Quarta-feira, 31 de Maio de 2017

Benjamim e Barnaby Keen - 1986

Nascido em 1986, Barnaby Keen é um músico britânico, mentor e membro de vários projetos, entre eles os Flying Ibex e os Electric Jalaaba, além de já ter colaborado com nomes como Andreya Triana, Kate Tempest, Kimberly Anne, Hudson Taylor e os Bastille. Também nascido em 1986, Benjamim é já um velho conhecido deste blogue, principalmente por causa de Auto Rádio, disco que lançou em nome próprio em 2015, mas também por ter produzido ou tocado em álbuns de vários nomes consagrados do nosso panorama musical como B Fachada, Lena d'Água, Márcia, Éme, Pista, Golden Slumbers, João Coração, Frankie Chavez, Cassete Pirata ou Flak, entre outros. Reza a lenda que os dois músicos cruzaram-se pela primeira vez em 2012, num cinema de Brixton, no sul de Londres e selaram amizade a partir do gosto comum por um disco de Chico Buarque. Barnaby Keen viveu no Brasil durante seis meses, onde descobriu o amor pela língua portuguesa e pelos mestres do samba e da bossa nova. Agora, em 2017, ambos uniram esforços para incubar 1986, um disco gravado em duas sessões no estúdio 15A, casa da Pataca Discos e que contou com a participação de Sérgio Costa na flauta, Leon de Bretagne no baixo e António Vasconcelos Dias nas vozes.

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Registo discográfico bilingue, 1986 encarna um delicioso exercício de complementaridade e simbiose, audível nos instantes em que Benjamim faz coros em inglês das canções de Barnaby e este empresta a sua voz com um sotaque muito sui generis para fazer vozes em português nas canções de Benjamim. Os dois ocupam-se também da componente instrumental e tocam quase tudo nos temas um do outro, escolhendo o melhor das suas capacidades, seja no saxofone, no piano ou na bateria.

1986 mistura rock, folk, rock e a indie pop de cariz mais experimental e contém ideias expostas com enorme bom gosto, uma ímpar sensibilidade e um intenso charme que parecem não se importar de transmitir uma óbvia sensação de despreocupação, algo que espalha um inconfundivel carimbo de qualidade, ainda maior pela peça em si que este disco representa, principalmente para os autores. Logo no looping da batida plena de groove de Warm Blood e no solo de saxofone desse tema, ficam marcadas as grandes diretrizes de um álbum que explora até à exaustão e sem reservas o modo como os dois músicos se relacionam musicalmente. E depois, na luminosidade das cordas que conduzem o esplendor orgânico e lo fi de Dança Com Os Tubarões e na míriade de efeitos que dão cor à contemplativa All I Want, dois singles entretanto retirados de 1986, assiste-se à assunção plena até às estrelas de uma parceria que deve, a qualquer preço, fazer parte do nosso catálogo pessoal de canções que servirão da banda sonora para o verão que se aproxima.

Um dos maiores impulsos que muitas vezes os músicos enfrentam quando se coligam é, na diversidade de visões, acharem que as parcerias só resultam se houver uma fuga à zona de conforto de cada um. Neste caso, o oposto acabou por ser a opção mais acertada e quem conhece o percurso destes dois músicos, além de não estranhar a sonoridade geral de 1986, delicia-se com o modo simples, mas eficaz e bonito como ela se entranha no âmago e, fazendo sorrir, na forma como deixa uma marca indelével. Os sussurros que acompanham o refrão da enternecedora Terra Firme ou o modo como em Madrugada as teclas rodeiam as cordas e disparam em diferentes direções flashes que acabam por atingir sempre no nosso peito o mesmo alvo, não são mais do que outros exemplos desta pessoalidade comunicativa feita de proximidade, porque é genuína e sentida. Só dois músicos realmente amigos e camaradas de emoções é que conseguem exalar tal majestosidade sentimental de forma tão profunda, através de canções imbuídas de um misto de fulgor e pueril simplicidade. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 17:58
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Terça-feira, 30 de Maio de 2017

