Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015

Amber Leaves - Love Song

Oriundos de Londres, os britânicos Amber Leaves são Chesney Jefferson, Sebastian Drayton, Jay Morrod, Jake Miliburn e Josh Pontin, um coletivo que me impressionou novamente, desta vez com Love Song, o segundo de uma sequência de três temas que o coletivo pretende lançar este ano, à boleia da Lost In The Manor e que irá ver a luz do dia a dezasseis de outubro.

Acordes de um baixo com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com hip-hop e o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Love Song, canção efervescente e refrescante, que seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso. Estes Amber Leaves personificam num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um projeto com uma vitalidade imparável e que vale a pena escutar com dedicação. Confere...


autor stipe07 às 18:53
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Domingo, 13 de Setembro de 2015

The Mynabirds - Lovers Know

Os The Mynabirds são um coletivo indie pop encabeçado pela cantora e compositora Laura Burhenn. Depois de What We Lose in the Fire We Gain in the Flood (2010) e Generals, (2012),  estão de regresso com Lovers Know, o terceiro disco da carreira da banda, lançado no início de agosto através da Saddle Creek Records. Gravado em Los Angeles, Joshua Tree, Nashville e Auckland, na Nova Zelândia, Lovers Know foi produzido por Bradley Hanan Carter e contém uma variada paleta de sons, replicados por sintetizadores, guitarras elétricas, uma percussão eminentemente sintética e uma voz que encaixa claramente numa sonoridade que bebe no indie rock do final do século passado e se mistura com alguns dos tiques fundamentais do R&B e até do hip-hop.

Disco claramente confessional, com uma componente autobiográfica quase óbvia e declarada, com a autora a afirmar logo em All My Heart que não se arrepende de nada daquilo que o seu coração viveu no passado, mesmo que não tenha corrido bem, Lovers Know contém uma forte atmosfera sintética, que é agora o grande ponto de partida da sua música, mas conjugada com uma orgânica sentimental e emotiva que guiou o processo de produção musical deste trabalho. E como costuma suceder nos discos dos The Mynabirds, a voz é, mais uma vez, um dos aspetos que mais sobressai. A produção está melhor do que nunca, com Laura a aperfeiçoar tudo o que já havia mostrado anteriormente, também na componente lírica e sem violar a essência de quem adora afogar-se em metáforas sobre o amor, a saudade, a dor e a mudança, no fundo tudo aquilo que tantas vezes nos provoca angústia e que precisa de ser musicalmente desabafado através de uma sonoridade simultaneamente frágil e sensível, mas também segura e equilibrada.

Assim, estamos na presença de um álbum que na profundidade épica de canções como Semantics sustenta um catálogo sonoro envolvente, climático e tocado pela melancolia, mas que não descura a visceralidade típica do indie rock mais portentoso. Mesmo a delicadeza de Orion e Omaha atestam esse vínculo forte com um ambiente sedutor, particularmente feminino e intenso, mas sem colocar de lado a presença de uma distorção ou um detalhe mais rugoso.

Profundo e expansivo, como se exige a um trabalho com a tal faceta confessional acima referida, em Lovers Know é audível a procura de uma sonoridade intimista e reservada, que constitui um verdadeiro passo em frente no aumento dos índices qualitativos do catálogo dos The Mynabirds. As palmas e o falsete de Last Time, tema assente na primazia da sintetização e que também impressiona pelo uso de alguns arranjos inéditos, é um acrescento claro a esse cardápio, até pelo inedetismo do seu arquétipo, olhando para outras composições do grupo. E Velveteen, por exemplo, é conduzida por uma batida hipnótica envolvente e um piano insinuante, mas os arranjos vocais e de cordas que flutuam pela canção, dão ao tema uma cândura que transborda fragilidade em todas as notas, mas também nas sílabas e nos versos. Já o single Wildfire, com uma toada mais rock, com as guitarras a serem acompanhadas por uma melodia sintetizada vintage e um baixo cheio de efeitos, são outras manifestações audíveis e concretas deste jogo dual em que o disco encarreira, à medida que o alinhamento escorre pelos nossos ouvidos e uma mistura de força e fragilidade, nas vozes, na letra e na instrumentação, se equilibra de forma vincada e segura.

Tesouro escondido, rico, belo e que merece ser mais incensado e divulgado, Lovers Know é mais um olhar contemporâneo sobre uma sonoridade claramente vintage, sem rodeios, medos ou concessões, com um espírito aberto e criativo. Os The Mynabirds são um nome a ter em conta no universo musical onde se inserem e estão no ponto e prontos a contrariar quem acha que já não há bandas à moda antiga e a fazer música de qualidade. Espero que aprecies a sugestão...

