Sexta-feira, 2 de Setembro de 2016

O (duplo) regresso de Bruno Pernadas.

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Com ampla formação musical (Escola do Hot-Club de Portugal e Escola Superior de Música de Lisboa), Bruno Pernadas é um músico versátil. Autor, arranjador e guitarrista nos projetos Julie & the Carjackers, When We Left Paris e Suzie´s Velvet, guitarrista no Real Combo Lisbonense e improvisador rodado, Bruno tem também composto e tocado em vários projectos de artes performativas. How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? foi o seu disco de estreia a solo, um extraordinário trabalho, composto e produzido pelo próprio em 2014 e que contou com a participação de vários músicos, entre os quais João Correia (Julie & the Carjackers, Tape Junk), Afonso Cabral (You Can’t Win, Charlie Brown), Francisca Cortesão (Minta & the Brook Trout, They’re Heading West) e Margarida Campelo (Julie & the Carjackers, Real Combo Lisbonense). Ano e meio depois dessa auspiciosa estreia, Bruno Pernadas está de regresso e em dose dupla com Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them e Worst Summer Ever, à boleia da Pataca Discos.

Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them é uma sequência da sonoridade apresentada em How Can We Be Joyful In a World Full of Knowledge? e que nos permitiu contactar com uma variedade imensa de instrumentos de cordas, metais e sopro, além da percurssão. Dos violinos às guitarras e ao violoncelo, passando pelo trombone, trompete e flauta, Bruno Pernadas presenteou-nos nesse alinhamento com um amplo panorama de descobertas sonoras, numa espécie de exercício criativo nostálgico, mas sem descurar o efeito da novidade, que agora se repete, em dez canções que foram gravadas nos Estúdios 15A, com a colaboração de João Correia, Nuno Lucas, Margarida Campelo, Afonso Cabral, Francisca Cortesão, Diogo Duque, Diana Mortágua, João Capinha e Raimundo Semedo e que serão alvo de análise crítica neste espaço muito breve.

Já Worst Summer Ever contém oito temas onde Bruno Pernadas explora o jazz, uma das suas linguagens sonoras predilectas, um compêndio gravado nos Estúdios Valentim de Carvalho e na Blackbox do CCB recorrendo a formações variáveis, do trio ao sexteto de jazz: Bruno Pernadas (guitarra), Francisco Brito / Pedro Pinto (contrabaixo), Joel Silva / David Pires (bateria), Sérgio Rodrigues (piano), João Mortágua (Saxofone Alto), Desidério Lázaro (Saxofone Tenor).

A treze e a vinte de setembro, Bruno Pernadas irá apresentar os dois discos no Teatro Maria Matos, estando os bilhetes já disponíveis para venda nos locais habituais. Para já, confere Anywhere In space Time, o primeiro single divulgado de Those who throw objects at the crocodiles will be asked to retrieve them.


autor stipe07 às 17:12
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Segunda-feira, 15 de Agosto de 2016

American Wrestlers - Give Up

American Wrestlers é um projeto liderado por Gary McClure, um escocês que vive atualmente nos Estados Unidos, em St. Louis, no estado do Missouri. Tendo crescido em Glasgow, no país natal, mudou-se há alguns anos para Manchester, na vizinha Inglaterra, onde conheceu a sua futura esposa, com quem se mudou entretanto para o outro lado do Atlântico.

Depois de em Manchester ter feito parte dos míticos Working For A Nuclear Free City, juntamente com o produtor Philip Kay, um projeto que chegou a entrar em digressão nos Estados Unidos e a chamar a atenção da crítica e a ser alvo de algumas nomeações, a verdade é que nunca conseguiu fugir do universo mais underground acabando por implodir.

Já no lado de lá do atlântico, Gary começou a compôr e a gravar numa mesa Tascam de oito pistas e assim nasceram os American Wrestlers. O projeto deu um grande passo em frente, ao assinar pela insuspeita Fat Possum e daí até ao disco de estreia, um homónimo editado na primavera do ano passado, foi um pequeno passo. American Wrestlers impressionou pelo ambiente sonoro com um teor lo fi algo futurista, devido à distorção e à orgânica do ruído em que assentavam grande parte das canções, onde não faltavam alguns arranjos claramente jazzísticos e uma voz num registo em falsete, com um certo reverb que acentuava o charme rugoso da mesma.