Paper Beat Scissors - All We Know EP

Vocalista, compositor e instrumentista, Tim Crabtree é o lider dos Paper Beat Scissors, um projeto que chega de Halifax, no Canadá e que lançou no passado dia vinte e sete de maio um EP intitulado All We Know, o primeiro sinal de vida criativa deste músico desde o excelente álbum Go On, editado em 2014 através da Forward Music Group/Ferryhouse. All We Know contém seis canções misturadas por Sandro Perri e para a gravação das mesmas Tim contou com a colaboração de Pietro Amato e Sebastian Chow, seus colaboradores de longa data, mas também de Marshall Bureau, Michael Feuerstack, JJ Ipsen, Andy Magoffin e Pemi Paull.

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Com cerca de uma década de carreira e uma fantástica aceitação dos dois lados do atlântico, o projeto Paper Beat Scissors atinge com este EP, gravado na zona rural de Ontario com a ajuda do engenheiro de som Andy Magoffin (longtime engineer for Great Lake Swimmers) e Richard Reed Parry (habitual colaborador dos Arcade Fire), o ponto mais alto de um percurso meritório e que merece ser escutado com alguma devoção.

Logo na soul da guitarra do tema homónimo percebe-se a enorme sensibilidade e o intenso sentido melódico deste extraordinário músico e compositor. Detentor de um registo vocal também ímpar e capaz de reproduzir variados timbres e diferentes níveis de intensidade, Crabtree tem um dom que certamente já terá nascido consigo e que se define pela capacidade de emocionar com canções que carregam quase sempre uma indisfarçável emoção e uma saudável dose de melancolia, onde não falta, como se percebe na guitarra rugosa de Better, uma dose de epicidade que faz todo o sentido quando o universo sonoro replicado procura replicar sentimentos fortes que exigem uma implacável e sedutora sensação de introspeção e melancolia mitológica.

Até ao ocaso de All We Know EP, na indulgente percussão e no doce algodão a que sabe a voz de Tim quando nos embala em Gone And Forgotten, ou no contemplativo dedilhar das cordas e no efeito que ciranda por elas em What Am I Going To Do With Everything I Know (The Weather Station), deliciamo-nos com o modo exímio como este músico canadiano utiliza toda uma orgânica instrumental e vocal para dar vida a poemas lindíssimos, através da inserção de diferentes texturas, muitas vezes em várias camadas de sons. Mesmo quando opta por  arriscar em instantes mais eletrificados, alguns deles particularmente rugosos, o autor não coloca em causa a estética delicada do projeto, graças também ao tal registo vocal doce e profundo.

All We Know EP é mais uma excelente rampa de lançamento para acedermos à dimensão superior onde os Paper Beat Scissors nos sentam, através de uma coleção de canções que constituem uma daquelas preciosidades que devemos guardar com carinho num cantinho especial do nosso coração. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 16:50
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Segunda-feira, 29 de Maio de 2017

Splashh – Waiting A Lifetime

Depois do excelente Comfort, o registo de estreia, os Splashh estão de regresso com Waiting A Lifetime, o segundo álbum de um quarteto sedeado em Londres mas com diferentes proveniências que depois se refletem, claramente, na sonoridade do grupo. Formados em 2012 pela iniciativa da cantora e guitarrista Sasha e do guitarrista Toto Vivian, aos quais se juntaram o também neozelandês Jacob Moore na bateria e o baixista Thomas Beal, são uma das bandas mais excitantes e independentes do cenário indie britânico e estas suas novas dez canções atestam-no com veemência.

