urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07 man on the moon music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta! stipe07 2017-09-22T20:18:07Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:880710 2017-09-22T20:51:00 Oh Sees - Orc 2017-09-22T19:59:34Z 2017-09-22T20:18:07Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Viu a luz do dia a vinte e cinco de agosto último, através da <a style="color: #999999;" href="http://www.castlefacerecords.com/">Castle Face</a>, a editora do próprio John Dwyer, <span style="color: #ccffff;"><em>Orc</em></span>, o novo e décimo nono álbum da carreira dos norte americanos <span style="color: #ccffff;">Thee Oh Sees</span>, um regresso aos lançamentos discográficos que se saúda desta banda californiana que também acaba de mudar mais uma vez de nome, algo que não é inédito nas cerca de duas décadas que já leva de carreira.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://ww1.hdnux.com/photos/46/70/30/10192428/3/920x920.jpg" alt="Resultado de imagem para oh sees 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Querendo ser conhecido a partir de agora simplesmente como <span style="color: #ccffff;">Oh Sees</span> (sem o <em>The</em>), este quinteto apresenta em <span style="color: #ccffff;"><em>Orc</em></span> dez canções que mantêm uma elevada bitola qualitativa que sobrevive à custa do modo astuto como o grupo continua a abanar-nos com <em>riffs</em> agressivos e esplendorosos que, quer se prolonguem por músicas completas, ou por instantes das composições, têm sempre uma forte vertente hipnótica e uma ilimitada ousadia visceral, que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, num incómodo sadio que já não nos deixa duvidar acerca do ADN destes agora <span style="color: #ccffff;">Oh Sees</span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Logo no frenesim impulsivo e até algo inquietante de <em><span style="color: #ccffff;">The Static God Dwier</span></em> e no fulgor progressivo de <span style="color: #ccffff;">Raw Optics</span> Dwyer baliza, nesses que são os temas de abertura e de encerramento do disco, o ambiente geral de <em><span style="color: #ccffff;">Orc</span></em>, sendo ajudado de modo particular pelos bateristas Dan Rincon e Paul Quattrone nessa demanda. Se nestes dois temas ambos exalam uma deliciosa cumplicidade percurssiva, a mesma atinge o ponto mais alto quando nos instantes instrumentais da majestosa <span style="color: #ccffff;"><em>Keys To The Castle</em></span>, sem serem tão exuberantes, responsabilizam-se por juntar todos os cacos, na forma de efeitos, cordas de guitarra e até de violino que Dwyer atira, conforme lhe apetece, para cima de uma base sonora tremendamente lisérgica e sensorial. Depois, no <em>blues</em> boémio e desmedido de <span style="color: #ccffff;"><em>Jettisoned</em></span>, no arsenal de efeitos que abastece <em><span style="color: #ccffff;">Paranoise</span></em> e nas teclas setentistas que recriam o experimentalismo psicadélico de <em><span style="color: #ccffff;">Cadaver Dog</span></em>, Dwyer não disfarça minimamente a predileção que atualmente nutre por misturar de modo aparentemente anárquico alguns dos cânones clássicos do <em>rock</em> alternativo com o <em>heavy</em> metal e o <em>rock</em> progressivo, além de outros subgéneros de um <em>rock</em> que não se coibe de receber de braços abertos tudo aquilo que o músico tiver para testar. E realmente Dwyer testa, experimenta e recria sem ter o mínimo receio de colocar em causa, se tal for necessário, a impossibilidade de confrontar o ouvinte com o melodicamente acessível, já que aquilo que realmente lhe parece importar verdadeiramente é criar e recriar sobrepondo e alternando climas e formatos, de modo a dar vida à sua incasiável alma roqueira.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Edifício sonoro brilhante e cheio de vida e cor, <em><span style="color: #ccffff;">Orc</span> </em>possibilita aos <span style="color: #ccffff;">Oh Sees</span><strong> </strong>atravessarem novamente as barreiras do tempo e manterem-se, ao mesmo tempo, joviais e coerentes. Para delírio dos fiéis seguidores, o grupo mantém intata a sua insana cartilha de <em>garage folk </em>e <em>rock blues</em> com uma capacidade inventiva que se pronuncia instantaneamente, através de um desejo inato de proporcionar o habitual encantamento sem o natural desgaste da contínua replicação do óbvio. A verdade é que o som deste grupo é, cada vez mais, uma espécie de roleta russa e um caldeirão de originalidade, que acaba por transportar o ouvinte para uma espécie de <em>bad trip</em> musical, através de um veículo sonoro que se move através de uma sucessão de <em>loopings</em> bizarros, mas ainda assim dançantes. Espero que aprecies a sugestão... </span></p> <p><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em><img class="aligncenter" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="Oh Sees Orc (2017) CD Cover" src="https://i0.wp.com/bemetal.org/wp-content/uploads/Oh-Sees-Orc-2017.jpg?w=500&amp;ssl=1" alt="Download Oh Sees Orc (2017) Mp3" width="500" height="500" /></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>01. The Static God</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>02. Nite Expo</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>03. Animated Violence</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>04. Keys to the Castle</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>05. Jettisoned</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>06. Cadaver Dog</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>07. Paranoise</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>08. Cooling Tower</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>09. Drowned Beast</em></span><br /><span style="color: #ccffff; font-size: 14pt;"><em>10. Raw Optics</em></span></p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/6UqkJtjad0HIClK1ndqCsd" width="300" height="380" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;"></iframe></p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:880583 2017-09-21T18:27:00 Alvvays - Antisocialites 2017-09-21T17:37:56Z 2017-09-21T17:37:56Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os canadianos <a style="color: #999999;" href="http://alvvays.com/">Alvvays</a> de estão de regresso aos discos com <em><span style="color: #ff9900;">Antisocialites</span></em> e a tornarem-se num caso sério de popularidade, essencialmente devido ao modo particularmente genuíno e até algo ingénuo com que replicam aquele <em>indie rock</em> de cariz <em>lo-fi</em>, que parece andar um pouco arredado da linha da frente dos lançamentos discográficos, muitas vezes em detrimento de sonoridades mais sintéticas e supostamente intrincadas, que fazem tantos projetos perderem-se um pouco numa espécie de descontrole sonoro, em que não se sabe muitas vezes quais os pontos de partida e de chegada em termos conceptuais. É uma ânsia desemesurada de abarcar, em simultâneo, vários estilos e géneros, como se a capacidade de agregar o mais possível fosse permissa essencial na hora de avaliar a bitola qualitativa de um disco. Estes <span style="color: #ff9900;">Alvvays</span> merecem crédito por fazerem exatamente o contrário; fidelizaram-se num espetro sonoro específico e fazem-no sem despudor e com enorme criatividade.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://indieaccent.com/upload/artists/artist-1-186.jpg" alt="Resultado de imagem para alvvays band 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Em quase quarenta minutos <em><span style="color: #ff9900;">Antisocialites</span> </em>personifica esta fuga feliz ao <em>mainstream</em> sonoro que descrevi. Mais maduros do que numa estreia que há três anos revelou a quem os quis ouvir um <em>indie</em> <em>rock</em> anguloso e com um certo travo <em>punk</em> salutar, agora oferecem-nos canções com uma luminosidade muito peculiar, um sabor a optimismo que as guitarras frenéticas e o falsete de<span style="color: #ff9900;"><em> Plimsoll Punks</em></span> e a epicidade melódica e nostálgica de <em><span style="color: #ff9900;">In Undertow</span></em> ilustram na perfeição, mas que também não deixa de estar presente no modo como vários efeitos cósmicos trespassam a bateria sincopada e a guitarra plena de <em>reverb</em> de <em><span style="color: #ff9900;">Hey</span></em>, no clima <em>surf punk</em> de <em><span style="color: #ff9900;">Your Type</span></em> e, num outro prisma, na doce ternura complacente do travo acústico de <em><span style="color: #ff9900;">Already Gone</span></em> e no hipnotismo ique incendeia <em><span style="color: #ff9900;">Forget About Your Life</span></em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Sabendo como não cair na repetição monótoma tendo em conta a especificidade do som que tocam, os <span style="color: #ff9900;">Alvvays</span> explicam e mostram neste <em><span style="color: #ff9900;">Antisocialites</span></em> como ainda é possível olhar para o <em>rock</em> alternativo de outros tempos e trazê-lo novamente à tona de modo brilhante, charmoso e convicto, sem parecer que copiaram uma fórmula já algo desgastada pelo tempo e por uma imensidão de bandas que muitas vezes não conhecem a melhor forma de abordar esta sonoridade carregada de especificidades e ao mesmo tempo tão simples e rica. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=1204311381/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="300" height="150" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:879925 2017-09-20T22:27:00 TIPO - Jugoslávia 2017-09-20T21:31:15Z 2017-09-20T21:31:15Z <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://infocul.pt/wp-content/uploads/2017/09/00-TIPO-Jugosl%C3%A1via-CAPA-%C2%A9weareplastictoo.jpg" alt="Resultado de imagem para tipo salvador menezes jugoslávia" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Quando em 2015 Salvador Menezes, consagrado membro fundador dos You Can't Win, Charlie Brown, decidiu tirar uns dias de descanso, nunca imaginaria que iria nesse breve interregno incubar um dos mais curiosos projetos a solo do panorama musical nacional atual. Servindo-se de um casio com mais de três décadas do tio, de uma guitarra com três cordas dos anos noventa da irmã, da bateria do irmão e do seu baixo, computador e voz, criou quatro temas, nascendo, assim, <span style="color: #ffcc00;">TIPO</span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Agora, dois anos depois, com um novo emprego, a viver numa outra casa, com três discos dos You Can't Win, Charlie Brown em carteira e já com a paternidade a fazer parte da sua existência, <span style="color: #ffcc00;">TIPO</span> tem já temas suficientes para se aventurar no formato longa-duração, sendo <span style="color: #ffcc00;"><em>Jugoslávia</em></span> o mais recente <em>single</em> divulgado desse que será o seu álbum de estreia, que foi co-produzido por Afonso Cabral, Luís Nunes e Salvador Menezes e terá o selo da Pataca discos e o apoio da Vodafone FM e da GDA, contando também com alguns convidados, nomeadamente Tomás Sousa, quer no <em>single</em> <em>Acção-Reacção</em>, quer nesta <em><span style="color: #ffcc00;">Jugoslávia</span></em>. Esta canção mostra uma faceta<em> pop</em> bastante exuberante e luminosa deste projeto <span style="color: #ffcc00;">TIPO</span>, através de uma infecciosa harmonia vocal e uma melodia magistral bastante virtuosa e cheia de cor, arrumada com arranjos meticulosos e lúcidos. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/nowCfUewFsQ?feature=oembed" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:873723 2017-09-18T18:06:00 Work Drugs – Flaunt The Imperfection 2017-09-18T17:09:37Z 2017-09-18T17:10:27Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Depois do excelente Louisa, editado em finais de 2015, os <span style="color: #99ccff;">Work Drugs</span>, uma dupla de Filadélfia já com um assinalável cardápio e que se mantém bastante ativa e profícua, lançando um disco praticamente todos os anos, além de alguns singles e compilações, desde que se estreou com Blood, em 2010, está de regresso no ocaso deste verão com <em><span style="color: #99ccff;">Flaunt The Imperfection</span></em>, mais dez canções perfeitas para saborear estes últimos raios de sol mais quentes, enquanto não chega a longa penumbra outunal e o interminável frio e implacável inverno.</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://kingsofar.com/wp-content/uploads/2017/06/Work-Drugs.jpg" alt="Imagem relacionada" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Ainda bem que há determinados projetos que se mantêm, por muito ativos e profícuos que sejam, fiéis a uma determinada permissa sonora e os <span style="color: #99ccff;">Work Drugs</span> são um bom exemplo disso porque proporcionam-nos sempre aquilo que exatamente procuramos neles, um acervo de canções impregnado com aquela sonoridade pop, um pouco <em>lo fi</em> e <em>shoegaze</em>, numa espécie de mistura entre <em>surf rock</em> e<em> chillwave</em>. E este <em><span style="color: #99ccff;">Flaunt The Imperfection</span></em>, que conta com as participações especiais de Maxfield Gast no saxofone, Tim Speece na guitarra e Nero Catalano no baixo, é mais um episódio significativo e bem sucedido num já riquíssimo compêndio proporcionado por um dos projetos mais excitantes da pop contemporânea.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Os <span style="color: #99ccff;">Work Drugs</span> servem-se, então, mais uma vez e ainda bem, de guitarras cheias de charme, alguns efeitos sintetizados cheios de luz e uma bateria eletrónica bastante insinuante para criar canções que contêm um encanto vintage, relaxante e atmosférico. são composições que além de proporcionarem instantes de relaxamento,também poderão adequar-se a momentos de sedução e a ambientes que exigem uma banda sonora que conjugue charme com uma elevada bitola qualitativa.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Apesar destas virtudes no campo instrumental, um dos maiores segredos destes <span style="color: #99ccff;">Work Drugs</span> parece-me ser a postura vocal, às vezes um pouco <em>lo fi</em> e <em>shoegaze</em>, mas que dá às composições aquele encanto <em>vintage</em>, relaxante e atmosférico. Assim, ouvir <span style="color: #99ccff;"><em>Flaunt The Imperfection</em></span> é acompanhar esta dupla norte americana numa espécie de viagem orbitral, mas a uma altitude ainda não muito considerável, numa espécie de <em>posição limbo</em>, já que a maior parte das canções, apesar da forte componente etérea, são simples, concisas, curtas e diretas. Às vezes pressente-se que os <span style="color: #99ccff;">Work Drugs</span> não sabem muito bem se queriam que as músicas avançassem para uma sonoridade futurista, ou se tinham a firme intenção de deixá-las a levitar naquela<em> pop</em> típica dos anos oitenta. É certamente nesta aparente indefinição que reside uma importante virtude destes <span style="color: #99ccff;">Work  Drugs</span>, uma dupla que espelha com precisão o manto de transição e incerteza que tem invadido o cenário da <em>pop</em> de cariz mais alternativo e independente.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Quando se torna difícil inventar algo novo, a melhor opção poderá passar por baralhar e voltar a dar, de preferência com as cartas muito bem misturadas e os trunfos divididos, talvez num cenário de gravidade zero. Aqui, o charme libidinoso do saxofone de <em><span style="color: #99ccff;">Cheap Shots</span></em>, a inconfundível toada nostálgico contemplativa de <em><span style="color: #99ccff;">Magic In The Night</span></em>, o <em>rock</em> impulsivo de <em><span style="color: #99ccff;">Alternative Facts</span></em> e o delicioso encanto retro de <em><span style="color: #99ccff;">Midnight Emotion</span></em>, são apenas alguns dos trunfos com que os <span style="color: #99ccff;">Work Drugs</span> jogam com quem os escuta para conquistar o apreço de quem se deixar enredar sem dó nem piedade por esta teia sonoroa tremendamente sensorial e emotiva e, por isso, viciante. