Segunda-feira, 6 de Abril de 2015

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

Vieram da Califórnia numa máquina do tempo diretamente da década de sessenta e aterraram no universo indie pela mão da Antenna Farm Records. Chamam-se The Blank Tapes, são liderados por Matt Adams, ao qual se juntam atualmente Spencer Grossman, Will Halsey e Pearl Charles e depois de em maio de 2014 me terem chamado a atenção com Vacation, um disco gravado por Carlos Arredondo nos estúdios New, Improved Recording, em Oakland e de pouco antes do ocaso do último ano, divulgarem mais uma coleção de canções, nada mais nada menos que quarenta e três, intitulada Hwy. 9, agora, a vinte e três de janeiro último, regressaram aos lançamentos discográficos com Geodesic Home Place, treze novas canções que nos levam de volta à pop luminosa dos anos sessenta, aquela pop tão solarenga como o estado norte americano onde Matt reside.

Reviver sonoramente tempos passados parece ser uma das principais permissas da esmagadora maioria dos projetos musicais norte amricanos que vêm da costa oeste. Enquanto que às portas do Atlântico procura-se mergulhar o indie rock em novas tendências e sonoridades mais contemprâneas, basta ouvir-se Slippin' slide, um dos emas mais inebriantes e festivos de Geodesic Dome Piece para se perceber que do outro lado da route 66, em São Francisco e Los Angeles, os ares do Pacífico fazem o tempo passar mais lentamente, mesmo quando o pedal das guitarras descontrola-se em Buff ou procura ambientes melódicos mais nostálgicos e progressivos, como é o caso de Magic Leaves.

Matt, o líder do grupo, é apaixonado pela sonoridade pop e psicadélica dos anos sessenta e setenta, dois períodos localizados no tempo e que semearam grandes ideias e nos deram canções inesquecíveis, lançaram carreiras e ainda hoje são matéria prima de reflexão e os The Blank Tapes querem ser guardiões de um som que agrada imenso a todos os veraneantes cor de salmão e de arca frigorífica na mão, que lutam interiormente ao chegar ao carro, sem saberem se a limpeza das chinelas deve ser exaustiva, ou se os inúmeros grãos de areia que se vão acumular no tapete junto aos pedais do Mégane justificam um avanço de algumas centenas de metros na fila de veículos que regressam à metrópole.

Quem acha que ainda não havia um rock n' roll tresmalhado e robotizado nos anos sessenta ou que a composição psicotrópica dos substantivos aditivos que famigeravam à época pelos estúdios de gravação, ficará certamente impressionado com a contemporaneidade vintage nada contraditória dos acordes sujos e do groove do baixo de So High e dos teclados de Oh My Muzak, assim como do experimentalismo instrumental de For Breakfast, que se aproxima do blues marcado pela guitarra em 4:20, além da percussão orgânica e de alguns ruídos e vozes de fundo que assentam muito bem na canção. A campestre Brown Chicken Brown Cow e a baladeira e sentimental Do You Wanna Get High? mantêm a toada revivalista, com um certo travo surf, em canções com referências bem estabelecidas, numa arquitetura musical que garante a Matt a impressão firme da sua sonoridade típica e que lhes deu margem de manobra para várias experimentações transversais e diferentes subgéneros que da surf pop, ao indie rock psicadélico, passando pela típica folk norte americana, não descuraram um sentimento identitário e de herança que o músico guarda certamente dentro de si e que procura ser coerente com vários discos que têm revivido sons antigos.

Geodesic Dome Piece é, portanto, mais uma viagem ao passado sem se desligar das novidades e marcas do presente. É um ensaio de assimilação de heranças, como se da soma que faz o seu alinhamento nascesse um mapa genético que define o universo que motiva os The Blank Tapes. É um apanhado sonoro vintage, fruto do psicadelismo que, geração após geração, conquista e seduz, com as suas visões de uma pop caleidoscópia e o seu sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar  tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

The Blank Tapes - Geodesic Dome Piece

01. Way Too Stoned
02. Oh My My
03. Buff
04. Magic Leaves
05. For Breakfast
06. So High
07. Oh My Muzak
08. Slippin’ Slide
09. 4:20
10. Brown Chicken Brown Cow
11. Do You Wanna Get High?
12. To Your Dome Piece
13. Do You Wanna Get High (Acoustic Demo)


autor stipe07 às 15:15
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Vetiver – Complete Strangers

