urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07 man on the moon music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta! stipe07 2016-05-25T21:16:42Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:802037 2016-05-25T22:06:00 Unknown Mortal Orchestra - First World Problem 2016-05-25T21:16:42Z 2016-05-25T21:16:42Z <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.gimmeindie.se/wp-content/uploads/2015/04/unknownmortalorchestra-hi-28_2.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de os neozelandeses <a style="color: #999999;" href="http://unknownmortalorchestra.com/">Unknown Mortal Orchestra</a>, do músico e compositor Ruban Nielsen e de Jake Portrait e Greg Rogove, terem-nos oferecido <a href="http://stipe07.blogs.sapo.pt/unknown-mortal-orchestra-multi-love-709831">Multi-Love</a>, um dos melhores discos do ano passado, eis que voltam a dar sinais de vida com <em><span style="color: #666699;">First World Problem</span></em>, uma extraordinária canção que, estreitando os laços entre a psicadelia e o <em>R&amp;B, </em>contém a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, esta canção ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a <em>pop</em> psicadélica da década anterior. O volume e a densidade instrumental da canção torna indisfarçável a busca dos<span style="color: #666699;"> Unknown Mortal Orchestra</span> de uma melodia agradável, marcante e rica em detalhes e texturas, com uma grandiosidade controlada e que contém um forte apelo às pistas de dança. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/263234679&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:801343 2016-05-25T21:57:00 Frail - Bones EP 2016-05-25T20:58:08Z 2016-05-25T20:58:08Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Nova Orleães é a cidade de origem dos <span style="color: #ff9900;">Frail</span>, um trio formado por Ben Polito (voz e guitarra), Hunter Keene (bateria) e Nick Corson (baixo), três músicos conceituados do cenário <em>indie</em> local e que já tocaram em bandas como os Grotto Girl, Pudge, The Roses e Squirrel Queen. <em><span style="color: #ff9900;">Bones</span></em> é o registo de estreia destes <span style="color: #ff9900;">Frail</span>, seis canções claramente influenciadas por alguns dos melhores detalhes do <em>indie rock</em> alternativo da última década do século passado e cuja edição, quer digital quer física, tem a chancela da insuspeita e espetacular editora, <a style="color: #999999;" href="http://fleetingyouth.storenvy.com/products/8888796-mumblr-full-of-snakes">Fleeting Youth Records</a>, uma etiqueta essencial para os amantes do <em>rock</em> e do <em>punk</em>, sedeada em Austin, no Texas.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://scontent.xx.fbcdn.net/v/t1.0-9/8139_1642619512654928_1061815199265692963_n.png?oh=d097eed20aac7b9ddf2dd5e37ddd6447&amp;oe=57E599A7" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Neste <em><span style="color: #ff9900;">Bones</span></em>, os <span style="color: #ff9900;">Frail</span> procuraram criar hinos sonoros que plasmem diferentes manifestações de raiva adolescente, claramente o ideário lírico privilegiado das suas canções. Na verdade, eles debruçam-se sobre algumas das temáticas mais comuns para quem começa a entrar na idade adulta, nomeadamente a questão da auto estima, a perca da inocência e as relações amorosas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ff9900;"><em>Waiting</em></span>, o primeiro avanço divulgado do álbum, é uma canção que numa simbiose entre <em>garage rock</em>, <em>pós punk</em> e <em>rock</em> clássico, contém a sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário <em>lo fi</em> inaugurado há umas três décadas e logo aí se percebeu a bitola sonora destes <span style="color: #ff9900;">Frail</span> e o restante alinhamento, na verdade, não defrauda os apreciadores do género, até porque <em><span style="color: #ff9900;">Lake Charles</span></em>, por exemplo, também não foge muito a esta toada, apesar de ser um tema mais contemplativo e com uma temática bastante reflexiva.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Apesar de estar claramente balizado o espetro sonoro dos <span style="color: #ff9900;">Frail</span>, há que destacar a forma corajosa como, logo na estreia, não se coibem de tentar experimentar ideias diferentes e fugir da habitual bitola. Canções como <span style="color: #ff9900;"><em>Humid</em></span> ou<em><span style="color: #ff9900;"> Stay</span></em> contêm momentos de pura improvisação, com guitarras que apontam em diferentes direções e um baixo que também não receia tomar as rédeas do conteúdo melódico. E estes dois importantes ítens não perturbam a conturbada homogeneidade de um alinhamento que raramente deixa de ser fluído e acessível, apesar da especificidade rugosa do som que carateriza os <span style="color: #ff9900;">Frail</span>.</span><br /><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #ff9900;">Bones</span></em> estabelece a zona de conforto deste trio que não se coibe de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao punk rock e ao próprio <em>blues</em>. A verdade é que eles parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de pouco mais de vinte minutos intensos, rugosos e que não envergonharão o catálogo sonoro deste grupo do estado de Louisiana, seja qual for o restante conteúdo que o futuro lhes reserve. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=2358338552/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:778174 2016-05-24T21:29:00 Damien Jurado - Visions Of Us On The Land 2016-05-24T21:09:01Z 2016-05-24T21:09:01Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Lançado no passado mês de março pela Secretly Canadian, <em><span style="color: #33cccc;">Visions Of Us On The Land</span></em> é o novo compêndio de canções do norte americanos <span style="color: #33cccc;">Damien Jurado</span> e encerra uma trilogia iniciada em 2012 com <em>Maraqopa</em>, disco ao qual se seguiu <em>Brothers and Sisters of the Eternal Son</em>, dois anos depois.  Este <span style="color: #33cccc;"><em>Visions Of Us On The Land</em></span> foi  produzido por Richard Swift e confirma <span style="color: #33cccc;">Damien Jurado</span> como um dos nomes fundamentais da <em>folk</em> norte americana e um dos artistas que melhor tem sabido preservar algumas das caraterísticas mais genuínas de um cancioneiro que dá enorme protagonismo ao timbre acentuado e rugoso das cordas para dissertar crónicas de uma América profunda e muitas vezes oculta, não só para os estrangeiros, mas também para muitos nativos que desde sempre se habituaram à rotina e aos hábitos de algumas das metrópoles mais frenéticas e avançadas do mundo, construídas num país onde ainda é possível encontrar enormes pegadas de ancestralidade e que inspiram calorosamente <span style="color: #33cccc;">Jurado</span>.</span></p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.belmontbookings.nl/wp-content/uploads/2016/04/Damien-Jurado-3-620x300.jpg" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Este <em><span style="color: #33cccc;">Visions Of Us On The Land</span></em> é, portanto, uma homenagem profunda aquela América feita de índios e <em>cowboys</em>, mas também de pioneiros, viajantes e exploradores, uma narrativa vibrante onde vozes e instrumentos compôem um painel muito impressivo que nos permite viajar no tempo. E nessa demanda podemos ir até às montanhas rochosas do Utah, à neve do Alasca, ao sol da Califórnia e ao pó do deserto texano ou aos desfiladeiros de Yellowstone, à medida que apreciamos descrições vivas e intensas de cenários que muitas vezes só vemos em filmes.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Assim, e citando alguns dos instantes mais impressivos de um alinhamento que é, no seu todo, um retrato vivo, se <em><span style="color: #33cccc;">Mellow Blue Polka Dot</span> </em>nos coloca bem no centro de um acampamento índio, já o <em>rock</em> psicadélico setentista de <span style="color: #33cccc;"><em>Lon Bella</em></span> senta-nos ao volante de um descapotável em plena Route 66, sem destino fixo, enquanto <em><span style="color: #33cccc;">QACHINA</span></em> deixa-nos apreciar deslumbre paisagístico de montanhas verdejantes, com fontes de água pura ainda intactas e onde ursos, águias, lobos e veados coabitam pacificamente, sem nunca terem sentido a presença humana.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O alinhamento prossegue e não há como evitar uma enorme sensação de conforto ou esconder o sorriso perante o excelente registo vocal que conduz <em><span style="color: #33cccc;">ONALASKA</span></em>, o êxtase percussivo carregado de sol da inebriante <span style="color: #33cccc;"><em>Walrus</em></span>, a majestosidade melódica de <em><span style="color: #33cccc;">Exit 353</span></em>, a cândura e a inocência de<em><span style="color: #33cccc;"> Queen Anne</span></em> ou o aconchegante dedilhar da viola da noturna e introspetiva <em><span style="color: #33cccc;">On The Land Blues</span></em>, outros exemplos da excelência de um disco que, sendo já o décimo segundo da carreira de <span style="color: #33cccc;">Damien Jurado</span>, é um dos momentos maiores da sua carreira, pricncipalmente pelo modo como este músico se coneta com o solo que diariamente pisa e o honra e preserva, mostrando-nos, numa jornada evocativa, o melhor que tem e que sente pelo seu país. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1478/24191186613_2f2bc5a324_o.jpg" alt="Damien Jurado - Visions Of Us On The Land" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. November 20</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Mellow Blue Polka Dot</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. QACHINA</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Lon Bella</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Sam And Davy</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Prisms</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. ONALASKA</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. TAQOMA</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. On The Land Blues</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Walrus</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11. Exit 353</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>12. Cinco De Tomorrow</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>13. And Loraine</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>14. A.M. AM.</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>15. Queen Anne</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>16. Orphans In The Key Of E</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>17. Kola</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/hhL6jN00FBo" width="540" height="340" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:790722 2016-05-23T23:05:00 Mira, Un Lobo! - Heart Beats Slow 2016-05-23T22:05:10Z 2016-05-24T10:03:41Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Esplendor, exuberância e sentimento, são adjetivos que me assaltaram com insistência o pensamento durante as várias audições de <em><span style="color: #666699;">Heart Beats Slow</span></em>, o refúgio sonoro lançado recentemente pela <a style="color: #999999;" href="http://www.tapeterecords.de/artists/mira-un-lobo/">Tapete Records</a> e criado pelo lisboeta Luís F. de Sousa, que assina a sua música como <span style="color: #666699;">Mira, Un Lobo!</span>. É um disco com dez canções que apostam as fichas todas na voz eclética do autor, conjugada com arranjos bastante melódicos, refrões simples e versos contundentes, uma estrutura inicial depois suportada por uma invulgar criatividade no manuseamento dos sintetizadores e que está explícita, por exemplo, na intensidade do <em>trip hop</em> de <span style="color: #666699;"><em>Newborn Killers</em></span>, mas também por algumas cordas, elétricas e acústicas. É um compêndio sonoro de forte cariz fortemente ambiental, uma verdadeira espiral <em>pop</em> onde não falta também um marcante estilo percurssivo.</span></p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://musicfest.pt/wp-content/uploads/2016/03/mira_un_lobo.jpg" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Sustentado por uma propensão certamente inata para a feliz sobreposição de várias camadas de sopros sintetizados, mas também inspirado no modo como é capaz de utilizar o simples dedilhar de uma viola para instigar <em><span style="color: #666699;">Sliced Guitar</span></em>, uma das melhores canções deste disco, em <em><span style="color: #666699;">Heart Beats Slow</span></em> <span style="color: #666699;">Mira, Un Lobo!</span> filtra tudo de modo bastante orgânico, amplo e rugoso, numa linha vincadamente experimental. São canções que se sustentam numa receita particularmente minimal, mas profunda e crua, que cria um universo fortemente cinematográfico e imersivo. A verdade é que parece haver momentos em que o autor toca submergido num mundo subterrâneo, de onde debita sons através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco das melodias e dão asas às emoções que exala desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde certamente se embrenhou. A tecla do piano que introduz <em><span style="color: #666699;">Like Punching Glass</span></em> é, por si só, um marco impressivo desta fórmula, mas <em><span style="color: #666699;">Tramadol</span></em> ou <em><span style="color: #666699;">Serotonin</span></em> também demonstram-no, dois temas que parecem ter vida própria, com os seus efeitos a parecer que foram esculpidos e debitados pela própria natureza. E logo depois, assistir ao modo como progride o edifício instrumental que anima <em><span style="color: #666699;">Suffocation</span></em>, obriga a um exercício exigente de percepção, mas que além de ser fortemente revelador é claramente recompensador.