Quarta-feira, 23 de Março de 2016

Violent Femmes – We Can Do Anything

Há bandas que resistem com firmeza ao definitivo ocaso e os norte americanos Violent Femmes são um excelente exemplo de um grupo que sabe como ir observando as novas tendências para depois, no momento certo, voltar a dar sinais de vida, o que, no caso, provoca sempre enorme burburinho e, tendo em conta o conteúdo habitual, enorme alegria e agitação. Editado no passado dia quatro à boleia da conceituada PIAS, We Can Do Anything é o novo compêndio de canções deste projeto liderado por Gordon Gano e o primeiro em quinze anos, após o bastante recomendável Freak Magnet (2000).

Nono disco da carreira dos Violent Femmes, We Can Do Anything é um excelente regresso da banda de Milwaukee e se canções como Traveling Solves Everything, a divertida I Could Be Anything, ou Memory mantêm intacta aquela faceta humorística que tipifica os Violent Femmes, agregada a uma folk com elevada estética punk, com a guitarra e as violas a piscarem sempre o olho ao blues e a alguns dos detalhes mais eminentes da música celta, já o clima mais acústico do baixo de What You Really Mean, uma canção escrita por Cynthia Gayneau, irmã de Gordon Gano, ou I'm Not Done, equilibram as contas, enquanto nos remetem para a típica américa profunda, tão bem descrita na discografia de ícones do calibre de um Bob Dylan ou Johnny Cash.

Produzido por Jeff Hamilton e misturado por John Agnello (responsável por discos dos Sonic Youth e dos Dinosaur Jr.) e Kevin Hearn, dos The Barenaked Ladies, artista que também fez a capa e toca guitarra e teclas em algumas canções do disco e gravado em várias cidades americanas, este é um álbum equilibrado, rico em detalhes preciosos e momentos de elevada vibração e intensidade, com a habitual produção rugosa e crua a fazer-se notar logo no timbre seco das cordas da já referida Memory, aquela caraterística que tão bem conhecemos dos Violent Femmes e que, independentemente da vivacidade ou da mensagem de cada canção, assim como dos subgéneros do indie rock que abraça, mantém-se sempre intata e bem audível.

We Can Do Anything acaba por ser um feliz regresso às origens e ao extraordinário disco homónimo de 1993, sendo capaz não só de nos fazer reavivar extraordinárias memórias desse tempo incrível, como até captar novos seguidores para um género sonoro de difícil aceitação, mas que tem seguidores fiéis e devotos que receberão de braços abertos e com uma enorme vontade de dançar este novo trabalho dos Violent Femmes. Espero que aprecies a sugestão...

Violent Femmes - We Can Do Anything

01. Memory
02. I Could Be Anything
03. Issues
04. Holy Ghost
05. What You Really Mean
06. Foothills
07. Traveling Solves Everything
08. Big Car
09. Untrue Love
10. I’m Not Done


autor stipe07 às 21:49
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Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

Bed Legs - Black Bottle

Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo e David Costa são os Bed Legs, uma banda que começou por criar um certo e justificado burburinho, junto dos críticos mais atentos, à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e que continha cinco canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

Dois anos depois os Bed Legs estão de regresso com o longa duração de estreia. Disco de certo modo concetual já que, de acordo com o press release do lançamento, conta a história de uma noite estranha naquele bar onde entras enganado, mas do qual não queres sair, Black Bottle é o nome desse novo compêndio do grupo, nove canções que estão impregnadas com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas onde não faltam arranjos inéditos e uma guitarra nada longe do rock de garagem e daquele blues rock minimal e duro, mas também a piscar o olho a uma salutar vibe psicadélica.

Nestes Bed Legs é viva e evidente mais uma prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra de renovar-se e quantas vezes for necessário, com a vantagem de, neste caso, também servir para ser colocado sempre ali, mesmo à mão, para quando sentirmos necessidade de escutar música que dispare em todas as direcções, sem preconceitos nem compromissos, usando a sonoridade habitual e clássica do rock, numa mistura explosiva de energia, audácia, irreverência e atitude, pouco ouvida por cá e que, por isso, merece ser amplamente divulgada.

Canções como o sumptuoso single Vicious, a altiva Wrong Man ou a descomprometida New World, contêm um poder e um charme que atraem e ofuscam tudo em redor, mostrando que uma das grandes virtudes destes Bed Legs é o desprezo pelo conforto do ameno, mas sem se limitarem a produzir barulho como um fim em sim mesmo. Este é um rock com qualidade melódica e que nos dá canções acessíveis e que poderiam relatar factos da vida de qualquer um de nós, mostrando que este rock pode ser a salvação e um excelente remédio para muitos dos nossos problemas.