The Mynabirds - Lovers Know

01. All My Heart
02. Believer
03. Semantics
04. Say Something
05. Orion
06. Velveteen
07. Shake Your Head Yes
08. Wildfire
09. Omaha
10. One Foot
11. Hanged Man
12. Last Time


autor stipe07 às 15:06
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2015

The Jungle Giants – Speakerzoid

Oriundos de Brisbane e formados por Sam Hales, Cesira Aitken, Andrew Dooris e Keelan Bijker, os The Jungle Giants já têm finalmente nos escaparates o sucessor de Learn To Exist, o trabalho de estreia do projeto, editado há dois anos e que sucedeu a um ep homnónimo editado no ano anterior. Speakerzoid é o novo álbum deste quarteto australiano, um trabalho que viu a luz do dia a sete de agosto e que irá certamente catapultar o grupo para o merecido estrelato.

O curioso nome deste disco dá o mote para o seu início e a resposta à questão pertinente sobre o signficado do vocábulo está na música que contém, sendo os acordes iniciais de Every Kind Of Way a resposta dada pelos The Jungle Giants à questão. Com um registo vocal de Sam Hales eminentemente declamativo, um baixo encorpado e pleno de groove, algumas teclas insinuantes, uma guitarra impregnada com aquele fuzz psicadélico hoje tanto em voga e alguns efeitos futuristas, esta canção é uma ode festiva e inebriante que nos submerge num disco que vale todos os minutos gastos na sua audição.

Na sequência, o indie rock rugoso mas festivo de Devil's Play e o clima folk divertido de Kooky Eyes e de Mexico, assim como a exuberância acústica de Creepy Cool e o blues da guitarra de Lemon Myrtle acentuam ainda mais o cariz infeccioso e contemporâneo de um disco que parece um verdadeiro motim de acordes, arranjos e samples vocais, que de Beck a Tame Impala, abraça uma quantidade ilimitada de texturas onde sintetizadores e guitarras contagiantes estouram alegria e sedução, como se fossem um par de amantes em permanente troca lasciva de olhares e argumentos.

Em Speakerzoid nem faltam abordagens a um espetro mais punk e musculado, não só porque o baixo está sempre presente na conduão melodica das canções, mas também porque assume, em alguns casos, um protagonismo singular. It Gets Better, uma canção futurista, repleta de samples curiosos e de efeitos e detalhes bastante criativos, ou Not Bad, não tendo, na essência, aquela toada sombria do punk rock, sobrevivem devido ao colchão grave em que se acomodam, tricotado por um baixo dinâmico e fascinante, que baliza e se entrelaça com as variações de ritmo da bateria com uma articulação e um charme incomuns.

Gravado durante o ano de 2014 e produzido por Magoo, Speakerzoid é, pois, um inventido e luxuriante compêndio de canções que entre o indie rock, o hip hop e a pop psicadélica, nos oferece uma sonoridade geral heterógenea e uma groove viajante com uma estética mais próxima de uma certa pop negra avançada, fazendo-o com uma vibração excitante, numa revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto por alguns gigantes que se têm entregue ao flutuar sonoro da lisergia e de cuja listagem os The Jungle Giants também querem fazer parte.

Em suma, cheio de espaço, com texturas e fôlegos diferentes e onde é transversal uma sensação de experimentação caseira, Speakerzoid clarifica as novas coordenadas que se apoderaram do departamente de inspiração deste quarteto, sendo o resultado da ambição do mesmo em se rodear com uma aúrea resplandescente e inventiva e de mostrar uns The Jungle Giants cada vez mais heterogéneos e abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

The Jungle Giants - Speakerzoid

01. Every Kind Of Way
02. Devil’s Play
03. Kooky Eyes
04. Lemon Myrtle
05. What Do You Think
06. Mexico
07. Creepy Cool
08. Not Bad
09. It Gets Better
10. Together We Can Work Together
11. Tambourine
12. Work It Out (Bonus Track)


autor stipe07 às 21:24
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Sexta-feira, 17 de Abril de 2015

Only Real - Jerk At The End Of The Line

O projeto britânico Only Real estreou-se nos discos através da Virgin/EMI em final de março com Jerk At The End Of The Line e Pass The Pain e Cadillac Girl, um álbum produzido por Dan Carrey e Ben Allen e os dois avanços primeiros divulgados do trabalho, mostraram desde logo que Niall Gavin, o grande mentor deste projeto, é um fazedor nato de canções que mostram o indie rock como um trunfo explorado positivamente até à exaustão e um artista que domina diferentes vertentes e se expressa em múltiplas linguagens artísticas e culturais, sendo a música mais um dos códigos que ele utliza para expressar o mundo próprio em que habita e dar-lhe a vida e a cor, as formas e os símbolos que idealizou.

