urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07 man on the moon music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta! stipe07 2016-12-02T18:18:49Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:779446 2016-12-02T18:16:00 OId Yellow Jack - Cut Corners 2016-12-02T18:18:49Z 2016-12-02T18:18:49Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Oriundos do meio universitário lisboeta, os <span style="color: #ffcc00;">Old Yellow Jack</span> são Guilherme Almeida (voz, guitarra), Henrique Fonseca (guitarra, teclado), Miguel Costa (baixo) e Filipe Collaço (bateria), uma banda que nasceu em 2011, fundamentalmente por iniciativa do Filipe. Conheceu o Guilherme e após alguns meses a tocarem juntos juntou-se a eles o Miguel, e por fim, o Henrique. Começaram por se inscrever e participar em concursos de bandas e, desse modo, deram a conhecer a sua insana cartilha sonora, assente num indie rock psicadélico, direto e algo cru, mas também amplo e abrangente, uma sonoridade exemplarmente plasmada em, <em>Magnus</em>, o EP de estreia, um compêndio de cinco canções, produzido por Bruno Pedro Simões (Sean Riley &amp; The Slowriders) nos <em>Black Sheep Studios </em>em Sintra e que viu a luz do dia em janeiro do ano passado.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.arte-factos.net/wp-content/uploads/2016/09/old-yellow-jack.jpg" alt="Resultado de imagem para old yellow jack 2016" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Se <em>Magnus</em> era uma amostra de <em>rock</em> energético e viajante, assente em guitarras tão agressivas quanto angelicais, deixando logo uma boa amostra daquilo que poderíamos esperar do futuro desta jovem banda de Lisboa,  <em><span style="color: #ffcc00;">Cut Corners</span></em>, o longa duração de estreia dos <span style="color: #ffcc00;">Old Yellow Jack</span>, que viu a luz do dia há algumas semanas, marca uma certa inflexão sonora, como se percebe em <em><span style="color: #ffcc00;">Glimmer</span></em>, o primeiro <em>single</em> divulgado desse trabalho. Canção assente em guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, <span style="color: #ffcc00;"><em>Glimmer</em></span> é conduzida por uma melodia que transmite uma forte sensação sentimental, algo que espalha um charme intenso numa peça sonora onde é fácil sentir aquela nostalgia onde o nosso quotidiano facilmente se revê.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com tema tão incrível a servir de janela para o restante alinhamento do disco, as expetativas elevam-se e a verdade é que não saiem defraudadas. Dos resquícios indisfarçáveis de <em>punk rock</em> nova iorquino que alimentam <em><span style="color: #ffcc00;">Inner City Sunburns</span></em>, ao contemplativo instrumental <em><span style="color: #ffcc00;">Svenn</span></em>, passando pelo teclado feito algodão doce e lambido pelas guitarras em <em><span style="color: #ffcc00;">Jingle Jangle</span></em> e a majestosidade pop de <span style="color: #ffcc00;">Beat Life</span>, temos, em cerca de meia hora, uma notável mescal de géneros, estilos e influências que, misturando vintage e contemporaneidade de modo muito genuíno, resultam num álbum que servindo-se de uma vincada vertente orgânica, tem um cariz claramente urbano, proposto por uns <span style="color: #ffcc00;">Old Yellow Jack</span> ainda mais reflexivos e fluídos. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=2666828948/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:815943 2016-12-01T15:05:00 Dub Inc - So What 2016-12-01T15:09:30Z 2016-12-01T15:09:30Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Saint-Étienne é o poiso natural dos <a style="color: #999999;" href="http://www.dub-inc.com/">Dub Inc</a>, um coletivo formado por Hakim Meridja <em>Bouchkour</em>, Aurélien Zohou <em>Komlan</em>, Jérémie Gregeois, Grégory Mavridorakis <em>Zigo</em>, Frédéric Peyron, Idir Derdiche, Moritz Von Korff e Benjamin Jouve e um dos nomes fundamentais do cenário <em>reggae</em> europeu. A banda já lançou seis álbuns de estúdio. Os três primeiros, <em>Diversité</em> (2003), <em>Dans le décor </em>(2005) e <em>Afrikya</em> (2008), ainda com o nome Dub Incorporation. Os seguintes álbuns, <em>Hors contrôle</em> (2010), <em>Paraíso</em><em> </em>(2013) e o último, <span style="color: #cc99ff;"><em>So What</em></span> (2016), já foram creditados com o nome <span style="color: #cc99ff;">Dub Inc</span>.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://escsmagazine.escs.ipl.pt/wp-content/uploads/2016/10/Artigo1-+-Madalena-Costa.jpg" alt="Resultado de imagem para Dub Inc so what" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Foi a vinte e três de setembro que chegou aos escaparates esse <span style="color: #cc99ff;"><em>So What</em></span>, o muito aguardado novo álbum deste coletivo francês e nas suas catorze canções assiste-se a um verdadeiro festim de <em>world music</em>, que tendo o <em>reggae</em> como eixo principal, também pisca o olho a outros estilos sonoros, transversais ao <em>rock</em> e à pop. Tiken Jah Fakoly, David Hinds ou Tarrus Riley são influências declaradas do coletivo e as suas atuações ao vivo já lendárias, verdadeiros festins de <em>reggae</em> e <em>world music</em> com uma inergia inesgotável e contagiante. É uma miscelânea de estilos, que dão vida a letras escritas em inglês, kabil e francês e que nos oferecem mensagens positivas, alegres e festivas, como é apanágio deste tipo de som e que, como o <em>press release</em> do lançamento tão bem narra, é inspirado por uma verdadeira ética humana. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #cc99ff;"><em>Triste Époque</em></span> foi a primeira música divulgada do trabalho, uma composição vibrante, intensa e que juntando ao <em>reggae</em> teclados sintetizados e algumas linhas de guitarra, atesta a miscelânea estilística e sonora de uns <span style="color: #cc99ff;">Dub Inc</span> que se projetam musicalmente, mas composições do calibre da sensual <span style="color: #cc99ff;"><em>Evil</em></span>, tema que se espraia por uma deliciosa batida afro e <span style="color: #cc99ff;"><em>Love Is The Meaning</em></span>, canção capaz de fazer dançar qualquer resistente, merecem também dedicada audição num regresso fraterno e feliz do nome talvez maior do <em>reggae</em> europeu atual. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://embed.spotify.com/?uri=spotify%3Aalbum%3A54F94mgSFiF2cUcmJLrKXp" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:825594 2016-11-29T17:37:00 The Notwist – Superheroes, Ghostvillains And Stuff 2016-11-29T17:42:57Z 2016-11-29T17:42:57Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Considerados por muitos como verdadeiros pais do indie rock, os <a style="color: #999999;" href="http://notwist.com/">The Notwist</a>, liderados pelos irmãos Archer, estão de regresso aos lançamentos discográficos com <em><span style="color: #ff0000;">Superheroes, Ghostvillains And Stuff</span></em>, um trabalho editado no final de outubro à boleia da <a style="color: #999999;" href="https://www.subpop.com/artists/the_notwist">Sub Pop Records</a> e que ao longo de mais de hora e meia nos oferece uma viagem ao vivo muito calculada e de algum modo hipnótica pelo universo sonoro que os carateriza enquanto banda de <em>rock</em>, mas cada vez mais dominados pela eletrónica.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.clashmusic.com/sites/default/files/styles/article_feature/public/field/image/rsz_notwist_2014_b_joergkoopmanncom.jpg?itok=35psVZMl" alt="Resultado de imagem para the notwist band 2016" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Registo gravado na segunda de três noites consecutivas, sempre esgotadas, em dezasseis de dezembro de 2015, no espaço Connewitz, em Leipzig, na Alemanha, país natal dos <span style="color: #ff0000;">The Notwist</span>, <em><span style="color: #ff0000;">Superheroes, Ghostvillains And Stuff</span></em> revisita o extenso e rico catálogo de um projeto que logo no balanço dos metais de <em><span style="color: #ff0000;">They Follow Me</span></em>, uma canção que ameaça continuamente uma incomensurável explosão sónica, no <em>krautrock</em> de <em><span style="color: #ff0000;">Close To the Glass</span></em> e no luminoso andamento progressivo de <span style="color: #ff0000;"><em>Kong</em></span> nos mostra as suas variadas facetas. Aliás, quando no início do espetáculo parecemos positivamente condenados a usufruir de um banquete com um cardápio sintético, surgem as cordas e a guitarra luminosa cheia de distorção desta <span style="color: #ff0000;"><em>Kong</em></span> para provar essa génese de uns <span style="color: #ff0000;">The Notwist</span> exímios a piscar o olho ao <em>indie rock</em> psicadélico e a sonoridades mais orgânicas, mesmo em concerto.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Daí em diante, seja através desses ambientes mais crus e orgânicos ou outros mais sintéticos e intrincados, os <span style="color: #ff0000;">The Notwist</span> conseguem ser eficazes e bastante criativos no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às suas canções. E ao vivo essa sensação amplia-se, num registo onde, ao contrário da maioria dos trabalhos do género, a produção é mesmo uma das mais valias já que, seja entre o processo dos arranjos selecionados para cada tema, até à manipulação geral do álbum, tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num concerto muito homogéneo e conseguido.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Trabalho tremendamente catártico, até pelo modo como em <em><span style="color: #ff0000;">Pick Up The Phone</span></em> não destoa da fórmula cúmplice, madura e melodicamente acessível que esta canção exige, sem que isso coloque em causa o seu encaixe no restante alinhamento, <span style="color: #ff0000;"><em>Superheroes, Ghostvillains And Stuff</em></span> é a demonstração clara de uma banda versátil, que tem sabido ao longo do tempo adaptar-se e encontrar um sopro de renovação e que servindo-se de elementos do <em>krautrock</em>, passando pelo <em>hip hop</em> mais negro, o indie rock e o jazz progressivo, mostra-se, ao vivo, como um<em> </em>verdadeiro caldeirão cuidadosamente tratado e minuciosamente carregado de vida. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c6.staticflickr.com/6/5703/30283962565_55ce2327d8.jpg" alt="The Notwist - Superheroes, Ghostvillains And Stuff" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>01. They Follow Me</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>02. Close To The Glass</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>03. Kong</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>04. Into Another Tune</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>05. Pick Up The Phone</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>06. One With The Freaks</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>07. This Room</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>08. One Dark Love Poem</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>09. Trashing Days</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>10. Gloomy Planets</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>11. Run Run Run</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>12. Gravity</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>13. Neon Golden</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>14. Pilot</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>15. Consequence</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>16. Gone Gone Gone</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ky82s6H00Fg" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:817508 2016-11-26T15:44:00 TOY – Clear Shot 2016-11-26T16:17:05Z 2016-11-26T16:17:05Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Uma das bandas fundamentais de <em>indie rock</em> psicadélico são os londrinos <span style="color: #99ccff;">TOY</span> de Tom Dougall (voz e guitarras), Dominic O'Dair (guitarras), Maxim Barron (baixo e voz), Max Oscarnold (sintetizadores e modulação) e Charlie Salvidge (bateria e voz). Depois de um espetacular disco homónimo de estreia e de um sucessor intitulado <em>Join The Dots</em>, os <span style="color: #99ccff;">TOY</span> estão de regresso aos discos com <span style="color: #99ccff;"><em>Clear Shot</em></span>, dez canções que chegaram aos escaparates a vinte e oito de outubro por intermédio da Heavenly Recordings e produzidas por David Wrench.</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://londontheinside.com/wp-content/uploads/2016/08/toyband1.jpg" alt="Resultado de imagem para TOY band 2016" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Claramente o disco mais arriscado e eclético da carreira dos já consagrados <span style="color: #99ccff;">TOY</span>, <em><span style="color: #99ccff;">Clear Shot</span></em> é um grandioso passo em frente na carreira de uma das bandas mais menosprezadas do cenário psicadélico atual e que são tantas vezes injustamente considerados como uma cópia dos The Horrors quando, na verdade, apesar da amizade que une os dois coletivos, têm tão pouco em comum, pelo menos no aspeto sonoro. Aqui, ao longo de dez canções assiste-se a uma bem sucedida simbiose entre alguns elementos fundamentais da pop mais harmoniosa com o <em>fuzz</em> lisérgico que costuma caraterizar o ambiente sónica deste quinteto que, logo no tema homónimo, cerra os punhos e embrenha-nos numa viagem inebriante por décadas passadas, principalmente o krautrock dos anos setenta.