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Quatro anos depois de uma auspiciosa estreia, certamente teria sido mais simples para os Splashh terem seguido o rumo de Comfort, um disco que aliava o grunge ao punk rock direto e preciso, com um travo de shoegaze e alguma psicadelia lo fi, numa espécie de space rock, mas a verdade é que neste novo capítulo a opção foi infletir, não numa direção oposta, mas no sentido de aprimorar, expandir e até testar os limites criativos de uns Splashh agora menos diretos e concisos e mais experimentalistas e progressivos.

Para quem conhece de fio a pavio o conteúdo de Comfort, logo nos loopings da percussão e no fuzz da guitarra de Rings, impressiona-se com a riqueza e a diversidade do novo contexto sonoro do grupo, mais burilado, límpido e altivo. Este alargamento do espetro sonoro justifica-se depois através de um exercício comparativo simples e objetivo entre várias canções; Assim, se em Closer o timbre metálico da guitarra inquieta pela pujança e pelo pendor psicadélico, já em Look Down to Turn Away uma batida minimal crescente e um reverb vocal são elementos que tipificam uma eletrónica de cariz mais ambiental, apesar da mudança brusca que o tema sofre em determinado momento, rumo a uma atmosfera mais trance e progressiva. De referir ainda a homónima Waiting A Lifetime, uma canção direta e acelerada, cheia de guitarras em looping e que disparam em todas as direções, acompanhadas por uma bateria que não desarma nem dá descanso e o clima majestoso e visceral de Under The Moon. São mais dois temas capazes de clarificar o ouvinte acerca da tonalidade espacial, experimental e psicadélica que a banda criou neste seu novo trabalho.

Disco que apresenta constantemente duas faces completamente opostas, Waiting A Lifetime é pura adrenalina sonora, um exercício bem sucedido de afirmação de um ecletismo e de uma superior capacidade criativa, por parte de uma banda que acrescenta à sua bagagem sonora novas e belíssimas texturas, que aprimoram o cariz fortemente experimental que faz já parte do ADN de quem olha para o rock com independência e sem rodeios, medos ou concessões, fazendo-o com um espírito aberto e criativo. Espero que aprecies a sugestão...

Splashh - Waiting A Lifetime

01. Rings
02. See Through
03. Gentle April
04. Come Back
05. Honey and Salt
06. Look Down To Turn Away
07. Waiting A Lifetime
08. Closer
09. Under the Moon
10. No 1 Song In Hell


autor stipe07 às 18:36
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

!!! - Shake The Shudder

Lançado no passado dia dezanove através da Warp Records, Shake The Shudder é o novo tomo discográfico dos norte-americanos !!! (Chk Chk Chk), um coletivo liderado por Nick Offer, ao qual se juntam atualmente Mario Andreoni, Dan Gorman, Paul Quattrone e Rafael Cohen. Este é o sétimo disco da carreira de um dos nomes fundamentais do punk rock do novo milénio e talvez um dos melhores trabalhos da carreira deste grupo já com duas décadas de vida, formado em 1995 das cinzas dos míticos  Black Liquorice e dos Popesmashers.

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Salvo algumas excepções de nomeada, nomeadamente nomes como os LCD Soundsystem, The Juan Maclean, os The Rapture ou os próprios Thee Oh Sees, o espetro sonoro em que os !!! (Chk Chk Chk) se movimentam ganhou um fôlego enorme no início deste século, mas tem vindo a perder terreno no seio do rock alternativo. É um receituário que serve-se, geralmente, de linhas de baixo encorpadas, riffs de guitarra pulsantes e batidas muitas vezes sintetizadas com o intuíto de fazer dançar todos aqueles que gostam de abanar a anca mas deprezam terrenos sonoros como o house, o discosound e afins. Hoje em dia, além do anunciado regresso da banda de James Murphy aos discos e da manutenção da pujança do coletivo liderado por John Dwyer, os !!! (Chk Chk Chk) serão talvez o projeto que ainda se consegue manter nas luzes da ribalta e assumir um protagonismo na defesa dos interesses de uma sonoridade que, sendo bem burilada é, sem dúvida, uma das mais atrativas no universo do rock.

