urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07 man on the moon music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta! stipe07 2017-11-16T22:04:32Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:891157 2017-11-16T21:33:00 Tame Impala – Currents B-Sides And Remixes EP 2017-11-16T22:00:44Z 2017-11-16T22:04:32Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Dois anos depois de <span style="color: #ffcc00;"><em>Currents</em></span>, um disco onde os <span style="color: #ffcc00;">Tame Impala</span> de Kevin Parker continuaram a explorar o universo muito pessoal e privado do grande mentor do projeto, mas de um modo mais <em>pop</em>, dançante e eletrónico que os discos antecessores, eis que voltamos a ter novidades deste projeto australiano, um ep intitulado <span style="color: #ffcc00;"><em>Currents B-Sides And Remixes</em></span>. São cinco canções, três inéditos e duas remisturas de dois temas fulcrais de <em><span style="color: #ffcc00;">Currents</span></em>, uma da autoria de Gum para Reality In Motion e outra dos belgas Soulwax para <em><span style="color: #ffcc00;">Let It Happen</span></em>.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://tecoapple.com/wp-content/uploads/2017/11/tameimpalabsidesep017.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">A nostalgia e o modo como são apresentados com uma contemporaneidade invulgar alguns sons do passado, continua a ser uma pedra de toque importante na discografia dos <span style="color: #ffcc00;">Tame Impala</span>, conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram <em>girl-groups</em> e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de<em> blues rock</em>, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça. E o primeiro inédito deste ep, <em><span style="color: #ffcc00;">List Of People (To Try And Forget About)</span></em> reflete de modo clarividente esse propósito de oferecer ao ouvinte uma visão muito particular do universo que os <span style="color: #ffcc00;">Tame Impala</span> adoram recriar, sonoramente sustentado em constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se junta um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental<em> vintage</em> única. Depois, em <em><span style="color: #ffcc00;">Powerlines</span></em>, a aposta acaba por recair em texturas mais sintéticas e experimentais, exemplarmente sintonizadas nas sobreposições e mudanças de ritmo do tema, com eletrónica e psicadelia a darem as mãos de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente <em>pop. </em>Finalmente, <span style="color: #ffcc00;"><em>Taxis Here</em></span> pisca um pouco o olho à soul do <em>R&amp;B </em>e à eletrónica<em> </em>mais ambiental<em> </em>e à nostalgia deste genero, num ambiente sonoro que se aconchega nos nossos ouvidos e que se cola à pele com o amparo certo para que se expresse na canção a melíflua melancolia que Parker certamente quis que dela deslizasse. Quanto às remisturas, têm o natural objetivo de aproximar os <span style="color: #ffcc00;">Tame Impala</span> ainda mais do circuito <em>disco</em>, com a aposta a recair naquele típico <em>groove</em> viajante lisérgico que tão bem recriam, sem que a identidade dos autores das novas versões seja colocada em causa, com destaque para a faixa revista pelos <span style="color: #ffcc00;">Soulwax</span> e que contém todos os habituais tiques das remisturas feitas pelos belgas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Acervo que merece toda a atenção por parte dos apreciadores deste género sonoro muito peculiar, <span style="color: #ffcc00;"><em>Currents B-Sides And Remixes</em> </span>é um excelente complemento ao conteúdo de <em><span style="color: #ffcc00;">Currents</span></em>, um naipe de canções com texturas e fôlegos diferentes e onde aquela sensação de experimentação caseira está presente, ampliando a áurea resplandecente e romântica de uns <span style="color: #ffcc00;">Tame Impala</span> cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4539/38467184271_0f2c7ce7b9_o.jpg" alt="Tame Impala - Currents B-Sides And Remixes" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><em>01. List Of People (To Try And Forget About)</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><em>02. Powerlines</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><em>03. Taxi’s Here</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><em>04. Reality In Motion (Gum Remix)</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><em>05. Let It Happen (Soulwax Remix)</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/3flJRWyNy3tL2LSLtEQsEL" width="300" height="380" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:890154 2017-11-15T21:34:00 Björk – Blissing Me 2017-11-15T21:35:59Z 2017-11-15T21:35:59Z <p><a title="Björk - Blissing Me" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/26662979329/in/dateposted-public/"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4542/26662979329_03c03fde91_o.jpg" alt="Björk - Blissing Me" width="400" height="400" /></a></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;">Uma das caraterísticas mais marcantes da carreira da islandesa <span style="color: #ffcc99;">Björk</span> é não só mostrar o quanto o cenário musical do país de onde é originária é inspirador, mas ela ser também, por si só, uma verdadeira fonte de inspiração para imensos artistas. Recentemente envolvida em algumas questões polémicas, nomeadamente devido ao apoio público incondicional que tem dado a causas que defendem a liberdade de expressão sexual, principalmente nos Estados Unidos e depois de ela ter também confessado ter sido vítima de assédio há alguns anos, <span style="color: #ffcc99;">Björk</span>, crítica acérrima de Trump, sente-se mais inspirada do que nunca e, em consequência disso, <em>Vulnicura</em>, o álbum que lançou há pouco mais de dois anos, prepara-se para ter sucessor já dentro de dias.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;">O novo disco da artista islandesa chamar-se-à <em><span style="color: #ffcc99;">Utopia</span></em>, irá ver a luz do dia já dia vinte e quatro, via One Little Indian, e será, de acordo com a própria autora, uma ode ao otimismo e à esperança, porque é isso que estes tempos algo negros e difíceis clamam. Supostamente irá conter algumas ideias e sugestões para um mundo melhor, o que deverá ser mesmo uma realidade tendo em conta <em><span style="color: #ffcc99;">Blissing Me</span></em>, o novo <em>single</em> divulgado do disco, cujo conteúdo mostra que esse desiderato será alcançado com a habitual simplicidade absolutamente sedutora e intemporal que carateriza a música desta expoente da cultura sonora contemporânea. Falo de uma lindíssima canção assente em belíssimos arranjos e pinceladas acústicas que se cruzam com um registo vocal ternurento, uma composição que narra o amor feliz e incondcional que dois seres viciados pela internet sentem um pelo outro. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2FAmazonMusicUK%2Fvideos%2F1502165516543843%2F&show_text=0&width=540" width="540" height="340" scrolling="no" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:889695 2017-11-14T20:39:00 The Wombats – Lemon To A Knife Fight 2017-11-14T20:46:18Z 2017-11-14T20:46:18Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4545/38240258146_e9da94b34b_o.jpg" alt="The Wombats - Lemon To A Knife Fight" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Os ingleses<span style="color: #ff0000;"> The Wombats</span> estão de regresso aos discos depois do excelente <em>Glitterbug</em> de 2015, um disco que se notabilizou por oferecer canções cheias de guitarras aceleradas, inflamadas com letras divertidas, sempre com um audível elevado foco na componente mais <em>new wave</em> do <em>indie rock</em>. O novo álbum desta banda de Liverpool formada por Matthew Murphy, Daniel Haggis e Tord Øverland-Knudsen chama-se <span style="color: #ff0000;"><em>Beautiful People Will Ruin Your Life</em> </span>e vai ver a luz do dia a nove de fevereiro do próximo ano.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><span style="color: #ff0000;"><em>Lemon To A Knife Fight</em></span> é o primeiro tema divulgado desse que será o quarto registo de originais dos<span style="color: #ff0000;"> The Wombats</span>. É uma canção que sem renegar a luminosidade das cordas, aprofunda uma relação da banda cada vez mais próxima do trio com a <em>pop </em>mais radiofónica. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/HwPa71UZRaQ" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:888323 2017-11-13T20:36:00 Walk The Moon – What If Nothing 2017-11-13T20:44:17Z 2017-11-13T20:44:17Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Os norte americanos <a style="color: #999999;" href="http://walkthemoonband.com/">Walk The Moon</a> de Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo cheio de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis e paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas, uma receita que está de regresso de modo ainda mais aprimorado e exuberante em <span style="color: #99ccff;"><em>What If Nothing</em></span>, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati lançou a dez de novembro último.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.billboard.com/files/styles/article_main_image/public/media/Walk-The-Moon-press-photo-2017-cr-BRIAN-ZIFF-billboard-1548.jpg" alt="Resultado de imagem para walk the moon band 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Produzido por Mike Crossey e Mike Elizondo, <em><span style="color: #99ccff;">What If Nothing</span></em> tem o selo da RCA Records e coloca este quarteto norte-americano no trilho da <em>pop</em> mais efervescente, sintética e luminosa, algumas vezes até com diversos tiques do <em>r&amp;b</em> em ponto de mira, como é o caso de <em><span style="color: #99ccff;">Press Restart</span></em>, mas também a olhar de frente e com notória gula para o <em>rock</em> mais anguloso e expansivo. Assim, não faltam aqui canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores, outras a pedirem um punho firme e cerrado e ainda diversos instantes que convidam à introspeção e, no melhor pano, canções que fazem uma súmula de toda esta amálgama sonora certamente controlada em que os <span style="color: #99ccff;">Walk The Moon</span> se movem.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">É indubitável a capacidades destes <span style="color: #99ccff;">Walk The Moon</span> em olharem para o lado estético daquela <em>pop</em> algo negra e belicosa, feita de batidas algo minimais e sintetizadores impregnados de efeitos repletos de charme, mas eles também são exímios a navegar em águas banhadas por cordas exemplarmente eletrificadas e carregadas de <em>fuzz</em> e distorção. E, na sequência deste <em>modus operandi</em>, não terá sido inocente a escolha dos dois primeiros <em>singles</em> a retirar do álbum. Assim, se em <span style="color: #99ccff;"><em>Kamikaze</em> </span>temos um feliz exemplar do primeiro género de canções cuja bitola é, pouco depois, reforçada pelo arsenal sintético que sustenta a exuberância de <em><span style="color: #99ccff;">All Night</span></em>, já <em><span style="color: #99ccff;">Headphones</span> </em>não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo <em>red line </em>e, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura sua melódica. Depois, canções como a épica e efervescente <em><span style="color: #99ccff;">All I Want</span></em> ou <em><span style="color: #99ccff;">Tiger Teeth</span></em>, uma lindíssima balada onde sobressai um piano sintetizado que acompanha com mestria aquele efeito agridoce com que Petricca costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo, acabam por nos proporcionar a tal junção estética que tem como grande e constante motor o reviver de marcas típicas do <em>rock </em>nova iorquino do fim da década de setenta e, simultaneamente, o ressuscitar de referências mais clássicas, consentâneas com a própria <em>pop</em> psicadélica, sendo indisfarçável, ao longo das treze canções do registo, a busca constante de melodias agradáveis e marcantes, mas também ricas em detalhes e texturas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">São vários os territórios sonoros onde os <span style="color: #99ccff;">Walk The Moon</span> se sentem como peixe na água, estabelecendo definitivamente neste trabalho o vasto leque de influências que sempre moldaram uma carreira livre de constrangimentos ou de obediência direta a uma determinada bitola sonora mais específica, até porque em <span style="color: #99ccff;"><em>What If Nothing</em></span> aquilo que não falta é um som intrincado mas cativante e pleno de texturas psicadélicas