Sexto álbum da discografia de Andy Cabic, a mente profunda e inspirada que em São Francisco, na solarenga Califórnia alimenta e dá vida ao projeto Vetiver, Complete Strangers é, conforme o título indica, uma compilação sentida e honesta da partilha de sensações e eventos que o autor experimentou recentemente em diferentes locais e com diversas pessoas que se foram cruzando na sua vida. Diário de bordo de um autor que tem tido diferentes músicos a colaborar consigo ao longa da carreira, mas que teve sempre em Thom Monahan, o engenheiro de som e produtor deste disco, o seu parceiro mais fiel, Complete Strangers foi gravado em Los Angeles, com a companhia dos músicos Bart Davenport, Gabe Noel e Josh Adams e quer a batida luminosa de Stranger Still, quer a viola que conduz From No On e, principalmente, Current Carry, além de, logo no início, situarem o ouvinte na heterogeneidade muito própria deste projeto, mostram-nos o efeito que o sol da costa oeste tem na música de Andy e como é bom ele ter-se deixado levar pelos insipradores raios flamejantes que esse astro atirou para as janeas do estúdio onde se instalou, para dar vida a uma folk pintada com alguns dos melhores detalhes da chillwave, que deambulando entre o acústico e o sintético e psicando amiúde o olho a um certo travo psicadélico, criou canções competentes na forma como abarcam diferentes sensações dentro de um mesmo cosmos, que pode muito bem ser a mundialmente famosa indie pop.

Vetiver é mestre a misturar harmoniosamente a exuberância acústica das cordas com a sua voz grave, mas suave e confessional, sendo este um álbum ameno, íntimo e cuidadosamente produzido, além de arrojado no modo como exala uma enorme elegância e sofisticação. Que melhor exemplo do que o jogo de sedução que se estabelece entre o efeito da guitarra, as cordas de uma viola e um insinuante baixo em Confiding, uma canção sobre as vulnerabilidades próprias do amor, para plasmar o enorme charme da música de Vetiver? Que melhor instante do que aquele em que, em Backwards Slowly, variados efeitos percussivos e um sintetizado se cruzam com essa mesma guitarra e a cândura da voz de Andy, para nos levar fazer querer ir até à praia mais próxima e enfrentar esse mesmo sol bem de frente para sermos ilmunados pela mesma força positiva que levou este compositor a criar estas canções? Que melhor ritmo, do que aquele que sustenta Loose Ends ou a bossa nova de Time Flies By para nos fazer colocar no rosto aquele nosso sorriso que nunca nos deixa ficar mal e conseguirmos, finalmente, traçar uma rota sem regresso até aquele secreto desejo que nunca tivemos coragem de realizar?

A música de Vetiver é perfeita para nos fazer descolar da vida real muitas vezes confusa e repleta de precalços, aterra-nos num mundo paralelo onde só cabem as sensações mais positivas e bonitas que alimentam o nosso íntimo e que entre a luz e a melancolia tornam-se verdadeiras e realizam-se, provando que Andy sabe como contar histórias que o materializam na forma de um conselheiro espiritual sincero e firme e que tem a ousadia de nos querer guiar pelo melhor caminho, sem mostrar um superior pretensiosismo ou tiques desnecessários de superioridade.

Complete Strangers é um daqueles discos que nos vão soar sempre a algo familiar; Escutá-lo pela primeira vez é experimentar aquela sensação que estamos a rever alguém que já se cruzou na nossa vida em tempos e que nos causou sensações boas e partilhou conosco belos momentos quando tal sucedeu. E essa impressão sente-se porque as canções deste disco falam do nosso interior com clareza, ressucitam o que de melhor a mente humana pode sentir, sendo a sua audição uma experiência ímpar e de ascenção plena a um estágio superior de letargia. Os lindíssimos acordes que nos vão surpreendendo ao longo do álbum dão-nos a motivação necessária para acreditarmos que vale a pena esse sacrifício desgastante de calcorrear a vida real, desde que haja portos de abrigo como este durante o percurso, trabalhos discográficos que nos dão as pistas certas para uma vivência existencial plena e verdadeiramente feliz. Espero que aprecies a sugestão...

Vetiver - Complete Strangers

01. Stranger Still
02. From Now On
03. Current Carry
04. Confiding
05. Backwards Slowly
06. Loose Ends
07. Shadows Lane
08. Time Flies By
09. Edgar
10. Last Hurrah


autor stipe07 às 21:10
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Quinta-feira, 5 de Março de 2015

Moon Duo – Shadow Of The Sun

Oriundos de São Francisco, na Califórnia, os norte americanos Moon Duo, de Ripley Johnson e Sanae Yamada, são já uma banda incontornável do indie rock psicadélico atual. Detentores de um trajeto discográfico imaculado e já com vários pontos altos, nomeadamente Circles e Mazes, encontraram na Sacred Bones o refúgio perfeito para explorar o hipnotismo lisérgico, com uma forte dimensão espacial, que carateriza a sua música. Gravado numa bafienta cave de Portland e editado no passado dia três de março, Shadow Of The Sun é o terceiro tomo de uma saga que merece figurar já nos anais dos melhores percursos discográficos da última década, mais uma coleção de nove excelentes canções e que elevam os Moon Duo para um patamar superior de qualidade e de inedetismo quando se compara este trabalho com tudo o que a dupla apresentou até então.