Se essa estreia nos oferecia uma viagem que nos remetia para a gloriosa época do rock independente, sem rodeios, medos ou concessões, proporcionada por um autor com um espírito aberto e criativo, o sucessor, um trabalho intitulado Goodbye Terrible Youth e que irá ver a luz do dia em meados de novembro, deverá cimentar essa filosofia vencedora, com Give Up, a primeira amostra divulgada, a impressionar pela melodia frenética em que assenta e que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino pop, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de American Wrestlers. Goodbye Terrible Youth será, de certeza, um dos grandes lançamentos do ocaso de 2016. Confere Give Up e o alinhamento do disco...

01 “Vote Thatcher”
02 “Give Up”
03 “So Long”
04 “Hello, Dear”
05 “Amazing Grace”
06 “Terrible Youth”
07 “Blind Kids”
08 “Someone Far Away”
09 “Real People”


autor stipe07 às 18:15
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Sábado, 23 de Julho de 2016

Melt Yourself Down - Last Evenings On Earth

Depois de um homónimo lançado em 2013, os britânicos Melt Yourself Down de Kushal Gaya estão de regresso com mais uma incandescente e festiva dose de afrobeat, à boleia de Last Evenings On Earth, nove canções que viram a luz do dia em abril com a chancela da The Leaf Label e que se debruçam sobre o contínuo apocalipse que o mundo vive, principalmente desde o início do século passado, feito de guerras, doenças, uma desenfreada corrida às armas e, principalmente, um choque civilizacional que cava um fosso cada vez maior entre uma pequena casta de privilegiados e o resto da humanidade, muito nela ainda a viver de modo desumano e em absoluta pobreza.

Percorrer o sinuoso e labiríntico alinhamento de Last Evenings On Earth é nunca saber o que está um pouco mais à frente ou do outro lado da esquina, que se apresenta na forma melódica menos esperada. Batidas orgânicas são subitamente trespassadas por teclados, particularmente impressivos na monumentalidade de Jump The Fire e os sopros estão sempre presentes, com canções como The God Of You, a ébria Listen Out, ou o punk aparentemente descontrolado de Communication a criarem um falso clima de festa. É que, se por um lado o corpo é continuamente convidado à dança despreocupada e enérgica, também não há como ficar indiferente ao conteúdo incisivo da escrita destas canções onde a virulância da morte e das doenças e o sortilégio da guerra são áreas vocabulares continuamente presentes e transversais.

Melt Yourself Down é um compêndio muito próprio e sui generis, que numa mescla do referido afrobeat com alguns dos melhores detalhes do jazz atual, que comporta cada vez mais e sem aparente pudor alguns artifícios eletrónicos e do próprio indie rock, exemplarmente expresso no fuzz da guitarra de Bharat Mata, nos oferece um verdadeiro caldeirão sonoro nada ingénuo e bastante criativo. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 15:28
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

Unknown Mortal Orchestra - First World Problem

Depois de os neozelandeses Unknown Mortal Orchestra, do músico e compositor Ruban Nielsen e de Jake Portrait e Greg Rogove, terem-nos oferecido Multi-Love, um dos melhores discos do ano passado, eis que voltam a dar sinais de vida com First World Problem, uma extraordinária canção que, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B, contém a impressão firme da sonoridade típica da banda, catupultando-a ainda para uma estética mais abrangente.

Além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, esta canção ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica da década anterior. O volume e a densidade instrumental da canção torna indisfarçável a busca dos Unknown Mortal Orchestra de uma melodia agradável, marcante e rica em detalhes e texturas, com uma grandiosidade controlada e que contém um forte apelo às pistas de dança. Confere...

 


autor stipe07 às 22:06
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Domingo, 22 de Maio de 2016

Glass Animals – Life Itself

Glass Animals - Life Itself

Depois de Zaba (2014), o disco de estreia, os britânicos Glass Animals vão regressar brevemente aos discos com How To Be A Human Being e Life Itself é o primeiro avanço divulgado do álbum. Esta canção é rica em detalhes e contém um groove muito genuíno, com uma atmosfera dançante, onde encaixa indie popfolkhip-hop e electrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito, que nos faz descobrir a complexidade do tema à medida que o vamos ouvindo de forma viciante. Confere...


autor stipe07 às 19:22
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Sexta-feira, 6 de Maio de 2016

