Terça-feira, 4 de Abril de 2017

oLUDO - Abraço

Estrearam-se em 2009 com Nascituro, disco que incluia o grande sucesso A Minha Grande Culpa, um dos temas mais rodados das rádios nesse ano e que foi escolhido para banda sonora dos separadores do canal Sic Radical. Dois anos depois regressaram aos lançamentos discográficos com Almirante e agora, três anos volvidos, estão de regresso com um álbum intitulado Abraço. Falo dos oLUDO, um coletivo algarvio formado por Davide Anjos, João Baptista, Nuno Campos, Paulo Ferreirim e Luis Leal.

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Álbum que, de acordo com os próprios, procura personificar uma espécie de encruzilhada entre o rock e o indie pop português, Abraço era aguardado por cá com enorme expetativa, ampliada depois de ter chegado à nossa redação o single homónimo. E as expetativas não sairam nada goradas porque ao longo das dez canções do alinhamento de Abraço é possível usufruir de uma verdadeira catarse sonora, porque apesar de transportar a gloriosa e profícua era musical portuguesa do final do século passado, tendo-a, continuamente, em ponto de mira, consegue também, de modo transversal, atingir e plasmar uma marca impressiva de contemporaneidade, fazendo-o com um bom gosto estilístico, quer lírico, quer instrumental, realmente incomum.

O disco arranca e no tema homónimo somos logo sugados para os traços indeléveis que caraterizam o adn pop destes oLUDO, embalados pelas guitarras e por uma postura vocal convincente, dois traços que transbordam ao tal período de exaltação que elevou o rock nacional ao seu período de ouro para, logo depois, na distorção da guitarra que embala o refrão de O Que Não Se Vê e no modo como ela se entrelaça com a percurssão em Sangue E Esperança, sermos confrontados com uma toada ainda mais elétrica e progressiva. Já o andamento profundamente hipnótico de Quero O Que Não Vejo exala uma salutar psicadelia que enriquece significativamente o manancial de estilos, tendências e géneros sonoros de um disco que chega a emocionar de modo profundo, e algo particular até, no dedilhar da viola que conduz aos píncaros a delicada nuvem de emoções que exala da lindíssima canção Alma Que Pensa, um momento sublime deste disco, juntamente com o piano que lacrimeja em Tango para a Ana, duas provas felizes de que a pop não precisa de ser demasiado complicada para ser audível com prazer e para ter a capacidade de fornecer tónicos suficientemente poderosos para mover todas aquelas montanhas que asfixiam o nosso âmago.

Em Abraço percebe-se que no processo de construção das canções houve uma guitarra inspirada que pautou a ordem das mesmas e depois foram surgindo os outros instrumentos e toda a avalanhce de arranjos e trechos melódicos que deram aos temas e à toada geral do registo a roupagem que ele necessitou para ter o brilho, a harmonia e a cor que estes músicos certamente procuraram tentar transmitir, num álbum que cativa e que apela a todos os nossos sentidos, ao mesmo tempo que firma estes oLUDO no lote restrito de projetos ímpares e merecedores de superior devoção no panorama sonoro nacional atual. Confere...


autor stipe07 às 21:55
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Joana Barra Vaz - Mergulho em Loba

Quando no início do passado mês de setembro foi divulgado o tema Tanto Faz, ficou logo bem patente a enorme emotividade, charme e bom gosto de Mergulho Em Loba, o novo disco de Joana Barra Vaz. Contando com a participação especial vocal de Selma Uamusse na voz, a meias com Joana, uma colaboração que surgiu de uma estreita afinidade entre ambas, essa canção foi, portanto, uma excelente porta de entrada para um alinhamento com mais sete temas e que é mais um capítulo da trilogia f l u m e iniciada com Passeio Pelo Trilho (Ed. Azáfama 2012).