Quem conhece com algum detalhe a típica sonoridade dos Moon Duo vai reparar, logo a partir de Wilding, na maior amplitude do trabalho de produção, com a procura de uma textura sonora mais aberta, melódica e expansiva. Aquele pendor algo lo fi que muitas vezes era percetivel na própria distorção das guitarras, foi substituido por um maior vigor do baixo e também pela chamada deste instrumento para a linha da frente na arquitetura sonora, que tem agora, frequentemente, as luzes da ribalta e um maior protagonismo.

É perigoso afirmar que os Moon Duo estão mais direcionados para o punk rock, apesar de Animal, um dos singles já retirados de Shadow Of The Sun, ser um espetacular tratado do género, aditivo, rugoso e viciante, até porque a sensibilidade do teclado de Yamada, que nos leva rumo à pop psicadélica dos anos setenta e os solos e riffs da guitarra de Ripley, a exibirem linhas e timbres muito presentes na country americana e no chamado garage rock, continuam a fazer parte do menú. Mas neste Shadow Of the Sun é justo afirmar que estão mais corajosos e abertos a uma saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, mas mostra novos atributos e maior competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções. Se as linhas de teclado sublimes de Slow Down Low e o efeito da guitarra em In A Cloud são apenas dois exemplos da obediência à herança e ao traço contido nos genes dos Moon Duo, é evidente, noutros casos, o diferente posicionamento melódico da dupla pela busca de canções que causem um elevado efeito soporífero, mas que sejam também mais acessíveis e do agrado de um público mais abrangente. Ice, é o exemplo maior deste passo em frente, uma catarse psicadélica, assente numa batida inspirada que nos faz dançar em altos e baixos divagantes que formam uma química interessante entre o orgânico e o sintético, uma canção onde os Moon Duo apostam todas as fichas numa explosão de cores e ritmos, que nos oferecem um ambiente simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de seis minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Shadow Of The Sun é, como não podia deixar de ser, tendo em conta os autores, uma irrepreensível coletânea de rock psicadélico, proposta por um casal que aposta numa espécie de hipnose instrumental pensada para nos levar numa road trip pelo deserto, com o sol quente na cabeça, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose. Da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Moon Duo, que atravessam o momento mais confiante, criativo e luminoso da sua já respeitável carreira. Espero que aprecies a sugestão...

Moon Duo - Shadow Of The Sun

01. Wilding
02. Night Beat
03. Free The Skull
04. Zero
05. In A Cloud
06. Thieves
07. Slow Down Low
08. Ice
09. Animal


autor stipe07 às 22:16
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

The Union Trade – A Place Of Long Years

Editado a três de fevereiro pela Tricycle Records, A Place Of Long Years é o novo álbum dos The Union Trade, uma banda de São Francisco, na Califórnia, formada por Don Joslin (guitarra), Nate Munger (baixo, voz), Eric Salk (guitarra, piano) e Rhodes Eitan Anzenberg (bateria). A gravação deste disco contou com as contibuições de Nate Blaz dos Geographer e Ann Yu dos Silver Swans, um trabalho conceptual que explora as fronteiras do físico e do psíquico e das transferências de energia que, no ser humano, se estabelecem entre estas duas componentes e o modo intrincado como nos relacionamos com aquilo e aqueles que nos rodeiam, servindo-nos de todo o nosso ser em toda a sua plenitude, competência, capacidades, habilidades e dimensões. Com esta ideia no pensamento os The Union Trade criaram uma coleção de dez paisagens sonoras etéreas e contemplativas, impecavelmente produzidas, reveladoras de uma sobriedade sentimental que acaba por servir de contraponto a uma sonoridade algo sombria, mas onde geralmente nenhum instrumento ou som está deslocado ou a mais, uma conjugação entre exuberância e minimalismo que prova a sensibilidade dos The Union Trade para expressar pura e metaforicamente as virtudes e as fraquezas da condição humana.

O som experimental, psicadélico, barulhento e melódico que este quarteto nos oferece atiça todos os nossos sentidos, provoca em nós reações físicas que dificilmente conseguimos disfarçar e, contendo belíssimas texturas, que não se desviam do cariz fortemente experimental que faz parte da tal essência do grupo, trespasssam sempre o nosso âmago, fechando-nos dentro de um mundo muito próprio, místico e grandioso, onde tudo flui de maneira hermética e acizentada, sempre sustentado por uma base instrumental plena de nuances variadas e harmonias magistrais, onde a matriz sonora se orienta de forma controlada, como se todos os protagonistas materiais, quer orgânicos, quer sintéticos, que debitam notas musicais, fossem agrupados num bloco único de som.

