um intenso sentido melódico. Depois, no ambiente soturno, mas aconchegante de <em><span style="color: #ffcc99;">Lanes</span></em> e na inquietante brisa que escapa da monumentalidade instrumental de <span style="color: #ffcc99;"><em>Fausta</em></span>, convencemo-nos que este é um disco que nos oferece tantos lugares diferentes, uma ambição salutar e diferentes texturas e possíveis leituras das mesmas. Em <em><span style="color: #ffcc99;">Scott Frank Juniper</span></em>, por exemplo, apreciamos uma música que subsiste num agregado de guitarras melodiosas, uma percussão cheia de metais que pretendem vincar uma cândura muito própria, um efeito minimal mas omnipresente e outros arranjos de cordas, tudo de mãos dadas com uma voz capaz de converter uma arena inteira a uma causa impossível. Depois, no dedilhar sedutor da viola de <span style="color: #ffcc99;"><em>Devils</em></span>, canção com um clima acústico particularmente delicioso, na força e na altivez que emanam de <span style="color: #ffcc99;"><em>The Sea Cup</em></span> e no indisfarçável <em>flirt</em> com o rock progressivo em <em><span style="color: #ffcc99;">Chip On My Shoulder</span></em>, estes <span style="color: #ffcc99;">De Rosa</span> não se entregam nunca à monotonia e mostram ser sábios a criar temas que apesar de poderem ser fortemente emotivos e se debruçarem em sonhos por realizar, também servem para mostrar que é perfeitamente possível criar um disco que seja intrigante, sem deixar de ser acessível.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Disco com elevadas ambições sonoras, quer estruturais, quer estilísticas e com um elevado sentido pop, <em><span style="color: #ffcc99;">Weem</span></em> quer entrar pelos nossos ouvidos com propósitos firmes, de modo a afligir convenções, colocar em causa ideias pré concebidas e afrontar estruturas e sentimentos que julgamos ser inabaláveis, à medida que sacode os nossos sentidos com sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1586/24499168416_e8329d43bd_o.jpg" alt="De Rosa - Weem" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Spectres</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Lanes</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. Chip On My Shoulder</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Scott Fank Juniper</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. Falling Water</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. Fausta</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. Prelude To Entropic Doom</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">08. The Sea Cup</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">09. Devils</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">10. Lanes (Reprise)</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">11. The Mute</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/tAdbrpbx8lY" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:775396 2016-01-28T16:12:00 Massive Attack - Ritual Spirit EP 2016-01-28T16:12:45Z 2016-01-28T16:12:45Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Primeiro lançamento dos <a style="color: #999999;" href="http://www.massiveattack.co.uk/">Massive Attack</a> desde o fabuloso <em>Heligoland</em> (2010), <em><span style="color: #ff6600;">Ritual Spirit</span></em> é o novo compêndio de canções da dupla Robert Del Naja e Grant Marshall. São quatro temas divulgados inicialmente através de uma aplicação intitulada <a style="color: #999999;" href="http://www.thefantom.co/">Fantom</a>, mas agora também já disponiveis no circuito comercial habitual e que marcam um regresso em grande forma destes pesos pesados da<span style="line-height: 1.3;"> eletrónica, do <em>trip hop</em> e da <em>pop</em> experimental.</span></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="line-height: 1.3;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://factmag-images.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2015/10/massive-attack-061015-616x440.jpg" alt="" /></span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com as participações especiais de nomes tão significativos como Tricky, Roots Manuva, Azekel ou os Young Fathers, <em><span style="color: #ff6600;">Ritual Spirit</span></em> é um oásis sonoro intenso e implacavelmente sombrio, criado pelos génios superlativos da manipulação dos típicos suspiros sensuais que o baixo e as batidas da <em>dub </em>proporcionam. Num compêndio homogéneo, mas onde é possível destrinçar dois rumos algo distintos, se a composição homónima ou <em><span style="color: #ff6600;">Take It There</span></em> juntam, de algum modo, o passado musical da dupla de Bristol, com algumas tendências sintéticas do presente, antevendo assim, devido ao referencial que representam, bastante sobre o futuro próximo de toda a música eletrónica mais soturna e atmosférica, já em <em><span style="color: #ff6600;">Dead Editors</span></em> ou <span style="color: #ff6600;"><em>Voodoo In My Blood</em></span>, os <span style="color: #ff6600;">Massive Attack</span> aproveitam as presenças de Roots Manuva e dos Young Fathers, respetivamente, para tentarem fugir um pouco de si próprios e do seu som inigualável. Continuando a ser os mesmos mestres de sempre, nestes dois casos na arte de manipular os traços caraterísticos e identitários da<em> trip hop</em>, conseguem assim retocar um pouco o seu <em>adn</em>, sem descurar a já habitual e espantosa dose de sensualidade e suavidade que é sempre possível conferir na tonalidade das canções que interpretam, trazendo assim, mesmo no seio daquela névoa que faz parte do charme da dupla, brisas bastante aprazíveis ao ouvinte.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Contemporâneo, futurista e, ao mesmo tempo, deliciosamente <em>retro</em>, porque os<span style="color: #ff6600;"> Massive Attack</span> nunca deixam de nos oferecer gratuitamente aquela sensação quase física de conseguirmos, através deles, recuar cerca de vinte anos até às nebulosas ruas de Bristol, <em><span style="color: #ff6600;">Ritual Spirit</span></em> balança entre o insinuante e o sublime, num anacronismo intrigante que nos possibilita descobrir uma nova luz e pistas concretas para outros rumos que poderão vir a sustentar o universo musical que Del Naja e Marshall ajudaram a criar e ainda hoje renovam e defendem como ninguém. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1625/24510582091_013f86d1d0_o.jpg" alt="Massive Attack - Ritual Spirit" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff6600; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Dead Editors (Feat. Roots Manuva)</em></span><br /><span style="color: #ff6600; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Ritual Spirit (Feat. Azekel)</em></span><br /><span style="color: #ff6600; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Voodoo In My Blood (Feat. Young Fathers)</em></span><br /><span style="color: #ff6600; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Take It There (Feat. Tricky And 3D)</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FhWSt_q7M3zI%3Ffeature%3Doembed&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DhWSt_q7M3zI&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FhWSt_q7M3zI%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:775450 2016-01-27T21:00:00 Tindersticks – The Waiting Room 2016-01-27T21:08:00Z 2016-01-27T21:08:00Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os <a style="color: #999999;" href="http://www.tindersticks.co.uk/intro.php">Tindersticks</a> de Stuart Staples, uma das melhores bandas que surgiu na Inglaterra nos anos noventa e que trouxe para o <em>rock</em> independente e alternativo uma elegância sombria inimitável, completam em 2016 vinte e quatro anos de uma carreira irrepreensível. E <em><a style="color: #999999;" href="http://stipe07.blogs.sapo.pt/233270.html">The Something Rain</a></em>, o nono álbum deste grupo de Nottingham, lançado em 2012, tem, finalmente, sucessor. <span style="color: #808000;"><em>The Waiting Room</em></span>, o novo e décimo álbum da carreira dos <span style="color: #808000;">Tindersticks</span>, viu a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da City Slang e trata-se de mais um disco conceptual, com um acompanhamento audiovisual e onde todas as canções servem de banda sonora para um leque de curtas-metragens, cada uma realizada por um realizador diferente.</span></p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://s3.amazonaws.com/quietus_production/images/articles/6162/Tindersticks_1303916588.jpg" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Como é já habitual numa banda que entende a música como uma forma de arte superior, inigualável e fortemente impressiva, <em><span style="color: #808000;">The Waiting Room</span></em> exige escuta dedicada e atenta, de preferência na posse de um estado de alma descontraído, que permita saborear a verdadeira essência de onza canções que, no seu todo, constituem uma obra discográfica de qualidade superior.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Este é um disco que preza a harmonia e o aconchego auditivo e a exuberância instrumental de <em><span style="color: #808000;">Second Chance Man</span></em> e a misteriosa elegância de <em><span style="color: #808000;">Were We Once Lovers?</span></em>, canção cujo video foi realizado por Pierre Vinour, do projeto La Blogothèque e que contém uma míriade instrumental densa e elaborada, rica em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos, evidenciam este charme muito próprio e com uma matriz identitária bastante vincada.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Na verdade, os <span style="color: #808000;">Tindersticks</span> sempre nos habituaram a arranjos sofisticados, que depois ainda obtêm uma maior notoriedade devido à consciente pose teatral e dramática que exalam, quase sempre personificada na voz do lider da banda, resultando numa sonoridade global do disco bastante<em> jazzística</em> e complexa. <em><span style="color: #808000;">The Waiting Room</span></em> não foge a este conjunto de permissas, com <em><span style="color: #808000;">Help Yourself</span></em> a aprofundar este olhar <em>jazzístico</em> e depois, em temas como <em><span style="color: #808000;">Hey Lucinda</span></em>, canção que conta com a participação vocal esplendorosa de Jehnny Beth das Savages, em dueto com Staples, ou na melancólica <span style="color: #808000;"><em>Planting Holes</em></span>, pianos, metais e xilofone, fundamentais na construção deste ideário sonoro, são instrumentos muito presentes, sempre lado a lado com a guitarra, o baixo e a bateria. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com o ambiente noturno e contemplativo de <em><span style="color: #808000;">We Are Dreamers!</span></em>, outra canção que conta com a voz de Jehnny Beth e a sofisticação de <span style="color: #808000;"><em>Like Only Lovers Can</em></span>, chega ao ocaso um disco que demonstra cabalmente o modo como poucas bandas igualam os <span style="color: #808000;">Tindersticks</span> na capacidade de envolver o ouvinte, já que <em><span style="color: #808000;">The Waiting Room</span></em> pinta um quadro sonoro muito concreto e que nos cerca de sensações tão reais como nós próprios e os nossos medos e euforias. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1697/23971804869_5b1530e6e2_o.jpg" alt="Tindersticks - The Waiting Room" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Follow Me</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Second Chance Man</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Were We Once Lovers?</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Help Youself</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Hey Lucinda</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. This Fear Of Emptiness</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. How He Entered</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. The Waiting Room</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. Planting Holes</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. We Are Dreamers!</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11. Like Only Lovers Can</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/f8GNxVHFHhw" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:748215 2016-01-26T21:33:00 John Grant – Grey Tickles, Black Pressure 2016-01-26T21:34:06Z 2016-01-26T21:34:06Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Dois anos e meio depois do fabuloso <em>Pale Green Ghosts</em>, o canadiano <a style="color: #999999;" href="http://johngrantmusic.com/video/john-grant-grey-tickles-black-pressure-album-trailer/">John Grant</a> regressou aos discos perto do ocaso de 2015 com <span style="color: #99ccff;"><em>Grey Tickles, Black Pressure</em></span>, o terceiro registo de originais de um artista que, a solo, demonstra ser um cantor e compositor de inúmeros recursos, utilizados quase sempre para criar composições sonoras com um sabor algo agridoce e expostas num fundo cinza intencionalmente dramático e muitas vezes icónico, geralmente com uma forte componente autobiográfica, não faltando, desta vez, algumas alusões ao seu problema de saúde, conhecido do público em geral (<span style="color: #99ccff;">John Grant</span> é portador do vírus HIV).</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://i.guim.co.uk/img/static/sys-images/Guardian/Pix/pictures/2015/10/1/1443701698844/1aaf9915-ddc3-4684-85bf-8e4193e98827-2060x1236.jpeg?w=620&amp;q=85&amp;auto=format&amp;sharp=10&amp;s=fe2fd377ede131198aaf6dc16f9cff7c" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Produzido por John Congleton, gravado em Dallas e lançado à boleia da insuspeita <a style="color: #999999;" href="http://bellaunion.com/2015/06/john-grant-announces-third-solo-album-grey-tickles-black-pressure-released-2nd-october-on-bella-union/">Bella Union</a>, <span style="color: #99ccff;"><em>Grey Tickles, Black Pressure</em></span> fala de amores não correspondidos e, acima de tudo, da dificuldade que este hoemm, que reside atualmente na Islândia e com quase meio século de vida, continua a sentir para se integrar num mundo que, apesar de mentalmente mais aberto e liberal, continua a ser um lugar estranho para quem nunca hesita em ser implacável, mesmo consigo próprio, na hora de tratar abertamente e com muita honestidade e coragem os seus problemas relacionados com o vício de drogas, distúrbios psicológicos, relacionamentos amorosos traumáticos e o preconceito sofrido por ser homossexual.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Se <em><span style="color: #99ccff;">Grey Tickles</span></em> é, então, uma alusão direta à questão da meia idade, na tradição islandesa e <span style="color: #99ccff;"><em>Black Pressure</em></span>, refere-se a pesadelo, na linguagem turca, o título clarifica implacavelmente toda a temática acima referida, o cenário denso e intrincado que molda o palco onde <span style="color: #99ccff;">Grant</span> desfila a sua existência diária e que encontra paralelo em doze canções de um disco que abre e fecha com trechos bíblicos retirados da Carta de Paulo aos Coríntios, uma intensa ode de celebração do amor coletivo e fraterno e, no fundo, uma referência irónica vinda de um <span style="color: #99ccff;">Grant</span> que, como já referi, além de se sentir permanentemente desfocado da realidade concreta, não é propriamente hábil a demonstrar o seu afeto por alguém, apesar de ter um coração enorme e cheio de amor para dar.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Assim, <em><span style="color: #99ccff;">Grey Tickles, Black Pressure</span></em> está impregnado de lindíssimas baladas, conduzidas por belíssimos arranjos orquestrais e pela voz imponente de <span style="color: #99ccff;">Grant</span>. Excelentes exemplo são o tema homónimo, uma canção que fala da arte de envelhecer, ou<em><span style="color: #99ccff;"> Global Warming</span></em>, o grande momento do disco, uma canção com um dramatismo incontrolável, que nos revela uma espécie de apocalipse. Mas também há que escutar atentamente <em><span style="color: #99ccff;">No Morte Tangles</span></em>, composição conduzida por batidas sintéticas algo incontroladas, que comprovam a mestria compositória do autor.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Mas este disco não é feito só de momentos particularmente sentidos e melancólicos; Os ruídos <em>vintage</em> de <span style="color: #99ccff;"><em>Guess How I Know</em></span>, a voz apelativa e sensual de Amanda Palmer, dos Dresden Dolls, em <em><span style="color: #99ccff;">You And Him</span></em>, a misteriosa <em><span style="color: #99ccff;">Down Hill</span></em>, a climática e híbrida <span style="color: #99ccff;"><em>Magma Arrives</em></span> e o minimalismo sintético de <em><span style="color: #99ccff;">Voodoo Doll</span></em> e <em><span style="color: #99ccff;">Disappointing</span></em>, tema que conta com a participação vocal de Tracey Horn, são canções que merecem audição dedicada e comprovam a mestria de quem usa a música como um elixir terapêutico para tentar amenizar as experiências trágicas que têm assolado a sua existência.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="line-height: 1.3; font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Em <span style="color: #99ccff;"><em>Grey Tickles, Black Pressure</em></span>, <span style="color: #99ccff;">John Grant</span> expôe alguns dos detalhes mais delicados da sua vida, enquanto se aproxima de nós sem pedir compaixão, apenas com o intuito honesto de partilhar vivências e tentar curar as suas feridas internas. E também, quem sabe, fazer com que as suas músicas ajudem alguns de nós que se possam identificar com aquilo que ele já passou e que tem para nos dizer. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm6.staticflickr.com/5686/21487891250_e423595748.jpg" alt="John Grant - Grey Tickles, Black Pressure" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Intro</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Grey Tickles, Black Pressure</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Snug Slacks</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Guess How I Know</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. You And Him (Feat. Amanda Palmer)</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Down Here</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Voodoo Doll</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. Global Warming</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. Magma Arrives</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Black Blizzard</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11. Disappointing (Feat. Tracey Thorn)</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>12. No More Tangles</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>13. Geraldine</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>14. Outro</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/U2Ig4sMURdc" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:774988 2016-01-26T18:22:00 Zaflon - 7 Stalkers (feat. Gilan) 2016-01-26T18:22:22Z 2016-01-26T18:22:22Z <p style="text-align: justify;"><img src="https://lh3.googleusercontent.com/dRgk-7bbY-NFEYjJmK6d6XSmJ-ZgGVGvlf4SyeUS7aJvR_fLhRbLwG7ZDyUaD26KHkl88YFHIafYpzuOxcrDVtlD8sEsrxRHKFfxIpphHhsxzbJWak-mGRq0Fuky7hJYflkO0OvX" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Dan Clarke é <a style="color: #999999;" href="http://www.zaflon.net/">Zaflon</a>, um produtor londrino que se assume como uma das mais recentes apostas da etiqueta local <a style="color: #999999;" href="http://www.lostinthemanor.com">Lost In The Manor</a> e que se prepara para editar um EP, já nas próximas semanas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Este músico começou a ganhar alguma notoriedade graças a parceiras proveitosas com nomes tão importantes da <em>chillwave</em> como Jamie Woon e Royce Wood Junior e essa será uma das explicações para o modo como cria uma sonoridade invulgar, que mescla detalhes tipicamente urbanos com outros mais exóticos e inesperados.