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Na música de Joana Barra Voz tudo é cor, alegria e movimento. O modo como ela se comunica connosco corporalmente, não só através da voz mas também da expressividade com que se embrenha nas diferentes personagens que parecem levitar nas suas canções, fazem desta artista um caso sui generis no panorama musical nacional contemporâneo. Nela, como esse single nos mostra, há muito de uma África que imprimiu no nosso adn traços que nunca se extinguirão, mas basta ouvir as cordas que lacrimejam em Margem de Lá para também se entender como Joana transporta no seu âmago muito daquele melancólico virtuosismo lusitano, decalcado séculos a fios por uma ancestralidade escrita a granito e terra preta. Suite I, a curiosa agregação de composições que abre o disco, acaba por concretizar toda esta mistura que, no fundo, é a síntese identitária deste pequeno retângulo, tão rico em multiculturalidade, luz, alegria e esperança, mas também ainda tão impregnado de tudo aquilo que de bom e menos bom têm a bonomia, o cinzentismo, o desânimo fácil e aquela ideia de fatalismo irracional que tantas vezes nos diz presente.

Personificando um universo bucólico bastante impressivo e sentimentalmente rico, Mergulho em Loba presenteia-nos com uma espécie de súmula de toda uma amálgama de elementos e referências sonoras, como se todo o arsenal instrumental que Joana Barra Vaz utilizou servisse para, no momento certo, assim como uma linha de costura, unir pedaços separados e que precisavam de ser agregados. São oito peças sonoras que nos embalam num casulo de seda, criadas por uma virtuosa que possui uma soul claramente envolvente e uma espiritualidade invulgarmente quente, mas também reflexiva.

Mergulho em Loba foi gravado por Bernardo Barata, que foi assistido por Diogo Rodrigues nos Estudios Iá, Luís Nunes e Joana Barra Vaz na SMUP e conta com a participação dos músicos David Pires (Bateria, Arranjos ritmo e sopros, coro), Ricardo Jacinto (Violoncelo), David Santos (Baixo eléctrico), Ana Nagy (Coros), Mário Amândio (Trombone) e Gabriel Correia (Trompa), tendo sido composto, arranjado, e produzido pela própria Joana Barra Vaz, co-produzido por Luís Nunes e misturado por Tiago Sousa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:20
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Sábado, 18 de Março de 2017

Cave Story - Trying Not To Try (vídeo)

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Os Cave Story de Pedro Zina (baixo), Ricardo Mendes (bateria) e Gonçalo Formiga (guitarra e voz) andam atualmente em digressão pela Europa e acabam de apresentar um belo vídeo para Trying Not To Try, tema que é um dos grandes destaques de West, disco que esta banda das Caldas da Rainha lançou no ocaso do ano passado.

Idealizado pelo próprio Gonçalo Formiga e realizado por João Pombeiro, o filme que ilustra Trying Not To Try continua a narrativa mais recente da banda, quer estética quer sonora, que aqui coabita com diferentes paisagens mais ou menos conhecidas enquanto nos mostra alguns dos seus melhores atributos sonoros, descritos dentro dos abrangentes limites definidos por um post punk pop experimental de elevado calibre. Confere...


autor stipe07 às 17:32
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Terça-feira, 14 de Março de 2017

Vaarwell - Homebound 456

Foi no passado dia dez de março que os Vaarwell de Margarida Falcão, Ricardo Correia e Luis Monteiro, editaram Homebound 456, um lindíssimo trabalho, o longa duração de estreia de um projeto de indie pop nascido em Lisboa em finais de 2014 e que lançou, em Maio de 2015, Love and Forgiveness, o EP de estreia. É um alinhamento de doze canções gravadas por Joaquim Monte no Namouche Estúdio, misturadas e co-produzidas por Paulo Mouta Pereira e masterizadas por Miguel Pinheiro Marques (SDB Mastering). Para além dos Vaarwell, o disco conta ainda com a participação de Tomás Borralho (Anthony Left) e Diogo Teixeira de Abreu (Lotus Fever) nas baterias, Paulo Mouta Pereira (David Fonseca) no piano e Bernardo Afonso (Lotus Fever) nas teclas. O design foi da responsabilidade d​e​ Manuela Abreu Peixoto.