Em suma, Black Bottle sabe, no modo como soa, a uma espécie de estado de alma colorido e, apesar do Black, vincadamente boémio, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto.Confere abaixo a entrevista que este fantástico grupo bracarense concedeu ao blogue e espero que aprecies a sugestão...

Road Again

Vicious

Love, Lies N' Love

Black Bottle

Wrong Man

My Heart Back

New World

Try

The Fight

Antes de nos debruçarmos com algum cuidado no conteúdo de Black Bottle, o vosso primeiro registo discográfico em formato longa duração, começo com uma questão clichê… Como é que nasceu este projeto, oriundo da zona de Braga?

Bed Legs nascem da reunião de 4 amigos músicos com vontade de tocar e de criar. Eu(Fernando), o Tiago (guitarra) e o David (bateria) já tínhamos tocado juntos numa banda nos tempos do secundário. Nos tempos da universidade, fizemos uma jam na república dos Inkas em Coimbra com o Hélder e houve uma enorme química. Mais tarde, o Tiago e o David começam a tocar com ele, no seu sotão. Eles lembraram-se de mim e convidaram-me para cantar. Começámos a trabalhar numas ideias que eles já tinham e noutras que fomos fazendo a longo desses encontros. Daí nasceram temas interessantes, alguns desses que podem ser encontrados no nosso Ep “Not Bad”.

Desde o início, até esta estreia discográfica, o vosso percurso tem sido fulminante em termos de crescimento, visibilidade e aceitação. Além de terem já tocado em vários locais, o vosso Ep Not Bad foi bastante aclamado pela crítica. Como foi conciliar este percurso ascendente e todo este frenesim, nomeadamente de concertos, com o processo de gravação do disco de estreia?

Desconhecia de tanto reconhecimento por parte do público ou da crítica. Nós, até à data somos mais uma banda local, de Braga. O nosso reconhecimento fora da localidade, na minha opinião, acho ser pouco. É verdade, que depois do Ep fomos tocar em mais sítios fora da localidade, partilhamos palco com diversas bandas e isso é muito enriquecedor. Mas se formos perguntar pela rua quem são os Bed Legs, não haverá muita gente que os reconheça. Esperemos que esse dia chegue e rápido!(risos)

Com canções que vão beber a alguns dos fundamentos essenciais do indie rock de garagem, com um travo blues fortemente eletrificado e algo psicadélico, assente em guitarras angulares, feitas de distorções e aberturas distintas, onde não falta um piscar de olhos ao punk impregnado com indisfarçável groove, com a bateria a colar todos estes elementos com uma coerência exemplar e uma voz sentida e imponente, a dar substância e cor às melodias, Black Bottle é, na minha opinião, uma estreia particularmente inspirada. Que tipo de anseios e expetativas criaram para este primeiro passo de um percurso que espero que venha a ser longo?

O primeiro anseio em relação ao álbum foi lança-lo. Houveram oportunidades anteriores mas só agora o fizemos. Isto, claramente, criou ansiedade porque como artistas gostamos de estar sempre em constante criação e ter de esperar para lançar um álbum mais tarde, cria instabilidade na banda e no seu percurso. É uma questão de gestão das emoções, da razão e  de circunstância. Em relação às expectativas, estamos satisfeitos com o resultado do álbum e só queremos que ele circule pelas mãos da gente.

Confesso que o que mais me agradou na audição de Black Bottle foi uma feliz simbiose entre a riqueza dos arranjos e a energia e imponência com que eles surgiam nas músicas, conferindo à sonoridade geral do disco uma sensação, quanto a mim, festiva e solarenga e onde, apesar do esplendor das guitarras, a percussão tem também uma palavra importante a dizer, já que o baixo e a bateria conduzem, frequentemente, o processo melódico, de modo a replicar uma sonoridade que impressiona por um certo charme vintage. Talvez esta minha perceção não tenha o menor sentido mas, em termos de ambiente sonoro, aquilo que idealizaram para o álbum inicialmente, correspondeu ao resultado final, ou houve alterações de fundo ao longo do processo? Em que se inspiraram para criar as melodias?

O álbum foi-se compondo até aos últimos momentos de gravação. Havia cerca de pouco mais de meio álbum composto até irmos para estúdio. Houveram temas que acabamos em gravações. Já tinhamos ideia do sentimento ou temática que queriamos dar a esses temas incompletos mas foi em gravação que descobrimos soluções. Trabalhamos bem com tempo mas também sobre pressão(risos). Existem arranjos que fazemos logo nos primeiros momentos de composição e outros que fazemos em estúdio. Mas este álbum foi pouco enfeitado, é cru. As inspirações que nos levaram a criar são as nossas emoções, as nossas experimentações, a nossa técnica, os nossos gostos, as nossas referências, as nossas ideias, a nossa vida.