que, simultaneamente, nos alegra e nos conduz à diversão, com uma sobriedade distinta e focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4562/38210330756_9851ca2697_o.jpg" alt="Walk The Moon - What If Nothing" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">01. Press Restart</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">02. Headphones</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">03. One Foot</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">04. Surrender</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">05. All I Want</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">06. All Night</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">07. Kamikaze</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">08. Tiger Teeth</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">09. Sound Of Awakening</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">10. Feels Good To Be High</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">11. Can’t Sleep (Wolves)</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">12. In My Mind</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">13. Lost In The Wild</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/SICL06V1IOA" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:888941 2017-11-11T22:50:00 Plastic Flowers – Absent Forever 2017-11-11T23:00:32Z 2017-11-11T23:01:11Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Juntam-se guitarras impregnadas de efeitos com uma forte toada <em>shoegaze</em> e um ambiente melódico particularmente lisérgico e contemplativo e estão lançados os dados para a chegada às luzes da ribalta de mais um projeto <em>indie</em> dentro do espectro sonoro que nos oferece uma versão algo ruidosa da <em>dream pop</em> mais ambiental e que também revive, em grande parte, épocas gloriosas de um<em> rock</em> alternativo que fez escola na reta final do século passado em Terras de Sua Majestade. Refiro-me a <a style="color: #999999;" href="http://plasticflowers.eu/">Plastic Flowers</a>, o alter-ego sonoro do grego, sedeado em Londres, George Samaras, um projeto que nasceu na zona de Tessalónica, na Grécia, há pouco mais de meia década. <span style="color: #99ccff;">Plastic Flowers</span> vai já no terceiro lançamento discográfico, sendo o mais recente <em><span style="color: #99ccff;">Absent Forever</span></em>, dez canções que acabam de ver a luz do dia à boleia da <a href="http://www.thenativesound.com/artists/plasticflowers">The Native Sound</a>.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://serialgk.files.wordpress.com/2017/09/samaras.jpg" alt="Resultado de imagem para plastic flowers samaras 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Com algumas canções já arquitetadas desde 2013 e gravado em apenas três meses, em diferentes espaços de Londres e num pequeno estúdio da casa de um amigo de Samaras em Hampstead, arredores da capital britânica, <em><span style="color: #99ccff;">Absent Forever</span></em> é um disco de contrastes. Se contém instantes tremendamente ruidosos e com uma forte complexidade instrumental, também deve muito da sua bitola qualitativa superior a outros intensamente calmos e reflexivos, sendo inteligente o modo como se vão revezando entre si, muitas vezes dentro dos próprios temas, numa demanda sonora onde a ideia de experimentalismo é elevada à forma de arte, neste caso sonora, com charme, bom gosto e uma invulgar sapiência.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Um dos truques que explica o som inédito e bastante identitário deste álbum é o modo como no processo criativo foram capturados alguns dos instrumentos através da antiga e analógica tecnologia da fita magnética. Depois, a participação de um quarteto de cordas também ajudou a ampliar ainda mais o clima rugoso e orgânico de um alinhamento que possui o habitual cariz melancólico em que <span style="color: #99ccff;">Plastic Flowers</span> gosta de nos imergir. No <span style="color: #99ccff;"><em>single How Can In</em></span>, o modo como um imparável<em> riff</em> eletrificado se sobrepõe e um trecho de guitarra ternurento que se repete ininterruptamente, plasma esta sensação agridoce que acaba por se estender à meia hora que o disco dura, até porque essa sensação se repete logo a seguir em <em><span style="color: #99ccff;">Seventeen</span></em>, canção que inicia com uma guitarra fortemente etérea e luminosa que pouco depois é trespassada por uma bateria imponente, com o resultado final a ser uma composição de forte cariz orquestral, com deliciosos acordes e melodias minuciosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, algo que à partida não era fácil de adivinhar assim que o tema começou. Depois, a sobriedade sentimental esplendorosa de <em><span style="color: #99ccff;">Falling Off</span></em>, o modo quase espiritual como em <em><span style="color: #99ccff;">Half Life</span></em> somos confrontados com um edifício sonoro com uma epicidade incomum e algo intrigante e a feliz nostalgia oitocentista que exala do <em>post rock</em> que define <em><span style="color: #99ccff;">So Long</span></em>, uma daquelas canções cujas diversas camadas de sons impelem ao cerrar de punho, são outros exemplos felizes do modo como neste <em><span style="color: #99ccff;">Absent Forever</span></em> é possível apreciar ruído e rugosidade, sem deixar de estar à tona uma toada eminentemente tranquila e sedutora, mesmo que, durante a audição, o frenesim na percussão e o ruído das guitarras, principalmente nos refrões, sejam <em>nuances</em> que parecem apontar numa outra direção, até algo oposta.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto que se aproxima cada vez mais de algumas referências óbvias de finais do século passado, <span style="color: #99ccff;"><em>Absent Forever</em></span> exala o contínuo processo de transformação de <span style="color: #99ccff;">Plastic Flowers</span> que procura mostrar, ao terceiro registo, com a marca do <em>indie shoegaze</em>, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4565/24411867938_bd70622a59_o.jpg" alt="Plastic Flowers - Absent Forever" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">01. Absent Forever</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">02. How Can I</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">03. Seventeen</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">04. Falling Off</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">05. Dalliance</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">06. Half Life</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">07. So Long</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">08. Where Are You</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">09. January 2017</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">10. NN</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/eu7tqAm_p_o" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:889417 2017-11-09T21:19:00 Bruno Pernadas e Ricardo Toscano no palco do CCB. 2017-11-09T21:27:05Z 2017-11-09T21:27:05Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><span style="color: #008080;">Bruno Pernadas</span> e <span style="color: #008080;">Ricardo Toscano</span> são ambos músicos de jazz com formação académica na música clássica. Os dois estarão no palco do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém no próximo dia 15 de Dezembro para encerrar o ciclo CCBeat 2017. O concerto preparado em exclusivo para a ocasião conta com um alinhamento maioritariamente inédito executado por um ensemble de luxo que reúne uma secção rítmica, secção de cordas e naipe de sopros e ainda dois cantores convidados.</span></p> <p><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://mail.google.com/mail/u/0/?ui=2&amp;ik=a77e7d81cc&amp;view=fimg&amp;th=15f97eedbf1c70fc&amp;attid=0.1&amp;disp=emb&amp;realattid=ii_15f97ea212d1dc26&amp;attbid=ANGjdJ9_v5bcZ-GgJUH1A0bXnyEshmrQNS53ytIfDYZoGQYlRBphXg8YBMTCQ1L7vyc3alc4bAbKlPzl61OOtT1eysqO3khTcbXSTnJL9eUt8HLZtbYuXtmsHFNFTuQ&amp;sz=w844-h562&amp;ats=1510261005314&amp;rm=15f97eedbf1c70fc&amp;zw&amp;atsh=1" alt="Imagem intercalada 1" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;">A abordagem tem como base diversos estilos tais como o jazz, o rock, a música exótica, cinematográfica e erudita, sendo o principal solista <span style="color: #008080;">Ricardo Toscano</span> no saxofone alto. Nas palavras de <span style="color: #008080;">Bruno Pernadas</span>, que acumula a direcção musical, <em>na conjunção deste ensemble procura-se aquilo que se assume como identitário de cada instrumento, combinando as diferentes linguagens harmónicas, rítmicas, texturais nos vários momentos que integram o espectáculo</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"> De acordo com o músico e compositor, <em>a proposta a apresentar é marcada por uma abordagem dinâmica, forte e ambiciosa que traduz-se num concerto onde a composição e a improvisação ocupam um papel determinante no seu resultado final</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;">Dois excelentes músicos, o multi-instrumentista e compositor <span style="color: #008080;">Bruno Pernadas</span> e o saxofonista <span style="color: #008080;">Ricardo Toscano</span> num encontro singular que transforma esta ocasião em algo surpreendente e certamente memorável.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Bruno Pernadas -</strong> composição, guitarra e teclados</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Ricardo Toscano -</strong> saxofone alto, solista</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Afonso Cabral -</strong> voz (convidado)</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Francisca Cortesão -</strong> voz (convidada)</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Margarida Campelo -</strong> piano, teclados e voz</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>João Correia -</strong> bateria</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Nuno Lucas -</strong> baixo eléctrico</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Diogo Duque -</strong> trompete</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>João Capinha -</strong> saxofone</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Raimundo Semedo -</strong> saxofone</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>Raquel Merrelho -</strong> violoncelo</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; color: #999999; font-family: terminal, monaco;"><strong>João de Andrade –</strong> violino</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/GRdYqxakKIE?feature=oembed" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:881345 2017-11-08T22:09:00 Dear Telephone - Cut 2017-11-08T22:10:54Z 2017-11-08T22:10:54Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Inspirados pela curta metragem de Peter Greenway intitulada <em>Dear Phone</em>, realizada em 1976, os <a style="color: #999999;" href="http://www.deartelephone.com/">Dear Telephone</a> vêem de Barcelos e formaram-se há pouco mais de meia década, tendo na sua formação gente que nos tem sempre mostrado, em todos os projectos em que se envolvem, uma inegável qualidade enquanto músicos e que provam que na música se pode fazer sempre algo de inovador e diferente daquilo que o <em>mainstream</em> habitualmente nos oferece. Falo de Graciela Coelho, André Simão, Pedro Oliveira e Ricardo Cibrão, os membros deste grupo obrigatório no panorama sonoro contemporâneo <em>indie</em> nacional. Em março de 2011 os <span style="color: #99ccff;">Dear Telephone</span> estrearam-se com o EP <em>Birth Of A Robot</em>, um conjunto de canções com uma abordagem sonora algo crua, intimista e minimalista e que foi muito bem recebido pela crítica e apresentado ao vivo em algumas das mais importantes salas de espetáculos do país. Mas também chegaram ecos desse EP ao estrangeiro, com os <span style="color: #99ccff;">Dear Telephone</span> a fornecerem um tema para a banda sonora do filme brasileiro <em>Contramão</em> de Fabio Menezes e a representarem Portugal em agosto desse ano no evento <em>Music Alliance Pact</em>. Dois anos depois, em 2013, estrearam-se no formato longa-duração com <em>Taxi Ballad</em>, um disco onde mergulharam<em> sem concessões no assumido fascínio pelo quotidiano e suas contradições, no discurso directo e desconcertante das personagens que as vozes encarnam e numa instrumentação dura e sem artifícios. </em>Agora, quase no ocaso de 2017, o grupo minhoto está de regresso aos discos com <span style="color: #99ccff;"><em>Cut</em></span>, um compêndio com nove canções alicerçadas em diferentes linguagens e esferas de influência sonora, um disco que experimenta a <em>pop</em> e pisca o olho ao <em>rock</em>, sempre com mestria e com os ingredientes certos.