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Homebound 456 é um porto de abrigo acolhedor, cheio de virtudes e tentações, uma lufada aconchegante que nos protege e embala, tenhamos nós a disposição e o desejo de nos deixarmos contagiar por um compêndio de beleza melódica, lírica e instrumental incomum. A voz da Margarida é, por si só, capaz de fazer parar o relógio ao mais empedernido coração e colocá-lo no rumo certo, mas os arranjos e os instrumentos que sustentam as canções permitem também um suave levitar, tal é o rol de emoções que transmitem e a intensidade das mesmas. Se em Floater a distorção da guitarra calcorreia, sem receio, terrenos mais progressivos com forte sabor ao terreno e ao palpável, já nos metais que cirandam por American Dream a emoção instala-se, com 123 a recalcar toda a recatada introspeção, fortemente contemplativa, que Homebound 456 proporciona. Neste tema, o modo como a guitarra explode, não coloca em causa esta agradável sensação de letargia, servindo até como modo de nos fazer perceber que o que ouvimos é real, existe e foi composto por uma banda bastante assertiva, criativa e inspirada no momento de criar música.

Homebound 456 acaba por ser um registo onde tudo se movimenta como uma massa de som em que o mínimo dá lugar ao todo, ou seja, os detalhes são parte fundamental da funcionalidade e da beleza da filosofia dos Vaarwell e a maneira como exploram essa unidade e como selecionam as nuances sonoras que interligam as canções, contém um charme sedutor difícil de explicar. Aliás, se dúvidas ainda vão subsistindo, as variações ritmícas e o arsenal instrumental de Sheets, o tema que encerra o alinhamento, esclarecem definitivamente o mais céptico. No fundo, a receita é uma mescla efusivamente minimal de alguns detalhes implícitos do clássico rock experimental e lisérgico, com alguns dos principais atributos da eletrónica e da pop atual, com todos estes acertos a encontrarem o seu apogeu no tom pueril e na sonoridade sintética de I Never Leave, I Never Go, para mim a melhor música do disco, uma canção de amor que tem como atributo maior um eco que faz parecer que existem dois corações que flutuam no espaço e quando as mãos de ambos se soltam, sem que percebam, e verificam que estão longe demais e já é tarde demais, percebem que só remando para o mesmo lado é que poderão sobreviver a todos os precalços que o amor coloca sempre. O assunto da canção pode não ter nada a ver com esta ideia, mas foi a isso que ela me soube.

No restante alinhamento de Homebound 456, o incrível poema que abastece a nuvem emotiva em que paira You e o incisivo espairecer que nos suscita a guitarra de Waiting Game, por um lado e o estrondoso frenesim sensual plasmado na simplicidade do tema homónimo, por outro, insistem na já descrita indisfarçável filosofia de um álbum que consegue apontar novos faróis a um dos projetos mais distintos e criativos da pop nacional atual e que logo ao primeiro disco instiga, hipnotiza e emociona. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 18:38
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Segunda-feira, 13 de Março de 2017

Luis Severo - Luis Severo

Apresentado pela Cuca Monga, Luis Severo é o novo álbum de Luís Severo, um homónimo que sucede ao excelente trabalho Cara d’Anjo. Gravado e produzido em Alvalade com a ajuda de Diogo Rodrigues e de Manuel Palha e masterizado por Eduardo Vinhas no Golden Pony, Luis Severo está disponível no bandcamp desde sexta-feira, dia dez de Março e conta com várias participações especiais de relevo, nomeadamente Teresa Castro, Bia Diniz e Primeira Dama nos coros, Tomás Wallenstein nos violinos, Violeta Azevedo nas flautas e Salvador Seabra na percussão. As fotografias do artwork do disco são da autoria de Francisco Aguiar e Raquel Rodrigues.