Black Bottle, como opção para título do vosso primeiro álbum, sabe-me, no modo como soa, a uma espécie de estado de alma colorido, apesar do Black e vincadamente boémio, uma daquelas entradas em grande no palco em início do espetáculo, de forma tão ruidosa que desperta logo o espetador mais incauto. Acredito que queiram ser levados a sério pela crítica e que sejam extremamente cuidadosos e profissionais na vossa dinâmica de trabalho enquanto Bed Legs, mas a diversão, o arrojo e a rebeldia são também pilares essenciais do vosso estado de espírito enquanto banda, de certo modo ilustrado pelo curioso vídeo que ilustra Vicious, o single de apresentação do álbum?

Acima de tudo, é a diversão e a realização que nos move. Mas, conforme vamos avançando e o tempo vai passando, a infância na música e na vida vai se perdendo ou adulterando. Queremos manter a força das cores do início, mas o percurso vai escurecendo, a vida escurece. Como indivíduos, vamos ficando mais cicatrizados e isso reflecte-se nas nossas músicas. Este álbum é mais um lamento do que celebração. Mas mantém o vigor da nossa atitude. O vídeo é uma ilustração de momentos da nossa vida e também das que por nós passam. Não é assim tão distante da realidade mundana que chega a ser entediante. O nosso carnaval é que lhe dá cor e diversão.

Sempre senti uma enorme curiosidade em perceber como se processa a dinâmica no processo de criação melódica. Numa banda com vários elementos, geralmente há sempre uma espécie de regime ditatorial (no bom sentido), com um líder que domina a parte da escrita e, eventualmente, também da criação das melodias, podendo os restantes músicos intervir na escolha dos arranjos instrumentais. Como é a química nos Bed Legs? Acontece tudo naturalmente e de forma espontânea em jam sessions conjuntas, ou um de vocês domina melhor essa componente?
Geralmente, é em jams que fazemos juntos. O instrumental forma-se e a voz entra a seguir. A partir da improvisação e sugestão cria-se a temática da música. Normalmente, sou eu quem escreve as letras. Quando encalho na escrita peço ajuda ao resto da banda. Existem letras do Ep e de temas antigos que são do Hélder ou escritas em conjunto.
Por vezes, trazemos ideias e riffs de casa que propomos ao resto da banda. Se a banda gostar, começamos a trabalhar na ideia ou tema. Neste álbum, existem riffs e propostas de todos os elementos da banda.

Olhando um pouco para a escrita das canções, parece-me ter havido uma opção pouco ficcional de escreverem sobre aquilo que vos rodeia, em vez de não inventarem, apenas e só e na íntegra, histórias e personagens imaginárias, com as quais nunca teriam à partida de se comprometer. Acertei na mouche ou o meu tiro foi completamente ao lado?
Acertaste. Tudo o que está escrito em cada tema foi vivido ou ainda está a ser vivido. “Black Bottle” é um álbum cru e sincero que canta sobre a vida na estrada, vícios, amor e mentiras, decadência, desgostos amorosos, promiscuidade, incompatibilidade, frustração, luta e vontade de renascer, de tentar de novo. As relações que deixaram cicatrizes, os inúmeros copos e garrafas vertidas, o ficar e o partir, os romances-mentira, as escolhas e decisões feitas ou pendentes, o rastejar na lama, o comer na lama, o dormir na lama. Tudo isto, é a fórmula do cocktail da Black Bottle. O álbum fala sobre um passado atribulado, um presente incerto e um futuro fora de alcance. Existe muito amor e vivências dedicados a estas canções. Muito sangue derramado para dentro da garrafa. Sangue espesso, preto. A "Black Bottle" navega sobre águas negras como sugere a canção homónima do mesmo. É uma garrafa sem destino, sem rumo. Uma garrafa que emergiu do fundo do mar para dar de beber aos náufragos da vida, aos piratas do amor e aos descobridores do desconhecido.
Para terminar, como está a correr a promoção do disco? Onde podemos ver e ouvir os Bed Legs a tocar num futuro próximo?
Por enquanto, está a correr muito bem. Estamos a chegar mais longe do que antes. Começamos a entrar com mais facilidade nas rádios, televisão, revistas, blogs, magazines. Isto graças à nossa parceria com a Raquel Lains(Let's Start a Fire), que tem sido preciosa. Em relação a concertos de apresentação e divulgação, ainda  estamos a tratar disso, juntamente com a Bazuuca(agência). Temos uma marcada em Lisboa, no Sabotage, a 20 de Fevereiro. Estejam atentos à nossa página do Facebook, brevemente divulgaremos as próximas datas. Esperamos por vocês na linha da frente. Rock on!