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A mesma receita, mas de modo ainda mais grandioso e hipnótico, repete-se em <span style="color: #666699;"><em>We're Not Far</em></span>, canção que impressiona pela cândura inicial dos efeitos que manipulam a voz, que <span style="line-height: 1.3;">funciona e sussurra também como membro pleno do arsenal instrumental, </span>mas que depois se desenvolve e simultaneamente nos envolve, numa espiral de sentimento e grandiosidade, patente também no no frenesim do sintetizador e numa bateria inebriante, não havendo, como se percebe, regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">De facto, este <span style="color: #666699;">Mira, Un Lobo!</span> é mais um bom exemplo de um músico capaz de ser genuíno no modo como manipula o sintético, de modo a dar-lhe vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos ou linhas melódicas dispersas em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico. Os constantes <em>flashes </em>metálicos projetados pelas teclas em várias direções criam um cenário idílico, não faltando, inclusive, no tema homónimo, uma deliciosa pitada psicadélica a escorrer por todos os seus poros, potenciando a incontestável beleza e coerência de um álbum que nos catapulta rumo a um universo invulgarmente empolgante e sensorial, que da eletrónica, à <em>pop</em>, passando pelo <em>rock </em>progressivo cria uma relação simbiótica bastante sedutora, um disco entalhado no ventre da terra mãe e de onde brotou para se tornar na banda sonora perfeita de um território tremendamente sensorial, assente numa arrebatadora coleção de trechos sonoros cuja soma resulta numa grande obra linda e inquietante. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://shop.tapeterecords.com/media/catalog/product/cache/2/thumbnail/500x/9df78eab33525d08d6e5fb8d27136e95/t/r/tr337_miraunlobo_artworkcover1500x1500_500.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>1. Tramadol</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>2. Newborn Killers</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>3. Serotonin</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>4. Suffocation</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>5. Sliced Guitar</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>6. We're Not Far</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>7. Like Punching Glass</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>8. Spaceman</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>9. Heart Beats Slow</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #666699; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Introduction</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FAZ1ZlI4jWZc%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DAZ1ZlI4jWZc&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FAZ1ZlI4jWZc%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:800220 2016-05-22T19:22:00 Glass Animals – Life Itself 2016-05-22T18:22:10Z 2016-05-22T18:22:10Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7493/26824757580_4e9cc7bf77_z.jpg" alt="Glass Animals - Life Itself" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de Zaba (2014), o disco de estreia, os britânicos <span style="color: #ffcc00;">Glass Animals</span> vão regressar brevemente aos discos com <em><span style="color: #ffcc00;">How To Be A Human Being</span></em> e <em><span style="color: #ffcc00;">Life Itself</span></em> é o primeiro avanço divulgado do álbum. Esta canção é rica em detalhes e contém um groove muito genuíno, com uma atmosfera dançante, onde encaixa <em>indie pop</em>, <em>folk</em>, <em>hip-hop</em> e <em>electrónica</em>, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/9lUfunQW84U" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:798306 2016-05-19T22:07:00 Quelle Dead Gazelle - Maus Lençois 2016-05-19T21:29:41Z 2016-05-19T21:33:49Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Miguel Abelaira e Pedro Ferreira são a dupla que encarna <span style="color: #ff99cc;">Quelle Dead Gazelle</span>, um projeto artistíco de <em>indie rock</em> experimental, oriundo de Lisboa e que está de regresso aos discos com <span style="color: #ff99cc;"><em>Maus Lençóis</em></span>, oito canções produzidas pelos próprios e por Makoto Yagyu e Fábio Jevelim e que traduzem uma jornada sonora no espaço e no tempo, à procura da expressão melódica da natureza e dos sentimentos humanos, bem como a envolvência entre ambos e que se inspira fortemente na contemporaneidade de um país que vive há meia década assombrado por uma inquietante crise, que começou por ser económica mas que, hoje em dia, é também já uma profunda crise de valores, de ausência de rumo e de identidade, suportada de um povo que parece cada vez mais resignado a toda esta conjuntura e fatalidade.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://tracker-magazine.com/wp-content/uploads/2016/04/Quelle-Dead-Gazelle.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Mesmo não parecendo presos por amarras ou balizas que enclausurem o arquétipo sonoro pelo qual se regem, o alargado espetro rítmico de uma bateria capaz de encarnar as diferentes personagens que ganham vida em cada uma destas canções e o timbre típico agudo e <em>lo fi</em> da guitarra, que se afirma, também, como uma verdadeira imagem de marca desta dupla, mostra que a bitola sonora destes <span style="color: #ff99cc;">Quelle Dead Gazelle</span> andará sempre em redor do <em>post rock </em>com uma forte componente melódica, um aspeto essencial do <em>adn</em> do grupo, bem patente quer na toada mais étnica de <em><span style="color: #ff99cc;">Burundi</span></em> ou no <em>groove</em> efusivo de <span style="color: #ff99cc;"><em>Pedra Pomes</em></span>, apenas dois exemplos de como, apesar da ausência da compoente lírica, é possível escutar <em><span style="color: #ff99cc;">Maus Lençóis</span></em> e perceber que há aqui uma narrativa de diferentes tramas. É possível apreciar este álbum do mesmo modo que abrimos um livro e, de facto, contemplá-lo é quase como abrir várias áginas<em> </em>já que<em>,</em> realmente, percebe-se a existência dessa linha sonora contínua, onde tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Sejamos, ou não, apreciadores desta sonoridade mais crua, ríspida e claramente experimental, mas inspirada e sentida, não é possível escutar <span style="color: #ff99cc;">Maus Lençóis</span> sem absorver a obra como um todo e entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem o seu alinhamento é resultado da mais pura satisfação, como se os <span style="color: #ff99cc;">Quelle Dead Gazelle</span> projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, num resultado final que se assume como um álbum conceptual, que impressiona pela beleza utópica de composições que exploram ao máximo <em>a relação sensorial humana</em>, com um som psicadélico, barulhento e melódico que atiça todos os nossos sentidos, provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar e, contendo belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte da essência do grupo, trespassam sempre o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui de maneira hermética e acizentada, como convém a uma crise bem sucedida. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://f4.bcbits.com/img/a2696838120_16.jpg" alt="Maus Lençóis cover art" /></span></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Sede</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Pedra-Pomes</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Vaca Fria</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Abismo</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Burundi</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Costas Quentes</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Chavalo Lusitano</span></em></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Fala Baixo</span></em></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fk8NVl_TQgjc%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dk8NVl_TQgjc&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fk8NVl_TQgjc%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=3048966476/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:800677 2016-05-19T22:02:00 Marvel Lima - Fever 2016-05-19T21:03:00Z 2016-05-19T21:03:00Z <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://1.bp.blogspot.com/-K1CxA_bg-so/VzrgF5o6iEI/AAAAAAAAZCQ/UbFPW_H7xUc0yukvqlJ223wR474rGFirgCLcB/s640/fotoboa4_%2BBruno%2BCantanhede%2B%2528Kid%2BRichards%2529.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de em 2014 terem surpreendido a mais atenta crítica nacional com <em>Mi Vida</em>, canção que seria o primeiro avanço para o disco de estreia, que parece que irá ver, finalmente, a luz do dia, lá para setembro, à boleia da editora pontiaq, os alentejanos <span style="color: #666699;">Marvel Lima</span> acabam de divulgar uma nova prova sonora, que comprova ser este um projeto a ter claramente em conta no panorama <em>indie</em> e alternativo nacional.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Esse sinal dado por este quinteto oriundo de Beja, intitula-se Fever, um tema que encontra a sua alma e pujança numa mistura de<em> indie pop</em> e <em>indie rock</em> com o <em>punk</em> e o <em>post rock</em>, sem descurar também alguns detalhes da eletrónica, um <em>cocktail</em> ampliado por uma elevada dose de emoção, arrojo e amplitude progressiva que, conforme indica o press release do lançamento, també conta com <em>um forte tempêro mediterrâneo e uma assumida influência latina</em>. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FD_3EABKiLrg%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DD_3EABKiLrg&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FD_3EABKiLrg%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:799671 2016-05-18T21:37:00 Oscar – Cut And Paste 2016-05-18T20:37:31Z 2016-05-18T20:37:31Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Oriundo de Londres, Oscar Scheller é <a style="color: #999999;" href="http://www.oscaroscar.co.uk/">Oscar</a>, um dos nomes mais comentados no cenário <em>indie pop</em> britânico devido a <em><span style="color: #3366ff;">Cut And Paste</span></em>, o registo de estreia deste músico e compositor, editado no passado dia treze do corrente mês com a chancela da Wichita Recordings e com dez canções feitas para dançar, até à exaustão, no baile da esquina, regado com torneiras que nunca estão secas e onde os niveis de destilação corporal atingem o limite.</span></p> <p style="text-align: justify;"><img src="http://www.paulsmith.co.uk/sites/default/files/styles/psw_article_collaboration__desktop/public/Oscar1.jpg?itok=nyR0Yl95" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">O rugoso <em>punk rock</em> de <em><span style="color: #3366ff;">Sometimes</span></em>, canção conduzida por um baixo musculado e uma guitarra inspirada, trespassada por efeitos estratosféricos, clarifica, desde logo, que <em><span style="color: #3366ff;">Cut And Paste</span></em> é um manifesto <em>pop</em>, senão para o mundo inteiro, pelo menos para os subúrbios de uma Londres sempre ávida de novidades e que muitas vezes coloca em determinadas bandas ou artistas expetativas que as mesmas depois, nem sempre conseguem acompanhar. Nele, quer seja abrigado pelo <em>groove</em> sedutor e cheio de pêlo na venta de <em><span style="color: #3366ff;">Feel It Too</span></em> ou pelo piscar de olhos a uma centelha <em>punk</em> em <em><span style="color: #3366ff;">Daffodil Days</span></em>, <span style="color: #3366ff;">Oscar</span> desafia as suas probabilidades, não se preocupa com aquilo que poderão esperar de si e apresenta a sua paleta sonora, que das raízes do <em>rock</em> britânico a alguns dos detalhes mais prementes da <em>pop</em> atual, conjuga sintetizadores, teclados e batidas, com guitarras, num aparente caos, que neste caso resulta plenamente, já que nos oferece um clima sonoro que abre os nossos ouvidos para algo inédito e que parece divertir imenso o autor. Mesmo quando <span style="color: #3366ff;">Oscar</span> arrisca por terrenos mais reflexivos, como sucede na redentora <span style="color: #3366ff;"><em>Good Things</em></span>, ou na luminosa <em><span style="color: #3366ff;">Beautiful Words</span></em>, não existem motivos para duvidar da capacidade deste artista em utilizar a típica ironia britânica com elevada mestria, fazendo-o de modo assertivo e sem deturpar a essência de quem é feliz alimentando-se de<em> riffs</em> de guitarra vigorosos e da pujança de uma percussão que cresce à sombra de um <em>punk</em> dançante, permissas que clarificam um <em>modus operandi</em> diversificado, acessível e orelhudo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><span style="color: #3366ff;"><em>Cut and Paste</em></span> foi alvo de uma produção aberta e notoriamente inspirada e cimenta num nível qualitativamente elevado o espetro sonoro e a identidade de um projeto que não falseia o desejo de se tornar num referencial dos grandes autores que atualmente mantêm vivo o<em> indie rock</em> alternativo britânico. E aquela toada épica e grandiosa que esse <em>indie </em>local quase exige em determinados instantes, como se cada banda ou projeto tivessem que compor um hino glorioso à Rainha e ao Império para conquistar os corações mais inflamados do proletariado que tantas vezes gosta de se sentir orgulhosamente só, também está devidamente salvaguardado na <em>vibe funk</em> de <em><span style="color: #3366ff;">Good Things</span></em>. Espero que aprecies a sugestão..