urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07 man on the moon music will provide the light you cannot resist! ou o relato de quem vive uma nova luz na sua vida ao som de algumas das melhores bandas de rock alternativo do planeta! stipe07 2015-04-25T21:15:28Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:689738 2015-04-25T22:15:00 The Kindling - By Morning 2015-04-25T21:15:28Z 2015-04-25T21:15:28Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Guy Weir, Tomas Garcia e Ben Ramster são os <a style="color: #999999;" href="http://www.thekindling.co.uk">The Kindling</a> uma banda sedeada em Londres, que contou com as participações especiais dos violinos de Kelly Jakubowski e dos efeitos de Joe Leach para gravar um disco novo intitulado<em><span style="color: #99ccff;"> By Morning</span></em>, um trabalho que aposta forte numa profunda melancolia proporcionada por canções que gravitam em redor de uma folk introspetiva e tipicamente nórdica, onde sobressaiem deliciosos arranjos de cordas e melodias que se arrastam sem pressa, mas com uma direção bem definida, aquela que segue diretamente e pelo caminho mais curto rumo aos nossos sentimentos mais profundos e delicados.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="https://scontent.xx.fbcdn.net/hphotos-xpf1/v/l/t1.0-9/10455324_725519287486598_1418555411154230111_n.jpg?oh=086ae4ae4f3a6ba9d93360945d60bd45&amp;oe=55D9D3A6" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A apenas aparente rudeza da distorção de <span style="color: #99ccff;">Television Static Dreams</span>, o primeiro <em>single</em> retirado deste disco e seu maior destaque, transmite uma poderosa sensação introspetiva e sonhadora. Imersa em pequenos detalhes, dos quais sobressai a pandeireta e o tambor, que procuram conferir uma forte sensação crua e orgânica ao tema, são elementos que se repetem ao longo de um alinhamento que só poderá ser devidamente apreciado se estivermos dispostos a fazê-lo equipados com um fato hermético que nos permita captar a simultaneamente implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica que estes <span style="color: #99ccff;">The Kindling</span> possuem e transmitem.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O falsete e a guitarra de Guy conduzem temas como<em><span style="color: #99ccff;"> Climb In, Unlucky</span></em> e <em><span style="color: #99ccff;">Long Distance</span></em> e estes são apenas alguns dos vários exemplos que, em <em><span style="color: #99ccff;">By Morning</span></em>, exaltam uma tremenda serenidade e um natural excesso de tempo, conceitos que sobressaiem nestas canções com uma clareza incomum. Este é um acordar matinal musical proposto pelos <span style="color: #99ccff;">The Kindling</span>, uma alvorada tão diferente e proporcionalmente oposta às nossas rotinas diárias e à escravatura do relógio que roda incessantemente a partir do momento em que somos forçados a deixar o mundo dos sonhos para trás e viver um dia a dia nem sempre suficientemente recompensador.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span class="long_text" lang="pt">As cordas e o jogo de vozes de <span style="color: #99ccff;"><em>Hunting Stars</em></span> e <em><span style="color: #99ccff;">Slow Down</span></em> tocam profundamentem o coração. Como a maioria das canções, começam com o dedilhar de uma guitarra, neste caso a acústica, mas depois vão sendo adicionados novos instrumentos, que acrescentam pequenos detalhes sonoros, mas que fazem muitas vezes toda a diferença e demonstram a abundância de talento dos mentores deste projeto, já que pintam uma belíssima paleta de cores sonoras e criam</span><span id="result_box" class="long_text" lang="pt"> uma atmosfera envolvente, suave e apaixonada.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Alguma das nossas manhãs deviam ser assim, arrastadas por esta visão poética dos primeiros minutos dos nossos dias, em que a delicadeza e a candura vencem a agressividade e a rispidez, com as canções de <span style="color: #99ccff;"><em>By Morning</em></span> a servirem de banda sonora durante o combate fraticida entre estes dois opostos. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DQ0VRAiMhW8w&src=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FQ0VRAiMhW8w%3Ffeature%3Doembed&image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FQ0VRAiMhW8w%2Fhqdefault.jpg&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="436" height="254" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:693796 2015-04-24T15:45:00 Evols - Shelter 2015-04-24T14:45:19Z 2015-04-24T14:45:19Z <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://a-trompa.net/ficheiros/EVOLS.jpg" alt="EVOLS" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Antes do final de 2015, lá para o outono, chegará aos escaparates o tão aguardado segundo álbum dos <a style="color: #999999;" href="http://www.evolovevol.com/">Evols</a>, um trabalho gravado e misturado nos últimos dois anos entre a sala de ensaios da banda e os estúdios Sá da Bandeira. Com eidção da Fnac Discos e Wasser Bassin, este disco irá marcar, de acordo com o press release de <em><span style="color: #ff0000;">Shelter</span></em>, o primeiro <em>single</em> divulgado, <em>uma evolução no som da banda</em>, que conta com um novo baterista e um novo baixista (Jorge Queijo e João Santos).</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Ainda de acordo com esse documento, que explica melhor que ninguém a sonoridade que orienta este projeto, os <span style="color: #ff0000;">Evols</span> são <em>influenciados pelas raízes do rock e do blues e por toda a cultura psicadélica que se reinventa há mais de 50 anos. Fazem música intemporal, longe dos holofotes, mas perto das pessoas onde eles gostam de estar. As composições da banda remetem habitualmente para uma viagem entre a melodia, a estridência e a distorção, numa potência e impacto de guitarras levados ao limite até ao inaudível. O tempo e a contemplação rural, as raízes da música popular americana que alternam com a histeria e o excesso do rock, sempre numa perspectiva mundana, que por vezes lembra o som de amplificadores menores ou de slotmachines</em>, são permissas importantes no seu cardápio de influências.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Confere <em><span style="color: #ff0000;">Shelter</span></em> e o video do tema realizado pela artista plástica Laetitia Morais e mantém-te na rota deste grupo porque, de acordo com a amostra, vem aí certamente um grande disco!</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dv2SzcFDL6fU&src=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fv2SzcFDL6fU%3Ffeature%3Doembed&image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fv2SzcFDL6fU%2Fhqdefault.jpg&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="640" height="360" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:665739 2015-04-24T15:45:00 Noel Gallagher’s High Flying Birds – Chasing Yesterday 2015-04-24T14:45:54Z 2015-04-24T14:45:54Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O britânico <a style="color: #999999;" href="http://www.noelgallagher.com/">Noel Gallagher</a> e os <span style="color: #ffcc99;">High Flying Birds</span> regressaram aos discos em março com<span style="color: #ffcc99;"><em> Chasing Yesterday</em></span>, atráves da Sour Mage Records, o segundo trabalho de uma banda liderada por um músico que  terá escrito algumas das páginas mais significativas do livro das escrituras da <em>britpop</em>, não só nos Oasis, como noutros projetos em que se envolveu também como produtor.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="http://cdn.wp.clicrbs.com.br/letitrock/files/2015/04/facebook3.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Responsável, portanto, por algumas das marcas identitárias do <em>indie rock</em> que povoa o nosso subconsciente e que forjaram parte importante da história da música dos finais do século passado, o mais velho dos irmãos Gallagher assina em <em><span style="color: #ffcc99;">Chasing Yesterday</span> </em>pouco mais de uma dezena de novas canções que transportam consigo muita dessa herança, mas com um espírito renovado e mais contemporâneo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Claramente feliz com a liberdade musical ilimitada que uma carreira a solo lhe permite, já que a componente <span style="color: #ffcc99;">High Flying Birds</span> do projeto é apenas um elemento acessório e que se rege cegamente pelas orientações do líder, <span style="color: #ffcc99;">Noel Gallagher</span> expôe o habitual modelo de canção assente na primazia das cordas das guitarras, no que concerne ao processo de condução melódica, estando reservada à percussão um papel mais acessório e secundário. Logo nas cordas de R<em><span style="color: #ffcc99;">iverman</span></em> e, mais adiante, em<span style="color: #ffcc99;"><em> The Dying Of The Light</em></span>, é fácil recordarmos o hino <em>Wonderwall</em> e <em><span style="color: #ffcc99;">In The Heat Of The Moment</span> </em>tem aquela toada épica e gloriosa que os Oasis tanto gostavam de explorar e que o efeito mais contemporâneo do baixo atualiza com notável precisão, ficando, nestes dois temas bastante diferentes, o cone sonoro por onde circulará o restante alinhamento, que, como se vê, tem impressa uma marca identitária única e facilmente identificável. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Ao longo do alinhamento, se os teclados <em>retro</em> de <em><span style="color: #ffcc99;">The Girl With X-Ray Eyes</span> </em>e o seu refrão apoteótico piscam o olho a uma certa lisergia<em> pop</em>, acontecendo o mesmo com os metais de <em><span style="color: #ffcc99;">The Right Stuff</span></em>, já o <em>rock</em> psicadélico sujo e empoeirado de <em><span style="color: #ffcc99;">The Mexican</span></em>, a espiral emotiva da grandiosa <em><span style="color: #ffcc99;">Lock All The Doors</span> </em>e a batida sintética e o jogo de guitarras de <em><span style="color: #ffcc99;">Ballad Of The Mighty I</span></em>, trilham a paleta de cores caraterística do percurso do autor, com <em><span style="color: #ffcc99;">While The Song Remains The Same </span></em>a ser um outro bom exemplo dessa fórmula, mas com as tais roupagens mais atuais e que piscam o olho a um público mais jovem. O próprio efeito inicial da guitarra que depois se transforma, quase por magia, num<em> riff</em> assombroso e inebriante em<em><span style="color: #ffcc99;"> You Know We Can't Go Back</span></em> mostra como Gallagher tem a noção que os seus ouvintes esperam de si música que possa ser cantada sem complicações desnecessárias e que ao vivo deve surpreender e encher espaços amplos e abertos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ffcc99;"><em>Chasing Yesterday</em></span> é um disco elegante, impecavelmente produzido e pronto para ser cantado por multidões que irão decorar estas letras até à exaustão, pensado, idealizado e tocado, quase na íntegra, por um dos melhores compositores, cantores e guitarristas das últimas duas décadas e ao qual o <em>indie rock</em> britânico tanto deve. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm9.staticflickr.com/8633/16642211202_c4f6ca54ab.jpg" alt="Noel Gallagher&#39;s High Flying Birds - Chasing Yesterday" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Riverman</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. In The Heat Of The Moment</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. The Girl With X-Ray Eyes</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Lock All The Doors</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. The Dying Of The Light</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. The Right Stuff</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. While The Song Remains The Same</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">08. The Mexican</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">09. You Know We Can’t Go Back</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">10. Ballad Of The Mighty I</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">11. Do The Damage</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">12. Revolution Song</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">13. Freaky Teeth</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">14. In The Heat Of The Moment (Remix)</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc99;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">15. Leave My Guitar Alone</span></em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DfuubqoEb4jE&src=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FfuubqoEb4jE%3Ffeature%3Doembed&image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FfuubqoEb4jE%2Fhqdefault.jpg&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="417" height="243" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:693063 2015-04-23T22:56:00 Paperhaus - Paperhaus 2015-04-23T21:56:59Z 2015-04-23T21:56:59Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Oriundos de Washington, os norte americanos <a style="color: #999999;" href="http://www.paperhausmusic.com/">Paperhaus</a> são Alex Tebeleff, Eduardo Rivera, Johnny Fantastic e Brandon Moses, uma banda de <em>indie rock</em> bastante seguida e apreciada no cenário alternativo local, até porque gerem um espaço de diversão noturna onde costumam decorrer concertos, com o mesmo nome da banda. Ainda no ano passado decorreu um festival de bandas nesse local chamado <a style="color: #999999;" href="http://infestdc.org/">In It Together</a>, dinamizado pelo grupo, mas depois foi tempo de se concentrarem na sua música. E esta música, imponente, visionária e empolgante, assenta no típico <em>indie rock</em> atmosférico, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do <em>krautrock</em> e do <em>post punk</em> a conferirem a estes <span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span> uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum.</span></p> <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://scontent.xx.fbcdn.net/hphotos-xta1/v/t1.0-9/11076190_10153171371999732_1612739125781208225_n.jpg?oh=09fe316d2e339548aae054d3d3cdab0d&amp;oe=55E27D6E" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #99ccff;"><em>Cairo</em></span>, o primeiro <em>single</em> divulgado de <em><span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span></em>, o novo disco homónimo deste projeto, editado a dez de fevereiro último e produzido por Peter Larkin e onde também participam os músicos Tarek Mohamed, Alexia Gabriella, Ben Schurr e Dave Klinger, além dos elementos da banda, é um exemplo corrosivo, hipnótico e contundente da cartilha sonora que os <span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span> guardam na sua bagagem, com a guitarra a assumir, desde logo, um amplo plano de destaque no processo de condução melódica, eficazmente acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria entusiasmante e luminosa. As mudanças de ritmo com que a mesma abastece<em><span style="color: #99ccff;"> Untitled</span></em> e o modo como as quebras e mudanças de ritmo acompanham as variações que ela produz, ampliam a perceção fortemente experimental, numa canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os <span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span> conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Em temas como a intrigante <em><span style="color: #99ccff;">Surrender</span></em> ou o <em>fuzz pop</em> de <em><span style="color: #99ccff;">So Slow</span></em>, o som destes <span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span> é encorpado, decidido, seguro e luminoso e surpreende o modo como transformam uma hipotética rispidez visceral em algo de extremamente sedutor e apelativo, com uma naturalidade e espontaneidade curiosas. Depois, escuta-se <em><span style="color: #99ccff;">I'll Send It To You</span></em> e percebe-se não só o modo como a voz de Tebeleff é um trunfo declarado dos <span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span> por causa do modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína, mas também como determinados arranjos como aquele que, neste caso, é proporcionado pelo trompete, plasmam com precisão as virtudes técnicas do quarteto e o modo como conseguem abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro<em> indie</em> e alternativo e comprimi-los em algo genuíno e com uma identidade muito própria.