autor stipe07 às 22:14
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Domingo, 3 de Janeiro de 2016

Will Butler - City On A Hill

Um pouco fora de tempo, divulgo uma novo tema do canadiano Will Butler, uma das peças fundamentais da engrenagem do rock chamada Arcade Fire e figura de relevo do universo sonoro indie. Disponível para download gratuito, City On A Hill é o nome dessa canção, uma peça sonora assente num piano particularmente delicado e brilhantemente ingénuo e sedutor, a oferecer-nos um Butler de smoking aprumado, íntimo e profundo, de peito aberto para o mundo, cheio de imagens, metáforas e mistério. Confere...


autor stipe07 às 18:02
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015

Cage The Elephant – Tell Me I’m Pretty

Lançado no passado dia dezoito de dezembro pela RCA Records, Tell Me I'm Pretty é o quarto álbum dos norte americanos Cage The Elephant, uma banda formada por Matt Schultz (voz), Brad Schultz (guitarra), Jared Champion (bateria), Daniel Tichenor (baixo) e Lincoln Parish (guitarra) e oriunda de Bowling Green, no Kentucky. Este novo disco dos Cage The Elephant foi produzido por Dan Auerbach e conduz-nos por uma verdadeira  road trip, à boleia das cordas, da bateria e do sintetizador, uma viagem lisérgica através do tempo, até há quase meio século, em completo transe e hipnose.

Da psicadelia à dream pop, passando pelo shoegaze e agora também pelo chamado space rock, são várias as vertentes e influências sonoras que podem descrever a sonoridade dos Cage The Elephant, que atravessam o momento mais confiante, criativo e luminoso da sua já respeitável carreira. O baixo impetuoso e o riff de guitarra imponente de Dry Baby empurram-nos para um ambiente muito próprio, simultaneamente denso e dançável, em pouco mais de quatro minutos que são um verdadeiro compêndio de um acid rock eletrónico despido de exageros desnecessários, mas apoteótico.

Fica dado o mote para um registo com elevado efeito soporífero, mas também acessível e do agrado de um público mais abrangente, como se percebe logo em Mess Around e Sweetie Little Jean, canções que mantêm o fuzz da guitarra da primeira canção, mas onde também sobressai a luminosidade folk de algumas cordas com um espírito particularmente jovem e bastante beliçoso, que nos recordam o período aúreo da pop sessentista. E a verdade é que com estes temas iniciais ficam logo plasmadas as verdadeiras intenções dos Cage The Elephant, que, não caindo na tentação de complicar, mostram-se mais corajosos e abertos a um saudável experimentalismo que não os inibe de se manterem concisos e diretos, mas que mostra novos atributos e maior competência no modo como separam bem os diferentes sons e os mantêm isolados e em posição de destaque, durante o processo de construção dos diferentes puzzles que dão substância às canções.

Disco impregnado de sons hipnóticos e melodias psicadélicas, muito apropriadas para quem é viciado por música e pela capacidade que ela pode ter de provocar reações físicas verdadeiramente psicotrópicas, Tell Me I'm Pretty balança, portanto, entre a típica rugosidade do rock feito sem adereços desnecessários, mas que impressiona pela forma como as cordas são manuseadas e produzidas e a calorosa e acústica pop, misturada com um salutar experimentalismo psicadélico. Se a primeira nuance acaba por fazer também juz ao universo sonoro que mais agrada a Dan Auerbach e que em temas como Too Late To Say Goodbye e That's Right, mas principalmente em Punchin' Bag fica claramente explícito, já o segundo aspeto mais notado neste alinhamento, com pontos altos assentes na luminosidade de Cold Cold Cold, na epicidade e na cândura de Trouble, é aquele que nos oferece maior dose de imprevisibilidade e ineditismo,  várias vezes pensada para fugir aos habituais cânones em termos de formatação sonora.
A minha noção de identidade faz-me desde logo suspeito relativamente à isenção da análise, mas a verdade é que é em Portuguese Knife Fight que acabas por ser sugado para uma espécie de centrifugadora, que mistura alguns dos mais saborosos ingredientes do rock alternativo atual, com um resultado que te faz sentir emoções fortes e verdadeiramente inebriantes, numa canção que é um verdadeiro caldeirão sonoro, onde o experimentalismo dita a sua lei, principalmente nos efeitos e no fuzz que é debitado nas guitarras. E este tema que encerra Tell Me I'm Pretty é um retrato fiel e conciso de uma coleção de temas que nos deixam constantemente à espera que surja nos nosso ouvidos algo de imprevisível e inédito e que contribui para que sejamos definitivamente absorvidos pela mente insana de uma banda sem preocupações estilísticas ou de obediência cega a fronteiras sonoras e que voltou a criar um conjunto de canções plenas de originalidade e com uma elevada bitola qualitativa e que, neste caso, desafiam os hábitos do sentido da audição, enquanto brincam com os nossos sentimentos mais íntimos. Espero que aprecies a sugestão...