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://bodyspace.net/imgs/noticias/queridotou.jpg" alt="Resultado de imagem para dear telephone barcelos slit" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">No simultaneamente envolvente e enigmático clima cinematográfico do efeito da guitarra que sustenta <em><span style="color: #99ccff;">Fur</span></em> e no modo como em <span style="color: #99ccff;"><em>Slit</em></span> é piscado o olho ao <em>rock,</em> num formato eminentemente <em>blues</em>, com mestria e com os ingredientes certos, dos quais se destacam essa tal guitarra que agora se entranha, de forma sofisticada, inteligente a até corajosa, banda e ouvinte entram logo em comunhão íntima, conduzidos por este dois trunfos jogados para cima da mesa pelos primeiros que obrigam, forçosamente, os segundos, naturalmente mais incautos, a conferir o disco até ao fim e, desse modo, a perceberem rapidamente que essa opção algo instintiva acabou por ser tremendamente recompensada.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">O compasso firme da bateria de <em><span style="color: #99ccff;">Automatic</span></em> e o modo como nesse tema essa habilidade percurssiva é acompanhada pela guitarra e por um efeito sintetizado inebriante, a luminosidade optimista e sorridente que transborda de todos os poros do single homónimo <em><span style="color: #99ccff;">Cut</span> </em>e o pendor mais reflexivo e indutor, mas algo psicadélico, de <span style="color: #99ccff;"><em>Nighthawks</em></span>, são outros três exemplos do modo sublime como este álbum nos proporciona uma mistura criativa de ritmos que ao início pode soar algo estranha, mas que com o tempo descobre um delicioso ponto de equilíbrio, com o prazer da audição deste registo a crescer e a entranhar-se sem exigir grande esforço.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Em <em><span style="color: #99ccff;">Cut</span></em> há uma aparente mas consciente indecisão estilística entre um lado mais <em>pop</em> e radiofónico e outro mais progressivo e lisérgico, um certo assumir de um risco que, por neste caso ter resultado, acaba por ser a maior mais valia de um álbum que finta alguns dos habituais cânones da<em> pop</em> nacional, sem deixar de apresentar temas com instantes melódicos particularmente soporíferos e aditivos e outros que poderão ter um invejável <em>airplay</em> no próprio inconsciente de cada um de nós, ou seja, este é um exemplo típico daquele tipo de discos que muitas vezes sentimos necessidade de ouvir sem motivo aparente, mas com acerteza que esse ato será objeto do maior usufruto. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/7n371lh8M9CsfdAPMVCESw" width="300" height="380" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:882369 2017-11-06T20:46:00 Martin Carr - New Shapes Of Life 2017-11-06T21:12:18Z 2017-11-06T21:12:18Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;">Já chegou aos escaparates <em><span style="color: #ff0000;">New Shapes Of Life</span></em>, o terceiro capítulo da exuberante obra discográfica do escocês <span style="color: #ff0000;">Martin Carr</span> e o segundo do artista editado pela Tapete Records. Este é um trabalho que sucede a <em>The Breaks</em>, um registo lançado em 2014 e onde o artista <em>lidou com os sentimentos de separação do mundo que o rodeia</em> mas, por algum motivo que não entende, <em>ficou mais insatisfeito no final do disco do que quando o tinha começado a compôr </em>e<em> desta vez, quis ir mais fundo.</em></span></p> <p><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;"><em><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://infocul.pt/wp-content/uploads/2017/09/Martin_Carr_17__Credit_Mary_Wycherley_.jpg" alt="Martin_Carr_17__Credit_Mary_Wycherley_" /></em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;">Misturado por Greg Harver, um amigo de <span style="color: #ff0000;">Martin</span> também escocês mas residente na Nova Zelândia e de Clint Murphy, <span style="color: #ff0000;"><em>New Shapes Of Life</em></span> é fortemente influenciado pela herança de David Bowie e tal sucede porque foi a morte desse ícone da cultura contemporânea que acabou por desencravar um período de crise criativa que <span style="color: #ff0000;">Carr</span> estava a viver no ano de 2015. O músico tinha-se refugiado no seu estúdio em Glasgow com o propósito de compôr novas canções, os resultados eram infrutíferos, mas a morte de Bowie despoletou em <span style="color: #ff0000;">Carr</span> o desejo de se embrenhar em toda a discografia do artista inglês, assim como em filmes e biografias sobre esse artista e tal experiência ensinou ao escocês<em> a importância de se exprimir através dum determinado meio</em> além de o ter feito refletir <em>sobre a sua vida e nos anos que tinha desperdiçado a viver a vida dum artista mas a negligenciar a arte</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;">A lírica acabou por ser o ponto de partida das canções, ao contrário do habitual <em>modus operandi</em> de <span style="color: #ff0000;">Carr</span> e foi gasta bastante energia nessa componente essencial do processo de construção de uma canção, tendo o artista ido ao limite do seu próprio bem-estar mental, já que foi bastante auto-biográfico durante esse processo. Mas terá valido a pena todo o esforço dispendido já que poemas como o que conduz o tema homónimo ou <span style="color: #ff0000;"><em>Future Reflections</em> </span>são apenas dois bons exemplos da superior bitola qualitativa da escrita que se pode conferir neste disco. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;"> Quanto ao conteúdo sonoro, <em><span style="color: #ff0000;">New Shapes Of Life</span></em> projeta o autor para um universo sonoro bastante mais dinâmico e expansivo do que os trabalhos antecessores, onde melodias florescentes convivem lado a lado, com enorme frequência, com uma percussão imaculada e exuberante. O <em>rock</em> expansivo e dinâmico de <em><span style="color: #ff0000;">Damocles</span></em> ou a toda mais atmosférica e etérea de <em><span style="color: #ff0000;">The Main Man</span></em> acabam por condensar todo o espetro sonoro transversal a um alinhamento muito rico e intrincado instrumentalmente, inclusive ao nível da percussão, mas com os sintetizadores atmosféricos, amiúde um piano sedutor e até alguns sopros a fazerem parte do arquétipo sonoro que definitivamente retira <span style="color: #ff0000;">Carr</span> da sua zona de conforto sonora através de um verdadeiro concentrado de soluções melódicas e de arranjos programadas, onde tudo flui de maneira inventiva de modo exuberante e sentido.</span><br /><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;">Além dos temas já referidos, até ao final, canções como a divagante <em><span style="color: #ff0000;">A Mess Of Everything</span> e o rock </em>épico e pulsante de <span style="color: #ff0000;"><em>Three Studies of The Mall Black</em></span> afagam com notável eficácia as dores de quem se predispõe a seguir sem concessões a doutrina deste autor, plasmada num <em>folk rock</em> muito ternurento, mesmo que às vezes pareça escondido no seio de um humor mórbido e feito de alguma desolação.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco; color: #999999;">Há discos que à primeira audição até causam alguma repulsa e estranheza, mas que depois se entranham com enorme afinco, ou então há aqueles exemplos que logo à primeira audição nos conquistam de forma arrebatadora e visceral. Mas como a própria vida é, quase sempre, muito mais abrangente nos seus momentos do que propriamente a simples análise através de duas bitolas comparativas que tocam opostos, também na música há instantes em que somos assaltados por algo muito maior e mais belo do que a simples soma de duas ou três sensações que nos fazem catalogar e arrumar em determinada prateleira aquilo que escutamos. Álbum fortemente hermético porque que se fecha dentro de um campo muito próprio e por isso particularmente genuíno e emocionalmente pesado, <span style="color: #ff0000;"><em>New Shapes Of Life</em></span> é um bom exemplo de como é possivel apresentar um trabalho artisticamente muito criativo, mesmo que assente a sua sonoridade numa amálgama aparentemente improvável que mistura <em>folk</em>,<em> indie pop</em> e <em>indie rock</em>, com <em>post rock</em> e alguns elementos eletrónicos. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999;"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/7oqeWvvGoixZS6csYlOLSr" width="300" height="380" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:887609 2017-11-04T21:06:00 Grooms – Exit Index 2017-11-04T21:39:38Z 2017-11-04T21:39:38Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Quase três anos depois do extraordinário <em>Comb The Feelings Through You Hair</em>, os<span style="color: #99ccff;"> Grooms</span> de Emily Ambruso, Jim Sykes e o texano Travis Johnson, o grande mentor do projeto, estão de regresso com mais dez canções incluídas em <em><span style="color: #99ccff;">Exit Index</span></em>, o quinto registo de originais deste coletivo sedeado em Brooklyn, Nova Iorque e que encontra as suas origens nos míticos Muggabears. Esta é uma banda que combina com tremenda lucidez criativa os cânones mais elementares daquele <em>indie rock</em> assente na tríade guitarra, baixo e bateria, à qual adicionam alguns elementos e efeitos sintetizados, com um resultado final que é uma verdadeira parada de cor, festa e alegria, onde existe um forte sentimento de comunhão entre os músicos, pelo privilégio de estarem juntos e comporem a música que gostam.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.withguitars.com/wp-content/uploads/2017/09/Grooms-2017-promo-1a.png" alt="Resultado de imagem para grooms brooklyn band 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">A <em>indie pop</em> e o <em>rock</em> luxuriante, com o ritmo e a cadência certas e uma certa toada melancólica, alicerçada num salutar experimentalismo que abraça um interessante e algo inédito leque de influências, sempre com uma filosofia <em>vintage</em>, é a pedra de toque destas dez canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios e misturadas com arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Genuínos, ecléticos e criativos, estes <span style="color: #99ccff;">Grooms</span> compõem temas capazes de nos enredar numa teia de emoções que prendem e desarmam, sem apelo nem agravo, como é o caso do tremendamente inquietante pulsar de <em><span style="color: #99ccff;">The Directory</span></em> ou o exacerbado romantismo que expira de <em><span style="color: #99ccff;">Turn Your Body</span></em>, mas também conseguem ser mais imediatos no modo como entretêm o ouvinte com canções que se escutam sem ser necessário estabelecer uma intrincada teoria para as perceber e saborear. Quer a rugosidade progressiva de<em><span style="color: #99ccff;"> Magistrate Seeks Romance</span></em>, quer a sobriedade melancólica que é sustentada pelo magistral baixo que conduz <em><span style="color: #99ccff;">Dietrich</span></em> possibilitam-nos esta sensação feliz que é conseguirmos, com clareza, perceber os diferentes elementos sonoros adicionados e que esculpiram as canções e, em simultâneo, absorvermos, sem truques ou códigos, a mensagem que transmitem.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Um dos principais atributos de <em><span style="color: #99ccff;">Exit Index</span></em> é o modo como as guitarras se situam melodicamente sempre próximas da postura vocal e depois, quando alguns arranjos sintéticos sobressaiem, como é o caso do efeito agudo que sai do teclado no <em>rock</em> angular e rugoso de<em><span style="color: #99ccff;"> Some Fantasy</span></em>, tal sucede não porque ficam na primeira fila daquilo que se escuta, mas porque suportam aqueles simples detalhes que, muitas vezes com uma toada <em>lo fi</em>, fazem toda a diferença no cariz que a canção toma e nas sensações que transmite. Outro bom exemplo desta altivez orquestral é <span style="color: #99ccff;"><em>They Can Tell</em></span>, um daqueles instantes <em>retro</em>, relaxante e atmosférico que nos desarma, sem dúvida um dos pontos altos e imperdiveis de <span style="color: #99ccff;"><em>Exit Index</em></span>, até porque é uma canção que nos agracia com aquela estirpe de cordas que esbarram numa percurssão que nunca desiste de tentar engatar o ritmo, quer na questão das batidas por minuto, quer no entusiasmo lírico. Num final em grande estilo, os <span style="color: #99ccff;">Grooms</span> oferecem-nos em <em><span style="color: #99ccff;">Thimble</span></em> uns<em> loopings</em> que introduzem eficazmente uma linha de guitarra inebriantel num memorável instante épico, impregnado de cor e luz, sem dúvida o melhor modo de encerrar um conjunto sonoro épico, bastante ousado e inebriante.