Com uma sonoridade ampla e quase sempre eloquente e grandiosa, há mesmo instantes em que existe aquela sensação curiosa, mas estranha, de a própria música parecer fugir um pouco ao controle de quem a cria e ganhar vida própria, como é o caso de The Empire Giants, ou de quando a voz surge em Sailing Stones. Aliás, um dos atributos deste disco é a elevada heterogeneidade instrumental, dentro de uma matriz estilística bem definida, tipicamente lo fi, com a percurssão e as cordas, que, por exemplo, em Murmurations atingem um climax ruidoso particularmente visceral, mas sempre controlado, a reproduzirem efeitos bastante sedutores e luminosos,que criam ambientes intimistas e expansivos, mas sempre acolhedores, dentro de uma toada mais orgânica, ruidosa e visceral. Esta canção, um dos singles já retirados de A Place Of Long Years, progride e expande-se partindo de horizontes algo minimalistas e quando se eleva o volume dos instrumentos como um todo e temos aquela explosão que dá a cor e o brilho que nos faz levitar, então esvai-se qualquer receio e torna-se firme a sensação que acabou de passar pelos nossos ouvidos algo muito bonito, denso e profundo e que, por tudo isso, deixou marcas muito positivas e sintomas claros de deslumbramento.

É deste cruzamento espectral e meditativo que A Place Of Long Years vive, com canções algo complexas, mas bastante assertivas e reféns de uma implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica, com uma amplitude etérea que nos permite aceder à dimensão superior onde os The Union Trade nos sentam e que o efeito da guitarra e o magnífico piano da já citada Sailing Stones tão bem clarifica. Depois, em Drakes Passage, canção onde o esplendor da vertente acústica das cordas tem o seu momento alto, é possível apreciar a junção do cariz mais rugoso do rock alternativo, com outros espetros sonoros, mais progressivos e experimentais, algo que a imponente e bizarra Svalbard também nos oferece em forma de roleta russa, numa banda que não se deixa enlear por regras e imposições herméticas. Bom exemplo disso são também os quase seis minutos de Dead Sea Transform, mais uma canção cheia de detalhes preciosos, com destaque para o dedilhar inicial da guitarra e que parece funcionar como uma sobreposição da linha melódica que o piano cria, provando que neste disco tudo se movimenta de forma sempre estratégica, como se cada mínima fração do projeto tivesse um motivo para se posicionar dessa forma.

Ao mesmo tempo em que é possível absorver esta obra como um todo, entregar-se aos pequenos detalhes que preenchem A Pace Of Long Years é outro resultado da mais pura satisfação, como se os The Union Trade projetassem inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada canção, num resultado final que impressiona pela beleza utópica das composições, assim como as belas orquestrações, que vivem e respiram, lado a lado, com distorções e arranjos mais agressivos. 

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, A Place Of Long Years é um óbvio tiro certeiro na carreira desta banda de São Francisco. Espero que aprecies a sugestão...

The Union Trade - A Place Of Long Years

01. Mineral King
02. The Empire Of Giants
03. Sailing Stones
04. Drakes Passage
05. Marfa Lights
06. Murmurations
07. Svalbard
08. Strangers And Names
09. Dead Sea Transform


autor stipe07 às 21:50
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Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015

The Dodos – Individ

Os norte americanos The Dodos de Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Carrier (2013). O novo álbum da dupla de São Francisco chama-se Individ e viu a luz do dia ontem, através da Polyvinyl Records nos Estados Unidos, da Morr Music na Europa e a Dine Alone no Canada. Individ foi o disco mais escutado na redação fixa e móvel de Man On The Moon durante o mês de janeiro e impressionou, seduziu e conquistou, tendo exigido repetidas e sempre dedicadas e aprazíveis audições.

Os The Dodos têm uma carreira já bastante cimentada no universo alternativo e são respeitados,sendo notória a influência que já representam para muitos outros projetos. Com seis discos já editados desde 2005, são exemplo de fidelidade aos seus instintos primários, de não se reduzirem a uma simples brisa quando podem caminhar tornado dentro, a grande imagem conceptual deste Individ, de acordo com a própria banda.

Individ começou a ser idealizado logo em finais de 2013, após o lançamento de Carrier, o belíssimo antecessor, um álbum que gravitava em redor da necessidade de quebrar os hábitos e as rotinas que tornam a nossa vida num corropio infernal, com a capa a querer transmitir a ideia de alguém que quis fazer uma pausa e agora observa um tornado, que não é mais do que a sua própria vida. Individ é a aceitação daquilo que somos e, depois de um exercício de auto expiação e plenamente revigorados e renovados, uma reentrada nesse tornado, mas mais preparados e fortalecidos para enfrentar os dilemas da nossa existência.