</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7052/26699497310_aa210fb9ba_o.jpg" alt="Oscar - Cut And Paste" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>01. Sometimes</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>02. Be Good</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>03. Feel It Too</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>04. Good Things</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>05. Only Friend (Feat. Marika Hackman)</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>06. Breaking My Phone</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>07. Daffodil Days</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>08. Fifteen</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>09. Beautiful Words</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #3366ff;"><em>10. Gone Forever</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/5B3gNCulbH0" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:791277 2016-05-17T21:22:00 The Weatherman - Eyeglasses for the masses 2016-05-17T20:22:54Z 2016-05-17T20:33:08Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gravado nos estúdios Hertzcontrol em Caminha por Marco Lima, produzido pelo próprio e por e Alexandre Almeida, e misturado nos SoundHill Studios no Porto por João André, <em><span style="color: #ffcc00;">Eyeglasses For The Masses</span></em> é o quarto e novo registo de originais de <span style="color: #ffcc00;">The Weatherman</span>, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto <em>pop rock</em> versátil e multifacetado, cujo universo pop e psicadélico nos remete para um mundo sonoro onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como os The Beatles, claramente audíveis na cândura de <em><span style="color: #ffcc00;">Now &amp; Then</span></em>, ou os Beach Boys, homenageados a preceito em <em><span style="color: #ffcc00;">Endless Expectations</span></em>, são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da pop e da eletrónica atual.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://madeinportugalmusica.pt/wp-content/uploads/2016/04/EyeGlasses-For-The-Masses_The-Weatherman-1265x700.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Masterizado em Los Angeles pela mão do galardoado Brian Lucey (Artic Monkeys, Black Keys, The Shins, Beck, Sigur Ros, entre outros), <em><span style="color: #ffcc00;">Eyeglasses For The Masses</span></em> assinala uma década de carreira de um músico que sempre demonstrou ser um inspirado e comovente escritor de canções e que, desta vez, quis, de acordo com o <em>press release</em> do lançamento, <em>mover tudo e todos com o poder de uma grande canção</em>. De facto, apoiado pela enorme mestria com que manipula, principalmente, as teclas de um piano, <span style="color: #ffcc00;">The Weatherman</span> dá-nos a mão e convida-nos a penetrar sem hesitações num disco que faz de nós, inicialmente estranhos numa terra estranha, acabados de chegar ou prontos para partir, num alinhamento que funciona como um campo de sacos cheios de memórias onde a vida se refugia ou fica presa, quando o amor nos resolve pregar, mais uma vez, uma enorme partida.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Tal como esse amor, esta é uma viagem empolgante, onde tudo começa e acaba, instigados pela motivação de canções tão felizes como <em><span style="color: #ffcc00;">All The In Between</span></em> e outras capazes de manipular a nossa mente fragilizada e entorpecida para o lado mais positivo da existência humana, algo que sucede intuitivamente a quem se deixar embrenhar pela monumentalidade instrumental de <em><span style="color: #ffcc00;">A Kind Of A Bliss</span></em>, canção que nos oferece uma sensação de liberdade incomensurável, com o bónus de expirar do nosso âmago toda a cegueira, vertigem, ou abismo, que a solidão tantas vezes nos proporciona.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Parece-me que para quem recentemente ficou só e sente medo que essa fatalidade se prolongue no tempo, algo que nem sempre está nas nossas mãos evitar, este é um álbum que pode indicar pistas seguras para que tal não suceda e que nos pode mostrar o que há do outro lado do vidro que reflete a nossa existência, agora algo perdida. Se tantas vezes nos esquecemos que aquilo que é esta fragilidade que é visível, principalmente aos outros, pode ser apenas aparente, o grito de esperança que desembrulhamos em <em><span style="color: #ffcc00;">Unpack My Mind</span></em>, mostra-nos que muitas vezes depende da nossa força interior o encontro, ou não, de uma nova felicidade, que tantas vezes, por conformismo ou pessimismo, julgamos inatingível.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Mesmo que o ideário global do autor, ao idealizar <em><span style="color: #ffcc00;">Eyeglasses For the Masses</span></em>, não tenha tido esta premissa de busca e reencontro do lado mais positivo e colorido da existência e da felicidade, não há como resistir a esse forte apelo, algumas vezes bastante emotivo, em onze canções onde se cruzam pessoas e factos reais, que nos ensinam que há escolhas que dependem exclusivamente de nós e que nunca devemos condicionar o nosso acesso ao amor devido à nossa religião, estatuto social ou género. <span style="color: #ffcc00;"><em>One Of These Days</em></span>, tudo ficará novamente no sítio certo, nem que isso signifique a nossa vida precise de ser completamente virada do avesso. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://7.fotos.web.sapo.io/i/Gf909e75f/19420812_vjRdz.jpeg" alt="" /></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">At The In Between</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">To The Universe</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A Kind Of Bliss</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Now &amp; Then</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Eyeglasses For The Masses</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Endless Expectations</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Unpack My Mind</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Ice II</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">One Of These Days</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Good Dreaming</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Call All Monkeys (bonus track)</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F5VTvaFkXQF4%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D5VTvaFkXQF4&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F5VTvaFkXQF4%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:799459 2016-05-17T13:49:00 The Stone Roses – All For One 2016-05-17T12:59:43Z 2016-05-17T12:59:43Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7771/26712499170_7dda045f38_z.jpg" alt="The Stone Roses - All For One" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Mais de duas décadas depois do aclamado <em>Second Coming</em> (1994), o segundo registo de originais da banda e que sucedeu ao aclamado<em> The Stone Roses</em>, o disco de estreia, lançado em 1989, os britânicos <span style="color: #ffcc00;">The Stone Roses</span> resolveram dar um novo impulso à carreira. A ideia inicial seria organizar uma digressão de verão, mas os ensaios foram tão produtivos que parece certo um novo disco, a ser lançado muito em breve.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Enquanto o terceiro registo discográfico dos <span style="color: #ffcc00;">The Stone Roses</span> não chega aos escaparates, <em><span style="color: #ffcc00;">All For One</span></em> é o primeiro tema divulgado pelo grupo de Manchester, uma canção conduzida por guitarras incisivas e uma percurssão inebriante e que não defrauda minimamente o ilustre passado da banda de Ian Brown e John Squire. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/R0XZ9qjMil8" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:797845 2016-05-13T18:54:00 Hooded Fang - Venus On Edge 2016-05-13T18:44:13Z 2016-05-13T18:54:52Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Chegou hoje aos escaparates à boleia da <a style="color: #999999;" href="http://www.dapsrecords.com/">DAPS Records</a> <em><span style="color: #666699;">Venus On Edge</span></em>, o muito aguardado quarto álbum dos canadianos <a style="color: #999999;" href="http://hoodedfangmusic.wordpress.com/">Hooded Fang</a>, uma banda natural de Toronto, formada por April Aliermo, Daniel Lee, D. Alex Meeks e Lane Halley e que do <em>blues</em> dos anos sessenta ao <em>rock</em> de garagem, são competentes na forma como abordam diferentes estilos e tendências dentro do universo sonoro mais experimental e alternativo.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://www.aux.tv/wp-content/uploads/2016/05/Hooded-Fang-Orange-Pic.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">De regresso à Daps Records, a etiqueta com a qual lançaram o homónimo de estreia em 2010,  que na altura impressionou a crítica mais atenta e onde também incubaram o sempre difícil, mas também bem sucedido, segundo álbum, intitulado <em>Tosta Mista</em>, este quarteto tem vindo a apresentar um som cada vez mais adulto e intrincado, com uma forte tonalidade urbana e típica dos subúrbios. O baixo e a guitarra abrasiva de <em><span style="color: #666699;">Tunnel Vision</span></em> e os desvios rítmicos percussivos dessa canção, clarificam, logo no começo do alinhamento, que este é um disco com uma forte componente instrumental, um trabalho exploratório que sem colocar definitivamente de lado a essência <em>pop</em> dos anos sessenta e setenta, que tem sempre acompanhado os <span style="color: #666699;">Hooded Fang</span>, pisca o olho a um universo ainda mais progressivo e sombrio.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Já convencidos e esclarecidos do que nos espera daí em diante, embrenhamo-nos corajosamente em <span style="color: #666699;"><em>Venus On Edge</em></span> e, ainda sem sabermos que, lá mais para o ocaso, o solo do baixo de <em><span style="color: #666699;">Vacant Light</span></em> vai convencer definitivamente os mais cépticos acerca da excelência criativa destes <span style="color: #666699;">Hooded Foang</span>, a distorção aguda e o ritmo frenético do baixo impulsivo de<span style="color: #666699;"><em> Shadow</em></span> e o devaneio fortememente etílico que transborda do andamento <em>blues</em> de <em><span style="color: #666699;">Plastic Love</span></em>, são bons exemplos de duas canções que poderiam estar esquecidas algures numa cassete legendada com uma banda lá do bairro, que apesar de nunca ter saído de um sala de ensaios que também servia de destilaria, tinha todo o potencial para poder chegar a um universo sempre ávido de sonoridades inéditas, como parece ser o caso destes <span style="color: #666699;">Hooded Fang</span>, prestes a conseguir posição de relevo na esfera indie internacional, se <em><span style="color: #666699;">Venus On Edge</span></em> lhe possibilitar o destaque que merecem.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A verdade é que, apesar de serem canadianos, <span style="color: #666699;"><em>Venus On Edge</em></span> poderia ter sido gravado num velho <em>saloon</em> do oeste americano, cheio de <em>cowboys</em> a destilar <em>whisky</em>. O <em>rock</em> americano, com uma produção forte e notoriamente agressiva e progressiva, torna-se num verdadeiro cavalo de batalha na crueza <em>lo fi</em> e rugosa de <span style="color: #666699;"><em>Glass Shadows</em></span> e no ambiente inquietante de <em><span style="color: #666699;">Impressions</span></em>, duas canções que são um verdadeiro caldeirão insinuante de ruído ordenado e feito com propósito e com todos os tiques do melhor <em>punk rock</em> que se pode escutar atualmente</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Querem cantem sobre o amor no seu estado mais puro ou se debrucem sobre paragens de autocarros e como poderão ser um belo local para morrer, estes <span style="color: #666699;">Hooded Fang</span> são, definitivamente, mestres na manipulação do ruído sem colocar em causa propósitos melódicos e a necessária acessibilidade que lhes permita atingir uma base sustentada de ouvintes, nunca defraudando a essência de um projeto que, disco após disco, aperfeiçoa a abordagem experimental ao universo <em>indie punk rock</em>, através de um noise com uma base sonora bastante peculiar, ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. Espero que aprecies a sugestão....