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Mas mesmo quando se apresentam mais sombrios e introspetivos, nomeadamente em <em><span style="color: #99ccff;">432</span></em>, esses conceitos não se desvanecem por completo, porque se é impossível ficar indiferente à emotividade que transborda do efeito da guitarra e da linha de violino que abastecem essa canção, também nos atinge no âmago de modo contundente o modo como o tema progride e a bateria a guitarra se expandem quase sem limites. Já <span style="color: #99ccff;"><em>Misery</em></span> surpreende pelo minimalismo inicial algo boémio, como se a banda estivesse dominada por uma aúrea psicotrópica lisérgica que lhe tolheu os sentidos, para deixarem os instrumentos se expressarem livremente, de modo quase anárquico, até que na reta final, quando os <span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span> se libertam e tomam de novo as rédeas e conta da canção, desenvolve-se uma verdadeira espiral de <em>fuzz</em> <em>rock</em>, rugoso, visceral e psicadélico, cheio de efeitos e flashes, numa ordenada onda expressiva relacionada com o espaço sideral, que oscila entre o <em>rock</em> sinfónico e guitarras experimentais, com travos de <em>krautrock.</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Há nestes <span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span> uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos reavivando no ouvinte outros projetos que foram preponderantes nas últimas décadas do século passado e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que faça recordar os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabús ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os <span style="color: #99ccff;">Paperhaus</span> produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despida de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=1825532818/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="483" height="271" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:688544 2015-04-22T22:43:00 The Espionne – In Colour 2015-04-22T21:43:36Z 2015-04-22T21:43:36Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Corre ou esconde-te, é este o aviso que recebemos no tema de abertura de <em><span style="color: #ffcc99;">In Colour</span></em>, porque não há como escapar ileso à passagem pelos teus ouvidos destes <a style="color: #999999;" href="http://www.theespionne.ch/">The Espionne</a>, uma banda natural de Lucerna, na Suiça, formada por Roger Schaffner, Jonas Walker, Manuel Mahler, Simon Hafner, Tino Schaffner e que se estreia nos discos com um trabalho disponivel para audição integral na página da banda e que encontra no <em>indie rock</em> orelhudo e festivo, mas também com alguns traços de melancolia, os traços identitários essenciais do edificio sonoro em que sustenta.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.luzernerfest.ch/sites/default/files/the_espionne_1.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ffcc99;"><em>In Colour</em></span> faz juz ao título do disco pois é abrangente a paleta instrumental e assertivo o modo como a mesma enche de cor e substância a música destes <span style="color: #ffcc99;">The Espionne</span>, com as típicas caraterísticas do <em>indie rock</em> europeu, que dá bastante primazia a uma vertente mais pop e épica do que o usual. A já citada <em><span style="color: #ffcc99;">Run Or Hide</span></em> e as mudanças de ritmo e de volume em <em><span style="color: #ffcc99;">Brick Wall</span> </em>plasmam logo quer a abrangência quer a heterogeneidade de um alinhamento onde cada tema tem traços próprios, que conseguem dar uma atmosfera diversificada ao álbum.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Não é usual encontrar uma banda estreante e com pouco tempo de estrada já com tanta carga emocional e com a maturidade musical que estes <span style="color: #ffcc99;">The Espionne</span> revelam; O jogo que se estabelece entre a guitarra e o efeito sintetizado em <em><span style="color: #ffcc99;">Heavy Sand</span></em> e o constante desfilar de um borbulhante efeito em <em><span style="color: #ffcc99;">Back On My Feet</span></em>, por cima das cordas e de uma bateria ritmada, exalam uma delicadeza notável e uma sensibilidade incomum. E em temas como <em><span style="color: #ffcc99;">Out Of The Night</span></em> ou <em><span style="color: #ffcc99;">Upper Class Hero</span></em>, sendo mais introspetivos e profundos, é igualmente reconfortante conferiro o modo como é expressa uma melancolia doce e positiva, pelo que escutar sequencialmente<em><span style="color: #ffcc99;"> In Colour</span></em> acaba por ser uma experiência de contacto direto com uma narrativa principal definida, num álbum circular e onde cada canção se interliga com a seguinte. O modo como o grupo distribui os arranjos, ampliando os refrões e dando-lhes em quase todas as canções uma grandiosidade invulgar, faz com que o álbum nunca resvale para um clima perrigosamente sombrio, havendo arte no modo como é separada a melancolia da severidade, sendo a tristeza tratada de forma leve e elegante e na dose perfeita.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Não são muitas as bandas que conseguem à partida surpreender de modo tão imediato com um som tão acessível e maduro tocado com virtuosas guitarras que soam eufóricas ou tímidas, na medida certa e uma bateria que sabe como ser discreta enquanto conduz com fluidez temas plenos de arranjos sintetizados que nunca exageram nem desvirtuam o cariz indie rock pretendido. Todas as canções são <em>singles</em> em potência e a música destes <span style="color: #ffcc99;">The Espionne</span> simplesmente flui, sem grandes segredos e complicações, num disco que vale a pena ouvir muitas vezes e aproveitar cada audição de forma diferente.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Até à fria mas acolhedora <em><span style="color: #ffcc99;">Steps In December</span></em>, uma canção que exprime na perfeição as diferentes sensações climáticas e físicas que o rigor do mês referido geralmente contém, com as consequências positivas que também daí advêm para a nossa existência que procura momentos mais acolhedroes, quentes e reconfortantes nesse período temporal, estamos na presença de um disco que desperta múltiplas sensações e que demonstra que esta banda suiça já se sente bastante à vontade e confortável dentro da sonoridade criativa que pretende seguir. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7696/17100631671_15a1b21c92.jpg" alt="The Espionne - In Colour" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Run Or Hide</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Brick Wall</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. Heavy Sand</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Out Of The Night</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. Back On My Feet</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. Blurry Lines</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. Cecilia</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">08. Hello Dreams</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">09. Upper Class Hero</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">10. Kaleidoscope</span></em><br /><em><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">11. Steps In December</span></em></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/200139644&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:653352 2015-04-21T23:48:00 American Wrestlers - American Wrestlers 2015-04-21T22:48:27Z 2015-04-21T22:50:08Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ffcc00;">American Wrestlers</span> é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. Tendo crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou entretanto para o outro lado do Atlântico.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="http://therevue.ca/wp-content/uploads/2015/04/American-Wrestlers-3-by-Bridgette-Imperial-e1428889038530-780x520.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais <em>underground</em> acabando por implodir.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa <a style="color: #999999;" href="http://www.zzounds.com/productreview--TASDP02CF">Tascam</a> de oito pistas e assim nasceram os <span style="color: #ffcc00;">American Wrestlers</span>. Recentemente o projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita <a style="color: #999999;" href="http://www.fatpossum.com/artists/american-wrestlers">Fat Possum</a>. Esta etiqueta editou já o <em>single <span style="color: #ffcc00;">I Can Do No Wrong</span></em>, uma peça sonora magnífica, principalmente por ser difícil de descrever. O ambiente sonoro que cria tem um teor <em>lo fi</em> algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assenta. Depois, alguns arranjos claramente <em>jazzísticos</em> e uma voz num registo em falsete com um certo <em>reverb</em>, acentuam o charme rugoso da mesma. E com esta descrição de um tema magnífico está dado o mote para um álbum que nos oferece uma viagem que nos remete para a gloriosa época do <em>rock</em> independente, sem rodeios, medos ou concessões, porporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Inspirada numa <a style="color: #999999;" href="http://edition.cnn.com/2014/01/13/us/california-homeless-beating-verdict/">noticía</a> que <span style="color: #ffcc00;">Gary</span> leu sobre um doente mental que foi espancado até à morte e pelo respetivo video que circulou com imagens do acontecimento, <span style="color: #ffcc00;"><em>Kelly</em></span>, um dos outros destaques de <em><span style="color: #ffcc00;">American Wrestlers</span></em>, é uma belissima ode por parte de <span style="color: #ffcc00;">Gary</span> a todos os <em>Kellys</em> deste mundo que são vitimas de abusos e de atitudes incompreensiveis, feita com uma melodia frenética que oscila entre o épico e o hipnótico, o <em>lo-fi</em> e o <em>hi-fi</em>, com a repetitiva linha de guitarra e oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformar a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de <span style="color: #ffcc00;"><em>American Wrestlers</em></span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Mas se este disco não sobrevive sem estas duas canções, o restante alinhamento não merece ser descurado e exige também audição dedicada. A exploração de uma ligação estreita entre a psicadelia e o <em>rock</em> progressivo, através de um sentido épico pouco comum e com resultados práticos extraordinários em <em><span style="color: #ffcc00;">There's No One Crying Over Me Either</span></em>, assim como o festim <em>sonoro</em> acelerado e difícil de travar de <em>Holy</em>, à boleia de um efeito de guitarra ácido e extremamente melódico, exemplarmente acompanhado pelo piano, pelo baixo e pela bateria e o devaneio<em> folk</em> bastante sentimental de<em><span style="color: #ffcc00;"> Wild Wonder</span></em> abrem um disco curioso e desafiante, que impressiona pela forma livre e espontânea como os vários instrumentos, mas em espcial as guitarras, se expressam, guiadas pela nostalgia e pelas emoções que <span style="color: #ffcc00;">Gary</span> pretende transmitir. Depois, o transe libidinoso que nos oferece a festiva <em><span style="color: #ffcc00;">The Rest Of You</span></em> e a <em>folk</em> psicadélica, com uma considerável vertente experimental associada, que domina <em><span style="color: #ffcc00;">Cheapshot</span></em>, são mais dois exemplos felizes do arsenal bélico com que <span style="color: #ffcc00;">American Wrestlers</span> nos sacode e traduzem, na forma de música, a mente criativa de <span style="color: #ffcc00;">Gary</span> e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que ele vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gary <a style="color: #999999;" href="http://www.stereogum.com/1785179/band-to-watch-american-wrestlers-theres-no-one-crying-over-me-either-stereogum-premiere/franchises/band-to-watch/">confessou</a> recentemente que apesar de toda a atenção e mediatismo que tem tido com este seu trabalho e que estado umbilicalmente ligado a uma etiqueta tão insuspeita como a Fat Possum, continua a ter dificuldades em pagar as contas vivendo apenas e só da música e que, além da carriera artística, trabalha diariamente, quase de sol a sol, numas docas. Se <span style="color: #ffcc00;">American Wrestlers</span> não consegue viver apenas e só da música que compôe, algo de muito errado se passa no universo sonoro discográfico e este artista merece claramente uma maior notoriedade e recompensa pelo seu génio criativo. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/playlists/92875947%3Fsecret_token%3Ds-O3OEo&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="100%" height="450" scrolling="no" frameborder="no"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:692628 2015-04-21T17:26:00 Unknown Mortal Orchestra - Can't Keep Checking My Phone 2015-04-21T16:27:02Z 2015-04-21T16:27:02Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.mxdwn.com/wp-content/uploads/2015/01/unknown-mortal-orchestra.png" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os <a style="color: #999999;" href="http://unknownmortalorchestra.com/">Unknown Mortal Orchestra</a> vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. <em>II</em>, o segundo álbum da banda, viu a luz há cerca de dois anos e catapultou o projeto para o estrelato, ao reforçar de forma comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o <em>R&amp;B.</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">No próximo dia vinte e seis de maio vai chegar aos escaparates <span style="color: #ff99cc;"><em>Multi-Love</em></span>, o novo disco dos <span style="color: #ff99cc;">Unknown Mortal Orchestra</span>, um trabalho que verá a luz do dia por intermédio da <a style="color: #999999;" href="http://www.jagjaguwar.com/">Jagjaguwar</a> e depois de ter sido conhecido o tema homónimo, chegou agora a vez de ser divulgado <em><span style="color: #ff99cc;">Can't Keep Checking My Phone</span></em>, canção que contém a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente, que além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica dos anos sessenta. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/196826455&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="388" height="231" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:686079 2015-04-20T19:36:00 Cobalt Cranes – Days In The Sun 2015-04-20T18:36:08Z 2015-04-20T18:36:08Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Editado em agosto de 2014 pela <a style="color: #999999;" href="https://lolipoprecords.bandcamp.com/album/days-in-the-sun-cass-cd">Lolipop Records</a>, <em><span style="color: #ffcc00;">Days In The Sun</span></em> é o último registo de originais dos <span style="color: #ffcc00;">Cobalt Cranes</span>, uma banda norte americana oriunda da costa oeste e que tem no seu núcleo duro uma dupla formada por Kate Betuel e Tim Foley que, em apenas oito músicas e quase meia hora de audição, nos oferecem uma viagem lisérgica gratuita rumo à <em>pop</em> luminosa e psicadélica dos anos sessenta, aquela sonoridade tão solarenga como o estado norte americano de onde a banda é oriunda.