Cage The Elephant- Tell Me I'm Pretty

01. Cry Baby
02. Mess Around
03. Sweetie Little Jean
04. Too Late To Say Goodbye
05. Cold Cold Cold
06. Trouble
07. How Are You True
08. That’s Right
09. Punchin’ Bag
10. Portuguese Knife Fight


autor stipe07 às 21:30
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Sexta-feira, 18 de Dezembro de 2015

Bed Legs - Vicious

Oriundos de Braga, Fernando Fernandes,Tiago Calçada, Helder Azevedo e David Costa são os Bed Legs, uma banda que começou por criar um certo e justificado burburinho à boleia de Not Bad, um EP editado no início de 2014 e que continha cinco canções que justificaram, desde logo, a ideia de estarmos perante uma banda apostada em calcorrear novos territórios, de modo a entrar, justificadamente e em grande estilo, na primeira divisão do campeonato indie e alternativo nacional.

Dois anos depois os Bed Legs estão de regresso com o longa duração de estreia. Disco de certo modo concetual já que, de acordo com o press release do lançamento, conta a história de uma noite estranha naquele bar onde entras enganado, mas do qual não queres sair, Black Bottle é o nome desse novo compêndio do grupo, nove canções que, de acordo com Vicious, a primeira amostra divulgada, estão impregnadas com o clássico rock cru e envolvente, sem máscaras e detalhes desnecessários, mas onde não faltam arranjos inéditos e uma guitarra nada longe do rock de garagem e daquele blues rock minimal e duro, mas também a piscar o olho a uma salutar vibe psicadélica. Nestes Bed Legs é viva e evidente mais uma prova que se o rock estiver em boas mãos tem capacidade que sobra de renovar-se e quantas vezes for necessário. Brevemente divulgarei a crítica desta certamente espetacular estreia discográfica. Confere...


autor stipe07 às 11:19
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

The Walks - Fool's Gold

Apenas um ano depois de R, o ep de estreia, os The Walks estão de regresso com Fool’s Gold, o primeiro registo de originais no formato longa duração. Este é um disco que compila todos os temas compostos pelo grupo e que foram editados anteriormente no formato EP e outros que a banda considera importantes para uma caraterização clara da sonoridade deste belo projeto oriundo de Coimbra e formado por Gonçalo Carvalheiro, John Silva, Miguel Martins, Nelson Matias e Paula Nozzari.

Editado pela também conimbricense Lux Records, produzido pela própria banda e por João Brandão, Fool's Gold é um divertido e animado compêndio de canções que nos oferece uma espécie de anti pop, à boleia de um rock alegre e um pouco descomprometido e acelerado. São canções onde o boémio e o sentimentalismo sincero e profundo se misturam e até se confundem, num misto de êxtase, euforia e reflexão, cheias de pormenores que vão além da bateria, do baixo e das guitarras, para abarcar outros instrumentos de percussão e também de sopro.

Para os The Walks o rock não tem entraves, fronteiras e barreiras definidas e a própria banda, no seu seio, com um pragmatismo que se saúda, não busca uma inserção clara com categorias bem definidas desse género sonoro. Se temas como Redefine transpiram alguns detalhes do surf rock sessentista, logo a seguir, em Pleasure And Pain, os The Walks piscam o olho a alguns detalhes do punk rock mais sombrio que começou a fazer escola no final da década seguinte e bastam estes dois temas para se perceber que espontaneidade e naturalidade são conceitos intrínsecos ao processo de criação sonora no seio do grupo e que o momento é o que define um resultado final quase sempre inacabado até ao fim do prazo de entrega e divulgação de um produto final. Mesmo ao vivo, estas canções terão a particularidade de possuir uma flexibilidade tal que podem receber e alterar determinados arranjos, não só em função do espaço, como do próprio espírito da banda e do público no instante, sem que a essência de cada uma se altere.

Consistentes e artisticamente adultos, os The Walks são além de uma lufada de ar fresco, já uma certeza no panorama musical nacional. Não embarcam em rodeios e floreados desnecessários no momento de pegar nas guitarras inspiradas e arrojadas e num baixo denso e uma bateria dominadora, para criar um rock vigoroso, pujante e musculado, que merece a tua dedicada audição. Confere a entrevista que a banda concedeu a esta publicação, respondida pelo Gonçalo e espero que aprecies a sugestão...