</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7274/26244512133_a7dd878626_o.jpg" alt="Hooded Fang - Venus On Edge" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Tunnel Vision</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Shallow</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Plastic Love</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Dead Battery</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Glass Shadows</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Impressions</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Miscast</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. A Final Hello</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. Vacant Light</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Venus</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ZJtCu8sQH8Y" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:799039 2016-05-13T18:48:00 Local Natives - Past Lives 2016-05-13T17:50:26Z 2016-05-13T17:50:26Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7528/26934079406_15b75af9fc_o.jpg" alt="Local Natives - Past Lives" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">À exceção de algumas remisturas e versões, os norte americanos <span style="color: #3366ff;">Local Natives</span> têm-se mantido na penumbra desde o excelente <em>Hummingbird</em>, o disco que esta banda natural de Los Angeles editou em 2013  e que fez da leveza instrumental, do sofrimento traduzido em versos e da formatação primorosa que brincava com a excelência das formas instrumentais, a sua imagem de marca.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Agora, mais de três anos depois, este quinteto liderado por Taylor Rice está de regresso com <span style="color: #3366ff;"><em>Past Lives</em></span>, o primeiro avanço para aquele que será o terceiro registo de originais do grupo, ainda sem título e data de lançamento definida, mas que amplia a habitual componente épica dos <span style="color: #3366ff;">Local Natives</span>, feita com texturas monumentais e arranjos deslumbrantes, sempre numa lógica de progressão, à medida que a canção avança e nunca perdendo de vista as melodias suaves e a dor, dois vectores essenciais do conceito sonoro deste grupo. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/260854927&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:784045 2016-05-12T18:00:00 Retimbrar - Voa Pé 2016-05-12T17:33:05Z 2016-05-12T17:33:05Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Um dos segredos mais bem guardados do panorama musical nacional e que, felizmente, parece estar a deixar de o ser, está sedeado no Porto e são os <a style="color: #999999;" href="http://retimbrar.pt/">Retimbrar</a>, um projeto que acaba de se estrear nos discos com <span style="color: #ff9900;"><em>Voa Pé</em></span>, uma edição de autor, mas que conta com o apoio da Casa da Música, da Cultura Fnac e da Revolução d'Alegria Associação. Neste <em><span style="color: #ff9900;">Voa Pé</span></em> os <span style="color: #ff9900;">Retimbrar</span> são Afonso Passos, André Nunes, André Rodrigues, Andrés Tarabbia 'Pancho', António Serginho, Francisco 'Killo' Beirão, João Grilo, Miguel Arruda, Nuno Xandinho, Rita Sá, Rui Ferreira 'Caps', Rui Rodrigues, Sara Yasmine e Tiago Soares e participaram ainda, como convidados especiais, Alexandre Meirinhos, António Augusto Aguiar 'Togú', Catarina Valadas, Nicô Tricot e Renato Monteiro. A captação, produção, mistura e masterização do trabalho ficou a cargo do Nuno Mendes.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://madeinportugalmusica.pt/wp-content/uploads/2016/02/Retimbrar_grupo-musica.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Mergulhar em <em><span style="color: #ff9900;">Voa Pé</span></em> é tomar contacto direto com aquela herança musical e cultural que todos nós recordamos e que nos habituámos a escutar da boca dos nossos ascendentes, fiéis depositários de uma ruralidade que também se manifestou sonoramente, décadas após décadas, neste jardim à beira mar plantado. E isso sucede porque <em><span style="color: #ff9900;">Voa Pé</span></em> é um disco que, servindo-se de originais, alguns <em>samples</em> e versões mais contemporâneas, foi incubado numa oficina sonora muito peculiar, onde cordas, sopros e percussão, foram, tema após tema, misturando-se livremente, dançando em conjunto e alternando o protagonismo, sem invejas ou falsos altruísmos, porque o propósito maior é comum e serve de igual modo à preservação da imensa e rica prole instrumental portuguesa.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Assim, se em <em><span style="color: #ff9900;">Ao Alto</span></em> são os bombos e os timbalões que tomam conta das rédeas, já em <span style="color: #ff9900;"><em>Deixai O Menino</em></span> o baixo e a percurssão assumem-se sem receios, para em <em><span style="color: #ff9900;">Trancanhola Crocodélica</span></em> serem as típicas trancanholas a darem o pontapé de saída numa canção que nos oferece o melhor do <em>charro</em>, um ritmo espanhol muito tocado em Trás-os-Montes, ritmo esse que se prolonga para <em><span style="color: #ff9900;">Memória</span></em>, acompanhado por uma linha de cavaquinho, que depois recebe a companhia do piano, da flauta e da viola e do bandolim, para encerrar em grande estilo um alinhamento sonoro invulgar, mas particularmente belo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #ff9900;">Voa Pé</span></em> é capaz de colocar nos colocar no meio da praça de uma aldeia em plena festa de verão, mas também no recanto mais confortável lá de casa, tal é o ecletismo desta música, passível de ser contemplada usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião música com cheiros e cores muito próprios e que nos consegue transportar para o tal universo que qualquer português facilmente reconhece. Comigo, esse efeito foi conseguido exemplarmente durante a audição do som da cancela, logo após <em><span style="color: #ff9900;">M.F.P.</span></em>, um som que faz parte das memórias da minha infância, já que cresci junto à linha do norte e, há trinta anos atrás, as passagens de nível funcionavam com um guarda que fechava manualmente uma cancela e levantava uma bandeira enrolada à passagem do comboio, enquanto se escutava este sinal sonoro que me trouxe à memória recordações muito bonitas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #ff9900;">Voa Pé</span></em> é já um marco na nossa discografia e um documento obrigatório para todos os amantes de música tradicional, e não só. Sendo intenso e efusivo, mas também bucólico e contemplativo, tem um valor natural e genuíno únicos, principalmente por ser um refúgio animado e entusiasmante para bonitas canções, plenas de alma e cor, algumas com raízes no passado, mas expressas com contemporaneidade, consistência e excelência. Confere a entrevista que os <span style="color: #ff9900;">Retimbrar</span> ofereceram ao blogue e espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://3.bp.blogspot.com/-7Z-1lxvHnhQ/VrtnJVevLpI/AAAAAAABIT8/5PAYmYFjCXA/s320/front%2Boriginal.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Ao Alto</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Voa Pé (cá fora)</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Deixai O Menino (na rua)</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Deixai O Menino</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Ao Alto (continuação)</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Corre Mundo</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Voa Pé (cá dentro)</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Trancanhola Crocodélica</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>M.F.P.</em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Memória</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/246133274&color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Colectivo musical do Porto, que se define não como uma banda, no sentido mais habitual do termo, mas como uma verdadeira oficina viva de criação sonora, os Retimbrar andam por cá desde 2008 a explorar ritmos, canções e instrumentos tradicionais portugueses, de modo a dar a conhecer a herança popular e cultural portuguesa. Como nasceu este projeto tão interessante e que, na minha opinião, merece a maior divulgação possível?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Este projecto nasceu de uma ideia do Pancho, percussionista nascido no Uruguay e radicado em Portugal há cerca de 25 anos. Ele sonhou juntar num grupo todos os instrumentos de percussão tradicionais portugueses, que até à data, segundo o que sabemos, não tinham tido oportunidade de 'conviver' juntos. Estamos a falar de instrumentos como o zaclitraque, as trancanholas, as tréculas e o brinquinho da Madeira, os chocalhos do gado alentejano, os triângulos (vulgo ferrinhos), etc. Para além dos tambores de rua, claro – caixa, timbalão e bombo. Por fim, o objectivo era sair à rua, tocar e contagiar.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Na vossa página oficial, afirmam que aquilo que fazem é <em>música para todos!</em> Na verdade, <em>Voa Pé</em>, o vosso fantástico novo disco, é um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, capaz de colocar o ouvinte no meio da praça de uma aldeia em plena festa de verão, mas também no recanto mais confortável lá de casa, tal é o ecletismo da vossa música, apesar de toda ela entroncar, de certo modo, na enorme riqueza da música popular e tradicional portuguesa. Na verdade, parece-me possível contemplar este disco usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião música com cheiros e cores muito próprios e que nos consegue transportar para o tal universo muito próprio, mas que qualquer português facilmente reconhece. Como surgiu a ideia de gravar um disco assim?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Antes de mais, obrigado por partilhares com tanta paixão a forma como ouviste o nosso disco. Gravar um disco assim, com esta selecção de músicas, foi o passo mais natural para nós. Decidimos incluir temas de percussão que nasceram para ser tocados na rua, mas também canções que fizemos para apresentar em concertos. Essa diversidade de ambientes e estados de espírito que referes é uma consequência natural da criação com um grupo muito grande e heterogéneo. E sim, também é uma preocupação nossa fazer “música para todos”, ou seja, procuramos profundidade artística e carga emocional, mas sempre tentando manter a simplicidade e a efectividade das músicas, para que realmente cheguem a todos. Embora elas contenham alguns elementos mais complexos, esperamos que sejam fáceis de ouvir e de se gostar.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gravado em vários estúdios de gravação, nomeadamente no estúdio da Casa da Música, no Estúdio do Bandido, no Estúdio Sá da Bandeira, e na Sonoscopia, <em>Voa Pé</em> capta instantes sonoros únicos e, por isso, irrepetíveis. Como foi gravar e misturar um disco assim tão rico e heterogéneo, de modo a obter o tal efeito de certo modo cinematográfico que tentei descrever na questão anterior?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O grande arquitecto da captação e mistura dos instrumentos foi o nosso produtor, o Nuno Mendes. Ele fez um trabalho excepcional no que toca a transpôr para o disco as músicas, os timbres dos instrumentos, os momentos subtis assim como os mais fortes. O lado cinematográfico que referes foi explorado mais tarde, não fazia parte do plano inicial. Quando começámos a ouvir as primeiras misturas das músicas, elas soava-nos bem mas falta-lhes um espaço, um contexto. Ficava um pouco esquisito ouvir as músicas “sozinhas” no estúdio. Nesse sentido, começámos à procura de sons para criar ambientes e fomos colorindo cada música com várias gravações – da natureza, com animais, da cidade, com pessoas, transportes, ruídos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Cresci junto à linha do norte, com quase trinta anos mudei-me mas, ainda antes disso, as passagens de nível com um guarda que fechava manualmente uma cancela e levantava uma bandeira enrolada à passagem do comboio, enquanto se escutava um sinal sonoro que captaram e reproduzem no álbum, foram encerrando ou sendo substituídas por túneis e viadutos. Há muitos anos que não escutava esse som, que me trouxe à memória recordações bonitas da minha infância. Onde captaram esse som e porque o colocaram no alinhamento de <em>Voa Pé</em>?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Esse som foi gravado no apeadeiro de Francelos, V. N. Gaia. Eu ando muitas vezes com um gravador a captar sons e nessa fase andava a ouvir tudo à minha volta na perspectiva de poder incluir no disco. Um dia estava a passar no apeadeiro e ouvi as cancelas, tive logo a certeza absoluta que este som iria entrar no álbum. A polirritmia das cancelas tem muito a ver com os ferrinhos que acabam de tocar momentos antes (na música M.F.P.). Além disso, todos os sons presentes -  as cancelas, a buzina, o comboio – remetem para a viagem, para a mudança, e estão presentes na memória de todos, ou pelo menos de muitos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Pessoalmente, penso que <em>Voa Pé </em>tem tudo o que é necessário para, finalmente, o projeto Retimbrar ter o reconhecimento público que merece. Quais são as vossas expetativas para este vosso novo fôlego?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Esperamos poder continuar a levar a nossa música, a nossa alegria e a nossa energia positiva a todos com quem nos cruzarmos, como fizemos até aqui. Com o disco, esperamos que o número de pessoas a que chegamos continue a crescer! De resto, acho que não vale a pena criar grandes expectativas no que toca a sucesso comercial, é muito difícil vingar nesse campo. Sem dúvida que é um factor importante para um grupo se aguentar e continuar a produzir, mas sinceramente não alimentamos essa expectativa . </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Ouvir <em>Voa Pé </em>foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante e que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante e melancólico, mas também festivo e luminoso, é realmente um documento que não tem apenas as cordas e a percussão como protagonistas maiores do processo melódico, com os outros sons captados a serem, também, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem. De que modo é que algumas destas canções foram tomando forma? A base começa por ser uma melodia e depois adicionam samples, sons captados e a percussão, ou tudo começa daquilo que um determinado som que captaram vos suscita?