The Loafing Heroes - The Baron in the Trees

Com a tenda montada em Lisboa mas com músicos oriundos de diferentes países e proveniências, os The Loafing Heroes são um encontro internacional de ideias musicais de vários países liderado pelo vocalista e guitarrista Bartholomew Ryan (Irlanda), ao qual se juntam Giulia Gallina (Itália) na voz e concertina, João Tordo (Portugal) no contrabaixo, Judith Retzlik (Alemanha) no violino, xilofone e trompete, Jaime McGill (Estados Unidos) no clarinete baixo, e João Abreu (Portugal) na percussão. Hoje chegou aos escaparates The Baron in the Trees, o quinto registo de originais do cardápio do projeto, doze canções buriladas durante dois anos e que misturam lindos poemas com pop, folk, world music e até alguns detalhes típicos da música dita mais erudita e pitadas de blues e jazz, detalhes que se abastecem de uma voz sentida, dedilhares de cordas vibrantes e emotivos, sopros sublimes e a percussão, o contrabaixo e o violino a darem substância e cor às melodias.

A curiosa explicação para o nome deste projeto foi divulgada pelos próprios numa excelente entrevista que podes conferir logo após esta crítica e baseia-se nos loafing heroes de Milan Kundera, heróis errantes que têm direito a tal distinção por serem pessoas que vivem a vida com aparente vulgaridade, mas que vão-se fortalecendo e orientando a sua demanda terrena através de valores comuns e que entroncam no sentimento maior chamado amor.

Num disco abissal, produzido pelo berlinense Tad Klimp, canções como a meiga Loyal To Your Killer, a feminina Gypsy Waltz e a enleante e sedutora Gates Of Gloom, assim como a narrativa impressiva que conduz God's Spies ou a imensidão épica que exala de um espantoso edifício sonoro, simultanamente conciso e onírico, chamado Javali, que abriga um homem só, que ajudado por uma maravilhosa guitarra, murmura sobre o fim do amor, debruçam-se em histórias que podem ser apropriadas por todos nós, já que além desse sentimento maior, também abarcam o tema da perda e da regeneração constante do ser humano, conforme afirmam os próprios The Loafing Heroes, que não esquecem a escrita de nomes tão díspares como Calvino ou Pessoa como outros exemplos inspiradores.

Escutar The Baron In The Trees, um disco melodicamente bastante sedutor, é descobrir um magnífico psicotrópico mental verdadeiramente eficaz e aditivo, sem falsos pressupostos, intenso e genuíno. O seu alinhamento tem um valor natural e genuíno e não precisa de uma análise demasiado profunda para o percebermos, até porque um dos seus grandes atributos, enquanto disco, é não ser demasiado intrincado ou redundante no que concerne aos arranjos e ao arsenal instrumental de que se serve, algo que só demonstra a relevância destes The Loafing Heroes no universo nacional atual, um coletivo em constante mutação, que regressou em grande, com contemporaneidade, consistência e excelência. Espero que aprecies a sugestão...

O Outro Lado

Gypsy Waltz

Collapsing Star

Crossing Roads

Nightsongs

Loyal To Your Killer

Gates Of Gloom

Rag & Bone

Caitlin Maude

Soul

God's Spies

Javali

Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de The Baron In The Trees, o vosso novo registo discográfico, começo com uma questão clichê… Como é que nasceu este projeto, já com vários discos em carteira, com músicos de diferentes origens e tão cosmopolita?

Não é o primeiro registo... a banda já tem cinco discos! A banda surgiu quando o vocalista e compositor principal, Bartholomew Ryan, estava na Dinamarca – juntou-se com outros músicos e formaram os Loafing Heroes, banda de inspiração errante, vagabunda, com variadíssimas formações até chegar à formação que tem hoje. Depois passou por Berlim e, finalmente, Lisboa, onde toca com uma italiana, um português, uma alemã, um inglês, uma americana...o projecto nasceu da vontade de fundir música com poesia e literatura, a inspiração vem de Milan Kundera, que fala dos “loafing heroes” de outrora, heróis que erram pela vida sem propósito aparente, assimilando tudo.

Com canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da folk, mas onde não faltam pitadas de blues e jazz e que se abastecem de uma voz sentida, dedilhares de cordas vibrantes e emotivos, sopros sublimes e a percussão, o contrabaixo e o violino a darem substância e cor às melodias, The Baron In The Trees é, na minha opinião, uma coleção de canções particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram para este novo passo do vosso já notável percurso?