Registo bastante tocante e emotivo, contendo uma salutar contemporaneidade lírica e instrumental, proporcionada por um dos nomes maiores da nova música nacional, Luis Severo confirma e potencia uma das certezas maiores do panorama musical luso, que foi em tempos apelidado de Messi do nacional-cançonetismo, por causa de Cara d'Anjo, um trabalho de estreia que plasmou todos os excelentes atributos artísticos deste ex-O Cão da Morte. Assim, em oito canções, muitas delas resultantes de melodias que o músico já guardava no seu âmago, aguardando materialização, há alguns anos, Luis Severo configura uma daquelas armadilhas em que todos nós gostaríamos de cair, caso apreciemos as sensações e o modo como certas canções comunicam connosco. A superior complacência romântica que transborda dos violinos de Amor E Verdade, as reminiscências da melhor pop oitocentista que contemplamos na luminosidade de A Escola, o swing buliçoso das cordas de Planície (tudo igual), ou o frenesim charmoso da guitarra que conduz Boa Companhia, podem muuto bem servir de inspiração para os filmes que na nossa mente podemos produzir com estas canções, sendo este realismo impressivo talvez o atributo maior de um trabalho bastante colorido e diversificado, não só porque é sustentado num arsenal de instrumentos das mais inusitadas proveniências, mas também porque, numa outra perspetiva, pode também mostrar-se absolutamente minimal, incrivelmente simples e estupendamente crú, tal é o modo aberto e desafiante como nos convida a exercitarmos a tal apropriação acima referida.

É curioso constatar o acerto temporal em que Luis Severo chega aos escaparates, fazendo-o em pleno inverno tardio, dando-nos tempo para, vagarosamente, selecionarmos toda a trama, cenários e personagens, que depois desfilarão perante nós na próxima primavera, já que este é um alinhamento perfeito para saborear buliçosamente todos os odores, sensações, cores e flirts que a aproximação regular e anual do sol ao nosso hemisfério sempre suscita. E o verão está também logo ali, em O Olho de Lince. Se ouvirem o tema, vão perceber porquê. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 19:12
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Quarta-feira, 1 de Março de 2017

Meursault - I Will Kill Again

Abrigados pela insuspeita e espetacular Song By Toad, Records de Matthew Young, os Meursault de Neil Pennycook estão de regresso aos discos, quase cinco anos depois do antecessor, com I Will Kill Again, dez canções que refletem de modo preciso o título do trabalho, já que se debruçam naquela ideia de que todos nós temos um lado mais obscuro e que muitas vezes, nos nossos momentos de maior dilema, acabamos por criar duas personagens distintas no nosso eu, com cada uma a puxar-nos para o lado que mais lhe interessa Para tornar ainda mais realísticas estas canções, Neil criou para elas duas personagens, um escritor chamado William e uma fantasma, a Sarah.

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Os Meursault estiveram em suspenso durante um determinado período de tempo, em 2014, porque Neil sentiu algumas dificuldades em responder positivamente aos anseios e às exigências cada vez maiores quer de fãs quer da própria crítica, em relação à música da banda. No entanto, estas canções já vinham a ser incubadas há quatro anos e em boa hora foram gravadas já que, como facilmente perceberão, permitem-nos usufruir de lindíssimos instantes sonoros, quer instrumentais quer poéticos, conduzidos quase sempre por pianos e cordas, numa toada geral bastante charmosa e com uma curiosa contemporaneidade. É uma espécie de simbiose entre uma folk introspetiva, com a indie pop e a música de câmara e sonoridades mais clássicas, como se percebe logo no delicioso instante acústico Ellis Be Damned e na toada mais jazzística e algo boémia de Belle Amie, mas também na luminosidade dos efeitos que brotam da guitarra de The Mill e no abraço que as cordas da viola e as teclas do piano dão na toada pastoral de Ode To Gremlin e na turbulência algo sombria e engimática, mas contundente de Klopfgeist.