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Não existe um método de composição exclusivo, mas devo salientar que todas as músicas foram compostas só com instrumentos acústicos (e vozes) e foram tocadas ao vivo antes de começarmos a gravação. Todos os sons “sonoplásticos” foram adicionados ao disco na fase da mistura. Quanto ao método de composição a arranjos, quase todas as ideias foram trazidas por alguém para o grupo num estado muito primário – seja um <em>riff</em>, uma melodia ou um ritmo. Em conjunto desenvolvemos as ideias até se tornarem músicas, e no caso de músicas que já vinham mais estruturadas, trabalhámos em conjunto mais a parte do arranjo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Na verdade, parece-me haver aqui uma materialização feliz de uma espécie de levantamento histórico de alguns dos aspetos fundamentais do conteúdo histórico da nossa música de cariz mais tradicional, mas também não faltam instantes sonoros naturais subtis, muitos deles de origem humana, alguns audíveis de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, percebendo-se a sonoridade geral de <em>Voa Pé</em> exala uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental. Houve, desde o início do processo de gravação, uma rigidez no que concerne às opções que estavam definidas, nomeadamente o tipo de sons a captar e a misturar com as cordas, a percussão e as vozes, ou durante o processo houve abertura para modelar ideias à medida que <em>o barro</em> se foi moldando?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Houve muita abertura para se ir moldando o barro, talvez até demais! Essa foi uma das razões para termos demorado mais de 2 anos desde que começaram as gravações até o disco ser editado. Houve músicas que foram gravadas e que não entraram no alinhamento final, ora porque não estavam satisfatórias ora porque nos soavam “a mais” no meio das outras. Também houve músicas que não foram gravadas na primeira fase de gravações e que, um ano depois das outras estarem gravadas, decidimos incluir. É o caso das duas versões do <em>Voa Pé</em>, 'cá dentro' e 'cá fora'. Como já referi noutras questões anteriores, também a ideia de incluir sonoplastia só surgiu na fase de mistura. Muita coisa foi experimentada para chegarmos ao resultado final, fomos reagindo a estímulos e tentando satisfazer a nossa ambição de criar um disco especial.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Voa Pé</em> conta com várias participações especiais de relevo. Foram escolhas pessoais vossas desde o início e as primeiras, ou após terem a raiz dos temas, estudaram as melhores opções?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Em primeiro lugar eram os timbres, os instrumentos que faziam falta à música. Depois pensámos nas melhores pessoas para gravar esses instrumentos. Nalguns casos os convidados tiveram um papel mais criativo, noutros nós já sabíamos o que queríamos que fosse tocado e os convidados contribuíram com a sua interpretação e expressão.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Quanto à divulgação do disco, onde é que os leitores de Man On The Moon podem ver os Retimbrar a tocar num futuro próximo?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Num futuro próximo os Retimbrar vão ter várias apresentações. Para já podemos anunciar que no dia 25 de Maio vamos estar no Cine-Teatro Garret na Póvoa de Varzim, no dia 27 no Festival Rádio Faneca em Ílhavo, 8 Julho das Noites da Nora em Serpa e 30 Julho no Festiva Folk Celta em Ponte da Barca. Antes disto tudo, vamos estar na Feira à Moda Antiga em Oliveira de Azeméis, onde vamos dirigir uma oficina de percussão aberta ao público e fazer uma arruada para tocar os nossos ritmos com toda a gente.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Após <em>Voa Pé</em>, já está definido o próximo passo na vossa carreira?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Ideias não faltam! Mas há que saber dar tempo ao tempo para não atrapalhar as coisas. Antes de mais, <em>Voa Pé </em>é um conceito e uma ideia que não se esgota neste disco e nos concertos que vamos dar este ano. Temos ainda muito para explorar dentro deste lema, seja a criar novas músicas ou a apresentar espectáculos e eventos. Para o futuro, temos o desejo de vir a gravar um disco com a participação de tocadores e grupos de música tradicional. Também queremos muito desenvolver o lado da escola Retimbrar. Queremos continuar o trabalho que já temos feito com crianças e jovens, mas de uma forma mais consistente e efectiva. Queremos mesmo transmitir e partilhar os nossos ritmos, e ajudar a desenvolver a cultura musical portuguesa.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Obrigado pela entrevista e pelo excelente disco!</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:798499 2016-05-11T22:40:00 Joana Barra Vaz - A Demora 2016-05-11T21:40:23Z 2016-05-11T21:40:23Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://0.fotos.web.sapo.io/i/G61043b91/19574648_7Df3c.jpeg" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de <em>Tanto Faz</em>, o primeiro single divulgado de <em>Mergulho Em Loba</em>, o próximo disco de Joana Barra Vaz, que deverá ver a luz do dia lá para setembro, <span style="color: #99ccff;"><em>A Demora</em></span> é o novo tema divulgado por esta <a style="color: #999999;" href="http://www.joanabarravaz.com/">cantora</a> e compositora, ao mesmo tempo que nos é dado também a conhecer o vídeo, realizado em conjunto com Maria João Marques. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #99ccff;"><em>A Demora</em></span> é um lindíssimo tema, que se destaca pelo ambiente aconchegante e acolhedor proporcionado pela indulgência das cordas, cujos arranjos se passeiam exuberantemente em redor da melodia e de um registo vocal belo e envolvente. A canção foi gravada entre os <a style="color: #999999;" href="https://www.facebook.com/ialisboa">Estudios Iá</a> e na <a style="color: #999999;" href="https://www.facebook.com/smup.parede">SMUP</a> e conta com pré-produção e arranjos de David Pires, da própria Joana Barra Vaz e da banda F l u me, tendo sido produzido por Luís Nunes e pela autora. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FACO3pDe006Y%3Ffeature%3Doembed%26autoplay%3D1&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fv%2FACO3pDe006Y%3Fautoplay%3D1&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FACO3pDe006Y%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:797408 2016-05-11T22:40:00 The Kills – Heart Of A Dog 2016-05-11T21:40:43Z 2016-05-11T21:40:43Z <div class="entry"> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7605/26184059634_840fd1a12b_o.jpg" alt="The Kills - Heart Of A Dog" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os britânicos <span style="color: #ffcc00;">The Kills</span> de Jamie Hince e Alison Mosshart parecem finalmente decididos a quebrar um hiato discográfico de praticamente meia década, já que o excelente <em>Blood Pressures</em> foi o último disco que a dupla lançou já no longínquo ano de 2011.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gravado no outro lado do atlântico, em Los Angeles e nos estúdios Electric Lady, em Nova Iorque, <span style="color: #ffcc00;"><em>Ash &amp; Ice</em></span> é o nome do novo álbum dos <span style="color: #ffcc00;">The Kills</span>, um trabalho produzido pelo guitarrista Jamie Hince, com a preciosa ajuda do conceituado John O’Mahoney.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de termos conferido há algumas semanas <span style="color: #ffcc00;"><em>Doing It To Death</em></span>, a primeira amostra divulgada de <span style="color: #ffcc00;"><em>Ash &amp; Ice</em></span>, agora é a vez de escutarmos <span style="color: #ffcc00;"><em>Heart Of A Dog</em></span>, mais uma canção que mostra que o rugoso, crú e visceral punk rock dos <span style="color: #ffcc00;">The Kills</span> mantém-se intocável, assim como o charme inconfundível de uma dupla única e sem paralelo no universo alternativo atual. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/urPxe4jxdt8" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> </div> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:798742 2016-05-09T00:02:00 Radiohead - A Moon Shaped Pool 2016-05-08T23:20:57Z 2016-05-08T23:41:06Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de vários dias de <em>suspense</em> e que incluiram um apagão total de toda a atividade social da banda nas redes sociais e na internet, terminou finalmente a espera e já é possível ao comum dos mortais deslumbrar-se com <em><span style="color: #666699;">A Moon Shaped Pool</span></em>, o novo álbum da carreira dos <span style="color: #666699;">Radiohead</span>, verdadeiros <em>Fab Five</em> do novo milénio, não só porque estão criativamente sempre prontos a derrubar barreiras e a surpreender com o inesperado, mas também porque, disco após disco, acabam por estabelecer novos paradigmas e bitolas pelas quais se vão depois reger tantas bandas e projetos contemporâneos que devem o seu valor ao facto de terem este quinteto de Oxford na linha da frente das suas maiores influências.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://consequenceofsound.files.wordpress.com/2016/01/screen-shot-2016-01-22-at-10-49-34-am.png?w=807" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Disco para já apenas lançado em formato digital, mas que terá direito a formato fisico lá para meados de junho, através da XL Recordings, <em><span style="color: #666699;">A Moon Shaped Pool</span></em> abre-se diante de nós com enorme deslumbre e vibração, à boleia de <em><span style="color: #666699;">Burn The Witch</span></em>, canção com uma dimensão sonora particularmente épica e orquestral, guiada por um cardápio de cordas bastante abrasivo e com o típico ambiente soturno que a banda tão bem recriou há quase uma década em <em>In Rainbows </em>e que liricamente também se situa num terreno muito confortável para Yorke, que sempre gostou de se debruçar sobre o lado mais inconstante e dilacerante da nossa dimensão sensível e de colocar a nú algumas das feridas e chagas que, desde tempos intemporais, perseguem a humanidade e definem a propensão natural que o homem tem, enquanto espécie, de cair insistentemente no erro e de colocar em causa o mundo que o rodeia.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A sociedade contemporânea e, principalmente, a evolução tecnológica que nem sempre respeita o ritmo biológico de um planeta que tem dificuldade em assimilar e adaptar-se ao modo como apenas uma espécie, possuindo o dom único da inteligência, coloca em causa todo um equilíbrio natural, é, então, um manancial para a escrita de Yorke. E neste <em><span style="color: #666699;">A Moon Shaped Pool</span></em>, a nave espacial que se despenha entre os efeitos inebriantes e a guitarra que se insinua em <em><span style="color: #666699;">Decks Dark</span></em>, a <em>soul</em> arrepiante das cordas que encoraja um homem que quer partir estrada fora guiado por um espírito maior em <span style="color: #666699;"><em>Desert Island Disk</em></span> ou o passageiro que sai de um comboio num destino ao acaso hipnotizado pela gentileza das teclas e pelos violinos que se elevam ao alto em <em><span style="color: #666699;">Glass Eyes</span></em>, são apenas três exemplos do modo como metaforicamente, ou indo diretamente ao assunto, este incomparável poeta nos recorda como poderá ser drástico viver em permanentemente desafio com a natureza, sem ter em conta o nosso verdadeiro lugar e posição, no seio da mesma.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Deixando um pouco de lado o ideário lírico destas canções e olhando para a vertente sonora deste disco, uma das maiores curiosidades de <em><span style="color: #666699;">A Moon Shaped Pool</span></em> e, na minha opinião, um dos seus principais trunfos, é não ter o maior despudor em apresentar uns <span style="color: #666699;">Radiohead</span> conceptualmente situados, nesta fase da carreira, numa espécie de encruzilhada. A eletrónica é uma realidade muito presente no passado mais recente, quer da banda, quer do projeto a solo de Thom Yorke e, neste álbum, se por um lado podemos apreciar aquele bucolismo típico do grupo em <em><span style="color: #666699;">Present Tense</span></em> e no clima inquietante de <em><span style="color: #666699;">Daydreaming</span></em>, canção onde somos forçados a enfrentar o lado mais melancólico, etéreo e introspetivo dos <span style="color: #666699;">Radiohead</span>, conduzidos por um faustoso instante sonoro, onde sintetizadores e efeitos futuristas se cruzam, numa melodia cheia de humanidade e emoção, já <em><span style="color: #666699;">Ful Stop</span></em>, usando armas muito parecidas, mas acelerando a batida, abusando de alguns efeitos abrasivos e adicionando uma linha de guitarra ligeiramente aguda e uma bateria que parece rodar sobre si própria, acaba por mostrar uma outra faceta desta apenas aparente dúvida existencial em que vivem hoje os <span style="color: #666699;">Radiohead</span>. O próprio jogo que se estabelece entre a bateria, o baixo e a voz planante de Yorke, sobreposta por camadas e, mais tarde, a junção de um teclado sintetizado <em>retro</em> em <em><span style="color: #666699;">Identikit</span></em>, mais outro tema que aborda a propensão humana para a perca, é nova preciosa acha para a fogueira que ilumina a abrangência estilística do <em>adn</em> sonoro atual dos <span style="color: #666699;">Radiohead</span>. No fundo, esta espécie de dicotomia entre um lado mais orgânico e outro mais sintético, também expressa, inicialmente com luminosidade, frescura e cor na viola e nos efeitos borbulhantes de <em><span style="color: #666699;">The Numbers</span></em> e depois, ainda nessa música, no espiral quase incontrolada de cordas de violinos, sopros, metais e guitarras que dela se apoderam, acaba por atestar a segurança, o vigor e o modo ponderado e criativamente superior como este grupo britânico entra hoje em estúdio para compôr e criar um arquétipo sonoro que não tem qualquer paralelo no universo <em>indie</em> e alternativo atual.