Na verdade, a antecipação dessas duas canções deixou logo avisada a crítica e os potenciais fãs para o furacão que estaria prestes a entrar pelos nossos ouvidos, em pleno início de primavera. E basta ouvir, logo após Intro (Twist It Up), o teclado planante, a percussão tropical e a voz grave que dominam Jerk para perceber que, realmente, essa exaltação inicial tinha sentido, já que Only Real comunica connosco através de um código específico, tal é a complexidade e a criatividade que estão plasmadas nas suas canções, usando como principal ferramenta alguns dos típicos traços identitários de uma espécie de pop ácida e psicadélica, inspirada em alguns dos detalhes identitários da britpop mais genuína, com uma considerável vertente experimental associada e que ganha um realce ainda maior quando, logo de seguida, em Yesterday, as guitarras distorcidas e turvas têm a capacidade de proporcionar uma aúrea algo mística e ampliada, não só à voz, como também, no fundo, à própria mensagem das canções.

Estando dado este mote logo nos intantes iniciais do disco, fica claro para o ouvinte que Jerk At The End Of The Line exalta cenários e sensações que se expressam com particular envolvência e que expõem sentimentos com genuína entrega e sensibilidade extrema e com uma expressividade única e claramente intencional. Niall é fortemente irónico, sem ser sarcástico, tanto pisca o olho à energia juvenil de um Damon Albarn em início de carreira como aos The Streets auto-depreciativos, mas mantém sempre impecável o seu adn identitário e um charme que dispensa amarguras e abraça a lisergia, sem apelar, mesmo que implicitamente, a qualquer tipo de reforço psicotrópico para ser devidamente apreciado.

Only Real homenageia, no fundo, uma vasta miríade de nomes conterrâneos e mais ou menos contemporâneos, exaltando as virtudes da escola musical indie britânica, sendo possível conferir nuances típicas de projetos como os Gorillaz e de artistas como os já citados ou um Jamie T no seu cardápio. Todo o arsenal bélico instrumental e já acima referido na sua grande parte, com que ele nos sacode, traduz, na forma de música, a mente criativa que nele vive e que parece, em determinados períodos, ir além daquilo que Niall vê, pensa e sente, nomeadamente quando questiona alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo, sendo os próprios tons neon da capa do disco, uma representação feliz das diferentes colagens de experiências assumidas por Only Real, um talento prematuro que soube aproveitar o melhor da sua juventude e da sua criatividade nesta estreia verdadeiramente auspiciosa. Espero que aprecies a sugestão... 

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Only Real: Jerk At The End Of The Line (Signed)

1-Intro (Twist It Up)
2-Jerk
3-Yesterdays
4-Break It Off
5-Can't Get Happy
6-Blood Carpet
7-Petals
8-Cadillac Girl
9-Daisychained
10-Pass the Pain
11-Backseat Kissers
12-When This Begins


autor stipe07 às 22:01
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Sábado, 11 de Abril de 2015

Toro Y Moi - What For?

Toro Y Moy é o extraordinário projeto a solo de Chazwick Bundick, um músico e produtor norte americano, natural de Columbia, na Carolina do Sul e um dos nomes mais importantes do movimento chillwave atual, fruto de uma curta mas intensa carreira, iniciada em 2009, onde tem flutuado num oceano de reverberações etéreas e essencialmente caseiras. Sempre em busca da instabilidade, o produtor conseguiu no experimental Causers of This, de 2010, compilar fisicamente algumas das suas invenções sonoras e esse disco tornou-se imediatamente numa referência do género musical acima citado, ao lado de trabalhos como Life of Leisure dos Washed Out e Psychic Chasms de Neon Indian.

No ano seguinte, em 2011, surgiu Underneath The Pine, o sucessor e a leveza da estreia amadureceu e ganhou contornos mais definidos,com vozes transformadas e diferentes camadas sonoras sobrepostas, ficando claro que, a partir desse instante, Toro Y Moy ficaria ainda mais íntimo da pop, mas sem abandonar as suas origens. A psicadelia, o rock e a eletrónica começaram a surgir, quase sempre numa toada lo fi, nascendo assim as bases de Anything In Return, o terceiro disco de Chazwick, lançado no início de 2013. Agora, dois anos depois, Toro Y Moi chega a What For?, o quarto tomo da sua carreira, lançado no passado dia sete de abril pela Carpark Records, amadurecido e a piscar o olho ao hip hop e ao R&B mais retro, assim como ao discosound dos anos oitenta, fruto da recente relação musical com Tyler The Creator e Frank Ocean, além de se aprofundar uma já cimentada curiosa relação com a eletrónica, também muito presente no seu outro projeto paralelo intitulado Les Sins.