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="http://static1.squarespace.com/static/51ddc82fe4b03ef9c1496dab/t/51ddd87de4b06e89f62db6a7/1373493375204/cobalt+cranes" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte amricanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o <em>indie rock</em> em novas tendências e sonoridades mais contemprâneas, basta ouvir-se as cordas de<em><span style="color: #ffcc00;"> Flowers On Your Grave</span> </em>ou o efeito da guitarra de <em><span style="color: #ffcc00;">In A Daze</span> </em>ou <em><span style="color: #ffcc00;">Dark Star </span></em>para se perceber que do outro lado da <em>route 66</em>, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em <span style="color: #ffcc00;"><em>Last Horizon</em></span> ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Esta sonoridade <em>pop</em> e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os <span style="color: #ffcc00;">Cobalt Cranes</span> são genuínos guardiões de um som que deve muito à composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, mas que hoje certamente dispensa tais extras, para replicar a contemporaneidade <em>vintage</em> nada contraditória dos acordes sujos e do <em>groove </em>do baixo de <span style="color: #ffcc00;"><em>Heavy Heart</em></span>, assim como do experimentalismo instrumental num registo mais progressivo de <span style="color: #ffcc00;"><em>Sun Down</em></span>, que se aproxima do <em>blues</em> marcado pela guitarra em <span style="color: #ffcc00;"><em>Fall In</em></span>, além da percussão orgânica e de alguns ruídos e vozes de fundo que assentam muito bem na canção.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Cheio de canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante aos <span style="color: #ffcc00;">Cobalt Cranes</span> a impressão firme da a sonoridade típica que também contém margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da <em>surf pop</em>, ao <em>indie rock</em> psicadélico, passando pela típica <em>folk</em> norte americana, não descuram um sentimento identitário e de herança,<em><span style="color: #ffcc00;"> Days In The Sun </span></em>é mais um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os <span style="color: #ffcc00;">Cobalt Cranes</span>. É um apanhado sonoro<em> vintage</em>, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma <em>pop</em> caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm9.staticflickr.com/8708/16881460880_ec107ec59b.jpg" alt="Cobalt Cranes - Days In The Sun" width="400" height="400" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Flowers On Your Grave</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. In A Daze</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Last Horizon</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Dark Star</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Fall In</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. Heavy Heart</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Sundown</em></span><br /><span style="color: #ffcc00; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. Sleepwalk</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/zGwvjnTti34" width="540" height="340" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p><a href="http://cobaltcranes.com/" target="_blank">Website</a><br />[mp3 320kbps] <a href="http://ul.to/lz7rljhu" target="_blank">ul</a> <a href="https://www.oboom.com/VRWUIUQK/InSun.rar" target="_blank">ob</a> <a href="http://adf.ly/1Dw8px" target="_blank">zs</a> <a href="https://userscloud.com/8gbeaj7if8ix" target="_blank">uc</a></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:686424 2015-04-19T18:14:00 Zero 7 – EP3 2015-04-19T17:14:47Z 2015-04-19T17:14:47Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois do EP <em>Simple Science</em>, editado a dezoito de agosto do ano passado por intermédio da Make Records, os britânicos <span style="color: #99ccff;">Zero 7</span>, um dos nomes fundamentais da eletrónica <em>downtempo</em> e da <em>chillwave</em>, estão de regresso com um novo EP intitulado <em><span style="color: #99ccff;">EP3</span></em>, que dá continuidade à filosofia que orientou <em>EP1</em> (1999) e <em>EP2</em> (2000), dois trabalhos lançados quando a dupla ainda estava vinculada a etiquetas menores.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="https://fbcdn-sphotos-b-a.akamaihd.net/hphotos-ak-xap1/v/t1.0-9/1457514_10151706538196946_764915962_n.jpg?oh=8739742c72864cba12d5fd919d3c285c&amp;oe=55A37884&amp;__gda__=1440757468_43410e981f6c7739ce5a0526c155ea1b" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com a participações especiais de nomes como José González, Only Girl e o australiano Danny Pratt, <span style="color: #99ccff;"><em>EP3</em></span> contém quatro originais e uma remistura, composições que, de acordo com os <span style="color: #99ccff;">Zero 7</span>, foram sendo compostas ao longo do ano anterior e como não se incluiam no arquétipo sonoro de <em><span style="color: #99ccff;">Simple Science</span></em>, acabaram por ficar na gaveta à espera do melhor momento para verem a luz do dia. Como a banda achou que a sonoridade de <em><span style="color: #99ccff;">400 Blows</span></em> tinha um certo paralelismo com uma <em>cover</em> que fizeram de <span style="color: #99ccff;"><em>The Colour Of Spring</em></span>, um original de Mark Hollis, então estava encontrado o mote para este<em><span style="color: #99ccff;"> EP3</span></em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">E que sonoridade é esta que se interliga entre os diferentes temas deste novo capítulo discográfico dos <span style="color: #99ccff;">Zero 7</span>? Uma eletrónica sofisticada e ambiental, com um cariz quase minimal e cheia de detalhes preciosos, que dão às canções uma toada densa, mas bastante agradável. Das passagens de piano do primeiro tema, aos sons da natureza que se escutam em <em><span style="color: #99ccff;">The Colour Of Spring</span></em>, passando pela excelência das vozes de Pratt e de Only Girl e no modo como encaixam de modo fluente no conceito sonoro dos <span style="color: #99ccff;">Zero 7</span>, são vários os pontos de contacto entre as várias músicas. E depois há José González e a sua participação especial na enigmática e sombria <em><span style="color: #99ccff;">Last Light</span></em>, que oferece à dupla britânica uma performance vocal irreprensível numa canção de forte cariz cinematográfico, num registo muito quente e a apelar à <em>soul</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #99ccff;">EP3</span> </em>encerra com um belíssimo instrumental eletrónico, que se destaca pela percurssão orgânica ritmada, com as pistas de dança na mira, acoplada a detalhes sintéticos absolutamente deliciosos e que exalam aquele charme típico dos <span style="color: #99ccff;">Zero 7</span>, que dão à dupla aquele ambiente <em>fashion</em> que sempre os caraterizou.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Disponível no formato físico <a style="color: #999999;" href="http://zero7.sandbaghq.com/e-p-3-12.html">vinil</a> e em formato <a style="color: #999999;" href="https://itunes.apple.com/gb/album/ep3/id973941550">digital</a>, <em><span style="color: #99ccff;">EP3</span></em> é um extraordinário momento de puro relaxamento e de contemplação sonora que nos permite embarcar numa curta mas profunda viagem ao universo musical típico dos <span style="color: #99ccff;">Zero 7</span> e do seu cardápio sonoro. Em <em><span style="color: #99ccff;">EP3</span></em> tudo soa muito polido e nota-se a preocupação por cada mínimo detalhe, o que acaba por gerar num resultado muito homogéneo e conseguido, alicderçado em <span style="line-height: 1.3;">criações sonoras versáteis e que resultam de uma fórmula legítima e louvável de uma dupla que está sempre aberta a encontrar um sopro de renovação. Espero que aprecies a sugestão...</span></span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><a style="color: #999999;" title="Zero 7 - EP3 by jocastro68, on Flickr" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/17061385656"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7694/17061385656_29941386c2.jpg" alt="Zero 7 - EP3" width="400" height="400" /></a></span></p> <p style="text-align: center;"><em><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. 400 Blows</span></em><br /><em><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. The Colour Of Spring</span></em><br /><em><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. Last Light (Feat. José Gonzalez)</span></em><br /><em><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. Crush Tape</span></em><br /><em><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. 400 Blows (John Wizards Remix)</span></em></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/195319579&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:667528 2015-04-18T22:09:00 Afonso Pais - Terra Concreta 2015-04-18T21:13:53Z 2015-04-18T21:21:32Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #993300;">Afonso Pais</span>, nascido em Lisboa em 1979, tem formação em piano e bateria, mas escolheu a guitarra, intensificando os estudos na escola de jazz do Hot Clube de Portugal e na New School University, nos Estados Unidos. Gravado em estúdios de gravação ao ar livre, em Parques Naturais nacionais e no Vale de Darnum, na ilha do Borneu, com a captação de instantes sonoros únicos e, por isso, irrepetíveis, <span style="color: #993300;"><em>Terra Concreta</em></span> é a nova menina dos olhos deste músico, um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, nascido com o propósito firme de transportar o ouvinte para esses locais e de levar a música de regresso às suas origens, sendo a natureza fonte de inspiração e, simultaneamente, protagonista, dividindo esse papel com a viola e com as vozes de Albert Sanz, Luísa Sobral, Beatriz Nunes, Joana Espadinha, Rita Martins e João Firmino, além do próprio <span style="color: #993300;">Afonso</span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><img src="https://scontent-mad.xx.fbcdn.net/hphotos-xpf1/v/t1.0-9/10553497_1099300833420844_4204519755478615734_n.jpg?oh=610859c6480ad8415182e278f5876ec8&amp;oe=55D71E81" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Capaz de colocar o ouvinte no meio da natureza, contemplando-a usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, <em><span style="color: #993300;">Terra Concreta</span></em> é, na minha opinião, um compêndio de música com cheiros e cores muito próprios. <em>Ponto simultâneo de partida e chegada, sempre, mas nunca de passagem</em>, o disco permite-nos contactar com instantes de manifestação musical espontâneos, que exalam a profunda delicadeza e sensibilidade do autor e o modo tremendamente eficaz como ele transporta essas duas facetas intrínsecas à sua capacidade criativa para a música que produz, com a felicidade de também nos mostrar, à sua maneira, locais naturais no seu estado mais puro, consciencializando-nos para a presrvação dos mesmos, quase sem darmos por isso.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A natureza acaba por se tornar grata a <span style="color: #993300;">Afonso</span>, já que se revela esplendorosa e bastante participativa ao longo do diso, revelando uma <em>generosidade heróica</em> através de instantes lindíssimos, não só audíveis no chilrear de algumas aves, mas também nos sons que o movimento do ar, feito vento, consegue criar e que o excelente trabalho de gravação e produção captou. São instantes sonoros naturais subtis, alguns audíveis de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, percebendo-se que a sonoridade geral de <span style="color: #993300;"><em>Terra Concreta</em></span> exala uma sensação vincadamente experimental.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Escutar <span style="color: #993300;"><em>Terra Concreta</em></span> é, sem dúvida, um exercício muito agradável e reconfortante, mas também intrigante e melancólico. Este é um documento que não tem apenas as cordas como protagonistas maiores do processo melódico, já que a própria natureza e o chilrear constante das aves são, realmente, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #993300;">Terra Concreta</span></em> sucede a <em><span style="color: #993300;">Onde mora o mundo</span></em>, disco que <span style="color: #993300;">Afonso Pais</span> editou com JP Simões, em 2011. Da discografia do músico fazem parte ainda <span style="color: #993300;"><em>Terranova</em></span> (2004), <em><span style="color: #993300;">Subsequências</span></em> (2008) e participações em álbuns de Paula Sousa, Joana Machado ou Paulo Bandeira. Confere abaixo a entrevista que gentilmente o autor concedeu ao blogue e espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://2.bp.blogspot.com/-gbPcp5sT-xQ/VPH3lx8u4wI/AAAAAAAA_vA/gF2rneGw9Vg/s1600/Capa.jpg" alt="" /></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DxkEXVfGOTjY%26feature%3Dyoutu.be&src=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FxkEXVfGOTjY%3Ffeature%3Doembed&image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FxkEXVfGOTjY%2Fhqdefault.jpg&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="408" height="238" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dc7YmKc9omoA&src=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fc7YmKc9omoA%3Ffeature%3Doembed&image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fc7YmKc9omoA%2Fhqdefault.jpg&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="407" height="237" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gravado em estúdios de gravação ao ar livre, em Parques Naturais nacionais e no Vale de Darnum, na ilha do Borneu, com a captação de instantes sonoros únicos e, por isso, irrepetíveis, <em>Terra Concreta</em> é um documento sonoro invulgar, mas particularmente belo, capaz de colocar o ouvinte no meio da natureza, contemplando-a usando o sentido da audição e depois, o próprio olfato e a visão, já que esta é, na minha opinião música com cheiros e cores muito próprios. Como surgiu a ideia de gravar um disco assim?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Surgiu da regularidade com que visito zonas naturais remotas, sempre acompanhado do meu instrumento musical, a guitarra. Em determinado momento quis experimentar registar o momento natural combinado com a inspiração que dele advém, ao tocar e criar trechos musicais associados ao meio envolvente. Adorei o resultado, e a forma como a música progride de forma diferente neste enquadramento.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">De acordo com o press release do álbum, <em>Terra Concreta</em> foi <em>feito sem geradores, só com instrumentos acústicos e com a textura irrepetível dos sons naturais como mote. O registo em disco representa cerca de um ano de incursões no campo, resultando na selecção de temas que melhor representa o momento espontâneo e consequente do meio-envolvente</em>. Logisticamente como foi gravar um disco assim? Como se consegue levar um estúdio “lá para fora”?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Há já muitos anos que se fazem documentários de vida selvagem, como aqueles que vemos na televisão, onde parece que tudo acontece de forma fácil e coordenada, e o meio natural se revela exposto e solícito. Na verdade, esta ilusão de fluxo resulta de horas e horas, meses e meses de tentativas e erros… No contexto do "Terra Concreta", usei um gravador de alta fidelidade daqueles que registam sons nesses documentários mais celebrados, e gravei um ano de incursões musicais nas zonas mais remotas das nossas reservas naturais, das quais escolhi apenas o material que representa absolutamente a melhor combinação entre o meio-envolvente e a prestação musical.