I Will Kill Again é um refúgio bucólico pensado para nos fazer amainar um pouco em instantes de dúvida e de tempestade. Pode ajudar-nos a clarificar a a assentar ideias e a refletir sobre as melhores saídas para algumas decisões, até porque não hesita em mostrar-nos as duas faces da mesma moeda que personifica a construção da nossa identidade enquanto ser pensante, mas também emotivo. Para que tal suceda de modo fluído e espontâneo, existe uma tranquilidade acústica ao longo do álbum e os temas são guiados por uma profunda gentileza sonora, que acaba por funcionar como uma espécie de recomendação subtil, que fica a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar. Espero que aprecies a sugestão...

Meursault - I Will Kill Again

01. …
02. Ellis Be Damned
03. The Mill
04. Ode To Gremlin
05. Klopfgeist
06. Oh, Sarah
07. Belle Amie
08. Gone, Etc…
09. I Will Kill Again
10. A Walk In The Park


autor stipe07 às 15:56
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2017

Trêsporcento - O Sonho

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Quase cinco anos depois do excelente Quadro, os lisboetas Trêsporcento, deTiago Esteves (voz e guitarra), Lourenço Cordeiro (guitarra), Salvador Carvalho (baixo), Pedro Pedro (guitarrista) e António Moura (baterista), parecem apostados em fazer de 2017 mais um ano memorável na já respeitável carreira de um dos projetos essenciais do universo indie sonoro nacional. Para isso contam com Território Desconhecido, o próximo álbum do grupo, que irá ver a luz do dia a sete de abril próximo.

Gravado desde Junho passado até há poucas semanas, misturado por Carlos Jorge Vales e masterizado por Miguel Pinheiro Marques, Território Desconhecido conta com a participação especial de Flak (Rádio Macau, Micro Audio Waves), que produziu e gravou o disco no Estúdio do Olival, à excepção das baterias que foram captadas por Manuel San Payo. 

O Sonho é o primeiro single retirado de Território Desconhecido e nele a ideia de maturidade é a que salta mais à vista quando apreciamos a atualidade de uma canção que nos mostra os Trêsporcento fiéis a si próprios e a trilharem de modo cada vez mais assertivo e criativo o percurso sonoro que sempre os norteou, assente numa indie pop aberta e luminosa e sempre cantada em português. Confere...

 


autor stipe07 às 09:52
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Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2017

Mariano Marovatto - Lá Cima Ao Castelo.

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Brasileiro de nascimento, tendo isso sucedido a um de abril de 1982, no Rio de Janeiro, mas a residir atualmente em Lisboa, o escritor, cantor e compositor luso-brasileiro Mariano Marovatto começa a ganhar notoriedade devido ao seu trabalho artístico e nos dois lados do atlântico. E a música é, sem dúvida, a sua forma de expressão artística predileta, tendo como mais recente materialização um álbum intitulado Selvagem, que chegou aos escaparates há poucos dias e que encontra muita da sua génese na aldeia de Monsanto, como se percebe em Lá Cima Ao Castelo, o single já retirado do alinhamento.

Originalmente título de uma moda cantada durante a Festa do Castelo que ocorre anualmente na primeira semana de maio em Monsanto, aldeia de Castelo Branco, Lá Cima Ao Castelo, sobre o olhar de Marovatto, é uma lindíssima canção que coloca a nú todo o esplendor, bom gosto e criatividade de um músico ímpar no modo como entrelaça instrumentos e melodia e lhes dá um cunho bastante misterioso e sensorial. A canção já tem também direito a um vídeo, da autoria da cineasta russa Anastasia Lukovnikova e usa a aldeia como pano de fundo, complementando, na perfeição, o cariz fortemente impressivo da composição. Confere...


autor stipe07 às 18:53
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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

oLUDO - Abraço

Foto de oLUDO Música.

Estrearam-se em 2009 com Nascituro, disco que incluia o grande sucesso A Minha Grande Culpa, um dos temas mais rodados das rádios nesse ano e que foi escolhido para banda sonora dos separadores do canal Sic Radical. Dois anos depois regressaram aos lançamentos discográficos com Almirante e agora, três anos depois, estão de regresso com um álbum intitulado Abraço. Falo dos oLUDO, um coletivo algarvio formado por Davide Anjos, João Baptista, Nuno Campos, Paulo Ferreirim e Luis Leal.