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Mas, como o tal ecletismo acima referido é a pedra basilar de <em><span style="color: #99ccff;">Clear Shot</span></em>, depois de aberto o alinhamento, começa o desfile eloquente de um leque alargado de sonoridades que incluem também o punk, o psicadelismo e o <em>post rock</em>. Canções do calibre de <em><span style="color: #99ccff;">Fast Silver</span>,</em> uma inebriante viagem psicadélica, onde merece particular realce a voz de Tom Dougall que denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, ainda mais quando é acompanhada por um instrumental épico e marcante, ou as variações rítmicas e de tempo que encarreiram a majestosidade de <em><span style="color: #99ccff;">Another Dimension</span></em>, assim como o dramatismo sensual e bastante revelador de<span style="color: #99ccff;"><em> Cinema</em></span> e o cenário tenebroso fortemente hipnótico dos acordes progressivos de <span style="color: #99ccff;"><em>Jungle Games</em></span>, uma canção capaz de revirar e repôr no sítio mentes inquietas por não terem um rumo, são alguns dos momentos maiores de um trabalho com a dupla capacidade de plasmar, como sempre, algo único e distinto e que, por isso, consegue agradar aos fiéis seguidores e, eventualmente, alargar o leque de ouvidos que procuram aprimorar-se e deliciar-se junto deste estilo musical tão peculiar.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Disco que não nos deixa aterrar de imediato e, pelo contrário, eleva-nos ainda mais alto e ao encontro do típico universo flutuante e inebriante em que assenta a psicadelia, <em><span style="color: #99ccff;">Clear Shot</span></em> levanta o queixo e empina o nariz, mas também denota aquela encantadora fragilidade que emociona qualquer mortal, demonstrando que os <span style="color: #99ccff;">TOY</span> tricotam as agulhas certas num rumo discográfico enleante, que tem trilhado percursos sonoros interessantes, mas sempre pintados por uma psicadelia que escorre, principalmente, nas guitarras, cimentando o <em>cliché</em> que diz que gostar de <span style="color: #99ccff;">TOY</span> continua a ser, cada vez mais, uma simples questão de bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c6.staticflickr.com/9/8133/29289934021_b32fb6e964.jpg" alt="TOY - Clear Shot" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>01. Clear Shot</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>02. Another Dimension</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>03. Fast Silver</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>04. I’m Still Believing</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>05. Clouds That Cover The Sun</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>06. Jungle Games</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>07. Dream Orchestrator</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>08. We Will Disperse</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>09. Spirits Don’t Lie</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #99ccff;"><em>10. Cinema</em></span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/277353655&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:829804 2016-11-25T18:29:00 Efterklang And The Happy Hopeless Orchestra – Leaves: The Colour Of Falling 2016-11-25T19:49:17Z 2016-11-25T19:49:17Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Foi através da Tambourhinoceros que os dinamarqueses <a style="color: #999999;" href="http://efterklang.net/home/2016/06/13/we-are-back-efterklang-the-happy-hopeless-orchestra/">Efterklang</a>, formados por Casper Clausen, Mads Christian Brauer e Rasmus Stolberg, regressaram aos discos, fazendo-o com <span style="color: #ff0000;">Leaves: The Colour Of Falling</span>, um álbum de música clássica onde juntamente com a The Happy Hopeless Orchestra e alguns vocalistas conterrâneos de renome, nomeadamente a lendária Lisbeth Balslev (soprano), Morten Grove Frandsen (contratenor), Katinka Fogh Vindelev (soprano) e Nicolai Elsberg (baixo), dão vida a lindíssimos poemas da autoria de Ursula Andkjær Olsen.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://efterklang.net/home/wp-content/uploads/2016/06/Efterklang-happyhopeless-by-Tine-Reingaard-WEB.jpg" alt="Resultado de imagem para Efterklang And The Happy Hopeless Orchestra" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Exímios no modo como nos oferecem sons criados com forte inspiração em elementos paisagísticos, este trabalho tem uma sonoridade única e peculiar e surge na sequência de outros projetos que esta consagrada banda dinamarquesa tem vindo a levar a cabo ultimamente, dos quais se destacam<em> </em>a participação na banda sonora do filme <a style="color: #999999;" href="https://www.google.pt/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=4&amp;cad=rja&amp;uact=8&amp;ved=0ahUKEwiE5pXM0sTQAhXE0RQKHeX3BN8QFggtMAM&amp;url=http%3A%2F%2Fanisland.cc%2Fhome%2F&amp;usg=AFQjCNFqUz29mGw_cC9zgiVwjTl2oRpP0w&amp;bvm=bv.139782543,d.d24">An Island</a> e a criação do ambiente sonoro do restaurante Noma, um dos mais famosos da Dinamarca.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Ao longo da carreira, o som deste grupo não foi sempre algo estanque e a opção por um alinhamento de contornos eminentemente eruditas acaba por ser um passo lógico depois de uma fase feliz que assentou na mistura de sonos típicos do rock mais progressivo com a eletrónica de cariz mais ambiental. Tem sido, portanto, um percurso cheio de períodos de transformação, que oscilaram entre momentos minimalistas e outros mais expansivos e este <span style="color: #ff0000;"><em>Leaves: The Colour Of Falling</em></span> acaba por, à boleia de uma orquestra, fazer uma espécie de súmula de toda uma amálgama de elementos e referências sonoras, como se todo este arsenal instrumental servisse para, no momento certo para, assim como uma linha de costura, unir pedaços separados e que precisavam de ser agregados.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Assim, se em <span style="color: #ff0000;"><em>Imagery Of Perfection</em></span> somos conduzidos para lugares calmos e distantes, algo místicos, já o <em>single <span style="color: #ff0000;">City Of Glass</span></em> parece querer derrubar tratados e convenções rumo a uma reunificação universal onde tudo é transparente e faz realmente sentido, com a voz de Morten em <span style="color: #ff0000;"><em>Spider's Web</em></span> e o som dos metais e dos coros em <span style="color: #ff0000;"><em>The Colour Not Of Love</em></span> a terem aquela cor e brilho que nos fazem levitar, começando assim um disco cheio de sentimos, emocionalmente profundo e que quando termina deixa-nos com a sensação que acabou-nos de passar pelos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de algum deslumbramento perante a obra. Espero que aprecies a sugestão... </span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c7.staticflickr.com/6/5340/30715840606_b7d67cb5a0.jpg" alt="Efterklang And The Happy Hopeless Orchestra - Leaves The Colour Of Falling" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>01. Cities Of Glass</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>02. Imagery Of Perfection</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>03. Spider’s Web</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>04. The Colour Not Of Love</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>05. Leaves</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>06. Stillborn</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>07. Abyss</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>08. No Longer Me</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>09. Eye Of Growth</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 14pt;"><em>10. Wind</em></span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/268838548&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:831383 2016-11-22T16:48:00 The Blank Tapes - Ojos Rojos 2016-11-22T17:12:58Z 2016-11-27T22:24:55Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta, têm passado por esta publicação várias vezes e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se <span style="color: #ff0000;">The Blank Tapes</span>, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles. Depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com <em>Vacation</em>, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso desse ano, terem divulgado mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada <em>Hwy. 9</em> e de em janeiro de 2015 terem editado <em>Geodesic Home Place</em>, agora, já em 2016, oferecem-nos<span style="color: #ff0000;"><em> Ojos Rojos</em></span>, mais catorze canções de intensidade festiva máxima e que nos levam de volta à <em>pop</em> luminosa dos anos sessenta, aquela <em>pop</em> tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://static1.squarespace.com/static/5690a7f50e4c1197d23cdb16/56ca5f6cab48de2d5c73355c/56ca658ef2b77e5c1535c8cb/1456121001808/rt-000043200015.jpg?format=750w" alt="rt-000043200015.jpg" /></span></p> <p style="text-align: right;"><span style="color: #999999; font-size: 8pt;">(pic by <a href="http://www.shevakafai.com/the-blank-tapes/">Sheva Kafai</a>)</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte americanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o <em>indie rock</em> em novas tendências e sonoridades mais contemporâneas, basta ouvir-se <span style="color: #ff0000;"><em>Sexxy Skyype</em></span>, um dos temas mais inebriantes e festivos de <span style="color: #ff0000;"><em>Ojos Rojos</em></span> para se perceber que do outro lado da <em>route 66</em>, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se na <em>surf pop</em> de <span style="color: #ff0000;"><em>Dance To Dance</em></span> ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de <em><span style="color: #ff0000;">La Baby</span> </em>ou <span style="color: #ff0000;"><em>Beach Party</em></span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade <em>pop</em> e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os <span style="color: #ff0000;">The Blank Tapes</span> querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Léon justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">O disco prossegue e quer no <em>rock n' roll</em> tresmalhado de <em><span style="color: #ff0000;">Spring Break</span></em> ou no <em>fuzz</em> complacente de<em><span style="color: #ff0000;"> Biggest Blunt In Brazil</span></em> e na cadência suave e profundamente veraneante de <em><span style="color: #ff0000;">Let Me Hear You Rock</span></em>, fica claro que <em><span style="color: #ff0000;">Ojos Rojos</span></em> balança entre uma contemporaneidade <em>vintage</em> e um glorioso suadosimo, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhe continua a dar margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros, que da <em>surf pop</em>, ao <em>indie rock</em> psicadélico, passando pela típica <em>folk</em> norte americana, não descuram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #ff0000;"><em>Ojos Rojos</em></span> é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os <span style="color: #ff0000;">The Blank Tapes</span>. É um apanhado sonoro<em> vintage</em>, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma <em>pop</em> caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=1188493967/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:828462 2016-11-21T22:20:00 Foreign Fields – Take Cover 2016-11-21T22:27:50Z 2016-11-21T22:27:50Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Eric Hillman, Brian Holl, Nathan Reich, Nate Babbs e Clayton Fike, são os <span style="color: #3366ff;">Foreign Fields</span>, uma banda norte americana natural de Nashville que se tem notabilizado desde 2012 com uma consistente série de <a style="color: #999999;" href="https://foreignfields.bandcamp.com/">eps</a>, construídos com fino recorte e indesmentível bom gosto. <span style="color: #3366ff;"><em>Take Cover</em></span>, o primeiro longa duração do grupo, assume-se como o lógico passo em frente de um já glorioso percurso, assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.theoutlawroadshow.com/wp-content/uploads/2016/08/toysoldiers.cropped.jpg" alt="Resultado de imagem para foreign fields nashville 2016" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Logo na inquietude quase impercetível de <em><span style="color: #3366ff;">I Killed You In The Morning</span></em> percebe- se que há uma espécie de sonambulismo retemperador na música destes <a style="color: #999999;" href="http://www.foreignfields.net/">Foreign Fields</a>, como se o mundo em redor se estilizasse e ficasse estático e perene, perante este incitamento automático à reclusão e à reflexão profunda. Logo depois, no <em>single <span style="color: #3366ff;">Dry</span></em>, perante o desfilar harmonioso de cordas, teclas e batidas, que ora planando ora se enterrando chão dentro direitinho ao nosso âmago e que carregam consigo uma <em>folk</em> muito introspetiva e tremendamente reflexiva, consegue-se, em simultâneo, obter uma corajosa epicidade e um incomensurável torpor, algo musculado, mas que nos oferece uma sensação de segurança de difícil catalogação.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">E assim arranca este <span style="color: #3366ff;"><em>Take Cover</em></span>, um disco onde se escutam alguns arranjos e detalhes muito simples, mas também cavidades intrincadas de sons das mais variadas proveniências e cores, feitas quase sempre com instrumentos de percurssão, teclados e harmónicas, elementos que nos levam ao colo numa viagem intimista pelos caminhos rugosos de uma América sulista, que preza valores e tradições e não aquela América feita apenas com o caos das metrópoles gigantescas, cheias de luzes, néons e cor, mas às vezes também com locais muito escuros e sombrios.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Esta é, no fundo, uma <em>pop</em> suculenta, que por ter uma fácil assimilação, não significa que seja rarefeita, minimal, ou desprovida de ingredientes faustosos, encontrando o seu lado delicioso e atrativo exatamente no modo como conjuga todo um requinte instrumental, à medida que desfila um derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição de emoções intrínsecas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Se vontade faltar para mais, deixemo-nos ficar apenas e sós pelo piano e pelo falsete de <em><span style="color: #3366ff;">Weeping Red Devil</span></em>, criado para expiar pecados mas também para comungar com o ouvinte os prazeres que experimenta, para percebermos como vale a pena descobrirmos que este disco <span style="line-height: 1.3;">oferece-nos gratuitamente um exercício de aceitação plena de um estado de consciência sobre uma vida em constante rebuliço, mas constante no modo como lida com os diferentes sentimentos e emoções de um</span>a América campestre, um pouco fechada sobre sim mesma e o seu passado, que muitas vezes parece ter parado há várias décadas no tempo, hoje numa autêntica encruzilhada, mas que não deixa também de ser muito luminosa e acolhedora. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c3.staticflickr.com/6/5659/30581279306_b3e969a527.jpg" alt="Foreign Fields - Take Cover" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">01. Tangier</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">02. I Killed You In The Morning</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">03. Dry</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">04. I</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">05. Weeping Red Devil</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">06. Grounded</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">07. In Love Again</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. We Live Inside</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">09. Take Cover</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">10. Correct Me</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">11. Hope Inside The Fire</span></em></span><br /><span style="color: #3366ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">12. When You Wake Up</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/9MolI8qT_HA" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:830306 2016-11-20T14:56:00 Pavo Pavo – Young Narrator In The Breakers 2016-11-20T15:36:15Z 2016-11-20T15:36:15Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Eliza Bagg, Oliver Hil, Nolan Green, Austin Vaughn e Ian Romer vêm de Brooklyn, Nova Iorque e renascidos das cinzas dos Plume Giant e com ligações estreitas a nomes tão importantes como os San Fermim ou os <a style="color: #999999;" href="http://stipe07.blogs.sapo.pt/here-we-go-magic-be-small-747552">Here We Go Magic</a> formam os <span style="color: #99ccff;">Pavo Pavo</span> e fazem aquela música pop que parece servir para banda sonora de uma representação <em>retro</em> de um futuro utópico e imaginário, como prova <em><span style="color: #99ccff;">Young Narrator In The Breakers</span></em>, disco editado por este quinteto a onze de novembro último à boleia da <a style="color: #999999;" href="http://bellaunion.com/artists/pavo-pavo/">Bella Union</a>. Trabalho produzido pela dupla Danny Molad (Lucius) e Sam Cohen (Yellowbirds, Apollo Sunshine), contém doze canções com uma elegância ímpar, sustentada em guitarras plenas de charme, harmonias particularmente cativantes e sintetizadores com uma luminosidade intensa e sedutora que serviram para criar uma banda sonora feliz no modo como descreve toda aquela magia intrínseca à entrada na vida adulta, mas também os medos, as turbulências e as dúvidas e hesitações que tal passo provoca.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://d36g5zibv7pj3i.cloudfront.net/2016/08/16133912/Unknown-1.png" alt="Pavo Pavo" /></span></p> <div class="small-12 large-8 columns" style="text-align: justify;"> <p class="p5"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">No início de um percurso sonoro que se prevê auspicioso, os <span style="color: #99ccff;">Pavo Pavo</span> logo em <em><span style="color: #99ccff;">Ran Ran Run</span></em>, o tema que abre o disco, balizam com exatidão as suas coordenadas, que servem para estilizar canções em cujo regaço festa e lisergia caminham lado a lado. Falo de duas asas que nos fazem levitar ao encontro de paisagens multicoloridas de sons e sentimentos, arrepios que nos provocam, muitas vezes, autênticas miragens lisérgicas e hipnóticas enquanto deambulam pelos nossos ouvidos num frágil balanço entre uma percussão pulsante, um <em>rock</em> e uma eletrónica com um vincado sentido cósmico e uma indulgência orgânica que se abastece de guitarras plenas de efeitos texturalmente ricos, teclados corrosivos no modo como atentam contra o sossego em que constantemente nos refugiamos e a voz de Eliza que, num registo ecoante e esvoaçante, coloca em sentido todos os alicerces da nossa dimensão pessoal mais frágil e ternurenta.</span></p> </div> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Se a audição de <em><span style="color: #99ccff;">Young Narrator in The Breakers</span></em> nos oferece, no seu todo, vastas paisagens sonoras, nota-se, rapidamente, um ponto em comum em praticamente todas as suas canções. Começam, geralmente, por uma base instrumental minimal, que será aquela que vai sustentar o tema até ao seu ocaso. Tal acontece, logo no início, nos teclados, nos metais e nos coros de <span style="color: #99ccff;"><em>Annie Hall</em></span> e depois acontece sempre uma explosão sónica, feita de exuberância e cor que, do território mais negro e encorpado do instrumental <span style="color: #99ccff;"><em>A Quiet Time With Spaceman Sputz</em></span>, até ao jogo lascivo que se estabelece entre o baixo e o bandolim em <span style="color: #99ccff;"><em>2020, We’ll Have Nothing Going On</em></span>, passando pela nuvem de plumas que sustenta <span style="color: #99ccff;"><em>Somewhere In Iowa</em></span>, tema que disserta sobre a inocência daqueles dias de verão onde tudo parece possível e a exuberância rítmica de <span style="color: #99ccff;"><em>Belle Of The Ball</em></span>, ou o ambiente mais <em>punk</em> e até dançável do notável baixo de <span style="color: #99ccff;"><em>No Mind</em></span>, mostra-nos sempre um percurso triunfante e seguro, onde abundam guitarras experimentais, uma súmula muitas vezes quase impercetível entre epicidade frenética, crua e impulsiva e sensualidade lasciva, num resultado global borbulhante e colorido.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Bálsamo retemperador perfeito capaz de nos fazer recuperar o fôlego de um dia intenso, <span style="color: #99ccff;"><em>Young Narrator In The Breakers</em></span> ruge nos nossos ouvidos, agita a mente e força-nos a um abanar de ancas intuítivo e capaz de nos libertar de qualquer amarra ou constrangimento que ainda nos domine. E fá-lo conduzido por uma espiral <em>pop</em> onde tudo é filtrado de modo bastante orgânico, através de um som esculpido e complexo, originando um encadeamento que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador. O minimalismo contagiante dos efeitos dos violinos em que se sustenta<em> <span style="color: #99ccff;">John (A Little Time)</span></em>, mais um tema que nos desarma devido ao registo vocal e ao banquete percussivo que contém e a riqueza sintética que sobressai da tela por onde escorre uma amalgama de efeitos e ruídos, é um extraordinário exemplo do modo como esta banda é capaz de ser genuína a manipular o sintético, de modo a dar-lhe a vida e a retirar aquela faceta algo rígida que a eletrónica muitas vezes intui, convertendo tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos, em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com <em>nuances </em>variadas e harmonias magistrais, em <em><span style="color: #99ccff;">Young Narrator In The Breakers</span></em> tudo se orienta com o propósito de criar um único bloco de som, fazendo do disco um corpo único e indivisível e com vida própria, com os temas a serem os seus orgãos e membros e a poderem personificar no seu todo um <em>groove</em> e uma ligeireza que fazem estremecer o nosso lado mais libidinoso, servidos em bandeja de ouro por um compêndio aventureiro, que deve figurar na prateleira daqueles trabalhos que são de escuta essencial para se perceber as novas e mais inspiradas tendências do <em>indie rock </em>contemporâneo, além de ser, claramente, um daqueles discos que exige várias e ponderadas audições, porque cada um dos seus temas esconde texturas, vozes, batidas e mínimas frequências que só são percetíveis seguindo essa premissa. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c1.staticflickr.com/6/5711/30263374184_fee110c2fb.jpg" alt="Pavo Pavo - Young Narrator In The Breakers" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>01. Ran Ran Run</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>02. Annie Hall</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>03. Ruby (Let’s Buy The Bike)</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>04. Wiserway</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>05. A Quiet Time With Spaceman Sputz</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>06. Somewhere In Iowa</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>07. Belle Of The Ball</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>08. The Aquarium</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>09. No Mind</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>10. John (A Little Time)</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>11. Young Narrator In The Breakers</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>12. 2020, We’ll Have Nothing Going On</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/K9P5p94x2Os" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:816504 2016-11-18T17:40:00 Jagwar Ma - Every Now & Then 2016-11-18T17:58:18Z 2016-11-27T23:08:31Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os <span style="color: #ff9900;">Jagwar Ma</span> são Jono Ma, Jack Freeman e Gabriel Winterfield uma banda australiana apaixonada pelas sonoridades alternativas dos anos noventa e que procuram promover na sua música uma espécie de simbiose entre a neopsicadelia desenvolvida, por exemplo, pelos Primal Scream, a <em>brit pop</em> dos Blur no período <em>Parklife</em> e os próprios Stone Roses. Fazem canções cheias de colagens e sobreposições instrumentais, que em <em>Howlin</em>, o disco de estreia do projeto, encarnaram uma espécie de súmula de alguns dos mais interessantes detalhes sonoros dessa época.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://cdn2.pitchfork.com/news/66791/8ec3211c.png" alt="Resultado de imagem para jagwar ma 2016" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Quase no ocaso de 2016 os <span style="color: #ff9900;">Jagwar Ma</span> estão de regresso aos discos com <em>Every Now &amp; Then</em>, o sucessor de <em>Howlin</em>, e através da insuspeita Mom+Pop/Marathon. São onze temas produzidos por Ewan Pearson e gravados aqui, na Europa, em dois locais; Na pitoresca ruralidade de França, numa quinta que tem um estúdio chamada La Brèche e no famoso Le Bunker, no norte de Londres.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os Beastie Boys foram uma inspiração clara para os <span style="color: #ff9900;">Jagwar Ma </span>neste disco e <span style="color: #ff9900;"><em>O B 1</em></span>, canção que conta com a participação especial de Stella Mozgawa das Warpaint e <span style="color: #ff9900;"><em>Give Me A Reason</em></span>, os dois <em>singles</em> divulgados do trabalho, demonstram-no, quer no pendor nostálgico dos tais anos noventa, mas também na contemporaneidade de duas canções, que num misto de pop, eletrónica e pequenas experimentações próximas do <em>rock</em>, exemplificam a massa sonora que sustenta o disco e que, como sabemos, caraterizam uma vasta coleção de propostas musicais que nos dias de hoje nos chegam dos quatro cantos do mundo. E esta simbiose entre uma faceta mais orgânica e outra eminentemente sintética baseou-se, desta vez, numa aproximação mais concerta a uma sonoridade que pudesse ser facilmente transposta para o palco, já que uma das lacunas apontadas ao antecessor era a dificuldade em transportar a riqueza e a heterogeneidade do seu conteúdo para o palco, com apenas três músicos. Assim, canções do calibre da efusiante <em><span style="color: #ff9900;">High Rotations</span></em> ou da hipnótica e contagiante <em><span style="color: #ff9900;">Slipping</span></em>, por exemplo, são excelentes temas para serem dançados por grandes multidões e passíveis de verem a sua vibração e entusiasmo serem facilmente reproduzidas ao vivo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Disco com uma tremenda sensibilidade pop, algures entre Tampe Impala e Animal Collective e com uma epicidade incomum e um fulgor que instiga e faz mover quase de modo instintivo, <em><span style="color: #ff9900;">Every Now &amp; Then</span></em> assume-se como uma ode ao melhor revivalismo neopsicadélico. É um alinhamento coeso e incisivo, que carrega consigo sobreposições eletrónicas <em>vintage</em> e uma pop algo aventureira, sem descurar, num aparente exercício sonoro experimental, a construção de uma identidade própria que permite aos <span style="color: #ff9900;">Jagwar Ma</span> criarem raízes no grande público e, ao mesmo tempo, fazerem-no dançar quase como se não houvesse amanhã. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c2.staticflickr.com/6/5126/29312243953_9ab6e00326_z.jpg" alt="Jagwar Ma - Every Now And Then" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>01. Falling</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>02. Say What You Feel</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>03. Loose Ends</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>04. Give Me A Reason</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>05. Ordinary</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>06. Batter Up</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>07. O B 1</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>08. Slipping</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>09. High Rotations</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>10. Don’t Make It Right</em></span><br /><span style="color: #ff9900; font-size: 14pt;"><em>11. Colours Of Paradise</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FN1i06Aog2MQ%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DN1i06Aog2MQ&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FN1i06Aog2MQ%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:828866 2016-11-16T21:30:00 The History Of Colour TV – Wreck 2016-11-16T21:30:51Z 2016-11-16T21:30:51Z <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://f4.bcbits.com/img/0008589801_10.jpg" alt="Resultado de imagem para The History Of Colour TV berlin band" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os berlinenses <a style="color: #999999;" href="http://www.thehistoryofcolourtv.com/">The History Of Colour TV</a> estão prestes a regressar aos lançamentos discográficos com <span style="color: #666699;"><em>Something Like Eternity</em></span>, um álbum que irá ver a luz do dia a vinte e cinco de novembro próximo. De acordo com <em><span style="color: #666699;">Wreck</span></em>, o avanço já divulgado do trabalho, será um registo que certamente nos colocará bem no centro de um <em>noise rock</em> que não deixa de nos fazer recordar experimentações típicas do melhor <em>rock</em> alternativo <em>lo fi</em> dos anos oitenta. Refiro-me a uma canção que se define como um edifício sonoro ruidoso que não dispensa uma forte presença dos sintetizadores e teclados, que agregados a guitarras plenas de distorção e a uma batida vigorosa, acaba, neste caso, por conferir uma explícita dose de um <em>pop</em> <em>punk dance</em> que mescla orgânico e sintético com propósitos bem definidos. O <em>download</em> do tema pode ser feito <em>via</em> <em>bandcamp</em>. Confere...