Os carros de corrida passam lá em baixo, no asfalto quente, enquanto dois pisos acima, junto a uma marina, plumas e biquinis confundem-se e ancas abanam sem pudor ao som do charme sofisticado do indie rock festivo de What You Want, canção que mistura cordas com efeitos flamejantes, numa receita que se estende, de modo mais sedutor a Buffalo e nos coloca na linha da frente de um universo particularmente radioso e onde vintage e contemporaneidade se confundem de modo provocador e certamente propositado. É uma cúpula entre rock e eletrónica, quente e assertiva e que ao longo do alinhamento vai convocando para a orgia outros sub-géneros da pop, que vão aguardando pacientemente a sua vez de entrar em cena, estendidos numa almofada junto à piscina, enquanto saboreiam mais um copo e apreciam um final de tarde glamouroso. Lá em baixo, no asfalto quente, a corrida aproxima-se da sua fase decisiva.

A cadência lo fi empoeirada e romântica da guitarra e do piano de The Flight  e de Ratcliff, com o fuzz da distorção particularmente assertivo a destacar-se na última e o ambiente cinematográfico que escorre do doce mel minimal a que sabem as teclas sintetizadas de Yeah Right, são outras amostras do requinte melancólico com que Toro Y Moi nos dá as mãos, para nos levar com ele rumo às profundezas de um imenso oceano de hipnotismo e letargia, com elevada carga poética. Ao invés a luminosa e festiva Empty Nesters e a ode aos primórdios do discosound que escorre do efeito sintetizado sexy de Lilly não deixam vacilar o propósito claramente celebratório e fisicamente provocador que What For? procura replicar, com o groove do baixo, o descontrole apenas aparente da guitarra e o tom agudo da voz de Chazwick em Spell It Out a induzirem ainda mais na direçao ascendente o espetro climático do ambiente que rodeia tudo aquilo que a nossa imaginação quiser moldar e que será forçosamente algo excitante e com um certo teor libidinoso.

A toada descontraída e amena de Half Dome e Run Baby Run mostram-nos o pôr do sol, enquanto lá ao longe se celebra no pódio montado bem no centro da primeira reta do asfalto e aproximam-nos do ocaso de um disco onde cada música tem sempre algo de pessoal e tudo se sustenta de maneira adulta, como se o R&B de Frank Ocean e até detalhes de veteranos como Prince se derretessem no meio de sintetizadores e batidas irregulares. What For? comprova, uma vez mais, a força de Bundick, com fôlego renovado e a estabelecer uma multiplicidade de novos caminhos, testando sonoridades e experimentações sem recear ser apontado de ser uma espécie de terrorista sonoro, já que este é um artista que só se justifica quando vive de transformações. Espero que aprecies a sugestão...

1. What You Want
2. Buffalo
3. The Flight
4. Empty Nesters
5. Ratcliff
6. Lilly
7. Spell It Out
8. Half Dome
9. Run Baby Run
10. Yeah Right


autor stipe07 às 21:46
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Terça-feira, 7 de Abril de 2015

Dan Deacon - Gliss Riffer

Dan Deacon é um dos artistas mais alternativos do cenário indie atual. Além de colaborar com vários projetos, já lançou nove discos desde 2003 e agora, três anos depois do estupendo America, chegou finalmente aos escaparates Gliss Riffer, um trabalho editado através da Domino Records, que também abriga os Dirty Projectors, os Hot Chip e os Animal Collective, algumas das bandas concorrentes de Dan Deacon.

Dan Deacon é um mestre a manipular ruídos, texturas, massas instrumentais e as mais inusitadas particularidades sonoras. Dono de uma formação musical erudita, ele encontrou na eletrónica uma forma de sobressair e apaixonado pelas mais complexas formas sonoras produzidas, este músico natural de Baltimore acabou por encontrar o seu espaço particular dentro da vanguarda eletrónica que define muita da música norte americana atual. 

Em Gliss Riffer Deacon assume uma postura distinta em relação às bandas que o acompanham na editora e que referi acima. Este disco impressiona pela grandiosidade, logo patente nos samples e nos teclados do single Feel The Lightning e nos sintetizadores inebriantes de Sheathed Wings, não havendo regras ou limites impostos para a inserção da mais variada miríade de arranjos, detalhes e ruídos. Deacon é um genuíno e incomparável manipulador do sintético, um génio inventivo que converte tudo aquilo que poderia ser compreendido por uma maioria de ouvintes como meros ruídos em produções volumosas e intencionalmente orientadas para algo épico.