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de há algumas semanas <span style="color: #ff0000;">Zaflon</span> ter divulgado <em>Blink</em>, uma canção que contava com a participação especial de Mina Fedora, agora chegou a vez de nos oferecer <em><span style="color: #ff0000;">7 Stalkers</span></em>, composição que conta com a voz de Gilan e que plasma uma eletrónica inspirada e de forte pendor psicadélico, que irá certamente encher as medidas de quem aprecia algo de verdadeiramente invulgar e inovador. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/240963907&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:774056 2016-01-24T20:38:00 Shearwater – Jet Plane And Oxbow 2016-01-24T20:47:16Z 2016-01-28T16:26:38Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Lançado pela Sub Pop Records no passado dia vinte e dois,<span style="color: #ff0000;"> <em>Jet Plane And Oxbow</em></span> é o novo álbum dos <a style="color: #999999;" href="http://shearwatermusic.com/">Shearwater</a>, o nono deste projeto norte americano oriundo de Austin, no Texas e liderado por Jonathan Meiburg, um ornitólogo com uma voz profunda, que passeia várias vezes entre a serenidade e a agitação sem nos darmos conta e exímio em compôr temas que, frequentemente, contêm um clima simultaneamente misterioso e atraente, balizados por uma <em>indie pop</em> com fortes raízes na <em>folk</em> norte americana e apimentada com uma elevada dose de experimentalismo, como se percebe logo em <span style="color: #ff0000;"><em>Prime</em></span>, o exuberante tema que inaugura este alinhamento de onze canções.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media2.wnyc.org/i/620/372/l/80/1/GettyImages-155603680.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ff0000;"><em>Jet Plane And Oxbow</em></span> esconde no seu seio mais uma pancada seca e certeira numa <em>pop</em> paciente e charmosa, nas asas de uma fidelidade quase canónica à sapiência melódica, ao charme da guitarra e à capacidade que a junção da mesma com efeitos sintetizados radiosos, como se percebe em <em><span style="color: #ff0000;">Quiet Americans</span></em>, tem de colocar em causa todos os cânones e normas que definem alguns dos pilares fundamentais da nossa interioridade. Mas o <em>indie rock</em> de cariz mais progressivo e épico também faz a sua aparição na visceral <em><span style="color: #ff0000;">Long Time Away</span></em> e assim, logo nos instantes iniciais do disco, fica clara capacidade inata de Meiburg em compôr entre a serenidade e a agitação sem perder sapiência melódica, caraterística que lhe confere uma versatilidade difícil de encontrar nos líderes da maioria das bandas da atualidade.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Disco que exige audição dedicada e que dificilmente agrada a todos os estados de alma e obra de um projeto onde luz e positivismo não encontram muitas vezes forma de se mostrar, <span style="color: #ff0000;"><em>Jet Plane And Oxbow</em></span> desfila emoções e jorra sentimentos por todos os seus acordes, podendo-se mesmo falar em poros, porque esta é uma música que transmite sensações físicas tácteis, nem sempre passíveis de apurado controle pelo nosso lado mais racional. Não é apenas um simples agregado de efeitos e batidas, entrelaçadas com acordes e sons de cordas, mas algo grandioso e, um rol de emoções e sensações expressas com intensidade e minúcia em <em><span style="color: #ff0000;">Backchannels</span></em>, misticismo e argúcia em <em><span style="color: #ff0000;">Glass Bones</span></em> e com uma serenidade melancólica e bastante contemplativa em <em><span style="color: #ff0000;">Pale Kings</span></em> e no baixo empolgante de <em><span style="color: #ff0000;">Radio Silence</span></em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #ff0000;">Jet Planes And Oxbow</span> </em>é tudo menos um disco igual a tantos outros ou um compêndio sonoro comum. Nele viajamos bastante acima do solo que pisamos, numa <em>pop</em> com traços de <em>shoegaze</em> e embrulhada numa elevada toada emotiva e delicada, uma receita que faz o nosso espírito facilmente levitar e que muitas vezes confunde e dispersa enquanto nos dá as mãos para calcorrearmos um caminho que nunca sabemos muito bem para onde nos leva, mas no qual confiamos sem hesitar e sem olhar para trás. Os <span style="color: #ff0000;">Shearwater</span> abrem este novo ano com um excelente compêndio de canções que atesta a maturidade e a capacidade que possuem de replicar a sua sonoridade típica e genuína sem colocar em causa um alto nível de excelência, conseguindo também mutar-se, disco após disco, e adaptar-se a um público ávido de novidades, que procura constantemente algo de novo e refrescante e que alimente o seu gosto pela música alternativa. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1456/24391709942_cd89c68a11_o.jpg" alt="Shearwater - Jet Plane And Oxbow" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Prime</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Quiet Americans</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. A Long Time Away</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Backchannels</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. Filaments</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. Pale Kings</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. Only Child</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">08. Glass Bones</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">09. Wildlife In America</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">10. Radio Silence</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">11. Stray Light At Clouds Hill</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/fr2pdwhjtjU" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe> <a style="color: #999999;" href="https://userscloud.com/niwle05mn7dt" target="_blank">uc</a></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:765107 2016-01-22T22:14:00 Bed Legs - Black Bottle 2016-01-22T22:37:54Z 2016-01-22T22:37:54Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo e David Costa são os <span style="color: #666699;">Bed Legs</span>, uma banda que começou por criar um certo e justificado burburinho, junto dos críticos mais atentos, à boleia de <a style="color: #999999;" href="http://bedlegs.bandcamp.com/album/not-bad">Not Bad</a>, um EP editado no início de 2014 e que continha cinco canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato <em>indie</em> e alternativo nacional.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://horariosfestivais.com/wp-content/uploads/2016/01/foto_central_bed_legs.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Dois anos depois os <span style="color: #666699;">Bed Legs</span> estão de regresso com o longa duração de estreia. Disco de certo modo concetual já que, de acordo com o <em>press release </em>do lançamento, conta<em> a história de uma noite estranha naquele bar onde entras enganado, mas do qual não queres sair</em>, <span style="color: #666699;"><em>Black Bottle</em></span> é o nome desse novo compêndio do grupo, nove canções que estão impregnadas com o clássico <em>rock</em> cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas onde não faltam arranjos inéditos e uma guitarra nada longe do <em>rock</em> de garagem e daquele <em>blues rock </em>minimal e duro, mas também a piscar o olho a uma salutar <em>vibe</em> psicadélica.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Nestes <span style="color: #666699;">Bed Legs</span> é viva e evidente mais uma prova que se o <em>rock</em> estiver em boas mãos tem capacidade que sobra de renovar-se e quantas vezes for necessário, com a vantagem de, neste caso, também servir para ser colocado sempre ali, mesmo à mão, para quando sentirmos necessidade de escutar música que dispare em todas as direcções, sem preconceitos nem compromissos, usando a sonoridade habitual e clássica do <em>rock</em>, numa mistura explosiva de energia, audácia, irreverência e atitude, pouco ouvida por cá e que, por isso, merece ser amplamente divulgada.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Canções como o sumptuoso <em>single <span style="color: #666699;">Vicious</span></em>, a altiva <em><span style="color: #666699;">Wrong Man</span></em> ou a descomprometida <em><span style="color: #666699;">New World</span></em>, contêm um poder e um charme que atraem e ofuscam tudo em redor, mostrando que uma das grandes virtudes destes <span style="color: #666699;">Bed Legs</span> é o desprezo pelo conforto do ameno, mas sem se limitarem a produzir barulho como um fim em sim mesmo. Este é um <em>rock</em> com qualidade melódica e que nos dá canções acessíveis e que poderiam relatar factos da vida de qualquer um de nós, mostrando que este rock pode ser a salvação e um excelente remédio para muitos dos nossos problemas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Em suma, <span style="color: #666699;"><em>Black Bottle</em></span> sabe, no modo como soa, a uma espécie de estado de alma colorido e, apesar do <em>Black</em>, vincadamente boémio, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto.Confere abaixo a entrevista que este fantástico grupo bracarense concedeu ao blogue e espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://0.fotos.web.sapo.io/i/Gce0833b1/19103624_zY3Zk.jpeg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Road Again</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Vicious</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Love, Lies N' Love</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Black Bottle</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Wrong Man</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">My Heart Back</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">New World</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Try</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">The Fight</span></em></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F2cTqrPV1hvc%3Ffeature%3Doembed&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D2cTqrPV1hvc%26feature%3Dyoutu.be&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F2cTqrPV1hvc%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de <em>Black Bottle</em>, o vosso primeiro registo discográfico em formato longa duração, começo com uma questão <em>clichê</em>… Como é que nasceu este projeto, oriundo da zona de Braga?