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4387/35680865223_5fe32430dc_o.jpg" alt="Work Drugs - Flaunt The Imperfection" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">01. For The Year</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">02. Magic In The Night</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">03. Cheap Shots</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">04. Tradewinds</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">05. Flaunt The Imperfection</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">06. Midnight Emotion</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">07. Love Higher</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">08. Alternative Facts</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">09. Giving Up The Feeling</span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;">10. Final Bow</span></p> <p><em><iframe src="https://www.youtube.com/embed/co-13BfKiF8" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></em></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:873737 2017-09-16T12:30:00 The Fresh And Onlys – Wolf Lie Down 2017-09-15T21:15:18Z 2017-09-15T21:15:18Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Lançado através da <em>Sinderlyn Records</em>, <em>House Of Spirits</em> é o novo disco dos <a style="color: #999999;" href="https://thefreshandonlys.bandcamp.com/album/wolf-lie-down">The Fresh &amp; Onlys</a>, um trabalho que sucede a <em>Long Slow Dance</em> (2012), ao EP <em>Soothsayer</em>(2013) e ao aclamado House of Spirits (2014) sendo já o sexto disco da carreira de um grupo que nasceu em 2008, natural de São Francisco, na Califórnia e formado por Tim Cohen, ao qual se juntam, atualmente, Shayde Sartin e Kyle Gibson, com James Kim e James Barone a serem os bateristas de serviço em várias canções deste disco.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.brooklynvegan.com/files/2017/08/fresh-onlys.jpg" alt="Resultado de imagem para The Fresh And Onlys 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Tim Cohen tem tido um ano de 2017 bastante produtivo. Depois de um disco a solo intitulado<em> Luck Man</em> está de regresso com os seus <span style="color: #ff99cc;">The Fresh And Onlys</span> à boleia de um álbum com oito canções que mantêm o projeto numa elevada bitola. É um registo composto por excelentes canções que logo a abrir, com o tema homónimo, refletem um <em>indie rock</em> portentoso, com aquela sonoridade tipicamente americana. Mas não é só <span style="color: #ff99cc;"><em>Wolf Lie Down</em></span> que nos esclarece acerca do feliz acerto deste alinhamento. Daí em diante não faltam outros instantes onde guitarras plenas de <em>fuzz</em> conduzem melodias cativantes, num som que sabe claramente às suas origens, porque exala um odor que se distingue de imediato, tal é a energia deste fio condutor que explora até à exaustão e com particular sentido criativo um filão que abraça todos os detalhes que o <em>indie rock</em>, na sua vertente mais pura e <em>noise</em>, transporta lado a lado com a <em>folk </em>com um elevado pendor psicadélico.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Se o referido tema homónimo debruça-se sobre alguém que anseia quase desesperadamente por um grande amor,  já <em><span style="color: #ff99cc;">Black Widow</span></em>, a canção que encerra <em><span style="color: #ff99cc;">Wolf Lie Down</span></em>, é uma narrativa profunda sobre o lado mais negro da mente humana, sustentada, curiosamente, numa gentil melodia acústica que serve de contraponto ao ideário lírico da canção. E acaba por ser nesta deriva entre dois pólos que muitas vezes se entroncam e misturam na história de cada um de nós que Cohen se inspira para escrever canções que atingem facilmente o nosso âmago, tal é a autenticidade e impressionismo que transportam. Pelo meio, na subtil indiferença do expermentalismo de <em><span style="color: #ff99cc;">Walking Blues</span></em>, na visita que nos é oferecida ao antigo oeste selvagem na curiosa <em><span style="color: #ff99cc;">Becomings</span></em> ou no charme <em>funky</em> que dá ainda mais cor à cósmica <span style="color: #ff99cc;"><em>Qualm Of Innocence</em></span>, ampliada por um coro <em>gospel</em>, nunca nos sentimos aborrecidos à medida que vão desfilando belos acordes de cordas que se entrelaçam com <em>samples</em> de teclado, alguns arranjos de sopros e distorções hipnotizantes que impressionam até quem conhece o catálogo deste grupo norte americano.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">É bom perceber que Cohen sente-se cada vez mais confortável e maduro na sua posição de reverendo denunciador de tudo aquilo que hoje cativa e inquieta toda uma geração que, a meio do seu percurso existencial, vê todo um legado de ideiais e valores prestes a esfumar-se no meio de uma sociedade cada vez mais frenética e tecnológica. O cariz orgânico e assumidamente rugoso de <span style="color: #ff99cc;"><em>Dancing Chair</em></span> expressa esta espécie de grito de revolta, enquanto agrega, bem no centro do alinhamento de <em><span style="color: #ff99cc;">Wolf Lie Down</span></em>, esta viagem criativa e experimental que faz uma espécie de súmula de variadas referências <em>noise</em>, <em>folk</em> e psicadélicas. Tal é conseguido através de um som leve e cativante e com texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegram e nos conduzem à introspeção, sempre com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4390/36318801132_cf0456065b_o.jpg" alt="The Fresh And Onlys - Wolf Lie Down" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff99cc;"><em><span style="font-size: 14pt;">01. Wolf Lie Down</span></em></span><br /><span style="color: #ff99cc;"><em><span style="font-size: 14pt;">02. One Of A Kind</span></em></span><br /><span style="color: #ff99cc;"><em><span style="font-size: 14pt;">03. Qualm Of Innocence</span></em></span><br /><span style="color: #ff99cc;"><em><span style="font-size: 14pt;">04. Walking Blues</span></em></span><br /><span style="color: #ff99cc;"><em><span style="font-size: 14pt;">05. Dancing Chair</span></em></span><br /><span style="color: #ff99cc;"><em><span style="font-size: 14pt;">06. Impossible Man</span></em></span><br /><span style="color: #ff99cc;"><em><span style="font-size: 14pt;">07. Becomings</span></em></span><br /><span style="color: #ff99cc;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. Black Widow</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/yNmMhdyucIw" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:876096 2017-09-15T13:40:00 Chad VanGaalen – Light Information 2017-09-15T08:45:58Z 2017-09-15T08:45:58Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Editado no passado dia oito de setembro, por intermédio da <a style="color: #999999;" href="https://www.subpop.com/releases/chad_vangaalen/light_information">Sub Pop Records</a>,<em> <span style="color: #ff9900;">Light Information</span></em> é o novo trabalho de <span style="color: #ff9900;">Chad Van Gaalen</span>, um canadiano natural de Calgary e um músico, autor e compositor de quem já sentia saudades, nomeadamente dos seus devaneios cósmicos. Desaparecido depois de em 2010 ter editado o excelente <em>Diaper Island, </em>andou, pelos vistos, a aprender a usar o <em>pedal steel</em>, além de ter trabalhado na banda desenhada de ficção científica <em>Translated Log Of Inhabitants, </em>surpreendeu a crítica e os fãs três anos depois com o excelente<em> Shrink Dust </em>e agora, no final deste verão, oferece-nos mais trinta e oito minutos de excelente música indelevelmente marcada pela parentalidade, uma novidade feliz na vida do ser humano <span style="color: #ff9900;">VanGaalen</span>.</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><img src="https://subpop-wysiwyg.s3.amazonaws.com/uploads%2F1498052637585-ChadVanGaalen_2017_promo_01_MarcRimmer_600-72.jpg" alt="Resultado de imagem para chad vangaalen 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><span style="color: #ff9900;">Chad</span> é um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que ele idealizou. Assim, as suas composições refletem, com alguma minúcia, estados de alma e os contextos que definem o seu momento, através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de <em>folk </em>psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada. Esta matriz sonora mais aventureira começou a ganhar forma no antecessor de <em>Shrink Dust</em>, o tal <em>Diaper Island</em>, já que antes disso, em <em>Infiniheart</em> (2004) e <em>Soft Airplane</em> (2008), apostou numa sonoridade<em> folk</em> eminentemente acústica e orgânica. Agora, em <em><span style="color: #ff9900;">Light Information</span></em>, o autor confronta-nos com uma luminosidade algo inédita, mostrando-se vivo e estranhamento empático e exuberante no modo como comunica connosco.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Sendo a eletrónica o terreno onde musicalmente <span style="color: #ff9900;">VanGaalen</span> se move com maior conforto, <span style="color: #ff9900;">Chad</span> acaba por olhar com mais atenção para a indie pop movida a cordas reluzentes, nomeadamente no modo como em <em><span style="color: #ff9900;">Mind Hijacker's Curse</span></em> recria uma toada pulsante e algo épica movida através de uma batida enérgica e um efeito sintetizado cósmico a cheirar ao universo de um Bowie por todos os poros e na leveza de <span style="color: #ff9900;"><em>Pine and Clover</em> </span>ao oferecer-nos um cândido instante de <em>blues folk</em> acústica particularmente embaladora e intimista. Acabam por ser dois exemplos antagónicos de uma filosofia comum que busca uma maior assertividade no modo como se serve do habitual formato canção para atingir uma maior variedade de fãs, mesmo que em instantes como a soturna psicadelia de <em><span style="color: #ff9900;">Host Body</span></em> ou a sobriedade acústica mas indisfarcavelmente <em>punk</em> de <em><span style="color: #ff9900;">Faces Lit</span></em>, o músico se mantenha fiel aos seus genes, reproduzindo aqui alguns dos sons mais orgânicos que podemos escutar no seu cardápio.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;">Sintetizadores e teclados, são apenas uma pequena parte do arsenal bélico com que ele nos sacode e traduz, na forma de música, a mente criativa que nele vive e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que ele vê, pensa e sente. Se <em><span style="color: #ff9900;">You Fool</span></em> é um exercício de manifestação óbvia daquilo que nos faz mudar o facto de sermos pais, enquanto coloca já a nú alguns detalhes que justificam o cariz psicadélico e aventureiro que anima <span style="color: #ff9900;">Chad</span>, com as guitarras de <em><span style="color: #ff9900;">Broken Bell</span></em>, apresentadas logo a seguir, a reforça-se o novo enquadramento da obra, cheia de fragmentos de sons sintetizados e distorcidos, versos hipnóticos e vozes com forte pendor <em>lo fi</em>, mas também subtis instantes melódicos de pura subtileza e encantamento. Chega-se ao ocaso e em <em><span style="color: #ff9900;">Static Shape</span></em>, ao conferirmos uma nuvem de distorções leves e acolhedoras, enquanto a lisergia sintetizada em que se acomodam cria paisagens sonoras verdadeiramente alucinogénicas, ficamos convencidos da enorme beleza e criatividade impressas num disco que buscou novos estímulos, de forma mais ponderada, com todos os arranjos e detalhes a terem sido certamente ponderados de forma muito cuidada, pois só assim se entende o audível aconchego da profusão de sons e de ruídos e poeiras sonoras que o trespassam, sempre com sentido e ordem, já que tudo parece encaixar devidamente e percebe-se diferentes colagens e sobreposições de sons.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><span style="color: #ff9900;"><em>Light Information</em></span> é, portanto, um verdadeiro jogo de texturas e distorções controladas pelos nossos ouvidos. Um passeio pela essência da música psicadélica, idealizado por um inventor de sons que nos canta as subtilezas da sua existência pessoal, mas sem nunca se entregar ao exagero, até porque é explícita a toada experimental que ocupa este compêndio verdadeiramente obrigatório. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4440/36300125180_3d5b46a6f8_o.jpg" alt="Chad VanGaalen - Light Information" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>01. Mind Hijacker’s Curse</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>02. Locked In The Phase</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>03. Prep Piano + 770</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>04. Host Body</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>05. Mystery Elementals</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>06. Old Heads</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>07. Golden Oceans</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>08. Faces Lit</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>09. Pine And Clover</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>10. You Fool</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>11. Broken Bell</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt; font-family: arial, helvetica, sans-serif;"><em>12. Static Shape</em></span></p> <p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/WQqTFJdNpZI" width="540" height="340" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:879828 2017-09-11T16:52:00 The National - Sleep Well Beast 2017-09-11T16:03:29Z 2017-09-11T16:03:29Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Foi no último dia oito que chegou aos escaparates e através da 4AD, <span style="color: #666699;"><em>Sleep Well Beast</em></span>, o tão aguardado novo registo de originais dos norte-americanos <span style="color: #666699;">The National</span>, que sucede a <em>Trouble Will Find Me</em>, o disco que a banda de Matt Berninger e os irmãos Dessner e Devendorf editou no já longínquo ano de 2013. Sétimo disco da carreira do grupo, <em><span style="color: #666699;">Sleep Well Beast</span></em> foi produzido por Aaron Dessner, com produção adicional de Matt Berninger e Bryce Dessner, misturado por Peter Katis e gravado no estúdio Long Pond em Hudson Valley, Nova Iorque.</span></p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://files.list.co.uk/images/2017/05/11/the-national-lg.jpg" alt="Resultado de imagem para The National band 2017" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os <span style="color: #666699;">The National</span> sempre foram bem aceites e acarinhados por cá devido ao modo como, nos primeiros discos, se tornavam automaticamente nossos amigos e confidentes, não só pela forma como abordavam a tristeza, dando-nos pistas concretas não só na forma de lidar com ela, mas também porque nos mostravam o caminho para a redenção, nem que fosse através da simples lembrança de que amanhã há um novo dia e que a esperança nunca pode esmorecer. E faziam-no apostando as fichas todas na voz grave de Berninger, conjugada com arranjos bastante melódicos, refrões simples e versos acessiveis que, aliando-se a uma orgânica melódica particularmente minimal, mas profunda e crua, nos facultavam tal universo fortemente cinematográfico e imersivo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Seja por mero capricho, por uma questão de maturidade ou simples espírito aventureiro, a verdade é que tem havido um certo abandono dessa zona de conforto, o que, não colocando em causa a carreira dos <span style="color: #666699;">The National</span>, tem levado a banda para territórios sonoros menos imediatos e orgânicos, com os sintetizadores e outros arranjos e instrumentos inéditos, a fazerem cada vez mais parte do ideário sonoro do grupo. Desse modo, o primeiro grande elogio que se pode fazer a <em><span style="color: #666699;">Sleep Well Beast</span> </em>é que não atira o quinteto nova iorquino para uma possível queda na redudância convencional ou na repetição aborrecida. Portanto, ultimamente, a cada novo lançamento do grupo, mais do que perceber com clareza aquilo que une o alinhamento à herança, convém olhar com atenção para os pontos de ruptura e de diferenciação, algo pertinente desde o antecessor, <em><span style="color: #666699;">Trouble Will Find Me</span></em>. Antes disso a estratégia era claramente outra, já que se <em>Sad Songs for Dirty Lovers</em>  foi a estreia assumida do grupo num contexto mais negro, apesar de não ser o primeiro disco da banda, dois anos depois <em>Alligator</em> trouxe uma maior variedade instrumental e, em 2007, <em>Boxer </em>carimbou a definitiva maturidade e internacionalização do coletivo, além de ter  posicionado na figura do vocalista um personagem que caminhava confortavelmente por cenários que descrevem dores pessoais e escombros sociais. Quanto a <em>High Violet</em> (2010), serviu para colocar ênfase numa toada mais épica e aberta do grupo e demonstrar a capacidade eclética que também têm de compôr, em simultâneo, temas com um elevado teor introspetivo (<em>Conversation 16</em>, <em>Sorrow</em> ou <em>Terrible Love</em>) e verdadeiros hinos de estádio (<em>England</em>,<em>Bloodbuzz Ohio</em>), mas sem defraudar o conceito inicial central.