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Pessoalmente, penso que <em>Terra Concreta</em> tem tudo o que é necessário para, finalmente, o Afonso Pais ter o reconhecimento público que merece. Quais são, antes de mais, as tuas expetativas para este teu novo fôlego no teu projeto a solo?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Não sinto que haja uma falta de reconhecimento, mas sim barreiras e obstáculos inventados por uma indústria musical permeável ao consensual e dependente das vendas quase imediatas, bastante alheada do propósito cultural que todos partilhamos; sem mesmo atender ao facto de que os movimentos culturais são cada vez mais gerados à sua margem (indústria e "mainstream" artístico), mas sim dinamizados por pequenas comunidades artísticas de tendências convergentes. Se algum projecto meu no qual acredito, como é o caso de "Terra Concreta", for exposto aos ouvintes, conto que a entrega e adesão se baseie só na simples premissa: gosto ou não gosto.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Ouvir <em>Terra Concreta</em> foi, para mim, um exercício muito agradável e reconfortante que tenho intenção de repetir imensas vezes, confesso. Intrigante, melancólico, é realmente um documento que não tem apenas as cordas como protagonistas maiores do processo melódico e a própria natureza e o chilrear constante das aves são, realmente, parte integrante e de pleno direito das emoções que os diversos temas transmitem. Esta supremacia do natural corresponde ao que pretendeste transmitir sonoramente neste projeto?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A supremacia do natural a que se refere é também a supremacia do manancial humano de inspiração, no sentido de levar a cabo as suas tarefas de auto-superação, que nos trouxeram enquanto espécie à descoberta das leis da física, do lazer, da genética, e da confiança na infinitude da criatividade que caracteriza Hermeto Pascoal, Salvador Dali ou Fernando Pessoa, nas artes. Só espero não estagnar na minha procura, audácia à parte, no sentido de viabilizar tudo o que justifique uma procura por um elo inabalável com algo que nos sustenta: a natureza tem esse papel para mim, dia após dia, apenas lhe prestei a homenagem que esteve ao meu alcance, com a noção de que a qualidade supera o desejo de concretização.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Não só no conceito que pretendeu, pelos vistos, captar sons no momento e, por isso irrepetíveis, mas também na materialização, onde não faltam instantes sonoros naturais subtis, alguns audíveis de forma quase impercetível, outros parecendo deliberadamente sobrepostos de forma aparentemente anárquica, percebe-se que a sonoridade geral de <em>Terra Concreta</em> exala uma sensação, quanto a mim, vincadamente experimental. Houve, desde o início do processo de gravação, uma rigidez no que concerne às opções que estavam definidas, nomeadamente o tipo de sons a captar e a misturar com as cordas e as vozes, ou durante o processo houve abertura para modelar ideias à medida que <em>o barro</em> se foi moldando?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Um pouco dos dois. Por cada faixa escolhida para o disco houve talvez dez faixas gravadas, em média. Desejei que a qualidade final de execução, interpretação e improviso (quando aplicável) não fossem vitimas de uma escolha que pudesse por em causa o propósito do disco: fundir e homogeneizar a música e o meio natural. E assim aconteceu, houve para cada canção pelo menos um "take" que tornou possível a inclusão da canção correspondente no disco. </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Relativamente às vozes, <em>Terra Concreta</em> conta com as participações especiais de Albert Sanz, Luísa Sobral, Beatriz Nunes, Joana Espadinha, Rita Martins e João Firmino. Foram escolhas pessoais tuas desde o início e as primeiras, ou após teres a parte instrumental dos temas pronta, estudaste as melhores opções?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Houve um processo de selecção a três variáveis, no qual decidi combinando as três:</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">1 - O local adequado para a gravação.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">2- A pessoa que quis convidar para esse lugar</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">3 - A canção que compus pensando na pessoa que quis convidar cantando no lugar designado.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Além de ter apreciado a riqueza sonora natural, gostei particularmente do cenário melódico das canções, que achei particularmente bonito. Em que te inspiras para criar as melodias?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">No efeito que algum lugar verdadeiramente natural exerce em nós e na nossa condição humana enquanto seres singulares, e no desejo de que a originalidade seja um desígnio a nós  predestinado, consequente da nossa proveniência natural, e passível de ser descoberto e potenciado pela nossa curiosidade. A profundidade com que nos relacionamos com as nossas origens não tem fundo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Adoro a canção <em>Desaire</em>. O Afonso tem um tema preferido <em>em Terra Concreta?</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>Obrigado. </em>Tenho de dizer que a sucessão de temas e sons naturais presente na colecção de temas do disco perfaz a estória. Quis porém que cada pessoa ou potencial ouvinte pudesse entrar no universo de cada canção, de forma a nomear a sua favorita. Como foram gravadas em espaços diferentes, com instrumentações distintas e sons naturais tão distintos, coube a cada composição o seu lugar na minha estima, mas só a sua sucessão conta a viagem que pretendo apresentar.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #993300; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Em relação ao futuro, após <em>Terra Concreta</em>, já está definido o próximo passo na tua carreira?</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gravei já outro repertório, de volta aos estúdios, mas quero dizer que "Terra Concreta" é um trabalho discográfico que não se esgota nas canções que o conduzem nem se revê na venda desenfreada de actuações e CD´s. "Terra Concreta" é um cartão de visita, uma forma de expor a música e criatividade a novas premissas, um registo "on-going", que vou querer continuar sob a forma de novas intervenções na natureza que disponibilizarei on-line ao longo de futuros trabalhos discográficos e do meu percurso, dos quais este CD é um primeiro marco e representação física de viabilidade e bom presságio.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; color: #808000; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Agradeço a entrevista, foi sem dúvida a mais desafiante de todas, e por isso agradeço.</span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:691537 2015-04-18T21:34:00 Wild Beasts – Woebegone Wanderers II 2015-04-18T20:35:00Z 2015-04-18T20:39:29Z <p><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.viverfestivais.com/wp-content/uploads/2014/10/Wild-Beasts.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">O quarteto britânico <span style="color: #ff00ff;">Wild Beasts</span> regressou em 2014 aos discos com o excelente <em>Present Tense</em> e, quase no ocaso desse ano, <a style="color: #999999;" href="http://stipe07.blogs.sapo.pt/wild-beasts-soft-future-blood-632895">revelou</a> um single com dois temas, que resultaram de uma parceria com um ilustrador francês, natural de Paris, chamado Mattis Dovier. Juntos criaram uma história interativa, da qual faziam parte os dois lados do single,<em><span style="color: #ff00ff;"> Soft Future</span></em>, o primeiro tema instrumental do cardápio sonoro da banda e <em><span style="color: #ff00ff;">Blood Knowledge</span></em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Agora, alguns meses depois, o produtor John Hopkins divulgou na rádio inglesa BBC uma nova canção intitulada <span style="color: #ff00ff;"><em>Woebegone Wanderers II</em></span>. Este<em> II</em> no título implica que será uma sequência da canção com o mesmo nome lançada no disco <em>Limbo, Panto</em>, de 2008 e continua a mostrar uns <span style="color: #ff00ff;">Wild Beasts</span> apostados em mergulhar num universo que abrange alguns elementos específicos das novas propostas que vão surgindo no campo da <em>dream pop</em>. Confere...</span></p> <p><a title="Wild Beasts - Woebegone Wanderers II by jocastro68, on Flickr" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/16991463198"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm9.staticflickr.com/8763/16991463198_84d224c62a.jpg" alt="Wild Beasts - Woebegone Wanderers II" width="400" height="400" /></a></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/201101729&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:663507 2015-04-17T22:01:00 Only Real - Jerk At The End Of The Line 2015-04-17T21:02:02Z 2015-04-17T21:05:35Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O projeto britânico <span style="color: #ffcc99;">Only Real</span> estreou-se nos discos através da Virgin/EMI em final de março com<em><span style="color: #ffcc99;"> Jerk At The End Of The Line</span></em> e <em><span style="color: #ffcc99;">Pass The Pain</span></em> e <em><span style="color: #ffcc99;">Cadillac Girl</span></em>, um álbum produzido por Dan Carrey e Ben Allen e os dois avanços primeiros divulgados do trabalho, mostraram desde logo que Niall Gavin, o grande mentor deste projeto, é um fazedor nato de canções que mostram o <em>indie rock</em> como um trunfo explorado positivamente até à exaustão e um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que idealizou.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://i.telegraph.co.uk/multimedia/archive/03254/OnlyReal7_3254144b.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Na verdade, a antecipação dessas duas canções deixou logo avisada a crítica e os potenciais fãs para o furacão que estaria prestes a entrar pelos nossos ouvidos, em pleno início de primavera. E basta ouvir, logo após <span style="color: #ffcc99;"><em>Intro (Twist It Up)</em></span>, o teclado planante, a percussão tropical e a voz grave que dominam <em><span style="color: #ffcc99;">Jerk</span></em> para perceber que, realmente, essa exaltação inicial tinha sentido, já que <span style="color: #ffcc99;">Only Real</span> comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de <em>pop</em> ácida e psicadélica, inspirada em alguns dos detalhes identitários da <em>britpop</em> mais genuína, com uma considerável vertente experimental associada e que ganha um realce ainda maior quando, logo de seguida, em <em><span style="color: #ffcc99;">Yesterday</span></em>, as guitarras distorcidas e turvas têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Estando dado este mote logo nos intantes iniciais do disco, fica claro para o ouvinte que <em><span style="color: #ffcc99;">Jerk At The End Of The Line</span></em> exalta cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema e com uma expressividade única e claramente intencional. Niall é fortemente irónico, sem ser sarcástico, tanto pisca o olho à energia juvenil de um Damon Albarn em início de carreira como aos The Streets auto-depreciativos, mas mantém sempre impecável o seu <em>adn</em> identitário e um charme que dispensa amarguras e abraça a lisergia, sem apelar, mesmo que implicitamente, a qualquer tipo de reforço psicotrópico para ser devidamente apreciado.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ffcc99;">Only Real</span> homenageia, no fundo, uma vasta miríade de nomes conterrâneos e mais ou menos contemporâneos, exaltando as virtudes da escola musical<em> indie</em> britânica, sendo possível conferir <em>nuances</em> típicas de projetos como os Gorillaz e de artistas como os já citados ou um Jamie T no seu cardápio. Todo o arsenal bélico instrumental e já acima referido na sua grande parte, com que ele nos sacode, traduz, na forma de música, a mente criativa que nele vive e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que Niall vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo, sendo os próprios tons <em>neon</em> da capa do disco, uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por <span style="color: #ffcc99;">Only Real</span>, um talento prematuro que soube aproveitar o melhor da sua juventude e da sua criatividade nesta estreia verdadeiramente auspiciosa. Espero que aprecies a sugestão... </span></p> <div id="posts" class="sharethis_overflow"> <div class="posttext"> <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><a class="web-profile sc-link-light" style="color: #999999;" href="http://www.facebook.com/pages/Only-Real/219923141361051" target="_blank" rel="me nofollow">Facebook</a> <a class="web-profile sc-link-light" style="color: #999999;" href="http://www.twitter.com/onlyrealreal" target="_blank" rel="me nofollow">Twitter</a> <a class="web-profile sc-link-light" style="color: #999999;" href="http://www.songkick.com/artists/6134899" target="_blank" rel="me nofollow">Songkick</a> <a class="web-profile sc-link-light" style="color: #999999;" href="http://onlyrealreal.tumblr.com/" target="_blank" rel="me nofollow">Tumblr</a> <a class="web-profile sc-link-light" style="color: #999999;" href="http://www.youtube.com/user/onlyrealtv" target="_blank" rel="me nofollow">YouTube</a> <a class="web-profile sc-link-light" style="color: #999999;" href="http://instagram.com/onlyrealreal" target="_blank" rel="me nofollow">instagram</a> <a class="web-profile sc-link-light" style="color: #999999;" href="https://itunes.apple.com/gb/artist/only-real/id594537136" target="_blank" rel="me nofollow">iTunes</a></span></p> <p><span style="color: #999999;"><em><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://dvfnvgxhycwzf.cloudfront.net/media/ArticleSharedImage/image350/ArticleSharedImage-45040.jpg" alt="Only Real: Jerk At The End Of The Line (Signed)" /></em></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>1-Intro (Twist It Up)</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>2-Jerk</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>3-Yesterdays</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>4-Break It Off</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>5-Can't Get Happy</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>6-Blood Carpet</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>7-Petals</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>8-Cadillac Girl</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>9-Daisychained</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10-Pass the Pain</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11-Backseat Kissers</em></span><br /><span style="color: #ffcc99; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>12-When This Begins</em></span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/164020801&color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false" width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no"></iframe></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/140502772&color=ff5500&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false" width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no"></iframe></p> </div> </div> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:691443 2015-04-17T13:10:00 Editors - No Harm 2015-04-17T12:10:43Z 2015-04-17T12:10:43Z <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://i2.cdnds.net/13/23/618x412/editors-brum-1-hires-by-matt-spalding-1.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os <a style="color: #999999;" href="http://www.editorsofficial.com/">Editors</a> de Tom Smith estarão de regresso aos discos ainda este ano e <em><span style="color: #ff0000;">No Harm</span></em>, uma canção encontrada por um fã numa compilação da PIAS Recordings, a editora do grupo, é o primeiro avanço divulgado pela banda britânica que volta a mostrar a pretensão de se assumir definitivamente como uma banda de massas e deixar de vez o universo <em>mainstream</em> para fazer parte da primeira liga do campeonato mundial do <em>indie rock</em>. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Ft%3D265%26v%3DHx9USoPXvIw&src=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FHx9USoPXvIw%3Fstart%3D265%26feature%3Doembed%26start%3D265&image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FHx9USoPXvIw%2Fhqdefault.jpg&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="484" height="288" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:676142 2015-04-16T21:48:00 Courtney Barnett - Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit 2015-04-16T20:48:14Z 2015-04-16T20:51:35Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Gravado em Melbourne durante o nosso verão de 2014, <em><span style="color: #33cccc;">Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit</span></em> é o feliz título do arrebatador disco de estreia de <span style="color: #33cccc;">Courtney Barnett</span>, onze canções que viram a luz do dia a vinte e três deste mês atraves da House Anxiety/Marathon Artists e sucessor dos EPs <em>I've Got a Friend Called Emily Ferris</em> (2011) e <em>How to Carve a Carrot into a Rose</em> (2013), editados depois conjuntamente em <em>The Double EP: A Sea of Split Peas</em>, em 2013.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.elmoremagazine.com/wp-content/uploads/2015/03/CourtneyBarnettb.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Carregas no <em>play</em> e com o <em>indie rock</em> frenético de <em><span style="color: #33cccc;">Elevator Operator</span></em> e do single <em><span style="color: #33cccc;">Pedestrian At Best</span></em> levantas o queixo, franzes o sobrolho, ensaias o teu melhor sorriso eufórico enigmático e passas a língua pelo lábio superior com indisfarçável deleite, enquanto uma voz doce, uma bateria intensa e uma guitarra que brilha daqui ao céu, num vaivém musculado e constante, te fazem abanar as ancas e partir em direção à festa mais próxima, nem que seja aquela que vais obrigatoriamente criar neste preciso instante e em que podes muito bem ser o único convidado. Mas isso pouco importa, porque respirar ao som deste disco é saborear automaticamente um clima festivo sem paralelo e, como referi logo no início, dar de caras com um compêndio sonoro que não poderia ter melhor nome, já que nele <span style="color: #33cccc;">Courtney</span> prende hermeticamente nos seus punhos e transmite depois para as letras e finalmente, para o modo como as canta, o turbilhão ruminante de uma qualquer mente quotidiana, criando um universo familair e cativante que facilmente nos enclausura.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #33cccc;">Courtney</span> é bastante hábil no modo como expôe aqueles pequenos detalhes da vida vomum e os trasnforma, na sua escrita, em eventos magnificientes e plenos de substância. Da exaltação do ócio criativo de <em><span style="color: #33cccc;">Avant Gardenner</span></em> até à apologia da rotina na já citada <em><span style="color: #33cccc;">Elevator Operator</span></em>, são vários os exemplos do modo como a autora exalta romanticamente e com um charme algo displiscente mas feliz, a postura que tem em relação à vida. O <em>blues</em> animado de <em><span style="color: #33cccc;">An Illustration of Loneliness (Sleepless in NY)</span></em>, tema onde salta ao ouvido o excelente improviso da guitarra e, em oposição, o clima mais boémio dos sete minutos experimentais e psicadélicos de <em><span style="color: #33cccc;">Small Poppies</span></em>, expressam, sintomaticamente, este constante plasmar de paradoxos, de uma constante tensão oscilante entre o tédio e a ansiedade, o <em>rock</em> e a <em>folk</em>, o doce e o amargo e, enfim, entre o meramente quotidiano e aquilo que é naturalmente poético.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Já completamente seduzidos por este <em><span style="color: #33cccc;">Sometimes I Sit and Think, And Sometimes I Just Sit</span></em>, em <span style="color: #33cccc;"><em>Depreston</em></span> somos embalados por uma lindíssima balada que nos oferece a possibilidade de viajarmos rumo a um limbo existencial e meditativo ao mesmo tempo que aquelas ancas ainda abanam e depois, se o<em> indie rock</em> de <em><span style="color: #33cccc;">Aqua Profunda!</span></em> dá-nos coragem para agarrar pelos colarinhos uns quantos incautos que se atravessam no caminho para trazê-los para a nossa festa, a <em>pop</em> dançante de <em><span style="color: #33cccc;">Dead Fox</span></em> fá-los sentirem-se rapidamente integrados e promete-nos que não nos vai deixar sós durante alguns dias já que assenta num refrão tremendamente aditivo e imbatível, </span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com o ótimo solo de guitarra da punk <span style="color: #33cccc;"><em>Nobody Really Cares if You Don't Go to the Party</em></span>, as certeiras baladas <em><span style="color: #33cccc;">Debbie Downer</span></em> e <em><span style="color: #33cccc;">Boxing Day Blues</span></em> e a densa, sombria e tensa <span style="color: #33cccc;"><em>Kim's Caravan</em></span>, chega ao ocaso a audição de onze canções que podem tornar-se futuramente em clássicos intemporais, <span style="line-height: 1.3;">uma verdadeira explosão de cores e ritmos, personificada num disco arrebatador e real, sobre sentimentos reais, mudanças que surgem para balançar o que parecia estável, sobre problemas que vêm de dentro para fora e que podem atingir o outro ou qualquer um de nós. Espero que aprecies a sugestão...</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="line-height: 1.3;"><img src="http://pitchfork-cdn.s3.amazonaws.com/content/SIJS-2400.jpg?wmode=transparent" alt="" /></span></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Elevator Operator</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Pedestrian at Best</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">An Illustration of Loneliness (Sleepless in NY)</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Small Poppies</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depreston</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Aqua Profunda!</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Dead Fox</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Nobody Really Cares if You Don't Go to the Party</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Debbie Downer</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Kim's Caravan</span></em></span><br /><span style="color: #33cccc;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Boxing Day Blues</span></em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Do-nr1nNC3ds&src=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fo-nr1nNC3ds%3Ffeature%3Doembed&image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fo-nr1nNC3ds%2Fhqdefault.jpg&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="412" height="240" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:655417 2015-04-15T21:54:00 Garden Of Elks - A Distorted Sigh 2015-04-15T20:54:50Z 2015-04-15T20:54:50Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Espalhados pela Escócia, os <span style="color: #ff0000;">Garden Of Elks</span> são um trio formado por Niall Strachan, de Inverness, o baixista Ryan Drever, de Glasgow e a baterista Paul Bannon, de Edimburgo. <span style="color: #ff0000;"><em>A Distorted Sigh</em></span>, o trabalho de estreia dos<span style="color: #ff0000;"> Garden Of Elks</span>, chegará lá para abril, em formato digital, vinil e cassete, mas entretanto foram sendo divulgados alguns avanços desse disco de uma banda que assume possuir uma sonoridade que intitulam de <em>trash pop </em>e que confirmaram este álbum como uma das grandes surpresas desta primavera discográfica.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><img src="http://invernessgigs.co.uk/wp-content/uploads/2013/02/Garden-of-Elks1.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Em oito anos de escrita dedicada neste blogue e umas duas décadas de audição diária, ávida, atenta e apaixonada de novidades sonoras, chega-se a um ponto em que torna-se difícil sentirmo-nos realmente impressionados e espontaneamente rendidos, de modo imediato, a uma determinada banda ou projeto que entra pela primeira vez nos nossos ouvidos. Consigo-me recordar com algum à vontade dos nomes que tiveram esse efeito instantâneo e estes escoceses <span style="color: #ff0000;">Garden Of Elks</span> passarão a fazer parte dessa lista já apreciável, mas restrita, de bandas pelas quais me apaixonei à primeira audição. O baixo imponente que introduz o <em>punk rock shoegaze</em> de <span style="color: #ff0000;"><em>This Morning We Are Astronauts</em></span> e a voz de Niall com um sotaque intenso e pronunciado e num tom que sustenta o seu charme, não só nesses dois detalhes mas também e princialmente, na incoerente tonalidade em relação à melodia, são aqueles fantásticos atributos que me prenderam irremdiavelmente a esta estreia absolutamente fabulosa. O <em>indie rock</em> de garagem, puro, vibrante, feito sem amarras e concessões, sujo e ditorcido e carregado de sentimento e emoção latente, continua bem vivo e é na fria Escócia, imagine-se, que se encontram algumas das melhores razões para percebermos, sentirmos e contactarmos com uma das provas evidentes que nos permitem saber que estamos certos por acreditar nessa permissa. Basta ouvirmos os quase dois minutos de <em><span style="color: #ff0000;">Smile</span></em> para percebermos que, apesar de ter sido necessário esperar dezassete anos, finalmente o clássico<em> Song 2</em> dos Blur tem sequência à altura e os DJs já não precisam de desesperar para encontrar aquele tema que pode passar a seguir, sem falhas no arrojo, na amplitude sonora, no ritmo e na inspiração.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><span style="color: #ff0000;"><em>Swap</em></span>, uma canção sobre a amizade, foi escrita por Niall como reação a um evento da vida de um amigo próximo, como forma de tributo à verdadeira amizade e de crítica a todos aqueles que apenas vêm a amizade como um modo de obterem proveito, descurando sempre a presença quando os outros realmente mais precisam. O <em>punk rock</em> orelhudo, feito com um baixo rugoso e vibrante e uma guitarra que inflama distorções verdadeiramente inebriantes é a pedra de toque deste tema e aprofunda ainda mais o exuberante sentimento de exclamação inicial, que nunca mais abandona o ouvinte dedicado, porque essa energia vai ser uma constante em <em><span style="color: #ff0000;">A Distorted Sigh</span></em>, até ao ocaso do alinhamento.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><em><span style="color: #ff0000;">Contented Contender</span></em> e <em><span style="color: #ff0000;">I Hid Inside</span></em> aproximam os <span style="color: #ff0000;">Garden Of Elks</span> de um universo progressivo e experimental que coloca a nú algumas das principais virtudes instrumentais da banda, enfatizadas nos efeitos das cordas eletrificadas e no modo como se encadeiam com as mudanças de ritmo e como as letras e as rimas se colam às melodias, ganhando vida e flutuando com notável precisão pelo limbo sentimental que transborda das canções. A própria voz de Niall, além de manter as caraterísticas acima descritas com enorme vigor até ao final, consegue sempre variar o volume de acordo com a componente instrumental, nunca havendo uma sobreposição pouco recomendável de qualquer uma das partes ao longo das canções, como se exige em alinhamentos onde predominam temas curtos, crus, sujos e diretos, mas vigorosos, emocionados e sentidos, como é o caso.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><em><span style="color: #ff0000;">Invisible People Are Their Own Reflections In The Water</span></em> é mais um exemplo que plasma com precisão as virtudes técnicas que os <span style="color: #ff0000;">Garden Of Elks</span> possuem e a forma direta e natural como conseguem abarcar as componentes mais clássicas e experimentais do rock e comprimi-las em algo genuíno e com uma identidade muito própria transpiram uma naturalidade e espontaneidade únicas. Mas estes contínuos agregados sonoros mantêm-se até ao fim e <em><span style="color: #ff0000;">Se Mountain Dew</span></em> e <em><span style="color: #ff0000;">Wing</span></em> fazem a simbiose entre <em>garage rock</em>, <em>pós punk </em>através da sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário <em>lo fi</em> inaugurado há mais de três décadas, já as aproximações ao puro <em>grunge</em> em <em><span style="color: #ff0000;">Yoop</span></em> provam, mais uma vez, que estes <span style="color: #ff0000;">Garden Of Elks</span> sabem como harmonizar e tornar agradável aos nossos ouvidos sons aparentemente ofensivos e pouco melódicos, fazendo da rispidez visceral algo de extremamente sedutor e apelativo. A viagem lisérgica que a dupla nos oferece nas reverberações ultra sónicas destes temas, com os <em>riffs</em> da guitarra a exibirem linhas e timbres com um clima marcadamente rugoso, ruidoso e monumental, comprime tudo aquilo que sonoramente seduz este trio escocês em algo genuíno e com uma identidade muito própria.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Para o final ainda faltava mais uma grande surpresa e algumas nuances inéditas no alinhamento; <em><span style="color: #ff0000;">Tomorrow</span></em> exala um transe hipnótico e apoteótico que mostra uma faceta um pouco diferente destes <span style="color: #ff0000;">Garden Of Elks</span> e poderá servir de indicador para o futuro sonoro próximo da banda. O agregado instrumental clássico que sutenta a canção, exuberante mas despido de exageros desnecessários, é a demonstração cabal do modo como este coletivo se disponibiliza corajosamente para um salutar experimentalismo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Em suma, toda esta cuidada sujidade ruidosa que os <span style="color: #ff0000;">Garden Of Elks</span> produzem, feita com justificado propósito, cimenta a minha ideia inicial que justifica, por um lado, a minha admiração imediata por esta banda e, por outro, a certeza que o <em>indie rock</em> alternativo cheio de sentimento e emoção, mesmo algo escondido na Escócia, está vivo e recomenda-se, porque é feito usando o baixo encorpado e vigoroso e a distorção das guitarras como veículo para uma verdadeira catarse sonora, que constrói com o ouvinte uma química interessante e o transporta para um ambiento denso, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico! Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/183126537&color=798712" width="496" height="289" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></span></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:633665 2015-04-15T17:24:00 Jon McKiel – Jon McKiel EP 2015-04-15T16:24:36Z 2015-04-15T16:24:36Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Lançado no início do verão de 2014 através da <a style="color: #999999;" href="http://headlessowlrecords.bigcartel.com/product/jon-mckiel-s-t-ep">Headless Howl Records</a> e gravado por Jay Crocker, <span style="color: #99ccff;">Jon McKiel</span> é o EP homónimo de um músico e compositor oriundo de Halifax, na Nova Escócia, uma coleção de seis canções que se abastecem numa <em>folk</em> que possui um interessante requinte<em> vintage</em>, exposta num alinhamento instrumentalmente irrepreensível, sem atropelos ou agressividade desnecessária e que nos permite fazer uma pausa melancólica e introspetiva.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.thecoast.ca/imager/jon-mckiel-at-confidence-lodge-the-lunenburg-studio-where-he-recorded-his/b/original/2261435/0e32/music_feature1.