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Bed Legs nascem da reunião de 4 amigos músicos com vontade de tocar e de criar. Eu(Fernando), o Tiago (guitarra) e o David (bateria) já tínhamos tocado juntos numa banda nos tempos do secundário. Nos tempos da universidade, fizemos uma jam na república dos Inkas em Coimbra com o Hélder e houve uma enorme química. Mais tarde, o Tiago e o David começam a tocar com ele, no seu sotão. Eles lembraram-se de mim e convidaram-me para cantar. Começámos a trabalhar numas ideias que eles já tinham e noutras que fomos fazendo a longo desses encontros. Daí nasceram temas interessantes, alguns desses que podem ser encontrados no nosso Ep “Not Bad”.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Desde o início, até esta estreia discográfica, o vosso percurso tem sido fulminante em termos de crescimento, visibilidade e aceitação. Além de terem já tocado em vários locais, o vosso Ep <em>Not Bad </em>foi bastante aclamado pela crítica. Como foi conciliar este percurso ascendente e todo este frenesim, nomeadamente de concertos, com o processo de gravação do disco de estreia?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Desconhecia de tanto reconhecimento por parte do público ou da crítica. Nós, até à data somos mais uma banda local, de Braga. O nosso reconhecimento fora da localidade, na minha opinião, acho ser pouco. É verdade, que depois do Ep fomos tocar em mais sítios fora da localidade, partilhamos palco com diversas bandas e isso é muito enriquecedor. Mas se formos perguntar pela rua quem são os Bed Legs, não haverá muita gente que os reconheça. Esperemos que esse dia chegue e rápido!(risos)</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais do <em>indie rock</em> de garagem, com um travo <em>blues</em> fortemente eletrificado e algo psicadélico, assente em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas, onde não falta um piscar de olhos ao punk impregnado com indisfarçável <em>groove</em>, com a bateria a colar todos estes elementos com uma coerência exemplar e uma voz sentida e imponente, a dar substância e cor às melodias, <em>Black Bottle </em>é, na minha opinião, uma estreia particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram para este primeiro passo de um percurso que espero que venha a ser longo?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O primeiro anseio em relação ao álbum foi lança-lo. Houveram oportunidades anteriores mas só agora o fizemos. Isto, claramente, criou ansiedade porque como artistas gostamos de estar sempre em constante criação e ter de esperar para lançar um álbum mais tarde, cria instabilidade na banda e no seu percurso. É uma questão de gestão das emoções, da razão e  de circunstância. Em relação às expectativas, estamos satisfeitos com o resultado do álbum e só queremos que ele circule pelas mãos da gente.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Confesso que o que mais me agradou na audição de <em>Black Bottle</em> foi uma feliz simbiose entre a riqueza dos arranjos e a energia e imponência com que eles surgiam nas músicas, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, festiva e solarenga e onde, apesar do esplendor das guitarras, a percussão tem também uma palavra importante a dizer, já que o baixo e a bateria conduzem, frequentemente, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona por um certo charme<em> vintage</em>. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O álbum foi-se compondo até aos últimos momentos de gravação. Havia cerca de pouco mais de meio álbum composto até irmos para estúdio. Houveram temas que acabamos em gravações. Já tinhamos ideia do sentimento ou temática que queriamos dar a esses temas incompletos mas foi em gravação que descobrimos soluções. Trabalhamos bem com tempo mas também sobre pressão(risos). Existem arranjos que fazemos logo nos primeiros momentos de composição e outros que fazemos em estúdio. Mas este álbum foi pouco enfeitado, é cru. As inspirações que nos levaram a criar são as nossas emoções, as nossas experimentações, a nossa técnica, os nossos gostos, as nossas referências, as nossas ideias, a nossa vida.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Black Bottle</em>, como opção para título do vosso primeiro álbum, sabe-me, no modo como soa, a uma espécie de estado de alma colorido, apesar do <em>Black</em> e vincadamente boémio, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto. Acredito que queiram ser levados a sério pela crítica e que sejam extremamente cuidadosos e profissionais na vossa dinâmica de trabalho enquanto Bed Legs, mas a diversão, o arrojo e a rebeldia são também pilares essenciais do vosso estado de espírito enquanto banda, de certo modo ilustrado pelo curioso vídeo que ilustra Vicious, o single de apresentação do álbum?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Acima de tudo, é a diversão e a realização que nos move. Mas, conforme vamos avançando e o tempo vai passando, a infância na música e na vida vai se perdendo ou adulterando. Queremos manter a força das cores do início, mas o percurso vai escurecendo, a vida escurece. Como indivíduos, vamos ficando mais cicatrizados e isso reflecte-se nas nossas músicas. Este álbum é mais um lamento do que celebração. Mas mantém o vigor da nossa atitude. O vídeo é uma ilustração de momentos da nossa vida e também das que por nós passam. Não é assim tão distante da realidade mundana que chega a ser entediante. O nosso carnaval é que lhe dá cor e diversão.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos Bed Legs? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em <em>jam sessions</em> conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?</span><br /><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"> Geralmente, é em jams que fazemos juntos. O instrumental forma-se e a voz entra a seguir. A partir da improvisação e sugestão cria-se a temática da música. Normalmente, sou eu quem escreve as letras. Quando encalho na escrita peço ajuda ao resto da banda. Existem letras do Ep e de temas antigos que são do Hélder ou escritas em conjunto. </span><br /><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"> Por vezes, trazemos ideias e riffs de casa que propomos ao resto da banda. Se a banda gostar, começamos a trabalhar na ideia ou tema. Neste álbum, existem riffs e propostas de todos os elementos da banda.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Olhando um pouco para a escrita das canções, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional de escreverem sobre aquilo que vos rodeia, em vez de não inventarem, apenas e só e na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais nunca teriam à partida de se comprometer. Acertei na <em>mouche</em> ou o meu tiro foi completamente ao lado?</span><br /><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #666699;"> Acertaste. Tudo o que está escrito em cada tema foi vivido ou ainda está a ser vivido. “Black Bottle” é um álbum cru e sincero que canta sobre a vida na estrada, vícios, amor e mentiras, decadência, desgostos amorosos, promiscuidade, incompatibilidade, frustração, luta e vontade de renascer, de tentar de novo. As relações que deixaram cicatrizes, os inúmeros copos e garrafas vertidas, o ficar e o partir, os romances-mentira, as escolhas e decisões feitas ou pendentes, o rastejar na lama, o comer na lama, o dormir na lama. Tudo isto, é a fórmula do cocktail da Black Bottle. O álbum fala sobre um passado atribulado, um presente incerto e um futuro fora de alcance. Existe muito amor e vivências dedicados a estas canções. Muito sangue derramado para dentro da garrafa. Sangue espesso, preto. A "Black Bottle" navega sobre águas negras como sugere a canção homónima do mesmo. É uma garrafa sem destino, sem rumo. Uma garrafa que emergiu do fundo do mar para dar de beber aos náufragos da vida, aos piratas do amor e aos descobridores do desconhecido.</span> </span><br /><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"> Para terminar, como está a correr a promoção do disco? Onde podemos ver e ouvir os Bed Legs a tocar num futuro próximo?</span><br /><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"> Por enquanto, está a correr muito bem. Estamos a chegar mais longe do que antes. Começamos a entrar com mais facilidade nas rádios, televisão, revistas, blogs, magazines. Isto graças à nossa parceria com a Raquel Lains(Let's Start a Fire), que tem sido preciosa. Em relação a concertos de apresentação e divulgação, ainda  estamos a tratar disso, juntamente com a Bazuuca(agência). Temos uma marcada em Lisboa, no Sabotage, a 20 de Fevereiro. Estejam atentos à nossa página do Facebook, brevemente divulgaremos as próximas datas. Esperamos por vocês na linha da frente. Rock on!</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:773068 2016-01-21T22:11:00 Astronauts - Civil Engineer 2016-01-21T22:15:07Z 2016-01-21T22:15:07Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ff99cc;">Astronauts</span> é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com <em>Hollow Ponds</em>, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo <em>Dead Legs &amp; Alibis</em> e que se dedicou a estas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. <em>Hollow Ponds</em> viu a luz do dia por intermédio da <a style="color: #999999;" href="http://www.lorecordings.com/release/hollow-ponds/">Lo Recordings</a> e parece ter já, finalmente, sucessor.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.offkultur.com/wp-content/uploads/2015/02/ASTRONAUTS-01.jpeg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ff99cc;">Astronauts</span> é um nome feliz para um projeto que, servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que transmite, por exemplo, <span style="color: #ff99cc;">Civil Engineer</span>, o primeiro avanço para <span style="color: #ff99cc;"><em>End Codes</em></span>, o próximo disco de <span style="color: #ff99cc;">Astronauts</span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Canção que se abriga à sombra de uma <em>folk</em> etérea de superior calibre, <span style="color: #ff99cc;">Civil Engineer</span> é uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde <span style="color: #ff99cc;">Astronauts</span> nos senta, já que o efeito sibilante constante, o baixo encorpado, a percurssão hipnótica e pulsante e as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia, fazem deste tema uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Adivinha-se pois mais um disco em que Dan Carney se entregará à introspeção e além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, irá fazê-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Confere...