Álbum que, de acordo com os próprios, irá personificar uma espécie de encruzilhada entre o rock e o indie pop português, Abraço é aguardado por cá com enorme expetativa, ampliada depois de ter chegado à nossa redação o single homónimo. Já com direito a um video da autoria do estúdio criativo Ferro & Ferreirim, esta canção é mais uma prova feliz de que a pop não precisa de ser demasiado complicada para ser audível com prazer. Há uma guitarra inspirada que pauta a ordem da canção e depois surgem os outros instrumentos que dão ao tema a roupagem que ele necessita para ter o brilho, a harmonia e a cor que estes músicos certamente procuraram tentar transmitir, numa melodia que cativa e que apela a todos os nossos sentidos. Confere...


autor stipe07 às 16:27
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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

Velhos - Velhos

Gravado e misturado no Estúdio Zeco por João Sozinho e masterizado por Nélson Carvalho no Estúdio SSL Valentim de Carvalho, exceto Manso, canção não masterizada e uma edição conjunta da AMOR FÚRIA e da Flor Caveira, Velhos é o novo registo de originais dos Velhos, um coletivo lisboeta que em nove magníficas canções nos oferece uma das melhores surpresas nacionais sonoras de 2016.

Foto de Os Velhos.

As canções de Velhos têm o curioso efeito de parecerem deambular numa espécie de descontrolado vaivém, sem aparente origem e destino. A falsa lentidão do riff da guitarra de Aberta Nova e o modo como um efeito distorcido se insinua no refrão, são apensas dois dos detalhes que, logo no tema de abertura, nos fazem ter essa impressão de que há aqui algo simultaneamente denso e intrincado, mas também bastante profundo e revelador. O feliz enclausuramento que todos deveríamos sentir pelo menos uma vez na vida e que é descrito em Manso, desfilando perante os nossos ouvidos através dessa matriz sonora, parece ainda mais perene e um daqueles alvos apetitosos, que deve estar ali, num lugar cimeiro dos nossos objetivos mais prementes.

Todo o disco merece dedicada e atenta audição, sendo um exercício ainda mais recompensador se acompanhado por uma interiorização dos diversos poemas musicados, assentando, no geral, em lindíssimas melodias amigáveis e algo psicadélicas, feitas com guitarras distorcidas, mas também momentos mais íntimos e quase silenciosos, onde se canta de modo mais grave e existe uma maior escassez instrumental. Aqui Parado é um tema que nos apresenta, com exatidão, esta ambivalência que, no fundo, é algo fictícia porque o rumo melódico e instrumental que sustenta esta e as outras canções é, apenas, uma forma de apresentar as diversas cargas emotivas que as letras contêm. E depois, no modo como em Dorme a bateria se relaciona com o fuzz da guitarra e os diferentes registos vocais, a solo e em coro, são aspetos que esclarecem-nos que este é um coletivo de músicos único e que também consegue libertar-se de uma certa timidez introspetiva, para se apresentarem, quando é necessário, mais luminosos e expressivos. Aliás, isso também fica plasmado em Casa Comigo, canção que impressiona pelo seu edifício melódico, que oscila entre o épico e o hipnótico, o lo-fi e o hi-fi, com a repetitiva linha de guitarra a oferecer um realce ainda maior ao refrão e as oscilações no volume a transformarem a canção num hino rock, que funciona como um verdadeiro psicoativo sentimental com uma caricatura claramente definida e que agrega, de certo modo, todas as referências internas presentes na sonoridade de Velhos, mas com superior abrangência e cor.

Velhos acaba por ser uma espécie de narrativa espiritual e sem clímax, com uma dinâmica bem definida e muito agradável e, ao longo da sua audição, acabamos, frequentemente, por ter de esquecer tudo aquilo que nos rodeia para conseguirmos saborear devidamente algo grandioso, porque transmite um rol de emoções e sensações com intensidade e minúcia, misticismo e argúcia e sempre com uma serenidade melancólica bastante contemplativa. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:17
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