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">As canções de <span style="color: #99ccff;">McKiel</span> são um convite direto à reflexão pessoal e ao desarme, que não tem de ser necesssariamente triste e depressivo, já que as suas melodias são, por regra, luminosas e implicitamente otimistas. Se as cordas exuberantes e a percussão festiva de <span style="color: #99ccff;"><em>New Tracy</em></span> abrem o EP com uma majestosidade exemplar, o efeito da guitarra desse tema e a bateria cheia de quebras de ritmos, acedem-nos a um ambiente climático que impressiona pela criatividade com que os diferentes arranjos vão surgindo à tona. Tal evidencia-se, igualmente, no modo como a guitarra complementa o refrão em <em><span style="color: #99ccff;">Chop Through</span></em>, canção que emociona e trai quem insiste em residir num universo algo sombrio e fortemente entalhado numa forte teia emocional amargurada.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A <em>pop folk</em>, de travo blues de <span style="color: #99ccff;"><em>I Know</em></span> e o <em>rock</em> clássico que transborda da sensual <em><span style="color: #99ccff;">Accolades </span></em>são mais duas provas do grau de maturidade de <span style="color: #99ccff;">Jon Mckiel</span> e do modo como é bem sucedido em fugir de uma possível queda na redundância convencional ou na repetição aborrecida.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com o devaneio simples, delicado e feminino de <em><span style="color: #99ccff;">Tropical Depression</span></em> e a teia sonora convidativa, rica e trabalhada desse tema envolvente numa nuvem fumegante de emoção, aproxima-se o ocaso do EP e torna-se clara a tomada de consciência de que estas seis canções são um meritório retorno deste musico e cantautor aos lançamentos, através de melodias complexas e simples e letras românticas e densas e que o mesmo pretende ser legitimamente preponderante e firmar uma posição na classe daqueles artistas que basicamente só melhoram com o tempo. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><a title="Jon McKiel - Jon McKiel by jocastro68, on Flickr" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/16037034361"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7489/16037034361_142325882b.jpg" alt="Jon McKiel - Jon McKiel" width="400" height="400" /></a></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="http://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=780839433/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/transparent=true/" width="300" height="150" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/145966698&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:689565 2015-04-14T17:52:00 The Vultures - The Weakest Storm 2015-04-14T16:52:55Z 2015-04-14T16:52:55Z <p><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://d1tv3qoauyxova.cloudfront.net/wp-content/uploads/2015/01/The-Vultures-960x520.jpg" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; font-size: 12pt; color: #999999;">Sedeados em Inglaterra e com músicos oriundos de cinco países de três continentes diferentes, os <span style="color: #ff0000;">The Vultures </span>servem-se das cordas de violas, violoncelos, guitarras, baixo e violinos, da bateria e de sintetizadores para criar canções que contêm uma paleta sonora com uma deliberada componente gótica, mas que não se resume a esse espetro, já que o <em>indie rock</em>e o <em>punk</em> são também bitolas importantes para a caraterização da música do projeto.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; font-size: 12pt; color: #999999;">No final de janeiro os <span style="color: #ff0000;">The Vultures</span> editaram <span style="color: #ff0000;"><em>Three Mothers Part1</em></span>, o disco de estreia, através da <a style="color: #999999;" href="http://ciaoketchuprecordings.com/the-vultures.html">Ciao Ketchup Recordings</a>, um compêndio de oito canções que segue uma bitola sonora assente em orquestrações com tanto de amplo e monumental como de sombrio, o tal <em>indie rock</em> com um certo cariz gótico, já definido por alguma crítica como um <em>altpop</em> <em>neogótico</em>, uma adaptação contemporânea e atual do som que fez escola na década de oitenta, no cenário <em>indie</em> britânico e que estes <span style="color: #ff0000;">The Vultures</span> pretendem resgatar.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; font-size: 12pt; color: #999999;">Um dos grandes destaques deste disco é<span style="color: #ff0000;"> <em>Weakest Storm</em></span>, um tema que será editado a quatro de maio no formato single 7” em vinil e download digital e que tendo em conta a percurssão coesa e bastante ritmada e o vasto arsenal de cordas, amplia uma sensação de mistura de mistério com luxúria e que transborda da coesão e da amplitude de um som encorpado, que está plasmado, em <em>Three Mothers Part 1</em>. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/197279960&color=ff5500" width="424" height="252" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:666171 2015-04-13T18:50:00 Robot Princess - Teen Vogue LP vs Action Moves EP 2015-04-13T17:50:37Z 2015-04-13T17:53:39Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Oriundos de Brooklyn, Nova Iorque, os <span style="color: #ff6600;">Robot Princess</span> são Beau Alessi, Daniel D. Lee, Peter Ingles, Joe Reichel e Catherine Anderson, uma das novas apostas da <a style="color: #999999;" href="https://fleetingyouthrecords.bandcamp.com/track/action-park-free">Fleeting Youth Records</a>, uma etiqueta essencial para os amantes do <em>rock</em> e do <em>punk</em>, sedeada em Austin, no Texas.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://speakimge.com/wp-content/uploads/2015/02/RobotP.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os <span style="color: #ff6600;">Robot Princess</span> gravaram <span style="color: #ff6600;"><em>Teen Vogue</em></span>, o disco de estreia, nos estúdios Serious Business, em Nova Iorque, há um par de anos, mas esse trabalho nunca viu a luz do dia, ou qualquer tipo de edição, quer física, quer digital. Recentemente, Catherine Anderson, membro da banda, produziu mais um punhado de canções do grupo, que resultaram num EP intitulado <span style="color: #ff6600;"><em>Action Moves</em></span>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Com estes dois trabalhos em mãos e com a Fleeting Youth Records a apostar seriamente nos <span style="color: #ff6600;">Robot Princess</span>, chegou finalmente a hora de um dos segredos mais bem guardados do <em>indie rock</em> nova iorquino ver música a chegar aos escaparates, com a edição em conjunto do álbum e do EP, que viram a luz do dia em formato digital e cassete a vinte e quatro de março.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #ff6600;">Wake Me Up When Everyone Is Dead</span> </em>não tem segredos para todos os apreciadores do melhor <em>indie rock, </em>cru e <em>lo fi</em>, que pisca o olho ao <em>grunge</em> e esse é, desde logo, um excelente atributo de uma canção que nos transporta eficazmente para o interior do universo sonoro que tipifica estes <span style="color: #ff6600;">Robot Princess</span>. Uma bateria cheia de mudanças de ritmo, guitarras que desafiam o <em>red line</em> mas que também sabem ponderar os efeitos e a distorção e uma voz que tanto busca um registo rugoso, como procura soar doce como o mel, são alguns dos truques deste coletivo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Logo a seguir, em<em> <span style="color: #ff6600;">Violent Shooting Stars</span></em>, um tema particularmente melódico e que sobressai pelo inspirado jogo de vozes que contém e pela riqueza instrumental e diversidade de ritmos e emoções que transborda, numa exuberância pop bastante recomendável, fica claro que estes <span style="color: #ff6600;">Robot Princess</span> planam em redor de permissas sonoras fortemente experimentais e onde tudo vale quando o objetivo é arregaçar as mangas e criar música sem ideias pré-concebidas, arquétipos rigorosos ou na clara obediência a uma determinada bitola que descreva uma sonoridade especifica. <em><span style="color: #ff6600;">Amateur Surgery</span></em> segue esta permissa exuberante e festiva, mas <em><span style="color: #ff6600;">Teen Vogue</span></em> ou <em><span style="color: #ff6600;">Super R-Type</span></em>, numa toada mais nostálgica e pausada, também servem como porta de entrada para o clima identitário dos <span style="color: #ff6600;">Robot Princess</span> que, devido ao efeito da guitrarra, à subtileza da bateria e ao timbre das cordas, já se aproximam aqui do habitual edificio melódico que sustenta o formato canção mais acessível, mas sem deixar de se manter fiéis ao espírito inicial. O próprio baixo de<span style="color: #ff6600;"><em> You Or Your Sister</em></span>, dividindo o protagonismo com a guitarra, que se destaca durante o refrão, ajuda a cimentar essa apenas aparente dicotomia entre experimental e acessível,<em> indie rock</em> alternativo e <em>rock</em> clássico, com o nível de desordem sonora a servir única e exclusivamente para colocar a nú um apenas aparente caos. Tudo foi claramente ponderado pelos <span style="color: #ff6600;">Robot Princess</span> e o próprio <em>punk rock</em> desgarrado e acelerado de <span style="color: #ff6600;">Broke Dentist</span> não desmorona o edifício sóbrio anteriormente edificado, que se mantém até ao fim sustentado por una arquitetura sonora genuina e atrativa, assimilável por qualquer ouvudo com minimo bom gosto, mas sem perder um saudável travo irreverente e beliçoso, dentro de limites bem definidos , apesar de parecer, em determinados momentos, que vale (quase) tudo.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Já perto do ocaso, o alinhamento prosegue, quase sem se dar por isso e <em><span style="color: #ff6600;">Walking Someone Else's Dog</span></em>, uma magnífica canção que flutua entre o <em>indie rock</em> mais anguloso e aquele que aposta num forte cariz experimental, já que no tema, além de um maravilhoso falsete, sobressai uma percussão com um elevado pendor jazzístico e o travo psicadélico, experimental e progressivo de <em><span style="color: #ff6600;">The Cancer Joke</span></em>, assim como o <em>rock</em> épico e monumental de <em><span style="color: #ff6600;">My Hands Are On Fire</span></em> e o músculo de <em><span style="color: #ff6600;">Action Park</span></em>, entrelaçado por uma bateria que se estende livremente pela melodia, sem cadência rítmica homogénea, são outros extraordinários instantes do álbum, que entre o experimental, o cru, o rugoso, o <em>lo fi</em> e o atmosférico, seduzem e emocionam, como é exigível a un género sonoro que procura sempre expôr sem desvios ou concessões algumas da típicas angústias, dilemas ou dúvidas existenciais de quem vive na ténue fronteira que separa a adolescência da vida adulta.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O <em>indie rock</em> genuíno, feito sem truques, sabe melhor quando vai direto ao assunto e, como referi no início, este quinteto nova iorquino não complica quando compõe com particular profundidade sentimental e interessante sentido melódico, sem descurar todos os atributos ruidosos que se exigem a uma banda que quer fazer-se notar pelo vigor e pela postura irreverente. Os <span style="color: #ff6600;">Robot Princess</span> devem ser imediatamente acescentados à lista daquelas bandas que merecem atenção redobrada, uma expisição abrangente e, mais importante que tudo isso, uma audição dedicada. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="http://bandcamp.com/EmbeddedPlayer/album=2373841829/size=large/bgcol=ffffff/linkcol=0687f5/tracklist=false/transparent=true/" width="439" height="246" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:648552 2015-04-11T21:46:00 Toro Y Moi - What For? 2015-04-11T20:46:32Z 2015-04-11T20:46:32Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #ff0000;">Toro Y Moy</span> é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento <em>chillwave</em> atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009, onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras. Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental <em>Causers of This, </em>de 2010, compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado, ao lado de trabalhos como <em>Life of Leisure</em> dos Washed Out e <em>Psychic Chasms</em> de Neon Indian.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://cdn4.pitchfork.com/features/9042/43da8fd8.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">No ano seguinte, em 2011, surgiu<em> Underneath The Pine</em>, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, <span style="color: #ff0000;">Toro Y Moy</span> ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada <em>lo fi</em>, nascendo assim as bases de <span style="color: #ff0000;"><em>Anything In Return</em></span>, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início de 2013. Agora, dois anos depois, <span style="color: #ff0000;">Toro Y Moi</span> chega a <span style="color: #ff0000;"><em>What For?</em></span>, o quarto tomo da sua carreira, lançado no passado dia sete de abril pela <a style="color: #999999;" href="http://carparkrecords.com/">Carpark Records</a>, amadurecido e a piscar o olho ao <em>hip hop</em> e ao<em> R&amp;B</em> mais retro, assim como ao <em>discosound</em> dos anos oitenta, fruto da recente relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, além de se aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Os carros de corrida passam lá em baixo, no asfalto quente, enquanto dois pisos acima, junto a uma marina, plumas e biquinis confundem-se e ancas abanam sem pudor ao som do charme sofisticado do <em>indie rock</em> festivo de <em><span style="color: #ff0000;">What You Want</span></em>, canção que mistura cordas com efeitos flamejantes, numa receita que se estende, de modo mais sedutor a <em><span style="color: #ff0000;">Buffalo</span></em> e nos coloca na linha da frente de um universo particularmente radioso e onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado. É uma cúpula entre <em>rock</em> e eletrónica, quente e assertiva e que ao longo do alinhamento vai convocando para a orgia outros sub-géneros da pop, que vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, estendidos numa almofada junto à piscina, enquanto saboreiam mais um copo e apreciam um final de tarde glamouroso. Lá em baixo, no asfalto quente, a corrida aproxima-se da sua fase decisiva.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A cadência <em>lo fi </em>empoeirada e romântica da guitarra e do piano de <em><span style="color: #ff0000;">The Flight</span></em>  e de <span style="color: #ff0000;"><em>Ratcliff</em></span>, com o <em>fuzz</em> da distorção particularmente assertivo a destacar-se na última e o ambiente cinematográfico que escorre do doce mel minimal a que sabem as teclas sintetizadas de <em><span style="color: #ff0000;">Yeah Right</span></em>, são outras amostras do requinte melancólico com que <span style="color: #ff0000;">Toro Y Moi</span> nos dá as mãos, para nos levar com ele rumo às profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, com elevada carga poética. Ao invés a luminosa e festiva <em><span style="color: #ff0000;">Empty Nesters</span></em> e a ode aos primórdios do <em>discosound</em> que escorre do efeito sintetizado <em>sexy</em> de <em><span style="color: #ff0000;">Lilly</span></em> não deixam vacilar o propósito claramente celebratório e fisicamente provocador que <em><span style="color: #ff0000;">What For?</span></em> procura replicar, com o <em>groove</em> do baixo, o descontrole apenas aparente da guitarra e o tom agudo da voz de Chazwick em <span style="color: #ff0000;"><em>Spell It Out</em></span> a induzirem ainda mais na direçao ascendente o espetro climático do ambiente que rodeia tudo aquilo que a nossa imaginação quiser moldar e que será forçosamente algo excitante e com um certo teor libidinoso.