</span></p> <div> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <div class="gmail_quote"> <div dir="ltr"> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/240972882&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> </div> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:772422 2016-01-20T21:20:00 Savages - Adore Life 2016-01-20T21:43:59Z 2016-01-20T21:43:59Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Quase dois anos depois do estrondoso <em>Silence Yourself</em>, o registo de estreia, editado em maio de 2013 através da Matador Records, as londrinas <a style="color: #999999;" href="http://savagesband.com/">Savages</a> de Ayşe Hassan, Fay Milton, Gemma Thompson e Jehnny Beth, estão de regresso aos discos à boleia da mesma etiqueta e de punhos cerrados com <em><span style="color: #666699;">Adore Life</span></em>, dez canções escritas pela vocalista Jehnny Beth e que, na sequência do que foi possível apreciar no antecessor, continuam a debruçar-se sobre a intimidade sentimental de Beth, mas de modo a que qualquer comum dos mortais se possa apropriar das suas mágoas e prazeres, transportando-as para o seu próprio ideário sentimental.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://nme.assets.ipccdn.co.uk/images/2015SAVAGES_Press_ColinLane_211015.article_x4.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Num universo pessoal em constante mutação e que encontra paralelismo nas próprias dinâmicas sociais e no frenesim dos dias de hoje, <em><span style="color: #666699;">Adore Life</span></em> submete-nos a um caos sonoro imponente e ruidoso, mas profundamente nostálgico e reflexivo, principalmente pelo modo como aborda o conceito de mudança e o poder que o amor tem para nos fazer evoluir e até, em casos mais extremos, modificar totalmente o nosso âmago.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O amor tem diferentes armas, com diversos calibres e várias escalas de destruição, mas também o potencial para, se for utilizado com mestria e sinceridade, fazer-nos ver com nitidez aquilo que de melhor guardamos dentro de nós e que podemos oferecer, para que possamos receber em troca semelhante manifestação de entrega. Aqui reside muitas vezes o busílis das relações a dois, na discrepância entre aquilo que se tem para oferecer e realmente se coloca à disposição e depois o grau de expetativa que se coloca do outro lado, não só em relação aos efeitos de tal atitude, mas também, e principalmente, aquilo que se espera em troca. E as <span style="color: #666699;">Savages</span> exploram até à exaustão e com enorme nitidez e capacidade reflexiva, este ideário, propondo a busca de um difícil mas recompensador equilíbrio, como a fórmula que poderá melhor balançar uma coexistência partilhada.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O verdadeiro amor é, pois então, a solução para a grande parte dos problemas do mundo e de cada um e logo em <span style="color: #666699;"><em>The Answer</em></span>, o tema de abertura, essa verdade insofismável fica gravada de modo forte e dinâmico, montada numa variedade de texturas sonoras que entroncam no <em>post punk</em> e em outras sonoridades típicas dos anos oitenta. É um<em> rock</em> progressivo de elevada qualidade, com a percussão e o baixo vibrante em perfeita harmonia, conjugada com guitarras carregadas de distorção, que oferecem à canção uma toada psicadélica extraordinária. Depois, enquanto em <span style="color: #666699;"><em>I Need Something New</em></span> abordam a necessidade natural de deixar para trás vivências que nos aprosionam, ou em <span style="color: #666699;"><em>Sad Person</em></span> exploram os tais conflitos emocionais e, quase no ocaso, em <em><span style="color: #666699;">T.I.W.Y.G.</span></em> (<em>This is what you get when you mess with love</em>), reforçam os aspetos menos coloridos do amor, as <span style="color: #666699;">Savages</span> arrastam-nos continuamente para um turbilhão de sensações fisicas e emocionais que nem a mais contida <em><span style="color: #666699;">Adore</span></em>, por exemplo, abranda, com aquela contínua sensação de eminente caos e descontrole a nunca deixar de ser uma presença constante e bastante vincada.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Cheio de<em> puzzles</em> e dilemas nem sempre fáceis de destrinçar e visceral no modo como pretende questionar os alicerces da nossa individualidade, <em><span style="color: #666699;">Adore Life</span></em> flagela constantemente o ouvinte com verdades nem sempre fáceis de enfrentar e nada melhor que um som ruidoso, mas fortememente melódico e que se move em diferentes velocidades e ritmos de forma convincente, para reforçar essa mensagem forte e turbulenta. É um trabalho que se apresenta perante quem se presdispõe a deixar-se aprisionar por ele, como um bloco sombrio e único de som, um soco direto que estraçalha os maxilares e os ouvidos de quem chega desprotegido, uma estratégia agressiva desprovida de qualquer proximidade com o comercial e com uma sujidade que aprisiona, numa espécie de relação de amor ódio com as <span style="color: #666699;">Savage.</span> Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://static.stereogum.com/uploads/2016/01/Savages-Adore-Life.jpeg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">1. The Answer</span></em><br /><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">2. Evil</span></em><br /><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">3. Sad Person</span></em><br /><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">4. Adore</span></em><br /><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">5. I Need Something New</span></em><br /><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">6. Slowing Down The World</span></em><br /><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">7. When In Love</span></em><br /><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">8. Surrender</span></em><br /><em><span style="color: #666699; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">9. T.I.W.Y.G.</span></em><br /><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #666699;">10. Mechanics</span></em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FY7ZpPsaMNMM%3Ffeature%3Doembed&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DY7ZpPsaMNMM&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FY7ZpPsaMNMM%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:772212 2016-01-19T21:36:00 Tiger Waves – Tippy Beach 2016-01-19T22:06:14Z 2016-01-19T22:06:14Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Lançado no passado dia dezoito de janeiro e disponível para download no <a style="color: #999999;" href="http://tigerwaves.bandcamp.com/album/tippy-beach">bandcamp</a> da banda, com a possibilidade de doares um valor pelo mesmo, <em><span style="color: #808000;">Tippy Beach</span></em> é o novo compêndio de canções dos <span style="color: #808000;">Tiger Waves</span>, um projeto oriundo de Austin, no Texas, formado por James Marshall, cientista da NASA no Departamento de Física Teórica Cósmica, natural dessa cidade texana e Reid Comstock, estudante de filosofia oriental nascido em Chicago, ao qual se juntam, atualmente, Tyler Wharen e Joshua Kerl. Ainda sem se conhecerem pessoalmente,  os dois primeiros começaram por trocar música pela internet, depois passaram a sons, maquetas de ruídos, até resolverem juntar-se e compor juntos. Dessa parceria, na primavera de 2011 nasceram oficialmente os <span style="color: #808000;">Tiger Waves</span>, que se estrearam nos discos pouco depois com<strong><em> </em></strong><em>Only Good Bands Have Animal Names</em>, álbum lançado em junho desse ano e que deu o pontapé de saída para um percurso discográfico já com alguns momentos relevantes e sonoramente reconfortantes.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://scontent-mad1-1.xx.fbcdn.net/hphotos-xat1/v/t1.0-9/12115871_949513498455513_6896632264281181578_n.jpg?oh=a8824808379bcdff96b5011b825d46cf&amp;oe=5733230C" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">As treze canções de <em><span style="color: #808000;">Tippy Beach</span> </em>escutam-se com interessante deleite, já que parecem, antes de mais, resultado de um curioso empilhamento de<span class="hps"> camadas</span> <span class="hps">sonoras</span> que começaram por ser<span class="hps"> pedaços</span> <span class="hps">isolados de</span> <span class="hps">música e, devido à mestria instrumental de James e Reid, foram sendo acomodadas como um puzzle onde tudo faz de repente o maior sentido quando agregado devidamente, ficando, assim, a parecer, cada vez mais,</span> <span class="hps">canções prontas, até atingirem um resultado final que da pop, ao <em>surf rock</em>, passando por alguma psicadelia, cruza a típica sonoridade de uns Beach Boys, apimentada por uma confessada obsessão por mestres do calibre de Phil Spector ou Syd <span class="hps atn">Barrett, duas referências obrigatórias dos <span style="color: #808000;">Tiger Waves</span>.