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Disco muito desejado por todos os seguidores e não só e que quebra um longo hiato de praticamente meia década, <em><span style="color: #666699;">A Moon Shaped Pool</span></em> é um lugar mágico para onde podemos canalizar muitos dos nossos maiores dilemas, porque tem um toque de lustro de forte pendor introspetivo, livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa, mas libertadora e esotérica. Acaba por ser um compêndio de canções que nos obriga a observar como é viver num mundo onde somos a espécie dominante e protagonista, mas também observadora de outros eventos e emoções, um trabalho experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas, como tão bem prova a fabulosa e surpreendente versão de <em><span style="color: #666699;">True Love Waits</span></em>, uma das mais bonitas canções que a banda compôs e que tocou ao vivo pela primeira vez já no longínquo ano de 1995. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7425/26621338550_ac395791ca_o.jpg" alt="Radiohead - A Moon Shaped Pool" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Burn The Witch</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Daydreaming</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Decks Dark</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Desert Island Disk</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Ful Stop</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Glass Eyes</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Identikit</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. The Numbers</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. Present Tense</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11. True Love Waits</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FyI2oS2hoL0k%3Ffeature%3Doembed&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DyI2oS2hoL0k&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FyI2oS2hoL0k%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:798131 2016-05-08T14:23:00 Astronauts - End Cods 2016-05-08T13:58:22Z 2016-05-08T13:58:22Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ffcc00;">Astronauts</span> é um projeto musical encabeçado pelo londrino Dan Carney e que se estreou em pleno 2014 com <em>Hollow Ponds</em>, a extraordinária primeira etapa da nova vida musical de um músico e compositor que fez carreira nos lendários Dark Captain, que se destacaram com o belíssimo <em>Dead Legs &amp; Alibis</em> e que se dedicou a essas dez canções num período particularmente conturbado da sua vida pessoal. <em>Hollow Ponds</em> viu a luz do dia por intermédio da <a style="color: #999999;" href="http://www.lorecordings.com/release/hollow-ponds/">Lo Recordings</a> e tem já, finalmente, sucessor. <span style="color: #ffcc00;"><em>End Cods</em></span> é o título do novo registo de originais de <span style="color: #ffcc00;">Astronauts</span>, onze fabulosas canções que viram a luz do dia a seis de maio último, também à boleia da <a style="color: #999999;" href="http://www.lorecordings.com/release/end-codes/">Lo Recordings</a> e que nos oferecem uma filosofia sonora muito própria, onde intensidade sentimental e sobriedade instrumental se juntam, para permitir que, ao longo da sua audição, nos possamos sentir profundamente tocados por uma nobreza única, que arrebata e salpica com suores quentes todos os poros do nosso ser.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://clashmusic.com/sites/default/files/styles/article_feature/public/field/image/unspecified_32.jpg?itok=R54bhkOo" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ffcc00;">Astronauts</span> é um nome feliz para um projeto que servindo-se de uma instrumentação orgânica bem real e terrena, ao ser tocada por Dan Carney, parece inspirar-se num universo exterior, sendo possível imaginar o autor a tocar devidamente equipado com um fato hermético que lhe permite transmitir uma simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">As cordas que conduzem a magnificiência melódica de <em><span style="color: #ffcc00;">Recondition</span></em> e o clima intenso, implacável e imersivo de <span style="color: #ffcc00;"><em>Civil Engineer</em></span>, são uma solarenga porta entreaberta para este <span style="color: #ffcc00;"><em>End Codes</em></span>, que prossegue, penetrando pelos ouvidos e flutuando por todas as células do nosso corpo, encarnando uma simbiose única entre ouvinte e interlocutor, caso o primeiro tenha um coração limpo e aberto a deixar-se envolver por aquela causa maior que é o amor, o eixo principal da temática lírica destes temas abolutamente inebriantes.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A indulgente percussão que abraça uma rugosa melancolia em <em><span style="color: #ffcc00;">Dead Snare</span></em>, os efeitos metálicos sibilantes, as cordas que se passeiam exuberantemente em redor da melodia e um registo vocal em falsete belissimamente acompanhado por coros envolventes, de <em><span style="color: #ffcc00;">You Can Turn It Off</span></em>, canção que se abriga à sombra de uma <em>folk</em> etérea de superior calibre, reservada e contida na medida certa, mas inultrapassável no caudal de emoções que arrasta à sua passagem, são mais duas excelentes rampas de lançamento para acedermos à dimensão superior onde <span style="color: #ffcc00;">Astronauts</span> nos senta e dois pilares na sensação qusse carnal de que este disco é, claramente, uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ffcc00;"><em>End Codes</em></span> é já um marco discográfico neste ano, concebido, idealizado e suspirado por um músico que merece, com inatacável evidência, que a pureza e altivez de sentimentos que reflete nas suas canções, tão doce e meiga na despedida que todos experimentamos uma vez na vida e que recordamos sem esforço em <span style="color: #ffcc00;"><em>When It's Gone</em></span>, sejam absorvidos, contemplados e experimentados fisicamente pelo maior número possível de ouvintes.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Dan Carney é um mestre da introspeção que todos precisamos de fazer periodicamente, aquela que resulta porque vai direita ao âmago, de punhos cerrados, com garra e fibra, sem falsos atalhos e cansativos <em>clichês</em>. Além de refletir sabiamente sobre o mundo moderno, <span style="color: #ffcc00;">Astronauts</span> fá-lo materializando os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, tornando-nos novamente cúmplices das suas angústias e incertezas, enquanto sobrepõe texturas, sopros e composições contemplativas, que criam uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades e um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7485/26835072165_de692d6a12_o.jpg" alt="Astronauts - End Codes" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Recondition</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Civil Engineer</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Dead Snare</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. You Can Turn It Off</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. A Break In The Code, A Cork In The Stream</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. When It’s Gone</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Split Screen</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. Hider</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. Breakout</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Newest Line</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11. Skeleton</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/dOe4Dml0Ro4" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:797557 2016-05-06T21:51:00 Radiohead - Daydreaming 2016-05-06T21:04:47Z 2016-05-06T21:04:47Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7096/26853237065_af97b8e7fa_o.jpg" alt="Radiohead - Daydreaming" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de vários dias de suspense que incluiram um apagão total de toda a atividade social da banda nas redes sociais e na internet, os britânicos <span style="color: #666699;">Radiohead</span> divulgaram há alguns dias o primeiro tema do próximo registo de originais e logo sepercebeu que não iriam ficar por aí.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de nos deliciarmos com <em>Burn The Witch</em>, o nome dessa canção, um tema com um vídeo soberbo realizado por Chris Hopewell e com uma dimensão sonora particularmente épica e orquestral, guiado por um cardápio de cordas bastante abrasivo e com o típico ambiente soturno que a banda tão bem recriou há quase uma década em <em>In Rainbows</em>, hoje chegou a vez de ficarmos a saber que o disco chega já domingo e de enfrentarmos o lado mais melancólico, etéreo e introspetivo dos <span style="color: #666699;">Radiohead</span>, conduzidos por <em><span style="color: #666699;">Daydreaming</span></em>, um faustoso instante sonoro, onde sintetizadores e efeitos futuristas se cruzam, numa melodia cheia de humanidade e emoção, dimensões exemplarmente explicitadas no fabuloso vídeo do tema, realizado por Paul Thomas Anderson. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/TTAU7lLDZYU" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:790488 2016-05-06T21:24:00 The Loafing Heroes - The Baron in the Trees 2016-05-06T20:38:03Z 2016-05-06T20:38:03Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com a tenda montada em Lisboa mas com músicos oriundos de diferentes países e proveniências, os <span style="color: #33cccc;">The Loafing Heroes</span> são um encontro internacional de ideias musicais de vários países liderado pelo vocalista e guitarrista Bartholomew Ryan (Irlanda), ao qual se juntam Giulia Gallina (Itália) na voz e concertina, João Tordo (Portugal) no contrabaixo, Judith Retzlik (Alemanha) no violino, xilofone e trompete, Jaime McGill (Estados Unidos) no clarinete baixo, e João Abreu (Portugal) na percussão. Hoje chegou aos escaparates <span style="color: #33cccc;"><em>The Baron in the Trees</em></span>, o quinto registo de originais do cardápio do projeto, doze canções buriladas durante dois anos e que misturam lindos poemas com <em>pop</em>, <em>folk</em>, <em>world music</em> e até alguns detalhes típicos da música dita mais erudita e pitadas de blues e jazz, detalhes que se abastecem de uma voz sentida, dedilhares de cordas vibrantes e emotivos, sopros sublimes e a percussão, o contrabaixo e o violino a darem substância e cor às melodias.</span></p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://deusmelivro.com/wp-content/uploads/2016/05/Loafing-Heroes-117-1.jpg" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A curiosa explicação para o nome deste projeto foi divulgada pelos próprios numa excelente entrevista que podes conferir logo após esta crítica e baseia-se nos <em>loafing heroes</em> de Milan Kundera, heróis errantes que têm direito a tal distinção por serem pessoas que vivem a vida com aparente vulgaridade, mas que vão-se fortalecendo e orientando a sua demanda terrena através de valores comuns e que entroncam no sentimento maior chamado amor.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Num disco abissal, produzido pelo berlinense Tad Klimp, canções como a meiga <em><span style="color: #33cccc;">Loyal To Your Killer</span></em>, a feminina <span style="color: #33cccc;"><em>Gypsy Waltz </em></span>e a enleante e sedutora <em><span style="color: #33cccc;">Gates Of Gloom</span></em>, assim como a narrativa impressiva que conduz<span style="color: #33cccc;"><em> God's Spies</em></span> ou a imensidão épica que exala de um espantoso edifício sonoro, simultanamente conciso e onírico, chamado <span style="color: #33cccc;"><em>Javali</em></span>, que abriga um homem só, que ajudado por uma maravilhosa guitarra, murmura sobre o fim do amor, debruçam-se em histórias que podem ser apropriadas por todos nós, já que além desse sentimento maior, também abarcam o tema da perda e da regeneração constante do ser humano, conforme afirmam os próprios <a style="color: #999999;" href="http://www.theloafingheroes.com/">The Loafing Heroes</a>, que não esquecem a escrita de nomes tão díspares como Calvino ou Pessoa como outros exemplos inspiradores.