Apenas um ano depois de R, o ep de estreia, os The Walks estão de regresso com Fool’s Gold, o primeiro registo de originais no formato longa duração. Aposto que a banda está numa fase criativa particularmente profícua. Antes de mais, e para quem não ouviu o disco anterior, quais são as principais diferenças entre os dois trabalhos?

Fool's Gold embora seja o nosso primeiro álbum, reúne todos os temas que compusémos desde o início do projecto. Fizémos questão de incluir temas que não ficaram registados no EP de estreia mas que para nós são importantes e que marcam sem dúvida a nossa sonoridade.

Claro que há temas que nunca tocámos ao vivo e que fazem parte da mais recente fase criativa.

Se compararmos os dois registos R e Fool's Gold, este último conta com um maior trabalho de produção e arranjo dos temas.

A vossa sonoridade é uma espécie de anti pop, um rock alegre e um pouco descomprometido e acelerado, cheio de pormenores que vão além da bateria, do baixo e das guitarras, para abarcar outros instrumentos de percussão e instrumentos de sopro. Concordam com esta descrição generalista? Quais são as vossas maiores influências?

Quando compomos os temas não nos preocupamos em encaixá-los numa ou noutra categoria.

À medida que os vamos trabalhando adicionamos elementos que julgamos enriquecer os temas e que nos permitem estar mais perto da sonoridade que idealizámos para cada um deles.

Sentimos que por vezes os pequenos detalhes podem fazer a diferença e esforçamo-nos para que isso aconteça.

As influências individuais de cada um acabam por se reflectir no resultado final e variam um pouco com aquilo que estamos a ouvir no momento ou com a fase que estamos a atravessar. Tem sido um processo natural e espontâneo.

Se temas como Redefine transpiram alguns detalhes do surf rock sessentista, mas logo a seguir, em Pleasure And Pain, piscam o olho, na minha opinião, a alguns detalhes do punk rock mais sombrio que começou a fazer escola no final da década seguinte, pode-se dizer que o rock dos The Walks não conhece fronteiras nem entraves?

Como referimos anteriormente, tentamos que o processo criativo não fique espartilhado em rótulos ou categorias.

Obviamente que quando compomos há influências que surgem de forma natural e não colocamos entraves a que isso aconteça, desde que todos se sintam confortáveis e que faça sentido no que estamos a trabalhar.

O disco foi produzido pela banda e por João Brandão. A vossa participação direta no processo de produção foi uma imposição vossa, logo desde o início, ou acabou por suceder com naturalidade?

Desde o EP que estabelecemos uma relação de empatia pessoal e profissional com o João e o Cláudio, e por isso o trabalho de produção colaborativo acaba por surgir naturalmente.

Não nos coibimos de dar as nossas sugestões, de dizer o que gostamos ou não e estamos perfeitamente abertos a que eles também o façam. Tudo resulta melhor quando são várias cabeças a trabalhar para o mesmo objectivo.

Adorei Lost In The Crowd. E para a banda... Há uma canção preferida neste álbum? 

A Lost in the Crowd foi uma das músicas que maiores restruturações sofreu em estúdio. No final ficámos bastante satisfeitos com o resultado e também o consideramos um dos temas fortes do disco. Claro que pessoalmente cada um acaba por ter a sua preferida mas, o tema que encerra o disco, Inside Out está na lista dos mais votados. É um tema pautado por vários momentos, um dos últimos que criámos e que aponta numa direcção um pouco diferente do que até ali tínhamos feito.

Além das canções, impressionou-me o conteúdo e a originalidade contrastante do vídeo do single Clockwork, realizado pelo coletivo We Are Portuguese. Esta componente visual é também uma aposta forte dos The Walks?

Sem dúvida. Desde a fase inicial que temos uma certa preocupação estética e visual por acharmos que pode reforçar a mensagem a transmitir.

No caso concreto do vídeo de apresentação de Clockwork procurámos jogar um pouco com os contrastes, resgatar os diversos tipos de dança dos seus próprios estilos e trazê-los para o nosso. A ideia pareceu-nos interessante, mas julgamos que o resultado final a superou.

A conimbricense Lux Records é uma lufada de ar fresco no panorama musical nacional; Tem sido importante para os The Walks este casamento?

Claro que sim. A Lux esteve connosco desde o início e tem sido um pilar importante para a divulgação e comercialização do nosso trabalho.

Tentamos não desiludir quem aposta em nós e a aliança sai reforçada com o lançamento deste longa duração.

Como têm corrido os concertos de promoção ao disco? Onde é que os leitores de Man On The Moon vos podem ver e ouvir nos próximos tempos?