Não tendo qualquer tipo de preocupação explícita por compôr de modo particularmente comercial e acessível, o que desde logo é um enorme elogio que pode ser feito em relação a este autor, Deacon deixa-se apropriar de todo o arsenal tecnológico que permite que seja colocado à sua disposição e torna-se ele próprio parte integrante de uma orquestra robótica e maquinal que o consome e dele se apropria, para que as canções que todas estas máquinas, que parecem ter vida própria, compôem possam ter uma alma e um elo de ligação com a humanidade, plasmada nas letras confessionais e sinceras e numa voz manipulada de modo a ser também, ela própria, mais um elementos sintético essencial e autónimo. No entanto, uma audição atenta deixa perceber, em certos momentos, aproximações ao cenário musical mais erudito e orgânico que todos reconhecemos quando são os músicos e produtores que dominam totalmente o arsenal instrumental que utilizam.

Se os dois temas já citados e When I Was Done Dying têm alguns arranjos e detalhes percurssivos que lhes dão o tempero acessível da pop, a partir do efeito agudo de Meme Generator, um tema que dá pistas sobre o que poderá ser o futuro do hip-hop e da buzina e da batida tribal de Mind On Fire, o rumo passa a ser outro e várias experiências curiosas apoderam-se das canções, nomeadamente no teclado hipnótico e minimal que conduz Take It to The Max e na desconcertante Learning to Relax, canção que torna claro que o território assumido por Deacon não deixa de unir, amiúde, elementos da música clássica com batidas esquizofénicas e samples ruidosos que tendem inevitavelmente a resultar num resultado de proporções épicas.

Gliss Riffer é, sem dúvida, mais um trabalho coeso, dinâmico e concetual na trajetória discográfica de um produtor que não receia entregar-se de corpo e alma ao mundo das máquinas e numa simbiose corajosa e sem entraves ou inibições, ser aquele detalhe orgânico que dá alma a todas aquelas ligaçoes de fios e transistores que transportam um infinito catálogo de sons e díspares referências que parecem alinhar-se apenas na cabeça e nos inventos nada óbvios de Deacon. Espero que aprecies a sugestão...

01. Feel the Lightning
02. Sheathed Wings
03. When I Was Done Dying
04. Meme Generator
05. Mind On Fire
06. Learning to Relax
07. Take it to the Max
08. Steely Blues


autor stipe07 às 21:25
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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

Nugget - Cheese Meister

Oriundos de Londres, uma das mais recentes apostas da Lost In The Manor e formados por três músicos extremamente talentosos e virtuosos os Nugget são Julien Baraness, um guitarrista e produtor canadiano natural de Toronto, Alex Lofoco, um baixista italiano e o baterista Jamie Murray. Juntos replicam uma fantástica fusão de indie rock com jazz, uma colagem genuína de estilos, proposta por um coletivo original e com qualidades técnicas ímpares, onde não faltam também abordagens diretas ao reggae, ao hip-hop e ao drum n'bass.

O EP de estreia dos Nugget chama-se Watercolour, vai ver a luz do dia nas próximas semanas e Cheese Meister é o primeiro avanço desse trabalho com cinco canções, quatro minutos e meio de um jazz rock, ácido e pleno de funk, uma canção com um groove animado e divertido que vai certamente impressionar-te. O tema está disponível para download gratuito. Confere...


autor stipe07 às 12:54
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Quarta-feira, 18 de Março de 2015

Kodak To Graph - ISA

Depois de em agosto de 2013 Mikey Maleki ter andado a editar uma canção por mês, numa longa e bonita jornada que resultou na compilação 2013 Monthly Singles, disponivel para audição e download e que fui dando conta, por cá, durante esse ano, este músico e produtor norte americano de origens iranianas oriundo de Pensacola, na Flórida, atualmente a residir em Los Angeles e que assina a sua música como Kodak To Graph, começou 2015 a participar ativamente na gravação de Oldies, um trabalho também disponivel gratuitamente e que plasma eletrificantes experimentações sonoras. Agora, a dez de março, chegou, finalmente, o seu longa duração de estreia, um disco chamado ISA, também possivel de ser obtido gratuitamente e que é uma verdadeira jornada emotiva e emocional pelos pensamentos, experiências e momentos que se revelaram significativos para o autor nos últimos temps e que o transformaram no músico e pessoa que é hoje.