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Com um forte cariz urbano e atual, <em><span style="color: #99ccff;">Exit Index</span></em> é um daqueles trabalhos em que há uma interligação latente entre os temas e não faz grande sentido escutá-los de forma isolada. É um disco que procura gravitar em torno de diferentes conceitos sonoros e esferas musicais, que transmitem, geralmente, sensações onde a nostalgia do nosso quotidiano facilmente se revê. Todos os temas são arrebatadores banquetes de sedução, languidez e luxúria, feitos com um <em>indie rock</em> sem fronteiras, desapegos ou concessões e que se servem também, em bandeja de ouro, com um forte entusiasmo lírico, certamente com o propósito de contornar todas as amarras que prendem a nossa alma e apresentar, desse modo, a notável disponibilidade dos <span style="color: #99ccff;">Grooms</span> para nos fazerem pensar, mexendo com os nossos sentimentos e tentando dar-nos pistas para uma vida mais feliz. Há neste alinhamento quase uma pueril simplicidade, que plasma uma notável capacidade de reinventar, reformular ou simplesmente replicar o que de melhor tem o <em>indie rock </em>psicadélico nos dias de hoje, oferecendo-nos, enquanto se vai num abrir e fechar de olhos do nostálgico ao glorioso, uma caldeirada de estilos e emoções cozinhada por mestres de um estilo sonoro carregado de um intenso charme. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4506/37221613224_2a2941f7e7_o.jpg" alt="Grooms - Exit Index" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">01. The Directory</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">02. Horoscopes</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">03. Turn Your Body</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">04. Magistrate Seeks Romance</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">05. End</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">06. Dietrich</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">07. Softer Now</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">08. Some Fantasy</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">09. They Can Tell</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">10. Thimble</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rmU0hzGqeOw" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:884172 2017-11-02T20:21:00 Destroyer – Ken 2017-11-02T20:55:08Z 2017-11-02T21:00:03Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Produzido pelo carismático Josh Wells, baterista dos Destroyer desde 2012 e abrigado pela insuspeita <a style="color: #999999;" href="https://www.mergerecords.com/ken">Merge Records</a>, <span style="color: #ffff00;"><em>Ken</em></span> é o novo registo discográfico dos <span style="color: #ffff00;">Destroyer</span> de Dan Bejar, um músico que também está escalado na formação dos The New Pornographers e que não gostando de lutar contra o tempo e não aprecia estipular prazos, prefere que a música escorra na sua mente e depois nas partituras e nos instrumentos de modo fluído, no devido <em>timing</em> e com a pressa que merece, sempre com uma tonalidade algum cinzenta e agreste e eminentemente reflexiva.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e3/Destroyer_%28band%29%2C_2011.jpg/1200px-Destroyer_%28band%29%2C_2011.jpg" alt="Resultado de imagem para destroyer band 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Muito inspirado no clássico <em>The Wild Ones</em> dos Suede, cuja demo se chamava <em>Ken</em>, este é um disco algo intrincado e bastante sedutor no modo como apresenta construções melódicas e instrumentais que ora parecem ríspidas ora profundamente acolhedoras, estabelecendo no seu seio, amiúde, uma espécie de caos inédito que metais, teclas, guitarras, intensos trompetes, batidas e uma postura vocal<em> sui generis</em> ampliam. Logo em <em><span style="color: #ffff00;">Sky's Grey</span></em> fica bem patente toda esta trama que parece lançar sobre nós, à primeira vista, pensamentos algo depressivos mas que, no fundo, estão imbuídos de uma elevada componente irónica, numa espécie de humor negro que o efeito das guitarras e os sintetizadores imponentes da rugosa <em><span style="color: #ffff00;">In The Morning</span></em> tão bem personificam.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">À medida que o disco avança Bejar parece estar continuamente a soltar alguns dos seus demónios ao mesmo tempo que parece gozar não só do facto de eles terem permanecido algum tempo dentro de si, mas também do destino que preparou para os mesmos. Quer no balanço <em>vintage</em> da pop eletrónica oitocentista que abastece <em><span style="color: #ffff00;">Tinseltown Swimming In Blood</span> </em>ou no imediatismo intuitivo do<em> rock</em> que carrega <em><span style="color: #ffff00;">Cover From The Sun</span></em>, assim como na luminosidade da toada acústica de <span style="color: #ffff00;"><em>Saw You At The Hospital</em></span> e nos arranjos lindíssimos que sobressaem das cordas e do curioso saxofone de <em><span style="color: #ffff00;">Rome</span></em> transparece quer essa impressão filosófica quer o clima eminentemente sofisticado e claramente clássico e moderno de um disco intenso e que joga com diferentes nuances sonoras sempre com um espírito aberto ao saudosismo e à relevância inventiva.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt;">Em <span style="color: #ffff00;"><em>Ken</em></span> Dan Bejar aperfeiçoa o charme inconfundível deste projeto <span style="color: #ffff00;">Destroyer</span> e coloca em cima da mesa mais uma vez a sua mestria genética na hora de sobrepor não só diferentes camadas de instrumentos e arranjos, mas também variações rítmicas e, consequentemente, sentimentais, que a sua música ao longo da carreira tem sempre exalado. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4475/37615182091_a85f69dbf5_o.jpg" alt="Destroyer - Ken" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>01. Sky’s Grey</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>02. In The Morning</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>03. Tinseltown Swimming In Blood</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>04. Cover From The Sun</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>05. Saw You At The Hospital</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>06. A Light Travels Down The Catwalk</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>07. Rome</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>08. Sometimes In The World</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>09. Ivory Coast</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>10. Stay Lost</em></span><br /><span style="color: #ffff00; font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt;"><em>11. La Regle Du Jeu</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/h-N6jfO5NOQ" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:887340 2017-11-01T22:29:00 Black Rebel Motorcycle Club – Haunt 2017-11-01T22:35:23Z 2017-11-01T22:35:23Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4449/37641855610_b2311b64db_o.jpg" alt="Black Rebel Motorcycle Club - Haunt" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Quatro anos depois de <em>Specter At The Feast</em>, os norte americanos<a style="color: #999999;" href="http://blackrebelmotorcycleclub.com/">Black Rebel Motorcycle Club</a> (BRMC) de Peter Hayes, Robert Levon Been e Leah Shapiro, estão de regresso com<em> <span style="color: #ff0000;">Wrong Creatures</span></em>, o oitavo disco de uma carreira de mais de década e meia de uma banda que se estreou em 2001 com um extraordinário homónimo e cujo conteúdo fez desta banda de São Francisco os potenciais salvadores do rock alternativo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><span style="color: #ff0000;"><em>Wrong Creatures</em></span> foi produzido por Nick Launay (Yeah Yeah Yeahs, Arcade Fire, Nick Cave) e irá ver a luz do dia em janeiro próximo. Do seu alinhamento foi divulgado no início de outubro o <em>single <span style="color: #ff0000;">Little Thing Gone Wild</span></em>, um tema onde é perfeito o encontro entre a guitarra de Peter, o baixo de Robert e a forte percussão de Leah e agora chegou a vez de escutarmos <span style="color: #ff0000;">Haunt</span>, um tema mais calmo e orgânico, com uma toada algo lisérgica e contemplativa, proporcionada por uma bateria e uma guitarra carregadas de alma, um registo que, à imagem da primeira canção, faz antever um álbum mais cru e direto que o antecessor. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/0CCxuxBQmpk" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:887923 2017-10-31T22:01:00 Franz Ferdinand – Always Ascending 2017-10-31T22:08:12Z 2017-10-31T22:08:12Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4459/37242440514_e3a4488e2e_o.jpg" alt="Franz Ferdinand - Always Ascending" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Quatro anos depois de <em>Right Thoughts, Right Words, Righ Action </em>podemos novamente abrir alas para os jeans coçados escondidos no guarda fatos, sacar das t-shirts coloridas e pôr o congelador a bombar com cerveja e a churrasqueira a arder porque o velhinho <em>rock n'roll</em> feito sem grandes segredos, carregado de decibeis, que só os escoceses <span style="color: #ff0000;">Franz Ferdinand</span> sabem como replicar está de volta com <span style="color: #ff0000;"><em>Always Ascending</em></span>, lá para fevereiro próximo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Já é conhecido o single homónimo desse novo registo de originais dos <span style="color: #ff0000;">Franz Ferdinand</span>, uma espiral instrumental em que crescem guitarras e bateria e o pendor exaltante dos sintetizadores, num frenesim de <em>dance post punk rock </em>que irá certamente colocar novamente este grupo escocês em plano de destaque no universo sonoro <em>indie</em> em que se insere. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/FIofvUEOrVI" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:879208 2017-10-30T20:50:00 Mano a Mano - Mano a Mano Vol. 2 2017-10-30T21:20:25Z 2017-10-30T21:20:25Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Os mais atentos ao<em> jazz</em> que se vai fazendo por cá consideram os irmãos André e Bruno Santos, dois guitarristas com um vasto percurso musical, dos melhores intérpretes nacionais desse espetro sonoro na atualidade. E são eles que dão a face pelo projeto <span style="color: #ffcc00;">Mano a Mano</span>, que se estreou em 2014 nos discos através de uma edição cujo financiamento foi obtido através de uma campanha bem sucedida de <em>crowdfunding</em> e que agora já tem sucessor. <span style="color: #ffcc00;"><em>Mano a Mano Vol. 2</em></span> viu a luz do dia recentemente, onze canções que, de acordo com o <em>press release</em> do lançamento, centram-se num <em>duelo dinâmico de guitarras</em>, um disco cheio de <em>momentos de virtuosismo, elegância e humor, explorando as inúmeras possibilidades deste formato</em>.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://www.ccb.pt/wt843/ht402/images/mediaRep/programacao/2017/musica/novembro/snManoaManoFacebook.jpg" alt="Resultado de imagem para andré bruno santos mano a mano" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Disco essencialmente acústico, vincadamente experimental e orgânico e com uma forte toada <em>blues</em>, <em><span style="color: #ffcc00;">Mano a Mano Vol. 2</span></em> vive do violão e das guitarras, como referi, mas também conta com o Braguinha/Machete, um instrumento tradicional da Madeira parecido com o cavaquinho, que faz a sua aparição em alguns temas. Como um todo, assenta numa filosofia sonora com uma especificidade muito própria e estreitamente balizada, mas não deixa, por isso, de nos oferecer um alinhamento sinuoso e cativante e que nos convida frequentemente à introspeção e à reflexão e até à dança, imagine-se. <em><span style="color: #ffcc00;">Dinah</span></em> é um bom exemplo desta aparente ambivalência, numa canção que não pode deixar de ser ouvida sem ser acompanhada por um sorridente bater de pés ou um efusivo abanar de ancas, mas que também não deixa de exalar, na onda dos vários dedilhares que se cruzam entre si, a uma ode sobre o mundo moderno, sendo este tema a opção mais certa para percebermos, à partida, o modo como esta dupla é ímpar a materializar os melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora. Depois, através da exploração de <em>várias formas de diversificar os arranjos, usando, por exemplo, processamento de som (reverb, wah-wah, distorção, loops, pitch-shifter e outros)</em>, nomeadamente no tema antecessor, o <em>single <span style="color: #ffcc00;">Super Mario</span></em>, mas também no espraiar solarengo de <em><span style="color: #ffcc00;">A Cadeira, O Baloiço e a Rosa</span></em>, no frenesim desafiador de <em><span style="color: #ffcc00;">Without a Song</span></em>, na sumptuosa delicadeza que exala das constantes variações de tom em <em><span style="color: #ffcc00;">Vignette</span></em> e no <em>jazzístico</em> arrojo <em>pop</em> a que sabe <em><span style="color: #ffcc00;">Nem tudo é o que parece</span></em>, ficamos esclarecidos acerca de constante inquietação que lateja do diálogo que estes dois músicos estabelecem entre si, sempre a suplicar por um patamar de serenidade que felizmente nunca surge, porque este não é um disco para cativar sem primeiro espicaçar, até porque, mesmo sem letras, não deixa de ser, no seu todo, um exímio e lúcido contador de histórias que servem a qualquer comum dos mortais, deixemo-nos nós absorver por tudo aquilo que as cordas nos sussurram ao ouvido com indesmentível clareza.