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c8.staticflickr.com/6/5581/30616039695_b90dd4e3c9.jpg" alt="The History Of Colour TV - Wreck" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><em>01. Wreck</em></span><br /><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><em>02. August Twenty First</em></span></p> <p><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=317643967/size=large/bgcol=333333/linkcol=ffffff/tracklist=false/artwork=small/track=1699862356/transparent=true/" width="300" height="150" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:830943 2016-11-15T21:01:00 Leapling - Killing Time EP 2016-11-15T21:23:32Z 2016-11-15T21:23:32Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Alguns meses após o fabuloso <em>Suspended Animation</em>, os nova iorquinos<span style="color: #99ccff;"> Leapling</span>, um quarteto formado por Dan Arnes, Yoni David, R.J Gordon e Joey Postiglione e que plana em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica, estão de regresso aos lançamentos discográficos com<em> <span style="color: #99ccff;">Killing Time</span></em>, seis canções disponíveis em formato digital no <a href="https://leapling.bandcamp.com/album/killing-time-ep">bandcamp</a> do grupo e em formato cassete através da <a style="color: #999999;" href="http://store.babecityrecords.com/products/580301-leapling-killing-time-ep">Babe City Records</a> e que sendo <em>b sides</em> de <em>Suspended Animation</em>, mostram uma faceta um pouco mais crua e, na minha opinião, genuína, do modo como se servem de extraordinários acordes de guitarra com um comovente objetivo melódico.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://vice-images.vice.com/images/articles/meta/2015/02/03/leaplings-new-album000-1422979552.jpg?resize=*:*&amp;output-quality=75" alt="Resultado de imagem para leapling band 2016" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Utilizando referências do próprio quotidiano para construir um panorama instrumental e lírico que pende ora para <em>o rock </em>experimental, ora para a <em>indie pop </em>adocicada e acessível, os <span style="color: #99ccff;">Leapling</span> não param de surpreender e continuam a provar serem mestres no desenvolvimento de uma instrumentação radiante, reflexo da capacidade do grupo em apresentar um som duradouro e sempre próximo do ouvinte. Canções do calibre da insinuante <em><span style="color: #99ccff;">A Different Kind</span></em> e da deliciosa <span style="color: #99ccff;"><em>Just To Hear You Say</em></span>, temas possuidos por uma crueza e por uma nitidez ímpar, ou a luminosa <em><span style="color: #99ccff;">Killing Time</span></em> constituem-se como autênticos psicoativos sentimentais que podemos usar sempre que nos apeteça, mas também portas que se abrem para nunca mais se fechar e que têm do outro decisões difíceis que, de repente, perdem toda a sua complexidade. Mas estas canções podem também encarnar manhãs irrepetíveis, sendo exemplos felizes do lado mais sensível e emotivo de um grupo que não receia ligar a sua faceta experimental a pleno gás e que em <em><span style="color: #99ccff;">Tunnelvision</span></em> atinge um nível de excelência no modo como consegue aquele balanço delicado entre o quase <em>pop</em> e o ruidoso, sem nunca descurar aquela particularidade fortemente melódica que define, desde o excelente disco de estreia, <em>Vacant Page</em> (2015), o arquétipo das suas composições. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c1.staticflickr.com/6/5759/30637713720_d154abb2af.jpg" alt="Leapling - Killing Time EP" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>01. A Different Kind</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>02. Killing Time</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>03. Just To Hear You Say</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>04. Your Garden Grows</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>05. Tunnelvision</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>06. Believe It Or Not</em></span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/288767206&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=1844528497/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/artwork=small/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:830603 2016-11-13T19:24:00 The XX – On Hold 2016-11-13T19:25:37Z 2016-11-27T23:08:54Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c6.staticflickr.com/6/5635/30811908941_e1124e4693.jpg" alt="The XX - On Hold" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Terminou há poucos dias uma longa espera relativamente a novidades dos <em><span style="color: #008080;">The XX</span></em>, após o aclamado <em>Coexist</em>, um longa duração lançado pelo grupo, à boleia da Young Turks, já há quatro anos e que tem finalmente sucessor. O terceiro álbum do trio será editado a treze de Janeiro de 2017 com o mesmo selo Young Turks e chamar-se-á <span style="color: #008080;"><em>I See You</em></span>. O disco terá um alinhamento de dez canções, gravadas entre Março de 2014 e Agosto de 2016 em vários sítios como New York, Texas, Reykjavique, Los Angeles e Londres e foi produzido pot Jamie Smith e Rodaidh McDonald.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #008080;"><em>On Hold</em></span> é o mais recente tema divulgado desse novo disco de Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie Smith (a baixista Baria Qureshi deixou o grupo ainda em 2009) uma lindíssima composição, certamente das melhores que este projeto já criou e que faz jus à imagem de marca dos <span style="color: #008080;">The XX</span>. É uma canção de amor que tem como atributo maior o diálogo entre Romy e Oliver, dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1_oA9UmRd4I" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:806207 2016-11-10T20:52:00 Two Door Cinema Club – Gameshow 2016-11-10T20:57:27Z 2016-11-10T20:57:27Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Os irlandeses<a style="color: #999999;" href="http://twodoorcinemaclub.com/"> Two Door Cinema Club</a>, de Alex Trimble, Kevin Baird e Sam Halliday, estão de regresso aos discos com <span style="color: #0000ff;"><em>Gameshow</em></span>, dez canções que quebram um hiato de quatro anos do projeto, fazendo-o à boleia da Parlophone Records. Este é o terceiro disco da banda, sucedendo ao muito aclamado <em>Beacon</em> <em>(2012)</em> e a <em>Tourist History</em> (2010), o disco de estreia.</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://indieno.com/wp-content/uploads/2016/08/TWO-DOOR.jpg" alt="Resultado de imagem para Two Door Cinema Club" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Produzido por Jacknife Lee, um profissional procurado por nomes tão conceituados como R.E.M., Snow Patrol e U2 e exímio em recriar sonoridades amplas, mas que não coloquem em causa a rugosidade típica do <em>rock</em>, no sentido mais puro do termo, <em><span style="color: #0000ff;">Gameshow</span></em> é um glossário de diversas estéticas sonoras onde, mais uma vez e como tem sido norma em projetos contemporâneos que procuram assumir uma posição relevante no universo sonoro em que subsistem, se procura uma simbiose entre algumas das mais recentes tendências da eletrónica, constantemente a piscar o olho aos gloriosos anos oitenta e o <em>rock</em> de cariz mais progressivo, que começou a surgir em força, principalmente do outro lado do atlântico, a partir da segunda metade do século passado. Em canções como o <em>single</em> <span style="color: #0000ff;"><em>Are We Ready? (Wreck)</em></span>, o primeiro avanço divulgado de <span style="color: #0000ff;"><em>Gameshow</em></span> e nos sintetizadores de <em><span style="color: #0000ff;">Ordinary</span></em>, é possível perceber esta fórmula simbiótica, com o primeiro tema a mostrar-nos que está de regresso aquele fluxo planante das guitarras, típico de um trio onde tudo flui para impressionar e levar os ouvintes a entregarem-se aos encantos e à dança involuntária que conseguem imprimir ao ideário sonoro das suas canções e com o segundo a mostrar como o baixo é um elemento preponderante de produção melódica no seio destes <span style="color: #0000ff;">Two Door Cinema Club</span>. Depois, há aqui canções que oscilam, declaradamente, para um dos dois lados da barricada; Assim, se o tema homónimo é um tratado de <em>indie rock</em> assumidamente cru e minimal e o jogo de cordas de<em><span style="color: #0000ff;"> Fever</span></em> segue na mesma linha, já <em><span style="color: #0000ff;">Je Vivens De La</span></em>, deixa os estádios de lado e procura entricheirar-se com altivez nos PAs dos clubes mais <em>inn</em> do momento.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><span style="color: #0000ff;"><em>Gameshow</em></span> não é o disco que vai salvar as nossas vidas ou modificá-las drasticamente, mas vai-te fazer dançar de forma bem humorada e continuar a fazer sobressair estes <span style="color: #0000ff;">Two Door Cinema Club</span> em relação à concorrência. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c7.staticflickr.com/9/8414/29651665294_5a76875f82.jpg" alt="Two Door Cinema Club - Gameshow" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>01. Are We Ready? (Wreck)</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>02. Bad Decisions</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>03. Ordinary</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>04. Gameshow</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>05. Lavender</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>06. Fever</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>07. Invincible</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>08. Good Morning</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>09. Surgery</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #0000ff;"><em>10. Je Viens De La</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F_YlROBjJ1sk%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D_YlROBjJ1sk&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F_YlROBjJ1sk%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:830011 2016-11-09T21:24:00 Cultural Lungs - Fortress 2016-11-09T22:21:00Z 2016-11-09T22:21:00Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com uma guitarra na mão e um universo infinito de possibilidades de escrita e composição na outra, Cássio Ferreira é o grande mentor do projeto musical <span style="color: #666699;">Cultural Lungs</span>, nascido em 2005 e que, de acordo com várias descrições, <em>soa a Hans Zimmer a tentar encorajar os Radiohead a ultrapassar uma depressão</em>. Independentemente dessa ideia e do modo como a mesma poderá, desde logo, balizar na nossa mente o conteúdo sonoro de <span style="color: #666699;"><em>Fortress</em></span>, o mais recente disco deste projeto, o importante é, à partida, esclarecer que este não é um alinhamento para ser escutado sem a noção clara que <em><span style="color: #666699;">Fortress</span></em> é um álbum concetual sobre a história da humanidade e que a escolha do modo como se escutam os temas, define o final da mesma.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://scontent.fopo1-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/14993571_1768697496725427_5417777930215063505_n.jpg?oh=b09773ce3a9b7043a95e0e0755af6c78&amp;oe=58C4D850" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Nos pouco mais de quarenta minutos deste álbum escorrem dezoito canções que encontram nas cordas de uma viola um veículo privilegiado de transmissão de sentimentos e emoções que impressionam, uma sensação curiosa e reconfortante, que transforma-se, em alguns instantes, numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Logo em <span style="color: #666699;"><em>Prologue</em></span> uma voz feminina bastante sedutora e apelativa, dá-nos as boas vindas a esta viagem, que promete ser única, com a crueza das cordas de <span style="color: #666699;"><em>Glass</em></span> a esclarecer-nos, no imediato, do elevado grau de pureza e de delicadeza deste autor, que em <span style="color: #666699;"><em>Walls</em></span> consegue, num abrir e fechar de olhos, levar-nos do nostálgico ao glorioso, numa espécie de <em>indie-folk-surf-suburbano, </em>cruzado com<em> rock </em>progressivo, uma mistura que encontra o seu sustento nas teclas de um piano carregado de um intenso charme e que parece também não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um charme ainda maior pela peça em si que este tema representa.