Maleki sempre gostou de gravar e depois reproduzir sinteticamente sons reais, que capta ao seu redor e que tanto podem ser relacionados com a natureza, nomeadamente o chilrear de aves ou os galhos que se quebram durante um passeio pela floresta, como sons mais citadinos e que reproduzem ruídos habituais num ambiente citadino. Desolation Wilderness é um bom tema para se perceber de que modo funciona esta imagem de marca de Kodak to Graph e igualmente bastante presente no restante alinhamento de ISA. O autor confessa cultivar esse gosto com método porque acha que a inserção desses arranjos nas melodias enriquece-as e funciona, de certa forma, como a componente lírica das suas canções, geralmente instrumentais, dando-lhes uma clara sensação de narrativa e ampliando o propósito que elas têm, que é o de contar histórias concretas e com vida, mesmo que não contenham letras e uma voz que as replique de modo entendível. Quando a voz surge nas canções de Maleki é quase sempre modificada e samplada, funcionando como mais um detalhe sonoro ou outro dos instrumentos que deambulam pelas composições. Los Angeles, tema de tributo à cidade que recentemente acolheu este músico, é um notável exemplo do modo como Maleki utiliza a voz como mero recurso sonoro, no meio de outros detalhes e sons que facilmente nos colocam no meio da movimentada South Vermont rumo a Beverly Hills.

A música de Kodak To Graph exala imenso uma sensação de convite frequente à introspeção e à reflexão sobre o mundo moderno e este produtor não poupa na materialização dos melhores atributos que guarda na sua bagagem sonora, com Belong, o tema de abertura, a surpreender desde logo pelo cariz pop claramente urbano, proporcionado por uma eletrónica manipulada com mestria, não só no modo como o cruza o trompete com a melodia, mas também pelo realce que alguns metais usufruem em determinados momentos da canção. Belong liga-se com Floating através de uma batida minimal que depois parece submergir num mundo aquático e, por isso, sonoramente mais denso e pastoso e se esta conexão entre canções acentua o tal espírito de narrativa sequencial que domina ISA, a opção por arranjos, detalhes, ruídos e métodos de manipulação sonora que se interligam com o título das canções, além de nos fazerem perceber as diversas variáveis que Mike introduz no sintetizador para transmitir uma sensação intrincada e fortemente espiritual. Na verdade, ISA transborda um ideal de leveza e cor constantes, como se o disco transmitisse todas as sensações positivas e os raios de luz que fazem falta aos nossos dias, apesar de, felizmente, serem agora menos frios e sombrios, permitindo-nos escutar uma música bastante sensorial, que parece ter textura, cheiro e flutuações térmicas condizentes com o ritmo, a batida ou o borbulhar de determinados detalhes, aquáticos ou terrenos que facilmente se identificam e que são passíveis de serem confrontados com aspetos reais e palpáveis do meio que nos rodeia. Se a sensibilidade emotiva, minimal e arrepiante de Glaciaa nos obriga a vestir um agasalho bem quente enquanto sobrevoamos os pólos, as já citadas Los Angeles e Belong retratam uma América multicultural e cosmopolita que acolheu e inspira Maleki.

Rico e arrojado e apontando em diferentes direções sonoras, apesar de haver um estilo vincado que pode catalogar o cardápio sonoro apresentado, ISA tem um fio condutor óbvio, assente em alguma da melhor eletrónica contemporânea, mas uma das suas particularidades é conseguir, sem fugir muito desta bitola, oferecer música que se sente e que se vê, englobando diferentes aspetos e detalhes de outras raízes musicais, que podem passar pelo trip hop, a chillwave, o hip hop ou o R&B num pacote que conta histórias que as máquinas de Maleki sabem, melhor do que ninguém, como reporduzir e encaixar. Este é um álbum para ser escutado, visto e sentido, recheado de paisagens sonoras bastante diversificadas, mas de algum modo descomplicadas e acessíveis e que não descuram a beleza dos arranjos e um enorme e intrincado bom gosto. Espero que aprecies a sugestão...

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autor stipe07 às 19:14
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Sexta-feira, 6 de Março de 2015

Public Service Broadcasting – The Race For Space

Fundados em Londres em 2009, os Public Service Broadcasting são a banda de J. Willgoose e Wrigglesworth, uma dupla com vários EPs no cardápio, dos quais se destacam War Room (2012)  e já com um extraordinário longa duração intitulado Inform – Educate – Entertain, o álbum de estreia, que chegou aos escaparates, por intermédio da Test Car Recordings, há cerca de dois anos e foi justamente considerado um dos trabalhos discográficos mais originais e peculiares desse ano, devido ao conceito único que albergava, o de cruzar narrações de filmes antigos de propaganda dos arquivos do BFI (British Film Institute) com música. A ideia era ensinar lições do passado com música do futuro, sendo esta, desde a estreia, a imagem de marca dos Public Service Broadcasting.

No sucessor, The Race For Space, o conceito mantém-se, com os Public Service Broadcasting a avançar entre uma a duas décadas até ao início da corrida ao espaço, nomeadamente no período de 1957 a 1972 e a vasculharem de novo nos arquivos do BFI para juntarem samples e trechos de vozes utilizadas pelas agências especiais russa e norte americana, nos projetos Soyuz e Apollo.