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Em suma, <span style="color: #ffcc00;"><em>Mano a Mano Vol. 2</em></span> está recheado de sons inteligentes e solidamente construídos, que nos emergem em ambientes carregados de ritmos e estruturas sonoras muitas vezes falsamente minimalistas e que têm como grande atributo poderem facilmente fazer-nos acreditar que mesmo este género de música tão específico e<em> sui generis</em> pode ser também um veículo para o encontro do bem e da felicidade, quer individual quer coletiva. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=748757481/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/artwork=small/transparent=true/" width="300" height="150" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/tQp2jKJBWAQ?feature=oembed" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:882809 2017-10-26T21:30:00 My Sad Captains – Sun Bridge 2017-10-26T21:02:14Z 2017-10-26T21:11:45Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Os <span style="color: #99ccff;">My Sad Captains</span> são uma banda de <em>rock</em> alternativo natural de Londres, cujo nome foi inspirado por um poema do escritor Thom Gunn. Os membros da banda são Ed Wallis, Leon Dufficy, Ben Walker, Steve Blackwell e Henry Thomas e estão de regresso aos discos com <em><span style="color: #99ccff;">Sun Bridge</span></em>, dez canções abrigadas pela Bella Union e que estão finalmente a catapultar este projeto que já acompanho à meia década, desde o excelente trabalho de estreia, <em><span style="color: #99ccff;">Fight Less, Win More</span></em>, para o devido destaque.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://f4.bcbits.com/img/0010823236_10.jpg" alt="Resultado de imagem para my sad captains london" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span lang="pt" style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><span title="Some may call it twee and lacking in bite, but if you give it some quality airtime and focus on the marvellous craft you&#39;ll have it up there as one of your favourite albums of 2011."><span class="hps">Logo a abrir, o instrumental climático fortemente contemplativo intitulado <em><span style="color: #99ccff;">Early Rivers</span></em>, é uma canção perfeita para nos introduzir neste disco, já que permite-nos relaxar e assim ficarmos devidamente preparados para um conjunto de canções que tanto podem conter uma sonoridade simultaneamente enérgica e memorável, como é o caso do efusivo <em>single <span style="color: #99ccff;">Everything At The End Of Everything</span></em>, ou então que se abrigam à sombra de territórios sonoros mais delicados e experimentais, como sucede, por exemplo, em<em><span style="color: #99ccff;"> Destination Memory</span></em>, uma composição com um início introspetivo mas que depois seduz definitivamente pela mistura de detalhes e arranjos que resultaram numa melancolia inebriante, épica e grandiosa.</span></span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><span lang="pt"><span title="Some may call it twee and lacking in bite, but if you give it some quality airtime and focus on the marvellous craft you&#39;ll have it up there as one of your favourite albums of 2011."><span class="hps">Parece óbvio que estes <span style="color: #99ccff;">My Sad Captains</span> parecem fortemente influenciados por </span></span></span><span id="result_box" lang="pt"><span title="Opener and single &#39;Orienteers&#39; is both punchy and memorable while drawing heavily on the influence of such important American indie bands such as Yo La Tengo and Red House Painters with its mix of heady melancholy.">bandas indie do outro lado do atlântico, como os Yo La Tengo e os Red House Painters, mas é redutor balizá-los tendo apenas em conta as principais caraterísticas desse indie rck norte-americano mais enraizado, já que eles contêm algns traços identitários muito próprios e peculiares, que passam, essencialmente, pelo cruzamento do timbre da guitarra e das restantes cordas com a uma voz bastante melódica, algo que em <em><span style="color: #99ccff;">Don't Listen to Your Heart</span></em> é bastante audível. </span></span>Esse efeito repete-se em <em><span style="color: #99ccff;">Curtain Calls</span></em> de uma forma ainda mais luminosa e adopta uma faceta mais sintética com o belo murmúrio que atravessa <span style="color: #99ccff;"><em>New Sun</em></span> e o modo como nessa canção a guitarra se entrelaça com <span class="hps">efeitos sintetizados borbulhantes e uma bateria com uma cadência pouco usual</span><span class="hps">.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><span lang="pt"><span title="Opener and single &#39;Orienteers&#39; is both punchy and memorable while drawing heavily on the influence of such important American indie bands such as Yo La Tengo and Red House Painters with its mix of heady melancholy."><span class="hps">Apesar de algumas canções que sustentam o disco terem uma evidente luminosidade e um apurado sentido épico, abundam neste sun Bridge momentos mais introspetivos, mas igualmente belos, com especial destaque para o minimal dedilhar da viola na balada<span style="color: #99ccff;"><em> William Campbell</em></span> e para a extensa <span style="color: #99ccff;"><em>Winter Sweet</em></span>, outro instrumental que nos abraça e que se entranha sem grande esforço, impondo-nos</span></span></span> uma melodia única e extremamente agradável, simultaneamente cândida e profunda.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><span style="color: #99ccff;"><em>Sun Bridge</em></span> é um disco que não nos dá tempo para recuperar o fôlego, porque são imensos os momentos que proporcionam prazer, conforto e admiração durante a sua escuta. É um trabalho para ser ouvido e contemplado, um alinhamento onde há momentos animados e luminosos, mas também instantes de pausa, de sossego e melancolia, esta, muitas vezes, quase absurda. Tal sofreguidão deve-se, em suma, à consistência com que, música após música, somos confrontados e confortados por melodias maravilhosamente irresistiveis e ternurentas. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4464/37515847331_be9bcc380c_o.jpg" alt="My Sad Captains - Sun Bridge" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">01. Early Rivers</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">02. Everything At The End Of Everything</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">03. Destination Memory</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">04. Don’t Listen To Your Heart</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">05. None In A Million</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">06. William Campbell</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">07. Curtain Calls</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">08. New Sun</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">09. Wintersweet</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">10. Relive</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/ADUxxJve10s" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:884301 2017-10-25T21:12:00 St. Vincent - Masseduction 2017-10-25T20:49:32Z 2017-10-25T20:49:32Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Foi no passado dia treze, através da Loma Vista Recordings, que chegou aos escaparates <span style="color: #ff00ff;">Masseduction</span>, o quinto e mais arrojado álbum de <span style="color: #ff00ff;">St.Vincent</span>, o alter ego sonoro de Annie Clark, uma compositora que nasceu em Tulsa, no Oklahoma, há trinta e cinco anos e que depois de começar a sua carreira musical nos míticos The Polyphonic Spree, enveredou por uma bem sucedida carreira a solo que amplia continuamente, disco após disco, as suas virtudes como cantora e criadora de canções impregnadas com uma rara honestidade, já que são muitas vezes autobiográficas e, ao invés de nos suscitarem a formulação de um julgamento acerca das opções pessoais da artista e da forma vincada como as expõe, optam por nos oferecer esperança enquanto se relacionam connosco com elevada empatia.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://consequenceofsound.files.wordpress.com/2017/06/st-vincent-fear-future-tour-dates-2017.png?w=807" alt="Resultado de imagem para annie clark st. vincent 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Com uma década de carreira, Annie Clark já cirandou quer pela <em>pop</em> mais ambiental quer pelo <em>rock</em> mais explosivo e orgânico e este <em><span style="color: #ff00ff;">Masseduction</span> </em>acaba, de certo modo, por fazer uma espécie de súmula de todas estas abordagens anteriores. Logo a abrir <em><span style="color: #ff00ff;">Masseduction </span></em>deparamo-nos com esta abrangência porque se <em><span style="color: #ff00ff;">Hang On Me</span> </em>nos oferece um instante sonoro particularmente emotivo e climático, já <em><span style="color: #ff00ff;">Pills</span></em> tem uma abordagem mais crua e rugosa, ficando assim audível esta intenção, logo á partida, de agregar tudo aquilo que a autora foi testando nos quatro álbuns anteriores, não faltando inclusivé, um pouco adiante,  um <em>flirt</em> consciente ao melhor r&amp;b no tema <span style="color: #ff00ff;"><em>Savior</em></span>., um dos momentos altos do álbum.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Sendo assim, o conhecedor profundo da carreira de <span style="color: #ff00ff;">St. Vincent</span> perceciona com nitidez que este é um disco de súmula, um alinhamento que fazendo juz ao melhor <em>glam rock</em> setentista ou à herança que uma Madonna nos deixou nas duas últimas décadas do século passado, algo que o tema homónimo tão bem plasma, alicerça os seus cânones sonoros quase sempre numa <em>pop</em> orquestralmente rica e que tendo o sexo, as drogas e a depressão no foco lírico, pretende mostrar-nos os diferentes significados da palavra <em>sedução</em>, as suas diversas vertentes, positivas ou nem tanto e o heterogéneo campo semântico que o vocábulo abarca.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Produzido quase na íntegra por Jack Antonoff e contando com as participações especiais de Cara Delevingne, antiga namorada de Annie e de Kamasi Washington, entre outros, <em><span style="color: #ff00ff;">Masseduction</span></em> é, em suma, o retrato vivo de uma intrincada teia relacional que a autora estabelece com um mundo nem sempre disposto a aceitar abertamente a diferença e a busca de caminhos menos habituais para o encontro da felicidade plena. Ela sempre teve o firme propósito de utilizar a música não apenas como um veículo de manifestação artística, mas, principalmente, como um refúgio explícito para uma narrativa que, sendo feita quase sempre na primeira pessoa, materializa o desejo de alguém que já confessou não conseguir fazer música se ela não falar sobre si próprio e que amiúde admite guardar ainda muitos segredos dentro de si.<em>  </em>E neste trabalho ela fá-lo com tremenda nitidez, expondo-se através de um aparato tecnológico mais ou menos amplo que busca sempre e em primeira instância, respeitar a intimidade mais genuína da autora. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/0AMTjYhbIJTXJcj2fJV5Bx" width="300" height="380" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:885719 2017-10-24T21:29:00 Walk The Moon – Headphones 2017-10-24T20:39:36Z 2017-10-24T20:39:36Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4460/23856483098_2145a4bdb0_o.jpg" alt="Walk The Moon - Headphones" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;">Os norte americanos <a style="color: #999999;" href="http://walkthemoonband.com/">Walk The Moon</a> Nicholas Petricca estão finalmente de regresso aos discos após um hiato algo prolongado. Impressionaram em 2012 com um espetacular homónimo impregnado de canções com refrões acessíveis e aditivos e melodias dançáveis, paisagens sonoras atmosféricas onde ecoavam guitarras, tambores e batidas e que poderão estar de regresso em <em><span style="color: #99ccff;">What If Nothing</span></em>, o disco que esta banda oriunda de Cincinnati irá lançar a dez de novembro próximo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;"><span style="color: #99ccff;"><em>Headphones</em></span> é o primeiro <em>single</em> já divulgado de <em><span style="color: #99ccff;">What If Nothing</span></em>, um tema que não reprime nenhum impulso na hora de puxar pelo <em>red line </em>e que, impressionando pela crueza e pela rugosidade, tem ainda o bónus de contar com o elevado protagonismo do baixo na arquitetura melódica que o sustenta. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/1y7giHbrvcc" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:874886 2017-10-23T21:46:00 Grandfather's House - Diving 2017-10-23T20:47:27Z 2017-10-23T20:47:27Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;"><span class="m_7338672778335181471gmail-Nenhum">Braga é o poiso natural do projeto <span style="color: #666699;">Grandfather’s House</span>, banda que surigu há cerca de meia década pelas mãos do guitarrista Tiago Sampaio, ao qual se juntou, entretanto, a irmã Rita Sampaio na voz, dupla que lançou</span><span class="m_7338672778335181471gmail-Nenhum">, em 2014, o seu primeiro registo, o EP <em>Skeleton</em>. Entretanto, </span><span class="m_7338672778335181471gmail-Nenhum">João Vitor Costeira juntou-se e pegou na bateria e já na forma de trio editaram o ano passado <em>Slow Move</em>, o disco de estreia. Agora, cerca de um ano depois e já com Nuno Gonçalves nas teclas, irá viu a luz do dia <span style="color: #666699;"><em>Diving</em></span>, o segundo lançamento do projeto em formato longa duração, um trabalho gravado e produzido na Mobydick Records (Braga) por Budda Guedes e os próprios <span style="color: #666699;">Grandfather’s House</span> e misturado e masterizado no HAUS (Lisboa) por Makoto Yagyu.</span></span></p> <p><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;"><span class="m_7338672778335181471gmail-Nenhum"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://laurusnobilis.pt/wp-content/uploads/2017/03/grandfathers-house.jpg" alt="Resultado de imagem para grandfather&#39;s house braga 2017" /></span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;"><em><span style="color: #666699;">Nah Nah Nah</span></em> começa e enquanto não chega a voz enleante e subversiva de Adolfo Luxúria Canibal, os <span style="color: #666699;">Grandfather's House</span> parecem tocar submergidos num mundo subterrâneo de onde debitam música através de tunéis rochosos revestidos com placas metálicas que aprofundam o eco da melodia. Depois, já com o vocalista dos Mão Morta na linha da frente da síncope do tema, guitarras distorcidas e um baixo proeminente dão asas às emoções que exalam desde as profundezas desse refúgio bucólico e denso onde se embrenharam e insistem em manter-se em <em><span style="color: #666699;">Drunken Tears</span></em>, desta vez com a guitarra a assumir um cariz mais ambiental, sustentada por várias camadas de sopros sintetizados, uma espiral <em>pop</em> onde não falta um marcante estilo percurssivo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;">É este o arranque prometedor de um álbum que nos agarra pelos colarinhos e nos embrenha numa orgânica particularmente minimal, mas profunda e crua, um universo fortemente cinematográfico e imersivo, que instiga e provoca sem pedir licença, com aquela arrogância tipíca de quem sabe o que tem para oferecer e não se faz rogado na hora de colocar em cima da mesa todos os trunfos aos dispôr para ser bem sucedido, neste caso numa demanda sonora que pretende desafiar o lado mais reflexivo e introspetivo do ouvinte, mas também, em determinados momentos, a sua faceta mais libidinosa e misteriosa, eloquente e desafiante na guitarra inquietante que sustenta <em><span style="color: #666699;">Sorrow</span></em>. Alías, impregnado com uma densidade peculiar no modo como hipnotiza e seduz e alicercado naquele falso minimalismo que o compasso de umas palmas, efeitos sintetizados encobertos por uma cosmicidade algo nebulosa e o efeito divagante de uma guitarra proporcionam, <span style="color: #666699;"><em>You Got Nothing Lose</em></span>, o primeiro single divulgado deste <em><span style="color: #666699;">Diving</span></em>, é um excelente exemplo desta espécie de duplicidade transversal a todo o alinhamento que, de acordo com o <em>press release</em> do mesmo, <em>vai desde o despertar de memórias que pareciam adormecidas pelo tempo, crescendo uma raiva, quase um estado depressivo, transformando-se na sua aceitação e num estado de paz de espírito</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;"><span style="color: #666699;"><em>Diving</em> </span>avança e no piscar de olhos que é feito aquela pop <em>vintage</em> e charmosa, carregada de mistério em <em><span style="color: #666699;">She's Looking Good</span> </em>e no som esculpido e complexo, onde é forte a dinâmica entre um enorme manancial de efeitos e samples de sons que parecem ser debitados pela própria natureza em <em><span style="color: #666699;">In My Black Book</span></em>, assim como na grandiosa cândura de <span style="color: #666699;"><em>Nick's Fault</em></span>, damos de caras com mais um encadeamento de canções que nos obriga a um exercício exigente de percepção fortemente revelador e claramente recompensador.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;">O ocaso de <span style="color: #666699;"><em>Diving</em></span> acontece em grande estilo ao som do frenesim da guitarra e de uma bateria inebriante adornada por diversos efeitos cósmicos, em <em><span style="color: #666699;">I Hope I Won't Die Tomorrow</span></em>, o epílogo de um álbum onde não existiram regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos, um cenário idílico para os amantes de uma pop que olha de frente para a eletrónica e a dispersa em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico, mas também para aqueles apreciadores do <em>rock </em>progressivo mais experimental e por isso tendencialmente mais enérgico e libertário. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=3474007603/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/artwork=small/transparent=true/" width="300" height="150" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><span style="font-family: terminal, monaco; font-size: 14pt; color: #999999;"><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/6qqKp1IXZ16oPZSpuTaYGl" width="300" height="380" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:885435 2017-10-21T14:54:00 Hamilton Leithauser – Heartstruck (Wild Hunger) feat. Angel Olsen 2017-10-20T20:05:07Z 2017-10-20T20:05:07Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4497/37000491214_a4fb9d16a7_o.jpg" alt="Hamilton Leithauser - Heartstruck (Wild Hunger)" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">No ano transacto <span style="color: #ff9900;">Hamilton Leithauser</span> convidou Rostam Batmanglij para uma participaçao especial no tema <em>I Had a Dream That You Were Mine</em>, uma brilhante parceria que nos ofereceu uma notável viagem a sonoridades de outrora por parte deste vocalista dos The Walkmen que a solo costuma enveredar por sonoridades eminentemente clássicas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Agora, em pleno outono de 2017, <span style="color: #ff9900;">Leithauser</span> oferece-nos uma canção onde conta com outra voz feminina imponente, neste caso a de Angel Olsen, na canção <em><span style="color: #ff9900;">Heartstruck (Wild Hunger)</span></em>. Nesta nova composição do músico, o jogo de vozes selvagem e emotivo que se estabelece entre a dupla e o arsenal instrumental escolhido, do qual se destaca um baixo proeminente e um piano frenético, que dá vida a uma orquestração luxuriante particularmente rica e luminosa, resultam em três minutos e meios de uma <em>pop</em> barroca <em>vintage</em> bastante charmosa e comovente. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/FG1lpnIsFlo" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:886055 2017-10-20T18:56:00 Paperhaus – Are These The Questions That We Need To Ask 2017-10-20T14:04:09Z 2017-11-08T22:17:15Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Oriundos de Washington, os norte americanos <a style="color: #999999;" href="http://www.paperhausmusic.com/">Paperhaus</a> são Alex Tebeleff, Matt Dowling, Rick Irby e Danny Bentley, uma banda de <em>indie rock</em> bastante seguida e apreciada no cenário alternativo local. A música que eles nos sugerem é imponente, visionária e empolgante, assentando no típico <em>indie rock </em>atmosférico, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do <em>krautrock</em> e do <em>post punk</em> a conferirem ao projeto uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum. Depois de um excelente homónimo editado na primavera de 2015, eles estão de regresso com <em><span style="color: #666699;">Are These The Questions That We Need To Ask</span></em>, oito canções produzidas pela própria banda e por Peter Larkin e masterizadas por Sarah Register.</span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img src="http://www.billboard.com/files/styles/article_main_image/public/media/paperhaus-2017-cr-joshua-cogan-billboard-1548.jpg" alt="Resultado de imagem para paperhaus band 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">No universo sonoro <em>indie</em> e alternativo abundam, infelizmente, exemplos de bandas que depois de se estrearem com elevada bitola qualitativa devido ao facto de apresentarem uma sonoridade diferente e inédita daquela que o <em>mainstream</em> nos oferece diariamente, acabam por se perder, no álbum seguinte, numa inexplicável redundância. Talvez inebriados pelo sucesso inicial, buscam, no trabalho posterior, um som mais imediato e radiofónico. Mas, felizmente, os <span style="color: #666699;">Paperhaus</span> não cairam nessa armadilha e em <span style="color: #666699;"><em>Are These The Questions That We Need To Ask</em></span> mantêm e aprimoram o espetro sonoro do antecessor, oferecendo-nos um cardápio de oito canções que, logo no primeiro tema do disco, em <em><span style="color: #666699;">Told You What To Say</span></em>, nos mostram um som corrosivo, hipnótico e contundente, um clarividente exemplar da habitual cartilha sonora que este coletivo da costa leste costuma guardar na sua bagagem.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Neste grupo a guitarra é um instrumento de eleição. Ela assume, sem rodeios e desde logo, um amplo plano de destaque no processo de condução melódica, sempre eficazmente acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria entusiasmante e luminosa. Em <em><span style="color: #666699;">Go Cozy</span></em> as mudanças de ritmo com que a mesma guitarra abastece os diferentes efeitos que se escutam no tema e o modo como nos mesmos as quebras e mudanças de ritmo acompanham as variações que ela produz, ampliam a perceção fortemente experimental típica deste grupo, numa canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os <span style="color: #666699;">Paperhaus</span> conseguem ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram. Depois, no clima eminentemente lisérgico e experimental do single <em><span style="color: #666699;">Nanana</span></em> e na rispidez visceral mas apelativa de <em><span style="color: #666699;">Walk Through The Woods</span></em>, assim como nos devaneios cósmicos que abastecem a imponência incisiva  de <em><span style="color: #666699;">It's Not There</span></em>, ficamos esclarecidos acerca desta filosofia compositória, que alicerça um disco que é, no fundo, uma verdadeira espiral de <em>fuzz</em> <em>rock</em>, rugoso, visceral e psicadélico, uma ordenada onda expressiva, que oscila entre o <em>rock</em> sinfónico e o chamado <em>krautrock.</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">A voz de Tebeleff é também um trunfo declarado dos <span style="color: #666699;">Paperhaus</span>, devido ao modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína, mas também como acompanha determinados arranjos que, na maioria das vezes, plasmam com precisão as virtudes técnicas do quarteto e o modo como ele consegue abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro<em> indie</em> e alternativo, comprimindo-os em algo genuíno e com uma identidade muito própria.