Exímios no modo como conjugam as cordas com uma percussão vibrante e donos de uma distorção típica, imponente, contínua e com um efeito metálico muito caraterístico, os The Dodos mostram, logo na eloquente, ampla, vigorosa e visceral Precipitation o seu inconfundível truque que alia a típica sonoridade metálica das cordas com instrumentos percussivos do mesmo timbre, com o baixo a colocar o indispensável manto, tudo com uma inspirada melodia. É assim a música dos The Dodos, tão simples como a vontade de usar imensos adjetivos para elogiar este indie rock direto e incisivo, cheio de alma e caráter, sempre apresentado de forma assertiva e bem produzida.

O deambulante efeito da guitarra de Tide e o fuzz da mesma em Bubble e o modo como este instrumento aparece eletrificado sempre de mãos dadas com alguma dose de reverb sem perder um implícito travo acústico, indispensável para o tal efeito imagem de marca metálico, entrelaça-se, nestes dois registos, com uma bateria incessante, que ganha em mestria o modo como consegue exprimir uma calculada alternância de fulgor, criando assim com perfeição o clima melódico que os The Dodos procuram recriar, o indicado para um disco que, como já foi referido, pretende contar histórias muito concretas, relacionadas com a vida comum e os conflitos psicológicos que ela frequentemente provoca. Um pouco adiante, em Goodbyes and Endings, este casamento entre as cordas e a percussão, é mais um instante feliz de exploração de um som amplo, épico e alongado, sustentado no abraço constante que cria uma atmosfera verdadeiramente nostálgica, sedutora e hipnotizante.

Chega-se a Competition, a bateria continua a ter as rédeas e dançamos vigorosamente enquanto a canção é conduzida por uma melodia que explode em cordas eletrificadas que clamam por um enorme sentido de urgência e caos, um incómodo sadio que o primeiro single retirado de Individ suscita e nos recorda que já não há possibilidade de regresso enquanto não se der o ocaso de um disco abrangente no modo como cruza a leveza onírica da dream pop, bem presente na balada Darkness, canção onde o esplendor da vertente acústica das cordas tem o seu momento alto e o cariz mais rugoso do rock alternativo, com outros espetros sonoros, mais progressivos e experimentais, que a imponente e bizarra Retrevier nos oferece em forma de roleta russa, numa dupla que não se deixa enlear por regras e imposições herméticas. Bom exemplo disso são também os mais de sete minutos de Pattern/Shadow, uma canção cheia de detalhes preciosos, com destaque para o dedilhar inicial do baixo e que parece funcionar como uma sobreposição contínua e simultânea de dois temas isolados e que, ao contar com a participação especial, na voz, de Brigid Dawson, dos Thee Oh Sees, cria uma manta sonora particularmente feliz para o encaixe do pendor mais orgânico e psicadélico que faz parte da positividade contagiante destes The Dodos, sempre fieis aos seus instintos mais primários, que exigem a constante quebra de estruturas e padrões e a fuga a categorizações que balizem em excesso o ADN do projeto.

Disco muito coeso, maduro, impecavelmente produzido e um verdadeiro manancial de melodias lindíssimas, Individ é mais um tiro certeiro na carreira desta dupla de São Francisco e talvez o melhor álbum dos The Dodos até ao momento, não só por causa das suas caraterísticas assertivas, mas também por ser capaz de nos transportar para um universo particularmente melancólico, sensível e confessional. Espero que aprecies a sugestão...

The Dodos - Individ

01 Precipitation
02 The Tide
03 Bubble
04 Competition
05 Darkness
06 Goodbyes And Endings
07 Retriever
08 Bastard
09 Pattern/Shadow


autor stipe07 às 17:13
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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2015

Ty Segall - Mr Face EP

tycrop

Ty Segall é uma máquina de fazer discos. Não apenas trabalhos aleatórios, composições frias ou registos descartáveis, mas lançamentos de peso dentro da cena independente norte-americana. Dono de uma infinidade de projetos paralelos cada um deles com vários álbuns lançados, é quando assume as guitarras na carreira a solo que este californiano, natural de São Francisco, alcança o melhor desempenho. A primeira obra que Ty Segall nos oferece em 2015, e eu digo primeira porque me atrevo a considerar que vai haver mais novidades deste músico durante o ano, é Mr Face, um EP com quatro canções editado a treze de janeiro através da Famous Class Records. A edição em vinil do EP tem mais um ponto de enorme interesse, já que foi impressa em dois tomos, azul e vermelho, ambos translúcidos, permitindo que funcionem como um par de lentes através do qual se consegue visualizar o artwork, em 3D, de Mr Face.