A miscelânea assertiva entre rock e eletrónica que os !!! (Chk Chk Chk) nos oferecem neste Shake The Shudder, fica plasmada logo desde o início. Se o ligeiro travo R&B de The One2 é uma daquelas típicas canções de início de festa, com o falsete vocal e a batida seca a puxarem-nos sedutoramente para debaixo da bola de espelhos, depois o domínio do rock faz-se sentir em Dancing Is The Best Revenge, tema onde sobressai um aditivo refrão e que é conduzido por uma simples linha de baixo, acompanhada por uma bateria enleante e guitarras insinuantes, com a eletrónica a tomar as rédeas de NRGQ, canção adornada por guitarras de inspiração oitocentista e onde a voz de Lea Lea aprimora o travo vintage de um tema onde cabedal e lantejoulas se misturam sem pudor. E, logo nesse arranque ficam desfeitas todas as dúvidas sobre a boa forma dos !!! (Chk Chk Chk) e o modo como ainda nos fazem dançar e vibrar com ímpeto, quase até à exaustão, além de serem canções que plasmam o enorme talento de Nick Offer, quer como escritor quer como compositor e, principalmente, como agitador.

A partir daí, no sintético groove negro de Things Get Hard, na afirmação do baixo como verdadeira locomotiva do som dos !!! (Chk Chk Chk) no pós punk de Throw Yourself In The River e no modo inédito como o trombone desafia a acidez dos outros arranjos que vagueiam pela espetacular melodia que sustenta R Rated Pictures, espraia-se nos nossos ouvidos e vibra de alto a baixo um álbum que não serve para as pistas de dança convencionais, mas que é perfeito para quem pretende abanar a anca ao som de uma sonoridade um pouco mais ortodoxa e exigente, mas tanto ou mais recompensadora. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:40
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017

Girlpool - Powerplant

As norte americanas Girlpool são Cleo Tucker e Harmony Tavidad, uma dupla de jovens adolescentes californianas que se juntou em 2013 para fazer música e que se estreou dois anos depois nos discos com o excelente Before The World Was Big. Era um alinhamento de canções com uma forte componente autobiográfica e cuja temática, expetavelmente, se debruçava sobre os típicos dilemas existenciais de duas jovens que partilham um olhar muito próprio acerca da feminilidade e que não se coibem de, além da componente reflexiva, também expor experiências e factos vividos. Era um disco com uma sonoridade algo minimal, já que o baixo e a guitarra eram os dois únicos suportes de canções eminentemente introspetivas e com uma tonalidade bastante suave. Agora, dois anos depois, as Girlpool regressam com Powerplant, um disco que mantendo o mesmo conceito estilístico e sonoro, amplia, no entanto, os horizontes da dupla, que se apresenta mais madura e com novos arranjos e detalhes que vale a pena conferir.

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Powerplant abre com 123, uma canção que começa por impressionar pelo modo como Tucker e Tavidad dialogam vocalmente e que depois se torna vigorosa e até algo visceral, marcando-se, logo aí, uma clara diferença, em termos de ruído, com o conteúdo geral do disco de estreia. E depois, basta escutar atentamente o sereno dedilhar inicial da viola da conflituosa Sleepness e o modo como ela se eletrifica, para se tornar óbvio que houve aqui um propósito inicial de marcar a diferença com o antecessor, através de um som mais rugoso e encorpado. Seja como for, a melancolia sedutora que vagueia pelo efeito metálico da guitarra de Your Heart, canção sobre as habituais peripécias de um casal, ou a angústia latente nas variações rítmicas e na distorção de It Gets More Blue, elucidam-nos que Powerplant segue o objetivo claro desta fase inicial da carreira das Girlpool e que é, numa atitude confessional, aproximarem-se o mais possível daquilo que são as vivências habituais de qualquer um de nós que passou ou está a passar por aquela idade em que o amor é ainda um grande mistério e que para ser bem minimamente entendido opta-se, muitas vezes, pelo mecanismo tentativa vs erro até que este mistério chamado amor fique menos nebuloso. 