Algum anseio, alguma expectativa, mas quase nenhuma, isto é, sabemos que temos canções muito bonitas mas também sabemos que o mundo está “saturado” de informação, que há milhões de bandas por aí fora e que é difícil “quebrar” o mainstream e fazer música como nós fazemos – bonita, simples nas harmonias mas complexa nos arranjos, música que parece vir de outro tempo mas “aterra” em 2016 sem necessidade de ser cool, hip ou trendy. Por isso as expectativas não são de grandes sucessos nem de aplauso constante, mas de irmos encontrando aqueles que se identificam connosco neste caminho e de ir fazendo música que toque o coração das pessoas, inspirada pelos grandes prosadores e contadores que a humanidade conheceu – de Italo Calvino a Fernando Pessoa, tudo vai passando por aqui.

Olhando um pouco para a lírica das canções, predomina a escrita na primeira pessoa e, também por isso, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica, em vez da criação, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais os The Loafing Heroes nunca teriam à partida de se comprometer. Acertei na mouche ou o meu tiro foi completamente ao lado?

Há elementos naturais e reais e outros ficcionados. As canções contam muitas histórias, quase todas elas relacionadas com o tema da perda e da regeneração constante do ser humano. O álbum anterior, Crossing the Threshold, apontava neste sentido: uma fronteira atravessada e um novo começo, no limiar de uma descoberta sobre o amor, os outros, o nosso destino no mundo. As histórias contadas vêm complementar estes temas abundantes na nossa música. Sim, há personagens – como o solitário em “Javali” que denuncia o fim do amor, ou a enigmática personagem feminina em Gypsy Waltz, que tenta seduzir um homem para o enfeitiçar; ou alguém perdido numa floresta, em “Soul”, acometido do vazio existencial e prestando atenção aos animais que encontra; mas todas estas histórias cabem na Grande História humana, a da procura de sentido.

Confesso que o que mais me agradou na audição de The Baron In The Trees foi uma certa bipolaridade entre a riqueza dos arranjos e a subtileza com que eles surgiam nas músicas, muito de forma quase impercetível, conferindo à sonoridade geral do disco uma riqueza e uma exuberância ímpares. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?

As melodias foram sendo construídas ao longo de dois anos, dois anos e meio. O produtor, Tad Klimp, que veio de Berlim para fazer o disco, teve muita influência nesta riqueza e subtilieza do disco, que nos parece muito bonito mas sem ser excessivo – tudo está na conta certa. Foi isto em que pensámos inicialmente? Sim, sabíamos que tínhamos músicos tecnicamente excepcionais e outros músicos que, sem ser de excepção, têm uma sensibilidade muito própria para temas folk e indie, muito identificados com a banda. É uma mistura curiosa de instinto e técnica o que produz esta arte muito particular dos Loafing Heroes. Não somos uma banda normal nesse sentido – o que fazemos é raro porque mistura arte, técnica, literatura e orquestrações cuidadas, tudo dentro da estética folk que podia vir directamente do final dos anos 60.

Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos The Loafing Heroes? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?

Há um “elemento dominador”, o Bartholomew Ryan, que escreve a grande parte das canções e portanto vamos trabalhando a partir das estruturas que ele envia para todos os outros. Mas há canções que surgiram de ensaios, como “Javali”, por exemplo, que partiu de um riff de guitarra muito simples e foi construída a partir daí; ou Caitlin Maude, que a Giulia Gallina inventou ao piano e, no disco, surge sobre outra forma. Há um lado espontâneo, sim, cada vez mais, e menos “dependência” de um único criador, mas continua a ser um trabalho mais de laboratório do Bartholomew, por vezes, e um trabalho de banda, por outras.

Adoro a canção Javali, um longo tema que sabe a despedida, cheio de nuances e com uma guitarra que me encheu as medidas. E o grupo, tem um tema preferido em The Baron In The Trees?

Sim, todos concordamos que essa é a nossa preferida: Javali. Teve uma geração espontânea dentro do grupo e todos adoramos a canção. Representa este álbum na perfeição.