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">De aí em diante, enquanto cada canção segue um encadeamento e continua o ideário transmitido pela anterior, Cássio vai continuando a oferecer-nos um naipe riquíssimo de imagens evocativas, que depois sustenta em melodias bastante virtuosas e cheias de cor, arrumadas com arranjos meticulosos e lúcidos e variações rítmicas e emotivas inesperadas, um caudal sonoro e lírico cuja filosofia subjacente prova a sensibilidade do mesmo para expressar pura e metaforicamente a fragilidade humana. Se <span style="color: #666699;"><em>Room</em></span> levita em redor de uma névoa <em>lo fi</em> com um fulgurante travo acústico à mistura, já <span style="color: #666699;"><em>People</em></span> e <span style="color: #666699;"><em>Mask</em></span> são duas peças sonoras eminentemente contemplativas e que oferecem-nos uma espécie de monumentalidade comovente, enquanto <span style="color: #666699;"><em>Fear</em></span> e <span style="color: #666699;"><em>Voice</em></span> mostram-nos um lado mais solar e extrovertido, algo que sucede em ambos com elevado sentido melódico e uma vincada estética <em>pop</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com alguns dos temas acima referidos, assim como outros, a terem direito a uma segunda versão, nasegunda metade do álbum, competindo a cada ouvinte, como referi, selecionar que percurso ousa trilhar nesta viagem, <em><span style="color: #666699;">Fortress</span></em> contém um tempero muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimentos, eficaz na materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural claramente definida e que, na minha opinião, atingem à boleia deste músico um estado elevado de consciência e profundidade. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/playlists/272354381&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:823921 2016-11-08T20:11:00 Hope Sandoval And The Warm Inventions - Until The Hunter 2016-11-08T20:41:44Z 2016-11-08T20:41:44Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Uma das parcerias mais interessantes que surgiu recentemente na penumbra do universo sonoro indie intitula-se <span style="color: #ff99cc;">Hope Sandoval And The Warm Inventions</span> e junta Hope Sandoval, icónica vocalista dos Mazzy Star e Colm Ó Cíosóig dos My Bloody Valentine. Há já um disco de estreia, intitulado <span style="color: #ff99cc;"><em>Until The Hunter</em></span>, que viu a luz do dia a quatro de novembro, através da Tendril Tales, a editora de Hope Sandoval e nele esta dupla oferece-nos uma belíssima viagem lisérgica, patente na instrumentação que se deixa conduzir pelos trilhos sónicos de uma guitarra, elétrica ou acústica, e pela complacência de uma bateria charmosa, tudo embrulhado em letras de acordo com as propostas mais intimistas dos grupos de origem dos mentores deste projeto e onde <span style="color: #ff99cc;"><em>Let Me Get There</em></span>, uma canção que conta com a participação especial vocal de Kurt Vile, se assume como momento maior de um enredo de particularmente atrativo e com um charme muito próprio.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://thenewperfectcollection.files.wordpress.com/2015/05/hope.jpg" alt="Resultado de imagem para Hope Sandoval And The Warm Inventions" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">A <em>folk</em> de cariz mais etéreo e intimista, com aquele pendor feminino tão específico e <em>sui generis</em>, é o eixo principal de <em><span style="color: #ff99cc;">Until The Hunter</span></em>, mas algumas das novas tendências da eletrónica mais ambiental, que prescruta, constantemente, caminhos mais sombrios, também tem papel de relevo e logo em <em><span style="color: #ff99cc;">Into The Trees</span></em>, nove nebulosos minutos particularmente hipnóticos e submersivos. Quem se deixar levar por esse pendor inicial e achar que o restante alinhamento segue essa bitola, surpreender-se-á, logo de imediato, com a <em>soul</em> do efeito da guitarra que plana sobre as cordas e a voz incomensuravelmente doce de Sandoval em <em><span style="color: #ff99cc;">The Peasant</span></em>, assim como com os resquícios da dita <em>chamber folk</em> presentes no dedilhar da viola de<span style="color: #ff99cc;"><em> A Wonderful Seed</em></span> e de <em><span style="color: #ff99cc;">The Hiking Song</span></em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">A partir daqui já não restam dúvidas que este é um disco de fervura lenta, para ser apreciado lentamente, de modo sossegado e intimista. Se a já referida <em><span style="color: #ff99cc;">Let Me Gett There</span></em> e <em><span style="color: #ff99cc;">Day Disguise</span></em> nos oferecem aquela pureza típica de uma primaveril manhã solarenga em que o único propósito que se apresenta diante de nós é um cadeirão de baloiço no alpendre em frente ao jardim lá de casa, já o efeito da guitarra de Treasure pede uma lareira quente, enquanto <em><span style="color: #ff99cc;">Salt Of The Sea</span></em> e <span style="color: #ff99cc;"><em>Liquid Lady</em></span> nos colocam ao fundo de um balcão de um bar boémio e fumarento, em final de noite particularmente bem regada.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #ff99cc;"><em>Until The Hunter</em></span> sobrevive num clima doce e tocante, com um imenso travo a melancolia, às vezes perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de canções com um travo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico. É um alinhamento que marca um início de percurso nos discos imperdível e claramente inspirado de um projeto no panorama musical atual. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c1.staticflickr.com/6/5702/30613691152_fd7127836a.jpg" alt="Hope Sandoval And The Warm Inventions - Until The Hunter" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>01. Into The Trees</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>02. The Peasant</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>03. A Wonderful Seed</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>04. Let Me Get There</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>05. Day Disguise</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>06. Treasure</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>07. Salt Of The Sea</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>08. The Hiking Sea</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>08. Isn’t It True</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>10. I Took A Sip</em></span><br /><span style="color: #ff99cc; font-size: 14pt;"><em>11. Liquid Lady</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/IzGWBWu-Rxg" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:826089 2016-11-07T21:14:00 The Laurels – Sonicology 2016-11-07T21:37:12Z 2016-11-07T22:38:39Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os The Laurels são uma banda de Sidney, na Austrália, formada por Luke O’Farrell (voz, guitarra), Piers Cornelius (voz, guitarra), Conor Hannan (baixo)  e Kate Wilson (bateria). Depois de <em>Plains</em>, o disco de estreia do grupo, editado no passado mês de julho pela <a style="color: #999999;" href="http://www.riceisnice.net/the-laurels/">Rice Is Nice Records</a> e produzido por  Liam Judson, o mesmo que orientou o <a style="color: #999999;" href="http://monkeybuzz.com.br/artigos/984/ouca-the-laurels-/">EP <em>Mesozoic</em></a>, primeiro registo oficial da banda, lançado em 2011, o coletivo está de regresso com <em><span style="color: #cc99ff;">Sonicology</span></em>, onze canções que confirmam este projeto como um dos grandes expoentes do <em>shoegaze</em> e do cenário psicadélico dos antípodas.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://cdn2-www.musicfeeds.com.au/assets/uploads/The-Laurels-1-671x377.jpg" alt="Image for The Laurels Announce 2016 National Tour" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os <span style="color: #cc99ff;">The Laurels</span> são mais uma banda, como tantas outras que têm passado por cá, a seguir a tendência de redescobrir e reutilizar sonoridades do passado. Algumas fazem-no de forma descaradamente objetiva, copiando estilos e até melodias de forma exaustiva. Outros conseguem utilizar o som de ontem de outra forma, procurando reinventar, fundir referências e, sobretudo, dar personalidade e um cunho identitário próprio (da banda ou artista) ao som.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Considero que os <span style="color: #cc99ff;">The Laurels</span> encaixam na segunda opção.<em> <span style="color: #cc99ff;">Sonicology</span> </em>é um misto de várias sonoridades do passado que, por se combinarem, não ficam datadas. Assim, se <em><span style="color: #cc99ff;">Reentry</span></em> apela aquele espírito majestoso da época faustosa da <em>britpop</em>, algures entre o <em>Screamadelica</em> dos Primal Scream, o <em>Definitely Maybe</em> dos Oasis e o <em>Modern Life Is Rubbish</em> dos Blur, já <span style="color: #cc99ff;"><em>Sonicology</em></span>, o <em>single</em> homónimo, calcorreia territórios mais relacionados com o <em>punk rock</em> de fino recorte, enquanto <span style="color: #cc99ff;"><em>Some Other Time</em></span>, por exemplo, pisca o olho aquela <em>vibe</em> mais etérea e psicadélica setentista, tão do agrado de outros projetos conterrâneos e que são hoje verdadeiros ícones do <em>indie rock</em> de cariz mais lisérgico. E bastam estes três exemplos para percebermos o ambiente geral de um trabalho que nos oferece um som muito plural, criado a partir de elementos retirados das mais diversas épocas e estilos, sem que soem necessariamente presos a esses géneros.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Ouvir este disco é, em suma, como dar um passeio pela história do <em>pop</em> e da psicadelia e também por outros territórios. Acabo por não resistir a finalizar sem deixar de referir que <em><span style="color: #cc99ff;">Frequensator</span></em> traz-nos as guitarras potentes e empoeiradas do <em>shoegaze</em>, também presentes noutras canções e que o baixo de <em><span style="color: #cc99ff;">Mecca</span></em> e a guitarra que sobre ele flutua, contém uma dose de distorção que lembra os Pixies no período aúreo, apesar dos restantes arranjos da composição apelarem para o clima do típico <em>rock</em> psicadélico dos anos setenta, onde também encaixa o edifício sonoro que sustenta <span style="color: #cc99ff;"><em>Aerodrome</em></span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Em suma, estamos na presença de um típico disco simbiótico, cheio de nuances sónicas que vale a pena descobrir, destrinçar e escutar com particular minúcia, oferecidos por uns <span style="color: #cc99ff;">The Laurels</span>, conhecidos como uma das melhores bandas ao vivo australianas da atualidade e que continuam a conseguem ultrapassar o sempre difícil teste do segundo disco, com uma postura sonora muito genuína e que exploram positivamente, quase até à exaustão. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p align="center"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img src="https://c7.staticflickr.com/9/8417/30006184670_70d336fbbd.jpg" alt="The Laurels - Sonicology" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">01. Reentry</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">02. Sonicology</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">03. Clear Eyes</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">04. Some Other Time</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">05. Trip Sitter</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">06. Frequensator</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">07. Aerodrome</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. Hit And Miss</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">09. Central Premonition Registry</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">10. Mecca</span></em></span><br /><span style="color: #cc99ff;"><em><span style="font-size: 14pt;">11. Zodiac K</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/QVO3Ou_eQQs" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:827183 2016-11-04T17:44:00 Fujiya And Miyagi – EP1 & EP2 2016-11-04T17:50:11Z 2016-11-04T17:50:11Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com já uma década e meia de atividade e assumindo-se, cinco discos depois, como um dos projetos mais relevantes do cenário indie britânico, pelo modo exímio como misturam alguns dos melhores aspetos do rock alternativo com a eletrónica de cariz mais progressivo, os <span style="color: #99ccff;">Fujiya And Miyagi</span> resolveram deixar um pouco de lado o habitual formato álbum para se dedicarem à edição de três EPs, espaçados quase por um ano, com o conteúdo dos dois primeiros já conhecido e a merecerem, desde já, cuidada análise.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://3.bp.blogspot.com/-d0BlfA8xVoo/V0Q6kC2WiZI/AAAAAAAAKUU/Hw9JE70kxMQxoJYUg61yg7HONW5k9GlSACLcB/s1600/Fujiya%2BAnd%2BMiyagi.png" alt="Resultado de imagem para Fujiya And Miyagi 2016" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Assim, se <a style="color: #999999;" href="http://fujiyamiyagi.bigcartel.com/product/ep1">EP1</a> viu a luz do dia em finais de maio último e o <a style="color: #999999;" href="http://fujiyamiyagi.bigcartel.com/product/ep2">EP2</a> ontem mesmo, já o <em>EP3</em> chegará aos escaparates no início de 2017. E pelo conteúdo dos dois primeiros alinhamentos, fica claro que este quarteto está cada vez mais apostado numa relação estreita entre o <em>krautrock</em> inaugurado nos anos setenta e as tendências atuais da <em>pop</em> movida a sintetizadores, sem nunca descurar a presença do baixo e da guitarra no processo de criação. É uma estética sonora abraçada logo em 2003, quando Steve Lewis e David Best, os membros iniciais do projeto que integrava o conceito de Fujiya (uma marca de equipamentos de som) e Miyagi (o mentor de Daniel-San em <em>Karate Kid</em>), se estrearam e que contém cada vez maior bitola qualitativa, assente num espaço de delicioso diálogo com heranças e referências de outros tempos, algo que<em> <span style="color: #99ccff;">Outstripping (The Speed Of Light)</span></em>, o <em>single</em> de abertura de <span style="color: #99ccff;"><em>EP2</em></span>, plasma claramente ao remeter-nos para a sintetização da década de oitenta, no período aúreo de uns Pet Shop Boys ou dos New Order e<em><span style="color: #99ccff;"> Swoon</span></em> eleva, através da simbiose entre as batidas, a voz sussurrada de Best e o <em>groove</em> de um teclado.