Os concertos oficiais de apresentação iniciaram-se no Sabotage em Lisboa e no Salão Brazil em Coimbra, respectivamente a 9 e 10 de Outubro. Todas as novas datas serão divulgadas na nossa página do facebook, mas esperemos apresentar Fool's Gold no maior número de palcos possível.

Os concertos de preparação têm corrido da melhor forma e isso deixa-nos motivados para o futuro que se avizinha.

 


autor stipe07 às 18:31
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Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015

Amber Leaves - Love Song

Oriundos de Londres, os britânicos Amber Leaves são Chesney Jefferson, Sebastian Drayton, Jay Morrod, Jake Miliburn e Josh Pontin, um coletivo que me impressionou novamente, desta vez com Love Song, o segundo de uma sequência de três temas que o coletivo pretende lançar este ano, à boleia da Lost In The Manor e que irá ver a luz do dia a dezasseis de outubro.

Acordes de um baixo com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com hip-hop e o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Love Song, canção efervescente e refrescante, que seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso. Estes Amber Leaves personificam num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um projeto com uma vitalidade imparável e que vale a pena escutar com dedicação. Confere...


autor stipe07 às 18:53
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Domingo, 20 de Setembro de 2015

Painted Palms – Horizons

Depois de me ter debruçado em 2011 no EP Canopy e o ano passado no álbum Forever, estou de regresso aos Painted Palms para divulgar Horizons, o mais recente trabalho desta banda norte americana, natural de São Francisco, formada pelos primos Chris Prudhomme e Reese Donohue. Editado no passado dia quatro de setembro pela Polyvinyl Records, Horizons foi misturado por Eric Broucek, engenheiro da DFA. Refiro-me a um trabalho que da pop psicadélica de há cinco décadas atrás, passando pela eletrónica de final do século passado, é um disco excitante e multifacetado, um trabalho que procura meditar sobre as constantes mudanças que a sociedade contemporânea nos exige e como muitas vezes parece não ter fim esta busca constante, levada a cabo por todos aqueles que vivem insatisfeitos porque querem sempre mais e melhor.

Há algo na música destes Painted Palms que nos deixa num constante sobreaviso, uma espécie de eminência de perigo, um pessimismo incontrolável mas, ao mesmo tempo e como se isso fosse possível, de alguma forma sedutor. A eletrónica madura e encorpada de Disintegrate, talvez o destaque maior de horizons, permite-nos fazer uma ponte assertiva  entre a pop ambiental contemporânea e o art-rock clássico, numa epopeia de quatro minuos e meio onde se acumula um amplo referencial de elementos típicos desses dois universos sonoros e que se vão entrelaçando entre si de forma particularmente romântica e até, diria eu, objetivamente sensual. E a verdade é que ao longo de Horizons abunda a sobreposição de texturas, sopros e composições jazzísticas contemplativas, uma paisagem imensa e ilimitada de possibilidades, um refúgio bucólico dentro da amálgama sonora que sustenta a música atual.

Escuta-se a forte comoção latente de Waterfall e antes, logo no início, o punk blues enérgico e libertário de Contact, a insanidade desconstrutiva em que alicerçam as camadas de sons que dão vida a Painkiller e a incontestável beleza e coerência dos detalhes sintetizados que nos fazem levitar na sequência final feita com Gemini e Glaciers, para se conferir, num mesmo bloco autoral, os diferentes fragmentos que os Painted Palms foram convocar à pop e ao indie rock, os dois universos sonoros que os rodeiam e com os quais se identificam, com um elevado índice de maturidade e firmeza, para se perceber o bom gosto como apostam nesta relação simbiótica, enquanto partem à descoberta de texturas sonoras. E a verdade é que esta dupla parece confiar plenamente no seu instinto criativo e transborda uma vontade quase obsessiva de atingir a perfeição, talvez para provar a ela própria que o caminho que escolheu é o adequado para que a praia sonora onde se querem deitar nunca seja consumida por uma maré de dúvidas e hesitações sonoras implacáveis. 

Em suma, em Horizons os Painted Palms praticam o exercício de buscar referências de décadas passadas e procurar acrescentar os seus próprios elementos para compor uma obra musical que, no cômputo geral, carrega um enorme charme na forma como se equilibra entre o perigo de uma derrocada e a capacidade particularmente vincada de conjugar eletrónica e psicadelia, com um certo relevo e singularidade. Espero que aprecies a sugestão...

Painted Palms - Horizons

01. Refractor
02. Contact
03. Gemini
04. Glaciers
05. Echoes
06. Control
07. Disintegrate
08. Waterfall
09. Painkiller
10. Tracers


autor stipe07 às 21:29
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2015

Amber Leaves - Heaven

Oriundos de Londres, os britânicos Amber Leaves são Chesney Jefferson, Sebastian Drayton, Jay Morrod, Jake Miliburn e Josh Pontin, um coletivo que me impressionou com Heaven, o primeiro de uma sequência de três temas que o coletivo pretende lançar este verão, à boleia da Lost In The Manor.