Álbum com uma intimidade muito própria e com um ambiente bastante acolhedor, Powerplant impressiona pelo efeito de espelho que poderá ter em quem o escuta de modo dedicado, ao mesmo tempo que reforça um estilo sonoro e uma abordagem ao indie rock com algumas caraterísticas bem marcadas e difíceis de encontrar em outros projetos similares. A simplicidade do baixo e da guitarra, o modo e a rapidez como esta transita do acústico ao elétrico e o recurso constante às vozes em coro são bons exemplos do modo assertivo com que as Girlpool nos incitam à reflexão. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:06
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2017

Mac Demarco - This Old Dog

O canadiano Mac Demarco está de regresso aos discos com This Old Dog, treze canções abrigadas à sombra da Captured tracks e que mantendo aquela vibe um pouco descontraída e informal e o carisma irónico e bem humorado que carateriza o cardápio sonoro deste autor, transparecem, desta vez, uma faceta um pouco mais humana, séria e melancólica que o habitual.

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O indie rock de cariz eminentemente lo fi e que em Mac Demarco sustenta grande parte do seu adn em acordes de violas simples e solarengos e em algumas distorções inspiradas, continua a ser o sustento fundamental de This Old Dog, uma herança feliz que a profundidade emocional do modo como voz e guitarra se entrelaçam em Sister, canção com um final repentino que incomoda, mas também que a indulgência perene dos acordes de Dreams For Yesterday, o classicismo pop setentista de Baby You’re Out e a harmónica que ciranda por Wolf in Sheep’s Clothes, salvaguardam com notável mestria e, de modo algo inédito neste artista, com uma dimensão introspetiva pouco usual.

Mas os sintetizadores também estão cada vez mais presentes na dinâmica estilística de Demarco, principalmente desde que se tornaram num elemento chave de recriação sonora em Some Other Ones, um dos álbuns mais injustiçados da carreira do músico. E neste seu novo tomo também foram preponderantes em determinados momentos, na recriação da atmosfera conceptual pretendida. Assim, em This Old Dog, o sintetizador ameno com certo travo épico e saudosista de Watching Him Fade Away, o modo como surpreende no devaneio vintage que as teclas incorporam na curiosa On The Level e, em oposição, o posicionamento do mesmo na cândura suave da lindíssima melodia que conduz For The First Time, são três esclarecedores exemplos do modo como as teclas, mesmo parecendo estar um pouco na sombra das guitarras, são, atualmente, uma ferramenta intimamente ligada à maneira como Demarco oferece despojadamente a sua música.

Disco com uma personalidade muito própria e bastante vincada, This Old Dog renova o modo particular como Mac Demarco costuma apresentar-se aos seus seguidores, oferecendo um pouco mais de si, na medida em que expôe com maior clareza sentimentos e opiniões sobre eventos e factos quotidianos que testemunha ou protagoniza, mas também mostrando uma superior dose de maturidade que acaba por deixar a sua carreira numa espécie de encruzilhada, no sentido positivo do termo. Aguarda-se, seneramente, os próximos discos para saber se esta inflexão temática terá continuidade ou foi apenas um ligeiro e bem sucedido desvio. Espero que aprecies a sugestão...


autor stipe07 às 00:25
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Terça-feira, 23 de Maio de 2017

Sleep Party People – The Sun Will Open Its Core

Sleep Party People - The Sun Will Open Its Core

Lingering, o novo registo de originais dos projeto Sleep Party People do dinamarquês Brian Batz, chega aos escaparates a dois de junho, à boleia da Joyful Noise Recordings e não receio arriscar que poderá muito bem ser um dos melhores discos de 2017. O álbum contará com as participações especiais de Peter Silberman dos The Antlers e Beth Hirsch que emprestou a sua voz a alguns dos temas mais emblemáticos de Moon Safari, a obra-prima dos franceses Air.