O EP inicia com Mr Face, o tema homónimo e com ele e um dedilhar de guitarra rugoso, mas vigoroso e com uma forte toada blues, ampliada por um efeito da prima elétrica, que vai brincando com a voz, sentada lá ao fundo, damos por nós a sorrir ao som de um momento de pura exaltação indie, assente numa sonoridade ensolarada, com reminiscências algures na década de sessenta e no rock de garagem da década seguinte, uma canção que surpreende por essas guitarras sujas, pela bateria frenética, mas também por uma melodia verdadeiramente aditiva. E este tema é um excelente cartão de visita de um EP que merece audição dedicada não só pela elevada bitola qualitativa dos arranjos de cordas, percetíveis também nos restantes temas, como assim como pelas já habituais linhas de baixo a que Ty já nos habituou, absolutamente incríveis.

Ty Segall atingiu um grau de maturidade tal, graças a uma vasta e imaculada discografia, que já nem surpreende o inedetismo do luminoso instante surf psicadélico presente em Circles e o modo como cruza uma toada algo pop, com o fuzz típico do garage rock, fazendo com que este tema deixe de lado os habituais limites do rock caseiro e se converta num momento de pura exaltação, proposto por quem ainda busca um lugar no meio de outros gigantes da cena alternativa, mas que, quanto a mim, nada mais tem a provar para ter direito a uma posição de relevo nesse antro de perdição.

Com o hard rock setentista, de mãos dadas com rock de garagem e o blues de Drug Mugger e a toada hippie, vintage e acústico psicadélica de The Picture, Ty merece ser avaliado com uma ainda maior dose de charme e uma nova personalidade, devido a a alguns arranjos inéditos e uma guitarra cada vez mais perto da psicadelia.

 

É difícil prever o futuro sonoro de Ty Segall e se este EP serve de bitola para os seus próximos lançamentos. No entanto, em Mr Face o músico deixa definitivamente de lado um habitual nível de anarquia e desiquilibrio que frequentemente firma na execução dos seus registos e, sem sofrer de desgaste ou possíveis redundâncias, executa um ensaio de assimilação de heranças, com um sentido melódico irrepreensível, que exala um sentido de liberdade e prazer juvenil e suficientemente atual, exatamente por experimentar tantas referências do passado. Espero que aprecies a sugestão...

01. Mr. Face
02. Circles
03. Drug Mugger
04. The Picture


autor stipe07 às 17:29
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Sábado, 10 de Janeiro de 2015

The Soft White Sixties – Get Right

Editado já em março deste ano, Get Right é o novo trabalho dos norte americanos The Soft White Sixties, uma banda que conquistou a crítica com South By Southwest, um trabalho que colocou este projeto debaixo dos holofotes.

A sonoridade hard rock, do rock setentista, do rock de garagem e do blues é a pedra de toque desta banda de São Francisco, que tem a voz mais parecida com a de Rod Stewart que conheço. Do single City Lights ao refrão efusivo de Up to The Light ou à toada festiva de Lemon Squeezer, Get Right começa por incubar um antro de cor e diversão, com cada uma das canções a ser preenchida com refrões carregados de vozes felizes, um alinhamento instrumental preciso e um completo desapego relativamente a tudo o que possa obstruir a capacidade que as guitarras sempre têm de participar ativamente no suporte de canções com luminosidade pop simples e direta, mesmo que tenham o índice de fuzz e distorção elevado, o que demonstra, desde logo, a capacidade destes The Soft White Sixties para misturar diferentes géneros e tendências, com elevado grau de criatividade e bom gosto.

O piano de Rubber Band e de Treat Me e, principalmente, o intimismo que enche de charme a toada blues da guitarra de Roll Away marca uma ligeira inflexão na toada do disco, com este último tema a conter um vagaroso mas caliente ritmo latino, muito bem suportado por uma percussão deliciosa, que faz da canção um instante sonoro bastante sensual.

A postura da voz que, como já referi, nos remete imediatamente para um famoso escocês, é um trunfo declarado destes The Soft White Sixties, que sabem como recriar um ambiente onde se dança, mas também se trocam olhares, havendo uma clara sensação de espontaneidade, como se Get Right tivesse sido composto para ser escutado por amigos e não para a massa homónima que uma banda que já agrega multidões em seu redor e agora suscita enorme expetativa sempre que respira, geralmente coleciona no seu cardápio de seguidores.

Até ao final, com o fuzz e as variações de ritmo de I Ain't Your Mother e You Are Gold, regressa aquele rock clássico tipicamente americano que nunca se refrata para inundar os corações mais carentes de uma luminosidade que transmite energia, faznedo-o de um modo particularmente explosivo, à medida que os instrumentos fluem naturalmente, sem se acomodarem ao ponto de se sufocarem entre si, naquilo a que tantas vezes se chama o som de banda.

Longe de se abrigarem apenas à sombra de canções melódicas convencionais, estes The Soft White Sixties conseguem com estas dez canções reforçar o brilho raro que, pelos vistos, tem acompanhado a sua carreira artística. Get Right comprova a entrada em grande estilo dos mesmos na primeira divisão do campeonato indie e alternativo. Espero que aprecies a sugestão...