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Há nestes <span style="color: #666699;">Paperhaus</span> uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que também recordem os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabus ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os<span style="color: #666699;"> Paperhaus</span> produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4512/36999493034_cf605c9704_o.jpg" alt="Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">01. Told You What To Say</span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">02. Go Cozy</span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">03. Nanana</span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">04. Walk Through the Woods</span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">05. It’s Not There</span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">06. Needle Song</span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">07. Serentine</span></em></span><br /><span style="color: #666699;"><em><span style="font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">08. Bismillah</span></em></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/nUBai5Y8GIc" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=2624914302/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/artwork=small/transparent=true/" width="300" height="150" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:887058 2017-10-19T20:50:00 MGMT – Little Dark Age 2017-10-19T19:50:46Z 2017-10-19T19:50:46Z <p style="text-align: center;"><img src="https://farm5.staticflickr.com/4482/37771730111_312b2b4bcd_o.jpg" alt="MGMT - Little Dark Age" width="400" height="400" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">Pouco mais de quatro anos depois de um homónimo, a dupla norte-americana <span style="color: #0000ff;">MGMT</span> formada por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser, está prestes a regressar aos discos com<em><span style="color: #0000ff;"> Little Dark Age</span></em>, o quarto trabalho destes já veteranos do <em>indie rock</em> psicadélico, que desde o espetacular disco de estreia Oracular Spectacular nos habituaram a uma espécie de rock psicadélico algures entre os Pink Floyd das décadas de sessenta e setenta e uns mais contemporâneos Flaming Lips, mas também com os olhos e ouvidos postos em projetos mais atuais e até, de algum modo, concorrentes, nomeadamente os Tame Impala ou os Animal Collective.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: terminal, monaco;">No entanto, parece que desta vez os <span style="color: #0000ff;">MGMT</span> vão apostar num ambiente sonoro mais cinzento e eminentemente sintético, fazendo juz ao conteúdo de<span style="color: #0000ff;"><em> Little Dark Age</em></span>, a canção homónima já divulgada do trabalho e que parece ser a banda sonora perfeita para o Halloween que se aproxima. A mesma tem também já um vídeo dirigido por David MacNutt e Nathaniel Axel. Mais de uma década depois da estreia, os <span style="color: #0000ff;">MGMT</span> continuam a chegar ao estúdio de mente aberta e dispostos a servir-se de tudo aquilo que é colocado ao seu dispôr para criar músca, sejam instrumentos eletrónicos ou acústicos, para assim fazerem canções cheias de sons poderosos e tortuosos, sintetizadores flutuantes e vozes abafadas. Confere...</span></p> <p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rtL5oMyBHPs" width="540" height="340" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:886890 2017-10-19T13:19:00 Noiserv - Dezoito e edição de 00:00:00:00 em vinil. 2017-10-19T10:33:24Z 2017-10-19T10:33:24Z <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;"><img src="http://2.bp.blogspot.com/-erEiqCs_8Z8/UhNvdpbRXPI/AAAAAAAATcc/AkxDUWK7MhI/s1600/Noiserv+cred-VeraMarmelo+08.jpg" alt="Resultado de imagem para noiserv caixa música onze" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;">Uma das mentes mais brilhantes e inspiradas da música nacional chama-se David Santos e assina a sua música como <a style="color: #999999;" href="http://www.noiserv.net/">Noiserv</a>. Vindo de Lisboa, <span style="color: #ff9900;">Noiserv</span> tem na bagagem um compêndio de canções que fazem parte dos EPs <em>56010-92</em> e <em>A Day in the Day of the Days</em>, estando o âmago da sua criação artística nos álbuns <em>One Hundred Miles from Thoughtless </em>e <em>Almost Visible Orchestra,</em>adocicados pelo<em> DVD <em>Everything Should Be Perfect Even if no One's There</em>, </em>havendo, desde o outono de 2016 mais um compêndio de canções para juntar a esta lista, um trabalho intitulado<em> <span style="color: #ff9900;">00:00:00:00</span></em>, incubado quase de modo espontâneo e sem aviso prévio, mas um registo que é mais um verdadeiro marco numa já assinalável discografia, ímpar no cenário musical nacional, de um artista que nos trouxe uma nova forma de compôr e fazer música e que gosta de nos deixar no limbo entre o sonho feito com a interiorização da cor e da alegria sincera das suas canções e a realidade às vezes tão crua e que ele também sabe tão bem descrever.</span></p> <p class="m_-5807697465372929335gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;"><span lang="DE">Para comemorar um ano de existência, um dos destaques de <span style="color: #ff9900;"><em>00:00:00:00</em></span>, o tema <span style="color: #ff9900;"><em>DEZOITO</em></span>, que encerra o alinhamento do álbum, acaba de ser editado em single. É uma canção que nos convida à introspeção e a meditar nas consequências dos nosos atos. Nas próprias palavras do músico, serve para se</span> <em>assumir que tudo tem um fim querendo tornar-se eterno e que tudo se reconstrói na inevitabilidade de terminar um dia</em>. O videoclipe que acompanha este edição de <span style="color: #ff9900;">DEZOITO</span> em formato single teve realização partilhada com André Tentugal e o apoio da Câmara Municipal do Porto.</span></p> <p class="m_7775886492734063671gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;">Ainda nas comemorações de um ano de existência, <em><span style="color: #ff9900;">00:00:00:00</span></em> acaba ctambém de ser editado em vinil. Num disco que já se conhecia transparente, muitas são emoções que nos transmite agora em doze polegadas girando a quarenta e cinco rotações por minuto.</span></p> <p class="m_7775886492734063671gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;"><span style="color: #ff9900;">Noiserv</span> revelou ainda as datas de concertos até final do ano: de Leiria a Braga, passando pela Covilhã, Silves e St. Brieuc em França, terminando já perto do Natal no bonito Teatro Ibérico em Lisboa.</span></p> <p class="m_7775886492734063671gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;">SEX. 27 OUTUBRO - Teatro José Lúcio | Leiria (Portugal)</span></p> <p class="m_7775886492734063671gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;">SEX. 17 NOVEMBRO - Festival Para Gente Sentada | Theatro Circo, Braga (Portugal)</span></p> <p class="m_7775886492734063671gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;">QUI. 23 NOVEMBRO - Festival Y#13 | Teatro das Beiras, Covilhã (Portugal)</span></p> <p class="m_7775886492734063671gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;">SÁB. 25 NOVEMBRO – Teatro Mascarenhas Gregório, Silves (Portugal)</span></p> <p class="m_7775886492734063671gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;">SEX. 01 DEZEMBRO - La Citrouille, St. Brieuc (França)</span></p> <p class="m_7775886492734063671gmail-Standard" style="text-align: justify;"><span lang="DE" style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: helvetica;">SEX. 22 DEZEMBRO - Teatro Ibérico, Lisboa (Portugal)</span></p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/YSYrCxXHX48?feature=oembed" width="480" height="270" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:878403 2017-10-17T11:32:00 Beck - Colors 2017-10-17T10:47:49Z 2017-10-17T10:47:49Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">Depois de mais de meia década de solidão, o músico que no início da década de noventa atuava em clubes noturnos vestido de <em>stormtrooper</em> e que da aproximação <em>lo-fi</em> ao <em>hip-hop</em> de <em>Mellow Gold </em>e <em>Odelay</em>, passando pela melancolia de <em>Sea Change</em> e a psicadelia de <em>Modern Guilt</em>, nos habituou a frequentes e bem sucedidas inflexões sonoras, regressou em 2014 com <em>Morning Phase</em>, o décimo segundo trabalho da sua carreira e que viu a luz do dia por intermédio da Capitol Records. Falo, obviamente, de <a style="color: #999999;" href="http://www.beck.com/">Beck Hansen</a>, uma referência icónica da música popular das últimas duas décadas, um cantor e compositor que tantas vezes já mudou de vida como de casaco e que agora, três anos depois desse belo disco, está de regresso com <span style="color: #3366ff;"><em>Colors</em></span>, onze canções que proporcionam mais um novo fôlego na sua carreira, uma espécie de recomeço, depois de nos últimos dois verões ter igualmente surpreendido com dois <em>singles </em>intitulados <em>Dreams</em> e<em> Wow</em>.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://s3.amazonaws.com/quietus_production/images/articles/10847/beckmain_1354219709_crop_550x309.jpg" alt="Resultado de imagem para beck hansen 2017" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><span style="color: #3366ff;"><em>Colors</em></span> viu a luz do dia a treze de outubro, novamente com o selo Capitol e engane-se quem achar que vai encontrar aqui alguma espécie de continuidade relativamente a <em>Morning Phase</em>. Neste seu novo registo <span style="color: #3366ff;">Beck</span> regressa ao trilho da pop mais efervescente, sintética e luminosa, com canções a apelarem às pistas e à criatividade dos remisturadores, como é o caso de <em><span style="color: #3366ff;">Colors</span></em>, o tema homónimo de abertura e, quase no ocaso, a agitada <span style="color: #3366ff;"><em>Up All Night</em></span>, composição cujas palmas e pausas na batida estão mesmo a pedir um <em>mash-up</em> com um daqueles hinos oitocentistas que todos nós decorámos na adolescência. Depois, ainda nessa toada, surge-nos <span style="color: #3366ff;"><em>Dear Life</em></span>, um tema que sobressai pela luminosidade de um piano e pelo <em>fuzz</em> intermitente de uma guitarra que deve muito aquela estética que além de reviver marcas típicas do <em>rock </em>nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica, sendo indisfarçavel a busca de uma melodia agradável e marcante e rica em detalhes e texturas. <span style="color: #3366ff;">Beck</span> apenas abranda um pouco no registo já quase no final do alinhamento com <em><span style="color: #3366ff;">Fix Me</span></em>, uma lindíssima balada onde sobressai um piano que acompanha com mestria aquele efeito mais <em>doce</em> com que o músico costuma adornar a sua voz quando quer transmitir algo mais profundo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">Uma das grandes marcas deste disco é, nitidamente, a riqueza que contém ao nível quer dos arranjos, quer do arsenal instrumental que o autor utiliza para colocar em prática um alinhamento bastante luminoso, agitado e comprometido com os conceitos de festa e diversão. Quer os metais e os <em>loopings</em> sintetizados que circundam a batida inebriante de <span style="color: #3366ff;"><em>Seventh Heaven</em></span>, quer a distorção da guitarra que dá corpo e substância ao <em>rock</em> impulsivo e direto de <span style="color: #3366ff;"><em>I'm So Free</em></span>, fornecem-nos tal evidência comum a dois campos apenas aparentemente opostos, o rock e a eletrónica. E com estas duas canções <span style="color: #3366ff;">Beck</span> estabelece também o vasto leque de influências que sempre moldou uma carreira livre de constrangimentos ou de obediência direta a uma determinada bitola sonora mais específica.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">Este músico californiano gosta, portanto, de jogar em vários campos e posições e fá-lo com enorme à vontade e sempre com brilho e competência, nunca deixando para trás a guitarra, um dos seus instrumentos de eleição, agora quase sempre eletrificada. O timbre anguloso da mesma a conduzir <em><span style="color: #3366ff;">No Distraction</span></em> e o efeito mais metálico na já referida <span style="color: #3366ff;"><em>Up All Night</em></span> são dois dos melhores instantes de <em><span style="color: #3366ff;">Colors</span></em> em que <span style="color: #3366ff;">Beck</span> se serve desse instrumento para dar alma e cor aos temas, mas sem fazer dele a principal referência quer da melodia quer do arquétipo sonoro.