</span></span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span class="hps" style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span class="hps atn">A leveza melódica de canções como <em><span style="color: #808000;">In Your Head</span></em> ou o <em>single</em> homónimo e a vibração luminosa das cordas de <span style="color: #808000;"><em>Salida</em></span> , o groove veraneante de <em><span style="color: #808000;">Spectacle Of You</span></em> e a cândura dos metais de <em><span style="color: #808000;">Look Away</span></em>, tema que parece ter sido composto propositadamente para um conto de fadas urbano contemporâneo, contrastam com o cariz mais sombrio da intrigante <em><span style="color: #808000;">Down The Middle</span></em> ou da contemplativa <em><span style="color: #808000;">Third Term</span></em>, mas o resultado global soa de modo bastante homogéneo, com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span class="hps"><span class="hps atn">Em suma, <em><span style="color: #808000;">Tippy Beach</span></em> sabe a uma indisfarçável urbanidade que nos oferece histórias banais que se cruzam numa esquina qualquer de uma cidade onde todos correm sem se perceber muito bem para onde, como ou porquê, apesar de haver um propósito bem definido no meio desse aparente caos, como demosntra </span></span>a toada eminentemente tranquila e algo épica e sedutora deste alinhamento. Havendo belos instantes sonoros <em>pop</em> onde a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, a atmosfera criada é bastante calma e contemplativa, bem à medida de um projeto que se aproxima claramente de algumas referências óbvias de finais do século passado. É um disco que comprova a rara capacidade destes <span style="color: #808000;">Tiger Waves</span> para manipularem instrumentalmente o sintético, sem descurar o orgânico, com a marca do <em>indie shoegaze</em> muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, de modo a oferecer-nos texturas e atmosferas sonoras que, se deixarmos, inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1713/24398220161_fa018acdc9_o.jpg" alt="Tiger Waves - Tippy Beach" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Down The Middle</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. In Your Head</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Spectacle Of You</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Turns To Sky</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Stay Inside</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Salida</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Sounds (Pt. 1)</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. In Retrograde</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. Look Away</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Tippy Beach</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11. I’m Not That Type Of Man</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>12. Third Term</em></span><br /><span style="color: #808000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>13. Take Me Home</em></span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/playlists/187000611&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="http://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=92713312/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:771843 2016-01-18T18:07:00 Indoor Voices - Auratic EP 2016-01-18T18:14:35Z 2016-01-18T18:14:35Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="https://scontent-mad1-1.xx.fbcdn.net/hphotos-ash2/v/t1.0-9/10606039_650530225044684_5805970750454168636_n.png?oh=a75eed39a88e030cec1e0b01d11a47ef&amp;oe=56FB49EB" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de no final de 2011 terem editado<a style="color: #999999;" href="http://stipe07.blogs.sapo.pt/209866.html"> Nevers</a> e um ano depois um EP intitulado <em>S/T</em>, os<span style="color: #99ccff;"> Indoor Voices</span> de Jonathan Relph, Owen Davies, Ryan Gassi, Craig Hopgood e Kate Rogers estão de regresso com <span style="color: #99ccff;"><em>Auratic</em></span>, um novo EP com cinco canções, editado no passado dia quinze de janeiro através da <a style="color: #999999;" href="http://www.facebook.com/haxrummet">Häxrummet Records</a> e disponivel no bandcamp do projeto em formato digital e com a possiblidade de aquisição de um exemplar em cassete, cuja produção foi limitada a quarenta exemplares. Em <em><span style="color: #99ccff;">Auratic</span></em>, esta banda de Toronto, no Canadá, contou com a ajuda de Chris Stringer na mistura e de Jeff Elliot na produção de cinco temas que contaram também com as participações especiais de Mihira Lakshman nos violinos e Alisha Erao (Lush Agave e Alligator Indian), Maja Thunberg (Star Horse), Kate Rogers (IV e Kate Rogers Band), Jimena Torres (The Great Wilderness) e Sandra Vu (SISU e Dum Dum Girls) nas vozes.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">É algures entre o épico e o <em>lo fi</em> que estes <span style="color: #99ccff;">Indoor Voices</span> se sentem confortáveis a dar à luz canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, à medida que deixam as guitarras, o baixo e a bateria seguirem a sua dinâmica natural e assumirem uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical tipicamente <em>rock</em>, esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Este desígnio é logo audível na imponência de <em><span style="color: #99ccff;">See Wish</span></em> e o clima etéreo de <em><span style="color: #99ccff;">Atomic</span></em>, assim como o modo como, nesta composição de forte cariz orquestral, deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa, é outro exemplo feliz do modo como nestes <span style="color: #99ccff;">Indoor Voices</span> é possível conferir leves pitadas de <em>shoegaze</em> e<em> post rock</em>, mas nada de muito barulhento ou demasiado experimental.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Na verdade, todos os temas de <em><span style="color: #99ccff;">Auratic</span></em> têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à eletrónica dos anos oitenta e para mim destacam-se os belos instantes sonoros <em>pop</em> onde a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral calma e contemplativa, que atinge um elevado pico de magnificiência em <em><span style="color: #99ccff;">What Can I</span></em>, o meu destaque maior do trabalho.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Além de <span style="line-height: 1.3;">manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, <em><span style="color: #99ccff;">Auratic</span></em> exala o contínuo processo de transformação de uns <span style="color: #99ccff;">Indoor Voices</span> que procuram sempre mostrar, com a marca do <em>indie shoegaze</em> muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...</span></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=1392573815/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:771399 2016-01-17T16:15:00 Yuck – Hearts In Motion 2016-01-17T16:16:06Z 2016-01-17T16:16:06Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1583/24413078235_d02b6552d8_o.jpg" alt="Yuck - Hearts In Motion" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Em 2016 os britânicos <span style="color: #ff99cc;">Yuck</span> estão de regresso aos discos com <em><span style="color: #ff99cc;">Stranger Things</span></em>, um álbum que será lançado a vinte e seis de fevereiro através da Mamé. Este será o terceiro disco dos <span style="color: #ff99cc;">Yuck</span> do guitarrista Max Bloom, acompanhado por Mariko Doi, Jonny Rogoff e Ed Hayes e <span style="color: #ff99cc;"><em>Hearts In Motion</em></span> é o primeiro avanço divulgado, tema abastecido por aquele <em>rock</em> alternativo dominado pelas guitarras barulhentas e os sons melancólicos do início dos anos noventa, assim como todo o clima sentimental dessa época e as letras consistentes, que confortavam e destruiam o coração num mesmo verso. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/GhKSyNiXIgs" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:770921 2016-01-15T20:36:00 Sans Parade – Artefacts 2016-01-15T21:05:50Z 2016-01-15T21:05:50Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Quase três anos após um extraordinário disco de estreia homónimo, os finlandeses <span style="color: #ffcc99;">Sans Parade</span> regressaram aos álbuns na reta final de 2015 com <span style="color: #ffcc99;">Artefacts</span>, sete canções que abrigadas pela insuspeita <a style="color: #999999;" href="http://solinarecords.com/sans-parade-artefacts/">Solina Records</a> nos oferecem um cardápio sem adjetivos suficientemente claros para que possamos definir com exatidão a sua qualidade sonora.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://scontent-mad1-1.xx.fbcdn.net/hphotos-ash2/v/t1.0-9/431835_671612209521556_20038763_n.jpg?oh=b955a117ea3602d61ee751e004e40967&amp;oe=5749EF98" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Formados em 2009 pelo músico, cantor e escritor Markus Perttula e pelo músico de <em>house</em> Jani Lehto, os <span style="color: #ffcc99;">Sans Parade</span> rapidamente tornaram-se num trio quando o músico de jazz Pekka Tuppurainen se juntou à dupla. Hoje o grupo é ainda maior, com músicos que dominam diferentes géneros musicais e que, além dos já referidos, também tocam a <em>folk</em>. Assim, esta massiva junção de géneros e influências, naturalmente iria dar origem a um verdadeiro caldeirão sonoro, algo que se escuta em <span style="color: #ffcc99;"><em>Artefacts</em></span>, um disco impregnado com arranjos orquestrais lindíssimos e que começou a ser incubado quando a banda se encontrava a delinear o video de <em>Coastal Town</em>, um dos destaques do disco anterior. Fragmentos encontrados pela câmara de filmar de uma carta rasgada junto a uma ponte, provavelmente relacionada com o ocaso de uma relação amorosa e escrita por uma adolescente que terá sofrido a sua primeira desilusão amorosa, provocaram um <em>click</em> imediato na banda, tal era a profundidade e a autenticidade dos sentimentos plasmados no documento encontrado. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de destruirem esses fragmentos da carta através de um ritual verdadeiramente catártico, os<span style="color: #ffcc99;"> Sans Parade</span> arregaçaram as mangas e puseram mãos à obra, começando por olhar com particular atenção, para excertos da opera <em>Einstein On The Beach</em>, de Philip Glass, além da carta acima referida, que inspirou porfundamente, por exemplo, <span style="color: #ffcc99;"><em>Letter Fragments Found On The Halinen Bridge</em></span>, o tema que encerra <span style="color: #ffcc99;"><em>Artefacts</em></span>. Outros excertos de escrita utilizados nas canções foram frases incrustadas em mesas de madeira de restaurantes, inscrições em casas antigas, provérbios chineses e até linhas de programação informática. Todos estes fragmentos inspiraram a banda e deram um sentido a alguns eventos anteriores da mesma, nomeadamente em <span style="color: #ffcc99;">Chinese Wisdoms on the Road to Jiuzhaighou</span>, que relata uma viagem do grupo à região chinesa de Sichuan, no outono de 2011, ou <em><span style="color: #ffcc99;">The Premises Of A Life That Could Have Been Yours</span></em>, canção que se debruça nas memórias de infância relacionadas com o percurso escolar de alguns elementos do grupo. Já <em><span style="color: #ffcc99;">Hyperborea</span> </em>vê o ideário sa sua exuberância instrumental ser sustentado e inspirado pelo conteúdo de Kalevala, a epopeia nacional da Finlândia, escrita e compilada por Elias Lönnrot.</span></p> <p style="text-align: justify;" align="justify"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Sustentados pela habitual melancolia que só os grupos escandinavos sabem transmitir, já que este grupo tem, como referi, as suas raízes num ponto do globo artisticamente muito criativo e assenta a sua sonoridade numa mistura de<em> indie pop</em> e <em>indie rock</em>, com <em>post rock</em> e alguns elementos eletrónicos, os Sans Parade deixam aqui bem claro que fizeram mais um disco perfeito para quem tem necessidade de se afundar em sonoridades etéreas para ganhar um novo ânimo e assim deixar para trás as adversidades. O conteúdo orquestral de <em><span style="color: #ffcc99;">Chinese Wisdoms on the Road to Jiuzhaighou</span></em>, um tema que expande os horizontes minimalistas quando, antes de cada refrão, eleva o volume dos instrumentos como um todo e origina uma explosão que nos faz levitar, é um excelente exemplo desta receita que exige que não deixemos escapar nenhum dos imensos detalhes sonoros, enquanto nos deixamos engolir pela voz cândida de Perttula, que soa, quase sempre, a uma perfeição avassaladora e onde custa identificar um momento menos inspirado.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #ffcc99;">Artefacts</span> </em>é uma espécie de súmula da amálgama de elementos e referências sonoras que inspiram os <span style="color: #ffcc99;">Sans Parade</span>, o que confere ao disco uma ímpar catalogação, ao mesmo tempo que o seu conteúdo nos conduz para lugares calmos e distantes, que depois nos deixam marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1662/24235317132_3ee3c3d664_o.jpg" alt="Sans Parade - Artefacts" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Fenland Tenebrae</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Hyperborea</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. Chinese Wisdom On The Road To Jiuzhaigou</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. The Premises Of A Life That Could Have Been Yours</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. Farmer’s Tale For A Prepared Piano</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. Of November And Programming</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. Letter Fragments Found On The Halinen Bridge</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/oX7L0PWdsPA" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:770321 2016-01-14T21:04:00 Cervelet - Degradê 2016-01-14T21:04:34Z 2016-01-14T21:04:34Z <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://scontent.xx.fbcdn.net/hphotos-xta1/v/t1.0-9/11143475_1661191404101862_3742817176575557491_n.jpg?oh=d340db5693d169022d1aa95b92576696&amp;oe=57008D0B" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Oriundos de  Jaboticabal, no estado de São Paulo, uma cidade de setenta mil habitantes, fundada por portugueses e onde prosperam cinco universidades, os brasileiros <span style="color: #ff0000;">Cervelet</span> são Guto Cornaccioni, Iuri Nogueira, Igor Nogueira, Tiko Previato e Vitor Marini, uma banda que diz <em>misturar cerveja com música, poesia e liberdade</em> e que, por isso, se considera <em>a banda mais estranha da cidade!</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de ter editado na primavera de 2014<em> Canções de Passagem</em>, o disco de estreia, este quinteto regressará em 2016 aos lançamentos discográficos com um EP e <span style="color: #ff0000;">Degradê</span> é o primeiro <em>single</em> divulgado do mesmo, uma canção sobre o amor, que viu a luz do dia ainda em 2015, a dezassete de dezembro e que assenta numa instrumentação radiante, que progride de forma interessante à medida que vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/237832205&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:769694 2016-01-13T20:51:00 Villagers – Where Have You Been All My Life? 2016-01-13T20:51:55Z 2016-01-13T20:51:55Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os irlandeses <a style="color: #999999;" href="http://www.wearevillagers.com/">Villagers</a> são, neste momento, praticamente monopólio da mente criativa de Conor O'Brien e estão já na linha da frente do universo <em>indie folk</em> europeu, pelo modo criativo e carregado com o típico sotaque irlandês, como replicam o género, ainda por cima oriundos de um país com fortes raízes e tradições neste género musical. Com um trajeto musical bastante profícuo nos últimos anos, além de intenso e rico, acabaram por resolver agregar alguns dos temas mais significativos de <span style="color: #99cc00;"><em>Becoming a Jackal</em></span> (2010), <span style="color: #99cc00;"><em>{Awayland}</em></span> (2013) e <span style="color: #99cc00;"><em>Darling Arithmetic</em></span> (2015), dando assim origem a <span style="color: #99cc00;"><em>Where Have You Been All My Life?</em></span>, um álbum editado a oito de janeiro último, através da Domino Records e que nos oferece não apenas uma simples compilação de sucessos, mas uma narrativa muito pessoal e autobiográfica de um cantor e compositor extraordinário, que se debruça frequentemente sobre a temática da sexualidade e os desafios emocionais que a questão da sua homossexualidade lhe tem colocado nos anos mais recentes.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.unesaisonaparis.com/wp-content/uploads/2015/10/villagers_-awh_-_photo_credit_andrew_whitton_-1414-_300dpi_wide-6adb094b2467b9f21918861375cfc657df3cab2f.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com o apoio inestimável de Richard Woodcraft, um dos elementos fundamentais da retaguarda dos Radiohead e do engenheiro de som Ber Quinn, os <span style="color: #99cc00;">Villagers</span> assentaram arraiais nos estúdios RAK, em Londres e regravaram os doze temas do alinhamento de <span style="color: #99cc00;"><em>Where Have You Been All My Life?</em></span>, adaptando os novos arranjos de modo a que fluissem como uma narrativa homogénea e linear, a exata sensação que a audição do álbum nos oferece.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Se temas como <em><span style="color: #99cc00;">Set The Tigers Free</span></em> ou <span style="color: #99cc00;"><em>Everything I Am Is Yours</em></span> não defraudam a implacável herança <em>folk</em> que foi tipificando o som do <span style="color: #99cc00;">Villagers</span>, já o dedilhar de cordas de <span style="color: #99cc00;"><em>Darling Aritmethic</em></span> e de <em><span style="color: #99cc00;">The Souls Serene</span></em> ou o baixo impulsivo de <em><span style="color: #99cc00;">Memoir</span></em> oferecem-nos um olhar mais vincado sobre o modo como Conor consegue entrelaçar letras e melodias e adicionar ainda belos arranjos, de forte teor sentimental, caraterísticas que fazem deste coletivo irlandês não só uma referência essencial e obrigatória no género, mas também um bom aconchego para alguns dos nossos instantes mais introspetivos e fisicamente intimistas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Seja como for, o meu grande destaque deste trabalho acaba por ser, sem dúvida, até pela temática, <em><span style="color: #99cc00;">Hot Scary Summer</span></em>, uma canção onde o autor canta emotivamente sobre o fim do amor e o lado mais destrutivo desse sentimento (<em>all the pretty young homophobes looking out for a fight</em>); É nesta canção que Conor amplifica inteligentemente o modo como em <span style="color: #99cc00;">Villagers</span> fala de si e das suas experiências e esse ênfase, ampliado pela cândura do seu falsete, acaba por fazer com que se dispa totalmente, exalando uma vincada veia erótica.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Terminando com uma lindíssima versão de <em><span style="color: #99cc00;">Wichita Lineman</span></em>, um original de 1968 da autoria de Glen Campbell, já revisto por nomes importantes como os R.E.M.,<em> <span style="color: #99cc00;">Where Have You Been All My Life?</span></em> contém instantes sonoros de superior magnificiência, em que é possível sentirmos que estamos abraçados ao líder desta banda, a partilhar o mesmo espaço físico da mesma, completamente desprovidos de qualquer defesa, enquanto testemunhamos o modo como Conor se entrega a uma aritmética amorosa, onde está em causa não só o modo como gere a sua relação com o amor, mas também consigo mesmo e os seus próprios conflitos emocionais. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><em><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1716/23862414609_5f4633a45c_o.jpg" alt="Villagers - Where Have You Been All My Life" width="400" height="400" /></span></em></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Set The Tigers Free</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Everything I Am Is Yours</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. My Lighthouse</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Courage</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. That Day</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. The Soul Serene</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. Memoir</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">08. Hot Scary Summer</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">09. The Waves</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">10. Darling Arithmetic</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">11. So Nave</span></em></span><br /><span style="color: #99cc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">12. Wichita Lineman</span></em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://embed.spotify.com/?uri=spotify%3Aalbum%3A2QZGWuMPD158uhXiRIKMmO" width="640" height="360" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:770024 2016-01-12T20:21:00 Tindersticks – Were We Once Lovers? 