The Soft White Sixties - Get Right.

01. City Lights

02. Up To The Light
03. Lemon Squeezer
04. Don’t Lie To Me
05. Rubber Band
06. Roll Away
07. Treat Me
08. I Ain’t Your Mother
09. You Are Gold
10. Tilt-A-Whirl
11. Knock It Loose (Bonus Track)
12. It’s You (Bonus Track)


autor stipe07 às 15:20
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

Deerhoof - La Isla Bonita

Os Deerhoof são uma banda rock de São Francisco, formada por John Dieterich, Satomi Matsuzaki, Ed Rodriguez e Greg Saunier e estão de regresso aos discos com mais dez canções, certamente impregandas com um indie rock carregado de distorções e pesadas batidas que chocam com o punk e o hip hopriffs carregados de groove e toda a amálgama desorientada de texturas sonoras que possas imaginar. A rodela chama-se La Isla Bonita e viu  luz do dia a três de novembro através da Polyvinyl Records.

Impressionado pelos Deerhoof quando escutei, há uns dois anos Breakup Song, aguardava com confessada expetativa um novo trabalho deste coletivo norte americano que, em abono da verdade, não defraudou as minhas expetativas mais otimistas. Nos Deerhoof, quanto maior for a sensação de caos e confusão nos nossos ouvidos, maior é a vontade que se tem de elogiar a sua música e em La Isla Bonita aquele lixo sonoro, completamente metefórico, que achei sublime em Breakup Song, mantém os seus altíssimos padrões qualitativos, com a voz da japonesa Satomi Matsuzaki, uma miúda cheia de energia, com quem dá vontade de rebolar num jardim e acabar com a boca cheia de húmus e pétalas de jasmins e malmequeres, a ser, ainda por cima, aquele detalhe que não nos faz hesitar em qualquer instante relativamente ao desejo de escutar este trabalho com frequência e de o balizar com natural louvor.

Em La Isla Bonita há rumba e synthpop, rock e hip hop, guitarras, sintetizadores, sinos, tambores, violas e xilofones, uma praga de instrumentos que nos consomem e Matsuzaki ao megafone em Big House Waltz, numa filosofia de montagem de canções em torre, com loopings e riffs até que a tal torre pareça uma canção e dela se liberte uma energia que nos impele ao movimento indiscriminado. Apesar de o disco conter também belos momentos melódicos, com especial destraque para Mirror Monster, a estrutura caótica, barulhenta e tematicamente reinvindicativa de Paradise Girl é um excelente exemplo do poder de diversão que a música pode ter e, numa banda que, imagine-se, vai já no décimo terceiro trabalho da carreira e conseuge sempre ser, em simultâneo, familiar e surpreendeente, esta vitalidade no modo como se vai constantemente reinventando, ficando tão bem plasmada logo na abetrura de um alinhamento e, já agora, em Exit Only, o primeiro tema ecolhido para single do disco, comprova que dificilmente os Deerhoof têm concorrência á altura no modo como se servem das guitarras distorcidas de Ed Rodriguez e John Dieterich, do baixo sincopado e da constante alternância entre as células rítmicas da bateria de Greg Saunier, particularmente assertiva na já referida Big House waltz, para instaurar um clima caótico que, tendo pontos de encontro com diferentes estilos, é no punk experimental que encontra o porto seguro para quem quiser defini-los de modo mais balizado. Paradise Girls é também uma  boa canção para se perceber o modo como os Deerhoof conseguem manter intacta a sua ideologia e, simultaneamente, abraçarem o inedetismo, mas Last Fad e Doom também cumprem essa dupla função com grande relevância.

Em La Isla Bonita, os Deerhoof mostram-se mais roqueiros e pesados, mas mantêm, a vitalidade habitual, expressa naquela capacidade de experimentar e de compor sem alienar o ouvinte, assim como o espírito que os fez avançar no universo sonoro alternativo, sempre numa posição de merecido destaque, tanto para quem aprecia sonoridades mais comerciais, como para aqueles que procuram algo diferente e profundamente intrincado, psicadélico e até nebuloso. O póprio título do disco, que nos remete, como já terão todos percebido, para o maior sucesso da rainha da pop, é apenas e só um exemplo claro e feliz desta apenas aparente contradição e deste posicionamento a meio caminho entre dois extremos, a verdadeira zona de conforto deste coletivo californiano. Espero que aprecies a sugestão...

Deerhoof - La Isla Bonita01 Paradise Girls
02 Mirror Monster
03 Doom
04 Last Fad
05 Tiny Bubbles
06 Exit Only
07 Big House Waltz
08 God 2
09 Black Pitch
10 Oh Bummer


autor stipe07 às 21:57
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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

To The Wedding - Silver Currents

Silver Currents é o trabalho de estreia do projeto To The Wedding, encabeçado por Lauren Grubb, um multi-instrumentista norte americano, natural de São Francisco, na Califórnia e que já tinha em 2010 editado um EP intitulado Taken, disponível no bandcamp, assim como este seu disco de estreia.

