Quinta-feira, 6 de Julho de 2017

Overlake – Fall

Oriundos de Nova Jersey, os Overlake são Tom Barrett, Lysa Opfer e Nick D'Amore, um trio que começou a fazer música em 2012 e que se estreou nos discos no ocaso de 2014 com Sighs, nove canções que viram a luz do dia através da Killing Horse Records. Agora, pouco mais de dois anos depois, já chegou o segundo disco deste grupo norte-americano, um compêndio de oito canções intitulado Fall e que viu a luz do dia através da insuspeita Bar-None Records, morada de nomes tão fundamentais para o indie rock como os The Feelies, os Happyness, Of Montreal, Yo La Tengo, The Spinto Band, Breakfast In Fur e The Individuals, entre outros.

Apaixonados pelo rock alternativo dos aos oitenta e noventa, os Overlake começaram como tantas outras bandas, através de jam sessions naturais e certamente bem sucedidas que foram construindo o esboço de uma carreira que, no segundo capítulo, acentua uma obediência lúcida a um cardápio confessado de inspirações, que de My Bloody Valentine a Pavement, passando por Sonic Youth, não colocam em causa uma identidade bem vincada e que se firma em paisagens sónicas criadas pela voz e pelas guitarras e por um baixo pulsante e uma percussão vibrante.

A escuta de Fall exige logo no belíssimo aglomerado épico Unnamed November uma audição dedicada, de modo a que todos os detalhes que suportam o alinhamento sejam devidamente contemplados. O riff metálico da guitarra de Winter Is Why e as distorções que o acompanham e a relação progressiva que o baixo e a bateria constroem em You Don't Know Everything, canção com um início algo inocente mas que depois ganha uma tonalidade muito vincada, são excelentes tónicos parase perceber a capacidade dos Overlake em soprar na nossa mente e envolvê-la com uma elevada toada emotiva e delicada, mesmo que a sonoridade pareça algo sombria e rugosa.

Com uma filosofia muito assertiva no modo como aborda o rock de cariz mais progressivo, o disco não deixa de fazer o nosso espírito facilmente levitar e de provocar um cocktail delicioso de boas sensações. Por exemplo, em determinado momento, a bateria toma conta das rédeas de And Again, uma canção que começa por impressionar no modo como a guitarra deambula livremente, mas assim que a percurssão surge, ficam irremediavelmente disponíveis os melhores atributos no que diz respeito à capacidade de composição e ao requinte que preenche o ideário sonoro destes Overlake e não duvidamos mais que as sensações de mestria e de bom gosto não surgem espontaneamente por acaso e que merecem ser devidamente realçadas pelo modo como vêm à tona. Há exemplos em que a sapiência criativa dos Overlake se torna algo negra e obscura, nomeadamente em Pines On A Beach, um imenso oceano de hipnotismo e letargia, que pisca o olho aos melhores atributos do punk rock luminoso e outros em que se mostra mais vibrante, mas também em Goodbye, composição que é um cenário idílico para quem, como eu, aprecia alguns dos detalhes básicos da melhor psicadelia.

Seja qual for a variante do rock alternativo replicada pelos Overlake, a súmula de Fall carateriza-se por um ambiente sonoro fortemente etéreo e melancólico, um álbum tipicamente rock e esculpido com cordas ligas à eletricidade e que ilustra o quanto certeiros e incisivos estes três músicos conseguiram ser na replicação do ambiente sonoro que escolheram, assente numa pop com traços de shoegaze, mas também num indie rock carregado de psicadelia e sempre com uma sobriedade sentimental marcada por uma intensa aúrea vincadamente orgânica. Espero que aprecies a sugestão...