The Baron In The Trees foi produzido pela própria banda, com o apoio de Tad Klimp. Esta opção acabou por surgir com naturalidade ou já estava pensada desde o início e foi desde sempre uma imposição vossa? E porque a tomaram?

Depois do último álbum, que tinha sido de estúdio, decidimos que íamos gravar em casa – o produtor, Tad Klimp (um génio!) foi “marcado” com um ano de antecedência. E  a gravação foi muito bonita, tudo feito em casa com aparelhos vintage dos anos 70, microfones antigos, etc. Daí o som tão bonito do álbum.

Para terminar, em relação à apresentação e divulgação de The Baron In The Trees, onde podemos ver os The Loafing Heroes a tocar num futuro próximo?

Musicbox no dia 6 de Maio, FNAC Oeiras no dia 7 de Maio e NOS Alive no dia 8 de Julho!


autor stipe07 às 21:24
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Segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016

James Supercave – Better Strange

Joaquin Pastor, Patrick Logothetti e Andrés Villalobos são os James Supercave, uma banda que acaba de se estrear nos discos abrigada pela insuspeita Fairfax Recordings. Better Strange é o nome desse trabalho, doze canções com uma abrangência pop bastante atual, que da eletrónica ao rock progressivo, impressiona pela forma subtil como, ao criar um ambiente muito próprio e único através da forma como se sustenta instrumentalmente, alberga diferentes géneros sonoros e, sendo um disco mutante, cria um universo que até parece algo obscuro, uma percepção que se vai transformando à medida que avançamos na sua audição, que surpreende a cada instante.

Os sintetizadores, o falsete impecável de Pastor, o groove do baixo e da bateria, os efeitos radiososo e a melodia intensa de Better Strange abrem-nos portas para um alinhamento de canções que não deixa ninguém indiferente. Logo de seguida, o ritmo e nos efeitos da pulsante Whatever You Want firmam a primeira impressão positiva e consubstanciam uma verdadeira entrada a matar num registo de forte pendor hipnótico, ora catártico devido à batida, ora em busca de uma psicadelia que, muitas vezes, só um baixo picado a lançar-se sobre o avanço infatigável de todo o corpo eletrónico que sustenta as canções e que também usa a voz como camada sonora, consegue proporcionar.

A partir daí, no groove sedutor de Brun, mais um exemplo que plasma a forte importância do baixo na filosofia sonora dos James Supercave, na linha rugosa mas surpreendentemente delicada da guitarra que conduz Body Monsters, na distorção desse mesmo instrumento no imponente piscar de olhos à brit pop em Get Over Yourself e no curioso pendor acústico e solarengo da frenética e exuberante The Right Thing, assistimos, consumidos e absortos, a uma verdadeira revisão histórica da pop dos últimos vinte anos, uma revisão eufórica que nos desperta para uns Radiohead imaginários e futuristas ao som da visceral Virtually A Girl  e da divertida Chairman Gou, uns Radiohead que certamente não se importariam de ser manipulados digitalmente com tal mestria se for este o resultado final dessa apropriação.

Daqui em diante ainda há tempo para sentir no piano e no falsete de With You, um toque de lustro livre de constrangimentos estéticos e que nos provoca um saudável torpor e no efeito da guitarra de Just Repeating What’s Around Me uma impressiva mescla entre R&B e eletrónica ambiental, num disco que, no seu todo, contém uma atmosfera densa e pastosa mas libertadora e esotérica. Better Strange é um disco muito experimentalista naquilo que o experimentalismo tem por génese: a mistura de coisas existentes, para a descoberta de outras novas. Mas tem também uma estrutura sólida e uma harmonia constante. É estranho mas pode também não o ser. É a música no seu melhor. Espero que aprecies a sugestão...

James Supercave - Better Strange

01. Better Strange
02. Whatever You Want
03. Burn
04. Body Monsters
05. How To Start
06. Get Over Yourself
07. The Right Thing
08. Virtually A Girl
09. Chairman Gou
10. With You
11. Just Repeating What’s Around Me
12. Overloaded


autor stipe07 às 21:07
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2016

Les Crazy Coconuts - Les Crazy Coconuts

Com arraiais assentes em Leiria, Adriana, Tiago e Gil formam os Les Crazy Coconuts, uma das maiores lufadas de ar fresco do panorama indie nacional dos últimos tempos, devido a um excelente homónimo lançado recentemente com a chancela da insuspeita Omnichord Records.