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">O <span style="color: #3366ff;">Beck</span> que antes brincava com o sexo (<em>Sexx Laws</em>) ou que gozava com o diabo (<em>Devil's Haircut</em>) sem deixar de em em determinados instantes do seu percurso de fazer uma espécie de ode à ideia romântica de uma vida sossegada, realizada e feliz usando a santa triologia da <em>pop</em>, da<em> folk</em> e da <em>country</em>, regressa em <em><span style="color: #3366ff;">Colors</span></em> a um território sonoro onde também se sente como peixe na água, oferecendo-nos um som intrincado mas cativante e que contém texturas psicadélicas que, simultanemente, nos alegram e nos conduzem à diversão, com uma sobriedade distinta, focada numa instrumentação diversificada e impecavelmente produzida. Fica claro em <span style="color: #3366ff;"><em>Colors</em></span> que <span style="color: #3366ff;">Beck</span> ainda caminha, sofre, ama, decepciona-se, e chora, mas que vive numa fase favorável e animada. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><a style="color: #999999;" title="Beck - Colors" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/37631805011/in/dateposted-public/"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4479/37631805011_8436b3df24_o.jpg" alt="Beck - Colors" width="400" height="400" /></a></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">01. Colors</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">02. Seventh Heaven</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">03. I’m So Free</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">04. Dear Life</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">05. No Distraction</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">06. Dreams (Colors Mix)</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">07. Wow</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">08. Up All Night</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">09. Square One</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">10. Fix Me</span><br /><span style="color: #3366ff; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">11. Dreams</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Tj08Ni3tklw" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:886408 2017-10-16T15:12:00 Django Django – Tic Tac Toe 2017-10-16T14:27:17Z 2017-10-16T14:27:17Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4472/36980568164_d56bba077f_o.jpg" alt="Django Django - Tic Tac Toe" width="400" height="400" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">Chegam de Edimburgo, na Escócia, têm um irlandês lá pelo meio, atualmente assentaram arrais em Dalston, aquele bairro de Londres onde tudo acontece, chamam-se <a style="color: #999999;" href="http://www.djangodjango.co.uk/" target="_blank">Django Django</a> e são um nome que este blogue tem acompanhado com toda a atenção na última meia década. Depois de se terem estreado nos discos em janeiro de 2012 com um trabalho homónimo muito bem aceite pela crítica e nomeado para um Mercury Prize nesse mesmo ano, a banda, formada por Dave Maclean, Vincent Neff, Tommy Grace e Jimmy Dixon, regressou em 2015 com o excelente <em>Born Under Saturn</em>, e agora, no início de 2018, a vinte e seis de janeiro, via <a style="color: #999999;" href="http://smarturl.it/PreMarbleSkies">Ribbon Music</a>, irá regressar aos lançamentos discográficos com <em><span style="color: #ff6600;">Marble Skies</span></em>, um alinhamento de dez canções certamente feitas com uma<em> pop</em> angulosa proposta por quatro músicos que, entre muitas outras coisas, tocam baixo, guitarra, bateria e cantam, sendo isto praticamente a única coisa que têm em comum com qualquer outra banda emergente no cenário alternativo atual.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em><span style="color: #ff6600;">Tic Tac Toe</span></em> é o primeiro <em>single</em> extraído de <span style="color: #ff6600;"><em>Marble Skies</em></span>, uma canção assente numa percussão tribal, acompanhada por uma guitarra com um delicioso efeito hipnótico da guitarra e um baixo vigoroso e já com direito a um curioso vídeo realizado por John Maclean, membro dos carismáticos The Beta Band. É um filme que aprentemente podia debruçar-se sobre a era dos jogos de arcada, sobre um tempo que parece nunca chegar para nada, sobre o ódio e o amor, o horror ea felicidade, mas que é simplesmente sobre um homem que precisa de comprar algum leite para fazer juntar à sua chávena de chá. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/T9lGlbTMOXg" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:885179 2017-10-15T20:28:00 Wild Beasts – Punk Drunk And Trembling 2017-10-15T19:38:20Z 2017-10-15T19:38:20Z <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4505/37454200660_54a8c96c14_o.jpg" alt="Wild Beasts - Punk Drunk And Trembling" width="400" height="400" /></em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">Aproximadamente um ano após o excelente <em>Boy King</em>, que tinha sido já um notável sucessor de <em>Present Tense</em> e da obra prima<em> Smother</em> (2011), o quarteto britânico <a style="color: #999999;" href="http://www.wild-beasts.co.uk/">Wild Beasts</a> acaba de anunciar a separação para tristeza dos inúmeros fãs que têm não só na Europa mas também do outro lado do atlântico. Para encerrar as hostilidades o grupo vai editar um EP daqui a alguns dias com três canções, das quais já se conhece o tema homónimo. Além disso, o grupo também anunciou três concertos de despedida, todos em Inglaterra.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">Em <span style="color: #ff99cc;"><em>Punk Drunk and Trembling</em></span>, além de impressionar a simbiose entre a distorção das guitarras e um conjunto de referências que piscam o olho a alguns fragmentos mais preponderantes da eletrónica atual, também impressiona o modo como os <span style="color: #ff99cc;">The Wild Beasts</span> não descuram uma forte presença da <em>synthpop</em> típica dos anos oitenta, de forma equilibrada e não demasiado<em> vintage</em>, aspetos que fazem da canção um excelente aperitivo para um EP que não deverá de deixar de conter o charme inconfundível e o pulsar tremendamente climático, subtil e insinuante de um projeto que chega ao fim no auge da sua maturidade. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/RrmGrkuiY50" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:884698 2017-10-14T10:47:00 Courtney Barnett And Kurt Vile – Lotta Sea Lice 2017-10-14T10:28:27Z 2017-10-14T11:06:54Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">Dois nomes  fundamentais da <em>indie folk</em> atual são a australiana <span style="color: #ffcc00;">Courtney Barnett</span> e o norte-americano <span style="color: #ffcc00;">Kurt Vile</span>. Recentemente e em boa hora decidiram dar as mãos para comporem e divertirem-se juntos e assim gravarem <em><span style="color: #ffcc00;">Lotta Sea Lice</span></em>, nove canções editadas com o selo da insupeita <a style="color: #999999;" href="http://store.matadorrecords.com/lotta-sea-lice">Matador</a>. Este disco é resultado de oito dias em estúdio, espalhados por quinze longos meses em que ambos foram encontrando umas abertas nas suas respetivas digressões que fizeram de promoção aos últimos registos de originais de ambos, com <span style="color: #ffcc00;"><em>Lotta Sea Lice</em></span>, uma expressão retirada de uma obra da escritora Stella Mozgawa, a ser o nome de uma banda imaginária que ambos idealizaram para estas canções, algumas compostas por ambos em conjunto e outras temas antigos em formato demo que levaram para estúdio.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://ksassets.timeincuk.net/wp/uploads/sites/55/2017/08/kurt-vile-courtney-barnett-920x584.jpg" alt="Resultado de imagem para Courtney Barnett And Kurt Vile" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">O <em>blues</em> animado de <span style="color: #ffcc00;"><em>Over Everything</em></span> é uma excelente porta de entrada para este disco, uma animada e luminosa canção em que <span style="color: #ffcc00;">Barnett</span> e <span style="color: #ffcc00;">Vile</span> dialogam enquanto confessam aquilo que pretendem para este <em><span style="color: #ffcc00;">Lotta Sea Lice</span></em>, que é pegarem cada um na sua guitarra, olharem para a linda manhã que começa e deixarem fluir do modo mais espontâneo possível tudo aquilo que guardam no seu âmago. É um tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra por parte de ambos, mas que não define, logo à partida, todo o clima instrumental do alinhamento, já que, em oposição, no clima mais introvertido de <em><span style="color: #ffcc00;">Let It Go</span></em>, canção onde salta à vista o excelente trabalho percussivo e nos seis minutos experimentais e psicadélicos de<span style="color: #ffcc00;"> <em>Outta The Woodwork</em></span>, fica expresso, de modo sintomático, um certo paradoxo sonoro, uma constante tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, onde o <em>rock</em> e a <em>folk</em>, o doce e o amargo e, enfim, aquilo que é meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético se entrelaçam.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;">E já que falamos da vertente temática de <em><span style="color: #ffcc00;">Lotta Sea Lice</span></em>, uma das maiores qualidades destes dois músicos nas respetivas carreiras foi sempre a habilidade em exporem aqueles pequenos detalhes da vida comum que todos vivenciamos e os transformarem, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. E aqui fazem-no através do derrame de versos extensos e quase descritivos dos habituais acontecimentos quotidianos, sempre com um olhar para o mundo físico e não apenas para uma exposição das suas emoções intrínsecas. Escuta-se o modo como em <em><span style="color: #ffcc00;">Fear Is like a Forest</span></em> ambos dissertam sobre os sonhos e os medos, encontrando paralelismo entre ambos e comparando-os a uma floresta desconhecida por desbravar ou como na já referida <em><span style="color: #ffcc00;">Outta The Woodwork</span> </em>descrevem a solidão como algo tão angustiante como a dificuldade em respirar, para se conferir este impressionismo lírico que, no modo como é musicado, acaba por chegar aos nossos ouvidos romanticamente e com um charme algo displiscente mas feliz, sendo esta, de certa forma, a postura que têm ambos em relação à vida. É um caminho sinuoso, mas que não tem de ser vivido em permanente inquietude e depressão. Daí em diante, na lindíssima e exuberante balada <em><span style="color: #ffcc00;">Blue Cheese</span></em>, mas também no experimentalismo boémio patente em <span style="color: #ffcc00;"><em>Peepin' Town</em></span> e nos acordes deambulantes que empoeiram <span style="color: #ffcc00;"><em>Untogether</em></span>, manifestam-se instrumentalmente estas experiências de vida sincera, uma jornada espiritual que nos é dada a apreciar e saborear em verdadeira plenitude.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em><span style="color: #ffcc00;">Lotta Sea Lice</span></em> é, antes de mais, um exercício de aceitação plena por parte dos autores de um estado de consciência sobre uma vida que ambos saboreiam em constante rebuliço, mas constante no modo como lidam com os diferentes sentimentos e emoções estejam em que local do mundo estiverem. É, em suma, um conjunto de canções que mostram dois seres humanos profundamente reflexivos, mas também auto confiantes e que servem-se da viola e da guitarra, seus fiéis companheiros nestas jornadas únicas e sentimentais sobre as vidas de dois músicos transportadas para uma contemporaneidade cheia de encruzilhadas e dilemas. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm5.staticflickr.com/4483/37618441422_ab553523a5_o.jpg" alt="Courtney Barnett And Kurt Vile - Lotta Sea Lice" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>01. Over Everything</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>02. Let It Go</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>03. Fear Is Like A Forest</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>04. Outta the Woodwork</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>05. Continental Breakfast</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>06. On Script</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>07. Blue Cheese</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>08. Peepin’ Tom</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 14pt; font-family: &#39;andale mono&#39;, times;"><em>09. Untogether</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/3KNsBCf34fQ" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>