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">A toada descontraída e amena de <em>Half Dome</em> e <em><span style="color: #ff0000;">Run Baby Run</span> </em>mostram-nos o pôr do sol, enquanto lá ao longe se celebra no pódio montado bem no centro da primeira reta do asfalto e aproximam-nos do ocaso de um disco onde cada música tem sempre algo de pessoal e tudo se sustenta de maneira adulta, como se o<em> R&amp;B</em> de Frank Ocean e até detalhes de veteranos como Prince se derretessem no meio de sintetizadores e batidas irregulares. <em><span style="color: #ff0000;">What For?</span></em> comprova, uma vez mais, a força de Bundick, com fôlego renovado e a estabelecer uma multiplicidade de novos caminhos, testando sonoridades e experimentações sem recear ser apontado de ser uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um artista que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img src="http://s0.limitedrun.com/images/1106526/ToroWhatFor_900.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>1. What You Want </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>2. Buffalo </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>3. The Flight </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>4. Empty Nesters </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>5. Ratcliff </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>6. Lilly </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>7. Spell It Out </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>8. Half Dome </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>9. Run Baby Run </em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. Yeah Right</em></span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/192012024&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="448" height="261" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:687278 2015-04-11T14:28:00 Howling - Stole The Night 2015-04-11T13:36:14Z 2015-04-11T13:36:14Z <p><a title="Howling - Stole The Night by jocastro68, on Flickr" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/17089917211"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm8.staticflickr.com/7600/17089917211_21c59979dd.jpg" alt="Howling - Stole The Night" width="400" height="400" /></a></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">RY X e Frank Wiedemann são os <span style="color: #99ccff;">Howling</span>, um projeto sedeado em Berlim e que aposta numa mistura entre o <em>indie rock</em> e a eletrónica ambiental, cheia de <em>soul</em> e sentimento e que se irá estrear nos discos com <em><span style="color: #99ccff;">Sacred Ground</span></em>, um trabalho que irá ver a luz do dia no início de maio.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O baixo mágico de <em><span style="color: #99ccff;">Stole The Night</span></em> é a surpreendente revelação mais recente de um álbum que tem a chancela da  <a style="color: #999999;" href="http://www.monkeytownrecords.com/releases/view/146/mtrxcr002dnl-stole-the-night">Monkeytown Records</a> e da autoria de uma dupla que tem surpreendido por essa Europa fora, com excelentes atuações em clubes de relevo, estando prevista uma passagem pelo Lux, em Lisboa, poucos dias depois da edição de <span style="color: #99ccff;"><em>Sacred Ground</em></span>. Confere...</span></p> <p><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/198878741&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="90%" height="120" scrolling="no" frameborder="no" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:683096 2015-04-10T23:35:00 Josh Rouse - The Embers Of Time 2015-04-10T22:36:00Z 2015-04-11T13:41:41Z <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><a style="color: #999999;" href="http://www.joshrouse.com/">Josh Rouse</a>, um dos meus intérpretes preferidos a solo, está de regresso em 2015 com <span style="color: #ffcc00;"><em>The Embers Of Time</em></span>, disco lançado no passado dia sete de abril por intermédio da <a style="color: #999999;" href="http://www.yeproc.com/artists/josh-rouse">Yep Roc Records</a>. O álbum foi produzido por Brad Jones, que já havia trabalhado com o cantor em <em>1972,</em> em <em>Nashville</em> e no anterior <em>The Happiness Waltz</em> e foi gravado entre Valência, Espanha, no estúdio do artista, chamado Rio Bravo e Nashville, cidade norte americana natal do músico.</span></p> <p><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://www.dodmagazine.es/wp-content/uploads/2015/03/josh-rouse-2015.jpg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><span style="color: #ffcc00;"><em>The Embers Of Time</em></span> começa solarengo e festivo com <span style="color: #ffcc00;"><em>Some Day’s I’m Golden All Night</em></span> e com o esplendor das cordas e os arranjos típicos da <em>folk</em> sulista norte americana a darem as mãos para a criação do habitual ambiente emotivo e honesto que carateriza a música e os discos deste <em>cantautor</em> que nunca perdeu o espírito nostálgico e sentimental que carateriza a sua escrita e composição. Na verdade, <span style="color: #ffcc00;"><em>The Embers Of Time</em></span> é mais um trabalho repleto de letras pessoais e a harmónica de <em><span style="color: #ffcc00;">Too Many Things On My Mind</span></em>, uma das melhores canções do disco, oferece-nos um <span style="color: #ffcc00;">Josh</span> que não se envergonha de escrever sobre o modo como aprecia alguns dos melhores prazeres da vida, que tanto podem ser um bom filme, ou uma garrafa de um excelente vinho que o músico terá certamente aprendido a apreciar devidamente desde que assentou arraiais na vizinha Espanha e como os nossos dilemas existenciais também podem relacionar-se com algumas das melhores coisas da vida. No <em>blues</em> de <em><span style="color: #ffcc00;">JR Worried Blues</span></em>, essa mesma harmónica volta a fazer das suas e a servir para dar cor a um ambiente igualmente descontraído e regado com um teor etílico ainda mais elevado e oriundo da Nashville que certamente o terá inspirado neste instante do alinhamento.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;"><span style="color: #ffcc00;">Josh Rouse</span> tem este lado muito humano que eu aprecio imenso e que já fez dele, em tempos, um dos meus maiores confidentes, quando <em><span style="color: #ffcc00;">Nashville</span></em>, um dos momentos altos da sua carreira, liderou a banda sonora de um período menos feliz, mas muito importante da minha existência. Ele faz questão de se mostrar próximo de nós e de partilhar connosco as coisas boas e menos boas que a vida lhe vai proporcionando e, com essa abertura, faz-nos, quase sem darmos por isso, retribuir do mesmo modo. Começa-se a ouvir as vozes e o som ambiente que introduz <em><span style="color: #ffcc00;">You Walked Through The Door</span></em> e torna-se obrigatório vislumbrar <span style="color: #ffcc00;">Rouse</span> a entrar pela nossa porta com uma garrafa numa mão e um naco de presunto na outra e o maior sorriso no meio, como se ele fosse já da casa, um grande parceiro, confidente e verdadeiro amigo, um daqueles que não complicam e com o qual se pode sempre contar. Alías, é curioso constar-se que <em><span style="color: #ffcc00;">The Embers Of Time</span></em> foi uma das formas de terapia que<span style="color: #ffcc00;"> Josh Rouse</span> encontrou para combater uma crise de confiança e um estado algo depressivo que se apoderou do músico nos últimos tempos vividos em Valência (<em>It's my surreal expat therapy record</em>), quando as dez canções do alinhamento podem ter em nós essa mesma função terapêutica e retemperadora. Escuta-se a melodia escorreita e preguiçosa de <em><span style="color: #ffcc00;">Time</span> </em>e torna-se impossível não olhar para o nosso íntimo e sentirmos inspiração suficiente para enfrentarmos de frente alguns dos nossos maiores dilemas enquanto descobrimos a solução para certas encruzilhadas, uma resposta que estava mesmo ali, dentro do nosso peito, à espera desta canção para se revelar em todo o seu esplendor.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Esta superior capacidade que a música de <span style="color: #ffcc00;">Rouse</span> tem de suscitar sensações concretas no nosso íntimo, tem um travo muito particular naquela harmónica quando chamou para junto de si o piano ao terceiro tema, numa canção chamada <em><span style="color: #ffcc00;">You Walked Through The Door</span></em>, que sabe a um Paul Simon em grande forma, presente não só no sabor <em>country</em> da harmónica ma também no modo subtil como<span style="color: #ffcc00;"> Josh</span> conjuga a enorme sensibilidade melódica que lhe é intrínseca com a envolvència dos arranjos que seleciona, tocando-nos bem fundo. Essa mesma sensação reconfortante de proximidade e de fulgor repete-se adiante, nos arranjos feitos com violinos e no dueto com Jessie Baylin em <em><span style="color: #ffcc00;">Pheasant Feather</span></em>. Aliás, <span style="color: #ffcc00;">Josh Rouse</span> é único e tem um estilo inconfundível no modo como dá a primazia às cordas, seja qual for o instrumento de que elas se servem, sem descurar o brilho dos restantes protagonistas sonoros e, principalmente, sem se envergonhar de colocar a sua belíssima voz na primeira linha dos principais fatores que tornam a sua música tão tocante e inspiradora.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino; color: #999999;">Até ao ocaso de <em><span style="color: #ffcc00;">The Embers Of Time</span> </em>nunca se perde o elo de ligação entre músico e ouvinte já que é impossível ficarmos indiferentes aos lamentos sentidos e tremendamente confessionais que acompanham a viola em <em><span style="color: #ffcc00;">Ex-pat Blues</span></em> e depois, já devidamente exorcizados, não deixarmos de olhar em frente, recompostos e prontos para olhar a vida de um modo mais otimista e positivo ao som de <em><span style="color: #ffcc00;">Crystal Falls</span></em>, enquanto termina um alinhamento de dez canções que será, certamente, justamente considerado como um marco fundamental na carreira de um compositor <em>pop</em> de topo, capaz de soar leve e arejado, mesmo durante as baladas de cariz mais sombrio e nostálgico e de nos mostrar como é fina a fronteira que existe muitas vezes entre dor e redenção. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #808080; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>The Embers of Time was recorded between Spain and Nashville with Brad Jones who I've recorded with a lot. Part of it’s a band and part of it’s just me with some arrangements. A lot of the performances on there are live. We ran through each song maybe once or twice and [the band] just nailed it! They’re so good! As a result, it has something you just can’t get recording things one at a time. We were in the same room. Something happens. A sort of glue to everything.</em></span></p> <p><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><a title="Josh Rouse - The Embers Of Time by jocastro68, on Flickr" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/16892034900"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm9.staticflickr.com/8746/16892034900_94d4886d94.jpg" alt="Josh Rouse - The Embers Of Time" width="400" height="400" /></a></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">01. Some Days I’m Golden All Night</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">02. Too Many Things On My Mind</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">03. New Young</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">04. You Walked Through The Door</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">05. Time</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">06. Pheasant Feather (Feat. Jessie Baylin)</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">07. Coat For A Pillow</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">08. JR Worried Blues</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">09. Ex-Pat Blues</span></em></span><br /><span style="color: #ffcc00;"><em><span style="font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">10. Crystal Falls</span></em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/objraP0Pbog" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:686928 2015-04-10T13:25:00 R.E.M. Rarities Jukebox 2015-04-10T12:25:25Z 2015-04-10T12:25:25Z <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://musicinsanity.files.wordpress.com/2014/03/rem1.jpg?w=600&amp;h=397" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Obscuro para muitos, praticamente desconhecido para imensos, mas considerado pela maioria dos fãs como o período aúreo da banda, o período em que os <span style="color: #666699;">R.E.M.</span> estiveram sobre a alçada da editora I.R.S., coincidiu com o lançamento dos cinco primeiros álbuns da banda, em plenos anos oitenta.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">No rescaldo dessa fase inicial do trajeto do grupo de Michael Stipe, Mike Mills, Peter Buck e, ainda na altura, Bill Berry, os <span style="color: #666699;">R.E.M.</span> foram unanimemente considerados pela crítica norte americana como a melhor banda de rock alternativo da década, acabando por assinar pela multinacional Warner, etiqueta que permitiu alcançarem de modo mais massivo outros mercados, numa relação iniciada com <em>Green</em> e que atingiu proporções inimagináveis com <em>Out Of Time</em> e <em>Automatic For The People</em>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Hoje mesmo, no dia em que escrevo estas linhas, nove de abril de 2015, passam trinta e um anos do lançamento de <em>Reckoning</em>, o segundo álbum da banda. Este período entre o EP <em>Chronic Town</em>, lançado a vinte e quatro de agosto de 1982 e o álbum <em>Documen</em>t, editado a vinte e um de março de 1987, foi um tempo em que a banda viveu permanentemente, sem pausas, a dividir-se entre o palco e o estúdio, tendo sido o seu espaço temporal mais profícuo e criativo, com centenas de concertos, algumas digressões europeias, cinco álbuns de estúdio, além desse EP de estreia e um catálogo imenso registado pelo grupo e pelos fãs que, muitos anos depois, ainda reserva algumas surpresas.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Em 2007 or <span style="color: #666699;">R.E.M.</span> passaram finalmente a fazer parte do <a href="http://www.rockhall.com/">Rock 'N' Roll Hall of Fame</a> e a publicação <a style="color: #999999;" href="http://onlineathens.com/rem-hall/jukebox.shtml">Online Athens</a>, na ocasião, produziu o documentário <em><span style="color: #666699;">R.E.M. In The Hall</span></em>, que inclui os melhores momentos dessa cerimónia e uma caixa digital intitulada <span style="color: #666699;">R.E.M. Rarities Jukebox</span>. São vinte e uma canções disponíveis para<em> download</em> gratuíto e quase todas captadas ao vivo. Delas destacam-se uma extraordinária versão de <span style="color: #666699;"><em>Radio Free Europe</em></span>, o primeiro grande single da banda e algumas versões de clássicos da música norte americana como <em><span style="color: #666699;">Ive Got you Babe</span></em>,<em><span style="color: #666699;"> Steppin Stone</span></em> ou <em><span style="color: #666699;">Louie Louie</span></em>, entre outros.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Este cardápio é aboslutamente imprescindível para qualquer fã ou apenas para quem quiser conhecer ainda melhor esta banda fundamental do universo sonoro alternativo. Confere...