Construída em redor de um muro sónico de batidas e sons sintetizados plenos de luz e harmonia, The Sun Will Open Its Core é o mais recente single divulgado de Lingering, canção onde mais uma vez Batz olha para o interior da alma e incita os nossos desejos mais profundos, como se cavasse e alfinetasse um sentimento em nós, impulsionado por uma filosofia sonora que explora uma miríade instrumental alargada e onde a vertente experimental assume uma superior preponderância ao nível da exploração do conteúdo melódico. Na canção a letra também é um elemento vital, tantas vezes o veículo privilegiado de transmissão da angústia que frequentemente invade Batz. Confere...


autor stipe07 às 09:42
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Sábado, 20 de Maio de 2017

Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly, James McAlister – Mercury

Um dos registos discográficos que é aguardado com maior expetativa nas próximas semanas intitula-se Planetarium, um álbum conceptual sobre o sistema solar, que irá ver a luz do dia a nove de junho através da 4AD, com a assinatura dos músicos norte americanos Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly e James McAlister.

Com dezassete temas num alinhamento que podes conferir abaixo e que têm vindo a ser trabalhadas pelo quarteto desde 2013, depois de uma performance no Brooklyn Academy Of Music, em Nova York, Planetarium será, certamente, uma gloriosa e cósmica viagem sonora pelos recantos do nosso sistema planetário, à boleia de um conjunto de canções que do rock progressivo à pop construída em redor de pianos melancólicos, aglutinará também no seu âmago uma forte veia eletroacústica algo suave e adocicada, como se percebe, por exemplo, em Mercury, o mais recente tema divulgado do disco e já com direito a um vídeo a preto e branco, assinado por Deborah Johnson. Confere... 

01 Neptune
02 Jupiter
03 Halley’s Comet
04 Venus
05 Uranus
06 Mars
07 Black Energy
08 Sun
09 Tides
10 Moon
11 Pluto
12 Kuiper Belt
13 Black Hole
14 Saturn
15 In the Beginning
16 Earth
17 Mercury


autor stipe07 às 00:24
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Sexta-feira, 19 de Maio de 2017

Mando Diao – Good Times

Os Mando Diao são uma banda de rock alternativo formada em 2001 com origem em Borlänge, na Suécia e constituida por Björn Dixgård, Gustaf Norén, CJ Fogelklou e Mats Björke. O grupo ganhou fama após o lançamento do segundo álbum Hurricane Bar, mas só os conheci em 2009 quando, em Give Me Fire, se podia ouvir Gloria e Dance With Somebody, dois temas que me fizeram querer saber mais sobre eles e que os colocaram definitivamente no meu radar.

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Depois da transformação sonora que operaram em 2011, quando se juntaram a Gustaf Frönding, poeta sueco, e trabalharam em poemas com música para criar Infruset, o primeiro álbum da banda cantado em sueco e um disco essencialmente acústico e muito introspetivo, os suecos Mando Diao regressaram três anos depois com Aelita, um registo onde voltaram a ligar os amplificadores e os sintetizadores e a apostar na típica sonoridade que definia o glam rock que fez escola há trinta anos atrás em muitas bandas nórdicas. Agora, em 2017, voltam à carga com Good Times, mais uma escalada sonora e vertiginosa ao universo indie rock, cheio de adrenalina e com uma forte filosofia garageira, talvez o território onde este quarteto sueco se sente mais confortável.