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Escutar <em><span style="color: #33cccc;">The Baron In The Trees</span></em>, um disco melodicamente bastante sedutor, é descobrir um magnífico psicotrópico mental verdadeiramente eficaz e aditivo, sem falsos pressupostos, intenso e genuíno. O seu alinhamento tem um valor natural e genuíno e não precisa de uma análise demasiado profunda para o percebermos, até porque um dos seus grandes atributos, enquanto disco, é não ser demasiado intrincado ou redundante no que concerne aos arranjos e ao arsenal instrumental de que se serve, algo que só demonstra a relevância destes <span style="color: #33cccc;">The Loafing Heroes</span> no universo nacional atual, um coletivo em constante mutação, que regressou em grande, com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://1.fotos.web.sapo.io/i/G93134b60/19370613_qznb9.jpeg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O Outro Lado</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gypsy Waltz</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Collapsing Star</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Crossing Roads</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Nightsongs</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Loyal To Your Killer</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gates Of Gloom</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Rag &amp; Bone</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Caitlin Maude</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Soul</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">God's Spies</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Javali</span></em></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/248851465&color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff6600; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de <em>The Baron In The Trees</em>, o vosso novo registo discográfico, começo com uma questão <em>clichê</em>… Como é que nasceu este projeto, já com vários discos em carteira, com músicos de diferentes origens e tão cosmopolita?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Não é o primeiro registo... a banda já tem cinco discos! A banda surgiu quando o vocalista e compositor principal, Bartholomew Ryan, estava na Dinamarca – juntou-se com outros músicos e formaram os Loafing Heroes, banda de inspiração errante, vagabunda, com variadíssimas formações até chegar à formação que tem hoje. Depois passou por Berlim e, finalmente, Lisboa, onde toca com uma italiana, um português, uma alemã, um inglês, uma americana...o projecto nasceu da vontade de fundir música com poesia e literatura, a inspiração vem de Milan Kundera, que fala dos “loafing heroes” de outrora, heróis que erram pela vida sem propósito aparente, assimilando tudo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff6600; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da folk, mas onde não faltam pitadas de blues e jazz e que se abastecem de uma voz sentida, dedilhares de cordas vibrantes e emotivos, sopros sublimes e a percussão, o contrabaixo e o violino a darem substância e cor às melodias, <em>The Baron In The Trees</em> é, na minha opinião, uma coleção de canções particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram para este novo passo do vosso já notável percurso?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Algum anseio, alguma expectativa, mas quase nenhuma, isto é, sabemos que temos canções muito bonitas mas também sabemos que o mundo está “saturado” de informação, que há milhões de bandas por aí fora e que é difícil “quebrar” o mainstream e fazer música como nós fazemos – bonita, simples nas harmonias mas complexa nos arranjos, música que parece vir de outro tempo mas “aterra” em 2016 sem necessidade de ser cool, hip ou trendy. Por isso as expectativas não são de grandes sucessos nem de aplauso constante, mas de irmos encontrando aqueles que se identificam connosco neste caminho e de ir fazendo música que toque o coração das pessoas, inspirada pelos grandes prosadores e contadores que a humanidade conheceu – de Italo Calvino a Fernando Pessoa, tudo vai passando por aqui.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff6600; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Olhando um pouco para a lírica das canções, predomina a escrita na primeira pessoa e, também por isso, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica, em vez da criação, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais os The Loafing Heroes nunca teriam à partida de se comprometer. Acertei na <em>mouche</em> ou o meu tiro foi completamente ao lado?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Há elementos naturais e reais e outros ficcionados. As canções contam muitas histórias, quase todas elas relacionadas com o tema da perda e da regeneração constante do ser humano. O álbum anterior, Crossing the Threshold, apontava neste sentido: uma fronteira atravessada e um novo começo, no limiar de uma descoberta sobre o amor, os outros, o nosso destino no mundo. As histórias contadas vêm complementar estes temas abundantes na nossa música. Sim, há personagens – como o solitário em “Javali” que denuncia o fim do amor, ou a enigmática personagem feminina em Gypsy Waltz, que tenta seduzir um homem para o enfeitiçar; ou alguém perdido numa floresta, em “Soul”, acometido do vazio existencial e prestando atenção aos animais que encontra; mas todas estas histórias cabem na Grande História humana, a da procura de sentido.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff6600; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Confesso que o que mais me agradou na audição de <em>The Baron In The Trees</em> foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma riqueza e uma exuberância ímpares. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">As melodias foram sendo construídas ao longo de dois anos, dois anos e meio. O produtor, Tad Klimp, que veio de Berlim para fazer o disco, teve muita influência nesta riqueza e subtilieza do disco, que nos parece muito bonito mas sem ser excessivo – tudo está na conta certa. Foi isto em que pensámos inicialmente? Sim, sabíamos que tínhamos músicos tecnicamente excepcionais e outros músicos que, sem ser de excepção, têm uma sensibilidade muito própria para temas folk e indie, muito identificados com a banda. É uma mistura curiosa de instinto e técnica o que produz esta arte muito particular dos Loafing Heroes. Não somos uma banda normal nesse sentido – o que fazemos é raro porque mistura arte, técnica, literatura e orquestrações cuidadas, tudo dentro da estética folk que podia vir directamente do final dos anos 60.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff6600; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos The Loafing Heroes? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em <em>jam sessions</em> conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Há um “elemento dominador”, o Bartholomew Ryan, que escreve a grande parte das canções e portanto vamos trabalhando a partir das estruturas que ele envia para todos os outros. Mas há canções que surgiram de ensaios, como “Javali”, por exemplo, que partiu de um riff de guitarra muito simples e foi construída a partir daí; ou Caitlin Maude, que a Giulia Gallina inventou ao piano e, no disco, surge sobre outra forma. Há um lado espontâneo, sim, cada vez mais, e menos “dependência” de um único criador, mas continua a ser um trabalho mais de laboratório do Bartholomew, por vezes, e um trabalho de banda, por outras.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff6600; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Adoro a canção <em>Javali</em>, um longo tema que sabe a despedida, cheio de nuances e com uma guitarra que me encheu as medidas. E o grupo, tem um tema preferido em <em>The Baron In The Trees</em>?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Sim, todos concordamos que essa é a nossa preferida: <em>Javali. </em>Teve uma geração espontânea dentro do grupo e todos adoramos a canção. Representa este álbum na perfeição.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff6600; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>The Baron In The Trees </em>foi produzido pela própria banda, com o apoio de Tad Klimp. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois do último álbum, que tinha sido de estúdio, decidimos que íamos gravar em casa – o produtor, Tad Klimp (um génio!) foi “marcado” com um ano de antecedência. E  a gravação foi muito bonita, tudo feito em casa com aparelhos vintage dos anos 70, microfones antigos, etc. Daí o som tão bonito do álbum.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #ff6600; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Para terminar, em relação à apresentação e divulgação de <em>The Baron In The Trees</em>, onde podemos ver os The Loafing Heroes a tocar num futuro próximo?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Musicbox no dia 6 de Maio, FNAC Oeiras no dia 7 de Maio e NOS Alive no dia 8 de Julho!</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:777842 2016-05-05T20:56:00 Suuns – Hold/Still 2016-05-05T21:09:54Z 2016-05-08T14:10:25Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Num momento de enorme e justificada histeria coletiva devido ao novo álbum dos Radiohead, prestes a ver a luz do dia não se sabe bem quando, vindo de onde, como e com o quê, não deve passar em claro e despercebido aquele que poderia ser, para mim, o melhor lançamento discográfico desse grupo de Oxford depois de <em>Kid A</em>. Refiro-me a <em><span style="color: #666699;">Hold/Still</span></em>, um compêndio de onze canções com a chancela da Secretly Canadian e assinado pelo excelente projeto <a style="color: #999999;" href="http://www.suuns.net/">Suuns</a>, um quarteto oriundo de Montreal, no Canadá. Os <span style="color: #666699;">Suuns</span> apareceram em 2007 pela mão do vocalista e guitarrista Ben Shemie e do baixista Joe Yarmush, aos quais se juntaram, pouco depois, o baterista Liam O'Neill e o teclista Max Henry. Estrearam-se nos álbuns em 2010 com <em>Zeroes QC</em>, três anos depois chegou o extraordinário <em>Images Du Futur</em>, um trabalho que lhes elevou o estatuto grandemente, trendo merecido enormes elogios, não só no Canadá, mas também nos Estados Unidos e na Europa, sendo este <span style="color: #666699;"><em>Hold/Still</em></span>, o terceiro disco, a confirmação de estarmos na presença de um grupo especial e distinto no panorama <em>indie</em> e alternativo atual.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.qthemusic.com/wp-content/uploads/2016/01/suuns-2016.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #666699;"><em>Fall</em></span>, o primeiro tema do alinhamento de <span style="color: #666699;"><em>Hold/Still</em></span>, coloca-nos bem no centro de um <em>noise rock</em> que não deixa de nos fazer recordar experimentações semelhantes ao que foi testado pelos Sonic Youth do início de carreira e logo depois, em <em><span style="color: #666699;">Instrument</span></em>, existe uma implícita dose de <em>punk dance</em> que enquanto nos aproxima de uma sonoridade algo amena e introspetiva, mostra-nos a abrangência destes <span style="color: #666699;">Suuns</span> e o modo quase impercetível como mesclam orgânico e sintético com propósitos bem definidos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Na verdade, o que parece ser inicialmente apenas ruído, distorção e gritos desordenados, passa a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que se amplia com evidência em <em><span style="color: #666699;">UN-NO</span></em>, canção onde o dedilhar e a distorção da guitarra oferece aquele toque experimental que nos faz crer, logo ao terceiro tema, que este é um disco colossal, do melhor que já ouvi este ano! E o pendor hipnótico, intenso e efervescente de <span style="color: #666699;"><em>Resistance</em></span> e de <em><span style="color: #666699;">Translate</span></em>, assim como a rugosidade intensa e algo caótica de <span style="color: #666699;"><em>Brainwash</em></span>, reforçam tal impressão com racionalidade objetiva, sobre um conjunto de canções com uma base sonora bastante peculiar e climática, uma proposta ora banhada por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumida por um teor ambiental denso e complexo. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com uma estrutura inicialmente lenta no decorrer das primeiras audições, o disco aos poucos revela uma variedade de texturas e transformações que parecem filtradas pelos atmosféricos ensinamentos da banda. É uma espécie de  psicadelia suja, que além da pafernália de sons sintetizados que contém, é banhada, ora por guitarras suaves, ora por<em> loopings</em> de distorção, numa união com uma certa tonalidade minimalista, que costura todas as canções do álbum, evitando excessos e onde tudo é moldado de maneira controlada, com acordes minuciosos e com a voz reduzida ao essencial, com todas as canções a soarem encadeadas, como se todo o disco fosse apenas uma única e extensa canção.