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Agora, ao sétimo álbum, os <span style="color: #666699;">The National</span> conseguem, em temas como <em><span style="color: #666699;">Nobody Else Will Be There</span></em> ou <em><span style="color: #666699;">Walk It Back</span></em>, regressar ao ambiente desolador que percorrem desde o começo de carreira e, ao mesmo tempo, apresentar as novas <em>nuances</em> instrumentais do seu arquétipo, muito firmadas nas teclas e em diversos dos atuais entalhes entre <em>eletrónica</em> e <em>rock</em> alternativo, que procuram incutir luminosidade e cor ao que aparentemente é sombra e rugosidade. Assim, acaba por ser comum escutar em simultâneo, como é o caso de <em><span style="color: #666699;">Born to Beg</span></em>, instantes em que os instrumentos clamam pela simplicidade, mas que acabam por resvalar para uma teia sonora que se diversifica e se expande para, neste caso, com alguma cor e optimismo, dar vida a um conjunto volumoso de versos sofridos, sons acinzentados e o habitual desmoronamento pessoal que nos arrasta sem dó nem piedade para o usual ambiente sombrio e nostálgico da banda e depois há ainda canções, como <em><span style="color: #666699;">Empire Line</span></em>, que prezam pelo minimalismo da combinação de apenas quatro instrumentos, mas que, no fundo, tornam-se num refúgio bucólico e denso que impressiona pelo forte cariz sensorial. Finalmente, há ainda outras que soam mais ricas e trabalhadas, como <em><span style="color: #666699;">The System Only Dreams In total Darkness</span>, </em>talvez o tema do disco que exale com superior precisão o<em> </em>cada vez maior ecletismo de um grupo mais consciente de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes.</span></p> <p dir="ltr" style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Casado e pai de uma filha, Matt afugenta os seus habituais demónios com maior conforto e uma natural aceitação em relação à impossibilidade do total desaparecimento dos mesmos, mesmo que haja atualmente mais instantes e eventos felizes na sua vida pessoal. Não faltam em <span style="color: #666699;"><em>Sleep Well Beast</em></span> bons exemplos que nos remetem para uma certa felicidade, digamos assim, que Matt sente por ter finalmente percebido que os problemas, o sofrimento e a dor estarão sempre lá mesmo que a maior constância de eventos felizes seja uma realidade concreta na sua vida. Há como que uma tomada de consciência de que a existência humana não deve apenas esforçar-se por ampliar intimamente o lado negro, porque ele será sempre uma realidade, mas antes focar-se no que de melhor nos sucede e explorar até à exaustão o usufruto das benesses com que o destino nos brinda, mesmo que as relações interpessoais nem sempre aconteçam como nos argumentos dos filmes. Sendo, sonoramente, o disco mais arriscado da carreira do grupo, <em><span style="color: #666699;">Sleep Well Beast</span></em> é, em suma, uma espécie de exercício de redenção, onde o sofrimento é olhado com a habitual inevitabilidade, mas de uma outra perspetiva, mais madura, assertiva e positiva, um compêndio onde os The National firmam a sua posição na classe dos artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p dir="ltr"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/cdn.beggars.com/fourad/site/images/releases/packshots/5913672e1d363.jpg" alt="Resultado de imagem para The National Sleep Well Beast" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">01. Nobody Else Will Be There (4:39) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">02. Day I Die (4:31) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">03. Walk It Back (5:59) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">04. The System Only Dreams in Total Darkness (3:56) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">05. Born to Beg (4:22) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">06. Turtleneck (3:00) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">07. Empire Line (5:23) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. I’ll Still Destroy You (5:15) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">09. Guilty Party (5:38) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">10. Carin at the Liquor Store (3:33) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">11. Dark Side of the Gym (4:50) </span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt;">12. Sleep Well Beast (6:31)</span></em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/6zG9PHw8dlMLIyRE9TEGGk" width="640" height="360" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:879395 2017-09-10T16:53:00 Noiserv - Caixa de música ONZE 2017-09-10T16:02:24Z 2017-09-10T16:02:24Z <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://2.bp.blogspot.com/-erEiqCs_8Z8/UhNvdpbRXPI/AAAAAAAATcc/AkxDUWK7MhI/s1600/Noiserv+cred-VeraMarmelo+08.jpg" alt="Resultado de imagem para noiserv caixa música onze" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como <a style="color: #999999;" href="http://www.noiserv.net/">Noiserv</a>. Vindo de Lisboa, Noiserv tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs <em>56010-92</em> e <em>A Day in the Day of the Days</em>, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns <em>One Hundred Miles from Thoughtless </em>e <em>Almost Visible Orchestra,</em>adocicados pelo<em> DVD <em>Everything Should Be Perfect Even if no One's There</em>, </em>havendo, desde o outono de 2016 mais um compêndio de canções para juntar a esta lista, um trabalho intitulado<span style="color: #666699;"><em> 00:00:00:00</em></span>, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas um registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://2.bp.blogspot.com/-QvS6YIqBwsM/WbAoWVhitlI/AAAAAAABX7c/0L1xCV7ItTAujlwLSuBkmnbKN48gJTqsgCLcBGAs/s1600/DSCF1286.JPG" alt="Resultado de imagem para noiserv caixa música onze" /></span></p> <p class="m_-5807697465372929335gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt;">A dois meses de comemorar um ano de existência, um dos destaques de <em><span style="color: #666699;">00:00:00:00</span></em>, o tema <em><span style="color: #666699;">ONZE</span></em>, foi transportado para uma bonita caixinha de música, com as teclas do piano a serem replicadas por aquela sonoridade algo metálica, tipicamente infantil, que costuma caraterizar estes objetos que fazem parte do imaginário de todos nós. Compete-nos agora seguir o conselho do David e <em>tornar a música nossa</em>, tocando-a <em>à nossa velocidade</em>.</span></p> <p class="m_-5807697465372929335gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt;">Num ano cheio de concertos um pouco por todo o lado, dentro e fora do nosso país, <span style="color: #666699;">Noiserv</span> considera esta uma boa forma de comemorar a boa receptividade que o disco tem tido junto do público e realmente parece-me uma excelente ideia e que terá certamente grande aceitação. Confere um excerto do tema e o aspecto da caixa e os próximos concertos de <span style="color: #666699;">Noiserv</span>.</span></p> <p class="m_-5807697465372929335gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="text-decoration: underline;"><span lang="DE">Próximos concertos</span></span><span lang="DE">:</span></span></p> <p class="m_-5807697465372929335gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt;">QUA. 13 SETEMBRO- Festival Le Chainon, Laval (França)</span></p> <p class="m_-5807697465372929335gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt;">SÁB. 16 SETEMBRO - Cineteatro João verde, Monção (Portugal)</span></p> <p class="m_-5807697465372929335gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt;">DOM. 17 SETEMBRO - Festival Iminente, Oeiras (Portugal)</span></p> <p class="m_-5807697465372929335gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt;">SEX. 22 SETEMBRO - Teatro Baltazar Dias, Funchal (Portugal)</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/3yhy2ASAMZk?feature=oembed" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:877197 2017-09-08T19:25:00 The Mynabirds - Be Here Now 2017-09-08T14:43:59Z 2017-09-08T14:43:59Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">No ocaso do passado mês de agosto chegou aos escaparates <em><span style="color: #ff99cc;">Be Here Now</span></em>, o novo capítulo da saga discográfica dos <a style="color: #999999;" href="http://themynabirds.com/">The Mynabirds</a> um coletivo <em>indie pop </em>encabeçado pela cantora e compositora Laura Burhenn. Depois de <em>What We Lose in the Fire We Gain in the Flood</em> (2010), <em>Generals</em> (2012) e <em>Lovers Know</em> (2015), sempre através da <a style="color: #999999;" href="http://saddle-creek.com/store/681">Saddle Creek Records</a>, este último um disco gravado em Los Angeles, Joshua Tree, Nashville e Auckland, na Nova Zelândia e produzido por Bradley Hanan Carter, agora chegou a vez de <span style="color: #ff99cc;"><em>Be Here Now</em></span>, nove canções abrigadas pela mesma etiqueta e que contêm, como é habitual nesta exímia intérprete, uma variada paleta de sons, replicados por sintetizadores, guitarras elétricas, uma percussão eminentemente sintética e uma voz que encaixa claramente numa sonoridade que bebe essencialmente no <em>indie rock</em> do final do século passado.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://static3.refinery29.com/bin/entry/3fd/x/879741/themynabirds-03slidedp-muller.jpg" alt="Resultado de imagem para the mynabirds Laura Burhenn 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Disco com uma tonalidade bastante atual e com uma componente política quase óbvia e declarada, em <em><span style="color: #ff99cc;">Be Here Now</span></em> Laura trabalhou com o produtor Patrick Damphier no estúdio do mesmo em Nashville e refletiu sobre alguns dos dilemas que atormentam uma américa cada vez mais presa em diversos dilemas antigos que a subida de Trump ao poder potenciou, nomeadamente as dificuldades de integração das minorias e dos imigrantes e o fosso cada vez maior entre ricos e pobres.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os sintetizadores viajantes da balada <em><span style="color: #ff99cc;">Cocoon</span></em>, a nostálgica e ritmada <em><span style="color: #ff99cc;">Ashes In The Rain</span></em> e o <em>rock</em> pulsante de <span style="color: #ff99cc;"><em>Witch Wolf</em></span>, três temas conjugados com uma orgânica sentimental e bastante emotiva, acabam por nos mostrar com clareza a filosofia estilística de um disco cheio de canções com uma profundidade épica sustentada num catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia, mas que não descura a visceralidade típica do <em>indie rock</em> mais portentoso. Mesmo alguns instantes mais delicados atestam esse vínculo forte com um ambiente sedutor, particularmente feminino e intenso, mas sem colocar de lado a presença de uma distorção ou um detalhe mais rugoso.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Como costuma suceder nos discos dos <span style="color: #ff99cc;">The Mynabirds</span>, a voz é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai. A produção está melhor do que nunca, com Laura a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente e sem violar a essência de quem adora afogar-se em metáforas, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Profundo e expansivo, <em><span style="color: #ff99cc;">Be Here Now</span></em> constitui um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo dos <span style="color: #ff99cc;">The Mynabirds</span>, ampliado também por alguns arranjos inéditos, que oferecem um acrescento claro a esse cardápio, até pelo inedetismo do seu arquétipo, olhando para outras composições do grupo. É mais um tesouro rico, belo e que merece ser incensado e divulgado,<em> </em>até por causa do tal olhar contemporâneo, abrigado numa sonoridade claramente <em>vintage</em>, sem rodeios, medos ou concessões e com um espírito aberto e criativo. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4428/36726917226_b16a0084a7_o.jpg" alt="The Mynabirds - Be Here Now" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>01. Be Here Now</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>02. New Moon</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>03. Golden Age</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>04. Shouting at the Dark</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>05. Cocoon</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>06. Witch Wolf</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>07. Ashes In The Rain</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>08. Hold On</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>09. Wild Hearts</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/XxbG_Ili0NM" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=42261066/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="640" height="360" style="padding: 10px; width: 551px; height: 309px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:875975 2017-09-07T09:27:00 King Gizzard and the Lizard Wizard - Sketches Of Brunswick East 2017-09-06T20:38:19Z 2017-09-06T20:38:19Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Quando no início do ano o projeto australiano <span style="color: #ffcc00;">King Gizzard and the Lizard Wizard</span> de Stu Mackenzie anunciou que iria lançar cinco álbuns em 2017, foram muitos os cépticos que se apressaram a apontar o dedo à impossibilidade deste grupo de <em>rock</em> psicadélico conseguir levar por diante tal desiderato. Mas a verdade é que <em><span style="color: #ffcc00;">Sketches Of Brunswick East</span></em>, treze canções que viram a luz do dia a vinte e cinco de agosto, através da ATO Records, são já o terceiro capítulo desta imponente saga onde detalhes da <em>soul</em>, do <em>jazz</em>, do <em>rock</em>, essencialmente o setentista e sonoridades africanas e até a <em>folk</em> tradicional inglesa se misturam, para dar vida e cor a um alinhamento onde também teve uma importante palavra a dizer Alexander Brettin, outro músico australiano e natural de Brunswick East, bairro dos subúrbios de Melbourne, tal como Stu e fã de Todd Rundgren e Wire, que tem como carapaça <em>pop</em> o projeto Mild High Club.