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Olhando para o restante conteúdo dos dois Eps e continuando a fazê-lo num todo, sem os separar, importa referir ainda que se <em><span style="color: #99ccff;">Serotonin Rushes</span> </em>nos remete para a eletrónica alemã, com o baixo e as guitarras a não esbaterem uma declarada essência <em>vintage</em>, mas a acabarem por encontrar eco em muitas propostas <em>indie</em> atuais que também se movem, com mestria, na mesma miríade de influências, também há que destacar a elegância do <em>groove</em> e do ritmo dos teclados que balançam entre a pista de dança e paisagens cotemplativas em <span style="color: #99ccff;"><em>Extended Dance Mix</em></span>. Este tema é um excelente mote para percebermos o atual estado criativo do grupo e o porquê de serem já uma referência devido ao jogo que estabelecem entre o baixo e as guitarras no meio das batidas, com o charme de <em><span style="color: #99ccff;">Freudian Slips</span></em>, uma canção que cresce apoiada em batidas sincopadas e que clama por um momento de êxtase que nunca chega, a desfazer ainda mais todas as dúvidas em relação a essa constatação.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Estamos perante uma súmula interessante e bem idealizada de todo o conteúdo que sustentou a eletrónica nos últimos trinta anos, atráves de canções<em> pop</em> bem estruturadas, devidamente adocicadas com arranjos bem conseguidos e que não dispensam a vertente orgânica conferida pelas cordas e pela percussão, tudo envolto com a habitual pulsão rítmica que carateriza a personalidade deste quarteto, que criou mais um conjunto de alinhamentos consistente, carregados de referências assertivas e que constituem um novo marco no percurso deste projeto essencial do panorama da eletrónica do séxculo XXI. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c3.staticflickr.com/6/5559/29838598234_24ebf1f2e1.jpg" alt="Fujiya And Miyagi - EP1" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>01. Serotonin Rushes</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>02. To The Last Beat Of My Heart</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>03. Freudian Slips</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>04. Magnesium Flares</em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/241820755&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c4.staticflickr.com/6/5776/30382277691_21966246d4.jpg" alt="Fujiya And Miyagi - EP2" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>01. Outstripping (The Speed Of Light)</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>02. R.S.I.</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>03. Swoon</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 14pt;"><em>04. Extended Dance Mix</em></span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/282856979&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:828365 2016-11-02T18:52:00 The Shins – Dead Alive 2016-11-02T19:14:27Z 2016-11-02T19:14:45Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c1.staticflickr.com/6/5516/30327771440_31b1cb6575.jpg" alt="The Shins - Dead Alive" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Sem dar sinais de vida desde a contribuição em 2004 para a banda sonora do filme <em>So Now What</em>, os <span style="color: #3366ff;">The Shins</span> de James Mercer estão de regresso com <span style="color: #3366ff;"><em>Dead Alive</em></span>, uma canção lançada em pleno <em>halloween</em> e que prepara terreno para um novo registo de originais, que deverá ver a luz do dia em 2017.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #3366ff;"><em>Dead Alive</em></span> serve-se de uma já forte<span style="line-height: 1.3;"> referência do nosso quotidiano para construir o panorama lírico de uma canção que pende ora para a </span><em style="line-height: 1.3; font-size: 12pt;">folk</em><span style="line-height: 1.3;">, ora para a </span><em style="line-height: 1.3; font-size: 12pt;">indie pop </em>mais<em style="line-height: 1.3; font-size: 12pt;"> </em><span style="line-height: 1.3;">adocicada e acessível, aspetos possibilitados por</span><span style="line-height: 1.3;"> uma instrumentação radiante, com a possibilidade de constatarmos que Mercer continua a alcançar elevados parâmetros e patamares de qualidade na sua intepretação vocal. Confere...</span></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/IzfQCsDTORM" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:823031 2016-11-01T17:24:00 Cave Story - West 2016-11-01T18:11:47Z 2016-11-01T18:11:47Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga (guitarra e voz) são os <span style="color: #99ccff;">Cave Story</span>, uma banda nascida nas Caldas da Rainha em 2013 e que deu o pontapé de saída numa carreira promissora com <em>um conjunto de demos que chamou a atenção de vários promotores e festivais nacionais e internacionais como a</em> <em>FatCat Records</em> e o <em>Reverence Valada</em>, respetivamente. Tendo visto a luz do dia no início de 2015, <em>Spider Tracks</em> foi o primeiro EP dos Cave Story, seis canções gravadas durante um ano e que ganharam vida descritas dentro dos abrangentes limites definidos por um <em>post punk pop</em> experimental, tendo-se seguido depois <em>Garden Exit</em>, um novo tomo de canções do trio, que solidificou e tipificou o som de um projeto sempre aberto e pronto para novas sonoridades, mas que confessa sentir-se mais confortável a explorar os recantos mais obscuros de uma relação que se deseja que não seja sempre pacífica entre a mágica tríade instrumental que compôe o arsenal de grande parte dos projetos inseridos nesta miríade sonora.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://imagens1.publico.pt/imagens.aspx/950961?tp=UH&amp;db=IMAGENS" alt="Resultado de imagem para cave story caldas da rainha" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Agora, no ocaso de outubro, chegou aos escaparates <span style="color: #99ccff;"><em>West</em></span>, o longa duração de estreia dos <span style="color: #99ccff;">Cave Story</span>, doze canções que são a concretização plena desta desenvoltura <em>rockeira</em>, o epílogo do promissor percurso acima descrito e que confirma estarmos na presença de um nome essencial das várias lebres de uma nova geração de bandas nacionais que redescobriram, à chegada do novo século, o velho fulgor anguloso e elétrico do <em>rock’n’roll.</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Gravado nas Caldas da Rainha pela própria banda (excepto os temas<em><span style="color: #99ccff;"> Body Of Work</span></em>, gravado nos estúdios Valentim de Carvalho em Lisboa com Luís Caldeira, e <span style="color: #99ccff;"><em>Like Predicted</em></span>, gravado nos estúdios Sá da Bandeira no Porto por João Brandão), <span style="color: #99ccff;"><em>West</em></span> ganhou vida em formato cd pela Lovers &amp; Lollypops e em vinil pelo Musicbox e leva-nos numa viagem que espelha fielmente o gosto que os <span style="color: #99ccff;">Cave Story</span> demonstram relativamente aos primórdios do <em>rock</em>, conseguindo apresentar, em simultâneo, algo inovador e diferente.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">O álbum começa a rolar e a distorção da guitarra de <em><span style="color: #99ccff;">Body Of Work</span></em> dá-nos, só para começar, aquele travo fresco e luminoso, mas apimentado por um manto de fundo <em>lo fi</em> empoeirado, rugoso mas pleno de soul. É uma guitarra <em>vintage</em>, exemplarmente acompanhada por uma secção ritmíca vigorosa e assertiva, num resultado que pouco depois, em <em><span style="color: #99ccff;">Modeller</span></em>, recua esse instrumento quase meio século até à génese dos The Rolling Stones e à irremediável crueza dos The Kinks. Logo depois, quando no rock de <span style="color: #99ccff;"><em>American Nights</em></span> existe aquele travo indisfarçável que encontra raízes no cenário <em>punk</em> setentista britânico e quando esse mesmo <em>punk</em>, mas o nova iorquino, dominado já na alvorada deste século pelos The Strokes, ganha vida em <span style="color: #99ccff;"><em>Darkness Is A Figure</em></span> e na opulência de <span style="color: #99ccff;"><em>Trying Not to Try</em></span>, o mapa sonoro que define o disco amplia-se ainda mais. A seguir, com o experimentalismo psicadélico setentista, algures entre Sparks e The Television, que orienta <span style="color: #99ccff;"><em>Microcosmos</em></span> e com a guitarra de <em><span style="color: #99ccff;">Like Predicted</span></em> a conter aquel travo <em>folk</em> sulista que os R.E.M. no início dos anos oitenta adotaram para pedra basilar da sua cartilha, sem descurar a aparição do <em>grunge</em> em <span style="color: #99ccff;"><em>Running With Baguettes</em></span>, percebe-se a elevada abrangência de<span style="color: #99ccff;"><em> West</em></span> e porque este trio deve ser já, a nivel interno, considerado vanguardista e um exemplo a seguir, em plena segunda década do século XXI, devido ao modo como consegue acompanhar os pressupostos que sustentam que o <em>indie</em> <em>rock lo fi</em> e de cariz mais psicotrópico está na ordem do dia.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva esta banda da costa oeste, <span style="color: #99ccff;"><em>West</em></span> conquista e seduz, com as suas visões de uma <em>pop</em> caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências antigas. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://embed.spotify.com/?uri=spotify%3Aalbum%3A0Up7fNL6ZFNMx3sGdYNTOS" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:827961 2016-10-29T17:39:00 Mall Walk - Funny Papers 2016-10-29T17:35:06Z 2016-11-01T19:07:35Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Lançado ontem à boleia da <a style="color: #999999;" href="http://mtstmtn.com/" target="_blank">Mount Saint Mountain</a>, masterizado por John McBain e produzido e misturado por Monte Vallier nos estúdios <a style="color: #999999;" href="http://ruminatoraudio.com/" target="_blank">Ruminator Audio </a>em São Francisco, <em><span style="color: #800000;">Funny Papers</span></em> é o título do álbum de estreia dos <a style="color: #999999;" href="http://www.mallwalkband.com/">MALL WALK</a>. Refiro-me a um trio formado por Daniel Brown, Nicholas Clark e Rob I. Miller, oriunda da mesma São Francisco e com um cardápio sonoro impregnado com um manancial de efeitos e distorções alicerçadas em trinta anos de um <em>indie rock</em> feito com guitarras bastante inspiradas, algo que ficou já patente logo em outubro de 2014 com <em>S/T</em>, o EP da banda que de tempos em tempos ainda roda com insistência na redação deste blogue.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://f4.bcbits.com/img/0008588847_10.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os <span style="color: #800000;">MALL WALK</span> têm tudo aquilo que é preciso para serem uma banda importante do <em>indie rock</em> psicadélico atual. Têm no sol da Califórnia o refúgio perfeito para explorar um hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial, que carateriza a sua música e, de facto, as dez canções de<em><span style="color: #800000;"> Funny Papers</span></em> impressionam pela amplitude do trabalho de produção e a procura de uma textura sonora aberta, melódica e expansiva, dentro de um espetro sonoro onde aquela visceralidade algo sombria, típica do punk, costuma ditar cartas. Esta apenas aparente ambivalência está bem expressa na monumentalidade de<span style="color: #800000;"><em> Street Drugs and Cartoons</em></span>, canção onde o próprio <em>rock</em> de cariz mais progressivo também está fortemente impresso, em especial na guitarra que conduz o refrão.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Na verdade, o habitual pendor algo <em>lo fi</em> que muitas vezes é percetivel na própria distorção das guitarras em bandas que apostam neste espetro sonoro relacionado com o <em>indie rock</em> mais cru e o <em>punk rock</em> é, neste trio, substituido por um elevado vigor do baixo e também pela chamada deste instrumento para a linha da frente na arquitetura sonora, que tem, frequentemente, as luzes da ribalta e um maior protagonismo, como se percebe, claramente, em <em><span style="color: #800000;">Patches</span></em>, mas também em <span style="color: #800000;"><em>Call Again</em></span> e <span style="color: #800000;"><em>Exhauster</em></span>, três espetaculares tratados de <em>punk rock </em>aditivos, rugosos e viciantes. Mas a sensibilidade dos solos e <em>riffs</em> da guitarra que exibem linhas e timbres muito comuns no chamado <em>garage rock</em>, também não são descurados e em <span style="color: #800000;"><em>Sleeping In Shits</em></span>, mas, principalmente, em <em><span style="color: #800000;">Protection Spells</span> </em>acabam por ser aquele complemento perfeito que obriga a que seja justo afirmar que os <span style="color: #800000;">MALL WALK</span> são corajosos e abertos a um saudável experimentalismo. E essa busca de novos caminhos dentro do espetro sonoro que os baliza e que no caso de <em><span style="color: #800000;">Sex Negative</span></em> pisca o olho à psicadelia setentista, nunca inibe o trio de se manter conciso e direto na visceralidade controlada que quer exalar, enquanto prova elevada competência no modo como separa bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes <em>puzzles </em>que dão substância às canções.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Se as linhas de baixo sublimes referidas são exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes dos <span style="color: #800000;">MALL WALK</span>, é evidente nas distorções das guitarras um posicionamento melódico direcionado para a busca de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também acessíveis e do agrado de um público abrangente.