</span></p> <p><object style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" type="application/x-shockwave-flash" width="540" height="315"></object></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:671178 2015-04-09T21:31:00 Sufjan Stevens – Carrie And Lowell 2015-04-09T20:31:23Z 2015-04-09T20:31:23Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de ter deambulado durante uma década  entre o caótico, o esquizofrénico e o genial em discos tão importantes como <em>Illinoise</em> ou <em>The Age Of Adz</em>, <a style="color: #999999;" href="http://music.sufjan.com/album/carrie-lowell">Sufjan Stevens</a> está de regresso mais negro, sombrio e recatado com <em><span style="color: #99ccff;">Carrie And Lowell</span></em>, um disco que marca o retorno do músico à<em> folk</em> mais intimista, nostálgica e contemplativa e que viu a luz do dia a trinta e um de março através da Asthmatic Kitty.</span></p> <p style="text-align: justify;"><img src="http://media.npr.org/assets/img/2015/01/29/sufjan-de7270db3220350aeab8b9081568ae075646cce1-s1100-c15.jpg" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Oriundo de Detroit, no Michigan e atualmente a residir em Brooklyn, Nova Iorque, <span style="color: #99ccff;">Sufjan Stevens</span> começou a dar nas vistas no início da carreira na pele de um trovador acompanhado apenas pelas cordas de uma viola, estreando-se em 2000 com <em>A Sun Came</em> e a cantar sobre as agruras e as encruzilhadas de quem acaba de entrar na vida adulta. O entusiasmo, a inspiração e a apurada veia criativa trouxeram consigo um enorme entusiasmo e uma vontade de trabalhar fora do vulgar, com a exploração de outras possibilidades sonoras mais abrangentes, mas sempre com a <em>folk</em> na mira, a incubarem da mente incansável de um músico que chegou a prometer editar anualmente um disco dedicado a um estado norte americano, demanda que, tendo em conta os mais de cinquenta estados do país, lhe ocupariam mais de meio século de existência.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><span style="color: #99ccff;"><em>Carrie &amp; Lowell</em></span> são os sobrenomes da sua mãe e do seu padrasto e intitulam este seu sétimo disco, aquele que, como já referi, marca o regresso do músico à casa de partida, ficando para trás o experimentalismo <em>avan-garde</em> de <em>The Age Of Adz</em>, para agora voltar o puro sentimentalismo, embalado por uma <em>folk</em> madura e nostálgica, que se debruça sobre o falecimento da sua mãe, occorrido em 2012 após uma vida de excessos, abusos e um dignóstico de esquizofrenia, notícia essa que deixou o músico devastado.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">De modo a exorcizar e lamber as feridas e a faxer o seu luto terapêutico de uma dor incontida e profunda, além da viola <span style="color: #99ccff;">Sufjan Stevens</span> recebeu também a companhia das teclas de um cândido sintetizador, que serve apenas para encaixar e dar um certo charme e brilho à moldura sonora estética de onze canções que são verdadeiras jóias, em todos os sentidos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Das lembranças sentimentais que transbordam em <em><span style="color: #99ccff;">Fourth Of July</span></em>, aos lindíssimos arranjos medievais de <em><span style="color: #99ccff;">All of Me Wants All of You</span></em>, passando pelos arranjos de cordas tensos, dramáticos e melódicos de <span style="color: #99ccff;"><em>No Shade In The Shadow Of The Cross</em></span>, todo o ideário sonoro e lírico de <em><span style="color: #99ccff;">Carrie And Lowell</span></em> serve para o músico fazer a sua homenagem póstuma à progenitora e recordar tempos idos, procurando a conexão possivel com tempos passados que ainda vageuiam pela sua memória de modo nostálgico e que são impossiveis de recuperar. O objetivo não é trazer até ao ouvinte o fantasma da mãe de <span style="color: #99ccff;">Sufjan</span>, mas fazer dele um veículo privilegiado de boas sensações que <span style="color: #99ccff;">Sufjan</span>, um homem de fé, convicto e assumido, quer que nós sintamos, para que, por muito amargurada que seja a nossa vida, permanentemente, ou em determinados momentos, ela possa sempre contar com aquelas recordações que guardamos no canto mais recôndito do nosso íntimo e que em tempos nos proporcionaram momentos reais e concretos de verdadeira e sentida felicidade.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #99ccff;">Carrie and Lowell</span></em> é alma e emoção traduzidas à voz e à guitarra, como documento sonoro ajuda-nos a mapear as nossas memórias e ensina-nos a cruzar os labirintos que sustentam todas as recordações que temos guardadas, para que possamos pegar naquelas que nos fazem bem sempre que nos apetecer. Basta deixamo-nos levar pelos sussurros do tema homónimo, para sermos automaticamente confrontados com a nossa natureza, à boleia de uma sensação curiosa e reconfortante que, pouco depois, ambientada pelo falsete de <span style="color: #99ccff;">Sufjan</span> e pelos sons percurssivos e rústicos de <em><span style="color: #99ccff;">John My Beloved</span></em>, transforma-se numa experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><a style="color: #999999;" title="Sufjan Stevens - Carrie And Lowell by jocastro68, on Flickr" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/16740076701"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm9.staticflickr.com/8561/16740076701_c170610fe9.jpg" alt="Sufjan Stevens - Carrie And Lowell" width="400" height="400" /></a></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em><span style="color: #99ccff;">01. Death With Dignity</span></em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Should Have Known Better</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. All Of Me Wants All Of You</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Drawn To The Blood</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Fourth Of July</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. The Only Thing</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Carrie And Lowell</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. Eugene</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>09. John My Beloved</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>10. No Shade In The Shadow Of The Cross</em></span><br /><span style="color: #99ccff; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>11. Blue Bucket Of Gold</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/qx1s_3CF07k" width="540" height="120" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:685760 2015-04-09T13:42:00 Loose Tooth - Skinny Chewy 2015-04-09T12:42:22Z 2015-04-09T12:42:22Z <p><img src="https://dl.dropboxusercontent.com/u/206440578/loosetooth.jpg" alt="" /></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Filadélfia é uma das cidades atualmente mais ativas no universo indie norte americano, principalmente quando se trata de replicar a simbiose entre <em>garage rock</em>, <em>pós punk</em> e rock clássico, que contém aquela sonoridade crua, rápida e típica da que tomou conta do cenário <em>lo fi</em> inaugurado há mais de três décadas e que, um pouco mais ao lado, em Seattle, também fez escola e tomou conta do resto do mundo à época. Kian Sorouri, Larissa, Christian Bach e Kyle Laganella são os <span style="color: #ff0000;">Loose Tooth</span>, uma das novidades mas recentes dessa cidade norte americana e mais uma forte aposta da texana <a style="color: #999999;" href="http://fleetingyouth.storenvy.com/products/8888796-mumblr-full-of-snakes">Fleeting Youth Records</a>, de Ryan M., que se prepara para a estreia nos discos as vinte e um de abril, com <a style="color: #999999;" href="https://fleetingyouthrecords.bandcamp.com/album/easy-easy-east">Easy Easy East</a>.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois de terem divulgado <span style="color: #ff0000;"><em>Pickwick Average</em></span>, o primeiro avanço desse álbum, com edição prevista em formato digital e cassete, como é habitual nessa etiqueta, agora chegou a vez de podermos escutar <em><span style="color: #ff0000;">Skinny Chewy</span></em>, mais uma canção que não defrauda quem aprecia universos universos sonoros adjacentes ao indie rock alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao <em>punk rock</em> e ao próprio <em>blues</em>. A verdade é que estes <span style="color: #ff0000;">Loose Tooth</span> parecem dispostos a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som e que a estreia será um marco no género em 2015. Confere...</span></p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="https://w.soundcloud.com/player/?url=https%3A//api.soundcloud.com/tracks/199315577&auto_play=false&hide_related=false&show_comments=true&show_user=true&show_reposts=false&visual=true" width="479" height="285" scrolling="no" frameborder="no" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;"></iframe></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:stipe07:665043 2015-04-08T22:13:00 Will Butler – Policy 2015-04-08T21:13:12Z 2015-04-08T21:13:12Z <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Editado a dez de março por intermédio da <a style="color: #999999;" href="http://www.mergerecords.com/policy">Merge Records</a>, <em><span style="color: #ff0000;">Policy</span></em> é o primeiro disco a solo do canadiano <span style="color: #ff0000;">Will Butler</span>, uma das peças fundamentais da engrenagem do <em>rock</em> chamada Arcade Fire e figura de relevo do universo sonoro indie, que confessa ter-se inspirado para esta estreia na tradição musical de nomes tão importantes como os Violent Femmes, The Breeders, The Modern Lovers, Bob Dylan, Smokey Robinson, The Magnetic Fields, Ghostface Killah e John Lennon.</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="http://static.stereogum.com/uploads/2015/02/Will-Butler-Day-2.jpeg" alt="" /></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Acordes de guitarra com um elevado cariz <em>funk</em> e uma indelével assinatura impressa com o <em>rock</em> de garagem <em>presleyano</em> feito com uma forte pitada de <em>blues</em> é o grande sustento de <em><span style="color: #ff0000;">Take My Side</span></em>, o tema que abre um disco <span style="line-height: 1.3;">gravado apenas numa semana na sala de estar de Jimi Hendrix, por cima dos conceituados<em> Electric Lady Studios</em> e com a participação de outros artistas, nomeadamente Jeremy Gara, que já tinha assumido a bateria em Reflektor, o último álbum dos Arcade Fire, voltando-o a fazer aqui e emprestando também a sua voz em alguns temas.</span></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="line-height: 1.3; font-size: 12pt; color: #999999; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Depois dessa abertura eloquente, rugosa e inebriante, ao sermos invadidos pelos teclados sintetizados, a batida firme, o trompete indiscreto e o piano desmazelado que definem o arquétipo <em>glam chic</em> de <em><span style="color: #ff0000;">Anna</span></em>, ficamos imediatamente convencidos do elevado nivel qualitativo de <em><span style="color: #ff0000;">Policy</span></em>, um disco que funciona como uma ode mística, encantadora e clássica ao catálogo da história do <em>rock</em> nos últimos trinta anos, visitando a obra dos gigantes acima citados, mas também de Elvis Presley, Bruce Springsteen, David Bowie, todos veteranos do mesmo mosaico declarado de referências e até os contemporâneos Parquet Courts, uma banda que <span style="color: #ff0000;">Will</span> deve ter ouvido com particular atenção nos últimos tempos.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Se as guitarras são um dos pratos fortes de <em><span style="color: #ff0000;">Policy</span></em> e andam por ali, sempre debaixo do braço, geralmente eletrificadas, mas com excelentes momentos acústicos, como em <em><span style="color: #ff0000;">Son Of God</span></em>, o tema que juntamente com a batida de <em><span style="color: #ff0000;">Anna</span></em>, mais remete <em><span style="color: #ff0000;">Policy</span></em> para a herança dos Arcade Fire. Depois, o <em>groove</em> e a distorção da guitarra de <em><span style="color: #ff0000;">Something's Coming</span> </em>seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso, mas sem ser necessário colocar a bola vermelha, asim como em <em><span style="color: #ff0000;">What I Want</span></em>, canção que numa simbiose entre <em>garage rock</em>, <em>pós punk</em> e rock clássico, contém a sonoridade crua, rápida e típica que resvala para um final épico e pleno de exaltação.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">Neste disco as cordas acabam por não ter o protagonismo principal e já era expetável que <span style="color: #ff0000;">Butler</span> colocasse o piano no cardápio com a função de conduzir melodicamente a maioria das canções. A previsão concretizou-se e os teclados mostram-se particularmente delicados e brilhantemente ingénuos e sedutores em <em><span style="color: #ff0000;">Sing To Me</span></em>, com a balada <em><span style="color: #ff0000;">Finish What I Started</span></em> a oferecer-nos um <span style="color: #ff0000;">Butler</span> de <em>smoking</em> aprumado, íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, cheio de imagens, metáforas e mistério.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;">O disco termina com o  transe melódico explícito de <em><span style="color: #ff0000;">Witness</span></em>, uma atmosfera sonora que não chega a sair do limiar dos sonhos, mas que apresenta as diferentes texturas sonoras que carregam a epifania sonora de <span style="color: #ff0000;">Butler</span>, assente num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um músico com uma vitalidade imparável.</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"> Em <em><span style="color: #ff0000;">Policy</span>,</em> <span style="color: #ff0000;">Will Butler</span> estabelece-se comodamente numa zona de conforto onde se sente como peixe na água, mas não se coibe de colocar o pé de fora e de calcorrear outros universos sonoros adjacentes ao <em>indie rock</em> alternativo que marcou os anos noventa e que podem ir da psicadelia, ao <em>punk rock</em> e ao próprio <em>blues</em>. A verdade é que ele parece disposto a lutar com garra e criatividade para empurrar e alargar as barreiras do seu som, ao longo de cerca de trinta minutos intensos, rugosos e que são, obviamente, um dos destaques discográficos de 2015. Espero que aprecies a sugestão...</span></p> <p><span style="color: #999999; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><a style="color: #999999;" title="Will Butler - Policy by jocastro68, on Flickr" href="https://www.flickr.com/photos/62605258@N02/16428626150"><img style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" src="https://farm9.staticflickr.com/8645/16428626150_04b2f7f8a0.jpg" alt="Will Butler - Policy" width="400" height="400" /></a></span></p> <p style="text-align: center;"><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>01. Take My Side</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>02. Anna</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>03. Finish What I Started</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>04. Son Of God</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>05. Something’s Coming</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>06. What I Want</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>07. Sing To Me</em></span><br /><span style="color: #ff0000; font-size: 12pt; font-family: &#39;book antiqua&#39;, palatino;"><em>08. Witness</em></span></p> <p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/0xZxpd23iuU" width="540" height="340" frameborder="0" style="display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p><a href="http://www.butlerwills.com/" target="_blank">Website</a><br />[mp3 V0] <a href="http://www.turbobit.net/rs7s4kaxltkw.html" target="_blank">tb</a> <a href="http://ul.to/2jfkm970" target="_blank">ul</a> <a href="https://www.oboom.com/JT6PAWNV/Poli.rar" target="_blank">ob</a> <a href="http://adf.ly/13quRU" target="_blank">zs</a></p>