(pic, Joaquim Dâmaso - Região de Leiria)

Quando em 2012 Adriana Jaulino terminou a licenciatura e imaginou criar um projeto sonoro e artístico que envolvesse música e sapateado, não fazia ainda a miníma ideia que estava a criar os alicerces de algo que rapidamente e com toda a justiça se tornou num verdadeiro fenómeno musical, sem paralelo por cá. Com estreia na excelente compilação Leiria Calling e depois de terem sido considerados a melhor banda nacional do Festival Termómetro e de estarem na final do concurso Nacional de Bandas da Antena 3 e de terem pisado palcos do NOS ALIVE, Paredes de Coura, o Indie Music Fest ou o Monkey Week, em terras de nuestros hermanos, o longa duração de estreia tornou-se num passo óbvio e esperado já por muitos seguidores e críticos. E a verdade é que as dez canções de Les Crazy Coconuts, homenageando claramente o conceito de programa de rádio de autor e os anos dourados, tanto do sapateado como da rádio, nomeadamente nas décadas de vinte e trinta do século passado norte americano, impressionam pelo charme vintage, mas contêm uma contemporaneidade invulgar que vai beber a alguns dos fundamentos essenciais da pop e do indie rock, com um travo glam fortemente eletrificado, assente em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas, onde não falta um piscar de olhos ao punk. A receita, simples mas eficaz, fica completa com sintetizações impregnadas com indisfarçável groove, com a bateria a colar todos estes elementos com uma coerência exemplar e com uma voz sentida e imponente, a dar substância e cor às melodias, que em temas como Words Unsaid ou Myself, parecem, liricamente, ser pouco ficcionais e quase autobiográficos, com a chancela do Gil, o autor das letras.

Les Crazy Coconuts, quer como nome da banda, quer como opção para título do álbum, acaba por saber, no modo como soa, a uma espécie de grito de revolta colorido, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto. A feliz simbiose entre a riqueza dos arranjos e a energia e imponência com que eles surgem nas músicas, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação festiva e solarenga, define esta janela imensa de luz e cor, que nos convida a espreitar para um mundo envolvido por uma psicadelia luminosa, fortemente urbana e mística, mas igualmente descontraída e jovial, sempre presente durante os quase quarenta minutos que dura este trabalho.

Produzido por Paulo Mouta Pereira quase na sua totalidade, Les Crazy Coconuts é, volto a frisar, uma estreia particularmente inspirada de um projeto que demonstra uma elevada elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um significativo plano de destaque, rebocado por canções com uma sonoridade impar, que plasmam um disco que deve ser tragado como um todo, mas sem que isso evite que a entrega aos pequenos detalhes que o preenchem, não resulte na mais pura satisfação, como se estes Les Crazy Coconuts quisessem projetar inúmeras possibilidades e aventuras ao ouvinte em cada um dos fragmentos deste alinhamento. Confere, já de seguida, a entrevista que a banda me concedeu e espero que aprecies a sugestão...

Les Crazy Coconuts

Hello
Belong
Words Unsaid
Speed Shoes
Myself
Define
Human Radio Station
Party Dancer
Sailormoon
Closing Credits

Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de Les Crazy Coconuts, o vosso primeiro registo discográfico, começo com uma questão clichê… Como é que nasceu este projeto em 2012, oriundo da zona de Leiria?

Foi de mim (Adriana), depois de terminar a licenciatura em dança fiquei com vontade de ter um projecto qualquer que envolvesse sapateado e música. Na altura não me passou pela cabeça que pudesse vir a ter uma banda, mas um ano mais tarde dei por mim no festival Paredes de Coura a convencer o Tiago de que íamos ter uma banda juntos. Já de regresso convidámos o Gil para se juntar a nós e a partir daí foi sempre a andar, ou a tocar neste caso.

Desde então, até esta estreia discográfica, o vosso percurso tem sido fulminante em termos de crescimento, visibilidade e aceitação. Além de terem já tocado em vários festivais, foram aclamados pelo júri do Festival Termómetro como melhor formação nacional de 2014 e pela Antena 3 como uma das 3 melhores novas bandas nacionais no Concurso Nacional de Bandas, entre outras distinções. Como foi conciliar este percurso ascendente com o processo de gravação do disco de estreia?