<em> <span style="color: #800000;">Death In Small Increments</span></em> é o exemplo maior deste passo em frente, uma catarse psicadélica, assente numa bateria inspirada que nos faz dançar em loopings divagantes, uma canção onde os <span style="color: #800000;">MALL WALK </span>apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, que é um verdadeiro compêndio de punk<em> rock</em> despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #800000;"><em>Funny Papers</em></span> sabe a muito pouco, tal é a hipnose instrumental que nos oferece, pensada para nos levar numa <em>road trip</em> pelo deserto com o sol quente na cabeça, à boleia da santa tríade do <em>rock</em>, uma viagem lisérgica através do tempo em completo transe e hipnose. Da psicadelia, ao <em>garage rock</em>, passando pelo <em>shoegaze</em> e agora também pelo chamado <em>punk rock</em>, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos <span style="color: #800000;">MALL WALK</span>, que acabam de dar um passo bastante confiante, criativo e luminoso na sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=4082558763/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="480" height="270" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FZekEqmVg7us%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DZekEqmVg7us&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FZekEqmVg7us%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F5vZEyDf1oZQ%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D5vZEyDf1oZQ&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F5vZEyDf1oZQ%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:827787 2016-10-27T21:09:00 Noiserv - 00:00:00:00 2016-10-27T20:12:58Z 2016-10-27T22:51:35Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como <span style="color: #ffcc99;">Noiserv</span>. Vindo de Lisboa, <span style="color: #ffcc99;">Noiserv</span> tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs <em>56010-92</em> e <em>A Day in the Day of the Days</em>, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns <em>One Hundred Miles from Thoughtless </em>e <em>Almost Visible Orchestra, </em>adocicados pelo<em> DVD <em>Everything Should Be Perfect Even if no One's There</em>, </em>havendo, a partir de amanhã, mais um compêndio de canções para juntar a esta lista. Refiro-me a um trabalho intitulado<span style="color: #ffcc99;"><em> 00:00:00:00</em></span>, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mesmo para o próprio autor, após uma fatalidade originada por um jogo de basquetebol no ocaso do último inverno e que limitando fisicamente <span style="color: #ffcc99;">Noiserv</span>, devido à fratura de um pé, conduziu-o para a frente das teclas de um piano. Ficaram, assim, lançados os dados para este novo registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.ovarnews.pt/wp-content/uploads/2016/09/Noiserv-620x330.jpg" alt="Resultado de imagem para noiserv 00:00:00:00" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Descrito como <em>a banda sonora para um filme que ainda não existe</em>, mas que pode muito bem servir de mote para um nosso, desde que o queiramos, <span style="color: #ffcc99;"><em>00:00:00:00</em></span> é uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco, fornecendo-nos inspiração para os filmes que na nossa mente podemos, com elas, produzir. E este é o atributo maior de um trabalho oposto do seu antecessor, que era feito de longos títulos e sonora e visualmente bastante colorido e diversificado, por ser instrumentalmente sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, muitos deles autênticos brinquedos e porque graficamente também obedecia a essa premissa. <em><span style="color: #ffcc99;">00:00:00:00</span></em> é absolutamente minimal, incrivelmente simples, estupendamente crú e, por isso, aberto e (de outro modo) desafiante no modo como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Assim, se <em>Almost Visible Orchestra</em> contava histórias, algumas delas inspiradas em eventos reais, fazendo-o de modo concreto e incrivelmente realista, agora <span style="color: #ffcc99;">Noiserv</span> sobe um patamar acima no arrojo que coloca no modo como se quer relacionar com os seus seguidores, oferecendo-lhes o inesperado, algo que à primeira audição parece o oposto daquilo a que sempre os habituou. Mas o que ele realmente faz é, obedecendo à filosofia conceptual da sua carreira e, certamente, da sua personalidade, que sempre buscou, deliciosamente, a melancolia, os afetos, a emotividade, a saudável ingenuidade genuína e o louvor do bem e do encontro da felicidade concreta através da experimentação do bem comum, desafiar-nos a darmos-lhe as mãos e sermos nós também, através da audição deste disco, construtores e definidores deste ideário, imaginando as tramas e a mensagem subjacente a cada um destes oito temas, cujos títulos podem muito bem ser o numeral referente a cada um dos <em>takes</em> por nós idealizados.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">É curioso constatar o acerto temporal em que <span style="color: #ffcc99;"><em>00:00:00:00</em></span> chega aos escaparates, fazendo-o em pleno outono tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós e perante quem comungue connosco todo o calor que, potencialmente, este alinhamento contém e que o inverno prestes a chegar certamente exigirá e agradecerá que seja vivido.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Confesso que já me apropriei de <span style="color: #ffcc99;"><em>Sete</em></span>, o meu número preferido, um doce e tocante instrumental, com um imenso travo a melancolia, perigoso e de lágrima fácil para todos aqueles que habitualmente divagam e exorcizam ao som de um lindíssimo piano, para primeira cena do meu filme. Convido-vos a fazerem o mesmo e a deixarem-se levar, sem reservas, por este universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, que marca um regresso aos discos imperdível e claramente inspirado de um músico, intérprete e compositor único no nosso panorama musical. Lá no alto, sei que alguém já o faz. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://deusmelivro.com/wp-content/uploads/2016/10/noiserv_featured-620x435.jpg" alt="Resultado de imagem para noiserv 00:00:00:00" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">Três</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">Sete</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">Seis</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">Quinze</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">Onze</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">Vinte e Três</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">Catorze</span></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">Dezoito</span></em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FLGMVqVOPVi8%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DLGMVqVOPVi8&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FLGMVqVOPVi8%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FKAOZqCiMejQ%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DKAOZqCiMejQ&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FKAOZqCiMejQ%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:827460 2016-10-26T18:00:00 Bruno Pernadas - Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them 2016-10-26T17:13:09Z 2016-10-26T17:13:09Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), <span style="color: #33cccc;">Bruno Pernadas</span> é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie &amp; the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, <span style="color: #33cccc;">Bruno</span> tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. <em>How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge?</em> foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie &amp; the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta &amp; the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie &amp; the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso com <span style="color: #33cccc;"><em>Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them</em></span>, à boleia da Pataca Discos.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://thumbs.web.sapo.io/?W=900&amp;H=450&amp;crop=center&amp;tv=1&amp;delay_optim=1&amp;epic=V2%3AUcpatZuy13QihJmkV9d8sLWtqiFHBC71h8GYt8nKM05tAKBUTzfW%2FojzMEeSeF3BHY3f9XG4fnn2QlckNnzjps6%2FaucgXPpoiAr27HpaHQByyNnPtmgSTditk0pHQO%2FK" alt="Resultado de imagem para Bruno Pernadas Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #33cccc;"><em>Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them</em></span> é uma sequência da sonoridade apresentada em <em>How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? </em>e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, <span style="color: #33cccc;">Bruno Pernadas</span> presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><span style="color: #33cccc;">Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them </span>oferece-nos um delicioso caldeirão sonoro, onde as composições vestem a sua própria pele enquanto se dedicam, de corpo e alma, à hercúlea tarefa comunicativa que o autor designou para cada uma, individualmente. E fazem-no fervilhando de emoção, arrojo e astúcia, enquanto vêm potenciadas todas as suas qualidades, à medida que <span style="color: #33cccc;">Pernadas</span> polvilha o conteúdo das mesmas com alguns dos melhores tiques de variadíssimos géneros e subgéneros sonoros, cabendo, no desfile dos mesmos, liderados pelo jazz contemporâneo, indie rock, <em>pop</em>, <em>folk</em>, eletrónica, ritmos latinos e até alguns lampejos da música dita mais clássica e erudita.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Assim, o exercício que se coloca perante o ouvinte que se predispõe a saborear convenientemente o universo criado por <span style="color: #33cccc;"><em>those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them</em></span>, deverá firmar-se, por exemplo, em <span style="color: #33cccc;"><em>Spaceway 70</em></span>, na vontade de apreciar o modo como uma flauta ou um trompete cirandam em redor de um par de acordes da guitarra, como em <span style="color: #33cccc;"><em>Problem number 6</em></span> se equilibram com total desembaraço, <em>flashes</em> de <em>samples</em>, alguns sopros que gostam de jogar ao esconde esconde, uma guitarra em contínuo e inquieto frenesim e instrumentos percussivos a tresandar a samba por todos os poros, como na <em>soul </em>contemplativa de <span style="color: #33cccc;"><em>Valley in the ocean</em></span> é dada total liberdade ao piano e às cordas para provocarem em nós uma agradável e viciante sensação de letargia e torpor, o modo como o trompete, o sintetizador e um efeito de guitarra quase surreal produzem um intenso travo oriental e exótico em <span style="color: #33cccc;"><em>Anywhere in spacetime</em></span>, o devaneio cavernoso lo fi das teclas de <span style="color: #33cccc;"><em>Because it’s hard to develop that capacity on your own</em></span>, o <em>ménage a trois</em> desavergonhado e feito cópula, à vez, entre trompete, piano e flauta em <span style="color: #33cccc;"><em>Galaxy</em></span>, ou de perceber a teia intrincada de relações promíscuas que se estabelecem, constantemente, durante os mais de doze minutos de <span style="color: #33cccc;"><em>Ya ya breathe</em></span>, entre as teclas do piano, as distorções da guitarra e os diferentes instrumentos percussivos que se escutam, enquanto o baixo, procura estabelecer alguma ordem e harmonizar um salutar caos, numa composição que sobrevive num terreno experimental e até psicadélico e onde a fronteira entre a heterogeneidade instrumental e melódica final e o (aparente) minimalismo inicial é geralmente indecifrável. Com esta atitude certa, constata-se, então, que <span style="color: #33cccc;"><em>those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them</em></span> é um ponto de partida para muitas emoções agradáveis, por ser, curiosamente, o ponto de chegada de muitas porções de um mundo onde é possível sentir, sonoramente, diferentes cheiros e sabores, enquanto se aprecia composições de diferentes cores, intensidades e balanços, que desafiam e apuram todos os nossos sentidos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Saboreando poemas escritos em inglês pelo autor do disco e por Rita Westwood, <span style="color: #33cccc;"><em>those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them</em></span> coloca-nos à prova à medida que diante de nós escorre aquilo que o género humano tem de mais genuíno e seu, enquanto <span style="color: #33cccc;">Pernadas</span> disserta alegremente e claramente fascinado pelo lado mais luminoso, colorido e natural deste mundo, sobre uma heterogeneidade de sensações e aspetos físicos e naturais que o atraem e que, em contacto com a espécie humana, obriga todas as partes envolvidas a diferentes processos adaptativos, o que resultou numa multiplicidade de raças, experiências e estádios de desenvolvimento que hoje caraterizam a nossa cultura e a nossa essência e que estas dez canções também, à sua maneira, plasmam. E durante este exercício antropológico, o autor aproveita para estabelecer paralelismos com o amor e a teia intrincada de relações, sensoriais e neurológicas que esse sentimento provoca, quer individualmente, quer durante a sua materialização com outro(s), com canções do calibre das já descritas <span style="color: #33cccc;"><em>Problem number 6</em></span> ou <span style="color: #33cccc;"><em>Valley in the ocean</em></span> a fazerem-nos crer que se há sentimento mais belo e capaz de nos transformar e fazer-nos ver com exatidão o mundo que nos rodeia é a vivência plena do amor. Espero que aprecies a sugestão…</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://i2.wp.com/altamont.pt/wp-content/uploads/2016/09/BP_Crocodiles_sq1600-72dpi.jpg?resize=400%2C400" alt="bp_crocodiles_sq1600-72dpi" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>01. Poem (1)</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>02. Spaceway 70</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>03. Problem Number 6</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>04. Valley In The Ocean</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>05. Anywhere In Spacetime</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>06. Poem (2)</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>07. Because It's Hard To Develop That Capacity On Your Own</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>08. Galaxy</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>09. Ya Ya Breathe</em></span><br /><span style="color: #33cccc; font-size: 14pt;"><em>10. Lachrymose</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FGRdYqxakKIE%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DGRdYqxakKIE&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FGRdYqxakKIE%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="480" height="270" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:826567 2016-10-25T23:27:00 The Flaming Lips – The Castle 2016-10-25T22:34:23Z 2016-10-25T22:34:23Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c3.staticflickr.com/9/8681/30478275386_6515a65a5e.jpg" alt="The Flaming Lips - The Castle" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Uma das bandas fundamentais e mais criativas do cenário musical indie e alternativo são, certamente, os norte americanos <a style="color: #999999;" href="http://www.flaminglips.com/">The Flaming Lips</a>, de Oklahoma. Há quase três décadas que gravitam em torno de diferentes conceitos sonoros e diversas esferas musicais e em cada novo disco reinventam-se e quase que se transformam num novo projeto.