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://cdn3-www.musicfeeds.com.au/assets/uploads/925600acc241d648a3ab81c813cbd899.jpg" alt="Resultado de imagem para King Gizzard and the Lizard Wizard 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com os <span style="color: #ffcc00;">King Gizzard and the Lizard Wizard</span> a contarem já com cerca de uma dezena de discos em carteira, a verdade é que este <em><span style="color: #ffcc00;">Sketches Of Brunswick East</span></em> é já o terceiro trabalho que também conta com a participação dos Mild High Club. E <em><span style="color: #ffcc00;">Sketches Of Brunswick East</span></em>, que também alude ao clássico de Miles Davis, <em>Sketches Of Spain</em>, <span style="line-height: 1.3;">resulta na plenitude, porque é profusamente intensa e feliz esta estreita colaboração entre Stu e Alexander, nomeadamente através da modo como trocam trechos de guitarra acústica, que acabam por servir depois de base a um posterior trabalho de aperfeiçoamento e desenvolvimento por parte dos restantes membros dos <span style="color: #ffcc00;">King Gizzard and the Lizard Wizard</span>, com o resultado final, mais uma vez, a ser verdadeiramente intenso e contagiante.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">O disco inicia com um solo de piano lindíssimo por parte de Brettin, secundado por alguns detalhes percurssivos da autoria do baterista Michael Cavanagh e a partir daí o que se escuta é uma verdadeira espiral entusiasta e multicolorida, que nos colocabem no centro de um tornado que, da psicadelia, à <em>dream pop</em>, passando pelo <em>shoegaze</em> e o chamado<em> space rock</em>, se delicia com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Se ao longo da audição deste álbum parece evidente que tudo aquilo que se pode escutar, dos arranjos às melodias passando pelos diferentes detalhes e<em> samples</em>, é cuidadosamente pensado. É curioso constatar que a busca do caos também pareceu fazer parte da filosofia dominante no processo de construção do arquétipo das várias canções. O <em>jazz</em> experimental acaba por ser a base, mas é muito redutor uma catalogação tão objetiva já que, obedecendo a uma filosofia firme de controle instrumental, quer a homenagem descarada à melhor <em>bossa nova</em> em <span style="color: #ffcc00;"><em>You Can Be Your Silhouette</em></span>, assim como os devaneios dos sopros divagantes de <span style="color: #ffcc00;"><em>Sketches Of Brunswick East II </em></span>e o modo como em <em><span style="color: #ffcc00;">The Spider And Me</span> </em>as variações rítmicas também sobressaiem devido ao modo como as cordas se entrelaçam com a voz, são apenas alguns exemplos felizes que nos remetem para um espetro muito mais vasto e abrangente, onde diferentes estruturas e influências submergem e se acotovelam, quase em uníssono, para conseguirem destaque entre si. É, em pouco mais de trinta minutos, o espraiar indulgente e sereno de uma prévia colocação numa máquina de lavar, num programa que permitiu uma espécie de rotação e sobreposição constante de tudo aquilo que a herança musical contemporânea, de índole eminentemente psicadélica, foi agregando e assimilando ao longo das últimas cinco décadas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Mais uma vez os <span style="color: #ffcc00;">King Gizzard and the Lizard Wizard</span> conseguem facultar-nos um acervo de canções único e peculiar e que resulta, certamente, da consciência que Stu, o grande mentor do projeto, tem das transformações que abastecem a música psicadélica atual, enquanto tenta ligar-nos umbilicalmente aquela que considera ser a melhor lista de referências essenciais na parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que tem inundado os nossos ouvidos ultimamente. Sendo este seu terceiro disco do ano um tratado sonoro de natureza hermética, também não se furta a quebrar algumas regras da <em>pop</em>, nomeadamente na questão da crueza<em> lo fi</em>, e até de desafiar as mais elementares do bom senso, impressionando, assim, pelo arrojo e mostrando-se genial no modo como dá vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao <em>rock </em>psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media.pitchfork.com/photos/59a57f6ac9e5b874e1356a25/1:1/w_320/a4206546710_16.jpg" alt="Sketches of Brunswick East artwork" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>01. Sketches Of Brunswick East I</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>02. Countdown</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>03. D-Day</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>04. Tezeta</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>05. Cranes, Planes, Migraines</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>06. The Spider And Me</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>07. Sketches Of Brunswick East II</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>08. Dusk To Dawn On Lygon Street</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>09. The Book</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>10. A Journey To (S)hell</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>11. Rolling Stoned</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>12. You Can Be Your Silhouette</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt;"><em>13. Sketches Of Brunswick East III</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/1rbZVgbBzXO4eQN2hwEg7Q" width="640" height="360" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:877663 2017-09-06T14:26:00 Andrew Belle – Dive Deep 2017-09-06T13:33:56Z 2017-09-06T13:33:56Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">O compositor e músico californiano <a style="color: #999999;" href="https://www.google.pt/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=14&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=0ahUKEwiLuMq7043WAhXEXhoKHQuNBa0QFgh6MA0&amp;url=http%3A%2F%2Fandrewbelle.com%2F&amp;usg=AFQjCNEp02QXotcOy9aXLwn_JNCfy6ss8w">Andrew Belle</a> regressou este verão aos discos com <em><span style="color: #666699;">Dive Deep</span></em>, onze canções escritas e compostas por um dos intérpretes mais importantes da i<em>ndie pop</em> atual no lado de lá do atlântico, um artista que conhece, com minúcia e destreza, como replicar um ambiente sonoro multicolorido e espetral, sendo claramente influenciado pela paisagem multicultural de Los Angeles, cidade onde <span style="color: #666699;">Andrew</span> vive atualmente.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.immusicmag.com/wp-content/uploads/2016/12/1dd494b7-c817-454c-b2b1-b25ef7181be6-1040x690.jpg" alt="Resultado de imagem para andrew belle 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">O alinhamento de <em><span style="color: #666699;">Dive Deep</span></em> contém um forte cunho impressivo enquanto explora algumas das mais contemporâneas interseções entre <em>pop</em> e eletrónica, através de uma vasta paleta instrumental que dando primazia ao sintetizador não deixa também de recorrer a alguns detalhes e arranjos de índole mais orgânica, em especial os percurssivos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">No clima etéreo e fortemente climático de <em><span style="color: #666699;">Horizon</span></em> e na batida pulsante de <em><span style="color: #666699;">Black Clouds</span></em> encontramos, logo à partida, um som cheio e irrepreensivelmente produzido, repleto de pequenas <em>nuances</em> que nos vão espevitando e nos fazem manter o foco na audição, à medida que <span style="color: #666699;">Belle</span> explana todos os seus atributos não só como cantor, mas também, e principalmente, como escritor de poemas que servem a todos quantos procuram viver com intensidade e procuram usufruir o que de melhor a vida pode proporcionar.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Depois de um excelente ano em 2013, que teve como momento alto a edição do aclamado disco <em><span style="color: #666699;">Black Bear</span></em>, <span style="color: #666699;">Andrew</span> perdeu a voz durante dois meses e nesse período sentiu enorme receio de ter de lidar com um futuro sem a música no centro da sua vida. Felizmente recuperou desse grave problema de saúde e este <em><span style="color: #666699;">Dive Deep</span></em> reflete, com honestidade e uma certa exaltação, a alegria que o músico voltou a sentir por ter novamente a capacidade de utilizar os seus atributos vocais para transmitir tudo aquilo que o emociona.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #666699;"><em>Dive Deep</em></span> acaba por ser um disco que debruçando-se sobre a normalidade da existência humana e as suas rotinas, procura também vestir a pele de conselheiro na hora de tomar aquelas decisões que tantas vezes definem a ténue fronteira que nos separa do mundo da ignorância e dos medos, do usufruto pleno dos desafios com que somos constantemente confrontados. É um disco de esperança, de coragem, alegre e positivo e que não nos deixa paralisar na indecisão e na dúvida, até porque, conforme indica o tema homónimo, são muitas as vezes em que aquilo que de melhor nos sucede é consequência de um anterior mergulho corajoso no desconhecido e na indecisão. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4381/36753433096_d8fab25546_o.jpg" alt="Andrew Belle - Dive Deep" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>01. Horizon</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>02. Black Clouds</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>03. Down</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>04. Honey And Milk</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>05. Dive Deep</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>06. T R N T</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>07. New York</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>08. You</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>09. Hurt Nobody</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>10. Drought</em></span><br /><span style="color: #666699; font-size: 14pt;"><em>11. When The End Comes</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/nyY8AaDprO4" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:878942 2017-09-04T14:20:00 Mano a Mano - Super Mario 2017-09-04T13:27:32Z 2017-09-04T13:27:32Z <div class="gmail_default"> <p style="text-align: justify;"> </p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://www.ccb.pt/wt843/ht402/images/mediaRep/programacao/2017/musica/novembro/snManoaManoFacebook.jpg" alt="Resultado de imagem para andré bruno santos mano a mano" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os mais atentos ao<em> jazz</em> que se vai fazendo por cá consideram os irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro na atualidade. E são eles que dão a face pelo projeto <span style="color: #808000;">Mano a Mano</span>, que se estreou em 2014 nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de <em>crowdfunding</em> e que agora se prepara para lançar o sucessor.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #808000;"><em>Mano a Mano Vol. 2</em></span> irá ver a luz do dia daqui a algumas semanas e <em><span style="color: #808000;">Super Mario</span></em> é o primeiro avaço divulgado das doze canções que irão constituir um alinhamento que, de acordo com o <em>press release</em> do lançamento, centrar-se-ão num <em>duelo dinâmico de guitarras</em>, um disco cheio de <em>momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato</em>. Assim, a vertente acústica, como se percebe neste <em>single</em>, estará na linha da frente da condução dos temas, que também contarão com a exploração de <em>várias formas de diversificar os arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros) e técnicas percussivas</em>. O Braguinha/Machete, um instrumento tradicional da Madeira parecido com o cavaquinho, também fará a sua aparição em alguns temas do álbum.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">De modo a tornar os concertos dos <span style="color: #808000;">Mano a Mano</span> ainda mais interessantes, haverá uma forte componente visual nos mesmos, com a inclusão de um cenário que retratará uma simples sala-de-estar, com o objetivo de fazer com que o público se sinta mais acolhido e os temas possam fluir de um modo mais descontraído e familiar. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/tQp2jKJBWAQ?feature=oembed" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> </div> <div> </div> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:878702 2017-09-02T15:47:00 LCD Soundsystem – American Dream 2017-09-02T15:03:58Z 2017-09-02T15:03:58Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Já há alguns meses que não restavam quaisquer dúvidas que 2017 iria ser o ano em que os <span style="color: #33cccc;">LCD Soundsystem</span> de James Murphy iriam editar o sucessor de <em>This Is Happening</em>, nomeadamente desde que foram divulgadas na primavera <em><span style="color: #33cccc;">Call The Police</span> </em>e <span style="color: #33cccc;"><em>American Dream</em></span>, os primeiros avanços do novo álbum do grupo nova iorquino e que acaba de ver a luz do dia através da DFA Records do próprio Murphy. São dez canções que em pouco mais de uma hora nos mostram porque devemo-nos sentir verdadeiramente felizes por <em>This Is Happening</em> não ter sido o epílogo da banda, como foi na altura, no início desta segunda década do século XXI, profusamente prometido (<em>It's (really...) Time To Get Away</em>!). E convém referir que este alinhamento deve também algo de significativo a David Bowie, artista com quem Murphy, durante conversas que tinham como objetivo colocar o patrão da DFA a produzir <em>Blackstar</em>, diversas vezes desabafou a saudade que sentia do seu antigo projeto, um sentimento que ele veio a descobrir ser partilhado também por Nancy Whang e Pat Mahoney, outros dois nomes incontornáveis dos <span style="color: #33cccc;">LCD</span>. Aliás, a canção que encerra este<span style="color: #33cccc;"><em> American Dream</em></span>, a sombria e minimal <em><span style="color: #33cccc;">Black Screen</span></em>, debruça-se sobre esta troca afetiva de argumentos entre Bowie e Murphy.</span></p> <p><span style="font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://ksassets.timeincuk.net/wp/uploads/sites/55/2017/04/GettyImages-593252722_LCD_SOUNDSYSTEM_NEW_ALBUM_1000-920x584.jpg" alt="Resultado de imagem para lcd soundsystem 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Quando uma nova corrente do <em>indie rock</em> começou a fazer escola no início deste século em Nova Iorque e as guitarras e o baixo começaram a dar as mãos aos sintetizadores e à eletrónica para invadir as pistas de dança do mundo inteiro, os <span style="color: #33cccc;">LCD Soundsystem</span> estavam na vanguarda desse movimento e a avalancar outros nomes, nomeadamente os Hot Chip, The Rapture, Cut Copy, !!! (<em>chk chk chk</em>), Radio 4 e Fischerspooner, entre outros, alguns deles abrigados pela própria DFA. E a verdade é que com a primeira saída dos <span style="color: #33cccc;">LCD Soundsystem</span> de cena, esse espetro sonoro que tanto sucesso obteve durante cerca de uma década, passou a viver um pouco na penumbra, apesar de nomes recentes como os Orange Cassettes e os próprios Liars parecerem sempre dispostos a levar o <em>garage rock</em> novamente nessa direção com assinalável mestria, sempre dançável e psicadélica. Agora, com este segundo capítulo do projeto de James Murphy e tendo em conta a assombrosa bitola qualitativa de <em><span style="color: #33cccc;">American Dream</span></em>, os dados estão novamente lançados para que o <em>dance post punk rock</em> volte novamente a estar na linha da frente e em plano de destaque no universo sonoro indie e este grupo volte a ocupar um trono que, no fundo, nunca deixou de lhes pertencer.