Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

Paperhaus – Are These The Questions That We Need To Ask

Oriundos de Washington, os norte americanos Paperhaus são Alex Tebeleff, Matt Dowling, Rick Irby e Danny Bentley, uma banda de indie rock bastante seguida e apreciada no cenário alternativo local. A música que eles nos sugerem é imponente, visionária e empolgante, assentando no típico indie rock atmosférico, que vai-se desenvolvendo e nos envolvendo, com vários elementos típicos do krautrock e do post punk a conferirem ao projeto uma dinâmica e um brilho psicadélico incomum. Depois de um excelente homónimo editado na primavera de 2015, eles estão de regresso com Are These The Questions That We Need To Ask, oito canções produzidas pela própria banda e por Peter Larkin e masterizadas por Sarah Register.

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No universo sonoro indie e alternativo abundam, infelizmente, exemplos de bandas que depois de se estrearem com elevada bitola qualitativa devido ao facto de apresentarem uma sonoridade diferente e inédita daquela que o mainstream nos oferece diariamente, acabam por se perder, no álbum seguinte, numa inexplicável redundância. Talvez inebriados pelo sucesso inicial, buscam, no trabalho posterior, um som mais imediato e radiofónico. Mas, felizmente, os Paperhaus não cairam nessa armadilha e em Are These The Questions That We Need To Ask mantêm e aprimoram o espetro sonoro do antecessor, oferecendo-nos um cardápio de oito canções que, logo no primeiro tema do disco, em Told You What To Say, nos mostram um som corrosivo, hipnótico e contundente, um clarividente exemplar da habitual cartilha sonora que este coletivo da costa leste costuma guardar na sua bagagem.

Neste grupo a guitarra é um instrumento de eleição. Ela assume, sem rodeios e desde logo, um amplo plano de destaque no processo de condução melódica, sempre eficazmente acompanhada por um baixo vigoroso e uma bateria entusiasmante e luminosa. Em Go Cozy as mudanças de ritmo com que a mesma guitarra abastece os diferentes efeitos que se escutam no tema e o modo como nos mesmos as quebras e mudanças de ritmo acompanham as variações que ela produz, ampliam a perceção fortemente experimental típica deste grupo, numa canção que ilustra o quanto certeiros e incisivos os Paperhaus conseguem ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram. Depois, no clima eminentemente lisérgico e experimental do single Nanana e na rispidez visceral mas apelativa de Walk Through The Woods, assim como nos devaneios cósmicos que abastecem a imponência incisiva  de It's Not There, ficamos esclarecidos acerca desta filosofia compositória, que alicerça um disco que é, no fundo, uma verdadeira espiral de fuzz rock, rugoso, visceral e psicadélico, uma ordenada onda expressiva, que oscila entre o rock sinfónico e o chamado krautrock.

A voz de Tebeleff é também um trunfo declarado dos Paperhaus, devido ao modo como transmite uma sensação de emotividade muito particular e genuína, mas também como acompanha determinados arranjos que, na maioria das vezes, plasmam com precisão as virtudes técnicas do quarteto e o modo como ele consegue abarcar vários géneros e estilos do universo sonoro indie e alternativo, comprimindo-os em algo genuíno e com uma identidade muito própria.

Há nestes Paperhaus uma aúrea de grandiosidade indisfarçável e um notável nível de excelência no modo como conseguem ser nostálgicos e na forma como mutam a sua música e adaptam-na a um público ávido de novidades refrescantes, mas que também recordem os primórdios das primeiras audições musicais que alimentaram o nosso gosto pela música alternativa. Este projeto caminha sobre um trilho aventureiro calcetado com um experimentalismo ousado, que parece não conhecer tabus ou fronteiras e que nos guia propositadamente para um mundo onde reina uma certa megalomania e uma saudável monstruosidade agressiva, aliada a um curioso sentido de estética. Esta cuidada sujidade ruidosa que os Paperhaus produzem, concebida com justificado propósito e usando a distorção das guitarras como veículo para a catarse, é feita com uma química interessante e num ambiente simultaneamente denso e dançável, despido de exageros desnecessários, mas que busca claramente a celebração e o apoteótico. Espero que aprecies a sugestão...

Paperhaus - Are These The Questions That We Need To Ask

01. Told You What To Say
02. Go Cozy
03. Nanana
04. Walk Through the Woods
05. It’s Not There
06. Needle Song
07. Serentine
08. Bismillah


autor stipe07 às 18:56
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