Com momentos instrumentais extraordinários, que assentam nos riffs de guitarra viscerais de Willgoose e em batidas pulsantes, um baixo muitas vezes frenético e sintetizadores muito direcionados para o krautrock, a peculiar e distinta receita de The Race for Space acaba por ser eficaz e logo no tema homónimo de abertura, quer a fórmula descrita acima, quer as intenções conceptuais do disco, ficam claras.

A partir daí, não há como ficar indiferente à batida sintética kraftwerkiana que sustenta a eletrónica retro de Sputnik, presente novamente, adiante, em The Other Side, aos vestígios de vocalizações hip-hop na inebriante Go! e também a um certo folk rock fornecido por uma linha de guitarra em Valentina - Smoke Fairies, com a particularidade de misturar-se com teclados atmosféricos que proporcionam um belo instante sonoro que propicia uma reentrada suave na atmosfera. No entanto, a hipnótica e pulsante Tomorrow e a luminosa Gagarinfeita com um intenso rock progressivo, acabam por ser sonoramente os meus grandes destaques do disco, com E.V.A., por exemplo, a ser suportada por belos arranjos que lhe conferem uma toada épica muito intensa.

A audição de The Race For Space acaba por não ser apenas um mero exercício de contacto auditivo com um disco pop, mas uma experiência mais alargada, visual e sonora, já que o álbum poderia muito bem ser um documentário sobre um dos períodos mais interessantes do pós guerra, no século passado e também um dos mais perigosos para a humanidade, que nunca foi tão posta à prova como em determinados períodos dessa competição desenfreada pela conquista dos céus, movida a energia nuclear. Já agora, os próprios videos já feitos dos singles retirados de The Race For Space seguem esta fórmula porque se servem de excertos dos filmes antigos narrados durante a canção.

Com The Race For Space os Public Service Broadcasting confirmam o seu papel de gurús do post rock experimental, através de um compêndio sonoro que nos leva numa jornada pelo passado e que cumpre com distinção a missão de cruzar história, música pop, educação e entretenimento. Espero que aprecies a sugestão...

Public Service Broadcasting - The Race For Space

01. The Race For Space
02. Sputnik
03. Gagarin
04. Fire In The Cockpit
05. E.V.A.
06. The Other Side
07. Valentina
08. Go!
09. Tomorrow


autor stipe07 às 21:24
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2015

Pond – Man It Feels Like Space Again

São Francisco, na Califórnia e Perth na Austrália, são os dois grande polos atuais do indie rock piscadélico e, oriundos do último, os Pond de Nick Allbrook, Jay Watson, Joseph Ryan, Jamie Terry, um verdadeiro projeto paralelo dos Tame Impala, um dos nomes maiores do género e uma banda obrigatória para todos aqueles que da psicadelia, à dream pop, passando pelo shoegaze e o chamado space rock, se deliciam com a mistura destas vertentes e influências sonoras, sempre em busca do puro experimentalismo e com liberdade plena para ir além de qualquer condicionalismo editorial que possa influenciar o processo criativo de um grupo.

Produzido por Kevin Parker, Man It Feels Like Space Again é o sexto álbum dos Pond, um trabalho lançado no passado dia vinte e três de janeiro por intermédio da Modular e que tem no fuzz rock a sua pedra de toque, talvez a expressão mais feliz para caraterizar o caldeirão sonoro que os Pond reservam para nós e que logo na imponência de Waiting Around For Grace e no festim grandioso de Elvi´s Flaming Star, fica claramente plasmado.

As guitarras são, como seria de esperar, o combustível que inflama os raios flamejantes que cortam a direito e iluminam o colorido universo sonoro dos Pond, feitas de acordes rápidos, distorções inebriantes e plenas de fuzz e acidez. Mas a receita também se compôe com sintetizadores munidos de um infinito arsenal de efeitos e sons originários das mais diversas fontes instrumentais, reais ou fictícias, uma secção rítmica feita com um baixo pulsante e uma bateria com um forte cariz étnico, que é várias vezes literalmente cortada a meio por riffs de guitarra, numa sobreposição instrumental em camadas, onde vale quase tudo, mas nunca é descurado um forte sentido melódico e uma certa essência pop, numa busca de acessibilidade que, por exemplo, Hobo Rocket, o antecessor, não continha tanto, apesar da excelência do seu conteúdo. A delicada sensibilidade das cordas que suporta a cândida melodia do belíssimo instante de folk psicadélica chamado Holding Out For You e a monumentalidade comovente de Sitting Up On Our Crane são dois extraordinários tratados sonors que resgatam e incendeiam o mais frio e empedrenido coração que se atravesse e plasmam, além do vasto espetro instrumental presente no disco, a capacidade que estes Pond também têm para compôr peças sonoras melancólicas e transformar o ruidoso em melodioso com elevada estética pop