Lançado no passado dia doze, Good Times faz uma espécie de balanço de todos os territórios sonoros que os Mando Diao já calcorrearam, apesar das caraterísticas gerais acima referidas, com as suas doze canções a conseguirem um eficaz balanço entre alguns traços da new wave que sobressairam em Hurricane e, principalmente, em Give Me Fire e aquele rock mais cru e experimental que sustentou Aelita. Esta filosofia de Good Times acaba por revigorar e proporcionar outro lustro ao catálogo sonoro destes suecos, com a adição de detalhes sintetizados que não descuram a forte presença de plumas e lantejoulas movidas a sintetizadores e alguns arranjos extra a linhas agressivas de guitarra e ao baixo encorpado a proporcionarem um bálsamo e um colorido mais funk a temas como Shake, Money, ou o homónimo.

Mas o arquétipo sonoro em que sobrevivem estas três composições não esgota o acervo criativo dos Mando Diao, constituindo apenas uma pequena parte do arsenal bélico com que eles nos sacodem em Good Times. Existem outros detalhes que também traduzem, na forma de música, a mente criativa de quatro músicos que pensam e sentem, nomeadamente quando questionam alguns cânones elementares ou verdades insofismáveis do nosso mundo e que merecem ser salientados. Assim, na visceralidade aconchegante da batida e das guitarras do rugoso punk que ilumina Dancing all The Way to Hell e no modo curioso como a voz de Björn Dixgård é manipulada na alegoria pop solarenga transmitida por Voices On The Radio, completa-se toda uma profusão de sons, estilos, ruídos e poeiras sonoras que abastecem este registo que não sendo a reinvenção da roda é, no entanto, uma excelente adição ao catálogo dos Mando Diao. Good Times valoriza-se pela originalidade simultaneamente vintage e contemporânea e por servir para provar, definitivamente uma identidade firme e coesa de uma banda que, ao oitavo disco, mostra que merece uma superior projeção. Espero que aprecies a sugestão...

Mando Diao - Good Times

01. Break Us
02. All The Things
03. Good Times
04. Shake
05. Money
06. Watch Me Now
07. Hit Me With A Bottle
08. Brother
09. Dancing All The Way To Hell
10. One Two Three
11. Voices On The Radio
12. Without Love


autor stipe07 às 10:37
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Quinta-feira, 18 de Maio de 2017

Steven Wilson – Pariah

Steven Wilson - Pariah

Mais conhecido pela sua contribuição ímpar nos projetos Porcupine Tree e Storm Corrosion, Steven Wilson tem também já uma profícua carreira a solo, que vai ver o seu quinto capítulo a dezoito de agosto próximo com a edição de To The Bone, o seu próximo registo discográfico. Este é um dos músicos que na atualidade melhor mistura rock progressivo e eletrónica, fazendo-o sempre com grandiosidade e elevado nível qualitativo. Aliás, basta escutar o antecessor Hand. Cannot. Erase.,(2015) ou a obra-prima The Raven That Refused To Sing (And Other Stories) (2013), para se perceber como Steven Wilson é exímio nessa mescla e como convive confortavelmente com o esplendor e a grandiosidade, não tendo receio de arriscar, geralmente com enorme dinâmica e com uma evidente preocupação pela limpidez sonora.

Com a participação especial da israelita Ninet Tayeb, que já tinha feito parte dos créditos de Perfect Life e Routine, dois dos melhores temas de Hand. Cannot. Erase., Pariah é o primeiro single divulgado de To The Bone, uma canção que impressiona pela riqueza melódica e por uma assertiva conexão entre belas paisagens acústicas e instantes de fulgor progressivo, enquanto se debruça sobre alguns dos medos e paranóias do mundo moderno e a dependência que todos sentimos da tecnologia, duas ideias transversais ao restante alinhamento do disco, conforme confessou o autor recentemente (My fifth record is in many ways inspired by the hugely ambitious progressive pop records that I loved in my youth. Lyrically, the album’s eleven tracks veer from the paranoid chaos of the current era in which truth can apparently be a flexible notion, observations of the everyday lives of refugees, terrorists and religious fundamentalists, and a welcome shot of some of the most joyous wide-eyed escapism I’ve created in my career so far.) Confere...


autor stipe07 às 09:40
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