Foi bastante fácil porque não precisámos propriamente de conciliar nada, já tínhamos estipulado que numa determinada fase iríamos tentar a nossa sorte nos concursos, até porque nos prémios estavam incluídos a gravação de uma música ou de um ep o que nos poderias vir a dar jeito, mas não aconteceu. Na gravação do disco de estreia decidimos que tínhamos de “x” a “y” para gravar, e nesse período só nos focámos mesmo nisso.

Com canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais da pop e do indie rock, com um travo glam fortemente eletrificado, assente em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas, onde não falta um piscar de olhos ao punk e sintetizações impregnadas com indisfarçável groove, com a bateria a colar todos estes elementos com uma coerência exemplar e uma voz sentida e imponente, a dar substância e cor às melodias, Les Crazy Coconuts é, na minha opinião, uma estreia particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram, no vosso seio, para este primeiro passo de um percurso que espero que venha a ser longo?

Tentámos ser fiéis a nós próprios tanto que também não nos regemos só por um estilo musical. Também tivemos consciência desde o início que iríamos ter dois tipos de trabalho diferentes, um ao vivo e outro em albúm devido à especifícidade do nosso projecto. Não gostamos de criar expectativas, o que vier é sempre bem vindo.

Confesso que o que mais me agradou na audição de Les Crazy Coconuts foi uma feliz simbiose entre a riqueza dos arranjos e a energia e imponência com que eles surgiam nas músicas, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, festiva e solarengo e onde, apesar do esplendor das guitarras, a eletrónica tem também uma palavra importante a dizer, já que os sintetizadores conduzem, frequentemente, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona por um certo charme vintage. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?

A base foi sempre a mesma desde o início, o que aconteceu é que naturalmente tivemos de fazer alguns ajustes para tornar todo o álbum mais coeso. Inspirámos-nos em tudo, todos e nada. Ouvimos e vemos muita coisa, naturalmente somos influenciados por isso, consciente ou inconscientemente. Mas nunca partimos de um ponto em que definíssemos uma melodia.

Les Crazy Coconuts, quer como nome da banda, quer como opção para título do vosso primeiro álbum, sabe-me, no modo como soa, a uma espécie de grito de revolta colorido, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto. Por que motivo deram o nome da banda ao vosso primeiro disco?

Foi natural, é o nosso primeiro álbum e também é uma maneira de dizer Olá, somos os Les Crazy Coconuts e aqui estamos.

Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos Les Crazy Coconuts? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?

Acontece sempre tudo naturalmente, e geralmente em jam sessions. Nunca é o mesmo a começar e normalmente as melhores músicas até nascem de brincandeiras.

Olhando um pouco para a escrita das canções, em temas como Words Unsaid ou Myself, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional e quase autobiográfica de escreverem sobre aquilo que vos rodeia, em vez de inventarem, na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais nunca teriam à partida de se comprometer? Acertei na mouche ou o meu tiro foi completamente ao lado?

Essa parte é domínio do Gil Jerónimo que é um picuinhas e escreve sobre as cenas da vida. Às vezes até chora. E faz birras.

Belong é um tema particularmente imponente, grandioso, mas adoro o ambiente sonoro da canção Speed Shoes. E o grupo, tem um tema preferido em Les Crazy Coconuts?

Tem pois, é redutor mas por maioria absoluta a Myself é a preferida.

Les Crazy Coconuts foi produzido por Paulo Mouta Pereira, quase na sua totalidade. Como surgiu a oportunidade de trabalhar com ele e, já agora, com o islandês Birgir Jón Birgisson em Belong?

O Paulo já nos tem vindo a acompanhar na estrada há algum tempo e como excelente profissional que é fez todo o sentido que fosse ele a produzir o nosso álbum e também já estava mais familiarizado com os nossos gostos e trabalho. Com o Birgir foi por intermédio do nosso amigo e grande músico André Barros que estagiou no estúdio dele e surgiu a oportunidade do Birgir nos masterizar o tema Belong para a compilação Leiria Calling.

A Omnichord Records é a casa de alguns dos nomes fundamentais do universo sonoro musical nacional. É importante para vocês pertencer a essa família que parece apostar convictamente no vosso trabalho?