A energia contagiante do eletropunk blues enérgico e libertário, que escorre por todos os poros de Zond, o mais recente single retirado de Man It Feels Like Space Again, um tema que assenta numa voz viciante e numa espiral de sons sintetizados, fortemente lisérgicos e aditivos é, em sentido oposto, outro exemplo claro de toda a amálgama cuidadosamente concebida pelos Pond, ampliada pelo video que é mais uma viagem alucinante filmada por Johnny Mackay, que criou um cenário de artifícios caseiros e adereços imperfeitos, colagens de fundos pintados à mão e um guarda-roupa, no mínimo, original. Já agora, torna-se obrigatório visualizar os videos dos Pond e perceber a forte ligação que existe sempre entre eles e a música, visto estarmos na preença de um coletivo que dá enorme importância à componente visual da sua música, algo que a banda desenhada do artwork do disco também exemplifica.

O álbum avança e depois de em Heroic Shart sermos invadidos por um efeito vocal reverberado que ecoa e paralisa, no meio de uma amálgama assente numa programação sintetizada de forte cariz experimental, Man It Feels Like Space Again prossegue a sua demanda triunfal na insanidade desconstrutiva e psicadélica em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Outside Is The Right Side, canção extremamente dançavel, já que mistura R&B, pop, hip-hopelectrónica, com noção de equilíbrio e um limbo perfeito. Neste instante, quando damos por nós, já completamente consumidos pelo arsenal infinito de efeitos, flashes e ruídos que correram impecavelmente atrás da percussão orgânica e bem vincada que sustentou esse tema, percebemos que não há escapatória possível desta ode imensa de celebração do lado mais estratosférico, descomplicado e animado da vida.

É impossível escutar este trabalho e ficarmos imóveis no recanto mais aconchegante que geralmente nos abriga; Torna-se indispensável deixar que o nosso corpo absorva todas as sensações inebriantes que este disco oferece gratuitamente e, repetindo o exercício sensorial várias vezes, permitirmos que depois se liberte o imenso potencial de energia que estas composições recheadas de marcas sonoras rudes, suaves, pastosas, imponentes, divertidas e expressivas, às vezes relacionadas com vozes convertidas em sons e letras e que atuam de forma propositadamente instrumental proporcionam. Aqui tudo é dissolvido de forma tão aproximada e homogénea, que Man It Feels Like Space Again está longe de revelar todos os seus segredos logo na primeira audição. Por exemplo, o ritmo lento e claramente acústico inicial de Medicine Hat é algo enganador porque a canção é subitamente alvo de um intenso upgrade sonoro, fortemente lisérgico, cósmico e imponente, deixando-nos em suspense relativamente ao que resta ouvir da composição e que acaba por ser uma forte cabeçada que nos agita a mente na forma de um riff melódico assombroso, carregado de distorção e perfeitamente diabólico. O tema homónimo, um imenso instante de rock progressivo, onde os Pond gastam todas as fichas e despejam os trunfos que alicerçam a sua estrutura sonora complexa, é uma canção que sabe claramente a despedida, num cenário verdadeiramente complexo, vibrante e repleto de efeitos maquinais que proporcionam sensações únicas.

Já com um acervo único e peculiar e que resulta da consciência que os músicos que compôem este coletivo têm das transformações que abastecem a música psicadélica atual, os Pond são umbilicalmente responsáveis por praticamente tudo aquilo que move e se move neste género e já se assumiram como referências essenciais para tantos outros. Querendo estar mais perto do grande público e serem comercialmente mais acessíveis, nesta parada psicotrópica explicitamente aberta ao experimentalismo que é Man It Feels Like Space Again, além de não colocarem em causa a sua própria integridade sonora ou descurarem a essência do projeto, propôem mais um tratado de natureza hermética e não se cansando de quebrar todas as regras e até de desafiar as mais elementares do bom senso que, no campo musical, quase exigem que se mantenha intocável a excelência, conseguem conquistar novas plateias com distinção. Os Pond sabem como impressionar pelo arrojo e mesmo que incomodem em determinados instantes da audição, mostram-se geniais no modo como dão vida a mais um excelente tratado sonoro do melhor revivalismo que se escuta atualmente relativamente ao rock psicadélico do século passado. Espero que aprecies a sugestão...

Pond - Man It Feels Like Space Again

01. Waiting Around For Grace
02. Elvis’ Flaming Star
03. Holding Out For You
04. Zond
05. Heroic Shart
06. Sitting Up On Our Crane
07. Outside Is The Right Side
08. Medicine Hat
09. Man It Feels Like Space Again


autor stipe07 às 21:11
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