Com todas as canções a serem escritas e interpretadas por Lauren Grubb, houve, no entanto, algumas participações especiais no disco que importa salientar, nomeadamente Evan Orfanos, que tocou baixo em Set Fire e Time Pilot, Neil Gong, que pegou na guitarra em Come On e Martin Newman, que tocou esse instrumento em Set Fire e Time Pilot, ele que é presença assídua neste blogue, não só por causa dos Plumerai, mas também, mais recentemente, devido aos DRLNG.

As cinco canções de Silver Currents estão afogadas numa encantadora melancolia, com Come On desde logo a deixar-nos o convite para embarcarmos numa pequena viagem, confortavelmente instalados numa nuvem de algodão quente e fofa, enquanto sobrevoamos um trabalho capaz de resgatar o lado mais pueril e introspetivo dos nossos pensamentos. Essa canção assenta numa melodia feita com um efeito de guitarra que recuou no tempo uns trinta anos e ao qual vão sendo adicionados vários detalhes e elementos, incluindo uma bateria suave, mas que impõe o ritmo adequado para que a descolagem ocorra sem sobressaltos. Em Silver Currents, o tema homónimo, os Mojave 3 são de imediato chamados à linha da frente das influências, não só no falsete em eco do registo vocal delicado, como no efeito da guitarra que vai pairando ao longo da canção, enquanto uma viola espreita o momento certo para ganhar um protagonismo, que acontece com a chegada da bateria, que conduz o resto da canção através de uma pop com traços de shoegaze e uma certa psicadelia.

Nos temas iniciais do disco percebe-se que há uma forte vertente experimental nas guitarras e uma certa soul na secção rítmica, com o restante cardápio instrumental assertivo a fundamentar-se na relação progressiva que o baixo e a bateria constroem, dois excelentes tónicos para  potenciar a capacidade de Lauren em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, que faz o nosso espírito facilmente levitar e que provoca um cocktail delicioso de boas sensações. Essa viola acústica acaba por ter o merecido momento de protagonismo e fulgor na lindíssima Set Fire, uma canção que espreita perigosamente a fronteira do rock progressivo, porque contém os riffs mais assertivos e ruidosos que as guitarras tocam no alinhamento, mas que não sobreviveria sem a delicadeza das cordas que conduzem o edifício melódico. Este tema é um dos meus destaques deste trabalho, um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos do melhor rock psicadélico.

Silver Currents chega ao ocaso com o baixo pulsante de Time Pilot e com a voz de Lauren a atingir um nível de delicadeza tal que quase se consegue vê-lo a planar diante de nós, enquanto, confortavelmente instalados na nuvem que nos coloca na primeira fila dos nossos desejos mais profundos, nos deixamos envolver pelo assomo de elegância contida e pela sapiência melódica da sua interpretaçao, que nos embala e seduz implacavelmente.

Silver Currents é uma coleção de excelentes composições que, quase sem se dar por isso, apostam numa fusão do indie rock mais melancólico e sombrio com alguns detalhes da folk americana e da pop. A voz pura de Lauren é um trunfo explorado positivamente e ganha um realce ainda maior quando as guitarras algo turvas conjugadas com efeitos sonoros que na instrumental 86velocity parecem de outro mundo, têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada à mensagem das canções. Ouvir este disco é uma experiência diferente e revigorante e a oportunidade de contatar com um conjunto de canções reproduzidas por um músico que sabe como criar paisagens sonoras que transparecem calma e serenidade, de forma pura e bastante original. Espero que aprecies a sugestão...

Come On

Silver Currents

86velocity

Set Fire

Time Pilot

 

 


autor stipe07 às 20:42
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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2014

The Dodos – Competition

The Dodos - Competition

Os The Dodos de  Meric Long e Logan Kroeber já têm sucessor para Carrier (2013). Onovo álbum da dupla de  São Francisco chama-se Individ e vai ver a a luz do dia a vinte e sete de janeiro próximo, através da Polyvinyl Records nos Estados Unidos, da Morr Music na Europa e a Dine Alone no Canada.

Já é conhecida a tracklist de Individ assim como o primeiro single, o quarto tema do alinhamento. Competition é uma das melhores composições da carreira dos The Dodos, um tema impregnado com um indie rock direto e incisivo, cheio de alma e caráter.

O último tema do disco, Pattern/Shadow, conta com a participação especial, na voz, de Brigid Dawson, dos Thee Oh Sees. Confere...

01 Precipitation
02 The Tide
03 Bubble
04 Competition
05 Darkness
06 Goodbyes and Endings
07 Retriever
08 Bastard
09 Pattern/Shadow


autor stipe07 às 17:11
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