Overlake - Fall

01. Unnamed November
02. Winter Is Why
03. You Don’t Know Everything
04. Can Never Tell
05. Gardener’s Bell
06. And Again
07. Pines On A Beach
08. Goodbye


autor stipe07 às 14:08
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (2) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Quarta-feira, 5 de Julho de 2017

You Can't Win, Charlie Brown - If I Know You, Like You Know I Do

Resultado de imagem para You Can't Win, Charlie Brown If I Know You, Like You Know I Do

Marrow é um vegetal parente da courgette, cultivado nas ilhas britânicas, na Holanda e na Nova Zelândia e também o título do último registo de originais dos extraordinários You Can't Win, Charlie Brown de Afonso Cabral (voz, teclas, guitarra), Salvador Menezes (voz, guitarra, baixo), Tomás Sousa (bateria, voz), David Santos (teclas, voz), João Gil (teclas, baixo, guitarra, voz) e Luís Costa (guitarra). Este Marrow foi um dos discos do ano de 2016 para este blogue e com toda a justiça porque, no seu todo, contém um sentido conjunto de quadros sonoros pintados com belíssimos arranjos de cordas, sintetizadores capazes de fazer espevitar o espírito mais empedernido e imponentes doses eletrificadas de fuzz e distorção, que se saúdam amplamente, tudo adornado por uma secção vocal contagiante, que proporciona ao ouvinte uma assombrosa sensação de conforto e proximidade.

Um dos grandes temas de Marrow é, claramente, If I Know You, Like You Know I Do, quinta canção do alinhamento do álbum e que piscando o olho à eletrónica dos anos oitenta, carateriza-se como uma alegoria pop extravagante e irresistivelmente dancável, que acaba de ter direito a um extraordinário vídeo que mostra os You Can't Win, Charlie Brown de bem perto, com produção dos We Are Plastic Too e realização de Afonso Cabral.

Os You Can't Win, Charlie Brown vão mostrar este e outros temas no palco Nos do Nos Alive, já amanhã, dia seis de julho e por todo o país durante o verão, com passagens marcadas para o Vodafone Paredes de Coura, Douro Rock e Feira de São Mateus, entre outros. Confere...


autor stipe07 às 18:17
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Terça-feira, 4 de Julho de 2017

Abram Shook – Love At Low Speed

Depois dos fantásticos Sun Marquee e Landscape Dream, Abram Shook regressou em 2017 aos discos com Love At Low Speed, dez canções que deverão certamente muito do seu conteúdo e da sua alma a uma estadia recente do músico na Europa, com passagem demorada no nosso país. Penitencio-me desde já publicamente por não ter estado com Shook durante a sua presença por Portugal na última primavera, mas se a vida é feita muitas vezes de encontros fortuítos, também é, infelizmente, assídua em desencontros inevitáveis, porque quer a vida pessoal quer a vida profissional não propiciam, com frequência, a que possamos estar onde queremos e quando desejamos.

Resultado de imagem para Abram Shook 2017

A ideia romântica da busca espiritual do nosso âmago sempre fez parte do imaginário de quem desde muito cedo se habituou a ser sistematicamente auto reflexivo e a exigir mais do que o normal quer de si próprio quer do mundo que o rodeia. E Shook é um indivíduo que tem bastante impressa em si esta filosofia. Este músico e compositor natural de Austin, no Texas e tendo crescido em Santa Cruz, na Califórnia, desde muito novo sentiu alguma dificuldade em perceber qual o seu lugar neste mundo e, tendo a felicidade de ter condições materiais para isso, aventurou-se pelo mundo numa odisseia espiritual que ainda hoje prossegue e que lhe tem permitido absorver várias culturas e perceber outras realidades, algo que se reflete nas canções que cria.

Estas duas facetas, a musical e a de viajante, vão, álbum após álbum, aprimorando a sua particular minúcia relativamente ao modo impressivo como relata acontecimentos reais ou fictícios e de um modo sempre algo romancista. Seja como for, está sempre muito presente o  muitas vezes o cariz autobiográfico, com canções como Lisbon ou The Hours a serem exemplos claros de relatos de instantes de estadia ou de transição entre lugares.