Acordes de guitarra com um elevado cariz funk e uma indelével assinatura impressa com o rock de garagem presleyano feito com uma forte pitada de blues é o grande sustento de Heaven, canção que conta com a participação especial vocal de Miele Passmore e que seduz e faz estremecer o nosso lado mais libidinoso. Estes Amber Leaves personificam num turbilhão de emoções que vivem em perfeita sintonia com o espírito de um projeto com uma vitalidade imparável e que vale a pena escutar com dedicação. Confere...


autor stipe07 às 13:36
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Segunda-feira, 8 de Junho de 2015

Unknown Mortal Orchestra - Multi-Love

Os Unknown Mortal Orchestra vêm da Nova Zelândia e são liderados por Ruban Nielsen, vocalista e compositor, ao qual se juntaram, Jake Portrait e Greg Rogove. II, o segundo álbum da banda, viu a luz há cerca de dois anos e catapultou o projeto para o estrelato, ao reforçar de forma comercial e ainda assim específica o que havia de mais tradicional e inventivo na trajetória da banda, estreitando os laços entre a psicadelia e o R&B.

No passado dia vinte e seis de maio chegou aos escaparates Multi-Love, o novo disco dos Unknown Mortal Orchestra, um trabalho que viu a luz do dia por intermédio da Jagjaguwar e que mantendo o cariz sempre sensivel, profundo e enigmático da escrita de Ruban Nielsen, que exige o prévio conhecimento de contextos e motivações (Nielsen é casado e pai, mas neste momento vive um multi-love já que com ele e a mulher coabita uma rapariga de dezoito anos que o músico conheceu recentemente numa viagem), sonoramente volta a catapultar o grupo, de modo ainda mais abrangente, para uma estética que além de reviver marcas típicas do rock nova iorquino do fim da década de setenta, ressuscita referências mais clássicas, consentâneas com a pop psicadélica.

A impressão firme da sonoridade típica dos Unknown Mortal Orchestra está um pouco mais límpida, com o ruído e a estética lo fi a continuarem presentes, mas com as canções a terem um maior volume e densidade e a ser indisfarçavel a busca de melodias agradáveis e marcantes e ricas em detalhes e texturas, sendo Puzzle um bom exemplo das mesmas. Há uma grandiosidade sempre controlada e um maior apelo às pistas de dança que se percebe logo no groove e na riqueza dos arranjos do tema homónimo, que arranca o alinhamento.

Multi-Love flutua, daí em diante, num ambiente próprio, livre de exageros e coerente com a proposta determinada desde a estreia, e que se sustenta, principalmente, na dualidade existente nos laços entre a psicadelia e o R&B. Mas, há uma espécie de contraste sequencial, com outras esferas e o blues negro de The World Is Crowded ou o rock vintage nova iorquino de Like Acid Rain, que exala Prince por todos os poros, são instantes que calcorreiam territórios ainda mais abrangentes, com a banda a pisar universos nostálgicos, cheios de transformações expressivas e onde a relação com os sons marcantes da década de setenta ocupam um lugar fundamental na construção da obra, um trabalho de referências bem estabelecidas. Mas há ainda mais exemplos; Se o teclado e o efeito de Ur Life One Night, por exemplo, pisca o olho à pop e ao discosound da década seguinte, já a guitarra e a percussão de Can't Keep Checking My Phone, canção que satiriza alguns aspetos da sociedade contemporânea e com um travo intenso à melhor tropicália e com um indisfarçável odor a retro, como uma velhas cassete encontrada num sotão em tempo de mudanças.

A conquistarem um número maior de adeptos devido a esta especificidade sonora vintage cada vez mais pop e acessível, os Unknown Mortal Orchestra chegam ao terceiro tomo da sua discografia certeiros, relativamente ao estereótipo vincado com que pretendem impregnar o seu cardápio sonoro e que procura reviver os sons outrora desgastados das décadas de sessenta e setenta, oferecendo aos ouvintes uma viagem ao passado sem se desligarem das novidades e marcas do presente. Espero que aprecies a sugestão...

Unknown Mortal Orchestra - Multi-Love

01 Multi-Love
02 Like Acid Rain
03 Ur Life One Night
04 Can’t Keep Checking My Phone
05 Extreme Wealth and Casual Cruelty
06 The World Is Crowded
07 Stage or Screen
08 Necessary Evil
09 Puzzles


autor stipe07 às 18:39
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