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"><em><span style="color: #33cccc;">American Dream</span></em> está repleto de composições intensas e melancólicas e que nos possibilitam usufruir de um mosaico declarado de referências, que se centram, essencialmente, numa mescla entre a típica eletrónica<em> underground</em> nova iorquina e o colorido <em>neon</em> dos anos oitenta, havendo inclusive, dentro desta bitola referencial, períodos introspetivos, que depois resvalam para finais épicos e de maior exaltação. Logo nos <em>flashes</em> sintetizados vigorosos e no piano divagante da futurista <span style="color: #33cccc;"><em>Baby</em></span> se percebe que este é um disco que não defraudará toda a herança que traz atrás de si. E depois, no ritmo tribalista deliciosamente anguloso, proporcionado, em grande parte, pelo intenso baixo, de<span style="color: #33cccc;"><em> Other Voices</em></span>, exemplarmente acompanhado pelo habitual efeito vocal ecoante de um James Murphy que canta e declama em simultâneo, somos de imediato transportados para os melhores momentos daquele já algo longínquo disco homónimo que ofereceu aos <span style="color: #33cccc;">LCD Soundsystem</span> a rampa de lançamento perfeita para um merecido estrelato.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Com estes dois temas iniciais a fazerem a ponte perfeita entre um glorioso passado e aquilo que os <span style="color: #33cccc;">LCD Soundsystem</span> querem continuar a explorar nesta nova demanda, <em><span style="color: #33cccc;">American Dream</span></em> prossegue numa espécie de balanço entre aquele clima <em>underground</em> que pisca o olho de modo bastante apetecível às pistas e momentos de algum pendor mais reflexivo, nomeadamente acerca do modo como Murphy vê a América que atualmente tanto o inquieta. Assim, se os devaneios rítmicos e o modo como é constantemente amplificada uma das cordas do baixo em <em><span style="color: #33cccc;">Change Yr Mind</span></em>, ou o festim sintético que transborda por todos os poros da efusiva e lasciva Tonite, são composições que nos fazem abanar a anca mesmo que não haja um firme propósito, apenas e só o facto de ser hora de celebrar. Já na espiral instrumental em que crescem guitarras e bateria em <span style="color: #33cccc;"><em>I Used To</em></span>, ou na cadência algo angustiada do tema homónimo, que talvez procure refletir o modo como o tal sonho americano é hoje apenas uma ilusão sem sentido, sentimo-nos impelidos a procurar entender o modo como Murphy, sendo um dos melhores <em>entertainers</em> da atualidade, é também capaz de se sentir frustrado e desanimado com aquilo que observa ao seu redor. O espetacular baixo e o pendor exaltante dos sintetizadores e da batida crescente de <em><span style="color: #33cccc;">Call The Police</span></em>, acabam por fazer desta canção uma espécie de tema aglutinador perfeito de todo este receituário, um tema onde é possível descobrir razões para dançar de olhos fechados e a sorrir enquanto se pensa na vida e naquilo que mais nos consome e inquieta.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Disco que exige várias audições para ser devidamente compreendido, até porque vive muito deste apelo constante, mas nem sempre explícito, à festa, <em><span style="color: #33cccc;">American Dream</span></em> talvez reflita, no fundo, a realidade atual de uma América onde não existem, nos dias de hoje, muitas razões para celebrar ou motivos que inspirem à criação musical que exale, de modo evidente, a gloriosa celebração do que é viver num país que nunca se cansa de apregoar que lidera os destinos do mundo. De um modo mais particular, talvez aquele que mais interesse, ensina-nos que nunca é tarde para recomeçar, que os anos podem passar por nós, mas o nosso espírito pode manter-se amplamente jovial e criativo, mesmo que isso suceda de modo menos intuitivo, mas mais refletido, maduro e consciente. É assim, de certo modo, a melhor descrição que se pode fazer destes renovados <span style="color: #33cccc;">LCD Soundsystem</span> como entidade. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4423/36787294501_10e097850b_o.jpg" alt="LCD Soundsystem - American Dream" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>01. Oh Baby</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>02. Other Voices</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>03. I Used To</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>04. Change Yr Mind</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>05. How Do You Sleep?</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>06. Tonite</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>07. Call The Police</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>08. American Dream</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>09. Emotional Haircut</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>10. Black Screen</em></span></p> <p><span style="font-size: 14pt;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/lqq3BtGrpU8" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:877971 2017-08-31T15:50:00 Purity Ring – Asido 2017-08-31T15:09:40Z 2017-08-31T15:09:40Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4442/36633090692_ed5c7e3d34_o.jpg" alt="Purity Ring - Asido" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Cinco anos depois do lançamento da obra prima <em>Shrines</em>, a dupla canadiana <span style="color: #ff6600;">Purity Ring</span>, de Megan James e Corin Roddick, comemora essa efeméride com a divulgação de um novo tema intitulado <span style="color: #ff6600;"><em>Asido</em></span>, a primeira composição do projeto após Another Eternity (2015).</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Como seria de esperar, tendo em conta o propósito da canção, <em><span style="color: #ff6600;">Asido</span></em> remete-nos para o ideário algo enigmático e negro de <em>Shrines</em>, com uma letra muito focada na figura humana e que compara as suas formas anatómicas a uma paisagem com aspetos típicos de ambos os campos lexicais a sublimarem-se entre si. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/3ivaGaT2jq0" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:876905 2017-08-30T14:51:00 Liars – TFCF 2017-08-30T14:56:49Z 2017-08-30T14:56:49Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Poucas bandas se transformaram tanto ao longo da última década como o trio de Nova Iorque chamado <span style="color: #ff0000;">Liars</span> e formado originalmente por Angus Andrew, Aaron Hemphill e Julian Gross. Deram início à carreira com uma sonoridade muito perto do <em>noise rock</em>, com experimentações semelhantes ao que fora testado pelos Sonic Youth do início de carreira e até com algumas doses de <em>punk dance</em> e aos poucos foram aproximando-se de uma sonoridade mais amena e introspetiva. O que antes era ruído, distorção e gritos desordenados, passou a debitar algo mais brando, com uma proposta de som muito mais voltada para um resultado atmosférico, definição que passou a imperar com evidência desde o disco homónimo lançado em 2007. Este toque experimental acabou por se manter e <em><a style="color: #999999;" href="http://stipe07.blogs.sapo.pt/264584.html">WIXIW</a> </em>(pronuncia-se <em>wish you</em>), em 2012, foi o culminar de uma tríade que começou no tal <em>Liars</em> de 2007 e prosseguiu em <em>Sisterworld</em> (2010). Dois anos depois, em 2014, os <span style="color: #ff0000;">Liars</span> voltam a apostar numa inflexão sonora com <em>Mess</em>, um disco que apresentava uma mistura nada anárquica, mas bastante heterogénea de todos os vetores sonoros que orientaram, até então, a carreira do trio, um álbum carregado de batidas, com uma base sonora bastante peculiar e climática e com propostas ora banhadas por um doce toque de psicadelia a preto e branco, ora consumidas por um teor ambiental denso e complexo.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://static.spin.com/files/2017/08/unnamed-23-1503515556-640x459.jpg" alt="Resultado de imagem para liars angus andrew 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><em>Mess</em> acabou por ser o disco da ruptura e da implosão de um trio que se desmoronou no meio da inquietude e do tal caos, feito de três visões bastantes diferentes daquele que deveria ser o rumo sonoro mais consistente dos <span style="color: #ff0000;">Liars</span>, um trajeto que após dezassete anos de busca incessante de consensos, acabou por atingir o limite do tolerável. Assim, Angus Andrew vê-se isolado, mas não dá baixa da marca registada <span style="color: #ff0000;"><em>Liars</em></span>, preferindo, com o acordo dos ex colegas, continuar a dar sequência ao universo com esse nome, agora a solo, sendo <em><span style="color: #ff0000;">TFCF</span></em>, o primeiro lançamento discográfico nesta nova realidade do projeto. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os <span style="color: #ff0000;">Liars</span> sempre criaram um som muito difícil de definir porque misturam eletrónica com <em>rock</em> alternativo, <em>noise rock</em>, <em>avant garde</em>, <em>post punk</em> e outras sonoridades e a verdade é que não se pode afirmar que tenham produzido dois trabalhos semelhantes em termos de sonoridade. Este conceito de ruptura mantém-se em <em><span style="color: #ff0000;">TFCF</span></em>, o que talvez prove que Angus acabou por conseguir fazer prevalecer sempre, acima de todos, a sua filosofia, apesar da aparente democraticidade e busca de pontos de equilíbrio, como descrevi.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Composto integralmente por Angus, no seu país de origem, a Austrália, numa ilha ao largo de Sidney, acessível apenas por barco, num clima de auto isolamento claramente imposto, <em><span style="color: #ff0000;">TFCF</span></em> materializa esta oportunidade de ouro que o músico finalmente teve para explanar livremente  os conceitos artísticos com que mais se identifica, procurando, ao mesmo tempo, revitalizar o <em>som</em> <span style="color: #ff0000;"><em>Liars</em></span>, elevando-o para uma nova escala e paradigma de inedetismo até porque, a primeira impressão que se tem logo após a audição deste álbum é que não há nenhum projeto contemporâneo conhecido que possa ser equiparado estilisticamente ao que é apresentado nestas onze canções. Já agora, é curiosa a explicação de Angus para o <em>artwork</em> do disco. Justifica-o afirmando que durante dezassete anos sentiu-se de certo modo casado com Aaron Hemphill, o seu principal parceiro nesta aventura e o último a abandoná-lo (Depois de <em>Mess</em> os <span style="color: #ff0000;">Liars</span> chegaram a ser uma dupla durante algum tempo) e agora que ele o deixou, ficou sozinho, apenas com um vestido de noiva (<em>I felt like I was married to Aaron [Hemphill] creatively, and now that he is gone I am alone in my wedding dress</em>).</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #ff0000;">TFCF</span> acaba por refletir bastante esta nova conjuntura, até porque Angus não se fez rogado na hora de aproveitar algum material sonoro que estava guardado em bruto para o próximo disco do projeto no formato trio e em que Angus e Aaron tinham chegado a trabalhar em conjunto, apesar de, durante esse <em>brainstorming</em> virtual, um estar em los Angeles e o outro em Berlim. <em><span style="color: #ff0000;">No Help Pamphlet</span></em>, um dos poucos momentos acústicos do álbum e onde a guitarra é protagonista, é clara nesta realidade, com a letra a referir-se diretamente a Aaron (<em>OK, that’s it. Those are all the songs I really like… I hope that you have a really great break. And I’m thinking of you all the time.</em>)</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Olhando um pouco para o restante conteúdo do disco, independentemente da abordagem que é feita em cada canção e que varia imenso, a eletrónica é o fio condutor, quase sempre envolvida numa embalagem minimal, embrulhada com vozes e sintetizadores num registo predominantemente grave e ligeiramente distorcido, que cria uma atmosfera sombria, hipnótica e visceral. O clima algo caótico e lo fi de <em><span style="color: #ff0000;">The Grand Delusional</span> </em>personifica, claramente, uma forma de procurar exorcizar o modo angustiante como Angus olha para a nova realidade com que convive, mas depois, quer nas cordas medievas de <span style="color: #ff0000;"><em>Cliché Suite</em></span>, acompanhadas por arranjos que dão um tema um clima <em>spaghetti</em> curioso, quer na batida pulsante, grave e sensual de <em><span style="color: #ff0000;">Staring At Zero</span></em> e nos seus detalhes metálicos, assim como nos <em>samples</em> ambientais da climática <em><span style="color: #ff0000;">Face To Face With My Face</span></em> e no <em>folk punk</em> caliedoscópico de <span style="color: #ff0000;"><em>No Tree No Branch</em></span>, o músico liberta-se um pouco das amarras identitárias e oferece-nos algumas <em>nuances</em> curiosas que deverão projetar um pouco aquele que será futuro sonoro dos <span style="color: #ff0000;">Liars</span>. O vigor percurssivo de <span style="color: #ff0000;"><em>Coins In My Caged Fist</em></span>, acompanhado por um sintetizador algo agreste, talvez seja o momento de <span style="color: #ff0000;"><em>TFCF</em></span> que mais nos remeta para o passado, mas de um modo feliz porque é um tema que vai beber à fonte de <span style="color: #ff0000;"><em>Drums Not Dead</em></span>, a obra-prima do grupo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Disco que personifica, sem rodeios, um estado de (in)consciência muito próprio de um autor que vive num momento crucial da sua existência, quer pessoal quer artística, <em><span style="color: #ff0000;">TFCF</span></em> é um corpo sonoro cheio de especificidades, que precisa e merece ser apreciado de acordo com as regras que ele próprio define, sem ideias pré-concebidas ou expetativas balizadas, até porque, na minha opinião, poderá vir a ser um marco imprescindível para a descrição futura testamental da marca <em><span style="color: #ff0000;">Liars</span></em>, pois estou certo que agora, depois de exorcizados os fantasmas e definidas as novas pistas, Angus não vai ficar por aqui e vai finalmente poder mostrar, sem ter que dar explicações ou fazer concessões, aquilo que artisiticamente realmente vale. E parece ser muito! Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4340/35973919883_27f4c3cb6b_o.jpg" alt="Liars - TFCF" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>01. The Grand Delusional</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>02. Cliche Suite</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>03. Staring At Zero</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>04. No Help Pamphlet</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>05. Face To Face With My Face</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>06. Emblems Of Another Story</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>07. No Tree No Branch</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>08. Cred Woes</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>09. Coins In My Caged Fist</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>10. Ripe Ripe Rot</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>11. Crying Fountain</em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/FfRCQ5UHWCE" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:877471 2017-08-29T21:17:00 We Invented Paris – Catastrophe 2017-08-29T20:56:10Z 2017-08-29T20:56:10Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Já chegou aos escaparates <em><span style="color: #800000;">Catastrophe</span></em>, o novo álbum dos suiços <a style="color: #999999;" href="http://blogs.sapo.pt/drafts/weinventedparis.com/">We Invented Paris</a>, um trabalho que sucede ao excelente <em>Rocket Spaceship Thing</em> que divulguei em 2014 e cujas treze canções catapultam esta banda liderada por Flavian Graber para um novo patamar de excelência dentro de um paradigma sonoro que, numa esfera eminentemente <em>pop</em>, tanto abraça a <em>folk</em> como a eletrónica futurística, mas de forte pendor retro, criando, desta vez, a banda sonora perfeita para aquilo que um realizador cinematográfico dos anos oitenta imaginaria que fosse hoje o nosso planeta, caso tivesse de colocar numa tela as suas visões trinta anos após esse presente.