Abram é, nitidamente, um viajante que gosta de explorar o mundo musicalmente e dos sons que cria extrair diferentes sensações. Ele tem a pop de índole mais acústica como guia espiritual, mas acaba por cometer o pecado da gula quando também se serve de um imenso cardápio que, do jazz ao experimentalismo eletrónico e à psicadelia, abarca um vasto espetro referencial, principalmente ao nível dos detalhes e dos arranjos com que adorna os seus temas. Do baixo vibrante de No Return, às guitarras que piscam o olho ao rock setentista em Eventually, passando pela vibe surf de Machinery ou a tropicália de Device e o charme algo inquietante de Quiet Side, são vários os pontos altos de um disco que sendo, claramente, um compêndio intimista, também se mostra expansivo e luminoso e, em determinados instantes, detentor de um açucar muito próprio e um pulsar particularmente emotivo e rico em sentimento.

Love At Low Speeed é mais uma materialização concreta de melodias que vivem à sombra de uma herança natural típica de quem teve o jazz como elemento base da formação musical e quis reforçar, no terceiro capítulo da sua discografia, uma nova abordagem, desta vez mais orgânica, a diferentes géneros musicais, sendo confessadamente influenciado por nomes que são referências de géneros diversos, nomeadamente Shuggie Otis, Serge Gainsbourg ou o brasileiro Chico Buarque. Espero que aprecies a sugestão..

Abram Shook - Love At Low Speed01. The Hours

02. Eventually
03. Lies
04. Divinity
05. Red Lines
06. Machinery
07. No Return
08. Device
09. Lisbon
10. Quiet Side


autor stipe07 às 21:31
link do post | comenta / bad talk | The Best Of... Man On The Moon...
|
Segunda-feira, 3 de Julho de 2017

Arcade Fire – Signs Of Life

Arcade Fire - Signs Of Life

Três anos depois do excelente Reflektor e de dois discos a solo de Will Butler, os canadianos Arcade Fire apostam muita da sua reputação num disco que chega daqui a umas semanas e que, de acordo com as várias amostras já divulgadas, além de parecer vir a tornar-se num claro manifesto político e de protesto ao novo rumo tomado pelo país vizinho do Canadá de onde são originários, aponta o grupo, definitivamente, rumo a sonoridades de cariz eminentemente pop, com o modo contemporâneo como a herança oitocentista tem estado em ponto de mira, não só no que concerne ao uso dos sintetizadores, mas também à maior predominância do baixo na condução melódica a serem aspetos muito presentes e marcantes.

A mais recente canção divulgada pelos Arcade Fire chama-se Signs Of Life e logo nos sopros e no baixo que antecedem a batida que depois conduz a canção que também conta com um teclado rugoso com uma intensidade firmemente sintética, prova, à semelhança dos temas anteriormente divulgados, que esta filosofica mais pop está a oferecer aos Arcade Fire uma nova aúrea, completamente remodelada, que também pisca o olho às pistas de dança, um pouco à semelhança do que já sucedia em Reflektor. Confere...


autor stipe07 às 13:37
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|
Sábado, 1 de Julho de 2017

Minta & The Brook Trout - Slow

A indie pop indulgente e deliciosa de Francisca Cortesão e o seu projeto Minta & The Brook Trout está de regresso em 2017 com Slow, o terceiro registo de originais deste projeto ímpar no panorama alternativo nacional. Slow é a primeira edição de Minta & The Brook Trout à boleia da Norte Sul/Valentim de Carvalho e teve também uma reedição em vinil, que viu a luz do dia no passado mês de maio, acompanhada por uma série de novidades, entre elas um EP intitulado Row, com três temas, Tropical Resort, So This Has To Do e Mild-Mannered Man, que acabam por deixar já algumas pistas sobre o próximo registo do projeto.