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Assertivos e capazes de romper limites, os <span style="color: #666699;">Suuns</span> oferecem-nos, em <em><span style="color: #666699;">Hold/Still</span></em>, entre belíssimas sonorizações instáveis e pequenas subtilezas, um portento sonoro de invulgar magnificiência, com proporções incrivelmente épicas, um disco bem capaz de proporcionar um verdadeiro orgasmo volumoso e soporífero a quem se deixar enredar nesta armadilha emocionalmente desconcertante, feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1641/24719681961_2b07b9a8cc_o.jpg" alt="Suuns - Hold-Still" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>01. Fall</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>02. Instrument</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>03. UN-NO</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>04. Resistance</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>05. Mortise And Tenon</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>06. Translate</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>07. Brainwash</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>08. Careful</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>09. Paralyzer</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>10. Nobody Can Save Me Now</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>11. Infinity</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/uSOly5EKyOE" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:783188 2016-05-04T21:41:00 Wussy – Forever Sounds 2016-05-04T20:41:12Z 2016-05-04T20:41:12Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Considerados por imensa crítica especializada como a melhor banda norte americana da atualidade, os <a style="color: #999999;" href="http://www.wussy.org/">Wussy</a> andam por cá desde 2001 e acabam de regressar aos discos com <span style="color: #ffcc00;"><em>Forever Sounds</em></span>, o sexto registo de originais da carreira deste grupo oriundo de Cincinnati, no Ohio e formado por Chuck Cleaver, antigo líder dos Ass Ponys e Lisa Walker, Mark Messerly, Joe Klug e John Erhardt. Este tomo de dez canções viu a luz do dia à boleia da insuspeita <a style="color: #999999;" href="http://www.shakeitrecords.com/Shakeit-store.html?SessionID=jp54rhekvaal6ba21jj4tao231">Shake It Records</a>, sendo já um marco discográfico do ano no panorama alternativo norte americano.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="http://static.stereogum.com/uploads/2016/02/Wussy_JohnCurley_2-compressed.png" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Intensos, rugosos e com um cardápio sonoro impregnado com um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um <em>indie rock</em> feito com guitarras bastante inspiradas, estes <span style="color: #ffcc00;">Wussy</span> transportam já uma herança no seu cardápio que sempre buscou texturas sonoras abertas, melódicas e expansivas, mas onde o ruído e o pendor <em>lo fi</em> são também traves mestras da sua filosofia sonora. O magnífico <em>reverb</em> da guitarra de <span style="color: #ffcc00;"><em>Donny’s Death Scene</em></span>, a luminosidade melódica de <span style="color: #ffcc00;"><em>Hello, I'm A Ghost</em></span>, a comoção latente em <span style="color: #ffcc00;"><em>Sidewalk Sale</em></span>, ou  a grandiosidade do <em>single</em><span style="color: #ffcc00;"><em> Dropping Houses</em></span>, composição que exibe linhas e timbres de cordas eletrificadas muito comuns no chamado <em>garage rock</em>, uma produção suja, um registo vocal cru e um ruído constante, são aspetos que nunca inibem os <span style="color: #ffcc00;">Wussy</span> de se manterem concisos e diretos na visceralidade controlada que querem exalar e provam elevada competência no modo como, nos exemplos citados, separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes <em>puzzles </em>que lhes dão substância.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Muitas vezes torna-se demasiado dominante e percetivel a distorção das guitarras em bandas que apostam no espetro sonoro relacionado com o <em>indie rock</em> mais cru, mas no caso deste quinteto tal preponderância atinge uma bitola qualitativa elevada, além de não faltar uma porta aberta a um saudável experimentalismo. O modo exemplar como <em><span style="color: #ffcc00;">Forever Sounds</span></em> amplifica estas impressões faz deste <span style="color: #ffcc00;">Wussy</span> um nome a reter com urgência, impulsionados por um disco que é um espetacular tratado de <em>indie</em> <em>punk rock aternativo, </em>aditivo, rugoso e viciante. Confere...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1677/24744039483_13b5d15a79.jpg" alt="Wussy - Forever Sounds" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Dropping Houses</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. She’s Killed Hundreds</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Donny’s Death Scene</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Gone</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Hello, I’m A Ghost</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Hand Of God</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Sidewalk Sale</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. Better Days</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. Majestic-12</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. My Parade</em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/PdtUwzK1dWE" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:797134 2016-05-03T21:45:00 Radiohead - Burn The Witch 2016-05-03T20:54:36Z 2016-05-03T21:10:38Z <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://consequenceofsound.files.wordpress.com/2016/01/screen-shot-2016-01-20-at-11-38-49-pm.png?w=807" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de vários dias de suspense que incluiram um apagão total de toda a atividade social da banda nas redes sociais e na internet, os britânicos <span style="color: #808000;">Radiohead</span> acabam finalmente de divulgar o primeiro tema do próximo registo de originais. <em><span style="color: #808000;">Burn The Witch</span></em> é o nome da canção, um tema que já tem um vídeo soberbo realizado por Chris Hopewell e com uma dimensão sonora particularmente épica e orquestral, guiado por um cardápio de cordas bastante abrasivo e com o típico ambiente soturno que a banda tão bem recriou há quase uma década em <em>In Rainbows</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Espera-se mais novidades dos <span style="color: #808000;">Radiohead</span> nos próximos dias, o disco pode mesmo chegar aos escaparates sem aviso prévio e de modo inédito e este blogue manter-se-à particularmente atento e tentará divulgar o mais rápido possível tudo aquilo que for acontecendo. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FyI2oS2hoL0k%3Ffeature%3Doembed&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DyI2oS2hoL0k%26app%3Ddesktop&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FyI2oS2hoL0k%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:796836 2016-05-03T14:03:00 The Weatherman realiza concerto para macacos 2016-05-03T13:04:02Z 2016-05-03T13:04:02Z <p style="text-align: justify;"><img src="blob:https%3A//mail.google.com/7bdd5ca9-50bd-4219-b638-bfe0739a752b" alt="A mostrar 1.png" /><img src="blob:https%3A//mail.google.com/7bdd5ca9-50bd-4219-b638-bfe0739a752b" alt="A mostrar 1.png" /><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">No próximo dia dezasseis de maio vai acontecer no jardim zoológico da Maia um concerto que terá tanto de inusitado como de imperdível. <span style="color: #808000;">The Weatherman</span>, o pseudónimo artístico criado em 2006 pelo multi-instrumentalista portuense Alexandre Monteiro e um projecto <em>pop rock</em> versátil e multifacetado, está de regresso aos discos com <span style="color: #808000;"><em>Eyeglasses for the Masses</em></span>, um álbum editado a vinte e nove de Abril e que será alvo de crítica neste espaço muito em breve e vai tocar nesse espaço com um propósito muito especial.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="http://content.sitezoogle.com/u/182698/0d111d37a148de73d79059d8051a91e5fe20b163/photo/3715763.jpg?1459451785" alt="" /></span></p> <p style="text-align: right;"><span style="color: #999999; font-size: 8pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">(pic by Morsa)</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Um dos<em> singles</em> de <em><span style="color: #808000;">Eyeglasses for the Masses</span> </em>é <em><span style="color: #808000;">Calling all Monkeys</span></em> e, de acordo com o <em>press release</em> do evento, <a style="color: #999999;" href="http://www.weathermanmusic.com/">The Weatherman</a> irá tocar para os macacos que vivem nesse espaço <em>com a intenção declarada de chamar a atenção para os erros da Humanidade,</em>(...)<em> e apontar falhas à nossa demanda que perspectiva o mundo enquanto sítio melhor</em>. Este evento será transmitido em directo no <a style="color: #999999;" href="https://www.youtube.com/user/theweathermanmusic">canal</a> de Youtube do músico.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #808000;">The Weatherman</span> estreou-se nos lançamentos discográficos em 2006 com <em>Cruisin’ Alaska</em>, ao qual se sucedeu <em>Jamboree Park at the Milky Way</em> (2009), e um homónimo, em 2013, antes deste <em><span style="color: #808000;">Eyeglasses for the Masses</span></em>, um trabalho que nos remete para um universo pop e psicadélico, diversificado e versátil, onde reina a nostalgia dos anos sessenta e onde nomes como The Beatles ou Beach Boys são referências incontornáveis, além de algumas marcas identitárias da eletrónica atual.</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F5VTvaFkXQF4%3Ffeature%3Doembed&url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D5VTvaFkXQF4&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F5VTvaFkXQF4%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:796006 2016-05-02T16:51:00 Leapling - Suspended Animation (preview) 2016-05-02T16:09:52Z 2016-05-02T16:10:36Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media.npr.org/assets/img/2016/04/11/leapling_annasian_wide-80b6aac3d16d9a598491092bae88566b73c5a279.jpg?s=1400" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de no início de 2015 me terem espantado com o fabuloso <em>Vacant Page</em>, os nova iorquinos <span style="color: #ff0000;">Leapling</span>, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica, preparam-se para regressar aos lançamentos discográficos com<em><span style="color: #ff0000;"> Suspended Animation</span></em>, um álbum que irá ver a luz do dia já a dez de junho, através da <a style="color: #999999;" href="https://explodinginsoundrecords.bandcamp.com/">Exploding In Sound</a>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ff0000;"><em>Hey Sister</em></span>, <em><span style="color: #ff0000;">Alabaster Snow</span></em> e <em><span style="color: #ff0000;">One Hit Wonder</span></em> são os três temas já divulgados de <em><span style="color: #ff0000;">Suspended Animation</span></em>, um trabalho que deverá continuar a revelar extraordinários acordes de guitarra com um comovente objetivo melódico, como só estes <span style="color: #ff0000;">Leapling</span> nos sabem oferecer. Tal é, sem dúvida, o resultado de todas as experiências acumuladas por Dan Arnes, o líder do projeto, além, claro, das referências melódicas típicas do grupo, que da herança que os The Beach Boys, os The Kins e os The Smiths nos deixaram, parece também utilizar referências do próprio quotidiano para construir um panorama instrumental e lírico que pende ora para <em>o rock </em>experimental, ora para a <em>indie pop</em> adocicada e acessível.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Estes<span style="color: #ff0000;"> Leapling</span> continuam a provar serem mestres no desenvolvimento de uma instrumentação radiante, reflexo da capacidade do grupo em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte, experiência que deve repetir-se, portanto, no novo disco da banda, que será cuidadosamente dissecado por cá logo após o lançamento. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/248181234&color=ff5500" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/248181244&color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <div class="content_blocks"> <div id="content_block-75299" class="content_block paragraph embed triple_gutter_right triple_gutter_left center_align"> <div class="content_inner_wrapper"> <div class="media_wrapper"> <div class=""><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/248181238%3Fsecret_token%3Ds-V9JPh&color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false" width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></div> </div> </div> </div> </div> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:795448 2016-04-30T14:06:00 Band Of Horses – Casual Party 2016-04-30T13:06:29Z 2016-04-30T13:06:29Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm2.staticflickr.com/1566/26581695622_9132fdcc36_o.jpg" alt="Band Of Horses - Casual Party" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">É já em junho que chega aos escaparates <em><span style="color: #00ccff;">Why Are You Ok</span></em>, o novo disco dos norte americanos <span style="color: #00ccff;">Band Of Horses</span>, um trabalho produzido por Rick Rubin e sucessor do aclamado <em>Mirage Rock</em>, um álbum editado já em 2012.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #00ccff;"><em>Casual Party</em></span> é o primeiro avanço divulgado de <em><span style="color: #00ccff;">Why Are You Ok</span></em>, uma canção com uma exuberância instrumental ímpar e um frenesim melódico bastante impressivo, que faz antever um trabalho cheio de interseções entre guitarras e sintetizadores, criadas por uns <span style="color: #00ccff;">Band Of Horses</span> que<span style="line-height: 1.3;"> são já hoje um dos grupos mais respeitáveis do cenário rock do país natal e que chegam ao quinto disco a cimentar as referências sonoras que durante quase uma década têm sido essenciais para o grupo, sem aparente sinal de desgaste. Confere...</span></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/aTJthgYnXFw" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>