Claro que sim. E é mesmo esse espírito de familía, ajudamo-nos todos uns aos outros e sentimo-nos muito acarinhados. Assim ainda dá mais gosto trabalhar, temos muito a agradecer a esta grande e espectacular família.


autor stipe07 às 21:04
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2016

Is Tropical – Black Anything Pt. 4

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Três anos depois do espantoso I'm Leaving, os londrinos Is Tropical, um quarteto constituido por ☮ ☯ † e ∞, estão de regresso aos discos com Black Anything, um álbum que irá ver a luz do dia a onze de março e que está a ser revelado através do lançamento de alguns temas em formato vinil e digital, já disponíveis na Axis Mundi Records

Duas dessas composições são Follow The Sun e Now Stop, com a primeira a abrigar-se num ordenado caos, onde cada fragmento tem um tempo certo e uma localização e tonalidade exatas, seja debitado por um instrumento orgânico ou resultado de uma programação sintetizada, prosseguindo, durante quase três minutos, numa demanda triunfal rumo a uma salutar insanidade desconstrutiva e psicadélica. Já Now Stop contém um groove intenso e um inconfundível perfume jazzístico, bastante aditivo e que termina num arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou o tema. No próximo mês este álbum será, certamente, alvo de análise detalhada por cá. Confere...

Is Tropical - Black Anything Pt. 4

01. Follow The Sun
02. Now Stop


autor stipe07 às 18:08
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Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2016

Tindersticks – The Waiting Room

Os Tindersticks de Stuart Staples, uma das melhores bandas que surgiu na Inglaterra nos anos noventa e que trouxe para o rock independente e alternativo uma elegância sombria inimitável, completam em 2016 vinte e quatro anos de uma carreira irrepreensível. E The Something Rain, o nono álbum deste grupo de Nottingham, lançado em 2012, tem, finalmente, sucessor. The Waiting Room, o novo e décimo álbum da carreira dos Tindersticks, viu a luz do dia a vinte e dois de janeiro, através da City Slang e trata-se de mais um disco conceptual, com um acompanhamento audiovisual e onde todas as canções servem de banda sonora para um leque de curtas-metragens, cada uma realizada por um realizador diferente.

Como é já habitual numa banda que entende a música como uma forma de arte superior, inigualável e fortemente impressiva, The Waiting Room exige escuta dedicada e atenta, de preferência na posse de um estado de alma descontraído, que permita saborear a verdadeira essência de onza canções que, no seu todo, constituem uma obra discográfica de qualidade superior.

Este é um disco que preza a harmonia e o aconchego auditivo e a exuberância instrumental de Second Chance Man e a misteriosa elegância de Were We Once Lovers?, canção cujo video foi realizado por Pierre Vinour, do projeto La Blogothèque e que contém uma míriade instrumental densa e elaborada, rica em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos, evidenciam este charme muito próprio e com uma matriz identitária bastante vincada.

Na verdade, os Tindersticks sempre nos habituaram a arranjos sofisticados, que depois ainda obtêm uma maior notoriedade devido à consciente pose teatral e dramática que exalam, quase sempre personificada na voz do lider da banda, resultando numa sonoridade global do disco bastante jazzística e complexa. The Waiting Room não foge a este conjunto de permissas, com Help Yourself a aprofundar este olhar jazzístico e depois, em temas como Hey Lucinda, canção que conta com a participação vocal esplendorosa de Jehnny Beth das Savages, em dueto com Staples, ou na melancólica Planting Holes, pianos, metais e xilofone, fundamentais na construção deste ideário sonoro, são instrumentos muito presentes, sempre lado a lado com a guitarra, o baixo e a bateria. 

Com o ambiente noturno e contemplativo de We Are Dreamers!, outra canção que conta com a voz de Jehnny Beth e a sofisticação de Like Only Lovers Can, chega ao ocaso um disco que demonstra cabalmente o modo como poucas bandas igualam os Tindersticks na capacidade de envolver o ouvinte, já que The Waiting Room pinta um quadro sonoro muito concreto e que nos cerca de sensações tão reais como nós próprios e os nossos medos e euforias. Espero que aprecies a sugestão...

Tindersticks - The Waiting Room

01. Follow Me
02. Second Chance Man
03. Were We Once Lovers?
04. Help Youself
05. Hey Lucinda
06. This Fear Of Emptiness
07. How He Entered
08. The Waiting Room
09. Planting Holes
10. We Are Dreamers!
11. Like Only Lovers Can


autor stipe07 às 21:00
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