Resultado de imagem para Minta & The Brook Trout 2017

Disco embelezado por indíssimas ilustrações da autoria de José Feitor, Slow contém onze deliciosas canções adornadas por uma tranquilidade acústica, uma filosofia estilística que logo no baixo e no banjo de Bangles impressiona e fica exemplarmente descrita. Daí em diante, o arquétipo das canções é guiado por guitarras, ora límpidas, ora plenas de efeitos eletrificados algo insinuantes e sempre com uma profunda gentileza sonora.

Slow acaba por impressionar como um todo, mas há uma ou outra canção que merece audição mais cuidada para que se expresse no nosso âmago com toda a ternura que merece. Assim, se em Plaid And Denim quer a soul da guitarra quer a gentileza subtil da bateria ficam a ressoar dentro de nós muito depois da canção terminar, mais adiante, em Sand, contemplamos um belíssimo tratado de folk acústica onde a simplicidade melódica coexiste com uma densidade sonora suave e depois, canções como a cândida e intimista Light Blues Blues ou o minimalismo suave delicioso de I Can't Handle The Summer, são exemplos extraordinários de temas que transbordam uma majestosa e luminosa melancolia.

Acompanhada por Mariana Ricardo, Bruno Pernadas, Margarida Campelo e Nuno Pessoa, entre outros, em Slow Francisca Cortesão afirma-se como uma compositora ímpar no panorama indie nacional e o modo como neste projeto Minta & The Brook Trout a guitarra com cordas de nylon é dedilhada com mestria e consegue enriquecer as harmonias sem complicar, criando um ambiente sonoro descontraído e algo minimal, mas extremamente rico, impressiona e instiga não deixando indiferente quem se oferece ao prazer de escutar com deleite este alinhamento. E à medida que a voz de Francisca se estende pelas melodias das canções, sem pressas ou amarras, solidão, melancolia e inadaptação positiva ao amor e a outros cânones sociais estabelecidos desfilam por letras que versam sobre estes e outros temas comuns, algo que até nem é de estranhar já que é normal encontrar esta autora, a antítese de uma estrela pop, numa loja da esquina, a fazer a sua vida rotineira, como uma cidadã comum.

Francisca tem como virtude maior o facto de compor valendo-se, acima de tudo, das suas próprias experiências. É curioso, intenso e impressivo o modo como escreve assumindo-se como cobaia dos seus próprios pensamentos, além de servir-se de todos aqueles que a rodeiam também como testemunhas e referências do seu cardápio, quer lírico quer sonoro, sempre com um resultado final avassalador e tremendamente reflexivo. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 11:57
link do post | comenta / bad talk | See the bad talk... (1) | The Best Of... Man On The Moon...
|

eu...


more about...

Follow me...

. 51 seguidores

Powered by...

stipe07

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Parceria - Portal FB Headliner

Facebook

Man On The Moon - Paivense FM (99.5)

Em escuta...

Twitter

Twitter

Blogs Portugal

Bloglovin

Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30


posts recentes

Tame Impala – Currents B-...

Björk – Blissing Me

The Wombats – Lemon To A ...

Walk The Moon – What If N...

Plastic Flowers – Absent ...

Bruno Pernadas e Ricardo ...

Dear Telephone - Cut

Martin Carr - New Shapes ...

Grooms – Exit Index

Destroyer – Ken

Black Rebel Motorcycle Cl...

Franz Ferdinand – Always ...

Mano a Mano - Mano a Mano...

My Sad Captains – Sun Bri...

St. Vincent - Masseductio...

Walk The Moon – Headphone...

Grandfather's House - Div...

Hamilton Leithauser – Hea...

Paperhaus – Are These The...

MGMT – Little Dark Age

X-Files

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

tags

todas as tags

take a look...

I Love...

Os melhores discos de 201...

Astronauts - Civil Engine...

SAPO Blogs

subscrever feeds