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://s3-eu-west-1.amazonaws.com/mediapool.starticket.ch/wwwroot/ticketing/img/events/768x432_sommercasino_031117_1600x900.jpg" alt="Resultado de imagem para we invented paris 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Começa-se a escutar a atmosfera sintética de <em><span style="color: #800000;">Looking Back</span></em> e o modo como o efeito metálico de uma guitarra vibrante atravessa os teclados para se perceber que estes <span style="color: #800000;">We Invented Paris</span> são um coletivo que aposta numa sonoridade indie com uma forte cariz épico, feita com melodias que transportam uma enorme carga emocional, também bastante ampliada pela irrepreensível postura vocal de Flavian. É uma sonoridade que revela uma enorme competência e interessante grau de criatividade, no que diz respeito ao processo de criação melódica, o que resulta numa atmosfera invulgar e muito agradável de escutar, à qual não escapa nenhuma das treze canções deste<em> <span style="color: #800000;">Catastrophe</span></em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Na verdade, quase todas as músicas são singles em potência; Em sequência, o timbre <em>funk</em> do baixo e da bateria e o efeito robotizado da voz em <em><span style="color: #800000;">Fuss</span></em>, a luminosidade dos arranjos e do piano que proporcionam uma faceta algo sensível e cândida a<em><span style="color: #800000;"> Kaleidoscope</span></em>, os sintetizadores <em>vintage</em> e os ecos que ressoam em <span style="color: #800000;"><em>High Tide</em></span>, o <em>rock</em> inebriante e impulsivo de <em><span style="color: #800000;">Air Raid Shelter</span></em> e do tema homónimo, o piscar de olhos à melhor pop oitocentista nórdica em <em><span style="color: #800000;">Storm</span></em> ou a balada simultaneamente doce e inquietante chamada <em><span style="color: #800000;">A Lake In The Morning</span></em> mostram o quanto as músicas deste disco são heterogéneas e individuais, cada uma com traços próprios e conseguindo, assim, recriarem, em conjunto, uma atmosfera diversificada ao álbum.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os <span style="color: #800000;">We Invented Paris</span> acabam por se destacar porque não são muitas bandas que conseguem agregar tantos géneros musicais diferentes num só trabalho. Neles encontramos<em> </em>quase todos os subgéneros da <em>pop</em> e do melhor <em>rock</em> alternativo, tudo tocado com violas que soam eufóricas, guitarras tímidas, mas também inquietantes e arrebatadoras e sintetizadores que não se envergonham de abraçar uma vasta panóplia de efeitos e batidas contagiantes. Não é fácil encontrar no cenário europeu exterior à realidade anglo-saxónica uma banda que mostre um conteúdo musical com tanta carga emocional e maturidade musical e <em><span style="color: #800000;">Catastrophe</span></em>, ao conter tantos momentos graciosos e suaves, com uma delicadeza notável e uma sensibilidade que se destaca, faz destes <span style="color: #800000;">We Invented Paris</span> uma banda que vale realmente a pena ouvir muitas vezes e aproveitar cada audição de forma diferente, num disco que desperta múltiplas sensações e que demonstra o quanto eles se sentem confortáveis dentro da sonoridade criativa que seguem e replicam. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><em><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4403/36613073392_d93a5bacee_o.jpg" alt="We Invented Paris - Catastrophe" width="400" height="400" /></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>01. Looking Back</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>02. Fuss</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>03. Kaleidoscope</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>04. High Tide</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>05. Air Raid Shelter</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>06. Storm</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>07. Superlove</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>08. Spiderman</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>09. Catastrophe</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>10. Touriste</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>11. A Lake In The Morning</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>12. When Did I Stop</em></span><br /><span style="color: #800000; font-size: 14pt;"><em>13. Arsonist</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/vtcdpVqyPSM" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:878261 2017-08-28T21:05:00 Beck – Dear Life 2017-08-28T20:06:08Z 2017-08-28T20:06:08Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4345/36406892930_fd08849568_o.jpg" alt="Beck - Dear Life" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Depois de mais de meia década de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de <em>stormtrooper</em> e que da aproximação lo-fi ao hip-hop de <em>Mellow Gold </em>e <em>Odelay</em>, passando pela melancolia de <em>Sea Change</em> e a psicadelia de <em>Modern Guilt</em>, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com <em>Morning Phase</em>, o décimo segundo trabalho da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de <a style="color: #999999;" href="http://www.beck.com/">Beck Hansen</a>, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, três anos depois desse belo disco, está de regresso com <em><span style="color: #ffcc00;">Colors</span></em>, dez canções que proporcionarão um novo fôlego na sua carreira, uma espécie de recomeço, depois de nos últimos dois verões ter igualmente surpreendido com dois <em>singles</em> intitulados <em>Dreams</em> e<em> Wow</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><em><span style="color: #ff0000;">Colors</span></em> verá a luz do dia a treze de outubro, com o selo Capitol Records e <em><span style="color: #0000ff;">Dear Life</span></em> é um dos avanços, um tema que sobressai pela luminosidade de um piano e pelo <em>fuzz</em> intermitente de uma guitarra que deve muito aquela estética que além de reviver marcas típicas do <em>rock </em>nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica, sendo indisfarçavel a busca de uma melodia agradável e marcante e rica em detalhes e texturas. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ERoS6y5zE0Y" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:876675 2017-08-25T22:59:00 The War On Drugs – A Deeper Understanding 2017-08-25T21:59:36Z 2017-08-25T22:23:36Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os <span style="color: #333300;">The War On Drugs</span> de Adam Gradunciel já eram sinónimo de saudade na redação de Man On The Moon, até porque não davam sinais de vida desde o excelente <em>Lost In The Dream</em>, editado há cerca de três anos. Refiro-me a um sexteto <span id="db2257r1378_5" class="db2257r1378">norte americano formado </span>pelo baixista Dave Hartley, pelo teclista Robbie Bennett, pelo baterista Charlie Hall e pelos multi-instrumentistas Anthony LaMarca e Jon Natchez, além de Gradunciel e cuja sonoridade descomprometida e apimentada com pequenos delírios acústicos foi aos poucos transformando-se numa referência para vários artistas em início de carreira e não só e que está de regresso em 2017 com um <span id="db2257r1378_4" class="db2257r1378">novo registo</span> de originais. O novo tomo de canções dos <span style="color: #333300;">The War On Drugs</span> intitula-se <span style="color: #333300;"><em>A Deeper Understanding</em></span>, é o quarto da carreira do grupo, que contou na gravação e produção com a ajuda do engenheiro de som Shawn Everett (Alabama Shakes, Weezer) e viu a luz do dia hoje mesmo. Contém dez maravilhosas canções que deambulam entre a <em>folk</em>, a <em>dream pop</em>, o <em>indie rock</em> e a psicadelia e são bem capazes de oferecer ao autor o pódio no que concerne aos álbuns mais influentes, inspirados e acolhedores de 2017.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://img.wennermedia.com/social/the-war-on-drugs-02356325-85eb-4638-897f-48a8e01d48e3.jpg" alt="Resultado de imagem para the war on drugs 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Escutar com devoção os sermões de Gradunciel faz-nos embarcar serenamente e quase sem darmos por isso numa gloriosa viagem pela América que o inspira, uma América ao mesmo tempo tão <em>sui generis</em>, mas também tão genuína nas suas raízes e nos seus cânones fundamentais, mas também uma América plena de contrastes, até porque deve as suas fundações e raízes a numa heterogeneidade civilizacional cimentada ao longo de quatro séculos de choque cultural e civilizacional. E o encontro com este conjunto de incontornáveis permissas é um dos melhores elogios que se pode fazer a um disco que nos mostra com alguma clareza, entre outras coisas, como é viver nos dias de hoje numa sociedade profundamente dividida e carente de um rumo que agregue toda a amálgama de etnias, raças e povos que fazem do maior país do outro lado do atlântico um dos mais heterogéneos e conturbados deste nosso mundo, apesar de apregoar aos sete ventos ser o mais civilizado e desenvolvido de todos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">É curioso ver um tipo tão tímido e introvertido como este Adam Gardunciel parecer querer chamar a si o ónus gigantesco de tentar agregar num mesmo propósito toda uma multiplicidade racial, já que ele compõe canções que tanto servem à esquerda como à direita, a cristãos e a judeus e a brancos, índios, latinos ou negros, porque no fundo daquilo que nelas se fala são de pessoas, seres com uma humanidade própria que, apesar de adorarem vincar divergências, vêem, tantas vezes, quer o amor, quer os sonhos e os anseios, do mesmo modo. O segredo para a pacificação acaba por estar, no fundo, no encontro de pontos comuns e a música dos <span style="color: #333300;">The War On Drugs</span> é fértil a deixar pistas nesse sentido, porque para este grupo a felicidade não olha a cores de pele, heranças ou deuses para se manifestar. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com o <em>reverb</em> das guitarras e os sintetizadores a sustentarem o cardápio sonoro de um disco dinâmico e que se destaca logo na abertura com <em><span style="color: #333300;">Up All Night</span></em>, uma longa canção que apresenta uma progressão interessante e onde vão sendo adicionados os diversos arranjos que adornam as guitarras e a voz, nomeadamente sintetizadores e uma bateria indulgente, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte, <em><span style="color: #333300;">A Deeper Understanding</span></em> parece ser, por cá, a banda sonora ideal para aquecer os dias mais tristonhos e sombrios que se aproximam, mas também já serve para contemplarmos como serenidade o ocaso de um verão algo frenético e que para muitos não ficará gravado pelos melhores motivos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Apesar deste álbum oferecer ao ouvinte diferentes perspetivas sobre a realidade sociológica que abriga os autores, ao longo da dez canções do disco Gradunciel também medita e repousa e cria facilmente no ouvinte suposições relacionadas sobre a sua vida pessoal, já que é inevitável escutar-se canções como <em><span style="color: #333300;">Pain</span></em> ou <em><span style="color: #333300;">Knocked Down</span></em> e concluir-se que este registo está cheio de poemas com uma elevada componente biográfica, que nos permitem entender melhor o âmago do autor, com a curiosidade de o fazermos através de tudo aquilo que de mais transcendental e lisérgico tem sempre a composição e a criação musical. <span style="color: #333300;"><em>Thinking Of A Place</em></span>, onze minutos que são uma verdadeira <em>vibe</em> psicadélica e poeticamente melancólica, com uma progressão interessante e onde vão sendo adicionados diversos arranjos, sintetizadores a batidas que adornam as guitarras e a voz, com um resultado muito atrativo e cativante para o ouvinte, é mais um exemplo concreto deste indisfarçável impressionismo transversal a todo o alinhamento de <em><span style="color: #333300;">A Deeper Understanding</span></em>, um compêndio de várias narrativas onde convive uma míriade alargada de sentimentos que, da angústia à euforia, conseguem ajudar-nos a conhecer melhor a essência do autor e a descortinarmos opinião sobre a tal América que ele medita, assim como as suas conclusões e as perceções pessoais daquilo que observa enquanto a sua vida vai-se desenrolando e ele procura não se perder demasiado na torrente de sonhos que guarda dentro de si e que nem sempre são atingíveis.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Letras tão pessoais exigem, naturalmente, arranjos delicados e cuidados, com os quais o autor se identifique profundamente e, além do esplendor das cordas, particularmente inspiradas na já citada <em><span style="color: #333300;">Pain</span> </em>ou no modo como induzem luz e positivismo a <em><span style="color: #333300;">Nothing to Find</span></em>, há que enfatizar as paisagens sonoroas criadas em <span style="color: #333300;"><em>In Chains</em></span> e <span style="color: #333300;"><em>Strangest Thing</em></span>, duas canções que, apesar de conduzidas pela guitarra, expandem-se e ganham vida devido ao critério que orientou a escolha dos restantes instrumentos e à forma como a voz de Gradunciel se posiciona e se destaca.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #333300;"><em>A Deeper Understanding</em></span> é um trabalho que, do<em> vintage</em> ao contemporâneo, consegue encantar-nos e fazer-nos imergir na intimidade de um Gradunciel sereno e bucólico, através de uma viagem aos universos de Dylan e Kurt Vile, passando por Springsteen, com canções cheias de versos intimistas que flutuam livremente. É um disco simultaneamente amplo e conciso sobre as experiências pessoais do músico, mas também sobre o presente, a velhice, o isolamento, a melancolia e o cariz tantas vezes éfemero dos sentimentos, em suma, sobre a inquietação sentimental, ou seja, o existencialismo e as perceções humanas de uma América que parece ter encalhado e não saber como voltar novamente ao rumo certo. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="font-size: 14pt;"> </span></p> <p><span style="font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4372/35962766483_639c01075e_o.jpg" alt="The War On Drugs - A Deeper Understanding" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>01. Up All Night</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>02. Pain</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>03. Holding On</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>04. Strangest Thing</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>05. Knocked Down</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>06. Nothing To Find</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>07. Thinking Of A Place</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>08. In Chains</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>09. Clean Living</em></span><br /><span style="color: #333300; font-size: 14pt;"><em>10. You Don’t Have To Go</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/J9LgHNf2Qy0" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:843784 2017-08-24T14:06:00 The Veldt - The Shocking Fuzz of Your Electric Fur: The Drake Equation 2017-08-24T13:59:59Z 2017-08-24T13:59:59Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Formados em Raleigh pelos irmãos gémeos Daniel e Danny Chavis, aos quais se juntaram, entretanto, o baterista Marvin Levi e o baixista<span class="text_exposed_show"> David Burris, os <span style="color: #ccffcc;">The Veldt</span> foram, no ocaso do século passado, um dos novos nomes mais interessantes do cenário <em>indie</em> da Carolina do Norte, território onde incubaram grupos do calibre de uns</span> Superchunk, Archers of Loaf, The Connells, Dillon Fence, The dBs, Squirrel Nut Zippers e Ryan Adams, entre outros. Estrearam-se nos registos discográficos em 1992 com <em>Marigold</em>, abrigados já pelo consórcio Stardog/Mercury e o sucesso desse arranque valeu-lhes um lucrativo contrato com a Polygram Records. Com essa bagagem financeira fizeram as malas e foram até Londres onde gravaram <em>Afrodisiac</em>, o segundo álbum do projeto, produzido pelo conceituado Ray Shulman (The Sugarcubes,The Sundays).