2016-01-12T20:30:13Z 2016-01-12T20:30:13Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1608/23632771473_80e4a6fe3d_o.jpg" alt="Tindersticks - Were We Once Lovers" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os <a style="color: #999999;" href="http://www.tindersticks.co.uk/intro.php">Tindersticks</a>, uma das melhores bandas que surgiu na Inglaterra nos anos noventa e que trouxe para o <em>rock</em> independente e alternativo uma elegância sombria inimitável, completam em 2016 vinte e quatro anos de uma carreira irrepreensível. E <em><a style="color: #999999;" href="http://stipe07.blogs.sapo.pt/233270.html">The Something Rain</a></em>, o nono álbum deste grupo de Nottingham, lançado em 2012, parece ter finalmente sucessor.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #003366;"><em>The Waiting Room</em></span>, o novo e décimo álbum da carreira dos <span style="color: #003366;">Tindersticks</span>, vai ver a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da City Slang e <span style="color: #003366;">Were We Once Lovers?</span> é o mais recente <em>single</em> divulgado de um disco conceptual, com um acompanhamento audiovisual e onde todas as canções servem de banda sonora para um leque de curtas-metragens, cada uma realizada por um realizador diferente.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O video de <span style="color: #003366;"><em>Were We Once Lovers?</em></span> foi realizado por Pierre Vinour, do projeto La Blogothèque e a canção contém uma míriade instrumental densa e elaborada, rica em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/x1DDgKWc2HY" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:768694 2016-01-11T17:52:00 David Bowie – Blackstar 2016-01-11T18:10:11Z 2016-01-11T18:27:19Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Quase três anos depois de <a style="color: #999999;" href="http://davidbowie.com/blackstar/">The Next Day</a>, o camaleão nascido em Brixton, em 1947 e com sessenta e nove anos completados há apenas dois dias, está de regresso aos álbuns com <em><span style="color: #003366;">Blackstar</span></em>, sete canções editadas nesse preciso dia do seu aniversário e que nos oferecem um <span style="color: #003366;">David Bowie</span> a calcorrear novamente territórios sonoros de forte cariz experimental e, no fundo, aqueles onde sempre se sentiu mais confortável, em cinquenta anos de carreira onde nem sempre foi pacífica a sua relação com o lado mais comercial da indústria fonográfica, apesar do enorme reconhecimento e reputação que hoje justamente goza, como um dos génios criativos mais influentes e recomendáveis do cenário musical e cultural contemporâneo.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://factmag-images.s3.amazonaws.com/wp-content/uploads/2015/10/bowie4215-616x3651-616x365-616x365.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Logo na audição do tema homónimo, a voz distorcida de <span style="color: #003366;">Bowie</span> esclarece-nos que os próximos quarenta minutos serão verdadeiramente desafiantes e que até para o mais fiel seguidor e conhecedor da trajetória discográfica do músico, <span style="color: #003366;"><em>Blackstar</em></span> será um corropio imenso e intenso de códigos estéticos de complexa descodificação, criado por um músico que, ainda por cima, se revela extremamente confidente e próximo do ouvinte. A referência ao clássico cinematográfico <em>Clockwork Orange</em> (1971) de Stanley Kubrick, em <em><span style="color: #003366;">Girl Loves Me</span></em> ou as interseções com o jazz, género sonoro de culto para Bowie, em <span style="color: #003366;"><em>Tis A Pity She Was a Whore</em></span>, canção onde se destacam os instrumentos de sopro e uma letra angustiada, assim como as variações ritmícas da bateria e a distorção da guitarra de <span style="color: #003366;"><em>Sue (Or In A Season of Crime)</em></span>, são apenas alguns exemplos da aúrea de mistério e do apenas aparente caos com que o autor pretende impressionar o ouvinte, ao mesmo tempo que comunica (algumas vezes canta, quase como se falasse) e se oferece, utilizando, neste caso, vários poemas com um cariz algo sombrio e sem aparente controle de tudo aquilo que sonoramente a sua veia criativa o instiga a produzir.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Habituado a ser elogiado por tudo aquilo que faz, <span style="color: #003366;">Bowie</span> não deixa de ser humano e, por isso, está também sujeito a erros e falhas. Seja como for, <em><span style="color: #003366;">Blackstar</span> </em>é, notoriamente, um exercício honesto e sincero de dádiva e mesmo em canções como <span style="color: #003366;"><em>Can't Give Everything Away</em></span> ou <em><span style="color: #003366;">Lazarus</span></em>, que apelam de modo mais evidente ao comercial, existe uma marca inesperada, seja através de um instrumento de sopro ou um som sintetizado, que provoca o tal estímulo intelectual que a audição deste disco exige. Esta <em><span style="color: #003366;">Lazarus</span> </em>acaba também por impressionar e comover, pelo modo como exala um clima intensamente cinematográfico e perturbador. Curiosamente, <em><span style="color: #003366;">Dollar Days</span></em>, uma balada que contém um dos melhores momentos vocais da carreira de <span style="color: #003366;">Bowie</span> e uma viola e um piano intensos em sentimento e arrojo e que, por isso, teria tudo para nos obrigar a um enorme esforço de perceção da mensagem que carrega, acaba por ser a canção mais direta e incisiva do disco, aquela que não suscita qualquer dúvida sobre o ideário sentimental que pretende transmitir.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Disco marcante e que obriga a uma imersão por parte do ouvinte num universo muito próprio, <em><span style="color: #003366;">Blackstar</span></em> não pode ser dissociado da carreira de <span style="color: #003366;">David Bowie</span> e deve ser compreendido na exata medida daquilo que o autor pretendeu que o seu cardápio transmitisse. Com uma carreira cheia de momentos marcantes e que dificilmente serão esquecidos, este é um dos trabalhos em que este músico britânico melhor transformou as suas histórias pessoais em canções, numa cruzada sonora intensa, próxima e subtilmente encantadora, idealizada por um poeta exímio a entender os mais variados sentimentos e confissões humanas e que sabe, de forma bastante peculiar e única, como converter simples sentimentos em algo grandioso, épico e ainda assim delicadamente confessional. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 10pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">(N.D.R.) - A crítica a este disco foi escrita poucas horas antes do início da derradeira viagem de David Bowie. Considero que a melhor homenagem que lhe poderia prestar, era não alterar uma única vírgula da análise, devido a esse facto.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm6.staticflickr.com/5672/22882572059_f22f6ae0ae_z.jpg" alt="David Bowie - Blackstar" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #003366;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Blackstar</span></em></span><br /><span style="color: #003366;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Tis A Pity She Was A Whore</span></em></span><br /><span style="color: #003366;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. Lazarus</span></em></span><br /><span style="color: #003366;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Sue (Or In A Season Of Crime)</span></em></span><br /><span style="color: #003366;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. Girl Loves Me</span></em></span><br /><span style="color: #003366;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. Dollar Days</span></em></span><br /><span style="color: #003366;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. I Can’t Give Everything Away</span></em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://embed.spotify.com/?uri=spotify%3Aalbum%3A2w1YJXWMIco6EBf0CovvVN" width="640" height="360" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:769353 2016-01-09T15:54:00 Yeasayer – I Am Chemistry 2016-01-09T16:05:53Z 2016-01-09T16:05:53Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1616/24130575892_3e7216297d_o.jpg" alt="Yeasayer - I Am Chemistry" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Desde o notável <em><span style="color: #ff0000;">Fragrant World</span></em>, disco editado já no longínquo ano de 2012, que os nova iorquinos <span style="color: #ff0000;">Yeasayer</span> se mantinham num silêncio que já começava a preocupar os seguidores deste projeto sonoro verdadeiramente inovador e bastante recomendável. Mas parece que essa compêndio de onze canções, das quais se destacavam composições tão inebriantes como <em>Henrietta</em> ou <em><span style="color: #ff0000;">Longevity</span></em>, já tem finalmente sucessor.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ff0000;"><em>Amen &amp; Goodbye</em></span>, o novo disco dos <span style="color: #ff0000;">Yeasayer</span>, será editado a um de abril através da insuspeita <a style="color: #999999;" href="http://mute.com/">Mute</a> e <em><span style="color: #ff0000;">I Am Chemistry</span> </em>é o primeiro single divulgado das treze composições que irão constar no seu alinhamento. O romantismo lisérgico do tema consolida a veia instável e experimental de um projeto cada vez mais assente numa <em>pop</em> de cariz eletrónico e bastante recomendável. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/7XzqCUbiPc4" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>