<em> <span style="color: #339966;">Oczy Mlodly</span></em> é o nome do próximo trabalho deste coletivo liderado pelo inimitável Wayne Coyne e será mais um capítulo de uma saga alimentada por histórias complexas (<em>Yoshimi Battles the Pink Robots</em>), sentimentos (<em>The Soft Bulletin</em>) e experimentações únicas (<em>Zaireeka</em>) e ruídos inimitáveis (<em>The Terror).</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">A treze de janeiro de 2017 chegará aos escaparates essa nova coleção de canções dos <span style="color: #339966;">The Flaming Lips</span>, por intermédio da Warner, e <span style="color: #339966;">The Castle</span> é o primeiro avanço divulgado do álbum, uma extraordinário tratado de <em>indie pop</em> etérea e psicadélica, de natureza hermética, que aproxima este projeto da melhor fase da sua carreira, no ocaso do século passado e início deste. Confere...</span></p> <p><em><iframe src="https://www.youtube.com/embed/WK_ggTw4lhA" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></em></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:821623 2016-10-24T17:55:00 Kings Of Leon - Walls 2016-10-24T17:00:14Z 2016-10-24T17:00:14Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Os norte americanos <a style="color: #999999;" href="http://kingsofleon.com/">Kings Of Leon</a>, dos três irmãos Followill e do primo, estão de regresso aos discos com <em><span style="color: #ffcc99;">Walls</span></em>, o sétimo disco da carreira deste quarteto que se estreou extamente há quase década e meia com o excelente <em>Youth &amp; Young Manhood</em>, para mim ainda o melhor disco desta banda natural de Nashville, no Tennessee.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.clashmusic.com/sites/default/files/styles/article_feature/public/field/image/Kings%20of%20Leon_5_1.jpg?itok=k-rQ7bK6" alt="Resultado de imagem para kings of leon 2016" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Disco após disco os <span style="color: #ffcc99;">Kings Of Leon</span> têm procurado nunca seguir um fio condutor homógeneo e bem definido, ou seja, Caleb e companhia, dentro do universo <em>indie rock</em>, já experimentaram de tudo um pouco para descobrir a fórmula perfeita que possa fazer deles uma das bandas mais importantes e influentes do mundo, musicalmente falando e sem olhar para a componente comercial. Assim, para quem, como eu, conhece com algum rigor a discografia dos <span style="color: #ffcc99;">Kings Of Leon</span> é interessante escutar <em><span style="color: #ffcc99;">Walls</span> </em>e perceber que estamos na presença de um disco que, enquanto procura apontar novos caminhos mais reflexivos, faz uma espécie de súmula da carreira de uma banda que, na minha opinião, tem vindo a decrescer de qualidade disco após disco, ao mesmo tempo que, curiosamente, ganha maior relevância como banda de estádio. Mas isto é apenas uma mera questão de gosto pessoal e aceito perfeitamente que existam opiniões divergentes da minha. Agora, o que me parece unânime e fácil de aceitar por todos aqueles que, como eu, acompanham a carreira dos <span style="color: #ffcc99;">Kings Of Leon</span>, é perceber que não há um fio condutor homógeneo e bem definido no cardápio musical do grupo, ou seja, Caleb e companhia, dentro do universo <em>indie rock</em>, já experimentaram de tudo um pouco para descobrir a fórmula perfeita que possa fazer deles uma das bandas mais importantes e influentes do mundo, musicalmente falando e sem olhar para a componente comercial.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Tendo em conta o excelente baixo e as guitarras de <span style="color: #ffcc99;"><em>Waste A Moment</em></span>, um dos grandes temas de <em><span style="color: #ffcc99;">Walls</span></em>, e a imponência orquestral do edifício melódico que envolve esta canção com um refrão avassalador, percebe-se, desde logo, que, como já referi, nesta nova etapa foi dada primazia a uma faceta algo sonhadora e romântica, que se aplaude e que é também fruto de uma produção cuidada. E ao escutar-se o modo como em <em><span style="color: #ffcc99;">Reverend</span></em> o baixo volta a ser preponderante na condução da canção e como em <em><span style="color: #ffcc99;">Around The World</span></em> é permitido à guitarra e à bateria que fluam livremente, enquanto planam sobre o instrumento de três cordas, fica mais claro que, desafiando o que de melhor fizeram na carreira, os <span style="color: #ffcc99;">Kings Of Leon</span> chegam a este sétimo disco sem usarem temas e sons reaproveitados, ou um simples verniz feito com arranjos em músicas já divulgadas, mas antes com a atitude corajosa de querem evitar ao máximo castrar a extraordinária capacidade criativa que o grupo demonstrou, nomeadamente no início da carreira, em <em>Youth &amp; Young Manhood e <em>Aha Shake Heartbreak.</em></em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Até ao ocaso de <span style="color: #ffcc99;"><em>Walls</em></span>, no cerrar de punhos de <em><span style="color: #ffcc99;">Find Me</span></em>, um monumental tratado de rock feito à medida de grandes e efusivas plateias, na encantadora tonalidade de <em><span style="color: #ffcc99;">Conversation Piece</span></em>, ou na complacência do tema homónimo, desfila um alinhamento que se escuta com interessante fluidez e que prova, como referi, que se os The Strokes e os Yeah Yeah Yeahs, entre tropeços e acertos, piscaram o olho aos anos oitenta, se os Franz Ferdinand abraçaram o <em>krautrock</em> e os sintetizadores, se os Arctic Monkeys foram em busca da <em>soul</em> e do <em>R&amp;B</em>, se os Bloc Party resolveu namorar com a eletrónica e até os Coldplay buscaram novos ares em <em>Ghost Stories </em>e<em> A Head Full Of Dreams</em>, estes <span style="color: #ffcc99;">Kings Of Leon</span> não quiseram ficar atrás e têm aqui um disco que certamente os catapultará para uma posição de relevo no panorama musical alternativo, com um das bandas mais influentes do <em>indie rock</em>. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://c5.staticflickr.com/6/5736/29652013404_405326f9f1.jpg" alt="Kings Of Leon - Walls" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">01. Waste A Moment</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">02. Reverend</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">03. Around The World</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">04. Find Me</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">05. Over</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">06. Muchacho</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">07. Conversation Piece</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. Eyes On You</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">08. Wild</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 14pt;">09. WALLS</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1zxzHuSi5ng" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:825789 2016-10-22T14:31:00 Coloured Clocks – Test Flight 2016-10-22T13:32:36Z 2016-10-22T13:32:36Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Uma das bandas mais profícuas e fundamentais do universo sonoro <em>indie</em> e alternativo australiano são os <span style="color: #00ccff;">Coloured Clocks</span> de James Wallace, um projeto oriundo de Melbourne, com já meia década de existência e seis lançamentos no cardápio e curioso pelo modo como disponibiliza a sua música, sempre com o formato digital disponível gratuitamente no <a style="color: #999999;" href="http://colouredclocks.bandcamp.com/">bandcamp</a> da banda. Mas estes <span style="color: #00ccff;">Coloured Clocks</span> merecem destaque principalmente pelo modo inteligente e eficaz como compôem canções. Falo de composições sonoras que, se por um lado não defraudam a herança identitária do ideário sonoro que instiga Wallace a compôr, por outro, mostram um autor e um projeto no auge de uma carreira sustentada por um <em>indie</em> progressivo e psicadélico, com fortes reminiscências do <em>rock</em> da década de setenta, mas sem pôr de lado o que de melhor se propôe atualmente, inspirado nesse universo musical.</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://f4.bcbits.com/img/0008109265_10.jpg" alt="Resultado de imagem para coloured clocks band wallace" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Já depois de no início deste ano terem chamado a atenção com <em>Particle</em>, estão de regresso ainda antes do ocaso de 2016, com <span style="color: #00ccff;"><em>Test Flight</em></span>, mais doze excelentes temas, inseridos no espetro sonoro acima descrito, da autoria de uns <span style="color: #00ccff;">Coloured Clocks</span> que se estrearam nos lançamentos com o EP <em>Where To Go</em>, em julho de 2011, ao qual se seguiu <em>Zoo</em>, o disco de estreia, lançado em janeiro de 2012. No final de 2012 deram a conhecer mais um novo álbum, intitulado <em>Nectarine</em> e logo depois, em 2014,<em> All Is Round</em>, uma espécie de álbum interativo, que pedia para ser escutado na sequência que entendessemos, já que o início pode ser o fim ou o meio, ou seja, as canções circulavam livremente e isso só não era concreto porque estavam presas à realidade lógica da indispensável sequência numérica do disco.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><em><span style="color: #00ccff;">Test Flight</span></em> deve ser ouvido na íntegra atentamente e apreciado como um todo, apesar de saltar ao ouvido composições como a contemplativa e cósmica <em><span style="color: #00ccff;">Everything's Right</span></em>, a inebriante e divertida <em><span style="color: #00ccff;">Lose That Girl</span></em>, ou a sedutora <span style="color: #00ccff;"><em>Building A Star</em></span>, canção que se aconchega nos nossos ouvidos e cola-se à pele com o amparo certo para que se expresse a melíflua melancolia que Wallace certamente quis que deslizasse dela, já que o mistério é, também, um elemento estruturante da filosofia sonora dos <span style="color: #00ccff;">Coloured Clocks</span>. A heterogeneidade rítmica de <em><span style="color: #00ccff;">One Tomorrow Away</span></em> também merece audição dedicada, devido ao modo almofadado como uma bateria em constante vaivém, a voz ecoante e um agregado de guitarras mágicas se manifestam com uma mestria instrumental<em> vintage</em> única. Depois <em><span style="color: #00ccff;">Never Young</span></em> também aposta em mudanças de ritmo e sobreposições com elementos sintéticos, numa toada mais diversificada, sendo um dos temas onde eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente <em>pop</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;">Feito à medida de quem gosta de sonoridades cósmicas e psicadélicas mais ligeiras e sempre com um fundo de epicidade e emoção à flor da pele, <em><span style="color: #00ccff;">Test Flight</span></em> aposta numa receita simples mas tremendamente efica, onde reina uma estrutura melódica tradicional, <em>riffs</em> de guitarra luminosos, bem acompanhados pela bateria e por sintetizadores flutuantes e poderosos que nos conduzem a um universo lisérgico e tortuoso, mas cheio de cor, numa espécie de simbiose entre a pop e o experimentalismo. Escrito, produzido, gravado e misturado pelo próprio James Wallace,<em> <span style="color: #00ccff;">Test Flight</span></em> contém uma aúrea resplandescente e romântica invulgares e espelha uma feliz revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o <em>rock </em>clássico proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p align="center"><span style="font-size: 14pt; color: #999999;"><img src="https://c1.staticflickr.com/9/8560/30243801872_a518e9502f.jpg" alt="Coloured Clocks - Test Flight" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>01. Everything’s Right</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>02. You Belong There</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>03. Never Be</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>04. Lose That Girl</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>05. Building A Star</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>06. What Has Happened</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>07. One Tomorrow Away</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>08. Never Young</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>09. If You’ve Lived Your Life</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>10. The Special Man</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>11. Saturday</em></span><br /><span style="font-size: 14pt; color: #33cccc;"><em>12. Dreaming At Luna Park</em></span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/281472837&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p>