</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://f4.bcbits.com/img/0006671437_10.jpg" alt="Resultado de imagem para the veldt band The Shocking Fuzz of Your Electric Fur: The Drake Equation" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">De repente, os <span style="color: #ccffcc;">The Veldt</span> viram-se a partilhar o palco com nomes tão distintos como os Oasis, The Cocteau Twins, The Pixies, Fishbone e Corrosion Of Conformity, bandas seminais e preponderantes, um sucesso que acabou por colocar o grupo numa espécie de impasse relativamente ao rumo a seguir, mas que não os impediu de gravar ainda mais dois registos, os discos <em>Universe Boat</em>, através da Yesha Recordings e <em>Love At First Hate</em>, à boleia da etiqueta que a própria banda entretanto tinha criado, a End Of The World Technologies.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span class="text_exposed_show">Após estes quatro álbuns, Danny e Burris abandonam os <span style="color: #ccffcc;">The Veldt</span>, o último dedica-se ao cinema, sendo atualmente produtor da aclamada série <em>Survivor</em>, da CBS e o grupo acaba por encerrar as hostilidades em 1998. De regresso a Nova Iorque, os gémeos</span> Danny e Daniel concentram as suas atenções num novo projeto intitulado Apollo Heights, mais focado em sonoridades relacionadas como o trip-hop e a eletrónica, dos quais resulta um disco que foi bastante aclamado pela crítica, intitulado <em>White Music For Black People</em>, que contou com as participações especiais de Mos Def e Lady Miss Kier e que incluiu nos créditos David Sitek dos TV On The Radio na produção.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Agora, quase duas décadas depois da interrupção, os gémeos Chavis voltam a ressuscitar os <span style="color: #ccffcc;">The Veldt</span>  e fazem-no acompanhados por Hayato Nakao e Marvin Levi e à boleia de um EP intitulado <em><span style="color: #ccffcc;">The Shocking Fuzz of Your Electric Fur: The Drake Equation</span></em>, cinco canções que não envergonham a herança identitária que o grupo guarda. É um alinhamento assente em guitarras plenas de distorção, geralmente conjugadas com batidas sintetizadas e efeitos de índole eminentemente etérea, numa espécie de <em>punk rock</em> futurista, um <em>shoegaze</em> cibernético que replica atmosferas sonoras bastante hipnóticas e contemplativas, como é se percebe logo em <em><span style="color: #ccffcc;">Sanctified</span></em>, o tema que abre o alinhamento do EP. É um som com uma componente elétrica muito intensa e onde o enigmático e marcante falsete vocal de Daniel é também um elemento importante, principalmente no modo como confere um certo travo nostálgico, algo exultante a cantar os delicados versos de <em><span style="color: #ccffcc;">In A Quiet Room</span></em> e mais orgânico e intituivo a conduzir o clima profusamente sintético e rugoso de <em><span style="color: #ccffcc;">A Token</span></em>, canção onde os atributos de Nakao como programador são levados ao extremo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que integrou, de pleno direito, a lista de algumas referências óbvias de finais do século passado,<em><span style="color: #ccffcc;"> The Shocking Fuzz of Your Electric Fur: The Drake Equation</span></em> exala o contínuo processo de transformação de uns <span style="color: #ccffcc;">The Veldt</span> que procuram sempre mostrar, com a marca do <em>indie shoegaze</em> muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=1454240693/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/artwork=small/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:876396 2017-08-23T21:24:00 Swine Tax - Brittle 2017-08-23T20:39:04Z 2017-08-23T20:39:04Z <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://f4.bcbits.com/img/0010808836_10.jpg" alt="Resultado de imagem para swine tax newcastle band" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Dizendo-se influenciados por nomes tão distitos como os The National ou os Modest Mouse, os britânicos <span style="color: #ff6600;">Swine Tax</span> são Vince Lisle, Tom Kelly e Charlie Radford, um trio oriundo de Newcastle e que tem lançado ultimamente uma série de singles disponíveis para audição no <a style="color: #999999;" href="https://soundcloud.com/swinetax">soundcloud</a> da banda, certamente a anteciparem um registo de estreia que deverá também ver a luz do dia muito em breve.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Dessa fornada de canções divulgadas destaco os pouco mais de quatro minutos de <span style="color: #ff6600;"><em>Brittle</em></span>, um tema que contém na perfeição um ambicioso <em>punk rock</em> de forte pendor lo fi mas que não deixa de ser também bastante audível. É feito com um baixo rugoso e vibrante e uma guitarra que inflama distorções verdadeiramente inebriantes, pedras de toque de uma composição algo exuberante pelo modo como transmite um forte sentimento de exclamação simltaneamente enérgico e intimista e que por isso facilmente cativa. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/325250315&color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:867515 2017-08-22T14:52:00 Everything Everything - A Fever Dream 2017-08-22T14:46:24Z 2017-08-22T14:46:24Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #ffcc00;"><em>A Fever Dream</em></span> é o nome do novo disco dos britânicos <span style="color: #ffcc00;">Everything Everything</span>, o quarto registo de originais desta banda oriunda de Manchester e que sucede ao aclamado <em>Get to Heaven</em>, o álbum que o quarteto lançou há cerca de dois anos. Depois de terem trabalhado em <em>Get To Heaven</em> com o consagrado Stuart Price (Kylie Minogue, The Killers e Scissor Sisters), neste <span style="color: #ffcc00;"><em>A Fever Dream</em> </span>contaram, na gravação e produção, com a ajuda de James Ford, habitual colaborador de bandas como os  Arctic Monkeys, Depeche Mode ou os Foals.</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img src="http://letithappenmusicblog.com/wp-content/uploads/2017/06/Everything-Everything-June-2017-1-1500x1000-1038x576.jpg" alt="Resultado de imagem para everything everything band 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Desde 2010 que os <span style="color: #ffcc00;">Everything Everything</span> abordam a condição humana contemporânea e a espécie de miserabilismo que se tem apoderado de um ocidente onde recentemente o <em>brexit</em>, a mudança política no outro lado do atlântico e o terrorismo são eventos algo traumáticos e que marcam negativamente uma realidade fortemente competitiva, frenética e até egoísta para cada entidade individual que luta por um lugar ao sol. Em suma, os <span style="color: #ffcc00;">Everything Everything</span> têm sabido estar sintonizados com o absurdo sociológico e político dos nossos tempos, numa carreira bastante marcada por momentos de profunda reflexão sobre aquilo que os rodeia e agora fazem-no novamente, de modo ainda mais incisivo e abrigados numa pop hiperativa e fortemente sintetizada, a filosofia sonora fundamental que sustenta este<em><span style="color: #ffcc00;"> A Fever Dream</span></em>, onze canções que mostram o quanto o nosso mundo se parece cada vez mais, na óptica do grupo, um lugar pouco convidativo e demasiado instável, porque está repleto de aramadilhas e ziguezagues. A título de exemplo, se a saída do Reino Unido da União Europeia e o aumento da xenofobia nesse país são retratados em <span style="color: #ffcc00;"><em>Put Me Together</em></span>, já <em><span style="color: #ffcc00;">Big Game</span></em> aborda os perigos da propensão humana para o autoritarismo e para o individualismo compulsivos, com ambas as canções a constituirem-se como dois bons exemplos do foco que o grupo coloca nestas questões existenciais.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os <span style="color: #ffcc00;">Everything Everything</span> sempre procuram replicar um som intuitivo, mas que também fosse desafiante. E <em>Se Get To Heaven</em> foi, logo à partida, um trabalho brilhante no modo como demorava a entrar no âmago dos fãs, em <em><span style="color: #ffcc00;">A Fever Dream</span></em> a <em>digestão</em> do conteúdo sonoro parece ser mais acessível, mas sem quebrar o encanto que se sente sempre que um alinhamento nos faz o convite inconsciente e viciante para uma nova audição. Esta permissa já ficou de algum modo explícita quando há algumas semanas foi divulgado <span style="color: #ffcc00;"><em>Can't Do</em></span>, o <em>single</em> de apresentação, uma canção que piscando o olho a um vasto leque de influências que vão da <em>dream pop</em> ao <em>rock</em> progressivo, passando pela eletrónica e o <em>indie rock</em> contemporâneo, plasma um refinado e cuidadoso processo de corte e costura de todo o espetro musical que seduz o grupo. Tematicamente, é um tema que, de acordo com Jonathan Higgs, o líder dos <span style="color: #ffcc00;">Everything Everything</span>, pretende alertar as consciência para a noção de normalidade, porque, de acordo com ele, esse é um conceito que ninguém sabe definir com exatidão e, por isso, nenhuma entidade ou indíviduo se pode apropriar do mesmo e apresentar-se como tal e as outras canções confirmam a impressão inicial que o tema causou. A distorção abrasiva da guitarra e as várias nuances rítmicas de <em><span style="color: #ffcc00;">Ivory Tower</span></em> ou o modo como em <em><span style="color: #ffcc00;">Run The Numbers</span> </em>passamos, numa fração de segundos, de uma atmosfera contemplativa para um rodopio eletrificado carimbam este modo apenas aparentemente irrefletido de compôr, numa espécie de anarquia minuciosamente planeada que no tema homónimo ganha uma dimensão única devido a um piano cheio de solenidade acompanhado por uma electrónica explosiva feita de <em>beats</em> vincados e o falsete único de Higgs, também extraordinário a refletir uma vincado humor negro à medida que acompanha os sintetizadores de <em><span style="color: #ffcc00;">Night Of The Long Knives</span></em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Disco indutor, frenético e provocante, <span style="color: #ffcc00;"><em>A Fever Dream</em></span> é um passo seguro e maduro dos<span style="color: #ffcc00;"> Everything Everything</span> rumo ao estrelato, um agregado interessante e improvável de análise psicológica e sociológica do estado atual do mundo, mas que pode sempre encontrar algum conforto e até, quem sabe, a esperada redenção e salvação nas pistas de dança nele espalhadas. Talvez possa ser a música o elemento conciliador e libertador das civilizações e os<span style="color: #ffcc00;"> Everything Everything</span> parecem querer voluntariar-se para levar a cabo essa cruzada inolvidável. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4389/36442486126_2beeb9b71f_o.jpg" alt="Everything Everything - A Fever Dream" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">01. Night Of The Long Knives</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">02. Can’t Do</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">03. Desire</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">04. Big Game</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">05. Good Shot, Good Soldier</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">06. Run The Numbers</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">07. Put Me Together</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. A Fever Dream</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">09. Ivory Tower</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">10. New Deep</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 14pt;">11. White Whale</span></em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/VrLfU45Gi2w" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:861965 2017-08-21T14:16:00 Steven Wilson - To The Bone 2017-08-21T13:53:45Z 2017-08-21T13:55:46Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Também conhecido pela sua contribuição ímpar nos projetos Porcupine Tree e Storm Corrosion, <span style="color: #ff0000;">Steven Wilson</span> tem também já uma profícua carreira a solo, que viu o seu quinto capítulo a dezoito de agosto último com a edição de <span style="color: #ff0000;"><em>To The Bone</em></span>, o seu mais recente registo discográfico. Este é um dos músicos que na atualidade melhor mistura rock progressivo e eletrónica, fazendo-o sempre com grandiosidade e elevado nível qualitativo. Aliás, basta escutar o antecessor <em>Hand. Cannot. Erase.</em>,(2015) ou a obra-prima <em>The Raven That Refused To Sing (And Other Stories)</em> (2013), para se perceber como <span style="color: #ff0000;">Steven Wilson</span> é exímio nessa mescla e como convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidade, não tendo receio de arriscar, geralmente com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://i0.wp.com/www.prog-sphere.com/wp-content/uploads/2017/01/Steven-Wilson.jpg?resize=620%2C400" alt="Resultado de imagem para steven wilson 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com a participação especial da israelita Ninet Tayeb, que já tinha feito parte dos créditos de <em>Perfect Life </em>e <em>Routine</em>, dois dos melhores temas de <em>Hand. Cannot. Erase.</em>, <span style="color: #ff0000;"><em>Pariah</em></span> foi o primeiro <em>single</em> divulgado de <a style="color: #999999;" href="https://store.universalmusic.com/stevenwilson/?utm_campaign=StevenWilsonTotheBone20170508&amp;utm_content=&amp;utm_medium=genericlink&amp;utm_source=OriginalLink">To The Bone</a>, uma canção que impressiona pela riqueza melódica e por uma assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo, enquanto se debruça sobre alguns dos medos e paranóias do mundo moderno e a dependência que todos sentimos da tecnologia, duas ideias transversais ao restante alinhamento do disco, conforme confessou o autor recentemente (<em>My fifth record is in many ways inspired by the hugely ambitious progressive pop records that I loved in my youth. Lyrically, the album’s eleven tracks veer from the paranoid chaos of the current era in which truth can apparently be a flexible notion, observations of the everyday lives of refugees, terrorists and religious fundamentalists, and a welcome shot of some of the most joyous wide-eyed escapism I’ve created in my career so far.</em>)</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">E na verdade, logo no esplendoroso e altivo tema homónimo as intenções conceptuais do disco ficam claras e percebe-se que este é um alinhamento recheado de momentos instrumentais extraordinários, que assentam quase sempre em <em>riffs</em> de guitarra viscerais e em batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados não só para o <em>krautrock</em>, mas também para um experimentalismo progressivo minuciosamente pensado e peculiar, porque contém uma marca indistinta fornecida por um dos produtores mais inspirados e influentes do cenário musical britânico contemporâneo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">A partir daí não há como ficar indiferente à espiral emotiva sempre crescente que sustenta a nostalgia <em>retro</em> progressiva de <span style="color: #ff0000;"><em>Refuge</em></span>, ao piscar de olhos à pop oitocentista com um certo travo <em>punk</em> que exala das teclas e do baixo da inebriante <em><span style="color: #ff0000;">Permanating</span> </em>e também ao implícito<em> folk rock</em> fornecido por uma linha de guitarra em <em><span style="color: #ff0000;">The Same Asylum As Before</span></em>, com a particularidade de, nesta composição, essas cordas atingirem um nível de distorção algo incomum no cardápio de <span style="color: #ff0000;">Wilson</span>, uma sensação atenuada pelo afago que recebem do piano e por uma forte emotividade vocal. No entanto, a curiosa abordagem vocal a alguns dos cânones que definem o trip-hop de cariz mais ambiental em <em><span style="color: #ff0000;">Song Of I</span> </em>e a luminosidade dos teclados de <em><span style="color: #ff0000;">Nowhere Now</span>, </em>canção<em> </em>feita com um intenso <em>rock</em> progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques deste álbum, com<em> <span style="color: #ff0000;">Detonation</span></em> a ser também suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">A audição de<em> <span style="color: #ff0000;">To The Bone</span> </em>não é apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco <em>pop,</em> mas uma experiência mais alargada, por que é também visual e sonora e que confirma<span style="color: #ff0000;"> Steven Wilson</span> como um guru do <em>post rock</em> experimental, já que ele prova em cada canção, de modo distinto, criativo e envolvente, que é atualmente um nome fundamental e incontornável do universo sonoro em que se insere. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p align="center"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><a style="color: #999999;" title="Steven Wilson - To The Bone" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/36070117781/in/dateposted-public/"><img src="https://farm5.staticflickr.com/4321/36070117781_63faac62e4_o.jpg" alt="Steven Wilson - To The Bone" width="400" height="400" /></a></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">01. To The Bone</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">02. Nowhere Now</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">03. Pariah</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">04. The Same Asylum As Before</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">05. Refuge</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">06. Permanating</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">07. Blank Tapes</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. People Who Eat Darkness</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">09. Song Of I</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">10. Detonation</span></em></span><br /><span style="color: #ff0000;"><em><span style="font-size: 14pt;">11. Song Of Unborn</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/K0gryiltJo0" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:875565 2017-08-20T14:20:00 Grizzly Bear – Painted Ruins 2017-08-20T14:07:42Z 2017-08-21T13:15:54Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Até parece mentira, mas já foi em 2004 que<em> Horn of Plenty </em>estreou os nova iorquinos <a style="color: #999999;" href="http://grizzly-bear.net/">Grizzly Bear</a> de Edward Dros, Daniel Rossen, Christopher Bear e Chris Taylor nos lançamentos musicais. Na época, o disco passou despercebido e até há quem não o inclua na discografia oficial da banda, até porque foi composto inteiramente pelo vocalista, Daniel Rossen, com apenas algumas contribuições do baterista, Christopher Bear. Agora, quase década e meia depois, já chegou o quinto disco dos <span style="color: #ffcc99;">Grizzly Bear</span>, um trabalho editado já cinco anos após o antecessor, o complexo <em>Shields</em>.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media.pitchfork.com/photos/59359d844fc0406ca110c87a/master/w_790/ac60e969.jpg" alt="Resultado de imagem para grizzly bear band 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Daniel Rossen não é insensível ao mundo que o rodeia e gosta de colocar na ordem do dia as suas preocupações e angústias relativamente ao que vai observando e vivendo, servindo-se da música como veículo privilegiado não só dessa demanda reflexiva, mas também para procurar alertar quem se predispuser a aceitá-lo como mais um conselheiro seguro e que merece crédito. Assim, se as ruidosas e intrincadas camadas sonoras que sustentavam a densidade de <em>Shields</em> serviram como arma de arremesso para este músico e a banda que lidera exorcizarem alguns demónios seus e outros alheios, em <em><span style="color: #ffcc99;">Painted Ruins</span></em> temos um conjunto de telas que nos descrevem com minúcia a importância de uma vivência plena e feliz, mesmo que os sinais que recebemos do exterior, quer sejam politicos, sociais ou económicos não sejam, por estes dias, os mais aconchegantes e prometedores.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Apesar do sintético, várias vezes na sua vertente mais floreada e intrincada, manter-se presente e até com requintes de charme e magnificiência em temas como <em><span style="color: #ffcc99;">Glass Hillside</span></em> e na cândura de <em><span style="color: #ffcc99;">Systole</span></em>, nestas onze canções o <em>rock</em> numa versão mais pura ganha novamente protagonismo e avança para a linha da frente da filosofia sonora, muito à imagem dos primeiros registos do grupo, mais orgânicos e imediatos do que <em>Shields</em>. Por exemplo, quer a epicidade rugosa e visceral de <em><span style="color: #ffcc99;">Mourning Sound</span></em>, mas também o modo como em <em><span style="color: #ffcc99;">Three Rings</span></em> é refletida muita da melancolia que era exposta nos primórdios da carreira dos <span style="color: #ffcc99;">Grizzly Bear</span>, são bons exemplos desse feliz retrocesso, algo que no caso de <span style="color: #ffcc99;"><em>Three Rings</em></span> se infere da camada de ruídos experimentais e compostos acinzentados que sustentam o tema, com o acrescento de arranjos onde contrastam elementos acústicos e elétricos a deitarem por terra qualquer sintoma de monotonia e repetição e com um baixo incisivo e uma batida plena de pulso e vigor a conferirem a <em><span style="color: #ffcc99;">Mourning Sound</span></em> o cerrar de punhos pretendido. Depois, quer as diversas variações rítmicas e de primazia na condução entre teclas e cordas em <em><span style="color: #ffcc99;">Losing All Sense</span></em> e os diferentes entalhes entre guitarra, efeitos e bateria no caos desafiante do<em> rock</em> progressivo que alimenta <span style="color: #ffcc99;"><em>Aquarium</em></span>, acabam por imprimir ao disco o cunho identitário de complexidade que qualquer trabalho deste projeto tem necessariamente de ter, mas sem o desviar do rumo inicialmente traçado.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Álbum desafiante porque só revela todo o seu potencial instrumental e todos os detalhes e <em>nuances</em> que o trespassam após repetidas audições, <em><span style="color: #ffcc99;">Painted Ruins</span></em> é uma verdadeira obra de arte por isso e porque mantém acesa a chama algo angustiante e nebulosa de uns <span style="color: #ffcc99;">Grizzly Bear</span> que mais do que se preocuparem em agradar ao <em>mainstream</em> e à radiofonia, preferem estar na linha da frente daqueles que compõem com o firme propósito de deixar algo que marque e exercite a mente de quem aceita ouvir e deliciar-se com os seus sermões. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4421/36489583861_9b4c33f252_o.jpg" alt="Grizzly Bear - Painted Ruins" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">01. Wasted Acres</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">02. Mourning Sound</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">03. Four Cypresses</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">04. Three Rings</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">05. Losing All Sense</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">06. Aquarian</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">07. Cut-Out</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. Glass Hillside</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">09. Neighbors</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">10. Systole</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">11. Sky Took Hold</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/vuCy6LCgqJg" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:875426 2017-08-18T00:10:00 Grandfather's House - You Got Nothing To Lose 2017-08-17T23:18:04Z 2017-08-17T23:18:04Z <p class="m_7338672778335181471gmail-Predefinidas" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><span class="m_7338672778335181471gmail-Nenhum">Braga é o poiso natural do projeto <span style="color: #666699;">Grandfather’s House</span>, banda que surigu há cerca de meia década pelas mãos do guitarrista Tiago Sampaio, ao qual se juntou, entretanto, a irmã Rita Sampaio na voz, dupla que lançou</span><span class="m_7338672778335181471gmail-Nenhum">, em 2014, o seu primeiro registo, o EP <em>Skeleton</em>. Entretanto, </span><span class="m_7338672778335181471gmail-Nenhum">João Vitor Costeira juntou-se e pegou na bateria e já na forma de trio editaram o ano passado <em><span style="color: #666699;">Slow Move</span></em>, o disco de estreia. Agora, cerca de um ano depois e já com Nuno Gonçalves nas teclas, irá ver a luz do dia <span style="color: #666699;"><em>Diving</em></span>, o segundo lançamento do projeto em formato longa duração, um trabalho gravado e produzido na Mobydick Records (Braga) por Budda Guedes e os próprios <span style="color: #666699;">Grandfather’s House</span> e misturado e masterizado no HAUS (Lisboa) por Makoto Yagyu. Estas </span>oito canções irão ver a luz do dia a quinze de setembro e delas já se conhece o <em>single <span style="color: #666699;">You Got Nothing Lose</span></em> e o respetivo vídeo, produzido e realizado por CASOTA Colective (Leiria).</span></p> <p class="m_7338672778335181471gmail-Predefinidas"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://laurusnobilis.pt/wp-content/uploads/2017/03/grandfathers-house.jpg" alt="Resultado de imagem para grandfather&#39;s house braga 2017" /></span></p> <p class="m_7338672778335181471gmail-Predefinidas" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Impregnado com uma densidade peculiar no modo como hipnotiza e seduz, alicercada naquele falso minimalismo que o compasso de umas palmas, efeitos sintetizados encobertos por uma cosmicidade algo nebulosa e o efeito divagante de uma guitarra proporcionam, <span style="color: #666699;"><em>You Got Nothing Lose</em></span> é uma excelente porta de entrada para um alinhamento que, de acordo com o <em>press release</em> do mesmo, <em>vai desde o despertar de memórias que pareciam adormecidas pelo tempo, crescendo uma raiva, quase um estado depressivo, transformando-se na sua aceitação e num estado de paz de espírito</em>. <span style="color: #666699;"><em>Diving</em></span> irá certamente catapultar estes <span style="color: #666699;">Grandfather's House</span> para um lugar de relevo no cenário <em>indie</em> nacional e conta com as participações de Adolfo Luxúria Canibal, Nuno Gonçalves e Mário Afonso, na voz, teclados e saxofone, respectivamente. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Y7QTw12Z9Z4" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:874751 2017-08-17T14:21:00 Offa Rex - The Queen Of Hearts 2017-08-17T13:40:12Z 2017-08-17T13:40:12Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><span style="color: #003366;"><em>The Queen Of Hearts</em></span> é o nome do primeiro álbum do projecto <a style="color: #999999;" href="http://www.offarex.co/">Offa Rex</a> que reúne a cantora e multi-instrumentista britânica, Olivia Chaney, uma das melhores da sua geração e os norte-americanos The Decemberists, banda de topo da <em>indie folk</em> do outro lado do atlântico. É um alinhamento de onze canções cuja produção esteve a cargo de Tucker Martine (Modest Mouse, My Morning Jacket, Neko Case) e Colin Meloy. Foi gravado nos Martine’s studio em Portland e viu a luz do dia à boleia da insuspeita e conceituada Nonesuch Records.</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://media.npr.org/assets/img/2017/06/25/-images-uploads-gallery-offa_rex_2017-v2_wide-d5c648e2b7e451fc083985522a43fe03677fad5c.jpg?s=1400" alt="Resultado de imagem para Offa Rex The Queen Of Hearts" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Trocas de mensagens no <em>twitter</em> entre a cantora e o grupo há alguns meses atrás e a descoberta de uma paixão mútua pela <em>folk</em> britânica do início da segunda metade do século passado, acabaram por ser o combústivel que inflamou a mente criativa deste conjunto de músicos para criar um disco que faz não só uma homenagem à herança de grupos como os Fairport Convention ou os Pentangle, mas que também nos oferece uma visão atual particularmente sensível e algo barroca de alguns dos melhores fundamentos da melhor folk. Assim, se o cravo e a voz sensível de Olivia, logo no tema homónimo, esclarecem o ouvinte acerca das principais permissas <em>vintage</em> de <em><span style="color: #003366;">The Queen Of Hearts</span> </em>e se as cordas luminosas e o andamento de <em><span style="color: #003366;">Blackleg Miner</span></em>, o único tema cantado no disco por Colin Meloy, o vocalista dos The Decemberists, transporta-nos para um qualquer salão de festas de um sindicato de mineiros há meio século atrás, uma sensação também possível com a harmónica de <span style="color: #003366;"><em>Constant Billy (Oddington) / I’ll Go Enlist (Sherborne)</em></span>, já o dedilhar fortemente orgânico e contemplativo da guitarra de <em><span style="color: #003366;">The Gardener</span> </em>e a tocante interpretação de Olivia do clássico <span style="color: #003366;"><em>The First Time I Ever Saw Your Face</em></span>, da autoria do compositor inglês Ewan MacColl e que nos anos setenta já tinha sido revisitado pela americana Roberta Flack, oferecem a tal visão mais contemporânea, sem nunca defraudar o espírito tipicamente <em>british</em> do registo, potenciado ainda mais no timbre classicista do orgão que conduz <span style="color: #003366;"><em>The Old Churchyard</em></span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Com letras que andam quase sempre à volta de histórias sobre personagens peculiares e do universo fantástico, <em><span style="color: #003366;">The Queen Of Hearts</span></em> está recheado de intensidade e boas canções, que apesar de conterem uma sonoridade algo estranha à banda de Portland, que baseou sempre o seu som na típica coutry-folk americana, foram exemplarmente recriadas e interpretadas pelo grupo, não só com a mescla instrumental apropriada, mas também, e principalmente, com o espírito e a <em>soul</em> muito precisa que uma autêntica carta de amor sentida à <em>folk</em> britânica exigia e que esta aliança aventureira batizada de <span style="color: #003366;">Offa Rex</span> conseguir redigir com extrema minúcia, astúcia, alma e sensibilidade. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.nonesuch.com/sites/g/files/g2000005811/f/201705/offa-rex-the-queen-of-hearts-450.jpg" alt="Resultado de imagem para Offa Rex The Queen Of Hearts" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>01. The Queen of Hearts</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>02. Blackleg Miner</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>03. The Gardener</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>04. The First Time Ever I Saw Your Face</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>05. Flash Company</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>06. The Old Churchyard</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>07. Constant Billy (Oddington) / I’ll Go Enlist (Sherborne)</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>08. Willie o’Winsbury</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>09. Bonny May</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>10. Sheepcock and Black Dog</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #003366;"><em>11. To Make You Stay</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/41UyLmJDvWXMQpZWIeE3cm" width="640" height="360" frameborder="0" style="padding: 10px; width: 526px; height: 295px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p>